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Resumo de Direito Constitucional

O que é o Direito Constitucional

Para um bom resumo de Direito Constitucional, é preciso, antes de tudo, saber


o que é Direito Constitucional.

O Direito Constitucional é o ramo do Direito que expõe, interpreta e sistematiza


os princípios e normas fundamentais do Estado. Tem por objeto o estudo do
Poder, sua organização, estruturação, limitação.

Conforme nos ensina o professor Miguel Reale (2002):

O Direito Constitucional tem por objeto o sistema de regras referente à


organização do Estado, no tocante à distribuição das esferas de competência do
poder político, assim como no concernente aos direitos fundamentais dos
indivíduos para com o Estado, ou como membros da comunidade política.

Miguel Reale

No conceito do professor José Afonso da Silva (2002), Direito Constitucional é o


ramo do Direito Público que expõe, interpreta e sistematiza os princípios e
normas fundamentais do Estado. Seu conteúdo científico abrange as seguintes
disciplinas:

• Direito constitucional positivo ou particular: é o que tem por objeto o


estudo dos princípios e normas de uma Constituição concreta, de um
Estado determinado, compreende a sistematização e crítica das normas
jurídico-constitucionais desse Estado, configuradas na Constituição
vigente, nos seus legados históricos e sua conexão com a realidade
sociocultural.
• Direito constitucional comparado: é o estudo das normas jurídico-
constitucionais positivas (não necessariamente vigentes) de vários
Estados, preocupando-se em destacar as singularidades e os contrates
entre eles ou grupo deles.
• Direito constitucional geral: delineia uma série de princípios, conceitos
e instituições que se encontram em vários direitos positivos, ou um grupo
deles, para classificá-los e sistematizá-los numa visão unitária; é uma
ciência que visa generalizar os princípios teóricos do direito constitucional
particular e, ao mesmo tempo, constatar pontos de contato e
independência do direito constitucional positivo dos vários Estados que
adotam formas semelhantes de governo.

No Direito atual, os poderes do Estado são estatuídos em função dos imperativos


da sociedade civil, isto é, em razão dos indivíduos e dos grupos naturais que
compõem a comunidade. Por outras palavras, o social prevalece sobre o estatal.
Esta é a orientação seguida na Constituição de 1988, que está vigente no Brasil.

De outro lado, se prevalecem a atenção dispensada aos órgãos estatais,


segundo a forma de Estado adotada (Federação, ou Estado unitário) ou a forma
de governo vigente (Presidencialismo, ou Parlamentarismo, por exemplo) os
direitos individuais são tratados com grande amplitude. Não se determinam
apenas os direitos de cidadania, mas também os direitos sociais, desde os que
protegem a vida até os relativos à comunicação (Miguel Reale, 2002).

Essa é a disciplina que estuda de maneira aprofundada e sistematizada as


normas jurídicas, tendo como seu objeto de estudo a Constituição Federal. A
Constituição é a norma de maior importância dentro do ordenamento jurídico
brasileiro, todas as leis lhe devem obediência, por isso encontra-se sempre no
topo da hierarquia das leis e demais atos normativos.

DICA: anote o nome dos professores que vamos citando neste resumo de Direito
Constitucional. Eles são referências para você aprofundar seus estudos.

O que é uma Constituição

Constituição é a organização jurídica fundamental do Estado. Segundo o


professor José Afonso da Silva (2002):

É um sistema de normas jurídicas, escritas ou costumeiras, que regula a forma


de Estado, a forma de seu governo, o modo de aquisição e exercício de poder,
o estabelecimento de seus órgãos, os limites de sua ação, os direitos
fundamentais do homem e as respectivas garantias. Em síntese, a Constituição
é o conjunto de normas que organiza os elementos constitutivos do Estado.

José Afonso da Silva

Outro conceito é dado por Fábio Tavares Sobreira (2014):

As normas constitucionais são dotadas da característica da supra legalidade,


uma vez que possuem grau máximo de eficácia ou de positividade, fator que as
diferencia das demais normas que compõem o ordenamento jurídico. As normas
infraconstitucionais devem guardar uma relação de compatibilidade vertical com
as normas constitucionais, ou seja, os atos inferiores à Constituição devem estar
em conformidade com ela, sobre pena de serem inconstitucionais.

Fábio Tavares Sobreira

A Constituição da República Federativa do Brasil é a Lei fundamental e suprema


do país, foi promulgada em 5 de outubro de 1988, isto é, a Assembléia
Constituinte, formada por deputados e senadores eleitos pela população
brasileira, escreveu e aprovou uma nova Constituição, que também pode ser
chamada de Carta constitucional.

Em sentido político, a Constituição de 1988 pode ser considerada o auge de todo


o processo de redemocratização brasileiro. Ela é a sétima versão na história da
República. A promulgação da Constituição de 1988 marcou o início da
consolidação da democracia, após anos da ditadura militar.

São avanços importantes da Constituição de 1988:

• SUS como sistema único de saúde no país;


• Voto facultativo para cidadãos entre 16 e 17 anos;
• Maior autonomia para os Municípios
• Garantia de demarcação de terras indígenas;
• Lei de Proteção ao Meio Ambiente;
• Garantia de aposentadoria para trabalhadores rurais sem precisarem ter
contribuído com o INSS;
• Fim da censura a emissoras de rádio e TV (peças de teatro, jornais,
revistas, entre outros);
• Redução do mandato presidencial de cinco para quatro anos.

A Classificação das Constituições


Há diversas formas doutrinárias de se classificar as Constituições, sendo nesse
momento apresentado quatro formas de se analisar suas características (Marcus
Vasconcellos, 2011):

• Quanto à origem: será outorgada quando imposta por um ditador ou um


grupo de pessoas, sem a participação do povo (caso da Constituição
brasileira de 1824); considera-se democrática (promulgada) quando
elaborada com participação popular, na forma da democracia direta
(plebiscito ou referendo) ou de democracia representativa, em que o povo
escolhe os seus representantes – Assembleia Constituinte – e estes
elaboram a Constituição.
• Quanto à forma: será escrita (ou instrumental) quando formalizada por
um órgão específico para o desempenho dessa tarefa, sendo codificada
num documento escrito, único e solene; considera-se não escrita as
normas constitucionais não elaboradas em momento determinado e
específico, tampouco estão codificada em documento único: são
baseadas nos costumes, na jurisprudência (decisões dos tribunais), nas
convenções.
• Quanto à estabilidade: será imutável quando não puder sofrer
modificações em seu texto; considera-se rígida quando exige um
processo especial para modificação de seu texto, mais difícil do que o
processo de elaboração das demais leis do ordenamento; entende-se
como flexível quando permite modificação em seu texto pelo mesmo
processo legislativo de alteração das demais leis; e, por
fim, semirrígida se exige um processo mais complexo para a alteração
de parte de seus dispositivos, mas permite a mudança de certos
dispositivos por procedimento simples.
• Quanto ao conteúdo: será material (ou substancial) quando for o
conjunto de normas constitucionais escritas ou costumeiras (regras
elaboradas pelas práticas reiteradas de conduta social), inseridas ou não
num documento escrito, que regulam a estrutura do Estado, a
organização de seus órgãos e os direitos fundamentais, não admitido
como constitucional qualquer outra matéria que não tenha conteúdo
essencialmente constitucional; e, formal (procedimental) sendo o
conjunto de normas escritas, hierarquicamente superior ao conjunto de
leis comuns, independentemente de qual seja o seu conteúdo, isto é,
estando na Constituição, é formalmente constitucional – é o documento
escrito e solene oriundo da manifestação do constituinte originário.

A Constituição Federal Brasileira de 1988 é classificada como: Promulgada,


Escrita, Rígida e Formal.

A partir de agora vamos entrar mais detalhadamente na Constituição Brasileira.


Assim você poderá ter elementos mais específicos voltados para os diversos
concursos públicos, o nosso foco neste resumo de Direito Constitucional.

A Constituição Brasileira

Os princípios fundamentais apresentam a estrutura básica do Estado brasileiro


– são suas vigas mestras. Estão previstos no Título I da Constituição Federal de
1988 e compreendem: forma de governo, forma de Estado, regime político,
fundamentos, separação dos poderes, objetivos fundamentais e princípios de
relações internacionais.

O artigo 1º da Constituição Federal de 1988 assim está redigido: “A República


Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios
e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como
fundamentos: a soberania; a cidadania; a dignidade da pessoa humana; os
valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político”. As colunas
básicas da Constituição Federal são: a Federação (forma de Estado) e a
República (forma de governo).

Vamos passar a analisar cada um deles, de forma bem simplificada, aqui em


nosso Resumo de Direito Constitucional…

Forma de Estado da Constituição Brasileira: Federação

A Federação Brasileira é a forma mais íntima, perpétua e indissolúvel, que passa


a constituir uma só pessoa de direito público. É formada pela união indissolúvel
dos Estados, Municípios e Distrito Federal. Dessa formação surge a também a
União.

Isso porque, em um Estado federado, há repartição territorial do poder, gerando


vários entes autônomos (União, Estados, Municípios e Distrito Federal).

De acordo com o professor José Afonso da Silva (2006):

O modo de exercício do poder político em função do território dá origem ao


conceito da forma de Estado

José Afonso da Silva

Ainda, nas palavras de Pontes de Miranda (1999):

É uma forma de organização fundada na independência recíproca das


províncias, que se transformaram em Estados-membros, elevando-se à
categoria de Estados próprios, unicamente ligados pelo vínculo da mesma
nacionalidade e da solidariedade dos grandes interesses da representação e da
defesa exterior. É uma união de Estados que, no que se congregam, estatuem
uma só pessoa de direito, ao qual se subordinam, através da União, conservada
a sua autonomia.

Pontes de Miranda

A forma federativa possui quatro características básicas (Marcus Vasconcellos,


2011):

• Descentralização política: em sua organização política, a República


Federativa é formada pela União (ente central) e pelos Estados, Distrito
Federal e Municípios (entes descentralizados).
• Autonomia dos entes federativos: capacidade de autogoverno (o
povo do respectivo ente federado escolhe os seus
representantes); capacidade de autoadministração (há uma repartição
de competências administrativas); capacidade de auto-
organização (cada ente federado tem a liberdade, dentro dos limites
constitucionais, de estabelecer a própria estrutura por meio de
constituições estaduais e leis orgânicas; capacidade legislativa (cada
ente federado tem poder para elaborar as próprias leis, dentro das regras
de “repartição de competências” estabelecidas na CF).
• Não se admite o direito de separação ou secessão. Um estado-
membro não pode desligar-se dos demais entes federados.
• Existência de um órgão legislativo que represente os estados-
membros na União. No caso, o Senado Federal, que representa os
Estados e o Distrito Federal.

Antes de continuarmos, preciso saber: o que está achando deste resumo de


Direito Constitucional? Caso tenha dúvidas, sugestões e críticas, deixe um
comentário!
Regime Político da Constituição Brasileira: Democracia (República)

O parágrafo único da Constituição Federal deixa explícita a ideia de democracia


como regime político adotado no Brasil: “Todo o poder emana do povo, que o
exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta
Constituição”.

Nesse sentido, o povo é a fonte primária de todo o poder. A democracia repousa


na ideia de que o poder pertence ao povo, consagrando a soberania popular. A
forma de governo tem como finalidade organizar politicamente um Estado,
portanto são características básicas (Fábio Tavares Sobreira, 2014):

• Representatividade: o povo escolhe seus representantes;


• Eletividade: a escolha é feita através de voto, de eleições;
• Periodicidade: o representante exerce mandato temporário (4 anos);
• Responsabilidade: dever de probidade administrativa;
• Soberania Popular: o poder emana do povo e por ele é exercido.

São espécies de Democracia:

1. Direta, na qual o povo decide diretamente as matérias, sem a existência


de intermediários;
2. Representativa, em que o povo elege seus representantes, que, em
nome do povo, tomas as decisões;
3. Semidireta (ou participativa), que é uma combinação das anteriores,
pois há uma democracia representativa com mecanismos de democracia
direta, por meio de plebiscito, referendo e iniciativa popular.

No Brasil, adota-se a democracia semidireta. Apenas a fim de complementação,


seguem algumas definições:

• Plebiscito: A população é consultada sobre o que se deve fazer sobre


certo assunto;
• Referendo: A população é questionada sobre matéria legislativa já
pronta;
• Iniciativa Popular: Ocorre quando a população apresenta à Câmara dos
Deputados projeto de lei.

Fique atento a esses conceitos, eles caem em vários concursos públicos. A


depender do concurso que vá fazer, e da profundidade que exigem, o ideal é que
você entenda melhor cada um deles (num concurso para juiz, por exemplo, é
melhor ir muito além desse resumo de Direito).

Princípios Fundamentais – Artigo 1º da Constituição

Embora este seja apenas um resumo de Direito Constitucional, acho


imprescindível que o conteúdo tenha um olhar mais atento aos cinco primeiros
artigos da Constituição Federal. Eles são fundamentais para entender Direito
Constitucional no Brasil. Por isso, vamos lá!

São fundamentos da República Federativa do Brasil, previsto na Constituição:

1. A soberania;
2. A cidadania;
3. A dignidade da pessoa humana;
4. Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
5. O pluralismo político.

Explico cada um desses fundamentos.


A Soberania é o poder político que detém o Estado para, internamente, impor a
própria vontade e impedir a imposição de vontades externas. É um poder
supremo e independente. Suas características são: unicidade (em um Estado
não concorre mais de uma soberania); indivisível (apenas as funções do Estado
é que são divisíveis); e, indelegável (não pode ser entregue a outro Estado).

A Cidadania consiste no direito do cidadão de participar da vida política do


Estado, bem como de usufruir dos direitos fundamentais do Estado.

A Dignidade da pessoa humana determina que todos, independentemente de


qualquer situação, têm de ser tratados de forma digna. A ideia central parte do
disposto no inciso III do artigo 5º da CF, que determina que ninguém será
submetido a tratamento desumano ou degradante.

Os Valores sociais do trabalho e da livre-iniciativa referem-se ao direito do


trabalhador de escolher livremente seu trabalho, sendo-lhe garantida, ainda,
uma remuneração digna, que assegure a ele e a sua família uma vida com um
mínimo de decência. Já os valores da livre-iniciativa vinculam-se à ideia de que
o empresário tem o dever de oferecer condições dignas de trabalho para seus
trabalhadores.

O Pluralismo político garante a todas as pessoas liberdade para a formação de


opinião e para a conscientização acerca dos aspectos políticos de nossa
República.

Conclui-se que os fundamentos da República Federativa do Brasil são normas


de eficácia plena, ou seja, são aquelas que não necessitam de nenhuma
integração legislativa infraconstitucional, pois são dotadas de todos os
elementos necessários à sua imediata e integral aplicação. Produzem todos os
efeitos essenciais desde a entrada em vigor da Constituição. Nesse sentido, o
professor José Afonso da Silva (2002) afirma:

São as que receberam do constituinte normatividade suficiente a sua incidência


imediata. Situam-se predominantemente entre os elementos orgânicos da
Constituição. Não necessitam de providência normativa ulterior para sua
aplicação. Criam situações subjetivas de vantagem ou de vínculo, desde logo
exigíveis.

José Afonso da Silva

Separação dos Poderes: Artigo 2º da Constituição

Conforme dito anteriormente, o poder é uno e indivisível. No entanto dividem-se


em suas funções. Para Marcus Vasconcellos (2011) constitui um sistema de
freios e contrapesos (“checks and balances”), com a existência de um equilíbrio
entre essas funções como uma garantia do povo contra arbítrios, desmandos e
abusos.

A fim de evitar a concentração do poder nas mãos de uma única pessoa ou


órgão, foi necessário dividir as funções estatais (legislativa, executiva e
judiciária). Os Poderes são independentes, mas devem harmonizar-se entre si.

No entanto, para Fábio Tavares Sobreira (2014) cada um dos poderes exerce
sua função típica e, excepcionalmente, as funções dos outros Poderes. Trata-se
da “interpenetração dos Poderes”, ou seja: tanto o Legislativo quanto o Judiciário
exercem atipicamente funções administrativas (executivas) quando, por
exemplo, preenchem os cargos de suas secretárias, concedem férias a seus
funcionários, etc (arts. 51, IV e 96, I, alínea “f”, ambos da CF).
A separação dos Poderes, portanto, não impede que, além de sua função típica
(preponderante), cada um dos Poderes exerça tipicamente funções
aparentemente atribuídas com exclusividade a outro. A regra
é indelegabilidade de funções de um Poder para o outro. Quando admite
a delegação, a Constituição Federal o faz de forma expressa, a exemplo do
artigo 68 (leis delegadas).

De acordo com o artigo 2º da CF: “são Poderes da União, independentes e


harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”. Vejamos cada um
dos Poderes:

• Poder Legislativo: legislar (elaborar normas gerais e impessoais) e


controlar a atividade político-administrativa. Por exemplo, o Congresso
Nacional julga anualmente as contas prestadas pelo Presidente da
República). O principal papel do Poder Administrativo é elaborar leis, bem
como realizar o controle político do Poder Executivo. No âmbito Federal,
o Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, composto da
Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Por possuir duas Casas, o
Legislativo é bicameral. Nos Estados, Municípios e Distrito Federal, o
Poder Legislativo é unicamente composto por uma Casa,
respectivamente a Assembleia Legislativa, a Câmara Municipal e a
Câmara Distrital. Para entender o funcionamento do Poder Legislativo, os
artigos 44 a 75 da CF explicitam os procedimentos adotados e seguidos
por este.
• Poder Executivo: executar as leis (administrar). Cumpre a esse Poder o
exercício das chefias de Estado, de Governo e da Administração Pública
Federal. A chefia de Estado tem por objetivo a função de representação
do Estado Federal (República Federativa do Brasil) na comunidade
internacional e da unidade do Estado, em nível interno. A chefia de
Governo refere-se ao comando da máquina estatal e à fixação das metas
e princípios políticos que irão ser imprimidos ao Poder Público. No âmbito
estadual e do Distrito Federal, será exercido pelo Governador e no âmbito
municipal, pelos Prefeitos. O Poder Executivo tem como atribuição
principal a realização da função administrativa, ou seja, aprimorar, em
nível infralegal, os comandos normativos. Para entender o funcionamento
do Poder Executivo, os artigos 76 a 91 da CF explicitam os procedimentos
adotados e seguidos por este.
• Poder Judiciário: julgar e aplicar a lei diante da situação concreta. É
composto do conjunto de órgãos do Poder Público que têm a função típica
de aplicar a lei para solucionar litígios. Ao Poder Judiciário incumbe
tipicamente a função jurisdicional, que consiste na solução de conflitos de
interesses, através do devido processo legal. São princípios da jurisdição:
inércia, indeclinabilidade, indelegabilidade, inafastabilidade, do juiz
natural, do devido processo legal, entre outras. São órgãos do Poder
Judiciário: o Supremo Tribunal Federal, Conselho Nacional de Justiça,
Superior Tribunal de Justiça, Tribunais Regionais Federais e Juízes
Federais, Tribunais e Juízes do Trabalho, Tribunais e Juízes Eleitorais,
Tribunais e Juízes Militares, bem como Tribunais e Juízes dos Estados e
do Distrito Federal e Territórios. Para entender o funcionamento do Poder
Executivo, os artigos 92 a 110 da CF explicitam os procedimentos
adotados e seguidos por este.

Este é outro ponto fundamental, que precisa de aprofundamento. A separação


entre os poderes é um ponto chave no Direito Constitucional Brasileiro. Se for
possível, não perca a oportunidade de se aprofundar para além do que trazemos
neste resumo.

Objetivos fundamentais: Artigo 3º da Constituição


Os objetivos fundamentais são os pontos a serem almejados pela República
Federativa do Brasil. Devem constituir uma preocupação constante, até serem
alcançados. São eles:

1. Construir uma sociedade livre, justa e solidária;


2. Garantir o desenvolvimento nacional;
3. Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais
e regionais;
4. Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor,
idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Cada um desses pontos bem que pode ser cobrado em uma redação do seu
concurso, não é mesmo? Que tal escrever sobre cada um deles?

Princípios de Relações Internacionais: Artigo 4º da Constituição

A República Federativa do Brasil não é um Estado isolado do mundo. Mantém


com outros Estados e organizações internacionais relações de ordem
econômica, social, cultural, política. Tais relações são norteadas pelos seguintes
princípios:

1. Independência nacional;
2. Prevalência dos direitos humanos;
3. Autodeterminação dos povos;
4. Não-intervenção;
5. Igualdade entre os Estados;
6. Defesa da paz;
7. Solução pacífica dos conflitos;
8. Repúdio ao terrorismo e ao racismo;
9. Cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;
10. Concessão de asilo político.

O parágrafo único do artigo 4º da CF: “A República Federativa do Brasil buscará


a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina,
visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações”.

Esses são outros pontos que passamos superficialmente aqui em nosso resumo
de Direito Constitucional. Como nos outros casos já citados, aprofundar é muito
importante!

Direitos e Garantias Fundamentais: Artigo 5º da Constituição

Se você não está muito atento a essa altura do texto, mantenha o foco, pois
agora entramos num dos pontos mais importantes deste resumo: os Direitos e
Garantias Fundamentais. Isso cai muito em concursos! Muito mesmo!

Os direitos fundamentais também são chamados de direitos humanos. São os


direitos de todos os homens e mulheres. Sua finalidade é proteger o ser humano,
por isso são essenciais à vida em sociedade.

No entendimento de Fábio Tavares Sobreira (2014), os direitos fundamentais


correspondem aos dispositivos de conteúdo declaratório que têm por fim o
reconhecimento da existência do direito nele exprimido. As garantias
fundamentais, por outro lado, são os mecanismos de efetivação dos direitos
individuais (caráter instrumental), possuindo conteúdo assecuratório. As
garantias abrangem os remédios constitucionais (Habeas Corpus, Habeas Data,
Mandado de Segurança, Mandado de Injunção e Ação Popular), mas não se
exaurem neles.
A Constituição Federal de 1988 é a mais abrangente de todas, mas mesmo
assim não foi exaustiva ao mencionar, em seu artigo 5º, um rol de 78 incisos
referentes aos direitos fundamentais. Por isso, fala-se em direitos explícitos,
expressamente previstos, e em direitos implícitos, que daqueles decorrem. Hoje,
devido aos vastos dispositivos constitucionais, fica difícil identificar algum direito
implícito.

As características dos Direitos e Garantias Fundamentais são (Marcus


Vasconcellos 2011):

• Universalidade: destinam-se a todos, independentemente da condição


econômica ou social;
• Historicidade: resultam de uma evolução cultural da humanidade;
• Limitabilidade: os direitos e garantias fundamentais não são absolutos,
pois encontram limites em outros direitos;
• Irrenunciabilidade: não se admite a renúncia a direitos fundamentais;
• Inalienabilidade: os direitos fundamentais não podem ser negociados.

Em todo o rol previsto no artigo 5º da CF, estão inseridos princípio da igualdade,


princípio da legalidade, proibição à tortura, liberdade de pensamento, proibição
da censura, inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem,
sigilo das comunicações, liberdade de profissão, direito ao acesso à informação,
liberdade de locomoção, liberdade de associação, direito de propriedade, direito
do consumidor, extradição, assistência jurídica, entre outros.

Nacionalidade em Direito Constitucional

Vamos a mais um tópico importante deste resumo de Direito Constitucional: a


Nacionalidade.

Para Marcus Vasconcellos (2011), nacionalidade é o vínculo jurídico-político que


liga uma pessoa a um Estado – é a qualidade de nacional. Constitui um direito
fundamental, e cada Estado é soberano para definir suas regras. Basicamente
são duas as formas de aquisição da nacionalidade: a originária e a secundária.

• Primária: decorre do nascimento em determinado Estado. Essa forma


obedece os critérios de territorialidade (decorre do local do nascimento) e
a ascendência (decorre dos laços de consanguinidade). A CF dispõe em
seu artigo 12, inciso I, que são brasileiros natos aqueles nascidos na
República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que
estes não estejam a serviço de seu país.
• Secundária: tem natureza bilateral, porque decorre de uma convergência
de vontades, ou seja, quando um estrangeiro pede e o Estado concede
ou não. A CF dispõe em seu artigo 12, inciso II, que são brasileiros
naturalizados (a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade
brasileira, exigidas aos originários de países de língua portuguesa apenas
residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral; e, (b) os
estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República
Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem
condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira.

A nacionalidade é o pressuposto da cidadania. No entanto, apenas a presença


da nacionalidade não torna o indivíduo cidadão. Para tanto é necessário o
alistamento eleitoral.

Direitos Políticos em Direito Constitucional


Os direitos políticos resumem-se no conjunto de direitos que regulam a forma de
intervenção popular no governo, ou seja, possibilitam o exercício da soberania
popular. Surgem diante de um Estado Democrático. No Brasil, a soberania
popular está embasado no artigo 1º, inciso I, onde aparece como um dos
fundamentos do Estado Democrático de Direito, e no artigo 2º, parágrafo único,
ambos da CF.

A democracia pode ser direta, quando o povo exerce, em nome próprio, o poder;
indireta ou representativa, quando o poder é outorgado a representantes eleitos;
e semidireta ou participativa, quando o Estado adota as duas formas.

De acordo com o artigo 14 da CF, o Brasil adotou a democracia semidireta ou


participativa. Ou seja, a soberania popular será exercida pelo sufrágio universal,
pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei,
mediante plebiscito, referendo e iniciativa popular. São instrumentos por meio
dos quais se garante ao povo, direta ou indiretamente, o exercício do poder, o
direito de participar na vontade do Estado (Fábio Tavares Sobreira 2014).

O Estado é a pessoa jurídica que tem como elementos básicos soberania, povo,
território e governo. Representa a ideia de uma sociedade politicamente
organizada em um limite territorial, com vistas ao bem-estar de todos.

Organização do Estado em Direito Constitucional

A organização de um Estado guarda relação com a “forma de Estado”, que


consiste na existência, ou não, de uma divisão territorial do poder ou, em outras
palavras, de como é a organização política e a administrativa de um Estado.

Conforme Manoel Gonçalves Ferreira Filho (2008), o Estado é composto por três
elementos, a saber: o território, o povo e a soberania. O Estado é uma
associação humana (povo), radicada em base especial (território), que vive sob
o comando de uma autoridade (poder) não sujeita a qualquer outra (soberana).

Para Marcus Vasconcellos (2011), o sistema federativo brasileiro apresenta as


seguintes características:

• Indissolubilidade do pacto federativo: não se admite o direito de


secessão, ou seja, uma unidade federada não pode ser desligada das
demais formando um Estado independente.
• Representação senatorial: o Senado é o órgão de representação do
Estado na formação da vontade geral da União.
• Existência de guardião constitucional: o Supremo Tribunal Federal
(STF) tem a missão de impor o respeito à Constituição Federal.
• Não Intervenção: A regra geral é que um ente federal não pode intervir
em outro. As hipóteses de intervenção estão previstas nos artigos 34 e 36
da CF.
• Capacidade de auto-organização dos entes federados: por meio de
constituição estadual e lei orgânica municipal ou distrital.
• Rigidez constitucional.
• Repartição constitucional de rendas e competências.

Finalizando o Resumo de Direito Constitucional

Chegando ao fim do nosso Resumo de Direito Constitucional, gostaria que você


lembrasse de algumas coisas.

A Constituição Federal é a Carta Magna, ou seja, a norma superior que deve ser
observada e respeitada por todos, estando no topo de todas as outras normas
existentes no Brasil. Tudo que não está em consonância aos seus termos, será
considerado inconstitucional. Por isso é tão importante estudá-la.

Como vimos, essa norma suprema trata sobre os direitos e garantias


fundamentais, sobre a organização do Estado, sobre princípios que devem ser
observados por todos, caracterizando-se como um norte para todas as relações
pessoais, jurídicas e negociais do país.