Você está na página 1de 5

Lusíadas, de Luís Vaz de Camões

Proposição (Canto I)
1. Explica a origem e a importância do título “Os Lusíadas”.
A palavra “lusíadas” deriva de Luso, filho de Líber ou companheiro de Baco,
deus do vinho ou da alegria. Luso nasceu e povoou a zona ocidental da
Península Ibérica, onde fundou um reino a que deu um nome derivado do
seu: Lusitânia. Assim, os habitantes passaram a chamar-se “Lusitanos”. Ao
contrário de Homero e Virgílio (Enias - Eneida, Ulisses - Odisseia), Camões
não escolheu um herói individual mas procurou que a sua história
anunciasse a história de um herói coletivo – o povo português.

2. Explica a função da Proposição.


A Proposição funciona com um sumário do poema, onde se expões o
assunto. O propósito do poeta é cantar os feitos gloriosos dos Portugueses.

3. Explica a condição que o poeta enuncia para conseguir realizar o que se propõe.
Justifica com uma passagem do texto.
Para conseguir cantar os feitos gloriosos dos Portugueses, o poeta terá de
ser capaz de elaborar um discurso eloquente e majestoso, o único
adequado ao conteúdo do poema.

4. Indica a finalidade do poeta ao evocar heróis da Antiguidade Clássica e entidades da


mitologia.
Pretende enaltecer o herói da epopeia portuguesa. Na época renascentista,
o homem era considerado tão poderoso, física e intelectualmente, que se
aproximava dos próprios deuses. Assim, ele pretende elogiar os feitos dos
Portugueses, porque merecem ser sublimados mais do que aqueles que
foram cantados nas epopeias clássicas.

5. Analisa a Proposição, tendo em conta os elementos da epopeia.


Na Proposição, expõe-se o assunto d’Os Lusíadas, que abrange toda a
historia nacional, incidindo sobre a viagem de Vasco da Gama, através da
qual se descobriu o caminho marítimo para a Índia. (Por mares nunca
dantes navegados…). Os Portugueses são elevados quase à condição dos
deuses, o que justifica a importância do maravilhoso nesta obra (A quem
Neptuno e Marte obedeceram). No que diz respeito à forma, a estrutura
externa é respeita as regras da epopeia: o metro do verso (decassílabo
heroico) e a estância (oitava).

6. Compara o início d’Os Lusíadas – As armas e os Barões assinalados – com o começo


da Eneida de Virgílio – Arma virumque cano (“eu canto as armas e o varão ilustre”).
Enquanto Virgílio canta um herói individual (o varão ilustre), Eneias,
Camões canta um herói coletivo (os Barões assinalados), os Portugueses.

7. Esclarece os feitos através dos quais os portugueses se tornaram célebres.


Feitos guerreiros, descoberta de novas rotas marítimas, conquista de novas
terras, expansão do reino, do Império e da fé, “obras valerosas”.

Folha 1 de 4
8. Na estância 3, o poeta alude a heróis da Antiguidade Clássica. Nomeia-os e identifica
os atos heroicos em que se distinguiram.
Ulisses e Eneias distinguiram-se nas navegações; Alexandre Magno e
Trajano, nos combates guerreiros.

9. Demonstra que a alusão a Neptuno e a Marte pretende reafirmar a superioridade do


povo português.
O povo português distinguiu-se nos feitos de armas (Marte, Trajano,
Alexandre) e nas navegações (Neptuno, sábio grego e Troiano), pelo que,
ao afirmar que os deuses se submeteram (“obedeceram”) à vontade dos
portugueses, o poeta confirma a superioridade destes últimos.

Início da narração e Concílio dos Deuses (Canto I)


1. Explica a relação que se estabelece entre a narração e a ação.
A narração não começa pelo início da ação (partida da armada de Lisboa).
Estamos perante uma narração in media res, ou seja, a viagem ia já a meio.

2. Caracteriza Júpiter.
Júpiter, pai dos deuses e presidente da assembleia, é apresentado como um
soberano omnipotente, “sublime e dino/ Que vibra os feros raios de
Vulcano”. Tem um rosto distinto, “severo e soberano” e fala num tom que
impõe respeito. Encontra-se sentado num trono “de estrelas cristalino” e a
sua coroa e ceptro resplandecentes, símbolo do poder, eram de “pedra
mais clara que diamante”.

3. Aponta as razões do pai dos deuses para apoiar os portugueses.


Segundo Júpiter, os portugueses devem ser apoiados, porque são fortes e
valorosos (“se do grande valor da forte gente”); defrontaram “com fama e
glória” os fortes mouros, os temíveis castelhanos e os afamados romanos;
no presente enfrentam os perigos do mar (“Agora vedes bem que,
cometendo/ O duvidoso mar, num lenho leve”) e está destinado que os
portugueses governem o Oriente, pois “Prometido lhe está do Fado eterno,/
Cuja alta lei não pode ser quebrada,”.

4. Baco, apoiado por alguns deuses, constitui a força oponente aos desígnios de Júpiter.
Explica as razões que o movem.
Baco, deus do vinho e do Oriente, receia perder o seu prestígio no Oriente
se lá chegar a gente lusitana forte e gloriosa (“Que esquecerão seus feitos
no Oriente/ Se lá passar a Lusitana gente”).

5. Vénus lidera as forças que apoiam a decisão de Júpiter. Refere os motivos que
justificam esse apoio.
Vénus apoia os Portugueses por simpatizar com eles devido às
semelhanças que apresentam com os romanos (descendentes de Eneias,
seu filho), na guerra e na língua (“ Afeiçoada à gente Lusitana, / Por
quantas qualidades via nela/ Da antiga tão amada sua Romana: / Nos fortes
corações../ E na língua”). Além disso, Vénus deseja que o seu culto seja,
também, celebrado no Oriente (“Que há-de ser celebrada a clara Dea”).

Folha 2 de 4
6. Faz a caracterização física e psicológica de Marte, tenho em conta as estâncias 36 e
37.
Marte apresenta-se com um escudo, um elmo com viseira d ediamante e um
bastão, elementos que simbolizam a sua força e o seu poder. Tem um ar
sisudo e aborrecido. As suas atitudes traduzem a firme determinação e a
revolta de Marte.

7. Explicita as razões psicológicas que levam Marte a ser favorável aos Portugueses.
As razões são: o amor antigo por Vénus, também favorável aos
Portugueses, e a bravura do povo lusitano, reconhecida pelo próprio
Júpiter. Denuncia ainda a inveja de Baco.

8. Determina a importância do Concílio dos Deuses.


Este episódio serve para realçar o carácter transcendental da viagem das
naus de Vasco da Gama que obriga os deuses a reunirem-se para decidirem
o futuro dos Lusitanos.

Inês de Castro (Canto III)


1. Refere as características da tragédia clássica que estão presentes neste
episódio.
O episódio de ”Inês de Castro” assemelha-se a uma tragédia clássica que
obedece à seguinte estrutura interna: exposição, conflito e desenlace.
Respeita a lei das três unidades: Ação (centra-se na morte de Inês), Tempo
(menos de um dia) e Espaço (Coimbra). Encontramos sentimentos trágicos –
o terror e a piedade e a presença do destino, que impele Inês para a morte.
2. Estabelece uma relação entre o protagonista da tragédia clássica e Inês de
Castro.
Tal como na tragédia clássica, também aqui a personagem surge num
estado de felicidade e despreocupação. Inês de Castro deixa-se levar
pela sua paixão por D. Pedro, desafiando o destino que determina a
sua morte..
3. Expõe os argumentos a que recorre Inês para dissuadir o rei de a mandar
matar.
Inês denuncia a crueldade dos homens, opondo-a à compaixão dos
animais pelas crianças. Depois invoca a sua fraqueza, inocência e
orfandade dos seus filhos. Pede clemência ao rei que, sabendo dar a
morte, deve também saber dar a vida. Por fim, sugere o exílio como
alternativa à sua morte.

4. Verifica-se que D. Afonso IV sofre uma evolução psicológica ao longo do


episódio. Determina os momentos dessa evolução.
No inicio, D. Afonso IV manifesta uma certa prudência e decide matar
Inês. No entanto, quando a trazem perante ele, mostra-se piedoso. O
discurso de Inês provoca uma certa hesitação no rei que queria
perdoar-lhe mas acaba por manter a sua decisão devido à insistência

Folha 3 de 4
do povo e dos seus conselheiros e da influência do destino trágico
que persegue Inês.

5. Reflete sobre a culpabilidade de D. Afonso IV no assassinato.


Ao longo do episódio, assiste-se ao um processo de desculpabilização
de D. Afonso IV. As culpas vão sendo atribuídas ao Amor, ao povo,
aos conselheiros e ao Destino. O Amor surge como causa principal da
morte de Inês, assim como o Destino.

Adamastor (Canto V)
1. Analisa a descrição física e psicológica do gigante Adamastor.
Aspeto aterrador; Grande e disforme; Pernas e braços imensos; Olhos
encovados; Cabelos crespos e sujos; Boca negra; Dentes amarelos; Ar
medonho; Rosto sombrio; Postura agressiva; Voz horrenda e grossa;
Sensível; Apaixonado; Solitário; Triste.
2. Podemos distinguir dois momentos no discurso do Adamastor. Justifica.
No primeiro momento, o Gigante faz um discurso de caráter profético e
ameaçador e assume duas posições: por um lado o elogio épico dos
Portugueses, por outro a atitude vingativa e consequentes profecias. A
partir da estância 49, estamos no segundo momento, em que
Adamastor faz a sua autoapresentação e conta a sua história.
3. Explica a mudança de comportamento de Adamastor.
No inicio, com tom arrogante, faz o elogia à ousadia dos Portugueses e
assume uma postura ameaçadora. No entanto, a partir do momento em
que Vasco da Gama o interroga sobre a sua identidade, vê-se uma
mudança de comportamento. Este, ao recordar o seu passado amoroso
e feliz, revela a sua sensibilidade e fragilidade psicológica.
4. Explicita as profecias do Gigante.
O Adamastor anuncia os castigos e os danos para aquela gente ousada.
Profetiza a morte de quem o descobriu (Bartolomeu Dias) e de D.
Francisco de Almeida (1º vice-Rei da Índia), o destino trágico da família
Sepúlveda. Para além disto, as naus portuguesas correrão sempre o
risco de naufrágios.
5. Resume a história amorosa do Gigante Adamastor.
Adamastor apaixona-se pela bela Tétis que o rejeita devido à grandeza
feia do seu gesto. Decide então tomá-la pela força das armas e diz à
mãe dela, Dóris. Esta tenta convencer a filha a aceitá-lo. Tétis promete
encontrar uma maneira de evitar a guerra. Convencido, Adamastor
desiste da guerra a troco de um encontro com a sua amada. No
entanto, julgando estar a abraça-la, apercebe-se que afinal abraçava
um duro monte. Castigado por se ter apaixonado por esta ninfa, o
Gigante é transformado num imenso rochedo e Tétis, numa atitude de
mulher que se sente muito amada, ousa troçar de quem a ama.

Folha 4 de 4
6. Analisa a evolução do estado de espírito dos marinheiros portugueses, em
particular de Vasco da Gama.
No início, os Marinheiros estão descansados, mas ficam aterrorizados
quando veem a nuvem temerosa e carregada. No entanto, apesar de
todas as ameaças proferidas, Vasco da Gama, numa atitude quase
desafiadora, ousa enfrentá-lo perguntando-lhe quem ele era. Por fim,
quando o Gigante desaparece, Vasco da Gama demonstra a sua fé em
Deus e pede-lhe que as profecias do Adamastor não se concretizem.

7. Este episódio tem um caráter circular, uma vez que no final são retomados
elementos iniciais. Justifica esta afirmação.
No início do episódio descreve-se uma nuvem negra que aparece
repentinamente. Na estância 60, volta a falar-se dessa nuvem que
desaparece no mesmo modo súbito. No final são retomados os mesmos
sons soturnos que traduzem o ruido do mar.

8. Explica a simbologia deste episódio.


O Gigante Adamastor aponta para um espaço geográfico – O Cabo das
Tormentas. Simboliza a oposição da natureza, as tempestades, os
naufrágios, os terrores e lendas do mar. Trata-se de uma figura
mitológica para significar todos os perigos que os Portugueses terão de
enfrentar e transpor nas suas viagens.

Folha 5 de 4

Interesses relacionados