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Peça Processual

Poliana Sá é deficiente auditiva em razão da perda total da audição causada por má-formação, causa genética,
nas estruturas que compõem o aparelho auditivo. Contornando as dificuldades e utilizando-se dos meios tecnoló-
gicos disponíveis na medicina, Poliana sempre teve uma vida normal, sendo realizada profissionalmente, tendo
trabalhado durante trinta e dois anos como servidora pública da AGU (Advocacia Geral da União).

Em consulta a um advogado constitucionalista, Poliana descobriu que poderia requerer aposentadoria especial,
com base no art. 40, § 4º, I, da Constituição Federal de 1988. Após tentativa administrativa, o seu pedido foi ne-
gado pelo Poder Público sob a alegação da falta de lei complementar regulamentando a aposentadoria especial.
Em face dessa situação hipotética, na qualidade de advogado contratado por Poliana, redija a petição inicial da
ação cabível para a defesa dos interesses de sua cliente, atentando, necessariamente, para os seguintes aspec-
tos: a) competência do órgão julgador; b) legitimidade ativa e passiva; c) argumentos de mérito; d) requisitos fo r-
mais da peça judicial proposta.

Peça Redigida

EXM°. SR. MINISTRO PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

(pular aproximadamente 5 linhas em todas as petições iniciais)

Poliana Sá, nacionalidade..., estado civil... (ou existência de união estável), servidora pública, portadora do RG
n°... e do CPF n °..., endereço eletrônico..., residente e domiciliada..., nesta cidade, por seu advogado infra-
assinado, conforme procuração anexa ...., com escritório ..., endereço que indica para os fins do art. 77, V, do
CPC, com fundamento no art. 5º, LXXI da CRFB/88 e Lei 13.300/16, vem impetrar MANDADO DE INJUNÇÃO em
face de ato omissivo do Presidente da República, que poderá ser encontrado na sede funcional...

I – SÍNTESE DOS FATOS

A impetrante laborou durante trinta e dois anos como servidora pública da Advocacia Geral da União – AGU, e é
deficiente auditiva em razão da perda total da audição causada por má-formação nas estruturas que compõem o
aparelho auditivo.

Pretendendo aposentar-se, requereu administrativamente a sua aposentadoria especial, fundamentada no inciso I


do § 4º do art. 40 da CFRB/88, em razão da deficiência citada, tendo o Poder Público negado o seu pedido sus-
tentando a falta de lei complementar regulamentando tal aposentadoria especial.

Dessa forma, Poliana Sá, ora impetrante, não pode exercer o seu direito fundamental a aposentadoria especial
em razão da falta da lei que a regulamente, o que enseja a propositura do mandado de injunção ora apresentado.

II – FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA

Na forma do art. 5º, LXXI, da CRFB/88 e art. 2º, da Lei 13.300/16, o mandado de injunção é o remédio constituci-
onal responsável pela defesa em juízo de direito fundamental previsto na Constituição ainda pendente de regula-
mentação.

De acordo com o inciso I do § 4º do art. 40 da CFRB/88, a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a
concessão de aposentadoria, no caso de servidores portadores de deficiência, deve ser definida por lei comple-
mentar. Trata-se, portanto, de um direito fundamental ainda pendente de regulamentação.

O remédio ora em análise foi impetrado em face de ato omissivo do Presidente da República, tendo em vista que
a matéria relativa a aposentadoria é de sua iniciativa privativa, na forma do art. 61, § 1º, II, c, da CRFB/88.

Ademais, compete ao STF processar e julgar originariamente o mandado de injunção, quando a elaboração da
norma regulamentadora for atribuição do Presidente da República, segundo dispõe o art. 102, I, q, da CRFB/88.

III – DA OMISSÃO INCONSTITUCIONAL

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Até 2007 o STF adotava a posição não concretista geral e de acordo com esse entendimento, em nome da sepa-
ração entre os poderes (art. 2º, da CRFB/88), o Poder Judiciário não poderia suprir a omissão da norma faltante,
tampouco fixar prazo para o legislador elaborar a lei, restando a sentença produzindo efeito apenas para declarar
a mora legislativa.

Desde 2007, entretanto, o Tribunal vem mudando de entendimento e tem adotado posições concretistas, aplican-
do por analogia leis já existentes para suprir a omissão normativa, ora atribuindo efeitos subjetivos erga omnes,
ora inter partes.

A Lei 13.300 foi editada em 2016 e passou a disciplinar o processo e o julgamento dos mandados de injunção
individual e coletivo, devendo ser observada.

IV – DOS PEDIDOS

Ante todo o exposto, requer-se:

a) a notificação da autoridade omissa, o Presidente da República, no endereço fornecido na inicial, para que, que-
rendo, preste as informações que entender pertinentes do caso, conforme prevê o art. 5º, I, da Lei 13.300/16;
b) a ciência ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica, de acordo com o art. 5º, II, da Lei 13.300/16;
c) a intimação do Representante do Ministério Público, na forma do art. 7º da Lei 13.300/16;
d) a condenação do Impetrado em custas processuais;
e) que seja reconhecida a omissão e o estado de mora legislativa, a fim de que seja concedida a ordem de inju n-
ção, segundo o art. 8º, da Lei 13.300/16;
f) que seja determinado prazo razoável para que o Presidente da República promova a edição da norma regul a-
mentadora, consoante o art. 8º, I, da Lei 13.300/16;
g) que seja suprida a omissão normativa, garantindo-se a efetividade do direito à aposentadoria especial, confor-
me disposição do art. 40, § 4º, I, da CRFB/88;
h) a juntada de documentos, de acordo com o art. 320, do CPC.

Valor da causa de acordo com o art. 291 do CPC/15.


Ou:
Valor da causa de acordo com o art. 319 do CPC/15.

Termos em que,
Pede deferimento.
Local... e data...
Advogado...
OAB nº...

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