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 CONVÊNIO. UNIÃO. MUNICÍPIO. ACP. IMPROBIDADE. LEGITIMIDADE.

É remansosa a jurisprudência deste Superior Tribunal no sentido de que, uma vez que
incorporada ao patrimônio do município a verba proveniente de convênios firmados
com a União, compete à Justiça estadual processar e julgar o feito. No caso, a questão
diz respeito à legitimidade do município para ajuizar ação civil pública (ACP) em razão
de improbidade administrativa do ex-prefeito, com o objetivo de obter o
ressarcimento de valores referentes ao convênio que visava estabelecer condições
para erradicação do mosquito da dengue. Assim, se os valores conveniados foram
efetivamente repassados, constituem receitas correntes do município e seu gasto
desvinculado dos termos do convênio pode causar dano ao erário municipal. Ademais,
o município tem interesse em ver cumpridos os termos do convênio por ele firmado,
mesmo que a verba não tenha sido incorporada a seu patrimônio. Sob essa ótica, a
União também poderia ajuizar a ação por improbidade, pois lhe interessa saber se a
parte a quem se vinculou no convênio cumpriu seus termos. Logo, tanto o município
quanto a União são partes legítimas para propor a ACP; pois, no caso, o combate à
proliferação do mosquito envolve medidas de cooperação entre os entes federados.
REsp 1.070.067-RN, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 2/9/2010. STJ –
Informativo 445

 Município: recursos públicos federais e fiscalização pela CGU

A Turma decidiu afetar ao Plenário julgamento de recurso ordinário em mandado de


segurança interposto contra ato de Ministro de Estado do Controle e da Transparência
que, mediante sorteio público, escolhera determinado Município para que se
submetesse à fiscalização e auditoria, realizadas pela Controladoria-Geral da União -
CGU, dos recursos públicos federais. O ora recorrente, prefeito daquela
municipalidade sustenta que a CGU não poderia impor fiscalização às contas do
Município, ainda que houvesse repasse de recursos pela União, tendo em vista a
autonomia municipal e o que disposto no art. 71, VI, da CF (“O controle externo, a
cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da
União, ao qual compete: ... VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados
pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a
Estado, ao Distrito Federal ou a Município”). Na origem, o STJ entendera válida e legal
a realização de fiscalizações pela Controladoria, no exercício do controle interno, e
pelo TCU, no controle externo, com escolha de Município por sorteio. (Informativo
600 – STF)

A Controladoria-Geral da União - CGU tem atribuição para fiscalizar a aplicação dos


recursos públicos federais repassados, nos termos dos convênios, aos Municípios. Com
base nesse entendimento, o Plenário, por maioria, desproveu recurso ordinário em
mandado de segurança, afetado pela 1ª Turma, interposto contra ato de Ministro de
Estado do Controle e da Transparência que, mediante sorteio público, escolhera
determinado Município para que se submetesse à fiscalização e à auditoria, realizadas
pela CGU, dos recursos públicos federais àquele repassados — v. Informativo 600.
Asseverou-se, de início, que o art. 70 da CF estabelece que a fiscalização dos recursos
públicos federais se opera em duas esferas: a do controle externo, pelo Congresso
Nacional, com o auxílio do Tribunal de Contas da União - TCU, e a do controle interno,
pelo sistema de controle interno de cada Poder. Explicou-se que, com o objetivo de
disciplinar o sistema de controle interno do Poder Executivo federal, e dar
cumprimento ao art. 70 da CF, fora promulgada a Lei 10.180/2001. Essa legislação teria
alterado a denominação de Corregedoria-Geral da União para Controladoria-Geral da
União, órgão este que auxiliaria o Presidente da República na sua missão
constitucional de controle interno do patrimônio da União. Ressaltou-se que a CGU
poderia fiscalizar a aplicação de dinheiro da União onde quer que ele fosse aplicado,
possuindo tal fiscalização caráter interno, porque exercida exclusivamente sobre
verbas oriundas do orçamento do Executivo destinadas a repasse de entes federados.
Afastou-se, por conseguinte, a alegada invasão da esfera de atribuições do TCU, órgão
auxiliar do Congresso Nacional no exercício do controle externo, o qual se faria sem
prejuízo do interno de cada Poder.

Enfatizou-se que essa fiscalização teria o escopo de verificar a correta aplicação dos
recursos federais, depois de seu repasse a outros entes da federação, sob pena,
inclusive, de eventual responsabilidade solidária, no caso de omissão, tendo em conta
o disposto no art. 74, § 1º e no art. 18, § 3º, da Lei 10.683/2003, razão pela qual
deveria a CGU ter acesso aos documentos do Município. Acrescentou-se que a
fiscalização da CGU seria feita de forma aleatória, em face da impossibilidade fática de
controle das verbas repassadas a todos os Municípios, mediante sorteios públicos,
realizados pela Caixa Econômica Federal - CEF, procedimento em consonância com o
princípio da impessoalidade, inscrito no art. 37, caput, da CF. Ressalvou-se, por fim,
que a fiscalização apenas recairá sobre as verbas federais repassadas nos termos do
convênio, excluídas as verbas estaduais ou municipais. Vencidos os Ministros Marco
Aurélio e Cezar Peluso que proviam o recurso.
RMS 25943/DF, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 24.11.2010. STF INFORMATIVO 610

Conflito de atribuições e Fundef


O Plenário iniciou julgamento de ações cíveis originárias em que se discute conflito
negativo de atribuições entre o Ministério Público Federal e o Ministério Público do
Estado de São Paulo para investigação de irregularidades concernentes à gestão e
prestação de contas dos recursos oriundos do Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento do Ensino e Valorização do Magistério - Fundef, que passou a
denominar-se Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de
Valorização da Educação - Fundeb. A Min. Ellen Gracie, relatora, reconheceu a
atribuição do Ministério Público Federal para apurar eventual ocorrência de ilícito
penal e a do Ministério Público do Estado de São Paulo para investigar hipóteses de
improbidade administrativa (ação de responsabilidade civil). Após, pediu vista o Min.
Luiz Fux. (Informativo 634)

O Plenário concluiu julgamento de ações cíveis originárias em que discutido conflito


negativo de atribuições entre o Ministério Público Federal e o Ministério Público do
Estado de São Paulo, para investigação de irregularidades concernentes à gestão e à
prestação de contas dos recursos oriundos do Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento do Ensino e Valorização do Magistério - Fundef, que passou a ser
denominado Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de
Valorização da Educação - Fundeb — v. Informativo 634. Ao reafirmar diretriz
jurisprudencial no sentido de que o STF é competente para dirimir conflito de
atribuições entre o parquet da União e os dos Estados-membros, preliminarmente, por
votação majoritária, conheceu-se do conflito. Vencidos, no ponto, os Ministros Luiz Fux
e Celso de Mello, por entenderem não caber ao Supremo solucionar a presente
divergência. No mérito, o Tribunal, também por maioria, reconheceu a atribuição do
Ministério Público Federal para apurar eventual ocorrência de ilícito penal e a do
Ministério Público do Estado de São Paulo para investigar hipóteses de improbidade
administrativa (ação de responsabilidade civil). O Min. Luiz Fux acentuou que, em ação
de improbidade, não haveria prejuízo de posterior deslocamento de competência à
Justiça Federal, em caso de superveniente intervenção da União ou de
reconhecimento ulterior de lesão ao patrimônio nacional. Vencido o Min. Marco
Aurélio, que reputava ser do parquet paulista a atribuição para as ações, porquanto
não se teria, na espécie, o envolvimento de serviço público federal ou de recursos da
própria União. ACO 1109/SP, rel. Min. Ellen Gracie, 5.10.2011 Informativo 643