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Curso de Actualização de
Engenheiros de Via

Parte III: Regularização de Barras

Linda-a-Velha, 11 e 12 de Fevereiro de 2010 Luís Esteves


REGULARIZAÇÃO DE BARRA Cliente:

LONGA SOLDADA (BLS)


INTRODUÇÃO

A introdução da barra longa soldada na década de 60, eliminando as


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tradicionais folgas das juntas, veio impedir a dilatação e contracção dos


carris em função das variações de temperatura.

Assim a BLS, impedida de se dilatar e contrair, exerce grandes forças de


compressão em tempo quente e de tracção em tempo frio, designadas de
tensões internas.

Essas forças, ou tensões internas, no sentido longitudinal chegam a ultrapassar


as 100 toneladas numa via com material de 60 Kg/m.

Só não causam garrotes no Verão e fracturas no Inverno, porque são


contrariadas por resistências externas superiores, opostas pelo conjunto
balastro, travessas e fixação.
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ZONAS DE RESPIRAÇÃO DA BARRA LONGA SOLDADA (BLS)

Para serem totalmente anuladas, essas tensões necessitam da resistência de


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cerca de 100 metros de via. Por isso se verificam dilatações e contracções na


extremidade da BLS, que são, normalmente absorvidas por aparelhos de
dilatação.

Designam-se de zonas de respiração as extremidades da BLS onde se


verificam dilatações e contracções, num comprimento que se convencionou ser
de 150 metros.

ZONA CENTRAL DA BLS

É a restante extensão da BLS onde, por impedimento das resistências


externas, não se verificam dilatações ou contracções.

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Distribuição dos esforços longitudinais devido às variações de temperatura
numa via sem juntas (BLS).
F
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F = E . S .  . t

Zona de Respiração Zona de Respiração x


BLS – Barra Longa Soldada
Em que:
E Módulo de elasticidade do aço [2,1x106 kgcm-2]
S Secção do carril [cm2]
 Coeficiente de dilatação linear do aço [10,5x10-6 ºC-1]
t Variação da temperatura [ºC]
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zona de zona de
respiração zona central respiração

AD 150 m 150 m AD
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Tensões internas de compressão

Forças exercidas pela BLS quando é impedida de dilatar (em tempo quente).

Forças de compressão tendem a formar garrote.

Tensões internas de tracção

Forças exercidas pela BLS quando impedida de contrair (em tempo frio).

Forças de tracção tendem a fracturar a barra.

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Estas forças são equivalentes a 1538,4 kg/ºC, para cada BLS com carril de 54
kg/m.
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Das considerações anteriores se pode concluir que, se por hipótese uma BLS
for fixada à temperatura de 0ºC, ela criará tensões de compressão (para dilatar)
logo que a temperatura comece a subir além de 0ºC.

Inversamente, se a barra for fixada a 60ºC, criará tensões de tracção (para


contrair) logo que a temperatura desça desse valor.

Por isso a fixação, em definitivo, da BLS, deve ser feita à temperatura


intermédia, próxima de 30ºC. Assim a barra só criará:

 Tensões de compressão (para dilatar) a partir de 30ºC;

 Tensões de tracção (para contrair) a menos de 30ºC.

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Na prática, raramente é possível fazer o assentamento da BLS à temperatura
ideal, próximo de 30ºC. Assim, recorre-se a uma operação posterior designada
regularização ou libertação.
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REGULARIZAÇÃO (OU LIBERTAÇÃO) DA BLS

Operação cujo objectivo é dar à BLS o comprimento próprio de 30ºC. Consiste


em:

 Libertar a barra despregando-a, colocando-a sobre roletes e vibrando-a


com pancadas para a libertar das tensões internas;

 Colocá-la com o comprimento de 30ºC, pela acção da temperatura,


ambiente ou traccionando-a com tensor;

 Fixá-la em definitivo.

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É uma operação a fazer só na fase de finalização dos trabalhos de construção
ou renovação, depois da via estar na posição definitiva e estabilizada, a fim de
evitar novas tensões internas, criadas por movimentos importantes da via,
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depois da regularização.

Há 3 procedimentos distintos:
Comando
eléctrico

 aquecimento solar;

 tensores hidráulicos;

 aquecimento artificial.

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REGULARIZAÇÃO DE BLS COM TENSOR

A regularização da BLS com tensor consiste em submeter a barra a uma força


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de tracção e provocar-lhe um alongamento de modo a fazê-la adquirir o


comprimento que atingiria, por dilatação livre, à temperatura de regularização
(30º).

Cálculo do alongamento

Resulta do parágrafo anterior que o alongamento é proporcional ao


comprimento de barra a regularizar; à diferença de temperatura e ao coeficiente
de dilatação linear do aço.

L    L  T

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Cálculo do alongamento

L    L  (T  t )
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Em que:

L Alongamento [m]

 Coeficiente de dilatação linear do aço [10,5x10-6 ºC-1]

L Comprimento a regularizar [m]

T Temperatura de referência [30 ºC]

t Temperatura da barra no momento do trabalho [ºC]

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Exemplo: Pretende-se regularizar uma barra com 500m que se encontra a
uma temperatura de 15ºC.
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L = 500m
l  10,5 106  L  30  t 
t = 15ºC

l  0,0105  500  30  15  78,75mm

Nota: na prática é de norma calcular e controlar o alongamento por zonas de


50m, o que equivale a:

0,0105 mm/ m/ ºC x 50m = 0,52mm / 50m / ºC.

Desta forma, teríamos no caso anterior 10 zonas de 50 m cujo o alongamento


total seria de: 10 x 0,52 x (30-15) = 78 mm

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Força de tracção

A força a exercer pelo tensor é proporcional à diferença de temperaturas, ao


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peso por metro de carril e à elasticidade do aço.

Vimos que corresponde a, aproximadamente, 1538,4 kg/ºC para material de 54


kg/m.

Assim, para o caso do exemplo anterior, se se tratar de um carril 60 E1, qual


será a força de tracção necessária, isto é, a força a exercer pelo tensor?

F  2,1106  76,70 10,5 106 15  25369kg  25,4T

Na realidade é necessária uma força maior para vencer atritos que não são
totalmente eliminados.
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TENSOR HIDRÁULICO
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1. Excêntrico - fixa o carril pela alma


2. Estribo - peça onde se fixa o excêntrico
3. Cilindro - macaco hidráulico
4. Bomba hidráulica
5. Tirante
6. Tubos condutores do óleo
7. Batente do excêntrico
8. Cavilha
9. Alavanca do distribuidor
10. Distribuidor
11. Manómetro
12. Alavanca da bomba

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Ordem das operações

1. Interditar a via;
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2. Colocar o termómetro na patilha do carril;

3. Libertar a BLS, do seguinte modo:

 Despregar totalmente a barra, a partir do tensor para ambos os


lados.

 Levantar a barra com macacos ou alavancas (de meia lua), retirar


as palmilhas, colocar roletes entre a travessa e o carril de 6 em
6m (10 travessas);

 Vibrar a barra com pancadas ao longo da zona a regularizar para


ambos os lados do tensor;

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Ordem das operações

4. Marcar zonas de 50m e referenciá-las a um ponto fixo (normalmente


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com um traço carril travessa);

5. Marcar os alongamentos, zona por zona, com outro traço na patilha


aquém do primeiro;

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Ordem das operações

6. Traccionar a barra até fazer coincidir as segundas marcas da patilha


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com as referências. Simultaneamente vibrar a barra com pancadas para


facilitar o alongamento.

Ter em atenção que, em curva, a barra tem tendência a derrubar


para o interior da via durante o traccionamento.

Para impedir um acidente deste tipo, há que evitar comprimentos


exagerados duma só vez e prender a barra do lado exterior. Por
exemplo, aplicando de 10 em 10 travessas grampos tipo GUIDE uma
vez que têm maior entrega que os VOSSLOH.

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Ordem das operações

7. De imediato retirar roletes, colocar palmilhas e iniciar o reaperto da


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fixação, junto das marcas certas pelas referências fixas;

8. Com o tensor ligado, efectuar a soldadura, controlando sempre as


marcas;

9. Distender o tensor, após arrefecimento da soldadura, e retirá-lo.

Nota: Em determinadas situações algumas operações poderão ser executadas


por outra ordem contudo, as referências das zonas de 50m nos pontos fixos
serão, obrigatoriamente, feitas após a libertação da barra caso contrário o
trabalho ficará deficientemente executado.

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Comprimento de carril a cortar

O troço de carril que é preciso cortar depende da lacuna pré-existente, da


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contracção ou dilatação que a barra sofre após a libertação, do alongamento a


efectuar e do espaço para a soldadura.

O fundamental é saber a distância entre topos (lacuna antes do


traccionamento) que, normalmente, é igual ao alongamento a efectuar mais os
25mm para a soldadura.

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Exemplo: Pretende-se regularizar uma barra com o comprimento de 600
metros que se encontra a uma temperatura de 10ºC. Qual o comprimento do
carril a cortar?
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Comprimento a regularizar: 600m


Temperatura da barra: 10ºC

L  0,52 12  30  10  124,8mm

Distância entre topos (depois da barra libertada)

125+25 =150 mm

Ferro a cortar: o excesso.


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Caso especial:

Pode acontecer que a barra tenha sido fixada a uma temperatura


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substancialmente superior a 30ºC, estando com ferro a menos.

Assim, após a libertação, a barra abre uma grande lacuna sendo necessário
colocar um fecho com o mínimo de 6 metros.

Neste caso, o comprimento entre cortes deverá ser de:

6 m + 2 soldaduras + alongamento.

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Importante:

 Em linhas electrificadas, antes de desligar a junta, colocar fiadores


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provisórios em boas condições a fim de evitar o risco de


electrocussão.

 Nunca fazer soldaduras sem a barra nivelada e alinhada.

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REGULARIZAÇÃO DA BLS POR ACÇÃO DO SOL

Regularizar uma barra por acção do sol, consiste em fixá-la à temperatura


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aproximada de 30ºC depois de libertada.

Operações:

 Marcar zonas de 50 metros;

 Interditar a via;

 Libertar a barra (despregando-a da extremidade para a zona central,


colocando-a sobre roletes e vibrando-a);

 Referenciar as zonas de 50 metros nas travessas ou noutro ponto fixo,


quando o termómetro indicar a temperatura desejada (entre 25 e
35ºC).

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REGULARIZAÇÃO DA BLS POR ACÇÃO DO SOL

De imediato:
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 Reapertar a barra, da zona central para a extremidade controlando os


pontos de referência nas zonas marcadas de 50 m)

 Executar a soldadura.

Se as marcas se deslocarem das referências, verificar e anotar a temperatura.

A temperatura de fixação dos últimos 200 metros é tomada em conta na


regularização do A.D.

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REGULARIZAÇÃO DA BLS POR ACÇÃO DO SOL

Divisão de tensões
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Se duas zonas distintas da BLS forem regularizadas a temperaturas


substancialmente diferentes (em intervalos distintos) é necessário
homogeneizar as tensões. Do seguinte modo:

 Despregar 50 m para cada lado;

 Vibrar a barra com pancadas;

 Reapertar de novo.

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LIMITAÇÕES QUANTO A APARELHOS DE VIA

Os aparelhos de via podem ficar situados na Zona Central (ou zona neutra)
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mas nunca na Zona de Respiração.

Caso faça parte integrante da Zona Central deve ser todo soldado, fazendo-se
a regularização da BLS para um e outro lado do aparelho.

Barra Longa Soldada Fecho Fecho Barra Longa Soldada

Soldaduras de
Regularização

Importante: convém fazer-se a regularização da BLS sempre a partir do


aparelho para um lado e para o outro e nunca contra o aparelho.

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REGULARIZAÇÃO DE APARELHOS DE DILATAÇÃO

Entende-se por regularização dum A.D, a fixação da extremidade da BLS de


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modo que, a 30ºC, a ponta da lança coincida com o zero da contra-lança.

Assim:

Se os últimos 200m de BLS forem regulados a 30ºC, a ponta da lança ficará


coincidente com o zero da contra-lança.

Se os últimos 200m da BLS forem regulados a temperatura diferente de 30ºC,


a ponta da lança ficará avançada ou recuada, 1,5mm por cada ºC, a mais ou
menos do que a temperatura média de fixação.

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Exemplo: Suponhamos uma situação em que os últimos 200m da BLS
começaram a ser fixados a 31ºC, e terminaram a 35ºC.
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31º 35º
Média das temperaturas:  33º C
2
Diferença: 33º - 30º = 3ºC

Localização da lança: 3 x 1,5mm = 4,5mm – avançada

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