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VÍRUS, BACTÉRIAS E PARASITAS

São pequenos organismos e estão em todos os lugares, são as mais antigas criaturas
vivas que sem tem relatos. Alguns são benéficos para os seres humanos, inclusive,
indispensáveis para nossas vidas como os parabióticos, outros nem tanto, mas o fato é
que precisamos aprender a conviver com eles sem que nos prejudiquem. Estamos
falando de organismos minúsculos invisíveis a olho nu.

Para que possamos ter uma breve noção sobre este fascinante e perigoso mundo, vamos
citar uma lista com 10 organismos no qual devemos nos cuidar.

1 - Streptococcus do grupo A (comedores de carne)

Os estreptococos do grupo A (GAS) são bactérias (germes) encontradas normalmente


na garganta e na pele de pessoas saudáveis ou até mesmo na água do mar. Ocasionalmente, estes
germes podem causar dor de garganta ou infecção cutânea leve. E, muito menos comumente, os
GAS podem causar uma versão grave da doença chamada de infecção invasiva por
estreptococos do grupo A.

Fasciite necrotizante (ocasionalmente denominada “infecção por bactérias devoradoras


de carne”) é uma infecção rara dos tecidos subcutâneos ou dos músculos, com vermelhidão,
inchaço e dor em alguma parte do corpo, associada a um ferimento óbvio ou outra incisão na
pele. Os sintomas são febre, vesículas com fluido (bolhas) na pele, e músculos e pele inchados e
dolorosos. Outros tipos de germes também causam fasciite necrotizante. Em casos raros, a
infecção invasiva por estreptococos do grupo A ocorre em decorrência das pústulas da catapora.

Apesar de ser uma enfermidade rara, quando ocasionada, 1\3 das vítimas perdem parte
do tecido afetado. Estes germes não comem a carne literalmente, ocorre que as mesmas
necrosam o tecido saudável, muitas vez a melhor solução é a remoção de todo o tecido afetado
para que não espalhe na corrente sanguínea.

2 - MRSA (Staphylococcus aureus resistente a Meticilina)

Trata-se de uma bactéria que surgiu nos hospitais nos anos 60 onde seria muito fácil a
sua propagação por meio de fendas como ferimentos cirúrgicos e tubos intravenosos, outro
forma comum de exposição seria por meio de esportes de contato pele com pele.

As bactérias Staphylococcus Aureus são comuns, e cerca de 1 em cada 3 pessoas são


colonizadas por ela. A maioria das pessoas colonizadas não desenvolve infecções e por isso não
tem sintomas. Mas se a bactéria conseguir entrar no corpo, pode causar infecção. Os sintomas
vão depender do tipo de infecção causado. Muitas das infecções causadas por esta bactéria são
infecções dérmicas como borbulhas, abcessos, celulite e impetigem. Deve estar atento quando
tiver problemas na pele, como borbulhas, feridas ou queimaduras. Se um ferida infectar, deve
procurar o médico. Se a bactéria Staphylococcus Aureus conseguir entrar na corrente sanguínea,
pode afetar quase todo o organismo e causar infecções sérias, como septicémia, infecção da
medula óssea (osteomielite), infecção dos pulmões (pneumonia) e infecção do revestimento do
coração (endocardite). O grande problema é que este tipo de bactéria é muito resistente a
antibióticos, devendo ser reforçado o cuidado na ingestão exagerada de antibióticos, pois esta
prática, gera mais imunidade e resistência do Staphylococcus.

3 – Vírus do Nilo Ocidental (Febre do Nilo)

A Febre do Nilo Ocidental (FNO) é uma doença causada por um vírus do gênero Flavivirus,
família Flaviviridae, assim como os vírus da Dengue e da Febre Amarela. Sua descoberta se deu em
Uganda na África em meados de 1937.

O vírus do Nilo Ocidental (VNO) é transmitido por meio da picada de mosquitos infectados,
principalmente do gênero Culex. Os hospedeiros naturais são algumas espécies de aves silvestres, que
atuam como amplificadoras do vírus (viremia alta e prolongada) e como fonte de infecção para os
mosquitos. Também pode infectar humanos, equinos, primatas e outros mamíferos. O homem e os
equídeos são considerados hospedeiros acidentais e terminais, uma vez que a viremia se dá por curto
período de tempo e em níveis insuficientes para infectar mosquitos, encerrando o ciclo de transmissão.

Estima-se que 20% dos indivíduos infectados desenvolvem sintomas, na maioria das vezes leves
(Febre do Nilo Ocidental). A forma leve da doença caracteriza-se por febre aguda de início abrupto,
frequentemente acompanhada de mal-estar, anorexia, náusea, vômito, dor nos olhos, dor de cabeça,
mialgia, exantema máculo-papular e linfoadenopatia.
Aproximadamente um em cada 150 indivíduos infectados desenvolve doença neurológica severa
(meningite, encefalite ou poliomielite), A encefalite é mais comumente relatada do que as demais
manifestações neurológicas. Apresentam-se com febre, fraqueza, sintomas gastrointestinais e alteração no
“padrão mental”, podendo apresentar ainda exantema máculo-papular ou morbiliforme, envolvendo
pescoço, tronco, braços e pernas, fraqueza muscular severa e paralisia flácida. São incluídas as
apresentações neurológicas como ataxia e sinais extrapiramidais, anormalidades dos nervos cranianos,
mielite, neurite ótica, polirradiculite e convulsão.

Atualmente não existe uma cura eficaz para este vírus, motivo pelo qual, devemos tomar cuidado
com o seu transmissor que no caso principal seria o mosquito.

4- Plasmodium falciparum (Malária)

É um dos quatro parasitas da malária que podem afetar as pessoas. É de longe um dos
mais perigosos e por isso o mais provável de causar fatalidades. Este parasita é responsável pela
maioria dos casos de malária nos humanos, motivo pelo qual é dado tanto ênfase à profilaxia da
malária antes de viajar.

O plasmodium falciparum pode causar sintomas que se desenvolvem rapidamente após


a infecção, em alguns casos num espaço de oito dias. As complicações são também prováveis de
se seguir aos primeiros sintomas relativamente rápido, motivo pelo qual o tratamento após 24
horas é extremamente importante.

Assim que o parasita plasmodium está presente no sangue, dirige-se para o fígado, onde
aguarda a maturação. No caso do parasita falciparum isto ocorre rapidamente. Assim
que está pronto, o parasita começa a invadir os glóbulos vermelhos, causando
eventualmente a sua destruição e levando a um ataque de malária que pode ser
incómodo e extremamente perigoso.

Os primeiros sintomas da infecção pelo plasmodium falciparum podem não ser


diferentes dos sintomas da gripe e normalmente começam cerca de sete a oito dias após
a transmissão do parasita ter ocorrido. Porém, os sintomas podem ser potencialmente
adiados se tiver usado tratamentos antimaláricos durante a sua viagem. Estes sintomas
podem piorar levando a um ataque de malária, que é quando o parasita plasmodium
começa a causar a destruição dos glóbulos vermelhos. Este ataque pode ser identificado
por uma febre superior a 38°C que pode variar durante as horas seguintes, dores de
cabeça, influenza, diarreia, náusea e vómitos. No caso do plasmodium falciparum, este
ataque pode levar a complicações futuras.

Assim como a Febre do Nilo, o Plasmodium Falciparum é transmitido através de


mosquitos, devendo ser tomado os mesmo cuidados de controle deste inseto. O controle
deve ser muito intenso, pois a Malária trata-se de uma doença que ainda mata muitos
seres humanos, principalmente em países tropicais pobres.

5 – Influenza Vírus (Gripe)

Influenza, comumente conhecida como gripe, é uma doença viral febril, aguda,
geralmente benigna e autolimitada. Frequentemente é caracterizada por início abrupto
dos sintomas, que são predominantemente sistêmicos, incluindo febre, calafrios,
tremores, dor de cabeça, mialgia e anorexia, assim como sintomas respiratórios com
tosse seca, dor de garganta e coriza. A infecção geralmente dura 1 semana e com os
sintomas sistêmicos persistindo por alguns dias, sendo a febre o mais importante.

Os vírus influenza são transmitidos facilmente por aerossóis produzidos por


pessoas infectadas ao tossir ou espirrar. Existem 3 tipos de vírus influenza: A, B e C. O
vírus influenza C causa apenas infecções respiratórias brandas, não possui impacto na
saúde pública e não está relacionado com epidemias. O vírus influenza A e B são
responsáveis por epidemias sazonais, sendo o vírus influenza A responsável pelas
grandes pandemias. Os vírus influenza A são ainda classificados em subtipos de acordo
com as proteínas de superfície, hemaglutinina (HA ou H) e neuraminidase (NA ou N).
Dentre os subtipos de vírus influenza A, os subtipos A(H1N1) e A(H3N2) circulam
atualmente em humanos. Alguns vírus influenza A de origem aviária também podem
infectar humanos causando doença grave, como no caso do A (H7N9).

Algumas pessoas, como idosos, crianças novas, gestantes e pessoas com alguma
comorbidade possuem um risco maior de desenvolver complicações devido à
influenza. A vacinação é a intervenção mais importante na redução do impacto da
influenza. Atualmente podemos dispor de uma vacina anual, onde seus resultados, são
muito eficazes.

6 - Bacillus anthracis (Anthrax)

O Bacillus anthracis é o causador do Anthrax, uma doença infecciosa que se


manifesta nos humanos de três formas clínicas: cutânea, gastrointestinal e respiratória,
esta podendo ser letal podendo chegar a causar falência múltipla dos órgãos.
É uma zoonose. Os animais são infectados através da ingestão de esporos ao
pastarem em solos contaminados ou comerem alimentos com o bacilo. Em condições
normais o homem é infectado através da ingestão de carnes contaminadas, por
exposição a carcaças, pele, lã, pêlos contaminados ou inalação dos esporos. Esta
bactéria apresenta uma cápsula protetora que lhe confere tamanha resistência à
fagocitose, vencendo as defesas do hospedeiro.

Devido a esta alta resistência, fácil reprodução, baixo custo e grande poder de
infecciosidade, o bacilo passou a ser estudado como arma biológica, desde o início do
século XX. Foi usado com tal propósito na II Guerra Mundial e o principal objetivo da
Guerra do Golfo (1991) foi a destruição das instalações onde estes armamentos estavam
estocados. Em 2001 nos EUA, esporos de Anthracis foram enviados a dirigentes com o
intuito de bioterrorismo.

7 – Orthopoxvirus (Varíola)

A varíola (também conhecida como bexiga) é uma doença infecto-


contagiosa. É causada por um Orthopoxvirus, um dos maiores vírus que infectam seres
humanos, com cerca de 300 nanometros de diâmetro, o que é suficientemente grande
para ser visto como um ponto ao microscópio óptico.

Mais que a peste negra, tuberculose ou mesmo a AIDS, a varíola afetou a


humanidade de forma significativa, por mais de 10000 anos. Múmias, como a de
Ramsés V, que data o período de 1157 a.C, apresentam sinais típicos da varíola - esta
que é tida como a principal causa de mortes em nosso país, desde o seu descobrimento.

No caso da varíola, esta se dá pelo contato com pessoas doentes ou objetos que
entraram em contato com a saliva ou secreções destes indivíduos. Penetrando no corpo,
o patógeno se espalha pela corrente sanguínea e se instala, principalmente, na região
cutânea, provocando febre alta, mal estar, dores no corpo e problemas gástricos. Logo
depois destas manifestações surgem, em todo o corpo, numerosas protuberâncias cheias
de pus, que dificilmente cessam sem deixar cicatrizes, e conferem coceira intensa e dor.

O risco de cegueira pelo acometimento da córnea, e morte por broncopneumonia


ou doenças oportunistas, já que tais manifestações comprometem o sistema imunitário,
são riscos que o indivíduo infectado está sujeito.

O diagnóstico se faz por análise pelo microscópio eletrônico de líquido das


pústulas. Os vírus são característicos e facilmente visíveis.
A varíola não tem cura. A única medida eficaz é a vacinação.

Causada pelo Orthopoxvirus variolae, é considerada, pela Organização Mundial


de Saúde, erradicada desde o fim da década de setenta, graças à vacinação. Quanto a
isso, é atribuída a Edward Jenner a descoberta de que o contato prévio com o vírus - ou
partículas deste – era capaz de proteger as pessoas contra ele. Nasciam, então, os
primeiros princípios da vacina, esta capaz de nos proteger até hoje contra outras
moléstias, como poliomielite e rubéola.

8 - Yersinia pestis (peste bubônica)

É um bastonete Gram-negativo. Este microrganismo está incluído no grupo de


bactérias que causam zoonoses (as zoonoses são doenças que são transmitidas por
animais ao homem). Esta bactéria é extremamente virulenta e capaz de penetrar em
qualquer parte do corpo humano com o qual entra em contato. A partir do contato inicial
as bactérias são fagocitadas por macrófagos. Estas bactérias conseguem sobreviver no
interior destas células, não sendo destruídas, entrando posteriormente na corrente
sanguínea e infetando vários órgãos vitais.

A Yersinia pestis está na causa da peste bubônica, mais conhecida por peste
negra. Os ratos são os hospedeiros principais deste microrganismo que os transmitem às
pulgas. É através das picadas das pulgas, na pele do ser humano, que a bactéria infeta o
organismo.

Os três principais grupos hospedeiros desta bactéria são os roedores selvagens,


os roedores domésticos e o ser humano. As bactérias vivem nas populações de roedores
selvagens entre as epidemias, sendo transportados para os roedores domésticos através
de pulgas. Quando os roedores selvangens entram em contato com ratos da cidade, as
pulgas podem transportar as bactérias para estes. Quando estes morrem as pulgas
atacam os seres humanos, pois perdem o seu hospedeiro.

As bactérias invadem a pele, são fagocitadas pelos macrófagos e continuam a se


reproduzir no interior da célula. Após uma semana, elas transferem-se para os gânglios
linfáticos mais próximos, geralmente os inguinais. Os nódulos inguinais situam-se na
zona da virilha. Os nódulos crescem até atingirem tamanhos de ovos, tornando-se
quentes, vermelhos e bastante doridos. Os primeiros sintomas passam pela febre e dores
de cabeça. Os bacilos de Yersinia pestis entram na corrente sanguínea atingindo o
fígado, os pulmões e outros órgãos. As hemorragias sob a pele provocam uma coloração
escura. Sem tratamento, a morte pode ocorrer em poucos dias. Durante as epidemias, a
doença também pode ser vista como uma peste pneumônica, com uma pneumonia sendo
transmitida de uma pessoa para outra através de aerossóis que contêm as bactérias. A
morte atinge cerca de 75% das pessoas infetadas. O controle das epidemias envolve uma
destruição simultânea das pulgas e dos ratos.

9 – HIV (Aids)

Aids é uma doença que ataca o sistema imunológico devido à destruição dos
glóbulos brancos (linfócitos T CD4+). A Aids é considerada um dos maiores problemas
da atualidade pelo seu caráter pandêmico (ataca ao mesmo tempo muitas pessoas numa
mesma região) e sua gravidade.
A infecção da Aids se dá pelo HIV, vírus que ataca as células do sistema
imunológico, destruindo os glóbulos brancos (linfócitos T CD4+). A falta desses
linfócitos diminui a capacidade do organismo de se defender de doenças oportunistas,
causadas por microorganismos que normalmente não são capazes de desencadear males
em pessoas com sistema imune normal.

O HIV pode ser transmitido pelo sangue, esperma e secreção vaginal, pelo leite
materno, ou transfusão de sangue contaminado. O portador do HIV, mesmo sem
apresentar os sintomas da Aids, pode transmitir o vírus, por isso, a importância do uso
de preservativo em todas as relações sexuais.

Apesar de existir tratamento, não podemos falar em cura definitiva da


enfermidade.

10 – Vírus Ebola

A doença do vírus Ebola (anteriormente conhecida como febre


hemorrágica Ebola) é uma doença grave, muitas vezes fatal, com uma taxa de letalidade
que pode chegar aos 90%. A doença afeta os seres humanos e primatas não-humanos
(macacos, gorilas e chimpanzés).

O Ebola foi identificado pela primeira vez em 1976, em dois surtos simultâneos:
um em uma aldeia perto do rio Ebola, na República Democrática do Congo, e outro em
uma área remota do Sudão. A origem do vírus é desconhecida, mas os morcegos
frugívoros (Pteropodidae) são considerados os prováveis hospedeiros.

Hoje, o que se acredita é que o morcego seja o responsável por transmitir o vírus
para outros animais. Nele o vírus não provoca doença. Mas uma fruta meio comida por
um morcego e encontrada por outro animal já pode dar início à epidemia. Macacos,
antílopes e porcos-espinho também são afetados pela doença. É possível entrar em
contato com o vírus visitando lugares com infestação de morcegos (como minas e
cavernas) ou manipulando o tecido de algum animal morto pelo Ebola.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, também é possível adquirir o


vírus por lidar com um animal selvagem doente ou morto que tenha sido infectado. Há
alguma evidência de que o vírus Ebola pode ser transmitido através do ar a partir de
primatas não humanos para primatas não humanos, como de macaco para macaco. Não
há estudos definitivos provaram isso, entretanto.

Uma pessoa infectada normalmente não se torna contagiosa até que desenvolva
sintomas. Os membros da família são frequentemente infectados ao cuidar de parentes
doentes ou mortos.

Profissionais podem entrar em contato com o vírus se não usarem equipamentos


de proteção, como máscaras cirúrgicas e luvas. Ela não é altamente transmissível, basta
diagnosticar o paciente e isolar.
Pacientes expostos ao vírus Ebola devem começar a apresentar sintomas entre
dois a 21 dias após o contato com a doença, que tem início rápido. Os sintomas iniciais
se assemelham aos de uma infecção comum da gripe. Veja:

Febre, Dor de cabeça, Garganta inflamada, Dor articular e muscular e Fraqueza.

Conforme o Ebola progride, os sintomas tornam-se mais grave. Sintomas de


Ebola em estágio final podem incluir:

Vômitos, Diarreia, Vermelhidão nos olhos, Inchaço dos genitais, Hemorragia


interna e externa (alguns pacientes podem ter sangue saindo de seus olhos, nariz, boca,
orelhas ou reto), Erupção ou hemorragia ao longo da pele e mucosas.