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INTRODUÇÃO

A citologia foi implementada e reconhecida nos princípios dos séculos XVIII e XIX. No entanto,
o progresso e padronização deste ramo da patologia só foi completamente estabelecida nos últimos
anos do século XX [21]. George Papanicolaou, que deu origem ao famoso “exame de
Papanicolaou” (expressão vulgarmente usada para designar a citologia cervicovaginal) e à
coloração de Papanicolaou, foi um dos pioneiros na capacidade de emitir um diagnóstico através
da observação de esfregaços de uma amostra celular, entre os períodos de 1917 a 1928 [1].
A citologia, no contexto da Medicina Veterinária, tornou-se uma entidade diagnóstica
reconhecida em 1970, através de Victor Perman, que Raskin (2013) descreve como o “Avô da
Citologia Veterinária” [51]. Em 1974, Perman escreveu, juntamente com Riis e Alsacker, o livro de
citologia veterinária intitulado “Cytology of the Dog and Cat”.
A citologia é um método diagnóstico que identifica, através da microscopia, a população e a
morfologia celular presentes em uma amostra que pode ser coletada de qualquer tecido, incluindo
pele, subcutâneo, glândulas, linfonodos e também órgãos internos parenquimatosos e líquidos das
cavidades peritoneal, pleural e pericárdica.
O diagnóstico citológico consiste no exame de células que se desprendem da superfície de
órgãos ou tecidos, para o interior de cavidades ou para O exterior da superfície corporal e seu
relacionamento com um tipo de patologia. Essas células podem ser obtidas através de técnicas de
aspiração com agulha fina, impressão sobre lâminas ou raspagem de superfícies (SMIIH
&SCHMIDT, 1969). |
O objetivo principal do diagnóstico citológico é caracterizar lesões como sendo inflamatórias,
sépticas ou não, não inflamatórias e possivelmente ou definitivamente neoplásicas, benignas ou
malignas (REBAR, 1980; SEYBOLD cit al.,1982;MILIS & GRIFFITHS, 1984; MEYER & FRANKS,
1986a). Em muitos casos, a citologia pode fornecer um diagnóstico definitivo. Por outro lado,
líquidos cavitários são mais facilmente analisados pelo método citológico, o qual segundo CEELEN
(1964) & um instrumento valioso para o diagnóstico diferencial de líquidos peritoneais. O
diagnóstico cito- lógico tem se mostrado extremamente útil para detectar o reaparecimento de
tumores excisados cirurgicamente e na identificação de metástases (JACOBS, 1988).
O exame citológico possui algumas vantagens quando comparado com outros métodos
diagnósticos. Constitui-se em uma técnica rápida, simples, pouco invasiva e de baixo custo. É ideal
para pacientes idosos, pois, frequentemente, nao requer anestesia, O que a torna particularmente
atraente à prática veterinária (ELSE, 1989) .0 diagnóstico citológico possui limitações e entre as
quais destaca-se a possível obtenção de amostras não representativas da lesão. Outro fator
limitante é a falta de experiência do examinador, pois o critério citológico de identificação da lesão
difere daquele reconhecido para seções de tecidos, uma vez que não se observa a arquitetura do
tecido (MILLS & GRIFFITHS,1984). Esses fatos podem torná-la dependente da histologia para a
confirmação de muitos diagnósticos. O risco apregoado de produção de metástases durante as
aspirações de neoplasias malignas, segundo alguns autores, constitui-se mais uma consideração
teórica do que em verdadeira complicação clinica (ENGZELL et at.,1971; SEYBOLD et at., 1982).
O exame citopatológico vem sendo reconhecido como uma ferramenta de grande utilidade
para o diagnóstico de patologias por médicos veterinários, sobretudo de neoplasias e lesões
precursoras, mas se presta também para o diagnóstico de doenças parasitárias e infecciosas. Em
muitos casos as amostras biológicas para exames citológicos são coletadas rapidamente,
facilmente e com mínimo ou nenhum risco para o paciente, além de ter baixo custo financeiro.
A análise citopatológica pode ser valiosa para estabelecer um diagnóstico, e/ou identificar o
processo patológico (inflamação x neoplasia), e/ou estabelecer um prognóstico, e/ou indicar outro
método de diagnóstico para esclarecimento do caso clínico.
A obtenção do material para exame citopatológico é variada, e este pode ser coletado pelas
seguintes formas: raspagem de pele ou mucosas utilizando-se espátulas ou escovas; coleta de
secreções contendo células naturalmente exfoliadas com swabs; "imprint" (técnica onde se
"carimba" uma lâmina com o fragmento retirado para estudo) "squash" (técnica onde se "esmigalha"
um minúsculo fragmento de tecido entre duas lâminas); punção por agulha fina em cavidades
neoformadas, órgãos sólidos, tumorações ou lesões nodulares.
A análise citopatológica pode ser realizada em: efusões (torácica e abdominal); sedimento de
urina, lavado de vesícula urinária; aspirado de próstata; tumoração subcutânea/cutânea; conteúdo
de cistos, lesão ulcerativa; linfadenopatia (localizada ou generalizada); humor vítreo; humor
aquoso; conjuntiva; aspirados de pulmão e lavados nasal e bronco-alveolar.
Em animais domésticos a maioria das amostras para exame citopatológico é obtida por meio
de punção aspirativa por agulha fina de lesões clinicamente sugestivas de neoplasia. A
concordância diagnóstica observada entre o exame citopatológico e o histopatológico, em casos
de neoplasia em animais é de 85%. Além deste fato, alguns autores afirmam que a citologia pode
classificar as lesões neoplásicas de acordo com o tecido de origem (epitelial, mesenquimal, ou
hematopoiético)
A punção aspirativa por agulha fina de lesões sugestivas de neoplasia oferece inúmeras
vantagens, como por exemplo, uma facilidade de obtenção do material, baixo custo e resposta
diagnóstica rápida, porém como toda técnica, nem sempre o parecer é definitivo. É importante
ressaltar que casos inconclusivos não são raros, e, com freqüência, novas coletass devem ser
feitas, ou a lesão tem de ser biopsiada para se chegar ao diagnóstico definitivo.
O exame histopatológico permite avaliar a arquitetura do tecido como um todo (demonstrando
o grau de invasividade e permitindo a avaliação de margens cirúrgicas de lesões neoplásicas), ao
passo que, a citopatologia avalia somente as características de células isoladas ou em blocos (o
que leva a restrições quanto à avaliação prognostica), além da possibilidade do material colhido
ser pouco representativo.
Citologia é uma poderosa ajuda na prática veterinária que pode indicar diagnóstico rápido,
econômico. O diagnóstico citológico ou a citopatologia é definida como exame morfológico de
células, individualmente, sem a presença da arquitetura tecidual. É comumente utilizada para o
diagnóstico de processos inflamatórios, parasitários, neoplasias benignas ou malignas, é muito
importante para se avaliar a necessidade de cirurgia, a extensão da mesma em relação às margens
de segurança, e, principalmente, a rapidez na intervenção. Geralmente, a citologia é realizada
primariamente à histopatologia no sentido de se apurar um diagnóstico, aliando-se o baixo grau de
invasão do exame citológico com a quantidade de informação obtida e com a estrutura tecidual da
histopatologia1,2,3
Uma citologia pode alterar ou eliminar a necessidade de um procedimento cirúrgico. Massas
benignas como lipomas, cistos epidérmicos, processos inflamatório, não precisam ser removidas
rapidamente e quando o são, a margem de segurança não precisa ser tão acentuada como para
uma neoplasia maligna. Qualquer evidência de malignidade sugere o início precoce do tratamento,
clínico ou cirúrgico, no último caso, com encaminhamento do material para histopatologia.
A possibilidade de disseminação de células através de punção é inferior a 0,01%, enquanto
que, em uma biópsia existe uma probabilidade maior de disseminação comprovada pela presença
de células malignas em tecidos inicialmente não comprometidos. É importante salientar que a
citologia não substitui o exame histopatológico, apesar do valor de seu diagnóstico, pois não
oferece informações sobre a invasão tecidual, a arquitetura do tecido envolvido e o grau histológico,
e os exames, são, portanto, complementares4.
As amostras citológicas podem ser originadas de diversas fontes, como: pele e tecido
subcutâneo, secreções auriculares, líquidos cavitários (urina, líquor, líquido pericárdico, líquido
pleural e líquido peritoneal), linfonodos, medula óssea, próstata, mama, entre outras. O uso de
preparações citológicas em tecidos doentes é usualmente rápido e fácil, proporcionando, na maioria
dos casos, informações preliminares sobre a neoplasia que podem ser usadas para ajudar no
planejamento diagnóstico e terapêutico . As técnicas mais comuns à obtenção de preparações
citológicas são: PAAF (Punção aspirativa por agulha fina), aspiração de medula óssea, lavado
traqueal e bronco-alveolar
Diagnóstico
Em Medicina Veterinária, o objetivo do exame citológico é a identificação de processos
patológicos, fazendo a diferenciação entre aqueles de origem inflamatória e os de características
neoplásicas (e nestes distinguir, sempre que possível, os de caráter benigno dos malignos) [40].
Apesar do exame histopatológico ser considerado o exame “gold standard”, a citologia possui
diversas vantagens, como sejam o baixo grau de invasividade, a possibilidade de evitar anestesia
em pacientes instáveis, a baixa taxa de complicações secundárias, fornecendo resultados rápidos
e a baixo custo [50; 57]. No entanto, o citologista deve sempre salvaguardar as desvantagens da
citologia, nomeadamente a possibilidade de resultados inconclusivos, atribuíveis à escassa
celularidade ou à presença de artefactos das amostras, ou até mesmo a dificuldade de
interpretação dada a ausência de uma arquitetura tecidular [57]
O exame citológico é geralmente empregue no diagnóstico pré-operatório, no estadiamento
de neoplasias malignas ou no seguimento de animais com patologias conhecidas com o intuito, por
exemplo, de avaliar a eficácia dos planos terapêuticos adotados. A possibilidade de efetuar
colheitas citológicas ecoguiadas ou guiadas por tomografia computorizada contribuiu para uma
maior utilização da citologia como método diagnóstico. Além disso, tornou possível que
praticamente qualquer lesão ou massa (palpável ou visualizável por métodos imagiológicos) possa
ser alvo de colheita de uma amostra citológica [22].
A informação obtida pela citologia é amplamente reforçada pela boa compreensão das
vantagens e desvantagens já descritas, para além de uma boa comunicação estabelecida entre
clínicos e patologistas [15]. A seleção das lesões que serão alvo da colheita de amostras
citológicas, a escolha criteriosa da melhor técnica de colheita para cada lesão, assim como a boa
preservação 3 da amostra, o fornecimento de uma história clínica e uma completa descrição das
características da lesão aumentam a utilidade da informação retribuída ao clínico pelo patologista.

Métodos de coleta para preparações citológicas


O resultado de um teste laboratorial é tão bom quanto a qualidade da amostra enviada.
Na hora da coleta de material, as chances de obtenção de amostras significativas dependem
de diversas etapas que estão relacionadas entre si como: a obtenção de amostra significativa na
coleta, a aplicação correta do material nas lâminas, utilização de corante adequado e avaliação
com um microscópio de boa qualidade. Por isso, algumas técnicas básicas de coleta e
processamento do material são detalhadas a seguir:
Punção aspirativa por agulha fina (PAAF)
A PAAF é a técnica de coleta mais utilizada em citologia. Tal como o nome indica, o
procedimento é caracterizado pela utilização de uma agulha fina para extrair células de um tecido.
É indicada para todos os tipos de lesões cutâneas, desde massas sólidas a abscessos, órgãos
linfoides como linfonodos, baço, medula óssea, dentre outros órgãos internos e efusões cavitárias
(Peleteiro et al., 2011). Dentro da técnica citada, pode considerar duas variantes, a utilização ou
não da aspiração, sendo então conhecidas como punção aspirativa por agulha fina (PAAF) e
punção por agulha fina (PAF), respectivamente (Peleteiro et al., 2011). Esta técnica se diferencia
da anterior somente pela ausência do componente aspiração durante coleta. Também é utilizada
em formações proliferativas e deve ser o método de coleta citológica de escolha para os tecidos
muito vascularizados, a fim de minimizar a contaminação por sangue periférico e hemodiluição da
amostra. Esta prática permite a remoção de células em regiões profundas da lesão por meio de
capilaridade promovida pela utilização de uma agulha fina associada a uma seringa.
É o método mais simples e comum de colheita de material para exame microscópico, pouco
invasivo, realizado, normalmente por aspiração. Pode ser utilizado em: tecidos, linfonodos,
glândulas salivares, glândulas mamárias, órgãos e massas internas. Utiliza-se agulha simples de
21- 25 gauges, seringas de 3-20 ml e lâminas de vidro limpas e desengorduradas. Para linfonodos
e massas de consistência macia, como os lipomas, pode-se usar seringa de 3 ml ou até agulhas
sem seringas realizando a punção não-aspirativa, por capilaridade. Para massas mais firmes
recomenda-se a utilização de seringas maiores. Devem-se evitar agulhas de maior calibre devido
à possibilidade de se promover a biópsia tipo agulha, dificultando a avaliação microscópica5. A
técnica pode ser realizada com ajuda de um citoaspirador (Fig. 1), que facilita o trabalho, diminuindo
o número de assistentes.
Este método é comumente utilizado para aspiração de massas cutâneas e subcutâneas,
massas intratorácicas, intra-abdominais, incluindo fígado, baço e próstata. Grandes massas devem
ser aspiradas perto da periferia para evitar aspiração de possíveis áreas de necrose. Em punções
abominais e torácicas pode-se fazer a punção aspirativa guiada pelo ultrassom. A punção aspirativa
de massas cutâneas e subcutâneas, geralmente, não exige anestesia, mas punções
transabidominais e transtoracicas, que devem ser realizadas mediante sedação ou anestesia, para
reduzir o desconforto. Evita-se a punção nas neoplasias de bexiga, uma vez que o carcinoma de
células de transição, tipo tumoral mais frequente, apresenta capacidade excepcional de esfoliação
e implantação em outros tecidos5 .
Para a aspiração de massas, localizadas nas cavidades torácica ou abdominal, é importante
a preparação como área cirúrgica, porém, em tecidos comuns, somente com assepsia usando
álcool 70%.
A punção com agulha fina pode ser realizada da seguinte forma:
a) Estabilize o material a ser aspirado com uma das mãos;
b) Introduza a seringa na massa, faça uma pressão negativa de cerca de 3-10 ml com a agulha
dentro da massa e em movimento de vai e vem, acione a seringa em várias direções. O movimento
deve ser também direcionado em vários graus de profundidade no sentido de aspirar o material de
várias camadas teciduais. Massas teciduais muito fibrosas podem dificultar a aspiração, nestes
casos, podem ser usados agulhas de calibre maiores.
c)Utiliza-se a introdução apenas da agulha em mas sas muito friáveis e sangrantes, sem aspiração,
mas apenas por capilaridade para não provocar sangramento. Neste caso, penetre apenas agulha,
a movimente dentro da massa em várias direções, superficial e profundamente cerca de 5-20 vezes
6 d)Libere a pressão do embolo da seringa antes de retirá-la da massa para evitar ruptura de
pequenos vasos e até aspiração de tecidos em torno da massa. Pode ocorrer também a sucção do
material para dentro da seringa, dificultando a preparação do material.
e) Desconecte a agulha da seringa e encha-a com ar;
f) Recoloque a seringa na agulha;
g)Expulse o ar da seringa através da agulha empurrando o material ai contido para uma lâmina de
vidro fazendo um esfregaço com ajuda de outra lâmina;
h) Secar a lâmina ao ar e cora-la pelos métodos convencionais.
É importante a confecção de várias lâminas, principalmente, para aproveitar a presença do
animal no hospital ou clínica. O número de resultados inconclusivos e coletas insatisfatórias podem
ser reduzidos, a partir das seguintes diretrizes:
a) Evitar aspirar onde houver inflamação e necrose, pois o material pode não ser
representativo.
b)Certificar que a massa ou local teve sua estrutura toda aspirada para evitar erros de
interpretação;
c) Evitar força excessiva na aspiração e, principalmente, na realização do esfregaço para
evitar esmagamento e destruição das células;
d)Use agulhas diferentes para massas diferentes, pois, poderá haver contaminação e
diagnóstico errôneo;
e) Caso aja sangramento, interromper a aspiração e confeccionar o esfregaço somente com
o material do canhão da agulha e não aspirar5.

Na PAAF, uma única suspensão celular é obtida por meio da utilização de uma agulha de
calibre pequeno (i.e., calibres 23-25) com comprimento apropriado para o órgão ou lesão-alvo. Esta
agulha pode ser acoplada a uma seringa plástica seca e estéril de 6, 12 ou 20 mL, porém isto
frequentemente não é necessário. O tamanho da seringa baseia-se no quanto ela estará
confortável nas mãos do operador. Apesar de a técnica ser denominada como “PAAF”, na maioria
dos casos, a aspiração é realizada com a seringa (veja posteriormente).
Tecidos facilmente acessados utilizando esta técnica incluem a pele e a região subcutânea,
linfonodos superficiais e profundos, baço, fígado, rins, pulmões, tireoide, próstata e tumores
intracavitários de origem desconhecida (p. ex., aumento de volumes no mediastino).
A esterilização prévia do local não é necessária se o clínico estiver obtendo amostras de
aumentos de volume superficiais. Entretanto, nos casos em que se aspiram órgãos ou tumores
localizados nas cavidades corporais, é necessário realizar sempre a tricotomia e antissepsia do
local de punção.
Uma vez que o tumor ou órgão tenha sido identificado por meio de palpação ou radiografia,
se possível ele deve ser isolado manualmente. O isolamento manual não é necessário quando se
realizam PAAFs guiadas por ultrassonografia, tomografia computadorizada (TC) ou fluoroscopia.
Uma agulha, tanto isolada quanto acoplada a uma seringa, deve ser então introduzida no tumor ou
órgão. Se a técnica de “agulha isolada” for utilizada, a agulha é reinserida no interior do tecido/tumor
várias vezes; essa técnica pode ser chamada de “técnica do pica-pau”, uma vez que são realizados
movimentos repetidos de punção que imitam um pica-pau. Isto permite ao clínico remover
pequenas amostras as quais estarão completamente contidas no canhão da agulha. Uma vez
obtida a amostra, uma seringa descartável limpa é preenchida com ar e acoplada, posteriormente,
à agulha. A amostra é então gentilmente expelida por sobre lâminas de vidro, tal como descrito
posteriormente neste capítulo. Se for utilizada a técnica da agulha-seringa, aplica-se sucção na
seringa de três a quatro vezes. Se o tamanho do tumor ou lesão permitir, a agulha é então
redirecionada duas a três vezes, e o procedimento é repetido. Antes de remover a agulha e a
seringa, o clínico deve liberar a sucção para evitar que o sangue seja aspirado, contaminando assim
a amostra, ou que o ar seja aspirado, tornando a amostra impossível de ser retirada do interior da
seringa. A agulha é então desacoplada, aspira-se ar para dentro da seringa, a agulha é reacoplada
e a amostra é expelida por sobre lâminas de vidro. É importante realizar gentilmente a manobra.
Preencher a seringa por completo com ar e expelir a amostra abruptamente irá resultar na
“aerossolização” da amostra. Neste caso, cada gota irá secar instantaneamente ao tocar a lâmina
de vidro, e como as células não serão espalhadas, isso dificultará sua identificação durante a
observação microscópica. Em vez disso, o clínico deve aplicar uma pressão discreta no êmbolo da
seringa até que uma gota minúscula apareça na ponta da agulha, tocando então a lâmina de vidro
com sua ponta e liberando a amostra imediatamente. Na maioria dos casos, não se observa
material na seringa, porém a quantidade de células presentes no interior do canhão da agulha
geralmente será adequada para obter de quatro a oito lâminas de qualidade.
Ocasionalmente, células tumorais podem ser transplantadas ao longo do trato da agulha.
Isto ocorre mais frequentemente em cães com carcinomas de células de transição na bexiga ou
próstata, porém este fato também foi documentado em cães com adenocarcinomas pulmonares,
intestinais e prostáticos primários. Por isso, se um cão tem um tumor apical na bexiga passível de
ressecção cirúrgica, o autor não realiza PAAF percutânea, mas obtém aspirados por cateteres
transuretrais guiados por ultrassonografia.
Tumores superficiais ulcerados podem ser facilmente amostrados pela escarificação de sua
superfície utilizando-se uma lâmina de bisturi estéril, um depressor de língua feito de madeira, ou
uma gaze. Amostras são então preparadas tocando-se uma lâmina de vidro na superfície ulcerada
(veja a seção seguinte sobre citologia por impressão) ou por raspagem subsequente da superfície
utilizando-se o depressor de língua com transferência do material obtido para uma lâmina de vidro.
“Puxar” a amostra obtida utilizando duas lâminas de vidro é preferível a “empurrar” as amostras.
Uma vez preparadas as lâminas, elas são secas ao ar e coradas utilizando-se qualquer uma das
técnicas descritas na próxima seção.
Escarificação
Consiste na raspagem da lesão para obtenção do material e é indicada para lesões planas,
ulceradas, ou durante a cirurgia.
Esfoliação
Consiste na coleta de material com “swab” ou escovinha. É indicado para a retirada de
material do ouvido, vagina, uretra e bexiga5. Caso o material não se apresente úmido, pode ser
umedecido com solução salina, porém evite substâncias emolientes como óleos que dificultam a
aposição. Após a colheita, rola-se o “swab” sobre a lâmina sem esfregá-la, para evitar danos
celulares.
A técnica do “swab” considerada como método de coleta mais delicado, pois causa uma leve
escarificação na área lesionada. Geralmente é usado quando os outros métodos de coleta não são
viáveis, sendo esta técnica indicada em lesões com bordos elevados; trajetos fistulosos; região
auricular, principalmente para a identificação de agentes infecciosos como fungos e bactérias;
mucosas (citologias vaginais e oculares) e locais de difícil acesso como em áreas interdigitais

Imprint
É apropriado em casos de lesões cutâneas ulceradas ou exsudativas, geralmente planas -
situações onde a punção é difícil. Também é indicado para uma rápida avaliação da celularidade
de fragmentos de tecidos incisados que serão encaminhados à histopatologia. Neste método
normalmente são reveladas células da superfície de impressão e eventuais células inflamatórias,
além de ser útil na identificação de microrganismos, quando presentes. As células neoplásicas,
com exceção de tumores de células redondas, frequentemente não esfoliam nestas formações
ulceradas e exsudativas, podendo não se apresentar nestas amostras.
A técnica de imprint consiste na obtenção de células superficiais através da aposição de uma
lâmina na superfície de uma lesão com solução de continuidade ou em superfície de corte de
material oriundo de procedimento cirúrgico ou necroscópico. Tem como vantagem uma boa
preservação da morfologia celular e rápida avaliação da presença de bactérias e fungos (Peleteiro
et al., 2011).
Como limitações do imprint, a população celular obtida, no geral, é escassa, não sendo
indicada em algumas neoplasias de origem mesenquimal, por serem pouco esfoliativas. Há uma
grande chance de haver contaminação por bactérias secundárias às lesões em tumores ulcerados,
além da obtenção de células inflamatórias e displásicas, que não refletem a lesão principal
subjacente (Peleteiro et al., 2011).
Uma vez obtida as amostras biológicas e devidamente dispostas em lâminas, o material
precisa ser fixado e corado.
Raspado
Ideal em lesões de consistência dura, como tumores mesenquimais ou tecidos de
granulação com reação cicatrizante significativa, pois outros métodos geralmente obtêm amostras
com celularidade muito ruim. Eles também podem ser usados em biópsias, amostragem trans-
cirúrgica, lesões de pele; no entanto, nesses casos, isso deve ser feito de maneira suave, porque
a raspagem per se é mais agressiva; portanto, um grande número de células destruídas pode ser
obtido, resultando em uma difícil identificação ou avaliação. Uma alternativa é a amostragem por
aspiração com agulha fina, onde uma pressão negativa de cerca de 8mL é exercida e os
movimentos são feitos para frente e para trás com a agulha, mantendo a pressão negativa.
A citologia por agulha fina não aspirativa é semelhante à PAAF em vários aspectos e ambas
são consideradas as principais formas de coleta para a maioria dos exames citológicos. Entretanto
algumas lesões neoplásicas possuem particularidades e devem ser analisadas isoladamente para
oemprego do método de coleta citológica mais adequado.
Tratando-se de lesões palpáveis, não há necessidade de preparos especiais para o paciente,
uma vez que o procedimento é minimamente invasivo e os pacientes frequentemente não
demonstram qualquer incômodo durante ou após o procedimento. Nos casos de punções guiadas
por ultrassom em órgãos internos, a sedação/anestesia/analgesia deve ser executada a critério do
médico veterinário responsável.
As complicações descritas em decorrência da coleta citopatológica são raríssimas, entre
elas podemos citar hemorragias, infecções, injúrias de tecidos adjacentes e disseminação de
células neoplásicas.
Coleta de medula óssea
A biopsia medular oferece ao clínico informações importantes sobre a atividade
hematopoiéticas das células medulares, além de evidenciar a presença de parasitas, invasão
medular por células neoplásicas ou mielofitíase. É um método de fácil execução, mesmo em casos
de trombocitopenia grave.
Dependendo do animal é feito apenas com anestesia local, da seguinte forma:
a) Limpe e faça uma anti-sepsia cirúrgica na área a ser puncionada; a área preferida para
pequenos animais é a asa do íleo, a região externa e, em alguns casos, a cabeça do úmero e
fêmur;
b) Faça uma infiltração na pele, tecido subcutâneo e periósteo com pequena quantidade de
lidocaína;
c) Perfure a pele com a agulha de punção, que é composta de um estilete interno tipo
mandril, perfure o periósteo. Assim que agulha estiver firmemente fixada no osso, retire o mandril;
d)Fixe uma seringa de 10 ml na agulha e faça aspiração da medula com pressão moderada
para evitar rompimento de capilares sangüíneos intramedulares, o que provocaria uma diluição do
material medular com sangue;
e) Assim que o material medular fluir na seringa, libere a pressão da seringa, retire a agulha
e faça, com o material obtido, vários esfregaços em laminas limpas e desengorduradas.
f) Corar com métodos convencionais.
Coleta de fluidos corporais
Toracocentese
Em casos necessários, onde se suspeita de processos inflamatórios ou neoplásicos
intratorácicos, é feita a punção devidamente delimitada pela radiologia. O material necessário
consiste em agulhas normais, tipo 25/7, seringas de tamanhos variados, dependendo da
quantidade a ser coletada, que deve ser a mínima possível, dependendo da afecção. As efusões
pleurais se abundantes, geralmente, são bilaterais. A punção deve ser realizada na região ventral
do tórax, no sétimo ou oitavo espaço intercostal, próximo á junção costocondral. Acoplar a seringa
à agulha e após penetração no local adequado, que deve ser previamente preparado
assepticamente, aspirar suavemente. Com o material, preparar o esfregaço conforme indicado e
se estiver muito fluido pode-se centrifugá-lo.
Paracentese
O local deve ser preparado assepticamente e o animal colocado em decúbito lateral e bem
contido. A punção pode ser feita pré ou pós-umbilical, dependendo da localização alterada do baço
ou bexiga. Aspirar suavemente o líquido e enviar ao laboratório.
Artrocentese
Consiste na aspiração do liquido sinovial. É importante para o auxílio no diagnóstico de
lesões articulares. Com auxilio de uma seringa normal de cerca de 3 ml, o local deve ser puncionado
e aspirado, após antissepsia. A articulação deve estar parcialmente fletida e estendida,
alternadamente, enquanto se realiza a palpação de sua superfície até que um ponto macio possa
ser localizado. Aspira-se pouca quantidade e procede-se o esfregaço de forma convencional e a
seguir se faz a coloração.
Lavagem traqueobrônquica
Consiste, basicamente, na instilação de uma solução salina no interior da traqueia e dos
brônquios e sua posterior aspiração. Esta solução aspirada contém células que são usadas para
diagnóstico de afecções. O lavado endotraqueal é indicado para a colheita de material de gatos e
cães de pequeno porte, que devem ser anestesiados, pois serão entubados.
O paciente deve ser posicionado em decúbito lateral com o catéter urinário inserido dentro
do tubo endotraqueal. Com auxílio de uma seringa, instilar e aspirar rapidamente pequena
quantidade de soro fisiológico. Este material deve ser centrifugado e ser preparado um esfregaço
com o sedimento. A técnica transtraqueal é indicada para animais maiores. Prepara-se a área a ser
puncionada depilando-a e anestesiando-a. Introduz-se, então, um cateter vascular com agulha de
calibre 18 a 22 no ligamento cricotireódio e quando este atingir o lúmen da traqueia, o impulsione
até que alcance a bifurcação bronquial. Instile e aspire, simultaneamente, cerca de 10 ml de soro
fisiológico. Este material deve ser centrifugado e preparado um esfregaço com meios
convencionais.
O material coletado de fluidos corporais deve ser acondicionado em frascos sem
anticoagulante, frascos com EDTA e para cultura bacteriana.
Confecção das lâminas
Esfregaço de amostras fluídas
Os esfregaços são efetuados com líquidos menos viscosos os quais proporcionam mais
facilidade no deslizamento da lâmina. Se o fluido é mais viscoso a preparação em forma de
“squash” é mais adequada para se obter um preparado citológico mais fino (Fig. 2).
a) Pequena amostra deve ser depositada na superfície lateral da lâmina;
b) Tracionar uma Segunda lâmina na superfície da primeira ao encontro da amostra
depositada;
c) Como a amostra irá se distribuir uniformemente pela borda da lâmina, empurrar
suavemente a lâmina superior, distribuindo a amostra na superfície anterior.
Esmagamento (“squash”)
Utilizada para materiais mais viscosos (Fig. 3).
a) Depositar o aspirado sobre a lâmina;
b)Colocar uma segunda lâmina sobre a primeira, comprimindo o material colhido;
c) A lâmina superior é deslizada ao longo da superfície da lâmina inferior, promovendo-se a
distribuição do material. Evitar força excessiva para não destruir as células. Impressão (“in
print”).
As preparações citológicas por impressão são realizadas em tecido esfoliado ou ulcerado.
Em alguns casos, pode-se esfoliar uma ferida e fazer o “in print”.
a) Esfolie uma área representativa da lesão com algum material cortante;
b) A borda deve estar livre de sangue e será retirado com papel de filtro ou gaze.
Toque, gentilmente, a superfície esfoliada com uma lâmina de vidro limpa e desengordurada
fazendo com que por um tempo rápido a lâmina “se adira” ao material a ser examinado. É
importante evitar sangramentos para a boa qualidade do esfregaço, que também pode ser
feito de material cirúrgico.
Retire a lâmina e seque-a ao ar, corando por corantes de rotina.
TÉCNICA DE FIXAÇÃO E COLORAÇÃO DE ESFREGAÇOS CITOLÓGICOS
Dependendo do corante a ser utilizado, o método de fixação varia. Para corantes do tipo
Romanowsky (Wright’s, Giemsa e Panótico), que são os mais utilizados na citologia veterinária, a
lâmina deverá ser seca ao ar e armazenada em lugar seco e longe de formol para o envio do
material para o laboratório. A lâmina pode ser enrolada em papel toalha (caso não haja porta-
lâminas) para armazenamento e transporte.
Os esfregaços obtidos devem ser secos ao ar para as colorações do tipo Romanowski e Azul
de Metileno, de maneira a que a amostra adira à lâmina e não seja perdida durante o processo de
coloração (Meinkoth et al., 2008; Tvedten, 2012). A secagem ao ar deve ser feita naturalmente num
ambiente controlado para evitar distorção celular. Caso se deseje acelerar o processo, pode-se
usar um secador elétrico mas longe o suficiente para não aquecer a amostra, alterando-a. Os
esfregaços não devem ser armazenados em refrigeração nem expostos a pó, insetos ou outros
contaminantes.
É importante que as amostras sejam enviadas ao laboratório sem coloração, para que o
técnico utilize a coloração de sua preferência, mas devem ser coradas em um espaço de 24 horas.
Algumas células, principalmente, de medula óssea podem não absorver bem a coloração se a
preparação for antiga5 . As lâminas devem ser armazenadas em caixas ou vasilhames próprios.
(Tvedten, 2012).
Existem diferentes tipos de colorações aplicáveis a esfregaços citológicos. Os tipos mais
comuns são as colorações do tipo Romanowsky (Wright, Giemsa e Diff-Quik), vitais (Azul de
Metileno) e tricrómicas (Papanicolau e Sano). Os corantes do tipo Romanowski são os mais
populares e amplamente utilizados na comunidade Veterinária por serem práticos e de fácil acesso.
As colorações do tipo tricrómicas fornecem excelente detalhe na observação nuclear celular e são
rotineiramente utilizadas em Medicina Humana. No entanto, a sua técnica é complexa e requer
muitas etapas de coloração e não tem grande capacidade de corar muitos microrganismos e
citoplasma o que a torna pouco prática para uso Veterinário (Meinkoth et al., 2008a).
As colorações do tipo Romanowski são pouco dispendiosas, de uso imediato para o clínico
e fáceis de preparar, manter e utilizar. Em termos de características, têm uma excelente capacidade
de corar citoplasma celular e microrganismos. No entanto, obtém-se uma menor perceção de
detalhe a nível de núcleo e nucléolo celular ainda que suficiente para a diferenciação entre
neoplasia e inflamação, e para avaliar células neoplásicas quanto ao seu grau de malignidade
(Scott et al., 2001a; Meinkoth et al., 2008a). Todas as apresentações comerciais de colorações do
tipo Romanowski são indicadas para a coloração de esfregaços citológicos. O único pormenor
apontado é o facto de o Diff-Quik não incluir reação metacromática o que pode levar a alguma
deficiência na coloração de mastócitos. Deste modo, os grânulos dos mastócitos podem não corar
e serem, assim, mal classificados como macrófagos ou plasmócitos e interferir no processo de
diagnóstico em suspeita de mastocitoma, por exemplo (Meinkoth et al., 2008; Friedrichs & Young,
2012).
As colorações do tipo Romanowski são classificadas como policromáticas pelo que conferem
características de basofilia e eosinofilia aos esfregaços semelhante às observadas nos esfregaços
sanguíneos (Tvedten, 2012). Existem vários problemas com que o clínico, especialmente se for
inexperiente, se pode deparar quando tenta analisar um esfregaço citológico corado. Quando se
obtém um esfregaço bem corado, os núcleos celulares devem ser de fácil distinção em comparação
com o citoplasma, de cor roxa escura (Meinkoth et al., 2008a).
Cada tipo de coloração tem o seu próprio protocolo de procedimentos que deve ser
respeitado para que se obtenha o resultado desejado. De forma geral, há certas adaptações que
podem ser feitas consoante o tipo de amostra que se pretende analisar. Por exemplo, quanto mais
fino for o esfregaço e menor concentração proteica tiver a amostra, menos tempo necessita para
corar (Meinkoth et al., 2008a; Friedrichs & Young, 2012).
O corante Azul de Metileno não é tão comummente utilizado mas traz algumas vantagens
na observação citológica de alguns nódulos cutâneos, como é o caso dos lipomas, dado que é
solúvel em água e não dissolve lípidos. Permite também uma boa visualização de fungos, bactérias
e grânulos de mastócitos. Em casos de alta contaminação por sangue da amostra, torna-se útil
dado que os eritrócitos são fracamente corados por este corante (Raskin & DeNicola, 2006). O
novo azul de metileno não promove uma coloração permanente, mas é considerado um bom
corante para neoplasias, células teciduais e fungos. Trata-se de um corante básico, excelente para
a visualização de núcleos e nucléolos e granulações de mastócitos.
Os corantes de Papanicoulau são considerados permanentes e amplamente utilizados na
ginecologia humana para diagnóstico de neoplasias. Permitem melhor evidenciação do núcleo e
consequentemente as possíveis aberrações nele presentes.
Gram. Essa cor é de grande apoio para os médicos, pois a distinção entre bactérias gram-
negativas e gram-positivas permite o tratamento antimicrobiano precoce, orientado para esses
grandes grupos de bactérias, enquanto os resultados do antibiograma são obtidos em dois dias, se
realizados; Um atraso no tratamento pode às vezes ser fatal.
azul da Prússia. É útil para avaliar os estoques de ferro na medula óssea ou nos casos em
que macrófagos com material escuro fagocitado precisava saber se hemossiderina ou não, como
é em hemorragia pulmonar induzida pelo exercício em cavalos de corrida.
Imunocitoquica. É cada vez mais utilizado para conhecer a origem de algumas células
neoplásicas malignas, principalmente quando a anaplasia impede o reconhecimento.
Outras colorações, como o Periodic Acid Shiff (PAS), usadas para avaliações de fungos e o
Sudam III recomendado para avaliação de lipomas e lipossarcomas, também são utilizados na
rotina, no entanto, dado a sua praticidade, o panótico representa o corante mais frequentemente
utilizado na rotina clínica de pequenos animais.
Antes do envio da amostra para o laboratório, é importante identificar a lâmina (no lado onde
está o material) e preencher a requisição com os dados do animal, incluindo, no mínimo, espécie,
idade, sexo, localização da lesão e suspeita clínica. Dados adicionais como tempo de crescimento,
tamanho, formato, cor, mobilidade, invasão para tecidos adjacentes e presença de alopecia,
ulceração e crosta são muito importantes para o citopatologista.

AVALIAÇÃO CITOLÓGICA
Na rotina citológica, os locais mais comumente avaliados são pele e linfonodos,
provavelmente pela facilidade de observação e palpação de aumento de volume de linfonodos,
nódulos e feridas pelos proprietários dos animais e também pelo acesso mais simples às áreas,
sem a necessidade de uso de ultra-sonografia.
A avaliação citológica é uma tarefa visual em que cada clínico, consoante a sua experiência,
vai desenvolvendo uma metodologia de estudo e observação organizada de maneira a que obtenha
sempre conclusões coerentes e fidedignas (Tvedten, 2012).
Numa primeira abordagem a amostra deverá ser representativa. Para isso, deve-se ser
capaz de determinar se existe um número suficiente de células intactas, bem coradas e
potencialmente pertencentes à massa. O Médico Veterinário nunca deve basear a sua decisão
clínica a partir de resultados de amostras pouco celulares ou com alta incidência de lise celular.
Inicia-se a observação microscópica com pouca ampliação para avaliar o tipo de conteúdo e
distribuição celular na lâmina. O estudo mais pormenorizado a nível celular deve ser iniciado numa
área em que as células se encontrem em monocamada, bem dispersas, intactas e com coloração
de boa qualidade. Estas são as zonas mais promissoras de se obter um diagnóstico. No entanto,
todos os campos da lâmina devem ser observados, de maneira sistemática, para que se possa
chegar a um resultado mais conclusivo.
O facto de a amostra ser de celularidade adequada ou não depende também da natureza da
massa em estudo. Por exemplo, tumores de origem mesenquimatosa são constituídos por bastante
matriz extracelular e tendem a ser menos celulares que tumores epiteliais. O grau de celularidade
está diretamente relacionado com a fiabilidade e nível de confiança na interpretação final pelo que
os comentários dos resultados obtidos são expressos na forma de “provável” e “possível” para
amostras pouco celulares e expressos como “diagnóstico de” em amostras altamente celulares
(Friedrichs & Young, 2012).
O resultado da interpretação citológica de uma amostra pode ser incluído em uma de seis
categorias: tecido normal, inflamação, neoplasia, resposta a injúria celular e amostras não
diagnósticas por falta de material ou por contaminação por sangue periférico.
De uma forma geral, uma investigação citológica pode ser definida em três fases:
diferenciação da lesão como inflamatória ou tumoral; determinação da origem celular (epitelial,
mesenquimatosa ou células redondas) ou tipo de tecido; classificação do processo inflamatório ou
tumoral mais especificamente (Teske, 2008). O objetivo principal da interpretação citológica das
amostras é categorizar a massa como tecido normal, inflamação, neoplasia ou concluir se as
amostras são não diagnósticas. Como causas de ausência de informação citológica aponta-se a
falta de material na amostra ou a contaminação excessiva por sangue periférico (Graça, 2007).
INTERPRETAÇÃO
A observação da amostra deve ser feita de maneira lógica e padronizada. Toda a amostra
deve ser observada microscopicamente com o objetivo 10X, com esta ampliação pode ser
detectada características anormais, tais como grupos de células representativas para o estudo
(áreas de células intactas e não distorcida por causa da preparação são aqueles que devem ser
escolhidos), artefatos na amostra ou mancha e determinar se a amostra e a mancha estão
adequado. Uma vez que as áreas com celularidade única ou aumentada são identificadas e as
zonas a serem estudadas são escolhidas, deve ser observado com a objetiva 40X onde a
composição celular e a presença de microrganismos podem ser distinguidas. O objetivo 100X é
usado para observar a morfologia celular, os detalhes citoplasmático e nuclear e para a confirmação
da presença de certos microrganismos.
A primeira coisa é reconhecer se as células do tecido coletadas são normais ou anormal
para esse tecido em particular. Se for anormal, identifique o presença e tipo de células inflamatórias,
já que em muitos processos inflamatória, as células podem sofrer alterações morfológicas. Se o
processo não for inflamatório, você pode suspeitar de uma neoplasia e você deve determinar o tipo
celular (célula epitelial, mesenquimal ou discreta), uma vez classificado o tipo tecido, os critérios
para malignidade são considerados para classificar o processo como benigno ou maligno.
Tecidos normais
Tecidos Epiteliais
A maioria das células epiteliais, particularmente aquelas do epitélio glandular ou secretor,
tende a se manter unida (uma vez que possuem desmossomos), formando agregados ou lençóis
de células. Células individuais são facilmente identificáveis e são arredondadas a poligonais.Tanto
o núcleo quanto o citoplasma são bem diferenciados (o núcleo é pequeno e contém cromatina
densamente agregada). A maioria das células possui citoplasma azulado e núcleo arredondado
quando as amostras são coradas utilizando-se corantes tipo Romanowsky.
Tecidos Mesenquimais
As células dos tecidos mesenquimais (p. ex., fibroblastos, fibrócitos, condroblastos) são
difíceis de serem obtidas em amostras de rotina por meio de PAAF ou por escarificações devido ao
fato de elas serem envolvidas por intercelular. As células mesenquimais geralmente são fusiformes,
poligonais ou ovais e apresentam núcleos irregulares. Os bordos citoplasmáticos geralmente são
distintos e agregados celulares raramente são observados.
Tecidos Hematopoiéticos
Uma descrição morfológica detalhada das células sanguíneas circulantes está além do
objetivo deste capítulo. Entretanto, para descrevê-las brevemente, a maioria das células dos órgãos
hemolinfáticos é arredondada individual (sem tendência a se agregar), possui citoplasma azulado
quando corada por meio de colorações tipo Romanowsky, e um tamanho nuclear variável. A maioria
dos núcleos possui formato arredondado ou reniforme. Tecidos como a medula óssea possuem
células em diferentes estágios de desenvolvimento (i.e., desde blastos até células circulantes bem
diferenciadas).
Processos hiperplásicos
A hiperplasia geralmente resulta em um aumento nos órgãos glandulares ou nas estruturas
linfoides. As características citológicas da hiperplasia epitelial e da hiperplasia linfoide variam.
Citologicamente, alterações hiperplásicas nos epitélios podem ser difíceis de serem reconhecidas
devido ao fato de poderem mimetizar tanto tecidos normais como tecidos neoplásicos (as
características morfológicas se encontram entre as de tecidos normais e tecidos neoplásicos). É
importante ter cuidado ao avaliar amostras de órgãos
como próstatas aumentadas ou bexigas espessadas, em virtude de o alto grau
de hiperplasia e displasia frequentemente sugerir malignidade. A
abundância de células inflamatórias sugere que as alterações são um reflexo
de uma irritação crônica (i.e., hiperplasia).
Inflamação
De uma maneira geral, a avaliação microscópica da celularidade da amostra em aumento de 10x,
já é o suficiente para distinguir entre diferentes tipos de processos inflamatórios, já que amostras
altamente celulares são associadas a processos inflamatórios supurativos e piogranulomatosos,
enquanto inflamações granulomatosas são menos celulares. A distribuição celular vai sugerir o tipo
de microorganismo que se deve procurar durante a avaliação da lâmina. A presença de uma maioria
de neutrófilos (>85%), indica inflamação supurativa, que pode estar associada à bactéria ou não.
No caso de presença de bactéria nas amostras, é importante lembrar que é necessário observar a
bactéria dentro do citoplasma, para se confirmar que esta é a causadora da inflamação. A
inflamação é considerada piogranulomatosa quando há presença de neutrófilos, macrófagos
epitelióides e células gigantes multinucleadas. Nesse caso, os principais diagnósticos diferenciais
são fungos (ex: Cryptococcus e Sporothrix) e corpos estranhos. No caso de inflamação
granulomatosa, a população é formada por uma maioria de macrófagos, com números menores de
células gigantes multinucleadas. Alguns fungos e bactérias, como Micobacterium sp., Nocardia e
Actinomyces causam esse tipo de inflamação. Inflamações eosinofílicas contêm >12% de
eosinófilos e estão relacionadas à alergia, complexo granuloma eosinofílico felino, alguns parasitas
e síndromes paraneoplásicas.
A inflamação crônica frequentemente resulta em hiperplasia dos fibroblastos e angioblastos,
podendo mimetizar um tumor maligno de origem mesenquimal (sarcoma) (Fig. 72-1). Os seguintes
patógenos são frequentemente identificados em amostras citológicas: Histoplasma, Blastomyces,
Sporothrix, Cryptococcus, Coccidioides, Aspergillus/Penicillium, Toxoplasma, Leishmania,
Mycobacterium, riquétsias, bactérias e Demodex.

Neoplasia
A citologia é efetiva na determinação da origem celular e diferenciação de processos
inflamatórios, hiperplásicos e neoplásicos, além de mensurar o grau de malignidade das
neoplasias, atuando não só no diagnóstico, mas também no estabelecimento do prognóstico, na
identificação de metástases tumorais e no monitoramento do estadiamento das neoplasias.
Em citologia, as neoplasias são classificadas do ponto de vista estrutural em três grandes
grupos: os tumores de células redondas, os tumores epiteliais e os tumores mesenquimais.
No caso de neoplasias, as epiteliais e as de células redondas têm alta celularidade por
esfoliarem bem, enquanto as mesenquimais têm celularidade baixa por serem fibrosas e de difícil
esfoliação. As neoplasias de células redondas, como histiocitoma, mastocitoma, tumor venéreo
transmissível, plasmocitoma e linfoma são facilmente diagnosticados citologicamente por um
patologista experiente. Raramente, alguns deles não podem ser diferenciados citologicamente,
porém a dúvida fica restrita a apenas dois ou três deles. No caso das neoplasias epiteliais, muitas
vezes o diagnóstico fica restrito a diferenciação entre uma neoplasia benigna e uma maligna
(carcinoma), sem especificar o tecido de origem, porém em outros casos como o do adenoma
perianal, o carcinoma epidermóide e os carcinomas de células transicionais, podem ter um
diagnóstico definitivo. Apesar da maioria das neoplasias mesenquimais esfoliarem pouco, muitas
delas esfoliam o suficiente para um diagnóstico como o hemangiopericitoma, mixossarcoma, alguns
casos de fibrossarcoma, a maioria dos casos de osteossarcoma. O lipoma é a neoplasia
mesenquimal mais comumente diagnosticada citologicamente.
Tumores de células redondas - Os tumores de células redondas constituem um grupo de
grande importância em medicina veterinária. Incluem-se neste grupo o mastocitoma, o
linfossarcoma, o tumor venéreo transmissível, ou de Sticker, o melanoma e o histiocitoma.
Os tumores de células redondas são vistos pela citologia como neoplasias constituídas por
células redondas ou ovais de contornos distintos, que descamam em grande quantidade e que não
apresentam nenhum tipo de disposição pré-determinada ou aderência entre si. (REBAR, 1980).
Os tumores compostos por uma população homogênea de células redondas (discretas) são
denominados tumores de células redondas ou discretas (TCRs).
Esses tumores são comuns nos cães e nos gatos e incluem o linfoma, o histiocitoma, o
mastocitoma, o tumor venéreo transmissível (TVT), o plasmocitoma e o melanoma maligno (MM).
Osteossarcomas (OSAs) e condrossarcomas (CSAs) podem ser compostos por células
arredondadas, então eles são incluídos nesta categoria. Os TCRs são facilmente diagnosticados
por meio da citologia. A presença ou ausência de grânulos citoplasmáticos ou vacúolos e a
localização do núcleo auxiliam na classificação dos TCRs (Fig. 72-3).
As células nos mastocitomas (Fig. 72-8), linfomas de LGG (linfócitos de grânulos grandes)
geralmente possuem grânulos citoplasmáticos. As células nos tumores neuroendócrinos também
podem apresentar grânulos citoplasmáticos. Quando corantes hematológicos são utilizados, os
grânulos são arroxeados nos mastocitomas, vermelhos nos linfomas de LGG, e pretos, verdes,
amarronzados ou amarelados nos MM. Os linfomas (Fig. 72-11), histiocitomas (Fig. 72-12),
plasmocitomas e TVTs não possuem grânulos citoplasmáticos. As células no OSA ocasionalmente
contêm grânulos citoplasmáticos róseos pequenos a grandes (osteoides) (Fig. 79-6 no Cap. 79).
Vacúolos citoplasmáticos são comuns nos TVTs e histiocitomas.
O mastocitoma é a neoplasia de pele, comum em cães com idade média de 8 anos. Acomete
machos e fêmeas com a mesma frequência e com localização mais freqüente na parte superior dos
membros posteriores, como na coxa, virilha, bolsa escrotal,períneo e prepúcio. Os tumores de
prepúcio são altamente malignos.
Os tumores aparecem como nódulos cutâneos delimitados, de 1 a 10 cm de diâmetro, mas
também podem apresentar-se como coleções edematosas na pele, mal delimitadas. O tumor, em
geral, envolve a derme, mas pode ocorrer extensão para o tecido celular subcutâneo e para a
musculatura.
O mastocitoma é facilmente identificado pela citologia com o uso do corante de Wright.
Altamente celular, suas células são redondas, com núcleo redondo, grande e periférico, de cor azul
claro e normalmente, não há evidências de nucléolos. O citoplasma, na maioria dos casos, é
preenchido por grânulos metacromáticos, que obscurecem os detalhes nucleares. É comum a
presença de eosinõfilos, macrõfagos contendo grânulos fagocitados e granulação solta espalhada
entre as células.
O linfossarcoma é relativamente comum no cão de qualquer idade, sendo mais freqüente
nos acima de cinco anos, acometendo machos e fêmeas com a mesma freqüência. O linfossarcoma
pode ser classificado citologicamente em cinco formas: indiferenciado,histiocitico ou sarcoma de
células reticulares, linfoblastico, pró-linfocítico e linfocítico.
A principal característica citolõgica do linfossarcoma é a hipercelularidade. As células são
grandes, uniformes,redondas e no mesmo estágio de diferenciação,com anisocitose e anisocasiose
moderadas, geralmente constituídas por linfoblastos imaturos e pró-linfócitos As células
apresentam escasso citoplasma basofilico escuro, geralmente localizado num só lado da célula,
alta relação núcleo-citoplasma;núcleos excêntricos, ovais ou irregulares, cromatina delicadamente
granular, nucléolos únicos ou múltiplos e com freqüentes mitoses,muitas delas atípicas. Os
linfócitos maduros e os plasmócitos são raros ou inteiramente ausentes. Pelo grande número de
células blásticas e pela sua fragilidade, é comum encontrar-se estrias de material nuclear em
esfregaços de linfossarcoma.
As células do tumor de Sticker ou tumor venéreo transmissível podem ser transmitidas
através do coito, lambedura, mordidas e pelo ato de se coçar, ocorrendo em cães sexualmente
ativos de qualquer raça ou sexo, o tumor de Sticker no macho localiza-se na porção mais caudal
do pênis, na glande e ocasionalmente no prepúcio, enquanto que na fêmea, aparece geralmente
na junção do vestíbulo com a vagina e algumas vezes pode protrair pela vagina.
Os espécimes obtidos por aspiração e por impressão mostram muitas células dispostas em
camadas ou padrão epitelióide. As células são grandes, redondas ou ovais, núcleo grande,
arredondado ou ovalado e excêntrico. A croma tina é disposta granularmente, com nucléolo
evidente, redondo e azulado. 0 citoplasma é abundante, azul pálido ou incolor, com vacúolos claros
e distintos, membrana celular com contornos nítidos.
As mitoses são frequentes nos tumores em crescimento, e nos que estão sofrendo regressão
é comum a presença de linfócitos, plasmócitos e macrófagos.
0 melanoma é uma neoplasia benigna ou maligna, em geral única e originária dos
melanócitos.
É muito comum no cavalo tordilho, relativamente comum no cão e em certas raças de suínos.
É menos observado em bovinos e nas cabras e muito raro em gatos e ovelhas.
As células típicas apresentam-se individualmente nos esfregaços citológicos obtidos por
aspiração e por impressão. São grandes, redondas ou ovais, com núcleos arredondados e com
nucléolos grandes. 0 citoplasma varia em quantidade e é preenchido com inúmeros grânulos de
melanina de coloração preta ou marrom, que muitas vezes obscurecem os detalhes nucleares.
0 melanoma pode apresentar células com morfologia variável, algumas com aspecto
epitelióide e outras com aspecto mesenquimal. O melanoma pouco pigmentado é mais difícil de ser
diagnosticado pela citologia, porém a observação de alguns melanócitos pigmentado e a presença
de macrófagos com grânulos de melanina intracitoplasmáticos podem ajudar na definição do
diagnóstico citológico.
0 histiocitoma é um tumor benigno peculiar do cão e de etiologia desconhecida histiocitoma
possui um crescimento muito rápido, em geral de uma a quatro semanas,sendo freqüente em cães
jovens com idade média de dois anos e raro em animais com idades superiores a cinco anos. Em
geral é único, mas pode ser múltiplo, bem delimitado e firme, de coloração rosa,alopécico e que
pode ulcerar. Sua localização mais comum é na pele da orelha, das porções distais dos dedos e,
mais raramente, na pele da cabeça, pescoço, tronco, membro e cauda de cães da raça Boxer e
Dachshund.
As amostras citológicas obtidas por aspiração e por impressão apresentam poucas células.
Essas células são moderadamente pleomorficas, semelhantes a macrófagos e, segundo DUNCAN
& PRASSE (1976b), em contraste aos macrófagos de tecidos e histiócitos de lesões inflamatórias,
são células menores, sem vacúolos citoplasmáticos ou material fagocitado. As células do
histiocitoma são redondas ou ovais, com citoplasma azul pálido em quantidade moderada e de
contornos nítidos. 0 núcleo é redondo ou oval,ocasionalmente denteado e excêntrico, com
cromatina delicadamente granular e os nucléolos não são evidentes. Eritrócitos e linfócitos podem
aparecer espalhados entre as células tumorais, especialmente se o material ê obtido durante a fase
de regressão espontânea do tumor.
Tumores epiteliais - Células epiteliais normais estão freqüentemente aderidas umas às
outras e essa propriedade é observada em preparações citológicas de neoplasias epiteliais. As
células carcinomatosas são redondas ou ovais e dispõem-se em aglomerados.
A maioria dos carcinomas é composta por células arredondadas ou poligonais que tendem
a se aderir, formando agregados ou lençóis amplos. Seu citoplasma geralmente apresenta uma
coloração azul intensa e na maioria dos adenocarcinomas a vacuolização é evidente. Os contornos
citoplasmáticos são difíceis de serem reconhecidos e as células se assemelham a uma massa
protoplasmática em vez de um lençol composto por várias células individualizadas. Nos carcinomas
de células escamosas, as células geralmente aparecem individualizadas, podendo ser irregulares
ou poligonais, possuem um citoplasma de coloração azul intensa (ocasionalmente com uma franja
eosinofílica) e grandes vacúolos. As células neoplásicas no carcinoma de células escamosas
frequentemente exibem leucofagia. Tanto os núcleos dos adenocarcinomas quanto dos carcinomas
de células escamosas são grandes, apresentando um padrão de cromatina finamente agregado e
nucléolos proeminentes.
Tumores epiteliais benignos:
O tricoepitelioma é uma neoplasia benigna, comum no cão de mais de cinco anos de idade,
de qualquer raça ou sexo, e que predomina na pele da região dorsal. O tricoepitelioma é um tumor
subcutâneo bem delimitado, firme, variando de 1 a 10 cm de diâmetro, alopécico e freqüentemente
ulcerado. Cresce vagarosamente e não faz metástases, sendo composto de inúmeros cistos que
se originam de folículos pilosos. O aspecto histológico varia com o grau de diferenciação e se o
tumor está relacionado com a bainha folicular ou com a matriz pilosa. Em muitos tricoepiteliomas
há duas populações celulares, uma de células basais e outra de células escamosas.
As células basais formam cistos córneos que consistem de centros completamente
queratinizados, circundados por pequenas células basofílicas semelhantes às do carcinoma
basocelular. A transição entre as células basais e as queratinizadas é muito abrupta.
Nos tricoepiteliomas que se diferenciam para a bainha, ocorre quantidades consideráveis de
epitélio escamoso estratificado. O tricoepitelioma se diferencia do carcinoma espinocelular por suas
células menores, ausência de invasão e, principalmente, pela rapidez de queraninização.
Adenoma de glândula hepatóide ou de glândula perianal deriva de glândulas sebáceas,
modificadas, da região perineal de cães, de outros canídeos e de marsupiais. Acomete animais de
todas as raças, em geral cães machos idosos, de oito anos ou mais, sendo raro em jovens. É um
tumor único ou múltiplo, bem circunscrito,ulcerado, sendo 4,5 vezes mais freqüentes que os
adenocarcinomas de glândula hepatóide. Eventualmente podem aparecer em locais como o
prepúcio, porção dorsal e ventral da cauda.
As amostras citológicas por aspiração ou por impressão desses tumores caracterizam-se
por grandes aglomerados de células epiteliais ovóides, com citoplasma volumoso, de aspecto
espumoso, azul-rosado e com granulações. As células lembram hepatócitos, tanto citologicamente
como histologicamente, daí serem chamados de hepatóides.
Cistoadenoma papilar de mama - O cistoadenoma papilar de mama é uma neoplasia
benigna do tecido glandular mamário. 0 tumor pode ser único ou múltiplo, acometendo uma ou mais
glândulas. Bem circunscrito e encapsulado,caracteriza-se histologicamente pelo crescimento
papilífero no interior do lúmen dos duetos principais, com pouca atividade mitótica e sem
hipereromatismo. 0 lúme, em geral, contém secreção eosinofílica.
Tumores epiteliais malignos
Carcinoma basocelular - 0 carcinoma basocelular é constituído por células pluripotenciais
da camada basal e não apresentam pontes intercelulares. Ê comum no cão e no gato e raro em
outros animais. Em geral é único, mas pode ser múltiplo, ocorrendo na pele do pescoço, da cabeça
e dos ombros,como estruturas firmes, esféricas, bem delimitadas. Os cães afetados estão acima
de sete anos de idade. Citologicamente, pode ser diagnosticado por aspiração e por impressão.
Caracteriza-se por apresentar arranjamentos lineares de células epiteliais uniformes, redondas e
pequenas, com alta relação núcleo-citoplasma, núcleo oval,citoplasma escasso e basofllico. Os
nucléolos nem sempre são evidentes. Os critérios mais consistentes para o diagnóstico citológico
do carcinoma basocelular é a presença de fragmentos ou aglomerados apresentando grande
coesão intercelular, bordos de contorno distinto, disposição em paliçada das células da camada
mais externa dos aglomerados e células neoplásicas uniformes morfologicamente.
Carcinoma espinocelular - 0 carcinoma espinocelular é um tumor maligno de células
epiteliais escamosas,que afeta todos os animais domésticos, embora apareça com mais freqüência
no cão, no cavalo e no gato. Os animais atingidos são adultos idosos, não havendo predisposição
racial. A pele do tronco, pernas, dígitos, escroto e lábios é particularmente envolvida no cão. Nos
gatos, o carcinoma espinocelular é invariavelmente encontrado na cabeça, envolvendo a pele da
orelha, das narinas, dos lábios e das pálpebras. Nos cavalos, o tumor ocorre comumente em
junções mucocutâneas (STANNARD & PULLEY, 1978). Em gatos brancos e no homem há uma
forte relação entre o desenvolvimento do carcinoma espinocelular e a exposição aos raios
ultravioleta da luz solar, sendo que a ocorrência desse tumor em gatos brancos é treze vezes maior
do que nos gatos com outros padrões de pelagem ( KIRK zt al., 1985). As amostras obtidas por
aspiração e por impressão de um carcinoma espinocelular contêm inúmeras células epiteliais
isoladas e aglomerados de células epiteliais. As células isoladas são grandes, com baixa relação
núcleo-citoplasma,alguns núcleos são picnóticos e o citoplasma é volumoso, corando-se
palidamente com o corante de Wright
Adenocarcinoma mamário - As neoplasias mamárias têm no cão a maior taxa de incidência
(52%) quando comparada com a de outros animais domésticos. A coleta de material para exame
citológico de tecido mamário pode ser feita através da expressão do líquido do mamilo diretamente
na lâmina, aspiração com agulha fina ou de raspados de lesões ulceradas.
Tumores mesenquimais ou de células fusiformes - Os tumores mesenquimais contêm
células embebidas em uma matriz que elas mesmas secretam. Sendo assim, o material citológico
obtido por aspiração ou por impressão de massas sarcomatosas são menos celulares que as
preparações de tumores epiteliais ou de células redondas. Estruturalmente, as células de tumores
do tecido conjuntivo esfoliam como células individuais fusiformes
As características citológicas dos sarcomas variam de acordo com o tipo histológico. De
maneira geral, os sarcomas não esfoliam bem. Entretanto, hemangiopericitomas e outros sarcomas
de células fusiformes esfoliam tão bem que a primeira impressão do clínico ao avaliar a amostra é
a de que pode se tratar de um carcinoma (i.e., as células aparentam estar agregadas). A maioria
dos tumores mesenquimais é de células fusiformes, poligonais, poliédricas ou ovais, com um
citoplasma que varia da coloração vermelho azulada a azul-escura, apresentando núcleos com
formatos irregulares. A maioria das células está individualizada, apesar de poder haver agregação
(particularmente em amostras obtidas por meio de impressão ou quando uma agulha de diâmetro
maior for utilizada para a coleta de amostras por meio de PAAF). As células tendem a formar
“caudas” na maioria dos sarcomas e os núcleos tendem a protruir do citoplasma (Fig. 72-6). A
presença de células fusiformes ou poligonais com um citoplasma vacuolizado de coloração azul-
acinzentada é altamente sugestiva de hemangiossarcoma (Fig. 72-7). Matriz intercelular (p. ex.,
osteoide, condroide) é ocasionalmente detectada. Para estes dois tipos de tumores, as células
geralmente são arredondadas ou ovoides. A abordagem preferida para lesões ósseas líticas na
clínica do autor é a realização de uma PAAF (Cap. 79). A probabilidade de obter um diagnóstico
definitivo é maior do que quando se realiza uma biopsia óssea cirúrgica, com um custo
significativamente menor e causando desconforto mínimo para o paciente. Células gigantes
multinucleadas são comuns em alguns sarcomas nos gatos.
Tal como foi discutido anteriormente, os aspirados podem gerar resultados falso-negativos
uma vez que as células de sarcomas são difíceis de serem esfoliadas. Consequentemente, se
houver suspeita clínica de que um tumor é um sarcoma e os achados da PAAF forem negativos,
deve ser obtida amostra de biopsia cirúrgica do tumor porque provavelmente trata-se de um
sarcoma.
Tumores mesenquimais Benigno
Tumor de células da granulosa - 0 tumor de células da granulosa é a neoplasia ovariana
mais comum de animais domésticos, constituindo quase 80% dos neoplasmas ovarianos primários
na égua. O tumor da granulosa é com freqüência unilateral, de superfície lisa, redondo, podendo
ser cístico, sólido ou policístico.
Histologicamente, as células da granulosa neoplásica não são muito diferentes das normais.
O citoplasma cora-se levemente e tem contornos pouco nítidos. O núcleo é redondo e excêntrico
ou ovoide, com poucas ou nenhuma mitose. As células podem dispor- se em um padrão
sarcomatoso difuso; era ilhas ou cordões circundados por septos de tecido conjuntivo ou em um
padrão folicular. Naqueles tumores com padrão folicular,as células podem agrupar- se ao redor de
espaços claros ou focos de material proteináceo.
Em éguas, três sinais clínicos principais caracterizam os tumores de granulosa: anestro,
virilismo e ninfomania.
Tumores mesenquimais Malignos
Fibrossarcoma - O fibrossarcoma representa um grupo heterogêneo, consistindo não só de
tumores malignos de fibroblastos, mas daqueles tumores de células mesenquimais de difícil
classificação capazes de produzirem colágeno. 0 fibrossarcoma é encontrado com mais frequência
no cão e no gato, desenvolvendo-se em adultos jovens e idosos, acometendo animais de qualquer
raça e sexo. Os locais mais comuns são a pele e o tecido subcutâneo, a cavidade oral e a nasal.
Tumor de tamanho variável, pouco delimitado e não encapsulado.
O diagnóstico por aspiração e, às vezes, difícil/pois não se consegue deslocar células do
estroma com facilidade. A impressão é o melhor método de diagnóstico citológico.
As células do fibrossarcoma, mesmo em raspados, aparecem em pequeno número e são
células individuais, muito fusiformes, com variação no tamanho da célula e do núcleo. 0 núcleo
pode ser redondo ou oval, único ou múltiplo, central e grande, com nucléolos únicos ou múltiplos e
grandes. 0 citoplasma é fusiforme, basofílico, com vacúolos delicados e com bordas indistintas.
A diferenciação entre fibroblastos hiperplásicos do tecido de granulação e os de origem
neoplásica é difícil, mas baseia-se no fato que os fibroblastos neoplásicos são muito pleomórficos
e grandes; apresentam maior relação núcleo-citoplasma e o citoplasma é mais basofílico. Por sua
vez, o tecido de granulação não apresenta fibroblastos multinucleados e está acompanhado de
células inflamatórias como neutrófilos, macrófagos e mastócitos, células estas vistas em
fibrossarcomas apenas em raras ocasiões, somente a histologia confirma o diagnóstico.
Hemangiossarcoma - O hemangiossarcoma é um tumor maligno de células endoteliais. Os
cães são os mais acometidos, principalmente os da raça Pastor Alemão. 0 hemangiossarcoma
pode localizar-se em órgãos internos e na derme e tecidos subcutâneos.
No cão, o baço é o local mais atingido, mas o coração e o fígado são pontos freqüentemente
atingidos por essa neoplasia. Uma vez que o tumor se origina do endotélio vascular, pode acometer
qualquer região do organismo, incluindo áreas como os ossos, sistema nervoso central, músculo e
aparelho gastrointestinal.
As amostras citológicas obtidas de aspiração contêm consideravelmente mais sangue que
os outros tumores mesenquimais. A maioria das células neoplásicas de tumores subcutâneos são
fusiformes e com citoplasma basofílico, espumoso e vacuolado. A relação núcleo-citoplasma é
moderada. Os núcleos são vesiculares e possuem nucléolos evidentes (ZINKL, 1987). A
diferenciação citológica com outros tumores mesenquimais é difícil e com frequência impossível,
sendo que um diagnóstico presuntivo de tumor mesenquimal deve ser considerado como suficiente,
devendo o tecido ser submetido ã avaliação histológica.
Células neoplásicas malignas
As células que compõem a maioria dos órgãos e tecidos normais (com exceção das células
precursoras na medula óssea) são bem diferenciadas e, em sua maioria, são semelhantes no que
diz respeito ao tamanho e formato.
Elas apresentam uma relação núcleo: citoplasma (N:C) normal, o núcleo geralmente possui
uma cromatina condensada sem evidenciação de nucléolos, e o citoplasma pode exibir
características de diferenciação (p. ex., formação de queratina no epitélio escamoso).
Células malignas contêm uma ou mais das seguintes características (Quadro 72-1): uma
relação N:C aumentada (i.e., núcleo maior e citoplasma menor); um padrão de cromatina delicado,
nucléolos evidentes (geralmente múltiplos); anisocariose (i.e., células apresentam núcleos de
diferentes tamanhos); amoldamento nuclear (i.e., um núcleo em uma célula multinucleada está
comprimido por um outro núcleo vizinho); homogeneidade morfológica (i.e., todas as células são
parecidas); pleomorfismo (i.e., células em diferentes estágios de desenvolvimento); vacuolização
(especialmente em tumores epiteliais malignos); anisocitose (i.e., células apresentam tamanhos
diferentes); células gigantes multinucleadas e, ocasionalmente, atividade fagocítica. Outra
característica de malignidade é a heterotopia (i.e., a presença de um determinado tipo celular em
um local no qual ele não deveria ser encontrado). Por exemplo, um número elevado de células
epiteliais no linfonodo somente pode ser observado como consequência de metástase de um
carcinoma.
Adicionalmente, células malignas tendem a ser morfologicamente diferentes de sua
população celular progenitora (Quadro 72-1). Com base nas características citológicas
predominantes, os tumores malignos podem ser classificados como carcinomas (epiteliais),
sarcomas (mesenquimais) ou como tumores de células redondas (Fig. 72-3).
CRITÉRIOS DE MALIGNIDADE
Para estimar o potencial maligno é mais confiável considerar os critérios de malignidade no
núcleo, em vez de no citoplasma, porque, em geral, o núcleo sofre menos alterações em processos
inflamatórios, ou hiperplásico displásico o citoplasma. O reconhecimento de mais de três critérios
de malignidade no núcleo em uma alta porcentagem de células é uma forte evidência de
malignidade. Quando um ou dois critérios são reconhecidos em algumas células, o tumor pode ser
benigno ou maligno, onde uma biópsia é sugerida. Se nenhum critério de malignidade for
reconhecido no núcleo, há fortes evidências de que é uma neoplasia benigna. Se o tipo de processo
não for determinado com certeza, as amostras devem ser encaminhadas para um citopatologista
qualificado ou um estudo histopatológico deve ser realizado.
Critérios para malignidade
Existem critérios gerais de malignidade, como anisocitose, macrocitose, hipercelularidade e
pleomorfismo, que não têm grande peso na interpretação final, assim como os critérios de
malignidade do citoplasma, como basofilia, vacuolização e membrana citoplasmática mais espessa.
Os critérios de importância capital na interpretação são nucleares e nucleolares, estes
últimos têm mais peso na designação final.
Critérios para malignidade nuclear e nucleolar
a) Macrocariose. É a presença de núcleos de maior dimensão que os da linha celular normal.
b) Anisocariose. Núcleos de tamanhos diferentes.
c) relação núcleo / citoplasma. Aumentado pelo aumento do tamanho nuclear.
d) Multinucleação. Células que possuem dois ou mais núcleos. Critério mais importante se
a mesma célula apresentar, além disso, anisocariose.
e) Índice mitótico. Elevado Em geral, não são observadas células na mitose.
f) mitoses anormais. Critério de grande peso para a designação de maligno.
g) cromatina granular grosseira, em cordões ou torrões. Indica alta atividade ou capacidade
mitótica das células.
h) Anisonucleolose. Nucléolos de tamanho diferente.
i) Macronucleolose. Quando os nucléolos são maiores que um eritrócito (> 5μm).
j) Número diferente de nucléolos.
k) nucléolos angulares.
CRITÉRIOS GERAIS
Celularidade Em geral, as amostras com alta celularidade sem um componente inflamatório
significativo são malignas. Este critério é apropriado somente em tecidos epiteliais e mesenquimais.
Pleomorfismo A maioria dos tecidos normais tem uma população celular uniforme tanto no formato
quanto no tamanho. Nas neoplasias malignas, essa uniformidade de forma e tamanho (anisocitose)
é perdida, na medida em que, em alguns casos, torna-se muito difícil distinguir o tipo de tecido.
Localização Um critério simples e óbvio é a localização anormal de uma determinada população de
células, ou seja, encontrar qualquer tipo de célula neoplásica em tecidos que normalmente não têm
esse tipo de célula. Por exemplo, encontrar células epiteliais neoplásicas nos gânglios linfáticos
indica a presença de uma metástase.
CRITÉRIOS NUCLEARES
Tamanho nuclear Em tecidos neoplásicos normais, hiperplásticos e benignos, o tamanho nuclear
é relativamente uniforme. Nos processos neoplásicos malignos, a anisocariose (tamanhos
nucleares diferentes) é proeminente. Se os núcleos variam de 1,5 a 2 vezes o tamanho em relação
a outras células do mesmo tipo de tecido, a malignidade é altamente suspeita.
Forma nuclear. Assim como o tamanho nuclear, a forma do núcleo é uniformemente conservada
em processos benignos. Nas populações de células malignas, uma mistura de núcleos
arredondados, ovóides, fissurados ou bizarros pode ser encontrada.
Relação núcleo / Citoplasma. A relação núcleo / citoplasma permanece uniforme nos tecidos
neoplásicos normais, hiperplásicos e benignos. A variação desta relação entre células de uma
população monótona de células não inflamatórias é altamente indicativa de malignidade. Deve-se
considerar que certas populações de células epiteliais, como o epitélio de transição da bexiga ou
do epitélio escamoso, normalmente exibem uma variação no núcleo / citoplasma do rádio.
Nucléolo Muitos tecidos normais possuem células com um ou múltiplos nucléolos, mas em geral
são pequenos, redondos e de tamanho uniforme entre as células do mesmo tecido. Nos processos
benignos, hiperplásicos e neoplásicos, as células podem ter múltiplos nucléolos, porém
uniformemente mantêm sua forma normal e tamanho pequeno. Muitas populações de células
malignas têm nucléolos múltiplos e / ou proeminentes com possíveis variações de tamanho e forma
entre diferentes células ou no núcleo da mesma célula. Se uma variação marcada no nucléolo é
identificada, é indicativo de malignidade.
Padrão de cromatina nuclear. A uniformidade no padrão da cromatina nuclear é uma regra nos
tecidos neoplásicos normais, hiperplásicos e benignos. O padrão pode variar dependendo do tipo
de tecido, como ser finamente distribuído em tecidos mesenquimais normais ou denso em tecidos
linfoides normais, mas permanecer constante nesse tecido. Em geral, em processos malignos, o
padrão é isolado e tende a ser distribuído de forma desigual com agregações em alguns locais.
Deformação nuclear. Em tecidos proliferativos normais ou benignos, a organização celular é
mantida, isto evita a distorção das células adjacentes mantendo uma forma e tamanho uniformes
de células e nucleares. Em alguns processos proliferativos malignos, esta organização é perdida
causando compressão e distorção celular e nuclear.
Figuras mitóticas. A descoberta de figuras mitóticas significa que o tecido tem uma alta gama de
divisão celular e não indica precisamente malignidade, no entanto encontrar figuras mitóticas
anormais, em que o material nuclear é distribuído em mais de duas direcções ou desigual, é
sugestivo de malignidade, exceto no caso do tumor venéreo transmissível, onde, apesar de ser
comum encontrar figuras mitóticas anormais, apresenta um comportamento benigno.
Vários núcleos Em certos tipos de células, como macrófagos que possuem vários núcleos (células
gigantes) e hepatócitos que possuem dois núcleos, é normal haver multinucleação. No entanto, se
múltiplos núcleos de tamanho variável e diferença em número em uma célula particular são
indicativos de malignidade, bem como encontrar variações no tamanho nuclear na mesma célula
multinucleada, isso indica uma divisão com distribuição anormal da cromatina nuclear, embora
figuras mitóticas não sejam encontradas.
CRITÉRIOS CITOPLÁSMICOS
Basofilia Células imaturas e altamente ativadas têm citoplasma basofílico devido à grande
quantidade de RNA citoplasmático em comparação com as células bem diferenciadas da população
que não têm uma síntese marcada proteína Muitas células malignas têm uma maturação anormal
do citoplasma causando coloração basofílica. Obviamente, sendo um característica de células
imaturas, este critério não é fortemente indicativo de malignidade, por isso deve ser considerado
em conjunto com outros critérios de malignidade nuclear.
Vacuolização Muitas células normais de diferentes tecidos têm vacúolos em seu citoplasma como
macrófagos que têm uma função fagocitária, ou em células epiteliais secretoras (tecido glandular)
podem apresentar vacúolos semelhantes, uniformes, claros e ao redor do núcleo. Também muitos
células em vários estados de degeneração, como hidrópica ou gordura, presentes vacuolização.
Ocasionalmente, células epiteliais glandulares malignas apresentam vacúolos únicos e grandes
causando compressão do núcleo na periferia, encontrar várias células com essas características
pode ser malignidade significativa
Canibalismo A fagocitose de células do mesmo tecido é um processo que vem a se apresentar
em macrófagos, neutrófilos, células epiteliais malignas e em tumores de células discretas. O
canibalismo pode ser indicativo de malignidade especialmente se for encontrada extensivamente,
mas como no outros critérios de malignidade citoplasmática, devem ser considerados em conjunto
com outros critérios de malignidade nuclear.
Linfonodos
A citologia de linfonodos deve ser feita sempre que houver aumento, sendo ele focal ou em
casos de linfadenopatias generalizadas. As categorias citodiagnósticas dos linfonodos incluem:
linfonodo reativo, quando há aumento no número de plasmócitos devido a um estímulo antigênico
crônico; inflamação dos diversos tipos citados acima, gerando uma linfadenite que pode ser
neutrofílica, eosinofílica e etc; linfoma (neoplasia primária) e neoplasias metastáticas
(principalmente os carcinomas). Quando há uma linfadenopatia generalizada, recomenda-se a
aspiração de mais de um linfonodo, de preferência os préescapulares e poplíteos, evitando os
submandibulares, que têm maior tendência a aumento de volume.
A avaliação citológica de aspirados de linfonodo é realizada comumente na prática
veterinária. Caso os achados citológicos de um linfonodo aumentado de volume sejam
inconclusivos, o linfonodo deve ser removido cirurgicamente e submetido à avaliação
histopatológica.
Quando avaliar amostras citológicas preparadas a partir de aspirados ou de citologias de
impressão obtidas a partir de linfonodos, o clínico deve ter em mente que estes órgãos reagem a
diferentes estímulos e assumem padrões distintos. De maneira geral, quatro padrões citológicos
são reconhecidos: linfonodo normal, linfadenopatia reacional ou hiperplásica, linfadenite e
neoplasia.
Linfonodo Normal
Amostras citológicas obtidas a partir de linfonodos normais são compostas
predominantemente por pequenos linfócitos (≈ 70% a 90%), sendo, portanto, monomórficas. Estas
células possuem aproximadamente 7 a 10 μm de diâmetro (1-1,5 vez o diâmetro de uma hemácia
e menor do que neutrófilos) e apresentam um padrão de cromatina denso, sem nucléolos evidentes.
As células restantes são macrófagos, linfoblastos, plasmócitos e outras células do sistema
imunológico.
Linfadenopatia Reativa ou Hiperplásica
Tecidos linfoides que reagem contra diferentes estímulos antigênicos (p. ex., bactérias,
fungos, neoplasias) são citologicamente semelhantes e têm sua população celular composta por
uma mistura de linfócitos pequenos, intermediários e grandes, linfoblastos, plasmócitos e
macrófagos (Fig. 72-14). Além disso, outros tipos celulares podem estar presentes, dependendo
do agente específico (p. ex., eosinófilos em reações alérgicas ou parasitoses). A primeira impressão
obtida quando se avalia citologicamente uma amostra de linfonodo reativo ou hiperplásico é que há
uma população celular heterogênea. A presença de células em diferentes estágios de maturação
indica que o tecido linfoide está sendo submetido a uma expansão policlonal (i.e., uma resposta
contra múltiplos antígenos). Nos gatos, linfonodos reativos frequentemente não apresentam
plasmócitos, porém contêm uma grande quantidade de linfoblastos, sendo difícil distingui-los de um
linfoma.
Linfadenite
Processos inflamatórios que acometem linfonodos produzem alterações citológicas
semelhantes àquelas observadas nas linfadenopatias reacionais,
apesar de haver uma profusão de células inflamatórias provenientes do
sangue (p. ex., neutrófilos em infecções supurativas) e de alterações
degenerativas (p. ex., picnose, cariorrexe) em quase todas as linhagens
celulares. O agente etiológico pode, em determinadas situações, ser
visualizado.
Neoplasia
Células neoplásicas podem ser visualizadas em um linfonodo tanto como resultado de uma
disseminação linfática quanto vascular (i.e., metástase de um tumor primário para dentro do
linfonodo que drena a região) ou como um processo primário que acomete estas estruturas
anatômicas (i.e., linfomas). As características citológicas de um linfonodo com lesão metastática
consistem em um padrão reativo e na presença de células neoplásicas. Em lesões metastáticas
avançadas, é frequentemente difícil identificar células linfoides normais devido à obliteração da
arquitetura do linfonodo pelo tumor. As características morfológicas das células metastáticas
dependem do tipo de tumor primário. Tal como discutido na seção anterior, os linfomas são
caracterizados por uma população monomórfica de células linfoides imaturas de tamanho grande.
Essas células geralmente são maiores que sua contraparte normal, possuem uma relação N:C
anormalmente baixa, cromatina grosseira e nucléolos evidentes. Tal como discutido, linfomas de
pequenas células são difíceis de diagnosticar por meio de citologia.
Tomada de Decisões na Avaliação Citológica de Linfonodos
De acordo com a experiência do autor, a maneira mais fácil de classificar citologicamente
um linfonodo é, primeiramente, determinar se a população celular é homogênea (i.e., > 70% das
células são semelhantes) ou heterogênea. Se a população for homogênea, classifica-se o linfonodo
como normal (i.e., as células são linfócitos normais) ou como neoplásico (linfoma ou metástase).
Se a população for heterogênea, o linfonodo pode estar reativo, apresentar padrão inflamatório ou
uma neoplasia em fase inicial.

Citologia de líquidos cavitários (complementar com o capítulo sobre LC)


A doença cardíaca congestiva em cães pode levar ao aparecimento de ascite. O líquido é
geralmente claro. As células predominantes são alguns neutrófilos não degenerados, células
mesoteliais transformadas e reativas e quantidades variáveis de eritrócitos. As células mesoteliais
transformadas caracterizam-se por apresentarem citoplasma azul-pálido granular e
ocasionalmente vacuolizado, de difícil distinção dos macrófagos. Células mesoteliais reativas
apresentam citoplasma azul profundo, núcleo ovalado ou arredondado, com cromatina em estrias,
um ou mais nucléolos, fina zona pálida perinuclear, bordos citoplasmáticos eosinofílicos. Essas
células constituem o chamado transudato modificado qual pode parecer inflamatório e não séptico,
mas difere deste pelo menor número de neutrófilos.
Pleurites e peritonites apresentam efusões inflamatórias sépticas, com grande número de
neutrófilos degenerados, poucos linfócitos e macrófagos. Â medida que o processo se torna mais
crônico, a proporção de células mononucleares e mesoteliais aumenta. Em líquidos inflamatórios
sépticos, observa-se microrganismos, tanto extracelularmente como fagocitados por neutrófilos e
macrófagos, ou agrupados em colônias. O líquido é geralmente espesso e opaco. A gravidade do
processo pode ser estimada pela morfologia dos neutrófilos. Assim, neutrófilos degenerados, que
sofreram cariólise, apresentam lobos nucleares tumefatos, com diminuição da intensidade de
coloração, tornando-se numa massa homogênea rosa. A membrana celular rompe-se e o conteúdo
citoplasmático é liberado. A cariólise é uma indicação de morte celular rápida em um ambiente
tóxico para as células.
As características citológicas da picnose são a coalescência dos lobos nucleares em uma
única massa e o aumento da basofilia nuclear. A membrana nuclear permanece intacta. A picnose
é uma mudança progressiva lenta e pode indicar um ambiente relativamente não tóxico para as
células.
A cariorréxe caracteriza-se citologicamente por uma massa de material nuclear homogênea
sem sofrer fragmentação.
O exsudato hemorrágico caracteriza-se pela presença de macrófagos com eritrofagocitose
e hemossiderina e por não conter plaquetas.

CITOLOGIA E DOENÇAS INFECCIOSAS


A citologia diagnóstica consiste na extração de células provenientes de tecidos lesionados
com o objetivo de determinar a natureza do processo patológico envolvido. De maneira mais
rotineira, essa técnica é utilizada no diagnóstico oncológico, tanto na medicina humana quanto na
veterinária, entretanto, é possível ampliar as fronteiras diagnósticas nas doenças infecciosas em
animais domésticos, tendo em vista um conhecimento prévio dos aspectos clínicos e patológicos
das doenças, bem como as características morfotintoriais dos agentes. Para o sucesso no
diagnóstico, se faz necessário o conhecimento das técnicas básicas de coleta das amostras
biológicas a serem analisadas, destacando a punção aspirativa por agulha fina (PAAF), imprint e
swab. Os principais agentes detectáveis no exame citológico são os bacterianos, embora seja uma
minoria passível de ser identificada por esta técnica; os fúngicos, especialmente os leveduriformes
e por fim os protozoários. As informações precoces obtidas pela citologia são valiosas a ponto de
evitar procedimentos cirúrgicos desnecessários quando as lesões se assemelham com neoplasias.
Embora o exame citopatológico seja eficaz no diagnóstico de muitas doenças infecciosas,
esta técnica não deve substituir outros métodos de diagnóstico, como histopatologia, microbiologia
e imunohistoquímica.
No que se diz respeito aos patógenos bacterianos, na maioria das vezes, somente pelo
exame citológico não é possível determinar seus gêneros, restringindo ao citologista apenas a
morfologia e sua afinidade tintorial pela técnica de Gram(Powers, 1998), porém há algumas
bactérias de importância médica e veterinária que é possível chegar a sua identificação, por meio
de seus aspectos morfotintoriais, características inflamatórias e juntamente com dados clínicos.
Segue adiante alguns exemplos:
Mycobacterium spp: A ocorrência de doenças por bactérias deste gênero em pequenos animais
seja na forma de micobacterioses cutâneas ou na doença sistêmica no caso da tuberculose é
considerada rara.Seja qual for o caso, o Mycobacteriumsppse apresenta nos esfregaços
citológicos, através doscorantes do tipo Romanowsky, como imagens negativas e alongadas
predominantemente no interior de macrófagosou células gigantes. A confirmação da presença da
infecção por bactérias deste gênero é exigida a utilização de coloração especial Ziehl-Neelsen
(Peleteiro et al., 2011).
Actinomyces spp e Nocardia spp: De maneira geral, a infecção em cães e gatos apresenta-se
na pele com edema subcutâneo que evolui para ulceração e exsudação de líquido vermelho
amarronzado. Nos casos mais graves, quando há envolvimento sistêmico, observa-se com
frequência a presença de piotórax. Nas amostras citológicas, há um predomínio de neutrófilos
degenerados associados a macrófagos e linfócitos, sendo possível visualizar bactérias delgadas,
filamentosas, ramificadas, podendo por vezes apresentar fraca basofilia com áreas pontilhadas
vermelhas. Quando agrupadas, formam um arranjo semelhante a um rosário (Raskin & Meyer,
2012). A distinção entre os dois agentes pode ser feita pela coloração de Ziehl Neelsen modificado.
A Nocardiaspp apresenta afinidade tintorial parcial, enquanto o Actinomycessppnão cora por meio
desta técnica (Sykes, 2012).
Dermatophilus congolensis: Este agente é responsável por uma infecção cutânea caracterizada
por massas firmes, aloécicas e crostosas, que se destacam facilmente (Ferreira et al., 2014). Essa
infecção ocorre como resultado de lesões penetrantes contaminadas com água ou solo infectado.
Os organismos apresentam-se como filamentos ramificados Gram positivos que segmentam-se
horizontalmente e longitudinalmente em formas cocoides (Raskin & Meyer, 2012).
Os agentes micóticos formam lesões de caráter inflamatório constituído por um maior
predomínio de macrófagos do que a maioria dos processos que envolvem agentes bacterianos,
entretanto, neutrófilos ainda podem ser as células predominantes, assim como em algumas lesões
causadas por fungos formadores de hifas, pode haver acentuada quantidade de eosinófilos (Cowel
et al., 2009). As lesões micóticas de importância veterinária dificilmente apresentam acentuada
quantidade de linfócitos, plasmócitos e fibroblastos. Os fungos leveduriformes apresentam muitas
fezes características morfológicas marcantes, permitindo ao patologista identifica-los sem muita
dificuldade.
Sporotrix schenckii: A visualização do fungo nos esfregaços pode ser feita através da utilização
de colorações convencionais como as do tipo Romanowsky, gram ou novo azul de metileno. Para
todos os casos, as leveduras apresentam-se ovaladas, arredondadas ou em forma de charuto,
vistas tanto ao fundo de lâmina quanto fagocitadas por macrófagos. A parede celular é retrátil,
assim como o citoplasma, dando a impressão de haver uma cápsula, podendo confundir com
leveduras de Cryptococcus neoformans (Cruz, 2010).
Cryptococcus neoformans: As infecções por este agente podem ocorrer na pele, trato respiratório
e sistema nervoso central. A resposta inflamatória geralmente é de origem granulomatosa. As
leveduras apresentam um grande pleomorfismo, variando de esféricas a fusiformes, mas o
reconhecimento se torna facilitado por sua cápsula mucoide (Cowel et al., 2009).
Histoplasma capsulatum:A infecção por este agente ocorre com maior frequência pulmões e
outros órgãos internos, entretanto, é possível haver acometimento cutâneo sem envolvimento
sistêmico. O infiltrado inflamatórioé constituído predominantemente por macrófagos que fagocitam
as leveduras. Nas amostras citológicas coradas por corantes do tipo Romanwosky, os organismos
apresentam-se redondos ou levemente ovais, mas não fusiformes como o Sporotrix schenckii. As
leveduras são fracamente basofílicas, com núcleo excêntrico, variando de rosado a roxo,
frequentemente com formato crescente. Geralmente, observa-se um halo claro ao redor da
levedura (Cowel et al., 2009).
Candida spp: A candidíase é tida como uma doença primária do trato digestório de aves, sendo
caracterizada pela deposição de uma pseudomembrana esbranquiçada, localizadas principalmente
no papo e proventrículo. A forma sistêmica ocorre em condições de imunossupressão. Nos
mamíferos, os sistemas acometidos são o urogenital, gastrintestinal, além de fígado, coração,
meninges, pele e cavidade peritoneal. Microscopicamente, visualiza-se células globosas com ou
sem brotamento, hifas e pseudohifas. Quanto maior for a grau de envolvimento com o processo
patológico, maior será a predominância da forma micelial sobre a leveduriforme (Cruz, 2010).
Pythium insidiosum: Este agente é responsável pela pitiose, doença caracterizada por formar
lesões ulcerativas bastante exsudativas, principalmente no sistema tegumentar de equinos. Apesar
de não ser um fungo verdadeiro, e sim um oomiceto, o diagnóstico desta doença consiste
basicamente na associação dos dados epidemiológicos, lesões macroscópicas e histopatologia,
porém o exame citológico de material necrótico intralesional após clarificação com hidróxido de
potássio 10% pode ser 100% eficaz (Rodrigues & Luvizotto, 2000).
Os protozoários de importância veterinária são facilmente identificáveis no exame citológico,
sendo necessário o conhecimento das doenças que os mesmos causam, de modo que sejam
coletadas amostras biológicas provenientes de tecidos que possam haver o agente. Serão citados
apenas dois de maior importância diagnóstica:
Babesia spp: Esse agente é um hemoparasita responsável por causar doença hemolítica em
mamíferos, podendo levar a um quadro de febre e icterícia.A busca parasitológica para diagnóstico
de babesiose pode ser obtida em esfregaços sanguíneos por venopunção, imprints de baço ou
linfonodos, entretanto, ou sangue proveniente de sítios anatômicos de microcirculação capilarr
(Cowell et al., 2009). É importante destacar que o sucesso na detecção do agente irá depender
também do curso clínico de doença. Nas infecções agudas, há uma maior probabilidade no
diagnóstico citológico em relação aos casos crônicos, visto que há uma maior parasitemia (Cowell
et al., 2009).
Leishmania spp: Responsável por acometer o sistema fagocitário mononuclear, este agente
caracteriza-se por causar lesões inflamatórias constituídas de neutrófilos, macrófagos, linfócitos e
plasmócitos. Os organismos infectantes, nas colorações tipo Romanwsky, são ovalados, núcleo de
mesmo formato e arroxeado, e cinetoplasto roxo escuro, em forma de bastão, caracterizando a
forma amastigota. Nas amostras citológicas, podem ser visualizados o agente de forma livre ou no
interior de macrófagos (Cowel et al., 2009).
CONCLUSÃO
A citologia é uma ferramenta diagnóstica de alta importância para os clínicos gerais e para
os oncologistas, já que através dela, é possível fechar diagnósticos de lesões inflamatórias e
neoplásicas, além de, em casos onde não é possível chegar a uma conclusão, a citologia é capaz
de restringir os possíveis diagnósticos diferenciais. Os maiores fatores de restrição na citologia são
a obtenção de amostra inadequada e o mau uso desta em casos onde não há indicação para a
realização de citologia. Outro fator muito importante para a obtenção de resultados mais
satisfatórios é a comunicação e interação entre clínicos e patologistas, já que um bom diagnóstico
citológico é obtido através de um esforço de equipe.
Na oncologia veterinária, a citologia e um exame de extrema importância para o diagnóstico,
planejamento e condução de um caso clinico. Uma vez que não é possível avaliar a arquitetura
tecidual, o resultado pode nem sempre ser conclusivo. A coleta de material e preparação das
lâminas, bem como o fornecimento de um histórico detalhado, e fundamental para melhorar a
condição e confiabilidade do diagnóstico.