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O BATISMO NAS ÁGUAS

O que é o batismo nas águas? Por que o fazemos? Como deve ser ministrado, quando e para quem?
Quero ensinar um pouco acerca desta prática cristã…
É UMA ORDENANÇA DE JESUS

O batismo é uma ordenança clara de Jesus para todo aquele que n’Ele crê:
“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho, e do
Espírito Santo” (Mateus 28.19)

SELO DA FÉ

O batismo deve ser visto como um selo da justiça que vem pela fé, e evidentemente deve seguir a fé, como
determinam as palavras finais de Jesus que se encontram registradas no evangelho de Marcos:
“E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado
será salvo; quem, porém, não crer será condenado” (Mc 16.15,16).

Esta é a razão porque não batizamos e nem tampouco validamos o batismo de crianças; é necessário crer
primeiro e então se batizar. Obedecemos o princípio bíblico de consagrar os filhos ao Senhor, mas só os batizamos
depois que puderem crer e professar sua fé.
É A CIRCUNCISÃO DO CORAÇÃO

No Velho Testamento, os judeus tinham como selo de sua fé a circuncisão; no Novo Testamento a
circuncisão foi suprimida, sendo vista simbolicamente no batismo:
“Nele também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo
da carne, que é a circuncisão de Cristo; tendo sido sepultados juntamente com ele no batismo, no qual
igualmente fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos” (Colossenses
2.11,12)

Hoje, esta circuncisão acontece no coração (Rm 2.28,29), e Paulo a relaciona com o batismo.
O BATISMO NÃO SALVA, MAS ACOMPANHA A SALVAÇÃO

O batismo não salva ninguém. Jesus disse que quem crer (e for batizado por crer) será salvo e quem não
crer será condenado; note que ele não disse “quem não for batizado será condenado”, mas sim “quem não crer”.
O batismo segue a fé que nos leva à salvação, mas ele em si não é um meio de salvação. Que o diga
aquele ladrão que foi crucificado com Cristo e a quem Jesus disse que estaria com ele ainda aquele dia no paraíso (Lc
23.39 a 43); ele somente creu e nem pôde ser batizado, mas não deixou de ser salvo por isto. O batismo, portanto, não
salva, mas nem por isso deixa de ser importante e necessário; aquele ladrão não tinha condições de passar pelo batismo,
mas alguém que crê deve obedecer à ordenança de Cristo e ser batizado, caso contrário estará em deliberada
desobediência a Deus, o que poderá impedir-lhe de entrar para a vida eterna.
Podemos dizer que o batismo é parte do processo de salvação, mas não que ele em si salve; o apóstolo
Pedro escreveu o seguinte acerca do batismo:
“não sendo a remoção da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com
Deus, por meio de Jesus Cristo” (1 Pe 3.21).
É UMA IDENTIFICAÇÃO COM CRISTO

O batismo tem um significado; além de ser um testemunho público da nossa fé em Jesus, ele fala algo. Na
verdade é o meio através do qual externamos que tipo de fé temos depositado em Jesus Cristo.
Quando falamos sobre a fé em Jesus, não nos referimos a crer que Ele EXISTE; é mais do que isto! A
maioria das pessoas crêem que Jesus existe mas não entendem o que Ele FEZ. São duas coisas completamente
diferentes; o que nos salva da perdição eterna e da condenação dos pecados é a obra de Cristo na cruz em nosso lugar.
Ao morrer na cruz, o Senhor Jesus não morreu porque mereceu morrer; pelo contrário, como justo e inocente, Ele nos
substituiu, sofrendo o que nós deveríamos sofrer a fim de que recebêssemos a salvação de Deus.
Há dois elementos básicos na fé que nos salva: identificação e apropriação. É importante entender cada
um deles dentro do simbolismo do batismo.
Identificação é o aspecto da fé que nos faz ver que Jesus assumiu a nossa posição de pecado, para que
assumíssemos a posição de justiça d’Ele (2 Co 5.21). A Bíblia declara o seguinte: “Porque morrestes, e a vossa vida está
oculta juntamente com Cristo, em Deus” (Cl 3.3). Quando Deus nos olha, ou Ele nos vê sozinhos em nossos pecados, ou
nos vê através de Jesus Cristo, que já pagou por eles.
A fé nos coloca com Jesus na cruz, crucificados com Ele; nos coloca no túmulo, sepultados com Ele; nos
coloca ainda nos céus, à direita de Deus, ressuscitados com Cristo! É quando nos vemos n’Ele, entendendo o sacrifício
vicário do Filho de Deus, que passamos a ter direito ao que Cristo fez; esta é a hora do segundo passo: apropriação.
Apropriação é o aspecto da fé que torna meu aquilo que já vi realizado em Jesus. É quando entendemos
que não somos salvos pelas obras, mas sim pela graça, mediante a fé e nos apropriamos disto. Paulo escreveu a
Timóteo e lhe disse: “toma posse da vida eterna” (1 Tm 6.12).

O batismo, é o nosso testemunho da identificação com Cristo; ele revela não apenas que eu tenho fé, mas
que tipo de fé eu tenho. Veja o que as Escrituras dizem:
“Ou, porventura, ignorais que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na
sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo, para que, como Cristo foi ressuscitado
dentre os mortos para a glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida” (Romanos 6.3,4).

Quando imergimos alguém na água, estamos simbolicamente declarando que esta pessoa foi sepultada
com Jesus, e ao levantarmos esta pessoa das águas, estamos reconhecendo que ela já ressuscitou com Cristo para viver
uma nova vida. Portanto, o batismo é onde reconhecemos que tipo de fé temos; uma fé que se identifica com Cristo e sua
obra realizada na cruz.
QUEM PODE SE BATIZAR?

Para quem é o batismo? A explicação anterior responde esta indagação: para todo aquele que se identifica
pela fé com o sacrifício de Cristo na cruz. Depois de ter reconhecido por fé a obra de Cristo, quando a pessoa passa a
estar apta para o batismo? Quanto tempo ela tem que ter de vida cristã para poder se batizar?
A Bíblia responde com clareza estas questões. Em Atos 8.30 a 39, lemos acerca do primeiro batismo
cristão apresentado em maiores detalhes na Bíblia. Neste texto, temos um modelo para a forma de batismo, e ali vemos
que já na evangelização o batismo era ensinado aos novos convertidos, o que nos faz saber que ninguém deve demorar
para se batizar após ter feito sua decisão de servir a Jesus.
Além disso, vemos também qual é o critério para que alguém se batize; quando o etíope pergunta: “Eis aqui
água, que impede que eu seja batizado?” a resposta de Felipe vem trazendo luz sobre o requisito básico para o batismo:
“É lícito, se crês de todo coração” (At 8.36,37).

Quando a pessoa foi esclarecida sobre a obra (e não só a pessoa) redentora de Jesus Cristo, e crê de todo
o coração (sem dúvida acerca disto), ela está pronta para ser batizada.
QUANDO SE BATIZA O NOVO CONVERTIDO?

Não há data estabelecida, somente os critérios que o recém convertido deve apresentar. No caso de Filipe
e o etíope, foi bem rápido!
COMO SE BATIZA?

A palavra “baptismos” no grego significa: “imergir; mergulhar; colocar para dentro de”. No curso da história,
por várias razões, apareceram outras formas de batismo, como aspersão e ablução (banho); entretanto, como o batismo
é uma identificação com Cristo em sua morte e ressurreição, e é exatamente isto que a imersão significa, não praticamos
outras formas de batismo.
Quando Felipe batizou o etíope, eles pararam em um lugar onde havia água. A Bíblia diz que ambos
entraram na água (At 8.38,39). Certamente aquele eunuco viajava abastecido com água potável; se fosse o caso de
praticarem a aspersão havia água suficiente naquela carruagem para isto, mas batizar é imergir! Não foi à toa que João
Batista se utilizou do rio Jordão para batizar. Depois, mudou o local de batismo para Enom, perto de Salim, e razão para
isto é descrita pelo apóstolo João em seu evangelho: “porque havia ali muitas águas” (Jo 3.23).
Não há lugar específico para o batismo. Em nosso templo temos um batistério, mas também batizamos em
rios, piscinas, e onde houver água suficiente para a imersão…
Além da água, é necessário alguém que ministre o batismo ao novo-convertido, uma vez que não existe
auto-batismo na Bíblia. E quem pode batizar? Quem tem autoridade para isto? Só o pastor? Não! A ordenança de Jesus
é clara: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho, e do Espírito
Santo”(Mt 28.19).
Jesus mandou fazer discípulos e depois batizá-los. A ordem já subentende que quem faz o discípulo tem
autoridade para batizá-lo. Felipe era apenas um diácono, fazendo o trabalho de evangelista; não era o pastor de igreja
nenhuma, e batizou!
Paulo disse aos coríntios que não havia batizado quase ninguém entre eles; entendemos que mesmo se
tratando de seus filhos na fé, ele provavelmente tenha passado esta tarefa a outros cooperadores, que não eram
pastores.
Em nossa igreja, os pastores conduzem o batismo por uma questão de ordem, mas não porque só pastores
possam batizar. Assim como os pastores pregam e isto não quer dizer que só eles possam pregar, assim também é com
o batismo. Num batismo eles podem chamar o líder de célula ou o discipulador da pessoa para batizar o novo convertido.

Para muitas igrejas, as palavras de Mateus 28.19 (“em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo”) são a
fórmula a ser seguida no batismo. Vemos nisto um princípio espiritual, mostrando a Trindade envolvida no batismo, mas a
forma como os apóstolos obedeceram esta ordem nos dá a entender que eles não viram nas palavras de Jesus uma
fórmula a ser repetida. Por quatro vezes, vemos referências claras ao nome usado no batismo cristão nas páginas de
Atos dos Apóstolos:
“Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para a remissão dos
vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo”. (Atos 2.38)
“Porquanto não havia ainda descido sobre nenhum deles, mas somente haviam sido batizados em
nome do Senhor Jesus”. (Atos 8.16)
“E ordenou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Então lhe pediram que permanecesse
com eles alguns dias”. (Atos 10.38)

“Eles, tendo ouvindo isto, foram batizados em o nome do Senhor Jesus”. (Atos 19.5)

Quando Jesus citou o Pai, Filho, e Espírito Santo no batismo, o fez dizendo que em nome deles se deveria
praticar o batismo, e não repetindo sua frase. “Pai” não é nome, é um título que indica uma posição; “Filho” também não é
nome, é um título que indica uma posição. Qual é o nome a qual Jesus estava se referindo e que representa a Trindade
na terra? É o Seu próprio nome!
Alguns alegam que batizar só em nome de Jesus é negar a Trindade, mas para os apóstolos era sinônimo
de obediência à comissão de Cristo. Veja bem, quando expulsamos demônios, fazemos isto em nome de Jesus (Mc
16.17), mas não quer dizer que o Pai e o Espírito Santo tenham ficado de fora, pois Jesus disse que expulsava demônios
pelo dedo de Deus (Lc 11.20) e também pelo Espírito Santo (Mt.12.28).
Quando uma pessoa é salva, é salva pelo nome de Jesus (At 4.12), mas não quer dizer que o Pai e o
Espírito Santo não estejam envolvidos nisto. Da mesma forma, quando impomos as mãos nos enfermos (Mc 16.18),
fazemos isto em nome de Jesus. Quando oramos, fazemos isto em nome de Jesus (Jo 16.23,24).
O NOME DE JESUS representa a trindade na terra; por trás dele estão o Pai, Filho e Espírito Santo.
Quando batizamos “em nome de Jesus”, estamos batizando no nome que representa a Trindade.
Por causa da triunidade de Deus (um só Deus em três pessoas), sub-entende-se uma “implicitude” da
Trindade no nome de Jesus. Daí, a ser “unicista” (Deus em uma só pessoa) há muita diferença!
RESTAURAÇÃO FAMILIAR

Deus deseja sarar as famílias! Penso que esta é uma das mais belas expressões da reconciliação. Em sua
carta aos coríntios, o apóstolo Paulo falou sobre reconciliação familiar:
“Ora, aos casados, ordeno não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido (se, porém,
ela vier a separar-se, que não se case, ou que se reconcilie com seu marido), e que o marido não se aparte de sua
mulher”. (1 Coríntios 7.10,11)

Deus não se agrada do divórcio. Na verdade, a Bíblia diz em Malaquias 2.16 que Ele detesta o divórcio.
Embora, haja situações em que o divórcio seja inevitável, as Escrituras nos mostram que a atitude do cônjuge cristão não
é a de aproveitar para sair correndo reconstruir a vida com outra pessoa, mas manter-se aberto à reconciliação.
Um milagre que o Senhor deseja operar na vida de pessoas que tiveram seu relacionamento destruído é
este! Não é algo automático, da noite para o dia, envolve muitos concertos e acertos, mas é algo glorioso. Por muitos
anos tenho sido uma testemunha ocular de inúmeros lares e famílias que foram restauradas pelo poder de Deus e
mediante sua Palavra. O Senhor declarou que usaria a vida de pessoas para promover este tipo de ministério. Referindo-
se ao ministério de João Batista, que foi comparado ao profeta Elias pelo tipo de seu ministério, Deus disse:
“Ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não
venha e fira a terra com maldição”. (Malaquias 4.6)

Deus deseja converter corações que estão endurecidos e distanciados pela mágoa e ressentimento. O
Senhor deseja sarar relacionamentos familiares. A Bíblia nos mostra isto em vários exemplos bíblicos de reconciliação
familiar.
EXEMPLOS BÍBLICOS DE RECONCILIAÇÃO

A parábola do filho pródigo, contada por Jesus em Lucas 15.20-24 é um exemplo disto. Aquele filho traiu e
abandonou seu pai e família. Depois de ter perdido tudo, volta arrependido, esperando ser recebido como um empregado,
imaginando ser impossível voltar a ter o mesmo relacionamento de outrora.

Contudo, aquele pai amoroso, à semelhança do que Deus faz conosco, recebe aquele filho de braços
abertos, com todas as honrarias possíveis. Este é um quadro daquilo que Deus deseja fazer em sua família, ou que,
através de sua vida Ele deseja fazer na família dos outros. Encontramos no Velho Testamento uma história de contenda
entre dois irmãos:
“Passou Esaú a odiar a Jacó por causa da bênção, com que seu pai o tinha abençoado; e disse
consigo: Vêm próximos os dias de luto por meu pai; então, matarei a Jacó, meu irmão.” (Gênesis 27.41)

Devido ao ódio de seu irmão Esaú, Jacó é obrigado a fugir de casa para preservar sua vida (Gn 27.42-45).
Jacó acabou passando cerca de vinte anos distante, mas ao regressar, ainda temia seu irmão. E orou ao Senhor, pedindo
que intervisse naquela situação. E o resultado foi semelhante ao que o Senhor deseja produzir nos familiares ressentidos
de nossos dias:
“Então, Esaú correu-lhe ao encontro e o abraçou; arrojou-se-lhe ao pescoço e o beijou; e
choraram.” (Gênesis 33.4)

Somente Deus pode mudar corações amargurados e promover o perdão. Lemos também acerca de José e
seus irmãos, uma família que conheceu a divisão (e posteriormente a restauração e o perdão):
“Tendo José dezessete anos, apascentava os rebanhos com seus irmãos; sendo ainda jovem,
acompanhava os filhos de Bila e os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai; e trazia más notícias deles a seu pai.
Ora, Israel amava mais a José que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica
talar de mangas compridas. Vendo, pois, seus irmãos que o pai o amava mais que a todos os outros filhos,
odiaram-no e já não lhe podiam falar pacificamente. Teve José um sonho e o relatou a seus irmãos; por isso, o
odiaram ainda mais.” (Gênesis 37.2-5)

A Bíblia nos conta que por causa destas diferenças, os irmãos de José o venderam como escravo a uma
caravana de mercadores que ia ao Egito (Gn 37.28). Anos se passaram, e por fim se cumpriram os sonhos que Deus
dera a José e ele so tornou o Governador de todo o Egito. Mas quando reencontra seus irmãos que foram atrás de
comida, não decide se vingar, mas perdoa e os chama à restauração do relacionamento:
“Disse José a seus irmãos: Agora, chegai-vos a mim. E chegaram-se. Então, disse: Eu sou José,
vosso irmão, a quem vendestes para o Egito. Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós
mesmos por me haverdes vendido para aqui; porque, para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós.”
(Gênesis 45.3,4)

Não acredito que haja tantas histórias de restauração familiar na Bíblia sem motivo algum. Penso que Deus
deseja encher nosso coração de fé naquilo que Ele pode e quer fazer. Sei que as pessoas podem usar de seu livre-
arbítrio para decidirem separar-se sem nunca mais desejar estar juntas. Mas muitas vezes isto só acontece por
interferência espiritual maligna, e este quadro pode ser revertido.
Jesus falou que veio dividir uma casa (Lc 12.51-53). Com isso ele se referia àqueles lares em que uns se
converteriam e outros não, e deixou claro que deveríamos colocá-lo em primeiro lugar, mesmo antes dos relacionamentos
familiares. Se for necessário escolher entre Jesus e algum familiar, sem dúvida devemos optar por ele.
Por outro lado, vemos várias famílias sendo alcançadas conjuntamente no livro de Atos, o que nos mostra o
plano e a intenção de Deus para as famílias. Se pudermos ter Jesus e a família juntos, melhor ainda!
UM TESTEMUNHO ATUAL

Além dos exemplos bíblicos de restauração familiar, decidi inserir uma história de nossos dias; o relato a
seguir é verdadeiro, foi escrito por Marcelo Mendes, um irmão e amigo que tive o privilégio de acompanhar desde o início
de sua conversão a Cristo, e que hoje, juntamente com sua esposa Simone, tornou-se um canal de bênçãos para muitos
na Comunidade Vida, em Guarapuava/Pr:
“Minha vida começou a ser transformada em meados de 1994, quando estava casado à cinco anos, com
uma mulher maravilhosa, a Simone, e tendo uma filha graciosa de três anos, Luana. Eu me achava com uma vida “boa” e
dizia ser um cara realizado, por dispor de uma família estável e uma condição financeira razoável. Nesta época, achava
que não precisava de nada, mas a verdade é que eu era um miserável e não podia enxergar.
Naquele tempo, havia uma pressão espiritual muito grande sobre mim. Sentia um desejo de experimentar
coisas novas, sair da rotina, mudar alguma coisa. E além de não ter nenhuma orientação correta da parte de alguém que
conhecesse a Deus, havia meus amigos insistindo para que buscássemos prazer em outros lugares, mulheres, bebidas e
coisas do gênero.

Foi neste contexto que conheci uma pessoa, em uma festa na casa de uma prima, quando minha esposa
estava viajando na casa de seus pais. E, em resumo me envolvi com ela. Não me dei conta de que a partir de então, não
apenas estava destruindo minha família e pecando contra Deus, mas também pecava contra a própria pessoa com quem
me envolvi.
Decidi separar-me e viver com essa outra pessoa. E mandei que minha esposa fosse embora, pois não
queria que permanecesse na mesma cidade. Tivemos situações de medo, angustia, até tristeza, e em meio a toda essa
crise, vivi dias de depressão, chegando até mesmo a pensar algumas vezes em suicídio, pois já não sabia mais o que
queria fazer, e se me aventuraria em um novo relacionamento jogando fora um casamento que já durava cinco anos. E
infelizmente, fiz a escolha errada.
Quando comecei a viver com essa outra pessoa, pareceu, a princípio, ter sido a melhor decisão, e isso
durou cerca de dois anos e meio. Mas, quando recebemos favores do diabo, chega o momento da cobrança, e o preço é
caro. De modo que, nos últimos nove meses desse período, comecei a viver no inferno. E não estou acusando a outra
pessoa, pois eu mesmo muitas vezes me sentia oprimido a agir de forma que também não me agradava.
Por várias vezes, depois de várias discussões, pousava na rua, buscava refugio em amigos, bebidas, etc.
Tentamos ter um filho, mas desde os dezoito anos, fui informado por um médico do Exército, que possuía uma deficiência
na geração de espermatozóides férteis, e que na ocasião do meu casamento, devia planejar filhos logo no início, pois
com o passar dos anos não seria mais possível, o que me fez concluir que o diagnóstico já estava se cumprindo nesta
época.
E é em momentos como este, quando estamos vulneráveis à ponto de nos entregarmos a total derrota, que
vem o livramento do Senhor. A pessoa com quem eu vivia começou a freqüentar a igreja e entregou sua vida a Jesus.
Depois disto, me chegou às mãos uma mensagem gravada do pastor Luciano Subirá, intitulada “Remidos do Inferno”, e
confesso que o Senhor me pegou de jeito! Ao ser confrontado, senti as minhas misérias e naquele momento pude sentir o
verdadeiro amor do Senhor… era como se todos os meus problemas e meus pecados fossem lançados ao mar, e a partir
daquele dia decidi seguir Jesus Cristo e passei a também a frequentar a igreja.
Começamos a participar de um grupo de estudos que enfatizava muito os princípios de Deus para a família,
e quanto mais conhecíamos ao Senhor e sua Palavra, mais incomodados ficávamos pela forma como estabelecemos
nosso relacionamento, quebrando as leis de Deus. Esta situação, entre outras, contribuiu para o término do nosso
relacionamento.

Fui a Curitiba e pedi perdão à minha esposa por tudo o que havia feito contra ela. Descobri então, que ela
também havia conhecido a Cristo. No dia de nossa separação, quando a Simone embarcou no ônibus, uma senhora
sentada ao seu lado percebeu sua tristeza e ministrou naquela mesma hora ao coração de minha esposa. Ela disse que
podemos perder tudo nessa vida, mas que o mais importante era sabermos que o Senhor Jesus jamais nos desampara,
que Ele é a nossa força e tem o poder de nos restituir tudo aquilo que perdemos. Ao desembarcar em Curitiba, com
minha sogra à sua espera (que pensava como poderia fazer para consola-la), minha esposa desceu do ônibus muito feliz,
dizendo que podia ter me perdido, mas que havia conhecido algo muito mais especial; dizia que descobriu o verdadeiro
amor na pessoa do Senhor Jesus.
Deus me abençoou com a restauração da minha família. Alguns meses depois nos casamos “novamente” e
a confirmação desta aliança restaurada veio através do nascimento de nossa segunda filha (a Amanda) no ano de 1999,
contrariando todos os diagnósticos médicos de minha impossibilidade de ter filhos.

Hoje, quando olho para trás e vejo o quanto Deus mudou minha vida e família, encho-me de gratidão ao
Senhor e me sinto desafiado a lutar no ministério pela restauração de famílias. Tenha certeza de que Ele pode fazer algo
por você também!…”
A PROSPERIDADE DA ALMA

“Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua
alma”. (3 João 2)

Este texto reflete, ao meu entender, não apenas o sentimento do apóstolo João por Gaio, seu amigo e
irmão em Cristo, mas revela a vontade de Deus para todos os seus filhos. Jesus ensinou que se nós, que somos maus,
sabemos dar boas dádivas aos nossos filhos, quanto mais o Pai Celestial não dará coisas boas aos que lhe pedirem? (Mt
7.11). Assim como um pai terreno deseja o melhor para seus filhos, o Pai Celeste também deseja o melhor para os seus.
Paulo declarou aos romanos que se Deus “não poupou a seu próprio Filho, mas por todos nós o entregou, como não nos
dará também com ele todas as coisas?” (Rm 8.32). É indiscutível o fato de que Deus quer o nosso melhor. O apóstolo
estava dizendo aos cristãos de Roma que se o Pai Celeste deu o que tinha de melhor – Jesus – não há nada que Ele não
possa nos dar!
Creio que Deus deseja nossa prosperidade, o melhor para cada um de nós. Mas o que é prosperidade? A
Concordância de Strong define a palavra grega traduzida como “prosperidade” (euodoo), da seguinte forma: 1) ter uma
viagem rápida e bem sucedida, conduzir por um caminho fácil e direto; 2) garantir um bom resultado, fazer prosperar; 3)
prosperar, ser bem sucedido. A palavra também era aplicada no sentido material (1 Co 16.2), mas reflete a idéia de ir
bem em todas as coisas. Prosperar, portanto, não é só ter necessidades materiais supridas, mas IR BEM na vida
espiritual, ministerial, familiar, na saúde e no trabalho.
Deus quer que prosperemos, e nós mesmos desejamos isto. Mas a prosperidade que experimentaremos
do lado de fora, nas circunstâncias, está diretamente ligada à prosperidade que provamos do lado de dentro, na alma.
João declarou a Gaio: “Quero que você seja próspero… como é próspera a tua alma”. Ou, em outras
palavras: “Quero que você prospere TANTO QUANTO sua alma é próspera”.

Podemos dizer que se a alma de Gaio fosse pouco próspera, João estaria desejando que ele fosse tão
pouco próspero quão pouco próspera era sua alma. Mas sendo ele muito próspero, então o apóstolo então estaria
dizendo que gostaria que Gaio fosse muito próspero como muito próspera também era a sua alma.
Entender a prosperidade da alma é um passo importante para se prosperar nas circunstãncias, uma vez
que o que provamos por dentro pode determinar a dimensão do que provaremos por fora.
A PROSPERIDADE PODE SE TORNAR EM MALDIÇÃO

Tanto na Escritura Sagrada quanto na história, encontramos exemplos de pessoas que prosperaram
exteriormente sem prosperarem interiormente, e o resultado é sempre o mesmo: a bênção acaba se tornando em
maldição. Um destes exemplos é o rei Uzias:
“Propôs-se buscar a Deus nos dias de Zacarias, que era sábio nas visões de Deus; nos dias em que
buscou ao Senhor, Deus o fez prosperar”. (2 Crônicas 26.5)

Com a bênção de Deus, Uzias alcançou aquilo que, sozinho, não teria alcançado:
“…divulgou-se a sua fama até muito longe, porque foi MARAVILHOSAMENTE AJUDADO, até que se
tornou forte”. (2 Crônicas 26.15b).

Entretanto, seu coração mudou quando alcançou prestígio e poder. Suas conquistas o levaram a agir de
forma errada:
“Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração para a sua própria ruína, e cometeu
transgressões contra o Senhor, seu Deus”. (2 Crônicas 26.16)

Porque a prosperidade circunstancial não foi acompanhada da prosperidade de alma, aquilo que deveria
ser bom, se tornou algo ruim. E a história de Uzias se repete na vida de muitos outros em nossos dias. Nossas Igrejas
estão repletas de histórias de gente que buscou ao Senhor, alcançou o sucesso em sua vida profissional, familiar,
ministerial, mas não se deixou prosperar na alma na mesma proporção em que propsperou nestas áreas. O resultado é
sempre o mesmo: não souberam lidar com sua nova condição. A fama, o prestígio, a promoção, as conquistas e o
dinheiro os levaram a ruína. Muitos terminaram longe de Deus e sem estas coisas, exatamente do jeito que Paulo
advertiu a Timóteo:
“Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências
insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de
todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores”.
(1 Timóteo 6.9,10)

Muitos já enriqueceram às custas de perderem outros valores interiores, inclusive sua própria fé. Este não é
o desejo de Deus para nós. Por isso devemos propsperar em nossa alma. Uma alma próspera é aquela que não se
prende à ganância e avareza. É despojada do egoísmo e do orgulho. Se uma pessoa está prosperando materialmente
mas seu coração se prende ao dinheiro, é porque sua alma não vai bem. É este entendimento que percebemos na
oração de Agur:
“Duas coisas te peço; não mas negues, antes que eu morra: afasta de mim a falsidade e a mentira;
não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu
farto, te negue e diga: Quem é o Senhor? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus”.
(Provérbios 30.7-9)

Ele examina sua alma e reconhece dois perigos: o de pela pobreza furtar e quebrar princípios divinos e
também o de prosperar e se esquecer de Deus. Se a prosperidade de alguém o privar da comunhão com Deus, então ela
se transformou em maldição. A condição de nossa alma pode se tornar um fator limitante para a prosperidade exterior.
Assim como um pai não deseja presentear um filho com algo que o prejudique, também o Senhor não deseja nos
acrescentar algo que nos afaste de seu propósito.
Mas, se por um lado a oração de Agur reflete o entendimento de que a bênção não pode nos afastar de
Deus, por outro não deve gerar em nós o sentimento de que nossa atual condição interior deve servir de limite à
prosperidade exterior. Se percebemos um coração que se afastará de Deus com a riqueza, devemos buscar o
desprendimento, que é uma das evidências da prosperidade interior.
MUDANDO O CORAÇÃO

A prosperidade não deve ser evitada pelo risco de ser transformada em maldição. Se assim fosse, Deus
nunca prosperaria alguém como Uzias. O conselho divino é que policiemos nosso coração:
“…se as vossas riquezas prosperam, não ponhais nelas o coração”. (Salmo 62.10)

Devemos manter nosso íntimo alinhado com os princípios e valores do Reino de Deus, de modo que a
prosperidade material não nos leve à ganância, avareza e egoísmo. Não precisamos de uma mentalidade franciscana
que foge da riqueza como se este fosse o problema. Devemos permitir que nossa alma seja tratada pela Palavra de Deus
e pela ação do Espírito Santo. Assim como não fugimos deste mundo nos trancando num convento para tentarmos nos
santificar escondendo-nos do pecado, também não fugimos do dinheiro e da prosperidade para não pecar. Devemos
tratar com nosso coração, e nos manter conscientes de qual é nosso maior tesouro.

Algumas pessoas se baseiam na oração de Agur para evitarem a prosperidade. Mas não entendem a
essência da oração dele, que é não querer prosperar se isto significa afastar-se de Deus. Se percebemos em nosso
íntimo uma inclinação a isto, devemos buscar o trato de Deus e a vitória sobre este tipo de inclinação. Não oro como
Agur; peço a Deus que me faça prosperar na alma, que me prepare para prosperar do lado de fora sem que isto se torne
um problema.
VENCENDO O EGOÍSMO

Um outro texto que tem sido mal entendido por muitos cristãos é o que fala sobre juntar tesouros no céu:
“Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde
ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde
ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”. (Mateus
6.19-21)

Alguém disse que Jesus ensinou que não podemos ter tesouros aqui na terra, mas não foi isto que ele
disse. Ele disse: “não ACUMULEIS para vós tesouros sobre a terra”. Esta palavra traduzida do original grego como
“acumular” é “thesaurizo”. De acordo com a Concordância de Strong, significa: “ajuntar e armazenar, amontoar, acumular
riquezas, manter em estoque, armazenar, reservar”. Há algo sobre a prosperidade da alma que precisamos entender: ela
nos leva a viver acima do egoísmo. O propósito de prosperarmos materialmente não é o de REPRESAR os recursos só
para nós, mas o de COMPARTILHARMOS o que Deus nos dá. Devemos ser como o leito de um rio, por onde os recursos
sempre passam; não param de entrar mas também não param de sair.
Juntar tesouros no céu é algo que se faz não só investindo no galardão que vem através de se ganhar
almas, orar e jejuar, etc. Todas as vezes que o Novo Testamento fala sobre juntar tesouros no céu, envolve algo que a
pessoa faz com seus recursos terrenos. O Senhor Jesus disse ao jovem rico para vender seus bens e dar aos pobres, e
disse que isto significaria ter um tesouro no céu (Mt 19.21). Muita gente acha que ter um tesouro no céu é não ter nenhum
tesouro na terra. Mas, em outro texto bíblico, vemos o princípio de entesourar no céu sem deixar de ter posses na terra;
Paulo disse a Timóteo:
“Exorta aos ricos do presente século que… pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos
em dar e prontos a repartir; que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de
se apoderarem da verdadeira vida”. (1 Timóteo 6.17-19)

Ou seja, uma pessoa não precisa ficar sem tesouros na terra para ajuntar nos céus. Ela tem que aprender
a não represar para si, mas transbordar para outros. A razão pela qual muitos não alcançam uma maior prosperidade em
Deus é justamente pela mentalidade egoísta de querer represar só para si. Precisamos entender que muitas vezes Deus
não vai responder algumas orações que são puramente egoístas:
“Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres”. (Tiago 4.3)

Quando o que a pessoa quer receber de Deus é só para si mesma, isto é visto como desperdício, como
esbanjamento. O plano divino é de que transbordemos. O que alcançamos nunca deve ser só para nós mesmos, mas
para compartilhar com outros. Foi isto que o apóstolo Paulo ensinou aos efésios:
“Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que
tenha o que repartir com o que tiver necessidade”. (Efésios 4.28)

Não podemos ganhar apenas o suficiente para nossas necessidades, mas para suprir a necessidade de
outros também (além de contribuirmos com o Reino de Deus). E vencer o egoísmo, criando uma mentalidade de
transbordar recursos, é prosperar na alma.
VENCENDO O ORGULHO

Além do egoísmo, um dos venenos que atingem a nossa alma e nos impedem de ser interiormente
prósperos, é o orgulho. Paulo mandou Timóteo advertir acerca deste perigo:
“Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança
na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento”. (1
Timóteo 6.17)

Uma inclinação normal do ser humano é achar que suas conquistas são fruto de seu esforço e habilidade e
esquecer da intervenção de Deus. Nabucodonozor foi julgado por isto (Dn 4.29-36). Mas depois de sair de seu estado de
loucura, louvou a Deus e falou de como Deus humilha ao que anda na soberba:
“Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalto e glorifico ao Rei do céu, porque todas as suas
obras são verdadeiras, e os seus caminhos, justos, e pode humilhar aos que andam na soberba”. (Daniel 4.37)

Quando colocou seu povo na terra de Canaã, o Senhor também os advertiu a não se tornarem orgulhosos
de suas conquistas:
“Não digas, pois, no teu coração: A minha força e o poder do meu braço me adquiriram estas
riquezas. Antes, te lembrarás do Senhor, teu Deus, porque é ele o que te dá força para adquirires riquezas; para
confirmar a sua aliança, que, sob juramento, prometeu a teus pais, como hoje se vê”. (Deuteronômio 8.17,18)

A soberba precede a queda (Pv 16.18). Portanto, só poderemos ter prosperidade permanente do lado de
fora se nossa alma prosperar vencendo o orgulho e trilhando o caminho da humildade.
VIVENDO A PROSPERIDADE INTERIOR

Passamos a viver a prosperidade interior quando Deus é nosso maior valor, e O colocamos (com seus
valores) antes de qualquer outra coisa. Um dos textos bíblicos que melhor reflete este equilíbrio (da prosperidade externa
ser proporcional à interna), é a declaração do Senhor Jesus Cristo sobre colocar o reino de Deus em primeiro lugar:
“Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão
acrescentadas”. (Mateus 6.33)

Se prosperamos espiritualmente, prosperaremos física e materialmente. Que o Senhor nos ajude a


alcançar isto!
MANTENDO A PAZ INTERIOR

“Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti. Confiai no
SENHOR perpetuamente; porque o SENHOR Deus é uma rocha eterna”. (Isaías 26.3,4)

Esta é uma promessa fantástica da Palavra de Deus! Ser conservado em paz significa não se desgastar
interiormente diante dos problemas. Justamente nos dias em que tanto se fala sobre angustia, estresse, depressão e
síndrome do pânico, encontrar um meio divino de se conservar em paz é algo por demais valioso.
Deus é um lugar de abrigo e refúgio para seus filhos. O texto sagrado o chama de uma “Rocha Eterna”.
Precisamos aprender a desfrutar de sua paz, mesmo em meio à tempestade. Note ainda que o versículo fala acerca de
confiança e de uma mente firme, o que indica convicção. Esta promessa não significa deixar de ter problemas, e sim ter
paz independentemente das circunstâncias à nossa volta.
Pior do que as circunstâncias difíceis do lado de fora é ter um coração perturbado do lado de dentro.
Mesmo antes das circunstâncias se resolverem externamente, precisamos de nosso interior em paz. Do contrário, sequer
conseguiremos lutar da forma devida:
“Se te mostrares frouxo no dia da angústia, a tua força será pequena.” (Provérbios 24.10)

Quando você se encontra em meio a lutas e adversidades, seu verdadeiro problema não é o que acontece
à sua volta, e sim a maneira como você é afetado no íntimo. A instrução bíblica nunca está voltada ao aspecto exterior, e
sim em como reagir interiormente. Observe o que Jesus ensinou acerca disto:
“Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom
ânimo; eu venci o mundo.” (João 16.33)

Ao falar sobre as aflições que enfrentaríamos, Jesus deixou claro qual era sua vontade: que tivéssemos
paz nele e bom ânimo.
Enquanto muitos crentes se desesperam para resolver seus problemas, perdem de vista que a única coisa
que realmente ajuda na hora da adversidade é manter a paz e o bom ânimo. Nossa força não vem de fora, não vem das
circunstâncias. Nossa força vem de dentro! Veja o que Deus disse por boca do profeta Isaías:
“Porque assim diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: Em vos converterdes e em sossegardes, está a
vossa salvação; na tranqüilidade e na confiança, a vossa força, mas não o quisestes.” (Isaías 30.15)

Aleluia! Na tranqüilidade e na confiança está a nossa força. Ouvi, certa ocasião, o irmão Dave Roberson
afirmar que a paz de Deus em nosso íntimo é uma das maiores armas que temos contra o diabo e as circunstâncias. E
acredito nisto! Nossa força vem de um coração tranqüilo, que não se abate diante dos problemas.
PROBLEMAS INTERNOS

Quando nos enchemos de temor, preocupação e receio, não só não resolvemos os problemas como
acabamos criando mais um! Os temores nos ferem por dentro no mínimo o mesmo que os problemas nos ferem por fora.
O apóstolo Paulo falou sobre isto num momento de grande luta pela qual passou:
“Porque, mesmo quando chegamos à Macedônia, a nossa carne não teve repouso algum; antes, em
tudo fomos atribulados: por fora combates, temores por dentro”. (2 Coríntios 7.5)

Ele afirmou que tanto lutava com os combates de fora como com os temores de dentro. O medo e a
preocupação são aliados dos inimigos externos. Não só não os vencerão, como ainda minarão nossa força e nos
conduzirão à derrota.
No Velho Testamento, Deus chamou esta parceria (do medo que fere por dentro da mesma forma que o
problema fere por fora) de uma maldição a vir sobre os que se rebelam contra Ele:
“Por fora, devastará a espada, e, por dentro, o pavor… ” (Deuteronômio 32.25)

O diabo tem tirado proveito de muitos crentes que, além de sofrerem com as circunstâncias, ainda
assumem uma série de outros sentimentos como medo, preocupação, ansiedade, angústia, etc. Acabam sendo
devastados por dentro como as circunstâncias fazem com eles por fora. O profeta Jeremias fez o mesmo desabafo:
“Olha, Senhor, quanto estou angustiada; turbada está a minha alma, o meu coração está
transtornado no meio de mim, porque gravemente me rebelei; fora, me desfilhou a espada, dentro de mim está a
morte.” (Lamentações 1.20)

Ele usa as seguintes expressões: alma turbada, angustia, coração transtornado. Você reconhece estes
sentimentos? No fim ele admite que o que entrou em seu íntimo foi mais do que aqueles sentimentos; foi a morte!
O Velho Testamento tem várias passagens onde vemos que os medrosos eram dispensados da guerra.
Pois alguém com medo em seu coração às vezes se torna mais perigoso que o inimigo do lado de fora. O medo tem o
poder de roubar a nossa força e capacidade de vencer. É por isso que precisamos tanto da paz interior…

Mas como podemos desfruta-la?


O profeta Isaías falou sobre a confiança se manifestando por meio de uma mente firme no Senhor. Outras
versões usam o termo “propósito firme”, o que também reflete uma atitude interior.
ATITUDE INTERIOR

Deus prometeu conservar em paz somente aquele que tomasse uma atitude em seu íntimo. A paz de Deus
não está ligada às nossas ações, mas a uma atitude interior. Observe o que Cristo ensinou:
“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso
coração, nem se atemorize.” (João 14.27)

Dar-nos a paz é algo que Jesus faz, mas não se atemorizar e nem deixar o coração turbar é
responsabilidade nossa! A paz interior é só para quem luta por ela (para alcança-la e preserva-la). Podemos dizer que é
como uma sociedade: Deus só dá a paz se eu me posiciono.

Penso que o que melhor ilustra esta parceria é o seguinte exemplo: O fogo (a paz) só queima se houver
lenha (minha atitude). Se não dermos o passo determinante no que diz respeito a decidir não provar nada diferente desta
paz, ela por sua vez também não se manifestará. O apóstolo Paulo também ensinou sobre este princípio:
“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas
diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento,
guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” (Filipenses 4.6,7)

A responsabilidade de não estar inquieto (outras versões bíblicas usam o termo ansioso em lugar de
inquieto) é nossa. É uma ordem de Deus para nós. E quando decidimos não nos entregar à ansiedade e aos receios
Deus fará a parte dele: “e a paz de Deus… guardará os vossos corações”.
Precisamos entender que tudo começa com uma atitude interior nossa, e só depois é que Deus cumprirá a
parte dele. Para não andar ansioso, não basta apenas você decidir isto, é preciso uma intervenção de Deus. Mas esta
intervenção, por sua vez, só acontece depois de fazermos nossa parte e esperar nele.
Isto é o que Deus, por boca do profeta Isaías chamou de manter a mente firme no Senhor. Quando
dizemos aos problemas que não aceitamos nos preocupar com eles, estamos fixando nossa mente no fato de que Deus
está conosco e que Ele vai interferir na situação. Então, veremos Deus fazer a parte dele e conservar em paz aquele cuja
mente está firme nele.
Em Efésios 3.16 lemos que Deus nos fortalece com poder no homem interior. É lá que tudo começa. Antes
de se manifestar nas circunstâncias, nossa vitória vai se formar do lado de dentro através do descanso e da certeza do
agir de Deus. Esta atitude interior é o primeiro estágio da fé e nos levará ao milagre e à vitória.
VENCENDO O MEDO

Por 365 vezes encontramos na Bíblia a expressão “não temas”. Alguém disse que temos uma delas para
cada dia do ano e que se procurarmos com calma talvez achemos uma para o ano bissexto!
Por que para Deus é tão importante que não tenhamos medo? Porque fé começa com uma atitude interior.
Somente depois de agir dentro de nós, nos levando a um lugar onde o problema não mais nos afeta é que fará com que o
poder de Deus opere nas circunstâncias à nossa volta. Quando os três amigos de Daniel venceram a fornalha do rei
Nabucodonozor na Babilônia, o fizeram pela fé. Mas observe como foi que esta fé operou:
“os quais, PELA FÉ, venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as
bocas dos leões, APAGARAM A FORÇA DO FOGO, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na
batalha se esforçaram, puseram em fugida os exércitos dos estranhos.” (Hebreus 11.33,34)

O texto não diz que eles apagaram ao fogo, e sim a força do fogo. A diferença é muito clara. A fé nunca
começa resolvendo a circunstância, mas anulando seu poder sobre nosso íntimo. Quando o fogo não tem mais poder
sobre nós é porque o milagre já começou. A fé não é uma varinha de condão que ao ser batida sobre o problema o faz
desaparecer instantaneamente. Ela primeiro nos transporta a um lugar onde as circunstâncias não mais nos afetam. O
Senhor falou disto pela boca do profeta Isaías:
“Mas, agora, assim diz o Senhor que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque
eu te remi; chamei-te pelo teu nome; tu és meu. Quando passares pelas águas, estarei contigo, e, quando pelos
rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti.” (Isaías
43.1,2)

Todos teremos problemas e enfrentaremos desafios. Naqueles dias a travessia de rios (quando não
existiam pontes e os recursos eram tão limitados) significava a possibilidade de morte por afogamento. E o perigo do fogo
para nós ainda é o mesmo. Deus não fala sobre a possibilidade de termos problemas, ele toca no assunto como sendo
uma certeza, um fato. Ele diz: “quando” você passar;e não “se” você passar.
Mas Ele nos ensina como nos comportar na hora que os problemas e desafios aparecerem. Basta não
temer. Quando vencemos o medo e permanecemos numa condição interior de paz, a presença e o poder de Deus se
manifestarão.
Note que Deus fez uma promessa de não sermos destruídos pelos problemas. O fogo não nos consumiria
e as águas não nos afogariam. O problema pode ainda estar presente, mas precisamos aprender a não nos deixar ser
afetados por ele. E ao tomarmos esta decisão de não turbar nosso coração, veremos que a paz de Deus vai se
manifestar em nós.

Quando lemos acerca de Paulo e Silas na prisão louvando a Deus mesmo depois de terem sido açoitados,
temos um exemplo prático de alguém que aprendeu a viver acima das circunstâncias.
Quando lemos acerca de Jesus dormindo naquele barco na hora da tempestade enquanto seus discípulos
estavam apavorados, temos um contraste claro do que é manter a paz interior e do que não.
Sempre que a fé opera, vai nos levar a um descanso interior, que é a certeza do agir de Deus a ponto de
não mais nos preocuparmos com adversidade.
” Nós, porém, que cremos, entramos no descanso…” (Hebreus 4.3)

Que o Senhor o ajude a se exercitar em fé a ponto de ser conservado em paz!


REALIDADES DA NOVA CRIAÇÃO

“Pelo que, se alguém esta em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se
fez novo”. (2 Coríntios 5.17)

Todo aquele que está em Cristo, é, sem exceção, uma nova criatura. É uma nova criatura porque nasceu
de novo (Jo 3.7); porque foi gerado pela palavra da verdade (Tg 1.18); porque foi criado em Cristo Jesus (Ef 2.10); porque
nasceu, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela Palavra de Deus, a qual vive e permanece (1 Pe 1.23).
Se você está em Cristo, então agora é uma nova pessoa. Tudo quanto pertencia à sua vida velha já não
mais é levado em conta em relação a você. Seu passado aponta para os atos de uma pessoa morta, que legalmente já
não existe mais.
Ser nova criação, implica em ter nova identidade. E é isto que a Bíblia quer dizer quando fala que “tudo se
fez novo”, ou, segundo a tradução da Bíblia de Jerusalém, “se fez uma realidade nova”. Agora você é uma nova pessoa,
com uma nova identidade e realidade acerca de si mesmo. Tudo quanto a Palavra de Deus diz que você É, TEM e PODE
FAZER, você realmente é, tem e pode fazer! Isto faz parte da nova realidade.
Quando a Palavra Deus diz que tudo se fez novo, ela não quer dizer que você foi melhorado como se fosse
um pneu recalchutado; de modo nenhum! Ela quer dizer que você foi recriado, refeito, e que há uma nova realidade a seu
respeito! Isto não é maravilhoso?
Antes de sermos recriados em Cristo, éramos escravos do pecado, mas agora há uma nova realidade a
nosso respeito: o pecado já não mais tem domínio sobre nós (Rm 6.14). Nem o pecado, nem o diabo, nem as
conseqüências do pecado, tais como: a enfermidade e dor, a miséria e toda forma de maldições, nenhuma destas coisas
têm mais domínio sobre nós! É uma nova realidade que passamos a usufruir em Cristo Jesus.
Entretanto, muitos crentes podem testemunhar que na prática, em sua vida diária, parece que muito daquilo
que a Palavra de Deus diz a nosso respeito, como estas realidades da nova criação por exemplo, se encontram, às
vezes, tão distante de nós… Sabemos que a Palavra de Deus é a verdade e que Deus não pode mentir.
O próprio Senhor Jesus, orando ao Pai, disse em João 17.17b: “a tua palavra é a verdade”. Logo, a Palavra
de Deus é digna de toda confiança! Mas mesmo depois de ter nascido de novo, parece que ainda vivemos presos a
nossa velha vida e que estas realidades da nova criação não são tão reais assim… Muitos declaram ficar confusos por
não verem automaticamente o cumprimento destas verdades.
Sei que você já deve ter se feito indagações, tais como:
Porque isto é assim? A Palavra de Deus é a verdade ou não? Se é a verdade, porque às vezes parece não
funcionar? Se ela diz que o amor de Deus é derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo (Rm 5.5), porque muitos
de nós não conseguimos amar? Se ela diz que pelas Pisaduras de Jesus nós fomos sarados (Is 53.5 e 1 Pe 2.24), porque
muitos de nós permanecemos doentes? Se ela diz que o Senhor é nosso Pastor e nada nos faltará (Sl 23.1), porque
tantos cristãos estão em constantes necessidades? Se ela diz que o pecado não tem mais domínio sobre nós (Rm 6.14),
porque constantemente somos vencidos por ele? Se ela diz que Deus deu ordens aos seus anjos para que nos guardem
(Sl 91.11), porque o mal nos sobrevém? Se ela diz que Deus não nos deu espírito de medo, mas de poder (2 Tm 1.7),
porque temos tanto medo? Se ela diz que o Senhor é à força de nossas vidas (Sl 27.1), porque tantos de nós vivem tão
fracos? Se ela diz que o justo é ousado como leão (Pv 28.1), porque há tantos cristãos covardes? Se ela diz que o justo
nunca será abalado (Sl. 125.1 e Pv 10.30), então, porque isto acontece com tantos? Se ela diz que nenhuma arma
forjada contra nós prosperará, pois este é um direito dos servos do Senhor (Is 54.17), porque, pois, o inimigo consegue,
por algumas vezes, prevalecer com suas artimanhas contra muitos de nós? Se ela diz que podemos todas as coisas
naquele que nos fortalece (Fl 4.13), porque há momentos em que parece sermos tão impotentes? Se ela diz que somos
mais que vencedores (Rm 8.37), qual é, pois, a razão de tantos cristãos viverem vidas derrotadas, fracassadas, sem
qualquer sucesso em tantas áreas de suas vidas? Porque há tanta diferença entre aquela realidade prometida na Bíblia e
aquela experimentada no dia-a-dia? Se a Palavra de Deus é a verdade, porque nos deparamos com esta contradição
entre as promessas e nossa própria experiência?
Estas têm sido algumas das muitas questões que às vezes atingem ou a nós ou a nossos irmãos mais
próximos, e que nos deixam sem resposta, visto ser indiscutível a veracidade e fidelidade da Palavra de Deus. Sabemos
que e impossível Deus mentir, e que cada uma de suas promessas, bem como suas afirmações acerca de nós são
plenamente reais e que a Palavra de Deus é digna de toda confiança. Contudo, ficamos perplexos e sem resposta ante a
aparente contradição daquilo que Deus, em sua Palavra, diz acerca de nós e aquilo que experimentamos em nossa vida.
Visto ser inquestionável a veracidade e fidelidade da Palavra do Senhor, onde esta a resposta para esta comum
indagação daqueles que não tem desfrutado de tudo quanto a Palavra diz a seu respeito?
A RESPOSTA: DOIS TIPOS DE VERDADE

É necessário entendermos que nem tudo o que lemos nas Escrituras acerca de nossa nova realidade se
cumprirá automática e imediatamente. Há dois diferentes tipos de verdade com os quais lidamos, e isto se deve ao fato
de que nos relacionamos com dois diferentes reinos: O ESPIRITUAL e O NATURAL.
Para cada reino há um tipo de verdade. Para o reino espiritual há aquela que denominaremos verdade
ESPIRITUAL, e para o reino natural há aquela que denominaremos verdade NATURAL. Por sermos seres espirituais, e
não somente físicos, inevitavelmente nos relacionamos com estes dois reinos, onde encontramos, em cada um, um
diferente tipo de verdade. Passemos agora a analisar uma Passagem bíblica que nos mostra claramente isto:
“Ora, o rei da Síria fazia guerra a Israel; e teve conselho com os seus servos, dizendo: Em tal lugar
estará o meu acampamento. E o homem de Deus mandou dizer ao rei de Israel: Guarda-te de passares por tal
lugar, porque os sírios estão descendo ali. Pelo que o rei de Israel enviou àquele lugar, de que o homem de Deus
falara, e de que tinha avisado, e assim se salvou. Isso aconteceu não uma só vez, nem duas. Turbou-se por causa
disto o coração do rei da Síria, que chamou os seus servos, e lhes disse: não me fareis saber quem dos nossos é
pelo rei de Israel. Respondeu um dos seus servos: não é assim, ó rei meu senhor, mas o profeta Eliseu, que está
em Israel, faz saber ao rei de Israel as palavras que falas na sua câmara de dormir. E ele disse; Ide e vede onde
ele está para que eu envie, e mande traze-lo. E foi-lhe dito: Eis que está em Dotã. Então enviou para lá cavalos, e
carros, e um grande exército, os quais vieram de noite e cercaram a cidade. Tendo o moço do homem de Deus se
levantado muito cedo, saiu, e eis que um exército tinha cercado a cidade com cavalos e carros. Então o moço
disse ao homem de Deus: Ai, meu senhor! Que faremos? Respondeu ele: não temas; porque os que estão
conosco são mais do que os que estão com eles. E Eliseu orou, e disse: Ó Senhor peço-te que lhe abras os
olhos, para que veja. E o Senhor abriu os olhos do moço, e ele viu; e eis que o monte estava cheio de cavalos e
carros de fogo em redor de Eliseu.” (2 Reis 6.8-17)

O que aprendemos nesta passagem? O moço de Eliseu, ao acordar, se depara com um quadro nada
agradável: um exército cercara a cidade. Desesperado, corre ao profeta perguntando-lhe o que fazer, pois o exército
enviado a busca-lo era grande, enquanto eles estavam somente em dois.

A resposta de Eliseu pode até parecer uma mentira, totalmente oposta daquilo que o moço vira com seus
olhos naturais; ele lhe diz: “não temas. Porque os que estão conosco são mais do que os que estão com eles”. Se Eliseu
tivesse parado aí, sua afirmação seria, aos olhos daquele moço uma grande mentira; porém ele prossegue e pede ao
Senhor que abra os olhos de seu moço. Que olhos? É claro que não falava dos olhos físicos, os quais eram perfeitos,
caso contrário este moço não teria visto o exército sírio. O profeta se referia aos OLHOS ESPIRITUAIS. Orava para que o
moço visse algo, não no reino natural, mas sim no reino espiritual.

Este moço havia apresentado a Eliseu uma realidade natural que podia ser comprovada por uma olhada à
sua volta: o grande exército que os cercava e o fato de estarem sozinhos. Contudo, o profeta Eliseu lhe respondeu
apresentando uma realidade totalmente oposta daquilo que os seus olhos naturais haviam visto, e para justificar sua
afirmação, orou ao Senhor para que o moço pudesse ver a realidade desta sua afirmação no reino espiritual. Somente
penetrando no reino espiritual é que a afirmação do profeta seria entendida e comprovada como realidade.
Note que o moço apresentou a verdade NATURAL desta situação, aquilo que os olhos naturais viam e o
que podia ser confirmado pelos sentidos físicos; mas Eliseu apresentou a verdade ESPIRITUAL acerca de tal situação,
aquilo que seus olhos físicos desmentiam, mas que no reino espiritual era real.
Este é um exemplo perfeito dos dois tipos de verdade. Se tivessem olhado para o reino natural somente,
estariam perdidos nas mãos do rei sírio; mas o homem de Deus se recusou a aceitar a realidade natural, visto ter no reino
espiritual a realidade de sua proteção e livramento. O reino natural dizia que eles estavam em apuros, mas o reino
espiritual dizia que eles estavam protegidos. O reino natural dizia que o exército sírio era em maior número do que eles,
mas o reino espiritual dizia que eles é que estavam em maior número, pois o exército celestial estava com eles.
Você percebe a contradição entre uma coisa e outra?
Contudo, se olhássemos somente para o reino natural, o que o moço disse seria a pura verdade.
Entretanto, não vivemos somente num reino natural, mas também num reino espiritual, e a realidade dele muitas vezes
difere da realidade do reino natural.
A PALAVRA DE DEUS É ESPIRITUAL

Diante da aparente contradição que percebemos entre a Palavra de Deus e nossa situação na prática, na
vida cotidiana, não há mentira nem no que Deus diz e nem tampouco no que as circunstâncias dizem.
Tanto um relatório como outro são reais, porém, o fato é que um ocupa um plano espiritual enquanto outro
ocupa um plano material. Trata-se de dois diferentes tipos de verdade. As afirmações do Senhor Jesus nestes dois
versículos abaixo revelam que de fato a Palavra o Senhor está no plano espiritual:
“As palavras que eu vos tenho dito são espírito e vida”. (João 6.63)
“Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. (Mateus 4.4)
A palavra de Deus é espiritual, revela um Deus que é espírito, e fala-nos de coisas espirituais, pertencentes
ao reino do espírito. Suas afirmações são verdades espirituais.
VERDADES ESPIRITUAIS

As circunstâncias à nossa volta e tudo aquilo que é visível ou perceptível aos nossos sentidos, revelam
verdades naturais. Veja bem: Jesus Cristo morreu por você há mais de 2.000 anos atrás (no nosso calendário; no de
Deus foi antes da fundação do mundo – Ap 1.8). Tudo quanto Deus tinha que fazer concernente à nossa salvação, Ele o
fez em Cristo Jesus, sobre quem fez cair a iniqüidade de nos todos e em quem riscou o escrito de divida que havia contra
nós.
Legalmente, Jesus quitou a dívida de todos os pecadores para com Deus, a fim de os reconciliar com o Pai.
Nesta ocasião, Deus fez uma troca através do sacrifício de Jesus, e tomou a justiça e retidão do Senhor Jesus que não
conheceu pecado, e no-las imputou. A partir de então, tendo já consumado o plano de redenção e salvação do homem,
Deus nada mais faz neste sentido. Agora é o pecador que tem que fazer algo: arrepender-se e crer no evangelho, na obra
que Cristo fez em seu favor e no que agora lhe pertence.
Diante disto, quero que entenda algo: a sua salvação já lhe pertencia por direito legal desde a morte de
Cristo; era uma realidade a seu respeito no reino espiritual; contudo, ela só se manifestou interferindo na realidade natural
quando você creu e passou a ter uma confissão neste sentido (Rm 10.9,10).
Do ponto de vista de Deus, você tinha a salvação como algo que era realmente seu, porém esta era uma
realidade somente no reino espiritual. Mas, ao tomar posse pela fé daquilo que já lhe havia sido dado, você alterou a
realidade natural à sua volta e em você mesmo com a realidade espiritual que Cristo conquistou a seu favor.
É isto que acontece quando nascemos de novo. Uma realidade nova se estabelece em nossa vida, embora
já estivesse disponível antes. Do mesmo modo opera toda a Palavra de Deus com suas promessas e aquilo que o Senhor
Jesus nos conquistou no Calvário!
São verdades espirituais a nosso respeito, que muitas vezes estarão em choque com a realidade natural.
Mas assim como no caso da justificação, os responsáveis por trazer esta realidade espiritual para o reino natural somos
nós, e isto mediante a fé, assim também o é com tudo aquilo que espiritualmente é nosso!

Precisamos aprender a operar a nossa fé com todas as outras promessas de Deus assim como temos feito
com relação ao perdão de nossos pecados; a fé ignora o relatório do reino natural e se apega sempre as realidades do
reino espiritual. Paulo, escrevendo aos coríntios, disse:
“Porque andemos por fé e não por vista”. (2 Coríntios 5.7)

Você não deve andar por aquilo que vê, ouve ou sente, mas unicamente por aquilo que a Palavra de Deus
diz! Andamos por fé na Palavra de Deus que é o relatório das realidades espirituais e não por aquilo que vemos, que é o
relatório das realidades naturais.
O único meio de experimentarmos as verdades da Palavra de Deus em nossa vida é ignorarmos o relato do
reino natural e nos apegarmos firmemente ao que Deus diz, até que isto se manifeste! Penso que era isto que Paulo
queria dizer quando escreveu: “seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso!” (Rm 3.4). Se andarmos por fé, ficamos
com o que Deus diz acerca de qualquer situação, e não como o que o reino natural nos diz! Andamos por fé e não por
vista! Aleluia! Agora veja o versículo que dá o contexto a esta afirmação de Paulo:
“Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem; porque as que se vêem
são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas”. (2 Coríntios 4.18)

Ele diz: NÃO ATENTANDO, ou seja: não dando atenção (não considerando, não contemplando, não
levando em conta) às coisas que se vêem, mas sim às que se não vêem. O que é o aquilo que se vê? O reino natural e
sua realidade. O que é aquilo que não se vê? O reino invisível, e sua realidade espiritual.

Poderíamos ler a primeira parte deste versículo assim: “Não considerando nós as coisas visíveis, mas sim
as invisíveis”. Ou ainda: “Não considerando nós as coisas naturais, mas sim as espirituais”. E aplicando isto de um modo
mais claro ao nosso estudo, diríamos: “Não considerando nós o relato das circunstâncias, mas o que Deus em sua
Palavra diz!”
Por quê? Porque andemos por fé e não por vista. Preferimos ficar com as verdades espirituais quando elas
diferem das naturais. Observe este versículo na tradução da Bíblia de Jerusalém:
“Não olhamos para as coisas que se vêem, mas para as que não se vêem; pois o que se vê é
transitório, mas o que não se vê é eterno”. (2 Coríntios 4.18 – Bíblia de Jerusalém)

Ao explicar porque considerava o invisível e não o visível, Paulo diz: Porque as coisas que vêem são
TEMPORAIS, enquanto as que se não vêem são ETERNAS.
As coisas visíveis – do reino natural – são temporais (sujeitas ao tempo). Ou, segundo a Bíblia de
Jerusalém, são TRANSITÓRIAS (ou passageiras). Mas as invisíveis – as coisas espirituais – são ETERNAS (não passam
e nem mudam).
As circunstâncias sempre serão temporais, mutáveis; mas a Palavra do Senhor permanece para sempre (1
Pe 1.25), ela jamais passará (Mt 24.35), pois para sempre está estabelecida nos céus (Sl 119.89)!
Sabe o que isto significa?

Que o que deve ser mudado quando você experimentar um choque de realidades (a da Palavra e da sua
vida natural) é a verdade natural que é TRANSITÓRIA e não a verdade espiritual, que é ABSOLUTA!
Precisamos estar conscientes de que o espiritual é mais elevado do que o natural! É muito mais real que o
natural, pois foi do espiritual que veio a existir o natural:
“Pela fé é que nos entendemos que foram formados os séculos pela palavra de Deus. Para que o
visível fosse feito do invisível”. (Hebreus 11.3 – Figueiredo)

“Pela fé entendemos que foi o universo formado pela Palavra de Deus, de maneira que o visível veio
a existir das coisas que aparecem”. (Hebreus 11.3 – Atualizada)

O espiritual é muito mais elevado e real que o natural! As realidades da nova criação (nossa posição em
Cristo), e tudo o que Deus diz que SOMOS, TEMOS ou PODEMOS, estão no plano espiritual. Nós é que devemos trazer
a manifestação destas verdades para o reino natural; e isto através da operação da fé!

Quando você se encontra doente e a Palavra de Deus diz que pelas feridas de Jesus você foi sarado,
temos um choque da realidade natural com a espiritual. Isto não significa que sua cura não seja real e nem tampouco que
a doença não seja real, mas sim que cada uma se encontra num plano; o que Deus diz é uma verdade espiritual e que o
seu corpo, através dos sintomas, diz, é uma verdade natural. Mas diante dos dois tipos de verdades, ficamos com a
Palavra de Deus!
CHAMANDO O QUE NÃO É COMO SE JÁ FOSSE

O apóstolo Paulo diz em Romanos 4.17 que “Abraão creu no Deus que vivifica os mortos, e chama as
coisas que não são como se já fossem”. Porque ele menciona o Deus que chama as coisas que não são como se já
fossem, em conexão com a fé de Abraão? Porque foi assim que Deus se revelou a ele e o ensinou a operar a fé. Antes,
seu nome era Abrão; mas Deus mudou seu nome para Abraão, que significa PAI DE MULTIDÕES.
Ele ainda nem sequer tinha seu filho Isaque, mas o Senhor lhe disse: “Você é pai de multidões”! E mesmo
quando Isaque nasceu, e depois, quando (com Quetura) veio a ter mais cinco filhos além de Ismael, filho de Agar, Abraão
ainda não era pai de multidões, somente de sete filhos. Muitos anos se passaram depois da morte se Abraão para que
sua descendência viesse a se tornar multidão. Mas Deus, que chama o que não é como se já fosse, antes mesmo que
Abraão se tornasse pai de multidões, passou a chamá-lo como pai de multidões. E não somente fez isto, mas exigiu que
Abraão também o fizesse e se chamasse a si mesmo tal qual o Senhor fazia! Ele passou a se chamar e ser chamado
pelo novo nome, que era literalmente uma profecia do que ainda haveria de acontecer.

Agora pergunto: Deus, quando chama a existência o que não é como se fosse, está mentindo? É claro que
não, pois Ele não pode mentir (Hb 6.18; Tt 1.2)! Como se explica, então, a contradição entre o que Deus dizia de Abraão
e o que ele realmente experimentava nesta ocasião? A resposta está no fato que quando ele chama o que não é como se
fosse, ESTÁ SE APOIANDO EM VERDADES ESPIRITUAIS que ainda não se manifestaram no reino natural!
Entenda isto: Deus não somente chama a existência o que não é como se fosse, como também exige que
você faça o mesmo! Foi isto que Ele exigiu de Abraão, e exige de você também!
“Como andarão dois juntos se não estiverem de acordo?” (Amós 3.3)

Para andar com Deus, você tem que estar em acordo com ele; tem que dizer o que Ele diz! Em outro texto
do Novo testamento vemos a mesma coisa:
“Sede, pois IMITADORES de Deus, como filhos amados”. (Efésios 5.1)

Imitá-lo não é somente sermos santos porque Ele é Santo, mas procurarmos agir da forma como Ele age!
Se Ele chama a existência o que não é como se já fosse, porque seria errado fazermos o mesmo? Foi isto que o Senhor
exigiu de Abraão; que se chamasse de pai de multidões quando ainda não o era (no natural). E porque o Senhor fez isto?
Porque este é o único meio de trazer as realidades do reino espiritual para o reino natural! A única maneira de
influenciarmos e transformamos as realidade do reino natural, substituindo-as pelas espirituais (a Palavra de Deus), é
FALANDO-AS!
Foi por isto que Deus fez com que Abraão FALASSE, chamando aquilo que alinda não era como já fosse. E
fazendo-o, ele entrou na operação da fé. Romanos 4.12 nos fala sobre seguir as pegadas (o exemplo) da fé que teve
Abraão. Ou, em outras palavras, devemos proceder como ele. Diante da contradição do reino natural devemos chamar
aquilo (promessa bíblica) que ainda não é como já fosse!
Aprecio muito a definição de fé em Hebreus 11.1 na tradução da Bíblia de Jerusalém, que diz: “A Fé é uma
posse antecipada do que se espera, um meio de demonstrar as realidades que não se vêem”. Quero chamar sua atenção
para duas frases deste versículo: “Uma posse antecipada do que se espera”. O que Abraão esperava? Era o
cumprimento da promessa, de que ele seria pai de multidões; mas pela fé se apossou disto antes de ser.
“Um meio de demonstrar as realidades que não se vêem”. Abraão não via no reino natural nada que
indicasse que ele fosse pai de multidões; mas estava firme no que Deus havia lhe dito, pois sabia que, se Deus disse, é
verdade, e ponto final! Esta era uma REALIDADE ESPIRITUAL, invisível. E a fé é um meio de demonstrar estas
realidades que não se vêem.
E como a fé as demonstra? A resposta é: FALANDO e AGINDO sobre estas verdades como se já fossem
manifestas no reino natural! Guarde isto: A fé fala (tem uma voz) e age (tem obras). Não entraremos nas obras da fé
neste estudo, mas você pode meditar sobre isto em Tiago 2.14-26. Quero me ater agora somente ao falar e não no agir,
embora o próprio falar também possa ser incluído no agir.
O único meio de substituir uma realidade natural por uma realidade espiritual, é confessando a palavra,
chamando aquilo que não é como se já fosse! Mas porque é assim? Porque é deste modo que a fé opera!
“Ora, temos o mesmo espírito da fé, conforme está escrito: CRI, POR ISTO FALEI; também NÓS
CREMOS, POR ISTO TAMBÉM FALAMOS”. (2 Coríntios 4.13)

Crer e falar! A fé se expressa em palavras! Foi isto que Paulo escreveu aos Romanos:
“Mas que diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é; a palavra da fé que
pregamos. Porque se, com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o
ressuscitou dente os mortos, serás salvo; pois COM O CORAÇÃO SE CRÊ para a justiça e COM BOCA SE FAZ
CONFISSÃO para a salvação.” (Romanos 10.9,10)

Crer e falar. Com o coração se crê e com a boca se faz confissão. A fé no coração, sem a confissão da
boca não opera (e vice-versa)! Temos que CRER e FALAR. Não só crer, mas crer e falar! É assim que Deus nos manda
agir!
A FÉ DE DEUS

Gosto da tradução portuguesa de Figueiredo do versículo abaixo:


“E respondendo Jesus, lhes disse: TENDE A FÉ DE DEUS. Em verdade vos afirmo que todo o que
DISSER a este monte: tira-te, e lança-te no mar, e isto sem hesitar no coração, MAS TENDO FÉ de que tudo o que
DISSER sucederá, ele o verá cumprir assim”. (Marcos 11.22, 23 – Figueiredo)

No versículo 22, encontramos a expressão: “tende a fé de Deus”, que normalmente é traduzida nas demais
versões portuguesas da Bíblia como: “tende fé em Deus”, mas segundo alguns estudiosos o texto original sugere esta
tradução feita pelo padre Figueiredo: “tende a fé de Deus”, razão pela qual lançamos mão dela.
Esta frase nos leva a um enfoque diferente. Não só sabemos que temos que crer em Deus, mas que temos
que crer como Deus crê. A fé é a convicção do que não se vê, e em toda a Bíblia, vemos Deus agindo de acordo com o
que espera de nós no âmbito da fé. Temos que ter a fé do tipo de Deus.

Jesus tinha amaldiçoado a figueira (Mc 11.14). Ele falou à figueira que nunca mais ninguém comeria dela; e
seus discípulos ouviram isto. No dia seguinte, ao passarem por ela, perceberam que havia secado desde as raízes.
Pedro, lembrando-se, disse: olha, mestre, secou-se a figueira que amaldiçoaste. Então, diante desta afirmação de Pedro,
da figueira ter-se secado pela palavra de Jesus, é que ele diz: “tende a fé de Deus”.
Esta frase está no imperativo; ele manda que tenham a fé de Deus! E qual é a fé de Deus? É uma fé que
fala, crendo que o que diz se cumpre!

Foi assim que Deus procedeu na criação do mundo (Hb 1.3). Foi desta maneira que ele não somente agiu,
mas exigiu que Abraão também agisse, chamando as coisas que não são como se já fossem. E é assim que Deus quer
que nós também procedamos! Caso contrário, Jesus não teria dito: “tende a fé de Deus” ou, em outras palavras: ”a fé do
tipo de Deus”; ou ainda: “a fé que Deus tem”.
Jesus demonstrou de modo claro como é a fé do tipo de Deus, quando, após nos mandar tê-la, declarou:
“Em verdade, em verdade vos digo que QUALQUER que DISSER a este monte: Ergue-te e lança-te
no mar; e não duvidar no seu coração, mas crer que fará aquilo que DIZ, assim lhe será feito”. (Marcos 11.23)

Temos várias coisas a observar aqui:


1) A expressão: “não duvidar no seu coração, mas crer”, concorda com Romanos 10.10 que diz: “Com o
coração se crê”.
2) Jesus não mandou somente “crer no coração” a fim de remover o monte, mas ele mandou “falar ao
monte” e crer que o que se diz acontecerá. E este texto está em harmonia com Rm 10.10 que diz que após haver fé no
coração deve haver a confissão verbal.
3) Isto não funciona para alguns somente, pois, Jesus diz: “qualquer que”; e na tradução de Figueiredo
encontramos a expressão: “todo que”. Isto significa que eu e você também estamos inseridos nestes versículos!
Fomos criados a imagem e semelhança de Deus, por isso há poder nas nossas palavras quando falamos
com fé! Logicamente que não estou dizendo que somos IGUAIS a Deus; mas que fomos criados à sua imagem. Uma
gota d’água do oceano difere do oceano em volume, em tamanho, pois é infinitamente menor, mas tem a mesma
composição.
Você entende isto? E em matéria de poder nas palavras é como se fossemos a gota e Deus o oceano; só
que a proporção teria que ser multiplicada infinitas vezes, pois Deus é infinito. Nossas palavras não criam uma nova
realidade, mas quando as usamos para falar as palavras de Deus, então temos o poder de afetar a realidade natural com
a espiritual.
A confissão de fé é uma verdadeira semente; tem poder de gerar uma nova condição em nossa vida!
Porém, quero deixar bem claro que ao falarmos do poder da confissão, o fazemos em conexão com a Palavra de Deus. É
dizer o que Deus diz.

Você constantemente deve estar confessando aquilo que a Escritura diz que você é em Cristo, sua posição
n’Ele! Este é o meio de trazer a manifestação das realidades na nova criação para o reino natural.
Pensar que teremos AUTOMATICAMENTE o que nossa posição em Cristo nos dá direito é engano! Como
somos salvos? Crendo e confessando. Como nos apoderamos das outras realidades espirituais? Também é crendo e
confessando o que cremos!

Volto a afirmar que a manifestação da realidade da nova criação não se dará de modo automático; o
mesmo apóstolo Paulo que escreveu que somos novas criaturas com uma nova realidade, também escreveu aos efésios:
“Se é que o ouvistes, e nele fostes instruídos, conforme é a verdade em Jesus. A despojar-vos,
quanto ao procedimento anterior, do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e a vos
renovar no espírito de vossa mente; e a vos revestir do novo homem, que segundo Deus foi criado em verdadeira
justiça e santidade”. (Efésios 4.21-24 )

Ao lermos 2 Coríntios 5.17 parece-nos que tudo está feito; mas ao lermos o texto de Efésios acima
transcrito, parece-nos que embora tenhamos nascido de novo, os responsáveis em deixar o homem velho de lado e se
vestir do novo somos nós mesmos. Em 2 Coríntios 5.17 vemos algo que já nos parece consumado, mas em Efésios 4.21-
24 há algo que nós devemos fazer em relação àquilo que está feito. A Bíblia sempre distingue estas realidades. Veja a
afirmação de Paulo quando fala do mesmo assunto aos colossenses:
“Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos, e vos
vestistes do novo…” (Colossenses 3.9,10)

Aqui, o apóstolo fala sobre o despir-se do homem velho e o vestir-se do novo como algo já feito; mas que
as nossas ações devem estar em harmonia com esta realidade… O fato é que, ESPIRITUALMENTE, há uma nova
realidade; e nós somos responsáveis por trazê-la ao REINO NATURAL. Como? Crendo e falando!
Esta nova realidade se encontra em toda a Palavra de Deus, mas em especial nas epístolas, que falam da
obra de Cristo e nossa posição n’Ele como resultado que fez por nós e em nosso lugar. Grife e anote à parte quando
estiver estudando e meditando na Palavra, tudo que você É, TEM e PODE. E então use esta lista para sua prática de
confissão, e gaste tempo declarando estas verdades.
Segue agora pequena relação do que a Palavra do Senhor diz acerca de você, para que possa declarar a
sua nova realidade em Cristo. O propósito desta relação de declarações de nossa posição é ajuda-lo a enxergar o que a
Bíblia diz. Não uso em minha vida pessoal uma lista escrita do quê confessar. Faço isto com base nos textos bíblicos que
conheço e trago em meu coração. Mas uma lista pode ajuda-lo a iniciar esta prática. Portanto, convido-o a terminar este
estudo declarando em voz alta estas verdades:
O QUE SOU – Sou uma nova criatura, criado em verdadeira justiça e santidade; sou filho de Deus; sou
herdeiro de Deus e co-herdeiro com Cristo; sou rei e sacerdote para Deus o Pai; sou justiça de Deus em Cristo; sou
cabeça e não calda, e estou sempre por cima e nunca por baixo; sou abençoado em todas as coisas e onde ponho a mão
prospera, porque ouço e obedeço ao Senhor; sou santificado em Cristo; sou mais do que vencedor; sou luz do mundo e
sal da terra; sou geração eleita , sacerdócio real; nação santa, povo de propriedade exclusiva do Senhor. Sou morada de
Deus no Espírito, santuário de Deus na terra. Sou forte porque o Senhor é força da minha vida e maior é aquele que está
em mim do que aquele que está no mundo. Sou amado de Deus, precioso a seus olhos! Sou livre de toda condenação,
do domínio do pecado e de toda maldição. Sou livre do poder do diabo, pois, fui transportado do reino das trevas para o
reino de luz! Sou curado pelas pisaduras de Jesus; sou guardado pelo anjos de Deus.

Eu sou tudo quanto a Bíblia diz que eu sou!


O QUE TENHO. Tenho tudo que pertence ao Pai, pois sou filho e herdeiro. Tenho autoridade sobre todo o
poder do diabo em nome de Jesus. Tenho o perdão dos meus pecados e já não há nenhuma condenação para minha
vida. Tenho saúde em Cristo e praga nenhuma chega à minha tenda. Tenho a proteção dos anjos de Deus e nenhum mal
me sucederá e nenhuma arma forjada contra mim prosperará. Tenho orientação, paz, alegria, consolo, conforto, ajuda e
revelação da Palavra de Deus na pessoa do Espírito Santo que em mim habita. Tenho pés de corça e ando nos meus
lugares altos. Tenho poder para testemunhar, expelir demônios e curar enfermos pelo Espírito de Deus e em nome de
Jesus. Tenho as minhas orações ouvidas, porque os ouvidos do Senhor estão atentos às minhas suplicas e elas muito
podem por sua eficácia. Tenho vitória em todas as áreas da minha vida por meio de Jesus Cristo, meu Senhor. Tenho
liberdade no Espírito Santo. Tenho vida em abundância. Tenho o amor de Deus que é derramado no meu coração pelo
Espírito Santo. Tenho a vida eterna. Tenho toda sorte de bênçãos nas regiões celestiais em Cristo Jesus. Tenho a força
do Senhor!

Eu tenho tudo quanto a Bíblia diz que eu tenho!


O QUE POSSO – Posso todas as coisas naquele que me fortalece. Posso reinar em vida. Posso orar pelos
enfermos e cativos e testemunhar com poder. Posso exercer autoridade sobre demônios e circunstâncias, pisar em
serpentes, escorpiões e nada me fará dano algum. Posso amar e perdoar. Posso em tudo dar graças. Posso viver em
saúde, segurança e liberdade. Posso ligar e desligar na terra em concordância com outros e será ligado e desligado nos
céus. Posso andar em plena vitória. Posso pedir o que quiser – segundo a vontade/Palavra de Deus e me será feito.
Posso viver na benção. Posso vencer a tribulação. Posso vencer a tentação. Posso todas as coisas naquele que me
fortalece.
Posso tudo o que a Bíblia diz que eu posso!
DESTRUÍVEL OU PERPÉTUO?

“Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde
ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde
ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mateus
6.19-21)

Ao considerar esse ensino de Jesus fica muito evidente o quanto era importante para Ele, como ainda é,
reconstruir os nossos valores. Muitos esquecem que após atravessar a porta estreita ainda nos espera o caminho
apertado. E devido a esse “esquecimento” é bastante comum permanecermos valorizando aquilo que já não mais deveria
ter valor.
De “bate-pronto” me responda: Televisão ou leitura bíblica? Entretenimento ou serviço? Demais coisas ou
Reino de Deus? Benefício ou compromisso? Receber ou dar? “Olho por olho, dente por dente” ou a outra face?
Poderíamos ir muito além, mas simplesmente seja honesto, quais são os teus atuais valores: ainda são os teus ou já são
os de Jesus?!

Como pregador logo me surge uma explosão de idéias ao ler, refletir, meditar nessas preciosas palavras do
Senhor Jesus. Consigo enxergar a partir desse texto, diferentes e importantíssimas aplicações para nossa vida cotidiana.
Meu desejo e incentivo é que você se entregue a cada uma dessas palavras da mesma maneira que um perito garimpeiro
se entrega as suas intermináveis escavações em busca de seu “valioso” tesouro. Mas em meio a essa busca quero
chamar sua atenção para: DESTRUTÍVEL OU PERPÉTUO?

Dentre essas mais variadas aplicações eu quero falar sobre um aspecto que considero muito importante
encontrado nas palavras de Jesus a respeito dos tesouros : Qual é a natureza do teu tesouro? Isso mesmo, teu tesouro é
de qual natureza? Destrutível ou perpétua? Teu tesouro é aqui da terra, destrutível ou ele é dos céus, perpétuo?
Se você leu com atenção, e espero que sim, você percebeu que há uma clara distinção nas duas primeiras
sentenças apresentadas por Jesus, que conforme a Bíblia estão separados em versículos dezenove e vinte. Acompanhe:
“Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde
ladrões escavam e roubam;” (Mateus 6.19)
“mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não
escavam, nem roubam;” (Mateus 6,20)

Primeiramente o sujeito principal de ambos os versículos é: “os tesouros” . E os tesouros mencionados por
Jesus na primeira sentença, versículo dezenove é o mesmo apresentado na segunda, versículo vinte, que segundo o
léxico de Strong significa: lugar no qual coisas boas e preciosas são colecionadas e armazenadas; porta-jóias, cofre, ou
outro receptáculo, no qual valores são guardados; depósito, armazém, coisas armazenadas em um tesouro, coleção de
tesouros . Podemos perceber que Jesus não estava falando sobre um bem em específico ou sobre algo único que
valorizamos, antes Ele está se referindo a uma variedade de valores.
Em segundo lugar chamo sua atenção ao erro que pode ser cometido devido ao descuido causado por uma
rápida e simples leitura: Existe uma contradição aqui, pois primeiro Jesus disse que não é para acumular tesouros depois
Ele disse que é para ajuntar tesouros . Afinal é ou não é? Alguns ainda pioram a situação quanto tentam diferenciar as
palavras: acumular e juntar , que no original grego são a mesma palavra e que em algumas traduções da língua
portuguesa já são traduzidas conforme o original.
Um terceiro ponto, e aqui tudo começa a receber uma maior luz, é o lugar alvo onde devem ser
acumulados os tesouros : No céu, conforme o versículo vinte, e não na terra, conforme o dezenove. Isso ganha um peso
muito maior ao considerarmos o versículo que finaliza essa mensagem do Mestre:
“… porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mateus 6.21)

Qual é o lugar, aonde Jesus quer que o seu e o meu coração estejam? Sem dúvida alguma no céu! O que
foi que Jesus disse para o homem, que comumente conhecemos como o jovem rico:
“Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro
no céu ; depois, vem e segue-me.” (Mateus 19.21)

Jesus percebeu que o coração dele estava na terra, estava no corruptível, estava no destrutível. Então O
Mestre lhe deu uma ordem que se fosse seguida reverteria no acúmulo de valores, tesouros , no céu, ou seja, seu
coração se desprenderia da terra e passaria a valorizar o céu.
Responda sinceramente: Faz algum sentido Jesus ter concluído seu convite a dar toda riqueza aos pobres
assim: “… e terás um tesouro no céu…” ? Por que Jesus fez menção disso: Ter um tesouro no céu? Veja que Jesus lhe
aponta a forma de ser perfeito: “Se queres ser perfeito…” , e a forma disso acontecer era: “… dá aos pobres (…) e segue-
me.” . Novamente, por que Jesus ao convidar o jovem rico a vender seus bens e dar aos pobres lhe aponta então o local
a ele teria um tesouro: “… céu…”?
A resposta é simples: Jesus quer que vivamos na “dimensão” do PERPÉTUO! Chamo sua atenção para
isso, pois o dia em que o Espírito Santo revelou essa verdade ao meu espírito, eu passei a compreender a importância
das palavras do apóstolo Paulo:
“Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo
vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra;” (Colossenses 3.1-
2)

Perceba que Jesus diz que os tesouros acumulados sobre a terra serão destruídos pelas traças e pela
ferrugem, isso mesmo, destruídos! Destruídos porque são destrutíveis. Embora a versão Revista e Atualizada, use a
palavra “corroem”, essa expressão no grego também pode ser traduzida como “destruir”. Tanto a Nova Versão
Internacional, como a Nova Tradução da Linguagem de Hoje, e também a versão espanhola Reina-Valera Revisión 1995,
preferiram utilizar a palavra “destroem”.
Jesus também diz que os tesouros acumulados sobre a terra são levados embora pelos ladrões após os
mesmos escavarem, ou seja, aquilo que com tanto esforço e dedicação você acumulou é levado mediante ao simples
esforço de fazer um buraco ou ainda arrombar , que é justamente o que significa escavar no original.

Tenho por certo que o Mestre estava indicando a natureza destrutível dos tesouros acumulados sobre a
terra quando fez essas comparações: Traça, ferrugem, escavar e roubar!
Exatamente isso, tesouros destrutíveis! Esperança depositada sobre aqueles ou aquilo que não pode dar
esperança. Segurança firmada sobre pessoas e circunstâncias que ao menor sinal de mudança frustram as mais
confiáveis expectativas. Realização buscada nas futilidades daqueles ou daquilo que é extremamente passageiro.
Tesouros destrutíveis!

Conquistas esplendorosas sem despojos eternos! Vitórias expressivas sem troféus e medalhas
inesquecíveis! Bênçãos surpreendentes sem transformação que perdure! Satisfação imediata sem valores perpétuos!
Isso mesmo, tesouros sobre a terra, tesouros destrutíveis!
Ah como eu amo Jesus! Cada vez mais me apaixono por Ele. Cada vez mais quero ser amigo do meu
amigão Espírito Santo! Cada vez mais eu quero ser íntimo do Papai! Diante do “DESTRUTÍVEL OU PERPÉTUO?”, há
uma opção, há uma alternativa, há uma possibilidade, qual é a sua escolha?
“mas ajuntai para vós outros tesouros no céu , onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não
escavam, nem roubam;” (Mateus 6.20)

Queridos, esses são dias de viver o PERPÉTUO! Sim, esses são dias de literalmente acumular, ajuntar
nossos tesouros no céu. Não aqui na terra, mas no céu. Lembre-se a escolha é sua: DESTRUTÍVEL OU PERPÉTUO?
OLHANDO PARA O ALTO

Fomos chamados para viver acima das circunstâncias e ter os nossos olhos no Senhor. As Escrituras
Sagradas nos dizem que Satanás veio para roubar, matar e destruir (Jo 10.10). Esta era uma das menções bíblicas que
eu mais gostava de pregar, dando ênfase ao fato de que Cristo, por sua vez, veio para nos dar vida e vida com
abundância.
Eu sempre dizia que o diabo vive tentando roubar a saúde, o dinheiro e a família de cada vivente, pois ele
não quer que ninguém seja feliz sob as bênçãos de Deus. Mas o fato é que o diabo não está tão preocupado com estas
coisas, elas não são seu verdadeiro alvo. O que ele verdadeiramente quer é roubar nossa fé e relacionamento com Deus.
Este é seu fim, seu grande objetivo; mas roubar a saúde, o dinheiro e a família, são MEIOS QUE ELE USA para tentar
conseguir chegar onde realmente quer.
Portanto, precisamos aprender a viver olhando para o alto, com nossos olhos fixos no Senhor em todo
tempo, independentemente das circunstâncias à nossa volta. E o processo de ser mais que vencedor tem a ver com isto.
No fim da prova Deus não somente nos dá a vitória, como também nos ensina a apegarmo-nos mais a Ele, vivendo acima
das situações externas.
A geração atual de crentes vive olhando somente para as coisas terrenas, não tem seus olhos em Deus.
Nossa pregação praticamente só enfatiza o que é terreno, quase não se leva as pessoas a olharem o celestial; mas
segundo a exortação bíblica, devemos levantar nossos olhos:
“Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo
vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes,
e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.” (Colossenses 3.1-3)

Note o mandamento da Palavra que vem como um imperativo: Buscai e pensai nas coisas do alto, não nas
que são da terra. Em toda a Bíblia encontraremos advertências quanto à termos nossos olhos no alto em vez de na terra.
No Tabernáculo de Moisés, que Deus o mandou construir segundo o exato modelo das visões que ele teve
no monte, é impressionante a ênfase figurada que o Senhor deu deste assunto. Quando mandou Moisés fazer as quatro
coberturas que se sobrepunham como teto da tenda da revelação, o Pai Celestial mandou que elas fossem todas
bordadas, embelezadas; eram um verdadeiro espetáculo artesanal que ninguém hoje poderia reproduzir, pois a arte não
era meramente humana, Deus havia enchido os artesãos com seu Espírito para que pudessem executar o modelo divino
ordenado.
Portanto, quando alguém entrava na tenda da revelação, se queria ver algo belo tinha que olhar para cima,
para o alto. Mas se conservasse seus olhos no chão não veria beleza alguma, pois Deus nunca mandou que fizessem
nenhum tipo de piso, aonde acampavam utilizavam-se da própria terra do local. Enquanto o teto era indescritivelmente
belo, o chão era feio, de terra. Assim também é na vida cristã, a beleza do andar com Deus está quando aprendemos a
olhar para o alto, para Deus mesmo e as coisas celestiais; não há beleza numa vida de preocupação somente com o
terreno.
Não há nada espiritualmente belo num evangelho que só prega sobre o dinheiro e os caprichos deste
mundo como se isso fosse a prosperidade bíblica! Não se engane, nossos olhos devem se levantar bem acima do que é
terreno, sejam os atrativos deste mundo ou as circunstâncias negativas que nos cercam; devemos olhar para o alto em
todo tempo.
Crentes que só se preocupam com o dinheiro e seus negócios, não servirão ao propósito divino da colheita
de almas, pois para se ter a sensibilidade espiritual de ver a necessidade dos perdidos é preciso tirar os olhos das coisas
terrenas e levantá-los para os céus. Jesus mesmo disse: “erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a
ceifa” (Jo 4.35).
Por que o Mestre disse isto aos discípulos? Porque enquanto eles só haviam pensado em buscar comida e
saciar sua fome naquela aldeia de samaritanos, Jesus se preocupara em ganhar aquela mulher que estava junto ao poço
de Jacó, e ela por sua vez, trouxe praticamente toda a aldeia para ouvi-lo.
Então ele lhes diz que se nossos olhos estiverem no chão, cuidando apenas das coisas terrenas, não
enxergaremos os campos brancos para a ceifa; ou seja, não teremos a sensibilidade de ver a necessidade espiritual das
pessoas. Temos que olhar para o alto se queremos ser úteis ao Senhor, pois aqueles que só olham para o chão
desanimam-se nas horas difíceis e deixam de servi-Lo. Já quanto aos que têm seus olhos no Senhor, não há o que os
faça parar.
Prender nossos olhos no chão é o grande plano satânico contra nossas vidas; ao atacar nossa saúde,
família e bens, o que o maligno quer de fato é tirar nossos olhos do Senhor, fazendo com que fitemos somente o chão, o
terreno. Embora, como diz meu pai, tirar os olhos da terra não significa tirar os pés do chão (a perda do pragmatismo e da
disciplina). Há um texto bíblico que revela esta astúcia do inimigo em seus ataques; examinêmo-lo com suas figuras
espirituais:
“E veio ali uma mulher possessa de um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; andava ela
encurvada, sem de modo algum poder endireitar-se. Vendo-a Jesus, chamou-a e disse-lhe: Mulher, estás livre da
tua enfermidade; e, impondo-lhe as mãos, ela imediatamente se endireitou e dava glória a Deus.” (Lucas 13.11-13)

Esta mulher andava encurvada por quase duas décadas, e não havia meios de se endireitar pois sua
doença era espiritual e não física. Tratava-se de um espírito maligno de enfermidade, um agente de Satanás prendendo
seu corpo. Sabe, há uma figura aqui; esta mulher vivia olhando somente para o chão; sua costa encurvada a impedia de
andar olhando para cima. Podemos ver em operação na vida desta mulher o verdadeiro plano maligno contra cada
cristão; Cristo disse que ela estava numa prisão de Satanás:
“Por que motivo não se devia livrar deste cativeiro, em dia de sábado, esta filha de Abraão, a quem
Satanás trazia presa há dezoito anos?” (Lucas 13.16)

Estar numa prisão de Satanás não quer dizer que o próprio príncipe das trevas a prendia pessoalmente,
pois já vimos que era um enviado dele, um espírito de enfermidade, quem realizava o trabalho. Mas Jesus mostrou que
tal espírito maligno só estava cumprindo ordens de seu chefe, o que nos permite ver que o plano era de Satanás e a
execução era do subalterno dele. Por que é importante notar isto? Para entendermos que o inimigo não nos ataca só por
atacar, ele tem planos e estratégias para tentar nos derrubar e devemos nos prevenir contra ele!
Que tipo de prisão era esta que Jesus mencionou? Não era a doença e nem o espírito de enfermidade em
si, mas a que ponto ele levava esta mulher. Ela não podia olhar para o alto! É isto que o diabo quer, que tiremos os
nossos olhos de Deus; esta era uma crente da época, pois foi chamada de “filha de Abraão”, referência dada não só por
ser naturalmente descendente do patriarca, mas por esperar na promessa divina feita a ele.
Também vemos que ela estava na sinagoga, o que poderíamos chamar de a igreja da época. Não se
tratava de uma pecadora qualquer que nada queria saber acerca de Deus, mas de alguém que o temia, cria n’Ele e
queria andar em sua presença.
Semelhantemente, Satanás tenta nos prender com os olhos no chão, para que não olhemos para cima. E
por que ele nos ataca desta forma? Porque ele não pode nos arrancar das mãos de Deus, como Jesus mesmo falou:
“As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida
eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que
tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. Eu e o Pai somos um.” (João 10.27-30)

O diabo jamais poderá nos tirar das mãos de Jesus! Nunca! Temos um claro pronunciamento de Jesus
Cristo neste sentido. Mas ele vai atacar com sutileza; ele quer nos indispor com o Senhor, fazendo com que nos voltemos
contra Ele, porque então nós mesmos desceremos dos braços do Senhor e estaremos expostos. No livro do Apocalipse,
o Senhor faz menção da doutrina de Balaão, que costumava ensinar Balaque a por tropeços diante dos filhos de Israel
para que pecassem (Ap 2.14).
Lemos em Números que Balaque contratou Balaão para amaldiçoar a Israel pois tinha medo de ser por ele
destruído na batalha. Deus advertiu a Balaão que não fosse após Balaque, mas ele amou o prêmio da injustiça e
desobedeceu. Mas não conseguiu amaldiçoar ao povo do Senhor, pois em cada uma das quatro vezes em que tentou
fazê-lo, Deus mudou suas palavras em bênçãos sobre os israelitas. Vendo que nada podia contra o povo, Balaão
aconselhou Balaque, rei dos moabitas, a enviar as mulheres do seu povo ao arraial dos israelitas para que se
prostituíssem com eles e então os levasse a adorar os deuses delas.
Qual foi o pensamento de Balaão? Ele viu que não havia como tocar o povo pois eles estavam debaixo da
proteção divina e com Deus ninguém pode; então a única saída seria colocar o povo contra Deus, visto que Deus não
abandonaria o povo. E quando através do pecado da prostituição e também da idolatria o povo se afastou do Senhor,
então ficou vulnerável, e a ira do Senhor se acendeu contra o povo.

O que Balaão não podia fazer contra o povo, fez com que o próprio povo fizesse contra si mesmo! É assim
que o diabo age. Uma vez que ele não pode tirar-nos da mão do Senhor, nem fazer nada contra nossas vidas por
permanecemos em Cristo, então tenta nos colocar contra o Senhor, para que saiamos do colo d’Ele e fiquemos
vulneráveis.
Esta é a razão porque o maligno tanto tenta prender nossos olhos nas coisas materiais, para que quando
conseguir tocar nelas isto venha a doer em nós a tal ponto de nos indispormos contra Cristo. Mas na vida daquele que
ama o Senhor e tem os olhos n’Ele, o inimigo não consegue isto.
Isso nos permite ver porque Satanás investe tanto contra o que possuímos, não porque seja isto o que ele
queira, mas por ser o meio para que ele tente chegar onde realmente quer chegar: minar nossa fé e relacionamento com
o Senhor.
Mas diante disto podemos também enxergar porque Deus permite o inimigo investir contra estas áreas de
nossas vidas; cada ataque maligno pode ser visto como um tempo de treinamento e adestramento para os soldados do
exército divino. No paralelo natural, nunca vemos num quartel os soldados prepararem-se para a guerra passando um
ano inteiro deitados em redes com sombra e água fresca.
Não! Pois isto não prepara ninguém! Também o Senhor não treina seu exército no bem-bom da vida, mas
em meio às provas e tribulações. E muitas vezes Deus permitirá o ataque do maligno contra seus bens materiais para
que ao fim você não apenas vença, mas seja mais que vencedor, seja alguém tratado pelo Senhor; pois enquanto
Satanás nos tira algo tentando fazer com que nosso coração egoísta se volte contra Deus, o Senhor por sua vez, permite
que aquilo seja temporariamente tirado até que nosso coração aprenda a não se apegar àquilo mais do que a Deus.
Às vezes será do interesse não só do diabo, mas também de Deus que algo nos seja temporariamente
tirado. Percebi isto depois de um acidente de carro que tive; não era somente Satanás que queria me tirar o carro e o
ministério, mas naquele momento singular da minha vida Deus também queria muito fazê-lo! Não só para me conduzir ao
seu plano para a minha vida, mas para me fazer entrar no “tratamento de Deus comigo”.

Mas o golpe do diabo doeu em mim porque minhas coisas valiam mais para mim do que eu imaginava;
meus olhos estavam no chão e não no alto. Mas Deus me ensinou, e como Paulo posso dizer que aprendi. Quando um
homem ou uma mulher de Deus colocam seus olhos no Senhor e assim permanecem, serão vitoriosos. Tenho aprendido
que os ataques mais atrozes do inimigo, como aqueles em que pessoas chegaram ao ponto de morrer por Cristo, não
visavam tocar nas circunstâncias e nem mesmo na vida destas pessoas; o diabo não queria que morressem, mas que,
por medo da morte negassem Jesus.
Cada vez que um mártir derramou seu sangue pelo evangelho, Satanás não ganhou, só perdeu. Pois o
heroísmo dos mártires somente fortaleceu o evangelho, nunca o enfraqueceu. Nosso conceito de vitória ainda é muito
carnal, terreno; mas os mártires foram além disto e venceram ao diabo (Ap 12.11), pois sabiam manter seus olhos no
Senhor. Veja um exemplo disto:
“Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que
estava à sua direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus. Eles,
porém, clamando em alta voz, taparam os ouvidos e, unânimes, arremeteram contra ele. E, lançando-o fora da
cidade, o apedrejaram. As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo. E
apedrejavam Estêvão, que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito! Então, ajoelhando-se, clamou
em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado! Com estas palavras, adormeceu.” (Atos 7.55-60)

O relato bíblico diz que Estevão, cheio do Espírito, FITOU OS OLHOS NO CÉU. Algo que o Espírito Santo
vai operar em nós à medida em que nos rendemos a Ele, é tirar nossos olhos do chão para o céu; das coisas terrenas
para as celestiais. Estevão foi o primeiro mártir e nos deixou um modelo perfeito de vitória sobre o inimigo: seus olhos
estavam em Deus, não no que é terreno.
E neste texto tenho descoberto um princípio espiritual figurado muito forte: Quando nossos olhos estão no
Senhor, somos anestesiados para os ataques malignos contra nossa vida! Estevão foi milagrosa e sobrenaturalmente
anestesiado por Deus contra as pedradas que o mataram; o texto diz que enquanto o apedrejavam ele invocava ao
Senhor e orava, e mais: diz que ele se colocou de joelhos, e à semelhança de Cristo na cruz, pediu que o pecado de seus
assassinos fosse perdoado.
Ninguém que está sendo apedrejado faz isto; nossa imediata reação é cobrir o rosto e se proteger como
puder; mas os olhos de Estevão não estavam em si mesmo, estavam nos céus, e em razão disto podemos dizer que ele
foi fortalecido por Deus, ou até mesmo que foi “anestesiado”. Seria impossível em condições normais ele se ajoelhar e
ficar olhando para o alto sem se defender, mas algo aconteceu com ele.
E quando colocamos os nossos olhos no Senhor independentemente de que tipo de situação estamos
enfrentando, algo também vai acontecer conosco; seremos confortados e anestesiados pelo Senhor, e Satanás não será
vitorioso. Pelo contrário, nós é que seremos mais que vencedores! No caso de Estevão, o que veio além da vitória não foi
o tratamento, pois ele passou à glória celestial, mas além de vencedor ele recebeu um galardão mais glorioso. É isto que
acontece com os mártires; Hebreus 11.35 diz que alguns não aceitaram seu livramento porque visavam uma maior
recompensa.
Quando passamos pelas provas e tribulações, Deus não somente nos prepara a vitória que inevitavelmente
virá, mas usa o tempo em que nela estamos para tratar com nossa alma. O Senhor lida com todo apego excessivo que
temos nas coisas terrenas e nos ensina a ter os olhos n’Ele.
Isto é ser mais que vencedor. É ser tratado por Deus e chegar ao fim da adversidade melhor do que
entramos.
SEU MOMENTO CHEGARÁ!

Seja bem sincero, o que você faria para fazer parte da lista dos doze mais, mais de Jesus? Sim, estou
falando do seleto grupo de discípulos que, pelo transbordar da graça do Mestre, tornaram-se apóstolos. Quantos de nós
estamos buscando essa honra? Quantos de nós esperamos que esse momento chegue? Agora, quantos de nós
permanecemos fiéis mesmo aguardando o ecoar do nosso nome?
Imagine você inserido no contexto que aqueles homens estavam vivendo. Acordando junto ao Senhor.
Face a face com Ele. Rodeando-O enquanto caminhavam para um diferente local. Pense no privilégio de presenciar
cenas como quando Ele alimentou milhares multiplicando cinco pães e dois peixes. O que falar sobre como Ele, ao ser
acordado pelos temerosos discípulos, levantou-se, repreendeu o vento, o mar, e então se fez grande bonança? Ah, é
impossível esquecer de quando Ele foi “surpreendido” por alguns escribas e fariseus, estéreis religiosos, que buscavam
Sua opinião sobre a mulher pega em adultério. Não é por nada que esses homens se tornaram o que se tornaram:
Colunas da Igreja!
É indiscutível que os doze discípulos estavam em posição e função de destaque entre os demais que
seguiam a Jesus. Algum mérito? Graça sobre graça? Talvez barganha? O que nesses doze despertou a atenção do
Senhor a ponto de chamá-los mais para perto. Realmente me impressiona a narrativa segundo o evangelho de Marcos
sobre a “seleção” deles:
“Depois, subiu ao monte e chamou os que ele mesmo quis, e vieram para junto dele.” (Marcos 3.13)

É claro que essa escolha não foi aleatória, Lucas deixa claro o que Jesus estava fazendo antes de separar
os doze:
“Naqueles dias, retirou-se para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus. E, quando
amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, os quais deu também o nome de
apóstolos:” (Lucas 6.12-13)

Jesus estava orando, e detalhe, passou a noite orando, para aí sim chamar os “… que ele mesmo quis…”.
Agora, para mim o que tornou tão especial estar alistado nesse verdadeiro grupo de elite foi à razão, o
porquê, o objetivo do Senhor: Para um verdadeiro e transformador relacionamento com Ele:
“Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar” (Marcos 3.14)

A grande questão é quantos de nós estamos buscando essa grande oportunidade: Fazer parte da lista dos
destacados homens e mulheres do Senhor, fazer parte daqueles que podem estar com Ele, daqueles que receberam o
comissionamento de apóstolos (não necessariamente o ministério apostólico) para irem, para O representarem.

Deixe-me ser bem claro: SEU MOMENTO CHEGARÁ!


Chamo sua atenção para o momento que sucedeu a ascensão de Jesus e antecedeu a descida, o
derramar do Espírito Santo. Esse momento fez total e completa diferença na vida de um homem chamado Matias.
Lembre-se: É possível que seu nome não apareça em nenhuma lista, mas quando os céus decidirem, esteja certo, seu
nome se destacará!
Vamos voltar à cena em questão. Jesus havia subido aos céus e em cumprimento a Sua ordem os
discípulos, inclusive algumas mulheres, os apóstolos e também Maria, mãe de Jesus, estavam reunidos em Jerusalém,
unânimes em oração. De repente, Pedro se levanta e traz um assunto importantíssimo à tona, principalmente para dois
homens: José, chamado Barsabás, cognominado Justo, e para Matias. O assunto era: Quem assumirá o lugar de Judas,
o traidor?!
Então vem a declaração chave de Pedro:
“É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus
andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes
se torne testemunha conosco da sua ressurreição.” (Atos 1. 21-22)

Apesar da exigência apresentada por Pedro diminuir bastante a “concorrência” para Matias, tudo indica que
José tinha a preferência, isso é possível perceber porque o seu nome é apresentado anteriormente ao de Matias.
Acontece que os céus já haviam estabelecido que esse fosse o momento de Matias, e então a grande
oportunidade lhe fora dada, não mais apenas um seguidor, agora um reconhecido apóstolo. Não acredito que o coração
de Matias almejasse um lugar de destaque, até mesmo porque o fato de apenas seu nome e o de José terem sido
propostos indica o quão valorosos, respeitados e estimados eles eram.
Por isso quero encorajar você a entender que o SEU MOMENTO CHEGARÁ! Não desista! Não desanime!
Não se entregue! Permaneça firme no projeto que Deus estabeleceu para sua vida. Só para lembrar: Nós não somos dos
que retrocedem, nós vivemos pela fé!
Ah, eu ia esquecendo de compartilhar um segredinho: Há uma forma de ATRAIR esses momentos onde de
repente o nosso nome passa a fazer parte da lista:
“É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus
andou entre nós,” (Atos 1.21)

Isso mesmo, esses momentos são atraídos pela fidelidade! Matias permaneceu junto a Jesus e aos doze,
mesmo não tendo seu nome destacado em lugar algum. Pense quão forte é a declaração de Pedro: “… nos
acompanharam todo o tempo…”!
SEU MOMENTO CHEGARÁ! Enquanto isso, mantenha-se fiel, permaneça junto, próximo, grude em Jesus!
A SANTIFICAÇÃO DO CORPO

É preciso entender que todo cristão deve trazer em si a marca de “santidade ao Senhor”, à semelhança do
sacerdote da lei mosaica, que trazia esta inscrição na mitra (Ex 28.36-39). Portanto queremos trazer luz sobre o processo
de santificação e, em especial, a santificação do corpo, uma vez que vivemos dias em que a imoralidade que impera no
mundo tem entrado pelos portões da Igreja.
É necessário começar estabelecendo fundamentos da doutrina de santificação, portanto quero iniciar pelo
que considero o fundamento principal deste assunto:
“À igreja de Deus que está em Corinto, aos SANTIFICADOS em Cristo Jesus, CHAMADOS PARA
SEREM SANTOS, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles
e nosso.” (1 Coríntios 1.2)

O texto acima nos mostra que a santificação tem duas etapas:


inicial – “santificados em Cristo Jesus”;
progressiva – “chamados para serem santos”.

Quando a Bíblia usa o termo “santificados” em Cristo Jesus, não fala de algo que está acontecendo, mas
sim de algo que já aconteceu; está no tempo passado. Vários outros textos confirmam que ao encontrarmos Jesus e
nascermos de novo, fomos santificados (At 26.18, 1 Co 6.11, etc). Todo o passado de pecado foi removido e a sujeira
espiritual foi lavada (Tt 3.5); tornamo-nos novas criaturas e as coisas velhas já passaram (2 Co 5.17).
Por outro lado, a mesma Bíblia mostra que depois de termos passado por esta santificação, ainda há
necessidade de algo mais, pois o mesmo texto também diz: “chamados para serem santos”. Estes mesmos que foram
santificados inicialmente (uma experiência instantânea) são chamados para SEREM santos. Em outras palavras, o que
Deus começou agora deve ser mantido e desenvolvido por cada um de nós.
“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá a Deus” (Hebreus 12.14)

Ao falar sobre seguir a santificação, a Bíblia está falando de um processo. Esta carta foi dirigida a pessoas
cristãs, portanto já haviam passado pela santificação inicial do novo nascimento. Porém, elas necessitavam de algo mais:
um processo de santificação. E o que diferencia estas duas etapas da santificação?
O fato do homem ser tripartido (composto de três partes distintas), bem como o da salvação divina tocar de
modo distinto cada uma destas partes:
“E o próprio Deus de paz vos santifique completamente; e o vosso ESPÍRITO e ALMA e CORPO
sejam conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 5.23)

Quando o apóstolo Paulo fala sobre Deus nos santificar “completamente”, está falando sobre o nosso ser
inteiro, que é composto de espírito, alma e corpo.
Seu espírito é a parte de si que tem consciência de Deus e das coisas espirituais. Sua alma é a parte de si
que tem consciência de si mesmo. Já seu corpo é a parte de si que tem consciência das coisas naturais. A salvação
divina atinge cada uma destas três partes da seguinte maneira:
ESPÍRITO – já passou pela santificação inicial que se deu na ocasião da regeneração (2 Co 1.21 – Tg 1.18
– 1 Pe 1.21). Agora se desenvolve mediante o processo de crescimento (1 Pe 2.2 – Ef 5.15) que corresponde ao
crescimento natural (1 Co 3.1-3 – Hb 5.13,14);
ALMA – é a nossa personalidade; sede das emoções, intelecto e vontade. Não é regenerada, mas
restaurada (Tg 1.21) pela Palavra de Deus. Enquanto a santificação do espírito é inicial e imediata, a santificação
progressiva tem seu lugar na alma e no corpo. É o processo de mudança de valores (Lc 5.33-39 – Ef 4.23 – Jr 18.1-6 –
Rm 12.1,2) que também chamamos de desenvolver a salvação (Fl.1:6 e 2:12) e despir-se do velho homem (Ef 4.20 a
5.21);
CORPO – nosso corpo só será totalmente santificado depois de transformado (Rm 8.23 – Fl 2.21 – 1 Co
15.50-53). Até que isto aconteça, a santificação do corpo é o processo contínuo de sujeitar a carne (1 Co 9.27), guardar-
se da imoralidade (1 Co 6.13-20 – 1 Ts 4.1-8) e usar adequadamente os membros do corpo. A santificação do corpo
abrange ainda a nossa forma de falar e de vestir (Ef 4.25,29 – 1 Tm 2.9,10).

O que aconteceu em nosso espírito – a regeneração – é o que chamamos de santificação inicial. Porém o
processo de restauração da alma e sujeição da carne é o que chamamos de santificação progressiva. Ao destacar cada
uma das três partes que compõem nosso ser enquanto falava da santificação, o apóstolo Paulo estava nos mostrando a
necessidade de trabalharmos com cada parte em separado. Escrevendo aos Coríntios, ele falou sobre nos purificarmos
das imundícies tanto da carne como do espírito (2 Co 7.1).
Reconhecida esta diferença, avancemos em nossa meditação considerando o que a Bíblia fala sobre a
santificação do corpo, que é o enfoque deste estudo:
“Porque esta é a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação: que vos abstenhais da
prostituição, QUE CADA UM DE VÓS SAIBA POSSUIR O SEU VASO EM SANTIDADE E HONRA, não na paixão da
concupiscência, como os gentios que não conhecem a Deus; ninguém iluda ou defraude nisso a seu irmão,
porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como também antes vo-lo dissemos e testificamos. Porque
Deus não nos chamou para a imundície, mas para a santificação. Portanto, quem rejeita isso não rejeita ao
homem, mas sim a Deus, que vos dá o seu Espírito Santo” (1 Tessalonicenses 4.3-8)

Diante do que as Sagradas Escrituras afirmam neste texto, podemos extrair cinco princípios:
1) abster-se da prostituição;
2) possuir o corpo em santidade e honra;

3) não iludir ou defraudar o irmão nesta área;


4) Deus é vingador;
5) rejeitar a santificação é rejeitar a Deus.
Examinemos o que a Bíblia tem a dizer sobre cada um deles…
ABSTER-SE DA PROSTITUIÇÃO

O maior inimigo da santificação do corpo é, sem dúvida alguma, a prostituição. É interessante notar que
este tipo de pecado não desaparece automaticamente da vida de alguém que nasceu de novo, senão a Bíblia não diria
justamente aos nascidos de novo para absterem-se deste tipo de pecado. É impressionante a quantia de vezes em que a
Bíblia adverte seus leitores (o povo de Deus) quanto aos perigos deste tipo de pecado! A prostituição (este termo inclui
todos os pecados de ordem sexual) é um pecado diferente dos demais:
“Fugi da prostituição. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo; mas o que se
prostitui peca contra o seu próprio corpo” (1 Coríntios 6.18)

Há algo por trás deste tipo de pecado que ainda não temos percebido. O que Paulo está enfatizando na
carta aos irmãos de Corinto é o valor e santidade que o corpo deve ter como templo do Espírito Santo. Observe o
contexto deste texto:
“Os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos; Deus, porém, aniquilará, tanto
um como os outros. Mas o corpo não é para a prostituição, mas para o Senhor, e o Senhor para o corpo. Ora,
Deus não somente ressuscitou ao Senhor, mas também nos ressuscitará a nós pelo seu poder. Não sabeis que
os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei pois os membros de Cristo, e os farei membros de uma
meretriz? De modo nenhum. Ou não sabeis que o que se une à meretriz, faz-se um só corpo com ela? Porque,
como foi dito, os dois serão uma só carne. Mas o que se une ao Senhor é um só espírito com ele. Fugi da
prostituição. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o
seu próprio corpo. Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual
possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço; glorificai pois a
Deus no vosso corpo” (1 Coríntios 6.13-20)

Quando meditamos nesta porção bíblica a ponto de deixa-la penetrar em nosso íntimo, uma nova
consciência vai se formando. Abster-se da prostituição é um imperativo para todo cristão porque seu corpo é templo do
Espírito Santo de Deus! O corpo não foi feito pelo Criador para se prostituir, e sim para carregar em si a presença de
Deus, o que não pode acontecer quando o santuário é maculado.
Deus criou o corpo do homem com um destino bem definido. Assim como Ele fez o estômago para os
alimentos (e vice-versa), o que revela um propósito e destino bem específico, assim também projetou e idealizou o corpo
para ser seu santuário. Desde o início Deus queria fazer de nós sua habitação. O corpo não foi criado para a prostituição,
mas para ser SANTO de modo a servir como morada de um Deus santo!
POSSUIR O CORPO EM SANTIDADE E HONRA

Não somos donos de nós mesmos. Foi exatamente isto que Paulo afirmou aos Coríntios:
“Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís
da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço; glorificai pois a Deus no
vosso corpo” (1 Coríntios 6.13-20)

Deus nos comprou pelo sangue vertido de Jesus na cruz. Agora não mais pertencemos a nós mesmos,
mas sim a Deus. Nosso corpo deixou de ser nosso e passou a ser do Senhor, e Ele deseja que o glorifiquemos com o uso
correto do nosso corpo.
Precisamos aprender a “possuir” (usar, ser mordomo) o corpo em santidade e honra. Isto fala na apenas de
na nos prostituirmos, mas até mesmo da maneira como tratamos nosso corpo: alimentação, vestuário, etc. isto serve para
todos, mas em especial para as mulheres! Não creio que possuir o corpo em santidade (diante de Deus) e honra (diante
dos homens) inclua o uso de roupas sensuais e provocantes. O crente deve ser diferente! Isto não significa que teremos
algum tipo de uniforme (terno para os homens e vestido para as mulheres, por exemplo), mas que devemos mostrar zelo
pelo santuário de Deus e não defraudarmos uns aos outros nesta matéria. O ensino bíblico não deixa isto passar em
branco:
“Quero, do mesmo modo, que as mulheres se ataviem COM TRAJE DECOROSO, com modéstia e
sobriedade…” (1 Timóteo 2.9a)

Não devemos faltar com o decoro, mas honrar ao Senhor até na forma como nos vestimos. Isto também é
possuir o corpo em santidade e honra!
NÃO DEFRAUDAR O IRMÃO

A prostituição é um pecado que não afeta só quem o pratica, mas também quem se envolve nele. Quando
duas pessoas se envolvem e ambos são cristãos, além de terem pecado contra Deus e o seu corpo, defraudaram um ao
outro. Lesaram uma outra pessoa e vão dar conta a Deus pelas duas coisas…pois a Bíblia declara que Deus é vingador
destas coisas!
DEUS É VINGADOR

Os pecados de prostituição não ficarão impunes. A Bíblia diz que Deus é vingador destas coisas. Em
Provérbios 6.29 lemos que não ficará impune aquele que tocar a mulher de seu próximo. Deus julgará os pecados de
prostituição!
Alguns crentes não levam a sério o ensino bíblico e “brincam” com a graça divina, esquecendo-se que “de
Deus não se zomba; tudo quanto o homem semear, isto também ceifará”, Gl 6.7. Quando escreveu sua primeira epístola
aos Coríntios, o apóstolo Paulo declarou:
“Nem nos prostituamos, como alguns deles fizeram; e caíram num só dia vinte e três mil” (1
Coríntios 10.8)

A menção aqui é ao episódio que se deu quando os israelitas estavam nas proximidades de Moabe (Nm
25.1-9) e se entregaram à prostituição com as moabitas. E o relato bíblico mostra que uma praga matou mais de vinte mil
homens num só dia! Não se tratava de uma coincidência, mas de juízo sobre o pecado. Quando Finéias, neto de Arão,
fez expiação pelo povo, a praga cessou (Nm 25.10-13). Deus é vingador destas coisas!
REJEITAR A SANTIFICAÇÃO É REJEITAR A DEUS

Muitos fazem pouco caso da mensagem de santidade e acham que estão desprezando um pregador, mas
o que a Palavra de Deus de fato ensina é que, quem assim o faz está rejeitando ao próprio Deus e não aos homens que
Ele levantou para proclamarem estas verdades.
Sem santificação ninguém verá ao Senhor. Portanto, o que rejeita esta mensagem rejeita ao próprio Deus!
FUGIR É O MELHOR REMÉDIO

Há pessoas que acham que a melhor maneira de lutar nesta área é resistir este inimigo, mas o conselho
bíblico é bem diferente. Não fala de enfrentar ou resistir, mas sim de fugir! Paulo, escrevendo a Timóteo, disse: “Foge
também das paixões da mocidade”, 2 Tm 2.22. Quando José se encontrou em dificuldades de resistir os apelos da
mulher de Potifar a melhor saída que ele encontrou foi correr! Ela não representava uma ameaça física a José; não podia
violenta-lo…o único perigo que José viu foi em si mesmo, na sua carne e desejos. Mas não lidou com o problema de
nenhuma outra forma a não ser fugir.
Fuja das ofertas do pecado e conserve-se em santidade ao Senhor. Além da benção presente, saiba que
haverá um galardão e recompensa para aquele que vencer.
Quando o apóstolo Paulo escreveu aos coríntios, advertindo-os quanto ao perigo deste pecado deu o
mesmo conselho: “Fugi da prostituição”, 1 Co 6.18. Sempre que a Bíblia fala sobre este pecado, ensina a mesma saída.
Portanto, siga este conselho!
Que o Senhor o conduza a um viver vitorioso de santidade.
RECEBENDO REVELAÇÃO

Uma garota estava tendo dificuldades para resolver seus problemas de matemática. Durante os momentos
em que deveria estar terminando sua lição de casa, sentada no quarto de estudos, aquela menina ficava a observar as
questões e imaginar um jeito de solucioná-las. “Porque meus amigos têm tanta facilidade nisto e eu não?”- ela
questionava constantemente, como se tivesse sido esquecida por Deus no momento da distribuição dos “talentos
matemáticos”.
Enquanto lutava para achar uma resposta na sua própria mente, alguém falou: “Porque você não pede
ajuda para o velho professor que mora no fim da rua?” Era isso! Ela haveria de ter ajuda se tão somente procurasse o
velho. Todos diziam que ele era simpático e, sendo já um senhor idoso e sem muitas atividades, deveria estar disponível
para ajudar uma menina com problemas na escola. As equações seriam desvendadas, enfim.
A menina procurou o velho em uma tarde chuvosa. Ele gentilmente abriu as portas da sua casa e do seu
coração. Depois de uma breve apresentação dos motivos da visita, eles gastaram muitas horas estudando os
fundamentos da matemática. A garotinha ficou satisfeita com a resolução dos seus “grandes” problemas; o velho, feliz
pela companhia.
Essas visitas de estudo tornaram-se rotineiras. Viraram uma espécie de aula particular. Mas, depois de
algum tempo, a mãe da menina descobriu um fato assombroso: o velhinho bondoso que ensinava matemática a sua filha
não era tão desocupado assim. Na verdade, era um famoso cientista. Nem mesmo era um matemático! Aquela mãe
levantou-se e foi em direção à casa daquele homem. Foi pedir desculpas por todo o incômodo que sua filha poderia ter
causado. Afinal, aquele senhor idoso era um físico importante, ganhador do prêmio Nobel. Seu nome era Albert Einstein.
Ao saber dessa história real pela primeira vez, não pude evitar de fazer as relações óbvias sobre o nosso
relacionamento com Deus. Fiquei imaginando o Criador como uma espécie de professor de matemática. Nós e nossos
grandes problemas sem solução acabamos por correr em busca do Seu socorro. Ele, alegremente, abre Sua porta e
resolve nossas questões fundamentais.
O resultado é maravilhoso! Ficamos alegres e satisfeitos e, a partir daí, baseamos nosso relacionamento
com Ele na resolução desses problemas simples. Ignorando o fato de que existe um infinidade de revelação e vida dentro
da mente de Deus, seguimos vivendo presos em um nível básico de experiência.
A pergunta que nos faz pensar é: “O que aconteceria se aquela menina soubesse que o matemático era
Einstein? Qual seria a sua reação se soubesse que, além das equações básicas, aquele homem estava desenvolvendo
teorias que definiriam o entendimento do universo?”. Bem, com certeza, ela iria além. Movida pela curiosidade infantil,
ousaria pedir mais do seu professor.
É exatamente esta a notícia que quero dar: o seu Deus tem tesouros de revelação escondidos na
profundidade de Sua palavra e pessoa, prontos para serem compartilhados. Que tal abandonar um pouco os seus
“grandes problemas” relacionados com o que beber, o que vestir e o que comer e começar a experimentar coisas
maiores?
“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são
os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Romanos 11.33).

É uma tolice teórica tentar definir e entender Deus somente por meios intelectuais. Quando coloco a
necessidade de conhecer as coisas mais profundas de Deus, aponto para um caminho de experiência. Essa trilha
percorre a Palavra, mas mergulha na revelação. A própria Palavra de Deus afirma que fomos feitos “ministros de um novo
testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica” (2 Coríntios 3.6). É este entendimento
revelado que nos mostra quem Deus é: um entendimento baseado nas escrituras e em um relacionamento pessoal com
Deus.
Como aquela menina, discutindo com Einstein os fundamentos básicos da matemática, nós podemos nos
contentar com as promessas e ensinamentos da superfície. Podemos viver para “passar de ano”. Ainda assim, existe um
conhecimento na mente do Criador que está disponível para todos. Muitos homens e mulheres de Deus já provaram
disso. Alguns não conseguiram explicar o que havia acontecido, mas todos refletiam o brilho da revelação.
“E os judeus maravilhavam-se, dizendo: Como sabes estas letras, não as tendo aprendido?” (João 7.15).
Essa pergunta feita sobre o próprio Jesus refletia o assombro de ver um homem simples, ao menos na sua origem
terrena, ensinando com maior autoridade e revelação do que os “profissionais da fé”. Esta é a essência da revelação: Ele
transforma homens simples em profundos conhecedores da natureza divina.
O mesmo fator que fez com que os homens se espantassem com o conhecimento de Jesus, deixou uma
geração de boca aberta com a autoridade dos seus seguidores. Dessa forma, fica claro que esse nível de revelação
estava no Mestre e pode ser recebido por qualquer pessoa que decida se tornar um discípulo.
“Então eles, vendo a ousadia de Pedro e João, e informados de que eram homens sem letras e
incultos, maravilharam-se e reconheceram que eles haviam estado com Jesus” (Atos 4.13).
O primeiro passo no caminho da experiência é receber uma revelação pessoal de Deus. Essa é a chave
para a prática da fé e, consequentemente, para uma vida plena em Jesus. “Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois
se as fizerdes” disse Jesus em João 13.17. O pré-requisito da bem-aventurança é seguir aquilo que agora entendemos e
que passamos a praticar. O problema está em definir o tipo de conhecimento e prática das escrituras. A repetição de
versículos bíblicos e uma conduta “robótica religiosa” não são, por nenhum ângulo de observação, uma bem-aventurança.
É preciso um conhecimento revelado para uma prática transformadora de vida.
O que Deus quer iluminar nos nossos dias é a necessidade de um retorno a Sua palavra revelada e
experimentada. Longe de buscar teólogos e uma teologia completa e racionalmente debatida, Ele quer dar nascimento a
uma teologia pastoral ou prática. O que vem a ser isso? É uma teologia que busca a aplicação da Palavra na
regeneração, edificação e na educação do homem.
Para que isso aconteça, precisamos entender a revelação e, uma vez tendo absorvido seu conteúdo, ir em
direção à prática simples e direta. No fim desse processo de descobrimento de Deus, você acaba se tornando Sua
própria mensagem.
RECEBENDO REVELAÇÃO

A revelação é progressiva. Eu sei que hoje você conhece muito mais sobre Deus do que quando se
converteu. Nessa questão, o que define o quanto de revelação divina você já tem é o quanto seu conhecimento de Deus
tem impactado seu estilo de vida! À medida que você busca a revelação do Senhor, Ele vai trazendo luz ao seu
conhecimento e clareando o entendimento sobre questões importantes. O propósito divino nisso tudo é trazer toda a
revelação para a superfície, onde ela poderá mudar a vida de muitos outros.
Para começarmos a entender as coisas de maneira correta, é importante saber que é Deus quem se
revela. Ele criou o homem com capacidades intelectuais e espirituais para que Sua criação pudesse conhecê-lo. O
Criador sempre teve a “intenção da revelação”. Depois da queda, no Seu plano de salvação, Deus resolveu revelar-se ao
mundo em Jesus. São muitas as passagens que falam sobre aquilo que chamaremos de “intenção de revelação divina”.
“Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e
ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mateus 11.27).

“E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a
carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus” (Mateus 16.17).
“Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as
profundezas de Deus” (1 Coríntios 2.10).
“Certamente o Senhor DEUS não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus
servos, os profetas” (Amós 3.7).

“As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós
e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Deuteronômio 29.29).

Todas essas passagens nos mostram um Deus que disponibiliza a revelação de Sua palavra. Ele está
sempre faminto por mostrar-se ao mundo. A palavra “apokalupsis” significa “tirar o véu, descortinar, revelar”. Ela fala
daquilo que os céus estão se preparando para fazer no último dia de grande revelação sobre a terra. Sinceramente,
penso que Deus deve sentir-se muito feliz com a expectativa de revelar-se por inteiro, em toda glória e majestade,
naquele maravilhoso dia.
A intenção do Senhor é tirar o véu de sobre o seu coração e revelar a Sua glória. As marcas de Deus na
história das nações mostram um sinal da revelação sobre quem Ele é. Pistas foram deixadas para que pudéssemos
seguir e entender o coração divino além do véu.
A TOCHA DA SALVAÇÃO

Uma geração sucede a outra na terra, mas no Espírito só existe uma, eleita por Deus, e que provará de
suas promessas. No entanto, no mudar de gerações aqui na terra, uma precisa continuar a obra do ponto onde a última
deixou. É assim como uma corrida de revezamento onde o fator decisivo não está em um homem, está na equipe. Todas
as gerações de cristãos trabalham para o estabelecimento da vontade de Deus na terra e para isso ninguém pode parar.
O grande problema com alguns avivamentos é que eles acabam. E acabam porque uma geração se vai e a outra que
nasce não continua a mover-se em oração e sede pelo poder de Deus. Precisamos carregar a tocha. De mão em mão,
podemos mantê-la acessa até o dia do Senhor.
“… A sua salvação como uma tocha acessa.” (Isaías 62.1).

Eu te convido a ler comigo este texto grego com muita atenção. Este juramento era feito por todo jovem
ateniense ao atingir 17 anos:
“Não causaremos desgraças a nossa cidade por atos de desonestidade ou covardia. Lutaremos individual e
coletivamente pelos ideais e tradições da cidade. Prestaremos reverência e obediência às leis da cidade e envidaremos
os melhores esforços para que nossos superiores- que podem modificá-las ou anulá-las- as respeitem também.
Lutaremos sempre para incentivar o povo a desenvolver consciência cívica. Através deste procedimento, legaremos uma
Cidade, não apenas igual, mas maior e melhor do que aquela que nos foi legada.”

Este era um juramento especial que colocava no coração do jovem, na forma de uma aliança com a sua
sociedade, o valor do compromisso. Eles não deveriam simplesmente ser cidadãos exemplares, deveriam também
garantir que a próxima geração recebesse os mesmos benefícios que eles receberam. Quem sabe até mais benefícios.
Os atenienses sabiam que a cultura, as leis e as cidades eram patrimônio de todos. Os seus netos deveriam ver a glória
da Grécia.
Bem, qual a garantia de que seus netos viverão em meio a um avivamento? Será se os netos dos nossos
netos terão referenciais de homens de Deus? Só quem pode responder isso somos eu e você. Quando estivermos com o
coração disposto a carregar a tocha da salvação, com bravura e fé, nos nossos dias. Garantindo assim, que ela passe
com segurança para as mãos de uma nova turma de homens e mulheres de Deus que hoje ainda estão nos berçários de
hospitais.
Quero lutar e manter os ideais da minha fé. Não quero manchá-la com atos de covardia ou desonestidade.
Quero obedecer aos Seus mandamentos e ser submisso aos meus líderes espirituais. Quero lutar para que todos tenham
consciência da verdade e, desta forma, entregar a próxima geração uma herança espiritual não somente igual a que
recebi, mas maior e mais cheia de poder e fé, sinais e maravilhas, do que a que me foi legada. ero lutar para que todos
tenham consciencia da verdade e, desta forma, entregar a proxima geraç de Deus. Cristo, possa gloriar E você? Pronto
para tomar posse do seu lugar na geração eleita?
COMO ASTROS NO MUNDO
“Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, Filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração
corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo, retendo a palavra da vida, para que no
dia de Cristo possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão” ( Filipenses 2.15-16)

Não, não vou terminar falando da sua missão de ser um astro no mundo dos esportes ou em Hollywood.
Quero lembrar você de que a vontade de Deus para nós é que o mundo nos veja. Como geração eleita, precisamos ser
vistos pelas pessoas e observados, para que eles glorifiquem nosso Pai. A visão de que a igreja deve ser uma sociedade
secreta é mentirosa e vem do diabo. Não somos uma comunidade fechada! Comunidades assim têm seus segredos e
rituais, mas, a igreja de Cristo, precisa ser uma comunidade viva no meio da sociedade, como geração dentro da
geração, fazendo a diferença, sendo sal. Qualquer coisa menos que isso não pode ser aceita.
A carta de Paulo aos Filipenses é clara. Nos manda ser inculpáveis e sinceros. Onde? Na igreja? Não! No
meio de uma geração corrompida. Agora, algumas pessoas acham isso muito difícil. Elas querem esconder-se, fugir para
uma fortaleza nas cavernas, porque pensam que só lá poderão servir a Deus. Amados, ele quer que você brilhe no meio
da sua cidade, estado e nação, como uma estrela radiante em um céu escuro.

Leia agora o que Jesus diz sobre isso:


“Vós sois o sal da terra. Mas se o sal se tornar insípido, com que e há de salgar? Para nada mais
serve senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma
cidade edificado sobre o monte. Nem se acende uma lâmpada e se coloca debaixo de uma vasilha, mas no
candelabro, e ilumina a todos os que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que
vejam vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”.( Mateus 5.13-16)

Você não recebeu Luz para estar escondido. Deus quer colocar você bem alto para que possa iluminar
todos os que estiverem ao seu redor. Ninguém pode esconder uma cidade nas montanhas! Onde está a sua vida? No
vale ou edificado sobre Sião, o lugar da presença de Deus? A nossa luz deve brilhar diante dos homens. Devemos nos
levantar como geração referencial. As pessoas precisam tirar exemplos de sucesso da igreja, precisam ver que “as obras
que fazemos não são as que eles fazem”. Só assim haverá esperança de alguma mudança e de avivamento. Vamos
combinar uma coisa? Se você é tímido, livre-se da sua timidez. Se você tem vergonha do evangelho, arrependa-se antes
que o evangelho tenha vergonha de você! Nossa geração foi eleita para resplandecer. Já é hora de brilhar.
A INTENÇÃO DA REVELAÇÃO

O mais incrível quando pensamos em Deus é a sua absoluta disposição em Se revelar. O princípio que
permeia toda a Bíblia é o que mostra um Deus profundamente disposto a compartilhar da Sua natureza. Leia comigo:
“Entretanto, o menino Samuel servia ao Senhor perante Eli. E a palavra de Senhor era muito rara
naqueles dias; as visões não eram freqüentes. Sucedeu naquele tempo que, estando Eli deitado no seu lugar
(ora, os seus olhos começavam já a escurecer, de modo que não podia ver), e ainda não se havendo apagado a
lâmpada de Deus, e estando Samuel também deitado no templo do Senhor, onde estava a arca de Deus, o Senhor
chamou: Samuel! Samuel! Ele respondeu: Eis-me aqui. E correndo a Eli, disse-lhe: Eis-me aqui, porque tu me
chamaste. Mas ele disse: Eu não te chamei; torna a deitar-te. E ele foi e se deitou. Tornou o Senhor a chamar:
Samuel! E Samuel se levantou, foi a Eli e disse: Eis-me aqui, porque tu me chamaste. Mas ele disse: Eu não te
chamei, filho meu; torna a deitar-te. Ora, Samuel ainda não conhecia ao Senhor, e a palavra de Senhor ainda não
lhe tinha sido revelada. O Senhor, pois, tornou a chamar a Samuel pela terceira vez. E ele, levantando-se, foi a Eli
e disse: Eis-me aqui, porque tu me chamaste. Então entendeu Eli que o Senhor chamava o menino. Pelo que Eli
disse a Samuel: Vai deitar-te, e há de ser que, se te chamar, dirás: Fala, Senhor, porque o teu servo ouve. Foi,
pois, Samuel e deitou-se no seu lugar. Depois veio o Senhor, parou e chamou como das outras vezes: Samuel!
Samuel! Ao que respondeu Samuel: Fala, porque o teu servo ouve. Então disse o Senhor a Samuel: Eis que vou
fazer uma coisa em Israel, a qual fará tinir ambos os ouvidos a todo o que a ouvir” (1 Samuel 3.1-11).

Essa passagem da palavra de Deus começa dizendo que, nos dias em que Samuel servia a Eli, a palavra
de Deus e as visões não eram muito freqüentes. Isso quer dizer que Deus não estava fluindo em profecias e revelações
naqueles dias. No entanto, segundo nos mostram as Escrituras no Velho e no Novo Testamento, é da natureza de Deus
falar com o seu povo. Sendo assim, em um dia especial, Ele resolveu quebrar o silêncio e escolheu falar com Samuel. O
pequeno sacerdote não sabia que Deus apareceria naquela noite. Ele ainda não havia aprendido que Deus não tem hora
certa para falar e gosta de acordar os seus filhos pelas madrugadas.
Samuel ouve o seu próprio nome ser chamado por três vezes. Deus, na Sua ânsia por compartilhar, chama
o menino alto, em som audível, que ressoa pelo quarto. Samuel acorda e logo vai acordar o seu tutor, Eli, que já era idoso
e não enxergava bem. O velho Eli dormia um sono profundo. Penso que ele ficou realmente chateado por ter sido
acordado. Eu teria ficado!
Mais uma vez a voz chama “Samuel, Samuel, Samuel” e a cena se repete. Desta vez, Eli, experimentado
nas visitas divinas, diz: “Vai deitar-te, e há de ser que, se te chamar, dirás: Fala, Senhor, porque o teu servo ouve”. Foi
exatamente isso que Samuel fez quando a voz o chamou novamente. Só então Deus começou a dizer: “Samuel, eu vou
fazer algo sobre a terra (…)”. Temos aqui a figura de um Deus que está ansioso por compartilhar seus segredos.
Entendo que Deus compartilha da revelação por dois motivos: um é para que a revelação seja ensinada e a
palavra não tome caminhos de interpretação errados, o outro é para que haja intercessão. No primeiro caso, Deus nos
ensina a Palavra, através do Espírito Santo, para que a igreja siga os princípios eternos (1 João 2.27). Eles estão
contidos nos livros da Bíblia, embora muito da essência dos princípios precise ser revelado ao coração do crente pelo
Espírito Santo, para que possa ser vivido. O segundo propósito do compartilhar de Deus pode ser achado em uma
passagem bem especial do Velho Testamento. Acompanhe com atenção:
“E disse o Senhor: Ocultarei eu a Abraão o que faço, visto que Abraão certamente virá a ser uma
grande e poderosa nação, e por meio dele serão benditas todas as nações da terra? Porque eu o tenho escolhido,
a fim de que ele ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para
praticarem retidão e justiça; a fim de que o Senhor faça vir sobre Abraão o que a respeito dele tem falado. Disse
mais o Senhor: Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem
agravado muito, descerei agora, e verei se em tudo têm praticado segundo o seu clamor, que a mim tem
chegado; e se não, sabê-lo-ei. Então os homens, virando os seus rostos dali, foram-se em direção a Sodoma;
mas Abraão ficou ainda em pé diante do Senhor. E chegando-se Abraão, disse: Destruirás também o justo com o
ímpio? Se porventura houver cinqüenta justos na cidade, destruirás e não pouparás o lugar por causa dos
cinqüenta justos que ali estão? Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio, de modo que o
justo seja como o ímpio; esteja isto longe de ti. Não fará justiça o juiz de toda a terra? Então disse o Senhor: Se
eu achar em Sodoma cinqüenta justos dentro da cidade, pouparei o lugar todo por causa deles. Tornou-lhe
Abraão, dizendo: Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor, ainda que sou pó e cinza. Se porventura de cinqüenta
justos faltarem cinco, destruirás toda a cidade por causa dos cinco? Respondeu ele: Não a destruirei, se eu achar
ali quarenta e cinco” (Gênesis 18.17-28).

Deus não consegue ocultar o que vai fazer. Ele precisa contar a Abraão, seu amigo, sobre o que está para
acontecer. O que começa a ser mostrado nessa passagem é a disposição de Deus para compartilhar e o coração
compassivo de Abraão, que segue em uma “negociação” até alcançar a misericórdia de Deus para dez pessoas. Por que
essa passagem foi colocada aí? Sem dúvida, ela mexe com a teologia de muita gente. Por outro lado, nos mostra um
Deus que tem aquilo que chamo de “intenção da revelação” e busca amigos com quem compartilhar.
ACEITA O CONVITE?

Ser acordado no meio da noite, gastar tempo lendo a Palavra em oração, lutar para olhar o mundo e
assistir as notícias da perspectiva de Deus são algumas coisas que devem fazer parte da vida daquele que busca a
revelação. O verdadeiro cristão quer conhecer o próprio Deus, não apenas acumular conhecimento sobre Suas obras. Ele
quer conhecer o Niemeyer, por assim dizer, e não somente passear por Brasília. Faço por você, ao término deste
capítulo, bem aqui no meu quarto, a mesma oração de Paulo aos Efésios:
“Por isso também eu, tendo ouvido falar da fé que entre vós há no Senhor Jesus e do vosso amor
para com todos os santos, não cesso de dar graças por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações, para que
o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê o espírito de sabedoria e de revelação no pleno
conhecimento dele; sendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual seja a esperança da sua
vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos, e qual a suprema grandeza do seu poder para
conosco, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, que operou em Cristo, ressuscitando-o
dentre os mortos e fazendo-o sentar-se à sua direita nos céus, muito acima de todo principado, e autoridade, e
poder, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; e sujeitou
todas as coisas debaixo dos seus pés, e para ser cabeça sobre todas as coisas o deu à igreja, que é o seu corpo,
o complemento daquele que cumpre tudo em todas as coisas” (Efésios 1.15-23).
UMA QUESTÃO DE NASCIMENTO

A.W. Tozer fala da questão do nascimento e da cidadania celestial de uma maneira esclarecedora e muito
inteligente no seu livro “Homem, a habitação de Deus”. Explica que, no que diz respeito a difícil classificação dos seres
humanos, se quisermos de fato pensar como Deus, só existem dois tipos de pessoas: Os nascidos uma vez e os
nascidos duas vezes.
Ao ser inquirido por Nicodemos, Jesus fala sobre isso dizendo: “Em verdade, em verdade te digo que quem
não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (Jo 3.3). E continua explicando: “O que é nascido da carne, é carne,
mas o que é nascido do Espírito, é espírito” (Jo 3.6). Aquele que nasceu uma vez conhece um reino material onde tudo
pode ser visto, experimentado pelos cinco sentidos e racionalizado. Ele vive em um nível de existência que todas as
criaturas experimentam. Vivem, comem, morrem. Os nascidos da carne são simplesmente carnais. Uma existência
limitada à ela nunca provará de Deus. Já os nascidos duas vezes experimentam algo diferente, que não pode ser
racionalizado e que lhes dá a certeza de que, uma vez tendo nascido pela segunda vez no Espírito de Deus, não
pertencem mais a esse mundo. Nascer de Novo é uma experiência espiritual que muda nosso lugar no Universo.
Transforma-nos em cidadãos de um outro Reino onde passamos a habitar imediatamente. O que é nascer de novo? É
aceitar Jesus como Senhor e Salvador da nossa vida e entrar em aliança com ele. A partir deste momento passamos a
ser cidadãos do seu Reino. Parece simples, não é? Na verdade, este segundo nascimento envolve coisas complexas. A
mudança de Reino é uma mudança de vida, cultura, comportamento, enfim, uma diferença total nos nossos padrões de
pensamento.

O Reino do Espírito nunca funcionará pelas leis do Reino da carne. Quando somos introduzidos nele
através do novo nascimento percebemos que coisas começam a mudar dentro do nosso coração. Começamos a ser
regidos por um outro código de comportamento. Pude entender isto rapidamente logo após meu novo nascimento. Sendo
filho de pastor, passei por várias fases e andei durante algum tempo longe do Senhor. Mas, graças a Deus, em um
poderoso culto em um de nossos retiros de carnaval, Deus se revelou a mim. Foi algo grandioso e marcou o começo da
minha verdadeira mudança de vida. Posso dizer que não lembro o dia, nem como, fui à frente da igreja pela primeira vez,
aceitar a Jesus quando era criança. Eu e o meu irmão mais novo tínhamos competições de quem ia a frente receber
Jesus mais vezes! No entanto, se você me perguntar sobre aquela noite em que fui tocado pela presença manifesta de
Deus, posso contar todos os pequenos detalhes. Depois daquela noite algo mudou dentro de mim. Verdadeiramente,
nasci de novo e, no espírito, comecei a fazer parte de um outro Reino.
Você quer saber as consequências daquela experiência na minha vida? Bem, a primeira foi que comecei a
prestar atenção em coisas que nunca tinham me incomodado e sentir-me arrependido em relação a elas. Coisas que
antes nem notava que estava fazendo, como colar respostas da prova dos colegas ou pequenas mentiras em casa,
estavam agora pesando em meu coração. Meu coração entendia que agora as coisas não funcionavam do mesmo jeito
para mim. Eu havia nascido para outro Reino e meus valores deveriam ser outros.
Nossa igreja recebe muitos novos convertidos todas as semanas. Nas reuniões de discipulado, quando
tenho a oportunidade de gastar algum tempo com eles, gosto de fazer esta pergunta: “Quantos de vocês, quando
praticam coisas que hoje sabem serem pecado, mas que antes nem mesmo percebiam estar fazendo, sentem algo
diferente nos seus corações, como um lembrete ou um aviso?” É maravilhoso ver toda a turma, cheia de pessoas que há
poucos dias aceitaram a Jesus, levantando suas mãos. É aí que digo: “Este é o Espírito Santo avisando vocês de que
agora as regras mudaram”.
“Não podemos andar com Jesus e viver guiados pelas regras deste mundo. Uma diferença de padrões
morais deve existir entre os que nasceram uma vez e os que nasceram duas vezes. Estilos de vida opostos precisam ser
claramente discernidos entre os que nasceram do Espírito e os que nasceram da Carne. Sem isso, o mundo ficará
confuso”.
Nunca a igreja precisou ser tão lembrada de que não pertence a este mundo como hoje. O meio cristão
está poluído. Algumas igrejas, levadas pelo enganoso desejo de agradar as massas, esqueceram-se de que estão na
terra a fim de desagradar. Deixe-me explicar: a igreja deveria ser o completo oposto do mundo, o reflexo de um Deus
Santo. Sendo assim, se alguém quisesse ver a Glória de Deus e um estilo de vida diferente, bastava-lhe contemplar a
igreja de Cristo na terra e ela seria Sal e Luz. Ao invés disso, a igreja de Jesus olha para o mundo em busca de
estratégias para o alcance de pessoas e publicidade. O mundo Gospel, na verdade, traz para a igreja, o pensamento de
que: “As pessoas lá fora precisam ver que nós, os crentes em Cristo Jesus, não somos assim tão diferentes deles”. Caros
leitores, são de pensamentos assim que nasce o show de aberrações da mídia cristã. Nasce também uma geração de
jovens sem identidade, uma igreja fraca e sem vida, pastores e cantores desejando a glória deste mundo. Apelando para
o anseio de todo ser humano de sentir-se “incluído”, estas coisas levam o mundo para dentro da igreja e Deus para fora
dela.
Não queremos desagradar. O desejo de ser aceita na comunidade já levou diversas igrejas a abrir mão do
avivamento. Pastores mudaram o tom de suas pregações para agradar pessoas importantes nas suas congregações, o
jovem cristão começou a “ficar” para não parecer diferente de seus amigos na escola e o medo da crítica continua a levar
milhões de cristãos nominais para o inferno todos os anos. Não há como viver nesta terra, no verdadeiro poder do
Espírito Santo, sem desagradar o espírito deste mundo. Assim como existem duas classes de homens, existem dois
espíritos: O espírito que opera nos filhos da desobediência, como escrito em Efésios 2.2, e o Espírito Santo de Deus. Eles
nunca poderão entrar em acordo.
“O moderno esforço para fazer as pazes entre estes dois espíritos não é apenas fútil, mas contrário às leis
morais do Universo”. (A. W Tozer)

A Bíblia diz:
“Mas, como então o que nasceu segundo a carne perseguia o que nasceu segundo o Espírito, assim
é agora.” (Gálatas 4.29)
“O Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece. Mas vós o
conheceis, pois habita convosco, e estará em vós.” (João 14.17)

O mundo não pode receber do Espírito de Deus e persegue tudo o que diz respeito a ele. A causa principal
para a perseguição talvez seja o fato de que, o nascido uma vez, nunca conseguirá compreender as coisas do Espírito.
“Ora, o homem natural não pode compreender as coisas do Espírito de Deus, pois lhe parecem
loucura, e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”. (1 Coríntios 2.14)

O homem carnal não somente desprezará o que não entende como também fará de tudo para acabar com
isso. Sendo assim, fica claro que não há como evitar o choque, se é que verdadeiramente vamos viver de acordo com
nosso chamado. A guerra é inevitável em um Universo onde Espíritos tão opostos habitam o mesmo espaço. Como filhos
de Deus cheios do Espírito Santo, não podemos permitir que o Espírito que opera a desobediência influencie nossos
corações. Na verdade, devemos lutar para chocar o mundo, brilhando com toda força a glória do nosso Senhor. Sendo
amorosos, verdadeiros, puros e nunca abrindo mãos dos nossos valores é que mostraremos a verdade do Evangelho.
Não devemos aceitar que os costumes de uma sociedade nascida dos lombos de Adão influenciem a vida de uma
comunidade nascida do Espírito Santo. Entre importar uma cultura mundana, prefiro exportar uma cultura bíblica. E você?
Somos peregrinos frutos de um segundo nascimento, no Espírito. Andaremos sempre nesta terra como um
povo estranho aos seus costumes porque, se não for assim, deixaremos de ser peregrinos e construiremos nossas casas
neste lugar. Quem faz isso abre mão de uma casa que Jesus prometeu construir nos céus. Escolhendo viver na terra, o
peregrino deixa o caminho e esquece o propósito da jornada. Ele precisa ter um coração com um foco somente:
completar a jornada, finalizar a carreira. Se ele já sabe claramente que é de outro Reino e compartilha de outro Espírito,
não negociará sua fé, e caminhará decidido para a vitória que o espera logo em frente. O coração do peregrino é o lugar
onde se guardam as esperanças do destino final em Jesus.
SAL SOBRE AS ÁGUAS

Você com certeza já comeu sal. Na verdade, o sal é uma destas coisas que está tão presente em nossas
vidas que acabamos por não perceber. De tão comum, não nos damos conta de quantas vezes por dia o consumimos e,
na verdade, só vamos percebê-lo quando falta ou quando vem em excesso. O sal faz parte da vida do homem desde
tempos longínquos. Sua descoberta abriu um leque de novas possibilidades para os agrupamentos humanos primitivos.
Bem, se você não sabe, eles não tinham geladeiras algumas centenas de anos atrás. No tempo de Jesus, o sal era a
substância que conservava os alimentos. Por isso, quando Jesus busca algo para simbolizar seus discípulos, ele acha no
sal o exemplo perfeito:
“Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta
senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.” (Mateus 5.13)

Ele coloca sobre os ombros do cristão a responsabilidade de salgar a terra. Falando a mesma coisa de
uma forma diferente: Jesus diz que devemos fazer a diferença. O Mestre ainda pergunta o uso que faríamos de um sal
que perdeu a sua força conservadora. A conclusão é simples: Lançar Fora! Quando Jesus nos chama de Sal da terra, ele
quer deixar claro que devemos ser diferentes, conservantes de uma matéria sujeita a rápida decomposição e
apodrecimento. Ele coloca sobre nós o chamado para sermos um povo que conserva os caminhos da verdade, justiça e
compaixão.
Experimente ir à cozinha agora mesmo e colocar um pouco de sal na sua boca. Acabei de fazer isto, antes
mesmo de sentar para escrever. Queria provar mais uma vez da força que o sal tem, mesmo quando em pequenas
quantidades. E assim somos nós, cristãos, quando resolvemos ser sal. Não são muitos os que querem fazer a diferença e
salgar um mundo perdido e em processo de destruição. É mais fácil adequar-se aos tempos. Mas, mesmo em pequenas
quantidades, um povo que resolve ser Sal não tem outra opção senão marcar o mundo onde vive. Por isso, o principio do
sal é tão forte. Assim como os profetas não eram muitos, mas deixaram seus nomes e influência marcada no coração de
gerações, alguém que resolve ser sal, mesmo sozinho, deixará sua marca e conservará a verdade de uma vida com
Deus, na alma de todos que cruzarem seu caminho. Não me diga que você tem sal e nada acontece.
“Porque cada um será salgado com fogo, e cada sacrifício será salgado com sal. Bom é o sal; mas,
se o sal se tornar insípido, com que o temperareis? Tende sal em vós mesmos, e paz uns com os outros.”
(Marcos 9.49-50)

O sal que precisamos ter em nós é o fogo. A única coisa que vai nos capacitar a fazer a diferença e impedir
que, juntamente com o mundo, acabemos por apodrecer é o fogo de Deus em nós. Precisamos ter sal e ele é a presença
do Espírito Santo queimando e purificando nossos estilos de vida. Se não for assim, não teremos energia, nem vontade
efetiva, de fazer alguma coisa em nome de Jesus. O Espírito Santo, quando em sua plenitude, nos capacita com sal. As
pessoas sabem quando você tem sal e quando não. A presença dele é demonstrada quando nos levantamos contra a
mentira, quando amamos a justiça e odiamos o pecado. Alguém que tem uma vida de comunhão com Deus, mesmo
calada, fará a diferença no lugar onde vive. Deus precisa urgentemente de vasos para encher de Sal.
No livro de 2 Reis, a Palavra de Deus nos conta uma historia bem ilustrativa sobre a importância do sal. Eu
convido você a ler com o coração os versículos abaixo:
“E os homens da cidade disseram a Eliseu: Eis que é boa a situação desta cidade, como o meu
senhor vê; porém as águas são más, e a terra é estéril. E ele disse: Trazei-me um prato novo, e ponde nele sal. E
lho trouxeram. Então saiu ele ao manancial das águas, e deitou sal nele; e disse: Assim diz o Senhor: Sararei a
estas águas; e não haverá mais nelas morte nem esterilidade. Ficaram, pois, sãs aquelas águas, até ao dia de
hoje, conforme a palavra que Eliseu tinha falado.” (2 Reis 2.19-22)

A Bíblia nos fala de homens que moravam em uma boa cidade. Eles só tinham um problema: as águas
eram estéreis. Elas causavam infertilidade e frutos não nasciam ali. Talvez esta seja a sua situação. Seu ministério é
bom, mas não frutífero. Sua cidade é boa, está colocada em um ótimo lugar mas, as estatísticas mostram que o pecado
avança mais que o Reino de Deus. Talvez isto acontece na sua própria vida, que tem tudo para dar certo mais ainda não
rompeu. Este era o drama daqueles homens quando foram buscar o profeta. A solução de Deus foi bem simples.
Diferente de nós, o Senhor não recorre a grandes coisas complexas. Tudo o que os céus precisam para curar as águas
de um lugar é: Um vaso e Sal.
O profeta pede um vaso novo. Um recipiente disponível para ser cheio. Por acaso você já foi chamado de
“vaso” por alguém depois que se converteu? Eu já. Sabe por quê? A palavra de Deus ensina que: “temos, porém, este
tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós. (2 Co 4.7). Ou seja, o profeta
estava usando de símbolos. A mensagem de Deus para nós é a de que ele precisa de Homens. De uma forma ou de
outra, a presença de Deus sempre vem sobre a vida de um homem. No entanto, não se engane, Deus não usará
qualquer homem. Somente um vaso cheio de sal sarará as águas inférteis. Alguém precisa ter sua vida cheia de sal,
cheia de fogo, para então curar as águas de um lugar.
Quando o profeta deita o sal sobre as águas, a bíblia diz que elas são curadas. Talvez tudo o que sua
cidade, família, ministério, ou mesmo, nação precisem seja de um homem cheio de sal. Quando o fogo de Deus estiver
sobre você, não perca tempo, corra até o manancial de águas, a sua comunidade, e seja sal. Não há duvida: As águas
serão curadas, frutos virão abundantemente e o mundo verá que a verdade ainda se conserva viva e atuante, como nos
dias de Jesus e dos profetas. Um homem cheio de sal nem o inferno todo poderá parar.
CORAÇÃO DE PEREGRINO

“Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o espírito que provém de Deus, para que
pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus” (1 Co 2.12)

Nosso destino em Deus foi determinado pela obra da cruz. Através dela todos podemos compartilhar da
vitória de Jesus e viver uma vida que reflita o Reino de Deus. O grande problema é que alguns não conhecem aquilo que
nos foi dado gratuitamente por Ele. Não digo o conhecer intelectual, porque isso muitos já tem, mas falo daquela certeza
profunda que invade o coração do peregrino. Ele sabe que foi comprado e recebe inteiramente os benefícios do Reino. O
Espírito de Deus nos foi dado para que pudesse operar esta certeza em nós: Não somos deste mundo.
O conhecimento de que pertencemos a Deus não pode ser adquirido nas salas de aula de nenhuma
faculdade teológica do mundo. O Espírito precisa soprar o seu vento sobre a verdade para que ela possa fazer algum
sentido no nosso coração. Este é o tipo de conhecimento inexplicável. Um tipo de conhecimento que nosso cérebro não
conseguirá processar porque é da natureza do espírito e só poderá ser conhecido por ele. O Espírito traz à vida as
promessas de Deus para nós e nos faz conhecer aquilo que nos foi dado, operando a transformação de “homens deste
mundo” em “Filhos de Deus”. C.S Lewis fala disto em um dos seus mais famosos livros chamados Mere Christianity:
“O Filho de Deus está do seu lado. Ele está começando a transformar você no tipo de coisa que ele é. Está
começando, por assim dizer, a injetar a Sua vida e o Seu Pensamento, a Sua Zoe [vida],em você;começando a
transformar o soldado de chumbo num homem vivo. A parte de você que não gosta disto é aquela que ainda é chumbo”.
(C.S Lewis em Mero Cristianismo)
“O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito de que somos filhos de Deus” (Rm 8.16)

Este testemunho do Espírito nos leva para outro nível de vida. Na verdade, somente este testemunho,
alcançado na experiência de novo nascimento, nos dá a vida que nunca tivemos. A palavra de Deus nos ensina de que
antes andávamos mortos em nossos delitos e pecados (Efésios 2.5). Não havia vida em nós! Havia simplesmente
“existência carnal”. O espírito nos dá vida. O que é a verdadeira vida? É uma existência de comunhão com Deus. Quando
longe dele, o homem não vive; existe. Quando nos aproximamos dele, provamos do verdadeiro propósito da Criação:
Amizade com Deus. O coração do peregrino alcança o pleno conhecimento de que não pertence mais a este mundo e de
que precisa caminhar em direção a Deus através da poderosa obra do Espírito Santo.
Ontem estive visitando uma das nossas células de multiplicação. A visão é bem simples. Consiste em
preparar líderes dentre o rebanho, para que possam exercer seus dons e frutificar nos bairros onde moram. A igreja
primitiva funcionava assim e foi um sucesso, não é verdade? Da mesma forma, as casas onde funcionam as células são
faróis na comunidade onde as pessoas encontram alivio para sua solidão e o bom ensinamento da palavra de Deus, sem
a formalidade da igreja institucional. A reunião foi mesmo bem informal ontem. A líder da célula estava aniversariando e
essa era uma das causas do clima alegre do lugar. A outra era a de que estávamos cheios de convidados! Eles tinham
me pedido para dar uma pequena palavra. Falei sobre “ser amigo de Jesus” e que nenhum dos seus amigos vai para o
inferno.
Aliás, deixe me perguntar se você sabia disto. Você sabia que nenhum dos amigos de Jesus vai para o
inferno? Ao final , quando orava pela célula, disse que o Espírito Santo ministraria aos corações sobre aquela verdade.
Quando acabei de dizer isto, pude observar lágrimas em muitos olhos ali. Você sabe por quê? Dentro daquelas pessoas,
Deus estava fazendo ressoar um chamado para a amizade. Até mesmo aqueles que nunca haviam ido à célula antes,
puderam sentir um inexplicável desejo de conhecer mais de Deus. O Espírito de Deus estava operando vida naquele
lugar, atraindo o homem para mais perto Dele.
Quando o Apóstolo Paulo escreve o Livro de Romanos ele quer, principalmente, defender as doutrinas
básicas do Evangelho de Jesus. Logo após o capitulo 7, que fala da lei e da graça, ele começa um dos capítulos mais
esclarecedores sobre a diferença entre o coração do peregrino e o do homem carnal. A grande diferença, ele explica, é a
de que:
“Os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da Carne; mas os que são segundo o
Espírito, para as coisas do Espírito”. (Romanos 8.5)

Um coração cheio da presença de Deus será um verdadeiro coração peregrino. Ele gradualmente vencerá
a natural tendência do homem de chafurdar na lama e o fará olhar para o céu. Algumas pessoas se perguntam: Como
Deus espera que eu viva para ele rodeado por uma sociedade que não se importa com coisas espirituais e elogia o
pecado? Bem, ele espera que você seja guiado pelo Espírito de Deus.
“Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são Filhos de Deus” (Rm 8.14)

Gostaria de fazer uma pequena pausa aqui somente para clarear um ponto do nosso pensamento. O fato
de não sermos deste mundo não significa que somos completamente imprestáveis para ele. Enquanto peregrinos
trazemos em nós os rumores de um outro lugar, abrindo espaço para a influência dele aqui. O Reino do qual pertencemos
está disponível para as pessoas que queiram se juntar conosco nesta peregrinação. Ele está disponível hoje e agora. A
vida eterna em Jesus já começou dentro dos que peregrinam.
ALIENS

Deveríamos acordar todos os dias e viver como um extraterrestre que acabou de pousar em um planeta
estranho. Convido você a imaginar agora uma situação envolvendo este extraterrestre cristão. Vamos imaginar que talvez
ele tenha um “Guia do alienígena viajante” que dá todas as dicas para uma estadia no “planeta azul”, sem maiores
confusões. Se ele obedecer ao guia, poderá aproveitar a viagem tranquilamente. Por outro lado, se não der atenção a ele,
talvez inicie a primeira guerra nas estrelas. Nosso Alien precisa ser guiado por aquelas dicas, de outra forma correrá
alguns riscos. Sabe qual o maior risco de um peregrino? A perda de sua cultura e a aquisição da cultura local. Na
verdade, este é um processo natural operado pelo tempo. Sem prestar atenção, qualquer peregrino pode esquecer-se da
jornada e estacionar. Se isso acontece, ele para de ser um peregrino e virá mais um habitante do local.

Então, se aquele alienígena esquecer-se de seu guia, poderá começar a pensar como os terráqueos, para
quem: o bom mesmo é ter vantagem em tudo, olho por olho e dente por dente é a regra a ser seguida, mentir é
justificável e fidelidade conjugal é relativa; para resumir alguns dos pensamentos correntes no local.
O coração do peregrino tem que ser um coração de outro mundo. Aquele que anda na carne não pode
agradar a Deus. (Rm 8.8) Temos que ser integrantes de uma cultura alien. Não precisamos nos envergonhar por sermos
tão diferentes e este é o ponto forte do Cristianismo: Não pertencemos a nenhuma destas cidades, estamos peregrinando
para a cidade de Deus. Como pessoas de outro Reino, temos um guia na terra: O Espírito Santo. Não seria a Bíblia? Sim,
em parte.
A palavra de Deus ensina que a letra, por si só, mata. O Espírito dá vida à letra. É o Consolador que nos
traz o entendimento profundo da palavra, fazendo com que ela seja recebida no coração, ao invés de simplesmente no
córtex cerebral. Se desprezarmos esta verdade, começaremos a achar normais todas às aberrações do homem carnal;
como já tem acontecido com muitos cristãos que se esqueceram que não são deste mundo. É essencial ser um “alien”
guiado pelo Espírito Santo. Alguém que anda neste mundo, mas não o reconhece como seu.
Oração: Oh Deus, eu reconheço que tenho me acostumado com este mundo e seus costumes. Reconheço
que deixei de ser um peregrino e aceitei as regras deste mundo. Peço a tua misericórdia sobre minha vida. Que o teu
Espírito me guie a partir de hoje e que eu possa acordar todos os dias sabendo que não pertenço a este lugar. Faz-me,
Oh Deus, um peregrino em terra estranha. Que as pessoas deste mundo olhem para mim e saibam que eu pertenço a ti,
ao teu Reino e a tua Verdade.
A GALERIA DA FAMA

Somos nós que escolhemos nossos heróis. A mídia ajuda e as revistas semanais apontam os famosos da
moda, tentando através de seus anúncios, fazer novos heróis de temporada. Você já percebeu como os heróis dos
nossos dias são passageiros? Não temos referenciais duradouros. Quando você pensa em heróis, quais os nomes que
lhe aparecem na mente?
Os heróis que eu escolhi são peregrinos. Eles entenderam os verdadeiros valores da vida. Escolheram
construir pessoas; não coisas. Como um pastor me disse durante um final de semana de oração: “Deus me falou que eu
deveria sempre amar pessoas e usar coisas. Nunca o contrário.”

Os heróis verdadeiros são assim. Diferente dos astros ricos e famosos dos nossos dias, na sua maioria, os
heróis antigos eram pobres e abandonados no seu tempo. Eles sofriam porque buscavam o caminho certo, nunca o mais
fácil. E influenciaram gerações por causa disto. Alguns deles, sozinhos, fizeram à diferença em nações inteiras. Aplicando
o principio de que uma pequena faísca pode incendiar uma grande floresta, estes homens usaram da força do um.
Sabiam o que era o certo e o fizeram.

A Bíblia tem a sua própria galeria da Fama. Ela talvez não reflita a “fama” terrena. Não está cheia de
homens fortes e mulheres lindas com seus carros do ano, dentes perfeitos e gorda conta bancária. No tempo destes
heróis bíblicos, eles nem mesmo eram queridos nas comunidades onde viviam. Se você vivesse nos seus dias, quem
sabe nem mesmo ouvisse falar sobre alguns deles. Viviam escondidos e, quando apareciam, alguém logo se prontificava
para persegui-los. Os heróis bíblicos eram incômodos, por isso, perseguidos. Mesmo assim, contra a opinião da maioria,
Deus olhou para eles e os colocou na galeria da Fama. Leia com atenção os próximos versículos:
“Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas
dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se
esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos. As mulheres receberam pela ressurreição os seus
mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; E
outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados,
mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados
(Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra”.
(Hebreus 11. 33-38)

O autor começa falando dos patriarcas e de tudo o que eles fizeram pela fé. De como Abrão saiu sem
saber para onde ia e todas as outras historias incríveis que a narrativa bíblica nos conta. Mas, aquilo que penetra
profundamente no meu coração, está nos últimos versículos. Quando o autor começa a me contar que pessoas decidiram
morrer para alcançar uma ressurreição superior e que, por causa de sua fé, sofreram açoites e prisões, começo a
imaginar o tipo de amor que ocupava a vida de homens assim. Eles não estavam buscando nada além do Reino, talvez
por isso, as coisas desta vida pareciam sem importância. Andavam vestidos de peles, não de mantos caros. Viviam nas
cavernas e mesmo assim, eram os homens mais queridos por Deus. O mundo, muitas vezes, não os via. Enquanto
estavam nas catacumbas romanas, pregando no subsolo do império, poucos se davam conta de sua existência. Somente
quando eram mortos no Coliseu Romano recebiam um pouco de atenção. Mesmo assim, repito, Deus os chama de
Heróis.
Eram homens que não compartilhavam do “espírito de sua época”. Mesmo vivendo em meio à corrupção e
imoralidade generalizada do Império, eles tinham suas vidas escondidas em Deus. Por isso o mundo não era digno deles.
Será que ainda podemos achar pessoas das quais o mundo não é digno? Sem dúvida. Nos nossos dias ainda vivem
pessoas que obedecem a uma ética superior. Elas não vivem o “olho por olho, dente por dente”, que tem regido a
humanidade por gerações. Quando ofendidas, perdoam. Quando ameaçadas, decidem orar. Coisas assim soam como
loucura aos ouvidos de uma geração que têm provado de um mundo perverso. Nem por isso deixam de ser verdadeiras.
Este mundo não é digno dos peregrinos porque eles não andam segundo os seus “brutais costumes”, mas obedecem à
lei do Amor. Quando Jesus diz:
“Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe
também a outra;” (Mateus 5.39)

Ele começa uma revolução na mente de seus ouvintes. Esta mensagem estava sendo pregada em uma
nação que havia vivido por séculos a “Lei de Talião”. Todas as nações em volta seguiam esta lei. Seus pais haviam vivido
baseados nesta regra geral de justiça e esperava-se que seus filhos a respeitassem também. No entanto, quando Jesus
prega esta nova verdade, o convite para a não-violência e o perdão, isto é um choque para todos. Mas, na verdade, o
maior impacto aconteceu quando Jesus, o mesmo homem que as multidões viram curando enfermos e ressuscitando
mortos, decide entregar-se nas mãos dos seus inimigos e não resiste. Jesus não vivia a realidade cruel das regras deste
mundo, seu código de vida era do tipo do Reino.
A lei do amor instituída pela vida e pregação do Reino em Jesus contaminou aqueles homens radicais dos
primeiros dias e causou uma avalanche no Mundo inteiro. Os “homens do qual o mundo não é digno” escolheram viver
uma vida para Cristo e morrer para os costumes de sua época. Escolheram o caminho estreito e difícil, como heróis
fazem, e provaram tempos difíceis. Os versículos em Hebreus 11 nos mostram o tipo de sofrimento e provações que
experimentaram: torturas; escárnios e açoites; cadeias e prisões; foram apedrejados; serrados; tentados; mortos ao fio da
espada; vestidos de peles; desamparados; aflitos; maltratados; errantes pelos desertos e cavernas da terra.

Eles realmente não tinham nada do que se orgulhar, no que diz respeito às riquezas e a glória que este
mundo tem para oferecer. Eram homens de dores como o Mestre tinha sido e heróis, como Ele os ensinou a ser. Mesmo
com todas as dificuldades, eles: venceram reinos; praticaram a Justiça; alcançaram promessas; fecharam a boca de
leões; apagaram a força do fogo; escaparam da espada; da fraqueza tiraram força; esforçaram-se na batalha; botaram
exércitos para correr; mulheres receberam seus mortos pela ressurreição.
Tudo isto nos mostra que ser um cristão de verdade não está ligado as nossas circunstâncias, ambiente,
classe social, educação ou respeito de ninguém. Ser cristão é sobre escolher fazer o que deve ser feito. É levar até as
ultimas conseqüências o nosso amor pelo Reino. Diante destes homens no céu, nenhuma das suas desculpas fará efeito.
Diante de Jesus, no trono, nada do que você possa dizer lhe servirá de livramento por não ter vivido 100% daquilo que
Deus planejou para sua vida.
UMA GRANDE NUVEM DE TESTEMUNHAS

“Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas,
deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos
está proposta” (Hebreus 12.1).

Existe pouca explicação a ser dada sobre este ‘”gritante” versículo de hebreus 12. Não existe como fugir da
realidade de que “somos os responsáveis por nossa própria corrida”. Quando leio estes versos da Bíblia posso imaginar
os heróis da promessa, reunidos em uma nuvem, a assistir nossa performance na terra, como cristãos. Não, isso não
está na bíblia. Mesmo assim, o autor da carta aos Hebreus me garante que estou cercado de uma grande nuvem de
testemunhas e, diferente de algumas pessoas, eu sei que elas não são simplesmente as pessoas do meu “tempo”. As
testemunhas são os grandes heróis, homens e mulheres sujeitos as mesmas paixões que eu, que correram e terminaram
a carreira.
Eu preciso deixar de me embaraçar com as coisas deste mundo. Isso se realmente estou interessado em
ser um peregrino. Todos os nós de envolvimento com o pecado devem ser desfeitos e toda tentativa de lançar os
fundamentos aqui deve ser abortada. Só existe um fundamento, um caminho, uma maneira de ser feliz. Não posso
vender a minha fé no mundo vindouro por um prato de comida quente desta terra estranha. Preciso correr com paciência.
Quando você é pastor, encontra as historias mais diferentes do mundo sempre a sua porta. As tragédias
familiares misturam-se com as diferenças de temperamento e cada pessoa tem uma reação diferente, mesmo com
situações parecidas. Entramos em contato com pessoas feridas na alma, vítimas de abusos e maus tratos, que não
conseguem se levantar e viver a vida que lhes foi preparada por Deus. Ainda outros que cresceram em lares privilegiados
e estudaram em boas escolas, encontram na riqueza a desculpa para não “brilharem”. Transformam-se em parasitas da
unção, sempre recebendo, nunca derramando. Existem as vítimas da sociedade, da família, do trabalho, até da genética!
Cada um de nós, com uma boa desculpa preparada caso nossas vidas não sejam exemplos de comunhão com Deus.
“Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado”. (Hebreus 12.4)

A verdade é que não importa quem somos. Podemos vencer todas as adversidades, no poder do nome de
Jesus, e servi-lo tão bem quanto qualquer um dos heróis de Hebreus 11. Não temos desculpa para parar. Como disse no
começo deste capitulo, os verdadeiros peregrinos encontram a força do um. Eles se tornam a influência e sozinhos
mostram a direção. Por quê? Simplesmente foram influenciados pela Verdade e viram com seus olhos o Caminho. É
desta Força do um que precisamos hoje. Sem ela, seremos uma boiada perdida. Um povo com mentalidade de rebanho,
indo aonde esta geração esperta e corrupta nos levar. Alguém precisa ir contra a correnteza.

A maioria das pessoas abandona a igreja por razões pequenas. Nenhuma delas tem uma razão segura e
certa para abandonar aquilo que, um dia, lhes ofereceu abrigo e a palavra da salvação. Nenhum desviado ficou mais feliz
depois de arrancar suas raízes espirituais. Deus espera de nós coisa melhor do que isto. Ele quer que você, agora
mesmo, seja cheio da convicção de que foi chamado com um propósito. Não perca de vista o seu chamado e corra
sempre para mais perto de Jesus. Aos olhos dele, heróis são aqueles que nunca desistem. Corra com paciência e, ao
final da corrida, receba o seu prêmio com alegria, na presença do Cordeiro.
“Contudo, quem é capaz de completar a lista dos santos? Temos com eles uma divida de gratidão
extremamente grande para ser compreendida- profetas, apóstolos, mártires, reformadores, estudiosos e interpretes,
hinistas e compositores, mestres e evangelistas, sem mencionar incontáveis vezes aqueles milhares de almas sinceras e
anônimas que mantiveram a chama da pura religião acesa mesmo nos tempos em que a fé dos nossos antepassados
ardia de maneira pouco visível por todo o mundo”. (A.W Tozer)
OS BENEFÍCIOS DO FALAR EM LÍNGUAS
Coisa alguma que Deus nos dá é sem valor. Nada, absolutamente nada que o Pai tem nos oferecido é em
vão; tudo tem proveito e utilidade. Em sua grandiosa graça, ele nos concede suas dádivas com a finalidade de extrairmos
os benefícios. O falar em línguas não é coisa sem importância. Ele foi dado para o nosso bem, para a nossa edificação.
Nesta prática há benefícios que transformam nossas vidas.
A maioria dos crentes que já foram batizados no Espírito Santo e passaram a falar em línguas, ainda não
compreendeu o que receberam de Deus. Os conceitos são diversos, mas a grande maioria não vê um propósito no uso
contínuo da linguagem sobrenatural de oração do Espírito Santo.

Se quem fala em línguas já não vê um motivo claro para isto, o que esperar daqueles que ainda não falam?
Mas quando a Igreja começar a enxergar o sublime propósito desta dádiva de Deus, haverá um anseio maior pela
manifestação do falar em línguas.
Já é tempo de compreendermos que mediante o uso das línguas podemos enriquecer nossa vida espiritual,
edificando-nos a nós mesmos. Há bênçãos e vantagens a serem desfrutadas no uso desta prática. E sei que o apóstolo
Paulo não pensava de forma diferente, pois chegou a ponto de declarar: “Dou graças ao meu Deus, que falo em línguas
mais do que todos vós.” (1 Co.14.18)
Caso não houvesse proveito algum nas línguas, será que Paulo agradeceria a Deus por isso? Você acha
ainda que ele as usaria tanto, como ele enfatiza ao dizer que o fazia mais do que todos os coríntios? E olhe que os
corintos falavam mesmo em línguas! Havia um uso intenso nesta igreja, que chegou até mesmo a transformar-se em
abuso, que foi um dos motivos que fez com que o apóstolo escrevesse corrigindo-lhes.

Note que ele não disse que falava em línguas mais do que eles no sentido de diversidade, mas a ênfase
recai no valor da prática, o que claramente aponta para a quantia de tempo que ele investia nesta atividade. E por que
agradecer a Deus por gastar tanto tempo falando em línguas? Está implícito que Paulo descobrira “uma mina de ouro”,
uma fonte de poder e edificação! Como ele mesmo afirmou: “O que fala em línguas, edifica-se a si mesmo…” (1Co. 14.4.)

O falar em línguas é um instrumento de edificação. Edificar é construir, fazer crescer, levantar algo. Do
ponto de vista espiritual edificação significa crescimento; fala de construir algo mais sobre o alicerce da fé em Jesus. O
falar em línguas acrescenta em nós, de forma paulatina, tudo o que necessitamos para o nosso andar em Deus.
A OBRA DO ESPÍRITO SANTO

Ao falar da linguagem sobrenatural de oração do Espírito Santo, é preciso que fique bem claro que há “uma
sociedade” nesta manifestação. O Espírito Santo não fala em línguas, somos nós que o fazemos; mas por outro lado, não
falamos de nós mesmos, somente o que o Espírito do Senhor nos inspira a falar. Se uma das partes desta sociedade
faltar, não haverá a manifestação.
Partindo, portanto, deste princípio, tenhamos em mente o momento em que esta manifestação inicia nas
nossas vidas: quando recebemos o batismo no Espírito Santo. É exatamente neste momento, quando somos cheios do
Espírito e encontramo-nos totalmente rendidos a ele, sob sua plenitude, que passamos a falar em línguas.
Mas por que ao sermos cheios do Espírito falamos numa linguagem diferente? Qual o valor desta
manifestação? Qual é a dimensão da edificação que se dá em nosso íntimo?

O falar em línguas faz parte do propósito de Deus para as nossas vidas. É a ferramenta que o Espírito
Santo usa para trabalhar em cada um de nós de forma mais profunda.
O falar em línguas vai produzir em nossas vidas a totalidade do ministério do Espírito Santo. A linguagem
sobrenatural de oração é uma ferramenta do Espírito de Deus para realizar em nós sua obra. E há um motivo especial
porque o Espírito Santo toca justamente em nossa fala a partir do momento que vem sobre nós.
A fala é um ponto estratégico, e o Espírito Santo não toca exatamente nesta área em vão. Tiago falou
sobre o poder da fala:
“Pois todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, esse é homem
perfeito, e capaz de refrear também todo o corpo. Ora, se pomos freios na boca dos cavalos, para que nos
obedeçam, então conseguimos dirigir todo o seu corpo. Vede também os navios que, embora tão grandes e
levados por impetuosos ventos, com um pequenino leme se voltam para onde quer o impulso do timoneiro.
Assim também a língua é um pequeno membro, e se gaba de grandes coisas. Vede quão grande bosque um tão
pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; sim, a língua, qual mundo de iniqüidade, colocada entre os
nossos membros, contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, sendo por sua vez inflamada pelo
inferno. Pois toda a espécie tanto de feras, como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se doma, e
tem sido domada pelo gênero humano; mas a língua, nenhum homem a pode domar. É um mal irrefreável; está
cheia de peçonha mortal”. (Tiago 3.2-8)

A ciência tem descoberto em nossos dias o que há dois milênios atrás o Espírito Santo já havia revelado a
seu povo: que o sistema nervoso da fala influencia todo o corpo. Mas além da influência natural, a Bíblia está mostrando
que a fala tem também uma influência espiritual; mostrando que quem estará no controle será sempre Deus ou o diabo.
Qual a causa do Espírito Santo controlar justamente esta área tão estratégica de nossa vida ao encher-nos
com seu poder? É porque por meio da fala ele poderá ampliar seu domínio em nós, e trabalhar com maior eficácia na
execução do seu ministério!

O Espírito Santo trabalha nos homens. Desde o Velho Testamento ele faz isto (Gn 6.3). Ele convence o
mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8). O Espírito Santo está trabalhando neste exato momento, nos quatro
cantos da terra, mesmo naqueles que ainda não conhecem a Deus. Entretanto, ele NÃO MORA DENTRO dessas
pessoas, e elas nem sequer o conhecem, como declarou o Mestre bendito:
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro ajudado, para que fique convosco para sempre, a saber, o
Espírito da verdade, o qual o mundo não pode receber; porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis,
porque ele habita convosco, e estará em vós”. (João 14.16-17)

Aleluia! Nós o conhecemos e ele habita em nós. Portanto, seu agir nas nossas vidas é muito mais profundo
do que naqueles que ainda não são cristãos. Você imagina o quanto ele não vai agir em nós?
Ele veio habitar em nós para cumprir a parte que lhe toca no propósito divino. Quando Paulo escreve a
Timóteo, fala do bom depósito em nós (2 Tm 1.14); ou seja, há um investimento de Deus em nossas vidas! O propósito
de Deus ao enviar o Espírito Santo para habitar em nós foi para que ele produzisse algo em nossas vidas.
E saiba, com certeza, que o Espírito Santo não quer permanecer inativo. Habitar em você é parte do
trabalho dele, e à medida que você se rende, o agir dele vai tornando-se cada vez mais intenso. O Espírito de Deus está
em você para realizar a parte dele no propósito eterno de Deus; veio concluir a obra da redenção, pois esta é a parte que
lhe cabe na ação da Trindade.
O PAPEL DO ESPÍRITO SANTO NA REDENÇÃO

O arrependimento começa no homem por uma ação divina. Sabemos disto porque Paulo disse aos
romanos que é a bondade de Deus que nos conduz ao arrependimento (Rm 2.4). E quem está por trás disto? É o Espírito
Santo; Jesus disse: “Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça, e do juízo.” (Jo 16.8.)

Após o arrependimento, quando o homem exerce a fé em Jesus e na obra da cruz, é o Espírito Santo quem
faz com que isto se torne realidade nele. Por isso se diz que ao nascer de novo, o homem é nascido do Espírito (Jo 3.6).
E na carta a Tito lemos acerca do lavar da regeneração do Espírito Santo (Tt 3.5), o que mais uma vez aponta para a
atuação do Espírito na aplicação da redenção no homem.
Mas isto é apenas o começo. O reino de Deus tem três etapas básicas pelas quais o homem deve passar:
porta, caminho e alvo. A porta é a entrada por meio de Jesus Cristo. O alvo é a chegada à estatura do varão perfeito e à
glória celestial. E entre a porta e o alvo, o que restou é o caminho. O Espírito Santo não apenas nos faz passar à porta,
mas é quem leva-nos até o alvo, e para isto usa o caminho.

O caminho é o período onde experimentaremos o tratamento de Deus em nós na vida cristã; é o meio pelo
qual se vai ao alvo. E tudo isto é responsabilidade do Espírito Santo; é ele quem nos transforma de glória em glória na
imagem do Senhor (2 Co 3.18), produz em nós seu fruto (Gl 5.22-23), e leva-nos a andar e viver nele (Gl 5.25).
A Nova Aliança é chamada por Paulo de O MINISTÉRIO DO ESPÍRITO (2 Co 3.8), mostrando-nos seu
papel de produzir em nós a obra de Deus. O Espírito Santo veio concluir a obra da redenção; é por isso que ele está em
nós. E trouxe consigo uma linguagem de oração, para que por meio desta linguagem possa nos influenciar, uma vez que
nossa língua é um meio tão estratégico para isto; pois como disse Tiago: se a língua do homem for controlada, com ela
todo o ser da pessoa será também influenciado!
É necessário ressaltar que este toque na língua não é “mágico”, precisamos sujeitá-la a cada novo dia. Não
é apenas falar em línguas ocasionalmente, ou no dia do batismo no Espírito, mas dia-a-dia, de forma constante e
perseverante.

Mas o benefício divino desta linguagem está longe de ser apenas este, uma vez que não se trata apenas
da língua estar sob controle, mas sim O QUÊ ela fala quando está sob controle do Espírito Santo. É preciso esclarecer
que além do toque estratégico justamente na nossa fala, o Espírito nos leva a falar numa linguagem sobrenatural; e é O
QUE FALAMOS sobrenaturalmente que produz os benefícios.
Além de sujeitar-se ao Espírito do Senhor, de entrar nos seus domínios por meio da prática diária da
oração em espírito, você também experimentará:

1. Conhecimento por revelação.


2. A edificação da fé.
3. Vitória sobre a carne.
4. Cumprimento da vontade de Deus.
5. Sensibilidade espiritual.

6. Perfeito louvor.
7. Intercessão.
São áreas pertencentes ao ministério do Espírito Santo e que serão trabalhadas mais profundamente em
nossas vidas por intermédio do uso desta ferramenta. Passemos então a analisar cada um destes benefícios
maravilhosos que Deus nos tem oferecido…
UMA HISTÓRIA DE RECONCILIAÇÃO

A carta de Paulo a Filemom é digna de ser examinada sob a ótica da palavra da reconciliação que temos
recebido. Assim como temos a responsabilidade de apregoar aos homens a reconciliação com Deus, também temos de
fazê-lo em relação aos homens. Há três personagens em evidência nesta carta do apóstolo: Filemom, Onésimo e o
próprio Paulo.
Filemom era um amigo de Paulo (a quem a carta foi endereçada) e também um filho na fé. Seu nome
significa “afeiçoado”, o que nos faz concluir – juntamente com o conteúdo da carta – que era alguém que facilmente
alcançava o carinho das pessoas, e sabia como retribuir o que lhe era dado. Era a pessoa lesada da história.
Onésimo é o pivô desta história. Foi em favor dele que Paulo escreveu. Era um escravo fugitivo, e o
apóstolo Paulo intercede por ele, para que Filemom o receba de volta e o perdoe. Era o que estava em falta.
Paulo, o apóstolo dos gentios, é que assume o papel de reconciliador, e certamente compreendia muito
bem o significado das palavras de nosso Senhor: “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de
Deus”. (Mt 5.9.)

O apóstolo se identifica como prisioneiro de Cristo, lembrando a Filemom que a distância entre eles se
dava pelo fato de Paulo estar na cadeia por pregar o Evangelho. Mas a introdução da carta já revela o vínculo que havia
entre eles:
“Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus, e o irmão Timóteo, ao amado Filemom, também nosso
colaborador, e à irmã Áfia, e a Arquipo, nosso companheiro de lutas, e à igreja que está em tua casa: Graça e paz
a vós outros da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Dou graças ao meu Deus, lembrando-me
sempre de ti nas minhas orações, estando ciente do teu amor e da fé que tens para com o Senhor Jesus e todos
os santos, para que a comunhão da tua fé se torne eficiente, no pleno conhecimento de todo bem que há em nós,
para com Cristo. Pois, irmão, tive grande alegria e conforto no teu amor, porquanto o coração dos santos tem
sido reanimado por teu intermédio”. (Filemon 1-7)

Filemom era uma pessoa amorosa e hospitaleira, e demonstrava isto para com todos. Por isso, Paulo age
de forma muito carinhosa para com ele, ao interceder em favor de Onésimo, um escravo que havia fugido e que,
certamente, também o havia lesado.
O que temos aqui é mais do que mera psicologia ou política de bons relacionamentos. Trata-se de uma
direção do Espírito Santo na vida de Paulo não só para resolver um problema de seus dias, mas para que ficasse como
exemplo e referência para todos nós hoje. O pedido por restauração do relacionamento é claro e direto:
“Pois bem, ainda que eu sinta plena liberdade em Cristo para te ordenar o que convém, prefiro,
todavia, solicitar em nome do amor, sendo o que sou, Paulo, o velho e, agora, até prisioneiro de Cristo Jesus:
sim, solicito-te em favor de meu filho Onésimo, que gerei entre algemas. Ele antes te foi inútil, atualmente, porém,
é útil, a ti e a mim. Eu to envio de volta em pessoa, quero dizer, o meu próprio coração. Eu queria conservá-lo
comigo mesmo para, em teu lugar, me servir nas algemas que carrego por causa do evangelho; nada, porém,
quis fazer sem o teu consentimento, para que a tua bondade não venha a ser como que por obrigação, mas de
livre vontade. Pois, acredito que ele veio a ser afastado de ti temporariamente, a fim de que o possuas para
sempre, não já como escravo; antes, muito acima de escravo, como irmão caríssimo, especialmente de mim e,
com maior razão de ti, quer na carne, quer no Senhor. Se, portanto, me consideras companheiro, recebe-o, como
se fosse a mim mesmo”. (Filemom 8-17)

Esta epístola nos revela uma história de reconciliação. Quando Paulo escreveu a Filemom, o fez movido
por um único sentimento: promover reconciliação entre ele e Onésimo. E a mensagem dada a Filemom poderia ser dita
assim: “Enquanto estou na cadeia, você deveria estar me servindo, mas não está. Contudo, Onésimo que era seu
escravo e fugiu (e está em falta contigo e precisando de reconciliação) está me servindo em teu lugar…”. Certamente
Onésimo ainda não era um crente quando fugiu, pois Paulo diz tê-lo gerado entre algemas, ou seja, lá mesmo na prisão.
Naqueles dias a escravidão era algo muito forte no Império Romano. A pessoa poderia vir a tornar-se
escravo por diversas razões: poderia nascer na condição de filho de escravos e assim passaria a pertencer ao seu
senhor; poderia ser devido à pobreza (quando familiares eram vendidos para arrecadar dinheiro); poderia ser devido à
prática do roubo, o que culminava na prisão e possibilidade de se tornar escravo também.
Não sabemos com certeza o que levou Onésimo a ocupar esta condição, mas sabemos que ele teve um
encontro com Cristo e sua vida foi transformada. Ele se tornou uma nova criatura e as coisas velhas ficaram para trás.
Esta mudança é claramente vista na afirmação de Paulo a Filemom: Ele antes te foi inútil, atualmente, porém, é útil, a ti e
a mim (v.11), Paulo escolhe propositalmente estas palavras porque o nome Onésimo significa “útil”.

Antes desta transformação, Onésimo demonstrou ser um escravo rebelde e que provavelmente ainda
roubou a Filemom por ocasião de sua fuga, pois Paulo menciona um possível prejuízo e a lógica nos faz entender que se
este homem conseguiu chegar a Roma (onde Paulo estava preso) deve ter conseguido algum dinheiro ou forma de
pagamento de suas despesas – o que um escravo normalmente não possuía:
“E, se algum dano te fez ou se te deve alguma coisa, lança tudo em minha conta. Eu, Paulo, de
próprio punho, o escrevo: Eu pagarei – para não te alegar que também tu me deves até a ti mesmo. Sim, irmão,
que eu receba de ti, no Senhor, este benefício. Reanima-me o coração em Cristo. Certo, como estou, da tua
obediência, eu te escrevo, sabendo que farás mais do que estou pedindo”. (Filemon 18-21)

Agora tente imaginar Filemom como alguém “afeiçoado”, dócil, e que, com o histórico de virtudes descrito
por Paulo deve ter sido alguém que certamente se classificava como “um bom senhor”. E ainda assim, Onésimo foge e o
rouba.
Acredito que esta história deixou mágoas e feridas. Deixou no ar um cheiro de ingratidão para Filemom.
Não era o que ele esperava colher da parte de Onésimo… Mas por trás de tudo isto vemos a mão soberana de Deus.
Onésimo vem a ter um encontro com Cristo nestas condições; e parecendo uma grande coincidência, a pessoa que o
leva a Cristo é justamente um conhecido, um amigo de seu senhor. E este homem se torna agora seu discipulador.
Imagino que muitas coisas devem ter sido tratadas na vida de Onésimo. Paulo não começou pela
necessidade de reconciliação. Quando ele escreve para Filemom, já havia um relacionamento entre ele e Onésimo.
Temos evidências de que já havia um processo de tratamento e que a maturidade vinha já brotando, pois
quando Paulo diz que Onésimo era alguém que se encontrava “servindo em amor” é porque não estava lá na condição de
escravo, e sim por livre e espontânea vontade e desejo de servir.
Ele também manifesta o desejo de voltar e se reconciliar com seu senhor, embora não tenha condições de
restituí-lo. Isto é evidência de transformação de vida! Depois de ter fugido e alcançado sua liberdade (ainda que de forma
ilegal), Onésimo poderia não mais querer voltar a ser escravo sob hipótese alguma, porém ele havia aprendido um
princípio que seu discipulador costumava a ensinar:
“Porque o que foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto do Senhor; semelhantemente, o que
foi chamado, sendo livre, é escravo de Cristo. (1 Coríntios 7.22)

Pelo constrangimento do amor de Deus em seu coração, ele passa a ser um escravo. Por amor ele passa a
servir ao apóstolo Paulo e posteriormente se dispõe a voltar para Filemom. Ele entende que mesmo que tenha alcançado
a liberdade no natural, agora é um escravo de Cristo (e de seus ensinos e ordenanças).
PRATICANDO A RESTITUIÇÃO

Agora perceba algo: mesmo reconhecendo que Onésimo havia sido transformado e perdoado por Deus,
Paulo não deixa de reconhecer que ele ainda tinha pendências a serem corrigidas. Nossa transformação não remove de
nós a responsabilidade de consertar algumas coisas que fizemos de errado em nosso passado. Não podemos agir certo
só da conversão em diante, mas precisamos resolver algumas “coisinhas” que ficam para trás também.
O apóstolo não promove somente a reconciliação, mas também a restituição. Esta era uma ordenança da
lei mosaica: a pessoa devolvia o que pegou e ainda acrescentava uma indenização. Foi o que aconteceu com Zaqueu
quando ele se converteu:
“Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos
meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais. Então, Jesus lhe disse:
Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar
e salvar o perdido”. (Lucas 19.8-10)

Da mesma forma como Paulo pede perdão em favor de Onésimo, poderia também pedir o perdão da
dívida, mas não faz isto, pois sabia que este era um princípio que deveria ser praticado e não ignorado.
Quantos crentes de hoje precisam aprender este princípio! Antes de nos entregar a Jesus deixamos para
trás um rastro de injustiças praticadas e achamos que não precisamos fazer mais nada, só porque Jesus nos perdoou…
mas não é bem assim! Há situações em que a restituição será impossível de ser praticada. Mas há condições em que no
mínimo uma reconciliação, um pedido de perdão, já faria muita diferença.
Tem muita gente por aí que ainda está presa a situações de seu passado. Nem tudo dá para se resolver.
Tenho um amigo que, antes de se converter, era assaltante de carros e de bancos; jamais poderá restituir tudo o que
roubou antes de conhecer a Cristo. Mas tenho muitos outros amigos que reconheceram estar ao seu alcance, e que
praticaram a restituição. Um deles foi restituir a uma antiga vizinha as galinhas que roubara em sua infância; e, além de
se livrar de um peso que carregava, ainda pôde evangelizar a mulher que se impressionou com sua atitude.

Veja o caso dos dois personagens em destaque nesta epístola de Paulo. Temos Filemom como a vítima, e
Onésimo como o culpado. Ambos se converteram e conheceram a Jesus. Ambos tinham pendências e precisavam ser
ministrados por Deus. E ambos precisavam de reconciliação! Mesmo reconhecendo que eram novas criaturas sem
condenação alguma (Rm 8.1), Paulo reconhece que eles precisavam desta reconciliação.
E você? Como está sua vida? Ainda traz consigo pendências não resolvidas? Acredito que esta é uma
mensagem de Deus para muitos corações que necessitam de conserto.
HÁ UM TEMPO ESPECÍFICO PARA ISTO

Como já afirmei anteriormente, Paulo não iniciou o processo de reconciliação imediatamente após a
conversão de Onésimo. Provavelmente este homem não tinha condições de fazer isto logo no início de sua caminhada.
Talvez faltassem condições financeiras suficientes para tal. Talvez faltassem condições emocionais. Contudo, o que
imagino ser mais provável: faltava maturidade espiritual. Este tipo de atitude não se gera da noite para o dia. Tem a ver
com mudança de caráter, ajuste de valores.
A reconciliação costuma produzir vergonha na parte culpada quando sabe que vai encarar a vítima. Não
sabemos quanto tempo isso levou para acontecer, mas o alvo não foi perdido de vista.
Talvez você também sinta necessidade de consertar certas pendências, mas deve procurar amadurecer o
assunto em oração e busca de Deus. Não faça nada correndo. Busque conselho com o seu pastor ou discipulador antes
de dar o passo, porque, mesmo sendo algo certo a ser feito, deve acontecer também na hora e da forma correta.
O ASPECTO PRÁTICO

Esta história nos ensina três lições práticas:


1. Se você é alguém que está numa condição semelhante à de Onésimo, precisa buscar acerto.

2. Se você é alguém que, como Filemom foi ofendido e lesado, precisa perdoar quem te fez isto.
3. Se você, como o apóstolo Paulo, conhece outros crentes que tenham um problema de relacionamento
‘quebrado’, deve promover entre eles a reconciliação.
Infelizmente, a intriga sempre existiu e existirá no meio do povo de Deus nesta terra. Mas é em momentos
como este que os aprovados se manifestam: “Porque até mesmo importa que haja partidos entre vós, para que também
os aprovados se tornem conhecidos em vosso meio”. (1 Co 11.19). Se no livro de Atos dos Apóstolos e nas Epístolas do
Novo Testamento (mesmo em meio a um grande mover de Deus) encontramos tantos problemas de divisões, intrigas e
dissensões, por que achar que conosco nada acontecerá?
Mas quando vemos acontecer, devemos interferir como pacificadores. Talvez ao meditar nesta história de
reconciliação você tenha concluído que não se encaixa nas figuras de Filemom ou Onésimo. Mas você pode ser um
Paulo; pode ser um reconciliador!

Há pessoas que colocam sua língua à disposição de Satanás. Tiago escreveu que a língua muitas vezes é
inflamada pelo inferno. Não deixe isto acontecer com você. Semeie a paz e não intrigas.
É muito importante ter o papel e presença de um mediador na hora de resolver certos problemas. Paulo
aconselhou aos coríntios a levantarem alguns como juízes na igreja, a fim de julgar entre as questões e diferenças dos
irmãos (1 Co.6.1-7).
Não é necessário ter pressa. Paulo regou o processo com oração e diálogo, e quando tudo aconteceu só
promoveu a edificação. Não adianta reconciliar “na marra”, a coisa tem que fluir nos corações das pessoas primeiro. Foi o
que Paulo disse a Filemom:
“Pois bem, ainda que eu sinta plena liberdade em Cristo para te ordenar o que convém, prefiro,
todavia, solicitar em nome do amor, sendo o que sou, Paulo, o velho e, agora, até prisioneiro de Cristo Jesus;
sim, solicito-te em favor de meu filho Onésimo, que gerei entre algemas”. (Filemon 8-10)

Isto é como aquela mãe que obriga os filhos brigados a darem as mãos e dizerem que perdoam um ao
outro… A “reconciliação” só acontece para não apanharem da mãe! Mas não funciona de fato. Não deste jeito.
A reconciliação deve ser pregada e ensinada. Deve ser aconselhada e dirigida. Deve ser praticada na igreja
hoje, e nos moldes desta história de reconciliação que o Espírito Santo fez questão que ficasse registrada para nós…
Que Deus nos ajude!
ESPECIALISTA EM NOVAS CHANCES

“E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve,
porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.”

Eis aí uma amorosa faceta do caráter de Deus: fazer novas todas as coisas! Sem medo de errar podemos
dizer que inovador é um adjetivo que combina muito bem com nosso Papai. Deus é especialista em fazer tudo novo. O
interessante é que essa característica d’Ele não visa o benefício próprio, antes é a expressão perfeita do Seu imenso
amor por nós. Perceba que nós é que somos os beneficiados por suas inovações. Pare e pense, a antiga aliança foi
substituída pela nova aliança para beneficiar a quem? O que dizer então do novo nascimento? E o novo céu e a nova
terra?

Guarde isso em seu coração, receba essa revelação em seu espírito, deixe essa poderosa declaração do
próprio Deus gerar vida em você: “… Eis que faço novas todas as coisas.”. Deus leva tão a sério essa característica
própria que acrescenta a seguinte ordem a João, o discípulo do amor: “… Escreve, porque estas palavras são fiéis e
verdadeiras.”.

Quero dizer algo a você: “Não importa quem você já foi um dia, não importa o que você está sendo hoje,
Papai é um ESPECIALISTA EM NOVAS CHANCES!” Sim, dentro de Suas inovações, uma de Suas especialidades e dar
novas chances àqueles que estão cansados, desanimados, pensando em desistir.
Há alguns anos atrás eu estava passando por um momento desses. Eu estava desanimado, não fazia mais
sentido seguir a Jesus, pois minha vida não mudava. Os mesmos velhos hábitos, os mesmos velhos pecados, a mesma
velha vida, eu não conseguia entender como alguém, no caso eu, podia viver assim depois da experiência do novo
nascimento. Foi nessa situação que tive uma experiência extremamente impactante, Quero contar essa experiência a
você a fim de te incentivar e te levar até Ele, O ESPECIALISTA EM NOVAS CHANCES!
Eu estava em meu quarto pensando nos dias de profunda angustia que estava vivendo. Eu não agüentava
mais viver uma “falsa” identidade: discípulo de Jesus com um comportamento de escravo do pecado. Eu dizia para Deus
que não suportava mais viver aquela mentira. Cheguei à conclusão que não conseguia viver o “nível” de vida que Ele
esperava de mim. Posso dizer que sentia o peso do pecado, eu sentia as correntes do diabo me aprisionando,
literalmente estava a ponto de desistir. De repente o Espírito Santo me levou até uma “caixinha de promessas” que
estava sobre minha escrivaninha, quero deixar bem claro que sou totalmente contra qualquer “loteria” espiritual, acredito
na importância de meditar na Palavra de Deus de forma contínua. Mas naquela manhã eu tinha certeza que Papai queria
falar comigo e que era o Espírito Santo que havia me impulsionado a tal ato. Quando peguei a dita promessa fui
extremamente impactado pela seguinte palavra:
“Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia
de Cristo Jesus.” (Filipenses 1.6)

Aleluia! Aleluia! Aleluia! ESPECIALISTA EM NOVAS CHANCES! Naquele momento fui inundado por uma
poderosa convicção que Papai estava me dando uma nova chance. Era tempo de recomeçar, era tempo de aproveitar a
GRAÇA e viver plenamente o discipulado proposto por Jesus.

Quero te convidar a alimentar a tua fé com essa revelação do apóstolo Paulo: Ele começou a boa obra em
você e com toda certeza, Ele irá completá-la: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há
de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.”. Em meio a esse processo de completar a obra, Papai vai te dar novas
chances, esteja certo disso. Agora de forma alguma entenda Deus como alguém demasiadamente tolerante, pois o fim de
quem pensa assim é o sofrimento eterno.
Mesmo tendo experimentado Papai como o ESPECIALISTA EM NOVAS CHANCES, não quero respaldar
essa palavra apenas em minha experiência própria. Chamo sua atenção a alguns acontecimentos narrados nas
Escrituras, acontecimentos esses que comprovam essa marcante característica de Papai: ESPECIALISTA EM NOVAS
CHANCES!
Vamos ao primeiro acontecimento:
“Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente
mau todo desígnio do seu coração; então, se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso lhe
pesou no coração. Disse o SENHOR: Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, o homem e o animal,
os répteis e as aves dos céus; porque me arrependo de os haver feito.” (Gênesis 6.5-7)
“Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos
homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra. Faze uma arca de tábuas de cipreste; nela farás
compartimentos e a calafetarás com betume por dentro e por fora (…) Contigo, porém, estabelecerei a minha
aliança; entrarás na arca, tu e teus filhos, e tua mulher, e as mulheres de teus filhos.” (Gênesis 6.13-14;18)
“Abençoou Deus a Noé e a seus filhos e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a
terra.” (Gênisis 9.1)
Deus estava cansado do homem, mas como Ele é um ESPECIALISTA EM NOVAS CHANCES, deu uma
nova chance ao homem através da vida de Noé e sua família. Lembre-se: Ele te dá uma nova chance, pois essa é Sua
especialidade!

Vamos ao segundo acontecimento:


“Naqueles dias, Ezequias adoeceu de uma enfermidade mortal; veio ter com ele o profeta Isaías,
filho de Amoz, e lhe disse: Assim diz o SENHOR: Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás.
Então, virou Ezequias o rosto para a parede e orou ao SENHOR. E disse: Lembra-te, SENHOR, peço-te, de que
andei diante de ti com fidelidade, com inteireza de coração e fiz o que era reto aos teus olhos; e chorou
muitíssimo. Então, veio a palavra do SENHOR a Isaías, dizendo: Vai e dize a Ezequias: Assim diz o SENHOR, o
Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; acrescentarei, pois, aos teus dias quinze anos.”
(Isaías 38.1-5)

O tempo da morte de um rei de destaque entre o povo de Deus havia chego, Ezequias estava acometido
de uma mortal enfermidade, mas Deus entra em cena colocando em ação uma de suas especialidades, dar nova chance
ao homem. Lembre-se: Ele também te dá uma nova chance, pois essa é Sua especialidade.

Vamos ao terceiro acontecimento:


“Continuou: Certo homem tinha dois filhos; o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos
bens que me cabe. E ele lhes repartiu os haveres. Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o
que era seu, partiu para uma terra distante e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente.” (Lucas
15.11-13)
“E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido
dele, correndo, o abraçou, e beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de
ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe
um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos,
porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se.” (Lucas
15.20-24)

Para mim essa parábola contada por Jesus expressa com exatidão quem Deus é! Sem dúvida Ele é nosso
Pai, Ele é um verdadeiro ESPECIALISTA EM NOVAS CHANCES! Lembre-se: Ele quer te abraçar, te dar a melhor roupa,
te dar um anel e sandálias, mais, Ele quer fazer uma festa pra você e por você, Ele quer te dar uma nova chance, Ele é
especialista nisso.
Vamos ao quarto acontecimento:
“Então, a criada, encarregada da porta, perguntou a Pedro: Não és tu também um dos discípulos
deste homem? Não sou, respondeu ele (… )Lá estava Simão Pedro, aquentando-se. Perguntaram-lhe, pois: És tu,
porventura, um dos discípulos dele? Ele negou e disse: Não sou. Um dos servos do sumo sacerdote, parente
daquele a quem Pedro tinha decepado a orelha, perguntou: Não te vi eu no jardim com ele? De novo, Pedro o
negou, e, no mesmo instante, cantou o galo.” (João 21, 17; 25-27)
“Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do
que estes outros? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Ele lhe disse: Apascenta os meus cordeiros.
Tornou a perguntar-lhe pela segunda vez: Simão, filho de João, tu me amas? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu
sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Pastoreia as minhas ovelhas. Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão,
filho de João, tu me amas? Pedro entristeceu-se por ele lhe ter dito, pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu-
lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas.”
Jesus imitando ao Seu Pai, expressando o caráter de Seu Pai, nos mostra o quão ESPECIALISTA EM
NOVAS CHANCES Deus é! Dentre todas as impulsividades de Pedro essa parece ter sido a que maior impacto gerou em
sua vida. Pedro estava disposto a abandonar o chamado de ser pescador de homens para voltar a pescar peixes. Mas
esses não eram os planos de Jesus, o Mestre lhe deu uma nova chance. Da mesma forma Papai te dá uma nova chance
hoje, pois Ele é um ESPECIALISTA EM NOVAS CHANCES!
O REINO DE DEUS CHEGOU

“Interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deu, respondeu-lhes: o reino de
Deus não vem com aparência visível. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! Porque o reino de Deus está dentro de
vós”. (Lucas 17.20-21)

A principal mensagem de Jesus em seus primeiros anos de ministério era simplesmente arrependam-se,
porque o Reino está próximo. Esta era também a mensagem do profeta João Batista, talvez um dos mais esquisitos
homens de Deus de todos os tempos, que havia vindo antes de Jesus para preparar o caminho. Quando o Filho de Deus
ouviu que João estava preso, tomou a mensagem para si e começou a proclamar a “proximidade“ de um Reino esperado
por todos: O Reino do seu Pai. Naqueles dias, Israel era uma nação oprimida pelos romanos e sendo assim, a noticia de
que um outro rei estava chegando era muito animadora. Eles suspiravam pelo cumprimento das profecias de um regente
da linhagem de Davi. O livro do profeta Isaías era lido nas sinagogas e eles esperavam pelo “menino cujo principado
descansa sobre os seus ombros” (Is 9:6). Eles queriam um Reino, precisavam de um rei, alguém que os livrasse da
opressão estrangeira e trouxesse a glória dos dias de Davi. Surge então, João Batista e, logo após, Jesus com a noticia:
O reino está próximo! Nem todos entenderam a boas novas como ela deveria ser entendida.
Somos peregrinos em uma terra que não nos pertence. Caminhamos em direção a um futuro com Deus, na
eternidade, mas podemos viver com ele desde já. O Reino que era anunciado pelo Filho de Deus estava disponível a
todos naquele tempo e continua até hoje. Ao mesmo tempo em que caminhamos em direção a Nova Jerusalém, podemos
começar a desfrutar dos princípios do Reino agora. As bênçãos do Reino são nossas a partir do momento que nos
tornarmos cidadãos dele. A partir de então, não andamos mais pelo que vemos, ou seja, o mundo material, mas
passamos a viver na esfera do sobrenatural. Porque semeamos nele, colhemos seus frutos. Por mais que você não
acredite, não é preciso esperar até morrer para adentrar no Reino do nosso Pai. Não! Você não precisa viver no inferno
até chegar ao céu! O Reino está entre nós.
Com certeza, pessoas olhavam para Jesus procurando nele um rei. No entanto, tudo o que encontravam
era um simples homem do povo, misturado ao povo, com uma mensagem radical demais. Sem dúvida, os fariseus
tentaram acreditar que aquele homem que pregava com autoridade era o Messias, mas, ao perceber que ele não estava
armado e não buscava um trono entre os homens, desistiram da idéia. Os judeus queriam um rei e um reino, não outro
pregador ou profeta. Eles ouviam a mensagem de que o Reino estava próximo e se animavam. “Talvez Jesus queira
começar uma revolução política e derrotar o Império!”. Na verdade, o reino que era anunciado pelo Messias era outro,
não desta terra, e estava mais próximo do que eles imaginavam!

Imagine um homem que ganhou na loteria, mas ainda não descobriu isto. Ele dorme e acorda sem saber
que a chave para mudar seu destino está à disposição no banco da esquina. O pobre homem, por causa da sua
ignorância, luta para juntar seus poucos tostões enquanto pilhas de dinheiro estão guardadas a sua espera. Para uma
pessoa assim só existe um sonho: ganhar dinheiro. Ela espera a realização dele enquanto, na verdade, ele já aconteceu.
Da mesma forma, nós, muitas vezes, esperamos o cumprimento das promessas de Deus na nossa vida quando elas já
foram liberadas e estão disponíveis. Nos dias de Jesus, uma nação inteira esperava pelo Messias ao mesmo tempo em
que este caminhava em meio a eles. Até hoje, algumas pessoas esperam pelo Reino de Deus. Na verdade, ele já
chegou.
Em passagens como Mt 3.2, 4.17 , 10.7 , Marcos 1.15 e Lucas 10.9, o termo traduzido por próximo é
eggiken. Esta é uma forma verbal que significa uma ação passada. A melhor tradução, segundo o escritor Dallas Willard,
seria simplesmente “já chegou”. Quando Jesus falava do Reino ele não apontava para o horizonte, fazendo com que o
povo cresse que era algo distante e impossível de ser alcançado. Não! Ele apontava para si mesmo. O Reino estava
próximo porque Jesus estava ali. O Reino estava nele e o Filho de Deus era o Reino.
Conheço algumas pessoas que suspiram pelo céu. Elas olham toda a situação em que o nosso mundo se
meteu, o buraco em que caiu, e desesperadas clamam pela chegada do Reino. Não crêem que Deus pode fazer algo nos
nossos dias. A solução se encontraria em um outro lugar distante! Eu mesmo já sonhei com aquelas maquinas de tele-
transporte da nave Entreprise da famosa série Star Trek. Não seria maravilhoso? Transportar-se para outro mundo logo
que este aqui “apertasse demais no nosso sapato”? O reino deve ser desejado. No entanto, preciso que você entenda
isso com todo o seu coração: o reino não descansa em algum lugar distante no futuro. Deus quer manifestar o seu Reino
agora na terra. O Reino ainda está próximo. Ele nunca se distanciou.
“A virgem conceberá e dará a luz um filho, e o chamarão pelo nome de Emanuel, que quer dizer:
Deus conosco”. (Mateus 1.23)

Quando Jesus pisa sobre este planeta, o Reino de Deus chega com ele. Curas e maravilhas – o impossível
quebrando as regras físicas do possível – vem com ele também. Ele era a prova do Reino de Deus em meio aos homens!
De repente, as pessoas em Israel podem, dentro das fronteiras do seu próprio país, experimentar a existência de outro
Reino. Ele, de repente, chegou perto. É Deus quem sai de casa a procura de seus filhos. O próprio nome Emanuel,
profetizado pelo anjo, significa “Deus conosco”. Jesus é este Deus agindo no nosso meio, trazendo luz às trevas e
revelando aos olhos assustados do mundo que, sim, existe uma outra realidade. Talvez o fato mais assustador nem seja
o de que exista uma outra atmosfera onde Deus habita e onde nossas leis científicas não possam ser aplicadas. Na
verdade, a maioria dos homens já nasce com esta desconfiança. O que assusta muitos e que ajudou muitos fariseus a
não crerem em Jesus foi a assombrosa disponibilidade de Deus e do seu Reino.
O reino nos é dado de graça por Jesus. O incrível não é está facilidade de acesso a Deus e ao Reino, mas
sim, o fato de que milhares de pessoas ainda vivem longe do Criador e fora das fronteiras da cidade de Deus. Por ser de
fácil acesso é ignorado ou tido como um truque barato e apelativo. Porque temos o costume de sempre buscar o mais
complicado? Por exemplo: experimente oferecer 10 reais a quem quiser, estando você em um púlpito de igreja no
domingo. Algumas pessoas não irão acreditar, outras serão orgulhosas e, talvez, depois de algum tempo, alguém se
levante. É exatamente o mesmo caso de disponibilidade que assusta. Quando a esmola é muita o santo desconfia. Longe
de qualquer complicação, Deus coloca o reino a disposição. Todo aquele que crê em Jesus pode adentrar por suas
portas. É importante saber que, ao entrar pelas portas do reino de Deus, não estamos perdendo nada! Na verdade,
passamos de “um povo sem reino” a uma posição de concidadãos de Jesus e dos anjos. Nossa vida, longe de ser
anulada por Deus, só se cumpre nele e por ele. Ter nacionalidade celestial é uma condição de muitos privilégios.
O DEVOCIONAL DIÁRIO

Cresci num lar cristão e aprendi sobre a importância de se manter um período devocional diário com Deus.
Tanto por preceitos, como pelo exemplo de meus pais, soube desde criança que devemos cultivar este tempo à parte
com o Senhor.
Há algo poderoso por trás desta prática, como estaremos analisando. Mas, preciso admitir que mesmo
aprendendo que todo cristão deva ter seu período devocional com Deus, falhei centenas e centenas de vezes no que diz
respeito a isto. Falhei em períodos em que não estive tão intensamente envolvido com Deus e Seu Reino, falhei também
depois de estar bem comprometido com o Senhor e ministerialmente amadurecido. Portanto, quero iniciar nossa reflexão
declarando que nem sempre erramos por falta de conhecer determinados princípios bíblicos, mas muitas vezes por mera
falta de disciplina.
Sei que a maioria dos crentes de hoje não costuma investir diariamente num período de devoção com
Deus. Muitos cometem este erro por falta de ensino e esclarecimento, outros por falta de cobrança e estímulo e, claro, há
ainda aqueles que erram por pura negligência. Não quero me dirigir a um ou outro grupo em separado, mas aos três. Aos
que conhecem a base bíblica deste princípio, convido-os a reverem aquilo que um dia aprenderam e dedicar-se à prática.
Aos que estão recebendo este ensino pela primeira vez, apelo para que absorvam estes princípios e passem a vivê-los.
Quanto aos deliberadamente negligentes, espero que se arrependam e também ordenem seus passos nesta área.
Precisamos compreender o valor e resultados provenientes do devocional diário. Então seremos
estimulados a trazê-lo para a experiência diária. E ao fazê-lo, entraremos numa dimensão mais profunda de intimidade
com o Senhor.
Deus espera que o busquemos todos os dias. Isto parece ficar bem claro na oração-modelo que Jesus nos
ensinou: “…o pão nosso de cada dia nos dá hoje…” (Mt 6.11). Jesus ensinou a nos colocarmos diariamente diante do Pai
Celeste e buscar Sua provisão para aquele dia. E quanto ao dia seguinte? Devemos voltar a buscar ao Senhor a cada
novo dia. Cristo declarou: “Portanto não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados;
basta ao dia o seu próprio mal.” (Mt 6.34).

Mesmo sendo ensinados a depender de Deus para nossa provisão, o que percebemos é que o caminho
bíblico proposto é ir a Ele em oração diariamente. E que as respostas divinas vêm em cotas “diárias”, não mais do que
isto. Há uma relação entre este ensino do Senhor Jesus e o que ocorreu nos dias de Moisés quanto ao maná, o pão do
céu.
Depois que a nação de Israel deixou o Egito, e saiu pelo deserto, em direção à Canaã, viu-se em
dificuldades para ter seu próprio alimento, uma vez que, em viagem, não tinham tempo nem condições para plantar e
colher. E começaram a murmurar contra Deus e contra Moisés. E o relato bíblico nos revela o que aconteceu:
“Então o Senhor disse a Moisés: eis que vos farei chover do céu pão, e o povo sairá, e colherá
diariamente a porção para cada dia, para que eu ponha à prova se anda na minha lei ou não”. (Êxodo 16.4)

A cada novo dia os israelitas tinham que se levantar em busca do pão. Deus queria que fosse exatamente
assim.
“Disse-lhes Moisés: Ninguém deixe dele para a manhã seguinte. Eles, porém, não deram ouvidos a
Moisés, e alguns deixaram do maná para o dia seguinte; porém deu bichos e cheirava mal. E Moisés se indignou
contra eles. Colhiam-no, pois, manhã após manhã, cada um quanto podia comer; porque, em vindo o calor, se
derretia”. (Êxodo 16.19-21)

O que temos aqui não é só uma lição de dependência, mas os parâmetros divinos para a forma de Seu
povo se relacionar com Ele! Parece-nos que era justamente isto que acontecia no Jardim do Éden, onde Deus visitava
Seus filhos na viração do dia (Gn 3.8). O plano de Deus para nosso relacionamento com Ele envolve a busca diária. Mas
temos uma inclinação a errar justamente aí. É só observar o que ocorreu com os israelitas no deserto: mesmo sendo
advertidos para não colher mais do que a porção diária do maná, alguns deles tentaram fazê-lo. Porquê? Por puro
comodismo, para não precisar levantar cedo e ter o mesmo trabalho no dia seguinte, uma vez que quando o sol se
levantava, o maná derretia.

A humanidade vive procurando atalhos para todas as coisas. Como diminuir o serviço e tornar tudo mais
cômodo parece ser uma das áreas em que mais vemos progresso e avanços tecnológicos! A idéia é simplificar tudo o que
for possível. As crianças de hoje só usam fraldas descartáveis; temos o freezer e o microondas; a embalagem longa vida;
o telefone celular, e uma infinidade de outras coisas que foram inventadas em nome da praticidade. E não estou
reclamando. Eu, como a maioria, gosto disto. Mas temos transportado esta idéia para o nosso relacionamento com Deus.
Isto ocorre desde o início da humanidade. Os israelitas demonstraram estar dentro deste mesmo tipo de pensamento
quando acharam que poderiam “driblar” a regra da busca diária. E nós também continuamos presos à mesma forma de
pensar, milhares de anos depois.
Não há meios de se trabalhar com estoque, no que diz respeito à presença de Deus. Devemos buscá-Lo a
cada novo dia. O que experimentamos dEle num dia, não servirá para o dia seguinte. Este princípio aparece muito na
simbologia bíblica. Através do profeta Jeremias o Senhor repreendeu Seu povo por não praticar um princípio essencial no
relacionamento com Ele: o de reconhecê-Lo como manancial de águas vivas.
MANANCIAL OU CISTERNA

“Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e
cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas”. (Jeremias 2.13)

Naqueles dias não havia água encanada, e o povo dependia dos mananciais para sua sobrevivência.
Entretanto, tanto pela falta do manancial como pelo comodismo de não precisar buscar água todos os dias, as pessoas
passaram a usar cisternas. A cisterna era um reservatório de água de chuva, e era muito prática, uma vez que evitava o
trabalho de se ir diariamente atrás de uma fonte. Temos muitos exemplos bíblicos de pessoas indo aos poços para
buscar água. Isto era algo comum a todos, razão pela qual Deus escolhe justamente esta figura para ilustrar a verdade
espiritual que o Seu povo necessitava ouvir e entender.
Qualquer um sabe que há uma diferença na qualidade da água proveniente da fonte e do poço. Mas o que
Deus está dizendo não é algo ligado à qualidade da água, mas ao fato de que, espiritualmente falando, as cisternas não
funcionam. Deus chamou as cisternas que Seu povo vinha cavando de rotas, que não podiam reter as águas. Portanto,
nesta comparação que o Senhor faz, a conclusão é única: quem bebe da fonte tem a água, enquanto que quem tenta a
cisterna acaba ficando sem água!
Muitos de nós achamos que é possível “driblar” o princípio da busca diária e tentamos “encher nosso
reservatório” nos cultos. Há pessoas que durante toda a semana não oram e nem lêem a Bíblia, mas acham que um culto
é suficiente para mantê-las abastecidas. Era disto que Deus falava. Porque preferimos encher nossa cisterna em vez de ir
diariamente à fonte? Talvez por mero comodismo, mas o fato é que temos falhado numa área vital de nosso
relacionamento com o Pai Celeste. Ninguém sobrevive de estoque em sua vida espiritual. Não existe uma espécie de
“crente-camelo” que enche o tanque e agüenta quarenta dias no deserto!
Creio que esta é uma área importantíssima a ser ordenada em nossas vidas. Não há nada que nos leve a
estar mais próximos de Deus do que o relacionamento diário. Esta idéia de beber da fonte é usada por Deus em toda a
Bíblia, e penso que isto serve para cultivar em nós uma mentalidade correta de nosso relacionamento com Ele; veja
alguns destes textos:
“Respondeu-lhe Jesus: Se tivesses conhecido o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de
beber, tu lhe terias pedido e ele te haveria dado água viva. Replicou-lhe Jesus: Todo o que beber desta água
tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a
vida eterna”. (João 4.10,13,14)
“Ora, no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem
sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a escritura, do seu interior correrão rios de água viva”.
(João 7.37,38)
“Pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da
água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima”. (Apocalipse 7.11)
“O Espírito e a noiva dizem: Vem. Aquele que ouve diga: Vem”. (Apocalipse 22.17)
PRECISAMOS DE TEMPO AOS PÉS DO SENHOR

Muitas vezes estamos tentando agradar a Deus com nosso trabalho, mas, o mais importante para Ele é
quando nos assentamos aos Seus pés. Nosso serviço é importante, porém estar com o Senhor, gastar tempo em Sua
presença é muito mais. Além de que, depois de um tempo de comunhão o serviço se torna mais eficaz. Observe um
episódio que Deus fez questão que fosse registrado para nosso ensino:
“Ora, quando iam de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu
em sua casa. Tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, sentando-se aos pés do Senhor, ouvia a sua palavra.
Marta, porém, andava preocupada com muito serviço; e aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá que minha
irmã me tenha deixado servir sozinha? Dize-lhe, pois, que me ajude. Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, estás
ansiosa e perturbada com muitas coisas; entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só; e Maria
escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada”. (Lucas 11.38-42)

Enquanto Marta corria, Maria estava aos pés do Senhor. Todos conhecemos a história, mas fazemos
questão de permitir que ela continue se repetindo… Muitos de nós só conseguimos pensar nos compromissos diários, na
agenda cheia, em como fazer tudo etc… Preocupamo-nos com coisas que não mereciam tanta atenção. Deixamos que o
“urgente” tome o lugar do “importante”.
Sei muito bem do que estou falando não só pelo convívio com outras pessoas, mas por mim mesmo. Por
natureza sou alguém agitado, que não gosta de ficar parado. Se deixar, não paro um instante, sou como Marta. Mas
tenho aprendido que na vida com Deus, as coisas são diferentes. Aprendi desde o início da minha caminhada com Ele,
que a chave de tudo é o tempo investido em relacionamento com o Pai. E apesar, de por temperamento ser uma pessoa
mais parecida com Marta, por princípio bíblico tenho forçado meu comportamento a se ajustar ao de Maria. Às vezes
tenho as minhas recaídas, mas luto comigo mesmo, pois quero o melhor de Deus! Ninguém tem o direito de se desculpar
dizendo: “Este é o meu jeito de ser”! Se Deus nos fizesse de modo diferente uns dos outros no que diz respeito a buscá-
Lo, estaria sendo injusto conosco; estaria dando a um condições de agrada-Lo e a outro não. Mas isto não é mera
questão de temperamento, e sim de comportamento. Precisamos aprender as prioridades corretas para crescer
espiritualmente. Falta de tempo com Deus é o maior obstáculo ao crescimento do crente.
Costumamos permanecer tão cegos em nosso comportamento errado que às vezes tentamos até
convencer Deus de que estamos certos. Marta foi pedir a Jesus que fizesse Maria se levantar e ajudar, e estava certa de
que Jesus agiria de forma justa, mas não esperava que naquela situação a errada fosse ela. Tentou convencer até o
próprio Jesus da importância de sua “correria”. De modo semelhante, muitas vezes estamos errados e tentando
convencer-nos (e aos outros) do contrário.

Contudo, as palavras de Jesus são muito fortes, contundentes: “…poucas coisas são necessárias, ou
mesmo uma só…” O que Ele estava dizendo a Marta? Que de toda a nossa correria, poucas coisas são realmente uma
necessidade. Muito do que julgamos ser necessário, na verdade não é. Agimos assim na administração de nossa agenda
diária; assimilamos muita coisa que poderia esperar como se o mundo fosse acabar em dois dias. E o resultado não é só
estresse, mas falta de poder espiritual. A presença de Deus é um refrigério, e devemos cultivá-la com dedicação.

O Senhor Jesus declarou: “poucas coisas são necessárias, ou mesmo uma só”. Penso que com esta frase
Ele na verdade estava dizendo: “Pode enxugar sua agenda que a maioria de seus compromissos não são assim tão
importantes. E se tiver que escolher uma única coisa para fazer, fique em minha presença”.
Não estou dizendo que ninguém deva parar de trabalhar, estou falando principalmente de coisas que não
precisam necessariamente acontecer naquele momento. Por exemplo, muitos de nós “precisamos” assistir ao noticiário
todos os dias. Será que precisamos mesmo? Muitos de nós “precisamos” nos divertir com um bom filme. Mas será que
não dá para dar um intervalo maior de dias entre um entretenimento e outro?
Você pode se questionar sobre muita coisa que faz, mas o fato é que se você tivesse que fazer restar uma
única atividade em seu dia, por ser a mais importante, ou a única que verdadeiramente possa ser chamada de
necessidade, deveria ser a de estar aos pés do Senhor.
O evangelista Moody, defensor deste tipo de pensamento (como todo homem que Deus já pôde usar de
modo especial), declarou o seguinte: “Um dos mais claros sinais dos tempos é que muitos cristãos, em nossas
associações de moços e igrejas, estão guardando diariamente a ‘hora tranqüila’. Nesta era de correria e incessantes
atividades, precisamos de algum chamado especial para nos retirarmos e nos colocarmos a sós com Deus por um tempo,
todos os dias. Qualquer homem ou mulher que assim proceder, não conseguirá passar mais que vinte e quatro horas
longe de Deus”.
Moody chamava o momento devocional de “a hora tranqüila”. Mesmo que nossa vida se resuma em muita
correria, deve haver um momento quando consigamos desacelerar para estar a sós com Deus.
AFIANDO O MACHADO

A falta de tempo com Deus impede-nos de servi-Lo melhor. E atualmente até mesmo muitos ministérios
estão sendo formados de maneira errada! São ensinados a fazer, fazer e fazer, mas quando investimos tempo a sós com
o senhor, aumentamos o proveito do serviço depois. Veja este princípio bíblico:
“Se estiver embotado o ferro, e não se afiar o corte, então se deve por mais força; mas a sabedoria é
proveitosa para dar prosperidade”. (Eclesiastes 10.10)

Quando o rei Salomão foi inspirado pelo Espírito Santo a escrever estas palavras, não nos deixou apenas
um princípio natural, mas, paralelamente estabeleceu um fundamento espiritual. Assim como a sabedoria de afiar o corte
do machado no rachar lenhas torna o trabalho mais eficaz, também há recursos espirituais que tornarão nosso andar em
Deus mais frutífero.

Se o machado de um lenhador encontra-se embotado, sem corte, ele tem que empreender muito mais
força e energia em seu trabalho, consumindo assim mais do seu tempo. Mas ao investir uma parte do seu tempo afiando
o corte do machado, no fim terá economizado tempo e energia. A partir do momento que a ferramenta tem melhor corte,
será o corte que determinará o resultado, e não a força do golpe na lenha. Resumindo: Se tentarmos economizar o tempo
que usaríamos dando manutenção à ferramenta, acabaremos perdendo mais tempo ainda no trabalho que executamos.
O povo de Deus precisa aprender urgentemente esta lição! O que precisamos aprender e provar na prática,
é que o tempo gasto com Deus é o machado sendo afiado. Se economizarmos nesta prática, perderemos muito mais
tempo e energia depois e não conseguiremos fazer tão bem o serviço.
NOSSA PRIORIDADE DIÁRIA

Agora chegamos num ponto importante. Sabemos que precisamos estar com Deus. E que isto deve
acontecer todos os dias. E que este encontro não precisa durar o dia todo. E que a maior desculpa que damos é que, em
meio à correria, não nos sobra tempo para isto. Portanto, o melhor remédio é fazer de seu período devocional com Deus
a primeira atividade do dia. Se você o faz antes das outras coisas, não corre o risco de acabar ficando sem fazer.
O que fazemos quando nos encontramos financeiramente “apertados”, e temos várias contas a pagar,
sabendo que talvez naquele dia ou semana não haja recursos suficientes para pagar tudo? A maioria de nós tem
experiência nisto. Começamos pagando as contas mais importantes, as prioritárias. E o resto ajusta-se depois. Se
conseguirmos transferir a mesma mentalidade e raciocínio para a prática do devocional, tudo será diferente. Estar com
Deus é a conta prioritária a ser paga a cada dia, portanto, devemos começar por ela, e o resto vai ajustando-se como der!
No início deste estudo usamos o exemplo do maná como uma figura desta busca diária. E o maná tem uma
figura que se encaixa bem naquilo que estamos falando. Se ele não fosse colhido logo cedo, se derretia com o Sol. Em
outras palavras, ou a pessoa começava seu dia com aquela atividade prioritária, ou acabava ficando sem ele. Com nosso
devocional não deve ser diferente. Jesus nos deixou o exemplo:
“De madrugada, ainda bem escuro, levantou-se, saiu e foi a um lugar deserto, e ali orava”. (Marcos
1.35)

De modo semelhante ao ato dos israelitas de colher o maná antes do sol se levantar, Jesus muitas vezes
saía cedo de casa a fim de estar a sós com o Pai Celeste. Aqui ainda vemos outro princípio importante para nosso
devocional. O texto diz que Cristo “foi a um lugar deserto”, o que fala da importância de estarmos a sós com Deus neste
momento. Estou convicto de que não há hora melhor para se ter o devocional do que ao amanhecer do dia. Lemos no
Velho Testamento: “De manhã, Senhor, ouves a minha voz; de manhã te apresento a minha oração e fico esperando”. (Sl
5.3).
A oração sempre será algo abençoador, mas quando Deus dá ênfase ao fato de buscá-Lo logo de manhã,
está valorizando aqueles que decidiram estar com Ele como a sua prioridade do dia. Buscar ao Senhor no início do dia é
honrá-Lo como o que de mais importante temos. E Deus está realmente interessado nisto! Veja o que o profeta Isaías
declarou:
“O Senhor Deus [...] me desperta todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que eu ouça como os
eruditos”. (Isaías 50.4)

Se dermos esta liberdade ao Senhor, priorizando o tempo com Ele, certamente perceberemos que o maior
interesse neste tempo de qualidade ao início do dia, é do próprio Deus. Isaías afirmou que o Senhor o despertava para ter
este tempo de comunhão. Para Moisés, Deus também fez este tipo de convite: “Subas pela manhã e põe-te diante de
mim no cume do monte” (Êx 34.2). Qual era a importância de subir ao monte pela manhã? A única que temos enxergado
em cada versículo até agora: dar ao Senhor as primícias do dia.
RAÍZES SANTAS
“E, se forem santas as primícias da massa, igualmente o será a sua totalidade; se for santa a raiz,
também os ramos o serão”. (Romanos 11.16)

Com base nesta afirmação bíblica, Andrew Murray declara em seu livro “A Vida Interior” o seguinte: “Se as
primeiras horas da manhã forem consagradas ao Senhor, o restante do dia com as suas diversas tarefas também o será”.
Ele chamava a prática deste princípio de “a hora matinal”. Acredito piamente neste princípio. Se santificarmos as
primícias do dia, santificamos o dia todo!
Assim como nosso corpo despoja-se de seu cansaço na noite de sono, levantando-se renovado ao
amanhecer, também algo precisa acontecer com nosso espírito. Não podemos ignorar o fato de que o crente precisa de
renovação diária em seu relacionamento com Deus. É como no caso do maná. O que se colhe num dia, dura só para
aquele dia. E a cada novo dia temos que buscar ao Senhor novamente. Quando aprendemos a prática do devocional
diário, estamos dando um passo vital para andar em renovação espiritual:
“Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa,
contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia”. (2 Coríntios 4.16)

Ao usar a expressão “nosso homem interior se renova de dia em dia”, a Bíblia está nos apresentando a
visão de que na vida cristã todos precisamos de RENOVAÇÃO DIÁRIA. Por outro lado, ao afirmar “mesmo que o homem
exterior se corrompa”, penso que as Sagradas Escrituras estavam falando de duas coisas: da deterioração física do
envelhecimento natural, e também da corrupção do pecado. Tanto em uma como em outra, a idéia é a de que dia após
dia estamos nos “estragando” por fora, em nossa carne. É por isso que precisamos passar por um processo de
renovação diária em nosso íntimo, no homem espiritual. E se investimos nesta prática, não seremos tão duramente
afetados pela força do pecado.
Nosso espírito e nossa carne combatem entre si (Gl 5.16), e quanto mais fortalecemos a um deles, maior a
probabilidade de vitória nesta luta. Portanto, precisamos alimentar diariamente nosso espírito em momentos de devoção
ao Senhor. Por isso é tão importante que tenhamos um tempo diário meditando na Palavra, orando, adorando ao Senhor.
COMO FAZER O DEVOCIONAL?

Muitos nos perguntam como podem conduzir seu tempo devocional. Isto é algo pessoal, e acima de tudo,
devemos ser sensíveis ao Espírito Santo. Mas há algumas coisas que precisam estar presentes neste momento, e
queremos dar algumas sugestões quanto a estas práticas indispensáveis para o momento devocional. São elas: a
meditação bíblica, a oração e a adoração.
Meditação Bíblica – Nos dias do Antigo Testamento (e mesmo até séculos recentes) as pessoas não
dispunham de cópias das Escrituras. Alguns – como os sacerdotes e escribas, por exemplo – tinham acesso diário às
Escrituras, mas a maioria não. Eles dependiam das reuniões públicas para semanalmente ter algum contato com a
Palavra. Penso que esta foi a única razão pela qual Deus não exigiu de todos a leitura diária das Escrituras, mas ainda
assim, de alguns isto era exigido, como no caso dos reis:
“Também, quando se assentar no trono de seu reino, escreverá para si um traslado desta lei num
livro, do que está diante dos levitas e sacerdotes. E o terá consigo e o lerá todos os dias da sua vida, para que
aprenda a temer ao Senhor, seu Deus, a fim de guardar todas as palavras desta lei e estatutos, para os cumprir”.
(Deuteronômio 17.18,19)

Foi por ter este contato diário com as Escrituras, que Davi pôde escrever um Salmo tão belo como o 119.
Creio que Deus espera daqueles que desejam viver próximos dEle, um tempo diário com sua Palavra, que envolve pelo
menos três atividades distintas além da leitura em si: falar (confissão e testemunho aos outros); meditar (refletir, analisar
cuidadosamente); praticar (viver o que está escrito, obedecer). Veja o que Deus disse a Josué:
“Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas o cuidado de
fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o seu caminho e serás bem-sucedido”.
(Josué 1.8)
Oração – Já vimos que Jesus nos ensinou em Seu modelo de oração a estarmos diariamente perante
Deus. Esta deve ser uma prática diária, o que percebemos na frase “o pão nosso de cada dia…”; portanto, também deve
estar em nosso momento devocional diário. Este tempo deve envolver os diferentes tipos de oração, como por exemplo:
confissão (tanto de nossos pecados como também das promessas bíblicas que nos dizem respeito); súplica (aqui se
enquadram nossas petições); intercessão (quando oramos por outros – nossos familiares, discípulos, vizinhos etc…);
ações de graça; oração no Espírito (em outras línguas).
A oração do “Pai-Nosso” é um excelente modelo de oração; suas frases nos dão uma direção para as
áreas importantes a serem abordadas em nossa oração diária.
Louvor e Adoração – Esta também é uma prática diária. Davi declarou:

“Todos os dias te bendirei e louvarei o seu nome para sempre”. (Salmos 145.2)

O tempo de adoração pode envolver cânticos conhecidos e espontâneos, bem como declarações de amor
e exaltação. Alguns gostam de utilizar músicas gravadas num CD nestes momentos, o que também deve ser visto como
um acréscimo ao momento de adoração. Ouvir louvores não substitui o louvar; são duas coisas distintas. Mas
acompanhar o louvor gravado não deixa de ser um bom recurso.
CONCLUINDO

Além de saber que devemos ter nosso período devocional diário (e matinal) com Deus, e conhecer algumas
das práticas indispensáveis a este momento, penso que devemos também compreender a quietude e privacidade que
devem estar presentes neste momento. Acredito que há algo poderoso na oração coletiva, e devemos aprender a orar
com outros irmãos, bem como com a Igreja toda reunida. Mas a força do período devocional com Deus reside no princípio
de estar a sós com Deus. Isto não só nos ajuda a cultivar a intimidade com o Senhor, como também é um mandamento
de Cristo:
“Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em
secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará”. (Mateus 6.6)

Estar à portas fechadas com Deus, é uma necessidade de cada um de nós. Ali não só pedimos, mas
adoramos e nos rendemos com total liberdade de rasgar o coração. Assim como um casal tem seus momentos de
privacidade longe da vista de todos, penso que devemos cultivar momentos de comunhão com o Noivo que também
sejam marcados pela privacidade.
Se você não tem meios de se trancar, pelo menos procure se afastar das demais pessoas para ter este
momento. Certamente esta prática diária te levará a um novo nível de relacionamento com Deus!
ORDENANDO NOSSA ESCALA DE VALORES

A escala de valores de muitos cristãos está desordenada. Alguns estão vivendo de modo desordenado
porque não fazem a menor idéia do que as Escrituras ensinam a respeito do assunto; outros porque mesmo tendo os
valores e prioridades devidamente ordenados no conceito mental, não conseguem tê-los na prática. Acabam deixando
que aquilo que é urgente tome o lugar daquilo que é importante.
A primeira coisa a ser feita ao ordenarmos nossos passos, é conhecer a escala de valores do ponto de
vista de Deus, aquilo que a Bíblia ensina. Depois, é lutar por fazê-la funcionar!
DEUS EM PRIMEIRO LUGAR

Não há nada, absolutamente nada que possa ocupar o primeiro lugar de nossas vidas, a não ser Deus. O
mandamento dado a Moisés foi lembrado e enfatizado pelo próprio Senhor Jesus:
“Aproximou-se dele um dos escribas que os ouvira discutir e, percebendo que lhes havia
respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? Respondeu Jesus: O primeiro é:
Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de
toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças. E o segundo é este: Amarás ao teu
próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que esses.” (Marcos 12.28-31)

Amar ao Senhor de todo o nosso coração, alma, entendimento e forças, é colocá-lo em primeiro lugar nas
nossas vidas. Jesus deixou bem claro a qualquer que quisesse seguí-lo como discípulo, que deveria reconhecê-lo em
primeiro lugar em suas vidas, na frente das pessoas que normalmente nos são as mais amadas e queridas:
“Se alguém vier a mim, e não aborrecer a pai e mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda
também à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não leva a sua cruz e não me segue, não pode ser meu
discípulo. Assim, pois, todo aquele dentre vós que não renuncia a tudo quanto possui, não pode ser meu
discípulo.” (Lucas 14.26,27 e 33)

O Senhor deve estar na frente dos pais, cônjuges, filhos e qualquer outro familiar. Deve ser o primeiro valor
em nossa lista ou escala de prioridades. Deve vir antes de nossa própria vida. Deve vir antes de nossos bens ou qualquer
outra coisa. Quando falamos sobre o Deus vir antes, não é porque as coisas que nos dispomos a renunciar não tem mais
lugar em nossas vidas e sim que elas vêm depois.
Por exemplo, se o meu cônjuge, incomodado com minha fé me dá um ultimato e me manda escolher entre
ele ou Deus, me disponho a sacrificá-lo e ficar com Deus, pois Deus é o maior valor de minha vida. Mas, se mesmo não
sendo cristão, meu cônjuge não se importa que eu busque ao Senhor, então ele passa a ser meu segundo maior valor ou
prioridade (1 Co 7.12,13). O primeiro lugar de nossa vida, indiscutivelmente é de Deus:
“Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.”
(Mateus 6.33)

Isto não quer dizer que as outras coisas não cabem em nossas vidas, mas que elas vêm DEPOIS de
Deus.
FAMÍLIA EM SEGUNDO LUGAR

Muita gente tem errado ao pensar que a igreja ou o ministério vem depois de Deus. É como um caso que
ouvimos. Uma senhora do interior de São Paulo disse que Deus a chamou para uma missão e desapareceu de casa por
mais de um mês. Quando os irmãos da congregação perceberam o que estava acontecendo, tiveram que cuidar dos
filhos desta mulher que não tinham o que comer e nem vestir. O marido estava furioso porque roupas chegaram a
apodrecer no tanque enquanto a família aguardava ansiosa o término da “missão”. Isto é um absurdo! Uma mulher destas
nunca leu a Bíblia! Até no caso de diminuir a intensidade do contato físico para se dedicar à oração, o casal deve estar
em acordo (1 Co 7.5). Mas aquela mulher não consultou seu marido, ela apenas disse: – “Deus me chamou e eu estou
indo”. E ainda por cima dizia que o marido era “carnal” a ponto de não discernir a voz de Deus…
Veja o que as Sagradas Escrituras ensinam acerca do lugar da família na nossa escala de valores:
“Mas, se alguém não cuida dos seus, e especialmente dos da sua família, tem negado a fé, e é pior
que um incrédulo.” (1 Timóteo 5.8)

Não há dúvida que a família é nossa segunda prioridade depois de Deus. Se alguém negligenciar sua
família por causa da igreja, do ministério, ou de qualquer outra coisa, por mais “espiritual” que pareça, está contra a
Palavra de Deus! Paulo disse que tal pessoa está negando a fé e é pior do que um incrédulo! Agora veja, Paulo estava
falando com os crentes que iam à igreja mas estavam negligenciando o lar. Logo, concluímos que a família vem antes da
igreja na nossa escala de valores. Há um outro texto que mostra claramente a família como uma prioridade antes da
igreja e do ministério. É o conselho pastoral que Paulo queria estender a todos os ministros debaixo da supervisão de
Timóteo:
“É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, … que governe bem
a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a sua
própria casa, como cuidará da igreja de Deus?)” (1 Timóteo 3.2,4 e 5)

Observe que o homem de Deus deve ser exemplar quanto à sua família. Fiel à sua esposa, e governando
bem sua casa e seus filhos, caso contrário não poderá cuidar da igreja e ministério.
A Palavra de Deus não deixa a menor sombre de dúvida quanto ao lugar que nossa família deve ter na
nossa escala de valores. Mas muitos cristãos tem negligenciado a sua família. Muitos pais que não dão tempo e atenção
aos seus filhos se queixam de vê-los desviados, mas não se apercebem que estão andando em desordem. Há esposas
perdendo seus maridos e vice-versa, porque não os colocaram no lugar certo na escala de valores. É hora de
ordenarmos nossos passos e darmos a atenção, honra e dedicação devida à família.
TRABALHO EM TERCEIRO LUGAR

É impressionante a facilidade com que nos levamos aos extremos. De um lado, temos na igreja, pessoas
que são viciadas em trabalho e cujas vidas não estão em ordem, pois desrespeitaram a escala bíblica de valores, pondo
o trabalho em primeiro lugar. De outro, temos aqueles que relegaram ao trabalho o último lugar na sua escala de valores,
ou que nem mesmo colocam o trabalho em suas prioridades!
Quando a Bíblia fala daquele que não cuida da sua família sendo pior do o descrente (1 Tm.5.8), está
falando, no contexto, sobre sustento material, sobre provisão das necessidades físicas. Um cristão que não leva a sério o
trabalho, à ponto de deixar sua família passar necessidade, está violando dois valores importantíssimos que vem logo
depois de Deus!
O trabalho é uma ordem bíblica. É o meio do homem sustentar sua casa e viver dignamente. Além disto,
por meio do seu ganho ele também poderá servir ao reino de Deus e ao necessitado:
“Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom,
para que tenha com que acudir ao necessitado”. (Efésios 4.28)

A Palavra de Deus também diz que aquele que não trabalha está andando desordenadamente, fora do
plano divino:
“Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto: Se alguém não quer trabalhar, também não
coma. Pois, de fato, estamos informados de que entre vós há pessoas que andam desordenadamente, não
trabalhando; antes se intrometem na vida alheia. A elas, porém, determinamos e exortamos, no Senhor Jesus
Cristo, que, trabalhando tranqüilamente, comam o seu próprio pão.” (2 Tessalonicenses 3.10-12)

O mandamento de Deus é claro: quem não trabalha, não deve ser sustentado pelos outros! Cada homem
tem a obrigação e responsabilidade de se envolver com o trabalho; isto não apenas o proverá quanto às suas
necessidades, mas ocupará corretamente o seu tempo, livrando-o de outros problemas. Paulo se orgulhava de nunca ter
sido um peso para ninguém, e de suas próprias mãos (seu trabalho) terem lhe provido o sustento (At 20.34).
Mesmo quando Deus chama alguém para o ministério de tempo integral (o que também é trabalho), deve-
se ter a sensibilidade de reconhecer que em determinados momentos, devido à falta de recursos, nada há de errado em
se trabalhar secularmente até que a condição de sustento mude; foi isto que aconteceu com Paulo em Corinto (At 18.1-
5).

Na vida dos que se dedicam de tempo integral, o ministério se enquadra na prioridade “trabalho”. Jesus ao
enviar seus discípulos para pregar e ministrar ao povo, aplicou a eles o termo “trabalhadores” e mencionou seu direito de
salário, que é a recompensa legítima do trabalhador (Mt 10.7-10).
Alguns estudantes crentes não sabem onde devem colocar seus estudos nestas escala. Considerando que
o estudo é um meio de profissionalização e preparo para melhores trabalhos, deve ser colocado no mesmo lugar que o
trabalho.
Algumas famílias conseguem manter seus filhos somente estudando sem que trabalhem, mas a maioria
não. Portanto devemos aconselhar e encorajar nossos jovens que enfrentem a correria de exercer as duas atividades,
pois independentemente da necessidade financeira o trabalho engrandece e amadurece a pessoa.
IGREJA EM QUARTO LUGAR

Para muitos parece falta de espiritualidade deixar a igreja depois da família e do trabalho, mas esta é a
forma correta de encarar nossas prioridades. Mas note que estamos falando de valores e sua ordem, e não sobre a
escolha de quais destes fatores terão lugar ou não em nossas vidas. Todos eles devem ter lugar em nossas vidas. O fato
da família vir antes que a igreja, não me dá o direito de não ir à igreja. Isto significa apenas que eu não devo negligenciar
minha casa por causa da igreja, mas não me dá o direito de abandonar a igreja. Muitas pessoas não vão aos cultos para
passear com a família, e isto é errado. Devemos passear com nossos familiares, mas isto deve ser programado a fim de
não coicidir com outros valores, como o horário do culto na igreja. Não podemos deixar de nos envolver com a igreja:
“Não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns
aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia”. (Hebreus 10.25)
É necessário que o crente em Jesus seja fiel em frequentar sua igreja. Não apenas porque ali ele é
edificado e fortalecido, mas principalmente porque esta é forma de andarmos debaixo de cobertura espiritual. Precisamos
uns dos outros; precisamos do relacionamento com os irmãos! A Bíblia diz que o que vive isolado insurge-se contra a
verdadeira sabedoria (Pv 18.1).
Embora vindo depois da família e do trabalho, a igreja é um valor precioso que deve vir antes de qualquer
outra coisa ligada à vida social.
Se dermos o valor devido a cada uma destas atividades, mantendo-as em ordem na escala de valores e
respeitando esta ordem em nosso dia-a-dia, deixaremos de ter muitos dos problemas que já tem nos incomodado…
O SIGNIFICADO DO MANÁ

Quando Deus tirou seu povo da escravidão do Egito rumo à Terra Prometida, Ele os guiou pelo deserto
onde não podiam plantar e colher, o que os levou a murmurarem contra o Senhor e contra Moisés. Por outro lado, Deus
queria que os israelitas dependessem totalmente da provisão divina para seu sustento. O livro de Êxodo nos conta que
Deus lhes enviou pão do céu. E isto aconteceu por um período de quarenta anos (Dt 8.2-3). Leia o relato bíblico:
“E partindo de Elim, toda a congregação dos filhos de Israel veio ao deserto de Sim, que está entre
Elim e Sinai, aos quinze dias do mês segundo, depois de sua saída da terra do Egito. E toda a congregação dos
filhos de Israel murmurou contra Moisés e contra Arão no deserto. E os filhos de Israel disseram-lhes: Quem dera
tivéssemos morrido por mão do Senhor na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne,
quando comíamos pão até fartar! Porque nos tendes trazido a este deserto, para matardes de fome a toda esta
multidão. Então disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá, e colherá
diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não. E acontecerá, no sexto dia,
que prepararão o que colherem; e será o dobro do que colhem cada dia. Então disseram Moisés e Arão a todos
os filhos de Israel: À tarde sabereis que o Senhor vos tirou da terra do Egito, e amanhã vereis a glória do Senhor,
porquanto ouviu as vossas murmurações contra o Senhor. E quem somos nós, para que murmureis contra nós?
Disse mais Moisés: Isso será quando o Senhor à tarde vos der carne para comer, e pela manhã pão a fartar,
porquanto o Senhor ouviu as vossas murmurações, com que murmurais contra ele. E quem somos nós? As
vossas murmurações não são contra nós, mas sim contra o Senhor. Depois disse Moisés a Arão: Dize a toda a
congregação dos filhos de Israel: Chegai-vos à presença do Senhor, porque ouviu as vossas murmurações. E
aconteceu que, quando falou Arão a toda a congregação dos filhos de Israel, e eles se viraram para o deserto, eis
que a glória do Senhor apareceu na nuvem. E o Senhor falou a Moisés, dizendo: Tenho ouvido as murmurações
dos filhos de Israel. Fala-lhes, dizendo: Entre as duas tardes comereis carne, e pela manhã vos fartareis de pão; e
sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus. E aconteceu que à tarde subiram codornizes, e cobriram o arraial; e
pela manhã jazia o orvalho ao redor do arraial. E quando o orvalho se levantou, eis que sobre a face do deserto
estava uma coisa miúda, redonda, miúda como a geada sobre a terra. E, vendo-a os filhos de Israel, disseram uns
aos outros: Que é isto? Porque não sabiam o que era. Disse-lhes pois Moisés: Este é o pão que o Senhor vos deu
para comer”. (Êxodo 16.1-15)

O último versículo diz que ao verem o maná, que era algo novo, jamais visto, os israelitas começaram a
perguntar uns aos outros “O que é isto?”, do som desta pergunta feita no hebraico é que surgiu o nome “maná”, que
significa “o que é isto?”. Contudo, além do significado literal da palavra, o maná tem uma mensagem simbólica na Bíblia,
e é isto que queremos explorar neste estudo.
A ARCA E O MANÁ

Lemos em Hebreus 9.4 acerca da arca da aliança que continha em seu interior um vaso com o maná, além
das tábuas da lei e da vara de Arão que floresceu. E o mesmo escritor afirma em sua epístola que a lei tem a sombra dos
bens futuros, e não a imagem exata das coisas (Hb 10.1).
Na arca e nos elementos em seu interior não temos a imagem exata das coisas, mas a sombra (ou figura)
de bens futuros. Se observarmos estes objetos segundo o ensino do Novo Testamento, temos que ir além da imagem
exata (o que neles se vê literalmente) e compreender a sombra, ou seja, o que eles tipificam: os bens futuros, da Nova
Aliança, nele figurados.
Qual é a figura do maná? Para entendermos claramente, compararemos dois textos bíblicos: um do Velho
Testamento apresentando a figura, e um do Novo Testamento interpretando a figura.
“Sim, ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que nem tu nem teus pais
conhecíeis; para te dar a entender que o homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor
disso vive o homem”. (Deuteronômio 8.3)
“Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que
sai da boca de Deus”. (Mateus 4.4)

Observe isto. Em Deuteronômio, vemos que as Escrituras dizem que o homem não vive de pão, mas de
tudo o que sai da boca do Senhor. E segundo o texto, o que saía da boca do Senhor? O maná! Agora veja, Jesus usa
estas mesmas palavras ao ser tentado pelo Diabo no deserto, E O INTERPRETA ao dizer: Nem só de pão viverá o
homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus. Ele substitui a expressão “maná” por “Palavra de Deus”, que era
o significado desta figura, que não tinha a imagem exata, mas era sombra de um bem vindouro.
O maná, portanto, é um tipo da Palavra de Deus: é o alimento que vem do céu para o sustento do seu
povo. E qual é a figura da arca da aliança? Ela representa a presença de Deus no meio dos homens. Veja os textos
bíblicos que autenticam esta afirmação: Quando, pois, a arca partia, dizia Moisés: Levanta-te, Senhor, e dissipados sejam
os teus inimigos, e fujam diante de ti os que te odeiam. E quando ela pousava, dizia: Volta, ó Senhor, para os muitos
milhares de Israel. (Nm 10.35-36). Quando a arca partia, Moisés dizia: “Levanta-te ó Deus…”, e quando ela pousava,
dizia: “Volta, ó Senhor…”, porque a arca representava a presença de Deus que estava entre os querubins, como ele
mesmo dissera a Moisés. Vemos também que em Primeira Samuel 4.21-22, quando os filisteus tomaram a arca, dizia-se
em Israel: “Icabode – de Israel se foi a Glória!”
Se a arca representava a presença de Deus no meio dos homens, então ela figura Jesus! No Novo
Testamento, é Ele quem é chamado EMANUEL, que traduzido é “Deus conosco” (Mt 1.23). E dele escreveu João, o
apóstolo do amor, dizendo: E o verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua
glória, como a glória do unigênito do pai. [...] Ninguém jamais viu a Deus. O Deus unigênito, que está no seio do Pai, esse
o deu a conhecer. (João 1.14, 18.) A arca, portanto, é figura de Cristo, a presença de Deus no meio dos homens.
O MANÁ ESCONDIDO

Uma vez compreendidas estas figuras, entenderemos melhor o que Paulo disse aos Colossenses: No qual
[Cristo] estão ESCONDIDOS todos os tesouros da sabedoria e da ciência. (Col 2.3). Veja bem: assim como o maná
encontrava-se escondido dentro da arca, da mesma maneira, em Cristo, estão escondidos todos os tesouros da
sabedoria e da ciência!
A arca figura Cristo e o maná a Palavra de Deus. E o maná encontrava-se ESCONDIDO dentro da arca, do
mesmo modo que os tesouros da sabedoria e da ciência – os mistérios do Reino, a Palavra de Deus – estão escondidos
em Cristo. É importante ressaltar a expressão “escondido”. O maná não estava apenas guardado na arca, mas
escondido! A arca não tinha janela nem vitrine; era um baú coberto pela tampa do propiciatório sobre o qual estavam os
querubins. O que se colocava dentro dela não era visto por ninguém. Jesus mesmo autentica esta verdade ao dizer à
igreja de Pérgamo “ao que vencer lhe darei do maná ESCONDIDO…”, sabe o que isto significa? Se alguém olhasse para
a arca não veria o maná escondido, exceto se fizesse um exame mais cuidadoso, abrindo a arca para examinar seu
conteúdo.

Da mesma maneira, se você tiver um contato apenas superficial com Cristo jamais descobrirá os tesouros
da sabedoria e da ciência! Jamais poderá conhecer os mistérios do Reino! Do mesmo modo como ao se examinar a arca
de maneira superficial não se encontrava o maná, assim também, um contato distante com Cristo jamais lhe revelará os
tesouros escondidos! E, infelizmente, esta é a realidade da maioria dos cristãos que, servindo a Jesus por anos e anos,
jamais chegam a experimentar do maná escondido.

Talvez pensem que isto é só para ser desfrutado no céu, por causa da promessa de Jesus à igreja de
Pérgamo; mas o que de fato Jesus disse é que quando os vencedores chegassem lá, continuariam a desfrutar do maná
escondido, pois é impossível chegar a desfrutar da totalidade destes tesouros em Cristo ainda nesta vida. Eles são
inesgotáveis! Mas isto não quer dizer que não se encontrem à sua disposição desde já! Saia do seu comodismo e corra
possuir o que lhe pertence!
Há mistérios no Reino. Há verdades a serem compreendidas. Não são verdades novas, são antigas; elas
são uma novidade para estes dias apenas porque estão sendo restauradas, restituídas por Deus já que a Igreja deixou-as
de lado.
Estes tesouros escondidos são os mesmos segredos de Deus pertencentes aos que o temem, que Davi
menciona no Salmo 25.14. Cada vez que você pegar em sua Bíblia para ler, estudar e meditar, lembre-se que há
tesouros escondidos que jamais se tornarão conhecidos com um mero exame superficial. Mas entenda que quando falo
de buscar de maneira mais profunda os tesouros, não estou me referindo meramente a estudo e pesquisa (embora
devamos praticar isto com a maior dedicação possível), falo de se receber do céu, pelo Espírito Santo, as verdades de
Deus, ou seja, experimentar o conhecimento por revelação!
COMPREENDENDO O PERDÃO

“Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma cousa
contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua
oferta”. (Mateus 5.23,24)

A reconciliação não é algo a ser praticado somente entre nós e Deus, mas também para com nossos
irmãos. Reconhecemos, que, à semelhança da cruz, também temos duas linhas do fluir da reconciliação: a vertical (o
homem com Deus) e a horizontal (entre os homens). O mesmo perdão que recebemos de Deus deve ser praticado para
com nossos semelhantes.
QUEM NÃO PERDOA NÃO É PERDOADO

O perdão (ou a falta dele) faz muita diferença na vida de alguém. A reconciliação horizontal determina se a
vertical que recebemos de Deus vai permanecer em nossa vida ou não. A palavra de Deus é clara quanto ao fato de que
se não perdoarmos a quem nos ofende, então Deus também não nos perdoará. Foi Jesus Cristo quem afirmou isto no
ensino da oração do Pai-nosso:
“Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se,
porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas”.
(Mateus 6.14,15)

Deus tem nos dado seu perdão gratuitamente, sem que o merecêssemos, e espera que usemos do mesmo
espírito misericordioso para com quem nos ofende. Se fluímos com o Pai Celestial no mesmo espírito perdoador,
permanecemos na reconciliação alcançada pelo Senhor Jesus. Contudo, se nos negamos a perdoar, interrompemos o
fluxo da graça de Deus em nossa vida, e nossa reconciliação vertical é comprometida pela ausência da horizontal. Cristo
também nos advertiu com clareza sobre isto em uma de suas parábolas (faladas num contexto que envolvia o perdão):
“Por isso o reino dos céus é semelhante a um rei, que resolveu ajustar contas com os seus servos.
E passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que devia dez mil talentos. Não tendo ele, porém, com que pagar,
ordenou o seu senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, e que a dívida fosse
paga. Então o servo, prostrando-se reverente, rogou: Sê paciente comigo e tudo te pagarei. E o senhor daquele
servo, compadecendo-se, mandou-o embora, e perdoou-lhe a dívida. Saindo, porém, aquele servo, encontrou um
dos seus conservos que lhe devia cem denários; e, agarrando-o, o sufocava, dizendo: paga-me o que me deves.
Então o seu conservo, caindo-lhe aos pés, lhe implorava: Sê paciente comigo e te pagarei. Ele, entretanto, não
quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida. Vendo os seus companheiros o que havia se
passado, entristeceram-se muito, e foram relatar ao seu senhor tudo o que acontecera. Então seu senhor,
chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste; não devias tu,
igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? E, indignando-se, o seu
senhor o entregou aos verdugos, até que pagasse toda a dívida. Assim também o meu Pai celeste vos fará, se do
íntimo não perdoardes cada um a seu irmão”. (Mateus 18.23-35)

O significado desta ilustração dada por Jesus Cristo é muito forte. Temos um rei e dois tipos de devedores.
Se a parábola ilustra o reino de Deus, então o rei figura o próprio Deus. O primeiro devedor tinha uma dívida impagável,
enquanto que a do segundo estava ao seu alcance. Não há como comparar a dívida de cada um. Dez mil talentos da
dívida do primeiro servo era o equivalente a cerca de 200.000 dias de trabalho, enquanto que os cem denários que o
outro servo devia era o equivalente a apenas cem dias de trabalho. Esta diferença revela a dimensão da dívida que cada
um de nós tinha para com Deus, e que, por ser impagável, estávamos destinados à prisão e escravidão eterna. Contudo,
sem que fizéssemos por merecer, Deus em sua bondade, nos perdoou. Portanto, Ele espera que façamos o mesmo. O
cristão que foi perdoado de seus pecados e recusa-se a perdoar um irmão – seu conservo no evangelho – terá seu
perdão revogado.
Isto é muito sério. As ofensas das pessoas contra a gente não são nada perto das nossas ofensas que o
Pai Celestial deixou de levar em conta. E a premissa bíblica é de que se pudemos ser perdoados por Ele, então também
devemos perdoar a qualquer um que nos ofenda.
A FALTA DE PERDÃO É UMA PRISÃO

Quem não perdoa, está preso. Lemos em Mateus 18.34: “E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos
verdugos, até que pagasse toda a dívida”. A palavra verdugo significa “torturador”. Além de preso, aquele homem seria
torturado como forma de punição. A prática do ministério nos revela que o que Jesus falou em figura nesta parábola é
uma realidade espiritual na vida de quem não perdoa. Os demônios amarram a vida daqueles que retém o perdão. Suas
torturas aplicadas são as mais diversas: angústia e depressão, enfermidades, debilidade física, etc.

Muita gente tem sofrido com a falta de perdão. Outro dia ouvi alguém dizendo que o ressentimento é o
mesmo que você tomar diariamente um pouco de veneno, esperando que quem te magoou venha a morrer. A falta de
perdão produz dano maior em quem está ferido do que naquele que feriu. Por isso sempre digo a quem precisa perdoar:
– “Já não basta o primeiro sofrimento, porque acrescentar um outro maior (a mágoa)”?
Alguns acham que o perdão é um benefício para o ofensor. Porém, eu digo que o benefício maior não é o
que foi dado ao ofensor, mas sim o que o perdão produz na vítima, naquele que está ferido. Sem perdão não há cura. A
doença interior só se complica, e a saúde espiritual, emocional e física da pessoa ressentida é seriamente afetada. Em
outra porção das Escrituras (onde o contexto dos versículos anteriores é o perdão), vemos o Senhor Jesus nos
advertindo do mesmo perigo:
“Entra em acordo sem demora com teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o
adversário não te entregue ao juiz, o juiz ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão. Em verdade te digo que
não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo”. (Mateus 5.25,26)

Não sei exatamente como é está prisão, mas sei que Cristo não estava brincando quando falou dela. A falta
de perdão me prende e pode prender a vida de mais alguém. Isto é um fato comprovado. Tenho presenciado gente que
esteve presa por tantos anos, e ao decidir perdoar foi imediatamente livre. Isto também pode acontecer com você, basta
decidir perdoar.
SEGUINDO O EXEMPLO DIVINO

Como deve ser o perdão? A pessoa tem que pedir o perdão ou merecê-lo para poder ser perdoada? Não.
Devemos perdoar como Deus nos perdoou:
“Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como
também Deus em Cristo vos perdoou”. (Efésios 4.32)

O texto bíblico diz que nosso perdão e reconciliação horizontal deve seguir o exemplo da que Deus em
Jesus praticou para conosco. Então, basta perguntar: – “Fizemos por merecer o perdão de Deus? Não. Então nosso
ofensor também não precisa fazer por merecer”.

O perdão é um ato de misericórdia, de compaixão. Nada tem a ver com merecimento. O apóstolo Paulo
falou aos efésios que o perdão é fruto de um coração compassivo e benigno. O perdão flui da benignidade do nosso
coração, e não por haver ou não benignidade no ofensor.
Jesus disse que se eu souber que alguém tem algo contra mim, devo procurá-lo para tentar a reconciliação.
Mesmo se tal pessoa não me procurar ou nem mesmo quiser falar comigo, tenho que ter a iniciativa, tenho que tentar.
Deus ofereceu perdão gratuito a todos, independentemente de qualquer comportamento, e Ele é nosso exemplo!
NÃO HÁ LIMITE DE VEZES PARA PERDOAR

Certa ocasião, o apóstolo Pedro quis saber o limite de vezes que existe para perdoar alguém. E foi
surpreendido pela resposta que Cristo lhe deu:
“Então Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra
mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta
vezes sete”. (Mateus 18.21,22)

O Senhor declarou que mesmo se alguém repetir sua ofensa contra mim por quatrocentos e noventa vezes,
ainda deve ser perdoado. Na verdade, os comentaristas bíblicos em geral entendem que Jesus não estava se prendendo
a números, mas tentando remover o limite imposto na mente dos discípulos para perdoar.
Fico pensando o que seria de nós sem a misericórdia de Deus. Quantas vezes Deus já nos perdoou?
Quantas mais Ele vai nos perdoar? Se devemos perdoar como também Deus em Cristo nos perdoou, então fica claro que
não há limite de vezes para perdoar!
O DIABO É QUEM LEVA VANTAGEM

Já falamos que há uma prisão espiritual ocasionada por reter o perdão. E que demônios se aproveitam
desta situação. Agora queremos examinar um outro texto bíblico que nos mostra nitidamente que a falta de perdão dá
vantagem ao diabo:
“A quem perdoais alguma cousa, também eu perdôo; porque de fato o que tenho perdoado, se
alguma cousa tenho perdoado, por causa de vós o fiz na presença de Cristo, para que Satanás não alcance
vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios”. (2 Coríntios 2.10,11)

O apóstolo Paulo revela que se deixamos de perdoar, quem vai se aproveitar da situação é Satanás, o
adversário de nossas almas. Disse ainda, que não ignorava as maquinações do maligno. Em outras palavras, ele estava
dizendo que justamente por saber como o diabo age na falta de perdão, é que não podia deixar de perdoar.

Precisamos entender que Deus não será engrandecido na falta de perdão. Que o ofendido não lucra nada
por não perdoar. Que até mesmo o ofensor pode estar espiritualmente preso. O único que lucra com isso é o diabo, pois
passa a ter autoridade na vida de quem decide alimentar a ferida do ressentimento.
A Bíblia nos ensina que não devemos dar lugar ao diabo (Ef 4.27). Que ele anda em nosso derredor
rugindo como leão, buscando a quem possa tragar (1 Pe 5.8), e que devemos resisti-lo (Tg 4.7). Mas quando nos
recusamos a perdoar, estamos deliberadamente quebrando todos estes mandamentos.
CONSELHOS PRÁTICOS

Para aqueles que reconhecem que não há saída a não ser perdoar, mas que, por outro lado, não é algo tão
fácil de se fazer, quero oferecer alguns conselhos práticos que serão de grande valia.

Primeiro, o perdão não é um sentimento, é uma decisão e também uma atitude de fé. Já dissemos que o
perdão não é por merecimento, logo, não tenho motivação alguma em minhas emoções a perdoar. Não me alegro por ter
sido lesado, mas libero aquele que me lesou por uma decisão racional. Portanto, o perdão não flui espontaneamente,
deve ser gerado no coração por levar em consideração aquilo que Deus fez por mim e sua ordem de perdoar. As
conseqüências da falta de perdão também devem ser lembradas, para dar mais munição à razão do que à emoção.
É preciso fé para perdoar. Certa ocasião quando Jesus ensinava seus discípulos a perdoarem, foi
interrompido por um pedido peculiar:
“Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. Se por
sete vezes no dia pecar contra ti, e sete vezes vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe. Então
disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé”. (Lucas 17.3-5)

Naquele instante os discípulos reconheceram que para praticar este nível de perdão iriam precisar de mais
fé. E Jesus parece ter concordado, pois nos versículos seguintes lhes ensinou que a fé é como semente, quanto mais se
exercita (planta) mais ela cresce (se colhe).
É necessário crer que Deus é justo e que Ele não nos pede mais do que aquilo que podemos dar. Se Deus
nos pediu que perdoássemos, Ele vai nos socorrer dispensando sua graça no momento em que tivermos uma atitude de
perdão.
Muitas vezes o perdão precisa ser renovado. Depois de declarar alguém perdoado, o diabo, que não quer
perder seu domínio, vai tentar renovar a ferida. Em Provérbios 17.9 as Escrituras Sagradas nos falam sobre encobrir a
questão ou renová-la. É preciso tomar uma decisão de esquecer o que houve, e renovar somente o perdão. Cada vez
que a dor tentar voltar, declare novamente seu perdão. Ore abençoando seu ofensor. Lute contra a mágoa!
É importante ver os ofensores como vítimas. Isto é algo especial que vejo em Jesus na cruz:
“Contudo Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. (Lucas 23.34)

Em vez de olhar para eles como quem merece punição e castigo, Jesus enxerga que eles também eram
vítimas. Aqueles homens estavam em cegueira e ignorância espiritual, debaixo de influência maligna, sem nenhum
discernimento de quem estavam de fato matando. Eram vítimas de todo um sistema que os afastou de Deus e da
revelação das Escrituras. E ao reconhecer que ele é que eram vítimas, em vez de alimentar dó de si mesmo (como nós
faríamos), Jesus teve compaixão deles. Acredito que este é um princípio para o perdão fluir livremente. Assim como
Jesus o fez, deixando exemplo, Estevão, o primeiro mártir do Cristianismo, também o fez:
“Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado”. (Atos 7.60)

Quando você começa a enxergar as misérias da vida espiritual de seu ofensor (ao menos a que manifestou
no momento de te ferir), e canaliza o amor de Deus por ele, como você também necessita do amor divino ao se achegar
arrependido em busca de perdão, a coisa fica mais fácil.
COMPREENDENDO O JEJUM

O jejum é a abstinência total ou parcial de alimentos por um período definido e propósito específico. Tem
sido praticado pela humanidade em praticamente todas as épocas, nações, culturas e religiões. Pode ser com finalidade
espiritual ou até mesmo medicinal, visto que o jejum traz tremendos benefícios físicos com a desintoxicação que produz
no corpo. Mas nosso enfoque é o jejum bíblico. Muitos cristãos hoje desconhecem o que a Bíblia diz acerca do jejum. Ou
receberam um ensino distorcido ou não receberam ensinamento algum sobre este assunto.
Creio que a Igreja de hoje vive dividida entre dois extremos: aqueles que não dão valor algum ao jejum e
aqueles que se excedem em suas ênfases sobre ele. Penso que Deus queira despertar-nos para a compreensão e
prática deste princípio que, sem dúvida, é uma arma poderosa para o cristão.
Não há regras fixas na Bíblia sobre quando jejuar ou qual tipo de jejum praticar, isto é algo pessoal. Mas a
prática do jejum, além de ser recomendação bíblica, traz consigo alguns princípios que devem ser entendidos e seguidos.
A BÍBLIA ORDENA O JEJUM ?

Não. No Velho Testamento, na lei de Moisés, os judeus tinham um único dia de jejum instituído: o do Dia da
Expiação (Lv 23.27), que também ficou conhecido como “o dia do jejum” (Jr 36.6) e ao qual Paulo se referiu como “o
jejum” (At 27.9). Mas em todo o Velho e Novo Testamento não há uma única ordem acerca de jejuarmos. Contudo,
apesar de não haver um imperativo acerca desta prática, a Bíblia esta cheia de menções ao jejum. Fala não apenas de
pessoas que jejuaram e da forma como o fizeram, mas infere que nós também jejuaríamos e nos instrui na forma correta
de faze-lo.

Muitos ensinadores falharam de maneira grave ao dizer que, por não haver nenhuma ordem específica
para o jejum, então não devemos jejuar. Mas quando consideramos o ensino de Jesus sobre o jejum, não há como negar
que o Mestre esperava que jejuássemos:
“Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto
com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a sua recompensa. Tu,
porém, quando jejuardes, unge a cabeça e lava o rosto, com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim
ao teu Pai, em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mt 6.16-18).

Embora Jesus não esteja mandando jejuar, suas palavras revelam que ele esperava de nós esta prática.
Ele nos instruiu até na motivação correta que se deve ter ao jejuar. E quando disse que o Pai recompensaria a atitude
correta do jejum, nos mostrou que tal prática produz resultados!
Algumas pessoas dizem que se as epístolas não dizem nada sobre jejuar é porque não é importante, e
desprezam o ensino de Jesus sobre o jejum. Isto é errado! Jesus não veio ensinar os judeus a viverem bem a Velha
Aliança, Ele veio instituir a Nova Aliança, e todos os seus ensinos apontavam para as práticas dos cidadãos do reino de
Deus.
Quando estava para ser assunto ao céu, deu ordem aos seus apóstolos que ensinassem as pessoas a
guardar TUDO o que Ele tinha ordenado (Mt 28.20), inclusive o modo correto de jejuar! O próprio Jesus praticou o jejum,
e lemos em Atos que os líderes da Igreja também o faziam. Registros históricos dos pais da igreja também revelam que o
jejum continuou sendo observado como prática dos crentes muito tempo depois dos apóstolos. O jejum, portanto, deve
ser parte de nossas vidas e praticado de forma equilibrada, dentro do ensino bíblico.
Embora o próprio Senhor Jesus tenha jejuado por quarenta dias e quarenta noites no deserto, e muitas
vezes ficava sem comer (quer por falta de tempo ministrando ao povo – Mc 6.31, quer por passar as noites só orando
sem comer – Mc 6.46), devemos reconhecer que Ele e seus discípulos não observavam o jejum dos judeus de seus dias
(exceto o do dia da Expiação). Era costume dos fariseus jejuar dois dias por semana (Lc 18.12), mas Jesus e seus
discípulos não o faziam. Aliás chegaram a questionar Jesus acerca disto:
“Disseram-lhe eles: Os discípulos de João e bem assim os fariseus freqüentemente jejuam e fazem
orações; os teus, entretanto, comem e bebem. Jesus, porém, lhes disse: Podeis fazer jejuar os convidados para o
casamento, enquanto está com eles o noivo? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; naqueles dias,
sim, jejuarão.” (Lc 5.33-35).

O Mestre mostrou não ser contra o jejum, e disse que depois que Ele fosse “tirado” do convívio direto com
os discípulos (voltando ao céu) eles haveriam de jejuar. Jesus não se referiu ao jejum somente para os dias entre sua
morte e ressurreição/reaparição aos discípulos (ao mencionar os dias que eles estariam sem o noivo), e sim aos dias a
partir de sua morte. Contudo, Jesus deixou bem claro que a prática do jejum nos moldes do que havia em seus dias não
era o que Deus esperava. A motivação estava errada, as pessoas jejuavam para provar sua religiosidade e
espiritualidade, e Jesus ensinou a faze-lo em secreto, sem alarde.

O jejum pode ser uma prática vazia se não for feito de maneira correta. Isto aconteceu nos dias do Velho
Testamento, quando o povo começou a indagar:
“Por que jejuamos nós, e não atentas para isto? Por que afligimos a nossa alma, e tu não o levas em
conta?” (Is 58.3a).

E a resposta de Deus foi exatamente a de que estavam jejuando de maneira errada:


“Eis que, no dia em que jejuais, cuidais dos vossos próprios interesses e exigis que se faça todo o
vosso trabalho. Eis que jejuais para contendas e para rixas e para ferirdes com punho iníquo; jejuando assim
como hoje, não se fará ouvir a vossa voz no alto.” (Is 58.3b,4).

Por outro lado, o versículo está inferindo que se observado de forma correta, Deus atentaria para isto e a
voz deles seria ouvida.
O PROPÓSITO DO JEJUM

Gosto de uma afirmação de Kenneth Hagin acerca do jejum: “O jejum não muda a Deus. Ele é o mesmo
antes, durante e depois de seu jejum. Mas, jejuar mudará você. Vai lhe ajudar a manter-se mais suscetível ao Espírito de
Deus”. O jejum não tornará Deus mais bondoso ou misericordioso para conosco, ele está ligado diretamente a nós, à
nossa necessidade de romper com as barreiras e limitações da carne. O jejum deixará nosso espírito atento pois mortifica
a carne e aflige nossa alma. Jesus deixou-nos um ensino precioso acerca disto quando falava sobre o jejum:
“Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho romperá os odres; e tanto se
perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos.” (Mc 2.22).

O odre era um recipiente feito com pele de animais, que era devidamente preparada mas, com o passar do
tempo envelhecia e ressecava. O vinho, era o suco extraído da uva que fermentava naturalmente dentro do odre.
Portanto, quando se fazia o vinho novo, era sábio colocá-lo num recipiente de pele (o odre) que não arrebentasse na hora
em que o vinho começasse a fermentar, e o melhor recipiente era o odre novo.

Com essa ilustração Jesus estava ensinado-nos que o vinho novo que Ele traria (o Espírito Santo) deveria
ser colocado em odres novos, e o odre (ou recipiente do vinho) é nosso corpo. A Bíblia está dizendo com isto que o jejum
tem o poder de “renovar” nosso corpo. A Escritura ensina que a carne milita contra o espírito, e a melhor maneira de
receber o vinho, o Espírito, é dentro de um processo de mortificação da carne.
Creio que o propósito primário do jejum é mortificar a carne, o que nos fará mais suscetíveis ao Espírito
Santo. Há outros benefícios que decorrerão disto, mas esta é a essência do jejum.
Alguns acham que o jejum é uma “varinha de condão” que resolve as coisas por si mesmo, mas não
podemos ter o enfoque errado. Quando jejuamos, não devemos crer NO JEJUM, e sim em Deus. A resposta às orações
flui melhor quando jejuamos porque através desta prática estamos liberando nosso espírito na disputada batalha contra a
carne, e por isso algumas coisas acontecem.
Por exemplo, a fé é do espírito e não da carne; portanto, ao jejuar estamos removendo o entulho da carne e
liberando nossa fé para se expressar. Quando Jesus disse aos discípulos que não puderam expulsar um demônio por
falta de jejum (Mt 17.21), ele não limitou o problema somente a isto mas falou sobre a falta de fé (Mt 17.19,20) como um
fator decisivo no fracasso daquela tentativa de libertação.
O jejum ajuda a liberar a fé! O que nos dá vitória sobre o inimigo é o que Cristo fez na cruz e a autoridade
de seu nome. O jejum em si não me faz vencer, mas libera a fé para o combate e nos fortalece, fazendo-nos mais
conscientes da autoridade que nos foi delegada. Mas apesar do propósito central do jejum ser a mortificação da carne,
vemos vários exemplos bíblicos de outros motivos para tal prática:
a) No Velho Testamento encontramos diferentes propósitos para o jejum:

 Consagração – O voto do nazireado envolvia a abstinência/jejum de determinados tipos de alimentos


(Nm 6.3,4);

 Arrependimento de pecados – Samuel e o povo jejuando em Mispa, como sinal de arrependimento de


seus pecados (1 Sm 7.6, Ne 9.11);

 Luto – Davi jejua em expressão de dor pela morte de Saul e Jônatas, e depois pela morte de Abner. (2
Sm 1.12 e 3.35);

 Aflições – Davi jejua em favor da criança que nascera de Bate-Seba, que estava doente, à morte (2 Sm
12.16-23); Josafá apregoou um jejum em todo Judá quando estava sob o risco de ser vencido pelos moabitas e amonitas
(2 Cr 20.3);

 Buscando Proteção – Esdras proclamou jejum junto ao rio Ava, pedindo a proteção e benção de Deus
sobre sua viagem (Ed 8.21-23); Ester pede que seu povo jejue por ela, para proteção no seu encontro com o rei (Et 4.16);

 Em situações de enfermidade – Davi jejuava e orava por outros que estavam enfermos (Sl 35.13);
 Intercessão – Daniel orando por Jerusalém e seu povo (Dn 9.3, 10.2,3)
b) Nos Evangelhos

 Preparação para a Batalha Espiritual – Jesus mencionou que determinadas castas só sairão por meio
de oração e jejum, que trazem um maior revestimento de autoridade (Mt 17.21);

 Estar com o Senhor – Ana não saía do templo, orando e jejuando freqüentemente (Lc 2.37);
 Preparar-se para o Ministério – Jesus só começou seu ministério depois de ter sido cheio do Espírito
Santo e se preparado em jejum (prolongado) no deserto (Lc 4.1,2);
c) Em Atos dos Apóstolos vemos a Igreja praticando o jejum em diversas situações, tais como:

 Ministrar ao Senhor – Os líderes da igreja em Antioquia jejuando apenas para adorar ao Senhor (At
13.2);

 Enviar ministérios – Na hora de impor as mãos e enviar ministérios comissionados (At.13:3);


 Estabelecer presbíteros – Além de impor as mãos com jejum sobre os enviados, o faziam também
sobre os que recebiam autoridade de governo na igreja local, o que revela que o jejum era um princípio praticado nas
ordenações de ministros (At 14.23).
d) Nas Epístolas só encontramos menções de Paulo de ter jejuado (2 Co 6.3-5; 11.23-27).
DIFERENTES FORMAS DE JEJUM

Há diferentes formas de jejuar. As que encontramos na Bíblia são:


a) Jejum PARCIAL. Normalmente o jejum parcial é praticado em períodos maiores ou quando a pessoa não
tem condições de se abster totalmente do alimento (por causa do trabalho, por exemplo). Lemos sobre esta forma de
jejum no livro de Daniel:
“Naqueles dias, eu, Daniel, pranteei durante três semanas. Manjar desejável não comi, nem carne,
nem vinho entraram em minha boca, nem me ungi com óleo algum, até que se passaram as três semanas.” (Dn
10.2,3).

O profeta Daniel diz exatamente o quê ficou sem ingerir: carne, vinho e manjar desejável. Provavelmente
se restringiu à uma dieta de frutas e legumes, não sabemos ao certo. O fato é que se absteve de alimentos, porém não
totalmente. E embora tenha escolhido o que aparentemente seja a forma menos rigorosa de jejuar, dedicou-se à ela por
três semanas.
Em outras situações Daniel parece ter feito um jejum normal (Dn 9.3), o que mostra que praticava mais de
uma forma de jejum. Ao fim deste período, um anjo do Senhor veio a ele e lhe trouxe uma revelação tremenda. Declarou-
lhe que desde o primeiro dia de oração o profeta já fora ouvido (v.12), mas que uma batalha estava sendo travada no
reino espiritual (v.13) o que ocorreria ainda no regresso daquele anjo (v.20). Aqui aprendemos também sobre o poder que
o jejum tem nos momentos de guerra espiritual.
b) Jejum NORMAL. É a abstinência de alimentos mas com ingestão de água. Foi a forma que nosso
Senhor adotou ao jejuar no deserto. Cresci ouvindo sobre a necessidade de se jejuar bebendo água; meu pai dizia que no
relato do evangelho não há menção de Cristo ter ficado sem beber ou ter tido sede (e ele estava num deserto!):
“Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto,
durante quarenta dias, sendo tentado pelo Diabo. Nada comeu naqueles dias, ao fim dos quais teve fome.” (Mt
4.2).

Denominamos esta forma de jejum como normal, pois entendemos ser esta a prática mais propícia nos
jejuns regulares (como o de um dia).

c) Jejum TOTAL. É abstinência de tudo, inclusive de água. Na Bíblia encontramos poucas menções de ter
alguém jejuado sem água, e isto dentro de um limite: no máximo três dias.
A água não é alimento, e nosso corpo depende dela a fim de que os rins funcionem normalmente e que as
toxinas não se acumulem no organismo. Há dois exemplos bíblicos deste tipo de jejum, um no Velho outro no Novo
Testamento:

1) Ester, num momento de crise em que os judeus (como povo) estavam condenados à morte por um
decreto do rei, pede a seu tio Mardoqueu que jejuem por ela: “Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e
jejuai por mim, e não comais, nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia; eu e as minhas servas também
jejuaremos. Depois, irei ter com o rei, ainda que é contra a lei; se perecer, pereci.” (Et 4.16).
2) Paulo, na sua conversão também usou esta forma de jejum, devido ao impacto da revelação que
recebera: “Esteve três dias sem ver, durante os quais nada comeu, nem bebeu.” (At 9.9).

Não há qualquer outra menção de um jejum total maior do que estes (a não ser o de Moisés e Elias numa
condição diferente que explicaremos adiante). A medicina adverte contra um período de mais de três dias sem água,
como sendo nocivo. Devemos cuidar do corpo ao jejuar e não agredi-lo; lembre-se de que estará lutando contra sua
carne (natureza e impulsos) e não contra o seu corpo.
A DURAÇÃO DO JEJUM

Quanto tempo deve durar um jejum? A Bíblia não determina regras deste gênero, portanto cada um é livre
para escolher quando, como e quanto jejua. Vemos vários exemplos de jejuns de duração diferente nas Escrituras:

 1 dia – O jejum do Dia da Expiação


 3 dias – O jejum de Ester (Et 4.16) e o de Paulo (At 9.9);
 7 dias – Jejum por luto pela morte de Saul (I Sm.31.13);
 14 dias – Jejum involuntário de Paulo e os que com ele estavam no navio (At 27.33);
 21 dias – O jejum de Daniel em favor de Jerusalém (Dn 10.3);
 40 dias – O jejum do Senhor Jesus no deserto (Lc 4.1,2);
OBS: A Bíblia fala de Moisés (Ex 34.28) e Elias (1 Re 19.8) jejuando períodos de quarenta dias. Porém vale
ressaltar que estavam em condições especiais, sob o sobrenatural de Deus. Moisés nem sequer bebeu água nestes 40
dias, o que humanamente é impossível. Mas ele foi envolvido pela glória divina. O mesmo se deu com Elias, que
caminhou 40 dias na força do alimento que o anjo lhe trouxe. Isto é um jejum diferente que começou com um belo
“depósito”, uma comida celestial. Jesus, porém, fez um jejum normal com esta duração.
Muitas pessoas erram ao fazer votos ligados à duração do jejum… Não aconselho ninguém fazer um voto
de quanto tempo vai jejuar, pois isso te deixará “preso” no caso de algo fugir ao seu controle. Siga o conselho bíblico:
“Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos.
Cumpre o voto que fazes. Melhor é que não votes do que votes e não cumpras”. (Ec 5.4,5).

É importante que haja uma intenção e um alvo quanto à duração do jejum no coração, mas não transforme
isto em voto. Já intentei jejuns prolongados e no meio do caminho fui forçado a interromper. Mas também já comecei
jejuns sem a intenção de prolongá-lo e, no entanto, isto acabou acontecendo mesmo sem ter feito os planos para isto.
O JEJUM PROLONGADO

Há algo especial num jejum prolongado, mas deve ser feito sob a direção de Deus (as Escrituras mostram
que Jesus foi guiado pelo Espírito ao seu jejum no deserto – Lc 4.1). Conheço irmãos que tem jejuado por trinta e até
quarenta dias, embora eu, pessoalmente, não tenha feito um jejum tão longo; o maior tempo que jejuei (apenas bebendo
água) foram 21 dias. Mas cada um desses irmãos confirma ter recebido de Deus uma direção para tal.

Vale ressaltar também que certos cuidados devem ser tomados. Não podemos brincar com o nosso corpo.
Uma dieta para desintoxicação do organismo antes do jejum é recomendada, e também na quebra do jejum prolongado
(mais de 3 dias). Procure orientação e acompanhamento médico se o Senhor lhe dirigir a um jejum deste gênero. Há
muita instrução na forma de literatura que também pode ser adquirida.
PODEMOS FALAR QUE ESTAMOS JEJUANDO ?

Algumas pessoas são extremistas quanto a discrição do jejum, enquanto outras, à semelhança dos
fariseus, tocam trombeta diante de si. Em Mateus 6.16-18, Jesus condena o exibicionismo dos fariseus querendo parecer
contristados aos homens para atestar sua espiritualidade. Ele não proibiu de se comentar sobre o jejum, senão a própria
Bíblia estaria violando isto ao contar o jejum que Jesus fez… Como souberam que Cristo (que estava sozinho no deserto)
fez um jejum de quarenta dias? Certamente porque Ele contou! Não saiu alardeando perante todo mundo, mas
discretamente repartiu sua experiência com os seus discípulos.

Eu, particularmente, comecei a jejuar estimulado pelo relato das experiências de outros irmãos. Depois é
que comecei (aos poucos) a entender o ensino bíblico sobre o jejum. E louvo a Deus pelas pessoas que me estimularam!
Sabe, precisamos tomar cuidado com determinadas pessoas que não tem o que acrescentar à nossa edificação e
somente atacam e criticam.
Lembro-me que o primeiro jejum que fiz na minha adolescência: cortei só o almoço mas tomei um
refrigerante para não “sofrer” muito; fiz isto para orar por um amigo que queria ver batizado no Espírito Santo. Aquele
rapaz já havia recebido tanta oração, mas nada havia acontecido ainda. Portanto, jejuei e orei em seu favor. Hoje sei que
não foi grande coisa mas, na época, foi o meu melhor. Pois bem, alguém ficou sabendo e me ridicularizou, disse que
jejum de verdade era ficar o dia todo sem comer nada e bebendo no máximo um pouco de água; esta pessoa disse que
eu estava perdendo meu tempo e que só fizera um “regimezinho”, pois o verdadeiro jejum não admitia nem bala
açucarada na boca, quanto mais um refrigerante!… mas naquele dia meu amigo foi cheio do Espírito Santo e preferi
acreditar que o jejum funcionava.
Depois ouvi outros irmãos comentarem sobre jejuar mais de um dia e “fui atrás”, e assim, aos poucos, fui
aprendendo (a jejuar e sobre o jejum) aquilo que não aprendi na igreja ou na literatura cristã. Penso que de forma sábia e
cuidadosa podemos estimular outros à prática do jejum, basta partilharmos nossas experiências e incentiva-los.
CONCLUINDO

Haverá períodos em que o Espírito Santo vai nos atrair mais para o jejum, e épocas em que quase não
sentiremos a necessidade de faze-lo. Já passei anos sem receber nenhum impulso especial para jejuns de mais de três
dias e, mesmos estes, foram poucos. E houve épocas em que, seguidamente sentia a necessidade de faze-lo. Porém,
penso que o jejum normal de um dia de duração é algo que os cristãos deveriam praticar mais, mesmo sem sentir
nenhuma “urgência” espiritual para isto.

Quando meu filho Israel estava para nascer, o Senhor trouxe um profundo peso de oração e intercessão ao
meu coração. Sabia que devia jejuar; era uma “urgência” dentro de mim. Não ouvi uma voz sobrenatural, não tive
nenhuma visão ou sonho a respeito, simplesmente sabia que tinha de jejuar até romper algo, e o fiz por seis dias. Ao final
soube que havia alcançado uma vitória. Na ocasião do parto, minha esposa teve uma complicação e quase perdemos
nosso primeiro filho; contudo, a batalha já havia sido ganha e o poder de Deus prevaleceu. Devemos ser sensíveis e
seguir os impulsos do Espírito de Deus nesta área.
Isto vale não só para começar a jejuar mas até para quebrar o jejum. Já fiz jejuns que queria prolongar
mais e senti que não deveria faze-lo, pois a motivação já não era mais a mesma…
Encerro desafiando-o a praticar mais o jejum, e certamente você descobrirá que o poder desta arma que o
Senhor nos deu é difícil de se medir com palavras. A experiência fortalecerá aquilo que temos dito. Que o Senhor seja
contigo e te guie nesta prática!
FLECHAS NA MÃO DO VALENTE

“Como flechas na mão do valente, assim são os filhos da mocidade. Bem-aventurado o homem que
enche deles a sua aljava; não serão confundidos, quando falarem com os seus inimigos à porta”. (Salmo 127.4,5)

Flechas na mão do valente. Esta é uma afirmação bíblica profunda. Vejo nesta frase um princípio a ser
aplicado na criação dos nossos filhos, e acredito que o mesmo também se aplique aos nossos filhos espirituais, nossos
discípulos.
Antes de tudo, quero reconhecer o contexto em que a afirmação é feita; o versículo seguinte fala do homem
que enche deles (filhos-flechas) a sua aljava e não será envergonhado diante do inimigo à sua porta. Portanto, isto fala de
filhos literais ajudando um pai a se proteger; neste sentido, podemos vê-los como parte da defesa diante do inimigo e
como uma família deve aprender a lutar junta.
Mas também vejo uma outra aplicação para esta frase. Precisamos aprender a criar e liberar nossos filhos
para a vida. O que um valente (outra versão usa o termo guerreiro) fazia com uma flecha? Ele a atirava para longe de si.
Ele a lançava para atingir um alvo.

Nós pais (e falo como pai de dois filhos) temos uma inclinação natural a sermos super-protetores. Nunca
entendi a preocupação de meus pais comigo enquanto eu era criança. Não entendia porque tudo parecia ser tão perigoso
aos olhos deles. Achava que muitas vezes eles me sufocavam com suas preocupações, orientações, conselhos,
advertências, etc. Mas alguns segundos depois que meu filho primogênito nasceu, eu imediatamente os entendi. Algo
inexplicável tomou conta de mim! Era um amor e preocupação que só um pai ou mãe entende. Ficava imaginando que se
ele fizesse tudo que fiz quando criança eu me preocuparia demais…
É engraçado isto. Você promete para si mesmo que quando crescer e for pai fará tudo diferente do que
seus pais fizeram com você, mas quando chega a sua vez, sua visão muda! E você se lembra das palavras que eles
proferiam (e você não suportava ouvir):
“Quando você crescer e estiver no meu lugar vai entender”.
Na infância e na condição de filhos, abominávamos a super-proteção. Achávamos que os pais não tinham
que participar de determinadas escolhas, como relacionamentos de amigo(a)s, namorada(o)s ou mesmo a escolha da
profissão. Agora depois de adultos, acabamos por concluir que os pais estavam certos, deveriam mesmo proteger seus
filhos. Mas acho que quando chega a nossa vez de exercer a proteção, acabamos nos esquecendo de algo importante: o
cuidado paterno (ou materno) não pode ser egoísta.
Às vezes, interferimos na escolha de relacionamentos (amizade, namoro) como se estivéssemos
escolhendo alguém para nós. Às vezes, planejamos a vida profissional de nossos filhos querendo compensar nossas
próprias frustrações. A verdade é que temos que preparar nossos filhos para a vida. Uma hora eles terão que sair de casa
e viver sua própria vida. E, se os protegermos deste momento, não apenas criaremos problemas para eles, mas também
teremos problemas!
Flechas na mão do valente. Um valente atira suas flechas com força, para atingir o alvo de longe. Se
quisesse atingir o inimigo de perto, um guerreiro daquela época provavelmente usaria uma espada. Precisamos aprender
a lançar nossos filhos para a vida, e desejar lança-los longe. Isto não significa que vamos nos afastar ou que queremos
distância, mas que precisamos pensar grande a respeito deles. Nossa criação não deve ser egoísta, centrada em nós
mesmos. Não podemos querer que nossos filhos fiquem somente por perto. Talvez uma vida melhor só será provada por
eles em outra cidade, estado ou mesmo país.
Flechas na mão do valente. O valente atira suas flechas visando acertar um alvo. Como pais, precisamos
ajudar nossos filhos a entenderem sua vocação e aptidões profissionais. Meu pai dizia desde que eu era criança que eu
seria um filósofo. Sempre que me via pensativo, ele declarava isto. E de fato, sempre gostei de pensar e questionar tudo.
Meu pai reconheceu depois de muitos anos que o palpite dele estava correto, e me encorajou a ser um pensador e
questionador do comportamento cristão em meu ministério de ensino. Os pais devem ajudar seus filhos a entender seu
alvo a ser alcançado e, em acordo com eles, lança-los em direção a este alvo!
Meus pais sofreram quando aos meus dezoito anos de idade passei a estar longe deles viajando para
pregar o Evangelho, e logo depois, quando me mudei para outro estado onde casei-me e tive meus filhos. Eles preferiam
que eu morasse e vivesse por perto, mas entenderam que Deus tinha um plano para a minha vida (um alvo) e me
atiraram em direção a este plano. Há o tempo em que as flechas (filhos) ficam na aljava e há também o tempo em que
devem ser atiradas para o alvo.
Quando pedi a Kelly em casamento, cada um de nós morava num estado diferente; eu no Paraná e ela em
São Paulo. Eu já estava pastoreando e a Kelly estava entrando na Universidade. Conversei seriamente com ela que a
única forma de levarmos adiante nosso relacionamento era com ela vindo para o Paraná, e ela decidiu isto. Lá em São
Paulo, ela tinha passado no vestibular da Universidade e curso que queria fazer, mas decidiu fazer outro curso no Paraná
apostando não só no nosso relacionamento, mas no chamado de Deus para nós no sul do país. Foi uma decisão difícil.
Eu sei disto, saí cedo de casa, e não cresci planejando isto.
Nesta fase difícil de decisão, a Kelly conversou com seus pais. O pai dela perguntou se era isto que ela
queria e, ao saber que sim, disse-lhe que a amava e como queria o melhor para ela, então ele a abençoava. A mãe dela
sofreu mais, pois elas sempre foram muito ligadas. Minha sogra não conseguiu ser racional como meu sogro, uma vez
que as mulheres são mais emocionais mesmo. Mas ela foi orar a respeito, e naqueles dias teve um sonho. Sonhou que a
Kelly estava diante de um trem que passava em velocidade, sem parar e, de repente, pulava dentro dele. Era uma
questão de vida ou morte; acertar ou não a porta aberta do trem poderia por fim a tudo, e ainda havia a questão da queda
no interior do vagão que passava em velocidade. Porém, no momento em que a Kelly pulou, a cena ficou como um filme
em câmera lenta; minha sogra viu a sua filha passando direitinho pela porta aberta do trem, viu que o vagão era todo
almofadado – o que fazia com que soubesse que ela não se machucaria ao cair dentro – e quando a Kelly caiu dentro do
vagão tudo voltou a ficar depressa e ela viu o trem indo embora. Minha sogra entendeu que a filha estava diante de uma
oportunidade única, e ainda que decidindo de forma repentina e não planejada Deus estava no controle e tudo iria ficar
bem – apesar da Kelly estar sendo levada para longe dos pais. Então ela entendeu o alvo e atirou sua flecha; abençoou a
partida da filha (e eu agradeci muito a Deus).
Foi o que os pais de Rebeca fizeram. Quando o servo de Abraão saiu atrás de uma esposa para Isaque,
encontrou Rebeca e lhe fez a proposta, tanto a ela como à sua família (Gn 24.15-49). E o que o relato bíblico diz que
fizeram? Ouviram o que Rebeca desejava, concordaram que Deus estava naquilo e a abençoaram para que vivesse o
melhor de Deus! Observe:
“Disseram: Chamemos a moça e ouçamo-la pessoalmente. Chamaram, pois, a Rebeca e lhe
perguntaram: Queres ir com este homem? Ela respondeu: Irei. Então, despediram a Rebeca, sua irmã, e a sua
ama, e ao servo de Abraão, e a seus homens. Abençoaram a Rebeca e lhe disseram: És nossa irmã; sê tu a mãe
de milhares de milhares, e que a tua descendência possua a porta dos seus inimigos. Então, se levantou Rebeca
com suas moças e, montando os camelos, seguiram o homem. O servo tomou a Rebeca e partiu”. (Gênesis
24.57-61)

O mesmo vale para nossos filhos espirituais. Há líderes que querem ter consigo para sempre os ministérios
que os auxiliam. Mas não podemos ser egoístas, não podemos pensar somente em nós e nosso conforto. Devemos
lançar nossos filhos para atingirem o alvo. Temos exemplos bíblicos disto:
“Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, por sobrenome Níger, Lúcio de
Cirene, Manaém, colaço de Herodes, o tetrarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito
Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando, e orando, e
impondo sobre eles as mãos, os despediram”. (Atos 13.1-3)

Quando chega o momento de alguém seguir o plano de Deus para a sua vida, precisamos ter a coragem
de toma-los como flechas e atira-los em direção ao alvo do seu chamado em Deus. Não acredito numa mesma equipe
ministerial envelhecendo junta. Alguém sempre será enviado a realizar algo mais. Faz parte da dinâmica do Reino de
Deus. As flechas não existem para permanecerem sempre na aljava. Ficam ali só até que a hora de serem lançadas
chegue.
A PREPARAÇÃO DAS FLECHAS

As flechas naqueles dias eram feitas manualmente. Exigiam trabalho artesanal e personalizado. Se o
guerreiro quisesse ser bem-sucedido ao atirar suas flechas, deveria antes ter investido nelas. Também vejo um paralelo
nesta verdade. Acredito que os filhos devem aprender a trabalhar com seus pais. Mesmo antes de sair de casa, nossos
filhos devem aprender a trabalhar e a não serem preguiçosos:
“O que ajunta no verão é filho sábio, mas o que dorme na sega é filho que envergonha”. (Provérbios
10.5)

Também vemos numa parábola contada por Jesus (que usava ilustrações do dia-a-dia do povo) que um pai
pede a seus filhos que o ajudem no trabalho da vinha:
“E que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Chegando-se ao primeiro, disse: Filho, vai hoje
trabalhar na vinha. Ele respondeu: Sim, senhor; porém não foi. Dirigindo-se ao segundo, disse-lhe a mesma
coisa. Mas este respondeu: Não quero; depois, arrependido, foi. Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram: O
segundo. Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de
Deus”. (Mateus 21.28-31)

Nos tempos antigos, era normal que um filho aprendesse o ofício de seu pai. Por exemplo, Jesus foi
chamado de carpinteiro do mesmo modo como José, seu pai (adotivo) também foi; em Mt 13.55 ele é chamado de o filho
do carpinteiro, enquanto que em Mc 6.3 é chamado de carpinteiro. Mas alguns filhos, ao crescerem, vão desenvolver
aptidões próprias dos dons e talentos que Deus deu a eles; portanto, acredito que não devemos apenas ensina-los a
fazer o que fazemos, mas tudo o que for bom e importante para seu futuro. A Bíblia fala de Lameque, que teve três filhos
e cada um desenvolveu uma aptidão diferente, embora depois passassem a ensinar as mesmas atividades aos seus
filhos:
“Lameque tomou para si duas esposas: o nome de uma era Ada, a outra se chamava Zilá. Ada deu à
luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado. O nome de seu irmão era Jubal; este foi o
pai de todos os que tocam harpa e flauta. Zilá, por sua vez, deu à luz a Tubalcaim, artífice de todo instrumento
cortante, de bronze e de ferro; a irmã de Tubalcaim foi Naamá”. (Gênesis 4.19-22)

Os filhos devem ser ensinados e preparados a serem auto-sustentáveis antes de estabelecerem a própria
família. Este também é um princípio bíblico:
“Cuida dos teus negócios lá fora, apronta a lavoura no campo e, depois, edifica a tua casa”.
(Provérbios 24.27)

Ninguém deve se casar sem ter condições de se manter. O texto sagrado revela que os negócios devem
ser preparados, o campo deve estar em ordem para somente depois se edificar a casa!
Muitos se casam ainda dependendo de seus pais para se manter. Isto é errado. O cordão umbilical deve
ser cortado! Deus estabeleceu isto desde o princípio; o homem deve DEIXAR seu pai e sua mãe e constituir nova família
com sua mulher:
“Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne”.
(Gênesis 2.24)

A palavra hebraica traduzida como “deixar” é “azab” e, segundo a Concordância de Strong, significa:
“deixar, soltar, abandonar, afastar-se de, deixar para trás”. Não é difícil entender isto. Criamos nossos filhos para que eles
nos deixem, para que sigam suas vidas e devemos prepara-los (e também a nós) para tal.
Acredito que com a mesma mentalidade devemos formar os filhos espirituais e ministeriais. Devemos
prepará-los para serem enviados e para encontrarem o melhor de Deus para si. Nossos filhos são flechas. E os valentes
responsáveis por atira-los somos nós. Que Deus nos dê graça para isto!
ABANDONANDO O MEXERICO

“Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo; nem conspirarás contra o sangue do teu
próximo. Eu sou o Senhor. Não odiarás a teu irmão no teu coração; não deixarás de repreender o teu próximo, e
não levarás sobre ti pecado por causa dele.” – (Lv 19.16,17)

A ordem de Deus é clara: ninguém deve andar com mexericos no meio do povo de Deus. A definição que
o dicionário Aurélio dá de mexericar é: “Narrar em segredo e astuciosamente, com o fim de malquistar, intrigar ou
enredar. Andar com mexericos; fazer intrigas”. E na definição de mexeriqueiro, encontramos o termo “leva-e-traz”, ou
seja: fofoqueiro.
E a implicação espiritual desta prática não pode ser definida com nenhuma outra palavra, a não ser:
pecado. Mexericar é desobedecer a Deus; portanto, é pecado e ponto final. Mas o versículo seguinte a esta proibição
divina nos revela que não peca somente que faz o mexerico, mas também quem dá ouvidos a ele! Note a expressão:
“não deixarás de repreender o teu próximo, e não levarás sobre ti pecado por causa dele”. A Bíblia está dizendo que
quando alguém dá ouvidos ao mexeriqueiro, está sendo cúmplice com ele, está levando sobre si pecado por causa da
outra pessoa. A única forma de não pecar junto com o que traz o mexerico, é repreendê-lo e recusar dar-lhe ouvidos.
Sempre aconselho os irmãos do rebanho que pastoreio: se alguém vem falar mal de alguém, pegue esta
pessoa, leve-o até “fulano” e faça falar na frente dele. Se a pessoa aceitar, dê ouvidos e tente ser o pacificador. Se a
pessoa se recusar a fazê-lo, não a ouça e repreenda-a por estar sendo mexeriqueira. Infelizmente, a maioria não pratica
este princípio, mas aqueles que o fazem tem visto que ou ganham o mexeriqueiro, tirando-o do pecado, ou no caso de
não conseguir isto pelo menos não serão mais procurados por aquela pessoa.
O mexerico é uma voz maligna, e infelizmente pode ser encontrada em qualquer igreja. Os estragos que
ele tem causado são incalculáveis. Quanta intriga, divisão, separação, inimizade, geradas pela língua que destila veneno!
O cristão tem que estar perto o suficiente da Palavra de Deus afim de abafar esta voz. Não falo apenas de vencer a
tentação de pessoalmente mexericar; mais do que isto, falo de nem mesmo dar ouvidos a um mexeriqueiro. Pois mesmo
que você nunca abra sua boca contra ninguém, ainda pode pecar mexericando. Basta ser cúmplice, dando ouvidos ao
que mexerica.
Não temos que controlar a vida de ninguém. Se alguém está em falha, devo admoestá-lo, uma vez que isto
é um mandamento bíblico:
“Irmãos, se um homem chegar a ser surpreendido em algum delito, vós que sois espirituais corrigi o
tal com espírito de mansidão; e olha por ti mesmo, para que também tu não seja tentado”. – (Gl 6.1)

Note que a Bíblia fala sobre corrigir a pessoa. Não é brigar com ela, mas falar-lhe com espírito de
MANSIDÃO, ou seja, amorosamente. Mas se não falo com a pessoa que falhou, não tenho direito de sair espalhando a
fraqueza dela com mais ninguém! Se orarmos ao menos metade do que mexericamos, a igreja será um lugar bem
diferente!
Precisamos reconhecer que o mexerico é instigado por Satanás; portanto, ele não é apenas a voz de uma
pessoa que está pecando, mas é uma voz maligna!
Instigado por Satanás

Quando escreveu a Timóteo, Paulo tratou da questão das viúvas, mostrando quando é que a igreja deveria
sustentá-las e quando deveria rejeitá-las, instruindo-as a casar-se novamente. E ele atribui isto a dois tipos de problemas
que esta situação estava gerando; um deles era o mexerico. E ele mostra que por trás do mexerico estava o próprio
Satanás, instigando-o:
“Mas rejeita as viúvas mais novas, porque, quando se tornam levianas contra Cristo, querem casar-
se; tendo já sua condenação por haverem violado sua primeira fé; e, além disto, aprendem também a ser ociosas,
andando de casa em casa; e não somente ociosas, mas também faladeiras e intrigantes, falando o que não
convém. Quero pois que as mais novas se casem, tenham filhos, dirijam sua casa, e não dêem ocasião ao
adversário de maldizer; porque já algumas se desviaram, indo após Satanás.” – (1 Tm 5.11-15)

Paulo atribui o ser “faladeira e intrigante” a seguir Satanás. É óbvio que o diabo não apareceu
pessoalmente a estas mulheres mandando que fofocassem, mas fez isto de maneira invisível, pois o agir dele é espiritual;
é ele que está por trás instigando o mexerico. E quando a pessoa segue este caminho, está seguindo a Satanás, pois ele
é quem instiga a intriga!
Já é tempo de compreendermos a implicação espiritual do mexerico e não mais dar lugar ao diabo. Além
de ser classificado como instigado por Satanás, a Bíblia ainda nos revela que o mexerico é algo que Deus abomina:
“Há seis coisas que o Senhor detesta; sim, há sete que ele abomina: olhos altivos, língua mentirosa,
e mãos que derramam sangue inocente; coração que maquina projetos iníquos, pés que se apressam a correr
para o mal; testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contenda entre irmãos.” – (Pv 6.16-19)
Há uma outra tradução que diz no versículo 16: “há seis coisas que o Senhor detesta e a sétima ele
abomina”, o que dá um peso ainda maior ao que estamos dizendo, pois a sétima coisa que Salomão relaciona é: “o que
semeia contenda entre irmãos”.

A voz do mexerico nunca edifica ninguém. Tampouco produz unidade, harmonia, comunhão ou amor. Pelo
contrário, é um instrumento de divisão, de mágoa, e muita dor. E Deus o abomina! Mexericar é pecado. É tornar-se
instrumento de Satanás. É fazer-se abominável a Deus. E mostra falta de caráter, de fidelidade ao Senhor e ao corpo de
Cristo.
“O que anda mexericando revela segredos, mas o fiel de espírito encobre o negócio.” – (Pv 11.13)

O que vê seu irmão falhar, e em vez de espalhar a quem encontra, decide guardar silêncio, é chamado fiel
de espírito. Há muita diferença entre um e outro! Precisamos aprender a guardar a nossa língua. Cresci ouvindo meu pai
citar o ditado: “quem muito fala, muito erra”. E é bíblico, pois encontramos uma expressão semelhante no livro de
Provérbios que mostra as consequências do uso da língua:
“O que guarda a sua boca preserva a sua vida; mas o que muito abre seus lábios traz sobre si a
ruína” – (Pv 13.2)

Devemos zelar com o uso da nossa língua; Tiago disse que ela pode ser inflamada (ou instigada) pelo
inferno (Tg 3.6). Quando escreveu aos tessalonicenses, o apóstolo Paulo chamou o “intrometer-se na vida alheia” – e é
exatamente isto que é o mexerico – de um andar desordenado:
“Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes
intrometendo-se na vida alheia”. – (2 Ts 3.11)

Acostumamo-nos tanto com os mexericos, fofocas e intrigas, que ainda não tomamos consciência da
gravidade deste pecado. Ao escrever sua primeira epístola, o apóstolo Pedro comparou o pecado de entremeter-se na
vida alheia aos “piores” pecados que costumamos relacionar:
“Que nenhum de vós, entretanto, padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se
entremete em negócios alheios”. – (1 Pe 4.15)

Jesus Cristo declarou que daremos conta no dia do juízo de toda palavra fútil que sair de nossa boca (Mt
12.36). É hora de darmos um basta ao mexerico. Se o encaramos como pecado, e enxergarmos o estrago que ele tem
trazido ao Corpo de Cristo, acredito que haverá peso em nossos corações ao nos envolvermos em sua prática. Caso
contrário, nossa consciência permanecerá cauterizada nesta área e seremos impedidos de crescer.
A PREPARAÇÃO PARA O CULTO

“Tendo Jesus entrado no templo, expulsou a todos os que ali vendiam e compravam; também
derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. E disse-lhes: Está escrito: A minha
casa será chamada Casa de Oração; vós, porém, a transformais em covil de salteadores.” (Mateus 21.12,13)

Neste texto vemos Jesus agindo de uma forma singular. Em todos os evangelhos vemos a figura do Cristo
misericordioso, amoroso, compassivo, e aqui temos uma atitude tão drástica e enérgica que até parece destoar do resto
de seus atos. Não que tenha sido errada ou exagerada, foi precisa e perfeita, como perfeito sempre foi nosso Senhor.

Mas bater com um chicote, virar as mesas com mercadorias e dinheiro, espalhar animais, e fazer tudo com
tamanha autoridade à qual ninguém se opôs, mostra o valor que tem diante de Deus o princípio que os judeus estavam
violando. E isto deve chamar nossa atenção.
Jesus deparou-se com muitos erros e pecados nos dias de seu ministério terreno, mas este parece ter sido
um dos mais duramente repreendido. Portanto, há uma séria e importante lição a ser aprendida neste relato. Há um erro
grave a ser evitado, e convido-o a refletir comigo nos princípios bíblicos por trás desta porção das Escrituras.

Durante muito tempo achei que o problema aqui era o comércio em si, mas quando examinamos o texto em
seus detalhes, a acusação de Jesus contra aqueles homens parece ter dois enfoques principais:
1. Uma distorção do propósito divino para sua casa – ser um ambiente de relacionamento genuíno com
Deus (casa de oração).
2. O roubo de alguma coisa – uma vez que Jesus os chamou de ladrões.

Pense nesta frase de Jesus: “vós a transformastes num covil de LADRÕES”. O que esta em questão aqui
não é necessariamente o ato de comercializar em si, mas o que ele significava.
O Senhor não estava repreendendo a ganância, nem tampouco os chamou de mercenários. A acusação
não era contra ganhar dinheiro. Aqueles comerciantes tinham o respaldo das autoridades do templo e não estavam
violando nenhuma das rígidas leis judaicas ou mesmo as romanas.
Portanto, é certo reconhecer que o roubo de que Cristo falava não era algo no reino natural, mas sim no
espiritual. Tenho certeza que o roubo não era o “preço” pelo qual se vendia, pois se de um lado da barraquinha havia um
bom comerciante judeu para vender, do outro lado o comprador também não era diferente, e isto sem falar na
concorrência!
O quê, então, aqueles homens poderiam estar roubando?
Precisamos de uma volta ao Velho Testamento e à compreensão dos princípios da lei mosaica a fim de
entender o que estava acontecendo. A Bíblia faz menção de animais sendo comercializados no templo, e esta era a
principal mercadoria ali.
Mas o que estes animais faziam lá no templo? Qual a razão de estarem sendo mercadejados? Porque o
comércio feito ali era principalmente o de animais?
É importante lembrar que o culto do período em que vigorou a Lei de Moisés era baseado nos sacrifícios de
animais que se faziam no templo. Esta era a principal ocupação dos sacerdotes, como podemos perceber nos livros de
Êxodo e Levítico.
Basicamente, o animal mais sacrificado era um cordeiro, embora havia situações em que pudesse ser um
bode ou até mesmo um novilho; outros sacrifícios exigiam a presença de aves, e estas eram também aceitas quando o
ofertante não tinha posses suficientes para ofertar gado.
A ESCOLHA E PREPARAÇÃO DO ANIMAL

Deus esperava que os homens oferecessem a Ele o melhor animal. A palavra sacrifício aponta não só o
derramamento de sangue do animal, como também o ato de abrir mão do melhor entre todo o rebanho. Houve períodos
na história de Israel em que eles perderam este enfoque e o Senhor os repreendeu:
“O filho honra o pai, e o servo ao seu senhor. Se eu sou pai, onde está a minha honra? E se eu sou
senhor, onde está o respeito para comigo? Diz o Senhor dos Exércitos a vós outros, ó sacerdotes, que
desprezais meu nome. Vós dizeis: Em que desprezamos o teu nome? Ofereceis sobre o meu altar pão imundo, e
ainda perguntais: Em que te havemos profanado? Nisto que pensais: A mesa do Senhor é desprezível. Quando
trazeis animal cego para o sacrificardes, não é isso mal? E quando trazeis o coxo ou o enfermo, não é isso mal?
Ora, apresenta-o ao teu governador; caso terá ele agrado em ti, e te será favorável? Diz o Senhor dos Exércitos.”
(Malaquias 1.6-8)

Deveria haver todo um cuidado na escolha e preparo do animal antes de levá-lo para ser sacrificado.
Quando os israelitas começavam a fazer de qualquer jeito, Deus protestava!
O animal oferecido, em termos práticos e racionais, era perdido. Deus não o usava para nada e quem o
ofereceu ficava sem. Muitos, nunca chegaram a entender que o propósito do sacrifício era justamente cultivar no coração
o valor de Deus, como estando acima de todas as outras coisas, mesmo as mais importantes.

A entrega do animal em si, não tinha valor algum, mas o que ela significava para a pessoa. Não estamos
hoje habituados com a criação de ovelhas, mas os donos se apegavam aos animais. Jesus disse que as ovelhas
conhecem a voz do pastor e o seguem, e que este, por sua vez, as chama pelo nome (Jo 10.3).
Quando o profeta Natã foi repreender Davi de seu pecado, usou uma parábola palavra ilustrar o que Davi
fizera, e descreveu nesta alegoria como alguém chegava a se apegar a uma ovelha que criava, como sendo um
verdadeiro animal de estimação (2 Sm 12.3).

A beleza do sacrifício estava no valor que o animal oferecido tinha. Lembra-se do caso de Abraão, a quem
Deus pediu seu filho Isaque em sacrifício? Deus não queria nem precisava de Isaque sacrificado, Ele só buscava a
atitude correta no coração de Abraão, queria estar em primeiro lugar. Isto agrada o coração do nosso Pai Celeste!
E o que estava acontecendo no templo, nos dias de Jesus era exatamente o oposto. Ninguém mais se
preparava para o sacrifício. Simplesmente deixavam para a última hora, quando chegassem no templo e compravam um
animal qualquer. O culto perdeu seu significado, pois se tornou mecânico ao perder a sua essência: a preparação.
A ÚNICA EXCEÇÃO

A única exceção que vemos na Bíblia quanto a levar o animal preparado era a seguinte: Quando alguém
que fosse subir a Jerusalém sacrificar ao Senhor e morasse muito longe, para não fazer toda a viagem com o animal,
poderia vendê-lo e subir com o dinheiro (Dt 14.24-26).
Com esta orientação, o Senhor queria facilitar o trânsito do adorador apenas. Facilitar a viagem e nada
mais. Ele deveria criar suas ovelhas, reconhecendo que a melhor do rebanho não seria dele e sim do Senhor. Então
quando chegava o dia de subir o templo, ele se desfazia dela do mesmo jeito!
Mas os judeus distorceram este princípio. Em nome da facilidade, instituíram um sistema onde ninguém
mais precisava gastar tempo na preparação do sacrifício, bastava comprá-lo de última hora. Por isto Jesus os chamou de
ladrões. A única coisa que eles estavam roubando era A PREPARAÇÃO PARA O CULTO.

O momento do sacrifício não era o culto em si, somente o clímax de algo que já havia sido iniciado no
coração do ofertante há muito tempo.
Talvez devêssemos nos perguntar porque Jesus ficaria tão incomodado com um estilo de culto que estava
prestes a mudar. Em poucos dias Jesus seria crucificado, a Nova Aliança estabelecida, e o culto a Deus não mais se
expressaria por meio do sacrifício de animais… Mas a verdade é que o Senhor Jesus não estava preocupado com a
manifestação externa do culto, mas como aquilo refletia um coração indiferente.

E mesmo mudando o estilo da adoração, ele sabia que nós continuaríamos errando e tropeçando nas
mesmas coisas. Então não perdeu sua chance de corrigir um pecado de sua época, e também de nos deixar um ensino
importantíssimo: o valor do que oferecemos ao Senhor em nosso culto está intimamente ligado a nossa preparação para
o culto.
Fico profundamente triste em ver como as pessoas vão para os cultos em nossas igrejas. Sem contar o fato
que muitos chegam atrasados (o que reflete o valor do culto ou sua preparação), e não estou falando de cinco ou dez
minutos apenas! O momento em que nos reunimos para cantar e orar ao Senhor, não é toda a expressão do culto, mas o
clímax de toda uma preparação que já começou antes de sairmos de casa.
Mas muitos crentes passam a tarde toda de um domingo (e não estou santificando o domingo em relação
aos outros dias, mas reconhecendo-o como o dia convencional de culto em que a maioria das pessoas não trabalha e
poderia cumprir o que estou dizendo) na frente da televisão, se empanturrando com tudo o que vem da bandeja dos
apresentadores de programas de auditório.
Outros estão ligados no esporte, mas não quero discutir a programação. O fato é que muitos passam a
tarde toda na frente da TV e depois quando chega a hora de ir para o culto – e às vezes depois dela – saem correndo
para a igreja sem sequer ter cultivado um tempo diante do Senhor. Estão com seu espírito totalmente desligado e
insensível para a presença de Deus. E depois se perguntam porque não experimentam nada de diferente!
Deixe-me dizer-lhe que a presença de Deus não é como uma torneira que você abre e fecha a hora que
quiser. A presença do Senhor não é como um interruptor que você liga e desliga a hora que bem entende com resultados
instantâneos. Não! Para provar a presença do Senhor sua carne tem que morrer primeiro, seu espírito precisa estar
desperto, sensível. E sabe o que eu acho mais engraçado?
A quantia que ouço de muitos irmãos (de minha própria igreja e de outras) que quando o período de louvor
e adoração “está ficando bom” nós – os líderes – costumamos encerrá-lo!

Mas a verdade é que para alguém que se prepara antes do culto, que tira um tempo para orar, meditar na
Palavra, se concentrar no propósito do culto, buscar a presença e intimidade do Senhor, a adoração está boa a partir da
primeira frase cantada. A primeira oração já é poderosa!
Precisamos entender que o culto não fica melhor com seu andamento, nós é que nos despertamos para a
presença do Senhor que estava lá o tempo todo nos esperando.
Muita gente não cultiva em seu coração expectativa alguma para o mover de Deus, e acaba não provando
nada nos cultos.
A expectativa é algo que determina resultados. Quando Jesus foi para Nazaré, sua cidade, as pessoas
olhavam para ele sem expectativa. Diziam: não é este o carpinteiro, filho de José e Maria? Em outras palavras, estavam
dizendo que viriam ele crescer que o conheciam, e não esperaram muita coisa dele, o que fez o próprio Jesus afirmar que
um profeta não tem honra em sua pátria (Mc.6:1-6).
O relato bíblico diz que Jesus NÃO PÔDE fazer muitos milagres ali, a não ser curar uns poucos enfermos.
Isto me faz questionar porque Deus não tem podido fazer muitos milagres em nossos cultos, a não ser curar uns poucos
enfermos… a resposta é óbvia: vamos para nossas reuniões sem esperar que aconteça. Não choramos e gememos
diante do Senhor em intercessão, não exercitamos nossa fé, não o buscamos antes da reunião!
Mas se fizermos isto, se aprendermos a nos preparar para o culto, tudo será diferente. Já evoluímos
bastante na nossa qualidade musical, mas retrocedemos na preparação. Os crentes antigos se preparavam melhor que
nós antes do culto. Tenho saudade de quando era criança e chegava a uma igreja e muitos estavam de joelhos clamando
pela reunião. Hoje em dia, na hora de começar a reunião você quase tem que tocar um sino para que a conversa pare.
Não estamos nos preparando para o culto. E achamos que basta cantar um pouquinho para que nosso
Deus se agrade. Mas estamos errando! E a severidade com a qual Jesus nos trataria hoje não seria menor do que a que
ele usou ao virar as mesas dos vendedores no templo.
Certamente se Jesus estivesse fisicamente aqui hoje e quisesse “arrumar” as coisas em sua igreja, nos
consideraria tão merecedores de um chicote quanto aqueles cambistas judeus de seus dias terrenos.
Precisamos corrigir isto em nossas vidas se queremos mais da presença do Senhor.
Se queremos de fato agradá-Lo, precisamos entender que o culto não começa na oração de abertura, mas
em nossa casa, bem antes da reunião. Em minha casa, temos o hábito de não assistir televisão aos domingos. Não
porque isto roube nossa “santidade”, mas porque nos distrai, rouba a sintonia espiritual que deveríamos ter.

Muitas vezes gasto parte da minha tarde de domingo dormindo, e não só com leitura bíblica e oração. Mas
quando vou para o culto, estou descansado e disposto, e isto faz diferença! Nas vezes em que me distraí, mesmo já
conhecendo este princípio, o culto não teve o mesmo resultado que quando me preparei.
Meu irmão (ã), quero desafiá-lo em nome de Jesus Cristo a considerar e corrigir este princípio em sua vida.
Virão dias em que provaremos um grande derramar de Deus em nossos cultos. Estão chegando dias em que veremos o
Espírito Santo se mover de forma muito poderosa nas reuniões, mas tem que haver preparação. Tenho pensado muito
ultimamente na frase de Josué: “Santificai-vos, porque amanhã o Senhor fará maravilhas no meio de vós” (Js 3.5). Não
há melhor forma de ver Deus fazendo grandes coisas em nosso meio do que preparar-se para isto!
Não sei o que tem sido seu ladrão da preparação do culto. Talvez fosse só o fato de ignorar este princípio.
Talvez seja o jogo de futebol, seu mesmo ou de seu time. Talvez sejam os programas de auditório. Sei que entre os
ladrões da preparação do culto a TV ganha disparado. Talvez seja outra coisa, mas você pode e deve mudar isto.
Alguns podem achar que estou espiritualizando demais, mas quando contextualizamos o que houve
naquele dia lá no templo, não podemos chegar a outra conclusão. Experimente gastar tempo preparando-se para o culto
e comprove você mesmo a diferença que isto faz. Mas não quero que conclua só na base do que foi bom para você. Além
de ser bom para você, certamente o será para o nosso Pai Celeste que anseia pela comunhão conosco!
VOZ COMO DE MUITAS ÁGUAS

“Eu vi a glória do Deus de Israel que vinha do oriente. A sua voz era como a voz de muitas águas, e
a terra resplandeceu por causa da sua glória”. – Ezequiel 43.2

O profeta Ezequiel ouviu a voz do Senhor e foi este o testemunho acerca dela: era como a voz de muitas
águas! Mas esta não foi a única ocasião em que ele a ouviu desta forma. Logo no início de seu livro encontramos um
relato de uma visão que o Senhor lhe dera, e nela ele comenta acerca da voz do Senhor:
“Andando eles ouvi o ruído das suas asas, como o ruído de muitas águas, como a voz do
Onipotente, a voz de um estrondo, como o estrépito de um exército; parando eles, abaixavam suas asas”. –
Ezequiel 1.24

Vale ressaltar expressões como “ruído” e “estrondo” ao se falar da voz do Senhor como a voz de muitas
águas, pois neste paralelo, a verdade que se quer transmitir não está necessariamente ligada à água, mas ao BARULHO
que ela faz. Além do profeta Ezequiel, também temos o profeta Jeremias dando testemunho disto:
“Fazendo ele [Deus] ouvir a sua voz, grande estrondo de águas há nos céus, e sobem os vapores
desde os confins da terra. Envia os relâmpagos com a chuva, e tira o vento dos seus tesouros”. – Jeremias 51.16

Tal qual os dois profetas, o apóstolo João em seu exílio na ilha de Patmos também teve uma profunda
experiência com Deus, na qual viu o Senhor ressuscitado e ouviu a sua voz; e seu relato é idêntico aos que já vimos,
mostrando ser esta uma característica pertencente à voz de Deus:
“Os seus pés eram semelhantes a latão reluzente, como que refinado numa fornalha, e a sua voz
como a voz de muitas águas” – Apocalipse 1.15

Temos três testemunhos: o de Ezequiel, o de Jeremias e o de João. E a Bíblia diz que pela boca de duas
ou três testemunhas se estabelece toda questão (2Co. 13.1). Portanto, isto não é apenas um exemplo ou alegoria, é uma
doutrina. Não é um mero detalhe em meio a uma descrição, e sim uma ênfase das Escrituras. A voz do Senhor é como a
voz de muitas águas! Deus quer que entendamos e vivamos esta verdade. Sua voz em nossas vidas deve ser como a
voz de muitas águas.
O SIGNIFICADO

Se a expressão “voz como de muitas águas” não é apenas uma menção ou detalhe, mas uma ênfase e
doutrina escriturística, então é de suma importância que compreendamos o significado da terminologia bíblica. O que é
ter voz como de muitas águas? Não é a quantidade de água em si que oferece o exemplo utilizado nas Escrituras, mas
vimos que a expressão aparece ligada a outros termos como “ruído” e “estrondo”; o exemplo, na verdade, está ligado ao
BARULHO das águas. Alguém pode estar no meio do oceano, olhar à sua volta e ver muitas águas, mas ainda sim estar
tudo em silêncio; não é da quantidade de água em si que a Bíblia fala, mas sim de seu ruído. Embora no caso de uma
queda d’água, quanto maior for o volume de água maior será também o ruído…
Eu creio que o paralelo que Deus oferece é este, o de quedas d’água, cachoeiras, cataratas, ou qualquer
outro nome que aponte para o ruído de águas, como as ondas bravias do mar, por exemplo. Até mesmo as chuvas
(tempestades) são apresentadas assim neste exemplo bíblico, pois a ideia é esta: ressaltar a intensidade da voz divina.

Quando nos aproximamos de quedas de águas, por exemplo, as Cataratas do Iguaçu, podemos observar
que quanto maior o volume de água, maior será o ruído que ouviremos. Estive lá algumas vezes, inclusive na minha lua-
de-mel, quando Deus falava destas verdades comigo, e é um espetáculo e tanto! Mas lá em Foz do Iguaçu, podemos
ouvir o ruído das águas sem que ele impeça nossa conversa, pois é possível ouvirmos uns aos outros visto que os
visitantes não têm como se aproximar tanto das cataratas.
Podemos até molhar a roupa do corpo devido à umidade do ar, mas mesmo nos pontos turísticos mais
próximos das cataratas ainda não se chega perto o suficiente para que nossa voz seja encoberta. Contudo, se formos a
uma cachoeira de menor volume de água e de queda também menor, mas colocarmo-nos debaixo dela ou mesmo bem
próximo às pedras onde ela cai, poderemos experimentar o barulho dela encobrindo nossa voz e impedindo até mesmo
conversas, pois o provável é que ninguém ouvirá ninguém.
O ruído de muitas águas é, em outras palavras, um ruído que encobre os outros ruídos. Assim também é a
voz do Senhor: UMA VOZ QUE ENCOBRE AS OUTRAS VOZES! E aqui deparamo-nos com um princípio poderoso:
Deus quer que sua voz chegue com tamanha intensidade em nossas vidas que cheguemos a ponto de não ouvir mais
nenhuma outra voz. Ele quer que sua Palavra PREVALEÇA sobre toda e qualquer voz neste mundo, a ponto de se poder
dizer de nossas vidas o que se disse em Éfeso: “Assim a palavra do Senhor crescia poderosamente, e prevalecia.” (At.
19.20.)
O que aconteceu nesta cidade da Ásia pode (e deve) acontecer conosco! Afinal não foi na cidade em si que
a Palavra cresceu, mas na vida dos habitantes dela; e se ocorreu a eles pode nos ocorrer também. Quando a Bíblia fala
sobre o crescimento da Palavra, fala de como ela cresce na vida das pessoas. À medida que damos espaço à Palavra do
Senhor, inclinando nosso coração a ela, experimentamos uma INTENSIDADE MAIOR de sua operação em nossas vidas.
Mas note que a Palavra não apenas crescia, mas PREVALECIA. E prevalecia sobre o quê? Sobre outras
vozes e ruídos. Isto é que é experimentar a voz do Senhor como voz de muitas águas. É ouvi-la tão intensa e fortemente
que não ouvimos mais nenhuma outra voz!

Por outro lado, há pessoas que experimentam justamente o contrário: outras vozes é que vivem encobrindo
a voz do Senhor em suas vidas.
Creio que há um fator determinante que diferencia um grupo do outro. A palavra de Deus não iria
prevalecer na vida de um e de outro não sem um motivo. O que determina esta diferença?
A DISTÂNCIA INFLUENCIA

Citei como exemplo de ruído de águas, as Cataratas do Iguaçu, onde podemos perceber o barulho das
águas sem deixarmos de conversar uma vez que, pela distância, o ruído não chega a atrapalhar-nos. E ao comentar
sobre uma catarata barulhenta (mas não o suficiente para encobrir todos os outros ruídos), o fiz com o propósito de
chamar-lhe a atenção para uma outra verdade: a distância que permanecemos da água influencia muito!
Ao entrar no Parque Nacional do Iguaçu, ainda na estrada para as quedas não podemos ouvir o ruído da
água, mas assim que nos aproximamos delas no último quilômetro já começamos ouvi-las. Mas mesmo quando estamos
no ponto de observação mais próximo, ainda podemos conversar. Porém, se houvesse um meio (seguro!) de nos
aproximarmos tanto de uma das quedas, a ponto de quase nos colocarmos debaixo dela, então seria impossível
conversar ou ouvir outro som, pois o barulho da água PREVALECERIA sobre todos os outros.
Assim também se dá com a voz de Deus. Se nos aproximarmos de sua Palavra, ela encobre as outras
vozes. Mas se nos distanciarmos, podemos chegar a um ponto onde os outros ruídos acabam sendo mais altos que a
Palavra de Deus em nossas vidas. O propósito divino é que estejamos tão próximos da Palavra que ela prevaleça sobre
toda e qualquer voz, abafando-a por completo.
Não estou falando do quanto você conhece ou lê a Bíblia, mas do quanto você está (ou não) perto! A
quantidade de água não afeta tanto como a PROXIMIDADE dela… Mencionei que em Foz do Iguaçu é possível
conversar sem que o ruído da água abafe completamente nossa voz; mas há alguns anos conheci uma pequena
cachoeira que conseguiu esta façanha! Veja bem, não há como compará-la com as Quedas do Iguaçu, cuja altura e
volume de água são incalculavelmente superiores, porém, esta pequena cachoeira localizada no município de Candói, no
Paraná, conseguiu abafar minha voz!
Havíamos realizado um acampamento com os jovens da igreja, e descobrimos nas proximidades do local
do acampamento a tal cachoeira. Devido ao bom tempo que desfrutávamos naquele dia e a consciência de que por causa
das chuvas abundantes que caíra nos dias anteriores haveria um lindo espetáculo, dirigimo-nos com um grupo de jovens
para lá. Ao chegarmos, a maioria de nós não resistiu ao calor e decidiu se colocar debaixo do véu de água… e foi curioso
descobrir que embora não parecesse uma cachoeira tão forte, mal conseguíamos ouvir uns aos outros enquanto debaixo
daquela queda d’água.
A lição que aprendi com este exemplo! O que faz a diferença não é o tanto de água que cai, mas se eu
estou ou não próximo a ela! Em Foz do Iguaçu o volume de água era muito maior do que este em Santa Clara, no
Candói. Mas o fato de eu ter me aproximado mais da menor cachoeira, pôde me levar a atribuir a ela um ruído maior do
que o aquele que trago na memória referente às belas Cataratas do Iguaçu.

Semelhantemente, há crentes que conhecem a Bíblia já há muitos anos, e o tanto que a leram e estudaram
é semelhante ao volume de águas do Iguaçu, é muita coisa! Mas não vivem próximos da Palavra, e ela não é suficiente
para abafar as outras vozes em suas vidas!
Por outro lado, temos irmãos que pelo pouco tempo que servem ao Senhor, suas águas (conhecimento da
Palavra) são de um volume tão menor que as do Iguaçu que só podem ser comparadas com esta pequena cachoeira da
qual me referi. Só que como vivem tão próximos da luz, que possuem da Palavra, ela é suficiente para PREVALECER em
suas vidas e abafar as outras vozes.
Portanto, não é o estar em Foz do Iguaçu ou no Candói que determina a diferença, mas a que distância
cada um se encontra das suas águas! Se o mais novo na fé e o de menor conhecimento entram debaixo da sua
cachoeira, e o mais velho na fé e o de maior conhecimento permanecem longe de sua catarata, em quem a Voz de Deus
está chegando mais alto? É óbvio que nos que estão próximos daquilo que já possuem. É naquele que se aproxima mais,
e não no que conhece mais.
A voz do Senhor será como voz de muitas águas, encobrindo as outras vozes e ruídos, somente quando
nos colocarmos próximos a ela.
O QUE É ESTAR PRÓXIMO

O que é, então, estar próximo? É não apenas ler e conhecer as Escrituras, mas permitir que o Espírito
Santo trabalhe em nós com a Palavra. Por exemplo, eu posso ser um profundo conhecedor (e até ensinador) da fé
bíblica; dizer às pessoas: as Escrituras dizem isto, isto e aquilo… mas na minha vida cristã, na hora em que eu precisar
exercitar minha própria fé, ser vencido pela voz da dúvida. Já um cristão novo convertido, que não tenha nenhuma
bagagem tão profunda de Bíblia e nem saiba explicar a fé, pode ler uma porção da Palavra, uma promessa, e permitir que
o Espírito Santo trabalhe em seu íntimo revelando a Palavra, o que fará com que ela se torne “voz como de muitas águas”
em sua vida. Terá então provado o poder da Palavra do Senhor abafando a voz da incredulidade e dando-lhe vitória no
combate da fé.

Não estou dizendo que não há valor em estudar e conhecer as Escrituras; você deve dedicar-se a isto o
MÁXIMO que puder (2Tm. 2.5). Quem dera que cada crente lutasse contra a ignorância em busca de mais e mais da
Palavra de Deus. Seria uma verdadeira revolução! Mas o que quero dizer é que apenas isto não basta e nem tampouco
determina o sucesso de nossa vida cristã. Precisamos conhecer E NOS MANTER PRÓXIMOS da Palavra; não podemos
nos distanciar.
Distanciar-se não é deixar de saber, mas sim deixar de ser sensível, viver e experimentar aquilo que
conhecemos. Trata-se de perder a consciência espiritual daquela verdade e, consequentemente, impedir que o Espírito
Santo prossiga trabalhando naquela área de nossas vidas.
Nestes dias o Pai Celeste está nos convocando para que nos aproximemos novamente das águas e
permitamos que elas abafem as outras vozes e ruídos em nossas vidas.
DIFERENTES TIPOS DE VOZES

Ao escrever aos coríntios, Paulo mostrou nos capítulos 12 e 14 de sua primeira epístola, que Deus é um
Deus que fala. Diz que já não mais servimos aos ídolos mudos (1Co. 12.2), mas ao Deus vivo que fala com cada um de
nós; e então cita os dons do Espírito como um dos diferentes meios pelos quais Deus fala. Mas ao mostrar que podemos
ouvir a voz do Senhor, ele também deixou claro que podemos ouvir outros tipos de vozes:
“Há, por exemplo, muitas espécies de vozes no mundo, e nenhuma delas é sem significado”. –
1Coríntios 14.10

Lemos que não somente há línguas diferentes, mas VOZES diferentes. Ouvimos muitas espécies de vozes
em nossa vida espiritual; o diabo, o mundo e a carne, nossos cruéis inimigos, tentarão de todas as formas abafar a voz de
Deus em nós para que lhes demos ouvidos. Mas, por outro lado, se deixarmos a Palavra de Deus se manifestar com “voz
como de muitas águas”, então as demais vozes é que serão encobertas e a Palavra do Senhor prevalecerá.
Há muitos tipos de vozes no mundo. Às vezes sentimo-nos pressionados a dar ouvidos a uma voz que não
se harmoniza com a de Deus. Reconhecemos que a voz do Senhor diz o oposto, sabemos que estamos errando, mas
ainda assim, ficamos de tal maneira presos que acabamos por seguir na direção errada. E depois nos frustramos,
condenamos e lamentamos.
Questionamos: Por que não ouvimos a Palavra de Deus? Como é possível saber o que o Senhor diz, e
ainda fazer o contrário? A razão é que estamos distantes da Palavra de Deus naquela área; esta é a única e grande
verdade do porquê isto ocorre! Se nos aproximarmos do que Deus diz, recebendo a vida e a revelação do Espírito Santo
naquela área, então as outras vozes serão encobertas. Se nos afastarmos da Palavra (e não me refiro ao Livro em si,
mas à Palavra VIVA), então as demais vozes é que se sobressairão. Que voz tem prevalecido em tua vida?
Sugerimos abaixo algumas destas muitas espécies de vozes que costumamos ouvir. Para cada uma delas
o princípio de vitória é o mesmo: VOLTAR À PALAVRA. Não apenas ler, mas meditar e deixar que o Espírito da Verdade
opere no íntimo, avivando a consciência espiritual…

 A voz da tentação
 A voz da maioria
 A voz da dúvida
 A voz da ganância
 A voz dos mexericos
 A voz do desânimo
 A voz do preconceito
 A voz do medo
 A voz do comodismo
Que Deus o abençoe, e que sua voz fale mais alto em sua vida!
(Extraído do livro “Voz Como de Muitas Águas”, de autoria de Luciano Subirá e publicado pela
Orvalho.Com)
FIRA-ME O JUSTO

Lembro-me de uma experiência inusitada, no ano de 1995, e que me serviu para esclarecer bastante esse
princípio que quero abordar aqui. No fim de um culto abençoado, o Senhor começou a se mover entre nós e eu estava
muito à vontade para fluir no Espírito. Recebi de Deus algumas palavras proféticas e as comuniquei às pessoas a quem
eram dirigidas. Não o fiz de púlpito; preferi descer e ir até cada uma delas e lhes falar algo da parte do Senhor.
Quando voltei à plataforma, Deus me deu uma visão interessante com uma irmã que também tinha ido à
frente, durante o apelo. Eu a vi com uma trombeta de ouro em sua mão direita para tocar, mas no momento em que o
fazia, refletindo insegurança, ela punha a mão esquerda na frente do instrumento, reprimindo assim seu som.
Enquanto eu refletia, tentando entender o significado do que Deus me mostrava, pois entendo que muitas
visões são simbólicas, o Espírito trouxe uma clara impressão no meu íntimo: “Ela tem uma mensagem da minha parte,
mas está insegura e com receio de falar. Vá a ela e diga que fale a minha palavra!”
Prontamente fui até a irmã e lhe disse o que o Senhor havia me dito. Encorajei-a a falar o que havia
recebido. Ela, muito impressionada, olhou diretamente nos meus olhos e falou: “É verdade, pastor, e esta irmã ao meu
lado é minha testemunha de que Deus me deu uma palavra. Eu estava receosa de entregar, mas agora sei que
realmente devo fazê-lo. E a mensagem que o Senhor me deu é para você!”
Eu quase caí de costas! Ela, com muito amor e carinho, disse-me que seu receio se dava ao fato de não se
ver no direito ou posição de tentar me instruir, pois eu tinha autoridade sobre a vida dela, e não o contrário. Mas ela me
via errando em relação a uma Palavra de Deus que eu havia recebido por ocasião do meu estabelecimento no ministério,
e, de fato, Deus a usou para que eu consertasse algo em minha vida!
Depois disso comecei a pensar comigo mesmo e a achar até divertido o ocorrido. Deus me pegou de jeito!
Eu não tinha como não ouvir aquela irmã depois da palavra que lhe dei! Então fiquei pensando na burocracia toda da
coisa. Dizia para Deus: “O Senhor não podia ter falado direto comigo sobre o assunto? Por que me falar que outra pessoa
tinha uma mensagem, para no fim a mensagem voltar para mim mesmo?” E em meio a este questionamento, o Senhor
me disse que queria me ensinar a ouvir outros, a me deixar ser corrigido quando necessário… e jamais me esqueci disso!

Veja algo tremendo que a Palavra de Deus declara acerca da correção:


“Fira-me o justo, será isto uma benignidade; e repreenda-me, isso será como óleo sobre a minha
cabeça; não recuse a minha cabeça…” (Salmo 141.5)

Deus não quer ver seu povo doente e nem sofrendo, mas há uma espécie de ferida que produz cura, e
essa deve ser praticada pelos cristãos. Ao dizer; “fira-me o justo”, Davi não falava a respeito de uma ferida física, e sim de
uma emocional. Referia-se ao desconforto (e até mesmo dor) que é produzido pela repreensão. E, apesar de se referir a
algo aparentemente ruim, ele menciona as bênçãos provenientes desse ato: “e me será por benignidade;… será como
óleo sobre a minha cabeça”.
Todos precisamos ser ministrados através de outras pessoas, e isto envolve não apenas ouvir palavras
amáveis de encorajamento, mas também, quando necessário, palavras firmes de repreensão e correção. Moisés foi um
homem que ouvia a Deus tão claramente, que tinha revelações poderosas sobre grandes e pequenos detalhes
concernentes à condução do povo de Israel. Entretanto, precisou ser corrigido por seu sogro, e aprendeu dele a
importância de trabalhar com grupos de liderança (Ex.18).
Isto me fez questionar várias vezes: se Deus falava sobre tanta coisa diretamente com Moisés, por que não
falou acerca disso? Na verdade, falou; só não o fez diretamente. Deus usou Jetro para que Moisés soubesse que, por
maior que fosse sua intimidade com Ele, por maior que fosse sua sensibilidade para ouvir a voz divina, ainda assim ele
necessitava de pessoas que pudessem corrigi-lo e instruí-lo, pois ninguém é perfeito ou completo. Todos precisamos de
pessoas que possam nos ministrar.
A Bíblia diz que aquele que se isola insurge-se contra a verdadeira sabedoria (Pv 18.1). Ninguém pode
viver sozinho recusando-se a ouvir outros.
FERIDAS DE AMOR

A Bíblia fala mais sobre esse tipo de “ferida” que o justo deve praticar em relação àqueles que ama:
“Melhor é a repreensão aberta do que o amor encoberto. Fiéis são as feridas dum amigo, mas os
beijos dum inimigo são enganosos.” (Provérbios 27.5,6)

Muitas pessoas agem com falsidade, preferido a dissimulação e o fingimento à franqueza e sinceridade da
repreensão. Mas as Escrituras Sagradas declaram que a repreensão aberta (fruto de amor sincero de uma pessoa
franca) é melhor que o amor encoberto (que não se manifesta por nunca ter coragem de falar a verdade).
Martinho Lutero, o grande reformador, declarou: “Preferiria que mestres verdadeiros e fiéis me
repreendessem e me condenassem, e até mesmo reprovassem meus caminhos, a que hipócritas me bajulassem e me
aplaudissem como santo”.
Precisamos aprender a falar a verdade em amor. Adular não leva a lugar algum e impede o crescimento
espiritual de todos.
“O que repreende a um homem achará depois mais favor do que aquele que lisonjeia com a língua”.
(Provérbios 28.23)

A verdade deve ser dita. Pessoas que amam devem corrigir e repreender os seus amados. As feridas de
amor (provocadas pela repreensão) são mais valiosas que os beijos da falsidade (do fingimento de quem não quer
contrariar ninguém).
Os apóstolos Paulo e Pedro viveram juntos uma experiência forte neste sentido. Paulo repreendeu Pedro
diante de todos por estar agindo de modo errado quanto ao jeito de se relacionar com os crentes gentios.
“Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe na cara, porque era repreensível. Pois antes de
chegarem alguns da parte de Tiago, ele comia com os gentios; mas quando eles chegaram, se foi retirando e se
apartava deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros judeus também dissimularam com ele, de modo
que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. Mas, quando vi que não andavam retamente conforme a
verdade do evangelho, disse a Cefas perante todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como os
judeus, como é que obrigas os gentios a viverem como judeus?” (Gálatas 2.11-14)

Temos algo forte descrito neste texto. Paulo referiu-se a Pedro como uma das colunas da Igreja (Gl 2.9). É
evidente que, como um dos doze apóstolos do Cordeiro, Simão Pedro estava numa posição ministerial mais elevada que
Paulo, que mesmo sendo um apóstolo, não chegou a ser parte dos doze – que têm os seus nomes escritos nos
fundamentos da Cidade Santa (Ap 21.14). Porém, como disse no início deste estudo, alguém de posição inferior de
autoridade pode, baseado na autoridade da Palavra de Deus, corrigir outro de maior autoridade.

O apóstolo Paulo orientou seu discípulo Timóteo: “Não repreenda asperamente ao homem idoso, mas
exorte-o como se ele fosse seu pai” (1 Tm 5.1). Se fosse errado um filho corrigir o seu próprio pai, Paulo nunca poderia
ter dito isto. Mas se um filho (já com maturidade) precisar fazer isso com seu pai, deve fazê-lo com tanto carinho e honra,
que essa correção se torne o modelo de respeito a ser manifestado a qualquer pessoa idosa que tenhamos que corrigir.
QUEM PODE CORRIGIR

Repreender não é apenas dever do pastor (no púlpito ou em aconselhamentos e disciplinas). Cada cristão
tem a incumbência de fazê-lo. Jesus declarou:
“…se teu irmão pecar contra ti, repreende-o …” (Lucas 17.3)

O texto não diz “se teu discípulo” ou “se teu liderado” ou “se teu filho na fé” pecar; o texto sagrado diz: “se
teu irmão pecar contra ti”. Há momentos em que os líderes terão que se posicionar com autoridade para repreender, pois
Paulo instrui a Tito: “Exorta e repreende com autoridade” (Tt 2.15). Porém, não quer dizer que essa ação de repreensão
deva se limitar somente aos líderes. Todo crente deve aprender a corrigir seu irmão(ã) quando este falhar.
“Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de
incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente a cada dia, durante o tempo
que se chama hoje, a fim de que ninguém se endureça pelo engano do pecado.” (Hebreus 3.12,13)

Quando encorajamos os irmãos a praticarem o princípio de repreensão e correção mútua, corremos o risco
de sair de um extremo (onde ninguém corrige) e ir a outro (onde qualquer um acha que pode corrigir). Portanto, penso
que devemos ter certa cautela e ensinar acerca desses princípios.
Precisamos aprender a importância da interação e dos relacionamentos no Corpo de Cristo. Francisco de
Assis declarou: “Ninguém é suficientemente perfeito que não possa aprender com o outro, e ninguém é totalmente
destituído de valores que não possa ensinar algo ao seu irmão.”
Concordo com o fato de que devemos ser ensináveis e aprendermos uns com os outros. Porém, quando o
assunto é correção (e penso que isto vai além do aprendizado mútuo), não é qualquer um que, dentro da igreja, pode
chegar a repreender outro; é necessário ter certa maturidade para isso. Há alguns critérios bíblicos para tal, e entre eles
Paulo destaca dois importantes: bondade e conhecimento.
“Eu, de minha parte, irmãos meus, estou persuadido a vosso respeito, que vós já estais cheios de
bondade, cheios de todo o conhecimento e capazes, vós mesmos, de admoestar-vos uns aos outros.” (Romanos
15.14)

Uma pessoa cheia de bondade é bem diferente de uma cheia da amargura. A amarga não corrige; briga
com todo mundo! Mas repreender é algo que se faz com um coração cheio de bondade. Portanto, somente um crente em
tal condição é capaz de ferir o justo em seu benefício. Caso contrário, será prejuízo. A bondade focará o alvo correto: o
erro em si, e não a pessoa que errou.
Também é necessário conhecimento bíblico, experiência de vida cristã. Uma repreensão que é sempre
seguida de conselho mostra não apenas o erro em si, mas aponta a forma correta de comportamento. Não deve ser
fundada meramente na opinião de alguém, mas na Palavra do Senhor.
O apóstolo Paulo deixa claro que não é qualquer um que tem a capacidade de se exercitar nessa prática,
mas que os que estão cheios de bondade e conhecimento já se encontram prontos para isso.
A FORMA DE FAZÊ-LO

Vimos quem pode repreender a seu irmão quando este se encontra em erro, e agora quero lançar algumas
bases bíblicas sobre a maneira correta de fazê-lo. Charles Spurgeon, ministro britânico conhecido como o príncipe dos
pregadores, afirmou: “A repreensão não deve ser um balde de água fria para congelar o irmão, nem água fervente para
queimá-lo”. Destaquei cinco aspectos importantes que devem determinar a forma de corrigir nossos irmãos no Senhor.
Vejamos o que a Palavra de Deus diz sobre isso:
1) Como a filhos amados

Quando o apóstolo Paulo corrigiu os irmãos de Corinto, demonstrou um coração paternal exemplar:
“Não escrevo estas coisas para vos envergonhar, mas para vos admoestar, como a filhos meus
amados.” (1 Coríntios 4.14)

Todo pai sabe como é corrigir um filho. A correção dói mais em nós do que neles! Entretanto, o amor que
temos pelos filhos nos leva a corrigi-los. Não queremos infligir-lhes dor; queremos ensiná-los e poupá-los de dores
maiores.
É por isso que não se deve corrigir um filho quando se está irado ou alterado emocionalmente. A correção
deve ser uma manifestação de amor e cuidado. É isso o que aprendemos com nosso Pai Celeste, do qual as Escrituras
dizem: “Pois o Senhor disciplina a quem ama, e castiga todo aquele a quem aceita como filho” (Hb 12.6 – NVI). Portanto,
a correção aos nossos irmãos em Cristo deve ser feita com o mesmo coração amoroso com que corrigimos os próprios
filhos.
2) Em espírito de mansidão

A correção não deve manifestar um tom de condenação. Deve ser feita em espírito de mansidão. Isto
significa que correção não é briga. Também não é condenação. É um ensino amoroso que visa a restauração de quem
errou. Santo Agostinho declarou: “Convém matar o erro, mas salvar os que estão errados”.
“Irmãos, se um homem chegar a ser surpreendido em algum delito, vós que sois espirituais corrigi o
tal com espírito de mansidão; e olha por ti mesmo, para que também tu não sejas tentado.” (Gálatas 6.1)

Além do fato de que o espírito de mansidão não acusa e nem condena (o que falhou), embora reprove (a
falha em si), ele também expressa humildade em vez de altivez. O apóstolo disse que devemos cuidar para que, na área
em que corrigimos outros, não venhamos também a ser tentados. Em outras palavras, pode acontecer com qualquer um!
Alguns irmãos corrigem outros como se eles mesmos não estivessem sujeitos a queda e falha. Isto é
errado e contrário às Escrituras! Paulo disse que quem está em pé cuide para que não caia (1 Co 10.13). Também
declarou que esmurrava seu próprio corpo para que, depois de pregar, ele mesmo não viesse a ser desqualificado (1 Co
9.27). Mesmo ao corrigir, o apóstolo parecia sugerir a ideia de “pode acontecer comigo e com qualquer um”, e “eu
entendo e vou lhe ajudar”. Se nós tivermos esse mesmo coração, certamente teremos resultados bem melhores ao
aplicar a correção.
3) Com sensibilidade para tratar cada caso
“Exortamo-vos também, irmãos, a que admoesteis os insubordinados, consoleis os desanimados,
amparai os fracos e sejais longânimos para com todos.” (1 Tessalonissenses 5.14)

De acordo com a instrução bíblica, cada tipo de deficiência merece um trato específico. O insubordinado
deve ser admoestado; o desanimado deve ser consolado; os fracos devem ser amparados e TODOS merecem
longanimidade.
Não podemos inverter a ordem. Há igrejas em que os insubordinados são amparados e consolados e os
fracos e desanimados são admoestados! Quando isso acontece, o erro de um não é corrigido e a necessidade de apoio
de outros é pisoteada.
Um texto bíblico que me ajudou a compreender que devemos fortalecer os fracos e desanimados, em vez
de acabar de matá-los de vez, foi o seguinte:
“Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega; em verdade promulgará o
direito.” (Isaías 42.3)

Eu nunca havia entendido a expressão “não esmagará a cana quebrada” até um dia em que eu fui à
lavoura de um amigo. Entramos de caminhonete em sua plantação de trigo para que ele pudesse avaliar o estado do trigo
em diferentes pontos, e eu percebi que, à medida que avançávamos, deixávamos atrás de nós um trilho, a marca dos
pneus que pareciam esmagar as plantinhas indefesas. Inocentemente eu lhe perguntei se ele não estava estragando
aquela parte da plantação por onde passávamos, e ele me disse que não. Ele parou para mostrar-me que, mesmo com o
talo quebrado, aquele trigo se levantaria de novo, num verdadeiro processo de regeneração da natureza. Em seguida ele
me mostrou outras áreas onde isso já havia acontecido. Quando a Bíblia fala sobre “cana”, ela está falando sobre o caule
das plantas. Deus está dizendo que mesmo que elas se quebrem, Ele não as destruirá por causa disso, mas permitirá
que elas sejam restauradas e que as suas rachaduras sejam refeitas. Quando estamos “quebrados” em alguma área de
nossas vidas, o Senhor não nos esmaga por não sermos perfeitos, mas Ele permite que uma restauração ocorra. Logo,
devemos ter o mesmo coração amoroso e misericordioso para com aqueles que corrigimos.
A outra frase do versículo, que transmite a mesma mensagem da primeira, é: “Ele não apagará a torcida
que fumega”. É uma alusão ao pavio da lâmpada que já não está mais aceso, que está se apagando. Novamente a Bíblia
declara que, até mesmo quando não estamos em conformidade com o que Deus planejou para nós, Ele não nos destrói.
O Senhor não molha a ponta dos Seus dedos com saliva para apertar o pavio que fumega, como fazemos com uma
velinha de um bolo de aniversário. Não! Como diz o antigo cântico pentecostal, “Se apagar o pavio que fumega, Jesus
assopra, e o fogo pega!” Aleluia! Jesus jamais apagará o nosso último pavio de esperança! Portanto, nem nós tampouco
devemos fazer isso com os que erraram. O propósito da correção é a restauração, não o massacre daquele que errou.
Mas, o mais interessante é o que a Bíblia nos instrui como trato geral: ser longânimo para com todos. Não
importa o erro; todos merecem paciência de nossa parte. Cada erro (a falha em si) requer um trato diferenciado na hora
da correção, mas todos os que erram (as pessoas) merecem um mesmo trato: paciência. Todos já fomos crianças e
imaturos um dia (tanto natural como espiritualmente), e lembrar isto nos ajuda a ter com outros a paciência que já tiveram
conosco um dia.
Eu estava no trânsito um dia desses e encostei atrás de um carro de autoescola; quando comecei a
incomodar-me com a lentidão com que o aprendiz de motorista dirigia, li um adesivo no vidro traseiro do carro que dizia:
“Calma, eu sou você ontem”. Recordar que já dirigimos assim antes, e quão feliz nós ficávamos quando não buzinavam o
tempo todo atrás de nós ajuda a ter paciência com os novatos. Façamos o mesmo na vida cristã!
4) Não como inimigo, mas como irmão

Algo que a maioria de nós precisa aprender é que confronto não é, do ponto de vista bíblico, guerra. A
pessoa que errou, por pior que tenha sido o seu erro, ainda é parte da mesma família da fé a que nós pertencemos! Por
isso, a Escritura declara que devemos admoestar (corrigir) essa pessoa como a um irmão; não como se fosse um inimigo:
“Todavia, não o considerais com inimigo, mas admoestai-o como irmão.” (2 Tessalonissenses 3.15)

Jesus nos orientou a advertir quem errou com um único propósito: ganhar nosso irmão (não o inimigo; o
irmão).
“Se o seu irmão pecar contra você, vá e, a sós com ele, mostre-lhe o erro. Se ele o ouvir, você
ganhou seu irmão.” (Mateus 18.15 – NVI)

E se não houver resultados na repreensão inicial, Jesus nos aconselhou a tentar de novo, com
testemunhas. Se ainda não houver resultado, tentar mais uma vez, diante da igreja. Somente em última instância, por não
aceitar a repreensão, alguém pode chegar à mais forte expressão de disciplina na igreja: a exclusão (Mt 18.15-17).
Porém, mesmo em casos de severa disciplina, somos orientados a prosseguir amando e perdoando a esses irmãos (2 Co
2.5-8).
5) Na expectativa de arrependimento

Algo que tenho aprendido muito nos últimos anos, com o pastor Abe Huber (da Igreja da Paz), é acreditar
nas pessoas. Não digo acreditar no sentido humanista de que as pessoas sejam boas em si mesmas, mas no sentido de
crer na ação de Deus em suas vidas, crer para a transformação delas. Ele me inspirou a não desistir de quem erra e a
lutar por cada um que falhou e aplicar fé, muita fé, pela sua restauração.
Muitas vezes confrontamos as pessoas já esperando que elas não aceitem e planejando nossas reações
em cima das possíveis ações de quem iremos corrigir. Sei por experiência própria; já fiz isto como pastor e como irmão
em Cristo, como familiar e como amigo – em todos os níveis de relacionamento. Também já conversei com muita gente
que fez o mesmo, em posição de liderança ou não.
Paulo instruiu seu jovem discípulo Timóteo em relação a isso:
“Ao servo do Senhor não convém brigar mas, sim, ser amável para com todos, apto para ensinar,
paciente. Deve corrigir com mansidão os que se lhe opõem, na esperança de que Deus lhes conceda o
arrependimento, levando-os ao conhecimento da verdade” (1 Timóteo 2.24,25 – NVI)

O texto bíblico fala sobre corrigir na esperança (ou expectativa) de que Deus conceda o arrependimento.
Não é corrigir por corrigir, só para dizer que tentou. É lutar pela restauração. É aplicar fé que haverá arrependimento e
mudança!
NOSSA ATITUDE

A Bíblia compara o ato de repreender ao de ferir, porque é exatamente isto que ele causa em nossa alma:
dor. Nossa natureza humana é egocêntrica, autosuficiente, orgulhosa. Se não nos deixarmos ser tratados por Deus, não
teremos um coração ensinável.
Meu propósito não é tanto o de ensinar aos crentes como corrigirem uns aos outros, como o é de ensiná-
los a aceitar a correção! Como pastor, estou constantemente tendo que exercitar a prática da admoestação, e vejo como
é difícil (mesmo quando alguém reconhece seu erro) uma pessoa “engolir” aquele momento. Agostinho de Hipona disse:
“Você não teria medo de ser reprovado se não amasse a lisonja”.
Olho para minha própria vida e para os momentos em que eu mesmo tenho sido repreendido, e reconheço:
não é fácil. Nosso íntimo reage. Mas precisamos aprender a ter um espírito ensinável, um coração que se sujeita à
ministração de Deus através dos irmãos:
“Sujeitando-vos uns ao outros no temor do Senhor.” (Efésios 5.21)

É de suma importância que nos conscientizemos do papel da correção e da repreensão dentro da casa do
Senhor. O livro de Provérbios nos dá vários conselhos acerca das formas errada e correta de vermos a repreensão.
Vejamos dois textos de Provérbios que falam da maneira errada de se relacionar com a repreensão: um
fala de ignorar a repreensão e outro de odiá-la:
“Quem acolhe a disciplina mostra o caminho da vida, mas quem ignora a repreensão desencaminha
outros.” (Provérbios 10.17 – NVI)

“Todo o que ama a disciplina ama o conhecimento, mas aquele que odeia a repreensão é tolo.”
(Provérbios 12.1 – NVI)

Agora vejamos dois textos de Provérbios que falam da maneira correta de se relacionar com a repreensão.
O primeiro mostra que o prudente é ensinável, pois se abre para a correção; o outro revela que quem atenta para a
repreensão lucra com isso!
“A repreensão faz marca mais profunda no homem de entendimento do que cem açoites no tolo.”
(Provérbios 17.10 – NVI)
“Como brinco de ouro e enfeite de ouro fino é a repreensão dada com sabedoria a quem se dispõe a
ouvir.” (Provérbios 25.12 – NVI)
CONCLUINDO

Precisamos apreender a ouvir a repreensão. Por mais desconfortável que seja no momento em que a
recebemos, devemos lembrar que depois ela produzirá cura e restauração:
“Na verdade, nenhuma correção parece no momento ser motivo de gozo, porém de tristeza; mas
depois produz fruto pacífico de justiça nos que por ela têm sido exercitados.” (Hebreus 12.11)

Também precisamos aprender a repreender nossos irmãos quando estão em erro. Tenho conhecido tantas
pessoas que assistiram a verdadeiros desastres na vida de outros que lhes eram queridos, mas não quiseram falar nada
para não se indisporem, para não comprometerem o relacionamento.

Alguns preferem não se indispor, e evitam a repreensão. Porém, não corrigir quem está errado é pecado de
cumplicidade. Observe o que a Palavra de Deus ensina sobre isto:
“Não guardem ódio contra o seu irmão no coração; antes repreendam com franqueza o seu próximo
para que, por causa dele, não sofram as consequências de um pecado.” (Levítico 19.17 – NVI)

Se meu irmão errou, não posso guardar mágoa contra ele. Na verdade, o versículo seguinte (Lv 19.18)
afirma: “Não procurem vingança, nem guardem rancor contra alguém do seu povo, mas amem cada um o seu próximo
como a si mesmo”. O andar em amor (e não guardar rancor) envolve repreender o irmão que errou. Quem não repreende
e deixa o outro no erro é cúmplice. Quem não confronta, e fica com o coração errado pela falta de concerto, também
peca!
O problema não é falar a verdade, e sim a forma como o fazemos. Se falarmos a verdade em amor,
seremos melhor recebidos. Se o fizermos num espírito altivo, haverá problemas. Ainda assim, a repreensão será uma
ferida. Trará tristeza momentânea. Porém, a cura que dela brotará estará continuamente dizendo: valeu a pena! Dwight
Lyman Moody, o grande evangelista, fez a seguinte afirmação: “Os rudes entalhes da repreensão têm o único objetivo de
colocar-nos no prumo, para que sejamos utilizados no edifício celestial”.
Precisamos aprender a ser corrigidos. Creio que devemos orar ao Senhor e pedir-lhe um coração
ensinável. E por outro lado, além de aprendermos a ser corrigidos, devemos aprender a corrigir. Não podemos assistir o
erro e permanecer quietos.

Devemos, por amor ao Corpo de Cristo e obediência à Palavra, corrigir. Confrontos são inevitáveis em
qualquer tipo de relacionamento, e na igreja não será diferente. Paulo confrontou Pedro, Barnabé e outros em público, e
haverá momentos em que nós teremos que fazer algo semelhante. Portanto, penso que devemos nos preparar em
oração para isto também.
E depois de aprendermos a corrigir e ser corrigidos, penso que devemos ensinar nossos filhos, discípulos e
liderados a fazerem o mesmo… Que o Senhor nos ajude!
ESCRAVOS POR AMOR
Conta-se que dois jovens morávios souberam que numa ilha no leste da Índia havia três mil escravos
pertencentes a um ateu britânico. Sem permissão de irem para lá como missionários, eles decidiram vender a si mesmos
como escravos e usar o dinheiro para pagarem as passagens para a ilha. No dia da partida, as suas famílias e os seus
amigos estavam reunidos no porto, sabendo que, após a sua partida, jamais os veriam novamente. Indagados sobre a
razão que os levava a uma decisão tão extrema assim, eles permaneceram calados. No entanto, quando o barco estava
se afastando, os dois rapazes gritaram: “Que através das nossas vidas o Cordeiro que foi imolado receba a recompensa
pelo Seu sacrifício!” (Fonte: site da Editora Ultimato; texto de Enedina Sacramento)

Para mim, este relato é profundamente comovente e inspirador. Ao mesmo tempo, no entanto, ele faz com
que eu me sinta envergonhado. A história diz que os morávios enviaram milhares de missionários a várias partes do
mundo. Eram pessoas que desistiam dos seus sonhos, que renunciavam o privilégio de viverem com as suas famílias e
tantas outras coisas das quais a nossa geração se recusa a abrir mão! A chama missionária precisa ser reacendida na
Igreja do Senhor Jesus em nossos dias! Estes morávios fizeram tanto para Deus, apesar de terem tão pouco. Em
contrapartida, nós temos feito tão pouco, apesar de termos muito!

Mas o que diferencia estes irmãos da nossa geração atual? Eu não creio que eles nasceram de novo com
algum tipo de “DNA espiritual” mais avançado. Também não creio que o chamado divino tenha sido mais forte para eles
do que para outros, pois Deus não faz acepção de pessoas. Além do fato de que os morávios oravam muito (eles
chegaram a orar cem anos ininterruptamente – que é a receita divina para que haja mais obreiros para a Seara [Mt 9.38]),
eu creio que estes irmãos morávios tinham uma mentalidade diferente, uma mentalidade de tanto amor e de entrega que
eles se dispunham a viverem como escravos por amor a Cristo e à Sua causa.
Enquanto eu refletia sobre este episódio dos dois jovens morávios e as características deste povo (que
marcou o seu tempo e a sua geração) eu percebi o quanto que a atitude deles está ligada a um princípio tremendo – de
amor a Deus – revelado nas Escrituras: o princípio do escravo por amor (ou do servo da orelha furada). Observemos o
que diz a Palavra de Deus:
“São estes os estatutos que lhes proporás: Se comprares um escravo hebreu, seis anos servirá;
mas, ao sétimo, sairá forro, de graça. Se entrou solteiro, sozinho sairá; se era homem casado, com ele sairá sua
mulher. Se o seu senhor lhe der mulher, e ela der à luz filhos e filhas, a mulher e seus filhos serão do seu senhor,
e ele sairá sozinho. Porém, se o escravo expressamente disser: Eu amo meu senhor, minha mulher e meus filhos,
não quero sair forro. Então, o seu senhor o levará aos juízes, e o fará chegar à porta ou à ombreira, e o seu
senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para sempre.” (Êxodo 21.1-6)

Confesso que este texto me deixou confuso por muito tempo. Ver a escravidão presente na cultura dos
povos antigos (tanto do Antigo como do Novo Testamento) é uma coisa; ver Deus regulamentando as leis da escravidão
é outra bem diferente! Eu analisava este trecho bíblico e ficava receoso de que a escravidão, que graças a Deus é algo
que não mais toleramos hoje, fosse algo respaldado pelo Senhor. Embora o propósito desta lei fosse impedir que a
escravidão fosse praticada sem misericórdia, ainda assim a ideia de um homem servindo a outro era algo que me
incomodava.
Entretanto, descobri que muitas coisas com as quais o Senhor teve que lidar com o Seu povo não eram
necessariamente a Sua vontade, como é o caso da poligamia – tolerada por muito tempo, mas depois proibida por Deus.
Creio que é assim que devemos olhar para a questão da lei do servo da orelha furada.
Por que Deus estabeleceria uma lei como essa? Como isso deve falar ao nosso coração? Uma vez que a
Lei não tem a imagem exata das coisas e sim a sombra de bens vindouros (Hb 10.1), devemos nos questionar: “Como
devemos nos relacionar com esses trechos do Antigo Testamento? Paulo disse aos irmãos coríntios que o mandamento
“não atarás a boca ao boi que debulha” (1 Co 9.9,10) foi dado pelo Senhor por causa de nós, e não por causa dos bois!
Embora à primeira vista o assunto em questão pareça ser a alimentação dos bois apenas, a projeção de Deus para os
dias da Nova Aliança, para os dias em que vivemos hoje, é outra: o sustento dos obreiros! Assim também é com a lei do
servo da orelha furada. O Pai Celestial está indo muito além dos dias da Lei Mosaica e abordando algo importante sobre
o nosso relacionamento com Ele hoje.

Muitos não enxergam a verdade do senhorio de Jesus sobre as suas vidas. E até mesmo nós, que a
enxergamos, precisamos crescer no nível de entendimento deste nosso relacionamento com o Senhor. Ao mesmo tempo
em que Ele é o nosso Pai Celestial e nós somos os Seus amados filhos e herdeiros, Deus também é o Senhor das
nossas vidas e nós somos os Seus servos! Lembrando, é claro, que a palavra “servo” significa “escravo”! Isto é
exatamente o que somos como consequência da redenção de Deus em nossas vidas.
ENTENDENDO A REDENÇÃO

A fim de podermos entender a visão do senhorio de Deus em nossas vidas, bem como a nossa condição
de servos (escravos) Seus, é preciso que estabeleçamos antes um fundamento claro do que a Bíblia ensina sobre
“redenção”.
Para muitos cristãos, a palavra “redenção” não significa nada mais do que “perdão dos pecados” ou
“salvação”. Mas o seu significado vai muito além disso. A palavra “redenção” significa “resgate” ou “remissão”. Ela
significa “readquirir uma propriedade perdida”. Antes de Deus estabelecer algumas verdades no Novo Testamento, Ele
determinou que elas fossem ilustradas no Antigo Testamento:
“Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, jamais pode
tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem.”
(Hebreus 10.1 – Tradução Brasileira)

A sombra é diferente da imagem real que a projeta. Assim também, as ordenanças da Antiga Aliança
(práticas literais) tinham características semelhantes às dos princípios que Deus revelaria nos dias da Nova Aliança
(práticas espirituais). A circuncisão deixou de ser literal e passou a ser uma experiência no coração (Rm 2.28,29). A
serpente que Moisés levantou no deserto tornou-se uma figura da obra de Cristo na Cruz (Jo 3.14). Assim também,
outros detalhes da Lei que envolviam comida, bebida e dias de festa, começaram a ser vistos não como ordenanças
literais, pelas quais quem não as praticasse poderia ser julgado, mas como uma revelação de princípios espirituais,
cabíveis na Nova Aliança:
“Ninguém, portanto, vos julgue pelo comer, nem pelo beber, nem a respeito de um dia de festa, ou
de lua nova ou de sábado, as quais coisas são sombras das vindouras, mas o corpo é de Cristo.” (Colossenses
2.16,17)

É desta forma que precisamos olhar para a lei da redenção no Antigo Testamento. Durante anos Deus fez
com que o povo praticasse uma encenação do que Ele mesmo um dia faria conosco. Foi assim com o sacrifício do
cordeiro que os israelitas repetiam anualmente em várias cerimônias; por fim, vemos João Batista apontando para Jesus
e dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29). Paulo se referiu a Jesus como o Cordeiro
Pascal (1 Co 5.7). Vemos nestas passagens que as práticas repetidas por centenas e centenas de anos tinham por
objetivo fazer com que eles entendessem uma figura que somente seria revelada posteriormente. Com a Redenção não
foi diferente. O Livro de Rute nos mostra Boaz resgatando (ou redimindo) as propriedades de Noemi. Ele estava
readquirindo uma posse perdida.
Toda dívida tinha que ser paga. Se um indivíduo não tivesse recursos para honrar os seus compromissos,
ele deveria dar os seus bens em pagamento. Se estes não fossem suficientes, ele também deveria entregar as suas
terras. E, se elas ainda não bastassem para a quitação da dívida, o próprio indivíduo (e às vezes até a sua família)
deveria ser dado como pagamento. Isto faria dele um escravo. Lemos em 2 Reis 4 que uma mulher viúva, que fora
casada com um dos filhos dos profetas, perderia os seus filhos, pois seriam levados como escravos se ela não pagasse a
sua dívida. E, quando isto acontecia com alguém, só havia duas formas de esta pessoa sair da condição de escravidão:
ou alguém pagava a sua dívida (um redentor) ou ela esperava nesta condição até que chegasse o Ano do Jubileu (que se
repetia a cada cinquenta anos). Veja o que a Lei Mosaica dizia sobre isto:
“Se teu irmão empobrecer e vender alguma parte das suas possessões, então virá o seu resgatador,
seu parente, e resgatará o que seu irmão vendeu. Se alguém não tiver resgatador, porém vier a tornar-se
próspero e achar o bastante com que a remir, então contará os anos desde a sua venda, e o que ficar restituirá ao
homem a quem vendeu, e tornará à sua possessão. Mas, se as suas posses não lhe permitirem reavê-la, então a
que for vendida ficará na mão do comprador até ao Ano do Jubileu; porém, no Ano do Jubileu, sairá do poder
deste, e aquele tornará à sua possessão.” (Levítico 25.25-28)

A redenção era o pagamento da dívida feito por um parente próximo. Por meio do pagamento ele comprava
de volta o que se perdera. Então a pessoa que fora escravizada deixava de pertencer a quem antes ela devia e a quem
servia.
Por exemplo: se eu me endividasse a ponto de perder todas as minhas posses e ainda ser levado como
escravo, e, se o meu irmão me resgatasse, eu não deixaria de ser escravo! Eu apenas mudaria de amo! Eu agora
passaria a ser escravo do meu irmão, porque ele me comprou! Qual é então o proveito disso? De que adianta ficarmos
livres de um para nos tornarmos escravos de outro? A diferença era que o novo dono era um parente que pagou essa
dívida por amor (Um escravo normalmente não valia tanto.), e, justamente por causa do seu amor, ele trataria o escravo
com brandura, com misericórdia.
O QUE CRISTO FEZ POR NÓS

Foi exatamente isto que Jesus fez por nós. Cristo nos comprou para Deus através da Sua morte na Cruz:
“… porque foste morto e com teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo,
língua, povo e nação, e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra.”
(Apocalipse 5.9b,10)

O homem tornou-se um escravo de Satanás quando se rendeu ao pecado no Jardim do Éden. A Bíblia
declara que aquele que é vencido em algo torna-se escravo de quem o vence (2 Pe 2.19), e foi exatamente isto que
aconteceu com o primeiro casal. Eles foram separados da glória de Deus. Eles perderam a filiação divina. Adão foi
chamado “filho de Deus” (Lc 3.38), mas esta condição não foi mantida. Quando Jesus veio ao mundo, Ele foi chamado de
“o Filho Único de Deus” (Jo 3.16), mas Ele veio mudar esta condição e passou a ser o “Primogênito entre muitos irmãos”
(Rm 8.29). O Diabo se assenhoreou do homem a da Terra, que havia sido dada ao homem (Sl 115.16), e ele afirmou isto
para Jesus na tentação do deserto (Lc 4.6). Mas Jesus veio pagar a nossa dívida do pecado, e, ao fazê-lo, garantiu a
nossa libertação das mãos de Satanás:
“Ele nos resgatou do poder das trevas e nos trasladou para o reino do seu Filho muito amado, no
qual temos a nossa redenção, a remissão dos nossos pecados.” (Colossenses 1.13,14 – TB)

Observe o termo “resgatou”, que aparece quando o apóstolo está falando de sermos tirados do Reino das
Trevas e de sermos levados para o Reino do Filho de Deus. Em seguida ele afirma o seguinte: “no qual temos a nossa
“redenção”! A Redenção foi o ato de compra, do pagamento da dívida do pecado:
“Tendo cancelado o escrito de dívida que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos
era contrário, removeu-o inteiramente, cravando-o na cruz; e tendo despojado os principados e potestades, os
exibiu abertamente, triunfando deles na mesma cruz.” (Colossenses 2.14,15 – Tradução Brasileira)

O Texto Sagrado revela que Jesus despojou os príncipes malignos. Segundo o Dicionário Aurélio da
Língua Portuguesa, “despojar” significa “privar da posse; espoliar, desapossar”. Isto faz com que questionemos o quê,
exatamente, Jesus tirou destes principados malignos. O que eles possuíam que pudesse interessá-Lo? Nada, a não ser o
senhorio sobre as nossas vidas! O despojo somos nós, que fomos comprados por Ele para Deus e a partir de então
passamos a ser propriedade de Deus. É exatamente assim que as Escrituras se referem a nós. Somos chamados de
propriedade de Deus:
“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus,
a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.” (1 Pedro 2.9)

Repetidas vezes encontraremos a ênfase de que Cristo nos comprou para Si. E o preço foi o Seu próprio
sangue!
“Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do
vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito
e sem mácula, o sangue de Cristo.” (1 Pedro 1.18,19)

Portanto, quando Jesus nos comprou, Ele nos livrou da escravidão do Diabo, mas nos fez escravos de
Deus! Coisa alguma que possuímos é, de fato, nossa exclusivamente. Nem as nossas próprias vidas pertencem a nós
mesmos! Somos propriedade de Deus. Ele é o nosso Dono. Consequentemente, tudo o que nos pertence na realidade
pertence a Ele!
Referindo-se ao Espírito Santo em nós, Paulo O chamou de “o penhor da nossa herança, para redenção da
possessão de Deus” (Ef 1.14 – ARC). Observe que o termo “redenção” aparece associado aos termos “herança” e
“possessão”, pois é disto que o Princípio de Redenção sempre trata: o resgate da propriedade! O que aconteceu foi que
passamos por uma troca de “dono”. Agora pertencemos ao Senhor!
ESCRAVOS DE CRISTO

Vamos observar mais uma vez o texto que fala do escravo por amor:
“São estes os estatutos que lhes proporás: Se comprares um escravo hebreu, seis anos servirá;
mas, ao sétimo, sairá forro, de graça. Se entrou solteiro, sozinho sairá; se era homem casado, com ele sairá sua
mulher. Se o seu senhor lhe der mulher, e ela der à luz filhos e filhas, a mulher e seus filhos serão do seu senhor,
e ele sairá sozinho. Porém, se o escravo expressamente disser: Eu amo meu senhor, minha mulher e meus filhos,
não quero sair forro. Então, o seu senhor o levará aos juízes, e o fará chegar à porta ou à ombreira, e o seu
senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para sempre.” (Êxodo 21.1-6)

A partir do entendimento de redenção fica mais fácil entendermos a nossa posição de servos, de escravos
do Senhor. Contudo, textos como este nos ajudam a entendermos melhor estas verdades espirituais. O servo da orelha
furada era conhecido na sociedade dos seus dias como alguém que era escravo por decisão própria. Onde quer que ele
fosse, aquela orelha furada atrairia a atenção dos outros! No momento em que eu estou escrevendo este capítulo, eu
estou na cidade de Arusha, na Tanzânia, numa base de missionários que trabalham entre o povo massai. Nas reuniões
que temos feito aqui vemos muitos homens de orelha furada, fruto de um alargador que já não usam mais em suas
orelhas. Eu diria que é praticamente impossível não reparar no furo que há em suas orelhas! E isto me fez pensar no
servo que, por amor, furava a sua orelha numa atitude de entrega permanente. Em qualquer lugar em que ele chegasse,
as pessoas saberiam imediatamente que ele era um escravo que decidiu ser escravo quando não tinha a obrigação de
ser escravo. Eu acho tremendo o paralelo espiritual que encontramos nesta história!
A verdade é que, ainda que por direito de compra (pela Redenção) o Senhor seja o nosso proprietário, Ele
não impõe o Seu senhorio sobre as nossas vidas. Todos fomos libertos por Cristo da escravidão (Gl 4.7), mas podemos
assumir voluntariamente esta posição por amor (E de fato é isto que Deus espera de nós!). Quase todas as vezes que a
palavra “escravo” (ou “servo”, seu sinônimo) aparece no Novo Testamento é a tradução da palavra grega “doulos”, que
significa “escravo, servo, homem de condição servil, atendente”. Somos chamados pelas Sagradas Escrituras de
“escravos de Cristo”:
“Porque o que foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto do Senhor; semelhantemente, o que
foi chamado, sendo livre, é escravo de Cristo.” (1 Coríntios 7.22)
Escravos de Cristo! É o que somos! Todas as vezes que os apóstolos se chamavam de “servos do Senhor”
(bem como a outros) é este o conceito que eles estavam comunicando.
Vamos pensar um pouco a respeito do servo da orelha furada. Durante seis anos ele serviu a seu senhor,
sabendo que no sétimo ano estaria livre. Eu fico pensando que eu, nas mesmas condições, já estaria contando os dias
para celebrar a minha liberdade com uma grande festa! É o tipo de pensamento mais natural que podemos ter. O que é
incomum é a ideia de desejarmos ser escravos sem que isto seja obrigado. Que conceito é este, abordado por Deus, de
nos tornarmos escravos por amor?
Eu creio que isto é uma projeção simbólica do nosso relacionamento com Deus. A Palavra de Deus
declara: “Tudo quanto foi escrito, para nosso ensino foi escrito” (Rm 15.4). O Senhor Jesus conquistou o direito legal de
ser o nosso Dono, Amo e Senhor. Contudo, Ele prefere não usar deste direito como um conquistador de nossas vidas.
Cristo prefere que, quando a liberdade nos é oferecida, nós escolhamos servi-Lo. O servo da orelha furada não
permaneceria com o seu senhor por obrigação, e sim por amor, pois, diferentemente de Satanás, que oprime os seus
escravos, Deus ama e respeita profundamente os que O servem!
A única razão para alguém permanecer escravo depois dos seis anos de servidão seria fazer isto por amor.
O texto bíblico diz: “Porém, se o escravo expressamente disser: Eu amo meu senhor, minha mulher e meus filhos, não
quero sair forro.” Note que ainda que o fato de ele ter família (mulher e filhos, que não poderiam acompanhar o servo ao
ser liberto) seja mencionado, a expressão “eu amo meu senhor” é o que vinha em primeiro lugar. A decisão partia de um
sentimento que, acima de tudo, envolvia o senhor daquele servo.
Se aquele senhor oprimisse duramente ao seu escravo naqueles seis anos, é lógico que ele não desejaria
continuar a seu serviço quando chegasse o tempo da sua liberdade. Mas vemos na Bíblia que alguns senhores tratavam
os seus servos com muito respeito e dignidade. Veja, por exemplo, o caso de Abraão, o qual, antes de Isaque nascer,
havia feito o seu servo Eliézer o seu herdeiro. Até mesmo na hora de buscar uma esposa para Isaque, Abraão fez com
que o seu servo jurasse que não traria uma mulher que não fosse da parentela do seu senhor. Se Abraão o tratasse
apenas como escravo, ele simplesmente teria dado uma ordem. Ao pedir um juramento, o Pai da Fé o tratou de forma
diferenciada!

O padrão de sermos escravos por amor se estende à Nova Aliança e é encontrado no ensino dos
apóstolos. Observe o que Paulo declarou sobre isto:
“Mas o que para mim era lucro passei a considerá-lo como perda por amor de Cristo; sim, na
verdade, tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu
Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a
Cristo.” (Filipenses 3.7,8)

Ele também nos mostrou que a nossa atitude de entrega a Deus também é baseada unicamente no amor:
“Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia todo; fomos considerados como
ovelhas para o matadouro.” (Romanos 8.36)

Quando o senhor foi bondoso e generoso com o seu servo durante aqueles seis anos, e o escravo “estava
bem” neste relacionamento, então era natural que ele quisesse permanecer como escravo. A decisão de ser escravo para
sempre tornava-se compreensível quando o servo sabia que o seu padrão de vida como servo do seu senhor era muito
superior ao que ele tinha quando era livre.
“Mas se ele te disser: Não sairei de junto de ti; porquanto te ama a ti e a tua casa, por estar bem
contigo; então tomarás uma sovela, e lhe furarás a orelha contra a porta, e ele será teu servo para sempre; e
também assim farás à tua serva.” (Deuteronômio 15.16,17)

O texto diz que a decisão de ele permanecer escravo era devida ao amor. Mas o que gera esta resposta de
amor? O versículo acima usa a expressão “por estar bem contigo”. Qualquer bondade que o servo manifestasse para
com o seu senhor não era mais do que obrigação. Por outro lado, o senhor não tinha nenhuma obrigação de tratar bem o
seu servo, mas, quando assim o fazia, ele conquistava o coração do seu escravo.
Semelhantemente, o que nos leva a amarmos ao Senhor Jesus? É o entendimento do Seu amor por nós.
Quando entendemos o quanto Ele nos ama, somos constrangidos a uma resposta de amor:
“Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos
morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que
por eles morreu e ressuscitou.” (2 Coríntios 5.14,15)

Falarei mais sobre isso no Capítulo “Dívida de Gratidão”, mas cabe aqui lembrarmo-nos de que “nós O
amamos porque Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4.19). O servo da orelha furada decidia pela escravidão vitalícia como um
ato de amor. E isto o levava a fazer duas coisas:

1. Renunciar a sua liberdade;


2. Viver para obedecer a seu senhor.
Vejamos como estes princípios estão relacionados com a caminhada cristã hoje:
RENUNCIANDO A SUA LIBERDADE

A primeira coisa que o escravo por amor fazia era renunciar a liberdade a que tinha direito e decidir, por
sua vontade própria, permanecer na servidão.

A nossa experiência com Cristo inclui, além do perdão dos nossos pecados e da nossa salvação eterna, o
fato de abrirmos mão do controle das nossas vidas e a nossa rendição ao senhorio d’Ele:
“Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o
ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a
respeito da salvação.” (Romanos 10.9,10)

O entendimento do senhorio de Cristo tem sido roubado da atual geração de crentes. Pregamos que as
pessoas precisam aceitar a Jesus como seu Salvador. Mas o ensino bíblico vai muito além disso! Temos que confessar a
Jesus como nosso SENHOR! A consequência de nos rendermos ao Seu senhorio é a salvação. A Palavra de Deus diz
que nós temos que confessá-Lo como Senhor (Dono, Amo) das nossas vidas. Este é o reconhecimento da Redenção:
que Ele nos comprou e que somos propriedade Sua. Somos Seus servos.
Caminharmos com Cristo significa desistirmos de sermos donos da nossa própria vida e entregarmos o
controle absoluto a Deus. Atualmente, muitas pessoas estão tentando adaptar o Evangelho às suas vidas, mas isto é
impossível! As nossas vidas é que devem se ajustar ao Reino de Deus e aos Seus princípios! Entrar no Reino de Deus é
algo mais profundo do que o que temos percebido. Envolve a entrega total, irrestrita, das nossas vidas.
Para entendermos melhor esta profunda dimensão de entrega, eu gostaria de fazer uma pergunta
importante e analisar biblicamente a sua resposta. Tanto a pergunta como a resposta envolvem verdades que
deveríamos entender melhor e pregar aos outros.

“Quanto custa o Reino de Deus?”


“Tudo o que você tem!”
Veja o que Jesus ensinou sobre isso:
“O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o
achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo. O reino dos
céus é também semelhante a um que negocia e procura boas pérolas; e, tendo achado uma pérola de grande
valor, vende tudo o que possui e a compra.” (Mateus 13.44-46)

Observe as palavras: “O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo… vai, vende tudo o
que tem e compra aquele campo.” Nós sabemos que a salvação não pode ser comprada por ninguém. Na verdade, foi
Deus que, através da morte de Jesus Cristo na Cruz, nos comprou! Mas, o fato de reconhecermos o ato divino de
redenção, de resgate das nossas vidas, significa reconhecermos o Seu direito de compra. E o reconhecimento de que Ele
agora é o Dono começa pela nossa desistência de tentarmos ser donos de nós mesmos! O fato de abrirmos mão de tudo
o que somos e temos é o reconhecimento de que, agora, Jesus é o nosso Amo e Senhor!
Servirmos a Cristo implica, necessariamente, em desistirmos de tudo o que somos e temos para vivermos
de forma intensa e devotada para Ele! É isto o que o apóstolo Paulo declara:
“Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero
tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual
perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo.” (Filipenses 3.7,8)

Atente para esta frase: “por amor do qual perdi todas as coisas”. É claro que o apóstolo não está
reclamando pelo fato de que estas coisas foram arrancadas dele. Ele está dizendo que perdeu tudo por amor; em outras
palavras, ele desistiu, abriu mão de tudo por causa de Jesus!
A consciência do senhorio de Cristo se encarregará de nos levar a deixarmos de viver para nós mesmos e
de fazer com que passemos a viver para Ele:
“Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha
carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus.” (Atos 20.24)

Não somos mais senhores de nós mesmos. Não estamos mais no controle das nossas vidas. Precisamos
aprender a viver para cumprirmos a vontade de Deus, e não para os nossos próprios planos e desejos:
“Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano,
e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas,
como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só
viveremos, como também faremos isto ou aquilo.” (Tiago 4.13-15)

Ser escravo por amor significa renunciar a própria liberdade e viver para cumprir a vontade do nosso
Senhor e Salvador!
MAIS QUE ADORAÇÃO, OBEDIÊNCIA!

Recordo-me que, em fevereiro de 2002 o Senhor me levou a liberar uma palavra profética ao Pastor Cris
Batiston, conhecido ministro de louvor e adoração no Brasil, dizendo-lhe o seguinte: “O Senhor não o levantou somente
para ensinar o Seu povo a adorar, mas principalmente para ensiná-lo a amar ao Senhor Jesus!”
Desde essa ocasião, esta frase me deixou muito pensativo, pois eu sempre acreditei que a adoração fosse
uma tremenda expressão do nosso amor a Deus. No entanto, o fato é que nem sempre a adoração de alguém é uma
expressão de amor. Todo aquele que ama a Deus certamente O adorará, mas nem todo aquele que adora a Deus
necessariamente O ama ou expressa amor a Ele por meio da adoração!
Muitos têm declarado, de forma equivocada, que a maior expressão de amor que podemos dar a Deus é
através da adoração, mas isso não é verdade. Por mais preciosa e poderosa que a adoração possa ser, há algo que
Deus espera mais de nós do que a adoração: é a obediência!
Quando analisamos a figura bíblica do servo da orelha furada, vemos que o seu ato de amor, além de levá-
lo a renunciar a sua liberdade, o introduzia numa condição de plena obediência ao seu senhor. Esta é uma das
características mais fortes que encontramos neste escravo por amor. Um servo deve obediência ao seu senhor. O próprio
Jesus declarou que Ele esperava isso de nós (como algo lógico): “Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o
que vos mando?” (Lc 6.46). Deus espera de nós mais do que um culto de lábios! Ele quer a nossa obediência:
“Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo
honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que
são preceitos de homens. Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens.” (Marcos
7.6,7)

Observe o que a Palavra de Deus nos revela sobre isto no Livro dos Salmos:
“Sacrifícios e ofertas não quiseste; abriste os meus ouvidos; holocaustos e ofertas pelo pecado não
requeres. Então, eu disse: eis aqui estou, no rolo do livro está escrito a meu respeito; agrada-me fazer a tua
vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei.” (Salmos 40.6-8)

Mais do que sacrifícios (que eram a maior expressão de adoração no Antigo Testamento), Deus estava
interessado em que alguém fizesse a Sua vontade, guardando a Sua Lei – e isto fala de obediência.
Uma nota de rodapé da NVI (Nova Versão Internacional), referente a Salmos 40.6, comenta que há uma
outra possibilidade de tradução para “abriste os meus ouvidos”. A Versão Corrigida de Almeida (ARC) traduziu desta
maneira: “as minhas orelhas furaste” – expressão que, ao meu ver, é uma clara referência ao servo da orelha furada, o
escravo por amor que passava a viver para obedecer a seu senhor.
Cabe muito bem citarmos aqui as palavras de Santo Agostinho: “Agrada mais a Deus a imolação que
fazemos da nossa vontade, sujeitando-a à obediência, do que todos os outros sacrifícios que possamos Lhe oferecer.” Eu
dedicarei mais adiante um capítulo inteiro para falar da obediência como expressão de amor a Deus. Aqui, no entanto, eu
quero apenas destacar a obediência como algo ainda mais elevado do que a adoração.
Vimos que a Palavra de Deus revela, de forma clara, que Deus não quer adoração sem obediência. Agora
eu gostaria de mostrar que o Pai Celestial não está apenas interessado em que a obediência acompanhe a adoração. O
anseio do Criador é mais forte pela obediência do que pela adoração em si! Por isso as Escrituras declaram que
obedecer é melhor do que sacrificar:
“Porém Samuel disse: Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto
em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a
gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a
ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei.” (1
Samuel 15.22,23)

Mais do que adoração, Deus quer obediência!


Observe o protesto divino, através do profeta Jeremias, a uma geração que preservava o ritual de adoração
sem ter um coração de submissão ao seu Senhor:
“Porque nada falei a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, nem lhes ordenei coisa
alguma acerca de holocaustos ou sacrifícios. Mas isto lhes ordenei, dizendo: Dai ouvidos à minha voz, e eu serei
o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; andai em todo o caminho que eu vos ordeno, para que vos vá bem. Mas
não deram ouvidos, nem atenderam, porém andaram nos seus próprios conselhos e na dureza do seu coração
maligno; andaram para trás e não para diante. Desde o dia em que vossos pais saíram da terra do Egito até hoje,
enviei-vos todos os meus servos, os profetas, todos os dias; começando de madrugada, eu os enviei. Mas não
me destes ouvidos, nem me atendestes; endurecestes a cerviz e fizestes pior do que vossos pais. Dir-lhes-ás,
pois, todas estas palavras, mas não te darão ouvidos; chamá-los-ás, mas não te responderão.” (Jeremias 7.22-27)
No Monte Sinai, o que Deus pediu ao Seu povo foi obediência, e não adoração! Lembro-me do dia em que
eu enxerguei a verdade deste texto bíblico. Eu nunca havia reparado nesta afirmação do profeta, até mesmo depois de lê-
la várias vezes. Precisei voltar na leitura de Êxodo e “conferir” o que eu nunca percebera antes:
“Subiu Moisés a Deus, e do monte o Senhor o chamou e lhe disse: Assim falarás à casa de Jacó e
anunciarás aos filhos de Israel: Tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águia e vos
cheguei a mim. Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a
minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de
sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel. Veio Moisés, chamou os anciãos
do povo e expôs diante deles todas estas palavras que o Senhor lhe havia ordenado. Então, o povo respondeu a
uma voz: Tudo o que o Senhor falou faremos. E Moisés relatou ao Senhor as palavras do povo.” (Êxodo 19.3-8)

O que Deus sempre quis foi a obediência como característica principal de um povo exclusivamente Seu: “…
se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre
todos os povos.” Vimos no capítulo anterior que o maior mandamento que nos foi dado é o de amarmos ao Senhor.
E agora eu gostaria de estabelecer um outro fundamento: ao praticarmos o maior mandamento – que é o
de amarmos a Deus de todo o coração – a maior expressão deste amor que podemos oferecer é a entrega das nossas
vidas e uma vida de completa submissão e obediência! Estas são as “marcas” de um escravo por amor: renunciar a sua
liberdade e viver para obedecer ao seu Senhor!
(Este é um novo capítulo a ser inserido na segunda edição do livro “DE TODO O CORAÇÃO – Vivendo a
Plenitude do Amor ao Senhor”, de Luciano Subirá)
O CULTO EM FAMÍLIA
Passamos, no ano de 2010, uns dias hospedados na casa dos pastores Abe e Andrea Huber, da Igreja da
Paz de Fortaleza/CE, e eu e minha esposa voltamos, entre tantas coisas, impactados pela prática (desta família
exemplar) de um princípio tão simples, e ao mesmo tempo tão poderoso e profundo: o culto em família.
Até então eu não ignorava este conceito, pois cresci num lar cristão que conhecia esta prática (embora na
casa de meus pais fosse algo mais esporádico) e em nossa própria casa já havia feito o culto doméstico, embora não
com a intensidade e frequência que deveria. Às vezes orávamos juntos, outras vezes louvávamos juntos a Deus e em
outras ocasiões compartilhávamos as Escrituras, embora raramente fazíamos tudo isto junto. Contudo, depois de
participarmos de um destes cultos com a família Huber, Kelly e eu sentimo-nos muito encorajados e seguimos o conselho
do irmão Abe de tentar realizar este culto doméstico cerca de cinco vezes por semana (a exceção fica pelos dois dias em
que já cultuamos juntos: um na celebração do domingo e outro na célula).
Desde então temos vivido momentos preciosos em família na presença do Senhor, mais do que o que
usualmente desfrutávamos. Adoramos juntos a Deus, oramos juntos ao Senhor, nos intercalamos a cada culto repartindo
uma porção da Palavra e algum testemunho… e acreditamos que, num ambiente diário desta prática do culto familiar
(além do momento devocional de cada um), é quase impossível que o diabo consiga ferir esta família!
E desde então, não apenas temos nos dedicado a ter nosso culto familiar, como também, sempre que
hospedamos alguém em casa os convidamos a participarem desse nosso momento tão precioso, esperando que isto
também os encoraje a começarem a fazer o mesmo!
Precisamos praticar este princípio do culto em família. O que compartilho a seguir são fragmentos de outros
estudos bíblicos, principalmente “A Vida Espiritual da Família” (que já havia publicado em nosso site). Porém, tentei
reorganizar e editar a exposição de alguns princípios, de modo a fazer mais sentido na visão do culto familiar que estou
abordando aqui.
Exercer liderança espiritual no lar não exige apenas ter um culto com horário específico ou dia marcado, é
atividade a ser exercida sempre, em diferentes situações. Mas a prática de um culto em família auxiliará, e muito, a
vivência deste princípio.
CULTUAR JUNTOS NAS CELEBRAÇÕES PÚBLICAS

Devemos desenvolver o hábito de cultuar a Deus em família, o que envolve – primariamente – o ir juntos à
Casa do Senhor, como vemos acontecendo desde os dias do Velho Testamento:
“Todo o Judá estava em pé diante do Senhor, como também as suas crianças, as suas mulheres e
os seus filhos.” (2 Crônicas 20.13)

“No mesmo dia, ofereceram grandes sacrifícios e se alegraram; pois Deus os alegrara com grande
alegria; também as mulheres e os meninos se alegraram, de modo que o júbilo de Jerusalém se ouviu até de
longe.” (Neemias 12.43)

Elcana subia com toda a sua família para adorar ao Senhor (1 Sm 1.1-5). Acreditamos que pais cristãos
devem levar seus filhos à igreja. Mesmo que ela não seja perfeita (e não é, porque não existe igreja perfeita!), é melhor
que eles cresçam num ambiente que exalta ao Senhor e Sua Palavra do que num ambiente mundano que exalta o
pecado e os prazeres da carne.
Lemos no Evangelho de Lucas que os pais de Jesus o levaram ao templo para consagrarem-no ao Senhor
(Lc 2.22-24), depois há registros de que o fizeram por ocasião da Festa da Páscoa quando ele estava com 12 anos (Lc
2.41-43), mas a maior evidência de que Jesus cresceu exposto ao ensino da Lei na Sinagoga era o conhecimento que
Ele trazia (como homem) das Escrituras.
CULTUAR JUNTOS NAS CASAS E GRUPOS MENORES

Cultuar ao Senhor em família não envolve somente as celebrações públicas da igreja, mas também deve
abranger as reuniões nas casas (nós, particularmente, denominamos estas reuniões nas casa de “células”). A Igreja do
Senhor Jesus, desde o início, também se reunia nas casas:
“E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria
e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o
Senhor os que iam sendo salvos.” (Atos 2.46,47)

Além dos encontros públicos (como o que se dava no pátio do templo), era nas casas que a Igreja de Cristo
não só partia o pão (seja a ceia do Senhor ou os ágapes – as festas de amor) como também louvava a Deus e ganhava
outras pessoas para Jesus. Era nas casas também que a palavra do Senhor era pregada:
“E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus, o
Cristo.” (Atos 5.42)

“…não me esquivei de vos anunciar coisa alguma que útil seja, ensinando-vos publicamente e de
casa em casa.” (Atos 20.20)
CULTUAR JUNTOS EM NOSSA PRÓPRIA CASA

Além das reuniões públicas e nas casas, podemos ter reuniões ainda menores. Jesus, por exemplo, falou
de dois ou três reunindo-se em seu nome para orar. Creio que devemos cultivar o hábito de ter um culto familiar em
nossa própria casa. Foi exatamente isto que aconteceu na casa de Cornélio (At 10.33). A reunião familiar também não
precisa acontecer apenas dentro de casa, podemos nos reunir em algum outro lugar (e até mesmo com outras famílias)
para buscar ao Senhor:
“Passados aqueles dias, tendo-nos retirado, prosseguimos viagem, acompanhados por todos, cada
um com sua mulher e filhos, até fora da cidade; ajoelhados na praia, oramos.” (Atos 21.5)

Lucas revela-nos, no livro de Atos dos Apóstolos, detalhes de um ambiente de busca ao Senhor nas casas
daqueles que os hospedavam:
“E no dia seguinte, partindo dali Paulo, e nós que com ele estávamos, chegamos a Cesaréia; e,
entrando em casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete, ficamos com ele. E tinha este quatro filhas
virgens, que profetizavam.” (Atos 21.8,9)

O enfoque das filhas profetizando (como foi predito pelo profeta Joel – Jl 2.28) revela um ambiente de
oração e fluir dos dons dentro da casa de Filipe, o evangelista.
ORANDO JUNTOS

Penso que além de cobrir a vida dos familiares com oração, o cabeça do lar deve proporcionar um
ambiente de oração onde os seus não só recebam oração em seu favor, mas também aprendam a orar uns pelos outros.
Além disso, sempre que possível, a família também deve procurar orar junta, assim como pratica o costume
de comer junta. O salmista fala dos filhos à volta da mesa:
“A tua mulher será como a videira frutífera, no interior da tua casa; os teus filhos como plantas de
oliveira, ao redor da tua mesa” (Salmo 128.3)

Muitas famílias deixaram de se reunir à volta da mesa para comer cada um no seu canto, na sua hora, ou
até mesmo em frente à televisão. Isto é errado! A mesa é um lugar de comunhão! Porque deixamos de praticar muitas
tarefas em conjunto, como família, é que hoje nos parece algo tão estranho e desconfortável tentar reunir a família para
orar e adorar a Deus.
Uma família cristã deve aprender a prática da oração conjunta. Não quero dizer orar junto o tempo todo,
pois a vida de oração e devoção a Deus ainda tem caráter individual, mas isto também deve acontecer no ambiente
familiar. Quando uma família ora junto, goza de princípios operando em seu favor que, seus membros, orando sozinhos,
não chegariam a experimentar.
“Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem,
isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí
estou eu no meio deles.” (Mateus 18.19,20)

A Bíblia mostra que deve haver sintonia natural e espiritual entre a família (o que o apóstolo Pedro aplica
ao casal serve também para toda família). Desentendimentos vão roubar o poder de unidade nas orações, que por sua
vez serão impedidas:
“Igualmente vós, maridos, vivei com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso
mais frágil, e como sendo elas herdeiras convosco da graça da vida, para que não sejam impedidas as vossas
orações.” (1 Pedro 3.7)

Muitos de nós normalmente não paramos para pensar na responsabilidade que temos como pais. Se
deixarmos nossos filhos entregues à influência do mundo que os cercam de todos os lados (na escola, na mídia – que
envolve televisão, rádio e principalmente a internet – na vizinhança, etc.) e não os levarmos à presença do Senhor para
que aprendam a amá-Lo e temê-Lo, poderemos perdê-los espiritualmente (e eternamente).
ENSINANDO E CORRIGINDO OS FILHOS

Como pais, temos a responsabilidade de ministrar (e corrigir) nossos filhos no caminho do Senhor:
“E vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do
Senhor.” (Efésios 6.4)

Quais as consequências de se negligenciar o ensino da Palavra em casa? Juízo divino para o cabeça do
lar, além da evidente rebeldia e frieza espiritual que se manifestará vida dos filhos. A primeira palavra profética que
Samuel proferiu foi contra alguém que ele certamente amava: o sacerdote Eli, que o criara no templo. E o que Deus disse
envolvia a casa dele e sua negligência no sacerdócio familiar:
“Naquele dia, suscitarei contra Eli tudo quanto tenho falado com respeito à sua casa; começarei e o
cumprirei. Porque já lhe disse que julgarei sua casa para sempre, pela iniquidade que ele bem conhecia, porque
seus filhos se fizeram execráveis, e ele não os repreendeu.” (1 Samuel 3.13)
O Senhor trouxe advertências anteriores, mas Eli não deu ouvidos. Deus está falando de negligência, aqui.
Diz que embora conhecesse bem o pecado dos filhos, Eli não os repreendeu. Toda omissão na vida espiritual do lar
sempre trará consequências sérias. Davi teve problemas com vários de seus filhos, e se você estudar com calma a
história dele, perceberá o quanto ele era negligente em relação a seus filhos. Adonias, assim como Absalão, se exaltou,
querendo usurpar o trono. Mas por trás desta atitude de rebelião, a Bíblia mostra a negligência de Davi como líder
espiritual em sua casa:
“Jamais seu pai o contrariou, dizendo: Por que procedes assim?” (1 Reis 1.6)

Se não queremos sérios problemas futuros com nossos filhos, muito menos a qualidade do relacionamento
deles com Deus comprometidos, então precisamos ser dedicados em ministrar, ensinar e proteger espiritualmente as
suas vidas.
Quando temos nosso culto familiar instruímos nossos filhos de forma prática sobre como viver o Evangelho
entre seus amigos de escola. Perguntamos e eles abrem o coração sobre suas dificuldades e oramos juntos. Mas
também permitimos que eles compartilhem o que estão descobrindo acerca das verdades da Bíblia em seu tempo de
leitura e estudo e como podemos viver e aplicar isto em nosso cotidiano.

É claro que não os ministramos só na hora do culto, mas sempre que a ocasião se mostrar necessária.
Porém, descobrimos que, em nosso culto em família, temos um dos melhores ambientes para exercer nossa
responsabilidade de, como pais, ensinar a Palavra de Deus a nossos filhos:
“E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas
falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te.” (Deuteronômio 6.6,7)
“Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele.”
(Provérbios 22.6)
COMO DEVE SER O CULTO?

Nossos cultos familiares variam de quinze minutos a mais de uma hora. Depende do dia e do tempo que
temos. Mas procuramos manter uma estrutura básica. Eis o que fazemos: 1) Adoramos a Deus com canções e
declarações de amor e gratidão. Minha esposa e meus filhos tocam instrumentos musicais (eu só toco sino – e não dá
para dizer que faço muito bem!), logo é difícil o dia em que não temos uma boa música. Porém, quando estamos em
viagem, longe do violão e do piano, apenas cantamos juntos. 2) Oramos de modo organizado distribuindo os pedidos e
alvos de oração e intercessão. 3) Temos um momento de compartilhar da Palavra de Deus. Porém, não é
necessariamente uma pregação; é mais um compartilhar que tentamos fazer ser seguido de uma aplicação prática.
Embora, por serem filhos de pregadores, nossas crianças gostem de dar o que eles mesmos chamam de uma
“pregadinha”. Isto é o que fazemos em nossa casa.

Contudo, cada um deve decidir a forma como conduzirá o culto em sua própria casa. Procurei seguir o
modelo que aprendi na casa dos pastores Abe e Andrea Huber, porém, com a liberdade de fazer as adaptações do que,
como família, já fazíamos muito bem – como o nosso estilo de cantar, orar e compartilhar a Palavra.
Que o Senhor ajude a cada um a, não somente começar este prática, como também a perseverar nela. Isto
será saúde e proteção espiritual para o seu lar!!!
TROCANDO OS JUGOS COM JESUS
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós
o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.
Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”. (Mateus 11.28-30)

Esta é uma das mais belas promessas de Jesus que a Igreja do Senhor tem proclamado aos necessitados.
Oramos por cura e libertação porque é a vontade de Deus socorrer o homem. Ministramos em outras áreas de
necessidade porque está claro que Deus quer intervir assim na vida do homem.
Nossa ênfase neste estudo não é diminuir a importância dos milagres e nem tampouco atacar as igrejas
que proclamam esta mensagem. Eu particularmente acredito e pratico esta ênfase. Amo ministrar cura às pessoas. Amo
ministrar libertação. Amo proclamar a fé que rompe e nos leva à vitória em todas as áreas. A Igreja recebeu esta
comissão de Jesus Cristo:
“A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções: Não tomeis rumo aos gentios,
nem entreis em cidade de samaritanos; mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel; e, à
medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus. Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai
leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça dai”. (Mateus 10.5-8)

Quando o Evangelho chega a alguém, deve trazer juntamente com a pregação do Reino de Deus a
demonstração do amor e do socorro de Deus aos homens agindo em outras áreas de necessidade. O apóstolo Paulo
classificou a importância dos sinais como “demonstração de Espírito e poder” para que a fé das pessoas não se apoiasse
em palavras persuasivas de sabedoria humana (1 Co 2.4,5).
DUAS PROPOSTAS DISTINTAS

Mas apesar de tudo isto, percebo em nossos dias uma ênfase desequilibrada na pregação de Mateus
11.28-30. Os pregadores de uma forma geral, só baseiam suas mensagens na primeira proposta de Jesus. Contudo, este
texto apresenta duas propostas distintas:
1) Vinde a mim todos vós que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei;
2) Tomai sobre vós o meu jugo e encontrareis descanso para as vossas almas;

Mais do que o alívio prometido para aqueles que vão a Jesus, há uma dimensão de descanso para aqueles
que tomam o seu jugo. Ou seja, por mais clara que seja a ênfase bíblica de se acentuar a mensagem de intervenção
divina nas necessidades humanas, nunca podemos perder de vista que isto está ligado à chegada ou aproximação das
pessoas ao evangelho. Depois, temos uma mensagem de compromisso, simbolizada na troca de jugos que Jesus propôs.
E para todo aquele que adentra a dimensão de compromisso, há uma medida maior de manifestações de Deus, que foi
chamada de descanso para a alma.
Qual a diferença entre alívio e descanso?
Numa certa ocasião precisei empurrar um carro que não funcionava, e tive que fazer muita força por não
dispor de outros para ajudarem. Quando parei de empurrar o carro tive o alívio; como foi bom parar de fazer tanta força.
O coração tinha vindo na boca! Minhas pernas estavam moles e terrivelmente afadigadas. Mas o descanso mesmo levou
uns dois dias para acontecer; foi quando as dores das pernas passaram e eu me recompus de verdade.

Em outra ocasião, vi alguém se afogando no mar e me atirei na missão de salva-lo. O mar puxava tanto
que já seria difícil voltar nadando sozinho, quanto mais com alguém a tiracolo! Me esforcei muito consegui fazer metade
do trecho de volta à praia, até que os bombeiros que haviam sido chamados para socorrer o afogado chegaram, e
acabaram tirando nós dois… quando saí da água não conseguia sequer ficar de pé, foi uma verdadeira exaustão. E deitar
naquela areia nos próximos quinze minutos foi o que chamo de alívio. Mas o descanso mesmo levou uns três dias para
se manifestar por inteiro. Foi quando as dores musculares foram embora e consegui me imaginar nadando novamente.
VINDE A MIM

Ao dizer “vinde a mim todos os que estão cansados e oprimidos”, Cristo mostrou a necessidade de
levarmos as pessoas a Ele com uma proposta de solução dos problemas. Portanto, é bíblico enfatizar os milagres e
intervenções de Deus ao pregarmos a Cristo.
Infelizmente há muitas igrejas que parecem querer fazer com que as pessoas acreditem que o alívio é
proporcionado por elas. Dizem: “venha para a (nossa) igreja tal, e você será mudado, abençoado, curado, etc”. Mas o
verdadeiro alívio só ocorrerá quando a pessoa for a Cristo, independentemente de onde o encontre. É claro que há
igrejas que atraem as pessoas a si para depois leva-las a Jesus, mas o que não podemos perder de vista é que não há
proposta evangelística sem alívio.
O Senhor Jesus prometeu isto e se incumbirá de fazer com que seja assim. Não é errado enfatizar isto,
mas o que freqüentemente fazemos de errado é omitir o restante da proposta de Jesus.
EU VOS ALIVIAREI

Como já afirmamos, o alívio é uma dimensão de socorro. É o toque inicial de Jesus na vida de alguém. É
depois deste toque, que normalmente vemos alguém falando de mudança de vida, do abandono dos vícios e pecados, da
restauração do casamento, da cura recebida ou da libertação efetuada.
O alívio são o que podemos chamar de primeiros socorros, mas não englobam tudo aquilo que Deus
deseja fazer na vida de alguém. É um excelente começo, mas não a obra completa.
A Igreja do Senhor em nossos dias tem amargado a triste experiência de um grande número de crentes
que nunca chegam à plenitude do que Deus tem para suas vidas justamente por nunca ter oferecido uma proposta que os
leve além do alívio.

O alívio se experimenta quando a pessoa vai a Cristo. Mas o descanso, aquela dimensão mais profunda do
que Deus tem, só se recebe quando a pessoa decide tomar sobre si o jugo proposto por Jesus.
Portanto, a única forma de ir além do alívio, é aceitando o jugo de Jesus. É fazendo a troca. Deixamos aos
pés d´Ele o nosso e tomamos sobre nós o jugo d´Ele.
TOMAI SOBRE VÓS O MEU JUGO

O que é tomar o jugo nesta mensagem de Jesus? Como ilustração natural (de um paralelo espiritual) o jugo
fala de união. O jugo era uma peça de madeira usada pelos agricultores da época para unir dois animais que puxavam o
arado. Com um boi puxando o arado o trabalho tinha um ritmo mais lento, mas com dois agilizava. Alguns usavam várias
juntas de bois, como é o caso de Eliseu, antes de seu chamado ao ministério (1 Re 19.19-21). O jugo obrigava os animais
a caminharem juntos na hora do trabalho. Era uma forma de prender um ao outro e força-los a andarem juntos, no
mesmo compasso e direção. As Escrituras usam a expressão “jugo” para falar de união, vínculo e sociedade:
“Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre
a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou
que união, do crente com o incrédulo? Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos
santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o
meu povo”. (2 Coríntios 6.14-16)

Ao usar o termo “jugo desigual”, a Bíblia está dizendo que assim como não se usava um jugo entre animais
diferentes, como um cavalo e um boi, ou um jumento e um cavalo, por exemplo, assim também há uniões que estão
fadadas a não darem certo entre os homens. Um jugo com animais diferentes não se encaixava direito, não permitia
igualdade de altura e nem de compasso entre os animais.
O apóstolo Paulo emprega vários outros termos sinônimos para jugo ao fazer a comparação de união entre
crentes e incrédulos: sociedade, comunhão, harmonia, união, ligação.

O próprio termo “cônjuge” que usamos para se referir ao marido ou mulher, quer dizer “companheiro de
jugo”, alguém que anda com o mesmo jugo.
Muitas vezes, por ser uma ferramenta que prendia o animal, a expressão pode aparecer na Bíblia se
referindo não só a compromisso, mas a uma carga ou peso, ou ainda a algo que prende alguém:
“E acontecerá, naquele dia, que a sua carga será tirada do teu ombro, e o seu jugo, do teu pescoço;
e o jugo será despedaçado por causa da unção”. (Isaías 10.27)

Quando o Senhor Jesus fala do jugo, está falando de tudo isto. Ele se refere a alguém que vêm com uma
carga nos ombros, oprimido pelo peso e cansado. Então promete alívio, ou seja, se compromete a tirar a prisão e o peso
de quem quer que o procure.
Mas a proposta de Jesus não é deixar os ombros e o pescoço de ninguém livre. Ele se propõe a tirar nosso
jugo para que a gente consiga carregar o dele. Na verdade, Ele está propondo uma troca: deixe o seu e leve o meu.

Talvez alguém se questione: qual é a vantagem de trocar os jugos?


A resposta foi dada pelo próprio Jesus: “o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. O que Ele nos propõe
também é uma prisão e uma união. Porém, diferente da prisão e união com o pecado e as coisas mundanas, seu jugo
nos abençoa. O Senhor está falando de compromisso.
ACHAREIS DESCANSO PARA A VOSSA ALMA

O alívio é uma espécie de selo e aval de Deus para a mensagem evangelística que foi pregada. A Palavra
de Deus sempre é acompanhada de sinais:
“E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a
palavra por meio de sinais, que se seguiam”. (Marcos 16.20)

Além deste relato de Marcos, encontramos o mesmo princípio em Hebreus:


“como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada
inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; dando Deus testemunho juntamente
com eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo, segundo a sua vontade”.
(Hebreus 2.3,4)

Mas o compromisso das pessoas em corresponder com Deus e seus milagres gera um ciclo de milagres,
onde seremos levados a provar manifestações maiores ainda. É a dimensão de descanso prometida por Jesus.
É quando nosso caráter realmente passa por mudanças; não só naquelas áreas de “grandes erros” mas
também nos pequenos detalhes.
É quando o casamento recebe mais do que os primeiros socorros e passa por um momento de profunda
reforma e restauração.
É quando vencemos o pecado, em vez de só receber perdão por eles.
É quando caminhamos em vitórias constantes e vemos milagres maiores.
Tanta coisa podia ser dita desta dimensão de intervenção de Deus! Mas a que talvez mais mereça a nossa
atenção é o fato de que, com tudo o que provamos na dimensão de alívio, nosso coração ainda tem fome e sede por
mais. Fomos desenhados e planejados por Deus desde a criação para andarmos na sua abundância, e nada contentará
nosso coração enquanto não rompermos de fato neste nível.
Vemos este ciclo progressivo acontecendo também a Éfeso, mediante o ministério do apóstolo Paulo.
Quando o apóstolo Paulo chegou em Éfeso e começou a pregar o evangelho, os sinais estavam acompanhando-o. No
primeiro batismo que realizou, foram todos batizados no Espírito Santo e profetizaram (At 19.5,6). Os sinais estavam
indicando o caminho. Paulo continua pregando na sinagoga, mas não existe correspondência por parte da maioria do
povo, e nada mais parece ter acontecido nos próximos três meses. Então Paulo chama os comprometidos e investe em
suas vidas para firmá-los ainda mais:
“Durante três meses Paulo frequentou a sinagoga, onde falava ousadamente, dissertando e
persuadindo, com respeito ao reino de Deus. Visto que alguns deles se mostravam empedernidos e descrentes,
falando mal do Caminho diante da multidão, Paulo, apartando-se deles, separou os discípulos, passando a
discorrer diariamente na escola de Tirano.” (Atos 19.8)

Durante dois anos este grupo foi diariamente ministrado, e a correspondência deles gerou o ciclo
progressivo de milagres, e eles entraram numa dimensão aparentemente inédita tanto para eles como para o apóstolo
Paulo. A Bíblia chama de milagres “extraordinários” o que este grupo de irmãos de Éfeso passou a experimentar e, com
isto define dois tipos de milagres: o ordinário e o extraordinário. Milagre ordinário é aquele que pertence ao cotidiano da
igreja e das pregações. Trata-se daquele tipo de manifestação que é mais frequente e comum. Há, porém, um outro nível
de manifestação do sobrenatural que é classificada como incomum, ocasional. Não é aquele tipo de milagre que se vê
com frequência, está num nível mais elevado, por assim dizer. O ciclo progressivo de milagres em Éfeso os levou a esta
dimensão depois do compromisso com o caminho:
“E Deus, pelas mãos de Paulo, fazia milagres extraordinários, a ponto de levarem aos enfermos
lenços e aventais do seu uso pessoal, diante dos quais as enfermidades fugiam das suas vítimas e os espíritos
malignos se retiravam.” (Atos 19.11,12)

Se conscientizarmos a Igreja do Senhor em nossos dias a voltar-se para Deus em compromisso genuíno e
verdadeiro com Jesus (e seu jugo), entraremos numa dimensão ainda maior de milagres. Muitas curas, milagres,
libertações e manifestações do poder de Deus tem sido provadas na igreja brasileira e também ao redor do mundo. Mas
não podemos parar por aqui. Senão, além de desperdiçarmos o mover de Deus, ainda impediremos os milagres
extraordinários de terem seu lugar em nosso meio.
PORQUE MEU JUGO É SUAVE

Compromisso é compromisso, e o que Jesus está propondo é isto. O compromisso nunca é totalmente
agradável; sempre terá um caráter de jugo, porém diferente de qualquer outro, pode ser chamado de leve e suave.
Não há como fugir do senhorio de Cristo. Não como querer uma vida vitoriosa, na plenitude de Deus, sem
obediência a Ele. O apóstolo João falou sobre isto em sua primeira epístola:
“Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos
não são penosos, porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a
nossa fé”. (1 João 5.3,4)

Ao falar que os mandamentos de Deus não são penosos, o apóstolo está enfatizando que, embora haja
uma dimensão de compromisso, ela não chega a ser pesada. E que podemos ter uma fé firme que vence o mundo e nos
guarda em obediência à verdade.

Vale a pena se comprometer com Deus. A recompensa para quem permanece firme e compromissado com
Cristo, é muito maior do que a recompensa que aquele que vai a Ele pela primeira vez chega a desfrutar.
Deus não é injusto. O descanso para aquele que se firma é uma dimensão muito mais rica e profunda do
que o alívio que recebem os que estão se chegando a Cristo agora.
Que isto lhe sirva de estímulo à medida que você se consagra e se compromete mais e mais com o Senhor
Jesus!
SALTANDO PELOS MONTES
“Vem depressa, amado meu, faze-te semelhante ao gamo ou ao filho da gazela, que saltam sobre os
montes aromáticos”. (Cantares 8.14)

Montes na Bíblia nos falam de poder e autoridade, mas também nos fazem lembrar de experiências e
situações tanto negativas quanto positivas. Todos nós temos passado pelos vales e pelos montes da vida, assim como
pelos desertos e jardins. Todas as experiências que passamos tem um propósito só – fazer-nos crescer e levar-nos à
imagem do Filho de Deus.
“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são
chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para
serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. (Romanos
8.28,29)

Muitas vezes lembramos mais facilmente dos montes de provações do que dos de bênçãos. Sentimos
como Davi quando fugia de Saul e encontrou-se cercado por montes. Não havia outra saída senão aquela por onde ele e
seus homens entraram. E, agora, Saul e seu exercito estava entrando atrás deles. Havia uma rocha no meio por onde
eles podiam correr e se esconder, mas faltava pouco para serem presos por Saul. Neste instante Davi pôde dizer:
“Levantarei meus olhos para os montes (que me cercam), de onde me virá o socorro?” Ainda bem que ele pôde levantar
os olhos mais para o alto e ver Alguém maior que as montanhas da vida e, então, disse, “o meu socorro vem do Senhor
que fez os céus e a terra!” (Salmo 121.1,2). Quantas vezes nos deparamos com montes de provas, problemas e crises!

Por outro lado há também os montes abençoados e aromáticos que deixam uma doce lembrança de
momentos de livramento, suprimento, avivamento e crescimento espiritual. Às vezes descobrimos estes montes logo
após um longo vale difícil! Ou, às vezes quando cercado pelas ameaças do inimigo, surge à nossa frente o monte de
salvação, e podemos dizer como o profeta Miquéias:
“Mas, nos últimos dias, acontecerá que o monte da Casa do Senhor será estabelecido no cimo dos
montes e se elevará sobre os outeiros, e para ele afluirão os povos. Irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos
ao monte do Senhor e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas
veredas; porque de Sião procederá a lei, e a palavra do Senhor, de Jerusalém. Ele julgará entre muitos povos e
corrigirá nações poderosas e longínquas; estes converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças,
em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra. Mas
assentar-se-á cada um debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os espante, porque a
boca do Senhor dos Exércitos o disse”. (Miquéias 4.1-4)

A Palavra de Deus nos mostra que a Igreja do Senhor deve ser como um monte alto, como Jesus disse:
“Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se
acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram
na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e
glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”. (Mateus 5.14-16).
MONTES NA BÍBLIA

Da mesma forma a verdadeira unidade e comunhão dos irmãos trazem a bênção da montanha alta sobre
as congregações:
“Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! É como o óleo precioso sobre a cabeça, o
qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes. É como o orvalho do Hermom, que
desce sobre os montes de Sião. Ali, ordena o Senhor a sua bênção e a vida para sempre”. (Salmo 133.1-3).

Quando dizemos que “todas as coisas cooperam para o bem…”, devemos lembrar que Deus pode
transformar os montes mais íngremes e árduos em montes de bênçãos! Um vivido exemplo disso encontramos na vida de
Calebe. Ele era um dos doze homens que Moises enviou para espiar a terra de Canaã. E agora depois que toda uma
geração tombara no deserto devido à sua incredulidade, Calebe se apresentou a Josué, o General, e disse,
“… Tu sabes o que o Senhor falou a Moisés, homem de Deus, em Cades-Barnéia, a respeito de mim
e de ti. Tinha eu quarenta anos quando Moisés, servo do Senhor, me enviou de Cades-Barnéia para espiar a terra;
e eu lhe relatei como sentia no coração. Mas meus irmãos que subiram comigo desesperaram o povo; eu, porém,
perseverei em seguir o Senhor, meu Deus. Então, Moisés, naquele dia, jurou, dizendo: Certamente, a terra em que
puseste o pé será tua e de teus filhos, em herança perpetuamente, pois perseveraste em seguir o Senhor, meu
Deus. Eis, agora, o Senhor me conservou em vida, como prometeu; quarenta e cinco anos há desde que o Senhor
falou esta palavra a Moisés, andando Israel ainda no deserto; e, já agora, sou de oitenta e cinco anos. Estou forte
ainda hoje como no dia em que Moisés me enviou; qual era a minha força naquele dia, tal ainda agora para o
combate, tanto para sair a ele como para voltar. Agora, pois, dá-me este monte de que o Senhor falou naquele
dia, pois, naquele dia, ouviste que lá estavam os anaquins e grandes e fortes cidades; o Senhor, porventura, será
comigo, para os desapossar, como prometeu”. (Josué 14.6-12)
O monte que Calebe queria se chamava Quiriate Arba, e quer dizer “Cidade do Gigante” ou “Herói de
Baal”, porque nele moravam os gigantes descendentes de Arba. Mas, quando Calebe os confrontou e os venceu, ele
tomou posse do monte e mudou o nome para Hebrom que significa “União”. Deus lhe deu forças e graça para vencer e
mudar o monte de dificuldade em bênção!
Outro monte que complicava a vida do povo de Deus era Jebus. Quando todos os povos antigos de Canaã
haviam sido derrotados por Israel, quedava-se um reduto do inimigo bem no coração da nova nação. Era um povo
obstinado que não puderam desalojar. Estes eram os jebuseus que moravam em Jebus, um monte que até hoje está na
grande Jerusalém. Contudo quando Davi foi coroado rei sobre todo Israel, a primeira coisa que ele empreendeu era
remover os jebuseus e conquistar o Monte de Jebus, mudando seu nome para Sião, cidade de Davi! Para conquistá-la
seus homens tiveram que subir pela entrada das águas. É só assim que se vence estes redutos em nosso coração – pelo
rio de Deus – o poder do Seu Espírito Santo!
Outro monte que desafiava a fé era o Monte Moriá – que significa, “Escolhido por Deus”. Deus falou com
Abraão que levasse seu filho, seu único filho, Isaque e o sacrificasse sobre o Monte Moriá. Levaram três dias de jornada
para chegar até lá. E, quando chegaram Abraão disse aos servos, “ficai aqui, até que eu e o menino adoremos e
voltemos!” E conhecemos a história como, ao chegar no topo, Isaque disse a seu pai, “Pai, aqui está a lenha e o fogo,
mas onde está o sacrifício?” Abraão respondeu, “O Senhor proverá!” E quando prestes a imolar o filho, Abraão ouviu um
brado angelical do céu, dizendo que Deus havia visto a sua fé e obediência e que havia provido um substituto. Olhando
para o lado viu um carneiro preso numa moita e o ofereceu no lugar de seu filho. Abrão mudou Moriá em Jeová Jiré, “No
monte do Senhor se proverá!” É nos montes que parecem mais difíceis que descobrimos o suprimento do Senhor!
Outro exemplo isso temos no Monte Sinai (ou Horebe) que para o povo de Israel parecia o mais assustador
e tenebroso. Enquanto acampavam ao pé do monte, ouviam trovões, viam relâmpagos e sentiram o chão a estremecer.
No entanto, do meio da fumaça que cobria o monte, Deus chamou Moises e um grupo representativo dos anciãos de
Israel para subir ao monte. Lá no monte, eles sentaram, comeram e viram a glória do Senhor! Os nossos montes de
medo podem se transformar em doce comunhão!
Outros montes bíblicos incluiriam o Abarim, que, na verdade, era uma região montanhosa no caminho de
Canaã. Era do alto de um destes picos, o Monte Pisga, que Moises vislumbrou a terra prometida. Abarim significa
“passagem”, e devemos lembrar que através dos montes não apenas avistaremos a terra prometida, mas também
chegaremos lá!
O Monte Ebal era o monte das maldições, mas, logo ao lado estava o monte Gerizim, o monte das
bênçãos. Deus quer que vejamos toda a topografia e não apenas o lado negativo das coisas. Em grande parte do norte
de Israel se podia ver num dia claro o Monte Hermom, majestoso, sempre coberto de neve. E, em qualquer lugar da
nossa peregrinação terrestre por mais árida que seja a nossa experiência, podemos divisar com nosso majestoso Rei que
nos traz refrigério. Assim como era visível de longe o monte Tabor, provavelmente o chamado Monte da Transfiguração.
Vamos nos encher de alento. Vamos subir ao Monte do Senhor. Vamos contemplar a glória do nosso Rei!
MONTES NAS NOSSAS VIDAS

A topografia de nossas circunstancias pode prover toda uma variedade de montes até cordilheiras, tão
negativos como “doenças”, “decepções”, “perdas”, “medo”, “quebra de relacionamentos”, etc. Mas, também pode haver
muitos montes de bênção tais como, “cura”, “salvação”, “batismo no Espírito Santo”, “chamado de Deus”, “restauração da
família”, etc. Assim como, Jesus pode andar sobre as águas agitadas, Ele também pode vir saltando sobre todos estes
montes da nossa vida, os ruins e os bons. E, assim como Pedro disse, “Se és tu, chama-me para que eu vá contigo
andando sobre as águas”, nós podemos dizer, “chama-me Senhor para que contigo eu salte sobre todos estes montes da
minha vida”! Assim como Jesus disse a Pedro, “Vem!”, Ele nos convida, “Vem, e saltem comigo sobre os montes!”
“Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações.Portanto, não temeremos
ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares; ainda que as águas tumultuem e
espumejem e na sua fúria os montes se estremeçam. Há um rio, cujas correntes alegram a cidade de Deus, o
santuário das moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela; jamais será abalada; Deus a ajudará desde
antemanhã”. (Salmo 46.1-5)

Além de terremotos e maremotos, há ainda outra força maior que pode sacudir os montes – a fé! Jesus
disse que, se tivermos fé, podemos dizer a este monte, “Ergue-te e lança-te no mar (onde cabe), tal sucederá…!” (Mc
11.23) Em Zacarias 4.7, diz que o monte será removido pelo Espírito do Senhor e por aclamações de “graça, graça”!
Temos muitas promessas que Deus nos capacitará a pisarmos os montes da vida: “Todo monte será
nivelado…”, (Is 40.4); “Eis que vos dou poder para pisar serpentes, e escorpiões, e toda a força do Inimigo, e nada vos
fará dano algum”(Lc 10.19); “O Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés. A graça de nosso
Senhor Jesus Cristo seja convosco. Amém!” (Rm 16.20). Até os montes hereditários não resistem, “… as coisas velhas
passaram…!” (2 Co 5.17).
Os montes virão – “… No mundo tereis aflições (montes), mas tende bom ânimo, eu venci o mundo!” (João
16.33b). Sim, eles virão, mas sempre serão menor que o nosso Deus! Lembro-me de um acontecimento de muitos anos
atrás. Eu estava pela primeira vez num avião, tendo a minha primeira experiência de voar. Lembro-me bem, porque foi
depois que Deus me curou de uma terrível hepatite! Lá em cima com meu amigo, o piloto, rumávamos em direção a uma
cidade no deserto no sul da Califórnia. Passamos por cima do Mojave e à nossa frente se levantava uma serra chamada
“Chocolate Mountains” (“Montanhas de Chocolate”). Eram muito mais altas que nosso vôo, mas meu amigo simplesmente
puxou uma alavanca (o avião era um “Tailorcraft” muito antigo). Logo só via apenas o céu e, depois de alguns minutos,
ele voltou o avião ao horizontal e me disse, “Aqui você tem que alterar o Salmo 121 e dizer, ‘abaixarei os meus olhos para
os montes…’”! Quando olhei, as montanhas já estavam abaixo de nós!
Foi sobre um monte que Jesus foi crucificado. E quando estamos unidos com Ele na sua morte e
ressurreição é que surge a verdadeira fé. Deus também nos deu a cada um de nós uma alavanca. Ela se chama a fé, e é
só com ela que sempre “saltamos sobre os montes!”
A HERANÇA DOS SANTIFICADOS

No ano de 2008, começamos em Curitiba, Paraná, um evento anual direcionado especificamente a


pastores e líderes, com o nome “Casa de Zadoque”. O evento nasceu e foi denominado a partir da mensagem que eu
compartilharei aqui. A essência desta mensagem é a relação entre a conquista e a consagração. Ao instruir o profeta
Ezequiel sobre um novo Templo e sobre como deveria ser feita a distribuição da herança ao redor do lugar de adoração
(o novo Templo), o Senhor deu honra e herança especial aos que Ele mesmo chamou de “sacerdotes santificados”.
Há uma herança especial, reservada aos ministros comprometidos com Deus. Através do profeta Ezequiel,
vemos o Senhor destacando uma linhagem sacerdotal que cumpriu o seu dever e não se extraviou – os filhos de
Zadoque:
“Será para os sacerdotes santificados, para os filhos de Zadoque, que cumpriram o seu dever e não
andaram errados, quando os filhos de Israel se extraviaram, como fizeram os levitas.” (Ezequiel 48.11)

Tudo o que alcançamos em nosso relacionamento com Deus (e também no ministério) está direta e
proporcionalmente ligado à dimensão do nosso compromisso e entrega. A nossa santificação determinará não apenas
quão longe iremos e o quanto conquistaremos, mas também o que conseguiremos manter e preservar depois dessas
conquistas.
Os integrantes desta linhagem sacerdotal – os filhos de Zadoque – foram destacados por Deus como
“sacerdotes santificados” (poderíamos ainda chamá-los de “ministros comprometidos” com o Senhor). Para
compreendermos esta linhagem e o seu valor aos olhos de Deus, é preciso retroceder muito no tempo desta narrativa
bíblica para entendermos um processo que teve início com a palavra de juízo que o Senhor pronunciou contra a casa do
sumo sacerdote Eli.
A PROMESSA DE UMA CASA FIRME

As Escrituras Sagradas nos revelam alguns princípios importantíssimos com relação à maneira como Deus
Se relaciona com os Seus ministros. Ao estabelecer um ministério, o Senhor não apenas determina o que o mesmo deve
fazer e como deve agir, mas também deixa claro que um dia haverá uma prestação de contas e uma recompensa (boa ou
não) de tudo o que ele fez.
No entanto, alguns ministérios podem ser julgados pelo Senhor, até mesmo antes da futura prestação de
contas. O apóstolo Paulo declarou a Timóteo que há um juízo imediato e um não-imediato: “Os pecados de alguns
homens são notórios e levam a juízo, ao passo que os de outros só mais tarde se manifestam” (1 Tm 5.24). Ou seja,
alguns pecados somente serão revelados e julgados no futuro, mas outros podem ser revelados e julgados já. Foi
exatamente o que aconteceu com o sumo sacerdote Eli.
Por causa dos seus contínuos pecados contra o Senhor (bem como de seus filhos), depois de muita
expressão da longanimidade de Deus (o que me parece óbvio pelo fato de Eli ter chegado à velhice), o Altíssimo, por
meio de um profeta, declarou uma dura palavra de juízo contra Eli:
“Veio um homem de Deus a Eli e lhe disse: Assim diz o Senhor: Não me manifestei, na verdade, à
casa de teu pai, estando os israelitas ainda no Egito, na casa de Faraó? Eu o escolhi dentre todas as tribos de
Israel para ser o meu sacerdote, para subir ao meu altar, para queimar o incenso e para trazer a estola sacerdotal
perante mim; e dei à casa de teu pai todas as ofertas queimadas dos filhos de Israel. Por que pisais aos pés os
meus sacrifícios e as minhas ofertas de manjares, que ordenei que me fizessem na minha morada? E, tu, por que
honras a teus filhos mais do que a mim, para tu e eles vos engordardes das melhores de todas as ofertas do meu
povo de Israel? Portanto, diz o Senhor, Deus de Israel: Na verdade, dissera eu que a tua casa e a casa de teu pai
andariam diante de mim perpetuamente; porém, agora, diz o Senhor: Longe de mim tal coisa, porque aos que me
honram, honrarei, porém os que me desprezam serão desmerecidos. Eis que vêm dias em que cortarei o teu
braço e o braço da casa de teu pai, para que não haja mais velho nenhum em tua casa. E verás o aperto da
morada de Deus, a um tempo com o bem que fará a Israel; e jamais haverá velho em tua casa. O homem, porém,
da tua linhagem a quem eu não afastar do meu altar será para te consumir os olhos e para te entristecer a alma; e
todos os descendentes da tua casa morrerão na flor da idade. Ser-te-á por sinal o que sobrevirá a teus dois
filhos, a Hofni e Finéias: ambos morrerão no mesmo dia. Então, suscitarei para mim um sacerdote fiel, que
procederá segundo o que tenho no coração e na mente; edificar-lhe-ei uma casa estável, e andará ele diante do
meu ungido para sempre. Será que todo aquele que restar da tua casa virá a inclinar-se diante dele, para obter
uma moeda de prata e um bocado de pão, e dirá: Rogo-te que me admitas a algum dos cargos sacerdotais, para
ter um pedaço de pão, que coma.” (1 Samuel 2.27-36)

Algumas coisas muito claras foram anunciadas nesta profecia:

1) Foi o Senhor que escolheu e levantou a Casa de Eli para o ministério.


2) O Senhor não Se agradou de Eli e de sua casa, que O desonraram com o pecado.
3) O Senhor decidiu julgá-los (e à sua descendência), removendo-os do ministério.
4) O Senhor prometeu levantar um sacerdote fiel e edificar-lhe uma casa estável (outras versões bíblicas
usam a expressão “casa firme”) no local de habitação desta família.
Estas verdades devem estar no coração de todos os que foram chamados ao ministério. O pecado atrairá
juízo (e até mesmo a substituição da posição ministerial) dos que foram chamados e levantados pelo próprio Deus!
A promessa divina de juízo e de substituição da família sacerdotal de Eli também nos mostra algumas
verdades importantíssimas com relação ao ministério:
1) Até mesmo com uma declaração anteriormente feita, que expressava que a vontade divina era que a
Casa de Eli permanecesse sempre no ministério, isto não se concretizou pela falha do próprio sacerdote.
2) Sempre que alguém falha em cumprir o propósito divino, outro é levantado em seu lugar (Et 4.14; At
1.20).
3) O critério principal da nova escolha de Deus é encontrar alguém que não falhe da mesma forma que
falhou o que foi substituído (1 Sm 13.14).
Como é triste saber que alguém que o Senhor escolheu para Si foi rejeitado e substituído! Mas o juízo
divino declarado contra a Casa de Eli não é algo exclusivamente dele; o mesmo princípio é aplicado a qualquer ministério
que “zombe” de Deus, como Eli e seus filhos fizeram, pois a Escritura declara:
“Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.”
(Gálatas 6.7)

O cumprimento da profecia feita a Eli aconteceu anos depois, envolvendo dois sacerdotes distintos: Abiatar
e Zadoque. Na pessoa de Abiatar, vemos o cumprimento da destruição da família de Eli. Na pessoa de Zadoque,
encontramos o cumprimento da promessa a um sacerdote fiel.

Observemos primeiramente a história de Abiatar. Depois analisaremos a história de Zadoque. O profeta


Samuel ainda estava vivo quando começou a acontecer o juízo sobre a casa de Eli:
“Respondeu o rei: Aimeleque, morrerás, tu e toda a casa de teu pai. Disse o rei aos da guarda, que
estavam com ele: Volvei e matai os sacerdotes do Senhor, porque também estão de mãos dadas com Davi e
porque souberam que fugiu e não mo fizeram saber. Porém os servos do rei não quiseram estender as mãos
contra os sacerdotes do Senhor. Então, disse o rei a Doegue: Volve-te e arremete contra os sacerdotes. Então, se
virou Doegue, o edomita, e arremeteu contra os sacerdotes, e matou, naquele dia, oitenta e cinco homens que
vestiam estola sacerdotal de linho. Também a Nobe, cidade destes sacerdotes, passou a fio de espada: homens,
e mulheres, e meninos, e crianças de peito, e bois, e jumentos, e ovelhas. Porém dos filhos de Aimeleque, filho
de Aitube, um só, cujo nome era Abiatar, salvou-se e fugiu para Davi; e lhe anunciou que Saul tinha matado os
sacerdotes do Senhor.” (1 Samuel 22.16-21)

A Bíblia nos mostra que esta era a linhagem sacerdotal de Eli: “Aías, filho de Aitube, irmão de Icabô, filho
de Finéias, filho de Eli, sacerdote do Senhor em Siló, trazia a estola sacerdotal” (1 Sm 14.3). Tanto Aías como Aimeleque
eram filhos de Aitube e bisnetos de Eli. E, dentre os sacerdotes, todos morreram (oitenta e cinco diante de Saul somente,
além dos que morreram em Nobe), com a única exceção de um descendente de Eli, o seu tataraneto Abiatar, que
escapou com vida e foi – por vários anos – o único sobrevivente desta linhagem. Porém, quando Salomão assumiu o
trono, a sentença profética contra a Casa de Eli enfim veio a cumprir-se:
“E a Abiatar, o sacerdote, disse o rei: Vai para Anatote, para teus campos, porque és homem digno
de morte; porém não te matarei hoje, porquanto levaste a arca do Senhor Deus diante de Davi, meu pai, e porque
te afligiste com todas as aflições de meu pai. Expulsou, pois, Salomão a Abiatar, para que não mais fosse
sacerdote do Senhor, cumprindo, assim, a palavra que o Senhor dissera sobre a casa de Eli, em Siló.” (1 Reis
2.26,27)

Quando Abiatar foi expulso do ministério sacerdotal, a palavra do Senhor contra a Casa de Eli finalmente
se cumpriu! Entretanto, esta palavra profética não dizia respeito somente à remoção desta família do sacerdócio. Deus
prometeu levantar um outro sacerdote que fosse fiel e, através dele, levantar uma “Casa Firme”. Vemos o cumprimento
deste aspecto da profecia na vida de Zadoque.
É importante destacarmos que Zadoque foi sacerdote juntamente com Abiatar, mas, diferentemente deste
outro sacerdote, ele não apenas se manteve fiel durante os seus dias de vida, mas também instruiu toda uma linhagem a
manter-se fiel ao Senhor!
Ao falar de uma “Casa Firme”, o Senhor revelou o Seu desejo de ver, não apenas um ministro, mas
também toda uma linhagem, mantendo-se estáveis e firmes na devoção e fidelidade a Ele e aos Seus mandamentos. Até
mesmo na Nova Aliança, o conceito de que os filhos dos ministros devem andar em integridade é sustentado:
“É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher… e que governe
bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a
própria casa, como cuidará da igreja de Deus?).” (1 Timóteo 3.2a,4,5)
“Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como,
em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi: alguém que seja irrepreensível, marido de uma
só mulher, que tenha filhos crentes que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados.” (Tito 1.5,6)

A nossa resposta ao chamado ministerial não diz respeito somente a nós, ministros do Senhor, mas
também envolve toda a nossa família! Os nossos filhos e os filhos dos nossos filhos (e toda uma linhagem) deveriam ser
muito bem instruídos com relação a como andarem em fidelidade ao Senhor. Deus não está apenas procurando pessoas
que façam bem o serviço, que executem uma tarefa com excelência! Ele espera que apresentemos uma casa firme,
estável! Que as próximas gerações, depois de nós, possam continuar vivendo em santificação e com um compromisso
com Ele! Este talvez seja o maior desafio e a maior responsabilidade de um ministério!
ESTABELECIDOS OU REMOVIDOS DO MINISTÉRIO

Muitos ignoram (até mesmo estando no ministério) o fundamento bíblico no tocante à forma como o Senhor
age com relação aos que são estabelecidos numa posição ministerial (ou até mesmo removidos dela). As coisas não
acontecem de forma aleatória. O Reino de Deus é constituído por princípios – que Ele mesmo estabeleceu – e por isso
não podemos ignorá-los. Há um princípio divino, revelado nas Escrituras, que sempre está relacionado com o
estabelecimento de pessoas no ministério. Trata-se da consagração, da santificação.
Ao procurarmos entender o padrão celestial para o estabelecimento de alguém no ministério, precisamos
recorrer aos registros bíblicos dos dias de Moisés. A razão é que, antes de Moisés, ninguém foi oficial e formalmente
estabelecido por Deus no ministério. Algumas pessoas aparecem na narrativa bíblica como sacerdotes (como
Melquisedeque e Jetro), mas não vemos ninguém sendo colocado por Deus nesta função. A primeira consagração ao
ministério aconteceu com Arão e seus filhos, e, logo depois, toda a Tribo de Levi foi separada para as funções ministeriais
(ainda que não fossem todos sacerdotes). Mas há uma pergunta importante que deveríamos fazer ao falarmos sobre os
padrões de Deus para se estabelecer alguém no ministério: “Por que a Tribo de Levi foi escolhida?” O plano de Deus
inicialmente não envolvia apenas uma tribo. Ele desejava uma nação sacerdotal:
“Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a
minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de
sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel.” (Êxodo 19.5,6)

O plano divino era um reino (e não só uma tribo) de sacerdotes! Era uma nação santa! A palavra hebraica
traduzida como “santa” é “kadosh”, e significa não apenas “algo sagrado”, mas também tem a ideia de “separado”. O
conceito de “separado” não era simplesmente o conceito de se manter distância dos outros povos, pois o plano divino
envolvia o fato de que as nações seriam abençoadas e alcançadas através do povo de Israel (Gn 18.18). Ser “separado”,
além de “não contaminar-se com os pecados e práticas dos demais povos”, também significava a necessidade de “ser um
instrumento, um canal de Deus para se tocar os demais povos e culturas”!
Entretanto, num momento específico, a Tribo de Levi foi separada para ser uma tribo sacerdotal, ao invés
de toda uma nação de sacerdotes. O que aconteceu para determinar esta escolha? O próprio Moisés responde, falando
sobre algo que ocorreu entre as suas duas subidas ao Monte Sinai:
“Por esse mesmo tempo, o Senhor separou a tribo de Levi para levar a arca da Aliança do Senhor,
para estar diante do Senhor, para o servir e para abençoar em seu nome até ao dia de hoje. Pelo que Levi não tem
parte nem herança com seus irmãos; o Senhor é a sua herança, como o Senhor, teu Deus, lhe tem prometido.
Permaneci no monte, como da primeira vez, quarenta dias e quarenta noites; o Senhor me ouviu ainda por esta
vez; não quis o Senhor destruir-te.” (Deuteronômio 10.8-10)

Ele fala que “por esse mesmo tempo” (e não antes) a Tribo de Levi foi separada. O que aconteceu para
determinar esta escolha? O versículo 10 revela quando isto foi determinado: antes da segunda vez que Moisés subiu ao
Monte Sinai!
Quando Moisés desceu do Monte Sinai com as Tábuas de Pedra contendo os Dez Mandamentos, ele
descobriu que o povo de Israel, liderado por Arão, havia feito um bezerro de ouro e havia se apartado do Senhor. O povo
estava desenfreado (não podia ser contido). Então foi tomada uma enérgica medida de juízo:
“Vendo Moisés que o povo estava desenfreado, pois Arão o deixara à solta para vergonha no meio
dos seus inimigos, pôs-se em pé à entrada do arraial e disse: Quem é do Senhor venha até mim. Então, se
ajuntaram a ele todos os filhos de Levi, aos quais disse: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Cada um cinja a
espada sobre o lado, passai e tornai a passar pelo arraial de porta em porta, e mate cada um a seu irmão, cada
um, a seu amigo, e cada um, a seu vizinho. E fizeram os filhos de Levi segundo a palavra de Moisés; e caíram do
povo, naquele dia, uns três mil homens.” (Êxodo 32.25-28)

No momento em que Moisés declara “Quem é do Senhor venha até mim”, os únicos que responderam
foram os integrantes da Tribo de Levi: “Então, se ajuntaram a ele todos os filhos de Levi.” E, naquele mesmo instante,
eles se moveram no zelo de santidade e executaram juízo contra os seus irmãos. A escolha divina pelos que serão
ministros do Altíssimo sempre está associada à consagração e à santificação. Por isso, se um ministro comprometer
esses valores, ele terá comprometido a essência do seu chamado!
Assim como vemos na profecia contra Eli e na separação da Tribo de Levi, também vemos este mesmo
critério de escolha (ou de rejeição) com relação aos reis de Israel. Este é o caso de Saul:
“Então, disse Samuel a Saul: Procedeste nesciamente em não guardar o mandamento que o Senhor,
teu Deus, te ordenou; pois teria, agora, o Senhor confirmado o teu reino sobre Israel para sempre. Já agora não
subsistirá o teu reino. O Senhor buscou para si um homem que lhe agrada e já lhe ordenou que seja príncipe
sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o Senhor te ordenou.” (1 Samuel 13.13)

Eu sempre achei que Saul havia sido levantado “temporariamente”, até que Davi, o escolhido de Deus,
aparecesse no cenário. Mas isso não é verdade! Saul teve chances reais de não somente permanecer no trono, mas
também, como disse o profeta Samuel, de ter o seu reino sobre Israel confirmado para sempre! Isso não significa que ele
seria imortal, mas que a sua linhagem (à semelhança da Aliança que Deus fez posteriormente com Davi) estaria para
sempre no trono – o que, a meu ver, revela a possibilidade de que o Messias viesse da linhagem de Saul! O que este
homem jogou fora não foi apenas o trono (aliás, isso foi o que ele mais aproveitou! Ele reinou por quarenta anos – At
13.21), mas foi também a perspectiva de ele poder estar no desenrolar do plano divino, que envolvia algo muito maior do
que ele jamais sonhara!

Vemos a repetição do mesmo caso com o rei Jeroboão. Nos dias de Roboão, filho de Salomão, o reino se
dividiu. Judá e Benjamin formaram, sob o comando de Roboão, o Reino de Judá (ou do Sul), e as demais tribos
formaram, sob o comando de Jeroboão, o Reino de Israel (ou do Norte). Antes de o reino se dividir, uma palavra profética
foi dada a Jeroboão, dizendo que o Senhor estava rasgando dez Tribos de Israel, do Reino de Roboão, e entregando-as
a ele. E, juntamente com esta notícia, foi dito a Jeroboão o seguinte:
“Tomar-te-ei, e reinarás sobre tudo o que desejar a tua alma; e serás rei sobre Israel. Se ouvires
tudo o que eu te ordenar, e andares nos meus caminhos, e fizeres o que é reto perante mim, guardando os meus
estatutos e os meus mandamentos, como fez Davi, meu servo, eu serei contigo, e te edificarei uma casa estável,
como edifiquei a Davi, e te darei Israel.” (1 Reis 11.37,38)

Se Jeroboão obedecesse ao Senhor – o que sabemos que ele não fez – ele teria o mesmo direito a uma
casa estável (firme), como Deus concedeu a Davi! Nem Saul nem Jeroboão foi levantado por Deus para falhar e ser
removido! Eles tinham promessas e possibilidades reais de prosperarem no plano divino! Contudo, as suas escolhas
(erradas) os afastaram do Senhor! Se por um lado a nossa obediência e a nossa consagração nos estabelecem no lugar
de serviço designado por Deus, por outro lado a desobediência e a falta de consagração nos removem da posição de
serviço em que fomos estabelecidos!
Este é um padrão encontrado em toda a Bíblia! Não somente no Antigo Testamento, mas também no Novo
Testamento. No Livro do Apocalipse, o apóstolo João teve uma visão de Sete Candeeiros de Ouro e de Sete Estrelas (Ap
1.20), sendo que os Candeeiros simbolizam as Sete Igrejas (da Ásia) e as estrelas representam os anjos (mensageiros)
dessas Igrejas. Uma palavra que o Senhor diz, através de João, ao anjo da Igreja (Candeeiro) de Éfeso é a seguinte:
“Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não,
venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro [igreja], caso não te arrependas.” (Apocalipse 2.5)

Em outras palavras, o Senhor está dizendo: “Arrependa-se, senão Eu retirarei a igreja (o ministério) que Eu
lhe confiei!” É evidente, portanto, que a falta de santidade faz com que alguns ministros sejam removidos do seu lugar de
serviço em o Senhor os colocou. Por outro lado, vimos que Deus separou a Tribo de Levi para o ministério, justamente
por terem se posicionado em santidade, o que nos faz perceber o princípio bíblico de que o que faz com que sejamos
estabelecidos no ministério é o nosso compromisso de santidade. Veremos isto uma vez mais no exemplo bíblico a
seguir, que revela a importância do zelo de santidade.
O ZELO DE SANTIDADE

Cada ministro do Senhor deve não apenas consagrar-se em sua vida pessoal, mas também ser cheio de
zelo pela santidade do povo de Deus. Temos a seguir a impressionante história de Finéias, neto do sumo sacerdote Arão,
o qual, devido à sua atitude de declarar guerra e intolerância ao pecado, recebeu a aliança do sacerdócio perpétuo (o que
ressalta que não há prova mais evidente com relação ao que faz com que sejamos estabelecidos pelo Senhor no
ministério):
“Habitando Israel em Sitim, começou o povo a prostituir-se com as filhas dos moabitas. Estas
convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu e inclinou-se aos deuses delas. Juntando-
se Israel a Baal-Peor, a ira do Senhor se acendeu contra Israel. Disse o Senhor a Moisés: Toma todos os cabeças
do povo e enforca-os ao Senhor ao ar livre, e a ardente ira do Senhor se retirará de Israel. Então, Moisés disse
aos juízes de Israel: Cada um mate os homens da sua tribo que se juntaram a Baal-Peor. Eis que um homem dos
filhos de Israel veio e trouxe a seus irmãos uma midianita perante os olhos de Moisés e de toda a congregação
dos filhos de Israel, enquanto eles choravam diante da tenda da congregação. Vendo isso Finéias, filho de
Eleazar, o filho de Arão, o sacerdote, levantou-se do meio da congregação, e, pegando uma lança, foi após o
homem israelita até ao interior da tenda, e os atravessou, ao homem israelita e à mulher, a ambos pelo ventre;
então, a praga cessou de sobre os filhos de Israel. Os que morreram da praga foram vinte e quatro mil.”
(Números 25.1-9)
Finéias não admitiu o insulto daquele israelita, e, sob uma ordem que já havia sido dada pelo Senhor de se
exercer juízo sobre os que encabeçavam aquela corrida ao pecado, o sacerdote agiu, mostrando um grande zelo por
Deus e pela Sua santidade no meio do arraial de Israel. As Escrituras Sagradas nos mostram que este seu zelo de
santidade não somente fez com que a praga cessasse, mas também foi o que fez com que o Senhor o confirmasse em
sua posição ministerial (além da promessa divina sobre a sua linhagem permanecer no sacerdócio – que é o conceito que
já abordamos sobre a “casa firme”):
“Então, disse o Senhor a Moisés: Finéias, filho de Eleazar, filho de Arão, o sacerdote, desviou a
minha ira de sobre os filhos de Israel, pois estava animado com o meu zelo entre eles; de sorte que, no meu zelo,
não consumi os filhos de Israel. Portanto, dize: Eis que lhe dou a minha aliança de paz. E ele e a sua
descendência depois dele terão a aliança do sacerdócio perpétuo; porquanto teve zelo pelo seu Deus e fez
expiação pelos filhos de Israel.” (Números 25.10-13)

Vamos refletir um pouco sobre esta “aliança do sacerdócio perpétuo”. Deus já havia determinado que a
linhagem de Arão exerceria o sacerdócio. Contudo, isto não significava que qualquer homem da sua linhagem estivesse
“garantido” no ministério. Se assim fosse, o Senhor não teria falado em remover a Casa de Eli do sacerdócio. Por outro
lado, até mesmo com a linhagem de Eli sendo arrancada do ministério, outros descendentes de Arão ainda continuariam
a exercer o serviço sagrado.
Portanto, a aliança que Deus firmou com Finéias não é mera repetição da promessa e da bênção que já
havia sobre qualquer descendente de Arão. É algo mais! Eu creio que o Altíssimo estava dizendo que, ainda que outros
descendentes de Arão pudessem ser removidos do ministério, a linhagem de Finéias seria perpetuamente estabelecida
em seu lugar de serviço. Por quê? Por causa do zelo de santidade manifestado pelo cabeça de toda uma linhagem.

É interessante observarmos, ao falarmos da remoção da Casa de Eli do sacerdócio (por sua infidelidade),
que ele não era descendente de Finéias (filho de Eleazar). Eli, embora descendente de Arão, era da linhagem de Itamar
(1 Cr 24.3,6), e não de Eleazar. Por outro lado, o sacerdote Zadoque era da linhagem de Finéias (filho de Eleazar), e,
como descendente deste, estava incluído na aliança do sacerdócio perpétuo:
“Estes foram os descendentes de Arão: o seu filho Eleazar, pai de Finéias, que foi o pai de Abisua,
pai de Buqui, pai de Uzi, que foi o pai de Zeraías, pai de Meraiote, pai de Amarias, que foi o pai de Aitube, pai de
Zadoque, pai de Aimaás.” (1 Crônicas 6.50-53 – NVI)

A história se repete! Arão recebeu a promessa de ter a sua linhagem no ministério. Depois de Arão, o seu
neto Finéias se destacou e, devido ao seu zelo de santidade, ele recebeu esta aliança do sacerdócio perpétuo.
Posteriormente, surgiu Zadoque (da linhagem de Finéias), a quem Deus fez a promessa de uma “casa firme” (uma
linhagem que não seria removida). Após o Exílio Babilônico, um dos períodos de maior apostasia da história de Israel, os
filhos de Zadoque ainda foram apontados por Deus como os que se conservaram fiéis. Finalmente, nos últimos Livros da
narrativa do Antigo Testamento, surgiu Esdras, o sacerdote de grande destaque na reconstrução de Jerusalém no
período pós-exílio, que também era descendente de Zadoque e de Finéias (Ed 7.1-5).
Portanto, o que nos estabelece ou nos remove da nossa função ministerial é o nosso compromisso com
Deus, é o nosso zelo de santidade (ou a falta dele)!
É MELHOR NÃO PECARMOS DO QUE SERMOS RESTAURADOS DEPOIS

Aos quinze anos de idade, eu ouvi uma história que, apesar de muito simples (eu poderia dizer que foi uma
ilustração bem infantil), me abriu os olhos para algo muitíssimo importante. Eu estava conversando com um pastor sobre
as lutas contra o pecado que o adolescente tem que travar, e, em algum momento, eu comentei como era confortante a
ideia de que servimos a um Deus perdoador. Apesar de eu estar falando uma verdade bíblica inquestionável, eu creio que
eu deixei transparecer um entendimento equivocado sobre como devemos nos relacionar com a questão do pecado e
sobre como podemos usufruir do perdão de Deus, pois, imediatamente, aquele pastor passou a narrar a seguinte história:
“Havia um garoto cheio de energia, hiperativo, que a mãe mal conseguia controlar. Depois de inúmeras
tentativas frustrantes de corrigir e disciplinar o menino, a mãe resolveu mexer em algo que se destacava como uma
característica singular da criança: o seu lado narcisista. Ela havia presenteado o filho com uma foto dele, a qual foi
ampliada e colocada como um pôster enorme em seu próprio quarto. O rapazinho amava aquele quadro e quase adorava
a si mesmo. Assim sendo, a sua mãe, decidida a fazê-lo repensar a sua rebeldia, ameaçou-o, dizendo que, a partir
daquele momento, ela pregaria uma taxinha no pôster do menino a cada ato de desobediência dele. Num certo dia, o
menino entrou em seu quarto e surpreendeu-se por quase não conseguir enxergar o seu próprio rosto no pôster, tamanha
a quantidade de taxinhas fincadas no quadro! O choque causado pela cena o ajudou a perceber o quanto ele vinha
errando e magoando a sua própria mãe. Sinceramente arrependido, o garoto pediu perdão por ter falhado tanto e disse o
quanto ele gostaria de agir de forma diferente, o que fez com que a sua mãe não apenas o perdoasse, mas também
removesse todas aquelas taxinhas! Contudo, enfatizou o narrador, o quadro ficou cheio de furinhos!”
Moral da história: os nossos erros, ainda que perdoados, deixam consequências! Eu entendi imediatamente
que, apesar de saber que eu servia a um Deus que perdoa os meus pecados, eu não podia “brincar” de pecar, para pedir
perdão depois! É melhor não pecarmos do que sermos restaurados depois, pois o perdão divino restaura a nossa
comunhão com o Senhor, mas não anula as consequências que se manifestarão depois! A Palavra de Deus é muito clara
com relação a isso! Vejamos esse princípio revelado em três exemplos bíblicos de pessoas que pecaram e colheram as
consequências, até mesmo depois que foram perdoadas!
Primeiramente, observemos o exemplo da geração de israelitas que saiu do Egito. Quando eles se
recusaram a crer que herdariam a Terra Prometida, o Senhor Se irou contra eles, a ponto de querer destruí-los (Nm
14.11,12). Mas Moisés intercedeu por eles, suplicando o perdão divino, e foi ouvido em sua oração (Nm 14.13-20). Deus
perdoou o pecado deles, mas, juntamente com o perdão, o Senhor anunciou qual seria a consequência do pecado deles
(ainda que já perdoado):
“O Senhor respondeu: Eu o perdoei, conforme você pediu. No entanto, juro pela glória do Senhor
que enche toda a terra, que nenhum dos que viram a minha glória e os sinas miraculosos que realizei no Egito e
no deserto, e me puseram à prova e me desobedeceram dez vezes – nenhum deles chegará a ver a terra que
prometi com juramento a seus antepassados. Ninguém que me tratou com desprezo a verá.” (Números 14.20-23
– NVI)

Também encontramos nas Escrituras o exemplo de Davi, o qual, ainda que perdoado pelo pecado
cometido, ouviu do Senhor uma sentença de julgamento. Isto é evidente na palavra profética recebida depois do pecado
de adultério com Bate-Seba e do homicídio de Urias:
“Por que, pois, desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o que era mal perante ele? A Urias, o
heteu, feriste à espada; e a sua mulher tomaste por mulher, depois de o matar com a espada dos filhos de Amom.
Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste e tomaste a mulher de
Urias, o heteu, para ser tua mulher. Assim diz o Senhor: Eis que da tua própria casa suscitarei o mal sobre ti, e
tomarei tuas mulheres à tua própria vista, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com elas, em plena luz deste
sol. Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei isto perante todo o Israel e perante o sol.” (2 Samuel 12.9-14)

Ainda que Deus houvesse declarado o perdão a Davi e que ele estava livre da morte (o que a Lei de
Moisés exigia neste caso, o que, para mim, é uma “janela da graça” se abrindo ainda no tempo da Lei), as consequências
foram claramente anunciadas. O rei-salmista foi avisado de que a espada jamais se apartaria da sua casa, e ele provou a
dor de ver um filho matando o outro. A vida de Davi (bem como de sua família) tornou-se uma grande confusão depois
deste ocorrido, e, na rebelião de Absalão, a profecia teve o seu cumprimento final, quando as concubinas do rei Davi
foram tomadas pelo seu filho e humilhadas à vista de todo o Israel!
Todo pecado, mesmo que perdoado por Deus, deixa consequências! Sempre haverá uma colheita das
coisas que plantamos! O perdão divino remove a culpa, mas as consequências – ainda que aplacadas pela misericórdia
divina – hão de se manifestar!
Outro exemplo claro desta verdade (de que os pecados perdoados deixam consequências) pode ser visto
na vida de Paulo, o qual, antes da sua conversão, perseguiu a Igreja de Jesus Cristo como poucos fizeram (At 8.3; 1 Co
15.9). Sabemos que, ao encontrar-se com Jesus, Paulo foi perdoado de todos os seus pecados. No entanto, assim que
se converteu, uma das primeiras palavras proféticas que ele recebeu do Senhor foi: “Eu lhe mostrarei o quanto importa
sofrer pelo meu nome” (At 9.16).
Vale ressaltarmos que as consequências dos nossos pecados, obviamente, são determinadas pela
gravidade do que praticamos. Nem todo pecado cometido por um ministro significará a sua remoção do seu ministério. O
que o Senhor Jesus declarou ao mensageiro da Igreja de Éfeso foi o seguinte: “Arrepende-te… se não, venho a ti e
moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas” (Ap 2.5). A remoção do ministério somente ocorre se não
houver arrependimento. Contudo, alguns pecados que cometemos, até mesmo depois de terem sido perdoados por
Deus, podem reduzir a nossa herança ministerial e o nível de conquistas e de bênçãos que poderíamos desfrutar!
Vemos nas Escrituras Sagradas o exemplo de Moisés e Arão, os quais, depois de pecarem contra o
Senhor, não puderam entrar na Terra Prometida. Os dois irmãos foram instruídos por Deus a falarem à rocha, a qual, por
sua vez, jorraria água. No entanto, ao invés de falarem à rocha, eles acabaram ferindo-a. Logo depois do ocorrido, a
sentença divina foi determinada:
“Mas o Senhor disse a Moisés e a Arão: Visto que não crestes em mim, para me santificardes diante
dos filhos de Israel, por isso, não fareis entrar este povo na terra que lhe dei. São estas as águas de Meribá,
porque os filhos de Israel contenderam com o Senhor; e o Senhor se santificou neles.” (Números 20.12,13)

Logo depois de o Altíssimo determinar a consequência do pecado de Moisés e Arão, que era o fato de eles
não poderem entrar em Canaã – a Terra da Promessa – Ele também determinou que Arão fosse imediatamente
“recolhido”. A morte do sumo sacerdote foi antecipada por causa deste pecado nas águas de Meribá:
“Então, partiram de Cades; e os filhos de Israel, toda a congregação, foram ao monte Hor. Disse o
Senhor a Moisés e a Arão no monte Hor, nos confins da terra de Edom: Arão será recolhido a seu povo, porque
não entrará na terra que dei aos filhos de Israel, pois fostes rebeldes à minha palavra, nas águas de Meribá.”
(Números 20.22-24)

Depois de Arão, foi a vez de Moisés morrer sem entrar na Terra Prometida. E, novamente, o Senhor
recordou o motivo pelo qual isto aconteceria – o pecado cometido nas águas de Meribá:
“Depois, disse o Senhor a Moisés: Sobe a este monte Abarim e vê a terra que dei aos filhos de
Israel. E, tendo-a visto, serás recolhido também ao teu povo, assim como o foi teu irmão Arão; porquanto, no
deserto de Zim, na contenda da congregação, fostes rebeldes ao meu mandado de me santificar nas águas diante
dos seus olhos. São estas as águas de Meribá de Cades, no deserto de Zim.” (Números 27.12-14)

Moisés chegou a orar, pedindo que Deus o deixasse entrar em Canaã, mas a sua herança foi diminuída no
tocante a isto, e nada mais pôde ser feito. A nossa herança ministerial pode ser diminuída quando pecamos! Isto é um
fato!
Iniciamos este estudo falando do contraste entre os filhos de Zadoque (que se conservaram fiéis ao
Senhor) e os demais levitas (que se corromperam, servindo aos ídolos) e como a herança – natural – das terras ao redor
do Templo foram dadas para se honrar aos sacerdotes santificados. Concluiremos agora, observando que um outro
aspecto da herança – o espiritual – é determinado por essa mesma postura nossa de compromisso com Deus (ou não)!
Observe que os demais sacerdotes que pecaram foram como que “rebaixados” à função de meros levitas,
sem poderem exercer todo o seu ofício ou tampouco desfrutar de todos os seus direitos sacerdotais:
“Os levitas, que tanto se distanciaram de mim quando Israel se desviou e que vaguearam para longe
de mim, indo atrás de seus ídolos, sofrerão as consequências de sua iniquidade. Poderão servir no meu
santuário como encarregados das portas do templo e também farão o serviço nele; poderão matar os animais
dos holocaustos e outros sacrifícios em lugar do povo e colocar-se diante do povo e servi-lo. Mas, porque os
serviram na presença de seus ídolos e fizeram a nação de Israel cair em pecado, jurei de mão erguida que eles
sofrerão as consequências de sua iniquidade. Palavra do Soberano, o Senhor. Não se aproximarão para me servir
como sacerdotes, nem se aproximarão de nenhuma das minhas coisas sagradas e das minhas ofertas
santíssimas; carregarão a vergonha de suas práticas repugnantes. Contudo, eu os encarregarei dos deveres do
templo e de todo trabalho que nele deve ser feito.” (Ezequiel 44.10-14 – NVI)

Por outro lado, os filhos de Zadoque, a linhagem chamada pelo Senhor de “casa firme”, pelo fato de que
permaneceram fiéis (quando ninguém mais o fez), tiveram não apenas os seus direitos e funções preservados, mas
também receberam a promessa de que desfrutariam da presença de Deus como ninguém mais:
“Mas, os sacerdotes levitas e descendentes de Zadoque e que fielmente executaram os deveres do
meu santuário quando os israelitas se desviaram de mim, se aproximarão para ministrar diante de mim; eles
estarão diante de mim para oferecer sacrifícios de gordura e sangue. Palavra do Soberano, o Senhor. Só eles
entrarão em meu santuário e se aproximarão da minha mesa para ministrar diante de mim e realizar o meu
serviço.” (Ezequiel 44.15,16 – NVI)
CONCLUSÃO

O entendimento destas verdades deve produzir temor em nossos corações e fazer com que haja em nós
uma resposta mais intensa de consagração a Deus! Se a nossa herança – tanto na dimensão natural (Ez 48.10-14) como
na dimensão espiritual (Ez 44.15,16) – é determinada pela nossa santificação, então devemos aprofundar o nosso
compromisso com o Senhor! Esta é a única forma pela qual poderemos desfrutar da herança dos santificados! Você está
decidido a desfrutá-la?
A QUESTÃO DO ABORTO
“Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus
dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.” (Salmos 139.16)

A mobilização dos evangélicos e de setores tradicionais da Igreja Católica colocou no centro do debate
eleitoral um tema que até então era considerado periférico para a maioria dos candidatos e da sociedade brasileira: a
questão do aborto. Agora, impactados pela surpresa do segundo turno na eleição para presidente e conscientes de que o
assunto ganhou uma importância decisiva na definição do voto de milhões de pessoas, em especial dos cristãos, os
candidatos correm para dizer que são contra a prática e a favor da vida.

Mesmo a candidata do PT, Dilma Rousseff, que dissimuladamente mudou o seu discurso apostando na
desinformação ou na ingenuidade de todos nós, agora tenta se apresentar como defensora da vida e dos valores cristãos,
como se fosse possível apagar da Internet os vídeos com suas declarações, anteriores à campanha eleitoral, nos quais
ela defende explicitamente a descriminalização do aborto por ser “caso de saúde pública” e considera “um absurdo” os
limites que a lei atual impõe sobre a prática. Se não bastassem esses registros indeléveis, Dilma ainda tem contra sua
nova dialética o fato de ser esta uma bandeira assumida oficialmente no programa do seu partido. Ou seja, o novo
disfarce só vai colar para os ignorantes ou para quem não considera o assassinato de crianças no ventre materno um
tema relevante… Nem um, nem outro será o nosso caso.
Por que para nós, seguidores de Jesus Cristo, esse não é um tema periférico, como querem sugerir os
“progressistas” sem consciência? Porque se trata do direito à vida, dom sagrado de Deus.
A argumentação pró-aborto quase sempre se baseia na falsa premissa de que a vida humana não é plena
no ventre materno. Ou seja, a grosso modo para os abortistas, um embrião ou um feto não seria “alguém”, mas apenas
“algo” que pode ser descartado. Segundo essa ética inconsequente, a vida não começaria na concepção e sim no
nascimento.
O que a palavra de Deus diz, porém, é absolutamente oposto. A expressão do salmista em sua oração é
maravilhosa: “Os teus olhos me viram a substância ainda informe” (Sl 139:16). Em outros termos, ele diz que Deus o
reconheceu mesmo antes da formação fetal. Não era ali uma coisa, mas ele mesmo, ainda que não tivesse forma
definida, numa referência clara às primeiras semanas de gestação, logo após a fecundação. A Jeremias, Deus disse:
“Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te
consagrei, e te constituí profeta às nações” (Jeremias 1.5).

Mais uma vez, está clara a idéia de que o Senhor trata como uma pessoa definida, tanto o embrião (antes
da forma), quanto o feto (antes do nascimento).

No Antigo Testamento, a palavra hebraica traduzida como criança ou bebê é “yeled”. Esta mesma palavra
também é usada para se referir aos que estão ainda no ventre materno, confirmando a idéia de que para Deus não há
distinção entre um ser humano que já veio à luz e um que está sendo gestado.
Diante desta e de muitas outras evidências bíblicas, morais e científicas, não temos como deixar de
considerar o aborto provocado em qualquer fase da gestação, desde a fecundação do óvulo, como homicídio, subtração
da vida humana. Isso vale, inclusive, para métodos abortivos como a chamada “pílula do dia seguinte”, que é usada até
72 horas após a relação sexual para expulsar qualquer óvulo fecundado e que tem seu uso legalizado no Brasil.
Na ótica cristã, provocar o aborto é assassinar. Infelizmente, isso já é permitido em nosso país por lei e
efetuado pelo serviço público em casos de gravidez decorrente de estupro e de risco de morte da mãe devido à gestação.
Além disso, nossa nação já vive debaixo da culpa desse terrível pecado, pois centenas de milhares de abortos são
realizados todos os anos na clandestinidade.
O que se quer agora é dar legalidade total a esse genocídio. Não apenas matar, mas matar os
absolutamente indefesos sob a cobertura da lei e o financiamento do Estado. Como a incompetência dos governos não
consegue punir o ilegal, a solução cínica de torná-lo legal é proposta pelos “progressistas”, especialmente pelo atual
governo brasileiro e pelo PT, partido de Dilma Rousseff.
Meus escritos e posicionamentos não foram encomendados por ninguém. Não tenho partido político e não
estou a serviço de nenhuma campanha em particular. Sou apenas um pregador da Palavra de Deus (goste o mundo disto
ou não). Se é verdade que há gente hipócrita explorando este tema por pura conveniência eleitoreira, certamente este
não é o nosso caso. O que defendemos é motivado por convicção e consciência.
Que aborto é um caso de saúde pública, está óbvio. Porém, ao invés de legalizar esse infanticídio, o que o
Estado deveria era gastar um pouco da fortuna que gasta com tanta publicidade eleitoreira em campanhas de
conscientização e educação sexual, de estímulo à monogamia, em programas de assistência às mulheres pobres que
rejeitam os filhos que geraram e até em estruturas de tutela das crianças “indesejadas” (ao invés de dizer “se não quer o
filho, nós lhe ajudamos a matá-lo”, o Brasil poderia dizer “se não quer seu filho, nós o criamos por você”). Nosso
Presidente poderia ter inventado um “Bolsa Vida”, já que ele gosta tanto da idéia, que desse uma opção e um alento à
mulher sem recursos para não interromper sua gravidez. Mas é claro, tudo isso custaria muito. É mais fácil, mais
conveniente e mais barato abortar…
Há um outro tipo de hipocrisia na retórica dos abortistas. Nós sabemos que uma enorme parcela dos
abortos provocados não se baseia na falta de recursos para criar mais um filho ou na desinformação, mas na
irresponsabilidade de uma sociedade erotizada e imoral, que quer curtir a vida sem responder pelas consequências.
Tanto que os ricos também o fazem em suas clínicas limpas e seguras. E como os governos tratam de erotizar nossa
juventude nas escolas, a clientela só tende a crescer.
Além disso, o Estado deveria tratar como crime o que é crime, pois a impunidade é a mãe da corrupção. Se
houvesse maior repressão a quem escolhe e, especialmente, a quem opera o aborto, talvez as estatísticas fossem menos
terríveis… Descriminalizar é, a meu ver, lavar as mãos no sangue dos inocentes.
Como cristão, não posso concordar com a proposta de que, se mulheres pobres (ou irresponsáveis)
abortam e correm risco de morte por isso, devemos ajudá-las a abortar “de maneira digna”, assim como não aceito idéias
como legalização das drogas, para que o controle saia das mãos dos traficantes e venha para o Estado. A meu ver, essa
linha de pensamento é só uma fuga para a incompetência das nossas instituições. Um governo que assuma o papel de
homicida e traficante de drogas não pode ser a minha aspiração.
Não acho que a decisão do voto deva basear-se apenas neste assunto, embora para a Igreja de Cristo ele
seja extremamente importante. Não somos pragmáticos. Somos cristãos… Também não acho que exista algum
“Messias” enviado do céu nesta campanha eleitoral. Infelizmente, o quadro que temos está mais para escolher entre
trevas e densas trevas. Entretanto, de acordo com as propostas que vêm sendo praticadas e desenhadas nos últimos
anos pelo governo do PT, pelo conjunto da obra, estou convicto de que o menos pior para o Brasil, em particular para
quem tem sua ideologia formatada pela Bíblia, é a descontinuidade do atual governo federal.
O tema é muito mais profundo, mas estas poucas linhas são suficientes para colocar em sua consciência o
peso da responsabilidade. Não queremos um Brasil amaldiçoado pelo derramamento de sangue inocente, queremos?
Não queremos ser cúmplices de um “genocídio legal”, queremos? Pois, então, pense muito bem neste assunto antes de
votar. As propostas e os discursos de cada candidato à Presidência da República já estão registrados na História, ainda
que pela conveniência de uma campanha, há quem queira apagá-los. Você e eu, entretanto, não somos mais ignorantes
e nem seremos desculpáveis se nos fizermos de ingênuos. Votar no próximo dia 31 poderá ser uma opção entre tornar-
nos cúmplices de um infanticídio sob a cobertura da lei ou resistirmos a esta abominação que tem sequestrado a
consciência das nações. Depois, cada um de nós responderá diante do Criador e Justo Juiz pela escolha realizada…
Pense bem!
O Cordão de Três Dobras – por Luciano Subirá

A Bíblia diz em Eclesiastes 4.9-12 que “melhor é serem dois do que um”, mas termina falando sobre o
cordão de três dobras e revelando que é melhor serem três do que dois. Fica implícito que a conta de uma terceira dobra
no cordão está mostrando que o “time” aumentou.
“Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se
rebenta com facilidade.” (Eclesiastes 4.12)

Salomão afirma que se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão. Isto mostra que um
cordão dobrado oferece maior resistência. Porém, ao acrescentar-se uma terceira dobra, ele fica ainda mais resistente!
Se há benefícios em ser dois, há muito mais em ser três!

Como já afirmamos, Salomão não fez esta afirmação direcionada exclusivamente ao casamento; ele fala de
relacionamento de um modo geral. E, em qualquer relacionamento, a terceira dobra poderia ser mais uma pessoa.
Porém, quando examinamos a revelação bíblica acerca do casamento, descobrimos que, no modelo divino, deve sempre
haver a participação de uma terceira parte. E isto não fala da presença de algum filho e nem tampouco de um
(abominável) triângulo amoroso! Fala da participação do Senhor no casamento.

A presença de Deus é a terceira dobra e deve ser cultivada na vida do casal. Adão e Eva não ficaram
sozinhos no Éden, Deus estava diariamente com eles e, da mesma forma como idealizou com o primeiro casal, Ele quer
participar do nosso casamento também!
Vemos esta questão do envolvimento de Deus na união matrimonial sob três diferentes perspectivas:
1. Deus como parte do compromisso do casal;
2. Deus como fonte de intervenção na vida do casal;

3. Deus como modelo e referência para o casal.


UMA DUPLA ALIANÇA

Como já afirmamos no primeiro capítulo, o casamento é uma aliança que os cônjuges firmam entre si e
também com Deus. O Senhor, através do profeta Malaquias, referiu-se ao casamento como sendo uma aliança entre o
homem e a sua mulher:
“Porque o Senhor foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste
desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança”. (Malaquias 2.14)
A esposa foi chamada por Deus como “a mulher da tua aliança”, o que deixa claro qual é o enfoque bíblico
do casamento. Esta aliança matrimonial não é apenas uma aliança dos cônjuges entre si, mas do casal com Deus. O
matrimônio, portanto, é uma dupla aliança. Malaquias diz que Deus se faz presente testemunhando a aliança do casal. O
mesmo conceito também nos é apresentado no livro de Provérbios:
“Para te livrar da mulher adúltera, da estrangeira, que lisonjeia com palavras, a qual deixa o amigo
da sua mocidade e se esquece da aliança do seu Deus”. (Provérbios 2.16,17)

Novamente as Escrituras condenam o abandono ao cônjuge, pois neste texto, assim como em Malaquias, a
infidelidade é abordada. Nesta situação, é a mulher quem foi infiel ao amigo de sua mocidade e é chamada de alguém
que se esqueceu da aliança do seu Deus. A palavra “aliança”, neste versículo de Provérbios, fala não apenas da aliança
entre os cônjuges, mas da aliança deles com Deus. Fala da obediência que alguém deve prestar à Lei do Senhor e
também se refere ao matrimônio como uma aliança da qual Deus quer participar.
No Antigo Testamento vemos Deus, por intermédio de Moisés, seu servo, entregando a Israel dez
mandamentos que se destacavam de todos os demais. Eles foram chamados de “as palavras da aliança”:
“E, ali, esteve com o Senhor quarenta dias e quarenta noites; não comeu pão, nem bebeu água; e
escreveu nas tábuas as palavras da aliança, as dez palavras”. (Êxodo 34.28)

Um destes mandamentos mostra que preservar o casamento não é apenas uma obrigação da aliança
contraída entre os cônjuges; é parte da aliança firmada com o próprio Deus: “Não adulterarás” (Êx 20.14). As ordenanças
do Senhor foram escritas (incluindo a ordem de não adulterar) e o livro onde foram registradas passou a ser chamado de
“o livro da aliança”:
“Moisés escreveu todas as palavras do Senhor… E tomou o livro da aliança e o leu ao povo; e eles
disseram: Tudo o que falou o Senhor faremos e obedeceremos. Então, tomou Moisés aquele sangue, e o
aspergiu sobre o povo, e disse: Eis aqui o sangue da aliança que o Senhor fez convosco a respeito de todas
estas palavras.” (Êxodo 24.4a,7,8)

Portanto, o casamento é uma dupla aliança; é uma aliança dos cônjuges entre si, mas também é uma
aliança de ambos com Deus. Logo, o Senhor está presente na aliança, no compromisso do casamento. Esta é uma das
formas em que Deus pode ser a terceira dobra no relacionamento conjugal.
EDIFICAR COM A BÊNÇÃO DE DEUS

Outra forma como Deus pode e quer participar no casamento é podendo intervir, agir em nossas vidas e
relacionamento conjugal. Não temos a capacidade de fazer este relacionamento funcionar somente por nós mesmos;
aliás, temos que admitir nossa dependência de Deus para tudo, pois o Senhor Jesus Cristo mesmo declarou: “sem mim
nada podeis fazer” (Jo 15.5). A Palavra de Deus nos ensina que precisamos aprender a edificar com a bênção de Deus, e
não apenas com nossa própria força e capacidade:
“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a
cidade, em vão vigia a sentinela.” (Salmo 127.1)

“Edificar a casa” é uma linguagem bíblica para a construção do lar, não do prédio em que se mora.
Provérbios 14.1 declara que “A mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata, com as próprias mãos, a derriba”. Isto
não quer dizer que temos uma mulher “pedreira” e outra “demolidora”, pois o texto fala do ambiente do lar e não de um
edifício físico.
Há ingredientes importantes para edificação da casa (Pv 24.3), mas o essencial é cultivar diária e
permanentemente a presença de Deus.
PARECIDOS COM DEUS

Uma outra maneira como Deus se torna parte em nosso casamento é como modelo e referência para
nossas vidas. O Senhor é o padrão no qual devemos nos espelhar!
“Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados.” (Efésios 5.1)

O Novo Testamento revela com clareza que o plano divino para cada um de nós é conformar-mo-nos com
a imagem do Senhor Jesus Cristo:
“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à
imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” (Romanos 8.29)

As Escrituras declaram que fomos “predestinados” (destinados de ante-mão) para sermos conformes à
imagem de Jesus! Cristo é nosso referencial de conduta; o apóstolo João declara que “aquele que diz que permanece
nele, esse deve também andar assim como ele andou” (1 Jo 2.6). O apóstolo Pedro afirmou que devemos seguir os Seus
passos, o que significa: caminhar como Ele caminhou (1 Pe 2.21). A transformação que experimentamos na vida cristã é
progressiva (a Bíbia chama “de glória em glória) e tem endereço certo: tornar-nos semelhantes a Jesus (2 Co 3.18).

O Senhor Jesus atribuiu ao “coração duro” o grande motivo da falência do matrimônio (Mt 19.8). As
promessas de Deus ao Seu povo no Antigo Testamento eram de um transplante de coração (Ez 36.26); o Senhor disse
que trocaria o coração de pedra (duro, da natureza humana decaída) por um coração de carne (maleável, com a natureza
divina). A nova natureza deve afetar nosso casamento. Se Deus passar a ser o modelo ao qual os cônjuges buscam se
conformar, certamente se aproximarão um do outro e viverão muito melhor!

Pense em dois cônjuges cristãos manifestando as nove características do fruto do Espírito (Gl 5.22,23):
“amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”. Se manifestarmos a
natureza de Deus, andaremos na plenitude do propósito divino para os relacionamentos.
Cresci ouvindo meu pai dizer (e aplicar em relação ao casamento) o seguinte: “Quando duas coisas se
parecem com uma terceira, forçosamente serão iguais entre si”. Ele dizia que se o marido e a mulher vão se tornando
parecidos com Deus, então eles ficam mais parecidos um com o outro. No ano de 1995, quando eu era ainda récem-
casado, eu vi num curso do “Casados Para Sempre”, ministrado pelo Jessé e Sueli Oliveira (hoje presidentes nacionais
do MMI – Marriage Ministries Internacional), uma ilustração interessante: um triângulo que tinha na ponta de cima palavra
“Deus” e nas duas de baixo as palavras “marido” e “esposa”. Nesta ilustração eles nos mostraram que quanto mais o
marido e a esposa subiam em direção a Deus, mais próximos ficavam um do outro. Nunca mais eu a Kelly esquecemos
este exemplo.

Quero falar de apenas três (entre muitos) valores que encontramos na pessoa de Deus e que deveríamos
reproduzir em nossas vidas. Certamente muitos casamentos podem ser salvos somente por praticar estes princípios:
amar, ceder e perdoar.
AMAR

Se Deus será parte de nosso casamento como modelo e referência, então temos que aprender a andar em
amor, uma vez que as Escrituras nos revelam que Deus é amor (1 Jo 4.8). A revelação bíblica de que Deus é amor não
foi dada apenas para que saibamos quem Deus é, mas para que nos tornemos imitadores d’Ele:
“Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo nos
amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave.” (Efésios 5.1,2)

Há diferentes palavras usadas no original grego (língua em que foram escritos os manuscritos do Novo
Testamento) para amor: “eros” (que retrata o amor de expressão física, sexual), “storge” (que fala de amor familiar), “fileo”
(que aponta para o amor de irmão e/ou amigo), e “ágape” (que enfoca o amor sacrificial). Quando a Bíblia fala do amor de
Deus, usa a palavra “ágape”; este é o amor que devemos manifestar! Ao escrever aos coríntios, o apóstolo Paulo ensina
como é a expressão deste amor:
“O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não
se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se
alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1
Coríntios 13.4-7)

Se imitarmos a Deus e manifestarmos este tipo de amor, as coisas certamente serão bem diferentes em
nosso matrimônio!
CEDER

A grande maioria das brigas e discussões gira em torno de quem está certo, de quem tem a razão. Muitas
vezes, não vale à pena ter a razão; há momentos em que a melhor coisa é ceder, quer isto seja agradável, quer não!
Observe o que Jesus Cristo nos ensinou a fazer:
“Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-
lhe também a outra; e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. Se alguém te
obrigar a andar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe
emprestes.” (Mateus 5.39-41)

Se seguirmos a Deus, como nosso modelo e referencial, e aos seus princípios, o casamento tem tudo para
funcionar. O matrimônio não é um desafio por causa da pessoa com quem convivemos, e sim porque este convívio
suscita nossa carnalidade e egoísmo e mostra quem nós somos! A dificuldade não está no cônjuge e sim em nossa
inaptidão em ceder. Se amadurecermos nesta área, nossa vida conjugal definitivamente colherá os frutos.
PERDOAR

Se imitarmos nosso modelo e referencial, que é Deus, e perdoarmos como Ele perdoa – como um ato de
misericórdia e não de merecimento, incondicional e sacrificialmente – levaremos nosso relacionamento a um profundo
nível de cura, restauração e intervenção divina. A instrução bíblica é muito clara em relação a isto:
“Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como
também Deus, em Cristo, vos perdoou.” (Efésios 4.32)

Concluindo, sem Deus (presente, intervindo e como nosso referencial) no casamento será impossível viver
a plenitude do propósito divino para o matrimônio. Mesmo um casal que nunca se divorcie, viverá toda sua vida conjugal
aquém do plano de Deus; por melhor que pareça sua relação matrimonial aos olhos humanos, ainda estará distante do
que poderia e deveria viver.
É MELHOR SEREM DOIS DO QUE UM
Após a conclusão de cada etapa da criação, vemos nas Escrituras que o Senhor Deus reconhece que
aquela obra feita era algo bom (Gn 1.10,12,18,21,25,31). A única declaração de teor diferente acontece quando Deus
olha para o homem que estava sozinho e afirma: “não é bom que o homem esteja só” (Gn 2.18). A sabedoria divina
condena o isolamento e nos ensina as bênçãos do companheirismo:
“O solitário busca o seu próprio interesse e insurge-se contra a verdadeira sabedoria” (Provérbios
18.1).

Viver sozinho, salvo exceções como nascer “eunuco” (com este dom) ou se fazer “eunuco” pelo Reino de
Deus (por uma situação onde não é permitido um novo casamento), não é o ideal de Deus para todo o homem (Mt 19.12).
A Bíblia diz que “melhor é serem dois do que um”, o que deixa isto bem claro:
“Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um
levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante. Também, se dois
dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? Se alguém quiser prevalecer contra um, os
dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade.” (Eclesiastes 4.9-12)

O rei Salomão, instrumento divino para nos trazer estas palavras, não estava falando especificamente
sobre o casamento; ele falava sobre um exemplo de unidade que cabe num relacionamento de amigos, de parceiros de
trabalho e ainda outros. E embora estas palavras não se apliquem exclusivamente ao matrimônio, este princípio bíblico
também não exclui, em hipótese alguma, a relação conjugal. E é dentro deste contexto, da vida do casal, que queremos
buscar entender não apenas o texto em si, mas como estas verdades se relacionam com outras declarações bíblicas
acerca do casamento. O escritor de Eclesiastes menciona quatro áreas onde o companheirismo faz toda a diferença e
justifica a afirmação de que é melhor serem dois do que um. São elas:
1) Parceria - 2) Suporte - 3) Cuidado - 4) Proteção

Sem estas quatro expressões de companheirismo talvez fosse melhor declarar que é melhor ser um do que
dois, uma vez que os “benefícios”que justificam esta afirmação deixaram de estar presentes. Queremos refletir um pouco
sobre cada um deles.
PARCERIA

O primeiro benefício mencionado na declaração bíblica de que é melhor serem dois do que um é que os
dois terão “melhor paga do trabalho”. Isto fala de duas coisas: da parceria nas conquistas e de sinergia, que é o resultado
desta parceria.
Primeiramente queremos analisar a visão de parceria e como isto se encaixa na união matrimonial. A
mulher foi criada por Deus para ser uma auxiliadora idônea, capaz (Gn 2.18). Isto significa que o homem não foi criado
por Deus para conquistar sozinho e, somente depois, partilhar o “despojo” com sua esposa. Mesmo tendo a
responsabilidade de provedor, o homem precisa viver a relação de parceria em cada conquista no casamento. Deus
reconheceu que o homem precisaria de ajuda e, ao criar a mulher a fez com toda capacidade de prover ajuda!
Isto fala não só das conquistas materiais e geração de renda. Embora a palavra hebraica traduzida como
“paga do trabalho” seja “sakar” – que significa “soldo, salário, pagamento” – ela também tem o significado de
“recompensa”. O casamento é uma parceria contínua! Desde a procriação, cuidado, provisão e educação dos filhos até
os ganhos materiais e financeiros o casal deve caminhar em parceria. Mesmo sendo o cabeça do lar e tendo a
responsabilidade final nas decisões, o esposo deve ouvir os conselhos de sua esposa e incluí-la em seus projetos.
Se cada um quiser viver por si, como se fossem dois solteiros dividindo a mesma cama e o mesmo teto,
não poderão dizer que é melhor serem dois do que um. A beleza da parceria, além do companheirismo e cumplicidade
nas conquistas, pode também ser vista nos resultados. Melhor paga do trabalho não significa um salário que é dobrado
para depois ser repartido entre os dois; isto não faria a menor diferença! Se cada um sozinho ganha quatro mil reais e
pode ficar com tudo para si, qual é a vantagem de juntarem suas rendas que, totalizadas, chegam a oito mil reais e
depois dividi-la em dois voltando ao resultado inicial? A verdade é que, juntos, mesmo repartindo, o casal conquista mais!
Por exemplo, se cada um sozinho produz uma renda de quatro mil reais, mas juntos conseguem produzir doze mil reais
(em vez de só os oito mil reais que conseguem sozinhos), então temos uma sinergia. Em vez de somar resultados, a
parceria os multiplica! Isto é sinergia e vemos este princípio na Bíblia:
“Como poderia um só perseguir mil, e dois fazerem fugir dez mil, se a sua Rocha lhos não vendera,
e o Senhor lhos não entregara?” (Deuteronômio 32.30)
“Perseguireis os vossos inimigos, e cairão à espada diante de vós. Cinco de vós perseguirão a cem,
e cem dentre vós perseguirão a dez mil; e os vossos inimigos cairão à espada diante de vós. Para vós outros
olharei, e vos farei fecundos, e vos multiplicarei, e confirmarei a minha aliança convosco.” (Levítico 26.7-9)

Falando das batalhas que o povo de Israel iria travar ao entrar na terra Prometida, Moisés, da parte de
Deus, fala aos hebreus que um deles perseguiria mil, mas dois juntos não somariam os resultados para dois mil, mas o
multiplicariam para dez mil! Também afirma que cinco perseguiriam a cem (o equivalente a vinte pessoas por
perseguidor), mas cem perseguiriam a dez mil (o equivalente a cem pessoas por perseguidor). Isto é sinergia. Tanto em
um exemplo como no outro vemos que neste tipo de parceria os resultados não se somam, se multiplicam. Podemos
trazer este princípio para o planejamento familiar, para a criação dos filhos, para o trabalho e conquistas materiais e, não
só para a dimensão natural, mas também para a espiritual: a vida de oração do casal.
Tenho aprendido a incluir a participação de minha esposa em tudo que faço. Desde o planejamento
financeiro e decisões que precisam ser tomadas nesta área até as questões do ministério; a Kelly participa na forma
como prego e ensino (antes, na preparação, e depois, na avaliação), como conduzo as reuniões ministeriais e a vida da
Igreja, em minhas viagens (mesmo quando não pode me acompanhar faz a retaguarda de oração)… Sou muito grato a
Deus por me permitir viver em parceria com minha esposa!

Porém, se os cônjuges decidem viver cada um por si, sem a dimensão de parceria proposta nas Escrituras,
não poderá se dizer que é melhor serem dois do que um… Reveja estes valores em seu casamento. Não deixe de buscar
viver esta poderosa parceria. O casamento não é apenas duas pessoas que decidiram viver juntas, é o ato de
construírem juntos uma vida!
SUPORTE

Outra característica importante do companheirismo e que valida a afirmação de que é melhor serem dois
do que um, é o suporte. A Escritura Sagrada declara que “se caírem, um levanta o companheiro”. Nos momentos de altos
e baixos que enfrentamos, o que está melhor ajuda o outro. Encorajamento, apoio, suporte, são essenciais a união
matrimonial.
Muitas pessoas entram com a motivação e expectativa errada no matrimônio; elas entram na aliança
matrimonial pensando muito mais em receber do que em oferecer algo. Esperam que o cônjuge, ou mesmo a própria
relação, façam-nas felizes. Porém, como já afirmamos, o fato é que não nos casamos com o único propósito de sermos
felizes, mas primeiramente, para fazermos o cônjuge feliz (Dt 24.5). A Palavra de Deus nos ensina que o homem casado
deve agradar a sua esposa e vice-versa (1 Co 7.33,34).
É correto esperar receber suporte do seu cônjuge, mas antes de esperar receber (ou mesmo cobrar esta
atitude), devemos oferecer suporte! Estamos falando dos padrões de Deus para o casamento e não do matrimônio
segundo o mundo. Portanto, espera-se dos cônjuges cristãos um comportamento que demonstre maturidade cristã. E
esta maturidade nos faz compreender que dar é mais importante do que receber (At 20.35).
Em sua carta aos coríntios, Paulo declara que “o amor não busca os seus próprios interesses” (1 Co 13.5).
Escrevendo aos filipenses, o apóstolo também ensina o crente a não olhar só para si, mas para os outros, e afirma o
seguinte:
“Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos
outros.” (Filipenses 2.4)

O Senhor Jesus também nos ensinou (não só com palavras, mas principalmente por seu exemplo) acerca
da virtude de servir em vez de apenas buscar ser servido:
“Mas Jesus, chamando-os para junto de si, disse-lhes: Sabeis que os que são considerados
governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem autoridade. Mas entre
vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem
quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos. Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido,
mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” (Marcos 10.42-45)

A maioria das queixas dos casados contra o próprio cônjuge são cobranças do que o outro deveria ter feito.
Infelizmente, somos egoístas demais e focados no próprio umbigo! Contudo, quando em vez de somente querer ser
servidos, colocamos nossos cônjuges à frente e passamos primeiro a servir, alimentamos um outro ciclo onde nossos
cônjuges, em vez de também apenas cobrarem, passarão a também nos servir com alegria. Não é fácil colocar o outro à
frente de seus sonhos, projetos e vontades!
Lembro-me que na ocasião em que o Israel – nosso primeiro filho – nasceu a Kelly entrou numa crise
enorme. Estávamos casados há dois anos e meio nesta ocasião, mas a Kelly havia saído de casa e mudado para a nossa
cidade cerca de um ano antes do casamento; portanto já estava há pelo menos três anos e meio morando longe dos pais.
A distância de quase setecentos quilômetros entre nossa casa e a casa dos meus sogros, somada à uma certa limitação
financeira dos primeiros anos de casado, não nos permitia vê-los com tanta frequência como gostaríamos, mas mesmo
assim a Kelly nunca deixou de me apoiar e de sustentar a mesma declaração que Rute fez à sua sogra Noemi:
“Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde
quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu
Deus.” (Rute 1.16)

De repente, após o nascimento do Israel, minha esposa começou a demonstrar sinais de tristeza por estar
tão longe do restante da família (dela e minha, pois meus pais moravam numa cidade próxima à dos pais dela). Ela dizia
que havia se dedicado em me apoiar e acompanhar e que nunca havia se arrependido disto, mas que partia o coração
dela saber que o nosso filho iria crescer longe dos avós e do restante da família. Conversamos e oramos acerca disso
várias vezes e a situação parecia somente se agravar.
Um dia, tive uma conversa séria com ela; disse que percebia que ela não estava conseguindo superar
aquilo, embora continuasse se esforçando muito para me apoiar. Expliquei que, embora ela não reclamasse nem pedisse
para nos mudarmos, era evidente que, naquele momento, seu coração não estava mais ali na cidade. Então declarei a
ela que, em função do que ela estava enfrentando, eu estava disposto a deixar o pastorado daquela igreja para nos
mudarmos para mais perto da cidade dos nossos pais, uma vez que, depois de Deus, a família é nossa maior prioridade.
A Kelly se alarmou com minha sugestão e disse que não queria atrapalhar meu ministério. Retruquei que eu poderia
exercer o ministério onde quer que estivesse, que já tínhamos uma boa equipe ministerial naquela igreja, e que não havia
me mudado para lá afim de ficar ali para sempre. Mesmo assim, ela preferiu orar mais e buscar ao Senhor antes de
qualquer decisão precipitada e, acabou entendendo da parte de Deus que não era a hora de nos mudarmos e que o
Senhor traria graça e ela venceria aquela crise, como de fato aconteceu.
Mesmo não tendo nos mudado, naquele dia a Kelly percebeu que meu compromisso com ela era bem
maior do que ela imaginava. Foi algo parecido com o sacrifício que Deus pediu a Abraão; ainda que ele não tenha
chegado ao ponto de imolar Isaque, soube-se que ele teria ido até o fim. Esta foi a minha primeira experiência no
casamento onde realmente enxergamos a importância de oferecer suporte um ao outro. Eu faria qualquer coisa para
apoiar minha esposa e vê-la feliz; ela, por sua vez, lutava com sua crise não querendo me tirar do propósito divino e
achando que, mesmo em meio à lutas e dificuldades, deveria estar ao meu lado a qualquer preço.
Penso que se tivéssemos agido de forma egoísta, com ela lutando para estar perto dos pais e eu lutando
pelo meu ministério, nossa relação, em vez de consolidada como foi, teria sofrido um sério desgaste. Oferecer suporte ao
cônjuge é algo de um valor imensurável. Se trouxermos este padrão de conduta cristã ao nosso casamento tudo será
diferente! Porém, se os cônjuges decidem apenas esperar (ou mesmo cobrar) por suporte da parte do outro, então não
poderá se dizer que é melhor serem dois do que um…
Reveja estes valores em seu casamento. Nunca deixe de ser um instrumento divino de apoio e
fortalecimento, de consolo e amparo ao seu cônjuge!
CUIDADO

O texto de Eclesiastes também afirma que “se dois dormirem juntos, se aquentarão”. Acredito que isso fala
– dentro do contexto da união matrimonial – de levar calor para a vida do companheiro, ajudá-lo a superar os
desconfortos da vida, bem como promover pequenas alegrias e cuidados.
Um casal “brigado” normalmente não gosta de dormir junto, porque este é um ato de intimidade. Na minha
primeira semana de casado, a Kelly brincou comigo acerca disso. Ela me falou que a mãe dela a havia aconselhado
antes de casar, dizendo: “Aconteça o que acontecer, não importa o desentendimento que um dia você e o Luciano
possam vir a ter, nunca saia do quarto!”E quando eu ia elogiar a sabedoria da minha sogra ao dar este conselho, ela
terminou com a seguinte frase: “Se alguém tiver que sair do quarto, que seja ele! Você, minha filha, defenda o seu
território!” Nós rimos juntos da brincadeira, mas decidimos desde aquele dia vigiar para que isto não viesse a acontecer
de fato. A Palavra de Deus nos adverte:
“Irai-vos e não pequeis; não se ponha o Sol sobre a sua ira, nem deis lugar ao diabo.” (Efésios
4.26,27)

Isto significa que um casal nunca deve deixar a ira durar até o dia seguinte; pelo contrário, os cônjuges
devem se reconciliar antes de dormir! Mas por que a tendência de um casal que se desentende é dormir separado? A
verdade é que dormir junto fala de intimidade. Também fala do leito do casal e da sua vida sexual. O conceito de amor e
intimidade de um casal está fortemente associado ao quarto e à cama. E este tipo de cuidado mútuo não pode faltar.
Porém, aquecer um ao outro é algo que, no casamento, fazemos não só de modo literal, sob cobertas, mas também no
âmbito emocional. São conversas, expressões de carinho por meio de palavras, presentes e atitudes que não permitem
que o coração do cônjuge se esfrie.
Cuidado não é só prover e arrumar a casa; também fala de coisas pessoais de um para o outro, dos
pequenos mimos, de tudo aquilo que mostra que o cônjuge se importa de fato. Quando isso falta, a relação se deteriora, e
então, sem estes valores, acabamos tendo que dizer que é melhor ser um do que dois. Reveja a importância do cuidado
mútuo em seu casamento. E faça valer a afirmação “é melhor serem dois do que um”.
PROTEÇÃO

O texto de Eclesiastes ainda revela que “se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão”. Isso
fala de proteção, defesa mútua, cobertura recíproca. Quando as batalhas surgem, o casal deve aprender a se unir e
resistir juntos. Há muitos tipos de lutas e de inimigos que tentam prevalecer contra nós. Uma delas, é a batalha que é
continuamente travada no reino espiritual contra todo cristão (e matrimônio):
“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo;
porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os
dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Portanto, tomai
toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer
inabaláveis.” (Efésios 6.11-13)

Paulo escreve aos efésios advertindo acerca da realidade da batalha espiritual, mostra claramente quem é
o inimigo e revela que, para oferecer resistência, o cristão deve se revestir da armadura de Deus (que é detalhada nos
versículos 14 a 17). Mas depois de falar das armas é que ele ensina como se trava esta batalha:
“Com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda
perseverança e súplica por todos os santos”. (Efésios 6.18)

A oração não é apresentada como uma arma. O ato de orar é a própria guerra onde entramos munidos de
toda a armadura de Deus. O primeiro nível de resistência que um casal deve aprender a oferecer é mediante a oração.
Temos que cobrir a vida de nosso cônjuge de oração; devemos fazer guerra contra o inimigo (e as circunstâncias) por
meio da oração!
Recordo-me de certa ocasião em que o entendimento da necessidade deste tipo de batalha pelo cônjuge
ficou, na prática, muito claro para mim. No nosso primeiro ano de casado, a Kelly enfrentou uma luta que vencemos em
oração. Certo dia saí cedo de viagem para voltar no fim da tarde do mesmo dia. Por conta de um atraso causado pelo
tráfego da rodovia, liguei para casa para dizer a minha esposa que chegaria depois do previsto, o que me faria ir direto
para a igreja, uma vez que era dia de culto. Quando pedi que fosse me encontrar na reunião, a Kelly disse que preferia
não ir ao culto, pois não estava bem. Perguntei o que ela estava sentindo, posto que pela manhã, quando saí de viagem,
ela estava bem. Ela me falou de sintomas físicos, mas também de uma grande batalha emocional e espiritual que
passara a sentir no fim da tarde e que não entendia o que era aquilo nem porque estava acontecendo. Senti que deveria
orar com ela por telefone mesmo e, travei batalha contra as forças das trevas, abençoei a vida dela, intercedi e desliguei
o telefone. Ela me contou depois do culto que estava deitada quando eu orei por ela; de repente, um calorão começou a
percorrer seu corpo e fazê-la suar e os sintomas desapareceram completamente. Fiquei espantado quando voltei para
casa e ela me mostrou os lençóis e o travesseiro completamente molhados! A Kelly testemunhou que foi imediatamente
curada no corpo e que toda nuvem de opressão desapareceu enquanto eu orava por ela. Isto nos fez levar mais a sério a
realidade da batalha espiritual que travamos e a importância de cobrirmos de oração a vida um do outro. Gosto de um
exemplo bíblico que mostra alguém lutando por outro em oração:
“Saúda-vos Epafras, que é dos vossos, servo de Cristo, combatendo sempre por vós em orações,
para que vos conserveis firmes, perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus.” (Colossenses 4.12 – ARC)

A palavra grega traduzida como “combatendo” neste versículo é “agonizomai” e, conforme o Léxico da
Concordância de Strong, significa: “entrar em uma competição, competir com adverários, lutar, esforçar-se com zêlo
extremo, empenhar-se em obter algo”. A versão KJA (King James Atualizada) traduziu como “guerreando”, a versão
Atualizada de Almeida escolheu esta palavra como “esforça-se sobremaneira”, a e a versão Revisada optou por “sempre
luta por vós”.
Além da batalha espiritual, que travamos por meio da oração, há outros níveis de resistência a oferecer. É a
guerra contra a sensualidade e as propostas de envolvimento sexual ilícito, cujo apelo é cada dia maior. Já nos dez
mandamentos, na Antiga Aliança, temos dois mandamentos que envolvem a saúde matrimonial: 1) “não adulterarás” e 2)
“não cobiçarás a mulher do próximo”. Portanto, percebemos que Deus sempre tratou disso como uma área que requer
cuidado. O apóstolo Paulo advertiu os irmãos de Corinto:
“Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos
dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência.”
(1 Coríntios 7.5)

A Bíblia diz que Satanás, como tentador, vai tentar explorar as brechas que os cônjuges dão nesta área.
Reconheço, porém, que esta batalha não se trava somente com oração e que o tipo de resistência que o casal deve
oferecer contra os ataques sensuais envolve cuidar e suprir as necessidades físicas um do outro. Um cônjuge suprido
emocional e sexualmente não estará exposto a este tipo de ataque como aquele que tem sido negligenciado nesta área.
Há uma declaração no Livro de Provérbios que nos mostra isto:
“A alma farta pisa o favo de mel, mas à alma faminta todo amargo é doce.” (Provérbios 27.7)

O casal deve lutar junto, e não um contra o outro. Talvez um dos tipos de defesa que deva ser praticado
pelo marido e mulher seja o de proteger ao cônjuge de si mesmo. Muitas vezes existem ataques verbais (e emocionais)
que ferem profundamente ao cônjuge e ainda entristecem ao Espírito Santo:
“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação,
conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual
fostes selados para o dia da redenção. Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e
bem assim toda malícia.” (Efésios 4.29-31)

O matrimônio é o mais profundo laço de relacionamento, supera o dos filhos com seus pais, por isso o
homem deixa pai e mãe para se unir à sua mulher (Gn 2.24). Contudo, muitos cônjuges erram deixando haver
interferência dos pais no relacionamento. Devemos honrar ao pais, isto é bíblico, mas quando os pais (ou sogros)
começam a atacar e implicar com seu cônjuge, penso que você deve protegê-lo (a menos que ele esteja realmente
insistindo no pecado). Ao longo dos anos de ministério pastoral tenho visto muitos problemas e mágoas causados por
esta falta de cuidado e proteção.
Neste nível de relacionamento, a cobertura recíproca é importantíssima. Nunca descubra seu cônjuge a
quem quer que seja; não exponha as fraquezas dele, não o critique em público. Proteja-o de ser ferido emocionalmente!
Estes são ingredientes importantíssimos para um relacionamento: parceria, suporte, cuidado e proteção.
Sem eles não dá para dizer que é melhor serem dois do que um! Se não trouxermos estes valores e práticas para nossa
relação conjugal, então, tristemente teremos que reconhecer que é melhor ser um do que dois. Negligenciando estas
práticas acabaremos por concluir que era melhor ter ficado solteiro. E muitos casados estão tentando viver sob o mesmo
teto como se ainda fossem solteiros; isto tem que mudar, caso contrário, seu relacionamento estará condenado.
Paulo disse aos coríntios: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava
como menino; quando cheguei a ser homem, desisiti das coisas próprias de menino” (1 Co 13.11). Parafraseando a
afirmação do apóstolo, poderiamos dizer: “quando eu era solteiro, falava como solteiro, sentia como solteiro, pensava
como solteiro; quando cheguei a ser casado, desisiti das coisas próprias de solteiro”.
Submissão à Nossa Liderança – por Elioenai Fernando

“Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles”…(Hebreus 13.17a).

Porque muitos líderes não conseguem que seus liderados se submetam a sua liderança? Você pode
pensar em várias respostas, quem sabe até mais desculpas do que respostas. É sempre mais fácil falarmos:
“Fulano é insubmisso; não aceita a minha liderança”.
Ou ainda:
“As pessoas ainda não me enxergam como líder”…

No entanto, que enfatizar que creio que liderança não é dada, e sim conquistada. Nós podemos ver na vida
de Davi que ele nunca reivindicou a sua liderança, nem disse que ele tinha sido ungido rei. Mas as pessoas
reconheceram a sua liderança. E olha que Davi tinha sido ungido como o homem que ia assumir o trono no lugar de Saul,
mas mesmo assim ele nunca disse isso a ninguém…
Uma das coisas que tenho aprendido no meu tempo de caminhada com Deus, é que os seus liderados
serão aquilo que você é com o seu líder.
Como você tem se portado não apenas diante, mas também longe de seu líder? Você tem protegido as
costas do seu líder ou você é o primeiro a atacá-lo quando ele esta longe ou vulnerável?
Preste bem a atenção, não quero ser redundante, mas preciso enfatizar: o que você tem feito ao seu líder,
é o que os seus liderados farão a você. Você pode achar que estou sendo radical, mas não, estou sendo bíblico. É o
princípio da semeadura e ceifa:
“Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados;
e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também” (Mateus 7.1,2).

Portanto, quero convidá-lo a observar e aprender com quatro grandes exemplos bíblicos de fidelidade aos
líderes.
JOSUÉ E MOISÉS

Nosso primeiro exemplo é encontrado na pessoa e atitudes de Josué. Observe o que as Escrituras dizem:
“Como ordenara o Senhor a Moisés, seu servo, assim Moisés ordenou a Josué; e assim Josué o fez;
nem uma só palavra deixou de cumprir de tudo o que o Senhor ordenara a Moisés” (Josué 11.15).

Lembre-se que Moisés já era morto, e mesmo assim, como diz o texto acima; “nem uma só palavra deixou
de cumprir”… Que coisa maravilhosa! Josué podia ter pensado: “Agora que Moisés é morto vou implantar o meu próprio
estilo de governo. Ele era bom, mas já estava velho, sei que posso dar um toque de novidade nesse governo”.

Quero enfatizar algo: o que Deus fala não precisa de retoque, de enfeite algum de nossa parte. Deus é
perfeito e quando Ele nos manda fazer algo, é para fazermos e não para acharmos que podemos melhorar o que Ele
ordenou. Obedecer é não fazer nem mais, nem menos.
Josué mesmo tendo seu líder já morto, não deixou de cumprir uma única palavra daquilo que lhe foi
ordenando. Mas infelizmente, hoje tem muito liderado que nem espera o seu líder virar as costas e já está colocando um
toque seu naquilo que lhe foi pedido fazer. Ou às vezes o liderado até acaba fazendo, mas o seu coração está cheio de
murmuração, reclamação. Acaba repetindo aquela história, em que “Joãozinho” não se levantava quando a professora
fazia a chamada, então a professora conversou com seus pais, que repreenderam Joãozinho. No outro dia quando a
professora o chamou, ele ficou de pé, mas disse consigo mesmo: “Estou em pé por fora, mas por dentro continuo
sentado”.
É assim que muitos se comportam, por fora são submissos, mas por dentro maldizem seus líderes,
murmuram e dizem que se fossem eles os líderes, fariam diferente. Eles acham que podem fazer melhor, que aquela não
é a maneira certa. E não entendem quando olham para seus liderados e vêem neles o mesmo tipo de insubmissão.

Você pode pensar assim: “Um dia eu vou poder fazer tudo do meu jeito, então eles verão quem tem razão”.
Atente para o que vou te dizer agora; você sabia que vontade de andar sozinho e poder decidir tudo por si próprio não é
sinal de maturidade? A Palavra de Deus é quem declara isto:
“O solitário busca o seu próprio interesse e insurge-se contra a verdadeira sabedoria” (Provérbios
18.1).

Quanto mais você cresce diante de Deus, e quanto mais você O conhece, mais vai querer responder a
alguém e estar debaixo da liderança de alguém, estar servindo. Pois ser servo é um segredo.
ARÃO, HUR E MOISÉS

Nosso segundo exemplo é encontrado em Arão e Hur. Observe o que a Palavra de Deus nos revela:
“Fez Josué como Moisés lhe dissera e pelejou contra Amaleque; Moisés, porém, Arão e Hur subiram
ao cimo do outeiro. Quando Moisés levantava a mão, Israel prevalecia; quando, porém, ele abaixava a mão,
prevalecia Amaleque. Ora, as mãos de Moisés eram pesadas; por isso, tomaram uma pedra e a puseram por
baixo dele, e ele nela se assentou; Arão e Hur sustentavam-lhe as mãos, um, de um lado, e o outro, do outro;
assim lhe ficaram as mãos firmes até ao pôr-do-sol. E Josué desbaratou a Amaleque e a seu povo a fio de
espada” (Êxodo 17.10-13).

Aqui vemos um líder cansado. E seus liderados percebem isso, e vão ao auxilio dele; e sustentam as suas
mãos até que a guerra seja ganha. Que coisa tremenda! Mas este quadro nem sempre se repete em nossos dias…
Quantos hoje estão torcendo para que o seu líder se canse rápido a fim de tomar o seu lugar!
Arão e Hur colocaram a pedra em baixo de Moisés, mas hoje muitos querem colocar a pedra em cima!
Deus te chamou para ser como Arão e Hur, sustentar seu líder, poder olhar nos olhos dele e dizer: “Estou aqui para o que
der e vier, conte comigo, quero lavar seus pés”. Não é fácil encontrarmos isso hoje em dia, todos querem ser líderes, mas
nem todos gostam de servir, preferem ser servidos; não gostam de lavar os pés… A maioria quer aparecer, e poucos
aceitam fazer a vontade de Deus na obscuridade, por trás dos bastidores.
OS SOLDADOS DE DAVI

Nosso terceiro exemplo é encontrado nos soldados de Davi. Observe o que as Sagradas Escrituras dizem:
“De novo, fizeram os filisteus guerra contra Israel. Desceu Davi com os seus homens, e pelejaram
contra os filisteus, ficando Davi mui fatigado. Isbi-Benobe descendia dos gigantes; o peso do bronze de sua
lança era de trezentos siclos, e estava cingido de uma armadura nova; este intentou matar a Davi. Porém Abisai,
filho de Zeruia, socorreu-o, feriu o filisteu e o matou; então, os homens de Davi lhe juraram, dizendo: Nunca mais
sairás conosco à peleja, para que não apagues a lâmpada de Israel” (2 Samuel 21.15-17).

Neste texto vemos Davi fatigado, e um gigante tentando matá-lo. Mas também vemos Abisai vindo a seu
socorro, que reflete um princípio importante: nossos líderes não só nos protegem, mas também precisam de nossa
proteção!
Depois vemos os homens de Davi fazendo um juramento de que nunca mais ele sairia à peleja com eles
para que a lâmpada de Israel não se apagasse. Isto nos faz entender que temos que ser liderados com sensibilidade e
discernimento espiritual, para podermos entender quando é hora de batalharmos pelos nossos líderes. Davi tinha matado
um gigante, mas isso não queria dizer que ele é que tinha que matar todo gigante. Ele mostrou aos seus liderados como
matar gigantes também; e na hora que foi necessário, um dos seus liderados mostrou que tinha aprendido como matar
gigantes. Que discernimento dos homens de Davi! Ao dizerem: “Você, ó rei, não sairá mais a peleja, pois você é a
lâmpada de Israel e vamos proteger você”.
Será que você tem tido está postura diante do seu líder? Como tem sido o seu comportamento? Como
você tem ficado quando vê seus líderes cansados?
Lembre-se que aquilo que você semear é o que você colherá!
SEM, CAM E JAFÉ

Nosso quarto exemplo de submissão e honra aos líderes é encontrado na vida de dois dos filhos de Noé:
Sem e Jafé. Observe o que a Bíblia de Deus nos comunica:
“Sendo Noé lavrador, passou a plantar uma vinha. Bebendo do vinho, embriagou-se e se pôs nu
dentro de sua tenda. Cam, pai de Canaã, vendo a nudez do pai, fê-lo saber, fora, a seus dois irmãos. Então, Sem e
Jafé tomaram uma capa, puseram-na sobre os próprios ombros de ambos e, andando de costas, rostos
desviados, cobriram a nudez do pai, sem que a vissem. Despertando Noé do seu vinho, soube o que lhe fizera o
filho mais moço e disse: Maldito seja Canaã; seja servo dos servos a seus irmãos. E ajuntou: Bendito seja o
Senhor, Deus de Sem; e Canaã lhe seja servo. Engrandeça Deus a Jafé, e habite ele nas tendas de Sem; e Canaã
lhe seja servo” (Gênesis 9.20-27).

Esta é uma história conhecida. Noé plantou uma vinha e veio a se embriagar do próprio vinho que a sua
vinha produzira. Cuidado com aquilo que você planta líder, pode ser que lá na frente isso possa te derrubar ou expô-lo.
Cam, vendo que seu pai (líder) estava nu, foi correndo contar a seus irmãos:
“Vocês não vão acreditar, nosso pai (líder) que parecia ser tão certinho, cheio de cuidado, de temor a Deus,
está totalmente nu, e ainda esta falando umas coisas estranhas”.
O que ele falou eu não ouvi, não está está escrito, mas até imagino:
“Venham correndo ver o nosso pai (líder) nu”.

Sem e Jafé, provavelmente comentaram:


“Sem, você se lembra o que a Lei fala sobre descobrir a nudez do pai (líder)”?
E imagino a resposta:
“Claro Jafé, vou indo à frente para não deixar ninguém vê-lo assim, e você providencie rápido um lençol
para cobri-lo”.

Chegando a tenda de Noé, talvez eles tenham se perguntado:


“Como vamos entrar, se não podemos ver o nosso pai (líder) nu”?
Ao que um deles deve ter sugerido:
“Vamos colocar o lençol nas nossas costas e assim entramos de costas para não vê-lo”.
Como você já sabe, foi assim que eles fizeram. Por isso receberam uma promessa de benção e Cam um
promessa de maldição. Quantos ministérios existem hoje, afundando ou já afundados por causa do erro de querer expor
líderes! Quando alguns liderados tomam conhecimento de alguma coisa, já saem em desespero para contar a alguém, e
contam até com um certo gosto em sua boca. Muitas vezes quando vemos alguém errando, em vez te tentar ajudar,
corremos para contar para quantos conseguirmos:
“Fulano caiu”!
E daí surgem outros comentários do tipo:

“Eu já sabia…”
“Eu já desconfiava”,
“Eu não disse que isso ia acontecer?”
Muitas vezes somos tão implacáveis que, se algumas pessoas estivessem debaixo do nosso ministério elas
estariam perdidas. Como Pedro (quando traiu Jesus); Davi (quando adulterou); Noé (quando se embriagou e ficou nu); os
discípulos (por terem abandonado Jesus na hora que ele mais precisava), e muitos outros. Deus perdoa, mas nós somos
implacáveis e, por isso, quando erramos, as pessoas são implacáveis conosco.
Precisamos mudar o nosso conceito de liderança e do que é ser liderado. Precisamos entender que o
segredo é ser servo, e servo de orelha furada.
AS FESTAS JUNINAS

CONSIDERAÇÕES SOBRE A “FESTA DE SÃO JOÃO”

Originalmente o calendário religioso utilizado pela Igreja era uma adaptação dos calendários grego e
romano, e portanto foi bastante influenciado por importantes eventos pagãos.
1. AS FESTIVIDADES RELIGIOSAS.
A partir da Idade Média, o calendário romano foi definitivamente adotado (“cristianizado”) passando a ser
utilizado por toda igreja ocidental, quando foram incluídos a celebração das festas dos “santos” e dos “mártires”. Daí
surgiu o atual “calendário dos santos da Igreja católica” (a Igreja Católica dedica aproximadamente 42 dias no ano a
um(a) santo(a)). Vários grupos protestantes eliminaram completamente o calendário religioso, celebrando apenas alguns
eventos que consideram importantes (ex: Natal).
2. DEFINIÇÃO DE ALGUNS TERMOS:
Santo: No Antigo testamento a palavra hebraica mais usada (cerca de 116 vezes) para descrever “santo” é
“KADOSH”, que significa “separado”. No Novo Testamento a palavra grega para “santo” é “ÁGIOS”, que aparece 230
vezes de Mateus a Apocalipse, e significa “separados pelo Senhor como Sua possessão peculiar”.
“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de
Deus…” (1 Pedro 2.9)

Na Igreja Primitiva todos os crentes eram chamados de “santos”, mesmo quando o seu caráter ainda não
estava completamente formado (ex: At 9.13, 32; 26.10; Rm. 8.27; 12.13; 15.25,26).
“…segundo a vontade de Deus é que Ele (Jesus) intercede pelos santos”. (Romanos 8.27)
“Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, outros
para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a
edificação do Corpo de Cristo”. (Efésios 4.11,12)

Canonização: Dentro do catolicismo romano este é o nome dado ao decreto que inclui uma pessoa na
categoria dos “santos”, os quais são recomendados à veneração dos fiéis. A condição para que a pessoa seja
“beatificada” é que já tenha falecido e que pelo menos dois de “seus milagres” tenham sido confirmados. O papa, então,
proclama a canonização.
De acordo com a teologia romanista, os indivíduos canonizados acumularam um tesouro de méritos,
mediante suas vidas “inculpáveis” e a prática de “boas obras”. Esses méritos em “reserva”, então, podem ser colocados à
disposição de cristãos de menor envergadura, em resposta às orações feitas aos “santos”.

A palavra de Deus declara que existe apenas um Mediador e Intercessor entre Deus e os homens: Jesus
Cristo.
“Porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem”. (1
Timóteo 2.5)
“…o qual está à direita de Deus e também intercede por nós”. (Romanos 8.34)

3. A QUESTÃO DA IDOLATRIA
Idolatria, no grego “EIDOLOLATRIA” significa: “culto aos falsos deuses” ou “adoração de ídolos”. Esta
adoração pode se referir a ídolos ou imagens propriamente ditas, ou então a tudo aquilo que porventura ocupe o lugar de
Deus no coração do homem. Por que Deus abomina qualquer tipo de idolatria?
- Sl 115.4-7; 1 Co 8.4 – A Bíblia afirma que o ídolo em si é apenas um pedaço de madeira, pedra, etc.,
esculpido por mãos humanas, que nenhum poder tem em si mesmo.

- Êx 20.3-5; Is 42.8 – O nosso Deus não divide a sua Glória com ninguém.
- Ez 14.3,4 – Note que há ídolos que levantamos em nossos corações (ex: avareza: Cl 3.5). Precisamos
identificá-los e renunciar a sua força em nós.
- Dt 18.9-12; Is 8.19,20 – O ato de comungar com pessoas que já morreram ou idolatrá-las está ligado à
prática do espiritismo, magia negra, leitura de sorte, feitiçaria, bruxaria, etc. Segundo as escrituras, todas estas práticas
envolvem submissão e culto aos demônios, e são abomináveis ao Senhor.
OBS: a definição da Enciclopédia Britânica (BARSA) para FESTA RELIGIOSA é: Um dia consagrado à
memória ou à comemoração de um evento histórico religioso.
- Dt 32.17; Sl 106.36; 1 Co 10.20,28 – Por traz de cada ídolo há demônios que estão agindo, os quais são
seres sobrenaturais controlados pelo Diabo. Noutras palavras, o poder que age por detrás da idolatria é o dos demônios.
Ex: Alguns “santos” da Igreja Católica e sua correlação com entidades espíritas:
- Iemanjá x Senhora Aparecida.
- Xangô x São Jerônimo.

- Oxossi x São Sebastião.


- Iorí x Cosme e Damião.
4. A CELEBRAÇÃO DO “DIA DE SÃO JOÃO”
Registros históricos declaram que no século sexto, missionários foram enviados para o norte da Europa
para juntar pagãos ao grupo romano. Eles descobriram que o dia 24 de junho era muito popular entre esses povos, pois
era quando ocorria o solstício de verão (solstício: época em que o sol afasta-se o máximo possível da linha do equador).
Procuraram, então, cristianizar este dia, mas como? Por esse tempo o 25 de dezembro havia sido adotado pela igreja
romanista como o natalício de Cristo. Desde que 24 de junho era aproximadamente seis meses antes de 25 de
dezembro, por que não chamar este o natalício de João Batista? João nasceu, devemos lembrar, seis meses antes de
Jesus (Lc. 1:26,36). Assim sendo, o dia 24 de junho passou a ser conhecido no calendário papal como sendo o Dia de
São João.

Na Bretanha (Inglaterra), antes da entrada do cristianismo, o 24 de junho era celebrado pelos druidas com
fogos de artifícios em honra ao deus Baal. Quando este dia tornou-se dedicado a São João, os fogos sagrados também
foram adotados e tornaram-se “as fogueiras de São João”!
Ainda hoje o dia 24 de junho é largamente celebrado na Escandinávia, na Alemanha e na Finlândia com
fogueiras pagãs. A história relata que até o século passado os camponeses da Finlândia praticavam encantamentos
mágicos durante o solstício de verão, a fim de obterem maior fertilidade nos animais.

No Brasil as “festas juninas” são realizadas em todo o país no mês de junho (daí o nome “juninas”, e
culminam no Dia de São João). O principal momento da festa é a quadrilha, em que vários casais vestidos de caipira
encenam uma cerimônia de casamento (que normalmente não acontece).
CONCLUSÃO:
1. NÃO PODEMOS AGIR COMO IGNORANTES (Ingênuos, imprudentes, néscios) – Ef 6.2; Ef 5.15; 2 Co
2.11; Ef 4.27
2. SE TEMOS O CONHECIMENTO DE QUE ALGO É CONSAGRADO A ÍDOLOS, DEVEMOS NOS
ABSTER – 1 Co 10.27,28; 2 Co 6.14-17; Ef 5.11
3. TEMOS A RESPONSABILIDADE DE ENSINAR NOSSOS FILHOS A SE POSICIONAREM – Não
podemos transferir para a Igreja a responsabilidade que é nossa – Dt 6.3-9; Pv 22.6
4. PRECISAMOS FUGIR DE TODA A APARÊNCIA DO MAL – 1 Co 10.23-33; Pv 6.28
PÁSCOA X COELHOS E OVOS
Infelizmente, porém, essa data na maioria das vezes é lembrada pelas famílias, inclusive cristãs, apenas
pela distribuição de coelhos e ovos de chocolate, ou porque desconhecem o seu verdadeiro significado bíblico, ou porque
preferem fazer-se de “inocentes”, a fim de evitarem maiores conflitos com os filhos, amigos ou familiares, que sempre
insistem em dizer: “não há nenhum problema…”; “são apenas símbolos inocentes…”; “afinal de contas, todos praticam
desta forma…”.
Na tentativa de “cristianizar” uma prática que nada tem a ver com o verdadeiro sentido bíblico da festa da
Páscoa, instituída pelo próprio Deus, muitos artifícios são utilizados para deturpar verdades simples de Sua palavra.
Alguns até “espiritualizam”, dizendo que o coelho, devido à sua grande fecundidade, simboliza a Igreja, que recebeu de
Deus a capacidade de gerar muitos discípulos. Vale lembrar que no Antigo Testamento bíblico, o coelho era tido como
animal impuro. Ao seu lado, dizem eles, vem o ovo que é símbolo de ressurreição, pois contém vida dentro de si que
apenas aguarda o momento de ser revelada, fazendo alusão ao sepulcro de Cristo. Assim, o ovo de chocolate é lembrado
como o túmulo que se abriu para a ressurreição de Cristo. As pinturas em cores brilhantes que acompanham as
embalagens dos ovos de chocolate representariam a luz solar. Que engano!

Mas, como surgiram esses símbolos? Historiadores retratam o surgimento do coelho como símbolo a partir
de festividades praticadas anualmente pelos egípcios no início da primavera, que utilizavam o animal como representação
de nascimento e nova vida. Ao longo da história observamos que o coelho passou a ocupar o status de símbolo máximo
na festa da Páscoa, em detrimento daquele que deveria estar no centro das atenções, Jesus Cristo, o CORDEIRO de
Deus. Já os ovos começaram a ser dados como presentes pelos persas e egípcios. Os primeiros acreditavam que a terra
teria saído de um ovo gigante, e os egípcios costumavam tingir os ovos com cores primaveris, acreditando que isso
transmitiria boa sorte. Os cristãos primitivos da Mesopotâmia foram os primeiros a usar ovos coloridos especificamente na
Páscoa. Mais tarde, a própria Igreja Romana foi introduzindo outros elementos simbólicos que nada tinham a ver com as
origens bíblicas da celebração da Páscoa (Ex: Velas, que passou a significar “Cristo, a luz dos povos”).
A leitura do livro de Êxodo, capítulo 12, no Antigo Testamento nos mostra a verdadeira origem e significado
dessa festa tão importante no calendário judaico e cristão. Depois de o povo de Israel passar mais de quatrocentos anos
de escravidão no Egito, Deus decidiu libertá-lo. Para isso suscitou um libertador, Moisés, que transmitiu a ordem divina:
“Deixa ir o meu povo”. Como faraó rejeitou a ordem de Deus, este enviou sobre a terra do Egito dez pragas, a fim de
quebrantar-lhe o coração. Chegou a hora da décima e última praga, aquela que não deixaria aos egípcios nenhuma
alternativa senão a de lançar fora os israelitas. Deus enviou um anjo destruidor através da terra do Egito para eliminar
“(…)todos os primogênitos, desde homens até animais(…)” (Ex 12.12).

Visto que os israelitas também habitavam no Egito, como poderiam escapar do anjo destruidor? O Senhor
emitiu uma ordem específica ao seu povo; a obediência a essa ordem traria proteção divina a cada família dos hebreus,
com seus respectivos primogênitos. Cada família deveria tomar um cordeiro macho de um ano de idade, sem defeito e
sacrificá-lo; famílias menores poderiam repartir um único cordeiro entre si (12.4). O mais importante viria a seguir: Parte
do sangue do cordeiro sacrificado deveria ser aspergido nas duas ombreiras e na verga da porta de cada casa. Quando o
anjo destruidor fosse enviado àquela terra, ele apenas “passaria por cima” das casas marcadas com o sangue, sem tocar
mortalmente nos primogênitos. Daí o termo Páscoa, do hebraico “pesah”, que significa “passar ou saltar por cima”, “pular
além da marca” ou “poupar”. Assim, pelo sangue do cordeiro morto, os israelitas foram protegidos da condenação da
morte. Deus ordenou o sinal do sangue para mostrar profeticamente ao seu povo o que aconteceria centenas de anos
mais tarde, quando Jesus derramaria o seu sangue na cruz do calvário para libertar o mundo do poder do pecado.
Naquela noite específica, além de marcar as casas com o sangue, os israelitas deveriam também comer
ervas amargas e pães asmos (sem fermento). As ervas amargas representariam os anos de sofrimento que o povo havia
passado no Egito, enquanto que o pão asmo representava o próprio Jesus, o pão vivo que haveria de descer do céu (Jo.
6.48,51,58) sem o fermento do pecado. Além disso, os israelitas deveriam estar vestidos e preparados para partir
apressadamente (12.11), pois esta seria a noite de sua libertação da escravidão do Egito. Tudo aconteceu conforme o
Senhor dissera (12.29-36) e a partir daí, o povo de Israel passou a celebrar a Páscoa como uma festa perpétua, um
memorial, todos os anos na primavera.

O fato de Jesus, muitos anos mais tarde, ter morrido exatamente durante a celebração da festa da Páscoa
não aconteceu apenas por coincidência, mas para cumprir um propósito profético de Deus. Jesus foi o nosso “Cordeiro
Pascal”, enviado por Deus para tirar o pecado do mundo (Jo. 1:29). Não podemos, portanto, denegrir a importância de tão
grande sacrifício, cujo sangue precioso foi aspergido, não nas portas de algumas casas, mas nos nossos corações,
possibilitando-nos desfrutar de uma vida abundante, longe da escravidão do Egito (mundo) e da tirania de faraó
(Satanás).

Mas, como agir com nossos filhos, que estão inseridos numa cultura que quase sempre valoriza apenas o
imediato? Como podemos nos posicionar contra um valor, muitas vezes alimentado pela nossa sociedade, que não tem
nada a ver com os valores cristãos?
Amados, se temos a consciência de que ovos e coelhos de chocolate nada têm a ver com a celebração da
Páscoa, como homens e mulheres de Deus temos que nos posicionar incutindo a verdade nos corações dos nossos
filhos. É claro que precisamos agir com sabedoria perante os familiares que não conhecem a Palavra de Deus, que em
momentos assim presenteiam os nossos filhos, com a melhor das intenções. Outro lugar onde a pressão é grande sobre
os nossos filhos é na escola, através dos amigos e até mesmo dos professores. Sendo assim, se necessário for, dê a
eles uma barra de chocolate para que saciem sua vontade. Uma coisa é ganharmos algo dado com carinho por alguém
que não possui o entendimento bíblico e outra é nós mesmos nos tornarmos cúmplices e propagadores de uma mentira
como se fosse verdade (Is. 5.20,21), vivendo uma vida de faz-de-conta!
É muito importante que os nossos filhos entendam desde pequenos que nós temos feito uma opção de não
viver uma vida apenas de “aparências” perante nossos familiares e amigos e que esse estilo de vida tem um preço. É
hora de assumirmos nosso papel de pais não deixando escapar cada oportunidade. É hora de ensiná-los que a mentira
dos “ovos de chocolate e dos coelhos felpudos” de páscoa, tão difundida pela mídia consumista e materialista, precisa ser
combatida por todos aqueles que não desejam negociar o inegociável, nem baixar os seus padrões bíblicos.
DÍVIDA DE GRATIDÃO
Em 1993 eu vivi uma experiência marcante em Itajaí, no Estado de Santa Catarina. Eu estava na praia com
um grupo de irmãos, depois de pregar num encontro de igrejas, e eu ouvi alguém gritando por ajuda. O pedido de socorro
vinha de um lugar de onde havíamos acabado de sair, por conselho de um morador local que nos acompanhava. Ele nos
orientou que, com a maré do jeito que estava (com a praia estando inclusive sinalizada com bandeiras vermelhas
indicando o perigo), em pouco tempo teríamos dificuldades para sairmos de lá. Portanto, prontamente o ouvimos e fomos
a um local mais raso e mais seguro. Ao ouvir os gritos do rapaz que estava em apuros, nadei em sua direção, para ajudá-
lo a sair da água, enquanto os outros irmãos foram chamar os salva-vidas. Com muito esforço eu consegui trazê-lo até a
metade do caminho. Foi o suficiente para que os bombeiros tivessem o tempo de entrarem na água e tirarem a ele e a
mim, pois eu também já me encontrava completamente exausto!
Lembro-me que, ao sair do mar e conseguir chegar até a praia, eu tive que me deitar para recobrar o fôlego
e as forças. Enquanto eu ainda estava deitado na areia, os amigos daquele rapaz que eu ajudei a salvar o trouxeram
carregado (ele também não tinha forças para andar) e o colocaram na minha frente, dizendo: “Agradece à pessoa que te
salvou!”

Eles ficaram tão tocados com o fato de termos salvado o seu amigo que não aceitavam a idéia de que ele
não havia agradecido ainda, mesmo que ele, assim como eu, mal conseguisse colocar-se em pé! O que aconteceu nesta
ocasião é o tipo de coisa que eu denomino “dívida de gratidão”. Assim sendo, aproveitei para pedir-lhe algo em sinal de
gratidão a Deus (que foi de fato quem poupou a vida dele): que ele fosse a uma igreja evangélica e entregasse o seu
coração ao Senhor Jesus Cristo!

A maioria de nós carrega no coração um sentimento especial por pessoas que nos ajudaram em momentos
de necessidade ou que serviram de apoio e suporte em horas difíceis. Recordar o que fizeram por nós dispõe o nosso
coração a desejar retribuir e fazer algo em troca.
Quando falamos de amor ao Senhor na dimensão que Ele quer é natural o desejo de crescermos e
amadurecermos neste amor. Assim que eu comecei a entender a importância desta manifestação mais intensa de amor,
eu também comecei a procurar meios de fazer com que o meu amor aumentasse.

Jesus nos falou sobre o que leva as pessoas a amarem mais, ou menos, e fez uma relação disso com a
compreensão do Seu perdão estendido a cada um de nós. Assim sendo, eu afirmo que a compreensão da dimensão do
que o Senhor fez por nós nos leva a uma manifestação maior de amor para com Ele. Por outro lado, uma compreensão
limitada do que Ele fez por nós nos prende a uma manifestação igualmente limitada de amor e gratidão. Foi neste
contexto que Deus fez com que eu compreendesse o texto a seguir, como também o poderoso princípio nele embutido: a
dívida de gratidão!
“E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu,
levou um vaso de alabastro com unguento; e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas
lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o unguento. Ao ver isto, o
fariseu que o convidara disse consigo mesmo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe
tocou, porque é pecadora. Dirigiu-se Jesus ao fariseu e lhe disse: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. Ele
respondeu: Dize-a, Mestre. Certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários, e o outro,
cinquenta. Não tendo nenhum dos dois com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Qual deles, portanto, o amará
mais? Respondeu-lhe Simão: Suponho que aquele a quem mais perdoou. Replicou-lhe: Julgaste bem. E,
voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés;
esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. Não me deste ósculo; ela,
entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta, com
bálsamo, ungiu os meus pés. Por isso, te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito
amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama. Então, disse à mulher: Perdoados são os teus pecados.
Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este que até perdoa pecados? Mas Jesus
disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz.” (Lucas 7.37-50)
CONTRASTES

Temos nesta história duas personagens bem distintas. De um lado, representando a dedicação à religião,
temos um fariseu, um membro da mais rígida casta religiosa dos judeus. Do outro lado, como expressão da distância de
Deus aos olhos dos homens, temos uma mulher chamada de “pecadora”, provavelmente uma prostituta. Os contrastes
não param aí. Simão era o dono da casa, o anfitrião da festa, e tinha todo direito de estar lá. A mulher, no entanto, causou
indignação nos presentes por causa do que era, e certamente apareceu por lá sem ter sido convidada. Simão agiu da
forma mais polida e discreta possível, mas aquela mulher pecadora foi um escândalo diante das pessoas presentes.
Aos olhos daquelas pessoas, a grande diferença entre ambos era definida pelo pecado que se via (ou não)
em suas vidas. Resumindo-se, as diferenças eram definidas pela aparência. Aos olhos de Jesus, os contrastes
continuavam, mas, pela Sua explicação, percebemos que os papéis de “herói” e “vilão” se invertiam. O Senhor disse que
esperava ter recebido um ósculo de Simão, mas ele não fez isto. Esta prática era um sinal de respeito, e Simão o
negligenciou. Não sabemos a razão, mas ele não fez o que Jesus esperava. Contudo, a mulher desconhecida não
cessava de beijar os Seus pés. Simão não lavou os pés de Jesus e nem mandou que um dos seus servos o fizesse, mas
a pecadora os regou com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. Simão não ungiu a Jesus com óleo, mas a mulher
usou um perfume caríssimo para executar tal tarefa. Simão não se via como um pecador necessitado da graça e do
perdão de Deus, mas a mulher sim!

Aos olhos de Jesus, a grande diferença entre ambos era definida pelo amor e gratidão que se via (no caso
da mulher) ou não (no caso do fariseu) em suas vidas. E a diferença vista por Jesus – que não se baseava na aparência
– anulava completamente a diferença percebida pelos homens, uma vez que as acusações de pecado que poderiam
fazer contra aquela mulher foram completamente removidas pelo perdão de Deus que foi estendido a ela.
A QUEM MUITO SE PERDOA

É natural, como já afirmamos, esperar-se que uma pessoa se sinta em dívida com uma outra que lhe
ofereceu uma grande ajuda. Todos nós sabemos o que é isto, de uma maneira ou de outra. Como pastor, eu sigo a ética
pastoral convencional de nunca ser fiador de ninguém, pois a reputação do ministério pode ser facilmente destruída pelo
erro de alguém que possa usar o meu nome indevidamente, sem que eu possa fazer nada a respeito. No entanto,
recordo-me de uma vez em que avalizei um irmão em Cristo muito querido para mim. O valor era muito alto para a minha
condição financeira, e, se ele tivesse problemas com o pagamento da sua dívida, eu poderia até mesmo perder a minha
casa. Ainda assim, eu e a minha esposa fizemos por ele o que não faríamos por quase ninguém, por uma única razão:
dívida de gratidão! Todas as vezes que eu precisei de um aval ou de qualquer tipo de ajuda, ele era o primeiro a oferecer-
se. Ele sempre se importou comigo e foi uma grande bênção para mim. Assim sendo, com a anuência da minha esposa,
tomei a decisão de avalizá-lo, mesmo que isto pudesse nos custar a casa que possuíamos!
A maioria de nós sabemos, por experiência própria, o que é sermos ajudados pelas pessoas a ponto de
carregarmos no coração uma grande gratidão pelo que recebemos delas. Este princípio é algo natural, que se manifesta
na vida de qualquer um que tenha consciência, quer seja um crente ou um incrédulo. E o Senhor Jesus o aplicou a nós.
Ele disse que quando entendemos o Seu perdão e a dimensão dos pecados que Ele removeu das nossas vidas, ficamos
naturalmente gratos e O amamos mais. Ele falou sobre dois devedores, com dívidas distintas e que foram perdoados. No
entanto, um deles devia dez vezes mais do que o outro, e ficou mais agradecido. E, em Seu ensino, Jesus revela que a
gratidão não está ligada meramente ao perdão da dívida, e sim à consciência da dimensão (do tamanho) do perdão. Isto
fica muito claro em Sua afirmação àquela mulher: “Por isso, te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque
ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama.”
REMOVENDO O ENGANO

Hoje, este trecho das Escrituras abençoa muito o meu coração e faz com que eu cresça na expressão do
meu amor a Deus, mas nem sempre foi assim! Este mesmo texto já trouxe muitas dúvidas e conflitos ao meu coração!
Eu tive o grande privilégio de nascer num lar genuinamente cristão. O meu primeiro presente foi uma Bíblia.
Desde cedo fui ensinado, tanto em casa como na igreja, a seguir os princípios da Palavra, e eu decidi seguí-los. Não
cresci me achando santo ou perfeito, mas me afastei de tudo o que, aos meus olhos, eu considerava ofensivo a Deus.
Nunca fiquei embriagado ou drogado, nunca traí ninguém, nem em amizades ou namoro, nunca roubei, e sempre fugi da
prostituição. Eu me considerava alguém separado para Deus, mas, cada vez que eu lia esta passagem bíblica, eu entrava
num conflito interior.
Por muitas vezes o Diabo sugeriu que eu jamais entenderia o amor e o perdão de Deus sem pecar. Eu me
flagrava pensando que eu nunca amaria ao Senhor como os “ex-malucos” que víamos se convertendo. De fato eu tenho
visto muitos que saíram do mais profundo abismo de drogas, alcoolismo, prostituição, magia, e de tudo o que degrada o
ser humano. Eles, como Jesus disse, carregam uma profunda consciência do perdão de Deus e caminham na
consciência da dívida de gratidão que possuem para com Ele.
Contudo, o Maligno me levava a pensar que, semelhantemente a Simão, que foi criado segundo a verdade
da Palavra de Deus e a seguiu, eu nunca valorizaria a obra de Cristo em minha vida! É evidente que, com tais
pensamentos, Satanás não queria me ensinar a amar mais profundamente a Deus. Eu sabia que o que ele de fato queria
era desviar-me do Senhor, e eu nunca lhe dei ouvidos, mas eu não conseguia ter o entendimento do ensino de Jesus.
Enganado, passei a considerar que o que antes me parecia ser um privilégio poderia ser um impedimento para que eu
pudesse verdadeiramente amar ao Senhor. Mais tarde, descobri que este dilema não era somente meu. Até hoje, quando
ensino sobre isto, muitos crentes que nasceram e cresceram no Evangelho me confidenciam que tinham o mesmo
questionamento.
Satanás tenta promover o engano por meio da distorção dos princípios bíblicos. Vemos isto claramente na
tentação de Jesus no deserto. O Inimigo tentou distorcer a aplicação do Salmo 91, no que dizia respeito à proteção dos
anjos. Eu lutei contra estas setas de engano no que diz respeito à afirmação de Jesus de que quem muito é perdoado
muito ama. Eu sabia que a Palavra de Deus é perfeita e nunca erra. Eu sabia também que eu não poderia desviar-me.
Assim sendo, comecei a achar que este princípio era um pouco injusto, pois, na limitação do meu entendimento, eu
achava que eu estava sendo impedido de amar profundamente ao Senhor e que Ele havia privilegiado os rebeldes e
desobedientes, ao invés dos que tentam honrá-Lo por meio da obediência! Um dia, finalmente, Deus me respondeu e
removeu o engano que oprimia o meu coração!
O QUE JESUS QUIS DIZER COM “MUITOS PECADOS”?

Deus fez com que eu visse e compreendesse um princípio em Sua Palavra: Jesus reconheceu que aquela
mulher havia sido perdoada dos seus “muitos pecados”, e isso me levava a crer que Cristo concordava com o fato de que
ela era mais pecadora do que Simão, pois Ele mesmo falou sobre dois devedores com dívidas diferentes. Tiago, no
entanto, mostrou-nos em sua epístola um princípio normalmente pouco entendido pelos crentes:
“Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos.
Porquanto, aquele que disse: Não adulterarás também ordenou: Não matarás. Ora, se não adulteras, porém
matas, vens a ser transgressor da lei.” (Tiago 2.10,11)

Quem tropeça num só ponto da Lei tropeça em todos. Aos olhos de Deus, todo tipo de pecado é pecado.
Todos eles produzem separação entre nós e Deus (Is 59.1,2). É lógico que as consequências são diferentes, mas, para
efeito de separação de Deus e necessidade de perdão, todos os pecados são iguais! Observe o que Cristo ensinou:
“Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher
com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.” (Mateus 5.27,28)

O Senhor Jesus afirma que a cobiça dos olhos nos faz tão imorais quanto os que julgamos adúlteros.
Contudo, não podemos pressupor que, se porventura tivermos pecado com os olhos, não haverá razão para
interrompermos este processo antes de se tornar um adultério com envolvimento físico. Os dois “tipos” de adultério são
pecado, mas as consequências de cada um são diferentes. Contudo, no que tange à contaminação do homem e à sua
separação de Deus, os dois “tipos” de pecado produzem o mesmo efeito!
Ao escrever aos romanos, mostrando que não havia distinção entre judeus e gentios, Paulo declarou que,
independentemente do quanto conheciam a Lei, todos se encontravam numa mesma condição:
“Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos
demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo,
nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram
inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.” (Romanos 3.9-12)

A Bíblia encerrou todos os homens, independentemente do que cada um tenha feito, sob a mesma
condenação do pecado:
“Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo
o mundo seja culpável perante Deus, visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de
que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.” (Romanos 3.19,20)

Eu creio que a razão pela qual Deus lidou com essas coisas dessa maneira é uma só, e Paulo fala sobre
isso: “ a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus” (1 Co 1.29). Nenhum de nós pode orgulhar-se de nada.
Ninguém pode discutir sobre quem é mais pecador ou sobre quem merece a atenção e a justificação de Deus. Jesus
também ensinou o seguinte sobre isto:
“Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos,
e desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro,
publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não
sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas
vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem
ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que
este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se
humilha será exaltado.” (Lucas 18.9-14)

Diante de tudo isto que Jesus declarou sobre o pecado, como também sobre a forma de os homens verem
a si mesmos e à sua própria condição miserável diante de Deus, comecei a entender que Ele não poderia ter afirmado
que Simão, o fariseu, era menos pecador do que aquela mulher. Na verdade, aparentemente Ele chegou a afirmar o
contrário em outros momentos do Seu ensino:
“E que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Chegando-se ao primeiro, disse: Filho, vai hoje
trabalhar na vinha. Ele respondeu: Sim, senhor; porém não foi. Dirigindo-se ao segundo, disse-lhe a mesma
coisa. Mas este respondeu: Não quero; depois, arrependido, foi. Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram: O
segundo. Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de
Deus. Porque João veio a vós outros no caminho da justiça, e não acreditastes nele; ao passo que publicanos e
meretrizes creram. Vós, porém, mesmo vendo isto, não vos arrependestes, afinal, para acreditardes nele.”
(Mateus 21.28-32)

Cristo ensinou sobre o mantermos as aparências e sobre a verdadeira obediência. Ele mostrou que, assim
como para aquele pai não interessava o fato de a resposta inicial ser agradável ou não, e sim o que os filhos fizessem
depois, assim também é no Reino de Deus. Alguns dizem “sim” depressa, mas tornam-se religiosos e posteriormente não
demonstram uma obediência permanente, vindo a pecar com uma aparência de obediência. Outros, por outro lado,
demoram a dizer “sim”. No início somente dizem “não” e se rebelam, mas depois demonstram que possuem a capacidade
de se arrependerem e mudarem o seu posicionamento no sentido de obedecerem ao pai.
A declaração de Jesus foi muito forte! Ele disse que publicanos e prostitutas entrariam antes dos fariseus
no Reino de Deus. Este contraste também é aplicável no caso de Simão e da mulher pecadora. Portanto, concluímos que
o Senhor Jesus não estava comparando a “ficha corrida” de cada um, nem Se referindo ao volume de pecados que cada
um tinha aos olhos de Deus. A chave do entendimento deste texto é sabermos que, ao falar de dívida maior e menor, de
muitos e poucos pecados, Cristo está, na verdade, falando da forma como cada um vê a si mesmo, da capacidade de
enxergarmos muito ou pouco dos nossos próprios pecados!
E esta não foi a única vez que Jesus agiu assim ao falar sobre o pecado e a nossa necessidade de Deus.
Outra afirmação de Cristo confirma a diferença que há, especialmente neste contexto dos diferentes pecados dos fariseus
e dos publicanos:
“Os fariseus e seus escribas murmuravam contra os discípulos de Jesus, perguntando: Por que
comeis e bebeis com os publicanos e pecadores? Respondeu-lhes Jesus: Os sãos não precisam de médico, e
sim os doentes. Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento.” (Lucas 5.30-32)

Jesus chamou os pecadores de doentes e disse que eles precisavam de um médico (um “salvador”).
Contudo, Ele chamou os fariseus de sãos e disse que eles não precisavam de um médico (um “salvador”). A “doença”
aqui é o pecado, e o “médico” é Jesus, na condição de Salvador. Porém, ao chamar os fariseus de sãos, Cristo não quis
dizer que eles não haviam pecado, pois todos são pecadores. Jesus Se referia à maneira pela qual eles se viam aos seus
próprios olhos!
Esta é a chave para entendermos o que o Senhor ensinou sobre “devermos muito ou devermos pouco”. Na
verdade, isto não se refere à maneira como Deus nos vê, e sim à maneira como nós mesmos nos vemos! Não interessa o
quanto pecamos e erramos em nossas vidas, e sim o quanto conseguimos enxergar das nossas próprias faltas e nos
arrependermos!
OLHANDO PARA A VIDA DE PAULO

A prova disto pode ser vista na vida de Paulo. Ele também foi alguém que cresceu “certinho”, sem cometer
grandes ofensas contra Deus:
“Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne,
eu ainda mais: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus;
quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível.”
(Filipenses 3.4-6)

Ele declarou de forma enfática que, segundo a justiça que há na Lei Mosaica, ele viveu de forma
irrepreensível. Portanto podemos dizer que ele se encontrava numa condição semelhante à minha de talvez pensar que
jamais chegaria a amar tanto ao Senhor, pelo fato de não ter sido perdoado por Deus de uma dívida de pecado muito
grande! No entanto, Paulo nunca agiu nem pensou desta maneira!
Podemos vê-lo demonstrando um grande amor pelo Senhor, não apenas pelo que fez (ele foi o apóstolo
que mais trabalhou para Deus), mas também pelo que falou e ensinou à Igreja:
“Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos
morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que
por eles morreu e ressuscitou.” (2 Coríntios 5.14,15)

Com base na afirmação de Jesus, que abordamos desde o início deste estudo, de que quem muito é
perdoado também muito ama, eu faço a seguinte pergunta: “Será que Paulo poderia ter demonstrado um amor tão grande
como demonstrou, sem a consciência de ter sido perdoado de uma dívida igualmente grande?” Não! Na verdade, ele
tinha esta consciência! Ele se via como o pior de todos os pecadores:
“Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os
pecadores, dos quais eu sou o principal. Mas, por esta mesma razão, me foi concedida misericórdia, para que,
em mim, o principal, evidenciasse Jesus Cristo a sua completa longanimidade, e servisse eu de modelo a
quantos hão de crer nele para a vida eterna.” (1 Timóteo 1.15,16)

Isto nos mostra que, ao falar sobre uma “grande dívida”, Jesus estava Se referindo à capacidade de
entendermos a gravidade dos nossos pecados e de nos arrependermos. Sabemos que Paulo, como alguém que viveu de
forma irrepreensível no tocante à Lei de Moisés (que era extremamente rígida), não foi um devasso, nem um ladrão, ou
tampouco um bêbado, ou outras coisas que o rotulariam como um “grande pecador”. Contudo, ele se via assim, em
função da sua rendição à ação do Espírito Santo e por desejar experimentar um profundo arrependimento.
ENXERGANDO AS NOSSAS FALTAS

Esta é a chave! Ao falar sobre os “muitos pecados” daquela mulher na casa de Simão, Jesus não Se referia
ao fato de que ela era uma prostituta, e sim que ela enxergou profundamente a sua dívida para com Deus.
No momento em que Deus me deu este entendimento, Ele também me mostrou a minha vida sob um outro
ponto de vista. Ele fez com que eu visse a minha sujeira e as minhas misérias! Ele fez com que eu visse que, se eu cresci
perto d’Ele, isto não aconteceu devido a uma ausência de rebeldia em meu íntimo, mas porque, além de eu haver
recebido instruções e ensinos bíblicos, eu também tive muitas orações e intercessões cobrindo a minha vida!
O Senhor fez com que eu visse quantas vezes eu quase me desviei d’Ele, e que essas batalhas foram
ganhas pelos meus pais com orações intercessórias a meu favor. O Senhor fez com que eu visse os sentimentos,
pensamentos, julgamentos e inclinações carnais que de tal maneira ainda existem em mim que eu me senti o mais
miserável e pecador de todos os homens!
Aí então eu comecei a entender também porque o Diabo tenta nos transformar em pessoas religiosas e
espiritualmente orgulhosas. Comecei a perceber que, quando os nossos corações perdem a capacidade de serem
sensíveis a Deus e de se arrependerem, perdemos também a capacidade de crescermos em amor ao Senhor.
Jesus nos mostrou que temos grandes dificuldades em enxergarmos as nossas próprias faltas, muito
embora tenhamos facilidade de enxergarmos os erros dos outros:
“Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu
próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita!
Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão.” (Mateus
7.3-5)

Muitas vezes não enxergamos as nossas misérias porque não permitimos que o Senhor as mostre a nós.
Mas, se começarmos a entender pelo Espírito de Deus (que nos convence do pecado) a dimensão dos nossos erros e
pecados e verdadeiramente nos arrependermos perante o Senhor, então a consciência de tudo o que Ele nos fez encherá
as nossas almas de gratidão, e acontecerá uma verdadeira revolução em nosso íntimo. Tiago desafiou os crentes de
seus dias a praticarem o arrependimento, enxergando as suas faltas:
“Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Limpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo,
purificai o coração. Senti as vossas misérias, e lamentai, e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso
gozo, em tristeza. Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará.” (Tiago 4.8-10)

O que é “sentir as nossas misérias”? É permitirmos que Deus faça com que enxerguemos a gravidade dos
nossos pecados e nos aflijamos por eles!
O tamanho do nosso pecado e da nossa dívida não pode ser medido apenas pelas coisas que fizemos
contra Deus, e sim pela forma como enxergamos (ou não) o que fizemos!
A CONSCIÊNCIA DO QUE CRISTO FEZ POR NÓS

Uma vez que temos a capacidade de vermos os nossos erros e pecados, também precisamos ser capazes
de olharmos para a Cruz e para o sacrifício de Cristo, para assim nos mantermos conscientes do que Ele fez por nós!
Paulo dizia que o amor de Cristo o “constrangia” (2 Co 5.14). Quanto mais ele enxergava o amor de Deus
em contraposição aos seus erros, tanto mais gratidão ele percebia brotando dentro de si. O Senhor não quer que nenhum
de nós se esqueça do que Ele fez. Esta é a razão da Ceia Memorial que Ele instituiu, como escreveu o apóstolo Paulo:
“Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi
traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em
memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a
nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque, todas as
vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha.” (1 Coríntios
11.23-26)

Ao cearmos, anunciamos a Sua morte, até que Ele volte. Ao comermos o pão e bebermos do cálice em
memória de Cristo, mantemo-nos conscientes do sacrifício que nos remiu!
Precisamos viver nesta esfera de consciência do que Jesus fez! Esta é a melhor forma de alimentarmos o
nosso amor por Ele. Os cânticos do Apocalipse são um retrato claro de que esta ênfase de gratidão durará para todo o
sempre! A morte de Cristo por nós parece ser uma das maiores ênfases no louvor e adoração lá na glória:
“E entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste
morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o
nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra. Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao
redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares,
proclamando em grande voz: Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força,
e honra, e glória, e louvor.” (Apocalipse 5.9-12)
“Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações,
tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas
nas mãos; e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence
a salvação.” (Apocalipse 7.9,10).
De modo semelhante, também precisamos aprender a recordarmos constantemente o que Cristo fez por
nós! Se aprendermos a viver com esta consciência, tudo será diferente! O nosso amor aumentará, e assim passaremos a
viver com uma permanente dívida de gratidão com Deus!
OBEDIÊNCIA TOTAL
Eu fico impressionado com a atual geração de crentes. Creio que nunca tivemos tanto conhecimento
bíblico, tantas informações, e tanta revelação das Escrituras. Entretanto, como disse certo pregador, “temos nos tornado
numa geração de crentes ‘cabeções’; a cabeça cheia de teoria desenvolveu-se, mas o corpo limitado a tão pouca prática
da Palavra atrofiou-se!”
Precisamos entender o que Deus espera de nós. Não estou falando contrariamente ao ensino que tem sido
oferecido à nossa geração, pois creio que é um privilégio recebermos o que temos recebido. Eu aguardo o dia em que se
cumprirá a palavra divina, segundo a qual, assim como as águas cobrem o mar, assim também toda a terra se encherá
do conhecimento da glória de Deus! Quanto mais intensamente a Palavra de Deus for pregada e ensinada, melhor! O
nosso erro não está em recebermos os ensinos, mas em não fazermos o que deveria ser feito com relação ao que temos
recebido nesses ensinos!
“Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?” – Lucas 6.46

Observe que a nossa confissão de Jesus Cristo como Senhor das nossas vidas é a essência do nosso
recebimento da salvação pela fé (Rm 10.9,10). Não O chamamos de “Senhor” como um mero título! É este
reconhecimento do senhorio de Cristo, o ato de nos rendermos ao Seu governo sobre as nossas vidas, que nos introduz
no Reino de Deus! A palavra “senhor” significa “amo”, “dono”. Para nós hoje, que não vivenciamos a realidade da
escravatura, este significado pode ser diferente, mas os discípulos de Jesus e todas as demais pessoas dessa época
conheciam bem este termo! Portanto, todos sabiam que o reconhecimento de Jesus como “Senhor” significava a decisão
de obedecê-Lo!
CHAMADOS À OBEDIÊNCIA

Desde a primeira vez em que foi proclamada, a fé em Cristo traz consigo o sentido da obediência. Por isso
nos deparamos com a indagação (e indignação) do Senhor Jesus: “Por que não fazeis aquilo que eu mando?” (Lc 6.46).
Se O reconhecemos como “Senhor”, então devemos obediência a Ele, e ponto final! Foi para isto que fomos chamados:
“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho ordenado. E eis que estou convosco
todos os dias até a consumação dos séculos.” – Mateus 28.19,20

Jesus ordenou que a Sua Igreja guardasse os Seus ensinos e também reproduzisse esta visão de
obediência nas próximas gerações de discípulos. Ele esperava que cada um dos discípulos (que seriam feitos nas
nações) entendesse que a responsabilidade de cada um deles seria guardar (obedecer, praticar) o que Ele ensinou.
O que caracteriza um discípulo de Cristo é a sua obediência ao Seu ensino. O ministério de ensino é
importantíssimo e foi ordenado pelo próprio Cristo, mas deve levar as pessoas à prática!
O apóstolo Paulo se referiu à fé como um ato de obediência em dois textos bíblicos distintos:
“Por intermédio de quem viemos a receber graça e o apostolado por amor do seu nome, para a
obediência por fé entre todos os gentios.” – Romanos 1.5
“E que agora se tornou manifesto, e foi dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas,
segundo o mandamento do Deus eterno, para a obediência por fé, entre todas as nações.” – Romanos 16.26

Fomos chamados à obediência pela fé! Esta deve ser a forma de caminhar de todo cristão! Escrevendo aos
efésios, Paulo menciona a condição anterior à nossa conversão, e, para descrever a forma como vivíamos, ele usa o
termo “filhos da desobediência”:
“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora,
segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da
desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne,
fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais.”
– Efésios 2.1-3

Esta era a nossa condição antes de nascermos de novo. Era um problema da nossa natureza! Estávamos
escravizados pela vontade da carne e andávamos segundo o curso do mundo. E, salientando algo mais grave ainda, a
Bíblia diz que andávamos “segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da
desobediência”! Em outras palavras, éramos diretamente influenciados por um espírito maligno!
Isto deveria fazer com que refletíssemos melhor! Poderíamos esperar então que a correta terminologia a
ser empregada com relação aos crentes em Cristo seria a de chamá-los de “filhos da obediência”! É o termo que deveria
ser aplicado a nós! Contudo, eu pergunto: “Será que a maioria dos cristãos de hoje reflete este espírito de submissão e
obediência a Deus e à Sua Palavra?” Infelizmente devemos admitir que não! Nunca vimos a fé evangélica propagando-se
em nossa nação como atualmente. Milhares de brasileiros se convertem todos os dias, graças a Deus! Entretanto, este é
um momento muito sensível à formação de toda uma nova geração de discípulos! Assim sendo, os líderes devem ser
muito enfáticos no sentido de chamarem as pessoas de volta a um compromisso de obediência total ao Senhor!
O nosso problema não é apenas a desobediência, mas também a religiosidade que nos cega e nos leva a
fingirmos a obediência. Eu acho que é impressionante, não somente a nossa rebeldia (porque é assim que a nossa
desobediência deve ser chamada), mas também a nossa capacidade de fingirmos a obediência quando ela não estiver
presente!
A OBEDIÊNCIA “APARENTE” É DESOBEDIÊNCIA

À semelhança dos fariseus dos dias de Jesus, nós também pecamos hoje pela nossa religiosidade.
Aprendemos a falar e a nos comportar com ares de bons cristãos, e, com isso, encobrimos a nossa desobediência. O
Senhor Jesus contou uma parábola que denuncia este nosso comportamento com exatidão:
“E que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Chegando-se ao primeiro, disse: Filho, vai hoje
trabalhar na vinha. Ele respondeu. Sim, senhor, porém não foi. Dirigindo-se ao segundo, disse-lhe a mesma
coisa. Mas este respondeu: Não quero; depois, arrependido, foi. Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram: O
segundo. Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de
Deus. Porque João veio a vós outros no caminho da justiça, e não acreditastes nele; ao passo que publicanos e
meretrizes creram. Vós, porém, mesmo vendo isto, não vos arrependestes, afinal, para acreditardes nele.” –
Mateus 21.28-32

Com relação a estes dois filhos, quem demonstrou ser obediente? Aparentemente foi o primeiro, que
respondeu afirmativamente ao chamado do pai. Porém, na prática, o filho obediente foi o segundo. Ainda que a princípio
ele tenha se rebelado e dito que não faria o que o pai havia pedido, depois, arrependido, foi e obedeceu. Jesus compara
estes dois filhos a dois grupos de pessoas: os fariseus (o grupo religioso mais severo dentro do judaísmo) e os pecadores
(os coletores de impostos e as prostitutas, que recebiam os piores rótulos sociais e espirituais naqueles dias), e conclui
dizendo que este último grupo entraria no Reino de Deus antes do primeiro grupo, dos fariseus, que eram os beatos e
carolas daquela época!
Concluímos assim que não adianta passarmos horas a fio, sentados na igreja, ouvindo a Palavra de Deus,
agindo como quem diz “sim” a tudo o que o nosso Pai Celestial nos ordena que façamos, se, depois, não obedecermos e
não fizermos essas coisas! A aparência de obediência não está entre os pecadores, e sim entre os cristãos! No entanto, a
obediência verdadeira nem sempre está conosco!
A Igreja dos nossos dias é como o primeiro filho. Preocupa-se com a aparência e com o conceito dado
pelos outros, e, assim sendo, sempre responde “sim” às ordens do Pai, mas nem sempre faz o que disse que faria! Não
basta termos uma aparência de religiosidade! Precisamos praticar a Palavra!
“Tornai-vos, pois, praticantes da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.
Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que contempla num espelho o
seu rosto natural; pois a si mesmo se contempla e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência.
Mas aquele que considera atentamente na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte
negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar.” – Tiago 1.22-25

Note que a Bíblia diz que a pessoa que não pratica a Palavra engana a si mesma! Ela não está enganando
outras pessoas, e tampouco a Deus! Está enganando a si mesma! Muitos acreditam que, pelo fato de terem uma
“aparência de santidade” ao frequentarem os cultos ou ao estudarem a Bíblia sozinhos, alcançarão um lugar de
aprovação em Deus, mas isto não é verdade! A única coisa que legitima a nossa entrada no Reino de Deus é o
reconhecimento do senhorio de Jesus, o qual, por sua vez, somente se evidencia através da nossa obediência e sujeição
total a Cristo!
O fato de alguém meramente ouvir a Palavra de Deus aparentemente autentica a sua religiosidade, mas é
a prática da Palavra que autentica a obediência em sua vida como cristão. Há também o aspecto do resultado provado
por cada um. Tiago fala do “ouvinte negligente” e do “operoso praticante”, mas deixa claro que o abençoado na história é
o que ouviu, aprendeu, e perseverou em obedecer aos mandamentos do Senhor!
Alguns não se posicionam para obedecerem! Eles acham que o fato de usarem uma “capa de cristianismo”
é o suficiente! São os que, como eu já afirmei, praticam a “aparência da obediência”. Contudo, há outros que vão além da
aparência e manifestam uma obediência incompleta. Por obedecerem em algumas áreas, agem como se estivessem
escusados de obedecerem em outras! Assim sendo, justificam-se, relativizando a obediência! Os fariseus foram acusados
por Jesus de se comportarem desta maneira:
“Interpelaram-no os fariseus e os escribas: Por que não andam os teus discípulos de conformidade
com a tradição dos anciãos, mas comem com as mãos por lavar? Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías a
respeito de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe
de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Negligenciando o mandamento
de Deus, guardais a tradição dos homens. E disse-lhes ainda: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para
guardardes a vossa própria tradição. Pois Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser a seu pai
ou a sua mãe seja punido de morte. Vós, porém, dizeis: Se um homem disser a seu pai ou a sua mãe: Aquilo que
poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta para o Senhor, então, o dispensais de fazer qualquer coisa em
favor de seu pai ou de sua mãe, invalidando a palavra de Deus pela vossa própria tradição, que vós mesmos
transmitistes; e fazeis muitas outras coisas semelhantes.” – Marcos 7.5-13
Observe a afirmação que o Senhor Jesus fez aos fariseus: “Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para
guardardes a vossa própria tradição.” A palavra que foi traduzida por “jeitosamente” é “kalos”, que, de acordo com a
Concordância de Strong, possui vários significados: “belamente, finamente, de forma a não deixar espaço para
reclamação, de forma honrosa ou recomendável.” Isto mostra uma desobediência velada, com aparência de obediência!
Muitas vezes fazemos o mesmo. Pregamos contra o roubo, mas sonegamos os impostos! Contudo, damos mil
explicações para convencermos a nós mesmos e até mesmo aos outros! Pregamos contra o adultério e a imoralidade,
mas conseguimos nos divertir com filmes com estas práticas! No entanto, temos sempre uma boa “explicação”, um
“kalos”, uma forma jeitosa de mascararmos a nossa desobediência!
A OBEDIÊNCIA “PARCIAL” É DESOBEDIÊNCIA

A relativização da obediência e o cumprimento meramente parcial dos mandamentos de Deus é uma forma
velada da prática da desobediência! A aparência e a parcialidade levam à desobediência. Algumas pessoas vivem a
aparência; outras, porém, a parcialidade! Outras, ainda, conseguem tropeçar em ambas as coisas! O rei Saul é um
exemplo da pessoa que soma a aparência com a parcialidade e acaba nos mostrando as consequências desastrosas
desta escolha. Ele já havia falhado e desobedecido antes (1 Sm 13.8-14), mas manteve a sua mesma postura errada de
querer agradar mais ao povo do que a Deus. Ele era alguém que se preocupava demasiadamente com o conceito que os
outros teriam a respeito dele e acabava se esquecendo do conceito que ele teria diante de Deus!
Numa outra ocasião, Saul recebeu uma ordem direta do Senhor:
“Disse Samuel a Saul: Enviou-me o Senhor a ungir-te rei sobre o seu povo, sobre Israel; atenta,
pois, agora às palavras do Senhor. Assim diz o Senhor dos exércitos: Castigarei a Amaleque pelo que fez a
Israel; ter-se oposto a Israel no caminho, quando este subia do Egito. Vai, pois, agora e fere a Amaleque, e
destrói totalmente a tudo o que tiver; nada lhe poupes, porém matarás homem e mulher, meninos e crianças de
peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos.” – 1 Samuel 15.1-3

A ordem divina era muito específica e fácil de se compreender. Contudo, uma vez mais, Saul não obedeceu
ao que lhe havia sido ordenado:
“Então feriu Saul os amalequitas desde Havilá até chegar a Sur, que está defronte do Egito. Tomou
vivo a Agague, rei dos amalequitas; porém a todo o povo destruiu ao fio da espada. E Saul e o povo pouparam a
Agague, e o melhor das ovelhas e dos bois, e os animais gordos e os cordeiros e o melhor que havia, e não os
quiseram destruir totalmente; porém a toda coisa vil e desprezível destruíram.” – 1 Samuel 15.7-9

Esta foi uma desobediência direta ao mandamento do Senhor. E foi exatamente assim que Deus enxergou
o ocorrido e declarou a Sua sentença:
“Então, veio a palavra do Senhor a Samuel, dizendo: Arrependo-me de haver posto a Saul como rei;
porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras. Então, Samuel se contristou e toda a noite
clamou ao Senhor.” – 1 Samuel 15.10,11

Saul poderia dar a explicação que quisesse, mas Deus disse que ele havia deixado de seguí-Lo e que ele
não havia obedecido às Suas palavras! Alguns acham que basta obedecermos a muitos mandamentos do Senhor para
agradá-Lo, mas Deus não espera uma obediência parcial, e sim total! Imagine os noivos, no momento da cerimônia
nupcial, fazendo um juramento de fidelidade para a maior parte do tempo! Por mais que se amassem, não gostariam
disso! Deus também não quer que sejamos obedientes a muitos mandamentos, mas a todos! Ele não espera que
sejamos fiéis na maior parte do tempo, mas que o sejamos em todo o tempo!
Muitas vezes agimos com uma certa “psicologia de compensação”. Deduzimos que por sermos obedientes
em muitas coisas que o Senhor nos pede, então temos “o direito” de falharmos em algumas outras “coisinhas”!
Entretanto, a desobediência praticada em qualquer área das nossas vidas anula a obediência que sustentamos em
outras! É isso mesmo! Ou alguém é totalmente obediente, ou é desobediente, pois não há obediência parcial! Tiago
escreveu o seguinte sobre isso:
“Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos.
Porquanto aquele que disse: Não adulterarás, também ordenou: Não matarás. Ora, se não adulteras, porém,
matas, vens a ser transgressor da lei.” – Tiago 2.10,11

Observe que quem guardasse a maioria dos mandamentos, mas tropeçasse num só deles, estaria
quebrando toda a Lei, até mesmo os mandamentos que havia obedecido!
Não temos o direito de escolhermos não perdoar alguém somente porque obedecemos a maioria dos
mandamentos da Bíblia. Não temos o direito de negarmos o perdão a uma única pessoa somente porque já perdoamos
muitas outras que nos ofenderam ao longo das nossas vidas. Muitos em nossos dias estão tentando devotar uma
obediência parcial à Palavra de Deus. Não temos o direito de não dizimarmos somente porque já ofertamos! O mesmo
Deus que nos ordenou que fizéssemos uma coisa também nos ordenou que fizéssemos a outra!
É hora de considerarmos melhor estas questões e consertarmos o que precisa de conserto em nossas
vidas. Sonde o seu coração em oração. Medite nestes textos e princípios, e assuma uma nova postura de obediência.
O ORGULHO DA OBEDIÊNCIA

Por que praticamos esta obediência aparente e parcial? Por que não enxergamos o que fazemos de
errado? Creio que muitas vezes nos orgulhamos tanto da nossa obediência que até permitimos ficar cegos para outras
questões. Observe o que ocorreu com o apóstolo Pedro:
“E, no dia seguinte, indo eles seu caminho e estando já perto da cidade, subiu Pedro ao terraço para
orar, quase à hora sexta. E, tendo fome, quis comer; e, enquanto lhe preparavam, sobreveio-lhe um
arrebatamento de sentidos, e viu o céu aberto e que descia um vaso, como se fosse um grande lençol atado
pelas quatro pontas, vindo para a terra, no qual havia de todos os animais quadrúpedes, répteis da terra e aves
do céu. E foi-lhe dirigida uma voz: Levanta-te, Pedro! Mata e come. Mas Pedro disse: De modo nenhum, Senhor,
porque nunca comi coisa alguma comum e imunda. E segunda vez lhe disse a voz: Não faças tu comum ao que
Deus purificou. E aconteceu isto por três vezes; e o vaso tornou a recolher-se no céu.” – Atos 10.9-16

Deus deu uma visão ao apóstolo e mandou que ele matasse e comesse alguns animais. Pedro reconheceu
que era o próprio Deus falando com ele, mas respondeu: “De modo nenhum, Senhor.” E a razão pela qual ele não
obedeceu a essa ordem de Deus foi justamente o seu histórico de obediência ao mandamento da Lei que proibia o
contato com esses animais! Até aí não é difícil entendermos a Pedro. Não sabemos se ele chegou a imaginar que talvez
ele estivesse sendo testado. Entretanto, Deus lhe disse claramente para não considerar imundo o que o Senhor havia
purificado. Mesmo assim, Pedro negou-se a obedecer a esta ordem mais duas vezes seguidas!
O orgulho da nossa obediência (ou da que achamos que temos) pode nos levar a agirmos cegamente e a
tropeçarmos em outros princípios. Veja uma outra ilustração bíblica:
“E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e
desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo, a orar; um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu,
estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens,
roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana e dou os dízimos
de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu,
mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado
para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si
mesmo se humilha será exaltado.” – Lucas 18.9-14

A religiosidade é algo terrível! Eu a defino como o orgulho da obediência. Contudo, este orgulho nos cega e
faz com que desobedeçamos em outras áreas. Aquele fariseu errava ao confiar em si mesmo. Errava ao desprezar os
outros. E não enxergava os seus próprios tropeços!
Creio que Deus quer restaurar o nosso entendimento e a nossa prática da obediência total a Ele. Isto,
porém, deve acontecer, sem que nos tornemos propensos ao orgulho! É por isso que precisamos entender que a nossa
obediência ao Senhor não significa que estejamos fazendo favor algum a Ele! Estamos apenas cumprindo a nossa
obrigação! Eu gostaria de concluir, chamando a sua atenção ao seguinte: Obedecer é fazer apenas o que deveria ser
feito! Não somos melhores por isto, pois o próprio Jesus nos ensinou:
“E qual de vós terá um servo a lavrar ou a apascentar gado, a quem, voltando ele do campo, diga:
Chega-te e assenta-te à mesa? E não lhe diga antes: Prepara-me a ceia, e cinge-te, e serve-me, até que tenha
comido e bebido, e depois comerás e beberás tu? Porventura, dá graças ao tal servo, porque fez o que lhe foi
mandado? Creio que não. Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos
inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer.” – Lucas 17.7-10

Que o Senhor nos ajude a vivermos em obediência total, pois esta é uma característica dos que amam a
Deus:
“Porque nisto consiste o amor a Deus: em obedecer aos seus mandamentos. E os seus
mandamentos não são pesados.” – 1 João 5.3 (NVI)
O MAIOR MANDAMENTO

A minha esposa Kelly e eu, desde bem cedo, ensinamos aos nossos filhos a amarem ao Senhor acima de
todas as coisas. Enfatizamos tanto que Deus vem antes de tudo que, algumas vezes, cheguei a ficar desconcertado com
algumas respostas que me davam e que evidenciavam este entendimento. Certa ocasião, fazendo pose de “fortão”,
daquele jeito que imita os halterofilistas, perguntei ao meu filho Israel: “Quem é o cara mais forte do mundo?” Sem
hesitar, ele respondeu direto: “Jesus!” Sem graça, eu lhe disse: “Sim, mas e depois de Jesus?” Então ele replicou: “Ah,
depois de Jesus é você!” Em outra ocasião, questionei a minha filha Lissa: “Quem é o pai mais lindo do mundo?” Sem
titubear, ela respondeu: “Deus!” Novamente sem graça, eu lhe disse: “Sim, mas e depois de Deus?” Então ela afirmou:
“Ah, bom! Depois de Deus é você, papai!”
Se você perguntar aos meus filhos quem é a pessoa que eles mais amam, eles vão dizer que é Deus. Fico
feliz com isto, pois eu os vejo crescendo com os valores corretos. Tenho aprendido que não basta darmos a Deus apenas
uma certa atenção ou valor. Ele quer toda atenção e valor! Ele pede amor total!
Enquanto Deus não for o que temos de mais importante e valioso, não estaremos cumprindo o que Ele
espera de nós. Por causa deste princípio, encontramos na Bíblia histórias como a do sacrifício de Isaque que o Senhor
pediu a Abraão. O Senhor espera ocupar o primeiro lugar em nossas vidas. Ninguém (nem mesmo os nossos familiares –
normalmente os que mais amamos) pode ocupar o primeiro lugar, o qual pertence somente a Deus! Isto é muito evidente
nos ensinos do Senhor Jesus, registrados nos Evangelhos:
“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua
filha mais do que a mim não é digno de mim.” (Mateus 10.37)
O PRIMEIRO MANDAMENTO

Além de reconhecermos que amar ao Senhor é um mandamento divino, também precisamos entender que
este é o Primeiro Mandamento que recebemos da parte de Deus:
“Aproximou-se dele um dos escribas que os tinha ouvido disputar, e sabendo que lhes tinha
respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? E Jesus respondeu-lhe: O
primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, ao
Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas
forças; este é o primeiro mandamento.” (Marcos 12.28-30)

Quando Jesus foi questionado sobre o Primeiro (ou Principal) Mandamento, Ele foi direto ao assunto mais
forte do ensino bíblico: o amor. Falou primeiro do amor ao Senhor e depois sobre o homem amar ao próximo como a si
mesmo.
Ao destacarem um mandamento em relação aos demais, as Escrituras não diminuem nenhum dos outros
mandamentos, mas mostram que o cumprimento deste nos influencia no cumprimento dos demais.
Há algo extraordinário no amor. E, mesmo antes de falar sobre o amor ao próximo, Deus nos pede que O
amemos. Sem amar ao Senhor, ninguém jamais encontrará a fonte inesgotável de amor, a qual nos permite amarmos
verdadeiramente ao nosso próximo. Deus é amor, e sem que nos misturemos com Ele por meio de uma íntima
comunhão, não teremos recursos nem condições de amarmos a ninguém!
Algo que realmente me impressiona é o fato de Deus pedir não somente um amor de coração, alma,
entendimento e forças, mas também um amor de todo coração, de toda alma, de todo entendimento e de todas as forças!
Deus Se manifestou de uma maneira tremendamente exigente neste assunto. Ele não quer uma manifestação de amor
parcial. Nada O satisfaz, a não ser o amor total de cada parte que completa o todo do nosso ser!
Sabemos qual é a expectativa que o Pai Celestial tem com relação ao nosso relacionamento com Ele. Ele
não estabeleceu este mandamento como o primeiro – e mais importante – de todos, somente para ter o nosso amor, mas
para garantir que O amemos acima de tudo e de todos. O Primeiro Mandamento revela não somente o que temos que
fazer (amá-Lo), mas principalmente a intensidade com que devemos obedecê-lo: de todo o nosso ser!
MALDIÇÃO NA IGREJA

Há uma maldição assolando a muitos na Igreja de Jesus Cristo em nossos dias. Por mais que ensinemos
que Cristo Se fez maldição por nós, para que recebêssemos a bênção (Gl 3.13-16), e que temos uma herança em Deus,
há crentes que nunca entram no lugar de bênção que o Senhor tem para eles, porque vivem numa permanente quebra de
princípios das Escrituras.
Mesmo ciente de que “Deus nos abençoou com toda sorte de bênçãos nas regiões celestiais em Cristo
Jesus” (Ef 1.3) e que esta é a nossa posição de direito em Cristo, afirmo que há crentes que jamais chegarão a usufruir
da plenitude que o Pai Celestial tem para as suas vidas!
Eles estão quebrando um princípio divino. Estão acionando contra si mesmos uma lei estabelecida na
Palavra de Deus. E, enquanto não entenderem e praticarem este poderoso princípio, não haverá confissão de fé que lhes
proporcione esta bênção divina!

Quando não oferecemos a Deus o nosso amor, estamos nos rebelando com relação ao Seu Primeiro e
Maior Mandamento. Não entendo como eu li tantas e tantas vezes este trecho bíblico sem enxergar a sua profundidade!
Porém, em certa ocasião, Deus abriu os meus olhos:
“Se alguém não ama ao Senhor seja anátema.” (1 Coríntios 16.22)

Segundo a Concordância Exaustiva de Strong, a palavra grega “anathema” significa: 1) algo preparado ou
separado para ser guardado ou dedicado; especificamente, uma oferta resultante de um voto, que depois de ser
consagrada a um deus era pendurada nas paredes ou colunas do templo, ou colocada em algum outro lugar visível; 2)
algo dedicado a Deus sem a esperança de recebê-lo de volta, referindo-se a um animal doado para ser sacrificado; daí,
uma pessoa ou algo destinado à destruição; uma maldição, uma praga; um homem amaldiçoado, destinado à mais
terrível das tristezas e angústias.
Há muitas pessoas nas igrejas evangélicas que não entendem porque não alcançam aquele lugar de
completa realização em Deus. Fazem tudo o que lhes mandam, todo tipo de “campanhas” e “receitas milagrosas”, mas,
ainda assim, não conseguem encontrar a plenitude da bênção de Deus! A verdade é que há uma maldição (que mantém
as pessoas cativas à tristeza e à angústia) sobre muitos cristãos hoje! É a consequência do pecado da falta de amor ao
Senhor!
BÊNÇÃO X MALDIÇÃO

As Escrituras Sagradas mostram claramente que as nossas escolhas determinam a bênção ou a maldição
sobre as nossas vidas. Ao dar ao homem o livre arbítrio (o direito de escolher), Deus também o conscientizou sobre o
resultado das suas escolhas:
“Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e
a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência.” (Deuteronômio 30.19)

A mensagem bíblica é clara. Há dois caminhos: o da vida e da bênção, e o da morte e da maldição! A


escolha é do homem, não de Deus! Da parte de Deus temos o conselho, a sugestão para a escolha certa. E a escolha de
sermos abençoados ou não é feita quando optamos pela obediência ou pela desobediência aos mandamentos divinos.
Observe os detalhes do texto todo:
“Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal; se guardares o mandamento que hoje te
ordeno, que ames o Senhor, teu Deus, andes nos seus caminhos, e guardes os seus mandamentos, e os seus
estatutos, e os seus juízos, então, viverás e te multiplicarás, e o Senhor, teu Deus, te abençoará na terra à qual
passas para possuí-la. Porém, se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido, e te
inclinares a outros deuses, e os servires, então, hoje, te declaro que, certamente, perecerás; não permanecerás
longo tempo na terra à qual vais, passando o Jordão, para a possuíres. Os céus e a terra tomo, hoje, por
testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que
vivas, tu e a tua descendência, amando o Senhor, teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele; pois
disto depende a tua vida e a tua longevidade; para que habites na terra que o Senhor, sob juramento, prometeu
dar a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó.” (Deuteronômio 30.15-20)

Este é o mesmo princípio que aparece em Deuteronômio (27 e) 28 e 29, quando o Senhor fala a respeito
de bênçãos e maldições: a obediência produz bênção, e a desobediência produz maldição!
“Se atentamente ouvires a voz do Senhor, teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus
mandamentos que hoje te ordeno, o Senhor, teu Deus, te exaltará sobre todas as nações da terra. Se ouvires a
voz do Senhor, teu Deus, virão sobre ti e te alcançarão todas estas bênçãos…” (Deuteronômio 28.1,2)

Todas as bênçãos citadas neste capítulo seguiriam o povo de Deus se houvesse da parte deles a
disposição de andarem nos mandamentos do Senhor. Contudo, se decidissem não obedecer, então as maldições os
seguiriam:
“Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do Senhor, teu Deus, não cuidando em cumprir todos
os seus mandamentos e os seus estatutos que, hoje, te ordeno, então, virão todas estas maldições sobre ti e te
alcançarão.” (Deuteronômio 28.15)

A bênção é uma intervenção divina que nos leva a experimentarmos coisas melhores do que a nossa
própria capacidade nos levaria a conseguirmos. Se, por exemplo, ao lavrarmos uma terra, o seu potencial de produção
natural fosse um certo valor, com a bênção de Deus conseguiríamos obter resultados bem melhores. Por outro lado, a
maldição é um juízo divino que permite uma ação maligna que, no exemplo já mencionado, da lavoura, nos levaria a
termos perdas e prejuízos.
Uma vez estabelecido este fundamento, precisamos olhar para o princípio de amarmos ao Senhor como
sendo um mandamento da Palavra de Deus. Portanto, a desobediência a este mandamento implica em maldição!
Vivemos dias de uma grande “colheita”. Nunca antes vimos tantas pessoas convertendo-se ao Senhor.
Recentemente, li uma reportagem no jornal “A Folha de São Paulo”, dizendo que somente na capital paulista são
iniciadas (com registro oficial) quase duas igrejas por dia! Além das novas igrejas, as já estabelecidas crescem cada vez
mais. Satanás já não consegue mais deter o crescimento da Igreja. Assim sendo, ele procura diluir a nossa força em
Deus, corrompendo-nos em algumas práticas importantes, principalmente na questão do amor ao Senhor. Muitas igrejas
hoje estão cheias de pessoas que correm atrás de uma “bênção”, mas não cultivam amor ao Senhor em seus corações!
São pessoas para quem o conselho da mulher de Jó, “Amaldiçoa teu Deus e morre” (Jó 2.9), seria muito bem aceito, caso
percebessem que não foram abençoadas ou atendidas!
O grande avivamento que está por vir e as tremendas bênçãos de conquistas decorrentes dele dependem
de uma nova atitude da Igreja na forma de buscarmos ao Senhor. Permita-me mostrar-lhe isto, através de princípios
bíblicos, citando um trecho do Primeiro Capítulo do nosso livro “A Outra Face dos Milagres”, que trata deste assunto:
QUANDO DEUS SE TORNA APENAS UM AMULETO

A geração de Eli perdeu a presença de Deus. Lemos no Capítulo 4 de 1 Samuel que a Arca de Deus foi
tomada, e foi dito: “Icabode”, que significa “Foi-se a glória de Israel!” Esta foi uma geração que perdeu a presença do
Senhor. Eles decaíram tanto que chegaram ao ponto em que os sacerdotes (os filhos de Eli) se envolviam em prostituição
na porta do Templo de Deus!
Esta geração de Eli é um exemplo a não ser seguido, pois pecou gravemente contra o Senhor, e por isso
Ele a julgou. E qual foi o motivo pelo qual esta geração perdeu a presença de Deus? Onde ela falhou?
Ela falhou ao fazer da presença do Senhor somente um amuleto! Ela não buscava ao Senhor para adorá-
Lo! Quase ninguém mais ia a Siló, onde estava o Templo. As pessoas já não estavam mais interessadas em irem à Casa
do Senhor e a buscarem a Sua face, ou tampouco em adorá-Lo! Contudo, na hora das dificuldades, queriam fazer da
presença de Deus uma espécie de amuleto que resolveria os seus problemas! Israel saiu à batalha e encontrou a derrota
diante dos filisteus (1 Sm 4.1-3)! Com medo de serem novamente derrotados, mandaram buscar a Arca de Deus e a
trouxeram ao campo de batalha:
“Mandou, pois, o povo trazer de Silo a arca do Senhor dos Exércitos, entronizado entre os
querubins; os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, estavam ali com a arca da aliança de Deus. Sucedeu que, vindo a
arca da aliança do Senhor ao arraial, rompeu todo o Israel em grandes brados e ressoou a terra. Ouvindo os
filisteus a voz do júbilo, disseram: Que voz de grande júbilo é esta no arraial dos hebreus? Então souberam que a
arca do Senhor era vinda ao arraial. E se atemorizaram os filisteus e disseram: Os deuses vieram ao arraial. E
diziam mais: Ai de nós! que tal jamais sucedeu antes. Ai de nós! quem nos livrará das mãos destes grandiosos
deuses? São os deuses que feriram aos egípcios com toda sorte de pragas no deserto.” (1 Samuel 4.4-8)

Note que até os filisteus ficaram com medo da Arca, pois eles, em sua condição de gentios pagãos,
também acreditavam na força dos amuletos. Isto nos mostra que os filhos de Israel já haviam adotado esta forma
mundana de pensamento!
Para essa geração dos filhos de Israel, Deus já não era mais o Criador e Sustentador de todas as coisas; já
não era o Salvador do Seu povo; já não era Aquele que é digno de honra e glória! O Seu Templo estava abandonado em
Siló, as pessoas já não iam à Sua presença para reverenciá-Lo e declararem o seu amor, confiança e dependência. Para
essa geração, Deus havia Se tornado Alguém de quem somente se lembravam na hora da necessidade. E, mesmo na
hora da necessidade, esses israelitas não buscaram a presença do Senhor. Eles apenas “mandaram buscar” a Arca, pois
os que fazem de Deus um “Resolve-Tudo” nem sequer se dão ao luxo de buscá-Lo!
Na minha experiência pastoral, eu já conheci muitos que não se importam em buscarem a presença do
Senhor. Quando os convidamos aos cultos nunca podem, mas basta enfrentarem alguma situação difícil e já estão
ligando para saberem se podemos orar com eles (e de preferência em suas casas!). Quando os chamamos para cultuar
ao Senhor e render-Lhe glória, não querem. Mas, quando os negócios vão mal, querem que oremos em seu trabalho!
A nossa geração precisa aprender a temer e a amar ao Senhor, ao invés de querer tratá-Lo como um
empregado. A geração de Eli não buscou ao Senhor. Ela fez d’Ele um mero “Resolvedor de Encrencas”, e por isso
perderam a Sua presença!
“Então pelejaram os filisteus; Israel foi derrotado, e cada um fugiu para a sua tenda; foi grande a
derrota, pois caíram de Israel trinta mil homens de pé. Foi tomada a arca de Deus, e mortos os dois filhos de Eli,
Hofni e Finéias.” (1 Samuel 4.10,11)

Eles perderam a presença do Senhor! Esta perda foi algo tão terrível que a nora de Eli sofreu mais com ela
do que com a morte do seu sogro e do seu marido!
“Estando a sua nora, a mulher de Finéias, grávida, e próximo o parto, ouvindo estas novas, de que a
arca de Deus fora tomada, e de que seu sogro e seu marido morreram, encurvou-se e deu à luz; porquanto as
dores lhe sobrevieram. Ao expirar disseram as mulheres que a assistiam: Não temas, pois tiveste um filho. Ela
porém não respondeu e nem fez caso disso. Mas chamou ao menino Icabode, dizendo: Foi-se a glória de Israel.
Isto ela disse, porque a arca de Deus fora tomada, e por causa de seu sogro e seu marido. E falou mais: Foi-se a
glória de Israel, pois foi tomada a arca de Deus.” (1 Samuel 4.19-22)
Em nossos dias a Igreja está vivendo este perigo. Estamos deixando de adorar ao Senhor pelo que Ele é, e
O estamos buscando somente pelo que Ele faz! Isto nos deixa parecidos com os seguidores de Satanás! O Diabo não
tem seguidores pelo que ele é, pois ele nada é! As pessoas pactuam com ele e o servem em troca de algo: querem fama,
fortuna, e outras coisas, e pagam com as suas próprias almas por isso! Contudo, elas não vêem na pessoa do Diabo
nenhum atrativo – apenas em sua proposta! E qual é o modelo bíblico da atitude correta que vemos nos que servem a
Deus? Depois que a mulher de Jó lhe pediu que ele amaldiçoasse o seu Deus e morresse (Jó 2:9), ele declarou o
seguinte:
“Ainda que Ele me mate, n’Ele esperarei”! (Jó 13.15).

É de pessoas como Jó que o Reino de Deus necessita hoje – pessoas que aprendam a buscar a Deus pelo
que Ele é, e não somente pelo que Ele faz! Isto não quer dizer que não podemos buscar o que Deus faz, e sim que não
devemos esquecer o que Ele é e que jamais devemos perder esta ênfase!
A GERAÇÃO DE DAVI

A geração do rei Davi distinguiu-se da geração de Eli. Quando falamos de Davi, a primeira coisa que nos
vem à mente é o louvor. Diferentemente da geração que falhou, perdendo a presença do Senhor (a Arca da Aliança
simbolizava a presença de Deus), Davi fez tudo para resgatá-la. Em seus dias, a Arca voltou a Israel.
Davi representa os que sabem buscar e adorar a Deus pelo que Ele é. Ele já vinha experimentando o que
Deus fazia. Ele havia matado um leão e um urso, porque o Senhor estava com ele (1 Sm 17.34-37). Ele havia matado
Golias, o gigante, porque o Senhor estava com ele. Ele havia vencido os seus inimigos na guerra, porque o Senhor era
com ele. No entanto, ainda que experimentando tudo o que Deus podia fazer, Davi sabia que o nosso relacionamento
com Deus era mais do que isso, pois o Senhor não era (e continua não sendo) um mero amuleto ao qual recorremos na
hora dos problemas. Ele é o Criador de todas as coisas, o Senhor, o Deus sublime e excelente, o Pai Celestial, amoroso
e cheio de benignidade. Ele é digno de honra, glória e adoração! Ele merece todo o nosso culto, reverência e devoção!
Davi foi chamado de “um homem segundo o coração de Deus”, pois ele agradou o coração de Deus com
as suas atitudes. Isto não quer dizer que ele tenha sido perfeito. Ao contrário, a Bíblia nos mostra com clareza as suas
falhas e erros. Ao chamá-lo de “um homem segundo o coração de Deus”, as Escrituras mostram que ele conseguiu
entender o que Deus queria para aquela geração. Davi não apenas conseguiu conquistar os seus inimigos, apropriando-
se da Terra Prometida (que nunca havia sido ocupada em sua totalidade), mas também introduziu o ministério de louvor e
música no Tabernáculo. Ao lermos os Salmos, percebemos que Davi não tinha uma ênfase e expectativa somente no que
Deus fazia, mas principalmente no que Ele era!
O rei Davi foi, antes de tudo, um adorador. Quando adoeceu o primeiro filho que Batseba lhe deu, ele
buscou o que Deus podia fazer – a cura. No entanto, isto não aconteceu, pois os casal estava colhendo as
consequências do seu pecado. Contudo, quando a criança morreu, Davi não se revoltou contra Deus e nem mesmo
entrou em luto. A Bíblia diz que ele se lavou, mudou de vestes, e foi adorar ao Senhor no Tabernáculo. Em seguida ele
encerrou o seu jejum e comeu (2 Sm 12:20). Por que ele fez isto? Muitos teriam se revoltado porque Deus não fez o que
havia sido pedido. Davi, no entanto, sabia que antes de atentarmos para o que Deus faz, devemos atentar para o que Ele
é. E, como Deus é justo, e não erra nunca, não havia motivos para questioná-Lo. Neste momento dificílimo da sua vida,
Davi foi adorar a Deus, reconhecendo o que Ele era, e exaltando-O por isso.

Que diferença da geração de Eli, a qual considerou a presença de Deus como um mero amuleto! A forma
como Davi portou-se ao trazer de volta a Arca do Senhor revela como estes princípios estavam corretos em seu coração:
“Então avisaram a Davi, dizendo: O Senhor abençoou a casa de Obede-Edom e tudo quanto tem, por
amor à arca de Deus; foi, pois, Davi, e, com alegria, fez subir a arca de Deus da casa de Obede-Edom, à cidade de
Davi. Sucedeu que, quando os que levavam a arca do Senhor tinham dado seis passos, sacrificava ele bois e
carneiros cevados. Davi dançava com todas as suas forças diante do Senhor; e estava cingido duma estola
sacerdotal de linho. Assim Davi, com todo Israel, fez subir a arca do Senhor, com júbilo, e ao som de trombetas.
Introduziram a arca do Senhor, e puseram-na no seu lugar, na tenda que lhe armara Davi; e este trouxe
holocaustos e ofertas pacíficas perante o Senhor. Tendo Davi trazido holocaustos e ofertas pacíficas, abençoou o
povo em nome do Senhor dos Exércitos. E repartiu a todo o povo, e a toda a multidão de Israel, assim a homens
como a mulheres, a cada um, um bolo de pão, um bom pedaço de carne e passas. Então se retirou todo o povo,
cada um para sua casa.” (2 Samuel 6.12-15,17-19)

Este foi um dia de festa para todo o povo. Ofertaram ao Senhor, cantaram, dançaram e comeram, pois a
presença do Senhor estava com eles! Davi conseguiu comunicar a grande parte daquele povo a importância de
reverenciarmos e cultuarmos a Deus com alegria, pois o Senhor é merecedor de todo o nosso louvor. Ele violou as leis da
etiqueta real, descobrindo-se diante do povo, dançando, e jubilando, e assim desagradou a Mical, sua esposa. Quando
Davi chegou em casa, ela o criticou. Ela pertencia ao grupo que somente se interessa pelo que Deus faz, e não pelo que
Ele é! Por isso ela não chegou a ver o que Deus podia fazer por ela: ela ficou estéril até o dia da sua morte!
“Ao entrar a arca do Senhor na cidade de Davi, Mical, filha de Saul, estava olhando pela janela, e,
vendo o rei Davi, que ia saltando e dançando diante do Senhor, o desprezou no seu coração. Voltando Davi para
abençoar a sua casa, Mical, a filha de Saul, saiu a encontrar-se com ele, e lhe disse: Que bela figura fez o rei de
Israel, descobrindo-se hoje aos olhos das servas de seus servos, como sem pejo se descobre um vadio
qualquer! Disse, porém, Davi a Mical: Perante o Senhor que me escolheu a mim antes do que a teu pai, e a toda a
sua casa, mandando-me que fosse chefe sobre o povo do Senhor, sobre Israel, perante o Senhor me tenho
alegrado. Ainda mais desprezível me farei, e me humilharei aos meus olhos; quanto às servas, de quem falaste,
delas serei honrado. Mical, filha de Saul, não teve filhos, até o dia de sua morte.” (2 Samuel 6.16,20-23)

Davi era alguém que não buscava a Deus de um modo interesseiro, nem se preocupava somente consigo
mesmo, mas sempre colocava o Senhor à frente. Todas as suas atitudes mostram que, diferentemente da geração
apóstata de Eli, ele tratava o Senhor como Deus, e não como um mero amuleto!
Semelhantemente, quem aprende a forma correta de se achegar a Deus certamente será alguém marcado
por aquilo que Deus faz, pois a reverência ao Senhor é o meio pelo qual provamos milagres e manifestações maiores.

Já é hora de a Igreja entender que estamos nos achegando a Deus quando O adoramos, e não estamos
apenas “nos preparando para recebermos a Palavra”! A música no culto é para o louvor e adoração d’Aquele que é digno!
Não é um mero entretenimento! Tanto na celebração coletiva como na devoção pessoal, temos nisto uma das maiores
chaves para a manifestação do poder de Deus em nossas vidas!
É hora de reaprendermos a honrarmos ao Senhor pelo que Ele é, e assim o que Ele faz será uma
consequência natural em nossas vidas, pois é impossível adorarmos ao Senhor sem provarmos a Sua ação em nossas
vidas! Tiago escreveu o seguinte sobre isto:
“Chegai-vos a Deus e ele se chegará a vós outros.” (Tiago 4.8a)

À medida que nos aproximamos do Senhor em amor e exaltação, a Sua presença também vem ao nosso
encontro. E os milagres acontecerão quando tivermos a presença do Senhor conosco – ainda que não estejamos
esperando isto!
AMOR INCORRUPTÍVEL

Era a noite fria de 3 de novembro de 2005. A minha esposa Kelly e eu estávamos subindo, emocionados, a
Torre Eiffel, para avistarmos Paris do alto de um dos monumentos mais conhecidos do mundo. Estávamos comemorando
10 anos de casamento neste dia. Muito embora estivéssemos bem agasalhados e nos abraçando apertadamente, a
nossa sensação de calor não vinha disso, mas da alegria de podermos dizer um ao outro que agora nos amávamos mais
do que quando estávamos namorando, ou até mesmo de quando nos casamos!
Estávamos a caminho da Alemanha, onde pregaríamos, e Deus nos presenteou com esta passagem pela
França, justamente numa data tão especial para nós! Oramos agradecidos a Deus pelo nosso casamento. Naquele
momento, não pude deixar de lembrar-me dos muitos casais que atendemos ao longo desses mesmos dez anos
pastoreando. Quantos deles declaravam que já não sentiam mais nada um pelo outro! Como é triste quando um cônjuge
perde o amor pelo outro! Graças a Deus que muitos desses casais provaram um milagre celestial em seus
relacionamentos! Muitos resgataram em Deus o amor que haviam perdido. Na mesma hora em que a minha mente
divagava nessas recordações, eu também pensei como seria terrível eu perder o amor da Kelly e como era bom
podermos constatar que o nosso relacionamento somente havia se fortalecido ao longo dos anos! Assim sendo, eu lhe fiz
a seguinte promessa: “Vou te amar para sempre!”
É natural o nosso desejo de não somente amarmos, mas também de sermos amados em nossos
relacionamentos. Também é natural a esperança de que isto não se acabe nem se corrompa. Eu creio que Deus quer
que, sob o mesmo prisma, venhamos a entender a importância de amá-Lo da mesma forma. Por isso Paulo escreveu o
seguinte aos efésios:
“A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo com amor incorruptível.”
(Efésios 6.24 – TB)

Temos aqui uma definição do tipo de amor que permite um livre fluir da graça do Senhor em nossas vidas.
Algumas versões bíblicas empregam um termo diferente na tradução deste texto e usam a expressão “amor sincero” ou
ainda “amor perene”. A Tradução Brasileira (SBB) e a Versão Revisada de Almeida (IBB) optaram corretamente pelo
termo “incorruptível”.
O Dicionário Vine nos mostra que a palavra grega empregada nesse texto pelo apóstolo Paulo e que se
encontra nos manuscritos originais é “aphtharsia”, que significa “incorrupção”. Esta palavra é usada com relação ao corpo
da ressurreição (1 Co 15.42,50,53,54) e é uma condição associada à glória, honra e vida! Esta palavra às vezes é
traduzida por “imortalidade” (Rm 2.7; 2 Tm 1.10) e também pode dar a idéia de “sinceridade”, de acordo com esta linha de
pensamento. Por outro lado, a Concordância Exaustiva de Strong aponta dois prováveis significados para esta palavra: 1)
incorrupção, perpetuidade, eternidade; 2) pureza, sinceridade. De qualquer forma, o amor puro e sincero é o que não se
corrompe, que traz em si a perpetuidade, que dura para sempre!
A afirmação de Paulo aos efésios faz com que reconheçamos que há pelo menos dois diferentes tipos de
amor que os crentes podem manifestar ao Senhor ao longo do tempo: o amor incorruptível e o amor corruptível. Portanto,
quando falamos de amor ao Senhor, não basta apenas reconhecermos que há pessoas que O amam e pessoas que não
O amam (1 Co 16.22). Se assim fosse, a nossa única tarefa seria a de fazermos com que os que não amam ao Senhor
passassem a amá-Lo! No entanto, o nosso desafio é ainda maior! Até mesmo dentre os que hoje professam que amam
ao Senhor Jesus Cristo, há os que O amam com um amor incorruptível e os que têm permitido que o seu amor por Ele se
corrompa!
A CORRUPÇÃO ESTÁ LIGADA AO SER HUMANO

Infelizmente, desde o início do seu relacionamento com Deus, o homem tem mostrado que a corrupção
está latente no seu ser. A corrupção faz parte da nossa própria natureza afetada pelo pecado e precisa ser mortificada
através do domínio do Espírito Santo em nós.
Além da queda de Adão e Eva no Jardim do Éden, que demonstra claramente a inclinação do ser humano
à corrupção, vemos nos dias de Noé que o Dilúvio foi um juízo divino provocado justamente por esta mesma corrupção
dos homens:
“Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau
todo desígnio do seu coração. Eis a história de Noé. Noé era homem justo e íntegro entre os seus
contemporâneos; Noé andava com Deus. Gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé. A terra estava corrompida à vista de
Deus e cheia de violência. Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia
corrompido o seu caminho na terra. Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está
cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra.” (Gênesis 6.5,9-13)

Além do ocorrido nos dias de Noé, um dos exemplos de corrupção que mais me impressionam é o que
aconteceu ao povo de Israel no deserto, logo depois que o Senhor os tirou do Egito com mão forte, sinais e prodígios!
Moisés subiu ao monte para receber os Mandamentos e ouviu de Deus a seguinte afirmação:
“E o Senhor me disse: Levanta-te, desce depressa daqui, porque o teu povo, que tiraste do Egito, já
se corrompeu; cedo se desviou do caminho que lhe ordenei; imagem fundida para si fez.” (Deuteronômio 9.12)

Estamos nos referindo a uma geração que viu a glória de Deus como nenhuma outra! O seu
relacionamento com Deus mal havia começado e eles já haviam se corrompido! É triste reconhecermos a inclinação do
homem à corrupção, inclusive em nosso amor ao Senhor. Essa geração deveria ter amado profundamente a Deus, mas
esqueceram-se d’Ele bem depressa! Contudo, não estamos falando apenas de uma geração pertencente a um passado
distante, pois este é o reflexo da nossa geração atual! Estamos repetindo o mesmo erro do passado!
O desafio de todo cristão é caminhar com Deus numa dimensão em que ele possa conservar o seu amor
intocável, incorruptível. A Igreja brasileira vive um crescimento inédito. Nunca tivemos tantas conversões como vemos
atualmente. As nossas igrejas nunca cresceram antes como crescem agora. Contudo, alguns dados estatísticos indicam
que a quantidade de desviados em nosso país é quase a mesma que a de cristãos firmes! A proporção está quase de um
para um!
Portanto, o nosso desafio não é apenas ganharmos os perdidos, mas também ensiná-los a amarem ao
Senhor com um amor incorruptível!
A FONTE DA CORRUPÇÃO

Antes de querermos procurar os culpados, temos que admitir que a corrupção está ligada ao ser humano, à
sua natureza carnal e pecaminosa. O apóstolo Paulo chamou esta condição interior de um “cativeiro da corrupção”:
“Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou,
na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos
filhos de Deus.” (Romanos 8.20,21)

A palavra grega traduzida como “corrupção” é “phthora”, e, segundo a Concordância de Strong, significa: 1)
corrupção, destruição, aquilo que perece; 2) aquilo que está sujeito à corrupção, que é perecível.
Em outras palavras, ela retrata algo que se estraga, que deixa de ser como era inicialmente, uma
decadência. O pecado é uma fonte de morte, de corrupção, e este reconhecimento levou o apóstolo ao seguinte
desabafo:
“Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7.24 – RC)

A fonte de toda corrupção (inclusive do nosso amor corruptível para com o Senhor Jesus) encontra-se em
nossa própria carne. É por isso que o crente em Jesus deve aprender a andar no Espírito, e assim mortificar a sua própria
carnalidade. É tudo uma questão de escolhermos onde investiremos e o que fortaleceremos em nossas vidas:
“Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.
Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do
Espírito colherá vida eterna.” (Gálatas 6.7,8)

O fato de termos em potencial uma fonte de corrupção em nós mesmos não significa que a corrupção seja
inevitável! Não estamos fadados ao fracasso: temos uma escolha! Ao falarmos desta nossa inclinação carnal, estamos
falando dos nossos desejos:
“No sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe
segundo as concupiscências do engano.” (Efésios 4.22)

A nossa carne carrega desejos enganosos, e não podemos nos entregar a eles. Pelo contrário, devemos
nos despojar deles (de tudo o que fazia parte da antiga forma de vivermos). Esta é a única forma de não sermos vencidos
pela corrupção da carne. É por isso que precisamos nos encher da Palavra de Deus. Ela é um poderoso instrumento de
Deus para fazer com que andemos em vitória. Quando nos afastamos da Palavra, a corrupção certamente nos domina.
Foi o que aconteceu nos dias de Neemias:
“De todo nos corrompemos contra ti, e não guardamos os mandamentos, nem os estatutos, nem os
juízos, que ordenaste a Moisés teu servo.” (Neemias 1.7 – RC)

Apesar de carregarmos em nossa própria carne o que podemos chamar de uma fonte de corrupção em
potencial, há ainda outros fatores externos que contribuem para aumentá-la.
A CORRUPÇÃO DO MUNDO

Todo cristão tem que enfrentar a força corruptora das paixões que há no mundo e aprender a não ser
contaminado por elas:
“A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas
tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.” (Tiago 1.27 – RC)

A única forma de nos guardarmos desta força maligna de corrupção do mundo é enchendo-nos da Palavra
(as preciosas promessas que o texto menciona) e da presença (natureza) divina – com o Espírito habitando em nós:
“Pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas
vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo.” (2
Pedro 1.4)

Ao falarmos do mundo, estamos falando de um sistema que engloba muitas estratégias para se pressionar
os cristãos. São hábitos, padrões, comportamentos, sem mencionarmos a força direta da mídia, que rege esses padrões
e tenta massacrar os nossos valores. No entanto, no meio de todo este sistema, temos que nos manter em alerta,
especialmente com relação às pessoas que nele vivem, pois a Bíblia declara que as más companhias corrompem os
bons costumes:
“Não vos deixeis enganar: más companhias corrompem bons costumes.” (1 Coríntios 15.33 – TB)

Uma das coisas que este sistema, juntamente com as pessoas que nele vivem, tenta fazer é substituir o
seu amor ao Senhor! É isso mesmo: ele não prega diretamente o abandono do nosso amor pelo Senhor; ele tenta fazer
com que as pessoas amem as coisas deste mundo, e, desta forma, o amor por Jesus começa a esfriar (Mt 24.12)! Aí
então, à medida que as pessoas passam a envolver-se com as coisas do mundo, elas vão se distanciando cada vez mais
de Cristo! Foi isto o que aconteceu com um dos cooperadores de Paulo em seu ministério. Ele declarou o seguinte:
“Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica.” (2
Timóteo 4.10)

A Tradução Brasileira optou pelo termo “o mundo presente” neste texto. Este versículo nos mostra que a
forma que Satanás usa neste sistema mundano para nos afastar do amor ao Senhor é tentando seduzir-nos com o amor
ao mundo. A consequência imediata disto é o abandono, não só do discipulador, mas também do próprio Cristo. E esta
progressão do nosso amor ao mundo não termina até que acabemos como inimigos d’Ele:
“Adúlteros, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Aquele, pois, que quiser
ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus.” (Tiago 4.4)

Tiago chama os que se tornam amigos do mundo de “adúlteros”! Outra versão usa o termo “infiéis”, que
significa exatamente a mesma coisa: “alguém que quebrou a sua aliança, o seu compromisso com o Senhor”! Por isso
devemos guardar o nosso coração, para que ele não seja seduzido pelo amor ao mundo:
“Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não
está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da
vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele,
porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente.” (1 João 2.15-17)
PROSTITUIÇÃO ESPIRITUAL

Tiago usou a expressão “adultério” ao referir-se ao cristão que dá as costas a Deus e envolve-se com o
mundo. A Bíblia usa repetidas vezes expressões que indicam uma prostituição espiritual ao referir-se à corrupção do
amor ao Senhor. Esaú é um exemplo negativo disto nas Escrituras. Ele tinha direito à herança de Abraão e Isaque por
nascimento, mas desprezou-a e ficou conhecido como alguém que se prostituiu:
“E ninguém seja fornicador ou profano, como Esaú, que, por um manjar, vendeu o seu direito de
primogenitura. Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não
achou lugar de arrependimento, ainda que, com lágrimas, o buscou.” (Hebreus 12.16,17 – ARC)

As Escrituras o chamam de “fornicador” e “profano”. De acordo com a Concordância de Strong, a palavra


traduzida por “fornicador” é “pornos”, e significa: 1) homem que prostitui seu corpo à luxúria de outro por pagamento; 2)
prostituto; 3) homem que se entrega à relação sexual ilícita, fornicador.
A Palavra de Deus emprega este mesmo exemplo de prostituição com relação a Israel, que deixou de amar
e seguir ao Senhor:
“A mim me veio a palavra do Senhor, dizendo: Vai e clama aos ouvidos de Jerusalém: Assim diz o
Senhor: Lembro-me de ti, da tua afeição quando eras jovem, e do teu amor quando noiva, e de como me seguias
no deserto, numa terra em que se não semeia.” (Jeremias 2.1,2)

Deus compara o Seu povo a uma noiva e enfatiza que Ele Se lembrava do amor deles, antes que se
corrompessem. E Ele continua empregando exemplos de prostituição na mensagem dada ao profeta:
“A tua malícia te castigará, e as tuas infidelidades te repreenderão; sabe, pois, e vê que mau e quão
amargo é deixares o Senhor, teu Deus, e não teres temor de mim, diz o Senhor, o Senhor dos Exércitos. Ainda
que há muito quebrava eu o teu jugo e rompia as tuas ataduras, dizias tu: Não quero servir-te. Pois, em todo
outeiro alto e debaixo de toda árvore frondosa, te deitavas e te prostituías.” (Jeremias 2.19,20)

Novamente vemos os termos “infidelidade” e “prostituição” sendo usados. Quando permitimos que o nosso
amor se corrompa e nos afastamos do Senhor, estamos praticando um “adultério espiritual”.

A Bíblia está repleta de pessoas que se corromperam em seu relacionamento com Deus: Esaú, Sansão,
Saul, Uzias, Judas, e muitos outros. No entanto, quando olhamos somente para esses exemplos, associamos a
corrupção do nosso amor ao Senhor somente aos casos mais graves, como o caso dos que se desviam totalmente. Pelo
fato de não termos nos desviado, deduzimos que o nosso amor ao Senhor não está correndo o risco de corrupção, e,
assim sendo, sentimo-nos confortáveis! Contudo, de acordo com o ensino do Senhor Jesus, há diferentes níveis de
adultério:
“Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher
com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.” (Mateus 5.27,28)

Há um adultério “físico” e um adultério “do coração”. É lógico que o adultério “físico”, com o envolvimento
sexual, tem consequências bem mais graves. Contudo, o adultério “do coração” não deixa de ser pecado e pode ser um
passo para o outro nível de adultério. Alguém que esteja praticando o adultério “do coração” não pode gloriar-se de que
está bem, ainda que a sua situação não seja visível, como a de quem cometeu um adultério “físico”. Semelhantemente,
não adianta nos justificarmos, alegando que não estamos desviados! Se o nosso amor ao Senhor está se enfraquecendo,
isto se deve ao fato de que, em algum nível, estamos nos corrompendo! Estamos adulterando!
Como eu já afirmei no Capítulo 2, a falta de amor ao Senhor é um pecado, é uma desobediência que será
seguida de maldição! Portanto, precisamos nos arrepender e buscar ao Senhor, permitindo que Ele nos restaure. Na
mensagem do profeta Jeremias, Deus revelou o Seu profundo amor pelo Seu povo, dispondo-Se a perdoá-los e a recebê-
los novamente, ainda que eles tivessem se prostituído:
“Se um homem repudiar sua mulher, e ela o deixar e tomar outro marido, porventura, aquele tornará
a ela? Não se poluiria com isso de todo aquela terra? Ora, tu te prostituíste com muitos amantes; mas, ainda
assim, torna para mim, diz o Senhor.” (Jeremias 3.1)

Assim como o Senhor chamou o Seu povo de volta, perdoando-lhe a prostituição espiritual, Ele também
está nos chamando de volta, independentemente do nível de corrupção que tenhamos permitido em nossas vidas! Ele
quer nos restaurar! No entanto, mais do que sermos restaurados da corrupção do nosso amor ao Senhor, precisamos
aprender a caminharmos de um modo tal a evitarmos que isto aconteça novamente!
Se aprendermos a amar a Cristo com um amor incorruptível, caminharemos de acordo com uma expressão
maior da graça de Deus:
“A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo com amor incorruptível.”
(Efésios 6.24 – TB)
EXPERIMENTANDO MAIS DE DEUS

Tenho aprendido um princípio importante de como podemos provar mais de Deus no capítulo seis de
Isaías, onde lemos acerca de uma fortíssima experiência dele com Deus. A vida cristã é progressiva (Pv 4.18) e Deus
quer que provemos cada vez mais de sua presença. Esta experiência de Isaías foi um momento em sua vida onde ele
galgou um degrau a mais no seu relacionamento com Deus.
“No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas
de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o
rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo,
santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. As bases do limiar moveram-se à voz do
que clamava, e a casa se encheu de fumaça. Então disse eu: Ai de mim! Estou perdido! porque sou homem de
lábios impuros, habito no meio dum povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos
Exércitos! Então um dos serafins voou para mim trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma
tenaz; com a brasa tocou a minha boca, e disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniquidade foi tirada, e
perdoado o teu pecado Depois disto ouvi a voz do Senhor que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós?
Disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim”. (Isaías 6.1-8)

O impacto no profeta foi tamanho que ele declarou ser um homem de lábios impuros no meio de um povo
de impuros lábios. Só que quando lemos os cinco capítulos anteriores de seu livro, vemos uma forte mensagem contra o
pecado. Não enxergamos este Isaías de lábios impuros que ele descreve, apenas o Isaías “profeta”. Mas quando
provamos mais de Deus passamos a enxergar o quanto ainda precisamos do Senhor e de seu tratamento em nossas
vidas.
Todos precisamos deste nível de experiência. Não que a visão em si vá se repetir a cada um de nós, mas
precisamos provar mais de Deus a ponto de enxergarmos nossa miséria e entrarmos num novo nível em Deus. Isaías
recebeu um toque purificador em seus lábios, pois foi justamente aí que ele confessou ser falho; e passou a ter uma nova
consciência do chamado de Deus para o serviço (v.8).
NO ANO EM QUE MORREU O REI UZIAS

Na ocasião em que Deus começou a falar fortemente ao meu coração através deste texto, comecei a me
indagar o que levou o profeta a ter tal experiência. A Bíblia diz que “tudo quanto foi escrito, para nosso ensino foi escrito”
(Rm 15.4). Diz também que “estas coisas lhe sobrevinham como exemplos, e foram escritas para advertência nossa” (1
Co 10.11). Portanto, a experiência de Isaías não é apenas um relato histórico, mas um ensino prático para nós hoje. E
enquanto indagava sobre o que o levou a ter tal experiência, Deus vivificou diante dos meus olhos a frase: “no ano em
que morreu o rei Uzias”. Estou certo de que ela não era apenas uma referência cronológica da experiência, mas a
descrição simbólica de sua causa. Isaías podia apenas ter dito em que ano do reinado de Jotão, filho de Uzias, isto
aconteceu, pois este começou a reinar antes de seu pai morrer. Mas não se tratava apenas de um referencial no
calendário, e sim de uma figura importante no ensino que receberíamos.

Isaías profetizou durante o reinado de quatro reis. Uzias foi o primeiro deles, o que nos faz concluir que
nesta época ele era ainda bem jovem. E na condição de jovem, provavelmente era um admirador do rei Uzias, pois ele foi
um dos reis que mais deu vitórias a Israel em toda a sua história; provavelmente, como um general de guerra sua fama
tenha ficado apenas atrás de Davi. A nação respeitava e amava este homem que lhe havia devolvido a glória e o
prestígio. O relato bíblico deixa claro o sucesso que este homem desfrutou governando a nação:
“Saiu e guerreou contra os filisteus, e quebrou o muro de Gate, o de Jabne e o de Asdode; e
edificou cidades no território de Asdode, e entre os filisteus. Deus o ajudou contra os filisteus e contra os arábios
que habitavam em Gur-Baal, e contra os meunitas. Os amonitas deram presentes a Uzias, cujo renome se
espalhara até a entrada do Egito, porque tinha se tornado em extremo forte. Também edificou Uzias torres em
Jerusalém, à Porta da Esquina, à porta do Vale e à Porta do Ângulo, e as fortificou. Também edificou torres no
deserto, e cavou muitas cisternas, porque tinha muito gado, tanto nos vales como nas campinas; tinha
lavradores e vinhateiros, nos montes e nos campos fertéis, porque era amigo da agricultura. Tinha também Uzias
um exército de homens destros nas armas, que saíam à guerra em tropas, segundo o rol feito pelo escrivão Jeiel,
e Maaséias, oficial, sob a direção de Hananias, um dos príncipes do rei. O número total dos cabeças da famílias,
homens valentes, era de dois mil e seiscentos. Debaixo das suas ordens havia um exército guerreiro de trezentos
e sete mil e quinhentos homens, que faziam a guerra com grande poder, para ajudar o rei contra os inimigos.
Preparou-lhes Uzias, para todo o exército, escudos, lanças, capacetes, couraças e arcos, e até fundas para atirar
pedras. Fabricou em Jerusalém máquinas, de invenção de homens peritos, destinadas para as torres e cantos
das muralhas, para atirarem flechas e grandes pedras; divulgou-se a sua fama até muito longe; porque foi
maravilhosamente ajudado, até que se tornou forte”. (2 Crônicas 26.6-15)

Uzias foi um líder respeitado e admirado. E podemos afirmar com toda a certeza, que o jovem profeta o
admirava. Mas foi somente quando morreu o rei natural, carnal, que seus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos. Há
um princípio espiritual aqui. Somente quando morreu o rei Uzias é que os olhos de Isaías se abriram para a revelação de
Deus como rei. Ele viu o Senhor assentado num trono, o lugar de autoridade dos reis. Ele viu as orlas de seu manto real
enchendo todo o templo. Mas para que pudesse ver o rei espiritual, o carnal teve que morrer. Esta é uma figura profética.
Se queremos ver o Rei, entrando numa nova experiência com Deus, primeiro Uzias tem que morrer em nossas vidas.
O QUE UZIAS SIMBOLIZA

O rei Uzias figura este comportamento que temos denunciado desde o primeiro capítulo deste livro, de
querer usar Deus como um trampolim para receber aquilo que se deseja, sem um forte senso de compromisso, de aliança
com Deus. Ele começou corretamente, mas depois demonstrou o que de fato estava em seu coração.
“Ele fez o que era reto perante o Senhor, segundo tudo que fizera Amazias, seu pai. Propôs-se
buscar a Deus nos dias de Zacarias, que era entendido nas visões de Deus; nos dias em que buscou ao Senhor,
Deus o fez prosperar”. (2 Crônicas 26.4,5)

O texto bíblico diz que “ele foi maravilhosamente ajudado (pelo Senhor) ATÉ QUE se tornou forte”(v.15).
Esta expressão “até que” nos mostra que a partir de então Deus já não era necessário para ele, pois já chegara onde
queria. Uzias é o retrato do sentimento que há no coração de todos os que buscam ao Senhor por interesse, apenas para
alcançar o que querem. Tão logo Uzias alcançou o sucesso, Deus se tornou descartável para ele. E assim são tantos que
se dizem cristãos! Sei o que estou falando. Nestes últimos anos de pastoreamento tenho percebido o quanto isto ocorre
no meio do rebanho.
É só chegar a época do vestibular e a moçada se “converte”. Depois que entram na universidade se
esquecem que serviam a Deus e correm atrás do pecado. Quando querem namorar e precisam da “benção de Deus”
então, nem se fala! Mas depois que foram “abençoados” voltam as costas ao Senhor e vão para a cama com a “benção”
que receberam.

Tenho visto as pessoas chegarem à igreja porque precisavam de restauração familiar e, quando isto
aconteceu, não havia mais nem sombra delas! Outros necessitavam de restauração financeira, outros de cura, e assim
por diante… E quando recebiam o que queriam, Deus já não era mais tão importante. Isto acontece porque o ser humano
é egoísta por natureza. Sua carne o leva a pensar somente em si mesmo.
Se não ensinarmos estas verdades, iremos falhar e ver muitos outros falhando também. É preciso
confrontar o coração com a verdade da Palavra. E se quebrantar diante de Deus. Veja o comportamento de Uzias:
“Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração para a sua própria ruína, e cometeu
transgressões contra o Senhor, seu Deus, porque entrou no templo do Senhor para queimar incenso no altar do
incenso”. (2 Crônicas 26.16)

O rei Uzias é símbolo e figura da auto-suficiência, do orgulho, e da falta de compromisso com Deus.
Representa aquele tipo de pessoa para quem Deus é apenas um amuleto. Representa aquele tipo de crente que não
corresponde com Deus e suas intervenções, pois é egoísta e só pensa em si mesmo.
Uzias tem que morrer se queremos ver a glória do Senhor e entrar numa dimensão mais profunda de
intimidade com ele. Somente quando Uzias morre (e falo sobre deixar esta atitude que ele teve) é que veremos o Rei, o
Senhor dos Exércitos. Esta nossa atitude descompromissada e interesseira no que diz respeito aos milagres nos tem
impedido de provar uma visitação maior da parte do Senhor. É tempo de nos arrependermos diante de Deus e
assumirmos uma nova postura, uma nova mentalidade. Uzias tem que morrer! Mas como isto acontece?
COMO UZIAS MORRE

As Escrituras nos mostram como o rei Uzias veio a morrer. Examinemos o texto bíblico para extrair dele
princípios práticos. Assim que Uzias entrou no templo de Deus, os sacerdotes o resistiram, deixando-nos exemplo:
“Porém o sacerdote Azarias entrou após ele, com oitenta sacerdotes do Senhor, homens da maior
firmeza; e resistiram ao rei Uzias, e lhe disseram: A ti, Uzias, não compete queimar incenso perante o Senhor,
mas aos sacerdotes, filhos de Arão, que são consagrados para este mister; sai do santuário, porque
transgrediste; nem será isto para honra tua da parte do Senhor Deus. Então Uzias se indignou; tinha ele o
incensário na mão para queimar incenso; indignando-se ele, pois, contra os sacerdotes, a lepra lhe saiu na testa
perante os sacerdotes, na casa do Senhor, junto ao altar do incenso. Então o sumo sacerdote Azarias e todos os
sacerdotes voltaram-se para ele, e eis que estava leproso na testa, e apressadamente o lançaram fora; até ele
mesmo se deu pressa em sair, visto que o Senhor o ferira. Assim ficou leproso o rei Uzias até o dia de sua morte;
e morou, por ser leproso, numa casa separada, porque foi excluído da casa do Senhor; e Jotão, seu filho, tinha a
seu cargo a casa do rei, julgando o povo da terra”. (2 Crônicas 26.17-21)

A Bíblia mostra claramente que o Senhor mesmo feriu a Uzias com a lepra. Mas só aconteceu depois que
os sacerdotes o resistiram. Quando percebemos esta atitude de Uzias em nossas vidas, devemos nos opor fortemente a
ela. Não podemos aceitar ou tolerar isto em nós. Somos o santuário de Deus e também o sacerdócio instituído para
cuidar do santuário. Devemos tomar posição contrária a este tipo de atitude. Deus não é um amuleto para que o usemos
apenas para conseguir o que queremos. Não é descartável. Mas nossa carne nos leva a um viver egoísta e é preciso
reconhecer e confrontar esta atitude.
Quando nos deixamos tomar pelo temor de Deus e confrontamos em oração e temor este tipo de atitude, o
Senhor ferirá Uzias de morte. Não há morte instantânea para ele. É um processo. A lepra o matou aos poucos. E nas
nossas vidas será também assim. Não adianta fazermos uma única oração e achar que tudo se resolverá. Uzias
permaneceu EXCLUÍDO (pelos sacerdotes) da casa do Senhor até a sua morte. E nós também, como sacerdotes de
Deus, devemos mantê-lo longe do santuário (que somos nós). Devemos nos opor continuamente a ele até que morra e já
não haja mais sua influência em nós. E quando isto acontecer, os nossos olhos verão o Rei, o Senhor dos Exércitos!
Há todo um processo de quebrantamento, rendição, e humilhação contínua diante do Senhor até que isto
aconteça. Não é automático. Mas vale a pena. A possibilidade de ver o Rei, e conhecê-lo num novo nível deve nos
motivar a isto.
A INTERAÇÃO DA TRINDADE
Embora não exista na Bíblia o termo “Trindade”, é empregado como uma denominação teológica para o
mistério do Pai, Filho e Espírito Santo como um só Deus mas, em três distintas pessoas (Mt 28.19). Gosto deste termo,
pois não nos deixa fugir da idéia que é um só Deus. Não consigo entender com minha mente a profundidade deste
assunto, mas aceito de todo coração a verdade bíblica a seu respeito. Sei que “agora vemos como que por espelho, em
enigma, mas então [na glória] veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como
também sou plenamente conhecido” (1 Co 13.12).
Vemos nas Escrituras uma ação conjunta dos membros da Trindade. Nenhum deles trabalha isoladamente,
antes, interagem. Observemos, por exemplo, a conjugação de verbos no plural, em textos onde Deus está falando:
“E disse Deus: FAÇAMOS o homem à NOSSA imagem, conforme a NOSSA semelhança…” (Gênesis
1.26)
“Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem irá por NÓS?” (Isaías 6.8)

Em ambos os textos, vemos a forma plural, que indica haver uma espécie de “conselho” entre o Pai, o
Filho, e o Espírito Santo. Basta olhar a ordem de conjugação nas duas perguntas ouvidas pelo profeta:
1. “A quem [eu] enviarei” – singular: uma pessoa por trás.
2. “E quem irá por nós?” – plural: mais de uma pessoa por trás.

Diante disto podemos compreender duas verdades básicas:


1. O profeta seria enviado para representar a Trindade: O Pai, o Filho, e o Espírito Santo.
2. Embora como mensageiro fosse representar a Trindade, só um deles teria a responsabilidade de enviar.
INTERAÇÃO NA CRIAÇÃO

Na criação descrita em Gênesis foi assim. Vemos que o Pai está por trás dos planos; em Provérbios 8.30
temos a sabedoria falando e revelando que, na criação, “estava ao seu lado como arquiteto”; houve, portanto,
planejamento, e isto está ligado ao Pai.
Mas após o planejamento, vem as etapas de execução na seguinte ordem: em primeiro lugar Deus fala, e
em segundo acontece. Por trás da fala está Jesus, o verbo (Jo 1.1-3). Cada vez que se lê em Gênesis, “disse Deus”,
vemos Jesus presente, pois Ele é a Palavra! E: “pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de
Deus”(Hb 11.3).
Troque o termo “palavra” por “Jesus”, e verá a concordância com outros textos, como por exemplo Hebreus
1.2 que, falando de Jesus, mostra que papel ocupou na criação: “por quem fez também o mundo”. Jesus Cristo é a
palavra de ordem em operação; sem Ele, nada do que foi feito se fez.

Temos, portanto, uma progressão; depois do planejamento, veio a fala, a ordem para que fosse feito. E
então, após a fala, veio a execução, onde tudo acontece. E quem está por trás do papel de “fazer acontecer”? É o Espírito
Santo, que “pairava” sobre a face das águas (Gn 1.2).
Alguns comentaristas da Bíblia dizem que a palavra traduzida do hebraico para “pairava”, está ligada ao ato
da galinha de “chocar” seus ovos. Não é de se pensar, portanto, que o Espírito Santo estivesse brincando na água;
apenas aguardava a palavra de ordem para realizar a obra! E à medida que a voz se fazia ouvir, Ele a executava.

Numa obra de construção civil, vemos pelo menos três tipos de pessoas (e trabalhos) envolvidas na
construção de qualquer edifício:
1) arquiteto – responsável pelo planejamento.
2) mestre de obras – responsável por dar as ordens de execução do plano do arquiteto.
3) o pedreiro – aquele que executa a ordem do mestre de obras.
Na criação ocorreu algo semelhante: o Pai planejou, Jesus deu as ordens e o Espírito Santo as executou.
Isto é interação!
INTERAÇÃO AO GERAR O CORPO DE JESUS

Como Deus, Jesus Cristo é pré-existente, mas seu corpo precisou ser formado, e nesta ocasião também
vemos a interação da Trindade. A formação do corpo de Jesus é atribuída a Deus Pai, como declarou o autor da epístola
aos hebreus: “pelo que, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste” (Hb 10.5).
A participação de Deus Pai foi o planejamento, uma vez que a execução não foi realizada diretamente por
Ele. Há um texto que descreve a participação do Filho e do Espírito Santo nesta interação:
“Respondeu-lhe o anjo: Virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua
sombra; por isso o que há de nascer será chamado santo, filho de Deus. Disse então Maria: Eis aqui a serva do
Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.” (Lucas 1.35 e 38)

Em segundo lugar (como na ordem da criação), temos a Palavra em ação. Maria reconhece que o anjo é só
um mensageiro e que as palavras não são suas, mas de Deus; e reconhecendo o poder criativo da Palavra, diz: “cumpra-
se em mim segundo a tua palavra”. Aqui é o Verbo em ação.
Mas em terceiro lugar é que vem a execução: “Virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te
cobrirá com a sua sombra”. A semente é a Palavra trazida pelo anjo mas, é o Espírito Santo quem vai faze-la gerar!
INTERAÇÃO NO TRABALHO NA IGREJA

No que diz respeito ao agir de Deus na igreja, também vemos esta interação da Trindade:
“Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o
Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.” (1 Coríntios
12.4-6)

Fico entristecido quando alguns pregadores “atropelam” este ensino de Paulo, e tudo o que enxergam e
ensinam em termos do agir de Deus na Igreja acaba sendo genericamente intitulado como “dons espirituais”. Já tenho
lido algumas listas onde foram relacionados quase 30 dons do Espírito Santo. Chamam tudo de dom do Espírito, mas não
é assim; não podemos bater tudo num liquidificador para depois tomar o “milk-shake” seja lá qual gosto que venha a ter…
O texto fala sobre três coisas distintas: dons, ministérios e operações.
Os dons são nove (1 Co 12.8-10), e quem está por trás desta manifestação é o Espírito Santo. Os
ministérios são cinco (Ef 4.11), e quem está por trás deles é Jesus; o termo “Senhor” usado por Paulo, refere-se a Cristo,
como o é em todo o Novo Testamento. As operações tem Deus por trás de si, e isto é uma referência ao Pai; aliás,
sempre que o termo “Deus” aparece de forma genérica sem a especificação de qual membro da Trindade está em
evidência, ela está apontando para o Pai. Socorros, governos, exortação, misericórdia, etc… são operações (1 Co 12.28-
30 e Rm 12.6-8); para facilitar, tudo o que não estiver na relação dos nove dons e dos cinco ministérios, se enquadra nas
operações de Deus na Igreja.

Mas qual a importância de examinarmos tão detalhadamente esta interação?


Primeiramente é demonstrar um princípio, uma doutrina bíblica. Depois é tentar deixar mais claro o papel
do Espírito Santo em nossas vidas hoje. E para isto consideremos mais um exemplo desta interação da Trindade: a
redenção. E é aqui onde eu realmente queria chegar: no papel do Espírito Santo de aplicar em nós a obra da redenção.
INTERAÇÃO NA REDENÇÃO

Na redenção do homem caído, deturpado pelo pecado, os membros da Trindade mostram a mesma
DISTRIBUIÇÃO DE TAREFAS encontradas nas demais áreas de interação que examinamos. Novamente, o Pai está por
trás dos planos; Efésios 1.3-5 nos revela isto ao declarar que o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus nos elegeu e
predestinou em Cristo para sermos filhos de adoção.
Predestinar é destinar de antemão, é traçar um plano, um alvo. É aqui que começou a redenção com o Pai,
na eternidade; não foi na cruz. A cruz foi parte do cumprimento do plano; Paulo diz a Timóteo que Deus nos salvou
segundo o seu próprio propósito e graça antes dos tempos eternos, mas a salvação só chegou aos homens após o
aparecimento de nosso Senhor Jesus (2 Tm 1.9,10).
Jesus colocou-se como voluntário para encarnar como homem e morrer por cada um de nós. Esta
voluntariedade é atestada pelo próprio Jesus quando afirmava que Ele mesmo dava sua vida (Jo 10.17,18) e por Paulo
que afirmou acerca do Mestre bendito: “o qual se deu a si mesmo por nós” (Gl 1.4).

A parte de Jesus se resume na encarnação, morte, ressurreição, ascensão e sacerdócio (Hb 7.25).

O Pai planejou a redenção. O Filho pagou o preço e tornou-a disponível. Mas quem fará com que tudo isto
se torne realidade na individualidade de cada ser humano?
É o Espírito Santo! Sem Ele, a obra da redenção não é completa.
O PAPEL DO ESPÍRITO SANTO NA REDENÇÃO

O arrependimento começa no homem por uma ação divina. Sabemos disto porque Paulo disse aos
romanos que é a bondade de Deus que nos conduz ao arrependimento (Rm 2.4). E quem está por trás disto? É o Espírito
Santo; Jesus disse: “quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça, e do juízo” (Jo 16.8). Após o
arrependimento, quando o homem exerce a fé em Jesus e na obra da cruz, é o Espírito Santo quem faz com que isto se
torne realidade nele.
Por isso se diz que ao nascer de novo, o homem é nascido do Espírito (Jo 3.6). E na carta a Tito lemos
acerca do lavar da regeneração do Espírito Santo (Tt 3.5), o que mais uma vez aponta para a atuação do Espírito na
aplicação da redenção no homem.
Mas isto é apenas o começo. O reino de Deus tem três etapas básicas pelas quais o homem deve passar:
porta, caminho, e alvo. A porta é a entrada por meio de Jesus Cristo. O alvo é a chegada à estatura do varão perfeito e à
glória celestial.

E entre a porta e o alvo, o que restou é o caminho. O Espírito Santo não apenas nos faz passar a porta,
mas é quem leva-nos até o alvo, e para isto usa o caminho.
O caminho é o período onde experimentaremos o tratamento de Deus em nós na vida cristã; é o meio pelo
qual se vai ao alvo. E tudo isto é responsabilidade do Espírito Santo; é Ele quem nos transforma de glória em glória na
imagem do Senhor (2 Co 3.18), produz em nós seu fruto (Gl 5.22,23), e nos leva a andar e viver n’Ele (Gl 5.25).
A Nova Aliança é chamada por Paulo de o ministério do Espírito (2 Co 3.8), mostrando-nos seu papel de
produzir em nós a obra de Deus. O Espírito Santo veio concluir a obra da redenção; é por isso que Ele está em nós.
Estes princípios devem nos levar a uma comunhão mais íntima com Deus, uma vez que entendemos a
necessidade de se entregar plenamente ao Espírito Santo em nosso andar em Deus.
VOLTANDO AO PRIMEIRO AMOR

Há alguns anos atrás eu fui ao supermercado para fazer uma pequena compra. Não era o que poderíamos
chamar de “compra do mês”; era só uma “comprinha” daquelas para as necessidades de um ou dois dias. Portanto, saí
com uma certa quantia em dinheiro e fiz questão de ir somando mentalmente o preço dos produtos que eu estava
comprando, de modo a não exceder o valor que eu tinha em mãos. Depois que as mercadorias passaram pelo caixa,
sobrou um pequeno troco – não me lembro o valor exato, mas eram apenas moedas. Aí então perguntei ao caixa se
aquele valor daria para comprar algum chocolate, pois eu pensei em levar algo à minha esposa e filhos. Fui informado
que, com aquela quantia, eu somente conseguiria comprar três unidades daquele chocolatinho em forma de bastão, o
“Batom” da Garoto, e foi exatamente o que eu fiz!
Quando eu entreguei os chocolatinhos na mão dos meus dois filhos, Israel e Lissa, eles fizeram a maior
festa. Achei que eu conseguiria causar a mesma boa impressão em minha esposa, a Kelly, mas, para meu espanto, a
reação dela foi dizer-me:

– Que decadência!
Levei um susto com a frase dita por ela e com o olhar de censura recebido por mim! O olhar de “Don Juan”
e o chocolatinho não haviam produzido resultado algum em minha tentativa de agradar a minha esposa! Assim sendo,
disparei:
– Do que é que você está falando, mulher?
Ela sequer titubeou para responder:

– No início, quando começamos a namorar, você me trazia bombons da Kopenhagen. Depois que ficamos
noivos, você começou a aparecer com caixinhas de bombons sortidos da Nestlé. Quando nos casamos, você começou a
trazer os “Sonhos de Valsa” da Lacta. E agora “Batom”! Onde é que isto vai parar?
Caímos na gargalhada com o protesto da Kelly! Depois, no entanto, percebi que ela não havia apenas
brincado. Comecei a repensar na minha dedicação em agradá-la e concluí que ela estava certa. Eu ainda a amava, e não
achava que houvesse perdido este amor, mas as coisas deixaram de ser como haviam sido no começo!
É claro que um relacionamento amadurece e nem tudo será sempre como foi no começo. Eu poderia
mencionar muitas coisas que melhoraram ao longo dos anos, mas o fato é que, neste aspecto específico (a expressão de
valorização e carinho), eu havia decaído com relação ao que eu já havia sido antes! Chocolates populares também são
gostosos, mas não são românticos!
Eu pedi perdão à minha esposa e prometi resgatar o que eu havia deixado de lado. E, obviamente, tratei de
fazer o que eu deveria fazer: comecei a dar-lhe bombons da Kopenhagen novamente!
Se isto acontece ao nível do nosso relacionamento humano, natural, certamente também acontece no
plano espiritual! Da mesma forma que perdemos a paixão e a intensidade do nosso amor por permitirmos o nosso
envolvimento na rotina de um relacionamento com pessoas que realmente amamos, também acabamos permitindo que o
nosso relacionamento com o Senhor sofra desgastes! E o Deus que nos chamou a um relacionamento de amor total não
aceita isto! Ele protesta e pede de volta o que perdemos!
Nas visões do Apocalipse, que o apóstolo João recebeu na Ilha de Patmos, o Senhor lhe confiou algumas
mensagens às Igrejas da Ásia. Na Carta endereçada à Igreja de Éfeso, o Senhor Jesus protestou com relação à
decadência do amor que essa igreja vinha apresentando. Ele protestou pela perda do que chamou de “primeiro amor”:
“Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar
homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste
mentirosos; e tens perseverança, e suportaste provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer.
Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e
volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te
arrependas.” (Apocalipse 2.2-5)
O PRIMEIRO AMOR

O que é o “primeiro amor” a que o Senhor Jesus Se refere nesta mensagem?

É um fogo de grande intensidade em nosso íntimo, que coloca Jesus acima de todas as demais coisas! Isto
foi bem exemplificado numa parábola de Cristo:
“O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o
achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo.” (Mateus
13.44)
O Senhor está falando de alguém que, além de transbordar de alegria por ter encontrado o Reino de Deus,
ainda se dispõe a abrir mão de tudo o que tem para desfrutar do seu achado. Estas duas características são evidentes na
vida de quem teve um encontro real com Jesus.

Esta alegria inicial foi mencionada por Jesus na Parábola do Semeador. O problema é que alguns cristãos
permitem que ela desapareça diante de algumas provações:
“O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria; mas
não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por
causa da palavra, logo se escandaliza.” (Mateus 13.20,21)

Outros cristãos, por sua vez, até mesmo diante das mais duras provações, ainda permanecem
transbordantes desta alegria:
“Chamando os apóstolos, açoitaram-nos e, ordenando-lhes que não falassem em o nome de Jesus,
os soltaram. E eles se retiraram do Sinédrio regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer
afrontas por esse Nome.” (Atos 5.40,41)

O primeiro amor é o nosso primeiro momento de relacionamento com Cristo em que nos devotamos de
todo o nosso ser a Ele. Abrimos mão de tudo por causa de Jesus:
“O reino dos céus é também semelhante a um que negocia e procura boas pérolas; e, tendo achado
uma pérola de grande valor, vende tudo o que possui e a compra.” (Mateus 13.45,46)

O Reino de Deus passa a ser prioridade absoluta! É quando amamos a Deus de todo o nosso coração e
alma, com todas as nossas forças e entendimento! Este primeiro amor nos leva a vivermos intensamente a fé. Foi assim
desde o início da era cristã:
“Então, os que aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase
três mil pessoas. E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em
cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que
creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto
entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam
pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e
contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam
sendo salvos.” (Atos 2.41-47)

Os relatos de Atos dos Apóstolos nos revelam uma Igreja viva, cheia de paixão e fervor:
“Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua
nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum. Com grande poder, os apóstolos davam
testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Pois nenhum necessitado
havia entre eles, porquanto os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam os valores correspondentes
e depositavam aos pés dos apóstolos; então, se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha
necessidade.” (Atos 4.32-35)

Este amor nos leva à prática de buscarmos intensamente ao Senhor. Aliás, vale ressaltarmos que há um
padrão de busca que Deus determinou para nós. É quando Ele Se torna mais importante para nós do que qualquer outra
pessoa ou coisa! Devemos chegar a um ponto tal neste anseio por Ele que nada mais importe!
O ser humano foi criado para buscar a Deus. Este propósito divino é claramente revelado nas Escrituras.
Na pregação do apóstolo Paulo em Atenas, ele fez a seguinte afirmação:
“O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita
em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa
precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais; de um só fez toda a raça humana
para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua
habitação; para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um
de nós.” (Atos 17.24-27)

A declaração bíblica é muito específica: o homem foi criado e estabelecido por Deus nesta Terra para
buscá-Lo! Ainda que, em cegueira espiritual, o fizesse tateando, o homem deveria buscar a Deus. E Deus quer ser
achado pelo ser humano, fato esse que fez com que Paulo afirmasse que Ele “não está longe de cada um de nós”!
Contudo, Deus não esperava apenas que os homens O buscassem, mas que também o fizessem da forma
correta! Através do profeta Jeremias, o Senhor Deus deixou bem claro o que é necessário para que O encontremos – não
apenas uma busca qualquer, mas uma busca de todo o nosso coração:
“Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração.” (Jeremias 29.13)

Este amor também faz com que trabalhemos para Deus. Jesus relacionou este amor com obras quando
disse a Pedro que se ele O amasse, ele deveria pastorear o Seu rebanho (Jo 21.15-17). O apóstolo Paulo falou que o
amor de Cristo (ou o entendimento da profundidade deste amor) nos constrange a não mais vivermos para nós, e sim
para Ele:
“Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos
morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que
por eles morreu e ressuscitou.” (2 Coríntios 5.14,15)

Foi este “constrangimento” de amor que fez com que o apóstolo Paulo trabalhasse mais do que os demais
apóstolos:
“Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã;
antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo.” (1 Coríntios 15.10)

Isto também deve ser assim conosco hoje. O primeiro amor é uma profunda resposta ao entendimento do
amor de Cristo, o que nos leva a buscarmos e a servirmos ao Senhor com intensidade e paixão.
A PERDA DO PRIMEIRO AMOR

Alguns acham que, se o primeiro amor nos leva ao trabalho, então a perda do primeiro amor poderia ser
definida como sendo “uma diminuição da produtividade”. Porém, de acordo com a mensagem de Jesus na Carta à Igreja
de Éfeso, a perda do primeiro amor não é apenas uma questão de “relaxarmos” no trabalho de Deus, pois o Senhor lhes
disse: “Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança” (Ap 2.2a). A palavra grega traduzida como
“labor” é “kopos”, que, de acordo com a Concordância de Strong, significa: “intenso trabalho unido a aborrecimento e
fadiga”. Este tipo de labor seguido de perseverança, por parte dos efésios, não nos permite concluirmos que eles tenham
demonstrado alguma queda de produtividade no serviço ao Senhor.
“Perder o primeiro amor” também não é “enfrentar uma crise de desânimo” ou “desejar desistir”, uma vez
que, nesta mensagem profética, o Senhor Jesus elogia a persistência desses cristãos de Éfeso: “e tens perseverança, e
suportaste provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer” (Ap 2.3).
A perda do primeiro amor também não pode ser vista como sendo um momento de crise no trabalho ou na
dedicação, uma vez que é algo que Deus “tem contra nós”:
“Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste,
arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro,
caso não te arrependas.” (Apocalipse 2.4,5)

Portanto, a perda do primeiro amor é uma queda, é chamada de pecado, e necessita arrependimento. Há
muitos crentes que continuam se dedicando ao trabalho do Senhor, mas perderam a paixão. Fazem o que fazem por
hábito, por rotina, por medo, pelo galardão, por quaisquer outros motivos, os quais, acompanhados daquele primeiro
amor intenso, fariam sentido, mas sozinhos não!

A queixa que o Senhor faz é o fato de que esses crentes haviam abandonado o primeiro amor. A palavra
grega “aphiemi”, traduzida como “abandonar” neste texto bíblico, tem um significado bem abrangente. A Concordância de
Strong define esta palavra da seguinte maneira: “enviar para outro lugar; mandar ir embora ou partir; de um marido que
divorcia sua esposa; enviar, deixar, expelir; deixar ir, abandonar, não interferir; negligenciar; deixar ir, deixar de lado uma
dívida; desistir; não guardar mais; partir; deixar alguém a fim de ir para outro lugar; desertar sem razão; partir deixando
algo para trás; deixar destituído.”

Essas expressões refletem, não uma perda que possa ser denominada como sendo meramente acidental,
mas um ato voluntário de abandono, de descaso.
O Senhor Jesus tampouco está exortando esta igreja por não O amarem mais! Não se tratava de uma
ausência completa de amor, pois ainda havia amor! No entanto, o amor deles havia perdido a sua intensidade e não era
mais o amor que Ele esperava encontrar neles!
PORQUE PERDEMOS O PRIMEIRO AMOR

O primeiro amor é como um fogo. Se colocamos lenha, ele fica mais inflamado. Contudo, se jogamos água,
ele se apaga! Falhamos por não alimentarmos o fogo e por permitirmos que outras coisas o apaguem!
Muitas coisas contribuem para que o nosso amor pelo Senhor perca a sua intensidade. No entanto, há
quatro coisas, especificamente, que eu gostaria de enfatizar aqui. Se quisermos nos prevenir e evitar esta perda, ou se
quisermos uma restauração, depois que perdemos este amor, precisaremos entender estes aspectos e a maneira como
eles nos afetam:
1. O convívio com o pecado
2. A falta de profundidade
3. A falta de tratamento
4. As distrações

O primeiro fator de esfriamento do nosso amor para com o Senhor é “o convívio com o pecado”:
“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará.” (Mateus 24.12)

Ao falar do “convívio com o pecado”, ao invés do pecado em si, estou pretendendo estabelecer uma
diferença importantíssima. É óbvio que quem vive no pecado está distante de Deus. A ausência do primeiro amor é
chamada de “pecado”, mas este pecado não é necessariamente ocasionado por um outro pecado na vida da pessoa que
sofreu esta perda. Muitas vezes esta frieza é gerada pelo “convívio com o pecado dos outros”! Creio que, em Mateus
24.12, Jesus está Se referindo aos pecados da sociedade em que vivemos. Devido à multiplicação do pecado à nossa
volta (e não necessariamente em nossas vidas), passamos a conviver com algumas coisas que, ainda que não as
pratiquemos, passamos a tolerar!
Precisamos ter o cuidado de não nos acostumarmos com o pecado à nossa volta. Muitas vezes o enredo
dos filmes que nos proporcionam entretenimento faz com que nos acostumemos com alguns valores contrários ao que
pregamos. Acabamos aceitando com naturalidade a violência, a imoralidade, e muitos outros valores mundanos. Ainda
que não cedendo a esses pecados, se não mantivermos um coração que aborreça o mal, ficaremos acostumados com
esses valores errados a ponto de permitirmos que o nosso amor se esfrie! Precisamos agir como Ló, que se afligia com
as iniquidades das pessoas à sua volta:
“E, reduzindo a cinzas as cidades de Sodoma e Gomorra, ordenou-as à ruína completa, tendo-as
posto como exemplo a quantos venham a viver impiamente; e livrou o justo Ló, afligido pelo procedimento
libertino daqueles insubordinados (porque este justo, pelo que via e ouvia quando habitava entre eles,
atormentava a sua alma justa, cada dia, por causa das obras iníquas daqueles)… porque o Senhor sabe livrar da
provação os piedosos e reservar, sob castigo, os injustos para o Dia de Juízo.” (2 Pedro 2.6-9)

O segundo fator que contribui para o esfriamento do nosso amor pelo Senhor é a nossa falta de
profundidade na vida cristã. Há muitas pessoas que vivem superficialmente o seu relacionamento com Cristo.
Na Parábola do Semeador, Jesus falou sobre a semente que caiu em solo pedregoso. O resultado é uma
planta que brota depressa, mas não desenvolve a profundidade, porque a sua raiz não consegue penetrar profundamente
no solo que não tem muita terra, tornando-se assim superficial. O risco que esta planta corre, pelo fato de que ela se
desenvolveu na superfície, é que, saindo o sol (figura do calor das provações), ela pode morrer rapidamente:
“A que caiu sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; estes não têm raiz,
crêem apenas por algum tempo e, na hora da provação, se desviam.” (Lucas 8.13)

O segredo de não nos afastarmos do Senhor nem perdermos a alegria inicial é o desenvolvimento da
profundidade em nossa vida espiritual. Muitos cristãos vivem somente dos cultos semanais. Não investem tempo num
relacionamento diário, não oram, não se enchem da Palavra, não procuram mortificar a sua carne para viverem no
Espírito, não se envolvem no trabalho do Pai. São cristãos sem profundidade, que vivem meramente na superfície!

A questão da profundidade nas coisas espirituais é aplicada não somente em nossa vida com Deus, mas
também nos que servem a Satanás. Na Carta à Igreja de Tiatira, no Apocalipse, o Senhor Jesus elogiou os que não
conheceram as profundezas de Satanás:
“Mas eu vos digo a vós, e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta
doutrina, e não conheceram, como dizem, as profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei. Mas o que
tendes retende-o até que eu venha.” (Apocalipse 2.24,25 – RC)

O mesmo princípio da profundidade que se aplica à vida espiritual de quem se encontra no Reino de Deus
também se aplica a quem está no Reino das Trevas. Se quem vive no engano do Reino das Trevas chega a desenvolver
uma profundidade nesta caminhada que leva à perdição, então nós, que conhecemos a verdade, não podemos nos
relacionar com esta verdade de um modo meramente superficial. Se desenvolvermos raízes profundas em Deus, não
fracassaremos na fé!

O terceiro fator que contribui para o esfriamento do nosso amor pelo Senhor é a falta de tratamento em
algumas áreas das nossas vidas. Já vimos na Parábola do Semeador que um dos exemplos de como o potencial de
frutificação da Palavra de Deus pode vir a ser abortado na vida de alguém é a falta de raiz, de profundidade. Mas há um
outro exemplo que o Senhor Jesus nos deu nesta parábola – da semente que caiu entre espinhos:
“Outra caiu no meio dos espinhos; e estes, ao crescerem com ela, a sufocaram.” (Lucas 8.7)

Os espinhos não pareciam ser tão comprometedores porque eram pequenos. E, justamente por não
parecem perigosos, não foram arrancados. Depois, eles cresceram e sufocaram a semente da Palavra, abortando assim
o propósito divino de frutificação.
“A que caiu entre espinhos são os que ouviram e, no decorrer dos dias, foram sufocados com os
cuidados, riquezas e deleites da vida; os seus frutos não chegam a amadurecer.” (Lucas 8.14)

As áreas que não são tratadas em nossas vidas talvez não pareçam tão nocivas hoje, mas serão
justamente as áreas que poderão nos sufocar na fé e no amor ao Senhor posteriormente.
A queda espiritual nunca é um ato instantâneo ou imediato. É um processo que envolve repetidas
negligências da nossa parte, e são estas mesmas “inocentes” negligências que nos vencerão depois. Por isso, devemos
dar mais atenção às áreas que precisam ser trabalhadas em nossas vidas!

O quarto fator no esfriamento é o que eu chamo de “distrações”. Diferentemente do cristão que está
travando uma luta contra o pecado, o cristão que costuma ser enredado pelas distrações é, via de regra, alguém que não
tem cedido ao pecado, mas perde o alvo ao distrair-se com coisas que talvez sejam até mesmo lícitas, mas roubam-lhe o
foco.
A Bíblia diz que, quando Moisés foi ao Egito com uma mensagem de libertação, o Faraó aumentou o
trabalho do povo para que eles se esquecessem da idéia de adoração a Deus:
“Disse também Faraó: O povo da terra já é muito, e vós o distraís das suas tarefas. Naquele mesmo
dia, pois, deu ordem Faraó aos superintendentes do povo e aos seus capatazes, dizendo: Daqui em diante não
torneis a dar palha ao povo, para fazer tijolos, como antes; eles mesmos que vão e ajuntem para si a palha. E
exigireis deles a mesma conta de tijolos que antes faziam; nada diminuireis dela; estão ociosos e, por isso,
clamam: Vamos e sacrifiquemos ao nosso Deus. Agrave-se o serviço sobre esses homens, para que nele se
apliquem e não dêem ouvidos a palavras mentirosas.” (Êxodo 5.5-9)

Este quadro, no meu entendimento, é uma ilustração da estratégia que Satanás tenta aplicar hoje contra os
cristãos. Aliás, na tipologia bíblica, Faraó é uma figura do Diabo, o nosso antigo tirano e opressor, de quem Deus nos
libertou (Cl 1.13). Hoje em dia há muitas pessoas que se envolvem tanto em seus trabalhos e negócios que não têm
tempo sequer de se lembrarem de buscar a Deus. Já na Antiga Aliança, Deus exigia um dia semanal de descanso, onde
as pessoas não somente paravam de trabalhar, mas também usavam esse tempo para buscarem e adorarem ao Senhor.
Infelizmente, este tem sido um fator de distração e esfriamento para muitos cristãos sinceros, que não cederam às
pressões do mundo ou do pecado.
Na Parábola da Grande Ceia, Jesus revelou que muitos perdem a consciência do convite de Deus por
causa das distrações causadas por coisas lícitas e que podem ser consideradas até mesmo como bênçãos divinas,
como, por exemplo, a aquisição de propriedades, a melhoria da capacidade de produção, ou até mesmo a constituição de
uma família (Lc 14.15-24)! Isso mesmo! Até o casamento, uma instituição divina (e portanto uma bênção!), pode se tornar
uma distração, algo que pode atrapalhar a nossa dedicação ao Senhor:
“O que realmente eu quero é que estejais livres de preocupações. Quem não é casado cuida das
coisas do Senhor, de como agradar ao Senhor; mas o que se casou cuida das coisas do mundo, de como agradar
à esposa, e assim está dividido. Também a mulher, tanto a viúva como a virgem, cuida das coisas do Senhor,
para ser santa, assim no corpo como no espírito; a que se casou, porém, se preocupa com as coisas do mundo,
de como agradar ao marido. Digo isto em favor dos vossos próprios interesses; não que eu pretenda enredar-
vos, mas somente para o que é decoroso e vos facilite o consagrar-vos, desimpedidamente, ao Senhor.” (1
Coríntios 7.32-35)

Até mesmo o nosso próprio serviço prestado ao Senhor pode se tornar uma distração! Os irmãos de Éfeso
perderam o seu primeiro amor, ainda que não tivessem parado de trabalhar para Deus! Encontramos também uma clara
advertência do Senhor Jesus no episódio bíblico de Marta e Maria (Lc 10.38-42). Enquanto Maria estava aos pés de
Jesus, Marta se queixava pelo fato de haver ficado sozinha na cozinha, servindo. Não creio que Marta estivesse
trabalhando somente para manter a casa em ordem. Penso que ela tinha uma boa motivação: ela queria ser uma boa
anfitriã; ela queria receber e servir bem ao Senhor Jesus! No entanto, até mesmo os bons motivos podem se tornar
distrações, e por isso Jesus disse o seguinte a Marta:
“Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas.
Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será
tirada.” (Lucas 10.41,42)

“Uma só coisa é necessária”! Nada, absolutamente nada é mais importante do que a nossa concentração
em buscá-Lo sem distração alguma! Precisamos vigiar com relação a todas as coisas (até mesmo as coisas boas e lícitas
que podem ser consideradas como bênçãos em nossas vidas!) que podem nos distrair, tirar o nosso foco de termos o
Senhor Jesus em primeiro lugar!

Este é um caminho de proteção do nosso amor pelo Senhor. O nosso cuidado nestas quatro áreas é útil
para prevenirmos e evitarmos a perda (ou depreciação) do nosso primeiro amor. Contudo, há os que já perderam o seu
primeiro amor! Assim sendo, é preciso fazer alguma coisa com relação à perda já sofrida. Para essas pessoas, eu
gostaria de compartilhar o que eu tenho entendido nas Escrituras como sendo o caminho de volta.
O CAMINHO DE VOLTA

O caminho de volta é o caminho da restauração. Foi o próprio Senhor Jesus que propôs o caminho da
restauração:
“Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não,
venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.” (Apocalipse 2.5)
Cristo mencionou três passos práticos que devemos dar a fim de voltarmos ao primeiro amor:
1. Lembra-te!
2. Arrepende-te!

3. Volta à prática das primeiras obras!


O primeiro passo é um ato de recordação, de lembrança do tempo anterior à perda do primeiro amor. Não
há melhor maneira de retomá-lo do que esta: relembrarmos os primeiros momentos da nossa fé, da nossa experiência
com Deus! O profeta Jeremias declarou:
“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” (Lamentações de Jeremias 3.21)

Algumas lembranças têm o poder de produzirem em nós um caminho de restauração. Muitas vezes não
nos damos conta do que temos perdido. Uma boa forma de dimensionarmos as nossas perdas é contrastarmos o que
estamos vivendo hoje com o que já experimentamos anteriormente em Deus.
Recordo-me de uma ocasião em que fui visitar os meus pais e entrei no quarto que, quando solteiro, eu
compartilhava com os meus irmãos. O simples fato de eu entrar naquele ambiente trouxe à minha memória inúmeras
lembranças. Revivi em minha mente os momentos de oração e intimidade com Deus que eu havia passado lá. Recordei,
emocionado, as horas que, diariamente, eu passava lá, trancado em oração!
Sem que ninguém me falasse nada, percebi que a minha vida de oração já não era como antes. Estas
lembranças ocasionaram naquela época uma retomada da minha dedicação à oração, e, até mesmo hoje, ao recordar
aqueles momentos da poderosa visitação de Deus que eu vivi naquele quarto, sinto-me motivado a resgatar o que eu
deixei de lado!
Contudo, a lembrança em si do que eu havia provado lá não produziu mudança alguma. Ela simplesmente
trouxe um misto de saudade com tristeza e arrependimento, pelo fato de eu ter deixado de lado algo tão importante!
E esta é exatamente a segunda atitude que Jesus pediu aos irmãos de Éfeso: “Arrepende-te!” Não basta
termos saudades de como as coisas eram anteriormente! É preciso que sintamos dor por termos perdido o nosso primeiro
amor! Precisamos lamentar, chorar, e clamar pelo perdão de Deus! É imperativo reconhecer que a perda do primeiro
amor é mais do que um desânimo, ou qualquer outra crise emocional! É um pecado de falta de amor, de desinteresse
para com Deus!
À semelhança dos profetas do Antigo Testamento, Tiago definiu como devemos nos posicionar em
arrependimento diante do Senhor. Deve haver choro, lamento e humilhação:
“Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de
ânimo dobre, limpai o coração. Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa
alegria, em tristeza. Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará.” (Tiago 4.8-10)

O fato de nos humilharmos perante o Senhor é o caminho para a exaltação (restauração) diante d’Ele. Se
reconhecermos que abandonamos o nosso primeiro amor, teremos que separar rapidamente um tempo para orarmos e
chorarmos em arrependimento diante do Senhor e para buscarmos uma renovação.
Eu sei que recordar e chorar pelo passado também não é a cura em si, mas é um passo em sua direção! É
um estágio de preparação, por assim dizer. Por isso o conselho proposto pelo Senhor na Carta à Igreja de Éfeso ainda
tem um terceiro passo prático: “Volta à prática das primeiras obras!” Portanto, não basta apenas revivermos as
lembranças e chorarmos! Temos que voltar a fazer o que abandonamos! Essas primeiras obras a que Cristo Se refere
não são o primeiro amor em si, mas estão atreladas a ele – são uma forma de expressarmos e alimentarmos o nosso
primeiro amor! Elas têm a ver com a forma pela qual O buscávamos e também a maneira como O servíamos. Jesus não
protestou porque os efésios não O amavam mais, e sim porque já não O amavam mais como anteriormente! Precisamos
mais do que o reconhecimento da nossa perda! Precisamos voltar a agir como no início da nossa caminhada com Cristo!

É tempo de resgatarmos o nosso amor ao Senhor e dar-Lhe nada menos que um amor total! Que
possamos sempre nos apossar da graça do Senhor, para vivermos intensamente a nossa obediência ao Maior
Mandamento!
TESTEMUNHAS DE CRISTO
“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em
Jerusalém, como em toda a Judéia e Samária, e até os confins da terra”. (Atos 1.8)

Esta é uma palavra do Senhor Jesus dada aos seus apóstolos após sua ressurreição e antes de sua
ascensão gloriosa. Contudo, não se limitava só a eles, é uma palavra que foi dada a toda Igreja. Como eles compunham
o grupo inicial da Igreja, a receberam, mas esta palavra ainda revela o plano e vontade de Deus para todo cristão.
Nenhum de nós foi ganho para Jesus para ficar sem fazer nada. Pedro exortou os cristãos em sua segunda epístola,
mostrando-lhes que Deus não quer que sejamos “ociosos e infrutíferos” (2 Pe 1.8). Temos uma responsabilidade a
exercer. Fomos alcançados com um propósito:
“… mas vou prosseguindo, para ver se poderei alcançar aquilo para o que fui alcançado por Cristo
Jesus”. (Filipenses 3.12)

Paulo declarou que devemos alcançar aquilo para o qual fomos alcançados. Usamos um lema na igreja
que pastoreio: “alcançados para alcançar”. Entendemos que Jesus nos alcançou não só para nos livrar da condenação
eterna e nos levar para a glória celestial, mas também para que possamos cumprir Seu propósito aqui na terra, nesta
vida.
Depois de nos alcançar, Deus colocou um alvo diante de cada um de nós: precisamos crescer e nos
conformar com a imagem de Jesus e precisamos frutificar enquanto caminhamos dentro deste processo. O plano
revelado de Jesus a Sua Igreja foi o de fazer de cada um de nós suas testemunhas. Vivemos para isto, e se nossa vida
cristã não está servindo a este propósito é porque precisa ser remodelada ao padrão divino.
DEFINIÇÃO DE TESTEMUNHA

Durante muito tempo tive um conceito errado do que é ser uma testemunha de Cristo. De alguma forma,
talvez pela ênfase das igrejas nesta direção, associei o verbo “testemunhar” a “pregar” ou “evangelizar”. Sei que o
resultado do testemunho que os apóstolos levavam eram gente sendo evangelizada e que aproveitavam muito bem suas
oportunidades de testemunhar para proclamar a palavra de Deus, mas testemunhar não é pregar nem tampouco
evangelizar. Quando os líderes religiosos do judaísmo tentaram proibir os apóstolos de falarem de Jesus, a resposta dada
por eles mostra que eles entendiam muito bem o significado de ser uma testemunha de Cristo:
“Pois nós não podemos deixar de falar das coisas que temos visto e ouvido”. (Atos 4.20)

Para eles não se tratava simplesmente de pregar, mas sim de contar tudo o que viram e ouviram. É isto
que uma testemunha faz! Quando Paulo recebeu a comissão de ser uma testemunha de Cristo, foi colocado debaixo do
mesmo encargo de falar daquilo que veria e ouviria:
“Porque hás de ser sua testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido”. (Atos
22.15)

Já testemunhei em processos legais mais de uma vez, e sei muito bem porque somos intimados a falar;
não se trata de uma oportunidade de emitir uma opinião sobre algo, mas sim do dever de falar estritamente daquilo que
você viu e ouviu. Você expõe fatos que você viveu. Ninguém tem autoridade para testemunhar com base no que outros
viram, e sim naquilo que ele próprio viu. Isto é testemunhar. Jesus não considerou seus discípulos aptos a testemunhar
somente pelo fato de o terem visto ressuscitado. Isto tinha muito peso, mas não bastava. Se testemunha de Cristo fosse
só quem o viu ressuscitado, então a maioria dos crentes jamais poderia cumprir este papel, pois como declarou o
apóstolo Pedro:
“A quem [Jesus], sem o terdes visto, amais; no qual, sem agora o verdes, mas crendo, exultais com
gozo inefável e cheio de glória”. (1 Pedro 1.8)

Nosso relacionamento com o Senhor Jesus Cristo é pela fé. Isto significa que podemos caminhar com Ele
sem a necessidade de vê-lo e que não devemos esperar que isto aconteça com ninguém, embora Deus, em sua
soberania, possa revela-lo desta forma gloriosa a alguém. Mas este não é o padrão. Então, o que Ele disse que tornaria
seus discípulos aptos a testemunhar era uma experiência que se repete conosco ainda hoje! Ele disse: “recebereis poder
ao descer sobre vós o Espírito Santo”. Há uma ligação entre o poder do Espírito vindo sobre minha vida e o testemunho
que terei para dar, porque é justamente a ação d´Ele em minha vida que me permitirá mostrar aos outros que Jesus vive
em mim. Nosso testemunho é fruto de uma “parceria” entre nós e o Espírito Santo. Não é uma tarefa unicamente nossa e
nem tampouco só dele; Jesus falou sobre isto:
“Quando vier o Ajudador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade que do Pai
procede, esse dará testemunho de mim; e também vós dareis testemunho, porque estais comigo desde o
princípio”. (João 15.26,27)

Veja bem, se testemunhar é falar do que vimos e ouvimos, então o que mais precisamos é que o Espírito
Santo nos leve a provar o poder do Jesus ressurreto em nossa vida. Vejo este princípio aparecer também numa outra
afirmação, desta vez de Pedro:
“E nós somos testemunhas destas coisas, e bem assim o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que
lhe obedecem”. (Atos 5.32)

Fui batizado no Espírito Santo aos quinze anos de idade, e a conseqüência principal disto não foi apenas a
de que Ele me deu autoridade para pregar, mas comecei a ter experiências com seu poder. Jesus passou a ser
comprovadamente vivo em minha vida! Passei a ver o poder de Deus de diversas maneiras. Primeiro minha vida mudou e
comecei a refletir o Jesus de quem eu ouvira desde criança, mas que não conseguia demonstrar em minha vida. Em
segundo lugar, comecei a ver respostas às orações, livramentos, provisões e outros tantos milagres e intervenções do
Senhor. Depois, algumas coisas começaram a acontecer quando eu orava por cura e libertação; as pessoas realmente
eram tocadas pelo poder de Deus e eu lhes dizia: “Está vendo? Esta é a prova de que Jesus está vivo e se importa com
você!”
Quando falo de Jesus para alguém, não apresento apenas o plano de salvação e a mensagem do
arrependimento. Mostro, testemunhando o que Deus tem feito em minha vida, que Jesus está vivo. Quando falo que
Cristo cura, conto as curas que já recebi, as que Deus operou na minha família e muito das que Ele efetuou por meu
intermédio. O problema de muitos crentes hoje é que eles não tem nada para contar!

Já disse que um testemunho não é aceito quando apenas retrata algo que outro viu e ouviu. Se a polícia
souber de alguém que é testemunha de um crime, não vai encher as páginas de um inquérito com o que alguém disse
saber da boca da testemunha, vai chamar a própria testemunha para depor! Mas muitos crentes não testemunham de
Jesus, contam apenas o testemunho de outros…
O que precisamos é do poder do Espírito atuando em nossa vida. Foi a isto que Jesus se referiu ao dizer
que o poder do Espírito Santo desceria sobre nós. Precisamos buscar não só a unção para pregar, mas o poder que
funciona em nossa vida. Então, quando abrirmos nossa boca, estaremos falando não só do que está escrito na Palavra
de Deus, mas de como tudo aquilo se tornou real para nós!
VIVER PREGANDO x PREGAR VIVENDO

Há uma enorme diferença entre viver pregando e pregar vivendo. Alguns se tornaram pregadores de Cristo.
Falam sobre Ele e o que Ele tem feito, mas não demonstram isto em suas vidas. Outros demonstram isto por meio de sua
vida e dispensam até mesmo palavras:
“Semelhantemente vós, mulheres, sede submissas a vossos próprios maridos; para que também, se
alguns deles não obedecem à Palavra, sejam ganhos sem palavra pelo procedimento de suas mulheres,
considerando sua vida casta, em temor”. (1 Pedro 3.1,2)

Acredito que muitas vezes só deveríamos falar de Jesus depois que nossa própria vida conseguiu chamar
a atenção dos outros. Pedro também ensinou sobre isto:
“Antes santificai a Cristo como Senhor em vossos corações; e estai sempre preparados para
responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós”. (1 Pedro
3.15)

O propósito deste ensino é despertá-lo a buscar o poder do Espírito Santo em sua vida. Sem ele, jamais
chegaremos a ser o que Deus quer que sejamos: testemunhas eficazes. Somente pelo poder do Espírito é que
romperemos numa vida cristã vitoriosa e frutífera. E quando isto acontecer, basta compartilharmos com outros o que nós
temos vivido… Acredito que o processo de nos tornar testemunhas envolve três estágios distintos:
1) Primeiro o poder de Deus deve agir em nós
2) Depois contamos aos outros o que experimentamos
3) Então Deus confirma este testemunho com sinais
TESTEMUNHANDO O QUE PROVAMOS

Já falamos sobre buscar primeiramente a ação do poder de Deus em nós; agora quero falar sobre a
importância de repartir isto com outros. Quando Jesus libertou o endemoninhado gadareno, aquele homem quis
acompanha-lo em suas viagens e segui-lo, mas o Mestre lhe fez outra proposta:
“Jesus, porém, não lho permitiu, mas disse-lhe: Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes o
quanto o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti. Ele se retirou, pois, e começou a publicar em Decápolis
tudo quanto lhe fizera Jesus; e todos se admiravam”. (Marcos 5.19,20)

Qual era o assunto que este homem deveria abordar ao conversar com as pessoas? Sua única mensagem
era dizer o que Cristo lhe havia feito e com isto comunicar o que Deus queria fazer em favor de cada um dos homens.
Quando falamos daquilo que provamos o impacto é muito maior nos que nos ouvem. O mesmo se deu com aquela
mulher samaritana que Jesus encontrou junto ao poço de Jacó:
“Deixou, pois, a mulher o seu cântaro, foi à cidade e disse àqueles homens: Vinde, vede um homem
que me disse tudo quanto tenho feito; será este, porventura, o Cristo? Saíram, pois, da cidade e vinham ter com
ele…muitos samaritanos daquela cidade creram nele, por causa da palavra da mulher, que testificava: Ele me
disse tudo quanto tenho feito”. (João 4.28-30 e 39)

No início, as pessoas foram atrás de Jesus por causa da experiência dela; depois, isto já não foi mais
necessário, pois começaram a ter suas próprias experiências:
“E muitos mais creram por causa da palavra dele; e diziam à mulher: Já não é pela tua palavra que
nós cremos; pois agora nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do
mundo”. (João 4.41,42)
OS SINAIS QUE SE SEGUEM
“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado,
será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais acompanharão aos que crerem: em meu nome
expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não
lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e estes serão curados. Ora, o Senhor, depois de lhes
ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus. Eles, saindo, pregaram por toda parte,
cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que os acompanhavam”. (Marcos 16.15-
20)

Deus prometeu que avalizaria nosso testemunho com mais provas ainda. Mas o processo de nos fazer
testemunhas segue, como já afirmei, um ciclo. Primeiro provamos o poder de Deus e temos nossas experiências, depois
as contamos. E quando testemunhamos o que provamos, Deus fará mais para aqueles que nos ouvem. O livro de Atos
também nos mostra Deus honrando o testemunho dos apóstolos:
“Com grande poder os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos
eles havia abundante graça”. (Atos 4.33)

Muitos cristãos têm tentado entrar direto neste estágio final sem permitir que o processo se estabeleça em
sua própria vida no padrão que Deus estabeleceu. Mas nunca acontecerá assim! O estágio final é quando Deus coopera
conosco (que já provamos o poder) e avaliza o testemunho com mais sinais. Foi exatamente assim que se deu com os
apóstolos:
“Testificando Deus juntamente com eles, por sinais e prodígios, e por múltiplos milagres e dons do
Espírito Santo, distribuídos segundo a sua vontade”. (Hebreus 2.4)

É hora da Igreja romper em sinais e milagres. Mas primeiro precisamos levar os cristãos a entenderem a
importância de, individualmente, experimentar o poder de Deus, para depois rompermos numa demonstração maior do
poder de Deus (1 Co 2.4).
Acredito que neste momento o que mais precisamos é nos voltar para o Senhor em oração, do mesmo jeito
que os apóstolos fizeram no início (At 1.14). Isto desencadeará nossa própria experiência com o poder do Espírito Santo
que, por sua vez, quando compartilhada, gerará ainda mais sinais para os outros. Foi assim com os apóstolos; depois de
10 dias perseverando em oração no cenáculo, foram cheios do Espírito Santo:
“E todos ficaram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito
concedia que falassem”. (Atos 2.4)

Depois, ao testemunhar de Jesus na casa de Cornélio, Pedro vê Deus avalizar seu testemunho dando
àquele grupo a mesma evidência do derramar do Espírito, a ponto de Pedro comparar a experiência deles com a sua
própria:
“Respondeu então Pedro: Pode alguém porventura recusar a água para que não sejam batizados
estes que também, como nós, receberam o Espírito Santo?” (Atos 10.47)

Tenho provado isto em minha própria vida. Os sinais e evidências que eu mesmo passei a provar ao ser
cheio do Espírito Santo são reproduzidos hoje por meio de meu ministério em favor de outras pessoas. Experiências
novas começaram a acontecer e demonstrar em minha vida que de fato Jesus está vivo e presente ao nosso lado todos
os dias. Sem isso (mesmo tendo crescido no evangelho e sabendo expor de cor o plano de salvação) eu não seria uma
testemunha eficiente.
Meu desejo é que sua vida seja um reflexo da ação do Espírito Santo, mostrando assim que Jesus Cristo
de fato está vivo. Que ao pregar, você possa falar não só daquilo que você soube dele, e sim daquilo que tem provado. E
se você não tem provado muito, está na hora de se despertar e cumprir com sua responsabilidade de busca-lo até que
Seu poder atue em sua vida a ponto de fazer de você uma testemunha eficaz! Muitos estão adormecidos e suas vidas
não refletem o propósito de seu chamado. Para estes, o Espírito Santo diz:
“Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará “. (Efésios 5.14)
CONHECENDO A CRISTO
“Assim que, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que também
tenhamos conhecido a Cristo segundo a carne, contudo, já não o conhecemos desse modo. Assim que, se
alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. (2 Coríntios
5.16,17)

O versículo 17 fala sobre transformação, que é a essência do Evangelho, mas não aparece na Bíblia como
um texto isolado; ele está intimamente ligado ao versículo 16, que fala sobre conhecer a Cristo. Acredito que os dois
assuntos estão vinculados entre si. Toda transformação experimentada pelo crente vem em função do conhecimento que
ele tem de Jesus Cristo. Há dois diferentes níveis de conhecimento mencionados pelo apóstolo Paulo no versículo 16:
O conhecimento “segundo a carne”, que pertence à dimensão natural.
O conhecimento “de um outro modo”, que por ser diferente do primeiro, e mencionado em outros lugares da
Bíblia, denominamos como “conhecimento espiritual”, ou ainda de “revelação”.
Paulo declara que a forma correta de se conhecer a Cristo é esta segunda. E depois de ter feito esta
afirmação é que ele fala sobre o ser nova criatura, porque isto é uma conseqüência de se conhecer a Cristo “de um outro
modo”.
CONHECIMENTO SEM TRANSFORMAÇÃO

Há pessoas que conheceram a Jesus de perto, até mesmo de forma íntima, e nunca chegaram a provar o
seu poder transformador. Um exemplo claro disto é Judas Iscariotes, que depois de passar anos andando com Cristo,
ainda assim o traiu. E seu pecado não foi somente no momento da traição, senão poderíamos até concluir que ele falhou
somente nesta hora; mas João declarou em seu evangelho que Judas era ladrão e roubava o que era lançado na bolsa
(Jo 12.6); e esta informação demonstra que ele nunca foi transformado de fato.
Alguém pode chegar a conhecer muita coisa sobre Cristo sem nunca ter conhecido a Cristo! As igrejas
evangélicas estão cheias de gente religiosa, que foi bem ensinada sobre como ser um “bom cristão”, mas que não
manifestam transformação alguma em suas vidas! São sempre as mesmas, e não há evidências de mudança genuína.
Isto se deve à falta de revelação que acompanha uma verdadeira experiência com Cristo.

Quando Paulo escreveu a Timóteo, seu filho na fé, falou acerca de algumas pessoas que estavam vivendo
uma vida “não transformada”:
“Elas estão sempre aprendendo, e jamais conseguem chegar ao pleno conhecimento da verdade”.
(2 Timóteo 3.7)
OS IRMÃOS DE JESUS

Outro exemplo de conhecimento sem transformação (segundo a carne) pode ser visto nos irmãos de Jesus.
Muitos de nós temos dificuldade de enxergar isto por causa da herança católica que recebemos de que Maria foi sempre
virgem, mas este não é o ensino bíblico. A Palavra de Deus declara que José e Maria não se envolveram fisicamente
enquanto Jesus não nasceu. Veja o que diz a Escritura Sagrada:
“E José, despertando do sonho, fez o como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher,
e não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe o nome de Jesus”. (Mateus 1.24,25)

Um outro texto bíblico menciona os nomes dos irmãos de Jesus:


“Não é este o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, e de José, e de Judas, e de Simão? E não
estão aqui conosco suas irmãs? E escandalizavam-se nele”. (Marcos 6.3)

A tradição católica afirma tratar-se de uma outra Maria, e que a palavra “irmão” neste texto não deveria ser
entendida literalmente, mas o contexto do versículo é indiscutível: Jesus estava em Nazaré, sua cidade, no meio de
conhecidos e familiares, portanto não há dúvida alguma de o reconheceram (com sua família) de fato.

Não temos os nomes de suas irmãs, mas quatro de seus irmãos são mencionados, o que nos faz saber
que sua família era grande. E a Bíblia declara que seus irmãos não criam nele:
“Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui e vai para Judéia, para que também os seus discípulos
vejam as obras que fazes. Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto.
Se fazes essas coisas, manifesta-te ao mundo. Porque nem mesmo seus irmãos criam nele”. (João 7.3-5)

Em outras palavras, poderíamos dizer que os irmãos de Jesus lhe diziam algo assim: – “Você não é o
bom? Não quer aparecer? Então vá fazer seus sinais onde a multidão está reunida!” Posso deduzir que havia muito
sarcasmo e cinismo por trás desta afirmação dos irmãos do Senhor.
Um outro texto bíblico nos revela que houve uma ocasião em que os irmãos de Cristo quiseram até mesmo
prendê-lo por achar que ele estava louco:
“E foram para casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal maneira que nem sequer podiam comer pão.
E quando seus parentes ouviram isso, saíram para o prender, porque diziam: Está fora de si… Chegaram, então,
seus irmãos e sua mãe; e, estando de fora, mandaram-no chamar”. (Marcos 3.20,21 e 31)

Imagino que se houve pessoas que puderam conhecer bem a Cristo (segundo a carne), foram justamente
seus irmãos. Mas só o conhecimento natural não foi suficiente para transforma-los. Em Nazaré muitos também o
conheceram sem provar transformação.
REVELAÇÃO

O verdadeiro conhecimento de Jesus Cristo só se atinge por revelação, não é transmitido segundo a carne.
O próprio Jesus afirmou que o apóstolo Pedro só chegou a conhece-lo devido à uma revelação:
“E, chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem
dizem os homens ser o Filho do Homem? E eles disseram: Uns, João batista; outros, Elias, e outros, Jeremias ou
um dos profetas. Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? E Simão Pedro, respondendo disse-lhe: Tu és o
Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque
não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai que está nos céus”. (Mateus 16.13-17)

O que Paulo não conseguiu entender com sua mente mudou quando Jesus apareceu a ele! Há muitos
exemplos bíblicos e também à nossa volta que confirmam isto. Sem uma revelação acerca de Jesus alguém pode crescer
dentro de uma igreja, receber toda uma formação religiosa e até saber tudo acerca de Jesus, e mesmo assim, nunca ser
transformado.
TRANSFORMAÇÃO POR UM “NOVO” CONHECIMENTO

Porém, quando esta pessoa consegue sair da dimensão de mero conhecimento intelectual e entrar numa
dimensão de revelação, sua vida será drasticamente mudada. Penso que esta é uma das maiores necessidades da igreja
de nossos dias.
Tiago, o irmão do Senhor (Gl 1.19) é um exemplo disto. Tanto ele como seus irmãos, não criam em Jesus.
Até o momento da morte de Jesus eles sustentaram esta posição, pois não os vemos mencionados nos Evangelhos
como estando por lá. E ainda reforça esta idéia o fato de que Maria estava sozinha, razão pela qual Jesus confiou o
cuidado dela a João (Jo 19.26).
Só que algo aconteceu depois da morte e ressurreição de Jesus. Não temos um relato detalhado, só a
menção do que houve. Mas sabemos que algo aconteceu, e que isto mudou para sempre a vida de Tiago:
“Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos”. (1 Coríntios 15.7)

E aquele Tiago cínico que provocava Jesus, que quis prende-lo, que não cria nele, mudou completamente.
Não mudou pelo conhecimento segundo a carne de toda uma vida fisicamente próximo de Jesus, mas quando provou
uma revelação do Cristo ressurreto, tudo mudou! Acredito que esta revelação foi o marco desta mudança, pois ele já
passou a ser mencionado entre os que estavam reunidos no Cenáculo (At 1.14) por ocasião do Pentecostes. E Tiago se
tornou uma das colunas da Igreja em Jerusalém, mencionado antes mesmo de Pedro e João:
“E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que se me
havia dado, deram-nos as destras, em comunhão comigo e Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios e eles, à
circuncisão”. (Gálatas 2.9)

Por ocasião do Concílio de Jerusalém, vemos todos falando sobre o motivo da controvérsia da circuncisão
ser aplicada ou não aos gentios. Pedro fala, até Paulo se levanta com Barnabé e também falam, mas é quando Tiago se
levanta e fala que o assunto se dá por encerrado e concluído. Que diferença entre o irmão de Jesus visto nos Evangelhos
e este grande líder que ele veio a ser!
Ele ganhou muito respeito e admiração não por ter sido irmão do Senhor, mas certamente pela vida que
vivia em Deus. Pela linguagem adotada em sua epístola, percebemos que Tiago era um homem de liderança forte e que
não poupava confrontos. O motivo pelo qual Pedro foi repreendido por Paulo em Antioquia foi mudar de comportamento
quando chegaram alguns da parte de Tiago:
“E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Porque, antes que
alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois, que chegaram, se foi se
retirando e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão”. (Gálatas 2.11 e 12)

Porque Pedro temeria os da parte de Tiago? Certamente pela sua liderança e influência que veio a ter entre
os crentes de Jerusalém, Pedro preferia evitar confrontos com ele. Isto tudo indica o homem de Deus que Tiago passou a
ser depois de ter recebido sua revelação do Cristo ressurreto.
TRANSFORMAÇÃO ESTAGNADA

Diferentemente do primeiro grupo mencionado, que nunca teve uma transformação, há muitos dentro das
igrejas que tiveram uma experiência inicial de transformação. Contudo, de alguma forma, com o passar do tempo,
estagnaram na fé e na experiência e não percebem mais diferença alguma em suas vidas. O que os impediu de
continuarem provando a transformação?
Certamente não foi por não conhece-la, pois estas pessoas são justamente aquelas que se encontram
insatisfeitas, desejosas de mudança, uma vez que já provaram-na um dia. E é preciso ressaltar que, sob circunstância
alguma podemos admitir a ausência do processo de transformação, uma vez que “a vereda dos justos é como a luz da
aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18). Ninguém é transformado instantaneamente. Algumas
áreas de nossa vida podem ser impactadas e mudadas mais rapidamente, porém não será assim em todas as áreas. Se
o processo de transformação estagnou, é porque a revelação de Cristo em nossa vida também estagnou.
Precisamos retomar a busca pelo conhecimento revelado em nossas vidas, pois somente assim
avançaremos no processo de transformação. A palavra grega traduzida por revelação, do grego “appocalipse”, significa:
“remover o véu”. Indica a remoção de um empecilho à visão que, em nosso caso, é a dificuldade de entender as coisas
espirituais.
“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não
pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”. (1 Coríntios 2.14)

Somente pela ação do Espírito Santo em nossas vidas podemos penetrar esta dimensão de entendimento.
Foi o que aconteceu conosco quando nos convertemos ao Senhor Jesus:
“Mas o entendimento lhes ficou endurecido. Pois até o dia de hoje, à leitura do velho pacto,
permanece o mesmo véu, não lhes sendo revelado que em Cristo é ele abolido; sim, até o dia de hoje, sempre
que Moisés é lido, um véu está posto sobre o coração deles. Contudo, convertendo-se um deles ao Senhor, é-lhe
tirado o véu”. (2 Coríntios 3.14-16)

Só que, com o passar do tempo, muitos de nós nos inclinamos a uma busca de entendimento meramente
intelectual (segundo a carne), e isto nos rouba o processo de transformação, que não se dá só por aquisição de
informação, mas pelo impacto do Espírito Santo em nosso íntimo. Não podemos parar. Não podemos estagnar na
revelação de Cristo!
CONHECIMENTO PROGRESSIVO

A Bíblia nos exorta em avançar no pleno conhecimento de Deus:


“Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor…” (Oséias 6.3)

Conhecer a Deus é um ato progressivo e contínuo. Veja o que Paulo declarou depois de anos de
comunhão e intimidade com Cristo:
“Sim, na verdade, tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de
Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas as coisas, para que possa ganhar a Cristo… para
conhecê-lo, e o poder da sua ressurreição e a participação dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na
sua morte, para ver se de alguma forma consigo chegar à ressurreição dentre os mortos. Não que já a tenha
alcançado, ou que seja perfeito; mas vou prosseguindo, para ver se poderei alcançar aquilo para o que fui
alcançado por Cristo Jesus”. (Filipenses 3.8,10-12)

Se pararmos de avançar, não alcançaremos o propósito de Deus para nossa existência. Devemos crescer
até a plenitude do conhecimento de Cristo:
“Para que os seus corações sejam animados, estando unidos em amor, e enriquecidos da plenitude
do entendimento para o pleno conhecimento do mistério de Deus – Cristo, no qual estão escondidos todos os
tesouros da sabedoria e da ciência”. (Colossenses 2.2,3)

Que o Pai Celeste nos ajude a prosseguir na revelação de seu Filho Jesus!
SALVAÇÃO PARA A FAMÍLIA

“Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”. (Atos 16.31)

Creio numa provisão divina para abençoar as famílias. Acredito que Deus pensa na família em tudo o que
faz. A família é uma instituição divina. Deus proveu para seu filho Jesus uma família abençoada nesta terra. E fez muitas
promessas incluindo as famílias, portanto há algo especial que deve ser visto sob este enfoque e que nos ajudará em
nossa caminhada cristã.
Nosso texto base para esta meditação fala sobre salvação para toda a família, e acredito que há muita
coisa que precisa ser esclarecida por trás deste conhecidíssimo versículo bíblico. Tenho visto atitudes erradas na vida de
muitos cristãos e, geralmente, elas são oriundas de uma compreensão errada (ou da falta dela) deste texto.
Este texto não é uma promessa de que Deus salvaria nossa família sem que nada precisássemos fazer.
Não fala de um processo em que, automaticamente, toda uma família se salva só porque um foi salvo. A salvação não se
transfere, é pessoal. Este versículo nos mostra uma provisão divina para a família, e que quando um familiar é salvo
passa a ser a “porta de entrada” do Reino de Deus para a sua família. Tem muito crente que sequer evangeliza os seus,
nunca intercede por sua família, mas quando indagado sobre o estado deles responde: “Não me preocupo por que tenho
uma promessa da salvação de minha família”…
Não acredito que este texto seja uma promessa, embora creia que deva inspirar nossa fé e nos levar a uma
atitude correta. Tenho este posicionamento pelas seguintes razões:
1) Era uma palavra pessoal;

2) Não concorda com outros textos sobre a salvação para família;


3) Não concorda com a doutrina bíblica da salvação.
Permita-me argumentar porquê…
UMA PALAVRA PESSOAL

Esta palavra foi dada por Paulo a um carcereiro da cidade de Filipos, onde o apóstolo estava preso por ter
expulsado um espírito maligno de uma jovem que era adivinha. O ocorrido a impediu de continuar adivinhando, e a falta
de lucros gerada por esta libertação fez com que os senhores dessa moça lançassem Paulo e seu companheiro Silas na
prisão.
O que Paulo falou a este homem foi uma palavra pessoal sob uma ação específica do Espírito Santo.
Observe o texto todo e estes detalhes aparecerão:
“E, depois de lhes darem muitos açoites, os lançaram no cárcere, ordenando ao carcereiro que os
guardasse com toda a segurança. Este, recebendo tal ordem, levou-os para o cárcere interior e lhes prendeu os
pés no tronco. Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais
companheiros de prisão escutavam. De repente, sobreveio tamanho terremoto, que sacudiu os alicerces da
prisão; abriram-se todas as portas, e soltaram-se as cadeias de todos. O carcereiro despertou do sono e, vendo
abertas as portas do cárcere, puxando da espada, ia suicidar-se, supondo que os presos tivessem fugido. Mas
Paulo bradou em alta voz: Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos! Então, o carcereiro, tendo pedido
uma luz, entrou precipitadamente e, trêmulo, prostrou-se diante de Paulo e Silas. Depois, trazendo-os para fora,
disse: Senhores, que devo fazer para que seja salvo? Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e
tua casa”. (Atos 16.23-31)

Este acontecimento se deu por volta da meia-noite, logo, estava escuro. A certeza disto é que o carcereiro
pediu luz antes de ir até Paulo e Silas, o que nos mostra que nem ele e nem tampouco os dois evangelistas tinham luz. O
texto sagrado ainda revela que ninguém saiu do cárcere, embora o carcereiro chegou a pensar que todos já tivessem
fugido.
Então, aquele homem, que sabia que ia pagar com a própria vida pela vida dos presos que (achava ele)
haviam escapado, decide se matar e chega a puxar espada para faze-lo, mas Paulo brada para que ele não faça aquilo.
Como é que Paulo, no escuro e sem enxergá-lo por estarem em cômodos diferentes, sabia do que estava
acontecendo?

Temos uma palavra de conhecimento, dada pelo Espírito Santo revelando uma condição específica de um
homem específico. Não sabemos tudo o que Deus mostrou ao apóstolo, mas é neste contexto que ele afirma ao
carcereiro: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu e a tua casa”. E o que acontece em seguida?
“Depois, trazendo-os para fora, disse: Senhores, que devo fazer para que seja salvo? Responderam-
lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa. E lhe pregaram a palavra de Deus e a todos os de sua casa.
Naquela mesma hora da noite, cuidando deles, lavou-lhes os vergões dos açoites. A seguir, foi ele batizado, e
todos os seus. Então, levando-os para a sua própria casa, lhes pôs a mesa; e, com todos os seus, manifestava
grande alegria, por terem crido em Deus”. (Atos 16.30-34)

Aquele homem tirou Paulo e Silas da cadeia e os levou para casa. A Bíblia diz que ele aproveita para
cuidar das feridas daqueles homens, mas eles foram lá para pregar a palavra de Deus e conseguiram levar todos a Cristo
e batiza-los! O que fez o carcereiro acreditar tanto em Paulo e Silas? Seguramente não foi só o terremoto, mas a
revelação que ele recebeu depois do terremoto.
Diante de tudo isto não posso dizer que as palavras de Paulo a este homem se apliquem a todo crente.
Quando o navio em que Paulo viajava para Roma estava para naufragar, ele disse de antemão: “Contudo, é necessário
irmos dar numa ilha”. Como ele sabia disto? Porque Deus lhe havia revelado isto. Mas não quer dizer que todo crente que
viesse a naufragar iria dar numa ilha. Era uma palavra específica para um momento específico. Do mesmo modo, o que
Paulo falou para aquele carcereiro não era uma promessa para todo crente, era uma revelação específica do que
aconteceria na família daquele homem.
OUTROS TEXTOS SOBRE FAMÍLIA

Há vários outros textos bíblicos que entrariam em conflito se tentamos dizer que esta palavra é uma
promessa para todo crente. Veja alguns deles:
“Supondes que vim para dar paz à terra? Não, eu vo-lo afirmo; antes, divisão. Porque, daqui em
diante, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois, e dois contra três. Estarão divididos: pai contra filho,
filho contra pai; mãe contra filha, filha contra mãe; sogra contra nora, e nora contra sogra”. (Lucas 12.51-53)

Jesus disse que veio trazer divisão numa casa. Isto mostra que quando alguém decidisse segui-lo, outros
familiares se levantariam contra, não aceitando a decisão. E haveria problemas… isto não nos faz pensar que o que
Paulo disse ao carcereiro fosse uma promessa todo cristão, faz?
O Senhor ensinou claramente que seria necessário ter a disposição de negar os familiares para mantê-lo
em primeiro lugar:
“Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda
a sua própria vida, não pode ser meu discípulo”. (Lucas 14.26)

Além do ensino de Jesus, vemos o mesmo apóstolo Paulo (que fez aquela declaração ao carcereiro)
falando sobre a salvação dos demais familiares como uma incógnita:
“Pois, como sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? Ou, como sabes, ó marido, se salvarás tua
mulher?” (1 Coríntios 7.16)

Ora, se Paulo acreditasse que aquilo que ele afirmou ao carcereiro de Filipos fosse uma promessa a todo
crente, não falaria assim, neste tom de incerteza! Mas a verdade é que não se trata de uma promessa a todos, embora
revele uma intenção do coração de Deus.
Não estou tentando semear incredulidade em quem crê na salvação dos seus familiares. Precisamos
mesmo lutar em favor deles! Mas o fato é que eles não serão salvos só porque você, como familiar deles, foi. A condição
para a salvação de seus familiares é a mesma que de qualquer outro pecador: precisam se arrepender e crer em Jesus.
Escrevi este artigo porque muitos crentes não fazem nada pela sua família e ficam confessando Atos 16.31
como se fosse uma solução a se estabelecer automaticamente. Precisamos ser práticos. O que Paulo e aquele carcereiro
fizeram?
“E lhe pregaram a palavra de Deus e a todos os de sua casa. Naquela mesma hora da noite,
cuidando deles, lavou-lhes os vergões dos açoites. A seguir, foi ele batizado, e todos os seus”. (Atos 16.32,33)

Depois de saber que Deus queria salvar sua família, o homem foi levar o Evangelho para eles! Foi por isso
que creram e se batizaram. Tem muita gente que não prega a palavra para os seus familiares e acha que eles vão
acordar salvos alguma manhã destas. Não é assim que funciona. Temos que nos mexer. Lutar por eles. Interceder por
eles. Dar bom testemunho.
CRENDO NO PLANO DE DEUS PARA A FAMÍLIA

Quando o apóstolo Pedro sobe a Jerusalém e é indagado do motivo que o levou a entrar na casa de
Cornélio, um gentio, dá uma explicação de um detalhe da mensagem que o centurião recebera do anjo que lhe apareceu.
Este detalhe é importantíssimo para nós porque nos mostra como Deus trata com as famílias e tem um plano para elas.
“E ele nos contou como vira o anjo em pé em sua casa e que lhe dissera: Envia a Jope e manda
chamar Simão, por sobrenome Pedro, o qual te dirá palavras mediante as quais serás salvo, tu e toda a tua casa”.
(Atos 11.13,14)

Embora não haja uma promessa específica de que cada família onde alguém se converter todos virão a ser
salvos, sabemos que este é o desejo de Deus. Deus deseja que todos se salvem (I Tm 2.5). Ele não deixou ninguém de
fora da provisão de salvação, mas mesmo assim, sabe que muitos rejeitarão seu presente, a ponto de também declarar
em sua Palavra que “a fé não é de todos” (2 Ts 3.2).
Desde o princípio vemos Deus incluindo as famílias em suas promessas de bênçãos, salvação e
livramento. Foi assim com Noé:
“Disse o Senhor a Noé: Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque reconheço que tens sido justo
diante de mim no meio desta geração”. (Gênesis 7.1)

Também foi assim com Ló, quando Deus anunciou pela boca dos anjos que haveria de destruir a cidade;
deu oportunidade para que toda a família escapasse:
“Então, disseram os homens a Ló: Tens aqui alguém mais dos teus? Genro, e teus filhos, e tuas
filhas, todos quantos tens na cidade, faze-os sair deste lugar; pois vamos destruir este lugar, porque o seu
clamor se tem aumentado, chegando até à presença do Senhor; e o Senhor nos enviou a destruí-lo”. (Gênesis
19.12,13)

Deus tem um plano para as famílias e deseja abençoa-las. Esta foi sua promessa a Abraão:
“…em ti serão benditas todas as famílias da terra”. (Gênesis 12.3b)

Mas porque Deus deseja isto não quer dizer que vá acontecer por si. Os genros de Ló não o levaram a
sério (Gn 19.14) e acabaram perecendo em Sodoma, embora o Senhor quisesse ter tirado os dois de lá.
NÃO PERDER A VISÃO FAMILIAR

Onde está o ponto de equilíbrio? Não é em achar que a família será salva por si e nem tampouco em deixar
de ter esperança pelos seus. É entender a visão familiar na Palavra e batalhar para que isto se aconteça. Creio que Deus
queira que cada um de nós possa encher o peito e afirmar com alegria o mesmo que Josué:
“…eu e a minha casa serviremos ao Senhor”. (Josué 24.15)

Tem gente que quer ganhar o mundo para Jesus e sequer se importa com a sua casa. Isto é uma violação
de claros mandamentos bíblicos! Veja o que Paulo falou a Timóteo no tocante a isso:
“Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e
é pior do que o descrente”. (1 Timóteo 5.8)

O cuidado pela família não envolve apenas o sustento natural, que é o contexto desta afirmação, mas
também a preocupação com a condição espiritual. É requisito para a liderança ter uma família exemplar, ministrada no
Senhor (1 Tm.3.4,5).
Os projetos que envolvem a salvação de nossa família devem ser tomados como prioridade. É preciso que
nos empenhemos em lutar pela salvação de nossa casa. Isto envolve uma postura de esperança e um posicionamento de
bom testemunho. Mediante um bom testemunho, familiares podem ser ganhos para Cristo. Sem ele, muitos nunca se
converterão. Pedro escreveu sobre isto:
“Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não
obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa,ao observar o
vosso honesto comportamento cheio de temor”. (1 Pedro 3.1,2)

Para o casal cristão, o desafio são os filhos. Eles também devem ser ganhos e discipulados por seus pais:
“E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do
Senhor”. (Efésios 6.4)

Viva sua vida em Deus de forma frutífera. E comece a frutificar pela sua própria casa. Que o Senhor te dê
graça para pelejar pelos seus e levá-los a uma experiência genuína com Cristo!
A CEIA DO SENHOR

O que é a Ceia do Senhor? Como e quando deve ser celebrada? Quem pode participar dela? Quero
esclarecer um pouco desta ordenança de Jesus praticada em nossas igrejas…
UMA INSTITUIÇÃO DE CRISTO
“…o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão, e, tendo dado graças, o partiu e disse:
Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver
ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes
em que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice,
anunciais a morte do Senhor até que ele venha.” (1 Coríntios 11.23-6)

Observando a expressão “fazei isto”, percebemos que se trata de uma ordem de Jesus. É um imperativo, e
fica ainda mais evidente ser uma ordenança para a Igreja, quando Jesus repete a expressão “todas as vezes que”…
mostrando que este ato deveria ser parte da nossa prática cristã.
UM MEMORIAL

Lugar algum das Escrituras mencionam o pão e o vinho se tornando literalmente o corpo e o sangue do
Senhor na hora em que o partilhamos. Pelo contrário, Jesus deixa claro o caráter simbólico do ato ao dizer: “fazei isto em
memória de mim”.
A ceia do Senhor é um momento de recordação do que ele fez por nós ao morrer na cruz para a remissão
dos nossos pecados. Quando a celebramos, estamos anunciando a morte do Senhor Jesus até que Ele volte! Os
elementos são, portanto, figurativos, e não literais.
UM RITUAL DE ALIANÇA

Os orientais davam muito valor à alianças, e as respeitavam. Quando Jesus institui exatamente o pão e o
vinho como os elementos da ceia, ele sabia exatamente o quê estava fazendo. Para os judeus, o pão e vinho faziam
parte de um ritual de aliança de sangue, o mais alto nível de aliança a que alguém poderia se submeter.
Ao contrair uma aliança deste nível, as duas partes estavam declarando que misturavam suas vidas e tudo
o que era de um passava a ser de outro e vice-versa; por isso Jesus declarou na ceia que o cálice era a aliança NO SEU
SANGUE, estabelecendo com isso, na ceia, um ritual de aliança.
No Velho Testamento vemos Abraão indo ao encontro de Melquisedeque, sacerdote do Deus altíssimo, e
levando pão e vinho. O que era isto? Um ritual de aliança. Quando ceamos, estamos reconhecendo que realmente
estamos aliançados com Cristo, e que nossas vidas estão misturadas, fundidas uma na outra (1 Co.6.17).

Jesus deixou bem claro aos que o seguiam que não bastava apenas simpatizar-se com ele ou seguí-lo
pelos milagres que operava, mas que era necessário aliança, e aliança no mais elevado e sagrado nível que os judeus
conheciam: a aliança de sangue.
Muitos não compreendem isto por não conhecer os costumes da época, mas era a este tipo de aliança que
Jesus se referia ao proferir estas palavras:
“Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o
seu sangue, não tendes vida em vós mesmos. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida
eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida, e meu sangue é verdadeira
bebida. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue, permanece em mim e eu nele.” (João 6.53-56)

É óbvio que Jesus não falava sobre comer a carne literalmente, mas sim sobre aliança, sobre mistura de
vida; isto fica claro quando o Mestre conclui dizendo que tal pessoa permaneceria nele e ele nesta pessoa. Este texto
também não fala diretamente da ceia, mas sim da nossa aliança com Cristo; embora deixe claro qual é figura da ceia: um
ritual de aliança onde testemunhamos comunhão entre nós e o Senhor Jesus Cristo.
UM TEMPO DE COMUNHÃO

No tempo apostólico as ceias eram também chamadas de “ágapes” (ou “festas de amor” – Jd.12), o que
reflete parte de seu propósito. As ênfases na expressão “corpo” que encontramos no ensino bíblico da ceia, reflete esta
visão de unidade e comunhão. A mesa é um lugar de comunhão em praticamente quase todas as culturas e épocas, e a
mesa do Senhor não deixa de ter também esta característica.
UM ATO DE CONSEQUÊNCIAS ESPIRITUAIS

Na epístola de Paulo aos coríntios, fica claro que a Ceia do Senhor tem consequências espirituais; ela será
sempre um momento de benção ou de maldição para os que dela participam.
BENÇÃO
“Porventura o cálice da benção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão
que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?” (1 Coríntios 10.16)

Observe o termo “cálice da benção”. Isto não é figurado, é real. A Ceia do Senhor traz bênçãos espirituais
sobre aqueles que dela participam.
Um outro termo empregado neste versículo, que nos revela algo importante, é “comunhão”; quando
ceamos, estamos pela fé acionando um poderoso princípio, temos comunhão com o sangue e com o corpo de Cristo! O
que isto significa? Quando derramou seu sangue, Jesus o fez para a remissão de nossos pecados, logo, ao
comungarmos o sangue, estamos provando que tipo de bênçãos? A purificação, e também a proteção, pois o diabo não
pode transpor o poder do sangue para nos tocar (Ex 12.23, Ap 12.12).
E o que significa ter comunhão com o corpo? O corpo de Jesus foi moído porque ele tomou sobre si nossas
enfermidades, e as nossas dores carregou sobre si, e pelas suas feridas fomos sarados (Is 53.4,5). A obra redentora de
Cristo nos proporciona cura física, e na Ceia do Senhor é um momento onde podemos provar a benção da saúde a da
cura. Muitos estavam fracos e doentes na igreja de Corinto por não discernirem o corpo do Senhor na Ceia.

Ao falar sobre comungarem com o corpo do Senhor, Paulo se referia não apenas ao corpo do Cristo
crucificado por meio do qual somos sarados, mas também ao corpo ressurreto, no qual habita toda a plenitude da
divindade e é fonte de vida aos que com ele comungam.
A Ceia do Senhor deve ser um momento especial de comunhão, reflexão, devoção, fé, e adoração. Tudo
deve ser feito de coração e com reverência, pois é um ato de conseqüências espirituais.
MALDIÇÃO

A Bíblia não usa especificamente esta palavra, mas mostra que a maldição pode vir como um juízo de
Deus para quem desonra a Ceia do Senhor. Depois de ter dito que ao participar da mesa do Senhor a pessoa está
anunciando a morte de Jesus até que ele venha, Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, traz a seguinte advertência:
“Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e
do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice, pois quem
come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Eis a razão porque há entre vós muitos fracos e
doentes, e não poucos que dormem. Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas,
quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.” (1 Coríntios
11.27-32)

Para muitas pessoas, a Ceia é algo que as amedronta; preferem não participar dela quando não se sentem
dignas, para não serem julgadas. Mas veja que a Bíblia não nos manda deixar de tomar, e sim fazer um auto-exame
antes, pois se houver necessidade de acerto devemos fazê-lo o mais depressa possível (1 Jo 1.9).
Deixar de participar da mesa do Senhor é desonrá-la também! Devemos ansiar pelo momento em que dela
partilharemos, e não evitá-la. Mas há aqueles que querem fingir que estão bem, e participam sem escrúpulo algum do
que é sagrado; para estes, não tardará o juízo.
Participar da mesa do Senhor tem conseqüências espirituais; ou o cristão é abençoado ou é amaldiçoado.
Não há meio termo; a refeição não é apenas um simbolismo; não se participa da Ceia do Senhor como se participa de
uma cerimônia qualquer, pois é um momento santificado por Deus e de implicações no reino espiritual.
QUEM PARTICIPA

A Ceia, como ritual de aliança que é, destina-se, portanto, aos que já se encontram em aliança com Cristo;
ou seja, aos que já nasceram de novo e estão em plena comunhão com Deus. Há igrejas que só servem a Ceia para
quem pertence ao seu rol de membros; consideramos isto um grande erro, pois a Ceia do Senhor é para quem o serve de
todo coração, independentemente de tal pessoa congregar em nossa igreja local ou não; se a pessoa faz parte do Corpo
de Cristo na terra, então deve participar da mesa.
Há ainda, aqueles que afirmam só poder participar da Ceia do Senhor quem já se batizou nas águas, mas
não há sustentação bíblica para isto; desde o momento em que a pessoa se comprometeu com Cristo em sua decisão ela
já está dentro da aliança firmada por Jesus na cruz. Entendemos que o novo convertido deva ser encaminhado para o
batismo tão logo seja possível.

Os critérios básicos são: estar aliançado com Cristo, e com vida espiritual em ordem. Contudo, não
proibimos ninguém de participar, apenas ensinamos o que a Bíblia diz, para que cada pessoa julgue-se a si mesma. Nem
Judas Iscariotes, em pecado e endemoninhado foi proibido por Jesus de participar da Ceia (Lc 22.3,21).
A instrução bíblica é que a pessoa se examine a si mesma, e não que seja examinada pelos outros.
Portanto não examinamos ninguém, nem as proibimos, só instruímos. Se a pessoa insistir em participar de forma indigna
colherá o juízo divino.
ONDE ACONTECE

Não há um lugar determinado para se realizar a Ceia, onde quer que estejam reunidos os cristãos ela
poderá ser feita.

No livro de Atos, lemos que o pão era partido de casa em casa (Atos 2.46), o que nos deixa totalmente à
vontade em relação a celebrá-la nas células; mas Paulo ao usar as seguintes palavras: “…quando vos reunis na igreja…”
e “Se alguém tem fome coma em casa…” (1 Coríntios 11.18 e 34); revela que na cidade de Corinto a Ceia era praticada
também num local maior de reunião para toda a igreja.
Portanto, como nos reunimos no templo e nas casas, à semelhança dos dias do Novo Testamento, também
praticamos a Ceia do Senhor nos dois locais de reunião, sendo que a maior incidência se dá no templo quando reunimos
todo o corpo local.
QUANDO ACONTECE

Entendemos que não há uma periodicidade definida pela Bíblia quanto à celebração da Ceia; Jesus apenas
disse:
“…fazei isto, TODAS AS VEZES QUE o beberdes, em memória de mim” (1 Co 11.25b).

Esta expressão “todas as vezes que” nos dá liberdade de fazermos quando quisermos, mas sempre em
memória do Senhor Jesus Cristo.
Em nossa igreja, celebramos a Ceia do Senhor mensalmente no templo, e não temos periodicidade
definida nas casas.
COMO É CELEBRADA

No templo ela é celebrada pelo presbitério, que normalmente se serve dos diáconos para que ajudem na
distribuição; já nas células (em nossa igreja), ela é celebrada pelos líderes e auxiliares.
Encorajamos os líderes de célula a utilizarem um só pão que deve ser partido na hora da Ceia, e um cálice
a ser dividido entre o grupo, como sinal de comunhão. Já no templo, devido à quantidade de pessoas e ao tempo de
reunião, não procedemos assim; o normal é já servimos o pão cortado em pequenos pedaços e o suco de uva em
pequenos cálices individuais.

Na igreja primitiva, quando celebrada nas casas, a Ceia do Senhor era também chamada de ágape ou
festa de amor. Os irmãos se reuniam para ter comunhão ao redor da mesa, onde tomavam suas refeições juntos; e
juntamente com as refeições celebravam a Santa Ceia. Nas casas é possível cearmos de maneira informal e festiva, e é
o que procuramos fazer.
A VIDA ESPIRITUAL DA FAMÍLIA

Queremos abordar agora a vida espiritual no lar; isto envolve não só o casal, mas toda a família. Porém,
nosso enfoque maior neste momento não são os filhos, e sim os cônjuges. Durante muito tempo, ao ensinarmos sobre o
assunto, usamos a expressão “o sacerdócio no lar”, mas queremos começar corrigindo isso aqui. Muitas vezes
propagamos conceitos equivocados, sem base bíblica, porque os recebemos sem questionar e acabamos levando
adiante.
A Bíblia ensina que Jesus Cristo nos comprou com seu sangue para fazer de nós reis e sacerdotes (Ap
5.9,10), o que nos faz compreender a visão do sacerdócio universal do crente. Diferente da idéia difundida pela Igreja em
séculos anteriores, não temos duas categorias distintas na igreja: o clero e os leigos. Todos são sacerdotes e deveriam
funcionar como tal. A Palavra de Deus distingue posições de governo dentro da Igreja Local, mas não limita o sacerdócio
a uns poucos cristãos. Todo crente deve funcionar em seu lugar no Corpo de Cristo, e todos têm a responsabilidade de
ministrar ao Senhor, bem como aos homens, em nome d’Ele. Esta visão tem sido resgatada desde a Reforma Protestante
e ainda amadurece em nossos dias, e somos gratos a Deus por isso.

Contudo, no esforço de resgatar esta verdade, acabamos exagerando na dose. Falamos muito sobre o
homem ser o sacerdote de seu lar e, na verdade, o que estamos fazendo é confundir o governo com o sacerdócio.
“Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da
mulher, e Deus, o cabeça de Cristo.” (1 Coríntios 11.3)

A ordem de sujeição é clara na Bíblia: Deus é o cabeça de Cristo, Cristo é o cabeça do homem e o homem
é o cabeça da (sua, não da dos outros) mulher. Este texto fala de governo e sujeição. Porém, por alguma razão,
passamos a tratar como se falasse de sacerdócio, ensinando algo mais ou menos assim: Se Cristo, por ser cabeça do
homem é seu sacerdote, logo o homem, por ser cabeça de sua mulher é sacerdote dela.
Se as coisas fossem exatamente assim, então a mulher não exerce sacerdócio sobre ninguém e Cristo não
é sacerdote dela, só de seu marido! Em seu livro, “Casamento & Família”, publicado em português pela Graça Editorial, o
Dr. Frederick Price fala acerca disso: “Eu percebo que esta possa ser uma revelação ou uma idéia revolucionária para
você, mas o marido não é o cabeça espiritual da esposa. Muitas pessoas falam do marido como sendo o sumo sacerdote
da família, o sacerdote da casa e assim por diante. Mas o marido não é o sacerdote da casa!… Toda pessoa nascida de
novo é sacerdote e rei, independentemente do sexo, raça ou classe (1 Pe 2.5,9; Ap 1.6). O único cabeça espiritual em
qualquer lar é Jesus. Jesus é o cabeça. Ele é o único Sumo Sacerdote. Nós somos em conjunto reis e sacerdotes porque
somos o Corpo de Cristo. De outra forma, você estaria dizendo que Jesus é o sacerdote do homem, mas o homem é
sacerdote da mulher! E isso coloca um ser humano entre as mulheres e Jesus, exatamente como no Velho Testamento,
quando um sacerdote tinha que interceder entre os israelitas e Deus… Jesus é o Sumo Sacerdote de cada pessoa
nascida de novo. Homem nenhum pode usurpar a autoridade do Sacerdote de todos os tempos. Se os homens não
precisam de um sacerdote humano sobre eles, tampouco precisam as mulheres!” (Capítulo 6, páginas 71 e 72).
Portanto, cremos que tanto o marido como a esposa (e também os filhos) são todos sacerdotes que devem
ministrar perante Deus e em favor uns dos outros. A única questão em que o homem se destaca é no governo do lar que
lhe foi confiado. O fato de só o marido ser o cabeça do lar não significa que só ele seja sacerdote!
O GOVERNO ESPIRITUAL DO LAR

Antes de governar na igreja, o homem tem que governar em sua própria casa:
“É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher… e que governe
bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a
própria casa, como governará a Igreja de Deus?)” (1 Timóteo 3.2a,4-5)

Não é porque vai governar a igreja que o bispo tem que ter um bom lar, mas justamente o contrário. O
homem tem que ser o pastor do seu próprio lar; isto é requisito não só para quem ingressa no ministério de tempo
integral, mas é um exemplo de vida cristã. E se a pessoa não cumpre um requisito básico da vida cristã, então não tem
autoridade para ser um ministro à frente da Igreja.
Portanto, o mandamento de governar bem o lar – incluindo a vida espiritual – é para todo cristão. E isto
envolve uma excelente conduta familiar, que depois será cobrada do líder como exemplo para o restante do rebanho:
“Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como,
em cada cidade, constituísse presbíteros, conforme te prescrevi: alguém que seja irrepreensível, marido de uma
só mulher, que tenha filhos crentes que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados.” (Tito 1.5,6)

O homem, além de ser fiel à sua esposa, deve conduzir seus filhos no caminho do Senhor e numa vida de
santidade, o que exigirá dele não só conselhos casuais, mas todo um acompanhamento, investimento e ministração na
vida espiritual de seus familiares. O posicionamento de um homem de Deus sempre deve envolver sua casa. Este foi o
exemplo dado por Josué:
“Mas se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais, se aos deuses a quem
serviram vossos pais, que estavam dalém do Rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém eu
e a minha casa serviremos ao Senhor.” (Josué 24.15)

O texto acima reflete a responsabilidade de Josué de não apenas buscar ao Senhor, mas servi-lo com toda
a sua família. Quando se trata de família, não existe a história de “cada um por si”. Embora a responsabilidade de cada
um diante de Deus seja individual, precisamos aprender a lutar por nossos familiares, especialmente aqueles que
possuem a incumbência de governar o lar.
O plano de Deus não é apenas para o homem sozinho, mas para toda a sua família. Quando o Senhor
decidiu julgar e destruir a humanidade nos dias de Noé, não proveu salvação para ele sozinho, mas para toda a sua
família (Gn 6.18). Vemos também que Deus prometeu a Abraão que nele seriam abençoadas todas as famílias da Terra
(Gn 12.3). Ao tirar Ló de Sodoma, o anjo do Senhor fez com que ele saísse com toda a família (Gn 19.12). No Novo
Testamento encontramos um anjo visitando Cornélio e dizendo que deveria chamar a Pedro, “o qual te dirá palavras
mediante as quais será salvo, tu e toda a tua casa”. (At 11.14). E além de todas estas porções bíblicas, encontramos a
clássica declaração do apóstolo Paulo ao carcereiro de Filipos:
“Crê no Senhor Jesus, e serás salvo, tu e toda a tua casa.” (Atos 16.31)

Deus tem um plano para toda a família. Não quer dizer que porque um se converteu, todos irão
automaticamente converter-se por causa deste texto. Não creio que ele seja uma promessa a todo crente, e sim que
revele uma intenção de Deus quanto às famílias de uma forma geral. Vale lembrar que Paulo declarou isto ao carcereiro
num momento em que este homem ia se matar. Paulo não podia vê-lo, pois além de estar dentro de sua cela, a Bíblia diz
que eles estavam no escuro. O apóstolo Paulo teve uma revelação do Espírito Santo para uma pessoa específica, num
momento específico.
Não podemos dizer: “Ei, Deus! Você prometeu que se eu cresse iria salvar todo mundo lá em casa!”. Mas
podemos muito bem orar pelos nossos familiares crendo que há um plano divino para toda a família.
Porém, ainda assim, cada familiar nosso tem o direito de escolha; e se dirão sim ou não a Jesus Cristo, é
uma responsabilidade pessoal de cada um deles. Mas devemos fazer de tudo para convencê-los, ensiná-los, cobri-los de
oração intercessória e tudo o mais que for possível.
No caso deste carcereiro filipense, o Senhor mostrou-lhe de antemão toda a família salva. Mas para cada
um de nós, mesmo se não diga de antemão o que irá acontecer, Deus já revelou seu plano (em sua Palavra) para toda a
família. E o cabeça do lar tem uma grande responsabilidade de afetar o destino dos seus entes queridos.
O CABEÇA É O RESPONSÁVEL

Na condição de cabeça do lar, o homem é o responsável de quem Deus cobrará o exercício do sacerdócio.
É óbvio que a mulher deve participar exercendo o sacerdócio juntamente com seu marido, mas a responsabilidade maior
não está sobre seus ombros. Muitos maridos se acomodam por ver sua esposa fazendo bem o seu papel, mas não
deveriam agir assim. Por melhor que seja a ajuda da mulher, o homem tem que fazer a sua parte e ele é quem prestará
contas! Vemos isto nas cartas às igrejas da ásia, no livro do Apocalipse; mesmo quando toda uma igreja errava, Deus
ainda tratava com o “anjo”, o “mensageiro” daquela igreja (Ap 2 e 3).
No caso da mulher cujo marido não é convertido, entendemos que ela deve exercer sua posição de
“sacerdotisa” sobre os filhos, porém não sobre seu marido. Parece-nos ter sido exatamente o que aconteceu na casa de
Timóteo, discípulo do apóstolo Paulo. A Bíblia menciona apenas a mãe dele como sendo convertida:
“Chegou também a Derbe e a Listra. Havia ali um discípulo chamado Timóteo, filho de uma judia
crente, mas de pai grego; dele davam bom testemunho os irmãos em Listra e Icônio.” (Atos 16.1,2)

E além da Bíblia nada falar sobre o pai de Timóteo sendo convertido, ainda mostra que a cadeia de ensino
e discipulado foi sendo transmitida por meio da avó e depois da mãe dele:
“Lembrado das tuas lágrimas, estou ansioso por ver-te, para que eu transborde de alegria pela
recordação de tua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em tua avó Lóide e em tua mãe
Eunice, e estou certo de que também, em ti.” (2 Timóteo 1.4,5)

Portanto, na falta do homem exercer sua responsabilidade de governo na condução espiritual do lar, ou na
incapacidade dele de exercê-lo – por não ser convertido, por exemplo – a mãe deve assumir esse papel, porém sempre
em relação aos filhos, nunca em relação ao marido:
“E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade sobre o marido.” (1 Timóteo 2.12)

É claro que a mulher pode ser bênção na vida de seu esposo, o que inclui, além de oração intercessória,
conselhos e até mesmo o fluir nos dons do Espírito Santo. Porém, ela não deve usurpar a autoridade de governo que
pertence ao marido.
MINISTRANDO AOS FILHOS

Os pais cristãos devem entender a sua responsabilidade de suprir não só as necessidades materiais e
emocionais de seus filhos, mas também as espirituais. A Palavra de Deus declara que “Herança do Senhor são os filhos;
o fruto do ventre, seu galardão” (Sl 127.3). Os filhos não nos pertencem, eles são propriedade de Deus.
O Senhor apenas nos confiou o cuidado deles, e um dia teremos que responder perante Ele por isso.
Daremos conta da forma como criamos nossos filhos, e isto deve trazer temor ao nosso coração, especialmente no que
diz respeito à formação espiritual deles. Não podemos brincar com isto!
Deus está chamando os pais a assumirem um compromisso maior com Ele de ministrar a vida espiritual de
seus filhos. É preciso ministrar-lhes o coração. Desde os dias da Velha Aliança o Senhor já esperava isto:
“Não te esqueças do dia em que estiveste perante o Senhor, teu Deus, em Horebe, quando o Senhor
me disse: Reúne este povo, e os farei ouvir as minhas palavras, a fim de que aprenda a temer-me todos os dias
que na terra viver e as ensinará aos seus filhos.” (Deuteronômio 4.10)

No versículo anterior a este, Deus já havia dito: “…e as farás saber aos teus filhos e aos filhos de teus
filhos” (Dt 4.9). Precisamos ministrar a Palavra de Deus aos nossos filhos! Nosso ensino – ou a falta dele – tem o poder
de afetar o resto da vida de nossos filhos; foi Deus mesmo quem declarou isto:
“Ensina a criança no caminho em que deve andar, a ainda quando for velho, não se desviará dele.”
(Provérbios 22.6)

Não se trata apenas de dar uma boa educação, mas sim a verdadeira educação. Ensinar-lhes a andar nas
veredas da justiça, nos caminhos bíblicos. Temos visto muitos pais no meio cristão distorcendo este versículo, dizendo
que os filhos se desviarem voltarão depois. Contudo, o que a Bíblia realmente diz é que, se os ensinarmos a andar no
caminho certo não desviarão nem mesmo quando forem velhos!
Educar os filhos no temor do Senhor é uma responsabilidade de todos os pais. Isto também é um
mandamento claro e expresso da Nova Aliança – o que faz da desobediência a ele pecado:
“E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e admoestação do
Senhor.” (Efésios 6.4)

COBERTURA DE ORAÇÃO

Também vemos na Bíblia que o cabeça do lar deve cobrir os seus com oração. A Palavra de Deus nos
mostra que Isaque orava a Deus para que abrisse a madre de Rebeca, sua mulher. E Deus ouviu suas orações (Gn
25.21). As Escrituras ainda nos falam acerca de Jó, que periodicamente sacrificava ao Senhor em favor de seus filhos,
com medo de terem pecado contra Deus (Jó 1.5). Também encontramos o rei Davi abençoando a sua casa (2 Sm 6.20).
O homem e mulher de Deus precisam ter um coração e uma vida de oração voltados para cobrir e proteger
a sua família. Vemos este exemplo na vida de Esdras:
“Então, apregoei ali um jejum junto ao Rio Aava, para nos humilharmos perante o nosso Deus, para
lhe pedirmos jornada feliz para nós, para nossos filhos, e para tudo o que era nosso.” (Esdras 8.21)

Em 1 Samuel 30 lemos acerca de Davi e seus homens saindo para a batalha e deixando suas mulheres e
crianças desprotegidas em Ziclague. Enquanto eles estavam fora, os amalequitas incendiaram a cidade e levaram suas
mulheres e filhos em cativeiro. Três dias depois, eles chegaram e se desesperaram pelo ocorrido. Finalmente, se
fortaleceram no Senhor e foram atrás dos seus, conseguindo resgatá-los. Aprendemos duas lições aqui. Primeiro que
precisamos proteger os nossos familiares, cobrindo-os em oração e não permanecendo distantes deles. Segundo, que
algumas vezes nos tornamos descuidados, e o inimigo pode se aproveitar de nosso descuido. Mas também aprendemos
que Deus é fiel, e mesmo quando falhamos, sua misericórdia ainda pode nos ajudar a consertar aquilo em que erramos.
O governo espiritual do lar também envolve proteção. Deus nos mostrou isto em sua Palavra desde o
início, com o que ordenou a Adão, no Jardim do Éden:
“Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e guardar.”
(Gênesis 2.15)

Note que além de cultivar o jardim, o homem deveria também guardá-lo, protege-lo. Mas guardar de quem,
se o homem estava sozinho, se nem mesmo Eva ainda havia sido criada?
Penso que Deus já estava indicando a Adão que Satanás, o inimigo de nossas almas, tentaria destruir o
que o Senhor estava colocando nas mãos do homem. Se Adão tivesse protegido a Eva, em vigilância, bem como
ministrado-lhe sobre a importância da obediência ao Senhor, pode ser que as coisas poderiam ser diferentes. Nós
também precisamos guardar e proteger nossas famílias, e isto envolve oração e vigilância, bem como a ministração da
Palavra de Deus em nossos lares.
Muita gente fala da forma maravilhosa como Deus visitou a casa de Cornélio (At.10) com salvação e
enchimento do Espírito Santo. Mas isto não aconteceu “sem mais nem menos”. Este homem orava continuamente a
Deus. E onde há uma semeadura de oração, sempre haverá uma colheita da manifestação do poder de Deus! Se
cobrirmos nossa casa de oração, veremos feitos grandiosos acontecendo em nosso favor, pois o Senhor sempre age
num ambiente de muitas orações.
Orando juntos

Penso que além de cobrir a vida dos familiares com oração, o cabeça do lar deve proporcionar um
ambiente de oração onde os seus não só recebam oração em seu favor, mas também aprendam a orar uns pelos outros.
Além disso, sempre que possível, a família também deve procurar orar junta, como muitas vezes acontecia
também com os irmãos da igreja em seu início:
“Passados aqueles dias, tendo-nos retirado, prosseguimos viagem, acompanhados por todos, cada
um com sua mulher e filhos, até fora da cidade; ajoelhados na praia, oramos.” (Atos 21.5)

Exercer o governo espiritual do lar não é só declarar a Palavra de Deus dentro de casa, mas primeiramente
vivê-la. Porém, além de se dispor a ministrar os filhos, e também um ao outro, o casal cristão deve aprender a prática de
também orar junto. Não quero dizer orar junto o tempo todo, pois a vida de oração e devoção a Deus ainda tem caráter
individual, mas isto também deve acontecer em suas vidas. Quando o casal ora junto, goza de princípios operando em
seu favor que orando sozinho não se experimentaria.
“Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem,
isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí
estou eu no meio deles.” (Mateus 18.19,20)

Ao orar junto, o casal aumenta seu “poder de fogo” contra o inimigo, pois no reino de Deus, quando dois se
unem, o efeito não é de soma, mas de multiplicação. É sinérgico! Moisés cantou acerca deste princípio ao mencionar o
que Deus fizera acerca do exército de Israel:
“Como poderia um só perseguir mil, e dois fazer fugir dez mil, se a sua Rocha lhos não vendera, e o
Senhor não lhos entregara?” (Deuteronômio 32.30)

A Bíblia mostra que deve haver sintonia natural e espiritual entre o casal. Desentendimentos vão roubar
deles o poder de unidade nas orações, que por sua vez serão impedidas:
“Igualmente vós, maridos, vivei com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso
mais frágil, e como sendo elas herdeiras convosco da graça da vida, para que não sejam impedidas as vossas
orações.” (1 Pedro 3.7)

A “correria” é um dos maiores inimigos deste tempo de oração que o casal deve ter junto. E cada um deve
aprender a “driblar” suas dificuldades e conseguir praticar um pouco mais este princípio de oração conjunta de alguma
forma.
Nós não oramos juntos em casa a freqüência que alguns ensinam; a maior parte de nossa vida de oração é
individual, pois além do caráter da busca pessoal, ainda temos outras questões e fatores que interferem no tempo, no
lugar e na forma como oramos. Orar juntos não é algo que os cônjuges conseguem só por estar no mesmo ambiente ao
mesmo tempo; envolve acordo, orar pelos mesmos propósitos e pedidos. Alguns oram (fisicamente) juntos e não
conseguem esta sintonia; outros oram separados (fisicamente) mas fluem sempre “no mesmo trilho”. O importante é que
cada casal aprenda a melhor forma de, além de manter a vida individual de oração, também conseguir orar junto e um
pelo outro.

Não deve haver vergonha ou críticas quanto à forma de cada um orar. A intimidade no que diz respeito à
vida espiritual precisa ser desenvolvida da mesma forma que a física e emocional.
CULTUANDO EM FAMÍLIA

Exercer liderança espiritual no lar não exige ter um culto com horário específico ou dia marcado, é atividade
a ser exercida sempre, em diferentes situações. Mas a prática de um culto em família auxilia muito.

Devemos desenvolver o hábito de cultuar a Deus em família, o que envolve – primariamente – o ir juntos à
Casa do Senhor, como vemos acontecendo desde os dias do Velho Testamento:
“Todo o Judá estava em pé diante do Senhor, como também as suas crianças, as suas mulheres e
os seus filhos.” (2 Crônicas 20.13)
“No mesmo dia, ofereceram grandes sacrifícios e se alegraram; pois Deus os alegrara com grande
alegria; também as mulheres e os meninos se alegraram, de modo que o júbilo de Jerusalém se ouviu até de
longe.” (Neemias 12.43)

Elcana subia com toda a sua família para adorar ao Senhor (1 Sm 1.1-5). Acreditamos que pais cristãos
devem levar seus filhos à igreja. Mesmo que ela não seja perfeita (e não é, porque não existe igreja perfeita!), é melhor
que eles cresçam num ambiente que exalta ao Senhor e Sua Palavra do que num ambiente mundano que exalta o
pecado e os prazeres da carne. Lemos no Evangelho de Lucas que os pais de Jesus o levaram ao templo para
consagrarem-no ao Senhor (Lc 2.22-24), depois há registros de que o fizeram por ocasião da Festa da Páscoa quando
ele estava com 12 anos (Lc 2.41-43), mas a maior evidência de que Jesus cresceu exposto ao ensino da Lei na Sinagoga
era o conhecimento que Ele trazia (como homem) das Escrituras.
Cultuar ao Senhor em família não envolve somente o ir à igreja, mas também pode abranger um culto
familiar na própria casa. Foi exatamente isto que aconteceu na casa de Cornélio (At 10.33). A reunião familiar também
não precisa acontecer apenas dentro de casa. Além dos cultos na igreja, podemos nos reunir em algum outro lugar (e até
mesmo com outras famílias) para buscar ao Senhor (At 21.5).
A NEGLIGÊNCIA TRARÁ CONSEQÜÊNCIAS

Quais as conseqüências de se negligenciar o governo espiritual em casa? Juízo divino para o cabeça, além
da evidente rebeldia e frieza espiritual que se manifestará vida dos filhos.

A primeira palavra profética que Samuel proferiu foi contra alguém que ele certamente amava: o sacerdote
Eli, que o criara no templo. E o que Deus disse envolvia a casa dele e sua negligência no sacerdócio familiar:
“Naquele dia, suscitarei contra Eli tudo quanto tenho falado com respeito à sua casa; começarei e o
cumprirei. Porque já lhe disse que julgarei sua casa para sempre, pela iniqüidade que ele bem conhecia, porque
seus filhos se fizeram execráveis, e ele não os repreendeu.” (1 Samuel 3.13)

O Senhor trouxe advertências anteriores, mas Eli não deu ouvidos. Deus está falando de negligência, aqui.
Diz que embora conhecesse bem o pecado dos filhos, Eli não os repreendeu. Toda omissão na vida espiritual do lar
sempre trará conseqüências sérias. Davi teve problemas com vários de seus filhos, e se você estudar com calma a
história dele, perceberá o quanto ele era negligente em relação a seus filhos. Adonias, assim como Absalão, se exaltou,
querendo usurpar o trono. Mas por trás desta atitude de rebelião, a Bíblia mostra a negligência de Davi como líder
espiritual em sua casa:
“Jamais seu pai o contrariou, dizendo: Por que procedes assim?” (1 Reis 1.6)

Se não queremos sérios problemas futuros com nossos filhos, muito menos a qualidade do relacionamento
deles com Deus comprometidos, então precisamos ser sacerdotes dedicados em ministrar e cobrir suas vidas.
MILAGRE NO CASAMENTO
A Bíblia narra um milagre extraordinário, operado por Jesus Cristo, nosso Senhor. É o relato de como um
casamento foi tocado pelo poder de Deus, e de como o seu casamento poderá ser tocado também! Observemos o relato
bíblico:
“Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de Jesus; e foi
também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento. E, tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe
disse: Eles não têm vinho. Respondeu-lhes Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha
hora. Disse então sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser. Ora, estavam ali postas seis talhas de
pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam duas ou três metretas. Ordenou-lhe Jesus: Enchei
de água essas talhas. E encheram-nas até em cima. Então lhes disse: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E eles o
fizeram. Quando o mestre-sala provou a água tornada em vinho, não sabendo donde era, se bem que o sabiam os
serventes que tinham tirado a água, chamou o mestre-sala ao noivo e lhe disse: Todo homem põe primeiro o
vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho. Assim deu
Jesus início aos seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele.”
(João 2.1-11)

Este foi o primeiro milagre que Jesus realizou, e não é em vão que tenha acontecido justamente num
casamento! As Escrituras dão testemunho através disto, mostrando-nos que antes de Jesus realizar qualquer outro
milagre de cura, libertação, etc. está interessado em agir nos casamentos. A família tem prioridade no plano de Deus,
pois Ele não a criou para o fracasso, e sim para ser bem sucedida.

Percebemos também que o milagre ocorrido deu-se em torno de haver ou não VINHO, que na Bíblia é uma
figura de alegria (Salmo 104:15). Nos casamentos, o que vemos e ouvimos é que o vinho sempre acaba. Pessoas que
viviam embriagadas de amor pelo cônjuge, assistem perplexas seus sentimentos desaparecerem. O matrimônio, de
maneira geral está falido, pois o vinho sempre acaba. Mas quando Jesus está presente aí é que se estabelece a
diferença! Milagres acontecem e ele traz vinho novo aonde já não mais existia.
Mas perceba que o milagre aconteceu porque Jesus estava lá. Ele e seus discípulos foram convidados
para simplesmente estarem nas bodas; não receberam um chamado de última hora só porque os noivos precisavam de
um milagre. Ele havia sido chamado para estar junto… E porque estava presente, operou o milagre! De maneira
semelhante, se você quer um casamento que dure, que sobreviva à falta do vinho (alegria), convide o Senhor Jesus para
estar presente.
Não espere a crise chegar, cultive sempre a presença dele por meio de oração e leitura da Sua Palavra, a
Bíblia Sagrada. E não apenas leia, mas pratique a Palavra, pois o milagre acontece aonde há obediência; foi dito aos
serventes que fizessem tudo o que Jesus mandasse, e porque fizeram sem questionar se era racional ou não, receberam
o milagre.
Podemos observar ainda algumas figuras neste texto:
- O número 6 – Havia seis talhas. Na Bíblia, este número sempre fala de algo que é humano. O homem foi
criado no sexto dia (Gn 1.27,31). E o seis é chamado número de homem (Ap.13:18). Portanto, percebemos que o milagre
não depende só de Deus, mas há uma participação e um fator humano ligado a este milagre no casamento.
- As talhas - o significado espiritual destas talhas estão apontando para a parte que nos toca no que tange
a receber o milagre de Deus. O seis fala do homem, e aqui entendemos nossa participação no milagre. As talhas eram o
recipiente para o vinho que o Senhor Jesus transformaria. Normalmente eram pedras talhadas, cavadas.
Isto sugere o quão duro somos no que tange aos relacionamentos e o quanto precisamos ser trabalhados
por Deus em nossa forma de ser e agir no matrimônio. Quanto mais cavados nos deixamos ser pelo agir de Deus, maior
será nosso potencial para receber o vinho. Uma pedra pouco cavada, comporta pouco vinho, mas uma pedra bem
trabalhada comporta mais vinho!
- A água – Era a matéria prima necessária para que o milagre pudesse acontecer. Não havia água nas
talhas, Jesus foi quem mandou enchê-las. A água simboliza a Palavra e também o Espírito Santo. Nos lares onde o vinho
chega a acabar, e todo o prazer do relacionamento desaparece, temos percebido que além dos erros cometidos na esfera
natural, havia também falta de água; não havia o cultivo diário da presença de Deus por sua Palavra (lida e praticada) e a
presença viva de seu Espírito.
Creio ser esta a chave do milagre. É importante se deixar ser trabalhado (o que é diferente de ser
manipulado pelo cônjuge) na forma de se relacionar, mas se estas talhas não forem cheias da presença de Deus o vinho
não aparecerá! Vale também ressaltar que quanto mais água aqueles servos colocassem nas talhas, mais vinho haveria;
ou seja, o milagre de Deus em nosso casamento esta diretamente relacionado com o investimento que fazemos em
cultivar Sua presença.
Finalizando, quero chamar sua atenção para a qualidade do milagre. Jesus deu o que havia de melhor em
matéria de vinho, a ponto de o mestre-sala se impressionar e comentar que normalmente se bebe o melhor vinho e,
depois de o terem desfrutado, oferece-se o inferior. Assim é com a maioria dos relacionamentos conjugais; bebem o
melhor vinho nos primeiros anos, depois a qualidade cai e assim é até que acabe.
Mas quando Deus faz um milagre, o que se experimenta é algo inédito, muito superior a tudo o que já se
experimentou até então. Deus nos dá o melhor, sempre! Tenho visto isto no dia-a-dia dos casamentos que tenho
acompanhado como pastor, portanto sei do que estou falando. Deixe Deus ser não apenas o Criador do matrimônio, mas
aquele que oferece toda manutenção necessária. Quando isto acontece, não somente somos beneficiados com um lar
melhor, mas Deus recebe glória. O vinho dos lares cristãos deve ser o da mais alta qualidade…
Se você reconhece que o vinho acabou (ou está quase acabando) em seu matrimônio, creia na vontade de
Deus de agir nos casamentos. Renove o convite ao Senhor Jesus para estar em seu lar, pratique estes princípios
espirituais e seja feliz como o Pai Celestial sempre quis que cada casal fosse!
A UNIDADE ENTRE O CASAL

Muitos casais cristãos estão vivendo hoje fora daquilo que Deus idealizou. Brigas constantes, desrespeito
mútuo e distância entre o casal, são vistos em muitos lares. E além da infelicidade que isto produz em seus corações,
ainda há a questão do mal testemunho dado e da vida espiritual que é prejudicada. Penso que este é um assunto que
merece nossa atenção, pois o princípio de viver em unidade é algo que não apenas produzirá maior realização emocional
no relacionamento, como também liberará sobre o casal as bênçãos de Deus.
COMPREENDENDO A UNIDADE

É importante que consigamos visualizar o que a unidade do casal pode produzir em suas vidas, e então
seremos desafiados a preservá-la. Também entenderemos porque o Diabo, o adversário de nossas almas, luta tanto
contra ela. Jesus nos ensinou que a unidade e concordância permite Deus agir em nossas vidas:
“Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem,
isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí
estou eu no meio deles”. (Mateus 18.19,20)

Por outro lado, a falta de unidade impede Deus de agir. A palavra de Deus nos mostra de modo bem claro
que quando o marido “briga” com sua mulher, algo acontece também na dimensão espiritual:
“Igualmente vós, maridos, vivei com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso
mais frágil, e como sendo elas herdeiras convosco da graça da vida, para que não sejam impedidas as vossas
orações”. (1 Pedro 3.7)

Ao deixar de honrar a mulher como vaso mais frágil e maltratá-la (ainda que só verbalmente), o marido está
trazendo um sério problema sobre a vida espiritual do casal. A Bíblia diz que as orações serão impedidas. É lógico que
isto também vale para a mulher, embora quem mais facilmente tropece nisto sejam os homens. O texto bíblico revela que
depois de desonrar a mulher na condição de vaso mais frágil (com asperezas), o homem, mesmo que clame ao Senhor,
terá sua oração impedida, pois um princípio foi violado.

Deus não age em um ambiente de desarmonia e discordância. Isto é um fato. Quando tentaram construir a
torre de Babel, as Escrituras dizem que Deus desceu para ver o que os homens faziam. E Deus mesmo, ao vê-los
trabalhando em harmonia e concordância de propósito declarou:
“Eis que o povo é um e todos têm uma só língua; e isto é o que começam a fazer; agora não haverá
restrição para tudo o que eles intentarem fazer. Eia, desçamos, e confundamos ali a sua linguagem, para que não
entenda um a língua do outro”. (Gênesis 11.6,7)

O que vemos aqui é que a unidade remove limites. Quando o casal se torna um e fala uma só língua (sem
discordância) eles removem os limites diante de si! Deus pode agir livremente num ambiente destes, mas basta perder a
capacidade de falar a mesma língua que tudo se perde! No reino de Deus, quando dois se unem, o efeito não é de soma,
mas de multiplicação. Moisés cantou acerca do exército de Israel: um deles faria fugir a mil de seus inimigos, mas dois
deles faria fugir dez mil! (Dt 32.30).

A unidade ainda traz consigo outras virtudes. Podemos ver isto numa das figuras bíblicas do Tabernáculo.
O propiciatório da arca da aliança figura este princípio. O Senhor disse que ali Ele viria para falar com Moisés. O
propiciatório (ou tampa da arca) era o lugar onde a glória e a presença de divina se manifestava. E nas instruções para a
confecção desta peça, vemos o simbolismo da unidade. Deus disse que os dois querubins deveriam ser uma só peça de
ouro batido; com isto falava simbolicamente de unidade entre seus adoradores (Ex 25.17-19). Os querubins deviam estar
com as asas estendidas um para o outro (Ex 25.20), o que fala de cobertura recíproca. A falta de unidade nos leva a agir
com o espírito de Caim que disse ao Senhor: “Acaso sou eu guardador de meu irmão?” (Gn 4.9). Mas quando estamos
em unidade com alguém, cobrimos e protegemos esta pessoa! Esta é uma virtude que acompanha a unidade.
A outra, é a transparência. Os querubins deveriam estar um de frente para o outro (Ex 25.20). Isto fala
alegoricamente de poder encarar outro adorador “olho no olho”. Fala de não ter nada escondido, de não ter pendências.
Ninguém consegue olhar (espontaneamente) no olho de outra pessoa quando as coisas não estão bem. Quando Jacó
fala para sua família que as coisas já não estavam bem entre ele e Labão, seu sogro, a expressão que ele usa é: “vejo
que o semblante de vosso pai já não é mais o mesmo para comigo” (Gn 31.5).
Jesus disse que os olhos são a candeia do corpo. Eles refletem o que está dentro de nós. E a unidade é a
capacidade de olhar olho no olho e estar bem. Particularmente, eu não posso concordar com casais que escondem
coisas um do outro, seja no que diz respeito à sua vida passada (erros e pecados) ou presente (como nas questões
financeiras, por exemplo).

Acredito que a unidade verdadeira exige que haja remoção ou acerto de “pendências” (Pv 28.13). Ás vezes
fingimos um comportamento só para agradar (ou não desagradar) ao outro, o que diverge do ensino bíblico. Este teatro
não produzirá unidade verdadeira. Temos que aprender a ser francos, como está escrito:
“Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto”. (Provérbios 27.5)

Paulo censurou este tipo de comportamento dúbio quando escreveu aos gálatas. Ele falou sobre como o
apóstolo Pedro em certa ocasião agiu assim para ser “diplomático” e que esta atitude conseguiu atrair até mesmo o
próprio Barnabé, companheiro de Paulo, e ele os censurou publicamente (Gl 2.11-14).
Contudo, quero ressaltar que ser franco não significa ser grosseiro, pois a Bíblia nos ensina a falar a
verdade em amor. O conselho dado a Timóteo na hora de corrigir os que opunham, foi o de usar de mansidão (2 Tm
2.25). A unidade manifesta a verdade (dolorosa às vezes) de forma bem mansa.
O PRINCÍPIO DO ACORDO

A Bíblia nos ensina também que o acordo é indispensável num relacionamento:


“Como andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” (Amós 3.3)

A ausência de acordo é uma porta aberta para o diabo. Quando Paulo escreveu aos efésios e falou sobre
não dar lugar ao diabo, o fez dentro de um contexto, que é o de pecados que acontecem nos relacionamentos:
“Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo”. (Efésios
4.26,27)

Tiago escreveu sobre o mesmo princípio. Ele disse:


“Pois onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de cousas ruins”. (Tiago
3.16)

Já mencionamos anteriormente que o acordo é uma porta aberta para ação de Deus (Mt 18.19). Mas
quando chegamos ao ponto de dissipa-lo de nosso relacionamento, estamos comprometendo não só a qualidade da
satisfação na esfera emocional, mas também a esfera espiritual de nosso lar. Não é fácil ajustar-se satisfatoriamente na
relação conjugal. As diferenças são muitas; na formação de cada um, na personalidade, temperamento, e acrescente a
isto as diferenças entre homem e mulher. Contudo, quando aprendemos a ter como denominador comum o caráter e os
ensinos de Cristo, então conseguimos o ajuste por meio de ceder, perdoar, recomeçar, etc. Mesmo um casal que parecia
perfeitamente ajustado em seu período de namoro e noivado descobrirá a necessidade de mais ajustes à medida que os
anos de casamento vão passando. Não é uma tarefa tão fácil, mas não é impossível! Se não estivesse ao nosso alcance,
Deus estaria sendo injusto ao cobrar isto de nós… mas o fato é que não só é algo possível, como também é uma chave
poderosa na vida cristã!
O CASAL DEVE DECIDIR JUNTO

Há uma ordem de governo e autoridade estabelecida por Deus no lar. O marido é chamado o cabeça (Ef
5.22-24), e entendemos que como tal tem direito à palavra final. Porém, isto não quer dizer que o homem esteja sempre
certo ou que não deva ouvir sua mulher. Encontramos no Velho Testamento uma ocasião em que o próprio Senhor diz a
Abraão, seu servo: “Ouve Sara, tua mulher, em tudo o que ela te disser” (Gn 21.12). No Novo Testamento vemos Pôncio
Pilatos desprezando o conselho de sua mulher e se dando mal com isto (Mt 27.19).
Precisamos considerar ainda que ser líder não significa ser autoritário. Quando o apóstolo Pedro escreveu
aos presbíteros (que compõem o governo da Igreja Local), disse em sua epístola que eles não deveriam ser
“dominadores do povo” (1 Pe 5.3). Isto mostra que autoridade e autoritarismo são duas coisas distintas. Vejo muitos
maridos dizerem que suas esposas TÊM que obedecê-los! Mas ao dizer que as esposas devem ser submissas, Deus não
estava instituindo o autoritarismo no lar. Vale ainda lembrar que Jesus declarou que “aquele a quem muito foi dado, muito
lhe será exigido” (Lc 12.48). Os homens precisam se lembrar de que em matéria de responsabilidade do lar, terão que
responder a Deus numa medida maior que as mulheres. Mas não é preciso que o homem carregue o peso desta
responsabilidade sozinho.
É importante que o casal dialogue e tome decisões juntos. Desde que casamos, minha esposa e eu
sabemos quem é o cabeça do lar, mas foram muitas raras as vezes em que tomei uma decisão por mim mesmo. Sempre
conversamos e discutimos sobre nossas decisões. As vezes já estamos de acordo no início da conversa, e às vezes
precisamos de muita conversa para amadurecer bem o que estamos discutindo. Mas sabemos a bênção de caminhar em
acordo e cultivamos isto entre nós. Entendo que se a mulher é chamada de “auxiliadora” na Bíblia, é porque o homem
precisa de sua ajuda. E a ajuda da mulher não está limitada à atividades domésticas. A Bíblia fala com esta figura, que
deve haver uma relação de companheirismo. Creio que como auxiliadora, a mulher deve ajudar a tomar decisões.

Este é um processo que exige ajuste. Na hora de discutir alguma decisão, ou mesmo a forma de ser e se
comportar de cada cônjuge, vemos o quanto é difícil ouvir ao outro. Mas devemos atentar para o ensino bíblico sobre isto:
“Responder antes de ouvir é estultícia e vergonha” (Pv 18.13). Tiago nos adverte o seguinte:
“Sabeis estas cousas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para
falar, tardio para se irar”. (Tiago 1.19)

A verdade é que normalmente somos prontos para falar e irar-se um contra o outro, mas tardios para dar
ouvidos ao que o outro tem a dizer. E isto precisa ser mudado em nós! Para que haja acordo, precisamos aprender a
ouvir.
TRATANDO COM DESENTENDIMENTOS

Os desentendimentos ocorrem, mesmo entre os crentes mais dedicados, mas devem ser tratados logo.
Lemos que alguém pode se irar e não pecar, pois é uma reação emocional espontânea. Mas o que cada um faz com o
sentimento que teve pode se tornar pecado. Paulo aconselhou os irmãos de Éfeso a que não deixassem o sol se pôr
sobre sua ira (Ef 4.26,27).
Em outras palavras, que deveria haver acerto, perdão, e que nenhuma pendência ficasse para trás.
Precisamos aprender a tratar com os desentendimentos no lar.
Preservar a unidade não significa nunca se desentender, mas saber dar a manutenção devida no
relacionamento quando isto ocorrer.

O tempo não apaga as ofensas. Deve haver reconciliação. Jesus ensinou isto:
“Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra
ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua
oferta”. (Mateus 5.23,24)

Alguns acham que depois de um desentendimento é só deixar “para lá”. Mas a Bíblia nos ensina o princípio
de reconciliação de maneira bem formal. Deve haver pedido de desculpas, de perdão. Deve se conversar sobre o que
aconteceu (o quê machucou o íntimo de cada um e porquê machucou). E não podemos perder de vista que devemos
lutar para viver sem brigas, e não só reconciliar quando elas ocorrem (Ef 4.31).
Acredito, ainda, que atenção especial deve ser dada à forma de falar. Talvez esta seja uma das áreas que
mais sensíveis sejam nos desentendimentos que surgem no relacionamento, uma vez que a “comunicação” no lar não é
só o que um fala, mas também a forma que o outro entende! As conversas não devem ser exaltadas ou em tom de briga.
E quando um dos cônjuges se perde numa explosão emocional, é importante notar que a Bíblia não nos ensina a “jogar o
mesmo jogo”. O que lemos nas Escrituras é justamente o contrário:
“A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira”. (Provérbios 15.1)
“A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder
a cada um”. (Colossenses 4.6)

Os maridos devem ter cuidado redobrado, pois por natureza são mais racionais do que emocionais e suas
palavras tendem a ser mais duras e grosseiras. Por isso a Bíblia nos adverte:
“Maridos, amai a vossas esposas, e não as trateis com aspereza”. (Colossenses 3.19)
“Igualmente vós, maridos, vivei com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso
mais frágil, e como sendo elas herdeiras convosco da graça da vida, para que não sejam impedidas as vossas
orações”. (1 Pedro 3.7)

Embora seja verdadeiro e aplicável aqui o ditado de que “é melhor prevenir do que remediar”, precisamos
reconhecer que muitas vezes falhamos permitindo desentendimentos que poderiam facilmente ser evitados. Neste caso,
devemos aprender a consertar e tratar com estas situações. Mas não podemos esquecer também que mesmo havendo
perdão e reconciliação depois do erro, quando ele se repete muito vai gerando desgaste e descrédito, e isto exige uma
dimensão de restauração maior depois.
As intrigas no lar roubam o prazer de outras conquistas, como escreveu Salomão, pela inspiração do
Espírito Santo:
“Melhor é um prato de hortaliça, onde há amor, do que o boi cevado e com ele o ódio”.
(Provérbios 15.17)
“Melhor é um bocado seco, e tranqüilidade, do que a casa farta de carnes, e contenda”.
(Provérbios 17.1)

“Melhor é morar no canto do eirado do que junto com a mulher rixosa na mesma casa”.
(Provérbios 21.9)

Há casais que alcançará tudo o que queriam financeiramente, mas não conseguem viver bem juntos. Eles,
melhor do que ninguém pode afirmar quão verdadeiras são estas declarações bíblicas. Não adianta ter outras realizações
e deixar o relacionamento conjugal se perder. Precisamos aprender a cultivar a unidade em nosso relacionamento. E isto
acontece quando aprendemos a lidar de forma simples e prática nas questões do dia-a-dia.
Que o Senhor nos ajude!
A DISCIPLINA NA IGREJA
Muitos são tão impactados por Deus na sua conversão e experimentam uma transformação tão grande,
que chegam a pensar que todos na igreja são perfeitos. Porém, não é necessário muito tempo para descobrir que isto
não é verdade; todos somos falhos e imperfeitos, e na igreja encontraremos falhas, erros e limitações.

A maneira de se lidar com estes erros é com amor e paciência; vamos nos ajustando aos poucos e assim
prosseguimos. Mas quando se trata de pecado, a igreja deve agir diferente, deve usar de disciplina.

Na igreja encontraremos todo tipo de gente; aqueles que querem levar Deus a sério, e os que não. O
Senhor Jesus disse que quando a rede é lançada ao mar, recolhe todo tipo de peixes: bons e ruins (Mt 13.47,48); nesta
mesma ocasião Jesus também ilustrou isto de outra forma, falou acerca do joio e do trigo para mostrar que na igreja
temos todo tipo de gente.

O Senhor nos preveniu que haveria escândalos em nosso meio (Mt 18.7), deixando claro que estes por
quem vem os escândalos serão julgados, mas que é inevitável que isto ocorra. Quando o evangelho é proclamado, a
pessoa é convidada a vir a Deus como está, mas depois que passa a pertencer à Igreja do Senhor terá que se ajustar à
Sã Doutrina. Todos somos falhos e pecamos. Como diz a Escritura:

“Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em
nós”(1 Jo 1.4).

Portanto, não é qualquer pecado que nos fará sermos disciplinados, senão viveríamos só de disciplina.
Quando pecamos, devemos nos arrepender e confessar nossos pecados e seremos perdoados (1 Jo 1.9); a disciplina é
para tratar com quem peca e não quer se arrepender, insistindo em viver no pecado.

SOMOS UM CORPO

Não podemos perder de vista que ninguém vive espiritualmente isolado; somos membros uns dos outros e
constituímos um só corpo. Quando alguém passa a viver no pecado fere não só a si mesmo, mas também ao corpo de
Cristo!

O Velho Testamento nos revela como o pecado de um só homem, Acã, prejudicou todo Israel e como foi
necessário que ele fosse julgado (Js 7.11-26). O Novo Testamento enfatiza muito a ideia do corpo; quando Jesus envia
sua mensagem a cada uma das sete igrejas da Ásia (Ap.2 e 3), ele as trata como um todo tanto ao falar de suas virtudes
como também de seus erros.

OS QUATRO NÍVEIS DA DISCIPLINA NA IGREJA

Jesus foi quem primeiro falou de disciplina no Novo Testamento:

“Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só. Se te ouvir, ganhaste a teu
irmão. Mas se não te ouvir, leva contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda
palavra seja confirmada. E se não ouvir, dize-o à igreja; e, se também não ouvir a igreja, considera-o como gentio
e publicano”. (Mt 18.15-17)

Há quatro níveis distintos no processo de disciplina que o Senhor ensinou:

1. Repreensão pessoal;

2. Repreensão com testemunhas;

3. Repreensão pública;

4. Exclusão.

Não praticamos a disciplina quando a pessoa se arrepende, mas sim quando ela se recusa a arrepender-
se. E neste caso, dentro de uma progressividade; com a repreensão pessoal primeiro, a com testemunhas em segundo, a
diante da igreja em terceiro e só então a exclusão em quarto lugar.
Não podemos excluir alguém sem ter dado antes estes passos. Porém, alguém pode não querer receber os
primeiros níveis da repreensão fugindo deles; neste caso, constatada a indiferença e relutância da pessoa, passamos
então ao quarto nível, subentendendo terem sido os outros insuficientes ou impraticáveis.

Quando a repreensão se torna pública, ainda que seguida de arrependimento, e a pessoa em questão é um
líder, a disciplina se manifestará afastando a pessoa de sua posição de liderança até comprovada restauração.

REPREENSÃO PESSOAL

Vários textos bíblicos falam sobre a necessidade de repreensão. E não são necessariamente ligados ao
presbitério, pois no corpo de Cristo ministramos uns aos outros. Neste nível se enquadram os líderes de célula e todos
que exercem cuidado por outras pessoas no Corpo. Veja alguns deles:

“Exortamo-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos…” (1 Ts 5.14)

“Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações, e


tanto mais vedes que aquele dia se aproxima”. (Hb 10.25)

“Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e, sim, deve ser brando para com
todos, apto para instruir, paciente; disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus
lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade”. (2 Tm 2.24,25)

Note que corrigir não significa contender, mas demonstrar cuidado com mansidão. Quando porém, a
situação se agrava, é necessário que o governo da Igreja (os presbíteros) assuma a situação,