Você está na página 1de 5

Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

Engenharia Física - Física Experimental II


Prof. Paulo César de Souza

ROTEIRO DA EXPERIÊNCIA Nº 5 (‫)ה‬

VISCOSÍMETRO DE STOKES

1. Objetivos
Estudar o efeito do atrito viscoso num fluido através da queda de uma esfera maciça e a
determinação dos parâmetros que caracterizam o meio.

2. Introdução
A viscosidade define-se como a resistência que um fluido oferece ao escoamento, sendo que essa
oposição ao movimento se deve ao atrito interno das camadas (ou placas) adjacentes do fluido.
Um fluido pode ser entendido como um conjunto de placas ou camadas justapostas. Devido ao
atrito interno entre as placas, conforme Figura 1, surge uma força  oposta ao deslocamento.

y



ARRASTO

 P1 Área A  
EMPUXO

dy



P2

x
PESO



Figura 1. A placa P1 de um fluido se desloca com velocidade Figura 2. Balanço de forças


 em relação a uma camada adjacente P2. Devido ao
 e visualização das linhas de
corrente em uma esfera em
interna de atrito .
movimento relativo entre as placas do fluido há uma força
queda livre com velocidade
. Referencial deslocando-

se com a esfera num fluido
estacionário.
Na Figura 2 temos uma visualização da queda de um corpo esférico num fluido. Devido ao movimento
da esfera no fluido com velocidade  , a força de empuxo

 há uma força de atrito interna 


  e a
.
força peso
Podemos quantificar esse atrito através da definição do coeficiente de atrito interno, também
chamada de viscosidade*, definido por Isaac Newton como:

   (1)


onde A é a área da placa P1, segundo a Figura 1. A equação (1) revela que a  é diretamente

ou   .

proporcional à força de resistência ao movimento entre as placas e sua unidade no SI é
No CGS, utilizado mais amplamente, a unidade é o Poise (   !) ou "  #$%  (centipoise). A
relação entre o SI e o CGS é     # . Na Tabela 1 apresentamos alguns valores típicos da
viscosidade, de várias substâncias, em função da temperatura.

Tabela 1. Viscosidade (em P) de líquidos e gases em função de várias temperaturas.

0ºC 20ºC 37ºC 40ºC 60ºC 80ºC 100ºC


Água 0,01792 0,01002 0,00656 0,00469 0,00357 0,00284
Álcool 0,001809 0,0011733 0,000796 0,00056 0,000408 0,000306
Glicerina (100%) 120,7 14,1 2,8 0,813 0,319 0,148
“ (99%) 94,2 11,5 2,35 0,69 0,278 0,133
“ (98%) 73,7 9,39 1,96 0,598 0,248 0,122
“ (90%) 13,1 2,19 0,601 0,225 0,110 0,060
Óleo de rícino 9,86 1,94 0,671 0,256 0,17
Óleo motor SAE 30 2
Óleo de soja 0,69 0,26
Sangue 0,04
Óleo de oliva 0,81
Mel 20-100
9
Piche 10
19 22
Vidro 10 -10
Ar (1 atm) 0,000171 0,000181 0,00019 0,0002 0,000209 0,000218

Na indústria utiliza-se com frequência a viscosidade cinemática, que é a razão entre a


viscosidade dinâmica  e a densidade do fluido &:
(
'
)
(2)

A unidade de ' é tipicamente dada por  *+,-. 




  *+.

3. Tipos de Escoamento
Num fluido, o deslizamento de camadas é chamado escoamento laminar quando as camadas se
mantêm. E, quando as camadas são desfeitas o escoamento é turbulento. Em cada fluido as

*
A viscosidade também é conhecida como: Viscosidade Absoluta ou Viscosidade Dinâmica.
velocidades envolvidas definem cada regime. Um parâmetro muito útil para definição do regime de
escoamento é o número de Reynolds:
)
/
(
(3)

onde é a velocidade e  a distância transversal envolvida no escoamento. Para / 0 temos um


escoamento turbulento.

4. Determinando a Viscosidade de um Fluido


A queda de um sólido através de um fluido há uma aderência entre as camadas adjacentes do
mesmo. Assim, temos uma força de resistência ao movimento denominada arrasto ou força de atrito
interna. Uma esfera de raio 1, conforme a Figura 1, que se move com velocidade num meio infinito
de viscosidade  , a força de arrasto para um escoamento laminar é dada por:
2  3451  36 (4)
A expressão da equação (4) é conhecida como lei de Stokes. Essa lei é válida somente quando o
meio é infinito. Quando há uma parede próxima ao deslocamento da esfera essa lei deve ser corrigida,

percorre um tubo de raio 7 , em primeira ordem é dada pela seguinte equação:


pois a força viscosa aumenta consideravelmente. Uma correção da lei de Stokes, quando a esfera

;
2  3451  8 9 : =
<
(5)

Aplicando a lei de Newton ao movimento da esfera dada pela Figura 2 temos:



>  > A 3 6
@
?
(6)

onde 6 é o coeficiente de proporcionalidade da força de atrito viscoso, >@ é a massa aparente da


esfera dentro do fluido e A é a aceleração gravitacional local. A solução da equação diferencial (6) é
F
@
B+C  E 3 . $G ?
H
D
(7)

Para + I J temos a velocidade limite ( K ) ou final da esfera, sendo:


@
K  LMN?I2 B+C 
D
(8)

Através do equacionamento, em regime de velocidade limite, das expressões anteriores obtemos:


O ( ; ;
8 9 : = 
% B)$)P C < Q
(9)

onde & e & são as densidades da esfera e do fluido, respectivamente. Linearizando a equação (9)

R  ST 9 U
temos:

V 
U
W AB& 3 & C
S  :U
(10)
; ;
RX TX
Q <
Aqui e . Se o modelo estiver correto teremos uma reta e os coeficientes angular e

linear permitem obter a viscosidade  e a constante : , de correção da força viscosa devido ao efeito
da parede do tubo.

5. Procedimento Experimental
O objetivo da experiência é a verificação da equação (9). Para isso deve-se obter a velocidade
limite ( K ) para várias esferas de raio 1. Na Figura 3 temos um esquema de uma esfera que atinge a
velocidade limite no tubo de raio 7 .

^ _ [+
K
^
K 
[+

Y percorre uma distância Z, com


Figura 3 Esquema da montagem para se obter a viscosidade de

velocidade constante Z , num tempo [\ através de um tubo de


um fluido. Uma esfera de raio

raio ].

Para se obter a velocidade limite de cada esfera deve-se:


• Utilizar esferas cuidadosamente limpas (use algodão e álcool) e, antes do lançamento, envolva
as esferas no fluido (glicerina).
• Utilize no mínimo 3 conjuntos de esferas de diferentes raios e obtenha o raio médio e a sua
respectiva incerteza. Use o micrômetro. Cada conjunto de esferas deve conter no mínimo 5
esferas.
• Deixe cair sucessivamente cada esfera no tubo que contém a glicerina. As esferas devem
obrigatoriamente seguir o eixo central do cilindro para diminuir a influência da parede do tubo.
Importante: Não jogue as esferas, mas libere-as na superfície do fluido.
• Determine experimentalmente a região ^ para cada esfera cuja velocidade é constante. Uma
forma é utilizar a maior esfera e usar essa região para as demais.
• Determine para cada esfera, com o auxilio do cronômetro, o tempo [+ necessário para
percorrer o deslocamento ^.
&  B_W ` #_C &
!a
• Adote a densidade da glicerina sendo e da esfera de aço

Bb_c ` #_C
!a
.

• Determine o raio 7 do tubo.


• Faça o monitoramento da temperatura da glicerina durante a queda das esferas.

6. Apresentação, análise e Conclusões


Faça uma tabela com as seguintes variáveis e incertezas: raio da esfera 1, 1 % , tempo
de queda [+ e velocidade limite K .

Faça um gráfico de K d 1 % e verifique o comportamento da curva obtida. Se a curva


obtida for uma reta o parâmetro :  #. Como irá ficar a equação (9) e (10)?

;f ;
Te  Re  Bf C
<
• Faça uma tabela com os valores de e e as suas respectivas
Q f

R d T (com as incertezas transferidas para R) e, utilizando os mínimos


incertezas.
• Faça o gráfico
quadrados, obtenha os valores de S e U†. Desconsidere os pontos experimentais não

 :
previstos pelo modelo.
• Através dos coeficientes do item anterior determinar e a constante com as
incertezas respectivas.
• Calcule o número de Reynolds para cada queda.
• No desenvolvimento teórico do relatório mostrar que:
hi
A massa aparente é dada por >@  1 j B& 3 & C.
j
i.
ii. Deduzir a equação (7) quando a velocidade inicial é nula. (Use a substituição de
>@ A
variável k  3
6
)
iii. Esboçar o gráfico d + . Mostrar que quanto menor for a esfera, mais

rapidamente ela atinge a velocidade limite. (Use l 
D
)

7. Referências
1. Koshkin, N.; Shirkevich, M. Handbook of Elementary Physics, Moscou: MIR Publishers, 1968.
2. Vuolo, J.H. Fundamentos da Teoria de Erros. São Paulo: Edgard Blücher, 1992.
3. Vuolo, J.H. Apostila de Física Experimental II. São Paulo: IFUSP, 1998.

!

Adote a aceleração gravitacional para Dourados/MS sendo A  BVbc4Wb_V# ` #_#m#C d #$j