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Noções de AFO e Orçamento Público para Analista do TRF-03

Aula 01
• O papel do Estado e a atuação do governo nas finanças públicas;
formas e dimensões da intervenção da Administração na
economia.

Professor Graciano Rocha


Noções de AFO e Orçamento Público para Analista do TRF-03
Aula 01
Prof. Graciano Rocha

Aula 01

Saudações, caros alunos!

Inicialmente, gostaria de agradecer a confiança depositada em nosso trabalho.


A cada aula, tentarei corresponder ao máximo a sua expectativa, de forma a
prepará-lo o mais possível para a prova. E sempre com a didática que acredito
ser mais eficiente: indo direto ao ponto, usando vocabulário simples, tratando
do que realmente importa.

Na aula de hoje, estudaremos aspectos relacionados às Finanças Públicas, antes


de iniciar a abordagem mais diretamente ligada ao Orçamento Público.

Vamos lá então. Boa aula!

GRACIANO ROCHA

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SUMÁRIO

ORÇAMENTO PÚBLICO E OS PARÂMETROS DA POLÍTICA FISCAL ...................................................4


POLÍTICA FISCAL E ORÇAMENTÁRIA .....................................................................................................4
INTERVENÇÃO DO ESTADO NA ECONOMIA ............................................................................................9
FUNÇÕES DO ORÇAMENTO E OBJETIVOS DA POLÍTICA ORÇAMENTÁRIA ........................................................ 12
FALHAS DE MERCADO ................................................................................................................... 18
DÉFICIT PÚBLICO ......................................................................................................................... 29
NECESSIDADES DE FINANCIAMENTO DO SETOR PÚBLICO – NFSP .............................................................. 31
APURAÇÃO DAS NFSP: “ACIMA DA LINHA” E “ABAIXO DA LINHA” ............................................................ 35
RESUMO DA AULA ..................................................................................................................... 41
QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA ...................................................................................... 44
QUESTÕES ADICIONAIS .............................................................................................................. 54
GABARITO.................................................................................................................................. 60

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ORÇAMENTO PÚBLICO E OS PARÂMETROS DA POLÍTICA FISCAL


Política fiscal e orçamentária

Para a doutrina, a política fiscal representa a obtenção e utilização planejada


dos recursos arrecadados pelo governo, a fim de atingir os objetivos a cargo do
setor público. Assim, a política fiscal procura agir sobre a arrecadação e
alocação de recursos, a distribuição da renda, a estabilização da
produção e do emprego e o crescimento econômico.

A política fiscal se divide em política tributária e política orçamentária.

A política tributária é concernente, sobretudo, à receita, já que desse âmbito


– a tributação – sai a maior parte da arrecadação de recursos do setor público.

Em São Paulo, defronte à Associação


Comercial do estado, foi instalado o
“Impostômetro”, um painel que demonstra, a partir
de dados fiscais e modelos matemáticos, a
quantidade de recursos financeiros apropriados
pelo setor público (municípios, estados, DF e
União). Em 2014, o Impostômetro apontou
arrecadação tributária aproximada de R$ 1,85
trilhão, contabilizados todos os entes federados

Já a política orçamentária articula a previsão da arrecadação (a ser obtida


pela tributação e outras fontes) com as demandas diagnosticadas pelo
governo, a partir da identificação de suas despesas prioritárias.

Política tributária
Política fiscal
Política orçamentária

O orçamento público, aprovado como lei, e os créditos adicionais são os


principais instrumentos de execução da política orçamentária. Mas podemos

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citar ainda, nesse contexto, os decretos de contingenciamento; a lei de


diretrizes orçamentárias; e, de forma menos “cotidiana” e mais estratégica, o
plano plurianual.

A política orçamentária, considerada em sua dimensão atual, pode ser


considerada recente. Até três séculos atrás, com o predomínio da visão
econômica liberal, o setor público tinha pouca participação na economia – e isso
se refletia num orçamento simples e modesto.

Para a escola econômica do liberalismo clássico, que esteve vigente entre a


última metade do século XVIII e a primeira do século XIX, caberia ao Estado
uma lista bastante restrita de funções. Nos dizeres desses teóricos, as
atribuições estatais girariam em torno da segurança nacional, da manutenção
da ordem pública e jurídica, da educação e da realização de obras públicas. O
“pano de fundo” dessa teoria é a intervenção mínima do poder público na
vida dos particulares.

No entender de Adam Smith, importante economista britânico e grande teórico


liberal, como princípio, o Estado seria um mau gastador. Para ele, a tributação
que o Estado lançava sobre as forças produtivas da sociedade seria prejudicial
para a economia das nações, já que o benefício dos recursos financeiros
arrecadados ocorreria em favor apenas da própria máquina estatal. Em termos
macro, esses recursos arrecadados pelo governo seriam mais bem utilizados se
permanecessem sob o domínio dos atores privados.

Tendo isso como ponto de partida, para os liberais, seria óbvia a necessidade
de controle da tributação e do volume dos gastos públicos, para que o
impacto negativo da participação estatal na economia fosse reduzido ao mínimo
possível.

Entretanto, as crises do capitalismo, culminando na de 1929, bem como a


situação periclitante dos países envolvidos nas guerras mundiais, abriram
espaço para um novo entendimento do papel do Estado: de um lado, provedor
de demandas em macroescala (e aí aumenta a importância do orçamento
público), e, por outro, regulador da atividade dos particulares.

Nesse contexto, John Maynard Keynes (1883-1946), um importante economista


britânico, deu uma significativa contribuição para o estudo das finanças
públicas, ao difundir ideias a favor da intervenção do Estado na economia
– em contraposição aos fundamentos liberais que ainda imperavam no início do
século XX.

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Para ele, o Estado deveria, inclusive, aumentar seu nível de endividamento,


a fim de garantir a manutenção do emprego e dos níveis de preços na economia
(isso seria uma ideia aterradora para os liberais clássicos).

A revista Time, em 1999, elegeu Keynes uma das 100 pessoas mais influentes
do século XX, dizendo que ele havia “salvado o capitalismo de si mesmo”,
com a ideia básica de que “a fim de manter as pessoas plenamente
empregadas, os governos devem assumir déficits quando a economia
estiver em baixa”.

A partir do final da Segunda Guerra Mundial, as ideias keynesianas foram


adotadas em larga escala, principalmente em razão da reconstrução das
economias afetadas pelo conflito. Os orçamentos nacionais, dessa forma,
galgaram o posto de instrumento macroeconômico, com efeitos para toda a
sociedade, e não apenas intragovernamentais.

Com o arcabouço keynesiano adaptado pelos países, em maior ou menor grau,


os governos, desde então, tentam manter o equilíbrio entre a expansão e a
retração da política fiscal, conforme se apresentem as condições
socioeconômicas do momento.

Uma política fiscal expansionista, recomendada para tempos de baixa


atividade econômica, refletiria a decisão governamental de aumentar seus
gastos tanto em custeio quanto em investimento. A partir do “motor”
movimentado pelo setor público, a demanda global da economia aumentaria, de
modo a influenciar positivamente a oferta de bens e serviços.

Ainda nesse sentido, o governo poderia optar pela diminuição da carga


tributária sobre a renda, a circulação de mercadorias, a produção industrial etc.,
em nome da manutenção do consumo em níveis mais sustentáveis.

Ao contrário, para frear a economia em momentos “aquecidos”,


mecanismos opostos aos citados acima poderiam ser empregados: diminuição
do gasto público e aumento da carga tributária, entre outros.

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1. (CESPE/ESPECIALISTA/ANTT/2013) Entende-se por política fiscal a atuação


do governo voltada para o estímulo do crescimento econômico e a redução
da taxa de desemprego populacional, por intermédio da elaboração do
orçamento público.

Questão CERTA. A política fiscal é exercida a partir da execução do orçamento


público, e, como veremos adiante, tem como funções o estímulo ao
desenvolvimento e controle do desemprego.

2. (FMP/AUDITOR/TCE-RS/2011) Com base nas visões clássica e keynesiana


quanto ao papel do Estado como agente de desenvolvimento econômico
responda se as afirmativas são verdadeiras ou falsas:

I. Na visão de Adam Smith, as legislações favoráveis ao capital, ao


aperfeiçoamento da mão de obra e à segurança dos negócios estimulam a
economia. Mas as intervenções do Estado deveriam limitar-se à regulamentação
da concorrência e aos gastos com educação, saúde e segurança pública.

II. Keynes defendia que, em períodos de depressão, o governo poderia


gerar emprego pela política fiscal (gastos públicos, tributação) e pela política
monetária (emissão de moeda, taxa de juro).

III. Para Keynes, com o auxílio das políticas monetária, fiscal, cambial,
etc., o governo age sobre as expectativas dos agentes econômicos,
influenciando, direta e indiretamente, o nível do investimento e do emprego.

As afirmativas I, II e III são, respectivamente:

a) falsa, verdadeira, falsa.

b) verdadeira, falsa, verdadeira.

c) verdadeira, verdadeira, verdadeira.

d) verdadeira, falsa, falsa.

e) falsa, verdadeira, verdadeira.

Na questão acima, todas as afirmativas são verdadeiras. O excerto que trata da


visão liberal, de Adam Smith, confirma a atuação restrita do Estado idealizada
por essa corrente de pensamento. Os outros dois trechos, a respeito da teoria

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keynesiana, também traduz corretamente algumas de suas ideias chave: a


utilização das políticas fiscal, monetária, cambial em favor do equilíbrio
econômico, em nome da garantia de certo nível de investimento, de preços e de
emprego. Gabarito: C.

3. (ESAF/AFC/STN/2005) Baseada na visão clássica das funções do Estado na


economia, identifique a opção que foi defendida por J. M. Keynes.

a) As funções do Estado na economia deveriam ser limitadas à defesa


nacional, justiça, serviços públicos e manutenção da soberania.

b) As despesas realizadas pelo Governo não teriam nenhum resultado


prático no desenvolvimento econômico.

c) A participação do Governo na economia deveria ser maior, assumindo a


responsabilidade por atividades de interesse geral, uma vez que o setor privado
não estaria interessado em prover estradas, escolas, hospitais e outros serviços
públicos.

d) A economia sem a presença do governo seria vítima de suas próprias


crises, cabendo ao Estado tomar determinadas decisões sobre o controle da
moeda, do crédito e do nível de investimento.

e) A atuação do Governo se faria nos mercados onde não houvesse livre


concorrência e sua função seria a de organizá-la e defendê-la, para o
funcionamento do mercado e para seu equilíbrio.

Vejamos as afirmativas:

- a letra A reflete um pensamento tipicamente liberal, que Keynes buscou


superar;

- a letra B traz uma mensagem contrária às ideias que ele defendia;

- quanto à letra C, a entrada em cena do Estado na economia não se dá pelo


“desinteresse” dos agentes privados, mas, normalmente, pela ausência de
condições destes no sentido de encamparem uma retomada econômica vigorosa
e articulada em momentos de crise;

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- no tocante à letra E, a atuação mais intensa do governo, para Keynes, se


daria nas economias capitalistas “normais” mesmo, de maneira a aperfeiçoar e
equilibrar os mecanismos de mercado.

A letra D, pelo que viemos discutindo, traduz corretamente uma das premissas
do pensamento keynesiano.

Gabarito: D.

Intervenção do Estado na economia

A maior ou menor presença do Estado na vida da sociedade corresponde


diretamente à maior ou menor dimensão da atividade financeira por ele
desempenhada. Se a sociedade necessita da prestação de serviços públicos,
da fiscalização de atividades e negócios privados, do fornecimento de bens
públicos, de mecanismos de distribuição de renda, clara está a necessidade da
atuação estatal.

Assim, quanto mais o Estado participa diretamente das relações sociais e


econômicas em um país, maior será sua atividade financeira, e, portanto,
maior e mais complexo será seu orçamento. Afinal, para exercer suas
atribuições, a máquina estatal precisa de recursos financeiros, a serem
aplicados tanto em benefícios diretos aos cidadãos quanto em favor de sua
própria manutenção.

Isso contrasta bastante com a visão predominante antes do século XX. Para a
escola econômica do liberalismo clássico, que esteve vigente entre a última
metade do século XVIII e a primeira do século XIX, caberia ao Estado uma
lista bastante restrita de funções.

Nos dizeres desses teóricos, as atribuições estatais girariam em torno da


segurança nacional, da manutenção da ordem pública e jurídica, da educação e
da realização de obras públicas. O “pano de fundo” dessa teoria é a
intervenção mínima do poder público na vida dos particulares.

No entender de Adam Smith, importante economista britânico e grande


teórico liberal, como princípio, o Estado seria um mau gastador. Para ele,
a tributação que o Estado lançava sobre as forças produtivas da
sociedade seria prejudicial para a economia das nações, já que o benefício

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dos recursos financeiros arrecadados ocorreria em favor apenas da


própria máquina estatal. Em termos macro, esses recursos arrecadados
pelo governo seriam mais bem utilizados se permanecessem sob o
domínio dos atores privados.

Tendo isso como ponto de partida, para os liberais, seria óbvia a necessidade
de controle da tributação e do volume dos gastos públicos, para que o impacto
negativo da participação estatal na economia fosse reduzido ao mínimo
possível.

Ao invés do estabelecimento do Estado mínimo idealizado pelos liberais


clássicos, os países, em sua maioria, passaram por estágios crescentes de
participação estatal na economia nacional, em virtude das demandas que,
por sua natureza, só poderiam ser atendidas por entes políticos de
atribuições mais amplas.

Assim, entre os séculos XIX e XX, principalmente nos países ocidentais, as


carências da população que não puderam ser atendidas pelos mecanismos de
mercado foram lançadas sobre a responsabilidade do Estado, que passou a
cumprir o papel de provedor de bens e serviços. Isso se acentuou com a
urbanização, que possibilitou a mais pessoas o acesso (ou pelo menos o “desejo
de acesso”) a esses bens e serviços públicos.

No Brasil, essa fase coincide com o período da ditadura militar, em que a


Administração assumiu grandes proporções, em razão da criação de
diversas entidades da administração indireta (autarquias, fundações,
empresas públicas e sociedades de economia mista) e do volume do gasto
direto do governo.

Entretanto, a evolução dos modelos econômicos passa por movimentos


pendulares: do predomínio da visão liberal dos séculos XVIII e XIX, passando
pelo intervencionismo estatal na maior parte do século XX, chegou-se, nos
últimos 40 anos, à ideia de que o Estado pode disciplinar diversas
atividades econômicas por meio da política regulatória, sem assumir,
diretamente, atividades produtivas e serviços ofertados ao mercado.

Em muitos casos, a defesa dos marcos regulatórios na economia – que passava


pela defesa da privatização de empresas estatais – foi atribuído a uma
tendência “neoliberal”, por significar uma retirada, por parte do Estado, do
centro das atividades de mercado.

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A privatização, no Brasil, tomou fôlego a partir de 1990, com o governo


Fernando Collor. Nesse período, a União se desfez de dezenas de estatais,
deixando de atuar sobre mercados não tão estratégicos, e repassando boa
parte dos serviços públicos para a iniciativa privada (caso dos setores de
energia, telecomunicações, transportes). Em contrapartida, foram criadas
agências para a regulação desses mercados, o que significou certa “saída
de cena” do Estado brasileiro do âmbito econômico.

4. (CESPE/ANALISTA/TRT-10/2013) A regulação econômica é uma das formas


de intervenção da administração na economia, sendo que o bem-estar do
consumidor e a melhoria nos níveis de eficiência alocativa podem ser
definidos como alguns dos objetivos fundamentais da regulação.

Questão CERTA. A regulação do mercado por parte do poder público é uma


forma menos direta de intervenção governamental, com vistas ao aumento da
eficiência econômica e à garantia dos interesses do consumidor.

5. (CESPE/PROCURADOR/PGE-PE/2009) O ordenamento jurídico nacional


consagra uma economia descentralizada, de mercado, sujeita à atuação
excepcional do Estado apenas em caráter normativo e regulador.

Questão ERRADA. No Brasil, está prevista constitucionalmente a atuação direta


do Estado, como agente econômico ativo, e não apenas como regulador (p. ex.:
arts. 170 a 181 da CF/88).

6. (CESPE/CONTADOR/PREF. RIO BRANCO/2007) A criação de sociedades de


economia mista, como uma forma institucionalizada de intervenção do
Estado no domínio econômico, elimina o conflito de interesses entre o
público e o privado, por conciliar a função social, distributiva, com o
objetivo de lucro e acumulação.

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Questão ERRADA: via de regra, as sociedades de economia mista representam


a face mais “empresarial” do Estado, em que, não obstante o controle exercido
pelo ente público, busca-se o lucro, em competição direta com entidades
privadas. A função social do Estado é cumprida a partir da atuação de outras
estruturas estatais (principalmente, administração direta).

Funções do orçamento e objetivos da política orçamentária

A política fiscal, sobre a qual tratamos há pouco, está historicamente ligada a


três funções que pertencem à pauta do Estado no âmbito de sua intervenção
econômica. Trata-se das funções alocativa, distributiva e estabilizadora.

Isso se deu em razão da percepção de que a ação dos agentes de mercado, em


defesa, cada um, de seus próprios interesses, não resulta na conquista de
objetivos gerais, de natureza coletiva, mas, ao contrário, traz
desequilíbrios de diversas ordens.

Essas funções são cumpridas principalmente a partir da execução do


orçamento público (que, relembrando, diz respeito à administração das
receitas arrecadadas e das despesas programadas), embora a política tributária
também possa bastante ser acionada para atender a necessidades coletivas.
Assim, as funções do orçamento público, expostas em seguida, demonstram a
própria necessidade da existência de um Estado razoavelmente forte.

Uma das indagações relativas à participação do


Estado na economia é a seguinte: é melhor a
liberdade econômica, mesmo com a exclusão de
significativas parcelas da sociedade do
aproveitamento do desenvolvimento econômico, ou entregar parte da autonomia
econômica ao Estado, a fim de corrigir desequilíbrios e conseguir um
desenvolvimento mais homogêneo?

Atualmente, a imensa maioria dos países optou pela segunda hipótese, o que
explica a grande participação estatal nas economias ocidentais. Vale registrar que,
para os liberais clássicos, a ação livre dos atores econômicos em favor de seus

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próprios interesses levaria a um estado de coisas em que todos seriam beneficiados


– seria o efeito da “mão invisível do mercado”, concebida por Adam Smith. Essa
ideia revelou-se insustentável com as crises capitalistas.

A função alocativa, como já indica seu nome, é que se relaciona com a


alocação de recursos pelo Estado, de maneira a favorecer a disponibilização de
bens públicos e semipúblicos à população.

Bens públicos são aqueles cujas características não permitem que sejam
fornecidos pelos agentes de mercado nos níveis reclamados pela sociedade.
São bens cuja necessidade é geral, mas cujo consumo por pessoa não pode ser
medido.

A ação do poder público, nas situações que justificam o exercício da função


alocativa para o fornecimento de bens públicos, substitui o mecanismo de
mercado (demanda X oferta), que se mostra falho para suprir a necessidade
desses bens. Assim, o exercício da função alocativa busca garantir níveis
satisfatórios desses tipos de bens à sociedade.

Os bens semipúblicos ou meritórios, por sua vez, podem ser submetidos às


regras de mercado, mas, pelo fato de gerarem efeitos positivos (externalidades
positivas) para a sociedade de forma geral, têm seu fornecimento assumido, ao
menos em parte, pelo governo. Os exemplos mais comuns de bens
semipúblicos são a saúde e a educação.

A função distributiva diz respeito aos ajustes realizados pelo Estado para que
a sociedade alcance determinado nível de concentração de renda. Esse
nível é definido a partir das condições econômicas do momento e da percepção
do que seja uma “distribuição justa” da renda nacional entre as classes sociais.

As formas mais comuns de instituir a distribuição de renda entre a população


são as modificações na política tributária e as políticas de transferências
a certos segmentos sociais.

É possível fazer ajustes distributivos, por exemplo, aplicando alíquotas mais


pesadas aos bens e operações mais característicos das classes mais abastadas
e, em compensação, diminuindo a carga tributária sobre bens e operações
próprios das classes menos favorecidas.

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Outro exemplo está nos programas de distribuição de recursos a famílias


carentes, como é o caso do atual Bolsa-Família, que condiciona a entrega de
recursos do Orçamento à manutenção das crianças na escola.

Por fim, a função estabilizadora trata das iniciativas governamentais em


nome do alcance de certo equilíbrio entre taxa de inflação, taxa de
desemprego, balanço de pagamentos e taxa de desenvolvimento econômico
(principalmente as duas primeiras).

As atenções, nesse âmbito, estão voltadas para os níveis de “demanda


agregada”, isto é, o somatório de despesas que indica o nível de consumo
de bens e serviços pelo setor público e pelo setor privado.

Como vimos anteriormente nesta aula, o Estado


pode sopesar sua ação de forma a intensificar ou
reduzir o “aquecimento” da economia, conforme
deseje aumentar o ritmo de consumo (em épocas de recessão) ou freá-lo (em
épocas de superaquecimento, ou inflação), atuando sobre os níveis de demanda
agregada.

O aumento da demanda agregada leva a maiores níveis de atividade econômica, o


que resulta geralmente em diminuição do desemprego. Como dissemos, uma
atuação estatal nesse sentido, elevando o nível do gasto público, reduzindo
tributos, promovendo incentivos fiscais e subsídios etc., é classificada pela doutrina
como política fiscal expansionista.

No extremo oposto, a aceleração da atividade econômica provoca maior procura


por bens e serviços, e, em obediência à lei da oferta e da procura, haverá aumento
de preços, a conhecida inflação. Para combatê-la, o Estado deve atuar com políticas
fiscais restritivas, com aumento da carga tributária e redução de despesas de
custeio, por exemplo.

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O pulo do gato, para o Estado, reside num equilíbrio tênue, um fio de navalha,
entre a expansão e a diminuição da demanda agregada, conforme se apresentem
as condições socioeconômicas.

7. (CESPE/AUDITOR/TCDF/2012) As funções econômicas governamentais são


alocativa, distributiva e estabilizadora. Um exemplo de função
estabilizadora são os gastos com educação, com saúde e com segurança
pública.

Questão ERRADA. A utilização de recursos orçamentários para suprir as


necessidades de bens e serviços de consumo coletivo reflete o exercício da
função alocativa, e não da estabilizadora.

8. (FCC/ANALISTA/TRE-PR/2012) A disciplina da ciência econômica que


estuda as relações econômicas do Governo com a sociedade é conhecida
modernamente como Economia do Setor Público. Dentro dos paradigmas
atuais dessa teoria, considere as afirmações a seguir, relativas às funções
que o Governo deve desempenhar em relação ao sistema econômico:

I. Se a economia estiver passando por um ciclo de expansão que está


pressionando a estabilidade dos preços, o Governo deve diminuir os impostos
ou aumentar os gastos, ou ainda adotar uma combinação dessas duas medidas.

II. O Governo deve atuar na correção das desigualdades da distribuição de


renda da economia, através de medidas que aumentem a progressividade do
sistema tributário e ampliando as despesas que beneficiam as classes de renda
mais baixa.

III. O Governo dever prover a produção de bens públicos, cujo


fornecimento pelo mecanismo tradicional de mercado é impossível, uma vez
que as pessoas que não querem pagar por eles não podem ser excluídas de seu
consumo.

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IV. O Governo deve abster-se de produzir bens semipúblicos, tais como


educação e saúde, mesmo que sejam bens que apresentam grandes
externalidades positivas.

Está correto o que se afirma APENAS em

(A) I e II.

(B) II e III.

(C) I e III.

(D) I e IV.

(E) II e IV.

A primeira afirmativa relaciona exatamente o contrário do recomendável em


épocas de economia aquecida. Nesse caso, o governo deve atuar para refrear o
nível de demanda, ora diminuindo gastos públicos, ora aumentando a carga
tributária. Isso já afasta as opções A, C e D.

Além disso, a afirmativa IV está errada, já que bens que geram grandes
externalidades positivas, públicos ou semipúblicos, devem ter seu fornecimento
favorecido pela atuação estatal. Isso afasta a letra E.

Gabarito: B.

9. (ESAF/ANALISTA/CVM/2010) Ao incorporar e ampliar políticas públicas


compensatórias, o orçamento nacional privilegia o exercício de sua função
alocativa.

Questão ERRADA. Políticas compensatórias servem ao reequilíbrio das


condições socioeconômicas entre diferentes estratos da população. Dessa
forma, tais medidas estão relacionadas à função distributiva.

10. (CESPE/ANALISTA/CAPES/2013) A função de estabilização da economia


difere das funções alocativa e distributiva por utilizar instrumentos
macroeconômicos para manter o nível adequado de utilização dos recursos
e do balanço de pagamentos

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Questão CERTA. A função estabilizadora concentra suas principais


características na manutenção de determinados níveis de emprego e preços,
por meio de instrumentos macroeconômicos, como a taxa de juros, o nível de
gasto público, a política cambial etc..

11. (ESAF/APOFP/SEFAZ-SP/2009) A atuação do governo na economia tem


como objetivo eliminar as distorções alocativas e distributivas e de
promover a melhoria do padrão de vida da coletividade. Tal atuação pode
se dar das seguintes formas, exceto:

a) complemento da iniciativa privada.

b) compra de bens e serviços do setor público.

c) atuação sobre a formação de preços.

d) fornecimento de bens e de serviços públicos.

e) compra de bens e serviços do setor privado.

Das opções acima, a única que não reflete o exercício das funções alocativa ou
distributiva é a compra de bens e serviços do próprio setor público. Nesse caso,
o governo atua “para si mesmo”, sem que a potencialidade dos efeitos da ação
pública se estenda para a sociedade de forma mais ampla. Gabarito: B.

12. (FCC/AGENTE/ALESP/2010) Para que o governo possa cumprir


adequadamente sua função estabilizadora, necessariamente terá de abrir
mão das funções alocativa e distributiva, levando o país a perpetuar
desigualdades regionais e setoriais.

Questão ERRADA: as funções de governo aqui estudadas não são mutuamente


excludentes. É possível o exercício de todas, conforme as condições de
momento enfrentadas em termos socioeconômicos.

13. (ESAF/AFC/STN/2008) A aplicação das diversas políticas econômicas a fim


de promover o emprego, o desenvolvimento e a estabilidade, diante da

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incapacidade do mercado em assegurar o atingimento de tais objetivos,


compreende a seguinte função do Governo:

a) Função Estabilizadora.

b) Função Distributiva.

c) Função Monetária.

d) Função Desenvolvimentista.

e) Função Alocativa.

Na questão acima, são descritas características da função estabilizadora do


Estado. Gabarito: A.

Falhas de mercado

Falhas de mercado representam circunstâncias que limitam a eficiência


das leis de mercado, quando se consideram certos setores ou relações
econômicas. Portanto, tendo em vista a existência dessas falhas, justifica-se
uma atuação mais presente do Estado na economia, buscando corrigir as
distorções que elas produzem no atendimento das necessidades sociais.

A percepção da existência das falhas de mercado, principalmente com as


crises do capitalismo, fundamentou o desenvolvimento e a sofisticação do
orçamento público, que partiu de uma simples solicitação de gastos ao
Poder Legislativo para chegar ao status de maior instrumento de
gerenciamento das finanças do Estado.

Segundo a doutrina, as falhas de mercado são as seguintes:

• a existência de bens públicos;

• a existência de monopólios naturais;

• as externalidades;

• os mercados incompletos;

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• as falhas de informação, ou informação assimétrica;

• a ocorrência de desemprego e inflação.

Vamos detalhar esses tópicos adiante.

14. (CESPE/ANALISTA/TJ-SE/2014) Falhas de mercado são situações em que o


mercado competitivo não é capaz de, isoladamente, alcançar a eficiência
econômica, o que justifica a intervenção do Estado para alocar bens e
serviços de forma mais eficiente.

Questão CERTA: as falhas de mercado legitimam a intervenção do Estado na


economia em razão de as relações privadas não garantirem, por si sós, a
eficiência econômica e o alcance do bem-estar social.

15. (CESPE/AUDITOR/TCDF/2012) A teoria do gasto público e a das funções do


governo fundamentam-se nas falhas de mercado, que incluem a existência
de bens públicos e os monopólios naturais.

Questão CERTA. As falhas de mercado, como assinalamos, impedem que as


relações comerciais entre os particulares resultem em benefícios usufruídos por
todos de forma equilibrada. Além disso, foram citados corretamente dois
exemplos dessas falhas.

16. (CESPE/ESPECIALISTA/ANCINE/2005) Em presença de falhas de mercado,


a intervenção do governo contribui, necessariamente, para aumentar a
eficiência econômica.

Na questão acima, há uma “certeza” sobre o benefício da atuação


governamental que não se pode trazer para a prática. Diante das falhas de
mercado, o governo procurará fazer as correções próprias, mas isso não é

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garantia de que o resultado será necessariamente melhor que o observado na


ausência do Estado. Questão ERRADA.

Monopólios naturais. A existência de custos fixos elevados num setor da


economia é um impeditivo à participação de atores privados em grande
número, que possam explorar os bens/serviços próprios desse setor. Nessas
condições, a tendência é de que empresas maiores, que conseguem compensar
esses “custos fixos elevados” com uma quantidade mais significativa de
operações comerciais (ganhos de escala), dominem o setor econômico
exemplificado e impeçam a entrada de concorrentes. Nesse caso, estamos
falando da falha de mercado denominada “monopólio natural”.

Nos setores em que os custos fixos são elevados, é desinteressante


fragmentar a oferta de bens e serviços entre numerosos agentes. Como
resultado, os preços ficariam muito elevados, para que os produtores
conseguissem cobrir os custos incorridos.

Nesse sentido, os ganhos de organizações que monopolizam um setor


econômico podem trazer maiores benefícios à sociedade, porque os
custos elevados típicos do setor podem ser absorvidos pela economia de escala,
e, como resultado, os bens/serviços podem ser disponibilizados a preços mais
acessíveis. É o que ocorre, por exemplo, com o mercado de energia hidrelétrica.

Por outro lado, o monopólio, deixado a cargo da empresa monopolizadora, daria


a esta muito poder de decisão sobre a disponibilidade e o preço dos
bens/serviços a seu cargo. Daí a necessidade da fixação de “marcos
regulatórios” para impedir o abuso econômico do monopólio.

Registra-se, ainda, que, também na existência de um monopólio natural,


a ação do Estado pode dar-se de forma direta, no sentido de assumir o
papel de produtor monopolista, ou de agente regulador, permitindo a
exploração do monopólio por atores privados, com observância ao marco
regulatório fixado.

Externalidades. A presença de externalidades na economia significa a


existência de efeitos positivos ou negativos da ação de um indivíduo ou
empresa no mercado, relativamente aos outros atores. Portanto, a ocorrência
de externalidades positivas é desejável na economia como um todo, da mesma
forma que as externalidades negativas devem ser evitadas.

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O problema é que os atores privados, movidos por seus interesses comerciais


(sobretudo, lucro), não teriam disposição em modificar suas próprias
atividades apenas para produzir externalidades positivas ou reduzir
externalidades negativas, sem que isso se refletisse em benefício próprio.

Tendo isso em vista, a ação estatal, no tocante a esse tema, pode ser no
sentido de gerar externalidades positivas, assumindo diretamente
atividades que se reflitam em sua produção, ou incentivando outros
atores a executar tais atividades – por exemplo, com a concessão de
subsídios. Ao contrário, pode-se instituir, por exemplo, multas para
desestimular a geração de externalidades negativas.

Na questão, além do conceito de externalidade, adicionou-se o aspecto de que,


para cada ator envolvido na atividade geradora, o controle das decisões dos
demais ultrapassa seu raio de ação.

Mercados incompletos. Os mercados incompletos se verificam quando certos


bens e serviços não são produzidos pelo setor privado, embora existam
consumidores dispostos a pagar em nível superior ao custo de produção
desses bens e serviços.

Assim, a questão de fundo não é a ausência de demanda. Fatores outros,


como a existência de riscos na exploração dos bens/serviços faltantes, ou
necessidade de coordenação de mercados em alta escala para a disponibilização
desses bens/serviços, impedem que atores individualmente assumam o
fornecimento.

Assim, mercados incompletos são uma falha de mercado, que justifica a


intervenção estatal. A título de exemplo, o Estado pode conceder
financiamentos de longo prazo, diminuindo o impacto de riscos dos
investimentos, ou assumir a coordenação da ação articulada dos atores
privados, se esta for necessária para cobrir a lacuna do mercado.

Assimetria de informação. A informação assimétrica existe porque o mercado


não oferece todas as informações necessárias para que os atores tomem
decisões de forma equilibrada. A tendência do mercado é a apropriação de
informações valiosas por certos segmentos, o que pode trazer prejuízos
aos demais participantes das relações econômicas.

Para exemplificar, normalmente, os vendedores detêm mais informações sobre


os bens/serviços comercializados do que os compradores; os trabalhadores

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sabem mais sobre características do trabalho desempenhado do que seus


empregadores, etc.

A informação assimétrica pode envolver duas configurações, a depender do


momento em que ocorre o desequilíbrio de informação entre as partes
envolvidas numa relação econômica.

Primeiro, se uma das partes detém mais informações sobre o bem


transacionado antes da realização da negociação, surge o que se
convencionou chamar de “seleção adversa”. Nesse sentido, existe a
possibilidade de bens/serviços inferiores serem ofertados aos consumidores,
que não têm condições de selecionar itens que satisfaçam mais adequadamente
suas necessidades.

Porém, se uma das partes concentra mais informações sobre o negócio depois
de sua efetivação, configura-se o “risco moral”. Nesse caso, a ação ou
omissão de uma das partes provoca a ocorrência de custos desnecessários ou
imprevistos no momento da negociação.

Em ambos os casos, a intervenção ou regulamentação das relações por parte


do Estado pode interferir de modo a tornar mais equilibradas as trocas entre os
atores econômicos envolvidos.

Sobre a questão, no caso da seleção adversa, a informação assimétrica opera


antes da concretização das operações econômicas. As taxas de juros são formas
de os agentes financiadores combaterem o risco de não receberem os
pagamentos relativos aos créditos concedidos. Entretanto, o referido “cadastro
positivo”, criado há pouco tempo pelo governo federal, é uma forma de diminuir
os riscos de seleção de maus pagadores, tendo em vista que os agentes
financiadores dispõem de informações tranquilizadoras sobre os tomadores de
recursos.

Desemprego e inflação. Apesar da ideia liberal de que a livre economia seria


a forma mais adequada de formatar as relações entre os diferentes integrantes
da cadeia de consumo, ficou claro que, na ausência de intervenção estatal,
não conseguem evitar inconvenientes socioeconômicos como o desemprego e a
inflação.

O mercado não tem por finalidade a ocupação plena da mão de obra


disponível; ela é utilizada conforme seja necessário aumentar a produção para
maximizar o lucro. Por sua vez, a inflação, como variável monetária resultante

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da atuação agregada de ofertantes e demandantes, escapa ao controle de


agentes privados, ainda que articulados entre si.

Desemprego e inflação são também falhas de mercado, que demandam a


atuação do Estado, como agente centralizador e orientador de condutas em
macroescala. Nesse sentido, o governo deve executar políticas que permitam à
sociedade chegar o mais próximo possível do pleno emprego e da estabilidade
de preços.

Bens públicos, semipúblicos e privados. A defesa do território, a


manutenção do sistema de relações jurídicas e a segurança eram reconhecidas
como atividades próprias do Estado desde o liberalismo clássico, que não via
com bons olhos a destinação de recursos ao setor público.

Entretanto, as crises cíclicas do capitalismo tornaram reconhecidos vários bens


e serviços cuja prestação/oferta cabem tipicamente ao Estado, pela
inaplicabilidade dos mecanismos de mercado a esses casos. A proteção
ambiental é um exemplo recente de atribuições destinadas ao cumprimento
pela estrutura estatal, ou, como queira, é um exemplo recente de bem público.

O termo “bem público” (ou “bem público puro”), nesse contexto, é


compreendido como “aquele cujo consumo é indivisível ou não rival”,
conforme a doutrina. O consumo indivisível se define pela impossibilidade de
atribuir a certa pessoa a quantidade que ela consome do bem público
considerado.

A título de exemplo, é impossível medir o consumo per capita do bem


público “vigilância do espaço aéreo”. Por isso, costuma-se dizer que o
consumo per capita dos bens públicos é igual ao total ofertado.

A não rivalidade significa que o consumo/uso de bens públicos por uma pessoa
não prejudica nem diminui o consumo/uso por parte de outros.

Essas observações nos fazem pensar no que se denominou “princípio da não


exclusão”. Equivale à constatação de que não é possível evitar o
consumo/uso de bens públicos por parte de alguém. Se a realidade fosse
outra, imaginando que os bens públicos fossem custeados por pagamentos
individualizados dos cidadãos, não se poderia retaliar os inadimplentes, ou
“caronas”, impedindo seu acesso ao bem público cujo pagamento tivesse sido
sonegado.

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Essas características dos bens públicos os tornam inadequados para


exploração conforme as leis do mercado. Sem a possibilidade de
individualizar o consumo por pessoa, sem a extinção do bem pelo uso e sem a
exclusão dos não pagantes do conjunto de beneficiários, não é possível fixar
preços de bens públicos, no sentido mercadológico, para que haja rateio de
seu custo entre os cidadãos.

Portanto, ao invés de se precificarem os bens públicos, para exploração


conforme as leis do mercado, o poder público assume seu fornecimento,
que é custeado a partir dos recursos obtidos com a tributação.

Os chamados “bens semipúblicos ou meritórios” não estão sujeitos àqueles


princípios e características que mencionamos acima, ao tratarmos dos bens
públicos puros: indivisibilidade de consumo, uso não rival e princípio da não
exclusão. Pelo contrário, detêm as características de bens privados.

Entretanto, reconhece-se nesse tipo de bens um valor social que justifica a


mobilização de recursos e esforços governamentais para garantir seu
fornecimento (pode-se dizer, de outra forma, que a oferta de bens
meritórios produz externalidades positivas). A iniciativa privada pode
também oferecê-los (e isso acontece com frequência), mas o Estado sempre
deverá estar vigilante quanto à quantidade disponibilizada desses bens.

Os bens meritórios mais emblemáticos são a educação e a saúde. É possível


medir o consumo dos serviços de educação e saúde por pessoa, diminuir sua
disponibilidade com a utilização por certo número de usuários, excluir aqueles
que não venham a pagar por eles etc.

Entretanto, vistos os efeitos positivos que seu oferecimento traz à sociedade


como um todo (externalidades positivas), o Estado interfere no processo
produtivo desses bens semipúblicos, para assegurar níveis adequados de
disponibilização e de acesso a preços módicos.

17. (CESPE/TÉCNICO SUPERIOR/MIN. PREVIDÊNCIA/2010) Na existência de


um monopólio natural, ou seja, quando se configura situação de mercado
em que o tamanho ótimo de instalação e de produção de uma empresa é

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suficientemente grande para atender todo o mercado, o Estado pode


responsabilizar-se diretamente pela produção do bem ou do serviço.

A questão está CERTA, reproduzindo a possibilidade de o poder público assumir,


diretamente, o setor em que se verifica a existência de um monopólio natural.

18. (FCC/ECONOMISTA/DNOCS/2010) Uma das falhas de mercado é a


ocorrência de externalidades negativas ou positivas na produção de bens e
serviços. Ocorre uma externalidade negativa quando o

a) benefício social da produção é maior que o benefício privado.

b) benefício privado da produção é inferior ao custo marginal social.

c) benefício privado da produção é menor que o custo privado da produção.

d) benefício privado da produção é igual ao custo privado da produção.

e) custo social da produção é menor que o custo privado da produção.

Na questão, a externalidade negativa está caracterizada pelo custo social mais


representativo do que o benefício auferido na esfera privada do produtor.
Assim, a produção privada é considerada prejudicial ao bem-estar coletivo.
Gabarito: B.

19. (CESPE/ANALISTA/TJ-RR/2012) As formas de intervenção do Estado


voltadas a mercados incompletos incluem a intervenção na concessão de
crédito de longo prazo direcionado ao financiamento dos investimentos do
setor produtivo, por meio dos bancos públicos, e a realização direta de
investimentos, por intermédio das empresas públicas.

Questão CERTA. Diante da constatação de “mercado incompleto”, a atuação


governamental pode dar-se no sentido da ocupação direta da lacuna pelo poder
público ou do favorecimento à exploração do referido setor por parte de
agentes particulares.

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20. (FCC/AUDITOR/TCE-CE/2008) Uma causa de falha de mercado muito


comum é a denominada informação assimétrica. É exemplo de mercado
em que a informação assimétrica implica a seleção adversa dos produtos
ofertados:

(A) casas pré-fabricadas.

(B) utilidades domésticas, com garantia, vendidas em lojas de


departamentos.

(C) automóveis usados.

(D) restauração de móveis antigos e objetos de arte.

(E) refrigerantes de marcas consagradas.

Entre as alternativas, a que envolve assimetria de informação na modalidade


“seleção adversa” se refere à compra de automóveis usados, em que os
vendedores têm, potencialmente, maior nível de informação que os
compradores. Gabarito: C.

21. (VUNESP/GESTOR/PREF. S. JOSÉ DOS CAMPOS/2012) Ao receber um


plano de saúde da empresa em que trabalha, um funcionário que nunca
tinha tido esse benefício passa a se consultar com vários médicos, mesmo
sem necessidade imediata para isso. Esse comportamento é conhecido
como

(A) Sinalização.

(B) Risco moral.

(C) Seleção adversa.

(D) Externalidade.

(E) Custo indireto.

Na questão acima, como o impacto da assimetria de informação é posterior à


realização do negócio, configura-se o risco moral. Gabarito: B.

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22. (FCC/ANALISTA/TRE-PI/2009) Stiglitz (1988) conceitua bens públicos


puros como aqueles para os quais não existe rivalidade no consumo e a
exclusão do consumo é impossível. Na prática, existem situações mistas de
várias espécies em que a visão polarizada entre bens privados e bens
públicos não prevalece, dando origem aos chamados bens mistos, tais
como:

(A) educação e defesa nacional.

(B) saúde e previdência.

(C) defesa nacional e segurança pública.

(D) saneamento e justiça.

(E) transporte e emissão de moeda.

Das alternativas, devemos afastar aquelas que abordam bens públicos puros,
sujeitos ao fornecimento direto pelo Estado, selecionando aqueles bens/serviços
passíveis de exploração por agentes privados. Dessa forma, restam como
opções a saúde e a previdência. Gabarito: B.

23. (CESPE/AGENTE/POLÍCIA FEDERAL/2012) Os governos exercem função


alocativa para corrigir a alocação de recursos utilizados na produção de
bens geradores de externalidades negativas; na presença de
externalidades positivas, a intervenção governamental é desnecessária.

Questão ERRADA. As externalidades positivas não afastam a intervenção


governamental; esta pode ser utilizada, por exemplo, para potencializar
aquelas.

24. (CESPE/TÉCNICO SUPERIOR/MIN. PREVIDÊNCIA/2010) A característica


essencial dos bens semipúblicos é seu elevado conteúdo de externalidades.
Isso significa que os benefícios advindos de seu consumo não são
totalmente internalizados pelo indivíduo que consome esses bens,
espalhando-se uma parcela considerável desses benefícios por toda a
coletividade.

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Questão CERTA. Essa é uma das principais razões para que o Estado assuma a
oferta de bens meritórios: os ganhos sociais deles decorrentes compensam os
gastos públicos aplicados nesses setores.

25. (VUNESP/GESTOR/PREF. S. JOSÉ DOS CAMPOS/2012) É (São) exemplo(s)


de bens públicos:

I. energia elétrica fornecida às residências;

II. estradas pedagiadas;

III. iluminação elétrica das ruas.

Está correto o contido em

(A) I, apenas.

(B) II, apenas.

(C) III, apenas.

(D) I e III, apenas.

(E) I, II e III.

Na questão acima, apenas a iluminação elétrica das ruas apresenta as


características de bem público: consumo indivisível e não rival e princípio da
não exclusão. Gabarito: C.

26. (ESAF/FISCAL/SEFAZ-RJ/2010) Uma das características dos bens


semipúblicos é um elevado grau de externalidade em razão de os
benefícios advindos do seu consumo não serem totalmente internalizados
pelo indivíduo que o consome.

Questão CERTA: no caso dos bens meritórios, não se aguarda que os


consumidores se submetam aos preços e condições exigidos pelo mercado. O
Estado deve interferir no sistema produtivo, de modo a aumentar a
disponibilidade e diminuir o preço dos bens meritórios, de modo a ampliar os
efeitos positivos deles decorrentes, que, realmente, ultrapassam a esfera
individual de consumo.

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Déficit público

Em finanças públicas, existe uma frase bastante semelhante com aquilo que
acontece na esfera pessoal: as demandas são infinitas, e os recursos são
escassos. Sempre é mais fácil identificar novas necessidades do que conseguir
mais recursos disponíveis para atendê-las.

Com isso, todo dinheiro arrecadado pelo governo encontrará facilmente


despesas suficientes para consumi-lo inteiramente; assim, cabe aos
administradores públicos indicarem as despesas prioritárias que receberão
recursos, em detrimento de outras necessidades.

No caso do setor público, existem demandas de consumo mais imediato,


próprias do funcionamento do governo e da prestação de serviços à
comunidade. Na teoria das finanças, esses gastos imediatos devem ser
sustentados por recursos obtidos junto à população ativa e contribuinte.

Por outro lado, há demandas coletivas cujos benefícios se estendem no


tempo, favorecendo também gerações futuras. Nesse caso, estamos nos
referindo, via de regra, aos investimentos públicos.

Como os efeitos desses investimentos também serão aproveitados por gerações


vindouras, assume-se como plausível que essas gerações contribuam
para a execução de tais projetos. Essa contribuição se dá com a assunção
de dívidas pelo governo, que serão pagas no futuro, a partir do sacrifício da
sociedade naquele momento.

Tendo isso em consideração, não seria, digamos, “justo” o setor público se


endividar para pagar despesas correntes, de efeitos apenas imediatos. Daí
concluir-se que o endividamento do Estado deve ocorrer de modo a
beneficiar as gerações que suportarão seu impacto, com investimentos de
longo prazo ou com a redução da dívida pública momentânea.

A partir dessa ótica, temos justificativas para a existência do déficit público, que
é conceituado como o excesso de despesas em relação às receitas
arrecadadas. O “rombo” que cobre o déficit público é oriundo, geralmente, das
operações de crédito e outras assemelhadas, celebradas pelos governos.

Um problema do déficit público é o comprometimento que ele traz para a


saúde fiscal dos governos, já que são agregadas às obrigações de
pagamento as parcelas de amortização e juros. Também merece destaque o

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fato de os recursos úteis à economia terem seu montante reduzido


quando o governo contrata (vultosas) somas de empréstimos junto aos agentes
financeiros, que poderiam, não fosse isso, financiar atividades produtivas
privadas.

27. (ESAF/APO/MPOG/2008) Como alternativas de financiamento do déficit


público, podem ser citadas a venda de títulos ao setor privado e a venda
de títulos ao Banco Central.

A venda de títulos ao setor privado e ao BACEN são formas de o governo


federal aumentar suas reservas financeiras, em contrapartida da expansão da
dívida mobiliária. A questão está CERTA.

28. (ESAF/APO/MPOG/2008) O tamanho do déficit público, em última instância,


dá a participação do governo na atividade econômica em termos de
complementação da demanda privada.

Questão CERTA: o déficit público caracteriza o quanto o setor público participa


no nível de demanda agregada da economia.

29. (CESPE/PROFESSOR/IFB/2010) O financiamento de dívida pública com a


emissão de títulos provoca elevação adicional do nível de endividamento do
país.

A questão transmite uma noção quase que óbvia: quanto mais o governo toma
dinheiro emprestado, mediante a emissão de títulos, mais aumenta o nível de
endividamento. Questão CERTA.

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Necessidades de financiamento do setor público – NFSP

O resultado fiscal do setor público – a diferença entre suas receitas e despesas


– pode ser classificado a partir de alguns critérios.

Para entender esse ponto, é útil relembrar a diferença entre o dinheiro obtido
de fontes não financeiras e de fontes financeiras.

Receitas financeiras são coletadas a partir de operações de crédito, resgate


de empréstimos concedidos e outras operações assemelhadas; receitas não
financeiras são aquelas arrecadadas mediante tributação, ou por operações
comerciais e empresariais do setor público, ou outras formas que não
envolvam endividamento público nem redução de ativos.

As receitas não financeiras também são chamadas de receitas primárias,


enquanto que as receitas financeiras são tratadas como não primárias.

Quanto às despesas, podemos fazer uma simples correlação com o que vimos
sobre as receitas. Despesas não primárias, ou financeiras, se correlacionam
com a contratação de dívidas pelo Estado, e as despesas primárias não têm
essa característica.

A confrontação entre receitas e despesas primárias dá origem ao resultado


primário (superávit ou déficit).

O superávit primário é a diferença positiva entre as receitas primárias e as


despesas primárias. Noutras palavras, nesse cálculo, não entra o
componente financeiro – não são consideradas as despesas e receitas
relacionadas a operações de endividamento.

Assim, a existência de superávit primário significa que as receitas não


financeiras são mais que suficientes para pagar as despesas não
financeiras. É justamente esse o resultado perseguido há vários anos pelo
governo federal: a sobra de recursos caracterizada pelo superávit primário é
utilizada para amortizar a dívida pública, mantendo-a em níveis controlados.

Já a confrontação entre o conjunto total de receitas e despesas


governamentais, incluindo categorias primárias e não primárias, dá origem ao
resultado nominal (superávit ou déficit). O cálculo do resultado nominal
permite avaliar o montante de recursos obtidos pelo governo junto ao mercado
para financiamento das despesas, com consequente aumento da dívida. Nesse
índice, entram, portanto, os valores referentes aos juros de operações
financeiras celebradas (tanto juros “passivos”, que devem ser pagos, quanto

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juros “ativos”, que devem ser recebidos pelo governo em razão de suas
aplicações financeiras).

Além desses dois índices, existe, ainda, o resultado operacional. Esse


resultado deduz, do resultado nominal, os efeitos da atualização monetária
sobre a dívida pública. Isso faz mais sentido em ambientes de alta inflação,
nos quais os pagamentos relativos à dívida embutem, além dos juros, altas
parcelas próprias do ajuste do valor da dívida devido à corrosão inflacionária, e
que não pertencem realmente ao resultado fiscal.

Além disso, a divisão dos governos em órgãos e entidades pode receber uma
classificação a partir dos critérios que estamos mencionando. O setor público
não financeiro é constituído pela administração direta, pelas autarquias,
fundações e empresas estatais dependentes (aquelas que necessitam de
recursos orçamentários para custear suas atividades normais), de todos os
entes federados. E o setor público financeiro é formado pelos bancos estatais
e pelo Banco Central.

Vejamos a conceituação de “necessidades de financiamento do setor público”,


conforme a Secretaria de Orçamento Federal (grifei):

O resultado fiscal do Governo, também conhecido como Necessidades de


Financiamento do Setor Público – NFSP, avalia o desempenho fiscal da
Administração Pública em um determinado período de tempo,
geralmente dentro de um exercício financeiro, ou seja, de 1º de janeiro a
31 de dezembro. Este instrumento apura o montante de recursos que o
Setor Público não financeiro necessita captar junto ao setor financeiro
interno e/ou externo, além de suas receitas fiscais, para fazer face aos
seus dispêndios.

As Necessidades de Financiamento são apuradas nos três níveis de


Governo, quais sejam, Federal, Estadual e Municipal. Ademais, a partir da
publicação da Lei Complementar nº 101/2000, a chamada Lei de

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Responsabilidade Fiscal, as Leis de Diretrizes Orçamentárias de cada Ente


deverão indicar os resultados fiscais pretendidos para o exercício
financeiro ao que a lei se referir e os dois seguintes.

30. (ESAF/FISCAL/SMF-RJ/2010) O resultado primário caracteriza-se por


indicar a necessidade ou não de financiamento do setor público por
terceiros.

Questão ERRADA. Pelo fato de não abrigar componentes financeiros em seu


cálculo, o resultado primário não pode oferecer informações sobre a
necessidade de financiamento do setor público.

31. (FCC/ANALISTA/TRT-04/2011) Na análise orçamentária, o conceito de


receita primária exclui as receitas oriundas de

(A) contribuições.

(B) operações de crédito.

(C) tributação indireta.

(D) tarifas.

(E) venda de ativos.

Na questão acima, as receitas que não são classificadas como primárias são as
decorrentes de operações de crédito (receitas financeiras). Gabarito: B.

32. (CESPE/AUDITOR/TCDF/2012) As necessidades de financiamento do setor


público, apuradas nos três níveis de governo — federal, estadual e
municipal —, correspondem à avaliação do desempenho fiscal da
administração pública, podendo ser denominadas necessidades de

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financiamento das empresas estatais caso se refiram ao resultado do


orçamento fiscal.

Questão ERRADA: as NFSP não correspondem a uma “avaliação do desempenho


fiscal”, mas à variação do endividamento público. Além disso, está errado falar
em empresas estatais de forma geral, já que apenas as dependentes são
classificadas como pertencentes ao setor público não financeiro.

33. (CESPE/ECONOMISTA/DPU/2010) A necessidade de financiamento do setor


público deve ser apurada e considerada de forma isolada, em cada esfera
de governo, e inclui todas as receitas diretas e indiretas.

As NFSP são calculadas de forma agregada, considerando todos os entes


federados. Questão ERRADA.

34. (ESAF/AFC/STN/2008) Do ponto de vista fiscal, o déficit público é medido a


partir do Resultado Primário. Isso posto, é correto afirmar:

a) o Resultado Primário corresponde à diferença entre receitas não


financeiras e despesas não financeiras.

b) entende-se por receita não financeira: a receita orçamentária


arrecadada, mais as operações de crédito, as receitas de privatização e as
receitas provenientes de rendimentos de aplicações financeiras.

c) entende-se por despesa não financeira: a despesa total, aí incluídas


aquelas com amortização e encargos da dívida interna e externa (amortização
mais juros).

d) do ponto de vista fiscal, ou pelo critério “acima da linha”, ocorre déficit


público quando o total das receitas não--financeiras é superior às despesas não
financeiras.

e) nos casos em que o total das receitas próprias de um ente público (sem
considerar empréstimos) é inferior às despesas realizadas, temos um superávit
primário.

Na questão acima, devemos considerar o seguinte:

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- o resultado primário realmente é obtido pelo balanceamento entre receitas e


despesas não financeiras;

- as receitas não financeiras não incluem operações de endividamento nem


diminuição (no caso, alienação) de ativos;

- a despesa não financeira não contempla encargos da dívida;

- o resultado de um montante de receitas superior ao de despesas é um


superávit; - o resultado negativo entre receitas e despesas é um déficit.

Tendo isso em vista, a alternativa correta é a letra A.

35. (CESPE/ANALISTA/TJ-ES/2011) O Banco Central do Brasil (BACEN) não se


inclui entre os órgãos cujos balanços são considerados no cálculo da dívida
líquida e do déficit público, por não se tratar de instituição do setor público
não financeiro.

A questão está ERRADA: apesar de fazer parte do setor público financeiro, os


balanços do BACEN são incluídos no cálculo da dívida e do déficit, pelo fato de
ser classificado como autarquia.

36. (FCC/ANALISTA/TRF-01/2006) Despesas financeiras são aquelas que


aumentam o endividamento líquido do Governo em termos de resultado
primário no exercício financeiro correspondente, uma vez que criam para o
ente da Federação uma obrigação junto ao próprio setor público.

Questão ERRADA: despesas financeiras não são contabilizadas no resultado


primário, e criam para o Estado uma obrigação a cumprir junto aos agentes
financiadores (que geralmente não pertencem ao setor público).

Apuração das NFSP: “acima da linha” e “abaixo da linha”

Para o cálculo das NFSP, são utilizados tradicionalmente dois critérios,


conhecidos no jargão financeiro como “acima da linha” e “abaixo da linha”.
Grosso modo, essas metodologias têm a ver com o “polo” da relação de

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endividamento adotado como foco: o governo, que toma recursos


emprestados, ou os agentes financeiros “emprestadores”.

O critério “abaixo da linha” é empregado pelo Banco Central, e consiste da


verificação do saldo do endividamento líquido a cada período
considerado, junto aos agentes financeiros. Ou seja, para obter o
endividamento público em determinado período, faz-se a subtração entre o
nível atual de dívida e o do período anterior, chegando-se ao resultado nominal
imediato.

Se o endividamento atual é menor que o pretérito, significa que houve


superávit nominal: a dívida do governo diminuiu junto ao mercado. Doutra
banda, um endividamento atual maior que o último considerado representa
uma progressão no nível de dívida, implicando a ocorrência de déficit nominal
no período.

Utilizando-se o critério abaixo da linha, tem-se apenas a informação do quanto


o governo recorreu ao mercado para financiar suas despesas, mas
outros dados importantes, como a “qualidade” do endividamento, o perfil da
aplicação dos recursos, a sustentabilidade da gestão fiscal etc., não têm como
ser apreciados.

Já o critério “acima da linha” mensura as necessidades de financiamento do


setor público a partir da verificação da execução orçamentária do ente
federado.

O critério abaixo da linha foi criado para tornar mais confiável o cálculo do
resultado fiscal do governo nos períodos de alta inflação, em que a execução da
receita e da despesa orçamentária continha uma série de vícios que impediam
uma contabilização precisa dos ativos e passivos governamentais. Com isso, era
mais fácil constatar a dimensão da dívida pública olhando os “cadernos” de
quem emprestava dinheiro ao governo. Entretanto, em regimes de inflação
baixa, como nos últimos tempos, espera-se que o endividamento calculado
mediante ambos os critérios tenha o mesmo resultado.

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37. (ESAF/AFC/STN/2013) Em relação às Necessidades de Financiamento do


Setor Público (NFSP), pode-se dizer que:

a. é uma medida de estoque e corresponde ao déficit nominal, medido


pelo critério “acima da linha”.

b. uma operação de empréstimos do Banco Central para o Tesouro


Nacional eleva as NFSP no período em análise.

c. excluem os gastos não financeiros e as receitas não financeiras.

d. podem ser financiadas por emissão de títulos públicos.

e. uma operação de empréstimos do Banco Central para o Tesouro


Nacional, como forma de financiamento das NFSP, reduz a base monetária da
economia.

Analisemos as alternativas:

A: as NFSP são uma medida de fluxo, não de estoque, já que decorrem da


verificação das operações financeiras do setor público num período de tempo.

B: como o BACEN e o Tesouro inserem-se no conceito de “setor público”, uma


operação entre eles, como citado na alternativa, não interferiria no cálculo das
NFSP.

C: os itens não financeiros (receitas e despesas primárias) são considerados no


cálculo.

D: a captação de recursos mediante a emissão de títulos é uma das mais


importantes formas que o governo utiliza para se financiar.

E: a hipótese citada na alternativa (que, inclusive, encontra-se proibida pela


Constituição) aumentaria a base monetária da economia, em virtude da
emissão de moeda pelo BACEN.

Gabarito: D.

38. (ESAF/APOFP/SEFAZ-SP/2009) Com relação à Dívida Pública, Déficit


Público e Necessidade de Financiamento do Setor Público, identifique a
opção falsa.

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a) Uma medida muito utilizada para avaliar a capacidade de pagamento do


setor público é a relação dívida / PIB.

b) A diferença entre as receitas totais e os gastos totais é chamada de


déficit primário, pelo conceito “acima da linha”.

c) O déficit operacional é uma medida bastante requisitada em períodos de


inflação elevada.

d) Os vários conceitos de déficit público podem ser apurados por dois


critérios: o de competência e o de caixa.

e) No longo prazo, o crescimento da dívida pública ocupa o espaço que


seria destinado à formação de capital (efeito crowding-out), por meio da
redução de investimentos.

Temos o seguinte a considerar:

- a relação dívida/PIB é um dos principais indicadores a considerar no tocante à


capacidade de pagamento, tendo em vista que reflete a geração de recursos da
economia e, portanto, a possibilidade os governos sustentarem sua posição
fiscal;

- a diferença entre as receitas totais e as despesas totais é o resultado nominal,


e não o primário;

- o déficit operacional, como vimos, é um indicador útil principalmente diante


de elevados quadros inflacionários;

- os componentes do déficit público podem ser calculados pelo critério de caixa


(impacto financeiro imediato) ou competência (impacto patrimonial imediato,
sem vinculação temporal com o impacto financeiro);

- o crescimento da dívida realmente drena recursos que poderiam ser aplicados


em investimentos públicos – e daí uma das razões para a necessidade de
manter o endividamento sob controle.

A alternativa errada é a letra B.

39. (CESPE/ECONOMISTA/DPU/2010) A mensuração do deficit com base na


execução orçamentária - receitas e despesas - representa o conceito

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denominado acima da linha, que corresponde à medição do deficit pelo


lado do financiamento, ou seja, pela forma como o deficit foi financiado.

Questão ERRADA: o critério acima da linha reflete como o déficit público foi
gerado, e não como foi financiado, tendo em vista a análise orçamentária das
receitas e despesas do período.

40. (CESPE/ANALISTA/SAD-PE/2010) Pela metodologia de apuração


denominada acima da linha, o resultado nominal é obtido deduzindo-se do
resultado primário os valores pagos e recebidos de juros nominais.

Questão ERRADA. O enunciado inverteu os polos: o resultado primário é obtido


pela dedução, do nominal, dos valores correspondentes aos juros e encargos.

41. (CESPE/ANALISTA/PREVIC/2011) Ao passo que os saldos da dívida líquida


do setor público são apurados por meio do critério de competência, o
resultado fiscal do governo é obtido por intermédio do resultado primário e
nominal. Os resultados podem ser apurados mediante os critérios acima da
linha e abaixo da linha, em que o último considera o desempenho fiscal do
governo pelo cálculo da variação do endividamento líquido.

Questão CERTA. Realmente, a dívida líquida tem seu saldo calculado por
competência, ou seja, conforme o fato gerador das variações, e o critério
abaixo da linha considera apenas a variação do endividamento líquido.

42. (CESPE/ANALISTA/TJ-ES/2011) Os chamados critérios abaixo da linha e


acima da linha constituem duas formas de apuração dos resultados
primário e nominal. No primeiro caso, o desempenho fiscal do governo é
apurado por intermédio do cálculo de variação do endividamento líquido
em determinado período. Utilizando-se o critério acima da linha, apura-se o
desempenho fiscal do governo mediante a apuração dos fluxos de receitas
e despesas orçamentárias em determinado período.

Para fechar, a questão acima faz um bom resumo dos dois critérios aqui
estudados. Questão CERTA.

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Bem, dileto aluno, nossa primeira aula fica por aqui.

Aguardo você na próxima. Para quaisquer dúvidas, podemos nos falar por meio
do fórum, na parte restrita do site.

Forte abraço, até a próxima!

GRACIANO ROCHA

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RESUMO DA AULA
• A política fiscal representa a obtenção e utilização planejada dos recursos
arrecadados pelo governo, e se divide em política tributária e política
orçamentária.

• As crises do capitalismo e a grave situação dos países envolvidos nas


guerras mundiais abriram espaço para um novo entendimento do papel do
Estado: de um lado, provedor de demandas em macroescala, e, por outro,
regulador da atividade dos particulares.

• Para Keynes, o Estado, a fim de garantir a manutenção do emprego e dos


níveis de preços na economia, deveria, inclusive, aumentar seu nível de
endividamento.

• Com o arcabouço keynesiano adaptado pelos países, em maior ou menor


grau, os governos, desde então, tentam manter o equilíbrio entre a
expansão e a retração da política fiscal, conforme se apresentem as
condições socioeconômicas do momento.

• A função alocativa se relaciona com a alocação de recursos pelo Estado, de


maneira a favorecer a disponibilização de bens públicos e semipúblicos à
população.

• A função distributiva diz respeito aos ajustes realizados pelo Estado para
que a sociedade alcance determinado nível de concentração de renda.

• A função estabilizadora trata das iniciativas governamentais em nome do


alcance de certo equilíbrio entre taxa de inflação, taxa de desemprego,
balanço de pagamentos e taxa de desenvolvimento econômico.

• Segundo a doutrina, as falhas de mercado são as seguintes: a existência


de bens públicos; a existência de monopólios naturais; as externalidades;
os mercados incompletos; as falhas de informação, ou informação
assimétrica; a ocorrência de desemprego e inflação.

• Nos setores em que os custos fixos são elevados, é desinteressante


fragmentar a oferta de bens e serviços entre numerosos agentes. Como
resultado, os preços ficariam muito elevados, para que os produtores
conseguissem cobrir os custos incorridos.

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• A presença de externalidades na economia significa a existência de efeitos


positivos ou negativos da ação de um indivíduo ou empresa no mercado,
relativamente aos outros atores.

• Os mercados incompletos se verificam quando certos bens e serviços não


são produzidos pelo setor privado, embora existam consumidores dispostos
a pagar em nível superior ao custo de produção desses bens e serviços.

• A informação assimétrica existe porque o mercado não oferece todas as


informações necessárias para que os atores tomem decisões de forma
equilibrada.

• Apesar da ideia liberal de que a livre economia seria a forma mais


adequada de formatar as relações entre os diferentes integrantes da cadeia
de consumo, ficou claro que, na ausência de intervenção estatal, não
conseguem evitar inconvenientes socioeconômicos como o desemprego e a
inflação.

• O termo “bem público” (ou “bem público puro”) é compreendido como


“aquele cujo consumo é indivisível ou não rival”. O consumo indivisível se
define pela impossibilidade de atribuir a certa pessoa a quantidade que ela
consome do bem público considerado.

• Os chamados “bens semipúblicos ou meritórios” não estão sujeitos aos


princípios e características dos bens públicos puros: indivisibilidade de
consumo, uso não rival e princípio da não exclusão; pelo contrário, detêm
as características de bens privados. Entretanto, reconhece-se nesse tipo de
bens um valor social que justifica a mobilização de recursos e esforços
governamentais para garantir seu fornecimento.

• No caso do setor público, existem demandas de consumo mais imediato,


próprias do funcionamento do governo e da prestação de serviços à
comunidade. Na teoria das finanças, esses gastos imediatos devem ser
sustentados por recursos obtidos junto à população ativa e contribuinte.

• Por outro lado, há demandas coletivas cujos benefícios se estendem no


tempo, favorecendo também gerações futuras. Nesse caso, estamos nos
referindo, via de regra, aos investimentos públicos. Como os efeitos desses
investimentos também serão aproveitados por gerações vindouras,

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assume-se como plausível que essas gerações contribuam para a execução


de tais projetos.

• Um problema do déficit público é o comprometimento que ele traz para a


saúde fiscal dos governos, já que são agregadas às obrigações de
pagamento as parcelas de amortização e juros.

• Receitas financeiras são coletadas a partir de operações de crédito, resgate


de empréstimos concedidos e outras operações assemelhadas; receitas não
financeiras são aquelas arrecadadas mediante tributação, ou por operações
comerciais e empresariais do setor público, ou outras formas que não
envolvam endividamento público nem redução de ativos. Quanto às
despesas, podemos fazer uma simples correlação com o que vimos sobre
as receitas.

• A existência de superávit primário significa que as receitas não financeiras


são mais que suficientes para pagar as despesas não financeiras.

• O cálculo do resultado nominal permite avaliar o montante de recursos


obtidos pelo governo junto ao mercado para financiamento das despesas,
com consequente aumento da dívida.

• O resultado operacional deduz, do resultado nominal, os efeitos da


atualização monetária sobre a dívida pública.

• O setor público não financeiro é constituído pela administração direta,


pelas autarquias, fundações e empresas estatais dependentes (aquelas que
necessitam de recursos orçamentários para custear suas atividades
normais), de todos os entes federados. O setor público financeiro é
formado pelos bancos estatais e pelo Banco Central.

• O critério “abaixo da linha” é empregado pelo Banco Central, e consiste da


verificação do saldo do endividamento líquido a cada período considerado,
junto aos agentes financeiros. Já o critério “acima da linha” mensura as
necessidades de financiamento do setor público a partir da verificação da
execução orçamentária do ente federado.

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QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA


1. (CESPE/ESPECIALISTA/ANTT/2013) Entende-se por política fiscal a atuação
do governo voltada para o estímulo do crescimento econômico e a redução
da taxa de desemprego populacional, por intermédio da elaboração do
orçamento público.

2. (FMP/AUDITOR/TCE-RS/2011) Com base nas visões clássica e keynesiana


quanto ao papel do Estado como agente de desenvolvimento econômico
responda se as afirmativas são verdadeiras ou falsas:

I. Na visão de Adam Smith, as legislações favoráveis ao capital, ao


aperfeiçoamento da mão de obra e à segurança dos negócios estimulam a
economia. Mas as intervenções do Estado deveriam limitar-se à
regulamentação da concorrência e aos gastos com educação, saúde e
segurança pública.

II. Keynes defendia que, em períodos de depressão, o governo poderia


gerar emprego pela política fiscal (gastos públicos, tributação) e pela
política monetária (emissão de moeda, taxa de juro).

III. Para Keynes, com o auxílio das políticas monetária, fiscal, cambial,
etc., o governo age sobre as expectativas dos agentes econômicos,
influenciando, direta e indiretamente, o nível do investimento e do
emprego.

As afirmativas I, II e III são, respectivamente:

a) falsa, verdadeira, falsa.

b) verdadeira, falsa, verdadeira.

c) verdadeira, verdadeira, verdadeira.

d) verdadeira, falsa, falsa.

e) falsa, verdadeira, verdadeira.

3. (ESAF/AFC/STN/2005) Baseada na visão clássica das funções do Estado na


economia, identifique a opção que foi defendida por J. M. Keynes.

a) As funções do Estado na economia deveriam ser limitadas à defesa


nacional, justiça, serviços públicos e manutenção da soberania.

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b) As despesas realizadas pelo Governo não teriam nenhum resultado


prático no desenvolvimento econômico.

c) A participação do Governo na economia deveria ser maior, assumindo a


responsabilidade por atividades de interesse geral, uma vez que o setor
privado não estaria interessado em prover estradas, escolas, hospitais e
outros serviços públicos.

d) A economia sem a presença do governo seria vítima de suas próprias


crises, cabendo ao Estado tomar determinadas decisões sobre o controle
da moeda, do crédito e do nível de investimento.

e) A atuação do Governo se faria nos mercados onde não houvesse livre


concorrência e sua função seria a de organizá-la e defendê-la, para o
funcionamento do mercado e para seu equilíbrio.

4. (CESPE/ANALISTA/TRT-10/2013) A regulação econômica é uma das formas


de intervenção da administração na economia, sendo que o bem-estar do
consumidor e a melhoria nos níveis de eficiência alocativa podem ser
definidos como alguns dos objetivos fundamentais da regulação.

5. (CESPE/PROCURADOR/PGE-PE/2009) O ordenamento jurídico nacional


consagra uma economia descentralizada, de mercado, sujeita à atuação
excepcional do Estado apenas em caráter normativo e regulador.

6. (CESPE/CONTADOR/PREF. RIO BRANCO/2007) A criação de sociedades de


economia mista, como uma forma institucionalizada de intervenção do
Estado no domínio econômico, elimina o conflito de interesses entre o
público e o privado, por conciliar a função social, distributiva, com o
objetivo de lucro e acumulação.

7. (CESPE/AUDITOR/TCDF/2012) As funções econômicas governamentais são


alocativa, distributiva e estabilizadora. Um exemplo de função
estabilizadora são os gastos com educação, com saúde e com segurança
pública.

8. (FCC/ANALISTA/TRE-PR/2012) A disciplina da ciência econômica que


estuda as relações econômicas do Governo com a sociedade é conhecida
modernamente como Economia do Setor Público. Dentro dos paradigmas
atuais dessa teoria, considere as afirmações a seguir, relativas às funções
que o Governo deve desempenhar em relação ao sistema econômico:

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I. Se a economia estiver passando por um ciclo de expansão que está


pressionando a estabilidade dos preços, o Governo deve diminuir os
impostos ou aumentar os gastos, ou ainda adotar uma combinação dessas
duas medidas.

II. O Governo deve atuar na correção das desigualdades da distribuição de


renda da economia, através de medidas que aumentem a progressividade
do sistema tributário e ampliando as despesas que beneficiam as classes
de renda mais baixa.

III. O Governo dever prover a produção de bens públicos, cujo


fornecimento pelo mecanismo tradicional de mercado é impossível, uma
vez que as pessoas que não querem pagar por eles não podem ser
excluídas de seu consumo.

IV. O Governo deve abster-se de produzir bens semipúblicos, tais como


educação e saúde, mesmo que sejam bens que apresentam grandes
externalidades positivas.

Está correto o que se afirma APENAS em

(A) I e II.

(B) II e III.

(C) I e III.

(D) I e IV.

(E) II e IV.

9. (ESAF/ANALISTA/CVM/2010) Ao incorporar e ampliar políticas públicas


compensatórias, o orçamento nacional privilegia o exercício de sua função
alocativa.

10. (CESPE/ANALISTA/CAPES/2013) A função de estabilização da economia


difere das funções alocativa e distributiva por utilizar instrumentos
macroeconômicos para manter o nível adequado de utilização dos recursos
e do balanço de pagamentos

11. (ESAF/APOFP/SEFAZ-SP/2009) A atuação do governo na economia tem


como objetivo eliminar as distorções alocativas e distributivas e de

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promover a melhoria do padrão de vida da coletividade. Tal atuação pode


se dar das seguintes formas, exceto:

a) complemento da iniciativa privada.

b) compra de bens e serviços do setor público.

c) atuação sobre a formação de preços.

d) fornecimento de bens e de serviços públicos.

e) compra de bens e serviços do setor privado.

12. (FCC/AGENTE/ALESP/2010) Para que o governo possa cumprir


adequadamente sua função estabilizadora, necessariamente terá de abrir
mão das funções alocativa e distributiva, levando o país a perpetuar
desigualdades regionais e setoriais.

13. (ESAF/AFC/STN/2008) A aplicação das diversas políticas econômicas a fim


de promover o emprego, o desenvolvimento e a estabilidade, diante da
incapacidade do mercado em assegurar o atingimento de tais objetivos,
compreende a seguinte função do Governo:

a) Função Estabilizadora.

b) Função Distributiva.

c) Função Monetária.

d) Função Desenvolvimentista.

e) Função Alocativa.

14. (CESPE/ANALISTA/TJ-SE/2014) Falhas de mercado são situações em que o


mercado competitivo não é capaz de, isoladamente, alcançar a eficiência
econômica, o que justifica a intervenção do Estado para alocar bens e
serviços de forma mais eficiente.

15. (CESPE/AUDITOR/TCDF/2012) A teoria do gasto público e a das funções do


governo fundamentam-se nas falhas de mercado, que incluem a existência
de bens públicos e os monopólios naturais.

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16. (CESPE/ESPECIALISTA/ANCINE/2005) Em presença de falhas de mercado,


a intervenção do governo contribui, necessariamente, para aumentar a
eficiência econômica.

17. (CESPE/TÉCNICO SUPERIOR/MIN. PREVIDÊNCIA/2010) Na existência de


um monopólio natural, ou seja, quando se configura situação de mercado
em que o tamanho ótimo de instalação e de produção de uma empresa é
suficientemente grande para atender todo o mercado, o Estado pode
responsabilizar-se diretamente pela produção do bem ou do serviço.

18. (FCC/ECONOMISTA/DNOCS/2010) Uma das falhas de mercado é a


ocorrência de externalidades negativas ou positivas na produção de bens e
serviços. Ocorre uma externalidade negativa quando o

a) benefício social da produção é maior que o benefício privado.

b) benefício privado da produção é inferior ao custo marginal social.

c) benefício privado da produção é menor que o custo privado da produção.

d) benefício privado da produção é igual ao custo privado da produção.

e) custo social da produção é menor que o custo privado da produção.

19. (CESPE/ANALISTA/TJ-RR/2012) As formas de intervenção do Estado


voltadas a mercados incompletos incluem a intervenção na concessão de
crédito de longo prazo direcionado ao financiamento dos investimentos do
setor produtivo, por meio dos bancos públicos, e a realização direta de
investimentos, por intermédio das empresas públicas.

20. (FCC/AUDITOR/TCE-CE/2008) Uma causa de falha de mercado muito


comum é a denominada informação assimétrica. É exemplo de mercado
em que a informação assimétrica implica a seleção adversa dos produtos
ofertados:

(A) casas pré-fabricadas.

(B) utilidades domésticas, com garantia, vendidas em lojas de


departamentos.

(C) automóveis usados.

(D) restauração de móveis antigos e objetos de arte.

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(E) refrigerantes de marcas consagradas.

21. (VUNESP/GESTOR/PREF. S. JOSÉ DOS CAMPOS/2012) Ao receber um


plano de saúde da empresa em que trabalha, um funcionário que nunca
tinha tido esse benefício passa a se consultar com vários médicos, mesmo
sem necessidade imediata para isso. Esse comportamento é conhecido
como

(A) Sinalização.

(B) Risco moral.

(C) Seleção adversa.

(D) Externalidade.

(E) Custo indireto.

22. (FCC/ANALISTA/TRE-PI/2009) Stiglitz (1988) conceitua bens públicos


puros como aqueles para os quais não existe rivalidade no consumo e a
exclusão do consumo é impossível. Na prática, existem situações mistas de
várias espécies em que a visão polarizada entre bens privados e bens
públicos não prevalece, dando origem aos chamados bens mistos, tais
como:

(A) educação e defesa nacional.

(B) saúde e previdência.

(C) defesa nacional e segurança pública.

(D) saneamento e justiça.

(E) transporte e emissão de moeda.

23. (CESPE/AGENTE/POLÍCIA FEDERAL/2012) Os governos exercem função


alocativa para corrigir a alocação de recursos utilizados na produção de
bens geradores de externalidades negativas; na presença de
externalidades positivas, a intervenção governamental é desnecessária.

24. (CESPE/TÉCNICO SUPERIOR/MIN. PREVIDÊNCIA/2010) A característica


essencial dos bens semipúblicos é seu elevado conteúdo de externalidades.
Isso significa que os benefícios advindos de seu consumo não são
totalmente internalizados pelo indivíduo que consome esses bens,

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espalhando-se uma parcela considerável desses benefícios por toda a


coletividade.

25. (VUNESP/GESTOR/PREF. S. JOSÉ DOS CAMPOS/2012) É (São) exemplo(s)


de bens públicos:

I. energia elétrica fornecida às residências;

II. estradas pedagiadas;

III. iluminação elétrica das ruas.

Está correto o contido em

(A) I, apenas.

(B) II, apenas.

(C) III, apenas.

(D) I e III, apenas.

(E) I, II e III.

26. (ESAF/FISCAL/SEFAZ-RJ/2010) Uma das características dos bens


semipúblicos é um elevado grau de externalidade em razão de os
benefícios advindos do seu consumo não serem totalmente internalizados
pelo indivíduo que o consome.

27. (ESAF/APO/MPOG/2008) Como alternativas de financiamento do déficit


público, podem ser citadas a venda de títulos ao setor privado e a venda
de títulos ao Banco Central.

28. (ESAF/APO/MPOG/2008) O tamanho do déficit público, em última instância,


dá a participação do governo na atividade econômica em termos de
complementação da demanda privada.

29. (CESPE/PROFESSOR/IFB/2010) O financiamento de dívida pública com a


emissão de títulos provoca elevação adicional do nível de endividamento do
país.

30. (ESAF/FISCAL/SMF-RJ/2010) O resultado primário caracteriza-se por


indicar a necessidade ou não de financiamento do setor público por
terceiros.

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31. (FCC/ANALISTA/TRT-04/2011) Na análise orçamentária, o conceito de


receita primária exclui as receitas oriundas de

(A) contribuições.

(B) operações de crédito.

(C) tributação indireta.

(D) tarifas.

(E) venda de ativos.

32. (CESPE/AUDITOR/TCDF/2012) As necessidades de financiamento do setor


público, apuradas nos três níveis de governo — federal, estadual e
municipal —, correspondem à avaliação do desempenho fiscal da
administração pública, podendo ser denominadas necessidades de
financiamento das empresas estatais caso se refiram ao resultado do
orçamento fiscal.

33. (CESPE/ECONOMISTA/DPU/2010) A necessidade de financiamento do setor


público deve ser apurada e considerada de forma isolada, em cada esfera
de governo, e inclui todas as receitas diretas e indiretas.

34. (ESAF/AFC/STN/2008) Do ponto de vista fiscal, o déficit público é medido


a partir do Resultado Primário. Isso posto, é correto afirmar:

a) o Resultado Primário corresponde à diferença entre receitas não


financeiras e despesas não financeiras.

b) entende-se por receita não financeira: a receita orçamentária


arrecadada, mais as operações de crédito, as receitas de privatização e as
receitas provenientes de rendimentos de aplicações financeiras.

c) entende-se por despesa não financeira: a despesa total, aí incluídas


aquelas com amortização e encargos da dívida interna e externa
(amortização mais juros).

d) do ponto de vista fiscal, ou pelo critério “acima da linha”, ocorre déficit


público quando o total das receitas não--financeiras é superior às despesas
não financeiras.

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e) nos casos em que o total das receitas próprias de um ente público (sem
considerar empréstimos) é inferior às despesas realizadas, temos um
superávit primário.

35. (CESPE/ANALISTA/TJ-ES/2011) O Banco Central do Brasil (BACEN) não se


inclui entre os órgãos cujos balanços são considerados no cálculo da dívida
líquida e do déficit público, por não se tratar de instituição do setor público
não financeiro.

36. (FCC/ANALISTA/TRF-01/2006) Despesas financeiras são aquelas que


aumentam o endividamento líquido do Governo em termos de resultado
primário no exercício financeiro correspondente, uma vez que criam para o
ente da Federação uma obrigação junto ao próprio setor público.

37. (ESAF/AFC/STN/2013) Em relação às Necessidades de Financiamento do


Setor Público (NFSP), pode-se dizer que:

a. é uma medida de estoque e corresponde ao déficit nominal, medido


pelo critério “acima da linha”.

b. uma operação de empréstimos do Banco Central para o Tesouro


Nacional eleva as NFSP no período em análise.

c. excluem os gastos não financeiros e as receitas não financeiras.

d. podem ser financiadas por emissão de títulos públicos.

e. uma operação de empréstimos do Banco Central para o Tesouro


Nacional, como forma de financiamento das NFSP, reduz a base monetária
da economia.

38. (ESAF/APOFP/SEFAZ-SP/2009) Com relação à Dívida Pública, Déficit


Público e Necessidade de Financiamento do Setor Público, identifique a
opção falsa.

a) Uma medida muito utilizada para avaliar a capacidade de pagamento do


setor público é a relação dívida / PIB.

b) A diferença entre as receitas totais e os gastos totais é chamada de


déficit primário, pelo conceito “acima da linha”.

c) O déficit operacional é uma medida bastante requisitada em períodos de


inflação elevada.

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d) Os vários conceitos de déficit público podem ser apurados por dois


critérios: o de competência e o de caixa.

e) No longo prazo, o crescimento da dívida pública ocupa o espaço que


seria destinado à formação de capital (efeito crowding-out), por meio da
redução de investimentos.

39. (CESPE/ECONOMISTA/DPU/2010) A mensuração do deficit com base na


execução orçamentária - receitas e despesas - representa o conceito
denominado acima da linha, que corresponde à medição do deficit pelo
lado do financiamento, ou seja, pela forma como o deficit foi financiado.

40. (CESPE/ANALISTA/SAD-PE/2010) Pela metodologia de apuração


denominada acima da linha, o resultado nominal é obtido deduzindo-se do
resultado primário os valores pagos e recebidos de juros nominais.

41. (CESPE/ANALISTA/PREVIC/2011) Ao passo que os saldos da dívida líquida


do setor público são apurados por meio do critério de competência, o
resultado fiscal do governo é obtido por intermédio do resultado primário e
nominal. Os resultados podem ser apurados mediante os critérios acima da
linha e abaixo da linha, em que o último considera o desempenho fiscal do
governo pelo cálculo da variação do endividamento líquido.

42. (CESPE/ANALISTA/TJ-ES/2011) Os chamados critérios abaixo da linha e


acima da linha constituem duas formas de apuração dos resultados
primário e nominal. No primeiro caso, o desempenho fiscal do governo é
apurado por intermédio do cálculo de variação do endividamento líquido
em determinado período. Utilizando-se o critério acima da linha, apura-se o
desempenho fiscal do governo mediante a apuração dos fluxos de receitas
e despesas orçamentárias em determinado período.

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QUESTÕES ADICIONAIS
43. (FCC/TÉCNICO/PGE-RJ/2009) A intervenção do Estado na economia,
concretizada basicamente por meio dos orçamentos públicos, pode ser
classificada, quanto às suas atribuições econômicas, em três categorias,
quais sejam:

(A) de planificação, orçamentária e de controle.

(B) alocativa, distributiva e estabilizadora.

(C) alocativa, distributiva e de planificação.

(D) distributiva, estabilizadora e de controle.

(E) distributiva, estabilizadora e orçamentária.

44. (CESPE/TÉCNICO SUPERIOR/MIN. SAÚDE/2008) A política fiscal é dividida


em dois segmentos: a política tributária, cujo objetivo é captar os recursos
necessários ao atendimento das funções da administração pública, e a
política orçamentária, que trata da aplicação desses recursos.

45. (CESPE/TÉCNICO SUPERIOR/MIN. PREVIDÊNCIA/2010) As políticas


keynesianas defendem a presença do Estado na economia, por meio da
implementação de políticas indutoras de investimentos e geradoras de
renda e emprego, combinadas com políticas de conteúdo redistributivo.

46. (ESAF/AFC/CGU/2004) Quando o governo aumenta seus gastos, diz-se que


a política monetária é expansionista e, caso contrário, é contracionista.

47. (ESAF/APO/MPOG/2008) A política monetária refere-se à atuação do


governo sobre a quantidade de moeda e títulos públicos.

48. (ESAF/APO/MPOG/2008) A política monetária apresenta maior eficácia do


que a política fiscal quando o objetivo é uma melhoria na distribuição de
renda.

49. (FCC/ANALISTA/ARCE-CE/2006) Ao regular o setor a que foi destinada, a


agência reguladora tem por finalidade

(A) limitar preços, dividir os clientes e fornecedores por região geográfica.

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(B) sanear (neutralizar), ou buscar sanear (neutralizar) as falhas


regulatórias do setor em que atua, visando a consecução de maior
eficiência.

(C) controlar apenas os preços, fixando uma tabela para preços máximos,
em atenção ao pleno atendimento dos interesses dos consumidores e do
governo.

(D) limitar as novas outorgas visando ao máximo aproveitamento do


mercado pelos agentes que já nele atuam.

(E) aplicar a política regulatória local em atenção ao plano de metas


estabelecido pelo governo, priorizando os interesses privados e individuais.

50. (ESAF/AFC/STN/2008) A elevação dos depósitos compulsórios é


considerada uma política monetária restritiva.

51. (CESPE/AGENTE/POLÍCIA FEDERAL/2009) A regulação do mercado,


exercida pelas agências reguladoras e pelo Conselho Administrativo da
Defesa Econômico (CADE), é necessária para, entre outras funções, coibir
os abusos resultantes da atuação dos monopólios naturais, que se
caracterizam pela maior eficiência alcançada nos casos de elevadas
economias de escala ou de escopo em relação ao tamanho do mercado.

52. (CESPE/ANALISTA/SEGER-ES/2009) No Brasil, o esgotamento do modelo


de Estado condutor do processo econômico e social, bem como a erosão da
capacidade de prestação de serviços públicos, levou a um importante
processo de privatização, no qual o Estado passou a assumir o papel de
regulador da atividade econômica.

53. (FCC/AUDITOR/TCE-MG/2005) As Agências Reguladoras, entidades


dotadas de elevado grau de autonomia administrativa, bem como poderes
de fiscalização, normatização e sancionatórios, podem revestir-se da forma
de autarquia ou empresa pública, sujeitando-se, em ambos os casos, a
regime especial.

54. (FCC/ANALISTA/ARCE-CE/2006) Dentre as características que denotam as


atividades das agências reguladoras, enquanto autarquias de regime
especial, inclui-se a

(A) personalidade jurídica de direito privado.

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(B) instabilidade dos mandatos de seus dirigentes.

(C) dependência financeira.

(D) autonomia em relação à Administração Direta.

(E) dependência patrimonial.

55. (ESAF/AFC/CGU/2004) A necessidade de atuação econômica do setor


público prende-se à constatação de que o sistema de preços não consegue
cumprir adequadamente algumas tarefas ou funções. Assim, é correto
afirmar que a função distributiva do governo está associada ao
fornecimento de bens e serviços não oferecidos eficientemente pelo
sistema de mercado.

56. (FCC/APOFP/SEFAZ-SP/2010) O sistema de mercado não tem a mesma


eficiência na provisão de bens públicos, como na de bens privados, daí a
necessidade de atuação do Estado na prestação de serviços de segurança
pública, por exemplo.

57. (ESAF/ANALISTA/SEFAZ-CE/2006) As necessidades de financiamento do


setor público correspondem ao conceito de déficit nominal apurado pelo
critério “acima da linha”.

58. (ESAF/ANALISTA/SEFAZ-CE/2006) O conceito de déficit nominal


corresponde aos gastos totais deduzidas as receitas totais.

59. (ESAF/APO/MPOG/2010) O governo pode financiar seu déficit pela emissão


de moeda e também por meio da venda de títulos da dívida pública ao
setor privado.

60. (ESAF/APO/MPOG/2010) O desempenho fiscal pode ser mensurado pelo


déficit primário, que é dado pela diferença entre receitas e despesas não
financeiras.

61. (ESAF/APO/MPOG/2010) A Necessidade de Financiamento do Setor Público


corresponde ao conceito de déficit nominal apurado pelo critério “acima da
linha”.

62. (CESPE/ANALISTA/TJ-ES/2011) As necessidades de financiamento do setor


público correspondem ao montante de recursos que o setor público não

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financeiro deve captar junto ao setor financeiro interno e(ou) externo, além
de suas receitas fiscais, para custear os seus dispêndios.

63. (CESPE/ANALISTA/IJSN-ES/2010) A mensuração do deficit público a partir


do financiamento do setor público é denominada acima da linha, enquanto
a quantificação por intermédio de receitas e despesas é denominada abaixo
da linha.

64. (CESPE/CONTADOR/DETRAN-ES/2010) Durante a etapa de cálculo da


necessidade de financiamento do governo central, procura-se definir o
resultado primário, cujas etapas de apuração incluem o chamado critério
acima da linha, que considera o desempenho dos fluxos de receitas e
despesas primárias ou não financeiras no período de referência.

65. (CESPE/PROCURADOR/BACEN/2009) A mensuração do deficit público como


a diferença entre despesas e receitas, calculado pelo BACEN, corresponde
às necessidades de financiamento do setor público (NFSP), no conceito
abaixo da linha.

66. (CESPE/TÉCNICO SUPERIOR/MIN. PREVIDÊNCIA/2010) Por meio da


política alocativa, o governo pode reduzir os gastos públicos, com o
objetivo de inibir o consumo na sociedade, e elevar a alíquota de impostos,
visando assegurar o controle dos preços na economia.

67. (FCC/AGENTE/AL-SP/2010) Quando o governo utiliza recursos


provenientes da arrecadação tributária para financiar o fornecimento de
bens meritórios, tais como educação e saúde, está executando sua função
alocativa, pois deixar que o mercado determine o preço desses bens pode
levar à exclusão de grande parcela da população do seu consumo.

68. (ESAF/AFC/CGU/2006) Com base nas funções clássicas do Estado, assinale


a única opção falsa.

a) As necessidades meritórias são aquelas que também são atendidas pelo


setor privado e, portanto, não estão sujeitas ao princípio da exclusão.

b) A função estabilizadora do governo concentra seus esforços na


manutenção de um alto nível de utilização de recursos e de um valor
estável da moeda.

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c) As necessidades meritórias e as necessidades sociais são atendidas, no


Brasil, pelas três esferas de governo.

d) Na atual conjuntura brasileira, verifica-se atividade governamental no


que se refere à distribuição de renda, via ações compensatórias, tais como
as transferências de renda por meio da distribuição de cestas básicas.

e) A função alocativa do governo está associada ao fornecimento de bens e


serviços não oferecidos adequadamente pelo sistema de mercado.

69. (CESPE/ANALISTA/TJ-RR/2012) Ao determinar o tipo e a quantidade de


bens e serviços públicos que devem ser oferecidos, bem como o valor das
contribuições de cada consumidor, o governo exerce sua função
estabilizadora, mediante a aplicação de uma política monetária.

70. (CESPE/ANALISTA/EBC/2011) Em ocasiões em que o desemprego


prevalece, a atuação do governo no sentido de aumentar o nível de
demanda no mercado com a recolocação da produção no pleno emprego é
um exemplo de aplicação da função distributiva do Estado.

71. (CESPE/TÉCNICO SUPERIOR/MIN. PREVIDÊNCIA/2010) Na área social, no


Brasil, existe um mercado incompleto no que concerne à oferta dos
serviços previdenciários. Isso ocorre porque o setor privado está disposto a
assumir riscos, mesmo com o custo de produção acima do preço que os
potenciais consumidores estão dispostos a pagar por planos de previdência
complementares.

72. (ESAF/AFC/CGU/2006) No mundo real, mercados perfeitamente


competitivos são raros, existindo falhas de mercado que justificam a
intervenção do governo. Identifique a opção falsa.

a) São exemplos de falhas de mercado a existência de bens públicos e de


externalidades.

b) Os bens públicos puros possuem as características de não-rivalidade e


de impossibilidade de exclusão de seu consumo.

c) O sistema de preços reflete apenas os custos e os benefícios privados,


sendo necessária a presença do governo para incorporar as externalidades
ao custo privado, mediante, por exemplo, a tributação ou incentivo fiscal.

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d) Diz-se que uma externalidade tem lugar quando a atividade econômica


dos indivíduos, na produção, consumo ou troca, não afeta e não interfere
com o interesse dos outros indivíduos.

e) Há externalidades positivas que podem demandar a intervenção do


governo para que não haja uma suboferta.

73. (CESGRANRIO/ANALISTA/BACEN/2010) O problema da assimetria de


informação só emerge quando o comprador potencial, ou o vendedor
potencial, tem uma informação importante para a transação que a outra
parte não tem.

74. (CESPE/ANALISTA/EBC/2011) A existência de bens de consumo não


exclusivos e não rivais é um aspecto que permite justificar a intervenção
do governo na economia.

75. (CESPE/AUDITOR/TCE-ES/2012) A provisão pública direta de bens e


serviços é uma forma tradicional de intervenção do governo no sistema
econômico, sendo, economicamente, os bens públicos definidos como os
que possibilitam rivalidade e exclusão de algum indivíduo do consumo.

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GABARITO
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

C C D C E E E B E C

11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

B E A C C E C B C C

21 22 23 24 25 26 27 28 29 30

B B E C C C C C C E

31 32 33 34 35 36 37 38 39 40

B E E A E E D B E E

41 42 43 44 45 46 47 48 49 50

C C B C C E C E B C

51 52 53 54 55 56 57 58 59 60

C C E D E C C C C C

61 62 63 64 65 66 67 68 69 70

C C E C E E C A E E

71 72 73 74 75

E D C C E

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