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Qual é a Loja Maçônica mais antiga do

mundo?
15 de janeiro de 2016 · por Guilherme Cândido · em História. ·

Autor: Guilherme Cândido

Escudos das Lojas Kilwinning (à esquerda) e Mary’s Chapel (à direita)

Introdução

A Inglaterra é considerada o berço da Francomaçonaria por esta ter lá se firmado quanto


organização após a criação da Grande Loja de Londres e Westminster em 24 de Junho
de 1717 em Londres. Apesar disso, no que tange ao aparecimento de Lojas (operativas e
especulativas) e de documentos antigos sobre a Maçonaria, é nítido que a Escócia
provavelmente é, se não o berço, o ninho da Maçonaria moderna, com o que concorda
Harry Carr em Ars Quatuor Coronatorum vol.81 (1968, p. 159) “O céu abençoe os
escoceses! Eles cuidaram de cada pedaço de papel, e se não fosse por eles, não teríamos
praticamente nenhuma história. O nosso material mais antigo e fino é quase todo
escocês!”.

Este fato foi constatado inclusive pelo 3° Grão-Mestre da própria Grande Loja de
Londres John Teophilus Desaguliers. De acordo com LYON (1900) em seu History of
the Lodge of Edinburgh (Mary´s Chapel) n°01, em 1721 Desaguliers viajou a
Edimburgo (Escócia) a negócios e acabou por participar de uma reunião com os Mestres
Maçons e o Vigilante (antiga e alternativa denominação para o Mestre da Loja) da Loja
Mary´s Chapel, onde ele foi recebido em Loja como Irmão, e onde supostamente ele
teve a ideia da elaboração das Constituições (futuras constituições de Anderson de
1723) e da organização das cerimônias inglesas com base nas diferentes preleções que
presenciou na Loja Mary´s Chapel, preleções estas que constituíram “o ritual que ele
estava ansioso para apresentar” aos irmãos ingleses.

Segundo o pronunciamento do Irmão John Hamill , diretor de comunicação da Grande


Loja Unida da Inglaterra, no documentário The Scottish Key – An Investigation into the
origins of Freemasonry (SimonGo Productions, 2007), até então na Inglaterra da
fundação da Grande Loja de Londres as sessões se davam, ao contrário das práticas
escocesas, de forma simples: com os membros da Loja sentados em volta de uma mesa
posta em cavaletes, desenhando com giz no chão, ou num quadro, os símbolos da
cantaria e tratando dos assuntos cabíveis ao momento, após o que apagavam os
desenhos e serviam o jantar nestas mesmas mesas.

Ainda de acordo com o documentário The Scottish Key – An Investigation into the
origins of Freemasonry (SimonGo Productions, 2007), e as apresentações que nele
constam proferidas pelos irmãos Ewan Rutherford e Joseph McArthur, ambos membros
da Loja Mary´s Chapel, há registro em ata da visita de Desaguilers, onde se lê:

“Naquele dia, Doutor John Theophilus Desaguliers, membro da Royal Society e


Capelão junto a sua Graça Jaime Duque de Chandoi, último Grão Mestre das Lojas
Maçônicas de Londres, estando na cidade, desejou conferenciar com o Vigilante e
Mestres Maçons de Edimburgo, o que lhe foi concedido, pois tendo sido reconhecido e
estando devidamente qualificado em todos os aspectos da Francomaçonaria, o
receberam como irmão na Sociedade”.

Com a indubitável e já comprovada antecedência das Lojas escocesas, surge então uma
singela disputa entre duas Lojas: The Mother Kilwinnig Lodge n°0 (que por algum
tempo foi a n°2) da cidade de Kilwinning e The Lodge of Edinburgh (Mary´s Chapel)
n°1 da cidade de Edimburgo, na contenda de comprovar qual delas é a Loja mãe da
Escócia e consequentemente a Loja mais antiga do mundo. A seguir, tem-se um pouco
da história de ambas.

Kilwinning: The Mother Kilwinning Lodge N°0

Segundo o que diz a própria Loja Kilwinning em seu website através do texto de autoria
de Bloomfield (http://www.mk0.com/history1.htm, 2015), sua história data de cerca do
ano de 1140 com a construção da abadia da cidade de Kilwinning, na Escócia.

Fundos da abadia de Kilwinning

De acordo com o histórico da Loja, nesta época, o Papa Inocêncio II (o mesmo que
apoiou e estabeleceu privilégios aos Cavaleiros Templários em 1139) criou corporações
(ou fraternidades) de pedreiros, e deu a elas certos privilégios com o objetivo de enviar
artistas italianos, que eram famosos por construírem catedrais, para erguerem igrejas em
outros países também. Uma guilda destes pedreiros e forasteiros parece ter ido a
Kilwinning, para construir a abadia, e de acordo com os relatos da Loja, lá fundou e
constituiu a primeira Loja regular da Escócia. A Loja foi fundada na sala capitular
dentro da abadia, uma sala com 11,6 x 5,8 m, e ali permaneceu até sua reforma em
1560, quando Earl de Glencairn, um inimigo mortal de Earl de Eglinton (que mantinha
uma forte amizade com a Loja), destruiu grande parte da abadia.

Sala Capitular da abadia após a destruição

Eles continuaram a se reunir de acordo com o que sugerem os relatos da Loja. Primeiro,
na abadia em 1598-1599, depois em uma casa no Crossbrae no centro da cidade em
1643 e por fim numa casa da corte de Earl de Eglinton. Em meados de 1700, os
membros decidiram por construir uma Loja e em 1779 a antiga Loja foi construída na
entrada da abadia. Infelizmente, 100 anos depois, devido à deterioração e o receio da
construção entrar em colapso, o templo foi demolido e um novo foi construído a trinta
quilômetros de distância do local anterior, e lá permanece até hoje. Esta última
construção foi consagrada em 1893.

Loja Kilwinning atualmente

O artigo The Grand Lodge of Scotland publicado no website The Masonic Trowel
(2015) relata que antes da formação da Grande Loja da Escócia em 1736, a Loja
Kilwinnig afirmava ter sido uma Grande Loja por si só, com o direito de emitir cartas
constitutivas para outras Lojas que desejavam desfrutar dos privilégios da Maçonaria.

É importante definir aqui qual é o conceito de “Grande Loja”. Uma Grande Loja precisa
ser um corpo independente e soberano, que não deva obediência a qualquer outro corpo
maçônico, o que exclui da definição todas as Grandes Lojas Provinciais e todas as
outras Lojas que trabalham sob uma carta patente de um diferente corpo de jurisdição.
Uma Grande Loja que nunca expediu nenhuma carta constitutiva, mesmo que cumpra
todas as outras exigências, não é uma Grande Loja de fato e sim apenas de nome.
Todas as Lojas inglesas e escocesas, que existiam antes de 1717, exceto uma (a Loja
Kilwinning), passaram pelo teste de serem independentes mas nunca emitiram nenhuma
carta constitutiva a outras Lojas e portanto não poderiam ser consideradas Grandes
Lojas.

Após a Grande Loja de Londres publicar o Livro das Constituições em 1723


(Constituições de Anderson), foram acrescentadas algumas outras regras para o
estabelecimento de uma Grande Loja regular (como ter sido formada por no mínimo
três Lojas, por exemplo). Entretanto, apesar de ter grande validade para muitos maçons,
foram regras criadas pela Grande Loja de Londres (hoje Grande Loja Unida da
Inglaterra) e que não tem outros precedentes históricos. Por isso a Loja Kilwinning
considera que foi uma Grande Loja por si só e mais antiga que a própria Grande Loja de
1717. Muitas Lojas carregam o nome da Kilwinning até hoje em suas cartas
constitutivas. Sendo a Escócia um país pequeno, era indesejável que lá houvesse duas
Grandes Lojas, sendo assim a Kilwinning abriu mão destes direitos de que possuía
quando houve a formação da Grande Loja da Escócia em 1736.

Segundo o já citado artigo The Grand Lodge of Scotland publicado no website The
Masonic Trowel (2015), em 1743, a Grande Loja da Escócia decidiu por enumerar as
Lojas pela idade de seus registros. Infelizmente as atas mais antigas da Loja Kilwinning
datam de 20 de dezembro 1642, e os registros anteriores que se pensava existir podem
ter sido hipoteticamente contrabandeados por monges para a França quando da queda do
cristianismo na Escócia, apesar de ser mais aceitável a hipótese de que tenham sido
destruídos durante um desastroso incêndio nos arredores do Castelo de Eglinton. Logo,
a Loja de Edimburgo, que possuía registros de 1598, conquistou o primeiro lugar.

A Loja Kilwinning foi então a segunda colocada no hall da Grande Loja, o que gerou a
discordância de seus membros que a retiraram da égide da Grande Loja e continuaram a
emitir cartas constitutivas para outras Lojas como antes. Estas Lojas “filhas” da
Kilwinning não ficaram apenas na Escócia, pois tem-se notícia de Lojas que também
foram criadas e patenteadas por ela na Irlanda, EUA, Antigua e no Caribe.

Ainda no que afirma a Loja em seu website, a disputa terminou em 1807 quando a
Grande Loja da Escócia e a “Grande Loja de Kilwinning” se reuniram em Glasgow e
acertaram suas diferenças tecendo um acordo onde a Loja Kilwinning foi aceita como
mais antiga, colocada no topo do hall da Grande Loja da Escócia, recebendo assim o
distinto e famoso número “0” e o título de Loja Mãe da Escócia. Foi acordado ainda que
o Venerável Mestre da Loja Kilwinning seria automaticamente o Grão Mestre
Provincial de Ayrshire. Assim, a Mãe Kilwinning, como passou a se denominar,
também abriu mão do direito de emitir as cartas constitutivas novamente.

Em 1860, durante uma busca no Castelo de Eglinton os agora famosos Estatutos de


Schaw de 1598 e 1599 foram encontrados. William Schaw, o Mestre de Obras do Rei e
“Vigilante de todos os Maçons”, foi designado pelo Rei James VI para liderar os irmãos
escoceses em suas “cerimônias sagradas”. Segundo o que informa ISMAIL (2011) está
aí um fato de que as lojas escocesas não eram de simples pedreiros, pois já possuíam
“cerimônias sagradas”, isto cem anos antes da criação da Grande Loja de Londres e
Westminster.
Schaw escreveu logo no cabeçalho de seu segundo estatuto, datado de 28 de dezembro
de 1599, que a Loja Kilwinning era a Loja “cabeça” da Escócia e conferiu a ela vários
privilégios. Porém ele deixa bem claro no artigo terceiro deste documento que a Loja
Kilwinning é a n°2 da Escócia e que a n°1 é a Mary’s Chapel:

“Primeiro, fica ordenado que os Vigilantes dentro dos limites de Kilwinning e de outros
locais jurisdicionados a esta Loja devem ser escolhidos e eleitos anualmente pela
maioria dos mestres da referida Loja no dia vinte de dezembro, e que isso aconteça
dentro da igreja de Kilwinning pois esta é a líder e segunda Loja da Escócia […].
Pensa-se necessário e oportuno por meu Senhor, Vigilante Geral, dizer que a
Edimburgo deve ser em todos os tempos futuros, como foi antes, a primeira e principal
Loja, na Escócia, e que a Kilwinning será a segunda, como tem sido notado
notoriamente através de nossos antigos registros, e que a Stirling será a terceira Loja,
de acordo com os antigos privilégios.”

O primeiro acordo entre a Grande Loja da Escócia e a Loja Kilwinning durou 176 anos,
até que em 1983 foi alterado mais uma vez, onde novamente as mudanças diziam
respeito à Kilwinning. O Venerável da Loja Kilwinning não seria mais o Grão Mestre
Provincial de Ayrshire, em vez disso: A Loja Mãe Kilwinning teria para sempre o
direito de nomear um irmão para ser o Porta-Bíblia da Grande Loja e foi consagrada e
instituída a Grande Loja Provincial de Kilwinning, tendo a Loja Mãe Kilwinning o
direito exclusivo de nomear o Grão Mestre Provincial desta. Todas estas mudanças
ainda garantiram a posição singular e a autonomia da Loja no mundo maçônico.

Mary’s Chapel: The Lodge of Edinburgh (Mary’s Chapel) N°1

Em seu website, a Loja de Edimburgo (Mary’s Chapel) n°1 diz ocupar uma posição
invejável, não apenas na maçonaria escocesa mas na maçonaria mundial. Devido à
diligência dos irmãos que serviram à Loja como secretários e daqueles que acharam por
bem manter a salvo seus registros, a Loja tem uma ata que remonta a 31 de julho de
1599. Esta é a ata de Loja mais antiga ainda existente em qualquer lugar do mundo e seu
conteúdo reflete a natureza operativa da Loja naquela época.

Foi só com a admissão de maçons não-operativos, ou especulativos, no século XVII que


o ofício começou a adotar a forma como conhecemos hoje. Em relação a isso, a Loja de
Edimburgo também pode reivindicar sua precedência com uma ata de 1634 que registra
a admissão de Lord Alexander, Sir Anthony Alexander e Sir Alexander Strachan na
Loja, e posteriormente outra ata de 1641 quando Robert Moray foi inciado na Loja que
tinha sido convocada em New Castle (Inglaterra), o primeiro maçom não-operativo a ser
admitido em solo inglês.

A Loja de Edimburgo também é chamada de Mary’s Chapel pois se reunia na Capela de


Maria em Niddry’s Wynd, Edimburgo. Com a demolição da capela em 1787, a Loja se
reuniu em vários locais até se firmar na 19 Hill Street em 1893 na New Town.
Loja Mary’s Chapel Atualmente

Em 1736, de acordo com o artigo The Grand Lodge of Scotland publicado no website
The Masonic Trowel (2015), St. Clair de Rosslyn, Grão Mestre da Escócia, convocou
uma reunião com trinta e duas Lojas no templo da Loja de Edimburgo, e deu a elas
todos os direitos e outros títulos de acordo com os privilégios que ele e seus herdeiros
possuíam como Grãos Mestres dos maçons Escócia. Assim a GLoS (Grand Lodge of
Scotland) foi criada em 30 de novembro de 1736. A Loja Kilwinnig estava representada
por procuração, e dela foram eleitos os primeiros oficiais da GLoS e assim
permaneceram até que os irmãos decidiram enumerar as Lojas de acordo com a sua
antiguidade. O posto de mais antiga, obviamente foi reivindicado pela Kilwinning, mas
esta foi contrariada pela Mary’s Chapel que alegou e provou ter registros mais antigos
como atestado de sua precedência. Foi assim que a Loja Mary’s Chapel se tornou a Loja
n°1 e a Kilwinning a Loja n°2.

Muitos membros notáveis pertenceram a Loja Mary’s Chapel incluindo Sua Alteza
Real, o Príncipe de Wales que posteriormente se tornou o Rei Edward VII e também
Sua Alteza Real o Rei Edward VIII. Segundo o que diz o artigo Oldest Masonic Lodge
– Wich Lodge is the Oldest Masonic Lodge in the World? publicado pelo website
Masonic Lodge of Education, os dois foram admitidos na Loja, tomando a obrigação
sobre a bíblia. Assim como os estatutos de Schaw e as atas antigas, a caneta com a qual
eles gravaram seus nomes no hall da Loja após a iniciação permanece preservada no
museu da Loja até hoje.

De acordo com Ars Quatuor Coronatorum, vol.3 (1840, P. 204-206), transcrição da


mais antiga e prestigiada Loja de pesquisas do mundo The Quatuor Coronati Lodge
n°2076, de Londres (Grande Loja Unida da Inglaterra), em trabalho intitulado
Formation of the Grand Lodge of Scotland e apresentado por E. MacBean, sobre as
quatro velhas Lojas envolvidas nos eventos que culminaram na eleição de St. Clair
como primeiro Grão Mestre da Escócia no dia de Santo André em 30 de novembro de
1736, diz-se que a Loja Mary’ Chapel n°1 certamente desempenhou um papel crucial,
embora não tenha sido tão proeminente quanto a Loja Canongate Kilwinning, que foi a
mais vigorosa de todas.

A Loja de Edimburgo (Mary’s Chapel) n°1 possui em seu museu, preservado até os dias
de hoje, o original do tão famigerado manuscrito datado de 31 de Julho de 1599, e o
original do primeiro estatuto de Schaw de 28 de dezembro de 1598, que são tão
valorosos para os estudos maçônicos. Com pequenas exceções, seus registros continuam
até os dias de hoje, e embora não figure atualmente no topo do hall da Grande Loja, ela
ainda permanece sendo a n°1, assim como nos dias em que o Mestre de Obras William
Schaw, Vigilante de todos os maçons da Escócia, a chamou de mais importante e
primeira Loja da Escócia.

Ainda segundo Ars Quatuor Coronatorum, vol.3 (1840, P. 204-206) no artigo


Formation of the Grand Lodge of Scotland, sua existência pode datar de muito antes de
1598, mas a data exata quando a Loja foi fundada é um ponto discutível. Alguns
estudiosos afirmam que seu início se deu quando da construção da abadia de Holyrood
por David I, em 1128. Sua vasta história continua com a Corporação, que surgiu em
1475 quando a profissão de pedreiro foi legalmente constituída sob a sanção do
Conselho de Magistrados da Cidade de Auld Reekie (apelido escocês da cidade de
Edimburgo), e recebeu permissão para se reunir no corredor da capela sagrada de São
João com o distintivo de Colégio Kirk de St. Giles. A associação foi reforçada
posteriormente pela admissão de vários operários de outras profissões, incluindo
vidraceiros, tanoeiros, estofadores, pintores, encanadores, etc. e ficou conhecida como
Corporação Unida de Mary’s Chapel.

A capela que dá nome à Loja foi construída em 1504 pela Condessa de Ross, e dedicada
à virgem Maria (ou seja Mary’s Chapel – A capela de Maria). Ela foi situada em
Niddry’s Wynd – Edimburgo, mas em 1787 teve de ser removida para abrir caminho
para a construção da Ponte Sul. A guilda comprou este ponto de encontro em 1618, que
entre outras coisas serviu também como depósito de armas durante a guerra civil de
Charles I e como espaço para um centro presbiteriano, porém a serventia mais notável
para o local foi sem dúvidas o teto sob o qual foi fundada a Grande Loja da Escócia em
1736.

Fachada da atual Loja Mary’s Chapel

Narra ainda a publicação Formation of the Grand Lodge of Scotland que um fato muito
interessante envolvendo a Capela ocorreu durante a visita de Desaguliers na Loja
Mary’s Chapel nos dias 24 e 25 de agosto de 1721. Nesta data a Loja havia escolhido
para a sua presidência um vidraceiro, que portanto não era pedreiro e não poderia de
fato assumir a Loja, e pela primeira vez desde 1598 (registro mais antigo), a eleição não
foi descartada pelos Mestres do Ofício. Este evento é considerado por muitos estudiosos
como um marco na luta pela supremacia entre maçons operativos e não-operativos nas
Lojas da época, o que já vinha acontecendo há muitas décadas e continuou até 1727
quando os não-operativos emplacaram uma vitória (embora acirrada) que culminou com
a vitória de um advogado chamado William Brown para Mestre (na época chamavam o
cargo de presidente de Vigilante) da Loja Journeymen, e este pôde assumir o cargo e
prosseguir com sua carreira especulativa sem maiores problemas.

Conclusão

Tanto a Loja Mother Kilwinning quanto a Loja Mary’s Chapel, sem dúvidas pertencem
a tempos imemoriais, épocas tão distantes que nem seus próprios registros podem
provar. Não se pode afirmar que estas sejam as Lojas mais antigas do mundo, pois
muitas outras podem ter existido anteriormente, haja vista as inúmeras Old Charges que
temos a disposição para consulta que datam de tempos muito antigos também. Todavia,
ao tratarmos de Lojas em funcionamento até os dias de hoje e que estejam de posse de
seus registros e atas, ambas figuram no topo da precedência maçônica.

Apesar de haver indícios de que a Loja Mãe Kilwinning, antes n°2 e agora n°0, seja a
mais antiga, ela carece de documentos comprobatórios para se firmar como tal, pois
como visto, seu registro mais antigo data de 20 de dezembro de 1642. Isso leva a crer
que o fato da Grande Loja da Escócia ter conferido o n°0 e ter autorizado a utilização do
título distintivo de Loja Mãe da Escócia por ela foi movido por aspirações políticas,
objetivando tê-la de volta sob seus auspícios.

A Loja de Edimburgo (Mary’s Chapel) de fato é comprovadamente a mais antiga,


porque tem em sua posse registros mais antigos, datados de 31 de julho de 1599. Ela é
assim reconhecida desde a elaboração do segundo estatuto de William Schaw, que à sua
época teve convicção para afirmar que, mesmo a Loja Kilwinning sendo merecedora de
todo prestígio e autoridade, a Loja Mary’s Chapel era e sempre seria a Loja n°1 da
Escócia.

Com isso, pode-se afirmar que a Loja de Edimburgo n°1, mais conhecida como Loja
Mary’s Chapel, é de fato a primeira Loja do mundo. Até que, documentalmente, prove-
se o contrário.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOURLAND, Tristan. Documentário – The Scottish Key – An Investigation into the


origins of Freemasonry. SimonGo Productions, 2007.

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http://www.mk0.com/history1.htm. Acesso em Nov. 2015.

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http://www.themasonictrowel.com/masonic_talk/stb/stbs/36-05.htm. Acesso em Nov.
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______. History of Freemasonry. Disponível em:


http://www.themasonictrowel.com/Articles/History/history_main_toc.htm#top. Acesso
em Nov. 2015.

LYON, David Murray. History of the Lodge of Edinburgh (Mary’s Chapel), No. 1.
London: Gresham Publishing, 1900.

QUATUOR CORONATI LODGE. Ars Quatuor Coronatorum. Vol.3, p.204-206 –


Tradução livre. 1840.