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PUBLICAÇÃO DO IBRACON – INSTITUTO DOS AUDITORES INDEPENDENTES DO BRASIL ANO 8  Nº 32  R$ 25,00

MEDIDAS CONTRA
A CORRUPÇÃO
Roberson Pozzobon, procurador
da República e integrante da
força-tarefa Lava Jato do MPF
no Paraná, aborda o tema
em artigo exclusivo

MARIA CLARA BUGARIM POLÍTICA EXTERNA TRANSPARÊNCIA


Presidente da Abracicon fala
sobre carreira, família, seu
Diplomata Rubens Ricupero aponta
caminhos para o Brasil aperfeiçoar
NO SETOR PÚBLICO
Auditar programas de governo:
pioneirismo em entidades de sua imagem global, firmar seu
firmas de pequeno e médio
classe e o futuro da profissão protagonismo na América do Sul e
portes também podem
atrair investimentos estrangeiros
ingressar nesse nicho
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Editorial

Esforço de todos
pelo Brasil

Foto: Sérgio de Paula/Thaiane de Paula


O
Brasil que emerge das urnas está mais disposto a enfrentar a
corrupção e exigir transparência dos gestores públicos. Mas
a missão de construir um país alinhado às ambições de seus
cidadãos é complexa e exige muito mais do que boa vontade. Em
artigo exclusivo para esta edição, Roberson Pozzobon, procurador da
República e integrante da força-tarefa Lava Jato do MPF no Paraná,
é categórico: “por melhor e mais bem intencionada que seja, não há
no mundo uma pessoa que possa resolver sozinha o problema da
corrupção no Brasil. Ele é muito complexo para ser resolvido por um
salvador da pátria. Deve, ao contrário, ser enfrentado por meio de
uma rede cuja trama se revela forte justamente porque é costurada
na esfera do consenso entre pessoas que não partilham da mesma
visão de mundo”.
De qualquer modo, a transparência e a gestão bem feita estão na
ordem do dia. Em matéria sobre auditoria de programas de governo,
especialistas aprofundam o assunto e apontam oportunidades para
as firmas de pequeno e médio portes ingressarem nesse campo de
atuação.
Bons profissionais precisam, antes de mais nada, de uma boa
formação. Será que nossas faculdades estão correspondendo às
expectativas de seus clientes/alunos? Descubra na reportagem
intitulada “Os desafios do Ensino Superior no Brasil”.
Ainda nesta edição, Maria Clara Bugarim, atual presidente da
Academia Brasileira de Ciências Contábeis (Abracicon), fala do amor
pela profissão, da inspiração trazida pelo pai e da busca pelo constante
aperfeiçoamento, “sem o qual não teremos lugar no mercado”,
conforme ela própria afirma.
E, em entrevista exclusiva, o diplomata Rubens Ricupero − que já
foi Embaixador do Brasil nos Estados Unidos, na Suíça e na Itália –,
fala sobre os desafios globais que aguardam o novo Presidente da
República e os caminhos que, em sua opinião, deveriam ser trilhados
para o Brasil reaver a posição que merece no cenário internacional e,
principalmente, incrementar sua pauta de negócios com outros países.
Faça uma boa leitura, e até o próximo número!

Francisco Sant’Anna
PRESIDENTE DO IBRACON

DEZEMBRO 2018  REVISTA TRANSPARÊNCIA 3


Nesta edição

Ingram Image
12 Ensino Superior
Especialistas apontam necessidade de repensar conteúdos
acadêmicos para adequá-los às exigências do mercado

Medidas contra
a corrupção
Roberson Pozzobon, procurador da República
Foto: Ministério Público Federal

e integrante da força-tarefa Lava Jato do MPF


no Paraná, aborda o tema em artigo exclusivo

22
4 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018
Rubens
Ricupero
“O Brasil precisa firmar seu
6

Foto: arquivo pessoal


protagonismo na
América do Sul e atrair
investimentos estrangeiros”

Maria Clara
Bugarim
16

Foto: arquivo pessoal


Pioneira em postos-chave de
diversas entidades representativas,
a alagoana fala de família, carreira e
do despertar profissional precoce

Viagem dos
vencedores 28
Foto: arquivo Ibracon
Vencedores do 7º Prêmio Transparência do
Ibracon falam sobre a experiência de participar,
em Londres, de eventos como o World
Standard-setters Meeting e o International
Forum of Accounting Standards Setters

Auditoria para
jornalistas
32
Foto: arquivo Ibracon

Voltado aos profissionais de imprensa que queiram


compreender melhor a atividade do auditor,
evento ganhou transmissão via web e
passou a ser ministrado em módulos
Foto: arquivo pessoal

Errata
O nome da Subsecretária
de Contabilidade Pública
da STN, Gildenora
Transparência
no governo
Programas governamentais terão
38
Milhomem, foi grafado cada vez mais necessidade de
Ingram Image

incorretamente na capa auditoria independente – e as firmas


da edição 31 da revista
de pequeno e médio portes poderão
Transparência
se beneficiar com oportunidades

DEZEMBRO 2018  REVISTA TRANSPARÊNCIA 5


ENTREVISTA

Por uma
política externa
eficiente e
pragmática
Em entrevista
O
bjetiva, universalista e não-ideológica: RT – O senhor considera que a política exter-
exclusiva, estas são as características ideais de na brasileira tem sido subjugada por preferên-
o diplomata, ex- uma política externa que priorize os in- cias ideológicas?
Embaixador e ex- teresses do Brasil. Pelo menos, essa é a visão RR – Não totalmente. É fato que, de 2002
defendida pelo diplomata de carreira e histo- a 2014, o Brasil direcionou investimentos a
Ministro Rubens
riador da diplomacia brasileira Rubens Ricu- países como Cuba e Venezuela porque havia
Ricupero indica pero, 81 anos, ex-Ministro do Meio Ambiente, uma afinidade ideológica por parte dos go-
caminhos para o ex-Ministro da Fazenda do Brasil, ex-asses- vernos de turno. Mas não é saudável gene-
Brasil aperfeiçoar sor internacional do presidente eleito Tancre- ralizar. Em algumas questões, como a busca
sua imagem do Neves (1984-1985) e ex-assessor especial de um lugar para o Brasil no Conselho de Se-
global, firmar seu do presidente José Sarney (1985-1987). gurança da Organização das Nações Unidas
protagonismo Ricupero, que já foi Embaixador do Bra- (ONU), acredito que o País manteve a mesma
na América sil nos Estados Unidos, na Suíça e na Itália, linha que sempre o caracterizou.
do Sul e atrair ocupa atualmente o cargo de diretor da Fa-
investimentos culdade de Economia da Fundação Arman- RT – Em sua opinião, quais devem ser as dire-
estrangeiros do Álvares Penteado (Faap), além de presidir trizes de uma boa política externa brasileira?
o Instituto Fernand Braudel, onde promove RR – Ela deve ser objetiva e buscar o uni-
debates e lança publicações sobre proble- versalismo das relações. Não devemos ser
mas institucionais diversos, tais como edu- hostis a um país porque, por exemplo, o re-
cação, segurança, política energética, desen- gime político com o qual é governado não
volvimento econômico e relações exteriores. nos agrada. Essa política seletiva, ideoló-
Nesta entrevista, ele fala sobre os desafios gica, fez algum sentido quando estávamos
globais que aguardam o novo Presidente da no contexto da Guerra Fria. Hoje, no entan-
República e os caminhos que, em sua opi- to, devemos estabelecer um bom relaciona-
nião, deveriam ser trilhados. mento com todos, lembrando sempre que os

6 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


NÃO DEVEMOS
SER HOSTIS A UM
PAÍS PORQUE, POR
EXEMPLO, O REGIME
POLÍTICO COM O QUAL É
GOVERNADO NÃO NOS
AGRADA. ESSA POLÍTICA
SELETIVA, IDEOLÓGICA,
FEZ ALGUM SENTIDO
QUANDO ESTÁVAMOS
NO CONTEXTO DA
GUERRA FRIA
Foto: arquivo pessoal

DEZEMBRO 2018  REVISTA TRANSPARÊNCIA 7


interesses concretos do Brasil devem ser co- RT – Como o sr. avalia a presença do Brasil
locados em primeiro lugar. Em relações inter- em organismos como o Mercosul? O sr. re-
nacionais, devemos nos pautar por questões comenda que priorizemos esse tipo de acor-
como a abertura de mercados, o aprofunda- do, ou que prefiramos uma atuação mais in-
mento de acordos comerciais, a realização de dependente, pautada por acordos bilaterais,
intercâmbios e a possibilidade de atrair inves- por exemplo?
timentos e tecnologia avançada. RR – Antes de mais nada, ressalto que perten-
cer ao Mercosul ou mesmo priorizar o Merco-
RT – Qual deveria ser, idealmente, a linha de sul, não impede o Brasil de firmar bons acor-
atuação em política externa adotada de ago- dos bilaterais com outros países. Em alguns
ra em diante? (no período em que a entrevista casos, até facilita. Veja o caso da União Eu-
foi realizada, o presidente eleito, Jair Bolso- ropeia: os países que integram o bloco que-
naro, não havia definido ainda qual seria seu rem firmar parcerias com o Mercosul, e não
Ministro de Relações Exteriores). com o Brasil em particular. Além disso para
RR – Se de fato ocorrer a troca de localiza- os exportadores brasileiros, trata-se de uma
ção da Embaixada bra- área estratégica, funda-
sileira em Israel, esta mental. É para o Mer-
será uma decisão ide- cosul que o Brasil mais
ológica do novo gover- exporta manufaturados.
no. Pode ser que o novo PERTENCER AO Setenta por cento de to-
presidente queira enfa- dos os automóveis que
MERCOSUL OU MESMO
tizar sua simpatia por exportamos destinam-
Israel ou mesmo sina- PRIORIZAR O MERCOSUL -se à Argentina. Nossa
lizar o desejo de se ali- NÃO IMPEDE O BRASIL indústria automobilísti-
nhar aos Estados Uni- ca não é competitiva o
dos. Além de não nos
DE FIRMAR BONS bastante para ser um
trazer um resultado prá- ACORDOS BILATERAIS player global relevante
tico, essa decisão impli- e se hoje vendemos au-
COM OUTROS PAÍSES.
ca a tomada de partido tomóveis para Argentina,
em um conflito que en- EM ALGUNS CASOS, Uruguai, Paraguai, deve-
volve parceiros comer- ATÉ FACILITA mos isso aos acordos
ciais importantes e que, firmados com o Merco-
do ponto de vista históri- sul. Aliás, no dia 19 de
co e cultural, não nos diz outubro, foram concluí-
respeito. As críticas fei- das, em Santiago, capi-
tas à China também foram inadequadas (em tal chilena, as negociações para o Acordo de
mais de uma ocasião, Bolsonaro referiu-se à Livre Comércio Brasil-Chile, que deverá ser-
China, que atualmente é o principal parceiro vir de parâmetro para futuras negociações
comercial do Brasil, como “ávida por se apos- do Mercosul com o Canadá e com a Aliança
sar de importantes setores da economia bra- do Pacífico, por exemplo (o Mercosul é com-
sileira”, o que acendeu um sinal de alerta no posto por Brasil, Argentina, Paraguai e Uru-
gigante asiático). Não por acaso, na primei- guai e tem como estados associados Chile,
ra semana de novembro, o jornal China Daily, Peru, Colômbia, Equador, Guiana e Suriname;
espécie de imprensa oficial do governo chi- a Aliança do Pacífico reúne Chile, Colômbia,
nês, veiculou um editorial no qual insinuava México e Peru). O Chile é o segundo princi-
que o Brasil poderia arcar com graves con- pal parceiro comercial do Brasil na América
sequências caso mudasse sua linha de atu- do Sul. Em 2017, o intercâmbio comercial bi-
ação em relação a Pequim. lateral alcançou US$ 8,5 bilhões.

8 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


Foto: arquivo pessoal
RT – O que constará no novo Acordo? RT – A turbulência que marcou a política in-
RR – Ao todo, serão firmados termos refe- terna brasileira nos últimos anos impactou a
rentes a 17 temas de natureza não tarifária, nossa imagem global?
como comércio de serviços; comércio ele- RR – Sim, sem dúvida. Além de crises po-
trônico; telecomunicações; medidas sanitá- líticas e denúncias de corrupção, ingressa-
rias e fitossanitárias; obstáculos técnicos ao mos em um período de retração econômica,
comércio; facilitação de comércio; proprie- com recessão, desemprego e aprofunda-
dade intelectual e micro, pequenas e médias mento das fissuras sociais. Tudo isso preju-
empresas. O Acordo deverá, também, incor- dica nossa imagem perante o mundo.
porar os termos de outros tratados firmados
recentemente pelos dois países, como os RT – Como podemos atuar para recuperar
protocolos de compras públicas e de inves- nosso posto de país promissor, merecedor
timentos em instituições financeiras. A ideia da confiança dos investidores internacionais?
é reunir todo o marco não tarifário que re- RR - A melhoria da imagem do Brasil no ex-
gula as relações do Brasil com o Chile nes- terior dependerá, primeiro, de ter uma políti-
se instrumento único. Ambos os países se ca e uma economia que sejam captadas de
comprometeram a eliminar a cobrança de maneira positiva. Precisamos de uma demo-
roaming (serviço que permite ligações em re- cracia que funcione bem, com instituições só-
giões fora de cobertura da operadora) inter- lidas; de programas sociais que reduzam a
nacional para dados e telefonia móvel. Cum- pobreza e a desigualdade. Assim, será fun-
pre lembrar também que vizinho é vizinho damental que o novo governo tenha êxito em
– a gente não escolhe. E relacionar-se bem retomar o crescimento econômico e, também,
com os países do entorno é sempre acon- em aliar essa política de prosperidade a uma
selhável, necessário. visão de justiça e melhoria na distribuição de

DEZEMBRO 2018  REVISTA TRANSPARÊNCIA 9


renda. Sem dizer que há outros componen- Unidas estima que mais de dois milhões de
tes, hoje, mais sutis e nem por isso menos venezuelanos já saíram do país. No Brasil, a
relevantes, que podem prejudicar ou enalte- cidade de Pacaraima, em Roraima, chegou
cer a imagem de um país. a receber 800 refugiados por dia. Em 18 de
agosto de 2018, um conflito entre morado-
RT – Que fatores seriam estes? res e imigrantes resultou na expulsão de pelo
RR – Atualmente, boa parte da imagem de menos 1,2 mil pessoas que foram literalmen-
qualquer país depende de temas como o te enxotadas para o outro lado da fronteira
respeito aos direitos humanos, ao meio am- sob ataques de paus e pedras; a revolta dos
biente e à diversidade. O fato é que o Bra- locais surgiu após um comerciante brasilei-
sil não está bem em ne- ro ser assaltado e agre-
nhum desses quesitos. dido por venezuelanos).
Temos mais de 60 mil RR – Atribuo essas cri-
homicidios ao ano e fre- ses ao fato de estarmos
quentes violações dos ATUALMENTE, BOA despreparados para
direitos humanos. Em PARTE DA IMAGEM receber os refugiados.
termos de meio ambien- Depois que o Gover-
te, estamos falhando na DE QUALQUER PAÍS no Federal organizou
preservação de nossos DEPENDE DE TEMAS um apoio sistemático
biomas. E a promoção e passou a controlar
COMO O RESPEITO AOS
da igualdade de gênero, melhor a situação, não
bem como o respeito e DIREITOS HUMANOS, ocorreram novos in-
a tolerância à diversida- AO MEIO AMBIENTE E À cidentes (pelo menos,
de, não têm sido abor- não até o fechamento
dados com o cuidado
DIVERSIDADE. O FATO desta edição). Sou fa-
necessário. O presiden- É QUE O BRASIL NÃO vorável a acolhermos
te eleito em outubro é esses refugiados. Es-
ESTÁ BEM EM NENHUM
conhecido mundialmen- tamos mais experien-
te por suas falas polê- DESSES QUESITOS tes para lidar com essa
micas em relação justa- situação e podemos
mente a estas questões. contar com o apoio da
Será fundamental que ONU. Em minha opi-
ele se cerque de asses- nião, a prioridade de-
sores e especialistas aptos a ajudá-lo a re- veria ser a de não deixar que fiquem em
construir essa imagem, mostrando que, não acampamentos perto da fronteira. O ideal
obstante as falas de campanha, ele e sua é que sejam encaminhados a outros desti-
equipe não serão insensíveis a questões tão nos o quanto antes. E, sem desmerecer a
fundamentais. situação vivida pelos moradores de Paca-
raima, o fato é que estamos longe de ser o
RT – O Brasil tem inegável protagonismo no país que mais recebe refugiados venezuela-
cenário latino-americano. Em sua opinião, nos. A maioria vai para a Colômbia, pois lá,
qual seria o nosso papel diante de tragédias sim, a fronteira é próxima a áreas bastan-
humanitárias, como a que atualmente assis- te povoadas da Venezuela. Nós, não. Nos-
timos na vizinha Venezuela? (para fugir da in- sas fronteiras são, principalmente, áreas
flação, escassez de alimentos e desemprego, de floresta, com povoados menos densos.
milhares de venezuelanos atravessam dia- De qualquer forma, é claro que o ideal seria
riamente as fronteiras para outros países da o Brasil oferecer ajuda sem necessariamen-
América Latina. A Organização das Nações te tornar-se destino de refugiados.

10 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


Foto: arquivo pessoal

RT – De que maneira isso poderia ser feito? competente, com experiência e que te-
RR – O atual governo ofereceu alimentos, me- nha uma compreensão grande da situa-
dicamentos, ajuda humanitária para o gover- ção mundial, que conheça as necessida-
no da Venezuela. Infelizmente, esse apoio foi des e peculiaridades dos diversos paises.
recusado, porque o Presidente Nicolás Ma- Também é preciso coragem para rever
duro não quer passar recibo de que o seu posturas e reconsiderar ideias equivoca-
país enfrenta, de fato, uma crise humanitária. das. Quando o Presidente Tancredo Neves
De qualquer forma, essa deve ser a postura (1910-1985) era aspirante a candidato, ain-
adotada pelo Brasil: acolher os refugiados e da em 1984, fui seu assessor em assun-
dar algum apoio para os habitantes que per- tos internacionais e o acompanhei em via-
manecem naquele país, antes que eles tam- gens pelo mundo. Seu objetivo era projetar
bém decidam atravessar fronteiras. uma imagem positiva do Brasil no exterior,
mostrar que caminhávamos para uma nova
RT – Se o senhor tivesse que dar uma “recei- era. Algo assim deveria estar sendo feito.
ta de sucesso” para a nova política externa Mas há tempo: o Brasil tem tudo para dar
brasileira, qual seria? certo e eu espero realmente que, nos pró-
RR – A primeira condição é que se esco- ximos anos, possamos estar no patamar
lha um ministro de Relações Exteriores que merecemos.

DEZEMBRO 2018  REVISTA TRANSPARÊNCIA 11


MERCADO

Os desafios do
ensino superior
no Brasil
“Cada vez mais distantes
N
o último levantamento sobre nossa, pois, naquele país, a porcenta-
das reais necessidades do educação realizado pela Orga- gem de adolescentes e jovens adultos
mercado, os conteúdos nização para a Cooperação e cursando faculdade é menor do que
acadêmicos precisam Desenvolvimento Econômico (OCDE) no Brasil.
– ranking que avalia a média de tempo Ainda de acordo com a OCDE, se o
ser repensados”, alertam
que os alunos passam na escola –, o Brasil oferecesse educação de melhor
especialistas percentual da população inserido qualidade, nosso Produto Interno Bruto
no ensino superior e as notas (PIB) poderia ser até sete vezes maior,
obtidas em outros estudos, pois a baixa qualificação dos nossos
como o Programa Inter- profissionais afeta a competitividade
nacional de Avaliação global do País. “Temos um enorme po-
de Estudantes (Pisa, tencial, mas as nossas opções estraté-
na sigla em inglês), gicas no desenvolvimento de políticas
o Brasil figura na públicas, dentre elas, a educação, nos
penúltima posi- deixa na posição de eterna colônia. O
ção dentre 36 café e o minério de ferro são exemplos
países analisa- deste fato, pois exportamos o café e o
dos. A penas importamos em cápsulas; exportamos
o México ob- o minério e importamos o aço”, explica
teve avalia- João Guilherme Porto, diretor da Facul-
ção inferior à dade Arnaldo, uma das principais insti-
tuições de ensino superior de Belo Ho-
rizonte (MG).
Especialista no tema, Marcos Bos-
colo, sócio de firma de auditoria – onde
é responsável pelo atendimento ao se-
tor de educação –, afirma, com base
em um estudo recente da instituição na
qual trabalha, que existem dois aspec-
tos principais atravancando nosso pro-
gresso nessa área: “O primeiro gap re-
side na má qualidade do ensino básico.
Ingram Image

Assim, mesmo que tenha passado no


vestibular, o aluno chega à faculdade
precisando suprir as lacunas deixadas

12 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


pelos ensinos fundamental e médio. Ou sequer razoável. A estrutura pensada
seja, em vez de estudar para se qualifi- para as instituições públicas de ensi-
car, ele acaba perdendo tempo com a no superior é o que poderíamos deno-
reposição dos conteúdos faltantes. Em minar de ‘entrópica’. Ou seja: elas pas-
resumo: como as faculdades precisam sam mais tempo a consumir energia
gastar tempo com o básico, o tempo para se manter em operação do que a
de qualificação fica reduzido”, assina- fornecer, como contrapartida pensa-
la Boscolo. da para a sua existência, efetivo aper-
O segundo aspecto destacado por feiçoamento na vida das pessoas co-
ele é uma espécie de distanciamento muns, coagidas a bancá-las por força

Foto: divulgação
entre o conteúdo oferecido pelos cur- de imposição estatal”, disserta Dennys
sos e as reais necessidades do mer- Xavier, professor associado de Filosofia
cado. “A falta de sinergia entre uni- Antiga, Política e Ética da Universidade
versidades e empresas faz com que Federal de Uberlândia (UFU). Dennys Xavier: “Ideologia fora da sala de aula”
a pessoa dependa dos colegas e de “Estudos recentes indicam que um constata Porto. “Como consequência
treinamentos corporativos para efetiva- aluno de universidade federal custa aos direta, ocorreu uma verdadeira explo-
mente aprender a profissão”, diz Bosco- cofres públicos algo em torno de R$ são de cursos e instituições voltadas
lo. “Muitos buscam pós-gradução para 2.500 ao mês. Na prática, que retor- para esse mercado. Desse modo, as
incrementar o currículo, mas essas es- no temos obtido com tal investimento? instituições de Ensino Superior acaba-
pecializações não os tornam necessa- Não me parece que possamos mais ram por crescer de forma desordenada
riamente mais hábeis para o mercado”, falar em falta de investimento para jus- nas duas décadas passadas, aumen-
ele ressalta. tificar o nosso fracasso. É chegada a tando a concorrência e criando uma sé-
hora de assumirmos a evidente insufi- rie de efeitos inesperados, alguns po-
ciência das práticas de gestão pouco sitivos, outros nem tanto”, acrescenta
pragmáticas. Sem um rigoroso choque o especialista.
administrativo, continuaremos a nave- Boscolo e Xavier apontam a forma-
gar nos mares da mediocridade”, avalia. ção deficiente dos professores brasi-
leiros como um dos gargalos que pre-
A NECESSIDADE DO CAPITAL cisam ser enfrentados. “A formação
PRIVADO PARA A MELHORIA média do docente brasileiro é mui-
DO SETOR to ruim”, diz Xavier. “E não poderia ser
“A partir de algumas mudanças estraté- diferente: ele é o resultado, por exce-
Foto: divulgação

gicas propostas no início da década de lência, do processo educacional que


1990, o Estado permitiu a ampliação da o levou até ali. Se o salário do profes-
oferta educacional superior por agentes sor não dá a ele chance de comprar
Marcos Boscolo: “A universidade precisa se privados, assumindo, dessa forma um um livro importante para a sua forma-
alinhar ao mercado”
papel mais de fiscal do que de fomen- ção, para ir a uma peça de teatro ou ter
“O Ensino Superior brasileiro é o tador. Havendo uma grande demanda acesso doméstico à tecnologia, como
exato reflexo da dramática base for- reprimida por cursos superiores, ficou cobrar dele uma ação transformado-
mativa do aluno que chega até ele. claro que oferecer serviços educacio- ra?”, questiona.
Os investimentos realizados nos últi- nais a um público volumoso e carente Porto sugere alguns caminhos que
mos anos se mostraram insuficientes de preparo profissional para se adap- podem ajudar a reverter o atual qua-
para a construção de instituições ca- tar aos tempos modernos e às deman- dro da educação brasileira: “devemos
pazes de iluminar o caminho para a so- das existentes no mercado de traba- incentivar o uso de metodologias ativas,
ciedade que as sustentam, de modo lho seria um nicho bastante promissor”, que transformem professores e alunos

DEZEMBRO 2018  REVISTA TRANSPARÊNCIA 13


em construtores e não meros repetido- alguém se disponha a abrir um escri-
res. Também é urgente criar meios de tório de consultorias filosóficas na es-
dar à sociedade algum tipo de retorno perança de ganhar dinheiro: não é algo
pelos investimentos feitos na formação que o mercado demande. As pessoas
desses jovens, que muitas vezes saem devem ser livres para escolher os seus
da faculdade e sequer vão trabalhar na caminhos. Se querem empreender,
área em que se formaram”, destaca o que busquem formação na área, co-
professor. nhecimentos que deem as ferramen-
Já Xavier defende o estabelecimen- tas para que prosperem, ganhem e ge-
to de um currículo mínimo enxuto, na- rem riqueza. Sempre falo isso para os

Foto: divulgação
cional, objetivo, que garanta educação meus alunos”, explica Xavier. “O que
científica e humanística basilar para to- não se pode esperar é que o merca-
dos os brasileiros. “E sem qualquer viés do seja ‘obrigado’ a absorver mão de
ideológico”, ele enfatiza. “Sou favorá- João Guilherme Porto: “temos potencial, mas obra que não lhe interessa. Por isso
erramos na estratégia”
vel a garantir máxima liberdade às ins- sou favorável ao uso de dinheiro pri-
tituições de ensino, desde que resguar- orçamento, sua qualidade de vida”, diz vado em instituições públicas de en-
dado arcabouço razoável e restrito de Porto. “E é essencial criar uma relação sino. Uma parte deste dinheiro pode
percurso nacionalmente estipulado”, de maior proximidade entre emprega- alimentar aqueles cursos e seus alu-
ele adiciona. “Também vejo com bons dores e o setor educacional, para que nos, sem penalizar a já combalida re-
olhos a implantação de políticas de in- tanto os empregadores quanto os es- ceita estatal”, ele analisa.
centivo. Assim, eu premiaria com bol- tudantes reconheçam a importância, o Boscolo, por sua vez, comenta
sas, licenças de pesquisa e ações de valor, de uma formação adequada”, ele como as empresas estão driblando a
reconhecimento institucional pessoas e comenta. “O mundo muda em uma ve- formação deficiente de seus colabora-
iniciativas vencedoras, que se tornem locidade enorme e a forma de educar dores. “Hoje, escritórios de advocacia
multiplicadoras de processos de su- se transforma em uma velocidade mui- e firmas de auditoria investem pesa-
cesso e, mais do que isso, exemplos to lenta. Precisamos superar essa lacu- do no treinamento dos colaboradores.
a serem seguidos”, sugere. na. Não é possível que as instituições O tempo médio desses treinamentos
O estudo da OCDE, mencionado no de ensino discutam a necessidade de é de seis semanas, full time. Mas cla-
início da matéria, bem como outros le- proibir o uso de celular em sala de aula; ro que esse tipo de investimento cabe
vantamentos feitos acerca dessa ques- temos é que usar as tecnologias para nos orçamentos das grandes firmas,
tão revelam que, apesar do advento do deixar a educação mais atraente e co- podendo estar fora de alcance para
ensino a distância, que proporcionou nectada ao mundo atual. A educação as menores. Uma firma de auditoria de
acesso à educação superior em todo o tem que ser mais atraente do que as pequeno ou médio porte, por exemplo,
Brasil – e a um custo menor – e de pro- milhares de situações que podem nos tem no Programa de Educação Conti-
gramas de governo, como o FIES e o distrair dela”, conclui. nuada – uma exigência do Conselho
PROUNI, o ensino superior no Brasil ain- Federal de Contabilidade – um grande
da não conseguiu trazer, para as univer- O PAPEL DAS EMPRESAS aliado: afinal, essa aprendizagem com-
sidades, um grande número de jovens e “Você pode muito bem escolher a car- plementar é algo que deve ser respeita-
adultos que terminaram o ensino médio. reira que ama, mas não espere que al- da por todos e acaba se transformando
 “As pessoas têm uma necessida- guém seja obrigado a pagar por isso. em um instrumento valioso de capa-
de iminente de gerar recursos e for- O mercado tem vida própria e, nele, citação. Cumpre lembrar que são 40
mas de sobrevivência. É preciso criar prosperam os mais bem adaptados”, horas de treinamento anual obrigatório,
meios para que o cidadão consiga en- afirma Xavier. “Quando fui fazer mi- que ajudará a superar os gaps e me-
trar em um curso superior e custeá-lo nha faculdade de Filosofia, sabia que lhorar as condições de atuação desses
sem que isso comprometa demais seu não ficaria rico com isso. Duvido que profissionais”, ele finaliza.

14 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


Problemas únicos exigem
soluções exclusivas.
Sua empresa não é como as outras, muito menos os seus
desafios. A Deloitte identifica as suas reais necessidades
e cria respostas sob medida para os negócios.

Deloitte.com/MakeYourImpact
PERFIL

Aprender sempre,
limitar-se jamais
Nascida em maio de 1963, Maria Clara
Bugarim foi precoce e pioneira em tudo
o que fez: desde a iniciação profissional,
com apenas 14 anos, auxiliando o pai
contador, até figurar como primeira
mulher a presidir algumas das principais
entidades de classe ligadas à profissão

Maria Clara Bugarim,


presidente da Academia
Brasileira de Ciências
Contábeis (Abracicon)
com o marido, José
Martonio Alves Coelho
Foto: divulgação

16 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


F
ilha de contador, Maria Clara Bugarim, muito grande, porque significou deixar de ser
atual presidente da Academia Brasileira um funcionário para atuar na Direção”, expli-
de Ciências Contábeis (Abracicon), co- ca. “Tudo isso envolve uma expectativa muito
meçou a aprender o ofício aos 14 anos de grande, não somente por parte das pessoas
idade. “Naquele tempo, eu auxiliava meu pai, que estão à sua volta, mas tem a ver com a
que trabalhava com contabilidade governa- sua própria expectativa, no sentido de poder
mental”, relembra. “Foi ele o meu principal in- dar o máximo e fazer a diferença”, observa.
centivador. Por meio de seu exemplo, desde Outro ponto alto na trajetória da profissio-
a infância, sempre tive a certeza de que gos- nal foi assumir o cargo de auditora-geral do
taria de ser contadora”. Estado de Alagoas com apenas 27 anos de
Mas ela não foi a única da família a seguir idade. “Mais uma vez, um desafio que seria
os passos do pai, o sr. Clarício, casado com grande por tudo o que ele envolve ganhou
a dona de casa Irene e pai de quatro filhos – dimensão ainda maior por causa da minha
além de Maria Clara, Virgínia, Maurício e Or- idade”, comenta a presidente do Abracicon.
lando. “Minha irmã é contadora”, diz. “E eu “Para mim, esse foi um divisor de águas. Pre-
estou casada há 20 anos com o também con- cisei me superar como nunca. Mas valeu a
tador José Martonio Alves Coelho. Dividimos pena: essas situações foram importantíssi-
o amor pela profissão”, orgulha-se. Dos três mas para a consolidação da minha carreira
filhos do casal, pelo menos dois trilham ca- profissional”, constata.
minhos parecidos com o dos pais: Matheus,
que é analista de sistemas, e Thiago Enrique, APROXIMAÇÃO COM O CRCAL
advogado, atualmente cursam Ciências Con- Maria Clara conta que já atuava como Au-
tábeis; somente um, Felipe Raphael, optou ditora-geral do Estado de Alagoas quando
por uma carreira bem diferente: ele é médico. o órgão começou a firmar parcerias com o
Conselho Regional de Contabilidade de Ala-
SERVIÇO PÚBLICO goas (CRCAL). “Tínhamos o intuito de tentar,
Nascida e criada em maio de 1963 em União realmente, contribuir para o fortalecimento da
dos Palmares, interior do Estado de Alagoas, profissão. Ao me aproximar do CRCAL, co-
Maria Clara Bugarim conseguiu seu primeiro mecei a entender que precisava sair da po-
emprego como contadora no Instituto de Pre- sição confortável típica e tentar contribuir de
vidência daquele Estado. Um início promissor, uma forma mais efetiva para a Contabilidade”,
mas nem por isso livre de obstáculos. “Eu era recorda. “Passei a me dedicar mais ao Con-
mulher e muito jovem: tinha apenas 18 anos selho Regional e tive a oportunidade de pre-
de idade e estava me inserindo em um uni- sidi-lo por duas gestões consecutivas, sen-
verso predominantemente masculino”, afirma. do a primeira mulher a exercer esse cargo.
“Porém, sempre tive certeza de que, com tra- A partir dessa atuação, dei continuidade à
balho e dedicação, vamos vencendo quais- trajetória classista, chegando a presidir tam-
quer barreiras. E foi isso o que eu fiz: traba- bém a Fundação Brasileira de Contabilidade
lhei com afinco, sempre me dediquei muito”. (FBC). Após o período à frente da FBC, as-
A primeira vitória marcante em sua car- sumi o Conselho Federal de Contabilidade
reira deu-se lá mesmo, no instituto alagoano: (CFC), igualmente por duas gestões”, relata.
“fui a única funcionária a participar da Direto- Ser a primeira mulher a ter ocupado
ria do Instituto”, conta. “Este foi um desafio os cargos de maior relevância em tantas

DEZEMBRO 2018  REVISTA TRANSPARÊNCIA 17


Foto: divulgação
Maria Clara Bugarim durante cerimônia na Abracicon

entidades representativas foi, na avaliação de Contabilidade (AIC) e todas as outras. Aliás,


Maria Clara, “gratificante sob diversos aspec- atualmente, estou vivendo um momento mui-
tos e uma quebra de paradigmas”. Na posição to importante na minha vida profissional, ocu-
atual – presidente da Abracicon – ela consta- pando a primeira Vice-presidência da AIC”.
ta que “avançar mais um passo sempre está
nos planos de quem começa a galgar de- O FUTURO DA PROFISSÃO
graus mais elevados”. E acrescenta: “a partir Maria Clara Bugarim enxerga como “promis-
do momento em que você se dedica e se en- sor” o momento vivido pela Auditoria Inde-
volve nessas entidades, há a necessidade de pendente no Brasil, e afirma acreditar que, a
galgar voos ainda mais altos em busca do de- cada crise que acontece no País o ganho ins-
senvolvimento e da valorização da nossa pro- titucional acabe compensando largamente os
fissão. Exemplo disso é a internacionalização desgastes sofridos. Ela explica: “a corrupção
da profissão contábil, que hoje é uma reali- impera. Trata-se de um mal crônico na socie-
dade. Em minha gestão no CFC tive o privilé- dade brasileira. Porém, quando esses proble-
gio de criar o Comitê Gestor da Convergência mas vêm à tona e a população ocupa as ruas,
no Brasil, iniciativa que abraçamos com mui- clamando e exigindo por mais transparência
ta dedicação e com o objetivo de fortalecer, e ética, fico otimista em relação às perspec-
efetivamente, as nossas normas, e de estrei- tivas do País como um todo, e da profissão
tar os laços com as entidades internacionais, de auditor especificamente. Afinal, o auditor
como a International Federation of Accoun- é fundamental à garantia de boas práticas e
tants (IFAC), a Associação Interamericana de transparência”.

18 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


Ela prossegue, ressaltando que “não exis- do Conhecimento, pela Universidade Fede-
te economia pujante e forte, nem informa- ral de Santa Catarina (UFSC) e em Contabili-
ções que possam ser cada vez mais bem dade, pela Universidade do Aveiro/Minho, em
evidenciadas sem o trabalho executado pe- Portugal, além de mestre em Contabilidade e
los contadores”, e pontua, categórica: “a Au- Controladoria pela Faculdade de Economia,
ditoria se fortalece justamente para poder ga- Administração e Contabilidade da Universi-
rantir a transparência e a fidedignidade das dade de São Paulo (FEA/USP). Também re-
informações”. cebeu, ao longo da carreira, diversos títulos
É por isso, segundo Maria Clara, “a pers- de cidadania e medalhas, destacando-se por
pectiva é que ela – a Auditoria independen- ser a primeira mulher a receber a mais alta
te – seja cada vez mais fortalecida e amplia-
da para todos os segmentos. Acredito que
seu papel seja vital para o fortalecimento do
mercado e a segurança dos investidores, e
por isso ela deve ser cada vez mais deman-
dada”. Nesse contexto, a profissional salien-
ta que “o conhecimento multidisciplinar e a
educação continuada configuram-se como
uma necessidade vital, que precisa ser exi-
gida. Para isso, temos lutado para que toda
a classe mantenha-se atualizada, com seus
conhecimentos aprimorados. Essa bandeira
é levantada para todos os profissionais, sejam
contadores ou auditores que atuam nas em-
presas de capital aberto. Acho que o apren-
dizado tem que ser permanente para a clas-
se como um todo”.
A contadora aponta que a aprendizagem
de novas línguas é “crucial” para o sucesso
do auditor independente. “Atualmente, nin-
guém consegue sobreviver sem o domínio
de outros idiomas, principalmente porque li-
damos com as normas internacionais de con-
tabilidade”, constata. “A atualização deve ser
uma constante. Na nossa profissão, não é
possível parar de estudar, sob hipótese algu-
ma. Senão, você fica obsoleto e acaba fora
do mercado”, alerta.
E ela sabe o que diz: é graduada em Ciên-
cias Contábeis, Administração de Empresas
Foto: divulgação

e em Direito, além de especialista em Admi-


nistração de Recursos Humanos e em Au-
ditoria. É doutora em Engenharia e Gestão

DEZEMBRO 2018  REVISTA TRANSPARÊNCIA 19


e importante comenda da Ciência Contábil A presidente da Abracicon faz questão de
brasileira: a medalha do Mérito Contábil João enfatizar que “a saúde das empresas passa
Lyra, outorgada no 20º Congresso Brasilei- pelas mãos dos contadores. Temos o com-
ro de Contabilidade. “O conhecimento será a promisso e a missão de executar nossas atri-
mais importante fonte de riqueza para a so- buições de maneira ética e transparente, e de
ciedade deste milênio e, consequentemente, conduzir nossas ações comprometidos com
para a nossa profissão”, conclui. a busca da verdade, da transparência e da
justiça social. Nosso papel, enquanto guar-
MOTIVAÇÃO E PERSEVERANÇA diões do patrimônio, será sempre motivo de
Aos egressos das faculdades de Ciências grande orgulho”.
Contábeis, Maria Clara Bugarim faz ques- Maria Clara destaca que as entidades pro-
tão de deixar uma mensagem: “vocês fize- fissionais têm papel importante a desempe-
ram a escolha certa e têm todos os motivos nhar na formação global dos nossos conta-
do mundo para se orgulharem da profissão dores: “estamos trabalhando juntamente com
que abraçaram. Se nós amamos aquilo que os corpos docentes e as instituições de Ensi-
fazemos, é natural que nos dediquemos mais no Superior, para oferecer uma formação ro-
e trabalhemos melhor, com afinco e carinho. busta, de qualidade”, completa a contadora.
Isso já é meio caminho andado para tornar-
-se um profissional de sucesso”, declara. “Por PLANOS PARA O FUTURO?
outro lado, capacitem-se e especializem-se Realizada pessoal e profissionalmente, Ma-
na sua área de atuação. Uma profissão forte ria Clara diz que não há muito mais a buscar
se faz com profissionais competentes e pre- – sua prioridade é ter energia para continuar
parados para enfrentar o mercado de traba- fazendo as coisas que ama, o que inclui sua
lho. Com certeza, a atuação contábil é uma atuação nas entidades profissionais. “Peço
das mais promissoras que existem”, incentiva. muito a Deus para continuar gozando de saú-
de para permanecer na minha atuação tanto
profissional quanto classista”, diz.
Mas, claro, também existem outras fron-
teiras a serem transpostas. E ela dá uma
pista: “estou muito dedicada a chegar a
presidir a AIC”, admite. “Acho que essa vai
ser uma experiência desafiadora, que me
permitirá agregar e contribuir com a nos-
sa região”.
Apaixonada por viagens, Maria Clara pre-
tende visitar várias partes do mundo, a la-
zer. “Quero ir a lugares que não conheço. Pri-
meiro, porque gosto de pessoas, do contato
com novas formas de viver, outros hábitos
e culturas”, diz. “E, em segundo lugar, por-
Foto: divulgação

que amo aprender. E nada nos ensina tan-


to quanto as nossas andanças pelo mundo”,
finaliza, com bom humor.

20 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


ARTIGO
Roberson Pozzobon (*)

Medidas de Combate à Corrupção:

importância
e urgência
N
o dia 14 de novembro de 2014, pre-
sidentes, sócios e altos executivos
das empreiteiras Camargo Corrêa,
OAS, Queiroz Galvão, Galvão Engenharia,
Mendes Júnior e UTC foram acordados
às seis horas da manhã. O faturamento
dessas empresas, em boa parte oriundo
de grandes contratos públicos de cons-
trução civil no Brasil, havia somado, em
2013, mais de R$ 20 bilhões.
Estava em curso a sétima fase da Opera-
ção Lava Jato e os empresários, depois de
muitos anos experimentando um Brasil fra-
co perante à corrupção dos poderosos, es-
tavam atônitos com a Polícia Federal realizan-
do buscas e apreensões em suas residências.
Nem imaginavam que, em algumas horas, se
encontrariam com operadores financeiros e
com o ex-diretor de Serviços da Petrobras,
Renato Duque, na carceragem da Superin-
tendência da Polícia Federal, em Curitiba.
A surpresa era tanta entre os ilustres in-
vestigados que o próprio Renato Duque, ao
tomar conhecimento de que seria preso, li-
gou para o seu advogado e reclamou: “o que
é isso, cara? Que país é esse?”.
Alguns dias depois, em 21 de dezem-
Foto: Ministério Público Federal

bro de 2014, a então presidente da Repúbli-


ca Dilma Rousseff concedeu uma entrevista
no Chile, após ter sido agraciada pelo Gru-
po de Diários América com o prêmio “Perso-
nagem Latino-americana de 2014”. Na opor-
tunidade, Dilma foi indagada se o escândalo

22 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


na Petrobras poderia afetar a estabilidade po- atingiam como “totalmente desnecessárias e
lítica necessária para o seu segundo manda- ilegais”. No início de 2016, sem vislumbrar êxi-
to. Sua resposta foi categórica: “O Brasil não to na negação da realidade (vejam que essa
vive crise de corrupção”. Mal sabia ela que se- é uma opção recorrente), a Odebrecht can-
quer terminaria seu segundo mandato, afas- sou de tapar o sol com a peneira e procurou
tada da Presidência do Brasil em um proces- o Ministério Público Federal para iniciar tratati-
so de impeachment. vas de acordos de leniência e de colaboração.
Embora a Lava Jato já demonstrasse o As negociações se estenderam por dez
contrário, Dilma negou, no fim de 2014, que meses até que o maior acordo de colabora-
o Brasil estivesse no meio (e ainda está) de ção da história do Brasil foi celebrado entre
uma gravíssima crise de corrupção. Talvez o MPF e a Odebrecht e 77 de seus execu-
tenha se espelhado na fala do ex-presidente tivos. Suas revelações sobre o problema da
Lula, seu antecessor, que em 2005, no auge corrupção foram tão estarrecedoras quanto
do escândalo do Mensalão, disse não saber esclarecedoras.
nada do esquema. A empreiteira e seus executivos revelaram,
Elucubrações à parte, o fato é que, entre entre outros pontos, uma movimentação fi-
as negativas do ex-presidente e da ex-presi- nanceira do “setor de propinas” entre 2006
dente, a corrupção no Brasil continuou a ple- e 2014, no Brasil e no exterior, que totalizou
no vapor. Em 2014, a Lava Jato revelou que US$ 3,37 bilhões; um sistemático pagamento
os maiores contratos da estatal petrolífera es- de propinas a servidores públicos e agentes
tavam muito comprometidos por uma série políticos no Brasil, nas esferas federal, esta-
de irregularidades. Funcionava assim: gran- dual e municipal, e também em outros 12 paí-
des empreiteiras, associadas em cartel, paga- ses onde atuavam; registros de pagamentos
vam propinas multimilionárias para diretores de propina desde a década de 1980; paga-
e gerentes da Petrobras, os quais, em con- mentos de vantagens indevidas a, pelo me-
trapartida, não apenas as favoreciam no âm- nos, um presidente e outros ex-presidentes
bito da estatal, como também zelavam para da República, oito ministros, três governado-
que agentes e partidos políticos que os ti- res, 24 senadores e 39 deputados federais.
nham colocado no poder também recebes- Após essa breve viagem no tempo, é pos-
sem seus vultosos quinhões. sível concluir com segurança que o Brasil pa-
Em 2015, a Lava Jato revelou que o es- dece, sim, de uma grave crise de corrupção.
quema ilícito transcendia a Petrobras e tam- Esse diagnóstico que a Lava Jato promoveu
bém atingia a Eletronuclear, Eletrobrás, Caixa talvez seja, ao lado da mensagem de espe-
Econômica Federal e Ministério do Planeja- rança que decorre da recuperação de bilhões
mento. Logo em seguida, a operação des- desviados dos cofres públicos e da responsa-
cobriu também que na maior empreiteira do bilização criminal de poderosos agentes po-
país, a Odebrecht, funcionava um departa- líticos e econômicos que até pouco tempo
mento cujas atribuições não são estudadas se mostravam intocáveis, um de seus princi-
nas faculdades de Administração, Contabili- pais legados. A corrupção nunca esteve tão
dade e Economia: o chamado “departamen- exposta no Brasil.
to de operações estruturadas”, verdadeira “di- Diagnóstico, contudo, não cura doença
visão de propinas”. e tem prazo de validade. Como um vírus, a
Entretanto, mesmo com a clareza e robus- corrupção que não é adequadamente tratada
tez das provas apresentadas, o grupo empre- se replica, multiplica seus hospedeiros, muda
sarial baiano insistiu em negar as evidências seus vetores e se reinventa. Agora, portan-
e investiu em publicações de notas nos maio- to, enquanto poderosos corruptores estão
res veículos de imprensa do Brasil, tachando fora de suas zonas de conforto, quando as
as medidas tomadas pela Lava Jato que lhe causas e efeitos do problema já estão bem

DEZEMBRO 2018  REVISTA TRANSPARÊNCIA 23


delineados, é o momento ótimo para imple- Segundo: a corrupção deve ser enfrenta-
mentação de pacotes de medidas anticorrup- da de forma sustentável, com passos firmes
ção. Mas é mesmo necessária a aprovação e sem retrocessos. Mesmo em casos tidos
de um pacote ou conjunto de medidas con- como exemplares no enfrentamento da cor-
tra a corrupção? Não bastaria o estabeleci- rupção são necessárias décadas para a re-
mento de uma grande autoridade ou a apro- versão do problema. Hong Kong, por exem-
vação de uma grande lei acerca do tema? plo, marcada pela corrupção sistêmica até o
Sim, é necessária e muito provavelmen- início da década de 1970, criou uma comis-
te a única forma de resolver o problema. Não, são independente contra a corrupção e ado-
não bastaria o estabelecimento de uma gran- tou medidas abrangentes que permitiram que,
de autoridade ou a aprovação de uma grande em 2014, figurasse no ranking da Transparên-
lei. Negar-se a enxergar o problema ou dei- cia Internacional entre os 20 países menos
xá-lo de lado são ótimas formas de garantir corruptos do mundo, entre os 176 avaliados.
que ele não seja resolvido. Uma terceira via Terceiro: por mais reconfortante que pos-
para não sair do lugar consiste em subesti- sa parecer, por melhor e mais bem intencio-
mar o problema. Conforme disse Albert Eins- nada que seja, não há no mundo uma pessoa
tein, “tudo deve ser apresentado da maneira que possa resolver sozinha o problema da
mais simples possível, porém não mais sim- corrupção no Brasil. Ela é muito complexa
ples do que isso”. para ser resolvida por um salvador da pátria.
Assim, não nos deixemos enganar. A cor- Deve, ao contrário, ser enfrentada por meio
rupção é muito complexa para ser vencida de uma rede cuja trama se revela forte
de uma vez por todas, do dia para a noite, justamente porque é costurada na esfera do
por uma só pessoa ou com apenas uma lei consenso entre pessoas que não partilham
ou política milagrosa. Quem quer que diga da mesma visão de mundo.
ou defenda o contrário está, na melhor das Por fim, mas também em decorrência da
hipóteses, apenas se enganando, e, na pior, complexidade de suas causas e efeitos, com
buscando enganar aqueles a quem se dirige. múltiplas dimensões, econômicas, políticas e
Primeiro: Por maior que seja o período de sociais, a corrupção sistêmica precisa ser en-
enfrentamento do problema, não há país no frentada em bloco, mediante a concomitan-
mundo que possa declarar-se 100% livre da te promoção de medidas interdisciplinares,
corrupção. E isso não quer dizer que não de- as chamadas medidas contra a corrupção.
vam se esforçar ao máximo nessa direção. Foi assim que, em 2015, depois da per-
Assim, a corrupção em um país não é uma cepção da assimetria entre a expectativa de-
questão de sim ou não, mas de quanto. positada por muitos brasileiros sobre o poder
Por exemplo, se no Brasil de hoje a popula- de transformação da Lava Jato e a real capa-
ção se choca ao ver a fotografia de um bunker cidade da operação, que é apenas um gran-
onde havia mais de R$ 50 milhões em propinas, de caso criminal, de alterar o quadro de cor-
ou quando assiste ao vídeo do ex-assessor do rupção endêmica do país, foi concebido pelo
presidente Michel Temer, Rodrigo Rocha Lou- MPF e apresentado à sociedade o pacote de
res, correndo com uma mala com R$ 500 mil dez medidas contra corrupção. Com enfoque
recém-saídos do forno da JBS; na Suécia, o no aperfeiçoamento do sistema de persecu-
problema assume uma dimensão bem mais ção criminal, ainda hoje bastante deficiente,
modesta. Em 1994, o escândalo de corrupção o pacote das dez medidas recebeu o rápido
que fez com que a então ministra Mona Sahlin endosso de mais de dois milhões de brasi-
tivesse que renunciar ao seu cargo decorreu leiros e em seguida foi confiado pela socie-
da utilização do cartão do governo para com- dade ao Congresso Nacional.
prar fraldas, cigarros e um chocolate Toblero- Contudo, como se ignorassem ou estives-
ne, entre outros itens pessoais. sem satisfeitos com o gravíssimo quadro de

24 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


Foto: Ministério Público Federal
corrupção brasileiro, na madrugada do dia públicos; a criminalização do caixa 2 eleito-
30 de novembro de 2016, deputados fede- ral; a redução do foro privilegiado para ape-
rais desfiguraram no plenário da Câmara as nas 16 funções públicas (hoje são mais de 50
dez medidas contra a corrupção. Parecia que mil); a criminalização do enriquecimento Ilíci-
alguns deputados – muitos dos quais impli- to de agentes públicos e da corrupção priva-
cados pela própria Lava Jato – queriam pas- da; a extinção da aposentadoria compulsória
sar uma mensagem de desesperança a to- como pena para membros do Judiciário e do
dos aqueles milhões de brasileiros que tinham MP; ficha limpa e auditoria patrimonial alea-
assinado o projeto. tória para servidores públicos; exigência de
Se esse foi o desejo, foi por água abai- compliance em grandes licitações; aumento
xo. Depois da compilação das melhores prá- dos incentivos para que empresas adotem
ticas e soluções internacionais, de consultas a programas de integridade; aperfeiçoamento
373 instituições e à sociedade civil brasileira e da prescrição penal; aumento de penas para
da participação de mais de 200 especialistas, os crimes de corrupção; especialização de
com diferentes formações e conhecimentos, varas em improbidade e corrupção; e maxi-
um novo pacote de medidas contra a corrup- mização dos instrumentos para recuperação
ção foi desenvolvido pela Transparência Inter- do dinheiro desviado.
nacional Brasil e pela Fundação Getúlio Vargas. Você consegue imaginar um Brasil com
As Novas Medidas contra a Corrupção, todas essas e tantas outras importantíssimas
mais abrangentes, estão estruturadas em 12 medidas contra a corrupção aprovadas? Ago-
blocos temáticos que não só aprimoram os ra imagine como será esse novo Brasil dez
mecanismos de prevenção, como a transpa- anos após desatados todos esses nós da cor-
rência e o controle social, como também tra- rupção. Que país será esse? Pois saiba que
zem novos instrumentos necessários à res- ele está ao alcance de seu poder de ação.
ponsabilização de envolvidos em corrupção. *Roberson Pozzobon é procurador da República e integrante da
Entre os avanços buscados pelas Novas força-tarefa Lava Jato do MPF no Paraná.
Medidas estão o aperfeiçoamento da ação
popular; a criação de uma política nacional Este artigo reflete a opinião do autor e não da Revista Transparên-
cia. A publicação não se responsabiliza e nem pode ser responsa-
de dados abertos; a desburocratização do bilizada pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer na-
Estado; a instituição de seguro de contratos tureza em decorrência do uso destas informações.

DEZEMBRO 2018  REVISTA TRANSPARÊNCIA 25


SINTONIA FINA

Ibracon envia comentários IFAC divulga resultados de


para a ANS pesquisa voltada às FAPMP
E m 28 de agosto, o Ibacon enviou, à Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS) comentários sobre a Consulta Pública nº 67
que se refere à Resolução Normativa acerca de práticas de governan-
E m 23 de outubro, o Small and Medium Practices Committee (SMPC)
da International Federation of Accountants (IFAC) divulgou resulta-
dos de sua pesquisa sobre desafios e oportunidades que envolvem as
ça corporativa, controles internos e gestão de riscos pelas operado- Firmas de Auditoria de Pequeno e Médio Portes (FAPMP) e seus prin-
ras de planos de saúde. cipais clientes, as Pequenas e Médias Empresas (PMEs).
Uma de suas conclusões é a de que os profissionais atuantes em
IASB promove Outreach FAPMP vêm adotando a tecnologia para melhor atender os seus clien-
em São Paulo tes e, também, atrair e reter talentos.

O
Monica Foerster, diretora de FAPMP do Ibracon, preside o SMPC da
International Accounting Standards Board (IASB) promoveu, no
IFAC.
dia 9 de outubro, em São Paulo, a sessão de Outreach relativa ao
Discussion Paper intitulado “Financial Instruments with Characteris-
tics of Equity”. O documento permanecerá em audiência pública pelo Ibracon envia comentários sobre
IASB até o dia 7 de janeiro de 2019. revisão da Norma ISA 315
IAASB promove Discussão
Técnica em São Paulo
E m 14 de novembro, o Ibracon enviou comentários para o Internatio-
nal Auditing and Assurance Standards Board (IAASB) sobre a mi-
nuta do Exposure Draft (ED) referente à revisão da norma ISA 315, que

O
trata da Identificação e Avaliação dos Riscos de Distorção Relevante
International Auditing and Assurance Standards Board (IAASB),
por meio do Entendimento da Entidade e do seu Ambiente.
órgão da International Federation of Accountants (IFAC), realizou,
no dia 18 de outubro, discussão técnica sobre o futuro da asseguração
sobre as Formas Emergentes de Relatório Externo - Emerging Forms MCTIC regulamenta trabalhos
of External Reporting (EER). O evento aconteceu em São Paulo, com da Lei de Informática
apoio do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), do Ibracon e da
FIPECAFI, e reuniu auditores, contadores, reguladores, usuários des-
sas informações em geral e demais interessados.
O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações
(MCTIC) emitiu, no início de novembro, a Portaria nº 5150/2018/
SEI-MCTIC, que dispõe sobre as instruções para elaboração do rela-
tório pelas auditorias independentes, na análise dos demonstrativos
Classe contábil levou propostas de cumprimento das obrigações de que trata o § 9º do art. 11 da Lei
aos presidenciáveis n° 8.248, de 23 de outubro de 1991 – Manual de Análise do Relató-

C
rio Demonstrativo Anual (RDA).
omo melhorar o ambiente de negócios do País? O Conselho Fe-
No mesmo período, a Secretaria de Políticas Digitais do MCTIC dispo-
deral de Contabilidade (CFC) e o Ibracon enviaram, antes do pri-
nibilizou o Manual de Análise do Relatório Demonstrativo Anual (RDA),
meiro turno das eleições de 2018, uma carta com proposições sobre
que dispõe sobre as orientações e metodologia para análise do RDA.
este e outros temas (desenvolvimento sustentável, gestão pública etc.)
Ambos os documentos podem ser encontrados e acessados no
aos candidatos à Presidência da República.
site do MCTIC.
O documento abordou a importância da continuidade da adoção das
Normas Internacionais de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público
(IPSAS), que estão em processo de convergência e devem ser imple-
Ibracon emite Comunicado
mentadas até 2021, e a necessidade de alteração da Lei Orgânica da Técnico sobre Lei de Informática
Profissão Contábil, editada em 1946.

MDIC aceita sugestões


N o dia 5 de novembro, o Ibracon emitiu o  Comunicado Técnico
(CT) nº 04/2018, que aborda os procedimentos a serem exe-
cutados para a emissão do relatório de asseguração razoável
do Ibracon sobre as informações contidas no Relatório Demonstra-

O
tivo Anual (RDA), a partir do ano-base 2017, para fins
Ministério da Indústria, Comércio Exterior de cumprimento dos requisitos da Lei n.º 8.248/1991
e Serviços (MDIC) aceitou as sugestões (Lei de Informática) e alterações posteriores.
enviadas pelo Ibracon em relação ao Progra- Em seu site, o Ibracon disponibiliza vídeo explicativo
ma Inovar Auto – especificamente, no que sobre o documento.
diz respeito aos procedimentos de auditoria
relativos à eficiência energética.
As contribuições citadas estão disponíveis no
Portal Ibracon, na área restrita aos associados.

26 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


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Transparência comentam
viagem técnica a Londres negociam ações na bolsa de valores norte-a-
mericanas. No trabalho vencedor, eles discu-

U
tiram a estrutura normativa de auditoria nor-
Laureados e ma experiência única. É assim que Gil- te-americana, traçando paralelos entre as
representantes berto Galinkin, professor do Centro de normas internacionais e brasileiras de audi-
do Ibracon Ensino e Tecnologia da Bahia e profes- toria. Como parte da programação prevista,
participaram sor assistente da Pontifícia Universidade Ca- os vencedores visitaram a sede do Internatio-
tólica de Minas Gerais (PUC Minas), resume nal Accounting Standards Board (IASB)/IFRS
dos eventos
sua participação, em Londres, nos eventos Foundation e participaram dos eventos pro-
World Standard- World Standard-setters (WSS), realizado pela movidos pela entidade.
setters (WSS), IFRS Foundation desde 2002 com a presença A jornalista Roberta Mello, do Jornal do
International dos organismos que colaboram com a ado- Comércio do Rio Grande do Sul, premiada
Forum of ção das normas IFRS ao redor do mundo, e pela reportagem “Nova Norma Permite ao
Accounting International Forum of Accounting Standards Contador Informar Irregularidades”, que ex-
Standards Setters (IFASS), uma rede informal que con- plicou ao grande público o teor da Noclar,
Setters (IFASS) grega “multiplicadores” das normas IFRS de norma ética emitida pelo International Ethics
e Accounting todo o mundo, além de outras organizações Standards Board for Accountants (IESBA),
Standards que possuem um grande envolvimento em também foi aos eventos londrinos com os
Advisory Forum questões relacionadas a relatórios contábeis. vencedores na primeira semana de outu-
(ASAF), este, Galinkin foi um dos laureados na séti- bro e faz coro ao professor Galinkin. “A via-
fórum colaborativo ma edição do Prêmio Transparência do Ibra- gem foi extremamente proveitosa. Além de
con, na qualidade de orientador do estudan- representar o reconhecimento do Ibracon
voltado ao
te Marlon Freire Ramos, seu aluno na PUC ao meu trabalho e da oportunidade de co-
desenvolvimento Minas. Ambos foram responsáveis pelo tra- nhecer um outro país, a programação con-
de normas balho acadêmico “Análise dos Apontamentos tribuiu com a minha formação profissional
contábeis globais do PCAOB nos Relatórios de Inspeção das e propiciou o intercâmbio de conhecimen-
Firmas de Auditoria Brasileiras”, que aborda a to sobre questões contábeis”. Roberta tam-
criação do Public Company Accounting Over- bém afirma que considera o Prêmio Trans-
sight Board (PCAOB), órgão responsável pela parência “essencial para o País”. E explica:
regulamentação e fiscalização da atividade “é cada vez mais relevante para o jornalismo
de auditoria independente das empresas que brasileiro que matérias comprometidas com

28 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


Ingram Image
a verdade, com o aprofundamento dos fatos dessa construção e incentivar pessoas é mui-
e a checagem de informações sejam valori- to importante e gratificante”. Galinkin comple-
zadas e estimuladas”. menta as reflexões do aluno: “tenho divulga-
Tanto Roberta Mello quanto Marlon Freire do a experiência na PUC Minas e incentivado
Ramos fazem questão de ressaltar que o re- alunos e professores a concorrerem ao Prê-
conhecimento conferido pelo Ibracon já im- mio Transparência Universitário do Ibracon”.
pacta positivamente suas carreiras: “Desde Realizado anualmente pelo Ibracon, com
que recebi a notícia de que estava entre as fi- o apoio do International Accounting Stan-
nalistas do Prêmio Transparência de Jornalis- dards Board (IASB), o Prêmio Transparência
mo, em meio a colegas de tanta qualidade do foi idealizado com o objetivo de reconhecer e
jornalismo brasileiro, me senti muito lisonjea- recompensar as contribuições dadas por jor-
da e valorizada. A premiação contribuiu dire- nalistas e estudantes universitários de Ciên-
tamente com o meu fortalecimento enquan- cias Contábeis ao fortalecimento da Conta-
to profissional de imprensa e representou um bilidade e da Auditoria Independente no País. 
importante reconhecimento ao serviço presta- Eduardo Pocetti, presidente do Conse-
do pelo veículo em que trabalho”, ela declara. lho de Administração do Ibracon, Francisco
Já o estudante diz-se “surpreso” com a re- Sant’Anna, presidente do Ibracon e Rogerio
percussão do Prêmio em sua vida: “quando Mota, coordenador da Comissão Nacional de
soube que tinha vencido, não fazia ideia da Normas Técnicas (CNNT), também estavam
dimensão que isso tomaria. A repercussão foi em Londres e puderam acompanhar os lau-
muito grande. Entretanto, o que eu conside- reados. Estiveram ainda presentes os colabo-
ro mais importante, mais até mesmo que o radores do Ibracon: Fernanda Queiroz Rivelli,
prêmio, é a produção de conhecimento que gerente de Comunicação; e Adriana Caetano,
ele proporcionou”, garante. “Assim que a no- gerente da área Técnica.
tícia se espalhou, comecei a ser procurado Os premiados e representantes do Ibracon
por outros estudantes, que me perguntam so- também participaram do Accounting Standards
bre o trabalho e mostram-se motivados a es- Advisory Forum (ASAF), um fórum colaborativo
crever sua monografia de uma forma melhor”, no qual os membros podem contribuir para o
diz. “A área de Contabilidade não conta com desenvolvimento de normas globalmente acei-
tantas pesquisas na área acadêmica. Saber tas e de alta qualidade. O evento foi realizado
que, de alguma forma, eu pude fazer parte na sede da IFRS Foundation.
Foto: Ibracon

DEZEMBRO 2018  REVISTA TRANSPARÊNCIA 29


Pingos e Respingos Seminário Internacional do CPC

Ibracon prestigia o XIV

Foto: Estúdio Trama


Prolatino e a 58ª Concerj

Eduardo Pocetti parabenizou o CPC pelo trabalho em prol da Contabilidade

Foto: CRCRJ
om o apoio do Ibracon, uma das entidades que compõem o Co-
mitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), foi realizado o XV Se-
minário Internacional do CPC – Normas Contábeis. Organizado pela
Idésio Coelho, Francisco Sant’Anna e Madson Gusmão Vasconcelos
Fundação de Apoio ao Comitê de Pronunciamentos Contábeis (FA-

O Ibracon participou do XIV Congresso Internacional de Contabili-


dade do Mundo Latino (Prolatino) e da 58ª Convenção de Con-
tabilidade do Estado do Rio de Janeiro (Concerj), que discutiram ino-
CPC), o evento proporcionou uma visão do atual estágio de adoção
das Normas Internacionais de Relatórios Financeiros (IFRS) no Brasil.

vação, tecnologia e as transformações do mercado de trabalho no


Brasil e no mundo.
Ibracon participa do
O Instituto foi representado por Eduardo Pocetti, presidente do 35º ISAR em Genebra
Conselho de Administração do Ibracon e do Grupo Latino-Americano
de Emissores de Normas de Informação Financeira (Glenif); Francis-
co Sant’Anna, presidente da Diretoria Nacional; e Marco Aurelio Fu-
chida, superintendente.

Foto: CRCSP
CVM e Ibracon realizam
rodadas de reuniões Rogério Garcia, diretor Técnico do Ibracon, participa do 35º ISAR

R epresentado pelo diretor Técnico Rogério Garcia, o Ibracon par-


ticipou, na Suíça, da 35ª reunião do Grupo de Trabalho Intergo-
vernamental de Especialistas em Normas Internacionais de Contabi-
lidade e Relatórios (ISAR), um dos braços da Conferência das Nações
Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD - United Nations
Foto: CVM

Conference on Trade and Development), que discutiu a melhoria da


comparabilidade dos relatórios de sustentabilidade.
CVM recebe Ibracon em sua sede

O Ibracon e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) realizaram


três reuniões em outubro, nas sedes da autarquia, no Rio de Ja-
19º Congresso IBGC
neiro, e em São Paulo.
Na primeira delas, o presidente do Ibracon, Francisco Sant’An-
na, e o diretor Técnico Rogério Hernandez Garcia se reuniram com o
M arco Aurelio Fuchida, superintendente do Ibracon, participou do 19º
Congresso do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC),
que teve como tema “Ecossistema de Governança: Inovação e Legado”.
novo diretor da autarquia, Carlos Alberto Rebello Sobrinho. Da segun-
da reunião, participaram Gustavo Gonzalez, diretor da CVM, Francis-
co Sant’Anna e Marco Aurelio Fuchida, superintendente do Instituto.
Eventos da IFAC na Austrália
No terceiro encontro, os diretores da CVM Pablo Renteria e Henrique
Machado receberam Francisco Sant’Anna e Marco Aurelio Fuchida. O Ibracon participou em 1º de novembro de duas reuniões com re-
presentantes da International Federation of Accountants (IFAC).
As atividades aconteceram em Sidney, na Austrália, local de realiza-

26ª Convecon e Summit Contábil ção do Congresso Mundial de Contadores.


Francisco Sant’Anna, presidente do Ibracon, esteve presente na As-

F rancisco Sant’Anna, presidente da Diretoria Nacional do Ibracon,


representou o Instituto no lançamento da 26ª Convenção dos Pro-
fissionais da Contabilidade do Estado de São Paulo (Convecon) e do
sembleia Ordinária do 20º Congresso Mundial de Contadores e Moni-
ca Foerster, diretora de Firmas de Auditoria de Pequeno e Médio Por-
tes (FAPMP) e presidente do Small and Medium Practices Committee
Summit Contábil. (SMPC) da IFAC, participou da reunião do Board da IFAC.

30 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


Grupo de Economias Emergentes Novo presidente da IFAC

Foto: IFRS Foundation

Foto: IFAC
Novo presidente da IFAC recebe delegação brasileira

R
Membro do Ibracon participa de reunião do EEG
epresentado por Francisco Sant’Anna, presidente da Diretoria Na-

R ogerio Mota, coordenador da Comissão Nacional de Normas Técni-


cas (CNNT) do Ibracon e membro do Comitê de Pronunciamentos
Contábeis (CPC), esteve presente na 16ª reunião do Grupo de Econo-
cional, e Monica Foerster, diretora de Firmas de Auditoria de Pe-
queno e Médio Portes (FAPMP) e presidente do Small and Medium
Practices Committee (SMPC) da International Federation of Accou-
mias Emergentes (EEG), na Coreia do Sul, que tratou da implementa- ntants (IFAC), o Ibracon acompanhou a delegação brasileira no en-
ção da IFRS 9; Instrumentos Financeiros; Goodwill e Impairment, en- contro com o novo presidente da IFAC, Dr. In-Ki Joo, que se colocou
tre outros temas. à disposição para continuar auxiliando o Brasil no processo de ado-
ção das novas normas. O encontro foi realizado em Sydney, na Aus-

Professores de Ciências Contábeis trália, onde aconteceu o Congresso Mundial de Contadores (WCOA).

A gerente Técnica Adriana Caetano representou o Ibracon no XI En-


contro Nacional de Coordenadores e Professores do Curso de Ciên-
cias Contábeis, realizado na sede do do Conselho Regional de Conta-
3ª Conferência de Contabilidade
e Auditoria Independente
bilidade do Estado de São Paulo (CRCSP). Promovido pelo Conselho
Federal de Contabilidade (CFC), pela Academia Brasileira de Ciências
Contábeis (Abracicon) e pelo CRCSP, o evento debateu o futuro do en-

Foto: Ibracon
sino de Ciências Contábeis no País.

20ª Congresso Mundial Ibracon na Conferência de Contabilidade e Auditoria Independente

de Contadores
R epresentantes do Ibracon Nacional participaram, em 23 de no-
vembro, da 3ª Conferência de Contabilidade e Auditoria Indepen-
dente, promovida pela 2ª Seção Regional. Os painéis foram ministra-
dos pelo presidente da Diretoria Nacional, Francisco Sant’Anna; pelo
diretor de Desenvolvimento Profissional, Tadeu Cendón; pela diretora
Foto: IFAC

de Firmas de Auditoria de Pequeno e Médio Portes, Monica Foerster,


e pelo membro da Comissão Nacional de Normas Técnicas (CNNT)
Representantes do Ibracon no WCOA, Congresso Mundial de
Contadores, em Sidney do Ibracon, Silvio Takahashi.

L íderes globais da Contabilidade realizaram em Sidney (Austrália),


entre 5 e 8 de novembro, o 20º Congresso Mundial de Contadores
(WCOA, da sigla em inglês), sob o tema Desafios globais, líderes globais.
Estudantes de Ciências
Contábeis visitam o Ibracon
O Ibracon foi representado pelo presidente da Diretoria Nacional, Fran-
cisco Sant’Anna, e pela diretora de Firmas de Auditoria de Pequeno e
Foto: Ibracon

Médio Portes (FAPMP), Monica Foerster, que também ocupa a posi-


ção de presidente do Small and Medium Practices Committee (SMPC)
da International Federation of Accountants (IFAC). O Congresso é or- Encontro marcou a terceira visita da Unoesc ao Ibracon
ganizado pela IFAC e realizado a cada quatro anos.

Reunião da CEPC E studantes do 3º período da Graduação de Ciências Contábeis da


Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), do campus
São Miguel, visitaram a sede do Ibracon, acompanhados dos profes-

T adeu Cendón, diretor de Desenvolvimento Profissional do Ibracon


Nacional, participou da reunião da Comissão de Educação Profis-
sional Continuada (CEPC) do Conselho Federal de Contabilidade (CFC),
sores Andressa Michels e Valmir Roque Sott, coordenador do curso.
A gerente Técnica do Ibracon, Adriana Caetano, exibiu uma apresen-
tação sobre o Instituto e suas frentes de atuação como entidade re-
entre 6 e 7 de novembro, na sede do Conselho, em Brasília. presentativa dos auditores independentes no Brasil.

DEZEMBRO 2018  REVISTA TRANSPARÊNCIA 31


Ingram Image
INSTITUCIONAL

Foto: arquivo Ibracon


Curso de Auditoria para Jornalistas
passa a ter transmissão via Web
“B
uscamos sempre atuar de forma essa atividade por todos os meios que esti-
Foto: Sergio de Paula e Thaiane de Paula

próxima aos profissionais de im- verem ao nosso alcance”, destaca o diretor.


prensa porque sabemos que é es- O Curso de Auditoria para Jornalistas é
sencial manter a confiança da sociedade na voltado principalmente àqueles que atuam
atividade de Auditoria independente, e o jor- nas editorias de Economia e no mercado de
nalista é porta-voz por excelência entre o mer- capitais. No Módulo Básico, foram aprofun-
cado e a sociedade”. dados temas como o papel do auditor inde-
É assim que Clinton Fernandes, Diretor de pendente, as atividades por eles desenvolvi-
Comunicação do Ibracon, explica a impor- das e a relevância desses profissionais para
tância do Curso de Auditoria para Jornalistas, o mercado de capitais. “Com esse foco, pro-
Clinton Fernandes promovido gratuitamente na sede da entida- curamos priorizar as questões técnicas e es-
de há seis anos. Uma iniciativa bem estabe- clarecedoras sobre o dia a dia da profissão”,
lecida, portanto – mas que sempre pode ser relata Fernandes, que, em sua apresenta-
Duas novidades – aprimorada: “a partir de 2018, o curso passou ção, analisou conceitos básicos de Audito-
a possibilidade de a ser oferecido em módulos”, informa Fernan- ria e abordou as principais diferenças entre
assistir ao curso des. “Agora, o conteúdo divide-se em Bási- Auditoria Independente e Auditoria Forense.
online e a divisão co, Intermediário e Avançado. A primeira eta- Adriana Caetano, gerente Técnica do Instituto,
pa foi apresentada no dia 16 de outubro, na abordou dois temas diferentes durante o cur-
dos conteúdos
sede da entidade, para mais de uma dezena so: na primeira parte de sua explanação: ela
em módulos –
de profissionais de diversos veículos, como detalhou as diferenças entre Auditoria Inde-
tornaram o evento Folha de S. Paulo, Valor Econômico, DCI e pendente, Auditoria Interna e compliance. Na
mais acessível Band News FM, além de colaboradores da segunda parte, ela analisou os principais as-
aos profissionais área de Comunicação de entidades de rela- pectos da leitura de demonstrações contábeis.
de imprensa de cionamento do Ibracon”, comenta. Com três horas de duração, o curso con-
todo o País Outra novidade foi a transmissão via web tou com a presença de Francisco Sant’An-
para os profissionais de outros estados que na, presidente da Diretoria Nacional, tanto no
manifestaram interesse em conhecer mais momento de boas-vindas quanto no encer-
sobre a atividade, mas estavam impossibili- ramento. Em suas participações, Sant’An-
Ingram Image

tados devido à distância. “Acreditamos que o na enfatizou a relevância da iniciativa para o


fundamental é todos terem acesso aos con- Ibracon e enalteceu o papel do profissional
teúdos oferecidos e procuramos proporcionar de comunicação.

32 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


EDUCAÇÃO CONTINUADA
Ingram Image

Novas temáticas
incrementam oferta de
cursos do Ibracon

34 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


Novo Relatório do Auditor
e IFRS 15 serão alguns dos
novos cursos em plataforma
EAD. Dentre os presenciais,
oferecidos na sede do Ibracon,
em São Paulo, a agenda

Foto: CRCSP
prevê temas como IFRS 16,
Atualizações fiscais, E-Social
e Auditoria Forense José Luiz R. de
Carvalho

M
anter-se atualizado e cumprir a car- Ibracon quando me contatou para criar e mi-
ga horária exigida pelo Programa de nistrar esse conteúdo foi explorar uma didá-
Educação Profissional Continuada tica e metodologia de aprendizado simples
(PEPC) do Conselho Federal de Contabilidade e objetiva para alcançar o máximo de parti-
(CFC) são desafios que podem ser vencidos cipantes, principalmente as pequenas e mé-
mais facilmente com o uso das plataformas dias empresas de Contabilidade e Auditoria”,
de ensino a distância. Afinal, esse modelo ele ressalta. “O conteúdo apresentado é in-
tem como principal vantagem justamente o dicado para auditores independentes, conta-
fato de ser flexível, isto é: não há horários nem dores preparadores de demonstrações con-
locais fixos para estudar e todo seu conteú- tábeis, estudantes de Ciências Contábeis e
do pode ser acessado a qualquer momento. demais profissionais com interesse no tema”,
Atento a essa necessidade, o Ibracon acrescenta.
apresenta dois novos cursos a distância den- Com carga horária total de oito horas, o
tro do seu Programa de Educação Continua- curso conta oito pontos para o PEPC e está or-
da: um deles aborda o Novo Relatório do Au- ganizado em seis macrotemas. “Nosso objeti-
ditor, e o outro, a IFRS 15. vo é fazer com que o participante compreenda
os conceitos fundamentais da nova norma de
IFRS 15 GANHA CURSO EAD reconhecimento de receita (IFRS 15), iniciando
Em vigor desde janeiro de 2018, a IFRS 15 sua jornada de conhecimento com uma visão
impõe um modelo único para reconhecimen- geral, abrangente, das razões da publicação
to de receitas de contratos com clientes. Em da nova norma”, disserta Nascimento. “Pre-
linhas gerais, a IFRS 15 - Receitas de Con- tendemos estimulá-lo a fazer uma imersão no
tratos com Clientes (Revenue from Contracts conceito dos cinco passos para aplicação da
with Customers) substituiu praticamente to- norma, sanando suas dúvidas e preparando
das as regras para reconhecimento de recei- plenamente o profissional”, ele conclui.
tas anteriores e proporcionou maior consis-
tência e comparabilidade das práticas para NOVO RELATÓRIO
reconhecimento de receitas entre setores, ju- Desde 31 de dezembro de 2016, o Brasil ado-
risdições e mercados de capitais. ta o Novo Relatório do Auditor, que trouxe
“Conhecê-la bem é essencial a quem exer- mudanças significativas no formato e conte-
ce a Contabilidade, especialmente no âmbi- údo de maneira a torná-lo mais relevante para
to da Auditoria Independente”, afirma Márcio os usuários. “Tivemos a necessidade de nos
Nascimento, instrutor do novo curso IFRS 15 adequar porque essas são as normas esta-
oferecido pelo Ibracon por meio de sua pla- belecidas pela International Federation of Ac-
taforma EAD. “Uma das preocupações do countants (IFAC)”, explica o auditor José Luiz

DEZEMBRO 2018  REVISTA TRANSPARÊNCIA 35


ssoal
Foto: arquivo pe
Márcio Nascim
ento

Ribeiro de Carvalho, ex-presidente da 5ª Se- é anual, ou seja: não precisa ser seguido nas
ção Regional do Ibracon, coordenador da Co- revisões trimestrais de auditoria. “Considero
missão de Educação Profissional Continua- que este já é um curso obrigatório, indispen-
da do Conselho Regional de Contabilidade sável, ao bom desempenho do auditor inde-
do Estado de São Paulo (CRSCP) e respon- pendente”, finaliza.
sável, no Ibracon, pelo conteúdo do curso.
O curso é 100% online, credenciado e pon- PRESENCIAIS
tuado para o Programa de Educação Profissio- Dentre os cursos presenciais previstos ainda
nal Continuada (PEPC) do Conselho Federal para 2018, com novas datas em 2019, so-
de Contabilidade (CFC). “As videoaulas estão bressaem: IFRS 16, que abordará como a
prontas, gravadas”, informa o auditor. “Além de norma, que entrará em vigor em janeiro de
assisti-las no horário que melhor lhe convier, 2019, mudará a forma como as empresas
pois não teremos lives nem chats em tempo devem identificar, mensurar, apresentar e di-
real, o aluno terá acesso a materiais comple- vulgar arrendamentos; Sinopse Fiscal, es-
mentares: leituras recomendadas, com desta- sencial para, conforme o próprio nome in-
que para os pontos mais importantes de cada dica, atualizar o profissional a respeito das
norma, ou seja, aqueles aspectos que o aluno normas, regras e regulações do Fisco; eSo-
deverá estudar com mais afinco; estudos de cial, cuja segunda etapa passou a vigorar
caso, com apresentações de questões práti- em outubro de 2018 e impactou o manejo
cas; e um tipo de prova final, para mensurar o de dados dos trabalhadores e seus víncu-
aproveitamento de cada participante em rela- los empregatícios; e Auditoria Forense, cujo
ção aos conteúdos”, esclarece. conteúdo abrangerá: investigações forenses
Carvalho destaca que o Brasil está bem e seus fundamentos; métodos para condu-
alinhado ao que existe de mais moderno no zir investigações forenses; inteligência cor-
mundo em termos de regulação, e salienta a porativa; computação e tecnologia forense;
importância do Novo Relatório neste contex- técnicas de entrevistas e detecção de men-
to: “o formato atual do Relatório tem uma lin- tiras; treinamento para membros de Comitês
guagem mais direta e acessível, o que facilita de Auditoria; e Lei de Informática.
sua compreensão por parte dos investidores, O Ibracon é capacitador nato do Progra-
reguladores do mercado de capitais, entes ma de Educação Profissional Continuada do
governamentais etc”, observa. “Assim, o audi- Conselho Federal de Contabilidade (CFC), ali-
tor seleciona esses assuntos mais relevantes nhado com as Normas de Ensino da Interna-
e comunica no seu Relatório de maneira cla- tional Federation of Accountants (IFAC).
ra, objetiva, concisa e muito específica para
a entidade. Não pode usar jargões nem rea- Informações sobre todos os cursos
proveitar outros relatórios. Trata-se de um tra- podem ser obtidas no Portal Ibracon:
balho personalizado, minucioso”, ele ressalta, www.ibracon.com.br
acrescentando, ainda, que o Novo Relatório

36 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


MERCADO

Foto: Flavio Guarnieri

Monica Foerster
Foto: Flavio Guarnieri

Rogério Garcia

O mercado está
mais exigente em
relação às boas
práticas, e isso
vale para os entes
governamentais.
Num momento

Transparência,
em que a busca
por Auditoria
independente
pode crescer, as

a palavra do
firmas de pequeno
e médio portes
podem e devem

momento
estar atentas às
oportunidades
Ingram Image

S
e houve um ponto que ficou bastante Médio Portes (FAPMP) do Ibracon Nacional
claro durante a campanha eleitoral de e Coordenadora do Grupo de Trabalho de
2018 foi que a população brasileira está FAPMP da mesma entidade, reforça: “após as
fazendo questão absoluta de transparência eleições, tem-se observado uma perspectiva
e combate à corrupção. “As pessoas estão de reaquecimento da economia, o que, por
muito mais atentas a esse aspecto e não só: si só, representa uma chance efetiva de am-
o mercado também está mais exigente nesse pliação do mercado para as auditorias. Além
sentido”, afirma Rogério Garcia, Diretor Técni- disso, a confiança externa tende a originar
co do Ibracon Nacional. Monica Foerster, Di- maiores investimentos, os quais estarão sujei-
retora de Firmas de Auditoria de Pequeno e tos a auditoria. E finalmente, mas não menos

38 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


importante, é que existe uma maior conscien- reguladores – e isso pode ocorrer na esfera
tização sobre a importância de compliance, do Conselho Federal de Contabilidade (CFC),
também ensejando maior demanda pela pre- da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), do
sença do auditor independente”. Banco Central ou até mesmo da Superinten-
Destinação de recursos do Banco Nacional dência de Seguros Privados (Susep). “Estar
de Desenvolvimento Econômico e Social em conformidade com todos os requisitos
(BNDES) e do Fundo de Garantia por Tempo regulatórios indica que a firma está cumprin-
de Serviço (FGTS), concessão de benefícios do adequadamente as normas legais, e que
fiscais e, principalmente, a prestação de seus profissionais estão seguindo as diretri-
contas de órgãos e empresas estatais são zes de Educação Continuada previstas pelo
exemplos de procedimentos que não podem Programa de Educação Profissional Conti-
prescindir da auditoria independente, afirmam nuada (PEPC) do CFC”, acrescenta Monica
os especialistas. Eles ressaltam ainda que, Foerster.
se de fato forem iniciadas as privatizações Ela também ressalta que o Ibracon criou
esperadas para os próximos quatro anos um Grupo de Trabalho específico – o GT Novos
de governo, será ainda mais fundamental Serviços – para identificar oportunidades de
atestar a credibilidade das contas prestadas trabalho relacionados a auditoria, asseguração,
e conferir o máximo de transparência a todos procedimentos pré-acordados e outras
os processos, a todas as negociações. atividades, assim como adaptar as demandas
Com a experiência de quem lida dos mercados relacionados a trabalhos de
cotidianamente com as demandas e auditoria, considerando o que é permitido
expectativas das FAPMP, inclusive como pelas normas em vigor.
presidente do Small and Medium Practices Garcia e Foerster explicam que as
Committee (SMPC) da International Federation expectativas dos entes governamentais
of Accountants (IFAC), Monica Foerster observa quanto ao desempenho dos auditores variam
que, no âmbito governamental, existe espaço conforme aquilo que eles buscam: pode ser
para atuação de firmas de todos os portes: a verificação de uma parte independente
“As pequenas e médias estão sujeitas aos ou diretrizes para estabelecer previamente
mesmos requerimentos de registro, controle alguns procedimentos. “Também pode
de qualidade e procedimentos técnicos e acontecer de o ente governamental solicitar
profissionais exigidos de uma firma maior. uma asseguração, impondo ao auditor a
E portanto, têm total capacidade de prestar necessidade de trazer uma opinião acerca
serviços de Auditoria da mais alta qualidade de um tema mais amplo”, esclarece Garcia.
às empresas e aos órgãos públicos”, avalia. “Para o Ibracon é extremamente importante
que, no momento em que se identifica a
CRITÉRIOS necessidade de o auditor emitir um relatório,
Segundo Garcia, os critérios que costumam a entidade possa contribuir com o processo
ser mais relevantes para os entes governa- de regulamentação”, ele afirma. “Se a
mentais contratarem auditorias independen- instituição puder iniciar o diálogo com o
tes são: auditor devidamente inscrito no Ca- ente governamental antes que a regulação
dastro Nacional de Auditores Independentes saia, haverá maior probabilidade de vir uma
(CNAI) e registro atualizado da firma e de seus solicitação mais redonda, que não exigirá
profissionais responsáveis técnicos perante tantas adequações”, elucida o diretor.

DEZEMBRO 2018  REVISTA TRANSPARÊNCIA 39


DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL

Trabalhos de
Auditoria de Menor
Foto: Ibracom

Complexidade
Adriana Caetano

E
O 2º e o 3º m agosto de 2018, o Ibracon lançou sua Além de apresentar as normas vigentes, a
módulos do nova plataforma de Ensino a Distância programação inclui um guia prático das ati-
curso, oferecidos a (EAD), estreando com o Módulo 1 do vidades, procedimentos, controles e comu-
distância, tratam curso Trabalhos de Auditoria de Menor Com- nicações necessários para a realização do
da identificação de plexidade. Agora, a entidade disponibiliza os trabalho e, também, informações sobre a im-
riscos de distorções Módulos 2 e 3 do mesmo curso. plementação de um sistema de controle de
relevantes e O Módulo 2 aborda o “Planejamento e qualidade na auditoria.
Identificação de Riscos de Distorções Rele- “Auditoria é baseada em riscos”, explica
das respostas
vantes”, com o propósito de fornecer conhe- Adriana Caetano, gerente técnica do Ibracon.
do auditor ao cimento para realização de trabalhos de au- “Por meio do curso, o profissional
problema ditoria em entidades de menor complexidade. poderá aprimorar sua capacidade

40 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


de fazer análises, o que se refletirá em um me- afine sua percepção em procedimentos ana-
lhor desempenho em termos de planejamento, líticos, no entendimento do arcabouço regu-
de compreensão da entidade e/ou empresa latório e até na definição de parâmetros de
que ele estiver atendendo, e de entendimen- materialidade. “Normalmente, o auditor es-
to quanto ao ambiente de controle da orga- tabelece um valor-base, um referencial, que
nização”, ela esclarece. “É um guia para me- pode ser um percentual do lucro, por exem-
lhor considerar o que for significativo, definir plo. Mas, em entidade sem fins lucrativos,
estrutura, estabelecer cronogramas de ativi- esse referencial poderá se basear em outros
dades e de entrega etc.”, acrescenta. ativos”, comenta. “Pensemos numa empre-
Voltado a profissionais que atuam com sa de software, onde o reconhecimento da
Auditoria independente, especialmente em receita pode gerar distorção relevante, por-
Firmas de Auditoria de Pequeno e Médio Por- que são muitos os serviços, por vezes inter-
tes (FAPMP), o curso tem duração de oito ho- relacionados, mas com entendimentos dife-
ras e vale oito pontos para o Programa de rentes”, exemplifica. “Ali, é fundamental que o
Educação Profissional Continuada (PEPC) do auditor defina a materialidade de forma condi-
Conselho Federal de Contabilidade (CFC). É zente com a natureza da organização”.
composto por videoaulas, material suplemen- A gerente técnica ressalta que, além de
tar (Manual para Trabalhos de Auditoria de compreender a entidade que está auditando,
Menor Complexidade para download), slides o profissional precisa entender o ambiente de
com o conteúdo das videoaulas e links, e tex- controle. “O auditor vai identificar controles re-
tos que complementam o conteúdo. levantes, saldos contábeis significativos, vai
Adriana Caetano destaca que o curso é olhar os principais sistemas de informação e
relevante, sobretudo, para que o profissional quem faz o monitoramento desses controles

DEZEMBRO 2018  REVISTA TRANSPARÊNCIA 41


etc. Um melhor ambiente de controle geral re- inclusive do valor justo e de divulgações re-
duz o risco de distorção”, afirma. lacionadas; representações formais; e ou-
Os modelos que integram o módulo 2 do tros assuntos específicos”, elenca Adriana.
curso Trabalhos de Auditoria de Menor Com- “E, quando falamos de respostas aos riscos,
plexidade são: modelo de planejamento; mo- vai haver a abordagem da auditoria, que pode
delo de entendimento da entidade com as ser substantiva ou combinada”, esclarece.
mesmas características; modelo de entendi- Uma característica do terceiro módulo, in-
mento do ambiente de controle da entidade; titulado Procedimentos de Auditoria em Res-
e análise da conexão entre as atividades exe- posta aos Riscos Identificados e Avaliação
cutadas pelo auditor e possíveis riscos de dis- das Evidências Obtidas, é que ele é muito rico
torções relevantes nos resultados contábeis. em exemplos práticos, além de conectar-se
ao módulo 4. Este ainda não foi disponibili-
MÓDULO 3 zado, mas seu conteúdo diz respeito, princi-
Se o módulo 2 consiste, basicamente, em palmente, à formação de opinião do auditor.
estabelecer uma matriz de riscos, o módu- Os diversos módulos do curso Trabalhos
lo 3 traz procedimentos de auditoria em res- de Auditoria de Menor Complexidade não
posta aos riscos identificados. “Neste módu- são interdependentes. E, enquanto o 1º, o
lo, o participante aprenderá sobre a resposta 2º e o 4º módulos têm oito horas de dura-
do auditor aos riscos avaliados; amostragem; ção cada um, valendo oito pontos no PEPC/
evidência de auditoria; análise do fluxo dos CFC, o 3º é o mais longo de todos: sua car-
testes dos controles; documentação de au- ga é de 24 horas, o que o faz valer 24 pon-
ditoria; auditoria de estimativas contábeis, tos no PEPC/CFC.

42 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


Na Era da
Transformação, a
confiança é a moeda
mais valiosa?
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Quanto melhor a pergunta, melhor a resposta.


E melhor se torna o mundo de negócios.
DESBUROCRATIZAÇÃO

Envolvimento
dos conselheiros
e automação
aumentam eficácia
do CRSFN
Tempo médio
O
Conselho de Recursos do Sistema Fi- diretamente para nós”, comenta Francisco Pa-
nanceiro Nacional (CRSFN) tem papel pellás Filho, representante do Ibracon no CR-
de tramitação fundamental na garantia da saúde do SFN até agosto último. “A partir dessa mudan-
dos processos setor financeiro nacional. Afinal, este é o órgão ça, os processos e recursos começaram a ir
diminuiu de 36 que julga recursos de decisões da Comissão para a Procuradoria apenas quando o rela-
de Valores Mobiliários (CVM), do Banco Central tor julgasse isso necessário, o que fez abre-
para 18 meses, do Brasil (BCB) e do Conselho de Controle de viar bastante o tempo despendido com aná-
e um em cada Atividades Financeiras (COAF). Durante anos, lises”, esclarece.
quatro casos porém, uma de suas principais dificuldades foi
funcionar com a celeridade necessária.
analisados É composto por conselheiros titulares e
é resolvido suplentes, que são designados pelo Ministro
em apenas de Estado da Fazenda e exercem mandato de
meio ano três anos, renovável até duas vezes – ou seja,
o conselheiro pode ficar, no máximo, até nove
anos consecutivos dentro do órgão.
No total, são 16 conselheiros, sendo oito
membros (quatro titulares e respectivos su-
plentes) indicados pelo governo, e oito (qua-
tro titulares e respectivos suplentes) indicados
por entidades representativas dos mercados
financeiro e de capitais. Atualmente, o Ibra-
con é suplente deste segundo grupo.
“A primeira mudança importante para
Foto: arquivo pessoal

corrigir a demora veio em fevereiro de 2016,


quando uma mudança no regimento inter-
no permitiu que, em vez de todos os recur-
sos passarem pela Procuradoria antes de se-
guirem para o Conselho, começassem a vir Francisco Papellás Filho

44 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


Outro passo fundamental que, segundo
Papellás, permitiu abreviar os trâmites foi a re-
distribuição do estoque de processos promo-
vidos pela presidente do CRSFN, Ana Maria
Melo Netto. “Em março de 2016, ela entregou
um lote de processos a cada conselheiro e a
cada suplente”, ele recorda. “Eu mesmo fiquei
com um lote de mais de 40 processos para
analisar. Isso permitiu que o Ibracon, apesar
de ser suplente, passasse a exercer um pa-
pel mais relevante”.
O resultado desse esforço coletivo, alia-
do à automação crescente, foi que, com uma
estrutura pra lá de enxuta – seu orçamento
é modesto e sequer conta com sede pró-
pria –, e a entidade, ou “Conselhinho”, como
é conhecido, reduziu de três anos para 18
meses o tempo médio de tramitação dos
processos.
Mas há casos em que a resposta é dada
em tempo ainda menor: um em cada qua-
tro processos é julgado em menos de seis ao “Conselhinho” e tentar re-
meses. verter a sanção.
A rigidez da nova lei exige
NOVO DESAFIO muito dos conselheiros: a instru-
Um novo desafio a ser enfrentado pelo CR- ção dos casos deve ficar mais ro-
SFN é o efeito que será trazido pela Lei no busta e as decisões, que sempre
13.506/17, promulgada em novembro de 2017. foram tecnicamente bem estrutu-
Além de alterar o processo administrativo que radas, deverão aprimorar-se ain-
determina sanções sobre o mercado de ca- da mais.
pitais, a nova lei aumentou significativamente A lei também fornece instrumen-
as multas que podem ser aplicadas pela CVM tos importantes para os órgãos de primeira
(hoje, de até R$ 50 milhões, contra o teto de instância, como a possibilidade de fazer acor-
R$ 500 mil previsto anteriomente) e pelo Ban- do em processos e termos de compromisso e
co Central (atualmente, o valor pode chegar a possui um caráter educativo muito importan-
R$ 2 bilhões, contra o teto de R$ 250 mil es- te: a mera possibilidade de sanção, mediante
tabelecido antes). Com multas maiores, quem multas tão altas, já tende a estimular as em-
sofre qualquer penalização prefere recorrer presas a investirem em compliance.

DEZEMBRO 2018  REVISTA TRANSPARÊNCIA 45


Impactos da revolução tecnológica
Giro pelas Regionais A 3ª Seção Regional promoveu café da manhã seguido de palestra
sobre “Impactos da revolução tecnológica nos serviços contábeis e
2ª Seção Regional de auditoria”.
Paulo Buzzi Filho, presidente da 3ª SR, abordou as principais ativida-
Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Recife des do Ibracon e destacou a importância da participação dos profis-
sionais nos eventos promovidos pela Regional.

4ª Seção Regional
Minas Gerais, Distrito Federal, Tocantins e Goiás

Foto: Ibracom
3ª Conferência em Pernambuco
A 2ª Seção Regional realizou, em Recife (PE), a 3ª Conferência de
Contabilidade e Auditoria Independente, que apresentou os principais
temas abordados na 8ª Conferência Brasileira de Contabilidade e Au-

Foto: CRCMG
ditoria Independente, do Ibracon.

2ª Regional participa de reunião da CEPC


Marcelo Galvão Guerra, presidente da 2ª Seção Regional participou da Fórum promovido pelo CRCMG
reunião da Comissão de Educação Profissional Continuada (CEPC), do Paulo Cezar Santana, presidente da 4ª Seção Regional, fez palestra
Conselho Federal de Contabilidade (CFC). no fórum promovido pelo Conselho Regional de Contabilidade de Mi-
Além de analisar os processos de EPC, a reunião tratou também da re- nas Gerais (CRCMG), com o apoio da Comissão Especial de Estudos
visão da NBC PG 12 (R3), a Norma Brasileira de Contabilidade que rege Técnicos sobre IFRS.
o Programa de Educação Profissional Continuada do Sistema CFC/CRCs.
5ª Seção Regional
3ª Seção Regional
São Paulo, Paraná, Mato Grosso
Rio de Janeiro e Espírito Santo e Mato Grosso do Sul

Reunião da CEPC
Marco Fabbri, diretor de Desenvolvimento Profissional da 5ª Seção
Foto: Ibracom

Regional, participou da reunião da Comissão de Educação Profissio-


nal Continuada (CEPC), do Conselho Federal de Contabilidade (CFC).

Prêmio Transparência
Os alunos de Ciências Contábeis da Universidade Federal Fluminense
(UFF) participaram da palestra promovida pela 3ª Seção Regional
com o objetivo de compartilhar informações da atuação do Ibracon
e da atividade de Auditoria independente. Bernardo Moreira, diretor
Foto: Sindcont-SP

Técnico da 3ª SR, e a diretora Beatriz Moraes aproveitaram para


apresentar o Prêmio Transparência Universitário do Ibracon, que
está em sua 8ª edição.

5º Painel de Auditoria e Contabilidade Convecon e Summit Contábil


A 3ª Seção Regional realizou o 5º Painel de Auditoria e Contabilidade, Valdir Campos Costa, diretor da 5ª SR, representou o Instituto no lan-
no Rio de Janeiro, levando aos profissionais da região temas como çamento da 26ª Convenção dos Profissionais da Contabilidade do Es-
relatórios de auditoria, o impacto dos riscos cibernéticos no mundo tado de São Paulo (Convecon) e do Summit Contábil.
corporativo e o futuro da profissão. O painel ajudou a difundir os te- Organizado pelo CRCSP, o Summit Contábil terá seis edições, uma em
mas apresentados na 8ª Conferência Brasileira de Contabilidade e 12 de dezembro de 2018, em Guarulhos, e cinco em 2019: a 26ª Con-
Auditoria Independente, do Ibracon, realizada em junho, em São Paulo. vecon acontecerá entre os dias 4 e 6 de novembro de 2019.

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Foto: Câmara Municipal
6ª Seção Regional

de São Carlos
Rio Grande do Sul e Santa Catarina

Contabilista do ano em São Carlos


Luiz Claudio Gaona Granados, diretor da 5ª Seção Regional, participou
da solenidade realizada na Câmara Municipal de São Carlos para entre-
ga do título de “Contabilista do Ano de 2018” ao contador Rui Celso Gui-
marães, eleito pela Associação dos Contabilistas de São Carlos (ACOSC).

Seminário Internacional do CPC

Foto: CRCRS
Marco Fabbri, diretor de Desenvolvimento Profissional da 5ª Regional,
participou do XV Seminário Internacional do CPC – Normas Contá-
beis. Organizado pela Fundação de Apoio ao Comitê de Pronunciamen-
tos Contábeis (FACPC), o XV Seminário Internacional do CPC contou Revisão da Educação Continuada
com o apoio do Ibracon, uma das entidades que compõem o Comitê Paulo Alaniz, presidente da 6ª Seção Regional, representou o Ibra-
de Pronunciamentos Contábeis (CPC). con no debate sobre Alterações da Revisão NBC PG 12 (R4), promo-
O Seminário proporcionou uma visão do atual estágio de adoção das vido pelo Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul
Normas Internacionais de Relatório Financeiro (IFRS) no Brasil. (CRCRS), com a participação de representantes contábeis do estado.

Palestra Senac Inovação Tecnológica em Auditoria


Viviene Bauer, diretora de Adminis- Com o apoio da 6ª Seção Regional do Ibracon, o Conselho Regional de
tração e Finanças da 5ª SR, realizou Contabilidade do Rio Grande do Sul (CRCRS) realizou o Fórum de Tec-
palestra para os alunos que partici- nologia da Informação e de Auditoria Independente. Inovação Tecno-
param dos Jogos Contábeis do cur- lógica em Auditoria, na sede do Sindicato das Empresas de Serviços
so de Bacharelado em Ciências Con- Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e
tábeis do Centro Universitário Senac, Pesquisas do Estado do Rio Grande do Sul (Sescon-RS), em Porto Alegre.
Santo Amaro.
Pelo 3º ano consecutivo, o Ibracon pa- 9ª Seção Regional
trocinou os Jogos Contábeis, cuja eta-
Foto: Ibracom

pa final foi realizada em novembro, em Bahia


São Paulo.
Os vencedores da edição participarão
da 9ª Conferência de Contabilidade e Auditoria Independente do Ibracon,
que será realizada nos dias 10 e 11 de junho de 2019.

Foto: CRCBA
Foto: Sescon-SP

Encontro de Ciências Contábeis na Bahia


Outubro Rosa Leandro Ardito, diretor Técnico da 9ª Seção Regional, prestigiou o
Viviene de Paula Bauer, diretora de Administração e Finanças da 5ª SR, Encontro de Coordenadores e Professores de Ciências Contábeis da
participou da campanha Outubro Rosa, do Sindicato das Empresas de Ser- Bahia, promovido pelo Conselho Regional de Contabilidade da Bahia
viços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informa- (CRCBA), tendo como tema “Os Desafios da Educação Contábil em
ções e Pesquisas no Estado de São Paulo (Sescon-SP) e da Associação um Mundo Digital e Sustentável”.
das Empresas de Serviços Contábeis do Estado de São Paulo (Aescon-SP),
Para informações detalhadas, acesse o Portal Ibracon:
em parceria com o Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São
www.ibracon.com.br
Paulo (CRCSP) e o Sindicato dos Contabilistas de São Paulo (Sindcont-SP).

DEZEMBRO 2018  REVISTA TRANSPARÊNCIA 47


Conheça as firmas de auditoria
associadas ao Ibracon
Alagoas Orplan Auditores Independentes Opinião Auditores Independentes
Convicta Auditores Independentes S/S Belo Horizonte, MG / Tel: (31) 3115-1400 Rio de Janeiro, RJ / Tel: (21) 2223-2785
Maceió, AL / Tel: (82) 3336-5479 Paraná Walter Heuer Auditores Independentes
Rio de Janeiro, RJ / Tel: (21) 2240-1332
Amazonas Bazzaneze & Auditores Independentes S/S
Baker Tilly Brasil Norte S/S – Curitiba, PR / Tel: (41) 3322-9098 Rio Grande do Sul
Auditores Independentes – EPP CPN Auditores Independentes S/S Arruda & Matos Auditores Associados S/S
Manaus, AM / Tel: (92) 3232-6046 Curitiba, PR / Tel: (41) 3222-0048 Porto Alegre, RS / Tel: (51) 3072-5282
Muller & Prei Auditores Independentes S/S Maciel Auditores S/S EPP
Bahia Curitiba, PR / Tel: (41) 3078-9990 Porto Alegre, RS / Tel: (51) 3037-5034
Audicont – Auditores e Consultores S/C
Salvador, BA / Tel: (71) 3341-8977 Pernambuco UHY Moreira Auditores
ARC & Associados Auditores Porto Alegre, RS / Tel: (51) 3210-8000
Ceará Independentes S/C
Santa Catarina
Controller Auditoria e Recife, PE / Tel: (81) 3035-6500
Assessoria Contábil S/C Berkan Auditores Independentes
Chronus Auditores Independentes
Fortaleza, CE / Tel: (85) 3208-2700 Blumenau, SC / Tel: (47) 3035-2668
Recife, PE / Tel: (81) 3231-6563
Martinelli Auditores
Distrito Federal Directivos Auditores Independentes
Recife, PE / Tel: (81) 3325-2251 Joinville, SC / Tel: (47) 2101-1900
Alianzo Auditoria e Consultoria S/S Eireli
Brasília, DF / Tel: (62) 3087-0713 Ferreira & Associados Auditores Independentes Sergipe
Jaboatão dos Guararapes, PE A Priori Auditores Independentes S/S
Ápice Contábil – Auditores
Independentes S/S Ltda Tel: (81) 3453-5553 Aracaju, SE / Tel: (79) 3011-5005
Brasília, DF / Tel: (61) 3346-0667 Guimarães & Associados Aud. e Cons. S/C Ricarte Contabilidade S/C LTDA
Recife, PE / Tel: (81) 3465-0762 Aracaju, SE / Tel: (79) 2106-3800
Audiger Auditores e Consultores
Brasília, DF / Tel: (61) 3328-2628 PHF Auditores Independentes
Recife, PE / Tel: (81) 3467-4565 São Paulo
Global Auditores Independentes S/C
Brasília, DF / Tel: (61) 3224-5494 Referencial Auditores e Consultores S/S 4partners Auditores Independentes S/S
Recife, PE / Tel: (81) 3421-9001 São Paulo, SP / Tel: (11) 5102-2510
Itecon Instituto Técnico de
Consultoria e Auditoria SA Leitão Auditores S/C Alonso Barreto e Cia Auditores
Brasília, DF / Tel: (61) 3224-7799 Recife, PE / Tel: (81) 3366-9922 Independentes
100Porcento Auditores Independentes S/S São Paulo, SP / Tel: (11) 3255-8310
Goiás Recife, PE / Tel: (81) 3242-2406 Andreoli e Associados
Alianzo Auditoria e Consultoria S/S Auditores Independentes
Goiânia, GO / Tel: (62) 3087-0713 Rio de Janeiro São Paulo, SP / Tel: (11) 5052-6250
Acal – Auditores Independentes S/S Ápice Auditores Independentes Ltda.
Masters Auditores Independentes S/C
Rio de Janeiro, RJ / Tel: (21) 2159-8801 São Paulo, SP / Tel: (11) 3171-2727
Goiânia, GO / Tel: (62) 3224-6116
Advance Auditores Independentes S/S
Apply Auditores Associados
Minas Gerais Rio de Janeiro, RJ / Tel: (21) 2262-3047
Santos, SP / Tel: (13) 3228-2700
ADPM – Administração Pública BKR Lopes, Machado Auditores e Consultores
Approach Auditores Independentes
Para Municípios Ltda Rio de janeiro, RJ / Tel: (21) 2156-5800
Presidente Prudente, SP / Tel: (18) 3916-5185
Belo Horizonte, MG / Tel: (31) 2102-3711 Criterio Auditores e Consultores
Associados S/C Assessor Bordin Consultores
Baker Tilly Brasil MG Auditores
Rio de Janeiro, RJ / Tel: (21) 2233-0977 Empresariais Ltda
Independentes
São Paulo, SP / Tel: (11) 3526-7346
Belo Horizonte, MG / Tel: (31) 3118-7800 Crowe Horwath Bendoraytes e
Cia Auditores Independentes Atac Auditores Independentes S/S
Castro, Serra, Nirdo Auditores
Independentes Rio de Janeiro, RJ / Tel: (21) 3385-4662 Santos, SP / Tel: (13) 3221-8879
Belo Horizonte, MG / Tel: (31) 3226-6286 Indep Auditores Independentes S/C Athros Auditoria e Consultoria
Fernando Motta e Associados Rio de Janeiro, RJ / Tel: (21) 2263-5189 São Caetano, SP / Tel: (11) 4435-7302
Auditoria Independente LMPG Auditores Independentes Attest Auditores Independentes
Belo Horizonte, MG / Tel: (31) 3221-3500 Rio de Janeiro, RJ / Tel: (21) 2524-0345 Ribeirão Preto, SP / Tel: (16) 3237-3534
Nexia Teixeira Auditores Loudon Blomquist Auditores Independentes Audilink e Cia Auditores Ltda
Belo Horizonte, MG / Tel: (31) 3282-9939 Rio de Janeiro, RJ / Tel: (21) 2509-8658 São Paulo, SP / Tel: (11) 3819-2207

48 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


As firmas estão listadas por Estado, considerando a jurisdição de associação, que pode ser feita em mais de uma Seção
Regional do Ibracon. A identificação do Estado não significa a área geográfica de atuação, informação que deve ser
consultada diretamente com a firma selecionada. O Ibracon não é uma instituição certificadora de seus associados.

Audioesp Auditoria e Consultoria S/S Grant Thornton Auditores Independentes PKF Brazil Auditores e
Campinas, SP / Tel: (19) 3255-7966 São Paulo, SP / Tel: (11) 3886-5100 Consultores Independentes
Audisa Auditores Associados Hirashima & Associados São Paulo, SP / Tel: (11) 3070-1000
Santana de Parnaíba, SP / Tel: (11) 3661-9933 Auditores Independentes PP&C Auditores Independentes
Auditora Brasileira S/S São Paulo, SP / Tel: (11) 5102-0007 São Paulo, SP / Tel: (11) 3883-1600
Limeira, SP / Tel: (19) 3701-4718 Irmãos Campos e Cerbocini PwC
Azevedo Auditoria e Assessoria Auditores Associados São Paulo, SP / Tel: (11) 3674-2000
Contábil Ltda. São Paulo, SP / Tel: (11) 3675-1228
Rengi Trevor Auditores Independentes S/S
Araçatuba, SP / Tel: (18) 3117-4500 JDM Auditores e Consultores S/C São Paulo, SP / Tel: (11) 2129-8980
BDO RCS São Paulo, SP / Tel: (11) 3872-1995
RM Auditoria Contabil – S/S
São Paulo, SP / Tel: (11) 3848-5880 KPMG Santos, SP / Tel: (13) 3222-5848
BKR Lopes, Machado São Paulo, SP / Tel: (11) 3940-1500
Auditores e Consultores Rodl e Partner Auditores Independentes
KSI Brasil Auditores Independentes
São Paulo, SP / Tel: (11) 5041-4610 São Paulo, SP / Tel: (11 )5094-6060
São Paulo, SP / Tel: (11) 3218-7795
BLB Auditores Independentes RSM Brasil CCA Continuity
LCC Auditores Independentes
Ribeirão Preto, SP / Tel: (16) 3941-5999 Auditores Independentes S/S  
São Paulo, SP / Tel: (11) 3798-3313
Caaud Auditores Independentes S/S São Paulo, SP / Tel: (11) 2613-0293
LM Auditores Associados
São Paulo, SP / Tel: (11) 9.8609-7089 Sacho Auditores Independentes
São Paulo, SP / Tel: (11) 5572-3962
Cokinos & Associados Auditores São Paulo, SP / Tel: (11) 2796-2977
Lopes Auditoria e Contab. Ltda.
Independentes S/S Piracicaba, SP / Tel: (19) 3434-3659 SGS Auditores Independentes
São Paulo, SP / Tel: (11) 5085-0280 São Paulo, SP / Tel: (11) 3862-1844
Magalhaes Andrade Auditores
Conaud Auditores Independentes S/C Simionato Auditores Independentes
Independentes S/S
Ribeirão Preto, SP / Tel: (16) 3931-1718 Campinas, SP / Tel: (19) 3255-8040
São Paulo, SP / Tel: (11) 3814-3377
Confiance Auditores Independentes Taticca Auditores Independentes
MAP Auditores Independentes EPP
São Paulo, SP / Tel: (11) 5044-0683 São Paulo, SP / Tel: (11) 3062-3000
São Paulo, SP / Tel: (11) 3288-9191
Consulcamp Auditoria e Assessoria Tríade Auditores e Consultores
Mazars Auditores Independentes S/S
Campinas, SP / Tel: (19) 3231-0399 São Paulo, SP / Tel: (11) 3079-3022
São Paulo, SP / Tel: (11) 3524-4500
Cotrin e Associados Auditores Units Auditores e Consultores S/C
Moore Stephens Lima Luchesi
Independentes
Auditores Independentes São Paulo, SP / Tel: (11) 5102-3793
São Paulo, SP / Tel: (11) 3062-9185
São Paulo, SP / Tel: (11) 5561-2230 Unity Auditores Independentes
Crowe Horwath Macro Auditores
Moore Stephens Prisma São Paulo, SP / Tel: (11) 2869-8358
Independentes S/S
São Paulo, SP / Tel: (11) 5632-3733 Auditoria e Consultoria Upwards Auditores Independentes S/S EPP
Ribeirão Preto, SP / Tel: (16) 3019-7900 São Paulo, SP / Tel: (11) 5503-6588
De Biasi Auditores Independentes
São José dos Campos, SP / Tel: (12) 2138-6000 Nara-Koiseki Auditores Independentes Base: dezembro/18
São Paulo, SP / Tel: (11) 5572-4156
Deloitte
São Paulo, SP / Tel: (11) 5186-1000 Opinion Auditores e Consultores S/C
São Paulo, SP / Tel: (11) 3256-4864
EY
São Paulo, SP / Tel: (11) 2573-3000 Padiani Auditores Independentes S/S
Boituva, SP / Tel: (15) 3263-1798
Exame Auditores Independentes
Nova Ribeirânia, SP / Tel: (16) 3514-5300 Padrão Auditoria S/S
São Paulo-SP / Tel: (11) 5080-5855
Fabbri Auditores
São Paulo, SP / Tel: (11) 3141-0398 Partnership Auditores e Consultores S/S
São Paulo, SP / Tel: (11) 3541-2992
Factual Auditores Independentes
Ribeirão Preto, SP / Tel: (16) 3877-6569 Pemom Auditores Independentes S/S
Galloro e Associados Auditores São Paulo, SP / Tel: (11) 2619-0500
Independentes Peppe Associados Consultores
São Paulo, SP / Tel: (11) 3255-0555 e Auditores Independentes
Geasc – Auditoria, Assessoria São Paulo, SP / Tel: (11) 5531-9975
e Serviços Contábeis Ltda. PGBR Rodyo’s Auditores Independentes S/S
São Paulo, SP / Tel: (11) 2272-3501 São Paulo, SP / Tel: (11) 5082-1688

DEZEMBRO 2018  REVISTA TRANSPARÊNCIA 49


DIRETORIA NACIONAL 2ª Seção Regional
Ilustração da capa: Cesar Mangiacavalli e Ingram Image

Rua José Aderval Chaves, 78, sl. 405


Presidente
51111-030, Recife, PE
Francisco Antonio Maldonado Sant’Anna
PUBLICAÇÃO DO IBRACON – INSTITUTO DOS AUDITORES INDEPENDENTES DO BRASIL ANO 8 Nº 32 R$ 25,00

Fone: (81) 3327-1174, (81) 99191-0311


Diretor Técnico ibraconsegunda@ibracon.com.br
Rogério Hernandez Garcia 3ª Seção Regional
MEDIDAS CONTRA Diretor de Administração e Finanças Av. Passos, 101, cj 504
A CORRUPÇÃO
Roberson Pozzobon, procurador
da República e integrante da
força-tarefa Lava Jato do MPF Francisco de Paula dos Reis Júnior 20051-040, Rio de Janeiro, RJ
Fone/Fax: (21) 2233-5833,
no Paraná, aborda o tema
em artigo exclusivo

Diretor de Desenvolvimento Profissional (21) 2233-5917, (21) 2233-5357


Tadeu Cendón Ferreira ibraconterceira@ibraconterceira.com.br
MARIA CLARA BUGARIM POLÍTICA EXTERNA TRANSPARÊNCIA
Presidente da Abracicon fala
sobre carreira, família, seu
pioneirismo em entidades de
classe e do futuro da profissão
Diplomata Rubens Ricupero aponta
caminhos para o Brasil aperfeiçoar
sua imagem global, firmar seu
protagonismo na América do Sul e
NO SETOR PÚBLICO
Auditar programas de governo:
firmas de pequeno e médio
Diretor de Comunicação 4ª Seção Regional
portes também podem

Clinton Leandro Fernandes
atrair investimentos estrangeiros
ingressar nesse nicho

Rua Santa Catarina, 1630,


sl. 104/105
Diretora de FAPMP
A Revista Transparência 30170-081, Belo Horizonte, MG
Monica Foerster
é uma publicação trimestral do Fone: (31) 3275-3070
Ibracon – Instituto dos Auditores Superintendente ibraconquarta@ibracon.com.br
Independentes do Brasil Marco Aurelio Fuchida
5ª Seção Regional
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50 REVISTA TRANSPARÊNCIA  DEZEMBRO 2018


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