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Uso de veículo aéreo não tripulado na obtenção de ortomosaicos de alta resolução espacial Danilo

Uso de veículo aéreo não tripulado na obtenção de ortomosaicos de alta resolução espacial

Danilo Henrique dos Santos Ataíde 1 , Bruno Araujo Furtado de Mendonça 2 , Emanuel José Gomes de Araújo 3 , Alexandre Magalhães Albuquerque 4 , Pedro Vaz da Rocha 5 , Julyana Gomes da Silva 6

1 UFRRJ - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (daniloataide.florestal@gmail.com), ²UFRRJ (brunoafmendonca@gmail.com), ³UFFRJ (ejgaraujo@gmail.com), 4 Pessoa Física (alealbuquerque@gmail.com), 5 UFRRJ (pedrovaz-522@hotmail.com), 6 UFRRJ (julyanagomes.silva@gmail.com)

RESUMO: O objetivo da pesquisa foi avaliar o uso de Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT) de baixo custo na obtenção de imagens aéreas digitais de alta resolução espacial e sinalizar suas potencialidades de uso nas ciências florestais. Uma área urbana no município de Seropédica (RJ) foi mapeada nas alturas de voo de 50 e 80 m utilizando a plataforma Phanton 3 Professional com câmera digital fotográfica RGB de 12,4 megapixels acoplada. A resolução espacial obtida para o mosaico ortorretificado a altura de 50 m correspondeu a 2,30 cm por pixel, enquanto que na altura de 80 m foi de 3,59 cm por pixel. O erro médio de posicionamento foi submétrico nos dois ortomosaicos gerados. A utilização do VANT Phantom 3 Professional permitiu a obtenção de imagens ortorretificadas com alta resolução espacial e precisão, indicando potencial de uso no mapeamento detalhado de florestas comercias e naturais.

Palavras-chave: fotogrametria digital, mapeamento autônomo, geotecnologias, VANT

1.

O rápido avanço da tecnologia (computacional, materiais, sistemas de navegação

global, sensores aprimorados, etc.), somado a demanda crescente em produzir produtos

cartográficos de maior qualidade, tem contribuído para desenvolvimento e uso de Veículos

Aéreos Não Tripulados (VANTs) no Brasil e no mundo. Suas aplicações abrangem várias

áreas de conhecimento, e nas ciências florestais, surgem como uma opção na silvicultura

por apresentarem uma série de possibilidades de uso, tais como: o monitoramento de

plantios comerciais e florestas naturais; identificação de patologias; levantamento de

informações para a prescrição de tratos silviculturais; monitoramento de incêndios

florestais, dentre outros. No entanto, apesar do fácil acesso aos VANT’s de baixo custo,

pouco se conhece sobre a qualidade dos potenciais produtos cartográficos que podem ser

obtidos por essa plataforma. Assim, o objetivo da pesquisa foi avaliar o uso de Veículo

Aéreo Não Tripulado de baixo custo na obtenção de imagens aéreas digitais de alta

Introdução

resolução espacial e sinalizar suas potencialidades de uso nas ciências florestais. 2. Material e Métodos

resolução espacial e sinalizar suas potencialidades de uso nas ciências florestais.

2. Material e Métodos A área selecionada para o segundo aerolevantamento compreendeu a divisa entre a

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), unidade Agrobiologia, e o

prédio do Projeto Saúde Animal (PSA), pertencente ao Instituto de Veterinária UFRRJ,

ambos localizados no município de Seropédica RJ.

O VANT utilizado na obtenção das imagens foi o quadricópetero Phantom 3

Professional. O sensor acoplado na plataforma utilizado na captura das imagens foi a

câmera digital fotográfica RGB Sony EXMOR 1/2.3”, com 12,4 Megapixel (4.000 x 3.000

pixels), lentes FOV 94° 20 mm (35 mm formato equivalente), f/2.8, focus at ∞ e

velocidade de disparo de 8 s/8000s. O plano de voo foi definido acima da área de interesse

por meio da utilização do aplicativo Pix4D capture. O software, habilitado a conectar com

VANT’s da série Phantom (DJI), permitiu a criação de um plano de voo pré-definido,

sistemático e totalmente automatizado. Foram realizadas duas missões de voo, em duas

alturas distintas. A primeira missão, denominada Missão A, a altura de voo estabelecida foi

de 50 m. A segunda missão, denominada Missão B, foi realizada com altura

correspondente a 80 m. Nas duas missões, foi estabelecida sobreposição (longitudinal e

lateral) equivalente a 70%. O georreferenciamento das imagens foi feito pelo GPS

embarcado na plataforma. As imagens foram processadas no software PhotoScan

Professional Edition 1.2.3.

3. Resultados e Discussão Na Tabela 1 são apresentados os erros médios totais de posição das imagens nos

eixos X, Y e Z, baseados no GPS interno do VANT.

TABELA 1. Erro médio de posição das imagens total e parcial dos eixos x, y e z, baseado no GPS interno do VANT e obtido no relatório de dados do programa Photoscan.

Aerolevantamento

Erro X (m)

Erro Y (m)

Erro Z (m)

Erro total (m)

Missão A

0,2020

0,2754

0,4020

0,5275

Missão B

0,2508

0,3235

0,2442

0,4766

Observa-se que os erros dos eixos X e Y obtidos na Missão A são menores que na

Missão B, os quais podem ser relacionados com as diferenças de altura de voo nos dois

levantamentos. Ainda, o eixo Z apresentou erro elevado nas duas missões, possivelmente relacionados a menor

levantamentos. Ainda, o eixo Z apresentou erro elevado nas duas missões, possivelmente relacionados a menor precisão desse eixo Z (altitude) do GPS de navegação embarcado. Os ortomosaicos resultantes do aerolevantamento e os mapas de sobreposição da Missão A e B encontram-se na Figura 1, respectivamente.

FIGURA 1. Ortomosaicos da Missão A (a) e Missão B (c) e mapa da sobreposição de fotos da Missão A (b) e Missão B (d).

(a) (b) (d)
(a)
(b)
(d)
A resolução espacial obtida para o mosaico ortorretificado na Missão A correspondeu a 2,30 cm

A resolução espacial obtida para o mosaico ortorretificado na Missão A correspondeu a 2,30 cm por pixel, enquanto que na Missão B foi de 3,59 cm por pixel. Diferentes equipamentos (VANTs) para este uso permitem resoluções espaciais diferenciadas, dependendo principalmente da altura de voo como também da distância focal da câmera e dimensão do CMOS (Complementary Metal Oxide Semiconductor ), responsável pela captura da imagem. Al-Rawabdeh et al. (2015) utilizando o VANT Phantom 2 equipado com câmera Gopro Hero3 black edition, obtiveram resolução espacial de 5 cm. Pereira & Tamamaru (2013) confeccionaram imagens ortorretificadas na resolução espacial de 15 cm, por meio do VANT modelo Tiriba (asa-fixa). Por outro lado, os satélites orbitais de alta resolução espacial permitem a aquisição de imagens com resolução espacial que podem variar de 0,7 m a 3 m (Rudorff et al, 2009). Com respeito a isso, as imagens obtidas pelo VANT, apresentaram resolução espacial superior a esses sistemas orbitais de alta resolução. Esses resultados encontrados, com alto nível de detalhamento, podem apoiar o monitoramento em florestas comerciais e naturais por meio do mapeamento de alta precisão, podendo refletir na redução de custo nas operações florestais (Vetorazzi & Ferraz, 2000). Conforme observado nas Figuras 1 (b) e (d) a área com maior sobreposição de fotos foi obtida na Missão A. Isso decorreu do número de fotos na linha de voo ser superior nessa missão, devido a menor altura de voo nessa missão. Nas duas missões realizadas, os níveis demonstram-se elevados na parte central do mosaico (com mais de 9 fotos com sobreposição), devido ao maior número de fotos sobrepostas nessa área, proporcionando uma maior qualidade nessa região em relação às extremidades. Segundo Cassemiro & Pinto (2014), quanto mais alto o nível de sobreposição das imagens, mais redundante é a nuvem de pontos gerada para obtenção do mosaico, reduzindo problemas de imperfeições encontradas nas extremidades durante o processamento, que estão frequentemente associados a regiões com baixa sobreposição. Observaram-se falhas (buracos), localizadas nas extremidades, em todos os ortomosaicos gerados nesse estudo, corroborando tal afirmação. Por outro lado, apesar da elevada sobreposição na porção mais central ainda ocorreram pequenas falhas relacionadas à movimentação das árvores pelo vento, o qual

pode dificultar a identificação dos pontos homólogos no processamento e consequentemente a qualidade do ortomosaico

pode dificultar a identificação dos pontos homólogos no processamento e

consequentemente a qualidade do ortomosaico nestas regiões específicas.

4. Conclusão

A utilização do VANT Phantom 3 Professional permitiu a obtenção de imagens ortorretificadas com alta resolução espacial e precisão, sinalizando grande potencial na geração de mapas de florestas comercias e naturais com alto nível de detalhamento.

5. Literatura Citada

Al-rawabdeh, A.; Moussa, A.; Habib, A.; El-sheimy; N. Derivation of 3D point cloud

using UAV-based digital imaging system for detecting and identifying landslide scars.

In: ASPRS, 1. 2015, Tampa. Anais

Cassemiro, G.H.M.; Pinto, H.B. Composição e processamento de imagens aéreas em alta

resolução obtidas com drone. 2014. 40 f. Monografia (Graduação em Engenharia

Eletrônica) Universidade de Brasília, Brasília, 2014.

Rudorff, B.F.T.; Mello, M.P.; Shimabukuro, Y.E. Imagens de satélite de sensoriamento

remoto no Brasil. In: Simpósio de Geotecnologias do Pantanal, 2., 2009, Corumbá. Anais

Campinas: Embrapa Informática Agropecuária, 2009. p.1077-1083.

Vettorazzi, C.A.; Ferraz, S.F.B. Silvicultura de precisão: uma nova perspectiva para o

gerenciamento de atividades florestais. In: Borém, A.; Giudice, M.P.; Queiróz, D.M.

Agricultura de Precisão. Viçosa: Os autores, 2000. p.65-75.

Pereira, O.J.R.; Tamaru, R. Geração de modelos de elevação com base em técnicas de

estereoscopia digital, por meio de imagens de VANT: Subsídeo a identificação de manchas

de desmatamento em áreas de preservação permanente. In: Simpósio Brasileiro de

do Iguaçu: INPE, 2013.

p.2113-2119.

Sensoriamento Remoto, 16., 2013, Foz do Iguaçu. Anais

Tampa: ASPRS, 2015. p.4-8.

Foz