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CONSTITUIÇÃO DA MATÉRIA

Toda a matéria é constituída por uma enorme quantidade de


partículas denominadas átomos. Estes, por sua vez, são constituídos
por um certo número de partículas: protões e neutrões agrupados
formando o núcleo em volta do qual giram em várias órbitas e com
grande velocidade outras partículas denominadas eletrões.

O protão é uma partícula com carga elétrica positiva enquanto o eletrão é uma
partícula com carga elétrica negativa. O neutrão é eletricamente neutro.

Num átomo o número de protões é igual ao número de eletrões pelo que este é
eletricamente neutro.

Se um átomo perde eletrões, ele fica com mais protões do que eletrões, e portanto,
carregado positivamente.
Se um átomo recebe eletrões, ele fica com mais eletrões do que protões e, portanto,
carregado negativamente.

Concluímos portanto, que os corpos podem estar carregados positivamente (se têm falta
de eletrões), carregados negativamente (se têm eletrões em excesso) e ainda no estado
neutro.

POTENCIAL ELÉCTRICO. DIFERENÇA DE POTENCIAL

Quando um corpo está carregado positivamente, dizemos que tem um


potencial elétrico positivo e quando está carregado negativamente,
dizemos que tem um potencial elétrico negativo.

Na fig.2, o corpo A tem um potencial elétrico positivo UA e o corpo B


tem um potencial elétrico negativo UB.

Potencial elétrico de um corpo indica-nos o seu nível de eletrização ou seja se ele tem
excesso ou falta de eletrões.

Quando dois corpos possuem potenciais elétricos diferentes, diz-se que entre eles existe
uma diferença de potencial (d.d.p.).

A d.d.p. é uma grandeza elétrica que tem valor e pode ser medida. É também conhecida
por tensão elétrica. Representa-se pela letra U.

A unidade em que se mede a d.d.p. é o volt (V) em homenagem ao físico italiano


Alessandro Volta que descobriu o primeiro gerador.

Submúltiplos do volt
microvolt (μV): 1μV = 0,000001V = 10-6 V
milivolt (mV): 1mV = 0,001V = 10-3 V

Múltiplos do volt
kilovolt (kV): 1kV = 1000V = 103 V

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Mede-se a d.d.p. com um aparelho designado por voltímetro, caracterizado por ter um
“V” no mostrador, o qual deve ser ligado entre os pontos cuja d.d.p. se pretenda medir.

CORRENTE ELÉTRICA

Corrente elétrica é o movimento ordenado de cargas eléctricas (electrões), num meio


condutor, entre duas zonas com potenciais elétricos diferentes.

Se ligarmos por exemplo os corpos A e B (Fig.2) através de um fio de material condutor


haverá uma corrente elétrica.
Neste caso corrente elétrica dura pouco tempo dado que se atinge a igualdade de
potenciais rapidamente.

Quando a d.d.p. = 0 não existe corrente elétrica.

INTENSIDADE DA CORRENTE ELÉTRICA

A corrente elétrica poderá ser mais ou menos intensa, isto é, poderão passar mais ou
menos eletrões. Para isso define-se a grandeza intensidade da corrente elétrica.

Intensidade da corrente eléctrica é a quantidade de carga


elétrica que atravessa uma determinada secção de um
condutor por unidade de tempo.

𝑄
𝐼=𝑡
Onde:
I – Intensidade da corrente elétrica em Ampere (A);
Q – Quantidade de carga elétrica em Coulomb (C);
t - tempo em segundos (s)

A carga de 1C é igual à carga de 6,25x1018eletrões.

Submúltiplos do Ampere
microampere (μA): 1μA = 0,000001A = 10-6 A
miliampere (mA): 1mA = 0,001A = 10-3 A

Múltiplos do Ampere
kiloampere (kA): 1kA = 1000A = 103 A

A intensidade da corrente elétrica mede-se com um aparelho designado por


amperímetro.

Exemplos:
1. Um fio é percorrido por uma intensidade de corrente de 2 mA. Após 5 minutos qual a
carga que passou através de uma secção transversal do condutor. Resp.: Q = 0,6 C

2. Através da secção transversal de um condutor passa uma carga de 1,2 C no intervalo


de tempo de 2 minutos. Determine a intensidade de corrente no condutor.
Resp.: I = 0,01 A

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RESISTÊNCIA ELÉCTRICA

A corrente elétrica não circula do mesmo modo em todos os materiais.


Assim, existem materiais que deixam passar facilmente a corrente elétrica. Outros pelo
contrário, oferecem grande dificuldade ou mesmo impedem a passagem da corrente
elétrica.

Resistência elétrica de um material é a oposição que este faz à passagem da corrente


elétrica, ou seja, a maior ou menor facilidade com que deixa atravessar as cargas
elétricas (eletrões).

O símbolo da resistência é R e a unidade é ohm (Ω) em homenagem ao físico alemão,


Georg Simon Ohm, que definiu e estabeleceu uma lei fundamental para a eletricidade.

A unidade de medida, ohm, é pequena, pelo que é vulgar o uso de múltiplos:

Múltiplos:1 quiloohm (kΩ) = 1000 Ω = 103 Ω


1 Megaohm (MΩ) = 1000000 Ω = 106 Ω

A resistência elétrica mede-se com um aparelho designado por ohmímetro.

A palavra resistência significa ainda, em eletrotecnia, um dispositivo que pode ser


intercalado nos circuitos com a finalidade de limitar a intensidade da corrente elétrica
ou até de ajustar.

Esquematicamente é representada pelos símbolos:

Resumindo:

EFEITOS DA CORRENTE ELÉCTRICA

A corrente elétrica não é algo que possamos ver, avalia-se a sua presença simplesmente
pelos seus efeitos. Quanto maior a intensidade da corrente elétrica mais intenso são os
seus efeitos.
A corrente elétrica produz os seguintes efeitos:

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1. Efeito térmico ou calorífico: A libertação de energia, como


calor, num condutor, devido à passagem da corrente elétrica,
designa-se por efeito térmico ou calorífico da corrente elétrica.
Este efeito é também designado por efeito Joule em homenagem
ao físico inglês James Prescott Joule que o estudou pela primeira
vez. Este efeito é a base de funcionamento de vários aparelhos, como, por exemplo,
chuveiro elétrico, ferro elétrico, ferros de solda, lâmpadas incandescentes, fusíveis, etc.

2.Efeito Magnético: Manifesta-se na criação de um campo magnético em


torno de um condutor sempre que este é percorrido por uma corrente elétrica.
A existência do campo magnético pode ser comprovada com o uso de uma
bússola: ocorrerá desvio de direção da agulha magnética. Este efeito
constituia base de funcionamento dos motores elétricos,campainhas,etc.

3.Efeito Luminoso: Este efeito é facilmente visível numa lâmpada


incandescente. A lâmpada emitirá luz dado que o seu filamento aquece
intensamente. Concluímos que o efeito luminoso é consequência do efeito
calorífico.

4. Efeito Fisiológico: Tocando-se num condutor desnudado, a corrente pode


circular através do corpo humano. É o chamado choque elétrico.
Quanto maior a intensidade da corrente, mais forte será o choque. Quando
uma pessoa está com o corpo molhado, a resistência oferecida à passagem da
corrente diminui; então a intensidade da corrente aumenta e o choque é mais
intenso.

5. Efeito Químico: Existem reações químicas que são


provocadas pela passagem de corrente elétrica que
caracterizam o que denominamos "efeito químico" da
corrente elétrica. O exemplo mais conhecido é o da
eletrólise da água, ou seja, uma reação em que se usa uma
corrente elétrica para decompor a água (H2O), em
hidrogênio (H2) e oxigênio (O2).O ácido sulfúrico
dissolvido na água serve apenas para torná-la condutora de eletricidade, pois a água
pura praticamente não conduz a corrente. No entanto, na reação, o ácido não toma
parte, havendo apenas a decomposição da água nos seus elementos formadores:
hidrogênio e oxigênio, que são recolhidos nos tubos de ensaio.

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CIRCUITO ELÉTRICO

Circuito elétrico é um conjunto de elementos formando um percurso fechado onde se


faz passar a corrente elétrica.

Os elementos que podem constituir um circuito eléctrico são:

- Gerador;
- Condutores;
- Aparelho de comando e corte;
- Aparelhos de medida;
- Aparelhos de protecção;
- Aparelhos de regulação;
- Receptores

 Gerador
Os geradores têm a função de criar e manter a d.d.p. no circuito eléctrico.

Os geradores têm dois terminais chamados pólos do gerador: o pólo positivo (+) e o
pólo negativo (-) respectivamente o de potencial mais elevado e o de menor potencial.

 Condutores
Os condutores têm a função de estabelecer a interligação entre os vários elementos que
constituem o circuito elétrico, transportando a corrente elétrica.

Os condutores são materiais que oferecem pouca resistência a passagem da corrente


elétrica. O cobre e o alumínio são os metais mais utilizados no fabrico dos fios elétricos
condutores.

Para que a corrente circule apenas nos condutores é necessário utilizar


materiais isoladores. Os isoladores elétricos são materiais que
oferecem grande resistência à passagem da corrente elétrica. O
policloreto de vinilo (PVC)é um material bastante utilizado no
isolamento dos fios condutores.

 Aparelhos de comando e corte


Instalado um determinado circuito com a finalidade de levar a corrente elétrica a uma
lâmpada (receptor), há necessidade de um aparelho que feche e abra o circuito. Como
exemplo temos o interruptor.

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 Aparelhos de medida
A função dos aparelhos de medida num circuito eléctrico é de controlar o valor de uma
determinada grandeza eléctrica. Como exemplos temos o amperímetro e o voltímetro.

 Aparelhos de protecção
Os aparelhos de protecção têm a função de desligar automaticamente um circuito
quando detectam um defeito.
Como exemplo temos o fusível que interrompe um circuito quando a intensidade de
corrente atinge valores perigosos para este.

 Aparelhos de regulação
A função dos aparelhos de regulação num circuito eléctrico é de regular o valor de uma
determinada grandeza eléctrica. Como exemplo temos o reóstato que permite regular o
valor da intensidade de corrente no circuito.

 Aparelhos de utilização (receptores)

Os receptores eléctricos são aparelhos que para


funcionarem necessitam de receber corrente
eléctrica. São aparelhos que transformam a
energia eléctrica noutras formas de energia.

CIRCUITO ELÉCTRICO ABERTO E FECHADO

Um circuito eléctrico designa-se por aberto quando não existe continuidade eléctrica
entre os dois pólos do gerador, portanto, não há passagem de corrente eléctrica.

Um circuito eléctrico designa-se por fechado quando existe continuidade eléctrica


entre os dois pólos do gerador, portanto, há passagem da corrente eléctrica.

SENTIDO DA CORRENTE ELÉCTRICA

Sentido real (electrónico) é o sentido do deslocamento dos electrões, isto é,


do potencial negativo para o potencial positivo.

Sentido convencional é o sentido contrário ao sentido real, isto é do


potencial positivo para o negativo.

Vamos considerar sempre o sentido convencional da corrente, no estudo dos circuitos


que iremos abordar.

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LEI DE OHM

A lei de Ohm é uma lei básica da electricidade que relaciona as três grandezas
fundamentais estudadas – d.d.p., intensidade de corrente e resistência eléctrica.

George Ohm, em 1826, depois de várias experiências, enunciou a célebre lei que obteve
o seu nome – lei de Ohm:

É constante o quociente entre a d.d.p. aplicada a um receptor e a intensidade de


corrente que o atravessa. Essa constante é a resistência eléctrica.

Em termos matemáticos este enunciado resulta na seguinte relação


𝑈
𝑅= U – d.d.p. ou tensão, em volt (V);
𝐼
I – intensidade de corrente, em ampere (A);
R – resistência eléctrica, em ohm ( Ω ).

Donde se tira que:

𝑈
𝑈 = 𝑅. 𝐼 e 𝐼 = 𝑅

𝑈
Da expressão 𝐼 = 𝑅 conclui-se que:

 Para a mesma resistência, a intensidade de corrente é directamente


proporcional a d.d.p.

 Para a mesma d.d.p., a intensidade de corrente é inversamente


proporcional a resistência eléctrica.

Exemplos:

1. Uma resistência de 100 Ω é atravessada pela intensidade de corrente de 2,2 A. Qual o


valor da tensão nos extremos da resistência?

2. Uma lâmpada de 30 Ω de resistência e uma d.d.p., entre os seus terminais, de 1,5V.


Qual o valor da intensidade de corrente que o percorre?

3.Uma lâmpada de sinalização é alimentada por uma fonte de energia eléctrica de 24 V.


Calcule a resistência do filamento sabendo que este é percorrido por uma corrente de
25 mA.

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FICHA DE EXERCÍCIOS N°1

1. Define corrente eléctrica.

2. Define intensidade da corrente eléctrica e diga o nome do instrumento utilizado na


sua medição.

3.O que é resistência eléctrica? Indique a sua unidade de medida.

4. Diferencie materiais condutores e materiais isoladores.

5. Em que consiste o efeito térmico da corrente eléctrica. Indique duas aplicações deste
efeito.

6. Distingue sentido electrónico de sentido convencional da corrente eléctrica.

7. O que é um circuito eléctrico?

8. Enuncie a lei de Ohm.

9. Determine o valor de uma resistência eléctrica, que quando submetida a uma tensão
de 5V é percorrida por uma corrente de 200 mA.

10.A resistência de um aparelho é de 20  e deve ser percorrido por uma intensidade


de 2,5 A. Calcule a tensão que se deve aplicar aos seus terminais.

11. Uma resistência é percorrida por 0,5 A quando submetida a uma tensão de 12 V.
Calcule:
a) O valor da resistência.
b) O valor da intensidade de corrente absorvida se lhe aplicar uma tensão de 20 V

12. Uma resistência eléctrica absorve 0,8 A quando submetida a 24 V. Calcule o valor da
tensão que lhe é aplicada quando absorve 0,5 A.

13. Ao fazer-se um ensaio laboratorial, com uma dada resistência R, registámos os


valores indicados no quadro, o qual ficou incompleto. Completa-o

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RESISTIVIDADE

A resistência de um condutor depende de suas dimensões (área da secção e


comprimento) e do material de que é feito. Dado um condutor de área de
secção transversal constante S, homogéneo (mesmo material em todos os
pontos) e de comprimento 𝓁.

A resistência R do condutor é calculada por :

𝓵 onde 𝝆 (lê-se ró) é uma constante física, característica do material


𝑹 = 𝝆𝑺
chamada de resistividade ou resistência específica.

No sistema internacional (S.I), as grandezas exprimem-se nas seguintes


unidades:
R - Resistência do condutor em Ohm (Ω)
𝓁- Comprimento do condutor em metros (m)
S - Secção do condutor em metros quadrados (m2)
𝑅.𝑆
𝜌- Resistividade ou resistência específica em Ω.m, dado que 𝜌 = 𝓁

Esta unidade de resistividade é pouco prática dado que a secção dos condutores é
habitualmente expressa em mm2. Utiliza-se então a unidade Ω.mm2/m

A resistividade é uma grandeza que depende única e exclusivamente das características


intrínsecas do material, isto é, da sua estrutura atómica. Assim cada material tem o seu
valor próprio de resistividade.

A tabela seguinte indica-nos os valores da resistividade eléctrica para alguns materiais


condutores e ligas condutoras, à temperatura de 20 ºC.

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𝓁
Da expressão 𝑅 = 𝜌 𝑆 conclui-se que:

 Quanto mais comprido é o condutor maior é a sua resistência.

 Quanto mais elevada é a secção do condutor menor é a sua resistência.

 De acordo com a tabela de resistividade concluímos que se trocarmos um fio


de alumínio por um de cobre com as mesmas dimensões, o fio de cobre terá
resistência menor.

Exemplo: Um condutor de alumínio, com 80 metros de comprimento, tem uma


secção de 35 mm2. Calcule a resistência do condutor.

𝓁 𝟖𝟎
𝑅 = 𝜌 𝑆 = 0,028. 𝟑𝟓 = 0,064 Ω

Exercícios de aplicação:

1. Qual a resistência de um fio de cobre de 30 m de comprimento com um diâmetro de


0,5 mm a 20° C?

Resp.: R = 2,6 Ω

2. Pretende-se construir uma resistência de aquecimento, de 97 Ω, com fio de


cromoníquel. Para o efeito, utiliza-se 11,2 metros de fio. Calcule:

a) A secção do fio.
b) O diâmetro do fio.
c) A intensidade de corrente absorvida pela resistência, se a ligarmos a 220 V.

Resp.:a) S = 0,126 mm2 b) d = 0,4 mm c) I = 2,27 A

3. Um fio de cobre tem 2 mm de diâmetro. Aplicando-se uma tensão de 10 V resulta


uma corrente de intensidade de 1 A. Qual o comprimento do fio?

Resp.: 𝓁 = 1847 m

4. A secção de um condutor de 300 metros de comprimento é de 6 mm2 e a resistência é


1,4 Ω. Qual o material que constitui o condutor?

Resp.:Alumínio

5. A resistência de um reóstato é 200 Ω. O fio é de cromoníquel com 0,25 mm2 de


secção. Quantos metros tem o fio da resistência?

Resp.: 𝓁 = 45,9 m

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VARIAÇÃO DA RESISTÊNCIA COM A TEMPERATURA

A resistividade varia com a temperatura, então, também, o mesmo acontecerá com a


resistência.

A resistência varia com a temperatura de acordo com a seguinte expressão:

𝑅𝑓 = 𝑅𝑖 [1 + 𝛼(𝑇𝑓 − 𝑇𝑖 )]

𝑅𝑓 – Resistência final (Ω), à temperatura final 𝑇𝑓 ;


𝑅𝑖 – Resistência inicial (Ω), à temperatura final 𝑇𝑖 ;
𝑇𝑓 – Temperatura final (°C);
𝑇𝑖 – Temperatura inicial (°C);
(𝑇𝑓 − 𝑇𝑖 ) - Variação de temperatura;
𝛼 – Coeficiente de temperatura (°𝐶 −1 ).

Coeficiente de temperatura (𝜶) de um material é a variação sofrida pela resistência de


1 Ω desse material quando a sua temperatura aumenta 1°C.

A tabela seguinte indica-nos os coeficientes de temperatura para alguns materiais


condutores e ligas condutoras.

Para os metais o coeficiente de temperatura vale aproximadamente 0,004 °𝐶 −1 sendo


positivo, isto é, se a temperatura aumentar a resistência aumenta.
Existem materiais que têm o coeficiente de temperatura negativo, e, portanto se a
temperatura aumentar a resistência diminui, é o caso do carvão e dos materiais
semicondutores.

Exemplo: Um condutor de cobre apresenta uma resistência de 67 Ω à temperatura de


20 °C. Qual o valor da sua resistência a 70°C?

𝑅𝑓 = 𝑅𝑖 [1 + 𝛼(𝑇𝑓 − 𝑇𝑖 )]

𝑅70 °C = 67[1 + 0,004(70 − 20)]

𝑅70 °C = 67(1 + 0,004.50) = 67(1 + 0,2) = 80,4 Ω

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Exercícios de aplicação

1. O fio de cobre da bobina de um electroíman tem um comprimento de 100 m e uma


secção de 0,5 mm2. Em funcionamento a bobina aquece até 60 °C. Calcule a sua
resistência a esta temperatura.

Resp.: 𝑅60 °C = 3,94 Ω

2. Um condutor de alumínio tem 100 metros de comprimento e 4 mm2 de secção.


Calcule:

a) A resistência do condutor a 20 °C.


b) A temperatura atingida pelo condutor se a sua resistência aumentar para 0,75 Ω.

Resp.: a) 𝑅20 °C = 0,7 Ω b) 𝑇𝑓 = 37,9 °C

3. Para determinar o aquecimento das bobinas de um motor eléctrico mediu-se


primeiramente a sua resistência com o motor parado e à temperatura ambiente e depois
com o motor quente após ter trabalhado durante algum tempo. Obtiveram-se
respectivamente os valores, 0,115 Ω e 0,140 Ω. Determine:

a) A elevação de temperatura sabendo que as bobinas são de cobre.


b) Sendo a temperatura ambiente de 20 °C, qual a temperatura atingida pelas bobinas?

Resp.: a) ∆𝑇 = 54,3 °C b) 𝑇𝑓 = 74,3 °C

4. A resistência de um aparelho, em ferroníquel, tem 60 Ω a 20 °C. Sabendo que, ao


aplicarmos 220 V, ela absorve 3,3 A, calcule:

a) A resistência a quente.
b) A temperatura a quente.

Resp.: a) 𝑅𝑓 = 66,7 Ω b) 𝑇𝑓 = 143,5 °C

5. Um determinado dispositivo tem uma resistência de 30 Ω (a 20 °C). Sabe-se que, a


45 °C, a sua resistência aumentou 0,225Ω. Calcule o coeficiente de temperatura do
material utilizado e indique o nome deste.

Resp.:Maillechort

VANTAGENS E INCONVENIENTES DO EFEITO DE JOULE

Um dos efeitos da corrente eléctrica é o efeito térmico ou calorífico, isto é, a


transformação da energia eléctrica em energia calorífica, nos condutores e receptores. A
esse efeito da corrente eléctrica dá-se o nome de efeito de Joule.

O efeito de Joule como vantagem ou como inconveniente depende apenas do objectivo


que temos em vista com a transformação energética que se está a processar.

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Assim, se pretendemos obter calor para um determinado fim (aquecimento ambiente,


aquecimento de água, etc.), evidentemente que o efeito de Joule será então uma
vantagem.

Se não pretendemos (ou não podemos) aproveitar o calor que é libertado por efeito de
Joule, então ele será um inconveniente.
Por exemplo, o calor libertado pelos condutores ao serem percorridos por corrente não é
aproveitado, constituindo perdas de energia e envelhecendo o material, pelo que será
então um inconveniente.
Outro exemplo: as lâmpadas incandescentes fornecem luz e calor; a lâmpada deve
fornecer luz, pelo que o calor libertado constitui perda de energia, neste caso, o efeito de
Joule também será um inconveniente.

As vantagens do efeito de Joule estão associadas as aplicações conhecidas: ferros de


engomar, torradeiras, chuveiros eléctricos, máquinas de solda, termoacumuladores,
secadores de cabelo, fusíveis, etc.

Conclui-se, que o efeito de Joule só será uma vantagem se for canalizado para alguma
aplicação concreta; de outro modo, será sempre um inconveniente e constituirá perda de
energia. Neste último caso, diz-se que a energia calorífica se dissipa (perde-se, sem
qualquer aproveitamento).

LEI DE JOULE

A energia eléctrica que se transforma em calor num receptor ou num condutor pode ser
quantificada, isto é, podemos calcular o seu valor através de uma expressão matemática,
a qual traduz a lei de Joule.
Esta lei, enunciada por James Prescott Joule em 1841, diz o seguinte:

A energia eléctrica transformada em energia calorífica num receptor ou num


condutor é directamente proporcional à resistência eléctrica destes, ao quadrado
da intensidade da corrente que os percorre e ao tempo de passagem da corrente.

𝑊 = 𝑅𝐼 2 𝑡

W – energia eléctrica transformada (em joules – J)


R – resistência eléctrica (em ohm – Ω)
I – intensidade de corrente ( em amperes – A)
t – tempo de passagem da corrente (em segundos – s)

Frequentemente, em vez de falarmos em energia calorífica W, falamos em quantidade


de calor Q, cuja unidade é a caloria (cal).

A relação entre a caloria e o joule é a seguinte:

1 𝑐𝑎𝑙 = 4,18 𝐽
1
1 𝐽 = 4,18 = 0,24 𝑐𝑎𝑙

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Assim a quantidade de calor Q produzida por efeito de Joule calcula-se através da


expressão:

𝑄 = 0,24𝑅𝐼 2 𝑡

em que Q é a quantidade de calor, em calorias.

Exemplo: Um condutor com a resistência de 50 Ω é percorrido por uma intensidade de


corrente de 2 A durante 30 minutos. Calcule:

a) A energia em kJ dissipada por efeito de Joule.


b) A quantidade de calor em kcal libertada no condutor.

Resolução:

a) 𝑊 = 𝑅𝐼 2 𝑡𝑡 = 30.60 = 1800𝑠
𝑊 = 50. 22 . 1800
𝑊 = 360000𝐽 = 360 𝑘𝐽

b) 𝑄 = 0,24 𝑅𝐼 2 𝑡
𝑄 = 0,24 .360000 = 86400 𝑐𝑎𝑙 = 86,4𝑘𝑐𝑎𝑙

POTÊNCIA

Define-se potência (P) como a quantidade de energia absorvida ou fornecida por


unidade de tempo.
𝑊
𝑃= 𝑡

em que: P – potência em watts (W)


W – energia em joules (J)
t – tempo em segundos (s)

Submúltiplo mais usado:


miliwatt (mW): 1mW = 0,001W = 10-3 W

Múltiplos mais usados:


quilowatt (kW): 1 kW = 1000 W = 103 W
megawatt (MW): 1 MW = 1000000 W = 106 W

Nas máquinas eléctricas (geradores e motores) é usual utilizar-se o cavalo-vapor (CV)


como unidade prática de potência:

1CV = 736 W

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POTÊNCIA ELÉCTRICA

A potência eléctrica fornecida por um gerador é igual ao produto da tensão U, aos seus
terminais, pela intensidade de corrente I fornecida.
𝑃 = 𝑈𝐼
em que: P – potência eléctrica em watts (W)
U – tensão eléctrica em volts (V)
I – intensidade de corrente em amperes (A)

Potência eléctrica de um receptor térmico

Os receptores térmicos transformam toda a energia eléctrica absorvida em energia


calorífica sendo apenas constituídos por resistências.

A potência eléctrica absorvida por um receptor é igual a potência eléctrica fornecida


pelo gerador (desprezando as perdas por efeito de Joule nos condutores), isto é 𝑃 = 𝑈𝐼

Recordando a lei de Ohm, podemos obter outras expressões para a potência eléctrica
absorvida por um receptor térmico.
𝑈
Assim, pela lei de Ohm, temos que 𝐼 = 𝑅 . Substituindo esta expressão em 𝑃 = 𝑈𝐼,
obtemos:

𝑈 𝑈2 𝑈2
𝑃 = 𝑈𝐼 = 𝑈. = → 𝑃=
𝑅 𝑅 𝑅

Uma outra expressão resultará da substituição de 𝑈 = 𝑅𝐼em𝑃 = 𝑈𝐼.

𝑃 = 𝑈𝐼 = 𝑅𝐼. 𝐼 = 𝑅𝐼 2 → 𝑃 = 𝑅𝐼 2

Qualquer das expressões apresentadas permite-nos calcular a potência eléctrica


absorvida por um receptor térmico de resistência R.

Medição da potência eléctrica

A potência eléctrica fornecida por um gerador ou absorvida por um receptor pode ser
medida por dois processos: com um voltímetro e um amperímetro (método indirecto) ou
então com um wattímetro (método directo).

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Exercícios de aplicação

1. Quantos quilowatts de potência são fornecidos a um circuito por um gerador de


220 V que fornece uma corrente de 30A.

2. Um receptor eléctrico com a potência de 500 W funciona com a tensão de 220


V. Determine:
a) A intensidade de corrente por ele absorvida.
b) A resistência eléctrica do receptor.

3. Uma resistência eléctrica de 47  é ligada a uma fonte de alimentação de 10 V.


Calcule a potência dissipada pela resistência.

4. Uma resistência eléctrica de baixa potência tem as seguintes características: 5


KΩ e 1/8W. Determine:
a) A tensão máxima que se lhe pode aplicar
b) A intensidade máxima que ela suporta (sem se danificar)

5. Um condutor cuja resistência é 10  é percorrido por 2 A de intensidade.


Determine:
a) A potência dissipada no condutor.
b)A energia dissipada no condutor durante 10 minutos.

ENERGIA ELÉCTRICA

A energia eléctrica é a grandeza que todos nós consumimos e pagamos mensalmente.

Os diversos receptores de que dispomos em casa têm a sua potência eléctrica e, quando
ligados, vão gastar energia eléctrica. Esta é tanto maior quanto maior for a potência do
aparelho e o tempo que está ligado.

Então:
W – energia eléctrica em Watt-hora (Wh)

𝑊 = 𝑃𝑡 P – potência eléctrica em Watt (W)


t – tempo em horas (h)

Múltiplo mais usado:


quilowatt-hora (kWh): 1kWh = 1000 Wh

Se o tempo vier expresso em segundos a unidade de energia é o joule.

A relação entre o watt-hora e o joule é a seguinte:

1Wh = 1W. 1h = 1W. 3600 s = 3600 W.s→ 1 Wh = 3600 J

A medição da energia eléctrica faz-se directamente por meio de contadores de energia


eléctrica.São aparelhos que medem a energia consumida em kWh.

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Os contadores de energia possuem um disco cuja velocidade de rotação depende da


energia que se está a gastar. O consumo de 1 kWh corresponde a um número
determinado de rotações do disco.

Exemplo: Um ferro de engomar é percorrido por uma intensidade de corrente de 3,4 A,


quando submetido a uma tensão de 220 V. Determine:
a) A potência do ferro.
b) O valor da resistência do ferro.
c) A energia consumida em kWh ao fim de 3 horas de funcionamento.

Resolução

a) 𝑃 = 𝑈𝐼 = 220.3,4 = 748𝑊
𝑈 220
b) 𝑅 = = = 64,7Ω
𝐼 3,4

c) 𝑊 = 𝑃. 𝑡 = 0,748.3 = 2,24 𝑘𝑊ℎ

Exercícios para resolver

1.Uma torradeira tem as seguintes características: 600W, 220V. Calcule:


a) A intensidade absorvida.
b) O valor da resistência eléctrica
c) A energia consumida (em kWh) durante 15 minutos
d) A intensidade e a potência absorvidas, se a ligássemos a 200V.

Resp.:a) I = 2,73 A b) R = 80,6 Ω c) W = 0,15 kWh d) I’= 2,48A ; P’= 496 W

2. Sabe-se que um receptor térmico consumiu 1125 Wh durante 1,5 horas de


funcionamento. A tensão da rede é de 220V. Calcule:
a) A potência eléctrica do receptor
b) A intensidade de corrente absorvida
c) O valor da resistência eléctrica
d) A energia consumida, em calorias

Resp.: a) P = 750 W b) I = 3,4 A c) R = 64,7 Ω d) Q = 972000 cal

3.O elemento aquecedor de uma fritadeira eléctrica tem 24,5 Ω de resistência e absorve
uma corrente de 9 A de intensidade. Sabendo que funciona durante 1 hora e meia,
determine:
a) A potência
b) A energia consumida nesse tempo (em kWh)
c) A tensão a que está submetida

Resp.: a) P = 1984,5 W b) W = 2,98 kWh c) U = 220,5 V

4. Num aparelho de aquecimento, ao fim de 5 horas consumiu-se a energia de 7,5 kWh.


Determine a resistência do aparelho sabendo que trabalha com a tensão de 220 V.

Resp.: R = 32,3 Ω

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5. Um receptor térmico, ligado a 220 V, absorve uma intensidade de 2,3 A. Calcule:


a) A potência eléctrica do receptor
b) A resistência eléctrica do receptor
c) A energia consumida (em joules e em kWh) durante 45 minutos
d) O número de rotações efectuadas pelo disco do contador, sabendo que a sua
constante é de 600 rot/ kWh

Resp.: a) P = 506 W b) R = 95,7 Ω c) W =1366200 J; W = 0,3795 kWh d) 228 rot

6. Na tabela abaixo estão relacionados os aparelhos elétricos de um determinado


consumidor com as suas respectivas frequências de utilização. Calcule a energia total
consumida por mês.

Tempo de
Quant. Aparelho utilização Energia consumida por mês
Tipo P(W) Por dia dia/mês (kWh)
1 Televisão 90 5h 30 0,45 kWh.30 =13,5 kWh
1 Frigorífico 150 24 h 30 3,6 kWh.30 = 108 kWh
6 Lâmpadas 40 4h 30 (0,16 kWh.6).30 = 28,8 kWh
1 ferro engomar 1400 2h 4 2,8 kWh.4 = 11,2 kWh
1 Torradeira 750 2 min 15 0,025 kWh.15 = 0,375 kWh
1 Termoacumulador 2000 15 min 30 0,5 kWh.30 = 15 kWh
176,875 kWh

ASSOCIAÇÃO DE RESISTÊNCIAS

Num circuito elétrico, as resistências podem ser associadas de três formas: associação
em série, associação em paralelo e associação mista.

Associação série de resistências

Numa associação série, as resistências estão ligadas um a seguir ao


outro, de forma que a corrente seja a mesma em todas as resistências,
e a tensão total se divide entre elas.

A figura ao lado mostra um circuito elétrico com n resistências


associadas em série.

Essas resistências em série, podem ser substituídas por uma única resistência
designada de resistência equivalente ou resistência total, que deve absorver a
mesma intensidade de corrente que o conjunto das resistências.
𝑈
𝐼=𝑅
𝑇

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Características da associação série

 Todas as resistências são percorridas pela mesma corrente I.

𝐼𝑅1 = 𝐼𝑅2 = ⋯ = 𝐼𝑅𝑛 = 𝐼

 A tensão total aplicada é igual à soma das tensões parciais nas diferentes
resistências.

𝑈 = 𝑈1 + 𝑈2 + ⋯ + 𝑈𝑛

 A resistência total 𝑅𝑇 é igual à soma das resistências parciais.

𝑅𝑇 = 𝑅1 + 𝑅2 + ⋯ + 𝑅𝑛

 As tensões parciais são diretamente proporcionais aos valores das resistências.

Pela lei de Ohm temos: 𝑈1 = 𝑅1 𝐼, 𝑈2 = 𝑅2 𝐼, …, 𝑈𝑛 = 𝑅𝑛 𝐼

Se todas as resistências da associação forem iguais a R podemos escrever

𝑅𝑇 = 𝑅1 + 𝑅2 + ⋯ + 𝑅𝑛 = 𝑅 + 𝑅 + ⋯ + 𝑅

𝑅𝑇 = 𝑛. 𝑅

Exemplo: Dado o circuito da figura, calcule:

a) A resistência total da associação


b) A intensidade de corrente no circuito
c) A tensão aplicada a cada resistência

Resolução

a) 𝑅𝑇 = 𝑅1 + 𝑅2 = 10 + 20 = 30Ω
𝑈 24
b) 𝐼 = 𝑅 = 30 = 0,8 𝐴
𝑇

c) 𝑈1 = 𝑅1 𝐼 = 10.0,8 = 8 𝑉

𝑈2 = 𝑅2 𝐼 = 20.0,8 = 16 𝑉

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Em cada resistência, desde o terminal de entrada da corrente até ao de saída, há uma


queda de tensão que representamos por meio de um gráfico.

Exercícios de aplicação

1. Três resistências, R1= 6 Ω, R2 = 4 Ω e R3 = 2 Ω encontram-se ligadas em série, sob


uma tensão de 24V. Determine:
a) O valor da resistência total
b) A intensidade da corrente que percorre as resistências
c) A tensão aplicada a cada resistência
d) A potência total

2. Quatro resistências ligadas em série, percorridas por uma intensidade de 1,5mA, têm
aos seus terminais as seguintes tensões: U1 = 3 V, U2 = 4,5 V, U3 = 6 V, U4 = 10,5 V.
Calcule:
a) O valor de cada resistência
b) A tensão aplicada ao circuito

3. Quatro resistências iguais são ligadas em série, sob 24 V. Sabendo que RT = 16 Ω,


calcule:
a) A resistência de cada uma
b) A tensão aplicada a cada uma

4. Um receptor, de resistência igual a 100 Ω, é ligado a 220 V.


a) Calcule o valor da corrente absorvida
b) Supondo que se pretendia limitar o valor da corrente para 1,5 A, calcule o valor da
resistência adicional a ligar em série.

5. Uma pequena lâmpada de sinalização de 6 V e 0,6 A vai ser ligada a uma tensão de
12 V. Calcule a resistência adicional que devemos colocar em série com ela.

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Divisor de tensão

No circuito da figura seguinte, temos duas resistências R1 e R2 associadas em série,


alimentadas por uma tensão U, formando um divisor de tensão.

Analisando o circuito, temos:

𝑈1 = 𝑅1 . 𝐼

𝑈2 = 𝑅2 . 𝐼
𝑈
onde: 𝐼 = 𝑅
𝑇

Substituindo I em U1 e U2, temos:


𝑅1
𝑈1 = .𝑈
𝑅𝑇

𝑅
𝑈2 = 𝑅2 . 𝑈
𝑇

Ou seja, dividimos a tensão U em dois valores U1 e U2 respectivamente proporcionais a


R1 e a R2 .

Na prática pode utilizar-se este dispositivo para aplicar uma das suas tensões parciais a
um receptor cuja tensão de serviço é inferior à tensão U da fonte de alimentação
disponível.

Em vez das resistências fixas R1 e R2 pode empregar-se uma resistência com um cursor
móvel. Este dispositivo chama-se potenciómetro.

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No caso do potenciómetro, verifica-se que variando a posição do cursor móvel C,


obtemos duas tensões U1 e U2 (inferiores a U) variáveis. Por variação do cursor C, se U1
aumentar, então U2 diminuirá e vice-versa.

Exercícios de aplicação:

1. Utilizando o método do divisor de tensão, calcule U2 para:

a) R2 = 5KΩ
b) R2 = 10KΩ
c) R2 = 2,5KΩ

2. Observe a figura em que R1= 50Ω, R2 = 40Ω e R3 = 30Ω. A tensão U é igual a 24 V.


Calcule todos os níveis de tensão de que poderia dispor, entre os quatro terminais
assinalados.

3. Pretende-se obter dois níveis de tensão diferentes, respectivamente de 8 V e 12 V, a


partir de uma fonte de tensão de 20 V. Utilizando um potenciómetro, cuja resistência
total é de 600 Ω, calcule os valores de R1 e R2 correspondentes aos dois níveis de
tensão.

4. Considere o circuito da figura seguinte.

Determine a variação da tensão entre os pontos A e C.

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Associação de resistências em paralelo

Numa associação de resistências em paralelo, todas as resistências


estão ligadas através de dois pontos em comum no circuito, de
modo a oferecer trajetos separados para a corrente.

A figura ao lado mostra um circuito elétrico com n resistências


associadas em paralelo.

Essas resistências em paralelo, podem ser substituídas por uma única resistência
designada de resistência equivalente ou resistência total, que deve absorver a
mesma intensidade de corrente que o conjunto das resistências.
𝑈
𝐼=𝑅
𝑇

Características da associação em paralelo

 Todas as resistências da associação estão submetidas à mesma tensão U.

𝑈1 = 𝑈2 = ⋯ = 𝑈𝑛 = 𝑈

 A intensidade de corrente total do circuito é igual à soma das intensidades


parciais.

𝐼 = 𝐼1 + 𝐼2 + ⋯ + 𝐼𝑛

 A resistência total da associação é sempre menor que a menor das resistências


parciais.

 O inverso da resistência total da associação é igual à soma dos inversos das


resistências parciais.
𝑈 𝑈 𝑈 𝑈
𝐼 = 𝐼1 + 𝐼2 + ⋯ + 𝐼𝑛 ⇔ 𝑅 = 𝑅 + 𝑅 + ⋯ + 𝑅
𝑇 1 2 𝑛

𝑈 1 1 1 1 1 1 1
= (𝑅 + 𝑅 + ⋯ + 𝑅 ) 𝑈 ⇔ = 𝑅 +𝑅 +⋯+𝑅
𝑅𝑇 1 2 𝑛 𝑅𝑇 1 2 𝑛

No caso de termos apenas duas resistências em paralelo será:


1 1 1 1 𝑅2 𝑅1 1 𝑅1 +𝑅2
= 𝑅 +𝑅 ⇔𝑅 = 𝑅 +𝑅 ⇔𝑅 =
𝑅𝑇 1 2 𝑇 1 𝑅2 1 𝑅2 𝑇 𝑅1 𝑅2

𝑅 𝑅
𝑅𝑇 = 𝑅 1+𝑅2
1 2

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Quando as resistências da associação são todas idênticas a resistência total obtém-se


dividindo o seu valor pelo número de resistências.
1 1 1 1 1 1 1 1
= 𝑅 +𝑅 +⋯+𝑅 ⇔ 𝑅 = 𝑅 +𝑅 +⋯+𝑅
𝑅𝑇 1 2 𝑛 𝑇

1 𝑛
= 𝑅 ⇔ 𝑅𝑇 = 𝑅
𝑅𝑇 𝑛

Exercícios de aplicação:

1. Determine a resistência total das seguintes associações:

2. Considere o circuito representado na figura seguinte ao qual se


aplica uma tensão contínua de 20 V. Determine:

a) A resistência total.
b) A intensidade da corrente total.
c) A intensidade em cada uma das resistências.

3.Três resistências associadas em paralelo absorvem, respectivamente, 0,5A, 1,5A e


2A, sob 18V. Calcule:
a) O valor de cada resistência
b) A resistência total da associação
c) A intensidade total

4. A uma resistência R1 = 45Ω deve ligar-se outra R2 em paralelo, de modo que a


resistência total seja RT = 18Ω. Determine R2.

5. 15 resistências iguais, ligadas em paralelo, oferecem uma resistência total de 8 Ω.


Determine o valor de cada resistência.

6. Uma corrente de 60 A reparte-se por 4 resistências: 15, 10, 7,5 e 5 Ω, ligadas em


paralelo. Determine:
a) A resistência total da associação.
b) A tensão aplicada ao conjunto.
c) A intensidade de corrente em cada uma das resistências.

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Divisor de corrente

No circuito da figura seguinte, temos n resistências associadas em paralelo, alimentadas


por uma tensão U, formando um divisor de corrente.

Analisando o circuito, temos:


𝑈
𝐼=𝑅
𝑇

𝑅𝑋. 𝐼𝑋
𝐼= 𝑅𝑇 𝑅
𝑇
𝑅𝑋 . 𝐼𝑋 = 𝑅𝑇 . 𝐼 ⇔ 𝐼𝑋 = 𝑅𝑋 . 𝐼

A intensidade da corrente em qualquer resistência de uma associação paralela é igual ao


produto da resistência total da associação pela corrente total, dividido pelo valor da
resistência onde se pretende a determinação da corrente.

Caso particular de duas resistências associadas em paralelo

𝑅𝑇
𝐼1 = .𝐼
𝑅1

𝑅1 .𝑅2
𝑅1 +𝑅2
𝐼1 = .𝐼
𝑅1

𝑅1 .𝑅2 𝑅2
𝐼1 = 𝑅 .𝐼 ⇔ 𝐼1 = 𝑅 .𝐼
1 (𝑅1 +𝑅2 ) 1 +𝑅2

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De modo similar para I2, será:

𝑅1
𝐼2 = 𝑅 .𝐼
1 +𝑅2

Para uma associação de duas resistências, a intensidade da corrente numa das


resistências é igual ao produto da corrente total pela outra resistência, dividido pela
soma das duas resistências.

Exercícios de aplicação:

1. Para o circuito da figura, utilizando o método de divisor de corrente, determine


as intensidades das correntes em R1 e R2.

2. Para o circuito da figura, utilizando o método de divisor de corrente, determine


as intensidades das correntes I1, I2 e I3.

Associação mista de resistências

A associação mista de resistências é uma combinação das associações série e paralela.


Para determinar a resistência equivalente de uma associação mista é necessário
substituir as associações principais pela sua resistência equivalente o que vai
sucessivamente simplificar o esquema.

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Exercícios de aplicação:

1. Determine a resistência total ou equivalente das seguintes associações:

Resp.: a) RT = 11 kΩ ; b) RT = 59 Ω ; c) RT = 315 Ω ; d) RT = 7 Ω

2. Determine a resistência total da seguinte associação.

Resp.: RT = 12 Ω

3. Observe a figura. Calcule a resistência equivalente do


circuito:

a) Vista dos terminais A, B (ou admitindo que se aplica a tensão


entre A e B).
b) Vista dos terminais C, D (ou admitindo que se aplica a
tensão entre C e D).

Resp.: a) RT = 5,83 Ω ; b) RT = 5,33 Ω

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4. As resistências indicadas no esquema da figura têm os seguintes valores: R1 = 8Ω,


R2 = 6Ω, R3 = 6Ω, R4 = 5Ω e R5 = 2Ω.

4.1. Supondo que aplicava uma tensão de 9V entre A e


B, determine:
a) A resistência equivalente “vista” de A, B.
b)A intensidade total do circuito.

Resp.: a) RT = 6 Ω ; b) I = 1,5 A

4.2. Supondo que aplicava a mesma tensão entre os


terminais C e D, determine:
a) A resistência equivalente “vista” de C, D.
b) A intensidade total do circuito.

Resp.: a) RT = 2,44 Ω ; b) I = 3,7 A

5. Na figura representa-se uma associação mista de resistências, em que R1 = 1 kΩ,


R2 = 1,8 kΩ, R3 = 1,2 kΩ e R4 = 680 Ω. Calcule:

a) A resistência total do circuito.


b) A intensidade da corrente total.
c) A tensão nos terminais R1 e R4.
d) A tensão entre os pontos A e B.
e) As intensidades das correntes em R2 e R3.

Resp.: a) RT = 2400 Ω ; b) I = 10 mA; c) U1 = 10V ; U4 = 6,8 V; UAB = 7,2 V;


d) I2 = 4 mA; I3 = 6 mA

6. Considere o circuito representado na figura, ao qual se aplica a tensão de 20 V.


Determine:
a) A resistência total.
b) A intensidade da corrente total.
c) A tensão entre A e B.
d) A intensidade em R2.
e) As potências total e na resistência R4.

Resp.: a) RT = 10 Ω; b) I = 2 A; c) UAB = 8 V

d) I2 = 1,6 A; e) P = 40 W; P4 = 10,7 W

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GERADORES ELÉTRICOS

Geradores elétricos são dispositivos que mantêm entre seus terminais uma diferença de
potencial, obtida a partir de uma transformação de outro tipo de energia em energia
elétrica.

Os geradores eletroquímicos transformam energia química em energia elétrica.


Os geradores eletromecânicos transformam energia mecânica em energia elétrica.

Força eletromotriz de um gerador


A força eletromotriz (f.e.m.) de um gerador é a capacidade que este tem de manter
constante a d.d.p. aos seus terminais. A f.e.m. representa-se por E e mede-se em volt.
A f.e.m de um gerador é medida com um voltímetro ligado aos seus terminais quando
ele não fornece qualquer corrente (I = 0), isto é, quando se encontra em vazio.

Resistência interna de um gerador


Qualquer gerador de energia elétrica oferece internamente uma certa oposição à
passagem da corrente elétrica, ou seja, tem uma resistência interna (𝐫𝐢 ).

Esquema equivalente de um gerador

Consideremos um gerador alimentando uma carga de resistência R.

Aplicando a lei de Ohm, podemos escrever:


𝐸
𝐼 = 𝑟 +𝑅 ⇔ 𝐸 = (𝑟𝑖 + 𝑅). 𝐼 ⇔ 𝐸 = 𝑟𝑖 𝐼 + 𝑅𝐼
𝑖

onde 𝑅𝐼 = 𝑈
Portanto temos que 𝐸 = 𝑟𝑖 𝐼 + 𝑈 ⇔ 𝑈 = 𝐸 − 𝑟𝑖 𝐼

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A equação anterior dá-se frequentemente o nome de equação do gerador elétrico.


U – tensão nos terminais do gerador (V)
E – força eletromotriz (V)
∆𝑈 = 𝑟𝑖 𝐼 – queda de tensão interna (V)

Rendimento elétrico de um gerador

Da equação 𝐸 = 𝑈 + 𝑟𝑖 𝐼, se multiplicarmos cada um dos membros por I, obtemos:

𝐸𝐼 = 𝑈𝐼 + 𝑟𝑖 𝐼 2

𝑃𝑇 = 𝐸𝐼 – Potência elétrica total produzida pelo gerador.


𝑃𝑢 = 𝑈𝐼– Potência elétrica útil fornecida a carga, a qual é efetivamente transformada
noutra forma de energia.
2
𝑃𝑑 = 𝑟𝑖 𝐼 – Potência dissipada (perdas verificadas no interior do gerador).

Define-se rendimento elétrico de um gerador como o quociente entre a potência útil e a


potência elétrica total produzida.
𝑃 𝑈𝐼 𝑈
𝜂 = 𝑃𝑢 . 100 ⇔ 𝜂= . 100 ⇔ 𝜂 = 𝐸 . 100
𝑇 𝐸𝐼

Exercícios de aplicação:

1. Um dínamo com f.e.m. de 220 V e resistência interna de 1 Ω alimenta um receptor


térmico com a resistência de 20 Ω. Determine:
a) A intensidade de corrente absorvida pelo receptor.
b) A tensão nos terminais do gerador.

2. Para medir a resistência interna de uma bateria, foram feitos dois ensaios:

1°- Sem carga: U = 12,3V


2° - Com carga: U = 12,1V e I = 2,5A
Calcule a resistência interna da bateria.

3. Um gerador eletroquímico (bateria), cuja f.e.m. é de 12 V e a resistência interna igual


a 0,05Ω, alimenta um receptor R com uma intensidade de 4 A. Calcule:
a) A tensão nos terminais do gerador.
b) A queda de tensão interna do gerador.
c) A resistência do receptor.
d) A potência útil.
e) O rendimento elétrico do gerador.

4. Uma bateria, com uma f.e.m. de 12 V e resistência interna 0,2 Ω, alimenta dois
receptores iguais, ligados em paralelo, com uma resistência individual de 15 Ω. Calcule:
a) A intensidade fornecida.
b) A tensão aplicada aos receptores.

5. Um gerador elétrico tem uma potência elétrica total de 800W e uma potência
dissipada de 200W. Calcule o rendimento desse gerador.

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Máxima transferência de potência do gerador para a carga

Nem toda a potência elétrica produzida por um gerador é entregue à carga, visto que, o
gerador possui perdas internas. Analisemos a condição que se verifica a máxima
transferência de potência para a carga.

Consideremos um circuito experimental simples constituído por um gerador com f.e.m.


E = 6 V e resistência interna ri = 0,8 Ω, alimentando uma carga variável R.

R (Ω) I (A) U (V) Pu (W) η (%)


0,2 6 1,2 7,2 20
0,4 5 2 10 33,3
0,6 4,29 2,57 11,0 42,9
0,8 3,75 3 11,25 50
1 3,33 3,33 11,1 55,6
1,2 3 3,6 10,8 60
1,4 2,73 3,82 10,4 63,6

𝐸 𝑈
𝐼 = 𝑟 +𝑅 ; 𝑈 = 𝐸 − 𝑟𝑖 𝐼 ou 𝑈 = 𝑅𝐼 ; 𝑃𝑢 = 𝑈𝐼 ; 𝜂 = 𝐸 . 100
𝑖

Observe que na condição de máxima transferência de potência do gerador para a carga,


a resistência de carga R é igual a resistência interna 𝒓𝒊 .

Quando 𝑅 = 𝒓𝒊 diz-se que há uma adaptação da carga ao gerador, o que se verifica na


situação de máxima transferência de potência.

Determinação da expressão de máxima potência transferida


para a carga em função das características do gerador:
𝐸 𝐸
𝑃𝑢 = 𝑈𝐼 ⇔ 𝑃𝑢 = 2 . 2𝑟
𝑖

𝐸2
𝑃𝑢 = 4𝑟
𝑖

Determinação do rendimento na condição de máxima transferência de potência:


𝐸
𝑈 2 1
𝜂 = 𝐸 . 100 ⇔ 𝜂 = . 100 ⇔ 𝜂 = 2 . 100 ⇔ 𝜂 = 50%
𝐸

Na condição de máxima transferência de potência o rendimento do gerador é de apenas


50%.

A condição de máxima transferência de potência só tem interesse em situações muito


particulares, em que não é importante o rendimento mas sim obtenção da potência
máxima num dado circuito.

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Exemplo:

A f.e.m de um gerador, é de 12 V e a sua resistência interna ri = 1,5 Ω. Calcule:


a) A corrente fornecida pelo gerador, quando estiver ligado à uma carga de 100 Ω.
b) O valor da potência máxima fornecida à carga.

Associação de geradores

Por vezes há necessidade de conseguir uma f.e.m. ou uma intensidade de corrente


superior aos valores que se obtém com um único gerador.
A associação em série de geradores permite-nos obter uma f.e.m. total mais elevada. A
associação em paralelo permite-nos obter uma intensidade total mais elevada.

 Geradores em série

A associação em série de geradores é feita ligando o pólo


positivo de cada gerador ao pólo negativo do seguinte, de
forma que fiquem disponíveis apenas dois pólos de sinais
contrários.

A associação em série é feita geralmente com geradores idênticos, isto é, com a mesma
f.e.m. e a mesma resistência interna.

Características da associação

Para a associação em série de n geradores:

 A força eletromotriz total da associação é igual a soma das forças eletromotrizes


de cada gerador.

𝐸𝑇 = 𝑛. 𝐸

 A resistência interna total da associação é igual a soma das resistências internas


de cada gerador.

𝑟𝑖𝑇 = 𝑛. 𝑟𝑖

 Todos os geradores da associação são percorridos pela mesma intensidade de


corrente.

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Exercícios de aplicação:

1. Um receptor é alimentado por 6 pilhas de 1,5 V de f.e.m. e 0,1 Ω de resistência


interna, ligadas em série. Sabendo que, num determinado instante, fornecem uma
intensidade de 0,5 A, calcule:
a) As características do gerador equivalente.
b) A tensão aplicada à carga.
c) A resistência de carga R.
d)A potência útil.

2. Quatro pilhas com f.e.m. de 1,5 V, resistência interna de 0,5 Ω, estão ligadas em série
e alimentam um receptor de 8 Ω de resistência. Determine:
a) As características do gerador equivalente.
b) A intensidade da corrente no circuito.
c) A tensão aos terminais do receptor.
d) A queda de tensão no conjunto das pilhas.

3. Dez pilhas iguais, ligadas em série, com 1,5V de f.e.m. cada, alimentam um receptor
cuja potência é de 5W. Sabendo que a potência dissipada nas pilhas é de 0,96 W,
calcule:
a) A f.e.m. do gerador equivalente.
b) A intensidade de corrente.
c) A resistência interna de cada pilha.
d) A tensão aplicada ao receptor.
e) A resistência do receptor.
f) O rendimento elétrico da associação.

 Geradores em paralelo

Uma associação em paralelo de geradores consiste em ligar,


entre si, os pólos do mesmo nome desses geradores.

Neste tipo de associação, cada gerador deve ter a mesma f.e.m para evitar circulação de
correntes entre eles; isto é, pretende-se que cada gerador forneça o mesmo valor de
corrente para o circuito de carga

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Características da associação

 A intensidade total fornecida 𝐼𝑇 é igual à soma das intensidades fornecidas por


cada um dos geradores.
𝐼𝑇 = 𝑛. 𝐼

 A f.e.m. total da associação 𝐸𝑇 é igual à f.e.m. 𝐸 de cada um dos n geradores


iguais.
𝐸𝑇 = 𝐸

 A resistência interna total 𝑟𝑖𝑇 da associação é n vezes menor à resistência interna


𝑟𝑖 de cada gerador.
𝑟𝑖
𝑟𝑖𝑇 = 𝑛

Exercícios de aplicação:

1. Três geradores iguais, ligados em paralelo, alimentam, numa fábrica, um conjunto de


receptores. Os geradores têm as seguintes características individuais: E = 230V e ri =
1,2 Ω. Sabe-se que a tensão aplicada às cargas é de 220V. Calcule:
a) As características do gerador equivalente.
b) A intensidade de corrente total.
c) A intensidade fornecida por cada gerador.
d) A queda de tensão interna em cada gerador.
e) A resistência R do conjunto dos receptores.

2. Dois geradores iguais ligados em paralelo alimentam 60 lâmpadas iguais, em


paralelo, de potência individual igual a 60 W, sob 220 V. A resistência interna de cada
gerador é de 1,15 Ω. Calcule:
a) A potência total das lâmpadas.
b) A intensidade total absorvida.
c) As características do gerador equivalente.
d) A intensidade fornecida por cada gerador.

3. Dois geradores funcionam em paralelo e alimentam 10 lâmpadas de 50 Ω de


resistência cada, ligadas em paralelo. A f.e.m. dos geradores é 220 V e a resistência
interna é 0,5 Ω. Determine:
a) As características do gerador equivalente.
b) A intensidade absorvida pelo receptor.
c) A intensidade fornecida por cada gerador.
d) A tensão aos terminais do gerador.

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 34


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RECEPTORES COM FORÇA CONTRA-ELETROMOTRIZ

Os receptores dividem-se em dois grupos: receptores térmicos e receptores com força


contra-eletromotriz.

Os receptores térmicos são caracterizados por terem uma resistência R como única
oposição à passagem da corrente já os outros receptores são caracterizados por terem
como oposição à passagem da corrente uma f.c.e.m. 𝐸 ′ , para além de uma resistência
interna própria (de valor reduzido).

A força contra-eletromotriz, como o nome indica, é uma força contrária à força


electromotriz, isto é têm sentidos contrários. A f.e.m. tem o mesmo sentido da corrente,
enquanto a f.c.e.m. tem o sentido contrário ao da corrente.

Existem, essencialmente, dois tipos de receptores com f.c.e.m.: o acumulador (ex:


bateria ao ser carregada) e o motor eléctrico.

LEIS DE KIRCHHOFF

Até agora estudámos circuitos elétricos com uma única fonte de tensão e percorridos,
por isso, pela mesma corrente.
Os esquemas elétricos podem tornar-se mais complexos, havendo neles várias correntes.
Neste caso estamos em presença de uma rede elétrica.

Para enunciar as leis de Kirchhoff precisamos definir os seguintes conceitos:

Nó - é um ponto da rede elétrica na qual se interligam três ou mais condutores.

Ramo - é um percurso da rede compreendido entre dois nós.

Malha - é um percurso fechado da rede elétrica que inicia num ponto e retorna ao
mesmo ponto.

Na figura que se segue, temos uma rede elétrica onde vamos exemplificar os conceitos
definidos.

A rede é composta por:

 Dois nós: A e C

 Três ramos: ABC, AC e ADC

 Três malhas: ABCA, ACDA e ABCDA

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 35


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As leis de Kirchhoff são usadas para determinação das intensidades de corrente nos
ramos das redes elétricas. Cada ramo do circuito é percorrido pela sua própria corrente.
Também é possível calcular diferenças de potencial entre os pontos do circuito.

Definidos os conceitos de nó e malha, podemos enunciar as leis de Kirchhoff.

Lei dos nós: A soma algébrica das intensidades de corrente num nó é nula.

Para o nó P, convencionaremos as correntes que chegam como


positivas e as que saem como negativas. Portanto podemos
escrever:
𝐼1 + 𝐼2 + 𝐼4 − 𝐼3 − 𝐼5 − 𝐼6 = 0 (1)

A equação (1) pode tomar a seguinte forma:

𝐼1 + 𝐼2 + 𝐼4 = 𝐼3 + 𝐼5 + 𝐼6 (2)

A equação (2) permite outro enunciado para a lei dos nós:

A soma das correntes que convergem num nó (∑ 𝐼𝐶 ) é igual a soma das correntes que
dele divergem (∑ 𝐼𝑑 )

∑ 𝐼𝐶 = ∑ 𝐼𝑑

Exemplo:

1. Na figura ao lado representa-se um nó P, e algumas


intensidades de corrente.
a) Qual o valor da intensidade 𝐼4 ?
b) Qual o sentido de 𝐼4 ? Justifique

Lei das malhas: Ao longo de uma malha, a soma algébrica das forças electromotrizes é
igual a soma algébrica das quedas de tensão.

Este enunciado traduz-se pela seguinte fórmula:

∑ 𝐸 = ∑ 𝑅𝐼

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Aplicação das leis de Kirchhoff

Indicam-se seguidamente os passos que se devem seguir na aplicação destas leis. Assim
consideremos o circuito seguinte:

1. Sendo desconhecidos os sentidos das correntes nos vários ramos, arbitram-se


estes e indicam-se no esquema.
2. Para todos os nós, menos um, escrevem-se as equações que resultam da
aplicação da lei dos nós.
O circuito da figura tem dois nós, A e B. Vamos escolher um deles:

𝐍ó 𝐀: 𝐈𝟏 + 𝐈𝟐 = 𝐈𝟑

3. Representam-se as setas das f.e.m. dos geradores (sempre do pólo negativo para
o positivo).
4. Escolhe-se um sentido de circulação para cada malha, o qual também se indica
no esquema.
5. Aplica-se a lei das malhas (∑ 𝐸 = ∑ 𝑅𝐼) a cada malha. Neste sentido
consideram-se como positivas as f.e.m. que tiverem o mesmo sentido de
circulação das malhas e como negativas as que tiverem sentido contrário ao da
circulação das malhas.
O mesmo acontece com as quedas de tensão: serão positivas se as correntes têm
o mesmo sentido que a circulação efectuada e negativas em caso contrário.

𝐌𝐚𝐥𝐡𝐚 𝟏: 𝐄𝟏 − 𝐄𝟐 = (𝐑 𝟏 + 𝐫𝟏 )𝐈𝟏 − 𝐫𝟐 𝐈𝟐

𝐌𝐚𝐥𝐡𝐚 𝟐: 𝐄𝟐 + 𝐄𝟑 = 𝐫𝟐 𝐈𝟐 + (𝐫𝟑 + 𝐑 𝟐 )𝐈𝟑

Com estas equações e com as da lei dos Nós temos um sistema de três equações

I1 + I2 = I3
{ E1 − E2 = (R1 + r1 )I1 − r2 I2
E2 + E3 = r2 I2 + (r3 + R 2 )I3

6. Resolve-se o sistema em ordem as incógnitas que podem ser por exemplo as três
correntes.

Nota: Quando o resultado tem valor negativo é porque a corrente tem sentido contrário
ao que foi arbitrado.

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 37


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Exemplo:

Dado o circuito da figura, calcule as intensidades das correntes nos diferentes ramos

Aplicando as leis de Kirchhoff temos:

𝐼1 + 𝐼2 = 𝐼3 𝐼1 + 𝐼2 = 𝐼3
{𝐸1 = 𝑅1 𝐼1 + 𝑟1 𝐼1 + 𝑅2 𝐼3 ⇔ {2 = 1,5𝐼1 + 0,5𝐼1 + 2𝐼3
−𝐸2 = −𝑅2 𝐼3 − 𝑟2 𝐼2 −4 = −2𝐼3 − 𝐼2

Temos aqui um sistema de 3 equações e 3 incógnitas que são as correntes 𝐼1 , 𝐼2 e 𝐼3

Para começar a resolver o sistema substituímos na 2a e 3a equação, 𝐼3 por 𝐼1 + 𝐼2 :

𝐼1 + 𝐼2 = 𝐼3 𝐼1 + 𝐼2 = 𝐼3
{2 = 1,5𝐼1 + 0,5𝐼1 + 2(𝐼1 + 𝐼2 ) ⇔ {2 = 1,5𝐼1 + 0,5𝐼1 + 2𝐼1 + 2𝐼2
−4 = −2(𝐼1 + 𝐼2 ) − 𝐼2 −4 = −2𝐼1 − 2𝐼2 − 𝐼2

𝐼1 + 𝐼2 = 𝐼3
𝐼1 + 𝐼2 = 𝐼3 𝐼1 + 𝐼2 = 𝐼3 2 = 4𝐼1 + 2𝐼2
⇔ {2 = 1,5𝐼1 + 0,5𝐼1 + 2𝐼1 + 2𝐼2 ⇔ { 2 = 4𝐼1 + 2𝐼2 ⇔ −8 = −4𝐼1 − 6𝐼2
(x2) ____________________
−4 = −2𝐼1 − 2𝐼2 − 𝐼2 −4 = −2𝐼1 − 3𝐼2
{ −6 = 0𝐼1 − 4𝐼2

Logo I2 = 1,5 A

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Substituindo o valor de I2 na 2a ou na 3a equação determinamos o valor de I1

2 = 4𝐼1 + 2𝐼2
⇔ 2 = 4𝐼1 + 2(1,5)
⇔ −1 = 4𝐼1
⇔ 𝐼1 = −0,25 𝐴

Conhecendo 𝐼1 e 𝐼2 calculamos 𝐼3

𝐼1 = −0,25 𝐴
𝐼1 + 𝐼2 = 𝐼3
{ ⇔ { I2 = 1,5 A
−0,25 + 1,5 = 𝐼3
I3 = 1,25 A

A intensidade de corrente 𝐼1 tem valor negativo logo o seu sentido real é contrário ao
que foi atribuído.

Exercícios de aplicação

1. Determine as intensidades de corrente desconhecidas nos seguintes esquemas


eléctricos aplicando a lei dos nós de Kirchhoff

2. Observe o esquema elétrico

Aplicando a lei das malhas,


calcule o valor de I considerando
que o circuito tem os seguintes
valores:

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3. Observe o esquema eléctrico representado, em que: E1 = 12 V, E2 = 9 V, E3 =


15V, r1 = 0,3 Ω, r2 = 0,2 Ω, r3 = 0,1 Ω, R1 = 2,5 Ω, R 2 = 3 Ω, R 3 = 3 Ω.
Aplicando as leis de Kirchhoff, deduza o sistema de equações que nos permite
calcular os valores da intensidade da corrente eléctrica em todos os ramos.

4. Observe o esquema elétrico representado, em que: E1 = 12 V, E2 = 5 V, E3 =


4 V, R1 = 4 Ω, R 2 = 3 Ω, R 3 = 6 Ω. Aplicando as leis de Kirchhoff, determine
os valores de I1 , I2 e I3 .

5. Observe o esquema eléctrico representado, em que: E1 = 24 V, E2 = 12 V, E3 =


6 V, r1 = 0,6 Ω, r2 = 0,5 Ω, r3 = 0,4 Ω, R = 2 Ω, R1 = 1,5 Ω, R 2 = 2,3 Ω.

a) Determine os valores de I1 , I2 e I3 e indique


os sentidos reais das correntes
b) Calcule a d.d.p. entre A e B
c) Calcule a potência dissipada em R
d) Indique os geradores e os receptores de
força contra-eletromotriz.

TEOREMA DE THÉVENIN

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 40


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O teorema de Thévenin permite calcular correntes em ramos de uma rede elétrica, com
um ou vários geradores. A sua grande vantagem, está na possibilidade de simplificação
dos circuitos iniciais.

Este teorema pode ser enunciado da seguinte forma:

Ao removermos uma parte de um circuito, a partir de dois quaisquer terminais (A e B),


a parte do circuito que ficou é equivalente a um gerador de tensão com as seguintes
características:
 A sua f.e.m. (ETh ) é igual à tensão entre os terminais A e B com eles em aberto,
ou seja, sem carga.
 A sua resistência interna (R Th ) é igual a resistência vista dos terminais A e B,
com eles em aberto, quando anulamos todas as f.e.m.s

A seguir está representado um circuito e o circuito equivalente, por aplicação do


teorema de Thévenin.

Para determinarmos os valores de ETh e R Th , devemos ter em atenção os seguintes


circuitos:

Exemplo:

Considere o circuito representado na figura e


determine:
a) O circuito equivalente de Thévenin visto dos
terminais A e B.
b) A intensidade de corrente na resistência R.

Resolução:

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a) Cálculo de 𝐸𝑇ℎ :

Aplicando o divisor de tensão temos:


𝑅2
𝐸𝑇ℎ = 𝑅 .𝐸
1 +𝑅2

5
𝐸𝑇ℎ = 10+5 . 15 ⇔ 𝐸𝑇ℎ = 5 𝑉

Cálculo de 𝑅𝑇ℎ :

𝑅𝑇ℎ = 𝑅1 //𝑅2
𝑅 .𝑅
𝑅𝑇ℎ = 𝑅 1+𝑅2
1 2

10∗5
𝑅𝑇ℎ = 10+15 ⇔ 𝑅𝑇ℎ = 3,33 𝑘Ω

Circuito equivalente de Thévenin visto dos terminais A e B:

b)
𝐸𝑇ℎ
𝐼𝑅 = 𝑅
𝑇ℎ +𝑅

5
𝐼𝑅 = 3,33+1

𝐼𝑅 = 1,15 𝑚𝐴

Exercícios de aplicação:

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 42


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1. Considere o circuito representado na figura seguinte e determine:


a) O circuito equivalente de Thévenin visto dos terminais a e b.
b) A intensidade de corrente em R considerando que essa resistência tenha valores de
2Ω, 10 Ω e 100 Ω.

2. Considere o circuito representado na figura seguinte e determine:


a) O circuito equivalente de Thévenin visto dos terminais da resistência R.
b) A intensidade de corrente, a tensão e a potência na resistência R com base na
resposta da alínea anterior.

3. O esquema eléctrico representado tem os seguintes valores: E1 = 9 V, E2 = 12 V,


r1 = 0,1 Ω, r2 = 0,2 Ω, 𝑅1 = 4 Ω, R 2 = 6 Ω, R 3 = 3 Ω. Utilizando o teorema de
Thévenin, calcule:
a) A intensidade em 𝑅2
b) A intensidade em 𝑅3

TEOREMA DE NORTON

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 43


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Tal como o teorema de Thévenin, o teorema de Norton permite calcular correntes em


um ou mais ramos de circuitos, por simplificação destes.

Este teorema pode ser enunciado da seguinte forma:

Ao removermos uma parte de um circuito, a partir de dois quaisquer terminais (A e B),


a parte do circuito que ficou é equivalente a uma fonte de corrente (𝐼𝑁 ) em paralelo com
uma resistência (𝑅𝑁 ).

𝐈𝐍 (Corrente de Norton) – É a intensidade de corrente que circulará entre os terminais A


e B quando retiramos a carga ligada entre eles e os curto-circuitamos.
𝐑 𝐍 (Resistência de Norton) – É a resistência vista dos terminais A e B (em circuito
aberto), quando anulamos todas as f.e.m.s.

𝑅𝑁 = 𝑅𝑇ℎ

Existe uma relação entre o teorema de Norton e o de Thévenin.


O circuito equivalente de Norton pode ser obtido a partir do circuito equivalente de
Thévenin e vice-versa como ilustra a figura.

Exemplo:

Considere o circuito representado na figura


seguinte e determine:
a) O circuito equivalente de Norton visto dos
terminais A e B.
b) A intensidade de corrente na resistência R.

Resolução:

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 44


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a) Cálculo de 𝐼𝑁 :
𝐸
𝐼𝑁 = 𝑅
1

15
𝐼𝑁 = 10

𝐼𝑁 = 1,5 𝑚𝐴

Cálculo de 𝑅𝑁 :

𝑅𝑁 = 𝑅1 //𝑅2
𝑅 .𝑅
𝑅𝑁 = 𝑅 1+𝑅2
1 2

10∗5
𝑅𝑁 = 10+15 ⇔ 𝑅𝑁 = 3,33 𝑘Ω

Circuito equivalente de Norton visto dos terminais A e B:

b)

Aplicando o divisor de corrente temos:


𝑅𝑁
𝐼𝑅 = 𝑅 . 𝐼𝑁
𝑁 +𝑅

3,33
𝐼𝑅 = 3,33+1 . 1,5

𝐼𝑅 = 1,15 𝑚𝐴

Exercícios de aplicação:

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 45


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1. Considere o circuito representado na figura seguinte e determine:


a) O circuito equivalente de Norton visto dos terminais da resistência R.
b) A intensidade de corrente, a tensão e a potência na resistência R com base na
resposta da alínea anterior.

2. Observe o circuito elétrico representado na figura seguinte

Considerando que se pretende calcular a corrente em R, responda as questões seguintes:


a) Apresente o esquema equivalente de Norton.
b) Admitindo que R =10 Ω, calcule a intensidade em R e a tensão UAB.
c) Recalcule a intensidade em R e a tensão UAB para R =15 Ω

3. Considere o circuito representado na figura seguinte:


a) Determine o circuito equivalente de Norton visto dos terminais a e b.
b) Transforme o circuito equivalente de Norton da alínea anterior no circuito
equivalente de Thévenin.
c) Determine a intensidade de corrente em R, com base na resposta da alínea a).

TEOREMA DA SOBREPOSIÇÃO

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 46


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Este método é utilizado quando se pretende calcular apenas uma corrente, ou um


pequeno número de correntes num circuito eléctrico.

Este teorema enuncia-se do seguinte modo:

Num circuito elétrico com vários geradores de tensão, a corrente eléctrica em qualquer
ramo é igual à soma algébrica das correntes que seriam produzidas por cada gerador se
cada um deles funcionasse isoladamente e os restantes fossem substituídos pelas suas
resistências internas.

Vamos aplicar o teorema da sobreposição ao seguinte circuito:

Este circuito pode ser decomposto em dois circuitos, cada um dos quais com um
gerador aplicado e o outro gerador substituído pela sua resistência interna. Assim

A corrente 𝐼𝑅1 é a soma algébrica das componentes 𝐼’ e 𝐼’’, devidas respectivamente aos
geradores 𝐺1 e 𝐺2 , quando aplicados isoladamente.
Assim sendo:
𝑰𝑹𝟏 = 𝑰′ + (−𝑰′′ ) = 𝑰′ − 𝑰′′

Exercício de aplicação:

1. O esquema eléctrico representado tem os seguintes


valores: E1 = 6 V, E2 = 15 V, r1 = 0,1 Ω, r2 = 0,2 Ω,
𝑅1 = 5 Ω, R 2 = 10 Ω, R 3 = 4 Ω. Utilizando o teorema da
sobreposição, calcule a intensidade em 𝑅1 .

Este circuito pode ser decomposto em dois circuitos mais simples, cada um dos quais
com um gerador aplicado.

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 47


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Cálculo de 𝑰′

𝑅𝑇 = [(𝑅2 + 𝑟2 )//𝑅3 ] + 𝑅1 + 𝑟1

𝑅𝑇 = (10,2//4) + 5,1 = 2,87 + 5,1 = 7,97 Ω


𝐸 6
𝐼 ′ = 𝑅1 ⇔ 𝐼 ′ = 7,97 ⇔ 𝐼 ′ = 0,75 𝐴
𝑇

Cálculo de 𝑰′′

𝑅𝑇 = [(𝑅1 + 𝑟1 )//𝑅3 ] + 𝑅2 + 𝑟2

𝑅𝑇 = (5,1//4) + 10,2 = 2,24 + 10,2 = 12,44 Ω


𝐸 15
𝐼 = 𝑅2 ⇔ 𝐼= 12,44 ⇔ 𝐼 = 1,21 𝐴
𝑇

Aplicando o divisor de corrente temos:

(𝑅1 +𝑟1 )//𝑅3 2,24


𝐼 ′′ = . 𝐼 ⇔ 𝐼 ′′ = . 1,21 ⇔ 𝐼 ′′ = 0,53 𝐴
𝑅1 +𝑟1 5,1

Finalmente, para calcular o valor de 𝐼𝑅1 fazemos a soma algébrica dos valores de 𝐼 ′ e 𝐼 ′ ′

𝐼𝑅1 = 𝐼 ′ − 𝐼 ′′ = 0,75 − 0,53 = 0,22 𝐴

2. Considere o circuito da figura anterior e calcule utilizando o teorema da


sobreposição:
a) A intensidade em 𝑅2
b) A intensidade em 𝑅3

MAGNETISMO

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 48


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Há vários séculos, foi descoberto numa cidade da Ásia, chamada Magnésia, uma pedra
que tinha a propriedade de atrair pedaços de ferro. A esta pedra, deu-se então o nome de
magnetite, por causa do nome daquela localidade e as suas propriedades de atraírem o
ferro ficaram conhecidas por propriedades magnéticas.

O magnetismo é a propriedade que determinados corpos (ímanes) têm de atrair alguns


materiais de natureza metálica como o ferro, o aço, o níquel, o cobalto e ainda algumas
ligas desses materiais.

Classificação dos ímanes


Os ímanes estão divididos em duas classes:

Ímanes naturais: são materiais existentes na natureza, sob a forma de minério e que
possuem propriedades magnéticas independentemente de qualquer ação. Exemplo:
magnetite (Fe3O4).

Ímanes artificiais: são materiais que adquirem artificialmente propriedades magnéticas.


Exemplo: ferro, aço.

Os ímanes naturais têm pouco interesse prático uma vez que não possuem grande força
atrativa e não é possível dar-lhes formas próprias para virem a ser utilizados, dado que
se desagregam muito facilmente.
Daqui, a necessidade de se construírem ímanes artificiais, de diferentes formas,
conforme o fim em vista.

Formas de ímanes artificiais


Os ímanes artificiais podem ter várias formas conforme a utilização a que se destinam.

Temos barras retilíneas de várias secções, barras recurvadas em forma de U e agulhas


magnéticas, que são lâminas alongadas e em forma de losango.

Propriedades dos ímanes

1. Todo íman possui dois pólos magnéticos denominados de pólo norte e pólo sul.

2. Os ímanes manifestam as suas propriedades magnéticas com maior


intensidade nas extremidades polares. A zona central do íman, cujas
propriedades magnéticas são bastante reduzidas, é chamada de zona neutra.

3. Entre dois ímanes, pólos magnéticos do mesmo nome repelem-se e pólos magnéticos
de nomes contrários atraem-se.

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 49


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4. Os pólos do íman são inseparáveis.


Partindo pelo meio um íman, verifica-se que as
metades obtidas são ímanes completos
orientados do mesmo modo que o íman
primitivo.

Pólos magnéticos do íman


Se um íman tiver a possibilidade de girar livremente, orienta
sempre numa direção muito próxima da direção norte-sul da
terra.

O pólo do íman que se direciona para o pólo norte geográfico


recebe o nome de pólo norte, logo o pólo norte geográfico é um
pólo sul magnético.

O pólo do íman que se direciona para o pólo sul geográfico


recebe o nome de pólo sul, logo o pólo sul geográfico é um pólo
norte magnético.

Magnetização
A magnetização de um corpo é a operação que consiste em fazer com que este adquire
propriedades magnéticas. Pode efetuar-se pela ação de outros ímanes ou da corrente
elétrica, como estudaremos mais tarde.

Magnetização por influência


Em contacto ou nas proximidades de um íman, uma barra de ferro adquire propriedades
magnéticas, isto é, a barra magnetiza-se sob a influência do íman e por isso dá-se a este
fenómeno o nome de magnetização por influência.

Magnetização por influência: é o processo pelo qual um corpo se magnetiza quando


colocado em contacto ou nas proximidades de um íman.

A magnetização por influência é temporária e desaparece quando afastada da causa


que lhe deu origem.
Campo magnético de um íman. Espectro magnético

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 50


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Define-se campo magnético de um íman como o espaço sobre o qual ele exerce a sua
ação magnética..

Alguns materiais (ferro, aço, níquel, cobalto, etc.) dentro do campo magnético de um
íman, ficam sujeitas a sua ação.

O campo magnético de um íman é representado através de linhas imaginárias que se


designam por linhas de força do campo magnético.

As linhas de força podem ser visualizadas, colocando uma folha de papel sobre um
íman e pulverizando-a com limalha de ferro, esta vai dispor-se sobre a folha segundo as
linhas de força. Na zona dos pólos vai-se verificar uma maior concentração de limalha
de ferro, o mesmo não acontece na zona neutra do íman.

Ao conjunto das linhas de força do campo magnético de um íman chama-se espectro


magnético.

O espectro magnético varia com a forma do íman.

Propriedades das Linhas de Força


1. As linhas de força são fechadas.
2. Na parte exterior do íman, as linhas de força orientam-se do pólo norte para o
pólo sul e no interior do íman do pólo sul para o pólo norte.
3. As linhas de força nunca se cruzam e tendem a seguir o caminho mais fácil, isto
é mais permeável.
4. Não há isoladores magnéticos para as linhas de força. Elas continuam o seu
percurso seja qual for o meio, podendo no entanto desviar a sua trajetória
quando atravessam meios diferentes.

Na atração entre dois ímanes, as linhas de


força saem dos pólos N e entram nos pólos S do outro íman, respetivamente.

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Na repulsão entre dois ímanes, as linhas de força saem e entram no mesmo íman.

Indução Magnética

Em cada ponto do espaço envolvente de um íman existe uma grandeza magnética com
um ponto de aplicação, direção, sentido e intensidade. Logo é uma grandeza vetorial.
Esta grandeza vetorial é a indução magnética (B) cuja unidade é o Tesla (T).

Indução magnética (B) - é uma grandeza vetorial que caracteriza a ação magnética de
um íman em cada ponto do campo magnético.

Características do vetor indução magnética

 Direção: tangente às linhas de força em


cada ponto da linha
 Sentido: o mesmo das linhas de força
do campo magnético
 Intensidade: o valor da indução
magnética em cada ponto depende da
distância do ponto ao íman e do próprio
íman.

Campo magnético uniforme e não uniforme


O campo magnético produzido por um íman pode ser uniforme ou não uniforme.

Diz-se que o campo magnético é uniforme quando as suas linhas de força são retilíneas,
paralelas e equidistantes entre si, sendo o valor de indução B constante nos diferentes
pontos da linha.

Diz-se que o campo magnético é não uniforme quando alguma das condições
anteriores não se verifica e portanto o valor da indução B não é constante.

Fluxo de indução magnética

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Considere um campo magnético uniforme e suponha-se uma superfície 𝑆 plana e


perpendicular às linhas de força. Define-se fluxo de indução magnética através desta
superfície ao produto do módulo de B pela área de superfície S.

O fluxo de indução magnética representa-se pela letra ∅ (fi) e mede-se na unidade


weber (Wb).
Temos assim:

∅ = 𝐵. 𝑆 em que ∅ – Fluxo de indução magnética, em weber (Wb)


B – indução magnética, em Tesla (T)
S – área da superfície, em metros quadrados (m2)

O fluxo de B através de uma superfície S representa o número de linhas de força que a


atravessam.

Da fórmula anterior tiramos que:


𝐵=𝑆

A fórmula ∅ = 𝐵. 𝑆 é válida quando a superfície considerada é perpendicular às linhas


de força como foi referido.

No caso mais geral podemos considerar uma superfície oblíqua em relação às linhas de
força.

O fluxo é dado por:

∅ = 𝐵. 𝑆. 𝑐𝑜𝑠𝛼 onde α é o ângulo formado entre B e o vetor normal superfície N .

 Se 𝛼 = 0° → 𝑐𝑜𝑠𝛼 = 1, logo ∅ = 𝐵. 𝑆

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 Se 𝛼 = 90° → 𝑐𝑜𝑠𝛼 = 0 e ∅ = 0: O fluxo é nulo dado que a superfície não é


atravessada pelas linhas de força.

Exercícios de verificação da aprendizagem:

1. O que entendes por magnetismo?

2. Distingue íman artificial de íman natural.

3. Indique três formas que podem ter os imanes artificiais.

4. Indique as propriedades dos imanes.

5. Em que consiste a magnetização por influência?

6. Define campo magnético de um íman.

7. O que entendes por espectro magnético de um íman?

8. Indique três propriedades das linhas de força do campo magnético.

9. Na figura ao lado estão representados dois ímanes, um


próximo do outro. Faça a distribuição das linhas de força do
campo magnético.

10. O que entendes por indução magnética?

11. Distingue campo magnético uniforme de campo magnético não uniforme.

12. Qual é o significado físico do fluxo de indução magnética?

13. Um fluxo de 0,4 mWb sai de um pólo norte de um íman cuja superfície é de 5 cm 2.
Calcule a indução magnética nas proximidades da superfície do pólo.

14. Calcule o fluxo magnético através da superfície de uma espira retangular de


20cmx30cm, sabendo que ela está submetida a uma indução uniforme de 0,5 T, nas
situações seguintes:
a) As linhas de força são perpendiculares à superfície.
b) As linhas de força fazem um ângulo de 30⁰ com a normal a superfície.
c) As linhas de força são paralelas à superfície.

Permeabilidade magnética

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Existem meios que conduzem melhor do que outros as linhas de força do campo
magnético, isto é, são mais permeáveis.
Vejamos a seguinte experiência:

Coloquemos uma pequena agulha magnética junto de um íman em forma de barra, mas
fora do seu campo magnético, como mostra a fig.a.

Se entre o íman e a agulha colocarmos um pedaço de ferro (fig. b), o ferro vai atrair
(canalizar) uma grande parte das linhas de força do íman, magnetizando-se e exercendo
uma força atractiva sobre a agulha. O facto das linhas de força terem sido canalizadas
para o ferro quer dizer que este é bastante permeável às linhas de força e tem, portanto,
elevada permeabilidade magnética.

Substituindo o pedaço de ferro por um outro de madeira de iguais dimensões, verifica-


se que não haverá atração da agulha, nem alteração das linhas de força em relação ao
primeiro caso, como mostra a fig. c. Dizemos então que a permeabilidade magnética da
madeira é muito fraca, ou praticamente nula.

Esta experiência serve para confirmar que certos materiais são mais permeáveis à
passagem das linhas de força.
Esta maior ou menor facilidade de canalizar as linhas de força designa-se por
permeabilidade magnética.

A permeabilidade magnética de um material (μ) é uma medida da facilidade com que


este se deixe atravessar pelas linhas de força do campo magnético.

A relação entre a permeabilidade de um dado material e a permeabilidade do vácuo é


chamada de permeabilidade relativa, assim:
μ
𝜇𝑟 = 𝜇
0

𝜇𝑟 – permeabilidade relativa de um dado material (adimensional)


μ – permeabilidade de um dado material (H/m)
𝜇0 – permeabilidade do ar onde 𝜇0 = 4𝜋. 10−7 𝐻/𝑚

Classificação dos materiais, quanto à permeabilidade relativa


Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 55
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Quanto à permeabilidade relativa os materiais podem ser classificados em quatro


grupos:

Diamagnéticos (𝝁𝒓 < 1): São materiais que num campo magnético se magnetizam
criando um campo de sentido contrário, pelo que são repelidos pelos ímanes (muito
fracamente).
Temos como exemplos: prata, cobre, chumbo, bismuto, etc.

Não magnéticos (𝝁𝒓 = 𝟏): São materiais que não se magnetizam quando expostas a um
campo magnético. Os ímanes não têm, por isso, qualquer efeito sobre eles.
Temos como exemplos: ar, madeira, papel, cortiça, etc.

Paramagnéticos (𝝁𝒓 > 1): São materiais que se magnetizam muito ligeiramente no
mesmo sentido do campo onde são colocados, sendo por isso atraídos pelos ímanes de
forma quase imperceptível.
Temos como exemplos: alumínio, silício, platina, crómio, etc.

Ferromagnéticos (𝝁𝒓 ≫ 𝟏): São materiais que se magnetizam fortemente, no mesmo


sentido do campo onde se encontram, sendo por isso fortemente atraídos pelos ímanes.
Temos como exemplos: ferro, aço, níquel, cobalto, etc.

Os valores médios de 𝜇𝑟 nestes materiais são os seguintes: ferro-silício = 5000, ferro


macio = 10000, aço- silício laminado = 20000. Esses valores como veremos depois não
são constantes.

A tabela seguinte indica-nos a permeabilidade relativa de alguns materiais


paramagnéticos e diamagnéticos.

Analisando a presente tabela, concluímos que podemos falar praticamente em apenas


dois tipos de substâncias : as ferromagnéticas e as não ferromagnéticas, pois estas
últimas apresentam valores muito próximos entre sí e próximos da unidade.

ELETROMAGNETISMO

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Em 1820, o físico dinamarquês Oersted observou que uma corrente elétrica era capaz de
alterar a direção de uma agulha magnética.

Quando havia corrente elétrica no condutor, Oersted verificou que a agulha magnética
se movia, evidenciando a presença de um campo magnético produzido pela corrente.
Interrompendo-se a corrente, a agulha retornava a sua posição inicial, ao longo da
direção norte-sul.

Conclui-se que: Todo condutor percorrido por corrente elétrica, cria a sua volta um
campo magnético.

Vamos seguidamente estudar a configuração das linhas de força do campo magnético


produzido por uma corrente elétrica em condutores retilíneos, condutores circulares ou
espiras e solenóides.

Campo magnético num condutor retilíneo

As linhas de força do campo magnético são circunferências concêntricas e situadas num


plano perpendicular ao condutor.

O sentido das linhas de força depende do sentido da


corrente que percorre o condutor.
Na prática para determinar o sentido das linhas de força
utiliza-se a regra da mão direita.

Regra da mão direita: Com o polegar da mão direita


indicando o sentido da corrente, os restantes dedos
fechados a volta do condutor indicarão o sentido das linhas
de força.

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Num ponto P à distância r, a indução magnética B é calculada através da seguinte


expressão:
𝐼
𝐵 = 𝜇0 2𝜋𝑟

Sendo:

B – indução em Tesla (T)


I – intensidade de corrente em Amperes (A)
r – distância em metros (m)
𝜇0 = 4𝜋. 10−7 𝐻/𝑚
𝐼
Ao quociente dá-se o nome de excitação magnética ou intensidade de campo
2𝜋𝑟
magnético, ou seja, representa a causa que dá origem ao aparecimento da indução
magnética.
A excitação magnética representa-se por H e mede-se em A/m (ampere por metro).

A expressão de B toma o seguinte aspecto:


𝐼
𝐵 = 𝜇0 . 𝐻 com 𝐻 = 2𝜋𝑟

Exemplo: Calcule a indução criada num ponto distanciado 2 cm de um condutor


retilíneo quando este é percorrido por uma corrente de 15 A.
𝐼 15
𝐵 = 𝜇0 ⇔ 𝐵 = 4𝜋. 10−7 ⇔ 𝐵 = 15. 10−5 𝑇 ⇔ 𝐵 = 0,15 𝑚𝑇
2𝜋𝑟 2𝜋.2.10−2

Campo magnético num condutor circular (espira)

O sentido das linhas de força obtém-se pela aplicação da regra da mão direita em vários
pontos do condutor. Verifica-se que as linhas de força têm todas o mesmo sentido na
zona interior da espira.

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Campo magnético numa bobina longa (solenóide)

Denomina-se solenóide ou bobina longa um fio condutor enrolado


segundo espiras iguais, uma ao lado da outra, igualmente espaçadas.

Quando uma bobina é percorrida por uma corrente elétrica cria numa das suas
extremidades um pólo norte e na outra um pólo sul.

Como regra prática para a determinação do sentido das linhas de força no interior da
bobina e por conseguinte a polaridade das extremidades, pode-se empregar a regra da
mão direita, a saber:

Coloca-se a mão direita sobre a bobina, de forma


que as pontas dos dedos coincidam com o sentido
da corrente nas espiras, e o dedo polegar esticado,
indica a direção e sentido das linhas de força no
interior da bobina.

O símbolo indica que a corrente se afasta


do observador.

O símbolo indica que a corrente se


aproxima do observador.

O sentido das linhas de força no interior da bobina e por conseguinte a polaridade das
extremidades, depende do sentido da corrente nas espiras.

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No interior do solenóide, o campo magnético pode ser


considerado uniforme e a indução magnética é calculada
através da seguinte expressão:
𝑁𝐼 𝑁𝐼
𝐵=𝜇 sendo 𝐻 =
𝓁 𝓁

𝜇 – permeabilidade magnética do núcleo da bobina


𝓁 – comprimento da bobina em metros (m)
N - número de espiras da bobina

Exemplo: Um solenoide com núcleo de ar é constituído por 1000 espiras e tem um


comprimento de 0,2 m. Determine o valor da indução no interior da bobina quando esta
é percorrida por corrente de 4 A.
Resp.: B = 25 mT

Campo magnético numa bobina toroidal

Uma bobina toroidal é construída enrolando um condutor em torno de


um toro, formando assim um conjunto de espiras, tal como se representa
na figura.

Neste caso vão criar-se linhas de força no interior da bobina toroidal,


com um determinado sentido, acompanhando a curvatura do anel e
fechando-se no seu interior, portanto não há pólos magnéticos definidos
como na bobina longa.

O sentido das linhas de força é determinado pela regra da mão direita, tal como o
fizemos anteriormente para o solenóide.

A indução magnética no interior da bobina toroidal é calculada através da seguinte


expressão:
𝑁𝐼 𝑁𝐼
𝐵 = 𝜇 2𝜋𝑟 sendo 𝐻 = 2𝜋𝑟

𝐵 – indução magnética no interior da bobina toroidal (T)


𝑟 – raio médio do toróide

Bobina com núcleo ferromagnético

Estas bobinas são construídas como as anteriores, só que no seu interior


é colocado um pedaço de ferro que constitui o seu núcleo
ferromagnético.
A bobina com núcleo ferromagnético tem uma força atrativa muito mais
elevada que a bobina com núcleo de ar. Isso acontece porque a indução
magnética B aumenta no ferro pois a sua permeabilidade magnética é
mais elevada que a do ar.
Recordando a fórmula 𝐵 = 𝜇𝐻, é fácil concluir que, μ mais elevada
implica B mais elevada, para o mesmo valor de H.

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Curva de magnetização

Chama-se curva de magnetização à curva que nos indica a evolução da indução


magnética B com a excitação magnética H para cada material ferromagnético.
As curvas de magnetização terão evoluções diferentes consoante o material em causa.

Traçado da curva de 1.a magnetização

Considere-se uma bobina toroidal com núcleo ferromagnético e que nunca tivesse sido
magnetizada
Suponha-se, que esse material constitui o núcleo de uma bobina toroidal, tal como está
representado na figura seguinte

Alimente-se a bobina com uma fonte de c.c. ligando em série com um reóstato R que
permite variar a intensidade da corrente I na bobina. Ao toróide é ainda ligado um
fluxímetro (Wb) que nos indica o valor do fluxo, em cada instante da experiência.

Inicia-se o ensaio com a resistência R toda intercalada, de modo que a corrente I tenha
um valor reduzido. Regista-se o primeiro par de leituras: I e fluxo Ø.
Com estes dois valores, calcula-se H e B respectivamente, através das expressões:

𝑁𝐼 ∅
𝐻 = 2𝜋𝑟 e 𝐵 = 𝑆

em que r é o raio médio e S é a área da secção transversal do núcleo toroidal.

Calculado o primeiro par de valores de H e B, constrói-se uma tabela de valores.

Por regulação do reóstato, vai aumentando I, o que provoca o aumento de Ø; registamos


novos pares de valores de I e Ø, calculando assim novos pares de valores de H e B.
No entanto, a partir de determinada altura, por mais que se aumenta a intensidade I, o
fluxo Ø já não aumenta mais – atingiu-se a saturação magnética do núcleo. Quer isto
dizer que, para grandes aumentos de H, B aumenta muito pouco.

Através de um ensaio, obteve-se para o ferro macio a seguinte tabela de valores B(H)

Tabela de valores B(H) para o ferro macio


H(A/m) 200 250 600 900 1200 1700 2400 3700
B(T) 0,5 0,6 1,0 1,2 1,3 1,4 1,5 1,6

A partir desses dados constrói-se o gráfico.

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Exercícios de verificação aprendizagem:

1. Na figura está representado um condutor rectilíneo que


atravessa perpendicularmente um plano em cartão. O condutor é
percorrido por 20 A.
a) Qual o sentido correto das linhas de força (1ou 2)? Justifique
b) Calcule o valor da intensidade de campo magnético numa
linha de força situada a 1cm do condutor
c) Calcule o valor da indução magnética numa linha de força
situada a 1cm e a 10 cm do condutor.

2. Determine a intensidade da corrente que deve percorrer um condutor rectilíneo para


que à distância de 3 cm a indução seja 0,1 mT.

3. Observe a figura. A bobina tem 100 espiras enroladas à volta de um


tubo de 30 cm e é percorrida por 2 A.
3.1. Indique a polaridade nos extremos da bobina
3.2. Determine os valores de H e B no interior da bobina nas situações:
a) Se o tubo for de cartão
b) Se o tubo for de ferro macio (𝜇𝑟 = 1000)

4. Calcule a intensidade de corrente que deve percorrer um solenóide com 1000 espiras
para que se crie uma indução de 50 mT no seu interior. O comprimento do solenóide é
de 0,3 m.

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5. Determine o número de espiras que um solenóide com 0,4 m de comprimento deve


ter para produzir uma indução de 80 mT quando percorrido por uma corrente de 12 A.

6. Com o circuito da figura obteve-se a seguinte tabela.

Admitindo que o número de espiras do enrolamento é 200, a secção do toróide é 10 cm2


e o raio r é 3 cm, calcule:
a) A intensidade I necessária para obter um valor H=500 A/m
b) O fluxo ∅ necessário para obter B=1,8 T.
c) As permeabilidades (absoluta e relativa) do material ferromagnético correspondente
aos valores de B e H indicados nas duas alíneas anteriores.

Ciclo de histerese de um material ferromagnético

Consideremos novamente o esquema elétrico para obtenção da curva de 1a


magnetização, substituindo o interruptor K por um inversor C.

A função do inversor é a de permitir, inverter o sentido da corrente na bobina toroidal,


invertendo assim o sentido das linhas de força do campo e portanto os sentidos de H e
B. Quando o inversor é ligado na posição 1-1’, a corrente tem um sentido, quando é
ligado na posição 2-2’, a corrente inverte o sentido.

Com o núcleo ferromagnético desmagnetizado, aumenta-se


a excitação magnética H, até atingir a saturação obtendo-se
a curva oa (curva de 1a magnetização).

Se o valor de H é reduzido até zero, o caminho é a curva


ab, diferente da inicial.

No ponto b, não há corrente de magnetização (H = 0) e o


valor de B não é nulo, significando uma indução
remanescente Br (íman permanente).

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Para anular a indução remanescente, é necessário um valor negativo de excitação (ponto


c), que é denominado campo coercivo Hc.

Aumentando o valor de H no sentido negativo, o material começa a magnetizar em


sentido contrário até atingir a saturação (ponto d). E o caminho de retorno até o ponto a
inicial é dado pela curva defa, com Br e Hc de sinais contrários aos sinais dos anteriores.

Esse fenómeno que causa o atraso da indução em relação a excitação magnética é


chamado de histerese magnética, e o ciclo traçado pela curva de magnetização é
chamado de ciclo de histerese.

Define-se indução remanescente (Br) ao valor da indução com que um material fica
quando a excitação magnética H se anula.

Define-se campo coercivo (Hc) ao valor da excitação magnética aplicada em sentido


contrário por forma a anular a indução remanescente.

Inconvenientes de Histerese

O grande inconveniente da histerese nos materiais ferromagnéticos consiste na


libertação de calor, que ela provoca e consequentemente perda de energia. Este
inconveniente pode atingir proporções consideráveis quando a corrente é variável,
particularmente no caso da corrente alternada, onde se sucedem os ciclos de histerese ao
ritmo dos ciclos da corrente alternada.

Essa perda de energia é diretamente proporcional a área do ciclo de histerese.

Escolha de materiais ferromagnéticos em função do ciclo de histerese

Os materiais para o fabrico de ímanes permanentes devem apresentar um


elevado valor de indução remanescente e um elevado campo coercivo (ciclo
de histerese com grande área) para que não se desmagnetizem facilmente.

Nas máquinas elétricas (motores, geradores e transformadores) interessa


que as perdas de energia sejam mínimas (para que o seu rendimento seja
elevado) pelo que os seus circuitos magnéticos são construídos por
materiais que têm um ciclo com pequena área para diminuir as perdas por
histerese.

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Circuito magnético

Define-se circuito magnético como o caminho ou trajeto ocupado pelas linhas de força
de um determinado campo magnético.

O circuito magnético pode fechar-se:

 totalmente num núcleo ferromagnético (figura a);


 parcialmente em núcleo ferromagnético e parcialmente pelo ar (figura b).

Classificação dos circuitos magnéticos

Um circuito magnético diz-se homogéneo se a sua permeabilidade e


secção forem constantes ao longo de todo o circuito.

Um circuito magnético diz-se heterogéneo se a sua


permeabilidade ou secção não forem constantes ao longo de
todo o circuito.

Este caso é o mais geral e de mais utilidade prática, dado que


constroem-se circuitos com vários materiais de diferentes
secções e com entreferros, isto é, espaços em que o material
ferromagnético é interrompido para dar lugar ao ar.

Lei de Hopkinson

Nos circuitos magnéticos verifica-se uma lei formalmente


semelhante à lei de Ohm dos circuitos elétricos denominada lei
de Hopkinson.

A lei de Hopkinson diz o seguinte: “Num circuito magnético, o


fluxo é directamente proporcional à força magnetomotriz e
inversamente proporcional à relutância magnética.

𝐹
∅ = 𝑅𝑚
𝑚

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𝑭𝒎 - Força magnetomotriz do circuito, ou seja, é a causa da existência de fluxo


magnético. A sua unidade é Ampere-espira (Ae).

𝐹𝑚 = 𝑁𝐼

𝑹𝒎 - Relutância magnética do circuito. É uma medida da oposição que um meio


oferece ao estabelecimento das linhas de força. A sua unidade é (𝐴𝑒/𝑊𝑏).

𝓁
𝑅𝑚 =
𝜇𝑆

Analogia com o circuito elétrico

Há uma analogia entre o circuito elétrico e o circuito magnético, com as seguintes


correspondências:

Eletroíman

Um eletroíman é um dispositivo constituído por uma bobina enrolada sobre um núcleo


de material ferromagnético. A bobina e o núcleo ferromagnético atuam como um íman
quando por ela passa corrente.

Os eletroímanes apresentam-se com várias formas consoante a sua aplicação.

Consideremos um eletroíman em U representado na figura. A passagem


de corrente na bobina cria um campo magnético cujas linhas de força têm
o sentido indicado.
Deste modo, o núcleo do eletroíman fica com as polaridades N e S
indicadas, as quais vão, por isso, criar polaridades de nomes contrários
(N’, S’) na armadura, atraindo-a assim com uma determinada força F.

Se inverter o sentido da corrente, as linhas de força invertem o sentido e


os pólos invertem a posição quer no núcleo quer na armadura. Assim
continua a haver pólos diferentes em frente uns dos outros, pelo que a
armadura é atraída.

Enquanto houver corrente, há força atractiva. Interrompendo a corrente, deixa de haver


campo magnético e a armadura deixa de ser atraída.

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Grande parte das aplicações dos eletroímanes baseia-se no facto de estes atraírem peças
de material ferromagnético, sempre que passa corrente na bobina.
Seguidamente apresenta-se algumas dessas aplicações:

 Máquinas elétricas: circuitos magnéticos dos motores, dínamos e alternadores.


 Aparelhos de sinalização: campainhas.
 Aparelhos de comando: contactor, automático de escada, etc.
 Aparelhos de protecção: disjuntores

Exercícios de aplicação:

1. Represente o ciclo de histerese de um material ferromagnético e explique-o.

2. Qual é o grande inconveniente da histerese nos materiais ferromagnéticos.

3. O que entendes por circuito magnético?

4. Distingue circuito magnético homogéneo de circuito magnético heterogéneo.

5. Enuncie a lei de Hopkinson.

6. Estabeleça uma correspondência entre as grandezas do circuito elétrico com as


grandezas do circuito magnético.

7. A figura representa um eletroíman. Selecione as afirmações


verdadeiras.
A. Quando a corrente tem o sentido indicado na figura verifica-
se que A é norte e C é sul.
B. Na situação anterior criava-se na armadura um pólo norte em
B e um pólo sul em D.
C. Se cortarmos a corrente a armadura afasta-se imediatamente
D. Se trocarmos o sentido da corrente no circuito a armadura, que estava atraída,
afasta-se imediatamente.

8. Indique três aparelhos que funcionam com eletroíman.

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9. A figura representa um circuito magnético (em


ferro-silício), homogéneo e perfeito, com S= 4cm2,
N= 200 espiras, r = 5cm.
Considerando B=1,1 T, calcule:
a) O comprimento médio das linhas de força.
b) O valor do fluxo magnético no circuito.
c) A intensidade de corrente necessária para obter H
= 500 A/m.
d) O valor da força magnetomotriz.
e) A relutância magnética do circuito.

Forças eletromagnéticas

Quando se coloca um condutor rectilíneo percorrido por uma corrente elétrica num
campo magnético de um íman, este sofre a ação de uma força. A esta força dá-se o
nome de força eletromagnética.

Consideremos um condutor rectilíneo rígido, ligado a um gerador por fios flexíveis,


num campo magnético uniforme entre os pólos de um íman em U.

 Não havendo corrente, nada acontece – o condutor mantém a sua posição (fig.
a).

 Fazendo passar uma corrente com o sentido indicado (fig. b) o condutor desloca-
se para a direita.

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 Invertendo o sentido da corrente (fig. c) ou o sentido do campo magnético (fig.


d), verifica-se que o sentido da força também inverte.

 Invertendo o sentido da corrente e o sentido do campo magnético,


simultaneamente (fig. e), verifica-se que a força mantém o mesmo sentido inicial
(fig. b).

O sentido de F é determinado através da chamada regra da palma da


mão direita, que consiste em colocar a mão direita estendida de tal
forma que a indução B entre perpendicularmente à palma da mão e de
forma que a corrente I saia pelo polegar. Os restantes dedos indicam-
nos o sentido da força F.

Lei de Laplace

Esta lei enuncia-se do seguinte modo:

“ A força eletromagnética exercida sobre um condutor rectilíneo é diretamente


proporcional à indução magnética B, à intensidade de corrente I que percorre o
condutor, ao comprimento 𝓁 do condutor e ainda ao seno do ângulo formado pela
indução B e pelo condutor”.

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Atração e repulsão entre condutores

Consideremos dois condutores rectilíneos, paralelos e colocados entre si a uma distância


relativamente curta, percorridos por correntes. Cada uma das correntes cria, em seu
redor, o seu próprio campo magnético com as linhas de força respectivas. As linhas de
força são circunferências concêntricas em relação aos condutores.

A corrente I produz no ponto 𝐴′ a indução B e a corrente 𝐼 ′ produz no ponto A a


indução 𝐵 ′

Condutores paralelos percorridos por


correntes do mesmo sentido atraem-se.

Condutores paralelos percorridos por


correntes de sentidos contrários repelem-se.

Exemplo: Um condutor retilíneo, de 0,5 metros de comprimento e percorrido por uma


corrente de 10 A, está submetido a uma indução de 0,5 T. Determine a força
eletromagnética que se exerce no condutor quando este forma com as linhas de força um
ângulo de 60º.

Resp.: F = 2,2 N

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Indução eletromagnética

Vimos anteriormente que uma corrente elétrica produz um campo magnético. Vamos
agora ver que um campo magnético pode, em certas condições, produzir uma uma
corrente elétrica.

Para observar a criação de corrente elétrica através de um campo magnético, pode-se


fazer uma experiência simples, empregando um íman e uma bobina ligada a um
galvanómetro de zero ao centro como mostra a figura.

O galvanómetro funciona como um amperímetro cujo


ponteiro se desloca quando é percorrido por correntes muito
pequenas (dezenas de microamperes). O ponteiro do
galvanómetro desloca-se sempre para o terminal por onde
entra a corrente.

Os ensaios a efetuar consistem em:

1º Aproximar o íman da bobina

Ao aproximar o íman da bobina, verifica-se que o ponteiro do


galvanómetro se desloca num determinado sentido.

2º Deixar o íman imóvel no interior da bobina (ou perto dela)

Se o íman permanecer imóvel no interior da bobina (ou perto


dela), verifica-se que o ponteiro do galvanómetro volta a sua
posição inicial (ao centro).

3º Afastar o íman da bobina

Ao afastar o íman da bobina, verifica-se que o ponteiro


desloca em sentido contrário relativamente ao primeiro
deslocamento.

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Fazendo os ensaios com o pólo sul a aproximar e afastar da bobina, verifica-se o mesmo
efeito, só que os desvios têm sentidos contrários.

Conclui-se que só aparece corrente na bobina quando há variação de fluxo magnético


através das suas espiras. Esta corrente é devida a uma f.e.m. que se gera nos seus
terminais enquanto houver variação de fluxo.

A esta f.e.m. chama-se força eletromotriz induzida e à corrente gerada pelo facto do
circuito ser fechado, dá-se o nome de corrente induzida.

Ao íman móvel que provoca o aparecimento de f.e.m. induzida dá-se o nome de


indutor e ao circuito elétrico onde aparece essa f.e.m. dá-se o nome de induzido.

A indução eletromagnética é o fenómeno que consiste na produção de f.e.m. induzida,


provocado por variação de fluxo magnético.

Este fenómeno foi descoberto em 1831 pelo físico Michael Faraday dando origem a lei
de Faraday ou lei da indução eletromagnética.

A Lei de Faraday diz o seguinte: “ Sempre que um circuito elétrico é atravessado por
um fluxo magnético variável, gera-se aos seus terminais uma f.e.m. induzida, a qual
originará uma corrente se o circuito estiver fechado.”

A indução eletromagnética é a base do funcionamento dos alternadores, dínamos e


transformadores.

Em 1834 o físico Lenz indicou como determinar o sentido da corrente induzida. As


conclusões a que chegou foram sintetizadas na conhecida lei de Lenz.

A lei de Lenz diz o seguinte: “ O sentido da corrente induzida é tal que seu efeito
magnético se opõe à causa que lhe deu origem.”

A f.e.m. induzida numa bobina de N espiras é calculada através da seguinte expressão:


∆∅
𝐸 = 𝑁 ∆𝑡

𝐸 - f.e.m. induzida na bobina (V)


𝑁- número de espiras da bobina
∆𝑡 - intervalo de tempo (s)
∆∅ - variação de fluxo no intervalo de tempo ∆𝑡 (Wb)

Exercícios de aplicação:

1. Em que consiste a indução eletromagnética.

2. Enuncie as leis de Faraday e de Lenz.

3. Ao aproximar-se um íman de uma bobina com 50 espiras, o fluxo através de cada


espira aumentou de zero para 50 mWb. Supondo que este movimento durou 0,5 s,
calcule o valor da f.e.m. induzida na bobina

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Coeficiente de auto-indução de uma bobina (L)


Na figura representa-se uma bobina que é alimentada por uma corrente
contínua I, sob tensão U. Esta corrente vai criar um conjunto de linhas
de força do campo magnético as quais se constituem um fluxo
magnético.

Define-se coeficiente de auto-indução ou indutância L de uma bobina como o


quociente entre o fluxo magnético total e a corrente I que o origina

∅𝑡 L - Coeficiente de auto-indução (em henry-H)


𝐿= ∅𝑡 - Fluxo magnético total (em Weber – Wb)
𝐼
I - Intensidade de corrente (em ampere – A)

O coeficiente de auto-indução é uma característica da bobina. Cada bobina tem o seu


valor de coeficiente de auto-indução.

Auto-indução
Consideremos um circuito elétrico constituído por uma bobina
alimentada por corrente variável, que pode ser obtida variando o valor
de uma corrente contínua (com um reóstato) ou ainda utilizando uma
corrente alternada (corrente de sentido variável).

Uma corrente variável produz um fluxo magnético variável (∆∅𝑡 = 𝐿. ∆𝐼).


Ora, segundo a lei de Faraday, um fluxo magnético variável através de uma bobina
produz uma f.e.m. induzida.

A auto-indução é o fenómeno de indução produzida por uma corrente, quando varia no


seu próprio circuito.

Em corrente contínua só existe auto-indução durante um período curto, correspondente


à abertura ou ao fecho do circuito elétrico.
Se a corrente for alternada (de sentido variável), então a auto-indução é permanente,
existindo uma f.e.m. constante.

Indução mútua
Consideremos dois circuitos, constituídos por bobinas, eletricamente distintos e
próximos um do outro. Ao alimentarmos a bobina B1 com uma corrente variável I1, a
bobina B2 é atravessada por um fluxo criado por B1 gera-se uma f.e.m. E2 (e uma
corrente se circuito estiver fechado).
Trocando os papéis das duas bobinas, analogamente induzia-se uma f.e.m. E1 em B1.

Indução mútua é o fenómeno de indução entre dois circuitos eletricamente distintos


em que a variação do fluxo num circuito provoca no outro uma f.e.m. induzida.

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Correntes de Foucault
Até agora nos preocupámos com as correntes induzidas nas bobinas, contudo em
qualquer massa metálica que esteja sujeita a variação de fluxo aparecem também
correntes induzidas.

Correntes de Foucault são correntes elétricas induzidas nas massas metálicas quando
estas são submetidas a variações de fluxo.
Essas correntes são também designadas de correntes parasitas.

A figura seguinte mostra uma bobina com núcleo de


ferro maciço. Ao aplicar uma tensão alternada, esta
será percorrida por uma corrente variável. A esta
variação de corrente corresponde uma variação de
fluxo que vai induzir correntes no núcleo.

Inconvenientes das correntes de Foucault


Na maioria das máquinas elétricas nomeadamente geradores, motores e transformadores
há massas metálicas que estão sujeitas a variações de fluxo. Aparecem assim correntes
de Foucault que por efeito de Joule aquecem essas peças metálicas. Desperdiça-se deste
modo energia o que contribui para baixar o rendimento dessas máquinas. A estas perdas
dá-se o nome de perdas por correntes de Foucault.

Processos de redução das correntes de Foucault


De entre os diferentes processos existentes para redução das correntes de Foucault
destaca-se aqui dois deles por serem os de maior divulgação e com maiores efeitos
práticos:

 Laminação das massas metálicas

Este processo consiste em dividir a massa metálica num conjunto de chapas, de pequena
espessura, sobrepostas e isoladas entre si.

Em a), temos um núcleo maciço onde circulam livremente as


correntes de Foucault.

Em b), o núcleo já não é maciço, mas sim constituídas por chapas


metálicas finas, isoladas entre si, cortando assim o caminho das
correntes circulares.

 Utilização de materiais com maior resistividade elétrica

Ao juntar-se uma determinada percentagem de silício ao ferro dos núcleos, as suas


perdas quer por correntes de Foucault quer por histerese são bastante reduzidas, pois a
resistividade do material aumenta.

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CONDENSADORES

Um condensador é um componente elétrico passivo constituído por duas superfícies


condutoras, chamadas armaduras, separadas por um material isolante designado
dielétrico.

Comportamento em corrente contínua

 Carga do condensador

Na figura seguinte temos um condensador em série com um galvanómetro:

Inicialmente, o condensador encontra-se descarregado, isto é, sem tensão elétrica entre


as armaduras A e B (fig.a).
Ao fechar o interruptor, aplica-se uma tensão U às armaduras do condensador e verifica-
se que momentaneamente passa uma corrente elétrica, indicada pelo galvanómetro (fig.
b) e que depois se anula (fig. c).

As armaduras ficam deste modo com cargas elétricas, pelo que se diz que o
condensador está carregado, sendo estas cargas iguais mas de sinais contrários (+ Q e –
Q).

A carga Q do condensador é a quantidade de cargas elétricas existentes numa das


armaduras.

À corrente elétrica, momentânea, observada ao carregar o condensador chamamos


corrente de carga do condensador.

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Descarga do condensador
Para descarregar o condensador, liga-se as armaduras A e B através de um condutor
(‘shunt’), como mostra na figura seguinte:

A corrente de descarga é máxima no início e vai decrescendo até se anular tal como a
corrente de carga, sendo as curvas iguais.

Capacidade de um condensador
A capacidade de um condensador é a propriedade que este tem de armazenar maior ou
menor quantidade de carga elétrica.

Matematicamente a capacidade de um condensador é a razão constante entre a carga


que este armazena e a tensão aos seus terminais.
𝑄
𝐶=𝑈 Q- carga armazenada, em coulombs (C)
U- tensão, em volts (V)
C- capacidade, em Farad (F)

Como o Farad é uma unidade muito grande, a capacidade é expressa em submúltiplos


do Farad.

microfarad (𝜇𝐹): 1𝜇𝐹 = 10−6 F


nanofarad (nF): 1nF = 10−9 F
picofarad (pF): 1pF = 10−12 F

Velocidade de carga e descarga


Se nas experiências anteriores inserirmos uma resistência R em série com o
condensador, a carga e a descarga serão mais demoradas.

Sendo o tempo real de carga e descarga impreciso, na prática define-se o tempo 𝜏 (lê-se
tau) que se denomina constante de tempo.

𝜏 = 𝑅. 𝐶 R - resistência eléctrica em Ohm (Ω)


C - capacidade em Farad (F)
𝜏 - constante de tempo em segundos (s)

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Constante de tempo (𝝉) é o tempo que um condensador levaria a carregar (ou


descarregar) se a corrente de carga (ou descarga) fosse constante e igual a imáx.

Associação de condensadores
Tal como as resistências, os condensadores podem ser associados em série, em paralelo
e em associação mista.

Associação em série

 A carga elétrica Q é a mesma em todos os condensadores associados


 A tensão aplicada no circuito é igual a soma das tensões nos condensadores

𝑄 𝑄
𝐶𝑇 = 𝑈 ⇔ 𝑈 = 𝐶
𝑇

𝑈 = 𝑈1 + 𝑈2 + 𝑈3
𝑄 𝑄 𝑄 𝑄 𝑄 1 1 1
= 𝐶 + 𝐶 + 𝐶 ⇔ 𝐶 = 𝑄(𝐶 + 𝐶 + 𝐶 )
𝐶𝑇 1 2 3 𝑇 1 2 3

1 1 1 1
=𝐶 +𝐶 +𝐶
𝐶𝑇 1 2 3

A capacidade total de condensadores em série é obtida da mesma forma que a


resistência total em paralelo.

 Se todos os condensadores da associação forem iguais, podemos escrever


1 1 1 1 1 1 𝑛 𝐶
= 𝐶 + 𝐶 + 𝐶 + ⋯ + 𝐶 ⇔ 𝐶 = 𝐶 ⇔ 𝐶𝑇 = 𝑛
𝐶𝑇 𝑇

 Associação série de dois condensadores


𝐶 .𝐶
𝐶𝑇 = 𝐶 1+𝐶2
1 2

Exemplo: Três condensadores de 20 𝜇𝐹, 80 𝜇𝐹 e 16 𝜇𝐹 estão ligados em série, sob uma


tensão de 16V. Calcule:
a) A capacidade total da associação
b) A carga total da associação e a carga em cada condensador
c) A tensão nos terminais de cada condensador

Solução
1 1 1 1 1 1 1 1 1 4 1 5 1 10
a) = 𝐶 + 𝐶 + 𝐶 ⇔ 𝐶 = 20 + 80 + 16 ⇔ 𝐶 = 80 + 80 + 80 ⇔ 𝐶 = 80
𝐶𝑇 1 2 3 𝑇 𝑇 𝑇

80
𝐶𝑇 = 10 ⇔ 𝐶𝑇 = 8 𝜇𝐹

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b) 𝑄 = 𝐶𝑇 . 𝑈 ⇔ 𝑄 = 8.16 ⇔ 𝑄 = 128 𝜇𝐶
𝑄1 = 𝑄2 = 𝑄3 = 𝑄 = 128 𝜇𝐶
𝑄1 128 𝜇𝐶
c) 𝑈1 = ⇔ 𝑈1 = ⇔ 𝑈1 = 6,4 𝑉
𝐶1 20 𝜇𝐹

𝑄2 128 𝜇𝐶
𝑈2 = ⇔ 𝑈2 = ⇔ 𝑈2 = 1,6 𝑉
𝐶2 80 𝜇𝐹

𝑄3 128 𝜇𝐶
𝑈3 = ⇔ 𝑈3 = ⇔ 𝑈3 = 8 𝑉
𝐶3 16 𝜇𝐹

Exercícios de aplicação

1. Considere três condensadores iguais com capacidade de 12 𝜇𝐹 e tensões máximas de


500 V. Determine:
a) A capacidade total quando associados em série.
b) A tensão mais elevada que pode ser aplicada a associação.

2. Três condensadores de 200 nF, 300 nF e 400 nF estão ligados em série, sob uma tensão
de 100 V. Calcule:
a) A capacidade total.
b) As cargas individuais e total.
c) A tensão aplicada a cada condensador

Resp. a) 𝐶𝑇 = 92,3 𝑛𝐹 b) 𝑄 = 9,23 𝜇𝐶 c) 𝑈1 = 46,2 𝑉; 𝑈2 = 30,8 𝑉; 𝑈3 = 23 𝑉

Associação em paralelo

 A tensão é a mesma em todos os condensadores


 A carga total da associação é igual a soma das cargas
acumuladas em cada condensador

𝑄 = 𝑄1 + 𝑄2 + 𝑄3

𝐶𝑇 . 𝑈 = 𝐶1 . 𝑈 + 𝐶2 . 𝑈 + 𝐶3 . 𝑈

𝐶𝑇 . 𝑈 = (𝐶1 + 𝐶2 + 𝐶3 ). 𝑈

𝐶𝑇 = 𝐶1 + 𝐶2 + 𝐶3

Exemplo: Considere o circuito da figura e determine:

a) A capacidade total da associação


b) A carga total acumulada pela associação
c) A carga acumulada em cada condensador

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Solução:

a) 𝐶𝑇 = 𝐶1 + 𝐶2 ⇔ 𝐶𝑇 = 50 + 30 ⇔ 𝐶𝑇 = 80 𝜇𝐹

b) 𝑄 = 𝐶𝑇 . 𝑈 ⇔ 𝑄 = 80.12 ⇔ 𝑄 = 960 𝜇𝐶

c) 𝑄1 = 𝐶1 . 𝑈 ⇔ 𝑄1 = 50.12 ⇔ 𝑄1 = 600 𝜇𝐶
𝑄2 = 𝐶2 . 𝑈 ⇔ 𝑄2 = 30.12 ⇔ 𝑄2 = 360 𝜇𝐶

Exercício de aplicação
Dois condensadores com as capacidades de 5 e 10 𝜇F estão ligados em paralelo.
Determine:
a) A capacidade total
b) A carga armazenada quando se aplica a tensão de 50 V
c) A carga armazenada por cada condensador

Associação mista
A associação mista de condensadores consiste na ligação de uns condensadores em série
e de outros em paralelo, no mesmo circuito.

1. Considere as seguintes associações de condensadores e determine a capacidade total

CORRENTE ALTERNADA

Até agora estudamos a corrente elétrica sob a forma de corrente


contínua, isto é, corrente que circula sempre no mesmo sentido e de
valor constante. Representa-se por meio de uma reta paralela ao eixo
dos tempos.

No entanto a corrente elétrica pode apresentar-se sob a forma de corrente alternada que
estudaremos a seguir.

Corrente alternada é uma corrente de sentido variável com as seguintes propriedades:

 é periódica dado que o sentido da corrente muda, sucessivamente, em intervalos


de tempo iguais.
 O valor médio da intensidade é nulo, isto porque, a intensidade de corrente
passa sucessivamente pelos mesmos valores quer no sentido positivo quer no
negativo.

Como exemplos mostraremos a corrente quadrada (fig. a) e a corrente sinusoidal (fig. b)

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Uma alternância ou semi-ciclo é o conjunto de valores assumidos pela grandeza


elétrica num mesmo sentido. Temos assim alternâncias positivas e negativas.

Ao conjunto de uma alternância positiva e de uma negativa consecutivas chamamos


ciclo.

Corrente alternada sinusoidal

Esta é a corrente alternada mais importante, dado que


toda a energia elétrica é produzida sob esta forma.

A máquina que produz corrente alternada sinusoidal


chama-se alternador. No essencial o alternador é
constituído por duas partes:

Indutor é basicamente um íman que roda a velocidade


constante. O indutor integra a parte rotativa da máquina, designada por rotor.

Induzido é constituído por um conjunto de bobinas alojadas em ranhuras existentes na


parte fixa da máquina designada por estator.

Características da corrente alternada sinusoidal

Valor instantâneo – é o valor que a grandeza assume em cada


instante da sua evolução. Representa-se por letra minúscula, i, u.

Amplitude, valor máximo ou valor de pico (Vp) – é o valor


instantâneo mais elevado atingido pela grandeza. Há amplitude
positiva e amplitude negativa.

Ao valor medido entre os valores de amplitude positiva e amplitude


negativa chama-se valor de pico a pico e é dado pela seguinte expressão:

𝑉𝑝𝑝 = 2𝑉𝑝

Período - é o tempo em que ocorrem duas alternâncias consecutivas, ou


seja é o tempo gasto num ciclo. Representa-se por T e exprime-se em
segundos.

Frequência - é o número de ciclos efetuados num segundo. Representa-se por f e a sua


unidade é o Hz (Hertz). A frequência está relacionada com o período da seguinte forma:

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1
1 ciclo → T segundos 𝑓=𝑇
𝑓 ciclos → 1 segundo

Valor médio (Vméd) – é dado pela média aritmética dos valores instantâneos da corrente
ou tensão durante um ciclo. Para cada ciclo é igual a zero, pois os valores da alternância
positiva são iguais aos valores da alternância negativa.

Para algumas aplicações é utilizado o valor médio num semi-ciclo positivo dado por:
2
𝑉𝑚é𝑑 = 𝜋 . 𝑉𝑝 = 0,637. 𝑉𝑝

Valor eficaz ou valor rms (Vef)

O valor da tensão ou da corrente eficaz é o valor que produz numa resistência o mesmo
efeito que uma tensão/corrente contínua constante desse mesmo valor.

Por exemplo, uma tensão alternada com um valor eficaz de 220 V, produz numa
lâmpada incandescente o mesmo efeito que os 220V provenientes de uma fonte de
tensão contínua fixa.

Para um sinal sinusoidal o valor eficaz pode ser calculado a partir do seu valor de pico
através da relação:
𝑉𝑝
𝑉𝑒𝑓 = = 0,707. 𝑉𝑝
√2

Construção de uma sinusóide

Toda grandeza sinusoidal pode ser representada vectorialmente.


Para traçar a sinusoide representada, desenha-se uma circunferência de raio igual a Im.
Divide-se a circunferência por exemplo em 12 partes iguais. Traça-se os vetores
correspondentes (vetores girantes), delimitando cada uma das partes em que a
circunferência fica dividida. Os vetores fazem, entre si, ângulos de 30°.

Escolhe-se agora uma escala para o eixo dos tempos t e outra para o eixo da corrente i.
Dividi-se o intervalo T em 12 partes iguais.

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Seguidamente traçam-se sucessivas paralelas horizontais, a partir das extremidades dos


12 vetores, até encontrarem as verticais correspondentes que partem de cada um dos 12
pontos do eixo t.

Do cruzamento de cada linha horizontal com cada vertical é definido um ponto, num
total de 12. Unindo entre si os 12 pontos, fica definida a curva sinusoidal.

Velocidade angular
O vetor roda com uma velocidade uniforme percorrendo um ângulo de 2π radianos em
cada período.

A sua velocidade angular 𝝎, ou seja, o número de radianos percorridos por segundo


obtém-se do seguinte modo:
2𝜋
2𝜋 rad → T segundos 𝜔= 𝑇
𝜔 radianos → 1 segundo
1 2𝜋
Como 𝑇 = 𝑓 , resulta que 𝜔 = 1 → 𝜔 = 2𝜋𝑓
𝑓

Representação matemática de uma grandeza sinusoidal

A corrente sinusoidal da fig.1 pode representar-se por uma equação trigonométrica do


tipo:
𝑖- intensidade instantânea
𝑖 = 𝐼𝑚 . 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡) = 𝐼𝑚 . 𝑠𝑒𝑛(2𝜋𝑓𝑡) 𝐼𝑚 - intensidade máxima
𝜔 - velocidade angular

A equação anterior representa apenas correntes alternadas cujas curvas passam pela
origem, isto é, 𝑖 = 0 quando 𝑡 = 0. No entanto, nem sempre isso acontece.

Consideremos uma corrente tal que Im = 4 A (𝑓 = 50 𝐻𝑧) que no instante 𝑡 = 0 tem


um valor máximo positivo.

A equação anterior já não pode representar curvas deste tipo. Assim devemos
acrescentar à equação anterior o ângulo 𝜑 que se designa por ângulo de fase.

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Temos portanto:
𝑖 = 𝐼𝑚 . 𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡 + 𝜑)

Esta equação é válida qualquer que seja o valor do ângulo 𝜑 considerado, daí o nome
que se lhe atribui de equação generalizada da corrente alternada sinusoidal.
𝜋
Assim, no instante 𝑡 = 0 temos 𝜑 = + 2 , pelo que a equação da sinusóide será:

𝜋
𝑖 = 4. 𝑠𝑒𝑛 (𝜔𝑡 + 2 )

𝜋
No caso de a corrente começar por um máximo negativo 𝜑 = − 2

𝜋
A equação da sinusoide será: 𝑖 = 4. 𝑠𝑒𝑛 (𝜔𝑡 − 2 )

Desfasamento entre duas correntes da mesma frequência

Duas correntes elétricas (ou quaisquer outras grandezas sinusoidais) 𝒊𝟏 e 𝒊𝟐 com a


mesma frequência podem anular-se em instantes diferentes, o que implica que os seus
máximos não sejam simultâneos. Representemo-las pelas duas equações:

𝑖2 = 𝐼2𝑚 𝑠𝑒𝑛 𝜔𝑡 e 𝑖1 = 𝐼1𝑚 𝑠𝑒𝑛 (𝜔𝑡 + 𝜑)

Tracemos os vetores e as sinusoides correspondentes

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Essas correntes estão desfasadas dado que os respectivos máximos e zeros não são
simultâneos. A corrente 𝒊𝟏 está em avanço em relação a 𝒊𝟐 porque o seu primeiro
máximo positivo é anterior, no tempo, ao de 𝒊𝟐 . Analogamente se diz que 𝒊𝟐 está em
atraso em relação a 𝒊𝟏 .
Estas conclusões podem ser obtidas observando os vectores ⃗I1 e ⃗I2 . De facto ⃗I1 está em
avanço em relação a ⃗I2 , no sentido de rotação utilizado.

Se duas grandezas passam simultaneamente pelo valor máximo ou se anulam no mesmo


instante diz-se que estão em fase.

Quando uma grandeza está num máximo a outra é nula e vice-versa diz-se que estão em
quadratura. Os vetores correspondentes fazem um ângulo de 90º.

Na figura seguinte temos a tensão 𝒖𝟐 em quadratura e atraso em relação a 𝒖𝟏 . O


mesmo é dizer que 𝒖𝟏 está em quadratura e avanço em relação a 𝒖𝟐 .

Se duas grandezas anulam-se ao mesmo tempo, mas quando uma está no máximo a
outra está no mínimo diz-se que estão em oposição de fase. Assim os vetores têm a
mesma direção mas sentidos diferentes.

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Exercícios de aplicação:

1. Considere a tensão sinusoidal representada na figura e


determine:
a) O período
b) A frequência
c) A velocidade angular
d) O valor eficaz
e) O tempo que leva a atingir o primeiro pico
f) A expressão matemática de u (t)

2. Considere duas correntes elétricas de 50 Hz, tais que 𝐼1 = 6 𝐴 e 𝐼2 = 8 𝐴. Para cada


uma das seguintes situações faça a representação vectorial e matemática das
correntes:
a) 𝑖1 e 𝑖2 em fase tendo 𝑖1 fase nula.
b) 𝑖1 em quadratura e avanço em relação a 𝑖2 tendo 𝑖2 fase nula.
c) 𝑖1 em quadratura e atraso em relação a 𝑖2 tendo 𝑖2 fase nula.
d) 𝑖1 e 𝑖2 em oposição de fase tendo 𝑖1 fase nula.

3. Uma corrente alternada sinusoidal tem a seguinte expressão analítica


𝑖 = 10 𝑠𝑒𝑛 (157𝑡 + 𝜑). Determine:
a) O valor máximo e eficaz da corrente
b) O valor da velocidade angular
c) A frequência do sinal sinusoidal

4. Na figura seguinte, representa o diagrama temporal de uma corrente que não passa
na origem, com o período T = 10 ms. O valor eficaz da corrente é de 2 A.

a) Calcule a velocidade angular


b) Calcule o ângulo de fase 𝜑 da corrente.
c) Apresente a equação matemática respectiva.

𝑡0 – é o intervalo de tempo
correspondente ao ângulo de
fase 𝜑.

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Comportamento de uma bobina em c.a.

Considere-se uma bobina pura, isto é, uma bobina ideal sem resistência.
Como sabemos, caracteriza-se por um determinado valor L, chamado de coeficiente de
auto-indução ou indutância.

Qualquer bobina em c.a. constitui uma oposição à passagem da corrente, que se


representa por 𝑿𝑳 e se designa por reactância indutiva.
A reactância indutiva mede-se em Ohm.

Essa oposição é tanto maior quanto maior for o coeficiente de auto-indução (𝐿) e
quanto maior for a frequência, como podemos ver pela relação seguinte.

Exercícios de aplicação:

1. Calcule a reactância indutiva de uma bobina de 5 H ligado a uma tensão de


frequência 50 Hz.

2. Determine o coeficiente de auto-indução duma bobina com uma reactância de 15 Ω


quando a frequência é de 60 Hz. Qual seria o valor da reactância se a frequência fosse
50 Hz?

3. Calcular a frequência a que foi ligada uma bobina de 4 mH sabendo que a sua
reactância é de 12,56 Ω

Comportamento de um condensador em c.a.

Um condensador caracteriza-se pela sua capacidade C.


Qualquer condensador em c.a. constitui igualmente uma oposição à passagem da
corrente, que se designa por reactância capacitiva, representa-se por 𝑿𝑪 e mede-se em
Ohm.

Essa oposição varia na razão inversa da capacidade e da frequência e é traduzida pela


relação seguinte

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Exercícios de aplicação

1. Calcule a reactância capacitiva de um condensador de 0,25 𝜇𝐹, para as frequências de


2 KHz e 1 MHz.

2. Determine a capacidade de um condensador cuja reactância é 230 Ω para a frequência


de 50 Hz.

Circuitos em corrente alternada

 Circuito puramente resistivo

Aplicando uma tensão alternada sinusoidal u a uma resistência R, esta será


percorrida por uma corrente i também alternada sinusoidal, mantendo-se a
relação que estudámos na lei de Ohm em corrente contínua:
𝑈
𝐼 = 𝑅 em valores eficazes

Na figura representa-se o diagrama


temporal e o diagrama vetorial do circuito.
Verifica-se que a corrente e a tensão estão
em fase, ou seja ambos se anulam e atingem
o valor máximo em simultâneo.

Num circuito puramente resistivo o ângulo


𝜑 de desfasamento entre a tensão e a
corrente é nulo.

 Circuito puramente indutivo

Na figura representa-se uma bobina pura ( 𝑋𝐿 ≫ 𝑅) alimentada por uma


tensão alternada sinusoidal u.

Na figura seguinte representa-se o diagrama


temporal e o diagrama vetorial do circuito.

Verifica-se que a corrente i está em quadratura


e em atraso em relação a tensão u aplicada,
isto é, a tensão atinge o máximo primeiro que
a corrente.

Por convenção, define-se que o ângulo 𝜑 se marca sempre do vetor da corrente em


𝜋
direção ao vetor da tensão. Deste modo, o ângulo 𝜑 é positivo (+ 2 ), pois tem o mesmo
sentido de 𝜔.

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Este atraso da corrente explica-se pelo facto de surgir uma f.e.m. de auto-indução que se
opõe a causa que lhe deu origem. Assim, quando a tensão u está no máximo, a corrente
i está em zero, visto que há uma reação da bobina que tende a opor-se a corrente i.

O valor eficaz da intensidade de corrente será dada por:


𝑈
𝐼=𝑋
𝐿

Exercícios de aplicação:

1. Uma bobina de resistência praticamente nula (𝑅 ≈ 0), com coeficiente de auto-


indução de 20 mH, foi ligada a uma tensão de 220 V, 50 Hz. Determine:
a) A reactância indutiva
b) O valor eficaz da intensidade
c) O valor máximo da intensidade
d) O valor eficaz da intensidade supondo que a frequência baixava para 5Hz e que L se
mantinha constante.

2. A uma bobina pura com a reactância de 100 Ω à frequência de 50 Hz é aplicada uma


tensão de 50 V. Determine a intensidade de corrente que a percorre.

3. Calcule a intensidade que percorre uma bobina pura com L = 1 H quando submetida à
tensão de 220V (50Hz).

4. Uma bobina pura é percorrida por uma corrente de 2 A quando se lhe aplica a tensão
de 220 V. Determine a frequência da tensão sabendo que L = 0,2 H.

5. Numa bobina pura com L = 0,007 H circula uma corrente sinusoidal com o valor
máximo de 14,1A. Determine a tensão aos terminais da bobina sabendo que a
frequência da corrente é de 50 Hz.

 Circuito puramente capacitivo

Aplicando uma tensão alternada sinusoidal u a um condensador de


capacidade C, esta será percorrida por uma corrente i também alternada
sinusoidal.

Na figura seguinte representa-se o diagrama temporal e o diagrama vetorial do circuito

Verifica-se que a corrente i está em


quadratura e em avanço relativamente a
tensão u, isto é, a corrente atinge o máximo
primeiro que a tensão.

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O valor eficaz da intensidade de corrente será dada por:


𝑈
𝐼=𝑋
𝐶

Exemplo:

1. Um condensador tem a capacidade de 20 𝜇𝐹. Determine para a frequência de 50 Hz:


a) A reactância capacitiva
b) A intensidade de corrente que o percorre quando se lhe aplica a tensão de 220 V.

Circuito RL série

É um circuito formado por uma bobina com resistência não desprezável ou então por
uma bobina pura em série com uma resistência de valor R.

Consideremos o seguinte circuito, ao qual se aplica uma tensão alternada sinusoidal de


valor U.

Os dois componentes se encontram ligados em série, então a


corrente I é comum aos dois. A resistência R fica submetida a
uma tensão UR dada por 𝑈𝑅 = 𝑅𝐼; a reactância XL fica
submetida a uma tensão dada por 𝑈𝐿 = 𝑋𝐿 . 𝐼

Em corrente alternada, as correntes e tensões estão desfasadas entre si, pelo que devem
ser representadas por vetores.

Diagrama vetorial

Sendo a corrente uma grandeza comum aos dois componentes, vamos


marcar o vetor I com fase 0. Seguidamente marcam-se os vetores das
tensões na resistência UR e na bobina UL, tendo em atenção que UR
está em fase com o vetor I e UL em quadratura e avanço em relação a
I. Somando os dois vetores (regra do paralelogramo) obtém-se a
tensão total U aplicada ao circuito.

Observa-se que o desfasamento entre a corrente e a tensão aplicada é positivo (𝜑 > 0) e


que a corrente está em atraso em relação a tensão, dado que o circuito é indutivo,
embora não puro.

Triângulo de tensões

A partir do diagrama vetorial, tracemos o triângulo de tensões.


Aplicando o teorema de Pitágoras a este triângulo retângulo,
obtemos:

𝑈 2 = 𝑈𝑅2 + 𝑈𝐿2 ⇔ 𝑈 = √𝑈𝑅2 + 𝑈𝐿2

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Triângulo de impedâncias

A partir do triângulo de tensões, podemos obter


um novo triângulo retângulo, semelhante ao
anterior, dividindo cada lado do triângulo original
pelo valor eficaz da corrente I. Deste modo,
obtemos o chamado triângulo das impedâncias.

Dividindo UR por I obtém-se o valor da resistência R. Da divisão de UL por I obtém-se a


reactância indutiva XL.
O quociente de U por I dá-nos a oposição total do circuito à passagem da corrente
denominamos de impedância do circuito.

Impedância é a oposição total feita por um circuito à passagem da corrente alternada.


Também se mede em Ohm (Ω) e representa-se por Z.

Aplicando o teorema de Pitágoras ao triângulo de impedâncias temos:

𝑍 2 = 𝑅 2 + 𝑋𝐿2 ⇔ 𝑍 = √𝑅 2 + 𝑋𝐿2

Exercícios de aplicação:

1. Considere uma bobina cuja a resistência é de 6 Ω e a sua reactância indutiva é de 8Ω.


Determine:

a) A impedância do circuito
b) A tensão que deve ser aplicada a bobina para produzir uma corrente de 5A.
c) O valor do coeficiente de auto-indução se a frequência é de 50Hz

Resp.a) Z = 10 Ω; b) U = 50 V; c) L = 25 mH

2.Liga-se uma resistência de 30 Ω em série com uma bobina de coeficiente de auto-


indução desconhecido. Essa associação absorve uma corrente de 1,5 A quando se lhe
aplica uma tensão de 220 V (50 Hz).

2.1.Calcule:
a) A impedância do circuito
b) A reactância da bobina
c) O coeficiente de auto-indução da bobina
d) As tensões UR e UL
e) O ângulo 𝜑 de desfasamento entre a tensão e a corrente do circuito

2.2. Construa o diagrama vetorial do circuito

Resp.: a) Z = 146,7Ω; b) XL = 143,6Ω; c) L = 0,46 H; d) UR = 45V; UL = 215,4V

e) 𝜑 = 78,2°

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 90


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3. Para determinar o coeficiente de auto-indução de uma bobina efectuaram-se os


seguintes ensaios:

- corrente contínua: U = 12 V; I = 0,2 A


- corrente alternada: U = 220 V (50 Hz); I = 0,5 A

Determine o coeficiente de auto-indução da bobina.


Resp.: 1,39 H

Circuito RC série

Um circuito RC série é constituído por uma resistência R ligada em série com um


condensador de capacidade C.

Consideremos o seguinte circuito, ao qual se aplica uma tensão alternada sinusoidal de


valor U.

Os dois componentes se encontram ligados em série, então a


corrente I é comum aos dois. A resistência R fica submetida a uma
tensão UR dada por 𝑈𝑅 = 𝑅𝐼; a reactância XC fica submetida a uma
tensão dada por 𝑈𝐶 = 𝑋𝐶 . 𝐼

Diagrama vetorial

Note-se que o vetor UR está em fase com o vetor I e o vetor UC está em


quadratura e atraso em relação a I. Somando os vetores UR com UC
obtém-se o vetor U da tensão aplicada ao circuito.

O ângulo de desfasamento 𝜑, marcado de I para U é negativo porque


tem o sentido contrário ao sentido positivo de 𝜔.

A corrente está em avanço em relação à tensão aplicada, pelo que o circuito diz-se
capacitivo (embora não puro).

Triângulo de tensões

A partir do diagrama vetorial, tracemos o triângulo de tensões.


Aplicando o teorema de Pitágoras a este triângulo retângulo,
obtemos:

𝑈 2 = 𝑈𝑅2 + 𝑈𝐶2 ⇔ 𝑈 = √𝑈𝑅2 + 𝑈𝐶2

Triângulo de impedâncias

Aplicando o teorema de Pitágoras ao triângulo de


impedâncias temos:
𝑍 2 = 𝑅 2 + 𝑋𝐶2 ⇔ 𝑍 = √𝑅 2 + 𝑋𝐶2

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 91


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Exercícios de aplicação:

1. Uma resistência de 30 Ω foi ligada em série com um condensador de 80 𝜇𝐹 e ao


conjunto foi aplicada uma tensão de 220 V, 50 Hz. Calcule:

a) A reactância capacitiva
b) A impedância do circuito
c) A intensidade da corrente
d) A tensão nos terminais do condensador
e) O ângulo de desfasamento

Resp.: a) XC = 40Ω ; b) Z = 50 Ω; c) I = 4,4 A; d) UC = 176 V; 𝜑 = −53° (capac.)

2. Liga-se uma resistência de 40 Ω em série com um condensador de 50 μF, alimentados


por 110 V. Se a corrente no circuito for de 2 A, determine:

a) A frequência da fonte de alimentação


b) A tensão na resistência
c) A tensão no condensador
Resp.: a) f = 84,4 Hz; b) UR = 80 V; c) UC = 75,5 V

Circuito RLC série

Um circuito RLC série é constituído por uma resistência R em série com uma bobina e
com um condensador.
Tal como vimos no estudo dos circuitos anteriores, ao
aplicarmos uma tensão alternada U, o circuito será
percorrido por uma corrente I que provoca em cada
elemento uma tensão parcial, respectivamente 𝑈𝑅 = 𝑅𝐼,
𝑈𝐿 = 𝑋𝐿 𝐼 e 𝑈𝐶 = 𝑋𝐶 𝐼.

Neste circuito, podemos considerar três situações distintas


entre si: 𝑋𝐿 > 𝑋𝐶 , 𝑋𝐶 > 𝑋𝐿 e 𝑋𝐿 = 𝑋𝐶 . A cada uma destas
situações corresponderá um diagrama vectorial diferente.

 𝑿𝑳 > 𝑿𝑪 ⇔ 𝑼𝑳 > 𝑼𝑪

Diz-se que o circuito é predominantemente indutivo, pois a componente indutiva


sobrepõe-se à componente capacitiva.

Diagrama vetorial

No elemento resistivo R, a tensão 𝑈𝑅 e a corrente I estão em


fase entre si. No elemento capacitivo C, a tensão 𝑈𝐶 está em
atraso de 90° em relação à corrente I. No elemento indutivo
L, 𝑈𝐿 está em avanço de 90° em relação à corrente I, tal como
é representado no diagrama.

⃗⃗ = ⃗⃗⃗⃗⃗⃗
𝑈 𝑈𝑅 + ⃗⃗⃗⃗⃗
𝑈𝐿 + ⃗⃗⃗⃗⃗
𝑈𝐶

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 92


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Visto que ⃗⃗⃗⃗⃗


𝑈𝐿 e ⃗⃗⃗⃗⃗
𝑈𝐶 estão em oposição de fase, a soma destes dois vetores é um vetor
cujo comprimento é a diferença entre os comprimentos de cada um, ficando em fase
com o maior deles. Assim, ⃗⃗⃗⃗⃗
𝑈𝐿 + ⃗⃗⃗⃗⃗
𝑈𝐶 dá-nos um vector em fase com ⃗⃗⃗⃗⃗ 𝑈𝐿 e de
⃗⃗
comprimento 𝑈𝐿 − 𝑈𝐶 . O vector total 𝑈 é a soma vetorial desta resultante com o vetor
⃗⃗⃗⃗⃗⃗
𝑈𝑅 .

Triângulo das tensões

Aplicando o teorema de Pitágoras a este triângulo retângulo, obtemos:

𝑈 2 = 𝑈𝑅 2 + (𝑈𝐿 − 𝑈𝐶 )2 ⇔ 𝑈 = √𝑈𝑅 2 + (𝑈𝐿 − 𝑈𝐶 )2

Triângulo de impedâncias

Aplicando o teorema de Pitágoras ao triângulo de impedâncias temos:

𝑍 2 = 𝑅 2 + (𝑋𝐿 − 𝑋𝐶 )2

 𝑿𝑪 > 𝑿𝑳 ⇔ 𝑼𝑪 > 𝑼𝑳

Diz-se que o circuito é predominantemente capacitivo, pois a componente capacitiva


sobrepõe-se à componente indutiva.

Diagrama vetorial

Triângulo das tensões

Aplicando o teorema de Pitágoras ao triângulo das tensões, obtemos:

𝑈 2 = 𝑈𝑅 2 + (𝑈𝐶 − 𝑈𝐿 )2 ⇔ 𝑈 = √𝑈𝑅 2 + (𝑈𝐶 − 𝑈𝐿 )2

Triângulo de impedâncias

Aplicando o teorema de Pitágoras ao triângulo de impedâncias temos:

𝑍 2 = 𝑅 2 + (𝑋𝐶 − 𝑋𝐿 )2

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 93


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 𝑿𝑳 = 𝑿𝑪 ⇔ 𝑼𝑳 = 𝑼𝑪

Diagrama vetorial

⃗⃗, 𝑈
Neste circuito 𝑈𝐿 = 𝑈𝐶 , pelo que 𝑈 = 𝑈𝑅 , estando os vetores 𝑈 ⃗⃗⃗⃗⃗⃗ ⃗
𝑅 e 𝐼 em fase entre si;
o ângulo 𝜑 é de 0°. Portanto, o circuito comporta-se, nestas circunstâncias, como um
circuito puramente resistivo. Esta situação é conhecida como ressonância.

O valor da frequência que provoca a ressonância, dá-se o nome de frequência de


ressonância 𝒇𝟎 . Este valor obtém-se da relação 𝑋𝐿 = 𝑋𝐶 .

1 1 1
𝑋𝐿 = 𝑋𝐶 ⇔ 2𝜋𝑓0 𝐿 = ⇔ 𝑓0 2 = 2 ⇔ 𝑓0 =
2𝜋𝑓0 𝐶 4𝜋 𝐿𝐶 2𝜋√𝐿𝐶

Na ressonância a impedância Z atinge o seu valor mínimo, que é exatamente igual ao


valor da resistência R do circuito.

(𝑋𝐿 = 𝑋𝐶 ) ⇒ 𝑍 = √𝑅 2 + (𝑋𝐿 − 𝑋𝐶 )2 ⇔ 𝑍 = √𝑅 2 + 0 ⇔ 𝑍 = 𝑅

Exercícios de aplicação

1. Observe a figura.

1.1. Calcule:
a) As reactâncias da bobina e do condensador.
b) A impedância do circuito.
c) A intensidade absorvida pelo circuito.
d) As tensões 𝑈𝑅 , 𝑈𝐿 e 𝑈𝐶 .

1.2. Faça o diagrama vetorial do circuito

2. Uma resistência de 10 Ω, uma reactância indutiva de 60 Ω e uma reactância


capacitiva de 40 Ω, foram ligadas em série, tendo sido o conjunto ligado a uma tensão
de 220 V, 50 Hz. Calcule:
a) A impedância do circuito.
b) A intensidade da corrente.
c) As tensões 𝑈𝑅 , 𝑈𝐿 e 𝑈𝐶 .
d) O desfasamento entre a tensão e a corrente.

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 94


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3. Considere um circuito RLC série com R = 100 Ω, L = 0,5 H e C = 10 μF.


a) Qual o valor da frequência que provoca a ressonância no circuito?
b) Calcule o valor da intensidade no circuito na situação anterior.
c) Calcule os valores de 𝑈𝑅 , 𝑈𝐿 e 𝑈𝐶 na situação anterior.

Potência em corrente alternada

Em corrente alternada define-se as seguintes potências:

Potência ativa (P) – É a potência cuja energia se transforma efetivamente em trabalho


(em energia calorífica, em resistências; em energia mecânica, em motores; etc.). A
potência ativa é expressa em watts (W). Esta é a potência que é lida pelos wattímetros.

Potência reativa (Q) – É a potência associada às reactâncias (indutiva, nas bobinas;


capacitiva, nos condensadores) e que não se transforma em trabalho. É expressa em
Volt-ampere-reativo (VAr). Existem também aparelhos para medir a potência reativa
que têm o nome de varímetros.

Potência aparente (S) – É, por definição, o produto da tensão aplicada a um qualquer


circuito pela corrente que o percorre: 𝑆 = 𝑈𝐼. Esta potência é expressa em volt-ampere
(VA).

As três potências relacionam-se vetorialmente, originando um triângulo, designado por


triângulo das potências, que pode ser construído por multiplicação dos lados do
triângulo das tensões pela corrente I.

 Circuito RL série

𝑃 = 𝑈𝑅 𝐼 = (𝑅𝐼). 𝐼 = 𝑅𝐼 2 ; 𝑄𝐿 = 𝑈𝐿 𝐼 = (𝑋𝐿 𝐼). 𝐼 = 𝑋𝐿 . 𝐼 2 ; 𝑆 = 𝑈. 𝐼 = 𝑍𝐼 2

Aplicando o teorema de Pitágoras ao triângulo das potências, obtemos:

𝑆 2 = 𝑃2 + 𝑄𝐿 2 ⇔ 𝑆 = √𝑃2 + 𝑄𝐿 2

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 95


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Através do triângulo de potências ainda podemos ter:


𝑄𝐿
𝑠𝑒𝑛 𝜑 = ⇒ 𝑄𝐿 = 𝑆. 𝑠𝑒𝑛𝜑
𝑆

𝑃
𝑐𝑜𝑠 𝜑 = 𝑆 ⇒ 𝑃 = 𝑆. 𝑐𝑜𝑠𝜑

Como 𝜑 > 0 , 𝑠𝑒𝑛 𝜑 > 0 , pelo que 𝑸𝑳 > 0

Casos particulares do triângulo de potências

a) Circuito puramente resistivo

Neste circuito, vimos já que 𝜑 = 0°, 𝑐𝑜𝑠𝜑 = 1 e 𝑠𝑒𝑛 𝜑 = 0.


Temos portanto:

𝑃 = 𝑆. 𝑐𝑜𝑠𝜑 ⇔ 𝑃 = 𝑆. 1 ⇔ 𝑃 = 𝑆
𝑄𝐿 = 𝑆. 𝑠𝑒𝑛𝜑 ⇔ 𝑄𝐿 = 𝑆. 0 ⇔ 𝑄𝐿 = 0

Num circuito puramente resistivo, a potência ativa é igual à potência aparente, sendo
nula a potência reativa.

b) Circuito puramente indutivo

Neste circuito, vimos que 𝜑 = 90°, 𝑐𝑜𝑠𝜑 = 0 e 𝑠𝑒𝑛 𝜑 = 1.


Temos portanto:

𝑃 = 𝑆. 𝑐𝑜𝑠𝜑 ⇔ 𝑃 = 𝑆. 0 ⇔ 𝑃 = 0
𝑄𝐿 = 𝑆. 𝑠𝑒𝑛𝜑 ⇔ 𝑄𝐿 = 𝑆. 1 ⇔ 𝑄𝐿 = 𝑆

Num circuito puramente indutivo, a potência reativa é igual à potência aparente, sendo a
potência ativa nula.

 Circuito RC série

Aplicando o teorema de Pitágoras ao triângulo das potências, obtemos:


𝑆 2 = 𝑃2 + 𝑄𝐶 2 ⇔ 𝑆 = √𝑃2 + 𝑄𝐶 2

Através do triângulo de potências ainda podemos ter:


𝑄𝐶
𝑠𝑒𝑛 𝜑 = ⇒ 𝑄𝐶 = 𝑆. 𝑠𝑒𝑛𝜑
𝑆
𝑃
𝑐𝑜𝑠 𝜑 = 𝑆 ⇒ 𝑃 = 𝑆. 𝑐𝑜𝑠 𝜑

Como 𝜑 < 0, 𝑠𝑒𝑛𝜑 < 0, pelo que 𝑸𝑪 < 0 .

𝑃 = 𝑅𝐼 2 ; 𝑄𝐶 = −𝑋𝐶 . 𝐼 2 ; 𝑆 = 𝑈. 𝐼

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 96


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Fator de potência

O fator de potência é, por definição, o quociente entre a potência ativa e a potência


aparente, em qualquer circuito.

Analisando os triângulos acima verifica-se que o fator de potência é cosseno do ângulo


𝜑 ou seja, 𝑐𝑜𝑠 𝜑.
𝑃
Fator de potência = 𝑐𝑜𝑠 𝜑 = 𝑆

O fator de potência é uma medida do aproveitamento da potência fornecida pela fonte à


carga, é sempre positivo e varia de 0 à 1.

Exercícios de aplicação:

1.Um aquecedor cuja resistência é igual a 70 Ω está ligado a 220V (c.a.). Calcule:
a) A intensidade absorvida.
b) A potência ativa.
c) A potência aparente.
d) A potência reativa.
e) O fator de potência.

Resp.: a) I = 3,14 A; b) P = 690 W; c) S = 690 VA; d) Q = 0 ; 𝑐𝑜𝑠𝜑 = 1

2. Um circuito RL (resistência + bobina pura), submetido a uma tensão de 220 V e


percorrido por uma corrente de 2 A, consome uma potência ativa de 200 W. Calcule:

a) O valor de R.
b) O valor da impedância.
c) O valor da reactância.
d) Os valores de Q e S

Resp.: a) R = 50 Ω; b) Z = 110 Ω; c) XL = 98 Ω; d) Q = 392 W, S = 440 VA

3. Uma bobina absorve uma potência ativa de 50 W e uma potência reativa de 200 VAr,
quando alimentada a 150 V- 50 Hz. Calcule:
a) A potência aparente.
b) A intensidade absorvida.
c) A resistência e a reactância da bobina.
d) A impedância da bobina.
e) O fator de potência.

Resp.: a) S = 206,2 VA; b) I = 1,37 A; c) R = 26,6 Ω, XL = 106,4 Ω; d) Z = 109,5;


e) 𝑐𝑜𝑠𝜑 = 0,24

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 97


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4. Fez-se um ensaio com um circuito RC série,


de que resultaram os valores indicados na figura.
Calcule:
a) Os valores de R e XC.
b) O valor da tensão U aplicada ao circuito.
c) As potências reativas e aparente.
d) O fator de potência do circuito.

Resp.: a) R = 20 Ω, XC = 26,7 Ω; b) U = 100 V; c) QC = - 240 Var; c) S = 300 VA; d)


𝑐𝑜𝑠𝜑 = 0,6

5. Num circuito RC série, percorrido por uma corrente de 1,5 A, as potências ativa e
reativa são P = 90W e QC = -135 VAr. Calcule:
a) A potência aparente do circuito.
b) A tensão aplicada ao circuito.
c) A impedância.
d) A resistência e a reactância.
e) O fator de potência.

Resp.: a) S = 162,2 VA; b) U = 108,1 V; c) Z = 72,1 Ω; d) R = 40 Ω, XC = 60 Ω ;


e) 𝑐𝑜𝑠𝜑 = 0,55

6. Fez-se um ensaio com um circuito RLC série,


de que resultaram os valores indicados na figura.
Calcule:
a) A resistência R e as reactâncias XL e XC.
b) A impedância do circuito.
c) As potências reativas parciais e total.
d)A potência aparente e a tensão aplicada U.
e) O fator de potência do circuito.

Resp.: a) R = 30 Ω, XL = 75 Ω, XC = 35 Ω; b) Z = 50 Ω ; c) QL = 300 VAr,


QC = -140 VAr, Q = 160 VAr; d) S = 200 VA, U = 100 V; e) 𝑐𝑜𝑠𝜑 = 0,6

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 98


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Circuito RLC paralelo

Um circuito RLC paralelo é constituído por uma resistência, uma bobina (considerada
pura) e um condensador (considerado puro) ligados em paralelo, tal como se representa
na figura seguinte:

Apliquemos a este circuito uma tensão alternada sinusoidal U. Este será percorrido por
uma corrente total I e cada um dos componentes será respectivamente percorrido por:
𝑈 𝑈 𝑈
𝐼𝑅 = 𝑅 ; 𝐼𝐿 = 𝑋 ; 𝐼𝐶 = 𝑋
𝐿 𝐶

Visto que os elementos R, L e C têm características diferentes, as correntes respectivas


estarão diferentemente desfasadas em relação à tensão comum U:

a) No elemento resistivo: U e IR estão em fase entre si.


b) No elemento indutivo puro: IL está em atraso de 90° em relação a U.
c) No elemento capacitivo puro: IC está em avanço de 90° em relação a U.

Tal como no circuito RLC série, também no circuito RLC paralelo podemos considerar
três situações particulares: circuito predominantemente indutivo, circuito
predominantemente capacitivo e circuito resistivo.

 Circuito predominantemente indutivo

𝐼𝐿 > 𝐼𝐶 ⇔ 𝑋𝐿 < 𝑋𝐶

Diagrama vetorial

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 99


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Triângulo de correntes

𝐼 2 = 𝐼𝑅2 + (𝐼𝐿 − 𝐼𝐶 )2 ⇔ 𝐼 = √𝐼𝑅2 + (𝐼𝐿 − 𝐼𝐶 )2

A impedância do circuito obtêm-se por meio de:


𝑈
𝑍= 𝐼

Triângulo de potências

Este triângulo é obtido a partir do triângulo de correntes, multiplicando cada lado pela
tensão U.

𝑃 = 𝑈. 𝐼𝑅 = 𝑅. 𝐼𝑅2

𝑄 = 𝑈. 𝐼𝐿 − 𝑈. 𝐼𝐶 = 𝑋𝐿 . 𝐼𝐿2 − 𝑋𝐶 . 𝐼𝐶2

𝑆 2 = 𝑃2 + 𝑄 2

 Circuito predominantemente capacitivo

𝐼𝐶 > 𝐼𝐿 ⇔ 𝑋𝐶 < 𝑋𝐿

Diagrama vetorial

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 100


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 Circuito resistivo

𝐼𝐿 = 𝐼𝐶 ⇔ 𝑋𝐿 = 𝑋𝐶

A corrente I é igual a IR , pois IL e IC anulam-se entre si.

Circuitos RL paralelo e RC paralelo

Estes dois circuitos, são considerados casos particulares do circuito RLC paralelo.
Considere o circuito RL paralelo, cujo diagrama vectorial representa-se na figura
seguinte

Partindo da expressão geral do RLC paralelo e fazendo IC = 0 (visto que o circuito não
tem condensador), obtemos:

𝐼 2 = 𝐼𝑅2 + (𝐼𝐿 − 𝐼𝐶 )2 ⇔ 𝐼 2 = 𝐼𝑅2 + (𝐼𝐿 − 0)2 ⇔ 𝐼 2 = 𝐼𝑅2 + 𝐼𝐿 2

As restantes expressões apresentadas para o RLC paralelo são também aplicadas a este
circuito, desde que façamos IC = 0, XC = 0 ou QC = 0.

Raciocínio idêntico será feito para o RC paralelo, desde que façamos IL = 0, XL = 0 ou


QL = 0 nas expressões gerais do RLC paralelo.

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 101


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Exercícios de aplicação

1. Um circuito RLC paralelo é constituído por uma resistência R = 100 Ω, uma


reactância indutiva XL = 80 Ω e uma reactância capacitiva XC = 130 Ω. A tensão
de alimentação é de 220 V – 50 Hz. Calcule:
a) As correntes parciais e total do circuito
b) A impedância do circuito
c) As potências reativas parciais e total.
d) As potências ativa e aparente.
e) O fator de potência do circuito (indique a natureza do circuito).

Resp.: a) IR = 2,2 A, IL = 2,75 A, IC = 1,69 A, I = 2,44 A; b) Z = 90 Ω;


d) QL = 605 VAr, QC = -371,3 VAr, Q = 233,7 VAr; d) P = 484 W, S = 536,8 VA;
e) 𝑐𝑜𝑠𝜑 = 0,9

2. Um circuito RL paralelo, alimentado a 200 V, absorve uma potência ativa de


150 W. A corrente é de 1,5 A. Calcule:
a) IR e R
b) IL e XL
c) As potências reativa e aparente.
d) O fator de potência do circuito.

Resp.: a) IR = 0,75 A, R = 266,7Ω; b) IL = 1,3 A, XL = 153,8 Ω;


d) QL = 260 VAr, S = 300 VA; d) 𝑐𝑜𝑠𝜑 = 0,5

3. Um circuito RC paralelo, com R = 25 Ω, e XC = 50 Ω, é submetido a uma tensão


de 100 V.
a) Calcule IR, IC e I
b) Calcule as potências ativa, reativa e aparente
c) Calcule o fator de potência e o ângulo 𝜑
d) Construa o diagrama vectorial

Resp.: a) IR = 4 A, IC = 2 A, I = 4,5 A; b) P = 400 W, Q = - 200 VAr, S = 447 VA


c) 𝑐𝑜𝑠𝜑 = 0,89 , 𝜑 = −27,2°

4. As potências ativa e reativa de um circuito RC paralelo são de 120 W e – 160


VAr, respectivamente. A tensão aplicada ao circuito é de 80 V. Calcule:
a) A intensidade total absorvida.
b) IR e R
c) IC e XC
d) O ângulo de desfasagem 𝜑

Resp.: a) I = 2,5 A; b) IR = 1,5 A, R = 53,3 Ω ; c) IC = 2 A, XC = 40 Ω


d) 𝜑 = −53,1°

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 102


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Sistema Trifásico

Um sistema trifásico de tensões é um sistema constituído por três tensões iguais e


desfasadas entre si de 120°. A máquina elétrica que produz este sistema é o alternador
trifásico.

A fig. 1 representa de uma forma simplificada um


alternador trifásico. É constituído por um rotor
bobinado, com dois pólos (N e S), o qual simboliza-se
através de um íman, e ainda por um estator no qual se
encontram três enrolamentos iguais, deslocados entre si
de 120° ao longo da periferia do estator.

Representação sinusoidal e matemática de um sistema trifásico de tensões

𝑢1 = √2 𝑈1 𝑠𝑒𝑛 𝜔𝑡

𝑢2 = √2 𝑈2 𝑠𝑒𝑛 (𝜔𝑡 − 120°)

𝑢3 = √2 𝑈3 𝑠𝑒𝑛 (𝜔𝑡 − 240°)

Representação vetorial de um sistema trifásico de tensões

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 103


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Alimentação das cargas pelo sistema trifásico

O alternador trifásico é constituído por três enrolamentos e cada um desses


enrolamentos pode alimentar individualmente uma ou mais cargas, tal como se
representa na figura seguinte

Esta não é a solução mais adequada para a alimentação das cargas, visto necessitar de 6
condutores para ligar os receptores ao alternador, três condutores de ida (partindo dos
terminais U, V e W) e três condutores de retorno (ligados aos terminais X, Y e Z).

Houve por isso, necessidade de se pensar em soluções mais económicas e tecnicamente


mais favoráveis. Foi assim que nasceram as ligações em estrela e em triângulo, seja
dos enrolamentos do alternador, seja das cargas entre si.

A partir do esquema da figura anterior, podemos ligar entre si os terminais X,Y e Z,


originando num ponto N designado por ponto neutro do gerador.

Desta forma, em vez de termos três condutores de retorno da corrente, passamos a ter
apenas um condutor de retorno, o qual tem o nome de condutor neutro, por onde passa
a corrente total de retorno 𝐼⃗𝑁 = 𝐼⃗1 + 𝐼⃗2 + 𝐼⃗3 .

Os outros três condutores têm o nome de condutores de fase ou fases. A este tipo de
ligação dos enrolamentos ou das cargas dá-se o nome de ligação em estrela.

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 104


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Podemos ligar ainda os enrolamentos ou as cargas de uma outra forma, tal como
representa a figura seguinte:

A este outro tipo de ligação dá-se o nome de ligação em triângulo (Δ). O alternador é
constituído pelos três enrolamentos UX, VY, WZ, em que U, V, W são as saídas e X, Y,
Z são as entradas respectivas. A ligação em triângulo é feita de tal forma que a entrada
de um enrolamento é ligada com a saída de outro enrolamento e assim sucessivamente,
até se fecharem entre si, como se fosse um triângulo.

Neste caso, partem do alternador apenas três condutores (três fases), que vão alimentar
os receptores que também foram ligados em triângulo. Não existe portanto, condutor
neutro.

Tensões simples e tensões compostas

Num sistema trifásico, definem-se dois tipos de tensão diferentes: a tensão simples e a
tensão composta.

A tensão simples ou tensão de fase (𝑈𝑆 ) é a tensão


entre qualquer condutor de fase e o condutor de neutro

Nas redes de distribuição de Baixa Tensão e portanto


nas instalações elétricas mais usuais as tensões simples
têm o valor nominal de 220 V:

A tensão composta (𝑈𝐶 ) é a tensão entre quaisquer


duas fases do sistema trifásico.
Os terminais dos condutores de fase são geralmente representados pelas letras R, S, T
ou A, B, C e ainda por 1, 2,3.

𝑈𝐶 = √3 𝑈𝑆

Considerando que a tensão simples na nossa rede é de 220 V, então a tensão composta
será:

𝑈𝐶 = √3 𝑈𝑆 ⇔ 𝑈𝐶 = √3 .220 ⇔ 𝑈𝐶 = 380 𝑉

Disciplina: Circuitos elétricos Prof.: Adilson Ramos Página 105


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Ligação dos receptores trifásicos

Os receptores trifásicos são formados por três elementos idênticos ou não (receptores
monofásicos) que podem ser ligados de duas maneiras: em estrela ou em triângulo.

Diz-se que um sistema trifásico (em estrela ou em triângulo) está equilibrado, quando
submetido a um sistema trifásico de tensões, se verifica que as cargas têm a mesma
impedância (𝑍1 = 𝑍2 = 𝑍3 ) e o mesmo fator de potência (cos 𝜑1 = cos 𝜑2 = cos 𝜑3 ).

Diz-se que um sistema trifásico está desequilibrado, quando, submetido a um sistema


trifásico de tensões, se verifica que as cargas não têm todas a mesma impedância ou o
mesmo fator de potência.

Ligação em estrela equilibrada

As tensões nas cargas são iguais entre si e iguais às


tensões simples (𝑈1 = 𝑈2 = 𝑈3 = 𝑈𝑆 ) e as impedâncias
também são iguais entre si (𝑍1 = 𝑍2 = 𝑍3 ), então as
correntes também são iguais entre si.

𝑈𝑆 𝑈𝑆 𝑈𝑆
= = ⇔ 𝐼1 = 𝐼2 = 𝐼3
𝑍1 𝑍2 𝑍3

A carga Z é uma carga genérica, que tanto pode ser resistiva, como indutiva ou
capacitiva. Considere o diagrama vetorial das tensões e correntes, para o caso em que
três cargas são resistivas, representado na figura seguinte.

Como a corrente no neutro 𝐼𝑁 é a soma vetorial das correntes


nas fases, então é fácil de concluir, por análise do diagrama,
que:

𝐼⃗𝑁 = 𝐼⃗1 + 𝐼⃗2 + 𝐼⃗3 = 0 (sistema equilibrado)

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Se as cargas fossem por exemplo, indutivas, o raciocínio seria


semelhante e a corrente no neutro continuaria a ser zero, conforme
se pode concluir por análise do diagrama respetivo indicado na
figura.

Concluímos portanto que, quando a estrela é equilibrada, 𝐼𝑁 = 0.

Potência em cada carga monofásica (ligação em estrela)

Para cada carga:


Potência ativa: P = 𝑈. I. cosφ
Potência reativa: Q = 𝑈. I. senφ
Potência aparente: S = 𝑈. I

onde 𝑈 – Tensão aplicada ao receptor


I – Intensidade de corrente que percorre o receptor
Cosφ – Fator de potência do receptor

Ligação dos receptores em triângulo

Na ligação dos receptores em triângulo, cada carga


fica submetida à tensão composta 𝑈𝐶 da rede. Não
existe, portanto, condutor neutro nem tensão simples.

Tal como na ligação dos receptores em estrela, também em triângulo as cargas podem
ser equilibradas ou desequilibradas.

Triângulo equilibrado

Na figura seguinte representa-se três cargas ligadas


em triângulo equilibrado.

As tensões 𝑈12 , 𝑈23 e 𝑈31 são as três tensões


compostas, iguais em valor eficaz. Estas tensões
estão desfasadas entre si de 120°, pois constituem um
sistema trifásico de tensões.

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Conhecidas as tensões compostas e as impedâncias Z (iguais, em sistema equilibrado),


calcula-se os valores das correntes nas cargas (𝐼12 , 𝐼23 e 𝐼31 )
𝑈𝐶
𝐼12 = 𝐼23 = 𝐼31 = 𝑍

Numa carga trifásica em triângulo equilibrado, verifica-se a seguinte relação entre as


correntes nas linhas (𝐼1 , 𝐼2 e 𝐼3 ) e as correntes nas cargas (𝐼12 , 𝐼23 e 𝐼31 )

I = √3 IZ com I – corrente na linha


IZ – corrente na carga (𝐼12 , 𝐼23 e 𝐼31 )

Potência em cada carga monofásica (ligação em triângulo)

Para cada carga:


Potência ativa: P = UC . IZ . cosφ
Potência reativa: Q = UC . IZ . senφ
Potência aparente: S = UC . IZ

onde UC – Tensão composta aplicada ao receptor


IZ – Intensidade de corrente que percorre o receptor
Cosφ – Fator de potência do receptor

Vantagens dos sistemas trifásicos

O sistema trifásico apresenta, relativamente ao monofásico, um conjunto de vantagens


que o tornam no sistema utilizado na produção, transporte e distribuição de energia
elétrica.

Vejamos algumas dessas vantagens:

a) Na produção de energia– O alternador trifásico produz uma potência 50% superior


à de um alternador monofásico do mesmo custo, pois aproveita melhor o seu circuito
ferromagnético.

b) No transporte de energia – O sistema trifásico apresenta menos perdas no


transporte de igual potência e necessita de menos material acessório, sendo portanto
mais rentável.

c) Na distribuição de energia – Permite a utilização de dois níveis de tensão distintos


(tensão simples e tensão composta); permite a utilização, pelo consumidor, dos motores
assíncronos trifásicos que são aparelhos simples, robustos e económicos.

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Potência dos sistemas trifásicos

Visto que um sistema trifásico é constituído por três cargas, para obter as potências
totais (trifásicas) somam-se as potências parciais respectivas.

Assim somam-se as potências ativas aritmeticamente:

𝑃𝑡 = 𝑃1 + 𝑃2 + 𝑃3

As potências reativas somam-se algebricamente, visto que, a bobina tem potência


reativa positiva e o condensador tem potência reativa negativa.

𝑄𝑡 = 𝑄1 + 𝑄2 + 𝑄3

A potência aparente trifásica será dada por 𝑆𝑡 = √𝑃𝑡 2 + 𝑄𝑡 2

No caso de sistemas equilibrados pode utilizar-se as fórmulas que seguidamente se


apresentam.

Estrela equilibrada Triângulo equilibrado

𝐏𝐭 = √𝟑. 𝐔𝐂 . 𝐈. 𝐜𝐨𝐬 𝛗 𝐏𝐭 = √𝟑. 𝐔𝐂 . 𝐈. 𝐜𝐨𝐬 𝛗

𝐐𝐭 = √𝟑. 𝐔𝐂 . 𝐈. 𝐬𝐞𝐧 𝛗 𝐐𝐭 = √𝟑. 𝐔𝐂 . 𝐈. 𝐬𝐞𝐧 𝛗

𝐒𝐭 = √𝟑. 𝐔𝐂 . 𝐈 𝐒𝐭 = √𝟑. 𝐔𝐂 . 𝐈

em que I é a corrente na linha (ou fase)

Na ligação em triângulo ⇒ I = √3 IZ

Na ligação em estrela ⇒ I = IZ

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Exercícios de aplicação:

1. Um alternador trifásico, ligado em estrela, tem uma tensão composta de 6 kV.


Calcule a tensão simples do alternador.

2. Numa tomada trifásica a tensão entre fase e neutro é de 230 V. Determine:

a) A tensão simples
b) A tensão composta

3. Um receptor trifásico é constituído por três resistências iguais de 120 Ω, sendo


alimentado pela rede trifásica 220 V/380 V, como mostra a figura. Determine:

a) I1 , I2 , I3
b) IN
c) A potência ativa consumida em cada
resistência.

4. Um sistema trifásico é constituído por três resistências R iguais a 190 Ω,


alimentadas pela rede de 220 V/ 380 V.
4.1. Admitindo que as ligávamos em estrela, calcule:
a) A intensidade em cada linha
b) A potência ativa trifásica

4.2. Admitindo que as ligávamos em triângulo, calcule:


a) A intensidade em cada linha
b) A potência ativa trifásica

5. Um motor trifásico tem os seguintes valores indicados na sua chapa de


características:

Tensão – 380 V
Intensidade na linha – 16 A
Fator de potência – 0,76

Calcule as potências ativa, reativa e aparente absorvidas pelo motor.

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