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Pistola Colt 1911 – Os Testes de 1907 (U.S. Trials)

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Nota  do  Autor:  para  maior  compreensão  e  conhecimento,  leia  também  nosso  artigo  sobre  a  História  e
Desenvolvimento dessa famosa pistola.

Provavelmente nenhuma outra pistola semi‑automática seja mais conhecida e admirada do que a que
foi projetada por John Browning em 1911; a pistola Colt em calibre .45 (veja nosso outro artigo “Colt
1911  –  História  e    Desenvolvimento”,  neste  site).  Muitos  colecionadores  e  amantes  da  história  das
armas  até  sabem  que  essa  arma  foi  adotada  pelo  Exército  Norte‑Americano  em  1911  e  permaneceu
em  serviço  por  74  anos,  mas  talvez  desconheçam  o  processo  de  seleção  e  os  exaustivos  testes  que
foram executados a partir de 1907 no campo de provas do Exército, na cidade de Springfield, estado
de Massachussets, e que culminaram com a escolha dessa arma.

Os  estudos  sobre  a  adoção  de  uma  nova  arma  para  equipar  o  Exército  Norte  Americano  tiveram
início em 1901, sendo que a participação efetiva na escolha de uma pistola semi‑automática iniciou‑se
em 1907 e terminou em 1911. Poucas grandes nações do mundo costumavam gastar tempo e dinheiro
para  executar  um  teste  tão  abrangente,  levado  ao  âmbito  de  fabricantes  de  diversos  países  que
decidiram participar  do processo. Afinal de contas, o vencedor dessa contenda teria o privilégio e a
grande  oportunidade  de  ter  em  mãos  um  negócio  milionário,  envolvendo  o  fornecimento  de
armamento a um dos maiores exércitos do planeta.

OS PRIMEIROS TESTES

A  partir  de  1892,  o  Governo  dos  Estados  Unidos  tomou  a  descisão  de  aposentar  os  confiáveis  mas
obsoletos revólveres Colt Single‑Action Army, em calibre .45 Colt, em serviço no Exército desde 1873,
pelos mais modernos e mais leves revólveres da Colt, em calibre .38 Long Colt, utilizando um sistema
de dupla‑ação e que foram denominados oficialmente de Army Revolver M1892.

Em relação ao venerável modelo Army de 1873, este novo revólver apresentava inúmeras vantagens,
dentre elas duas mais importantes:

a)  sistema  de  dupla‑ação,  que  possibilitava  que  todos  os  disparos  pudessem  ser  efetuados  sem  a
necessidade  de    se  armar  o  cão  manualmente,  como  ocorria  com  o  sistema  de  ação  simples,
possibilitando muito maior cadência de tiro;

b) tambor para seis cartuchos, com abertura no sistema “swing‑out”, ou seja, podia ser rebatido para
b) tambor para seis cartuchos, com abertura no sistema “swing‑out”, ou seja, podia ser rebatido para
o  lado  esquerdo  da  armação  e  com  o  auxilio  de  um  extrator,  todos  os  cartuchos  vazios  eram
expelidos  ao  mesmo  tempo,  ao  contrário  dos  S.A.  Army  que  possuíam  um  tambor  fixo  e  cada
cartucho precisava  ser  inserido  ou  extraído  da  camara,  um  de  cada  vez, através de uma portinhola
lateral, o que causava uma operação de recarga muito demorada e trabalhosa.

O revólver Colt Single Action Army de 1873, em calibre .45 Colt, adotado pelo Exército Americano em 1873

Essas  duas  características  citadas  acima  já  eram  razão  suficiente  para  que  o  Governo  dos  USA
tomasse a decisão de substituir o revólver Colt S.A. Army pelo modelo 1892, o que ocorreu a partir
desta  data,  sendo  rapidamente  disseminado  pelas  tropas  e  participando  de  conflitos  armados  de
grande  importância,  como  a  Guerra  Hispano‑Americana  de  1898.  Porém,  alguns  incidentes  sérios
começaram a ser reportados  por  oficiais  que  alegavam  falta  de  potência no cartucho .38 Long Colt.
Esses  eram  inicialmente  carregados  com  pólvora  negra,  tal  como  os  do  S.A.  Army  em  calibre  .45.
Somente  a  partir  de  1900  que  passaram  a  ser  carregados  com  pólvora  sem  fumaça,  melhorando
sensivelmente a potência do cartucho.

O mesmo problema tinha sido atribuído anteriormente aos calibres 7,63mm Mauser e .30 Mannlicher,
cujas respectivas armas, a  pistola Mauser C96 e a Steyr‑Mannlicher de 1901 também foram testadas
por  algumas  unidades  do  Exército.  Mas,  o  episódio  que  mais    repercutiu  negativamente  contra  o
calibre .38 foi o ocorrido na chamada Insurreição das Filipinas, ocorrida a partir de 1899 a 1902, onde
o revólver Colt M1892 foi considerado “insuficiente para derrubar, com um só tiro, os fanáticos Moros…“,
conforme relato de alguns oficiais combatentes.

Este fato, acrescentado de ocorrências similares na posterior guerra Hispano‑Americana, foi o tiro de
misericórdia  para  aquele  revólver:  provocou  o  retorno  imediato  ao  serviço  dos  antigos  Colt  Single
Action  Army,  em  calibre  .45.  Aliás,  também  no  campo  das  armas  longas,  comentava‑se  que  até  os
fuzis de repetição Krag‑Jorgensen, que utilizavam o cartucho .30‑40 Government, não executavam o
serviço a contento.
Revólver Colt D.A. Model 1892 em calibre .38 Long Colt, adotado pelos USA a partir de 1892

Mediante esse quadro desolador, o governo Norte‑Americano iniciou um processo para a adoção de
uma nova arma curta, de uso individual, para substituir os revólveres em uso, fossem eles os Army
em  calibre  .45  ou  os  M1892  em  calibre  .38  Colt.  Para  tanto,  em  1901  foi  criada  uma  comissão  para
organizar os chamados U.S. Trials, estabelecida na cidade de Springfield, tendo sido designados para
sua coordenação o Coronel Louis LaGarde, membro do Corpo Médico do Exército e o Coronel John
Thompson, do Departamento de Ordenança. O Coronel Thompson foi quem, alguns anos mais tarde,
desenvolveu a famosa sub‑metralhadora que leva seu nome. O Coronel LaGarde era um especialista
em ferimentos à bala e seu controvertido tratado “Gunshot Injuries” (Ferimentos por Arma de Fogo),
publicado  em  1914,  descreve  em  detalhes  como  foram  feitos  os  experimentos,  nos  quais  foram
utilizados cerca de 10 cadáveres, bem como alguns cavalos e porcos.

De início, a comissão adquiriu 1.000 pistolas Parabellum (Luger) da fábrica alemã D.W.M. (Deutsche
Waffen  und  Munitionsfabrik),  em  calibre  .30  (7,65mm  Parabellum)  e  que  foram  rapidamente
distribuídas à algumas tropas, para testes. O resultado destes testes, obtido através de relatórios dos
comandantes, não foi muito satisfatório. O maior problema que foi reportado era o fato do calibre ser
muito  baixo  e  assim  não  possuía  um  poder  de  detenção  (“stopping‑power”)  aceitável.  Cumpre
ressaltar aqui que as Parabellum haviam acabado de serem adotadas pelo Governo Suíço, em 1900,
neste mesmo calibre.

Ainda assim os testes prosseguiam, utilizando duas pistolas Luger, uma em calibre 7,65mm e outra
em 9mm, alguns revólveres em calibre .38 e .45, as pistolas semi‑automáticas da Colt em calibre .38
Auto  e  até  mesmo  um  já  obsoleto    cartucho  .476  do  revólver  inglês  Enfield  MK  III,  que  foi  eleito  o
mais eficiente dos calibres testados. Porém, o Exército queria mesmo uma pistola semi‑automática e
os avaliadores, mesmo com algumas restrições ao calibre, gostaram muito da Colt .38 Auto, modelo
1900.
A pistola Colt 1900 am calibre .38 Auto, testada e bem avaliada em Springfield

Sabendo dessa preferência em pistolas, em abril de 1903 a D.W.M. ofereceu ao governo americano 50
pistolas Luger, mas agora em calibre 9mm, 0 famoso 9X19mm, que acabava de ter sido testado pelo
Exército  Alemão.  Georg  Luger,  em  pessoa,  trouxe  em  sua  viagem  diversas  delas  e  com  vários
comprimentos de cano.

Mediante esses testes, já por volta de 1905, o Departamento de Ordenança estabeleceu normas para
que  qualquer  arma  a  ser  testada  dali  em  diante  tivesse  que  utilizar  projéteis  com,  no  mínimo,  .45″
(11,43mm)  de  diâmetro.  Antes  dos  testes  oficiais  que  seriam  levados  a  cabo  em  1906,  o  Depto.  de
Ordenança  projetou,  através  do  Arsenal  de  Frankfort,  dois  novos  cartuchos  baseados  no  calibre  .45
(11,43mm):  um  para  uso  em  revólveres  com  projétil  de  chumbo  e  cartucho  com  aro,  e  um  outro
usando cartucho sem aro, com projétil encamizado, para as pistolas semi‑automáticas.

A Colt, por sua vez e já de olho nos testes da 1900, havia desenvolvido um cartucho próprio, pouco
mais longo do que o projetado pelo arsenal de Frankfort, e que não eram intercambiáveis. Entretanto,
após  alguns  testes  com  ambos  os  cartuchos,  o  próprio  Depto.  de  Ordenança  abriu  mão  do  seu
cartucho em favor do que havia sido projetado pela Colt, que se tornou então o famoso .45 Automatic
Colt Pistol. Nesta oportunidade, Jonh Browning retornou aos Estados Unidos, de volta ao seu velho
emprego  na  Winchester  onde,  em  colaboração  com  eles  e  com  o  Exército,  finalizou  o  projeto  desse
cartucho .45 a ser adotado definitivamente pelo Governo Americano.

A  partir  de  31  de  janeiro  de  1906,  convites  foram  enviados  pela  Comissão  a  mais  de  20  fabricantes
que desejassem participar dos testes. Inclusos nestes convite seguiram as especificações do cartuchos
desenvolvidos em Frankfort, ambos em calibre .45, e a oferta de que também os cartuchos poderiam
ser enviados aos interessados para auxiliar no desenvolvimento do projeto. Em 15 de janeiro de 1907
a Comissão tinha em mãos nove projetos, sendo tres de revólveres e seis de pistolas.

Os tres revólveres a serem submetidos aos testes compreendiam um modelo da Colt em dupla‑ação,
similar ao 1892 mas em calibre .45, um modelo da Smith & Wesson (o futuro S & W Double‑Action
1917)  e  um  revólver  semi‑automático  inglês,  o  Webley‑Fosbery,  o  único  revólver  deste  tipo  que
obteve um relativo sucesso.
O revólver Webley‑Fosbery, semi‑automático, em calibre .455 Webley 

Logo  no  início  dos  testes,  o  revólver  Webley‑Fosbery,  em  calibre  .455  Webley,  foi  rapidamente
descartado  pela  Comissão,  pois  seu  mecanismo  composto  de  diversas  estrias  externas  no  tambor,
destinadas  a  uma  guia  que  o  fazia  girar  a  cada  disparo,  eram  muito  suscetíveis  e  demasiadamente
expostas à elementos nocivos, tais como lama e areia.

Entretanto,  este  revólver  apresentava  características  interessantes:  possuía  uma  trava  de  segurança,
algo  inexistente  em  revólveres,  além  de  funcionar  em  modo  semi‑automático,  com  cadência  mais
rápida que os revólveres tradicionais. Somente para o primeiro disparo se necessitava que o cão fosse
engatilhado. A partir daí, após cada disparo, o recuo do cano arrastava o conjunto cano e tambor para
trás, fazendo com que as ranhuras existentes no tambor, devidamente engatadas em um ressalto na
armação,  o  fizessem  girar,  alinhando  o  cartucho  seguinte    com  o  cano  e  com  o  percussor.  O  cão
também era engatilhado automaticamente, através deste mesmo movimento.

Essa  arma  havia  sido  desenvolvida  pela  Webley,  sobre  um  projeto  do  coronel  britânico  George
Fosbery,  que  apresentou  a  idéia  à  empresa  no  final  do  século  XIX.  Em  1900,  a  arma  foi  para  testes
mas nunca chegou a  ser adotado pelo Exército Britânico, apesar de sua participação na Guerra dos
Boers.  Entretanto,  não  sobreviveu  à  I  Guerra,  sendo  deixado  de  ser  produzido  até  1918,  com  5.000
unidades fabricadas. Hoje é peça cobiçada por colecionadores.
Smith & Wesson D.A. modelo 1917 em calibre .45 Auto ou .45AR – o Governo Brasileiro o adotou em 1937

Os  revólveres  apresentados  pela  Colt  e  pela  S  &  W  acabaram  por  ser  aprovados  de  imediato  e
adotados  posteriormente,  mas  como  armas  alternativas  às  pistolas,  tornando‑se  então,
respectivamente,  o  Colt  New  Service  1917  e  o  Smith  &  Wesson  D.A.  1917,  ambos  aptos  a  utilizar  a
mesma munição .45 empregada na pistola Colt. Entretanto, para que esses dois revólveres pudessem
utilizar  a  munição  feita  para  a  pistola,  lançavam  mão  de  dois  clipes  em  forma  de  meia‑lua,  que
fixavam os cartuchos no tambor.

O revólver Colt New Service Double‑Action 1917, adotado como arma opcional juntamente com o revólver da
O revólver Colt New Service Double‑Action 1917, adotado como arma opcional juntamente com o revólver da
Smith & Wesson 

Posteriormente foi desenvolvida uma variante deste calibre, para uso sem necessidade dos clipes; era
o  cartucho  denominado  de    .45  AR  (Auto  Rim),  que  já  possuía  um  aro  externo  (rimmed)  para  a
retenção e extração das camaras no tambor.

Comparativo de 3 cartuchos de calibre .45, da esquerda para a direita: .455 Webley, usado no revólver Webley‑
Fosbery, o .45 ACP e o .45AR, este último desenvolvido a fim de evitar o uso dos clipes meia‑lua nos revólveres
Colt New Service 1917 e S&W DA 1917, necessários quando usados com munição para a pistola.

As pistolas semi‑automáticas apresentadas para os testes de 1907 foram as seguintes:

1 – Bergmann, fornecida por Theodor Bergmann de Gaggenau, Alemanha.
2 – Knoble, fornecida em duas versões, uma de dupla‑ação e outra de ação simples, projetada pelo
engenheiro do mesmo nome, de Washington, DC.
3 – White‑Merrill, projetada por Joseph White e Samuel Merrill, de Boston, Massachussets.
4 – Parabellum (Luger), fornecida pela Deutsche Waffen und Munitionsfabrik (D.W.M.), Alemanha.
5 – Savage, do fabricante norte‑americano do mesmo nome, tradicional fabricante de armas.
6 – Colt, inicialmente com o modelo 1905, fornecida por Colt Firearms, de Connecticut.

Posteriormente, mesmo após a definição da Colt como arma de dotação do Exército, testes adicionais
foram realizados nas seguintes pistolas:

1 – Schouboe, fornecida pela DRS (Dinamarca) e projetada por Jens Schouboe.
2 – Remington‑Pedersen, fornecida pela Remington Firearms.
3 – Grant Hammond, de Hartford, Connecticut.

As avaliações que se sucederam com cada exemplar examinado são as seguintes:

1 – Bergmann

Chega a ser surpreendente como tudo deu errado com esta pistola durante os testes. A arma da qual
Chega a ser surpreendente como tudo deu errado com esta pistola durante os testes. A arma da qual
essa variação, em calibre .45, foi desenvolvida, era a Bergmann‑Mars em calibre 9mm Bergmann,  e
que já fazia um relativo sucesso na Europa e tinha a fama de ser muito bem construída, com materiais
e acabamento de primeira linha. Aparentemente o protótipo apresentado não havia sequer disparado
o cartucho fornecido para os testes, e o pessoal que a assistia nos testes parecia não familiarizado com
o funcionamento da arma.

A Bergmann em calibre .45

O projeto básico da pistola era de Theodor Bergmann, tradicional fabricante de armas em Gaggenau,
fábrica que empregou durante certo tempo outro famoso projetista, Louis Schmeisser. Sua arma foi
uma  das  primeiras  pistolas  bem  sucedidas  da  história.  A  Espanha  já  a  havia  adotado  em  1905  e
haviam contratos firmados com a Dinamarca e Grécia. O que ficou até hoje sem resposta é porque um
nome do calibre de Bergmann permitiu o envio de uma arma para testes importantíssimos sem antes
tê‑la testado na fábrica; além disso, o porque ter enviado pessoas aparentemente desqualificadas para
apresentar o projeto em Springfield. Foi uma das primeiras armas descartadas do teste.

2 – Knoble

W.  B.  Knoble,  de  Tacoma,  USA,  teve  um  pouco  mais  de  sorte,  que  infelizmente  durou  pouco.  A
comissão  manifestou  assim  seu  veredicto:  ”  Grandes  esforços  foram  dispendidos  para  se  disparar  a
quantidade necessária de cartuchos nessa arma, mas era tão tosca e mal fabricada que não valeu todo o nosso
empenho…”  Knoble  começou  a  trabalhar  com  seus  projetos  em  1904  e  na  época  dos  testes,  enviou
duas amostras: uma com sistema de dupla‑ação (a única com essa característica no teste) e outra de
ação  simples.  A  primeira  chamou  muito  a  atenção  da  comissão,  pois  até  aquela  data  não  se  tinha
conhecimento de pistolas semi‑automáticas com aquele recurso.
A pistola Knoble na opção de dupla‑ação

O interesse de Knoble era de que suas armas fossem representadas nos testes pela conceituada firma
Von Lengerke & Detmold, de Nova York. Porém, essa empresa já representava a Mauser com sua C‑
96, arma que não se cogitou a participação nos testes. Mais uma vez, o pessoal técnico enviado por
Knoble não estava devidamente preparado para isso e a arma foi descartada logo no início dos testes.
Knoble  se  decepcionou  tanto  com  o  resultado  que  abandonou  definitivamente  o  projeto  de  suas
pistolas.

3 – White­Merrill

A  pistola  White‑Merrill  disparou  211  cartuchos  nos  seus


testes iniciais e suas constantes falhas no funcionamento fez o
pessoal  da  comissão  cancelar  o  restante  das  provas.  Um
detalhe  interessante  que  chamou  a  atenção  dos  técnicos  foi
um  dispositivo  em  forma  de  alavanca,  com  encaixe  para  os
dedos,  situado  abaixo  do  guarda‑mato,  e  que  ao  ser
pressionada  para  trás  utilizando‑se  a  mesma  mão  que  a
empunhava,  podia  armar  o  ferrolho  e  alimentar  a  arma  de
forma rápida.

Podia  também  utilizar  tanto  carregadores  de  10  cartuchos  do  tipo  removível  como  clipes  de
alimentação  superior,  ao  estilo  das  Mauser  C96.  A  placa  lateral  da  empunhadura  era  feita  de  um
material  translúcido  que  permitia  ao  atirador  verificar  a  quantidade  de  cartuchos  existente  no
carregador.

Joseph  C.  White  e  Samuel  Merrill,  mesmo  com  a  eliminação  da  arma  dos  testes,  continuaram
Joseph  C.  White  e  Samuel  Merrill,  mesmo  com  a  eliminação  da  arma  dos  testes,  continuaram
trabalhando  no  projeto  de  uma  arma  similar  em  calibre  .38,  mas  que  também  não  obteve  sucesso
comercial.

4 – Parabellum (Luger)
 
Desta vez, como já havia participado dos testes anteriores ao de 1907 e tinha uma certa experiência, a
DWM enviou pistolas Parabellum (Luger) em calibre .45. Foram produzidas duas pistolas (supõe‑se
que podem ter sido até cinco), numeradas 01 e 02, com fabricação supervisionada pessoalmente por
Georg  Luger.  Foram  praticamente  feitas  artesanalmente.  Era  a  única  pistola  em  teste  que  possuía
uma trava de segurança na empunhadura, opção que depois foi incorporada pela Colt e pela Savage,
por exigência da comissão. Georg Luger trouxe pessoalmente as pistolas de número 01 e 02 para os
testes,  sendo  a  de  número  02  reservada  para  qualquer  emergência.  Acredita‑se  que  a  número  01,
depois de fatigantes e exaustivos testes, deve ter sido descartada pois não existem mais provas de sua
existência.

A pistola Parabellum (Luger) da firma alemã DWM, enviada para os testes já adaptada para uso do cartucho
.45ACP. Acredita‑se que somente dois exemplares foram produzidos e um tenha sobrevivido nas mãos de
colecionador norte‑americano, a da foto acima.

A  maior  objeção  da  comissão  em  relação  às  Lugers  era  o  seu  sistema  de  culatra  “toggle‑joint”,  ou
ação  de  joelho,  com  uma  série  de  articulações  de  ajustes  precisos  mas  com  grande  facilidade  de
travamentos  por  excesso  de  sujeira  e  poeira.  Apesar  disso,  as  Lugers  foram  adotadas  pelo  Exército
Alemão  em  1908  e  ficaram  em  serviço  até  1942,  o  que  por  si  só  prova  que  a  arma  não  era  tão
problemática como apregoavam. O sistema exige, para seu bom funcionamento, munição com cargas
de alta pressão. Mesmo assim, a DWM enviou alguns cartuchos de fabricação própria mas a comissão
utilizou também os cartuchos desenvolvidos em Frankfort.

Foram disparados 1022 cartuchos de ambas as origens e vários problemas ocorreram, que segundo os
técnicos, eram devidos ao sistema de culatra. Neste tipo de sistema, o ponto crítico é o fechamento
total da arma, que só acontece em razão do retorno do ferrolho partindo de sua posição máxima. A

mola recuperadora, por si só, não é suficiente para trancar a arma totalmente. Entretanto, em razão
mola recuperadora, por si só, não é suficiente para trancar a arma totalmente. Entretanto, em razão
da própria deficiência de vários outros contendores, a Luger teve sua segunda chance. A Comissão
resolveu autorizar a compra de mais 200 peças, bem como a fabricante Savage, outra participante. A
Colt atendeu prontamente a requisição mas a Savage e a DWM apresentaram várias desculpas para
atenderem a esse pedido: a Savage não possuía estrutura para suprir essa produção extra e a DWM
estava  agora  ocupadíssima  com  seus  contratos  na  Europa,  inclusive  com  a  eminente  adoção  da
pistola em calibre 9mm pelo Exército Alemão, que ocorreu no ano seguinte, em 1908.

A DWM alegou ainda que as diferenças de construção da pistola Luger em calibre .45 em relação às
em calibre 9 mm eram muito grandes, o que iria gerar um investimento enorme em ferramental. A
desistência da DWM de continuar participando dos testes foi alentadora para a Savage, que repensou
em sua decisão e voltou atrás.

5 – Savage

Arthur  Savage  fundou  a  Savage  Arms  Company  em  Utica,  estado  de  Nova  York,  em  1894,  quando
tinha 37 anos de idade, dedicando‑se na fabricação de rifles e carabinas. Em 1905, decidiu investir em
nova linha de produtos, as armas curtas. Aproximou‑se de Elbert H. Searle, inventor e engenheiro de
Filadélfia, que aceitou a proposta para trabalhar no projeto de uma pistola. Quando os testes de 1907
foram  anunciados,  Savage  decidiu  que  participaria  com  seu  produto  e  se  inscreveu.  O  sistema  de
fecho de culatra desta pistola utilizava a rotação do cano, provido de ressaltos em forma helicoidal,
que girava 5 graus para que o ferrolho fosse liberado. O sistema era muito similar ao que a austríaca
Steyr‑Hahn usaria posteriormente, em seu modelo 1911 (veja artigo aqui neste site). Esse sistema viria
a se tornar o calcanhar de Aquiles desta arma.

Com apenas 34 peças, a  Savage era a arma mais simples da competição. Contava com detalhes que
Com apenas 34 peças, a  Savage era a arma mais simples da competição. Contava com detalhes que
agradaram  a  comissão,  como  o  botão  retém  do  carregador  acionado  pela  mesma  mão  que
empunhava  a  arma.  O  balanço  e  o  ângulo  da  empunhadura  eram  pontos  fortes.  Os  modelos
posteriores que participaram do final dos testes incorporaram uma trava de empunhadura, solução
inspirada nas Luger e que a Colt também adotou. Um fato desagradável que ocorreu nos testes foi
um provável roubo de duas das primeiras armas testadas, em seu retorno para a fábrica para serem
avaliadas.

Das 200 peças fabricadas adicionalmente, quando enviadas ao campo de Springfield, cinco delas não
chegaram. Após alguns incidentes de tiro devido aos carregadores, as 195 peças foram enviadas de
volta à fábrica e mais 72 delas sumiram no percurso. Comentava‑se na época que era bem provável a
participação de agentes secretos estrangeiros nestes incidentes.

O sistema de tranca de culatra não demonstrou muita eficiência durante as provas. O recuo da arma
era  desconfortável  e  começou  a  afetar  algumas  peças  internas,  causando  quebras.  Os  técnicos
costumavam  dizer  que  500  disparos  efetuados  com  a  Savage  equivaliam  a  2.000  disparos  com    as
pistolas Colt, a única rival que ainda participava dos testes nesta altura. O veredicto final veio com
um terrível teste de durabilidade, de 6.000 disparos, efetuado em Março de 1911.

A Savage teve seu teste interrompido por volta de 1.000 disparos, devido à quebras de peças. A Colt,
com o seu inventor John Browning, então com 56 anos e presente no ato, disparou os 6.000 cartuchos
sem  nenhum  incidente  de  grande  importância.  Apesar  disso,  a  Savage  provou  a  si  mesma  que  seu
projeto  era  viável,  mas  decidiu  dedicar‑se  a  fabricar  modelos  similares  ao  .45  em  calibres  menores,
como  o  7,65mm  Browning  e  o  .380,  vendidos  satisfatoriamente  no  mercado  norte‑americano.  A
empresa  está  em  franca  atividade  até  hoje  e  mantém‑se  no  topo  da  lista  dos  mais  importantes
fabricantes de armas no mundo.

6 – Colt Military Model 1905

Os  exemplares  enviados  pela  Colt,  destinados  aos  testes  iniciais  de  1907  eram,  na  verdade,  quase
idênticos ao modelo 1902, mas adaptados para o uso com o novo cartucho desenvolvido pela própria
Colt, e que também tinha sido aceito pelo governo. Em relação ao modelo 1902, o comprimento do
cano foi reduzido para 5″, pois havia um consenso geral entre o pessoal de testes que o cano de 6″
provocava  demasiado  peso  na  frente,  deixando  a  arma  desbalanceada  e  com  tendência  a  disparar
tiros instintivamente para baixo.
O modelo da Colt de 1905, já em calibre .45 ACP, destinada para os testes do campo de provas de Aberdeen em
1906 e 1907.

Tendo  em  mente  que  a  Colt  pretendia  vencer  de  qualquer  maneira  a  competição  dos  U.S.
Trials,  todos  os  esforços  de  John  Browning  e  a  equipe  de  engenheiros  foram  dedicados
exclusivamente à essa missão. Sendo assim, nos anos de 1907 até 1910 a fábrica apresentou ao pessoal
do  Comission  Board  vários  modelos,  cada  um  com  mais  alguma  inovação  ou  com  correções  de
defeitos detectados nos campos de prova. Com o tempo, as demais pistolas participantes do evento
foram sendo eliminadas uma a uma e a Colt já deslumbrava uma vitória garantida.

Pistola Colt modelo 1909 enviada para os testes: ainda usando o ferrolho com retém, cano com dois balancins
Pistola Colt modelo 1909 enviada para os testes: ainda usando o ferrolho com retém, cano com dois balancins
mas com já com a trava de empunhadura, uma exigência do pessoal da Comissão.

O fato da fábrica da Colt não se situar muito longe dos campos de prova e levando‑se em conta que
não havia, na época, nenhum grande contrato de fornecimento a ser cumprido e a produção estava
relativamente  ociosa,  a  Colt  tinha  plenas  condições  de  atender  rapidamente  as  necessidades  dos
testes, o que não era o caso das demais concorrentes, principalmente as armas fabricadas no exterior.

Sendo  assim,  a  Colt  apresenta  em  1910  a  sua  versão  quase  definitiva,  chamada  por  alguns  autores
como modelo 1910 mas que na verdade, já era o que viria a ser a definitiva 1911, com as seguintes e
principais  mudanças:  ferrolho  redesenhado,  agora  com  a    parte  frontal  inteiriça,  abrigando  o  retém
da mola recuperadora e eliminado a chaveta deslizante que servia de retém do ferrolho; mudança na
inclinação da empunhadura, possibilitando uma “caída” mais natural na mão do atirador, bem como
alargamento  da  sua  base,  melhorando  a  ergonomia  geral;  adição  de  duas  travas  externas  de
segurança; além de se manter o percussor inercial; dispositivo de retenção do ferrolho “hold‑open”
redesenhado,  possibilitando  ser  desarmado  usando  o  dedo  polegar,  posicionado  bem  acima  do
gatilho; retém do carregador, antes uma tecla na base da empunhadura que forçava o uso das duas
mãos  para  se  retirar  um  carregador,  agora  dispunha  de  um  botão  convenientemente  colocado  logo
atrás  do  gatilho,  podendo  ser  pressionado  pelo  polegar  da  mão  direita;  gatilho  alongado,  para
aumentar a distância entre a tecla e a parte posterior da empunhadura e eliminação de um dos dois
balancins  do  cano,  utilizando‑se  agora  só  um,  traseiro,  cuja  articulação  aproveita  o  mesmo  pino
usado para a articulação da tecla do “hold‑open”, que atravessa o corpo da arma de um lado a outro.

Acima, o modelo 1909 e abaixo o 1911, na forma como foram apresentados e testados no campo de provas de
Springfield, e onde se pode avaliar com mais detalhes as diferenças implementadas. Com excessão de algumas
peças internas quase iguais, pode‑se dizer que se trata de uma nova arma.
O  cartucho  que  era  originalmente  usado  até  agora  também  sofreu  modificações;  o  peso  do  projétil
O  cartucho  que  era  originalmente  usado  até  agora  também  sofreu  modificações;  o  peso  do  projétil
passou de 200 para 230 grains com diferença também no tipo e peso da pólvora. Com esses detalhes,
a potência do cartucho foi aumentada consideravelmente, o que também deve ter influído na decisão,
acertada, de se redesenhar o ferrolho.

Como já dissemos acima, os testes se prolongaram até março de 1911, quando finalmente a Comissão
decidiu que a última série de testes seria executado com somente duas armas: a Colt e a Savage. Esta
última sofreu nos derradeiros testes com a quebra de algumas peças enquanto a Colt suportou cerca
de  6.000  tiros  sem  ocorrer  nenhum  problema,  evento  esse  que  foi  assistido  em  pessoa  por  John  M.
Browning.

No  nosso  artigo  “A  Colt  1911  –  História  e  Desenvolvimento”,  neste  site,  o  leitor  encontrará  os
detalhes mais específicos que envolveram a dotação desta pistola pelas Forças Armadas dos Estados
Unidos.

DEPOIS DOS TESTES

Com o término dos testes em Springfield e a adoção oficial da pistola Colt modelo 1911 pelo Governo,
foi posto um fim nas intenções do Depto. de Ordenança de desenvolver uma arma por sua própria
conta, o que ocorreu entre 1907 e 1909 com a pistola Pearce‑Hawkins, projeto nascido no arsenal de
Springfield. Com a finalização dos testes, esse projeto foi devidamenet arquivado, visto que a arma
não  possuía  as  qualidades  que  foram  detectadas  nem  na  Colt  e  nem  na  Savage,  as  últimas
contendoras.

Outra pistola desenvolvida em Springfield foi a Phillips, com o sistema de trancamento do ferrolho
acionado  à  gas.  Após  alguns  protótipos  construídos  e  testados,  chegaram  também  à  conclusão  que
era insano prosseguir com esse projeto.

A SCHOUBOE

Mesmo assim, em 1912, outra pistola foi submetida aos testes do Exército, que embora sem chances
de ser utilizada, tinha algumas particularidades interessantes. Desde 1904 pequenas quantidades da
pistola dinamarquesa Schouboe haviam sido produzidas com o calibre 11.35mm. Essas armas eram
feitas  pela  Dansk  Rekylriffel  Syndikat  (DRS)  de  Copenhagen.  Seu  projetista  era  Jens  Schouboe,
engenheiro‑chefe  da  DRS.  Iniciaram  a  produção  com  uma  arma  em  7,65mm,  em  1903,  e  depois
partiram para o projeto do calibre maior. O problema era que, com o novo calibre, o sistema “blow‑
back”, ou seja, ferrolho sem trava de culatra, era fraco demais para suportar a pressão do cartucho.

Com a intenção de testar a arma nos Estados Unidos da forma como estava, a saída foi utilizar um
cartucho  especial,  com  um  projétil  usando  uma  camisa  de  liga  cobre‑níquel  mas  com  núcleo  de
madeira. A base do projétil era então protegida com uma fina folha de alumínio. O peso do projétil
era de só 63 grains contra os 230 grains do projétil usado na Colt. Com isso, a velocidade atingia 1.600
pés por segundo e o recuo era bem reduzido em virtude do baixo peso do projétil.

 
A dinamarquesa Schouboe em calibre 11.35 mm

Embora a arma tenha se comportado bem nos testes, o interesse dos técnicos residiu somente na alta
velocidade do projétil, a ponto de produzirem alguns com núcleo de madeira que foram testados nas
Colt  1911.  Comprovou‑se  aí  uma  medíocre  precisão  nos  disparos  e  o  projeto  foi  rapidamente
abandonado.  A  pistola  Schouboe  nunca  foi  popular,  nem  mesmo  na  Dinamarca.  Quando  Jens
Schouboe  se  retirou  da  DRS  em  1917,  o  projeto  da  pistola  foi  encerrado  definitivamente.  Não  há,
provavelmente, mais de 500 ou 600 pistolas desse tipo em calibre 11.35mm existentes.

A REMINGTON PEDERSEN 

Com a I Grande Guerra atormentando a Europa, cresceu o interesse de desenvolver novas armas por
diversos fabricantes. Nos USA, em 1917, a tradicional Remington Arms Company decidiu apresentar
ao Governo uma pistola em calibre .45 projetada por John D. Pedersen, de Wyoming. Inicialmente foi
introduzida  na  Marinha,  onde  foi  bem  recebida  e  elogiada,  gerando  um  início  de  negociações  e  a
assinatura  de  um  contrato.  Entretanto,  nesta  mesma  época,  os  Estados  Unidos  entraram  na  guerra.
Com  a  real  necessidade  de  produção  em  massa  de  armamento,  ao  invés  de  produzir  a  pistola
Pedersen, a Remington ganhou um contrato do Governo para produzir a Colt 1911 e assim, se tornou
uma das tres fornecedoras dessa arma para o Governo Americano, juntamente com a própria Colt e o
Arsenal de Springfield. Foram produzidas 21.676 pistolas 1911 na fábrica da Remington até o final do
contrato.
A Remington Pedersen em calibre .45 testada pela Marinha dos Estados Unidos em 1917

A Remington Pedersen, mesmo com o término da guerra em 1918, nunca mais foi produzida. Invés
disso,  uma  versão  civil  da  pistola,  em  calibre  .32  Auto  e  380  ACP  foi  lançada  comercialmente,  com
razoável aceitação no mercado. Apesar de serem concorrentes, a Remington nunca mais “enfrentou”
a rival Colt no campo das pistolas de calibres mais altos.

A GRANT­HAMMOND

No verão de 1917 surge uma nova arma no cenário americano: a pistola Grant‑Hammond, fabricada
em Hartford, Connecticut. O projeto procurou cuidadosamente, e de diversas formas, não se parecer
em  nada  com  a  vencedora  dos  testes  de  1911,  a  Colt  cal.  45.  A  idéia  era  apresentar  um  projeto
totalmente novo e com características bem distintas e diferenciadas.
A pistola Grant‑Hammond em calibre .45

A Grant Hammond utilizava um cano totalmente exposto, um ferrolho embutido na armação e com
formato  cilíndrico.  De  modo  geral,  a  arma  se  assemelhava  à  White‑Merrill,  testada  nos  campos  de
prova  em  1907  e  reprovada.  O  que  mais  chamava  a  atenção  nesta  arma  era  o  sistema  de  ejeção
automática do carregador, algo que soa um pouco novelístico. Após o último disparo, um intrincado
mecanismo liberava o carregador sem a intervenção do atirador, e o mesmo era expulso da armação,
obviamente caindo ao chão. Depois de vários testes efetuados pela Comissão de Springfield, a arma
foi considerada não apta para serviço.

Depois de 1930, a Hammond se associou à High‑Standard, ainda hoje uma conceituada e tradicional
fabricante de pistolas para uso esportivo.

RESUMO

Pode‑se  tirar  várias  lições  dos  testes  de  1907  a  1911  em  Springfield,  mesmo  das  armas  que  foram
reprovadas. Muitas soluções de grande interesse e utilidade foram apresentadas e isso só serviu para
aperfeiçoar o desenvolvimento das pistolas semi‑automáticas em todo o mundo.

Das pistolas Parabellum (Luger) aproveitou‑se o excelente sistema de ejeção do carregador através de
um botão na altura do polegar do atirador, bem como a eficiente e segura trava de empunhadura. O
sistema  de  armar  com  uma  só  mão  empregada  na  White‑Merril  chegou  a  ser  copiado  na  Europa,
como se nota recentemente nas pistolas Heckler & Koch modelo P9S e no modelo P7. Culatras que
são  operadas  através  da  tomada  direta  dos  gases  são  hoje  utilizados  nas  Desert‑Eagle  e  Wildey.  O
sistema  de  carregador  bifilar  utilizado  pela  Savage  é  hoje  um  padrão  na  indústria.  O  sistema  de
dupla‑ação, pioneiro nas pistolas de Knoble, foi usado tres décadas depois pela Walther PP e Mauser
HSc  na  Alemanha,  e  é  hoje  empregado  com  algumas  modificações  na  maioria  das  pistolas
produzidas.

A Colt 1911, por sua vez, vive até hoje seus momentos de glória, avaliada como uma das melhores
A Colt 1911, por sua vez, vive até hoje seus momentos de glória, avaliada como uma das melhores
pistolas  semi‑automáticas  já  produzidas,  com  seu  sistema  de  cano  basculante  exaustivamente
copiado e adaptado pela grande maioria das armas da atualidade, um exemplo ímpar no mundo, no
campo de desenvolvimento e da fabricação de armas curtas.

Wriኮen by Carlos F P Neto

27/04/2011 às 16:50

25 Respostas

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Carlos estava dando um leve grimp, e como o cano original esta bem usado creio que não faz
diferença a ponto de travar, mas com o cano novo o grimp por mais leve que seja deve estar
dando problema, vou usar um die mais antigo porém em condições , porque ele não permite a
grimpagem, mas tão somente encosta o cartucho no progetil e trava o mesmo não permitindo que
fique solto, vou tentando mesmo porque acredito que não seja problema no cano, vou
aprendendo cada dia mais um pouco. abraço.

Gil Cesar Dompieri

02/12/2014 at 11:34

Gil, ao que tudo indica eu creio que o problema está mesmo na recarga. Verifique bem esse
detalhe. Você está crimpando os cartuchos?

Carlos F P Neto

01/12/2014 at 11:30

Carlos, fumeguei o cano no trancamento e na biela, aparentemente esta tudo correto, só que notei
que no cano original que esta aproximadamente com 30.000 tiros a munição recarregada entra
com um pouco de folga e no cano standard é muito justa, porém observado a munição recarregda
no dies da Lee, pude perceber que no grimp ele faz um pequeno estufamento na junção do
cartucho com o projetil, e usando um outro jogo de dies não existe grimp mas tão somente
encosto do cartucho no projetil, parece que o problema esta não no cano mas na recarga com o
dies Lee que esta um pouco gasto, Vou tentar novamente pra ver se a solução do problema e com
o dito die. abraços

Gil Cesar Dompieri

01/12/2014 at 11:26

Gil, pode ser só no trancamento e embaixo, perto da biela. Talvez vc consiga ver se os lugs de
trancamento estão se ajustando corretamente.

Carlos F P Neto

21/11/2014 at 11:45

Bom dia Carlos, vc fala em fumegar o cano mas somente na parte do trancamento? ou no cano
Bom dia Carlos, vc fala em fumegar o cano mas somente na parte do trancamento? ou no cano
todo?
Abraço. Gil

Gil Cesar Dompieri

21/11/2014 at 11:29

Gil, uma dica não muito “limpa” mas que funciona para se verificar interferências é fumegar o
cano com chama de vela de parafina, pretejando‑o por fora e depois verificando aonde pode
alguma coisa estar pegando…

Carlos F P Neto

19/11/2014 at 15:50

Sim empurrando o ferrolho sinto como se fosse um degrau e depois ele fecha, vou tentar usar
uma mola mais forte para ver de da resultado, o interessante é que quando uso o cano original
não tem problema algum, usei um pouco de graxa nos ressaltos do ferrolho para ver se no cano
aparecia algum ponto em que não encostasse, mas deu pra ver que encaixa perfeitamente, vou
tentar a mola, grato.

Gil Cesar Dompieri

19/11/2014 at 14:23

Bom dia Carlos, sim quando o ferrolho não fecha, coisa de 3 ou 4 milimetros dando um pequeno
tranco no mesmo é fechado, não parece ser do cartucho, vou tentar colocar uma mola
recuperadora mais forte e tentar ver o funcionamento, se não der certo vou verificar o encaixe do
ferrolho com o cano, na biela e no encosto do cano na base do ferrolho esta normal. Grato.

Gil Cesar Dompieri

19/11/2014 at 7:28

Gil, quando ocorreu o não trancamento completo, e que me parece o suficiente para nem liberar o
desconector do gatilho (o que é bom pois poderia disparar com o ferrolho destrancado), você
tentou empurrar o ferrolho com a mão e sentir se a resistência vem do cartucho? Consegue
experimentar uma mola recuperadora mais forte? Pode estar havendo interferência nesse ajuste,
entre cano e ferrolho.

Carlos F P Neto

18/11/2014 at 15:25

Sim, o cano acopla perfeitamente no ferrolho trancando cano.

gil cesar dompieri

18/11/2014 at 15:00

Gil, o trancamento entre cano e ferrolho funciona perfeitamente quando a arma está
desmuniciada?

Carlos F P Neto

18/11/2014 at 13:28
18/11/2014 at 13:28

Bom dia Carlos, vou socorrer‑me novamente, tenho uma colt 45 combat commander com cano de
4 1/4, e adquiri um cano americano de 5 1/2, levei a um armeiro de rio preto, mas estamos
apanhando para tentar fazer funcionar adequadamente, o armeiro fez ajustes junto a biela e no
encaixe do frame com mesmo, manualmente funciona beleza com qualquer tipo de munição,
porém no tiro real o ferrolho não fecha por completo ficando uma pequena abertura o que impede
de atirar, recarreguei com pontas ogival, semi canto vivo e cone truncado, no cano original não
tem problema algum, porém no cano ajustado as vezes funciona, mas na maioria das vezes não,
com munição original também funciona precariamente, portanto não é a recarga, medimos a
profundidade da câmara e esta dentro do preconizado pelo SAAMI ( acho que é assim), medimos
com o cano original e esta idêntico, você tem alguma ideia do que pode estar acontecendo? Grato,
abraços Gil

Gil Cesar Dompieri

18/11/2014 at 11:27

Sérgio, parabéns pela aquisição, realmente ótima escolha!

Carlos F P Neto

07/10/2014 at 19:51

Este mês compro a minha Taurus modelo 1911 cal .45, vai ser a arma de minha aposentadoria na
PCPE, tive um anos atrás e depois que fiz uso deste cal e modelo, não vejo outra na minha frente

Sergio Olimpio de Souza Barros

07/10/2014 at 17:06

Obrigado, caro Jozinaldo.

Carlos F P Neto

25/01/2014 at 22:14

Recentemente descobri o site e adorei. Não possuo armas, mas, fico maravilhado com as
informações sobre elas e leio atentamente todos os artigos. Já me inclui no Rol dos Seguidores do
site. Parabéns e que o Grande arquiteto do Universo o ilumine sempre.

JOZINALDO VITURINO DE FREITAS

21/01/2014 at 8:50

Marco, saudações. Esta é realmente uma “via crucis”, mas que tendo‑se paciência, têm‑se o
resultado. A primeira coisa a se fazer é conversar com o pessoal do SFPC de sua região. A fim de
você tomar um pouco mais de conhecimento sobre os trâmites, dê uma lida nisso aqui:
hኮp://www.dfpc.eb.mil.br/index.php/comercio‑exterior.
Veja bem, o caminho é longo; muita gente lança mão de despachantes porque a importação de
armas tem que passar obrigatoriamente pelo DFPC, em Brasília, o que talvez exija que você vá lá
pessoalmente, caso não nomeie um procurador. Há despachantes em Brasília que fazem o
trabalho que é necessário lá, e depois encaminham à você ou a seu despachante local. Entre em
contato de novo, para que possamos trocar outras idéias.

Carlos F P Neto
Carlos F P Neto

23/09/2013 at 16:14

Bom dia , Carlos.
Gostaria de informações sobre a importação de armas de fogo, de maneira legal, pois sou
apaixonado pelo modelo SAKO TRG 22 RH cal .308 win.
Achei esta arma a venda num site de Portugal, e gostaria de adquiri‑la com toda a segurança e
dentro da lei.
Como devo proceder?
Abraço e aguardo informações.

marco antonio ribeiro

23/09/2013 at 9:47

Parabéns, estou aprendendo muito com seus artigos.

Joaquim do Prado

12/05/2013 at 18:32

Everaldo, qual a vantagem e desvantagem em relação ao que? Lembre‑se que a 1911 da Taurus só
está disponível para venda diretamente da fábrica, só para CACs.

Carlos F P Neto

18/03/2013 at 11:13

Olá, estou interessado em comprar uma Taurus 1911, é boa também?
Qual a vantagem e desvantagem?

everaldo

18/03/2013 at 9:45

Pois é, caro Adhemar, não é à tôa que ela ficou 70 anos em serviço !!!

Carlos F P Neto

09/01/2013 at 8:28

6.000 tiros sem falhas! Qual arma hoje conseguiria realizar este teste? Acho difícil…

Adhemar Moreira

08/01/2013 at 21:37

Pablo, o revólver Webley‑Fosbery foi um dos raros exemplares dessa espécie, desenvolvidos até
hoje e mesmo assim, não gozou de boa reputação. Não existe nenhuma razão técnica que
justifique um revólver semi‑automático. Provavelmente nunca mais existirá outro.

Carlos F P Neto

18/10/2012 at 13:47

gostaria de saber se existem outros modelos de revolveres semiautomaticos???
gostaria de saber se existem outros modelos de revolveres semiautomaticos???

Pablo Plínio M. De Aguiar

18/10/2012 at 0:59