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Objetivos

Aprofundarmos o entendimento da lição de Jesus contida na frase “Meu reino não é


deste mundo”, distinguindo o mundo físico do espiritual, esclarecendo a relação entre ambos e
destacando a destinação eterna do homem.

A Vida Futura

3- Apenas idéias muito imprecisas tinham os judeus acerca da vida futura.


Acreditavam nos anjos, considerando-os seres privilegiados da Criação; não sabiam,
porém, que os homens podem um dia tomar-se anjos e partilhar da felicidade destes. Segundo
eles, a observância das leis de Deus era recompensada com os bens terrenos, com a
supremacia da nação a que pertenciam, com vitórias sobre os seus inimigos. As calamidades
públicas e as derrotas eram o castigo da desobediência àquelas leis. Moisés não pudera dizer
mais do que isso a um povo pastor e ignorante, que precisava ser tocado, antes de tudo, pelas
coisas deste mundo. Mais tarde, Jesus lhe revelou que há outro mundo, onde a justiça de Deus
segue o seu curso. E esse o mundo que ele promete aos que cumprem os mandamentos de
Deus e onde os bons acharão sua recompensa. Aí o seu reino; lá é que ele se encontra na sua
glória e para onde voltaria quando deixasse a Terra.
Jesus, porém, conformando seu ensino com o estado dos homens de sua época, não
julgou conveniente dar-lhes luz completa, percebendo que eles ficariam deslumbrados, visto
que não a compreenderiam. Limitou-se a, de certo modo, apresentar a vida futura apenas
como um principio, como uma lei da Natureza a cuja ação ninguém pode fugir. Todo cristão,
pois, necessariamente crê na vida futura; mas, a idéia que muitos fazem dela é ainda vaga,
incompleta e, por isso mesmo, falsa em diversos pontos. Para grande número de pessoas, não
há, a tal respeito, mais do que uma crença, balda1 de certeza absoluta, donde as dúvidas e
mesmo a incredulidade.
O Espiritismo veio completar, nesse ponto, como em vários outros, o ensino do Cristo,
fazendo-o quando os homens já se mostram maduros bastante para apreender a verdade. Com
o Espiritismo, a vida futura deixa de ser simples artigo de fé, mera hipótese; torna-se uma
realidade material, que os latos demonstram, porquanto são testemunhas oculares os que a
descrevem nas suas fases todas e em todas as suas peripécias, e de tal sorte que, além de
impossibilitarem qualquer dúvida a esse propósito, facultam à mais vulgar inteligência a
possibilidade de imaginá-la sob seu verdadeiro aspecto, como toda gente imagina um país cuja
pormenorizada descrição leia. Ora, a descrição da vida futura é tão circunstanciadamente feita,
são tão racionais as condições, ditosas ou infortunadas, da existência dos que lá se encontram,
quais eles próprios pintam, que cada um, aqui, a seu mau grado, reconhece e declara a si
mesmo que não pode ser de outra forma, porquanto, assim sendo, patente fica a verdadeira
justiça de Deus.

A realeza de Jesus

4. Que não é deste mundo o reino de Jesus todos compreendem, mas, também na Terra
não terá ele uma realeza? Nem sempre o título de rei implica o exercício do poder temporal.
Dá-se esse título, por unânime consenso, a todo aquele que, pelo seu gênio, ascende à primeira

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plana numa ordem de idéias quaisquer, a todo aquele que domina o seu século e influi sobre o
progresso da Humanidade. E nesse sentido que se costuma dizer: o rei ou príncipe dos
filósofos, dos artistas, dos poetas, dos escritores, etc. Essa realeza, oriunda do mérito pessoal,
consagrada pela posteridade, não revela, muitas vezes, preponderância bem maior do que a
que cinge a coroa real? Imperecível é a primeira, enquanto esta outra é joguete das
vicissitudes; as gerações que se sucedem à primeira sempre a bendizem, ao passo que, por
vezes, amaldiçoam a outra. Esta, a terrestre, acaba com a vida; a realeza moral se prolonga e
mantém o seu poder, governa, sobretudo, após a morte. Sob esse aspecto não é Jesus mais
poderoso rei do que os potentados da Terra? Razão, pois, lhe assistia para dizer a Pilatos,
conforme disse: "Sou rei, mas o meu reino não é deste mundo."
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Na Construção Do Futuro
( Livro: Livro da Esperança – Espírito, Emmanuel –Chico Xavier )

“Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo...” -JESUS - JOAO, 18: 36.

“Todo cristão, pois, firmemente crê na vida futura, mas a idéia que muitos fazem dela é
ainda vaga, incompleta e por Isso mesmo, falsa em diversos pontos. Para grande número, de
pessoas, não, há, a tal respeito, mais de que uma crença, balda1 de certeza absoluta, donde as
dúvidas e mesma a incredulidade, O Espiritismo veio completar, nesse ponto, coma em vários
outros, o ensino do Cristo, fazendo-o, quando os homens já se mostram maduros bastante para
apreenderem a verdade. 1 - Cap. 11, 3.
Esperavas pelos irmãos do caminho a fim de te entregares a construção da Terra melhor
e quedas-te, muita vez, em amargoso desalento porque tardem a vir.
Observa, porém, a estrada longa da evolução, para que o entendimento, te pacifique.
Milhares deles são corações de pensamento verde que te rogam apoio e outros muitos
seguem trilha adiante, inibidos por névoas interiores que desconhecem.
Repara os que se renderam às lágrimas excessivas.
Choraram tanto que turvaram os olhos não mais divisando os companheiros
infinitamente mais desditosos a lhes suplicarem auxilio nas vascas 2 da aflição.
Contempla os que passam vaidosos sem saberem utilizar, construtivamente, os favores
da fortuna.
Habituaram-se tanto as enganosas vantagens da moeda abundante que perderam o
senso íntimo
Enumera, os que se embriagam de poder transitório.
Abusaram, tanto da autoridade que caíram na exaltação da paranóia sem darem conta
disso.
Relaciona os que asseveram amar, transformando a afetividade no egoísmo envolvente.
Apaixonaram-se tanto por criaturas e coisas, cultivando exigências, que deliram
positivamente sem perceber.
Anota os que avançam, hipnotizados pelas dignidades que receberam do mundo.
Fascinaram-se tanto pelas honras exteriores que olvidaram os semelhantes a quem lhes
compete o dever de servir.
Nenhum deles atrasou por maldade.
Foram vitimas da ilusão que, freqüentemente, se agiganta qual imenso nevoeiro na
periferia da vida, mas regressarão depois à verdade triunfante para atenderem
as tarefas que realizas.
Para todos eles que ainda não conseguiram chegar à grande renovação é compreensível
o adiamento do trabalho a fazer.
Entretanto, nada nos justificaria desânimo ou deserção na Obra do Cristo, porque
embora estejamos consideravelmente distantes da sublimação necessária, transportamos
conosco o raciocínio lúcido e libertado no sustento da fé.

O Grande Futuro
( Livro: Pão Nosso – Espírito, Emmanuel – Chico Xavier )

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“Mas agora o meu reino não é daqui” – Jesus. (JOÃO, CAPÍTULO 18, VERSÍCULO 36.)

Desde os primórdios do Cristianismo, observamos aprendizes que se retiram


deliberadamente do mundo, alegando que o Reino do Senhor não pertence à Terra.
Ajoelham-se, por tempo indeterminado, nas casas de adoração, e acreditam efetuar na
fuga a realização da santidade.
Muitos cruzam os braços à frente dos serviços de regeneração e, quando interrogados,
expressam revolta pelos quadros chocantes que a experiência terrena lhes oferece, reportando-
se ao Cristo, diante de Pilatos, quando o Mestre asseverou que o seu reino ainda não se
instalara nos círculos da luta humana.
No entanto, é justo ponderar que o Cristo não deserdou o planeta.
A palavra dEle não afiançou a negação absoluta da felicidade celeste para a Terra, mas
apenas definiu a paisagem então existente, sem esquecer a esperança no porvir.
O Mestre esclareceu: – “Mas agora o meu reino não é daqui.”
Semelhante afirmativa revela-lhe a confiança.
Jesus, portanto, não pode endossar a falsa atitude dos operários em desalento, tão-só
porque a sombra se fez mais densa em torno de problemas transitórios ou porque as feridas
humanas se fazem, por vezes, mais dolorosas. Tais ocorrências, muita vez, obedecem a pura
ilusão visual.
A atividade divina jamais cessa e justamente no quadro da luta benéfica é que o
discípulo insculpirá a própria vitória.
Não nos cabe, pois, a deserção3 pela atitude contemplativa e, sim, avançar,
confiantemente, para o grande futuro.

Testemunho
( Livro: Caminho, Verdade e Vida – Espírito, Emmanuel –Chico Xavier )

“Respondeu-lhe Jesus: — Dizes isso de ti mesmo ou foram outros que te disseram de


mim?”— (JOÃO, capítulo 18, versículo 34.)

A pergunta do Cristo a Pilatos tem significação mais extensiva. Compreendemo-la,


aplicada às nossas experiências religiosas.
Quando encaramos no Mestre a personalidade do Salvador, por que o afirmamos?
Estaremos agindo como discos fonográficos, na repetição pura e simples de palavras
ouvidas?
É necessário conhecer o motivo pelo qual atribuímos títulos amoráveis e respeitosos ao
Senhor. Não basta redizer encantadoras lições dos outros, mas viver substancialmente a
experiência íntima na fidelidade ao programa divino.
Quando alguém se refere nominalmente a um homem, esse homem pode indagar quanto
às origens da referência.
Jesus não é símbolo legendário; é um Mestre Vivo.
As preocupações superficiais do mundo chegam, educam o espírito e passam, mas a
experiência religiosa permanece.
Nesse capítulo, portanto, é ilógico recorrermos, sistematicamente, aos patrimô-nios
alheios.
É útil a todo aprendiz testificar de si mesmo, iluminar o coração com os ensinos do
Cristo, observar-lhe a influência excelsa4 nos dias tranqüilos e nos tormentosos.
Reconheçamos, pois, atitude louvável no esforço do homem que se inspira na
exemplificação dos discípulos fiéis; contudo, não nos esqueçamos de que é contraproducente 5
repousarmos em edificações que não nos pertencem, olvidan-do o serviço que nos é próprio.

Árdua Ascensão
( Livro: Lampadário Espirita, – Espírito, Joanna de Ângelllis – Divaldo P. Franco )

Enquanto caminhas pela senda evangélica, anotas mágoas, angústias e do-res, em


verdadeiro antagonismo com as lições edificantes que se derramam das páginas cristãs e
espíritas, qual se as ingratidões fôssem as respostas aos teus anseios de fraternidade.

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Abatimento incoercível6 se infiltra no teu entusiasmo e as forças escasseiam, quando as
desinteligências e melindres lavram, vorazes, nos celeiros da fé reno-vadora.
Registras, no íntimo, com sofrimento, a leviandade abraçada ao egoismo, em
entusíastica alacridade7 na Seara onde brilha a luz, patenteando o desequi-librio de muitos
companheiros.
Aspiras esse ar mefítico8 e sentes desalento...
Silenciosas queixas, que preferes não extravassar, dizem da semeação de ódios e
malquerenças impiedosas na grei9, e isto deprime e esmaga as aspira-ções e esperanças que
mantinhas.
Não te surpreendas com a proliferação da iniquidade onde pensavas não encontrá-la.
Os homens são espíritos em provas, como os vês, como os encontras.
Embora a grande maioria se diga de missionários e se reserve o desculpismo para as
próprias fraquezas, não deixam de ser o que são.
Os rótulos e as pompas10 nada alteram no que dizem respeito aos valores intrínsecos 11.
Romemora Jesus, o Colégio primeiro, as gentes que O seguiam...
Trincas e inquietações estabeleciam, não poucas vezes, aflições e desentendimentos,
entre os que O acompanhavam de mais perto e diziam ama-Lo.
Quase todos disputavam a primazia do Seu amor.
Salomé, a esposa de Zebedeu, sem constrangimento, interferiu pelos filhos, solicitando
os lugares de destaque que ao Seu lado.
Judas se enganou a si mesmo.
Pedro, inquieto, após tormentoso estado íntimo, deu guarida ao espírito das trevas.
Tiago, depois da partida d´Ele, preocupava-se em conciliar os ditames da Lei Moisaica
com os libertadores ensinos da Boa Nova.
Apesar disso, atestaram fidelidade, no momento justo do testemunho, quando
convocados a darem a própria vida pela Causa, imortalizando o amor á Verdade, como lição
viva e clarificante para os que viriam depois...
Examinando a vida de Jesus, constatarás que, na razão direta em que os sucessos da
Sua ação se faziam conhecidos, a impiedade lhe seguia as pegadas.
Supeitas descabidas e maledicências injustificáveis grassavam.
Descerrando os painéis da imortalidade e fixando as balizas do Reino, não impediu nem
se preocupou sequer com a idiossincrasia12 dos atormentados-atormentadores, que zurziam
granizos morais sobre Ele.
Bom – foi odiado.
Amigo – esteve a sós.
Mestre – não encontrou ouvidos.
Filho de Deus – morreu na Cruz.
João, o Batista, embora O soubesse o Messias, enviou dois discípulos a indagarem...
Os que poderiam identificá-Lo pediam provas para desconsiderá-las logo depois.
Não esperes outra coisa.
Arma-te de amor por todos e veste-te com as malhas fortes da fé.
Ritma o passo ao compasso da Verdade e não estaciones para arrolar apontamentos
negativos nem alheias falhas.
Sê tu quem exemplifique, ame e viva a Mensagem.
Faze a tua parte da melhor maneira possível...
...E quando de coração aparentemente vencido, sob o tropel dos aparentemente
triunfadores e vitoriosos, experimentarás força ignota a levantar teu ânimo, ajudando-te e
ensejando ao teu espírito a ascensão aos Cimos13 Espirituais, donde bendirás o esforço
despendido e a luta travada, os espinhos sofridos e as tarefas realizadas, jubiloso e tranquilo
após a travessia pelo rio celular que te ensejou a purificação das imperfeições que te afligiam.

Perguntas

01 – O que quis Jesus expressar quando respondeu a Pilatos que seu reino não era
deste mundo?
02 – Embora fosse emissário de verdade, Jesus valeu-se da violência para divulgar
sua doutrina?
03 – Porque Jesus disse: “meu reino ainda não é daqui”? ( João, 18,36-37)

4
04 – Com que finalidade Jesus veio a este mundo?
05 – Que significa : ”Aquele que pertence á verdade, escuta minha voz”?
06 – O que conseguimos entender com a expressão “vida futura”?
07 – É possível compreender clara e totalmente a doutrina do Cristo sem considerar a
imortalidade da alma?
08 – Qual o grande ensinamento que Jesus nos traz nesta passagem?

Conclusão

O reino de que se fala Jesus não é de caráter material, constituído de riqueza e poder: é
um reino de paz e fraternidade, a que têm acesso os espíritos que vivem acordes com a lei de
Deus, transmitida em seu Evangelho.

Textos Complementares

Ler no Evangelho Segundo O Espiritismo, no Cap. II, Itens 3 e 4

Respostas das perguntas

Obs.: As resposta deste questionário virá na próxima lição, assim é feito pra que
possas interpretar as perguntas de acordo com os vossos entendimentos.

Glossário

1 – balda
: ação habitual; defeito ou hábito arraigado; mania
2 – vascas
: convulsão forte, agitação convulsiva
: ânsia que precede os últimos momentos; estertor, agonia
: momento extremo; fim, final, limite
3 – deserção
: extinção dos habitantes; despovoação
: abandono de lugar que se frequentava por compromisso ou afinidade
: afastamento de determinada coisa a que se estava ligado por dever ou por laço de natureza particular;
desistência,
4 – excelsa
: que é sublime, eminente, elevado
5 –contraproducente
: que produz resultado oposto ao esperado; contraprodutivo
: que prova o contrário do que se tinha intenção de provar
6 –icoercível
: que não é coercível
: que não se pode coagir
: que não se pode conter, comprimir, encerrar
: que não se pode dominar, refrear, impedir; irreprimível
7 –alacridade
: grande alegria, animação intensa; vivacidade, jovialidade
8 –mefitico
: nocivo à saúde, tóxico, pestilento, fétido, desagradável (diz-se de ar, gás, vapor)
9 –grei
: rebanho de gado miúdo
: partido; sociedade; grêmio
: o conjunto de paroquianos ou diocesanos; congregação
10 –pompas
: aparato faustoso, magnificente; ostentação
: grande luxo, esplendor
11 –intrísecos
: que é real; que tem importância, significação por si próprio, independentemente da relação com outras coisas

5
12 –idiossincrasia
: predisposição particular do organismo que faz que um indivíduo reaja de maneira pessoal à influência de agentes
exteriores (alimentos, medicamentos etc.)
: característica comportamental peculiar a um grupo ou a uma pessoa
13 –Cimos
: a parte superior de uma coisa que tem maior altura do que comprimento ou largura; a parte de cima; alto, topo

Anotações

6
Objetivos

De nos esclarecer sobre o que a compreensão da vida futura propicia aos homens,
enfatizando como devemos encarar as tribulações e vicissitudes da vida terrena.

O Ponto de Vista

5 – A idéia clara e precisa que se faça da vida futura dá uma fé inabalável no porvir, e
essa fé tem conseqüências enormes sobre a moralização dos homens, porque muda
completamente o ponto de vista pelo qual eles encaram a vida terrena. Para aquele que se
coloca, pelo pensamento, na vida espiritual, que é infinita, a vida corporal não é mais do que
rápida passagem, uma breve permanência num país ingrato. As vicissitudes 1 e as tribulações
da vida são apenas incidentes que ele enfrenta com paciência, porque sabe que são de curta
duração e devem ser seguidos de uma situação mais feliz. A morte nada tem de pavoroso, não
é mais a porta do nada, mas a da libertação, que abre para o exilado a morada da felicidade e
da paz. Sabendo que se encontra numa condição temporária e não definitiva, ele encara as
dificuldades da vida com mais indiferença, do que resulta uma calma de espírito que lhe
abranda as amarguras.
Pelas simples dúvida sobre a vida futura, o homem concentra todos os seus pensamentos
na vida terrena. Incerto do porvir, dedica-se inteiramente ao presente. Não entrevendo bens
mais preciosos que os da Terra, ele se porta como a criança que nada vê além dos seus
brinquedos e tudo faz para os obter. A perda do menor dos seus bens causa-lhe pungente
mágoa. Um desengano, uma esperança perdida, uma ambição insatisfeita, uma injustiça de
que for vítima, o orgulho ou a vaidade ferida, são tantos outros tormentos, que fazem da sua
vida uma angústia perpétua, pois que se entrega voluntariamente a uma verdadeira tortura de
todos os instantes.
Sob o ponto de vista da vida terrena, em cujo centro se coloca, tudo se agiganta ao seu
redor. O mal o atinge, como o bem que toca aos outros, tudo adquire aos seus olhos enorme
importância. É como o homem que, dentro de uma cidade, vê tudo grande em seu redor: os
cidadãos eminentes como os monumentos; mas que, subindo a uma montanha, tudo lhe
parece pequeno.
Assim acontece com aquele que encara a vida terrena do ponto de vista da vida futura:
a humanidade, como as estrelas no céu, se perdem na imensidade; ele então se apercebe de
que grandes e pequenos se confundem como as formigas num monte de terra; que operários e
poderosos são da mesa estatura; e ele lamenta essas criaturas efêmeras, que tanto se
esfalfam2 para conquistar uma posição que os eleva tão pouco e por tão pouco tempo. É assim
que importância atribuída aos bens terrenos está sempre na razão inversa da fé que se tem na
vida futura.
6 – Se todos pensarem assim, dir-se-á, ninguém mais se ocupando das coisas da Terra,
tudo perigará. Mas não, porque o homem procura instintivamente o seu bem estar, e mesmo
tendo a certeza de que ficará por pouco tempo em algum lugar, ainda quererá estar o melhor
ou o menos mal possível. Não há uma só pessoa que, sentindo um espinho sob a mão, não a
retire para não ser picada. Ora, a procura do bem-estar força o homem a melhorar todas as
coisas, impulsionado como ele é pelo instinto do progresso e da conservação, que decorre das
próprias leis da natureza. Ele trabalha, portanto, por necessidade, por gosto e por dever, e com

7
isso cumpre os desígnios da Providência, que o colocou na Terra para esse fim. Só aquele que
considera o futuro pode dar ao presente uma importância relativa, consolando-se facilmente de
seus revezes, ao pensar no destino que os aguarda.
Deus não condena, portanto, os gozos terrenos, mas o abuso desses gozos, em prejuízo
dos interesses da alma. É contra esse abuso que se previnem os que compreendem estas
palavras de Jesus: O meu reino não é deste mundo.
Aquele que se identifica com a vida futura é semelhante a um homem rico, que perde
uma pequena soma sem se perturbar; e aquele que concentra os seus pensamentos na vida
terrestre é como o pobre que ao perder tudo o que possui, cai em desespero.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Da Lei do Trabalho – Questão 674 a 685


( Livro: O Livro dos Espíritos –Allan Kardec )

674. A necessidade do trabalho é uma lei da Natureza?


— O trabalho é uma lei da Natureza, e por isso mesmo é uma necessidade. A civilização
obriga o homem a trabalhar mais, porque aumenta as suas necessidades e os seus prazeres.
675. Só devemos entender por trabalho as ocupações materiais?
— Não; o Espírito também trabalha, como o corpo. Toda ocupação útil é trabalho.
676. Por que o trabalho é imposto ao homem?
— É uma conseqüência da sua natureza corpórea. E uma expiação e ao mesmo tempo um
meio de aperfeiçoar a sua inteligência. Sem o trabalho o homem permaneceria na infância
intelectual; eis porque ele deve a sua alimentação, a sua segurança e o seu bem-estar ao seu
trabalho e à sua atividade. Ao que é de físico franzino. Deus concebeu a inteligência para o
compensar; mas há sempre trabalho.
677. Por que a Natureza provê, por si mesma, a todas as necessidades dos animais?
— Tudo trabalha na Natureza. Os animais trabalham, como tu, mas o seu trabalho, como a
sua inteligência, é limitado aos cuidados da conservação. Eis porque, entre eles, o trabalho não
conduz ao progresso, enquanto entre os homens tem um duplo objetivo: a conservação do
corpo e o desenvolvimento do pensamento, que é também uma necessidade e que o eleva
acima de si mesmo. Quando digo que o trabalho dos animais é limitado aos cuidados de sua
conservação, refiro-me ao fim a que eles se propõem, trabalhando. Mas, enquanto, sem o
saberem, eles se entregam inteiramente a prover as suas necessidades materiais, são os
agentes que colaboram nos desígnios do Criador. Seu trabalho não concorre menos para o
objetivo final da Natureza, embora, muitas vezes, não possais ver o seu resultado imediato.
678. Nos mundos mais aperfeiçoados, o homem é submetido à mesma necessidade de
trabalho?
—A natureza do trabalho é relativa à natureza das necessidades; quanto menos
necessidades materiais, menos material é o trabalho. Mas não julgueis, por isso, que o homem
permanece inativo e inútil; a ociosidade seria um suplício, em vez de ser um benefício.
679. 0 homem que possui bens suficientes para assegurar sua subsistência está
liberto da lei do trabalho?
— Do trabalho material, talvez, mas não da obrigação de se tornar útil na proporção de seus
meios, de aperfeiçoar a sua inteligência ou a dos outros, o que é também um trabalho. Se o
homem a quem Deus concedeu bens suficientes para assegurar sua subsistência não está
obrigado a comer o pão com o suor da fronte, a obrigação de ser útil a seus semelhantes é
tanto maior para ele, quanto a parte que lhe coube por adiantamento lhe der maior lazer para
fazer o bem.
680. Não há homens que estão impossibilitados de trabalhar, seja no que for, e cuja
existência é inútil?
— Deus é justo e só condena aquele cuja existência for voluntariamente inútil, porque esse
vive na dependência do trabalho alheio. Ele quer que cada um se torne útil na proporção de
suas faculdades. (Ver item 643.)
681. A lei da Natureza impõe aos filhos a obrigação de trabalhar para os pais?
— Certamente, como os pais devem trabalhar para os filhos. Eis porque Deus fez do amor
filial e do amor paterno um sentimento natural, afim de que, por essa afeição recíproca, os

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membros de uma mesma família sejam levados a se auxiliarem mutuamente. É o que, com
muita freqüência, não se reconhece em vossa atual sociedade. (Ver item 205.)
682. Sendo o repouso uma necessidade após o trabalho, não é uma lei da natureza?
— Sem duvida o repouso serve para reparar as forças do corpo. E também necessário para
deixar um pouco mais de liberdade à inteligência, que deve elevar-se acima da matéria.
683. Qual é o limite do trabalho?
— O limite das forças; não obstante, Deus dá liberdade ao homem.
684. Que pensar dos que abusam da autoridade para impor aos seus inferiores um
excesso de trabalho?
— É uma das piores ações. Todo homem que tem o poder de dirigir é responsável pelo
excesso de trabalho que impõe aos seus inferiores, porque transgride a lei de Deus. (Ver item
273.)
685. Tem o homem o direito de repousar na velhice?
“Sim, que a nada é obrigado, senão de acordo com as suas forças.”
a)- Mas, que há de fazer o velho que precisa trabalhar para viver e não pode?
“O forte deve trabalhar para o fraco. Não tendo este família, a sociedade deve fazer as vezes
desta. É a lei de caridade.”
Não basta se diga ao homem que lhe corre o dever de trabalhar. É preciso que aquele
que tem de prover à sua existência por meio do trabalho encontre em que se ocupar, o que
nem sempre acontece. Quando se generaliza, a suspensão do trabalho assume as proporções
de um flagelo, qual a miséria. A ciência econômica procura remédio para isso no equilíbrio entre
a produção e o consumo. Mas, esse equilíbrio, dado seja possível estabelecer-se, sofrerá
sempre intermitências3, durante as quais não deixa o trabalhador de ter que viver. Há um
elemento, que se não costuma fazer pesar na balança e sem o qual a ciência econômica não
passa de simples teoria. Esse elemento é a educação, não a educação intelectual, mas a
educação moral. Não nos referimos, porém, à educação moral pelos livros e sim à que consiste
na arte de formar os caracteres, à que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos
hábitos adquiridos. Considerando-se a aluvião de indivíduos que todos os dias são lançados na
torrente da população, sem princípios, sem freio e entregues a seus próprios instintos, serão de
espantar as conseqüências desastrosas que daí decorrem? Quando essa arte for conhecida,
compreendida e praticada, o homem terá no mundo hábitos de ordem e de previdência para
consigo mesmo e para com os seus, de respeito a tudo o que é respeitável, hábitos que lhe
permitirão atravessar menos penosamente os maus dias inevitáveis. A desordem e a
imprevidência são duas chagas que só uma educação bem entendida pode curar. Esse o ponto
de partida, o elemento real do bem-estar, o penhor da segurança de todos.

Da Lei de Conservação – Questão 702 a 727


( Livro: O Livro dos Espíritos –Allan Kardec )

Instinto de Conservação
702. É lei da Natureza o instinto de conservação?
“Sem dúvida. Todos os seres vivos o possuem, qualquer que seja o grau de sua
inteligência. Nuns, é puramente maquinal, raciocinado em outros.”
703. Com que fim outorgou Deus a todos os seres vivos o instinto de conservação?
“Porque todos têm que concorrer para cumprimento dos desígnios da Providência. Por
isso foi que Deus lhes deu a necessidade de viver. Acresce que a vida é necessária ao
aperfeiçoamento dos seres. Eles o sentem instintivamente, sem disso se aperceberem.”
Meios de conservação
704. Tendo dado ao homem a necessidade de viver, Deus lhe facultou, em todos os
tempos, os meios de o conseguir?
“Certo, e se ele os não encontra, é que não os compreende. Não fora possível que Deus
criasse para o homem a necessidade de viver, sem lhe dar os meios de consegui-lo. Essa a
razão por que faz que a Terra produza de modo a proporcionar o necessário aos que a habitam,
visto que só o necessário é útil. O supérfluo nunca o é.”
705. Por que nem sempre a terra produz bastante para fornecer ao homem o
necessário?
“É que, ingrato, o homem a despreza! Ela, no entanto, é excelente mãe. Muitas vezes,
também, ele acusa a Natureza do que só é resultado da sua imperícia ou da sua imprevidência.
A terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se.

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Se o que ela produz não lhe basta a todas as necessidades, é que ela emprega no supérfluo o
que poderia ser aplicado no necessário. Olha o árabe no deserto. Acha sempre de que viver,
porque não cria para si necessidades factícias. Desde que haja desperdiçado a metade dos
produtos em satisfazer a fantasias, que motivos tem o homem para se espantar de nada
encontrar no dia seguinte e para se queixar de estar desprovido de tudo, quando chegam os
dias de penúria? Em verdade vos digo, imprevidente não é a Natureza, é o homem, que não
sabe regrar o seu viver.”
706. Por bens da Terra unicamente se devem entender os produtos do solo?
“O solo é a fonte primacial donde dimanam todos os outros recursos, pois que, em definitiva,
estes recursos são simples transformações dos produtos do solo. Por bens da Terra se deve,
pois, entender tudo de que o homem pode gozar neste mundo.”
707. É freqüente a certos indivíduos faltarem os meios de subsistência, ainda quando
os cerca a abundância. A que se deve atribuir isso?
“Ao egoísmo dos homens, que nem sempre fazem o que lhes cumpre. Depois e as mais das
vezes, devem-no a si mesmos. Buscai e achareis; estas palavras não querem dizer que, para
achar o que deseje, basta que o homem olhe para a terra, mas que lhe é preciso procurá-lo,
não com indolência, e sim com ardor e perseverança, sem desanimar ante os obstáculos, que
muito amiúde são simples meios de que se utiliza a Providência, para lhe experimentar a
constância, a paciência e a firmeza.” (534)
Se é certo que a Civilização multiplica as necessidades, também o é que multiplica as fontes de
trabalho e os meios de viver. Forçoso, porém, é convir em que, a tal respeito, muito ainda lhe
resta fazer. Quando ela houver concluído a sua obra, ninguém deverá haver que possa queixar-
se de lhe faltar o necessário, a não ser por própria culpa. A desgraça, para muitos, provém de
enveredarem por uma senda diversa da que a Natureza lhes traça. É então que lhes falece a
inteligência para o bom êxito. Para todos há lugar ao Sol, mas com a condição de que cada um
ocupe o seu e não o dos outros. A Natureza não pode ser responsável pelos defeitos da
organização social, nem pelas conseqüências da ambição e do amor-próprio.
Fora preciso, entretanto, ser-se cego, para se não reconhecer o progresso que, por esse lado,
têm feito os povos mais adiantados. Graças aos louváveis esforços que, juntas, a Filantropia e a
Ciência não cessam de despender para melhorar a condição material dos homens e mau grado
ao crescimento incessante das populações, a insuficiência da produção se acha atenuada, pelo
menos em grande parte, e os anos mais calamitosos do presente não se podem de modo algum
comparar aos de outrora. A higiene pública, elemento tão essencial da força e da saúde, a
higiene pública, que nossos pais não conheceram, é objeto de esclarecida solicitude. O
infortúnio e o sofrimento encontram onde se refugiem. Por toda parte a Ciência contribui para
acrescer o bem-estar. Poder-se-á dizer que já se haja chegado à perfeição? Oh! Não,
certamente; mas, o que já se fez deixa prever o que, com perseverança, se logrará conseguir,
se o homem se mostrar bastante avisado para procurar a sua felicidade nas coisas positivas e
sérias e não em utopias que o levam a recuar em vez de fazê-lo avançar.
708. Não há situações em as quais os meios de subsistência de maneira alguma
dependem da vontade do homem, sendo-lhe a privação do de que mais
imperiosamente necessita uma conseqüência da força mesma das coisas?
“É isso uma prova, muitas vezes cruel, que lhe compete sofrer e à qual sabia ele de antemão
que viria a estar exposto. Seu mérito então consiste em submeter-se à vontade de Deus, desde
que a sua inteligência nenhum meio lhe faculta de sair da dificuldade. Se a morte vier colhê-lo,
cumpre-lhe recebê-la sem murmurar, ponderando que a hora da verdadeira libertação soou e
que o desespero no derradeiro momento pode ocasionar-lhe a perda do fruto de toda a sua
resignação. ”
709. Terão cometido crime os que, em certas situações críticas, se viram na
contingência de sacrificar seus semelhantes, para matar a fome? Se houve crime, não
teve este a atenuá-lo a necessidade de viver, que resulta do instinto de conservação?
“Já respondi, quando disse que há mais merecimento em sofrer todas as provações da vida
com coragem e abnegação. Em tal caso, há homicídio e crime de lesa-natureza, falta que é
duplamente punida.”
“Têm, mas seus alimentos estão em relação com a sua natureza. Tais alimentos não seriam
bastante substanciosos para os vossos estômagos grosseiros; assim como os deles não
poderiam digerir os vossos alimentos.”
Gozo dos bens terrenos
711. O uso dos bens da Terra é um direito de todos os homens?

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“Esse direito é conseqüente da necessidade de viver. Deus não imporia um dever sem dar ao
homem o meio de cumpri-lo.”
712. Com que fim pôs Deus atrativos no gozo dos bens materiais?
“Para instigar o homem ao cumprimento da sua missão e para experimentá-lo por meio da
tentação.”
a) - Qual o objetivo dessa tentação?
“Desenvolver-lhe a razão, que deve preservá-lo dos excessos.”
Se o homem só fosse instigado a usar dos bens terrenos pela utilidade que têm, sua indiferença
houvera talvez comprometido a harmonia do Universo. Deus imprimiu a esse uso o atrativo do
prazer, porque assim é o homem impelido ao cumprimento dos desígnios providenciais. Mas,
além disso, dando àquele uso esse atrativo, quis Deus também experimentar o homem por
meio da tentação, que o arrasta para o abuso, de que deve a razão defendê-lo.
713. Traçou a Natureza limites aos gozos?
“Traçou, para vos indicar o limite do necessário. Mas, pelos vossos excessos, chegais à
saciedade e vos punis a vós mesmos.”
714. Que se deve pensar do homem que procura nos excessos de todo gênero o
requinte dos gozos?
“Pobre criatura! Mais digna é de lástima que de inveja, pois bem perto está da morte!”
a) - Perto da morte física, ou da morte moral?
“De ambas.”
O homem, que procura nos excessos de todo gênero o requinte do gozo, coloca-se abaixo do
bruto, pois que este sabe deter-se, quando satisfeita a sua necessidade, Abdica da razão que
Deus lhe deu por guia e quanto maiores forem seus excessos, tanto maior preponderância
confere ele à sua natureza animal sobre a sua natureza espiritual. As doenças, são, ao mesmo
tempo, o castigo à transgressão da lei de Deus.
Necessário e supérfluo
715. Como pode o homem conhecer o limite do necessário?
“Aquele que é ponderado o conhece por intuição. Muitos só chegam a conhecê-lo por
experiência e à sua própria custa.”
716. Mediante a organização que nos deu, não traçou a Natureza o limite das nossas
necessidades?
“Sem dúvida, mas o homem é insaciável. Por meio da organização que lhe deu, a Natureza lhe
traçou o limite das necessidades; porém, os vícios lhe alteraram a constituição e lhe criaram
necessidades que não são reais.”
717. Que se há de pensar dos que açambarcam os bens da Terra para se
proporcionarem o supérfluo, com prejuízo daqueles a quem falta o necessário?
“Olvidam a lei de Deus e terão que responder pela privações que houverem causado aos
outros.”
Nada tem de absoluto o limite entre o necessário e o supérfluo. A Civilização criou necessidades
que o selvagem desconhece e os Espíritos que ditaram os preceitos acima não pretendem que o
homem civilizado deva viver como o selvagem. Tudo é relativo, cabendo à razão regrar as
coisas. A Civilização desenvolve o senso moral e, ao mesmo tempo, o sentimento de caridade,
que leva os homens a se prestarem mútuo apoio. Os que vivem à custa das privações dos
outros exploram, em seu proveito, os benefícios da Civilização. Desta têm apenas o verniz,
como muitos há que da religião só têm a máscara.
Privações voluntárias. Mortificações
718. A lei de conservação obriga o homem a prover às necessidades do corpo?
“Sim, porque, sem força e saúde, impossível é o trabalho.”
719. Merece censura o homem, por procurar o bem-estar?
“É natural o desejo do bem-estar. Deus só proíbe o abuso, por ser contrário à conservação. Ele
não condena a procura do bem-estar, desde que não seja conseguido à custa de outrem e não
venha a diminuir-vos nem as forças físicas, nem as forças morais.”
720. São meritórias aos olhos de Deus as privações voluntárias, com o objetivo de
uma expiação igualmente voluntária?
“Fazei o bem aos vossos semelhantes e mais mérito tereis.”
a) - Haverá privações voluntárias que sejam meritórias?
“Há: a privação dos gozos inúteis, porque desprende da matéria o homem e lhe eleva a alma.
Meritório é resistir à tentação que arrasta ao excesso ou ao gozo das coisas inúteis; é o homem

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tirar do que lhe é necessário para dar aos que carecem do bastante. Se a privação não passar
de simulacro, será uma irrisão.”
721. É meritória, de qualquer ponto de vista, a vida de mortificações ascéticas4 que
desde a mais remota antigüidade teve praticantes no seio de diversos povos?
“Procurai saber a quem ela aproveita e tereis a resposta. Se somente serve para quem a
pratica e o impede de fazer o bem, é egoísmo, seja qual for o pretexto com que entendam de
colori-la. Privar-se a si mesmo e trabalhar para os outros, tal a verdadeira mortificação,
segundo a caridade cristã.”
722. Será racional a abstenção de certos alimentos, prescrita a diversos povos?
“Permitido é ao homem alimentar-se de tudo o que lhe não prejudique a saúde. Alguns
legisladores, porém, com um fim útil, entenderam de interdizer o uso de certos alimentos e,
para maior autoridade imprimirem às suas leis, apresentaram-nas como emanadas de Deus.”
723. A alimentação animal é, com relação ao homem, contrária à lei da Natureza?
“Dada a vossa constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece. A lei
de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para
cumprir a lei do trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar conforme o reclame a sua
organização.”
724. Será meritório abster-se o homem da alimentação animal, ou de outra qualquer,
por expiação?
“Sim, se praticar essa privação em benefício dos outros. Aos olhos de Deus, porém, só há
mortificação, havendo privação séria e útil. Por isso é que qualificamos de hipócritas os que
apenas aparentemente se privam de alguma coisa.” (720)
725. Que se deve pensar das mutilações operadas no corpo do homem ou dos
animais?
“A que propósito, semelhante questão? Ainda uma vez: inquiri sempre vós mesmos se é útil
aquilo de que porventura se trate. A Deus não pode agradar o que seja inútil e o que for nocivo
Lhe será sempre desagradável. Porque, ficai sabendo, Deus só é sensível aos sentimentos que
elevam para Ele a alma. Obedecendo-Lhe à lei e não a violando é que podereis forrar-vos ao
jugo da vossa matéria terrestre.”
726. Visto que os sofrimentos deste mundo nos elevam, se os suportarmos
devidamente, dar-se-á que também nos elevam os que nós mesmos nos criamos?
“Os sofrimentos naturais são os únicos que elevam, porque vêm de Deus. Os sofrimentos
voluntários de nada servem, quando não concorrem para o bem de outrem. Supões que se
adiantam no caminho do progresso os que abreviam a vida, mediante rigores sobre-humanos,
como o fazem os bonzos5, os faquires6 e alguns fanáticos de muitas seitas? Por que de
preferência não trabalham pelo bem de seus semelhantes? Vistam o indigente; consolem o que
chora; trabalhem pelo que está enfermo; sofram privações para alívio dos infelizes e então suas
vidas serão úteis e, portanto, agradáveis a Deus. Sofrer alguém voluntariamente, apenas por
seu próprio bem, é egoísmo; sofrer pelos outros é caridade: tais os preceitos do Cristo.”
727. Uma vez que não devemos criar sofrimentos voluntários, que nenhuma utilidade
tenham para outrem, deveremos cuidar de preservar-nos dos que prevejamos ou nos
ameacem?
“Contra os perigos e os sofrimentos é que o instinto de conservação foi dado a todos os seres.
Fustigai o vosso espírito e não o vosso corpo, mortificai o vosso orgulho, sufocai o vosso
egoísmo, que se assemelha a uma serpente a vos roer o coração, e fareis muito mais pelo
vosso adiantamento do que infligindo-vos rigores que já não são deste século.”

Causas do temor da morte – Parte 1ª, Cap. II, Itens 1 a 9.


( Livro: O Céu e o Inferno –Allan Kardec )

1 - O homem, seja qual for a escala de sua posição social, desde selvagem tem o
sentimento inato do futuro; diz-lhe a intuição que a morte não é a última fase da existência e
que aqueles cuja perda lamentamos não estão irremissivelmente perdidos.
A crença da imortalidade é intuitiva e muito mais generalizada do que a do nada.
Entretanto, a maior parte dos que nele crêem apresentam-se-nos possuídos de
grande amor às coisas terrenas e temerosos da morte! Por quê?
2. - Este temor é um efeito da sabedoria da Providência e uma conseqüência do
instinto de conservação comum a todos os viventes. Ele é necessário enquanto não se está
suficientemente esclarecido sobre as condições da vida futura, como contrapeso à tendência

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que, sem esse freio, nos levaria a deixar prematuramente a vida e a negligenciar o trabalho
terreno que deve servir ao nosso próprio adiantamento.
Assim é que, nos povos primitivos, o futuro é uma vaga intuição, mais tarde
tornada simples esperança e, finalmente, uma certeza apenas atenuada por secreto pego à vida
corporal.
3 - A proporção que o homem compreende melhor a vida futura, o temor da morte
diminui; uma vez esclarecida a sua missão terrena, aguarda-lhe o fim calma, resignada e
serenamente. A certeza da vida futura dá-lhe outro curso às idéias, outro fito ao trabalho;
antes dela nada que se não prenda ao presente; depois dela tudo pelo futuro sem desprezo do
presente, porque sabe que aquele depende da boa ou da má direção deste.
A certeza de reencontrar seus amigos depois da morte, de reatar as relações que tivera
na Terra, de não perder um só fruto do seu trabalho, de engrandecer-se incessantemente em
inteligência, perfeição, dá-lhe paciência para esperar e coragem para suportar as fadigas
transitórias da vida terrestre. A solidariedade entre vivos e mortos faz-lhe compreender a que
deve existir na Terra, onde a fraternidade e a caridade têm desde então um fim e uma razão de
ser, no presente como no futuro.
4. - Para libertar-se do temor da morte é mister poder encará-la sob o seu verdadeiro
ponto de vista, isto é, ter penetrado pelo pensamento no mundo espiritual, fazendo dele uma
idéia tão exata quanto possível, o que denota da parte do Espírito encarnado um tal ou qual
desenvolvimento e aptidão para desprender-se da matéria.
No Espírito atrasado a vida material prevalece sobre a espiritual. Apegando-se às
aparências, o homem não distingue a vida além do corpo, esteja embora na alma a vida real;
aniquilado aquele, tudo se lhe afigura perdido, desesperador.
Se, ao contrário, concentrarmos o pensamento, não no corpo, mas na alma, fonte da
vida, ser real a tudo sobrevivente, lastimaremos menos a perda do corpo, antes fonte de
misérias e dores. Para isso, porém, necessita o Espírito de uma força só adquirível na
madureza.
O temor da morte decorre, portanto, da noção insuficiente da vida futura, embora
denote também a necessidade de viver e o receio da destruição total; igualmente o estimula
secreto anseio pela sobrevivência da alma, velado ainda pela incerteza.
Esse temor decresce, à proporção que a certeza aumenta, e desaparece quando esta é
completa.
Eis aí o lado providencial da questão. Ao homem não suficientemente esclarecido, cuja
razão mal pudesse suportar a perspectiva muito positiva e sedutora de um futuro melhor,
prudente seria não o deslumbrar com tal idéia, desde que por ela pudesse negligenciar o
presente, necessário ao seu adiantamento material e intelectual.
5 - Este estado de coisas é entretido e prolongado por causas puramente humanas, que
o progresso fará desaparecer. A primeira é a feição com que se insinua a vida futura, feição que
poderia contentar as inteligências pouco desenvolvidas, mas que não conseguiria satisfazer a
razão esclarecida dos pensadores refletidos. Assim, dizem estes: "Desde que nos apresentam
como verdades absolutas princípios contestados pela lógica e pelos dados positivos da Ciência,
é que eles não são verdades." Daí, a incredulidade de uns e a crença dúbia de um grande
número.
A vida futura é-lhes uma idéia vaga, antes uma probabilidade do que certeza absoluta;
acreditam, desejariam que assim fosse, mas apesar disso exclamam: "Se todavia assim não
for! O presente é positivo, ocupemo-nos dele primeiro, que o futuro por sua vez virá" E depois,
acrescentam, definitivamente que é a alma? Um ponto, um átomo, uma faísca, uma chama?
Como se sente, vê ou percebe? E que a alma não lhes parece uma realidade efetiva, mas uma
abstração.
Os entes que lhes são caros, reduzidos ao estado de átomos no seu modo de pensar,
estão perdidos, e não têm mais a seus olhos as qualidades pelas quais se lhes fizeram amados;
não podem compreender o amor de uma faísca nem o que a ela possamos ter. Quanto a si
mesmos, ficam mediocremente satisfeitos com a perspectiva de se transformarem em
mônadas7. Justifica-se assim a preferência ao positivismo da vida terrestre, que algo possui de
mais substancial.
É considerável o número dos dominados por este pensamento.
6 - Outra causa de apego às coisas terrenas, mesmo nos que mais firmemente crêem na
vida futura, é a impressão do ensino que relativamente a ela se lhes há dado desde a infância.

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Convenhamos que o quadro pela religião esboçado, sobre o assunto, é nada sedutor e ainda
menos consolatório.
De um lado, contorções de condenados a expiarem em torturas e chamas eternas os
erros de uma vida efêmera e passageira. Os séculos sucedem-se aos séculos e não há para tais
desgraçados sequer o lenitivo de uma esperança e, o que mais atroz é, não lhes aproveita o
arrependimento. De outro lado, as almas combalidas e aflitas do purgatório aguardam a
intercessão dos vivos que orarão ou farão orar por elas, sem nada fazerem de esforço próprio
para progredirem.
Estas duas categorias compõem a maioria imensa da população de além-túmulo. Acima
delas, paira a limitada classe dos eleitos, gozando, por toda a eternidade, da beatitude
contemplativa. Esta inutilidade eterna, preferível sem dúvida ao nada, não deixa de ser de uma
fastidiosa monotonia. É por isso que se vê, nas figuras que retratam os bem-aventurados,
figuras angélicas onde mais transparece o tédio que a verdadeira felicidade.
Este estado não satisfaz nem as aspirações nem a instintiva idéia de progresso, única
que se afigura compatível com a felicidade absoluta. Custa crer que, só por haver recebido o
batismo, o selvagem ignorante - de senso moral obtuso -, esteja ao mesmo nível do homem
que atingiu, após longos anos de trabalho, o mais alto grau de ciência e moralidade práticas.
Menos concebível ainda é que a criança falecida em tenra idade, antes de ter consciência de
seus atos, goze dos mesmos privilégios somente por força de uma cerimônia na qual a sua
vontade não teve parte alguma.
Estes raciocínios não deixam de preocupar os mais fervorosos crentes, por pouco que
meditem.
7 - Não dependendo a felicidade futura do trabalho progressivo na Terra, a facilidade
com que se acredita adquirir essa felicidade, por meio de algumas práticas exteriores, e a
possibilidade até de a comprar a dinheiro, sem regeneração de caráter e costumes, dão aos
gozos do mundo o melhor valor.
Mais de um crente considera, em seu foro íntimo, que assegurado o seu futuro pelo
preenchimento de certas fórmulas ou por dádivas póstumas, que de nada o privam, seria
supérfluo impor-se sacrifícios ou quaisquer incômodos por outrem, uma vez que se consegue a
salvação trabalhando cada qual por si.
Seguramente, nem todos pensam assim, havendo mesmo muitas e honrosas exceções;
mas não se poderia contestar que assim pensa o maior número, sobretudo das massas pouco
esclarecidas, e que a idéia que fazem das condições de felicidade no outro mundo não
entretenha o apego aos bens deste, acoroçoando o egoísmo.
8 - Acrescentemos ainda a circunstância de tudo nas usanças concorrer para lamentar a
perda da vida terrestre e temer a passagem da Terra ao céu. A morte é rodeada de cerimônias
lúgubres, mais próprias a infundirem terror do que a provocarem a esperança. Se descrevem a
morte, é sempre com aspecto repelente e nunca como sono de transição; todos os seus
emblemas lembram a destruição do corpo, mostrando-o hediondo e descarnado; nenhum
simboliza a alma desembaraçando-se radiosa dos grilhões terrestres. A partida para esse
mundo mais feliz só se faz acompanhar do lamento dos sobreviventes, como se imensa
desgraça atingira os que partem; dizem-lhes eternos adeuses como se jamais devessem revê-
los. Lastima-se por eles a perda dos gozos mundanos, como se não fossem encontrar maiores
gozos no além-túmulo. Que desgraça, dizem, morrer tão jovem, rico e feliz, tendo a
perspectiva de um futuro brilhante! A idéia de um futuro melhor apenas toca de leve o
pensamento, porque não tem nele raízes. Tudo concorre, assim, para inspirar o terror da
morte, em vez de infundir esperança.
Sem dúvida que muito tempo será preciso para o homem se desfazer desses
preconceitos, o que não quer dizer que isto não suceda, à medida que a sua fé se for firmando,
a ponto de conceber uma idéia mais sensata da vida espiritual.
9 - Demais, a crença vulgar coloca as almas em regiões apenas acessíveis ao
pensamento, onde se tornam de alguma sorte estranhas aos vivos; a própria Igreja põe entre
umas e outras uma barreira insuperável, declarando rotas todas as relações e impossível
qualquer comunicação. Se as almas estão no inferno, perdida é toda a esperança de as rever, a
menos que lá se vá ter também; se estão entre os eleitos, vivem completamente absortas em
contemplativa beatitude. Tudo isso interpõe entre mortos e vivos uma distância tal que faz
supor eterna a separação, e é por isso que muitos preferem ter junto de si, embora sofrendo,
os entes caros, antes que vê-los partir, ainda mesmo que para o céu.

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E a alma que estiver no céu será realmente feliz vendo, por exemplo, arder eternamente
seu filho, seu pai, sua mãe ou seus amigos?

O Grande Futuro
( Livro: Pão Nosso - Espirito, Emmanuel – Chico Xavier )

“Mas agora o meu reino não é daqui” – Jesus. (JOÃO, CAPÍTULO 18, VERSÍCULO 36.)

Desde os primórdios do Cristianismo, observamos aprendizes que se retiram


deliberadamente do mundo, alegando que o Reino do Senhor não pertence à Terra.
Ajoelham-se, por tempo indeterminado, nas casas de adoração, e acreditam efetuar na
fuga a realização da santidade.
Muitos cruzam os braços à frente dos serviços de regeneração e, quando interrogados,
expressam revolta pelos quadros chocantes que a experiência terrena lhes oferece, reportando-
se ao Cristo, diante de Pilatos, quando o Mestre asseverou que o seu reino ainda não se
instalara nos círculos da luta humana.
No entanto, é justo ponderar que o Cristo não deserdou o planeta.
A palavra dEle não afiançou a negação absoluta da felicidade celeste para a Terra, mas
apenas definiu a paisagem então existente, sem esquecer a esperança no porvir.
O Mestre esclareceu: – “Mas agora o meu reino não é daqui.”
Semelhante afirmativa revela-lhe a confiança.
Jesus, portanto, não pode endossar a falsa atitude dos operários em desalento, tão-só
porque a sombra se fez mais densa em torno de problemas transitórios ou porque as feridas
humanas se fazem, por vezes, mais dolorosas. Tais ocorrências, muita vez, obedecem a pura
ilusão visual.
A atividade divina jamais cessa e justamente no quadro da luta benéfica é que o
discípulo insculpirá a própria vitória.
Não nos cabe, pois, a deserção8 pela atitude contemplativa e, sim, avançar,
confiantemente, para o grande futuro.

Perguntas

01 – Por que é importante termos uma idéia clara e precisa a respeito da vida futura?
02 – O que ocorre com as pessoas que concentram todos os seus esforços e
pensamentos na vida terrena?
03 – Quando damos mostra de nosso apego aos bens e valores terrenos?
04 – Por que ocorrem tais situações?
05 – O que sucede ao que encara a vida terrestre do ponto de vista da vida futura?
06 – Segue-se daí, então, que o homem deve suportar seus sentimentos, acomodado,
porque acredita na vida futura?
07 – A crença na vida futura faz com que as pessoas se desinteressem pela vida
material?
08 – À medida que a compreensão sobre a vida futura aumenta, de que modo as
pessoas passam a encarar os bens terrenos?

Conclusão

A crença na vida futura concita-nos a lutar com fé diante das tribulações e vicissitudes
da vida terrena, consolando-nos e nos dando a certeza de que devemos ter paciência e
serenidade, pois essas dificuldade não passam de incidentes passageiros, comparados á
grandeza e eternidade da vida espiritual.

Textos Complementares

Ler no O Evangelho Segundo o Espiritismo, no Cap. II o item 7 e 8.

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Respostas do 1º Roteiro

1º Resposta: Que ele teria reino fora dos limites do mundo físico, onde então se
encontrava; que seu reino seria espiritual, além dos interesses e das contingências do
mundo material.
“Jesus, veladamente, nos ensina que somos espíritos imortais, criados para a ventura
que só seu reino nos possibilita. A vida física é apenas um momento de aprendizado e
aperfeiçoamento, na eternidade. “

2º Resposta: Não. Jesus deixou bem claro que a verdade que ele anunciava não
poderia ser imposta pela força, nem seus discípulos o defenderiam através do
combate. Sendo um reino espiritual, suas arenas são a prática do bem, a caridade.
“Se o meu reino fosse desse mundo, minha gente houvera combatido para impedir
que eu caísse nas mãos dos judeus.”

3º Resposta: Porque dia chegará em que a paz e a fraternidade reinarão entre os


homens da terra, neste momento o reino de Cristo estará instalado no planeta.
“Quando os valores espirituais se elevarem acima dos interesses puramente
materiais, o homem conhecerá, ainda na Terra, o reino anunciado pelo Cristo.”

4º Resposta: Para dar, conforme Ele mesmo diz, testemunho da verdade, ou seja,
para orientar a humanidade sobre as leis de Deus, possibilitando-lhe o esclarecimento
necessário ao progresso espiritual.
“Jesus veio à Terra para instruir a humanidade sobre a lei do amor, que resume por
inteiro a lei de Deus, e sobre o destino eterno do homem, conquistado a cada dia pela
prática do bem.”

5º Resposta: Que a mensagem que Ele veio anunciar seria ouvida pelos corações
simples e humildes, desprovidos de orgulho e vaidade, pois estes sentimentos
afastam o homem da verdade e o distanciam de Deus.
“A verdade do homem é sua condição de espírito; e o verdadeiro sentido da vida
material é auxiliá-lo a progredir, pelo esclarecimento e a prática da caridade.”

6º Resposta: Uma vida que transcende os limites da existência material e continua


além da morte do corpo físico. Esta vida, de natureza espiritual, tem início quando
estamos na Terra, preparando nosso amanhã, pela prática constante do bem, e
continua por toda a eternidade.
“Jesus se refere à vida futura como “a meta que a humanidade irá ter e como
devendo constituir objeto das maiores preocupações do homem na Terra.”
(Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap II – item 2)”

7º Resposta: Não. Embora a doutrina do Cristo seja rica de conteúdo moral, facilitador
da harmonia entre os homens, ela só pode ser claramente entendida e interpretada à
luz da imortalidade da alma. Somente este dogma pode explicar a existência de
homens ditosos e infelizes, e mesmo assim assegurar a compreensão da misericórdia
e justiça divina.
“A vida futura tem de ser o ponto de mira de todos os homens, “só ela explica todas
as anomalias da vida terrena e se mostra de acordo com a justiça de Deus.”

8º Resposta: A certeza da vida futura onde, de acordo, com as nossas ações voltadas
ao bem, teremos acesso ao reino de paz e amor, por Ele anunciado.
“O nosso futuro começa a cada dia, pela prática das boas obras, do estudo e da prece,
orientados pelo Evangelho de Jesus.”

*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O Espiritismo’, Da editora Boa
Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.

16
Glossário

1 – vicissitudes
: sucessão de mudanças ou de alternâncias
: sequência de coisas que se sucedem
: variação decorrente de tais mudanças
: instabilidade que conduz à imprevisibilidade; eventualidade, acaso
: condição que contraria ou é desfavorável a algo ou alguém; insucesso, revés
2 – esfalfam – esfalfar
: cansar(-se), fatigar(-se), extenuar(-se) devido a trabalho, esforço excessivo ou doença
3 – intermitências
: qualidade do que é intermitente = em que ocorrem interrupções; que cessa e recomeça por intervalos;
intervalado, descontínuo
4 – ascética = asceta
: antes da instituição dos mosteiros, devoto dedicado a orações, privações e mortificações, sem ter pronunciado
votos
5 – bonzos
: processo psicológico causado pela desculturação, que levava os negros africanos escravizados, transportados
para terras distantes, a um estado inicial de forte excitação, seguido de ímpetos de destruição e depois de
uma nostalgia profunda, que induzia à apatia, à inanição e, por vezes, à loucura ou à morte
6 – faquires
: Os faquires são ascetas mendicantes indianos da religião muçulmana, que se submetem às piores flagelações
sem dar qualquer sinal de sensibilidade. Essas pessoas possuem a capacidade de andar sobre brasas, deitar em
camas de prego, atravessar o corpo com longas agulhas, reduzir o batimento cardíaco e interromper (pelo menos
aparentemente) o batimento cardíaco.
7 – mônadas
: Mónade, termo normalmente vertido por mónada ou mônada, é um conceito-chave na filosofia de Leibniz. No
sistema filosófico deste autor, significa substância simples - Como tal, faz parte dos compostos, sendo ela
própria sem partes e portanto, indissolúvel e indestrutível.
8 - deserção
: abandono de lugar que se frequentava por compromisso ou afinidade

Anotações

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Objetivos

Aprofundar a compreensão dos ensinamentos de Jesus contidos nesta passagem,


identificando o Universo como a casa do Pai e relacionando os diferentes mundos e os diversos
estados de ventura ou dor que o espírito experimenta, como as diferentes moradas.

Diferentes Estados da Alma na Erraticidade


1 – Não se turbe o vosso coração. Crede em Deus, crede também em mim. – Há muitas
moradas na casa de meu pai. Se assim não fosse, eu vo-lo teria dito; pois vou preparar-vos o
lugar. E depois que eu me for, e vos aparelhar o lugar, virei outra vez e tomar-vos-ei para
mim, para que lá onde estiver, estejais vós também. (João, XIV:1-3).
2 – A Casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no
espaço infinito, oferecendo aos Espíritos desencarnados estações apropriadas ao seu
adiantamento.
Independentemente da diversidade dos mundos, essas palavras podem também ser
interpretadas pelo estado feliz dos Espíritos na erraticidade. Conforme for ele mais ou menos
puro e liberto das atrações materiais, o meio em que estiver, o aspecto das coisas, as
sensações que experimentar, as percepções que possuir, tudo isso varia ao infinito. Enquanto
uns, por exemplo, não podem afastar-se do meio em que viveram, outros se elevam e
percorrem o espaço e os mundos. Enquanto certos Espíritos culpados erram nas trevas, os
felizes gozam de uma luz resplandecente e do sublime espetáculo do infinito. Enquanto, enfim,
o malvado, cheio de remorsos e pesares, freqüentemente só, sem consolações, separado dos
objetos da sua afeição, geme sob a opressão dos sofrimentos morais, o justo, junto aos que
ama, goza de uma indizível felicidade. Essas também são, portanto, diferentes moradas,
embora não localizadas nem circunscritas.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

No Reino da Construção
( Livro: Livro Da Esperança – Espirito, Emmanuel – Chico Xavier)

“Na casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, já eu vo-lo teria dito,
pois me vou para vos preparar o lugar.” - JESUS -JOAO, 14: 2.

“Entretanto, nem todos os Espíritos que encarnam na Terra vão para ai em expiação-.1 Cap.
111, 14.
Escutaste o pessimismo que se esmera em procurar as deficiências da Humanidade, como
quem se demora deliberadamente nas arestas agressivas do mármore de obra-prima inacabada
e costumas dizer que a Terra está perdida.
Observa, porém, as multidões que se esforçam silenciosamente pela santificação do
porvir.

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Compulsaste1 as folhas da imprensa, lendo a história do autor de homicídio lamentável e
sob a extrema revolta, trouxeste ao labirinto das opiniões contraditórias a tua própria versão do
acontecimento, asseverando que estamos todos no teatro do crime.
Recorda, contudo, os milhões de pais e mães, tocados de abnegação e heroísmo, que
abraçam todos os sacrifícios no lar para que a delinqüência desapareça.
Conheceis jovens que se transviaram. na leviandade, desvairando-se em golpes de
selvageria e loucura e, examinando acremente determinados sucessos que devem estar
catalogados na patologia da mente, admites que a juventude moderna se encontra em
adiantado processo de desagregação do caráter.
Relaciona, todavia, os milhões de rapazes e meninas, debruçados sobre livros e
máquinas, através do labor e do estudo, em muitas circunstâncias imolando o próprio corpo à
fadiga precoce, para integrarem dignamente a legião do progresso.
Sabes que há companheiros habituados aos prazeres noturnos e, ao vê-los comprando o
próprio desgaste a prego de ouro, acreditas que toda a comunidade humana jaz entregue à
demência e ao desperdício.
Reflete, entretanto, nos milhões de cérebros e braços que atravessam a noite, no recinto
das fábricas e junto dos linotipos2, em hospitais e escritórios, nas atividades da limpeza e da
vigilância, de modo a que a produção e a cultura, a saúde e a tranqüilidade do povo sejam
asseguradas.
Marcaste o homem afortunado que enrijeceu mãos e bolsos, na sovinice, e esposas a
convicção de que todas as pessoas abastadas são modelos completos; de avareza e crueldade.
Considera, no entanto, os milhões de tarefeiros do serviço e da beneficência, que
diariamente colocam o dinheiro em circulação, a fim de que os homens conheçam
a honra de trabalhar e a alegria de viver.
Não condenes a Terra pelo desequilíbrio de alguns.
Medita, em todos os que se encontram suando e sofrendo, lutando e amando, no
levantamento do futuro melhor, e reconhecerás que o Divino Construtor do Reino de Deus no
mundo está esperando também por ti.

Perante o Mundo
( Livro: Livro Da Esperança – Espirito, Emmanuel – Chico Xavier )

“Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim.” – JESUS - JOAO, 14:

“A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas São os Mundos que circulam no espaço
infinito e oferecem aos Espíritos que neles encarnam, moradas correspondentes ao
adiantamento dos mesmos Espíritos.”Cap. 111, 2.
Clamas que não encontraste a felicidade no mundo, quando o mundo, - bendita
universidade do espírito, dilapidada, por inúmeras gerações, te inclui entre aqueles de quem
espera cooperação para construir a própria felicidade.
Quando atingiste o diminuto porto do berço, com a fadiga da ave que tomba inerme,
depois de haver planado longo tempo, sobre mares enormes, conquanto chorasses,
argamassavas com teus vagidos3, a alegria e a esperança dos pais que te acolhiam,
entusiasmados e jubilosos, para seres em casa o esteio da segurança.
Alcançaste o verde refúgio da meninice embora mostrasses a inconsciência afável da
infância, foste para os mestres que te afagaram na escola a promessa viva de luz e realização
que lhes emblemava o porvir.
Chegaste ao róseo distrito da juventude e apesar da inexperiência em que se te
esfloravam todos os sonhos, os dirigentes de serviço, na profissão que abraçaste, contavam
contigo para dignificar o trabalho e clarear os caminhos.
Constituíste o lar próprio e, não obstante tateasses os domínios da responsabilidade, em
meio de flores e aspirações, espíritos, afeiçoados e amigos te aguardavam generoso concurso
para se corporificarem, na condição de teus filhos, através da reencarnação.
Penetraste os círculos da fé renovadora que te honra os anseios de perfeição espiritual e
se bem que externasses imediata necessidade de esclarecimento e socorro, companheiros de
ideal saudaram-te a presença, na certeza de teu apoio ao levantamento das iniciativas mais
nobres.

19
Casa que habitas, campo que lavras, plano que arquitetas e obras que edificas solicitam-
te paz e trabalho. Amigos que te ouvem rogam-te bom amimo.
Doentes que te buscam suspiram por melhoras.
Criaturas que te rodeiam pedem-te amparo e compreensão para que lhes acrescentes a
coragem.
Cousas que te cercam requisitam-te proteção e entendimento para que se lhes aprimore
o dom de servir.
Tudo é ansiosa expectativa, ao redor de teus passos.
Não maldigais a Terra que te abençoa.
Afirmas que esperas, em vão, pelo auxílio do mundo... Entretanto é o mundo que espera
confiantemente por ti.

Coração Puro
( Livro: Palavra de Vida Eterna – Emmanuel, Espírito – Chico Xavier )

“Não se turbe o vosso coração...”- Jesus (JOÃO, 14:1.)

Guarda contigo o coração nobre e puro.


Não afirmou o Senhor: -“não se vos obscureça o ambiente”, ou “não se vos ensombre o
roteiro”, porque criatura alguma na experiência terrestre poderá marchar constantemente a céu
sem nuvens.
Cada berço é início de viagem laboriosa para a alma necessitada de experiência.
Ninguém se forrará aos obstáculos.
O pretérito ominoso para a grande maioria de nós outros, os viandantes da Terra,
levantará no território de nosso próprio íntimo os fantasmas que deixamos para trás, vaguentes
e insepultos4, a se exprimirem naqueles que ferimos e injuriamos nas existências passadas e
que hoje se voltam pra nós, a feição de credores inflexíveis, solicitando reconsideração e
resgate, serviço e pagamento.
Não passarás, assim, no mundo, sem tempestades e nevoeiros, sem o fel das provas
ásperas ou sem o assédio das tentações.
Buscando o bem, jornadearás, como é justo, entre pedras e abismos, pantanais e
espinheiros.
Todavia, recomendou-nos o Mestre: - “não se turbe o vosso coração”, porque o coração
puro e intimorato é garantia de consciência limpa e reta e quem dispõe da consciência limpa e
reta vence toda perturbação e toda treva, por trazer em si mesmo a luz irradiante para o
caminho.

Tenhamos Fé
( Livro: Fonte Viva - Emmanuel, Espírito – Chico Xavier )

"..vou preparar-vos lugar." - Jesus, (JOÃO, 14:2.)

Sabia o Mestre que, até à construção do Reino Divino na Terra, quantos o


acompanhassem viveriam na condição de desajustados, trabalhando no progresso de todas as
criaturas, todavia, "sem lugar" adequado aos sublimes ideais que entesouram.
Efetivamente, o cristão leal, em toda parte, raramente recebe o respeito que lhe é
devido:
Por destoar, quase sempre, da coletividade, ainda não completamente cristianizada,
sofre a descaridosa opinião de muitos.
Se exercita a humildade, é tido à conta de covarde.
Se adota a vida simples, é acusado pelo delito de relaxamento.
Se busca ser bondoso, é categorizado por tolo.
Se administra dignamente, é julgado orgulhoso.
Se obedece quanto é justo, é considerado servil.
Se usa a tolerância, é visto por incompetente.
Se mobiliza a energia, é conhecido por cruel.
Se trabalha, devotado, é interpretado por vaidoso.
Se procura melhorar-se, assumindo responsabilidades no esforço intensivo das boas
obras ou das preleções consoladoras, é indicado por fingido.

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Se tenta ajudar ao próximo, abeirando-se da multidão, com os seus gestos de bondade
espontânea, muitas vezes é tachado de personalista e oportunista, atento aos interesses
próprios.
Apesar de semelhantes conflitos, porém, prossigamos agindo e servindo, em nome do
Senhor.
Reconhecendo que o domicílio de seus seguidores não se ergue sobre o chão do mundo,
prometeu Jesus que lhes prepararia lugar na vida mais alta.
Continuemos, pois, trabalhando com duplicado fervor na sementeira do bem, à maneira
de servidores provisoriamente distanciados do verdadeiro raro "Há muitas moradas na Casa do
Pai."
E o Cristo segue servindo, adiante de nós.
Tenhamos fé.

Perguntas

01 - Com que propósito Jesus nos disse: “Não se turbe o vosso coração?
02 - “Vou para vos preparar o lugar.” Qual o sentido desta promessa de Jesus à
humanidade?
03 - Que outra promessa nos fez Jesus nesta passagem?
04 - Como interpretar a frase de Jesus: “ Há diferentes moradas na casa de meu Pai.”
?
05 - Que outro sentido encerra esta frase do Mestre?
06 - O que se entende por “erraticidade”?
07 – Como é a existência dos espíritos que não lograram progredir e se aperfeiçoar?
08 – E os espíritos dos justos, que sensações experimentam?

Conclusão

Jesus nos prepara o lugar, mas só teremos acesso a ele quando libertados de nossas
imperfeições e, purificados pelo amor, nos reconhecemos com direito á morada celeste.

Textos Complementares

Ler no O Evangelho Segundo o Espiritismo, no Cap. III o item 3, 4 e 5.

Respostas do 2º Roteiro

1º Resposta: Porque é do conceito que dela fazemos que dependerá a nossa


compreensão e aceitação resignada das vicissitudes da vida terrena.
“O ponto de vista, sob o qual encaramos a via terrena, depende da idéia clara e
precisa que temos sobre a vida futura. “

2º Resposta: Fazem de tudo para conseguir os únicos bens que lhes parecem reais
(bens materiais) e se sentem diminuídas, sofrendo verdadeiras torturas quando se
vêem privadas dos valores e bens terrenos de que eram detentoras.
“Pelo simples fato de duvidar da vida futura, o homem dirige todos os seus
pensamentos para a vida terrestre.” “(...) a importância dada aos bens terrenos está
sempre em razão inversa à fé na vida futura.”

3º Resposta: Quando nos atormentamos facilmente diante dos incidentes da nossa


vida presente, tais como, uma decepção, uma ambição insatisfeita, uma injustiça de
que sejamos vítima, o orgulho ou a vaidade feridos por uma circunstância qualquer,
etc.
“Quando nos colocamos, pelo pensamento, na vida espiritual, as atribulações são
meros incidentes que suportamos com paciência.”

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4º Resposta: Ocorrem porque os homens interpretam a vida futura sob o ponto de
vista de sua vida corpórea. Dessa forma, o mal que os aflige e o bem que atinge os
outros tomam vastas proporções. É o que os torna infelizes.
“Àquele que se acha no interior de uma cidade, tudo lhe parece grande: assim os
homens que ocupem as altas posições, como os monumentos.”

5º Resposta: Percebe que os homens e as coisas são bem pequenos, diante da


imensidade, e os lugares e posses materiais conquistados são efêmeros e pouco os
elevarão, espiritualmente.
“Percebe, então, que grandes e pequenos estão confundidos sobre um montículo de
terra”.
6º Resposta: Não é bem assim, pois a sua felicidade decorre do esforço que fizer hoje,
por melhorar o que estiver ao seu alcance e para aceitar com resignação o que não
depende de si.
“O mérito depende de como o homem se comporta diante, ou na carência, dos bens
materiais.
“Não nos cabe, pois, a deserção pela atitude contemplativa e, sim, avançar, confiante,
para o grande futuro” (Emmanuel – Pão Nosso)”

7º Resposta: Não. Os que crêem na vida futura sabem que foram colocados na Terra
pela Providência Divina e que devem, portanto, trabalhar para melhorar todas as
coisas.
“O instinto de progresso e da conservação está nas leis da natureza, levando o
homem a se esforçar por melhorar o seu bem-estar.”

8º Resposta: Como elementos que servem para contribuir ou facilitar o seu progresso
moral, embora não de modo essencial; passam a compreender que podem usufruí-los,
sem, no entanto, deter a sua posse e, por isso mesmo, não lhes dão tanta
importância, procurando não se apegar a eles.
“Deus, conseguintemente, não condena os gozos terrenos; condena sim, o abuso
desses gozos em detrimento das coisas da alma”.

*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O Espiritismo’, Da editora Boa
Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.

Glossário

1 – compulsaste - compulsar
: manusear, folhear para consultar e/ou extrair notas, cópias, certidões, traslados etc.
2 – linotipos
: máquina que funde em bloco cada linha de caracteres tipográficos, composta de um teclado, como o da
máquina de escrever [As matrizes que compõem a linha-bloco descem do magazine onde ficam
armazenadas e, por ação do distribuidor, a ele voltam, depois de usadas, para aguardar nova
utilização.]
3 – vagidos
:1 choro da criança recém-nascida
:2 Derivação: sentido figurado.
som que se assemelha a esse choro; lamento, gemido
3 – insepulto
:não sepultado; dessepulto

Anotações

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Objetivos

Podermos ver a finalidade de encarar na Terra, nos esclarecendo sobre a destinação,


desta e as causas das misérias humanas, bem como enfocar os meios de eliminar essas
misérias.

Diferentes Estados da Alma na Erraticidade

6 – Admira-se de haver sobre a Terra tantas maldades e tantas paixões inferiores,


tantas misérias e enfermidades de toda sorte, concluindo-se que miserável coisa é a espécie
humana. Esse julgamento decorre de uma visão estreita, que dá uma falsa idéia do conjunto. È
necessário considerar que toda humanidade não se encontra na Terra, mas apenas uma
pequena fração dela. Porque a espécie humana abrange todos os seres dotados de razão, que
povoam os inumeráveis mundos do Universo. Ora, o que seria a população da Terra, diante da
população total desses mundos? Bem menos que a de um lugarejo em relação a de um grande
império. A condição material e moral da humanidade terrena nada tem, pois, de estranho, se
levarmos em conta o destino da Terra e a natureza de sua população.
7 – Faríamos uma idéia muito falsa da população de uma grande cidade, se a
julgássemos pelos moradores dos bairros mais pobres e sórdidos1. Num hospital, só vemos
doentes e estropiados; numa galé2, vemos todas as torpezas, todos os vícios reunidos; nas
regiões insalubres3, a maior parte dos habitantes são pálidos, fracos e doentes. Pois bem:
consideremos a Terra como um arrabalde4, um hospital, uma penitenciária, um pantanal,
porque ela é tudo isso a um só tempo, e compreenderemos porque as suas aflições sobrepujam
os prazeres. Porque não se enviam aos hospitais as pessoas sadias, nem às casas de correção
os que não praticam crimes, e nem os hospitais, nem as casas de correção, são lugares de
delícias.
Ora, da mesma maneira que , numa cidade, toda a população não se encontra nos
hospitais ou nas prisões, assim a humanidade inteira não se encontra na Terra. E como saímos
do hospital quando estamos curados, e da prisão quando cumprimos a pena, o homem sai da
Terra para mundos mais felizes, quando se acha curado de suas enfermidades morais.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Da Lei do Progresso – Perguntas 776 a 793


( Livro: Livro dos Espíritos – Allan Kardec )

Estado da natureza
776. Serão coisas idênticas o estado de natureza e a lei natural?
“Não, o estado de natureza é o estado primitivo. A civilização é incompatível com o
estado de natureza, ao passo que a lei natural contribui para o progresso da Humanidade.”
O estado de natureza é a infância da Humanidade e o ponto de partida do seu
Desenvolvimento intelectual e moral. Sendo perfectível e trazendo em si o gérmen do seu
aperfeiçoamento, o homem não foi destinado a viver perpetua-mente no estado de natureza,
como não o foi a viver eternamente na infância. Aquele estado é transitório para o homem, que

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dele sai por virtude do progresso e da civilização. A lei natural, ao contrário, rege a
Humanidade inteira e o homem se melhora à medida que melhor a compreende e
pratica.
777. Tendo o homem, no estado de natureza, menos necessidades, isento se acha das
tribulações que para si mesmo cria, quando num estado de maior adiantamento.
Diante disso, que se deve pensar da opinião dos que consideram aquele estado como
o da mais perfeita felicidade na Terra?
“Que queres! É a felicidade do bruto. Há pessoas que não compreendem outra. É ser feliz
à maneira dos animais. As crianças também são mais felizes do que os homens feitos.”
778. Pode o homem retrogradar para o estado de natureza?
“Não, o homem tem que progredir incessantemente e não pode volver ao estado de
infância. Desde que progride, é porque Deus assim o quer. Pensar que possa retrogradar à sua
primitiva condição fora negar a lei do progresso.”
Marcha do progresso
779. A força para progredir, haure-a5 o homem em si mesmo, ou o pro-gresso é
apenas fruto de um ensinamento?
“O homem se desenvolve por si mesmo, naturalmente. Mas, nem todos progridem
simultaneamente e do mesmo modo. Dá-se então que os mais adiantados auxiliam o progresso
dos outros, por meio do contato social.”
780. O progresso moral acompanha sempre o progresso intelectual?
“Decorre deste, mas nem sempre o segue imediatamente.” (192-365)
a) - Como pode o progresso intelectual engendrar o progresso moral?
“Fazendo compreensíveis o bem e o mal. O homem, desde então, pode escolher. O
desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a
responsabilidade dos atos.”
b) - Como é, nesse caso, que, muitas vezes, sucede serem os povos mais instruídos os
mais pervertidos também?
“O progresso completo constitui o objetivo. Os povos, porém, como os indivíduos,
só passo a passo o atingem. Enquanto não se lhes haja desenvolvido o senso moral, pode
mesmo acontecer que se sirvam da inteligência para a prática do mal. O moral e a inteligência
são duas forças que só com o tempo chegam a equilibrar-se.” (365-751)
781. Tem o homem o poder de paralisar a marcha do progresso?
“Não, mas tem, às vezes, o de embaraçá-la.”
a) - Que se deve pensar dos que tentam deter a marcha do progresso e fazer que a
Humanidade retrograde?
“Pobres seres, que Deus castigará! Serão levados de roldão pela torrente que Procuram
deter.”
Sendo o progresso uma condição da natureza humana, não está no poder do homem
opor-se-lhe. É uma força viva, cuja ação pode ser retardada, porém não anulada, por leis
humanas más. Quando estas se tornam incompatíveis com ele, despedaça-as juntamente com
os que se esforcem por mantê-las. Assim será, até que o homem tenha posto suas leis em
concordância com a justiça divina, que quer que todos participem do bem e não a vigência de
leis feitas pelo forte em detrimento do fraco.
782. Não há homens que de boa-fé obstam ao progresso, acreditando favorecê-lo,
porque, do ponto de vista em que se colocam, o vêem onde ele não existe?
“Assemelham-se a pequeninas pedras que, colocadas debaixo da roda de uma grande
viatura, não a impedem de avançar.”
783. Segue sempre marcha progressiva e lenta o aperfeiçoamento da Humanidade?
“Há o progresso regular e lento, que resulta da força das coisas. Quando, porém, um
povo não progride tão depressa quanto devera, Deus o sujeita, de tempos a tempos, a um
abalo físico ou moral que o transforma.”
O homem não pode conservar-se indefinidamente na ignorância, porque tem de atingir a
finalidade que a Providência lhe assinou. Ele se instrui pela força das coisas. As revoluções
morais, como as revoluções sociais, se infiltram nas idéias pouco a pouco; germinam durante
séculos; depois, irrompem subitamente e produzem o desmoronamento do carunchoso6 edifício
do passado, que deixou de estar em harmonia com as necessidades novas e com as novas
aspirações.
Nessas comoções, o homem quase nunca percebe senão a desordem e a confusão
momentâneas que o ferem nos seus interesses materiais. Aquele, porém, que eleva o

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pensamento acima da sua própria personalidade, admira os desígnios da Providência, que do
mal faz sair o bem. São a procela7, a tempestade que saneiam a atmosfera, depois de a terem
agitado violentamente.
784. Bastante grande é a perversidade do homem. Não parece que, pelo menos do
ponto de vista moral, ele, em vez de avançar, caminha aos recuos?
“Enganas-te. Observa bem o conjunto e verás que o homem se adianta, pois que melhor
compreende o que é mal, e vai dia a dia reprimindo os abusos. Faz-se mister que o mal chegue
ao excesso, para tornar compreensível a necessidade do bem e das reformas.”
785. Qual o maior obstáculo ao progresso?
“O orgulho e o egoísmo. Refiro-me ao progresso moral, porquanto o intelectual se efetua
sempre. À primeira vista, parece mesmo que o progresso intelectual reduplica a atividade
daqueles vícios, desenvolvendo a ambição e o gosto das riquezas, que, a seu turno, incitam o
homem a empreender pesquisas que lhe esclarecem o Espírito. Assim é que tudo se prende, no
mundo moral, como no mundo físico, e que do próprio mal pode nascer o bem. Curta, porém, é
a duração desse estado de coisas, que mudará à proporção que o homem compreender melhor
que, além da que o gozo dos bens terrenos proporciona, uma felicidade existe maior e
infinitamente mais duradoura.” (Vide: Egoísmo, cap. XII.)
Há duas espécies de progresso, que uma a outra se prestam mútuo apoio, mas que, no
entanto, não marcham lado a lado: o progresso intelectual e o progresso moral. Entre os povos
civilizados, o primeiro tem recebido, no correr deste século, todos os incentivos. Por isso
mesmo atingiu um grau a que ainda não chegara antes da época atual. Muito falta para que o
segundo se ache no mesmo nível. Entretanto, comparando-se os costumes sociais de hoje com
os de alguns séculos atrás, só um cego negaria o progresso realizado. Ora, sendo assim, por
que haveria essa marcha ascendente de parar, com relação, de preferência, ao moral, do que
com relação ao intelectual? Por que será impossível que entre o dezenove e o vigésimo quarto
século haja, a esse respeito, tanta diferença quanta entre o décimo quarto século e o século
dezenove? Duvidar fora pretender que a Humanidade está no apogeu da perfeição, o que seria
absurdo, ou que ela não é perfectível moralmente, o que a experiência desmente.
Povos degenerados
786. Mostra-nos a História que muitos povos, depois de abalos que os revolveram
profundamente, recaíram na barbaria. Onde há, neste caso, o progresso?
“Quando tua casa ameaça ruína, mandas demoli-la e constróis outra mais sólida e mais
cômoda. Mas, enquanto esta não se apronta, há perturbação e confusão na tua morada.
“Compreende mais o seguinte: eras pobre e habitavas um casebre; tornando-te rico,
deixaste-o para habitar um palácio. Então, um pobre diabo, como eras antes, vem tomar o
lugar que ocupavas e fica muito contente, porque estava sem ter onde se abrigar. Pois bem!
Aprende que os Espíritos que, encarnados, constituem o povo degenerado não são os
que o constituíam ao tempo do seu esplendor. Os de então, tendo-se adiantado, passaram para
habitações mais perfeitas e progrediram, enquanto os outros, menos adiantados, tomaram o
lugar que ficara vago e que também, a seu turno, terão um dia que deixar.”
787. Não há raças rebeldes, por sua natureza, ao progresso?
“Há, mas vão aniquilando-se corporalmente, todos os dias.”
a) - Qual será a sorte futura das almas que animam essas raças?
“Chegarão, como todas as demais, à perfeição, passando por outras existências. Deus a
ninguém deserda.”
b) - Assim, pode dar-se que os homens mais civilizados tenham sido selvagens e
antropófagos7?
“Tu mesmo o foste mais de uma vez, antes de seres o que és.”
788. Os povos são individualidades coletivas que como os indivíduos, passam pela
infância, pela idade da madureza e pela decrepitude. Esta verdade, que a História
comprova, não será de molde a fazer supor que os povos mais adiantados deste
século terão seu declínio e sua extinção, como os da antigüidade?
“Os povos, que apenas vivem a vida do corpo, aqueles cuja grandeza unicamente
assenta na força e na extensão territorial, nascem, crescem e morrem, porque a força de um
povo se exaure, como a de um homem. Aqueles, cujas leis egoísticas obstam ao progresso das
luzes e da caridade, morrem, porque a luz mata as trevas e a caridade mata o egoísmo.
Mas, para os povos, como para os indivíduos, há a vida da alma. Aqueles, cujas leis se
harmonizam com as leis eternas do Criador, viverão e servirão de farol aos outros povos.”

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789. O progresso fará que todos os povos da Terra se achem um dia reunidos,
formando uma só nação?
“Uma nação única, não; seria impossível, visto que da diversidade dos climas se
originam costumes e necessidades diferentes, que constituem as nacionalidades, tornando
indispensáveis sempre leis apropriadas a esses costumes e necessidades. A caridade, porém,
desconhece latitudes e não distingue a cor dos homens. Quando, por toda parte, a lei de Deus
servir de base à lei humana, os povos praticarão entre si a caridade, como os indivíduos. Então,
viverão felizes e em paz, porque nenhum cuidará de causar dano ao seu vizinho, nem de viver
a expensas dele.”
A Humanidade progride, por meio dos indivíduos que pouco a pouco se melhoram e
instruem. Quando estes preponderam pelo número, tomam a dianteira e arrastam os outros.
De tempos a tempos, surgem no seio dela homens de gênio que lhe dão um impulso;
vêm depois, como instrumentos de Deus, os que têm autoridade e, nalguns anos fazem-na
adiantar-se de muitos séculos.
O progresso dos povos também realça a justiça da reencarnação. Louváveis esforços
empregam os homens de bem para conseguir que uma nação se adiante, moral e
intelectualmente. Transformada, a nação será mais ditosa neste mundo e no outro, concebe-se.
Mas, durante a sua marcha lenta através dos séculos, milhares de indivíduos morrem
todos os dias. Qual a sorte de todos os que sucumbem ao longo do trajeto? Privá-los-á, a sua
relativa inferioridade da felicidade reservada aos que chegam por último? Ou também relativa
será a felicidade que lhes cabe? Não é possível que a justiça divina haja consagrado
semelhante injustiça. Com a pluralidade das existências, é igual para todos o direito à
felicidade, porque ninguém fica privado do progresso. Podendo, os que viveram ao tempo da
barbaria, voltar, na época da civilização, a viver no seio do mesmo povo, ou de outro, é claro
que todos tiram proveito da marcha ascensional.
Outra dificuldade, no entanto, apresenta aqui o sistema da unicidade das existências.
Segundo este sistema, a alma é criada no momento em que nasce o ser humano. Então,
se um homem é mais adiantado do que outro, é que Deus criou para ele uma alma mais
adiantada. Por que esse favor? Que merecimento tem esse homem, que não viveu mais do que
outro, que talvez haja vivido menos, para ser dotado de uma alma superior? Esta, porém, não
é a dificuldade principal. Se os homens vivessem um milênio, conceber-se-ia que, nesse
período milenar, tivessem tempo de progredir. Mas, diariamente morrem criaturas em todas as
idades; incessantemente se renovam na face do planeta, de tal sorte que todos os dias aparece
uma multidão delas e outra desaparece. Ao cabo de mil anos, já não há naquela nação vestígio
de seus antigos habitantes. Contudo, de bárbara, que era, ela se tornou policiada. Que foi o
que progrediu? Foram os indivíduos outrora bárbaros? Mas, esses morreram há muito tempo.
Teriam sido os recém-chegados? Mas, se suas almas foram criadas no momento em que eles
nasceram, essas almas não existiam na época da barbaria e forçoso será então admitir-se que
os esforços que se despendem para civilizar um povo têm o poder, não de melhorar almas
imperfeitas, porém de fazer que Deus crie almas mais perfeitas.
Comparemos esta teoria do progresso com a que os Espíritos apresentaram. As almas
vindas no tempo da civilização tiveram sua infância, como todas as outras, mas já tinham
vivido antes e vêm adiantadas por efeito do progresso realizado anteriormente. Vêm atraídas
por meio que lhes é simpático e que se acha em relação com o estado em que atualmente se
encontram. De sorte que, os cuidados dispensados à civilização de um povo não têm como
conseqüência fazer que, de futuro, se criem almas mais perfeitas; têm sim, o de atrair as que
já progrediram, quer tenham vivido no seio do povo que se figura, ao tempo da sua barbaria,
quer venham de outra parte. Aqui se nos depara igualmente a chave do progresso da
Humanidade inteira. Quando todos os povos estiverem no mesmo nível, no tocante ao
sentimento do bem, a Terra será ponto de reunião exclusivamente de bons Espíritos, que
viverão fraternalmente unidos. Os maus, sentindo-se aí repelidos e deslocados, irão procurar,
em mundos inferiores, o meio que lhes convém, até que sejam dignos de volver ao nosso,
então transformado. Da teoria vulgar ainda resulta que os trabalhos de melhoria social só às
gerações presentes e futuras aproveitam, sendo de resultados nulos para as gerações
passadas, que cometeram o erro de vir muito cedo e que ficam sendo o que podem ser,
sobrecarregadas com o peso de seus atos de barbaria.
Segundo a doutrina dos Espíritos, os progressos ulteriores aproveitam igualmente às
gerações pretéritas, que voltam a viver em melhores condições e podem assim aperfeiçoar-se
no foco da civilização.(222)

26
Civilização
790. É um progresso a civilização ou, como o entendem alguns filósofos, uma
decadência da Humanidade?
“Progresso incompleto. O homem não passa subitamente da infância à madureza.”
a) - Será racional condenar-se a civilização?
“Condenai antes os que dela abusam e não a obra de Deus.”
791. A civilização se depurará um dia, fazendo desaparecer os males que tenha
produzido?
“Sim, quando o moral estiver tão desenvolvido quanto a inteligência. O fruto não
pode surgir antes da flor.”
792. Por que não efetua a civilização, imediatamente, todo o bem que poderia
produzir?
“Porque os homens ainda não estão aptos nem dispostos a alcançá-lo.”
a) - Não será também porque, criando novas necessidades, suscita paixões novas?
“É, e ainda porque não progridem simultaneamente todas as faculdades do Espírito.
Tempo é preciso para tudo. De uma civilização incompleta não podeis esperar frutos perfeitos.”
(751-780)
793. Por que indícios se pode reconhecer uma civilização completa?
“Reconhecê-la-eis pelo desenvolvimento moral. Credes que estais muito adiantados,
porque tendes feito grandes descobertas e obtido maravilhosas invenções; porque vos alojais e
vestis melhor do que os selvagens. Todavia, não tereis verdadeiramente o direito de dizer-vos
civilizados, senão quando de vossa sociedade houverdes banido os vícios que a desonram e
quando viverdes como irmãos, praticando a caridade cristã. Até então, sereis apenas povos
esclarecidos, que hão percorrido a primeira fase da civilização.”
A civilização, como todas as coisas, apresenta gradações diversas. Uma civilização
incompleta é um estado transitório, que gera males especiais, desconhecidos do homem no
estado primitivo. Nem por isso, entretanto, constitui menos um progresso natural, necessário,
que traz consigo o remédio para o mal que causa. À medida que a civilização se aperfeiçoa, faz
cessar alguns dos males que gerou, males que desaparecerão todos com o progresso moral.
De duas nações que tenham chegado ao ápice da escala social, somente pode
considerar-se a mais civilizada, na legítima acepção do termo, aquela onde exista menos
egoísmo, menos cobiça e menos orgulho; onde os hábitos sejam mais intelectuais e morais do
que materiais; onde a inteligência se puder desenvolver com maior liberdade; onde haja mais
bondade, boa-fé, benevolência e generosidade recíprocas; onde menos enraizados se mostrem
os preconceitos de casta e de nascimento, por isso que tais preconceitos são incompatíveis com
o verdadeiro amor do próximo; onde as leis nenhum privilégio consagrem e sejam as mesmas,
assim para o último, como para o primeiro; onde com menos parcialidade se exerça a justiça;
onde o fraco encontre sempre amparo contra o forte; onde a vida do homem, suas crenças e
opiniões sejam melhormente respeitadas; onde exista menor número de desgraçados; enfim,
onde todo homem de boa-vontade esteja certo de lhe não faltar o necessário.

Progressão Dos Espíritos – Perguntas 114 a 117


( Livro: Livro dos Espíritos – Allan Kardec )

Progressão dos Espíritos


114. Os Espíritos são bons ou maus por natureza, ou são eles mesmos que se
melhoram?
“São os próprios Espíritos que se melhoram e, melhorando-se, passam de uma ordem
inferior para outra mais elevada.”
115. Dos Espíritos, uns terão sido criados bons e outros maus?
“Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber. A cada um deu
determinada missão, com o fim de esclarecê-los e de os fazer chegar progressivamente à
perfeição, pelo conhecimento da verdade, para aproximá-los de si. Nesta perfeição é que eles
encontram a pura e eterna felicidade. Passando pelas provas que Deus lhes impõe é que os
Espíritos adquirem aquele conhecimento. Uns aceitam submissos essas provas e chegam mais
depressa à meta que lhes foi assinada. Outros só a suportam murmurando e, pela falta em que
desse modo incorrem, permanecem afastados da perfeição e da prometida felicidade.”

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a) - Segundo o que acabais de dizer, os Espíritos, em sua origem, seriam como as
crianças, ignorantes e inexperientes, só adquirindo pouco a pouco os conhecimentos
de que carecem com o percorrerem as diferentes fases da vida?
“Sim, a comparação é boa. A criança rebelde se conserva ignorante e imperfeita. Seu
aproveitamento depende da sua maior ou menor docilidade. Mas, a vida do homem tem termo,
ao passo que a dos Espíritos se prolonga ao infinito.”
116. Haverá Espíritos que se conservem eternamente nas ordens inferiores?
“Não; todos se tornarão perfeitos. Mudam de ordem, mas demoradamente, porquanto,
como já doutra vez dissemos, um pai justo e misericordioso não pode banir seus filhos para
sempre. Pretenderias que Deus, tão grande, tão bom, tão justo, fosse pior do que vós
mesmos?”
117. Depende dos Espíritos o progredirem mais ou menos rapidamente para a
perfeição?
“Certamente. Eles a alcançam mais ou menos rápido, conforme o desejo que têm de
alcançá-la e a submissão que testemunham à vontade de Deus. Uma criança dócil não se
instrui mais depressa do que outra recalcitrante?”

Sinais dos Tempos – Capitulo XVIII, São chegados os tempos, Item 9


( Livro: A Gênese – Allan Kardec )

9 - Sim, decerto, a Humanidade se transforma, como já se transformou noutras épocas,


e cada transformação se assinala por uma crise que é, para o gênero humano, o que são, para
os indivíduos, as crises de crescimento.
Aquelas se tornam, muitas vezes, penosas, dolorosas, e arrebatam consigo as gerações
e as instituições, mas, são sempre seguidas de uma fase de progresso material e moral.
A Humanidade terrestre, tendo chegado a um desses períodos de crescimento, está em
cheio, há quase um século, no trabalho da sua transformação, pelo que a
vemos agitar-se de todos os lados, presa de uma espécie de febre e como que impelida por
invisível força. Assim continuará, até que se haja outra vez estabilizado em novas bases. Quem
a observar, então, achá-la-á muito mudada
em seus costumes, em seu caráter, nas suas leis, em suas crenças, numa palavra: em todo o
seu estado social.
Uma coisa que vos parecerá estranhável, mas que por isso não deixa de ser rigorosa
verdade, é que o mundo dos Espíritos, mundo que vos rodeia, experimenta o contrachoque de
todas as comoções que abalam o mundo dos encarnados.
Digo mesmo que aquele toma parte ativa nessas comoções. Nada tem isto de
surpreendente, para quem sabe que os Espíritos fazem corpo com a Humanidade; que eles
saem dela e a ela têm de voltar, sendo, pois, natural se interessem pelos movimentos que se
operam entre os homens. Ficai, portanto, certos de que, quando uma revolução social se
produz na Terra, abala igualmente o mundo invisível, onde todas as paixões, boas e más, se
exacerbam, como entre vós. Indizível efervescência entra a reinar na coletividade dos Espíritos
que ainda pertencem ao vosso mundo e que aguardam o momento de a ele volver.
À agitação dos encarnados e desencarnados se juntam às vezes, e freqüentemente
mesmo, já que tudo se conjuga em a Natureza, as perturbações dos elementos físicos. Dá-se
então, durante algum tempo, verdadeira confusão geral, mas que passa como furacão, após o
qual o céu volta a estar sereno, e a Humanidade, reconstituída sobre novas bases, imbuída de
novas idéias, começa a percorrer nova etapa de progresso.
É no período que ora se inicia que o Espiritismo florescerá e dará frutos. Trabalhais,
portanto, mais para o futuro, do que para o presente. Era, porém, necessário que esses
trabalhos se preparassem antecipadamente, porque eles traçam as sendas da regeneração,
pela unificação e racionalidade das crenças. Ditosos os que deles aproveitam desde já. Tantas
penas se pouparão esses, quantos forem os proveitos que deles aufiram.
Doutor BARRY

Sociologia – Perguntas 55 e 56
( Livro: O Consolador – Emmanuel, Espírito – Chico Xavier )

55 – A desigualdade verificada entre as classes sociais, no universo dos bens


terrenos, perdurará nas épocas do porvir?

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A desigualdade social é o mais elevado testemunho da verdade da reencarnação,
mediante a qual cada espírito tem sua posição definida de regeneração e resgate. Nesse caso,
consideramos que a pobreza, a miséria, a guerra, a ignorância, como outras calamidades
coletivas, são enfermidades do organismo social, devido à situação de prova da quase
generalidade dos seus membros. Cessada a causa patogênica com a iluminação espiritual de
todos em Jesus Cristo; a moléstia coletiva estará eliminada dos ambientes humanos.
56 – Pode admitir-se, em Sociologia, o conceito de igualdade absoluta?
A concepção igualitária absoluta é um erro grave dos sociólogos, em qualquer
departamento da vida. A tirania política poderá tentar uma imposição nesse sentido, mas não
passará das espetaculosas uniformizações simbólicas para efeitos exteriores, porquanto o
verdadeiro valor de um homem está no seu íntimo, onde cada espírito tem sua posição definida
pelo próprio esforço. Nessa questão existe uma igualdade absoluta de direitos dos homens
perante Deus, que concede a todos os seus filhos uma oportunidade igual nos tesouros
inapreciáveis do tempo. Esses direitos são os da conquista da sabedoria e do amor, através da
vida, pelo cumprimento do sagrado dever do trabalho e do esforço individual. Eis por que cada
criatura terá o seu mapa de méritos nas sendas evolutivas, constituindo essa situação, nas
lutas planetárias, um a grandiosa progressiva em matéria de raciocínios e sentimento, em que
se elevará naturalmente todo aquele que mobilizar as possibilidades concedidas à sua
existência para o trabalho edificante da iluminação de si mesmo, nas sagradas expressões do
esforço individual.

Ciências Especializados – Perguntas 71 e 72


( Livro: O Consolador – Emmanuel, Espírito – Chico Xavier )

71 – Como julgar a posição da Terra em relação aos outros mundos?


A grandeza do plano sideral, onde se agita a comunidade dos sistemas, é demasiado
profunda para que possamos assinar-lhe a definição com os mesquinhos formulários da Terra.
No turbilhão do Infinito, o sistema planetário centralizado pelo nosso Sol é excessivamente
singelo, constituindo um aspecto muito pobre da Criação.
Basta lembrar que Capela, um dos nossos vizinhos mais próximos, é um sol 5.800 vezes maior
que o nosso astro do dia, sem esquecermos que a Terra é 1.300.000 vez menor que o nosso
Sol.
Nessas cifras grandiosas, compreendemos a extensão da nossa humildade no Universo,
apiedando-nos sinceramente da situação dos conquistadores humanos de todos os matizes, os
quais no afã de açambarcarem patrimônios materiais, nos dão a impressão de ridículos e
vaidosos polichinelos9 da vida.
72 – Existem planetas de condições piores que as da Terra?
Existem orbes que oferecem piores perspectivas de existência que o vosso e,
no que se refere a perspectivas, a Terra é um plano alegre e formoso, de aprendizado. O único
elemento que aí destoa da Natureza é justamente o homem, avassalado pelo egoísmo.
Conhecemos planetas onde os seres que os povoam são obrigados a um esforço contínuo e
penoso para aliciar os elementos essenciais à vida; outros, ainda, onde numerosas criaturas se
encontram em doloroso degredo. Entretanto, no vosso, sem que haja qualquer sacrifício de
vossa parte, tendes gratuitamente céu azul, fontes fartas, abundância de oxigênio, árvores
amigas, frutos e flores, cor e luz, em santas possibilidades de trabalho, que o homem há
renegado em todos os tempos.

Dor - Perguntas 239 a 241


( Livro: O Consolador – Emmanuel, Espírito – Chico Xavier )

239 – Entre a dor física e a dor moral, qual das duas faz vibrar mais profundamente o
espírito humano?
Podemos classificar o sofrimento do espírito como a dor realidade e o tormento físico, de
qualquer natureza, como a dor-ilusão. Em verdade, toda dor física colima o despertar da alma
para os seus grandiosos deveres, seja como expressão expiatória, como conseqüência dos
abusos humanos, ou como advertência da natureza material ao dono de um organismo.
Mas, toda dor física é um fenômeno, enquanto que a dor moral é essência. Daí a razão
por que a primeira vem e passa, ainda que se faça acompanhar das transições de morte dos

29
órgãos materiais, e só a dor espiritual é bastante grande e profunda para promover o luminoso
trabalho do aperfeiçoamento e da redenção.
240 – De algum modo, pode-se conceber a felicidade na Terra?
Se todo espírito tem consigo a noção da felicidade; é sinal que ela existe e espera as
almas em alguma parte.
Tal como sonhada pelo homem do mundo, porém, a felicidade não pode existir, por
enquanto, na face do orbe, porque, em sua generalidade, as criaturas huma-nas se encontram
intoxicadas e não sabem contemplar a grandeza das paisagens exteriores que as cercam no
planeta. Contudo, importa observar que é no globo terrestre que a criatura edifica as bases da
sua ventura real, pelo trabalho e pelo sacrifício, a caminho das mais sublimes aquisições para o
mundo divino de sua consciência.
241 – Onde há o maior auxílio para nossa redenção espiritual?
No trabalho de nossa redenção individual ou coletiva, a dor é sempre o elemento amigo
e indispensável. E a redenção de um Espírito encarnado, na Terra, consiste no resgate de todas
as dívidas, com a conseqüente aquisição de valores morais passíveis de serem conquistados
nas lutas planetárias, situação essa que eleva as personalidades espiritual a novos e mais
sublimes horizontes na vida no Infinito.

Contrastes
( Livro: O Espírito da Verdade – Ditado pelo espírito André Luiz – Chico Xavier e Waldo Vieira )

Existem contrastes exprimindo desigualdades.


Muitas criaturas encarnadas querem fugir da vida humana; contudo, as filas da
reencarnação congregam milhares de candidatos ansiosos pelo renasci-mento...
Legiões de trabalhadores se esquivam do trabalho; no entanto, sempre há multidões de
desempregados...
Numerosos alunos negligenciam os estudos; todavia, inúmeros jovens não têm qualquer
oportunidade de acesso às casas de instrução, embora o desejem ardentemente...
Existem contrastes tecendo contradições.
Tudo prova a presença do Criador no Universo; todavia, mentes recheadas de
conhecimento não crêem na Realidade Divina...
Todos podemos dar algo em favor do próximo; no entanto, muitos possuem em
abundância e nada oferecem a ninguém...
Temos a apologia da paz onipresente; contudo, extensa maioria forja a guerra dentro de
si mesma...
Existem contrastes gravando ensinamentos.
Há direitos idênticos e deveres semelhantes; contudo, há vontades diferentes,
experiências diversas e méritos desiguais...
A caridade mais oculta aos homens é, no entanto, a mais conhecida por Deus...
A vida humana constitui cópia imperfeita da Vida Espiritual; todavia, a perfeição das
grandes Almas desencarnadas da Terra foi adquirida no solo rude do planeta...
André Luiz
Perguntas

01 – Por que são marcantes, ainda, as misérias humanas?


02 – Terá Deus nos criado apenas para o sofrimento?
03 – Qual a finalidade de estar na Terra?
04 – Como fazer para apresar a cura de nossas enfermidades morais ?
05 – Estamos destinado a reencarnar indefinidamente na Terra?
06 – A felicidade existe? Como conquista-la?

Conclusão

A Terra é uma escola da fraternidade e de reparação. Nela habitam espíritos ainda


endividados com a Providência Divina e que ai encontram meios para se corrigir, através do
sofrimento regenerador e do esforço em dominar sua más tendências – causa das misérias
humanas.

30
Textos Complementares

Leem os itens; 8, 9, 10, 11, 12 – Mundos superiores e inferiores; 13, 14, 15 – Mundos
de expiações e de provas; 16, 17, 18 – Mundos Regeneradores e 19 – Progressão dos mundos,
do capitulo III do O Evangelho Segundo o Espiritismo,
Leem também as perguntas do Livro dos Espíritos de números; 192, 222, 365, 375, 751,
780, capitulo 12, item 3, do egoísmo.

Respostas do 3º Roteiro

1º Resposta: Sabendo quanto preocupa e atemoriza o homem a idéia da própria


morte, e como é grande a dor que sente aquele que se separa de um ente amado pela
desencarnação, Jesus nos aconselha a serenidade e a resignação, pois o espírito vive
sempre, ainda que não o possamos ver.
“Não se turbe o vosso coração, diz-nos Jesus, mostrando-nos que, além das fronteiras
do mundo físico, nos aguardam a paz e a bem-aventurança, reservadas aos que
observam as leis de Deus.”

2º Resposta: Jesus nos acena com a pátria espiritual de paz e felicidade, sem as
constrições e os sofrimentos da Terra; é o lugar reservado aos que vivem em
consonância com a lei de Deus.
“O lugar de que nos fala Jesus é a morada dos justos e não tem determinação
geográfica, pois o Universo é infinito, como infinito é o número de espíritos que o
habitam.”

3º Resposta: A de nos conduzir para este lugar onde, com Ele, compartilharemos da
felicidade plena que só os judeus experimentam.
“Depois que me tenha ido e que vos houver preparado o lugar, voltarei e vos retirarei
para mim, a fim de que onde eu estiver, também vós ai estejais.”

4º Resposta: A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que


circulam no espaço infinito e oferecem aos espíritos, tanto encarnados como
desencarnados, pois Deus não criaria tantos astros sem nenhum propósito, nem
reservariam apenas á Terra o privilégio de se tornar habitada.
“Os planetas e outros corpos celestes são, portanto, moradas de espíritos encarnados
e desencarnados, pois Deus não criaria tantos astros sem nenhum propósito, nem
reservaria apenas á Terra o privilégio de se tornar habitada.”

5º Resposta: Essas palavras de Jesus também podem referir-se ao estado venturoso


ou desgraçado que o espírito experimenta quando se despoja do corpo físico, estado
este decorrente do maior ou menor grau de progresso alcançado pelo espírito.
“Conforme se ache mais ou menos depurado e desprendido dos laços materiais,
variarão ao infinito o meio em que o espírito venha a se encontrar, o aspecto das
coisas, as sensações que experimenta, as percepções que tenha.”

6º Resposta: O estado em que o espírito se encontra no intervalo das suas


encarnações, independentemente do grau de progresso alcançado.
“No intervalo das reencarnações, a alma, liberta do corpo, é o espírito errante que
aspira a novo destino, que espera.” ( O Livro dos Espíritos – Questão 224 )

7º Resposta: Continuam presos aos interesses materiais que os estimularam em vida,


sem poder se afastar do ambiente em que viviam. Apartados do amor de Deus, eram
nas trevas, atormentados por remorsos e pesares; distanciados dos que lhes são
caros, sofrem indizível aflição.

31
“Os espíritos sofrem por efeito das paixões cuja essência conservam.’ Por isso,
esforcemo-nos para, ainda em vida física, nos liberta dos vícios e defeitos que nos
retardam a caminhada espiritual.”

8º Resposta: Estes percorrem o espaço, visitando outros mundos, gozando de


resplendente claridade e assistindo ao espetáculo sublime do Infinito. No convívio
daqueles a quem amam, fruem as delícias de uma felicidade indizível.
“Somos, na condição de espíritos, o que éramos na condição de encarnados.
Cuidemos de nos aperfeiçoar, na prática incessante do bem, e Deus nos reservará
morada compatível ao nosso esforço.”

*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O Espiritismo’, Da editora Boa
Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.

Glossário

1 – sórdidos
: que é ou está sujo, que tem sujeira no corpo e na roupa
: que provoca asco; repugnante, nojento, asqueroso
: que fere a decência, os bons princípios; indecente, indigno, vergonhoso
2 – galé
: capacete de guerreiro; elmo
: sensação dolorosa como se a cabeça estivesse sendo fortemente comprimida por um capacete
3 – insalubre
: que não é bom para a saúde (diz-se esp. de lugar); malsão, deletério
: que causa doença; insalutífero
4 – arrabalde
: parte de uma cidade ou povoação que fica fora ou nas adjacências de seus limites; subúrbio (tb. us. no
pl.)
: lugar muito afastado do centro de uma cidade ou povoação; arredor, cercania (tb. us. no pl.)
5 – haure-a
: retirar (algo) de dentro de onde estava, pondo-o para fora; extrair, colher
: consumir (algo) inteiramente; esgotar, esvaziar, beber
6 – carunchoso / caruchento
: cheio de caruncho ('inseto', 'pó')
: carcomido pelo caruncho ('inseto')
: que está em mau estado de conservação; deteriorado, gasto
7 – procela
: forte tempestade no mar com vento intenso e grandes ondas; tormenta, borrasca, temporal
: grande tumulto, agitação, intranquilidade, guerra, rebelião
8 – antropófagos
: que ou aquele que se alimenta de carne humana (diz-se esp. de ser humano)
9 – polichinelos
: marionete que encarna essa personagem
: indivíduo sem compostura, sem dignidade; palhaço
: pessoa volúvel

Anotações

32
Objetivos

De nos esclarecemos acerca da reencarnação, estudando-lhe o significado e a finalidade


e enfatizando o seu conhecimento pelos antigos judeus, bem como seu reconhecimento pelo
próprio Cristo.

Ressureição e Reencarnação

1 – E veio Jesus para os lados de Cesaréia de Felipe, e interrogou seus discípulos,


dizendo: Quem dizem os homens que é o Filho do Homem? E eles responderam: Uns dizem que
é João Batista, mas outros que é Elias, e outros que Jeremias ou algum dos Profetas. Disse-lhes
Jesus: E vós, quem dizeis que sou eu? Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, filho
do Deus vivo. E respon-dendo Jesus, lhe disse: Bem aventurado és, Simão, filho de Jonas,
porque não foi a carne e o sangue que te revelaram isso, mas sim meu Pai, que está nos Céus”.
(Mateus, XVI: 13-17)
2 – E chegou a Herodes, o Tetrarca notícia de tudo o que Jesus obrava, e ficou como
suspenso, porque diziam uns: É João que ressurgiu dos mortos; e outros: É Elias que apareceu;
e outros: É um dos antigos profetas que ressuscitou. Então disse Herodes: Eu mandei degolar a
João; quem é, pois, este, de quem ouço semelhantes coisas? E buscava ocasião de o ver.
(Marcos, VI: 14-15; Lucas, IX: 7-9)
3 – (Após a transfiguração). E os discípulos lhe perguntaram, dizendo: Pois por que
dizem os escribas que importa vir Elias primeiro? Mas ele, respondendo, lhes disse: Elias
certamente há de vir, e restabelecerá todas as coisas: digo-vos, porém, que Elias já veio, e eles
não o conheceram, antes fizeram dele quanto quiseram. Assim também o Filho do Homem há
de padecer às suas mãos. Então compreenderam os discípulos que de João Batista é que ele
lhes falara. (Mateus, XVII: 10-13; Marcos, XVIII: 10-12)
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Da Pluralidade das Existência – A reencarnação – Questão 166 a 170


( Livro: Livro dos Espíritos – Allan Kardec )

166. A alma que não atingiu a perfeição durante a vida corpórea como acaba de
depurar-se?
— Submetendo-se à prova de uma nova existência.
166 – a) Como ela realiza essa nova existência? Pela sua transformação como
Espírito?
— Ao se depurar, a alma sofre sem dúvida uma transformação, mas para isso necessita da
prova da vida corpórea.
166 – b) A alma tem muitas existências corpóreas?
— Sim, todos nós temos muitas existências. Os que dizem o contrário querem manter-vos na
ignorância em que eles mesmos se encontram; esse é o seu desejo.
166 – c) Parece resultar, desse princípio, que após ter deixado o corpo a alma toma
outro. Dito de outra maneira, que ela se reencarna em novo corpo. É assim que se
deve entender?
— É evidente.

33
167. Qual a finalidade da reencarnação?
— Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isso, onde estaria a justiça?
168. O número das existências corpóreas é limitado ou o Espírito se reencarna
perpetuamente?
— A cada nova existência o Espírito dá um passo na sendo do progresso: quando se despojou
de todas as impurezas, não precisa mais das provas da vida corpórea.
169. O número das encarnações é o mesmo para todos os Espíritos?
— Não. Aquele que avança rapidamente se poupa das provas. Não obstante, as encarnações
sucessivas são sempre muito numerosas porque o progresso é quase infinito.
170. Em que se transforma o Espírito depois de sua última encarnação?
— Espírito bem-aventurado; um Espírito puro.

Evolução e Aprimoramento
( Livro: Livro da Esperança – Espirito, Emmanuel – Chico Xavier )

“Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade, digo-te: Ninguém pode ver o Reino


de Deus se não nascer de novo. - JESUS - JOAO, 3: 3.

“A reencarnação é a volta da alma ou Espírito à vida corpórea, mas em outro corpo


especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo. Cap. IV, 4.
Decididamente, em nome da Eterna Sabedoria, o homem é o senhor da evolução na
Terra.
Todos os elementos se lhe sujeitam à discrição.
Todos os reinos do planeta rendem-lhe vassalagem.
Montanhas ciclópicas sofrem-lhe a carga de explosivos, transfigurando-se em matéria-
prima destinada a edificação de cidades prestigiosas.
Minérios por ele arrancados às entranhas do globo, suportam-lhe os fornos
incandescentes, a fim de lhe garantirem utilidade e conforto.
Rios e fontes obedecem-lhe as determinações, transferindo-se de leito, com vistas à fertilização
da gleba sedenta.
Florestas atendem-lhe a derrubada, favorecendo o progresso.
Animais, ainda mesmo aqueles de mais pujança e volume, obedecem-lhe as ordens,
quedando-se integralmente domesticados.
A eletricidade e o magnetismo plasma-lhe os desejos.
E o próprio átomo, síntese de força cósmica, descerra-lhe os segredos, aceitando-lhe as
rédeas.
Mas não é só no domínio dos recursos materiais que o homem governa, soberano.
Ele pesquisa as reações populares e comanda a política; investiga os fenômenos da
natureza e levanta a ciência; estuda as manifestações do pensamento e cria a instrução;
especializa o trabalho e faz a indústria; relaciona as imposições do comércio e controla a
economia.
Claramente, nós, os espíritos em aperfeiçoamento, no aperfeiçoamento terrestre,
conseguimos alterar ou manobrar as energias e os seres inferiores do orbe a que
transitoriamente, nos ajustamos, e do qual nos é possível catalogar os impróprios da luz
infinita, estuantes no Universo.
A face disso, não obstante sustentados pelo Apoio Divino, nas lides educativas que nos
são necessárias, o aprimoramento moral corre por nossa conta.
0 professor ensina, mas o aluno deve realizar-se.
Os espíritos superiores nos amparam e esclarecem, no entanto, é disposição da Lei que
cada consciência responda pelo próprio destino.
Meditemos nisso, valorizando as oportunidades em nossas mãos.
Por muito alta que seja a quota de trabalho corretivo que tragas dos compromissos
assumidos em outras reencarnações, possuis determinadas sobras de tempo, do tempo que é
patrimônio igual para todos, e, com o tempo de que dispões, basta usares sabiamente a
vontade, que tanta vez manejamos para agravar nossas dores, a fim de te consagrares ao
serviço do bem e ao estudo iluminativo, quando quiseres, como quiseres, onde quiseres e
quanto quiseres, melhorando-te sempre.
André Luiz

34
Perguntas

01 – É possível concluir, através destas passagens evangélicas, que os judeus


conheciam a reencarnação?
02 – O que podemos entender pela resposta de Jesus a Pedro: “Não foram a carne
nem o sangue que isso te revelarem, mas meu Pai que está nos céus.”?
03 – Nesta passagem, de que modo Jesus admite a existência da reencarnação?
04 – Qual a conclusão dos discípulos, acerca de quem teria sido Elias?
05 – O que se entende por reencarnação?
06 – Qual a finalidade da reencarnação do espírito?
07 – Como podemos interpretar a frase de Jesus, titulo da presente lição: ”Ninguém
poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo”?
08 – Que ensinamentos prático nos dá esta lição, para o nosso dia a dia?

Conclusão

A reencarnação é uma lei natural, portanto divina, que nos assegura oportunidade
constantes de progresso espiritual até atingirmos a condição de espíritos puros. Utilizemos,
portanto, cada dia de nossa existência para tornar-nos melhores e, assim, mais rapidamente
adentrar o reino de Deus.

Textos Complementares

Leem os itens; 4dores e 19 – Progressão dos mundos, do capitulo III do O Evangelho


Segundo o Espiritismo
Leem também as perguntas do Livro dos Espíritos de números; 192, 222, 365, 375, 751,
780, capitulo 12, item 3, do egoísmo,

Respostas do 4º Roteiro

1º Resposta: É que nós não aprendemos ainda que somos irmãos pela Lei de nosso
Pai, tão suavemente expressa no Evangelho; é que ainda existe em nós muito
egoísmo, orgulho e desamor.
“A situação material e moral da humanidade terrestre é devida á destinação da Terra
e a natureza daqueles que a habitam”

2º Resposta: Não. O sofrimento é temporário e decorre da nossa resistência á prática


de bem, para satisfazer o orgulho e o egoísmo que existe em cada um de nós.
“A Terra é um dos planetas mais atrasados, onde habitam espíritos avessos á Lei de
Deus; daí, seu panorama de sofrimento.”

3º Resposta: Sendo a Terra uma escola de fraternidade, nela nos encontramos para
aprender a amar o próximo e, através do amor, corrigir nossas imperfeições morais.
“A Terra nos foi destinada, por Deus, para nos redimir e poder avançar no progresso
espiritual.”

4º Resposta: Combatendo nossos defeitos, incentivando as virtudes e buscando nossa


reforma íntima á luz do Evangelho do Senhor.
“A dor é a condição da alegria e o preço da virtude, e a virtude é o bem mais precioso
que há no Universo.”

35
5º Resposta: Não. Do mesmo modo que do hospital saem os que já estão curados, e
da prisão os que cumpriram sua pena, o homem deixa a Terra quando está curado de
suas enfermidades morais.
“Nosso mundo não é o único habitado. Outros, mais felizes, existem, compatíveis com
os níveis de progresso alcançado pelos espíritos.”

6º Resposta: Sim. A felicidade nos é assegurada pela Lei de Deus e devemos


conquista – La passo a passo, trabalhando por vencer nossas próprias imperfeições. O
Evangelho do Senhor é o guia mais seguro nessa caminhada.
“Todos podemos ter fé num futuro melhor, mas alcançará a felicidade, mais depressa
e com menor sofrimento, aquele que se esforça para dominar suas más tendências.”

*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O Espiritismo’, Da editora Boa
Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.

Anotações

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Objetivos

Analisarmos o sentido da frase de Jesus “Ninguém poderá ver o reino de Deus se não
nascer de novo”, destacando a importância da reencarnação para o progresso dos espíritos.

Ressureição e Reencarnação

5 – E havia um homem dentre os fariseus, por nome Nicodemos, senador dos judeus.
Este, uma noite, veio buscar a Jesus, e disse-lhe: Rabi, sabemos que és mestre, vindo da parte
de Deus, porque ninguém pode fazer estes milagres, que tu fazes, se Deus não estiver com ele.
Jesus respondeu e lhe disse: Na verdade, na verdade te digo que não pode ver o Reino de Deus
senão aquele que renascer de novo. Nicodemos lhe disse: Como pode um homem nascer,
sendo velho? Porventura pode entrar no ventre de sua mãe e nascer outra vez? Respondeu-lhe
Jesus: Em verdade, em verdade te digo que quem não nascer da água e do Espírito, não pode
entrar no Reino de Deus, o que é nascido de carne é carne, e o que é nascido do Espírito é
Espírito. Não te maravilhes de eu te dizer que vos importa nascer de novo. O Espírito sopra
onde quer, e tu ouves a sua voz, mas não sabes de onde ele vem, nem para onde vai. Assim é
todo aquele que é nascido do Espírito. Perguntou Nicodemos: Como se pode fazer isto?
Respondeu Jesus: Tu és mestre em Israel, e não sabes estas coisas? Em verdade, em verdade
te digo: que nós dizemos o que sabemos, e damos testemunho do que vimos, e vós, com tudo
isso, não recebeis o nosso testemunho. Se quando eu vos tenho falado das coisas terrenas,
ainda assim me credes, como creríeis, se eu vos falasse das celestiais? (João, III: 1-12)
7 – Estas palavras: “Se não renascer da água e do Espírito”, foram interpretadas no
sentido da regeneração pela água do batismo. Mas o texto primitivo diz simplesmente: Não
renascer da água e do Espírito, enquanto que, em algumas traduções, a expressão do Espírito
foi substituída por do Espírito Santo, o que não corresponde ao mesmo pensamento. Esse ponto
capital ressalta dos primeiros comentários feitos sobre o Evangelho, assim como um dia será
constatado sem equívoco possível.(1)
8 – Para compreender o verdadeiro sentido dessas palavras, é necessário reportar à
significação da palavra, que não foi empregada no seu sentido específico. Os antigos tinham
conhecimentos imperfeitos sobre as ciências físicas, e acreditavam que a Terra havia saído das
águas. Por isso, consideravam a água como o elemento gerador absoluto. É assim que
encontramos no Gênesis: “O Espírito de Deus era levado sobre as águas”, “flutuava sobre as
águas”, “que o firmamento seja no meio das águas”, que as águas que estão sob o céu se
reúnam num só lugar, e que o elemento árido apareça”, “que as águas produzam animais
viventes, que nadem na água, e pássaros que voem sobre a terra e debaixo do firmamento”.
Conforme essa crença, a água se transformara no símbolo da natureza material, como o
Espírito o era da natureza inteligente. Estas palavras: “Se o homem renascer da água e do
Espírito”, ou “na água e no Espírito”, significam pois: “Se o homem não renascer com o corpo e
a alma”. Neste sentido é que foram compreendidas no princípio.
Esta interpretação se justifica, aliás, por estas outras palavras: “O que é nascido da carne é
carne, e o que é nascido do Espírito é Espírito”. Jesus faz aqui uma distinção positiva entre o
Espírito e o corpo. “O que é nascido da carne é carne”, indica claramente que o corpo procede
apenas do corpo, e que o Espírito é independente dele.
9 – “O Espírito sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem nem
para onde vai”, é uma passagem que se pode entender pelo Espírito de Deus que dá a vida a
quem quer, ou pela alma do homem. Nesta última acepção, a sequência: “mas não sabes de

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onde vem nem para onde vai”, significa que não se sabe o que foi nem o que será o Espírito.
Se, pelo contrário, o Espírito, ou alma, fosse criado com o corpo, saberíamos de onde ele vem,
pois conheceríamos o seu começo. Em todo caso, esta passagem é a consagração do principio
da preexistência da alma, e por conseguinte da pluralidade das existências.
(1) A tradução de Osterwald* está conforme o texto primitivo, e traz: não renascer da água e do Espírito. A de Sacy** diz do Espírito Santo. A de
Lamennais*** também diz: Espírito Santo.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Evolução e aprimoramento
( Livro: Livro da Esperança – Emmanuel , Espirito – Chico Xavier )

“Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade, digo-te: Ninguém pode ver o Reino


de Deus se não nascer de novo.- JESUS - JOAO, 3: 3.
“A reencarnação é a volta da alma ou Espírito à vida corpórea, mas em outro
corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo.
Cap. IV, 4.
Decididamente, em nome da Eterna Sabedoria, o homem é o senhor da evolução na
Terra.
Todos os elementos se lhe sujeitam à discrição.
Todos os reinos do planeta rendem-lhe vassalagem1.
Montanhas ciclópicas2 sofrem-lhe a carga de explosivos, transfigurando-se
em matéria-prima destinada a edificação de cidades prestigiosas.
Minérios por ele arrancados às entranhas do globo, suportam - lhe os fornos
incandescentes, a fim de lhe garantirem utilidade e conforto.
Rios e fontes obedecem-lhe as determinações, transferindo-se de leito, com
vistas à fertilização da gleba sedenta.
Florestas atendem-lhe a derrubada, favorecendo o progresso.
Animais, ainda mesmo aqueles de mais pujança3 e volume, obedecem-lhe as
ordens, quedando-se integralmente domesticados.
A eletricidade e o magnetismo plasma - lhe os desejos.
E o próprio átomo, síntese de força cósmica, descerra-lhe os segredos,
aceitando-lhe as rédeas.
Mas não é só no domínio dos recursos materiais que o homem governa, soberano.
Ele pesquisa as reações populares e comanda a política; investiga os fenômenos da
natureza e levanta a ciência; estuda as manifestações do pensamento e cria a instrução;
especializa o trabalho e faz a indústria; relaciona as imposições do comércio e controla a
economia.
Claramente, nós, os espíritos em aperfeiçoamento, no aperfeiçoamento terrestre,
conseguimos alterar ou manobrar as energias e os seres inferiores do orbe a que
transitoriamente, nos ajustamos, e do qual nos é possível catalogar os
impróprios da luz infinita, estuantes4 no Universo.
A face disso, não obstante sustentados pelo Apoio Divino, nas lides educativas que nos
são necessárias, o aprimoramento moral corre por nossa conta.
0 professor ensina, mas o aluno deve realizar-se.
Os espíritos superiores nos amparam e esclarecem, no entanto, é disposição da Lei que
cada consciência responda pelo próprio destino.
Meditemos nisso, valorizando as oportunidades em nossas mãos.
Por muito alta que seja a quota de trabalho corretivo que tragas dos compromissos
assumidos em outras reencarnações, possuis determinadas sobras de tempo, do tempo que é
patrimônio igual para todos, e, com o tempo de que dispões, basta usares sabiamente a
vontade, que tanta vez manejamos para agravar nossas dores, a fim de te consagrares ao
serviço do bem e ao estudo iluminativo, quando quiseres, como quiseres, onde quiseres e
quanto quiseres, melhorando-te sempre.

Instituto de Tratamento
( Livro: Livro da Esperança – Emmanuel , Espirito – Chico Xavier )

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“0 que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é espírito.” JESUS -
JOAO, 3: 6.
“Os laços de família não sofrem destruição alguma com a reencarnação, como o pensam
certas pessoas. Ao contrário, tornam-se mais fortalecidos e apertados. O principio oposto, sim,
os destrói.’ - Cap. IV, 18.
Atingindo o Plano Espiritual, depois da morte, sentimentos indefiníveis nos
senhoreiam o coração.
Nos recessos do espírito, rebentam mágoas e júbilos, poemas de ventura e gritos de
aflição, cânticos de louvor pontilhados de fel e brados de esperanças que se calam, de súbito,
no gelo do sofrimento.
Rimos e choramos, livres e presos, triunfantes e derrotados, felizes e desditosos...
Bênçãos de alegria, que nos clareiam. pequeninas vitórias alcançadas, desaparecem, de
pronto, no fundo tenebroso das quedas que nos marcaram a vida.
Suspiramos pela ascensão sublime, sedentos de comunhão com as entidades heroicas
que nos induzem aos galardões fulgentes5 dos cimos, todavia, trazemos o desencanto das aves
cativas e mutiladas.
Ao invés de asas, carregamos grilhões, na penosa condição de almas doentes...
Na concha da saudade, ouvimos as melodias que irrompem das vanguardas de luz,
entretecidas na glória dos bem-aventurados. No entanto, austeras admoestações nos, chegam
da Terra pelo sem - fio da consciência...
Nas faixas do mundo somos requisitados pelas obrigações não cumpridas.
Erros e deserções clamam dentro de nós, pedindo reparos justos...
Longe das esferas superiores que ainda não merecemos e distanciados das regiões
positivamente inferiores em que nossas modestas aquisições evolutivas encontraram inicio,
concede-nos, então, a Providência Divina,, o refúgio do lar, entre as sombras da Terra e as
rutilâncias6 do Céu, por instituto de tratamento, em que se nos efetive a necessária
restauração.
É assim que reencarnados em nova armadura física, reencontramos perseguidores e
adversários, credores e cúmplices do pretérito, na forma de parentes e companheiros para o
resgate de velhas contas.
Nesse cadinho esfervilhante de responsabilidades e inquietações, afetos renovados nos
chamam ao reconforto, enquanto que aversões redivivas nos pedem esquecimentos...
A vista disso, no mundo, por mais atormentado nos seja o ninho familiar abracemos
nele a escola bendita do reajuste onde temporariamente exercemos o oficio da redenção.
Conquanto crucificados em suplícios anônimos atados a postes de sacrifício ou semi
asfixiado no pranto desconhecido das grandes humilhações, saibamos sustentar – lhe a
estrutura moral, entendendo e servindo, mesmo à custa de lágrimas, porque é no lar, esteja
ele dependurado na crista de arranha-céus, ou na choça tosca de zinco, que as leis da vida nos
oferecem, as ferramentas de amor e da dor para a construção e reconstrução do próprio
destino entregando-nos, de berço em berço, ao carinho de Deus que verte inefável, pelo colo
das mães.

Orientadores do mundo
( Livro: Caminho , Verdade e Vida – Emmanuel , Espirito – Chico Xavier )

“Respondeu-lhe Jesus: És mestre em Israel e não sabes Isto?” — (JOÃO, capítulo 3,


versículo 10.)
É muito comum nos círculos religiosos, notadamente nos arraiais espiritistas, o
aparecimento de orientadores do mundo, reclamando provas da existência da alma.
Tempo virá em que semelhantes inquirições serão consideradas pueris, porque, afinal,
esses mentores da política, da educação, da ciência, estão perguntando, no fundo, se eles
próprios existem.
A resposta de Jesus a Nicodemos, embora se refira ao problema da reencarnação,
enquadra-se perfeitamente ao assunto, de vez que os condutores da atualidade prosseguem
indagando sobre realidades essenciais da vida.
Peçamos a Deus auxilie o homem para que não continue tentando penetrar a casa do
progresso pelo telhado.
O médico leviano, até que verifique a verdade espiritual, será defrontado por
experiências dolorosas no campo das realizações que lhe dizem respeito.

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O professor, apenas teórico, precipitar-se-á muitas vezes nas ilusões.
O administrador improvisado permanecerá exposto a erros tremendos, até que se ajuste
a responsabilidade que lhe é própria.
Por esse motivo, a resposta de Jesus aplica-se, com acerto, às interrogações dos
instrutores modernos.
Transformados em investigadores, dirigem-se a nós outros, muita vez com ironia,
reclamando a certeza sobre a existência do espírito; entretanto, eles orientam os outros e se
introduzem na vida dos nossos
Irmãos em humanidade. Considerando essa circunstância e em se tratando de problema
tão essencial para si próprios, é razoável que não perguntem, porque devem saber.

Renasce agora
( Livro: Fonte Viva – Emmanuel , Espirito – Chico Xavier )

Aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus. Jesus. (JO,3:3)
A própria Natureza apresenta preciosas lições, nesse particular.
Sucedem-se os anos com matemática precisão, mas os dias são sempre novos.
Dispondo, assim, de trezentas e sessenta e cinco ocasiões de aprendizado e recomeço,
anualmente, quantas oportunidades de renovação moral encontrará a criatura, no abençoado
período de uma existência?
Conserva do passado o que for bom e justo, belo e nobre, mas não guardes do pretérito
os detritos e as sombras, ainda mesmo quando mascarados de encantador revestimento.
Faze por ti mesmo, nos domínios da tua iniciativa pela aplicação da fraternidade real, o
trabalho que a tua negligência atirará fatalmente sobre os ombros de teus benfeitores e amigos
espirituais.
Cada hora que surge pode ser portadora de reajustamento.
Se é possível, não deixes para depois os laços de amor e paz que podes criar agora, em
substituição às pesadas algemas do desafeto.
Não é fácil quebrar antigos preceitos do mundo ou desenovelar o coração, a favor
daqueles que nos ferem. Entretanto, o melhor antídoto contra os tóxicos da aversão é a nossa
boa-vontade, a benefício daqueles que nos odeiam ou que ainda não nos compreendem.
Enquanto nos demoramos na fortaleza defensiva, o adversário cogita de enriquecer as
munições, mas se descemos à praça, desassombrados e serenos, mostrando novas disposições
na luta, a idéia de acordo substitui, dentro de nós e ’em torno de nossos passos, a escura
fermentação da guerra..
Alguém te magoa? Reinicia o esforço da boa compreensão.
Alguém te não entende? Persevera em demonstrar os intentos mais nobres.
Deixa-te reviver, cada dia, na corrente cristalina e incessante do bem.
Não olvides a assertiva do Mestre: - "Aquele que não nascer de novo não pode ver o
Reino de Deus.
Renasce agora em teus propósitos, deliberações e atitudes, trabalhando para superar os
obstáculos que te cercam e alcançando a antecipação da vitória sobre ti mesmo, no tempo...
Mais vale auxiliar, ainda hoje, que ser auxiliado amanhã.

Perguntas

01 – Que juízo fazia Nicodemos a respeito de Jesus e por que?


02 – A que Jesus se refere quando afirma ser preciso nascer de novo para se ver o
reino de Deus?
03 – O que significa renascer da água e do espírito?
04 – Como interpretar a frase de Jesus: “O que é nascido da carne é carne e o que é
nascido do Espírito é Espírito”?
05 – Que interpretação podemos dar á frase do Mestre:” O Espírito sopra onde quer;
ouves-lhe a voz, mas não sabes nem donde vem, nem para onde vai; o mesmo se dá
com todo homem que é nascido do Espírito”?
06 – Diante da surpresa de Nicodemos ante tais ensinamentos, que acrescenta Jesus?
07 – Que lição prática tiramos destes ensinamentos?

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Conclusão

Cada nova encarnação constitui oportunidade de progresso que Deus, em sua infinita
misericórdia, concede aos espíritos a fim de que se aperfeiçoam e logrem alcançar o Seu Reino.

Recomendações

Ler os itens 4 e 6 do capitulo IV do Evangelho Segundo o Espiritismo.

Respostas 5º Roteiro

1º Resposta: Inegavelmente. As idéias que, tanto os discípulos como outras pessoas,


faziam em torno de quem teria sido o Cristo, imaginando-o como João Batista, Elias,
Jeremias ou algum dos profetas, nos levam a concluir que s judeus acreditavam na
reencarnação.
“A idéia da reencarnação não surgiu com o Espiritismo nem contraria os princípios do
cristianismo: os judeus já tinham noção desse fenômeno e o próprio Cristo a ele se
referiu, mostrando que o espirito renasce em outros corpos.”

2º Resposta: Que Pedro, por seu conhecimento e experiência, não poderia ter dado
aquela resposta, se a espiritualidade superior não o houvesse inspirado.
“A resposta de Jesus deixa subentendido que Pedro não falara por si mesmo, mas sob
inspiração espiritual, através do concurso de espíritos superiores.”

3º Resposta: Afirmando aos discípulos que Elias, o profeta que haveria de vir para
restabelecer todas as coisas, já viera e não fora reconhecido pelos judeus, que lhe
haviam dado tratamento cruel.
“ - mas eu vos declaro que Elias já veio e eles não o reconheceram e o trataram como
lhes aprouve.”

4º Resposta: Eles entenderam que Jesus, ao afirmar que Elias já viera, admira que
João Batista era Elias reencarnado.
“Então seus discípulos compreenderam que fora de João Batista que Ele falara.”

5º Resposta: “Reencarnação é a volta da alma ou espírito à corpórea, mas em outro


corpo especialmente formado para ele e que nada tem em comum com o antigo.”
“A reencarnação dos espíritos é principio conhecido por civilizações antigas, embora
sob diferentes nomes. O Espiritismo passou a usar este termo – reencarnação – para
evitar dúvidas e definir com precisão o fenômeno.”

6º Resposta: Propiciar-lhe, através de diferentes existências, oportuni-dade de expiar


faltas anteriores e se melhorar progressivamente até que, limpo de todas as
impurezas, não tenha mais necessidades das provas da vida corporal.
“A cada nova existência o espírito dá um passo para diante, na senda do progresso.”

7º Resposta: Que, dada a imperfeição do homem, apenas uma vida não é suficiente
para que ele consiga depurar o espirito. São – lhe necessárias, portanto, sucessivas
reencarnações para que, através de diferentes experiências, ele progrida e tenha
entrada no reino de Deus.
“Todos os espíritos são criados por Deus para a felicidade, mas para experimentá-la
é necessário alcançar o progresso espiritual, adquirido dia a dia, no decorrer das
múltiplas encarnações.”

8º Resposta: Que a reencarnações é um ato da misericórdia divina em nosso


beneficio, pois nos possibilita reparar antigas faltas e avançar espiritualmente;
portanto, cada dia, cada instante da nossa vida, deve ser ocasião de se fazer o bem,

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praticar a caridade, aprender e auxiliar o próximo, para que não percamos
oportunidade de progredir.
“A reencarnação é uma lei natural, portanto, divina, á qual estamos submetidos, por
misericórdia de Deus, com a finalidade de progredir espiritualmente e alcançar a
suprema felicidade.”

*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O Espiritismo’, Da editora Boa
Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.
*Duvidas e sugestões contatar; reinaldodosan@hotmail.com

Glossário

1 – vassalagem
: estado ou condição de vassalo
: vassalo - no sistema feudal, indivíduo que, mediante juramento de fé e fidelidade a um suserano, dele se
tornava dependente, rendendo-lhe preito e tributo
: aquele que é súdito de um soberano
2 – ciclópicas
: de enormes dimensões; colossal, gigantesco
3 – pujanças
: grande força; vigor, robustez
4 – estuantes
: que estua, que arde; ardente, escaldante
5 – fulgentes
: que fulge, que possui brilho, luminosidade; brilhante, resplandecente, fúlgido
6 – rutilância
: qualidade do que é rutilante, esplendoroso

*Friedrich Wilhelm Ostwald (Riga, 2 de setembro de 1853 — Leipzig, 3 de abril de 1932) foi um químico e filósofo alemão, nascido na
Letônia.
Considerado o pai da físico-química, recebeu o Nobel de Química de 1909, por seu trabalho sobre catálise. Também desenvolveu um
processo de fabricação de ácido nítrico por oxidação do amoníaco.
Estudou na Universidade de Dorpat (atualmente Universidade Estatal Tartu), graduando-se em 1875, e trabalhando como professor neste
centro até 1881. De 1881 a 1887 foi professor do Instituto Politécnico de Riga. Em 1887 mudou-se para a Universidade de Leipzig, para
exercer a função de professor de físico-química. Nesta última universidade foi fundado o Instituto Ostwald, primeiro instituto dedicado ao
estudo da físico-química, que Ostwald dirigiu até 1906.
Recebeu o Nobel de Química de 1909, por suas pesquisas sobre a catálise, princípios fundamentais que governam os equilíbrios químicos e
velocidade das reações ( cinética química ). Formulou a lei de Ostwald que rege os fenômenos da dissociação dos eletrólitos nas
dissoluções. Em 1900 descobriu o processo de preparação do ácido nítrico a partir da oxidação do amoníaco, facilitando a produção em
massa de fertilizantes e explosivos para a Alemanha durante a I Guerra Mundial. Construiu um viscosímetro que atualmente ainda é
utilizado para medir a viscosidade das soluções..
Propôs uma nova teoria da cor, defendendo a normatização das cores. Em 1920 montou em Dresde um laboratório destinado aos seus
estudos. Destacou-se, alem disso, como escritor e editor científico. No campo da filosofia elaborou a doutrina energética que tenta explicar
a maioria dos fenômenos em função da sua energia física.
** Antoine Isaac Baron Silvestre de Sacy (21 de setembro de 1758 - 21 de fevereiro de 1838) foi um francês linguista e orientalista . His son
Ustazade Silvestre de Sacy became a journalist. Seu filho Ustazade Silvestre de Sacy tornou-se jornalista.
Sacy nasceu em Paris a um tabelião chamado Abraham Silvestre, de judeus de origem . O nome de adicional de Sacy foi levado pelo filho
mais novo, depois de uma moda, então comum com os parisienses burguesia . Sacy pai morreu quando ele tinha sete anos, e ele foi
educado no isolamento por sua mãe.
Em 1781 foi nomeado conselheiro da cour des Monnaies , e foi promovido em 1791 para ser um comissário-geral no mesmo
departamento. Tendo sucessivamente estudou línguas semíticas , ele começou a fazer nome como um orientalista, e entre 1787-1791
trabalhou no inscrições Pahlavi do Sassânida reis. Em 1792 ele se aposentou do serviço público, e viveu em reclusão em uma casa de
campo perto perto de Paris, até que em 1795 ele tornou-se professor de árabe na recém-fundada escola de línguas vivas Oriental (École
Speciale des langues orientales vivantes).
Durante este intervalo de Sacy estudou a religião dos drusos , o assunto do seu último trabalho e inacabado, a religião Exposé de la Druzes
des (2 vols., 1838). Ele publicou o seguinte árabe livros :
Grammaire arabe (2 vols., 1st ed. 1810) Grammaire arabe (2 vols., 1 ª ed. 1810) ,Chrestomathie arabe (3 vols., 1806) Chrestomathie arabe
(3 vols., 1806) , Anthologie grammaticale (1829) Anthologie grammaticale (1829)
Em 1806, acrescentou as funções de persa professor à sua velha cadeira, ea partir deste momento em diante sua vida foi uma honra e
sucesso crescente, interrompida apenas por um breve período de retiro, durante o Cem Dias .
Silvestre de Sacy foi contemporâneo e professor de Champollion . Ele fez alguns progressos na identificação de nomes próprios no
demótico inscrição na pedra de Rosetta .
***Hugues Felicité Robert de Lamennais, também conhecido como Frédéric de La Mennais (19 de junho de 1782 - 27 fevereiro, 1854), foi
um francês sacerdote , e filosófica e escritor político.

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Hugues Lamennais nasceu em Saint-Malo em 19 de junho de 1782, filho de um rico comerciante. Lamennais perdeu a mãe na idade de
cinco anos e, como resultado, ele e seu irmão Jean-Marie foram enviados para a educação de um tio, Robert des Saudrais em La Chênaie,
uma fazenda perto de Saint-Malo. Ele passava longas horas em seu tio biblioteca, lendo Rousseau e Pascal , entre outros, e adquiriu uma
vasta e variada de aprendizagem.
De natureza sensível e doentio, e chocado com os acontecimentos da Revolução Francesa , ele desenvolveu um quadro mórbido da mente.
Primeiro, ele tinha visões racionalista, mas em parte por influência de seu irmão Jean-Marie e em parte como resultado de seus estudos
filosóficos e históricos, ele chegou a ver o poder da fé e da religião. Ele expressou suas convicções em Réflexions sur l'état de l'Eglise en
France pendant le 18ieme siècle et sur actuelle situação SA, publicado anonimamente em Paris em 1808. Recomenda renascimento
religioso e organização clerical ativo eo despertar de um ultramontano espírito. Napoleão polícia considerou o livro perigosamente
ideológica e tentou suprimi-lo.
Lamennais dedicou a maior parte do ano seguinte ao traduzir [Louis de Blois é Speculum Monachorum em francês, que ele publicou em
1809 sob o título spirituel Le Guide.
Em 1811, Lamennais recebeu a tonsura e se tornou professor de matemática em um colégio eclesiástico fundada por seu irmão, em Saint-
Malo.
Em 1814 ele publicou, com seu irmão, a tradição De la sur l'église l'instituição des éveques de (1814), na qual ele condenou
veementemente Gallicanism ea interferência do poder político em assuntos eclesiásticos. Foi provocado pela nomeação de Napoleão de
Jean Siffrein Maury como arcebispo de Paris , em conformidade com as disposições da Concordata de 1801 .
Lamennais saudou a restauração Bourbon de 1814, que presenciou em Paris, porque ele viu Louis XVIII como uma força para a regeneração
religiosa. Durante os Cem Dias , ele fugiu para Londres . Após a derrota final de Napoleão em 1815, voltou a Paris. Em 1816, apesar das
dúvidas quanto à sua chamada, ele foi ordenado sacerdote pelo Bispo de Rennes.
O primeiro volume de sua grande obra, Essai sur l'indiferença en matière de religião, surgiu em 1817 e estabeleceu a sua reputação em
toda a Europa. Tornou-se, de acordo com Lacordaire | Lacordaire , "um humilde padre com toda a autoridade, uma vez apreciado por
Bossuet ". Lamennais denunciou a indiferença religiosa pelo Estado. Ele alegou que julgamento privado, introduzido pelo Martin Luther em
religião, por Descartes e Leibniz para a filosofia ea ciência, e por Rousseau e os enciclopedistas na política, resultou na prática do ateísmo e
da morte espiritual. Ele afirmou que a autoridade eclesiástica, baseada na revelação absoluta entregue ao povo judeu, mas apoiada pela
tradição universal de todos os países, foi a única esperança de regenerar as comunidades europeias.
Mais três volumes (Paris, 1818-1824) seguiu e encontrou-se com uma recepção mista da Galicana bispos e monarquistas, mas com o apoio
entusiástico do clero mais jovem. Roman teólogos Três analisou o seu trabalho e do Papa Leão XII deu a sua aprovação formal. Lamennais
visited Rome at the pope's request. Lamennais visitou Roma, a pedido do papa. Ele foi oferecido e recusado o cargo no Sacro Colégio .
Lamennais também publicou obras de piedade, por exemplo, uma ampla leitura versão francesa da Imitação de Cristo , com notas e
reflexões (1824), ((lang | fr | Guide du premier âge]], Journée du Chrétien, e Recueil de Pieté (1828). O fracasso de uma editora visa divulgar
essa literatura piedosa resultou na sua própria ruína financeira.
Em seu retorno à França ele teve um papel proeminente na vida política. Juntamente com Chateaubriand e Conde de Villele foi um
contribuinte regular ao conservador "Le littéraire . No entanto, quando Villele tornou-se o principal defensor da monarquia absoluta,
Lamennais retirou seu apoio e passou dois órgãos rival, Le Blanc e Le Drapeau catholique memorial. O autor de um panfleto criticando a
1825 Anti-Sacrilege Lei introduzidas pela administração da Villele. Várias outras obras menores, juntamente com De la dans ses rapports
considérée religião avec l'ordre politique et civil (1825-1826) manteve seu nome perante a opinião pública.
Aposentou-se a La Chênaie e reuniu um grupo discípulos, incluindo Montalembert , Lacordaire e Maurice de Guérin . Ele abraçou
ultramontanismo e visando criar um corpo organizado de opinião para fazer campanha contra Gallicanism , o controle ea influência do
Estado nos assuntos da igreja. Les Progrès de la revolução et de la guerre contre l'église (1828) marcou a sua completa renúncia de
monarquistas princípios e daquele momento em diante ele defendia em favor de uma democracia teocrática.
" Lamennais fundada L'Avenir, a primeira questão que apareceu em 16 de outubro de 1830, com o lema "Deus e Liberdade". O documento
foi agressivamente democráticos, exigindo direitos da administração local, um sufrágio alargado, a separação entre igreja e estado ,
universal da liberdade de consciência , a instrução, montagem , e da imprensa . Estilos de culto fosse criticado, melhorado ou abolida em
absoluta submissão ao espiritual, não para a autoridade temporal. Com a ajuda de Montalembert, fundou o générale Agence pour la
Défense de la liberté religieuse, que se tornou uma organização de alcance muito com os agentes de toda a França que acompanhou as
violações da liberdade religiosa. Como resultado, o periódico da carreira foi tempestuosa, ea sua circulação oposição por bispos
conservadores.
Em resposta, Lamennais, Montalembert e Lacordaire suspensos os seus trabalhos e em novembro de 1831 estabelecido a Roma para obter
a aprovação do Papa Gregório XVI . Depois de muita oposição, eles ganharam uma audiência, mas apenas na condição de que seu projeto
político não deve ser mencionado. Poucos dias depois, eles receberam uma carta do cardeal Pacca , aconselhando a sua partida de Roma e
sugerindo que a Santa Sé, embora admitindo a justiça das suas intenções, gostaria que a questão deixada em aberto para o presente.
Lacordaire e Montalembert partiu imediatamente, mas Lamennais permaneceu até a carta de Gregory aos bispos polacos, que denunciou a
revolução polonês contra o czar , frustradas as suas esperanças passado. Enquanto estiver hospedado em Munique, recebeu o Lamennais
1832 encíclica Mirari Vos , que condenou o pluralismo religioso em geral e, sem nomear Lamennais, algumas das ideias avançadas em
L'Avenir. Depois disso, Lamennais e seus dois tenentes declararam que por deferência ao papa que não retomaria a publicação de L'Avenir
e dissolveu o générale Agence também.
Lamennais retirou-se para La Chénaie. Ele comunicou seu ressentimento e convicções políticas apenas através de correspondência. O
Vaticano, por sua vez exigiu a sua adesão plena e sincera à encíclica Mirari Vos. Lamennais recusaram-se a apresentar, sem qualificação e,
em dezembro 1833 renunciou a suas funções eclesiásticas e abandonou todas as profissões externos do cristianismo.
Em maio de 1834, ele escreveu Paroles d'un croyant (1834), uma coleção de aforismos que denunciou a ordem social estabelecida e
declarou seu rompimento com a Igreja. Na Encíclica nsa Singulari , Gregório XVI condenou o livro como "pequena no tamanho, mas imensa
na perversidade" e condenou sistema filosófico "Lamennais.
Lamennais foi progressivamente abandonada por seus amigos e em 1837 publicou Les Affaires de Roma, des Maux de l'église de la société
ci, em que ele provideded sua perspectiva sobre as suas relações com Gregório XVI.
Depois disso, ele escreveu vários artigos na Revue des Deux Mondes , a Revue du Progrès e Le Monde e publicou os folhetos Le Livre du
Peuple (1837), De l'esclavage moderne (1839), a l'Politique du peuple de uso ( 1839), críticas Discussões (1841), Du passé et de l'avenir du
peuple (1841), et Darvands Amschaspands (1843), na qual ele expôs a soberania popular e ataca a sociedade contemporânea e as
autoridades públicas. Após a publicação de Le Pays et le gouvernement (1840), ele foi preso por um ano em 1841.

43
De 1841-1846, ele publicou os quatro volumes de Esquisse d'une philosophie, um tratado sobre metafísica, que detalhou sua saída do
cristianismo. O terceiro volume, uma exposição de arte como um desenvolvimento das aspirações e necessidades de culto, formou seu
núcleo. Lamennais publicou também Les Evangiles, uma tradução francesa dos Evangelhos com notas acrescentadas e reflexões.
Em 1846, ele publicou Une voix de prisão, escrito durante sua prisão.
Após 1851, ele ocupou-se com La Divina Comédia, uma tradução de Dante's Divine Comedy e recusou-se várias tentativas de reconciliá-lo à
Igreja. Morreu em Paris em 1854 e foi enterrado de acordo com suas próprias orientações em Père Lachaise sem ritos de funeral, luto por
político e literário admiradores.

Anotações

44
União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo - EESE
Cap. IV, Item 18

8º Roteiro – A Reencarnação E Os Laços De Família


Objetivos

De nos esclarecermos que os espíritos se unem, na terra e na erraticidade,


por laços de mútua afeição, que se torna mais estreitos e menos ligados á
matéria a cada nova encarnação.

A reencarnação fortalece os laços de família, ao passo que a


unicidade da existência os rompe.

18 - Os laços de família não sofrem destruição alguma com a reencarnação,


como o pensam certas pessoas. Ao contrário, tornam-se mais fortalecidos e
apertados. O princípio oposto, sim, os destrói.
No espaço, os Espíritos formam grupos ou famílias entrelaçados pela afeição,
pela simpatia e pela semelhança das inclinações. Ditosos por se encontrarem
juntos, esses Espíritos se buscam uns aos outros. A encarnação apenas
momentaneamente os separa, porquanto, ao regressarem à erraticidade,
novamente se reúnem como amigos que voltam de uma viagem. Muitas vezes,
até, uns seguem a outros na encarnação, vindo aqui reunir-se numa mesma
família, ou num mesmo círculo, a fim de trabalharem juntos pelo seu mútuo
adiantamento. Se uns encarnam e outros não, nem por isso deixam de estar
unidos pelo pensamento. Os que se conservam livres velam pelos que se acham
em cativeiro. Os mais adiantados se esforçam por fazer que os retardatários
progridam. Após cada existência, todos têm avançado um passo na senda do
aperfeiçoamento.
Cada vez menos presos à matéria, mais viva se lhes torna a afeição
recíproca, pela razão mesma de que, mais depurada, não tem a perturbá-la o
egoísmo, nem as sombras das paixões.
Podem, portanto, percorrer, assim, ilimitado número de existências
corpóreas, sem que nenhum golpe receba a mútua estima que os liga.
Está bem visto que aqui se trata de afeição real, de alma a alma, única que
sobrevive à destruição do corpo, porquanto os seres que neste mundo se unem
apenas pelos sentidos nenhum motivo têm para se procurarem no mundo dos
Espíritos. Duráveis somente o são as afeições espirituais; as de natureza carnal
se extinguem com a causa que lhes deu origem.

1
Ora, semelhante causa não subsiste no mundo dos Espíritos, enquanto a
alma existe sempre.
No que concerne às pessoas que se unem exclusivamente por motivo de
interesse, essas nada realmente são umas para as outras: a morte as separa na
Terra e no céu.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Laços Eternos
( Livro: Luz Viva – Espírito, Joanna de Ângelis e Marco Prisco – Divaldo Franco )

A reencarnação estreita os vínculos do amor, tornando-os laços eternos,


pelo quanto faculta de experiências na área da afetividade familiar.
Enquanto as ligações de sangue favorecem o egoísmo, atando as criaturas
ás algemas das paixões possesivas, a pluralidade das existências ajuda, mediante
a superação das conveniências pessoais, a união fraternal.
Os genitores e nubentes1, os irmãos e primos, os avós e netos de uma etapa
trocarão de lugar no grupo de companheiros que se afinam, permanecendo os
motivos e emulações da amizade superior.
O desligamento físico pela desencarnação faz que se recomponham, no
além-túmulo, as famílias irmanadas pelo ideal da solidariedade, ensaiando os
primeiros passos para a construção da imensa família universal.
Quando a força do amor vigilante detecta as necessidades dos corações que
mergulham na carne, sem egoísmo, pedem aos programadores espirituais das
vidas que lhes permitam acompanhar aqueles afetos que os anteciparam,
auxiliando-os nos cometimentos encetados, e reaparecem na parentela corporal
ou naquela outra, a da fraternidade real que os une e faculta os exemplos de
abnegação, renúncia e devotamento.
*
Este amigo que te oferece braços forte; esse companheiro a quem estimas
com especial carinho; aquele conhecido a quem te devotas com superior
dedicação; esstoutro colega que te sensibiliza; essoutro discreto benfeitor da tua
vida; aqueloutro vigilante auxiliar que se apaga para que apareças; são teus
familiares em espírito, que ontem envergaram as roupagens de um pai abnegado
ou de uma mãe sacrificada, de um irmão zeloso ou primo generoso, de uma
esposa fiel e querida ou de um marido cuidadoso, ora ao teu lado, noutra
modalidade biológica e familiar, alma irmã da tua alma, diminuindo as tuas dores,
no carreiro da evolução e impulsionando-te para cima, sem pensarem em si...
Os adversários gratuitos que te sitiam e perturbam, os que te buscam
sedentos e esfaimados, vencidos por paixões mesquinhas, são, também,
familiares outros a quem ludibriaste e traíste, que agora retornam, necessitados
do teu carinho, da tua reabilitação moral, a fim de que se refaça o grupo
espiritual, que ascenderá contigo no rumo da felicidade.
*

2
Jesus, mais de uma vez, confirmou a necessidade dessa fusão dos
sentimentos acima dos vínculos humanos, exaltando a superior necessidade da
união familiar pelos laços eternos do espírito. A primeira, fê-lo, ao exclamar,
respondendo á solicitação dos que lhe apontavam a mãezinha amada que O
buscava, referindo-se: -“Quem é minha mãe, quem são meus irmãos, senão
aqueles que fazem a vontade do Pai?” posteriormente, na Cruz, quando bradou,
num sublime testemunho, em reposta direta á Mãe angustiada que O inquirira: -
“ Meu filho, meu filho, que te fizeram os homens?” elucidando-a e doando-a á
Humanidade: - “Mulher, eis í teu filho” – referindo-se a João, que chorava ao seu
lado – “Filho, eis aí tua mãe”, entregando-o ao seu cuidado, através de cuja ação
inaugurou a Era da fraternidade universal acima de todos os vínculos terrenos.
Joanna De Ângelis
Instituto De Tratamento
( Livro: Livro Da Esperança – Espírito, Emmanuel – Chico Xavier )

“0 que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é


espírito.” JESUS - JOAO, 3: 6.
“Os laços de família não sofrem destruição alguma com a reencarnação, como o
pensam certas pessoas. Ao contrário, tornam-se mais fortalecidos e apertados. O
principio oposto, sim, os destrói.’ - Cap. IV, 18.
Atingindo o Plano Espiritual, depois da morte, sentimentos indefiníveis nos
senhoreiam o coração.
Nos recessos do espírito, rebentam mágoas e júbilos, poemas de ventura e
gritos de aflição, cânticos de louvor pontilhados de fel e brados de esperanças
que se calam, de súbito, no gelo do sofrimento.
Rimos e choramos, livres e presos, triunfantes e derrotados, felizes e
desditosos...
Bênçãos de alegria, que nos clareiam. pequeninas vitórias alcançadas,
desaparecem, de pronto, no fundo tenebroso das quedas que nos marcaram a
vida.
Suspiramos pela ascensão sublime, sedentos de comunhão com as entidades
heroicas que nos induzem aos galardões fulgentes dos cimos, todavia, trazemos o
desencanto das aves cativas e mutiladas.
Ao invés de asas, carregamos grilhões, na penosa condição de almas
doentes...
Na concha da saudade, ouvimos as melodias que irrompem das vanguardas
de luz, entretecidas na glória dos bem-aventurados. no entanto, austeras
admoestações nos, chegam da Terra pelo sem-fio da consciência...
Nas faixas do mundo somos requisitados pelas obrigações não cumpridas.
Erros e deserções clamam dentro de nós, pedindo reparos justos...
Longe das esferas superiores que ainda não merecemos e distanciados das
regiões positivamente inferiores em que nossas modestas aquisições evolutivas
encontraram inicio, concede-nos, então, a Providência Divina,, o refúgio do lar,
entre as sombras da Terra e as rutilâncias do Céu, por instituto de tratamento,
em que se nos efetive a necessária restauração.

3
É assim que reencarnados em nova armadura física, reencontramos
perseguidores e adversários, credores e cúmplices do pretérito, na forma de
parentes e companheiros para o resgate de velhas contas.
Nesse cadinho esfervilhante de responsabilidades e inquietações, afetos
renovados nos chamam ao reconforto, enquanto que aversões redivivas nos
pedem esquecimentos...
A vista disso, no mundo, por mais atormentado nos seja o ninho familiar
abracemos nele a escola bendita do reajuste onde temporariamente exercemos o
oficio da redenção.
Conquanto crucificados em suplícios anônimos atados a postes de sacrifício
ou semi-asfixiado no pranto desconhecido das grandes humilhações, saibamos
sustentar-lhe a estrutura moral, entendendo e servindo, mesmo à custa de
lágrimas, porque é no lar, esteja ele dependurado na crista de arranha-céus, ou
na choça tosca de zinco, que as leis da vida nos oferecem, as ferramentas de
amor e da dor para a construção e reconstrução do próprio destino entregando-
nos, de berço em berço, ao carinho de Deus que verte inefável, pelo colo das
mães.

Vigília Maternal
( Livro: O Espírito Da Verdade – Espíritos Diversos – Chico Xavier )

Sorves, em lágrimas silenciosas, o cálice da amargura, ante o filho


desobediente, e notas no coração que o amor e a dor palpitam juntos em
paroxismos e profundezas.
Desencantada com as leves nódoas2 de indignidade que lhe entreviste no
caráter, reparas, chorando, que ele não é mais a aparição celeste dos primeiros
dias e, ao ponderar-lhe a falência iniciante, temes a liberdade que o tempo lhe
concederá na construção do destino.
Pretextando querê-lo, não te rendas à feição de praça vencida...
Conquanto carregues o espinho da angústia engastado na alma, é preciso
velar no posto de sentinela.
Não deformes o sentimento que te pulsa no peito.
Fortalece a própria vontade, governando-lhe os impulsos.
Ceder sempre, no fundo, é menosprezar.
Sê previdente, aparando-lhe os caprichos.
Acende a luz da prece e medita nas dores excruciantes que alcançaram
também a doce mãe de Jesus e ergue a voz no corretivo às irreflexões e aos
anseios imoderados que o visitam, se queres fazer dele um homem.
Dosa o sal da energia e o mel da brandura, nos condimentos da educação.
Nem liberdade desordenada, nem apego excessivo.
Se teu filho é tua cruz, lembra-te de que, na Terra, não há nascimento de
santos. Almas em luta consigo mesmas, é compreensível vivamos todos nós, não
raro, em luta uns com os outros, nos passos ziguezagueantes da experiência.
Sê operosa e humilde, sem ser escrava.
Não cultives desgostos.

4
Sê fiel à esperança.
Não fites ingratidões, nem coleciones queixumes.
A missão divina da maternidade apóia-se na força onipotente do amor.
Envolve teu filho na palavra de benção, que vence o orgulho, e na luz do
exemplo que dissipa as sombras da rebeldia.
Faze que se lhe desenvolvam os sentimentos bons do coração, que o
musgo3 dos séculos recobriu e ocultou.
Não te faças borboleta do sono, quando a vida te pede vigílias de guardiã.
No rio da existência humana, os espíritas são as gotas d'água que se
transformam em lâminas de arremesso contra as pedras dos obstáculos, talhando
caminhos novos.
O Espiritismo gera consciências livres. Prova a teu filho semelhante verdade
pelas próprias ações de renúncia e discernimento, conjugando o bálsamo do
carinho com a rédea da autoridade.
Não queiras transformá-lo, à força, em escolhido, dentre aqueles chamados
pelo Senhor.
Filhos do Eterno, todos somos cidadãos da Eternidade e somente elevamos a
nós mesmos a golpes de esforço e trabalho, na hierarquia das reencarnações.
Assim, pois, embora muitas vezes torturada na abnegação incompreendida,
mostra a teu filho que a Lei Divina é insubornável e que todo espírito é
responsável por si próprio.
Anália Franco

Perguntas

01 – Como se relacionam afetivamente os espíritos, na vida espiritual?


02 – O que acontece a esses espíritos quando uma nova encarnação os
reconduz ao mundo material?
03 – De que modo a afeição entre os espíritos se torna mais forte a cada
encarnação?
04 – Qual a diferença entre afeição espiritual e afeição carnal?
05 – As ligações baseadas em interesses permanecem no mundo dos
espíritos?
06 – Por que, sem razão aparente, simpatizamos ou antipatizamos com
certas pessoas, mesmo familiares?
07 – Na vida espiritual temos vários pais e diferentes mães?
08 – Que lição de vida nos dá o tema de hoje?

Conclusão

Nem a paixão dos sentido nem os interesses materiais ligam os espíritos:


apenas a afeição sincera os mantêm unidos, tanto na terra como no céu.

5
Recomendações

****
Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. IV, Itens 19 a 23

Respostas das perguntas anteriores – 7º Roteiro

1º Resposta: Sendo João o próprio Elias reencarnado , Jesus alude á


época em que João Batista era Elias, deixando claro que ambos são o
mesmo espírito em duas encarnações distintas.
“Jesus reafirma claramente o principio da reencarnação, quando diz: „Se
quiserdes compreender o que vos digo ele mesmo é o Elias que há de
vir.”

2º Resposta: Á violência da lei mosaica que, considerando o Reino de


Deus como um espaço físico reservado exclusivamente aos hebreus – a
Terra Prometida, ordenava o extermínio dos demais povos, pois, sendo
infiéis, não poderiam entrar no paraíso que lhes pertencia.
“Desde os tempos de João Batista até o presente, o reino dos céus é
tomado pela violência e são os violentos que arrebatam.”

3º Resposta: Ele nos ensina que este Reino não é propriedade de um


único povo, mas herança de todos quantos amem a Deus e ao próximo.
Ele estabelece uma nova lei, segundo a qual se obtém o céu pela
caridade e brandura, não pela violência.
“Jesus é o macro na história da humanidade na Terra, que estabelece
uma nova compreensão do Reino Dos Céus e uma nova forma de
convivência entre os homens, baseada no amor.”

4º Resposta: Jesus reconhecia que nem todos os que ouviam falar de


João Batista e Elias como sendo a mesma pessoa, poderiam entende-lo,
visto que seu nível de progresso espiritual não lhes permitia ainda
compreender certas verdades.
“Naquele tempo, como hoje, nem todos os que ouvem a palavra de Jesus
a entendem; e em menor número ainda são os que a põem em prática.”

5º Resposta: Ao dizer “Aqueles do vosso povo a quem a morte foi dada


viverão de novo”. Com esta frase explícita, o profeta afasta a hipótese de
que estaria falando apenas no sentido espiritual, pois se assim fosse
teria dito “ainda vivem” e não “viverão de novo”.
“Aqueles que estavam mortos em meio a mim ressuscitarão.”

6
6º Resposta: Elas aludem de forma inequívoca á reencarnação do
espírito, referindo-se tanto ao término da vida material, com o
despojamento do corpo, como á condição de espera em que permanece o
espirito, enquanto aguarda outra oportunidade de voltar á vida com novo
corpo.
”Acabando os dia de minha existência terrestre, esperarei, porquanto a
ela voltarei de novo.”

7º Resposta: Não. Este princípio está presente na cultura de povos


antigos e em livros sagrados do Antigo Testamento; foi ensinado há
quase dois mil anos por Jesus. O Espiritismo apenas aprofunda o seu
entendimento e o torna acessível a muitos.
“A reencarnação é a lei de Deus e sua noção se perde na Antiguidade. O
Espiritismo vem resgatar este conceito, esclarecendo-o melhor e
colocando-o ao alcance de muitos.

Glossário
01 – nubente
: que ou quem está prestes a contrair matrimônio
02 – nódias
: pequeno sinal ou espaço de cor diferente numa superfície de cor uniforme, deixado por substância que tinge ou
suja; mancha
: ação ou ocorrência considerada desonrosa e que prejudica a reputação de uma pessoa; mácula, estigma, labéu
03 – musgos
: design. comum a todas as plantas da divisão das briófitas
: espécime dos musgos
: subdivisão ou classe da divisão das briófitas que reúne plantas cujo gametófito é formado por um eixo caulinar,
folhas delicadas, ger. dispostas em espiral, rizoides multicelulares, e apresentam esporófito na região apical;
encontram-se distribuídas em todo o mundo, em grande diversidade ambiental

7
Anotações

8
União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo - EESE
Cap. IV, Item 19 a 23

9º Roteiro – A Reencarnação E Os Laços De Família


Objetivos

De analisarmos, à luz da doutrina espírita, a presença e a ausência de


afinidades entre pessoas que integram uma mesma família e estabelecer relação
entre a progressão gradativa dos espíritos e o incessante estreitamento dos laços
de afeição entre eles.

A reencarnação fortalece os laços de família, ao passo que a


unicidade da existência os rompe.

19 – A união e a afeição entre parentes indicam a simpatia anterior que as


aproximou. Por isso, diz-se de uma pessoa cujo caráter, cujos gostos e
inclinações nada têm de comum com os dos parentes, que ela não pertence à
família. Dizendo isso, enuncia-se uma verdade maior do que se pensa. Deus
permite essas encarnações de Espíritos antipáticos ou estranhos nas famílias,
com a dupla finalidade de servirem de provas para uns e de meio de progresso
para outros. Os maus, se melhoram pouco a pouco, ao contato dos bons e pelas
atenções que deles recebem, seu caráter se abranda, seus costumes se depuram,
as antipatias desaparecem. É assim que se produz a fusão das diversas
categorias de Espíritos, como se faz na Terra entre a raças e os povos.
20 – O medo do aumento indefinido da parentela, em consequência da
reencarnação, é um medo egoísta, provando que não se possui uma capacidade
de amor suficientemente ampla, para abranger um grande número de pessoas.
Um pai que tem numerosos filhos, por acaso os amaria menos do que se tivesse
apenas um? Mas que os egoístas se tranqüilizem, pois esse medo não tem
fundamento. Do fato de ter um homem dez encarnações, não se segue que tenha
de encontrar no mundo dos Espíritos dez mães, dez esposas e um número
proporcional de filhos e de novos parentes. Ele sempre encontrará os mesmos
que foram objetos de sua afeição,que lhe estiveram ligados na Terra por diversas
maneiras, e talvez pelas mesmas maneiras.
21 – Vejamos agora as conseqüências da doutrina anti-reencarnacionista. Essa
doutrina exclui necessariamente a preexistência da alma, e as almas sendo
criadas ao mesmo tempo em que os corpos, não existe entre elas nenhuma
ligação anterior. São, pois, completamente estranhas umas às outras. O pai é
estranho para o filho, e a união das famílias fica assim reduzida unicamente à

1
filiação corporal, sem nenhuma ligação espiritual. Não haverá portanto nenhum
motivo de vanglória por se ter entre os antepassados algumas personagens
ilustres. Com a reencarnação, antepassados e descendentes podem ser
conhecidos, ter vivido juntos, podem se ter amado, e mais tarde se reunirem de
novo para estreitar os seus laços de simpatia.
22 – Isso no tocante ao passado. Quanto ao futuro, segundo os dogmas
fundamentais que decorrem do princípio anti-reencarnacionista, a sorte das
almas está irrevogavelmente fixada após uma única existência. Essa fixação
definitiva da sorte implica a negação de todo o progresso, pois se há algum
progresso, não pode haver fixação definitiva da sorte. Segundo tenham elas bem
ou mal vivido, vão imediatamente para a morada dos bem-aventurados ou para o
inferno eterno. Ficam assim imediatamente separadas para sempre, sem
esperanças de jamais se reunirem, de tal maneira que pais, mães e filhos,
maridos e esposas, irmãos e amigos, não têm nunca a certeza de se reverem: é a
mais absoluta ruptura dos laços de família.
Com a reencarnação, e o progresso que lhe é conseqüente, todos os que
se amam se encontram na terra e no espaço, e juntos gravitam para Deus. Se há
os que fracassam no caminho, retardam o seu adiantamento e a sua felicidade.
Mas nem por isso as esperanças estão perdidas. Ajudados, encorajados e
amparados pelos que os amam, sairão um dia do atoleiro em que caíram. Com a
reencarnação, enfim, há perpétua solidariedade entre os encarnados e os
desencarnados, do que resulta o estreitamento dos laços de afeição.
23 - Em resumo, quatro alternativas se apresentam ao homem, para o seu
futuro de além-túmulo: 1º) o nada, segundo a doutrina materialista; 2º) a
absorção no todo universal, segundo a doutrina panteísta; 3º) a conservação da
individualidade, com fixação definitiva da sorte, segundo a doutrina da
Igreja; 4º) a conservação da individualidade, com o progresso infinito, segundo
a doutrina espírita. De acordo com as duas primeiras, os laços de família são
rompidos pela morte, e não há nenhuma esperança de se reencontrarem; com a
terceira, há possibilidade de se reverem, contanto que esteja no mesmo meio,
podendo esse meio ser o inferno ou o paraíso; com a pluralidade das existências,
que é inseparável do progresso gradual, existe a certeza da continuidade das
relações entre os que se amam, e é isso o que constitui a verdadeira família.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Renascer
( Livro: Estudos Espíritas – Espírito, Joanna de Ângelis – Divaldo Franco )

CONCEITO – Conhecida como Palingenésia entre os povos da Antiguidade e


ora denominada Metensomatose pelos modernos investigadores, a reencarnação
significa o retornar do espirito ao corpo tantas vezes quantas se tornem
necessárias para o autoburilamento, libertando-se das paixões e adquirindo
experiência superiores, sublimando as expressões do instinto ao tempo em que

2
desenvolve a inteligência e penetra nas potencialidades transcendentes da
intuição. É o renascimento no corpo físico.
A reencarnação é a mais excelente demonstração da Justiça Divina, em
relação aos infratores das Leis, na trajetória humana, facultando-lhes a
oportunidade de ressarcirem numa os erros cometidos nas existências transatas.
A evolução é impositivo da Lei de Deus, incessante inquestionáveis. Nessa
Lei não existe o repouso, o letargo das forças, a inércia. Por toda a parte e
sempre o impositivo da evolução, o imperativo do progresso.
Desde a mais débil expressão anímica que a vida, dormente, sonha e
espera, até a angelitude em que fomenta e frui a felicidade e o amor, o progresso
se faz imperioso.
O estacionamento, a parada, representaria o caos.
Ininterruptamente as conquistas que se acumulam, jazendo, ás vezes,
embrionárias ou adormentadas, num ciclo carnal, se desenvolve noutro; ou,
quando entorpecidas transitoriamente na investidura somática, se desdobram,
valiosas, além da constrição celular.
A reencarnação enseja, mediante processo racional, a depuração do espírito
que envolve, contribuindo simultaneamente para o aperfeiçoamento e a sutilidade
da própria organização física, nos milênios contínuos da evolução.
Aceita logicamente por uns e anatematizada por outros, dentre os mais
eminentes religiosos e pensadores da Humanidade, tem as suas bases assentes
nos impositivos da Sabedoria de Nosso Pai que tudo estabeleceu em diretrizes
consentâneas com as necessidades da Sua Obra.
Estruturada em princípios iquivalentes, estatui como base o amor e esparze
a misericórdia, em convites de excelsa probidade, para os náufragos das
realizações malogradas, que têm necessidade de recomeço para avançarem na
direção do êxito que a todos nos aguarda.
HISTÓRICO – Revelada pelos Espíritos – seus lídimos divulgadores – desde
os primórdios das experiências nos Santuários da iniciação esotérica do passado
longínquo, constitui o alicerce das Religiões do pretérito, que nela hauriram as
mais relevantes bênçãos de consolação e esperança para os seus adeptos,
norteando-se com segurança pelas trilhas da elevação.
Pode-se mesmo afirma que a sua é a história da evolução do pensamento
religioso, que nas imarcescíveis nascentes da mediunidade encontrou a
informação segura dos sucessivos renascimentos, como eficiente veículo de
evolução.
Na Índia, desde remotíssima antiguidade, de que nos dão notícias os
Vedas1* e o Bhagavad-Gitâ2*, o conhecimento da reencarnação era sobejamente
divulgado através do cantos imortais da formação moral e cultural do homem.
Difundida amplamente entre os orientais, foi Pitágoras 3* quem a introduziu
na cultura grega, após tê-la absorvido dos esoteristas egípcios e persas, nas
continuas viagens realizadas, que visavam buscar melhores informações para o
enigma da vida nos seus multifários mistérios.

3
Não obstante oferecessem os egípcios uma concepção especial, através do
que consideravam a Metempsicose, ou reencarnação do espirito humano em
forma animal, subentende-se que tal concepção era consequência de errônea
interpretação do fenômeno da zoantropia1, decorrente da perturbação espiritual
em que muitas Entidades infelizes se apresentavam nos Cultos, traduzindo as
punições orgânicas e psicológicas engendrando auto-suplícios apenas transitórias,
na Erraticidade. Nesse sentido, mesmo Heródoto4*, o “pai da História”, ensinando
Doutrina das Vidas Sucessivas, supunha que a Metempsicose fosse um punição
necessária ao espirito calceta, o que, se assim o fora, violaria a lei incessante da
evolução com um recesso á fase animal.
Sófocles5* como Aristófanes6* adotaram a crença na reencarnação.
Platão divulgou-a, fundamentando o seu ensino nas informações pitagóricas.
Posteriormente, os neoplatônicos2, tais Origenes7*, Tertuliano8*, Jâmblico9*,
Pórfiro10*, discípulo e herdeiro de Plotino11*, consideravam a reencarnação como
sendo o único meio capaz de elucidar os problemas e enigmas com que
defrontavam no exame da Filosofia e na interpretação das necessidades
humanas.
Virgino12* e Ovídio13*, os eminentes pensadores romanos, impregnaram-se
das suas excelentes lições, difundindo-as largamente.
Os druidas3 apoiavam todos os seus ensinos na justiça da Palingenesia.
Os hebreus aceitavam-na, adotando-a sob o nome de Ressureição, de que a
Bíblia nos dá reiteradas confirmações.
Nas experiências medievais, em que a cultura se deteve esmagada, fez-se
que desaparecesse temporariamente, apesar de cultuada por alguns raros
estudiosos, para que Allan Kardec, ainda pela revelação dos Espíritos, novamente
a trouxesse á Terra, na mais comovente demonstração confirmativa do
Consolador, consoante o prometera Jesus.
Muitos pensadores medievais adotaram a conceituação das vidas sucessivas,
entregando-se ás pesquisas mediante as quais não poucas vezes pagaram o
atrevimento com a própria, em se considerando a intolerância e ignorância então
vigentes em torno dos problemas espirituais.
Incontáveis pessoas se hão surpreendido em face das lembranças das vidas
passadas, em que mergulham inconscientemente, experimentando nas evocações
os estados emocionais característicos nos personagens que antes animaram. Da
sistemática recordação, com os sucessivos mergulhos nas lembranças do
passado, muitos têm sido vitima de distonia de varia ordem, perturbando-se, sem
conseguirem estabelecer os limites entre os fatos de uma e de outra existência: a
do passado, que retorna vigorosa, e a do presente, que se vai submetendo ao
impositivo da outra.
Na vida infantil, porque o espirito ainda se encontra em processo de fixação
total nas células, apropriando-se do campo somático, apouco e pouco, surgem
frequentemente nos diversos campos da Arte, da Filosofia, Da ciência e da
Religião os que externam precocidade surpreendente, revelando conhecimento

4
superiores aos do tempo em que vivem ou recordando os ensinamentos
aprendidos anteriormente.
A memoria da aprendizagem e dos fatos não se perde nunca, pois que esta
não é patrimônio das células cerebrais, que as traduzem, estando incorporada ao
períspirito, que a fixa, acumulando as experiência das múltiplas existências,
mediante as quais o Espirito evolute, nas diversas faixas que se lhe fazem
necessárias.
Crianças houve que foram capazes de se expressar corretamente em
diversos idiomas, desde os dois anos de idade, sem os terem aprendido.
Incontáveis crianças também revelaram pendor musical, compondo e
interpretando pelas clássicas antes que pudessem segurar um violino, ou dispor
de mobilidade para uma oitava no teclado de um piano.
Escultores deslumbraram seus mestres em plena idade infantil.
Assim também, matemáticos, astrônomos, físicos modernos evocam da
última reencarnação quanto aprenderam e agora retornam a ampliar, ainda mais,
as suas aquisições para serem aplicadas a serviço da Humanidade.
No passado, Jean Baratier14*, que desencarnou com a idade de dezenove
anos, vitima de “cansaço cerebral”, falava corretamente diversos idiomas. Aos
nove anos escreveu um dicionário, com larga complexidade etimológica.
William Hamilton15* com apenas três anos estudou o hebraico. Mais tarde,
aos doze anos, conhecia 12 idiomas que flava corretamente.
Outros – como no caso de Jaques Criston16*, que conseguia discutir
utilizando-se do latim, grego, árabe, hebraico, sobre as mais diversas questões,
com tranquilidade – fizeram-se célebres.
Henri de Hennecke17*, com dois anos, expressava-se em três línguas...
Volumosa é a literatura sobre o assunto, não somente na xenoglossia4 como
em diversos ramos do Conhecimento.
As evocações das vidas passadas independem da idade em que podem
ocorrer. Naturalmente que na primeira infância são mais repetidas as lembranças
da reencarnação anterior, pela facilidade com que o espirito, não totalmente
interpenetrado pelas células físicas, conserva a memoria das ocorrências
guardadas.
No presente, as experiências de regressão da memória, pela hipnologia5,
vêm trazendo larga e valiosa contribuição ao estudo da reencarnação, pelas
largas possibilidades de comprovação de que se podem dispor, ampliando
grandemente o campo das observações e provas.
REENCARNAÇÃO E JESUS – Foi Jesus, indubitavelmente, quem melhor
afirmou a necessidade da reencarnação, a fim de que o homem possa atingir o
Reino De Deus.
Em seu diálogo com Nicodemos (João 3:1 a 14 ) asseverou iniludivelmente
que o retorno á organização física para reparar a aprender, nascendo “do corpo e
do espirito”, repetindo as experiências que a necessidade impõe para a própria
redenção. Não obstante Nicodemos interrogar?, o Senhor assegurou-o,

5
interrogando-o, a seu turno: como seria incrível que ele, doutor em Jerusalém,
ignorasse aquilo, que era conhecido pelos estudiosos e profetas?!
Interpretou-se por longos anos, erradamente, que o batismo produziria o
renascimento do homem.
O Senhor, porém, foi incisivo quanto ao retorno á vida física.
Os modernos conhecimentos científicos atestam que as primeiras formas de
vida, desde a concepção, se fazem em ambiente aquoso, seja a próprias
constituição do gameta6 feminino como o masculino, de cuja fusão (água) nasce
o novo corpo, que, adquirindo personalidade diversa da que possuía antes (
espirito), recomeça o cadinho purificador, expungindo males e sublimando
experiências para “entrar no Reino dos Céus”.
Posteriormente, respondendo ás perguntas dos discípulos ( Mateus, 17:10 a 13 ),
ao descer do Tabor, após a Transfiguração, reiterou que o Elias esperado, “aquele
que havia de vir, já viera”, facultando aos discípulos que entenderam ser de “João
Batista que Ele falara”.
Somente pela reencarnação e não através da ressureição João Batista
poderia ser Elias, o Profeta querido de Israel.
Considerando a severidade com que Elias tratara os adoradores do deus
18*
Baal , mandando-os passar a fio de espada, pela espada padeceu, o impositivo
das paixões de Herodiades19* e do terrível medo do reizete7 Herodes.
Jesus não modificou nem o ensino dos profetas nem o estabelecido pela Lei
Antiga. Antes dotou-os, acrescentando a sublime Lei do Amor, como sendo a
única que poderia facultar ao homem a paz e a felicidade almejadas, propiciando-
lhes desde a Terra o sonhador Reino de Deus.
Através da reencarnação mais se afirma os laços de família, generalizando-
se o amor em caráter universalista, em detrimento do egoísmo decorrente dos
laços do sangue e da carne. Os espíritos recomeçam as jornadas interrompidas
onde melhor encontram as condições para a melhoria intima, volvendo aos
mesmos sítios da consanguinidade, quando ali podem usufruir benefícios de
reajustamento familial ou de maior progresso espiritual.
Esquecendo-se temporariamente das razões matrizes do amor ou do ódio,
como do impositivo do resgate nas aflições e dores de vário porte, o Espírito frui
a bênção de ter diminuídos os móveis através dos quais fracassou ou se permitiu
fascinar, reencetando as tarefas, por tendências, afinidades ou desagrados que
motivaram aproximação ou repulsa das pessoas com as quais é convidado a
viver. Sejam quais forem, porém, os motivos d simpatia ou da antipatia, a cada
um cabe superar as dificuldades e vencer as animosidades, a fim de lograr êxito
no empreendimento reencarnacionista, sem o que todo tentame redundaria como
improfícuo8, senão pernicioso.
O transitório esquecendo do passado facilita os recomeços, ensejando mais
amplas possibilidades ao entendimento e á cordialidade. Lembrasse-se o Espirito
dos motivos da antipatia ou do amor, vincular-se-ia apenas aos seres simpáticos,
afastando-se daqueles por quem se sentiu prejudicado, complicando,
indefinidamente, a libertação das causas infelizes do fracasso.

6
Assim, o filho revel retorna na condição de pai, a esposa ultrajada volve
como mãe abnegada, o criminoso odiento reinicia ao lado da vitima antiga, o
infrator da existência física, autocida, reencarna com as limitações que ocasionou,
mediante o atentado perpetrado conta organização somática. A cerebração mal
aplicada redunda de qualquer natureza constroem o suplicio da miséria, física ou
moral, como medida educadora de que necessita o defraudador.
Merece considerar, ainda, que em cada dia surgem oportunidades novas que
facultam ao homem fazer e refazer, aprimorando-se sem cessar, olvidando o mal
e adicionando o bem ás próprias aquisições com que se prepara para a libertação
íntima e intransferível. Por isso é a atual oportunidade, para cada um que se
encontra no labor da carne, bênção de realce que não pode ser malbaratada sem
consequência lamentáveis, de que só tardiamente compreenderá em toda sua
complexidade.
*
Seja qual for a situação em que te encontres, agradece a Deus a atual
conjuntura expiatória ou provacional, utilizando-te do tempo com sabedoria e
discernimento, de modo a construíres o futuro, desde que o presente se afigure
afligente ou doloroso.
O que hoje possuis vem de ontem, podendo edificar para o amanhã, através
do uso que faças das faculdades ao teu alcance.
Qualquer corpo, mesmo quando mutilado ou limitado, assinalado por
enfermidades ultrizes e rigorosas, constitui concessão superior que a todos cabe
zelar e cultivar, desdobrando recursos e entesourando aquisições, mediante os
quais poderá planar logo mais nas Ragiões felizes, livre dos retornos dolorosos e
recomeços difíceis.
ESTUDO E MEDITAÇÃO:
”Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea,
acabar de depurar-se?
“Sofrendo a prova de uma nova existência.”
“a) Como realiza essa nova existência? Será pela sua transformação como
Espirito?
“Depurando-se, a alma indubitavelmente experimenta uma transformação,
mas pra isso necessária lhe é a prova da vida corporal.”
“b) A alma passa então por muitas existências corporais?
“Sim, todos contamos muitas existências. Os que dizem o contrário
pretendem manter-vos na ignorância em que eles próprios se encontram. Esse o
desejo deles.”
“c) Parece resultar desse principio que a alma, depois de haver deixado um
corpo, toma outro, ou, então, que reencarna em novo corpo. É assim que deve
entender?
“Evidentemente.”
“Qual o fim objetivado com a reencarnação?
“Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto, onde a
justiça?”
( O Livro Dos Espíritos, Allan Kardec, questão 166 e 167.)

7
*
“A união e a afeição que existem entre pessoas parentes são um índice da
simpatia anterior que as aproximou. Daí vem que, falando-se de alguém cujo
caráter, gostos e pendores nenhuma semelhança apresentam com os dos seus
parentes mais próximos, se costuma dizer que ela não é da família. Dizendo-se
isso, enuncia-se uma verdade mais profunda do que se supõe. Deus permite que,
nas famílias, ocorram essas encarnações de Espíritos, antipáticos ou estranhos,
com o duplo objetivo de servir de prova para uns e, para outros, de meio de
progresso. Assim, os maus se melhoram pouco a pouco, ao contacto dos bons e
por efeito dos cuidados que se lhes dispensam. O caráter deles se abranda, seus
costumes se apuram, as antipatias se esvaem. É desse modo que se opera a
fusão das diferentes categorias de Espíritos, como se dá na erra com as raças e
os povos.”
( O Evangelho Segundo O Espiritismo, Allan Kardec, Cap. IV, Item 19)

Perguntas

01 – A que podemos atribuir afeição e o bom entendimento que se


verifica entre pessoas de uma mesma família?
02 – E a ausência de afinidades entre familiares, o que revela?
03 – Qual a finalidade do ingresso de espíritos antipáticos ou estranhos
como membros de uma família?
04 – Através das sucessivas encarnações, o número de membros de uma
família aumenta indefinidamente?
05 – Sob a ótica anti-reencarnacionista, como são os laços entre os
espíritos que constituem a mesma familia?
06 – Há possibilidade de os espíritos progredirem, segundo a doutrina
anti-reencarnacionista?
07 – Que alternativas o homem encontra, hoje, acerca do futuro após a
morte?
08 – Que lição de vida tiramos destes ensinamentos?

Conclusão

O ambiente familiar é, ao mesmo tempo, escola de fraternidade e oficina de


progresso. Através de sucessivas encarnações, em que somos ora pais ora filhos,
aprendemos a amar e a perdoar e, na condição de irmãos, nos aproximar pelos
participantes.

Recomendações

8
Ler no O Evangelho Segundo o Espiritismo, os capítulos IV, Itens 24, 25 e 26
Instruções dos Espíritos – Limites Da Reencarnações – Necessidade da
Encarnação

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V, Itens 1 a 3

Respostas das perguntas anteriores – 8º Roteiro

1º Resposta: Eles formam grupos ou famílias entrelaçados pela afeição,


pela simpatia e pela semelhança das inclinações; e desfrutam a sublime
alegria de estarem juntos, compartilhando novas experiências.
“Ditosos por se encontrarem juntos, esses espíritos se buscam uns aos
outros.”

2º Resposta: Uns permanecem separados apenas momentaneamente,


buscando-se de novo na erraticidade, como amigos que voltam de uma
viagem; outros se reúnem em nova encarnação, encontrando-se num
mesmo círculo de amizade ou na mesma familiar, a fim de trabalharem
juntos pelo seu mútuo adiantamento.
“Se uns encarnam e outros não, nem por isso deixam de estar unidos
pelo pensamento. Os que se conservam livres velam e auxiliam os que se
acham em cativeiro.”

3º Resposta: Após cada existência os espíritos alcançam níveis


superiores de aperfeiçoamento, tornando-se progressivamente menos
presos á matéria. Sem a interferência do egoísmo e das paixões, a
afeição que os une torna-se mais apurada e verdadeira.
“Podem, portanto, (os espíritos) percorrer, assim, ilimitado número de
existências corpóreas, sem que nenhum golpe receba a estima mútua
que os liga.”

4º Resposta: A afeição espiritual é aquela que verdadeiramente liga as


almas e única que sobrevive á destruição do corpo. A afeição carnal une
os seres através dos sentidos, desaparecendo juntamente com o corpo.
“Duráveis somente o são as afeições espirituais; as de natureza carnal se
extinguem com a causa que lhes deu origem.”

5º Resposta: Não. As pessoas que se unem por laços de interesse, sejam


ele de que natureza forem, nada representam umas para as outras,
senão instrumento de satisfação de suas ambições. Tais interesses não
sobrevivem a vida corpórea.

9
“Aqueles que se ligam por interesse nada realmente são uns para os
outros; a morte os separará, tanto na terra como no céu.”

6º Resposta: Estes sentimentos podem revelar simpatias de vidas


passadas ou rixas e desentendimentos anteriores.
“Façamos da presente encarnação ocasião para fortalecer laços de
amizade e superar desentendimentos e malquerenças.”

7º Resposta: Não. No mundo espiritual as ligações consanguíneas


decorrentes da carne desaparecem: lá, somos todos irmãos.
“Do fato de um homem ter tido dez encarnações não se segue que vá
encontrar, no mundo dos espíritos, dez pais e dez mães (...). Lá,
encontrará sempre os que se unem por sincera afeição.
“No plano físico como no espiritual o amor liga os seres por laços
indissolúveis, que se tornam mais estreitos a cada nova encarnação.”

8º Resposta: Que a encarnação nos proporciona a convivência constante


com aqueles a quem amamos e que nada, nem mesmo a morte, consegue
separar os que se unem por sincera afeição.
“No plano físico como no espiritual o amor liga os seres por laços
indissolúveis, que se tornam mais estreitos a cada nova encarnação.”

Glossário
01 – zoantropia
: delírio no qual um indivíduo pensa ter sido transformado em animal
02 – neoplatônicos
: referente ao neoplatonismo ou partidário dessa doutrina
: neoplatonismo; escola filosófica alexandrina surgida no sII e em expansão até o sV, que interpreta o platonismo de
forma mística e espiritualista, supondo a transcendência de um Deus que, por emanação, cria a realidade profana, e
a possibilidade de que o ser humano, em um movimento de interiorização contemplativa e retorno às suas origens,
restabeleça a união com a divindade [Seu principal representante é o filósofo egípcio Plotino (205-270).]
03 – druidas
: sacerdote celta, de grande influência política, que acumulava funções de educador e juiz
04 – xenoglossia
: não encontrado
05 – hipnologia
: ciência que trata do sono
: estudo do hipnotismo e de suas manifestações
06 – gameta
: célula reprodutiva madura, ger. haploide; célula germinativa, genoblasto
07 – reizete
: pequeno rei; rei de um pequeno Estado; régulo
: rei sem importância
08 – improfícuo
: não profícuo, que não dá proveito; de que não resulta o que se esperava; inútil
: que não teve êxito; fracassado, vão, baldado

10
1* - Vedas
2* - Bhagavad-Gitâ
3* - Pitágoras
4* - Heródoto
5* - Aristófanes
6* - Neoplatônicos
7* - Origenes
8* - Tertuliano
9* - Jâmblico
10* - Pórfiro
11* - Plotino
12* - Virgino
13* - Ovídio
14* - Jean Baratier
15* - William Hamilton
16* - Jaques Criston
17* - Henri de Hennecke
18* - Deus Baal
19* - Herodiades

Anotações

11
12
União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo - EESE
Cap. V, Itens 1 a 3

10º Roteiro – Justiça Das Aflições


Objetivos

De analisarmos com os participantes que nossas aflições têm uma causa


justa, pois derivam da justiça divina; e ressaltar que a paciência e a resignação
nos aliviam as provas e nos reservam satisfações futuras.

Justiça Das Aflições

1 - Bem-aventurados os que choram, pois que serão consolados. –


Bemaventurados os famintos e os sequiosos de justiça, pois que serão saciados.
– Bemaventurados os que sofrem perseguição pela justiça, pois que é deles o
reino dos céus. (S. MATEUS, cap. V, vv. 5, 6 e 10.)
2 - Bem-aventurados vós que sois pobres, porque vosso é o reino dos céus. –
Bemaventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados. - Ditosos
sois, vós que agora chorais, porque rireis. (S. LUCAS, cap. VI, vv. 20 e 21.)
Mas, ai de vós, ricos que tendes no mundo a vossa consolação. - Ai de vós
que estais saciados, porque tereis fome. - Ai de vós que agora rides, porque
sereis constrangidos a gemer e a chorar. (S. LUCAS, cap. VI, vv. 24 e 25.)
3 - Somente na vida futura podem efetivar-se as compensações que Jesus
promete aos aflitos da Terra. Sem a certeza do futuro, estas máximas seriam um
contra-senso; mais ainda: seriam um engodo. Mesmo com essa certeza,
dificilmente se compreende a conveniência de sofrer para ser feliz. E, dizem, para
se ter maior mérito. Mas, então, pergunta-se: por que sofrem uns mais do que
outros? Por que nascem uns na miséria e outros na opulência, sem coisa alguma
haverem feito que justifique essas posições? Por que uns nada conseguem, ao
passo que a outros tudo parece sorrir? Todavia, o que ainda menos se
compreende é que os bens e os males sejam tão desigualmente repartidos entre
o vício e a virtude; e que os homens virtuosos sofram, ao lado dos maus que
prosperam. A fé no futuro pode consolar e infundir paciência, mas não explica
essas anomalias, que parecem desmentir a justiça de Deus.
Entretanto, desde que admita a existência de Deus, ninguém o pode
conceber sem o infinito das perfeições. Ele necessariamente tem todo o poder,
toda a justiça, toda a bondade, sem o que não seria Deus. Se é soberanamente
bom e justo, não pode agir caprichosamente, nem com parcialidade. Logo, as
vicissitudes da vida derivam de uma causa e, pois que Deus é justo, justa há de

1
ser essa causa. Isso o de que cada um deve bem compenetrar-se. Por meio dos
ensinos de Jesus, Deus pôs os homens na direção dessa causa, e hoje, julgando-
os suficientemente maduros para compreendê-la, lhes revela completamente a
aludida causa, por meio do Espiritismo, isto é, pela palavra dos Espíritos.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Oportunidade excelente
( Livro: Lampadário Espírita – Espírito, Joanna de Ângelis – Divaldo Franco )

Embora a insegurança que teima por conduzir o teu comportamento, levanta


o ânimo e para a reformular os conceitos de modo a reencetares a marcha pela
trilha da redenção.
Detém-te a considerara a dádiva da oportunidade excelente destes dias e
empenhar-te no aproveitamento das horas. Renasceste na Terra assinalado por
nobres compromissos atender. Passa o tempo e o panorama dos propósitos
ainda não se modificou, ensejando-te a concretização das tarefas que devem
constituir a razão da tua existência.
Referes-te a dificuldades e anotas decepções impregnando a mente com os
miasmas da revolta injustificável, embrenhando-te hora-a-hora pelo matagal dos
aflições. Os deveres, diante disso, parecem descoloridos e a própria vida
distituida de objetivos dignos de vividos.
Dedicação exclusiva ao ideal de uma fé clarificadora, qual a espiritista,
parece-te loucura, como loucura a muitos parecia a total doação do apóstolo
Paulo aos postulados do Cristianismo nascente...
A concessão de um corpo sadio, feita a um espírito banhado pela luarizante
bênção da fé imortalista, significa, na atualizada, dádiva que apenas raros sabem
valorizar devidamente. Muitos, aquinhoados com essa mercê, distraem-se na
busca desenfreada de segurança social; atêm-se outros á alfândega das migalhas
reluzentes de aquisição enganosa; diversos rebolcam-se no paul dos gozos
animalizantes, opiados1, pelas trivialidades, para despertarem todos, mis tarde,
sofridos e desventurados, entre remorsos indescritíveis ou alucinações
desoladoras.
Isto, sim, são loucura!
Campeiam, no entanto, abundantes oportunidades de toda procedência e
qualidade para quem deseja utilizar o prêmio da reencarnação, doando-se aos
misteres elevados.
*
2
O desequilíbrio dos cardos deve constituir-se força de estímulo na
continuidade da peleja. O malogro dos que sucumbem podes transformar em
encorajamento para o próprio prosseguimento.
O gume3 que dilacera e destrói vida é arma salvadora nas mãos hábeis do
cirurgião.
O ofídio4 que mata empresta tóxico para antídotos salvadores...

2
Não desanimes diante da conturbação que envolve homens, sociedades,
agremiações e empalidece ideias.
Jesus é o mesmo para todos nós, ensinando-nos com a grandeza do
exemplo.
Exaltou-se mais, quando desprezado.
Atesou o amor e a confiança integral no Pai e na Sua justiça, quando
repelido pelos que amava.
Trocou de boamente um sólio5 resplendente por uma cruz de ironia e aceitou
uma cana imunda em caricatura deprimente de cetro, sem, todavia, ridicularizado
fazer-se ridículo, ou desprezado parecer desprezível..
... E Ele que nada devia!....
Recorda-o e segue-O.
As duas traves abraçadas em madeiro que receberia Sua lente agonia e
colheita na forma de braços sobre a terra o suor de sangue, Ele as transformou
em símbolo de redenção, que continua atual na hora presente, escondidas no imo
de cada um como martírio oculto a testar a fidelidade e o amor a Ele, na
incomparável e excelente oportunidade da atual reencarnação com que muitos
honra para a felicidade deles mesmos.

Afliges-te
( Livro: Espirito da Verdade – Espíritos diversos – Chico Xavier )

Afliges-te com a vizinhança do parente menos simpático.


Esqueces-te, no entanto, dos que vagueiam sem rumo.
Afliges-te com leve dor de cabeça que o remédio alivia.
Esqueces-te, porém, dos que carregam a provação da loucura na grade dos
manicômios.
Afliges-te por perder a condução, no momento oportuno.
Esqueces-te, entretanto, dos que jazem detidos em catres de sofrimento,
suspirando, pelo conforto de se arrastarem.
Afliges-te pelo erro sanável da costureira, na vestimenta que encomendaste.
Esqueces-te, contudo, daqueles que ostentam a pele ultrajada de chagas,
sem se queixarem.
Afliges-te em casa porque alguém não lhe fez o prato de preferência.
Esqueces-te, todavia, dos que varam a noite, atormentados de fome.
Afliges-te com as travessuras do filhinho desajustado.
Esqueces-te, contudo, das crianças perdidas, ao sabor da intempérie.
Afliges-te por insignificantes deveres no ambiente doméstico.
Esqueces-te, porém, dos que choram sozinhos, no leito dos hospitais.
Afliges-te, tantas vezes, por bagatelas!...
Fita, no entanto, a retaguarda e, reparando as aflições dos outros,
agradecerás ao Senhor a própria felicidade que não conseguias ver.
Emmanuel
Perguntas

3
01 – Quem são os que choram e serão consolados?
02 – E os que têm fome e sede de justiça, quem são estes?
03 – Quais os que sofrem perseguição pela justiça?
04 – A que pobres Jesus se refere?
05 – Ser pobre, então, é condição para se obter o reino dos céus e a
graça divina?
06 – A todos os ricos estará reservado o sofrimento?
07 – Quando desfrutamos das compensações prometidas por Jesus nesta
passagem?
08 – Como se pode acreditar na justiça de Deus e, ao mesmo tempo,
explicar a diferença de sorte entre os homens?

Conclusão

Ninguém padece sem justa razão, pois Deus não o permitiria. Portanto, em
nossas aflições, busquemos consolo na paciência e na resignação, lembrando
sempre que a vida futura nos reserva sublimes alegrias.

Recomendações

***

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V, Itens 4 a 5

Respostas das perguntas anteriores – 9º Roteiro

1º Resposta: Estes sentimentos parecem revelar a existência de uma


simpatia anterior que as uniu no passado e as mantêm ligadas no
presente.
“O fator que contribui para a aproximação dos espíritos e seu nascimento
numa mesma família é a simpatia, decorrente da afinidade de gostos e
inclinações.”

2º Resposta: Que naquele grupo estão reunidos espíritos estranhos uns


aos outros, sem nenhum vínculo de simpatia entre si.
“Os verdadeiros laços de família são os do espirito, e não os da carne.”

3º Resposta: Possibilitar ocasião de progresso para uns e prova para


outros, através do convívio familiar. Assim, os maus se melhoram pouco
a pouco, ao contato com os bons e por efeito dos cuidados que se lhes

4
dispensam, ensejando o desaparecimento da indiferença e antipatia que
os separavam e o fortalecimento dos laços de afeição.
“É desse modo que se opera a fusão das diferentes categorias de
espíritos, como se dá na Terra com as raças e os povos.”

4º Resposta: Não. O fato de um homem ter tido dez encarnações não


significa que tenha dez mães ou dez pais diferente, no mundo espiritual,
mas que lá encontrará sempre os que foram objeto de sua afeição e a ele
se ligaram na Terra, em condições diferente ou numa mesma condições.
“No mundo dos espíritos não há pais, mães ou filhos: lá, somos todos
irmãos.”

5º Resposta: Esta doutrina nega a preexistência da alma e defende o


principio de que esta é criada ao mesmo tempo que o corpo. Em
decorrência, há apenas uma ocasião material de convivência entre os
familiares, sem nenhum laço afetivo anterior nem possibilidade de
reencontro futuro.
“A filiação das famílias fica assim reduzida só a filiação corporal, sem
qualquer laço espiritual.”

6º Resposta: Tendo o espirito apenas uma encarnação, seu progresso fica


limitado a uma única existência, após a qual sua sorte estará
irrevogavelmente determinada, cessando qualquer possibilidade de
aperfeiçoamento.
“Os espíritos que se ligaram por laços de família, conforme tenham
vivido bem ou mal, vão para a mansão dos bem-venturados ou para o
inferno eterno, ficando assim para sempre separados e sem esperança de
se reunirem novamente.

7º Resposta: Quatro alternativas lhe são oferecidas: a) pela doutrina


materialista, o nada; b) pela doutrina panteísta, a absorção de sua
energia no todo universal; c) pelas religiões tradicionais, a fixação
definitiva da sorte de cada um; d) pela doutrina espirita, a possibilidade
infinita de progresso individual.
“Com a pluralidade das existências, inseparável da progressão gradativa,
há a certeza da continuidade das relações entre os que se amaram e é
isso que constitui a verdadeira família.”

8º Resposta: Devemos sempre ser tolerantes com as pessoas de noss


família que revelem tendências diferentes das nossas, procurando cerca-
las de compreensão e carinho, pois sabemos que somos todos filhos do
mesmo Pai e irmãos de toda a humanidade.

5
“A reencarnação nos estimula á solidariedade entre encarnados e
desencarnados e junto aos que, encarnando em nossa família, nos
reclamam auxilio e encorajamento, amor e amparo.”

Glossário
01 – opiados
: desprovido de ânimo, sensibilidade, vigor, intensidade; adormentado, entorpecido, insensibilizado
02 – cardos
: caminho, fosso, vala, trilha, limite orientado norte-sul de cidade ou acampamento romano
03 – gume
: a parte cortante de uma lâmina; o lado mais afiado de um instrumento de corte
04 – ofídio
: serpentes; cobra
05 – sólio
: assento do rei; trono
: o poder real

6
Anotações

7
União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo - EESE
Cap. V, Itens 4 a 5

11º Roteiro – Causas Atuais Das Aflições


Objetivos

De nos esclarecermos acerca das causa atuais das aflições, mostrando como
proceder diante delas e como evita-las, ressaltando sua finalidade para o nosso
progresso espiritual.

Causa Atuais Das Aflições

4 - De duas espécies são as vicissitudes da vida, ou, se o preferirem,


promanam de duas fontes bem diferentes, que importa distinguir. Umas têm sua
causa na vida presente; outras, fora desta vida.
Remontando-se à origem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos
são conseqüência natural do caráter e do proceder dos que os suportam.
Quantos homens caem por sua própria culpa! Quantos são vítimas de sua
imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição!
Quantos se arruínam por falta de ordem, de perseverança, pelo mau
proceder, ou por não terem sabido limitar seus desejos!
Quantas uniões desgraçadas, porque resultaram de um cálculo de interesse
ou de vaidade e nas quais o coração não tomou parte alguma!
Quantas dissensões e funestas disputas se teriam evitado com um pouco de
moderação e menos suscetibilidade!
Quantas doenças e enfermidades decorrem da intemperança e dos excessos
de todo gênero!
Quantos pais são infelizes com seus filhos, porque não lhes combateram
desde o princípio as más tendências! Por fraqueza, ou indiferença, deixaram que
neles se desenvolvessem os germens do orgulho, do egoísmo e da tola vaidade,
que produzem a secura do coração; depois, mais tarde, quando colhem o que
semearam, admiram-se e se afligem da falta de deferência com que são tratados
e da ingratidão deles.
Interroguem friamente suas consciências todos os que são feridos no
coração pelas vicissitudes e decepções da vida; remontem passo a passo à
origem dos males que os torturam e verifiquem se, as mais das vezes, não
poderão dizer: Se eu houvesse feito, ou deixado de fazer tal coisa, não estaria
em semelhante condição.

1
A quem, então, há de o homem responsabilizar por todas essas aflições,
senão a si mesmo? O homem, pois, em grande número de casos, é o causador de
seus próprios infortúnios; mas, em vez de reconhecê-lo, acha mais simples,
menos humilhante para a sua vaidade acusar a sorte, a Providência, a má
fortuna, a má estrela, ao passo que a má estrela é apenas a sua incúria.
Os males dessa natureza fornecem, indubitavelmente, um notável
contingente ao cômputo das vicissitudes da vida. O homem as evitará quando
trabalhar por se melhorar moralmente, tanto quanto intelectualmente.
5 - A lei humana atinge certas faltas e as pune. Pode, então, o condenado
reconhecer que sofre a conseqüência do que fez. Mas a lei não atinge, nem pode
atingir todas as faltas; incide especialmente sobre as que trazem prejuízo â
sociedade e não sobre as que só prejudicam os que as cometem, Deus, porém,
quer que todas as suas criaturas progridam e, portanto, não deixa impune
qualquer desvio do caminho reto, Não há falta alguma, por mais leve que seja,
nenhuma infração da sua lei, que não acarrete forçosas e inevitáveis
conseqüências, mais ou menos deploráveis. Daí se segue que, nas pequenas
coisas, como nas grandes, o homem é sempre punido por aquilo em que pecou.
os sofrimentos que decorrem do pecado são-lhe uma advertência de que
procedeu mal. Dão-lhe experiência, fazem-lhe sentir a diferença existente entre o
bem e o mal e a necessidade de se melhorar para, de futuro, evitar o que lhe
originou uma fonte de amarguras; sem o que, motivo não haveria para que se
emendasse. Confiante na impunidade, retardaria seu avanço e,
conseqüentemente, a sua felicidade futura.
Entretanto, a experiência, algumas vezes, chega um pouco tarde: quando a
vida já foi desperdiçada e turbada; quando as forças já estão gastas e sem
remédio o mal, Põe-se então o homem a dizer: "Se no começo dos meus dias eu
soubera o que sei hoje, quantos passos em falso teria evitado! Se houvesse de
recomeçar, conduzir-me-ia de outra maneira. No entanto, já não há mais tempo!"
Como o obreiro preguiçoso, que diz: "Perdi o meu dia", também ele diz:
"Perdi a minha vida". Contudo, assim como para o obreiro o Sol se levanta no dia
seguinte, permitindo-lhe neste reparar o tempo perdido, também para o homem,
após a noite do túmulo, brilhará o Sol de uma nova vida, em que lhe será
possível aproveitar a experiência do passado e suas boas resoluções para o
futuro.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

O Bem Antes
( Livro: Estude e Viva – Espírito, Emmanuel e André Luiz – Chico Xavier e Waldo Vieira )

Não ignoramos que a lei de causa e efeito funciona mecanicamente, em


todos os domínios do Universo.
Sabemos, porém, que diariamente criamos destino.

2
Decerto que a Eterna Sabedoria não nos concede a inteligência para
obedecermos passivamente aos impulsos exteriores; confere-nos inteligência e
razão para obedecermos às leis por ela estabelecidas, com o preciso
discernimento entre o bem e o mal.
Cabe-nos, assim, criar o bem e promovê-lo com todas as possibilidades ao
nosso alcance.
Deploramos a tragédia passional em que se envolveram amigos dos mais
queridos ....
Indaguemos de nós sobre o que efetuamos, em favor deles, para que não se
arrojassem na delinqüência.
Espantamo-nos perante a desolação de mães desvalidas que se condenam à
morte, à frente dos próprios filhos desamparados... Perguntemos-nos quanto ao
que foi feito por nós, a fim de que a penúria não as levasse à grimpas do
desespero.
Lamentamos desajustes domésticos e perturbações coletivas,
incompreensões e sinistros; entretanto, em qualquer falha nos mecanismos da
vida é necessário inquirir, quanto à nossa conduta, no sentido de remover, em
tempo hábil, a ocorrência infeliz.
“O bem antes de tudo” deve erigir-se por item fundamental do nosso
programa de cada dia.
Atendamos ao socorro fraterno, na imunização contra o mal, com o desvelo
dentro do qual nos premunimos contra acidentes, em respeitando os sinais de
trânsito.
Alguém se permitirá dizer que, se somos livres, nada temos a ver com as
experiências do próximo; e estamos concordes com semelhante assertiva, no
tocante a viver, de vez que todos dispomos de independência nas escolhas e
ações da existência, das quais forneceremos contas respectivas, ante a Vida
Maior; contudo, em matéria de conviver, coexistimos na interdependência,
em que necessitamos do amparo uns dos outros, para sustentar o bem de todos.
Os viajantes de um navio, a pleno oceano, reclamam auxílio mútuo, a fim de
que se evite o soçobro da embarcação.
Nós, os Espíritos encarnados e desencarnados, em serviço no Planeta, não
nos achamos em condição diferente. Daí, a necessidade de fazermos todo bem
que nos seja possível na reparação desse ou daquele desastre, mas, para que
tenhamos sempre a consciência tranqüila, é preciso saber se fizemos o bem
antes.

Nem castigo, nem perdão


( Livro: Espirito da Verdade – Espíritos diversos – Chico Xavier )

O espírita encontra na própria fé – o Cristianismo Redivivo – estímulos novos


para viver com alegria, pois, com ele, os conceitos fundamentais da existência
recebem sopros poderosos de renovação.
A Terra não é prisão de sofrimento eterno.
É escola abençoada das almas.

3
A felicidade não é miragem do porvir.
É realidade de hoje.
A dor não é forjada por outrem.
É criação do próprio espírito.
A virtude não é contentamento futuro.
É júbilo que já existe.
A morte não é santificação automática.
É mudança de trabalho e de clima.
O futuro não é surpresa atordoante.
É conseqüência dos atos presentes.
O bem não é o conforto do próximo, apenas.
É ajuda a nós mesmos.
Deus é Eqüidade Soberana, não castiga nem perdoa, mas o ser consciente
profere para si mesmo as sentenças de absolvição ou culpa ante as Leis Divinas.
Nossa conduta é o processo, nossa consciência o tribunal.
Não nos esqueçamos, portanto, de que, se a Doutrina Espírita dilata o
entendimento da vida, amplia a responsabilidade da criatura.
As raízes das grandes provas irrompem do passado – subsolo da nossa
existência –, e, na estrada da evolução, quem sai de uma vida entra em outra,
porque berço e túmulo são, simultaneamente, entradas e saídas em planos de
Vida Eterna.
André Luiz
Perguntas

01 – Qual a origem das aflições que se sucedem em nossa vida?


02 – O que devemos fazer diante dos males que nos afligem?
03 – Essa auto-análise atrapalharia a espontaneidade de nossas ações?
04 – Como evitar os males que nos afligem?
05 – O cumprimento da lei humana alcança todas as faltas?
06 – Qual a finalidade do sofrimento do homem?
07 – Quando reconhecemos tardes demais nossos erros, temos alguma
chance de corrigi-los?

Conclusão

Uma auto-análise sincera revelará que, na maioria das vezes, somos


causadores dos nosso sofrimentos. Eles existem para nos advertir que erramos e
para percebemos a diferença entre o bem e o mal. Usemos, então, essa
experiência para nos melhorar, tendo como suporte os ensinamentos de Jesus.

Recomendações

***

4
Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V, Itens 6 a 9

Respostas das perguntas anteriores – 10º Roteiro

1º Resposta: Os que sofrem suas provações com resignação e paciência


“Aqueles que sofrem, mas se revoltam e desesperam, não terão o
consolo de que fala Jesus”

2º Resposta: São os injustiçados; os que padecem em consequência das


desigualdades entre os homens; os que vêem seus direitos
desrespeitados sem ter quem lhes ouça os reclames.
“Não raro, os famintos e sequiosos de justiças sõ antigos déspotas,
alcançando pela infalível justiça de Deus, no momento adequado.”

3º Resposta: Os que buscam defender os mais fracos; falar pelos que têm
voz; buscar o direito dos injustiçados. Estes, por combater o erro,
incomodam os poderosos e se tornam alvo de sua perseguição.
“num mundo como o nosso, marcado pelo egoísmo e pela injustiça, lutar
por uma sociedade justa e fraterna acarreta perseguições hoje, mas
reserva alegrias futuras.”

4º Resposta: Aos desprovidos de bens matérias, privados dos meios


indispensáveis á sobrevivência, que não reclama da miséria que
experimentam, mas buscam no trabalho a satisfação de suas
necessidades e, na prática do bem, oportunidade de ascensão espiritual.
Sobretudo, aos que não se acomodam e que buscam, com equilíbrio, a
melhoria.
“Via de regra, os pobres de hoje são os ricos de ontem que não souberam
utilizar suas riquezas em fvor do bem e no serviço ao próximo.”

5º Resposta: Não, em absoluto. Ricos e pobres são igualmente filhos de


Deus e ele, que é todo justiça e amor, a ninguém despreza por causa da
condição material. A condição para obtermos a graça divina é o nosso
comportamento diante da vida. É o amor que dediquemos ao semelhante.
É a prática do bem e a vivência do evangelho.
“Há muitos pobres que são maus, como há muitos ricos que são bons.”

6º Resposta: Não. Sofrendo aqueles que fazem mau uso de seus bens,
utilizando-os exclusivamente em proveito próprio; os que se julgam

5
proprietários da fortuna que Deus lhes concede; os que não empregam a
riqueza em beneficio do próximo.
“Ai de vós, que agora rides, porque sereis constrngidos a gemer e a
chorar.”

7º Resposta: Somente na vida futura poderemos desfrutá-las, pois ai, na


condição de espíritos, sem as constrições do corpo físico e as limitações
da vida material, experimentaremos satisfações que nem as maiores
alegrias terrenas se lhes poderão assemelhar.
“Somente na vida futura podem efetivar-se as compensações que Jesus
promete aos aflitos da Terra.”

8º Resposta: Sendo Deus a suprema justiça, não permitiria que alguém


sofresse sem o merecer. Portanto, se alguém sofre, justa há de ser a
causa de seus sofrimento, e somente a preexistência do espírito pode
explicar a desigualdade na repartição do bem e do mal entre os homens.
Há casos, também, em que o Espirito solicita o sofrimento, antes de
reencarnar, como prova para mais rápido adiantar-se na senda bendita
do progresso.
“Se hoje sofremos e nada fizermos nesta existência que possa dar motivo
ao nosso padecimento, devemos busca-lo em vidas anteriores, pois Deus
não nos permitiria sofrer sem razão.”

Glossário

6
Anotações

7
União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo - EESE
Cap. V, Itens 6 a 9

12º Roteiro – Causas Anteriores Das Aflições


Objetivos

De nos esclarecermos que os tormentos que afligem o homem decorrem de


erros por ele praticados nesta ou em outra vida, ou de provas buscadas para
acelerar seu progresso ação da justiça divina na distribuição destas parcelas de
sofrimento e seu efeito salutar no aperfeiçoamento do espirito.

Causa Anteriores Das Aflições

6 - Mas, se há males nesta vida cuja causa primária é o homem, outros há


também aos quais, pelo menos na aparência, ele é completamente estranho e
que parecem atingi-lo como por fatalidade. Tal, por exemplo, a perda de entes
queridos e a dos que são o amparo da família. Tais, ainda, os acidentes que
nenhuma previsão poderia impedir; os reveses da fortuna, que frustram todas as
precauções aconselhadas pela prudência; os flagelos naturais, as enfermidades
de nascença, sobretudo as que tiram a tantos infelizes os meios de ganhar a vida
pelo trabalho: as deformidades, a idiotia, o cretinismo, etc.
Os que nascem nessas condições, certamente nada hão feito na existência
atual para merecer, sem compensação, tão triste sorte, que não podiam evitar,
que são impotentes para mudar por si mesmos e que os põe à mercê da
comiseração pública. Por que, pois, seres tão desgraçados, enquanto, ao lado
deles, sob o mesmo teto, na mesma família, outros são favorecidos de todos os
modos?
Que dizer, enfim, dessas crianças que morrem em tenra idade e da vida só
conheceram sofrimentos? Problemas são esses que ainda nenhuma filosofia pôde
resolver, anomalias que nenhuma religião pôde justificar e que seriam a negação
da bondade, da justiça e da providência de Deus, se se verificasse a hipótese de
ser criada a alma ao mesmo tempo que o corpo e de estar a sua sorte
irrevogavelmente determinada após a permanência de alguns instantes na Terra.
Que fizeram essas almas, que acabam de sair das mãos do Criador, para se
verem, neste mundo, a braços com tantas misérias e para merecerem no futuro
urna recompensa ou uma punição qualquer, visto que não hão podido praticar
nem o bem, nem o mal?
Todavia, por virtude do axioma segundo o qual todo efeito tem uma causa,
tais misérias são efeitos que hão de ter uma causa e, desde que se admita um

1
Deus justo, essa causa também há de ser justa. Ora, ao efeito precedendo
sempre a causa, se esta não se encontra na vida atual, há de ser anterior a essa
vida, isto é, há de estar numa existência precedente. Por outro lado, não podendo
Deus punir alguém pelo bem que fez, nem pelo mal que não fez, se somos
punidos, é que fizemos o mal; se esse mal não o fizemos na presente vida, tê-lo-
emos feito noutra. E uma alternativa a que ninguém pode fugir e em que a lógica
decide de que parte se acha a justiça de Deus.
O homem, pois, nem sempre é punido, ou punido completamente, na sua
existência atual; mas não escapa nunca às conseqüências de suas faltas. A
prosperidade do mau é apenas momentânea; se ele não expiar hoje, expiará
amanhã, ao passo que aquele que sofre está expiando o seu passado. O
infortúnio que, à primeira vista, parece imerecido tem sua razão de ser, e aquele
que se encontra em sofrimento pode sempre dizer: 'Perdoa-me, Senhor, porque
pequei.
7 - Os sofrimentos devidos a causas anteriores à existência presente, como
os que se originam de culpas atuais, são muitas vezes a conseqüência da falta
cometida, isto é, o homem, pela ação de uma rigorosa justiça distributiva, sofre o
que fez sofrer aos outros. Se foi duro e desumano, poderá ser a seu turno tratado
duramente e com desumanidade; se foi orgulhoso, poderá nascer em humilhante
condição; se foi avaro, egoísta, ou se fez mau uso de suas riquezas, poderá ver-
se privado do necessário; se foi mau filho, poderá sofrer pelo procedimento de
seus filhos, etc.
Assim se explicam pela pluralidade das existências e pela destinação da
Terra, como mundo expiatório, as anomalias que apresenta a distribuição da
ventura e da desventura entre os bons e os maus neste planeta. Semelhante
anomalia, contudo, só existe na aparência, porque considerada tão-só do ponto
de vista da vida presente. Aquele que se elevar, pelo pensamento, de maneira a
apreender toda uma série de existências, verá que a cada um é atribuída a parte
que lhe compete, sem prejuízo da que lhe tocará no mundo dos Espíritos, e
verá que a justiça de Deus nunca se interrompe.
Jamais deve o homem olvidar que se acha num mundo inferior, ao qual
somente as suas imperfeições o conservam preso. A cada vicissitude, cumpre-lhe
lembrar-se de que, se pertencesse a um mundo mais adiantado, isso não se daria
e que só de si depende não voltar a este, trabalhando por se melhorar.
8 - As tribulações podem ser impostas a Espíritos endurecidos, ou
extremamente ignorantes, para levá-los a fazer uma escolha com conhecimento
de causa. Os Espíritos penitentes, porém, desejosos de reparar o mal que hajam
feito e de proceder melhor, esses as escolhem livremente. Tal o caso de um que,
havendo desempenhado mal sua tarefa, pede lhe deixem recomeçar, para não
perder o fruto de seu trabalho As tribulações, portanto, são, ao mesmo tempo,
expiações do passado, que recebe nelas o merecido castigo, e provas com relação
ao futuro, que elas preparam. Rendamos graças a Deus, que, em sua bondade,
faculta ao homem reparar seus erros e não o condena irrevogavelmente por uma
primeira falta.

2
9 - Não há crer, no entanto, que todo sofrimento suportado neste mundo
denote a existência de uma determinada falta. Muitas vezes são simples provas
buscadas pelo Espírito para concluir a sua depuração e ativar o seu progresso.
Assim, a expiação serve sempre de prova, mas nem sempre a prova é uma
expiação. Provas e expiações, todavia, são sempre sinais de relativa
inferioridade, porquanto o que é perfeito não precisa ser provado. Pode, pois, um
Espírito haver chegado a certo grau de elevação e, nada obstante, desejoso de
adiantar-se mais, solicitar uma missão, uma tarefa a executar, pela qual tanto
mais recompensado será, se sair vitorioso, quanto mais rude haja sido a luta.
Tais são, especialmente, essas pessoas de instintos naturalmente bons, de alma
elevada, de nobres sentimentos inatos, que parece nada de mau haverem trazido
de suas precedentes existências e que sofrem, com resignação toda cristã, as
maiores dores, somente pedindo a Deus que as possam suportar sem murmurar.
Pode-se, ao contrário, considerar como expiações as aflições que provocam
queixas e impelem o homem à revolta contra Deus.
Sem dúvida, o sofrimento que não provoca queixumes pode ser uma
expiação; mas, é indício de que foi buscada voluntariamente, antes que imposta,
e constitui prova de forte resolução, o que é sinal de progresso.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Provações
( Livro: Lampadário Espírita – Espírito, Joanna De Ângelis –Divaldo Franco )

Refere-te a nuvens nos céus das tuas aspirações.


Acusas angústias e inquietudes, macerando os melhores programas que
traças, tendo os olhos fitos no futuro.
Experimentas a sensação de pesado fardo em forma de opróbrio1 e dor
sobre s tuas fracas forças.
E porque sonhas com a felicidade que todos gostariam de fruir, sentes a
melancolia que se avoluma e desperdiças as horas nobres da renovação espiritual
entre rebeldias injustificáveis e desesperos incompreensíveis.
Sim, há dor no teu coração e não poucas frustrações se assenhoreiam das
tuas horas, nublando o claro sol das tuas esperanças, de tal modo que a aflição
constringente se agasalha nos teus painéis mentais.
Medita seriamente, porém.
Recolhe-te ao oásis da prece e refaze as paisagens sombrias, banhando-as
com a clara luz da confiança.
Olha em derredor.
Dirás que o sofrimento é comensal de todas as horas, em todos os corações,
em todo lugar. Explicarás que somente poucos desfilam, no carro dourado da
alegria, adornados de felicidade, enquanto a miséria desta ou daquela natureza
espia a pompa e o triunfo...
Não te demores a fitar na vida apenas a lição retificadora.

3
A felicidade que muitos aparentam possuir, em verdade não é legítima.
Aqueles que passam, sob o frêmito das glórias, não poucas vezes trazem o
coração como fornalha escaldante ardendo no peito.
Muitos deles tudo dariam por uma hora de solidão, em silêncio.
Ignoras o preço que pagam os apaniguados das láureas efêmeras da
transitoriedade carnal.
*
Não te inquietes tanto ante a treva aparente no teu domicílio afetivo ou com
a soledade momentânea que te cinge o espirito.
“Logo mis” é realidade que alcançarás nesta ou em outra vibração da vida.
“Amanhã” é medida de tempo que chegará ao âmago das tuas horas.
Confia no bem e persevera.
O que agora te parece punição injusta, logo depois se te afigurará dádiva
libertadora.
O Céu carregado de brumas apaga só aparentemente o cintilar das estrelas.
Respondendo á indagação n° 258 de „O livro dos Espíritos‟, proposta por
Allan Kardec, os Excelsos Mensageiro responderam, conscientes: „Ele próprio ( o
homem) escolhe o gênero de provas por que há de passar e nisso consiste o seu
livre-arbítrio.‟ Isto é: as dificuldade e agonias, o espirito as solicita, para
aprimorar o caráter e redimir-se das culpas.
Assim sendo, considera os Espíritos superiores de todos os tempos; pensa
nos santos e nos sábios e vê-los-ás desfilarem sob sarcasmos e azedumes,
invariavelmente entre névoas e dores, estigmatizados por uns e azorragados por
outros, integérrimos, no entanto, pelo caminho dos elevados ideias que
esposaram...
Possivelmente aspiras á própria felicidade e por essa razão te rebelas.
Aumenta a dosagem de paciência.
O amor fluirá abundante do nosso Pai na direção da tua vida, se te
converteres em instrumento do bem, transformando as feridas do teu sentimento
em condecorações luminescentes que te identificarão com a vida um pouco mais
adiante.
Fita, pois, a madrugada do dia nascente e segue a rota dos que avançam,
encorajados, abrindo os caminhos, para que os teus pés te conduzam ao porto
ditoso da paz ultima e da felicidade real, vencidas as provações que escolhestes
antes.

Seu Hoje – Sua Vida


( Livro: Luz Viva – Espírito, Joanna De Ângelis e Marco Prisco – Divaldo Franco )

Dê valor á sua vida, não a malbaratando2 por motivo algum.


Cada dia deve ser vivido com intensidade proveitosa, superior...
Não transfira de uma pra outra oportunidade a mágoa ou a queixa. Supere-
as no nascedouro, a fim de preservar a sua saúde.
Seus atos – sua vida.
*

4
O seu não é o mais grave problema dentre os muitos que existem.
Há-os menores, é certo, mas também existem outros muitíssimos mais
graves e intrincados do que o seu.
O problema é efeito natural do processo de evolução, que todas as pessoas
enfrentam.
Não se lamente, portanto, nem busque compaixão.
Seu comportamento emocional e moral – sua vida.
*
Questões de saúde-doenças são uma constante na vida de todos os seres.
Desgaste orgânicas, infecções, traumatismo, deficiência, são resultados do
aprimoramento espiritual, mediante as vicissitudes orgânicas e psíquicas.
Não obstante, você não é o único.
Ao invés de esmorecer na dor, transforme a sua enfermidade em élan3 de
sustentação de outros pacientes iguais ou mais doentes do que você.
Sua mente – sua vida.
*
Cinja-se a um programa de serviço beneficente e verá que o seu tempo de
dor diminui e o de amor aumenta.
Negue-se á derrota, fomentando vitórias de pequena monta e ganhará a
guerra contra o sofrimento.
O que você prefere, mentalmente, embora sem consciência disso,
materializa-se, faz-se realidade.
Seus desejos – sua vida.
*
Sua vida é bênção de Deus a beneficio do ser espiritual que você é, imortal,
fadado á perfeição.
Se, por enquanto, chovem calhaus4 sobre sua cabeça e se multiplicam
cardos ferindo-lhe os pés, ou se traz cravados no cerne do ser punhais de
angústia, recomponha-se e produza causas novas, que anularão tais efeitos e
gerarão futuras alegrias.
Sua sementeira – sua vida.
*
Arme-se de coragem, seja qual for a faixa em que você se encontre em
trânsito de experiência evolutiva.
Seu esforço – sua vida.
*
Hoje, você é o que fez de si mesmo, porém, será amanhã o que hoje realiza
da oportunidade com que se defronta.
Seu hoje – sua vida.
Marco Prisco

Perguntas

5
01 – De que natureza são as causas que dão origem ás aflições do
homem?
02 – Como podemos explicar a felicidade de uns e o padecimento de
outros, sem negar a justiça e a bondade de Deus?
03 – O homem que pratica o mal é sempre punido no decorrer da mesma
existência?
04 – A que se deve o sofrimento do homem?
05 – As tribulações são impostas aos espíritos ou por ele buscadas?
06 – Pode-se concluir que todo sofrimento se origina de uma falta
praticada pelo espirito?
07 – Qual a diferença entre expiação e prova?
08 – Como podemos aplicar esta lição em nossa vida?

Conclusão

Todo sofrimento, quando não é uma prova escolhida pelo próprio espirito
para mais rápido progredir, caso em que geralmente é aceito com resignação, é
fruto de erros praticados nesta ou noutra vida. A certeza da justiça de Deus nos
dá paciência e a resignação para o aceitarmos, transformando-o em ocasião de
progresso espiritual.

Recomendações

Leem o item 10 do Cap. V do O Evangelho Segundo o Espiritismo

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V, Itens 6 a 9

Respostas das perguntas anteriores – 11º Roteiro

1º Resposta: Têm duas origens bem diferentes: umas têm sua causa na
vida atual e outras em vidas passadas.
“O futuro não é surpresa atordoante: é consequência dos atos presentes.
Antes de ser bons ou maus par os outros, somos bons ou maus para nós
mesmos.”

2º Resposta: Fazer uma sincera auto-análise, pois ela nos mostra nossa
responsabilidade na maioria desses males; então, com muita humildade,
devemos corrigir erros em nosso próprio beneficio.
“Devemos fazer tudo o que nos for possível para a correção dos erros.”

6
3º Resposta: Não. A espontaneidade não isenta a responsabilidade.
Vigiando nosso pensamentos e buscando adequar nossa ação aos
ensinamentos de Jesus, evitaremos muitos dissabores.
“Devemos vigiar constantemente nosso pensamentos e nossas ações,
para não cair na repetição de um erro.”

4º Resposta: Trabalhando para o nosso melhoramento moral, tanto


quanto para o nosso aprimoramento intelectual, tomando sempre por
base os ensinamentos de Jesus.
“Trabalhando com amor e vivenciando os ensinamentos de Jesus,
evitaremos s aflições.”

5º Resposta: Não. A lei humana alcança apenas as faltas que prejudicam


a sociedade, e não aquelas que prejudicam apenas os que as cometem.
Estas são punidas pela Lei de Deus.
“Deus quer o progresso de todas as criaturas; por isso, Ele não deixa
impune nenhum desvio do caminho reto.”

6º Resposta: Adverti-lo de que ele errou. Os sofrimentos dão a ele a


experiências, fazendo-o sentir diferença entre o bem e o mal, e a
necessidade de se melhorar para evitar novos erros. Existe também o
sofrimento oriundo de provas voluntárias que o Espirito busca com
objetivo de acelerar o seu progresso.
Tanto nas pequenas como nas grandes coisas, o homem é sempre punido
pelo que faz.”

7º Resposta: Sim. A vida não acaba. Todo malefício exige reparação,


como todo beneficio contém a recompensa adequada. A misericórdia de
Deus nos faculta oportunidade de recomeçar para o bem.
“Depois da noite do túmulo, brilhará o sol de uma nova vida, na qual
poderá aproveitar a experiência do passado e suas boas resoluções para
o futuro.”

Glossário

1 – opróbrio
: grande desonra pública; degradação social; ignomínia, vergonha, vexame
: caráter daquilo que humilha, degrada; estado ou condição que revela alto grau de baixeza, torpeza; abjeção,
degradação
: ação ou dito que desonra, avilta, revela falta de apreço ou consideração; afronta, desprezo
2 – malbaratando
: vender a preço vil, com prejuízo
: desperdiçar, dilapidar (patrimônio próprio ou alheio) utilizar, aplicar mal
3 – élan = elã
: movimento súbito, espontâneo; impulso

7
: emoção, calor, vivacidade
: entusiasmo criador; inspiração, estro
: movimento afetuoso, expansivo
4 - calhaus
: pedaço, fragmento de rocha dura
: claro colocado para completar a medida, em páginas curtas notícia, artigo etc. utilizado para preencher espaço :
: criado pela falta de material editorial ou por falha no cálculo da diagramação
: anúncio publicado gratuitamente ou por um custo abaixo da tabela, em jornal ou revista

Anotações

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União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo - EESE
Cap. V, Item 11

13º Roteiro – Esquecimento Do Passado


Objetivos

De nos esclarecermos que o esquecimento do passado é um ato de


misericórdia de Deus para conosco e que esse esquecimento é de grande
importância par nossa evolução.

O Esquecimento do passado

11 – É em vão que se aponta o esquecimento como um obstáculo ao


aproveitamento da experiência das existências anteriores. Se Deus considerou
conveniente lançar um véu sobre o passado, é que isso deve ser útil. Com efeito,
a lembrança do passado traria inconvenientes muito graves. Em certos casos,
poderia humilhar-nos estranhamente, ou então exaltar o nosso orgulho, e por
isso mesmo dificultar o exercício do nosso livre arbítrio. De qualquer maneira,
traria perturbações inevitáveis às relações sociais.
O Espírito renasce freqüentemente no mesmo meio em que viveu, e se
encontra em relação com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes
tenha feito. Se nelas reconhecesse as mesmas que havia odiado, talvez o ódio
reaparecesse. De qualquer modo, ficaria humilhado perante aquelas pessoas que
tivesse ofendido.
Deus nos deu, para nos melhorarmos, justamente o que necessitamos e
nos é suficiente: a voz da consciência e as tendências instintivas; e nos tira o que
poderia prejudicar-nos.
O homem traz, ao nascer, aquilo que adquiriu. Ele nasce exatamente
como se fez. Cada existência é para ele um novo ponto de partida. Pouco lhe
importa saber o que foi: se estiver sendo punido, é porque fez o mal, e suas más
tendências atuais indicam o que lhe resta corrigir em si mesmo. É sobre isso que
ele deve concentrar toda a sua atenção, pois daquilo que foi completamente
corrigido já não restam sinais. As boas resoluções que tomou são a voz da
consciência, que o adverte do bem e do mal e lhe dá a força de resistir às más
tentações.
De resto, esse esquecimento só existe durante a vida corpórea. Voltando
à vida espiritual, o Espírito reencontra a lembrança do passado. Trata-se,
portanto, apenas de uma interrupção momentânea, como a que temos na própria

1
vida terrena, durante o sono, e que não nos impede de lembrar, no outro dia, o
que fizemos na véspera e nos dias anteriores.
Da mesma maneira, não é somente após a morte que o Espírito recobra
a lembrança do passado. Pode dizer-se que ele nunca a perde, pois a experiência
prova que, encarnado, durante o sono do corpo, ele goza de certa liberdade e
tem consciência de seus atos anteriores. Então, ele sabe por que sofre, e que
sofre justamente. A lembrança só se apaga durante a vida exterior de relação. A
falta de uma lembrança precisa, que poderia ser-lhe penosa e prejudicial às suas
relações sociais, permite-lhe haurir novas forças nesses momentos de
emancipação da alma, se ele souber aproveitá-los.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Objeções
( Livro: Depois Da Morte – Léon Diniz )

É assim que muitas questões insolúveis para as outras escolas são


resolvidas pela doutrina das vidas sucessivas. As fortíssimas objeções com que o
cepticismo e o materialismo têm feito brechas no edifício teológico - o .mal, a
dor, a desigualdade dos méritos e das condições humanas, a injustiça aparente
da sorte: todos esses tropeços se desvanecem perante a Doutrina dos Espíritos.
Entretanto, uma dificuldade subsiste, uma forte objeção ergue-se contra ela.
Se já vivemos no espaço, dizem, se outras vidas precederam ao nascimento, por
que de tal perdemos a recordação?
Esta objeção, de aparência irrespondível, é fácil de ser destruída.
A memória das coisas que viveram, dos atos que se cumpriram, não é
condição necessária da existência. Ninguém se lembra do tempo passado no
ventre materno ou mesmo no berço. Poucos homens conservam a memória das
impressões e dos atos da primeira infância. Entretanto, essas são partes
integrantes da nossa existência atual. Pela manhã, ao acordarmos, perdemos a
recordação da maior parte de nossos sonhos, embora, no momento, eles nos
tenham parecido outras tantas realidades. Só nos restam sensações grosseiras e
confusas, que o Espírito experimenta quando recai sob a influência material.
Os dias e as noites são como as nossas vidas terrestres e espirituais, e o
sono parece tão inexplicável quanto a morte. O sono e a morte transportam-nos,
alternadamente, para meios distintos e para condições diferentes, o que não
impede à nossa identidade de manter-se e persistir através desses estados
variados.
No sono magnético, o Espírito, desprendido do corpo, recorda-se de coisas
que esquecerá ao volver à carne, cujo encadeamento, não obstante, ele tornará a
apanhar, recobrando a lucidez. Esse estado de sono provocado desenvolve nos
sonâmbulos aptidões especiais que, em vigília, desaparecem, abafadas,
aniquiladas pelo invólucro corpóreo.

2
Nessas diversas condições, o ser físico parece possuir dois estados de
consciência, duas fases alternadas de existências que se encadeiam e se
envolvem uma na outra. O esquecimento, como espessa cortina, separa o sono
do estado de vigília, assim como divide cada vida terrestre das existências
anteriores e da vida dos céus.
Se as impressões que a alma sente durante o decurso da vida atual, no
estado de desprendimento completo, seja pelo sono natural ou pelo sono
provocado, não podem ser transmitidas ao cérebro, deve-se compreender que as
recordações de uma vida anterior sê-lo-iam mais dificilmente ainda. O cérebro
não pode receber e armazenar senão as impressões comunicadas pela alma em
estado de cativeiro na matéria. A memória só saberia reproduzir o que ele tem
registrado.
Em cada renascimento, o organismo cerebral constitui para nós uma espécie
de livro novo, sobre o qual se gravam as sensações e as imagens. Voltando à
carne, a alma perde a memória de quanto viu e executou no estado de liberdade,
e só tornará a lembrar-se de tudo quando abandonar de novo a sua prisão
temporária.
O esquecimento do passado é a condição Indispensável de toda prova e de
todo progresso. O nosso passado guarda suas manchas e nódoas. Percorrendo a
série dos tempos, atravessando as idades de brutalidade, devemos ter acumulado
bastantes faltas, bastantes Iniqüidades. Libertos apenas ontem da barbaria, o
peso dessas recordações seria acabrunhador para nós. A vida terrestre é,
algumas vezes, difícil de suportar; ainda mais o seria se, ao cortejo dos nossos
males atuais, acrescesse a memória dos sofrimentos ou das vergonhas passadas.
A recordação de nossas vidas anteriores não estaria também ligada à do
passado dos outros?
Subindo a cadeia de nossas existências, o entrecho de nossa própria
história, encontraríamos o vestígio das ações de nossos semelhantes.
As inimizades perpetuar-se-iam; as rivalidades, os ódios e as discórdias
agravar-se-iam de vida em vida, de século em século.
Os nossos inimigos, as nossas vítimas de outrora, reconhecernos-iam e
estariam a perseguir-nos com sua vingança.
Bom é que o véu do esquecimento nos oculte uns aos outros, e que,
apagando momentaneamente de nossa memória penosas recordações, nos livre
de um remorso incessante. O conhecimento das nossas faltas e suas
conseqüências, erguendo-se diante de nós como ameaça medonha e perpétua,
paralisaria os nossos esforços; tornaria estéril e insuportável a nossa vida.
Sem o esquecimento, os grandes culpados, os criminosos célebres estariam
marcados a ferro em brasa por toda a eternidade. Vemos os condenados da
justiça humana, depois de sofrida a pena, serem perseguidos pela desconfiança
universal, repelidos com horror por uma sociedade que lhes recusa lugar em seu
seio, e assim muitas vezes os atira ao exército do mal.
Que seria se os crimes do passado longínquo se desenhassem aos olhos de
todos?

3
Quase todos temos necessidade de perdão e de esquecimento. A sombra
que oculta as nossas fraquezas e misérias conforta-nos o ser, tornando-nos
menos penosa a reparação. Depois de termos bebido as águas do Letes*,
renascemos mais alegremente para uma vida nova e desvanecem-se os
fantasmas do passado. TransPortando-se para um meio diferente, despertamos
para outras sensações, abremse-nos outras influências, abandonamos com mais
facilidade os erros e os hábitos que outrora nos retardaram a marcha.
Renascendo sob a forma de criança, a alma culpada encontra em torno de si
o auxílio e a ternura necessários à sua elevação.
Ninguém cuida em reconhecer nesse ser fraco e encantador o Espírito
vicioso que vem resgatar um passado de faltas.
Entretanto, para certos homens esse passado não está absolutamente
apagado. Um sentimento confuso do que foram jaz no fundo de sua consciência.
É a origem das Intuições, das idéias inatas, das recordações vagas e dos
pressentimentos misteriosos, como eco enfraquecido dos tempos decorridos.
Consultando essas impressões, estudando-se a si mesmos com atenção, não
seria impossível reconstituir esse passado, se não em suas minúcias, ao menos
em seus traços principais.
Porém, no termo de cada existência, essas recordações longínquas
ressuscitam em tropel e saem da sombra. Avançamos passo a passo, tateando na
vida; vem a morte e tudo se esclarece.
O passado explica o presente, e o futuro ilumina-se mais claramente. Cada
alma, voltando à vida espiritual, recobra a plenitude das suas faculdades. Para ela
começa, então, um período de exame, de repouso, de recolhimento, durante o
qual se julga a si mesma e avalia o caminho percorrido. Recebe opiniões e
conselhos de Espíritos mais adiantados. Guiada por eles, tomará resoluções viris,
e, na ocasião propícia, escolhendo um meio favorável, baixará a um novo corpo,
a fim de se melhorar pelo trabalho e pelo sofrimento.
Voltando à carne, a alma perderá ainda a memória das suas vidas
anteriores, e bem assim a recordação da vida espiritual, a única verdadeiramente
livre e completa, perto da qual a morada terrestre lhe pareceria medonha. Longa
será a luta, penosos os esforços necessários para recuperar a consciência de si
mesma e as suas potências ocultas; porém, conservará sempre a intuição, o
sentimento vago das resoluções tomadas antes de renascer.

Esquecimento Do Pretérito
( Livro: Dimensões da Verdade – Divaldo Franco )

*** Não encontrado ***

Esquecimento Do Passado – Perguntas 392 a 399


( Livro: O Livro Dos Espíritos – Allan Kardec )

392 - Por que o Espírito encarnado perde a lembrança do seu passado?

4
— O homem nem pode nem deve saber tudo; Deus assim o quer na sua
sabedoria. Sem o véu que lhe encobre certas coisas, o homem ficaria ofuscado
como aquele que passa sem transição da obscuridade para a luz Pelo
esquecimento do passado, ele é mais ele mesmo
393 - Como pode o homem ser responsável por atos e resgatar faltas
dos quais não se recorda? Como pode aproveitar-se da experiência
adquiria em existências que caíram no esquecimento? Seria concebível
que as tribulações da vida fossem para ele uma lição, se pudesse
lembrar-se daquilo que as atraiu mas desde que não se recorda, cada
existência é para ele como se fosse a primeira, e é assim que ele está
sempre a recomeçar. Como conciliar isto com a justiça de Deus?
—A cada nova existência o homem tem mais inteligência e pode melhor
distinguir o bem e o mal. Onde estaria o seu mérito se ele se recordasse de todo
o passado? Quando o Espírito entra na sua vida de origem (a vida espírita) toda a
sua vida passada se desenrola diante dele; vê as faltas cometidas e que são
causa do seu sofrimento, bem como aquilo que poderia tê-lo impedido de
cometê-las; compreende a justiça da posição que lhe é dada e procura então a
existência necessária a reparara que acaba de escoar-se. Procura provas
semelhantes àquelas por que passou, ou as lutas que acredita apropriadas ao seu
adiantamento e pede a Espíritos que lhe são superiores para o ajudarem na nova
tarefa a empreender, porque sabe que o Espírito que lhe será dado por guia
nessa nova existência procurará fazê-lo reparar suas faltas, dando-lhe uma
espécie de intuição das que ele cometeu. Essa mesma intuição é o pensamento, o
desejo criminoso que freqüentemente vos assalta e ao qual resistis
instintivamente, atribuindo a vossa resistência, na maioria das vezes, aos
princípios que recebestes de vossos pais, enquanto é a voz da consciência que
vos fala e essa voz e a recordação do passado, voz que vos adverte para não
cairdes nas faltas anteriormente cometidas. Nessa nova existência, se o Espírito
sofrer as suas provas com coragem e souber resistir, eleva-se a si próprio e
ascenderá na hierarquia dos Espíritos, quando voltar para o meio deles.
Comentário de Kardec: Se não temos, durante a vida corpórea, uma
lembrança precisa daquilo que fomos, e do que fizemos de bem ou de mal em
nossas existências anteriores, temos,entretanto, a sua intuição. E as nossas
tendências instintivas são uma reminiscência do nosso passado, as quais a nossa
consciência, — que representa o desejo por nós concebido de não mais cometer
as mesmas faltas — adverte que devemos resistir.
394 - Nos mundos mais adiantados que o nosso, onde não existem todas
as nossas necessidades físicas e as nossas enfermidades, os homens
compreendem que são mais felizes do que nós? A felicidade, em geral, é
relativa; sentimo-la por comparação com um estado menos feliz. Como,
em suma, alguns desses mundos, embora melhores que o nosso, não
chegaram ao estado de perfeição, os homens que os habitam devem ter
motivos de aborrecimento a seu modo. Entre nós, o rico, ainda que não
sofra a angústia das necessidades materiais, como o pobre, não está

5
menos sujeito a tribulações que lhe amarguram a vida. Ora, pergunto se,
na sua posição, os habitantes desses mundos não se sentem tão infelizes
quanto nós e não lastimam a própria sorte, já que não têm a lembrança
de uma existência inferior para comparação?
- A isto e preciso dar duas respostas diferentes. Há mundos, entre aqueles
de que falas, em que os habitantes, situados, como dizes, em melhores condições
que vós, nem por isso estão menos sujeitos a grandes desgostos, e mesmo a
infelicidades. Estes não apreciam a sua felicidade pelo fato mesmo de não se
lembrarem de um estado ainda mais infeliz. Se, entretanto não a apreciam como
homens, o fazem como Espíritos.
Comentário de Kardec: Não há, no esquecimento dessas existências passadas
sobretudo quando foram penosas, alguma coisa de providenciai, onde se revela a
sabedoria divina?
È nos mundos superiores, quando a lembrança das existências infelizes não
passa de um sonho mau que elas se apresentam à memória. Nos mundos
inferiores as infelicidades presentes não seriam agravadas pela recordação de
tudo aquilo que tivesse suportado?
Concluamos, portanto, que tudo quanto Deus fez é bem feito e que não nos
cabe criticar as suas obras e dizer como ele deveria ter regulado o Universo.
A lembrança de nossas individualidades anteriores teria gravíssimos
inconvenientes. Poderia em certos casos, humilhar-nos extraordinariamente;
em outros, exaltar o nosso orgulho e por isso mesmo entravar o nosso livre-
arbítrio Deus, nos deu para nos melhorarmos, justamente o que nos é necessário
e suficiente; a voz da consciência e nossas tendências instintivas, tirando-nos
aquilo que poderia prejudicar-nos. Acrescentemos ainda que, se tivéssemos a
lembrança de nossos atos pessoais anteriores, teríamos a dos atos alheios, e esse
conhecimento poderia ter os mais desagradáveis efeitos sobre as relações
sociais. Não havendo sempre motivo para nos orgulharmos do nosso passado, é
quase sempre uma felicidade que um véu seja lançado sobre ele. Isso concorda
perfeitamente com a doutrina dos espíritos sobre os mundos superiores aos
nossos. Nesses mundos, onde não reina senão o bem, a lembrança do passado
nada tem de penosa; é por isso que neles se recorda com freqüência a existência
precedente.como nos lembramos do que fizemos na véspera. Quanto á passagem
que se possa ter tido por mundos inferiores, a sua lembrança nada mais é, como
dissemos, que um sonho mau.
395 - Podemos ter algumas revelações sobre as nossas existências
anteriores?
— Nem sempre. Muitos sabem, entretanto, o que foram e o que fizeram; se
lhes fosse permitido dizê-lo abertamente, fariam singulares revelações sobre o
passado.
396 - Algumas pessoas crêem ter a vaga lembrança de um passado
desconhecido, vislumbrado como imagem fugitiva de um sonho, que em
vão se procura deter. Essa idéia não seria uma ilusão?

6
— Algumas vezes é real; mas quase sempre é também uma ilusão, contra a
qual se deve precaver, pois pode ser o efeito de uma imaginação
superexcitada.
397 - Nas existências corpóreas de natureza mais elevada que a
nossa, a lembrança das existências anteriores é mais precisa?
— Sim, à medida que o corpo é menos material, recorda-se melhor. A
lembrança do passado é mais clara para aqueles que habitam os mundos de uma
ordem superior.
398 - As tendências instintivas do homem, sendo uma reminiscência
do seu passado, pelo estudo dessas tendências ele poderá conhecer as
faltas que cometeu?
— Sem duvida, até certo ponto; mas é necessário ter em conta a melhora
que se possa ter operado no Espírito e as resoluções que ele tomou no seu estado
errante. A existência atual pode ser muito melhor que a precedente
398 – a) Pode ela ser pior? Por outras palavras, pode o homem
cometer numa existência faltas não cometidas na precedente?
— Isso depende do seu adiantamento. Se ele não souber resistir às provas,
pode ser arrastado a novas faltas, que serão a conseqüência da posição por ele
mesmo escolhida. Mas, em geral, essas faltas denunciam antes um estado
estacionário do que retrógrado, porque o Espírito pode avançar ou se deter, mas
não recuar.
399 - Sendo as vicissitudes da vida corpórea ao mesmo tempo uma
expiação das faltas passadas e provas para o futuro, segue-se que, da
natureza dessas vicissitudes, possa induzir-se o gênero da existência
anterior?
—Muito freqüentemente, pois cada um é punido naquilo em que pecou.
Entretanto, não se deve tirar daí uma regra absoluta; as tendências instintivas
são um índice mais seguro, porque as provas que um Espírito sofre, tanto se
referem ao futuro quanto ao passado.
Comentário de Kardec: Chegado ao termo que a Providência marcou para a
sua vida errante, o Espírito escolhe por ele mesmo as provas às quais deseja
submeter-se, para apressar o seu adiantamento, ou seja, o gênero de existência
que acredita mais apropriado a lhe fornecer os meios, e essas provas estão
sempre em relação com as faltas que deve expiar. Se nelas triunfa, ele se eleva;
se sucumbe, tem de recomeçar.
O Espírito goza sempre do seu livre-arbítrio. É em virtude dessa liberdade
que, no estado de Espírito, escolhe as provas da vida corpórea e, no estado de
encarnado,delibera o que fará ou não fará, escolhendo entre o bem e o mal.
Negar ao homem o livre-arbítrio seria reduzi-lo à condição de máquina.
Integrado na vida corpórea, o Espírito perde momentaneamente a lembrança
de suas existências anteriores, como se um véu as ocultasse. Não obstante,
tem.,às vezes, uma vaga consciência, e elas podem mesmo lhe ser reveladas em
certas circunstâncias. Mas isto não acontece senão pela vontade dos Espíritos

7
superiores, que o fazem espontaneamente, com um fim útil e jamais para
satisfazer uma curiosidade vã.
As existências futuras não podem ser reveladas em caso algum, por
dependerem da maneira por que se cumpre a existência presente e da escolha
ulterior do Espírito.
O esquecimento das faltas cometidas não é obstáculo à melhoria do Espírito
porque, se ele não tem uma lembrança precisa, o conhecimento que delas teve
no estado errante e o desejo que concebeu de as reparar guiam-no pela intuição
e lhe dão o pensamento de resistir ao mal. Este pensamento é a voz da
consciência, secundada pelos Espíritos que o assistem, se ele atende às boas
inspirações que estes lhe sugerem.
Se o homem não conhece os próprios atos que cometeu em suas existências
anteriores, pode sempre saber qual o gênero de faltas de que se tornou culpado
e qual era o seu caráter dominante. Basta que se estude a si mesmo e poderá
julgar o que foi, não pelo que é. mas pelas suas tendências.
As vicissitudes da vida corpórea são, ao mesmo tempo, uma expiação das
faltas passadas e provas para o futuro. Elas nos depuram e nos elevam, se as
sofremos com resignação e sem reclamações.
A natureza das vicissitudes e das provas que sofremos pode também
esclarecer-nos sobre o que fomos e o que fizemos, como neste mundo julgamos
os atos de um criminoso pelo castigo que a lei lhe inflige. Assim, este será
castigado no seu orgulho pela humilhação de uma existência subalterna; o mau
rico e avarento, pela miséria; aquele que foi duro para os outros, pelos
tratamentos duros que sofrerá; o tirano, pela escravidão; o mau filho, pela
ingratidão dos seus filhos; o preguiçoso, por um trabalho forçado etc.

Perguntas

01 – Por que o homem esquece de suas vidas anteriores?


02 – Poderiam as lembranças das existências anteriores dificultar o
nosso relacionamento social?
03 – Que meios Deus nos concede para corrigir as falhas de vidas
anteriores?
04 – Podemos tirar proveito das más tendências?
05 – O esquecimento do passado é permanente?
06 – O esquecimento do passado é permanente?
Conclusão

O esquecimento do passado, ao invés de castigo, é dádiva celeste, pois,


através dele, ocultamos aos ouros e a nós mesmos os erros cometidos. Porém, a
voz da consciência não deixa de nos apontar as más tendências, advertindo-nos
de que é preciso corrigi-las.

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Recomendações

Leem o item 10 do Cap. V do O Evangelho Segundo o Espiritismo

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V, Itens 12 a 13

Respostas das perguntas anteriores – 12º Roteiro

1º Resposta: Podemos classifica-las em dois grupos: as aflições cuja


primária é o próprio homem e aquelas que, pelo menos na aparência,
escapam totalmente á sua influência e parecem atingi-lo como por
fatalidade.
“Há, portanto, os reveses e acidentes que o homem provoca com sua
irresponsabilidade e imprudência e outros que nenhuma previsão poderá
impedir.”

2º Resposta: Procurando as causas anteriores que lhes deram origem e


que, se não podem ser encontradas na presente existências, devem ser
buscadas em existências passadas.
“Deus a ninguém pune sem justa causa; se somos punidos é porque
fizemos o mal; se não na vida presente, certamente em outra.”

3º Resposta: Nem sempre. Ele pode ser totalmente punido naquela


existência, como pode sê-lo parcial ou, ainda, não receber, neste período,
qualquer punição. Porém, não escapa nunca ás consequências de suas
faltas.
“A prosperidade do mau é apenas momentânea: se ele não expiar hoje,
expiará amanhã, ao passo que aquele que sofre está expiando o seu
passado.”

4º Resposta: De um lado, ás faltas por ele cometidas, seja nesta, seja em


vidas anteriores: pela ação de uma rigorosa justiça distributiva, sofre o
que fez sofrer os outros. De outro, em decorrência da destinação da
Terra como mundo expiatório, onde o homem encarna em virtude de
suas imperfeições.
“Se foi duro e desumano, poderá ser a seu turno tratado duramente e
com desumanidade; (...) se foi avaro e egoísta, ou se fez mau uso de sua
riqueza, poderá ver-se privado do necessário.”

5º Resposta: Ocorrem as duas situações: aos espíritos endurecidos e


ignorantes são impostas tribulações para se esclareçam e busquem, na

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prática do bem, a libertação do sofrimento; os espíritos penitentes,
detentores de maior esclarecimento, buscam espontaneamente as
tribulações, desejosos de reparar o mal que hajam feito.
“As tribulações, portanto, são, ao mesmo tempo, expiações do passado,
que recebe nelas merecido castigo, e provas com relação ao futuro, que
elas reparam.”

6º Resposta: Nem sempre existe esta relação. Muitas vezes o espirito


nada tem a reparar, mas busca, no sofrimento, as provas de que
necessita para concluir sua depuração e ativar seu progresso.
“Sem duvida, o sofrimento que não provoca queixumes pode ser uma
expiação; mas é indicio de que foi buscado voluntariamente (...), o que é
sinal de progresso.”

7º Resposta: Expiação é correção imposta ao espírito, provocando-lhe


quase sempre queixumes, desespero, revolta. Prova é uma tarefa, uma
missão marcada pelo sofrimento, que o espirito pede para aperfeiçoar-
se.
“Provas e expiações, todavia, são sempre sinais de relativa inferioridade
do espírito, porquanto o que é perfeito não precisa ser provado.”

8º Resposta: Enfrentando nossas tribulações sem revolta, com


resignação e paciência, certos de que a justiça divina não nos deixaria
sofrer sem uma causa; e tentando fazer do sofrimento uma fonte de
purificação e progresso espiritual.
“Aquele que muito sofre deve reconhecer que muito tem a expiar e deve
enfrentar com ânimo as vicissitudes, sabendo que neles está sua
libertação da dor e o acesso para sublimes alegrias.”

Glossário

*Letes: O rio do esquecimento, situado no Mundo Subterrâneo. Os espíritos dos mortos bebiam de suas águas e se esqueciam
das tristezas de suas vidas terrenas antes de entrar nos Campos Elísios. Quando Enéias, príncipe de Tróia visitou o mundo dos
mortos, encontrou um grande número de almas que vagavam pelas margens do córrego. Seu pai, Anquises, com quem ele esteve
reunido, contou-lhe que antes que estes espíritos pudessem viver novamente no mundo superior, deveriam beber das águas do
rio do esquecimento para se esquecerem da felicidade que eles tinham experimentado nos Campos Elísios.
Na Grécia Antiga, Lete ou Lethe literalmente significa "esquecimento". Seu oposto é a palavra grega para "verdade" .
Na mitologia grega Lete é um dos rios do Hades. Aqueles que bebessem de sua água experimentariam o completo esquecimento.
Lete é também uma das náiades, filha da deusa Eris, senhora da discórdia, irmã de Algos, Limos, Horcus e Ponos.
Algumas religiões esotéricas ensinavam que havia um outro rio, o Mnemósine, e beber das suas águas faria recordar tudo e
alcançar a onisciência. Aos iniciados, ensinava-se que, se lhes fosse dado escolher de que rio beber após a morte, deveriam beber
do Mnemósine em lugar do Lete. Os dois rios aparecem em vários versos inscritos em placas de ouro do século IV a.C. em diante,
em Turios, no sul da Italia, e por todo o mundo grego.

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Anotações

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União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo – ESSE*
Cap. V, Itens 12 e13

14º Roteiro – Motivos de Resignação


Objetivos

De nos esclarecermos cerca da consolação que aponta Jesus àquele que


sofrem, enfatizando como deve ser esse sofrimento para que se reverta em
proveito da conquista da felicidade.

Motivos De Resignação

12 – Pelas palavras: Bem-aventurados os aflitos, porque eles serão


consolados, Jesus indica, ao mesmo tempo, a compensação que espera os que
sofrem e a resignação que nos faz bendizer o sofrimento, como o prelúdio da
cura.
Essas palavras podem, também, ser traduzidas assim: deveis considerar-
vos felizes por sofrer, porque as vossas dores neste mundo são as dívidas de
vossas faltas passadas, e essas dores, suportadas pacientemente na Terra, vos
poupam séculos de sofrimento na vida futura. Deveis, portanto, estar felizes por
Deus ter reduzido vossa dívida, permitindo-vos quitá-las no presente, o que vos
assegura a tranqüilidade para o futuro.
O homem que sofre é semelhante a um devedor de grande soma, a
quem o credor dissesse: “Se me pagares hoje mesmo a centésima parte, darei
quitação do resto e ficarás livre; se não, vou perseguir-te até que pagues o
último centavo”. O devedor não ficaria feliz de submeter-se a todas as privações,
para se livrar da dívida, pagando somente a centésima parte da mesma? Em vez
de queixar-se do credor, não lhe agradeceria?
É esse o sentido das palavras: “Bem-aventurados os aflitos, porque eles
serão consolados”. Eles são felizes porque pagam suas dívidas, e porque, após a
quitação, estarão livres. Mas se, ao procurar quitá-las de um lado, de outro se
endividarem, nunca se tornarão livres. Ora, cada nova falta aumenta a dívida,
pois não existe uma única falta, qualquer que seja, que não traga consigo a
própria punição, necessária e inevitável. Se não for hoje, será amanhã; se não for
nesta vida, será na outra. Entre essas faltas, devemos colocar em primeiro lugar
a falta de submissão à vontade de Deus, de maneira que, se reclamamos das
aflições, se não as aceitamos com resignação, como alguma coisa que
merecemos, se acusamos a Deus de injusto, contraímos uma nova dívida, que
nos faz perder os benefícios do sofrimento. Eis por que precisamos recomeçar,

1
exatamente como se, a um credor que nos atormenta, enquanto pagamos as
contas, vamos pedindo novos empréstimos.
Ao entrar no Mundo dos Espíritos, o homem é semelhante ao trabalhador
que comparece no dia de pagamento. A uns, dirá o patrão: “Eis a paga do teu dia
de trabalho”. A outros, aos felizes da Terra, aos que viveram na ociosidade, que
puseram a sua felicidade na satisfação do amor próprio e dos prazeres
mundanos, dirá: “Nada tendes a receber, porque já recebestes o vosso salário na
Terra. Ide, e recomeçai a vossa tarefa”.
13 – O homem pode abrandar ou aumentar o amargor das suas provas,
pela maneira de encarar a vida terrena. Maior é o eu sofrimento, quando o
considera mais longo. Ora, aquele que se coloca no ponto de vista da vida
espiritual, abrange na sua visão a vida corpórea, como um ponto no infinito,
compreendendo a sua brevidade, sabendo que esse momento penoso passa bem
depressa. A certeza de um futuro próximo e mais feliz o sustenta encoraja, e em
vez de lamentar-se, ele agradece ao céu as dores que o fazem avançar. Para
aquele que, ao contrário, só vê a vida corpórea, esta parece interminável, e a dor
pesa sobre ele com todo o seu peso. O resultado da maneira espiritual de encarar
a vida é a diminuição de importância das coisas mundanas, a moderação dos
desejos humanos, fazendo o homem contentar-se com a sua posição, sem invejar
a dos outros, e sentir menos os seus revezes e decepções. Ele adquire, assim,
uma calma e uma resignação tão úteis à saúde do corpo como à da alma,
enquanto com a inveja, o ciúme e a ambição, entregam-se voluntariamente à
tortura, aumentando as misérias e as angústias de sua curta existência.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Dispositivo de Segurança
( Livro: Caminhos De Volta –Espíritos, Diversos - Chico Xavier )

Procuras segurança e paz.


Preservando, porém, o próprio equilíbrio, não deixes de auxiliar-te,
proporcionando aos outros auxílio que podes doar de ti mesmo.
Nunca te admitas em tamanho cansaço que não possas trabalhar, um tanto
mais, em benefício daqueles que te compartilham a vida.
Irradia compreensão e serenidade, nobres palavras e notícias edificantes.
Onde te sintas com o direito de reclamar, ao invés disso, busca extinguir os
obstáculos existentes, para que os problemas e conflitos se façam diminuídos ou
superados.
Se algo deves esclarecer em determinada situação nebulosa, aguarda o
momento justo, em que te expliques sem o fogo da discussão.
Nas áreas de atrito, nas quais te envolvas, quanto se te faça possível,
transfigura-te na escora da harmonização, imunizando a ti mesmo e aos demais
contra discórdia e ressentimento.

2
Coloca vida e alegria nas menores manifestações, seja num simples sorriso
ou num aperto de mão.
Cultiva o hábito de servir sempre, fazendo o melhor na faixa de experiência
em que te vejas.
E mesmo que a desencarnação de um ente amado te ensombre o mundo
íntimo, quanto puderes, converte a saudade em oração de esperança porque a
dor não apenas te desgasta o coração, mas espanca igualmente a criatura
querida, conduzida a outras dimensões.
Aflição habitualmente se define por excesso de carga inútil – nos
mecanismos de nossas resistências, determinando o curto-circuito em nossas
melhores forças.
O equilíbrio geral é a soma do esforço conjugado de quantos lhe desfrutam
as vantagens e os benefícios.
Doemos a cooperação que os outros esperam de nós, na garantia do sistema
de segurança e paz, em que se nos levantam os alicerces da felicidade comum e
guardemos a certeza de que a nossa omissão será sempre um ponto de ruptura
em nós mesmos, agravando as nossas próprias inquietações.
Emmanuel

O remédio Justo
( Livro: Livro da Esperança – Espírito, Emmanuel – Chico Xavier )

-Bem-aventurados os que choram porque serão consolados.” - JESUS


- MATEUS, 5:4.
“Por estas palavras: “Bem-aventurados os aflitos, pois que serão
consolados, Jesus aponta a compensação que hão de ter os que sofrem e a
resignação que leva o padecente a bendizer do sofrimento, com prelúdio da
cura.” Cap. V, 12.
Perguntas, muitas vezes, pela presença dos espíritos guardiões, quando
tudo indica, que forças contrárias às tuas noções de segurança e conforto,
comparecem, terríveis, nos caminhos terrestres.
Desastres, provações, enfermidades e flagelos inesperados arrancam-te
indagações aflitivas.
Onde os amigos desencarnados que protegem as criaturas?
Como não puderam prevenir certos transes que te parecem desoladoras
calamidades?
Se aspiras, no entanto, a conhecer a atitude moral dos espíritos benfeitores,
diante dos padecimentos desse matiz, consulta os corações que amam
verdadeiramente na Terra.
Ausculta o sentimento das mães devotadas que bendizem com lágrimas as
grades do manicômio para os filhos que se desvairaram no vicio, de modo a que
não se transfiram da loucura à criminalidade confessa.
Ouve os gemidos de amargura suprema dos pais amorosos que entregam os
rebentos, do próprio sangue no hospital, para que lhes seja amputado esse ou

3
aquele membro do corpo, a fim de que a moléstia corruptora, a que fizeram jus
pelos erros do passado, não lhes abrevie a existência.
Escuta as esposas abnegadas, quando compelidas a concordarem chorando
com os suplícios do cárcere para os companheiros queridos, evitando–se-lhes a
queda, em fossas mais profundas de delinqüência.
Perquire o pensamento dos filhos afetuosos, ao carregarem, esmagados de
dor, os pais endividados em doenças infecto–contagiosas, na direção das casas
de isolamento, a fim de que não se convertam em perigo para a comunidade.
Todos eles trocam as frases de carinho e os dedos veludosos pelas palavras
e pelas mãos de guardas e enfermeiros, algumas vezes desapiedados e frios,
embora continuem mentalmente jungidos aos seres que mais amam, orando e
trabalhando para que lhes retornem ao seio.
Quando vejas alguém submetido aos mais duros entraves, não suponhas
que esse alguém permaneça no olvido, por parte dos benfeitores espirituais que
lhe seguem a marcha.
0 amor brilha e paira sobre todas as dificuldades, à maneira do sol que paira
e brilha sobre todas as nuvens.
Ao invés de revolta e desalento, oferece paz e esperança ao companheiro
que chora, para que, à frente de todo mal, todo o bem prevaleça.
Isso porque onde existem almas sinceras, à procura do bem, o sofrimento é
sempre o remédio justo da vida para que, junto delas, não suceda o pior.

Amor Onipotente
( Livro: Opinião Espirita – Espírito, Emmanuel e André Luiz – Chico Xavier e Waldo Vieira )

Na hora atribulada de crise, em que as circunstâncias te prostraram a alma


na provação, muitos acreditaram que não mais te levantarias, no entanto quando
as trevas se adensavam, em torno, descobriste ignoto clarão que te impeliu à
trilha da esperança, laureada de sol.
Na cela da enfermidade, muitos admitiram que nada mais te faltava senão
aceitar o lance da morte, contudo, nos instantes extremos, mãos intangíveis te
afagaram as células fatigadas, renovando-lhes o calor, para que não deixasses
em meio o serviço que te assinala a presença na Terra.
No clima da tentação, muitos concordaram em que apenas te restava a
decadência definitiva, todavia, nos derradeiros centímetros da margem barrenta
que te inclinava ao despenhadeiro, manifestou-se em braço oculto que te deteve.
Na vala da queda a que te arrojaste, irrefletidamente, muitos te julgaram
para sempre em desprezo publico, entretanto, ao respirares, no cairel da loucura,
recolheste íntimo apoio, que te guardou o coração, refazendo-te a vida.
Na tapera da solidão a que te relegaram os entes mais queridos, muitos te
supuseram em supremo abandono, mas no último sorvo do pranto que te parecia
inestancável, experimentaste inexplicável arrimo, induzindo-te a buscar outros
afetos que passaram a enobrecer-te.
No turbilhão das dificuldades que te envolvam o dia, pensa em Deus, o Amor
Onipresente, que não nos desampara.

4
Por mais aflitiva seja a dor, trará Ele bálsamo que consola; por mais obscuro
o problema, dará caminho certo à justa solução.
Ainda assim, não te afoites em personalizá-lo ou defini-lo. Baste-nos a
palavra de Jesus que nô-lo revelou como sendo Nosso Pai.
Sobretudo, não te importe se alguém lhe nega a existência enquanto se lhe
abrilhantam as palavras nas aparências do mundo, quando pudeste encontrá-lo,
dentro do coração, nos momentos de angústia.
É natural seja assim. Quando a noite aparece, é que os olhos dos homens
conseguem divisar o esplendor das estrelas.

Com você mesmo


( Livro: O Espirito de Verdade – Espírito, diversos – Chico Xavier )

Meu amigo, você clama contra as dificuldades do mundo, mas será que você
já pensou nas facilidades em suas mãos ?
Observemos:
Você concorre, em tempo determinado, para exonerar-se da multa legal,
com expressiva taxa de consumo de luz e força elétricas; todavia, a usina solar
que lhe fornece claridade, calor e vida, nem é assinalada comumente pela sua
memória ...
Você salda, periodicamente, largas contas relativas ao gasto de água
encanada; no entanto, nem se lembra da gratuidade da água das chuvas e das
fontes a enriquecer-lhe os dias ...
Você estipendia na feira, com apreciáveis somas, todo gênero alimentício
que lhe atenda ao paladar; contudo, o oxigênio - elemento mais importante a
sustentar-lhe o organismo - é utilizado em seu sangue sem pesar-lhe no
orçamento com qualquer preocupação ...
Você resgata com a loja novos débitos, cada vez que renova o guarda-
roupa, e, apesar disso, nunca inventariou os bens que deve ao Corpo de carne a
resguardar-lhe o Espírito ...
Você remunera o profissional especializado pela adaptação de um só dente
artificial: entretanto, nada despendeu para obter a dentadura natural completa...
Você compra a drágea medicamentosa para leve dor de cabeça; todavia,
recebe de graça a faculdade de articular, instante a instante, os mais complicados
pensamentos...
Você gasta quantias inestimáveis para assistir a esse ou aquele espetáculo
esportivo ou à exibição de um filme; contudo, guarda sem sacrifício algum a
possibilidade de contemplar o solo cheio de flores e o Céu faiscante de estrelas ...
Você paga para ouvir simples melodia de um conjunto orquestral; no
entanto, ouve diariamente a divina musica da natureza, sem consumir vintém...
Você desembolsa importâncias enormes para adquirir passagens e indenizar
hospedarias, sempre que se desloca de casa; não obstante, passa-lhe
despercebido o prêmio vultoso que recebeu com o próprio ingresso na romagem
terrestre...

5
Não desespere e nem se lastime ...
Atendamos à realidade, compreendendo que alegria e a esperança,
expressando créditos infinitos de Deus, são os motivos básicos da vida a erguer-
se, cada momento por sinfonia maravilhosa.
André Luíz

Renascer e remorrer
( Livro: O Espirito de Verdade – Espírito, diversos – Chico Xavier )

Usufruímos na Espiritualidade o continente sem limites de onde viemos; no


Universo Físico, o mar sem praias em que navegamos de quando em quando, e,
na Vida Eterna, o abismo sem fundo em que desfrutamos as magnificências
divinas.
No trajeto multimilenário de nossas experiências, aprendemos, entre
sucessivos transes de nascimento e desencarnação, a alegria de viver,
descobrindo e reconhecendo a necessidade e a compensação do sofrimento,
sempre forjado por nossas próprias faltas.
Já renascemos e remorremos milhões de vezes, contraindo e saldando
obrigações, assinalando a excelsitude da Providência e o valor inapreciável da
humildade, para saber, enfim, que toda revolta humana é absurda e impotente.
Se as lutas do burilamento moral não têm unidade de medida, a ação do
amor é infinita na solução de todos os problemas e na medicação de todas as
dores.
Tolera com paciência as inevitáveis, mas breves provas de agora, para que
te rejubiles depois.
Nos compromissos espirituais, todos encontramos solvibilidade através do
esforço próprio, aproveitemos a bênção da dor na amortização dos débitos
seculares que nos ferreteiam as almas, perseverando resignadamente no posto
de sentinelas do bem, até que o Senhor mande render-nos com a transformação
pela morte.
Sempre trazemos dívidas de lágrimas uns para com os outros.
Vive, assim, em paz com todos, principalmente junto aos irmãos com os
quais a tua vida se entrecomunica a cada instante, legando, por testamento e
fortuna, atos de amor e exemplos de fé, no fortalecimento dos espíritos de
amigos e descendentes.
Se há facilidade para remorrer, há dificuldades para renascer. As portas dos
cemitérios jamais se fecham; contudo, as portas da reencarnação só se abrem
com a senha do mérito haurido nas edificações incessantes da caridade.
As dores iguais criam os ideais semelhantes.
Auxiliemo-nos mutuamente.
O Evangelho - o livro luz da evolução - é o nosso apoio. Busquemos a Jesus,
lembrando-nos de que o lamento maior, o desesperado clamor dos clamores, que
poderia ter partido de seus lábios, na potência de mil ecos dolorosos, jamais
chegou a existir.
Lins De Vasconcelos

6
Perguntas

01 – Pelas palavras de Jesus pode-se deduzir que todos os aflitos serão


consolados?
02 – De que forma o sofrimento pode ser traduzido por felicidade?
03 – Há outra razão para que nos resignemos diante do sofrimento?
04 – Além do sofrimento resignado, qual a maneira de resgatar mais
rapidamente nossos débitos?
05 – O que ocorre com aquele que não sofre resignadamente?
06 – A compreensão da vida espiritual alivia o sofrimento?
07 – Na prática, como podemos suavizar nossas provações?

Conclusão

Aflições são resgates perante a justiça divina, decorrentes de erros do


passado. Aceitá-las com resignação é quitar-se. No entanto, blasfemar é adiar o
pagamento e contrair novos débitos..

Recomendações

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V, Itens 14 a 16

Respostas das perguntas anteriores – 12º Roteiro

1º Resposta: Porque se o homem recordasse dos seus erros, ódios,


rancores e remorsos, essas lembranças serviriam de obstáculos para o
seu progresso.
“Inconveniência das lembranças do passado”

2º Resposta: Sim. Ficaríamos perturbados diante das pessoas a quem


ofendemos ou por quem fomos ofendidos em existências passadas.
“Reconhecer em um ente muito amado aquele a quem prejudicamos ou
por quem fomos prejudicados seria fator de desequilíbrio em nossa
vida.”

3º Resposta: Deus nos dá a voz da consciência e nossas tendências


instintivas, e nos tira o que poderia nos prejudicar em nosso
adiantamento: as lembranças do passado.

7
“Deus nos deu o que é necessário para o nosso adiantamento: a
consciência e as tendências instintivas.”

4º Resposta: Sim. Se bem que na maioria das vezes nos é veddo saber o
erro que cometemos, as más tendências nos indicam o tipo de fraqueza
moral que nos induziu á queda: o orgulho, vaidade, o egoísmo, a
ambição ou até mesmo a gula etc.
“Nossas más tendências indicam o que nos falta corrigir.”

5º Resposta: Sim, reconhecendo-as e deixando que a voz da consciência


nos mostre como corrigi-las.
“As boas resoluções que tomamos são a voz da consciência, advertindo-
nos do que é bem e do que é mal e dando-nos forças para resistir ás
tentações.”

6º Resposta: Não. Somente na vida corpórea é que esquecemos o que


fomos. A lembrança é recobrada quando o espirito se liberta do corpo,
pelo desencarne, ou durante o sono, quando ele consegue ter uma
liberdade relativa.
“A lembrança do passado apaga-se na vida corpórea e manifesta-se
durante o sono.”

*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O
Espiritismo’, Da editora Boa Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.

Glossário

Anotações

8
União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo – ESSE*
Cap. V, Itens 14 e 16

15º Roteiro – O Suicídio e a Loucura


Objetivos

De vermos as causas que incitam o suicídio e a loucura, ressaltando que a


calma, a resignação profunda, a fé em Deus e a fé no futuro são os meio que
devemos usar para evita-los

O Suicídio E A Loucura

14 – A calma e a resignação adquiridas na maneira de encarar a vida


terrena, e a fé no futuro, dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor
preservativo da loucura e do suicídio. Com efeito, a maior parte dos casos de
loucura são provocados pelas vicissitudes que o homem não tem forças de
suportar. Se, portanto, graças à maneira por que o Espiritismo o faz encarar as
coisas mundanas, ele recebe com indiferença, e até mesmo com alegria, os
revezes e as decepções que em outras circunstâncias o levariam ao desespero, é
evidente que essa força, que o eleva acima dos acontecimentos, preserva a sua
razão dos abalos que o poderiam perturbar.
15 – O mesmo se dá com o suicídio. Se excetuarmos os que se verificam
por força da embriaguez e da loucura, e que podemos chamar de inconscientes, é
certo que, sejam quais forem os motivos particulares, a causa geral é sempre o
descontentamento. Ora, aquele que está certo de ser infeliz apenas um dia, e de
se encontrar melhor nos dias seguintes, facilmente adquire paciência. Ele só se
desespera se não ver um termo para os seus sofrimentos. E o que é a vida
humana, em relação à eternidade, senão bem menos que um dia? Mas aquele
que não crê na eternidade, que pensa tudo acabar com a vida, que se deixa
abater pelo desgosto e o infortúnio, só vê na morte o fim dos seus pesares. Nada
esperando, acha muito natural, muito lógico mesmo, abreviar as suas misérias
pelo suicídio.
16 – A incredulidade, a simples dúvida quanto ao futuro, as idéias
materialistas, em uma palavra, são os maiores incentivadores do suicídio: elas
produzem a frouxidão moral. Quando vemos, pois, homens de ciência, que se
apóiam na autoridade do seu saber, esforçarem-se para provar aos seus ouvintes
ou aos seus leitores, que eles nada têm a esperar depois da morte, não o vemos
tentando convencê-los de que, se são infelizes, o melhor que podem fazer é
matar-se? Que poderiam dizer para afastá-los dessa idéia? Que compensação

1
poderão oferecer-lhes? Que esperanças poderão propor-lhes? Nada além do
nada! De onde é forçoso concluir que, se o nada é o único remédio heróico, a
única perspectiva possível, mais vale atirar-se logo a ele, do que deixar para mais
tarde, aumentando assim o sofrimento.
A propagação das idéias materialistas é, portanto, o veneno que inocula
em muitos a idéia do suicídio, e os que se fazem seus apóstolos assumem uma
terrível responsabilidade. Com o Espiritismo, a dúvida não sendo mais permitida,
modifica-se a visão da vida. O crente sabe que a vida se prolonga
indefinidamente para além do túmulo, mas em condições inteiramente novas. Daí
a paciência e a resignação, que muito naturalmente afastam a idéia do suicídio.
Daí, numa palavra, a coragem moral.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Suicidas
( Livro: O Céu e o Inferno – Allan Kardec )

O SUICIDA DA SAMARITANA
A 7 de abril de 1858, pelas 7 horas da noite, um homem de cerca de 50
anos e decentemente trajado apresentou-se no estabelecimento da Samaritana,
de Paris, e mandou que lhe preparassem um banho. Decorridas cerca de 2 horas,
o criado de serviço, admirado pelo silêncio do freguês, resolveu entrar no seu
gabinete, a fim de verificar o que ocorria.
Deparou-se-lhe então um quadro horroroso: o infeliz degolara-se com uma
navalha e todo o seu sangue misturava-se à água da banheira. E como a
identidade do suicida não pôde ser averiguada, foi o cadáver removido para o
necrotério.
1. - Evocação. (Resposta do guia do médium.) - Esperai, ele aí está.
2. - Onde vos achais hoje? - R. Não sei... dizei-mo.
3. - Estais numa reunião de pessoas que estudam o Espiritismo e que são
benévolas para convosco. - R. Dizei-me se vivo, pois este ambiente me sufoca.
Nota - Sua alma, posto que separada do corpo, está ainda completamente imersa
no que poderia chamar-se o turbilhão da matéria corporal; vivazes lhe são as
idéias terrenas, a ponto de se acreditar encarnado.
4 - Quem vos impeliu a vir aqui? - R. Sinto-me aliviado.
5. - Qual o motivo que vos arrastou ao suicídio? - R. Morto? Eu? Não... que habito
o meu corpo... Não sabeis como sofro!... Sufoco-me... Oxalá que mão
compassiva me aniquilasse de vez!
6. - Por que não deixastes indícios que pudessem tornar-vos reconhecível? - R.
Estou abandonado; fugi ao sofrimento para entregar-me à tortura.
7. - Tendes ainda os mesmos motivos para ficar incógnito? - R. Sim; não
revolvais com ferro candente a ferida que sangra.
8. - Podereis dar-nos o vosso nome, idade, profissão e domicilio? - R.
Absolutamente não.

2
9. - Tínheis família, mulher, filhos? - R. Era um desprezado, ninguém me amava.
10. - E que fizestes para ser assim repudiado? - R. Quantos o são como eu!... Um
homem pode viver abandonado no seio da família, quando ninguém o preza.
11. - No momento de vos suicidardes não experimentastes qualquer hesitação?
- R. Ansiava pela morte... Esperava repousar.
12. - Como é que a idéia do futuro não vos fez renunciar a um tal projeto? - R.
Não acreditava nele, absolutamente. Era um desiludido. O futuro é a esperança.
13. - Que reflexões vos ocorreram ao sentirdes a extinção da vida? - R. Não
refleti, senti... Mas a vida não se me extinguiu... minha alma está ligada ao
corpo... Sinto os vermes a corroerem-me.
14. - Que sensação experimentastes no momento decisivo da morte? - R. Pois ela
se completou?
15. - Foi doloroso o momento em que a vida se vos extinguiu? - R. Menos
doloroso que depois. Só o corpo sofreu.
16. - (Ao Espírito S. Luís.) - Que quer dizer o Espírito afirmando que o momento
da morte foi menos doloroso que depois? - R. O Espírito descarregou o fardo que
o oprimia; ele ressentia a volúpia da dor.
17. - Tal estado sobrevém sempre ao suicídio? - R. Sim. O Espírito do suicida fica
ligado ao corpo até o termo dessa vida. A morte natural é a libertação da vida: o
suicídio a rompe por completo.
18. - Dar-se-á o mesmo nas mortes acidentais, embora involuntárias, mas que
abreviam a existência? - R. Não. Que entendeis por suicídio? O Espírito só
responde pelos seus atos.
Nota - Esta dúvida da morte é muito comum nas pessoas recentemente
desencarnadas, e principalmente naquelas que, durante a vida, não elevam a
alma acima da matéria. É um fenômeno que parece singular à primeira vista, mas
que se explica naturalmente. Se a um indivíduo, pela primeira vez
sonambulizado, perguntarmos se dorme, ele responderá quase sempre que não,
e essa resposta é lógica: o interlocutor é que faz mal a pergunta, servindo-se de
um termo impróprio. Na linguagem comum, a idéia do sono prende-se à
suspensão de todas as faculdades sensitivas; ora, o sonâmbulo que pensa, que
vê e sente, que tem consciência da sua liberdade, não se crê adormecido, e de
fato não dorme, na acepção vulgar do vocábulo.
Eis a razão por que responde não, até que se familiariza com essa maneira de
apreender o fato. O mesmo acontece com o homem que acaba de desencarnar;
para ele a morte era o aniquilamento do ser, e, tal como o sonâmbulo, ele vê,
sente e fala, e assim não se considera morto, e isto afirmando até que adquira a
intuição do seu novo estado. Essa ilusão é sempre mais ou menos dolorosa, uma
vez que nunca é completa e dá ao Espírito uma tal ou qual ansiedade. No
exemplo supra ela constitui verdadeiro suplício pela sensação dos vermes que
corroem o corpo, sem falarmos da sua duração, que deverá eqüivaler ao tempo
de vida abreviada. Este estado é comum nos suicidas, posto que nem sempre se
apresente em idênticas condições, variando de duração e intensidade conforme
as circunstâncias atenuantes ou agravantes da falta. A sensação dos vermes e da

3
decomposição do corpo não é privativa dos suicidas: sobrevém igualmente aos
que viveram mais da matéria que do espírito. Em tese, não há falta isenta de
penalidades, mas também não há regra absoluta e uniforme nos meios de
punição.
1
O PAI E O CONSCRITO

No começo da guerra da Itália, em l859, um negociante de Paris, pai de


família, gozando de estima geral por parte dos seus vizinhos, tinha um filho que
fora sorteado para o serviço militar. Impossibilitado de o eximir de tal serviço,
ocorreu-lhe a idéia de suicidar-se a fim de o isentar do mesmo, como filho único
de mulher viúva. Um ano mais tarde, foi evocado na Sociedade de Paris a pedido
de pessoa que o conhecera, desejosa de certificar-se da sua sorte no mundo
espiritual.
(A S. Luís.) - Podereis dizer-nos se é possível evocar o Espírito a que vimos de
nos referir? - R. Sim, e ele ganhará com isso, porque ficará mais aliviado.
1. - Evocação. - R. Oh! obrigado! Sofro muito, mas... é justo. Contudo, ele me
perdoará.
Nota - O Espírito escreve com grande dificuldade; os caracteres são irregulares e
mal formados; depois da palavra mas, ele pára, e, procurando em vão escrever,
apenas consegue fazer alguns traços indecifráveis e pontos. É evidente que foi a
palavra Deus que ele não conseguiu escrever.
2. - Tende a bondade de preencher a lacuna com a palavra que deixastes de
escrever. - R. Sou indigno de escrevê-la.
3. - Dissestes que sofreis; compreendeis que fizestes muito mal em vos suicidar;
mas o motivo que vos acarretou esse ato não provocou qualquer indulgência?
- R. A punição será menos longa, mas nem por isso a ação deixa de ser má.
4. - Podereis descrever-nos essa punição? - R. Sofro duplamente, na alma e no
corpo; e sofro neste ultimo, conquanto o não possua, como sofre o operado a
falta de um membro amputado.
5. - A realização do vosso suicido teve por causa unicamente a isenção do vosso
filho, ou concorreram para ele outras razões? - R. Fui completamente inspirado
pelo amor paterno, porém, mal inspirado. Em atenção a isso, a minha pena será
abreviada.
6. - Podeis precisar a duração dos vossos padecimentos? - R. Não lhes entrevejo
o termo, mas tenho certeza de que ele existe, o que é um alivio para mim.
7. - Há pouco não vos foi possível escrever a palavra Deus, e no entanto temos
visto Espíritos muito sofredores fazê-lo: será isso uma conseqüência da vossa
punição? - R. Poderei fazê-lo com grandes esforços de arrependimento.
8. - Pois então fazei esses esforços para escrevê-lo, porque estamos certos de
que sereis aliviado. (O Espírito acabou por traçar esta frase com caracteres
grossos, irregulares e trêmulos: - Deus é muito bom.)
9. - Estamos satisfeitos pela boa-vontade com que correspondestes à nossa
evocação, e vamos pedir a Deus para que estenda sobre vós a sua misericórdia. -
R.Sim, obrigado.

4
10. - (A S. Luís.) - Podereis ministrar-nos a vossa apreciação sobre esse suicídio?
- R. Este Espírito sofre justamente, pois lhe faltou a confiança em Deus, falta que
é sempre punível. A punição seria maior e mais duradoura, se não houvera como
atenuante o motivo louvável de evitar que o filho se expusesse à morte na
guerra. Deus, que é justo e vê o fundo dos corações, não o pune senão de acordo
com suas obras.
OBSERVAÇÕES - À primeira vista, como ato de abnegação, este suicídio
poderse-ia considerar desculpável. Efetivamente assim é, mas não de modo
absoluto. A esse homem faltou a confiança em Deus, como disse o Espírito S.
Luís. A sua ação talvez impediu a realização dos destinos do filho; ao demais, ele
não tinha a certeza de que aquele sucumbiria na guerra e a carreira militar talvez
lhe fornecesse ocasião de adiantar-se. A intenção era boa, e isso lhe atenua o
mal provocado e merece indulgência; mas o mal é sempre o mal, e se o não fora,
poder-se-ia, escudado no raciocínio, desculpar todos os crimes e até matar a
pretexto de prestar serviços.
A mãe que mata o filho, crente de o enviar ao céu, seria menos culpada por
têlo feito com boa intenção? Aí está um sistema que chegaria a justificar todos os
crimes cometidos pelo cego fanatismo das guerras religiosas.
Em regra, o homem não tem o direito de dispor da vida, por isso que esta
lhe foi dada visando deveres a cumprir na Terra, razão bastante para que não a
abrevie voluntariamente, sob pretexto algum. Mas, ao homem - visto que tem o
seu livre-arbítrio - ninguém impede a infração dessa lei. Sujeita-se, porém, às
suas conseqüências. O suicídio mais severamente punido é o resultante do
desespero que visa a redenção das misérias terrenas, misérias que são ao mesmo
tempo expiações e provações. Furtar-se a elas é recuar ante a tarefa aceita e, às
vezes, ante a missão que se devera cumprir. O suicídio não consiste somente no
ato voluntário que produz a morte instantânea, mas em tudo quanto se faça
conscientemente para apressar a extinção das forças vitais. Não se pode tachar
de suicida aquele que dedicadamente se expõe à morte para salvar o seu
semelhante: primeiro, porque no caso não há intenção de se privar da vida, e,
segundo, porque não há perigo do qual a Providência nos não possa subtrair,
quando a hora não seja chegada. A morte em tais contingências é sacrifício
meritório, como ato de abnegação em proveito de outrem. (O Evangelho segundo
o Espiritismo, cap. V, itens nos. 5, 6, 18 e 19.)
A seguinte comunicação foi dada espontaneamente, em uma reunião espírita
no Havre, a 12 de fevereiro de 1863:
"Tereis piedade de um pobre miserável que passa de há muito por cruéis
torturas?! Oh! o vácuo... o Espaço..... despenho-me... caio... morro... Acudam-
me! Deus, eu tive uma existência tão miserável... Pobre diabo, sofri fome muitas
vezes na velhice; e foi por isso que me habituei a beber, a ter vergonha e
desgosto de tudo.
"Quis morrer, e atirei-me... Oh! meu Deus! Que momento! E para que tal
desejo,

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quando o termo estava tão próximo? Orai, para que eu não veja incessantemente
este vácuo debaixo de mim.... Vou despedaçar-me de encontro a essas pedras!
Eu vo-lo suplico, a vós que conheceis as misérias dos que não mais pertencem a
esse mundo.
Não me conheceis, mas eu sofro tanto... Para que mais provas? Sofro! Não será
isso o bastante? Se eu tivera fome, em vez deste sofrimento mais terrível e aliás
imperceptível para vós, não vacilaríeis em aliviar-me com uma migalha de pão.
Pois eu vos peço que oreis por mim... Não posso permanecer por mais tempo
neste estado...
Perguntai a qualquer desses felizes que aqui estão, e sabereis quem fui. Orai por
mim.
François-Simon Louvet."

O guia do médium. - "Esse que acaba de se dirigir a vós foi um pobre infeliz
que teve na Terra a prova da miséria; vencido pelo desgosto, faltou-lhe a
coragem, e, em vez de olhar para o céu como devia, entregou-se à embriaguez;
desceu aos extremos últimos do desespero, pondo termo à sua triste provação:
atirou-se da Torre Francisco I, no dia 22 de julho de 1857. Tende piedade de sua
pobre alma, que não é adiantada, mas que lobriga da vida futura o bastante para
sofrer e desejar uma reparação. Rogai a Deus lhe conceda essa graça, e com isso
tereis feito obra meritória."
Buscando-se informes a respeito, encontrou-se no Journal du Havre, de 23
de julho de 1857, a seguinte notícia local:
"Ontem, às 4 horas da tarde, os transeuntes do cais foram dolorosamente
impressionados por um horrível acidente: - um homem atirou-se da torre, vindo
despedaçar-se sobre as pedras. Era um velho puxador de sirga, cujo pendor à
embriaguez o arrastara ao suicídio. Chamava-se François-Victor-Simon Louvet. O
corpo foi transportado para a casa de uma das suas filhas, à rua de la Corderie.
Tinha 67 anos de idade."
Nota - Seis anos fazia que esse homem morrera e ele se via ainda cair da
torre, despedaçando-se nas pedras... Aterra-o o vácuo, horroriza-o a perspectiva
da queda... e isso há 6 anos! Quanto tempo durará tal estado? Ele não o sabe, e
essa incerteza lhe aumenta as angústias. Isso não eqüivale ao inferno com suas
chamas? Quem revelou e inventou tais castigos? Pois são os próprios padecentes
que os vem descrever, como outros o fazem das suas alegrias. E fazem-no, muita
vez, espontaneamente, sem que neles se pense - o que exclui toda hipótese de
sermos nós o joguete da própria imaginação.

MÃE E FILHO

Em março de 1865, o Sr. M. C..., negociante em pequena cidade dos


arredores de Paris, tinha em sua casa, gravemente enfermo, o mais velho dos
seus filhos, que contava 21 anos de idade. Este moço, prevendo o desenlace,
chamou sua mãe e teve forças ainda para abraçá-la. Esta, vertendo copiosas

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lágrimas, disse-lhe: "Vai, meu filho, precede-me, que não tardarei a seguir-te."
Dito isto, retirou-se, escondendo o rosto entre as mãos.
As pessoas presentes a essa cena desoladora consideravam simples
explosão de dor as palavras da Sra. C ..., dor que o tempo acalmaria. Morto o
doente, procuraram-na por toda a casa e foram encontrá-la enforcada num
celeiro. O enterro da suicida foi juntamente feito com o do filho.
Evocação deste, muitos dias depois do fato. - P. Sabeis do suicídio de vossa mãe,
em conseqüência do desespero que lhe causou a vossa perda? - R. Sim, e, sem o
pesar causado por essa fatal resolução da parte dela, julgar-me-ia
completamente feliz.
Pobre, excelente mãe! Não pôde suportar a prova dessa separação
momentânea, e tomou, para se unir ao filho, o caminho que dele mais deveria
afastá-la. E por quanto tempo! Assim, retardou indefinidamente uma reunião que
tão pronta teria sido se sua alma se conformasse submissa às vontades do
Senhor; se fosse resignada, humilde, arrependida diante da provação que se lhe
impunha, da expiação que deveria purifica-la!
Orai, oh! orai por ela!. .. e sobretudo não a imiteis, vós outras, mães que
vos comoveis com a narrativa da sua morte. - Não acrediteis que ela amasse
mais que as outras mães, a esse filho que era o seu orgulho, não; é que lhe
faltaram a coragem e a resignação. Mães, que me ouvis, quando a agonia
empanar o olhar dos vossos filhos, lembrai-vos de que, como o Cristo, eles
sobem ao cimo do Calvário, donde deverão alçar-se à glória eterna.
Benjamin C...
Evocação da mãe. - R. Quero ver meu filho. Tendes o poder de dar-mo?
Cruéis!... Tomaram-mo para levá-lo à luz, e a mim me deixaram em trevas.
Quero-o... quero-o porque me pertence!... Nada vale então o amor materno? Pois
quê! tê-lo carregado no ventre por nove meses; tê-lo amamentado; nutrido a
carne da sua carne, sangue do seu sangue; guiado os seus primeiros passos;
ensinado a balbuciar o sagrado nome de Deus e o doce nome de mãe; ter feito
dele um homem cheio de atividade, de inteligência, de probidade, de amor filial,
para perdê-lo quando realizava as esperanças concebidas a seu respeito, quando
brilhante futuro se lhe antolhava! Não, Deus não é justo; não é o Deus das mães,
não lhes compreende as dores e desesperos ... E quando me dava a morte para
me não separar de meu filho, eis que novamente me roubam!... Meu filho! Meu
filho, onde estás?
Evocador. - Pobre mãe, compartilhamos da vossa dor. Buscastes, no
entanto, um triste recurso para vos reunirdes ao vosso filho: - O suicídio é um
crime aos olhos de Deus, e deveis saber que Deus pune toda infração das suas
leis. A ausência do vosso filho é a vossa punição.
Ela. - Não; eu julgava Deus melhor que os homens; não acreditava no seu
inferno, porém cria na reunião das almas que se amaram como nós nos
amávamos...

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Enganei-me... Deus não é justo nem bom, por isso que não compreende a
grandeza da minha dor como do meu amor!... Oh! quem me dará meu filho? Tê-
lo-ei perdido para sempre? Piedade! piedade, meu Deus!
Evocador. - Vamos, acalmai o vosso desespero; considerai que, se há um
meio de rever vosso filho, não é blasfemando de Deus, como ora o fazeis. Com
isso, em vez de atrairdes a sua misericórdia, fazeis jus a maior severidade.
Ela. - Disseram-me que não mais o tornaria a ver, e compreendi que o
haviam levado ao paraíso. E eu estarei, acaso, no inferno? no inferno das mães?
Ele existe, demais o vejo...
Evocador. - Vosso filho não está perdido para sempre; certo tomareis a vê-
lo, mas é preciso merecê-lo pela submissão à vontade de Deus, ao passo que a
revolta poderá retardar indefinidamente esse momento. Ouvi-me: Deus é
infinitamente bom, mas é também infinitamente justo. Assim, ninguém é punido
sem causa, e se sobre a Terra Ele vos infligiu grandes dores, é porque as
merecestes. A morte de vosso filho era uma prova à vossa resignação;
infelizmente, a ela sucumbistes quando em vida, e eis que após a morte de novo
sucumbis; como pretendeis que Deus recompense os filhos rebeldes? A sentença
não é, porém, inexorável, e o arrependimento do culpado é sempre acolhido.
Se tivésseis aceito a provação com humildade; se houvésseis esperado com
paciência o momento da vossa desencarnação, ao entrardes no mundo espiritual,
em que vos achais, teríeis imediatamente avistado vosso filho, o qual vos
receberia de braços abertos. Depois da ausência, vê-lo-íeis radiante. Mas. o que
fizestes e ainda agora fazeis, coloca entre vós e ele uma barreira. Não o julgueis
perdido nas profundezas do Espaço, antes mais perto do que supondes - é que
véu impenetrável o subtrai à vossa vista.
Ele vos vê e ama sempre, deplorando a triste condição em que caístes pela
falta de confiança em Deus e aguardando ansioso o momento feliz de se vos
apresentar. De vós, somente, depende abreviar ou retardar esse momento. Orai
a Deus e dizei comigo: "Meu Deus, perdoai-me o ter duvidado da vossa justiça e
bondade; se me punistes, reconheço tê-lo merecido. Dignai-vos aceitar meu
arrependimento e submissão à vossa santa vontade."
Ela. - Que luz de esperança acabais de fazer despontar em minha alma! É
um como relâmpago em a noite que me cerca. Obrigada, vou orar... Adeus.
Nota - A morte, mesmo pelo suicídio, não produziu neste Espírito a ilusão de
se julgar ainda vivo. Ele apresenta-se consciente do seu estado: - é que para
outros o castigo consiste naquela ilusão, pelos laços que os prendem ao corpo.
Esta mulher quis deixar a Terra para seguir o filho na outra vida: era, pois,
necessário que soubesse aí estar realmente, na certeza da desencarnação, no
conhecimento exato da sua situação. Assim é que cada falta é punida de acordo
com as circunstâncias que a determinam, e que não há punições uniformes para
as faltas do mesmo gênero.
É de um jornal de 13 de junho de 1862 a seguinte narrativa:

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"A jovem Palmyre, modista, residindo com seus pais, era dotada de
aparência encantadora e de caráter afável. Por isso, era, também, muito
requestada a sua mão.
Entre todos os pretendentes ela escolheu o Sr. B ..., que lhe retribuía essa
preferência com a mais viva das paixões. Não obstante essa afeição, por
deferência aos pais, Palmyre consentiu em desposar o Sr. D..., cuja posição social
se afigurava mais vantajosa àqueles, do que a do seu rival. Os Srs. B... e D...
eram amigos íntimos, e posto não houvesse entre eles quaisquer relações de
interesse, jamais deixaram de se avistar. O amor recíproco de B... e Palmyre, que
passou a ser a Sra. D..., de modo algum se atenuara, e como se esforçassem
ambos por contê-lo, aumentava-se ele de intensidade na razão direta daquele
esforço. Visando extingui-lo, B... tomou o partido de se casar, e desposou, de
fato, uma jovem possuidora de eminentes predicados, fazendo o possível por
amá-la.
"Cedo, contudo, percebeu que esse meio heróico lhe fora inútil à cura.
Decorreram quatro anos sem que B... ou a Senhora D... faltassem aos seus
deveres.
"O que padeceram, só eles o sabem, pois D. .., que estimava deveras o seu
amigo, atraía-o sempre ao seu lar, insistindo para que nele ficasse quando
tentava retirar-se.
"Aproximados um dia por circunstâncias fortuitas e independentes da própria
vontade, os dois amantes deram-se ciência do mal que os torturava e acharam
que a morte era, no caso, o único remédio que se lhes deparava. Assentaram que
se suicidariam juntamente, no dia seguinte, em que o Sr. D... estaria ausente de
casa mais prolongadamente. Feitos os últimos aprestos, escreveram longa e
tocante missiva, explicando a causa da sua resolução: para não prevaricarem.
Essa carta terminava pedindo que lhes perdoassem e, mais, para serem
enterrados na mesma sepultura.
"De regresso a casa, o Sr. D... encontrou-os asfixiados. Respeitou-lhes os
últimos desejos, e, assim, não consentiu fossem os corpos separados no
cemitério."
Sendo esta ocorrência submetida à Sociedade de Paris, como assunto de estudo,
um Espírito respondeu: "Os dois amantes suicidas não vos podem responder
ainda. Vejo-os imersos na perturbação e aterrorizados pela perspectiva da
eternidade. As conseqüências morais da falta cometida lhes pesarão por
migrações sucessivas, durante as quais suas almas separadas se buscarão
incessantemente, sujeitas ao duplo suplício de se pressentirem e desejarem em
vão.
"Completa a expiação, ficarão reunidos para sempre, no seio do amor
eterno. Dentro de oito dias, na próxima sessão, podereis evocá-los. Eles aqui
virão sem se avistarem, porque profundas trevas os separarão por muito tempo."
1. - Evocação da suicida. - Vedes o vosso amante, com o qual vos suicidastes?
- R. Nada vejo, nem mesmo os Espíritos que comigo erram neste mundo. Que
noite! Que noite! E que véu espesso me circunda a fronte!

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2. - Que sensação experimentastes ao despertar no outro mundo? - R. Singular!
Tinha frio e escaldava. Tinha gelo nas veias e fogo na fronte! Coisa estranha,
conjunto inaudito! Fogo e gelo pareciam consumir-me! E eu julgava que ia
sucumbir uma segunda vez!...
3. - Experimentais qualquer dor física?
- R. Todo o meu sofrimento reside aqui, aqui ...
- Que quereis dizer por aqui, aqui?
- R. Aqui, no meu cérebro; aqui, no meu coração...
É provável que, visível, o Espírito levasse a mão à cabeça e ao coração.
4. - Acreditais na perenidade dessa situação?
- R. Oh! sempre! sempre! Ouço às vezes risos infernais, vozes horrendas que
bradam: sempre assim!
5. Pois bem: podemos com segurança dizer-vos que nem sempre assim será.
Pelo arrependimento obtereis o perdão. - R. Que dizeis? Não ouço.
6. - Repetimos que os vossos sofrimentos terão um termo, que os podereis
abreviar pelo arrependimento, sendo-nos possível auxiliar-vos com a prece. - R.
Não ouvi além de sons confusos, mais que uma palavra. Essa palavra é: - graça!
Seria efetivamente graça o que pronunciastes? Falastes em graça, mas sem
dúvida o fizestes à alma que por aqui passou junto de mim, pobre criança que
chora e espera.
Nota - Uma senhora, presente à reunião, declarou que fizera fervorosa prece
pela infeliz, o que sem dúvida a comoveu, e que de fato, mentalmente, havia
implorado em seu favor a graça de Deus.
7. - Dissestes estar em trevas e nada ouvir? - R. É-me permitido ouvir algumas
das vossas palavras, mas o que vejo é apenas um crepe negro, no qual de vez
em quando se desenha um semblante que chora.
8. - Mas uma vez que ele aqui está sem o avistardes, nem sequer vos apercebeis
da presença do vosso amante? - R. Ah! não me faleis dele. Devo esquecê-lo
presentemente para que do crepe se extinga a imagem retratada.
9. - Que imagem é essa? - R. A de um homem que sofre, e cuja existência moral
sobre a Terra aniquilei por muito tempo.
Nota - Da leitura dessa narrativa logo se depreende haver neste suicídio
circunstâncias atenuantes, encarado como ato heróico provocado pelo
cumprimento do dever. Mas reconhece-se, também, que, contrariamente ao
julgado, longa e terrível deve ser a pena dos culpados por se terem
voluntariamente refugiado na morte para evitar a luta. A intenção de não faltar
aos deveres era, efetivamente, honrosa, e lhes será contada mais tarde, mas o
verdadeiro mérito consistiria na resistência, tendo eles procedido como o desertor
que se esquiva no momento do perigo.
A pena consistirá, como se vê, em se procurarem debalde e por muito
tempo, quer no mundo espiritual, quer noutras encarnações terrestres; pena que
ora é agravada pela perspectiva da sua eterna duração. Essa perspectiva, aliada
ao castigo, faz que lhes seja defeso ouvirem palavras de esperança que
porventura lhes dirijam.

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Aos que acharem esta pena longa e terrível, tanto mais quanto não deverá
cessar senão depois de várias encarnações, diremos que tal duração não é
absoluta, mas dependente da maneira pela qual suportarem as futuras
provações. Além do que, eles podem ser auxiliados pela prece. E serão assim,
como todos, os árbitros do seu destino. Não será isso, ainda assim, preferível à
eterna condenação, sem esperança, a que ficam irrevogavelmente submetidos
segundo a doutrina da Igreja, que os considera votados ao inferno e para
sempre, a ponto de lhes recusar, com certeza por inúteis, as últimas preces?

LUÍS E A PESPONTADEIRA DE BOTINAS

Havia sete para oito meses que Luís G..., oficial sapateiro, namorava uma
jovem, Victorine R..., com a qual em breve deveria casar-se, já tendo mesmo
corrido os proclamas do casamento.
Neste pé as coisas, consideravam-se quase definitivamente ligados e, como
medida econômica, diariamente vinha o sapateiro almoçar e jantar em casa da
noiva.
Um dia, ao jantar, sobreveio uma controvérsia a propósito de qualquer
futilidade, e, obstinando-se os dois nas opiniões, foram as coisas ao ponto de Luís
abandonar a mesa, protestando não mais voltar.
Apesar disso, no dia seguinte velo pedir perdão. A noite é boa conselheira,
como se sabe, mas a moça, prejulgando talvez pela cena da véspera o que
poderia acontecer quando não mais a tempo de remediar o mal, recusou-se à
reconciliação. Nem protestos, nem lágrimas, nem desesperos puderam demovê-
la. Muitos dias ainda se passaram, esperando Luís que a sua amada fosse mais
razoável, até que resolveu fazer uma última tentativa: - Chegando a casa da
moça, bateu de modo a ser reconhecido, mas a porta permaneceu fechada,
recusaram abrir-lhe.
Novas súplicas do repelido, novos protestos, não ecoaram no coração da sua
pretendida. "Adeus, pois, cruel! - exclamou o pobre moço - adeus para sempre.
Trata de procurar um marido que te estime tanto como eu." Ao mesmo tempo a
moça ouvia um gemido abafado e logo após o baque como que de um corpo
escorregando pela porta. Pelo silêncio que se seguiu, a moça julgou que Luís se
assentara à soleira da porta, e protestou a si mesma não sair enquanto ele ali se
conservasse.
Decorrido um quarto de hora é que um locatário, passando pela calçada e
levando luz, soltou um grito de espanto e pediu socorro.
Depressa acorre a vizinhança, e Victorine, abrindo então a porta, deu um
grito de horror, reconhecendo estendido sobre o lajedo, pálido, inanimado, o seu
noivo.
Cada qual se apressou em socorrê-lo, mas para logo se percebeu que tudo
seria inútil, visto como ele deixara de existir. O desgraçado moço enterrara uma
faca na região do coração, e o ferro ficara-lhe cravado na ferida.

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(Sociedade Espírita de Paris, agosto de 1858)

1. - Ao Espírito S. Luís. - A moça, causadora involuntária do suicídio, tem


responsabilidade? - R. Sim, porque o não amava.
2. - Então para prevenir a desgraça deveria desposá-lo a despeito da repugnância
que lhe causava? - R. Ela procurava uma ocasião de descartar-se, e assim fez em
começo da ligação o que viria a fazer mais tarde.
3. - Neste caso, a sua responsabilidade decorre de haver alimentado sentimentos
dos quais não participava e que deram em resultado o suicídio do moço? - R.
Sim, exatamente.
4. - Mas então essa responsabilidade deve ser proporcional à falta, e não tão
grande como se consciente e voluntariamente houvesse provocado o suicídio... -
R. É evidente.
5. - E o suicídio de Luís tem desculpa pelo desvario que lhe acarretou a
obstinação de Victorine? - R. Sim, pois o suicídio oriundo do amor é menos
criminoso aos olhos de Deus, do que o suicídio de quem procura libertar-se da
vida por motivos de covardia.
Ao Espírito Luís G..., evocado mais tarde, foram feitas as seguintes perguntas:
1. - Que julgais da ação que praticastes? - R. Victorine era uma ingrata, e eu fiz
mal em suicidar-me por sua causa, pois ela não o merecia.
2. - Então não vos amava? - R. Não. A princípio iludia-se, mas a desavença que
tivemos abriu-lhe os olhos, e ela até se deu por feliz achando um pretexto para
se desembaraçar de mim.
3. - E o vosso amor por ela era sincero? - R. Paixão somente, creia; pois se o
amor fosse puro eu me teria poupado de lhe causar um desgosto.
4. - E se acaso ela adivinhasse a vossa intenção persistiria na sua recusa? - R.
Não sei, penso mesmo que não, porque ela não é má. Mas, ainda assim, não
seria feliz, e melhor foi para ela que as coisas se passassem de tal forma.
5. - Batendo-lhe à porta, tínheis já a idéia de vos matar, caso se desse a recusa?
- R. Não, em tal não pensava, porque também não contava com a sua
obstinação. Foi somente à vista desta que perdi a razão.
6. - Parece que não deplorais o suicídio senão pelo fato de Victorine o não
merecer... E realmente o vosso único pesar? - R. Neste momento, sim; estou
ainda perturbado, afigura-se-me estar ainda à porta, conquanto também
experimente outra sensação que não posso definir.
7. - Chegareis a compreendê-la mais tarde? - R. Sim, quando estiver livre desta
perturbação. Fiz mal, deveria resignar-me... Fui fraco e sofro as conseqüências da
minha fraqueza. A paixão cega o homem a ponto de praticar loucuras, e
infelizmente ele só o compreende bastante tarde.
8. - Dizeis que tendes um desgosto... qual é? - R. Fiz mal em abreviar a vida. Não
deveria fazê-lo. Era preferível tudo suportar a morrer antes do tempo. Sou
portanto infeliz; sofro, e é sempre ela que me faz sofrer, a ingrata. Parece-me
estar sempre à sua porta, mas... não falemos nem pensemos mais nisso, que me
incomoda muito. Adeus.

12
Nota - Por isso se vê ainda uma nova confirmação da justiça que preside à
distribuição das penas, conforme o grau de responsabilidade dos culpados É à
moça, neste caso, que cabe a maior responsabilidade, por haver entretido em
Luís, por brincadeira, um amor que não sentia. Quanto ao moço, este já é de
sobejo punido pelo sofrimento que lhe perdura, mas a sua pena é leve, porquanto
apenas cedeu a um movimento irrefletido em momento de exaltação, que não à
fria premeditação dos suicidas que buscam subtrair-se às provações da vida.

UM ATEU

M.J.-B.D... era um homem instruído, mas em extremo saturado de idéias


materialistas, não acreditando em Deus nem na existência da alma. A pedido de
um parente, foi evocado dois anos depois de desencarnado, na Sociedade Espírita
de Paris.
1. - Evocação. - R. Sofro. Sou um réprobo.
2. - Fomos levados a evocar-vos em nome de parentes que, como tais, desejam
conhecer da vossa sorte. Podereis dizer-nos se esta nossa evocação vos é penosa
ou agradável? - R. Penosa.
3. - A vossa morte foi voluntária? - R. Sim.
Nota - O Espírito escreve com extrema dificuldade. A letra é grossa, irregular,
convulsa e quase ininteligível. Ao terminar a escrita encoleriza-se, quebra o lápis
e rasga o papel.
4. - Tende calma, que nós todos pediremos a Deus por vós. - R. Sou forçado a
crer nesse Deus.
5. - Que motivo poderia ter-vos levado ao suicídio? - R. O tédio de uma vida sem
esperança.
Nota - Concebe-se o suicídio quando a vida é sem esperança; procura-se então
fugir-lhe a qualquer preço. Com o Espiritismo, ao contrário, a esperança
fortalece-se porque o futuro se nos desdobra. O suicídio deixa de ser objetivo,
uma vez reconhecido que apenas se isenta a gente do mal para arrostar com um
mal cem vezes pior. Eis por que o Espiritismo tem seqüestrado muita gente a
uma morte voluntária.
Grandemente culpados são os que se esforçam por acreditar, com sofismas
científicos e a pretexto de uma falsa razão, nessa idéia desesperadora, fonte de
tantos crimes e males, de que tudo acaba com a vida. Esses serão responsáveis
não só pelos próprios erros, como igualmente por todos os males a que os
mesmos derem causa.
6. - Quisestes escapar às vicissitudes da vida... Adiantastes alguma coisa? Sois
agora mais feliz? - R. Por que não existe o nada?
7. - Tende a bondade de nos descrever do melhor modo possível a vossa atual
situação. - R. Sofro pelo constrangimento em que estou de crer em tudo quanto
negava. Meu Espírito está como num braseiro, horrivelmente atormentado.

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8. - Donde provinham as vossas idéias materialistas de outrora? - R. Em anterior
encarnação eu fora mau e por isso condenei-me na seguinte aos tormentos da
incerteza, e assim foi que me suicidei.
Nota - Aqui há todo um corolário de idéias. Muitas vezes nos perguntamos
como pode haver materialistas quando, tendo eles passado pelo mundo
espiritual, deveriam ter do mesmo a intuição; ora, é precisamente essa intuição
que é recusada a alguns Espíritos que, conservando o orgulho, não se
arrependeram das suas faltas.
Para esses tais, a prova consiste na aquisição, durante a vida corporal e à
custa do próprio raciocínio, da prova da existência de Deus e da vida futura que
têm, por assim dizer, incessantemente sob os olhos. Muitas vezes, porém, a
presunção de nada admitir, acima de si, os empolga e absorve. Assim, sofrem
eles a pena até que, domado o orgulho, se rendem à evidência.
9. - Quando vos afogastes, que idéias tínheis das conseqüências? Que reflexões
fizestes nesse momento? - R. Nenhuma, pois tudo era o nada para mim.
Depois é que vi que, tendo cumprido toda a sentença, teria de sofrer mais ainda.
10. - Estais bem convencido agora da existência de Deus, da alma e da vida
futura? - R. Ah! Tudo isso muito me atormenta!
11. - Tornastes a ver vosso irmão? - R. Oh! não.
12. - E por que não? - R. Para que confundir os nossos desesperos? Exila-se a
gente na desgraça e na ventura se reúne, eis o que é.
13. - Incomodar-vos-ia a presença de vosso irmão, que poderíamos atrair aí para
junto de vós? - R. Não o façais, que o não mereço.
14. - Por que vos opondes? - R. Porque ele também não é feliz.
15. - Receais a sua presença, e no entanto ela só poderia ser benéfica para vós.
- R. Não; mais tarde...
16. - Tendes algum recado para os vossos parentes? - R. Que orem por mim.
17. - Parece que na roda das vossas relações há quem partilhe das vossas
opiniões. Quereis que lhes digamos algo a respeito? - R. Oh! os desgraçados!
Assim possam eles crer em outra existência, eis quanto lhes posso desejar. Se
eles pudessem avaliar a minha triste posição, muito refletiriam.
(Evocação de um irmão do precedente, que professava as mesmas teorias, mas
que não se suicidou. Posto que também infeliz, este se apresenta mais calmo; a
sua escrita é clara e legível.)
18. - Evocação. - R. Possa o quadro dos nossos sofrimentos ser útil lição,
persuadindo-vos da realidade de uma outra existência, na qual se expiam as
faltas oriundas da incredulidade.
19. - Vós, e vosso irmão que acabamos de evocar, vos vedes reciprocamente? -
R. Não; ele me foge.
Nota - Poder-se-ia perguntar como é que os Espíritos se podem evitar no mundo
espiritual, uma vez que aí não existem obstáculos materiais nem refúgios
impenetráveis à vista. Tudo é, porém, relativo nesse mundo e conforme a
natureza fluídica dos seres que o habitam. Só os Espíritos superiores têm
percepções indefinidas, que nos inferiores são limitadas. Para estes, os obstáculos

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fluídicos eqüivalem a obstáculos materiais. Os Espíritos furtam-se às vistas dos
semelhantes por efeito volitivo, que atua sobre o envoltório perispiritual e fluidos
ambientes. A Providência, porém, qual mãe, por todos os seus filhos vela, e por
intermédio dos mesmos, individualmente, lhes concede ou nega essa faculdade,
conforme as suas disposições morais, o que constitui, conforme as circunstâncias,
um castigo ou uma recompensa.
20. - Estais mais calmo do que vosso irmão. Podereis dar-nos uma descrição mais
precisa dos vossos sofrimentos? - R. Não sofreis aí na Terra no vosso orgulho, no
vosso amor-próprio, quando obrigados a reconhecer os vossos erros?
"O vosso Espírito não se revolta com a idéia de vos humilhardes a quem vos
demonstre o vosso erro? Pois bem! Julgai quanto deve sofrer o Espírito que
durante toda a sua vida se persuadiu de que nada existia além dele, e que sobre
todos prevalecia sempre a sua razão. Encontrando-se de súbito em face da
verdade imponente, esse Espírito sente-se aniquilado, humilhado. A isso vem
ainda juntar-se o remorso de haver por tanto tempo esquecido a existência de
um Deus tão bom, tão indulgente.
A situação é insuportável; não há calma nem repouso; não se encontra um pouco
de tranqüilidade senão no momento em que a graça divina, isto é, o amor de
Deus, nos toca, pois o orgulho de tal modo se apossa de nós, que de todo nos
embota, a ponto de ser preciso ainda muito tempo para que nos despojemos
completamente dessa roupagem fatal. Só a prece dos nossos irmãos pode
ajudar-nos nesses transes.
21. - Quereis falar dos irmãos encarnados, ou dos Espíritos? - R. De uns como de
outros.
22. - Enquanto nos entretínhamos com o vosso irmão, uma das pessoas aqui
presentes orou por ele: - essa prece lhe foi proveitosa? - R. Ela não se perderá.
Se ele agora recusa a graça, outro tanto não fará quando estiver em condições de
recorrer a essa divina panacéia.
Nota - Aqui lobrigamos um outro gênero de castigo, mas que não é o
mesmo em todos os cépticos. Para este Espírito, é independente do sofrimento a
necessidade de reconhecer verdades que repudiara quando encarnado.
As suas idéias atuais revelam certo grau de adiantamento,
comparativamente às de outros Espíritos persistentes na negação de Deus.
Confessar o próprio erro é já alguma coisa, porque é premissa de humildade.
Na subseqüente encarnação é mais que provável que a incredulidade ceda
lugar ao sentimento inato da fé.
Transmitindo a resultante destas duas evocações à pessoa que no-las havia
solicitado, tivemos dela a seguinte resposta: "Não podeis imaginar, meu caro
senhor, o grande benefício advindo da evocação de meu sogro e de meu tio.
Reconhecemo-los perfeitamente. A letra do primeiro, sobretudo, é de uma
analogia notável com a que ele tinha em vida, tanto mais quanto, durante os
últimos meses que conosco passou, essa letra era sofreada e indecifrável.
Aí se verificam a mesma forma de pernas, da rubrica e de certas letras.

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Quanto ao vocabulário e ao estilo, a semelhança é ainda mais frisante; para
nós, a analogia é completa, apenas com maior conhecimento de Deus, da alma e
da eternidade que ele tão formalmente negava outrora. Não nos restam dúvidas,
portanto, sobre a sua identidade. Deus será glorificado pela maior firmeza das
nossas crenças no Espiritismo, e os nossos irmãos encarnados e desencarnados
se tornarão melhores.
A identidade de seu irmão também não é menos evidente; na mudança de
ateu em crente, reconhecemos-lhe o caráter, o estilo, o contorno da frase. Uma
palavra, sobre todas, nos despertou atenção - panacéia - sua frase predileta, a
todo instante repetida.
"Mostrei essas duas comunicações a várias pessoas, que não menos se
admiraram da sua veracidade, mas os incrédulos, com as mesmas opiniões dos
meus parentes, esses desejariam respostas ainda mais categóricas.
"Queriam, por exemplo, que M. D... se referisse ao lugar em que foi
enterrado, onde se afogou, como foi encontrado, etc. A fim de os convencer, não
vos seria possível fazer nova evocação perguntando onde e como se suicidou,
quanto tempo esteve submergido, em que lugar acharam o cadáver, onde foi
inumado, de que modo, se civil ou religiosamente, foi sepultado? Dignai-vos, caro
senhor, insistir pela resposta categórica a essas perguntas, pois são essenciais
para os que ainda duvidam. Estou convencido de que darão, nesse caso, imensos
resultados.
"Dou-me pressa a fim de esta vos ser entregue na sexta-feira de manhã, de
modo a poder fazer-se a evocação na sessão da Sociedade desse mesmo dia...
etc."
Reproduzimos esta carta pelo fato da confirmação da identidade e aqui lhe
anexamos a nossa resposta para ensino das pessoas não familiarizadas com as
comunicações de além-túmulo.
"As perguntas que nos pediram para novamente endereçar ao Espírito de
vosso sogro, são, incontestavelmente, ditadas por intenção louvável, qual a de
convencer incrédulos, visto como em vós não mais existe qualquer sentimento de
dúvida ou curiosidade. Contudo, um conhecimento mais aprofundado da ciência
espírita vos faria julgar supérfluas essas perguntas. Em primeiro lugar,
solicitando-me conseguir resposta categórica, mostrais ignorar a circunstância de
não podermos governar os Espíritos, a nosso talante. Ficai sabendo que eles nos
respondem quando e como querem, e também como podem. A liberdade da sua
ação é maior ainda do que quando encarnados, possuindo meios mais eficazes de
se furtarem ao constrangimento moral que por acaso sobre eles queiramos
exercer. As melhores provas de identidade são as que fornecem
espontaneamente, por si mesmos, ou então as oriundas das próprias
circunstâncias. Estas, é quase sempre inútil provocá-las.
Segundo afirmais, o vosso parente provou a sua identidade de modo
inconcusso; por conseguinte, é mais que provável a sua recusa em responder a
perguntas que podem por ele ser com razão consideradas supérfluas, visando
satisfazer à curiosidade de pessoas que lhe são indiferentes. A resposta bem

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poderia ser a que outros têm dado em casos semelhantes, isto é: - "para que
perguntar coisas que já sabeis?"
"A isto acrescentarei que a perturbação e sofrimentos que o assoberbam
devem agravar-se com as investigações desse gênero, que correspondem
perfeitamente a querer constranger um doente, que mal pode pensar e falar, a
historiar as minúcias da sua vida, faltando-se assim às considerações inspiradas
pelo seu próprio estado.
"Quanto ao objetivo por vós alegado, ficai certo de que tudo seria negativo.
As provas de identidade fornecidas são bem mais valiosas, por isso que foram
espontâneas, e não de antemão premeditadas. Ora, se estas não puderam
contentar os incrédulos, muito menos o fariam interrogativas já preestabelecidas,
de cuja conivência poderiam suspeitar.
"Há pessoas a quem coisa alguma pode convencer. Esses poderiam ver o
vosso parente, com os próprios olhos, e continuariam a supor-se vítimas de uma
alucinação.
"Duas palavras ainda, quanto ao pedido que me fizestes de promover essa
evocação no mesmo dia do recebimento de vossa carta. As evocações não se
fazem assim de momento; os Espíritos nem sempre correspondem ao nosso
apelo; é preciso que queiram, e não só isso, mas que também possam fazê-lo. É
preciso, ainda, que encontrem um médium que lhes convenha, com as aptidões
especiais necessárias e que esse médium esteja disponível em dado momento. É
preciso, enfim, que o meio lhes seja simpático, etc. Pela concorrência dessas
circunstâncias nem sempre se pode responder, e importa muito conhecê-las
quando se quer praticar com seriedade e segurança."

FÉLICIEN

Era um homem rico, instruído, poeta de espírito, possuidor de caráter são,


obsequioso e ameno, de perfeita honradez.
Falsas especulações comprometeram-lhe a fortuna, e, não lhe sendo
possível repará-la em razão da idade avançada, cedeu ao desânimo, enforcando-
se em dezembro de 1864, no seu quarto de dormir.
Não era materialista nem ateu, mas um homem de gênio um tanto
superficial, ligando pouca importância ao problema da vida de além-túmulo.
Conhecendo-o intimamente, evocamo-lo, quatro meses após o suicídio,
inspirados pela simpatia que lhe dedicávamos.
Evocação. - Choro a Terra na qual tive decepções, porém menores do que as
experimentadas aqui. Eu, que sonhava maravilhas, estou abaixo da realidade do
meu ideal. O mundo dos Espíritos é bastante promíscuo, e para torná-lo
suportável fora mister uma boa triagem. Custa-me a crer. Que esboço de
costumes espíritas se poderia fazer aqui! O próprio Balzac, estando no seu
elemento, não faria tal esboço senão de modo rústico. Não o lobriguei, porém...
Onde estarão esses grandes Espíritos que tão energicamente profligaram os
vícios da Humanidade! Deviam eles, como eu, habitar por aqui antes de se

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alçarem a regiões mais elevadas. Apraz-me observar este curioso pandemônio, e
assim fico por aqui.
Nota - Apesar de o Espírito nos declarar que se acha numa sociedade assaz
promíscua e, por conseguinte, de Espíritos inferiores, surpreendeu-nos a sua
linguagem, dado o gênero de morte, ao qual, aliás, não faz qualquer referência. A
não ser isso, tudo mais refletiu seu caráter.
Tal circunstância deixava-nos em dúvida sobre a identidade.
- P. Tende a bondade de nos dizer como morrestes... - R. Como morri? Pela
morte por mim escolhida, a que mais me agradou, sendo para notar que meditei
muito tempo nessa escolha com o intuito de me desembaraçar da vida. Apesar
disso, confesso que não ganhei grande coisa: - libertei-me dos cuidados
materiais, porém, para encontrá-los mais graves e penosos na condição de
Espírito, da qual nem sequer prevejo o termo.
- P. (ao guia do médium). O Espírito em comunicação será efetivamente o de
Félicien? Esta linguagem, quase despreocupada, torna-se suspeita em se tratando
de um suicida...
- R. Sim. Entretanto, por um sentimento justificável na sua posição, ele não
queria revelar ao médium o seu gênero de morte. Foi por isso que dissimulou a
frase, acabando no entanto por confessá-lo diante da pergunta direta que lhe
fizestes, e não sem angústias. O suicídio fá-lo sofrer muito, e por isso desvia, o
mais possível, tudo o que lhe recorde o seu fim funesto.
- P. (ao Espírito). A vossa desencarnação tanto mais nos comoveu, quanto lhe
prevíamos as tristes conseqüências, além da estima e intimidade das nossas
relações.
Pessoalmente, não me esqueci do quanto éreis obsequioso e bom para
comigo. Seria feliz se pudesse testemunhar-vos a minha gratidão, fazendo algo
de útil para vós.
- R. Entretanto, eu não podia furtar-me de outro modo aos embaraços da minha
posição material. Agora, só tenho necessidade de preces; orai, principalmente,
para que me veja livre desses hórridos companheiros que aqui estão junto de
mim, obsidiando-me com gritos, sorrisos e infernais motejos. Eles chamam-me
covarde, e com razão, porque é covardia renunciar à vida. É a quarta vez que
sucumbo a essa provação, não obstante a formal promessa de não falir...
Fatalidade!... Ah! Orai... Que suplício o meu! Quanto sou desgraçado! Orando,
fazeis por mim mais que por vós pude fazer quando na Terra; mas a prova, ante
a qual fracassei tantas vezes, aí está retraçada, indelével, diante de mim! E
preciso tentá-la novamente, em dado tempo...
Terei forças? Ah! recomeçar a vida tantas vezes; lutar por tanto tempo para
sucumbir aos acontecimentos, é desesperador, mesmo aqui! Eis por que tenho
carência de força. Dizem que podemos obtê-la pela prece... Orai por mim, que eu
quero orar também.
Nota - Este caso particular de suicídio, posto que realizado em circunstâncias
vulgares, apresenta uma feição especial. Ele mostra-nos um Espírito que
sucumbiu muitas vezes à provação, que se renova a cada existência e que

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renovará até que ele tenha forças para resistir. Assim se confirma o fato de não
haver proveito no sofrimento, sempre que deixamos de atingir o fim da
encarnação, sendo preciso recomeçá-la até que saiamos vitoriosos da campanha.
Ao Espírito do Sr. Félicien. - Ouvi, eu vo-lo peço, ouvi e meditai sobre as
minhas palavras. O que denominais fatalidade é apenas a vossa fraqueza, pois se
a fatalidade existisse o homem deixaria de ser responsável pelos seus atos. O
homem é sempre livre, e nessa liberdade está o seu maior e mais belo privilégio.
Deus não quis fazer dele um autômato obediente e cego, e, se essa liberdade o
torna falível, também o torna perfectível, sem o que somente pela perfeição
poderá atingir a suprema felicidade.
O orgulho somente pode levar o homem a atribuir ao destino as suas
infelicidades terrenas, quando a verdade é que tais infelicidades promanam da
sua própria incúria. Tendes disso um exemplo bem patente na vossa última
encarnação, pois tínheis tudo que se fazia preciso à felicidade humana, na Terra:
espírito, talento, fortuna, merecida consideração; nada de vícios ruinosos, mas,
ao contrário, apreciáveis qualidades... Como, no entanto, ficou tão comprometida
a vossa posição?
Unicamente pela vossa imprevidência. Haveis de convir que, agindo com
mais prudência, contentando-vos com o muito que já vos coubera, antes que
procurando aumentá-lo sem necessidade, a ruína não sobreviria. Não havia nisso
nenhuma fatalidade, uma vez que podíeis ter evitado tal acontecimento. A vossa
provação consistia num encadeamento de circunstâncias que vos deveriam dar,
não a necessidade, mas a tentação do suicídio; desgraçadamente, apesar do
vosso talento e instrução, não soubestes dominar essas circunstâncias e sofreis
agora as conseqüências da vossa fraqueza.
Essa prova, tal como pressentis com razão, deve renovar-se ainda; na vossa
próxima encarnação tereis de enfrentar acontecimentos que vos sugerirão a idéia
do suicídio, e sempre assim acontecerá até que de todo tenhais triunfado. Longe
de acusar a sorte, que é a vossa própria obra, admirai a bondade de Deus, que,
em vez de condenar irremissivelmente pela primeira falta, oferece sempre os
meios de repará-la.
Assim, sofrereis, não eternamente, mas por tanto tempo quanto reincidirdes
no erro. De vós depende, no estado espiritual, tomar a resolução bastante
enérgica de manifestar a Deus um sincero arrependimento, solicitando
instantemente o apoio dos bons Espíritos. Voltareis então à Terra, blindado na
resistência a todas as tentações. Uma vez alcançada essa vitória, caminhareis na
via da felicidade com mais rapidez, visto que sob outros aspectos o vosso
progresso é já considerável. Como vedes, há ainda um passo a franquear, para o
qual vos auxiliaremos com as nossas preces. Estas só serão improfícuas se nos
não secundardes com os vossos esforços.
- R. Oh! obrigado! Oh! obrigado por tão boas exortações. Delas tenho tanto maior
necessidade, quanto sou mais desgraçado do que demonstrava. Vou aproveitálas,
garanto, no preparo da próxima encarnação, durante a qual farei todo o possível
por não sucumbir. Já me custa suportar o meio ignóbil do meu exílio.

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Félicien.

ANTOINE BELL
Era o caixa de uma casa bancária do Canadá e suicidou-se a 28 de fevereiro
de 1865. Um dos nossos correspondentes, médico e farmacêutico residente na
mesma cidade, deu-nos dele as informações que se seguem:
"Conhecia-o, havia perto de 20 anos, como homem pacato e chefe de numerosa
família. De tempos a certa parte imaginou ter comprado um tóxico na minha
farmácia, servindo-se dele para envenenar alguém. Muitas vezes vinha suplicar-
me para lhe dizer a época de tal compra, tomado então de alucinações terríveis.
Perdia o sono, lamentava-se, batia nos peitos. A família vivia em constante
ansiedade das 4 da tarde às 9 da manhã, hora esta em que se dirigia para a casa
bancária, onde, aliás, escriturava os seus livros com muita regularidade, sem que
jamais cometesse um só erro. Habitualmente dizia sentir dentro de si um ente
que o fazia desempenhar com acerto e ordem a sua contabilidade.
Quando se afigurava convencido da extravagância das suas idéias,
exclamava: - "Não; não; quereis iludir-me... lembro-me... é a verdade..."
A pedido desse amigo, foi ele evocado em Paris, a 17 de abril de 1865.
1. - Evocação. - R. Que pretendeis de mim? Sujeitar-me a um interrogatório? É
inútil, tudo confessarei.
2. - Bem longe de nós o pensamento de vos afligir com perguntas indiscretas;
desejamos saber apenas qual a vossa posição nesse mundo, bem como se
poderemos ser-vos úteis... - R. Ah! Se for possível, ser-vos-ei extremamente
grato. Tenho horror ao meu crime e sou muito infeliz!
3. - Temos a esperança de que as nossas preces atenuarão as vossas penas.
Afigura-se-nos que vos achais em boas condições, visto como o arrependimento
já vos assedia o coração - o que constitui um começo de reabilitação. Deus,
infinitamente misericordioso, sempre tem piedade do pecador arrependido. Orai
conosco. (Faz-se a prece pelos suicidas, a qual se encontra em O Evangelho
segundo o Espiritismo.)
Agora, tende a bondade de nos dizer de quais crimes vos reconheceis
culpado.
Tal confissão, humildemente feita, ser-vos-á favorável.
- R. Deixai primeiro que vos agradeça por esta esperança que fizestes ralar
no meu coração. Oh! há já bastante tempo que vivia numa cidade banhada pelo
Mediterrâneo.
Amava, então, uma bela moça que me correspondia; mas, pelo fato de ser
pobre, fui repelido pela família. A minha eleita participou-me que desposaria o
filho de um negociante cujas transações se estendiam para além de dois mares, e
assim fui eu desprezado. Louco de dor, resolvi acabar com a vida, não sem deixar
de assassinar o detestado rival, saciando o meu desejo de vingança.
Repugnando-me os meios violentos, horrorizava-me a perpetração do crime,
porém o meu ciúme a tudo sobrepujou. Na véspera do casamento, morria o meu
rival envenenado, pelo meio que me pareceu mais fácil. Eis como se explicam as

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reminiscências do passado... Sim, eu já reencarnei, e preciso é que reencarne
ainda... Oh! meu Deus, tende piedade das minhas lágrimas e da minha fraqueza!
4. - Deploramos essa infelicidade que retardou vosso progresso e sinceramente
vos lamentamos; dado, porém, que vos arrependais, Deus se compadecerá de
vós.
Dizei-nos se chegastes a executar o vosso projeto de suicídio...
- R. Não; e confesso, para vergonha minha, que a esperança se me desabrochou
novamente no coração, com o desejo de me aproveitar do crime já cometido.
Traíram-me, porém, os remorsos e acabei por expiar, no último suplício, aquele
meu desvario: enforquei-me.
5. - Na vossa última encarnação tínheis a consciência do mal praticado na
penúltima?
- R. Nos últimos anos somente, e eis como: - eu era bom por natureza, e, depois
de submetido, como todos os homicidas, ao tormento da visão perseverante da
vítima, que me perseguia qual vivo remorso, dela me descartei depois de muitos
anos, pelo meu arrependimento e pelas minhas preces. Recomecei outra
existência - a última - que atravessei calmo e tímido. Tinha em mim como que
vaga intuição da minha inata fraqueza, bem como da culpa anterior, cuja
lembrança em estado latente conservara.
Mas um Espírito obsessor e vingativo, que não era outro senão o pai da
minha vítima, facilmente se apoderou de mim e fez reviver no meu coração,
como em mágico espelho, as lembranças do passado.
Alternadamente influenciado por ele e por meu gula, que me protegia, eu
era o envenenador e ao mesmo tempo o pai de família angariando pelo trabalho o
sustento dos filhos. Fascinado por esse demônio obsessor, deixei-me arrastar
para o suicídio.
Sou muito culpado realmente, porém menos do que se deliberasse por mim
mesmo.
Os suicidas da minha categoria, incapazes por sua fraqueza de resistir aos
obsessores, são menos culpados e menos punidos do que os que abandonam a
vida por efeito exclusivo da própria vontade.
Orai comigo para que o Espírito que tão fatalmente me obsidiou renuncie à
sua vingança, e orai por mim para que adquira a energia, a força necessária para
não ceder à prova do suicídio voluntário, prova a que serei submetido, dizem-me,
na próxima encarnação.
Ao guia do médium: - Um Espírito obsessor pode, realmente, levar o
obsidiado ao suicídio?
R. Certamente, pois a obsessão que, de si mesma, é já um gênero de provação,
pode revestir todas as formas. Mas isso não quer dizer isenção de culpabilidade.
O homem dispõe sempre do seu livre-arbítrio e, conseguintemente, está em si o
ceder ou resistir às sugestões a que o submetem.
Assim é que, sucumbindo, o faz sempre por assentimento da sua vontade.
Quanto ao mais, o Espírito tem razão dizendo que a ação instigada por
outrem é menos culposa e repreensível, do que quando voluntariamente

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cometida. Contudo, nem por isso se inocenta de culpa, visto como, afastando-se
do caminho reto, mostra que o bem ainda não está vinculado ao seu coração.
6. - Como, apesar da prece e do arrependimento terem libertado esse Espírito da
visão tormentosa da sua vitima, pôde ele ser atingido pela vingança de um
obsessor na última encarnação? R. O arrependimento, bem o sabeis, é apenas a
preliminar indispensável à reabilitação, mas não é o bastante para libertar o
culpado de todas as penas. Deus não se contenta com promessas, sendo preciso
a prova, por atos, do retorno ao bom caminho. Eis por que o Espírito é submetido
a novas provações que o fortalecem, resultando-lhe um merecimento ainda maior
quando delas sai triunfante.
O Espírito só arrosta com a perseguição dos maus, dos obsessores,
enquanto estes o não encontram assaz forte para resistir-lhes. Encontrando
resistência, eles o abandonam, certos da inutilidade dos seus esforços.
Nota - Estes dois últimos exemplos mostram-nos a renovação da mesma
provaem sucessivas encarnações, e por tanto tempo quanto o da sua ineficácia.
Antoine BeI patenteia-nos, enfim, o fato muito instrutivo do homem perseguido
pela lembrança de um crime cometido em anterior existência, qual um remorso e
um aviso.
Vemos ainda por aí que todas as existências são solidárias entre si; que a
justiça e bondade divinas se ostentam na faculdade ao homem conferida de
progredir gradualmente, sem jamais privá-lo do resgate das faltas; que o culpado
é punido pela própria falta, sendo essa punição, em vez de uma vingança de
Deus, o meio empregado para fazê-lo progredir.

Á frente do desespero
( Livro: Lampadário Espirita – Espirito, Joanna De Ângelis – Divaldo Franco )

Dias há nos quais tens a impressão de que mesmo a luz do sol parece débil,
sem que consiga fulgir nos panoramas do teu caminho. Tudo são inquietações e
ansiedades que pareciam vencidas e que retornam como fantasma ameaçadores,
gerando clima de sofrimento interior.
Nessas ocasiões, tudo corre mal. Acontecem insucessos imprevistos e
contrariedades surgem de muitas nonadas1 que se amontoam, transformando-se
em óbice2 cruel de difícil transposição.
Surgem aflições em família que navegava em águas de paz, repontam
problemas de conjuntura grave em amigos que te buscam socorros imediatos e,
como se não bastassem, a enfermidade chega e se assenhoreia da frágil
esperança que, então, se faz fugidia.
Nessa roda-viva, gritas interiormente por paz e sentes indescritível
necessidade de repouso. A morte se te afigura uma bênção capaz de liberar-te de
tantas dores!...
Refaze, porém, a observação.
Tudo são testemunhos necessários á fortaleza espiritual, indispensáveis á
fixação dos valores transcendentes.

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Não fora isso, porém, todas essas abençoadas oportunidades de resgate, e a
vida calma amolentaria o teu caráter, conspirando contra a paz porvindoura, por
adiar o instante em que ela se instalaria no teu imo.
Quando tudo corre bem em volta de nós e de referência a nós, não nos dói a
dor alheia nem nos aflige coisas sutis da vida espiritual, a mais importante, e
desse modo nos desviamos da rota redentora.
*
Não te agastes, pois, com os acontecimentos afligentes que independem de
ti.
A família segue adiante, o amor muda de domicílio, a doença desaparece, a
contrariedade se dilui, a agressão desiste, a inquietude se acalma se souberes
permanecer sereno ante toda dor que te chegue, enquanto no círculo de fé
sublimas aspirações e retificas conceitos.
Continua fiel no posto, operário anônimo do bem de todos, e espera.
Os ingratos que se acreditaram capazes de te esquecer lembrar-se-ão e
possivelmente volverão: os amigos que te deixaram, os amores que te não
corresponderam, aqueles que te não quiseram compreender, quantos zombaram
da tua fraqueza e ridicularizaram tua dor envolta nos tecidos da humildade, os
que investiram contra os teus anelos voltarão, tonarão sim, pois ninguém atinge
a plenitude da montanha sem a vitória pelo vale que necessita vencido.
Tem calma! Silencia a revolta!
Refugia-te na palavra clarificadora do Evangelho Consolador e enxuga tuas
lágrimas com as suas lições. Dos seus textos extrai o licor de vitalidade e tece
com as mãos da esperança a grinalda de paz para o coração lanhado e sofrido.
Se conseguires afogar todas as penas na oração de refazimento, sairás do
colóquio da prece restaurado, e descobriras que, apesar de tudo acontecer em
dias que tais, Jesus luze intimamente nas províncias do teu espirito. Poderás,
então, confiar e seguir firme, certo da perene vitória do amor.

Suicídio
( Livro: Após a tempestade – Espirito, Joanna De Ângelis – Divaldo Franco )

Loucura suicida
( Livro: Luz Viva – Espirito, Joanna De Ângelis e Marco Prisco- Divaldo Franco )

Motivo algum pode ser levantado para abonar o homem pela destruição do
próprio corpo, derrapando no infeliz despenhadeiro do suicídio cruel.
Não se encerrando a vida, no pórtico da morte, quem se arroja no salto
espetacular da alucinação autodestrutiva, defronta, complicado, o problema de
que se desejou livrar, agravado pelos padecimentos que o gesto insano impõe a
organização espiritual do trânsfuga da vida física.
Outrossim, as consequências danosas que atitude malsã promove entre os
que ficaram na Terra, são adicionadas á economia da sua desdita, porquanto, a
fuga do corpo não libera ninguém dos compromissos que assumiu, bruscamente
interrompidos, mas não liberados...

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O suicida, infelizmente, adia com gravames, a realização dos deveres e
dificuldades que lhe cumpre atender.
Ocultando o orgulho que o cega, e rebeldia ante as soberanas leis, que o
anestesia, o suicida não logra fugir do que se deseja os problemas que lhe
pareciam insuportáveis.
Ingrato, em relação ao amor de Deus, antecipa o que ocorrerá
naturalmente, ao tempo oportuno, quando retornará em triunfo, já que ninguém
ficará, na Terra, sem experimentar a morte do corpo somático.
Educa a mente no bem e disciplina o comportamento moral, jamais
oferecendo guarida aos pensamentos otimistas, estimulando conversações
edificantes com que te desvencilharás dos cipós que asfixiam, levando á
autodestruição.
Trabalha pelo bem geral, liberando-te da presunção e do egoísmo, de mãos
dadas ao amor fraternal e o amor fraternal conduzir-te-á com segurança por
todos os dias até o término da tua vilegiatura física.
O que ora te falta, fruirás mais tarde; a dor moral que te espezinha agora,
logo mais terá desaparecido; o afeto que se foi além, abandonando-te com
ingratidão, encontrarás adiante; a calúnia que padeces, depois será diluída; a
enfermidade ultriz, que por enquanto te dilacera, cederá lugar á saúde perfeita
posteriormente; a solidão aparente que te aturde nestes dias, será sucedida pelas
companhias abençoadas, se esperares.
Valoriza o “milagre das horas”.
Viaja confiante no veículo do tempo.
Dia chegará, se permaneceres na luta, em que considerarás as dificuldades
e aflições, que parecem superlativas, como verdadeiras bagatelas de valor
nenhum, que superaste para o próprio bem.
Suicidar-se, jamais!
Nem através da atitude violenta, final, irreversível, nem pelos largos
métodos indiretos, elaborados pela insensatez e sustentados pelo materialismo.
*
Viverás, não tenhas dúvidas.
Despertarás, além da noite carnal, com o patrimônio moral e os tesouros
espirituais que reunires no mundo, ou sem eles se te precipitares no fosso
mentiroso da loucura suicida.
Assim, portanto, entrega-te a Deus e Ele te sustentará no amor,
conduzindo-te com equilíbrio até o momento final ditoso, prenunciador da tua
liberdade real...
Joanna De Angelis

Suicídio
( Livro: Religião dos Espíritos – Espirito, Emmanuel – Chico Xavier )

Reunião pública de 3/7/59


Questão nº 957

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No suicídio intencional, sem as atenuantes da moléstia ou da ignorância, há
que considerar não somente o problema da infração ante as Leis Divinas, mas
também o ato de violência que a criatura comete contra si mesma, através da
premeditação mais profunda, com remorso mais amplo.
Atormentada de dor, a consciência desperta no nível de sombra a que se
precipitou, suportando compulsoriamente as companhias que elegeu para si
própria, pelo tempo indispensável à justa renovação.
Contudo, os resultados não se circunscrevem aos fenômenos de sofrimento
intimo, porque surgem os desequilíbrios conseqüentes nas sinergias do corpo
espiritual, com impositivos de reajuste em existências próximas.
É assim que após determinado tempo de reeducação, nos círculos de
trabalho fronteiriços da Terra, os suicidas são habitualmente reinternados no
plano carnal, em regime de hospitalização na cela física, que lhes reflete as penas
e angústias na forma de enfermidades e inibições.
Ser-nos-á fácil, desse modo, identificá-los, no berço em que repontam,
entremostrando a expiação a que se acolhem.
Os que se envenenaram, conforme os tóxicos de que se valeram, renascem
trazendo as afecções valvulares, os achaques do aparelho digestivo, as doenças
do sangue e as disfunções endocrínicas, tanto quanto outros males de etiologia
obscura; os que incendiaram a própria carne amargam as agruras da ictiose3 ou
do pênfigo4; os que se asfixiaram, seja no leito das águas ou nas correntes de
gás, exibem os processos mórbidos das vias respiratórias, como no caso do
enfisema ou dos cistos pulmonares; os que se enforcaram carreiam consigo os
dolorosos distúrbios do sistema nervoso, como sejam as neoplasias diversas e a
paralisia cerebral infantil; os que estilhaçaram o crânio ou deitaram a própria
cabeça sob rodas destruidoras, experimentam desarmonias da mesma espécie,
notadamente as que se relacionam com o cretinismo, e os que se atiraram de
grande altura reaparecem portando os padecimentos da distrofia muscular
progressiva ou da osteíte difusa.
Segundo o tipo de suicídio, direto ou indireto, surgem as distonias orgânicas
derivadas, que correspondem a diversas calamidades congênitas, inclusive a
mutilação e o câncer, a surdez e a mudez, a cegueira e a loucura, a
representarem terapêutica providencial na cura da alma.
Junto de semelhantes quadros de provação regenerativa, funciona a ciência
médica por missionária da redenção, conseguindo ajudar e melhorar os enfermos
de conformidade com os créditos morais que atingiram ou segundo o
merecimento de que disponham.
Guarda, pois, a existência como dom inefável, porque teu corpo é sempre
instrumento divino, para que nele aprendas a crescer para a luz e a viver para o
amor, ante a glória de Deus.

Transição – Questão 154


( Livro: O Consolador – Espirito, Emmanuel – Chico Xavier )

25
154 –Quais as primeiras impressões dos que desencarnam por suicídio?
-A primeira decepção que os aguarda é a realidade da vida que se não
extingue com as transições da morte do corpo físico, vida essa agravada por
tormentos pavorosos, em virtude de sua decisão tocada de suprema rebeldia.
Suicidas há que continuam experimentando os padecimentos físicos da
última hora terrestre, em seu corpo somático, indefinidamente. Anos a fio,
sentem as impressões terríveis do tóxico que lhes aniquilou as energias, a
perfuração do cérebro pelo corpo estranho partido da arma usada no gesto
supremo, o peso das rodas pesadas sob as quais se atiraram na ânsia de desertar
da vida, a passagem das águas silenciosas e tristes sobre os seus despojos, onde
procuraram o olvido criminoso de suas tarefas no mundo e, comumente, a pior
emoção do suicida é a de acompanhar, minuto a minuto, o processo da
decomposição do corpo abandonado no seio da terra, verminado e apodrecido.
De todos os desvios da vida humana, o suicido é, talvez o maior deles pela sua
característica de falso heroísmo, de negação absoluta da lei do amor e de
suprema rebeldia à vontade de Deus, cuja justiça nunca se fez sentir, junto dos
homens, sem a luz da misericórdia.

Presidiário da Alma
( Livro: Diálogo dos Vivos – Espirito, diversos – Chico Xavier e José Herculano Pires )
Emmanuel
Quando os companheiros em aflição se aproximem de ti, compadece-te
deles, antes de ouvi-los.
Acolhe-os na condição de presidiários da alma, a suportarem conflitos
íntimos que talvez desconheças.
Prisioneiros do sofrimento: será essa designação provavelmente a mais
adequada para definir a condição dos que buscam socorro, situados nas últimas
raias da resistência ao desespero!...
*
Este enlaçou-se aos problemas da culpa quando se supunha conquistando a
felicidade e ignora como reaver a tranquilidade perdida; aquele recusou a
provação em que se redimiria e algemou-se a compromissos difíceis de resgatar;
outro desperdiçou força e tempo, caindo nas malhas do desgaste orgânico que
lhe exige cuidado e conformação; aquele outro tem o espírito encadeado ao frio
de um túmulo em que se lhe guardam as derradeiras lembranças de um ente
amado!...
Encontrarás os desencorajados e os tristes, os encarcerados em desânimo e
azedume e ainda aqueles outros que a rebeldia trancafiou em celas de angústia,
a te pedirem amparo e libertação!...
A nenhum desconsideres nem firas com advertências inoportunas.
Recordemos que ninguém se arroja em vulcões de pranto simplesmente
porque o deseje.
Os que te cercam, implorando socorro, habitualmente já lutaram o bastante
para se conscientizarem quanto à própria situação.

26
Constrói a ponte da misericórdia entre a fé que te ilumina e a dor dos irmãos
que te apresentam o co-ração ferido e dá-lhes o braço salvador a fim de que se
transfiram da treva para a luz.
Quantos se tresmalharam nas estradas do mundo, tantas vezes ludibriados
por eles mesmos, não precisam tanto da interferência baseada em nossos
recursos de austeridade e conhecimento.
Eles todos esperam de nós, acima de tudo, um gesto de simpatia e urna
bênção de amor.

Perguntas

01 – A que se devem os casos de loucura?


02 – Como devemos enfrentar os infortúnios e as decepções da vida?
03 – A serenidade é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio?
04 – Haverá problema insuportável que conduza fatalmente ao suicídio?
05 – Qual a causa principal do suicídio?
06 – Por que o materialismo e a incredulidade conduzem ao suicídio e á
loucura?
07 – De que maneira a crença sobre a continuidade da vida evita o
suicídio e a loucura?

Conclusão

O suicídio e a loucura não resolvem os efeitos dos infortúnios e das


decepções. Ao contrário abreviando-se os dias de vida, liberta-se de um mal e
entra-se em outro mais longo e terrível, pois ninguém viola impunemente a lei de
Deus, que proíbe ao homem encurtar a sua vida.

Recomendações

Leem no Cap. V, os itens 17 e 18

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V, Item 19

Respostas das perguntas anteriores – 14 Roteiro

1º Resposta: Não. Somente os que sofrem resignadamente, aceitando a


dor não como castigo, mas como corretivo dos erros do passado.

27
“(...) Jesus aponta a compensação que hão de ter os que sofrem e a
resignação que leva o padecente a bendizer o sofrimento...”

2º Resposta: Sendo as dores de hoje o resgate de nossas dividas


passadas, o sofrimento constitui forma e oportunidade abençoada de
quitação daquelas dívidas. Portanto, é feliz aquele que salda seus débitos
com a justiça divina.
“Maldizer o sofrimento é abdicar o homem do único remédio que lhe
permite a reconquista da felicidade.”

3º Resposta: Sim. O sofrimento resignado permite, ainda, que


apressemos nossa caminhada para Deus. As dores da Terra, quando
suportadas pacientemente, nos poupam séculos de sofrimentos na vida
futura.
“O sofrimento, quanto mais incisivo, mais evidencia a proximidade da
cura, razão suficiente para que o suportemos com resignação.”

4º Resposta: Agindo em benefício do próximo, seja material, seja


moralmente.
“Para ser feliz, não basta o sofrimento resignado; é necessário, também,
o exercício do bem em favor do próximo .”

5º Resposta: Mostra-se irresignado com o sofrimento é torna-se


insubmisso á vontade de Deus. Aquele que assim age, ao invés de saldar
seus débitos, nova dívida contrai, edificando um futuro tormentoso.
“(...) teremos de recomeçar absolutamente como se, a um credor que
nos atormente, pagássemos de novo por empréstimo.”

6º Resposta: Sim. Aquele que encara a vida terrena sob prisma da vida
espiritual passa a ver o sofrimento como algo passageiro e, portanto,
mais suportável. A ele importa mais o futuro promissor que se avizinha.
“O homem pode suavizar ou aumentar o amargor de suas provas,
conforme o modo por que encare a vida terrena.”

7º Resposta: Moderando nossos desejos, evitando a inveja, o ciúme, a


ambição; dando á vida material o valor relativo que lhe é peculiar: acima
de tudo, aceitando-as com resignação, e praticando o bem ao próximo.
“Dai tira uma calma e uma resignação tão úteis á saúde do corpo quanto
á da alma...”

*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O
Espiritismo’, Da editora Boa Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.

28
Glossário

01 – conscrito
: relativo a ou cada um dos 164 senadores com os quais, segundo a tradição, Rômulo formou o senado na Roma
antiga
: diz-se de ou qualquer senador romano
: que ou aquele que foi alistado no exército

29
Anotações

30
31
32
União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo – ESE*
Cap. V, Item 19

16º Roteiro – o Mal e o Remédio


Objetivos

De nos esclarecermos acerca da finalidade do sofrimento aqui na Terra, e


mostrar como é possível ao homem suportá-lo

Material O Mal e o Remédio

19 - Será a Terra um lugar de gozo, um paraíso de delícias? Já não ressoa


mais aos vossos ouvidos a voz do profeta? Não proclamou ele que haveria
prantos e ranger de dentes para os que nascessem nesse vale de dores? Esperai,
pois, todos vós que aí viveis, causticantes lágrimas e amargo sofrer e, por mais
agudas e profundas sejam as vossas dores, volvei o olhar para o Céu e bendizei
do Senhor por ter querido experimentar-vos... Ó homens! dar-se-á não
reconheçais o poder do vosso Senhor, senão quando ele vos haja curado as
chagas do corpo e coroado de beatitude e ventura os vossos dias? Dar-se-á não
reconheçais o seu amor, senão quando vos tenha adornado o corpo de todas as
glórias e lhe haja restituído o brilho e a brancura? Imitai aquele que vos foi dado
para exemplo. Tendo chegado ao último grau da abjeção e da miséria, deitado
sobre uma estrumeira, disse ele a Deus: "Senhor, conheci todos os deleites da
opulência e me reduzistes à mais absoluta miséria; obrigado, obrigado, meu
Deus, por haverdes querido experimentar o vosso servo!" Até quando os vossos
olhares se deterão nos horizontes que a morte limita? Quando, afinal, vossa alma
se decidirá a lançar-se para além dos limites de um túmulo? Houvésseis de
chorar e sofrer a vida inteira, que seria isso, a par da eterna glória reservada ao
que tenha sofrido a prova com fé, amor e resignação? Buscai consolações para os
vossos males no porvir que Deus vos prepara e procurai-lhe a causa no passado.
E vós, que mais sofreis, considerai-vos os afortunados da Terra.
Como desencarnados, quando pairáveis no Espaço, escolhestes as vossas
provas, julgando-vos bastante fortes para as suportar. Por que agora murmurar?
Vós, que pedistes a riqueza e a glória, queríeis sustentar luta com a tentação e
vencê-la. Vós, que pedistes para lutar de corpo e espírito contra o mal moral e
físico, sabíeis que quanto mais forte fosse a prova, tanto mais gloriosa a vitória e
que, se triunfásseis, embora devesse o vosso corpo parar numa estrumeira, dele,
ao morrer, se desprenderia uma alma de rutilante alvura e purificada pelo
batismo da expiação e do sofrimento.

1
2
Que remédio, então, prescrever aos atacados de obsessões cruéis e de
cruciantes males? Só um é infalível: a fé, o apelo ao Céu. Se, na maior
acerbidade dos vossos sofrimentos, entoardes hinos ao Senhor, o anjo, à vossa
cabeceira, com a mão vos apontará o sinal da salvação e o lugar que um dia
ocupareis... A fé é o remédio seguro do sofrimento; mostra sempre os horizontes
do infinito diante dos quais se esvaem os poucos dias brumosos do presente. Não
nos pergunteis, portanto, qual o remédio para curar tal úlcera ou tal chaga, para
tal tentação ou tal prova. Lembrai-vos de que aquele que crê é forte pelo remédio
da fé e que aquele que duvida um instante da sua eficácia é imediatamente
punido, porque logo sente as pungitivas angústias da aflição.
O Senhor apôs o seu selo em todos os que nele crêem. O Cristo vos disse
que com a fé se transportam montanhas e eu vos digo que aquele que sofre e
tem a fé por amparo ficara sob a sua égide e não mais sofrerá. Os momentos das
mais fortes dores lhe serão as primeiras notas alegres da eternidade. Sua alma
se desprenderá de tal maneira do corpo, que, enquanto se estorcer em
convulsões, ela planará nas regiões celestes, entoando, com os anjos, hinos de
reconhecimento e de glória ao Senhor.
Ditosos os que sofrem e choram! Alegres estejam suas almas, porque Deus
as cumulará de bem-aventuranças. - Santo Agostinho. (Paris, 1863.)
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Considerando a Fé
( Livro: Lampadário Espírita – Espirito, Joanna de Angelis – Divaldo Franco )

A fé é uma necessidade espiritual da qual não pode o espírito humano


prescindir.
Da mesma forma que o corpo haure no ar e no pão os recursos de
manutenção e preservação do patrimônio celular, o espirito necessita da fé que
vitaliza e renova, dinamizando forças de difícil classificação que encorajam
tonificando a organização física e psíquica na tarefa valorosa de progredir.
Alimento sutil, a fé é o tesouro de inapreciado valor que caracteriza os
homens nobres a serviço da coletividade.
Graças a ela renova-se a face da Terra, consomem-se os abismo na
voragem do realizar, modificam-se luzeiros, erradicam-se ânimos, multiplicam-se
luzeiros, erradicam-se males...
Estrela, clareia noites da alma.
Chama, aquece corações.
Pão, nutre esperanças.
Roteiro, conduz vidas...
Conhecê-las, guardando-a íntimo, é tarefa que a todos nos devemos impor,
no abençoado desiderato de nossa imortalidade intransferível.

2
“Se tivésseis fé”... – disse o Senhor.
***
Seguro da existência de terras além do horizonte do mar, Colombo avançou,
intimorato, e descobriu a América, apesar de todos os opositores.
Cônscio do dever, Damião de Vesteur, jovem sacerdote belga, abandonou
sua pátria e demandou Molokai, onde a lepra fizera seu reduto, e abriu novos
horizontes á fraternidade, malgrado o cepticismo de todos.
Fascinada pelo amor fraternal, Florência Nightingale deixou as fantasias
feminis e demandou a Crimeia, elaborando com a sua filantropia invulgar as
bases da futura Cruz Vermelha Internacional, lutando contra todos...
Alexandre Yersin, pesquisando, infatigável, entre sarcasmos e ironias,
identificou o bacilo especifico da peste, apesar das dificuldades enfrentadas.
Denis Papin, em Mundem, acompanhou desolado a destruição do seu barco,
por todos considerarem impossível a aplicação da máquina a vapor de pistão para
navegação, mas não desistiu.
Jesus, ante a mulher sírio-fenícia, lecionou a grandeza da fé..., e, ante o
cepticismo dos que o seguiam, levantou da sepultura Lázaro que dormia, para
atender ao confiante apelo de Maria, irmã do cataléptico...
***
Não esperes que a fé te busque o país da alma, qual hóspede inesperado
que chega, após viagem bem sucedida.
Examina a aflição que te alcança o domicílio mental e lanças-te no intrincado
meandro do estudo das causas, do culto da oração, meditando para discernir e
discernindo para acertar.
A fé não se doa, não se transmite.
Chama divina arde em todas as almas, aguardando o combustível do esforço
de cada um para agigantar-se e clarear por dentro como mensagem de Deus.
Mediante as lições do Espiritismo aprendes, através dos impositivos do
raciocínio, que „fé legítima só o é aquela que pode enfrentar face a face a
razão‟...
Raciocina crendo, e, se te faltarem os tesouros do discernimento ideal, crê
por amor e dá-te ao amor de nosso Pai que tudo nos dá, deixando-te arrastar
pelos rios da bondade e do bem em favor de todos, transformando-te em lume e
calor para as horas de sombra e frio, no imenso caminho por onde segues, até
que duas alvas mãos, como asas angelicais, tomem as tuas mãos e pela
libertação desencarnatória te conduzam aos infinitos limites da consciência livre,
onde, feliz, constatarás em paz a resposta da fé, virtude libertadora.

Homens de Fé
( Livro: Pão Nosso - Espirito, Emmanuel – Chico Xaavier )

“Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-
ei ao homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha.” – Jesus. (MATEUS,
CAPÍTULO 7, VERSÍCULO 24.)

3
Os grandes pregadores do Evangelho sempre foram interpretados à conta de
expressões máximas do Cristianismo, na galeria dos tipos veneráveis da fé;
entretanto, isso somente aconteceu, quando os instrumentos da verdade,
efetivamente, não olvidaram a vigilância indispensável ao justo testemunho.
É interessante verificar que o Mestre destaca, entre todos os discípulos,
aquele que lhe ouve os ensinamentos e os pratica. Daí se conclui que os homens
de fé não são aqueles apenas palavrosos e entusiastas, mas os que são
portadores igualmente da atenção e da boa-vontade, perante as lições de Jesus,
examinando-lhes o conteúdo espiritual para o trabalho de aplicação no esforço
diário.
Reconforta-nos assinalar que todas as criaturas em serviço no campo
evangélico seguirão para as maravilhas interiores da fé.
Todavia, cabe-nos salientar, em todos os tempos, o subido valor dos
homens moderados que, registrando os ensinos e avisos da Boa Nova, cuidam,
desvelados, da solução de todos os problemas do dia ou da ocasião, sem permitir
que suas edificações individuais se processem, longe das bases cristãs
imprescindíveis.
Em todos os serviços, o concurso da palavra é sagrado e indispensável, mas
aprendiz algum deverá esquecer o sublime valor do silêncio, a seu tempo, na
obra superior do aperfeiçoamento de si mesmo, a fim de que a ponderação se
faça ouvida, dentro da própria alma, norteando-lhe os destinos.

Se Tens Fé
( Livro: Espirito da Verdade – Espirito, Diversos – Chico Xavier )

Em Doutrina Espírita, fé representa dever de raciocinar com


responsabilidade de viver.
Desse modo, não te restrinjas à confiança inerte, porque a existência em
toda parte nos honra, a cada um, com a obrigação de servir.
Se tens fé, não permitirás que os eventos humanos te desmantelem a
fortaleza do coração.
Transitarás no mundo, sabendo que o Divino Equilíbrio permanece vigilante
e, mesmo que os homens transformem o lar terrestre em campo de lodo e
sangue, não ignoras que a Infinita Bondade converterá um e outro em solo
adubado para que a vida refloresça e prossiga em triunfo.
Se tens fé não registrarás os golpes da incompreensão alheia, porquanto
identificarás a ignorância por miséria extrema do espírito, e educarás
generosamente a boca que injuria e a mão que apedreja.
Ainda que os mais amados te releguem à solidão, avançarás para a frente,
entendendo e ajudando, na certeza de que o trabalho te envolverá o sentimento
em nova luz de esperança e consolação.
Se tens fé, não te limitarás a dizê-la simplesmente, qual se a oração sem as
boa obras te outorgasse direitos e privilégios inadmissíveis na Justiça de Deus,

4
mas, sim, caminharás realizando a vontade do Criador, que é sempre o bem para
todas as criaturas.
Se tens fé, sustentarás, sobretudo, o esforço diário do próprio burilamento,
através das pequeninas e difíceis vitórias sobre a natureza inferior, como sendo o
mais alto serviço que podes prestar aos outros, de vez que, aperfeiçoando a nós
mesmos, estaremos habilitando a consciência para refletir, com segurança, o
amor e a sabedoria da Lei.
Emmanuel

Provas Decisivas
( Livro: Espirito da Verdade – Espirito, Diversos – Chico Xavier )

Clamas contra o infortúnio que te visita e desespera-te, sem reação


construtiva, ante as horas de luta.
Falaram-te do Senhor e dos aprendizes abnegados que o seguiram, nas
horas primeiras, na senda marginada de prantos e sacrifícios... Queres, porém,
comungar-lhe a paz e viver em menor esforço...
Todavia, quase todos os grandes vultos da humanidade, em todas as épocas
e em todos os povos, passaram pelo tempo das provas decisivas.
Senão observemos:
Cervantes ficou paralítico da mão esquerda e esteve preso sob a acusação
de insolvente, mas sobrepairou acima da injúria e legou um tesouro à literatura
da Terra.
Bernard Palissy experimentou tamanha pobreza que chegou, em certo
momento, a queimar a mobília da própria casa, a fim de conseguir suficiente
calor nos fornos em que fazia experiências; contudo, atingiu a perfeição que
desejava em sua obra de ceramista.
Shakespeare sentiu-se em tão grande penúria, que se achou, um dia, a
incendiar um teatro, tomado de desespero; entretanto, superou a crise e deixou
no mundo obras-primas inesquecíveis.
Victor Hugo esteve exilado durante dezoito anos; todavia, nunca abandonou
o trabalho e depôs o corpo físico, no solo de sua pátria, sob a admiração do
mundo inteiro.
Faraday, na mocidade, foi compelido a servir na condição de ajudante de
ferreiro, de modo a custear os próprios estudos; no entanto, converteu-se num
dos físicos mais respeitados por todas as nações.
Hertz enfrentou imensa falta de recursos e foi vendedor de revistas para
sustentar-se; entretanto, venceu as dificuldades e tornou-se um dos maiores
cientistas mundiais.
De igual modo, entre os espíritas as condições de existência terrestre não
têm sido outras.
Na França, Allan Kardec sofreu, por mais de uma década, insultuoso
sarcasmo da maioria dos contemporâneos; contudo, jamais desanimou,
entregando à posteridade o luminoso patrimônio da Codificação.

5
Na Espanha, Amália Domingo Sóler, ainda em plenitude das forças físicas,
tolerou o suplício da fome, na flagelação da cegueira; todavia, nunca duvidou da
Providência Divina, consagrando ao pensamento espírita a riqueza de suas
páginas imortais.
No Brasil, Bezerra de Menezes, abdicando das fulgurações da política
humana e, não obstante a posição de médico ilustre, partiu da Terra, em extrema
necessidade material, o que não impediu a sua elevação ao título de Apóstolo.
Em razão disso, não te deixes vencer pelos obstáculos.
A resignação humilde, a misturar lágrimas e sorrisos, anseios e ideais,
consolações e esperanças, constrói sobre a criatura invisível auréola de glória que
se exterioriza em ondas de simpatia e felicidade.
Quando o carro de tua vida estiver transitando pelo vale da aflição, recorda
a paciência e continua trabalhando, confiando e servindo com Jesus.
Lameira de Andrade

Perguntas

01 – Por que a Terra é considerada um vale de dores e sofrimentos?


02 – Somos nós que escolhemos nossas provações?
03 – Qual o remédio para os nossos sofrimentos?
04 – Como conseguir esse remédio?
05 – O que acontecerá com aqueles que sofre e tem fé?
06 – O sofrer é motivo de alegria?

Conclusão

O sofrimento, ao invés de ser uma desgraça, constitui a oportunidade dada


por Deus para corrigir nossos erros. Na fé encontramos o remédio seguro do
sofrimento. Ela nos permite ver que as maiores dores de hoje são o prenúncio da
felicidade que nos aguarda amanhã.

Recomendações

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V, Item 20

Respostas das perguntas anteriores – 15º Roteiro

1º Resposta: A maioria desses casos se deve á perturbação produzida


pelas vicissitudes que o homem não tem capacidade de suportar.

6
“(...) a maioria dos casos de loucura se deve á comoção produzida pelas
vicissitudes que o homem não tem coragem de suportar.”

2º Resposta: Devemos encará-los com serenidade, como coisas


passageiras, e deles tirar lições que nos levem á conquista da nossa
felicidade.
“Nossos sofrimentos não são eternos. Pensando assim, avivamos em
nosso coração a centelha da esperança e nossas dores tornam-se mais
suaves.”

3º Resposta: Através da calma, da resignação profunda, da fé em Deus e


da fé no futuro é que conseguimos em nosso espirito esta serenidade.
“A serenidade é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio.”

4º Resposta: Fatalmente, não. Não há dor que o ser humano não possa
suportar. O Evangelho é roteiro seguro para enfrentar as dificuldades de
frente e superá-las.
“É incontestável que o suicídio tem sempre por causa um
descontentamento, quaisquer que sejam os motivos particulares que se
lhe apontem.”

5º Resposta: Incredulidade, dúvida sobre o futuro, ideias materialistas e


revolta são os maiores incitadores do suicídio, porque ocasionam a
covardia moral.
“A propagação das doutrinas materialistas é o veneno que inocula a idéia
do suicídio na maioria dos suicidas.”

6º Resposta: Porque nos oferecem unicamente o nada e, sendo o nada a


única perspectiva, mas vale busca-lo imediatamente do que continuar
sofrendo.
“O homem vive algum tempo sem alimento, pouco tempo sem água, mas
não vive sem esperança.”

7º Resposta: Fazendo-nos confiantes no futuro, levando-nos a entender


que os sofrimentos são passageiros e infundindo-nos esperança.
“Existindo esperança, há razão para viver.”

*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O
Espiritismo’, Da editora Boa Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.
Glossário
01 – nonada
: ninharia, insignificância
02 –óbice
: aquilo que obsta, impede; empecilho, estorvo

7
03 – ictiose
:dermatose caracterizada pela formação de massas epidérmicas semelhantes a escamas de peixes
04 – pênfigo
:afecção dermatológica caracterizada pela aparição de vesículas no interior da epiderme que se rompem e produzem
uma erosão dolorosa

Anotações

8
União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo – ESE*
Cap. V, Item 20

17º Roteiro – A Felicidade Não É Deste Mundo


Objetivos

De podermos ver onde encontrar a verdadeira felicidade e como conquista-


la.

A Felicidade Não Deste Mundo

FRANÇOIS-NICOLAS-MADELAINE**
Cardeal Morlot, Paris, 1863

20 - Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim! Exclama geralmente o
homem, em toda as posições sociais. Isto prova, meus caros filhos, melhor que
todos os raciocínios possíveis, a verdade desta máxima do Eclesiastes: ―A
felicidade não é deste mundo‖. Com efeito, nem a fortuna, nem o poder, nem
mesmo a juventude em flor, são condições essenciais da felicidade. Digo mais:
nem mesmo a reunião dessas três condições, tão cobiçadas, pois que ouvimos
constantemente, no seio das classes privilegiadas, pessoas de todas as idades
lamentarem amargamente a sua condição de existência.
Diante disso, é inconcebível que as classes trabalhadoras invejem com
tanta cobiça a posição dos favorecidos da fortuna. Neste mundo, seja quem for,
cada qual tem a sua parte de trabalho e de miséria, seu quinhão de sofrimento e
desengano. Pelo que é fácil chegar-se à conclusão de que a Terra é um lugar de
provas e de expiações.
Assim, pois, os que pregam que a Terra é a única morada do homem, e
que somente nela, e numa única existência, lhe é permitido alcançar o mais
elevado grau de felicidade que a sua natureza comporta, iludem-se e enganam
aqueles que os ouvem. Basta lembrar que está demonstrado, por uma
experiência multissecular, que este globo só excepcionalmente reúne as
condições necessárias à felicidade completa do indivíduo.
Num sentido geral, pode afirmar-se que a felicidade é uma utopia, a cuja
perseguição se lançam as gerações, sucessivamente, sem jamais a alcançarem.
Porque, se o homem sábio é uma raridade neste mundo, o homem realmente
feliz não se encontra com maior facilidade.
Aquilo em que consiste a felicidade terrena é de tal maneira efêmera
para quem não se guiar pela sabedoria, que por um ano, um mês, uma semana

1
de completa satisfação, todo o resto da existência se passa numa seqüência de
amarguras e decepções. E notai, meus caros filhos que estou falando dos felizes
da Terra, desses que são invejados pelas massas populares.
Conseqüentemente, se a morada terrena se destina a provas e
expiações, é forçoso admitir que existem, além, moradas mais favorecidas, em
que o Espírito do homem, ainda prisioneiro de um corpo material, desfruta em
sua plenitude as alegrias inerentes à vida humana. Foi por isso que Deus semeou,
no vosso turbilhão, esses belos planetas superiores para os quais os vossos
esforços e as vossas tendências vos farão um dia gravitar, quando estiverdes
suficientemente purificados e aperfeiçoados.
Não obstante, não se deduza das minhas palavras que a Terra esteja
sempre destinada a servir de penitenciária. Não, por certo! Porque, do progresso
realizado podeis facilmente deduzir o que será o progresso futuro, e das melhoras
sociais já conquistadas, as novas e mais fecundas melhoras que virão. Essa é a
tarefa imensa que deve ser realizada pela nova doutrina que os Espíritos vos
revelaram.
Assim, pois, meus queridos filhos, que uma santa emulação vos anime, e
que cada um dentre vós se despoje energicamente do homem velho. Entregai vos
inteiramente à vulgarização desse Espiritismo, que já deu início à vossa própria
regeneração. É um dever fazer vossos irmãos participarem dos raios dessa luz
sagrada. À obra, portanto, meus caros filhos! Que nesta reunião solene, todos os
vossos corações se voltem para esse alvo grandioso, de preparar para as futuras
gerações um mundo em que felicidade não seja mais uma palavra vã.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Felicidade
( Livro: Estudos Espiritas – Espirito, Joanna de Angelis – Divaldo Franco )

ESCOLAS ANTIGAS – Desde a mais recuada antiguidade o homem sentiu


necessidade imperiosa quão inadiável de vencer a dor e as vicissitudes,
libertando-se da angustia e superando o medo da morte. Sustentado nos
primeiros tentames pela inspiração espiritual buscou na intimidade dos santuários
a elucidação de vários dos enigmas que o afligiam, para diminuir a crueza das
perspectivas de sombra e morte a que se via constrangido considerar. No
entanto, com o nascimento das primeiras escolas de pensamento, que buscavam,
através dos seus insignes mestres, a elucidação dos tormentosos mistérios a
1
respeito da vida, perlustrou roteiros diversos, ora em ansiedade, ora em
2
lassidão , padronizando por meio de regras fixas uma conceituação filosófica de
tal modo eficaz que o libertasse do medo, fazendo-o tranquilo.
Sem remontarmos á Antiguidade Oriental estabeleceu-se, a principio, na
Grécia, que a felicidade se nutre do belo, por meio do gozo que decorre da
cultura do espirito. Enquanto viveu, Epicuro procurou demonstrar que a sabedoria
é verdadeiramente a chave da felicidade, mediante a qual o homem desenvolve

2
as inatas da aptidões da beleza, fruindo a satisfação de atender as mais fortes
exigências do ser.
Pugnavam os epicurista pela elevação de propósitos, demonstrando que as
sensações devem ceder lugar ás emoções de ordem superior, a fim de que o
homem se vitalize com as legitimas expressões do belo, consequentes aos
exercícios da virtude por meio da qual há uma superior transferência dos desejos
carnais para as alegrias espirituais.
Posteriormente o ideal epicurista, também chamado hedonista, sofreu violenta
transformação, passando essa Escola a representar um conceito deprimente, por
expressar gozo, posse, prazer sensual. Fixaram os descendentes do filósofo de
Samos – que elaborara o seu pensamento nas lições de Demócrito oferecendo-lhe
vitalidade moral -, o epicurismo nas lutas pela propriedade, ensinando que o
homem somente experimenta a felicidade quando pode gozar, ter para
sobreviver, esquecidos de que a posse possui o seu possuidor, não poucas vezes,
atormentando-o, por fazê-lo escravo do que tem.
Antes do pensamento epicurista, Diógenes, cognominado o Cínico, graças á
sua forma de encarar e viver a vida, estabelecia que deve desdenhar todas as
leis, exceto as da Natureza, vivendo de acordo com a própria consciência e com
total desprezo pelas convenções humanas e sociais. Era um retorno ás
manifestações naturais da vida, em harmonia com o direito de liberdade em toda
a sua plenitude. Pela forma como conceituava a Filosofia, incorporando-a á
prática diária, foi tido por excêntrico. Desdenhando os bens transitórios passou a
habitar um tonel. E como visse oportunamente um jovem a sorver água cristalina
3
que tomava de uma fonte com as mãos em concha, despedaçou a escudela de
que se servia por considera-la inútil e supérflua, passando a fazer como acabava
de descobrir... Desconsiderou, em Corinto, o convite que lhe fora feito por
Alexandre Magno, desprezando a honra de governar o mundo ao seu lado e
admoestando-o por tomar-lhe o que chamava ―o meu sol‖.
Fundamentada no amor á Natureza e suas leis, a doutrina cínica considerava
a desnecessidade do supérfluo e a perfeita integração do homem na vida, pois
que nada possuindo não podia temer a perda de coisa alguma, desenvolvendo o
sentido ético do ―respeito á vida‖. Os continuadores exaltados, porém,
transformaram-na em uma reação contra as regras da vida, semeando o desdém
ou proclamando uma liberdade excessiva, a degenerar-se em libertinagem.
Enquanto o homem não adquire o legítimo amadurecimento espiritual que o
faz adulto, não pode viver em regime de liberdade total, por faltar-lhe
responsabilidade.
4
Contemporaneamente, floresceu o pensamento estoico , cujos fundamentos
estão acima da condição da posse ou da ausência dela, mas da realidade do ser,
do tornar-se. Zenão de Cicio, seu preconizador, expunha, vigoroso, quanto á
necessidade de se banirem da vida as expressões da afetividade e da
emotividade, que, segundo lhe parecia, causavam apego e produziam dor.
Desejando libertar o homem de qualquer retentiva na retaguarda, predispunha-o
para enfrentar as vicissitudes e os sofrimentos com serenidade. Ensinava que o

3
essencial na vida é a própria vitalidade interna, o encontro com o eu,
tangenciando-o para a suprema forma das atitudes de natureza subjetiva. ―O
homem são os seus valores íntimos‖, lecionava, desejoso de fazer que o conceito
fecundasse na alma humana. No entanto, pelo impositivo de reação, não
conseguiu oferecer a segurança do afeto e da emoção, não conseguiu oferecer a
segurança básica para a felicidade, por tornar o homem inautêntico,
transformado em máquina insensível ao amor, á beleza, ao sofrimento...
A mesma época, viveu Sócrates, considerado o pai da ciência moral, que a
exemplificou em si mesmo, em caráter apostolar. Criticando e satirizando os
falsos estabeleceu as regras da virtude, aplicando-as na própria vida. A sua
dialética a expressar-se, não raro de forma irônica, combatia os males que os
homens fomentam para gozarem de benefícios imediatos, objetivando com essa
atitude de reta conduta o bem geral, a felicidade comunitária.
Diante dos juízes que o examinavam sob pretexto falso, manteve serenidade
superior, sendo um precursor do pensamento cristão, relevantes como eram suas
preciosas lições. E diante da morte que lhe foi imposta, através da cicuta que
sorveu, conservou absoluta serenidade, conforme se constata pouco antes dela
pelo célebre diálogo mantido com Críton, seu jovem e nobre discípulo, que o
visitara no cárcere. ―O homem não são as suas roupas, o seu invólucro, mas o
5
seu espirito‖ – afirmou, integérrimo , preferindo o cárcere e a morte á desonra,
ele que devia ensinar conduta reta e consciência tranquila. O seu legado ético é
de relevante valor moral e espiritual, rescendendo o sutil aroma da sua filosofia
de vida no idealismo que Platão apresenta nos memoráveis Diálogos, que
refletem sempre a grandeza do mestre, verdadeiro pioneiro das ideias cristãs e
espiritas.
CONCEITUAÇÃO MODERNA – Abandonando o empirismo6 através dos
tempos, o pensamento atingiu o período tecnológico, estabelecendo a chamada
―sociedade de consumo‖ e fomentando entre as nações a divisão dos países
segundo o desenvolvimento, subdesenvolvimento e o terceiro mundo. Resultado
de diversas guerras calamitosas e destruidoras o espirito hodierno experimentou
vicissitudes jamais imaginadas, derrapando pelos resvaladouros do pessimismo e
do imediatismo, em busca de soluções apressadas para os velhos e magnos
problemas da vida, sem encontrar a fórmula correta para atingir a felicidade. As
lutas de classes e o despotismo do poder, incrementados pelas paixões da posse,
7
estabeleceram as regras da usurpação , gerando a miséria social em escala sem
precedentes, graças ao desmedido conforto de alguns poucos com absoluta
indiferença ante o abandono das coletividades espoliadas. O homem moderno, no
entanto, parece ter-se perdido a si mesmo, conquanto as luzes clarificantes do
pensamento cristão insistindo teimosamente para romperem a treva do
dogmatismo e da insatisfação filosófica. O século XIX, herdando as valiosas lições
de liberdade e justiça dos pensadores e paladinos do último quartel da centúria
anterior, encarregou-se de zombar da fé, e o ceticismo apoderou-se das
consciências que foram arrojadas na direção do futuro sem paz e em
desesperança, na busca dos roteiros libertadores.

4
Depois da Segunda Guerra Mundial o existencialismo reconduziu o homem á
caverna, fazendo-o mergulhar nos subterrâneos das grandes metrópoles e ali
entregando-se á fuga da consciência e da razão pelo prazer, numa atitude de
desconsideração pela vida, alucinado pelo gozo imediato.
Da aberração pura e simples a desequilíbrio cada vez mais grave,
renovando-se os painéis de paixões exacerbadas, a juventude desgovernou-se e
a filosofia da ―flor e do amor‖ assumiu proporções alarmantes, na atualidade,
conclamando os homens éticos e pugnadores da ciência da alma a atitudes de
urgente e severa observação, para procederem á elaboração de novos conceitos
filosóficos capazes de estancarem a onda de sexo, erotismo e degradação que de
tudo e de todos se apodera. Todo o velho sistema de Diógenes, condimentado
pelo superluxo e supremo desinteresse pela vida, eclodiu nas últimas
manifestações filosóficas, transformando os alucinógenos e barbitúricos em
apetecidos manjares para as fugas espetaculares á realidade e mergulho no
8
nada, do qual despertam mais apáticos, amargos e inditosos .
Sem qualquer fundamento ético, abandonando a afirmação otimista da vida,
o homem moderno atravessa e vive poderosa crise filosófica que o aparvalha
ante os prognósticos deprimentes sobre o futuro.
Os fantasmas da guerra e os fluidos dos preconceitos de várias ordem,
9
mantidos multissecularmente a exsudarem miasma venenosos, surpreendem a
atual sociedade, gerando anarquia e violência sob os estímulos de paixões
desregradas, levadas á máxima exteriorização. O homem recorda a vida tribal e
procura fugir das regras estabelecidas, por desvitalizadas, buscando criar
comunidades para o prazer em comunhão com a Natureza. Atormentado, porém,
10
pelo desequilíbrio interior, infesta o ideal de liberdade com a virulência dos
instintos em descontrole, obliterando as fontes do discernimento, com que
engendra argutos programas de alucinação e morte, sem lobrigar o cobiçado
11
aniquilamento, o róseo fim de sonho e esquecimento...
FELICIDADE E JESUS - Estabelecendo, conforme o Eclesiastes, que a
verdadeira ‗felicidade não é deste mundo‘, Jesus preconizou que o homem deve
viver no mundo sem pertencer a ele, facultando-lhe o autodescobrimento para
superar o instinto e sublimá-lo com as conquistas da razão, a fim de planar nas
asas da angelitude. Não é feliz o homem em possuir ou deixar de possuir, mas
pela forma como possui ou como encara a falta da posse. O homem é mordomo,
usufrutuário dos talentos de que se encontra temporariamente investido na
condição de donatário, mas dos quais prestará contas. O ter ou deixar de ter é
consequência natural de como usou ontem a posse e de como usará hoje os
patrimônios da vida, que sempre pertencem á própria vida, representando Nosso
Pai Excelso e Criador.
Situando no ‗amar ao próximo como a si mesmo‘ a pedra fundamental da
felicidade, o Cristo condicionar a existência humana ao supremo esforço do labor
do bem em todas as direções e latitudes da vida, dirigido a tudo e todos, e
elucida que cada um possui o que doa. A felicidade é o bem que alguém
proporciona ao seu próximo. O eu se anula, então, para que nasça a comunidade

5
equilibrada, harmônica e feliz. A alegria de fazer feliz é a felicidade em forma de
alegria.
Construída nas bases da renúncia e da abnegação a felicidade não é
imediata, fugaz, arrebatadora e transitória. Caracteriza-se pela produtividade
através do tempo e é mediata, vazada na elaboração das fontes vitais da paz de
todos, a começar de hoje e não terminar nunca.
Vivendo as dores e necessidades do povo, Jesus padronizou a busca da
felicidade no amor por ser a única fonte inexaurível, capaz de sustentar toda
aflição e vencê-la, paulatinamente. E amando, imolou-se num ideal de suprema
felicidade.
ESPIRITISMO E FELICIDADE - Concisa e vigorosamente fundamentada no
Cristianismo, a Doutrina Espirita apresenta a felicidade e a desgraça como sendo
a consequência das atitudes que o homem assume na rota evolutiva pelo cadinho
das incessantes reencarnações.
O espírito é a soma das suas vidas pregressas.
Quando haja produzido reaparece-lhe como título de paz ou promissória de
resgate, propondo, o homem mesmo, as diretrizes e as aquisições do caminho a
palmilhar. Quando hoje falta, amanhã será completado. O excesso, hoje fluem
desperdício, é ausência na escassez do futuro. Todo o bem que se pode produzir
é felicidade que se armazena.
A filosofia da felicidade á luz do Espiritismo se compõe da correta atitude
atual do homem em relação á vida, a si mesmo percorrerá no futuro. As dores, as
12
ansiedades e as limitações são exercício de morigeração a seu próprio
benefício, transferindo ou aproximando o momento da libertação dos males que o
afligem.
A consciência da responsabilidade oferece ao homem a filosofia ideal do
dever e do amor.
Respeito á vida com perfeita integração no espirito da vida – eis a rota a
13
palmilhar .
Servindo, o homem adquire superioridade, e, doando-se, conquista liberdade e
paz.
Nem posse excessiva nem necessidade escravizante.
Nem o poder escravocrata nem a indiferença malsinante.
O amor e a caridade como elevadas expressões do sentimento e da
inteligência, conduzindo as aspirações do espírito, que tem existência eterna,
indestrutível, sobrevivendo á morte e continuando a viver, retornando á carne e
prosseguindo em escala ascensional, na busca ininterrupta da integração no
concerto sublime do Cosmo, livre de toda dor e toda angústia, da sombra e da
roda das reencarnações inferiores, feliz, enfim!
*
ESTUDE E MEDITAÇÃO:
―Pode o homem gozar de completa felicidade na Terra?
―Não, por isso que a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Dele, porém,
depende a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra.‖

6
( O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questão 920. )
*
―Em tese geral pode afirmar-se que a felicidade é uma utopia a cuja conquista as
gerações se lançam sucessivamente, sem jamais lograrem alcança-la. Se o
homem absolutamente feliz jamais foi encontrado.‖
( O Evangelho Segundo O Espiritismo, Allan Kardec, Cap. V, item 20 )

A Felicidade Possível
( Livro: Luz Viva - Espirito, Joanna de Angelis e Marco Prisco – Divaldo Franco )

O comportamento utilitarista estabeleceu, no gozo, a razão da vida humana.


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Fundamentados na paixão narcisista e apoiados pelo egoísmo, os
15
hedonistas de todos os tempos sustentaram a tese do prazer como a única
portadora da realização plena da criatura.
Descendentes de Epicuro, promoveram a afirmação dos interesses
imediatos, centralizando-os no prazer e na posse, como capazes de propiciar a
felicidade, enquanto os discípulos de Diógenes, apoiados no comportamento
cínico, ensinaram a indiferença pelos códigos da ética, das leis, da sociedade,
numa alucinada colocação de liberdade, mediante a qual, abusiva, seria possível
conseguir-se a felicidade.
Variando de escolas e mudando de roupagens literárias, a filosofia da
felicidade tem sido um disparate constante, no báratro16 das humanas
aspirações, graças á optica infeliz dos que a consideram do ponto de vista
meramente material.
Indiferente á posição epicuréia quando á situação sustentada pelo
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hippieismo, a felicidade dispensa atavios e complexidades elaborados pelos
pensadores que não lograram a própria realização.
Estes são detentores de poder e fortuna, não obstante atormentados e
insatisfeitos.
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Esses nada possuem e deambulam nas estradas ínvias do mundo, sem
liberdade íntima nem paz, embora com movimentos e ações descomprometidos.
Aqueles cobiçam e lutam, triunfam, mas permanecem irritadiços e violentos.
A felicidade independe de posturas e situações, sendo um estado interior,
resultante de largo trabalho de renovação moral e ação enobrecedora que se
apoiam numa fé raciocinada, qual luz na sombra densa, apontando o rumo com
segurança.
Examinada, apenas, do ponto de vista terreno, a felicidade, pelo breve
trâmite carnal, não tem qualquer significado, permanecendo como capricho dos
sentidos...
Somente quando o homem projeta o pensamento para a vida espiritual é
que a felicidade adquire significado real e se corporifica. Aprende a renunciar e a
servir, substituindo os velhos padrões comportamentais e os clichês mentais
cristalizados, por novos conceitos e atitudes, nos quais estrutura as aspirações e
se emula á luta vitoriosa.

7
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Ante a dor não se rebela; sob ofensas não se entibia ; diante de
circunstâncias desagradáveis, não desanima; não se revolta, superando os
fatores negativos e permanecendo na paz da consciência reta e do coração
tranquilo.
- ―O meu reino não é deste mundo‖ – afirmou o Mestre, deixando entendido
que, no mundo, o homem somente tem aflições, por ser a Terra uma Escola de
renovação, disciplina e progresso paulatino, portanto, onde não se pode, por
enquanto, encontrar a felicidade, estabelecendo-se, porém, ai, as bases para
conquista-la logo depois, além dos limites materiais.
*
Abre-te ao amor, á ação do bem, e a luz da felicidade clarear-te-á por
dentro, propiciando-te realização plena.
Joanna de Ângelis
Êxito
( Livro: Lampadário Espírita – Espirito, Joanna de Angelis – Divaldo Franco )

O êxito na Terra é miragem enganosa que persegues com insensatez .


Semelhante a ave de névoa, dilua-se ante a face clara da Alva ensolarada...
Escutas tantas vozes a exaltarem os favores da glória e as fortunas do êxito,
que te não passam pela tela mental outros ideias senão aqueles dos triunfos
dourados, da fantasia endinheirada dos homens.
Embora milites nesta ou naquela escola de fé – lâmpada acesa na imensa
noite moral da atualidade - , tu te rotulaste com a denominação religiosa que
melhor te apraz; todavia, desmedes ambições, agasalhando sonhos utópicos,
que, malgrado os esforços empenhados, não poucas vezes se transformam em
pesadelos cruéis.
As horas, tens-nas divididas entre as especulações da projeção social,
quando não para ti próprio, para aqueles amados, por natural processo de
transferência, e caminhas aos sobressaltos entre angústias e inquietações.
O carro aurifulgente do êxito roda invariavelmente sobre desaires sem conto
ou é constituído não raro com o material de muitas dores injustificáveis.
Detém a imaginação!
*
As paisagens espirituais do teu domicilio devem chamar-te a atenção e o
zelo. Os sofrimentos que te chegam de outros ninhos domésticos, onde a
felicidade aparente antes triunfava, são sinais de advertência que não podes
ignorar.
Em rebeldia, conjecturas que estás sitiado por mil desgostos. Há, no
entanto, mil outras concessões que te chegam e que são escassas noutros
lugares.
Exercita gratidão aos Céus e proclama tua comunhão com o Alto, mantendo
atitude serena e bendizendo os favores que te chegam.
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Abaixo da paixão em que te encontras, muitos rastejam famélicos ,
vencidos.

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Desabrochando sorrisos, muitos lábios estão com os maxilares em trismos
de angústias, obrigados, porém, á aparência jubilosa no trono de festa em que
reinam.
Cônjuge, filhos e amigos, saúde, conversação e paz são tesouros que
valorizarás quando perdê-los...
*
Rei Solar, Jesus não desdenhou as experiências da dor no caminho dos
homens. Compreendendo, sábio, que a escalada do êxito terreno é ingrata,
preferiu aparecer na condição mensageiro do amor, em vez de se apresentar
como conquistador glorioso em sólio esplêndido, para lecionar com segurança
ascensão integral. Todavia, é o Arquiteto da Terra...
O êxito que persegues não o lograrás para o teu próprio bem, pois assim
quiseste antes do mergulho na tecelagem da carne, por identificares no íntimo
que esse mesmo triunfo, cuja conquista hoje te atormenta, fora a causa do teu
fracasso anterior, a cujas mágoas ainda te acrisolas.
Bendizes, portanto, seareiro da luz, a tua quota de dor no oceano de tantas
dores e renova-te para o êxito real e intransferível: a vitória sobre as tuas
próprias paixões.

Amigos Modificados
( Livro: Estudo E Viva - Espirito, Emmanuel e André Luiz – Chico Xaavier )

Surgem no cotidiano determinadas circunstâncias em que somos impelidos a


reformular apreciações, em torno da conduta de muitos daqueles a quem mais
amamos.
Associados de ideal abraçam hoje experiências para as quais até ontem não
denotavam o menor interesse e companheiros de esperança se nos desgarram do
passo, esposando trilhas outras.
Debalde procuramos neles antigas expressões de concordância e carinho, de
vez que se nos patenteiam emocionalmente distantes.
Nesses dias, em que o rosto dos entes amados se revela diferente, é natural
que apreensões e perguntas imanifestas nos povoem o espírito. Abstenhamo-nos,
porém, tanto de feri-los, através do comentário desairoso, quanto de interpretar-
lhes as diretrizes inesperadas à conta de ingratidão. É provável que as Leis
Divinas estejam a chamá-los para a desincumbência de compromissos que,
transitoriamente, não se afinam com os nossos. Entendamos também que o
passado é um meirinho infalível convocando-nos a retificação das tarefas que
deixamos imperfeitamente cumpridas para trás, no campo de outras existências,
e tranqüilizemos os amigos modificados com os nossos votos de êxito e
segurança, na execução dos novos encargos para os quais se dirigem.. Reflitamos
que se a temporária falta deles nos trouxe manifestação de pesar e carência
afetiva, possìvelmente o mesmo lhes acontece e, ao invés de reprovar-lhes as
atitudes – ainda mesmo afastados pela força das circunstâncias - , procuremos
envolvê-los em pensamentos de simpatia e confiança, a fim de que nos
reencontremos, mais tarde, em mais altos níveis de trabalho e alegria.

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À vista disso, pois, toda vez que corações queridos não mais nos
comunguem sintonia e convivência, se alguma sugestão menos feliz nos visita a
cabeça, entremos, de imediato, em oração, no ádimo da alma, rogando ao
Senhor nos ilumine o entendimento, a fim de que não falhemos para eles, no
auxílio da fraternidade e no apoio de benção.
Emmanuel

Provações de Surpresa
( Livro: Estudo E Viva - Espirito, Emmanuel e André Luiz – Chico Xaavier )

Inquietações na Terra existem muitas.


Temos as que se demoram junto de nós, ao modo de vizinhos de muito
tempo, nos desgostos de parentes e amigos, cujas dores nos pertencem de perto.
Encontramos as que nos povoam o corpo, na categoria de enfermidades
crônicas, quais inquilinos indesejáveis.
Assimilamos aflições de tipos diversos, como sejam as declaradas e as
imanifestas, as injustificáveis e as imaginárias, cujo tamanho e propagação
dependem sempre de nós.
Há, porém, certa modalidade com que raramente contamos. São aquelas que
nascem do imprevisto.
Deflagraram, por vezes, quando nos acreditávamos em segurança absoluta.
Caem à feição de raio fulminativo retalhando emoções ou desajustando
pensamentos.
São as notícias infaustas:
- os golpes morais que nos são desferidos, não raro, involuntariamente, pelos
que mais amamos;
- os desastres de conseqüências indefiníveis;
- os males súbitos que nos impelem para as raias das grandes renovações.
Não podemos esquecer estas visitas que nos atingem o coração sem qualquer
expectativa de nossa parte.
Compreendamos que, em freqüentes episódios da existência, estamos na
condição de aluno que estuda semanas e meses e até mesmo anos inteiros, a fim
de revelar a precisa habilitação num exame de ligeiros instantes.
Entendamos que, numa hora de crise, não são o choro e nem a emotividade
as posições adequadas, e sim a calma e o raciocínio lógico, para que possamos
deter a incursão da sombra.
Para isso, entesouremos serenidade. Serenidade que nos sustente e nos ajude
a sustentar os outros.
O imperativo de oração e vigilância não se reporta somente às impulsões ao
vício e a criminalidade, mas também aos arrastamentos, ao desequilíbrio e à
loucura a que estamos sujeitos quando não nos preparamos para suportar as
provações de surpresa, sejam em moldes de angústia ante os desafios do mal ou
em forma de sofrimento para a garantia do bem.
André Luiz

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A Receita da Felicidade
( Livro: Jesus no Lar – Espirito, Neio Lúcio - Chico Xavier )

Tadeu, que era dos comentaristas mais inflamados, no culto da Boa Nova,
em casa de Pedro, entusiasmara-se na reunião, relacionando os imperativos da
felicidade humana e clamando contra os dominadores de Roma e contra os
rabinos do Sinédrio.
Tocado de indisfarçável revolta, dissertou largamente sobre a discórdia e o
sofrimento reinantes no povo, situando-lhes a causa nas deficiências políticas da
época, e, depois que expendeu várias considerações preciosas, em torno do
assunto, Jesus perguntou-lhe:
— Tadeu, como interpreta você a felicidade? — Senhor, a felicidade é a paz
de todos.
O Cristo estampou significativa expressão fisionômica e ponderou:
— Sim, Tadeu, isto não desconheço; entretanto, estimaria saber como se
sentiria você realmente feliz.
O discípulo, com algum acanhamento, enunciou:
— Mestre, suponho que atingiria a suprema tranqüilidade se pudesse
alcançar a compreensão dos outros.
Desejo, para esse fim, que o próximo não me despreze as intenções nobres
e puras.
Sei que erro, muitas vezes, porque sou humano; entretanto, ficaria contente
se aqueles que convivem comigo me reconhecessem o sincero propósito de
acertar.
Respiraria abençoado júbilo se pudesse confiar em meus semelhantes, deles
recebendo a justa consideração de que me sinta credor, em face da elevação de
meu ideal.
Suspiro pelo respeito de todos, para que eu possa trabalhar sem
impedimentos.
Regozijar-me-ia se a maledicência me esquecesse.
Vivo na expectativa da cordialidade alheia e julgo que o mundo seria um
paraíso se as pessoas da estrada comum se tratassem de acordo com o meu
anseio honesto de ser acatado pelos demais.
A indiferença e a calúnia doem-me no coração.
Creio que o sarcasmo e a suspeita foram organizados pelos Espíritos das
trevas, para tormento das criaturas.
A impiedade é um fel quando dirigida contra mim, a maldade é um fantasma
de dor quando se põe ao meu encontro.
Em razão de tudo isso, sentir-me-ia venturoso se os meus parentes,
afeiçoados e conterrâneos me buscassem, não pelo que aparento ser nas
imperfeições do corpo, mas pelo conteúdo de boa-vontade que presumo
conservar em minh‘alma.
Acima de tudo, Senhor, estaria sumamente satisfeito se quantos peregrinam
comigo me concedessem direito de experimentar livremente o meu gênero de

11
felicidade pessoal, desde que me sinta aprovado pelo código do bem, no campo
de minha consciência, sem ironias e críticas descabidas.
Resumindo, Mestre, eu queria ser compreendido, respeitado e estimado por
todos, embora não seja, ainda, o modelo de perfeição que o Céu espera de mim,
com o abençoado concurso da dor e do tempo.
Calou-se o apóstolo e esboçou-se, na sala singela, incontido movimento de
curiosidade ante a opinião que o Cristo adotaria.
Alguns dos companheiros esperavam que o Amigo Celeste usasse o verbo
em comprida dissertação, mas o Mestre fixou os olhos muito límpidos no discípulo
e falou com franqueza e doçura:
— Tadeu, se você procura, então, a alegria e a felicidade do mundo inteiro,
proceda para com os outros, como deseja que os outros procedam para com
você.
E caminhando cada homem nessa mesma norma, muito breve estenderemos
na Terra as glórias do Paraíso.
Neio Lúcio

Perguntas

01 – O que Jesus quis dizer com a frase: „A felicidade não é deste


mundo”?
02 – Invejar a posição de alguém ajuda na conquista de nossa felicidade?
03 – Por que é ilusão ou utopia buscar a felicidade na Terra?
04 – De que maneira a felicidade é entendida na Terra?
05 – Como devemos nos preparar para conquistar a verdadeira
felicidade?
06 – A terra está destinada para sempre a ser um mundo de provas e
expiação?

Conclusão

Sendo a Terra um mundo de provas e expiações, ela não reúne as condições


essenciais á completa felicidade das criaturas, mas isso não significa que
devamos viver desmotivados. Pelo contrário, é necessário muito trabalho e
esforço de cada um de nós para suavizar nossos males e sermos tão felizes
quanto possível neste planeta.

Recomendações

Próximo Tema

12
O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V, Item 21

Respostas das perguntas anteriores – 16º Roteiro

1º Resposta: Porque ainda é um mundo de provas e expiações. Nele


tratamos de nossas almas doentes e, com o auxilio do Evangelho, que é
um convite permanente de nosso Divino Mestre, conseguimos nossa
reforma intima e, consequentemente, a cura de nossos males.
“Devemos buscar consolações para os nossos males no futuro, e procurar
a causa no passado.”

2º Resposta: Quando possível, escolhemos as provas por que vamos


passar, a fim de corrigir nossas falhas. Na impossibilidade de nós
mesmos decidirmos, somo ajudados pelos benfeitores espirituais.
“Nossos sofrimentos são o fruto de nossas ações delituosas do passado.”

3º Resposta: A fé e o remédio seguro para o nosso sofrimento. Mostra


sempre os horizontes do infinito, diante dos quais pouco representam os
maus dias do presente.
“Aquele que crê é forte pelo remédio da fé e aquele que duvida é punido
pelas angustias das aflições.”

4º Resposta: Conseguimo-lo pelo estudo de nossos pontos fracos,


analisando nossos comportamento e reações, pela prática incessante do
bem e, sobretudo, pela utilização do Evangelho de Jesus Cristo, como
roteiro de vida.
“O enfermo descrente da ação de todos os remédios é o primeiro a
trabalhar contra a própria segurança.”

5º Resposta: Ficará sob a égide do Senhor e sofrerá menos. Os


momentos das mais fortes dores lhe serão as primeiras notas de alegria
na eternidade.
“A fé representa dever de raciocinar com responsabilidade de viver.”

6º Resposta: Sim, mas o sofrer resignado de quem sabe que está


quitando graves débitos com a Lei de Deus. Aquele que sofre resignado
tem fé e esperança em futuro melhor.
“O Evangelho de Jesus é o meio mais suave de se conseguir o sofrer
resignado.”

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Glossário
01 – perlustrou
: percorrer com o olhar, observando, examinando
: andar por; percorrer
: visitar habitualmente; frequentar
02 – lassidão
: qualidade, estado ou condição de lasso; lassitude
: diminuição de forças; esgotamento, fadiga
: cansaço em parte de um órgão ou membro do corpo
: diminuição de interesse; enfastiamento, tédio
03 – escudela
: vasilha de madeira pouco funda, ger. arredondada, própria para comida
04 – estoico
: elativo ao estoicismo
: que ou aquele que é adepto do estoicismo
: que ou aquele que é rígido, firme em seus princípios
: que ou aquele que se mostra resignado diante do sofrimento e do infortúnio
estoicismo
: doutrina fundada por Zenão de Cício (335-264 a.C.), e desenvolvida por várias gerações de filósofos, que se
caracteriza por uma ética em que a imperturbabilidade, a extirpação das paixões e a aceitação resignada do destino
são as marcas fundamentais do homem sábio, o único apto a experimentar a verdadeira felicidade [O estoicismo
exerceu profunda influência na ética cristã.]
: rigidez de princípios morais
: resignação diante do sofrimento, da adversidade, do infortúnio
05 – integérrimo
: extremamente íntegro
: que apresenta a margem completamente lisa, sem recortes (diz-se de folha)
06 – empirismo
: doutrina segundo a qual todo conhecimento provém unicamente da experiência, limitando-se ao que pode ser
captado do mundo externo, pelos sentidos, ou do mundo subjetivo, pela introspecção, sendo ger. descartadas as
verdades reveladas e transcendentes do misticismo, ou apriorísticas e inatas do racionalismo
: atitude de quem se atém a conhecimentos práticos
: medicina que se orienta pela experiência, com desprezo por qualquer metodologia científica
07 – usurpação
: ato ou efeito de usurpar
: a posse da coisa usurpada
: crime de apoderamento ilícito de coisas, bens, títulos, estado, autoridade etc.
: apossar-se de ou tomar (algo) pela força ou sem direito
: apossar-se de, assumir, obter ou fazer uso de (algo) sem direito, de modo indevido
: exercer (cargo, função etc.) indevidamente
: tomar para si, apropriar-se de; assumir, avocar
08 – inditosos/desditoso
: que ou o que foi atingido pela desdita; desafortunado, inditoso, infeliz
09 – exudarem
: líquido que, transudando pelos poros de uma planta ou um animal, adquire consistência viscosa na superfície onde
aparece
: segregar ou sair em forma de gotas ou de suor
10 – virulência
: qualidade ou estado do que é ou está virulento
: capacidade de um vírus ou bactéria de se multiplicar dentro de um organismo, provocando doença
: caráter daquilo ou daquele que está carregado de violência ou de ímpeto violento
11 – róseo
: relativo a rosa
: que exala perfume semelhante ao das flores da roseira
12 – morigeração
: ação ou efeito de morigerar, de educar
: polidez, zelo nas ações, nos gestos e no trato com outrem; boa educação

14
13 – palmilhar
: colocar palmilha(s) em
: andar por, percorrer a pé detidamente; palmear
: caminhar a pé
: andar calcando com os pés
14 – narcisista
: que ou quem é muito voltado para si mesmo, esp. para a própria imagem; que ou quem se narcisa
15 – hedonistas
: que ou aquele que é partidário do hedonismo ou que vive como se o fosse
: hedonismo; cada uma das doutrinas que concordam na determinação do prazer como o bem supremo,
finalidade e fundamento da vida moral, embora se afastem no momento de explicitar o conteúdo e as
características da plena fruição, assim como os meios para obtê-la
: no epicurismo, busca de prazeres moderados, únicos que não terminam por conduzir a sofrimentos
indesejados
16 – báratro
: abismo, voragem
: o inferno
17 – atavios
: ato ou efeito de ataviar(-se); ataviamento, arrumação, ornamentação
: maneira de se apresentar; compostura
: o que serve para ataviar; enfeite, adorno
18 – ínvias
: falto de vias, de caminhos
: em que não se pode transitar; intransitável
19 – entibiar
: fazer ficar ou ficar tíbio, frouxo; amornar(-se); enfraquecer(-se)
: ficar sem força, entusiasmo
20 – famélicos
: que tem muita fome; faminto
21 – trismos
: constrição mandibular devido à contratura involuntária dos músculos mastigatórios, que se constitui em um dos
sinais característicos do tétano

**François-Nicholas-Madeleine Cardeal Morlot (Langres, 28 de novembro de 1795 — Paris, 29 de dezembro de 1862) foi um
cardeal francês.
Nasceu já no final do chamado Período do Terror da Revolução Francesa e início do Diretório. Sua formação eclesiástica foi
realizada no Seminário de Dijon. Sua ordenação presbiteral deu-se a 27 de maio de 1820, aos 24 anos, já sob o reinado de Luís
XVIII.
Foi vigário da Catedral de Paris, vigário geral da Arquidiocese de Paris e cônego da catedral.
Foi indicado para ser bispo de Orléans no dia 10 de março de 1839, pelo rei Luís Filipe e confirmado pelo Papa Gregório XVI no dia
8 de julho do mesmo ano. Recebeu a ordenação episcopal no dia 18 de agosto de 1839, em Paris, pelas mãos de Alexis-Basile
Menjaud, bispo de Nancy e Toul. Foi promovido à sé metropolitana de Tours em 27 de janeiro de 1843.
No pontificado de Pio IX foi criado Cardeal presbítero no consistório de 7 de março de 1853, recebendo o chapéu vermelho no dia
27 de junho de 1853, com o título dos Santos Nereu e Aquiles.
Sua eminência foi designado Arcebispo de Paris em 1857, sua entrada solene na Catedral de Paris deu-se a 25 de abril de 1857.

15
Anotações

16
União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo – ESE*
Cap. V, Item 21

18º Roteiro – Perda de pessoas amadas – Mortes prematuras


Objetivos

De nos esclarecermos sobre o porquê das mortes prematuras e como


devemos agir diante delas.

Perda de pessoas amadas. Mortas prematuras

21 - Quando a morte ceifa nas vossas famílias, arrebatando, sem restrições,


os mais moços antes dos velhos, costumais dizer: Deus não é justo, pois sacrifica
um que está forte e tem grande futuro e conserva os que já viveram longos anos
cheios de decepções; pois leva os que são úteis e deixa os que para nada mais
servem; pois despedaça o coração de uma mãe, privando-a da inocente criatura
que era toda a sua alegria.
Humanos, é nesse ponto que precisais elevar-vos acima do terra-a-terra da
vida, para compreenderdes que o bem, muitas vezes, está onde julgais ver o mal,
a sábia previdência onde pensais divisar a cega fatalidade do destino. Por que
haveis de avaliar a justiça divina pela vossa? Podeis supor que o Senhor dos
mundos se aplique, por mero capricho, a vos infligir penas cruéis? Nada se faz
sem um fim inteligente e, seja o que for que aconteça, tudo tem a sua razão de
ser. Se perscrutásseis melhor todas as dores que vos advêm, nelas encontraríeis
sempre a razão divina, razão regeneradora, e os vossos miseráveis interesses se
tornariam de tão secundária consideração, que os atiraríeis para o último plano.
Crede-me, a morte é preferível, numa encarnação de vinte anos, a esses
vergonhosos desregramentos que pungem famílias respeitáveis, dilaceram
corações de mães e fazem que antes do tempo embranqueçam os cabelos dos
pais. Freqüentemente, a morte prematura é um grande benefício que Deus
concede àquele que se vai e que assim se preserva das misérias da vida, ou das
seduções que talvez lhe acarretassem a perda. Não é vítima da fatalidade aquele
que morre na flor dos anos; é que Deus julga não convir que ele permaneça por
mais tempo na Terra.
É uma horrenda desgraça, dizeis, ver cortado o fio de uma vida tão prenhe
de esperanças! De que esperanças falais? Das da Terra, onde o liberto houvera
podido brilhar, abrir caminho e enriquecer? Sempre essa visão estreita, incapaz
de elevar-se acima da matéria. Sabeis qual teria sido a sorte dessa vida, ao vosso
parecer tão cheia de esperanças? Quem vos diz que ela não seria saturada de

1
amarguras? Desdenhais então das esperanças da vida futura, ao ponto de lhe
preferirdes as da vida efêmera que arrastais na Terra? Supondes então que mais
vale uma posição elevada entre os homens, do que entre os Espíritos bem-
aventurados?
Em vez de vos queixardes, regozijai-vos quando praz a Deus retirar deste
vale de misérias um de seus filhos. Não será egoístico desejardes que ele aí
continuasse para sofrer convosco? Ah! essa dor se concebe naquele que carece
de fé e que vê na morte uma separação eterna. Vós, espíritas, porém, sabeis que
a alma vive melhor quando desembaraçada do seu invólucro corpóreo. Mães,
sabei que vossos filhos bem-amados estão perto de vós; sim, estão muito perto;
seus corpos fluídicos vos envolvem, seus pensamentos vos protegem, a
lembrança que deles guardais os transporta de alegria, mas também as vossas
dores desarrazoadas os afligem, porque denotam falta de fé e exprimem uma
revolta contra a vontade de Deus.
Vós, que compreendeis a vida espiritual, escutai as pulsações do vosso
coração a chamar esses entes bem-amados e, se pedirdes a Deus que os
abençoe, em vós sentireis fortes consolações, dessas que secam as lágrimas;
sentireis aspirações grandiosas que vos mostrarão o porvir que o soberano
Senhor prometeu. – ( Sanson, ex-membro da Sociedade Espírita de Paris.
(1863.)
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

As provas e a morte – Parte 2º, Cap XIII


( Livro: Depois da Morte – Léon Diniz )

Estabelecido o alvo da existência, mais alto que a fortuna, mais elevado que
a felicidade, uma inteira revolução produz-se em nossos intuitos.
O Universo é uma arena em que a alma luta pelo seu engrandecimento, e
este só é obtido por seus trabalhos, sacrifícios e sofrimentos. A dor, física ou
moral, é um meio poderoso de desenvolvimento e de progresso. As provas
auxiliam-nos a conhecer, a dominar as nossas paixões e a amarmos realmente os
outros. No curso que fazemos, o que devemos procurar adquirir é a ciência e o
amor alternadamente. Quanto mais soubermos, mais amaremos e mais nos
elevaremos. A fim de podermos combater e vencer o sofrimento, cumpre
estudarmos as causas que o produzem, e, com o conhecimento dos seus efeitos e
a submissão às suas leis, despertar em nós uma simpatia profunda para com
aqueles que o suportam. A dor é a purificação suprema, é a escola em que a
paciência, a resignação e todos os deveres austeros. É a fornalha onde se
funde o egoísmo, em que se dissolve o orgulho. Algumas vezes, nas horas
sombrias, a alma submetida à prova revolta-se, renega a Deus e sua justiça;
depois, passada a tormenta, quando se examina a si mesma, vê que esse mal
aparente era um bem; reconhece que a dor tornou-a melhor, mais acessível à
piedade, mais caritativa para com os desgraçados.

2
Todos os males da vida concorrem para o nosso aperfeiçoamento. Pela dor,
pela prova, pela humilhação, pelas enfermidades, pelos reveses o melhor
desprende-se lentamente do pior. Eis por que neste mundo há mais sofrimento
que alegria. A prova retempera os caracteres, apura os sentimentos, doma as
almas fogosas ou altivas.
A dor física também tem sua utilidade; desata quimicamente os laços que
prendem o Espírito à carne; liberta-o dos fluidos grosseiros que o retêm nas
regiões inferiores e que o envolvem, mesmo depois da morte. Essa ação explica,
em certos casos, as curtas existências das crianças mortas com pouca idade.
Essas almas puderam adquirir na Terra o saber e a virtude necessários para
subirem mais alto; como um resto de materialidade impedisse ainda o seu vôo,
elas vieram terminar, pelo sofrimento, a sua completa depuração.
Não imitemos esses que maldizem a dor e que, nas suas imprecações contra
a vida, recusam admitir que o sofrimento seja um bem. Desejariam levar uma
existência a gosto, toda de bem-estar e de repouso, sem compreenderem que o
bem adquirido sem esforço não tem nenhum valor e que, para apreciar a
felicidade, é necessário saber-se quanto ela custa. O sofrimento é o instrumento
de toda elevação, é o único meio de nos arrancarmos à indiferença, à volúpia. É
quem esculpe nossa alma, quem lhe dá mais pura forma, beleza mais perfeita.
A prova é um remédio infalível para a nossa inexperiência. A Providência
procede para conosco como mãe precavida para com seu filho. Quando resistimos
aos seus apelos, quando recusamos seguir-lhe os conselhos, ela deixa-nos sofrer
decepções e reveses, sabendo que a adversidade é a melhor escola da prudência.
Tal o destino do maior número neste mundo. Debaixo de um céu algumas
vezes sulcado de raios, é preciso seguir o caminho árduo, com os pés dilacerados
pelas pedras e pelos espinhos. Um Espírito de vestes lutuosas guia os nossos
passos; é a dor santa que devemos abençoar, porque só ela sacode e desprende-
nos o ser das futilidades com que este gosta. de paramentar-se, torna-o apto a
sentir o que é verdadeiramente nobre e belo.
*
Sob o efeito desses ensinos, a que se reduz a idéia da morte? Perde todo o
caráter assustador. A morte mais não é que uma transformação necessária e uma
renovação, pois nada perece realmente. A morte é só aparente; somente muda a
forma exterior; o princípio da vida, a alma, fica em sua unidade permanente,
indestrutível. Esta se acha, além do túmulo, na plenitude de suas faculdades,
com todas as aquisições com que se enriqueceu durante as suas existências
terrestres: luzes, aspirações, virtudes e potências. Eis aí os bens imperecíveis a
que se refere o Evangelho, quando diz: "Os vermes e a ferrugem não os
consumirão nem os ladrões os furtarão." São as únicas riquezas que poderemos
levar conosco e utilizar na vida futura. A morte e a reencarnação que se lhe
segue, em um tempo dado, são duas condições essenciais do progresso.
Rompendo os hábitos acanhados que havíamos contraído, elas colocam-nos em
meios diferentes; obrigam a adaptarmo-nos às mil faces da ordem social
universal. Quando chega o declínio da vida, quando nossa existência, semelhante

3
à página de um livro, vai voltar-se para dar lugar a uma página branca e nova,
aquele que for sensato consulta o seu passado e revê os seus atos.
Feliz quem nessa hora puder dizer: meus dias foram bem preenchidos! Feliz
aquele que aceitou as suas provas com resignação e suportou-as com coragem!
Esses, macerendo a alma, deixaram expelir tudo o que nela havia de amargor e
fel.
Rememorando na consciência as suas tribulações, bendirão os sofrimentos
que suportaram, e, com a paz íntima, verão sem receio aproximar-se o momento
da morte.
Digamos adeus às teorias que fazem da morte a porta do nada, ou o
prelúdio de castigos intermináveis. Adeus sombrios fantasmas da Teologia,
dogmas medonhos, sentenças inexoráveis, suplícios infernais! Chegou a vez da
esperança e da vida eterna! Não mais há negrejantes trevas, porém, sim, luz
deslumbrante que surge dos túmulos.
Já vistes a borboleta de asas multicores despir a informe crisálida, esse
invólucro repugnante, no qual, como lagarta, se arrastava pelo solo? Já a vistes
solta, livre, voejar ao calor do Sol, no meio do perfume das flores? Não há
imagem mais fiel para o fenômeno da morte. O homem também está
numacrisálida que a morte decompõe. O corpo humano, vestimenta de carne,
volta ao grande monturo; o nosso despojo miserável entra no laboratório da
Natureza; mas, o Espírito, depois de completar a sua obra, lança-se a uma vida
mais elevada, para essa vida espiritual que sucede à vida corpórea, como o dia
sucede à noite. Assim se distingue cada uma das nossas encarnações.
Firmes nestes princípios, não mais temeremos a morte. Como os gauleses,
ousaremos encará-la sem terror. Não mais haverá motivo para receio, para
lágrimas, cerimônias sinistras e cantos lúgubres. Os nossos funerais tornar-se-ão
uma festa pela qual celebraremos a libertação da alma, sua volta à verdadeira
pátria.
A morte é uma grande reveladora. Nas horas de provação, quando as
sombras nos rodeiam, perguntamos algumas vezes: Por que nasci eu? Por que
não fiquei mergulhado lá na profunda noite, onde não se sente, onde não se
sofre, onde só se dorme o eterno sono? E, nessas horas de dúvida e de angústia,
uma voz vem até nós e diz-nos: Sofre para te engrandeceres, para te depurares!
Fica sabendo que teu destino é grande. Esta terra fria não é teu sepulcro. Os
mundos que brilham no âmbito dos céus são tuas moradas futuras, a herança
que Deus te reserva. Tu és para sempre cidadão do Universo; pertences aos
séculos passados como aos futuros, e, na hora atual, preparas a tua elevação.
Suporta, pois, com calma, os males por ti mesmo escolhidos. Semeia na dor e
nas lágrimas o grão que reverdecerá em tuas próximas vidas. Semeia também
para os outros assim como semearam para ti! Ser imortal, caminha com passo
firme sobre a vereda escarpada até às alturas de onde o futuro te aparecerá sem
véu! A ascensão é rude, e o suor inundará muitas vezes o teu rosto, mas, no
cimo, verás brilhar a grande luz, verás despontar no horizonte o Sol da Verdade e
da Justiça!

4
A voz que assim nos fala é a voz dos mortos, é a voz das almas queridas
que nos precederam no país da verdadeira vida. Bem longe de dormirem nos
túmulos, elas velam por nós. Do pórtico do invisível vêem-nos e sorriem para
nós. Adorável e divino mistério! Comunicam-se conosco e dizem: Basta de
dúvidas estéreis; trabalhai e amai. Um dia, preenchida a vossa tarefa, a morte
reunir-nos-á.

Imortalidade
( Livro: Lampadário Espírita – Espirito, Joanna de Angelis – Divaldo Franco )

À noite sombria da morte sucede a madrugada clarificadora da vida


espiritual.
Em toda a parte estua a vibração miraculosa e pulsante da vida que não
cessa.
Morre a semente para surgir a planta vitoriosa.
Decompõe-se a matéria a fim de nutrir outras formas de vidas.
Gasta-se uma estrutura desta ou daquela natureza para ressurgir, mais
além, em manifestações novas e expressivas.
A serenidade do cadáver humano é enganosa e utópica. Além das células
humana em transformações incessantes, onde se locupletam vibriões, o espírito
desperta.
Nada nem ninguém. Morrer é somente mudar de estado.
A paz das necrópoles é pobreza dos sentidos dos que supõem contemplá-la.
A perda da indumentária física não confere prosperidade espiritual nem
conduz á ruina desesperadora, senão àqueles que as elaboraram antes.
Cada ser desperta consoante viveu vinculado ou liberto das paixões.
A morte pode ser considerada como o despir da aparência e o despertar
para a realidade. Ela não apaga o amor que prossegue em cânticos afetuosos,
imanando sentimentos que se alongam além das fronteiras do corpo, nem
interrompe o intercâmbio do ódio que expele emanações mefíticas, alongando
processos obsessivos de longo e tormentoso curso.
Quantos se acostumaram á beleza das emoções superiores escalam os
óbices da limitação e atingem excelsas regiões.
Aqueles, no entanto, que se fixaram nas paisagens grotescas da animalidade
primitiva, acordam envoltos nas paixões que conduziram ao decesso carnal, mais
vorazes, mais infelizes, mais atormentados.
Não há milagre ante a morte...
*
Não procures os que partiram para a Imortalidade, em dias a eles
consagrados, na tumbas onde se diluíram as impressões da forma, pois que lá
não estão.
Evita visita-los nos campos dos despojos carnais, considerando que lá não os
encontrarás.
Se foram amorosos e bons, libram acima das conjunturas imediatistas,
visitam-te, intercambiam o amor e trabalham, vitoriosos, esperando por ti.

5
Se viveram descuidados, entorpecidos pelo ópio do prazer, dormem o longo
sono da consciência aparvalhada, experimentando pesadelos e agonias de difícil
tradução para o teu entendimento.
Se jornadearam adstritos á impiedade e atados ao erro deste ou daquele
teor, sofrem e fazem sofrer, procurando, no próprio lar ou em outras mentes de
fora do ninho doméstico, com as quais se afirmam, intercâmbio inquietante e
enfermiço.
Seja qual for o roteiro por onde transitaram aqueles teus afetos, agora além
da carne, ore por eles, pena neles com bondade e amor.
Transforma as moedas que iriam adquirir flores e luzes frágeis demais para
os atingirem – logo mais fanadas e mortas, bruxuleantes e sem lume – em leite e
pães para débeis criancinhas esquálidas, em caldo quente e reconfortante para
velhinhos esquecidos nas sombras espessas da miséria, em medicamento
refazente para enfermos em agonias e dores tormentosas, em agasalhos para
corpos em absoluta nudez, em oportunidade de trabalho para pais de família ao
desemprego e desassossegados, em meios honrosos para todos aqueles que
seguem pelo teu caminho, como homenagem a eles, os teus mortos queridos,
que vivem e te bendirão o amor.
O que fizeres em memória deles se transformará em lenitivo ás suas
aflições, atestado inequívoco de afeição que não passará despercebido por eles.
Desobstrui gavetas e armários e passa adiante o que conservas como
lembranças deles, fazendo-os apegados a esses valores realmente mortos...
Teus mortos vivem!
Respeita-os, homenageando-os através da bênção da caridade dirigida a
outros.
Enquanto a saudade macerava os corações atemorizados dos discípulos,
após os sucessos da tarde trágica de Jerusalém, e a inquietação os sobressaltava,
pela madrugada do domingo, mulheres piedosas, entre as quais uma ex-cortesã,
acorreram ao sepulcro aberto na rocha, para visitar o inumado querido,
encontrando, porém, a sepultura violada e vazia.
Procurando informar-se do que sucedera, a jovem de Magdala defrontou-O
nimbado de safirina e radiosa luz, enquanto Ele, sorrindo, saúda-a jubiloso: -
„Maria!‟
Diante dos entes queridos, mortos, recorda Maria de Magdala aflita e Jesus
triunfante depois da morte, retornando em incomparável manifestação de
imortalidade gloriosa, vencedor das sombras e das dores...

Mortos Amados
( Livro: Na Era Do Espirito – Espirito, Diversos – Chico Xavier )

Na Terra, quando perdemos a companhia de seres amados, ante a visitação


da morte, sentimo-nos como se nos arrancassem o coração, para que se faça
alvejado fora do peito.
Ânsia de rever sorrisos que se extinguiram, fome de escutar palavras que
emudeceram.

6
E bastas vezes, tudo o que nos resta no mundo íntimo é um veio de
lágrimas estanques, sem recursos de evasão, pelas fontes dos olhos.
***
Compreendemos, sim, neste outro lado da vida, o suplício dos que vagueiam
entre as paredes do lar ou se imobilizam no espaço exíguo de um túmulo,
indagando porquê....
***
Se varas instantes semelhantes de saudade e distância, se o vazio te
atormenta o espírito, asserena-te e ora, como saibas e como possas, desejando a
paz e a segurança dos entes inesquecíveis que te antecederam na Vida Maior.
Lembra a criatura querida que não mais te compartilha as experiências no
plano físico, não por pessoa que desapareceu para sempre e sim à feição de
criatura invisível, mas não de toda ausente.
Os que rumaram para outros caminhos, além das fronteiras que marcam a
desencarnação, também lutam e amam, sofrem e se renovam.
Enfeita-lhes a memória com as melhores lembranças que consigas enfileirar
e busca tranqüilizá-Los com o apoio de tua conformidade e de teu amor.
Se te deixas vencer pela angústia, ao recordar-lhes a imagem, sempre que
se vejam em sintonia mental contigo, hei-los que suportam angústia maior, de
vez que passam a carregar as aflições sobretaxadas com as tuas.
***
Compadece-te dos Entes Amados que te precederam na romagem da
Grande Renovação.
Chora, quando não possas evitar o pranto que se te derrama da alma; no
entanto, converte quanto possível as próprias lágrimas em Bênçãos de trabalho e
preces de esperança, porquanto Eles todos te ouvem o coração na Vida Superior,
sequiosos de se reunirem contigo para o reencontro no trabalho do próprio
aperfeiçoamento, à procura do amor sem adeus.

Eles todos te ouvem


( Livro: Na Era Do Espirito – Espirito, Diversos – Chico Xavier )

O item 21 do capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo é uma


mensagem mediúnica do Sr. Sanson, dada em Paris em 1863, e tem por título
“Perda de pessoas amadas e mortes prematuras”. Como vemos nas reuniões com
Chico Xavier as lições desse livro, que é sempre aberto ao acaso por um dos
presentes, caem num tema referente à maior preocupação dos participantes.
Sanson, ex-materialista que se converteu ao Espiritismo lendo O Livro dos
Espíritos, foi companheiro constante de Kardec na Sociedade Parisiense de
Estudos Espíritas.
Na sua mensagem, como nesta de Emmanuel, Sanson adverte que os
nossos mortos amados necessitam de nossos bons pensamentos, de nossas
preces, mas não do nosso desespero que só serve para fazê-los sofrer, e
acentua: “Mães, sabei que vossos filhos bem amados estão perto de vós”.
Emmanuel exclama: “Eles todos te ouvem o coração na Vida Superior”.

7
Ao longo de mais de um século os princípios espíritas se confirmaram e
continuam a se confirmar através das mensagens dos Espíritos que sempre nos
assistem. Hoje a Parapsicologia, no capítulo das investigações sobre telepatia e
ultimamente sobre as comunicações mediúnicas (fenômenos theta), comprovou
cientificamente a relação mental entre vivos e mortos, referendando a
comprovação já feita anteriormente pela Metapsíquica e pela Ciência Psíquica
Inglesa.
Estamos todos na Terra para uma breve experiência de vida material, mas a
nossa vida verdadeira é a espiritual. Os que partem antes de nós concluíram a
sua tarefa e estão livres dos tormentos da vida terrena. Mas como nos amam,
continuam ligados a nós pelo pensamento, pelo sentimento, pelo amor que nos
dedicam. Já não se trata mais de urna questão de crença, mas de uma certeza
milhões de vezes comprovada. Precisamos compreender isso para não os
perturbarmos na vida espiritual com o desespero do nosso amor egoísta. Eles
vivem e nos esperam para o reencontro.
Irmão Saulo

Perguntas

01 – Por que uns, jovens e saudáveis, morrem cedo, enquanto outros,


bem idosos e alquebrados, vivem muito tempo?
02 – A quem é concedida a morte prematura?
03 – Por que, embora tendo fé em Deus, as pessoas reagem
negativamente á morte?
04 – Será injusto chorar a ausência dos entes queridos que se foram?
05 – Como conseguir consolação ante a perda de pessoas amadas?

Conclusão

A morte prematura é um desígnio divino e o Evangelho de Jesus é o


caminho onde encontramos a preparação e o fortalecimento para suportá-la. O
berço e o túmulo são portas de entrada e saída da escola da vida física, na
caminhada evolutiva rumo á felicidade definitiva do espirito imortal .

Recomendações

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V, Item 22

8
Respostas das perguntas anteriores – 17º Roteiro

1º Resposta: Que a Terra, em face da sua atual condição de mundo de


provas e expiação, não propicia a que o homem desfrute a felicidade na
sua plenitude.
“Nosso planeta, contudo, em decorrência da progressão natural dos
mundos e dos homens, virá a ser, no futuro, ditoso habitat da completa
felicidade.”

2º Resposta: Não, porque não existe ninguém ocupando uma posição que
reúna as condições necessárias á felicidade. Além disso, a inveja é um
sentimento mesquinho que indica inferioridade moral ou evolução
deficitária, e isto já é bastante para que o soframos e nos tornemos ainda
mias infelizes.
“Felicidade é o bem que alguém proporciona ao seu próximo.”

3º Resposta: Porque aquilo que constitui a felicidade na Terra se


expressa pela conquista de tesouros de tão pouca duração que torna
ilusória e efêmera a sua busca, tendo-se em conta serem os tesouros do
céu os que efetivamente conduzirão á felicidade plena.
“Se o homem ajuizado é uma raridade na Terra, o homem absolutamente
feliz jamais foi encontrado.”

4º Resposta: De forma geral, ela é entendida como fruto de emoções


passageiras, através dos prazeres matérias, da beleza física, da posse do
dinheiro etc.
“Não é feliz o homem em possuir ou deixar de possuir, mas pela forma
como possui ou como encara a falta da posse.”

5º Resposta: Procurando nos livrar de tudo aquilo que nos serve de


entrave aos valores imortais de nossa alma, a fim de mais depressa
alcançar mundos mais elevados, onde será possível desfrutar as alegrias
verdadeiras.
“Servindo, o homem adquire superioridade e, doando-se, conquista a
liberdade e paz.”

6º Resposta: Não. Inúmeros progressos têm sido observados no campo


social. Todas essas transformações são a fermentação de um futuro que
a Terra alcançará em breve.
“Jesus padronizou a busca felicidade no amor, por ser a única fonte
inexaurível, capaz de sustentar toda aflição e vencê-la, paulatinamente.”

Glossário

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Anotações

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União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo – ESE*
Cap. V, Item 22

19º Roteiro – Se fosse um homem de bem, teria morrido


Objetivos

De percebermos o valor da vida espiritual, a importância da vida carnal e o


porquê de algumas pessoas desencarnarem mais cedo e outras mais tarde,
enfatizando a justiça de Deus em todas as situações.

Um homem de bem teria morrido

22 - Dizeis frequentemente, ao falar de um malvado que escapa a um


perigo: se fosse um homem de bem, teria morrido. Pois bem, ao dizer isso, estais
com a verdade, porque, efetivamente, Deus concede muitas vezes, a um Espírito
ainda jovem na senda do progresso, uma prova mais longa que a um bom, que
receberá, em recompensa ao seu mérito, o favor de uma prova tão curta quanto
possível. Assim, pois, quando empregais este axioma, não duvideis de que estais
cometendo uma blasfémia.
Se morre um homem de bem, vizinho de um malvado, apressai-vos a dizer:
seria bem melhor se tivesse morrido aquele. Cometeis então um grande erro,
porque aquele que parte terminou a sua tarefa, e o que ficou talvez nem a tenha
começado. Por que, então, quereis que o mau não tenha tempo de acabá-la, e
que o outro continue preso à gleba terrena? Que diríeis de um prisioneiro que,
tendo concluído a sua pena, continuasse na prisão, enquanto se desse a liberdade
a outro que não tinha direito? Ficai sabendo, pois, que a verdadeira liberdade
está no desprendimento dos laços corporais, e que enquanto estais na Terra,
estais em cativeiro.
Habituai-vos a não censurar o que não podeis compreender, e crede que
Deus é justo em todas as coisas. Frequentemente, o que vos parece um mal é
um bem. Mas as vossas faculdades são tão limitadas, que o conjunto do grande
todo escapa aos vossos sentidos obtusos. Esforçai-vos por superar, pelo
pensamento, a vossa estreita esfera, e à medida que vos elevardes,a importância
da vida terrena diminuirá aos vossos olhos. Porque, então, ela vos
aparecerá como um simples incidente, na infinita duração da vossa existência
espiritual, a única verdadeira existência. – ( Fénelon – Sens, a863 )
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

1
Fontes Complementares

Imortalidade
( Livro: Lampadário Espírita – Espírito, Joanna de Angelis – Divaldo Franco )

À noite sombria da morte sucede a madrugada clarificadora da vida


espiritual.
Em toda a parte estua a vibração miraculosa e pulsante da vida que não
cessa.
Morre a semente para surgir a planta vitoriosa.
Decompõe-se a matéria a fim de nutrir outras formas de vidas.
Gasta-se uma estrutura desta ou daquela natureza para ressurgir, mais
além, em manifestações novas e expressivas.
A serenidade do cadáver humano é enganosa e utópica. Além das células
humana em transformações incessantes, onde se locupletam vibriões, o espírito
desperta.
Nada nem ninguém. Morrer é somente mudar de estado.
A paz das necrópoles é pobreza dos sentidos dos que supõem contemplá-la.
A perda da indumentária física não confere prosperidade espiritual nem
conduz á ruina desesperadora, senão àqueles que as elaboraram antes.
Cada ser desperta consoante viveu vinculado ou liberto das paixões.
A morte pode ser considerada como o despir da aparência e o despertar
para a realidade. Ela não apaga o amor que prossegue em cânticos afetuosos,
imanando sentimentos que se alongam além das fronteiras do corpo, nem
interrompe o intercâmbio do ódio que expele emanações mefíticas, alongando
processos obsessivos de longo e tormentoso curso.
Quantos se acostumaram á beleza das emoções superiores escalam os
óbices da limitação e atingem excelsas regiões.
Aqueles, no entanto, que se fixaram nas paisagens grotescas da animalidade
primitiva, acordam envoltos nas paixões que conduziram ao decesso carnal, mais
vorazes, mais infelizes, mais atormentados.
Não há milagre ante a morte...
*
Não procures os que partiram para a Imortalidade, em dias a eles
consagrados, na tumbas onde se diluíram as impressões da forma, pois que lá
não estão.
Evita visita-los nos campos dos despojos carnais, considerando que lá não os
encontrarás.
Se foram amorosos e bons, libram acima das conjunturas imediatistas,
visitam-te, intercambiam o amor e trabalham, vitoriosos, esperando por ti.
Se viveram descuidados, entorpecidos pelo ópio do prazer, dormem o longo
sono da consciência aparvalhada, experimentando pesadelos e agonias de difícil
tradução para o teu entendimento.

2
Se jornadearam adstritos á impiedade e atados ao erro deste ou daquele
teor, sofrem e fazem sofrer, procurando, no próprio lar ou em outras mentes de
fora do ninho doméstico, com as quais se afirmam, intercâmbio inquietante e
enfermiço.
Seja qual for o roteiro por onde transitaram aqueles teus afetos, agora além
da carne, ore por eles, pena neles com bondade e amor.
Transforma as moedas que iriam adquirir flores e luzes frágeis demais para
os atingirem – logo mais fanadas e mortas, bruxuleantes e sem lume – em leite e
pães para débeis criancinhas esquálidas, em caldo quente e reconfortante para
velhinhos esquecidos nas sombras espessas da miséria, em medicamento
refazente para enfermos em agonias e dores tormentosas, em agasalhos para
corpos em absoluta nudez, em oportunidade de trabalho para pais de família ao
desemprego e desassossegados, em meios honrosos para todos aqueles que
seguem pelo teu caminho, como homenagem a eles, os teus mortos queridos,
que vivem e te bendirão o amor.
O que fizeres em memória deles se transformará em lenitivo ás suas
aflições, atestado inequívoco de afeição que não passará despercebido por eles.
Desobstrui gavetas e armários e passa adiante o que conservas como
lembranças deles, fazendo-os apegados a esses valores realmente mortos...
Teus mortos vivem!
Respeita-os, homenageando-os através da bênção da caridade dirigida a
outros.
Enquanto a saudade macerava os corações atemorizados dos discípulos,
após os sucessos da tarde trágica de Jerusalém, e a inquietação os sobressaltava,
pela madrugada do domingo, mulheres piedosas, entre as quais uma ex-cortesã,
acorreram ao sepulcro aberto na rocha, para visitar o inumado querido,
encontrando, porém, a sepultura violada e vazia.
Procurando informar-se do que sucedera, a jovem de Magdala defrontou-O
nimbado de safirina e radiosa luz, enquanto Ele, sorrindo, saúda-a jubiloso: -
„Maria!‟
Diante dos entes queridos, mortos, recorda Maria de Magdala aflita e Jesus
triunfante depois da morte, retornando em incomparável manifestação de
imortalidade gloriosa, vencedor das sombras e das dores...

Morrer
( Livro: Estudos Espiritas - Espirito, Joanna de Angelis – Divaldo Franco )

CONCEITO – A problemática da morte é decorrência do desequilíbrio


biológico e físico-químico essências á manutenção da vida. Fenômeno de
transformação, mediante o qual se modificam as estruturas constitutivas dos
corpos que sofrem ação de natureza química, física e microbiana determinantes
dos processos cadavéricos e abióticos, a morte é o veículo condutor encarregado
de transferir a mecânica da vida de uma para outra vibração. No homem
representa a libertação dos implementos orgânicos, facultando ao espirito,

3
responsável pela aglutinação das moléculas constitutivas dos órgãos, a livre ação
fora da constrição restritiva do seu campo magnético.
Morrer, entretanto, não é consumir-se. Da mesma forma que a matéria se
desorganiza sob um aspecto para reassociar-se em outras manifestações, o
espirito se ausenta de uma condição – a de encarnado - , para retornar á
situação primeira da sua existência – despido do corpo material.
A vida carnal é descorrência da existência do principio espiritual e a vida
poderia existir no espirito sem que houvesse aquela.
Morrer ou desencarnar, porém, nem sempre pode ser considerado como
libertar-se. A perda do casulo celular liberta o espirito que estruturou o seu
comportamento, quando no corpo, sem a dependência enlouquecedora deste. Os
que se imantaram aos vigorosos condicionamentos materiais, utilizando a
vestimenta física como veículo apenas para vaso de luxúria ou de egoísmo, qual
instrumento de gozo incessante ou do orgulho, na expressão de castelo de força
e de paixões, ante a desencarnação prosseguem vinculados aos vapores
entorpecentes das emanações cadavéricas em lamentável e demorado estado de
perturbação, sitiados pelas visões torpes da destruição dos tecidos entre as
paredes estreitas da paisagem sepulcral.
A vida começa a perecer desde o momento em que se agregam as células
para a mecânica do viver.
Vida e morte, pois, são termos da mesma equação do existir.
Não morre aquele que aspira ao amor e sonha com o Ideal da Beleza,
entregue ao cultivo da virtude, no exercício da retidão. Não se acaba aquele que
se entrega á vida, pois que mediante cíclicas mudanças do tono vibratório o
espirito se traslada de corpo a corpo, de estágio a estágio evolutivo até alcançar
a plenitude da vida na vitória estuante da Imortalidade.
Enquanto os processos abióticos são substituídos por novas atividade
bioquímicas, o cadáver passando á fase da desintegração – autólise e putrefação
- , o espirito que se educou para os labores de libertação encontra-se indene á
participação do desconcertante fenômeno de transformação celular, não
ocorrendo o mesmo com aqueles que transformaram o corpo em reduto de
prazer ou catre de paixões de qualquer natureza.

DESENVOLVIMENTO – Porque representava a cessação do movimento


externo com a consequência degenerescência da forma, a morte mereceu das
Civilizações do passado homenagens e tributos consideráveis.
Herdando do homem primitivo o culto de respeito, envolto em mistérios, e
complexos rituais com os quais desejavam reverenciar na morte a força
disjuntora da vida, essas Civilizações, mediante enganosos conciliábulos através
dos quais a personaficavam como deidade facilmente subornável, ou mensageira
da desgraça que se podia adiar, pensavam consegui-lo por meio desse comércio
nefando e irracional.
Milenarmente misteriosa tem prosseguido no seu cortejo, semeando pavor e
desconcerto emocional, reinando soberana.

4
Aplacando-lhe ira e tentando evitar-lhe a visita inexorável celebraram-se
nos diversos fastos do pensamento histórico solenidades soberbas, ora trágicas e
deprimentes ou exaltadas a ponto de espicaçar o desinteresse pela vida,
produzindo suicídios religiosos, em procissões pagãs, nas quais fanáticos
cultivadoras ante o paroxismo da excitação de mentes primárias em exacerbação
dos instintos...
Sob outro aspecto, porque se transformasse no umbral para o acesso ao
Desconhecido, foi encarada como misterioso país de cujas fronteiras ninguém
voltava, envolvendo-se-lhe o culto em absurdas fantasias.
O homem do período glaciário de Gunz, agindo intuitivamente sob a
inspiração dos antepassados, colocava o crânio dos mortos á entrada das
cavernas com o objetivo de impedir a incursão naqueles recintos dos inimigos
desencarnados...
Os egípcios, conceituando o retorno ao corpo sob a paixão do imediato,
transformaram os sepulcros em palácios, colocando tesouros e alimentos para os
viandantes do vale das sombras não padeceram necessidades quando da volta...
Mousoléus e jazigos imponentes foram erguidos através dos tempos para
perpetuarem a memória e a vida dos extintos, gerando quase sempre longos
processos de apego e dor aos transitórios recursos materiais por parte dos que
desencarnaram.
A Arte e a Literatura, a Poesia e a Religião contribuíram exorbitantemente
para tornarem a morte a megera desventurada, portadora da infelicidade e do
horror.
Com o desenvolvimento das conquistas modernas, em cujo período as luxes
da fé já bruxuleantes quase se apagaram, a morte, por significar para os
apaniguados do niilismo o fim de tudo, passou a constituir móvel de ridículo,
senão a aspiração maior dos frívolos e inconsequentes cultivadores da cômoda
filosofia do nada. Assim encontrariam a porta para a deserção, logo fossem
colhidos pela responsabilidade ou surpreendidos pela dor...

ESPIRITISMO E MORTE – Jesus, indubitavelmente, o Senhor do Mundo e o


Herói da Sepultura Vazia, foi o mais nobre pregoeiro da vida com excelente
realidade a respeito da morte.
Circunscrevendo todos os seus ensinos em torno da vida, e da Vida
abundante, a Sua mensagem é um hino perene á glória do existir, seja num ou
noutro setor de atividade em que se manifestam as expressões eternas do
espírito: na carne e além dela.
Em todo o Seu ministério de amor e trabalho Sua palavra é luz e vida,
considerando mortos somente aqueles que perderam a visão e obstruíram as
percepções da realidade espiritual.
Depois dEle coube ao Espiritismo a inapreciável tarefa de interpretar a
morte, libertando-a dos infelizes conceitos de vário matiz que foram tecidos
multimilenarmente na plenitude da ignorância sobre a sua legitima feição.

5
Atestando a continuidade da vida após o túmulo, graças ao convívio mantido
entre os homens e os Imortais, o Espiritismo libertou a vida do guante da vândala
destruidora, exaltando a perenidade do existir em todas as latitudes do Cosmo,
na incessante progressão para o Infinito.
Vive, portanto, como se estivesse a cada momento preparando-te para
renascer além e após o túmulo.
A vida que se leva é a vida que cada um aqui leva enquanto na indumentária
carnal
Transpassa-se o pórtico de lama e cinza em que se transformam os
implementos materiais com as próprias conquistas morais, construindo as asas
de anjo com que se pode ascender á Verdade ou a amarras grosseiras para com
a retaguarda, mediante as quais se imantam aos engodos fisiológicos.
*
“Por ser exclusivamente material, o corpo sofre as vicissitudes da matéria.
Depois de funcionar por algum tempo, ele se desorganiza e decompõe. O
principio vital, não mais encontrando elemento para sua atividade, se extingue e
o corpo morre. O Espirito, para quem, este, carente de vida, se torna inútil,
deixa-o, como se deixa uma casa em ruínas, ou uma roupa imprestável.”
( A Gênese, Allan Kardec, cap. XI, item 13.)
*
“A vida spiritual é, com efeito, a verdadeira vida, é a vida normal do Espirito,
sendo-lhe transitória e passageira a existência terrestre, espécie de morte, se
comparada ao esplendor e á atividade de outra. O corpo não passa de simples
vestimenta grosseira que temporariamente cobre o Espirito, verdadeiro grilhão
que o prende á gleba terrena, do qual se sente ele feliz em libertar-se. O respeito
que aos mortos se consagra não é a matéria que o inspira; é, pela lembrança, o
Espirito ausente quem o infunde.”
( O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap. XXIII, item 8)

Perguntas

01 – Por que blasfemamos quando, diante de alguém tido como mau, que
escapa da morte, costumamos dizer: “Se fosse um homem de bem teria
morrido”?
02 – Por que não devemos desejar, diante da morte de um homem de
bem, que, em seu lugar, fosse um mau homem?
03 – Seria justo permitir que o homem de bem permanecesse preso á
Gleba Terrestre?
04 – Consiste no rompimento dos laços que o prendem ao corpo.
Enquanto se encontra na Terra, está em cativeiro?
05 – A vida é destituída de valor?
06 – O que devemos fazer para diminuir a importância que damos á vida
material?
07 – Isso não nos levaria a um alheamento ao meio em que vivemos?

6
Conclusão

Não compete a nós julgar se conveniente ou não o momento da morte, mas


sim a Deus quem sua infinita bondade e por acréscimo de misericórdia,
determina esse momento.

Recomendações

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V, Item 23

Respostas das perguntas anteriores – 18º Roteiro

1º Resposta: Porque cada desencarnação tem consequências instrutivas


para o desencarnante e para os que lhe estão vinculados.
“A reencarnação, para cada pessoa, tem um prazo estipulado por Deus,
que devemos acatar com respeito e humildade.”

2º Resposta: Frequentemente, a morte prematura é um sábio designío de


Deus que atinge aquele que se vai e que se encontra, assim, preservado
das misérias da vida, ou das seduções que talvez lhe acarretassem a
perda.
“A morte prematura não é uma fatalidade: é um beneficio concedido por
Deus áquele que se vai.”

3º Resposta: Porque a fé em Deus, sem a compreensão de suas leis, faz


com que a idéia de morte tenha um caráter assustador.
Entendendo a razão divina da reencarnação e da desencarnação, tudo se
torna mais fácil.
A morte e a reencarnação são duas condições essenciais ao progresso do
espirito.”

4º Resposta: Não. O que é conveniente, por desrespeito á vontade de


Deus, é o choro de revolta ou de lamentação. As lágrimas resignadas de
saudade são justas, se bem que os entes queridos nunca se afastam de
nós.
“O sofrimento é o instrumento de toda elevação, é o único meio de nos
arrancar á indiferença, á volúpia.”

7
5º Resposta: Tendo fé em Deus e compreendendo suas leis, saberemos
que esta separação não é eterna.
“Semeia na dor e nas lágrimas o farão que reverdecerá em tuas próximas
vidas.”
*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O
Espiritismo’, Da editora Boa Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.
*Duvidas e sugestões contatar; reinaldodosan@hotmail.com

Glossário

Anotações

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União Espírita Deus Amor E Caridade
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Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo – ESE*
Cap. V, Item 23

20º Roteiro – Os Tormentos Voluntários


Objetivos

De analisarmos em que consistem os tormentos voluntários, destacando


onde se encontra a origem dos mesmos.

Um homem de bem teria morrido

23 - O homem está incessantemente à procura da felicidade, que lhe escapa


a todo instante, porque a felicidade sem mescla não existe na Terra. Entretanto,
apesar das vicissitudes que formam o inevitável cortejo desta vida, ele poderia
pelo menos gozar de uma felicidade relativa. Mas ele a procura nas coisas
perecíveis, sujeitas às mesmas vicissitudes, ou seja, nos gozos materiais, em vez
de buscá-la nos gozos da alma, que constituem uma antecipação das imperecível
alegrias celestes. Em vez de buscar a paz do coração, única felicidade verdadeira
neste mundo, ele procura com avidez tudo o que põe agitá-lo e perturbá-lo. E,
coisa curiosa, parece criar de propósito de tormentos, que só a ele cabia evitar.
Haverá maiores tormentos que os causados pela inveja e o ciúme? Para o
invejoso e o ciumento não existe repouso: sofrem ambos de uma febre
incessante. As posses alheias lhes causam insônias; os sucessos dos rivais lhes
provocam vertigens; seu único interesse é o de eclipsar os outros; toda a sua
alegria consiste em provocar, nos insensatos como eles, a cólera do ciúme.
Pobres insensatos, com efeito, que não se lembram de que, talvez amanhã, tenha
de deixar todas as futilidades, cuja cobiça lhes envenena a vida! Não é a eles que
se aplicam estas palavras: "Bem-aventurados os aflito porque serão consolados",
pois os seus cuidados não têm compensacão no céu.
Quantos tormentos, pelo contrário, consegue evitar aquele que sabe contentar-
se com o que possui, que vê sem inveja o que não lhe pertence, que não procura
parecer mais do que é! Está sempre rico, pois, se olha para baixo, em vez de
olhar para acima de si mesmo, vê sempre os que possuem menos do que ele.
Está sempre calmo, porque não inventa necessidades absurdas, e a calma e meio
das tormentas da vida não será uma felicidade? ( Fénelon – Lyon, 1860)
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

1
Doentes e doenças
( Livro: Lampadário Espírita – Espírito, Joanna de Angelis – Divaldo Franco )

“ Não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da
boca, isso é o que contamina o homem.”
Mateus 15:11
Por enquanto, estamos todos doentes, conduzindo conosco doenças aflitivas
que nos apraz cultivar.
Doentes – porque nos comprazemos, quando feridos, em também ferir;
angustiados, desferir dardos de mau humor; aflitos, espalhar inquietações.
Doentes – porque clareados pela fé nobre e pura, racional e dinâmica a
espraiar-se da Doutrina Espirita, povoamos a mente de sonhos ilusórios e
esquecemos os deveres primaciais da sublimação interior com o firme propósito
de melhoria incessante.
Doentes – porque conservamos azedume, cultivávamos maledicências,
atendemos apelos pouco dignificantes.
Doentes – porque não sabemos, enfermos e ignorantes que somos,
aproveitar o tempo de que dispomos, valorizando as oportunidades que nos são
oferecidas.
*
Portamos doenças, sim, de variada nomenclatura, porque:
amando – impomos condições ao amor:
amados – contaminamos de aflições quem nos ama;
servindo – desejamos servir como nos agrada;
servidos – alegamos ineficiência do serviço;
alegres – esperamos que todos se alegrem conosco;
tristes – gostamos que os demais participem da nossa tristeza,
normalmente injustificável;
e, nas alegrias e tristezas de outrem, atribuímos-nos o direito de „viver
a própria vida‟.
*
Somos espíritos doentes em tratamento difícil, por agradar-nos a condição
de infelicidade que nos é a tônica favorita.
Todavia, Jesus é o Mestre Divino e a sua Doutrina é o medicamento eficaz
de que nos podemos utilizar resultados imediatos.
Se, entretanto, no tumulo em que nos afligimos houvermos perdido os
ouvidos para escutá-Lo ou o paladar para o pão dos seus ensinos, busquemos um
rochedo solitário, longe das atribulações, no centro de uma ilha, e façamos-nos
receptivos.
Tal rochedo e tal ilha são a prece e a meditação ao alcance de todos.
Lá, o Esculápio Celeste dir-no-á outra vez, com a mesma segurança de
outrora: „já o que for que peçais na prece, crede que o obtereis e concedido vos
será o que pedirdes‟. ( Macos Cap. XI, V. 24).

2
Perguntas

01 – O que se entende por “Tormentos voluntários”?


02 – São úteis os tormentos voluntários?
03 – Devemos evitar os gozos materiais?
04 – Quais os tormentos do invejoso e do ciumento?
05 – Esses tormentos, causados pela inveja e pelo ciúme, são
voluntários?
06 – O que acontece àquele que sabe contentar-se com o que tem?
07 – Como enfrentar nossas carências materiais?
08 – Não devemos, então, procurar melhoria em nossas situações?

Conclusão

Os tormentos voluntários são inúteis. Se o homem não vivesse correndo em


busca da felicidade material, não teria esses tormentos. Deus é Pai e a todos
concede o necessário á conquista da felicidade pura.

Recomendações

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V, Item 24

Respostas das perguntas anteriores – 19º Roteiro

1º Resposta: A reencarnação é oportunidade educativa dada a espíritos


que faliram em suas missões normais. Por isso, não nos compete julgar a
conveniência ou não da morte de alguém, pois é Deus quem determina
esse momento.
“Deus dá a um homem de bem, como prêmio de seu mérito, a graça de
ter tão curta quanto possível sua provação.”

2º Resposta: Porque aquele que parte já concluiu sua tarefa e o que fica
talvez não haja principiado a sua.
“Deus é justo e não permitiria que ao mau homem faltasse tempo para
concluir sua tarefa.”

3º Resposta: Não seria justo. Ele seria como um prisioneiro que, após
cumprir a sentença contra ele pronunciada, continuasse no cárcere.

3
Deus, em sua sabedoria e justiça, recompensa quem merece; logo,
quando cumprimos nossa missão, somos libertados.
“Prestigiamos a sabedoria das Leis de Deus, obedecendo-as.”

4º Resposta: Consiste no rompimento dos laços que o prendem ao corpo.


Enquanto se encontra na Terra, está em cativeiro.
“O corpo não passa de simples vestimenta grosseira que,
temporariamente, cobre o espirito, prendendo-o ao Orbe Terrestre, do
qual se sente feliz em libertar-se.”

5º Resposta: Não. Seu valor é reeducativo. Deus, em sua infinita


perfeição, não iria determinar que reencarnássemos para, apenas,
desfrutar dos prazeres materiais.
“A vida física, quando vivida segundo os padrões éticos do Evangelho de
Jesus, é abençoada oportunidade de progresso para o espírito.”

6º Resposta: Buscar valores que nos despertem para as realidade


espirituais, cultivar pensamentos elevados e procurar viver de acordo
com o Evangelho.
“A existência espiritual é a única verdadeira.”

7º Resposta: Compete-nos manter o equilíbrio: viver no mundo sem nos


acumpliciar com seus vicio e procurar as realidades espirituais sem fugir
ás responsabilidades com a vida material.
“A grande virtude não consiste em repelir os prazeres que a nossa
condição humana nos permite. Basta que dosemos nossas ações, com
base no discernimento, e tudo façamos nos reportando ao Criador.”
*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O
Espiritismo’, Da editora Boa Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.
*Duvidas e sugestões contatar; reinaldodosan@hotmail.com

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Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo – ESE*
Cap. V, Item 24

21º Roteiro – A Desgraça Real


Objetivos

De vermos onde se encontra a verdadeira desgraça e como devemos nos


comportar para evita-la ou enfrenta-la.

A Desgraça Real

24 - Toda a gente fala da desgraça, toda a gente já a sentiu e julga


conhecer-lhe o caráter múltiplo. Venho eu dizer-vos que quase toda a gente se
engana e que a desgraça real não é, absolutamente, o que os homens, isto é, os
desgraçados, o supõem. Eles a vêem na miséria, no fogão sem lume, no credor
que ameaça, no berço de que o anjo sorridente desapareceu, nas lágrimas, no
féretro que se acompanha de cabeça descoberta e com o coração despedaçado,
na angústia da traição, na desnudação do orgulho que desejara envolver-se em
púrpura e mal oculta a sua nudez sob os andrajos da vaidade. A tudo isso e a
muitas coisas mais se dá o nome de desgraça, na linguagem humana. Sim, é
desgraça para os que só vêem o presente; a verdadeira desgraça, porém, está
nas conseqüências de um fato, mais do que no próprio fato. Dizei-me se um
acontecimento, considerado ditoso na ocasião, mas que acarreta conseqüências
funestas, não é, realmente, mais desgraçado do que outro que a princípio causa
viva contrariedade e acaba produzindo o bem. Dizei-me se a tempestade que vos
arranca as arvores, mas que saneia o ar, dissipando os miasmas insalubres que
causariam a morte, não é antes uma felicidade do que uma infelicidade.
Para julgarmos de qualquer coisa, precisamos ver-lhe as conseqüências.
Assim, para bem apreciarmos o que, em realidade, é ditoso ou inditoso para o
homem, precisamos transportar-nos para além desta vida, porque é lá que as
conseqüências se fazem sentir. Ora, tudo o que se chama infelicidade, segundo
as acanhadas vistas humanas, cessa com a vida corporal e encontra a sua
compensação na vida futura.
Vou revelar-vos a infelicidade sob uma nova forma, sob a forma bela e
florida que acolheis e desejais com todas as veras de vossas almas iludidas. A
infelicidade é a alegria, é o prazer, é o tumulto, é a vã agitação, é a satisfação
louca da vaidade, que fazem calar a consciência, que comprimem a ação do
pensamento, que atordoam o homem com relação ao seu futuro. A infelicidade é
o ópio do esquecimento que ardentemente procurais conseguir.

1
Esperai, vós que chorais! Tremei, vós que rides, pois que o vosso corpo está
satisfeito! A Deus não se engana; não se foge ao destino; e as provações,
credoras mais impiedosas do que a matilha que a miséria desencadeia, vos
espreitam o repouso ilusório para vos imergir de súbito na agonia da verdadeira
infelicidade, daquela que surpreende a alma amolentada pela indiferença e pelo
egoísmo.
Que, pois, o Espiritismo vos esclareça e recoloque, para vós, sob verdadeiros
prismas, a verdade e o erro, tão singularmente deformados pela vossa cegueira!
Agireis então como bravos soldados que, longe de fugirem ao perigo, preferem as
lutas dos combates arriscados à paz que lhes não pode dar glória, nem
promoção! Que importa ao soldado perder na refrega armas, bagagens e
uniforme, desde que saia vencedor e com glória? Que importa ao que tem
fé no futuro deixar no campo de batalha da vida a riqueza e o manto de carne,
contanto que sua alma entre gloriosa no reino celeste?
Delfina de Girardin. (Paris, 1861.)
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Diante Deles
( Livro: Lampadário Espírita – Espírito, Joanna de Angelis – Divaldo Franco )

Lições vivas, constituem eles advertência rigorosa da justiça divina, que


podeis meditar, preparando o futuro do teu próprio espirito.
Muitos deles solicitaram o disfarce sob o qual jornadeiam, buscando
esquecer, recomeçando o caminho antes percorrido com desatino, ocultando-se
dos inimigos que fizeram através da insânia.
Ergastulados, diversos não podem fugir ao império da disciplina que lhes
plasma nos tecidos sutis da alma as futuras manifestações da felicidade.
Constrangidos compulsoriamente ao olvido na demência ou á prisão na
paralisia, mergulharam no corpo físico, patenteando a soberana ‘lei de causa e
efeito’, com as mesmas oportunidades para todos os homens em jornada
evolutiva.
Os irmãos limitados ou deficientes, os excepcionais ou idiotas vinculados a
esta ou àquela classificação da ciência oficial, são trânsfugas do dever que
retornam, buscando acolhida nos sítios onde espezinharam o amor e
desarticularam a paz, esfaimados do pão da esperança e da alegria convertida,
então, em piedade fraternal.
Alguns afetos que precederam seus amores na viagem para além da cortina
densa da carne, retornam, também, para se demorarem junto ao calor do
devotamento de muitos corações que, sem eles ao lado, se atirariam em dédalos
infernais, a se queimarem e requeimarem nas chamas das paixões
devastadoras...
Considera o caminho que percorrem e agradece, através do trabalho de
edificação do bem, todos os tesouros que te exornam a presente reencarnação e

2
não te detenhas no pórtico da ação nobre. Adentra-te na responsabilidade de
fazer o bem, e faze-o com a mesma emoção dos momentos festivos com que o
bem te chega ao regaço íntimo.
Por enquanto, podes ajudar...
Jesus, o incomparável Filho de Deus, deteve-se não poucas vezes ao lado
dos mutilados e enfermos, dos desvairados e paralíticos, dos obsessos e
deficitados, para escutá-los e socorrê-los, e, como é verdade ‘que nem todos
recuperaram a saúde’ transitória do corpo físico, a todos acenou, porém, com a
oportuna dádiva da esperança, ajudando-os com estímulo da coragem para ‘não
tornarem a pecar’, ensinando, indiretamente, que a felicidade real e verdadeira
independe da aparência, sendo, no entanto, um estado de espirito tranquilo,
aquinhoado por uma consciência sem culpa.

Evolução/Dor – Questão 240


( Livro: O Consolador – Espírito, Emmanuel –Chico Xavier )

240 – De algum modo, pode-se conceber a felicidade na Terra?


-Se todo espírito tem consigo a noção da felicidade; é sinal que ela existe e
espera as almas em alguma parte.
Tal como sonhada pelo homem do mundo, porém, a felicidade não pode
existir, por enquanto, na face do orbe, porque, em sua generalidade, as criaturas
humanas se encontram intoxicadas e não sabem contemplar a grandeza das
paisagens exteriores que as cercam no planeta. Contudo, importa observar que é
no globo terrestre que a criatura edifica as bases da sua ventura real, pelo
trabalho e pelo sacrifício, a caminho das mais sublimes aquisições para o mundo
divino de sua consciência.

Tua Mensagem
( Livro: Estude e Viva – Espíritos, Emmanuel e André Luiz –Chico Xavier )

Tua mensagem não se constitui apenas do discurso ou do título de cerimônia


com que te apresentas no plano convencional; é a essência de tuas próprias
ações, a exteriorizar-se de ti, alcançando os outros.
Sem que percebas, quando te diriges aos companheiros para simples
opiniões, em torno de sucessos triviais do cotidiano, estás colocando o teu modo
de ser no que dizes; ao traçares ligeira frase, num bilhete aparentemente sem
importância, derramas o conteúdo moral de teu coração naquilo que escreves;
articulando referência determinada, posto que breve, apontas o rumo de tuas
inclinações; em adquirindo isso ou aquilo, entremostras o próprio senso de
escolha; elegendo distrações, patenteias por elas os interesses que te regem a
vida íntima...
Reflete na mensagem que expedes, diariamente, na direção da comunidade.
As tuas idéias e comentários, atos e diretrizes voam de ti, ao encontro do
próximo, à feição das sementes que são transportadas para longe das árvores
que as produzem.

3
Cultivemos amor e justiça, compreensão e bondade, no campo do espírito.
Guarda a certeza de que tudo quanto sintas e penses, fales e realizes é
substância real de tua mensagem às criaturas e é claramente pelo que fazes às
criaturas que a lei de causa e efeito, na Terra ou noutros mundos, te responde,
em zelando por ti.
Emmanuel

Perguntas

01 – Onde está a verdadeira desgraça?


02 – As nossas frustações e carência físicas não são suficiente motivos
de sofrimentos?
03 – Como estabelecer o que é ditoso ou inditoso para o homem?
04 – Os valores do mundo estão, assim, invertidos?
05 – O que é infelicidade?
06 – É certo usufruir das alegrias sadias do mundo?
07 – Como encarar a satisfação das necessidades materiais?

Conclusão

A verdadeira desgraça não se encontra nas dores físicas que nos afligem, e
sim nas consequências desastrosas de nossos maus procedimentos. A desgraça
que hoje experimentamos, muitas vezes, prenuncia a felicidade que se avizinha.

Recomendações

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V, Item 25

Respostas das perguntas anteriores – 20º Roteiro

1º Resposta: São aqueles tormentos procurados espontaneamente,


devido a comportamentos equivocados que adotamos na busca da
felicidade.
“Por sermos enfermos e ignorantes, não sabemos aproveitar o tempo de
que dispomos, valorizando as oportunidades que nos são oferecidas.”

4
2º Resposta: Não, porque Deus não quer o nosso sofrimento. Sofremos
apenas as consequências de nossos atos passados. Dai, a inutilidade dos
tormentos voluntários.
“Devemos buscar intensamente a paz de coração, fruto da humanidade,
da resignação e da submissão á vontade de Deus.”

3º Resposta: Não. Devemos dar a estres o valor relativo, auxiliar e


efêmero que lhes são característicos.
“Devemos buscar intensamente a paz de coração, fruto da humanidade,
da resignação e da submissão á vontade de Deus.”

4º Resposta: Para eles não há o repouso, vivem sempre febricitantes. O


que não tem e os outros possuem, causa-lhes insônia, inquietação e
raiva.
“Deus concede a cada criatura os recursos necessários á experiência por
que estão passando.”

5º Resposta: Sim, pois são sentimentos que podemos e devemos evitar.


São germes destruidores que nos impedem de conseguir as
compensações merecidas, na vida espiritual.
“Cultivando a inveja e o ciúme, deixamos de aproveitar o tempo de que
dispomos e as oportunidade oferecidas por Deus para fazer o bem.”

6º Resposta: Este é sempre rico, pois olha sempre para baixo de si e não
para cima. Vê, assim, que já dispõe de bênçãos que outros ainda
carecem.
“Aquele que se contenta com o que tem sabe aproveitar o tempo e a
oportunidade que lhe são oferecidos e não cria necessidades
quiméricas.”

7º Resposta: Com resignação e confiança nos desígnios de Deus.


Contentando-nos com o que temos, possuiremos a calma para suprir
todas as nossas dificuldades.
“A calma é uma felicidade em meio ás tempestades da vida.”

8º Resposta: claro que devemos e é uma obrigação. O que não podemos


é transformar isso em motivo de aumento de sofrimento.
“Procurando a felicidade nos gozos materiais, o homem cria para sio
tormentos que está nas suas mãos evitar.”
*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O
Espiritismo’, Da editora Boa Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.
*Duvidas e sugestões contatar; reinaldodosan@hotmail.com

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Glossário

Anotações

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União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo – ESE*
Cap. V, Item 25

22º Roteiro – A Melancolia


Objetivos

De nos esclarecermos sobre qual a causa da melancolia e como resistir a


esse sentimento, que só nos enfraquece a vontade.

A Melancolia

25 - Sabeis por que, às vezes, uma vaga tristeza se apodera dos vossos
corações e vos leva a considerar amarga a vida? E que vosso Espírito, aspirando
à felicidade e à liberdade, se esgota, jungido ao corpo que lhe serve de prisão,
em vãos esforços para sair dele.
Reconhecendo inúteis esses esforços, cai no desânimo e, como o corpo lhe
sofre a influência, toma-vos a lassidão, o abatimento, uma espécie de apatia, e
vos julgais infelizes.
Crede-me, resisti com energia a essas impressões que vos enfraquecem a
vontade. São inatas no espírito de todos os homens as aspirações por uma vida
melhor; mas, não as busqueis neste mundo e, agora, quando Deus vos envia os
Espíritos que lhe pertencem, para vos instruírem acerca da felicidade que Ele vos
reserva, aguardai pacientemente o anjo da libertação, para vos ajudar a romper
os liames que vos mantêm cativo o Espírito. Lembrai-vos de que, durante o vosso
degredo na Terra, tendes de desempenhar uma missão de que não suspeitais,
quer dedicando-vos à vossa família, quer cumprindo as diversas obrigações que
Deus vos confiou. Se, no curso desse degredo-provação, exonerando-vos dos
vossos encargos, sobre vós desabarem os cuidados, as inquietações e
tribulações, sede fortes e corajosos para os suportar. Afrontai-os resolutos.
Duram pouco e vos conduzirão à companhia dos amigos por quem chorais e que,
jubilosos por ver-vos de novo entre eles, vos estenderão os braços, a fim de
guiar-vos a uma região inacessível às aflições da Terra.
François de Genève. (Bordéus.)
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Reencarnação e Vida
( Livro: Reencarnação e Vida - Amália Domingo Soler )

1
Resignação e Vida
( Livro: Estude e Viva – Espírito, Emmanuel –Chico Xavier )

De fato, há que se estudar a resignação para que a paciência não a venha


trazer resultados contraproducentes.
Um lavrador suportará corajosamente aguaceiro e granizo na plantação, mas
não se acomodará com gafanhoto e tiririca.
Habitualmente, falamos em tolerância como quem procura esconderijo à
própria ociosidade. Se nos refestelamos em conforto e vantagens imediatas, no
império da materialidade passageira, que nos importam desconforto e
desvantagens para os outros?
Esquecemo-nos de que o incêndio vizinho é ameaça de fogo em nossa casa
e, de imprevisto, irrompem chamas junto de nós, comprometendo-nos a
segurança e fulminando-nos a ilusória tranqüilidade.
Todos necessitamos ajustar resignação no lugar certo.
Se a Lei nos apresenta um desastre inevitável, não é justo nos
desmantelemos em gritaria e inconformação. É preciso decisão para tomar os
remanescentes e reentretecê-los para o bem, no tear da vida.
Se as circunstâncias revelam a incursão do tifo, não é compreensível cruzar
os braços e deixar campo livre aos bacilos.
Sempre aconselhável a revisão de nossas atitudes no setor da conformidade.
Como reagimos diante do sofrimento e do mal?
Se aceitamos penúria, detestando trabalho, nossa pobreza resulta de
compulsório merecimento.
Civilização significa trabalho contínuo contra a barbárie.
Higiene expressa atividade infinitamente repetida contra a imundície.
Nos domínios da alma, todas as conquistas do ser, no rumo da sublimação,
pedem harmonia com ação persistente para que se preservem.
Paz pronta ao alarme. Construção do bem com dispositivo de segurança.
Serenidade é constância operosa; esperança é ideal com serviço.
Ninguém cultive resignação diante do mal declarado e removível, sob pena
de agravá-lo e sofrer-lhe clava mortífera.
Estudemos resignação em Jesus-Cristo. A cruz do Mestre não é um símbolo
de apassivamento à frente da astúcia e da crueldade e sim mensagem de
resistência contra a mentira e a criminalidade mascaradas de religião, num
protesto firme que perdura até hoje.

Perguntas

01 – Por que, ás vezes, sem motivo aparente, uma vaga tristeza se


apodera de nossos corações?
02 – A melancolia é causada pela vida física?
03 – Onde o homem deve buscar uma vida melhor?

2
04 – Devemos aceitar passivamente os sofrimentos?
05 – Todos temos, assim, uma missão na Terra?
06 – O que devemos fazer quando a melancolia tomar conta de nossos
corações?

Conclusão

A melancolia é a ânsia do espirito por uma vida melhor, pois o mesmo não
foi criado por Deus para viver preso ao corpo no solo terreno. Essa vida melhor
virá a todos, depois que forem cumpridas as diversas obrigações que Deus
confiou a cada um..

Recomendações

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V, Item 26

Respostas das perguntas anteriores – 21º Roteiro

1º Resposta: Estas nas consequências desastrosas de nossos maus


procedimentos.
“Um fato que acarreta consequência funestas é mais desgraçado do que
um que, a principio, causa viva contrariedade, mas que acaba produzindo
o bem.”

2º Resposta: Sim. No entanto, piores são as consequências dos nossos


procedimentos contrários ao Evangelho, fora da caridade.
“Nossos maus procedimentos de hoje prenunciam o decorrente e
inevitável sofrimento de amanhã.”

3º Resposta: Para isso, precisamos nos transportar para além desta vida,
porque é lá que as consequências se fazem sentir.
“Tudo o que se chama infelicidade, segundo o ponto de vista humano,
cessa com a vida corporal e encontra a sua compensação na vida futura.”

4º Resposta: De uma maneira geral, sim. Entretanto, não estamos no


mundo apenas para gozar os prazeres materiais, mas para aprender a
fraternidade de que o Evangelho nos fala.
“Essa inversão decorre da nossa ignorância quanto á verdadeira
finalidade da vinda do homem á Terra.”

3
5º Resposta: È a alegria malsã, o prazer desequilibrado, a vã agitação, a
satisfação louca da vaidade, que fazem calar a consciência, que
comprimem a ação do pensamento, que atordoam o homem com relação
ao seu futuro.
“A infelicidade é o esquecimento da nossa destinação transcendente pelo
prazer de fruir gozos perniciosos.”

6º Resposta: Sim, desde que não nos percamos nessas alegrias, pois a
finalidade maior da vida é o nosso aprimoramento, á luz do Evangelho.
“O espiritismo nos esclarece a verdade e o erro, tão desfigurados pela
nossa cegueira.”

7º Resposta: Como meio e não como fim. Devemos considerar as


carência dos outros e buscar repartir o que temos. Moderação acima de
tudo.
“Aquele que tem fé no futuro não se importa de deixar sua fortuna e seu
manto de carne, contanto que sua alma entre, radiosa, no reino celeste.”
*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O
Espiritismo’, Da editora Boa Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.
*Duvidas e sugestões contatar; reinaldodosan@hotmail.com

Glossário

Anotações

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União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Sistematizado Do Evangelho – ESE*
Cap. V, Item 26

23º Roteiro – Provas Voluntárias – O Verdadeiro Cilício


Objetivos

De nos esclarecer acerca do cilicio que verdadeiramente agrada a Deus e é


proveitoso para o nosso progresso, alertando-os para a inutilidade dos martírio
voluntários e a consequência dos mesmos àqueles que se lhes submetem..

Provas voluntárias – O Verdadeiro cilício

26 - Perguntais se é permitido abrandar as vossas provas. Essa pergunta


lembra estas outras: é permitido ao que se afoga procurar salvar-se? E a quem
espetou-se num espinho, retirá-lo? Ao que está doente, chamar um médico? As
provas têm por fim exercitar a inteligência, assim como a paciência e a
resignação. Um homem pode nascer numa posição penosa e difícil, precisamente
para obrigá-lo a procurar os meios de vencer as dificuldades. Mérito consiste em
suportar sem murmurações as conseqüências dos males que não se podem
evitar, em perseverar na luta, em não se desesperar quando não se sai bem, e
nunca em deixar as coisas correrem, que seria antes preguiça que virtude.
Essa questão nos conduz naturalmente a outra. Desde que Jesus disse:
"Bem-aventurados os aflitos", há méritos em procurar as aflições, agravando as
provas por meio de sofrimentos voluntários? A isso responderei muito
claramente: sim, e um grande mérito, quando os sofrimentos e as privações têm
por fim o bem do próximo, porque se trata da caridade pelo sacrifício; não,
quando eles só têm por fim o bem próprio, porque se trata de egoísmo pelo
fanatismo.
Há uma grande distinção a fazer. Quanto a vós, pessoalmente, contentai-vos
com as provas que Deus vos manda, não aumenteis a carga já por vezes bem
pesada; aceitai-as sem queixas e com fé, eis tudo o que Ele vos pede. Não
enfraqueçais o vosso corpo com privações inúteis e macerações sem propósito,
porque tendes necessidade de todas as vossas forças, para cumprir vossa missão
de trabalho na Terra. Torturar voluntariamente, martirizar o vosso corpo, é
infringir a lei de Deus, que vos dá os meios de sustentá-lo e de fortalecê-lo.
Debilitá-lo sem necessidade é um verdadeiro suicídio. Usai, mas não
abuseis: tal é a lei. O abuso das melhores coisas traz as suas punições, pelas
conseqüências inevitáveis.

1
Bem outra é a questão dos sofrimentos que uma pessoa se impõe para
aliviar o próximo. Se suportardes o frio e a fome para agasalhar e alimentar
aquele que necessita, e vosso corpo sofrer com isso, eis um sacrifício que é
abençoado por Deus. Vós, que deixais vossos toucadores perfumados para levar
consolação aos aposentos infectos; que sujais vossas mãos delicadas curando
chagas; que vos privais do sono para velar à cabeceira de um doente que é vosso
irmão em Deus; vós enfim, que aplicais a vossa saúde na prática das boas obras,
tendes nisso o vosso cilício, verdadeiro cilício de bênçãos, porque as alegrias do
mundo não ressecaram o vosso coração. Vós não adormecestes no seio das
voluptuosidades enlanguescedoras da fortuna, mas vos transformastes nos anjos
consoladores dos pobres deserdados.
Mas vós que vos retirais do mundo para evitar suas seduções e viver no
isolamento, qual a vossa utilidade na Terra? Onde está a vossa coragem nas
provas, pois que fugis da luta e desertais do combate? Se quiserdes um cilício,
aplicai-o à vossa alma e não ao vosso corpo; mortificai o vosso Espírito e não a
vossa carne; fustigai-o vosso orgulho; recebei as humilhações sem vos
queixardes; machucai vosso amor-próprio; insensibilizai-vos para
a dor da injúria e da calúnia, mais pungente que a dor física. Eis aí o verdadeiro
cilício, cujas feridas vos serão contadas, porque atestarão a vossa coragem, e a
vossa submissão à vontade de Deus. (Um anjo de guarda - Paris, 1863)
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Nós e o mundo
( Livro: Livro da Esperança – Espírito, Emmanuel – Chico Xavier )

Dai e ser-vos-á dado” JESUS - LUCAS, 6: 38.


“Vós, porém, que vos retirais do mundo, para Me evitar as seduções e viver
no insulamento, que utilidade tendes na Terra? Onde a vossa coragem nas
provações, uma vez que fugis à luta e desertais a combate?”Cap.05, 26.
Muitos religiosos afirmam que o mundo é poço de tentações e culpas,
procurando o deserto para acobertar a pureza, entretanto, mesmo ai, no
silencioso retiro em que se entregam a perigoso ócio da alma, por mais humildes
se façam, comem, os frutos e vestem a estamenha que o mundo lhes oferece.
Muitos escritores alegam que o mundo é vasto arsenal de incompreensão e
discórdia, viciação e delinqüência, Como quem se vê diante de um serpentário,
contudo, é no mundo que recolhem o precioso material em que gravam as
próprias idéias e encontram os leitores que lhes compram. os livros.
Muitos pregadores clamam que o mundo é vale de malicia e perversidade,
qual se as criaturas humanas vivessem mergulhadas em. piscina de lodo,
todavia, é no mundo que adquirem. os conhecimentos com que ornam o próprio
verbo e acham os ouvintes que lhes registram respeitosamente a palavra.
Muitas pessoas dizem que o mundo é antro de perdição em que as trevas do
mal senhoreiam a vida, no entanto, é no mundo que receberam o regaço

2
materno para tomarem o arado da e experiência é no mundo que se nutrem
confortavelmente a fim de demandarem mais altos planos evolutivos.
O mundo, porém, obra-prima da Criação, indiferentes às acusações gratuitas
que lhe são desfechadas, prossegue florindo e renovando, guiando o progresso e
sustentando as esperanças da Humanidade.
Fugir de trabalhar e sofrer no mundo, a título de resguardar a virtude, é
abraçar o egoísmo mascarado de santidade.
O aluno diplomado em curso superior não pode criticar a bisonhice das
mentes infantis, reunidas nas linhas primárias da escola.
Os bons são realmente bons se amparam os menos bons.
Os sábios fazem jus à verdadeira sabedoria se buscam dissipar a névoa da
ignorância.
O Espírita, na essência, é o cristão chamado a entender e auxiliar.
Doemos, pois, ao mundo ainda que seja o mínimo do máximo que
recebemos dele, compreendendo e servindo aos outros, sem atribuir ao mundo
os erros e desajustes que estão em nós.

Perante o mundo
( Livro: Livro da Esperança – Espírito, Emmanuel – Chico Xavier )

“Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim.”


– JESUS - JOAO, 14:
“A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas São os Mundos que
circulam no espaço infinito e oferecem aos Espíritos que neles encarnam,
moradas correspondentes ao adiantamento dos mesmos Espíritos.”Cap. 111, 2.
Clamas que não encontraste a felicidade no mundo, quando o mundo, -
bendita universidade do espírito,dilapidada, por inúmeras gerações,te inclui entre
aqueles de quem espera cooperação para construir a própria felicidade.
Quando atingiste o diminuto porto do berço, com a fadiga da ave que tomba
inerme, depois de haver planado longo tempo, sobre mares enormes, conquanto
chorasses, argamassavas com teus vagidos, a alegria. e a esperança dos pais que
te acolhiam, entusiasmados e jubilosos, para seres em casa o esteio da
segurança.
Alcançaste o verde refúgio da meninice embora mostrasses a inconsciência
afável da.
infância, foste para os mestres que te afagaram na escola a promessa viva
de luz e realização que lhes emblemava o porvir.Chegaste ao róseo distrito da
juventude e apesar da inexperiência em que se te esfloravam todos os sonhos, os
dirigentes de serviço, na pro fissão que abraçaste, contavam contigo para
dignificar o trabalho e clarear os caminhos.
Constituíste o lar próprio e, não obstante tateasses os domínios da
responsabilidade, em meio de flores e aspirações, espíritos, afeiçoados e amigos
te aguardavam generoso concurso para se corporificarem, na condição de teus
filhos, através da reencarnação.

3
Penetraste os círculos da fé renovadora que te honra os anseios de perfeição
espiritual e se bem que externasses imediata necessidade de esclarecimento e
socorro, companheiros de ideal saudaram-te a presença, na certeza de teu apoio
ao levantamento das iniciativas mais nobres.
Casa que habitas, campo que lavras, plano que arquitetas e obras que
edificas solicitam-te paz e trabalho. Amigos que te ouvem rogam-te bom amimo.
Doentes que te buscam suspiram por melhoras.
Criaturas que te rodeiam pedem-te amparo e compreensão para que lhes
acrescentes a coragem.
Cousas que te cercam requisitam-te proteção e entendimento para que se
lhes aprimore o dom de servir. Tudo é ansiosa expectativa, ao redor de teus
passos.
Não maldigais a Terra que te abençoa.
Afirmas que esperas, em vão, pelo auxílio do mundo... Entretanto é o
mundo que espera confiantemente por ti.

Cilício e vida
( Livro: Opinião Espírita – Espírito, Emmanuel e André Luiz – Chico Xavier e Waldo Vieira )

Cilícios para ganhar os Céus!


A Infinita Bondade abençoe a quem os pratique de boa fé, no entanto,
convém recordar que o Apelo Divino solicita "misericórdia e não sacrifício".
Nessa legenda, lógica espírita aconselha disciplinas edificantes e não rigores
inúteis; austeridades que rendam educação e progresso; regimes que frutifiquem
compreensão e beneficência; cooperação por escola e trabalho exprimindo
aprendizado espontâneo.
Quando tenhas uma hora disponível, acima do repouso que te restaure,
canaliza atenção e força para que se atenuem os sofrimentos da retaguarda.
Um minuto de carinho para com os alienados mentais ensina a preservar o
próprio juízo.
Alguns momentos de serviço, junto ao leito dos paralíticos, articulam
preciosa aula de paciência.
Simples visita ao hospital diminui ilusões.
Cozinhar prato humilde, a benefício dos que não conseguem assegurar a
subsistência, impele a corrigir os excessos da mesa.
Costurar em socorro dos que tremem desnudos, auxilia a esquecer
extravagâncias de vestuários.
Entregar voluntariamente algum recurso, nos lares desprotegidos, criando
reconforto e esperança, imuniza contra o flagelo da usura e contra a voragem do
desperdício.
Amparar em pessoa aos que vagam sem rumo ensina respeito ao lar que
nos aconchega.
Cilícios para conquistar os talentos celestes!...

4
Façamos aqueles que se transfigurem nas obras de fraternidade e elevação,
por melhorarem a vida, melhorando a nós mesmos.
Não ignoramos que tanto o Planeta Terrestre, quanto as criaturas que
povoam jazem vivos, em pleno céu, entretanto, jamais contemplaremos a luz
divina do céu que nos circunda sem acendê-la, dentro de nós.

Perguntas

01 – Sofrer significa dívidas?


02 – Quem são os “aflitos” referidos por Jesus?
03 – “Haverá mérito em procurar as aflições que lhe agravem as provas,
por meio de sofrimentos voluntários?
04 – Que dizer dos que se submetem á tortura física para se salvar?
05 – E quanto aos que se autoflagelam, pensando estar agradando a
Deus?
06 – Isolar-se do mundo, para não pecar, é proveitoso?
07 – Afinal, em que consiste o verdadeiro cilício?

Conclusão

Nossas provas visam unicamente ao nosso aperfeiçoamento, e não ao nosso


sofrimento. As provas voluntárias só tem o seu valor para o nosso progresso
quando procuradas em beneficio do próximo. O verdadeiro cilicio consiste nos
flagelos e martírios a que submetemos o nosso espirito – e não no nosso corpo –
para combater o orgulho e demais mazelas que nos impedem a evolução.

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V, Item 27.

Textos Complementares

Respostas das perguntas anteriores – 22º Roteiro

1º Resposta: Porque o nosso espirito, preso ao corpo, que lhe serve de


prisão, em vão tenta sair dele. Como não consegue, e o corpo sofre a
influência disso, cai no desânimo, na tristeza.
“Não devemos deixar que a tristeza nos vença, pois a felicidade almejada
virá com o nosso esforço no cumprimento da missão terrena que nos foi
confiada.”

5
2º Resposta: A vida física é um fator. A verdadeira vida é a do espirito e
se passa no plano espiritual. No entanto, nossos desequilíbrios nos
impõem estágios físicos de correção.
“Tanto aqui como após a morte do corpo, Deus reserva estâncias de
felicidade aos que cumprirem suas missões.”

3º Resposta: Na pratica dos ensinamentos de Jesus, aguardando


pacientemente o anho da libertação, para nos ajudar a romper os liames
que mantêm cativo o espirito. Uma vida melhor certamente virá, mas não
neste mundo e sim na vida espiritual.
“Uma vida melhor virá com o esforço por cumprir nossa missão terrena.”

4º Resposta: Não. Devemos ser resignados. Porém, nossa ação em


benefício do próximo antecipa o fim do sofrimento.
“A resignação é um fator importante para vencer os sofrimentos.”

5º Resposta: Sim. Deus não nos colocaria no mundo sem razões elevadas
de progresso. A família, o trabalho profissional, o relacionamento com o
próximo, nos suscitam obrigações que nos conduzirão á perfeição, se
bem cumpridas.
“Não estamos no mundo só para os prazeres materiais; estamos aqui
para nos reeducar e, consequentemente, nos elevar espiritualmente.”

6º Resposta: Devemos resistir com energia, desempenhando a nossa


missão, quer dedicando-nos á nossa família quer cumprindo as diversas
obrigações que Deus nos confiou.
“Devemos ser fortes e corajosos quando sobre nós desabarem as
inquietações e tribulações de nossas provações.”
*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O
Espiritismo’, Da editora Boa Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.

Glossário

Anotações

6
União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Sistematizado Do Evangelho – ESE*
Cap. V, Item 24

24º Roteiro – Dever-se-pôr termo ás provas do próximo


Objetivos

De nos instruir acerca de qual deve ser o nosso comportamento perante as


provas do próximo, mostrando como e por que é necessário trabalhar para
amenizá-las.

Deve-se-á por terno às provas dos outros

27 - Deve-se por termo às provas do próximo, quando se pode, ou devemos, por


respeito aos desígnios de Deus, deixá-las seguir o seu curso?
• Bernardim •
Espírito protetor, Bordeaux, 1863
- Já vos dissemos e repetimos, muitas vezes, que estais na terra de
expiação para completar as vossas provas, e que tudo o que vos acontece é
conseqüência de vossas existências anteriores, as parcelas da dívida que tendes a
pagar. Mas este pensamento provoca em certas pessoas reflexões que devem ser
afastadas, porque podem ter funestas conseqüências.
Pensam alguns que, uma vez que se está na Terra para expiar, é necessário
que as provas sigam o seu curso. Há outros que chegam a pensar que não
somente devemos evitar de atenuá-las, mas também devemos contribuir para
torná-las mais proveitosas, agravando-as. É um grande erro. Sim, vossas provas
devem seguira. curso que Deus lhes traçou, mas acaso conheceis esse curso?
Sábeis até que ponto elas devem ir, e se vosso Pai Misericordioso não disse
ao sofrimento deste ou daquele vosso irmão: "Não irás além disto?" Sabeis se a
Providência não vos escolheu, não como instrumento de suplício, para
agravar o sofrimento do culpado, mas come? bálsamo consolador, que deve
cicatrizar as chagas abertas pela sua justiça?
Não digais, portanto, ao verdes um irmão ferido: "É a justiça de Deus, e é
necessário que siga o seu curso", mas dizei, ao contrários "Vejamos que meios
nosso Pai Misericordioso me concedeu, para aliviar o sofrimento de meu irmão.
Vejamos se o meu conforto moral, meu amparo material, meus conselhos,
poderão ajudá-lo a transporia esta prova com mais força, paciência e resignação.
Vejamos mesmo se Deus não me pôs nas mãos os meios de fazer cessar
este sofrimento; se não me deu, como prova também, ou talvez como expiação,
o poder de cortar o mal e substituí-lo pela bênção da paz".

1
Auxiliai-vos sempre, pois, em vossas provas mútuas, e jamais vos encareis
como instrumentos de tortura. Esse pensamento deve revoltar todo homem de
bom coração, sobretudo os espíritas. Porque o espírita, mais que qualquer outro,
deve compreender a extensão infinita da bondade de Deus. O espírita deve
pensar que sua vida inteira tem de ser um ato de amor e de abnegação, e que
por mais que faça para contrariar as decisões do Senhor, sua justiça seguirá o
seu curso. Ele pode, pois, sem medo, fazer todos os esforços para aliviar o
amargor da expiação, porque somente Deus pode cortá-la ou prolongá-la,
segundo o que julgar a respeito.
Não seria excessivo orgulho, da parte do homem, julgar-se com o direito de
revolver, por assim dizer, a arma na ferida? De aumentar a dose de veneno para
aquele que sofre, sob o pretexto de que essa é a sua expiação? Oh! Considerai-
vos sempre como o instrumento escolhido para fazê-la cessar. Resumamos
assim: estais todos na Terra para expiar; mas todos, sem exceção, deveis fazer
todos os esforços para aliviar a expiação de vossos irmãos, segundo a lei de amor
e caridade.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Na hora da tristeza
( Livro: Livro da Esperança – Espírito, Emmanuel – Chico Xavier )

“Vós
sos a luz do mundo “ JESUS MATEUS, 5: 14.
“Não digais, pois, quando virdes atingido um de vossos irmãos: É a justiça
de Deus. Importa que siga o seu curso. Dizei antes: Vejamos que meios o Pai
misericordioso me pôs ao alcance para suavizar a sofrimento do meu irmão. Cap.
V, 27.
Entraste na hora do desalento, como se te avizinhasses de um pesadelo.
Indefinível suplicio moral te impele ao abatimento, magoas antigas surgem à
tona. Sentes-te à feição do viajor, para cuja sede se esgotaram as derradeiras
fontes do caminho. Experimentas o coração no peito, qual pássaro fatigado, ao
sacudir, em vão, as grades do cárcere.
Ainda assim, não permitas que a ansiedade te lance à tristeza inútil.
Se a incompreensão alheia te azedou o pensamento, recorda os
companheiros enfermos ou mutilados, quando não conhecem a própria situação,
qual seria de desejar e prossegue servindo, a esperar pelo tempo que lhes dará
reajuste.
Se amigos te abandonaram em árduas tarefas, à caça de considerações que
lhes incensem a personalidade, medita nas crianças afoitas, empenhadas a jogos
e distrações, nos momentos do estudo, e prossegue servindo, a esperar pelo
tempo, que a todos renovará na escola da experiência.
Se deixaste entes queridos ante a cinza do túmulo, convence-te de que
todos eles continuam redivivos, no plano espiritual, dependendo, quase sempre,

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de tua conformação para que se refaçam, e prossegue servindo, a esperar pelo
tempo, que te propiciará, mais além, o intraduzível consolo do reencontro.
Se o fardo das próprias aflições te parece excessivamente pesado, reflete
nos irmãos desfalecentes da retaguarda, para quem uma simples frase
reconfortante de tua boca é comparável a facho estelar, nas trevas em que
jornadeiam, e prossegue servindo, a esperar pelo tempo, que, no instante
oportuno, a cada problema descortinará solução.
Lembra-te de que podes ser, ainda hoje, o raciocínio para os que se
dementaram na invigilância, o apoio dos que tropeçam na sombra, o socorro aos
peregrinos da estrada que a penúria recolhe nas pedreiras do sofrimento, o
amparo dos que choram em desespero e a voz que se levante para a defesa de
injustiçados e desvalidos.
Não te detenhas para relacionar dissabores.
Segue adiante, e se lágrimas te encharcam a ponto de sentires a noite
dentro dos olhos, entrega as próprias mãos nas mãos de Jesus e prossegue
servindo, na certeza de que a vida faz ressurgir o pão da terra lavrada e de que o
sol de Deus, amanhã, nos trará novo dia.

Mensagem de companheiro
( Livro: Na Era Do Espirito – Espírito, Diversos – Chico Xavier e José H. Pires )

A ti, meu irmão, que assumiste comigo pesados encargos da existência num
sanatório de hansenianos, sem possibilidades de cura física; a ti, para quem a
ciência da Terra não conseguiu trazer, tanto quanto a mim, o medicamento
salvador; a ti, que não tiveste, qual me ocorreu, a consolação dos egressos; a ti,
que sofres entre a fé viva e a dúvida inquietante, entre a tentação à revolta e a
aceitação da prova, acreditando-te freqüentemente esquecido pelas forças do
Céu, ofereço a lembrança fraternal destes versos.

Não te admitas réu de afrontosa sentença,


Largado de hora em hora à sombra em que te esmagas,
Varando tanta vez humilhações e pragas
À feição de calhaus da humana indiferença.

Crueldade, paixão, injúria, crime, ofensa


Criaram-nos, um dia, a estampinha de chagas!...
No pretérito abriste o espinheiro em que vagas
E, embora a provação, trabalha, serve e pensa.

Ânsia, tribulação, abandono, amargura,


São recursos da lei com que a lei nos depura
O coração trancado em nódoas escondidas...

Bendize, amado irmão, as feridas que levas,

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A dor extingue o mal e o pranto lava as trevas
Que trazemos em nós dos erros de outras vidas.

A estamenha de chagas
( Livro: Na Era Do Espirito – Espírito, Diversos – Chico Xavier e José H. Pires )

Jesus Gonçalves utiliza em seus versos expressões como essas: túnica de


chagas e estamenha de chagas para figurar a condição em que viveu no final da
sua última existência terrena. A túnica de estamenha, grosseiro tecido de lã, era
vestimenta comum na Judéia do tempo de Jesus. Evidente o simbolismo poético
dessas expressões. Os judeus pobres vestiam-se de estamenha, enquanto os
ricos usavam túnicas refulgentes dos mais finos tecidos. Mas na vida espiritual
essa situação se invertia, como vemos na parábola evangélica de Lázaro e o rico.
No soneto de Jesus Gonçalves vemos o mesmo processo. A estamenha de
chagas é tecida no passado da própria criatura pela sua crueldade e a sua
arrogância. No tear do destino os fios da loucura humana são tecidos pelas
nossas ações. E aquilo que tecemos é precisamente o que iremos vestir em
próxima existência.
Ninguém, portanto, está sujeito na Terra a uma “afrontosa sentença”, mas
apenas submetido às conseqüências de seu próprio comportamento em vida
anterior. A cada um segundo as suas obras, porque somente assim
aprenderemos a vencer o mal, a superar nossas tendências inferiores, nosso
egoísmo criminoso.
Os “recursos da lei” não representam condenação implacável, mas
corrigenda necessária. Por isso escrevia Léon Denis: “A dor é uma lei de equilíbrio
e educação”. Mas nem por isso devemos pensar que os sofredores não devem ser
socorridos. A lei maior da caridade nos obriga a ajudar os que sofrem. É o que
ensina o item 27 do capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo. É verdade
que “a dor extingue o mal e o pranto lava as trevas”, mas a indiferença ante a
dor e o pranto do próximo é também um mal que pode e deve ser extinto pela
caridade. Socorrendo os que sofrem estaremos tecendo, no tear do nosso
destino, os fios da sensatez e da bondade que nos preparam uma túnica de luz
para o futuro.

Perguntas

01 – Sendo a Terra um mundo de expiação e provas, o sofrimento não


passa a ser um necessidade, algo natural?
02 – Sendo o sofrimento o corretivo de erro do passado, não estaríamos
impedindo aquele que sofre de saldar seus débitos, quando nos
propomos a aliviar suas dores?
03 – Se ajudarmos um criminoso, estaremos alimentando a sua má
índole?

4
04 – O que faz alimentar nas pessoas o pensamento de que as provas das
criaturas devem seguir seu curso e nada se pode fazer para amenizá-las?
05 – A nossa ajuda poderá mudar o curso das provas do próximo?
06 – Por que Deus permite que algumas criaturas sejam instrumentos de
tortura para outras?
07 – Qual deve ser, em resumo, o nosso comportamento perante as
provas do próximo?

Conclusão

Indiferença ante a dor do próximo é um mal que pode e deve ser extinto
pela caridade. Procurar amenizar as dores do próximo é dever de toda criatura.
Quando buscamos aliviar as provas do próximo, estamos também aliviando as
nossas e trabalhando para o nosso progresso..

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V, Item 28.

Textos Complementares

Respostas das perguntas anteriores – 23º Roteiro

1º Resposta: Nem sempre. Só o sofrimento resignado na prática do bem,


nos quita os débitos perante as leis da vida. Sofrimento com revolta só
agrava nossa situação evolutiva, assim como o sofrimento desnecessário.
“O mérito consiste em sofrer, sem murmurar, as consequências que lhe
não seja possível evitar, em perseverar na luta, em se não desesperar se
não é bem sucedido.”

2º Resposta: São os aflitos humildes, arrependidos, porém, decididos a se


regenerar pela reforma íntima e pelo trabalho no campo do amor e da
caridade.
“A bem-aventurança apontada por Jesus está condicionada a um
sofrimento resignado, sem murmúrio e, cima de tudo, imbuído de
esperança e confiança na providência divina.”

3º Resposta: “Sim, há grande mérito quando os sofrimentos e as


privações objetivam o bem do próximo, porquanto é a caridade pelo
sacrifício; não, quando os sofrimentos e as privações objetivam o bem
daquele que a sim mesmo as infliges, porque aí só há egoismo por
fanatismo.”

5
“Abençoa, pois, o teu corpo e ampara-lhe as energias para que ele te
abençoe e te ampare, no desempenho de tua própria missão” (
Emmanuele/Livro da Esperança – nº10).

4º Resposta: Ao contrário do que imaginam, retardam sua caminhada em


busca da salvação. Nosso corpo pertence a deus, que nô-lo concede como
instrumento de trabalho para o nosso progresso. Maltratá-lo,
simplesmente, é rejeitar esse prescioso auxilio divino.
“És um espirito eterno, em serviço temporário no mundo. O corpo é teu
refúgio e teu bastão, teu vaso e tua veste, tua pena e teu buril, tua harpa
e tua enxada.” ( Emmanuele/Livro da Esperança – nº10).”Torurar e
martirizar voluntariamente o vosso corpo é contravir a lei de Deus, que
vos dá meios de o sustentar e fortalecer.”

5º Resposta: É evidente que a punição é atenuada para aquele que errar


por ignorância. Entretanto, nunca estará a pessoa isenta totalmente da
culpa, porquanto as verdades divinas estão ao alcance de toda criatura,
bastando sua iniciativa em assimilá-las.
“Essa prática já não é tão comum em nossos dias e tende a ser banida
totalmente do comportamento humano, dando lugar ao sacrificio que,
verdadeiramente, agrada a Deus: aquele que se faz visando, unicamente,
á promoção do semelhante.”

6º Resposta: Não. O isolamento nos afasta do nosso semelhante e é


através do contato com este que ajudamos e somos ajudados.
“Fugir de trabalhar e sofre no mundo, a titulo de resguardar a virtude, é
abraçar o egoismo mascarado de santidade.” ( Emmanuele/Livro da
Esperança – nº12).

7º Resposta: Consiste no sacrifício que fazemos objetivando nossa


melhoria espiritual, mortificando nosso espírito, e não o nosso corpo;
combatendo o nosso orgulho; recebendo as humilhações sem murmurar;
flagiciando o nosso amor próprio; sendo duros contra a injúria e a
calúnia.
“Aí tendes o verdadeiro cilicio cujas feridas vos serão contadas, porque
atestarão a vossa coragem e a vossa submissão á vontade de Deus.”
*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O
Espiritismo’, Da editora Boa Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.
*Duvidas e sugestões contatar; reinaldodosan@hotmail.com
Glossário

Anotações

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União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Sistematizado Do Evangelho – ESE*
Cap. V, Item 28

25º Roteiro – Será lícito abreviar a vida de um doente que sofra sem esperança
de cura?
Objetivos

De nos esclarecer a respeito do erro em que incorrem aqueles que procuram


abreviar a vida de alguém, mesmo que a pretexto de impedir-lhe o sofrimento,
enfatizando a finalidade útil do sofrimento prolongado.

Será lícito abreviar a vida de um doente que sofra


sem esperança de cura?

28 - Um homem agoniza, presa de cruéis sofrimentos. Sabe-se que o seu


estado é sem esperanças. É permitido poupar-lhe alguns instantes de agonia,
abreviando-lhe o fim?
• São Luís •
Paris, 1860
- Mas quem vos daria o direito de prejulgar os desígnios de Deus? Não pode
ele conduzir um homem até a beira da sepultura, para em seguida retirá-lo, com
o fim de fazê-lo examinar-se a si mesmo e modificar-lhe os pensamentos? A que
extremos tenha chegado um moribundo, ninguém pode dizer com certeza que
soou a sua hora final. A Ciência, por acaso, nunca se enganou nas suas
previsões?
Bem sei que há casos que se podem considerar, com razão, como
desesperados. Mas se não há nenhuma esperança possível de um retorno
definitivo à vida e à saúde, não há também inúmero! exemplos de que, no
momento do último suspiro, o doente se reanime recobra suas faculdades por
alguns instantes? Pois bem: essa hora de graça que lhe é concedida, pode ser
para ele da maior importância, pois ignorais as reflexões que o seu Espírito
poderia ter feito na convulsões da agonia, e quantos tormentos podem ser
poupados por um súbito clarão de arrependimento.
O materialista, que só vê o corpo, não levando em conta existência da alma,
não pode compreender essas coisas. Mas o espírita, que sabe o que se passa
além-túmulo, conhece o valor do último pensamento. Aliviai os últimos
sofrimentos o mais que puderdes, mas guardai-vos de abreviar a vida, mesmo
que seja em apenas um minuto, porque esse minuto pode poupar muitas
lágrimas no futuro.

1
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Eutanásia e vida
( Livro: Diálogo dos Vivos – Espírito, Diveros – Chico Xavier e José Herculano Pires )

Amigos da Terra perguntam freqüentemente pela opinião dos companheiros


desencarnados, com respeito à eutanásia. E acrescentam que filósofos e
cientistas diversos aderem hoje à idéia de se apoiar longamente a morte
administrada, seja por imposição de recursos medicamentosos ou por abandono
de tratamento. Declaram-se muitos deles confrangidos diante dos problemas das
crianças que surgem desfiguradas no berço, ou à frente dos portadores de
enfermidades supostas irreversíveis, muitas vezes em estado comatoso nos
recintos de assistência intensiva. Alguns chegam a indagar se os pequeninos
excepcionais devem ser considerados seres humanos e se existe piedade em
delongar os constrangimentos dos enfermos interpretados por criaturas
semimortas, insensíveis a qualquer reação.
Entretanto, imaginam isso pela escassez dos recursos de espiritualidade de
que dispõem para dilatar a visão espiritual para lá do estágio físico.
É preciso lembrar que, em matéria de deformação, os complexos de culpa
determinam inimagináveis alterações no corpo espiritual.
O homem vê unicamente o carro orgânico em que o espírito viaja no espaço
e no tempo, buscando a evolução própria, mas habitualmente não enxerga os
retoques de aprimoramento ou as dilapidações que o passageiro vai imprimindo
em si mesmo, para efeito de avaliação de mérito e demérito, quando se lhe
promova o desembarque na estação de destino.
A vista disso, o homem comum não conhece a face psicológica dos nossos
irmãos suicidas e homicidas conscientes, ou daqueles outros que
conscientemente se fazem pesadelos ou flagelos de coletividades inteiras.
Devidamente reencarnados, em tarefas de reajuste, não mostram senão o quadro
aflitivo que criaram para si próprios, de vez que todo espírito descende das
próprias obras e revela consigo aquilo que fez de si mesmo.
Diante das crianças em prova ou dos irmãos enfermos, imaginados
irrecuperáveis, medita e auxilia-os!
Ninguém, por agora, nas áreas do mundo físico, pode calcular a importância
de alguns momentos ou de alguns dias para o espírito temporariamente internado
num corpo doente ou disforme.

Perante todos aqueles que se abeiram da desencarnação, compadece-te e


ajuda-o quanto puderes.
Recorda que a ciência humana é sempre um fato admirável, em
transformação constante, embora respeitável pelos benefícios que presta. No
entanto, não te esqueças de que a vida é sempre formação divina, e, por isto
mesmo, em qualquer parte será sempre um ato permanente de amor.

2
Emmanuel

Piedade assassina
( Livro: Diálogo dos Vivos – Espírito, Diveros – Chico Xavier e José Herculano Pires )

A eutanásia é uma questão de lógica. Se partirmos da premissa de que a


morte é o fim, chegamos naturalmente à conclusão de que matar um doente
incurável ou uma criança é um ato de piedade. Mas se partirmos da premissa de
que a morte é apenas o fim de uma existência, nossa piedade será assassina.
Uma premissa falsa nos leva a um raciocínio criminoso. Para raciocinar de
maneira certa precisamos dispor de dados certos sobre o problema que
enfrentamos. O materialismo só conhece o corpo e não leva em conta a
existência da alma. Ignora por completo o sentido da vida. Seu raciocínio sobre a
eutanásia se funda na ignorância.
O espiritualista sabe que a alma sobrevive ao corpo, mas nem todo
espiritualista conhece o processo da vida. Seu raciocínio sobre a eutanásia pode
levá-lo a um sofisma. Mas o espírita sabe que a vida é um processo de evolução e
que cada existência corpórea é o resultado das fases anteriores desse processo.
O espírita dispõe de dados seguros e precisos sobre o fenômeno biológico da
morte. Esses dados, obtidos nas experiências científicas do Espiritismo, estão
hoje sendo confirmados pelas pesquisas parapsicológicas e físicas sobre o transe
da morte. Basta a descoberta do corpo bioplasmático pelos físicos e biólogos para
advertir os espíritos sistemáticos de que podem estar enganados.
Os inquisidores medievais queimavam os supostos hereges em nome da
caridade, para livrá-los do fogo eterno do inferno. Os materialistas atuais
pretendem abreviar a morte em nome da piedade racional. Elas por elas, temos o
dogmatismo da ignorância tripudiando sobre os direitos da vida. A mensagem de
Emmanuel é uma advertência da razão esclarecida e deve ser meditada em todos
os seus termos. Não basta lê-la, é preciso estudá-la.
Irmão Saulo
Ciência aplicadas – Cap. V – Questões 106
( Livro: o Consolador – Espírito, Emmanuel – Chico Xavier )

106 –A eutanásia é um bem, nos casos de moléstia incurável?


-O homem não tem o direito de praticar a eutanásia, em caso algum, ainda
que a mesma seja a demonstração aparente de medida benfazeja.
A agonia prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a moléstia
incurável pode ser um bem como a única válvula de escoamento das imperfeições
do Espírito da vida imortal. Além do mais, os desígnios divinos são insondáveis e
a ciência precária dos homens não pode decidir nos problemas transcendentes
das necessidades do Espírito.

Perguntas

3
01 – A duração de nossa vida é determinada por quem?
02 – A eutanásia consiste em abreviar, sem dor ou sofrimento, a vida de
um enfermo incurável. Não seria essa prática um bem, uma vez que a
intenção é impedir que o doente sofra?
03 – Devemos abreviar a vida dos portadores de doenças que, segundo a
ciência, não têm cura?
04 – O sofrimento prolongado traz algum beneficio para o espirito?
05 – Que finalidade teria uma vida vegetativa?
06 – É válido, portanto, sempre prolongar a vida de um doente
desenganado?
07 – Muitas vezes, os que desejam abreviar o sofrimento do próximo
através da morte, aparentemente agem com bons propósitos. O que
pensar a respeito?

Conclusão

A vida nos foi outorgada por Deus, a quem, exclusivamente, compete tirá-
la, quando lhe aprouver. Não nos é licito abreviar a vida de quem quer que seja,
sob qualquer pretexto. Uma reflexão, na última fração de segundo de vida que
resta ao moribundo, pode evitar-lhe séculos de sofrimento, após a morte.

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V, Item 29 a 31.

Textos Complementares

Respostas das perguntas anteriores – 24º Roteiro

1º Resposta: É uma necessidade enquanto não nos ajustamos ao


Evangelho, que é Lei da vida. Contudo, não é só o sofrimento que redime:
Jesus nos ensinou que o amor regenera a criatura ante seus erros do
passado.
“A par da lei segundo a qual nada fica impune perante Deus, existe outra
lei – a do amor – que preside, assessora e viabiliza o cumprimento da
primeira.”

2º Resposta: Não, portanto a nossa ajuda não impedirá que se cumpram


as provas daquele que sofre. Ao contrário, além de permitir que ele as
cumpra com sucesso, nós também estaremos nos elevando, pela prática
do amor ao próximo.

4
“A dor é um lei de equilíbrio e educação. Mas nem por isso devemos
pensar que os sofredores não devem ser socorridos. A lei maior da
caridade nos obriga a ajudar os que sofrem.” ( Irmão Saulo/Na era do
Espirito nº 5)

3º Resposta: Não. O nosso gesto de caridade poderá ser o inicio de sua


recuperação. Muitos criminosos do passado são, hoje, pelo mecanismo
corretivo da reencarnação, benfeitores da humanidade.
“O criminoso é criatura que se encontra temporariamente afastada do
caminho do bem e que necessita não do olvido, mas da compreensão e
auxilio de todos nós.”

4º Resposta: O desconhecimento da causa e finalidade do sofrimento e a


insensibilidade das pessoas perante as dores do próximo, decorrente da
ausência do amor em seus corações.
“Quando o nosso comportamento perante o próximo é embasado no
amor, não há lugar para ponderações acerca da causa e duração do seu
sofrimento e uma só ideia nos anima: a de auxiliá-lo”

5º Resposta: Não, pois as mesmas devem seguir o curso traçado por


Deus, isso, porém, não impede que as amenizemos através de nossa
assistência e dedicação. Ademais, é bem possível que aquelas provas
cheguem mais rapidamente ao seu termo, em razão da nossa ajuda.
“É verdade que a dor extingue o mal e o pranto lava as trevas, mas a
indiferença ante a dor e o pranto do próximo é também um mal que pode
e deve ser extinguido pela caridade.” ( Irmão Saulo/Na era do Espirito nº
5)

6º Resposta: A justiça de Deus dispensa a nossa participação como


justiceiros. No entanto, nosso Pai, respeitando nosso libre arbítrio,
aproveita-se das nossas iniquidades para acelerar o nosso progresso.
Nunca, porém, permite ele que pessoa alguma sofra injustamente e
agressor nenhum fique impune.
“Os danos e sofrimentos que infligimos ao nosso próximo permitem-lhe o
resgate de suas faltas e aceleram-lhe o progresso. Mas. Nem por isso,
Deus está conivente com o que erra, cujas faltas, igualmente, não ficarão
impunes.”

7º Resposta: Devemos utilizar todos os meios ao nosso alcance para


suavizar-lhe o sofrimento, consciente de que, provavelmente, aquele
sofredor é alguém que Deus confiou á nossa proteção, a fim de
exercitarmos a caridade, colocando para isso, os recursos em nossas
mãos.

5
“Socorrendo os que sofrem estamos tecendo, no tear de nosso destino,
os fios da sensatez e da bondade que nos preparam uma túnica de luz
para o futuro.” ( Irmão Saulo/Na era do Espirito nº 5)

*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O
Espiritismo’, Da editora Boa Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.
*Duvidas e sugestões contatar; reinaldodosan@hotmail.com

Glossário

Anotações

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União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo – ESE*
Cap. V, Itens 29 a 31

26º Roteiro – Sacrifício da própria vida. Proveito dos sofrimentos para outrem

Objetivos

Levar a identificar de que forma o sacrifício da própria vida pode ser valido
perante Deus e como os sofrimentos de alguém podem ser proveitosos para
outrem.

Sacrifício da própria vida


29 - Aquele que se acha desgostoso da vida mas que não quer extingui-la
por suas próprias mãos, será culpado se procurar a morte num campo de
batalha, com o propósito de tornar útil sua morte?
Que o homem se mate ele próprio, ou faça que outrem o mate, seu
propósito é sempre cortar o fio da existência: há, por conseguinte, suicídio
intencional, se não de fato. E ilusória a idéia de que sua morte servirá para
1
alguma coisa; isso não passa de pretexto para colorir o ato e escusá-lo aos seus
próprios olhos. Se ele desejasse seriamente servir ao seu país, cuidaria de viver
para defendê-lo; não procuraria morrer, pois que, morto, de nada mais lhe
serviria. O verdadeiro devotamento consiste em não temer a morte, quando se
trate de ser útil, em afrontar o perigo, em fazer, de antemão e sem pesar, o
sacrifício da vida, se for necessário. Mas, buscar a morte com premeditada
intenção, expondo-se a um perigo, ainda que para prestar serviço, anula o mérito
da ação. - S. Luís. (Paris, 1860)
30 - Se um homem se expõe a um perigo iminente para salvar a vida a um
de seus semelhantes, sabendo de antemão que sucumbirá, pode o seu ato ser
considerado suicídio?
Desde que no ato não entre a intenção de buscar a morte, não há suicídio e,
sim, apenas, devotamento e abnegação, embora também haja a certeza de que
morrera. Mas, quem pode ter essa certeza? Quem poderá dizer que a Providência
não reserva um inesperado meio de salvação para o momento mais crítico?
Não poderia ela salvar mesmo aquele que se achasse diante da boca de um
canhão? Pode muitas vezes dar-se que ela queira levar ao extremo limite a prova
da resignação e, nesse caso, uma circunstância inopinada desvia o golpe fatal. -
S. Luís. (Paris, 1860.)

1
Proveito dos sofrimentos para outrem
31 - Os que aceitam resignados os sofrimentos, por submissão à vontade
de Deus e tendo em vista a felicidade futura, não trabalham somente em seu
próprio benefício? Poderão tornar seus sofrimentos proveitosos a outrem?
Podem esses sofrimentos ser de proveito para outrem, material e
moralmente:
materialmente se, pelo trabalho, pelas privações e pelos sacrifícios que tais
criaturas se imponham, contribuem para o bem-estar material de seus
semelhantes;
moralmente, pelo exemplo que elas oferecem de sua submissão à vontade
de Deus. Esse exemplo do poder da fé espírita pode induzir os desgraçados à
resignação e salvá-los do desespero e de suas consequências funestas para o
futuro. - S. Luís. (Paris, 1860.)
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Eutanásia e reação espirituais


( Livro: Enfoques Científicos na Doutrina Espírita )

Eutanásia
( Livro: Após a Tempestade – Espírito, Joanna de Ângelis – Divaldo Franco )

Tema de freqüente discussão, por uns defendida, por outros objurgada 2, a


eutanásia, ou "sistema que procura dar morte sem sofrimento a um doente
incurável", retoma aos debates acadêmicos, face à sua aplicação sistemática por
eminentes autoridades médicas, em crianças incapazes físicas ou mentais desde
o nascimento, internadas em Hospitais Pediátricos, sem esperanças científicas de
recuperação ou sobrevivência ...
Prática nefanda que testemunha a predominância do conceito materialista
sobre a vida, que apenas vê a matéria e suas implicações imediatas, em
detrimento das realidades espirituais, reflete, também, a soberania do
primitivismo animal na constituição emocional do homem.
Na Grécia antiga, a hegemonia3 espartana4, sempre armada para a guerra e
a destruição, inseriu no seu Estatuto o emprego legal da eutanásia eugênica em
referência aos enfermos, mutilados, psicopatas considerados inúteis, que eram
atirados ao Eurotas5 por pesarem negativamente na economia do Estado.
Guiados por superlativos egoísmo e prepotência, apesar das arremetidas
arbitrárias do exagerado orgulho nacional, fizeram-se vítimas da impulsividade
belicosa que cultivavam ...
Outros povos, desde a mais remota antiguidade, permitiam-se praticar esse
"homicídio exercido por compaixão ... Em circunstância alguma, ou sob qualquer
motivo, não cabe ao homem direito de escolher e deliberar sobre a vida ou a
morte em relação ao seu próximo.

2
Os criminosos mais empedernidos6, homicidas ou genocidas dentre os mais
hediondos, não devem ter ceifadas as vidas, antes serem isolados da convivência
social, em celas, ou em trabalhos retificadores, nos quais expunjam sob a ação
do tempo e da reflexão, que tarda mas alcança o infrator, fazendo-os expiar os
delitos perpetrados. Mesmo quando em se tratando de precitos anatematizados
por desconserto mental, não faltam Nosocômios judiciários onde possam receber
conveniente assistência a que têm direito, sem que sejam considerados inocentes
pelos crimes perpetrados ... Em recuperando a saúde, eventualidade excepcional
que pode ocorrer, cerceados, pelo perigo de provável reincidência psicopática,
poderão, de alguma forma, retribuir de maneira positiva à Sociedade, os danos
que hajam causado.
No que tange aos enfermos ditos irrecuperáveis, convém considerar que
doenças, ontem detestáveis quanto incuráveis, são hoje capítulo superado pelo
triunfo de homens-sacerdotes da Ciência Médica, que a enobrecem pelo
contributo que suas vidas oferecem a benefício da Humanidade. Sempre há, pois,
possibilidade de amanhã conseguir-se a vitória sobre a enfermidade irreversível
de hoje. Diariamente, para esse desiderato, mergulham na carne Espíritos
Missionários que se aprestam e impulsionam o progresso, realizando
descobrimentos e conquistas superiores para a vida, fonte poderosa de esperança
e conforto para os que sofrem, em nome do Supremo Pai.
Diante das expressões teratológicas7, ao invés da precipitação da falsa
piedade em aliviar os padecentes dos sofrimentos, se há-de pensar na
terapêutica divina, que se utiliza do presídio orgânico e das jaulas mentais para
justiçar os infratores de vários matizes que passaram na Terra impunes,
despercebidos, mas não puderam fugir às sanções da consciência em falta nem
da Legislação Superior, à qual rogaram ensejo de recomeço, recuperação e
sublimação porque anelavam pela edificação da paz íntima.
Suicidas, - esses pobres revoltados contra a Divindade -, que esfacelaram o
crânio, em arremetidas de ódio contra a existência, reencarnam perturbados pela
idiotia, surdez-mudez, conforme a parte do cérebro afetada, ou por hidrocefalias,
mongolismos; os que tentaram o enforcamento, reaparecem com os processos da
paraplegia8 infantil; os afogados padecem enfisema pulmonar; os que
desfecharam tiros no coração, retomam sob o jugo de cardiopatias congênitas
irreversíveis, dolorosas; os que se utilizaram de tóxicos e venenos, volvem sob o
tormento das deformações congênitas, da asfixia respiratória, ou estertorados 9
por úlceras gástricas, duodenais e cânceres devoradores; os que despedaçaram o
corpo em fugas espetaculares, recomeçam vitimados por atrofias, deformações,
limitações pungentes, em que aprendem a valorizar a grandeza da vida ...
Agressores, exploradores, amantes da rapinagem, das arbitrariedades, dos
abusos de qualquer natureza, volvem aos cenários em que se empederniram, ou
corromperam, ou infelicitaram, atingidos pelo sinete das soberanas leis da ordem
e do equilíbrio, refazendo o caminho antes percorrido criminosamente e
entesourando os sagrados valores da paciência, da compreensão, do respeito a si

3
mesmos e ao próximo, da humildade, da resignação, armando-se de bênçãos
para futuros cometimentos ditosos.
Quem se poderá atribuir o direito de interromper-lhes a existência preciosa,
santificadora? As pessoas que se lhes vinculam na condição de pais, cônjuges,
irmãos, amigos, também são-lhes partícipes dos dramas e tragédias do passado,
responsáveis diretos ou inconscientes, que ora se reabilitam, devendo distender-
lhes mãos generosas, auxílio fraterno, pelo menos migalhas de amor.
Ninguém se deverá permitir a interferência destrutiva ou liberativa por meio
da eutanásia em tais processos redentores. Pessoas que se dizem penalizadas
dos sofrimentos de familiares e que desejam os tenham logo cessados, quase
sempre agem por egoísmo, pressurosos de libertarem-se do comprometimento e
da responsabilidade de ajudá-los, sustentá-los, amá-los mais.
Não faltam terapêuticas médicas e cirúrgicas que podem amenizar a dor,
perfeitamente compatíveis com a caridade e a piedade cristãs. A ninguém é dado
precisar o tempo de vida ou sobrevida de um paciente. São tão escassos de
exatidão os prognósticos humanos neste setor do conhecimento, quanto ocorre
noutros!
Quantos enfermos, rudemente vencidos, desesperados, recobram a saúde
sem aparente razão ou lógica?! Quantos outros homens em excelente forma,
portadores de sanidade e robustez, são vitimados por surpresas orgânicas e
sucumbem imprevisivelmente?!
O conhecimento da reencarnação projeta luz nos mais intrincados problemas
da vida, dirimindo os equívocos e as dúvidas em torno da saúde como da
enfermidade, da desdita como da felicidade e contribuindo eficazmente para a
perfeita assimilação dos postulados renovadores de que Jesus Cristo se fez vexilá
rio10 por excelência e o Espiritismo, o consolador encarregado de demonstrá-lo
nos tormentosos dias da atualidade.
Argumentam, porém, os utilitaristas, que as importâncias despendidas com
os pacientes irrecuperáveis poderiam ser utilizadas para pesquisas valiosas ou
para impedir-se que homens sadios enfermassem, ou para assistir-se
convenientemente os que, doentes, podem ser salvos ... E devaneiam, utopistas,
insensatos, sem considerarem as fortunas que são atiradas fora em espetáculos
ruidosos e funestos de exaltação da sensualidade, do fausto exagerado, das
dissipações, sem que lhes ocorram a necessidade da aplicação correta de tais
patrimônios em medidas preventivas salutares ou socorro às multidões
esfaimadas e nuas que enxameiam por toda parte, perecendo, à guisa de migalha
de pão, chafurdando no desespero pela ausência de uma gota de luz ou uma
insignificante contribuição de misericórdia.
Cada minuto em qualquer vida é, portanto, precioso para o espírito em
resgate abençoado. Quantas resoluções nobres, decisões felizes ou atitudes
desditosas ocorrem num relance, de momento? Penetrando-se, o homem, de
responsabilidade e caridade, luarizado pela fé religiosa, fundada em fatos da
imortalidade, da comunicabilidade e da reencarnação, abominará em definitivo a
eutanásia, tudo envidando para cooperar com o seu irmão nos justos

4
ressarcimentos que a Divina Justiça lhe outorga para a conquista da paz interior e
da evolução.

Espiritismo e Eutanásia
( Livro: O Pensamento de Emmanuel – Martins Peralva )

P. - É Lei da Natureza o instinto de conservação?


R. - Sem dúvida. Todos os seres vivos o possuem, qualquer que seja o grau
de sua inteligência. Nuns, é puramente maquinal, racional em outros.
( Item 702 )
Ante o catre da enfermidade mais insidiosa e mais dura, brilha o socorro da
Infinita Bondade facilitando, a quem deve, a conquista da quitação.
Emmanuel
Nas tramas da existência humana, razões tenebrosas, como a ambição e o
temor, a perversidade e o materialismo, bem assim outras de natureza passional,
têm expulsado de milhares de corpos Espíritos que neles deveriam permanecer
mais longo tempo.
11
Na meia-luz de alcovas sinistras, ocultos por cortinas de luxo em mansões
suntuosas, corações em desequilíbrio têm ministrado a droga suave, de permeio
com melífluas12 palavras, no afã da posse de vultosas heranças, minando, a
pouco e pouco, organismos que a enfermidade vai combalindo e aproximando da
sepultura.
O temor de que hediondos segredos possam vir a lume, responde,
igualmente, por centenas de casos de eutanásia, impedindo, assim,
comprometedoras revelações.
Na eliminação de adversários, em assuntos passionais, corações invigilantes
ocasionan, por seu turno, processos eutanásicos.
O ódio e a vingaça, em sombrio conúbio, têm cortado ao meio existências
que floriam na esperança.
O simples e bem-intencionado desejo de beneficiar alguém que a
enfermidade incurável vai tornando carga pesada a outrem, responde, sem
dúvida, pelo maior número de homicídios eutanásicos.
A tese de que “os enfermos incuráveis, de corpo ou de espirito, deveriam ser
elimidados em nome da saciedade, para que esta se aliviasse de um peso morto,”
enfeixando concepções puramente materialista, por conseguinte repulsiva, é, na
opinião de Nélson Hungria, o grande nome da penologia brasileira, “o calculado
sacrifício dos desgraçados em holocausto ao maior comodismo dos felizes”.
O materialismo, não admitindo a existência da alma, erigiu o falso conceito,
essencialmente egoísta, das chamadas “vidas inúteis”, eliminando-as, friamente,
por considera-las onerosas á sociedade.
Podem chover argumentos em favor da eutanásia, o que não impede, á luz
redentora do Espiritismo, sejam os seus responsáveis assassinos que a Justiça do
mundo nem sempre pune, mas que a Deus registra, identificando-os na

5
contabilidade divina, com vistas a dolorosos resgates, em amargas expiações no
futuro, atenuadas, ou agravadas, pela Lei, segundo as suas motivações.
A eutanásia, em suma, é sempre uma forma de homicídio, pelo qual os seus
autores responderão no porvir, em grau compatível com as suas determinantes.
Quem pratica a eutanásia, por melhores sejam as intenções, inclusive
piedosas, comete crime de lesa-natureza, á vista do instinto de conservação
inerente ás criaturas de Deus.
Os Espíritos foram muito claros, ao responderem aos quesitos formulados
por Allan Kardec nessa admirável obra, que é O Livro dos Espíritos.
Emmanuel, o iluminado Mentor de Francisco Cândido Xavier, além do
expressivo apontamento no pórtico deste capitulo, não deixa dúvidas, em
nenhuma de suas mensagens, quanto á necessidade de que seja vivido o último
instante dos seres encarnados: “Por isso mesmo, nas próprias moléstias
reconhecidamente obscuras para a diagnose terrestre, fulgem lições cujo termo é
preciso esperar a fim de que o homem lhes não perca a essência divina”.
Podemos avaliar a extensão da responsabilidade dos que executam a
eutanásia, principalmente quando as razões se fundamentam no crime, no temor
de revelações comprometedoras, em causas passionais, na perversidade e no
atendimento a concepções oriundas de filosofias materialistas.
O espirita, na verdade, tem uma paisagem diferente, mais ampla, mais rica,
para examinar o tema “eutanásia”, pois conhece ele as consequências, morais e
psíquicas, que atingem a quantos, por este ou aquele motivo, exterminam, antes
do tempo previsto pelas Leis Divinas, a vida física dos seus irmão de jornada
terrena.
Sabemos nós, os espiritas, que a renovação espiritual, consequente ao
arrependimento, pode vir no último instante.
Temos ciência, resultante do entendimento doutrinário-evangélico, de que a
interrupção, pela eutanásia, de provas necessárias ao Espirito reencarnado
prejudica-o, substancialmente.
Vige, especificamente, uma consequência geradora de sofrimento, se a
vítima não possui acentuado gabarito evolutivo: a demora na ruptura dos laços
perispirituais que prendem a alma ao envoltório carnal, ocasionando problemas
no pós-morte.
Justo, no entanto, alinhemos outros efeitos, não menos desagradáveis.
Reabilitações penosas, em reencarnações de sofrimentos, para os
responsáveis pela eutanásia.
Processos de perturbações e obsessão, nos lares, produzidos pela revolta
daqueles que a eutanásia assassinou.
Flagrante desrespeito ás Leis da Vida, que preveem, para cada ser humano,
determinada cota de vida corporal.
São consequência de ordem doutrinaria, que o espirita não desconhece,
porque facilmente dedutíveis de tudo quanto sobre o assunto disseram os
Espíritos desde a primeira hora da Codificação de Luz, pronunciamentos que se
complementam, em nossos dias, pelas lúcidas mensagens de abnegados

6
mensageiros da Vida Superior, entre eles, de maneira especial, Emmanuel e
André Luiz, graças á missionária mediunidade de Francisco Cândido Xavier.
Quando o enfermo abrevia, ele próprio, a desencarnação, quer promovendo-
a ou consentindo que outrem o faça, demonstra “falta de resignação e de
submissão á vontade do Criador.”
Allan Kardec, buscando aclarar o problema, indagou dos benfeitores
sublimados: “Quais, nesse caso, as consequências de tal ato?”
E eles responderam: “Uma expiação proporcionada, como sempre, á
gravidade da falta, de acordo com as circunstancias”.
Emmanuel, além do primoroso conceito por nós colocado na abertura deste
capitulo, realça a importância da continuidade da vida física, mesmo sob o guante
dos maiores sofrimentos: “Quando te encontres diante de alguém que a morte
parece nimbar de sombra, recorda que a vida prossegue, além da grande
renovação...”.
Lembra-nos, ainda, o bondoso Amigo Espiritual: “Não te creias autorizado a
desferir o golpe supremo naqueles que a agonia emudece, a pretexto de
consolação e amor, porque, muita vez, por trás dos olhos baços e das mãos
desfalecentes que parecem deitar o último adeus, apenas repontam avisos e
advertências para que o erro seja sustado ou para que a senda se reajuste
amanhã”.
Cuidar, quanto possível, de parentes e amigos que parecem se avizinhar da
morte, na enfermidade misteriosa, é dever de todos nós que entendemos a
existência física por divina concessão, para refazimento do destino, desta ou
daquela maneira, inclusive na aflição da moléstia insidiosa, diante da qual os
sacerdotes da medicina terrestre possam, eventualmente, ter cruzado os
braços...
Recursos da cirurgia.
Providências clinicas.
Medicamento e consolação.
Solidariedade e conforto.
Tranquilidade e afeto, no silêncio caridoso...
Tudo isso são meios que o Pai concede e a misericórdia aconselha para que
o irmão imobilizado no leito nos observe, reconfortado, a dedicação e o interesse,
sem que permitamos pouse em nossa mente a trágica ideia de suprimir-lhe, com
a eutanásia, o sagrado direito á vida.
A existência física é abençoado ensejo para a cura da alma, assegurando-
nos, agora ou amanhã, a reabilitação e o crescimento para Deus, na
compreensão e prática de suas Leis de Amor.

Penalogia e Eutanásia
( Livro: O Pensamento de Emmanuel – Martins Peralva )

7
P. – Quando uma pessoa vê diante de si um fim inevitável e horrível, será
culpada se abreviar de alguns instantes os seus sofrimentos, apressando
voluntariamente sua morte?
R. – É sempre culpado aquele que não aguarda o termo que Deus lhe
marcou para a existência. E quem poderá estar certo de que, malgrado as
aparências, esse termo tenha chegado; de que um socorro inesperado não venha
no ultimo momento?
(Item 953)

... o próprio Cristo arrancou Lázaro ás trevas do sepulcro, para que o amigo
dileto conseguisse dispor de mais tempo para completar o tempo necessário á
próprias sublimação.
Emmanuel

Tão grande é a responsabilidade espiritual no suicídio, quanto na prática da


eutanásia, ou morte suave, antecipada, conhecida na tradição popular por chá da
meia-noite.
O suicídio ou autoextermínio, constitui, sob o ponto de vista do Espiritismo,
umas das mais sérias infrações ás leis da vida.
Por ele, cort6a-se o fio da existência. É, assim, crime gravíssimo ante os
códigos da Vida Imortal.
A eutanásia igualmente o é, seja por iniciativa de outrem ou do próprio
indivíduo, seja por processos violentos ou gradativos, pela ingestão de drogas
letais, em doses continuadas.
Entendemos, portanto, no suicídio e na eutanásia, tragédias morais, - uma
vez que ferem, frontalmente, a Vontade Divina, alterando-lhe os desígnios.
O suicídio, antecipando, conscientemente, a morte, é, em alguns casos, um
processo eutanásico.
A eutanásia, no entanto, executada á revelia da vitima, tem sentido de
homicídio.
Nélson Hungria, grande penólogo brasileiro, em seus Comentários ao Código
Penal, vol. V, arts. 121 a 136, oferece-nos valiosos subsídios contrários ao
homicídio eutanásico, por luminosos conceitos, de fundo essencialmente espirita.
Leiamos o notável cultor das letras jurídicas: “Segundo um conceito
generalizado, o homicídio eutanásico, deve ser entendido com aquele que é
praticado para abreviar piedosamente o irremediável sofrimento da vitima, e a
pedido ou com o consentimento desta”, esclarecendo o eminente patrício que a
tese de Binding e Hoche, autores alemães, “que patrocinavam a extensiva
permissão da eutanásia, não teve ressonância alguma no direito positivo.”
E continua, inspirado:
O homem, ainda que irremediavelmente acuado pela dor ou minado por um
mal físico, não é precisamente a rês estropiada, que o campeiro abate. Repugna
á razão e á consciência que se possa confundir com a pratica deliberada de um
homicídio o nobre sentimento de solidariedade e abnegação que manda acudir os

8
enfermos e desgraçados. Além disso, não se pode olvidar que o sofrimento é um
fator de elevação moral ( o destaque é nosso). Não nos arreceemos, nesta época
de retorno ao espiritualismo, de formular também o argumento religiosos:
eliminar o sofrimento com a morte é ato de estreito materialismo, é desconhecer
que uma alma sobreviver ao perecimento do corpo e que para a sua progressiva
ascensão ás claridades eternas.
Ainda é nosso o destaque.
E, finalizando seus luminosos conceitos, escreve o notável penólogo:”Mas, se
devemos chorar sobre compaixão e do nosso desespero, não podemos jamais
interceptar uma existência humana na sua função finalística, que se projeta além
das coisas terrenas.”
“A licença para a eutanásia deve ser repelida, principalmente, em nome do
direito”, diz ainda o consagrado Nélson Hungria.
Em fase da Doutrina dos Espíritos, é o homicídio eutanásico um desrespeito
ás Leis Divinas, no que toca a um dos seus mais sublimes aspectos: o direito á
vida!

O indivíduo que autoriza a própria morte não está, não pode estar na
integridade do seu entendimento. O apego á vida é um sentimento tão forte,
que o homem, no seu estado psíquico normal, prefere todas e todos os
calvários á mais suave das mortes.
Defender a eutanásia é, sem mais nem menos, fazer a apologia de um
13
crime. Não desmoralizemos a civilização contemporânea com o preconício
do homicídio. Uma existência humana, embora irremissivelmente
empolgada pela dor e socialmente inútil, é sagrada. A vida de cada homem
até o seu último momento é uma contribuição para a harmonia suprema do
Universo e nenhum artificio humano, por isso mesmo, deve truncá-la. Não
nos acumpliciemos com a morte.

Em que regiões pairava a mente de Nélson Hungria, quando insculpia tão


luminosos conceitos, em desacordo com a jurisprudência de inúmeros países?
Fica a indagação...
Muita vez, em nome da piedade, com a boa intenção de abreviar ou suprimir
sofrimentos do enfermo e de seus familiares e amigos, a eutanásia é praticada, o
que lhe não tira a feição de assassínio.
Sem dúvida, boa é a intenção, porém o espirita, esclarecido, jamais a
perfilhará14, por entender, acima de tudo, que o sofrimento cristãmente
suportado, até o final da existência corpórea, pode representar o término, o
epílogo de provas necessárias á criatura, com vista á Vida Maior.
Á luz da Doutrina dos Espíritos, compreende que no instante derradeiro o
socorro divino pode levantar o quase morto; restituí-lo á dinâmica da vida, graças
aos infinitos recursos da Espiritualidade superior.
Em nome do amor e da consolação, compreensíveis ante a intensidade do
sofrimento, nas moléstias consideradas, sob o ponto de vista humano, incuráveis,

9
não devemos subtrair do companheiro em processo redentor a oportunidade do
resgate.

Perguntas

01 – Existe, perante Deus, alguma diferença entre o homem matar-se ele


próprio e fazer com que outrem o mate?
02 – Por que é censurável o homem buscar a morte num campo de
batalha, quando o faz imbuído da vontade de servir a seu país?
03 – Haverá caso em que o homem tenha mérito, mesmo expondo-se a
perigo de morte?
04 – Por que, muitas vezes, samos colocados em situações que nos
forçam a agir, inclusive, com a possibilidade de pôr em risco a nossa
própria vida?
05 – Sob qual razão pode ser válido o homem buscar salvar do
semelhante, mesmo sabendo que pode sucumbir?
06 – Todo sofrimento se reverte em beneficio de outrem?
07 – De que forma podem nossos sofrimentos ser proveitoso para
outrem?

Conclusão

A vida é obra eterna de nosso Pai, que nos compete respeitar e preservar,
agindo segundo suas leis, sabiamente insculpidas por Ele em nossa consciência.
O sacrifício da própria vida pode ser válido, para Deus, quando praticado
exclusivamente em beneficio do próximo. Nosso sofrimentos podem ser
proveitosos para outrem, material ou moralmente, desde que suportados por nós
com resignação e submissão á vontade de Deus.

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VI, Item 1 e 2.

Textos Complementares

Respostas das perguntas anteriores – 25º Roteiro

1º Resposta: Por Deus, a quem – e somente a Ele – compete tirá-la.


“A vida nos foi outorgada por Deus; abreviá-la por iniciativa é interferir nos
desígnios da providência e angariar provas para o futuro.”

10
2º Resposta: Não. Primeiro, porque não nos compete tirar a vida de quem quer
que seja; segundo, porque desconhecemos e não podemos pré-julgar os
desígnios de Deus; terceiro, porque a morte física não determina o fim do
sofrimento.
“O homem não tem o direito de praticar a eutanásia, em caso algum, ainda que
a mesma seja a demonstração aparente de medida benfazeja.” ( Emmanuel/O
Consolador – questão 106).
3º Resposta: Em se tratando de moléstia, nunca podemos afirma-la incurável,
porquanto a todo instante novas descobertas cientificas surgem, consoante a
permissão do Pai. Assim sendo, como podemos ter certeza que algo incurável,
hoje, não possa ser curável amanhã?
“A ciência não se terá enganado nunca em sua previsões?”
4º Resposta: Sim. Nada ocorre sem a permissão de Deus e sem que tenha uma
finalidade útil. O sofrimento constitui corretivo indispensável para o espirito
que errou, e se prolonga de acordo com a necessidade deste. Impedir-lhe que
sofra é tirar-lhe a oportunidade de se regenerar perante o Pai.
“A agonia prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a moléstia
incurável pode ser um bem, como a única válvula de escoamento das
imperfeições do espirito em marcha para a sublime aquisição de seus
patrimônios da vida imortal.” (Emmanuel/O Consolador – questão 106).
5º Resposta: Enquanto existe a vida física, o espirito está ligado ao corpo.
Estando o espirito sempre ativo, o corpo moribundo pode propiciar-lhe
reflexões de valor inestimável, que o auxiliarão na retomada do caminho do
bem, se porventura dele se desviou.
“(...) os desígnios de divinos são insondáveis e a ciência precária dos homens
não pode decidir nos problemas transcendentes das necessidade do Espirito." (
Emmanuel/O Consolador – questão 106).

6º Resposta: Sim. É este um dever da mais legitima caridade; é permitir que a


provação para o espirito se cumpra até o momento designado por Deus.
“Existe a possibilidade (...) de o doente, no momento mesmo de exalar o
último suspiro, reanimar-se e recobrar por alguns instantes as faculdades! Pois
bem: essa hora de graça, que lhe é concedida, pode ser-lhe de grande
importância.”
7º Resposta: Não obstante as boas intenções com que possam estar agindo,
são materialista que só enxergam o corpo. Não compreendendo a existência do
espirito, acabam incorrendo em grave erro. Isso quando os bons propósitos
não são apenas aparentes, tornando o erro mais grave ainda.
“Mas se partimos da premissa de que a morte é apenas o fim de uma
existência, nossa piedade será assassina.” ( Irmão Saulo/Dialogo dos Vivos –
mensagem 20 )

*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O
Espiritismo’, Da editora Boa Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.
*Duvidas e sugestões contatar; reinaldodosan@hotmail.com

Glossário

11
1 – escusá-lo / escusar
: conceder perdão a; perdoar, tolerar
: apresentar desculpas ou desculpar-se
: servir(-se) de justificativa
2 – objurgar
: repreender severamente; censurar, arguir
: lançar (algo) em rosto de (alguém); acusar
3 – hegemonia
: supremacia, influência preponderante exercida por cidade, povo, país etc. sobre outros
: autoridade soberana; liderança, predominância ou superioridade
4 – espartana
: pertencente ou relativo a Esparta (Grécia) ou seu natural ou habitante
: que lembra as virtudes (austeridade, rigor, patriotismo) dos antigos cidadãos de Esparta
5 – Eurotas
*****
6 – empedernidos
: que se empederniu; duro como pedra, petrificado
: que não se deixa persuadir; inflexível, contumaz, insensível
7 – teratológica
: relativo ou pertencente à tanatologia; tanatologista
Tanatologia; teoria ou estudo científico sobre a morte, suas causas e fenômenos a ela relacionados
:estudo dos mecanismos psicológicos us. para superar os efeitos da morte na mente humana
:rotina de realização de autópsias
8 – paraplegia
: paralisia das pernas e da parte inferior do tronco
9 – estertorado
: emitir (moribundo) respiração ruidosa, estertor; agonizar, arquejar
: ficar com a respiração difícil
: perder (chama, luz) a intensidade ou apagar-se; bruxulear, extinguir-se
10 – vexilário
: peça de pano que serve de símbolo de um país, agremiação etc. ou que vai à frente das tropas de um exército;
bandeira, estandarte
: emblema ou sinal distintivo de poder; insígnia
: cada uma das duas lâminas laterais da pena de uma ave, formadas pelas barbas
: pétala superior, ou posterior, com forma característica, externa e ger. maior em relação às outras quatro pétalas da
flor papilionada; estandarte
11 – alcovas
: aposento, adjacente a uma sala e de dimensões reduzidas, destinado a servir de dormitório
: pequeno quarto de dormir situado no interior da casa, sem passagens para o exterior
: quarto de mulher
: quarto de casal
: abrigo, refúgio, esconderijo
12 – melífluas
: que corre como mel ou que deita mel; muito doce
: que tem a doçura do mel
: que impressiona agradavelmente; mélico, harmonioso, doce, mavioso
: que revela doçura hipócrita, afetada; melieiro, meloso
13 – preconício
: apregoamento, propalação; divulgação
14 – perfilhará
: reconhecer legalmente como filho
: adotar, abraçar (ideia, teoria, princípio etc.)
: emitir rebentos (a planta)
Anotações

12
União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo – ESE*
Cap. VI, Itens 1 a 2

27º Roteiro – O Julgo Leve

Objetivos

Esclarecer em que consiste o jugo leve a que Jesus se refere e de que forma
ele traz o consolo aos homens.

O Julgo Leve
1 – Vinde a mim, todos os que andam em sofrimento e vos achais
carregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim,
que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas.
Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. (Mateus, XI: 28-30)
2 – Todos os sofrimentos: misérias, decepções, dores físicas, perdas de
seres queridos, encontram sua consolação na fé no futuro, e na confiança na
justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos homens. Sobre aquele que, pelo
contrário, nada espera após esta vida, ou que simplesmente duvida, as aflições
pesam com todo o seu peso, e nenhuma esperança vem abrandar sua amargura.
Eis o que levou Jesus a dizer: “Vinde a mim, vós todos que estais fatigados, e eu
vos aliviarei”.
Jesus, entretanto, impõe uma condição para a sua assistência e para a
felicidade que promete aos aflitos. Essa condição é a da própria lei que ele
ensina: seu jugo é a observação dessa lei. Mas esse jugo é leve e essa lei é
suave, pois que impõe como dever o amor e a caridade.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Assim falou Jesus


( Livro: O Espirito da Verdade – Espirito, Diversos – Chico Xavier )

Disse o Mestre: “Buscai e achareis.”


Mesmo nos céus, você pode fixar a atenção na sombra da nuvem ou no brilho da
estrela.
Afirmou o Senhor: “Cada árvore é conhecida pelos frutos.”
Alimentar-se com laranja ou intoxicar-se com pimenta é problema seu.

1
Proclamou o Cristo: “Orai e vigiai para não entrardes em tentação, porque o
espírito, em verdade, está pronto, mas a carne é fraca.”
O espírito é o futuro e a vitória final, mas a carne é o nosso próprio passado,
repleto de compromissos e tentações.
Ensinou o Mentor Divino: “Não condeneis e não sereis condenados.”
Não critique o próximo, para que o próximo não critique a você.
Falou Jesus: “Quem se proponha conservar a própria vida, perdê-la-á.”
Quando o arado descansa, além do tempo justo, encontra a ferrugem que o
desgasta.
Disse o Mestre: “Não vale para o homem ganhar o mundo inteiro, se perder
sua alma.”
A criatura faminta de posses e riquezas materiais, sem trabalho e sem
proveito, assemelha-se, de algum modo, a pulga que desejasse reter um cão
para si só.
Afirmou o Senhor: “Não é o que entra pela boca que contamina o homem.”
A pessoa de juízo são, come o razoável para rendimento da vida, mas os
loucos ingerem substâncias desnecessárias para rendimento da morte.
Ensinou o Mentor Divino: “Andai enquanto tendes luz.” O corpo é a máquina
para a viagem do progresso e todo relaxamento corre por conta do maquinista.
Proclamou o Cristo: “Orai pelos que vos perseguem e caluniam.” Interessar-
se pelo material dos caluniadores é o mesmo que se adornar 1 você, deliberada-
mente, com uma lata de lixo.
Falou Jesus: “A cada um será concedido segundo as próprias obras.”
Não se preocupe com os outros, a não ser para ajudá-los; pois que a lei de
Deus não conhece você pelo que você observa, mas simplesmente através
daquilo que você faz.
André Luiz
Lágrimas
( Livro: Caminho, Verdade e Vida – Espírito, Emmanuel – Chico Xavier )

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.”


Jesus. (MATEUS, capítulo 11, versículo 28.)
Ninguém como Cristo espalhou na Terra tanta alegria e fortaleza de ânimo.
Reconhecendo isso, muitos discípulos amontoam argumentos contra a lágrima e
abominam as expressões de sofrimento.
O Paraíso já estaria na Terra se ninguém tivesse razões para chorar.
Considerando assim, Jesus, que era o Mestre da confiança e do otimismo, chama-
va ao seu coração todos os que estivessem cansados e oprimidos sob o peso de
desenganos terrestres.
Não amaldiçoou os tristes: convocou-os à consolação.
Muita gente acredita na lágrima sintoma de fraqueza espiritual. No entanto,
Maria soluçou no Calvário; Pedro lastimou-se, depois da negação; Paulo
mergulhou-se em pranto às portas de Damasco; os primeiros cristãos choraram
nos circos de martírio... mas, nenhum deles derramou lágrimas sem esperança.

2
Prantearam e seguiram o caminho do Senhor, sofreram e anunciaram a Boa Nova
da Redenção, padeceram e morreram leais na confiança suprema.
O cansaço experimentado por amor ao Cristo converte-se em fortaleza, as
cadeias levadas ao seu olhar magnânimo transformam-se em laços divinos de
salvação.
Caracterizam-se as lágrimas através de origens específicas. Quando nascem
da dor sincera e construtiva, são filtros de redenção e vida; no entanto, se
procedem do desespero, são venenos mortais.

Consegues Ir?
( Livro: Fonte Viva – Espirito, Emmanuel – Chico Xavier )

"Vinde a mim..." - Jesus. (MATEUS, 11 :28.)


O crente escuta o apelo do Mestre, anotando abençoadas consolações. O
doutri-nador repete-o para comunicar vibrações de conforto espiritual aos
ouvintes.
Todos ouvem as palavras do Cristo, as quais insistem para que a mente
inquieta e o coração atormentado lhe procurem o regaço refrigerante...
Contudo, se é fácil ouvir e repetir o "vinde a mim" do Senhor, quão difícil é,
ir para Ele!.
Aqui, as palavras do Mestre se derramam por vitalizante bálsamo,
entretanto, os laços da conveniência imediatista são demasiado fortes; além,
assinala-se o convite divino, entre promessas de renovação para a jornada
redentora, todavia, o cárcere do desânimo isola o espírito, através de grades
resistentes; acolá, o chamamento do Alto ameniza as penas da alma desiludida,
mas é quase impraticável a libertação dos impedimentos constituídos por pessoas
e coisas, situações e interesses individuais, aparentemente inadiáveis.
Jesus, o nosso Salvador, estende-nos os braços amoráveis e compassivos.
Com ele, a vida enriquecer-se-á de valores imperecíveis e à sombra dos
seus ensinamentos celestes seguiremos, pelo trabalho santificante, na direção da
Pátria Universal...
Todos os crentes registram-lhe o apelo consolador, mas raros se revelam
suficientemente valorosos na fé para lhe buscarem a companhia. Em suma, é
muito doce escutar o: vinde a mim....
Entretanto, para falar com verdade, já consegues ir?

Onde estão?
( Livro: Pão Nosso – Espirito, Emmanuel – Chico Xavier )

“Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e
humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.” –
Jesus. (MATEUS, CAPÍTULO 11, VERSÍCULO 29.)

Dirigiu-se Jesus à multidão dos aflitos e desalentados proclamando o divino


propósito de aliviá-los.

3
– “Vinde a mim! – clamou o Mestre – tomai sobre vós o meu jugo, e
aprendei comigo, que sou manso e humilde de coração!”
Seu apelo amoroso vibra no mundo, através de todos os séculos do
Cristianismo.
Compacta é a turba de desesperados e oprimidos da Terra, não obstante o
amorável convite.
É que o Mestre no “Vinde a mim!” espera naturalmente que as almas
inquietas e tristes o procurem para a aquisição do ensinamento divino. Mas nem
todos os aflitos pretendem renunciar ao objeto de suas desesperações e nem
todos os tristes querem fugir à sombra para o encontro com a luz.
A maioria dos desalentados chega a tentar a satisfação de caprichos
criminosos com a proteção de Jesus, emitindo rogativas estranhas.
Entretanto, quando os sofredores se dirigirem sinceramente ao Cristo, hão
de ouvi-lo, no silêncio do santuário interior, concitando-lhes o espírito a desprezar
as disputas reprováveis do campo inferior.
Onde estão os aflitos da Terra que pretendem trocar o cativeiro das próprias
paixões pelo jugo suave de Jesus Cristo?
Para esses foram pronunciadas as santas palavras “Vinde a mim!”,
reservando-lhes o Evangelho poderosa luz para a renovação indispensável.

Perguntas

01 A quem, em especial, é dirigido o convite de Jesus?



02 Por que Jesus promete o alívio e não a cura de nossos males?

03 Como podemos conseguir a libertação dos nossos sofrimentos?

04 O que devemos entender com a expressão “repouso de vossas

almas”, contidas neste item?
05 – Onde encontramos a consolação para os nossos sofrimentos?
06 – Que quis Jesus dizer com a expressão: “ Meu julgo é suave e leve é o
meu fardo”?

Conclusão

Jesus promete alívio aos aflitos, desde que se submetem ao seu jugo. Esse
jugo é a observância da lei por Ele ensinada, que, se bem cumprida, propicia
alivio dos sofrimentos, através da fé no futuro e da confiança na justiça de Deus.

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VI, Item 1 e 2.

Textos Complementares

4
Respostas das perguntas anteriores – 26º Roteiro

1º Resposta: Não há diferença alguma, portanto Deus, o que vale é a


intenção. E, uma vez que, em qualquer dos casos citados, o propósito da
criatura é o mesmo – suicidar-se - , ambos têm a mesma reprovação de
Deus.
“ A vida nos foi concedida por Deus, a quem, unicamente, compete tirá-
la.

2º Resposta: Conforme já se viu na questão anterior, a Deus vale a


intenção. Aqui, também, o que prevalece é o propósito de se extinguir a
própria vida. Se a vontade maior da criatura é a de servir a seu país, há
outras tantas formas de fazê-lo sem ter que expor sua vida.
“(...)buscar a morte com premeditada intenção, expondo-se a um perigo,
ainda que para prestar serviço, anula o mérito da ação.”

3º Resposta: Sem desconsiderar a prudência e o dever que cada ser


humano tem de preservar a vida, poderá haver casos em que alguém
tenha mérito por haver se exposto á morte; quando esta lhe advenha de
atitude voltada unicamente em beneficio da vida do próximo, sem
nenhuma intenção premeditada de morrer, mínima que seja

4º Resposta: Essas situações nos são colocadas á frente pela providência


divina, a fim de pôr em prova o nosso devotamento e abnegação em
relação ao próximo.
“Pode muitas vezes dar-se que ela queira levar ao extremo limite a prova
da resignação e, nesse caso, uma circunstancia desvia o golpe fatal.”

5º Resposta: Uma vez que desconhecemos os desígnos de Deus, nunca


podemos afirmar que um acontecimento qualquer possa ser fatal para
alguém. Portanto, em toda e qualquer circustância, a nossa boa vontade
de servir ao próximo deve estar a frente, visto ser isso o que importa ao
Pai.
“Jesus, ao nos prescrever a lei do amor, não acrescentou condição
alguma para a sua prática”

6º Resposta: Não. O Sofrimento, para ser proveitoso tanto para aquele


que lhe padece os efeitos como para os outros, tem que ser resignado e
submissão ás leis divinas, além de ser apoiado na confiança em Deus e
na vida futura.
“O sofrimento acompanhado de lamento e revolta perante Deus não traz
benefício algum e tende a aumentar o débito daquele que sofre.”

5
7º Resposta: Podem esses sofrimentos ser de proveito para outrem,
material e moralmente: materialmente se, pelo trabalho, pelas privações
e pelos sacrifícios que tais criaturas se imponham, contribuem para o
bem-estar material de sua submissão á vontade de Deus.
“Muitas pessoas se recuperam moral e materialmente apenas se valendo
do exemplo de outras que, em circunstâncias parecidas, se reergueram e
venceram os obstáculos.”
*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O
Espiritismo’, Da editora Boa Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.
*Duvidas e sugestões contatar; reinaldodosan@hotmail.com

Glossário
1 – adonar
:entre os hebreus, um dos nomes de Deus no Velho Testamento, designando-o a partir de seu atributo de senhor
:o poder que de Deus emana.

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Anotações

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União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo – ESE*
Cap. VII, Itens 1 a 2

28º Roteiro – O que se deve entender por pobre de espírito

Objetivos

Esclarecer acerca do sentido das expressões "pobres de espirito" e "reino


dos céus", enfatizando as virtudes que no conduzem a esse reino.

O se deve entender por pobre de espirito


1 - Bem-aventurados os pobres de espírito, pois que deles é o reino dos
céus. (S.MATEUS, cap. V, v. 3.)
2 - A incredulidade zombou desta máxima: Bem-aventurados os pobres de
espírito, como tem zombado de muitas outras coisas que não compreende. Por
pobres de espírito Jesus não entende os baldos de inteligência, mas os humildes,
tanto que diz ser para estes o reino dos céus e não para os orgulhosos.
Os homens de saber e de espírito, no entender do mundo, formam
geralmente tão alto conceito de si próprios e da sua superioridade, que
consideram as coisas divinas como indignas de lhes merecer a atenção.
Concentrando sobre si mesmos os seus olhares, eles não os podem elevar até
Deus. Essa tendência, de se acreditarem superiores a tudo, muito amiúde os leva
a negar aquilo que, estando-lhes acima, os depreciaria, a negar até mesmo a
Divindade. Ou, se condescendem em admiti-la, contestam-lhe um dos mais belos
atributos: a ação providencial sobre as coisas deste mundo, persuadidos de que
eles são suficientes para bem governá-lo. Tomando a inteligência que possuem
para medida da inteligência universal, e julgando-se aptos a tudo compreender,
não podem crer na possibilidade do que não compreendem. Consideram sem
apelação as sentenças que proferem.
Se se recusam a admitir o mundo invisível e uma potência extra-humana,
não é que isso lhes esteja fora do alcance; é que o orgulho se lhes revolta à idéia
de uma coisa acima da qual não possam colocar-se e que os faria descer do
pedestal onde se contemplam. Dai o só terem sorrisos de mofa para tudo o que
não pertence ao mundo visível e tangível. Eles se atribuem espírito e saber em
tão grande cópia, que não podem crer em coisas, segundo pensam, boas apenas
para gente simples, tendo por pobres de espírito os que as tomam a sério.
Entretanto, digam o que disserem, forçoso lhes será entrar, como os outros,
nesse mundo invisível de que escarnecem. E lá que os olhos se lhes abrirão e eles

1
reconhecerão o erro em que caíram. Deus, porém, que é justo, não pode receber
da mesma forma aquele que lhe desconheceu a majestade e outro que
humildemente se lhe submeteu às leis, nem os aquinhoar em partes iguais.
Dizendo que o reino dos céus é dos simples, quis Jesus significar que a
ninguém é concedida entrada nesse reino, sem a simplicidade de coração e
humildade de espírito; que o ignorante possuidor dessas qualidades será
preferido ao sábio que mais crê em si do que em Deus. Em todas as
circunstâncias, Jesus põe a humildade na categoria das virtudes que aproximam
de Deus e o orgulho entre os vícios que dele afastam a criatura, e isso por uma
razão muito natural: a de ser a humildade um ato de submissão a Deus, ao passo
que o orgulho é a revolta contra ele. Mais vale, pois, que o homem, para
felicidade do seu futuro, seja pobre em espírito, conforme o entende o mundo, e
rico em qualidades morais.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Bem-aventurados os pobres de espíritos...


( Livro: O Sermão da Montanha – Rodolfo Calligaris )

"Bem-aventurados os pobres de espíritos, porque deles é o reino dos céus",


disse Jesus (Mateus, 5:3), iniciando o Sermão da Montanha.
Situou, assim, a humildade espiritual em primeiro lugar entre as virtudes
que precisamos adquirir para merecemos a glória das almas redimidas.
Exegetas do Evangelho, adulterando por completo o sentido dessa máxima,
pretendem que ele proclame bem-aventurados os apoucados de inteligência, os
retardados mentais, os idiotas e imbecis. Tal interpretação, todavia, é
insustentável, pois, a ser verdadeira, não haveria lugar nos céus para os ricos de
espírito, e o próprio Mestre, o expoente máximo da riqueza espiritual que a Terra
já conheceu, ficaria de fora.
Por "pobres de espírito", na acepção em que Jesus empregou essas
palavras, devem-se entender aqueles que, aspirando á perfeição e, comparando
com ideal a ser atingido o pequenino grau de adiantamento a que chegaram,
reconhecem quanto ainda são carentes de espiritualidade.
São bem-aventurados porque a noção que têm de suas fraquezas e mazelas
fá-los lutar por aquilo que lhes falta, e esse redobrar de esforços leva-os
realmente a conseguirem maior progresso espiritual.
Já aqueles que se acomodam a ínfimos padrões de moralidade, ou se
mostram satisfeitos com seu estado, considerando-se suficientemente bons, ao
contrário dos primeiros, não se incluem entre os bem-aventurados porque, seja
por ignorância, seja por orgulho, permanecem estacionários, quando a vida
espiritual, assim como tudo na Natureza, rege-se por impulso constante para a
frente e para o alto!

2
Igualmente, os que entendem não ser preciso cultivar um caráter nobre e
reto, porque ( segundo julgam ) "o sangue da Humanidade", também não são
incluídos entre aqueles cuja atitude de espirito foi exaltada pelo Nazareno.
Malgrado a respeitabilidade de seus princípios religiosos, só vislumbrarão o
reino celestial quando venham a reconhecer a pobreza de suas virtudes, e se
empenhem com afinco pelas conquistas, pois todo aquele a quem o Cristo haja
redimido, de fato, terá de deixar as más obras, para "apresentar-se santo e
imaculado e irrepreensível diante dele". ( Colossenses, 1:22. )
A colocação da humildade de espírito, como a primeira das beatitudes,
parece-nos, pois, não ser meramente fortuita, mas sim proposital, visto que a
felicidade futura de cada individuo depende muito do conceito que ele faça de si
mesmo.
Quem se imagina com perfeita saúde não se preocupa com ela, nem procura
um médico para trata-la. Também aquele que se presume sem defeitos, ou já se
considera salvo, descuida da higidez de sua alma, e, quando menos espere, a
morte o surpreenderá sem que tenha avançado um passo sequer no sentido da
realização espiritual.

Sermão do monte
( Livro: Os quatros Evangelho – J. B. Roustaning )

MATEUS: V. 1. Vendo a multidão, Jesus subiu a um monte, sentou-se e os


discípulos o rodearam. - 2. Pôs-se então a lhes pregar, dizendo: - 3, "Bem-
aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. - 4. Bem-
aventurados os que choram, porque serão consolados. - 5. Bem-aventurados os
mansos, porque possuirão a terra. - 6. Bem-aventurados os que têm fome e sede
de justiça, porque serão saciados. - 7. Bem-aventurados os misericordiosos,
porque alcançarão misericórdia. - 8. Bem-aventurados os de coração puro,
porque verão a Deus. - 9. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados
filhos de Deus. 10. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da
justiça, porque deles é o reino dos céus. - 11. Bem-aven-turados sereis quando
vos cobrirem de maldições, vos perseguirem e, mentindo, disserem de vós todo o
mal por minha causa. - 12. Rejubilai então e exultai, porque grande recompensa
vos está reservada nos céus; visto que assim também perseguiram os profetas,
que existiram antes de vós."
LUCAS: V. 20. Jesus, dirigindo o olhar para seus discípulos, dizia: "Bem-
aventurados vós, que sois pobres, porque vosso é o reino de Deus. -21. Bem-
aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados; bem-
aventurados vós, que agora chorais, porque rireis. - 22. Bem-aventurados sereis
quando os homens vos odiarem, quando vos separarem, quando vos carregarem
de injúrias, quando rejeitarem como mau o vosso nome por causa do filho do
homem. - 23. Rejubilai nesse dia e exultai, que grande recompensa vos está
reservada no céu, porquanto assim é que os pais deles trataram os profetas. -
24. Ai, porém, de vós, que sois ricos. pois que tendes a vossa consolação no

3
mundo. - 25. Ai de vós, que estais saciados, pois que vireis a ter fome! Ai de vós
os que rides agora, pois que gemereis e chorareis! - 26. Ai de vós quando vos
louvarem os homens, porquanto é o que os pais deles faziam aos falsos profetas.

A humildade, - a doçura que tem por companheiras a afabilidade e a


benevolência, - a resignação nos sofrimentos físicos e morais, que são sempre
uma expiação justa, porquanto derivam ou de faltas e imprudências com que o
homem agrava sua provações terrenas, ou de existências anteriores, todas
solidárias entre si de modo que cada um traz consigo a pena secreta da sua
precedente encarnação, - o amor ardente, sério, perseverante do dever por toda
parte e sempre, - a tolerância também por toda parte e sempre, a indulgência
para com os fracos e para com as faltas de outrem, a simpatia viva e delicada
pelos sofrimentos e dores, físicos e morais, de seus irmãos, - o perdão, do íntimo
d’alma, para as injúrias e ofensas, - o esquecimento, mas de maneira tal que o
passado fique morto tanto no coração, como no pensamento, - a caridade e o
amor, - a pureza de coração, que exclui não só todas as palavras e ações más,
como ainda todos os maus pensamentos, e que só existe quando há abstenção de
tudo que é mal, de par com a prática ativa e abnegada de tudo que é bem, assim
na ordem física, como na ordem moral e na intelectual, - a moderação, a
brandura, - a paciência, a obediência, - a resignação, - a fé, - a firmeza e a
perseverança na fé e na prática da justiça, quaisquer que sejam as injúrias, as
perseguições físicas e morais que venham dos homens, - o desinteresse, - a
renunciação às coisas materiais, como determinantes do orgulho e do egoísmo,
dos apetites materiais; das paixões e dos vícios que degradam a humanidade, - a
aspiração da felicidade celeste, - o reconhecimento ao Criador que reserva grande
recompensa aos que cumprirem esses deveres e praticarem essas virtudes, - eis
o que encerram aquelas palavras do Cristo. Estudai-as, pois, e ponde-as em
prática. Não vos fieis na felicidade terrena, não descanseis nas vossas riquezas,
na vossa inteligência. Confiai unicamente no vosso Deus, de quem recebeis todas
as coisas.
Que aquele que possui riquezas faça como se fora pobre, as reparta com
seus irmãos e viva humildemente; que aquele que tem inteligência faça como a
criancinha que espera ser guiada pela mãe, mas que ao mesmo tempo a partilhe
com seus irmãos, dando-lhes conselhos salutares e brandos, tirados sobretudo do
exemplo; que aquele que está saciado pense nos que têm fome e divida com eles
o pão material que sustenta o corpo e o pão espiritual que alimenta a alma; que
aquele que se acha alegre faça como se estivesse triste e associe à sua alegria o
irmão que chora, prodigalizando-lhe consolações e tomando parte nas suas
dores.
Aquelas palavras se resumem nisto: prática do trabalho, do amor e da
caridade, tanto na ordem física ou material, como na ordem moral e intelectual.
Os pobres de espírito são os que só confiam no Senhor e não em si mesmos;
são os que, reconhecendo dever tudo ao Criador, reconhecem que nada possuem.
Despidos de orgulho, são como o pobre despojado dos bens mundanos.

4
Podem caminhar mais livremente, pois não temem os ladrões que durante a
noite assaltam a casa do rico. Apresentam-se nus diante do Senhor, isto é, sem
se terem apropriado de coisa alguma, cônscios de que tudo devem à bondade do
pai celestial. A humildade lhes aplaina o caminho a percorrer afastando os
obstáculos que o orgulho faz surgir de todos os lados.
Tende o coração simples, oh! bem-amados, e humilde o espírito, porquanto
a humildade, que é o princípio e a fonte de todas as virtudes, de todos os
progressos, abre ao homem a estrada que leva à luz e às moradas felizes, ao
passo que o orgulho conduz às trevas e à expiação, ao exílio em mundos
inferiores.
Estas palavras de Jesus: “Bem-aventurados sereis quando os homens vos
cobrirem de maldições, vos perseguirem e, mentindo, disserem de vós todo o mal
par minha causa; - bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos
separarem, vos carregarem de injúrias, quando rejeitarem como maus os vosso,
nomes por causa do filho do homem." se aplicavam, como quase todas as que lhe
saíram dos lábios, tanto ao presente, ao momento em que ele as dirigia aos
discípulos, quanto aos tempos futuros.
Eram e são dirigidas a todos os que pela sua fé em Deus se tornaram alvo
de quaisquer perseguições, físicas ou morais; aos que, perseguidos pelas suas
crenças, sofrem pela sua fé e triunfam das provações por mais rudes que sejam.
Efetivamente, enquanto o vosso mundo se não houver purificado, haverá
homens perseguidos por causa da verdade. Os que triunfarem poderão
considerar-se bem-aventurados, pois, sobretudo hoje, a defecção é fácil. Os que
perseverarem até ao fim receberão grande recompensa.
Espíritas, armai-vos, portanto, de toda a vossa energia. Para o homem, a
arma mais perigosa é o ridículo. É a que ele mais teme; é presentemente a que
tendes de rebater. Dolorosas são as feridas que ocasiona. Mantende-vos, pois,
em guarda e preparai de antemão o único bálsamo que as pode curar: - a fé.
Que a vossa fé vos sustente. Ela vos tornará surdos aos sarcasmos e vos
fará achar doçura nos pérfidos processos que contra vós intentarem. A fé
constitui a vossa égide; abrigai-vos nela e caminhai desassombradamente.
Contra esse escudo virão embotar-se todos os dardos que vos lancem a inveja e
a calúnia. Sede sempre dignos e caridosos no vosso proceder, no vosso falar, nos
vossos ensinamentos, dando o exemplo do que pregais, e nós vos ampararemos.
Compreendei igualmente bem estas outras palavras de Jesus: "Mas, ai de
vós, ricos, que tendes a vossa consolação no mundo!"
A maldição assim lançada pelo meigo e justo pastor não se aplica senão aos
que, tudo sacrificando a posse dos bens terrenos, deleitando-se e confiando
unicamente no que é material, rejeitam as verdades que se lhes ensinam,
repelem seus guias protetores, repelem seus irmãos e se entregam aos maus
Espíritos, que deles se apossam.
Jesus disse: - Ai! deles, porque terão que sofrer para resgatar suas faltas
passadas e o remorso lhes será tanto mais cruel quanto mais voluntário tenha
sido o endurecimento.

5
Ai! de vós que agora rides, disse também o Suave Mestre, pois que
gemereis e chorareis.
Sim, os que riem das verdades lamentarão um dia o tê-las negado. Tudo
vem a seu tempo. Deixai que ainda riam à vossa custa. Dia virá em que,
arrependidos, os que agora riem pedirão para voltar ao meio de vós como
apóstolos da verdadeira fé, da fé espírita, e não mais rirão.
Não vos agasteis, pois, com os risos; antes chorai pelos que zombam de
vós, por isso que bem grandes serão suas penas!
Ai! de vós, disse ainda Jesus, quando os homens vos louvarem, porquanto é
o que os pais deles faziam aos falsos profetas.
Quando essas palavras eram dirigidas aos discípulos, os falsos profetas
tinham sido, eram e, dado o estado de inferioridade moral em que ainda se
encontra a Terra, são neste momento aqueles que, impelidos por maus instintos,
por más paixões, oriundas, seja do orgulho, do egoísmo, do interesse material,
da cupidez, seja da intolerância ou do fanatismo, trabalham por incutir suas
idéias nas almas simples e confiantes. São aqueles que, conhecendo a verdade, a
ocultam do povo, a fim de o terem preso e submisso. São os que, compenetrados
da verdade, recusam submeter-se a ela por orgulho e pregam o erro, conscientes
do que fazem, mas receosos do "que dirão". "Ai! deles!"
Ai! de vós, quem quer que sejais, quando os que escutam as vozes desses
falsos profetas e os bendizem, caminhando-lhes nas pegadas, vos louvarem e
disserem bem de vós, porque então sereis atraídos pelos seus elogios e a vossa
defecção já se deu ou está para dar-se, arrastando-vos para os caminhos do erro
e da mentira voluntários, da hipocrisia e da perversão moral.

Necessidades difíceis
( Livro: Opinião Espirita – Espíritos, Emmanuel e André Luiz – Chico Xavier )

Em muitas circunstâncias na Terra, interpretamos as horas escuras como


sendo unicamente aquelas em que a aflição nos atenaza a existência, em forma
de tristeza, abandono, enfermidade, privação...
O espírita, porém, sabe que subsistem outras, piores talvez... Não ignora
que aparecem dias mascarados de felicidade aparente, em que o sentimento
anestesiado pela ilusão se rende à sombra.
Tempos em que os companheiros enganados se julgam certos... Ocasiões
em que os irmãos saciados de reconforto sentem fome de luz e não sabem
disso...
Nem sempre estarão eles na berlinda, guindados, à evidência pública ou
social, sob sentenças exprobatórias ou incenso louvaminheiro da multidão..
Às vezes, renteiam conosco em casa ou na vizinhança, no trabalho ou no
estudo, no roteiro ou no ideal... O espírita consciente reconhece que são eles os
necessitados difíceis das horas escuras. Em muitos lances da estrada vê-se
obrigado a comungar-lhes a presença, a partilhar-lhes atividade, a ouvi-los e a
obedecê-los, até o ponto doméstico lhe preceituem determinadas obrigações.

6
Entretanto, observa que para lhes ser útil, não lhe será lícito efetivamente
aplaudi-los, à maneira do caçador que finge ternura à frente da presa, afim de
esmagá-la com mais segurança.
Como, porém, exercer a solidariedade, diante deles? - perguntarás. Como
menosprezá-los se carecem de apoio?
Precisamos, no entanto, verificar que, em muitos requisitos do concurso
real, socorrer não será sorrir.
Todos conseguimos doar cooperação fraternal aos necessitados difíceis das
horas escuras, seja silenciando ou clareando situações, nas medidas do
entendimento evangélico, sem destruir-lhes a possibilidade de aprender, crescer,
melhorar e servir, aproveitando os talentos da vida , no encargo que
desempenham e na tarefa que o Mestre lhes confiou. Mesmo quando se nos
façam adversários gratuitos, podemos auxiliá-los...
Jesus não recomendou festejar os que nos apedrejem a consciência
tranqüila e nem nos ensinou a arrasá-los. Mas, ciente de que não nos é possível
concordar com eles e nem tampouco odiá-los, exortou-nos claramente: "amai os
vossos inimigos, orai pelos que vos perseguem e caluniam!..."
É assim que a todos os necessitados difíceis das horas escuras, aos quais não nos
é facultado estender os braços de pronto, podemos amar em espírito,
amparando-lhes o caminho, através da oração.

Perguntas

01 – O que se deve entender por “pobres de espírito”.


02 – E por “reino dos céus”, o que devemos entender?
03 – Por que são “bem-aventurados” os pobres de espírito?
04 – Por que os homens orgulhosos e vaidosos de sua inteligência não
conseguem se elevar até Deus?
05 – Por que os homens de saber se recusa admitir o mundo invisível?
06 – Serão a ignorância e a baixa condição de vida material que nos
conduzem ao reino dos céus?

Conclusão

Somente aos pobres de espirito, isso é, aos humildes, estão abertas as


portas do reino dos céus, pois que esses possuem a simplicidade de coração e a
humildade de espírito

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VI, Itens 3, 4 e 5.

7
Textos Complementares

Respostas das perguntas anteriores – 27º Roteiro

1º Resposta: O convite é dirigido a todos, sem exceção. Entretanto,


dirige-se mais especificamente aos sobrecarregados e aflitos.
“Nesses, o coração está ansioso por um consolo, por uma diretriz. O
ensino de Jesus é melhor compreendido e aceito.”

2º Resposta: Porque, sendo os nossos males consequência de maus


procedimentos no passado, a cura compete, exclusivamente, a nós.
Porém, através do seu Evangelho, Jesus nos fornece os meios
necessários para superar esses sofrimentos.
“Quando buscamos em Jesus e no Seu Evangelho alívio para os nossos
sofrimentos, Ele nos conforta.”

3º Resposta: Através da reforma íntima, modificando nossas atitudes e


pensamentos, vivenciando as diretrizes do Evangelho. O que disso não
for possível fazer nesta vida, Deus nos propicia a reencarnação como
recurso para continuar buscando.
“Compete a cada um de nós, por intermédio do livre arbítrio, direcionar
nossas ações para o bem, edificando, assim, a nossa libertação.”

4º Resposta: Devemos entender esse repouso como alívio e consolo,


decorrentes do nosso comportamento voltado para a reforma íntima e
ajuda ao próximo, e não como sinônimo de ociosidade, improdutividade,
inatividade.
“(...) achareis o repouso para vossas almas...”

5º Resposta: Na fé no futuro e na confiança na justiça de Deus.


“As aflições caem com todo o seu peso e nenhuma esperança vem
suavizar a amargura daqueles que nada esperam depois desta vida.”

6º Resposta: O jugo de Jesus é a observação do Seu Evangelho, que aqui


estudamos fraternalmente; e seu fardo é leve, pois consiste em praticar o
amor e a caridade.
“Esse jugo é leve e a lei é suave, pois que apenas impõe, como dever, o
amor e a caridade.”
*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O
Espiritismo’, Da editora Boa Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.
*Duvidas e sugestões contatar; reinaldodosan@hotmail.com

Glossário

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União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo – ESE*
Cap. VII, Itens 3, 4 e 5

29º Roteiro – Aquele que se eleva será rebaixado

Objetivos

Esclarecer o sentido da expressão ―Aquele que se eleva será rebaixado‖,


enfatizando o valor da humildade para nossa evolução espiritual.

Quem se eleva será rebaixado


3 – Naquela hora, chegaram-se a Jesus os seus discípulos, dizendo:
Quem é o maior no Reino dos Céus? E Jesus, chamando um menino, o pôs no
meio deles e disse: Na verdade vos digo que, se não fizerdes como meninos, não
entrareis no Reino dos Céus. Todo aquele, pois, que se humilhar e se fizer
pequeno como este menino, esse será o maior no Reino dos Céus. E o que
receber em meu nome um menino como este, a mim é que recebe. (Mateus,
XVIII: 1-5).
4 – Então se chegou a ele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus
filhos, adorando-o e pedindo-lhe alguma coisa. Ele lhe disse: Que queres?
Respondeu ela: Dize a estes meus dois filhos que se assentem no teu Reino, um
à tua direita e outro à tua esquerda. E respondendo Jesus, disse: Não sabeis o
que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu hei de beber? Disseram-lhe eles:
Podemos. Ele lhes disse: É verdade que haveis de beber o meu cálice; mas, pelo
que toca a terdes assento à minha direita ou à minha esquerda, não me pertence
conceder-vos, mas isso é para aqueles a quem meu Pai o tem preparado. E
quando os dez ouviram isto, indignaram-se contra os dois irmãos. Mas Jesus os
chamou a si e lhes disse: Sabeis que os príncipes das nações dominam os seus
vassalos1, e que os maiores exercitam sobre eles o seu poder. Não será assim
entre vós; mas aquele que quiser ser o maior, esse seja o vosso servidor, e o que
entre vós quiser ser o primeiro, seja o vosso escravo; assim como o Filho do
Homem, que não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em
redenção de muitos. (Mateus, XX: 20-28).
5 – E aconteceu que, entrando Jesus num sábado em casa de um dos
principais fariseus, a tomar a sua refeição, ainda eles o estavam observando. E
notando como os convidados escolhiam os primeiros assentos à mesa, propôs-
lhes esta parábola: Quando fores convidado a alguma boda, não te assentes no
primeiro lugar, porque pode ser que esteja ali outra pessoa, mais autorizada que

1
tu, convidada pelo dono da casa, e que, vindo este, que te convidou a ti e a ele,
te diga: dá o teu lugar a este; e tu, envergonhado, irás buscar o último lugar.
Mas quando fores convidado, vai tomar o último lugar, para que, quando vier o
que te convidou, te diga: amigo, senta-te mais para cima, servir-te-á isto então
de glória, na presença dos que estiverem juntamente sentados à mesa. Porque
todo o que se exalta será humilhado; e todo o que se humilha será exaltado.
(Lucas, XIV: 1, 7-11)
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

O Primeiro
( Livro: Espirito da Verdade – Espíritos, Diversos - Chico Xavier )

―E qualquer que entre vós quiser ser o primeiro seja vosso servo.‖ –
Jesus. (Mateus, 20: 27)
Nos variados setores da experiência humana, encontramos as mais diversas
criaturas a buscarem posições de destaque e postos de diretiva.
Há pessoas que enveredam pelas sendas do comércio e da indústria, em corrida
infrene por se elevarem nas asas frágeis da posse efêmera.
Muitas elegem a tirania risonha no campo social, para se afirmarem poderosas e
dominantes.
Outras pontificam através do intelecto, usando a Ciência como apoio da
autoridade que avocam para si mesmas.
Temos ainda as inteligências que, em nome da inovação ou da arte, se declaram
francamente partidárias da delinqüência e do vício, para sossegarem as próprias
ânsias de fulguração nas faixas da influência.
Todas caminham subordinadas às mesmas leis, elevando-se hoje, para descer
amanhã.
O império econômico, a autoridade terrestre ou o intelectualismo sistemático
possibilitam a projeção da criatura no cenário humano, à feição de luz meteórica,
riscando, instantaneamente, a imensidade dos céus.
Sermão do monte
( Livro: Os quatros Evangelho – J. B. Roustaning )

MATEUS: V. 1. Vendo a multidão, Jesus subiu a um monte, sentou-se e os


discípulos o rodearam. - 2. Pôs-se então a lhes pregar, dizendo: - 3, "Bem-
aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. - 4. Bem-
aventurados os que choram, porque serão consolados. - 5. Bem-aventurados os
mansos, porque possuirão a terra. - 6. Bem-aventurados os que têm fome e sede
de justiça, porque serão saciados. - 7. Bem-aventurados os misericordiosos,
porque alcançarão misericórdia. - 8. Bem-aventurados os de coração puro,
porque verão a Deus. - 9. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados
filhos de Deus. 10. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da
justiça, porque deles é o reino dos céus. - 11. Bem-aventurados sereis quando

2
vos cobrirem de maldições, vos perseguirem e, mentindo, disserem de vós todo o
mal por minha causa. - 12. Rejubilai então e exultai, porque grande recompensa
vos está reservada nos céus; visto que assim também perseguiram os profetas,
que existiram antes de vós."
LUCAS: V. 20. Jesus, dirigindo o olhar para seus discípulos, dizia: "Bem-
aventurados vós, que sois pobres, porque vosso é o reino de Deus. -21. Bem-
aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados; bem-
aventurados vós, que agora chorais, porque rireis. - 22. Bem-aventurados sereis
quando os homens vos odiarem, quando vos separarem, quando vos carregarem
de injúrias, quando rejeitarem como mau o vosso nome por causa do filho do
homem. - 23. Rejubilai nesse dia e exultai, que grande recompensa vos está
reservada no céu, porquanto assim é que os pais deles trataram os profetas. -
24. Ai, porém, de vós, que sois ricos. pois que tendes a vossa consolação no
mundo. - 25. Ai de vós, que estais saciados, pois que vireis a ter fome! Ai de vós
os que rides agora, pois que gemereis e chorareis! - 26. Ai de vós quando vos
louvarem os homens, porquanto é o que os pais deles faziam aos falsos profetas.

A humildade, - a doçura que tem por companheiras a afabilidade e a


benevolência, - a resignação nos sofrimentos físicos e morais, que são sempre
uma expiação justa, porquanto derivam ou de faltas e imprudências com que o
homem agrava sua provações terrenas, ou de existências anteriores, todas
solidárias entre si de modo que cada um traz consigo a pena secreta da sua
precedente encarnação, - o amor ardente, sério, perseverante do dever por toda
parte e sempre, - a tolerância também por toda parte e sempre, a indulgência
para com os fracos e para com as faltas de outrem, a simpatia viva e delicada
pelos sofrimentos e dores, físicos e morais, de seus irmãos, - o perdão, do íntimo
d’alma, para as injúrias e ofensas, - o esquecimento, mas de maneira tal que o
passado fique morto tanto no coração, como no pensamento, - a caridade e o
amor, - a pureza de coração, que exclui não só todas as palavras e ações más,
como ainda todos os maus pensamentos, e que só existe quando há abstenção de
tudo que é mal, de par com a prática ativa e abnegada de tudo que é bem, assim
na ordem física, como na ordem moral e na intelectual, - a moderação, a
brandura, - a paciência, a obediência, - a resignação, - a fé, - a firmeza e a
perseverança na fé e na prática da justiça, quaisquer que sejam as injúrias, as
perseguições físicas e morais que venham dos homens, - o desinteresse, - a
renunciação às coisas materiais, como determinantes do orgulho e do egoísmo,
dos apetites materiais; das paixões e dos vícios que degradam a humanidade, - a
aspiração da felicidade celeste, - o reconhecimento ao Criador que reserva grande
recompensa aos que cumprirem esses deveres e praticarem essas virtudes, - eis
o que encerram aquelas palavras do Cristo. Estudai-as, pois, e ponde-as em
prática. Não vos fieis na felicidade terrena, não descanseis nas vossas riquezas,
na vossa inteligência. Confiai unicamente no vosso Deus, de quem recebeis todas
as coisas.

3
Que aquele que possui riquezas faça como se fora pobre, as reparta com
seus irmãos e viva humildemente; que aquele que tem inteligência faça como a
criancinha que espera ser guiada pela mãe, mas que ao mesmo tempo a partilhe
com seus irmãos, dando-lhes conselhos salutares e brandos, tirados sobretudo do
exemplo; que aquele que está saciado pense nos que têm fome e divida com eles
o pão material que sustenta o corpo e o pão espiritual que alimenta a alma; que
aquele que se acha alegre faça como se estivesse triste e associe à sua alegria o
irmão que chora, prodigalizando-lhe consolações e tomando parte nas suas
dores.
Aquelas palavras se resumem nisto: prática do trabalho, do amor e da
caridade, tanto na ordem física ou material, como na ordem moral e intelectual.
Os pobres de espírito são os que só confiam no Senhor e não em si mesmos;
são os que, reconhecendo dever tudo ao Criador, reconhecem que nada possuem.
Despidos de orgulho, são como o pobre despojado dos bens mundanos.
Podem caminhar mais livremente, pois não temem os ladrões que durante a
noite assaltam a casa do rico. Apresentam-se nus diante do Senhor, isto é, sem
se terem apropriado de coisa alguma, cônscios de que tudo devem à bondade do
pai celestial. A humildade lhes aplaina o caminho a percorrer afastando os
obstáculos que o orgulho faz surgir de todos os lados.
Tende o coração simples, oh! bem-amados, e humilde o espírito, porquanto
a humildade, que é o princípio e a fonte de todas as virtudes, de todos os
progressos, abre ao homem a estrada que leva à luz e às moradas felizes, ao
passo que o orgulho conduz às trevas e à expiação, ao exílio em mundos
inferiores.
Estas palavras de Jesus: “Bem-aventurados sereis quando os homens vos
cobrirem de maldições, vos perseguirem e, mentindo, disserem de vós todo o mal
par minha causa; - bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos
separarem, vos carregarem de injúrias, quando rejeitarem como maus os vosso,
nomes por causa do filho do homem." se aplicavam, como quase todas as que lhe
saíram dos lábios, tanto ao presente, ao momento em que ele as dirigia aos
discípulos, quanto aos tempos futuros.
Eram e são dirigidas a todos os que pela sua fé em Deus se tornaram alvo
de quaisquer perseguições, físicas ou morais; aos que, perseguidos pelas suas
crenças, sofrem pela sua fé e triunfam das provações por mais rudes que sejam.
Efetivamente, enquanto o vosso mundo se não houver purificado, haverá
homens perseguidos por causa da verdade. Os que triunfarem poderão
considerar-se bem-aventurados, pois, sobretudo hoje, a defecção é fácil. Os que
perseverarem até ao fim receberão grande recompensa.
Espíritas, armai-vos, portanto, de toda a vossa energia. Para o homem, a
arma mais perigosa é o ridículo. É a que ele mais teme; é presentemente a que
tendes de rebater. Dolorosas são as feridas que ocasiona. Mantende-vos, pois,
em guarda e preparai de antemão o único bálsamo que as pode curar: - a fé.
Que a vossa fé vos sustente. Ela vos tornará surdos aos sarcasmos e vos
fará achar doçura nos pérfidos processos que contra vós intentarem. A fé

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constitui a vossa égide; abrigai-vos nela e caminhai desassombradamente.
Contra esse escudo virão embotar-se todos os dardos que vos lancem a inveja e
a calúnia. Sede sempre dignos e caridosos no vosso proceder, no vosso falar, nos
vossos ensinamentos, dando o exemplo do que pregais, e nós vos ampararemos.
Compreendei igualmente bem estas outras palavras de Jesus: "Mas, ai de
vós, ricos, que tendes a vossa consolação no mundo!"
A maldição assim lançada pelo meigo e justo pastor não se aplica senão aos
que, tudo sacrificando a posse dos bens terrenos, deleitando-se e confiando
unicamente no que é material, rejeitam as verdades que se lhes ensinam,
repelem seus guias protetores, repelem seus irmãos e se entregam aos maus
Espíritos, que deles se apossam.
Jesus disse: - Ai! deles, porque terão que sofrer para resgatar suas faltas
passadas e o remorso lhes será tanto mais cruel quanto mais voluntário tenha
sido o endurecimento.
Ai! de vós que agora rides, disse também o Suave Mestre, pois que
gemereis e chorareis.
Sim, os que riem das verdades lamentarão um dia o tê-las negado. Tudo
vem a seu tempo. Deixai que ainda riam à vossa custa. Dia virá em que,
arrependidos, os que agora riem pedirão para voltar ao meio de vós como
apóstolos da verdadeira fé, da fé espírita, e não mais rirão.
Não vos agasteis, pois, com os risos; antes chorai pelos que zombam de
vós, por isso que bem grandes serão suas penas!
Ai! de vós, disse ainda Jesus, quando os homens vos louvarem, porquanto é
o que os pais deles faziam aos falsos profetas.
Quando essas palavras eram dirigidas aos discípulos, os falsos profetas
tinham sido, eram e, dado o estado de inferioridade moral em que ainda se
encontra a Terra, são neste momento aqueles que, impelidos por maus instintos,
por más paixões, oriundas, seja do orgulho, do egoísmo, do interesse material,
da cupidez, seja da intolerância ou do fanatismo, trabalham por incutir suas
idéias nas almas simples e confiantes. São aqueles que, conhecendo a verdade, a
ocultam do povo, a fim de o terem preso e submisso. São os que, compenetrados
da verdade, recusam submeter-se a ela por orgulho e pregam o erro, conscientes
do que fazem, mas receosos do "que dirão". "Ai! deles!"
Ai! de vós, quem quer que sejais, quando os que escutam as vozes desses
falsos profetas e os bendizem, caminhando-lhes nas pegadas, vos louvarem e
disserem bem de vós, porque então sereis atraídos pelos seus elogios e a vossa
defecção já se deu ou está para dar-se, arrastando-vos para os caminhos do erro
e da mentira voluntários, da hipocrisia e da perversão moral.

Pedir
( Livro: Caminho , Verdade e Vida – Espírito, Emmanuel – Chico Xavier )

―Jesus, porém, respondendo, disse: Não sabeis o que pedis.‖ — (MATEUS,


capítulo 20, versículo 22.)

5
A maioria dos crentes dirige-se às casas de oração, no propósito de pedir
alguma coisa.
Raros os que aí comparecem, na verdadeira atitude dos filhos de Deus,
interes-sados nos sublimes desejos do Senhor, quanto à melhoria de
conhecimentos, à renovação de valores íntimos, ao aproveitamento espiritual das
oportunidades recebidas de Mais Alto.
A rigor, os homens deviam reconhecer nos templos o lugar sagrado do
Altíssimo, onde deveriam aprender a fraternidade, o amor, a cooperação no seu
programa divino. Quase todos, porém, preferem o ato de insistir, de teimar, de
se imporem ao paternal carinho de Deus, no sentido de lhe subornarem o Poder
Infinito. Pedinchões inveterados, abandonam, na maior parte das vezes, o
traçado reto de suas vidas, em virtude da rebeldia suprema nas relações com o
Pai. Tanto reclamam, que lhes é concedida a experiência desejada.
Sobrevêm desastres. Surgem as dores. Em seguida, aparece o tédio, que é
sempre filho da incompreensão dos nossos deveres.
Provocamos certas dádivas no caminho, adiantamo-nos na solicitação da
herança que nos cabe, exigindo prematuras concessões do Pai, à maneira do filho
pródigo, mas o desencanto constitui-se em veneno da imprevidência e da
irresponsabilidade.
O tédio representará sempre o fruto amargo da precipitação de quantos se
atiram a patrimônios que lhes não competem.
Tenhamos, pois, cuidado em pedir, porque, acima de tudo, devemos solicitar
a compreensão da vontade de Jesus a nosso respeito.

Ninguém é Inútil
( Livro: Livro Da Esperança – Espírito, Emmanuel – Chico Xavier )

―...e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado.‖ Jesus-Lucas,


14:11.
“Será o maior no reino dos Céus aquele que se humilhar e se fizer pequeno
como uma criança, isto é, que nenhuma pretensão alimentar à superioridade ou à
infalibilidade.” capitulo 7:6
Não aguardes aparente grandeza para ser útil.
Missão quer dizer incumbência2.
E ninguém existe aos ventos do acaso.
Buscando entender os mandatos de trabalho que nos competem, estudemos
, de leve, algumas lições de cousas da natureza.
A usina poderosa ilumina qualquer lugar, à longa distância, contudo, para
isso, não age por si só.
Usa transformadores de um circuito a outro, alterando em geral a tensão, e
a intensidade da corrente.
Os transformadores requisitam fios de condução.
Os fios recorrem à tomada de força.
Isso, porém, ainda não resolve.

6
Para que a luz se faça, é indispensável a presença da lâmpada, que se forma
de componentes diversos.
O rio, de muito longe, fornece água limpa à atividade caseira, mas não se
projeta, desordenado, a serviço das criaturas.
Cede os próprios recursos à rede de encanamento.
A rede pede tubos de formação variada.
Os tubos exigem a torneira de controle.
Isso, porém, ainda não é tudo.
Para que o liquido se mostre purificado, requer o concurso do filtro.
O avião transporta o homem, de um lado para o outro da Terra, mas não é
um gigante auto suficiente.
A fim de elevar-se precisa combustível.
O combustível solicita motores que o aproveitem.
Os motores reclamam os elementos de que se constituem.
Isso, porém, ainda não chega.
Para que a máquina voadora satisfaça aos próprios fins, é indispensável se
lhe construa adequado campo de pouso.
No dicionário das leis divinas, as nossas tarefas tem o sinônimo do dever.
Atendamos à obrigação para que fomos chamados no clima do bem.
Não te digas inútil, nem te asseveres incompetente.
Para cumprir a missão que nos cabe, não são necessários um cargo diretivo,
uma tribuna brilhante, um nome preclaro3 ou uma fortuna de milhões. Basta
estimemos a disciplina no lugar que nos é próprio, com o prazer de servir.

Antes de servir
( Livro: Pão Nosso – Espírito, Emmanuel – Chico Xavier )

“Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para
servir.‖ – Jesus. (MATEUS, CAPÍTULO 20, VERSÍCULO 28.)
Em companhia do espírito de serviço, estaremos sempre bem guardados. A
Criação inteira nos reafirma esta verdade com clareza absoluta.
Dos reinos inferiores às mais altas esferas, todas as coisas servem a seu
tempo.
A lei do trabalho, com a divisão e a especialização nas tarefas, prepondera
nos mais humildes elementos, nos variados setores da Natureza.
Essa árvore curará enfermidades, aquela outra produzirá frutos.
Há pedras que contribuem na construção do lar; outras existem calçando os
caminhos.
O Pai forneceu ao filho homem a casa planetária, onde cada objeto se
encontra em lugar próprio, aguardando somente o esforço digno e a palavra de
ordem, para ensinar à criatura a arte de servir.
Se lhe foi doada a pólvora destinada à libertação da energia e se a pólvora
permanece utilizada por instrumento de morte aos semelhantes, isto corre por
conta do usufrutuário4 da moradia terrestre, porque o Supremo Senhor em tudo

7
sugere a prática do bem, objetivando a elevação e o enriquecimento de todos os
valores do Patrimônio Universal.
Não olvidemos que Jesus passou entre nós, trabalhando.
Examinemos a natureza de sua cooperação sacrificial e aprendamos com o
Mestre a felicidade de servir santamente.
Podes começar hoje mesmo.
Uma enxada ou uma caçarola constituem excelentes pontos de início. Se te
encontras enfermo, de mãos inabilitadas para a colaboração direta, podes
principiar mesmo assim, servindo na edificação moral de teus irmãos.

Convite ao bem
( Livro: Pão Nosso – Espírito, Emmanuel – Chico Xavier )

―Mas, quando fores convidado, vai.‖ – Jesus. (LUCAS, CAPÍTULO 14,


VERSÍCULO 10.)
Em todas as épocas, o bem constitui a fonte divina, suscetível de fornecer-
nos valores imortais.
O homem de reflexão terá observado que todo o período infantil é conjunto
de apelos ao sublime manancial.
O convite sagrado é repetido, anos a fio. Vem através dos amorosos pais
humanos, dos mentores escolares, da leitura salutar, do sentimento religioso, dos
amigos comuns.
Entretanto, raras inteligências atingem a juventude, de atenção fixa no
chamamento elevado.
Quase toda gente ouve as requisições da natureza inferior, olvidando
deveres preciosos.
Os apelos, todavia, continuam...
Aqui, é um livro amigo, revelando a verdade em silêncio; ali, é um
companheiro generoso que insiste em favor das realidades luminosas da vida...
A rebeldia, porém, ainda mesmo em plena madureza do homem, costuma rir
inconscientemente, passando, todavia, em marcha compulsória, na direção dos
desencantos naturais, que lhe impõem mais equilibrados pensamentos.
No Evangelho de Jesus, o convite ao bem reveste-se de claridades eternas.
Atendendo-o, poderemos seguir ao encontro de Nosso Pai, sem hesitações.
Se o clarim cristão já te alcançou os ouvidos, aceita-lhe as clarinadas sem
vacilar.

Boas maneiras
( Livro: Pão Nosso – Espírito, Emmanuel – Chico Xavier )

―E assenta-te no último lugar.‖ – Jesus. (LUCAS, CAPÍTULO 14, VERSÍCULO 10.)


O Mestre, nesta passagem, proporciona inolvidável ensinamento de boas
maneiras.

8
Certo, a sentença revela conteúdo altamente simbólico, relativamente ao
banquete paternal da Bondade Divina; todavia, convém deslocarmos o conceito a
fim de aplicá-lo igualmente ao mecanismo da vida comum.
A recomendação do Salvador presta-se a todas as situações em que nos
vejamos convocados a examinar algo de novo, junto aos semelhantes. Alguém
que penetre uma casa ou participe de uma reunião pela primeira vez, timbrando
demonstrar que tudo sabe ou que é superior ao ambiente em que se encontra,
torna-se intolerável aos circunstantes.
Ainda que se trate de agrupamento enganado em suas finalidades ou
intenções, não é razoável que o homem esclarecido, aí ingressando pela vez
primeira, se faça doutrinador austero e exigente, porquanto, para a tarefa de
retificar ou reconduzir almas, é indispensável que o trabalhador fiel ao bem inicie
o esforço, indo ao encontro dos corações pelos laços da fraternidade legítima.
Somente assim, conseguirá alijar a imperfeição eficazmente, eliminando
uma parcela de sombra, cada dia, através do serviço constante.
Sabemos que Jesus foi o grande reformador do mundo, entretanto,
corrigindo e amando, asseverava que viera ao caminho dos homens para cumprir
a Lei.
Não assaltes os lugares de evidência por onde passares. E, quando te
detiveres com os nossos irmãos em alguma parte, não os ofusques com a
exposição do quanto já tenhas conquistado nos domínios do amor e da sabedoria.
Se te encontras decidido a cooperar pelo bem dos outros, apaga-te, de
algum modo, a fim de que o próximo te possa compreender. Impondo normas ou
exibindo poder, nada conseguirás senão estabelecer mais fortes perturbações.

Perguntas

01 – Por que é necessário tornar-se igual a uma criança para se entrar no


reino dos céus?
02 – ―Receber uma criança como Jesus o fez‖, o que significa?
03 – Por que Jesus não atendeu o pedido daquela mãe?
04 – Que lição nos ensina Jesus nesta passagem?
05 – Por que Jesus nos aconselha a ocupar os últimos lugares?
06 – Qual a vantagem de ser humilde?
07 – Qual o sentido da expressão ―Aquele que se eleva será rebaixado‖?

Conclusão

A verdadeira grandeza se afirma pela humildade, condição necessária para


a conquistar da felicidade. O orgulho e o egoísmo são sentimentos que nos
distanciam de Deus.

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Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VII, Item 11.

Textos Complementares

Respostas das perguntas anteriores – 28º Roteiro

1º Resposta: São aqueles que, aspirando á perfeição e comparando o


pequenino grau de adiantamento a que chegaram com o ideal a ser
atingido, reconhecem o quanto ainda são carentes de progresso
espiritual.
―Os pobres de espírito não são os fracos de inteligência, mas, principa-
mente, um estado de espírito.‖

2º Resposta: É um estado de felicidade plena, de doce paz e deleitosa


alegria espiritual.
―O reino de Deus não é necessariamente um lugar especial, mas, princi-
palmente, um estado de espírito.‖

3º Resposta: Porque a noção que tem de suas fraquezas e mazelas ou faz


lutar por aquilo que lhes falta, esse redobrar de esforços leva-os real-
mente a conseguir maior progresso espiritual.
―Não tendo o orgulho a turvar-lhes a visão, percebem melhor suas carên-
cias e possibilidades.‖

4º Resposta: Porque, em função do alto conceito que fazem de si pró-


prios, consideram as coisas divinas indignas de lhes merecer atenção.
―Os orgulhosos tomam a inteligência que possuem como medida da inte-
ligência universal.‖

5º Resposta: Porque o seu orgulho não o deixa reconhecer a existência


de algo que esteja acima do seu entendimento.
―O homem de saber se recusa a aceitar o mundo invisível e uma potência
extra-humana.
É no mundo invisível que os olhos se lhes abrirão e eles reconhecerão o
erro em que caíram.‖

6º Resposta: Não necerrariamente. Pois o que na verdade nos conduz a


ele é a simplicidade de coração e a humildade de espírito.

10
―Jesus pôs a humildade na categoria das virtudes que aproximam de
Deus a criatura, e o orgulho entre os vícios que Dele a afastam.‖
*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O
Espiritismo’, Da editora Boa Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.
*Duvidas e sugestões contatar; reinaldodosan@hotmail.com

Glossário
1 – vassalos
:no sistema feudal, indivíduo que, mediante juramento de fé e fidelidade a um suserano, dele se tornava dependente,
rendendo-lhe preito e tributo
:aquele que é súdito de um soberano
2 –incumbência/incubir-se
: dar ou tomar encargo, incumbência; encarregar(-se)
: ser da competência de; caber, competir, tocar
3 –preclaro
: de origem nobre; distinto, ilustre, insigne
: que se distingue pelo mérito, pelo saber; ilustre, notável, famoso
4 –usufrutário/usufruto
:direito conferido a alguém, durante certo tempo, de gozar ou fruir de um bem cuja propriedade pertence a outrem

Anotações

11
12
União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo – ESE*
Cap. VII, Item 11

30º Roteiro – O orgulho e a humildade

Objetivos

Esclarecer em que consiste o orgulho e a humildade, mostrando suas


consequências e como fazer para eliminar ume desenvolver a outra.

O Orgulho e Humildade
LACORDAIRE
Constantina, 1863
11 – Que a paz do senhor esteja convosco, meus queridos amigos! Venho
até vós para encorajar-vos a seguir o bom caminho.
Aos pobres de Espíritos que outrora viveram na Terra, Deus concede a
missão de vir esclarecer-vos. Bendito seja pela graça que nos dá, de podermos
ajudar o vosso adiantamento. Que o Espírito Santo me ilumine, me ajude a tornar
compreensível a minha palavra, e me conceda a graça de pô-la ao alcance de
todos. Todos vós, encarnados, que estais sob a pena e procurais a luz, que à
vontade de Deus venha em minha ajuda, para fazê-la brilhar aos vossos olhos!
A humildade é uma virtude bem esquecida, entre vós. Os grandes exemplos
que vos foram dados são tão poucos seguidos. E, no entanto, sem humildade,
podeis ser caridosos para o vosso próximo? Oh!, não, porque esse sentimento
nivela os homens, mostra-lhes que são irmãos, que devem ajudar-se
mutuamente, e os encaminha ao bem. Sem a humildade, enfeitai-vos de virtudes
que não possuis, como se vestísseis um hábito para ocultar as deformidades do
corpo. Lembrai-vos daquele que nos salva; lembrai-vos da sua humildade, que o
fez tão grande e o elevou acima de todos os profetas.
O orgulho é o terrível adversário da humildade. Se o Cristo prometeu o
Reino dos Céus aos mais pobres, foi porque os grandes da Terra imaginavam que
os títulos e as riquezas eram a recompensa de seus méritos, e que a sua essência
era mais pura que a do pobre. Acreditavam que essas coisas lhes eram devidas, e
por isso, quando Deus as retira, acusam-no de injustiça. Oh, irrisão1 e cegueira!
Deus, acaso, estabeleceu entre vós alguma distinção pelos corpos? O invólucro do
pobre não é o mesmo do rico? O Criador fez duas espécies de homens? Tudo
quanto Deus fez é grande e sábio. Não lhe atribuais as idéias concebidas por
vossos cérebros orgulhosos.

1
Oh!, rico! Enquanto dormes em teus aposentos suntuosos, ao abrigo do frio,
não sabes quantos milhares de irmãos, iguais a ti, jazem na miséria? O
desgraçado faminto não é teu igual? Bem sei que o teu orgulho se revolta com
estas palavras. Concordarás em lhe dar uma esmola; nunca, porém, em lhe
apertar fraternalmente a mão. Que! exclamarás: Eu, nascido de sangue nobre,
um dos grandes da Terra, ser igual a esse miserável estropiado? Vã utopia de
pretensos filósofos! Se fôssemos iguais, porque Deus o teria colocado tão baixo e
a mim tão alto? É verdade que vossas roupas não são nada iguais, mas, se vos
despirdes a ambos, qual a diferença que então haverá entre vós? A nobreza do
sangue, dirás. Mas a química não encontrou diferenças entre o sangue do nobre e
do plebeu, entre o do senhor e o do escravo. Quem te diz que também não foste
miserável como ele? Que não pediste esmolas? Que não a pedirás um dia a esse
mesmo que hoje desprezas? As riquezas são por acaso eternas? Não acabam com
o corpo, invólucro perecível do Espírito? Oh, debruça-te humildemente sobre ti
mesmo! Lança enfim os olhos sobre a realidade das coisas desse mundo, sobre o
que constitui a grandeza e a humilhação no outro; pensa que a morte não te
poupará mais do que aos outros; que os teus títulos não te preservarão dela; que
te pode ferir amanhã, hoje, dentro de uma hora; e se ainda te sepultas no teu
orgulho, oh! Então, eu te lamento, porque serás digno de piedade!
Orgulhosos! Que fostes, antes de serdes nobres e poderosos? Talvez mais
humildes que o último de vossos servos. Curvai, portanto, vossas frontes altivas,
que Deus as pode rebaixar, no momento mesmo em que as elevais mais alto.
Todos os homens são iguais na balança divina; somente as virtudes os
distinguem aos olhos de Deus. Todos os Espíritos são da mesma essência, e
todos os corpos foram feitos da mesma massa. Vossos títulos e vossos nomes em
nada a modificam; ficam no túmulo; não são eles que dão a felicidade prometida
aos eleitos; a caridade e a humildade são os seus títulos de nobreza.
Pobre criatura! És mãe, e teus filhos sofrem. Estão com frio. Têm fome. Vais,
curvada ao peso da tua cruz, humilhar-te para conseguir um pedaço de pão. Oh,
eu me inclino diante de ti! Como és nobre, santa e grande aos meus olhos!
Espera e ora: a felicidade ainda não é deste mundo. Aos pobres oprimidos, que
nele confiam, Deus concede o Reino dos Céus.
E tu, que és moça, pobre filha devotada ao trabalho, entregue às privações,
por que esses tristes pensamentos? Por que chorar? Que teus olhos se voltem,
piedosos e serenos, para Deus: às aves do céu ele dá o alimento. Confia nele,
que não te abandonará. O ruído das festas, dos prazeres mundanos, te faz bater
o coração. Querias também enfeitar de flores a fronte e misturar-te aos felizes da
Terra, dizes que poderias, como as mulheres que vês passar, estouvadas e
alegres, ser rica também. Oh, cala-te, filha! Se soubesses quantas lágrimas e
dores sem conta se ocultam sob esses vestidos bordados, quantos suspiros se
asfixiam sob o ruído dessa orquestra feliz, preferirias teu humilde retiro e tua
pobreza. Conserva-te pura aos olhos de Deus, se não queres que o teu anjo da
guarda volte para Ele, escondendo o rosto sob as asas brancas, e te deixe com os
teus remorsos, sem guia, sem apoio, neste mundo em que estarias perdida,

2
esperando a punição no outro. E todos vós que sofreis as injustiças dos homens,
sede indulgentes para as faltas dos vossos irmãos, lembrando que vós mesmos
não estais sem manchas: isso é caridade, mas é também humildade. Se suportais
calúnias, curvai a fronte diante da prova. Que vos importam as calúnias do
mundo? Se vossa conduta é pura, Deus não pode vos recompensar? Suportar
corajosamente as humilhações dos homens, é ser humilde e reconhecer que só
Deus é grande e todo-poderoso.
Oh!, meu Deus, será preciso que o Cristo volte novamente a Terra, para
ensinar aos homens as tuas leis, que eles esquecem? Deverá ele ainda expulsar
os vendilhões do templo, que maculam tua casa, esse recinto de orações? E,
quem sabe?, oh, homens, se Deus vos concedesse essa graça, se não o
renegaríeis de novo, como outrora? Se não o acusaríeis de blasfemo, por vir
abater o orgulho dos fariseus modernos? Talvez, mesmo, se não o faríeis seguir
de novo o caminho do Gólgota?
Quando Moisés subiu ao Monte Sinai, para receber os mandamentos da Lei
de Deus, o povo de Israel, entregue a si mesmo, abandonou o verdadeiro Deus.
Homens e mulheres entregaram seu ouro, para a fabricação de um ídolo que
abandonaram. Homens civilizados fazeis, entretanto, como eles. O Cristo vos
deixou a sua doutrina, vos deu o exemplo de todas as virtudes, mas
abandonastes exemplos e preceitos. Cada um de vós, carregando as suas
paixões, fabricou um deus de acordo com a sua vontade: para uns terrível e
sanguinário; para outros, indiferente aos interesses do mundo. O deus que
fizestes é ainda o bezerro de ouro, que cada qual apropria aos seus gostos e às
suas idéias.
Despertai, meus irmãos, meus amigos! Que a voz dos Espíritos vos toque o
coração. Sede generosos e caridosos, sem ostentação. Quer dizer: fazei o bem
com humildade. Que cada um vá demolindo aos poucos os altares elevados ao
orgulho. Numa palavra: sede verdadeiros cristãos, e atingireis o reino da
verdade. Não duvideis mais da bondade de Deus, agora que Ele vos envia tantas
provas. Viemos preparar o caminho para o cumprimento das profecias. Quando o
Senhor vos der uma manifestação mais esplendente da sua clemência, que o
enviado celeste vos encontre reunidos numa grande família; que os vossos
corações, brandos e humildes, sejam dignos de receber a palavra divina que Ele
vos trará; que o eleito não encontre em seu caminho senão as palmas dispostas
pelo vosso retorno ao bem, à caridade, à fraternidade; e então o vosso mundo se
tornará um paraíso terreno. Mas se permanecerdes insensíveis à voz dos
Espíritos, enviados para purificar e renovar as vossas sociedades civilizadas, ricas
em conhecimentos e não obstante tão pobre de bons sentimentos, ah! nada mais
nos restarás do que chorar e gemer pela vossa sorte. Mas, não, assim não
acontecerá. Voltai-vos para Deus, vosso pai, e então nós todos, que trabalhamos
para o cumprimento da sua vontade, entoaremos o cântico de agradecimento ao
Senhor, por sua inesgotável bondade, e para o glorificar por todos os séculos.
Assim seja.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

3
Fontes Complementares

Orgulho, riqueza e pobreza.


( Livro: Depois da morte – Leon Diniz )

De todos os males o orgulho é o mais temível, pois deixa em sua passagem


o germe de quase todos os vícios. É uma hidra monstruosa, sempre a procriar e
cuja prole é bastante numerosa.
Desde que penetra as almas, como se fossem praças conquistadas, ele de
tudo se assenhoreia, instala-se à vontade e fortifica-se até se tornar
inexpugnável.
Ai de quem se deixou apanhar pelo orgulho! Melhor fora ter deixado arrancar do
próprio peito o coração do que deixá-lo insinuar-se. Não poderá libertar-se desse
tirano senão a preço de terríveis lutas, depois de dolorosas provações e de muitas
existências obscuras, depois de bastantes insultos e humilhações, porque nisso
somente é que está o remédio eficaz para os males que o orgulho engendra.
Este cancro2 é o maior flagelo da Humanidade. Dele procedem todos os
transtornos da vida social, as rivalidades das classes e dos povos, as intrigas, o
ódio, a guerra. Inspirador de loucas ambições, o orgulho tem coberto de sangue e
ruínas este mundo, e é ainda ele que origina os nossos padecimentos de além-
túmulo, pois seus efeitos ultrapassam a morte e alcançam nossos destinos
longínquos. O orgulho não nos desvia somente do amor de nossos semelhantes,
pois também nos estorva todo aperfeiçoamento, engodando-nos com a
superestima nosso valor ou cegando-nos sobre os nossos defeitos. Só o exame
rigoroso de nossos atos e pensamentos pode induzir-nos a frutuosa reforma. E
como se submeterá o orgulhoso a esse exame? De todos os homens ele é quem
menos se conhece. Enfatuado e presumido, coisa alguma pode desenganá-lo,
porque evita o quanto serviria para esclarecê-lo, aborrece-o a contradição e só se
compraz no convívio dos aduladores.
Assim como o verme estraga um belo fruto, assim o orgulho corrompe as
obras mais meritórias. Não raro as torna nocivas a quem as pratica, pois todo o
bem realizado com ostentação e com secreto desejo de aplausos e lauréis depõe
contra o próprio autor. Na vida espiritual, as intenções, as causas ocultas que nos
inspiraram reaparecem como testemunhas; acabrunham o orgulhoso e fazem
desaparecer-lhe os ilusórios méritos.
O orgulho encobre-nos toda a verdade. Para estudar frutuosamente o
Universo e suas leis, é necessário, antes de tudo, a simplicidade, a sinceridade, a
inteireza do coração e do espírito, virtudes estas desconhecidas ao orgulhoso. É-
lhe insuportável que tantos entes e tantas coisas o tornem subalterno. Para si,
nada existe além daquilo que está ao seu alcance; tampouco admite que seu
saber e sua compreensão sejam limitados.
O homem simples, humilde em sentimentos, rico em qualidades morais,
embora seja inferior em faculdades, apossar-se-á mais depressa da verdade do

4
que o soberbo ou presunçoso da ciência terrestre que se revolta contra a lei que
o rebaixa e derruí o seu prestígio.
O ensino dos Espíritos patenteia-nos a triste situação dos orgulhosos na vida
de além-túmulo. Os humildes e pequenos deste mundo acham-se aí exaltados; os
soberbos e os vaidosos aí são apoucados e humilhados. É que uns levaram
consigo o que constitui a verdadeira supremacia: as virtudes, as qualidades
adquiridas pelo sofrimento; ao passo que outros tiveram de largar, no momento
da morte, todos os seus títulos, todos os bens de fortuna e seu vão saber, tudo o
que neste mundo lhes formava a glória; e sua felicidade esvaiu-se como fumo.
Chegam ao espaço pobres, esbulhados; e este súbito desnudamento,
contrastando com o passado esplendor, desconsola-os e sobremodo os mortifica.
Avistam, então, na luz, esses a quem haviam desprezado e pisoteado aqui na
Terra. O mesmo terá de suceder nas reencarnações futuras. O orgulho e a voraz
ambição não se podem abater e suprimir senão por meio de existências
atribuladas, de trabalho e de renúncia, no decorrer das quais a alma orgulhosa
reflete, reconhece a sua fraqueza e, pouco a pouco, vai-se permeando a melhores
sentimentos.
Com um pouco de reflexão e sensatez evitaríamos esses males. Por que
consentir que o orgulho nos invada e domine, quando apenas basta refletir sobre
o pouco que somos? Será o corpo, os nossos adornos físicos que nos inspiram a
vaidade? A beleza é de pouca duração; uma só enfermidade pode destruí-la.
Dia por dia, o tempo tudo consome e, dentro em pouco, só ruínas restarão:
o corpo tornar-se-á então algo repugnante. Será a nossa superioridade sobre a
Natureza? Se o mais poderoso, o mais bem dotado de nós, for transportado pelos
elementos desencadeados; se achar insulado e exposto às cóleras do oceano; se
estiver no meio dos furores do vento, das ondas ou dos fogos subterrâneos, toda
a sua fraqueza então se patenteará!
Assim, todas as distinções sociais, os títulos e as vantagens da fortuna
medem-se pelo seu justo valor. Todos são iguais diante do perigo, do sofrimento
e da morte.
Todos os homens, desde o mais altamente colocado até o mais miserável,
são construídos da mesma argila. Revestidos de andrajos ou de suntuosos
hábitos, os seus corpos são animados por Espíritos da mesma origem e todos
reunir-se-ão na vida futura. Aí somente o valor moral é que os distingue. O que
tiver sido grande na Terra pode tornar-se um dos últimos no espaço; o mendigo,
talvez, aí, venha a revestir uma brilhante roupagem.
Não desprezemos, pois, a ninguém. Não sejamos vaidosos com os favores e
vantagens que fenecem, pois não podemos saber o que nos está reservado para
o dia seguinte.
Se Jesus prometeu aos humildes e aos pequenos a entrada nos reinos
celestes, é porque a riqueza e o poder engendram, muitíssimas vezes, o orgulho;
no entanto, uma vida laboriosa e obscura é o tônico mais eficaz para o progresso
moral. No cumprimento dos deveres cotidianos o trabalhador é menos assediado
pelas tentações, pelos desejos e ruins paixões; pode entregar-se à meditação,

5
desvendar sua consciência; o homem mundano, ao contrário, fica absorvido pelas
ocupações frívolas, pela especulação e pelo prazer.
Tantos e tão fortes são os vínculos com que a riqueza nos prende à Terra
que a morte nem sempre consegue quebrá-los a fim de nos libertar. Daí as
angústias que o rico sofre na vida futura. É, portanto, fácil de compreender que,
efetivamente, nada nos pertence nesta Terra. Esses bens que tanto prezamos só
aparentemente nos pertencem. Centenas, ou, por outra, milhares de homens
antes de nós supuseram possuí-los; milhares de outros depois de nós acalentar-
se-ão com essas mesmas ilusões, mas todos têm de abandoná-los cedo ou tarde.
O Próprio corpo humano é um empréstimo da Natureza, e ela sabe perfeitamente
no-lo retomar quando lhe convém. As únicas aquisições duráveis são as de ordem
intelectual e moral.
Da paixão pelos bens materiais surgem quase sempre à inveja e o ciúme.
Desde que esses males se implantem em nós, podemos considerar-nos sem
repouso e sem paz. A vida torna-se um tormento perpétuo. Os felizes sucessos e
a opulência alheia excitam ardentes cobiças no invejoso, inspiram-lhe a febre
abrasadora da ganância. O seu alvo é suplantar os outros, é adquirir riquezas que
nem mesmo sabe fruir. Haverá existência mais lastimável? Não será um suplício
de todos os instantes o correr-se atrás de venturas quiméricas, o entregar-se a
futilidades que geram o desespero quando se esvaem?
Entretanto, a riqueza por si só não é um grande mal; torna-se boa ou ruim,
conforme a utilidade que lhe damos. O necessário é que não inspire nem orgulho
nem insensibilidade moral. É preciso que sejamos senhores da fortuna e não seus
escravos, e que mostremos que lhe somos superiores, desinteressados e
generosos. Em tais condições, essa provação tão arriscada torna-se fácil de
suportar. Assim, ela não entibia os caracteres, não desperta essa sensualidade
quase inseparável do bem-estar.
A prosperidade é perigosa por causa das tentações, da fascinação que
exerce sobre os espíritos. Entretanto, pode tornar-se origem de um grande bem,
quando regulada com critério e moderação.
Com a riqueza podemos contribuir para o progresso intelectual da
Humanidade, para a melhoria das sociedades, criando instituições de beneficência
ou escolas, fazendo que os deserdados participem das descobertas da Ciência e
das revelações do belo em todas as suas formas. Mas a riqueza deve também
assistir aqueles que lutam contra as necessidades, que imploram trabalho e
socorro.
Consagrar esses recursos à satisfação exclusiva da vaidade e dos sentidos é
perder uma existência, é criar por si mesmo penosos obstáculos.
O rico deverá prestar contas do depósito que lhe foi confiado para o bem de
todos. Quando a lei inexorável e o grito da consciência se erguerem contra ele,
nesse novo mundo, onde o ouro não tem mais influência, que responderá à
acusação de haver desviado, em seu único proveito, aquilo com que devia
apaziguar a fome e os sofrimentos alheios? Inevitavelmente, ficará envergonhado
e confuso.

6
Quando um Espírito não se julga suficientemente prevenido contra as
seduções da riqueza, deverá afastar-se dessa prova perigosa, dar preferência a
uma vida simples, que o isole das vertigens da fortuna e da grandeza. Se, apesar
de tudo, a sorte do destino designá-lo a ocupar uma posição elevada neste
mundo, ele não deverá regozijar-se, pois, desde então, são muito maiores as
suas responsabilidades e os seus compromissos. Mas também não deve lastimar-
se, no caso de ser colocado entre as classes inferiores da sociedade. A tarefa dos
humildes é a mais meritória; são estes os que suportam todo o peso da
civilização, é do seu trabalho que a Humanidade vive e se alimenta. O pobre deve
ser sagrado para todos, porque foi nessa condição que Jesus quis nascer e
morrer; da pobreza também saíram Epicteto, Francisco de Assis, Miguel Ângelo,
Vicente de Paulo, e tantos outros grandes Espíritos que viveram neste mundo.
Eles sabiam que o trabalho, as privações e o sofrimento desenvolvem as forças
viris da alma e que a prosperidade aniquila-as. Pelo desprendimento das coisas
humanas, uns acharam a santificação, outros encontraram a potência que
caracteriza o Gênio. A pobreza ensina a nos compadecermos dos males alheios e,
fazendo-nos melhor compreendê-los, une-nos a todos os que sofrem; dá valor a
mil coisas indiferentes aos que são felizes.
Quem desconhece tais princípios, fica sempre ignorando um dos lados mais
sensíveis da vida.
Não invejemos os ricos, cujo aparente esplendor oculta muitas misérias
morais. Não esqueçamos de que sob o cilício da pobreza ocultam-se as virtudes
mais sublimes, a abnegação, o espírito de sacrifício. Não esqueçamos jamais que
é pelo trabalho, pelo sofrimento e pela imolação contínua dos pequenos que as
sociedades vivem, protegem-se e renovam-se.

Humildade real
( Livro: Luz Viva – Espíritos, Joanna de Angelis e Marco Prisco – Divaldo Pereira Franco )

Emmanuel

"...Eis o Homem!" - Pilatos.(JOÃO, 19:5)

Apresentando o Cristo à multidão, Pilatos não designava um triunfador


terrestre...
Nem banquete, nem púrpura.
Nem aplauso, nem flores.
Jesus achava-se diante da morte.
Terminava uma semana de terríveis flagelações.
Traído, não se rebelara.
Preso, exercera a paciência.
Humilhado, não se entregou a revides.
Esquecido, não se confiou à revolta.
Escarnecido, desculpara.

7
Açoitado, olvidou a ofensa.
Injustiçado, não se defendeu.
Sentenciado ao martírio, soube perdoar.
Crucificado, voltaria’ à convivência dos mesmos discípulos e beneficiários
que o haviam abandonado, para soerguer-lhes a esperança.
Mas, exibindo-o, diante do povo, Pilatos não afirma: - Eis o condenado, eis
a vítima!
Diz simplesmente: - "Eis o Homem!"
Aparentemente vencido, o Mestre surgia em plena grandeza espiritual,
revelando o mais alto padrão de dignidade humana.
Rememorando, pois, semelhante passagem, recordemos que somente nas
linhas morais do Cristo é que atingiremos a Humanidade Real.

O Filho do Orgulho
( Livro: O Espirito da Verdade – Espíritos, Diversos – Chico Xavier )

O melindre – filho do orgulho – propele a criatura a situar-se acima do bem


de todos. É a vaidade que se contrapõe ao interesse geral.
Assim, quando o espírita se melindra, julga-se mais importante que o Espiritismo
e pretende-se melhor que a própria tarefa libertadora em que se consola e
esclarece.
O melindre gera a prevenção negativa, agravando problemas e acentuando
dificuldades, ao invés de aboli-los. Essa alergia moral demonstra má-vontade e
transpira incoerência, estabelecendo moléstias obscuras nos tecidos sutis da
alma.
Evitemos tal sensibilidade de porcelana, que não tem razão de ser.
Basta ligeira observação para encontrá-la a cada passo: É o diretor que tem a sua
proposição refugada e se sente desprestigiado, não mais comparecendo às
assembleias.
O médium advertido construtivamente pelo condutor da sessão, quanto à
própria educação mediúnica, e que se ressente, fugindo às reuniões.
O comentarista admoestado fraternalmente para abaixar o volume da voz e
que se amua na inutilidade.
O colaborador do jornal que vê o artigo recusado pela redação e que se
supõe menosprezado, encerrando atividades na imprensa.
A cooperadora da assistência social esquecida, na passagem de seu
aniversário, e se mostra ferida, caindo na indiferença.
O servidor do templo que foi, certa vez, preterido na composição da mesa
orientadora da ação espiritual e se desgosta por sentir-se infantilmente injuriado.
O doador de alguns donativos cujo nome foi omitido nas citações de
agradecimento e surge magoado, esquivando-se a nova cooperação.
O pai relembrado pela professora das aulas de moral cristã, com respeito ao
comportamento do filho, e que, por isso, se suscetibiliza, cortando o
comparecimento da criança.

8
O jovem aconselhado pelo irmão amadurecido e que se descontenta,
rebelando-se contra o aviso da experiência.
A pessoa que se sente desatendida ao procurar o companheiro de cuja
cooperação necessita, nos horários em que esse mesmo companheiro, por sua
vez, necessita de trabalhar a fim de prover a própria subsistência.
O amigo que não se viu satisfeito ante a conduta do colega, na instituição, e
deserta, revoltado, englobando todos os demais em franca reprovação, incapaz
de reconhecer que essa é a hora de auxílio mais amplo.
O espírita que se nega ao concurso fraterno somente prejudica a si mesmo.
Devemos perdoar e esquecer se quisermos colaborar e servir.
A rigor, sob as bênçãos da Doutrina Espírita, quem pode dizer que ajuda
alguém? Somos sempre auxiliados.
Ninguém vai a um templo doutrinário para dar, primeiramente.
Todos nós aí comparecemos, antes de tudo, para receber, sejam quais
forem as circunstâncias.
Fujamos à condição de sensitivas humanas, convictos de que a honra reside
na tranquilidade da consciência, sustentada pelo dever cumprido.
Com a humildade não há o melindre que piora aquele que o sente, sem
melhorar a ninguém.
Cabe-nos ouvir a consciência e segui-la, recordando que a suscetibilidade de
alguém sempre surgirá no caminho, alguém que precisa de nossas preces,
conquanto curtas ou aparentemente desnecessárias.
E para terminar, meu irmão, imagine se um dia Jesus se melindrasse com os
nossos incessantes desacertos...
Cairbar Schutel

Em torno da humildade
( Livro: Encontro Marcado – Espírito, Emmanuel – Chico Xavier )

Emmanuel

Tema – Fidelidade ao dever

De quando em quando, reflitamos em nossa posição de instrumentos, para


que a vaidade não nos assalte.
Obviamente, não queremos depreciar a nossa condição de
instrumentalidade.
Se necessitamos do concurso de um violino, na execução de uma partitura,
n]ao podemos substituí-lo pó outro agente musical; há de ser um violino e, tanto
quanto possível, dos melhores.
Ninguém nega a importância do instrumento nessa ou naquela
realização; no entanto, convém recordar o imperativo de humildade que nos
cabe desenvolver, diante do Senhor, que se serve de nós, segundo as nossas
capacidades, na edificação do Reino de Deus.

9
Máquinas poderosas efetuam hoje o serviço de muitos homens; todavia,
na direção delas, estão operários especializados que, a seu turno, se encontram
orientados por técnicos competentes.
Pessoa alguma consegue, a rigor, realizar, por si só, obra estável e
prestante.
O progresso comum é comparável a edifício em cujo levantamento cada
um de nós tem a parte de trabalho que lhe corresponde, e não se diga que, pelo
fato de ser a nossa atividade, muitas vezes, suposta pequenina, venha, por isso,
a ser menos importante.
O picareteiro, suando na formação dos alicerces,, assegura bases ao
serviço do pedreiro, no desdobramento da construção.
Cada tarefeiro está investido de autoridade respeitável e diferente, na
função que lhe é atribuída, desde que lhe seja leal, mas não pode esquecer que
constitui em si e por si tão-somente uma peça na obra – toda vez que a obra seja
examinada em sua feição total.
Imaginemos uma flor que, superestimando a própria beleza, resolvesse
desligar-se da fronde para produzir o fruto sozinha. Certamente, seria o agrado
para os olhos de alguém, durante algumas horas, mas acabaria murchando
decepcionada, porquanto, para alcançar as finalidades do seu destino, deve ser
fiel ao tronco que a sustenta.
Cultivemos a humildade, aprendendo a valorizar o esforço de nossos
irmãos. Saibamos reconhecer, conscientemente, que todos somos necessitados
uns dos outros para atingir o alvo a que nos propomos, nas trilhas da evolução,
mantendo-nos eficientes e tranqüilos nas obrigações a que fomos chamados, sem
fugir às responsabilidades que nos competem, sob a falsa idéia de que somos
mais virtuosos que os outros, e sem invadir a seara de nossos companheiros com
o vão pretexto de sermos enciclopédicos.
Humildade não é omitir-nos e sim conservar-nos no lugar de trabalho em
que fomos situados pela Sabedoria Divina, cumprindo os nossos deveres, sem
criar problemas, e oferecendo à construção do bem de todos o melhor concurso
de que sejamos capazes.

Bem-aventurados os humildes de espíritos


( Livro: Na seara do Mestre – Vinícius )

Bem-aventurados os humildes de espirito, porque deles é o reino dos céus –


tal foi a sentença com que Jesus iniciou as suas prédicas.
Humildes de espirito – notemos bem – e não somente humildes. Se ele
tivesse omitido aquele complemento não se teria revelado o incomparável
mestre, o consumado pedagogo e o excelso psicólogo, cujas qualidades e méritos
singulares jamais foram ou serão igualados neste mundo.
A despeito mesmo da clareza meridiano da beatitude em apreço, ainda
assim, não tem sido compreendido em essência o relevante ensinamento que
encerra em sua singeleza e simplicidade. Vamos, por isso, meditar, com os

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nossos benévolos leitores, a dita frase, que, como todas as lições do Mestre, é
sempre oportuna em todas as épocas da humanidade. E, por serem desta
natureza, as palavras do ungido de Deus nunca passarão, conforme ele afirma,
com aquela autoridade serena e calma que caracteriza a sua inconfundível
personalidade.
Realmente, sua palavra, sendo, como é, de perene atualidade, não pode passar
como passa a dos homens, que, em dado tempo, assume foros de infalibilidade,
para, logo depois, ser proscrita, caindo em caducidade.
O Verbo messiânico é a fonte da água viva, manando sempre fresca e
renovada; enquanto que a palavra dos sátrapas terrenos é a água de cisterna,
estagnada no personalismo que a polui e contamina.
Humildes de espírito ou de coração. Está perfeitamente clara e concisa a
sentença. Não se trata, portanto, de humildes de posição social, nem de humildes
em relação á posse de bens materiais; nem, ainda, de humildes de intelecto, isto
é, de ignorantes e analfabetos; nem tão-pouco de humildes no que respeita á
profissão que exercem e ás vestimentas que usam. A assertiva ora comentada
reporta-se a humildades de espírito, isto é, áqueles cujos corações estejam
escoimados do orgulho sob suas múltiplas modalidades. Na classe dos humildes
de intelecto, de posição, de fortuna, de profissão e de indumentária, viceja
também o orgulho, tal como sói acontecer entra os demais componentes da
sociedade humana. Aquele sentimento não escolhe nem distingue classes; vai-se
aninhando onde encontra guarida, seja na alma do rico como na do mendigo que
estende a mão á caridade pública; seja na alma do potentado que enfeixa
poderes e exerce autoridades, que governa povos e dirige nações, seja na do
pária que perambula pelas ruas; seja na alma dos titulares e dos togados, seja na
daqueles que cavam o solo ou que removem os detritos das cidades. O orgulho
assume formas diversas para cada classe, como para cada indivíduo. Ninguém
escapa ás suas arremetidas e á felonia das suas artimanhas e das suas
esdrúxulas concepções. É o pecado original que o homem traz consigo ao nascer,
como fruto que é, do egoísta, do apego ao “eu” cuja sensibilidade extremada
gera todas as gamas e todas as mais variadas nuanças que o orgulho assume,
desde a soberba arrogante e tirana, até as formas de petulância grotesca e
ridícula. É o grande fator de discórdia por excelência, semeando a cizânia em
todos os campos de ação onde os despejadamente no campo dos pobres como no
dos argentários; no dos doutos e eruditos como nas feiras livres; nos antros do
vicio como nos templos e nos altares. Não há terreno sáfaro ou estéril neste
mundo, para esta planta daninha; ambiência que seja refratária á sua
proliferação.
Há orgulho de raça, de nacionalidade e de estirpe; há orgulho de profissão,
de títulos e pergaminhos; de crença ou orgulho religioso, um dos aspectos mais
terríveis daquele sentimento, de vez que gerou, outrora, o ódio entre os
profitentes de vários credos que, mutuamente, se trucidaram numa luta fratricida
e cruel, mantendo, ainda no presente, a separação e o dissídio no seio da família
humana.

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O orgulho não procura base para apoiar as suas pretensões. Manifesta-se
com ou sem motivos que o justifiquem; com ou sem razão alguma que explique e
a riqueza que o gera e sustenta. Nos que conhecem algo em qualquer ramo do
que se convencionou denominar – ciência – é o pouco saber que o mantém, nos
inscientes e semi-analfabertos é a própria ignorância que o conserva sempre vivo
e palpitante; finalmente, nos tolos e fátuos, é a debilidade mental, a fraqueza de
espirito que o provê do alimento necessário. Há facínoras que se envaidecem dos
crimes bárbaros que cometem, vendo um suas sangrentas façanhas gestos de
heroísmo e de valor.
Do orgulho procedem todas as megalomanias, das mais grotestas ás mais
perigosas, como aquele que tem por escopo o domínio do mundo. São
incontáveis os maléficos que o orgulho engendra no coração humano, ocultando-
se e disfarçando-se de todas as formas. É assim que vemos as pessoas cujas
palavras, escritas ou faladas, são amenas e cheias de doçura; ao sentirem-se,
porem, melindradas no seu excessivo amor-próprio, ei-las transformadas em
verdadeiras feras, insultando e agredindo, na defesa do que chamam –
dignidade.
Neste particular, as vitimas do orgulho incidem num equivoco muito
generalizado. A verdadeira defesa da nossa dignidade é uma operação toda de
caráter intimo. É no interior, no recesso das nossas almas que se deve processar
a vigilância e a defesa de nosso brio, ai, nesse tribunal secreto, de nada nos
acuse a consciência – essa faculdade soberana e augusta, através da qual
podemos ouvir e sentir a voz do Supremo Juiz -, devemos ficar tranquilos,
mesmo que sejamos acusados dos maiores delitos e das mais graves culpas.
Infelizmente porem, os homens fazem o contrario: descuram da vigilância
interna; fazem ouvidos moucos aos protestos da consciência própria, a despeito
de suas reiteradas e constantes observações para curarem, com excessivo zelo,
da defesa. É o orgulho que ofusca a razão humana, arrastando o homem á
pratica de semelhante insânia e de outros tantos despautérios e incongruências.
Vitima da obnubilação mental, o orgulhoso fecha-se como a ostra, dentro de
si mesmo, isolando-se do convívio social e tornando-se impermeável ás
inspiração e sugestões dos bons elementos espirituais que, no desempenho de
sua missão de amor, procuram auxiliar e conduzir os encarnados ao porto seguro
da redenção. Dai a razão por que Jesus assim se exprimiu acerca desse fato, por
ele observado: “Graças te dou, meu Pai, porque revelas as tuas coisas aos
simples e pequenos, e as escondes dos sábios e dos grandes.” Deus nada
esconde dos homens; estes, em sua vaidade e soberba, é que se tornam
impermeáveis ás revelações do Alto, como insensíveis aos reclamos da própria da
própria consciência. O orgulho, como se vê, constitui a grande pedra no que
respeita ao desenvolvimento da inteligência, como no que concerne á esfera do
sentimento. Justifica-se, pois, plenamente, o esforço do Divino Mestre,
procurando incutir no espirito do homem a necessidade de combater o grande e
perigoso inimigo do seu progresso intelectual e do seu aperfeiçoamento moral. O
meio de efetuar com êxito essa campanha, consiste em cultivar o elemento ou a

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virtude que se opões ao orgulho: a humildade. Assim como nos servimos da água
para extinguir a humildade de espirito, para alijarmos o orgulho dos nosso
corações. Todo veneno tem o seu antidoto. Todos os vícios e paixões que
degradam o homem têm as virtudes que lhes são opostas, de cujo cultivo resulta
a vitória sobre aquelas.
Quando não queiramos, de moto próprio, empreender essa luta, seremos
forçados a fazê-lo, mediante o influxo da dor.
O batismo da água nada pode contra os senões e os males do nosso caráter;
mas o do fogo age sem, sempre com eficiência em todas as conjunturas e
emergências da vida. Outro malefício produzido pelo orgulho consiste em criar
nos indivíduos o que poderíamos denominar, talvez com acerto, de complexo de
superioridade. Imbuídos dessa presunção, desferem voo, batendo as asas de
Ícaro, elevando-se ás altas regiões das fantasias mórbidas, criadas pela
imaginação, até que um dia se despenham, rolando no pó, para que se confirme
a sabedoria da máxima evangélica: Aquele que se exalta será humilhado.
Recapitulando o exposto sobre a primeira beatitude do Sermão do Monte,
verificamos que humilhado não quer dizer pobreza ou miséria; não quer dizer
desasseio nem farandolagem; não quer dizer também inaptidão e imbecilidade –
de vez que o homem pode ser pobre, miserável, desasseado, maltrapilho,
gafeirento, néscio, inábil e bronco, sem possuir, todavia, a sublime virtude que
Jesus, o Ungido de Deus, predicou pela palavra e pelo exemplo, nascendo num
estábulo e morrendo numa cruz.
Cumpre ainda reportarmos a uma certa deturpação daquela excelsa virtude
cristã, por parte daqueles que a pretendem confundir, seja por ignorância, seja
de má fé, visando a inconfessáveis interesses, com subserviência ou passividade.
Segundo este critério, bastante generalizado em certos meios, a pessoa humilde
é aquela que se conserva impassível em todas as emergências em que se
encontre; é aquela que não protesta nem reage contra as iniquidades de que seja
vítima ou que se consumem aos seus olhos; é aquela que se submete, se agacha
e se prosterna diante de toda manifestação de força, de prepotência e de
poderes, por mais absurdos e iníquos que sejam; é aquela que se julga inferior,
incapaz, impotente, sem prestigio sem mérito, sem valor nenhum, em suma, que
se supõe uma nulidade completa.
Semelhante juízo sobre a humildade é uma afronta atirada ao Cristianismo
de Jesus. Não obstante, há muita gente, dentro e fora daquela doutrina, que
pensa desse modo e incute nas passas ignaras semelhante absurdidade.
A humildade não se incompatibiliza com energia de ação, de vez que a
energia é também uma virtude. Tão-pouco, ser humilde importa em nos
desdenharmos, desmerecendo-nos e nos apoucando no conceito próprio. Aquele
que descrê de si mesmo é um fracassado na vida. Em realidade, devemos
considerar-nos como obras divinas, que de fato somos, e, portanto, de valor
infinito. Devemos valorizar essa obra, na parte que nos toca, lutando
incessantemente pela nossa espiritualização, libertando-nos das injunções
inferiores da animalidade, a fim de que nos aproximemos, cada vez mais, da

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Suprema Perfeição – fonte eterna de onde promana a vida, debaixo de todas as
suas formas e modalidades. Esta, a lição que aprendemos no Evangelho; esta é a
verdadeira doutrina messiânica. Para o Divino Mestre, todo homem é filho de
Deus, representando, por isso, valia incomparável. Haja vista como Ele tratou os
leprosos, a mulher adúltera e a grande pecadora. Para Ele, o mais enfermo é o
que mais precisa da sua medicina. A ninguém desprezava e a ninguém jamais
ensinou que se desprezasse e se aviltasse a si mesmo, mas que se erguesse para
o Alto. Tende bom ânimo – era a sua advertência predileta. Tudo é possível
àquele que crê – foi também o seu estribilho. Quando a energia, Jesus deu, dessa
virtude, os mas edificantes testemunhos em todas as conjunturas da sua vida
terrena, culminando na expulsão dos vendilhões do templo, os quais apostrofou
com estas candentes palavras: Fizestes da casa de oração um covil de ladrões.
Francisco de Assis – o grande apóstolo da humildade -, quem ousará negar
que foi ele enérgico na sustentação dos postulados que encarnara? Sua existência
toda foi um exemplo de humildade, aliada ao combate franco e decidido ao
reverso daquela virtude, isto é, ao luxo, ás pompas, ao fausto e a todas as
expressões de grandeza e de exterioridade fascinadoras dos sentidos.
Não precisamos, pois, incompatibilizar-nos e nos desmerecemos, outrossim,
amesquinharmo-nos e nos desmerecermos aos nossos próprios olhos, para
engastarmos em nossos caracteres o magnifico diamante cristão: basta que
reconheçamos, em Deus, o pai comum de toda a Humanidade; e nos homens –
sem distinção de raças, classes e credos – nossos irmãos, procedentes da mesma
origem, com os mesmos direitos, sujeitos á mesma lei de justiça, votados, todos,
ao mesmo destino, sem exclusivismo, sem privilégios de espécie alguma, sem
exceções odiosas, estas ou aquelas – porquanto, humildade significa ausência de
orgulho dominando o espirito; significa coração simples, destituído de soberba,
iluminado pelas claridades da justiça divina, justiça essa que desperta nas almas
o verdadeiro senso de igualdade e o sagrado sentimento de fraternidade.

Perguntas

01 – Como podemos definir a humildade?


02 – Podemos ser caridosos com o próximo, sem a humildade?
03 – É possível sermos humildes, sendo orgulhosos?
04 – Pode haver humildade na riqueza?
05 – Quais as consequência do orgulho?
06 – Por que existe o orgulho?

Conclusão

O orgulho é a ignorância dos reais valores da vida, constituindo-se veneno


que anula as ações nobres dos que buscam o progresso espiritual. A humildade é
uma virtude que nivela os homens e os eleva moralmente, aos olhos de Deus.

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Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VII, Item 12.

Textos Complementares

Respostas das perguntas anteriores – 29º Roteiro

1º Resposta: Porque a criança simboliza a simplicidade e a pureza de


coração, não tendo pretensões de superioridade ou infalibilidade;
assemelhando-nos a ela, como essas características, alcançaremos o
reino dos céus.
“Não é ser criança, mas semelhantes á mesma.”

2º Resposta: É a valorização da humildade e o cultivo da simplicidade. A


criança é o modelo que Jesus nos apresenta para conquistar as virtudes
tão necessárias a nossa elevação espiritual.
“Todo aquele que se humilhar e se torna pequeno como uma criança será
o maior no reino dos céus.”

3º Resposta: Porque seus filhos, embora decididos a enfrentar os


dissabores da evolução consciente, tinham muitos débitos ainda a
resgatar e a nossa salvação não acontece por milagre ou concessão de
privilégios, e sim por merecimento.
“Para nos tornamos verdadeiramente grandes devemos servir ao
próximo sem cobrança, pois isso é uma forma de humildade.”

4º Resposta: De humildade, pois só nos despojando de todos os


sentimentos mesquinhos e maldosos é que conseguimos ser o maior no
reino dos céus.
“Não se vai a Deus senão pelo nosso próximo. Servir ao próximo é servir
a Deus, tornando-se grande a Seus olhos.”

5º Resposta: Porque, quando pretendemos os primeiros lugares,


manifestamos nossos sentimentos presunçosos de superioridade,
sentimentos estes contrários á prática da humildade.
“A verdadeira grandeza se afirma pela humildade.”

6º Resposta: A humildade cativa as atenções dos que nos rodeiam,


deixando em torno dos que a praticam um halo de respeito e admiração.
“O nosso gesto humilde, buscando o último lugar, ns eleva ainda mais.”

15
7º Resposta: Os que se elevam pela fortuna, títulos e glórias, morrendo,
chegam no outro mundo desprovidos de tudo, conservando apenas o
orgulho que torna sua posição ainda mais humilhante.
“Aquele que se humilha será exaltado e aquele que se eleva será
rebaixado.”
*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O
Espiritismo’, Da editora Boa Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.
*Duvidas e sugestões contatar; reinaldodosan@hotmail.com

Glossário
1 – irrisão
: ato de rir desdenhosamente; zombaria, escárnio, motejo
: aquele ou aquilo que é alvo de risos desdenhosos, motejos e zombarias
2 – cancro
: doença ou qualquer mal que gradativamente enfraqueça e destrua um organismo

Anotações

16
União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo – ESE*
Cap. VII, Item 12

31º Roteiro – O orgulho e a humildade

Objetivos

Mostrar a que vícios o orgulho pode levar e como corrigir-se deles.

O Orgulho e Humildade
12 - Homens, por que vos queixais das calamidades que vós mesmos
amontoastes sobre as vossas cabeças? Desprezastes a santa e divina moral do
Cristo; não vos espanteis, pois, de que a taça da iniquidade haja transbordado de
todos os lados.
Generaliza-se o mal-estar. A quem inculpar, senão a vós que
incessantemente procurais esmagar-vos uns aos outros? Não podeis ser felizes,
sem mútua benevolência; mas, como pode a benevolência coexistir com o
orgulho? O orgulho, eis a fonte de todos os vossos males. Aplicai-vos, portanto,
em destruí-lo, se não lhe quiserdes perpetuar as funestas conseqüências. Um
único meio se vos oferece para isso, mas infalível: tomardes para regra invariável
do vosso proceder a lei do Cristo, lei que tendes repelido ou falseado em sua
interpretação.
Por que haveis de ter em maior estima o que brilha e encanta os olhos, do
que o que toca o coração? Por que fazeis do vício na opulência objeto das vossas
adulações, ao passo que desdenhais do verdadeiro mérito na obscuridade?
Apresente-se em qualquer parte um rico debochado, perdido de corpo e alma, e
todas as portas se lhe abrem, todas as atenções são para ele, enquanto ao
homem de bem, que vive do seu trabalho, mal se dignam todos de saudá-lo com
ar de proteção. Quando a consideração dispensada aos outros se mede pelo ouro
que possuem ou pelo nome de que usam, que interesse podem eles ter em se
corrigirem de seus defeitos?
Dar-se-ia o inverso, se a opinião geral fustigasse o vicio dourado, tanto
quanto o vicio em andrajos; mas, o orgulho se mostra indulgente para com tudo
o que o lisonjeia. Século de cupidez e de dinheiro, dizeis. Sem dúvida; mas por
que deixastes que as necessidades materiais sobrepujassem o bom senso e a
razão? Por que há de cada um querer elevar-se acima de seu irmão? Desse fato
sofre hoje a sociedade as conseqüências.

1
Não esqueçais que tal estado de coisas é sempre sinal certo de decadência
moral.
Quando o orgulho chega ao extremo, tem-se um indicio de queda próxima,
porquanto Deus nunca deixa de castigar os soberbos. Se por vezes consente que
eles subam, é para lhes dar tempo a reflexão e a que se emendem, sob os golpes
que de quando em quando lhes desfere no orgulho para os advertir. Mas, em
lugar de se humilharem, eles se revoltam. Então, cheia a medida, Deus os abate
completamente e tanto mais horrível lhes é a queda, quanto mais alto hajam
subido.
Pobre raça humana, cujo egoísmo corrompeu todas as sendas, toma
novamente coragem, apesar de tudo. Em sua misericórdia infinita, Deus te envia
poderoso remédio para os teus males, um inesperado socorro à tua miséria. Abre
os olhos à luz: aqui estão as almas dos que já não vivem na Terra e que te vêm
chamar ao cumprimento dos deveres reais. Eles te dirão, com a autoridade da
experiência, quanto as vaidades e as grandezas da vossa passageira existência
são mesquinhas a par da eternidade. Dir-te-ão que, lá, o maior é aquele que haja
sido o mais humilde entre os pequenos deste mundo; que aquele que mais amou
os seus irmãos será também o mais amado no céu; que os poderosos da Terra,
se abusaram da sua autoridade, ver-se-ão reduzidos a obedecer aos seus servos;
que, finalmente, a humildade e a caridade, irmãs que andam sempre de mãos
dadas, são os meios mais eficazes de se obter graça diante do Eterno. - Adolfo,
bispo de Argel. (Marmande, 1862.)
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

Orgulho, riqueza e pobreza.


( Livro: Depois da morte – Leon Diniz )

De todos os males o orgulho é o mais temível, pois deixa em sua passagem


o germe de quase todos os vícios. É uma hidra monstruosa, sempre a procriar e
cuja prole é bastante numerosa.
Desde que penetra as almas, como se fossem praças conquistadas, ele de
tudo se assenhoreia, instala-se à vontade e fortifica-se até se tornar
inexpugnável.
Ai de quem se deixou apanhar pelo orgulho! Melhor fora ter deixado arrancar do
próprio peito o coração do que deixá-lo insinuar-se. Não poderá libertar-se desse
tirano senão a preço de terríveis lutas, depois de dolorosas provações e de muitas
existências obscuras, depois de bastantes insultos e humilhações, porque nisso
somente é que está o remédio eficaz para os males que o orgulho engendra.
Este cancro2 é o maior flagelo da Humanidade. Dele procedem todos os
transtornos da vida social, as rivalidades das classes e dos povos, as intrigas, o
ódio, a guerra. Inspirador de loucas ambições, o orgulho tem coberto de sangue e
ruínas este mundo, e é ainda ele que origina os nossos padecimentos de além-
túmulo, pois seus efeitos ultrapassam a morte e alcançam nossos destinos

2
longínquos. O orgulho não nos desvia somente do amor de nossos semelhantes,
pois também nos estorva todo aperfeiçoamento, engodando-nos com a
superestima nosso valor ou cegando-nos sobre os nossos defeitos. Só o exame
rigoroso de nossos atos e pensamentos pode induzir-nos a frutuosa reforma. E
como se submeterá o orgulhoso a esse exame? De todos os homens ele é quem
menos se conhece. Enfatuado e presumido, coisa alguma pode desenganá-lo,
porque evita o quanto serviria para esclarecê-lo, aborrece-o a contradição e só se
compraz no convívio dos aduladores.
Assim como o verme estraga um belo fruto, assim o orgulho corrompe as
obras mais meritórias. Não raro as torna nocivas a quem as pratica, pois todo o
bem realizado com ostentação e com secreto desejo de aplausos e lauréis depõe
contra o próprio autor. Na vida espiritual, as intenções, as causas ocultas que nos
inspiraram reaparecem como testemunhas; acabrunham o orgulhoso e fazem
desaparecer-lhe os ilusórios méritos.
O orgulho encobre-nos toda a verdade. Para estudar frutuosamente o
Universo e suas leis, é necessário, antes de tudo, a simplicidade, a sinceridade, a
inteireza do coração e do espírito, virtudes estas desconhecidas ao orgulhoso. É-
lhe insuportável que tantos entes e tantas coisas o tornem subalterno. Para si,
nada existe além daquilo que está ao seu alcance; tampouco admite que seu
saber e sua compreensão sejam limitados.
O homem simples, humilde em sentimentos, rico em qualidades morais,
embora seja inferior em faculdades, apossar-se-á mais depressa da verdade do
que o soberbo ou presunçoso da ciência terrestre que se revolta contra a lei que
o rebaixa e derruí o seu prestígio.
O ensino dos Espíritos patenteia-nos a triste situação dos orgulhosos na vida
de além-túmulo. Os humildes e pequenos deste mundo acham-se aí exaltados; os
soberbos e os vaidosos aí são apoucados e humilhados. É que uns levaram
consigo o que constitui a verdadeira supremacia: as virtudes, as qualidades
adquiridas pelo sofrimento; ao passo que outros tiveram de largar, no momento
da morte, todos os seus títulos, todos os bens de fortuna e seu vão saber, tudo o
que neste mundo lhes formava a glória; e sua felicidade esvaiu-se como fumo.
Chegam ao espaço pobres, esbulhados; e este súbito desnudamento,
contrastando com o passado esplendor, desconsola-os e sobremodo os mortifica.
Avistam, então, na luz, esses a quem haviam desprezado e pisoteado aqui na
Terra. O mesmo terá de suceder nas reencarnações futuras. O orgulho e a voraz
ambição não se podem abater e suprimir senão por meio de existências
atribuladas, de trabalho e de renúncia, no decorrer das quais a alma orgulhosa
reflete, reconhece a sua fraqueza e, pouco a pouco, vai-se permeando a melhores
sentimentos.
Com um pouco de reflexão e sensatez evitaríamos esses males. Por que
consentir que o orgulho nos invada e domine, quando apenas basta refletir sobre
o pouco que somos? Será o corpo, os nossos adornos físicos que nos inspiram a
vaidade? A beleza é de pouca duração; uma só enfermidade pode destruí-la.

3
Dia por dia, o tempo tudo consome e, dentro em pouco, só ruínas restarão:
o corpo tornar-se-á então algo repugnante. Será a nossa superioridade sobre a
Natureza? Se o mais poderoso, o mais bem dotado de nós, for transportado pelos
elementos desencadeados; se achar insulado e exposto às cóleras do oceano; se
estiver no meio dos furores do vento, das ondas ou dos fogos subterrâneos, toda
a sua fraqueza então se patenteará!
Assim, todas as distinções sociais, os títulos e as vantagens da fortuna
medem-se pelo seu justo valor. Todos são iguais diante do perigo, do sofrimento
e da morte.
Todos os homens, desde o mais altamente colocado até o mais miserável,
são construídos da mesma argila. Revestidos de andrajos ou de suntuosos
hábitos, os seus corpos são animados por Espíritos da mesma origem e todos
reunir-se-ão na vida futura. Aí somente o valor moral é que os distingue. O que
tiver sido grande na Terra pode tornar-se um dos últimos no espaço; o mendigo,
talvez, aí, venha a revestir uma brilhante roupagem.
Não desprezemos, pois, a ninguém. Não sejamos vaidosos com os favores e
vantagens que fenecem, pois não podemos saber o que nos está reservado para
o dia seguinte.
Se Jesus prometeu aos humildes e aos pequenos a entrada nos reinos
celestes, é porque a riqueza e o poder engendram, muitíssimas vezes, o orgulho;
no entanto, uma vida laboriosa e obscura é o tônico mais eficaz para o progresso
moral. No cumprimento dos deveres cotidianos o trabalhador é menos assediado
pelas tentações, pelos desejos e ruins paixões; pode entregar-se à meditação,
desvendar sua consciência; o homem mundano, ao contrário, fica absorvido pelas
ocupações frívolas, pela especulação e pelo prazer.
Tantos e tão fortes são os vínculos com que a riqueza nos prende à Terra
que a morte nem sempre consegue quebrá-los a fim de nos libertar. Daí as
angústias que o rico sofre na vida futura. É, portanto, fácil de compreender que,
efetivamente, nada nos pertence nesta Terra. Esses bens que tanto prezamos só
aparentemente nos pertencem. Centenas, ou, por outra, milhares de homens
antes de nós supuseram possuí-los; milhares de outros depois de nós acalentar-
se-ão com essas mesmas ilusões, mas todos têm de abandoná-los cedo ou tarde.
O Próprio corpo humano é um empréstimo da Natureza, e ela sabe perfeitamente
no-lo retomar quando lhe convém. As únicas aquisições duráveis são as de ordem
intelectual e moral.
Da paixão pelos bens materiais surgem quase sempre à inveja e o ciúme.
Desde que esses males se implantem em nós, podemos considerar-nos sem
repouso e sem paz. A vida torna-se um tormento perpétuo. Os felizes sucessos e
a opulência alheia excitam ardentes cobiças no invejoso, inspiram-lhe a febre
abrasadora da ganância. O seu alvo é suplantar os outros, é adquirir riquezas que
nem mesmo sabe fruir. Haverá existência mais lastimável? Não será um suplício
de todos os instantes o correr-se atrás de venturas quiméricas, o entregar-se a
futilidades que geram o desespero quando se esvaem?

4
Entretanto, a riqueza por si só não é um grande mal; torna-se boa ou ruim,
conforme a utilidade que lhe damos. O necessário é que não inspire nem orgulho
nem insensibilidade moral. É preciso que sejamos senhores da fortuna e não seus
escravos, e que mostremos que lhe somos superiores, desinteressados e
generosos. Em tais condições, essa provação tão arriscada torna-se fácil de
suportar. Assim, ela não entibia os caracteres, não desperta essa sensualidade
quase inseparável do bem-estar.
A prosperidade é perigosa por causa das tentações, da fascinação que
exerce sobre os espíritos. Entretanto, pode tornar-se origem de um grande bem,
quando regulada com critério e moderação.
Com a riqueza podemos contribuir para o progresso intelectual da
Humanidade, para a melhoria das sociedades, criando instituições de beneficência
ou escolas, fazendo que os deserdados participem das descobertas da Ciência e
das revelações do belo em todas as suas formas. Mas a riqueza deve também
assistir aqueles que lutam contra as necessidades, que imploram trabalho e
socorro.
Consagrar esses recursos à satisfação exclusiva da vaidade e dos sentidos é
perder uma existência, é criar por si mesmo penosos obstáculos.
O rico deverá prestar contas do depósito que lhe foi confiado para o bem de
todos. Quando a lei inexorável e o grito da consciência se erguerem contra ele,
nesse novo mundo, onde o ouro não tem mais influência, que responderá à
acusação de haver desviado, em seu único proveito, aquilo com que devia
apaziguar a fome e os sofrimentos alheios? Inevitavelmente, ficará envergonhado
e confuso.
Quando um Espírito não se julga suficientemente prevenido contra as
seduções da riqueza, deverá afastar-se dessa prova perigosa, dar preferência a
uma vida simples, que o isole das vertigens da fortuna e da grandeza. Se, apesar
de tudo, a sorte do destino designá-lo a ocupar uma posição elevada neste
mundo, ele não deverá regozijar-se, pois, desde então, são muito maiores as
suas responsabilidades e os seus compromissos. Mas também não deve lastimar-
se, no caso de ser colocado entre as classes inferiores da sociedade. A tarefa dos
humildes é a mais meritória; são estes os que suportam todo o peso da
civilização, é do seu trabalho que a Humanidade vive e se alimenta. O pobre deve
ser sagrado para todos, porque foi nessa condição que Jesus quis nascer e
morrer; da pobreza também saíram Epicteto, Francisco de Assis, Miguel Ângelo,
Vicente de Paulo, e tantos outros grandes Espíritos que viveram neste mundo.
Eles sabiam que o trabalho, as privações e o sofrimento desenvolvem as forças
viris da alma e que a prosperidade aniquila-as. Pelo desprendimento das coisas
humanas, uns acharam a santificação, outros encontraram a potência que
caracteriza o Gênio. A pobreza ensina a nos compadecermos dos males alheios e,
fazendo-nos melhor compreendê-los, une-nos a todos os que sofrem; dá valor a
mil coisas indiferentes aos que são felizes.
Quem desconhece tais princípios, fica sempre ignorando um dos lados mais
sensíveis da vida.

5
Não invejemos os ricos, cujo aparente esplendor oculta muitas misérias
morais. Não esqueçamos de que sob o cilício da pobreza ocultam-se as virtudes
mais sublimes, a abnegação, o espírito de sacrifício. Não esqueçamos jamais que
é pelo trabalho, pelo sofrimento e pela imolação contínua dos pequenos que as
sociedades vivem, protegem-se e renovam-se.

O orgulho também é um erro


( Livro: Reencarnação e Vida – Amália Domingos Soler )

Não faz muitos dias, veio ver-me minha amiga Alice, espírito que me é
muito simpático; é uma distinta mulher, de porte verdadeiramente aristocrático,
de esmeradíssima educação, e vasta instrução. Espiritista, crente, lê com muito
aproveitamento tudo quanto se escreve sobre o Espiritismo, traduzindo e
comentado suas melhores obras sem que seu verdadeiro nome saia a luz. Ela sim
que faz o bem pelo bem mesmo; trabalha sem desejar os louros da glória, mas a
glória da elevação de seus sentimentos a leva em todo o seu Ser. É uma mulher
de meia idade e conserva a esbeltes e a elegância de juventude, havendo nela
algo que atraia, que seduz, que interessa. Quando se fala com Alice, desejamos
deter o voo do tempo, para que aqueles breves momentos se convertam em
horas intermináveis. Esposa e mãe, dedica-se toda á sua família ( que não
compartilha de seus ideais), e ela, prudente e reservada, oculta o valioso tesouro
de suas crenças e evita discussões com seus familiares; vive, pode-se dizer, em
um mundo superior, participa das lutas terrenas para chorar com sua filhas, se
estas padecem os aborrecimentos naturais que a vida proporciona ás mulheres
casadas.
Mas, depois que cumpre seus deveres de mãe amantíssima, parece que
entra em outro mundo, concentra-se em si mesma, parece que viver de
recordações, que devem ser muito dolorosas, porque seu rosto adquire uma
expressão tristíssima e mais triste ainda, porque ela não é comunicativa; se
encerra no silêncio e evita cuidadosamente falar de si mesma. Assim como seus
trabalhos espíritas os oculta para evitar desgostos á família, de igual modo,
oculta suas inquietudes, suas ansiedades, seus temores. Eu, quando falo com ela,
compreendendo que estou lendo um livro do qual não vejo mais que a primeira
folha: as demais estão sem cortar; assim é que a ultima vez que a vi, me
surpreendi muito ao vê-la mais comunicativa, mais expansiva. Aquele espírito
superior descia de seu alto pedestal, se humanizava, cortava as distâncias que,
indubitavelmente, existem entre ela e a generalidade dos mortais e, ao perceber
a mudança, minha alegria não teve limites e a demonstrei, dizendo:
-Não sei que noto em ti, mas te encontro mais carinhosa, mais perto de
mim.
-Sem duvida, não sabes que a dor é a grande força democrática do
Universo? Os que sofrem, se entendem facilmente ( como dizia Campodrón); faz
tempo que sofres e eu, nestes últimos anos, também sofri grandes reveses e,
pela lei de afinidade, falo contigo, para ver se podes esclarecer o que não consigo

6
entender. Já sei que estás em muitas boas relações com os Espíritos, que eles te
contam muitas histórias e desejo que, uma vez mais, respondam ás tuas
perguntas, não para satisfazer minha curiosidade, mas para estudar um capítulo
a mais da histórias humana.
- Sabes que te estimo, que te admiro, que vejo em ti dois seres diferentes,
ainda que haja apenas um só verdadeiro; que adivinho teus pesares e, para
consolar-te, farei quando me seja possível.
- Sei, teu Espírito e o meu se conhecem faz tempo e, apesar desta vez nosso
destino ser diferente, não importa; as almas não necessitam da convivência dos
corpos para entender-se, para estimar-se e para prestar-se determinados
serviços. Seriamos ermitões se as humanidades que povoam os mundos não se
pudessem comunicar umas com as outras, através de distâncias imensas; mas
vamos ao assunto que me ocupa. Creio que já sabes que fiquei viúva.
- Sim, soube e, se não soubesse, os negros crepes que te envolvem me
teriam indicado.
- Mas, minha negra vestimenta, não te dará idéia da morte horrível que
teve meu marido.
- De que morreu?
- De fome.
- Jesus, que horror, teria algum câncer no estômago que o impedia de
alimentar-se?
- Não, estava bem e com saúde, sabia tratar-se como poucos homens,
sua ciência médica o servia admiravelmente pa ra não padecer dores
físicas, mas uma dor moral o fez es quecer todos os métodos higiênicos,
entregou-se a uma muda obstinação e sua vid a foi se extinguind o
como se e xting ue a luz de uma lâmpada, à qual falta o azeite necessário.
- Imensa dor teria sofrido, porque, como sei, teu esposo não era homem
dado a pueris sentimentalismos.
- Certamente que não. Era bom, mas austero; seu mundo era a
ciência, a família, seus inumeráveis enfermos e sua única alegria, devolver a
vista aos cegos.
Contam-se ás centenas os cegos que ele curou, em todas as classes sociais;
tanto atendia ao pobre quanto ao rico, as operações mais difíceis não deixava aos
seus ajudantes, como fazem a maioria dos médicos de consulta gratuita. Ele,
não; onde via perigo maior, ali estava, tanto lhe dava que fosse um repugnante
leproso como um enfermo aristocrata, limpo e perfumado. A ciência, conforme
dizia, é a igualdade de ação; para ela não tem classes e o verdadeiro médico é o
grande missionário da fraternidade, o grande nivelador, aquele que responde a
todos os chamados. Assim fazia meu marido, jamais se fez de surdo quando o
chamavam os aflitos.
- Que bem deverá estar no espaço!
- Inegavelmente, a não ser que sua morte seja um obstáculo para sua
felicidade, porque ele se matou, o suicídio efetuou-se.
- E qual foi o motivo de tão violente determinação?

7
- Contar-te-ei. Uma de minhas filhas casou-se e tornou-se mãe de uma linda
menina, comuns olhos formosíssimos que pareciam dois faróis. Desde que
nasceu, meu marido ficou louco por ela e a menina por ele; o avô e a neta eram
dois corpos e uma alma, pois estando juntos já estavam contentes. Meu marido
rejuvenesceu e sempre estava com a neta nos braços, e de todo o corpo, mas
sobretudo dos olhos; meu marido não comia, nem dormia; estava ao lado da
pobre menina, devorando livros, buscando a luz para os olhos que eram sua vida.
Devolveu a luz a um, mas o outro saiu de sua órbita e meu marido acreditou que
enlouqueceria, retirou-se para seu quarto, e eu o ouvia exclamar, a sós:
- Será possível? Eu, que devolvi vista a tantos cegos, eu que curei a tantos
sifilíticos e a este anjo tão formoso não pude curar mais que pela metade. Pôr-
lhe-ão um olho de cristal, farão prodígios... mas ver ... ver não verá mais que
pela metade, e ainda o olho que resta não será tão bonito, nem terá o mesmo
brilho deslumbrante. Para que me serviu minha ciência? Para nada.
E negou-se a tomar qualquer classe de alimento a tomar qualquer classe de
alimentos, viveu alguns dias alimentando-se com água. Todas as minhas súplicas
foram em vão; ele somente me dizia: é inútil, o que me dizes, não posso engoli,
até a água me custa a engolir. Dois dias antes de morrer pediu-me frutas
maduras, mas... já era tarde, morreu de fome sem uma queixa, somente
murmurava entre dentes: quando já não se serve para nada, deixa-se o lugar
para outro. Agora, entretanto, pergunto: que laço o unia á sua neta? Bem, tinha
outros netos, mas por nenhum deles se desvelou como para sua menina querida.
Se podes, pergunte ao Pe. Germano que história têm esses dois Espíritos; ao
morrer de dor como morreu meu marido, um homem tão sério, tão grave, tão
dedicado á ciência, causa muito poderosa deve ter havido para que sucumbisse
tão tragicamente.
- Eu te prometo que aproveitarei a primeira oportunidade para satisfazer-te.
Cumpri minha palavra perguntando ao padre Germano o que desejava Alice
saber, e o Espírito me respondeu:
“É justo o desejo que anima a ambas e, o que te direi será motivo de
estudo; escuta com a maior atenção.”
“ O homem que morreu de fome, que chamaremos Raul, e sua neta, são
dois Espíritos que, faz muitos séculos, caminham juntos. Estiveram unidos por
todos os laços terrenos e, em suas últimas existências, foram inseparáveis
amigos, melhor dizendo, professor e discípulo. Raul, faz longos séculos que se
ocupa em curar os enfermos e, a que hoje foi sua neta, anteriormente foi seu
discípulo mais dedicado, seu mais prático ajudante; tinha tanta fama, quase
como seu mestre. Eram os dois inseparáveis, um complementava o outro e, tanto
êxito tinham suas curas, que chegaram a orgulhar-se, tanto um quanto o outro,
porque realmente eram infalíveis em seus juízos médicos; suas palavras eram
proféticas, nunca se equivocavam, nem assegurando bens, nem pressentindo o
mal. E se chegaram a crer de tal maneira em sua infalibilidade, tampouco se
contentarem em seguir as marcas de outros sábios, doutores, mas inventaram
novos métodos e processos especiais.

8
Para maior segurança de suas experiências, não se contentaram em fazer
experimentos em diversos animais, como é costume, para ver o resultado que os
soros produzem e as outras injeções hipodérmicas, mas nos hospitais e asilos,
destinados á infância, faziam seus ensaios em infelizes crianças sem família;
algumas morriam, outras se salvaram, mas os dois sábios não sentiam o menor
remorso pela morte daqueles inocentes. Que era a morte de uma criança sem
família, ante o bem que aquela experiência certamente traria á Humanidade? E
além do bem que faziam, a fama universal de ambos, que aumentava dia a dia,
os enchia de orgulho; acreditavam-se infalíveis porque, de longínquas terras,
vinham peregrinações de enfermos para recobrar a saúde perdida.
Raul era verdadeiramente uma celebridade médica e seu discípulo não se
separava dele um só instante e, coisa rara, não o invejava. Como estavam unidos
há tantos séculos, por íntimos e legítimos amores, sua admiração raiava á
idolatria, isenta de misérias terrenas; seu maior prazer era proporcionar ao
mestre crianças desamparadas, nas quais Raul ensaiava a eficácia de seus
atrevidos inventos; os dois julgavam-se deuses, o orgulho os cegou e o orgulho é
também um erro e, como todo erro tem sua condenação, Raul e seu discípulo
pagaram, nesta existência, uma parte de sua longa conta.”
“ O discípulo amado é hoje a terna menina, cujo avô, com toda sua ciência
não pôde curar mais que pela metade. O sábio orgulhos, que se acreditava
infalível em seus diagnósticos, viu-se impotente para curar seu querido anjo, e
este, que não teve compaixão das pobres crianças sacrificadas ao estudo e ás
investigações cientificas, sofre hoje as consequências de sua indiferença de
ontem; dor que não se compadece, é necessário sofrer para apreciá-la em seu
verdadeiro valor. Raul, cuja ciência esteve comparação ao que havia sido, nada
mais era que uma vulgar mediocridade, sua grande inteligência médica o fazia
sofrer extraordinariamente, pois compreendia onde estava o remédio, sabia o
modo de aplicá-lo, mas ao chegar ao momento decisivo de administrar a droga
apropriada á pertinaz moléstia, via que se equivocava, sua ação curativa não
respondia ao impulso de seu pensamento. Isto o desesperava com os seres
estranhos mas, ao ver-se impotente para salvar a neta, seu desespero chegou ao
grau máximo; impossibilitando de atender ao amor de seus amores, morrendo,
como era necessário que morresse, humilhado, convencido de sua insignificância,
de sua acreditou-se um deus e morreu persuadido de que não há deuses, que
não há mais que um Deus.
Como o erro do orgulho cientifico é, até certo ponto perdoável, Raul, que á
séculos, é um sol no mundo da ciência, encontra-se hoje em muito bom estado,
porque não perdeu um só ápice de sua sabedoria e reconheceu uma grandeza
superior á sua. Reconheceu uma ciência desconhecida para ele, um poder
maravilhoso, uma força que sustém a máquina do Universo e, diante de tanta luz,
ante tanta magnificência, ante tantos mundos, onde adivinha que existem
grandes sábios, pergunta a Deus por que brilham os sóis, por que seu fogo não
incendeia o Universo. Ele se considera um dos tantos alunos de grande
Universidade do Infinito; se reconhece, ao mesmo tempo, grande e pequeno e o

9
orgulho não voltará a cegar. Tem luz própria, vive em meio dessa luz e, com seu
fluido luminoso, envolve a sua neta, que é o amor de todos os seus amores.”
“Estude, cuidadosamente, o breve relato que te fiz da morte de um sábio,
orgulhoso; não basta penetrar vitorioso o templo da ciência, tem que amar, tem
que compadecer-se, não se pode desprezar o pária da sociedade, porque o ser
daquele que crê infalível sua sabedoria, e no mero ato de nascer,tem que
considerar que veio á Terra, cumprir uma missão, seja esta de grande
importância ou insignificante. Todo homem merece respeito e há que esforçar-se
em protegê-lo e em amá-lo; a ciência, que não desse até o desamparado, chega
um dia a receber merecido castigo, como vistes com o sábio Raul. Adeus.”
Tem razão o Espírito ao dizer que é digno de profundo estudo o relato da
morte de um homem que, um dia, se acreditou um Deus e, também, deixou de
valorizar seu organismo, que deixou de alimentar, convencido de que sua
permanência na Terra era completamente inútil.
Fatal aberração! Ainda poderia fazer muito bem, ainda sua ciência teria
consolado, mas acreditou-se dono de si mesmo e dispôs de sua vida, ignorando
que cometia um crime porque negou seus benefícios a muitos enfermos.
Quanto é útil conhecer a vida de além-tumúlo! Raul, se a houvesse
conhecido, não se entregaria ao desespero, destruindo do seu organismo; antes,
ao contrario, teria redobrado seus esforços para dar luz aos cegos, já que sabia o
que é sofrer diante da provação irremediável.
Somente o estudo do Espiritismo nos fará grandes em meio á dor, porque,
sabendo que vivemos eternamente, faremos o possível para ser hoje melhores
que ontem, e amanhã, grandes benfeitores da Humanidade.

Supercultura
( Livro: Livro da Esperança – Espíritos, Emmunel – Chico Xavier )

“..Graças te rendo, ó Pai, senhor dos Céus e da Terra, que por haveres
ocultado estas cousas aos doutos e aos prudentes e por as teres revelado
aos simples e pequeninos!” JESUS - MATEUS, 11: 25.
“Homens, par que vos queixais dos calamidades que vós mesmas
amontoastes sobre as vossas cabeças? Desprezastes a santa e divina moral do
Cristo; não vos espanteis, pois, de que a taça da iniqüidade haja transbordado de
todos os lados.” - Cap. VII, 12.
Alfabetizar e instruir sempre.
Sem escola, a Humanidade se embaraçaria na selva, no entanto, é
imperioso lembrar que as maiores calamidades da guerra procedem dos louros da
inteligência sem educação espiritual.
A intelectualidade requintada entretece lauréis A civilização, mas, por si só,
não conseguiu, até hoje, frear o poder das trevas.
A supercultura, monumentalizou cidades imponentes e estabeleceu os
engenhos que as arrasam.

10
Levantou embarcações que se alteiam como sendo palácios flutuantes e
criou o torpedo que as põe a pique.
Estruturou asas metálicas poderosas que, em tempo breve, transportam. o
homem, através de todos os continentes e aprumou o bombardeiro que lhe
destrói a casa.
Articulou máquinas que patrocinam o bem-estar no reduto doméstico e não
impede a obsessão que, comumente, decorre do ócio demasiado.
Organizou hospitais eficientes e, de quando a quando, lhes superlota, as
mínimas dependências com os mutilados e feridos, enfileirados por ela própria,
nas lutas de extermínio.
Alçou a cirurgia às inesperadas culminâncias e aprimorou as técnicas do
aborto.
E, ainda agora, realiza incursões a pleno espaço, nos alvores da
Astronáutica, e examina do alto os processos mais seguros de efetuar
aniquilamentos em massa pelo foguete balístico.
Iluminemos o raciocínio sem descurar o sentimento.
Burilemos o sentimento sem desprezar o raciocínio.
0 Espiritismo, restaurando o Cristianismo, é universidade da alma. Nesse
sentido, vale recordar que Jesus, o Mestre por excelência, nos ensinou, acima de
tudo, a viver construindo para o bem e para a verdade, como a dizer-nos que a
chama da cabeça não derrama, a luz da felicidade sem o óleo do coração.

Perguntas
01 – Como combater o orgulho?
02 – Quais os vícios causados pelo orgulho?
03 – O que acontece quando o orgulho chega ao extremo?
04 – O orgulho deixará, um dia, de ser um mal na sociedade?
05 – Que devemos fazer para obter graça diante de Deus?
06 – As posições sociais de destaque são condenáveis?
07 – É a inteligência um instrumento de progresso?

Conclusão
A ninguém é impedido corrigir-se dos vícios oriundos do orgulho. O Evangelho é o
roteiro de luz em forma de bênçãos a todas as criaturas de boa vontade. Aos recalcitrantes, o
tempo e a dor servirão de remédio.

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VII, Item 13.

Textos Complementares

11
Respostas das perguntas anteriores – 30º Roteiro
1º Resposta: É a virtude que nivela os homens, eliminando a falsa idéia de
superioridade de uns frente aos outros, proporcionando o progresso
Espiritual que os aproxima de Deus.
“ A humildade é uma virtude bem esquecida entre nós.”

2º Resposta: Não, pois esse sentimento nos diz que somos todos irmãos e que
devemos nos ajudar uns ao outros; assim, nos conduziremos ao bem.
“Sem humildade, nos cobrimos de virtudes que não temos. È como se usássemos um
vestuário para cobrir uma deformidade do corpo”

3º Resposta: Não. A humildade nos eleva moralmente, possibilitando-nos um


progresso mais rápido, enquanto que o orgulho represente um grande obstáculo a
essa caminhada.
“ O orgulho é o terrível adversário da humildade.”

4º Resposta: Sim. A riqueza, por si só, não é um mal. Torna-se boa ou ruim conforme
a utilidade que damos. O importante é que não inspire orgulho e nem cause obstáculo
ao desenvolvimento moral.
“A riqueza nos eleva á tentação e á fascinação, mas, quando orientada pela
humildade e regulada com critério e moderação, torna-se origem de um grande mal.”

5º Resposta: Devemos ser humildes e caridosos para com o próximo.


“O mais humilde entre os pequenos deste mundo será o maior na eternidade”

6º Resposta: Não. Elas são naturais na sociedade em que vivemos e oferecem ocasião
para que superiores e subalternos guardem relacionamento fraterno e mantenham
respeito recíproco. O que é condenável são os abusos daqueles que ocupam tais
posições.
“Todas as distinções sociais, os títulos e as vantagens da fortuna, medem-se pelo seu
justo valor. Mas todos são iguais diante do perigo, do sofrimento e da morte.”
rebaixado.”
*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O
Espiritismo’, Da editora Boa Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.
*Duvidas e sugestões contatar; reinaldodosan@hotmail.com

Glossário

Anotações

12
União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo – ESE*
Cap. VII, Item 13

32º Roteiro – Missão do Homem Inteligente na Terra

Objetivos

Identificar a missão do homem inteligente na Terra, conhecerem os meios


para desenvolverem a inteligência e a sensibilizá-los para a necessidade de
emprega-la corretamente.

Missão do Homem inteligente na Terra


13 – Não vos orgulheis por aquilo que sabeis, porque esse saber tem
limites bem estreitos, no mundo que habitais. Mesmo supondo que sejais um das
sumidades desse globo, não tendes nenhuma razão para vos envaidecer. Se
Deus, nos seus desígnios, vos fez nascer num meio onde pudestes desenvolver a
vossa inteligência, foi por querer que a usásseis em benefício de todos. Porque é
uma missão que Ele vos dá, pondo em vossas mãos o instrumento com o qual
podeis desenvolver, ao vosso redor, as inteligências retardatárias e conduzi-las a
Deus. A natureza do instrumento não indica o uso que dele se deve fazer? A
enxada que o jardineiro põe nas mãos do seu ajudante não indica que ele deve
cavar? E o que diríeis se o trabalhador, em vez de trabalhar, erguesse a enxada
para ferir o seu senhor? Diríeis que isso é horroroso, e que ele deve ser expulso.
Pois bem, não se passa o mesmo com aquele que se serve da sua inteligência
para destruir, entre os seus irmãos, a idéia da Providência? Não ergue contra o
seu Senhor a enxada que lhe foi dada para preparar o terreno? Terá ele direito ao
salário prometido, ou merece, pelo contrário, ser expulso do jardim? Pois o será,
não o duvideis, e arrastará existências miseráveis e cheias de humilhação, até
que se curve diante daquele a quem tudo deve.
A inteligência é rica em méritos para o futuro, mas com a condição de ser
bem empregada. Se todos os homens bem dotados se servissem dela segundo os
desígnios de Deus, a tarefa dos Espíritos seria fácil, ao fazerem progredir a
humanidade. Muitos, infelizmente, a transformaram em instrumento de orgulho e
de perdição para si mesmos. O homem abusa de sua inteligência, como de todas
as suas faculdades, mas não lhe faltam lições, advertindo-o de que uma poderosa
mão pode retirar-lhe o que ela mesma lhe deu.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

1
Fontes Complementares

Aprendizado
( Livro: O Consolador – Espirito, Emmanuel –Chico Xavier )

117 – A inteligência, julgada pelo padrão humano, será a súmula de


várias experiências do Espírito sobre a Terra?
-Os valores intelectivos representam a soma de muitas experiências, em
várias vidas do Espírito, no plano material. Uma inteligência profunda significa um
imenso acervo de lutas planetárias. Atingida essa posição, se o homem guarda
consigo uma expressão idêntica de progresso espiritual, pelo sentimento, então
estará apto a elevar-se a novas esferas do Infinito, para a conquista de sua
perfeição.
118 – Como se registram as experiências do Espírito em uma encarnação,
para servirem de patrimônio evolutivo nas encarnações subseqüentes?
-É no próprio patrimônio íntimo que a alma registra as suas experiências, no
aprendizado das lutas da vida, acerca das quais guardará sempre uma lembrança
inata nos trabalhos purificadores do porvir.
119 – Como devemos proceder para dilatar nossa capacidade espiritual?
-Ainda não encontramos uma fórmula mais elevada e mais bela que a do
esforço próprio, dentro da humildade e do amor, no ambiente de trabalho e de
lições da Terra, onde Jesus houve por bem instalar a nossa oficina de
perfectibilidade para a futura elevação dos nossos destinos de espíritos imortais.
120 – Pode existir inteligência sem desenvolvimento espiritual?
-Diremos, melhor: inteligência humana sem desenvolvimento sentimental,
porque nesse desequilíbrio do sentimento e da razão é que repousa atualmente
a dolorosa realidade do mundo. O grande erro das criaturas humanas foi
entronizar apenas a inteligência, olvidando os valores legítimos do coração nos
caminhos da vida.
121 – O meio ambiente influi no espírito?
-O meio ambiente em que a alma renasceu, muitas vezes constitui a prova
expiatória; com poderosas influências sobre a personalidade, faz-se indispensável
que o coração esclarecido coopere na sua transformação para o bem, melhorando
e elevando as condições materiais e morais de todos os que vivem na sua zona
de influenciação.
122 – Que se deve fazer para o desenvolvimento da intuição?
-O campo do estudo perseverante, com o esforço sincero e a meditação
sadia, é o grande veículo de amplitude da intuição, em todos os seus aspectos.
123 –Deve o crente criar imposições absolutas para si mesmo, no sentido
de alcançar mais depressa a perfeição espiritual?
-O crente deve esforçar-se o mais possível, mas, de modo algum, deve
nutrir a pretensão de atingir a superioridade espiritual completa, de uma só vez,
porquanto a vida humana é aprendizado de lutas purificadoras e, no cadinho do
resgate, nem sempre a temperatura pode ser amena, alcançando, por vezes, ao

2
mais alto grau para o desiderato do acrisolamento.
Em todas as circunstâncias, guarde o cristão a prece e a vigilância; prece ativa,
que é o trabalho do bem, e vigilância, que é a prudência necessária, de modo a
não trair novos compromissos. E, nesse esforço, a alma estará preparada a
estruturar o futuro de si mesma, no caminho eterno do espaço e do tempo, sem
o desalento dos tristes e sem a inquietação dos mais afoitos.
124 - Qual a importância da palavra humana para as conquistas
evolutivas do espírito?
-A palavra é um dom divino, quando acompanhada dos atos que a
testemunhem; e é através de seus caracteres falados ou escritos que o homem
recebe o patrimônio de experiências sagradas de quantos o antecederam no
mecanismo evolutivo das civilizações. É por intermédio de seus poderes que se
transmite, de gerações a gerações, o fogo divino do progresso na escola
abençoada da Terra.
125 – Reconhecendo que os nossos amigos do plano espiritual estão
sempre ao nosso lado, em todos os trabalhos e dificuldades, a fim de nos
inspirar, quais os maiores obstáculos que a sua bondade encontra em
nós, para que recebamos os seus socorro indireto, afetuoso e eficiente?
-Os maiores obstáculos psíquicos, antepostos pelo homem terrestre aos seus
amigos e mentores da espiritualidade, são oriundos da ausência de humildade
sincera nos corações; para o exame da própria situação de egoísmo, rebeldia e
necessidade de sofrimento.
126 – As vibrações relativas ao bem e ao mal, emitidas pela alma
encarnada no seu aprendizado terrestre, persistem no Espaço para
exame e ponderação do futuro?
-Haveis de convir convosco que existem fenômenos físicos, transcendentes
em demasia, para que possamos examina-los, devidamente, na pauta exígua dos
vossos conhecimentos atuais.
Todavia, em se tratando de vibrações emitidas pelo Espírito encarnado, somos
compelidos a reconhecer que essas vibrações ficam perenemente gravadas na
memória de cada um; e a memória é uma chapa fotográfica, onde as imagens
jamais se confundem. Bastará a manifestação da lembrança, para serem levadas
a efeito todas as ponderações, mais tarde, no capítulo das expressões do mal e
do bem

Intelectualismo
( Livro: O Consolador – Espirito, Emmanuel –Chico Xavier )

204 – A alma humana poder-se-á elevar para Deus, tão-somente com o


progresso moral, sem os valores intelectivos?
O sentimento e a sabedoria são as duas asas com que a alma se elevará
para perfeição infinita. No círculo acanhado do orbe terrestre, ambos são
classificados como adiantamento moral e adiantamento intelectual, mas, como
estamos examinando os valores propriamente do mundo, em particular, devemos

3
reconhecer que ambos são imprescindíveis ao progresso, sendo justo, porém,
considerar a superioridade do primeiro sobre o segundo, porquanto a parte
intelectual sem a moral pode oferecer numerosas perspectivas de queda, na
repetição das experiências, enquanto que o avanço moral jamais será excessivo,
representando o núcleo mais importante das energias evolutivas.
205 – Podemos ter uma idéia da extensão de nossa capacidade
intelectual?
A capacidade intelectual do homem terrestre é excessivamente reduzida, em
face dos elevados poderes da personalidade espiritual independente dos laços
da matéria. Os elos da reencarnação fazem o papel de quebra-luz sobre todas as
conquistas anteriores do Espírito reencarnado. Nessa sombra, reside o acervo de
lembranças vagas, de vocações inatas, de numerosas experiências, de valores
naturais e espontâneos, a que chamais subconsciência. O homem comum é uma
representação parcial do homem transcendente, que será reintegrado nas suas
aquisições do passado, depois de haver cumprido a prova ou a missão exigidas
pelas suas condições morais, no mecanismo da justiça divina.
Aliás, a incapacidade intelectual do homem físico tem sua origem na sua própria
situação, caracterizada pela necessidade de provas amargas. O cérebro humano é
um aparelho frágil e deficiente, onde o Espírito em queda tem de valorizar as
suas realizações de trabalho. Imaginai a caixa craniana, onde se acomodam
células microscópicas, inteiramente preocupadas com sua sede de oxigênio, sem
dispensarem por um milésimo de segundo; a corrente do sangue que as irriga, a
fragilidade dos filamentos que as reúnem, cujas conexões são de cem milésimos
de milímetro, e tereis assim uma idéia exata da pobreza da máquina pensante de
que dispõe o sábio da Terra para as suas orgulhosas deduções, verificando que,
por sua condição de Espírito caído na luta expiatória, tudo tende a demonstrar ao
homem do mundo a sua posição de humildade, de modo que, em todas as
condições, possa ele cultivar os valores legítimos do sentimento.
206 – Como é considerada, no plano espiritual, a posição atual intelectiva
da Terra?
Os valores intelectuais do planeta, nos tempos modernos, sofrem a
humilhação de todas as forças corruptoras da decadência. A atual geração, que
tantas vezes se entregou à jactância, atribuindo a si mesma as mais altas
conquistas no terreno do raciocínio positivo, operou os mais vastos desequilíbrios
nas correntes evolutivas do orbe, com o seu injustificável divórcio do sentimento.
Nunca os círculos educativos da Terra possuíram tanta facilidade de amplificação,
como agora, em face da evolução das artes gráficas; jamais o livro e o jornal
foram tão largamente difundidos; entretanto, a imprensa, quase de modo geral, é
órgão de escândalo para a comunidade e centro de interesse econômico para o
ambiente particular, enquanto que poucos livros triunfam sem o bafejo da fortuna
privada ou oficial, na hipótese de ventilarem os problemas elevados da vida
( Livro O Consolador, Perguntas 204 a 206 - Chico Xavier – Emanuel )

4
Idiotismo e Loucura
( Livro: Livro dos Espíritos – Allan Kardec )

371. Tem algum fundamento o pretender-se que a alma dos cretinos e


dos idiotas é de natureza inferior?
“Nenhum. Eles trazem almas humanas, não raro mais inteligentes do que
supondes, mas que sofrem da insuficiência dos meios de que dispõem para se
comunicar, da mesma forma que o mudo sofre da impossibilidade de falar.”

372. Que objetivo visa a providência criando seres desgraçados, como os


cretinos e os idiotas?
“Os que habitam corpos de idiotas são Espíritos sujeitos a uma punição. Sofrem
por efeito do constrangimento que experimentam e da impossibilidade em que
estão de se manifestarem mediante órgãos não desenvolvidos ou
desmantelados.”
a) - Não há, pois, fundamento para dizer-se que os órgãos nada influem
sobre as faculdades?
“Nunca dissemos que os órgãos não têm influência. Têm-na muito grande sobre a
manifestação das faculdades, mas não são eles a origem destas. Aqui está a
diferença. Um músico excelente, com um instrumento defeituoso, não dará a
ouvir boa música, o que não fará que deixe de ser bom músico.”
Importa se distinga o estado normal do estado patológico. No primeiro, o moral
vence os obstáculos que a matéria lhe opõe. Há, porém, casos em que a matéria
oferece tal resistência que as manifestações anímicas ficam obstadas ou
desnaturadas, como nos de idiotismo e de loucura. São casos patológicos e, não
gozando nesse estado a alma de toda a sua liberdade, a própria lei humana a
isenta da responsabilidade de seus atos.
373. Qual será o mérito da existência de seres que, como os cretinos e os
idiotas, não podendo fazer o bem nem o mal, se acham incapacitados de
progredir?
“É uma expiação decorrente do abuso que fizeram de certas faculdades. É um
estacionamento temporário.”
a) - Pode assim o corpo de um idiota conter um Espírito que tenha
animado um homem de gênio em precedente existência?
“Certo. O gênio se torna por vezes um flagelo, quando dele abusa o homem.” A
superioridade moral nem sempre guarda proporção com a superioridade
intelectual e os grandes gênios podem ter muito que expiar. Daí, freqüentemente,
lhes resulta uma existência inferior à que tiveram e uma causa de sofrimentos.
Os embaraços que o Espírito encontra para suas manifestações se lhe
assemelham às algemas que tolhem os movimentos a um homem vigoroso. Pode
dizer-se que os cretinos e os idiotas são estropiados do cérebro, como o coxo o é
das pernas e dos olhos o cego.
374. Na condição de Espírito livre, tem o idiota consciência do seu estado
mental?

5
“Freqüentemente tem. Compreende que as cadeias que lhe obstam ao vôo são
prova e expiação.”
375. Qual, na loucura, a situação do Espírito?
“O Espírito, quando em liberdade, recebe diretamente suas impressões e
diretamente exerce sua ação sobre a matéria. Encarnado, porém, ele se encontra
em condições muito diversas e na contingência de só o fazer com o auxílio de
órgãos especiais. Altere-se uma parte ou o conjunto de tais órgãos e eis que se
lhe interrompem, no que destes dependam, a ação ou as impressões. Se perde
os olhos, fica cego; se o ouvido, torna-se surdo, etc.
Imagina agora que seja o órgão, que preside às manifestações da inteligência, o
atacado ou modificado, parcial ou inteiramente, e fácil te será compreender que,
só tendo o Espírito a seu serviço órgãos incompletos ou alterados, uma
perturbação resultará de que ele, por si mesmo e no seu foro íntimo, tem perfeita
consciência, mas cujo curso não lhe está nas mãos deter.”
a) - Então, o desorganizado é sempre o corpo e não o Espírito?
“Exatamente; mas, convém não perder de vista que, assim como o Espírito atua
sobre a matéria, também esta reage sobre ele, dentro de certos limites, e que
pode acontecer impressionar-se o Espírito temporariamente com a alteração dos
órgãos pelos quais se manifesta e recebe as impressões. Pode mesmo suceder
que, com a continuação, durando longo tempo a loucura, a repetição dos mesmos
atos acabe por exercer sobre o Espírito uma influência, de que ele não se
libertará senão depois de se haver libertado de toda impressão material.”
376. Por que razão a loucura leva o homem algumas vezes ao suicídio?
“O Espírito sofre pelo constrangimento em que se acha e pela impossibilidade em
que se vê de manifestar-se livremente, donde o procurar na morte um meio de
quebrar seus grilhões.”
377. Depois da morte, o Espírito do alienado se ressente do desarranjo
de suas faculdades?
“Pode ressentir-se, durante algum tempo após a morte, até que se desligue
completamente da matéria, como o homem que desperta se ressente, por algum
tempo, da perturbação em que o lançara o sono”.
378. De que modo a alteração do cérebro reage sobre o Espírito depois
da morte?
“ Como uma recordação. Um peso oprime o Espírito e, como ele não teve a
compreensão de tudo o que se passou durante a sua loucura, sempre se faz
mister um certo tempo, a fim de se por ao corrente de tudo. Por isso é que,
quanto mais durar a loucura no curso da vida terrena, tanto mais lhe durará a
incerteza, o constrangimento, depois da morte.
Liberto do corpo, o Espírito se ressente, por certo tempo, da impressão dos laços
que àquele o prendiam.”

6
Perguntas

01 – Por que não deve o homem se envaidecer do seu cabedal de


conhecimentos?
02 – É possível ao homem saber de tudo?
03 – Por que Deus nos permite desenvolver a inteligência?
04 – Como desenvolver a inteligência?
05 – Uma inteligência desenvolvida é sinônimo de espírito evoluído?
06 – Como explicar o retardamento mental que em algumas pessoas?
07 – É a inteligência um instrumento de progresso?
08 – Conta o homem com ajuda do plano espiritual para o desenvolvi-
mento de sua inteligência, quando encarnado?

Conclusão

A inteligência é um poderoso instrumento de progresso que Deus confiou ao


homem para que a desenvolva em beneficio de todos, fazendo progredir as
inteligências retardatárias e a si próprio. Abusar dessa faculdade é assumir
graves responsabilidades de débitos, cujos resgate é muito doloroso.

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VIII, Itens 1 a 4

Textos Complementares

Respostas das perguntas anteriores – 31º Roteiro

1º Resposta: Estudando com humildade o Evangelho de Jesus e


procurando vivenciar os ensinamentos nele contidos.
“ A humildade é o antídoto do orgulho”

2º Resposta: Paixão pelos bens materiais, inveja, ciúme, egoísmo etc.


“Quando os vícios do orgulho, se instalam no coração do home, a vida
torna-se um constante tormento”

3º Resposta: tem-se o indicio de uma queda próxima, pois Deus pune


sempre os soberbos.
“Quanto maior é a subida de orgulhoso, mais terrível é a sua queda.”

7
4º Resposta: Sim, Aos que não atenderem aos apelos fraternos do
Evangelho, a justiça divina reserva processos dolorosos de correção,
mediante reencarnação adequada.
“Deus nunca deixa de castigar os soberbos. Se, por vezes, consente que
eles subam, é para lhes dar tempo á reflexão e a que se emendem.”

5º Resposta: Devemos ser humildes e caridosos para com o próximo.


“O mais humilde entre os pequenos deste mundo será o maior na
eternidade”

6º Resposta: Não. Elas são naturais na sociedade em que vivemos e


oferecem ocasião para que superiores e subalternos guardem
relacionamento fraterno e mantenham respeito recíproco. O que é
condenável são os abusos daqueles que ocupam tais posições.
“Todas as distinções sociais, os títulos e as vantagens da fortuna,
medem-se pelo seu justo valor. Mas todos são iguais diante do perigo, do
sofrimento e da morte.”
*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O
Espiritismo’, Da editora Boa Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.
*Duvidas e sugestões contatar; reinaldodosan@hotmail.com

Glossário

Anotações

8
União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo – ESE*
Cap. VII, Itens 1 a 4

33º Roteiro – Simplicidade e Pureza de Coração

Objetivos

Mostrar o que é necessário para se conquistar o reino dos céus, enfatizando


por que a criança foi tomada, por Jesus, como exemplo da pureza a ser seguido
pelos que querem alcançar aquele reino.

Deixa vim a mim os pequeninhos


1 – Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.
(Mateus, V: 8).
2 – Então lhe apresentaram uns meninos para que os tocasse; mas os
discípulos ameaçavam os que lho apresentavam. O que, vendo Jesus, levou-o
muito a mal, e disse-lhes: Deixai vir a mim os pequeninos, e não os embaraceis,
porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham. Em verdade vos
digo que todo aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, não
entrará nele. E abraçando-os, e pondo as mãos sobre eles, os abençoava.
(Marcos, X: 13-16).
3 – A pureza de coração é inseparável da simplicidade e da humildade.
Exclui todo pensamento de egoísmo e de orgulho. Eis porque Jesus toma a
infância como símbolo dessa pureza, como já a tomara por símbolo de
humildade.
Esta comparação poderia não parecer justa, se considerarmos que o
Espírito da criança pode ser muito antigo, e que ele traz ao renascer na vida
corpórea as imperfeições de que não se livrou nas existências precedentes.
Somente um Espírito que chegou à perfeição poderia dar-nos o modelo da
verdadeira pureza. Não obstante, ela é exata do ponto de vista da vida presente.
Porque a criança, não tendo ainda podido manifestar nenhuma tendência
perversa, oferece-nos a imagem da inocência e da candura. Aliás, Jesus não diz
de maneira absoluta que o Reino de Deus é para elas, mas para aqueles que se
lhes assemelham.
4 – Mas se o Espírito da criança já viveu, por que não se apresenta, ao
nascer, como ele é? Tudo é sábio nas obras de Deus. A criança necessita de
cuidados delicados, que só a ternura materna lhe pode dispensar, e essa ternura
aumenta, diante da fragilidade e da ingenuidade da criança. Para a mãe, seu filho

1
é sempre um anjo, e é necessário que assim seja, para lhe cativar a solicitude.
Ela não poderia tratá-lo com a mesma abnegação, se em vez da graça ingênua,
nele encontrasse, sob os traços infantis, um caráter viril e as idéias de um adulto;
e menos ainda, se conhecesse o seu passado.
É necessário, aliás, que a atividade do princípio inteligente seja
proporcional à debilidade do corpo, que não poderia resistir a uma atividade
excessiva do Espírito, como verificamos nas crianças precoces. É por isso que,
aproximando-se a encarnação, o Espírito começa a perturbar-se e perde pouco a
pouco a consciência de si mesmo. Durante certo período, ele permanece numa
espécie de sono, em que todas as suas faculdades se conservam em estado
latente. Esse estado transitório é necessário, para que o Espírito tenha um novo
ponto de partida, e por isso o faz esquecer, na sua nova existência terrena, tudo
o que lhe pudesse servir de estorvo. Seu passado, entretanto, reage sobre ele,
que renasce para uma vida maior, moral e intelectualmente mais forte,
sustentado e secundado pela intuição que conserva da experiência adquirida.
A partir do nascimento, suas idéias retomam gradualmente o seu
desenvolvimento, acompanhando o crescimento do corpo. Pode-se assim dizer
que, nos primeiros anos, o Espírito é realmente criança, pois as idéias que
formam o fundo do seu caráter estão adormecidas. Durante o tempo em que os
seus instintos permanecem latentes, ela é mais dócil, e por isso mesmo mais
acessível às impressões que podem modificar a sua natureza e fazê-la progredir,
o que facilita a tarefa dos pais.
O Espírito reveste, pois, por algum tempo, a roupagem da inocência. E
Jesus está com a verdade, quando, apesar da anterioridade da alma, toma a
criança como símbolo da pureza e da simplicidade.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

A infância – Questões 379 a 385


( Livro: O Livro dos Espíritos – Allan Kardec )

379 - O Espírito que anima o corpo de uma criança é tão


desenvolvido quanto o de um adulto?
– Pode até ser mais, se progrediu mais. São apenas órgãos imperfeitos que o
impedem de se manifestar. Ele age em razão do instrumento, com que pode se
manifestar.

380 - Numa criança de tenra idade, o Espírito, exceto pelo obstáculo que
a imperfeição dos órgãos opõe à sua livre manifestação, pensa como uma
criança ou como um adulto?
– Quando é criança, é natural que os órgãos da inteligência, não estando
desenvolvidos, não possam lhe dar toda a intuição de um adulto; ele tem, de
fato, a inteligência bastante limitada, enquanto a idade faz amadurecer sua
razão. A perturbação que acompanha a encarnação não cessa subitamente no

2
momento do nascimento; ela somente se dissipa gradualmente, com o
desenvolvimento dos órgãos.
☼ Uma observação em apoio dessa resposta é que os sonhos da criança não têm
o caráter dos de um adulto; seu objeto é quase sempre infantil, o que é um
indício da natureza das preocupações do Espírito.

381 - Na morte da criança, o Espírito retoma imediatamente seu vigor


anterior?
– Deve retomar, uma vez que está livre do corpo; entretanto, apenas readquire
sua lucidez quando a separação é completa, ou seja, quando não existe mais
nenhum laço entre o Espírito e o corpo.

382 - O Espírito encarnado sofre, durante a infância, com as limitações


da imperfeição de seus órgãos?
– Não. Esse estado é uma necessidade, está na natureza e de acordo com os
planos da Providência: é um tempo de repouso para o Espírito.

383 - Qual é, para o Espírito, a utilidade de passar pela infância?


– O Espírito, encarnando para se aperfeiçoar, é mais acessível, durante esse
tempo, às impressões que recebe e que podem ajudar o seu adiantamento, para
o qual devem contribuir aqueles que estão encarregados de sua educação.

384 - Por que a primeira manifestação de uma criança é de choro?


– Para excitar o interesse da mãe e provocar os cuidados que lhe são
necessários. Não compreendeis que, se houvesse apenas manifestações de
alegria, quando ainda não sabe falar, pouco se preocupariam com suas
necessidades? Admirai em tudo a sabedoria da Providência.

385 - De onde vem a mudança que se opera no caráter em uma


determinada idade e particularmente ao sair da adolescência? É o
Espírito que se modifica?
– É o Espírito que retoma sua natureza e se mostra como era. Vós não conheceis
o segredo que escondem as crianças em sua inocência, não sabeis o que são, o
que foram, o que serão e, entretanto, as amais, lhes quereis bem, como se
fossem uma parte de vós mesmos, a tal ponto que o amor de uma mãe por seus
filhos é considerado o maior amor que um ser possa ter por outro. De onde vem
essa doce afeição, essa terna benevolência que até mesmo estranhos sentem por
uma criança? Vós sabeis? Não; é isso que vou explicar.
As crianças são os seres que Deus envia em novas existências e, para não lhes
impor uma severidade muito grande, lhes dá todo o toque de inocência. Mesmo
para uma criança de natureza má suas faltas são cobertas com a não-consciência
de seus atos. Essa inocência não é uma superioridade real sobre o que eram
antes; não, é a imagem do que deveriam ser e se não o são é somente sobre elas
que recai a pena.

3
Mas, não é apenas por elas que Deus lhes dá esse aspecto, é também e
principalmente por seus pais, cujo amor é necessário para sua fraqueza. Esse
amor seria notoriamente enfraquecido frente a um caráter impertinente e rude,
ao passo que, ao acreditar que seus filhos são bons e dóceis, lhes dão toda a
afeição e os rodeiam com os mais atenciosos cuidados. Mas quando os filhos não
têm mais necessidade dessa proteção, dessa assistência que lhes foi dada
durante quinze ou vinte anos, seu caráter real e individual reaparece em toda sua
nudez: conservam-se bons, se eram fundamentalmente bons; mas sempre
sobressaem as características que estavam ocultas na primeira infância.
Vedes que os caminhos de Deus são sempre os melhores e, quando se tem o
coração puro, a explicação é fácil de ser concebida.
De fato, imaginai que o Espírito das crianças pode vir de um mundo em que
adquiriu hábitos totalmente diferentes; como gostaríeis que vivesse entre vós
esse novo ser que vem com paixões completamente diferentes das vossas, com
inclinações, gostos inteiramente opostos aos vossos? Como deveria se incorporar
e alinhar-se entre vós de outra forma senão por aquela que Deus quis, ou seja,
pelo crivo da infância? Aí se confundem todos os pensamentos, os caracteres e as
variedades de seres gerados por essa multidão de mundos nos quais crescem as
criaturas. E vós mesmos, ao desencarnar, vos encontrareis numa espécie de
infância entre novos irmãos; e nessa nova existência não-terrestre ignorareis os
hábitos, os costumes, as relações desse mundo novo para vós; manejareis com
dificuldade uma língua que não estais habituados a falar, língua mais viva do que
é hoje o vosso pensamento. (Veja, nesta obra, a questão 319.)
A infância tem ainda outra utilidade: os Espíritos apenas entram na vida corporal
para se aperfeiçoar e melhorar; a fraqueza da idade infantil os torna flexíveis,
acessíveis aos conselhos da experiência e dos que devem fazê-los progredir. É
então que podem reformar seu caráter e reprimir suas más tendências; este é o
dever que Deus confiou a seus pais, missão sagrada pela qual terão de
responder. Por isso a infância não é somente útil, necessária, indispensável, mas
é ainda a conseqüência natural das Leis que Deus estabeleceu e que regem o
universo.

A retomada da pureza
( Livro: A Voz do Monte – Richard Simonetti )

"Bem-aventurados os que têm limpo o coração, porque verão a Deus."


(MATEUS, 5:8.)
Para que possamos compreender melhor a presença de Deus no Universo, é
preciso que superemos a concepção antropomórfica do patriarca sentado no trono
celeste a comandar os anjos, determinando castigos para os maus e oferecendo
aos bons a suprema ventura de contemplá-lo, face a face, por toda a eternidade.
Deus é a Mente Criadora, a Consciência Cósmica que construiu o Universo e
sustenta a Vida. Estamos mergulhados em seu seio, segundo André Luiz, como
peixes num oceano. Tanto mais próximos estaremos dele quanto maior a nossa

4
capacidade de nos ligarmos aos valores espirituais, já que Deus é Espírito e em
Espírito deve ser adorado, conforme ensina Jesus.
Os místicos e os santos, cultivando rigorosa disciplina da mente e do
sentimento, conseguem sobrepor-se às limitações da matéria e sentem a gloriosa
realidade da presença de Deus no Universo, o que os leva a experimentar
sensações de felicidade e de plenitude de vida tão intensas que são verdadeiros
êxtases celestes.
Há em homens assim uma consciência tão ampla de interação, de comunhão
profunda com a Natureza, que um Francisco de Assis, plenamente integrado na
obra da Criação, via irmãos seus nas aves, nos animais, no mar, no rio, na flor,
no fruto, no sol, na lua, nas estrelas ...
Para encetar-se a jornada rumo a tão elevado estágio de espiritualidade, é
preciso ter limpo o coração. Poderíamos definir essa pureza como a ausência de
sentimentos inferiores - a cobiça, a luxúria, a maldade, o ódio, o ressentimento, a
ambição, o orgulho, a vaidade, o egoísmo ...
As crianças, não porque detenham a pureza, mas porque os sentimentos
inferiores ainda dormitam em seus corações, são mais espontâneas, mais
capazes de uma ligação com os valores espirituais, revelando, não raro, uma
surpreendente religiosidade.
Nossas orações, nos verdes anos da infância e no início da adolescência, são
mais puras. Sentimos mais de perto a presença dos Espíritos em nos dirigirmos
aos Benfeitores Espirituais com muita naturalidade. Por isso, assimilamos
amplamente a proteção do Céu ao surgirem as dificuldades da Terra.
Com a maturidade física e a integração na vida social, com seus problemas,
seus interesses, suas disputas despertam no indivíduo as tendências inferiores,
herança de desatinos passados. E, após um período de conflitos íntimos, nascidos
da luta entre os ideais religiosos não bem definidos e amadurecidos e as paixões
humanas, arraigadas e fortes em sua personalidade, ele acaba por acomodar-se
às próprias fraquezas.
Surge, então, o tipo comum, esmagadora maioria na Terra: o indivíduo que
defende o valor do Bem, mas com facilidade se detém no Mal. Alguém que
acredita em princípios morais, mas nem sempre age com moralidade. Se atrelado
à religião, temos nele o fariseu, preocupado com as aparências, sem cuidar da
essência.
Há um castigo imposto àqueles que se deixam levar pelas tendências
puramente humanas. É a perda da tranqüilidade, a insatisfação crônica, a
angústia existencial, marcadas pela incapacidade de orar, de sentir a presença da
Espiritualidade. Ea Vida, assim, torna-se um fardo terrivelmente pesado.
No passado, muita gente tentava adquirir pureza para o cultivo da
religiosidade autêntica, entregando-se a mortificações não raro caracterizadas por
excessos mórbidos. Anacoretas pastavam nos campos, à maneira de animais;
outros rolavam nus sobre arbustos espinhentos ou viviam em charcos infestados
de serpentes. Monges de determinadas ordens passavam a existência em
sombrios mosteiros, sem jamais pronunciarem uma única palavra.

5
Certamente, tudo o que puderam aprender nessas desastradas existências
foi que ninguém pode encontrar Deus aplicando agressividade contra si mesmo
ou fugindo do convívio social.
A retomada da pureza, para o cultivo da fé autêntica, não pode estabelecer-
se em clima de isolamento nem de mortificação. Impossível também retomá-la
ao nível da ingenuidade ou da simplicidade dos primeiros anos de vida.
Com a Doutrina Espírita aprendemos a retomá-la em níveis mais altos e
definitivos, em bases de conscientização, seguindo os caminhos do trabalho no
campo do Bem e do combate sistemático às nossas tendências inferiores. Neste
particular, há muitas perguntas que deveríamos formular, diariamente:
Quantas horas por dia estamos dedicando à participação em obras
assistenciais?
Quantas vezes por semana temos comparecido ao círculo da oração, no
templo de nossa preferência, não para receber, mas para oferecer algo, em
termos de participação?
Quais os recursos que estamos mobilizando para ajudar a combater a
miséria e o infortúnio que grassam na vida social?
Quantas vezes temos calado diante das ofensas alheias?
Quantas vezes temos perdoado aos que nos criticam?
Quantas vezes temos disciplinado a língua, evitando a maledicência?
Quantas visitas temos feito a enfermos e necessitados, atendendo suas
necessidades imediatas, levando-lhes consolo e esperança?
O que temos feito para edificar o Bem no Mundo? Qual nosso empenho por
eliminar o Mal em nós?
Em se tratando de comunhão com Deus, o culto religioso, a reunião
mediúnica, o trabalho doutrinário, a leitura do livro espírita são recursos
preciosos. Todavia, representam apenas um planejamento. Para sentir a presença
de Deus precisamos muito mais de " fazejamento" .

Companheiros Mudos
( Livro: Livro da Esperança – Espirito, Emmanuel – Chico Xavier )

―Deixai vir a mim os pequeninas JESUS MARCOS, 10: 14.


“0 Espírito, pois, enverga, temporariamente, a túnica da inocência e, assim,
Jesus está com a verdade, quando, sem embargo da anterioridade da alma, toma
a criança por símbolo da pureza e da simplicidade.” Cap. VIII, 4.
Com excelentes razões, mobilizas os talentos da palavra, a cada instante,
permutando impressões com os outros.
Selecionas os melhores conceitos para os ouvidos de assembléias atentas.
Aconselhas o bem, plasmando terminologia adequada para a exaltação da
virtude.
Estudas filologia e gramática, no culto à linguagem nobre.
Encontras a frase exata, no momento certo, em que externas determinado
ponto de vista.

6
Sabes manejar o apontamento edificante, em família.
Lecionas disciplinas diversas.
Debates problemas sociais.
Analisas os sucessos diários.
Questionas serviços públicos.
Indiscutivelmente, o verbo é luz da vida, de que o próprio Jesus se valeu
para legar-nos o Evangelho Renovador.
Entretanto, nesta, nota simples, vimos rogar-te apoio e consolação para
aqueles companheiros a quem a nossa destreza vocabular consegue servir em
sentido direto.
Comparecem, às centenas; aqui e ali...
Jazem famintos e não comentam a carência de pão.
Amargam dolorosa. nudez e não reclamam contra o frio.
Experimentam agoniadas depressões morais, sem pedirem qualquer
reconforto A idéia religiosa.
Sofrem prolongados suplícios orgânicos, incapazes de recorrer
voluntariamente ao amparo da medicina.
Pensa, neles e, de coração enternecido, quanto puderes, oferece-lhes algo
de teu amor, através da peça de roupa ou da xícara de leite, da poço
medicamentosa ou do minuto de atenção e carinho, porque esses companheiros
mudos e expectantes e padecentes que não podem falar.

Pequeninhos
( Livro: Livro da Esperança – Espirito, Emmanuel – Chico Xavier )

―Em verdade vos digo que aquele que não receber o reino de Deus coma
uma criança nele não entrará.‖ JESUS - MARCOS, 10: 15.
“A pureza do coração é inseparável da simplicidade e da humildade. Exclui toda
idéia de egoísmo e de orgulho. Por isso é que Jesus toma a infância como
emblema dessa pureza, do mesmo, modo que a tomou como humildade.”
Cap.8:3.
No mundo, resguardamos zelosamente livros e pergaminhos, empilhando
compêndios e documentações, em largas bibliotecas, que são cofres fortes do
pensamento.
Preservamos tesouros artísticos de outras eras, em museus que se fazem
riquezas de avaliação inapreciável.
Perfeitamente compreensível que assim seja.
A educação não prescinde da consulta ao passado.
Acautelamos a existência de rebanhos e plantações contra flagelos
despendendo milhões para sustar ou diminuir a força destrutiva das inundações e
das secas.
Mobilizamos verbas astronômicas, no erguimento de recursos patrimoniais,
devidos ao conforto da coletividade, tanto no sustento e defesa, das instituições,
quanto no equilíbrio e aprimoramento das relações humanas.

7
Claramente normal que isso aconteça.
Indispensável. prover às exigências do presente com todos os elementos
necessários à respeitabilidade da vida.
Urge, entretanto, assegurar o porvir, a esboçar-se impreciso, no mundo
ingênuo da infância.
Abandonar pequeninos ao léu, na civilização magnificente da atualidade, é o
mesmo que levantar soberbo palácio, farto de viandas, abarrotado de excessos e
faiscante de luzes, relegando o futuro dono ao relaxamento e ao desespero, fora
das portas.
A criança de agora erigir-se-nos-á fatalmente em biografia e retrato depois.
Além de tudo, é preciso observar que, segundo os princípios da reencarnação, os
mesmos de hoje desempenharão, amanhã, junto de nós, a função de pais e
conselheiros, orientadores e chefes.
Não nos cansemos, pois, de repetir que todos os bens e todos os males que
depositarmos no espírito da criança ser–nos-ão devolvidos.

Caminha alegremente
( Livro: O Espirito da Verdade – Espirito, Diversos – Chico Xavier )

―Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus e de que


nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe e, por ela, muitos se
contaminem.‖ — Paulo
Raízes de amargura existirão sempre, nos corações humanos, aqui e ali,
como sementes de plantas inúteis ou venenosas estarão no seio de qualquer
campo.
Contudo, tanto quanto é preciso expulsar a erva daninha para que haja
colheita nobre e farta, é indispensável relegar ao esquecimento os problemas
superados e as provações vencidas, para que reminiscências destruidoras não
brotem no solo da alma, produzindo os frutos azedos das palavras e das ações
infelizes.
Mãos prestimosas arrancarão o escalracho, em torno da lavoura nascente, e
atitudes valorosas devem extirpar do espírito as recordações amargas,
suscetíveis de perturbar o caminho.
Se alguém te trouxe dano ou se alguém te feriu, pensa nos danos e nas
feridas que terás causado a outrem, muitas vezes sem perceber. E tanto quanto
estimas ser desculpado, perdoa também, sem quaisquer restrições.
Observa a sabedoria de Deus na esfera da Natureza.
A fonte dissolve os detritos que lhe arrojam.
A luz não faz coleção de sombras.
Caminha alegremente e constrói para o bem, porque só o bem permanecerá.
Seja qual for a dor que hajas sofrido, lembra-te de que tudo amanhã será
melhor se não engarrafares fel ou vinagre no coração.

8
Crianças doentes
( Livro: O Espirito da Verdade – Espirito, Diversos – Chico Xavier )

Acalentas nos braços o filhinho robusto que o lar te trouxe e, com razão, te
orgulhas dessa pérola viva. Os dedos lembram flores desabrochando, os olhos
trazem fulgurações dos astros, os cabelos recordam estrigas de luz e a boca
assemelha-se a concha nacarada em que os teus beijos de ternura desfalecem de
amor.
Guarda-o, de encontro ao peito, por tesouro celeste, mas estende
compassivas mãos aos pequeninos enfermos que chegam à Terra, como lírios
contundidos pelo granizo do sofrimento.
Para muitos deles, o dia claro ainda vem muito longe...
São aves cegas que não conhecem o próprio ninho, pássaros mutilados,
esmolando socorro em recantos sombrios da floresta do mundo... Às vezes,
parecem anjos pregados na cruz de um corpo paralítico ou mostram no olhar a
profunda tristeza da mente anuviada de densas trevas.
Há quem diga que devem ser exterminados para que os homens não se
inquietem; contudo, Deus, que é a Bondade Perfeita, no-los confia hoje, para que
a vida, amanhã, se levante mais bela.
Diante, pois, do teu filhinho quinhoado de reconforto, pensa neles!...
São nossos outros filhos do coração, que volvem das existências passadas,
mendigando entendimento e carinho, a fim de que se desfaçam dos débitos
contraídos consigo mesmos...
Entretanto, não lhes aguardes rogativas de compaixão, de vez que, por
agora, sabem tão-somente padecer e chorar.
Enternece-te e auxilia-os, quanto possas!...
E, cada vez que lhes ofertes a hora de assistência ou a migalha de serviço, o
leito agasalhante ou a lata de leite, a peça de roupa ou a carícia do talco,
perceberás que o júbilo do Bem Eterno te envolve a alma no perfume da gratidão
e na melodia da bênção.
Meimei

Educação
( Livro: O Espirito da Verdade – Espirito, Diversos – Chico Xavier )

O amor é a base do ensino.


Professor e aluno, cooperação mútua.
O auto-aprimoramento será sempre espontâneo.
Disciplina excessiva, caminho de violência.
A curiosidade construtiva ajuda o aprendizado.
Indagação ociosa, dúvida enfermiça.
Egoísmo nalma gera temor e insegurança.
Evangelho no coração, coragem na consciência.
Cada criatura é um mundo particular de trabalho e experiência.

9
Não existe vocação compulsória.
Toda aula deve nascer do sentimento.
Automatismo na instrução, gelo na idéia.
A educação real não recompensa nem castiga.
A lição inicial do instrutor envolve em si mesma a responsabilidade pessoal
do aprendiz.
Os desvios da infância e da juventude refletem os desvios da madureza.
Aproveitamento do estudante, eficiência do mestre.
Maternidade e paternidade são magistérios sublimes.
Lar, primeira escola; pais, primeiros professores; primeiro dia de vida,
primeira aula do filho.
Pais e educadores! Se o lar deve entrosar-se com a escola, o culto do
Evangelho em casa deve unir-se à matéria lecionada em classe, na iluminação da
mente em trânsito para as esferas superiores de Vida.

Mensagem da criança ao homem


( Livro: O Espirito da Verdade – Espirito, Diversos – Chico Xavier )

Construístes palácios que assombram a Terra; entretanto, se me largas ao


relento, porque me faltem recursos para pagar hospedagem, é possível que a
noite me enregele de frio.
Multiplicaste os celeiros de frutos e cereais, garantindo os próprios tesouros;
contudo, se me negas lugar à mesa, porque eu não tenha dinheiro a fim de pagar
o pão, receio morrer de fome.
Levantastes universidades maravilhosas, mas se me fechas a porta da
educação, porque eu não possua uma chave de ouro, temo abraçar o crime, sem
perceber.
Criaste hospitais gigantescos; no entanto, se não me defendes contra as
garras da enfermidade, porque eu não te apresente uma ficha de crédito,
descerei bem cedo ao torvelinho da morte.
Proclamas o bem por base da evolução; todavia, se não tens paciência
para comigo, porque eu te aborreça, provavelmente ainda hoje cairei na
armadilha do mal, como ave desprevenida no laço do caçador.
Em nome de Deus que dizes amar, compadece-te de mim!...
Ajuda-me hoje para que eu te ajude amanhã.
Não te peço o máximo que alguém talvez te venha a solicitar em meu
benefício...
Rogo apenas o mínimo do que me podes dar para que eu possa viver e
aprender.
Meimei

Perguntas

01 – Que lição nos transmite a passagem lida?

10
02 – Por que Jesus tomou a criança como símbolo da pureza?
03 – Jesus disse que o reino dos céus é das crianças?
04 – Por que a comparação entre os candidatos ao reino dos céus e as
crianças?
05 – O estado infantil é, necessariamente, de pureza?
06 – Por que a criança não se mostra logo como è?
07 – Como é possível ao espírito ocultar o seu verdadeiro caráter, quando
criança?
08 – Qual a importância, enfim, do estado de infância?

Conclusão

O reino dos céus é apenas para os que tem puro o coração. Jesus tomou a
criança como símbolo dessa pureza em razão da simplicidade e humildade que a
caracteriza, e nos ensinou que, para conquistar a felicidade, devemos nos
assemelhar a ela.

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VIII, Itens 5 a 7

Textos Complementares

Respostas das perguntas anteriores – 32º Roteiro

1º Resposta: Porque esses conhecimentos tem limites muito estreito no mundo


em habitamos. Assim sendo, ele deve ter a humildade para reconhecer que não
sabe tudo e que lhe resta muito a aprimorar e a desenvolver. Para isso se
encontra na terra.
―Em vez de se envaidecer, o homem deve utilizar o saber que já possui para
ajudar aqueles menos aquinhoados em termos de inteligência‖

2º Resposta: Não. O conhecimento lhe é facultado, paulatinamente, por Deus,


de acordo com o esforço dispendido e o merecimento alcançado no decorrer de
suas várias encarnações.
―Os valores intelectivos representa a soma de muitas experiências, em várias
vidas do espírito no plano material‖.( Emmanuel – O Consolador – questão
nº117).

3º Resposta: Para que possamos evoluir e utilizá-la a serviço do bem,


buscando desenvolver as inteligências retardatárias, através do
relacionamento fraterno que teve existir entre as criaturas.

11
―Há espíritos que reencarnam com a incumbência de desenvolver boas tarefas
da inteligência em proveito real da coletividade‖

4º Resposta: Pelo estudo ( lendo, ouvindo, conversando etc.) e pelo trabalho


edificante em benefício de todos.
―A formula mais elevada e mais bela para desenvolver a inteligência é a do
esforço próprio, dentro da humanidade e do amor.
Os livros ensinam, mas só o esforço próprio aperfeiçoar a alma para a grandes
e abençoada compreensão‖ ( Emmanuel – O consolador – questão nº 213)

5º Resposta: Não necessariamente. O que caracteriza um espírito evoluído é o


seu progresso intelectual e moral. Mas pode ocorrer que uma inteligência
humana bem desenvolvida intelectualmente não esteja acompanhada do
desenvolvimento espiritual(moral).
―O grande erro das criaturas humanas foi valoriza exageradamente a
inteligência, desprezando os valores legítimos do coração, nos caminhos da
vida.‖ ( Emmanuel – O Consolador – questão nº 120)

6º Resposta: É uma expiação dolorosa, decorrente do abuso que fizeram de


certas faculdades, no passado. È um estacionamento temporário por que passa
o espírito, com a finalidade de corrigir-se.
―Os idiotas e os cretinos podem ocultar espíritos de grandes gênios que,
entretanto têm muito a expiar.‖

7º Resposta: Sim, Um poderoso instrumento, quando utilizada com bons


sentimentos e voltada á causa do bem, Quando, porem, mal empregada,
acarreta sofrimento aos atingidos, assumindo graves débitos os seus
causadores.
―Grandes assassinos e criminosos são, muitas vezes, dotados de muita
inteligência‖

8º Resposta: Certamente que sim. Muitos são os espíritos que aqui vêm com a
missão de esclarecer os homens, objetivando auxiliá-los no seu
aperfeiçoamento. È necessário, porém, que estes saibam ouvi-los.
―Se todos os homens que a possuíssem, dela se servissem de conformidade
com a vontade de Deus, fácil seria, para os espíritos, a tarefa de fazer com que
a humanidade avance‖

*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O
Espiritismo’, Da editora Boa Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.
*Duvidas e sugestões contatar; reinaldodosan@hotmail.com

Glossário

Anotações

12
União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo – ESE*
Cap. VII, Itens 5 a 7

34º Roteiro – Pecado por pensamento - Adultério

Objetivos

Esclarecer que não se infringe a lei de Deus apenas por atos, mas também
por palavras e pensamentos, estimulando-se a repelir os maus pensamento e
cultivar apenas os de paz, harmonia e fraternidade.

Pecado por pensamento e adultério


5 – Ouvistes que foi dito aos antigos: Não adulterarás. Eu,
porém, vos digo que todo o que olhar para uma mulher, cobiçando-a, já
no seu coração adulterou com ela. (Mateus, V: 27-28).
6 – A palavra adultério não deve ser aqui entendida no sentido exclusivo
de sua acepção própria, mas com sentido mais amplo. Jesus a empregou
freqüentemente por extensão, para designar o mal, o pecado, e todos os maus
pensamentos, como, por exemplo, nesta passagem: “Porque, se nesta geração
adúltera e pecadora alguém se envergonhar de mim e de minhas palavras,
também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vierem na glória de
seu Pai, acompanhado dos santos anjos”. (Marcos, VIII: 38).
A verdadeira pureza não está apenas nos atos, mas também no
pensamento, pois aquele que tem o coração puro nem sequer pensa no mal. Foi
isso que Jesus quis dizer, condenando o pecado, mesmo em pensamento, porque
ele é um sinal de impureza.
7 – Este princípio leva-nos naturalmente a esta questão: Sofrem-se as
conseqüências de um mau pensamento que não se efetivou?
Temos de fazer aqui uma importante distinção. À medida que a alma,
comprometida no mau caminho, avança na vida espiritual, vai-se esclarecendo, e
pouco a pouco se liberta de suas imperfeições, segundo a maior ou menor boa-
vontade que emprega, em virtude do seu livre arbítrio. Todo mau pensamento é
portanto o resultado da imperfeição da alma. Mas, de acordo com o desejo que
tiver de se purificar, até mesmo esse mau pensamento se torna para ela um
motivo de progresso, porque o repele com energia. É o sinal de uma mancha que
ela se esforça por apagar. Assim, não cederá à tentação de satisfazer um mau
desejo, e após haver resistido, sentir-se-á mais forte e contente com a sua
vitória.

1
Aquela que, pelo contrário, não tomou boas resoluções, ainda busca a
ocasião de praticar o mau ato, e se não o fizer, não será por não querer, mas
apenas por falta de circunstâncias favoráveis. Ela é, portanto, tão culpada, como
se o houvesse praticado.
Em resumo: a pessoa que nem sequer concebe o mau pensamento, já
realizou o progresso; aquela que ainda tem esse pensamento, mas o repele, está
em vias de realizá-lo; e por fim, aquela que tem esse pensamento e nele se
compraz, ainda está sob toda a força do mal. Numa, o trabalho está feito; nas
outras, está por fazer. Deus, que é justo, leva em conta todas essas diferenças,
na responsabilidade dos atos e dos pensamentos do homem.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

A regra áurea
( Livro: Sermão da Montanha – Rodolfo Calligares )

―Tudo o que vós quereis que vos façam os homens, fazei-o também
vós a eles, porque esta é a lei e os profetas.‖ ( Mateus, 7:12.)

Conhecedor do profundo da alma humana, sabia o Mestre que a


preocupação constante dos homens de seu tempo ( como ainda dos de hoje )
consistia em receber, do meio social a que pertenciam, o máximo possível em
gozo e em posse, sinal característico do forte egoísmo que os dominava.
Tomando, pois, esse amor de cada um a si mesmo, como padrão dos nosso
deveres para com o próximo, estabeleceu ele o meio mais fácil e mais seguro
pelo qual haveremos de compreender o que e quanto devemos dar, em
obediência á lei do amor universal que nos cumpre desenvolver, a fim de que se
estabeleça em nosso mundo o reinado de Deus.
Em nossas múltiplas relações com os outros, coloquemo-nos em seu lugar:
identificando-nos com os seus sentimentos, sintamos-lhes as dificuldades,
conheçamos-lhes os anseios, e, depois, façamos-lhes como, invertendo-se os
papéis, desejaríamos que ele procedessem conosco.
Não há melhor estalão com que aferir a nossa honestidade, nem expressão
mais legitima do “amor ao próximo com a nós mesmos”.
Esta regra áurea, se praticada por todos, faria que se modificassem
completamente as condições de vida de nosso planeta. Extinguir-se-iam, uma a
um, todas as causas de sofrimento da Humanidade; desobstruir-se-se-ia o
1
caminho dos pedrouços que lhe embaraçam o progresso moral e, ao cabo de
algum tempo, a felicidade seria geral, porque já então, morto o egoísmo em
todas as suas formas: o egoísmo pessoal, de família, de casta e de nacionalidade,
veríamos implantado entre os terrícolas o primado da abnegação, da paciência,
da tolerância, da solidariedade, da paz, etc.., porque as grandes e nobres
virtudes, sem exceção, são, todas elas, filhas do Amor.

2
Dizendo-nos que “esta lei e a lei e os profetas”, quis Jesus significar que esta
regra de proceder resume toda a lei divina e tudo quanto fora ensinado pelos
profetas da antiguidade.
O “fazei aos outros o que quereis que os outros vos façam” contém a mesma
verdade deste outro ensinamento doutrinado algures no Sermão da Montanha:
“com a medida com que medirdes, também sereis medidos”. É a lei da
causalidade. A toda causa corresponde um efeito, o qual será sempre da mesma
natureza da causa eu o originou.
Quilo que fizermos aos outros, seja bem ou seja mal, terá, certamente, sua
reação sobre nós, em bênçãos ou em sofrimento. Tudo quanto dermos havemos
de receber de volta. Tudo quanto dermos havermos de volta. Os benefícios que
fizermos ao próximo são-nos retribuídos em dobro, aqui na Terra, em tempos de
necessidade, ou no Além, na moeda do Reino, em alegrias espirituais.
Da mesma sorte, o mal praticado a dano de outrem volve também. Todos os
atos maléficos dão origem a sofrimentos para quem os cometeu, o qual, nesta ou
em futuras encarnações, será levado a passar pelas amarguras por que fez outros
passarem; sentirá aquilo que eles sofreram.
É isso, que a alguns pode parecer uma negação do amor de Deus para
conosco, é, ao contrário, a mais solene afirmação de Seu amor paternal, pois Ele
quer que todas as criaturas progridam, combatam a dureza de coração e se
transformem em templos vivos, para aí fazer sentir Sua augusta presença.
Os sofrimentos que decorrem das transgressões ás leis divinas servem-nos
de advertência; fazem-nos sentir a diferença entre o bem e o mal e dão-nos a
experiência de eu colheremos segundo o que plantarmos. Se semearmos o bem,
colheremos o bem; se espalharmos o mal, teremos de lhe arcar com as funestas
consequências.
Assim não fora e, confiantes na impunidade, retardaríamos nosso avanço,
retardando, consequentemente, nossa felicidade futura na santa comunhão com
Deus.
A regra áurea é a única e verdadeira norma de Cristianismo. Assim, uma
religião que nos leve a negligenciar as obras de misericórdia em favor dos
necessitados, dos aflitos e dos sofredores, ensinando ser suficiente “crer” deste
ou daquele modo para fazermos jus aos gozos celestiais; que nos induza a
considerar desprezíveis todos quantos divirjam de nossa “fé”; que advogue a
discriminação racial ou qualquer outra forma de desunião entre os homens,
exaltando uns e menosprezando outros, está defraudando a doutrina cristã, é
espúria e blasfema, pois pretende impingir concepções e preconceitos humanos
como ordenações de Deus.

Adultério no Coração – Extirpação de todos os maus pensamentos


( Livro: Elucidações Evangelicas – Antônio Luiz Sayão )

MATEUS: capítulo 5º, versículo 27. Aprendeste que aos antigos fora dito:
Não cometerás adultério. — 28. E eu te digo que quem quer que olhe para

3
uma mulher, cobiçando-a, já cometeu adultério no seu coração. 29. Se o
teu olho direito te for motivo de escândalo — arranca-o e atira-o longe de
ti, porqüanto melhor te é que pereça um dos membros do teu corpo do
que ser todo este lançado na geena. — 30. Se a tua mão direita te for
motivo de escândalo — corta-a e atira-a longe de ti, porqüanto melhor te
é que pereça um dos membros do teu corpo do que ir todo este para a
geena.
São simbólicas as palavras de Jesus, constantes nestes versículos. Devemos,
pois, procurar-lhes o verdadeiro sentido. Elas têm, primeiramente, uma acepção
de ordem geral, porqüanto visam fazer compreensível que os homens devem
abster-se de toda má palavra, de toda ação má e de todos os maus
pensamentos.
Quanto ao dizer que devem ser arrancado o olho e cortada a mão que se
tornem causa de escândalo, bem se vê que também nesse ponto usou Ele de
uma linguagem figurada, composta de imagens materiais, como convinha aos
Espíritos daquela época. Falando a criaturas materiais, só por meio de tais
imagens podia impressioná-las fortemente.
O ensino moral, que delas decorre, é que não basta nos abstenhamos do
mal; que precisamos praticar o bem e que, para isso, mister se faz destruamos
em nós tudo o que possa ser causa de obrarmos mal, seja por atos, seja por
palavras, seja por pensamentos, sem atendermos ao sacrifício que porventura
nos custe a purificação dos nossos sentimentos.
Não se estranhe o dizermos que podemos obrar mal pelo pensamento.
Embora ela não exista perante os homens, porque estes não percebem o que se
passa no íntimo do Espírito, incorre em falta, aos do Senhor, tanto quanto se
praticasse uma ação má, aquele que formula um mau pensamento, porque o
Senhor, que lê o íntimo dos seres, vê a mácula que na alma produz um pensa-
mento mau e toda mácula significa que a criatura se afastou do seu Criador.
Daí vem o ser a concupiscência, no dizer de Jesus, equiparada ao adultério.
Para Deus, o Espírito, em quem ela se manifestou, cometeu falta Idêntica à em
que teria caído, se houvera consumado o adultério, mesmo porque, as mais das
vezes, só uma dificuldade material qualquer impede que o pensamento
concupiscente se transforme em ato.

Perguntas

01 – Qual o sentido dado por Jesus a palavra ‖adultério‖?


02 – Constitui infração à lei de Deus desejar mal a outrem, mesmo que
não se chegue a praticá-lo?
03 – Como agem os espíritos mais evoluídos, quando assaltados por um
pensamento?
04 – Um espírito adiantado, que já alcançou níveis superiores de
progresso, tem maus pensamentos?

4
05 – Restará alguma oportunidade àquele que ainda se compraz na
prática do mal?
06 – Que efeito exerce sobre nós praticar ou desejar o mal a respeito de
alguém?
07 – Que lição podemos tirar deste estudo, para o nosso dia-a-dia?

Conclusão

Não basta ao homem somente abster-se de praticar o mal; é necessário


destruir em si tudo o que o leve a praticá-la, seja por atos, palavras ou
pensamentos. A oração e a vigilância são poderosos auxiliares para se manter o
coração livre das influencias do mal.

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VIII, Itens 8 a 10

Textos Complementares

Respostas das perguntas anteriores – 33º Roteiro

1º Resposta: Que o reino dos céus só é conquistado por aqueles que têm
puro o coração.
―O reino dos céus é um estado de felicidade plena, cujo ingresso se
obtém através da simplicidade e da humildade.‖

2º Resposta: Porque a criança, com seus gestos inocentes, desprovidos


de maldade e egoísmo, é a verdadeira imagem da simplicidade e pureza.
―Mesmo em uma criança de maus pendores, suas más ações são
dissimuladas pela candura dos seus traços infantis.‖

3º Resposta: Não. Jesus deixou bem claro que o reino dos céus é para os
que a elas se assemelham.
“O aspecto da inocência e candura que vemos nas crianças não constitui
superioridade real do espírito, mas a imagem do que deveria ser. ”

4º Resposta: Porque a pureza de coração é inseparável da simplicidade e


da humildade, tal como estas se mostram em uma criança.
―Nas crianças, essas virtudes são naturais e não artifícios da aparência.‖

5
5º Resposta: Não, pois o espírito da criança já é antigo e, na maioria das
vezes, possui muitos defeitos a corrigir e qualidades a aprimorar.
―O espírito que anima o corpo de uma criança pode ser até mais
desenvolvido que o de um adulto. O estado é de esquecimento
ingenuidade temporários.‖

6º Resposta: Para poder suscitar cuidados e ternura maternais e,


também, porque a fragilidade do seu corpo, ainda em formação, é
incompatível com o caráter de um adulto.
―Para que não lhe imputemos excessiva severidade, Deus dá aos seres,
quando nascem, todos os aspectos da inocência.‖

7º Resposta: É que esse caráter está temporariamente adormecido, em


razão do esquecimento por que passa o espírito ao encarnar, e só se
manifesta, gradativamente, após o nascimento, à medida que os órgãos
se desenvolvem e ele retorna a plenitude da consciência.
―(...) ao aproximar-se-lhe a encarnação, o espírito entra em perturbação
e perde pouco a pouco a consciência de si mesmo, ficando, por certo
tempo, numa espécie de sono...‖

8º Resposta: Proporcionar ao espírito um recomeço, com novas


informações educativas para o seu progresso moral e intelectual.
―Nessa fase é que se lhes pode transformar os caracteres e reprimir os
maus pendores. Tal o dever que Deus impôs aos pais, missão sagrada de
que terão que dar contas.‖ (O Livro dos Espíritos – questão 385).‖
*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O
Espiritismo’, Da editora Boa Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.
*Duvidas e sugestões contatar; reinaldodosan@hotmail.com

Glossário
01 – pedrouços
: grande amontoado de pedras; pedroiço

Anotações

6
União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo – ESE*
Cap. VIII, Itens 8 a 10

35º Roteiro – Verdadeira Pureza – Mãos Não Lavadas

Objetivos

Alertar os participantes para a necessidade de distinguir a pureza exterior da


anterior, destacando aquilo em que consiste a verdadeira pureza.

Verdadeiras Pureza – Mãos não lavadas


8 – Então chegaram a ele uns escribas e fariseus de Jerusalém,
dizendo: Por que violam os teus discípulos a tradição dos antigos? Pois não lavam
as mãos quando comem o pão. E ele, respondendo, lhes disse: E vós também,
por que transgredis o mandamento de Deus,pela vossa tradição? Porque Deus
disse: Honra a teu pai e a tua mãe, e o que amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe,
morra de morte. Vós outros, porém, dizeis: Qualquer que disser a seu pai ou a
sua mãe: Toda a oferta que faço a Deus te aproveitará a ti, está cumprindo a lei.
Pois é certo que o tal não honrará a seu pai ou a sua mãe. Assim é que vós
tendes feito vão os mandamentos de Deus, pela vossa tradição. Hipócritas, bem
profetizou de vós outros Isaías, quando diz: Este povo honra-me com os lábios,
mas o seu coração está longe de mim. Em vão, pois, me honram, ensinando
doutrinas e mandamentos que vêm dos homens. E chamando a si as turbas, lhes
disse: Ouvi e entendei. Não é o que entra pela boca o que faz imundo o homem,
mas o que sai da boca, isso é o que faz imundo o homem. Então, chegando-se a
ele os discípulos, lhe disseram: Sabes que os fariseus, depois que ouviram o que
disseste, ficaram escandalizados? Mas ele, respondendo, lhes disse: Toda a
planta que meu Pai não plantou será arrancada pela raiz. Deixai-os; cegos são, e
condutores de cegos. E se um cego guia a outro cego, ambos vêm a cair no
barranco. E respondendo Pedro, lhe disse: Explica-nos essa parábola. E
respondeu Jesus: Também vós outros estais ainda sem inteligência? Não
compreendeis que tudo o que entra pela boca desce ao ventre, e se lança depois
num lugar escuso? Mas as coisas que saem da boca vêm do coração, e estas são
as que fazem o homem imundo; porque do coração é que saem os maus
pensamentos, os homicídios, os adultérios, as fornicações, os furtos, os falsos
testemunhos, as blasfêmias. Estas coisas são as que fazem imundo o homem. O
comer, porém, com as mãos por lavar, isso não faz imundo o homem. (Mateus,
XV: 1-20).

1
9 – E quando Jesus estava falando, pediu-lhe um fariseu que fosse jantar
com ele, e havendo entrado, sentou-se à mesa. E o fariseu começou a discorrer
lá consigo mesmo sobre o motivo por que não se tinha lavado antes de comer. E
o Senhor lhe disse: Agora vós outros, os fariseus, limpais o que está por fora do
copo e do prato, mas o vosso interior está cheio de rapina e de maldade. Néscios,
quem fez tudo o que está de fora não fez também o que está de dentro? (Lucas,
XI: 37-40).

10 – Os Judeus haviam negligenciado os verdadeiros mandamentos de


Deus, apegando-se à prática de regras estabelecidas pelos homens, e das quais
os rígidos observadores faziam casos de consciência. O fundo, muito simples,
acabara por desaparecer sob a complicação da forma. Como era mais fácil
observar a prática dos atos exteriores, do que se reformar moralmente, de lavar
as mãos do que limpar o coração, os homens se iludiam a si mesmos,
acreditando-se quites com a justiça de Deus, porque se habituavam a essas
práticas e continuavam como eram, sem se modificarem, pois lhes ensinavam
que Deus não exigia nada mais. Eis porque o profeta dizia: “É em vão que esse
povo me honra com os lábios, ensinando máximas e mandamentos dos homens”.
Assim também aconteceu com a doutrina moral do Cristo, que acabou
por ser deixada em segundo plano, o que faz que muitos cristãos, à semelhança
dos antigos judeus, creiam que a sua salvação está mais assegurada pelas
práticas exteriores do que pelas da moral. É a esses acréscimos que os homens
fizeram à lei de Deus, que Jesus se refere, quando diz: “Toda a planta que meu
Pai não plantou, será arrancada pela raiz”.
A finalidade da religião é conduzir o homem a Deus. Mas o homem não
chega a Deus enquanto não se fizer perfeito. Toda religião, portanto, que não
melhorar o homem, não atinge a sua finalidade. Aquela em que ele pensa poder
apoiar-se para fazer o mal, é falsa ou foi falseada no seu início. Esse é o
resultado a que chegam todas aquelas em que a forma supera o fundo. A crença
na eficácia dos símbolos exteriores é nula, quando não impede os assassínios, os
adultérios, as espoliações, as calúnias e a prática do mal ao próximo, seja qual
for. Ela faz supersticiosos, hipócritas e fanáticos, mas não faz homens de bem.
Não é suficiente ter as aparências da pureza, é necessário antes de tudo
ter a pureza de coração.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

O Verbo é Criador
( Livro: Vinha de Luz – Espirito, Emmanuel – Chico Xavier )

“Mas o que sai da boca procede do coração, e isso contamina


homem.” - Jesus. (Mateus, 15:18.)
O ensinamento do Mestre, sob o véu da letra, consubstancia profunda
advertência.

2
Indispensável cuidar do coração, como fonte emissora do verbo, para que
não percamos a harmonia necessária à própria felicidade.
O que sai do coração e da mente, pela boca, é força viva e palpitante,
envolvendo a criatura para o bem ou para o mal, conforme a natureza da
emissão.
Do íntimo dos tiranos, por esse processo, origina-se o movimento inicial da
guerra, movimento destruidor que torna à fonte em que nasceu, lançando ruína e
aniquilamento.
Da alma dos caluniadores, partem os venenos que atormentam espíritos
generosos, mas que voltam a eles mesmos, escurecendo-lhes os horizontes
mentais.
Do coração dos maus, dos perversos e dos inconscientes, surgem, através
do poder verbalista, os primórdios das quedas, dos crimes e das injustiças;
todavia, tais elementos perturbadores não se articulam debalde para os próprios
autores, porque dia chegará em que colherão os frutos amargos da atividade
infeliz a que deram impulso.
Assim também, a alegria semeada, por intermédio das palavras salutares e
construtivas, cresce e dá os seus resultados.
O auxílio fraterno espalha benefícios infinitos, e o perfume do bem, ainda
quando derramado sobre os ingratos, volta em ondas invisíveis a reconfortar a
fronte que o emite.
O ato de bondade é invariável força benéfica, em derredor de quem o
mobiliza. Há imponderáveis energias edificantes, em torno daqueles que mantêm
viva a chama dos bons pensamentos a iluminar o caminho alheio, por intermédio
da conversação estimulante e sadia.
Os elementos psíquicos que exteriorizamos pela boca são potências atuantes
em nosso nome, fatores ativos que agem sob nossa responsabilidade, em plano
próximo ou remoto, de acordo com as nossas intenções mais secretas.
É imprescindível vigiar a boca, porque o verbo cria, insinua, inclina,
modifica, renova ou destrói, por dilatação viva de nossa personalidade.
Em todos os dias e acontecimentos da vida, recordemos com o Divino Mestre de
que a palavra procede do coração e, por isso mesmo, contamina o homem.

Perguntas

01 – Por que Jesus deu tão pouca importância ao fato de se lavar as


mãos antes das refeições?
02 – Quer dizer que a higiene do corpo é secundária?
03 – Como interpretar as palavras de Jesus: “Não é o que entra pela boca
que macula o homem; o que sai da boca do homem é o que o macula”?
04 – “Arrancada será toda planta que meu Pai celestial não plantou. “
Qual o significado dessas palavras de Jesus?

3
05 – Por que o fariseu se preocupou com o fato de Jesus não ter lavado
as mãos antes do jantar?
06 – Que lição está contida na advertência de Jesus ao fariseu?
07 – Qual a finalidade da religião?
08 – Os rituais, tão comuns em algumas religiões, são realmente
necessários?

Conclusão

Não é o que nos entra pela boca que nos faz mal; é o que sai da boca,
porque provém do coração: maus pensamentos, blasfêmias, maledicências etc.
Não bastam as aparências da pureza: Deus que a verdadeira pureza do nosso
coração.

Próximo Tema

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VIII, Itens 11 e 12

Textos Complementares

Respostas das perguntas anteriores – 34º Roteiro

1º Resposta: Jesus costumava empregá-la para designar não só toda


ação má, todo pecado, mas todo e qualquer pensamento mau.
“(...) aquele que houver olhado uma mulher, com mau desejo para com
ela, já em seu coração cometeu adultério com ela.”

2º Resposta: Certamente que sim, pois se houve o propósito de praticar o


mal, também houve a falta.
Aquele que pensa em cometer um mau ato e só não o consuma por falta
de ocasião, é tão culpado como se o cometesse. “Naquele que pensa no
mal e nesse pensamento se compraz, o mal ainda existe na plenitude da
sua força.”

3º Resposta: Repelem-no com energia. Assim ainda que se lhes


apresente oportunidade, não cederão àquele mau desejo.
Para estes, mesmo o mau pensamento se lhes torna ocasião de
adiantamento, porque eles o afastam de seu coração. “Naquele a quem a
idéia do mal acode, mas que a repele com vigor, há progresso em vias de
realizar-se.”

4
4º Resposta: Não. Os espíritos elevados apenas do bem se ocupam e só
nele pensam.
“Naquele que nem sequer concebe a idéia do mal, já há progresso
realizado.”

5º Resposta: Sem dúvida que sim. Porém, seu progresso espiritual


dependerá do esforço que fizer, no sentido de combater as más
inclinações e cultivar pensamentos de paz e fraternidade.
“À medida que avança na vida espiritual, a alma que enveredou pelo mau
caminho se esclarece e despoja, pouco a pouco, de suas imperfeições,
conforme a maior ou menor boa vontade que demonstre, em virtude do
livre-arbítrio.”

6º Resposta: Tudo que fazemos ou desejamos aos outros, seja de bom,


seja de mau, provoca reação sobre nós, em bênçãos ou sofrimentos.
“O mau pensamento provoca intranqüilidade e amargura. Os bons
pensamentos, ao contrário, nos enchem o coração de paz e
contentamento.”

7º Resposta: A de que devemos manter nosso coração livre de


pensamentos mesquinhos e inferiores, e nos esforçar por cultivar
pensamentos elevados, tanto para nós quanto para o nosso próximo.
“Orai e vigiai”, disse Jesus, pois orando atraímos bons pensamentos,
inspirados por espíritos elevados; mantendo-nos vigilantes, repelimos os
maus pensamentos, purificando nosso coração.

*Todo o roteiro deste estudo se encontra no livro “Roteiro Sistematizado, para estudo do livro ‘O Evangelho Segundo O
Espiritismo’, Da editora Boa Nova, 3ª Edição de dezembro de 2005.
*Duvidas e sugestões contatar; reinaldodosan@hotmail.com

Glossário

Anotações

5
União Espírita Deus Amor E Caridade
Rua Índio Piragibe, 182, Fone (83)3221-8000 – João Pessoa/PB
Estudo Do Evangelho Segundo O Espiritismo – ESE*
Cap. VIII, Itens 11 e 12

36º Roteiro – Escândalos

Objetivos

Esclarecer quanto ao sentido evangélico em que é empregada, no texto, a


palavra “escândalos”, bem como os efeitos decorrentes do ato escandaloso para
aquele que o pratica e para aquele que lhe sofre a repercussão.

Escândalos: Cortar a Mão


11 – O que escandalizar, porém, a um destes pequeninos que crêem
em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de atafona,
e o lançassem ao fundo do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos. Porque
é necessário que sucedam escândalos, mas ai daquele homem por quem vem o
escândalo. Ora, se a tua mão, ou o teu pé, te escandaliza, corta-o e lança-o fora
de ti. Melhor te é entrar na vida manco ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou
dois pés, ser lançado no fogo do inferno. E se o teu olho te escandaliza, tira-o, e
lança-o fora de ti. Melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois,
seres lançado no fogo do inferno. Vede, não desprezeis algum destes pequeninos,
porque eu vos declaro que os seus anjos no céu incessantemente estão vendo a
face de meu Pai, que está nos céus. Porque o Filho do Homem veio a salvar o que
havia perecido. (Mateus, XVIII: 6-11).
E se o teu olho direito te serve de escândalo, arranca-o e lança-o fora de
ti; porque melhor te é que se perca um de teus membros, do que todo o teu
corpo ser lançado no inferno. E se a tua mão direita te serve de escândalo, corta-
a e lança-a fora de ti; porque melhor te é que se perca um dos teus membros, do
que todo o teu corpo ir para o inferno. (Mateus, V: 29-30).
12 – Em seu sentido vulgar, escândalo é tudo aquilo que choca a moral
ou as conveniências, de maneira ostensiva. O escândalo não está propriamente
na ação, mas nas repercussões que ela pode ter. A palavra escândalo implica
sempre a idéia de um certo estrépito. Muitas pessoas se contentam com evitar o
escândalo, porque o seu orgulho sofreria com ele e a sua consideração diminuiria
entre os homens, procurando ocultar as suas torpezas, o que lhes basta para
tranqüilizar a consciência. Esses são, segundo as palavras de Jesus: “sepulcros
brancos por fora, mas cheios de podridão por dentro; vasos limpos por fora, mas
sujos por dentro”.

1
No sentido evangélico, a acepção da palavra escândalo, tão freqüente_
mente empregada, é muito mais ampla, motivo por que não é compreendida em
certos casos. Escândalo não é somente o que choca a consciência alheia, mas
tudo o que resulta dos vícios e das imperfeições humanas, todas as más ações de
indivíduo para indivíduo, com ou sem repercussões. O escândalo, nesse caso, é o
resultado efetivo do mal moral.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – Tradução de José Herculano Pires)

Fontes Complementares

No domínio das provas


( Livro: Esperança – Espirito, Emmanuel – Chico Xavier )

―Ai do mundo par causa dos escândalos, porque é necessário que


venham escândalos mas ai daquele por quem o escândalo vier.‖ - JESUS -
MATEUS, 18: 7 ―
É preciso que haja escândalo no mundo, disse Jesus, porque imperfeitos
como são na Terra, os homens se mostram propensos a praticar o mal, e porque,
árvores más, só maus frutos dão. Deve-se, pois, entender por essas palavras que
o mal é uma conseqüência da imperfeição dos homens e não que haja, para
estes, a obrigação de praticá-lo”.Cap.8,13.
Imaginemos um pai que, a pretexto de amor, decidisse furtar um filho
querido de toda relação com os revezes do mundo.
Semelhante rebento de tal devoção afetiva seria mantido em sistema de
exceção.
Para evitar acidentes climáticos inevitáveis, descansaria exclusivamente na
estufa, durante a fase de berço e, posto a cavaleiro, de perigos e vicissitudes,
mal terminada a infância, encerrar-se ia numa cidadela inexpugnável, onde
somente prevalecesse a ternura paterna, a empolgá-lo de mimos.
Não freqüentaria qualquer educandário, a fim de não aturar professores
austeros ou sofrer a influência de colegas que não lhe respirassem o mesmo
nível; alfabetizado, assim, no reduto doméstico, apreciaria unicamente os
assuntos e heróis de ficção que o genitor lhe escolhesse.
Isolar-se-ia de todo o contacto humano para não arrostar problemas e
desconheceria todo o noticiário ambiente para não recolher informações que lhe
desfigurassem a suavidade interior.
Candura inviolável e ignorância completa.
Santa inocência e inaptidão absoluta.
Chega, porém, o dia em que o genitor, naturalmente vinculado a interesses
outros, se ausenta compulsoriamente do lar e, tangido pela necessidade, o moço
é obrigado a entrar na corrente da vida comum.
Homem, feito, sofre o conflito da readaptação , que lhe rasga a carne e a
alma, para que se lhe recupere o tempo perdido, e o filho acaba, enxergando
insânia e crueldade onde o pai supunha cultivar preservação e carinho.

2
A imagem, ilustra claramente a necessidade da encarnação e da
reencarnação do espírito nos mundos; inumeráveis da imensidade cósmica, de
maneira a que se lhe apurem as qualidades e se lhe institua a responsabilidade
na consciência.
Dificuldades e lutas semelham materiais didáticos na escola ou andaimes na
construção; amealhada a cultura, ou levantado o edifício, desaparecem uns e
outros.
Abençoemos, pois, as disciplinas e as provas com que a Infinita Sabedoria
nos acrisolam as forças, enrijando-nos o caráter.
Ingenuidade é predicado encantador na personalidade, mas se o trabalho
não a transfigura em tesouro de experiência, laboriosamente adquirido, não
passará de flor preciosa a confundir-se no pó da terra, ao primeiro golpe de
vento.

Reencarnação
( Livro: caminho, Verdade e Vida – Espirito, Emmanuel – Chico Xavier )

―Portanto, se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o e atira-o


para longe de ti; melhor te é entrar na vida, coxo ou aleijado, do que,
tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno.‖ — Jesus.
(MATEUS, capítulo 18, versículo 8.)
Unicamente a reencarnação esclarece as questões do ser, do sofrimento e
do destino. Em muitas ocasiões, falou-nos Jesus de seus belos e sábios princípios.
Esta passagem de Mateus é sumamente expressiva. É indispensável considerar
que o Mestre se dirigia a uma sociedade estagnada, quase morta. No concerto
das lições divinas que recebe, o cristão, a rigor, apenas conhece, de fato, um
gênero de morte, a que sobrevém à consciência culpada pelo desvio da Lei; e os
contemporâneos do Cristo, na maioria, eram criaturas sem atividade espiritual
edificante, de alma endurecida e coração paralítico. A expressão “melhor te é
entrar na vida” representa soluç