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COMPUTAÇÃO - LICENCIATURA

POLO DE SÃO LUÍS -MA


HISTÓRIA E FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO

ANÍSIO TEIXEIRA

SÃO LUÍS – MA
2018
ERICSON FÁBIO NOGUEIRA GOMES
FRANCISCO DAS CHAGAS B. DIAS
JOSIVAN SILVA AGUIAR
LEOANA OLIVEIRA
MARINALVA DA SILVA COUTINHO
MARYELLEN MONTEIRO SOUSA

ANÍSIO TEIXEIRA

Trabalho de Produção Coletiva,


apresentado como requisito parcial
para obtenção de nota da disciplina
História e Filosofia da Educação do
Curso de Computação –
Licenciatura UFMA/ NEAD.

Prof.ª: Ana Flávia Moura Carvalho.

SÃO LUÍS - MA
2018
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 4
2. BIOGRAFIA ................................................................................................................ 5
2.1. OBRAS ...................................................................................................................... 7
2.2. FUNDAÇÃO ANÍSIO TEIXEIRA ........................................................................... 7
2.3. CASA ANÍSIO TEIXEIRA ....................................................................................... 7
2.4 FRASES DE ANÍSIO TEIXEIRA ............................................................................. 8
3. CONTEXTO HISTÓRICO DO PENSAMENTO ........................................................ 9
4. PRINCIPAIS CONCEPÇÕES .................................................................................... 10
5. A PERSPECTIVA FILOSÓFICA DE ANÍSIO TEIXEIRA ....................................... 12
REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 15
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1 INTRODUÇÃO

A elaboração dos pensamentos pedagógicos brasileiro é constituída de todo um


contexto histórico-social e político, a qual sofreram influência de outras nações centrais.

De início, em uma primeira fase, a educação brasileira, enquanto colônia da corte


portuguesa, recebeu influências da pedagogia jesuítica europeia, a qual estava permeada
de valores e ideias pregadas pelo catolicismo.

A partir do século XVIII, após a expulsão dos jesuítas e a implantação da reforma


pombalina, permitiu-se a possibilidade de ideias pedagógicas laicas e ecléticas advindas
de outros países. Por volta de 1930, com o fim da primeira república, é que se pode falar
em pensamento pedagógico com identidade brasileira, pois até então o que se via era a
transposição de saberes e práticas próprias de outros espaços educacionais para o Brasil.

Segundo Saviani (2010), Anísio Teixeira integra o grupo desses construtores do


pensamento pedagógico brasileiro, uma vez que detém o discernimento necessário para
olhar dialeticamente para fora do país em busca de pressupostos necessários para
construção de uma nova escola e, ao mesmo tempo, tem o olhar reflexivo e inquieto para
as questões inerentes à realidade brasileira, as quais demandavam projetos e ações
próprios para serem desenvolvidos.

Nunes (2010) defende a ideia de que, ao visitar a pedagogia de John Dewey, o


intelectual Anísio Teixeira soube reelaborá-la e propor uma forma própria e necessária
para resolver as questões educacionais brasileiras.

Anísio Teixeira é considerado o principal idealizador das grandes mudanças que


marcaram a educação brasileira no século XX. Foi pioneiro na implantação de escolas
públicas de todos os níveis que refletiam seu objetivo de oferecer educação gratuita e
acessível para todos os cidadãos.

As suas contribuições para a formação do pensamento pedagógico da educação


brasileira são inúmeras, dentre elas pode-se citar seus estudos com a causa da escola
pública de qualidade, destacando a importância da gratuidade do ensino e de uma
educação para todos, indo assim ao encontro dos ideais da Escola Nova, a idealização da
educação integral.
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2 BIOGRAFIA

Anísio Espínola Teixeira, nasceu em Caetité, sertão da Bahia, em 12 de julho de


1900. Após sólida formação adquirida em colégios jesuítas de Caetité e Salvador, formou-
se em ciências jurídicas e sociais no Rio de Janeiro em 1922. Entre 1924 e 1928, foi
diretor-geral de instrução do governo da Bahia e promoveu a reforma do ensino daquele
estado. Em seguida, foi para os Estados Unidos, onde estudou na Universidade de
Colúmbia e travou contato com as ideias pedagógicas de Jonh Dewey, que o
influenciariam decisivamente.

Em 1931, de volta ao Brasil, trabalhou junto ao recém-criado Ministério da


Educação e Saúde, dedicando-se à tarefa de reorganização do ensino secundário. Por essa
época assumiu a presidência da Associação Brasileira de Educação (ABE) e foi – junto
com Lourenço Filho, Fernando de Azevedo e outros – um dos mais destacados signatários
do Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, documento que defendia uma escola pública
gratuita, laica e obrigatória. Em contrapartida, sofreu forte oposição da Igreja Católica.

Íntimo colaborador do prefeito do Distrito Federal, Pedro Ernesto Batista (1931-


1936), foi seu secretário de Educação e Cultura, promoveu mudanças na estrutura
educacional da cidade e estimulou a criação de novos estabelecimentos de ensino. Sua
iniciativa mais ousada foi a criação da Universidade do Distrito Federal (UDF), que gerou
forte reação do ministro da Educação Gustavo Capanema e de expoentes do pensamento
católico conservador, como Alceu Amoroso Lima.

Em meados da década de 1930, Pedro Ernesto e diversos de seus colaboradores,


entre os quais Anísio, aproximaram-se da Aliança Nacional Libertadora (ANL), ainda que
sem aderir a ela formalmente. Nessa gestão conduziu importante reforma educacional que
o projetou nacionalmente, foi signatário do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova
(1932), teve participação ativa na Associação Brasileira de Educação (ABE), criou a
Universidade do Distrito Federal (UDF). Demitiu-se em 1935, diante de pressões
políticas que inviabilizaram sua permanência no cargo, refugiando-se no interior de seu
estado natal. Entre 1937 e 1945, afastado da vida pública, permaneceu na Bahia,
dedicando-se a atividades de mineração, comércio e tradução de livros.
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Em 1946, a convite de Julien Huxley, assumiu o cargo de Conselheiro de Ensino


Superior da UNESCO, retomando suas atividades na área educacional. De volta ao Brasil
em 1947, aceitou o convite de Otávio Mangabeira, recém-eleito governador da Bahia,
para ocupar a Secretaria de Educação e Saúde desse estado, posto no qual permaneceu
até o final desse governo (1947-1951). Nessa administração fez construir em Salvador o
Centro Popular de Educação Carneiro Ribeiro, mais conhecido como Escola Parque, uma
experiência inovadora de educação integral, onde atividades artísticas, socializantes e de
preparação para o trabalho e a cidadania, e mais alimentação, higiene e atendimento
médico-odontológico, complementavam as práticas educativas tradicionais. Esta obra,
pioneira no Brasil, projetou-o internacionalmente.

Na década de 50 teve atuação destacada na esfera federal, no Ministério da


Educação. Em 1951 assumiu a Secretaria-Geral da Campanha de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior, que seria por ele transformada em órgão, a CAPES. Em 1952
assumiu também o cargo de diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP).
Criou, então, o Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE) e uma rede de 5
Centros Regionais, com o objetivo de elaborar estudos antropológicos e sociológicos
sobre a realidade brasileira. Durante sua gestão na CAPES e no INEP, proferiu inúmeras
conferências no Brasil e no exterior, incentivou a criação de bibliotecas no país, foi eleito
por duas vezes presidente da SBPC, participou ativamente da discussão da LDB (1961).
Nesses anos de árdua luta pela escola pública, editou o seu livro mais polêmico: Educação
não é privilégio (1957). E foi ainda nessa época que se tornou professor universitário,
assumindo a cadeira de Administração Escolar na Faculdade de Filosofia da Universidade
do Brasil, hoje UFRJ.

No início dos anos 60, junto a Darcy Ribeiro, foi um dos mentores da
Universidade de Brasília (1961), tornando-se seu 2º reitor em 1963. O golpe militar de
1964 o afasta, mais uma vez, das suas funções públicas. A convite de universidades
americanas, viaja para os Estados Unidos para lecionar como “visiting scholar”. De volta
ao Brasil, completou o seu mandato no Conselho Federal de Educação (1962-1968),
tornou-se consultor da Fundação Getúlio Vargas e retomou suas atividades de tradutor e
escritor na Editora Nacional, organizando coleções e reeditando alguns de seus livros.

Anísio faleceu em 11 de março de 1971, na cidade do Rio de Janeiro. O educador


foi encontrado morto no fosso do elevador. Sua morte foi considerada um acidente,
embora alguns acreditem que ele tenha sido assassinado.
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2.1. Obras

Anísio reúne uma gama de obras que versam sobre o tema da educação, das quais
merecem destaque:

 Aspectos americanos de educação (1928);

 Em marcha para a democracia: à margem dos Estados Unidos (1934);

 Educação para a democracia (1936);

 A educação e a crise brasileira (1956);

 Educação não é privilégio (1957);

 Educação e Universidade (1962);

 Educação é um direito (1968);

 Educação no Brasil (1969);

 Educação e o mundo moderno (1969);

 Pequena introdução à filosofia da educação (1971).

1.2. Fundação Anísio Teixeira

A Fundação Anísio Teixeira (FAT) é uma entidade de caráter cultural e


educacional localizada em Salvador, Bahia.

Ela foi criada em 21 de setembro de 1989 e além de oferecer atividades educativas


e culturais, tem o objetivo de preservar a memória do educador. Além disso, ela atua no
apoio as pesquisas relacionadas com Anísio e a educação no Brasil.

2.3. Casa Anísio Teixeira

A Casa Anísio Teixeira está situada na cidade de Caetité, local em que nasceu
Anísio. O espaço é administrado pela Fundação Anísio Teixeira.
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É um centro cultural fundado em 1998 que abriga alguns equipamentos culturais


como biblioteca, museu e cinema, onde são promovidas atividades culturais e educativas
como eventos, oficinas, encontros, etc.

2.4. Frases de Anísio Teixeira

 “Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que
prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública.”

 “Educar é crescer. E crescer é viver. Educação é, assim, vida no sentido mais


autêntico da palavra.”

 “Choca-me ver o desbarato dos recursos públicos para a educação dispensados em


subvenções de toda natureza e atividades educacionais, sem nexo nem ordem, puramente
paternalistas ou francamente eleitoreiras.”

 “Revolta-me saber que dos cinco milhões que estão na escola, apenas 450.000
conseguem chegar a 4ª série, todos os demais ficando frustrados mentalmente
incapacitados para se integrarem em uma civilização industrial e alcançarem um padrão
de vida de simples decência humana.”

 “Somos condicionados pela propaganda para desejar o supérfluo para atender


necessidades inventadas, antes de haver atendido às nossas reais necessidades. ”
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3 CONTEXTO HISTÓRICO DO PENSAMENTO

Com a crescente industrialização e a urbanização em todo o mundo, nos anos de


1920, tinha-se uma grande necessidade de preparar o país para o desenvolvimento. Esse
fato levou um grupo de intelectuais a ser interessar pela educação – vista como elemento
central para remodelar o país.

Esses novos teóricos perceberam que o sistema estatal de ensino livre e aberto era
o único meio efetivo de combate às desigualdades sociais, movimento esse chamado de
Escola Nova, que ganhou força nos anos de 1930, principalmente após a divulgação, em
1932, do Manifesto da Escola Nova ou Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova.

O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova foi um documento que pregava a


universalização da escola pública, laica e gratuita. Entre os nomes de vanguarda que o
assinaram estavam, além de Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo (1984-1974), que
aplicou a sociologia à educação e reformou o ensino em São Paulo nos anos de 1930; o
professor Lourenço Filho (1987-1970) e a poetisa Cecília Meireles (1901-1964).

Para Leme (2005) o manifesto dos pioneiros tinha por objetivo principal indicar
rumos que consolidassem a obra de renovação que pretendiam realizar em todos os
setores da vida nacional.

A atuação desses pioneiros se estendeu por décadas, muitas vezes criticada pelos
defensores da escola particular e religiosa. Mas eles ampliaram sua atuação e
influenciaram uma nova geração de educadores como Darcy Ribeiro (1922-1997) e
Florestan Fernandes (1920-1995).
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4 PRINCIPAIS CONCEPÇÕES

ASSUNÇÃO (2014), afirma que Anísio Teixeira, enquanto precursor da Escola


Nova no Brasil, tecia suas teorias educacionais e as idealizava em, pelo menos, cinco
aspectos:

O primeiro aspecto que Anísio Teixeira considerava fundamental era a educação


como um bem que não poderia ser negado, fazendo parte da formação do ser humano, de
fato, um direito. Formula uma teoria democrática de educação comum, que seria pública
e, em seu livro Educação é um direito, apresenta um plano para a estruturação e o
financiamento dos sistemas educacionais de ensino, fundamentando-se em sua
experiência quando Secretário de Educação e Saúde da Bahia. É verdade que a
democracia, em seus documentos legais, sublinhava a liberdade de expressão, de reunião
e de organização. Ao lado da liberdade de ir e vir, estas novas liberdades sempre se
ergueram como grandes liberdades da época. Mas não se estendiam elas senão àqueles
poucos que formavam a classe ascendente (TEIXEIRA, 1996, p. 27).

Como segundo aspecto, destaca-se a educação não como um privilégio, mas que
deve ser dever e baseada numa consciência fundante. Anísio Teixeira defende a educação
como um direito de todos e explica que a educação já não é um processo de especialização
de alguns para certas funções na sociedade, mas a formação de cada um e de todos para
contribuição à sociedade integrada e nacional, que está constituindo com a sua
modificação do tipo de trabalho e do tipo de relações humanas. Dizer-se que educação é
um direito é o reconhecimento, formal e expresso de que a educação é um interesse
público, a ser promovido por lei.

O terceiro aspecto, a educação de base deve ser geral e humanista. Para ele, a
educação envolvia a participação da sociedade e dos movimentos que nela ocorrem, daí
a necessidade de ser geral. Em seu livro Educação no Brasil (1969), Anísio afirmava que
a educação formal é parte do contexto cultural da sociedade, atuando como expressão de
sua continuidade e desenvolvimento.

O quarto aspecto é a definição de escola pública enquanto máquina que prepara a


democracia, reconhecendo os problemas existentes nessa máquina ideal em vista do real.
Nesse ponto, a escola visa formar o homem para o modo de vida democrático, toda ela
deve procurar, desde o início, mostrar que o indivíduo, em si e por si, é somente
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necessidades e impotências, que só existe em função dos outros e por causa dos outros;
que a sua ação é sempre uma transação com as coisas e pessoas e que saber é um conjunto
de conceitos e operações destinados a atender àquelas necessidades, pela manipulação
acertada e adequada das coisas e pela cooperação com os outros no trabalho que, hoje é
sempre de grupo, cada um dependendo de todos e todos dependendo de cada um
(TEIXEIRA, 1956, p. 10).

O quinto aspecto enfatiza que o professor tem de ser capacitado democraticamente,


encravando a formação do docente e sua constante (re) capacitação como algo vital. O
magistério constitui uma das profissões em que a formação nunca se encerra, devendo o
professor, terminando o curso regular, continuar pela prática e tirocínio o seu
desenvolvimento. É o chamado training in service, educação no cargo em expansão em
todas as profissões de natureza, simultaneamente científica e artística (TEIXEIRA, 1958).

Como pioneiro de implantação de escolas públicas de todos os níveis, Anísio


Teixeira era um idealista influenciado pelas ideias de John Dewey. Esta influência estava
muito presente em sua concepção transformadora da educação pública como um
instrumento para democratização do país. Foi também um dos mais conceituados
participantes do movimento de reconstrução nacional na década de 1930, e isso fazia com
que educadores e outras pessoas que o conheceram ou o acompanharam o admirassem
(GOUVEIA NETO, 1973).
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5 A PERSPECTIVA FILOSÓFICA DE ANÍSIO TEIXEIRA

O nome de Anísio Teixeira está vinculado ao campo da filosofia da educação no


Brasil. Embora tenha atuado, quase sempre como administrador público, de diferentes
setores da educação brasileira, de sua obra pode ser extraída uma concepção de educação,
de homem, de sociedade e de conhecimento, geradores de uma filosofia da educação que
marcou o campo educacional entre os anos 20 e 60.
Ele se ocupa em explicitar os lineamentos filosóficos gerais e específicos à
educação principalmente no livro Pequena Introdução à Filosofia da Educação – Escola
Progressiva ou A transformação da Escola. Ali, o autor apresenta uma síntese dos
principais fundamentos do pensamento de John Dewey, contidos nas obras produzidas
pelo filósofo norte-americano até o final da década de 1920. Ao ler Dewey e conhecer as
teses do pragmatismo norte-americano, Anísio foi absorvido pelas ideias de democracia
e de ciência, as quais apontavam a educação como o canal capaz de gerar as
transformações necessárias para um Brasil que buscava se modernizar.
Apresentando os fundamentos da educação baseada na experiência (Teixeira, 2000,
p. 11), mostra os aspectos teóricos e as diretrizes da educação progressiva e os elementos
de sua técnica. Enfatiza a relação intrínseca entre educação e sociedade, analisando a ação
da educação sobre o indivíduo e sobre a organização social como um todo. Ressalta
também a necessidade de fundamentação filosófica da prática educacional.
Anísio Teixeira assume integralmente o corpus conceitual de Dewey, tanto no que
se refere aos princípios filosóficos mais gerais quanto na mobilização destes na
abordagem de questões mais particulares. Conquanto frequentemente remeta o conteúdo
ao autor norte-americano, há trechos que Teixeira integra ipsis litteris 1 ao seu texto.
Entretanto, julgamos que esse modo de apresentar sua reflexão é determinado por dois
motivos básicos. Em primeiro lugar, Anísio Teixeira jamais foi propriamente um filósofo,
de formação ou de ofício. Nesse sentido, necessitou buscar amparo categorial e teórico
mais geral para a sua reflexão acerca das questões e dos desafios enfrentados na realidade
educacional brasileira. Em segundo lugar, e em relação ao ponto anterior, o pensamento
do filósofo norte-americano lhe apareceu como o mais adequado a fundamentar suas
proposituras. Certos conceitos e formas de procedimentos teóricos, como o acento no
papel ativo dos indivíduos e a crítica da tradição, respectivamente, foram os grandes

1
ipsis litteris: literalmente.
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norteadores de toda a sua pesquisa e obra. Além disso, há o caráter eminentemente


operativo, no sentido prático-político, que o influenciou fortemente. Possibilitou-lhe o
vislumbre de uma reforma social que pudesse ser travejada por um posicionamento
teórico racionalmente rigoroso, mas exercitado em nome e em dependência da vida social
efetivamente vivida.
Todavia, o fato da não originalidade ao tratar das questões de princípio pertinentes
à filosofia e à educação não tira, absolutamente, o mérito de Anísio Teixeira. Em verdade,
ele produziu uma organização e sistematização de concepções e categorias que se
encontram distribuídas em vários escritos do pensador pragmático, oferecendo ao leitor
uma compilação valiosa. De modo que consideramos adequado qualificá-lo como um
grande e íntegro intérprete de Dewey.
O entendimento da concepção de filosofia da educação na obra de Anísio Teixeira
pressupõe compreender a forma pela qual o autor brasileiro pensa a reflexão filosófica. A
filosofia voltada às questões pedagógicas está intimamente ligada ao modo pelo qual os
problemas relativos aos princípios, aos valores e à imagem de mundo são resolvidos no
interior de um discurso que pretende articular as várias dimensões da experiência humana.
Considerando o tipo de produção teórica em tela, porque filiada explicitamente ao
pragmatismo, é essencial focalizar a relação das produções intelectuais com a prática
social efetiva e imediata, o qual é mais que um elemento meramente retórico.
Seguindo o pensamento de Dewey, Anísio Teixeira ao refletir sobre o surgimento
da filosofia, afirma que o filosofar não se apresenta – ao menos num primeiro momento
– como uma especialização profissional ou teórica, mas como um refletir sobre os temas
e as inquietações que movem os indivíduos na positividade de sua existência. A filosofia
nasce em um mundo cindido entre a vida prática e simbólica.
Por motivo de distinção social histórica, os dois grupos de produtos mentais podem
ser denominados como os dos conhecimentos práticos e empíricos e o dos sonhos,
tradições e ritos não se misturavam, como não se misturavam os homens que os serviam
e que deles se serviam. (Teixeira, 2000, p. 156).
Enquanto filósofo da educação, Anísio Teixeira compreendeu criticamente o
contexto econômico, social e cultural de seu tempo. Referiu-se às transformações
materiais que já estavam ocorrendo no Brasil e que, ainda viriam a ocorrer, às mudanças
de valores e às novas perspectivas que se colocavam para a sociedade brasileira. Seu
otimismo para com a ciência, com o método científico e com suas aplicações técnicas
conduziram a um otimismo, também, em relação a uma nova escola. Se a sociedade
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passava por mudanças era preciso que a escola preparasse o novo homem, o homem
moderno, para integrar-se à nova sociedade que deveria ser essencialmente democrática.
O escolanovismo desenvolveu-se no Brasil no momento em que o país sofria
importantes mudanças econômicas, políticas e sociais. O acelerado processo de
urbanização e a expansão da cultura cafeeira trouxeram o progresso industrial e
econômico para o país, porém, com eles surgiram graves conflitos de ordem política e
social, acarretando assim uma transformação significativa da mentalidade intelectual
brasileira. No cerne da expansão do pensamento liberal no Brasil, propagou-se o ideário
escolanovista.

“o conceito social de educação significa que, cuide a escola de interesses


vocacionais ou interesses especiais de qualquer sorte, ela não será educativa se
não utilizar esses interesses como meios para a participação em todos os
interesses da sociedade… Cultura ou utilitarismo serão ideais educativos
quando constituírem processo para uma plena e generosa participação na vida
social” (Teixeira, 1930b, p. 88-89).

Seja como pensador crítico, como professor ou como homem público a serviço da
educação Anísio Teixeira deu importante contribuição ao campo da educação no Brasil.
Sua luta pela reconstrução da educação nacional, tendo como referência a democracia e
a ciência, não pode ficar esquecida sob a justificativa de sua vinculação à filosofia
pragmatista norte-americana.
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REFERÊNCIAS

ASSUNÇÃO, Kelli Regina Gonsalves dos Santos. As Contribuições do educador


Anísio Teixeira para a formação do pensamento pedagógico da Educação
brasileira. Revista Travessias. Vol. 8, n.º 1 – 20ª edição/2014. Disponível em:
<https://e-revista.unioeste.br/index.php/travessias/article/download/10386/7491>
Acesso em: 03 dez 2018.
Biografia Resumida de Anísio Teixeira. Fundação Anísio Teixeira. Disponível em:
https://twiki.ufba.br/twiki/bin/view/FAT/BiografiaAnisioTeixeira . Acesso em: 03 dez
2018.
DIANA, Daniela. Anísio Teixeira. Disponível:
<https://www.todamateria.com.br/anisio-teixeira . Acesso em: 03 dez 2018.
Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV,
2001. A Era Vargas: dos anos 20 a 1945 - Anísio Teixeira. Disponível em:
https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/biografias/anisio_teixeira . Acesso
em: 03 dez 2018.
MARCIO, Ferrari. Anísio Teixeira, o inventor da escola pública no Brasil.
Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/1375/anisio-teixeira-o-inventor-da-
escola-publica-no-brasil . Acesso em: 03 dez 2018.
Quem foi Anísio Teixeira? Escola Educação. Disponível em:
<https://escolaeducacao.com.br/anisio-teixeira/> . Acesso: 03 dez 2018.
RODRIGUES, Maria Marta do Couto Pereira. As contribuições de Anísio Teixeira
para a formação do pensamento pedagógico brasileiro. Revista Alpha. Disponível
em: <
http://alpha.unipam.edu.br/documents/18125/25962/As_contribuicoes_de_Anisio_Teixe
ira.pdf> . Acesso em: 03 dez 2018.

SILVA, Sabina Maura. Matrizes filosóficas do pensamento de Anísio Teixeira.


UFMG/FaE, 2010.

TEIXEIRA, Anísio. Por que "Escola Nova"? Escola Nova, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 826,
out. 1930a.
__________ Pequena Introdução à Filosofia da Educação - Escola Progressiva ou A
Transformação da Escola, Rio de Janeiro: DP&A Editora, 6ª ed., 2000.