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GINSENG

Luciane do Rocio Chezini

• Nome botânico: Panax ginseng

• Família: Araliaceae

• Parte utilizada: raiz

• Histórico:
O ginseng tem como seu habitat natural a China, Coréia, Japão e Nepal,
embora hoje também seja cultivado na Rússia e outros países. 1
A raiz espessa desta herbácea atinge 1m de comprimento quando é
arrancada com a idade de 10 anos. As raízes secundárias lembram as formas, as
pernas de uma figura humana e a base do caule a cabeça. 1
Deve a esta semelhança o nome de ginseng = homem-raiz, e
possivelmente também a reputação de curar a impotência. 1
O ginseng partilha esta fama com a mandrágora, cuja raiz tem também
forma humana. Quer a sua eficácia se deva a este simbolismo ou a sua
composição química, o ginseng é utilizado pelos chineses e japoneses há
milênios. 1
É conhecida como "erva milagrosa", "raiz que cura os males" ou ainda
"raiz da vida eterna", por ter propriedades de retardar o envelhecimento. 1
Talvez seja a única erva medicinal que se adapte integralmente a filosofia
oriental que trata o universo como um todo. 1
• Aspectos botânicos:
Se trata de uma planta arbustiva e perene, pertencente a família das
Araliaceaes, caracterizada por ter um crescimento lento e uma altura que varia
entre 30 e 70cm. Apresenta pequenas e numerosas flores que logo se
transformam em bagas de cor vermelho claro cujo diâmetro cheia a medir 1cm,
guardando em seu interior uma ou duas sementes por fruto. 2
Cada baga apresenta pecíolos alargados com forma lanceolada. A raiz é
de cor branca e pode alcançar a altura entre 20 e 30cm de profundidade e 20mm
de diâmetro. O peso da mesma alcança uns 200 gramas aproximedamente. Cada
raiz contem um numero importante de raízes secundarias e uma serie de
pequenos anéis de cor branco amarelado no extremo inferior. Os meses
apropriados para a colheita correspondem a setembro e outubro. 2
• Aspectos agronômicos:
O ginseng é uma planta originária da China, Coréia e Japão, que cresce
em lugares sombrios e em bosques abundantes em coníferas. Hoje em dia
praticamente não se encontram variedades silvestres. O fato de ter que ser
resguardada do sol, faz com que seu cultivo seja em terraços especiais que
promovem a sombra adequada. 2
O solo deve ser de ótima qualidade já que o futuro desenvolvimento da
planta está subordinado a numerosos fatores ambientais. O regime de chuvas
não deve superar os 1200 mm e a temperatura do solo deve manter-se constante
a maior parte do ano. É bom salientar que os melhores cultivos são obtidos de
solos virgens, e se ali já foi anteriormente cultivado o ginseng, deve-se esperar
entre 10 e 15 anos para sua reutilização, devido à voracidade desta planta pelas
reservas minerais do solo aonde cresceu. 2
As variedades silvestres são as melhores do ponto de vista terapêutico.
Mas, devido à escassez delas, necessita-se cultivá-las para poder responder as
exigências do mercado atual. Os cultivos manuais fornecem melhores espécies
que os cultivos mecanizados, o qual deve ser realizado com pessoas eficientes,
cuidadosas e pacientes. 2
A reprodução só é possível através das sementes, obtendo-se a melhor
qualidade quando se utilizam sementes selecionadas de plantas de cinco anos de
vida. 2
O extremo cuidado que requer o seu cultivo e a escassez de variedades
silvestres que podem ser encontradas hoje em dia, fazem do ginseng um produto
caro. 2

• Composição química:
- saponinas (proto-panaxadiol, proto-panaxatriol)
- vitaminas (B, B2, B12 e C)
- glicosídeos (ginosídeos)
- sesquiterpenos
- amido
- goma
- mucilagem
- aminoácidos
- ácido fólico
- ácido nicotínico
- ácidos graxos
- enzimas: amilase e colina
- esteróides (semelhantes aos hormônios sexuais)
- sais minerais como: ferro, cobalto, cobre, cálcio, magnésio e manganês. 1

Gingenósidos (saponinas triterpênicas): se encontram na raiz em uma


proporção de 2 a 3%, São conhecidos também como panaxósidos e podem ser
classificados em :
1. Grupo danmarano:
a. Derivados do protopanaxadiol: Rb1, Rb2, Rb3, Rc, Rd, Rh2. 2

2. Derivados do protopanaxatriol:
Re, Rf, Rg1, Rg2, Rh1. 2

Óleo essencial panaceno (0,05%): limonelo, terpineol, sitosterol, citral e alcoois


de poliacetileno: panaxilol, panaxidol, panaxinol, panaxitriol e falcarinol. 2
Outros: glicídeos (entre eles polissacarídeos chamados de panaxanos),
oligoelementos, vitaminas B e C, ácidos orgânicos (acético, cítrico, málico, pirúvico),
enzimas (amilase, glicolase), aminoácidos (tirosina, lisina, histidina, arginina, etc),
mucilagem, etc. 2
A respeito da existência de fitoestrógenos (estriol e estrona) somente foram
reportados algumas informações que falam da sua presença nos escassos exemplares
silvestres encontrados. 2

• Estudos Etnofarmacológicos:
Não mais considerado como uma panacéia mágica, hoje o ginseng é valorizado
pelos fitoterapeutas, principalmente como um estimulante e um tônico tomado
diariamente para prevenir o estresse e as indisposições menores, como os resfriados. A
raiz pode ser mascada ou triturada e, a partir do pó, prepara-se um chá. 3
• Atividades Farmacológicas / Experimentos e eficácia clínica:
A raiz do ginseng vem sendo considerada desde meados da década de 60 como
uma planta adaptógena. Este conceito implica que seus componentes ativos não estão
destinados a combater uma enfermidade específica, sendo que seu emprego está
destinado a aumentar o potencial da capacidade de defesa de um organismo frente a
agressores externos, tanto de ordem física ou psíquica. Esta particularidade não seria
exclusiva do ginseng, sendo que também aparece em outras plantas, tais como o
Eleutherecoccus senticosus, Schizandra chinensis, Withania somnifera, Ocimum
sanctum, Rhodiola rosea e Hopea dichotoma, entre outras. 2
As características que deve reunir uma planta adaptógena são 4:
1. Possuir uma ação anti-fadiga frente aos esforços físicos ou mentais.
2. Aumentar a resistência ao estresse.
3. Tende a normalizar os estados patológicos do organismo, devido principalmente
a excessos ou deficiências dos mecanismos de homeostase.
4. Ser inócuo do ponto de vista toxicológico. 2

Os ginsenósidos da raiz seriam os responsáveis por grande parte das ações


farmacológicas do ginseng, porém, alguns deles apresentam efeitos antagônicos entre si.
Por outro lado, os polissacarídeos presentes na raiz teriam grande importância na função
imunomoduladora. 2
As ações farmacológicas do ginseng podem ser classificadas da seguinte
maneira: 2

Ação sobre o Sistema Nervoso Central:


Foi relatado sobre a conveniência de padronizar os produtos do ginseng,
lembrando que alguns componentes podem ter efeitos conflitantes. É assim que a
maneira de exemplo foi comprovado que os gingenósidos Rb2, Re e Rg1 teriam um
efeito estimulante sobre o sistema nervoso central, enquanto que os gingenósidos Rb1 e
Rc seriam inibitórios. 2
Os primeiros ensaios realizados com extratos padronizados demonstraram que as
zonas mais profundas do sistema nervoso central eram menos sensíveis a este produto
que as zonas corticais. 2
Estudos feitos com ratos determinaram que os extratos de ginseng administrados
por via intraperitoneal durante cinco dias, em uma dose de 50mg/Kg, conseguiram
incrementar os níveis de dopamina e noradrenalina no tronco central, diminuindo ao
mesmo tempo o teor de serotonina. No entanto não se observaram modificações da
enzima fosfodiesterase, a não ser uma diminuição do nível de AMP cíclico quando se
quadruplicaram as doses. Este decréscimo de AMP cíclico foi observado no tronco
cerebral. 2
Quanto a atividade circulatória, é interessante destacar que durante a primavera e
o verão, o fluxo a nível de sistema carótido-cerebral esquerdo diminui biologicamente e
nos meses de outono e inverno ocorre o mesmo no lado direito. Foi comprovado que o
déficit no lado esquerdo está relacionado com a diminuição da capacidade de adaptação
que tem algumas pessoas frente a diferentes circunstâncias. 2
Um trabalho realizado no Centro Médico de Diagnósticos Eletrográficos de
Buenos Aires determinou que a administração de ginseng melhorava o fluxo sanguíneo
cerebral em pacientes com sintoma de envelhecimento e arteriosclerose. Também
comprovaram a diminuição dos efeitos depressivos daqueles pacientes que estavam
medicados com psicofármacos. 2
De diferentes testes realizados em ratos, gatos e coelhos, observou-se que o
ginseng diminui o efeito depressor de substâncias como o hidrato de cloral e
fenobarbital; ao mesmo tempo que incrementa o transporte do aminoácido fenilalanina e
do fósforo orgânico livre. 2

Ação anti-stress – Reflexos- Memória - Aprendizagem:


A partir de uma prova piloto realizada na década de 40 com 100 soldados russos
(equivalentes em peso, altura e aptidão física) os quais deviam correr 3 km na
localidade de Vladivostok, se pode constatar que aqueles que haviam tomado
previamente extratos de ginseng eram os que obtiam as melhores marcas. A partir deste
momento, começaram a realizar em série, diferentes testes de resistência em animais. 2
A capacidade de resistência de ratos expostos a situações de stress (correntes
elétricas, iluminação intensa, imersão aquática, exposição frio-calor, etc.) foi avaliada
há muito tempo atrás em numerosos estudos padronizados controlados a duplo-cego,
demonstrando-se uma maior capacidade física e menor esgotamento de forças naqueles
animais que previamente haviam sido tratados com extratos de ginseng. 2
Do mesmo modo, pode-se comprovar também uma maior resistência em ratos
submetidos a agressões tóxicas (agentes químicos), biológicas (agressão bacteriana,
transplante de tumores, etc.) que previamente haviam sido tratados com extratos de
ginseng. Esta faculdade de maior resistência a situações de stress se explica através da
influência que tem o ginseng sobre a atividade neuroendócrina. 2
Neste sentido, as plantas adaptógenas possuem a particularidade de aumentar a
capacidade de trabalho (ação estimulante) em forma resistente (ação tônica) com uma só
aplicação. Esta faculdade adaptógena estaria determinada pela ativação do eixo
hipófise-suprarenal, aumentando a secreção de adrenalina e cortisol por meio da
estimulação de ACTH, até em presença de dexametasona. A atividade anti-stress parece
depender mais da glândula supra-renal do que da hipófise, já que animais
hipofisectomizados resistiam melhor a situações de stress, respecto a animais
adrenalectomizados. 2
Quanto a atividade do ginseng a respeito de mecanismos de resposta reflexa e
memória, as mesma também foram estudadas. As primeiras evidências sobre uma
melhor capacidade de resposta a estímulos reflexos em animais de laboratório tratados
com ginseng e a grupos de controle, foram desenvolvidas nas décadas de 50 e 60 sobre
tudo na União Soviética. 2
Estudos similares foram constatados mais tarde em humanos. Uma das primeiras
evidências foram encontradas em grupos de telegrafistas e operadores de rádio, os quais
foram divididos em dois grupos. Aqueles que tomaram ginseng demonstraram melhor
capacidade de memória e menor porcentagem de erros. 2
Um importante trabalho realizado com 540 pacientes geriátricos, divididos em
três grupos (um com ginseng, outro com placebo e o último com vitaminas) determinou
uma melhor capacidade de resposta global (adaptação à internação, memória, reflexos e
energia) no grupo que foi tratado unicamente com ginseng. 2
Outra prova realizada no departamento de Medicina Interna do Hospital
Cantonal de Basilea (Suíça) permitiu trabalhar com dois grupos de pacientes aos quais
se administrou ginseng e placebo respectivamente. O grupo que tomou ginseng
demonstrou uma melhor capacidade de reação diante de diferentes estímulos em relação
ao grupo controle. Esta melhoria não foi muito importante nos pacientes entre 31 e 39
anos, mas sim significativa nos de maior idade o que indica a utilidade do ginseng a
partir dos quarenta anos. 2
A atividade biológica dos primeiros ativos contidos no ginseng se diferenciam
claramente dos efeitos estimulantes próprios das anfetaminas e derivados. 2

Efeitos sobre o aparelho Cardiovascular:


A respeito de seus efeitos sobre a pressão arterial, os gingenósidos
demonstraram ter ações paradoxais, já que enquanto uns contribuem para o decréscimo
da pressão arterial, outros a elevam. Isto tem a ver com os vários efeitos que apresentam
seus princípios ativos: colinérgicos, histaminérgicos, serotoninérgicos e
papaverinérgicos. Estudos realizados pelo instituto de Farmacologia da Faculdade de
Medicina de Zurich informaram que o gingenósido Rg1 em baixas doses provoca uma
diminuição suave da pressão arterial, mas de curto tempo de ação. Ao contrário, em
altas doses a eleva. 2
Os gingenósidos Re e Rc administrados em forma intravenosa em altas doses
provocam um suave incremento da pressão arterial a qual permanece um certo tempo e
logo decresce lentamente. 2
O extrato total de ginseng administrado sob a forma endovenosa em cães,
produziu um efeito hipotensivo, devido a uma provável interferência no ingresso de
cálcio ao interior da célula muscular durante a fase de excitação-contração, inibindo o
efeito vasoconstritor, segundo estudos realizados no Centro Médico da Universidade de
Nova York. 2
Os extratos totais administrados a ratos em concentrações de 1:20.000 e
1:50.000 provocaram um efeito de bradicardia e um aumento do tom e amplitude da
musculatura lisa. As saponinas da raiz vermelha de ginseng demonstraram estimular o
processo de angiogênese em células endoteliais de veia umbilical humana. A respito da
musculatura estriada observou-se contrações tônicas de grande duração que não se
modificavam com a administração de tubocurarin.2
Conclusivamente, podemos dizer que o ginseng tem uma ação reguladora da
pressão arterial, dependendo da padronização do produto feito que a aumente ou
diminua. 2
• Toxicidade
De acordo com os primeiros estudos de Israel Brekhman a raiz de ginseng não
alterou o incremento de toxicidade em animais em crescimento. Em testes realizados
com roedores com sobrecarga de 1 a 5 g/Kg p.o. de extrato seco de ginseng
padronizado, evidenciaram uma boa tolerância por parte dos animais, não observando-
se nenhum caso de morte, calculando-se no homem a DL50 por cima dos 5000mg/Kg
de peso corporal, enquanto que na cobaia a DL50 p.o. é superior aos 2000mg/Kg. 2
Em ratos aos quais foram administrados oralmente 2,1 Kg de extratos de ginseng
enriquecidos com vitaminas, somente observou-se um aumento de peso moderado, sem
apresentar sinais de toxicidade aguda. Em provas de toxicidade aguda em longo prazo
com doses de 105 e 210 mg/Kg durante 25 semanas, não se produziram fenômenos de
intolerância nem teratogênicos. A administração de 40 mg/Kg por via oral de extratos
padronizados de ginseng a ratas prenhadas ao longo de quinze dias não provocaram
alterações fetais. 2
Em provas de toxicidade subaguda (sobrecargas de três semanas) e crônica
(sobrecargas de 100 dias) os animais submetidos não mostraram danos ou alterações
relevantes nos controles hematológicos, ponderais e macroscópicos de rim, estômago,
cápsulas supra-renais e fígado. A administração de 720 mg de extrato de ginseng
administrado oralmente a ratas durante 20 dias tampouco produziu efeitos adversos. 2
As provas realizadas em ratos e coelhos durante as primeiras semanas de
prenhez, aos quais se administrou extratos padronizados de ginseng em doses
respectivas de 40 e 20 mg/Kg,não demonstraram nenhum efeito teratogênico em suas
crias. Do mesmo modo, a administração durante o período de lactação tampouco afetou
o desenvolvimento e crescimento das crias. Finalmente, um estudo realizado no Japão e
que abordou mais de 500 indivíduos que tomavam ginseng não evidenciou sinais de
toxicidade. 2

• Especialidades Farmacêuticas:

Ginseng 4
Ginseng bioplus
Natus gerin

Ginseng (associado) 4
Geriaton
Geriavite
Infabra ginseng reforçado
Megabrain
Natus gerin
Vitergan master

Ginseng, extrato 4
Ginsana
Ginseng

Ginseng, extrato (associado) 4


Cápsulas Pharmaton
Longevit plus
Virilon

Ginseng, extrato seco (associado) 4


Gerovital
Poliseng
Vitaseng
Referências Bibliográficas:

1- TESKE M., TRENTINI A. M. Herbarium: compêndio de fitoterapia. Ed.


Herbarium Laboratório Botânico. Curitiba, Paraná. 1995.

2- ALONSO, J. R. Tratado de fitomedicina – bases clínicas e farmacológicas.


Isis. Buenos Aires: 1998.

3- Segredos e virtudes das plantas medicinais. Ed. Reader’s Digest Brasil


Ltda. Rio de Janeiro, 1999.
4- DEF 2002-2003

5- botit.botany.wisc.edu

6- www.ginseng.org.au

7- www.herbs.org

8- www.feenkraut.de

9- www.g-netz.de

10- http://www.benuts.com/store/images/products/panaxginseng.jpg