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Neurobiologia e Psicologia da Empatia.

Article · January 2014

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Augusta D. Gaspar
Universidade Católica Portuguesa
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NEUROBIOLOGIA E PSICOLOGIA DA EMPATIA
PONTOS DE PARTIDA PARA A INVESTIGAÇÃO E
INTERVENÇÃO DA PROMOÇÃO DA EMPATIA

Augusta Gaspar*

Resumo: A empatia é um constructo importante, objeto crescente de investigação


na atualidade e recentemente reconhecida como um mecanismo biológico que
muito contribui para a homeostasia social e sucesso das sociedades humanas.
Neste capítulo centro-me em três aspetos da empatia: esclarecer no que consiste
empatia, pois é possível encontrarmos estudos com resultados muito divergen-
tes entre si, e isso deve-se sobretudo ao facto de fazerem recurso de medidas
distintas de empatia, algumas das quais, não traduzem realmente empatia; dado
que a empatia está ligada à cooperação, à ajuda interpessoal, ao altruísmo, ela
é um aspeto do comportamento humano que envolve custos e por vezes sacri-
fícios muito elevados; neste âmbito, o senso comum leva-nos com frequência
para a ideia de que ela é uma segunda natureza, algo que temos de construir
sobre a natureza humana, mais egoísta, menos empática. Neste ponto, farei a
revisão de estudos que permitem refutar esta ideia e que, pelo contrário, apon-
tam para a empatia como um aspeto essencial da natureza humana, uma chave
para a sobrevivência das comunidades da nossa espécie. Finalmente, e aten-
dendo a que a empatia é um traço desejável, e mesmo após o argumento de
que faz parte da natureza humana é reconhecido que nem todos os humanos
a apresentam por igual, discutem-se estratégias que poderão conduzir a uma
estimulação da empatia enquanto traço num indivíduo, mas também enquanto
resposta imediata a uma situação.

1. O QUE É A EMPATIA

A palavra Empatia resulta da tradução original de Einfühlung (Lipps,


1903) do alemão, expressando a ideia de “sentir-se na pele de outro”.

*  Faculdade de Ciências Humanas, Universidade Católica Portuguesa. CIS – Centro


de Investigação e Intervenção Social, ISCTE-IUL

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Augusta Gaspar

É um constructo dimensional, embora alguns autores definam duas


dimensões e outros três ou quatro. As principais dimensões traduzem
dois processos – o de ser afetado emocionalmente e o de ser capaz de
entender as emoções dos outros. Ao primeiro chamamos de Empatia
Emocional, que consiste na experiência vicariante, com ativação emo-
cional, involuntária e que pode envolver muitas reações miméticas e res-
postas fisiológicas automáticas que espelham a experiência emocional do
outro, mas em que o indivíduo conserva a noção de si mesmo como
entidade distinta desse outro (Eisenberg, 2000). Ao segundo chamamos
Empatia Cognitiva, em que a compreensão do que se passa com o outro,
pode ocorrer na presença, mas também na ausência da empatia emo-
cional (Blair 2005; Smith 2006), requerendo fundamentalmente ter uma
Teoria da Mente – o conceito de “Theory of Mind”, desenvolvido por Pre-
mack e Woodruff (1978), que traduz a capacidade de mentalizar, ou seja,
de atribuir estados mentais a si mesmo e aos outros (Decety e Moriguchi,
2007; Blair, 2005) e que permite ao indivíduo descodificar o comporta-
mento do outro, perceber a sua perspetiva e prever a sua conduta). Desta
relativa independência resulta que a Empatia cognitiva pode ser elevada
em indivíduos psicopatas, caracterizados por baixa ou ausente empatia
emocional (Smith, 2006).
À experiência de empatia emocional, o processamento cognitivo da
informação contextual ou outra relevante, pode acrescer uma outra com-
ponente – a Simpatia (de Simpathy) ou sentimento de pena e/ou preocu-
pação empática, que implica conhecimento da situação e provavelmente
do que é que o outro necessita; juga-se pois que é resultante desta inte-
ração entre a experiência vicariante e a tomada de perspetiva do outro
(a simpatia) que se geram os comportamentos de ajuda, que por vezes
podem ter contornos de altruísmo; a interação destes dois aspetos tam-
bém pode gerar somente perturbação empática (empathic distress), que
consiste em resposta de ansiedade e intenso desconforto, resultantes de
uma perceção de incapacidade para resolver o problema e de uma reo-
rientação deste para si mesmo (Batson, 2009). Desta forma de empatia
emocional (empathic distress) não resultam benefícios para o alvo. Por
exemplo, isto acontece aos chamados “innocent bystanders”, atualmente
um fenómeno muito observado nos episódios de bullying.
A dimensão de Empatia emocional está na base do desenvolvimento
moral e do sentido de justiça, e também dos sentimentos de culpa (Hoff-
man, 1987; 2000). Neste sentido, podemos dizer que a Empatia colide
com qualquer visão cartesiana do Homem ou dos outros animais, pois

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Neurobiologia e Psicologia da Empatia

sem a sua componente emocional a empatia é um conceito vazio. Como


se perceberá melhor adiante, a empatia emocional é um sistema moti-
vacional, poderoso e básico, capaz de explicar o que de mais intrigante
parece existir na natureza humana – atos de altruísmo extremo, mas tam-
bém de cooperação e interdependência – as grandes forças aglutinadoras
das relações interpessoais e das comunidades.
Há ainda componentes mais básicas da empatia, assinaladas por
diversos autores, como a empatia motora e o contágio emocional, que
constituem mecanismos automáticos e inconscientes de que os bebés
humanos já vêm dotados. O mimetismo automático das expressões faciais
associadas a afetos positivos e negativos foi descoberto por Dimberg
(Dimberg, 1990; Dimberg et al., 2000) e é um mecanismo tão prevalente
que mesmo quando a expressão facial não é visível na face do observador,
a atividade dos músculos respetivos aumenta e pode ser detectada através
de Electromiografia (EMG) facial. Esta popularizou-se aliás como técnica
para avaliar a empatia emocional (Dimberg e Thunberg 2012)
A capacidade de experimentar empatia (aqui como um todo, com
todas as suas dimensões) é algo que é normativo, pelo menos nas popula-
ções que foram estudadas – a população adulta ocidental (Davis, 1980) e
amostras das populações adolescente e adulta portuguesa na grande Lisboa
(Gaspar et al. 2013). Mas é também algo que pode variar substancialmente
de uma pessoa para outra, sendo por isso avaliada como um traço. Num
projeto recente que envolveu a avaliação da empatia traço (através do Inter-
personal Reactivity Index, de Davis, 1983) e a mensuração de respostas
fisiológicas empáticas (EMG facial dos músculos Zygomaticus major e Cor-
rugator supercilli e resposta de condutância) em adolescentes e adultos da
população portuguesa verificámos (Gaspar et al, 2013; in prep) que apesar
dos adultos apresentarem valores em média mais elevados de empatia traço,
os adolescentes apresentavam um valor substancialmente mais elevado das
suas pontuações na componente Preocupação empática, que se considera
a que melhor traduz a predisposição para a resposta vicariante. As medidas
de empatia emocional dos adolescentes mais novos (12-13 anos) aumenta-
vam bastante até cerca dos 15-16 anos, idade a partir da qual se verificava
uma descida que os aproximava mais dos valores dos adultos, o que sugere
que a resposta vicariante pode ter o seu máximo neste período da vida.
É notável também o facto de, quer em adultos quer em adolescentes,
termos obtido correlações moderadas entre medidas de empatia-traço
orientadas para humanos e medidas orientadas para outros animais, e na
resposta vicariante avaliada através de medidas eletrofisiológicas, termos

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Augusta Gaspar

verificado respostas mais consistentes com empatia, em face da expressão


comportamental de emoções em cães do que em humanos ou chimpan-
zés (Gaspar et al., 2014) o que sugere que para uma fração das pessoas a
empatia é generalizada a outras espécies, como alias já proposto por Paul
(2000) entre outros.

1.1. A empatia e o mistério do altruísmo


De todas as capacidades humanas, de todas as experiências emocio-
nais, temos de destacar a Empatia, porque ela integra na verdade tudo
aquilo a que vulgarmente se chama “ser bom”. É a empatia que leva os
seres humanos aos mais elevados atos de altruísmo. Quando falamos de
altruísmo não falamos de dar dinheiro para obras de caridade ou doar
uma herança para que jovens pobres possam ter bolsas para frequentar
a universidade. Isso também é ser bom e é filantropia. Mas o altruísmo
implica mais – o sacrifício – arriscar ou perder mesmo a vida a tentar aju-
dar ou salvar a vida de outros. Por isso, os indivíduos altruístas são objeto
da nossa admiração e imaginação, inspirando reportagens e filmes no
presente, as lendas e livros do passado. Haverá criança que não admire
Robin Hood – o lendário nobre inglês que perdeu o seu castelo e terras
por ser leal ao rei e assaltar os ricos para poder alimentar os pobres que
defendia e amparava no seclúdio das florestas de Sherwood?
Atendendo a que a expressão altruísmo pode ser interpretada com
diferentes cambiantes, antes de me prolongar acerca da relação entre
empatia e altruísmo é importante definir o que designei por altruísmo.
Usarei o termo tal como é entendido em biologia evolutiva, onde muito
tem sido debatido: um ato com elevados custos para o seu autor, cus-
tos esses que podem ir desde a perda de alimento ou de oportunidades
para o conseguir, à perda da própria vida ou da sua prole, como sucede
quando um indivíduo se envolve num combate violento para ajudar
outro, saindo deste com graves ferimentos que o deixam incapacitado de
cuidar dos filhos, encontrar alimento ou podem simplesmente causar-lhe
a morte. O altruísmo tem, por definição um custo muito alto, o mais alto
de todos; a cooperação pode ter ou não custos.
No seio da Biologia evolutiva, várias teorias têm emergido para expli-
car os atos altruístas, que parecem “contranatura”, paradoxais até (dado
que os indivíduos deveriam maximizar a sua fitness), e por isso a maior
parte destas teorias explicam o altruísmo parcialmente. Da Sociobiologia
nasceram as teorias da Kin selection, do Altruísmo recíproco e da Sele-
ção de grupo, todas elas prevendo que os atos altruístas só são desenca-

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Neurobiologia e Psicologia da Empatia

deados em contextos restritos (os únicos que explicam incremento da


fitness), e que no fundo a motivação altruísta não é generalizável, e só
nas circunstâncias descritas nas várias teorias ela é adaptativa e os genes
responsáveis transmitidos por Seleção natural. No caso da Kin Selection,
o contexto é o parentesco próximo entre o indivíduo que é beneficiado
e o seu benfeitor (Hamilton, 1964). No caso do altruísmo recíproco é a
reciprocidade, como o próprio nome indica – benfeitor e beneficiado
têm de se conhecer bem e interagir frequentemente para que o modelo
funcione (Trivers, 1971); isto é, o elevado risco corrido pelo altruísta só
é compensado se, estando ele próprio em grande necessidade de ajuda
houver uma elevada probabilidade do outro vir em seu auxílio. A terceira
explicação reside na noção de que é compensatório, do ponto de vista
da fitness de cada membro de um grupo, trabalhar para um bem comum,
pois conseguem-se benefícios que individualmente não seria possível –
é uma cooperação com motivações egoístas (Hamilton, 1964). Se nos
mantivermos fiéis à definição de altruísmo como algo com custo tão ele-
vado que põe em risco a fitness, então nenhuma delas é propriamente
altruísmo, pois são estratégias previsíveis pela Teoria dos Jogos e que
permitem aumentar a fitness.
Em Psicologia, os investigadores têm procurado focar-se na com-
preensão das causas próximas do altruísmo, nas situações e estímulos
que desencadeiam os comportamentos altruístas, nas aprendizagens e
experiências relevantes, tratando o conceito de forma mais lata, isto é
abrangendo diversas condutas pró-sociais, de cooperação, ajuda, con-
solo de vítimas, etc. Batson (1991) relacionou o altruísmo com a empatia
defendendo que a motivação para a pró-socialidade está orientada para
objetivo de aumentar o bem-estar do indivíduo alvo, ou seja a pessoa
necessitada de ajuda; nesta visão não há qualquer relação com ganhos de
fitness – as pessoas são movidas pela dimensão de preocupação empática
da empatia.
De Waal (2008) em “Puting altruism back into altruism: The Evolution
of Empathy” (um título bem expressivo das contradições com que se tem
conceptualizado o altruísmo), sublinha que a empatia constitui um sistema
motivacional, que apesar de ter sido selecionado e ter evoluído pelos seus
ganhos na fitness, existe em nós e é suficientemente forte para desenca-
dear atos que podem conduzir ao altruísmo mesmo sem ganhos em fitness.
Como de Waal enfatiza, é importante tratar a motivação como motivação
apenas: a empatia é uma força motivacional desencadeada por eventos
emocionais e que pode levar ao altruísmo, orientado para o bem-estar do

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Augusta Gaspar

outro. Ou seja, há que não confundir consequências com motivação. A moti-


vação tem desencadeadores imediatos, mesmo quando resulta de milhares
de gerações de seleção natural positiva. As suas consequências podem ter
repercussões também muitas gerações à frente – mas tal não implica que os
indivíduos tenham qualquer consciência disso quando atuam.

2. A EMPATIA NA NATUREZA HUMANA

2.1. Nascidos para ser moderadamente bons


Mas os humanos diferem entre si. Nem todos são heróis e altruístas.
E a investigação sobre empatia tem mostrado que é um traço em que
alguns indivíduos pontuam muito baixo, enquanto outros cotam muito
alto, num extremo que até constitui patologia (Síndroma de Williams).
Mas com os instrumentos habitualmente mais usados, o que se verifica é
que é um traço normativo, isto é, a maior parte das pessoas aproxima-se
de um nível médio de empatia, como veremos adiante. Podemos então
dizer, que pelo menos numa intensidade média a empatia é uma parte
integrante da natureza humana.
O desenvolvimento ontogenético da empatia é em si mesmo uma
grande fonte de suporte a esta ideia. Com efeito, as componentes da
empatia contágio emocional e empatia motora estão presentes nos recém-
-nascidos (Hatfield et al., 1994); algumas crianças com um ano já mime-
tizam automaticamente expressões de tristeza dos adultos; as crianças a
partir dos 2 anos mostram sinais de perturbação com sofrimento alheio
e procuram intervir (Eisenberg e Mussen, 1989; Zahn-Waxler e Radke-
-Yarrow, 1990).
Hoffman (1975; 2000) enfatiza o papel dos pais como modelos da
pró-socialidade e Schore (2001) desvenda um notável sistema de influên-
cia dinâmica entre a programação biológica que preside à maturação de
áreas do cérebro essenciais à experiência de empatia e à elaboração da
conduta pró-social e os processos de vinculação à mãe ou outro cuida-
dor principal: o córtice orbitofrontal, em particular no hemisfério direito,
desenvolve-se em estreita dependência da estimulação do cuidador prin-
cipal, ficando atrofiado na privação desta estimulação; os opiáceos endó-
genos (beta-endorfinas), que promovem o crescimento dos neurónios no
bebé e regulam os níveis de glucose e insulina, são libertados em maior
quantidade no córtice orbitofrontal, o que faz com que esta interação
com a mãe em que o bebé recebe atenção às suas necessidades, suporte

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Neurobiologia e Psicologia da Empatia

emocional e contacto de conforto – no fundo interações regulatórias do


seu estado emocional (pois ainda não pode regular as suas emoções sozi-
nho) são promotoras de neurogénese nesta região do encéfalo.
As neurociências têm vindo a dar um enorme contributo para a com-
preensão da empatia, dando corpo a modelos dos processos cognitivos
da resposta empática vicariante e da empatia cognitiva e mostrando em
larga medida substanciais convergências ao nível dos padrões de ativação
cerebral que acompanham os diferentes tipos de empatia.

2.2. Um sistema biológico de “ressonância interna”


Assim, vemos que o modelo da empatia proposto por Preston e de
Waal (2002) – o modelo da percepção-acção ou PAM (de Perception Action
Model), que enuncia que o estado emocional percecionado no indiví-
duo alvo ativa automaticamente a respetiva representação no observador,
que por seu turno desencadeia a ativação das respostas características do
Sistema nervoso autónomo, se vê bem suportado pelos mecanismos de
resposta do Sistema de Neurónios Espelho (de Mirror Neuron System
ou MNS) descoberto pela equipa de Vitorio Gallese e Giacomo Rizzolatti
(ver Gallese, 2001; Gallese, Fadiga, Fogassi e Rizzolatti, 1996; Iacoboni e
Dapretto, 2006;) desencadeando respostas motoras no observador que
espelham as do indivíduo alvo – uma mimese emocional automática. O
Sistema de Neurónios Espelho foi descoberto ao observar-se a ativação
de áreas pré-motoras do córtice ante a observação das correspondentes
ações num indivíduo alvo, sendo que nos primeiros estudos o alvo era
humano e o observador, um macaco Rhesus. Nos estudos que se vieram
a seguir com humanos, verificou-se que o Sistema de Neurónios Espe-
lho se estendia ao sulco temporal superior e a outras áreas dos córtices
pré-frontal e parietal, ligando-se ao sistema límbico pela insula. A ínsula
revelou-se aliás consistentemente em muitos estudos neuroimageológi-
cos ulteriores, uma estrutura de ativação comum na experiência de empa-
tia (ver o estudo de meta-análise de Fan, Duncan, de Greck, e Northoff,
2007) e uma dos mais precoces a ser ativados nas crianças durante a
perceção da perturbação emocional (distress) dos outros (ver Decety
e Svetlova, 2012). O sistema de neurónios espelho funciona como um
autêntico simulador da ação (inclusive expressão facial) e da experiên-
cia mental a partir da observação da experiência dos outros (Iacoboni
e Dapretto, 2006) sendo aparentemente um facilitador, ou melhor um
verdadeiro atalho para a aprendizagem (Gallese, 2001). Na experiência
de observar a dor de outra pessoa ativam-se estruturas que se sobrepõem

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Augusta Gaspar

grandemente com as ativas na experiência afetiva, mas não na experiência


sensorial, de dor, em particular o córtice cingulado anterior e a região
anterior da insula (Botvinick et al., 2005; Singer et al., 2004), sendo estas
também maioritariamente nestas áreas as populações de neurónios ativas
na experiência “em espelho” da repugnância (Gallese, Keysers, e Rizzo-
latti, 2004; Jabbi, Swart, e Keysers, 2007; Rizollati, 2006).
Estes sistemas de circuitos partilhados vêm reforçar os resultados de
linhas de investigação independentes mostrando que a empatia emocio-
nal é mais eficaz do que a cognitiva a simular os estados mentais obser-
vados (Nummenmaa, Hirvonen, Parkkola, e Hietanen, 2008), o que mais
reforça ainda a importância crucial das respostas emocionais automáticas
na génese da empatia e das condutas pró-sociais.

2.3. Redes diferenciadas para a empatia emocional e para a


empatia cognitiva
Do trabalho de meta-análise, acima referido, de Fan et al (2007)
destacam-se também as regiões médias e anterior do córtice cingulado e
sobressai o facto de a empatia emocional e a empatia cognitiva se associa-
rem a diferentes padrões regionais de ativação, dando suporte neurofisio-
lógico às duas dimensões distintas, apesar de interatuantes, da empatia e
defendidas por outros investigadores (Shamay-Tsoory et al., 2009; Smith,
2006): enquanto a região anterior esquerda da insula permanece como
denominador comum a ambas as experiências, a região dorsal média
do córtice cingulado anterior está mais frequentemente ativa na empa-
tia cognitiva e a região anterior direita da insula na empatia emocional.
Shamay-Tsoory e colegas (2009) assinalam também, na empatia cognitiva,
a atividade das regiões pré-frontais, e na empatia emocional, para além
do córtice cingulado e da ínsula, a amígdala.
Outro dispositivo biológico que sugere que os humanos transportam
um sistema básico integrado de regulação da empatia e de várias formas de
sociabilidade reside no facto de os níveis de ocitocina (hormona que atua
também como neurotransmissor) se correlacionarem com a empatia traço,
com a confiança e satisfação resultantes das suas relações (Merolla et al,
2013), com a vinculação materna, com a motivação para ajudar e com o com-
portamento pró-social efetivamente realizado (Donaldson e Young, 2008).

2.4. O lugar da empatia na evolução humana


Sempre que falamos da natureza humana, coloca-se a questão – por-
que haveria a biologia humana, a nossa história evolutiva e o principal

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Neurobiologia e Psicologia da Empatia

mecanismo que explica que traços passam às gerações vindouras e que


traços não passam – a seleção natural- de selecionar uma característica
que nos pode levar – devido ao impacto emocional da experiência dos
outros- a arriscar a própria vida?
De acordo com Frans de Waal (2008) a empatia ter-se-á desenvolvido
ao longo da evolução humana e da de outras espécies como um meca-
nismo motivacional capaz de gerar atos altruístas dirigidos a outros em
grande carência ou em sofrimento físico ou psicológico; terá tido origem
na relação mãe-bebé, gerando inicialmente estas condutas nas mães mas
sendo continuamente selecionado ao longo de gerações por aumentar a
fitness (aptidão em sentido evolutivo) de filhos de mães mais empáticas,
por estas serem mais competentes a proteger a sua prole. O traço foi
assim sendo legado. Uma vez presente nos indivíduos o traço desenca-
deia respostas alargadas a mais alvos na comunidade do que apenas os
filhos. Pode parecer um luxo, mas a proposta de De Waal oferece uma
explicação para a coesão intragrupal, facilitando relacionamento dentro
de grupos pequenos, inibindo a violência e germinando laços fortes de
cooperação (Castro, Gaspar, e Vicente, 2010; de Waal, 2008). A genera-
lização deste traço na população poderá explicar não só a sua extensão
para lá da família e da comunidade, a outros grupos e até a outras espé-
cies (Preston e de Waal, 2002). Disto mesmo são exemplos as situações
em que seres humanos arriscam a vida para salvar perfeitos desconheci-
dos ou animais de outras espécies.

3. DIFERENÇAS INTERINDIVIDUAIS E A PROMOÇÃO DA EMPATIA

Apesar da predisposição empática, com componentes até bastante


precoces como vimos acima, os humanos apresentam efetivamente exem-
plos extremos de variabilidade no eixo frieza emocional – empatia.
Alguns estudos indicam que o traço empatia é afetado pelo genó-
tipo de um indivíduo – por exemplo, a frieza afetiva (e outros fatores
com que se combina nos psicopatas) tem um fator latente com heritabili-
dade estimada de h=0,63 (Larsson et al, 2006) o que é bastante elevado.
Um exemplo no extremo oposto é o dos pacientes com Síndroma de
Williams, uma perturbação de ordem genética (deleções no cromossoma
7) em que os indivíduos, excessivamente empáticos, se encontram, por
conseguinte, incapazes de deixarem de se perturbar intensamente com as
experiências emocionais (Jabbia et al. 2012).

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Augusta Gaspar

A variabilidade interindividual no eixo frieza emocional – empatia


pode ser detectada aos 3-4 anos de idade, idade em que se pode detectar
a psicopatia (Frick, 1999). Os estudos de gémeos apontam para um forte
contributo da heritabilidade na empatia medida aos 2-3 anos e os traços
psicopáticos aproximadamente a partir dos 3 anos já tendem a manter-se
estáveis nos anos subsequentes (Frick et al, 2008). Os rapazes que evi-
denciam já estes traços, quando comparados com um grupo de controlo,
apresentam atividade eletrodérmica inferior à dos outros perante sinais
de perturbação emocional (distress) em outras pessoas Blair (1999) e
menores alterações na frequência cardíaca quando observam filmes
indutores de empatia envolvendo a experiência de medo (Anastassiou-
-Hadjicharalambous e Warden, 2008). Blair (2007) propõe mesmo que no
cerne do desenvolvimento da psicopatia esteja esta incapacidade a priori
para processar e reagir a expressões de medo e tristeza, devido a uma
disfunção da amígdala.
Assim, afigura-se como provável que no conjunto, estes estudos
estão a indicar que há predisposições genéticas que colocam à partida
algumas crianças no cenário das suas interações sociais com um handi-
cap na capacidade de reagir emocionalmente e de descodificar as emo-
ções e o sofrimento dos outros. Ora esta incapacidade vai também levar
a que ao longo do seu desenvolvimento vão adquirindo, menos do que
as outras crianças, competências sociais e emocionais apropriadas. As
diferenças interindividuais na empatia assinaladas aos 3-4 anos tendem a
acentuar-se para os 6-7 anos. É pois da maior importância, reunir a ainda
escassa e dispersa informação no que concerne aos fatores ambientais
que podem afetar o desenvolvimento das diferenças entre crianças na
expressão das predisposições genéticas para a empatia emocional e para
a empatia cognitiva, no sentido de promover as condições que permitem
maior desenvolvimento da empatia e mitigar perturbações da conduta
resultantes da frieza emocional. Esta é também uma importante área para
desenvolver investigação fundamental e aplicada no futuro próximo.
A informação disponível relativamente à eficácia de programas de inter-
venção, por regra em escolas, destinados a promover aspetos da empatia,
é escassa, essencialmente por 3 razões – (1) os programas têm um curricu-
lum mais orientado para o conhecimento das emoções e para o desenvol-
vimento de competências sociais (normalmente são designados por cursos
de Educação Emocional), não se focando particularmente na empatia; (2)
destinam-se a crianças em idade escolar, o que deixa um grande vazio nos
períodos etários anteriores, em que há um desenvolvimento emocional

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Neurobiologia e Psicologia da Empatia

intenso e (3) exploram sobretudo conteúdos e competências específicas,


como saber reconhecer expressões faciais prototípicas, estimulando mais
aspetos da empatia cognitiva ou estratégias de coping com situações emo-
cionais difíceis. Por outro lado, para a maior parte dos programas divulga-
dos publicamente na internet, não são apresentados relatórios de resulta-
dos face a objetivos específicos. Aqueles para os quais estão disponibilizados
dados de avaliação da eficácia do programa, tendem a mostrar alterações
benéficas em vários parâmetros, como a identificação correta das expressões
das emoções básicas ou as competências sociais (por exemplo, Havighurst
et al., 2004). Apesar destes aspetos serem francamente positivos, tal não
implica que se esteja a promover a empatia traço ou a resposta empática.
Estes resultados podem ser fruto da empatia, ou não; é fundamental que a
identificação de emoções e os comportamentos pró-sociais não sejam tidos
como sinónimos de empatia, pois não o são, e que possamos realmente
medir empatia com medidas de reatividade emocional e de traço.
De estudos independentes, de proveniências tão distintas como a
Antropologia ou a Psiquiatria e a Psicologia do Desenvolvimento, che-
gam-nos no entanto alguns elementos sobre variáveis ambientais que
parecem interagir com as predisposições genéticas gerando os pilares do
que poderá ser a resposta empática das crianças.
Por exemplo, alguns estudos comparativos de culturas apresentam
alguns insights acerca de diferenças no comportamento pró-social e na
regulação da empatia emocional que se parecem dever a diferenças entre
essas culturas (Cassels et al. 2010; Greck et al. 2012).
Extensa informação tem sido compilada também acerca da flexibili-
dade do comportamento e do desenvolvimento da arquitetura cerebral.
Os estilos parentais baseados em interações positivas têm sido associa-
dos à prevenção das desordens agressivas da conduta (Webster-Stratton,
1998) e está demonstrada a existência duma relação estreita entre a matu-
ração de estruturas fundamentais da experiência e regulação emocional
(como o hemisfério direito em geral, mas em particular, o córtice orbi-
tofrontal, em particular o direito e o córtice pré-frontal) e a relação de
vinculação com a mãe ou outro cuidador primário (Schore, 2001). Ora a
neurogénese, nestas regiões, pode efetivamente ser estimulada ou, pelo
contrário, inibida, pela qualidade da estimulação precoce e das intera-
ções regulatórias entre o bebé e o adulto.
Não obstante a persistência de traços de psicopatia em crianças
muito novas (Frick et al. 2003), e a descoberta inclusivamente de que
a frieza emocional e as condutas agressivas continuadas em crianças e

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Augusta Gaspar

adolescentes estão associadas a um polimorfismo em particular de um


gene que codifica para recetores de ocitocina (Beitchman et al., 2012), o
mesmo estudo mostra que a conduta (que no fim de contas é o produto
final desta espiral de interações entre genes e ambiente), só é agressiva
quando esta forma do gene está associada a um facilitador ambiental nos
rapazes – a exposição à violência. Por outras palavras, escudados da vio-
lência, os rapazes com a predisposição genética não desenvolvem a con-
duta social agressiva.
Também o bem-estar subjetivo (satisfação com a vida) tem sido asso-
ciado à empatia, com dados que sugerem que esta medida pode estar
ligada a uma perceção positiva das interações sociais, em particular aos
afetos positivos e à autoaceitação, que num estudo longitudinal mostra-
ram ser fortes preditores de traços empáticos (Grühn et al., 2008). Isto
não surpreende, atendendo à evidência empírica anterior mostrando
uma associação positiva entre afetos positivos e níveis de ocitocina, que
é libertada quando se experimentam emoções agradáveis (Uvñas-Moberg
e Peterson, 2005).
A exposição a estímulos emocionais é algo que, tendo em conside-
ração o dispositivo de “ressonância” já referido de que dispomos – o sis-
tema de neurónios espelho (Iacoboni et al, 2005) – será à partida de
esperar que funcione como fermentador ou desencadeador de respostas
empáticas, uma vez que produz uma experiência vicariante no observa-
dor em consonância com a do observado. Com efeito, alguns investiga-
dores exploraram esta ideia usando filmes, inclusive no sentido de pro-
mover mudanças rápidas na resposta empática de profissionais de saúde
aos seus pacientes, tendo obtido resultados muito positivos (Blasco e
Moreto, 2012; De Vied et al., 2009; 2012; Hojat et al, 2013; Loureiro et
al. 2011). Outra abordagem análoga é a da utilização de textos literários
como estímulo (em contraste com literatura popular mais superficial),
possibilitando uma maior estimulação da empatia cognitiva por franquear
ao leitor acesso pleno aos pensamentos, reflexões e dilemas dos persona-
gens, cujo conhecimento aprofundado do indivíduo alvo, permite maior
sucesso em tarefas de predição do estado emocional e do comportamento
(Kidd e Castano, 2013).
Assim, as contingências entre predisposições e ambiente de que já
temos conhecimento, podem mudar tudo e poderão ser estruturantes no
nosso planeamento de desenhos de investigação e estratégias de educa-
ção e intervenção precoce.

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