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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

Universidade Federal de Ouro Preto


Escola de Minas – Departamento de Engenharia Civil
Curso de Graduação em Engenharia Civil

CURVAS DE FLAMBAGEM DE PAINÉIS CONTRAVENTADOS DE SISTEMAS DE


ARMAZENAMENTO INDUSTRIAIS

Nome: Ana Flávia Barbosa e Castro

Orientadora: Profª. Drª. Arlene Maria Cunha Sarmanho – DECIV / UFOP

Coorientador: Guilherme Cássio Elias – Doutorando – PROPEC / DECIV / UFOP

Relatório Final, referente ao período 2017-


2018, apresentado à Universidade Federal de
Ouro Preto, como parte das exigências do
programa de iniciação à pesquisa PIP.

Ouro Preto – Minas Gerais – Brasil


Julho de 2018
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CURVAS DE FLAMBAGEM DE PAINÉIS CONTRAVENTADOS DE SISTEMAS DE


ARMAZENAMENTO INDUSTRIAIS

Resumo

A utilização dos sistemas de armazenagem industrial, conhecidos como racks, em


fábricas, supermercados, e outros espaços que dependem da estocagem de produtos é crescente,
devido à sua facilidade de montagem e adaptabilidade aos espaços. Este estudo apresenta uma
análise experimental sobre o comportamento de painéis contraventados e suas colunas
perfuradas em aço, sob compressão axial. Um total de 132 protótipos, sendo 88 ensaios de
painéis contraventados e 44 ensaios de colunas isoladas, compreendendo quatro comprimentos,
três larguras de alma e quatro espessuras da seção diferentes, foram ensaiados. Foram
analisadas as capacidades de carga dos painéis contraventados e também das colunas isoladas,
e observou-se pequenas diferenças entre os valores dos painéis contraventados e colunas
isoladas. Diante de tais resultados, estudou-se os modos de flambagem das colunas isoladas e
foi proposta uma curva de flambagem. Uma análise teórica da capacidade de carga das colunas
foi realizada e observou-se que a resistência teórica das colunas é consideravelmente menor
que os valores experimentais de carga última, mostrando que a norma brasileira NBR
14762:2010 é conservadora em suas formulações.
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SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 1
1.1. Componentes do sistema de armazenagem ..................................................................... 2

1.2. Modos de flambagem ..................................................................................................... 4


2. OBJETIVOS........................................................................................................................ 6
3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ............................................................................................ 6
4. METODOLOgIA ................................................................................................................ 9
5. PROGRAMA EXPERIMENTAL .................................................................................... 10
5.1. Geometria da seção e comprimentos ............................................................................. 10
5.2. Propriedades dos materiais ........................................................................................... 12
5.3. Montagem, instrumentação e aquisição de dados ....................................................... 13
5.4. Metodologia do ensaio ................................................................................................. 15
6. RESULTADOS EXPERIMENTAIS ................................................................................ 17
6.1. Análise dos deslocamentos........................................................................................... 18
6.2. Análise da capacidade resistente .................................................................................. 20
6.3. Construção curva de flambagem .................................................................................. 22
7. ANÁLISE TEÓRICA ....................................................................................................... 25
7.1. Análise da flambagem elástica ..................................................................................... 25
7.2. Capacidade resistente - Comparação dos resultados teóricos e experimentais ............ 28
8. CONCLUSÕES ................................................................................................................. 31
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 32
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1. INTRODUÇÃO

Os perfis formados a frio, obtidos a partir do dobramento de chapas de aço à


temperatura ambiente, estão cada vez mais sendo utilizados no Brasil e no mundo. Este
crescimento está associado às diversas vantagens do uso deste tipo de perfil, comparados aos
perfis laminados a quente ou soldados. Dentre eles, a boa relação resistência/peso próprio, a
variedade de seções transversais e as suas diversas formas de utilização, tornando-se elementos
fundamentais para aplicação em situações em que se deseja rápida execução na montagem da
estrutura.
Os sistemas de armazenagem industrial, também conhecidos como racks, são
estruturas compostas por elementos formados em perfis formados a frio, de variadas seções
transversais. Suas principais características são proporcionar uma elevada densidade de
armazenagem e uma montagem prática e eficiente. São estruturas utilizadas para armazenar
produtos manufaturados. Na Figura 1.1 são apresentados exemplos desses sistemas de
armazenagem.

Figura 1.1: Sistemas de armazenagem industrial. (Fonte: Águia Sistemas, 2018)


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A utilização desses sistemas vem sendo implementada atualmente em grande escala,


em diversos países do mundo. Os racks começaram a ser utilizados por volta de 1930 (Godley,
1991) e oferecem diversas opções de arranjos de estocagem variando de pequenas estantes até
estruturas de mais de 30 metros de altura.

1.1. Componentes do sistema de armazenagem

Existe uma grande variedade de modelos de sistemas de armazenagem que se adaptam


ao tipo de produto e espaço disponível para a armazenagem. Os mais utilizados no mercado
atual são o porta-pallets e drive-in.
O modelo drive-in (Figura 1.2 a) possui, como característica fundamental, a ausência
de vigas transversais, para permitir o deslocamento da empilhadeira em seu interior. Já o
modelo porta-pallets (Figura 1.2 b) possibilita o acesso direto a todos os itens armazenados
com a utilização de corredores que permitem o trânsito da empilhadeira.

(a) (b)
Figura 1.2: Tipos de sistema de armazenagem industrial: (a) drive-in; (b) porta-pallets. (Fonte: Elias
(2018))

Os principais componentes de um sistema de armazenagem estão apresentados na


Figura 1.3.
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Figura 1.3: Componentes do sistema porta-pallets; vista tridimensional.

A seção transversal das colunas tipicamente usadas em sistemas de armazenagem


industrial são do tipo rack. Os principais elementos que compõem este tipo de seção, mostrados
na Fig. 1.4, são a alma, os enrijecedores, os flanges e flanges de ligação, que possibilitam a
fixação dos contraventamentos. As colunas são normalmente sujeitas à carga axial e momento
fletor. As perfurações ao longo do comprimento da coluna (Figura 1.5) permitem que as
longarinas, que irão receber o carregamento dos paletes e transmiti-los às colunas
contraventadas, sejam posicionadas em alturas variáveis das colunas, por meio das garras.

Figura 1.4: Elementos da seção transversal do perfil rack. Figura 1.5: Ligação da longarina com coluna
4

Os contraventamentos são elementos utilizados para estabilização da estrutura e as


seções mais comuns são do tipo cantoneira e U enrijecido. No sistema em estudo são utilizados
contraventamentos perfis tipo U enrijecido. O posicionamento dos contraventamentos mais
comuns são em formato de X, em formato de K com diagonais regulares e irregulares, em
formato de Z e K com barras horizontais. Estes modelos estão representados, respectivamente,
na Figura 1.6, de acordo com a norma europeia BS EN 15512:2009 – Steel static storage
systems – Adjustable pallet racking systems – Principles for structural design.

Figura 1.6: Painéis contraventados. (Fonte: BS EN 15512)

As longarinas (vigas) recebem o carregamento dos paletes e os transmitem às colunas


contraventadas. Para a fixação das colunas ao piso são utilizadas placas de base que possuem
papel importante de estabilidade do sistema na direção transversal.

1.2. Modos de Flambagem

Os perfis formados a frio são compostos por chapas finas, com espessura de até 8 mm
de acordo com a NBR 14762:2010. Por apresentarem elevadas relações de largura e espessura
dos elementos que compõem as seções, os perfis ficam sujeitos aos fenômenos de instabilidade,
como a flambagem local, distorcional e global (Faria, 2016).
A flambagem local é caracterizada pela perda de estabilidade da placa, onde as paredes
da seção transversal do perfil alteram sua forma com deslocamentos laterais senoidais,
mantendo-se inalterados os ângulos entre as paredes (Elias, 2018). Esse tipo de Flambagem
pode ser visto na Figura 1.7.
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Figura 1.7: Flambagem local em seções U simples, U enrijecido e tipo rack

A flambagem distorcional está associada a alterações na seção transversal, associado ao


deslocamento dos vértices. Alguns exemplos da configuração deformada da seção devido à
flambagem distorcional estão apresentados na Figura 1.8.

(a) (b) (c) (d)


Figura 1.8: Flambagem distorcional da seção transversal: (a) U enrijecido sob compressão; (b) U
enrijecido sob flexão simples; (c) Seção tipo rack sob compressão; (d) seção tipo Z enrijecido sob flexão
(Fonte: NBR 14762)

A flambagem global, Figura 1.9, é caracterizada pela perda de equilíbrio do elemento


decorrente de deslocamentos laterais ao longo do comprimento do mesmo, podendo ser por
flexão, torção, ou por flexo-torção.

(a) (b)

Figura1.9: Flambagem global (a) por torção e (b) por flexo-torção.


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2. OBJETIVOS

Este trabalho tem como objetivo analisar o comportamento e capacidade resistente dos
painéis contraventados de sistemas de armazenagem industrial, constituídos por colunas
formadas por perfis formados a frio com seção transversal do tipo rack, considerando variações
no comprimento e seção transversal das mesmas.
A partir das capacidades resistentes obtidas experimentalmente, uma curva de
flambagem das colunas estudadas é proposta. Os resultados experimentais foram comparados
com uma análise teórica realizada baseada em prescrições normativas.

3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Com a crescente demanda dos sistemas de armazenagem industrial no Brasil e no mundo


torna-se necessário cada vez um maior aprofundamento nos estudos relacionados a estabilidade
dos perfis formados a frio e seus componentes. Algumas pesquisas relacionadas ao assunto são
apresentadas a seguir.
Godley (1991) apresentou os principais tipos de racks e seu histórico de evolução, dando
destaque às alterações sofridas pelas seções das colunas e pelos encaixes das ligações. Criou
também um roteiro para o dimensionamento das colunas, vigas e a avaliação da estabilidade
global.
Oliveira (2000) realizou ensaios experimentais no sistema de armazenagem drive-in
para avaliar os valores de rigidez das ligações longarina-coluna e braço-coluna, além da
influência dos furos na capacidade de carga das colunas. Os valores encontrados por meio de
cálculos prescritos pelo RMI (1997) apresentaram boa correlação com os valores experimentais
para a carga última das colunas. Quanto aos valores de rigidez das ligações, os resultados
encontrados pelos diversos métodos mostraram-se semelhantes.
Vazquez (2002) fez a análise da estabilidade de seções do tipo rack para a avaliação da
flambagem local, distorcional e global, visando estudar principalmente a flambagem por torção.
As seções utilizadas foram determinadas a partir de um estudo paramétrico que definiu as suas
geometrias. A partir dos resultados obtidos buscou-se desenvolver métodos de
dimensionamento para estes perfis.
Sarawit e Pekoz (2003) analisaram o comportamento dos sistemas de armazenagem
industrial do tipo porta-pallets através de verificações numéricas dos componentes dos racks e
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visando a uma melhoria das prescrições de dimensionamento. Fizeram uma análise das placas
de base e concluíram que o modelo atual é muito conservador, propondo então uma nova
equação para o dimensionamento. Concluíram que o valor de rigidez da ligação e a modelagem
da base influenciam diretamente no comportamento dos racks. Concluíram que o valor de
rigidez da ligação e a modelagem da base influenciam diretamente no comportamento dos
racks.
Schaffer e Yu (2006) analisaram a flambagem distorcional em vigas. Foram realizados
ensaios em perfis do tipo U enrijecido e Z sem contenção lateral. A partir dos resultados,
observou-se que a flambagem distorcional acarreta grande redução da resistência da viga se
comparada à flambagem local. Os resultados obtidos foram utilizados para a verificação da
validade de prescrições de diversas normas para o caso.
Moen e Schaffer (2009) desenvolveram expressões para a avaliação da carga crítica em
placas com perfurações simplesmente apoiadas em 3 ou 4 lados. As expressões desenvolvidas
foram validadas e, são apresentadas como alternativa à análise de autovalor via elementos
finitos para a previsão da resistência destas placas. Estas análises mostraram ainda que as
perfurações podem induzir modos de flambagem e diminuir ou aumentar a resistência da placa
dependendo da sua geometria e localização.
Freitas et al (2010) realizaram uma análise numérica e experimental do sistema de
armazenagem industrial do tipo drive-in, verificando a influência de cada elemento no
comportamento global da estrutura. Modelos de elementos finitos foram desenvolvidos para
avaliar o comportamento. Concluíram que as ligações e placas de base são os elementos que
mais influenciam no comportamento do sistema e que as ligações semirrígidas são mais
adequadas levando os resultados numéricos e experimentais a uma maior proximidade.
Casafont et al. (2011a) realizaram uma análise experimental das seções formadas a frio
do tipo rack em comprimentos susceptíveis à ocorrência de flambagem distorcional. Observou-
se que em uma faixa de comprimentos ocorre interação entre os modos distorcional e global, e
que, apesar da influência deste acoplamento ser pequena, se considerado nos procedimentos de
projeto torna mais precisas as prescrições de normas.
Bonada et al. (2012) apresentaram três metodologias para a previsão das imperfeições
iniciais na análise de flambagem não linear via elementos finitos de perfis do tipo rack. As três
metodologias propostas têm seus valores comparados a resultados experimentais, indicando
assim a viabilidade dos processos sugeridos neste tipo de análise.
Faria (2016) realizou um estudo numérico-experimental de perfis formados a frio com
seção tipo rack com perfurações ao longo do seu comprimento. O estudo teve como objetivo
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avaliar os modos de instabilidade local e distorcional, considerando a influência dos furos no


comportamento estrutural do perfil. A partir dos resultados concluiu que a existência dos furos
gera uma redução da carga última das colunas, uma vez que a área líquida das colunas
perfuradas é menor que a área bruta.
Neiva (2017) estudou a influência das tipologias das perfurações na estabilidade e
cargas últimas das colunas de perfis formados a frio submetidos a carregamentos centrado e
excêntrico. O estudo teve como objetivo a determinação dos modos críticos de estabilidade
seguida de uma análise não-linear para obtenção da carga última. Concluiu-se que tanto as
perfurações verticais como as inclinadas influenciam na carga crítica das colunas, reduzindo
seu valor. E notou-se que a influência da excentricidade de carregamento é mais perceptível na
carga máxima, reduzindo significativamente seu valor. Destaca-se que a não-linearidade física
foi considerada introduzindo os efeitos da plasticidade do aço e a não-linearidade geométrica
introduzindo-se imperfeições utilizando amplitudes relativas aos modos de flambagem obtidos
na análise linear.
Elias (2018) realizou análises teóricas e experimentais dos painéis contraventados de
sistemas de armazenagem do tipo rack. Foi avaliada a influência dos contraventamentos nos
painéis quando comparados às colunas isoladas. Conclui que o comprimento total da coluna e
o comprimento destravado dado pela posição dos contraventamentos são fatores que
influenciam diretamente nos modos de flambagem. Ressaltou também a necessidade de novas
curvas de flambagem que considerem as perfurações nas seções transversais das colunas, a
forma da seção transversal (tipo rack) e o acoplamento entre os modos de flambagem.
Fratamico et al. (2018) realizou experimentos das colunas de aço formadas a frio
explorando o efeito da alteração de seção transversal, espessuras de chapa analisando a
flambagem global e colapso da estrutura.
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4. METODOLOGIA

Na primeira etapa do trabalho foi realizado o estudo experimental dos painéis


contraventados e colunas isoladas por meio da realização de ensaios experimentais no
Laboratório de Estruturas “Prof. Altamiro Tibiriçá Dias” (DECIV / Escola de Minas / UFOP),
utilizando prensa servo-hidráulica (INSTRON SATEC 5569) com controle de deslocamentos.
A montagem experimental possibilitou a realização dos ensaios com colunas de diferentes
dimensões de seções transversais tipo rack. Um total de 132 protótipos foram ensaiados, sendo
11 seções transversais variando 4 comprimentos, com 3 ensaios de cada tipologia. Determinou-
se a capacidade resistente e o comportamento das colunas a partir dos ensaios.
Em um segundo momento, foi realizado a análise dos resultados experimentais
comparando o comportamento das colunas e dos painéis quanto às cargas últimas.
Em seguida, foram realizadas análises entre as cargas últimas das colunas considerando
as variações de largura da alma e espessura, e também uma análise dos deslocamentos
observados, os modos de flambagem e a proposição de uma curva de flambagem.
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5. PROGRAMA EXPERIMENTAL

Os ensaios experimentais foram realizados com protótipos em escala real com o


objetivo de determinar a capacidade de carga dos painéis contraventados dos sistemas de
armazenagem formados por perfil formado a frio com seção transversal do tipo rack e o aço
com tensão de escoamento nominal (fy) igual a 300 MPa. Também foram realizados ensaios
das colunas isoladas, ou seja, sem os contraventamentos. Foi realizado um total de 132
ensaios, dentre painéis contraventados e colunas isoladas.

5.1. Geometria da seção e comprimentos

Foram consideradas para a seção transversal das colunas tipo rack três larguras
diferentes de alma, bw, de 80 mm, 90 mm e 100 mm. As seções transversais são mostradas na
Figura 5.1.

Figura 5.1: Seção transversal considerada (dimensões em mm)

Além das três larguras da alma diferentes, foram consideradas quatro diferentes
espessuras para seção transversal, t , de 1,80 mm, 2,00 mm, 2,25 mm, 2,65 mm e 3,00 mm,
diferenciadas nas fotos pelas cores (Figura 5.2). As onze configurações testadas estão
apresentadas na Tabela 5.1.
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a) b) c) d) e)
Figura 5.2: Espessura da seção (a) 1,8 mm (cinza), (b) 2,0mm (amarelo), (c) 2,25mm
(laranja), (d) 2,65mm (azul), (e) 3,0mm (verde musgo)

Tabela 5.1: Dimensões das seções transversais

bw (mm) t (mm)
1,80
80 2,00
2,25
2,00
2,25
90
2,65
3,00
2,00
2,25
100
2,65
300

Para cada seção transversal foram considerados quatro comprimentos de colunas, com
base na norma Europeia EN 15512:2009. Os comprimentos ensaiados, L, foram 800 mm, 1400
mm, 2000 mm e 2400 mm.
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Para identificar os protótipos, a nomenclatura L_bw_t foi usada para indicar


comprimento, largura da alma e espessura, respectivamente. Os tipos e dimensões das
perfurações dos protótipos são mostradas na Figura 5.3.

Figura 5.3: Dimensão dos furos da coluna

5.2. Propriedades dos materiais

Para caracterização do aço das colunas analisadas, seis ensaios de tração dos corpos de
prova foram realizados e a média dos resultados foi utilizada para obter a sua curva de tensão-
deformação real. A Tabela 5.2 apresenta os valores fy da tensão de escoamento e fu da
resistência à tração.

Tabela 5.2: Caracterização do Aço

Seção (bw_t) fy (MPa) fu (MPa)


80_1,80 378,25 497,63
80_2,00 407,20 526,28
90_2,00 374,22 500,89
100_2,00 370,54 514,27
80_2,25 355,42 453,82
90_2,25 349,30 471,34
100_2,25 325,89 450,94
90_2,65 381,09 499,59
100_2,65 362,38 464,13
90_3,00 376,86 475,08
100_3,00 373,11 474,19
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5.3. Montagem, instrumentação e aquisição de dados

Os ensaios experimentais foram realizados no Laboratório de Estruturas “Prof. Altamiro


Tibiriçá Dias” (DECIV / Escola de Minas / UFOP), utilizando prensa servo-hidráulica
(INSTRON SATEC 5569) com controle de deslocamentos. Para cada ensaio, a coluna (Figura
5.4) ou o painel contraventado (Figura 5.5), foi posicionado na prensa, com o centroide da
coluna coincidindo com o centroide das rótulas. As condições de apoio foram rótulas nas
extremidades da coluna, posicionadas sobre a rótula inferior e superior da prensa de ensaio.
Na coluna livre do painel contraventado, foi posicionado um contrapeso com massa
igual à do painel a ser ensaiado, com o intuito de simular uma força reativa relacionada a uma
situação sem carregamento da coluna livre e fornecer estabilidade.
As Figuras 5.4 e 5.5 apresentam um esquema geral do ensaio da coluna isolada e do
painel contraventado, respectivamente.

Figura 5.4: Esquema geral do ensaio da coluna isolada. Fonte: Elias et al (2018)
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Figura 5.2: Esquema geral do ensaio do painel contraventado. Fonte: Elias (2018)

Foram obtidas medidas dos deslocamentos das colunas através dos transdutores de
deslocamentos (LVDT’s – linear variable differential transducer) e os dados foram gravados
em um sistema de aquisição dos dados automático da HBM - Spider8. A posição dos LVDT’s
em cada ensaio foi escolhida de forma a possibilitar a avaliação dos deslocamentos associados
à flambagem global e ao modo distorcional da coluna. Para medir os deslocamentos, quatro
LVDTs foram posicionados sobre os flanges de ligação da seção transversal e um no centro da
alma.
Os LVDTs posicionados a meia altura da coluna foram identificados como F1, F2 e W,
e aqueles posicionados a um quarto de altura foram identificados como F3 e F4, como mostrado
na Figura 5.6.
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Figura 5.6: Esquema da posição dos LVDT’s. Fonte: Elias et al (2018)

A aquisição dos dados obtidos quanto ao carregamento aplicado pela prensa foi
realizado por meio de sistema automático de aquisição controlado pelo software Partner. Ele
fornece a visualização gráfica e numérica dos dados, possibilitando o acompanhamento durante
o ensaio e armazenamento dos dados para posterior análise de resultados.

5.4. Metodologia do ensaio

Estando a coluna centrada posicionada na prensa servo-hidráulica, inicia-se a aplicação


do carregamento a partir de controle de deslocamentos. Obtém-se uma curva de carga versus
deslocamento que apresenta comportamento ascendente. Esse deslocamento refere-se ao
movimento vertical da prensa quando da aplicação de carga.
Depois de atingir a carga última, a curva começa a apresentar comportamento
descendente, então encerra-se o ensaio. Próximo ao fim dos ensaios as colunas sofreram
deformações visíveis, conforme a Figura 5.7 a seguir.
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Figura 5.7: Coluna após realização do ensaio


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6. RESULTADOS EXPERIMENTAIS

Na Tabela 6.1 são apresentados alguns resultados experimentais obtidos para as cargas
últimas referentes aos painéis contraventados e às colunas isoladas.

Tabela 6.1: Cargas últimas painéis contraventados e colunas isoladas

Cargas Últimas (kN)


Nomenclatura Painel
Coluna isolada
Contraventado
1400_80_1,8 (1) 117,45
1400_80_1,8 (3) 119,81
1400_80_1,8 (coluna) 119,19

1400_90_2,0 (1) 137,62


1400_90_2,0 (3) 128,11
1400_90_2,0 (coluna) 133,82

800_90_2,65 (1) 219,65


800_90_2,65 (2) 214,24
800_90_2,65 (coluna) 220,34

1400_90_2,65 (1) 198,49


1400_90_2,65 (3) 177,53
1400_90_2,65 (coluna) 208,4

2000_90_2,0 (2) A 125,78


2000_90_2,0 (4) A 117,79
2000_90_2,0 (coluna) 110,75

2400_80_1,8 (3) B 80,12


2400_80_1,8 (4) B 97,51
2400_80_1,8 (coluna) 79,98

É possível observar a partir da Tabela 6.1 que na maior parte dos ensaios a capacidade
resistente da coluna isolada é próxima à do painel contraventado. Em alguns casos, como por
exemplo do 1400_90_2,65, a carga última da coluna isolada foi um pouco maior que a do painel
contraventado. Portanto, a partir deste momento, serão discutidos os resultados experimentais
obtidos para as colunas isoladas.
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6.1. Análise dos deslocamentos

O posicionamento dos LVDT’s foi definido de forma a possibilitar a avaliação dos


deslocamentos associados à flambagem global e ao modo distorcional da coluna.
Na Fig. 6.1 estão os deslocamentos medidos pelos LVDTs para um caso representativo
de cada comprimento: protótipos 800_100_2,25, 1400_90_2,25, 2000_90_2,65 e
2400_90_2,25 (L_bw_t). Durante os testes, dados de LVDTs F3 e F4 foram perdidos, portanto,
apenas os resultados para LVDTs F1 e F2 são mostrados. O modo distorcional de flambagem
é identificado pela abertura ou fechamento das flanges.

180 180

160 160

140 140

120 Carga (kN) 120


Carga (kN)

100 100

80 80

60 60
LVDT F1
40 LVDT F1
40
LVDT F2 LVDT F2
20 20
LVDT W LVDT W
0 0
-12,0 -8,0 -4,0 0,0 4,0 8,0 12,0 -12,0 -8,0 -4,0 0,0 4,0 8,0 12,0
Deslocamento (mm) Deslocamento(mm)

800_100_2,25 1400_90_2,25

160 120

140
100
120
80
100
Carga(kN)

Load (kN)

80 60

60
40
LVDT F1 LVDT F1
40
LVDT F2 20 LVDT F2
20
LVDT W LVDT W
0 0
-12,0 -8,0 -4,0 0,0 4,0 8,0 12,0 -12,0 -8,0 -4,0 0,0 4,0 8,0 12,0
Deslocamento(mm) Displacement (mm)

2000_90_2,65 2400_90_2,25

Figura 6.1: Deslocamentos medidos pelos LVDTs: F1, F2 e W.


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As configurações deformadas das colunas após os ensaios são apresentadas na Fig. 6.2.

800_100_2,25 1400_90_2,25 2000_90_2,65 2400_90_2,25


Figura 6.2: Configuração das colunas (a)

O deslocamento do protótipo 800_100_2,25 (Figura 6.1) está relacionado com a


abertura da seção da coluna e indica que o deslocamento do flange de ligação ocorreu com o
aumento da carga. O gráfico apresenta uma perda de linearidade em 120 kN, indicando que o
modo de flambagem distorcional pode ter iniciado nesse ponto. O deslocamento da alma
permaneceu linear durante todo o ensaio.
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O deslocamento do protótipo 1400_90_2,25 (Figura 6.1) foi similar ao protótipo


800_100_2,25 apresentando uma perda de linearidade em 140 kN. Houve uma perda de
linearidade do deslocamento da alma em 150 kN.
O protótipo 2000_90_2,65 apresentou deslocamentos semelhantes ao modo de
flambagem global de acordo com a figura 6.1. Houve deslocamentos da alma no nível de carga
de 120 kN. Os deslocamentos do protótipo 2400_90_2,25 medidos são simétricos pelo gráfico
da Figura 6.1. Os flanges de ligação se moveram para o mesmo lado (Figura 6.2), indicando a
influência do modo de flambagem global.

6.2. Análise da capacidade resistente

Para estudar a resistência das colunas, as cargas últimas foram determinadas nos
ensaios e os resultados estão dispostos na Figura 6.3. Eles foram agrupados pelo comprimento
L. Um dos eixos dos gráficos corresponde às cargas últimas (Pu) em kN, outro corresponde à
largura da alma (bw) em mm e o outro equivale à espessura (t) também em mm que variam de
acordo com as cores.

Figura 6.3: Cargas últimas das colunas agrupadas de acordo com o comprimento L.
21

Para o comprimento de 800 mm, pode-se observar que houve um aumento na


capacidade resistente com o aumento da espessura para mesma largura da alma, como era
esperado. Pode-se observar que houve um aumento na capacidade de carga com aumento da
largura (bw) para a mesma espessura para t= 2mm, 2,65mm e 3 mm. No entanto, para espessura
de 2,25 mm, a capacidade de carga diminuiu quando a largura da alma aumentou de 90 mm
para 100 mm.
Para o comprimento de 1400 mm, pode-se observar que houve um aumento na
capacidade resistente com o aumento da espessura para mesma largura da alma. Observou-se
também que as cargas finais aumentaram com o aumento da largura da alma em todos os casos,
com exceção de t = 2,0 mm, onde a carga diminuiu de 134 para 133 kN de 80 mm para 90 mm.
Para a coluna de 2000 mm tudo ocorreu como esperado: houve um aumento na
capacidade resistente com o aumento da espessura para mesma largura da alma e houve um
aumento na carga última com o aumento de bw para mesma espessura.
As colunas de comprimento de 2400 mm tiveram o mesmo comportamento das colunas
de 1400 mm. Houve um aumento na capacidade resistente com o aumento da espessura para
mesma largura da alma. Observou-se também que as cargas finais aumentaram com o aumento
da largura da alma em todos os casos, com exceção de t = 2,0 mm, onde a carga diminuiu de
96 para 84 kN de 80 mm para 90 mm.
No geral, para colunas com a mesma largura da alma, a capacidade de carga aumenta
com o aumento da espessura. Quando a espessura permanece constante, a resistência da coluna
também aumenta com o aumento da largura da alma. Quando esse comportamento não foi
observado, as diferenças foram atribuídas às imperfeições geométricas das colunas no processo
de fabricação, que poderiam ter modificado o comportamento das mesmas.
Para a mesma espessura e largura da alma, o aumento do comprimento das colunas
resultou na diminuição das cargas finais devido ao aumento da esbelteza do elemento, como
era esperado como ilustra a Figura 6.4 com bw= 100 mm e t = 3,0 mm.
22

300
269,26

250 232
209,02
200
173,72
Carga (kN) 800 mm
150 1400 mm
2000 mm
100 2400 mm

50

0
Seções de bw=100 mm e t= 3,0mm

Figura 6.4: Cargas últimas das colunas agrupadas de acordo com o comprimento L de mesma
espessura e largura.

6.3. Construção curva de flambagem

A partir dos resultados experimentais de carga última, determinou-se a curva de


flambagem para o intervalo de comprimentos estudados de acordo com os requisitos da norma
europeia BS EN 15512:2009– Steel static storage systems – Adjustable pallet racking systems
– Principles for structural design.
Para cada teste, o valor do fator de redução de tensão  ni e a relação não-dimensional

esbeltez  ni foram calculados de acordo com as Equações (6.1) e (6.2):

Rni
 ni  (6.1)
Aeff f y

Aeff f y ni
 ni   1 (6.2)
Ne 1

onde Rni é a carga de falha ajustada para o número de teste i, que foi substituída por Rti , a carga
de falha observada, neste estudo; fy é a tensão de escoamento (300 MPa); Ne é a força axial de
flambagem elástica da seção transversal; e λni é a razão da esbeltez para flambagem à flexão
sobre o eixo principal. Os valores de λni e λ1 são dados pelas Equações (6.3), (6.4) e (6.5):
23

L
ni  (6.3)
i

E
1   (6.4)
fy

Aeff
1  (6.5)
Ag

onde L é o comprimento da coluna; i o raio de giração; E é o módulo de elasticidade; Ag é a

área da seção transversal bruta; e Aeff é a área efetiva da seção transversal. Neste estudo, o valor

de Aeff foi substituído por Anet, que representa a área definida pelo plano contendo o maior

número de furos, como mostra a Figura 6.5.

Figura 6.5: Seção com plano contendo maior número de furos (mm).

A curva de flambagem proposta foi obtida segundo as especificações da BS EN 15512:


2009, e é mostrada na Figura 6.6 e Equação (6.6).
24

2.7 /  (6.6)
  0.75   0.04

Figura 6.6: Curva de flambagem proposta


25

7. ANÁLISE TEÓRICA

A NBR 14762:2010 pressupõe a determinação da capacidade resistente dos elementos


considerando-se o Método da Largura Efetiva, Método da Seção Efetiva ou o Método da
Resistência Direta. O Método da Resistência Direta (MRD) considera a determinação da carga
crítica de flambagem elástica por análise de estabilidade.
O princípio básico do MRD é a aquisição das cargas máximas da seção a partir de uma
análise de estabilidade elástica da seção transversal. Para isso é necessário resolver um
problema de autovalor (análise linear) determinando os valores das cargas críticas de
flambagem elástica. Os programas de análise de estabilidade elástica mais conhecidos e
disponíveis gratuitamente são o GBTul (Teoria Generalizada de Vigas) e o CUFSM (faixas
finitas).

7.1. Análise de flambagem elástica

A análise de estabilidade elástica da seção transversal foi realizada pelo software GBTul,
com a seção modelada como mostrado na Figura 7.1 e considerando a coluna bi-apoiada,
como mostrado na Figura 7.2.

Figura 7.1: Seção transversal no GBTul

Figura 7.2: Seção modelada no GBTul


26

A força axial de flambagem distorcional elástica foi determinada para cada seção sendo
utilizada para todos os comprimentos analisados. Os valores encontrados estão mostrados na
Tabela 7.1 juntamente com os comprimentos em que foram observados.

Tabela7.1: Força axial de flambagem distorcional elástica

bw (mm) t (mm) L (mm) Ndist (kN)


1,80 550 178,97
80 2,00 550 224,97
2,25 500 288,48
2,00 550 219,87
2,25 500 282,82
90
2,65 450 403,97
3,00 450 530,43
2,00 550 192,11
2,25 500 248,14
100
2,65 450 355,93
3,00 450 466,54

Para as análises realizadas, cuja seção transversal foi mostrada anteriormente, não foi

observada a flambagem local elástica, assim a Nc,R não será a dominante não sendo

apresentados seus procedimentos de cálculos.


A força de flambagem global elástica para a seção em estudo, formada por perfil
monossimétrico com eixo de simetria em y, é o menor valor calculado segundo as equações da
NBR 14762:2010, mostradas nas Equações 7.1 a 7.4.

 2 EI x
N ex  Equação 7.1
 K x Lx 
2

Ney  Nez  4 Ney Nez [1  ( y0 / r0 ) 2 ] 


Neyz  1 1  Equação 7.2
2[1  ( y0 / r0 ) 2 ]  ( N ey  N ez ) 2 

Onde
27

 2 EI y
N ey  Equação 7.3
K L 
2
y y

1   2 ECw 
N ez  2   GJ  Equação 7.4
r0   K z Lz 2 
 

Os comprimentos considerados para as colunas foram de 800 mm, 1400 mm, 2000 mm
e 2400 mm. Os valores encontrados de carga global de flambagem elástica para as seções, Ne,
Ag , estão mostrados na Tabela 7.2.

Tabela 7.1: Força axial de flambagem global elástica

Seção
(mm)
h (mm) λ Ne,Ag (kN)
800 0,41 291,97
bw=80 1400 0,72 98,55
t=1,80 2000 1,03 50,67
2400 1,23 36,58
800 0,41 325,69
bw=80 1400 0,72 110,74
t=2,00 2000 1,03 57,5
2400 1,23 41,81
800 0,41 368,42
bw=80 1400 0,72 126,52
t=2,25 2000 1,03 66,55
2400 1,23 48,84
800 0,41 395,62
bw=90 1400 0,72 134,01
t=2,00 2000 1,03 69,24
2400 1,23 50,18
800 0,41 447,28
bw=90 1400 0,72 152,89
t=2,25 2000 1,03 79,97
2400 1,23 58,47
800 0,41 531,58
bw=90 1400 0,72 184,67
t=2,65 2000 1,03 98,59
2400 1,23 73,14
28

Tabela 7.2: Força axial de flambagem global elástica (Continuação)

800 0,41 607,23


bw=90 1400 0,72 214,25
t=3,0 2000 1,03 116,54
2400 1,23 87,51
800 0,39 504,55
bw=100 1400 0,68 169,5
t=2,0 2000 0,97 86,61
2400 1,17 62,24
800 0,39 569,8
bw=100 1400 0,68 192,8
t=2,25 2000 0,97 99,49
2400 1,17 72,04
800 0,39 675,81
bw=100 1400 0,68 231,64
t=2,65 2000 0,97 121,6
2400 1,17 89,17
800 0,39 770,46
bw=100 1400 0,68 267,4
t=3,00 2000 0,97 142,64
2400 1,17 105,77

7.2. Capacidade resistente – Comparação dos resultados teóricos e experimentais

A capacidade resistente teórica das colunas em estudo, N c , Rk , é dada pelo menor valor

entre as forças axiais de compressão associadas aos modos global, N c ,Re , e distorcional de

flambagem Nc , Rdist .

Observou-se que os valores das forças associadas ao modo global de flambagem foram
menores e por isso dominantes para a capacidade resistente na grande maioria dos casos
analisados. Em apenas dois casos (bw = 100 mm e t = 2,00 mm, e bw = 100 mm e t = 2,25 mm)
a força associada ao modo distorcional de flambagem foi dominante, para o comprimento de
800 mm. Isto pode ser justificado pelo fato deste comprimento estar próximo ao ponto de menor
valor de carga crítica de flambagem elástica da seção analisada.
Com os valores da capacidade resistente das colunas calculados conforme a norma
brasileira NBR 14762:2010 pelo Método da Resistência Direta, foi realizado comparação entre
29

estes valores teóricos (Nc,Rk) e os valores experimentais de carga última das colunas (Pu). Os
valores obtidos são mostrados na Tabela 7.3.

Tabela 7.3: Valores teóricos e experimentais

Seção
(mm)
h (mm)  Nc,Rk,Ag (kN)
Pu (kN)
bw=80 800 0,41 111,91 122,81
t=1,80 1400 0,72 76,33 119,19
2000 1,03 44,44 92,54
2400 1,23 32,08 79,98
bw=80 800 0,41 124,44 145,3
t=2,00 1400 0,72 85,36 134,71
2000 1,03 50,43 104,55
2400 1,23 36,67 96,44
bw=80 800 0,41 140,15 158,39
t=2,25 1400 0,72 96,87 143,03
2000 1,03 58,36 107,43
2400 1,23 42,83 94,49
bw=90 800 0,41 133,05 155,54
t=2,00 1400 0,72 96,18 133,82
2000 1,03 60,73 110,75
2400 1,23 44,01 84,77
bw=90 800 0,41 149,8 175,76
t=2,25 1400 0,72 108,95 160,51
2000 1,03 70,08 134,96
2400 1,23 51,28 108,82
bw=90 800 0,41 176,7 220,34
t=2,65 1400 0,72 129,87 208,4
2000 1,03 86,03 140,25
2400 1,23 64,14 147,2
bw=90 800 0,41 200,33 246,59
t=3,0 1400 0,72 148,71 221,86
2000 1,03 101,09 160,57
2400 1,23 76,75 155,52
bw=100 800 0,39 132,24 164,6
t=2,0 1400 0,68 110,56 158,51
2000 0,97 74,51 126,52
2400 1,17 54,58 113,18
30

Tabela 7.3: Valores teóricos e experimentais (Continuação)

Seção
(mm)
h (mm)  Nc,Rk,Ag (kN)
Pu (kN)
bw=100 800 0,39 156,41 165,4
t=2,25 1400 0,68 124,94 168,37
2000 0,97 85,23 148,61
2400 1,17 63,18 125
bw=100 800 0,39 192,92 223,29
t=2,65 1400 0,68 148,34 214,72
2000 0,97 103,31 166,52
2400 1,17 78,2 152,88
bw=100 800 0,39 218,63 269,26
t=3,00 1400 0,68 169,25 232
2000 0,97 120,11 209,02
2400 1,17 92,76 173,72

Observou-se que a resistência teórica das colunas é consideravelmente menor que os


valores experimentais de carga última. Observou-se também que à medida que se aumenta os
comprimentos da coluna, aumenta-se a divergência entre os valores. A partir da análise é
possível afirmar que a norma é conservadora em suas formulações, além de não considerar as
perfurações nas colunas.
31

8. CONCLUSÕES

Este trabalho teve como objetivo avaliar o comportamento das colunas formadas por
perfis formados a frio com seção transversal tipo rack de painéis contraventados de sistemas de
armazenagem industriais.
Foram apresentados os resultados de 132 ensaios experimentais, sendo 88 ensaios de
painéis contraventados e 44 ensaios de colunas isoladas. Foram definidas onze seções
transversais, variando-se a largura da alma (80 mm, 90 mm e 100 mm) e as espessuras da chapa
(1,8 mm, 2,0 mm, 2,25 mm, 2,65 mm e 3,0 mm). Além disso, foram definidos quatro
comprimentos (800 mm, 1400 mm, 2000 mm e 2400 mm).
Foram analisadas as capacidades de carga dos painéis contraventados e também das
colunas isoladas, e foram observadas pequenas diferenças entre os valores para mesma seção.
A partir dos deslocamentos relacionados aos modos de flambagem das colunas isoladas,
observou-se a manifestação dos modos de flambagem distorcional e global. Foi proposta uma
curva de flambagem.
Uma análise teórica da capacidade de carga das colunas foi realizada, considerando
prescrições normativas e comparando com os resultados experimentais. Observou-se que a
resistência teórica das colunas é consideravelmente menor que os valores experimentais de
carga última. Observou-se também que à medida que se aumenta os comprimentos da coluna,
aumenta-se a divergência entre os valores, justificando que a norma brasileira NBR 14762:2010
é conservadora em suas formulações, justificando a necessidade de novas curvas de flambagem
que considerem a forma da seção transversal (tipo rack), além do acoplamento entre os modos
de flambagem e presença dos furos, que não são abordados na referida norma.
32

REFERÊNCIAS

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