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Dissertação apresentada à Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa do Instituto

Tecnológico de Aeronáutica, como parte dos requisitos para obtenção do título

de Mestre em Ciências no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de

Infraestrutura Aeronáutica, Área de Infraestrutura Aeroportuária.

Bruna Soares de Oliveira

ANÁLISE DE EQUAÇÕES EMPÍRICAS DE TAXA DE

APORTE DE SEDIMENTOS - TAS - PARA GERAÇÃO DE

FUNÇÕES DOSE-RESPOSTA EM PROGRAMAS DE PSA

HÍDRICO

Prof. Dr. Wilson Cabral de Sousa Jr. Orientador

Prof. Dr. Luiz Carlos Sandoval Góes Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa

Campo Montenegro

São José dos Campos, SP Brasil.

2016

ii

Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) Divisão de Informação e Documentação

Oliveira, Bruna Análise de equações empíricas de taxa de aporte de sedimentos - TAS - para geração de funções dose- resposta em programas de PSA hídrico / Bruna Soares de Oliveira. São José dos Campos, 2016.

91f.

Dissertação de mestrado Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Infraestrutura Aeronáutica, Área de Infraestrutura AeroportuáriaInstituto Tecnológico de Aeronáutica, 2016. Orientador: Prof. Dr. Wilson Cabral de Sousa Jr.

1. Serviços ecossistêmicos. 2. Retenção de sedimentos. 3. Pagamentos por serviços ambientais. I. Instituto Tecnológico de Aeronáutica. II. Análise de equações empíricas de taxa de aporte de sedimentos - TAS - para geração de funções dose-resposta em programas de PSA hídrico.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Oliveira, Bruna. Análise de equações empíricas de taxa de aporte de sedimentos - TAS - para geração de funções dose-resposta em programas de PSA hídrico. 2016. 91f. Dissertação de mestrado -Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Infraestrutura Aeronáutica, Área de Infraestrutura Aeroportuária Instituto Tecnológico de Aeronáutica, São José dos Campos.

CESSÃO DE DIREITOS

NOME DO AUTOR: Bruna Soares de Oliveira TÍTULO DO TRABALHO: Análise de equações empíricas de taxa de aporte de sedimentos - TAS - para geração de funções dose-resposta em programas de PSA hídrico TIPO DO TRABALHO/ANO: Dissertação / 2016

É concedida ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica permissão para reproduzir cópias desta dissertação ou tese e para emprestar ou vender cópias somente para propósitos acadêmicos e científicos. O autor reserva outros direitos de publicação e nenhuma parte desta dissertação ou tese pode ser reproduzida sem a sua autorização (do autor).

Bruna Soares de Oliveira Rua Carlos Meneguetti, 136, casa 103, Jardim Cerro Azul CEP: 87010-540, Maringá PR

Análise de equações empíricas de taxa de aporte de sedimentos - TAS - para geração de funções dose-resposta em programas de PSA hídrico

Bruna Soares de Oliveira

Composição da Banca Examinadora:

Prof.

Dr. Paulo Scarano Hemsi

PresidenteITA

Prof.

Dr. Wilson Cabral de Sousa Jr.

Orientador ITA

Prof.

Dr. Paulo Ivo Braga de Queiroz

Membro interno ITA

Prof.

Dr. Silvio Simões

Membro externo UNESP

ITA

iv

Ao meu irmão, Vicente Soares de Oliveira. Por todo amor e alegria que me trouxe e para que se orgulhe.

v

Agradecimentos

Agradeço primeiramente a Deus, por me abençoar e me acompanhar nessa caminhada. Aos meus amados e idolatrados pais, Luiz Márcio e Marli, pelo incentivo, apoio e seu amor incondicional. Obrigada por vocês existirem e por ser quem são! Obrigada pela dedicação, pela amizade, pelo companheirismo. Obrigada pelos ensinamentos, pelos sermões, pelos castigos, e principalmente pelos exemplos. Obrigada pelos agrados e principalmente pelos desagrados. Obrigada pelas preocupações, pela caminhada, pela luta, pelas renúncias. Obrigada por tudo que vocês planejaram e fizeram, por tudo que planejaram e não fizeram e pelo o que fizeram sem planejar. Obrigada pelas inúmeras vezes que escutaram minhas reclamações, meu choro, meus pedidos de voltar para casa, viram meu sofrimento e tentaram me acalmar, sempre me encorajando a continuar. Saibam que minha maior motivação foi dar orgulho a vocês. Ao meu irmão, que com suas caretas, risadas e palavras balbuciadas me anima e dá

forças.

A minha madrinha Sueli, por todo amor e dedicação, pelas oportunidades e por sempre

estar presente na minha vida, principalmente nos momentos importantes para mim.

A minha família pelo amor dedicado a mim. Pela compreensão dos finais de semana

que me ausentei do convívio para estudar. Ao meu orientador Professor Dr. Wilson Cabral de Sousa Jr., pela oportunidade dada ao me acolher no programa de pós-graduação em Engenharia de Infraestrura Aeronáutica e pela receptividade com a qual fui recebido. Além disso pela sua orientação durante todo o exercício do meu mestrado. Ao meu amigo Rafael Bertolin por sempre ter me apoiado e incentivado, a quem eu recorri sempre que algo dava errado, e que apesar de estar permanentemente ocupado arrumou uma maneira de me ajudar. Ao meus amigos Thiago Ribeiro e Bruna Pavani por aguentar meus incômodos, inúmeras perguntas e de bom grado me ajudarem. As minhas amigas e amigo, Louise Sander, Priscila Gerhardt, Débora Ortiz, Sara Machado e Queler Rodrigues que aguentaram minhas crises e os desabafos. Obrigada pelas conversas, pelas risadas, pelos abraços e pela companhia de todos os dias. Em especial, ao

vi

Matheus Machado, que aguentou os dramas e os dias de chatices, obrigada por todo carinho e por conseguir fazer dos dias difíceis dias especiais.

A todos os amigos que de uma forma ou de outra estiveram presentes no meu dia-a-

dia, que presenciaram os bons e maus momentos.

A todos os professores que colaboraram para minha formação, dividindo um pouco de

seu conhecimento comigo. Finalmente, a todas as pessoas que participaram em algum momento dessa caminhada, que de algum modo me incentivaram e acreditaram em mim.

vii

Uma gota de chuva A mais, e o ventre grávido Estremeceu, da terra. Através de antigos Sedimentos, rochas Ignoradas, ouro Carvão, ferro e mármore Um fio cristalino Distante milênios Partiu fragilmente Sequioso de espaço Em busca de luz.

Um rio nasceu. - VINÍCIUS DE MORAES

viii

Resumo

O crescimento populacional, associado às necessidades socioeconômicas, gera uma forte demanda pelo aumento das cidades, da produção de alimentos, da geração de energia elétrica, da produção de bens de consumo e outros, provocando forte pressão ao ambiente natural. Essa influência antrópica em uma bacia hidrográfica, juntamente com as características naturais da área contribuinte, molda o comportamento sedimentológico da bacia. Dependendo da interferência no fluxo natural de sedimentos de um dado curso d’água, seja pelo aumento da produção ou da deposição, os impactos gerados podem ser irreversíveis.

O excesso de sedimentos nos rios constitui um grande problema para sistemas de

bombeamento e de abastecimento, além de causar sérios prejuízos aos usuários de reservatórios Este trabalho objetiva analisar pressupostos de valoração para os serviços ecossistêmicos que associem a função ecossistêmica da cobertura vegetal e do uso de práticas conservacionistas à contenção de erosão e redução da quantidade de sedimentos nos cursos

d’água, visando subsidiar o aprimoramento dos mecanismos de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA). Foi utilizada uma rota metodológica pela qual foram calculados os sedimentos que aportam os pontos de captação, as concentrações de sedimentos nestes pontos e a turbidez. Foram considerados dois cenários para quantificar e determinar os custos com o

tratamento de água: um cenário atual e um hipotéticos, sendo este, o reflorestamento das áreas de pastagem inseridas na APA Mananciais do rio Paraíba do Sul. Considerando que os incentivos proporcionados pelos reflorestamentos devem ser maiores que o lucro obtido pelo uso da terra mais o custo de reflorestamento, os resultados apontam que as bacias possuem retorno do investimento em tempos bem distintos, variando

de 1 ano a mais de 15 anos. Apesar de os reflorestamentos reduzirem os impactos do aporte

de sedimento aos corpos d’água nas bacias de captação, os processos ocorrem em magnitudes diferentes, devendo ser levado em consideração ao serem utilizados para estratégias de

Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA).

ix

Resumo

Population growth, coupled with socioeconomic needs, generates a strong demand for desenvolvment of the cities, food production, electric power generation, consumer goods and other production, which puts a heavy pressure on the natural environment. This anthropic influence in a watershed, along with the natural characteristics of the contributor area, shapes the sedimentological behavior of the basin. Depending on the interference in the natural flow of sediments of a given watercourse, either through increased production or deposition, the impacts generated may be irreversible. Excess sediment in rivers is a major problem for pumping and supply systems, as well as causing serious damage to reservoir users This work aims to analyze valuation assumptions for ecosystem services that associate the ecosystem function of the vegetation cover and the use of conservationist practices to contain erosion and reduce the amount of sediment in the water courses, aiming to subsidize the improvement of the mechanisms to Environmental Service Payment (ESP). A methodological route, then it was calculated the sediments delivery at the capitation point, as well as the sediment concentration at theses points and the turbidity. Two scenarios were considered to quantify and determine the costs of water treatment: a current scenario and a hypothetical one, this related to reforestation of pasture areas inserted in the APA Mananciais of the Paraíba do Sul river. Considering that the incentives provided by reforestation should be greater than the profit obtained by land use plus the cost of reforestation, the results indicate that the basins have a return on investment in very different times, ranging from 1 year to more than 15 years. In spite of the catchment basins decrease the impacts of the sediment delivery to the water bodies, the process occur in a different magnitude that should be taken into account when used to Environmental Service Payment (ESP) strategy.

x

Lista de Figuras

FIGURA 1 - Sequência metodológica para quantificação e valoração do serviço

ecossistêmico de retenção de sedimentos. Fonte:Adaptado de Sousa Júnior

318

FIGURA 2 - Bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul (SÃO PAULO, 2011)

42

FIGURA 3 - APA Mananciais do Rio Paraíba do Sul

43

FIGURA 4 - Localização das bacias hidrográficas estudadas no estado de São Paulo

44

FIGURA 5 - Principais classes de solos da bacia do Ribeirão da Fortaleza. Fonte: OLIVEIRA

et al., 1999

FIGURA 6 - Principais usos e coberturas do do solo da bacia do Ribeirão da Fortaleza.

50

FIGURA 7 - Principais classes de solos da bacia do Ribeirão Gomeral. Fonte: OLIVEIRA et

al., 1999

49

FIGURA 8 - Principais usos e coberturas do do solo da bacia do Ribeirão Gomeral. Fonte:

50

FIGURA 9 - Principais classes de solos da bacia do Ribeirão dos Lemes. Fonte: OLIVEIRA

et al., 1999

498

FIGURA 10 - Principais usos e coberturas do do solo da bacia do Ribeirão dos Lemes. Fonte:

509

FIGURA 11 - Principais classes de solos da bacia do Córrego das Posses. Fonte: OLIVEIRA

et al., 1999

49

VIEIRA et al., 2013

49

Fonte: VIEIRA et al., 2013

VIEIRA et al., 2013

FIGURA 12 - Principais usos e coberturas do do solo da bacia do Córrego das Posses. Fonte:

VIEIRA et al., 2013

FIGURA 13 - Principais classes de solos da bacia do Rio Entupido. Fonte: OLIVEIRA et al.,

40

49

FIGURA 14 - Principais usos e coberturas do do solo da bacia do Rio Entupido. Fonte:

VIEIRA et al., 2013

FIGURA 15 - Principais classes de solos da bacia do Córrego Cachoeirinha. Fonte:

42

FIGURA 16 - Principais usos e coberturas do do solo da bacia do Córrego Cachoeirinha.

Fonte: VIEIRA et al., 2013

FIGURA 17 - Principais classes de solos da bacia do Rio Jacuí. Fonte: OLIVEIRA et al.,

44

FIGURA 18 - Principais usos e coberturas do do solo da bacia do Rio Jacuí. Fonte: VIEIRA

44

FIGURA 19 - Principais classes de solos da bacia do Ribeirão das Palmeiras. Fonte:

OLIVEIRA et al., 1999

FIGURA 20 - Principais usos e coberturas do do solo da bacia do Ribeirão das Palmeiras.

46

45

et al.,

1999

41

OLIVEIRA et al., 1999

43

1999

Fonte: VIEIRA et al., 2013

FIGURA 21 - Principais classes de solos da bacia do Rio Una. Fonte: OLIVEIRA et al.,

47

FIGURA 22 - Principais usos e coberturas do do solo da bacia do Rio Una. Fonte: VIEIRA et

al.,

50

FIGURA 23 - Principais classes de solos da bacia do Rio Paraitinga. Fonte: OLIVEIRA et

al., 1999

4948

FIGURA 24 - Principais usos e coberturas do do solo da bacia do Rio Paraitinga. Fonte:

1999

xi

FIGURA 25 - Principais classes de solos da bacia do Rio Paraibuna. Fonte: OLIVEIRA et al.,

50

FIGURA 26 - Principais usos e coberturas do do solo da bacia do Rio Paraibuna. Fonte:

1999

VIEIRA et al., 2013

50

FIGURA 27 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do rio Entupido

65

FIGURA 28 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do ribeirão da Fortaleza

52

FIGURA 29 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do córrego das Posses

66

FIGURA 30 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do ribeirão dos

66

FIGURA 31 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do córrego

66

FIGURA 32 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do ribeirão

67

FIGURA 33 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do rio

67

FIGURA 34 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do ribeirão das

67

FIGURA 35 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do rio Una

68

FIGURA 36 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do rio

68

FIGURA 37 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do rio

68

xii

Lista de Tabelas

TABELA 1 - Equações de Taxa de Aporte de Sedimentos (TAS) utilizadas no trabalho, com

seus respectivos autores e variáveis

35

TABELA 2 Municípios usuários das águas correspondentes às bacias

45

TABELA 3 - Classificação hidrológica dos solos

47

TABELA 4 Porcentagem de uso e cobertura do solo referente a cada classe de solo

encontrada

47

TABELA 5 - Valores das variáveis utilizadas no cálculo da TAS para as bacias

estudadas.

.64

TABELA 6 - Menores e os maiores valores de TAS para cada bacia

70

TABELA 7 Valores da análise de sensibilidade das variáveis utilizadas nas equações

estudadas

71

TABELA 8 - Valores das variáveis TAS calculadas pela método de Williams

72

TABELA 9- Potencial de Erosão do Solo (PRE) Resultados do modelo

73

TABELA 10 - Vazões estimadas nos pontos de captação pelo método de I-Pai Wu

74

TABELA 11 - Concentração de sedimentos em

75

TABELA 12 - Turbidez nos pontos de

75

TABELA 13 - Vazão de captação nas bacias estudadas

76

TABELA 14 - Custo tratamento químico

77

TABELA 15 Custos potenciais de dragagem (DR) nos cenários

78

TABELA 16 Potencial de arrecadação referente às economias com o tratamento físico-

químico e dragagem

TABELA 17 - Pagamentos potenciais pelos reflorestamentos estimados de acordo com as

arrecadações por área reflorestada

TABELA 18 - Pagamentos potenciais pelos reflorestamentos estimados de acordo com as

80

arrecadações por área reflorestada, considerando a menor e a maior

79

79

xiii

Sumário

1 INTRODUÇÃO

 

14

1.1

OBJETIVOS GERAIS E ESPECÍFICOS

 

17

2 REVISÃO DA LITERATURA

18

2.1 ECONOMIA E MEIO AMBIENTE

18

2.2 INSTRUMENTOS ECONÔMICOS PARA CONSERVAÇÃO DA NATUREZA

19

 

2.2.1 Pagamento por serviços ambientais - (PSA)

22

2.2.2 Críticas às estratégias de PSA

24

2.3 SERVIÇO ECOSSISTÊMICO DE RETENÇÃO DE SOLOS E REFLEXOS NO MEIO HÍDRICO

25

 

2.3.1

Hidrossedimentologia

 

25

2.4 HISTÓRICO DA PREDIÇÃO DE EROSÃO LAMINAR

27

2.5 FUNÇÕES DOSE-RESPOSTA EM PROGRAMAS DE PSA HÍDRICO

31

 

2.5.1 Equações para estimativa da Taxa de Aporte de Sedimento (TAS)

32

2.5.2 Relação entre TAS e sedimentos no curso hídrico

36

2.5.3 Relação entre sólidos em suspensão e turbidez

37

2.6 VALORAÇÃO ECONÔMICA DO SERVIÇO ECOSSISTÊMICO DE RETENÇÃO DE SOLOS

38

3 MATERIAIS E MÉTODOS

 

41

3.1 ÁREA DE ESTUDO

 

41

3.2 LEVANTAMENTO DAS INFORMAÇÕES FISIOGRÁFICAS

45

 

3.2.1 Área total de abrangência da bacia

45

3.2.2 Comprimento do curso principal

45

3.2.3 Maiores e menores altitudes referentes ao curso principal (desnível)

46

3.2.4 Declividade média

(gradiente)

46

3.2.5 Número curva (CN)

46

3.2.6 Tempo de concentração da bacia (tc) e Duração do excesso de

precipitação (tr)

 

48

3.3

BACIAS HIDROGRÁFICAS ANALISADAS

 

49

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

65

4.1 CÁLCULO DA TAXA DE APORTE DE SEDIMENTO

65

4.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS DAS TAS

 

69

4.3 VALORAÇÃO DO SERVIÇO ECOSSISTÊMICO DE RETENÇÃO DE SEDIMENTOS

72

 

4.3.1 Concentrações de sólidos em suspensão na água e turbidez

74

4.3.2 Custo do tratamento químico

76

4.3.3 Custo

de

dragagem

77

4.3.4 Potencial total de arrecadação com o PSA hídrico

78

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

83

6 REFERÊNCIAS

 

85

14

1

Introdução

O crescimento populacional, associado às necessidades socioeconômicas, gera uma forte demanda pelo aumento das cidades, da produção de alimentos, da geração de energia elétrica, da produção de bens de consumo e outros, provocando forte pressão ao ambiente natural. Essa influência antrópica em uma bacia hidrográfica, juntamente com as características naturais da área contribuinte, molda o comportamento sedimentológico da bacia. Dependendo da interferência no fluxo natural de sedimentos de um dado curso d’água, seja pelo aumento da produção ou da deposição, os impactos gerados podem ser irreversíveis.

O excesso de sedimentos nos rios constitui um grande problema para sistemas de

bombeamento e de abastecimento, além de causar sérios prejuízos aos usuários de

reservatórios (LIMA et al., 2001). A erosão é um dos fatores geradores do excesso de sedimento, comprometendo a

qualidade das águas dos rios. Dentre os aspectos ambientais relacionados à erosão, o relevo é

um

dos mais influentes, principalmente quando associado aos tipos de solo e as formas de uso

do

mesmo, propiciando a aceleração do processo erosivo, podendo causar até ravinas e

voçorocas (AGENCIA NACIONAL DE ÁGUAS - ANA, 2001). Além dos aspectos ambientais, existem vários agravantes, desde a disposição inadequada do lixo, à exploração de recursos minerais para a construção civil; que ocorrem sem a devida recuperação da área, passando ainda por problemas de uso indevido e não controlado de agrotóxicos, ocupação desordenada dos solos, pesca predatória e erosões causadas por desmatamentos indiscriminados (COMITÊ DE INTEGRAÇÃO DA BACIAS HIDROGRÁFICA DO RIO PARAÍBA DO SUL, 2014). Estudo recente da Fundação SOS MATA ATLÂNTICA (2014) mostra como o desmatamento e a ocupação irregular de áreas de mananciais contribuíram para agravar a situação nos reservatórios de abastecimento, durante uma seca histórica. Com base nos resultados desse estudo e diante do cenário atual, é fundamental acelerar as ações de recuperação dessas bacias hidrográficas produtoras de água, seja por regeneração natural ou por meio dos esforços de restauração florestal para proteção das nascentes e das margens dos rios.

15

A manutenção da cobertura florestal nas bacias hidrográficas se destaca por diminuir a

velocidade do escoamento superficial e subsuperficial d’água garantindo a regulagem do ciclo hídrico, fazendo a manutenção de vazão por meio de maiores índices de recarga dos sistemas subterrâneos, minimizando enchentes, controlando erosões e assoreamentos, reduzindo o carreamento de sedimentos, e assim, conservando a qualidade da água (FURTADO, 2010) MEDEIROS e YOUNG (2011) fizeram uma análise dos bens e serviços provisionados pelas Unidades de Conservação (UC) brasileiras e constataram que cerca de 34% do volume anual não sazonal de captação de água são provenientes de fontes de captação localizadas dentro ou a jusante de UC’s federais. Com relação ao potencial hídrico, o estudo revela que dos 1.164 empreendimentos de geração de energia hidrelétrica, incluindo outorgados e em construção, com informações disponíveis, 38,4% estão localizadas a jusante de UC’s federais. Além disso, dos 120,6 GW (gigawatts) provenientes de fontes hidrelétricas em operação,

construção e outorgadas, 96,9 GW, ou 80,3%, são gerados por fontes hidrelétricas situadas a jusante de UC’s federais, recebendo contribuição destas através do rio principal ou de seus tributários. Visto que os serviços de abastecimento público ou geração de energia elétrica podem ser comprometidos caso não ocorra essa proteção das bacias hidrográficas a montante, faz-se necessário o aperfeiçoamento da dimensão ambiental na análise econômica, através de estudos sobre a valoração monetária dos serviços prestados pelo meio ambiente. Uma vez que a valoração das águas está relacionada à proteção das bacias hidrográficas, justifica-se que seja cobrado daqueles que se beneficiam da proteção dos recursos hídricos, ao passo que esses valores devem ser repassados àqueles que ajudam a preservar esses serviços ambientais (ROSA; KANDEL; DIMAS, 2004).

O primeiro desafio relacionado com essa contribuição financeira está na metodologia

de se medir o quanto cada cobertura ou uso do solo contribui para a retenção de sedimentos, em termos de volume ou de manutenção da qualidade da água provida, para o abastecimento

ou para a produção de energia. Estas medidas requerem estudos técnicos complexos que podem lançar mão de mais de uma ferramenta ou referencial teórico, chegando a resultados finais distintos (ROSA; KANDEL; DIMAS, 2004). O resultado final esperado é a melhoria das condições hidrológicas da bacia e manutenção da cobertura vegetal, entretanto para que essa melhoria seja efetiva, faz-se necessário que os governos atuem de forma integrada e estabeleçam planos para resolver os problemas de disponibilidade de água que já estão diagnosticados, com instrumentos de governança e gestão, como a cobrança pelo uso da água a todos os usuários. É importante a

16

implantação de instrumentos econômicos, como o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), destinados aos proprietários de terras, municípios e Unidades de Conservação que preservem essas áreas, uma vez que a sustentabilidade dos processos econômicos, assim como a manutenção da qualidade de vida estão na dependência direta de recursos hídricos em quantidade e qualidade (SOS MATA ATLÂNTICA, 2014).

17

1.1 Objetivos

1.1.1 Objetivo geral

Este trabalho objetiva analisar pressupostos de valoração para os serviços ecossistêmicos que associem a função ecossistêmica da cobertura vegetal e do uso de práticas conservacionistas à contenção de erosão e redução da quantidade de sedimentos nos cursos d’água, visando subsidiar o aprimoramento dos mecanismos de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA).

1.1.2 Objetivos específicos

Avaliar o uso de equações empíricas para cálculo de Taxa de Aporte de Sedimentos

(TAS), associando a quantidade de sedimentos que aportam aos meios hídricos em relação à

perda de solos originária;

Estimar valores de turbidez e valor potencial de arrecadação, considerando o

reflorestamento da APA Mananciais do Rio Paraíba do Sul;

Servir como instrumento inicial de pesquisas que visem auxiliar nas políticas públicas buscando a proteção ao recurso hídrico, com base no valor econômico dos serviços ambientais.

18

2 Revisão da Literatura

2.1 Economia e meio ambiente

Os benefícios dos fatores e agentes ambientais não são considerados nas decisões econômicas, porque não estão inseridos num sistema de mercado. Pelo sistema econômico e jurídico tradicional os serviços ambientais são concebidos como externalidades e têm características de bens públicos (SEEHUSEN e PREM, 2011). Muitos autores, apesar de reconhecerem o valor desses fatores e agentes ambientais, relacionam a eles apenas o valor de uso, geralmente negando o valor de troca, pois para eles os serviços prestados pela natureza eram providos gratuitamente e considerado como o fator gerador de riqueza (GÓMEZ- BAGGETHUN et al., 2009). O escopo das análises econômicas convencionais se tornou restrito aos bens e serviços previamente valorados em termos monetários (valor de troca), excluindo das análises todos os objetos da natureza que não possuíam valor de troca, de modo que, na segunda metade do século XX os recursos ambientais praticamente desapareceram das análises econômicas (GÓMEZ-BAGGETHUN et al., 2009). COSTANZA et al. (1997) afirma que os recursos naturais não são protegidos adequadamente porque seus valores não são incluídos entre os fatores do mercado que guiam as decisões econômicas de produtores e consumidores, extrapolando a operação dos sistemas econômicos. Por não possuir preços agindo sobre eles, o uso em equilíbrio com a oferta fica comprometido e os recursos naturais acabam sendo esgotados. Como raramente os bens e serviços ambientais possuem valor de troca atribuído à eles, utiliza-se de uma variedade de técnicas para estima-los, para então incorporá-los ao modelo de mercado e buscar a alocação de recursos mais eficientes (DALY; FARLEY, 2010). Existe um grande desafio nessa valoração econômica desses bens e serviços associados aos ecossistemas e sua contribuição na economia nacional. PEARCE (1993) afirma que o valor de um recurso ambiental pode ser obtido somando os bens e serviços por ele providos, caso esses benefícios não recebam preços de mercado, o valor monetário dos mesmos deve ser estimado por técnicas específicas conhecidas como valoração ambiental. GROOT, WILSON e BOUMANS (2002) ressaltam sobre serviços ambientais “[ inerentemente antropocêntrico: é a presença de seres humanos como agentes que habilitam a

é

]

19

tradução de estruturas ecológicas e processos em entidades de valor agregado”. Desta forma,

o

conceito se expressa pela identificação das formas de valoração entre as atividades humanas

e

a natureza. WUNDER (2005) afirma que o pagamento pelos serviços ambientais deve ser

uma transação voluntária onde se “compra” um serviço ambiental bem definido, com a condição de que o provedor do serviço ambiental garanta seu fornecimento. Segundo a Avaliação Ecossistêmica do Milênio - AEM (2005) há diferentes tipos de serviços ambientais, que podem ser divididos em quatro categorias: Serviços de provisão: são aqueles relacionados com a capacidade dos ecossistemas em prover bens, sejam eles alimentos (frutos, raízes, pescado, caça e mel) matéria-prima para a geração de energia (lenha, carvão, resíduos, óleos); fibras (madeiras, cordas e têxteis); recursos genéticos e bioquímicos; plantas ornamentais e água; Serviços reguladores: são os benefícios obtidos a partir de processos naturais que regulam as condições ambientais que sustentam a vida humana, como

a purificação do ar, regulação do clima, purificação e regulação dos ciclos das águas, controle

de enchentes e de erosão, tratamento de resíduos, desintoxicação e controle de pragas e doenças; Serviços culturais: estão relacionados com a importância dos ecossistemas em oferecer benefícios recreacionais, educacionais, estéticos e espirituais; Serviços de suporte:

são os processos naturais necessários para que os outros serviços existam, como a ciclagem de nutrientes, a produção primária, a formação de solos, a polinização e a dispersão de sementes. Atualmente no mundo são comercializados quatro serviços ambientais com maior intensidade e frequência, o carbono, água, biodiversidade e beleza cênica. Cada sistema tem uma forma de pagamento pelo serviço ambiental realizado, sendo que nos sistemas de PSA- Carbono, paga-se geralmente por tonelada de carbono não emitido para atmosfera ou sequestrado. Nos sistemas PSA- Água, paga-se pela manutenção ou aumento da quantidade e

qualidade da água. Nos sistemas PSA-Biodiversidade, paga-se por espécies ou hectare de habitat protegido. Nos sistemas de PSA-Beleza Cênica, paga-se por serviços de turismo e permissões de fotografia (SEEHUSEN e PREM, 2011).

2.2 Instrumentos econômicos para conservação da natureza

No Brasil, uma das primeiras preocupações com a conservação da natureza ocorreu devido à escassez de água em alguns locais, ocasionada pelo desenvolvimento econômico das sociedades. Muitas das reservas que abastecem grandes centros populacionais estão sendo

20

exploradas num ritmo e numa quantidade muito superior à capacidade natural de restauração de níveis adequados de armazenamento e de qualidade da água disponível. Para minimizar e conter o impacto da exploração excessiva, o reconhecimento da água como recurso ambiental dotado de valor econômico está sendo incorporado nas políticas ambientais (THAME, 2000). Desde 1934, o Código de Águas, estabelecido pelo decreto nº 24.643, já previa o princípio do poluidor-pagador como instrumento econômico (BRASIL, 1934). Em 1997, a Lei 9.433 instituiu no país a cobrança pelo uso da água, a qual é um recurso natural importante para a manutenção da vida no planeta. Por meio dessa lei pretende-se reverter a situação de degradação da qualidade das águas em várias bacias hidrográficas brasileiras. Essa lei reconhece, em seu artigo 1º, a água como um recurso natural limitado e dotado de valor econômico. A lei também institui a Política Nacional de Recursos Hídricos que explicita os procedimentos de planejamento e gestão de bacias visando a outorga, cobrança e compensação aos municípios pela água utilizada por qualquer empreendimento ou ator econômico que abstraia água para propósitos particulares (BRASIL, 1997).

A própria Lei 9.985, de 18 de julho de 2000, que estabeleceu o Sistema Nacional de

Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), determina que:

“Art. 47 – O órgão ou empresa, público ou privado, responsável pelo abastecimento de água ou que faça uso dos recursos hídricos, beneficiário da proteção proporcionada por uma unidade de conservação, deve contribuir financeiramente para a proteção e implementação da unidade, de acordo com o disposto em regulamentação específica. Art. 48 O órgão ou empresa, público ou privado, responsável pela geração e distribuição de energia elétrica, beneficiário da proteção proporcionada por uma unidade de conservação, deve contribuir financeiramente para a proteção e implementação da unidade, de acordo com o disposto em regulamentação específica.” (BRASIL, 2000)

A contribuição financeira citada nos Art. 47 e 48 da Lei 9.985/2000 pode ser entendida

como um pagamento pelos serviços ambientais prestados pela UC, buscando a arrecadação de recursos para a adequada implantação de programas mais efetivos na conservação da biodiversidade brasileira. Todo recurso ambiental possui um valor intrínseco, ou seja, um

valor próprio, interior, inerente ou peculiar. O valor ambiental é a qualidade das condições ambientais, neste caso, da qualidade da água (CETESB, 2011).

A qualidade da água não pode ser alcançada sem a conservação de outros recursos

naturais, pois o ciclo hidrológico reflete as condições, os usos e as coberturas do terreno onde

a água emana. O ciclo da água é dependente dos mecanismos de serviços ambientais gerados

21

pelo ecossistema, como por exemplo, os benefícios que a cobertura vegetal tem em relação à água (LIMA, 1996). Na tentativa de se atingir a conservação dos recursos naturais e manter seus serviços ecossistêmicos, podem ser adotados mecanismos de comando e controle e/ou instrumentos econômicos. Os mecanismos de comando e controle buscam fixar um padrão através de leis e normas e penalizar aqueles que as ultrapassam. Já o uso de instrumentos econômicos, atuam no sentido de alterar o preço de custo da utilização do recurso ambiental, internalizando as externalidades, afetando o nível de uso do recurso (MOTTA, 2006). PAGIOLA, VON GLESHN e TAFFARELLO (2013) citam, dentre outras, os seguintes instrumentos econômicos utilizados no Brasil para a conservação dos recursos naturais:

Impostos ecológicos: como Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) ecológico, no qual o Estado incorpora as áreas sob conservação em suas fórmulas para a definição do valor do imposto agregado a ser repassado aos municípios;

Compensação de reserva legal: por exigência do Código Florestal (lei 12.651/2012) os proprietários de terra devem manter uma parcela mínima de vegetação nativa, conhecida como reserva legal, variando de 20% no sul do país a 80% na Amazônia legal. O sistema de Cotas de Reserva Ambiental permite que os proprietários de terra contratem outros usuários para manter áreas protegidas a serem contabilizadas como sua área de Reserva Legal;

Reservas privadas: proprietários que colocam a terra sobre conservação perpétua, criando uma Reserva Particular do Patrimônio Natural - (RPPN) estando isentos dos impostos sobre a área protegida. Vale citar a cobrança pelo uso da água, estabelecido pela Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei 9.433/1997), no qual estabelece que a receita dessas cobranças seja utilizada para ações de proteção das águas nas bacias hidrográficas, inclusive recuperação de matas ciliares. Dois conceitos que buscam a utilização de instrumentos econômicos são o de poluidor-pagador, estabelecido pelo Código das Águas anteriormente citado, em que o responsável pela poluição paga pela poluição/degradação causada e o de conservador- recebedor, no qual aquele que promove a conservação recebe uma recompensa pela

22

conservação efetuada. Ligado ao segundo conceito, o PSA é uma estratégia de gestão que vem ganhando força (SEEHUSEN; PREM, 2011).

2.2.1 Pagamento por serviços ambientais - (PSA)

O PSA é um instrumento que busca dar uma solução próxima à de mercado para o problema ambiental, ou seja, criar um sistema de preços que incentiva os agentes a tomar decisões ambientalmente corretas. No Brasil, PSA vem sendo discutido com mais atenção desde o lançamento do Programa Proambiente, em 2000, que consistiu em uma experiência inicial de PSA no país, mas demonstrou vários desafios a serem superados (WUNDER,

2005).

SOMMERVILLE (2009) define PSA como uma abordagem que objetiva transferir incentivos positivos para os provedores de serviços ambientais que são condicionados a provisão do serviço. Enquanto BROSE (2009) define PSA como mecanismos regulatórios que remuneram e recompensam quem promove a conservação/proteção do ambiente, mantendo os serviços ambientais para um bem comum, precificando os bens e serviços ambientais, atribuindo-lhes valor. Atualmente há diversas definições sobre PSA, mas a mais aceita é de WUNDER (2006) que afirma que Pagamento por Serviços Ambientais ou Ecológicos pode ser conceituado como uma transação voluntária através da qual um serviço ecológico específico é adquirido por um (ou mais) adquirente de um (ou mais) provedor do serviço ecológico se, e somente se, o provedor do serviço ecológico assegurar a sua provisão. No PSA, seria invertida a lógica atual de que os responsáveis por manejar os ecossistemas recebem poucos incentivos pela conservação, sendo mais vantajosos os benefícios obtidos com outros tipos de usos e ocupações, resultando na conversão de florestas em áreas produtivas, causando piora na quantidade e qualidade de água, gerando, consequentemente, custos aos usuários a jusante. O novo cenário seria que os beneficiários a jusante dos serviços ecossistêmicos façam um contrato de pagamento por utilização desses serviços, para que os responsáveis por manejar os ecossistemas adotem técnicas que assegurem a conservação e a restauração dos ecossistemas (WUNDER, 2006). Os pagamentos realizados pelos usuários dos serviços ecossistêmicos podem ajudar a fazer da conservação

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uma opção mais atrativa para os gerenciadores dos ecossistemas, induzindo sua adoção (JACK; KOUSKY; SIMS, 2008). São experiências pelo mundo de valoração dos serviços ambientais, conforme demonstra GUEDES e SEEHUSEN (2011): citam LESCUYER (2007) que valorou a provisão de serviços ambientais de florestas em Camarões em até US$ 560 para madeira, US$ 61 para combustível e US$41 a US$70 para produtos florestais não madeireiros, e os benefícios da regulação climática das florestas tropicais de Camarões em US$842 a US$2.265 por hectare; Citam também YARON (2001), que valorou a proteção contra inundações provido pelas florestas tropicais em Camarões em até US$24 por hectare por ano; VAN BEUKERING et al. (2003) valorou os suprimento de água pelos ecossistemas florestais de 25.000 km² em até US$ 2,24 bilhões; e KAISER e RUMASSAT (2002) valorou os benefícios indiretos de 40.000 hectares em uma bacia hidrográfica no Havaí em até US$ 1,42 a US$2,63 bilhões. No Brasil, experiências como o Projeto Conservador das Águas em Extrema/MG, paga pelos serviços ambientais de preservação de mata de galeria ou mata ciliar e práticas preservacionista a quantia de R$ 65,00 a R$ 169,00/ha/ano em 2009 foram 1393,49 hectare; o Programa Ecocredito em Montes Claros MG que visa incentivar proprietários rurais a preservar conservar áreas de relevante interesse ambiental, paga R$ 110,10/ha/ano, em 2009 foram pagas R$ 162.893,90 para 1479 hectares; o Projeto Oásis nos Mananciais da Região Metropolitana de São Paulo consiste no pagamento por serviços ambientais por áreas naturais realmente protegidas, o valor máximo pago é de R$ 370,00/ha/ano, são 656 hectares e aproximadamente 82 nascentes e 41 mil metros de rio o recurso disponibilizado é de US$ 800.000,00 (BERNARDES e SOUSA JÚNIOR, 2010). Em unidades de conservação no Brasil, foram realizadas atividades de valoração Ambiental com o objetivo de compensação pelos danos existentes por atividades econômicas e impactos aos ecossistemas, como o Parque Nacional da Tijuca/RJ, Reserva Biológica de Tinguá/ RJ, Área de Proteção Ambiental de Petrópolis/ RJ, Floresta Nacional de Ipanema/ SP, Parque Nacional da Serra da Canastra/ MG (PEIXOTO e WILLMERSDORF, 2002) e Parque Nacional PARNA de Jurubatiba (FERREIRA et. al., 2005). Além destes, a EMBRAPA PANTANAL (2009) realizou a valoração do Bioma Pantanal, o Bioma Mata Atlântica e Cerrado foi valorado por PEIXOTO e WILLMERSDORF (2002) quanto suas funções ecossistêmicas.

24

2.2.2 Críticas às estratégias de PSA

Os atuais processos de decisão muitas vezes ignoram ou subestimam o valor dos serviços ambientais. A tomada de decisão sobre os ecossistemas e seus serviços pode ser especialmente complicada porque diferentes disciplinas, pontos de vista filosóficos e escolas de pensamento avaliam o valor dos ecossistemas de diferentes maneiras (PEIXOTO, 2011). Entretanto, a simples ação de quantificar o valor dos ecossistemas não pode, ela própria, alterar os incentivos que afetam seu uso ou conservação. Muitas mudanças práticas são requeridas para melhor calcular tais valores. É necessário aperfeiçoar instrumentos e processos de tomada de decisão e fornecer conhecimento sobre que tipo de informações pode ter maior influência. A maior parte do trabalho na previsão de mudanças nos valores do fluxo de benefícios providos por um ecossistema envolve estimar a mudança de fluxos físicos dos benefícios (quantificar relações biofísicas) e identificar e quantificar uma cadeia de causalidades entre as mudanças nas condições do ecossistema e do bem-estar humano. Um problema comum na valoração é que a informação está disponível somente em alguns dos elos e frequentemente em unidades incompatíveis da cadeia de valor (PEIXOTO, 2011). Os mecanismos de mercado de valoração ambiental podem incentivar lógicas de individualismo e competição, sobrepondo valores comunitários e de reciprocidade, promovendo alteração nas lógicas de conservação, passando daquelas relacionadas a obrigação ética para aquelas de próprio interesse econômico (GÓMEZ-BAGGETHUN et al.,

2009).

Por outro lado, WUNDER e VARGAS (2005) ressalvam que os esquemas de PSA dificilmente serão mercados de fato (com exceção dos PSA referentes aos serviços ecossistêmicos de armazenamento de carbono) já que especificidades locais delimitam ou eliminam as forças de competição, tão fundamentais para o perfeito funcionamento do mercado. Neste cenário, estes autores propõem os esquemas de PSA como um acordo bilateral entre atores individuais ou grupos de usuários e provedores dos serviços ecossistêmicos. Já LANDEL-MILLS e PORRAS (2002) destacam que o mercado é parte constituinte de uma infinidade de arranjos institucionais que norteiam a alocação de recursos e a tomada de decisão, embora nem sempre represente um arranjo ideal. WUNDER (2006), por sua vez, destaca que as estratégias de PSA são relevantes quando a ameaça da oferta do serviço ecossistêmico pelo proprietário de terra é legal e

25

legítima ou quando a sociedade ou os usuários dos serviços ecossistêmicos falham em garantir estes serviços por meio de taxações, regulações dentre outras medidas de comando e controle. Já JACK, KOUSKY e SIMS (2008) asseguram que a efetividade das práticas de PSA depende do contexto no qual estas estão inseridas, indicando que uma única prática não funcionará em todos os contextos. Ainda segundo os mesmos autores, experiências anteriores sugerem ser improvável que a abordagem do PSA seja capaz de melhorar simultaneamente as condições de subsistência, reduzir os custos do gerenciamento e aumentar os serviços ecossistêmicos. DAILY e MATSON (2008) ressaltam que evoluções em três frentes são condições necessárias para que o reconhecimento do valor do capital natural seja convertido em incentivos e instituições que guiam os investimentos, sendo elas: 1) nas ciências de mapeamento das funções e serviços de produção dos ecossistemas, 2) no planejamento do financiamento de políticas e de sistemas de governos apropriados e 3) na arte de implementar os incentivos e instituições nos diversos contextos biofísicos e sociais.

2.3 Serviço ecossistêmico de retenção de solos e reflexos no meio hídrico

2.3.1

Hidrossedimentologia

A erosão hídrica tem início na desagregação do solo por agentes ativos, os quais englobam a água, temperatura, insolação, vento e ação antrópica e por agentes passivos como a topografia, a gravidade, o tipo de solo e o uso e cobertura do solo. Após a desagregação, as partículas de solo alcançam os cursos d’água, os quais têm, inerentes, a função de carrear sedimentos (CARVALHO, 1994). Essa erosão hídrica e comumente separada em dois tipos: erosão em sulcos e erosão laminar. A erosão laminar é associada ao processo de desprendimento das partículas de solo pelo impacto das gotas de chuva, ou seja, o principal agente energético responsável pelo desprendimento decorrente do impacto das gotas de chuva está relacionado à intensidade de precipitação, sendo o escoamento superficial responsável pela energia necessária apenas para o transporte das partículas de solo liberadas, esse tipo de processo caracteriza-se pela remoção de delgadas camadas da superfície do solo, sendo notada apenas com o decorrer do tempo, quando a quantidade de solo removido é aumentada. A erosão em sulcos é facilmente

26

perceptível pela ocorrência de valas e sulcos irregulares, formados em virtude da concentração do escoamento superficial, neste tipo de erosão, o desprendimento de solo

ocorre quando a força cisalhante excede a resistência crítica do solo e a carga de sedimentos transportada é menor que a capacidade de transporte (PRUSKI, 2013).

O volume desse material carreado é diretamente proporcional à contribuição da erosão

laminar e em sulcos e depende da região drenada pelo curso d’água. Tal volume, que adensa a

massa líquida, é formado por substâncias solúveis e insolúveis, que podem ser transportadas pela água de diversas formas: em diluição, compondo a própria química da água, em suspensão e em rolamento, ou podem ser depositadas (MÜLLER, 1995).

O sedimento em suspensão pode gerar adversidades, tais quais, perturbação do leito do

rio, aumento da turbidez gerando obstáculos ao consumo da água e consequente aumento do custo de tratamento, interferência na penetração de luz e calor reduzindo a atividade fotossintética, aumento de sedimentos finos em suspensão causando decréscimo na população de peixes, redução na profundidade do rio, abrasões em turbinas, danificação de fundações de pontes, além de atuar como portador de poluentes e microorganismos (CARVALHO, 1994). O aumento da turbidez afeta diretamente os custos do tratamento da água para consumo humano, uma vez que o parâmetro turbidez é fundamental para definir as dosagens de produtos químicos que serão aplicados ao tratamento de água bruta captada dos cursos d’água. Altos valores de turbidez necessitam de altas dosagens de produtos químicos e geram maiores descartes de lodo nas Estações de Tratamento da água (VAZ et al., 2010). No Estado do Paraná foi implementado um programa de conservação do solo, nele foram analisados os índices médios de turbidez anual em 16 mananciais, os quais tiveram redução de aproximadamente 50%, caindo de 202,8 para 102,8 NTU em média, como efeito direto da redução das perdas de solo pela erosão, o que refletiu na diminuição dos custos operacionais de tratamento da água captada nestes rios de US$7,5 para US$1,7 por 10.000 m³ de água tratada (SEPLAN, 2003). É laborioso estimar a distribuição de sedimentos ao longo do curso d’água, a

porcentagem de sedimento em suspensão e a depositada no leito é extremamente dependente da granulometria do sedimento transportado. Quando há uma grande quantidade de areia, a porcentagem de sedimento que se deposita no leito é, na maioria das vezes, maior que a em suspensão. No entanto, predominantemente no alto curso dos rios, a carga em suspensão, principalmente composta por silte e argila, pode abranger de 90 a 95% do total de sedimentos (CARVALHO, 1994). Tal porcentagem também é corroborada por WARD e TIMBLE

27

(1995), que afirmam que a carga de sedimentos em suspensão pode representar mais de 90% do material transportado. O sedimento depositado pode assorear reservatórios, assorear tomadas d’água, assorear as calhas dos rios reduzindo a profundidade de modo a aumentar o risco de enchentes e prejudicar a navegação, e o sedimento pode ainda permitir o crescimento de vegetação, prejudicando o escoamento (CARVALHO, 1994). Nos aproveitamentos hidrelétricos o maior problema sedimentológico é o assoreamento do reservatório, que reduz a capacidade de acumulação de águas e diminui a vida útil do aproveitamento. A porcentagem de perda de volume por retenção de sedimentos nesses reservatórios é muito variável, estando relacionada ao projeto e à magnitude da carga sólida, principalmente. MAHMOOD (1987) estimou que essa perda de capacidade total anual, como valor médio mundial, tenha sido de 1%, o que corresponde a uma perda de 50km³ a cada ano. Só no Brasil mais de 35 reservatórios estão parcial ou totalmente assoreados, sendo que alguns deles continuam em operação, mas com problemas diversos decorrentes do depósito de sedimentos (CARVALHO, 1994). Os custos de dragagem poderiam ser evitados se houvesse uma menor taxa de assoreamento. BIDONE et al. (2009) apontam custos da ordem de R$ 10,00 a R$30,00 por metro cúbico de sedimento dragado, este valor é influenciado pela composição do material dragado, e pela distância entre o ponto de retirada e de destinação final do material. BUENO (2010) apresenta custos superiores a R$25,00 por metro cúbico de sedimento dragado nos canais do rio Paraibuna, em trecho à jusante do reservatório hidrelétrico. Quando corretamente conduzidos, os efeitos originados pelos sedimentos podem ser acomodados ou minimizados, no entanto, o tratamento dessa questão é complexo, tanto pelo dinamismo dos processos como pela interação desse fenômeno com outros eventos (incluindo fatores antrópicos).

2.4 Histórico da predição de erosão laminar

As medições de sedimento no leito, mais antigas, foram feitas em 1898 no canal Nicarágua, o equipamento não fazia a coleta adequadamente, pois consistia de uma caixa sem tampa e com abertura na frente. Vinte anos mais tarde, foram feitas medições nos rios do Tirol, ainda com equipamentos não tão adequados. A partir de 1930, esse tipo de medição

28

direta de sedimentos no leito foi sendo aperfeiçoada na Europa, já no Brasil não foi encontrado nenhum registro sobre medições de sedimento anteriores a 1950 (CARVALHO,

1994).

Os dados de medição de sedimento nos cursos d’água e de erosão laminar do solo

tornaram possível o desenvolvimento da tecnologia de previsão de erosão. As primeiras análises foram feitas por COOK (1936) para identificar as principais variáveis que afetam a erosão do solo pela água. Cook listou três fatores principais: a susceptibilidade do solo à erosão, potencial de erosividade da chuva e do escoamento, e proteção do solo proporcionada pela cobertura vegetal. Alguns anos mais tarde, ZINGG (1940), a partir de lotes experimentais, com chuvas simuladas e condições de cultivo definidas, publicou a primeira equação para calcular perda de solo, ele relacionou inclinação e comprimento de declive com

a perda de solo. Outros (SMITH E WISCHMEIER, 1957; VAN DOREN E BARTELLI,

1956) consideraram fatores como erodibilidade do solo e uso do solo. Esses fatores foram ainda revisados e consolidados, e o parâmetro de precipitação foi incluído para obter a equação empírica de Musgrave (MUSGRAVE, 1947).

obter a equação empírica de Musgrave (MUSGRAVE, 1947). (1) Onde E representa a perda do solo

(1)

Onde E representa a perda do solo superficial média, medida em toneladas por hectare

por ano, ou em polegadas por ano; F é um fator de erodibilidade, referente a um lote de 10% de declividade e 22 metros de comprimento do declive, medido nas mesmas unidades que E;

R é um fator adimensional de cobertura vegetal; S corresponde a declividade do terreno, em

porcentagem; L é o comprimento do declive, em pés; e P é a precipitação de 30 min, com período de retorno de 2 anos, em polegadas, para a região a ser considerada. Segundo VANONI (1975), em 1960 alguns pesquisadores verificaram que apesar da importância dos fatores utilizados na Equação 1, os parâmetros utilizados não eram facilmente adaptáveis a muitas das condições de uso da terra existentes, era necessário, portanto, um modelo de previsão mais abrangente. Foi então que Wischmeier e Smith estudaram a erosão entressulcos e no sulco em mais de 10.000 lotes com 3,5m de largura e 22,1m de comprimento e 9% de declividade, nomeados parcela-padrão, distribuídos em todas as regiões dos Estados Unidos, entretanto com distintas características de clima, solo, relevo e cultivo, e desenvolveram o modelo de previsão conhecido como a Equação Universal de Perda de Solo (USLE), visto na Equação 2 (WISCHMEIER E SMITH, 1965).

(2)

conhecido como a Equação Universal de Perda de Solo (USLE), visto na Equação 2 (WISCHMEIER E

29

Em que:

E

= perda de solo média anual, t ha -1 ano -1 ;

R

= fator de erosividade da chuva, MJ mm ha -1 h -1 ;

K

= fator de erodibilidade do solo, t ha -1 /(MJ mm há -1 h -1 );

L

= fator de comprimento de encosta, adimensional;

S

= fator de declividade de encosta, adimensional;

C

= fator de uso e ocupação do solo, adimensional; e

P

= fator de práticas conservacionistas, adimensional.

Onde cada fator representa um processo crítico que pode afetar a perda de solo. Os fatores R, K, L e S são dependentes das condições naturais, já os fatores C e P estão relacionados às formas de uso e ocupação do solo. Na sequência, são apresentados os fatores que compõem a USLE.

A erosividade (R) é um índice de erosão pluvial que expressa a capacidade da chuva

de causar erosão em uma área sem proteção e é definido como o produto da energia cinética

de uma chuva pela sua máxima intensidade em 30 minutos, entre os fatores da USLE apenas o fator R é calculado a partir de registros pluviográficos (PRUSKI, 2013).

A erodibilidade (K) expressa a resistência do solo à erosão hídrica e está relacionado

com as propriedades físicas e químicas do solo, o fator K é o de maior custo e morosidade

para determinação devido a extensão territorial e diversidade edáfica do Brasil (PRUSKI,

2013).

Tanto o comprimento do declive (L) quanto a declividade (S) influem sobre a velocidade do escoamento superficial, e, consequentemente, sobre as perdas por erosão. O fator LS é a relação esperada entre as perdas de solo por unidade de área em um declive e comprimento de encosta quaisquer e as perdas de solo que ocorrem em uma parcela-padrão (PRUSKI, 2013).

O fator C representa o grau de proteção média à erosão sob determinado manejo

(preparo do solo, cobertura vegetal existente e sequência de cultivo), ele é determinado

através da comparação da perda de solo durante determinado estágio de desenvolvimento da cultura, com a perda de solo na parcela-padrão (LANE et al., 1992).

O fator P expressa os efeitos das práticas conservacionistas no terreno e varia com a

eficiência das técnicas de controle de erosão utilizadas (PRUSKI, 2013). Alguns pesquisadores relataram algumas limitações da USLE. FOSTER (1982) constatou que para utilizar a USLE deve-se assumir que a chuva tem local de incidência e

30

intensidade constantes e verificou também que não é possível obter informações da variabilidade temporal e espacial da erosão durante a chuva. WILLIAMS (1975) ao aplicar a USLE obteve resultados superestimados de produção de sedimentos durante anos com baixa precipitação e subestimados durante anos com elevada precipitação. Durante as diversas modificações realizadas na USLE, visando à melhoria nas estimativas das perdas de solo, ocorreu uma grande revisão no modelo e de sua base de dados, embora a estrutura da equação seja a mesma da USLE, deu-se origem a Equação Universal de Perdas de Solo Revisada (RUSLE), na qual vários conceitos da modelagem da erosão, baseados na descrição do processo físico, foram incorporados (PRUSKI, 2013). Com relação a publicações sobre sedimentologia no Brasil, foram raras antes de 1970. A primeira, englobando esse tema, foi o trabalho de Wanderbilt Duarte de Barros, intitulado A Erosão no Brasil, em 1956. A segunda foi em 1958, que Rubens R. Nebrick publicou o Rio Camaquã, Estudo sobre o Transporte de Sólidos com a finalidade de fazer a previsão do assoreamento e calcular a vida útil de um reservatório. Somente com a criação da Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH), em 1977, a realização de simpósios e a edição da Revista de Hidrologia e Recursos Hídricos, mais trabalhos relacionados a sedimentologia foram divulgados. Nesse mesmo ano, Amauri Pontes publicou uma expressão para calcular perda de solo por erosão (EQUAÇÃO 3), que foi amplamente utilizada em estudos empreendidos pelo DNOS, SUDESUL, IBC e OEA, em regiões cafeeiras do noroeste do estado do Paraná (CARVALHO, 1994).

(3)

do noroeste do estado do Paraná (CARVALHO, 1994). (3) Onde: E = perda de solo por

Onde:

E = perda de solo por erosão, em t/ha.ano;

T x = textura (% areia Horizonte A / % argila Horizonte B);

Dummy = uso agrícola (café 10, pastagem 1);

L

= comprimento de rampa, em m;

P

= declividade, em %.

Muitas áreas do Brasil apresentam uma produção de sedimento indesejável devido à concentração de populações nessas áreas e, principalmente devido ao manejo inadequado dos solos. Estudos de erosão e sedimentação são indispensáveis para conservação, desenvolvimento e utilização dos solos e dos recursos hídricos (CARVALHO, 1994). Na falta de modelos matemáticos específicos para cada condição edafoclimática brasileira,

pesquisadores utilizam extrapolações das equações aplicadas fora do país.

31

2.5 Funções dose-resposta em programas de PSA hídrico

A erosão hídrica começa com a incidência das precipitações, do volume total

precipitado, parte é interceptada pela vegetação (quando existente), e o restante atinge a

superfície do solo, provocando umedecimento dos agregados e reduz suas forças coesivas.

Com a continuidade das precipitações os agregados se desintegram em partículas menores,

essas partículas além de obstruir os poros do solo, o impacto das gotas tende também a

compacta-lo, ocasionando o selamento de sua superfície e, consequentemente reduzindo a

capacidade de infiltração da água. Quando a intensidade de precipitação excede a taxa de

infiltração a água começa a escoar carreando o solo. O processo de transporte de solo

(sedimento) até o leito da bacia é um fenômeno complexo com diversidade espacial e

temporal (PRUSKI, 2013). Dependendo das características da bacia hidrográfica, esta possui

um potencial de retenção de solo, evitando que os sedimentos aportem nos cursos d’água.

SOUSA JÚNIOR (2010) propôs uma metodologia para quantificação e valoração do

serviço ecossistêmico de retenção de sedimentos, que será utilizada neste trabalho, conforme

fluxograma ilustrado na Figura 1. Tal metodologia será detalhada no decorrer deste capítulo.

PRE 1 (ton/ano)

PRE 1

(ton/ano)

PRE 1 (ton/ano)
PRE 1 (ton/ano) Cálculo da TAS Sólidos em suspensão (SS) na água 2 : SS =
PRE 1 (ton/ano) Cálculo da TAS Sólidos em suspensão (SS) na água 2 : SS =

Cálculo da TAS

PRE 1 (ton/ano) Cálculo da TAS Sólidos em suspensão (SS) na água 2 : SS =

Sólidos em suspensão (SS) na água 2 :

SS = (PRE TAS) Q MLT

na água 2 : SS = (PRE  TAS)  Q M L T Cálculo da

Cálculo da turbidez 3 :

T = {ln[SS. (1-td)] 1,57}/0,1

da turbidez 3 : T = {ln[SS. (1-td)] – 1,57}/0,1 Custos de tratamento da água: Y

Custos de tratamento da água:

Y 1 = 0,011 ln(T) 0,0013

PSA total 5 Y 1 +Y 2
PSA total 5
Y 1 +Y 2

Custos de desassoreamento 4 :

Y 2 = PRE TAS tdCUD

Notas: (1) PRE = Potencial de erosão do solo (2) QMLT = Vazão média de longo termo (3) td = taxa de decantação (4) CUD = Custo unitário de dragagem (R$/m 3 ) (5) Há que se atentar para a conversão de unidades, necessária a cada passo do

FIGURA 1 - Sequência metodológica para quantificação e valoração do serviço ecossistêmico de retenção de sedimentos. Fonte:Adaptado de Sousa Júnior (2010).

32

2.5.1 Equações para estimativa da Taxa de Aporte de Sedimento (TAS)

Em geral, há duas maneiras de se quantificar a Taxa de Aporte de Sedimento. A primeira maneira se dá a partir de medições diretas em campo, geralmente aplicadas em estudos localizados, são medições que demandam preparação de parcelas experimentais ou estabelecimento de bacias experimentais cujas áreas de drenagem, relevo e níveis de

precipitação são controlados ou coletados por estações hidrometeorológicas, em muitos casos não representando a complexidade natural das bacias. A segunda maneira ocorre por meio de estimativas empíricas, aplicadas, normalmente, em áreas maiores, a partir de características físicas locais e conhecimento do perfil dos fatores exógenos (PRUSKI, 2013).

A determinação da perda de solo e da produção de sedimentos através de medições

diretas em campo é um processo lento e caro, sendo essa uma das principais justificativas do

crescente interesse dos pesquisadores pelos modelos estimativos (REICHARDT e TIMM, 2004). SOUSA JÚNIOR (2010) afirma que em situações de carências de dados as estimativas por equações empíricas são justificáveis, destacando que o desenvolvimento de modelos empíricos com dados locais certamente produziria resultados mais precisos. Os modelos estimativos podem ser classificados, quanto à sua estrutura, em empíricos e conceituais. Um modelo dito conceitual é baseado em processos físicos, procurando descrever cada processo que envolve determinado fenômeno estudado, são modelos mais complexos, geralmente requerem maior quantidade de dados de entrada e uma parametrização

cuidadosa. Por outro lado, os modelos empíricos utilizam relações matemáticas, eles ajustam os valores calculados aos dados observados, são pouco robustos, uma vez que são concebidos a partir de condições específicas, contudo, são mais simples e usuais (RENNÓ e SOARES, 2000, TUCCI, 2005). As equações que serão analisadas neste trabalho, são modelos empíricos, previamente estudadas por CHAVES (2010), as quais relacionam características da bacia com a taxa de aporte de sedimentos nos cursos hídricos.

A Equação 4, de MANER (1958), baseia-se em registros de produção sedimentos em

25 reservatórios, com áreas de 0,09 a 860 km², na região de Red Hills, que abrange parte dos estados do Texas, Oklahoma e Kansas, nos Estados Unidos. Os estudos feitos por Maner consideraram a bacia acima de cada reservatório para desenvolver dados a fim de estimar a taxa anual de erosão bruta por milha quadrada de sedimentos na área de contribuição. Esta taxa foi estimada calculando separadamente o valor derivado da erosão laminar e da erosão decorrente das margens do canal. A quantidade média de material derivado da erosão do

33

canal, foi estimada a partir de dados sobre taxas anuais de alargamento do canal obtidas pela comparação de fotografias aéreas dos mananciais iniciais e recentes (período entre fotografias variaram de 8 aos 16 anos. A taxa de aporte de sedimentos na zona fisiográfica do Red Hills é uma função de várias características das bacias hidrográficas que estão relacionados com a razão de alívio das bacias, com isso o modelo teve uma correlação de 0,96 com as taxas de aporte de sedimento, no entanto, Maner ressalva que a validade do uso dessa variável em outras áreas deve ser estabelecido por testes adequados.

(4)

áreas deve ser estabelecido por testes adequados. (4) Onde: R = diferença de altura entre o

Onde:

R

= diferença de altura entre o ponto mais alto e o exutório da bacia, em m;

L

= comprimento do canal principal da bacia, em m;

ROEHL (1962) discute a relação entre produção de sedimentos e erosão nas bacias hidrográficas. O autor procurou correlacionar diversos parâmetros morfológicos de influência na quantidade de sedimentos em suspensão a partir de quantidades conhecidas de erosão laminar e linear de solos em bacias hidrográficas de 15 reservatórios, com áreas de 1,58 a 432 km², no sudoeste de Piemont nos Estados Unidos. Estas características morfológicas incluem o tamanho da área de drenagem (W), densidade de drenagem (DD), a extensão do corpo hídrico principal (L), a diferença entre a maior e menor altitude na bacia (R) e a relação R/L. Por fim, o autor considerou a relação R/L como melhor indicador e por regressão linear chegou a Equação 5.

(5)

indicador e por regressão linear chegou a Equação 5. (5) Onde: R = diferença de altura

Onde:

R

= diferença de altura entre o ponto mais alto e o exutório da bacia, em m;

L

= comprimento do canal principal da bacia, em m;

WILLIAMS e BERNDT (1972) relacionaram a taxa de aporte de sedimentos com o gradiente de inclinação do canal principal da bacia hidrográfica através da regressão múltipla step-wise, com isso, desenvolveram a Equação 6. As TAS foram calculadas para cinco pequenas bacias da região de Blackland no Texas (EUA), onde se verificou que a equação resultante teve uma correlação alta de 0,90.

(6)

verificou que a equação resultante teve uma correlação alta de 0,90. (6) Onde: D = gradiente

Onde:

D = gradiente do canal principal, em %;

34

RENFRO (1975) utilizou dados disponíveis de produção de sedimentos anual em 14 bacias hidrográficas, que variam em tamanho de 1 a 262 km², em Prairie área de Blackland no Texas (EUA) para estabelecer relações matemáticas entre taxa de aporte de sedimentos e área de drenagem da bacia hidrográfica, através de análises de regressão. Com isso, o autor chegou a Equação 7, a qual teve uma correlação de 0,92 com as taxas de aporte de sedimento.

(7)

de 0,92 com as taxas de aporte de sedimento. (7) Onde: A = área da bacia

Onde:

A = área da bacia , em km²;

VANONI (1975) utilizou dados de 300 bacias hidrográficas em todo o mundo para desenvolver a Equação 8. Esta equação foi obtida por meio da metodologia tradicional de monitoramento hidrossedimentométrico, baseada na obtenção de uma série temporal de dados de precipitação, vazão e concentração de sedimentos que possibilita o cálculo do fluxo de sedimentos. Esse fluxo é caracterizado pela descarga sólida em suspensão (massa por unidade de tempo) e a produção de sedimentos, que é a integração do fluxo no tempo.

(8)

de sedimentos, que é a integração do fluxo no tempo. (8) Onde: A = área da

Onde:

A = área da bacia, em mi²;

WILLIAMS (1977) desenvolveu a Equação 9 baseado nos dados de produção de sedimentos para a bacia de Little Elm Creek, no Texas (EUA) e depois testou em outras 15 bacias do Texas, com áreas variando de 0,71 a 20,51 km². As variáveis utilizadas na previsão da taxa de aporte de sedimentos, em ordem de importância, foram curva-número, relação R/L, e área de drenagem. A equação teve uma correlação de 0,93 com a taxa de aporte.

(9)

teve uma correlação de 0,93 com a taxa de aporte. (9) Onde: A = área da

Onde:

A

= área da bacia, em km²;

R

= diferença de altura entre o ponto mais alto e o exutório da bacia, em m;

L

= comprimento do canal principal da bacia, em km;

CN = número-curva, 0 < CN < 100.

LU et al. (2006) desenvolveram seus estudos na bacia de Murrray Darling na Austrália, com área de 1.100.000 km², cerca de 14% do território australiano. Os autores

35

analisaram alguns estudos que estimaram taxa de aporte de sedimento e comparam os resultados com sua própria estimativa baseada na vazão de pico e duração do excesso de precipitação e constataram que a Equação 10 explicou a maioria das variações de TAS.

(10)

Equação 10 explicou a maioria das variações de TAS. (10) Onde: t r = duração do

Onde:

t r = duração do excesso de precipitação, em h; t c = tempo de concentração da bacia, em h;

A Equação 11 proposta por USDA-NRCS (1979) foi descrita no trabalho de CHAVES

(2010). Em seu trabalho Chaves concluiu que tal equação é a mais estável dentre as oito equações de cálculo de TAS por ele estudadas.

(11)

oito equações de cálculo de TAS por ele estudadas. (11) Onde: A = área da bacia,

Onde:

A = área da bacia, em mi²;

A Tabela 1 apresenta a descrição das variáveis apresentadas nas Equações de 4 a 11 e

suas respectivas unidades de medidas.

TABELA 1 - Equações de Taxa de Aporte de Sedimentos (TAS) utilizadas no trabalho, com seus respectivos autores e variáveis.

AUTOR

DESCRIÇÃO DAS

(ANO)

EQUAÇÃO

VARIÁVEIS

 

R = diferença de altura entre

MANER

(1958)

Log(TAS) = 2,96162 + 0,86868 * log (R) - 0,85354 * log (L)

ponto mais alto e exutório (m)

 

L = comprimento da bacia (m)

 

R = diferença de altura entre

ROEHL

(1962)

Log(TAS) = 2,88753 - 0,83291 * (-log(R/L))

ponto mais alto e exutório (m)

L = comprimento da bacia (m)

WILLIAMS

E BERNDT

TAS = 0,627 *D 0,403

(1972)

D = gradiente do canal principal

(%)

RENFRO

(1975)

Log (TAS) = 1,793 - 0,142 * log (A)

A = área da bacia (km²)

VANONI

(1975)

TAS = 0,42 * A -0,125

A = área da bacia (mi²)

36

WILLIAMS

(1977)

TAS = 1,366 * 10 -11 * A -0,0998 * (R/L) 0,3629 * CN 5,444

A = área da bacia (km²)

R = diferença de altura entre o ponto mais alto e exutório (m)

L = comprimento da bacia (km)

CN = número-curva

USDA-

NRCS

(1979)

TAS = 0,51 * A -0,11

A = área da bacia (mi²)

LU et al.

(2006)

TAS = 2(tr/tc) * {1 - (tr/tc) + (tr/tc) * exp [(tc/tr)]}

t r = duração do excesso de precipitação (h)

t c = tempo de concentração da bacia (h)

2.5.2 Relação entre TAS e sedimentos no curso hídrico

WALLING (1983) apresenta um estudo, com base em trabalhos empíricos, sobre a relação entre processos erosivos e as taxas de sedimentação nas bacias, o autor afirma que existe uma relação inversa entre a quantidade de sedimentos no exutório e a área da bacia, ou seja, quanto maior a área, menor a produção de sedimentos para jusante. O autor ressalta a necessidade de estudos empíricos das características locais para esta definição da relação entre área e produção de sedimentos, visto que existem diferenças significativas entre os vários contextos de bacias hidrográficas. Segundo WALING (1983) a taxa de aporte de sedimentos é uma razão entre a quantidade de sedimentos verificada no exutório da bacia e a estimativa de erosão para toda a área da bacia, conforme apresentado na Equação 12.

(12)

a área da bacia, conforme apresentado na Equação 12. (12) Em que: TAS = Taxa de

Em que:

TAS = Taxa de aporte de sedimento;

Y

= Produção de sedimento no exutório da bacia; e

E

= Erosão total na bacia.

37

Ou seja, a produção de sedimentos de uma bacia hidrográfica com uma dada vazão, pode ser estimada pelo produto da erosão total na bacia e a taxa de aporte dos sedimentos no curso hídrico. Com isso, conforme SOUSA JÚNIOR (2010) chega-se na Equação 13.

(13)

conforme SOUSA JÚNIOR (2010) chega-se na Equação 13. (13) Onde: SS = Sólidos em suspensão na

Onde:

SS = Sólidos em suspensão na água; PRE = Potencial de erosão do solo; TAS = Taxa de aporte de sedimento; e Q MLT = Vazão média de longo termo.

2.5.3 Relação entre sólidos em suspensão e turbidez

A quantidade de sedimentos na água está diretamente ligada à turbidez. A turbidez representa uma propriedade ótica que mede a capacidade da água em dispersar a luz e esta dispersão aumenta com a quantidade de material particulado em suspensão, logo, a turbidez aumenta com a carga de sedimento suspenso (TEIXEIRA e SENHORELO, 2000). CORSO (1989) afirma que os efeitos sazonais, a erosão nas margens dos rios e a defasagem entre pico de concentração e pico de vazão são fatores responsáveis por diminuir a correlação entre vazão e sedimentos e informa que:

pelo que indica a literatura, é de se esperar uma melhor correlação entre

turbidez e concentração de sedimentos em suspensão do que entre a descarga líquida

e a concentração de sedimento em suspensão. A turbidez e a concentração de sedimentos em suspensão respondem de maneira similar a muitos fatores que não estão diretamente relacionados à descarga líquida.(CORSO, 1989).

PINHEIRO et al. (2013) afirmam que, de maneira geral não há uma metodologia ideal para a mensuração da concentração de sólidos suspensos (CSS), porém há métodos que estimam a CSS indiretamente através da turbidez e que ganharam aceitação dentre os vários métodos de monitoramento, principalmente pela dificuldade de se obter medidas diretas em alta resolução temporal. TEIXEIRA E SENHORELO (2000) realizaram campanhas de campo, em dias com e sem chuva, para o monitoramento da concentração de sólidos suspensos, vazão e turbidez em cinco bacias, pertencentes à Bacia do Rio Jucu Braço Sul, no estado do Espírito Santo. Com o resultado do monitoramento, os autores realizaram regressão linear, regressão de potência e

(

)

38

regressão exponencial, para todos os casos o coeficiente de correlação foi bom, variando entre 0,80 e 0.98. A Equação 14 expressa a relação encontrada pelos autores, sem incluir dados de chuvas, utilizada na sequência metodológica de SOUSA JÚNIOR (2010), cujo coeficiente de correlação foi de 92%.

(14)

(2010), cujo coeficiente de correlação foi de 92%. (14) Em que: SS = Concentração de Sólidos

Em que:

SS = Concentração de Sólidos Suspensos (mg/L) T = Turbidez (NTU)

Reescrevendo-se a Equação 14, em função da turbidez, obteve-se a Equação 15.

14, em função da turbidez, obteve-se a Equação 15. (15) 2.6 Valoração econômica do serviço ecossistêmico

(15)

2.6 Valoração econômica do serviço ecossistêmico de retenção de solos

Os processos que atuam na melhoria da qualidade da água, principalmente referente ao aporte de sedimentos, se dão devido a defesa natural que a cobertura vegetal proporciona a um terreno contra a erosão. As coberturas vegetais protegem o solo contra os impactos diretos das gotas de chuva, interceptando-as antes que estas atinjam o solo, reduzem o escoamento superficial devido ao maior atrito na superfície, contribuindo, também, no aumento da infiltração, que por sua vez, é elevada devido a formação de canalículos originados a partir da decomposição das raízes das plantas e demais atividades biológicas, além de melhorar a estrutura do solo pela adição de matéria orgânica, contribuindo para o aumento na capacidade de retenção de água (BERTONI; LOMBARDI NETO, 2012). A proteção contra as gotas de chuva, o aumento da infiltração, a diminuição do escoamento superficial e a melhora na estrutura do solo contribuem para a redução da erosão, responsável pela geração de material para o aporte de sedimento. O aporte de sedimentos aos cursos d’água, ou seja, a não retenção de solo ao longo da bacia gera impactos ambientais e econômicos. O impacto ambiental ocorre pela destruição de cobertura florestal bem como pela expansão das áreas antropizadas que tem transformado a paisagem, resultando na perda de biodiversidade, piora na qualidade da água, assoreamento dos rios e consequentemente causando danos aos bens e serviços do ecossistema (FROTA; NAPPO, 2012; TARTARI et al., 2012; GALINDO et al., 2008). O impacto econômico pode

39

ser medido a partir dos custos de recuperação dos recursos naturais ou de mitigação dos impactos sobre estes, considerando as atividades usuárias desses recursos, ou pela valoração do serviço antrópico que propiciou o serviço ambiental. MEDEIROS e YOUNG (2011) fizeram uma análise dos bens e serviços provisionados pelas Unidades de Conservação (UC) brasileiras e constataram que as três áreas do estado de São Paulo (rio Cotia, Sistema Cantareira e Analândia), que os custos com produtos químicos são mais baixos, inferiores a R$ 20,00/1000m³ de água tratada, são as que possuem maiores índices de cobertura florestal, superiores a 15%. Por outro lado, o custo do tratamento das águas (com produtos químicos e energia elétrica da Estação de Tratamento de Água para 1.000 m³ de água) do rio Piracicaba é 12,7 vezes superior ao custo de tratamento das águas do Sistema Cantareira. A bacia de abastecimento do Sistema Cantareira mantém 27,2% de sua área com cobertura florestal e a bacia do Piracicaba, apenas 4,3%. Para se chegar a um valor monetário que represente o impacto econômico associado à água é preciso realizar um levantamento de usos e beneficiários à jusante dos locais onde se aplicam os esforços de conservação. No entanto, são inúmeros os serviços ambientais que podem ser valorados, e para tornar exequível a implantação de um programa de pagamento pelo uso desses serviços, faz-se necessário lançar mão de premissas simplificadoras e eleger, em muitos casos, um único parâmetro de qualidade, reduzindo o rol de beneficiários com sensibilidade a este parâmetro. SOUSA JÚNIOR (2010), em sua metodologia, considerou os custos evitados com tratamento de água para abastecimento e desassoreamento de reservatórios, conforme Equações 16 e 17. Os custos evitados no tratamento de água foram relacionados com a redução da aplicação de coagulante inorgânico para obtenção de valores de turbidez dentro dos padrões de potabilidade, por meio da Equação 16.

(16)

dos padrões de potabilidade, por meio da Equação 16. (16) Onde: Y 1 = Custo para

Onde:

Y

1 = Custo para remoção de turbidez;

T

= Turbidez.

Já os custos de desassoreamento de reservatórios foram relacionados com o valor de investimento em operações de dragagem a fim de manter a vida útil do reservatório. Tal relação foi descrita pela Equação 17.

(17)

operações de dragagem a fim de manter a vida útil do reservatório. Tal relação foi descrita

40

Onde:

Y 2 = Custo para dragagem; PRE = Potencial de Erosão do Solo; TAS = Taxa de Aporte de Sedimento; td = Taxa de Decantação; e CUD = Custo Unitário de Dragagem.

41

3 Materiais e Métodos

3.1 Área de estudo

O rio Paraíba do Sul possui 1.150 km de comprimento, contabilizados da confluência dos rios Paraibuna e Paraitinga, próximo ao município Paraibuna SP, até sua foz no norte fluminense na praia de Atafona, no Município de São João da Barra RJ. Sua bacia hidrográfica abrange os estados de São Paulo (13.900 km²), Rio de Janeiro (20.900 km²) e Minas Gerais (20.700 km²), compreendendo 184 municípios. Ao longo de seu curso, o rio Paraíba do Sul pode ser subdividido em 4 trechos (INSTITUTODE PESQUISAS TECNOLÓGICAS, 2010):

Curso superior: com 280 km de extensão, compreende a região das nascentes do rio Paraitinga (SP) até o município de Guararema (SP). Com percurso sobre terrenos antigos, em altitudes de 1.800 a 572 metros, apresenta declividades médias de 4,9 m/km e área drenada de 5.271 km².

Curso médio superior: com 300 km de extensão, compreende o trecho do município de Guararema (SP) até o município de Cachoeira Paulista (SP). Com percurso sobre terrenos sedimentares de idade terciarias, em altitudes de 572 a 515 metros, declividade média de 0,19 m/km e área drenada de 6.676 km².

Curso médio inferior: com 430 km de extensão, compreende o trecho do município de Cachoeira Paulista (SP) até o município de São Fidélis (RJ). Com percurso sobre terrenos sedimentares de origem antiga (arquenos), em altitudes de 515 a 20 metros, declividade média de 1,3 m/km e área drenada de 33.663 km²

Curso inferior: com 90 km de extensão, compreende o trecho do município de São Fidéles (RJ) até a desembocadura no oceano Atlântico, município de São João da Barra (RJ). Com percurso sobre terrenos sedimentares de origem fluvial, em altitudes de 20 metros até o nível do mar e área drenada de 9.690 km².

42

As bacias analisadas nesse estudo fazem parte do Curso inferior, equivalente ao trecho paulista da bacia do rio Paraíba do Sul, correspondente a UGRHI 2 (Unidade Hidrográfica de Gerenciamento de Recursos Hídricos Paraíba do Sul) (FIGURA 2).

de Recursos Hídricos – Paraíba do Sul) (FIGURA 2). FIGURA 2 - Bacia hidrográfica do rio

FIGURA 2 - Bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul (SÃO PAULO, 2011).

De acordo com dados do Inventário Florestal da Vegetação Natural do Estado de São Paulo (SÃO PAULO, 2005), 8 municípios da UGRHI-2 apresentam cobertura florestal menor do que 10%. A Área de Proteção Ambiental dos Mananciais do Rio Paraíba do Sul foi criada tendo como objetivo principal proteger os mananciais formadores do rio Paraíba do Sul, para isso, foram delimitados polígonos que contemplassem bacias de drenagem de pontos de captação de água que abasteciam toda a região. Para esses polígonos, por meio do Decreto N° 87.561, de 13 de setembro de 1982, foram determinadas medidas estratégicas para preservar os fragmentos de floresta nativa remanescentes dessa região, proteger a diversidade biológica

e disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos

naturais (ICMBio, 2014) (FIGURA 3). Atualmente, boa parte desses polígonos ainda atendem

a este propósito, sendo imprescindível que a APA continue cumprindo os objetivos para os quais foi criada.

43

43 FIGURA 3 - APA Mananciais do Rio Paraíba do Sul Com a finalidade de relacionar

FIGURA 3 - APA Mananciais do Rio Paraíba do Sul

Com a finalidade de relacionar características físicas da bacias hidrográficas com o aporte de sedimento nos corpos d’água, foram aplicadas equações para cálculo de taxa de aporte de sedimentos, de diferentes autores, em onze bacias hidrográficas da região leste do Estado de São Paulo, pertencentes a UGRHI-2 e na região da APA Mananciais do Rio Paraíba do Sul (FIGURA 4).

44

44 FIGURA 4 - Localização das bacias hidrográficas estudadas no estado de São Paulo. Os municípios

FIGURA 4 - Localização das bacias hidrográficas estudadas no estado de São Paulo.

Os municípios usuários das águas pertencentes as bacias da Figura 4 são descritos na Tabela 2.

45

TABELA 2 Municípios usuários das águas correspondentes às bacias estudadas.

BACIA

CURSO D'ÁGUA PRINCIPAL

MUNICÍPIO USUÁRIO

1

Rio Entupido

Queluz

2

Ribeirão da Fortaleza

Guaratinguetá

3

Córrego das Posses

Guaratinguetá

4

Ribeirão dos Lemes

Guaratinguetá

5

Córrego Cachoeirinha

São José do Barreiro

6

Ribeirão Gomeral

Guaratinguetá

7

Rio Jacuí

Cunha

8

Ribeirão das Palmeiras

Igaratá

9

Rio Una

Taubaté

10

Rio Paraitinga

São Luis do Paraitinga

11

Rio Paraibuna

Paraibuna

3.2 Levantamento das informações fisiográficas

Para o processamento e a preparação dos dados de entrada, assim como o levantamento das informações fisiográficas necessárias para aplicação da metodologia deste trabalho foi utilizado o software ArcGIS 10.2.2, um sistema de informações geográficas desenvolvido pela Environmental System Research Institute (ESRI).

3.2.1 Área total de abrangência da bacia

O arquivo em formato shapefile contendo as bacias de interesse para esse estudo foi

cedido por RIBEIRO (2015). Foi utilizada a ferramenta Calculate Geometry para calcular a área de cada bacia.

3.2.2 Comprimento do curso principal

O curso principal foi vetorizado utilizando-se a ferramenta Stream to Feature utilizado

a ferramenta Cost Distance foi possível determinar qual era o ponto da drenagem mais

46

distante do exultório das bacias. O comprimento do curso principal foi medido somando os tamanhos das poli-linhas que compõe o curso principal.

3.2.3 Maiores e menores altitudes referentes ao curso principal (desnível)

Para levantar os valores das maiores e menores altitudes de cada curso principal foram utilizadas as ferramentas Feature Vertice to Points e Extract Values by Points. Por meio destas ferramentas foram gerados os pontos iniciais e finais dos cursos principais, por fim, para se chegar ao desnível a menor altitude foi subtraída da maior.

3.2.4 Declividade média (gradiente)

Foi obtido dividindo-se o desnível da bacia de interesse pelo seu comprimento do canal principal, considerando a equidade das unidades de medida.

3.2.5 Número curva (CN)

Dentre os métodos mais consagrados para a estimativa do volume de escoamento superficial está o Método do Número-Curva, que permite estimar a lâmina de escoamento superficial a partir de dados de precipitação e de outros parâmetros da bacia. Esse método foi desenvolvido pelo Soil Conservation Service, vinculado ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a partir de dados de grande número de bacias experimentais., em que o valor do CN pode variar entre 1 e 100, e depende do uso e manejo da terra, grupo de solo, da condição hidrológica e umidade antecedente do solo, sendo definidos 4 grupos de solo: A, B C e D. SARTORI (2005) estabeleceram uma nova classificação hidrológica para o Brasil dos solos A, B, C e D, pois a metodologia inicial reúne os solos dos Estados Unidos, não sendo completamente compatíveis com os solos brasileiros. Para SARTORI (2005) os solos podem ser classificados em quatro grandes grupos: A (baixo potencial de escoamento); B (moderado potencial de escoamento); C (alto potencial de escoamento); D (muito alto potencial de

47

AGROPECUÁRI

PASTAGEM (%)

ÁREA URBANA

FLORESTA (%)

EXPOSTO (%)

EUCALIPTO

ÁGUA (%)

CANA (%)

BACIAS

SOLOS

SOLO

A (%)

(%)

(%)

escoamento); iniciando a série com as argilas compactas com baixíssima taxa de infiltração até as areias bem graduadas e profundas com alta taxa de infiltração. Afim de calcular o número-curva (CN) foram utilizados mapas de classes de solos e de uso e cobertura do solo. Para as classes de solos encontradas foram associadas classificações hidrológicas do solo para as condições brasileiras, seguindo estudo feito por SARTORI (2005), descritas na Tabela 3.

TABELA 3 - Classificação hidrológica dos solos estudados.

CLASSE DE SOLO

CLASSIFICAÇÃO HIDROLÓGICA DO SOLO

Argissolo Vermelho Amarelo

C

Cambissolo Háplico

C

Cambissolo Húmico

C

Latossolo Vermelho Amarelo

A

Organossolo Mésico

D

O mapa de classes de solo foi sobreposto ao de uso e cobertura do solo, possibilitando o cálculo percentual de uso em cada classe hidrológica. Os resultados obtidos estão descritos na Tabela 4.

TABELA 4 Porcentagem de uso e cobertura do solo referente a cada classe de solo encontrada.

1 C

-

-

37

63

-

-

-

-

2 C

-

-

2

98

-

-

-

-

3 A

-

-

-

10

-

-

-

-

 
 

C

-

-

2

88

-

-

-

-

4 C

-

-

7

93

-

-

-

-

5 A

-

-

59

11

-

-

-

-

 
 

C

-

-

28

2

-

-

-

-

6 C

-

-

14

65

21

-

-

-

7 C

-

-

61

39

-

-

-

-

8 A

-

-

49

2

2

-

-

-

 
 

C

-

-

44

1

2

-

-

-

9 A

-

-

12

2

2

-

-

-

               
 

C

-

-

57

17

10

-

-

-

48

 

A

-

-

23

3

2

-

-

-

10 C

-

-

43

9

2

-

-

-

 

D

-

-

11

7

-

-

-

-

 

A

5

-

17

16

2

-

-

-

11 C

3

-

19

25

1

-

-

1

 

D

-

-

6

3

2

-

-

-

Cada porcentagem da Tabela 4 foi associada ao valor de CN, conforme metodologia proposta por TUCCI (2005, pg. 406), e gerado um CN médio para bacia.

3.2.6

Tempo

precipitação (tr)

de

concentração

da

bacia

(tc)

e

Duração

do

excesso

de

A duração do excesso de precipitação (tr) foi tomada como sendo 0,5 h, conforme sugerido por LU et al. (2006), e o tempo de concentração da bacia (tc) foi calculado pela Fórmula de Ven te Chow (EQUAÇÃO 18) de acordo com estudos feitos por SILVEIRA (2005), que realizou comparações de desempenho entre equações para a determinação de tempo de concentração de bacias urbanas e rurais e recomendou a utilização desta, por apresentar bons resultados

(18)

a utilização desta, por apresentar bons resultados (18) Em que: tc é o tempo de concentração

Em que:

tc

é o tempo de concentração (horas);

L

é o comprimento (km) do talvegue, e;

S

a declividade (m/m).

49

3.3 Bacias hidrográficas analisadas

Guaratinguetá é um município brasileiro do estado de São Paulo, localizada na região do Vale do Paraíba, e onde se localizam as bacias do ribeirão da Fortaleza, ribeirão Gomeral, ribeirão dos Lemes e Córrego das Posses. Sua microrregião vive um processo de urbanização e foi elevada a região metropolitana. O município, com 106.762 habitantes, é um dos mais importantes do Vale do Paraíba, possuindo importância turística, industrial e comercial. O ribeirão Gomeral é o principal fornecedor de água para a população da cidade de Guaratinguetá. Além do abastecimento, esse ribeirão fornece água para a prática da agricultura irrigada no município, principalmente para o cultivo de arroz. As Figuras de 5 a 12 mostram os mapas da classificação dos solos e do uso e cobertura do solo da bacia do ribeirão da Fortaleza, da bacia do ribeirão Gomeral, da bacia do ribeirão dos Lemes e da bacia do córrego das Posses, respectivamente.

Lemes e da bacia do córrego das Posses, respectivamente. FIGURA 5 - Principais classes de solos

FIGURA 5 - Principais classes de solos da bacia do Ribeirão da Fortaleza. Fonte: OLIVEIRA et al., 1999.

50

50 FIGURA 6 - Principais usos e coberturas do do solo da bacia do Ribeirão da

FIGURA 6 - Principais usos e coberturas do do solo da bacia do Ribeirão da Fortaleza. Fonte: VIEIRA et al.,

2013.

do Ribeirão da Fortaleza. Fonte: VIEIRA et al ., 2013. FIGURA 7 - Principais classes de

FIGURA 7 - Principais classes de solos da bacia do Ribeirão Gomeral. Fonte: OLIVEIRA et al., 1999.

51

51 FIGURA 8 - Principais usos e coberturas do solo da bacia do Ribeirão Gomeral. Fonte:

FIGURA 8 - Principais usos e coberturas do solo da bacia do Ribeirão Gomeral. Fonte: VIEIRA et al., 2013.

da bacia do Ribeirão Gomeral. Fonte: VIEIRA et al ., 2013. FIGURA 9 - Principais classes

FIGURA 9 - Principais classes de solos da bacia do Ribeirão dos Lemes. Fonte: OLIVEIRA et al., 1999.

52

52 FIGURA 10 - Principais usos e coberturas do solo da bacia do Ribeirão dos Lemes.

FIGURA 10 - Principais usos e coberturas do solo da bacia do Ribeirão dos Lemes. Fonte: VIEIRA et al., 2013.

bacia do Ribeirão dos Lemes. Fonte: VIEIRA et al ., 2013. FIGURA 11 - Principais classes

FIGURA 11 - Principais classes de solos da bacia do Corrego das Posses. Fonte: OLIVEIRA et al., 1999.

53

53 FIGURA 12 - Principais usos e coberturas do solo da bacia do Corrego das Posses.

FIGURA 12 - Principais usos e coberturas do solo da bacia do Corrego das Posses. Fonte: VIEIRA et al., 2013.

O rio Entupido abastece o município de Queluz, estimado em 11.309 habitantes, sendo uma das cidades mais privilegiadas em recursos hídricos de toda região (IBGE, 2010). A classificação dos solos e do uso e cobertura do solo, encontrados na bacia do Rio Entupido, podem ser observados nas Figuras 13 e 14.

54

54 FIGURA 13 - Principais classes de solos da bacia do Rio Entupido. Fonte: OLIVEIRA et

FIGURA 13 - Principais classes de solos da bacia do Rio Entupido. Fonte: OLIVEIRA et al., 1999.

da bacia do Rio Entupido. Fonte: OLIVEIRA et al ., 1999. FIGURA 14 - Principais usos

FIGURA 14 - Principais usos e coberturas do solo da bacia do Rio Entupido. Fonte: VIEIRA et al., 2013.

55

O córrego Cachoeirinha possui uma pequena área de drenagem de 2,04 km² e abastece

o município de São José do Barreiro, um dos 29 municípios paulistas considerados estâncias

turísticas pelo estado de São Paulo, que possui 4.077 habitantes (IBGE, 2010). As Figuras 15

e 16 mostram mapas da classificação dos solos e do uso e cobertura do solo da bacia do córrego Cachoeirinha.

uso e cobertura do solo da bacia do córrego Cachoeirinha. FIGURA 15 - Principais classes de

FIGURA 15 - Principais classes de solos da bacia do Corrego Cachoeirinha. Fonte: OLIVEIRA et al., 1999.

56

56 FIGURA 16- Principais usos e coberturas do solo da bacia do Corrego Cachoeirinha. Fonte: VIEIRA

FIGURA 16- Principais usos e coberturas do solo da bacia do Corrego Cachoeirinha. Fonte: VIEIRA et al.,

2013.

O rio Jacuí nasce no município de Cunha, perto da nascente do rio Paraibuna e bem próximo à divisa do Estado do Rio de Janeiro, o rio abastece os 21.866 habitantes do município de Cunha (IBGE, 2010). Nas Figuras 17 e 18 podem ser observados os mapas de classes de solo e de uso e ocupação do solo da bacia do rio Jacuí.

57

57 FIGURA 17 - Principais classes de solos da bacia do Rio Jacuí. Fonte: OLIVEIRA et

FIGURA 17 - Principais classes de solos da bacia do Rio Jacuí. Fonte: OLIVEIRA et al., 1999.

da bacia do Rio Jacuí. Fonte: OLIVEIRA et al ., 1999. FIGURA 18 - Principais usos

FIGURA 18 - Principais usos e coberturas do solo da bacia do Rio Jacuí. Fonte: VIEIRA et al., 2013.

58

O manancial utilizado pelo município de Igaratá para o abastecimento de água é o ribeirão das Palmeiras, a classificação dos solos e o uso e a cobertura do solo, encontrados na bacia do ribeirão das Palmeiras, podem ser observados nas Figuras 19 e 20.

das Palmeiras, podem ser observados nas Figuras 19 e 20. FIGURA 19 - Principais classes de

FIGURA 19 - Principais classes de solos da bacia do Ribeirão das Palmeiras. Fonte: OLIVEIRA et al., 1999.

59

59 FIGURA 20 - Principais usos e coberturas do solo da bacia do Ribeirão das Palmeiras.

FIGURA 20 - Principais usos e coberturas do solo da bacia do Ribeirão das Palmeiras. Fonte: VIEIRA et al.,

2013.

A bacia hidrográfica do rio Una está localizada quase que em sua totalidade dentro do município de Taubaté (86%), cuja população é estimada em 232.049 habitantes (IBGE, 2010). As Figuras 21 e 22 mostram mapa da classificação dos solos e do uso e cobertura do solo da bacia do rio Una.

60

60 FIGURA 21 - Principais classes de solos da bacia do Rio Una. Fonte: OLIVEIRA et

FIGURA 21 - Principais classes de solos da bacia do Rio Una. Fonte: OLIVEIRA et al., 1999.

solos da bacia do Rio Una. Fonte: OLIVEIRA et al ., 1999. FIGURA 22 - Principais

FIGURA 22 - Principais usos e coberturas do solo da bacia do Rio Una. Fonte: VIEIRA et al., 2013.

61

O rio Paraitinga abastece o município de São Luiz do Paraitinga, estimado em 10.397 habitantes (IBGE, 2010). A cidade ficou mais conhecida devido a enchente de 2010 ocasionada pelo transbordamento do rio Paratinga, que subiu cerca de 12 metros, provocando a maior tragédia da história do município. A classificação dos solos e o uso e a cobertura do solo, encontrados na bacia do rio Paraitinga, podem ser observados nas Figuras 23 e 24.

do rio Paraitinga, podem ser observados nas Figuras 23 e 24. FIGURA 23 - Principais classes

FIGURA 23 - Principais classes de solos da bacia do Rio Paraitinga. Fonte: OLIVEIRA et al., 1999.

62

62 FIGURA 24 - Principais usos e coberturas do solo da bacia do Rio Paraitinga. Fonte:

FIGURA 24 - Principais usos e coberturas do solo da bacia do Rio Paraitinga. Fonte: VIEIRA et al., 2013.

O Rio Paraibuna nasce no município de Cunha, no bairro do Campo Alegre e, então, segue em direção ao sudoeste. Um trecho do rio atravessa o Parque Estadual da Serra do Mar, passa pelos municípios de São Luís do Paraitinga e Natividade da Serra, onde suas margens alargam-se bastante. No município de Paraibuna, que recebe seu nome, suas águas são aproveitadas para gerar energia elétrica, nos mapas das Figuras 25 e 26 são demonstrados as classes de solo e uso e ocupação da bacia do rio Paraibuna.

63

63 FIGURA 25 - Principais classes de solos da bacia do Rio Paraibuna. Fonte: OLIVEIRA et

FIGURA 25 - Principais classes de solos da bacia do Rio Paraibuna. Fonte: OLIVEIRA et al., 1999.

da bacia do Rio Paraibuna. Fonte: OLIVEIRA et al ., 1999. FIGURA 26 - Principais usos

FIGURA 26 - Principais usos e coberturas do solo da bacia do Rio Paraibuna. Fonte: VIEIRA et al., 2013.

64

Na Tabela 5 são apresentados os valores das variáveis utilizadas no cálculo da TAS para as onze bacias estudadas.

TABELA 5 - Valores das variáveis utilizadas no cálculo da TAS para as bacias estudadas.

VARIÁVEIS BACIAS Área (km²) Comprimento do Canal (km) Desnível (m) Gradiente (%) Número-Curva (CN) Tempo
VARIÁVEIS
BACIAS
Área (km²)
Comprimento
do Canal (km)
Desnível (m)
Gradiente (%)
Número-Curva
(CN)
Tempo de
Concentração
(h)
Duração do
excesso de
precipitação
(h)

1 Rio Entupido

9,75

8,22

1407,6

17

75,92

1,08

0,5

2 Ribeirão da Fortaleza

4,70

2,71

730,18

27

70,32

0,46

0,5

3 Córrego das Posses

0,93

1,66

582,07

35

65,50

0,86

0,5

4 Ribeirão dos Lemes

10,69

5,35

1052,65

20

71,12

0,79

0,5

5 Córrego Cachoeirinha

2,04

1,97

268,00

14

66,92

0,47

0,5

6 Ribeirão Gomeral

35,49

12,55

1266,20

10

79,73

1,68

0,5

7 Rio Jacuí

77,89

14,63

766,94

5

83,50

2,29

0,5

8 Ribeirão das Palmeiras

32,34

12,29

271,25

2

74,26

2,70

0,5

9 Rio Una

378,54

49,62

908,70

2

77,08

7,00

0,5

10 Rio Paraitinga

1837,70

124,23

1309,78

1

76,75

15,00

0,5

11 Rio Paraibuna

1408,26

144,35

1028,61

1

60,57

2,99

0,5

65

4 Resultados e Discussão

4.1 Cálculo da Taxa de Aporte de Sedimento

Aplicando os dados levantados para cada bacia foram calculados os valores de TAS (de 0 a 1) demonstrados nas Figuras de 27 a 37.

de TAS (de 0 a 1) demonstrados nas Figuras de 27 a 37. FIGURA 27 -

FIGURA 27 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do rio Entupido.

de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do rio Entupido. FIGURA 28 - Taxa de

FIGURA 28 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do ribeirão da Fortaleza.

66

66 FIGURA 29 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do córrego das

FIGURA 29 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do córrego das Posses.

de sedimento (TAS) para a bacia do córrego das Posses. FIGURA 30 - Taxa de aporte

FIGURA 30 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do ribeirão dos Lemes.

de sedimento (TAS) para a bacia do ribeirão dos Lemes. FIGURA 31 - Taxa de aporte

FIGURA 31 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do córrego Cachoeirinha.

67

67 FIGURA 32 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do ribeirão Gomeral.

FIGURA 32 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do ribeirão Gomeral.

aporte de sedimento (TAS) para a bacia do ribeirão Gomeral. FIGURA 33 - Taxa de aporte

FIGURA 33 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do rio Jacuí.

de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do rio Jacuí. FIGURA 34 - Taxa de

FIGURA 34 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do ribeirão das Palmeiras.

68

68 FIGURA 35 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do rio Una.

FIGURA 35 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do rio Una.

Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do rio Una. FIGURA 36 - Taxa

FIGURA 36 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do rio Paraitinga.

de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do rio Paraitinga. FIGURA 37 - Taxa de

FIGURA 37 - Taxa de aporte de sedimento (TAS) para a bacia do rio Paraibuna.

69

4.2 Análise dos resultados das TAS

Equações empíricas, como as que foram utilizadas, são constantemente criticadas por adotarem suposições irreais sobre a física do sistema e também por desconsiderar a não linearidade dos processos envolvidos, embora essas críticas sejam válidas, num contexto de carência de dados, os modelos mais complexos e dinâmicos não apresentam melhor desempenho que os modelos empíricos, portanto, é justificável o uso dessas equações, com a ressalva de que o desenvolvimento de modelos empíricos com dados locais tornará os resultados mais precisos (PRUSKI, 2009). Não existe um procedimento preciso para calcular TAS, inúmeros fatores, como fonte do sedimento, textura, a densidade de canais, área de drenagem da bacia, inclinação, comprimento do curso d’água principal, uso e cobertura do solo, são responsáveis por variações nas taxas. Os métodos para a determinação das taxas de aporte de sedimentos tradicionais são frequentemente dado-impulsionados, dependendo de uma ampla série de dados da produção de sedimentos e dados precisos (estimados ou medidos) de erosão (LU; et al., 2006), o que não ocorre nas bacias estudadas. Muitos autores corroboram que, em geral, quanto maior a área de drenagem da bacia menor é a TAS, isso pode ser explicado porque conforme a área da bacia aumenta pode haver redução na declividade das vertentes e do gradiente do canal principal, fazendo com que uma quantidade maior de sedimentos seja contida na própria bacia (LU et al., 2006; RENFRO, 1975; OUYANG e BARTHOLIC, 1997). Para algumas bacias, cujas declividades foram altas e as áreas foram pequenas, a equação da TAS resultou valores maiores que 100%, nesses casos, o aporte foi limitado à 100%. O desvio padrão, englobando todas as bacias analisadas, variou de 0,13 a 0,35 considerando as 8 equações aplicadas. Como pode ser observado na Tabela 6, os valores mais baixos de TAS foram obtidos por meio da equação de RENFRO (1975), com exceção da bacia 11 para qual utilizou-se a equação de ROEHL (1962), variando entre 0,13 e 0,45. Já os maiores valores de TAS, apesar de terem sido limitados a 1, nas equações com maiores gradientes de declividade, com áreas e comprimento do canal principal menores e cujos tempo de concentração também são os menores tiveram as taxas mais elevadas estimadas pela equação de MANER (1958), para as demais bacias, as taxas mais elevadas foram estimadas pela equação de WILLIAMS E BERNDT (1972).

70

TABELA 6 - Menores e os maiores valores de TAS para cada bacia estudada.

BACIAS

MENOR TAS

EQUAÇÃO

MAIORES TAS

EQUAÇÃO

1 0,32

RENFRO (1975)

1,00

MANER (1958)

2 0,36

RENFRO (1975)

1,00

MANER (1958)

3 0,45

RENFRO (1975)

1,00

MANER (1958)

4 0,32

RENFRO (1975)

1,00

MANER (1958)

5 0,40

RENFRO (1975)

1,00

MANER (1958)

6 0,27

RENFRO (1975)

1,00

WILLIAMS E BERNDT (1972)

7 0,24

RENFRO (1975)

1,00

WILLIAMS E BERNDT (1972)

8 0,27

RENFRO (1975)

0,86

WILLIAMS E BERNDT (1972)

9 0,19

RENFRO (1975)

0,80

WILLIAMS E BERNDT (1972)

10 0,15

RENFRO (1975)

0,64

WILLIAMS E BERNDT (1972)

11 0,13

ROEHL (1962)

0,55

WILLIAMS E BERNDT (1972)

Em seguida, foi feita uma análise de sensibilidade da TAS a cada uma das variáveis da Tabela 6. Assim, a sensibilidade relativa (S r ) da TAS a uma pequena variação em uma certa variável ´foi calculada pela Equação 19.

certa variável ´ x´ foi calculada pela Equação 19. (19) Em que: S r = sensibilidade

(19)

Em que:

S r = sensibilidade relativa da TAS; TAS i = valor de TAS calculado de acordo com os valores originais das variáveis; X i = nível original da variável i; X f = (x i + Δx i ); e TAS f = valor de TAS usando o valor acrescido x f .

Considerando uma perturbação de Δxi = 10 % xi realizou-se a análise de sensibilidade, conforme Tabela 7.

71

TABELA 7 Valores da análise de sensibilidade das variáveis utilizadas nas equações estudadas

ANÁLISE DE

 

DESCRIÇÃO DAS VARIÁVEIS

 

SENSIBILIDADE

AUTOR (ANO)

SENSIBILIDADE

RELATIVA

MÉDIA

MANER (1958)

R = diferença de altura entre ponto mais alto e exutório (m)

0,949498605

0,90446424

L = comprimento da bacia (m)

0,859429875

ROEHL (1962)

R = diferença de altura entre ponto mais alto e exutório (m)

0,908829201

0,874150287

L = comprimento da bacia (m)

0,839471374

WILLIAMS E BERNDT

(1972)

D = gradiente do canal principal (%)

0,430729228

0,430729228

RENFRO (1975)

A = área da bacia (km²)

0,147871593

0,147871593

VANONI (1975)

A = área da bacia (mi²)

0,130273929

0,130273929

 

A = área da bacia (km²)

0,104135464

WILLIAMS (1977)

R = diferença de altura entre o ponto mais alto e exutório (m)

0,387125067

2,086651859

L = comprimento da bacia (km)

0,373964079

CN = número-curva

7,481382826

USDA-NRCS (1979)

A = área da bacia (mi²)

0,114722883

0,114722883

 

t r = duração do excesso de precipitação (h)

0,863272703

LU et al. (2006)

t c = tempo de concentração da bacia

0,815244881

0,839258792

(h)

Pela Tabela 7 observa-se que, em média, o modelo mais sensível a perturbações nas variáveis independentes da TAS é o de Williams (1977), com Sr = 2,08. Isso significa que um erro médio de 10% na estimativa de suas variáveis representaria um erro médio de 20% na estimativa da TAS, com elevado potencial de propagação de erro. Por sua vez, a equação com o menor valor de Sr médio (0,11) foi a de USDA-NRCS (1979), indicando que um erro médio de 10% na variável independente causaria um erro de apenas 1,1% na TAS. Em média, a sensibilidade relativa para as oito equações foi de 0,69. Algumas equações apresentaram sensibilidade elevada a algumas de suas variáveis. Esse é o caso da equação de Williams (1977), em que 10% de variação em CN causaria variação de 74% na TAS, o que indica alta instabilidade da equação. No caso da equação de Maner (1958), a variável que implicou maior sensibilidade foi R (Sr = 0.9). Verifica-se ainda que as equações de TAS mais estáveis (menor Sr médio) são as de NRCS (1979), Vanoni (1975) e Renfro (1975), que são as equações cuja área de extensão da bacia é o único parâmetro analisado, não ultrapassando 0,15, em contrapartida resultaram em valores baixos de aporte de sedimento mesmo para as bacias com maiores índices de declividade.

72

OUYANG E BARTHOLIC (1997) ressaltam a importância de que a TAS seja obtida

da forma mais acurada possível para que o aporte de sedimentos seja estimado com precisão.

PARK et al. (2010) afirmam que a taxa de aporte de sedimentos é complexa para ser

determinada apenas com a declividade do canal e a área da bacia, pois é afetada também por

outros fatores como escoamento superficial potencial, topografia da bacia, clima, tipo de solo,

condições do uso e cobertura, dentre outros fatores relacionados com os processos

hidrológicos. Por esses motivos, para efeito deste estudo, apesar de possuir a maior

sensibilidade, de 2,08, optou-se pela utilização da equação proposta por WILLIAMS (1977),

pois inclui uma quantidade maior de parâmetros, tornando a equação mais adaptável a

realidade das bacias estudadas.

4.3 Valoração do serviço ecossistêmico de retenção de sedimentos

Depois de calculadas as taxas de aporte de sedimentos (TABELA 8), as bacias

estudadas tiveram seu serviço de retenção de solos valorado, por meio da sequência

metodológica apresentada no item 2.5, adaptada de SOUSA JÚNIOR (2010). Para isso,

optou-se pela utilização do Potencial de Erosão do Solo (PRE) (TABELA 9), estimado por

RIBEIRO (2015), para bacias no trecho paulista da bacia do Rio Paraíba do Sul com o auxílio

do modelo InVEST.

Para efeito deste trabalho foram considerados os seguintes cenários:

Cenário 1: Considerando o uso e cobertura atual da bacia hidrográfica;

Cenário 2: Considerando a substituição das áreas de pastagem por florestas, nos locais

que existe a intersecção da bacia hidrográfica com a APA Mananciais do Rio Paraíba do Sul.

TABELA 8 - Valores das variáveis TAS calculadas pela método de Williams (1977).

 

CURSO D'ÁGUA PRINCIPAL

CENÁRIO 1

CENÁRIO 2

BACIA

TAS

TAS

1

Rio Entupido

1,00

0,82

2

Ribeirão da Fortaleza

1,00

1,00

3

Córrego das Posses

0,51

0,46

4

Ribeirão dos Lemes

0,89

0,40

5

Córrego Cachoeirinha

0,74

0,73

6

Ribeirão Gomeral

1,00

0,81

73

7

Rio Jacuí

1,00

1,00

8

Ribeirão das Palmeiras

0,45

0,02

9

Rio Una

0,41

0,20

10

Rio Paraitinga

0,28

0,28

11

Rio Paraibuna

0,19

0,19

TABELA 9- Potencial de Erosão do Solo (PRE) Resultados do modelo InVEST.

BACIA

CURSO D'ÁGUA PRINCIPAL

CENÁRIO 1

CENÁRIO 2

PRE (t/ano)

PRE (t/ano)

1

Rio Entupido

70564

22315

2

Ribeirão da Fortaleza

5585

5585

3

Córrego das Posses

506

506

4

Ribeirão dos Lemes

19843

19590

5

Córrego Cachoeirinha

22040

22040

6

Ribeirão Gomeral

244265

65597

7

Rio Jacuí

302720

302720

8

Ribeirão das Palmeiras

81376

47277

9

Rio Una

5976304

5153002

10

Rio Paraitinga

17273125

17249507

11

Rio Paraibuna

33838429

33402267

Os menores potenciais de erosão do solo, nos dois cenários, ocorrem nas bacias 2

(Ribeirão da Fortaleza) e 3 (Córrego das Posses), que estão dentre as menores bacias. Já os

maiores potenciais de erosão do solo ocorrem nas bacias 9 (Rio Una), 10 (Rio Paraitinga) e 11

(Rio Paraibuna), que são as bacias com área de extensão bastante superior as outras. Com

relação as reduções de perdas de solos entre os cenários 1 e 2, os reflorestamentos na área da

APA afetam 7 das 11 bacias estudadas, e variam de 0,14 a 68,38%. As bacias 2 (Ribeirão da

Fortaleza), 3 (Córrego das Posses), 5 (Córrego Cachoeirinha) e 7 (Rio Jacuí) não

apresentaram reduções, as duas primeiras por apresentarem cobertura florestal em quase toda

a sua extensão e as duas últimas por terem suas áreas com pouca intersecção com a APA. As

maiores reduções de perdas de solos ocorrem nas bacias 1 (Rio Entupido) e 6 (Ribeirão

Gomeral), essas bacias tiveram sua área de florestamento acrescida em 51,78% e 67,21%,

respectivamente.

74

4.3.1 Concentrações de sólidos em suspensão na água e turbidez

Dando sequência à rota de valoração, foram estimadas as concentrações de sólidos em suspensão, pela Equação 13, no entanto, diferente do que foi proposto na metodologia escolhida não foi utilizada a vazão média de longo termo, pois as bacias escolhidas não possuem monitoramento de vazão. A fim de sanar a falta de informações precisas, foi utilizada a vazão calculada por RIBEIRO (2015), para bacias no trecho paulista da bacia do Rio Paraíba do Sul, pelo método de I-Pai-Wu, o qual estima as vazões máximas das bacias. A Tabela 10 apresenta os resultados das vazões calculadas e também as vazões de captação.

TABELA 10 - Vazões estimadas nos pontos de captação pelo método de I-Pai Wu.

BACIA

CURSO D'ÁGUA PRINCIPAL

Q MLT (m³/h)

1

Rio Entupido

3015,83

2

Ribeirão da Fortaleza

2684,69

3

Córrego das Posses

599,81

4

Ribeirão dos Lemes

3277,98

5

Córrego Cachoeirinha

1399,01

6

Ribeirão Gomeral

6959,87

7

Rio Jacuí

10545,02

8

Ribeirão das Palmeiras

3515,17

9

Rio Una

20671,32

10

Rio Paraitinga

36139,40

11

Rio Paraibuna

53405,03

Após a obtenção das taxas de aporte de sedimentos, do potencial de erosão do solo e das vazões, foram calculadas as concentrações de sedimentos em suspensão, e estes são apresentados na Tabela 11.

75

TABELA 11 - Concentração de sedimentos em suspensão.

BACIA

CURSO D'ÁGUA PRINCIPAL

CENÁRIO 1

CENÁRIO 2

SS (g/m³)

SS (g/m³)

1

Rio Entupido

2670,98

692,63

2

Ribeirão da Fortaleza

237,48

237,48

3

Córrego das Posses

49,11

44,30

4

Ribeirão dos Lemes

615,02

272,89

5

Córrego Cachoeirinha

1330,81

1312,83

6

Ribeirão Gomeral

4006,41

871,49

7

Rio Jacuí

3277,10

3277,10

8

Ribeirão das Palmeiras

1189,21

30,71

9

Rio Una

13531,44

5691,38

10

Rio Paraitinga

15277,20

15256,31

11

Rio Paraibuna

13742,87

13565,73

As concentrações de sedimentos nos pontos de captação variam de 49,11 a 15277,20

g/m³ no cenário 1, sendo as menores concentrações nas bacias 2 (Ribeirão da Fortaleza), 3

(Córrego das Posses) e, correspondendo as mesmas bacias com menores potenciais de erosão

do solo. As maiores concentrações de sedimentos ocorrem nas bacias 9 (Rio Una), 10 (Rio

Paraitinga) e 11 (Rio Paraibuna), também correspondendo as bacias que apresentam as

maiores potenciais de erosão do solo no cenário 1. No cenário 2, as concentrações de

sedimentos variam de 30,71 a 15256,31 g/m³, sendo as menores concentrações nas bacias 3

(Córrego das Posses) e 8 (Ribeirão das Palmeiras), e as maiores nas mesmas bacias do cenário

1, repetindo as bacias com maiores potenciais de erosão do solo. As reduções da concentração

de sedimentos variam de 0 a 97,42 % entre os cenários 1 e 2.

Após os cálculos da concentração de sedimentos foram também calculados os valores

de turbidez, por meio da Equação 15, correspondentes a cada ponto de captação nos 2

cenários. Os resultados são apresentados na Tabela 12.

TABELA 12 - Turbidez nos pontos de captação.

BACIA

CURSO D'ÁGUA PRINCIPAL

CENÁRIO 1

Turbidez (NTU)

CENÁRIO 2

Turbidez (NTU)

1

Rio Entupido

56,27

42,77

2

Ribeirão da Fortaleza

32,07

32,07

3

Córrego das Posses

16,31

15,28

4

Ribeirão dos Lemes

41,58

33,46

5

Córrego Cachoeirinha

49,30

49,17

76

6

Ribeirão Gomeral

60,33

45,07

7

Rio Jacuí

58,32

58,32

8

Ribeirão das Palmeiras

48,18

11,61

9

Rio Una

72,50

63,84

10

Rio Paraitinga

73,71

73,70

11

Rio Paraibuna

72,65