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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO...........................................................................................................4

2 CONSIDERAÇÕES SOBRE A ALIENAÇÃO PARENTAL E A SÍNDROME DA


ALIENAÇÃOPARENTAL...............................................................................................6

2.1.Conceito de Síndrome da Alienação Parental........................................................6

2.2 Origem da Alienação Parental................................................................................7

2.3 Diferença Entre Alienação Parental e a Síndrome da Alienação Parental.............8

2.4 Identificação da Síndrome da Alienação Parental..................................................9

2.5 Alienação Parental e a Implantação de Falsas Memórias....................................11

3 CARACTERÍSTICAS E CONDUTAS DOS ENVOLVIDOS......................................16

3.1 Do Genitor Alienador.............................................................................................16

3.2 Do Genitor Alienado..............................................................................................19

3.3 Da criança alienada...............................................................................................19

4 ALIENAÇÃO PARENTAL - CONSEQUÊNCIAS......................................................21

4.1 Sequelas à Criança Alienada e ao Genitor alienado............................................21

5 SÍNDROME DE ALIENAÇÃO PARENTAL NO PODER JUDICIÁRIO.....................23

5.1 Dos Meios de Prova..............................................................................................23

5.2 Meios Punitivos da Lei 12.318/10.........................................................................24

5.4 Relatos..................................................................................................................25

5.5 Jurisprudências.....................................................................................................28

CONCLUSÃO..............................................................................................................32

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................34
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1 INTRODUÇÃO

O intuito desse trabalho é desenvolver uma análise a respeito da


síndrome da alienação parental. Iniciando com o conceito, como se origina, como
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identificá-la, distinção entre a síndrome da alienação parental e a alienação parental,


suas consequências e sequelas e apresentar a legislação como única e primordial
solução para a resolução desse casos, apresentando relatos de casos e
jurisprudências, salientando a importância de uma vida saudável para a criança
mesmo depois da separação dos pais.

A alienação parental é um problema antigo, do seu descobrimento já se


passaram quase trinta anos. Porém é um dos problemas de família mais graves da
atualidade, considerando o aumento drástico das separações conjugais de uns anos
pra cá. Neste contexto, surgem situações difíceis de lidar para os integrantes da
família, em primeiro lugar para as crianças, que passam a habitar duas casas, e na
maioria das vezes vivem em meio à agressões entre os pais, agressões essas que
na maioria das vezes é por causa da própria criança.

É normal as pessoas quererem reconstruir suas vidas, buscar


felicidade com outros companheiros, mas com a destituição da família, o filho na
maioria das vezes paga um preço muito alto. O cônjuge abandonado alimenta
muitos sentimentos ruins e comumente direciona irracionalmente esses sentimentos
aos filhos, passam a usa-los numa campanha de desmoralização contra o ex-
cônjuge.

Essa situação se agrava a cada dia, e com isso a criança pode


desenvolver a síndrome da alienação parental que acarreta muitos prejuízos à vida e
ao desenvolvimento da criança. Também não podemos nos esquecer do genitor
alienado que tem sua vida destruída pela privação de ver seu filho, e em alguns
casos até de ser acusado de abuso sexual para que o afastamento da criança seja
definitivo.

Logo, a solução será judicialmente. O genitor alienado deverá buscar


reestabelecer seus vínculos com a criança através do judiciário e ir se preparando
para mudanças radicais em sua vida, pois dependendo da gravidade da alienação
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será necessária a alteração da guarda do filho e um intenso tratamento psicológico


para se tentar reverter a situação.
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2 CONSIDERAÇÕES SOBRE A ALIENAÇÃO PARENTAL E A SÍNDROME DA


ALIENAÇÃOPARENTAL

Mister se faz o esclarecimento dos principais fatos e atos que giram em


torno da alienação parental. Antes de procurar soluções é necessário que se
conheça a fundo o problema para saber identificá-lo.

2.1.Conceito de Síndrome da Alienação Parental

A Síndrome da Alienação Parental é uma patologia psíquica muito


grave que genitor alienador instaura na criança com o intuito de afasta-la do outro
genitor, manipulando-a afetivamente sem uma justificativa plausível. O genitor
acometido de rancor e raiva faz de tudo para que a criança desfaça os laços com o
outro genitor, ele não admite a possibilidade da criança querer manter contato com o
outro genitor, deseja ser a única, utilizando-se de manipulações emocionais e
chantagens, podendo chegar ao extremo, fazendo com que a criança produza
relatos de supostas agressões físicas e até sexuais atribuídas ao outro genitor.
Conforme o art. 2º da Lei de Alienação parental (Lei 12.318/10):

Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação


psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos
genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a
sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause
prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.

Segund Trindade (2007, p. 113):

A Síndrome de Alienação Parental é um transtorno psicológico que se


caracteriza por um conjunto de sintomas pelos quais um genitor,
denominado cônjuge alienador, transforma a consciência de seus filhos,
mediante diferentes formas e estratégias de atuação, com objetivo de
impedir, obstaculizar ou destruir seus vínculos com o outro genitor,
denominado cônjuge alienado, sem que existam motivos reais que
justifiquem essa condição. Em outras palavras, consiste num processo de
programar uma criança para que odeie um de seus genitores sem
justificativa, de modo que a própria criança ingressa na trajetória de
desmoralização desse mesmo genitor.
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Apesar da grande maioria dos casos o genitor alienador é o que obtém


a guarda, a síndrome também pode ser instaurada pelo genitor não guardião, que se
aproveita nos momentos de visitas, com a intenção de influenciá-la a ir morar com
ele, fazendo várias promessas de vida melhor, promete brinquedos, presentes, entre
outros. Assim a criança que morava, por exemplo, com a mãe pode passar
repentinamente a solicitar para ir morar com o pai. O pai então acaba por ingressar
com ação judicial de modificação de guarda alegando que será muito melhor para a
criança morar com ele. A alienação pode partir também dos avós e parentes mais
próximos.

2.2 Origem da Alienação Parental

A origem da alienação parental é, em suma, causada pela separação


dos genitores. Na maioria das vezes as separações não são amigáveis, são
conturbadas, principalmente quando existe traição ou rejeição por parte de um dos
genitores, e isso consequentemente gera mágoa e o desejo de vingança. E nesse
contexto o alienador se utiliza do filho, faz com que ele odeie o outro genitor, difama
das piores formas possíveis para que a criança ou o adolescente não queira nem ao
menos vê-lo.

O genitor alienador acaba por tornar o filho um confidente e divide com


ele toda a dor da separação, conta de suas decepções e se faz de vítima, para que
com isso a criança tenha dó dele e ao mesmo tempo gerando raiva e até mesmo
ódio do outro genitor. Isso se transforma em um conflito muito grande de
sentimentos na criança, porque ela acaba entrando num jogo psicológico, sua mente
fica bagunçada, ela começa a achar que deve fidelidade ao genitor alienador e isso
se transforma até em medo de ser abandonada se não agir dessa forma.

PODEVYN (2001) destaca vários tipos de comportamento do genitor


alienador que age no intuito de sabotar a relação entres os filhos e o outro genitor:
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Se observa frequentemente os mesmos comportamentos no genitor


alienador que sabota a relação entre os filhos e o outro genitor a) Recusar
de passar as chamadas telefônicas aos filhos; b) Organizar várias
atividades com os filhos durante o período que o outro genitor deve
normalmente exercer o direito de visitas. c) Apresentar o novo cônjuge aos
filhos como sua nova mãe ou seu novo pai. d) Interceptar as cartas e os
pacotes mandados aos filhos. e) Desvalorizar e insultar o outro genitor na
presença dos filhos. f) Recusar informações ao outro genitor sobre as
atividades em que os filhos estão envolvidos (esportes, atividades
escolares, grupos teatrais, escotismo, etc.). g) Falar de maneira descortês
do novo conjugue do outro genitor. h) Impedir o outro genitor de exercer seu
direito de visita. i) “Esquecer” de avisar o outro genitor de compromissos
importantes (dentistas, médicos, psicólogos).j)-Envolver pessoas próximas
(sua mãe, seu novo conjugue, etc.) na lavagem cerebral de seus filhos. k)
Tomar decisões importantes a respeito dos filhos sem consultar o outro
genitor (escolha da religião, escolha da escola, etc.) l) Trocar (ou tentar
trocar) seus nome e sobrenomes. m) Impedir o outro genitor de ter acesso
às informações escolares e/ou médicas dos filhos. n) Sair de férias sem os
filhos e deixá-los com outras pessoas que não o outro genitor, ainda que
este esteja disponível e queira ocupar-se dos filhos. o) Falar aos filhos que a
roupa que o outro genitor comprou é feia, e proibi-los de usá-las. p)
Ameaçar punir os filhos se eles telefonarem, escreverem, ou a se
comunicarem com o outro genitor de qualquer maneira. q) Culpar o outro
genitor pelo mau comportamento dos filhos.

Essas atitudes do alienador é o começo de tudo, é a partir daí que a


síndrome passa a ser instalada.

2.3 Diferença Entre Alienação Parental e a Síndrome da Alienação Parental

É muito importante fazer a distinção entre a alienação parental e a


síndrome da alienação parental que apesar de interligados têm significados
diferentes. A alienação parental são os meios utilizados para que se instaure a
síndrome. A pessoa que comete a alienação parental, age de forma mentirosa e
muito irresponsável não medindo as consequências de seus atos, muitas vezes,
simplesmente para reestabelecer seu ego ferido pela separação, criando assim uma
rejeição do filho para com o outro genitor talvez até de forma irreversível.

A síndrome da alienação parental é a patologia, é o distúrbio


psicológico que acomete a criança por influência da alienação.
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O autor Xaxá (2008, p. 18) explica a diferença:

Alienação Parental é a desconstituição da figura parental de um dos


genitores ante a criança. É uma campanha de desmoralização, de
marginalização desse genitor. Manipulada com o intuito de transformar esse
genitor num estranho, a criança então é motivada a afastá-lo do seu
convívio. Esse processo é praticado dolosamente ou não por um agente
externo, um terceiro e, não está restrito ao guardião da criança. Há casos
em que a Alienação Parental é promovida pelos Avós, por exemplo, sendo
perfeitamente possível que qualquer pessoa com relação parental com a
criança ou não, a fomente. A Síndrome de Alienação Parental diz respeito
aos efeitos emocionais e as condutas comportamentais desencadeados na
criança que é ou foi vítima desse processo. Grosso modo, são as sequelas
deixada pela Alienação Parental.

Ainda segundo Xaxá (2008, p. 18, apud Ullmann):

Alguns entendem a Alienação como uma Síndrome por apresentar um


conjunto de sintomas a indicar uma mesma patologia, enquanto que outra
corrente exclui o termo Síndrome da definição por determinar que, como
não há ‘reconhecimento’ da medicina nem código internacional que a defina,
não pode ser considerada uma Síndrome. Fato é que, independentemente
de ser ou não uma Síndrome, assim subentendida, o fenômeno existe e
cada vez mais é percebido e verificado independentemente de classe social
ou situação financeira.

Em síntese a alienação parental é o ato e a síndrome da alienação


parental é o resultado deste ato.

2.4 Identificação da Síndrome da Alienação Parental

Informação é o primeiro passo para a identificação da síndrome da


alienação parental. Saber que esse problema existe já é um grande passo.

Apesar da descoberta ter sido a muitos anos atrás, aqui no Brasil as


pessoas começaram a tomar conhecimento dessa patologia a pouquíssimo tempo,
basicamente a partir da publicação da Lei de Alienação Parental, e somente agora a
mídia está trabalhando este assunto, que é tão grave e causa tanta destruição.
Nos dizeres de Trindade (2010, p.104)
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O primeiro passo é identificar a Síndrome de Alienação Parental. Para isso é


necessário informação. A seguir, é importante dar-se conta de que a
Síndrome de Alienação Parental é uma condição psicológica que demanda
tratamento especial e intervenção imediata. De fato, a Síndrome de
Alienação Parental exige uma abordagem terapêutica específica para cada
uma das pessoas envolvidas, havendo a necessidade de atendimento da
criança, do alienante e do alienado. Ademais, por todas as dificuldades que
engendra, é importante que a Síndrome de Alienação Parental seja
detectada o quanto antes, pois quanto mais cedo ocorrer à intervenção
psicológica e jurídica menores serão os prejuízos causados e melhor o
prognóstico de tratamento para todos.

Os primeiros sinais que identificam a síndrome na criança é a forma


dela agir, as coisas que ela faz e fala ao genitor alienado e também as coisas que
deixa de fazer. A criança apresenta um sentimento constante de raiva e ódio contra
o genitor alienado e sua família, se recusa a dar atenção, visitar, ou se comunicar
com o outro genitor, expressa sentimentos e crenças negativas sobre o
outro genitor, que são inconsequentes, exageradas ou inverídicas.
Para Leiria (2001):

Pode-se dizer que o filho tem a SAP quando começa a nutrir sentimento de
aversão ao genitor alienado, não querendo mais o ver. Ter de ‘tomar o
partido’ do genitor alienante faz a criança pensar que perderá para sempre o
amor do genitor alienado, o que gera um sofrimento mental indescritível.

A autora Campos (2012, p. 28) descreve alguns dos comportamentos


da criança:

a) A criança denigre o alienado com linguajar impróprio e severo


comportamento opositor, muitas vezes utilizando-se de argumentos do
genitor alienador e não dela própria; para isso, dá motivos fracos, absurdos
ou frívolos para sua raiva.
b) Declara que ela mesma teve a ideia de denegrir o alienado. O fenômeno
do “pensador independente” acontece quando a criança garante que
ninguém disse aquilo a ela.
c) O filho apoia e sente a necessidade de proteger o alienador. Com isso
estabelece um pacto de lealdade com o genitor alienador em função da
dependência material, demonstrando medo de desagradar ou de ser
rejeitado por este.
d) Menciona locais onde nunca esteve, que não esteve na data em que é
relatado um acontecimento de suposta agressão física/ sexual ou descreve
situações vividamente que nunca poderia ter experimentado.
e) A animosidade é espalhada para também incluir amigos e/ou outros
membros da família do genitor alienado (voltar-se contra avós, primos, tios,
etc.) os avós viram chatos, intrusos. A criança resiste em visitá-los em ligar
em datas comemorativas, chegando ao desrespeito.
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2.5 Alienação Parental e a Implantação de Falsas Memórias

A alienação na sua forma mais grave é feita à partir da implantação de


falsas memórias. Essa prática nada mais é do que uma mentira repetida várias
vezes até que se transforma em verdade, tanto para o genitor alienador quanto para
a criança alienada.

O genitor alienador convence a criança de um fato que não ocorreu,


fazendo que ela acredite, por exemplo, que foi abusada sexualmente pelo outro
genitor.

A falsa memória baseia-se em uma história contada como se real


fosse, mas que nunca ocorreu. Quem implanta sugestiona informações que
confundem, assim a criança tentando lembrar da situação, começa a imaginar o fato
e logo tem como verdade tudo que lhe foi repetidamente dito.

Esse estágio da alienação é a pior parte, imagine um genitor de boa


índole que é exposto judicialmente por ter abusado sexualmente de seu filho(a), as
consequências psicológicas são terríveis.

Calçada (2008, p.62) explica os transtornos causados na criança em


consequência da implantação das falsas memórias, no caso, falso abuso sexual:

Assim como no abuso sexual real, nos casos falsos a autoestima,


autoconfiança e confiança no outro ficam fortemente abaladas, abrindo
caminho para que patologias graves se instalem. Na prática clínica, na
avaliação de crianças vítimas de falsas acusações de abuso, observa-se, no
curto prazo, consequências como depressão infantil, angústia, sentimento
de culpa, rigidez e inflexibilidade diante das situações cotidianas,
insegurança, medos e fobias, choro compulsivo, sem motivo aparente,
mostrando as alterações afetivas. Já nos aspectos interpessoal observa-se
dificuldade em confiar no outro, fazer amizades, estabelecer relações com
pessoas mais velhas, apego excessivo à figura “acusadora” e mudança das
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características habituais da sexualidade manifestas em vergonha em trocar


de roupa na frente de outras pessoas, não querer mostrar o corpo ou tomar
banho com colegas e recusa anormal a exames médicos e ginecológicos.

Dias(2010) explica a necessidade de cautela do judiciário quando há


alguma denúncia de abuso:

Diante da dificuldade de identificação da existência ou não dos episódios


denunciados, mister que o juiz tome cautelas redobradas. Deve buscar
identificar a presença de outros sintomas que permitam reconhecer que
está frente à síndrome da alienação parental e que a denúncia do abuso foi
levada a efeito por espírito de vingança, como meio de acabar com o
relacionamento do filho com o genitor. Para isso, é indispensável não só a
participação de psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais, com seus
laudos, estudos e testes, mas também que o juiz se capacite para poder
distinguir o sentimento de ódio exacerbado que leva ao desejo de vingança
a ponto de programar o filho para reproduzir falsas denúncias com o só
intuito de afastá-lo do genitor.

Após muitas pesquisas, verificou-se que a acusação de abuso sexual,


acontece na metade dos casos de separações problemáticas e geralmente
aparecem quando as outras formas de manipulação não surtem efeito,
principalmente se os filhos são menores e manipuláveis. Geralmente nestes casos,
aplica-se medidas cautelares, o genitor alienado é obrigado a se afastar de seu filho
até que as perícias sejam concluídas, perícias essas que levam tempo, algumas
demoram anos, e talvez os laços familiares quebrados podem nunca mais serem
restaurados.

Deve-se ter muito cuidado ao analisar se o problema se trata de


alienação parental ou real abuso sexual, pois os dois problemas existem. É preciso
minuciosa investigação, para tanto, Aguilar, psicólogo espanhol, distinguiu os dois
problemas em um quadro comparativo:

QUADRO 1 – Quadro comparativo- abuso sexual X síndrome da alienação parental


ABUSO SEXUAL SÍNDROME DE ALIENAÇÃO
PARENTAL
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O filho lembra do que ocorreu sem O filho programado não viveu o que seu
nenhuma ajuda externa progenitor denúncia. Precisa se
recordar.

As informações que transmite têm As informações que transmite têm


credibilidade, com maior quantidade e menor credibilidade, carecem de
qualidade de detalhes. detalhes e inclusive são contraditórios
entre os irmãos.

Os conhecimentos sexuais são Não tem conhecimentos sexuais de


impróprios para sua idade: ereção, caráter físico – sabor, dureza, textura, etc.
ejaculação, excitação, sabor do sêmen
....

Costumam aparecer indicadores Não aparecem indicadores sexuais


sexuais – condutas voltadas ao sexo,
conduta sedutora com adultos, jogos
sexuais precoces e impróprios com
semelhantes (sexo oral), agressões
sexuais a outros menores de idade
inferior, masturbação excessiva, etc.

Costumam existir indicadores físicos Não existem indicadores físicos


do abuso (infecções, lesões).

Costumam aparecer transtornos Não costumam apresentar transtornos


funcionais – sono alterado, eneresis, funcionais que o acompanhem.
encopresis, transtornos de
alimentação.

Costumam apresentar atrasos Não costumam apresentar atraso


educativos – dificuldade de educativo em consequência da denúncia.
concentração, atenção, falta de
motivação, fracasso escolar.
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Costumam apresentar alterações no O padrão de conduta do sujeito não se


padrão de interação do sujeito altera em seu meio social.
abusado – mudanças de conduta
bruscas, isolamento social, consumo
de álcool ou drogas, agressividade
física e/ou verbal injustificada, roubos,
etc.

Costumam apresentar desordens Não aparecem sentimentos de culpa ou


emocionais – sentimentos de culpa, estigmatização, ou condutas de
estigmatização, sintomas autodestruição.
depressivos, baixa autoestima, choro
sem motivo, tentativas de suicídio....

O menor sente culpa ou vergonha do Os sentimentos de culpa ou vergonha são


que declara escassos ou inexistentes

As denúncias de abuso são prévias à As denúncias por abuso são posteriores à


separação separação

O progenitor percebe a dor e a O progenitor não leva em conta, nem


destruição de vínculos que a denúncia parece lhe importar a destruição dos
provocará na relação familiar. vínculos familiares.

Seria esperado que um progenitor que Um progenitor alienado aparenta estar


abusa de seus filhos pudesse são nas diferentes áreas de sua vida.
apresentar outros transtornos em
diferentes esferas de sua vida.

Um progenitor que acusa o outro de Um progenitor programador só denuncia o


abuso a seus filhos costuma acusá-lo dano exercido aos filhos.
também de abusos a si mesmo.
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3 CARACTERÍSTICAS E CONDUTAS DOS ENVOLVIDOS

Em suma, o cônjuge alienador é o mal feitor, a criança e cônjuge


alienado são as vítimas.

3.1 Do Genitor Alienador

Mesmo com todas as mudanças da atualidade com relação a família,


como guarda compartilhada ou na guarda do pai que antes era uma decisão
raríssima, o mais comum é a guarda do filho confiada à mãe, que
consequentemente, gera a maior incidência de alienação parental atuada pela mãe.
Isso não quer dizer que seja só a mãe a alienadora, há a existência de casos em
que o pai, avós, tios ou parentes mais próximos desempenham o papel de alienador,
porém em números bem menores.

Quando começaram os estudos à cerca da alienação parental nos EUA


no ano de 1985, em 85 a 90% dos casos (Goudard. 2008, p. 19) eram mulheres,
sendo hoje o percentual de 60%. As opiniões divergem quanto à estatística e as
motivações são as mais diversas. Porém o importante é destacar as característica
do alienador e não de que genitor ou parente que é o alienador.

O genitor alienador tem um sentimento de posse, como se depois da


separação o filho pertencesse somente a ele, agindo como se houvesse ex pai ou ex
mãe. Os atos iniciais são com a tentativa de rompimento de contato do filho com o
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outro genitor, agindo gradativamente até a proibição total de contato entre os dois
alienados. Essa falta de contato entre o genitor alienado e o filho, também influencia
no contato da criança com a família do alienado.
Após o afastamento da criança com seus familiares o genitor alienador
pode agir livremente com seu intento, e começa com sua campanha de
desmoralização contra o outro genitor.

Para Pinho (2009) o genitor alienador têm sentimentos vis: “indo da


possessividade até a inveja, passando pelo ciúme e a vingança”:

Ao destruir a relação do filho com o pai, a mãe entende que assume o


controle total e atinge sua meta: que o pai passe a ser considerado um
intruso, um inimigo a ser evitado, e que o filho agora é ‘propriedade’
somente dela; ela dita as regras e faz o que quiser ‘para o bem dele’, mas,
ao contato com terceiros, chegam as mães por vezes a alterar o discurso e
‘se passarem por cordeiras’ dizendo que ‘nunca’ afastarão o pai e que ‘a
vida é assim’, pois, como dissemos, são astutas, vis e dissimuladas,
premeditadas e com atitudes maquiavélicas e quase sempre concatenadas.

Para Dias (2010) é a dificuldade de seguir em frente após a ruptura da


vida conjugal, que faz o genitor alienador agir dessa forma:

No entanto, muitas vezes a ruptura da vida conjugal gera na mãe


sentimento de abandono, de rejeição, de traição, surgindo uma tendência
vingativa muito grande. Quando não consegue elaborar adequadamente o
luto da separação, desencadeia um processo de destruição, de
desmoralização, de descrédito do ex-cônjuge. Ao ver o interesse do pai em
preservar a convivência com o filho, quer vingar-se, afastando este do
genitor.
O autor Xaxá (2008, p.12) em concordância com Dias, diz:

Entretanto, muitas vezes, o guardião (a) da criança, tem dificuldade em


elaborar adequadamente o luto da separação, gerando um sentimento de
abandono, sentindo-se traído (a) e rejeitado (a) e, ao notar o interesse do
outro genitor em manter os vínculos afetivos com o filho, acaba por
desenvolver um quadro de hostilidade, ódio e ate vingança, desencadeando
uma verdadeira campanha para desmoralizar, humilhar e destruir o ex-
cônjuge.

Goudard (2008, p.19, p.21) fala de dois perfis de genitores alienadores,


a saber o que age consciente e o que age inconscientemente:
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O genitor alienante se considera o único bom genitor. O intuito, inconsciente


ou não, é rejeitar, até mesmo destruir, o outro genitor e reparar sua ferida
narcísica. Este genitor possui, aparentemente, toda a sua sanidade mental e
sabe sempre apresentar os fatos sob um aspecto que o favorece.

E também:

O perverso narcísico continua sua caçada. Usar as crianças é o “meio” mais


sensível, aquele meio que mais atingirá o outro. Portanto, programando as
crianças para detestar o outro, o perverso amplifica o fenômeno que ele
desencadeou e sabe intuitivamente que é o melhor meio de destruir
infalivelmente o outro em tudo o que lhe é mais sensível, em prazo mais ou
menos longo. Ele aumenta seu “estoque de armas” da guerra que ele
declarou ao longo do tempo, sob a aparência de amor e de cônjuge
“perfeito”.

Muitas outras motivações estão presentes como sentimentos de


desforra, culpabilidade, desejo de ter o controle absoluto sobre a criança, a luta
contra a própria depressão, ou lutar contra a impotência, insuficiência, falta de
confiança em seu próprio valor ou ficar “submerso pela perspectiva de uma
audiência judicial” (Goudard. 2008, p. 2).

A autora Azambuja (2007, p.3), corroborando com os autores citados


acima, descreve o genitor alienador com algum nível de desequilíbrio emocional ou
psicológico. Ele não conseguiria enxergar a realidade “vendo-se como vítima de um
cruel tratamento dispensado pelo ex-cônjuge”.

Segundo dados do IBGE (Reani, 2010), é comum que


o genitor alienante, para manipular o afeto do filho, use de expressões como:
Cuidado ao sair com seu pai, ele quer roubar você de mim; Seu pai
abandonou vocês; Seu pai não se importa com vocês; Você não gosta de
mim! Me deixa em casa sozinha para sair com seu pai; Seu pai não me
deixa refazer minha vida; Seu pai me ameaça , ele vive me perseguindo;
Seu pai não nos deixa em paz, vive chamando no telefone; Seu pai tenta
sempre comprar vocês com brinquedos e presentes; Seu pai não dá
dinheiro para manter vocês; Seu pai é um bêbado; Seu pai é um
vagabundo; Seu pai é desprezível; Seu pai é um inútil; Seu pai é um
desequilibrado; Vocês deveriam ter vergonha do seu pai; Cuidado com seu
pai ele pode abusar de você; Peça pro seu pai comprar isso ou aquilo; Eu
fico desesperada quando vocês saem com seu pai; Seu pai bateu em você ,
tente se lembrar do passado; Seu pai bateu em mim, foi por isso que me
separei dele; Seu pai é muito violento, ele vai te bater.
18

3.2 Do Genitor Alienado

O genitor alienado no contexto da alienação parental é visto como a


vítima. Já, o alienador e o filho o veem como um intruso, como uma pessoa
desnecessária na convivência. Dias (2010) dispara que:

O detentor da guarda, ao destruir a relação do filho com o outro, assume o


controle total. Tornam-se unos, inseparáveis. O pai passa a ser considerado
um invasor, um intruso a ser afastado a qualquer preço. Este conjunto de
manobras confere prazer ao alienador em sua trajetória de promover a
destruição do antigo parceiro.

Na visão de Goudard (2008, p.33):

O genitor alienado é tacitamente destituído de seu status de genitor. A


humilhação é pesada. Ser rejeitado e rebaixado permanentemente por seus
próprios filhos, enfraquece aos poucos a autoestima do genitor alienado ou
o coloca em uma situação de ira silenciosa. Ele chega a ter vergonha de
falar dos seus problemas.

Ela fala que o único vínculo que restaria entre os genitores alienados e
os filhos seria através da exploração financeira sobre o outro genitor (2008, p. 33):

É um único vínculo que perdura entre as crianças e o genitor alienado.


Como tal, ele toma um valor simbólico e as crianças tentam explorar o alvo,
tanto para feri-lo quanto provavelmente para transferir a necessidade do
genitor alienado com o dinheiro, sempre recusando todo contato.

3.3 Da criança alienada

A criança é a maior vítima e a mais prejudicada, com consequências


sérias para toda a vida. Calçada (2001) entende que as crianças não têm
capacidade de reconhecer as manipulações a que sofrem:

A capacidade ainda limitada de se defender, a dependência financeira e


emocional em relação aos pais e a restrita habilidade de avaliar e colocar-se
à parte da disputa entre os pais, torna a criança alvo facilmente
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manipulável. Como sabemos que os acontecimentos vivenciados na


infância são determinantes importantes de distúrbios de personalidade na
idade adulta.

No caso de dois ou mais filhos pode ocorrer de um deles pode ser


alienado e outro não ou de um ser mais alienado que o outro. Os autores sustentam
que a alienação na criança gera muitos distúrbios quando se tornam adolescente e
adultos, tais como depressão, suicídio, dependência às drogas dentre outras.

Todos os direitos relacionados à família descritos tanto na Constituição


Federal quanto no Estatuto da Criança e do Adolescente são violados.

A criança é o alvo fácil para a “vingança” do genitor alienador, é


manipulável e sensível. Através desse ensejo todo esse mal é absorvido pela
criança, e é onde se inicia a situação trágica. A criança começa a nutrir sentimentos
ruins com relação ao outro genitor, passa a tratá-lo mal, a evitá-lo, ofende-lo, dentre
muitas outras atitudes que denigre a vida e imagem do genitor alienado.
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4 ALIENAÇÃO PARENTAL - CONSEQUÊNCIAS

As consequências da alienação parental são muito graves, tanto para a


criança quanto para o genitor alienado.

4.1 Sequelas à Criança Alienada e ao Genitor alienado

Quando a síndrome já se encontra instalada na criança, ela pode ser


acometida por depressão, nervosismo excessivo seguido de agressividade, pode
apresentar ansiedade, distúrbios de sono e alimentação, etc. Depois quando chega
a fase adulta poder nutrir sentimento de arrependimento e culpa por ter participado
da campanha contra o outro genitor, mesmo que indiretamente. Poderá se
transformar em uma pessoa insegura e desconfiada, o que acarretará dificuldade de
relacionamento com outras pessoas.

Para Jorge Trindade (2008, p. 105106), a síndrome da alienação


parental produz sequelas graves:

[...] pode produzir sequelas que são capazes de perdurar para o resto da
vida, pois implica comportamentos abusivos contra a criança, instaura
vínculos patológicos, promove vivencias contraditórias da relação entre pai
e mãe e cria imagens distorcidas das figuras paterna e materna, gerando
um olhar destruidor e maligno sobre as relações amorosas em geral.

Dias (2010) também fala sobre as sequelas:

A criança é induzida a afastar-se de quem ama e que também a ama. Isso


gera contradição de sentimentos e destruição do vínculo entre ambos.
Restando órfão do genitor alienado, acaba identificando-se com o genitor
patológico, passando a aceitar como verdadeiro tudo que lhe é informado.
Neste jogo de manipulações, todas as armas são utilizadas, inclusive a
assertiva de ter havido abuso sexual. O filho é convencido da existência de
um fato e levado a repetir o que lhe é afirmado como tendo realmente
acontecido. Nem sempre consegue discernir que está sendo manipulado e
acaba acreditando naquilo que lhe foi dito de forma insistente e repetida.
Com o tempo, nem o genitor distingue mais a diferença entre verdade e
21

mentira. A sua verdade passa a ser verdade para o filho, que vive com
falsas personagens de uma falsa existência, implantando-se, assim, falsas
memórias.

Segundo FONSECA (2007)

Os efeitos desta síndrome podem se manifestar às perdas importantes –


morte de pais, familiares próximos, amigos, etc. Como decorrência, a
criança (ou o adulto) passa a revelar sintomas diversos: ora apresenta-se
como portadora de doenças psicossomáticas, ora mostra-se ansiosa,
deprimida, nervosa e, principalmente agressiva. Os relatos acerca das
consequências da síndrome de alienação parental abrangem ainda
depressão crônica, transtornos de identidade, comportamento hostil,
desorganização mental e às vezes, suicídio. É escusado dizer que, como
toda conduta inadequada, a tendência ao alcoolismo e ao uso de drogas
também é apontada como consequência da síndrome.

5 SÍNDROME DE ALIENAÇÃO PARENTAL NO PODER JUDICIÁRIO


22

Depois do advento da Lei 12.318/10 ficou mais fácil lidar com a


alienação parental, as pessoas ficaram mais atentas ao problema e as formas de
punição.

5.1 Dos Meios de Prova

Para o juiz constatar a ocorrência ou não da ato alienatório é muito


difícil, visto que é muito comum, em forma isolada, as situações que ocorrem na
alienação. A investigação deverá ser criteriosa e analisar tudo minuciosamente para
se chegar à conclusão de que realmente está ocorrendo a barbárie alienação
parental.

Necessário se faz a inclusão de diversos profissionais para que o laudo


possa ser completo, sendo eles psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais. O
trabalho conjunto desses profissionais poderá apresentar se ocorre realmente a
alienação, e se houver, apresentará o completo teor e gravidade em que se encontra
a patologia na criança.

Dias (2010) comenta sobre a importância de provas suficientes:

Ressalte-se que uma ação isolada não suscita prova suficiente que leve a
configurar a essência de uma campanha com o intuito de difamar um
ascendente da presença do filho. É preciso, portanto, a análise minuciosa
por parte do judiciário para inferir a existência ou não da Alienação Parental.

O artigo 5º e seus parágrafos dispõe sobre quais os meios periciais


para se confirmar as suspeitas:

Art. 5o Havendo indício da prática de ato de alienação parental, em ação


autônoma ou incidental, o juiz, se necessário, determinará perícia
psicológica ou biopsicossocial.
§ 1o O laudo pericial terá base em ampla avaliação psicológica ou
biopsicossocial, conforme o caso, compreendendo, inclusive, entrevista
pessoal com as partes, exame de documentos dos autos, histórico do
23

relacionamento do casal e da separação, cronologia de incidentes,


avaliação da personalidade dos envolvidos e exame da forma como a
criança ou adolescente se manifesta acerca de eventual acusação contra
genitor.
§ 2o A perícia será realizada por profissional ou equipe multidisciplinar
habilitados, exigido, em qualquer caso, aptidão comprovada por histórico
profissional ou acadêmico para diagnosticar atos de alienação parental.
§ 3o O perito ou equipe multidisciplinar designada para verificar a ocorrência
de alienação parental terá prazo de 90 (noventa) dias para apresentação do
laudo, prorrogável exclusivamente por autorização judicial baseada em
justificativa circunstanciada.

5.2 Meios Punitivos da Lei 12.318/10

O praticante da alienação parental fica sujeito às sanções encontradas


na lei 12.318/2010, que após o genitor alienado se dar conta do ato, procura a vara
da família, e rapidamente faz com que o juiz tome medidas de urgência ou então
cautelatória para se proteger e proteger o menor.
Para Dias (2010)

Flagrada a presença da alienação parental, mister a responsabilização do


alienador, pois este tipo de comportamento é uma forma de abuso pode
ensejar ou a reversão da guarda ou à destituição do poder familiar. Trata-se
de postura que põe em risco a saúde emocional do filho, porquanto
ocasiona severa crise de lealdade e enorme sentimento de culpa, o que
certamente irá afetar seu sadio desenvolvimento mental.

Caso constatado os atos típicos da alienação parental o art. 6 o e seus


incisos da lei em estudo, descreve as possíveis punições ao agente alienador:

Art. 6º Caracterizados atos típicos de alienação parental ou qualquer


conduta que dificulte a convivência de criança ou adolescente com genitor,
em ação autônoma ou incidental, o juiz poderá, cumulativamente ou não,
sem prejuízo da decorrente responsabilidade civil ou criminal e da ampla
utilização de instrumentos processuais aptos a inibir ou atenuar seus
efeitos, segundo a gravidade do caso:
I - declarar a ocorrência de alienação parental e advertir o alienador;
II - ampliar o regime de convivência familiar em favor do genitor alienado;
III - estipular multa ao alienador;
IV - determinar acompanhamento psicológico e/ou biopsicossocial;
V - determinar a alteração da guarda para guarda compartilhada ou sua
inversão;
VI - determinar a fixação cautelar do domicílio da criança ou adolescente;
24

VII - declarar a suspensão da autoridade parental.

Observa-se que a lei permite ao magistrado a aplicação concomitante


das punições elencadas no referido artigo

5.4 Relatos

Mendonça, em uma reportagem a revista Época relata um depoimento


de vítima de alienação parental:

Filha, seu pai não ama você” por Martha Mendonça.


Dos 8 aos 26 anos, a publicitária Rafaella Leme odiou o pai. O motivo não
havia. Mas isso ela só sabe hoje, aos 29. Quando fez 5 anos, seus pais se
separaram. A mãe tinha sua guarda e a do irmão mais novo. Rafaella ainda
tem a lembrança inicial de voltar feliz dos fins de semana com ele. Eram
passeios no Aterro do Flamengo, de bicicleta ou de skate. Mas, assim que
ele arrumou uma namorada, tudo mudou – a começar pelo discurso de sua
mãe. “Ela passou a dizer o tempo todo que ele não prestava, que era um
canalha e não gostava de verdade da gente. Era assim 24 horas por dia,
como um mantra”, afirma. Rafaella acreditou. Mais: tomou a opinião como
sua.
Quando Rafaella era adolescente, o pai mudou-se para o Recife, a trabalho.
Nas férias, ele insistia para que os filhos o visitassem. “Eu tinha nojo da
ideia. Só ligava para ele para pedir dinheiro, para mim era só para isso que
ele servia”, diz. Tudo piorou quando a mãe veio com a informação de que
ele estivera no Rio de Janeiro e não fora procurá-los. Durante dez anos,
Rafaella cortou relações com o pai. Por mais que a procurasse, ela preferia
não retornar. Até que ele parou de tentar. O laço já frágil que existia se
rompeu. Aos 26 anos, ela foi fazer terapia. No divã, percebeu que não tinha
motivo para não gostar do pai. Resolveu procurá-lo. “Foi uma libertação. Por
mais dedicada que minha mãe tenha sido, ela nos fez de fantoches, de
arma contra o ex-marido.” Com a aproximação do pai, foi a vez de a mãe
lhe virar as costas. Só um ano depois voltaram a se falar. Rafaella se
emociona todas as vezes que conta sua história. “Só quem passa por isso e
se dá conta sabe a tristeza que é”, afirma.
O relato de Rafaella é parecido com o de muitos filhos de pais separados –
com a diferença do desfecho. Nem todos chegam à revelação de que foram
vítimas da síndrome da alienação parental. O termo foi cunhado na década
de 80 pelo psicanalista americano Richard A. Gardner. Significa um distúrbio
mental causado pela campanha de difamação do genitor que tem a guarda
contra o outro. Mães, na maior parte dos casos, já que, no Brasil, elas
detêm a guarda das crianças em 95% dos casos de separação. Pode
acontecer de várias maneiras, de não passar telefonemas e suprimir
informações médicas e escolares a inventar motivos para que as crianças
não vejam o ex ou mudar de endereço sem avisar. O mais grave, no
entanto, é, como definiu o próprio Gardner, a “programação” para que a
criança passe a não gostar do genitor que não vive com ela, o que se dá por
palavras, atitudes silenciosas ou pela implantação de falsas memórias.
25

O número de casos de alienação parental no Brasil e a grita dos pais


chegaram a um nível tão alto que provocou o Projeto de Lei 4.053/2008, que
no último dia 15 foi aprovado pela Comissão de Seguridade Social da
Câmara dos Deputados. O projeto, de autoria do deputado Régis Oliveira
(PSC-SP), define e penaliza a alienação parental: o genitor que tentar
afastar o filho do ex pode perder a guarda e, se descumprir mandados
judiciais, pegar até dois anos de prisão. Há outros sinais de inquietação da
sociedade com o assunto. Desde abril está sendo apresentado por todo o
país o documentário A morte inventada. O filme, do cineasta carioca Alan
Minas, de 40 anos, revela o drama de pais e filhos que tiveram seu elo
rompido após a separação conjugal, além de apresentar a opinião de
especialistas. Jovens falam de forma contundente e emocionada sobre
como a alienação parental interferiu em sua formação. Pais dão testemunho
sobre a dor da distância. Diante do inferno em que se transformaram suas
vidas e da impotência diante disso, muitos desistiram – o que costuma ser o
pior desfecho. Minas diz que foi o tema que o “escolheu”. Há mais de um
ano ele foi afastado da filha, que hoje tem 10 anos. Sem entrar em detalhes,
ele conta que sofre com a alienação clássica: campanha de difamação junto
à criança, descumprimento da visitação e falsas acusações. “Como não
encontrei voz como pai e cidadão, resolvi fazer o filme”, afirma. As salas de
exibição têm estado cheias de pessoas com histórias parecidas. Nos
debates e nas palestras que acontecem depois da apresentação do
documentário, vítimas fazem questão de dar seu relato. A procura foi
tamanha que A morte inventada saiu em DVD no mês passado.

Na revista Isto É, Jordão também relata um outro caso de alienação


parental:

Famílias dilaceradas: Pai ou mãe que joga baixo para afastar o filho do
ex-cônjuge pode perder a guarda da criança por "alienação parental" por
Cláudia Jordão.
Fazia seis anos que Karla, de oito, não via o pai. Nem mesmo por foto. Sua
irmã mais nova, Daniela, nem sequer o conhecia. Quando seus pais se
separaram, ela ainda estava na barriga de sua mãe. Aquela noite de 1978,
portanto, era muito especial para as duas irmãs. Sócrates havia deixado o
Rio de Janeiro, onde morava, e desembarcado em São Luís do Maranhão,
onde elas viviam com a mãe, para tentar uma reaproximação. “Minha mãe
disse que nosso pai iria nos pegar para jantar”, conta Karla Mendes, hoje
com 38 anos. As garotas, animadas e ansiosas, tomaram banho, se
perfumaram e vestiram suas melhores roupas. “Acontece que meu pai
nunca chegou, ficamos lá, horas e horas, até meia-noite”, diz. Enquanto as
meninas tentavam superar a decepção, a mãe repetia sem parar: “Tá
vendo? O pai de vocês não presta! Ele não dá a mínima!”
Naquele dia, Karla viveu sua primeira grande frustração. Mas o maior baque
aconteceu 11 anos depois, quando recebeu uma ligação inesperada do pai,
que até então estava sumido. Karla começou a entender que sua mãe havia
armado contra todos naquela noite – e em outras incontáveis vezes. Ela
descobriu que o pai esteve mesmo em São Luís. Para ele, minha mãe
prometeu que iríamos à praia em sua companhia, mas sumiu com a gente
quando ele passou para nos pegar. Para nós, inventou o jantar”, conta
Karla. De tão desorientada com a descoberta, trancou a faculdade por um
ano para digerir a história. “O mais difícil foi descobrir que meu pai não era
um monstro”, diz Karla, que há 20 anos tem uma relação próxima com o pai,
mas não fala com a mãe desde que descobriu que ela manipula da mesma
forma seus dois outros filhos de outro casamento
26

A história de Karla e sua família é tão triste quanto antiga e corriqueira. Pais
e mães que mentem, caluniam e tramam com o objetivo de afastar o filho do
ex parceiro sempre existiram. A diferença é que, agora, há um termo que dá
nome a essa prática: alienação parental. Cunhada em 1985, nos Estados
Unidos, pelo psicanalista Richard Gardner, a expressão é comum nos
consultórios de psicologia e psiquiatria e, há quatro anos, começou a
aparecer em processos de disputa de guarda nos tribunais brasileiros.
Inspirados em decisões tomadas nos EUA, advogados e juízes começam a
usar o termo como argumento para regulamentar visitas e inverter guardas.
“Se comprovada a alienação, através de documentos ou testemunhos,
quem trama para afastar pai de filho está sujeito a sanções, como multa e
perda de guarda”, diz a psicóloga e advogada Alexandra Ullmann. São as
mesmas penalidades previstas no projeto de lei 4.053/2008 que tramita na
Câmara e pune mães, pais e demais familiares alienadores – também
sujeitos a processo criminal por abuso psicológico.
A alienação parental consiste em programar uma criança para que, depois
da separação, odeie um dos pais. Geralmente é praticada por quem possui
a guarda do filho. Para isso, a pessoa lança mão de artifícios baixos, como
dificultar o contato da criança com o ex parceiro, falar mal e contar mentiras.
Em casos extremos, mas não tão raros, a criança é estimulada pelo
guardião a acreditar que apanhou ou sofreu abuso sexual. “É a maneira
mais rápida e eficiente de afastar a criança do ex-cônjuge”, diz a
desembargadora aposentada Maria Berenice Dias, uma das maiores
especialistas no assunto. “Afinal, que juiz vai correr o risco de, na dúvida,
não interromper o contato da criança com o acusado?” Segundo ela, nesses
casos, testes psicológicos mostram que não houve crime em 30% das
vezes. A investigação é complexa e o processo lento por isso a criança
permanece anos afastada do pai, tempo suficiente para que os vínculos
sejam quebrados. “Quando há falsa acusação de abuso, a criança sofre
tanto quanto se tivesse sofrido a violência de fato”, afirma a psicóloga
Andreia Calçada, autora de livros sobre o tema.
O que motiva alguém a jogar baixo com o próprio filho? Na maioria dos
casos, a pessoa não se conforma com o fim do casamento ou não aceita
que o ex-cônjuge tenha outro parceiro. No Brasil, 90% dos filhos ficam com
a mãe quando o casal se separa. Por isso, a prática é muito mais comum
entre as mulheres. “Há diversos níveis de alienação, mas no afã de irritar o
ex-marido, as mães não têm noção do mal que fazem aos filhos”, diz
Andreia.
“O guardião altera a percepção da criança porque ela sente que o pai gosta
dela, mas a mãe só o critica, e isso pode desencadear crises de angústia,
ansiedade e depressão.” Além disso, a criança cresce em uma bolha de
mentiras, o que pode provocar desvios de caráter e conduta.
Crianças de até seis anos são mais suscetíveis a uma modalidade de
alienação chamada “implantação de falsas memórias”. É quando o pai ou a
mãe a manipula a ponto de acreditar que vivenciou algo que nunca ocorreu
de fato. Os dois filhos do consultor empresarial Nilton Lima, 45 anos, foram
estimulados pela mãe e pela avó materna a acreditar que haviam apanhado
do pai na infância. Nilton e a mãe dos rapazes se separaram após dez anos
de casamento. “Certo dia, meu filho mais velho me disse que eu já havia
batido nele”, diz Nilton, pai de Anderson, 22 anos, e Bruno, 16. “Fiquei
chocado”, diz. Com o tempo, os filhos perceberam a manipulação e ficaram
contra a mãe. Esse “efeito bumerangue” é comum quando as crianças
crescem e começam a entender o que ocorre ao redor delas. “Nesses
casos, os filhos se viram contra quem fez a cabeça deles”, diz a advogada
Sandra Vilela. Há quatro anos, depois de quase uma década de briga na
Justiça, Nilton conseguiu a inversão de guarda dos filhos. Para isso, foi
fundamental o desejo deles de ficar com o pai.
27

Mas nem sempre uma decisão judicial favorável é suficiente para remendar
laços partidos. Pai de uma adolescente de 15 anos e um garoto de dez, o
publicitário Paulo Martins, 45, se separou há cinco anos. E, desde então,
luta para ficar mais tempo com os filhos, que, sob influência da mãe, já
chegaram a ignorar suas ligações, recusar seus convites e mudam de
comportamento quando estão na presença dos dois. “Sempre que vou
deixar o meu filho em casa, ele muda comigo, percebo que ele não quer que
eu o abrace para que a mãe não veja”, conta Martins.
Em 2005, ele entrou com uma ação de regulamentação de visitas, na
tentativa de ampliar o tempo de convívio com os filhos. A decisão, favorável
a ele, saiu recentemente. Mas a filha mais velha de Martins ainda se recusa
a vê-lo. Em julho, Martins resolveu presenteá-la com uma festa de 15 anos,
o que deixou a adolescente super animada. Tudo quase pronto, a bomba: “A
mãe dela disse que só iria se a minha mulher não fosse”, conta ele. “Minha
filha pediu para eu não leva-la, mas não quis ceder.” A adolescente preferiu
abrir mão da festa e desde então não fala com o pai. Quando um
casamento chega ao fim, o ex casal precisa ter claro que a separação é
entre eles. Separar a criança do pai ou da mãe é puni-la por algo que ela
não tem culpa. “Não existe filho triste de pais separados, existe filho triste de
pais que brigam”, diz o advogado Rodrigo da Cunha Pereira.

5.5 Jurisprudências

Muitas são as jurisprudências que tratam a alienação parental e em


boa parte a decisão é favorável ao genitor alienado.

LFBS Nº 70017390972 2006/CÍVEL 1 ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL


PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA APELAÇÃO CÍVEL. MÃE
FALECIDA. GUARDA DISPUTADA PELO PAI E AVÓS MATERNOS.
SÍNDROME DE ALIENAÇÃO PARENTAL DESENCADEADA PELOS AVÓS.
DEFERIMENTO DA GUARDA AO PAI. 1. Não merece reparos a sentença
que, após o falecimento da mãe, deferiu a guarda da criança ao pai, que
demonstra reunir todas as condições necessárias para
proporcionar a filha um ambiente familiar com amor e limites, necessários
ao seu saudável crescimento. 2. A tentativa de invalidar a figura paterna,
geradora da síndrome de alienação parental, só milita em desfavor da
criança e pode ensejar, caso persista, suspensão das visitas ao avós, a ser
postulada em processo próprio. NEGARAM PROVIMENTO. UNÂNIME.
APELAÇÃO CÍVEL SÉTIMA CÂMARA CÍVEL Nº 70017390972 COMARCA
DE SANTA MARIA. DES. LUIZ FELIPE BRASIL SANTOS, Relator.

Casos de falsa denúncia de abuso sexual, implantação de falsas


memórias:
“APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO DE FAMÍLIA. ABUSO SEXUAL.
INEXISTÊNCIA. SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL
CONFIGURADA. GUARDA COMPARTILHADA. IMPOSSIBILIDADE.
GARANTIA DO BEM ESTAR DA CRIANÇA. MELHOR INTERESSE DO
28

MENOR SE SOBREPÕE AOS INTERESSES PARTICULARES DOS PAIS.


Pelo acervo probatório existente nos autos, resta inafastável a conclusão de
que o pai da menor deve exercer a guarda sobre ela, por deter melhores
condições sociais, psicológicas e econômicas a fim de lhe propiciar melhor
desenvolvimento. A insistência da genitora na acusação de abuso sexual
praticado pelo pai contra a criança, que justificaria a manutenção da guarda
com ela não procede, mormente pelo comportamento da infante nas
avaliações psicológicas e de assistência social, quando assumiu que seu
pai nada fez, sendo que apenas repete o que sua mãe manda dizer ao juiz,
sequer sabendo de fato o significado das palavras que repete. Típico caso
da Síndrome da Alienação Parental, na qual são implantadas falsas
memórias na mente da criança, ainda em desenvolvimento. Observância do
art. 227, CRFB/88. Respeito à reaproximação gradativa do pai com a filha.
Convivência sadia com o genitor, sendo esta direito da criança para o seu
regular crescimento. Mãe que vive ou viveu de prostituição e se recusa a
manter a criança em educação de ensino paga integralmente pelo pai,
permanecendo ela sem orientação intelectual e sujeita a perigo decorrente
de visitas masculinas à sua casa. Criança que apresenta conduta
antissocial e incapacidade da mãe em lhe impor limites. Convivência com a
mãe que se demonstra nociva a saúde da criança. Sentença que não
observou a ausência de requisito para o deferimento da guarda
compartilhada, que é uma relação harmoniosa entre os pais da criança, não
podendo ser aplicado ao presente caso tal tipo de guarda, posto que é
patente que os genitores não possuem relação pacífica para que
compartilhem conjuntamente da guarda da menor. Precedentes do TJ/RJ.
Bem estar e melhor interesse da criança, constitucionalmente protegido,
deve ser atendido. Reforma da sentença. Provimento do primeiro recurso
para conferir ao pai da menor a guarda unilateral, permitindo que a criança
fique com a mãe nos finais de semana. Desprovimento do segundo
recurso”. (0011739-63.2004.8.19.0021 2009.001.01309 - APELACAO - 1ª
Ementa DES. TERESA CASTRO NEVES - Julgamento: 24/03/2009 -
QUINTA CAMARA CIVEL).
“APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO CAUTELAR DE SUSPENSÃO DO DIREITO DE
VISITAÇÃO COM PEDIDO LIMINAR. ALEGAÇÃO DE INDÍCIOS DE
ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR PRATICADO PELO RÉU À FILHA
MENOR, DURANTE VISITAÇÕES FIXADAS JUDICIALMENTE.
DEFERIMENTO DA LIMINAR SUSPENDENDO AS VISITAS DO RÉU À
FILHA. SENTENÇA QUE JULGOU IMPROCEDENTE A AÇÃO,
DETERMINANDO O RETORNO DAS VISITAS PATERNAS DE FORMA
GRADUAL. APELO DA GENITORA (AUTORA) ALEGANDO QUE AS
PROFISSIONAIS INDICADAS PARA ACOMPANHAR AS VISITAS DO RÉU
À FILHA NÃO PRESTAM TAL TIPO DE SERVIÇO E QUE, APESAR DE
NÃO TER SIDO COMPROVADO O ABUSO SEXUAL PELO GENITOR,
MOSTRA-SE PRUDENTE A MAJORAÇÃO, DE 3 MESES PARA 6 MESES,
PARA CADA ETAPA DETERMINADA NA SENTENÇA, EM FACE DO
DISTANCIAMENTO E DA RESISTÊNCIA DA FILHA AO PAI. Após
detalhada instrução probatória, as provas produzidas nestes autos,
acrescidas da conclusão da ação penal movida contra o ora apelado, onde
a denúncia foi rejeitada por ausência de justa causa, correta mostra-se a
sentença, ao concluir que não foi comprovada a prática imputada ao genitor,
julgando improcedente o pedido exordial, determinando a retomada da
visitação liminarmente suspensa, de forma gradual. Não se mostra
necessário passar cada fase da retomada da visitação originária para um
intervalo de seis meses, visto que, além das fotografias constantes dos
autos não evidenciarem o alegado sofrimento da menor quando em convívio
com o pai/apelado, diante do prolongado tempo de suspensão das visitas
paternas, em prol do melhor interesse da criança, não deve o magistrado
postergar a retomada de tal convívio, mas apenas determinar medidas de
29

facilitação da reaproximação com segurança do pai com a filha, para o que,


mostra-se pertinente que ambos os genitores se submetam a
acompanhamento psicológico, em tal período delicado, o que foi aceito por
eles, conforme consignado no estudo psicológico. Para facilitar o
entendimento dos genitores sobre a necessidade de garantirem a
manutenção do convívio de ambos com os filhos, após a separação
conjugal, evitando-se os sérios problemas causados pela alienação
parental, o acompanhamento de profissional de psicologia afigura-se uma
medida de proteção da criança e do adolescente. Deve ser reformada
parcialmente a sentença, para determinar que as partes se submetam a tal
acompanhamento psicológico, bem como para determinar que a genitora
(apelante), no caso de não ser possível o acompanhamento da menor, no
período estabelecido na sentença, pelas profissionais elencadas na
sentença, indique pessoa de sua confiança, de forma a não inviabilizar ou
retardar o cumprimento da sentença. Provimento parcial do recurso”.
(Apelação Cível N° 0013910-50.2004.8.19.0002, Décima Primeira Câmara
Cível, Tribunal de Justiça do RJ - 1ª Ementa, DES. CLAUDIO DE MELLO
TAVARES - Julgamento: 07/07/2010).

MEDIDA CAUTELAR DE BUSCA E APREENSÃO - MENOR IMPÚBERE -


ALEGAÇÃO DE SUSPOSTO ABUSO SEXUAL INDEFERIMENTO DO
PEDIDO LIMINAR - INCONFORMISMO AGRAVO DE INSTRUMENTO
INTERPOSTO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO - RAZÕES FÁTICAS
FUNDADAS NA ESTEIRA DE UMA LAUDO PRODUZIDO PELO
PSICOLOGO QUE PRESTA SERVIÇOS AO CONSELHO TUTELAR -
AUSÊNCIA DE PROVAS CONCLUSIVAS E VALORATIVAS - MENOR QUE
ESTÁ SENDO CRIADA PELO GENITOR PATERNO - INEXISTÊNCIA DE
SUPORTE PROBATÓRIO PARA A CONCESSÃO DO PEDIDO DE BUSCA
E APREENSÃO - RECURSO QUE SE NEGA SEGUIMENTO A TEOR DO
ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DECISÃO
INTERLOCUTÓRIA CONFIRMADA. Cabe ressaltar, nesse momento, que
consta dos autos a entrevista realizada pelo psicólogo do Conselho Tutelar
que, em tese, comprovaria a existência de um suposto abuso sexual. No
entanto, tal prova não é corroborada por nenhuma outra, não sendo, assim,
possível verificar se houve inexoravelmente a chamada "síndrome de
alienação parental" na qual um dos genitores imputa falsamente ao outro
uma conduta desonrosa, o que leva a criança a acreditar na veracidade dos
fatos imputados. Dessa forma, a decisão recorrida, ao indeferir o pedido de
busca e apreensão da menor, perfilhou-se na melhor solução diante da
delicadeza da presente situação em tela. Compulsando os autos, verifica-se
que a criança está sendo criada pelo pai, razão pela qual o afastamento,
mesmo que provisório, sem respaldo probatório mínimo, pode ser prejudicial
à menor, principalmente porque essa medida só deve ser deferida se houver
efetiva demonstração de risco, não bastando, portanto, uma simples
alegação.” (0001100-10.2008.8.19.0000 / 2008.002.13084 - AGRAVO DE
INSTRUMENTO - 1ª Ementa - DES. MARCUS TULLIUS ALVES -
Julgamento: 14/10/2008 - DECIMA NONA CAMARA CIVEL)
30

CONCLUSÃO

A prática da alienação parental além de interferir no direito fundamental


da criança em ter uma vida saudável e uma convivência familiar adequada, pois os
transtornos causados à criança são muito graves, que vão desde um descontrole
emocional a uma depressão, também prejudica o genitor alienado na sua
convivência com o filho, perdendo partes importantes de seu crescimento, como ver
o filho aprender a andar de bicicleta, entre outras coisas que são importantes,
principalmente aos pais que não tem contato diário com os filhos. Sem contar a
rejeição afetiva, as ofensas proferidas pelo filho alienado e muitas vezes até ser
acusado de crimes que não cometeram contra a criança.

O genitor alienador atuando dessa forma faz com que, tanto a criança
quanto o genitor alienado no decorrer de suas vidas, sofram. Para a criança alienada
também pode acarretar um receio no convívio social com a humanidade, pois
quando ela se dá conta do ocorrido passa a não confiar em mais ninguém, pois a
pessoa em que ela mais confiava a enganou. O genitor alienador age
inconsequentemente causando uma destruição generalizada da vida dos envolvidos.

A alienação parental gera muitos prejuízos morais a vida dos


envolvidos e necessário se faz a sua rápida identificação, para procurar os meios
punitivos para o alienador e rápido tratamento para que a patologia possa ser
revertida antes que cause danos permanentes ou até mesmo prejuízos irreversíveis
e assim restabelecer os vínculos familiares do genitor alienado e da criança.

Antes do advento da Lei 12318/10 era muito complicado para o


judiciário identificar e julgar casos de alienação parental, hoje em dia com a
legislação específica fica muito mais fácil diagnosticar, punir e tratar todos os
envolvidos.
31

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1- AGUILAR, José Manoel. Comparação dos sintomas de alienação


parental com os sintomas de abuso sexual, 2008. Disponível em:
http://www.apase.org.br/94009-comparacao.htm
32

2-AZAMBUJA, Maria Regina Fay de. Síndrome de Alienação Parental.


Curso de Atualização para Magistrados – Direito Civil. Apostila da Escola Superior
de Magistratura. 2007.

3- BRASIL, Lei 12.318, de 26 de agosto de 2010, Lei que dispõe sobre


a alienação parental. Legislação Federal. Vade Mecum, Editora Revista dos
Tribunais 2011, p. 1760-1761.

4- CALÇADA, Andreia. Falsas acusações de abuso sexual e a


implantação de falsas memórias. 1 ed. São Paulo: Editora Equilíbrio, 2008.

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Paulista (UNIP), Brasília, 2008. Disponível em:
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