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Há mais de 400 anos que a Árvore de Natal é um dos mais populares símbolos

natalinos. Sua história, porém, remonta ao oitavo século d.C.

Os antigos germânicos, antes de serem cristianizados, acreditavam que o


mundo e todos os astros estavam sustentados nos ramos de uma grande árvore
chamada por eles de o “divino Idrasil” ou o “deus Odim”, a quem rendiam culto a
cada ano, no período do solstício de inverno (em dezembro), época em que
supunham que a vida na Terra era renovada. A celebração desse dia consistia
em adornar uma grande árvore com tochas que representavam as estrelas, a lua
e o sol. Em torno dessa árvore, eles cantavam e dançavam adorando ao deus
pagão Odim e a seu filho Thor. Porém, no oitavo século, o missionário católico
Bonifácio construiu uma capela que viria a ser a primeira sede do bispado
católico na Alemanha.

Foi Bonifácio quem ensinou aos pagãos germânicos a verdadeira origem do


mundo segundo a Bíblia. Ele ensinou-lhes também a criação de Adão e Eva, a
Queda do homem, e Jesus, o Filho de Deus que veio morrer para expiação dos
nossos pecados. Então, após derrubar o antigo carvalho, o missionário católico
resolveu plantar no mesmo lugar um pinheiro e o adornou com maçãs e velas,
dando-lhe um simbolismo cristão. Assim, maçãs representavam as tentações, o
pecado original, uma referência à árvore do Jardim do Éden; e as velas
representavam Cristo, a luz do mundo. O pinheiro adornado passou a ser
chamado por eles de “Árvore do Paraíso”.

Assim, do século 8 ao século 16, para os cristãos germânicos medievais, a data


de 24 de dezembro, além de ser véspera de Natal, era também o dia da festa
religiosa de Adão e Eva, que rememorava a criação do primeiro homem e da
primeira mulher por Deus. E nessa festa, a peça usada para celebrar a data nas
casas era justamente uma árvore de pinheiro com maçãs penduradas, para
representar a “Árvore do Paraíso” no Jardim do Éden. Inclusive, com o passar
dos anos, os católicos alemães que ainda tinham essa prática passaram a
enfeitar ainda mais essas árvores para a festa. Passaram, por exemplo, a
pendurar nelas também bolinhos delgados, simbolizando a hóstia, para lembrar
a redenção do homem por meio do sacrifício de Cristo.

O detalhe é que, como o Natal era celebrado no dia seguinte à Festa de Adão e
Eva, as casas costumavam usar, durante as comemorações das duas datas,
além da “Árvore do Paraíso”, uma peça de madeira, geralmente de formato
piramidal e cheia de prateleiras, para pendurar figuras de Natal decoradas com
sempre-verdes e velas. Uma dessas figuras era uma estrela representando
aquela que guiou os magos do Oriente a Cristo em Belém (Mt 2.1,2,9-12).

Então, quando chega o século 16, nasce na Alemanha, de fato, a Árvore de


Natal, como uma “fusão” das duas peças: a “Árvore do Paraíso” de Bonifácio e
a o móvel natalino de madeira para pendurar figuras de Natal. A tradição alemã
aponta para o reformador Martinho Lutero como o grande catalisador dessa
fusão. Lutero teria sido o primeiro a usar o pinheiro como peça natalina. Conta-
se que, em uma noite de inverno no mês de dezembro, no século 16, Lutero teria
olhado para o céu através de alguns pinheiros que cercavam a trilha no meio da
neve e visto o firmamento intensamente estrelado, parecendo-lhe um colar de
diamantes encimando a copa das árvores. Tomado pela beleza daquilo, ele
arrancou um pequeno pinheiro e o levou para casa. Lá chegando, colocou o
pequeno pinheiro num vaso com terra e, chamando a esposa e os filhos,
decorou-o não apenas com pequenas velas acesas afincadas nas pontas dos
ramos, mas também com papeis coloridos para enfeitá-lo ainda mais. A partir
daquele momento, o pinheiro passou a ser usado como símbolo do Natal em sua
casa e, posteriormente, também na de outras famílias, que gostaram da ideia,
fazendo nascer, de fato, o que hoje conhecemos como Árvore de Natal.

Segundo a tradição alemã, Lutero queria mostrar às crianças, por meio dessa
árvore enfeitada, “como deveria ser o céu na noite do nascimento de Cristo”. Os
católicos convertidos ao protestantismo, e que antes usavam a “Árvore da Vida”
de Bonifácio, substituíram os bolinhos, que representavam as hóstias, por
biscoitos de formatos os mais variados. Com o passar dos séculos, a tradição da
Árvore de Natal foi se espalhando pela Europa e os Estados Unidos por meio da
imigração, chegando à América Latina, e ao Brasil, no século 19. E de lá para
cá, algumas mudanças também aconteceram, com as maçãs sendo trocadas
por bolas artificiais e as velas, com o surgimento da luz elétrica, por luzes
artificiais.

Apesar da origem cristã da Árvore de Natal, muitos cristãos de hoje preferem


não usá-la em suas casas, por temerem estar, de alguma forma, mesmo que
indiretamente, se assemelhando aos povos pagãos do passado (como os
pagãos germânicos), que usavam árvores sagradas para celebrar o solstício de
dezembro. Outros cristãos, porém, não se importam em usá-las particularmente
em suas casas, já que as árvores de Natal, desde sua origem no século 16, não
têm e nunca tiveram o mesmo significado das árvores sagradas pagãs, pois
nunca foram objetos de adoração ou sequer veneração, mas apenas um enfeite
natalino com simbolismos cristãos cuja origem remonta aos primeiros cristãos
alemães no século 8 e aos primeiros protestantes alemães no século 16. Seja
como for, essa é uma questão de consciência, para o qual podemos aplicar o
princípio de Romanos 14: Se algum irmão vê a Árvore de Natal de uma forma
diferente do seu real significado, é melhor não usá-la, por questão de
consciência. Além do mais, não convém usar árvores de Natal em templos, por
duas razões: primeiro, em respeito à consciência dos irmãos que não a vêm
como algo aceitável; e segundo, porque não se trata de uma ordenança bíblica,
mas apenas de uma tradição posterior de origem cristã.

Agora, independente de se gostar ou não de Árvore de Natal, fato é que Natal


não é Papai Noel, nem meros enfeites de Natal, como os do famoso pinheiro
natalino alemão, mas é a celebração do nascimento de Cristo, o Verbo
encarnado, que se fez homem para morrer em nosso lugar, para remissão de
nossos pecados e nossa completa Salvação. A Ele a Glória, hoje e sempre.