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ANARQUISMO

E REVOLUÇÃO NEGRA
Novembro de 2015
ANARQUISMO
E REVOLUÇÃO NEGRA
e Outros Textos do Anarquismo Negro

Tr a d u ç ã o e N o t a s
Mariana Correâ dos Santos
(Coletivo Das Lutas)

Revisão
M. Ponciano

Sunguilar
Nota de Lorenzo Kom’boa Ervin à Edição brasileira 7

Mate o branco que existe em você!


Sobre anarquismo, eurocentrismo e supremacia branca 9

Dedicatória para a segunda edição de Anarquismo e Revolução Negra 1

Capítulo 1 - Uma Análise da Supremacia Branca 15


Como os Capitalistas Usam o Racismo 15
Raça e Classe: o Caráter Combinado da Opressão da População
Negra 18
Então, que tipo de Grupo AntiRRacista é necessário? 20
O Mito do “Racismo Reverso” 23
Esmagar a Direita! 27
Derrotar a supremacia branca! 34

Capítulo 2 - Onde está a luta Negra e para onde deveria estar indo? 4
Um Chamado para um Novo Movimento Negro de Protesto 44
Qual forma esse movimento tomará? 46
Estratégia e Tática Revolucionária 50
Um Boicote Negro aos Impostos 51
Uma Greve Nacional sobre Aluguéis e Ocupações Urbanas 52
Um Boicote dos Negócios Americanos 54
Uma Greve Geral Negra 56
A Comuna: O Controle Comunitário da Comunidade Negra 59
Construindo um programa de sobrevivência Negra 66
A Necessidade de uma Federação dos Trabalhadores Negros 72
O Desemprego e a Falta de Moradia 81
Crimes Contra o Povo 87
A Epidemia de Drogas: Uma Nova Forma de Genocídio Negro? 9
Intercomunalismo Africano 100
Tipos de Anarquistas 125
Pensamento Anarquista Versus Marxista- Leninista sobre a
Organização da Sociedade 130
Princípios Gerais do Anarco-Comunismo 140
Capitalismo, Estado e a Propriedade Privada 142
Anarquismo, Violência e Autoridade 146
Anarquistas e Organização Revolucionária 152
Por Que Eu Sou Um Anarquista? 159
O que Eu Acredito 167

Uma Breve Biografia de Lorenzo Kom’boa Ervin 171

Anexo: Anarquismo Negro, Ashanti Alston 175


À EDIÇÃO BRASILERA

As condições dos descendentes de africanos escraviz


dos e daqueles que sofreram sob o sistema colonial europe
é algo que tem sido ignorado pelos movimentos anarquist
majoritariamente brancos. Isto é um erro tanto estratégic
quanto político, que condenou o movimento anarquista
ser um projeto das classes média e alta branca. Felizment
os povos não-brancos autônomos que são simpáticas a
anarquismo tem falado e exigem serem ouvidos. Áfric
Ásia e América Latina têm visto as pessoas não-branc
oprimidas saírem de seus “lugares” e exigirem autonomi
Autonomia Negra.
Este livro foi escrito enquanto eu estava na prisão, nu
momento em que havia poucas vozes pretas na tendênc
anarquista. O porto riquenho negro e anarquista, Mart
Sostre, que me levantou logo após a CIA e o FBI me capt
rar na Alemanha (para onde eu tinha fugido), em seguid
preso em Nova York em 1969, antes de me extraditare
alguns meses depois para a Geórgia . Ele me ensinou sob
os princípios do anarquismo revolucionário e me disse qu
havia um enorme potencial para a luta negra nos EUA, Áfri
e outros lugares onde as pessoas negras estavam sendo opr
midas.
Eu a transmiti a todos os leitores neste período a tom
este texto como uma arma escrita, e uma ferramenta d
organização para estender o Anarquismo além dos radica
Tradução: Matheus Dias
Sobre anarquismo, eurocentrismo
e supremacia branca

O purismo é uma espécie de enfermidade que há mui


consome, estanca e limita o potencial revolucionário d
ideologia libertária. O anarquismo, entendido aqui como
conjunto de métodos forjados historicamente pelas lut
libertação e sonhos de emancipação das pessoas oprimid
ao redor do mundo, segue sendo derrotado internamen
por uma hegemonia branca e eurocêntrica, que ainda pr
domina sobre o que convencionamos a chamar de “me
libertário”.
Em detrimento de algum acumulo, ainda que probl
mático, sobre as questões de gênero e sexualidade, a que
tão racial segue sendo relegada, quando muito, tratad
através de um discurso antirracista genérico e descolado d
realidade. Supremacia branca, Estado e Capital conforma
o tripé da dominação que se perpetua há mais de 500 an
nestas terras encharcadas de sangue que eles chamaram d
Brasil. O estupro, o linchamento e o genocídio dos pov
originais e do povo negro são elementos estruturantes d
nossa realidade histórica.
Por tudo isso, e tantas outras questões impossíveis d
serem tratadas nessa breve apresentação, resolvemos empr
ender o esforço de traduzir e publicar o presente livro. Um
obra que contem não apenas um conjunto pertinente d
reflexões, mas que se desdobra em um programa, em u
e negros no nosso continentes, ou aponta com precisão c
minhos, nem por isso nos é menos útil para a transformaçã
da nossa realidade. Podemos afirmar, sem receio, que pa
muito além de um manual de instruções ou vulgata ideol
gica o livro é fonte de inspiração. Ele é vigoroso naquilo qu
há de mais fundamental em um clássico, ele vence o temp
pela sinceridade e força da mensagem, e chega ao Bra
para alargar a estreita margem que inibe e amesquinha
crescimento do pensamento anarquista em toda a parte.

Coletivo Editorial Sunguila


ANARQUISMO
E REVOLUÇÃO NEGRA
e Outros Textos do Anarquismo Negro

Lorenzo Kom’boa Ervin


DE ANARQUISMO E A REVOLUÇÃO NEGRA

Dedico esta segunda edição do “Anarquismo e Rev


lução Negra” à camarada Ginger Katz, uma das fundador
da Cruz Negra Anarquista1 Norte-Americana original, h
quase 15 anos. Foi Ginger Katz que praticamente sozinh
organizou a composição, edição e impressão da primeira ed
ção, e então ela saiu e vendeu-os aos milhares. Sem el
esta segunda edição não teria sido possível.
Ela teve que lutar para conseguir os livros publicado
e para obter uma audiência para mim e para outros Ana
quistas Negros2, que tinham coisas a dizer sobre a direçã
do movimento. Os “Anarquistas puristas”, que queriam ma
ter o movimento todo branco e individualista, como um f
nômeno contracultural, lutaram contra ela com unhas
dentes. Algumas destas críticas e conflitos foram um sofi
ticado e velado racismo, e estou certo de que eles frustr
ram e exauriram a camarada Ginger. Se assim foi mesm
ela nunca repassou para mim, mas eu ouvi de outras fonte
Lembro-me de minhas relações com os Anarquistas no m
vimento durante a década de 1970, que negavam a exi
tência do racismo como algo contra o qual devêssemos lut

1
Grupo de apoio anarquista, que fornece literatura política em prisõe
organiza ajuda material e legal para prisioneiros ao redor do mund
(n.e.)
2
A tradução seguiu o autor no original onde ele se refere a determ
nadas palavras com a letra maiúscula (n.e.)
era usado para dividir a classe trabalhadora, e para cont
nuar a ditadura do Capitalismo através de táticas como
de “dividir para governar”.
Eu ainda tenho algumas das cartas que Ginger me e
creveu há 15 anos atrás, quando eu estava na prisão. M
perdi contato com ela desde o início da década de 1980. E
1983, fui libertado da prisão, e me afastei dos moviment
Anarquistas e movimentos prisionais, então eu não sei ond
ela está. Mas onde quer que esteja, espero que ela saiba
quanto eu aprecio o que ela fez para tornar este projeto um
realidade, e como ela lançou as sementes para o cresc
mento do Movimento Socialista Libertário presente e futu
deste continente, e espero que de todo o mundo. Tenh
esperança de que um dia possa encontrá-la, talvez quand
eu estiver em uma turnê nacional deste ou de outros livr
que escrevi, e simplesmente agradecer-lhe por ter me aj
dado, quando eu não podia me ajudar. Para esta camarad
darei o meu amor e respeito sempre. Obrigado.

Lorenzo Kom’boa Erv


Setembro 199
U MA A NÁLISE DA S UPREMACIA B RANCA

Este panfleto irá discutir brevemente a natureza d


Anarquismo e sua relevância para o Movimento Negro d
Libertação. Porque tem havido tantas mentiras e distorçõ
sobre o que realmente significa Anarquismo, tanto por se
adversários ideológicos de esquerda, quanto de direita, qu
será necessário discutir os muitos mitos popularizados sob
o assunto. Isso por si só merece um livro, mas não é a inten
ção deste folheto, que é apenas para apresentar ao mov
mento Negro os ideais Anarquistas revolucionários. Cabe
ao leitor determinar se essas novas ideias são válidas
dignas de adoção.

Como os Capitalistas usam o Racismo

O destino da classe trabalhadora branca sempre f


ligado à condição dos trabalhadores Negros. Retrocedend
até o período colonial americano, quando o trabalho Neg
foi importado pela primeira vez para a América, escrav
Negros e servos por contrato3 foram oprimidos juntos co
os brancos das classes mais baixas. Mas, quando os serv

3
A servidão por contrato caracterizava-se enquanto forma de tute
assumida pelo trabalhador ao receber do seu tutor/senhor os recurs
para atravessar o Atlântico, desde o Velho Mundo, e se radicar e
alguma parte das 13 colônias inglesas na América do Norte. Gera
mente o tempo de servidão não excedia o limite de 6 anos. (n.e.)
como brancos e, portanto, uma participação no sistema d
opressão.
Incentivos materiais, bem como o status social entã
recentemente elevado, foram utilizados para garantir a
delidade dessas classes mais baixas. Esta invenção da “raç
branca” e a escravidão racial dos Africanos serviram com
uma luva, e foi a forma como as classes superiores mant
veram a ordem durante o período da escravidão. Até mesm
os brancos pobres tinham aspirações de fazer melhor, desd
que a sua mobilidade social fosse assegurada pelo nov
sistema. Esta mobilidade social, no entanto, foi conseguid
à custa dos escravos africanos, que eram superexplorado
Mas a corda foi apertada para os dois lados, explor
ram-se os Africanos, mas também se aprisionou o trabalh
branco. Quando estes procuraram organizar sindicatos o
lutar por salários mais altos no Norte ou Sul, foram rech
çados pelos ricos, que usavam o trabalho Negro escravizad
como seu principal modo de produção. O chamado trabalh
“livre” do trabalhador branco não tinha a menor chance
Embora os Capitalistas utilizassem o sistema de priv
légios da pele branca com grande eficácia para dividir
classe trabalhadora, a verdade é que os Capitalistas
favoreceram os trabalhadores brancos para usá-los contra
próprios interesses destes, não porque existia uma verdadei
unidade da classe “branca”. Os Capitalistas não queria
trabalhadores brancos unidos com Negros contra seu dom
nio e o sistema de exploração do trabalho. A invenção d
“raça branca” era uma farsa para facilitar essa exploraçã
Os trabalhadores brancos foram subornados para permitir
sua própria escravidão assalariada e a super-exploração d
A subjugação contínua das massas depende da com
petição e desunião interna. Enquanto existir discriminaçã
e as minorias raciais ou étnicas forem oprimidas, toda
classe trabalhadora será oprimida e enfraquecida. Isto se d
porque a classe Capitalista é capaz de usar o racismo pa
fazer baixar os salários de segmentos específicos da clas
trabalhadora, incitando o antagonismo racial e forçand
uma disputa por empregos e serviços. Esta divisão é u
desdobramento que, em última análise, enfraquece os p
drões de vida de todos os trabalhadores. Além disso, inst
gando brancos contra Negros e outras nacionalidades opr
midas, a classe Capitalista é capaz de impedir que os trab
lhadores se unam contra o inimigo de classe comum. En
quanto os trabalhadores estão lutando entre si, a domin
ção de classe Capitalista está segura.
Se uma resistência eficaz precisa ser montada contra
atual ofensiva racista da classe Capitalista, a máxima solid
riedade entre os trabalhadores de todas as raças é essencia
A maneira de derrotar a estratégia Capitalista é fazend
com que os trabalhadores brancos defendam os direit
democráticos conquistados pelos Negros e outros pov
oprimidos, depois de décadas de duros confrontos, lutand
para desmantelar o sistema de privilégios da pele branca. O
trabalhadores brancos devem apoiar e adotar as demand
concretas do movimento Negro, e devem trabalhar pa
abolir a identidade branca inteiramente. Estes trabalh
dores brancos devem lutar pela unidade multicultural, e d
vem trabalhar com ativistas Negros para construir um mov
mento antirracista para desafiar a supremacia branca. N
entanto, também é muito importante reconhecer o direi
Raça e Classe: o Caráter Combinado
da Opressão da População Negra

Devido à maneira como esta nação4 se desenvolve


através da exploração do trabalho Africano e com a man
tenção de uma colônia interna, Negros e outros povos nã
brancos são oprimidos duplamente: tanto como membros d
classe trabalhadora quanto como uma nacionalidade racia
Como Africanos na América, eles são um povo distint
perseguido e segregado na sociedade norte-americana. A
lutar por seus direitos humanos e civis, acabaram por entr
em confronto com todo o sistema Capitalista, não apen
contra indivíduos racistas nas várias regiões do país. A ve
dade logo se tornou evidente: os Negros não podem obter
sua liberdade sob este sistema, porque, com base na con
corrência historicamente desigual, a exploração Capitalis
é inerentemente racista.
Nesta conjuntura, o movimento pode ir na direção d
mudança social revolucionária, ou limitar-se a conquist
reformas e direitos democráticos dentro da estrutura d
Capitalismo. Há potencial para ambos. Na verdade, a fr
queza do movimento dos direitos civis de 19605 foi que e

4
Ele se refere aos Estados Unidos da América. (n.e.)
5
O Movimento dos Direitos Civis de 1960 nos Estados Unidos
América consistia em adquirir reformas na constituição nort
americana, visando os direitos iguais, a abolição da discriminação e
segregação racial no país, direitos esses que foram garantidos em
após a abolição da escravatura, mas que não foram efetivamen
aplicados, e constantemente desrespeitados pela Ku Klux Klan. (n.e
líderes do movimento é uma lição abjeta sobre o porquê d
novo movimento ter que ser autoativado e não dependen
de personalidades e políticos.
Mas se esse movimento realmente se transformar e
um movimento social revolucionário, ele deve finalmen
unir forças com movimentos similares, como Gays, Mulh
res, trabalhadores radicais e outros que estão em revol
contra o sistema. Por exemplo, na década de 1960, o Mov
mento Negro de Libertação funcionou como um catalisad
para difundir ideias e imagens revolucionárias, que deu
luz aos vários movimentos de oposição que vemos hoje. Is
é o que nós acreditamos que acontecerá de novo, embo
não seja o suficiente para chamar de maneira insensata p
“unidade”, tanto quanto a esquerda branca faz.
Devido à dupla forma de opressão dos trabalhador
não brancos e da profundidade do desespero social criad
os trabalhadores Negros irão atacar primeiro, estejam se
aliados potenciais disponíveis para fazê-lo ou não. Esta é
autodeterminação e por isso é necessário que os trabalh
dores oprimidos construírem movimentos independent
para unir o seu próprio povo em primeiro lugar. Por isso,
absolutamente necessário que os trabalhadores branc
defendam os direitos e conquistas democráticas dos trab
lhadores não brancos. Esta atividade autônoma das mass
oprimidas (como o Movimento Negro de Libertação) é in
trinsecamente revolucionária, e é uma parte essencial d
processo revolucionário social de toda a classe trabalhador
Estas não são questões marginais; não podem ser rebaixad
ou ignoradas pelos trabalhadores brancos que pretende
um triunfo revolucionário. É preciso que se reconheça com
libertação. As vítimas de racismo sabem melhor como lut
contra isso.

Então, que tipo de Grupo AntiRRacista


é necessário?

O Movimento Negro precisa de aliados em sua batalh


contra a classe Capitalista racista – não o habitual apo
liberal ou “pseudorradical”, mas o apoio genuíno e solidár
da classe operária revolucionária, também chamado d
“ajuda mútua” pelos Anarquistas. A base de tal unidad
porém, deve ter princípios e fundamentos nos interesses d
classe, em vez de em sentimento liberal de culpa ou de est
fazendo uma “boa ação” ou oportunismo e manipulação p
partidos políticos liberais ou radicais. As necessidades d
povo oprimido devem ser o mais importante, mas eles qu
rem apoio genuíno, não falsidade ou retórica esquerdista
O movimento Anarquista, que é predominantemen
branco, deve começar a entender que precisa fazer o trab
lho de propaganda entre os Negros e outras comunidad
oprimidas e que eles precisam tornar possível aos Anarqui
tas não brancos se organizarem em suas comunidades, pr
porcionando-lhes recursos técnicos (a impressão de zine
vídeos e produção de CD, etc.) e ajudar com recursos fina
ceiros.
Uma das razões porque existem tão poucos Anarqui
tas Negros é porque o movimento não fornece meios pa
alcançar as pessoas de cor, conquistá-las para o Anarquism
– e ajudá-las a se organizar. Isso tem que mudar se querem
que a revolução social ocorra nos Estados Unidos, e se qu
zação de massa , esforçando-se para unir os trabalhador
em uma luta de classes comum, mas deve ser capaz de r
conhecer o dever de apoiar e adotar as exigências especia
dos Negros e outros povos não brancos como sendo de tod
a classe trabalhadora. Deve desafiar a supremacia branc
diariamente, deve refutar a propaganda e a filosofia racist
e deve conter a mobilização e os ataques racistas, com aut
defesa armada e luta de rua, quando necessário. O objetiv
de tal movimento de massa é ganhar a classe trabalhado
branca para uma posição de antissupremacia branca e d
consciência de classe; para unir toda a classe trabalhador
e confrontar diretamente e derrubar o Estado Capitalista
seus governantes. A cooperação e a solidariedade de tod
os trabalhadores são essenciais para uma revolução Soci
plena, e não apenas a de seu privilegiado setor branco.
Por exemplo, uma organização existente como a Açã
Antirracista6 (ARA), se adotar essas políticas como u
grupo Anarquista, deve receber uma prioridade maior d
nosso movimento. Cada cidade e município deve ter col
tivos do tipo da ARA, e cada federação Anarquista exi
tente deve ter grupos de trabalho internos que trabalhe
em torno do racismo e brutalidade policial. Na verdade,
tipo de grupo de que eu estou falando seria, em si, um
federação para coordenar as lutas no nível nacional e a
mesmo internacional.

6
Anti-Racist Action – ARA: Rede descentralizada de antifascista
antirracistas na América do Norte que organizam ações para desfaz
grupos neonazistas e de supremacia branca e ajudam criar atividad
contra ideologias fascistas e racistas. (n.e.)
Assembléia Legislativa do Estado, escrever cartas de pr
testo, circular petições ou outras táticas mansas como essa
Levaria os exemplos dos antigos movimentos operários rad
cais como os IWW7, bem como o Movimento dos Direit
Civis dos anos 1960, para mostrar que somente as táticas d
ação direta8 de confronto e protesto militante renderã
qualquer resultado. Também teria como exemplo a rebeliã
de 1992 em Los Angeles para mostrar que as pessoas se r
voltarão, mas que é preciso ter aliados poderosos, que este
dam ajuda material e informações de resistência, e um m
vimento de massa existente para levá-lo para a próxim
etapa e espalhar a insurreição.
Os Anarquistas devem reconhecer isso e ajudar
construir um grupo antirracista militante, que seria ao me
mo tempo um grupo de apoio para a revolução Negra e u

7
Industrial Workers of the World (Trabalhadores Industriais d
Mundo) é um sindicato adepto da teoria sindicalista revolucionár
(democracia laboral e autogestão trabalhadora). (n.e.)
8
A formalização da tática de ação direta acontece já na Associaç
Internacional dos Trabalhadores (1864-1876). Os anarquistas na d
cada de 1880, através da “propaganda pelo fato”, contribuíram ba
tante para que o conceito de ação direta passasse a ser interpretad
como prática de autodefesa e de violência revolucionária. Em fins
século XIX, o sindicalismo revolucionário faz da ação direta, atrav
da sabotagem, do boicote e da greve geral parte central do seu co
junto estratégico. Na História estadunidense, a ação direta apare
muitas vezes associada às greves selvagens e à desobediência civil. N
seria incorreto afirmar que ação direta corresponde a toda tática q
prescinde de intermediários ou mediadores - políticos, instituições
governo e patrões – para que os objetivos dos explorados e oprimid
sejam alcançados (n.e.).
ral democrata da classe dominante. A esquerda liberal pod
falar sobre o bom combate, mas enquanto não se colocare
para derrubar o Capitalismo e esmagar o Estado, eles vã
trair e sabotar toda a luta contra o racismo. A estratégia d
esquerda liberal é desviar a consciência de classe pa
consciência estritamente de raça. Eles se recusam a se b
sear nos interesses materiais de classe ao recorrerem a
apoio das classes trabalhadora e média dos EUA pelos d
reitos dos Negros, e como resultado permitem que a direi
capitalize, sem oposição, em cima do sentimento racis
latente entre os brancos, bem como sobre a sua inseguranç
econômica. O tipo de movimento que proponho vai entr
na brecha e atacar a supremacia branca, e desmantelar
próprios fios que mantêm o Capitalismo coeso. Sem o con
senso branco em massa para governar o estado norte-am
ricano e o sistema de privilégios da pele branca, o Cap
talismo não poderia continuar no próximo século!

O Mito do “Racismo Reverso”

“Discriminação Reversa” tornou-se o grito de guer


de todos os racistas que tentam reverter os ganhos de dire
tos civis conquistados pelos Negros e outras nacionalidad
oprimidas em habitação, educação, emprego e todos os a
pectos da vida social. Os racistas sentem que essas coisas
devem ir para os homens brancos, e que “minorias” e
mulheres estão levando-as para longe dos homens branco
Milhões de trabalhadores brancos, dia sim, dia não, sã
bombardeados por essa propaganda racista, e que está tend
um grande impacto. Muitos brancos acreditam nessa men
parcialmente responsável pelos problemas econômicos qu
muitos deles sofrem atualmente. Tais crenças foram impu
sionadas por Ronald Reagan em seus dois mandatos com
presidente dos EUA. Reagan tentou usar esta linha de pr
paganda racista para precipitar um retrocesso das conquist
de direitos civis de imigrantes oprimidos.
Os racistas reivindicam o conceito de discriminaçã
reversa que acaba por sugerir que a discriminação em gran
de escala contra os Negros e outros grupos racialmente opr
midos é uma farsa. Afirmam categoricamente a ideia de qu
a aprovação da Lei de Direitos Civis de 1964 acabou com
discriminação contra os Negros, Latinos e outras naciona
dades, e contra as mulheres, e agora a lei é discriminatór
contra os brancos. Os racistas dizem que as minorias racia
e as mulheres são os novos grupos privilegiados na sociedad
americana. Alegam que eles têm a opção de escolher se
postos de trabalhos, tem preferência nos estágios univers
tários, o melhor sistema de habitação, subsídios do govern
e assim por diante, em detrimento dos trabalhadores bran
cos. Os racistas dizem que programas para acabar com
discriminação não são apenas desnecessários, mas, na ve
dade, são tentativas de minorias ganharem poder às cust
de trabalhadores brancos. Eles dizem que os Negros e
mulheres não querem igualdade, mas sim a hegemonia s
bre trabalhadores brancos.
Um movimento Anarquista antirracista iria contrari
tal propaganda e iria expô-la como uma arma da classe d
minante. A Lei dos Direitos Civis não causou inflação p
gastos “excessivos” no bem-estar, na habitação, ou em o
tros serviços sociais. Além disso, os Negros não estão discr
cente; forçados à desnutrição e morte precoce; sujeitados
violência racial e repressão policial, forçados a sofrer níve
desproporcionais de desemprego e outras formas de opressã
racial. Mas, para os Negros, a opressão começa com o nasc
mento e a infância. A taxa de mortalidade infantil é qua
três vezes maior do que a dos brancos, e continua por tod
a vida. O fato é que a “discriminação reversa” é uma fars
Discriminação AntiNegros não é uma coisa do passado. É
realidade sistemática e onipresente de hoje!
Malcolm X assinalou, em 1960, que nenhum estatu
de direitos civis ia dar às pessoas Negras a sua liberdade,
indagou: se os Africanos na América eram realmente cid
dãos por que seriam necessários os direitos civis? Malcol
X observou que os direitos civis tinham sido alcançad
através de grande sacrifício e, portanto, deveriam ser ap
cados, mas se o governo não cumprisse as leis, então
pessoas teriam de fazê-lo, e o movimento teria de pression
as autoridades governamentais para proteger os direit
democráticos. Para unir as massas de pessoas por trás de u
movimento antirracista da classe trabalhadora, as seguint
exigências práticas, que são uma combinação de reform
revolucionárias e radicais, para garantir direitos democr
ticos, são necessárias:
1. Solidariedade dos trabalhadores Negros e branco
Luta contra o racismo no trabalho e na sociedade.
2. Direitos democráticos e humanos plenos para tod
os povos não brancos. Fazer os sindicatos combaterem o r
cismo e a discriminação.
3. Autodefesa armada contra ataques racistas. Con
truir movimento de massas contra o racismo e o fascismo
judicial de todos os policiais assassinos.
5. Dinheiro para a reconstrução das cidades. Criaçã
de mutirão para reconstrução de áreas urbanas, constitu
das de moradores da comunidade.
6. Emprego pleno e socialmente útil, com salários sin
dicalizados para todos os trabalhadores. Acabar com a di
criminação racial no emprego, no treinamento e na prom
ção. Estabelecer programas de ação afirmativa para revert
as práticas racistas de emprego do passado.
7. Banir a Ku Klux Klan9, Nazistas e outras organiz
ções fascistas. Responsabilização judical de todos os racist
por ataques a pessoas de cor.

9
A Ku Klux Klan surge em 1865, no sul dos Estados Unidos, pa
impedir que Negros recém-libertados se integrassem à sociedade. D
caráter extremamente violento, racista e supremacista, foi reconh
cido como grupo terrorista e banido para ilegalidade, por aterroriz
Negros e atacar brancos que protegiam a população negra. Voltara
do anonimato em 1915, devido ao lançamento do filme pró-Klan, “
Nascimento de uma Nação”, como organização fraternal racista, l
tando pelos “direitos dos brancos” protestantes sobre os Negros, cat
licos, judeus e asiáticos, e outros imigrantes. Foram responsáveis p
mortes, linchamentos e outras violências contras esses grupos. No fin
da década de 1940, os Klans retomaram seus interesses entre os WAS
(protestantes brancos anglo-saxões, em inglês) frustrados e enganad
pela direita racista norte-americana. O fim da segregação fez com q
surjam novamente, com suas cruzes em fogo. Em Estados como
Alabama, eles estavam infiltrados em todas as camadas sociais e po
ticas. Diversos assassinatos entre 1940 e 1970 foram creditados a
Klans, inclusive o de Medgar Evers, lider do NAACP no Mississip
Hoje, apesar de menores, ainda atuam nos EUA, em aliança co
fascistas e neonazistas. (n.e.)
9. Fim dos impostos para trabalhadores e pobres. Trib
tar os ricos e as grandes corporações.
10. Assistência de saúde e assistência médica com
pleta para todas as pessoas e comunidades, sem distinção d
raça e de classe.
11. Liberdade para todos os presos políticos e vítim
inocentes da injustiça racial. Abolir as prisões. Combater
disparidade econômica.
12. Controle democrático dos sindicatos pela base atr
vés da construção de um movimento Anarcossindicalist
Tornar os sindicatos ativos em questões sociais.
13. Parar o assédio racista e a discriminação cont
trabalhadores informais.

Esmagar a Direita!

“O fascismo não é para ser debatido. Ele deve ser e


magado...” (Buenaventura Durrutti, Espanhol revolucion
rio Anarquista de 1936).
Enquanto a sociedade Capitalista se deteriora, as pe
soas vão olhar para soluções radicais e totalitárias para
miséria que enfrentam. Os Nazistas e a Klan estão entre
forças políticas de direita que oferecem, ou parecem ofer
cer, uma resposta radical para os problemas sociais atua
das massas brancas. Que essas soluções são falsas impor
pouco para as pessoas confusas e histéricas procurando d
sesperadamente uma saída para a crise socioeconômica qu
o mundo Capitalista está enfrentando. Setores da clas
média, camadas da classe trabalhadora branca em melh
situação, os trabalhadores brancos pobres e desempregado
extremistas da direita racista/fascista nos Estados Unido
Hoje, esses grupos são pequenos, e muitos liberais gosta
de minimizar a ameaça que representam, até mesmo defen
dem seus “direitos” legais de espalhar o seu veneno racist
Mas esses grupos têm um enorme potencial de crescimen
e podem se tornar um movimento de massas em um períod
de tempo surpreendentemente curto, especialmente d
rante uma crise econômica e política, como a que estam
agora.
Baseando-se em forças sociais brancas alienadas,
Nazistas e a Klan estão tentando construir um movimen
de massa que possa aliar-se aos Capitalistas no momen
adequado e assumir o poder do Estado. Quando os Capit
listas sentirem que eles podem precisar de um porrete ad
cional para manter os trabalhadores e oprimidos na linh
eles se voltarão para os Nazistas, para a Klan e organizaçõ
de direita semelhantes, tanto com dinheiro quanto co
apoio, além de fortalecer as polícias estaduais e forças mi
tares. Se for necessário, os Capitalistas vão colocá-los n
poder (como fizeram na Espanha, Alemanha e Itália, e
1920 e 1930), assim os fascistas vão esmagar os sindicatos
outras organizações da classe trabalhadora; colocar os N
gros, Latinos, Gays, Asiáticos e Judeus em campos de con

10
Nazistas Skinheads, ou White Power Skinheads, é uma ramificação
cultura skinhead que possui individuos antissemitas e de supremac
branca. Também são conhecidos como nazi-skin, skin 88, ou careca
que é uma denominação pejorativa utilizada pela maioria dos skinhea
não-racistas. Muitos deles são afiliados à associação nacionalistas bra
cas. (n.e.)
face para uma mistura de racismo bruto e racismo mais su
no estado democrático moderno.
Assim, além dos Nazistas e a Klan, há outras forças d
direita que vem aumentando nos últimos 15 anos. Elas in
cluem os políticos de direita ultraconservadores e pastor
fundamentalistas Cristãos, juntamente com a seção de e
trema direita da própria classe dominante Capitalista –
pequenos empresários, apresentadores de talk shows com
Rush Limbaugh, juntamente com os professores, economi
tas, filósofos e outros quem, na academia, são fornecedor
do armamento ideológico para a ofensiva Capitalista cont
os trabalhadores e povos oprimidos. Nem todos os racist
usam lençóis. Esses são os racistas “respeitáveis”, os nov
conservadores de direita, que são muito mais perigosos d
que a Klan ou os Nazistas porque suas políticas se tornara
aceitáveis para grandes massas de trabalhadores branco
que por sua vez, culpam minorias raciais por seus problema
A classe Capitalista já mostrou a sua vontade de us
esse movimento conservador como uma cortina de fumaç
para um ataque contra o movimento operário, a luta Neg
e toda a classe trabalhadora. Muitos funcionários públic
do município foram demitidos; escolas, hospitais e outr
serviços sociais foram restringidos; agências do govern
foram privatizadas; itens de bem-estar social foram cortad
drasticamente; e os orçamentos dos governos municipais
estaduais reduzidos. Os bancos inclusive usaram seus p
deres ditatoriais para exigir esses cortes no orçamento, e a
mesmo, tornavam inadimplentes cidades inteiras que nã
se submetessem. Isso aconteceu até com a cidade de Nov
York na década de 1970. Portanto, esta não é apenas um
trabalhadora na crise econômica que enfrentamos é exam
nar diretamente a ameaça da direita. A legislação econ
mica repressiva feita por políticos conservadores para pun
os pobres e a classe trabalhadora precisa ser derrotada;
impostos sobre os ricos e as grandes corporações devem s
aumentados, enquanto os impostos sobre os trabalhadores
os agricultores devem ser abolidos. Se os políticos não vã
fazer isso, vamos organizar um boicote aos impostos pa
forçá-los a fazê-lo. Os Nazistas e a Klan precisam ser con
frontados pela ação direta. Os Anarquistas, as organizaçõ
de trabalhadores e de esquerda têm de se organizar para d
fender os trabalhadores e oprimidos de agressões físicas p
los racistas, bem como realizar manifestações de massa n
ruas em comícios fascistas. Também devemos nos opor
escórias como a Operação Resgate11 que usa táticas fascist
violentas contra os direitos das mulheres ao aborto. Faz par
do mesmo campo de batalha.
Aqui está a situação: David Duke, o “ex” membro d
Klan agora faz parte da “respeitável” direita, que capta apo
entre a classe média alta. Enquanto isso, a Klan e os ski
heads Nazistas estão fazendo progressos entre as diferent
camadas sociais, principalmente entre os trabalhador
brancos pobres e jovens brancos desempregados. Tom Met
ger, líder da Resistência Ariana branca, chamou os skinhea
Nazistas de seus “camisas pardas12 dos anos 90”. É mui
11
Operação Resgate é uma das organizações ativistas cristãs contra
direito ao aborto nos EUA. (n.e.)
12
Referência aos Sturmabteilung, ou SA, “Tropas de Assalto” ou m
lícia paramilitar nazista durante o III Reich. Eram conhecidos com
“camisas pardas”, devido à cor de seu uniforme. (n.e.)
parte deles. Esta é uma tática defensiva, no mínimo, m
realmente não temos escolha, e é parte do nosso dev
revolucionário organizar toda a classe trabalhadora de qua
quer maneira. Devemos direcionar a propaganda para ess
trabalhadores de forma a expor os Nazistas e a Klan como
escória que são, e mostrar como os trabalhadores estã
sendo enganados. Devemos também tornar possível pa
eles combater esta miséria lutando contra o verdadei
inimigo: a classe Capitalista.
Mas, além de operações defensivas de propagand
devemos realizar ação direta ofensiva para resistir fisic
mente aos racistas quando isso for possível. Por exempl
quando o equilíbrio de forças permite, é preciso organiza
se para retirar à força os Nazistas e a Klan das ruas. A fi
de esmagar os seus movimentos, devemos organizar ações d
tipo Comando13 para atacar seus comícios, fechar suas livr
rias e jornais, destruir as suas salas de reuniões, e acab
com suas marchas. Uma vez que os Nazistas e a Klan org
nizam-se ameaçando e usando violência, devemos est
preparados para responder a eles da mesma forma, mas m
lhor organizados e mais eficazes. Por exemplo, porcos com
David Duke e Tom Metzger, que vem defendendo e lid
rando o movimento fascista na América, devem ser assa
sinados. Devemos nos infiltrar nas manifestações Nazistas
da Klan, de modo a atacar seus líderes e quebrá-los, ou n
escondermos a uma certa distância e atingi-los com rifl
de alta potência. Eu sempre senti que os movimentos d

13
Operações realizadas atrás das linhas inimigas, através de infiltraçã
(n.e.)
e assassinado seus líderes. Se paralisarmos os fascistas des
forma, podemos esmagar toda a direita e começar a destru
o Estado. Esta é a única maneira de parar fascistas. Morte
Klan e a todos os fascistas!
Ninguém menos que Adolf Hitler foi citado como ten
do dito: “Só uma coisa poderia ter parado o nosso mov
mento. Se nossos adversários tivessem entendido o seu pri
cípio, e desde o primeiro dia tivessem esmagado com e
trema brutalidade o núcleo de nosso novo movimento
Devemos prestar atenção.
Uma outra coisa que devemos fazer, e é algo que tat
camente separa a nós Anarquistas dos Marxistas-Leninist
(ML), é que nós usamos nossos estudos sobre a persona
dade autoritária para nos ajudar a nos organizar contra
recrutamento fascista. Todas as “Frentes Unidas” dos M
preocupam-se com uma abordagem política rigorosa pa

14
Fundado no ano de 1970 por ex-membros do Partido Pantera Negr
o exército surge em um determinado período em que o partido passa
sofrer um revés em circunstâncias do aumento da repressão encab
çada pelo FBI. Uma ala radical, então, decide romper com a direç
nacional dos Panteras Negras e Huey Newton e aderir à concepç
de guerrilha como forma de enfrentar o governo Capitalista nort
americano. (n.e.)
15
Organização formada por estudantes brancos de extrema-esquerd
objetivou a criação de um partido clandestino revolucionário pa
derrubar o governo norte-americano, apoiar os movimentos ligado
luta de Libertação Negra e se opor à Guerra do Vietnam. Realizou um
série de atentados a bomba nos anos 1970. (n.e.)
16
Organização Marxista-Leninista-Maoísta que realizou uma ofensi
de guerrilha urbana ininterrupta em torno da Bay Area e norte
Califórnia, de 1974 a 1977. (n.e.)
massa apenas para tomar o poder e, em seguida, para esm
gar todos os oponentes ideológicos radicais e liberais, depo
de terem acabado com os fascistas. É por isso que os Estad
“Comunistas” Stalinistas se assemelham tanto ao Estad
policial fascista ao se recusarem a permitir pluralidade ide
lógica – ambos são totalitários. Para esse assunto, quan
diferença havia realmente entre Stalin e Hitler? Então, e
digo que apenas bater de volta fisicamente nos fascistas nã
é a questão. Precisamos estudar o que explica a psicolog
de massa do fascismo e, então, derrotá-lo ideologicament
indo ao cerne das convicções racistas profundamente arra
gadas, emoções e condicionamento autoritário daquel
trabalhadores que apoiam o fascismo e toda a autoridade d
estado policial.
A terceira ponta da nossa estratégia é organizar ent
os trabalhadores e outros setores oprimidos da sociedad
um programa que aborde as suas necessidades. Como já f
dito, a Klan e os Nazistas recrutam entre certas camad
sociais – esmagadoramente – jovens brancos que estão sen
do muito pressionados pela crise econômica. Essas pesso
veem Negros, Latinos, Asiáticos, Homossexuais, Mulher
e movimentos radicais como uma ameaça. Eles são racista
reacionários e potencialmente muito violentos. Com med
de perder o pouco que têm, eles compram o mito de que
problemas são “aquelas pessoas” que tentam roubar se
empregos, casas, futuro, etc, em vez da decadência do si
tema Capitalista.
Enquanto parece não haver outra alternativa para l
tar por uma fatia de um bolo social em encolhimento, os fa
cistas, com suas “soluções” simplórias, vão sendo ouvidos ent
coisas que as pessoas precisam – emprego, habitação decen
e escolas, saúde, etc. Isso pode demonstrar concretamen
que há uma alternativa para as “soluções” venenosas d
direita, e pode angariar para as fileiras do movimento oper
rio algumas dessas pessoas atraídas pelo movimento fascist
Em todas as áreas da nossa organização, precisam
realizar propaganda revolucionária consistente, explicand
que o Capitalismo é responsável pelo desemprego, pelo a
mento dos preços, as escolas e habitações podres e o restan
da decadência que vemos ao nosso redor. Devemos expor
fato de que, embora os Nazistas, Klan e outros direitist
fazem dos Negros, Gays, Latinos e outras pessoas oprimid
o bode expiatório para a crise econômica, o seu verdadei
objetivo é destruir o movimento operário por inteiro, com
ter genocídio, iniciar uma guerra aventureira e, por sua ve
transformar os trabalhadores em escravos definitivos d
Estado. Portanto, essas forças fascistas são uma ameaça pa
todos os trabalhadores de todas as nacionalidades. É nece
sário esclarecer que eles só querem usar os trabalhador
brancos como peões em seu esquema para criar uma dit
dura fascista, e todos os trabalhadores devem se unir e r
vidar e derrubar o Estado, se quiserem ser livres. Morte
Klan, morte aos Nazistas!

Derrotar a supremacia branca!

Os próprios meios de controle de classe pelos ricos é


menos compreendido. A supremacia branca é mais do qu
apenas um conjunto de ideias ou preconceitos. É opressã
nacional. No entanto, para a maioria das pessoas brancas,
brancas, Anarquistas incluídos, acredita essencialmen
que as pessoas Negras são “iguais” aos brancos, e que dev
mos lutar apenas em torno de “questões comuns” em vez d
lidar com “questões raciais”, se é que geralmente vee
qualquer urgência em lidar com o assunto. Alguns não vã
abordar de uma forma tão contundente, eles vão dizer qu
“as questões de classe devem prevalecer”, mas isso signific
a mesma coisa. Eles acreditam que é possível adiar a lu
contra a supremacia branca para depois da revolução, qua
do, na verdade, não haverá revolução se a supremacia bran
não for atacada e derrotada primeiro.
Eles não vão vencer uma revolução nos EUA até qu
lutem para melhorar a situação dos Negros e dos povos opr
midos que estão sendo privados de seus direitos democr
ticos, além de serem superexplorados como trabalhadore
Quase desde o início do movimento socialista nort
americano, a posição econômica simplista de que o qu
todos os trabalhadores Negros e brancos devem fazer pa
alcançar uma revolução é se engajar em uma “luta (econ
mica) comum” foi usada para impedir a luta contra a supr
macia branca. Na verdade, a esquerda branca sempre
colocou na posição chauvinista, já que a classe trabalh
dora branca é a vanguarda revolucionária de qualquer m
neira, por que se preocupar com uma questão que vai “div
dir a classe”? Historicamente, os Anarquistas nem sequ
levantam a questão de “políticas raciais”, como um Ana
quista referiu-se da primeira vez que este panfleto foi p
blicado. Esta é uma evasão total da questão.
No entanto, é a burguesia Capitalista que cria a des
gualdade como uma forma de dividir para dominar toda
fornecendo incentivos materiais para corromper os trab
lhadores brancos e colocá-los contra os Negros e outr
trabalhadores oprimidos. Isso explica a obediência do tr
balho branco ao Capitalismo e ao Estado. A classe trabalh
dora branca não vê a sua melhor condição como parte d
sistema de exploração. Depois de séculos de doutrinaçã
política e social, eles sentem a sua posição privilegiada com
justa e adequada, e o que é pior, “conquistada”. Eles
sentem ameaçados pelos ganhos sociais dos trabalhador
não brancos, e é por isso que eles são tão veementemen
contra os planos de ações afirmativas para beneficiar as m
norias em postos de trabalho e contratação, e para corrig
anos de discriminação contra eles. É também por isso qu
os trabalhadores brancos são os que mais se opõem à legi
lação de direitos civis.
No entanto, é o funcionamento cotidiano da suprem
cia branca que devemos combater com mais vigor. Não p
demos permanecer ignorantes ou indiferentes ao funcion
mento de raça e classe no âmbito deste sistema, para que
trabalhadores oprimidos continuem vitimados. Duran
anos, os Negros foram “contratados primeiro, demitidos pr
meiro” pela indústria Capitalista. Além disso, os sistem
baseados em tempo de serviço operam por discriminaçã
racial explícita, e são pouco mais do que cargos para o tr
balho branco. Os Negros até foram expulsos de setores in
dustriais inteiros, como a mineração de carvão. Entretant
os patrões do trabalho branco nunca se opuseram ou in
terviram em nome de seus irmãos de classe, nem o farão
não forem colocados contra a parede pelos trabalhador
brancos.
dades brancas, etc, enfim, o que veio a ser conhecido com
o “estilo de vida da classe média branca”. Isto é o que o pr
letariado e a esquerda sempre lutaram para manter, e não
solidariedade de classe, algo que exigiria uma luta contra
supremacia branca. Este estilo de vida é baseado na supe
exploração do setor não branco da classe trabalhadora d
méstica, e dos países explorados pelo imperialismo em tod
o mundo.
Nos Estados Unidos, o antagonismo de classes semp
incluiu o ódio racial como um componente essencial, mas
estrutural e não apenas ideológico. Como todas as institu
ções, a cultura e o sistema socioeconômico do Capitalism
dos EUA são baseados na supremacia branca, como então
possível combater verdadeiramente o domínio do Capit
sem ser forçado a derrotar a supremacia branca? A econom
de dois níveis, com brancos no topo e os Negros em baix
(mesmo com todas as diferenças de classe entre os branco
tem resistido com sucesso a todas tentativas dos moviment
sociais radicais. Estes reformadores relutantes dançaram a
redor da questão, nunca chegaram ao centro dela. Ao con
seguirem reformas, que em muitos casos são voltadas princ
palmente apenas para os trabalhadores brancos, estes rad
cais brancos ainda têm de derrubar o sistema e abrir o c
minho para a revolução social.
A luta contra o privilégio da pele branca também r
quer a rejeição da identificação cruel de norte-american
como povo “branco”, em vez de Galês, Alemão, Irlandê
etc, como sua origem nacional. Esta designação “raça bran
ca” é uma supernacionalidade artificial projetada para in
flar a importância social das etnias europeias, e mobi
viajar, de obter mobilidade social em relação a sua classe d
origem, e todo um mundo de privilégios Eurocêntrico
Portanto, antes de uma revolução social ter lugar, deve h
ver uma abolição da categoria social da “raça branca” (co
poucas exceções, neste ensaio vou começar a me referir
eles como “os Norte-Americanos”).
Essas pessoas “brancas” devem se engajar em um suic
dio de classe e traição de raça antes que realmente possa
ser aceitos como aliados dos Negros e trabalhadores oprim
dos por sua nacionalidade; toda a ideia por trás de um
“raça branca” é conformismo e os torna cúmplices de assass
nato em massa e exploração. Se os brancos não quere
vincular a si próprios o legado histórico do colonialismo, d
escravidão e do genocídio, então eles devem se rebelar con
tra os mesmos. Assim, os “brancos” devem denunciar
identidade branca e seu sistema de privilégio, e eles deve
lutar para redefinirem-se a si mesmos e sua relação com
outros. Enquanto a sociedade branca (através do Estad
que diz estar agindo em nome de pessoas brancas) continu
a oprimir e dominar todas as instituições da comunidad
Negra, a tensão racial continuará a existir, e os brancos e
geral continuarão a ser vistos como o inimigo.
Então, o que os norte-americanos devem começar
fazer para derrotar o oportunismo racial, os privilégios d
pele branca e outras formas de supremacia branca? Primeir
eles devem derrubar os muros que os separam de seus ali
dos não brancos. Então, juntos, eles devem travar uma lu
contra a desigualdade no local de trabalho, nas comun
dades e na ordem social. No entanto, não é apenas aos d
reitos democráticos dos povos Africanos a que nos referim
falando.
Negros (ou Africanos na América) são colonizados.
América é uma pátria com uma colônia interna. Para
Africanos na América, a nossa situação é de opressão tota
Nenhum povo é verdadeiramente livre até que possa dete
minar seu próprio destino. O nosso status é de cativo, d
colonizados oprimidos, algo que deve ser destruído, nã
apenas esmagando o racismo ideológico ou a negação d
direitos civis. Na verdade, se não for esmagada a situaçã
de colônia interna primeiro, isso significa a probabilidad
de uma continuação desta opressão de outra forma. Prec
samos destruir a dinâmica social de uma existência mui
real da América sendo feita por uma nação branca opresso
e uma nação Negra oprimida (na verdade existem vári
nações cativas).
Isto exige que o Movimento de Libertação Negra
berte uma colônia, e é por isso que não é apenas uma sim
ples questão dos Negros se juntarem aos Anarquistas bran
cos para lutar o mesmo tipo de batalha contra o Estado.
também por isso que os Anarquistas não podem tomar um
posição rígida contra todas as formas de nacionalismo Neg
(especialmente grupos revolucionários, como o Partido d
Panteras Negras), mesmo que existam diferenças ideol
gicas sobre a forma como alguns deles são formados e op
ram. Mas os norte-americanos devem apoiar os objetivos d
movimentos de libertação dos racialmente oprimidos, e el
devem desafiar diretamente e rejeitar o privilégio da pe
branca. Não há outra maneira e não há atalho; a supremac
branca é um grande obstáculo para a mudança social rev
lucionária na América do Norte.
devem unir-se aos Africanos, Latinos e outros, para rejeit
a injustiça racial, a exploração Capitalista e a opressão n
cional. Trabalhadores Norte-Americanos certamente tê
um papel importante em ajudar essas lutas a triunfarem. S
ajuda material, que pode ser organizada por trabalhador
brancos para a Revolução Negra, já poderia ditar a vitór
ou derrota dessa luta numa fase específica.
Eu estou demorando para explicar tudo isso, porqu
previsivelmente alguns Anarquistas puristas vão tentar di
cutir comigo que ter um movimento branco é até uma coi
boa, que os Negros e outras nacionalidades oprimidas
precisam subir a bordo do “Bom Navio Anarquista” (um n
vio de tolos?), e tudo isso é apenas “disparate de libertaçã
nacional Marxista”. Bem, sabemos que parte da razão pa
um movimento Anarquista antirracista é a de desafiar es
perspectiva chauvinista bem no meio de nosso próprio m
vimento. Uma Federação Anarquista AntiRRacista nã
existiria apenas para lutar contra os Nazistas. Precisam
desafiar e corrigir posições racistas e doutrinárias sobre raç
e classe dentro de nosso movimento. Se não pudermos faz
isso, então não podemos organizar a classe trabalhador
Negra ou branca, e não somos úteis para ninguém.
O NDE ESTÁ A LUTA N EGRA
E PARA ONDE DEVERIA ESTAR INDO ?

Alguns – geralmente a acomodada classe média Neg


formada por profissionais, políticos ou empresários que par
ciparam do movimento dos direitos civis em 1960 por pod
ou destaque – vão dizer que não há mais nenhuma nece
sidade de lutar nas ruas pela liberdade Negra durante
década de 1990. Eles dizem que nós já “chegamos lá” e ago
estamos “quase livres”. Eles dizem que a nossa única lu
agora é para “integrar o capital”, ou ganhar riqueza para
e para os membros de sua classe social, embora eles fale
da boca para fora sobre “empoderar os pobres”. Olha, dize
eles, nós podemos votar, nossos rostos Negros estão por tod
a TV em comerciais e comédias de costume, existem cent
nas de milionários Negros, e temos representantes polític
nos corredores do Congresso e em repartições do Estado e
todo o país. Na verdade, dizem eles, existem atualmen
mais de 7.000 autoridades Negras eleitas, várias das qua
governam as maiores cidades do país, e há até mesmo u
governador de um estado do Sul, que é um Africano-Am
ricano. Isso é o que eles dizem. Mas será que isso conta tod
a história?
O fato é que estamos em uma situação tão ruim o
ainda pior, economicamente e politicamente, como quand
o movimento dos direitos civis começou na década de 195
Um em cada quatro homens Negros está na prisão, e
prego oscila entre 18-25 por cento para comunidades N
gras; a economia das drogas é o empregador número um d
juventude Negra; a maioria das unidades habitaciona
precárias ainda está concentrada em bairros de Negro
Negros e outros não brancos sofrem com a pior assistência
saúde; e as comunidades Negras são ainda subdesenvolv
das por conta da discriminação racial por parte dos govern
municipais, companhias hipotecárias e bancos, que traça
uma “linha vermelha” impedindo bairros Negros de rec
berem desenvolvimento comunitário, habitação e empré
timos para pequenas empresas, mantendo nossas comun
dades pobres. Nós também sofremos com os assassinat
praticados pela violência policial de policiais racistas qu
resultam em milhares de mortes e ferimentos; e guerra d
gangues fratricidas resultando em inúmeros homicídios d
jovens (e uma grande quantidade de dor). Mas o que n
causa mais sofrimento e que engloba todos esses males é
fato de que somos um povo oprimido – na verdade um pov
colonizado sujeito ao domínio de um governo opressor. N
realmente não temos direitos neste sistema, exceto aquel
que lutamos para ter e que mesmo agora estão ameaçado
Claramente precisamos de um novo movimento Negro d
protesto de massa para desafiar o governo e as corporaçõe
e expropriar os fundos necessários para as nossas comun
dades sobreviverem.
No entanto, nos últimos 25 anos o movimento Neg
revolucionário tem estado na defensiva. Devido à coopt
ção, repressão e traições do Movimento Negro de Libertaçã
da década de 1960, o movimento de hoje tem sofrido um
série de contratempos e agora se tornou estagnado, se com
vido às contradições políticas internas que surgiram n
principais grupos revolucionários Negros, como o Partid
dos Panteras Negras, Comitê Não-Violento de Coorden
ção Estudantil17 (SNCC ou “snick”, como era chamado n
época), e a Liga dos Trabalhadores Negros Revolucion
rios18. Creio que todos foram fatores que levaram à destru
ção da esquerda Negra de 1960 neste país. É claro que mu
tos culpam este período de relativa inatividade no mov
mento Negro devido à falta de líderes fortes nos moldes d
Malcolm X, Martin Luther King, Marcus Garvey, etc, en
quanto outras pessoas culpam o “fato” de que as massas N
gras se tornaram alegadamente “corruptas e apáticas”, o
só precisam da “linha revolucionária correta”.
Quaisquer que sejam os verdadeiros fatos da questã
pode ser visto claramente que o governo, as corporaçõ
Capitalistas, e a classe dominante racista estão explorand
a atual fraqueza e confusão do movimento Negro para faz
um ataque à classe trabalhadora Negra, e estão tentand
retirar totalmente as conquistas obtidas durante a era d
direitos Civis. Além disso, há um ressurgimento do racism

17
Organização política americana que desempenhou um papel centr
no movimento pelos direitos civis na década de 1960. Começou com
um grupo que defendia a não-violência inter-racial, adotando mai
militância no final da década, refletindo as tendências no ativism
Negro em todo o país. (n.e.)
18
Formação independente de trabalhadores Negros radicais em D
troit, 1969, que se derivou do Movimento Negro de Libertação, e e
de formação marxista-lenista. Unia em suas fileiras diferentes Mov
mentos Sindicais Revolucionários que cresciam rapidamente na indú
tria automobilística e outros setores industriais. (n.e.)
em conta novas ideias e novas táticas na luta pela liberdad
Os ideais do Anarquismo são algo novo para o mov
mento Negro e nunca foram realmente examinados por at
vistas Negros e não brancos. Simplificando, isso significa qu
as pessoas devem se governar, e não os governos, patetas po
ticos ou líderes autonomeados. O Anarquismo também d
fende a autodeterminação de todos os povos oprimidos, e se
direito de lutar pela liberdade por qualquer meio necessári
Então, qual o caminho para o movimento Negro? Co
tinuar a depender de políticos democratas oportunistas
corruptos como Bill Clinton ou Ted Kennedy; o mesm
velho grupo de “líderes” vendidos da classe média do lobb
dos direitos civis; um ou outro das seitas autoritárias len
nistas, que insistem que eles e só eles têm o caminho corre
para a “iluminação revolucionária”; ou, finalmente, a con
trução de um movimento de protesto revolucionário de ba
para lutar contra o governo racista e seus governantes?
Somente as massas Negras podem finalmente decid
a questão, se eles vão se contentar em suportar o peso d
depressão econômica atual e a escalada da brutalidade r
cista, ou vão revidar. Anarquistas confiam nos melhores in
tintos das pessoas, e a natureza humana dita que onde exis
repressão haverá resistência; onde há escravidão, have
uma luta contra ela. As massas Negras têm mostrado qu
vão lutar, e quando eles se organizarem eles vão ganhar!
Um Chamado para um Novo
Movimento Negro de Protesto
Esses Anarquistas que são Negros, como eu, reconh
cem que é preciso haver todo um novo movimento socia
movimento que, embora busque expropriar dinheiro do g
verno para projetos que beneficiem o povo, não reconheç
qualquer papel progressista do governo na vida do povo.
governo não vai nos libertar, e é parte do problema e nã
parte da solução. Na realidade, apenas as massas Negras p
dem travar a luta pela liberdade Negra, não a burocrac
governamental (como o Departamento de Justiça dos Est
dos Unidos), os líderes reformistas dos direitos civis com
Jesse Jackson19, ou um partido revolucionário de vanguard
em nome de sua própria causa.
É claro que, em um determinado momento históric
um líder de protesto pode desempenhar um papel revoluci
nário tremendo como um porta-voz para os sentimentos d
povo, ou até mesmo produzir estratégia e teoria corret
para um determinado período (Malcolm X, Marcus Garve
e Martin Luther King, Jr. vêm à mente), e um “partido d
vanguarda” pode ganhar o apoio das massas e aceitação en
tre o povo por um tempo (por exemplo, o Partido dos Pant
ras Negras dos anos 1960), mas são as próprias massas Negr
que vão fazer a revolução e, uma vez que se mobilize
espontaneamente, saberão exatamente o que querem.
Apesar de líderes poderem ser motivados pelo bem o
pelo mal, até mesmo eles vão agir como um freio sobre a lut
especialmente se eles perderam o contato com as aspiraçõ

19
Jesse Jackson nasceu 08 de outubro de 1941, em Greenville, Sou
Carolina. Enquanto estudante de graduação, Jackson se envolveu n
movimento pelos direitos civis. Em 1965, ele foi para Selma, Alabam
para marchar com o Dr. Martin Luther King, Jr. Na década de 1980 e
se tornou um porta-voz do líder nacional para os afro-americanos. (n.e
vogação imediata se agirem contra a vontade do pov
Neste tipo de papel limitado eles não são exatamente líder
– eles são organizadores comunitários.
A dependência do movimento Negro de líderes e lid
rança (especialmente a burguesia Negra) levou-nos a um bec
sem saída político. Espera-se que aguardemos e soframos e
silêncio até que o próximo líder messiânico se declare, com
se ele ou ela fossem “investidos divinamente de uma missã
(como alguns alegaram ser). O que é ainda mais prejudici
é que muitos Negros adotaram uma psicologia servil de “ob
decer e servir aos nossos líderes”, sem considerar o que el
mesmos são capazes de fazer. Assim, em vez de tentar an
lisar a situação atual e levar em frente a obra do irmão Ma
colm X na comunidade, eles preferem lamentar os fatos br
tais, ano após ano, de como ele foi tirado de nós. Algun
erroneamente se referem a isso como um “vácuo de lid
rança”. O fato é que não tem havido muita movimentaçã
no movimento revolucionário Negro desde seu assassina
e a destruição efetiva de grupos como o Partido dos Panter
Negras. Fomos estagnados pelo reformismo de classe méd
e desentendimentos.
Precisamos encontrar novas ideias e constituições r
volucionárias da maneira de como lutar contra nossos in
migos. Precisamos de um novo movimento de protesto d
massas. Cabe às massas Negras construí-lo, não a líderes o
partidos políticos. Eles não podem nos salvar. Somente n
podemos nos salvar.
Qual forma esse movimento tomará?
Se houve uma coisa que aprendi através dos organiz
ção central, como um partido político de vanguarda ou u
sindicato. Mesmo que os Anarquistas acreditem na org
nização revolucionária, é um meio para um fim, em vez d
próprios fins. Em outras palavras, os grupos Anarquistas nã
são formados com a intenção de serem organizações pe
manentes para conquistar o poder depois de uma luta rev
lucionária. Mas em vez disso, são grupos que agem como u
catalisador para as lutas revolucionárias, e que tentam e
trair das rebeliões do povo, como a revolta de Los Angel
em 199220, um nível mais alto de resistência.
Duas características de um novo movimento de mass
devem ser a intenção de criar instituições de poder dua
para, de um lado desafiar o Estado e ao mesmo tempo d

20
Em março de 1991, três policiais brancos e um hispânico espancara
severamente o motorista de taxi afro-americano Rodney King. Um
testemunha filmou a ação, e o vídeo foi publicizado pela mídia
mundo inteiro. Os policiais foram julgados e absolvidos em 29 de Junh
de 1992, fato que levou a uma série de revoltas e tumultos em L
Angeles devido a indignação contra o veredito injusto. Saques, ass
tos, incêndios, assassinatos e danos materiais ocorreram, causan
cerca de US$ 1 bilhão de prejuízo. Ao todo, 53 pessoas morreram d
rante os tumultos e milhares mais foram feridas. O Exército Nacion
foi mobilizado para reprimir os protestos. (n.e.)
21
O conceito de “dualidade de poderes” assumiu um significado ain
mais amplo nas mãos dos anarquistas que usam para se referir ao co
ceito de revolução, através da criação de “contra-instituições” no l
gar de e em oposição ao poder do Estado. Na Comuna de Paris
primeiros organismos de poder surgiram contra o governo burguês est
belecido. No caso da Revolução Russa, os soviets de 1905 represe
taram também a perspectiva do duplo poder, sempre contra o Estado
emergindo da base da sociedade (n.e.).
Poder dual significa que você organiza uma série d
coletivos e comunas em cidades e vilas em toda a Améric
do Norte, que são, de fato, zonas liberadas, fora do contro
governamental. Autonomia significa que o movimento dev
ser verdadeiramente independente e uma associação liv
de todos aqueles unidos em torno de objetivos comuns, e
vez de uma adesão por conta de algum juramento ou d
outras formas de pressões.
Então como é que Anarquistas intervêm no proces
revolucionário de bairros Negros? Bem, obviamente, nort
americanos ou Anarquistas “brancos” não podem entrar e
comunidades Negras e apenas fazer proselitismo, mas cert
mente deveriam trabalhar com quaisquer Anarquistas nã
brancos e ajudá-los a trabalhar em comunidades de cor (e
realmente penso que o exemplo da Federação Anarquis
de New Jersey e sua aliança informal com o movimento d
Panteras Negras naquele estado é um exemplo de como d
vemos começar). E nós definitivamente não estamos faland
de uma situação onde os organizadores Negros entrem n
bairro e ganhem pessoas para o Anarquismo, para que po
sam, em seguida, serem controlados por brancos e algu
partido. É assim que o Partido Comunista e outros grup
Marxistas operam, mas não pode ser como Anarquistas tr
balham. Nós espalhamos as convicções Anarquistas nã
para “assumir o comando” das pessoas, mas para que el
saibam como elas podem se organizar melhor para combat
a tirania e obter a liberdade. Queremos trabalhar com el
como seres humanos que são nossos companheiros e aliado
que têm suas próprias experiências, agendas e necessidade
A ideia é conseguir o maior número possível de moviment
cionária dos Anarquistas para trabalhar no nível local, p
isso vamos chamar esses grupos locais de Comitês de Resi
tência Negra. Cada um desses Comitês serão coletivos s
ciais de Negros da classe trabalhadora revolucionária n
comunidade para lutar pelos direitos Negros e pela libe
dade, como parte da revolução social. Os Comitês não t
riam nenhum líder ou “capas”, seriam antiautoritários e nã
teriam qualquer tipo de estrutura hierárquica. Eles exist
riam para fazer um trabalho revolucionário, e, portanto, nã
estão debatendo como associações ou clubes formados pa
eleger políticos Negros para gabinetes. São formações po
ticas revolucionárias, que serão associadas a outros grup
em toda a América do Norte e outras partes do mundo, e
um movimento mais amplo chamado de federação. A fed
ração22 é necessária para coordenar as ações desses grupo
para que os outros saibam o que está acontecendo em cad
área, e para estabelecer estratégia e táticas genéricas (Ch
maremos esta, por falta de um nome melhor “Federação R
volucionária Africana”, ou pode ser parte de uma federaçã
multicultural). A federação do tipo que eu estou falando

22
Em 1863, Pierre-Joseph Proudhon publica o livro “Do Princíp
Federativo e da Necessidade de Reconstruir o Partido da Revolução
O conteúdo da obra mescla parte importante da experiência operár
da época com a verve interpretativa de seu autor. O federalismo
apresentado como forma de organização política descentralizada, e
consonância com as autonomias locais de organismos econômic
populares em regime de autogestão. Proudhon entende que a desce
tralização política das cidades e municípios não pode acontecer diss
ciada da concentração das “mutualidades”, ou seja, formas coletiv
de produção. (n.e.)
tativo que estou falando; não haveria cargos permanent
de poder, e até mesmo os facilitadores de programas intern
estariam sujeitos à substituição imediata ou teriam um
alternância regular de deveres. Quando uma federação nã
é mais necessária, ela pode ser dissolvida. Tente isso co
um partido Comunista, ou um dos principais partidos Cap
talistas na América do Norte!

Estratégia e Tática Revolucionária

Se vamos construir um novo movimento de protes


revolucionário Negro, devemos nos perguntar como pod
mos ferir este sistema Capitalista, e como nós o ferimos n
passado, quando levamos os movimentos sociais a sere
contra alguns aspectos da nossa opressão. Boicotes, man
festações de massa, greves de aluguel23, piquetes, greves d
trabalho, “sit-ins”24, e outros tipos de protestos têm sido uti
zados pelo movimento Negro em diferentes momentos d
sua história, juntamente com a autodefesa armada e a reb
lião declarada. Simplificando, o que precisamos fazer é lev
a nossa luta a um nível novo e mais elevado: precisamos p
gar essas táticas essenciais e já experimentadas (que fora
utilizadas principalmente em nível local até o momento)

23
Recusa temporária de um grupo de inquilinos ou lojistas a pagare
aluguel de um mesmo edifício, por exemplo. (n.t.)
24
Ocupações de determinados espaços como forma de protesto, on
as pessoas se sentam (ou bloqueiam o tráfego) como ato reivinidic
tório. O termo surge com as ocupações de restaurantes segregados p
pessoas negras nos EUA que entravam e se sentavam nas mesas, sain
somente por força policial. (n.t.)
mental. Vamos discutir algumas delas:

Um Boicote Negro aos Impostos

Os Negros deveriam se recusar a pagar impostos para


governo racista, incluindo imposto de renda, imposto sob
propriedade e sobre serviços, enquanto estiverem send
submetidos à exploração e brutalidade. Os ricos e suas co
porações não pagam praticamente nenhum imposto; são
pobres e os trabalhadores que carregam o peso da tribut
ção. No entanto, eles não recebem nada em troca. Há aind
elevados níveis de desemprego na comunidade Negra, o s
guro-desemprego e os benefícios sociais são insignificante
as escolas estão em ruínas; a habitação pública é uma de
graça, enquanto os aluguéis de imóveis degradados sã
exorbitantes – todas essas condições e muito mais são supo
tamente corrigidas pela tributação governamental das ren
das, bens e serviços. Errado! Isso vai para o Pentágon
indústria armamentista e consultores gananciosos que, com
abutres, rapinam negócios com o governo.
O Movimento Negro de Libertação deve estabelec
um movimento de massa pela resistência contra os impost
para liderar um boicote Negro contra os impostos como fo
ma de protesto e também como um método para criar u
fundo para financiar projetos comunitários e organizaçõ
Negras. Por que devemos continuar a apoiar voluntari
mente nossa própria escravidão? Um boicote Negro cont
os impostos é apenas mais um meio de luta que o Movimen
Negro deve analisar e adotar, que é semelhante à “resistên
cia ao imposto de guerra” do movimento pela paz. Os N
desenvolvimento comunitário). Taxem os ricos!

Uma Greve Nacional sobre Aluguéis


e Ocupações Urbanas

Conjuntamente com um boicote fiscal deve haver um


recusa em pagar o aluguel para habitações degradada
Estes boicotes têm sido usados com grande efeito para lut
contra a extorsão dos aluguéis pelos proprietários. Uma v
eles foram tão eficazes no Harlem (NY) que levaram à cri
ção da legislação de controle de aluguéis, evitando desp
jos, aumentos de preços injustificados, e requerendo um
manutenção razoável por parte dos proprietários e da em
presa de administração de imóveis. Um movimento d
massa poderia trazer uma greve de aluguéis para áreas (com
no Sudeste e Sudoeste, onde os pobres estão sendo lograd
por proprietários gananciosos, mas não estão familiarizad
com tais táticas). Leis injustas agora nos códigos, també
conhecidas como leis do inquilinato (onde o único “direito
que os inquilinos têm é pagar o aluguel ou ser despejad
também devem ser reformuladas ou anuladas por complet
Essas leis só ajudam proprietários de espeluncas25 a perm
necerem no negócio, e mantêm a exploração da classe pob
e trabalhadora. São responsáveis por despejos em massa,
que, por sua vez, agrava a falta de moradia. Devemos lut
por abatimento nos aluguéis, para evitar despejos em mass

25
Slumlords, no original, são proprietários que ganham muito dinhei
com habitações precárias dilapidadas/degradadas, em péssimas cond
ções, e que alugam para pessoas pobres por valores exorbitantes. (n.
cas e os bancos exploradores e as imobiliárias, deve hav
uma campanha de “ocupações urbanas26” para tomar im
veis para moradia, e fazer os inquilinos dirigi-los democrat
camente como um coletivo. Então aquele dinheiro que ter
ido para o aluguel poderia agora ir para o reparo das m
radias dos inquilinos. As pessoas sem teto, pobres necess
tando de habitação a preços acessíveis, e outros que pr
cisam muito de moradia deviam simplesmente ocupar qua
quer habitação abandonada pertencente a um proprietár
ausente ou até mesmo ocupar bravamente um projeto d
habitação da cidade.
Ocupações são uma tática especialmente boa, nest
tempos graves de escassez de habitação e incêndios crim
nosos causados pelos proprietários das espeluncas para c
letar o seguro. Devemos escurraçar os aproveitadores e sim
plesmente tomar conta! É claro que, provavelmente, ter
mos que lutar contra os policiais e proprietários inescrup
losos que vão tentar usar táticas fortemente armadas, m
podemos fazer isso também! Podemos conseguir vitórias si
nificativas se organizarmos uma articulação nacional d
greve de aluguéis, e construir um movimento independen
de inquilinos que autogestionem todas as acomodações,
não em nome do governo (com o complicado “Plano Kemp27”
mas em nosso próprio nome!
26
Urban Squattings, no original, são ocupações para moradia de imóv
vazios/abandonados, prática observada em muitos núcleos anarquist
pelo mundo, pela crença de que o imóvel está desocupado e as pesso
necessitam de moradia. (n.t.)
27
Refere-se ao plano de diminuição de taxas e impostos proposto
época pelo político norte-americano Jack Kemp. (n.e.)
mento dos direitos civis foi o boicote de consumidores N
gros aos comerciantes de uma comunidade e serviços púb
cos. Os comerciantes e outros empresários, é claro, são
“principais cidadãos” de qualquer comunidade, e a clas
dominante local e chefes de governo. Na década de 196
quando os Negros se recusaram a negociar com os come
ciantes enquanto eles consentissem a discriminação racia
o prejuízo na receita levou-os a fazer concessões, e mediar
luta, e até mesmo mantiveram os policiais e a Klan à distân
cia. O que é verdade a nível local é certamente verdadei
em nível nacional. As grandes empresas e as famílias d
elite governam o país; o governo é sua mera ferramenta. O
Negros gastam mais de 350 bilhões de dólares por ano e
uma economia Capitalista, como consumidores, e poderia
facilmente travar uma guerra econômica contra a estrutu
corporativa com um boicote bem planejado para ganh
concessões políticas. Por exemplo, uma empresa como
General Motors é fortemente dependente do consumid
Negro, o que significa que é muito vulnerável a um boicot
se esse fosse organizado e apoiado amplamente. Se Negr
se recusassem a comprar carros da GM, isso resultaria e
perdas significativas para a empresa, da ordem de centen
de milhões de dólares. Algo como isso poderia até mesm
quebrar uma empresa. No entanto, a ala revolucionária d
movimento Negro ainda não quer usar boicotes, chamand
o de “reformismo” e ultrapassado.
Mas longe de ser uma tática ultrapassada que devem
abandonar, boicotes tornaram-se ainda mais eficazes n
últimos anos. Em 1988, o movimento progressista Negro n
Estados Unidos acertou em outra tática, boicotando as in
pesadas desde a década de 1960 para o turismo como su
principal fonte de receita e, por outro lado, por conta do r
conhecimento por parte do movimento que a guerra econ
mica era uma arma potente contra governos discrimin
tórios. O boicote Negro de 1990-1993 contra a indústria d
turismo de Miami, Florida, e o boicote atual de do mov
mento por direitos dos homossexuais contra o Estado do C
lorado (iniciado em 1992) têm sido bem-sucedidos e cons
guiram a atenção mundial para os problemas de suas com
nidades. Na verdade, os boicotes foram ampliados para c
brir tudo, a partir de uvas da Califórnia, a cerveja (Coors
uma determinada marca de Jeans, todos os produtos feit
na África do Sul, uma certa indústria da carne, e muit
coisas no meio. Boicotes são mais populares hoje do qu
jamais foram.
Dr. Martin Luther King, Jr. reconheceu o potenci
poder revolucionário de um boicote Negro nacional d
grandes corporações dos Estados Unidos, e foi por isso qu
ele estabeleceu a “Operação Cesta de Pão28” pouco ant
de um assassino o matar. Esta organização, com sede e
Chicago, foi projetada para ser o canal onde seriam despej
dos fundos, em que as empresas seriam forçadas a por d
nheiro para um projeto de desenvolvimento da comunidad
Negra nacional para as comunidades pobres. E embora e
foi assassinado antes que isto pudesse acontecer, temos d
continuar seu trabalho nesta questão. Em todo o país escr

28
Organização que realizou a operação citada, que foi projetada pa
criar empregos para a população Negra através de ameaças de boicot
econômicos a comerciantes brancos. (n.e.)
protestos de ocupação em reuniões e escritórios de em
presas-alvo em todo o país. Temos de levar à sua própr
porta e parar o saque da comunidade Negra feito por ela

Uma Greve Geral Negra

Devido ao papel que desempenham na produção,


trabalhadores Negros são potencialmente o setor mais pod
roso da comunidade Negra na luta pela liberdade Negra.
grande maioria da comunidade Negra pertence à classe tr
balhadora. Exceto os números desproporcionais de desempr
gados, cerca de 11 milhões de homens e mulheres Negras sã
hoje parte da força de trabalho dos Estados Unidos. Cerc
de 5 - 6 milhões destes estão na indústria de base, tais com
fabricação de aço e metal, comércios de varejo, produção
processamento de alimentos, frigoríficos, a indústria aut
mobilística, ferrovias, serviços médicos e de comunicaçõe
Negros chegam a 1/3 a 1/2 dos trabalhadores braçais básico
e 1/3 de trabalhadores de escritório. A mão de obra Neg
é, portanto, muito importante para a economia Capitalist
Devido a essa vulnerabilidade para ações de trabalh
por trabalhadores Negros, que são alguns dos trabalhador
mais militantes no âmbito do trabalho, eles poderiam ass
mir um papel de liderança em uma campanha de protes
contra o racismo e a opressão de classe. Se forem devid
mente organizados, eles serão uma vanguarda de clas
dentro do nosso movimento, uma vez que estão no ponto d
produção. Trabalhadores Negros poderiam conduzir um

29
“Sit-in”, no original. (n.t.)
semprego Negro, as condições de trabalho brutais, e pa
promover as demandas do movimento Negro em geral. Es
greve geral é uma greve Socialista, e não apenas uma grev
por melhores salários e melhores condições gerais de tr
balho; ela é revolucionária na política, utilizando outr
meios. Esta greve geral pode assumir a forma de sabotage
industrial, ocupações de fábricas ou sit-ins, desaceleraçõ
de trabalho, greve espontânea e outras paralisações com
forma de protesto para obter concessões em nível local
nacional, e reestruturar o local de trabalho e ganhar a jo
nada diária de 4 horas pelo trabalho norte-americano.
greve não apenas envolveria os trabalhadores no local d
trabalho, mas também a comunidade Negra e grupos pr
gressistas para darem apoio com o trabalho na linha de p
quete, panfletagem e publicando boletins informativos d
apoio à greve, demonstrações em escritórios de empresas
locais de trabalho, juntamente com outras atividades.
Vão ser necessárias organização comunitária e organ
zação no local de trabalho muito comprometidas para re
lizar uma greve geral. Nos locais de trabalho em todo o pa
Trabalhadores Negros devem organizar Comitês de Grev
Geral nos locais de trabalho, e Comitês Negros de Apoio
Greve, para continuar o trabalho da greve dentro da própr
comunidade Negra. Porque um ataque desses seria especia
mente árduo e cruel, os trabalhadores Negros devem organ
zar comitês de defesa dos trabalhadores para defender
trabalhadores despedidos ou colocados na lista de persegu
dos30 pelos patrões, devido ao seu trabalho de organizaçã

30
“Black listed”, no original. (n.t.)
estabeleceria um fundo laboral de greve e defesa, e també
começaria a cooperativa de alimentos para financiar
apoiar materialmente esses trabalhadores vitimados e su
famílias durante a realização da greve.
Embora, definitivamente, possamos contar com um
tentativa de envolver os trabalhadores brancos onde el
estejam dispostos a cooperar, a greve estaria sob a lideranç
Negra, porque só os trabalhadores Negros podem efetiv
mente levantar as questões que mais lhes afetam. Os tr
balhadores brancos devem apoiar os direitos democrátic
dos Negros e de outros trabalhadores oprimidos em nív
nacional, em vez de apenas apoiar as campanhas brancas d
direitos comumente chamadas de “questões econômic
comuns”, lideradas pela esquerda norte-americana. Alé
de indivíduos norte-americanos progressistas ou bancad
sindicais, os próprios sindicatos locais devem ser recrutado
mas eles não são a força para levar esta luta, embora a su
ajuda possa ser indispensável em uma campanha específic
É preciso uma grande organização para libertá-los de su
natureza racista e conservadora. Assim, embora nós desej
mos e precisemos do apoio dos nossos colegas de outras n
cionalidades e grupos, é ridículo e condescendente simple
mente dizer aos trabalhadores Negros para sentarem e esp
rarem por uma “vanguarda de trabalhadores brancos” d
cidir se quer lutar. Vamos educar nossos colegas de trabalh
para as questões e por que eles deveriam lutar contra
supremacia branca ao nosso lado, mas não vamos adiar nos
luta por ninguém! Temos que organizar a Greve Geral para
Liberdade Negra!
Como podemos criar uma nova consciência revoluci
nária contra um sistema programado contra os nossos velh
métodos? Devemos usar uma nova abordagem e revoluci
nar a Comuna Negra Central da Cidade, e, lentament
fornecer ao povo o incentivo para lutar, permitindo-lh
criar programas que vão atender todas as suas necessidad
sociais, políticas e econômicas. Devemos preencher os v
zios deixados pela ordem estabelecida... Em troca, devem
ensinar-lhes os benefícios de nossos ideais revolucionário
Devemos construir uma economia de subsistência e um
infraestrutura sociopolítica para que possamos ser um exem
plo para todos os povos revolucionários”. (George Jackson
em seu livro ‘BE’32)
A ideia por trás de uma comuna de massa é criar um
estrutura de poder dual como uma contraproposta para
governar, sob condições que existem agora. Na verdade, Ana
quistas acreditam que o primeiro passo em direção à aut
determinação e da revolução social é o controle Negro d
comunidade Negra. Isso significa que as pessoas Negras d
vem formar e unificar suas próprias organizações de luta, ass
mir o controle das comunidades Negras existentes e tod
as instituições dentro delas, e conduzir uma luta constan
para superar todas as formas de servidão econômica, po
tica e cultural, e qualquer sistema de desigualdade racial
de classe, que é o produto desta sociedade Capitalista racist

31
Afro-Americano ativista de esquerda, marxista, autor, membro
Partido dos Panteras Negras, e co-fundador da Família Guerrilha N
gra enquanto estava na prisão. (n.e.)
32
Blood in my Eye, ou Sangue nos meus olhos. (n.e.)
brancas de poder político nas principais cidades dos Estad
Unidos. Uma vez que eles assumam a hegemonia, ess
comunas seriam uma alternativa real ao Estado e serviria
como uma força para revolucionar povos africanos – e, p
extensão – grandes segmentos da sociedade norte-amer
cana, que não poderia ficar imune a este processo. Ele serv
ria como um exemplo revolucionário vivo para os progressi
tas norte-americanos e de outras nacionalidades oprimida
Há um tremendo poder de luta na comunidade Negr
mas ele não está organizado em uma perspectiva revoluci
nária estruturada para efetivamente lutar e tomar o que
devido. A classe dominante branca Capitalista reconhec
isso, é por isso que empurra a fraude do “Capitalismo Negro
e os políticos Negros e outros tipos de “líderes responsáveis
Estes artistas falsos e vendidos nos levam ao beco sem saíd
da votaçao e da reza por aquilo que estamos realmente di
postos a lutar. Os Anarquistas reconhecem a Comuna com
o órgão principal da nova sociedade, e como uma altern
tiva para a velha sociedade. Mas os Anarquistas també
reconhecem que o Capitalismo não vai desistir sem luta
será necessário inviabilizar econômica e politicamente
América Capitalista. Uma coisa é certa, não devemos cont
nuar a permitir passivamente que este sistema nos explore
oprima.
A comuna é uma plataforma para a luta revolucionár
Negra. Por exemplo, as pessoas Negras deveriam se recus
a pagar impostos para o governo racista, deveriam boicot
as corporações Capitalistas, deveriam conduzir uma Grev
Geral Negra em todo o país, e deveriam se envolver em um
insurreição para expulsar a polícia e ganhar uma zona libe
dinheiro para o desenvolvimento da comunidade como um
concessão, em vez de como pagamento para a retirada d
luta, como aconteceu na década de 1960 e posteriorment
Se colocarmos uma arma na cabeça de um banqueiro
dissermos: “Nós sabemos que você tem o dinheiro, ago
desista dele”, ele teria de se render. Agora a questão é:
nós fizermos a mesma coisa com o governo, usando os mei
da ação direta com um movimento de massas insurreciona
seriam atos de expropriação? Ou seria apenas para pacific
a comunidade porque eles nos deram o dinheiro? Uma coi
é certa, nós definitivamente precisamos do dinheiro e, n
entanto, retirá-lo do governo é menos importante do que
fato de que os forçamos a desistir dele através das forç
populares. Teríamos, então, de usar esse dinheiro para r
construir nossas comunidades, manter nossas organizaçõe
e cuidar das necessidades do nosso povo. Poderia ser um
grande concessão, uma vitória.
Mas também temos que perceber que os africanos n
Estados Unidos não são simplesmente oprimidos pela forç
das armas, mas essa parte da autoridade moral do Estad
vem da mente do oprimido que consente o direito de s
governado. Enquanto as pessoas Negras acreditarem qu
alguma autoridade moral ou política do governo branco te
legitimidade em suas vidas, que eles têm o dever com es
nação como cidadãos, ou mesmo que eles são responsáve
por sua própria opressão, então eles não podem efetivamen
revidar. Eles devem libertar suas mentes das ideias de patri
tismo americano e começar a ver a eles mesmos como u
povo novo. Isso só pode ser realizado sob o poder dual, n
qual o patriotismo do povo para o Estado é substituído pe
Devemos estabelecer conselhos comunitários para t
mar decisões políticas e administrar os assuntos da comun
dade Negra. Esses conselhos seriam assembleias de bairro
democráticas compostas por representantes eleitos pel
Trabalhadores Negros em várias instituições da comun
dade – fábricas, hospitais, escolas – bem como delegad
eleitos tendo por base quarteirões. Devemos rejeitar prefe
tos Negros e outros políticos ou burocratas do governo, com
substitutos para o poder da comunidade. Devemos, po
tanto, ter controle comunitário de todas as instituições d
comunidade Negra, em vez de simplesmente deixar o E
tado decidir o que é bom para nós. Não apenas trabalho
moradia, mas também o controle total sobre as escolas, ho
pitais, centros de assistência social, bibliotecas, etc., deve
ser entregues a essa comunidade, porque só os morador
de uma comunidade têm uma verdadeira compreensão d
suas necessidades e desejos.
Aqui está um exemplo de como isso passaria a funci
nar: iríamos eleger um conselho comunitário para superv
sionar todas as escolas na comunidade Negra. Nós encoraj
ríamos os pais, alunos, professores e a comunidade em ger
a trabalhar cooperativamente em todas as fases da admini
tração da escola, em vez de ter uma autoridade como um(
diretor(a) e sua administração burocrática indiferente f
zendo as coisas como são feitas atualmente. Toda a com
nidade Negra terá de se envolver em uma luta militan
para assumir as escolas públicas e transformá-las em centr
de cultura Negra e de aprendizagem. Não podemos cont
nuar a depender dos conselhos escolares racistas ou fant
ches Negros para fazer isso por nós.
conselhos e outros coletivos de bairros organizados por um
variedade de razões fariam uma comuna de massa. Esta c
muna seria, por sua vez, federada a nível regional e naci
nal, com o objetivo de criar uma federação nacional d
comunas Negras, que se reuniria periodicamente em um
ou várias reuniões de assembleia em massa. Esta federaçã
seria composta por delegados eleitos ou nomeados, repr
sentando o seu município ou conselho local. Tal federaçã
nacional de comunas permitiria que conselhos comunitári
de toda a América do Norte elaborassem suas políticas c
muns e falassem em uma só voz sobre todos os assuntos qu
afetam suas comunidades ou regiões. Teria, portanto, mui
mais poder do que qualquer conselho comunitário poder
ter. No entanto, para prevenir esta federação nacional d
usurpação burocrática do poder por facções políticas o
líderes oportunistas, as eleições devem ser realizadas reg
larmente e delegados seriam revogados a qualquer momen
por má conduta, para que eles permaneçam sob o contro
das comunidades locais que representam.
Os conselhos comunitários Negros são na verdade u
tipo de movimento de base composto de todas as formaçõ
sociais de nosso povo, os Comitês de quarteirão e de bairr
grupos de Trabalhadores, de estudantes e de jovens (até me
mo a igreja, em um grau limitado), grupos de ativistas s
ciais, e outros, para unir as várias ações de protesto em torn
de um programa comum de luta para este período. As cam
panhas para este período devem utilizar as táticas de açã
direta de massas, pois é muito importante que as própri
pessoas tenham consciência acerca de seu poder organ
zado. Estas associações de base proporcionarão para as açõ
Os Anarquistas reconhecem esses conselhos comun
tários como sendo uma forma de democracia direta, em v
do tipo de falsa “democracia” americana, que realmente nã
é nada além do controle de políticos e empresários. Os con
selhos são especialmente importantes porque eles fornece
autonomia embrionária e o início de uma alternativa para
sistema econômico Capitalista e seu governo. É uma m
neira de minar o governo e torná-lo um dinossauro irrel
vante, porque os seus serviços não são mais necessários.
A Comuna também é uma contracultura revolucion
ria Negra. É o embrião da nova sociedade revolucionár
Negra no corpo da antiga, doente, moribunda. É o novo e
tilo de vida em microcosmo, que contém os novos valor
sociais Negros e as novas organizações comunitárias e inst
tuições, que se tornarão a infraestrutura sociopolítica d
sociedade livre.
Nosso objetivo é ensinar novos valores sociais Negr
de unidade e de luta contra os efeitos negativos da soci
dade e cultura branca Capitalista. Para fazermos isso, d
vemos construir a Comuna em um movimento de Consciê
cia Negra para construir orgulho racial e respeito, raça
consciência social, e lutar contra os senhores de escrav
Capitalistas. Este comunalismo Negro seria tanto um rep
sitório da cultura Negra quanto da ideologia. Precisam
mudar tanto nossas vidas quanto nossos estilos de vida,
fim de lidar com as muitas contradições interpessoais qu
existem em nossa comunidade. Poderíamos examinar a f
mília Negra, as relações Negras masculina/feminina, a sa
de mental da comunidade Negra, as relações entre a com
nidade e o establishment branco, e do povo Negro consig
nariam História e Cultura Negra, novas ideias sociais libe
tadoras e valores para crianças e adultos, bem como técnic
de aconselhamento e terapia para resolver problemas fam
liares e conjugais e, ao mesmo tempo, dando uma perspe
tiva revolucionária Negra para as questões do dia a dia. Nos
povo tem de perceber que o auto-ódio, a desunião, a de
confiança, a violência fratricida e condições sociais opress
vas entre as pessoas Negras são o resultado do legado d
escravidão Africana e os atuais efeitos do Capitalismo. F
nalmente, o objetivo principal da cultura revolucionária N
gra é agitar e organizar pessoas Negras a lutar por sua liberdad
Como Steve Biko, o revolucionário Sul-africano assa
sinado, foi citado dizendo:
“O apelo por consciência Negra é o chamado mais p
sitivo que veio de um grupo aliado no mundo Negro por u
longo tempo. Ele é mais do que uma reacionária rejeiçã
dos brancos pelos Negros... No coração deste tipo de pens
mento, reside a percepção do Negro de que a arma mais p
derosa nas mãos do opressor é a mente do oprimido. Um
vez que o último foi tão efetivamente manipulado e contr
lado, o opressor tenta fazer com que o oprimido acredite qu
ele é uma responsabilidade do homem branco, então não h
nada que o oprimido possa fazer que verdadeiramen
assuste os poderosos senhores... A filosofia da consciênc
Negra, portanto, expressa orgulho de grupo e a determin
ção dos Negros para se levantarem e conquistarem a auto
realização desejada. “
Como “autorrealização desejada”, Biko se refere à a
torrealização Negra, uma psiquê livre. É isso que querem
resgatar com esse movimento de consciência Negra aqui n
vício em drogas, prostituição, crime de Negros contra N
gros, e outros males sociais que destroem a fibra moral d
comunidade Negra. Drogas e prostituição são controlad
principalmente pelo crime organizado, e protegidos pe
polícia, que aceita subornos e presentes de gangsteres. Est
valores sociais negativos, a chamada filosofia “cão-com
cão” do sistema Capitalista ensina as pessoas a serem ind
vidualistas da pior espécie. Dispostos a cometer qualqu
tipo de crime contra os outros, e tirar vantagem um do o
tro. Esta cultura opressiva é contra o que estamos lutand
Enquanto ela existir, será difícil unificar o povo em torno d
um programa político revolucionário.

Construindo um programa
de sobrevivência Negra

Mas também deve haver alguma maneira de garant


a sua sobrevivência econômica, além de proporcionar nov
modelos culturais a seguir. É quando a Comuna, uma red
de organizações e instituições comunitárias, assume a su
maior importância. Nós vamos construir uma infraestrutu
sociopolítica para intervir em todas as áreas da vida Negr
cooperativas de alimentação e habitação, escolas de Libe
tação Negra, bancos populares e fundos comunitários d
ajuda mútua, clínicas médicas e hospitais, controle de ro
dores e programas de extermínio de pragas, cooperativas d
fábricas, centros culturais e de entretenimento comunit
rios, o estabelecimento de redes eletrônicas de comunic
ções intercomunais, projetos de recuperação de terras
prédios, brigadas de obras públicas para reconstruir as c
fundas da comunidade Negra, mas não são soluções pa
nossos problemas, porque embora possamos construir um
economia de sobrevivência agora, temos de perceber qu
vai ser preciso uma revolução social para derrubar o Cap
talismo e obter autossuficiência econômica completa. M
eles vão nos ajudar a organizar a comunidade Negra e
torno de uma verdadeira análise e compreensão de sua s
tuação. É por isso que eles são chamados de programas d
sobrevivência, ou seja, sobrevivendo sob este sistema en
quanto está pendente uma revolução social.
Construir consciência e cultura revolucionária sign
fica assumir questões reais do dia a dia, como a fome, a n
cessidade de vestuário e habitação, desemprego, transpor
e outras questões. Isso significa que a Comuna deve pr
encher o vácuo onde as pessoas não estão sendo devid
mente alimentadas e vestidas, não estão recebendo trat
mento médico adequado ou estão, de qualquer forma, sen
do privadas das necessidades básicas.
Ao contrário do discurso de alguns grupos de esque
da, isso não vai tornar as pessoas passivas ou simplesmen
dependentes de nós. Em vez de lutar contra o governo
exigir essas coisas, isso inspira confiança nas forças revol
cionárias e expõe o governo como insensível e incomp
tente. Esse é mais um incentivo para o povo se revoltar
derrubar o governo em vez de simplesmente ficar realizand
comícios políticos, dando palestras, concorrendo a carg
públicos, e publicando manifestos e resoluções ou jorna
partidários e outros tipos de lixo (que ninguém lê, a não s
seus próprios membros), como a maioria de grupos Negros
grupos radicais fazem agora.
única maneira pela qual nós vamos conseguir um nov
mundo. O que se segue é um exemplo de programa de s
brevivência:

1. Precisamos ter controle comunitário de todas


empresas e instituições financeiras localizadas em noss
comunidades. E as empresas que não estão trabalhando pa
nossos melhores interesses ou não retornam alguma parte d
sua receita para a comunidade, nós vamos nos apossar de
sas empresas e transformá-las em cooperativas comunitári
e sociedades bancárias de ajuda mútua.
2. Precisamos ter controle comunitário de toda a po
tica de habitação e maior entrada em todo o planejamen
comunitário das comunidades Negras. Se uma parte de um
propriedade ou a casa pertence a um proprietário de esp
lunca (seja ele um corretor de imóveis ou agência govern
mental), vamos tomá-las e transformá-las em cooperativ
de habitação comunitárias. Nós nos opomos à renovaçã
urbana, à decomposição espacial, gentrificação com vind
da classe média, e outros esquemas racistas para nos e
pulsar das cidades. Nós devemos ter controle completo d
todos os quadros de planejamento que afetam e dizem re
peito à comunidade Negra. Para cumprir estas exigência
devemos liderar greves de aluguéis, manifestações, açõ
armadas e de ocupações urbanas para expulsar os propri
tários especuladores e assumir a propriedade.
3. Precisamos ter uma economia independente e a
tossustentável para garantir o pleno emprego para todo nos
povo. Exigimos que o governo dos EUA proporcione ajud
atender as necessidades das comunidades oprimidas d
América. Habitações dos guetos devem ser reconstruídas
entregues aos ocupantes. Empregos e serviços adequad
devem ser fornecidos a todos os moradores de comunidad
incluindo a preferência para todos os trabalhos de obra n
comunidade Negra, quando as brigadas de obras públic
forem designadas a reconstruir as cidades. Devemos lut
para o controle popular Negro de todos os fundos públic
alocados para a comunidade Negra através de uma rede d
sociedades bancárias de ajuda mútua, empresas de desen
volvimento comunitário e cooperativas de crédito de d
senvolvimento comunitário.
4. Reparações: O Grande Acerto de Contas. O g
verno dos Estados Unidos e a classe rica deste país roubara
e oprimiram Africanos neste continente por décadas. El
usaram nossos ancestrais como escravos, e após a escr
vidão, continuaram a oprimir, assassinar e explorar o nos
povo, até os dias atuais. Devemos construir um movimen
de massas em nossas comunidades para obrigar o governo
os ricos a fornecerem os meios para nossa reconstrução d
comunidade. Eles nos devem por séculos de abuso e roub
Devemos exigir que as reparações, sob a forma de dinhei
para desenvolvimento comunitário e de outros fundos, seja
fornecidas e colocadas em cooperativas de crédito, coop
rativas e outras instituições de ajuda mútua na comunidad
Negra, para que possamos começar a obter um certo gra
de autossuficiência econômica. No entanto, sabemos qu
eles não vão nos dar o dinheiro. Devemos enfrentá-los pa
isso, assim como nós devemos lutar para derrubar o sistem
de escravidão assalariada hoje.
Estado. Exigimos processo criminal e prisão de todos
policiais violentos ou assassinos. Sem jurisdição para o si
tema judicial do Estado em Zonas Negras Libertadas.
6. Devemos empreender um programa em grande e
cala para treinar as pessoas Negras como médicos, enfe
meiros e paramédicos profissionais, a fim de tornar a assi
tência médica e odontológica gratuita e de qualidade di
ponível para as pessoas Negras. Devemos exigir que o g
verno subsidie todo esse tipo de formação médica e odon
tológica, como rede e para o funcionamento de clínicas, m
as pessoas Negras é que devem estabelecer e fazer funcion
as clínicas médicas gratuitas em todas as comunidades N
gras urbanas ou rurais. Isso incluiria programas comunitári
antidrogas e clínicas de reabilitação de drogas.
7. Devemos estabelecer um controle comunitário N
gro do sistema alimentar visando à autossuficiência com
modo de lutar pelo fim da fome e da desnutrição, incluind
uma rede de transporte por caminhão, armazéns, fazend
comunais, cooperativas de agricultores, cooperativas de a
mentos, cooperativas agrícolas e outras associações colet
vas. Isto incluirá uma campanha de protesto questionand
o roubo de terras agrícolas Negras por corporações do agr
negócio e por “barões da terra” ricos e brancos, e reivindic
las para os nossos projetos. Isto é especialmente importan
agora que os EUA entraram em uma crise econômica qu
não será capaz de suprir as nossas necessidades. Temos d
obrigar o governo a fornecer o dinheiro para muitos dess
projetos, para serem administrados sob nosso total control
e não por uma agência governamental.
de Libertação Negra que preencha as necessidades de fo
mação das crianças Negras, que os prepare para uma fo
mação profissional e para uma futura segurança econômic
para servir a sua comunidade, e lhes dê um conhecimen
de si e uma compreensão da verdadeira história e cultu
do povo Africano, bem como um programa de educação d
adultos para pessoas da comunidade, cujas oportunidad
educacionais anteriores foram atrofiadas. Devemos exigir
ensino superior gratuito para os Negros e outras minorias
custas completas do governo, incluindo programas de r
forço para todos os que desejam se qualificar.
9. Devemos exigir e lutar pela libertação de todos
prisioneiros políticos Negros e vítimas da injustiça racia
devemos investigar e avaliar os casos de todos esses pres
que são vítimas de repressão política do governo e armaçõ
racistas, e liderar uma campanha de massa para sua libe
tação. Alguns dos nossos melhores organizadores revoluci
nários estão apodrecendo nas casas prisionais desta terra
10. A principal exigência é o controle Negro da com
nidade Negra, sua política e economia. Temos que assum
as cidades, estabelecer comunas municipais e exercer
autonomia, como um passo vital. Nós somos a maioria e
muitas das grandes cidades deste país e devemos ser capaz
de controlar nossos próprios interesses (ou pelo menos obt
alguma autonomia), mas como nós já devemos estar cient
de que nunca vamos conseguir esse poder social com
nitário através da votação em algum político Capitalis
Negro, ou dependendo passivamente de “salvação” vind
de líderes de qualquer espécie, temos que fazê-lo nós me
mos se quisermos chegar no caminho para a liberdade.
A demanda por mão de obra Negra tem sido o fat
econômico central na América; foi o trabalho Negro qu
construiu os alicerces desta nação. Começando com o tr
balho escravo no Velho Sul em plantações, depois com
trabalho como meeiros e outros trabalhos agrícolas após
guerra civil, e sucessiva migração para o Norte para made
reiras, minas e fábricas durante um período de 40 an
(1890- 1920), e até nos dias de hoje, o trabalho Negro é im
portante para o funcionamento da ordem econômica C
pitalista.
Quase desde o início, os trabalhadores Negros organ
zaram seus próprios sindicatos e associações de trabalhador
para representar seus interesses: a União Nacional do Tr
balho de Cor33, em 1869, a Aliança Nacional dos Agricu
tores de Cor34 (populista), no mesmo ano, a Irmandade d
Atendentes de Vagões-Leitos35 em 1940, a Liga de Trabalh

33
A União Nacional do Trabalho de Cor, criada em 1869, foi um
tentativa pós-guerra civil dos trabalhadores Negros americanos
conseguirem uma representação coletiva, com Isaac Myers como s
presidente. (n.e.)
34
Formada em 1886 no Texas, a Aliança Nacional dos Agricultores
Cor foi criada com o objetivo de organizar os trabalhadores Negros q
eram proibidos de participar das alianças brancas, garantindo a lu
por suas necessidades específicas. Em 1891, contava com mais de 1
milhões de associados. (n.e.)
35
A Irmandade de Carregadores de Vagões-Leitos foi criada em 19
(não em 1940), por A. Phillip Randolph em nome dos trabalhador
dos trens da Pullman. A companhia Pullman só empregava trabalh
dores negros para carregadores e empregadas domésticas em se
carros, mantendo a relação senhor x escravos nas relações trabalhist
(n.e.)
trução na década de 1970, e assim por diante, até os di
de hoje com sindicatos ou associações, como os Trabalh
dores Negros por Justiça39 e da Coligação para Sindicalist
Negros40. Alguns destes eram sindicatos, alguns eram ap

36
Organização independente de trabalhadores Negros radicais
Detroit, que surge como consequência do movimento de libertaç
Negra, a Liga de Trabalhadores Negros Revolucionários foi consid
rada uma organização de trabalhadores Negros oprimidos e explor
dos. Criada em 1968, depois de uma greve de trabalhadores da Ham
track, onde trabalhadores Negros foram demitidos após serem fot
grafados por pessoas infiltradas em suas manifestações e linhas
piquetes. (n.e.)
37
Fundada em 1970 por Scott Tyree, um eletricista que havia tornad
se ativista de direitos civis, a Associação Unida dos Trabalhadores
Construção foi feita com o objetivo de unir os trabalhadores Negros
construção civil para promover o seu emprego na indústria e evita
discriminação. O UCWA negociou, em nome dos trabalhadores n
gros, liderou protestos, iniciou processos judiciais e organizou grup
de Amparo ao Trabalhador. (n.e.)
38
A Coalizão de Trabalhadores Negros e Porto Riquenhos da Con
trução foi formada em meados da década de 1970 para pressionar
companhias de construção com contratos públicos a contratar trab
lhadores nas minorias. (n.e.)
39
O Trabalhadores Negros por Justiça é uma organização de trab
lhadores Negros formada em dezembro de 1982, oriunda de uma lu
liderada por trabalhadoras Negras em uma loja K-Mart em Roc
Mount, Carolina do Norte contra a discriminação racial e de gêner
(n.e.)
40
A Coligação para Sindicalistas Negros foi iniciada em setembro
1972, quando mais de 1.200 dirigentes sindicais Negros e militantes
base a partir de 37 sindicatos nacionais reuniram-se em Chicago, Il
nois, para discutir o papel dos sindicalistas Negros no movimen
operário. (n.e.)
fosse pela ajuda e apoio do trabalhador Negro. O sindic
lismo nasceu como um movimento nacional eficaz em me
às grandes convulsões da guerra civil e da luta pelo fim d
escravidão, mas os trabalhadores Negros foram rotineir
mente excluídos dos sindicatos, como da Federação Amer
cana do Trabalho41. Somente as associações militantes com
os Knights42, IWW e a Associação Internacional de Trab
lhadores (IWPA43), iniciada por Anarquistas, aceitaria
sua associação. Isso continuou por muitos anos, até a fun
dação do Congresso de Organizações Industriais44 (CIO
que começou sua campanha de greves, ocupações, e outr
ações de protesto para organizar os trabalhadores industria
não-qualificados. A mão de obra Negra foi fundament

41
A Federação Americana do Trabalho (AFL) foi a primeira federaç
de sindicatos nos Estados Unidos. Foi fundada em Columbus, Oh
em maio de 1886 por uma aliança de sindicatos descontentes oriund
dos Knights of Labor. (n.e.)
42
O Knights of Labor (Cavaleiros do Trabalho) começou como um
sociedade secreta de alfaiates na Filadélfia em 1869. A organizaç
cresceu lentamente durante os duros anos da década de 1870, ma
militância dos trabalhadores aumentou para o final da década, esp
cialmente após a grande greve ferroviária de 1877, e a associação a
Knights aumentou com ela. (n.e.)
43
A Associação Internacional de Trabalhadores, também conheci
como Internacional Negra, foi uma organização política anarquis
criada em 1881 em uma convenção que ocorreu em Londres. O adj
tivo “Negra” remete à bandeira negra anarquista. (n.e.)
44
O Congresso das Organizações Industriais (CIO), proposto por Joh
L. Lewis, em 1928, era uma federação de sindicatos que organizou
trabalhadores em sindicatos industriais nos Estados Unidos e no C
nadá entre 1935 e 1955. (n.e.)
Você poderia pensar que o movimento de trabalhad
res americano veria como criminoso ou racista ignorar ess
colegas de trabalho hoje dessa maneira. Mas mesmo ago
não há nenhuma organização do trabalho nos EUA qu
confira representação plena e igualdade de tratamento pa
os trabalhadores Negros. O fato é que, mesmo com algun
trabalhadores Negros que são funcionários de gabinete
trabalhadores Negros recebem bem menos benefícios sind
cais que os trabalhadores brancos, e estão presos em trab
lhos mais mal remunerados, tediosos e perigosos, mesmo qu
eles tenham conseguido ganhos econômicos substancia
durante a década de 1960.
A maioria das massas Negras está na classe trabalh
dora. Devido ao papel que desempenham na produção,
trabalhadores Negros industriais e de escritórios são poten
cialmente o setor mais poderoso da comunidade Negra n
luta pela libertação Negra. Como vítimas da desigualdad
na economia, os trabalhadores Negros já começaram a
organizar para os seus interesses e para proteger os seus d
reitos no trabalho, mesmo que o sindicato seja conservad
e não lute contra o chefe. Eles formaram comissões sindica
e até mesmo sindicatos independentes, quando era nece
sário. É claro que a união de trabalhadores Negros e bran
cos é indispensável para combater e derrubar o Capitalism
Mas onde os trabalhadores brancos são agora privilegiad
e trabalhadores Negros são penalizados, a unidade e a lu
Negra devem preceder e preparar o terreno para qualqu
união Negro-branca em larga escala. Comissões Negras n
sindicatos podem lutar contra a discriminação na contr
tação, demissão, e promoção, e para a igualdade de trat
Comissões Negras são importantes. Onde eles são parte d
trabalho organizado, eles devem se esforçar para democr
tizar os sindicatos, regenerar seus espíritos de luta, e elim
nar práticas corporavitas brancas no emprego. Estas Comi
sões Negras nos sindicatos devem exigir:

1. Controle democrático do sindicato pelas bases.


2. Igualdade de direitos e de tratamento para todos
sindicalistas; eliminar todas as práticas racistas no mov
mento de trabalhadores.
3. Programas de ação afirmativa pela reparação hist
rica de práticas racistas no emprego, acabar com a discr
minação racial com base no tempo de serviço e outros estr
tagemas.
4. O pleno emprego para todos os Negros, mulheres
outros trabalhadores não brancos.
5. A semana de trabalho de 20-30 horas sem reduçã
do salário.
6. O direito de greve, incluindo greves autônomas se
consentimento do sindicato.
7. Procedimentos rápidos e justos para formalização d
queixas e críticas.
8. Uma cláusula prevista em todos os contratos sind
cais para garantir reajustes salariais automáticos que acom
panhem o aumento do custo de vida.
9. O pagamento total da seguridade social pela ent
dade patronal e pelo governo. Seguro-desemprego qu
compense 100% do salário base.
radas de produção estratégicas” por parte das empresas, se
aviso prévio para o sindicato ou para ganhar vantagem n
negociações de contratos.
12. Um programa de obras públicas para reconstru
comunidades Negras e de outras comunidades do centro d
cidade, e fornecer trabalho para os trabalhadores Negros
13. Trabalhadores autogerindo indústrias através d
comitês de fábrica e conselhos de trabalhadores, eleit
pelos próprios trabalhadores.
Além das comissões sindicais, trabalhadores Negr
precisam de uma associação nacional de trabalhadores N
gros, que seria ao mesmo tempo um movimento sindic
revolucionário para fazer a organização no local de trabalh
mas também seria um movimento social de massa para
organização da comunidade. Tal movimento combinaria
táticas de organização tanto para o trabalho quanto para
movimentos de Libertação Negra. Não seria concebido pa
impulsionar os Negros para fora dos sindicatos, onde eles
estão organizados, mas antes serviria como uma ferramen
para multiplicar seu número e força, e transformar os se
sindicatos em militantes, instrumentos de luta de classe.
A Liga dos Trabalhadores Negros Revolucionário
que organizou trabalhadores Negros da indústria autom
bilística durante o final dos anos 1960 é um exemplo do tip
de organização necessária. A Liga, que cresceu fora de su

Runaway shops, no original, é quando uma planta industrial é movi


45

por seus proprietários de um local para outro para escapar de regul


mentações sindicais ou leis estaduais. (n.t.)
ração de trabalhadores Negros que existiu como uma alte
nativa organizada para a União dos Trabalhadores da Indú
tria Automobilística, e foi o passo inevitável de levar a lu
de Libertação Negra para o espaço de trabalho industrial,
ponto de produção, e a área mais vulnerável do Capit
lismo.
A Liga sabiamente decidiu organizar a indústria d
produção de automóveis de Detroit. Esta foi uma indústr
onde seus trabalhadores foram uma parte importante d
força de trabalho e também na comunidade Negra de D
troit, onde a Liga uniu a luta nas fábricas com a luta Neg
como um todo. Rapidamente se tornou uma força impo
tante no local de trabalho e nas ruas, com muitos de se
quadros organizados nos campi universitários e nas áre
Negras centrais da cidade. Ele tinha o potencial para se to
nar um movimento de massas da classe trabalhadora Neg
em todo o país, mas esse potencial foi sufocado pelas lut
das facções políticas pela liderança, pela falta de uma ba
sólida organizada nas fábricas; repressão empresarial, r
pressão da central sindical United Automobile Workers
repressão do Estado, racismo organizado e falta de cooper
ção dos trabalhadores brancos, e outras razões. Eventua
mente, a Liga se dividiu em facções mutuamente hostis
morreu, após menos de cinco anos de existência.
Mesmo que a Liga fosse, no máximo, uma organizaçã
revolucionária sindicalista, e mais tarde uma rígida organiz

46
O Movimento Revolucionário da Dodge foi uma organização
trabalhadores afro-americanos formada em maio de 1968 na planta
Corporação Chrysler. (n.e.)
que os Anarquistas e trabalhadores radicais Negros ativi
tas podem aprender com a Liga. A principal coisa é que
trabalhadores Negros podem e devem ser organizados e
alguma forma de associação de trabalho independent
além de ou até mesmo no lugar de sua participação em sin
dicatos organizados e, especialmente, onde os sindicatos sã
pelegos e discriminam Negros. Também é muito mais fác
para os trabalhadores Negros organizarem outros trabalh
dores Negros e sua comunidade em apoio à greve e à organ
zação no local de trabalho. É precisamente por isso que t
mos de estabelecer um grupo como a Liga hoje, mas com
uma organização Anarcossindicalista, de modo a evitar
armadilhas do passado e disputas ideológicas do marxism
leninismo. Simplificando, o que seria o programa de um
recém-formada Federação Nacional de Trabalhadores Negro
1. Pela luta de classes contra os patrões.
2. Organizar os trabalhadores Negros não organizad
ignorados pelos sindicatos.
3. Pela solidariedade trabalhadora entre todas as n
cionalidades de trabalhadores.
Deve ser uma Federação Internacional de Trabalh
dores Negros!
De Detroit, Michigan a Durban, África do Sul, do C
ribe para a Austrália, do Brasil para a Inglaterra, trabalh
dores Negros são universalmente oprimidos e explorados.
classe trabalhadora Negra precisa de sua própria organiz
ção mundial do trabalho. Não existe nenhum grupo raci
mais rebaixado pelas restrições sociais que os trabalhador
Negros; eles são oprimidos como trabalhadores e como pov
Devido a estas duas formas de opressão e ao fato de que
tos países africanos e do Caribe, existam federações de tr
balhadores “Negros”, elas são reformistas ou controlad
pelo governo. Há uma grande classe trabalhadora em mu
tos desses países, mas eles não têm organizações de trab
lhadores militantes para liderar a luta. A construção de u
movimento de trabalhadores Negros para uma sabotage
industrial revolucionária e uma greve geral, ou organizar
trabalhadores para a autogestão da produção, e assim min
e derrubar o governo é a prioridade número um.
O que uma Federação Internacional dos Trabalhad
res Negros simbolizaria? Em primeiro lugar, uma vez qu
muitos trabalhadores, agricultores e camponeses Negr
não estão sequer organizados na maioria dos países, t
organização seria uma grande união de trabalhadores N
gros, representando cada base e vocação concebível. Tam
bém uma organização destas significa a unidade mundial d
trabalhadores Negros e, então, em segundo lugar, isso sign
fica revoltas de trabalhadores internacionais coordenada
Capital e Trabalho não têm nada em comum.
A força real dos trabalhadores contra o Capital e
países imperialistas é uma guerra econômica. A greve ger
revolucionária e o boicote às corporações multinacionais
aos seus produtos por trabalhadores Negros de todo o mund
é como eles podem ser feridos. Por exemplo, se quiserm
fazer a Grã-Bretanha e os EUA retirarem o apoio financei
e militar da África do Sul, e em seguida usarmos o peso e
força do Trabalho Negro naqueles países para conduzir
greves, sabotagens, boicotes e outras formas de luta polític
e econômica contra aqueles países e contra as empres
multinacionais envolvidas. Seria um poder a ser reconh
mente levaria ao colapso econômico total do Estado racis
Sul-Africano, especialmente se tais ataques forem apoiad
por trabalhadores Negros na América do Norte.
Além de pedir aos trabalhadores Negros para form
rem sua própria Federação Internacional do Trabalho e o
ganizar comitês de base dentro de seus sindicatos existent
para empurrá-los para a direção da luta de classes, nós tam
bém convidamos trabalhadores Negros para participarem d
organizações de trabalhadores Anarcossindicalistas como
IWW e Associação Internacional dos Trabalhadores. Ma
é claro, não é com a intenção de conduzir trabalhador
Negros para fora dos sindicatos em que já estão ativos, m
preferencialmente serviria como uma ferramenta para mu
tiplicar seu número e força em tais sindicatos, e torná-l
mais militantes.

O Desemprego e a Falta de Moradia

Nos primeiros três meses de 1993, a Agência de Est


tísticas do Departamento de Trabalho dos Estados Unid
listou as taxas de desemprego oficial em cerca de seis m
lhões de pessoas ou apenas 7% da força de trabalho. Sob
Capitalismo, metade desse número é “normal” e absurd
mente é considerado pelos economistas Capitalistas com
“pleno emprego”, mesmo que isso signifique milhões d
pessoas relegadas à pobreza econômica da pior espécie. M
os números do governo são intencionalmente conserv
dores, e não incluem aqueles que desistiram de procur
ativamente um emprego, os subempregados (que não cons
guem o suficiente para viver), os trabalhadores de me
Das 6 milhões de pessoas que o governo conta com
desempregadas hoje, menos de 3 milhões recebem qualqu
indenização por desemprego ou outra ajuda federal ou est
dual; o resto é deixado para morrer de fome, roubar ou tr
pacear para a sua sobrevivência. Uma pessoa sem empreg
sob o sistema Capitalista é estimada como nada. Todos
trabalhadores têm o direito humano a um emprego; contud
sob o Capitalismo, os trabalhadores são demitidos do trab
lho em tempos de crise empresarial, de produção excessiv
depressão ou apenas para economizar custos trabalhist
através de menos trabalhadores e mais aceleração. E algun
trabalhadores não conseguem encontrar empregos no me
cado de trabalho Capitalista, devido à falta de habilidad
ou discriminação racial ou social.
Mas os números do governo mentem, pesquisador
particulares afirmam que o número total de pessoas qu
querem empregos de tempo integral e, portanto, não cons
guem encontrá-los equivale a cerca de 14,3 milhões de pe
soas. Claramente, então, esta é uma situação de crise d
proporções amplas, mas todo o governo está fazendo mal
barismo e escondendo números. Mas os números mostra
que os Negros, Latinos e mulheres estão arcando com
ônus da depressão atual. A Liga Urbana Nacional, em se
“Índice de Desemprego Oculto” (incluído como parte d
seu Relatório Anual “Estado da América Negra”), rela
níveis de 15-38 por cento dos adultos Negros de 25 ou ma
anos e incríveis níveis de 44-55% para adolescentes e joven
adultos de 17-24 anos.
Na verdade, o desemprego na juventude Negra nã
diminuiu em nada desde a recessão de 1974-1975. Ele pe
tude Negra, a taxa de desemprego é de três a cinco vez
maior do que a dos jovens brancos. O Capitalismo está to
nando exilado econômico o povo Negro como um todo.
fato é que o desemprego está concentrado nas comunidad
Negras e Hispânicas, e é extremamente responsável pel
tendências mais destrutivas nas relações humanas e n
deterioração de bairros. Crime, prostituição, suicídio, d
pendência de drogas, brigas de gangues, doença menta
alcoolismo e a ruptura da família Negra, e outros problem
sociais – todos estão enraizados na falta de emprego e n
negação dos serviços sociais essenciais em suas comun
dades. Na verdade, é o genocídio racial na forma de n
gligência social.
O desemprego é rentável para os patrões, porque red
os salários dos trabalhadores e ajuda os empregadores
manter a força de trabalho sob controle através deste “exé
cito reserva de mão de obra”, que supostamente está semp
pronto para furar greve. Por causa da discriminação gen
ralizada contra os Negros, Latinos e outros trabalhador
oprimidos nacionalmente, incluindo os níveis mais elevad
de desemprego - os postos de trabalho que eles criam estã
geralmente no patamar inferior. Isso também é rentável pa
o patrão e divide a classe trabalhadora.
Falta de moradia é apenas a forma mais intensificad
de desemprego, onde, além de perda de emprego ou rend
há perda de habitação e a falta de acesso aos serviços s
ciais. Existem agora milhões de pessoas desabrigadas desd
os últimos 15 anos, por causa da ofensiva Capitalista pa
destruir os sindicatos, para rechaçar as conquistas da lu
pelos direitos civis, para acabar com o setor de habitação
sociais do Estado Capitalista, além do aquecimento da lu
de classes travada pelo governo e pelas grandes corpor
ções. Isto mostra, mais do que tudo, que o Capitalismo mu
dial está passando por um pânico financeiro internaciona
e está realmente nos estágios iniciais de uma depressã
mundial. Além dos 90 milhões de pessoas que vivem abaix
da linha da pobreza e três a cinco milhões de sem-teto n
EUA; há outros 2,7 milhões de sem-teto nos doze países d
Comunidade Europeia e 80 milhões de pessoas vivem n
pobreza, com mais milhões nos países Capitalistas do Japã
Coreia do Sul e outras partes da Ásia.
Assim, embora os trabalhadores Negros devam se org
nizar e lutar contra falta de moradia e desemprego nos EUA
claramente deve haver um movimento internacional d
trabalhadores para combater esta privação econômic
como parte da luta geral da classe. Em todas as cidades n
América do Norte, o movimento de trabalhadores Negr
deve organizar conselhos sobre desemprego para lutar p
seguro-desemprego e empregos para os desempregados,
construção de habitação de baixa renda decente, acessíve
e um fim à falta de moradia, bem como lutar contra a di
criminação racial em trabalhos e habitação.
Tais conselhos seriam organizações democrática
organizados em uma base de vizinhança (para garantir qu
eles estariam sob o controle do povo, e contra a infiltração
dominação pelos partidos políticos liberais ou “radicais”, o
cooptação pelo governo), que seriam federados em uma o
ganização municipal, regional e nacional. Essa organizaçã
seria uma liga nacional do desemprego Negro, para criar u
movimento de contra-ataque de massa nesta depressão. E
para traçar um ataque em grande escala sobre o desem
prego, bem como servir como câmara de compensação n
cional sobre condições de desemprego dos Negros.
Em nível local nos bairros Negros, seriam os conselh
comunitários sobre desemprego que estabeleceriam coop
rativas de alimentação e moradia, liderariam greves de al
guéis e ocupações, iniciariam projetos de recuperação d
terras e habitações, estabeleceriam cooperativas de prod
tores e consumidores, distribuiriam alimentos e roupas,
forneceriam outros serviços: estabeleceriam clínicas m
dicas de bairro para tratamento gratuito dos sem-teto
desempregados, programas de controle de roedores, etc.,
eles iriam lidar com os problemas sociais da comunidad
(provocados pelo desemprego), e outras questões de int
resse. Eles construiriam marchas da fome e outras manife
tações e levariam a ira do povo a vários gabinetes govern
mentais e às empresas dos ricos. Não somente os conselh
sobre desemprego seriam uma forma de lutar por empreg
e seguro-desemprego, mas também os conselhos seriam um
maneira de obter uma grande dose de autossuficiênc
comunitária e democracia direta, em vez de depender tota
mente da prefeitura, do Congresso ou do Presidente, e aj
daria a levar a confiança para as massas de que uma comun
municipal Negra se torna uma possibilidade real.
Uma das funções mais importantes de um movimen
contra o desemprego consiste em obter unidade entre em
pregados e desempregados ou sem-teto, e solidariedad
entre trabalhadores interraciais. Empregados e desempr
gados devem trabalhar juntos para lutar contra a classe p
tronal se quiserem obter quaisquer ganhos efetivos duran
recusariam a furar greve. Por sua vez, os trabalhadores fo
mariam comissões de desempregados em seus sindicat
para permitir a representação sindical desses trabalhador
e também forçar esses sindicatos a fornecer alimentos
outras necessidades, criar fundos e treinamento para
desempregados, bem como colocar o peso dos sindicatos n
luta por trabalho decente e habitação para todos os trab
lhadores. Os patrões Capitalistas não se abalarão de out
maneira. Façam os patrões pagarem pela crise econômica dele
Aqui está o que um movimento unido de trabalh
dores e sem teto deve exigir:

1. O pleno emprego (desemprego zero) para todos


trabalhadores com salários sindicalizados.
2. Estabelecimento de uma semana de trabalho ma
curta, para que os trabalhadores sejam pagos com salário d
40 horas de trabalho por 20 a 30 horas de trabalho por s
mana.
3. Acabar com a falta de moradia, construir e dispon
bilizar moradia decente para todos. Revogar todas as le
antivadiagem, antimendicância e outras contra os sem
teto.
4. Encerrar com o orçamento de guerra, e utilizar ess
fundos para habitação decente de baixa renda, melhor
escolas, hospitais e clínicas, bibliotecas, parques e tran
porte público.
5. Fim do racismo e sexismo nas oportunidades de em
prego e benefícios de assistência.
6. Empregos ou renda garantida para todos.
guéis e dívidas para qualquer trabalhador demitido, e s
guro-desemprego a 100% do salário regular, durante a tot
lidade do período de desemprego de um trabalhador.
8. Salário mínimo nacional fixado conforme o salár
base da tabela do sindicato.
9. Fundos governamentais e corporativos para estab
lecer um programa de obras públicas para gerar empreg
(com todos os direitos sindicais e escala salarial) para r
construir os centros urbanos e fornecer os serviços socia
necessários. O programa e seus fundos devem estar sob
controle de comitês democraticamente eleitos de bairr
pobres e Negros, de modo a evitar “cafetões da pobreza”
agências de emprego enganadoras ou burocratas do g
verno.
10. Liberdade para todas as pessoas presas por crim
de sobrevivência econômica.
Estas, e as exigências mencionadas anteriorment
formam meramente um programa de sobrevivência e um
ordem do dia para os trabalhadores desempregados; a ve
dadeira resposta é a revolução social, a eliminação do Cap
talismo e a autogestão da economia e da sociedade pel
trabalhadores. Este é um primeiro passo vital, no entant
Não haverá desemprego ou necessidade social para o tr
balho assalariado em uma sociedade Anarco-Comunista

Crimes Contra o Povo

É o rico que decide o que é ou não um crime; não


uma designação neutra. As leis são escritas para proteger
ricos e aqueles que atuam como agentes do Estado. Mas
violentos. As mulheres Negras são as principais vítimas d
estupro e abuso por parte do homem Negro neste país.
próprio homem Negro é a principal vítima de homicídio n
EUA por outro homem Negro como ele, e, infelizmente,
nossas crianças estão entre as principais vítimas de abu
infantil, muitas vezes por seus próprios pais. Nós não gost
mos de pensar nessas coisas na comunidade Negra, m
estamos espancando e matando a nós mesmos em um ritm
alarmante. Isto não é negar que o sistema social Capitalis
criou condições de vida frustrantes e degradantes, que co
tribuem para essa brutalidade e fratricídio, mas seria neg
gente em nossa obrigação humana e revolucionária se nã
tentássemos corrigir esse problema no curto prazo, e també
fazer as pessoas Negras assumirem a responsabilidade p
nossas ações. Eu não estou me referindo a nenhum conse
vadorismo Negro ou porcaria de “lei e ordem” aqui, mas si
ao reconhecimento do fato de que temos um problema.
Temos uma situação de crise interna e externa qu
enfrentamos em nossa comunidade. A crise externa é
racismo e o colonialismo, que trabalha para nos oprimir si
tematicamente e é responsável por qualquer crise intern
que exista. A crise interna é o resultado de um ambien
onde as drogas e a violência (tanto físicas quanto sociais) sã
galopantes, e a vida é por vezes considerada barata. Crim
de Negros contra Negros e violência interna estão destrui
do nossa comunidade. É, sem dúvida, o auto-ódio e as con
dições econômicas e sociais desesperadoras sob as quais v
vemos que nos fazem ser predadores uns dos outros. Droga
raiva frustrada, prostituição e outros vícios são sintomas d
opressão.
outra pessoa, não por nós mesmos. Em nossa dor e confusã
nós golpeamos as vítimas convenientes e familiares; aquel
que são como nós mesmos. Há pessoas Negras comuns qu
furtam e roubam para sobreviver sob este sistema, devido
essa distribuição desigual da riqueza. Além disso, pa
alguns de nós, em nosso desejo de “ter sucesso” na s
ciedade Capitalista, nós faremos de tudo, incluindo assa
sinato. E, finalmente, existem aqueles que fazem o qu
fazem devido à dependência de drogas ou doença menta
Quaisquer que sejam as razões, nós temos um problem
sério que precisamos resolver porque está rasgando o tecid
moral e social da nossa comunidade. Será impossível un
as pessoas Negras se elas estiverem com medo e ódio um
das outras. É também óbvio que a polícia e o governo nã
conseguem corrigir este problema e que só a comunidad
Negra pode fazê-lo. Os tribunais e as prisões não consegue
evitar que a situação seja recorrente. Portanto, o que pod
mos fazer?
É a comunidade, através de suas próprias organizaçõ
de interesse, que terá de lidar com este problema. Progr
mas comunitários autogestionados para trabalhar com mem
bros de gangue da Juventude Negra (uma fonte de mui
violência na comunidade), em vez de uma abordagem mi
tar ao se acionar a polícia, empoderar a comunidade em v
da burocracia da prisão racista e dos policiais. Além disso,
grupo de reabilitação de drogas de gestão comunitári
terapia e grupos de aconselhamento, e outras organizaçõ
de bairro nos ajudarão a lidar efetivamente com o problem
da violência interna e, esperançosamente, desarmá-la. Ma
importante ainda é envolver a comunidade no esforço.
Assim, para garantir a paz e a segurança pública, um serviç
de guarda comunitária Negra seria organizado para este fim
bem como para se proteger contra a estrutura de pod
branco. Esta força de segurança seria eleita pelos morador
locais, e iria trabalhar com a ajuda de pessoas nos bairro
Esta é a única maneira que funcionaria. Não seria um assi
tente do exército de ocupação colonial vigente em nos
comunidade, e não ameaçaria ou intimidaria a comunidad
com a violência contra os nossos jovens. Nem essa guard
comunitária protegeria o vício e o crime organizado. Es
guarda comunitária só representaria a comunidade que
elegeu, em vez da prefeitura. De forma semelhante, unid
des como essa seriam organizadas por toda a cidade, d
quarteirão em quarteirão.
No entanto, os Anarquistas vão além e dizem que d
pois que uma comuna municipal esteja configurada, os tr
bunais existentes devem ser substituídos por tribunais c
munitários voluntários de arbitragem, e em casos de crim
graves como os relacionados a assassinatos ou que atente
contra a liberdade e igualdade, um tribunal especial com
nitário de natureza não permanente seria criado. Os Ana
quistas acreditam que o crime antissocial, ou seja, tudo
que oprime, rouba, ou gere violência contra a classe tr
balhadora deve ser vigorosamente combatido. Não podem
esperar até depois da revolução para nos opor contra ess
perigosos inimigos do povo. Mas uma vez que tais crim
antissociais são uma expressão direta do Capitalismo, hav
ria uma tentativa real de socializar, educar politicamente
reabilitar os infratores. Não os jogando em prisões Cap
talistas brancas para sofrer como animais e onde, devido
especialistas em criminologia concordam que o crime
um problema social, e como sabemos que 88% de todos
crimes são contra o patrimônio e são cometidos pela sobr
vivência em uma sociedade economicamente injusta, tem
que reconhecer que só o pleno emprego, a igualdade d
oportunidade econômica, moradia digna e outros aspect
da justiça social vão garantir um fim ao crime. Em sum
precisamos ter uma mudança social radical para erradic
as condições sociais que causam crimes. Uma sociedad
injusta e desigual como o Capitalismo cria a sua própr
classe criminal. Os verdadeiros ladrões e assassinos, empr
sários e políticos, são protegidos pelo sistema legal atua
enquanto os pobres são punidos. Essa é a justiça de classe
é isso que a revolução social aboliria.
Mas, compreensivelmente, muitas pessoas querem ac
bar com o estupro, assassinato e violência em nossas com
nidades hoje, e acabam fortalecendo as mãos do Estado
seus agentes policiais. Eles não vão acabar com o crime, m
a polícia vai militarmente patrulhar as nossas comunidade
e ainda mais virar-nos uns contra os outros. Devemos fic
longe dessa armadilha. Frustradas e confusas, as pesso
Negras podem atacar umas as outras, mas, em vez de con
dená-las a uma morte lenta na prisão ou atirando nelas n
ruas por vingança, temos de lidar com as causas socia
subjacentes ao ato.
Os Anarquistas devem começar a realizar fóruns c
munitários sobre as causas e manifestações da criminalidad
na comunidade Negra. Precisamos examinar seriamente
instituições sociais: família, escolas, prisões, postos de tr
balho, etc., que nos levam à confusão, brigar, roubar e mat
nidade irá efetivamente lidar com o assunto. Não o sistem
Capitalista racista, com seus policiais repressores, tribuna
e prisões. Só nós temos a psicologia e compreensão para lid
com isso; agora temos de desenvolver a vontade. Ningué
mais se importa.
Em vez de punição olho-por-olho, deve haver a rest
tuição das vítimas, às suas famílias ou à sociedade. Nenh
ma vingança, como a pena de morte, vai trazer uma vítim
de assassinato de volta, nem serviria prisão a longo prazo
justiça ou à proteção da sociedade. Afinal de contas,
prisões são apenas lixeiras humanas para aqueles que
sociedade tenha descartado como inúteis. Nenhuma s
ciedade sã e justa adotaria esse caminho. A sociedade f
os criminosos e deve ser responsável por seu tratamento.
sociedade Capitalista branca é um crime em si, e é a mai
mestre da corrupção e da violência.
Em uma sociedade Anarquista, prisões seriam abo
das, juntamente com os tribunais e a polícia (salvo as exc
ções que aludi), e seriam substituídos por programas d
gerência comunitária e centros interessados unicamente n
regeneração humana e formação social, em vez da supe
visão custodial em um encarceramento desumano. O fato
que, se uma pessoa é tão violenta e perigosa, ela é prov
velmente mentalmente deformada ou tem algum defei
físico de qualquer maneira, o que o leva a cometer atos vi
lentos após a justiça social ter sido vencida. Se tais pesso
são deficientes mentais, então elas devem ser colocadas e
um estabelecimento de saúde mental, em vez de em um
prisão. Os direitos humanos não devem ser retirados e e
não deve ser punido. Escolas, hospitais, médicos e, acim
criminoso ou inimigo é criada, então essas pessoas p
dem sempre sentir-se párias e nunca mudarão. Mesmo se e
ou ela é um inimigo de classe, eles devem conservar tod
os seus direitos civis e humanos na sociedade, embora, clar
seriam contidos se conduzissem uma contrarrevolução;
diferença é que nós queremos derrotá-los ideologicament
não militarmente, ou pela entrega a um pretenso campo d
reeducação, ou para serem mortos a tiro, como os bolch
viques fizeram ao assumir o poder na Rússia em 1917.
Há duas principais razões pelas quais os ativistas n
comunidade Negra, no nosso caminho da transformação d
sociedade, de seus valores e condições – devem imediat
mente dar uma olhada séria e agir para mudar o debate p
lítico em torno do crime, prisões e do dito sistema de justiç
criminal. São duas razões que têm diretamente a ver com
gente. Uma é porque durante qualquer ano que seja, u
em cada quatro homens Negros neste país está na prisã
na cadeia, em liberdade condicional ou liberdade vigiad
em comparação com apenas um em cada quinze homen
brancos. Na verdade, os Negros compõem 50-85% da mai
ria das populações prisionais em todo os EUA, gerando u
postulado da fraseologia radical: “Prisões são campos d
concentração para os Negros e pobres”. Pode ser o se
irmão, irmã, marido, esposa, filha ou filho na prisão, mas e
garanto que todos nós conhecemos alguém na prisão, nes
exato momento! A outra razão primária pela qual Negr
têm um interesse voltado para instituições criminais e p
nais é porque, de longe, a maioria dos Negros e outros nã
brancos estão na prisão por ter cometido crimes contra a su
própria comunidade.
nidade e causar o crime, especialmente drogas, estão env
nenando de uma forma mais evidente e concentrada. Ch
mar esses lugares de “correcionais” ou instituições de “re
bilitação” é um equívoco grosseiro. Estão mais para camp
de extermínio. Essas prisões não existem para punir a tod
igualmente, mas para proteger o sistema Capitalista vigen
de você e de mim, a classe pobre e trabalhadora.
A alta taxa de reincidência prova, e as assim cham
das autoridades concordam, que o sistema prisional é u
fracasso total. Cerca de 70% das pessoas que entram n
prisão são reincidentes que cometem crimes cada vez ma
graves. A brutalidade da experiência na prisão e o estigm
de “ex-presidiário” quando são finalmente soltos os torn
pior. Fundamental para a resolução destes problemas cr
ciais é a organização. A comunidade Negra e o movimen
de Libertação Negra devem apoiar os prisioneiros em su
luta por direitos humanos para prisioneiros. Eles deveria
lutar pela libertação dos presos políticos e vítimas da inju
tiça racial. Eles também deveriam formar coalizões de gr
pos na comunidade Negra para lutar contra o sistema pen
e judicial racista e, especialmente, a aplicação desigual d
pena de morte, que é apenas mais uma forma de genocíd
contra a raça Negra. E, finalmente, e talvez o mais impo
tante, os grupos comunitários locais devem começar progr
mas de reeducação com irmãos e irmãs na prisão, porque
através do contato planejado, regular e constante é qu
podemos começar a resolver esse problema que atinge tã
diretamente nossas vidas. Abolir as prisões.
Uma das piores formas de criminalidade é o tráfico d
drogas, e esse merece alguns comentários em separado. H
uma subcultura negativa das drogas na comunidade Neg
que glorifica, ou pelo menos torna aceitável, o uso de dr
gas, mesmo que ele esteja nos matando e destruindo nos
comunidade. Na verdade, todos os dias, lemos sobre mais
mais viciados em nossas comunidades morrendo por overdo
de drogas, ou de algum traficante de esquina morrendo e
um tiroteio durante uma disputa ou durante uma transaçã
de drogas que “azedou”. A tragédia neste último caso é qu
nos dias de hoje, vítimas inocentes - crianças ou idosos
também têm sido baleados no fogo cruzado. O adicto e
drogas (o novo termo parece ser “crackudo47”) é outra
gura trágica; ele era um ser humano como qualquer outr
mas por causa de seu ambiente social oprimido, procurou
drogas para aliviar a dor ou para escapar temporariamen
das “selvas de concreto” em que somos forçados a viver n
guetos urbanos da América.
Com a introdução do crack (um derivado mais poten
da cocaína), que fez a sua aparição na década de 198
ainda mais problemas e tragédias desse tipo se desenvolv
ram – mais viciados, mais assassinatos de gangues de rua
mais deterioração de nossa comunidade. Nas grandes áre
urbanas quase sempre houve uso de drogas, o que é novo
a profundidade da penetração geográfica do crack nas c
munidades Negras em todas as áreas do país. Mas a diss
minação do crack é apenas um fato posterior à gestão gove
namental massiva do tráfico de drogas, que começou n

47
Crack-head, no original. (n.t.)
verdade, vem contrabandeado drogas para este país por mu
tos anos a bordo de aviões militares e da CIA para usar com
uma arma química de guerra contra a América Negra. Ess
drogas eram principalmente heroína importada do chamad
“Triângulo de Ouro” do Sudeste Asiático durante a Guer
do Vietnã. Mas, com a introdução do crack da cocaína, nã
houve mais necessidade de importar drogas para o país n
mesma quantidade que antes, porque poderiam ser quim
camente preparadas em um laboratório no continente,
depois distribuídas imediatamente. O crack criou toda um
nova geração de consumidores de droga e clientes para
traficantes de drogas; era barato e altamente viciante.
Crack e outras drogas são uma grande fonte de lucr
para o governo e mantêm a comunidade Negra passiva
politicamente indiferente. Essa é a principal razão pela qu
não podemos depender da força policial e/ou do govern
para parar o tráfico de drogas ou ajudar as vítimas viciad
em drogas. Eles, por um lado, estão empurrando as drog
para nos abater, mas o Estado também se torna mais pod
roso por causa da farsa da “guerra às drogas”, que permi
medidas de estado policial em comunidades Negras e opr
midas, e por conta de milhões de dólares em dotações m
netárias governamentais oriundas de serviços responsáve
pela aplicação da lei, que supostamente estão sufocando
tráfico de drogas. Mas eles nunca vão atrás dos banqueir
ou do grande negócio das empresas farmacêuticas que
nanciam o tráfico de drogas, apenas os traficantes de ru
que são geralmente Negros pobres.
O desemprego é outra razão pela qual o tráfico de dr
gas é tão predominante em nossas comunidades. As pesso
emprego ou renda, as drogas parecem muito lucrativas, e
melhor maneira de sair dessa situação. De fato, a econom
da droga tornou-se a única fonte de renda de muitas c
munidades Negras pobres, e a única coisa que algumas pe
soas compreendem que lhes permitirá sair da vida de p
breza desesperadora. Claramente, empregos dignos co
salários com piso fixados pelo sindicato são parte da respos
para acabar com o tráfico de drogas em nossa comunidad
em vez de depender da polícia, de tribunais e do Estado. O
policiais não são nossos amigos ou aliados e devem s
expostos pelo seu papel na proteção do comércio, em vez d
suprimi-lo.
Apenas a comunidade pode parar o tráfico de droga
e é nossa responsabilidade, não importando como voc
encara isso. Afinal, aqueles viciados são nossos irmãos
irmãs, mães e pais, vizinhos e amigos; eles não são estranho
Devemos nos organizar para salvar suas vidas e a vida d
nossa comunidade. Devemos estabelecer programas ant
drogas nas comunidades Negras em todo o país. Devem
expor e combater o papel do governo como traficante d
drogas, juntamente com o da polícia como protetor do c
mércio de drogas. Mas também devemos estar preparad
para ajudar as vítimas das drogas com aconselhamento d
rua, clínicas de rua (onde eles podem ficar limpos e apren
der um ofício e as razões sociopolíticas para o uso de dr
gas), propaganda contra o uso de drogas e outras atividade
Viciados são as vítimas da sociedade das drogas, qu
supõem ser bacana usar drogas. As crianças são algumas d
maiores vítimas do tráfico de drogas, quando são enganad
ou forçadas (por necessidade econômica) a usar ou vend
uma vítima do sistema econômico e político que faz co
que ele faça isso, traficantes são uma espécie corrupt
perigosa, que precisa ser parada. Muitas pessoas foram mo
tas ou gravemente feridas por ingenuamente tentar opor-
aos traficantes de drogas, e fazê-los sairem de seus bairro
Portanto, uma vez que a estratégia com viciados seria ma
benevolente e compreensiva, com traficantes devemos s
cautelosos, e até mesmo implacáveis quando for necessári
Precisamos tentar conquistá-los primeiro com um program
econômico e político para afastá-los do tráfico de droga
mas muitos dos traficantes são tão propensos à violênci
especialmente os “altos escalões” (que também são prot
gidos pela polícia), que devem ser combatidos por mei
militares e políticos.
Não estamos defendendo o assassinato sumário de pe
soas, mas estamos dizendo que se for preciso a morte pa
trazer uma mudança na comunidade, que assim seja!
questão da morte é, essencialmente, uma questão de que
está causando a morte. Ela pode ser direta e exercida cont
o comerciante da morte, ou pode ser indireta e exercid
contra a nossa juventude – se nós deixarmos. Estar cien
de uma situação de perigo e não se mover para mudá-la
ser tão responsável por essa situação perigosa, como aquel
que primeiramente a criaram.
Escutem, eu não quero simplificar este problema d
zendo que apenas matar alguns traficantes de rua vai acab
com ele. Não, não vai, e nós não queremos fazer isso de qua
quer forma! Eles são apenas pessoas pobres que tentam s
breviver neste sistema, apenas peões no jogo das drogas c
jas vidas não importam para os grandes Capitalistas ou pa
pode ser abordado de forma mais apropriada por organiz
ções de base. Mas são os patrocinadores corporativos
industriais do comércio de drogas (e não apenas o trafican
de esquina) que não somente devem ser expostos, com
devem ser expulsos. Além da educação, agitação e outr
ações, deve haver ação militar por células revolucionária
As ações clandestinas que estamos pedindo às pesso
para realizarem podem ser realizadas por um grupo relat
vamente pequeno de pessoas dedicadas, uma célula revol
cionária de combatentes armados, que tenham sido tre
nados em táticas de guerrilha. Mas mesmo estes pequen
grupos de pessoas, para funcionar, devem ter o apoio d
bairros, caso contrário, as pessoas não saberão diferenciá-l
de outra gangue violenta qualquer. Uma vez que exista es
coesão social na comunidade, então podemos começar
colocar essa proposta em ação contra os traficantes ma
violentos de alto nível. Tratamos aqui do que podem s
considerados de certa forma diretrizes para lidarmos com
problema na escala de um bairro ou de toda uma comun
dade, e em seguida, em escala nacional.
1. Configurar aulas de educação sobre drogas na com
nidade, para os jovens, especialmente, para expor a nat
reza do tráfico de drogas, quem fere, e como o governo, ba
cos e empresas farmacêuticas estão por trás de tudo isso.
2. Exposição dos comerciantes da morte e seus prot
tores policiais (fotos, cartazes, panfletos, boletins inform
tivos, etc.).
3. Perseguição aos traficantes; ou seja, telefonem
ameaçadores, revistas em busca de drogas, marchas de cid
dãos pelas áreas de seu “local de negócio” e outras tática
política revolucionária. Nós temos que ganhar as pesso
para longe do uso de drogas e para a revolução.
5. Eliminação física do comerciante; intimidação e
pulsando-o do bairro ou para fora da cidade, espancament
e assassinatos, onde necessário.
Drogas são a morte! Devemos lutar contra a dependênc
por quaisquer meios necessários! Façam tudo que puderem pa
ajudar o seu povo na guerra antidrogas!

Intercomunalismo Africano

Os ideais Anarquistas levam logicamente ao intern


cionalismo ou mais precisamente ao transnacionalismo, qu
significa para além do Estado-nação. Anarquistas prevee
um momento quando o Estado-nação deixará de ter qua
quer valor positivo para a maioria das pessoas, e, na verdad
será jogado no lixo. Mas esse tempo ainda não chegou, e a
que chegue, devemos nos organizar pelo intercomunalism
ou seja, pelas relações mundiais entre os povos Africanos
seus movimentos sociais revolucionários, em vez de se
governos e chefes de Estado.
O Partido dos Panteras Negras pela primeira vez apr
sentou o conceito de intercomunalismo (na década de 1960
que é, embora um pouco diferente, basicamente um con
ceito libertário em sua essência (costumava de ser chamad
de “PanAfricanismo”, mas com predomínio de govern
“revolucionários” e movimentos coloniais ou de indepen
dência como aliados). Por causa da herança da escravidã
e a continuação do neocolonialismo econômico, que dispe
atualmente organizado em estados-nações concorrente
em que as nações Capitalistas Ocidentais têm sido respon
sáveis pela maior parte da fome no mundo, imperialismo
exploração dos povos não brancos da terra. Na verdad
todos os estados são instrumentos de opressão. Embora exi
tam governos que afirmem ser “Estados operários”, “país
socialistas” ou os chamados “governos revolucionários”, e
essência todos eles têm a mesma função: a ditadura e
opressão dos poucos sobre os muitos. A falência do Estado
ainda mais evidenciada quando olharmos para os milhõ
de mortos durante as duas guerras mundiais, provocad
pelo Imperialismo Europeu, (1914-1918 e 1939-1945), e ce
tenas de “guerras civis48” incitadas pelas grandes potênci
do Ocidente ou a Rússia na década de 1950, e que cont
nuam até hoje. Isso inclui “estados operários”, como Chin
Rússia, Vietnã-China, Vietnã-Camboja, Somália-Etiópi
Rússia-Tchecoslováquia e outros que entraram em guer
por disputas fronteiriças, intriga política, invasão ou out
ação hostil. Enquanto existirem Estados-nação, have
guerra, tensão e animosidade nacional.
Na verdade, a parte triste sobre a descolonização d
África na década de 1960 foi que os países foram organ
zados conforme o ideal eurocêntrico de Estado-nação, e
vez de algum tipo de formação mais aplicável para o cont
nente, como uma federação continental. Isso, é claro, foi u
reflexo do fato que, embora os Africanos estivessem obtend
sua “independência de bandeira” e todas as armadilhas d
Estado soberano europeu, eles não estavam efetivmen

48
Brush wars, no original. (n.t.)
veis e conservadores possível. Países exauridos da Áfric
eram como um cão com uma coleira no pescoço; embora
europeus não pudessem mais governar o continente dir
tamente através do domínio colonial, agora o faziam atrav
de fantoches que controlavam e defendiam, como Mobu
no Congo, Selassie na Etiópia, e Kenyatta, no Quêni
Muitos desses homens eram ditadores da pior espécie e se
regimes existiam estritamente por causa do capital finan
ceiro Europeu. Além disso, havia comunidades brancas d
colonos nas colônias Portuguesas, África do Sul e Zimbabw
que oprimiam os povos africanos de forma ainda pior que
antigo sistema colonial. Por isso, os movimentos de libert
ção nacional fizeram suas aparições nos anos 1960 e 70.
Anarquistas apoiam os movimentos de libertação n
cional, até o ponto que eles lutam contra um poder coloni
ou imperialista; mas também observam que, em quase tod
os casos em que essas frentes de libertação assumiram
poder do Estado, tornaram-se partidos “Comunistas de E
tado” e novos ditadores sobre as massas do povo. Estes in
cluem os mesmos que haviam se envolvido em lutas pop
lares épicas, mas incluem também muitos que, desde o in
cio, baseavam-se em ditadura militar mais explícita. El
não são progressistas e eles não toleram nenhuma dissidên
cia. Por exemplo, tão logo o governo do MPLA49 chegou a
poder em Angola, começou a prender todos os seus advers
rios ideológicos de esquerda (Maoístas, Trotskistas, Ana

49
Movimento Popular de Libertação de Angola, partido político
Angola, que governa o país desde sua independência de Portugal e
1975. (n.e.)
botagem econômica . E com o caso de Nito Alves e sua s
posta tentativa de golpe (Alves foi um herói da revolução
um líder militar popular), houve o primeiro expurgo part
dário de adversários no novo governo. Algo semelhante
isto também ocorreu quando o movimento Sandinista d
Libertação Nacional assumiu o poder na Nicarágua na d
cada de 1980. Nada disso deve parecer estranho ou atípic
para Anarquistas, quando consideramos que o partido bo
chevique fez a mesma coisa quando o poder do Estado con
solidou-se durante a Revolução Russa (1917-1921).
Em países como o Benin, Etiópia, República Popular d
Congo e outros países na África, governos “revolucionário
não estão no poder como resultado de uma revolução soci
popular, mas sim devido a um golpe militar ou porque fora
ali instalados por uma das principais potências mundia
Além disso: muitos dos movimentos de libertação nacion
não eram movimentos sociais independentes, mas estava
sob a influência ou controle da Rússia ou da China, com
parte de suas lutas geopolíticas contra o imperialismo oc
dental e um contra o outro. Isso não quer dizer que os m
vimentos revolucionários não deveriam aceitar armas
outro tipo de apoio material de um poder externo, enquan
eles permanecerem independentes politicamente e dete
minarem suas próprias políticas, sem essa ajuda estar subo
dinada aos ditames políticos e da “linha partidária” de out
país.
Mas, mesmo que possamos divergir com eles politic
mente e taticamente em muitas áreas, e mesmo com tod
as suas falhas depois de assumir o poder do Estado, os rev
lucionários combatentes de libertação são nossos camarad
norte-americano e ocidental (o que Anarquistas chama
mais precisamente de poder mundial Capitalista), e en
quanto a luta continuar, estaremos unidos em camarad
gem e solidariedade. Contudo, ainda assim não podem
ignorar as atrocidades cometidas por movimentos como
Khmer Vermelho, uma guerrilha Marxista-Leninista n
Camboja, que há pouco massacrou milhões de pessoas pa
realizar políticas públicas Stalinistas rígidas bem como pa
consolidar o país. Temos de expor esta carnificina e outr
crimes cometidos pelo Comunismo de Estado para tod
verem. Nós não favorecemos esse tipo de revolução, qu
está apenas em busca do poder absoluto e de terrorismo co
tra o povo. É por isso que o Anarquismo sempre discordo
da forma como os bolcheviques tomaram o poder na Rúss
soviética; e a carnificina do povo russo por Stalin parece t
definido um modelo a ser seguido ao longo dos anos pel
movimentos pelo Comunismo de Estado.
As frentes de libertação nacional cometem um er
básico de muitos movimentos nacionalistas de povos opr
midos, que é o de se organizar de uma forma que as dif
renças de classe são obliteradas. Isso aconteceu nos Estad
Unidos, onde durante a luta pelos direitos democráticos,
movimento dos direitos civis incluiu pastores Negros d
classe média, professores e outros, e cada pessoa Negra e
um “irmão” ou “irmã”, contanto que eles fossem Negro
Mas esta análise simplista da realidade social não se seguro
por muito tempo, porque quando a fase dos direitos civis d
luta Negra americana acabou-se em si mesma, as distinçõ
de classe e a luta de classe vieram à tona. Elas foram fican
do cada vez mais nítidas desde então. Embora existam pr
neocolonialismo, que teve lugar no 3 Mundo, depois d
muitos países terem alcançado sua “independência” n
década de 1960. A Europa ainda manteve o controle p
meio de políticos fantoches e um comando da pequen
burguesia que estavam dispostos a trocar a liberdade d
pessoas por ganhos pessoais. Essas pessoas simplesmen
presidem sobre a miséria das massas. Eles não são uma con
cessão séria para a nossa luta. Eles são colocados no carg
para cooptar a luta e amortecer a dor das pessoas.
Assim, enquanto os revolucionários Negros gera
mente favorecem as ideias de Intercomunalismo African
eles querem a unidade revolucionária baseada em princ
pios. É claro que o maior serviço que podemos prestar a
povos do chamado “Terceiro Mundo” da África, Ásia
América Latina é fazer uma revolução aqui na América d
Norte – no ventre da besta. Porque nos libertando, tiram
a classe dirigente dos EUA de ambas as nossas costas. D
sejamos construir uma organização internacional Neg
contra o Capitalismo, o racismo, o colonialismo, o imperi
lismo, e a ditadura militar, o que poderia combater de form
mais eficaz as potências Capitalistas e criar uma federaçã
mundial dos povos Negros. Queremos unir um irmão o
irmã na América do Norte com os povos Negros da Austrál
e Oceania, África, Caribe e América do Sul, Ásia, Orien
Médio, e os milhões do nosso povo que vivem na Grã-Bret
nha e em outros países da Europa Ocidental. Queremos un
as tribos, nações e culturas Negras em um organismo inte
nacional de movimentos de base e forças de luta.
Em todo o mundo, as pessoas Negras são oprimidas p
seus governos nacionais. Alguns são súditos coloniais n
sível quando existirem organização e movimento social r
volucionários e Negros. Uma organização que possa coord
nar as lutas de resistência em todos os lugares dos pov
Africanos; na verdade, uma rede de organizações, mov
mentos de resistência, que estão espalhados por todo
mundo com base em um consenso para a luta revoluci
nária. Este conceito aceita qualquer nível de violência qu
seja necessário para fazer cumprir as demandas do povo
dos trabalhadores. Nos países em que um movimento r
volucionário Negro aberto seria submetido à feroz repressã
por parte do Estado, como na África do Sul e em algum
ditaduras fantoches Negras em outras partes da África, d
Caribe e da Ásia, seria necessário empreender uma luta d
resistência Negra clandestina. Além disso, o Estado tem
tornado cada vez mais violento, com tortura generalizada
execuções, prisões e máximo de controle policial, de espi
nagem e de privação dos direitos democráticos, a bruta
dade policial e assassinato. Claramente esses governos –
todos os governos – devem ser derrubados. Eles não vão ca
devido a problemas econômicos ou políticos internos, m
devem ser derrotados e desmontados. Assim, apelamos a u
movimento de resistência internacional para derrubar g
vernos e o sistema de governo mundial Capitalista.
Mas, mesmo nos países imperialistas ocidentais, tem
de reconhecer a legitimidade da violência revolucionári
Quando forem necessárias tais formas de ação revoluci
nária, no entanto, uma clara diferença deve ser vista pel
revolucionários entre o terrorismo simples sem apoio popul
e programa político coerente e uma guerrilha decorrente d
frustrações sentidas coletivamente pelas pessoas comuns
derem, levando a ofensiva armada contra o Estado e a clas
dominante, e para expropriar a riqueza da classe Capitalis
durante a revolução social.
O movimento de libertação Negra precisa de uma o
ganização capaz de coordenação internacional da luta d
libertação Negra, uma federação mundial dos povos Afr
canos. Se bem que este não seria apenas um movimen
Anarquista: uma federação como esta seria mais eficaz d
que qualquer grupo de Estados, as Nações Unidas ou
Organização de Unidade Africana50, em libertar as mass
Negras. Ela envolveria as massas de pessoas, e não somen
os líderes nacionais ou Estados-nação. Os ditadores mi
tares e burocratas do governo só provaram que sabem com
gastar dinheiro com pompa e circunstância, mas não com
desmantelar os últimos vestígios do colonialismo na Áfric
do Sul ou derrotar intrigas neocolonialistas ocidentais.
África ainda é o mais pobre dos continentes do mundo, a
mesmo tempo que o mais rico materialmente. O contraste
claro: milhões de pessoas estão passando fome em grand
parte da África Equatorial, mas os chefes tribais, políticos
ditadores militares, estão dirigindo por aí de Mercedes
vivendo em mansões de luxo, enquanto fazem os lances d
banqueiros da Europa Ocidental e norte-americanos atr
vés do Fundo Monetário Internacional. Eles são parte d
problema e não parte da solução!

Criada a 25 de Maio de 1963, em Addis Ababa, Etiópia, por iniciati


50

do Imperador etíope Haile Selassie, a Organização da Unidade Af


cana (OUA) conta, em sua Constituição, com representantes de
governos de países africanos independentes. (n.e.)
para as massas. Poder para o povo não significa um govern
ou partido político para governar em seu nome, mas o pod
social e político nas mãos do próprio povo. O único “pod
do povo” real é o poder de tomar suas decisões sobre assun
tos de importância, e não apenas eleger alguém para faz
lo, ou ter uma ditadura forçada goela abaixo. A verdadei
liberdade é ter autodeterminação completa sobre o seu d
senvolvimento social, econômico e cultural. O futuro é
Anarco-Comunismo, e não o Estado-nação, ditadores san
guinários, Capitalismo ou escravidão assalariada.

Defesa Armada da Comuna Negra

“Nossa insistência na ação militar, de defesa e retali


ção, não tem nada a ver com romantismo ou fervor idealis
precipitado. Queremos ser eficazes. Queremos viver. Nos
história nos ensina que as lutas de libertação de suces
exigem um povo armado, todo um povo, participando at
vamente na luta pela sua liberdade!” (George Jackso
citado em Sangue no Meu Olho).
Nós devemos organizar unidades de autodefesa pa
proteger a comunidade Negra e suas organizações. A políc
e o governo são os principais perpetradores de violênc
contra as pessoas Negras. Todos os dias lemos sobre a políc
assassinando e mutilando as pessoas de nossa comunidad
tudo em nome da “lei e ordem”. Essa brutalidade polici
inclui o uso de força letal contra crianças a partir de cinc
anos e idosos com mais de 75 anos de idade! Precisamos d
sarmar e desmilitarizar a polícia, e forçá-la a deixar a nos
comunidade.
de Libertação Negra tentou fazer na década de 1970. Eu nã
tenho como saber. Eu só sei que eles têm de ir. Eles são u
exército de ocupação opressiva, não são de nossa comun
dade, não podem compreender nossos problemas e não
identificam com o nosso povo e suas necessidades. Alé
disso, é a corrupção dos policiais que protege o crime org
nizado e o vício em nossa comunidade, e o Capitalismo, co
suas condições econômicas de exploração, que é respon
sável por todo o crime.
As forças policiais existentes devem ser substituídas p
forças de autodefesa da própria comunidade Negra, fo
mada por membros da nossa comunidade eleitos ou nome
dos por seus vizinhos para essa posição, ou a partir de um
força de guerrilha de rua já existente ou organização p
lítica, se as pessoas concordarem. Eles estariam sujeitos
revogação imediata e demissão pelos conselhos do Contro
Comunitário de uma área. Isto é apenas para que possam
ter o controle comunitário da força de autodefesa, começ
a lidar com o crime fratricida de Negro contra Negro,
sermos capazes de nos defender de ataques de racistas bra
cos ou da polícia. Com o aumento da violência racis
branca hoje, e a possibilidade de ações mobilizadas p
brancos no futuro, geralmente em nome de “lei e ordem
estas forças de autodefesa da comunidade são da mai
importância. A única questão é: podemos fazer isso agora
Nós existimos agora sob condições de legalidade e d
reitos civis nominais, mas, em algum momento no proces
de construção de nossas forças, é inevitável que a estrutu
de poder branco reconheça o perigo que representa um
comuna Negra livre, e então tentarão reprimi-la à forç
prir as demandas do povo e dos trabalhadores. No entant
essas forças de autodefesa não seriam um “partido de van
guarda”, uma força policial, ou mesmo um exército perm
nente no sentido estatal ou como normalmente isso se pens
elas seriam uma milícia do povo Negro, autogerida pel
trabalhadores e da própria comunidade: em outras palavra
o povo em armas. Estas organizações de milícia nos perm
tirão participar em ações ofensivas ou defensivas, tanto e
defesa comunitária em geral, ou como parte de uma in
surreição ou resistência clandestina.
Mas o que vamos fazer agora, neste momento, em te
mos de legalidade para recuperar nossa comunidade d
policiais racistas violentos? Será que ficamos sentados pa
debater a adequação da preparação militar, enquanto
inimigo está em nossa comunidade agora, cometendo est
pro e assassinato de pessoas Negras, ou vamos revidar? Com
podemos difundir se for pelo menos a ideia entre o nos
povo e começar a treiná-los para operações paramilitare
Em uma escala de massa, eu defendo a imediata formaçã
de grupos de estudo de defesa e técnicas de sobrevivênci
sob o pretexto de serem clubes de tiro, sociedades de art
marciais, clubes de sobrevivência em natureza selvagem o
qualquer outra coisa que precisarmos chamá-los. Uma pr
funda compreensão de pontaria, fabricação de muniçã
demolição e fabricação de armas é mínima para todos. Alé
disso, devemos estudar os primeiros socorros referentes
lesões traumáticas sofridas com tiros e explosivos, comun
cação de combate, armas de combate, táticas de comba
para o pequeno grupo, a estratégia de combate para a regiã
ou nação, combater a atuação de inteligência policial o
Devemos colocar ênfase na compra, coleta, duplicaçã
e divulgação de manuais militares, livros didáticos de a
meiros, manuais de explosivos e demolições improvisada
manuais técnicos da polícia e do governo, e edições pirat
de manuais de direita sobre o assunto (já que eles parece
escrever o melhor material nesta área), e também dar iníc
ao estudo de como construir redes de inteligência para c
letar informações sobre o rápido crescimento dos Skinhea
e outras organizações racistas totalitárias, junto à info
mação de inteligência e contra-inteligência sobre a políc
secreta do governo e as agências de aplicação da lei, com
o FBI, CIA, ATF, etc., e sobre toda e qualquer outra m
téria que possa ser de utilidade para nós na luta próxima
Mesmo que nos Estados Unidos o desenvolvimento d
habilidades militares e autodefesa sejam mais fáceis d
serem realizados do que em muitos outros países, pois arm
e munições estão amplamente disponíveis, é lógico sup
que a situação das armas em breve estará tão apertada d
modo a tornar as armas de fogo praticamente inacessíveis
não ser através de um caro mercado negro por causa d
“guerra contra as drogas” do governo e demais legislaçõ
de controle de armas propostas para prevenir “violência d
rua”, ou assim eles dizem (você acha que as lojas que ven
dem armas de uso “esportivo” estarão abertas durante um
insurreição?). Portanto, devemos aprender a usar a tecn
logia de máquinas-ferramentas para produzir nossas própri
armas. Armas perfeitamente adequadas podem ser prod
zidas usando um mínimo de máquinas-ferramentas, propo
cionando que o indivíduo ou grupo está disposto a fazer
necessário de estudo e preparação. Não é o suficiente sab
guerrilha urbana, especialmente onde não há base de ma
sas para tais atividades. O que eu estou defendendo, nes
fase, é a autodefesa armada e o conhecimento de tátic
para resistir à agressão militar contra a comunidade Negr
É um traço tolo e infeliz entre os Anarquistas, a esquerd
branca e seções do movimento Negro condenarem o estud
de habilidades militares como prematuro ou aventureiro, o
de, por outro lado, lançar-se em uma fúria cega de expr
priações de bancos, sequestros de pessoas, atentados o
sequestros de aeronaves. Muitas pessoas do movimento tê
uma abordagem “viagem de morte” com relação a armas
eles presumem que, se você não está “de brincadeira”, entã
você deve provar suas convicções através de um tirote
suicida nas ruas. Não precisa ser assim.
Mas o movimento Negro não tem sequer o luxo dest
debates mornos, e precisa ter uma política de defesa a
mada, porque os Estados Unidos têm uma longa tradição d
repressão política de governo e de violência paramilitar d
justiceiros. Embora esses ataques fossem direcionados prin
cipalmente a Negros e outras nacionalidades oprimidas n
passado, eles também foram direcionados a sindicatos
grupos políticos dissidentes. Essa violência torna absolut
mente necessário adquirir familiaridade com armas de fog
e táticas militares. Na verdade, o movimento de Resistênc
Negra de que falei anteriormente deve pensar em si mesm
como um movimento paramilitar, ao invés de uma me
associação política.
Temos de afirmar nossos direitos de autodefesa armad
e revolução, embora seja verdade que há muita conver
solta sobre armas, defesa pessoal, revolução, “guerrilha u
significa que você pega em uma pela primeira vez no dia d
uma insurreição ou confronto com a polícia. Isso é um
besteira e é o verdadeiro “suicídio revolucionário”, voc
poderia ser morto sem saber o que você está fazendo. M
muitos casos atestam o fato de que autodefesa armada c
munitária pode ser realizada com sucesso, tais como a r
sistência MOVE na Filadélfia51, a Resistência Armada R
pública da Nova África52 em Detroit e Mississípi e os cas
dos Panteras Negras. Ainda, tão importante quanto o a
de defesa em si, é o fato de que essas instâncias bem-suced
das de autodefesa têm causado um enorme impacto sobre
comunidade Negra, incentivando outros atos de resi
tência.

51
A organização MOVE (MOVE organization) foi um grupo de libe
tação Negra baseado na Filadéfia que pregou a revolução e defend
um retorno ao estilo de vida naturalista. Fundado por John Africa e
1972, teve sua casa sede bombardeada em pleno território nacion
durante uma tentativa de desocupação da casa em que seus integra
tes revidaram aos ataques policiais. Onze pessoas morreram, incluin
5 crianças e o fundador do MOVE. (n.e.)
52
Republic of New Africa (RNA), no original, é uma organizaç
nacionalista Negra que foi criada em 1969 com a premissa de que um
república Negra independente deveria ser criada a partir do sul d
Estados Unidos da Carolina do Sul, Geórgia, Alabama, Mississipp
Louisiana, que eram considerados “terras subjugadas”. O manifesto
grupo exigiu que o governo dos Estados Unidos pagasse US$ 400 b
lhões em indenizações para as injustiças da escravidão e da segregaçã
O grupo previu que os EUA iriam rejeitar suas demandas e fez plan
para a resistência armada e uma guerra de guerrilha prolongad
(n.e.)
insurreição? Uma insurreição é uma revolta geral contra
estrutura de poder. É geralmente uma rebelião sustentad
que dura dias, semanas, meses ou mesmo anos. É um tip
de guerra de classe que envolve toda a população em u
ato de resistência armada ou semiarmada. Às vezes err
neamente chamada de rebelião, seu caráter é muito ma
combativo e revolucionário. Rebeliões são quase totalmen
espontâneas, questões de curto prazo. Uma insurreição tam
bém não é a revolução, uma vez que a revolução é um pr
cesso social, e não um evento único, mas pode ser uma par
importante da revolução, talvez a sua fase final. Uma in
surreição é uma campanha de protesto violento planejad
que leva a revolta espontânea das massas a um nível s
perior. Revolucionários intervêm para empurrar rebeliõ
para a fase insurrecional, e a insurreição para uma rev
lução social. Não são pequenos grupos isolados de guerrilh
urbana atuando, a menos que esses guerrilheiros faça
parte de uma revolta maior.
A importância de reconhecer as verdadeiras diferen
ças de cada nível pode definir a nossa estratégia e tátic
nesta fase, e não nos levar prematuramente para uma ofen
siva total quando o inimigo ainda não estiver muito en
fraquecido pela ação de massa ou ataques políticos. A im
portância de também reconhecer as verdadeiras causas d
revolta não pode ser subestimada. Anarquistas revoluci
nários intervêm em tais lutas para mostrar às pessoas com
resistir e as possibilidades de ganhar a liberdade. Querem
aproveitar as rebeliões do povo contra o Estado e utilizá-l
para enfraquecer o domínio do Capital. Queremos criar r
sistência a longo prazo e conquistar zonas libertadas. De
Israel no Oriente Médio. Criar a possibilidade de uma in
surreição Negra significa popularizar e difundir as vári
rebeliões para outras cidades, municípios e até países,
aumentando-as em número e frequência. Significa, tam
bém, conscientemente anular o poder do Estado, ao inv
de revoltas temporárias contra ele que, em última anális
preservam seu poder. Tem de haver uma tentativa delib
rada de pressionar o governo à extinção, e estabelecer
Poder Popular. Isso ainda não aconteceu com as várias revo
tas Negras que temos visto desde 1964, quando a primei
dessas revoltas modernas eclodiu no Harlem, Nova Iorqu
Na década de 1960, as comunidades Negras em tod
os EUA se levantaram furiosamente com rebeliões em mas
contra o estado exigindo justiça racial. Após a revolta d
Harlem, pelos próximos quatro anos, grandes rebeliões sac
diram os EUA no distrito de Watts de Los Angeles, Detro
Chicago, e centenas de outras cidades norte-americana
Atos isolados de brutalidade policial, discriminação racia
habitação precária, exploração econômica, “o elemento ba
dido”, uma avaria nos “valores familiares”, e uma série d
outras “explicações” foram apresentadas por sociólogos lib
rais e conservadores e outros comissionados pelo Estad
para encobrir as verdadeiras causas. No entanto, nenhu
deles revelou isso como protesto contra o sistema Capitalis
e a dominação colonial, embora os cientistas sociais “adve
tissem” sobre a possibilidade de um novo surto de violênci
Mais uma vez, na primavera de 1992, vimos uma r
volta massiva, em Los Angeles, cujas causas imediatas est
vam relacionadas com a absolvição escandalosa de policia
de Los Angeles que tinham espancado brutalmente Rodn
causa dessa rebelião foi a desigualdade social generalizad
no sistema Capitalista e o terrorismo da polícia. Desta ve
a rebelião espalhou-se para 40 cidades e quatro países e
trangeiros. E não foi apenas o chamado “distúrbio racial
mas sim uma revolta de classe que incluiu um grande n
mero de Latinos, brancos e até Asiáticos. Mas foi, ineg
velmente, em primeiro lugar, uma revolta contra a injustiç
racial mesmo que não fosse dirigida contra os brancos e
geral, mas contra o sistema Capitalista e os ricos. Ela não
limitou apenas ao centro da cidade na área de Los Angele
mas se espalhou até as áreas da alta sociedade branca e
Hollywood, Ventura, e mais além. Foi o estágio inicial d
luta de classes.
Se uma força militar clandestina existisse ou um
milícia tivesse sido reunida, ela poderia ter entrado n
campo da batalha com mais armas e táticas avançadas. D
jeito que estava, as gangues desempenharam esse papel,
desempenharam muito bem. A sua participação é a razã
em ter demorado tanto tempo para sufocar a rebelião, m
mesmo elas não puderam impedir o restabelecimento d
poder branco em South Central, Los Angeles. Não apen
por estarem militarmente em desvantagem, mas porque nã
tinham nenhum programa político revolucionário, apes
de toda a sua retórica de terem sido radicalizados. Alé
disso, o Estado caiu extremamente pesado em cima d
rebeldes. Mais de 20.000 pessoas foram presas, 50 fora
mortas e centenas de feridas.
Poderia uma zona libertada ter sido conquistada, d
modo que o poder dual pudesse ter sido estabelecido? Es
possibilidade existia e ainda existe, se as pessoas estivesse
não sabemos disso, é pura especulação. Sabemos que es
não é a última rebelião em Los Angeles e outras cidade
Elas podem vir muito mais rápido agora que o gênio d
revolução urbana está fora da garrafa novamente. Podem
apenas esperar e nos preparar. Para a frente com a Rev
lução Negra! Melhor: Para frente rumo à Revolução Negr
T EORIA E P RÁTICA A NARQUISTA

O principal objetivo deste capítulo é listar os principa


elementos do pensamento Anarquista e dar exemplos d
que alguns Anarquistas pensam sobre eles. Ao contrário d
outras correntes de pensamento político, os Anarquist
não promovem certos textos ou indivíduos em detrimen
de outros. Existem diferentes tipos de Anarquistas com mu
tos pontos de discordância. As principais áreas de deba
entre os Anarquistas se relacionam com que forma de org
nização devemos lutar e quais táticas devemos usar. P
exemplo, algumas de suas diferenças mais significativas d
zem respeito à organização econômica da sociedade futur
Alguns Anarquistas rejeitam dinheiro e o substituem p
um sistema de comércio em que o trabalho é trocado p
bens e serviços. Outros rejeitam todas as formas de comérc
ou a troca ou a propriedade privada como a Capitalista
consideram que todas as grandes propriedades devem ser d
propriedade comum.
Existem Anarquistas que acreditam em guerra d
guerrilha – incluindo assassinato, atentados, expropriaçõ
de bancos, etc. – como um meio de ataques revolucionári
contra o Estado. Mas também existem Anarquistas qu
acreditam quase que exclusivamente na atuação através d
organização, na atuação no local de trabalho ou na ação c
munitária. Não há uma forma única, nem todos concorda
sobre estratégia e táticas. Alguns se opõem à violênci
deturpados pelo mundo. A impressão popular de um ana
quista como uma pessoa violenta e de incontrolável em
ção, que só está interessado em destruição segundo su
vontade, e quem se opõe a todas as formas de organizaçã
ainda persiste hoje em dia. Além disso, a crença equivocad
que anarquia é caos e confusão, um reinado de estupr
assassinato e estupidez, desordem total e insanidade é am
plamente considerado pelo público em geral.
Esta falsa impressão, em primeiro lugar, ainda é ampl
mente considerada verdadeira porque pessoas de todo o e
pectro político vêm conscientemente promovendo es
mentira por anos. Todos os que se esforçam para oprimir
explorar a classe trabalhadora, e conquistar o poder para
venham eles da direita ou da esquerda, estarão semp
ameaçados pelo Anarquismo. Isso ocorre porque Anarqui
tas defendem que toda a autoridade e coerção devem s
combatidas. Na verdade, Anarquistas querem se livrar d
maior perpetrador de violência ao longo da história:
governos. Para os Anarquistas, um governo “democrático
Capitalista não é melhor do que um regime fascista ou C
munista, porque a classe dominante apenas difere na quan
tidade de violência que autorizam sua polícia e seu exérci
a usar e o grau de direitos que permitirão, se for o cas
Através de guerra, repressão policial, abandono social
repressão política, os governos têm matado milhões de pe
soas, seja tentando se defender ou derrubando outro g
verno. Os Anarquistas querem acabar com esse massacre
construir uma sociedade baseada em paz e liberdade.
O que é o Anarquismo? O Anarquismo é Socialism
Libertário ou livre. Os Anarquistas se opõem ao governo, a
defendem que a propriedade privada da terra, do Capital
das máquinas teve o seu tempo; que está condenada a d
saparecer, e que todos os requisitos para a produção deve
e vão tornar-se propriedade comum da sociedade, e vão s
geridos em conjunto pelos produtores da riqueza. Peter Kr
potkin, em seu Anarco-Comunista: sua base e princípios.
Apesar de existirem várias “escolas” diferentes do pe
samento Anarquista, o Anarquismo revolucionário o
Anarco-Comunismo baseia-se na luta de classes, mas nã
têm uma visão mecanicista da luta de classes adotada pel
Marxistas-Leninistas. Por exemplo, não consideram que
o proletariado industrial pode alcançar o Socialismo, e qu
a vitória desta classe, liderada por um “partido operário c
munista” representa a vitória final sobre o Capitalismo. Tam
bém não aceitamos a ideia de um “estado dos trabalh
dores”. Os Anarquistas acreditam que somente os camp
neses, trabalhadores e agricultores podem se libertar e qu
eles devem gerenciar a produção industrial e econômica p
meio de conselhos de trabalhadores, comitês de fábricas
cooperativas agrícolas, e não com a interferência de um pa
tido ou governo.
Os Anarquistas são revolucionários sociais e sente
que a Revolução Social é o processo através do qual um
sociedade livre será criada. A autogestão será estabelecid
em todas as áreas da vida social, inclusive o direito de tod
as raças oprimidas à autodeterminação. Como já afirmei,
autodeterminação é o direito de autogoverno. Por sua pr
pria iniciativa, as pessoas vão implementar a sua própria ge
tão da vida social através de associações voluntárias. El
se recusarão a entregar sua auto-direção ao Estado, part
autoridade Capitalista serão abolidos por meio da ação d
reta: greves autônomas, desacelerações, boicotes, sabot
gens, e insurreição armada. Nós reconhecemos que noss
objetivos não podem ser separados dos meios utilizados pa
alcançá-los. Portanto, a nossa prática e as associações qu
criarmos vão refletir a sociedade que buscamos.
Atenção crucial deverá ser dada necessariamente pa
a área da organização econômica, uma vez que é aqui qu
os interesses de todos convergem. Sob o Capitalismo tod
nós temos que vender o nosso trabalho para sobreviver
alimentar as nossas famílias e nós mesmos. Mas depois d
uma revolução social Anarquista, o sistema de salários e
instituição da propriedade privada e do Estado será abolid
e substituída pela produção e distribuição de bens de aco
do com o princípio comunista: “De cada um segundo as su
capacidades, a cada um segundo as suas necessidades
Associações voluntárias de produtores e consumidores t
marão posse comum dos meios de produção e permitirão
livre utilização de todos os recursos a qualquer grupo volu
tário, desde que tal uso não prive os outros ou não acarre
no uso de trabalho assalariado. Essas associações podem s
cooperativas de alimentos e habitação, fábricas cooperativ
das, escolas comunitárias, hospitais, instalações de lazer
outros serviços sociais importantes. Essas associações vã
federar entre si para facilitar seus objetivos comuns em um
base tanto territorial quanto funcional.
Esse Federalismo como um conceito é uma forma d
organização social em que os grupos autodeterminados con
cordam livremente em coordenar suas atividades. O únic
sistema social que pode, eventualmente, atender às divers
e necessidades comuns. Federalismo enfatiza a autonom
e a descentralização, promove a solidariedade e compl
menta os esforços dos grupos a serem tão autossuficient
quanto possível. É de se esperar que os grupos coopere
entre si, tanto quanto haja benefícios mútuos. Ao contrár
do sistema jurídico Capitalista e seus contratos, se não
sente que esses benefícios são mútuos em uma sociedad
Anarquista, qualquer grupo tem a liberdade de dissocia
se. Desta forma, um organismo social flexível e autorreg
lado será criado, sempre pronto para atender novas necess
dades de novas organizações e adaptações. O Federalism
não é um tipo de Anarquismo, mas é uma parte essenci
do Anarquismo. É a união de grupos e povos para a sobrev
vência política e econômica e pelos meios de subsistênci
Os Anarquistas têm um trabalho enorme pela frent
e eles devem ser capazes de trabalhar juntos em nome d
ideal. O Anarquista Italiano Errico Malatesta disse be
quando escreveu: “Nossa tarefa é incentivar o ‘povo’ a re
vindicar e aproveitar toda a liberdade possível para que
tornem responsáveis por suas próprias necessidades, se
esperar por ordens de qualquer tipo de autoridade. Nos
tarefa é demonstrar a inutilidade e nocividade do govern
ou provocar e incentivar através de propaganda e ação tod
os tipos de iniciativas individuais e coletivas”... “Depois d
revolução, os Anarquistas terão a missão especial de sere
os vigilantes guardiões da liberdade contra os aspirantes a
poder e a possível tirania da maioria.” (Citado em Malatest
Sua Vida e Tempo53, ed. por Vernon Richards)

53
A Confederação Nacional do Trabalho é composta por sindicat
cumprir nossas tarefas, os Anarquistas devem ter suas pr
prias organizações. Eles devem organizar a sociedade pó
revolucionária, e é por isso que os Anarquistas se federam
Em uma sociedade moderna e independente, o pr
cesso de federação deve ser estendido para toda a human
dade. A rede de associações voluntárias – a Comuna – nã
conhecerá fronteiras. Poderá ser do tamanho da cidad
estado, ou nação, ou uma sociedade muito maior do que
Estado-nação sob o Capitalismo. Poderia ser uma comun
de massa que abrangesse todos os povos do mundo em um
série de federações Anarquistas continentais, digo Améric
do Norte, África ou Caribe. Na verdade, este seria um mu
do novo! Não uma Nações Unidas ou “Governo Mundi
Único”, mas uma humanidade unida.
Mas a nossa oposição é formidável – cada um de n
foi ensinado a acreditar na necessidade de um governo, n
necessidade absoluta de especialistas, em receber orden
em autoridade – para alguns de nós é tudo novo. Mas quan
do acreditamos em nós mesmos e decidimos que podem
construir uma sociedade baseada na liberdade, em indiv
duos zelosos, essa tendência dentro de nós vai se tornar
escolha consciente de pessoas que amam a liberdade. O
Anarquistas verão seu trabalho como o fortalecimento des
tendência, e mostrarão que não há democracia ou liberdad
sob o governo – seja nos Estados Unidos, na China ou n
Rússia. Anarquistas acreditam na democracia direta pe
povo como o único tipo de liberdade e autonomia.
autônomos de ideologia anarcossindicalista da Espanha. Faz parte
organização de caráter transnacional Associação Internacional d
Trabalhadores (AIT). (n.e.)
em tudo. Historicamente, essas diferenças levaram a ten
dências distintas na teoria e prática Anarquistas.
Anarquistas Individualistas têm esperança em um
sociedade futura em que indivíduos livres cumpram o se
dever e compartilhem recursos “de acordo com os ditam
da justiça abstrata”. De um modo geral, individualistas sã
meros filósofos, em vez de ativistas revolucionários. Eles sã
cidadãos libertários que querem reformar o sistema pa
que ele funcione “de forma justa”. Eles foram predominant
no século 19, mas ainda são vistos em formações Anarqui
tas “contra-culturais”, filósofos da classe média, ou libert
rios de direita.
Mutualistas são Anarquistas associados com as idei
do filósofo Anarquista do século 19, Pierre-Joseph Pro
dhon, que baseou sua economia futura em “...um padrão d
indivíduos e pequenos grupos possuindo (mas não propriet
rios) seus meios de produção, e vinculados por contratos d
troca mútua e crédito mútuo (em vez de dinheiro), o qu
asseguraria a cada indivíduo o produto de seu próprio trab
lho”. Este tipo de Anarquismo surge quando Individualist
passam a colocar suas ideias em prática, e apenas deseja
reformar o Capitalismo e torná-lo “cooperativo”. Este é tam
bém onde os libertários de direita e os defensores de u
papel minimizado para o Estado conseguem ideias. Ma
atacou Proudhon como um “idealista” e “filósofo utópico
pelo conceito Anarquista de Ajuda Mútua.
Coletivistas são Anarquistas com base direta nas idei
de Michael Bakunin, o Anarquista russo, o defensor ma
conhecido para o público em geral da teoria Anarquista.
forma coletivista de Bakunin do Anarquismo substituiu
dele/dela ou seu equivalente ainda assegurado ao trab
lhador individual. Este tipo de Anarquismo envolve um
ameaça direta para o sistema de classes e ao Estado Cap
talista, e é a visão que a sociedade só pode ser reconstruíd
quando a classe trabalhadora assumir o controle da econ
mia através de uma revolução social, destruindo o aparelh
de Estado, e reorganizando a produção com base na propri
dade e controle por associações de trabalhadores. Es
forma de Anarquismo ideologicamente é a base do Anarc
Sindicalismo, ou sindicalismo revolucionário.
Anarco-Sindicalistas são Anarquistas que atuam n
movimentos sindicais e da classe trabalhadora. Anarco-Si
dicalismo é uma forma de Anarquismo para os trabalh
dores com consciência de classe e camponeses, para os m
litantes e ativistas do movimento operário, para Socialist
libertários que querem igualdade, bem como a liberdad
Como apontado, essa filosofia se baseia fortemente nas idei
de Bakunin, embora suas técnicas de organização decorra
dos movimentos sindicais franceses e espanhóis da CNT
(chamados “sindicatos”), onde os Anarquistas foram fort
mente envolvidos. Este é o tipo de Anarquismo que influe
ciou o IWW na América do Norte e que expressa a visã

54
Em 28 de setembro de 1864 em Saint Martin’s Hall, Londres, f
fundada a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) q
passou a ser mundialmente conhecida como Primeira Internacion
Participaram dessa reunião delegados de organizações operárias ingl
sas, francesas, italianas, alemãs, suíças e polonesas, na qual constitui
se um Comitê Provisório formado por 27 trabalhadores ingleses
franceses, 9 alemães, 6 italianos, 2 suíços e 2 poloneses, além de em
grantes socialistas alemães e poloneses. (n.e.)
baseada em sindicatos industriais, que estariam sob o con
selho da classe trabalhadora. Todos os assuntos polític
seriam tratados por um Congresso da União Industrial, en
quanto as questões de trabalho iriam para um comitê d
fábrica, ambos eleitos pelos próprios trabalhadores e sob se
controle direto. Este tipo de Anarquismo tem um grand
potencial para a organização de um movimento de clas
trabalhadora Anarquista na América do Norte, se levant
questões contemporâneas, como a semana de trabalho ma
curta, conselhos de fábrica, a crise atual e um revide cont
a ofensiva dos patrões nos últimos 20 anos contra a clas
trabalhadora a nível mundial.
Anarco-Comunistas são Anarquistas revolucionári
que acreditam na filosofia da luta de classes, fim do Capit
lismo, e todas as formas de opressão. Ao contrário do Anarc
Sindicalismo, não se limitam a organização no local de tr
balho. A filosofia baseia-se nas teorias de Peter Kropotki
outro Anarquista russo. Kropotkin e seus companheir
Anarco-comunistas não apenas previam a comuna e cons
lhos de trabalhadores como os guardiães adequados d
produção; eles também atacaram o sistema de salários e
todas as suas formas, e reavivaram as ideias do Comunism
Libertário. Este tipo de Anarquismo também é conhecid
como Socialismo Libertário, e inclui a maioria dos socialist
que também se opõem ao Estado, à ditadura e ao regime d
partido único, embora não sejam Anarquistas.
Desde a década de 1870, os princípios do Anarc
Comunismo foram aceitos pela maioria das organizaçõ
Anarquistas favorecendo a revolução. Este Anarco-Com
nismo ou Comunismo Libertário não deve, é claro, ser con
buição, e também na ditadura do partido. Essa forma d
sociedade comunista autoritária é baseada em opressão
escravidão ao Estado, enquanto nós somos a favor de u
comunismo livre e voluntário, de recursos compartilhado
Comunismo Libertário não é o bolchevismo e não tem n
nhuma ligação com Lenin, Stalin, Trotsky ou Mao Tse Tun
Não é o Estado ou o controle privado sobre os element
essenciais da vida que buscamos, e nos opomos a todas
formas de ditadura. Os Anarco-Comunistas buscam fome
tar o crescimento de uma nova sociedade na qual a libe
dade para se desenvolver como um indivíduo está integrad
em toda sua extensão com a responsabilidade social pa
com os outros.
Autonomistas são uma nova tendência no movimen
Anarquista. Esta tendência surgiu em meados de 1980 n
Alemanha e depois se espalhou para outros países da Europ
e América do Norte. Os estudantes, intelectuais e trabalh
dores descontentes construíram esta tendência origina
mente, mas também existem Anarquistas que se autoden
minam Autonomistas para dar a entender que eles nã
estão ligados com a federação, ou não são doutrinários o
puristas. Como o Socialismo Libertário, eles parecem retir
sua ideologia tanto do Marxismo quanto de alguns princ
pios da filosofia Anarquista como o Anarco-Comunism
mas eles tendem a ser mais independentes e muito met
culosos com a explicação de sua identidade diferente.
Em conclusão, esta é uma forma de listar as divers
tendências do pensamento e prática Anarquista. Pode h
ver muitas outras maneiras de fazê-lo e descrever o desen
volvimento histórico de cada tendência. Isso pode est
abolição do governo, do Estado, e o princípio de autoridad
que é central para as formas sociais contemporâneas, e pa
substitui-los por uma organização social baseada na coop
ração voluntária entre indivíduos livres. Todas as tendên
cias Anarquistas – exceto os Individualistas e, em cer
medida, os Mutualistas – veem esta sociedade futura b
seada em uma rede orgânica de associações de ajuda m
tua, coletivos de trabalhadores e consumidores, comunas
outras alianças voluntárias, organizadas em unidades regi
nais e outras federações não-autoritários pelo propósito d
partilhar ideias, informações, habilidades técnicas e recu
sos tecnológicos, culturais e recreativos em grande escal
Todos os Anarquistas acreditam na libertação da situaçã
de fome e a desejam, e são contra todas as formas de opre
são de classe, sexual e racial, bem como toda a manipulaçã
política por parte do Estado.
A filosofia é um ideal em evolução em que muitos ind
víduos e movimentos sociais têm influência. Feminism
Libertação Negra, direitos dos homossexuais, o movimen
ecológico e outros, são todos acréscimos à consciência d
filosofia do Anarquismo, e esta influência tem ajudado n
avanço do ideal do Anarquismo como uma força social n
sociedade moderna. Estas influências asseguram que a R
volução Social que todos nós antecipamos será a ma
abrangente e democrática possível, e que tudo será tota
mente libertado, não apenas homens ricos, brancos e het
rossexuais.
Historicamente, houve três principais formas de soci
lismo: o Socialismo Libertário (Anarquismo), Socialism
Autoritário (Comunismo Marxista), e Socialismo Democr
tico (social-democracia eleitoral). A esquerda não-Ana
quista tem ecoado o retrato burguês do Anarquismo com
uma ideologia de caos e loucura. Mas o Anarquismo, e esp
cialmente o Anarco-Comunismo, não tem nada em comu
com esta imagem. Ela é falsa e inventada por seus advers
rios ideológicos, os Marxistas-Leninistas.
É muito difícil para os Marxistas-Leninistas fazere
uma crítica objetiva do Anarquismo como tal, porque, p
natureza, isso prejudica todos os pressupostos básicos para
Marxismo. Se o Marxismo, e o Leninismo – sua variante qu
surgiu durante a Revolução Russa, é mantido como send
a filosofia da classe operária e o proletariado não pode dev
sua emancipação a ninguém além de si mesmo, é difícil vo
tar atrás e dizer que a classe trabalhadora ainda não es
pronta para dispensar a autoridade sobre ela. Lenin ve
com a ideia de um Estado de transição, que “definharia” a
longo do tempo, para acompanhar a “ditadura do prolet
riado” de Marx. Os Anarquistas expuseram esta linha com
contrarrevolucionária e pura tomada de poder. Mais de 7
anos de prática Marxista-Leninista vieram nos dar razã
Esses chamados “Estados Socialistas”, produzidos pela do
trina Marxista-Leninista elaboraram apenas estados po
ciais Stalinistas, onde os trabalhadores não têm direito
uma nova classe dirigente de tecnocratas e políticos do pa
tido surgiram, e o diferencial de classe entre favorecid
pelo estado em relação aos não favorecidos criou privaçã
generalizada entre as massas e outra luta de classe. Mas, e
especialmente Bakunin, um adversário ideológico de Ma
na Primeira Internacional dos Movimentos Socialistas55 d
século passado.
Anarquistas são revolucionários sociais, que busca
uma federação cooperativa, sem estado, sem classes e v
luntária de comunas descentralizadas baseadas na propri
dade social, liberdade individual e autogestão da vida s
cial e econômica.
Os Anarquistas diferem dos Marxistas-Leninistas e
muitas áreas, mas especialmente na construção da organiz
ção. Eles diferem dos socialistas autoritários de basicamen
três maneiras: eles rejeitam as noções Marxistas-Leninist
do “partido de vanguarda”, do “centralismo democrático
e a da “ditadura do proletariado”, e Anarquistas têm alte
nativas para cada uma delas. O problema é que quase tod
a esquerda, inclusive alguns Anarquistas, é completamen
inconsciente das alternativas estruturais tangíveis do Ana
quismo de Grupo Catalisador, de Consenso Anarquista,
de Comuna de Massa.
A alternativa Anarquista para o partido de vanguard
é o grupo catalisador. O grupo catalisador é apenas um
federação Anarco-Comunista de grupos de afinidade e
ação. Este grupo catalisador ou federação revolucionár
Anarquista se encontraria regularmente ou apenas quand
houvesse necessidade, dependendo dos desejos da soci
dade e da urgência das condições sociais. Ele seria com

55
Famoso livro de George Orwell, “1984”, publicado em 1948, retra
o cotidiano de um regime político totalitário e repressivo no ano hom
nimo. (n.e.)
futuras a serem realizadas. Produzirá tanto a teoria quan
a prática social Anarco-Comunista. Acredita na luta d
classes e na necessidade de derrubar o governo Capitalist
Ele se organiza nas comunidades e locais de trabalho.
democrático e não tem figuras de autoridade, como u
chefe do partido ou comitê central.
A fim de fazer uma revolução em grande escala, mov
mentos coordenados são necessários, e a sua formação é d
modo algum contrária ao Anarquismo. Os Anarquistas
opõem à liderança hierárquica delirante por poder qu
suprime o impulso criativo da maior parte dos envolvidos
força uma agenda goela abaixo. Os membros desses grup
são meros servos e adoradores da liderança do partido. M
apesar dos Anarquistas rejeitarem este tipo de lideranç
dominadora, eles reconhecem que algumas pessoas são ma
experientes, articuladas, ou qualificadas do que outras
essas pessoas terão um papel de ação de liderança. Est
pessoas não são figuras de autoridade, e podem ser remov
das pela vontade do organismo. Há também uma tentativ
consciente de rotineiramente rotacionar essa responsabi
dade e transmitir essas habilidades uns para os outros, esp
cialmente para mulheres e pessoas de cor, que normalmen
não teriam chance. As experiências dessas pessoas, que sã
geralmente ativistas veteranos ou melhor qualificados d
que a maioria, no momento podem ajudar a formar e im
pulsionar movimentos, e até mesmo contribuírem para
concretização do potencial de mudança revolucionária n
movimento popular. O que eles não podem fazer é assumir
iniciativa do próprio movimento. Os membros desses grup
rejeitam posições hierárquicas – ninguém tendo ma
ditadura militar depois da revolução. Em vez disso, o própr
grupo catalisador será dissolvido e seus membros, quand
estiverem prontos, serão absorvidos no processo coletivo d
tomada de decisão da nova sociedade. Portanto, esses Ana
quistas não são líderes, mas apenas assessores e organiz
dores para um movimento de massas.
O que não queremos ou precisamos é de um grupo d
autoritários liderando a classe trabalhadora, e, em seguid
estabelecendo-se como um comando centralizado de t
mada de decisões, em vez de “definhar”; estados Marxista
Leninistas têm perpetuado instituições autoritárias (a po
cia secreta, chefes de sindicatos e o Partido Comunist
para manter seu poder. A aparente eficácia de tais organiz
ções (“nós somos tão eficientes quanto os Capitalistas
mascara a forma sob a qual “revolucionários” que se padr
nizam no molde das instituições Capitalistas tornam-
absorvidos por valores burgueses, e completamente isolad
das reais necessidades e desejos das pessoas comuns.
A relutância dos Marxistas-Leninistas em aceitar
mudança social revolucionária é, no entanto, vista sobr
tudo na concepção de partido de Lênin. É uma receita pa
aproveitar apenas abertamente o poder e colocá-lo nas mã
do Partido Comunista. O partido que Leninistas criam hoj
acreditam eles, deve se tornar o (único) “Partido do Prolet
riado”, no qual essa classe poderia se organizar e tomar
poder. Na prática, porém, isso significava ditadura pessoal
de partido, na qual eles se arrogavam o direito e o dever d
acabar com todos os outros partidos e ideologias política
Tanto Lenin quanto Stalin mataram milhões de trabalh
dores e camponeses, seus opositores ideológicos esquerdi
tidos Trotskistas hoje, e é por isso que os Estados oper
rios”, sejam em Cuba, China, Vietnã, ou Coréia são ess
burocracias opressivas sobre seu povo. É também por isso qu
a maioria dos países Stalinistas do Leste Europeu teve se
governos derrubados pelos pequenos burgueses e cidadã
comuns na década de 1980. Talvez estejamos testemunhan
do o eclipse completo do Comunismo de Estado, uma v
que eles não têm nada de novo a dizer e nunca vão ter ess
governos de volta.
Enquanto os grupos Anarquistas tomam suas decisõ
por consenso Anarquista, os Marxistas-Leninistas se org
nizam através do chamado centralismo democrático.
centralismo democrático se apresenta como uma forma d
democracia interna do partido, mas é realmente apen
uma hierarquia em que cada membro de um partido - e
última análise, de uma sociedade – é subordinado a u
membro “superior” até alcançar o todo-poderoso Comi
Central do Partido e seu Presidente. Este é um proced
mento totalmente antidemocrático, que coloca a lideranç
acima de qualquer crítica, mesmo que não esteja acima d
qualquer suspeita. É um método falido, corrupto de oper
ções internas de uma organização política. Você não tem v
em tal partido, e devemos ter medo de fazer quaisqu
comentários pouco lisonjeiros para ou sobre os líderes.
Em grupos Anarquistas, as propostas são conversad
pelos membros (nenhum dos quais tem autoridade sob
outro), as minorias dissidentes são respeitadas e a particip
ção de cada indivíduo é voluntária. Todo mundo tem o d
reito de concordar ou discordar sobre a política e as açõe
e as ideias de todos recebem o mesmo peso e consideraçã
assunto. Os membros individuais e grupos filiados deve
conservar a possibilidade de recusar o apoio às atividad
específicas da federação, mas não podem impedir ativ
mente essas atividades. De forma verdadeiramente dem
crática, as decisões para a federação como um todo deve
ser tomadas pela maioria de seus membros.
Na maioria dos casos, não há nenhuma necessidad
real para reuniões formais para tomada de decisões, o que
necessário é a coordenação das ações do grupo. É claro qu
há momentos em que uma decisão tem que ser tomada, e
vezes muito rapidamente. Isto será raro, mas às vezes é in
vitável. O consenso, nesse caso, teria de ser no interior d
um círculo muito menor do que a adesão geral de centen
ou milhares de membros. Mas normalmente tudo que
necessário é uma troca de informações e confiança entre
partes, e uma decisão reafirmando que a decisão origin
será alcançada, se uma decisão de emergência tiver de s
feita. É claro que, durante a discussão, haverá um esforç
para esclarecer quaisquer diferenças importantes e explor
cursos de ação alternativos. E haverá uma tentativa d
chegar a um acordo mútuo através do consenso entre visõ
conflitantes. Como sempre, se houver um impasse ou ins
tisfação com o consenso, a votação deverá ser tomada e co
uma maioria de 2/3, a questão seria aceita, rejeitada o
rescindida.
Isto tudo é totalmente contrário à prática de partid
Marxistas-Leninistas, nos quais o Comitê Central defin
unilateralmente a política para toda a organização, e ond
reina a autoridade arbitrária. Os Anarquistas rejeitam
centralização da autoridade e o conceito de um Comi
balho (que podem ser espalhados em torno de trabalh
arrecadação de fundos, antirracismo, direitos das mulhere
comida e habitação, etc.) torna-se complexo, as organiz
ções podem ser descentralizadas em duas ou várias organ
zações mais autônomas, ainda unidas em uma grande f
deração. Isso permite que o grupo se expanda sem limite
mantendo a sua forma anárquica de autogestão descentr
lizada. É mais ou menos como a teoria científica de uma c
lula biológica, dividindo e re-dividindo, mas em um sentid
político.
No entanto, grupos Anarquistas não são sequer n
cessariamente organizados frouxamente; o Anarquismo
flexível e a estrutura pode ser praticamente inexistente o
muito rigorosa, dependendo do tipo de organização exigid
pelas condições sociais enfrentadas. Por exemplo, a organ
zação iria aumentar o rigor durante operações militares o
em repressão política intensificada.
Anarco-Comunistas rejeitam o conceito Marxist
Leninista de “ditadura do proletariado” e o chamado “est
do dos trabalhadores” em favor da comuna de massa. A
contrário dos membros de partidos Leninistas, cujas vid
diárias são geralmente semelhantes aos atuais estilos d
vida burgueses, estruturas organizacionais Anarquistas
estilos de vida através de arranjos comunais de vida, trib
urbanas, grupos de afinidade, ocupações urbanas, etc., ten
tam refletir a sociedade libertada do futuro. Anarquist
construíram todos os tipos de comunas e coletivos duran
a Revolução Espanhola de 1930, mas foram esmagados pel
fascistas e os Comunistas. Uma vez que os Marxistas-Len
nistas não constroem estruturas cooperativas, o núcleo d
lhadores, ao invés de esmagar o poder do Estado e substitu
lo por uma sociedade cooperativa livre.
É claro que o partido, insistem, representa o prol
tariado, e não há necessidade para que eles se organize
fora do partido. No entanto, mesmo na ex-União Soviétic
os membros do Partido Comunista representavam apen
5% da população. Isto é elitismo da pior espécie e ainda f
com que os partidos Capitalistas pareçam democráticos, p
comparação. O que o Partido Comunista tinha a intençã
de representar em termos de poder dos trabalhadores nun
ficou claro, mas no verdadeiro estilo 198456 de “duplipen
sar”, os resultados são 75 anos de repressão política e escr
vidão do Estado, em vez de uma era de “glorioso regim
Comunista”. Eles devem ser responsabilizados politicamen
por estes crimes contra as pessoas, e a teoria política rev
lucionária e prática. Eles têm difamado os nomes do Soci
lismo e do Comunismo.
Rejeitamos a ditadura do proletariado. É opressão d
senfreada, e os Marxistas-Leninistas e Stalinistas devem s
obrigados a responder por isso. Milhões foram assassinad

56
A chamada “Propaganda pelo fato” foi um princípio, logo converti
em tática, adotado por vários movimentos anarquistas na Europa
partir da década de 1880, e extendendo-se até o final da década
1920. Essa tática foi interpretada de diversas maneiras pelos vári
indivíduos e movimentos que a usaram, mas basicamente consist
numa ação afirmativa que procurasse levar a sociedade na direção
Anarquismo, seja de modo pacífico ou violento. A grande maioria d
ações de Propaganda pelo fato eram violentas, geralmente envolven
o assassinato de monarcas ou outras altas autoridades governamenta
ou o roubo a bancos e subsequente distribuição do dinheiro. (n.e.)
mentos Comunistas que seguiram a prescrição de Stal
para o terror revolucionário. Rejeitamos o Comunismo d
Estado como a pior aberração e tirania. Nós podemos faz
melhor do que isso com a comuna de massa.
A comuna de massa Anarquista (por vezes també
chamada de Conselho dos Trabalhadores, embora exista
algumas diferenças) é uma federação nacional, continent
ou transnacional de cooperativas econômicas e políticas
formações comunais regionais. Anarquistas procuram p
um mundo e uma sociedade em que a tomada de decisã
real envolva todos aqueles que vivem nele – uma comun
de massa – não poucas aberrações disciplinadas puxando
cordas em uma chamada “ditadura do proletariado”. Tod
e qualquer ditadura é ruim, não considera característic
sociais, ainda assim é o que os Leninistas dizem que irá n
proteger de uma contrarrevolução. Enquanto Marxista
Leninistas afirmam que esta ditadura é necessária a fim d
esmagar quaisquer contrarrevoluções burguesas dirigid
pela classe Capitalista ou pela direita reacionária, Ana
quistas sentem que esta é, em si, parte da escola Stalinis
de falsificação. Um aparelho centralizado, como um estad
é um alvo muito mais fácil para os opositores da revoluçã
do que uma série de comunas descentralizadas. E ess
comunas permaneceriam armadas e preparadas para defen
der a revolução contra qualquer um que se mova milita
mente contra ele. A chave é mobilizar as pessoas para gua
das de defesa, milícias e outras unidades de preparaçã
militar.
Esta posição dos Leninistas da necessidade de um
ditadura para proteger a revolução não foi comprovada n
derrotado. E então fiel a qualquer ditadura, ele se virou
eliminou os movimentos Anarquistas russos e ucraniano
juntamente com os seus adversários de esquerda, como
mencheviques e os socialistas revolucionários. Mesm
adversários ideológicos dentro do partido bolchevique f
ram presos e condenados à morte. Lenin e Trotsky matara
milhões de cidadãos russos logo após a Guerra Civil, quand
foram consolidar o poder do Estado, que precedeu o g
verno sangrento de Stalin. A lição é que não devemos s
convencidos a entregar o poder popular de base para dit
dores que se fazem passar por nossos amigos ou líderes.
Nós não precisamos das soluções dos Marxistas-Len
nistas, eles são perigosos e ludibriadores. Há uma out
maneira, mas, para boa parte da esquerda e para muit
pessoas comuns, a escolha parece ser ou o “caos” Anárquic
ou os partidos Maoistas “Comunistas”, todavia dogmátic
e ditatoriais. Isto é principalmente o resultado de ma
entendidos e propaganda. Mas o Anarquismo como um
ideologia fornece estruturas organizacionais possíveis, be
como a teoria revolucionária alternativa válida, que,
utilizada, poderia ser a base para uma organização tão sólid
como a dos Marxista-Leninistas (ou até mais). Só est
organizações serão igualitárias e realmente voltadas para
benefício das pessoas, em vez de para os líderes comunista
O Anarquismo não se limita às ideias de um únic
teórico, e permite que a criatividade individual se desen
volva em grupos coletivos, em vez do dogmatismo caract
rístico dos Marxistas-Leninistas. Portanto, não sendo sect
rio, incentiva uma grande dose de inovação e experimen
tação, o que impele seus seguidores a responder de form
Por isso, Anarquistas criam organizações a fim de con
truir um mundo novo, e não para perpetuar nossa domin
ção sobre as massas populares. Tentamos construir um m
vimento internacional coordenado e organizado visand
transformar o mundo em uma comuna de massa. Esse ser
realmente um grande salto na evolução humana e um pas
revolucionário gigantesco. Mudaria o mundo como nós
conhecemos e acabaria com os problemas especiais que h
muito assolam a humanidade. Seria uma nova era de libe
dade e realização. Vamos logo com isso, temos um mundo
ganhar!

Princípios Gerais do Anarco-Comunismo

Uma vez que o Anarco-Comunismo ainda é a form


mais importante e amplamente aceita do Anarquismo, ma
precisa ser dito sobre esta doutrina revolucionária dinâmic
O Anarco-Comunismo é baseado em uma concepçã
de sociedade que une harmoniosamente o interesse própr
e bem-estar social. Embora Anarco-Comunistas concorde
com Marx e muitos Marxistas-Leninistas que o Capitalism
deve ser abolido por conta de sua natureza em crise (aq
nós rejeitamos o falso termo “anarquia da produção”) e su
exploração da classe trabalhadora, eles não acreditam qu
o Capitalismo é uma pré-condição progressiva indispensáv
para a transição para uma economia socialmente benéfic
Tampouco acreditam no que o planejamento econômic
centralizado do Estado Socialista pode oferecer para a gran
de diversidade de necessidades ou desejos. Eles rejeitam
própria ideia da necessidade de um Estado ou que este v
crítica econômica do Capitalismo, eles não adoram Ka
Marx como um líder infalível cujas ideias nunca podem s
criticadas ou revistas, como os Marxistas-Leninistas fazem
e o Anarco-Comunismo não é baseado na teoria Marxist
Esses Anarquistas acreditam que “o pessoal é polític
e o político é pessoal”, o que significa que não se pode divo
ciar a vida política da vida pessoal. Nós não reproduzim
papéis políticos burocráticos e, em seguida, temos uma vid
inteiramente distinta como outro ser social. Anarco-Com
nistas reconhecem que as pessoas são capazes de determin
suas próprias necessidades e de tomar as medidas necess
rias para atender a essas necessidades, desde que tenha
livre acesso aos recursos sociais. É sempre uma decisão po
tica se esses recursos devem ser fornecidos gratuitamente
todos, por isso os Anarco-Comunistas acreditam no cred
“De cada um segundo as suas capacidades, a cada um s
gundo as suas necessidades”. Isto assegura que todos serã
alimentados, vestidos e alojados como uma prática soci
normal, não tão humilhante quanto assistência social o
que certas classes serão melhor providas do que outras.
Quando não foi deformada por instituições sociais
práticas corruptas, a interdependência e a solidariedade d
seres humanos resultam em indivíduos que são responsáve
tanto para consigo quanto para com a sociedade, o que f
com que o seu bem-estar e desenvolvimento cultural seja
possíveis. Por isso, procuram substituir o Estado e o Capit
lismo com uma rede de alianças voluntárias abrangendo
vida social: produção, consumo, saúde, cultura, lazer
outras áreas. Desta forma, todos os grupos e associaçõ
colhem os benefícios da unidade, enquanto expandem
coletivos políticos, e outros de todos os tipos.
Como uma questão prática, Anarco-Comunistas acr
ditam que devemos começar a construir a nova sociedad
agora, assim como a lutar para esmagar o velho Capitalism
Eles querem criar organizações de ajuda mútua não-autor
tárias (para alimentação, vestuário, habitação, financi
mento de projetos comunitários e outros), assembléias d
bairros e cooperativas não associadas ao governo ou a co
porações empresariais, e que não funcionem pelo lucro, m
para a necessidade social. Tais organizações, se construíd
agora, irão proporcionar aos seus membros uma experiênc
prática em autogestão e autossuficiência, e diminuirão
dependência das pessoas nas agências de bem-estar e em
pregadores. Em suma, podemos começar agora a construir
infraestrutura para a sociedade comunal para que as pesso
possam ver pelo que estão lutando, não apenas as ideias n
cabeça de alguém. Esse é o verdadeiro caminho para
liberdade.

Capitalismo, o Estado e Propriedade Privada

A existência do Estado e do Capitalismo é raciona


zada por seus defensores como sendo um “mal necessário
devido à alegada incapacidade da maior parte da populaçã
em administrar seus próprios negócios e os da sociedad
assim como sendo a sua proteção contra o crime e a vi
lência. Anarquistas percebem que, muito pelo contrário,
principais barreiras para uma sociedade livre são o Estado
a instituição da propriedade privada. É o Estado que pr
voca a guerra, a repressão policial, e outras formas de vi
Mas o que é o Estado? O Estado é uma abstração po
tica, uma instituição hierárquica pela qual uma elite pr
vilegiada se esforça para dominar a grande maioria d
pessoas. Mecanismos do Estado incluem um conjunto d
instituições que contêm assembléias legislativas, a bur
cracia do serviço público, as forças militares e policiais,
Judiciário e as prisões, e os aparelhos de Estado subnaci
nais. O governo é o veículo administrativo para executar
Estado. O objetivo deste conjunto específico de instituiçõ
que constituem as expressões de autoridade nas sociedad
Capitalistas (e os chamados “estados Socialistas”) é a m
nutenção e ampliação de dominação sobre as pessoas c
muns por uma classe privilegiada, os ricos nas sociedad
Capitalistas, o chamado Partido Comunista no Estado S
cialista ou sociedades Comunistas, como a antiga União d
Repúblicas Socialistas Soviéticas.
No entanto, o próprio Estado é sempre uma estrutu
de posição elitista entre os governantes e os governados,
que dão as ordens e os que recebem as ordens, e econ
micamente possuidores e os que não são. A elite do Estad
não é composta apenas pelos ricos e super-ricos, mas també
pelas pessoas que assumem posições de autoridade do E
tado: os políticos e funcionários jurídicos. Assim, a própr
burocracia do Estado, em termos de sua relação com a pr
priedade ideológica, pode tornar-se uma classe de eli
autojustificada. Esta classe de elite administrativa do E
tado é desenvolvida não somente através da distribuição d
privilégios da elite econômica, mas também pela separaçã
entre vida privada e pública – a unidade familiar e a soci
dade civil, respectivamente – e pela oposição entre um
A existência do Estado e das classes dominantes, co
base na exploração e opressão da classe trabalhadora sã
inseparáveis. Dominação e exploração caminham lado
lado e, de fato, esta opressão não é possível sem força
autoridade violenta. É por isso que os Anarco-Comunist
argumentam que qualquer tentativa de usar o poder d
Estado como um meio de estabelecer uma sociedade igu
litária, livre, só pode ser autodestrutiva, porque os hábit
de comando e exploração tornam-se fins em si mesmos. Is
foi comprovado com os bolcheviques na Revolução Rus
(1917-1921). O fato é que os funcionários do Estado “Com
nista” acumulam poder político tanto quanto a classe C
pitalista acumula riqueza econômica. Aqueles que gove
nam formam um grupo distinto, cujo único interesse é
manutenção do controle político por todos os meios à su
disposição. Mas a instituição da propriedade Capitalist
além disso, permite a uma minoria da população controlar
regular o acesso e uso de toda a riqueza socialmente pr
duzida e dos recursos naturais. Você tem que pagar pe
terra, a água e o ar fresco para alguma empresa de serviç
públicos gigante ou empresas imobiliárias.
Este grupo de controle pode ser uma classe econômic
distinta ou o próprio Estado, mas nos dois casos a instituiçã
da propriedade leva a um conjunto de relações sociais
econômicas, o Capitalismo, em que um pequeno setor d
sociedade colhe enormes benefícios e privilégios às cust
do trabalho de uma minoria. A economia Capitalista
baseada não na satisfação das necessidades de todos, m
em acumular lucros para poucos. Tanto o Capitalismo com
o Estado devem ser atacados e derrubados, não um o
Sem dúvida, alguns trabalhadores vão confundir o qu
eu estou falando como uma ameaça à sua propriedade pe
soal acumulada. Não: Anarquistas reconhecem a distinçã
entre bens pessoais e a grande propriedade Capitalista.
propriedade Capitalista é aquela que tem como caract
rística básica e finalidade o comando da força de trabalh
de outras pessoas devido ao seu valor de troca. A instituiçã
da propriedade condiciona o desenvolvimento de um con
junto de relações sociais e econômicas, que estabelecera
o Capitalismo, e esta situação permite que uma pequen
minoria dentro da sociedade colha enormes benefícios
privilégios às custas da maioria trabalhadora. Este é o c
nário clássico de exploração do trabalho pelo Capital.
Onde há uma grande divisão social do trabalho e com
plexa organização industrial, o dinheiro é necessário pa
realizar transações. Não é simplesmente que esse dinhei
seja moeda corrente, e usado no lugar de troca direta d
mercadorias. Não é a isso que estamos limitados aqui: Cap
tal é o dinheiro, mas o dinheiro como um processo, que
reproduz e aumenta o seu valor. O Capital surge apen
quando o proprietário dos meios de produção encont
trabalhadores no mercado como vendedores de sua própr
força de trabalho. O Capitalismo desenvolveu-se como
forma de propriedade privada que mudou do estilo rur
agrícola para o estilo urbano da mão de obra fabril. O Cap
talismo centraliza os instrumentos de produção e coloca i
divíduos ao lado de outros, disciplinando sua força de tr
balho. Capitalismo é a produção industrializada de merc
dorias, do que é bom para lucrar, mas não para as necess
dades sociais. Esta é uma distinção especial do capital.
cionam como uma elite, classe endinheirada com pod
nacional e político suficiente para governar a sociedad
Além disso, aquele Capital acumulado é dinheiro, e com
dinheiro eles controlam os meios de produção que são de
nidos como as fábricas, minas, fábricas, terra, água, energ
e outros recursos naturais, e os ricos sabem que esta é a su
propriedade. Eles não precisam de pretensões ideológicas
não possuem ilusões sobre “propriedade pública”.
Uma economia, como a que esboçamos brevement
não se baseia na satisfação das necessidades de todos n
sociedade, mas em vez disso é baseada na acumulação d
lucros para poucos, que vivem no luxo palaciano como um
classe de lazer, enquanto os trabalhadores vivem ou na p
breza ou com rendas irrisórias. Veja, portanto, que acab
com o governo também significa a abolição do monopólio
da propriedade pessoal dos meios de produção e distribuiçã

Anarquismo, Violência e Autoridade

Uma das maiores mentiras sobre Anarquistas é que el


são irracionais lançadores de bombas, degoladores e assa
sinos. As pessoas espalham essas mentiras por suas própri
razões: os governos, porque eles têm medo de ser derrubad
por uma Revolução Social; Marxistas-Leninistas, porque
uma ideologia concorrente com um conceito totalmen
diferente de organização social e de luta revolucionária;
a Igreja, porque o Anarquismo não acredita em divindad
e seu racionalismo pode influenciar os trabalhadores pa
longe da superstição. É verdade que essas mentiras e pr
paganda são capazes de influenciar muitas pessoas, princ
Porque uma Revolução Social é uma revolução Ana
quista, que não somente elimina uma classe exploradora p
outra, mas todos os exploradores e seu instrumento de e
ploração, o Estado. Porque é uma revolução para o pod
popular, em vez de poder político; porque abole tanto
dinheiro quanto a escravidão assalariada; porque Ana
quistas visam a democracia total e a liberdade, em vez d
políticos para representarem as massas no Parlamento, n
Congresso, ou o Partido Comunista; porque Anarquistas sã
a favor da autogestão dos trabalhadores da indústria, em v
da regulamentação governamental; porque Anarquistas
favor da ampla diversidade sexual, racial, cultural e in
telectual, em vez de chauvinismo sexual, repressão cultura
a censura e a opressão racial; tiveram de dizer mentiras d
que os Anarquistas são assassinos, estupradores, ladrõe
terroristas loucos, elementos desagradáveis, os piores d
piores.
Mas, vamos olhar para o mundo real e ver quem es
causando toda essa violência e repressão aos direitos hum
nos. O assassinato em grande escala por exércitos perm
nentes nas Guerras Mundiais I e II, a pilhagem e estupro d
antigos países coloniais, invasões militares ou as chamad
“operações policiais” na Coréia e no Vietnã - tudo isso f
feito pelos governos. É o governo e o Estado/classe dom
nante, que é a fonte de toda a violência. Isso inclui todos
governos. O chamado mundo “Comunista” não é comunis
e o mundo “Livre” não é livre. Oriente e Ocidente, o Cap
talismo, privado ou de Estado, continua a ser um tipo des
mano de sociedade onde a grande maioria é perseguida n
trabalho, em casa, e na comunidade. Propaganda (notíci
tação passiva de um brutal e degradante sistema irraciona
Isto é o que os Anarquistas querem dizer com autoridad
sendo opressão, e é justamente esse regime autoritário qu
está trabalhando nos Estados Unidos da América, bem com
nos governos “Comunistas” da China ou Cuba.
“O que é essa coisa que chamamos de governo? É qua
quer coisa além de violência organizada? A Lei lhe orden
a obedecer, e se você não obedecer, vai obrigá-lo à força
todos os governos, todas as leis e autoridades vão finalmen
se apoiar em força e violência, em punição ou medo d
punição”. (Alexander Berkman, em ABC do Anarquismo
Existem revolucionários, incluindo muitos Anarqui
tas, que defendem a derrubada armada do Estado Cap
talista. Eles não defendem ou praticam assassinatos e
massa, como os governos do mundo moderno, com se
arsenais de bombas nucleares, gás venenoso e armas qu
micas, forças aéreas, marinhas e exércitos enormes e qu
são hostis uns com os outros. Não foram os Anarquistas qu
provocaram duas guerras mundiais, em que mais de 10
milhões de pessoas foram chacinadas; nem foram os Ana
quistas que invadiram e massacraram os povos da Coreia d
Sul, Panamá, Somália, Iraque, Indonésia e outros países qu
sofreram um ataque militar imperialista. Não foram os Ana
quistas que enviaram exércitos de espiões em todo o mund
para assassinar, corromper, subverter, derrubar e se intr
meter em assuntos internos de outros países, como a CIA
KGB, MI6 e outras agências de espionagem nacional, ne
que os usaram como polícia secreta para defender os g
vernos nacionais em vários países, não importa quão r
pressivo e impopular o regime. Além disso, se o seu govern
confiscar e aprisionar. Se uma pessoa particular fosse con
siderada culpada das coisas que o governo está fazendo tod
o tempo, você iria marcá-la como uma assassina, ladra
patife. Mas, enquanto a violência cometida seja ‘legal’ voc
aprova e se submete a ela. Portanto, não é à violência re
que você se opõe, mas às pessoas que utilizam a violênc
de forma ilegal”. (Alexander Berkman, em ABC do Ana
quismo).
Se falarmos honestamente, devemos admitir que tod
mundo acredita na violência e a pratica, no entanto, ess
mesmas pessoas podem vir a condená-la quando praticad
por outros. Ou elas fazem elas mesmas ou elas têm a políc
ou o exército para fazer isso em seu nome, como agentes d
Estado. Na verdade, todas as instituições governamenta
que interferem em toda a vida da sociedade atual são b
aseadas em violência. Na verdade, a América é o país ma
violento da Terra, ou como um camarada da SNCC, H. Ra
Brown, foi citado como tendo dito: “a violência é tão am
ricana quanto a torta de maçã (!)”. Os Estados Unid
entram por todo o mundo cometendo violência, assassina
chefes de Estado, derrubam governos, massacram centen
de milhares de civis e transformam em prisões as naçõ
cativas, como estão fazendo no Iraque e na Somália hoje e
dia. Espera-se que nos submetamos passivamente a est
crimes de conquista, que é a marca de um bom cidadão.
Então, os Anarquistas não têm o monopólio da vi
lência, e quando ela era usada nos ataques chamados “pr
paganda pelo fato57”, isso ocorreu contra os tiranos e dit

57
“Blacklisted”, no original (n.t.)
responsável por seus atos injustos e sua autoridade repre
siva. Mas, na verdade, os Anarquistas, Socialistas, Com
nistas e outros revolucionários, assim como patriotas e n
cionalistas, e até mesmo reacionários e racistas como a K
Klux Klan ou os Nazistas, todos já usaram violência pa
uma variedade de razões. Quem não teria se alegrado se u
ditador como Hitler tivesse sido morto por assassinos,
assim, poupado o mundo do genocídio racial e da Segund
Guerra Mundial? Além disso, todas as revoluções são vi
lentas porque a classe opressora não vai abandonar o pod
e privilégios sem uma luta sangrenta. Então não tem
escolha de qualquer maneira.
Basicamente, todos nós escolheríamos ser pacifistas.
como o Dr. Martin Luther King Jr. aconselhou, iríam
preferir resolver nossas diferenças com compreensão, am
e raciocínio moral. Vamos tentar estas soluções em primei
lugar, sempre que possível. Na loucura que reina, no en
tanto, o nosso movimento reconhece a utilidade da prep
ração. O mundo é perigoso demais para ignorarmos m
neiras de nos defender, e considerando isso é que podem
continuar nosso trabalho revolucionário. Familiarizar-
com uma arma e seus usos não significa que você deve im
diatamente sair e usar essa arma, mas que, se você precis
usá-la, você poderá usá-la bem. Somos forçados a reconh
cer que os movimentos progressistas e radicais american
têm sido muito pacifistas para ser verdadeiramente eficaze
Também percebemos que grupos abertos que propusera
mudança cooperativa e eram basicamente não-violento
como o IWW, foram esmagados violentamente pelo govern
e, finalmente, temos o lamentável exemplo do próprio D
trabalho, mais perigosa a nossa situação se torna, pois s
remos reconhecidos como uma ameaça ao Estado. E – nã
se engane – a insurreição está chegando. Uma Intifad
Americana que vai desestabilizar o Estado. Portanto, est
mos falando de uma espontânea, prolongada, ascensão d
grande maioria das pessoas, e da necessidade de defend
nossa Revolução Social. Apesar de reconhecer a importân
cia da violência paramilitar na defensiva, e até mesmo at
ques de guerrilha urbana, não dependemos da guerra pa
alcançar a nossa libertação, porque a nossa luta não pod
ser vencida pela força das armas, por si só. Não, as pesso
devem estar “armadas” previamente de entendimento e d
concordância com os nossos objetivos, bem como de con
fiança e de amor pela revolução, e as nossas armas militar
são apenas uma expressão de nosso espírito orgânico e so
dariedade. Amor perfeito para o povo, ódio perfeito para
inimigo. Como o revolucionário cubano, Che Guevar
disse: “Quando um cai, outro deve tomar (seu) lugar, e
raiva de cada morte renova a razão para a luta”.
Os governos do mundo alocam grande parte da su
violência na repressão a qualquer tentativa de derrubar
Estado. Crimes de repressão contra as pessoas têm gera
mente beneficiado quem está no poder, especialmente se
governo é poderoso. Veja o que aconteceu nos Estados Un
dos quando a Revolução Negra da década de 1960 foi repr
mida. Muitos que protestaram contra injustiça foram preso
assassinados, feridos ou colocados na lista de perseguidos

Programa secreto criado por J. Edgar Hoover, que se constituiu p


58

uma série de operações ilegais e clandestinas conduzidas pelo que f


zações de massas, ou apenas nos envolvermos em ofensiv
clandestinas, se quisermos derrotar o Estado e sua repressã
algum meio termo entre os dois deve ser encontrado. Para
futuro, o nosso trabalho vai incluir o desenvolvimento d
técnicas coletivas de autodefesa, bem como o trabalho cla
destino enquanto nós trabalhamos em direção à revoluçã
social.

Anarquistas e Organização Revolucionária

Outra mentira sobre o Anarquismo é que seus adept


são niilistas e não acreditam em qualquer estrutura organ
zacional. Os Anarquistas não são contra a organização. N
verdade, o Anarquismo é essencialmente preocupado co
a análise da maneira como a sociedade está organizad
atualmente, ou seja, o governo.
Anarquismo é todo voltado à organização, mas se tra
de formas de organização alternativas ao que existe agor
A oposição do Anarquismo à autoridade leva à visão de qu
a organização deve ser não-hierárquica e que a adesão ser
voluntária. A Revolução Anarquista é um processo de con
trução e reconstrução da organização. Isso não significa

implantado e executado entre os anos de 1956 até após 1971. Ent


seus objetivos estavam os de desestabilizar grupos de protestos,
esquerda, ativistas e dissidentes políticos dentro dos Estados Unido
Dentre as atividades ilegais realizadas pelo FBI estavam interceptaç
de correspondência e comunicações, incêndios provocados, escut
telefônicas ilegais e assassinatos. COINTELPRO constituiu-se com
uma forma de terrorismo de Estado conduzido em nome da “Seg
rança Nacional”. (n.e.)
uma posição independente. Esses expurgos são métodos d
dominação que os Marxistas-Leninistas usam para acab
com a democracia em seus movimentos, mas eles jocos
mente chamam isso de “centralismo democrático”.
O significado de organização no Anarquismo é org
nizar as necessidades das pessoas em organizações socia
não-autoritárias para que eles possam cuidar de seus pr
prios negócios em pé de igualdade. Significa, também,
união de pessoas de mesma opinião com a finalidade d
coordenar o trabalho que seus grupos e indivíduos sinta
necessários para a sua sobrevivência, bem-estar e sustent
Então, como o Anarquismo envolve pessoas que se reúne
em função das necessidades e interesses mútuos, cooper
ção é um elemento chave. O principal objetivo é que
indivíduos devem falar por si, e que todos no grupo deve
ser igualmente responsáveis pelas decisões do grupo; nad
de líderes ou chefes aqui!
Muitos Anarquistas sequer preveem necessidades o
ganizacionais de grande escala em termos de pequenos gr
pos locais organizados nos espaços de trabalho, coletivo
bairros e outras áreas, que iriam enviar delegados aos com
tês maiores que tomariam as decisões sobre questões d
interesse mais amplo. O trabalho do delegado não seria
tempo integral; seria rotativo. Apesar de que suas despes
do próprio bolso seriam pagas, o delegado não seria rem
nerado, revogável e só expressaria as decisões do grupo. A
várias escolas do Anarquismo diferem na ênfase relativa
organização. Por exemplo, os Anarco-Sindicalistas salien
tam o sindicato revolucionário e outras formações no loc
de trabalho como a unidade básica da organização, en
todos reconhecem e apoiam organizações populares ind
pendentes e livres como o caminho a seguir.
O núcleo da organização Anarco-Comunista é o Gr
po de Afinidade. O grupo de afinidade é um círculo revol
cionário ou “célula” de amigos e camaradas que estão e
sintonia uns com os outros, tanto na ideologia e quan
como indivíduos. O grupo de afinidade existe para coord
nar as necessidades do grupo, conforme expresso pelos ind
víduos e pela célula como um organismo. O grupo torna-
uma grande família; o bem-estar de todos torna-se respons
bilidade de todos.
“Autônomo, comunal e diretamente democrático,
grupo combina a teoria revolucionária com estilo de vid
revolucionário em seu comportamento cotidiano. Ele cr
um espaço livre em que os revolucionários podem refazer-
individualmente e também como seres sociais”. (Murr
Bookchin, em Anarquismo Pós-Escassez)
Também podemos nos referir a essas formações de a
nidade como “grupos para a revolução viva” porque vivem
revolução agora, mesmo que apenas em forma de sement
Como os grupos são pequenos – de três a quinze – eles p
dem começar a partir de uma base forte de solidariedade
não somente como mais uma estratégia política. Os grup
seriam o principal meio de atividade política de cada mem
bro. Há quatro áreas de intervenção onde grupos de afin
dade funcionam:
1. Ajuda Mútua: isto significa apoio e solidariedad
entre os membros, bem como o trabalho coletivo e respon
sabilidade.
2. Educação: além de educar a sociedade em ger
científico e técnico.
3. Ação: isto significa organização de fato e trabalh
político do grupo fora do coletivo, onde se espera que tod
os membros contribuam.
4. Unidade: o grupo é uma forma de família, encont
de amigos e companheiros, as pessoas que se importam co
o bem-estar do outro, que amam e apoiam uns aos outro
que se esforçam para viver no espírito de cooperação
liberdade; ausência de desconfiança, ciúme, ódio, compet
ção e outras formas de ideias sociais e comportamentos n
gativos. Em suma, os grupos de afinidade permitem a u
coletivo viver um estilo de vida revolucionário.
Uma grande vantagem dos grupos de afinidade é qu
eles são altamente resistentes à infiltração policial. Porqu
os membros do grupo são tão íntimos, os grupos são mui
difíceis de infiltrarem agentes, e mesmo se um grupo f
penetrado, não há um “escritório central” que daria a u
agente informações sobre o movimento como um tod
Cada célula tem sua própria política, agenda e objetivos. P
isso, eles teriam de se infiltrar em centenas, talvez milhare
de grupos semelhantes. Além disso, uma vez que os mem
bros todos se conhecem, eles não poderiam conduzir a rom
pimentos, sem o risco de exposição imediata, que enfraqu
ceriam uma operação como a COINTELPRO59 usada pe
FBI contra os movimentos Negros e progressistas na décad
de 1960. Além disso, porque não há líderes no moviment
não há ninguém para atacar e destruir o grupo.

59
Black Panthers Party (BPP), no original, Partido dos Panteras N
gras. (n.t.)
ou região. Eles se preparam para o surgimento de um m
vimento de massas; eles vão organizar um grande núme
de pessoas, a fim de coordenar atividades conforme o surg
mento das necessidades delas e das condições sociais est
belecidas. Os grupos de afinidade funcionam como um c
talisador no seio do movimento de massas, empurrando
para níveis mais elevados de resistência às autoridades. M
eles estão prontos para o trabalho clandestino em caso d
repressão política aberta ou insurreição de massas.
Isso nos leva ao próximo nível de organizações Ana
quistas, da federação de área e regional. Federações são
redes de grupos de afinidade que se reúnem a partir d
necessidades comuns, que incluem educação, ajuda mútu
ação e qualquer outro trabalho considerado necessário pa
a transformação da sociedade atual do estado autoritár
para o Anarco-Comunismo. O que segue é um exemplo d
como federações Anarco-Comunistas poderiam ser estrut
radas. Em primeiro lugar está a organização da área, o qu
poderia cobrir uma grande cidade ou município. Todos
grupos de afinidade afins na área iriam associar-se num
federação local. Acordos sobre a ideologia, a ajuda mútu
e medidas a serem tomadas seriam realizados em reuniõ
em que todos possam vir e ter voz igual.
Quando a organização local atingir um tamanho e
que é considerada grande demais, a federação da áre
iniciaria um Conselho de Coordenação de Consenso.
objetivo do Conselho é coordenar as necessidades e açõ
definidas por todos os grupos, incluindo a possibilidade d
se dividir e criar uma outra federação. Grupos de afinidad
de cada região serão convidados a enviar representant
Nossa próxima federação seria em uma base regiona
digamos, toda a região Sul ou Centro-Oeste. Essa organ
zação cuidaria de toda a região, com os mesmos princípi
de consenso e de representação. Em seguida viria uma f
deração nacional para cobrir os EUA, e a federação cont
nental, essa última cobrindo o continente da América d
Norte. Por último seriam as organizações globais, que seria
a criação de redes de todas as federações em todo o mund
Quanto a este último, porque os Anarquistas não reconh
cem fronteiras nacionais e desejam substituir o Estad
nação, eles, assim, federariam com todas as outras pesso
afins onde quer que elas estejam vivendo no planeta Terr
Mas, para o Anarquismo realmente funcionar, as n
cessidades das pessoas devem ser cumpridas. Assim, a pr
meira prioridade dos Anarquistas é o bem-estar de todo
portanto, devemos organizar os meios para satisfazer plena
igualmente as necessidades do povo. Em primeiro lugar,
meios de produção, transporte e distribuição devem ser o
ganizados em organizações revolucionárias que os trabalh
dores e a comunidade administram e controlam eles me
mos. A segunda prioridade dos Anarquistas é lidar com
organizações de necessidades comunitárias, além de org
nizar a indústria. Quaisquer que sejam as necessidades d
comunidade, elas precisam ser tratadas. Isto significa org
nização. Inclui grupos cooperativos para satisfazer essas n
cessidades como saúde, energia, emprego, creches, habit
ção, escolas alternativas, alimentação, entretenimento
outras áreas sociais. Estes grupos comunitários formaria
uma comunidade cooperativa, que seria uma rede de org
nizações de necessidades comunitárias e serviria como um
escala regional.
Em terceiro lugar, os Anarquistas teriam de lidar co
a doença social. Não somente nos organizamos para as n
cessidades físicas do povo, mas também devemos trabalh
e propagandear para curar os males germinados pelo Estad
que distorceu a personalidade humana sob o Capitalism
Por exemplo, a opressão das mulheres deve ser abordad
Ninguém pode ser livre se 51 % da sociedade é oprimid
dominada e abusada. Não só devemos formar uma organ
zação para lidar com os efeitos nocivos do sexismo, mas tr
balhar para garantir que o patriarcado seja eliminado a
educar a sociedade sobre seus efeitos nocivos. O mesm
deve ser feito com o racismo, mas, além da reeducação d
sociedade, nós trabalhamos para aliviar a opressão social
econômica dos Negros e outros povos não brancos, e cap
citá-los para a autodeterminação afim de que levem um
vida livre. Anarquistas precisam formar grupos para expor
combater o preconceito racial e a exploração Capitalista
estender total apoio e solidariedade ao movimento de libe
tação Negra.
Por fim, o Anarquismo teria de lidar com uma série d
áreas numerosas demais para mencionar aqui – ciência, te
nologia, ecologia, desarmamento, direitos humanos e assi
por diante. Devemos aproveitar as ciências sociais e faz
com que elas sirvam ao povo, enquanto convivemos com
natureza. Autoritários tolamente acreditam que é possív
“conquistar” a natureza, mas isto está fora de questão. S
mos apenas uma de uma série de espécies que habitam es
planeta, mesmo que sejamos a mais inteligente. Mas outr
espécies não criaram armas nucleares, não começara
dizer qual deles é o mais inteligente ?

Por Que Eu Sou Um Anarquista?

O movimento Anarquista na América do Norte é pr


dominantemente branco, classe média, e em sua mai
parte, pacifista. Então surge a pergunta: por que eu so
parte do movimento Anarquista, já que não sou nenhum
dessas coisas? Bem, embora o movimento possa não ser ago
o que eu acho que deveria ser na América do Norte, e
visualizo um movimento de massas que terá centenas d
milhares, talvez milhões de Negros, Hispânicos e outros tr
balhadores não brancos nele. Não será um movimento Ana
quista em que os trabalhadores Negros e outros oprimid
só vão “aderir” – será um movimento independente qu
tem sua própria visão social, seu imperativo cultural, e age
da política. Será Anarquista em sua essência, mas també
irá estender o Anarquismo a um nível em que nenhu
grupo social ou cultural Europeu anterior jamais o levo
Estou certo de que muitos destes trabalhadores vão acr
ditar, como eu, que o Anarquismo é a forma mais democr
tica, eficaz e radical para obter a nossa liberdade, mas qu
devemos ser livres para projetar nossos próprios movimento
seja ele compreendido ou “aprovado” pelos Anarquist
norte-americanos ou não. Devemos lutar pela nossa libe
dade, ninguém mais pode nos libertar, mas eles podem n
ajudar.
Eu escrevi o panfleto para:
1. Inspirar uma federação nacional antirracista e ant
brutalidade policial, que seria iniciado por Anarquistas o
teras Negras da década de 1990; e
3. Desencadear uma nova efervescência revolucion
ria em organizações Afro-Americanas e outras comunidad
oprimidas, em que o Anarquismo é uma curiosidade,
tanto.
Eu pensei que se um revolucionário libertário séri
respeitado, colocasse essas ideias adiante, elas seriam ma
propensas a ser consideradas do que apenas por um Ana
quista branco, não importando quão bem motivado. E
acredito que eu estou correto sobre isso. Então é por isso qu
eu sou um Anarquista.
Na década de 1960, eu fazia parte de uma série d
movimentos revolucionários Negros, incluindo o Partido d
Panteras Negras, que eu sinto que falhou parcialmente p
causa do estilo de liderança autoritária de Huey P. Newto
Bobby Seale e outros no Comitê Central. Esta não é um
recriminação contra aqueles indivíduos, mas muitos err
foram cometidos porque a liderança nacional foi també
divorciada das filiais em cidades de todo o país, e, portant
se envolveram em “dirigismo” ou trabalho forçado ditad
pelos líderes. Mas muitas contradições também foram est
belecidas por causa da estrutura da organização como u
grupo Marxista-Leninista. Não havia muita democrac
interna do partido, e quando as contradições vieram, fora
os líderes que decidiram sobre a sua resolução, e não
membros. Expurgos se tornaram comuns, e muitas pesso
boas foram expulsas do grupo, simplesmente porque el
discordavam da liderança.
Por causa da importância exarcebada da lideranç
central, a organização nacional foi, em última análise, int
sob intenso ataque por parte do Estado. Eu não quero dar
entender que os erros internos foram as principais contrad
ções que destruíram o BPP. Os ataques da polícia contra e
fizeram isso, mas, se fosse melhor e mais democraticamen
organizado, ele poderia ter suportado a tempestade. Po
tanto, esta não é uma crítica ou ataque traidor sem sentid
Eu amei o partido. E, de qualquer maneira, nem eu ou qua
quer outra pessoa que critique o partido em retrospectiv
nunca vai tirar o enorme papel que o BPP desempenhou n
movimento de Libertação Negra da década de 1960. M
temos de olhar para uma imagem completa das nossas org
nizações daquele período, para que não repitamos os me
mos erros.
Acho que o meu breve período nos Panteras foi mui
importante porque me ensinou sobre os limites da – e a
mesmo a falência da – liderança em um movimento rev
lucionário. Não era uma questão de um defeito de pers
nalidade de determinado líder, mas sim a percepção de qu
muitas vezes líderes têm uma agenda, seguidores tê
outra.
Eu também aprendi essa lição durante a minha ass
ciação com o Partido Socialista Popular Africano durante
década de 1980, quando eu tinha saído da prisão. Eu hav
conhecido Omali Yeshitela enquanto estava confinado n
Penitenciária Federal de Leavenworth (Kansas), quand
ele foi convidado para nossas festividades anuais da So
dariedade Negra da Baía, em 1979. Esta associação cont
nuou quando eles formaram a organização dos prisioneir

60
Ou Conferência Sulista de Liderança Cristã (SCLC). (n.t.)
tas, a filial de Kentucky da Aliança Nacional Contra
Racismo e Repressão Política, e a Federação Anarquis
Social Revolucionária (já extinta), eles escreveram cart
e fizeram telefonemas para me hospitalizar depois de eu t
sido infectado com tuberculose, o que salvou minha vid
Mas o grupo se dissolveu quando a coalizão proposta ent
organizações fundadoras desabou devido ao sectarismo.
Depois que eu saí da prisão, eu perdi o contato co
eles à medida que haviam mudado de Louisville para
Costa Oeste. E assim foi até 1987, quando mais uma vez e
os contatei, quando estávamos tendo uma manifestação e
massa contra a brutalidade policial na minha cidade nata
Eles foram convidados e chegaram à passeata, junto com
ANPO e várias forças de esquerda, e por dois anos, indo
voltando, eu tive uma associação com eles. Mas eu sent
que a APSP (African People’s Socialist Party) politicamen
sempre foi uma organização autoritária, e mesmo que e
nunca tenha sido um membro, eu ficava cada vez mais de
confortável com as suas políticas organizacionais. No verã
de 1988, fui a Oakland, Califórnia, para participar de um
“escola de organizadores”, mas eu também queria me con
vencer sobre o funcionamento interno do grupo. Duran
seis semanas, eu trabalhei com eles fora de suas sedes naci
nais na comunidade local. Eu era capaz de determinar p
mim mesmo sobre assuntos internos e também interromp
a política do próprio grupo. Eu descobri toda uma histór
de expurgos, brigas entre facções, e um jeito de “chefão
ditatorial do Partido. Enquanto estava em Oakland, f
convidado para participar de uma reunião na Filadélf
naquele Outono para restabelecer ANPO.
grupo da ANPO, sem qualquer discussão democrática ef
tiva entre a composição prevista, ou permitindo que outr
se apresentassem como candidatos potenciais. Fui de fa
apontado o oficial de maior patente no grupo. Embora e
ainda acredite que deva haver um movimento de massa d
prisioneiros políticos e, sobretudo, um movimento de prisi
neiros Negros, fiquei convencido de que isso não era tud
Eu acredito que será necessária uma verdadeira coalizão d
forças nos movimentos Negros e progressistas para constru
uma base de apoio de massa. Eu cheguei a sentir que ess
pessoas só queriam empurrar o partido e seus políticos, e
vez de libertar prisioneiros, e então eu saí e não lido co
eles desde então. Fiquei muito desiludido e deprimid
quando soube a verdade. Eu não vou ser usado por qualqu
pessoa – não por muito tempo.
Os estágios iniciais do Comitê Não-Violento de Coord
nação Estudantil (SNCC) foi um contraste de várias mane
ras para qualquer grupo Negro pela liberdade que venha a
tes ou depois. Parte dos ativistas do SNCC eram intelectua
universitários de classe média, com um pequeno número d
ativistas de base da classe trabalhadora, mas eles desenvo
veram um estilo de trabalho que era muito antiautoritário
era único no Movimento dos Direitos Civis. Em vez de traz
um líder nacional para conduzir as lutas locais, como o D
Martin Luther King Jr. e seu grupo e o Conselho Sulista d
Liderança Cristã61 estavam acostumados a fazer, o SNC

61
Também conhecida como Verão da Liberdade, a fase do Mississip
na luta pelos Direitos Civis do Povo Negro nos Estados Unidos ocorr
em 1964, quando militantes se dirigiram em caravana até o mais racis
Eles colocaram sua fé na capacidade das pessoas para dete
minar uma agenda que melhor os atenderia e que os leve
à obtenção de seus objetivos, em vez de serem inspirados o
ditos no que fazer por um líder. O SNCC em si não possu
líderes fortes, apesar de existirem pessoas na tomada d
decisão de autoridade, mas eram responsáveis pela adesã
de integrantes e de comunidades, de uma maneira qu
nenhum outro grupo no movimento dos direitos civis era
O SNCC também era uma organização não-secula
mas diferente da SCLC, que foi formada por pregadores N
gros e havia cooptado seu estilo de organização da igre
Negra, com uma figura religiosa de autoridade que dav
ordens para as tropas. Hoje em dia, a maioria dos coment
ristas políticos ou historiadores ainda não querem dar tod
o crédito para a eficácia do SNCC, mas muitas das lut
mais poderosas e bem-sucedidas do movimento dos direit
civis foram iniciadas e vencidas pelo SNCC, incluindo
maioria das lutas pelos direitos ao voto e a fase do Mississip
do movimento de libertação62. Eu aprendi muito sobre d

dos Estados sulistas para, em campanha, registrar eleitores negros. S


ação da Ku Klux Klan e das autoridades locais, 3 foram assassinado
mais de mil pessoas foram presas e agredidas, igrejas foram queimad
ou explodidas, o mesmo ocorrendo com lares e escritórios de pesso
negras. A cobertura da mídia provocou a opinião pública, levando
presidente Johnson a aprovar ainda no 2 de Julho daquele ano a L
dos Direitos Civis, aquela que pôs fim aos diversos sistemas estadua
de segregação racial nos Estados Unidos. (n.e.)
62
Help a Prisoner, Outlaw Torture Organizing Collective, diferent
mente de Help A Prisoner Oppose Torture Organizing Committee, n
original. (n.t.)
nidade de participar na tomada de decisões, e de sentir-
parte de uma grande missão histórica, que mudaria suas v
das para sempre. Eles estavam certos. Mesmo que o SNC
tenha dado algumas lições duradouras para todos nós envo
vidos, mesmo assim foi destruído pelos ricos e os seus, qu
recorreram a um estilo autoritário nos anos posteriores.
Também comecei a fazer um processo de reavaliaçã
depois de ser forçado a deixar os EUA e ir para Cuba, Tch
coslováquia e outros países do “Bloco Socialista”, com
eram chamados na época. Ficou claro que esses países era
essencialmente estados policiais, apesar de terem trazid
muitas reformas significativas e avanços materiais para se
povos diante do que existia antes. Observei também que
racismo existe nesses países, juntamente com a negação d
direitos democráticos básicos e a pobreza em uma escala qu
eu não teria pensado ser possível. Vi também uma grand
dose de corrupção pelos líderes do Partido Comunista
administradores do Estado, que estavam bem de vida, en
quanto os trabalhadores eram meros escravos assalariado
Eu pensei comigo: “tem de haver uma maneira melhor!
Há sim. É o Anarquismo, sobre o qual eu comecei a l
quando fui capturado na Alemanha Oriental e sobre o qu
ouvi falar ainda mais quando fui finalmente jogado na pr
são nos Estados Unidos.
A prisão é um lugar onde se pensa continuamen
sobre sua vida passada, incluindo uma análise de idei
novas ou contrárias. Eu comecei a pensar sobre o que tinh
visto no movimento Negro, junto com meus maus tratos e
Cuba, a minha captura e fuga na Tchecoslováquia, e minh
captura definitiva na Alemanha Oriental. Eu repassei tud
em Nova York, onde eu conheci Martin Sostre. Sostre m
contou sobre como sobreviver na prisão, a importância d
lutar pelos direitos democráticos dos presos e sobre o Ana
quismo. Este curso de curta duração em Anarquismo nã
colou no entanto, mesmo que eu respeitasse muito Sost
pessoalmente, porque eu não entendia os conceitos te
ricos.
Finalmente, por volta de 1973, depois de ter sido pre
por cerca de três anos, comecei a receber literatura Ana
quista e correspondência de Anarquistas que tinham o
vido falar sobre o meu caso. Isso deu início à minha m
tamorfose lenta para um Anarquista confirmado, e na ve
dade ainda não era até alguns anos depois que eu vim a se
Durante o final da década de 1970, eu fui adotado pela Cr
Negra Anarquista – Inglaterra e também por um grup
Anarquista holandês chamado HAPOTOC63 (Comitê O
ganizador Ajude um Prisioneiro a se Opor a Tortura), qu
organizou uma campanha instrumental de defesa. Isto
mostrou crucial em última instância, levando pessoas d
todo o mundo a escrever para o governo dos Estados Unid
exigindo a minha libertação.
Eu escrevi uma série de artigos para a imprensa Ana
quista, e fui membro da Federação Anarquista Social R
volucionária, o IWW, e uma série de outros grupos Ana
quistas nos EUA e ao redor do mundo. Mas me tornei mui
desanimado pelo fracasso do movimento Anarquista e
combater a supremacia branca e sua falta de política de lu

63
Concerned Citizen for Justice (CCJ), no original, que tambe
poderia ser traduzido como Cidadãos Preocupados com a Justiça. (n.
mente, em 1983, fui libertado da prisão, depois de ter cum
prido quase 15 anos.
Por todos estes anos, o panfleto influenciou uma sér
de Anarquistas que se opunham ao racismo e também qu
riam uma abordagem mais orientada para a luta de clas
do que o movimento havia proporcionado até então. En
quanto isso, eu tinha saído do movimento Anarquista p
desgosto, e assim foi até 1992, quando eu estava trab
lhando na minha cidade natal, Chattanooga, Tennesse
como organizador comunitário antirracista; nesse ano e
conheci um Anarquista chamado John Johnson e mais um
vez me reaproximei. Ele me deu um número do Jornal Am
e Fúria, e, como resultado, entrei em contato com Chris D
do Amor e Fúria, e camaradas de WSA, em Nova York.
resto, como dizem, é história. Eu voltei para me vingar!
De repente, eu vejo que agora existem outros no m
vimento que entendem o funcionamento da supremac
branca e eles têm me incentivado a reescrever este panflet
Eu o fiz, cheio de gratidão. Por que eu sou um Anarquist
Eu tenho uma visão alternativa para o processo revoluci
nário. Há uma maneira melhor. Vamos logo com isso!

O que Eu Acredito

Todos os Anarquistas não acreditam nas mesmas co


sas. Existem diferenças e o campo é amplo o suficiente pa
que essas diferenças possam coexistir e ser respeitada
Então, eu não sei no que os outros acreditam, eu só sei n
que eu acredito e vou enunciá-lo de forma simples, mas m
ticulosamente.
distintas, e só serão libertados por uma revolução Negra, qu
é uma parte intrínseca de uma Revolução Social. Eu acr
dito que os Negros e imigrantes oprimidos devem ter a su
própria agenda, visão de mundo distinta, e organizações d
luta, mesmo que eles decidam trabalhar com trabalhadore
Eu acredito na destruição do Sistema Capitalista mu
dial, então eu sou um anti-imperialista. Enquanto o Cap
talismo estiver vivo no planeta, haverá exploração, opressã
e Estados-nação. O Capitalismo é responsável pelas grand
guerras mundiais, inúmeras guerras civis, e milhões de pe
soas morrendo de fome por conta do lucro dos países ric
do Ocidente.
Eu acredito na justiça racial, então eu sou um antirr
cista. O Sistema Capitalista foi e é mantido pela escravidã
e opressão colonial dos povos Africanos, e antes de hav
uma revolução social, a supremacia branca deve ser derr
tada. Eu também acredito que os Africanos na América sã
colonizados e existem como uma colônia interna dos EUA
pátria mãe branca. Eu acredito que os trabalhadores bran
cos devem desistir de sua posição privilegiada, da sua “ide
tidade branca”, e devem apoiar os trabalhadores racia
mente oprimidos em suas lutas por igualdade e libertaçã
nacional. Liberdade não pode ser comprada pela escravidã
e exploração de outros.
Eu acredito em justiça social e igualdade econômic
então eu sou um Socialista Libertário. Eu acredito que
sociedade e todas as partes responsáveis pela sua produçã
devem compartilhar os produtos econômicos do trabalho. E
não acredito no Capitalismo ou no Estado, e acredito qu
ambos devem ser derrubados e abolidos. Aceito a crític
Eu acredito no controle da sociedade e da indústr
pelos trabalhadores, então eu sou um Anarco-Sindicalist
Sindicalismo Anarquista é sindicalismo revolucionári
onde as táticas de ação direta são usadas para combater
Capitalismo e tomar conta da indústria. Acredito que
comitês de fábrica, conselhos e outras organizações de tr
balhadores devem atuar nos locais de trabalho, e deve
assumir o controle dos Capitalistas depois de uma campanh
de ação direta de sabotagem, de greves, de paralisações d
trabalho, ocupações de fábricas e outras ações.
Eu não acredito no governo, e por isso eu sou um Ana
quista. Eu acredito que o governo é uma das piores form
de opressão moderna, é a fonte de guerra e opressão econ
mica, e deve ser derrubado. Anarquismo significa que ter
mos mais democracia, igualdade social e prosperidade ec
nômica. Eu me oponho a todas as formas de opressão pr
sentes na sociedade moderna: o patriarcado, a supremac
branca, Capitalismo, Comunismo de Estado, ditames religi
sos, discriminação contra gays, etc.
DE LORENZO KOM’BOA ERVIN

Lorenzo Komboa Ervin nasceu e foi criado em Chatt


nooga, Tennessee em 1947. O que ele chama de “Sul segr
gado” da década de 1950 e 60 era um ambiente de violên
cia, racismo, pobreza e rejeição. Um membro de gangue d
rua na juventude, Ervin se juntou a Associação Nacion
para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP), quando e
tinha 12 anos, e participou em 1960 de protestos de ocup
ção (sit-in) que mudaram a discriminação racial em acom
dações públicas na cidade e em todo o Sul. Depois de s
convocado, ele atuou dois anos no Exército dos Estad
Unidos, onde se tornou um organizador antiguerra do Vie
nã, o que resultou em sua corte marcial e demissão p
oficiais superiores. Ele se juntou ao Comitê Não-Violento d
Coordenação Estudantil, em 1967, antes de se juntar (tem
porariamente) ao Partido dos Panteras Negras.
Na esteira das rebeliões Negras urbanas que abalara
os EUA após o assassinato do Dr. Martin Luther King Jr., n
primavera de 1968, houve uma tentativa de incrimin
Ervin com acusações de porte ilegal de armas e por ameaç
a vida de um líder local da Klan. A fim de escapar do pr
cesso destas acusações, Ervin sequestrou um avião pa
Cuba em fevereiro de 1969. Foi durante sua estadia e
Cuba e, posteriormente, na então República da Tchecosl
váquia, que ele se veio primeiro a se desiludir com o S
cialismo de Estado, reconhecendo-o como ditadura, e nã
como a “ditadura do proletariado”, como muitos govern
comunistas alegaram.
invasão soviética do país.
Capturado e mantido no Consulado Americano, e
fugiu para Berlim Oriental, onde ele foi sequestrado p
uma equipe especial de agentes norte-americanos e alemã
ocidentais, especialmente enviados para recapturá-lo. E
foi drogado e torturado durante o interrogatório na base d
Consulado norte-americano por quase uma semana, e d
pois de quase morrer por maus tratos, ele foi trazido ilega
mente de volta para os EUA, onde por uma declaração fal
do Departamento de Estado e pelo FBI, anunciaram que e
havia “se entregado” no aeroporto JFK.
Depois de uma farsa de um julgamento em uma p
quena cidade na Georgia, onde enfrentou a pena de mor
perante um júri totalmente branco, juiz, promotores e adv
gados de defesa (nomeados pelo tribunal), em 1970, ele f
condenado a passar o resto de sua vida na prisão.
Ervin permaneceu politicamente ativo na prisão, ond
foi introduzido pela primeira vez aos ideais do Anarquism
pelo prisioneiro político Anarquista Martin Sostre, no fin
dos anos 70. Ele leu muitos livros sobre o assunto enviad
para a prisão por grupos de pessoas solidárias e a Cruz Neg
Anarquista, um movimento internacional de apoio ao pr
sioneiro, adotou seu caso. Em 1979, Ervin escreveu Ana
quismo e a Revolução Negra e outros panfletos que estã
provavelmente, entre alguns dos escritos amplamente lid
no movimento anarquista e de Libertação Negra. Anarqui
mo e a Revolução Negra ainda é popular, e passou por vári
tiragens.
Ervin também estava envolvido em muitas lutas d
prisão, no sindicato da prisão no início de 1970, organizand
dade, e foi assim até que ele fosse um dos Irmãos Marion
um grupo de prisioneiros que se tornou conhecido enquan
lutavam contra a primeira Unidade de Controle da Pen
tenciária Federal de Marion, quando seu caso se tornou d
preocupação pública. As disputas legais de Ervin e um
campanha internacional levaram a sua libertação da prisã
após 15 anos de encarceramento.
Ao contrário de muitos ex-prisioneiros, Ervin já estav
politicamente ativo imediatamente após a sua libertaçã
Ele trabalhou para Cidadãos em Causa pela Justiça64 (CCJ
em Chattanooga, um grupo local de direitos civis, e lidero
uma campanha de 10 anos contra a brutalidade policial
penetração da Ku Klux Klan no departamento de polícia,
que resultou na demissão do Chefe de Polícia e do Comi
sário de Polícia. Isso ocorreu após a CCJ organizar uma long
campanha de manifestações de massa e ações judiciais sob
as mortes numerosas de Negros e pessoas pobres que fora
mortos ao longo dos anos por oficiais racistas. Como o pr
sidente da CCJ e da Reparação Legal, Ervin também foi
principal responsável pelo ajuizamento de uma ação col
tiva por várias organizações Negras e a ACLU, que resulto
na reestruturação do governo da cidade, bem como a ele
ção de vários Comissários Muncipais Negros.
Em 1987, Ervin ajudou a organizar uma grande mob
lização contra a Klan, que resultou na Klan sendo expul
da cidade. Também em 1987, Ervin foi o principal respon

64
Concerned Citizen for Justice (CCJ), no original, que tambe
poderia ser traduzido como Cidadã os Preocupados com a Justiç
(n.t.)
que ela sistematicamente desempoderava a comunidad
Negra. Em retaliação por seu ativismo, a estrutura de pod
branco procurou incriminar Ervin em uma série de acus
ções, a última sendo a sua prisão sob a acusação de contr
venção no caso “Chattanooga 8”. Nesse caso, Ervin f
preso com vários outros ativistas na Coalisão Ah Hoc Cont
o Racismo e a Brutalidade Policial (que sucedeu os Cid
dãos em Causa pela Justiça) por sua participação em um
manifestação contra a falha de um grande júri em apresen
tar acusações criminais contra policiais que sufocaram u
motorista negro, Larry Powell, até a morte, em fevereiro d
1993.
ANARQUISMO NEGRO

Ashanti Alston

Muitos anarquistas clássicos consideravam o ana


quismo como um corpo de verdades elementares que apen
precisavam ser reveladas ao mundo e acreditavam que
pessoas se tornariam anarquistas uma vez expostas à lógic
irresistível da idéia. Esta é uma das razões pelas quais el
tendiam a ser tão didáticos.
Felizmente a prática vivida do movimento anarquis
é muito mais rica do que isso. Poucos “convertem-se” de t
forma: é muito mais comum que as pessoas abracem o ana
quismo lentamente, à medida que descobrem que é rel
vante para a sua experiência de vida e permeável a su
próprias percepções e preocupações.
A riqueza da tradição anarquista está justamente n
longa história de encontros entre dissidentes não-anarqui
tas e o quadro anarquista que herdamos do final do Sécu
XIX e início do Século XX. O anarquismo tem crescid
através de tais encontros e agora enfrenta contradiçõ
sociais que antes eram marginais ao movimento. Por exem
plo, há um século atrás, a luta contra o patriarcado era um
preocupação relativamente menor para a maioria dos ana
quistas, mas hoje é amplamente aceita como uma par
integrante da nossa luta contra a dominação.
Foi somente nos últimos 10 ou 15 anos que os anarqui
tas na América do Norte começaram a explorar à sério o qu
radas estão trabalhando duro para identificar os referencia
históricos de tal tarefa, como o nosso movimento deve m
dar para abraçá-lo, e como um anarquismo verdadeir
mente antirracista pode parecer.
O seguinte material, de Ashanti Alston, membro d
conselho do IAS1, explora algumas destas questões. Alsto
que era membro do Partido dos Panteras Negras e d
Exército Negro de Libertação, descreve o(s) seu(s) en
contro(s) com o anarquismo (que começou quando ele f
preso por atividades relacionadas com o Exército Negro d
Libertação). Ele toca em algumas das limitações das visõ
mais antigas do anarquismo, a relevância contemporâne
do anarquismo para os negros, e alguns dos princípios n
cessários para construir um novo movimento revolucionári
Esta é uma transcrição editada de uma palestra dad
por Alston em 24 de outubro de 2003 no Hunter Colleg
em Nova York. O evento foi organizado pelo Instituto d
Estudos Anarquistas e co-patrocinado pelo Movimento E
tudantil de Ação Libertadora, da Universidade de Cidad
de Nova York ~ Chuck Morse

Embora o Partido dos Panteras Negras fosse mui


hierárquico, eu aprendi muito com a minha exp
riência na organização. Acima de tudo, nos Panter
me marcou a necessidade de aprender com as lutas d
outros povos. Eu acho que tenho feito isso e essa
uma das razões pelas quais sou um anarquista hoj
Afinal, quando velhas estratégias não funcionam, pr
cisamos olhar para outras formas de fazer as coisa
para ver se podemos nos descolar e avançar nov
nham problemas significativos e me aprofundei n
anarquismo para ver se haviam outras maneiras d
pensar sobre como fazer uma revolução.
Eu aprendi sobre anarquismo através de cartas
de literatura enviadas para mim, enquanto estava e
várias prisões por todo o país. No começo eu não qu
ria ler qualquer material que recebi – parecia que
anarquismo era apenas sobre o caos e todo mund
fazendo suas próprias coisas – e por muito tempo eu
ignorei. Mas houve momentos – quando eu estava n
solitária – que não tinha mais nada para ler e, pa
fugir do tédio, finalmente comecei a meter a mão n
tema (apesar de tudo o que eu tinha ouvido falar s
bre o anarquismo até o momento). Fiquei realmen
muito surpreso ao encontrar análises de lutas popul
res, culturas populares e formas de organizações p
pulares – aquilo fez muito sentido para mim.
Estas análises me ajudaram a ver coisas impo
tantes sobre a minha experiência nos Panteras qu
não estavam claras para mim antes. Por exemplo, e
pensei que havia um problema com a minha admir
ção por pessoas como Huey P. Newton, Bobby Seal,
Eldridge Cleaver e com o fato de que eu os tinha c
locado em um pedestal. Afinal de contas, o que is
diz sobre você, se você permitir que alguém se est
beleça como seu líder e tome todas as suas decisõ
por você? O anarquismo me ajudou a ver que voc
como um indivíduo, deve ser respeitado e que ni
guém é suficientemente importante para pensar p
você. Mesmo que nós achemos que Huey P. Newto
ou Eldridge Cleaver são os piores revolucionários d
tomar decisões.
Eu pensei em tudo isso enquanto estava na prisã
e me vi dizendo: “Cara, nós realmente nos colocam
de uma forma que éramos obrigados a criar problem
e produzir cismas. Fomos obrigados a seguir progr
mas sem pensar”. A história do Partido dos Panter
Negras, tão incrível como é, tem esses esqueletos.
menor pessoa no totem deveria ser um trabalhador
o que estava na parte superior era quem tinha o cér
bro. Mas na prisão eu aprendi que eu poderia ter t
mado algumas dessas decisões sozinho e que as pe
soas ao meu redor poderiam ter tomado essas mesm
decisões. Embora eu tenha apreço por tudo o que
líderes do Partido dos Panteras Negras fizeram, e
comecei a ver que podemos fazer as coisas de form
diferente e, assim, extrair mais plenamente noss
próprias potencialidades e nos encaminharmos aind
mais para uma autodeterminação real. Embora nã
tenha sido fácil no início, insisti com o material ana
quista e descobri que eu não poderia colocá-lo d
lado, uma vez que começou a me dar vislumbres. E
escrevi para pessoas em Detroit e no Canadá, que
nham me enviado a literatura, e pedi para que m
enviassem mais.
No entanto, nada do que eu recebi tratava d
pessoas negras ou latinas. Talvez houvesse discussõ
ocasionais sobre a Revolução Mexicana, mas nad
falava de nós, aqui, nos Estados Unidos. Houve um
ênfase esmagadora sobre aqueles que se tornaram
anarquistas fundadores – Bakunin, Kropotkin, e algu
outros – mas estes valores europeus, que abordava
Comecei a olhar para a História Negra de novo, pa
a História Africana, e as histórias e lutas das outras pe
soas de cor. Eu encontrei muitos exemplos de prátic
anarquistas nas sociedades não europeias, desde os tem
pos mais antigos até o presente. Isso foi muito impo
tante para mim: eu precisava saber que não era
apenas os europeus que poderiam funcionar de um
forma antiautoritária, mas que todos nós podemos
Fui encorajado por coisas que eu encontrei n
África – não tanto pelas antigas formas que cham
mos de tribos – mas por lutas modernas que ocorr
ram no Zimbabwe, Angola, Moçambique e Guin
Bissau. Ainda que fossem liderados por organizaçõ
vanguardistas, eu vi que as pessoas estavam constr
indo comunidades democráticas radicais na bas
Pela primeira vez, nesses contextos coloniais, os p
vos africanos estavam criando o que era chamad
pelos angolanos de “poder popular”. Este poder pop
lar tomou uma forma muito antiautoritária: as pesso
não estavam só conduzindo suas vidas, mas també
as transformando enquanto lutavam contra qualqu
poder estrangeiro que os oprimia. No entanto, e
cada uma dessas lutas de libertação, novas estrutur
repressivas foram impostas logo que as pessoas cheg
vam próximo à libertação: a liderança estava obc
cada com idéias de governança, em estabelecer u
exército permanente, em controlar as pessoas depo
que os opressores forem expulsos. Uma vez que a tã
apregoada vitória foi conseguida, o povo – que hav
lutado durante anos contra os seus opressores – f
desarmado e, em vez de existir um poder popular rea
Zimbabwe, porque eles simplesmente substituíra
um opressor estrangeiro por um opressor nativo.
Então, aqui estou eu, nos Estados Unidos, luta
do pela libertação negra e me perguntando: como
que podemos evitar situações como essa? O anarqui
mo me deu uma maneira de responder a esta questã
insistindo que nós ponhamos no lugar, como fazem
em nossa luta agora, as estruturas de tomada de dec
sões e de fazer coisas que continuamente tragam ma
pessoas para o processo, e não apenas deixar a maior
das pessoas “iluminadas” tomarem decisões por tod
os outros. O próprio povo tem que criar estruturas e
que articulem sua própria voz e em que tomem su
próprias decisões. Eu não recebi isso de outras ideol
gias: eu recebi isso do anarquismo.
Também comecei a ver, na prática, que as estr
turas anarquistas de tomada de decisão são possíve
Por exemplo, nos protestos contra a Convenção N
cional Republicana, em agosto de 2000, eu vi os gr
pos normalmente excluídos – pessoas de cor, mulh
res e gays – participarem ativamente de todos os a
pectos da mobilização. Nós não permitimos que p
quenos grupos tomassem decisões por outros e, ap
sar de as pessoas terem diferenças, elas eram vist
como boas e benéficas. Era novo para mim, depois d
minha experiência nos Panteras, estar em uma situ
ção onde as pessoas não estão tentando disputar
mesmo lugar e realmente abraçam a tentativa de r
solver nossos interesses por vezes contraditórios. Is
me deu algumas idéias sobre como o anarquismo pod
ser aplicado.
coisas na comunidade negra?
Algumas de nossas idéias sobre quem somos com
povo bloqueiam nossas lutas. Por exemplo, a comun
dade negra é muitas vezes considerada um grupo m
nolítico, mas na verdade é uma comunidade de c
munidades com muitos interesses diferentes. Pen
em ser negro não tanto como uma categoria étnic
mas como uma força de oposição ou como pedra d
toque para ver as coisas de forma diferente. A cultu
negra sempre foi opositora e tudo isso é a busca d
caminhos para criativamente resistir à opressão aqu
no país mais racista do mundo. Então, quando eu fa
de um Anarquismo Negro, não está tão ligado à c
da minha pele, mas quem eu sou como pessoa, com
alguém que pode resistir, quem pode enxergar d
uma forma diferente quando eu estou bloqueado
assim, viver de forma diferente.
O que é importante para mim sobre o anarquism
é a sua insistência de que você nunca deve fic
preso em velhas e obsoletas abordagens e semp
deve tentar encontrar novas maneiras de ver as co
sas, de sentir e de se organizar. No meu caso, eu ap
quei pela primeira vez o anarquismo no início d
1990 em um coletivo que criamos para rodar o jorn
dos Panteras Negras novamente. Eu ainda era u
anarquista “no armário” neste momento. Eu aind
não estava pronto para sair e me declarar um ana
quista, porque eu já sabia o que as pessoas iriam diz
e como eles iriam olhar para mim. Quem eles veria
quando digo “anarquista”? Eles veriam os anarquist
brancos, com todos aqueles cabelos engraçados, et
havia companheiros mais velhos que estavam tenta
do reinventar a roda e, por outro, eu e alguns outr
que diziam: “Vamos ver o que podemos aprender co
a experiência vinda dos Panteras e construir em cim
dela e melhorá-la. Nós não podemos fazer as cois
da mesma maneira”. Enfatizamos a importância d
uma perspectiva antissexista – uma velha questã
dentro dos Panteras – mas do outro lado estava alg
do tipo “eu não quero ouvir todas essas coisas fem
nistas”. E nós dissemos: “Tudo bem se você não qu
ouvir isso, mas queremos que as pessoas jovens o
çam, para que eles saibam sobre algumas das cois
que não funcionaram nos Panteras, para que el
saibam que nós tivemos algumas contradições inte
nas que não poderíamos superar”. Nós tentamos fo
çar a questão, mas se tornou uma batalha e as discu
sões tornaram-se tão difíceis que uma separação oco
reu. Neste ponto, deixei o coletivo e comecei a tr
balhar com grupos anarquistas e antiautoritário
que foram realmente os únicos a tentarem lidar d
forma consistente com essas dinâmicas até o m
mento.
Uma das lições mais importantes que eu també
aprendi com o anarquismo é que você precisa olh
para as coisas radicais que já fazemos e tentar ince
tivá-las. É por isso que eu acho que há muito pote
cial para o anarquismo na comunidade negra: mui
do que já fazemos é anarquista e não envolve o Est
do, a polícia ou os políticos. Nós tomamos conta u
do outro, nós nos importamos com os filhos uns d
outros, nós vamos para o mercado uns para os outro
di que existem maneiras de ser radical sem ficar di
tribuindo literatura e dizendo às pessoas: “Aqui es
o retrato da situação, se você enxergar isso, vai segu
automaticamente a nossa organização e se juntará
revolução”. Por exemplo, a participação é um tem
muito importante para o anarquismo e também
muito importante na comunidade negra. Conside
o jazz: é um dos melhores exemplos de uma práti
radical existente porque ele assume uma conexã
participativa entre o individual e o coletivo e permi
a expressão de quem você é, dentro de um ambien
coletivo, com base no gozo e no prazer da música e
si. Nossas comunidades podem ser da mesma form
Podemos reunir todos os tipos de perspectivas de faz
música, de fazer revolução.
Como podemos nutrir cada ato de liberdade? Se
com as pessoas no trabalho ou as pessoas que passa
o tempo na esquina, como podemos planejar e trab
lhar juntos? Precisamos aprender com as diferent
lutas ao redor do mundo que não são baseadas e
vanguardas. Há exemplos na Bolívia. Há os zapati
tas. Há grupos no Senegal construindo centros s
ciais. Você realmente tem que olhar para as pesso
que estão tentando viver e não necessariamente te
tando chegar com as idéias mais avançadas. Precis
mos tirar a ênfase do abstrato e focar no que es
acontecendo na base.
Como podemos construir com todas estas difere
tes vertentes? Como podemos construir com os Ra
tas? Como podemos construir com as pessoas da Cos
Oeste que ainda estão lutando contra o governo, p
Pensamento de oposição e os riscos de ser opos
ção são necessários. Eu acho isso é muito importan
neste momento e uma das razões pelas quais eu ach
que o anarquismo tem muito potencial para nos aj
dar a seguir em frente. E isso não é um pedido pa
aderirmos dogmaticamente aos fundadores da trad
ção, mas para estarmos abertos a tudo o que aumen
a nossa participação democrática, a nossa criativ
dade e nossa felicidade.
Acabamos de ter uma Conferência Anarquista d
Pessoas de Cor em Detroit, de 03 a 05 de outubr
Cento e trinta pessoas vieram de todo o país. Foi ó
mo para vermos nós mesmos e bem como o interes
das pessoas de cor de todo o Estados Unidos em bus
de formas marginais de se pensar. Vimos que poderí
mos nos tornar aquela voz em nossas comunidade
que diz: “Espere, talvez nós não precisemos nos org
nizar assim. Espere, a maneira que você está tratand
as pessoas dentro da organização é opressiva. Esper
qual é a sua visão? Gostaria de ouvir a minha?”. H
uma necessidade para esses tipos de vozes dentro d
nossas diversas comunidades. Não apenas as nossas c
munidades de cor, mas em toda comunidade há um
necessidade de parar o avanço dos planos pré-fabr
cados e confiar que as pessoas podem descobrir col
tivamente o que fazer com este mundo. Eu acho qu
nós temos a oportunidade de deixar de lado o que n
pensamos que seria a resposta e lutarmos juntos pa
explorar diferentes visões do futuro. Podemos trab
lhar nisso. E não há uma resposta: temos de trabalh
com isso à medida que avançamos.
das, em protestos contra a Convenção Nacional R
publicana. Mas as pessoas se mantiveram bloqueada
mesmo quem começou a chorar no processo. Nã
vamos superar algumas das nossas dinâmicas intern
que nos mantiveram divididos, a menos que estej
mos dispostos a passar por algumas lutas realmen
difíceis. Esta é uma das outras razões pelas quais e
digo que não há uma resposta: só temos que pass
por isso.
Nossas lutas aqui nos Estados Unidos afetam t
dos no mundo. As pessoas nas classes subalternas vã
desempenhar um papel fundamental e a manei
como nos relacionamos com elas vai ser muito impo
tante. Muitos de nós somos privilegiados o suficien
para ser capaz de evitar alguns dos desafios ma
difíceis e vamos ter de abrir mão de parte desse priv
légio, a fim de construir um novo movimento. O p
tencial está lá. Nós ainda podemos ganhar – e red
finir o que significa vencer – mas temos a oportun
dade de promover uma visão mais rica da liberdad
do que já tinha antes. Temos que estar dispostos
tentar.
Como um Pantera, e como alguém que passou
clandestinidade enquanto guerrilha urbana, pus
minha vida no limite. Eu assisti meus companheir
morrerem e passei a maior parte da minha vida adul
na prisão. Mas eu ainda acredito que podemos ve
cer. A luta é muito difícil e quando você cruza es
limite, você corre o risco de ir para a cadeia, fic
gravemente ferido, morto, e assistir seus companhe
ros ficando gravemente feridos e mortos. Isso não
mas a luta também vai ser difícil para nós.
É por isso que temos de encontrar maneiras d
amar e apoiar uns aos outros através de tempos di
ceis. É mais do que apenas acreditar que podem
vencer: precisamos ter estruturas consolidadas qu
possam nos ajudar a caminhar, quando sentirmos qu
não podemos dar mais nenhum passo. Acho que p
demos mudar novamente se pudermos descobrir alg
mas dessas coisas. Este sistema tem que cair. Isso n
fere a cada dia e não podemos desistir. Temos qu
chegar lá. Temos que encontrar novas maneiras.

O anarquismo, se significa alguma coisa, significa est


aberto para o que quer que for preciso em nosso pens
mento, em nossa vivência e nas nossas relações – para v
vermos plenamente e vencermos. De certa forma, eu ach
que são a mesma coisa: viver a vida ao máximo é ganhar.
claro que vamos e devemos entrar em conflito com os noss
opressores e precisamos encontrar boas maneiras de fazê-l
Lembre-se daqueles das classes subalternas, que são os ma
afetados por isso. Eles podem ter diferentes perspectiv
sobre como essa luta deve ser feita. Se nós não podemos e
contrar caminhos para nos encontrarmos cara-a-cara afi
de resolvermos essa situação, velhos fantasmas reaparecerã
e nós voltaremos à mesma velha situação em que estivem
antes.
Vocês todos podem fazer isso. Você tem a visão. Você te
a criatividade. Não permitam que ninguém bloqueie isso
Nota:
1
Institute for Anarchist Studies.

Texto extraído de “Perspectivas sobre a teoria anarquista”,


boletim semestral do Instituto de Estudos Anarquistas,
Primavera 2004 - Volume 8, Número 1.

Tradução: Mariana Santos (Das Lutas)