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FUNDAÇÃO COMUNITÁRIA TRICORDIANA DE EDUCAÇÃO

UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO VERDE


UNINCOR

A LEI 11.645/08 NO ENSINO DE HISTÓRIA AFRO-BRASILEIRA


ATRAVÉS DAS MÚSICAS DE CAPOEIRA NO CONTEXTO ESCOLAR

Jane Nogueira dos Santos

Três Corações
2017
FUNDAÇÃO COMUNITÁRIA TRICORDIANA DE EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO VERDE
UNINCOR

A LEI 11.645/08 NO ENSINO DE HISTÓRIA AFRO-BRASILEIRA


ATRAVÉS DAS MÚSICAS DE CAPOEIRA NO CONTEXTO ESCOLAR

Projeto apresentado à Universidade Vale


do Rio Verde – UNINCOR como parte das
exigências do curso Licenciatura em
Música, para obtenção da aprovação na
disciplina Projeto Integrador – Educação
Étnico-Racial e Gênero.

Orientador
Prof. Ma. Alessandra Alves de Carvalho
Nogare

Três Corações
Novembro 2017
SUMÁRIO
1 – INTRODUÇÃO.....................................................................................................06
2 – OBJETIVOS.........................................................................................................08
2.1 – Objetivo geral....................................................................................................08
2.2 – Objetivos específicos........................................................................................08
3 – JUSTIFICATIVA...................................................................................................09
4 – REFERENCIAL TEÓRICO...................................................................................10
4.1 – Cultura afro – brasileira.....................................................................................10
4.1.1 – História afro – brasileira.................................................................................11
5 – METODOLOGIA..................................................................................................17
6 – CRONOGRAMA..................................................................................................18
7 – REFERÊNCIAS ..................................................................................................19
RESUMO

O presente trabalho visa fornecer informações através do referencial teórico buscando em pesquisas
bibliográficas assuntos sobre o ensino e aplicação da cultura afro-brasileira nas escolas e
comunidades. Através deste, se almeja entender e compreender melhor sobre o racismo e
preconceito que existe hoje dentro das escolas, sendo este problema muitas vezes adquiridos por
falta de conhecimento mais aprofundado sobre a nossa própria cultura advindo de várias gerações
anteriores e isso poderá ser trabalhado e conscientizado com os alunos, seja através do esporte, da
música e de atividades pedagógicas elaboradas em sala de aula. O foco deste trabalho será ensinar
sobre a história de nossa descendência afro-brasileira através das canções da capoeira e deste
esporte desenvolvendo nos alunos uma visão mais ampla e consciente sobre sua própria cultura e
como o racismo e preconceito poderá ser combatido através da reunião de professores e alunos junto
a este esporte, sendo ensinado o respeito às diferenças.

Palavras - chave: Cultura afro-brasileira, capoeira e ensino da música.


ABSTRACT

The present work aims to provide information through a theoretical framework searching in
bibliographical research subjects on the teaching and application of Afro-Brazilian culture in schools
and communities. Through this, it is sought to understand and understand better about the racism and
prejudice that exists today within the schools, this problem is often acquired by lack of deeper
knowledge about our own culture coming from several previous generations and this can be worked
and made aware with the students, be it through sport, music and pedagogical activities elaborated in
the classroom. The focus of this work will be to teach about the stories of our Afro-Brazilian descent
through the songs of capoeira and this sport, developing in students a broader and more conscious
view about their own culture and how racism and prejudice can be fought through collaboration
between teachers and students along with this sport, being taught respect for differences.

Key words: Afro-Brazilian culture, capoeira and music teaching.


1 – INTRODUÇÃO

Um dos maiores empecilhos para o progresso no Brasil é o racismo. O


racismo é uma doença que contamina a sociedade e a melhor maneira de combate-
lo é com a educação. Essa conscientização precisa ser feita nas escolas, com a
participação da família. Será apresentado um projeto integrador, utilizando a
capoeira como disciplina nas escolas.
A capoeira é uma arte desenvolvida no Brasil por escravos descendentes de
africanos. Para que as crianças aprendam desde cedo o valor da cultura brasileira,
despertando o interesse pelas culturas afrodescendentes, elas terão a oportunidade
de aprender e ter um conceito verdadeiro das pessoas, amenizando o preconceito
racial.
A partir do momento em que as Leis 10.639/03 e 11.645/08 foram criadas, com
intuito de combater os preconceitos étnico-raciais existentes no Brasil a respeito da
cultura afro-brasileira e indígena através do ensino da história afro-brasileira e
indígena nas escolas públicas e particulares, surgiram diversos debates e
discussões a respeito do tema.
Mas existe um questionamento sobre como é ensinado nas escolas a história
dos antecedentes brasileiros, no caso índios e negros, e da cultura brasileira em si.
Muitas crianças aprendem e muitas aprenderam sobre a história do Brasil, sua
cultura afrodescendente e indígena de forma superficial, na qual é ensinado que os
negros eram escravos e que os índios eram explorados pelos portugueses.
Entretanto, nunca houve um interesse em aprofundar as raízes culturais dessas
raças e de expor como são, quais suas influências e origens.
É assustador pensar que mesmo após 300 anos da abolição da escravidão
ainda exista o racismo e que a luta contra ele ainda tem uma grande caminhada pela
frente. Essa luta tem se manifestado de várias formas, tais como discursos,
cartazes, mídias e passeatas. Observa-se um grande esforço para se incluir a raça
negra em propagandas e papeis de protagonistas na tv; as cotas nas faculdades e
vagas de emprego ainda se fazem necessárias.
Deve-se questionar qual será o legado deixado a população e sua
descendência, pois há muito o que aprender e conhecer sobre esses povos, suas
crenças, cultura, a forma como viviam e como pensava a respeito de seus
exploradores. É preciso entender e conhecer o ponto de vista de um povo que, no
caso dos indígenas, perderam sua voz e território, e no caso dos negros, perderam
sua liberdade e identidade, povos que foram calados e transformados em objetos de
troca e venda, onde sua cultura e modo de vida não eram importantes para ninguém
mais além deles.
Atualmente, graças a evolução tecnológica e a globalização, a sociedade já é
mais esclarecida a respeito da história desses povos. Houve uma quebra de tabu
sobre o tema promovido pelas diversas mídias, que contribuiu muito para o combate
do preconceito racial e étnico. Os meios para se estudar e entender o assunto já
existem e são acessíveis. Porém, é necessário promover ações de incentivo à
busca, à pesquisa e ao interesse a essas histórias que foram tão desprezadas por
motivo de preconceito por tanto tempo. Apesar dessa quebra de tabu, o assunto
ainda não está incluso na grade curricular dos ensinos infantis, fundamental e médio
das escolas públicas e privadas, sendo, portanto, os meios para se conhecer essa
cultura não tão acessíveis a todos de forma igualitária.
É neste conceito da busca pelo conhecimento da cultura indígena e
afrodescendente que se baseia este trabalho, que procura entender um pouco da
cultura dos antecedentes brasileiros que representam a cultura do Brasil, pois foi
onde tudo começou e é onde tudo está engajado. Para isso, os esforços estão
voltados a conhecê-la através de canções do jogo de capoeira. Estas canções são
como ladainhas repetidas durante o gingado da capoeira.
Espera-se que a cultura afro-brasileira possa ser ensinada de modo que as
pessoas aprendam sobre ela desde suas raízes mais profundas e que esses
conhecimentos sejam transmitidos de forma espontânea para o futuro da geração e
difundida para além dos territórios nacionais.
2 – OBJETIVOS

2.1 – OBJETIVO GERAL

Apresentar uma pesquisa sobre as canções dos jogos de capoeira e suas


ladainhas para uma compreensão e transmissão à sociedade da história da Cultura
Afro-brasileira e suas origens, a fim de que o preconceito em torno desta temática
seja amenizado, que haja a ampliação dos incentivos aos estudos sobre essa
cultura, que essa história se torne cada vez mais presente no dia-a-dia dos
brasileiros e para que a luta contra o racismo se torne mais forte.

 Propor o ensino aprofundado da história afro-brasileira através


das canções;

2.2 – OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Promover questionamentos sobre qual será o legado deixado a


população brasileira e sua descendência;

 Promover a inclusão e o combate ao preconceito às culturas


indígenas e afro-brasileiras;

 Apresentar a importância da história afro-brasileira para o país.

 Fazer do uso da capoeira nas escolas, uma ponte para acabar


com o racismo;

 Demonstrar o valor da cultura brasileira introduzindo no ensino


infantil a capoeira, para que as crianças tenham contato com a cultura
afrodescendente.
3 - JUSTIFICATIVA

Este projeto foi criado para incentivar a cultura afrodescendente no país, com
o intuito de através do conhecimento, extinguir o preconceito racial. O Brasil é um
país multicultural que foi descoberto e, em seguida, explorado por seus
descobridores. Sua história possui muitas raízes que, até hoje, são desconhecidas.
O que é ensinado nas instituições de ensino é, apenas, o superficial que, por sua
vez, ainda é considerado como algo suficientemente essencial para a população.
Porém, com a globalização e a revolução tecnológica e, até mesmo, com a alteração
das leis e políticas públicas quanto a inclusão social, surgiu a necessidade de um
debate sobre essas raízes históricas e a implantação do ensino dessa história à
população.
Com os recentes ocorridos quanto à política corrupta e a violência racial e
cultural que tem crescido de forma exacerbada no país, percebe-se a importância de
se resgatar a sua história e no que ela está inserida. A base histórica é, muitas
vezes, vista como uma forma de se entender os eventos dos dias atuais.
Essa pesquisa se justifica pelo intuito de mostrar a importância da história
afro-brasileira, partindo do princípio de que o Brasil não teria crescido
economicamente se não fosse pela mão-de-obra escrava dos índios residentes e
negros exportados de seus países.
Este trabalho está sendo realizado a fim de propor o estudo de história da
cultura afro-brasileira de forma profunda através das canções dos jogos de capoeira,
cujo o ensino no contexto escolar foi sancionado através das Leis de Nº 10.639/03 e
a Lei de Nº11.645/08.
4 - REFERÊNCIAL TEÓRICO

4.1 - Cultura afro - brasileira

A partir do ano de 1500, ano do descobrimento do Brasil, a cultura existente


passou por diversas mudanças. Ao receber influência cultural de povos distantes,
como africanos e portugueses, os costumes foram sendo alterados e adaptados até
chegar aos dias atuais.
A cultura brasileira é tão diversa que os costumes mudam de região para
região, por exemplo, a região sudeste possui uma cultura muito distinta da região
norte. E isso tudo se deve ao fato de do Brasil ter recebido influencias de vários
povos colonizadores.
Os povos que mais deixaram uma influência cultural muito forte foram os
africanos. A influência desses povos se mantém viva até hoje na música, nas artes,
na culinária, entre outros costumes, formando o que conhecemos como cultura afro-
brasileira.
Segundo Vesentini (1998), da mesma forma que o termo “índio” surgiu dos
descobridores do Brasil, a categoria negra foi uma imposição do dominador ao
dominado. “As diversas nações africanas não se conheciam como negros e sim
como Banto, Haúça, Niam Niam, Fulas, Kenembu, etc.” (VESENTINI, 1998, p. 213).
devido a exploração da mão-de-obra dessas pessoas, muito da sua cultura foi
perdido, pois a exploração não era realizada apenas por parte de Portugal, mas
também de outros países que acabaram sufocando muitos ritos religiosos e
artísticos que eram comuns para os africanos.
Uma das manifestações artísticas mais marcantes dos afrodescendentes, é a
música. Normalmente com um ritmo agradável e harmonia simples, a música
africana teve um papel muito importante durante o período colonial e o tem até os
dias de hoje.
Vários estilos musicais populares sofreram forte influência da música e dança
dos escravos. Por exemplo: Samba, axé, maracatu, reggae, entre outros. Não se
pode esquecer também da capoeira que é a mais pura manifestação cultural da
África no Brasil. É uma arte que surgiu como forma de defesa para os escravos e
ainda se mantém viva.
4.1.1 - HISTÓRIA AFRO - BRASILEIRA
O Brasil é o país que possui mais descendência com a população africana e,
por isso, a cultura desses povos exerce grande influência em nosso país, sendo
importante implementar os conteúdos históricos e culturais afro-brasileiros. Segundo
Mattos,

abordagem da história da África no mesmo nível de profundidade com que


se estuda a história europeia e suas influências sobre o continente
americano; a segunda passa por historicista o processo de radicalização
dos negros nas Américas, em suas relações com a memória da escravidão,
e suas implicações em termos de definição de direitos civis nos países do
continente; a terceira, incorporar, à formação de professores, a historiografia
mais recente sobre a história da escravidão no Brasil; e, por fim, a quarta,
de forma mais incisiva, incorporar à formação de professores do ensino
fundamental as novas pesquisas que abordam, historicamente, experiências
concretas de criação e de transformações culturais indenitárias, na
experiência da diáspora africana (MATTOS, 2003, p. 127-136).

A implementação da lei 10.639/03 requer a atitude dos docentes em sala de


aula para a construção do saber, propondo pesquisas que possam compreender de
uma maneira mais ampla o conhecimento e compreensão das histórias sobre a
humanidade e suas origens, superando os livros e revistas, para que haja maior
entendimento dos conhecimentos adquiridos., “O que interessa a nós é expulsar os
colonialistas, não necessariamente matá-los” (FREIRE, 1985, p. 6). De acordo com
Ferreira,
As temáticas que versam sobre grupos minoritários, principalmente os
negros, não se fazem presente no cotidiano das salas de aula,
preponderantemente nas instituições de ensino da Educação Básica. Esta
situação nos remete a um problema que é comum, e que surgiu em
consequência da formação deficitária, quando não inexistente, dos
professores que atuam nesta modalidade de ensino (FERREIRA, 2008, p.
226).

A cultura afro-brasileira deve ser trabalhada abrangendo todos os níveis de


escolaridade, partindo de diversas abordagens, considerando sempre a região,
idade e cultura de cada aluno. Para Moore,

Confrontar o universo docente brasileiro com o desafio de disseminar, para


o conjunto de sua população, num curto espaço de tempo, uma grande
gama de conhecimentos multidisciplinares sobre o mundo africano.
Aprofundar e divulgar o conhecimento sobre os povos, culturas e
civilizações do continente africano, antes, durante e depois da grande
tragédia dos tráficos negreiros trancaríamos, do mar Vermelho, Atlântico
(europeu), e sobre a subsequente colonização direta desse continente pelo
Ocidente a partir do século XIX, são tarefas de grande envergadura
(MOORE, 2010 p. 139).

A Capoeira é uma arte com histórico de lutas pela emancipação negra, o que
a legitima como uma manifestação cultural libertária por excelência. Enquanto
prática educativa, é nítida sua relevância quando observada a abrangência nacional
que alcança, a inserção em todos os níveis sociais e a sua adoção pelas instituições
educativas da Educação Infantil ao Ensino Superior.
Segundo Castro Junior (2004, p., 147) “na roda de capoeira, não se canta por
cantar: o canto tem sentido e significado. E o cantador canta a partir do jogo”.
A união de conhecimentos teóricos sobre a cultura afro-brasileira e a capoeira
possibilita uma transformação na vida do educador que contribui para a aceitação da
cultura e diminuição do racismo em sala de aula.
O ensino da capoeira torna-se multidisciplinar, sendo trabalhada das
disciplinas de história, com a chegada dos colonos e escravos aqui no Brasil,
trabalha geografia territorial, explicando como esses negros viviam, educação física
como dança corpórea e movimentos do corpo, o português, sendo trabalhado as
letras e dialeto como podemos ver nas canções Sete (1989). Pode-se notar também
como a questão multicultural é trabalhada na letra das canções neste jogo e dança
chamado capoeira Pereira e Carvalho, (1992):

Moçambique

Eu vim de Angola
Angola ê, Angola ê, camará
Eu vim de Angola
Procurando capoeira
Eu passei em Moçambique
Eu subi e fui a Luanda
Eu desci e fui a “Unganda”
Nada encontrei por “lá-a”
Vim parar no meu Brasil varonil
Capoeira encontrei
Eu joguei e extravasei
Isso é coisa de Brasil
A grande comunidade
Sem preconceito e sem cor
Seja branco ou seja negro
Ou mulato ou outra cor
Quando entra numa roda
Pula e brinca com amor
Isso é fruto de uma cultura
Que nasceu e não tem cor (PEREIRA, CARVALHO, 1992, p. 32)

É através da expressão da letra das canções, estão sendo trabalhadas que,


não há diferença entre negros e brancos dentro da dança e que, quando se pula e
se dança com amor, passa a ser fruto de uma cultura que nasceu sem cor.
Em outro trecho, ainda das canções de capoeira e ladainhas, conta-se
histórias de uma realidade que muitas vezes não é contata na escola. Podemos ver
claramente, através da visão de um capoeirista, por exemplo, e que retratada nas
canções, a abolição da escravatura, Pereira e Carvalho (1992):

Isabel que história é essa (Toni Vargas)

Dona Isabel que história é essa (3 vezes)


De ter feito a abolição
De ser princesa boazinha
Que libertou a escravidão
Estou cansado de conversa
Estou cansado de ilusão
Abolição se fez com sangue
Que inundava esse país
Que o negro transformou em luta
Cansado de ser infeliz
A abolição se fez bem antes
Ainda por se fazer agora
Com a vontade “das favelas”
Não com as mentiras da escola
Ôh, Isabel chegou a hora
De se acabar com essa maldade
De ensinar “pra” nossos filhos
O quanto custa a liberdade
Viva zumbi, nosso guerreiro
Que fez-se herói lá em Palmares
Viva a cultura desse povo
A liberdade verdadeira
Que já corria nos Quilombos
Que já jogava capoeira
iê, viva zumbi...
iê, viva Palmares
iê, a capoeira...
iê, o berimbau...
iê, jogo de Angola...
iê, a falsidade...

A história torna-se clara também na canção Zumbi, que fala de Zumbi de


Palmares, o principal representante da resistência negra da escravidão no Brasil e
sua luta a frente desta guerra, servindo de inspiração para muitos outros negros do
país, segundo FRUBEL (2013), e também retratada na canção a seguir de Pereira e
Carvalho (1992):

ZUMBI

Viva zumbi
O guerreiro de Palmares
Transformou sua vida em sangue, ôiaiá
Em busca da liberdade
Liberdade já raiou
Igualdade ainda não
O negro é braço forte
É o orgulho da nação
Tomou banho até de sangue
Construindo esta nação
Carregou pedra na “furca”
Apanhou sem ser ladrão
O feitor não perdoava
Com chicote em sua mão
A cara de Barrabais
A natureza de um cão
A mãe negra inocente
Chorava sem solução
Recorria a Sinhazinha
Recebia um empurrão
Sai daqui nega caduca
Vai-te embora pro porão
Se o senhor soubesse, mestre
O valor que o negro tem
Pintava sua pele toda
Ficava negro também
Hahai, viva zumbi...
Ê viva Palmares...
Viva a liberdade...
Ê viva a mãe negra...
Vamos nos embora...
Pela Barra a fora...

Todas estas canções, se trabalhadas em sala de aula, aplicando-se toda a


multidisciplinaridade que a capoeira tem, ensina ao alunado a ter uma outra visão da
história de sua própria cultura, entre outros aspectos, como ritmo, consciência
corporal, “...O ritmo facilita movimentos belos e harmoniosos, liberdade de
movimentos e a expressão natural despertando a consciência corporal” (PEREIRA,
CARVALHO, 1992, p. 135).
5 – METODOLOGIA

No ensino da disciplina de História na Educação Básica do Brasil, atualmente,


enquanto ainda não se encontra em vigor a efetivação da nova Base Nacional
Curricular Comum, os únicos conteúdos obrigatórios dizem respeito aos estudos da
história e cultura afro-brasileira e indígena, assim como determina a Lei de n° 11.645
do ano de 2008. Tratando especificamente da história e cultura afro-brasileira, esta
determinação existe desde o ano de 2003, por intermédio da Lei de n°10.639, uma
das maiores conquistas dentre um conjunto de demandas sociais que foram
apresentadas pelos movimentos negros do Brasil, notadamente a partir da segunda
metade do século XX, momento no qual se intensificaram as mobilizações de
maneira geral – em prol de combater à discriminação racial e de meios para
valorização da população afro – brasileira.

A capoeira é uma das práticas que é resultado da vivência e experiência


sociocultural dos africanos e seus descendentes em território brasileiro e,
atualmente, faz parte de um conjunto de ícones que, na contemporaneidade,
representam a identidade brasileira segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (IPHAN). Esta manifestação encontra-se presente no país por ser
considerada pela população um conteúdo chave e que tem a capacidade de fazer a
ponte para que os estudos obrigatórios referentes à história e cultura afro – brasileira
possam ser efetivados na escola. Dito isso, este trabalho será realizado através de:

Pesquisa Bibliográfica Preliminar: serão pesquisados os aspectos


referentes a cultura afro-brasileira e a cultura indígena; instituições culturais e
educacionais que lecionam de forma diferenciada o ensino da cultura afro-brasileira;
autores que dissertam sobre o tema.

Encontre um autor que explique o que é pesquisa bibliográfica e o faça por


meio de citações.
6 – CRONOGRAMA

MES/ETAPAS Mês Agosto Mês Setembro Mês Outubro Mês Novembro Mês Dezembro

Escolha do tema
X

Levantamento
X X X X
bibliográfico
Elaboração do
X X X
anteprojeto
Apresentação do
X X X
projeto
Coleta de dados
X X X X

Organização do
X X X X
roteiro/partes
Redação do
X X X X
trabalho
Revisão e
X
redação final
Entrega X
Avaliação X
7 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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