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LABORATÓRIO DE MATERIAIS II

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DUREZA
Prof. Dr. Celso Riyotsi Sokei

Nome:

Eduardo Andrade Segantini Netto 200813151

Bruno Rozzatti Bompan 200820351


Murilo Augusto Fávaro 200821681

Ilha Solteira, 10/09/2009

Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira


Cursos: Agronomia, Ciências Biológicas, Eng. Civil, Eng. Elétrica, Eng. Mecânica, Física, Matemática e Zootecnia.
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1. Objetivos

Este experimento visa à obtenção das medidas de dureza dos materiais com
composições e tratamentos térmicos diferentes, além de comprovar se a relação entre os
diversos tipos de ensaio (Rockwell, Brinell e Vickers) se mantém.
2. Introdução teórica

2.1. Dureza Rockwell

Oferece algumas vantagens significantes, que fazem esse tipo de dureza ser de
grande uso internacional. A dureza Rockwell, simbolizada por HR, elimina o tempo
necessário para a medição de qualquer dimensão de impressão causada, pois o resultado é
lido direta e automaticamente na máquina de ensaio, sendo portanto, um ensaio mais
rápido e livre de erros pessoais. Além disso, utilizando pequenos penetradores, a
impressão pode muitas vezes não prejudicar a peça ensaiada e pode ser usada também para
indicar diferenças pequenas de dureza numa mesma região da peça. A rapidez do ensaio
torna-o próprio para usos em linhas de produção, para verificação de tratamentos térmicos
ou superficiais e para laboratório.
O ensaio é baseado na profundidade de penetração de uma ponta, subtraída da
recuperação elástica devido a retirada de uma carga maior e da profundidade causada pela
aplicação de uma carga menor. Os penetradores utilizados na dureza Rockwell são do tipo
esférico (esfera de aço temperado) ou cônico (cone de diamante, com 120º de conicidade).
Com qualquer desses penetradores, a carga menor é então aplicada para fixar bem o corpo
de prova, ou seja, para garantir um contato firme com a superfície do corpo de prova.
Depois de aplicada e retirada a carga maior, a profundidade da impressão é dada
diretamente no mostrador da máquina, em forma de um número de dureza, após voltar a
carga ao valor menor. A leitura deve ser feita numa escala apropriada ao penetrador e à
carga utilizada. A máquina já vem provida das escalas justapostas que servem para todos
os tipos de dureza Rockwell existentes. Essas escalas de dureza Rockwell são arbitrárias,
porém baseadas na profundidade da penetração e são designadas por letras (A. B, C,
etc...), as quais devem sempre aparecer após a sigla HR para diferenciar e definir a dureza.
O número de dureza obtido corresponde a um valor admensional, ao contrário da
dureza Brinell. As escalas mais utilizadas são B, C, F, A, N e T, as demais são só
empregadas em casos especiais. A escala C tem seu uso prático entre os números 20 e 70.
Abaixo de 20, deve-se empregar a escala B para evitar erros; a dureza Rockwell B varia de
aproximadamente 50 a 100, a escala F entre 73 e 166,5 e a escala A é a de maior
amplitude de variações.
A superfície da amostra deve ser lixada para eliminar as irregularidades que possa
ter, diminuindo assim as chances de erro. Mesmo assim, a carga menor serve também para
minimizar o efeito dessas irregularidades superficiais, bem como de alguma “aderência”
das bordas do metal no penetrador. A primeira leitura de ensaio de dureza Rockwell deve
ser desprezada, porque essa primeira impressão serve apenas para ajustar bem o
penetrador na máquina. Se a superfície da amostra não for plana, deve-se fazer uma
correção ao valor de dureza encontrado, porque a dureza Rockwell se baseia na
profundidade e não na área.

2.2. Dureza Brinell

O ensaio de dureza Brinell é realizado mais constantemente em corpos de


alumínio, latão e aço recozido. As cargas são aplicadas utilizando-se de um penetrador de
aço temperado em forma esférica.
Este tipo de ensaio de dureza por penetração foi proposto por J. A. Brinell em
1900, sendo o tipo de ensaio mais usado na Engenharia até os dias atuais.
O ensaio consiste em comprimir lentamente o penetrador esférico de diâmetro D
por meio da aplicação de uma carga Q sobre uma superfície plana e polida durante um
determinado espaço de tempo. Essa compressão provocará uma impressão permanente no
metal com o formato de uma calota esférica de diâmetro d, que é medido por um
microscópio óptico. O valor do diâmetro d deve ser a média de duas leituras, uma
perpendicular à outra.
A dureza Brinell (HB) é definida por:

2Q
HB 

D D  D 2  d2 . (1)

2.3 Dureza Vickers

Os ensaios de dureza Vickers são realizados em vários tipos de materiais.


Esse ensaio de dureza foi introduzido em 1925 por Smith e Sandland e foi batizado
com o nome Vickers porque a companhia Vickers-Armstrong Ltda foi a responsável pela
fabricação das máquinas mais conhecidas por operar com esse tipo de dureza.
A espécie de penetrador utilizado nesse tipo de ensaio é uma pirâmide de base
quadrada, com ângulo de 136° entre as faces opostas. Com esse ângulo, pode-se produzir
valores de impressão semelhantes aos da dureza Brinell. O penetrador é de diamante,
sendo portanto praticamente indeformável.
A forma da impressão é um losango regular. Com um microscópio óptico faz-se a leitura
das medidas de suas diagonais, tirando-se uma média L.
A dureza Vickers (HV) é obtida por meio da seguinte equação:

1,854 Q
HV  (2)
L2

3. Materiais e Métodos

Os materiais utilizados foram aço ao carbono 1040 recozido, aço ao carbono 1040
temperado, alumínio comercial e latão. Para a realização das medidas utilizamos o
Durômetro Biro VA-I e o Durômetro HPO-250

4. Resultados Experimentais

Utilizando o método Brinell, para cada material, realizamos três ensaios, onde em cada
ensaio realizamos duas medidas diferentes para o diâmetro da penetração da esfera, a
Tabela 1 nos fornece tais dados obtidos.

Tabela 1 – Dados obtidos no ensaio de dureza Brinell.

Material Ensaio d1 (mm) d2 (mm)


1 0,853 0,855
Latão 2 0,858 0,868
3 0,882 0,884
1 0,625 0,624
Alumínio 2 0,636 0,623
3 0,617 0,636
1 0,971 0,960
Aço 1040 recozido 2 0,963 0,966
3 0,955 0,950

A partir dos dados da Tabela 1, calculamos a média aritmética da profundidade de


impressão para cada material e com o auxílio da Equação (1) calculamos o valor da dureza
Brinell para cada material. A Tabela 2, nos fornece os valores médios da impressão, o
valor da carga utilizado para tal e o valor da dureza Brinell para cada material ensaiado.

Tabela 2 – Valores utilizados para o cálculo da dureza Brinell e o valor da dureza


Brinell para cada material ensaiado.
Material Dmédio (mm) Q (kgf) HB (kgf/mm2)
Latão 0,867 62,4 102,63
Alumínio 0,627 31,25 99,64
Aço 1040 recozido 0,961 187,5 248,70

No método Vickers para cada material, realizamos três ensaios, onde em cada ensaio
realizamos as medidas das diferentes diagonais da impressão deixada pela pirâmide de
base quadrada, a Tabela 3 nos fornece tais dados obtidos.

Tabela 3 – Dados obtidos no ensaio de dureza Vickers.

Material Ensaio L1 (mm) L2 (mm)


1 0,722 0,727
Latão 2 0,726 0,728
3 0,712 0,705
1 0,592 0,597
Alumínio 2 0,598 0,594
3 0,600 0,593
1 0,542 0,541
Aço 1040 recozido 2 0,525 0,524
3 0,539 0,529
1 0,335 0,327
Aço 1040 temperado 2 0,327 0,320
3 0,326 0,328
A partir dos dados da Tabela 3, calculamos a média aritmética da profundidade de
impressão para cada material e com o auxílio da Equação (2) calculamos o valor da dureza
Vickers para cada material. A Tabela 4, nos fornece os valores médios da impressão, o
valor da carga utilizado para tal e o valor da dureza Vickers para cada material ensaiado.
Tabela 4 – Valores utilizados para o cálculo da dureza Vickers e o valor da dureza
Vickers para cada material ensaiado.
Material Lmédio (mm) Q (kgf) HV (kgf/mm2)
Latão 0,720 30,00 107,32
Alumínio 0,596 20,00 104,41
Aço 1040 recozido 0,533 40,00 261,10
Aço 1040 temperado 0,327 40,00 693,69

Para a dureza Rockwell C, foi realizado somente no corpo de prova do aço ao


carbono 1040 temperado, nele aplicamos uma pré-carga de 10kgf, e logo em seguida
aplicamos a carga restante para completar o ensaio de dureza Rockwell C, ou seja, uma
carga de 140kgf. A Tabela 5 fornece os valores da dureza obtidos em três ensaios.

Tabela 5 – Dados obtidos no ensaio de dureza Rockwell C.


Material Ensaio HR
1 58,00
Aço 1040 temperado 2 58,00
3 58,50

Com os dados obtidos pela Tabela 5, podemos concluir que a dureza média do aço ao
carbono 1040 temperado é de 58,16 HR.

Ao analisarmos os diversos experimentos observamos uma coerência entre os valores


de dureza, sendo que para os ensaios Brinell e Vickers obtivemos valores crescentes de
dureza ao ensaiarmos os corpos de prova de alumínio, latão e aço ao carbono 1040
recozido respectivamente, sendo o ensaio Brinell para o aço ao carbono 1040 temperado
não recomendado devido à elevada deformação da esfera.
Como a impressão no ensaio de dureza Brinell abrange uma área de contato maior do
que as impressões dos outros ensaios, ela é a mais recomendada para metais que tenham
uma estrutura interna não uniforme, como é o caso dos ferros fundidos cinzentos.
O ensaio de dureza Vickers não é tão prático como os demais ensaios pois exige
uma cuidadosa preparação do corpo de prova de modo a promover uma impressão mais
nítida.

5. Conclusão

Concluímos, portanto, que o ensaio Vickers é um dos mais versáteis podendo medir
uma grande amplitude de dureza com extrema precisão, porém é um dos menos utilizados
na prática, sendo os ensaios Brinell e Rockwell mais utilizados. O ensaio Brinell não é
recomendado para materiais de elevada dureza superficial devido à deformação ocorrida
na esfera já a dureza Rockwell é mais prática e obtida diretamente no aparelho medidor de
dureza.

6. Referências Bibliográficas

1. Souza, S. A. “Ensaios Mecânicos de Materiais Metálicos” - editora Edgard Blucher


Ltda., 1982

2. Garcia, A., Spin, J. A. e Santos, C. A. “Ensaios dos Materiais” - Editora Livros


Técnicos e Científicos., 2000

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