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IBET – INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS TRIBUTÁRIOS

MÓDULO II: INCIDÊNCIA E CRÉDITO TRIBUTÁRIO


SEMINÁRIO IV – EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA,
COMPENSAÇÃO E REPETIÇÃO DO INDÉBITO.

ALUNO: Jair Augusto Gomes Damasceno DATA: 30.08.2018

Questões

1. Criticar a expressão “extinção do crédito tributário”. É correta a


tradicional separação das causas de extinção prescritas no art. 156 do CTN
em modalidades de fato e modalidades de direito? Justifique.

O Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66) nos apresenta em seu


Artigo 156 as modalidades de extinção do crédito tributário, porém entendemos
que o legislador não foi feliz ao utilizar a expressão citada, tendo em vista que
as referidas modalidades se adequam muito mais ao conceito de extinção de
elementos da obrigação tributária do que o crédito, pois esse decorre do
lançamento.

Entendemos, que o que se exclui são os elementos da relação


obrigacional: sujeito ativo, sujeito passivo, crédito, etc.

Por fim, vislumbramos que o Direito Tributário regula todas as


modalidades de extinção do referido crédito, entendemos que não é adequada
a tradicional separação doutrinária entre modalidade de fato e modalidade de
direito afinal todas são criações jurídicas.

2. Quem tem legitimidade ativa para pleitear a repetição do indébito


tributário? E em caso de substituição tributária? E na hipótese prevista no
art. 166 do CTN, há alguma alteração do sujeito legitimado? Responda as
perguntas analisando criticamente os anexos I e II.

O possuidor da legitimidade ativa para pleitear a repetição de indébito

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tributário é o sujeito passivo tributário da relação obrigacional tributária que o fez
pagamento a maior.

Porém em caso de substituição tributária temos o sujeito passivo de


direito e o sujeito passivo de fato. Nesse caso o contribuinte de direito, que faz
as vezes do contribuinte de fato, será o sujeito legítimo para propor a repetição
de indébito a não ser que repasse o ônus financeiro ao contribuinte de fato. Aí
esse deterá a referida legitimidade.

3. A hipótese de dação em pagamento de bens imóveis como causa


extintiva do crédito tributário altera a cláusula do art. 3º do CTN quanto à
prestação tributária qualificar-se como estritamente pecuniária?
Justifique. As previsões de extinção do crédito tributário por dação em
pagamento de bens imóveis em legislações municipais e estaduais antes
da Lei Complementar 104/01 são válidas? Têm aplicação jurídica?

A possibilidade de dação em pagamento em bens imóveis introduzida


pela Lei Complementar n. 104/01 não altera o conceito de tributo contido no
Artigo 3º do CTN, que exige o requisito da prestação pecuniária, pois a RMIT,
assim como a norma individual e concreta produzida a partir de sua aplicação,
continuam a prever como objeto da obrigação tributária o pagamento em
pecúnia, sendo a dação em pagamento apenas uma terceira norma que se
refere à forma de extinção da obrigação, e não precisamente ao objeto do liame
obrigacional.

Referente as previsões de dação em pagamento em leis estaduais e


municipais antes da Lei Complementar n. 104/01, entendo que são válidas e
possuem aplicação jurídica pelo tempo em que estiverem produzindo seus
efeitos.

Porém, desde já, esclareço que a Constituição da República Federal


reserva a Lei Complementar, no caso, ao CTN, sobre as possiblidades de
alteração de normas gerais de Direito Tributário e as hipóteses de extinção do

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crédito tributário estão abarcadas nesse tema de norma geral, não podendo
outro ente federativo legislar sobre o assunto.

4. Que é compensação tributária? Quando nasce o direito subjetivo à


compensação tributária? Determinada lei editada em momento posterior
ao do nascimento do “direito subjetivo” à compensação estabelece limites
ao seu exercício, como por exemplo, limitando o crédito a compensar a
determinado valor por mês, impedindo a incidência de juros de mora ao
crédito. Essas novas regras que limitam a compensação se comparadas à
legislação até então vigente impactam o exercício do direito de compensar
consagrado anteriormente à vigência dessa lei? Há direito adquirido à
compensação? (Vide anexos V).

A compensação tributária é a possibilidade de extinção do crédito


tributário cujo o sujeito ativo da relação obrigacional detém um crédito a receber
do sujeito passivo, mas, ao mesmo tempo, também tem um saldo “devolver” a
esse mesmo sujeito passivo.

O direito subjetivo à compensação tributária nasce com o pedido do


sujeito passivo observando todos os requisitos legais para sua validade, dentre
elas, um efetivo saldo a compensar com créditos tributários em aberto.

Lei posterior que define limites a compensação não pode prevalecer


sobre o pedido anteriormente feito já que essa deverá ser regida pela norma
legal vigente à época da solicitação, respeitando o direito adquirido e as regras
de direito material, sob pena de afronta ao princípio da segurança jurídica.

5. Em razão da não homologação da compensação e a consequente


aplicação da multa isolada nos termos do art. 74, §17 da Lei n. 9.430/96
(com redação dada pela Lei n. 13.097/15). Pergunta-se: a) A compensação
não homologada equivale a não pagamento de tributo? b) Que se entende
por falsidade da declaração? E qual a multa aplicada no caso de falsidade

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da declaração? c) A aplicação da penalidade na hipótese de não
homologação ou de falsidade da declaração ofendem algum princípio
jurídico tributário?

a. Diante do pedido de compensação o sujeito passivo tributário está


ciente dos requisitos legais para sua validade, pois deverá observá-la. Essa
compensação depende de homologação posterior do sujeito ativo que poderá
ocorrer até o prazo de 5 anos a contar do pedido. A não homologação do crédito
não equivale ao não pagamento do tributo, entretanto esse crédito subsistirá com
as aplicações das penalidades cabíveis.

b. Existindo falsidade na declaração no que diz respeito a omissão de


informações, poderá levar o sujeito ativo tributário a aplicar multa isolada
agravada de até 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado.

c. Sim, entendemos que a aplicação das multas em percentuais


elevados fere os princípios da razoabilidade e proporcionalidade até do não
confisco, tendo em vista que em alguns casos somadas as multas de ofício
podem ultrapassar em mais de duas vezes o valor do tributo.

6. Diante da sistemática implementada pelo CPC/15 relativamente aos


julgamentos de casos repetitivos, pergunta-se: é possível falar em direito
subjetivo à repetição/compensação do indébito a partir do momento em
que proferida decisão em recurso especial e/ou recurso extraordinário
repetitivos (vide art. 928 do CPC/15), ainda que o contribuinte não tenha
ajuizado ação de repetição/compensação do indébito cujo fundamento seja
objeto do recurso repetitivo?

Não, entendemos que a decisão definitiva em recurso repetitivo


apenas pacifica o Direito pleiteado de modo que o contribuinte que quiser
aproveitar da decisão deverá, individualmente, pleitear em ação própria através
do Direito potestativo que detém.