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O COMEÇO DA CIVILIZAÇÃO E AS PRIMEIRAS GRANDES CIVILIZAÇÕES

Por: prof. Ueslei Pereira de Jesus

O termo civilização significa toda uma cultura de determinado povo e o acervo de suas características sociais,
científicas, políticos, econômicos e artísticos próprios e distintos. Toda sociedade, civilizada ou não, tem um
conjunto específico de ideias e costumes e um determinado conjunto de trabalhos e artes que a tornam única.
As civilizações tendem a desenvolver culturas complexas, que incluem a literatura, a arte, arquitetura, uma
religião organizada e costumes complexos associados à elite.

As primeiras civilizações surgiram no final da pré-história em diversas regiões do mundo. Seu desenvolvimento se
deu quando algumas comunidades criaram novas técnicas agrícolas, como a irrigação e instrumentos para revirar
a terra (arado). A partir daí, essas comunidades passaram a produzir mais alimento do que precisavam para
sobreviver, criando o excedente, o que foi muito importante para o desenvolvimento do comércio e crescimento
da população. Com o crescimento da população tornou-se necessário a construção de estradas, pontes, muralhas,
armazéns, o que deu origem às cidades, ao mesmo tempo tornou necessário a divisão do trabalho e coordenação
deste trabalho, criando assim primeiro os chefes e mais tarde os governos. Parte dessa população não precisando
realizar o mesmo tipo de trabalho (já que havia um excedente) passou a se dedicar a outras atividades como o
conhecimento do mundo e das coisas e mesmo à criação de uma religiosidade e do sacerdócio. Nasceram assim,
as primeiras cidades, os primeiros estados e uma série de realizações que foram fundamentais para a história da
própria humanidade.

O EGITO (África)

Os reinos mais antigos do continente africano surgiram no final do Neolítico, principalmente na área conhecida
hoje como África setentrional (região ao norte da linha do equador). A civilização egípcia é um exemplo de uma
civilização nascida nessa região e período.

Grande parte das primeiras grandes civilizações e cidades nasceram


em torno de rios, isto se deu devido a estas cidades terem começado
entes como comunidades reunidas em torno da agricultura e da
necessidade dos rios para a irrigação. No caso do Egito, o rio Nilo
transborda todos os anos nos meses de chuva. Durante o período de
cheia, suas aguas ocupam as margens, deixando-as férteis.
Terminando a temporada chuvosa, o rio volta a ocupar seu leito
normal e deixa as margens prontas para o plantio.

Estudos arqueológicos apontam que a região do Vale do Rio Nilo,


numa faixa de seis quilômetros de extensão de cada lado do rio, já
era habitada por grupos humanos desde de antes de 5.000 a.C.

Aos poucos, os grupos humanos neolíticos da região passaram a


cultivar trigo, cevada e a criar gado. Organizaram-se assim, as
primeiras comunidades agrícolas em torno do Nilo, chamadas
nomos. Essas aldeias eram autônomas, ou seja, independentes
umas das outras. O desenvolvimento dos nomos levou à
necessidade de lideranças para controlar o trabalho, surgindo assim
os nomarcas (líderes dos nomos), que passaram a chefiar os grupos.
Por volta de 3500 a.C. vários nomos se reuniram formando os reinos do Baixo Egito e do Alto Egito. Esses dois
reinos estão entre os mais antigos Estados de que se tem notícia. A crença no pós-morte era forte, e eles criaram
várias técnicas de mumificação para conservar os mortos para o além-vida. As pirâmides eram os túmulos dos
faraós. Só na sexta dinastia os sacerdotes se diferenciam na casta estatal, elevando seu status social e recebendo
uma hierarquia.
Ao que parece, um chefe do alto Egito chamado Menés, uniu os dois reinos por volta de 3200 a.C. tornando-se
assim o primeiro faraó do Egito, tendo a função de manter o Egito unido, sua ordem e sua continuidade. Os nomos
passaram assim a ser controlados pelo governo do faraó.

O faraó era considerado um rei-deus ou deus-vivo pelos egípcios, assim o governo do egito era uma teocracia,
ondem o faraó unia o poder político e religioso em suas mãos.

A sociedade egípcia era dividida em faraó e sua família (os mais privilegiados), sacerdotes em seguida,
funcionários do estado, e os nobres (muitos deles descendentes dos nomarcas). Destacavam nessa sociedade
também os escribas e na base dessa sociedade estavam os camponeses e escravos.

Religião

A religião no Egito antigo caracterizava-se pelo politeísmo, ou seja, pela crença em vários deuses. Os deuses eram
representados em forma humana e animais. Os egípcios acreditavam que, após a morte, a alma era enviada ao
reino dos mortos. Depois de jugada no tribunal de Osiris, ela voltaria ao mesmo corpo para uma nova vida.

O Egito, dentre todas as sociedades do Oriente Próximo Antigo, é a civilização mais rica de material arqueológico,
sendo então a civilização com mais fontes históricas para pesquisa. Entre o período de 5000 e 3000 a.C, acontece
o surgimento do reino unificado do Egito. À partir do período Pré-Dinástico, começam à surgir mudanças sociais
drásticas notadas pela arqueologia. Estudos arqueológicos ao sul do Vale do Nilo Egípcio, revelaram que no final
do período Pré-Dinástico já se encontravam lá uma população numerosa, aglomerada em construções
fortificadas, com um templo de prestígio, e com boas condições de irrigação propiciadas pelas cheias do Nilo.

MESOPOTÂMIA

Mesopotâmia, que em grego quer dizer ‘terra entre rios’, situava-se entre os rios Eufrates e Tigre e é conhecida
por ser um dos berços da civilização humana. Localizada no Oriente Médio, atualmente esta histórica região
constitui o território do Iraque.

Há cerca de 4.000 a.C., grupos tribais da Ásia Central e das montanhas da Eurásia chegaram ao local devido às
extensas áreas férteis próximas aos rios, além da vantagem de terem água próxima, fornecendo subsídio para
pesca, alimentação e transporte. Pelos mesmos motivos chegaram, tempos depois:

Sumérios
Desenvolveram um importante
sistema de canalização dos rios
para melhor armazenar a água
para sua comunidade. Também
criaram a escrita cuneiforme,
registrando os detalhes de seus
cotidianos através de placas de
argila, e os zigurates, construções
piramidais que serviam de

armazenamento de produtos agrícolas e de prática religiosa. As cidades-


Estado de Nipur, Lagash, Uruk e Ur datam da época dos sumérios.

Zigurate
Babilônios

Criaram os primeiros códigos de lei para controlar a sociedade, como as Leis de Talião (leia: Código de Hamurabi),
formuladas pelo Imperador Hamurabi, que previam castigos severos aos criminosos de acordo com a gravidade
de seus delitos. Por volta do século VII a.C., o Imperador Nabucodonosor II, que formava o Segundo Império
Babilônico, ordenou que fossem construídos dois templos que serviriam de grande reverência arquitetônica: os
Jardins Suspensos e a Torre de Babel.

Assírios

Tinham uma ampla organização militar e eram ávidos pela guerra. Quando dominavam determinados territórios,
impunham castigos cruéis aos inimigos como forma de intimidá-los, para demonstrarem sua hegemonia.

Além destes, os acádios, caldeus e amoritas, dentre outros, também constituíram a sociedade mesopotâmica.
Eles eram povos politeístas (acreditavam em vários deuses) e tinham uma ligação religiosa com a natureza.

Os povos da Mesopotâmia também desenvolveram a economia através da agricultura e dos pequenos comércios
de caravanas, com base em uma política centralizada por um rei ou imperador.

Por volta do século VI a.C., o Império Persa se fortaleceu sob comando do Imperador Ciro II, que não poupou
esforços para tomar o poder dos babilônios, que tinham pleno domínio da Mesopotâmia. A conquista dos persas
acabou com as primeiras formas de dinâmica culturais que marcaram a sociedade de origem mesopotâmica, uma
das pioneiras da Antiguidade.