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MANUAL DE FORMAÇAÃ O

UNIDADE DE FORMAÇÃO DE CURTA DURAÇÃO 7229

GESTÃO DO STRESS PROFESSIONAL

Área de Formação: 341 – Comércio


Entidade Formadora: Avalforma – Formação e Consultoria, Lda.
Conceção/Autoria: Luísa Maria Braga Mouro

Documento: D7 Páá giná 1 de 32


Validação: Maria Eugénia
Amaro (Gestora da Formação)

Índice

INTRODUÇÃO.............................................................................................................3
Âmbito do manual.........................................................................................................3
Objetivos........................................................................................................................3
Conteúdos programáticos.............................................................................................3
Carga horária.................................................................................................................3
1 - O stress.................................................................................................................4
1.1- Conceito de stress..............................................................................................4
1.2- Fatores de risco: emocionais, sociais, organizacionais.......................................5
1.3- Sinais e Sintomas................................................................................................8
1.4- Consequências negativas do stress..................................................................11
1.5- Medidas preventivas........................................................................................12
1.6- Técnicas de controlo e gestão de stress profissional........................................14
1.7- Como lidar com situações de agonia e sofrimento..........................................17
1.8- Técnicas de autoprotecção...............................................................................19
2 .– As emoções.......................................................................................................23
2 .1– Conceito de emoção.......................................................................................25
2.2– Características fisiológicas, cognitivas e comportamentais das emoções.......27
2.3– Estratégias de gestão das emoções.................................................................28
Conclusão:...............................................................................................................31
Bibliografia:..............................................................................................................32

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INTRODUÇÃO
Âmbito do manual
O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação
de curta duração nº 7229 – Gestão do Stress Profissional, de acordo com o Catálogo
Nacional de Qualificações.

Objetivos

•Identificar o conceito de stress, causas, consequências negativas do mesmo.


•Identificar as técnicas preventivas, de controlo e gestão de stress profissional.
•Caracterizar o conceito de emoção.

Conteúdos programáticos

 O Stress
o Conceito de stress
o Fatores de risco: emocionais, sociais, organizacionais
o Sinais e sintomas
o Consequências negativas do stress
o Medidas preventivas
o Técnicas de controlo e gestão de stress profissional
o Como lidar com situações de agonia e sofrimento
o Técnicas de autoproteção

 As emoçoõ es
o Conceito de emoçáõ o
o Cárácteríásticás fisioloá gicás, cognitivás e comportámentáis dás emoçoõ es
o Estráteá giás de gestáõ o dás emoçoõ es

Carga horária
 25 horas

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1 - O stress

1.1- Conceito de stress

Dos trabalhos de Lazarus e seus colaboradores, na década de 60,


retiraram-se dois pressupostos que servem de base no entendimento sobre o
stress: 1) não há nenhuma situação que, por si só, possa ser reconhecida como
geradora (indutora) de stress; 2) o fator decisivo que leva um indivíduo a sentir-
se ou não em stress depende da avaliação que faz da situação (circunstância).

Desta forma, podemos definir o stress como uma tensão física ou psicológica
fora do habitual, que provoca um estado ansioso no organismo (Vaz Serra,
2007).

O stress no trabalho define-se, segundo Ross e Altemeier, citado por Vaz Serra
(2007, p.555) como a “interação das condições de trabalho com características
do trabalhador de tal modo que as exigências que lhe são criadas ultrapassam
a sua capacidade de lidar com elas.”

É de salientar que nem todo o stress é prejudicial. Em determinadas


circunstâncias o stress é útil porque cria um impulso que faz o indivíduo tomar
decisões e resolver problemas, ajudando-o a melhorar o seu funcionamento e
a as suas aptidões/capacidades (Vaz Serra, 2007).

1.2- Fatores de risco: emocionais, sociais, organizacionais

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Vários têm sido os
estudos que tentam descrever as grandes classes de acontecimentos que
provocam o stress no ser humano. Desta forma, segundo Vaz Serra (2007),
podemos estabelecer classes indutoras (fatores de risco) de stress numa
perspetiva relativa à própria pessoa:

 Acontecimentos traumáticos: correspondem a situações graves como, por


exemplo, uma ameaça de morte, espancamento, ser vítima de um
incêndio, naufrágio ou tremor de terra de grande intensidade;
 Acontecimentos significativos da vida: simbolizam uma “martelada” que,
de repente, ocorre na vida de uma pessoa. Podemos referir como
exemplos de tais situações a separação ou divorcio, a saída de um filho
de casa, morte de um cônjuge, perda de um emprego que considerava
estável.
Situações crónicas indutores de stress: referem-se a problemas
perturbadores regulares/constantes no desempenho dos papéis e
atividades diárias do indivíduo. Por exemplo: ter frequentemente
tarefas com prazos limite, ter demasiadas solicitações para cumprir ao
mesmo tempo, ter conflitos frequentes com os cônjuges, familiares ou
colegas de trabalho. Como que um processo lento de envenenamento,
em sentido figurado, que ocorre na vida de um indivíduo.

Micro

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indutores de stress:
pequenos acontecimentos perturbadores do dia-a-dia que se
acumulam. Por exemplo: andar diariamente de automóvel em zonas de
muito transito, estar exposto ao fumo do tabaco se é um não fumador,
ter vizinhos que incomodam, realizar tarefas, nas quais, não nos
sentimos à vontade. O impacto depende muito da forma de reagir de
cada pessoa.

Macro indutores de stress: são devidos à organização e funcionamento do


sistema social que podem determinar, por exemplo, períodos
económicos de recessão, uma prevalência grande de desemprego,
dificuldades para uma dada industria ou impostos demasiado altos.

Acontecimentos desejados que não ocorrem: representam um desejo,


objetivo que tarda em concretizar-se. Por exemplo: tentativas de
engravidar por anos a fio sem sucesso, promoção justa na carreira que
não acontece, as pazes com um familiar que nunca mais surgem.

Traumas ocorridos no desenvolvimento: os acontecimentos traumáticos


que ocorrem na infância podem ter consequências graves na vida adulta
porque o ser humano é apanhado numa fase formativa, com fracas
defesas psicológicas e, por isso mesmo, vulnerável. Crianças que
viveram em clima de violência ou negligência podem ter dificuldades de
vinculação com as outras pessoas. Costumam apresentar perturbação
na capacidade de autorregulação. Esta incapacidade de autorregulação
está associada ao consumo de drogas ilícitas, estados de depressão e
comportamentos impulsivos, podendo levar o indivíduo a sentir os
pequenos problemas como “ casos que o esmagam” e ter a tendência a
desenvolver comportamentos autodestrutivos, como lesões provocadas
a si mesmo, transtornos alimentares e tentativas de

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suicídio.

Na perspetiva de profissionais existem cinco potenciais fontes de stress:

Fatores ambientais diretamente relacionados com o trabalho:


 Condições físicas da Unidade ou Serviço;
 Estado dos pacientes ou tipo de cuidados;
 Perigos físicos (contágio, produtos medicinais)
 Exigência de formação;
 Escassos recursos materiais disponíveis.

Fatores relacionais (entre a equipa):


 Más relações com superiores, colegas e subordinados;
 Receber ordens contraditórias;
 Falta de confiança e restrição da autonomia;
 Falta de informação médica.

Fatores organizacionais e burocráticos:


 Má organização na distribuição de tarefas;
 Horários sobrecarregados;
 Aumento da responsabilidade administrativa;
 Falta de recompensas administrativas.

Fatores profissionais inerentes ao desempenho de papéis:


 Noção de baixo nível de formação;
 Medo da morte;
 Contacto com utentes agressivos e não colaborantes;
 Tarefas ingratas, repetitivas e pesadas;
 Ambições pessoais frustradas;
 Baixo salários.

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Fatores relacionados com a
exigência:
 Escassez de colaboradores;
 Solicitações para estar em vários locais ao mesmo tempo;
 Imposição de prazos por outras pessoas;
 Cumprir ordens por duas ou mais pessoas em simultâneo;
 Necessidades e exigências dos familiares.

1.3- Sinais e Sintomas

Antes de mais, torna-se importante fazer a distinção entre sinais e sintomas. Os


sinais são alterações do organismo de uma pessoa que podem ser percebidas
através do exame médico ou medidas em exames. Os sintomas são alterações
do organismo apenas percebidas e relatadas pela própria pessoa, não sendo
possível a outra pessoa diagnosticar (Vaz Serra, 2007).

Os sinais e sintomas de stress variam de pessoa para pessoa. As manifestações


que poderão existir, têm a influência dos aspetos culturais, o tipo de situação
que desencadeia o stress, a personalidade do indivíduo, a manutenção ou
esbatimento da situação, a sensação ou não de controlo e, do organismo de
cada ser humano que ativa certos órgãos do corpo e não outros (Vaz Serra,
2007).

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O próximo esquema
menciona e distingue as alterações que o stress pode provocar na pessoa:

Segue-se a enumeração de alguns sinais e sintomas de stress diferenciados pelas várias


vertentes do ser humano, segundo Rossi (2010):
Física:
 Aumento da pressão arterial;
 Palpitações, dores de cabeça, pescoço;
 Alteração do sono (insónias ou hipersónias);
 Alteração do peso (comer exageradamente ou falta de apetite);
 Indigestão e náuseas;
 Fadiga.

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Cognitivo:
 Dificuldades de concentração;
 Problemas de memória;
 Confusão mental;
 Dificuldade em tomar decisões;
 Auto- conservação negativa.

Emocional:
 Alteração do humor;
 Irritabilidade;
 Perda de controlo;
 Sensação de sufoco/incerteza;
 Desamparo;
 Ideação suicida;
 Baixa autoestima;
 Labilidade emocional.

Comportamental:
 Perda de interesse no trabalho e atividades sociais;
 Consumo de álcool, tabaco e drogas ilícitas;
 Afastamento social (da família e amigos);
 Desinteresse sexual;
 Posição de conflito constante com os outros.

Espiritual:
 Descrença em questões de fé;
 Sensação de vazio;
 Dúvida;
 Sensação de desnorte.

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1.4- Consequências negativas do stress

O stress tem consequências consideráveis sobre o ser humano contribuindo para


deteriorar a qualidade de vida de milhões de pessoas em todo o mundo.
Os custos do stress só podem ser calculados por indicadores indiretos. Estes consistem
no mal-estar, nas incapacidades e nas mortes prematuras que gera, na maneira como
afeta o coração e outros órgãos importantes, nos transtornos físicos, psíquicos que
provoca, no consumo de analgésicos, tranquilizantes, tabaco, drogas ilícitas e bebidas
alcoólicas.

No plano organizacional reflete-se diretamente no comportamento do indivíduo e,


indiretamente no clima da organização/entidade, na insatisfação com o despenho das
tarefas, na baixa adesão aos objetivos e propostas da entidade, nos atrasos de
produção, nos acidentes com maquinas, nas mudanças de emprego e nas reformas
antecipadas (Vaz Serra, 2007).
Entre as caraterísticas do trabalho que podem ter consequências negativas sobre o
indivíduo, salientam-se a sobrecarga de trabalho, a subcarga de trabalho, a pouca
autonomia de decisão, a existência de trabalhos por turnos e, condições físicas
adversas. Assim, o stress não é apenas um termo que se relaciona com alguma
situação incomodativa. Quando é intenso, repetitivo e prolongado poderá ter
consequências preocupantes que podem lesar o bem-estar e a saúde (física e psíquica)
do indivíduo.
Segundo Vaz Serra (2007), o stress excessivo torna-se prejudicial porque pode:

 Evocar emoções negativas fortes que são perturbadoras;


 Levar ao desenvolvimento ou agravamento de uma doença física e/ou psíquica;
 Ter influência negativa na família, trabalho e vida social;
 Ocasionar maior número de acidentes de trabalho ou rodoviário;
 Prejudicar os processos de tomada de decisão;
 Ter efeitos negativos em aspetos de natureza económica;
 Provocar alterações do sono, vida sexual, metabolismo, e sistema imunitário.

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1.5- Medidas preventivas
Anteriormente, foram referidos os vários fatores de risco ou fontes potenciais de
stress, quer na vida pessoal quer na vida laboral.

Desta forma, além da própria pessoa/trabalhador, a entidade patronal deverá ter,


também, um papel ativo nas medidas preventivas de combate ao stress.

Rossi (2010) descreveu várias condições de prevenção necessárias para que não se
atinga situações de limite/stress. Num plano organizacional temos:

 Avaliação apropriada dos riscos: utilização de inquéritos e escalas de avaliação


do stress para avaliar o estado atual dos indivíduos/ trabalhadores e permitir medidas
de antecipação;

 Planificação e ajustamento gradual: os objetivos a atingir, as tarefas a cumprir,


as responsabilidades, os recursos necessários devem ser planificados antes de início da
atividade/tarefa;

 As medidas devem ter sempre como alvo o grupo de trabalho: as intervenções


devem ser sempre dirigidas a grupos de trabalho e apenas, se estritamente necessário,
a uma pessoa em particular;

 Inclusão da opinião dos trabalhadores: a experiencias dos trabalhadores nas


distintas atividades devem ser levadas em conta para identificar problemas e possíveis
soluções;

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 Intervenções efetuadas por profissionais especializados: os planos de prevenção
devem ser elaborados por profissionais competentes nas áreas da saúde (médicos,
enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais);

 Gestão dos riscos pelas hierarquias superiores: compromisso dos quadros


superiores de colocar a gestão dos riscos como uma prioridade.

Num plano mais pessoal/individual, certas condutas poderão ter efeitos preventivos,
tais como:

 Encontrar ideias construtivas para resolver um problema;

 Estabelecer prioridades, avaliar o que é inadiável e o que pode ser delegado;

 Comunicar aos superiores possíveis lacunas ou excessivo volume de trabalho.


Apresentar propostas de melhoria;

 Identificar novas tarefas que possam ser atribuídas;

 Seguir as políticas vigentes na entidade;

 Defender a responsabilidade para planear o trabalho;

 Em situação de assédio sexual, reportar imediatamente a situação para os


superiores hierárquicos;

 Pedir informações sobre inovações que serão implementadas;

 Aceitar e contribuir para uma avaliação de desempenho justa;

 Comprometimento em formação continua.

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1.6- Técnicas de controlo e gestão de stress profissional

Existe um termo inglês que não tem tradução fácil para o português e que se designa
por coping. Atualmente quando aplicamos o termo coping tem um significado preciso:
refere-se às estratégias para lidar com o stress (Vaz Serra, 2007).
Assim, as estratégias de coping correspondem às respostas da pessoa que tem como
finalidade diminuir a “carga” física, emocional e psicológica ligada aos acontecimentos
geradores de stress. As estratégias para lidar com situações de stress podem ser
centradas: no indivíduo, na diminuição das emoções sentidas ou, na busca de apoio
social.

Vamos agora tratar de cada uma das modalidades em particular assentes na perspetiva
de Vaz Serra (2007).

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Estratégias para lidar com o
stress focadas no problema:
As estratégias focadas no problema procuram estabelecer um plano de ação e segui-lo
até eliminar o problema. Os planos de ação evitam que um estado/sensação
desagradável se prolongue e prejudique o bem-estar e a saúde do ser humano.
Um plano de ação passa por desenvolver várias etapas intermédias até chegar à
resolução do problema. Vejamos um exemplo: Numa instituição, duas pessoas que
trabalham num mesmo sector não conseguem dialogar e chegar a entendimento sobre
as tarefas e isso provoca um

estado de tensão constante. Um plano de ação aconselhável seria: primeiro alguém


tomar a iniciativa de querer resolver o problema; segundo, recorrer a alguém que
possa mediar um diálogo entre ambas as partes; terceiro, avaliar os pontos
divergentes; quarto, reunir com o mediador e o/a colega de trabalho; debater os
pontos divergentes e tentar encontrar soluções e medidas para que o trabalho possa
fluir.
De qualquer forma, as estratégias focadas na resolução do problema são as mais
aconselhadas, pois, permitem remover definitivamente as fontes de perturbação.

As estratégias de coping que levam à busca de informação e resolução do problema


têm efeitos benéficos sobre o funcionamento psicológico e, permitem reduzir a
influência adversa das mudanças negativas e das situações de pressão que reaparecem
no tempo. As pessoas com tendência a usar estratégias de resolução de problemas têm
menos propensão do que as outras de ficaram deprimidas.

Estratégias para ligar com o problema focadas na emoção:


Quando o stress é sentido como mais grave, o foco é mais orientado para o controlo
das emoções. Quando atingem uma intensidade grave são difíceis de tolerar e afetam
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as rotinas e interferem
largamente com o seu bem-estar.

Por vezes, tentamos fugir das situações que nos provavam demasiada tensão, fugimos
de forma real ou imaginada da situação desagradável em que vivemos. Os mecanismos
que reduzem os estados de tensão têm diferentes finalidades. Algumas são uteis, onde
a pessoa apenas busca uma forma imediata para reduzir as emoções desagraváveis, no
entanto, ajuda a uma análise posterior mais objetiva:
 Ouvir musica, ver um filme;
 Praticar Ioga ou relaxamento;
 Fazer exercício físico;
 Distanciar-se do problema para vê-lo de uma forma/perspetiva diferente;
 Comparar os problemas com outros potencialmente mais graves (relativizar a
situação);
 Canalizar a energias para outros objetivos prioritários/importantes.

Outras são prejudiciais na medida em que adiamos indefinidamente a resolução do


problema e apenas adiamos a dor moral, tais medidas poderão ser:

Ficar na cama durante dias seguidos;


Pensar como que o problema não existisse;
Consumir drogas ilícitas e automedicação;
Beber ou comer em excesso.

Estratégias para lidar com o stress focadas na interação social:

Estes tipos de estratégias estão associadas à forma como lidamos e mantemos o


relacionamento com outras pessoas em situação de stress.
A pessoa que dá apoio manifesta uma relação empática. Se souber ter o dom para
observar a situação na perspetiva/ ponto de vista de quem o solicita, se souber evitar o
juízo de valor e, compreender o que a pessoa diz em linguagem verbal e não-
verbal,tende a ser procurada, pelos outros, para ser um apoio na resolução do
problema e redução da sensação de stress.

Aqueles que prestam cuidados a terceiros tendem a ser os mais compreensivos e


genuinamente empáticos e desenvolvem mais facilmente planos de ação para a

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resolução dos problemas. A
procura de apoio emocional tende a recair para alguém com quem se possa desabafar,
contar os problemas e encontrar compreensão.

1.7- Como lidar com situações de agonia e sofrimento

Se quisermos compreender o que é capaz de ameaçar o lesar uma pessoa, teremos de


perceber a sua rede de preocupações. Se quisermos perceber quais são as suas
preocupações teremos de conhecer quais são as crenças e valores da pessoa.
Assim, os valores relacionam-se com aquilo que um indivíduo quer ou prefere e ligam-
se aos ideais ou objetivos que a pessoa pretende atingir, enquanto, as crenças dizem
respeito ao que o indivíduo pensa de verdade quer goste ou não e aprove ou não. Os
valores e crenças são gerados no seio da família, os primeiros influenciados pela
cultura e os segundos pela relação que existe entre os elementos da família (Vaz Serra,
2007). Qualquer um destes conceitos pode levar a formas desajustadas de lidar com a
vida.
A psicoterapia é um meio para a mudança e para o restabelecimento emocional. Não
podemos descurar a ajuda de profissionais quando deixamos de ser capazes de gerir
emocionalmente o que nos preocupa, nos bloqueia, nos retira o bem-estar necessário
para uma vida saudável. Recorrer a técnicos especializados (psiquiatras, psicólogos)
pode ser o caminho mais rápido para a recuperação e evitamento de recaídas.

A forma como nos colocamos perante uma situação desagradável poderá aumentar ou
diminuir o foco de tensão, assim como a dor ou sofrimento. Desta forma, quando
estamos associados (associação) numa dada situação, estamos no aqui e no agora,
absorvidos no presente, damos muita importâncias a sensações vividas, assim,
tendemos a aumentar o grau de agonia, de sofrimento pois estamos a viver a situação
na primeira pessoa.

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Todavia, se conseguirmos distanciar-nos da situação (dissociação), no plano de
pensamento, da imaginação, podemos afastar das sensações corporais e vivemos a
situação na terceira pessoa. A dissociação permite gerir, reduzir o grau de desconforto
e sofrimento e distanciar-se de situações desagradáveis. As técnicas de relaxamento e
de indução de pensamento permitem adquirir e desenvolver a capacidade de
dissociação cognitiva (O’Connor, 2001).
O processo de luto (perda) poderá significar a morte de um familiar, amigo, ou pessoa
ao seu cuidado, mas também outro tipo de perdas, tais como: emprego, divórcio ou
mudança de residência. Existe uma sensação de desmoronamento, agonia e tristeza
profunda.

Desde o momento da perda até ao total restabelecimento emocional será necessário


passar por várias etapas. Não poderemos passar para a etapa seguinte sem resolver
completamente anterior (Worden, 1991):
I. Aceitar a realidade da perda: A primeira tarefa é aceitar que a pessoa não
voltará. Se no seu íntimo não deixa a pessoa partir, pois assume nas suas vivências
como se ela estivesse presente no dia-a-dia criará resistências à aceitação natural.
Desprender-se da maioria dos objetos ou recordações e no discurso usar os verbos no
passado “ ele/ela foi, esteve, gostava…” será um meio para a aceitação.

II. Elaborar a dor da perda: É necessário que a pessoa em luto passe e assuma a
dor, não deve evitar ou suprimir a dor da perda. Não elaborar a dor é não sentir e
prolongar no tempo o sentimento de agonia, sendo então fulcral uma terapia do luto.

III. Ajustar-se ao ambiente diário sem presença da pessoa: A perda significa um


vazio criado, novos papéis a assumir, reajustar as tarefas do dia-a-dia de forma
diferente, pois quem estava já não está. Torna-se importante adaptar as novas rotinas e
encontrar motivação para os novos desafios/compromissos.

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IV. Reposicionar em termos emocionais a pessoa que faleceu e continuar a vida:
Ninguém esquece as lembranças de alguém que teve grande significado na sua via. O
importante não é esquecer mas sim recolocar a pessoa num “local emocional”
adequado para que se possa estar disponível para as novas experiencias/vivencias e
continuar a viver com motivação e interesse.

1.8- Técnicas de autoprotecção

As pressões diárias, na vida pessoal e profissional, a que a pessoa está sujeita envolvem
circunstâncias desagradáveis que podem torná-la vulnerável. Modificar as
vulnerabilidades pode diminuir o stress.

De seguida serão abordadas as modificações que permitem reduzir a vulnerabilidade


da pessoa (Vaz Serra, 2007):

 Não se expor a situação de stress: Para conservar a sua saúde e energia, não
pode dizer sim a tudo quanto lhe pedem; delegar tarefas reduz o volume de
situações potencialmente stressantes; é útil utilizar os dias de férias, feriados e
fins-de-semana para descansar e realizar atividades que conceda satisfação
pessoal.

 Aprender a resolver problemas: A resolução adequada de um problema


elimina, ou pelo menos modifica de forma substancial a fonte de stress. A
resolução adequada passa por 4 etapas:

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1) Definição e formulação: reunir a maior quantidade de informação para o
problema passar de vago a concreto, seguidamente, estabelecer objetivos realistas de
resolução;
2) Génese de soluções alternativas: passa por criar o maior número possível de
alternativas válidas;
3) Tomada de decisão: tem como propósito avaliar as várias alternativas e
escolher/aplicar/agir a que nos parece mais indicada para resolver o
problema/situação;
4) Implementação e verificação das soluções: avaliação dos resultados após a ação
realizada, ou seja perceber se foi eficaz.

 Pensar com lógica: A avaliação dos acontecimentos nem sempre é realizada


com lógica, é importante:
a) Não sustentar o pensamento com crenças irracionais;

b) Não atribuir arbitrariedade às causas das ocorrências;

c) Não utilizar deduções preconceituosas ao comportamento de terceiros;

d) Não criar expectativas sem fundamentos;

e) Não discriminar inadequadamente as situações.

 Melhorar a auto-estima: Entre diversas mudanças necessárias para melhorar a


autoestima, uma delas é aprender a: compreender, aceitar, perdoar a si mesmo e
aos outros. Outra consiste em criar objetivos de vida.

 Modificar comportamentos: As mudanças podem ser introduzidas percorrendo


diversas etapas a seguir indicadas:
a) Identificar sinais induzidos pelo stress;
b) Identificar os estímulos que dão origem ao stress;
c) Envolver-se em atividades relaxantes;
d) Aprender a executar outras atividades para além do trabalho.

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Em contextos interpessoais (relação no trabalho, nos grupos, com pares sociais) ser
autoafirmativo permite, embora respeitando os direitos dos outros, lutar pela defesa
dos seus próprios direitos.

As aptidões de autoafirmação estão ligadas a duas grandes classes (Vaz Serra, 2007).
Quando o próprio precisa responder à iniciativa de alguém ou quando tem que tomar a
iniciativa em relação a outra pessoa. Assim:

 Quando responde à iniciativa de alguém: há assinalar a importância de dizer


não, saber lidar com as críticas, aceitar felicitações, saber manter conversas e
responder a solicitações para futuros encontros;

 Realizar críticas construtivas: não impor pontos de vista. Serve para ajudar o
próprio a criar perspetivas diferentes sobre um dado problema;

 Revelar preferências: demostrar o que agrada ou não e mudar o assunto


quando está desgastado ou a tornar-se desagradável;

 Capacidade para tomar iniciativa: iniciar conversas, terminar interações


indesejáveis, aprender a discordar, pedir favores, impedir que lhe interrompam
o que está a expor.

 Quando é necessário fazer uma crítica deve-se: começar e terminar com uma
referência positiva à outra pessoa, exprimir o que sente em relação a
determinada situação, dirigir-se sobre os aspetos específicos do seu
comportamento, solicitar modificações concretas e, falar em voz neutra e não
zangada.

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O relaxamento deriva da hipnose e produz modificações físicas e psíquicas. Atua
determinando uma resposta de repouso. Esta prepara o organismo para um estado de
calma, inatividade do comportamento e o restauro das modificações existentes.

Com o relaxamento consegue-se a diminuição da atividade fisiológica do indivíduo que


é acompanhada de uma sensação de bem-estar. Usualmente é utilizado como meio de
controlo da ansiedade. Nas pessoas muito emotivas, predispostas a reagir de forma
intensa perante um problema menor pode ajuda-las a confrontar os acontecimentos
de uma forma mais controlada.

Varias são as disciplinas, técnicas que trabalham as questões do relaxamento, entre


elas podemos destacar: o ioga, pilates, meditação transcendental, relaxamento
progressivo de Jacobson e hipnose (Vaz Serra, 2007).

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2 – As emoções

As emoções não são boas nem más, nem positivas ou negativas. Podem ser agradáveis
ou desagradáveis mas são todas adaptativas, isto é, orientam-nos para a nossa
sobrevivência.

Na nossa cultura e sociedade está de alguma forma implícita que sentir algumas
emoções é mau. Não devemos mostrar-nos tristes e o choro deve ser evitado, existindo
uma pressão social para estarmos sempre bem-dispostos e sorridentes. Fomos
educados a não expressar raiva e quanto ao medo é só para os mais fracos ou para os
“mariquinhas”. Expressões como “Homem que é homem não chora” ou “Não tens
motivos para estar triste” é o mesmo que dizer: “Não expresses os teus sentimentos”.
A falta de permissão e apoio para sentir e expressar as emoções e o desconforto
experienciado leva a que muitas pessoas as anulem ou neguem, em vez de as
regularem e expressarem adequadamente.

Porque ficamos tristes, com raiva, com medo ou desesperados? Para que servem as
emoções? Compreender os propósitos e as funções das emoções, pode ajudar-nos a
entender como podemos ter “saúde” emocional e como mantê-la ou recuperá-la.

Tomemos como exemplo a tristeza, uma resposta a uma perda de algo ou de alguém,
habitualmente relacionada a uma situação passada. Qual a função da tristeza? A
maioria das pessoas, depois de um período de tristeza intenso, fica com uma sensação
de alívio, de limpeza, de se terem desprendido de algo. Este é um dos propósitos desta
emoção: ajudar-nos a deixar ir o que já perdemos, o que já acabou e abrir espaço para
o crescimento, para novas pessoas ou novas “coisas”. A tristeza também nos predispõe
a descansar, a recuperar as energias, da mesma forma que descansaríamos e
recuperaríamos depois de uma lesão física. Se a expressarmos adequadamente,
entregamos o passado ao passado e mais facilmente nos movimentamos para o
presente, prontos e abertos para novas possibilidades. Assim, processar a tristeza é
potencialmente reparador, não esquecendo também a sua função de despertar a
empatia nos outros, provocar o cuidado, convidar ao consolo e à ajuda.

Agora imagine uma situação em que sentiu raiva, que se sentiu injustiçado ou
enganado. Tente lembrar-se das sensações no seu corpo. Os punhos e os maxilares
tendem a fechar-se, há uma tensão geral nos ombros, braços e pernas e o corpo fica
mais quente. É a raiva, que nos faz “ferver” e mudar aquilo que acreditamos estar
errado. Torna-nos mais fortes, mobiliza a nossa energia e cria em nós um impulso para
a ação que visa superar um obstáculo. A sua expressão, adequada, tem como propósito
defender os seus direitos.

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Examinemos o medo.
Diferentemente da raiva e da tristeza, está habitualmente relacionado com o futuro. É
uma espécie de aviso sobre a possibilidade de alguma ameaça. O medo prepara-nos
para o perigo, real ou imaginado. Ficamos alerta para algo que está prestes a
acontecer. É uma reação de luta ou fuga que leva a modificações fisiológicas: os
músculos ficam tensos (o que nos deixa prontos a lutar ou fugir), a respiração
acelerada e superficial, os batimentos cardíacos aumentam, sentimos o frio no
estômago e os olhos ficam abertos e alerta, o que nos deixa mais despertos e
conscientes. Estas modificações físicas preparam-nos para enfrentar o perigo, para
detetá-lo adequadamente, para eliminá-lo ou para fugir. Este é o propósito do medo,
no entanto é uma emoção desvalorizada socialmente. Tornou-se comum para muitos
homens a tentativa de negar as reações naturais associadas a esta emoção (“um
homem não deve ter medo”), resultando daí uma série de distorções (esconder o
medo com outras emoções) e de consequências devastadoras (por exemplo,
comportamentos inapropriados ou disfuncionais).

Quando o medo nos paralisa, incapacitando-nos para uma ação adequada, podemos
estar perante traumas ou interferências anteriores. Nestes casos, não só o medo, como
qualquer outra emoção passa a ter um efeito desadaptativo e desorganizador sobre a
personalidade.

As emoções têm funções cruciais para nossa sobrevivência. O corpo responde com
reações fisiológicas por algum motivo. Se a raiva, não tivesse um propósito biológico,
nós viveríamos sempre calmos. Se a tristeza não tivesse um propósito biológico, nós
nunca derramaríamos uma lágrima.

Os exemplos anteriores foram lembrados para introduzir um princípio psicológico que


me parece essencial: não existem emoções inúteis, prejudiciais ou negativas. Todas
têm um propósito útil. Se forem negadas, suprimidas ou distorcidas, terão um efeito
desastroso a curto ou a longo prazo sobre nós e sobre aqueles que nos rodeiam. A
tristeza o a raiva não processada adequadamente pode levar a uma depressão. Sentir
tristeza é natural, faz parte da nossa biologia, a depressão é patologia. O mesmo
acontece com o medo, se o negarmos corremos o risco de sofrermos de alguma
perturbação de ansiedade.

O conceito de emoções negativas, tem um significado de inútil ou prejudicial, que se


refere ao facto de certas emoções serem sentidas como desagradáveis. Mas mesmo
estas, que sentimos subjetivamente como desagradáveis (tristeza, medo, raiva, etc.),
são úteis, têm uma função precisa e devem ser experienciadas e expressadas
adequadamente para que sejam potencialmente reparadoras.

Pense nisto. Aceite as suas emoções e perceba as “mensagens” que o seu corpo lhe dá.
Não só é lícito sentir dor, raiva, medo ou tristeza, como é uma boa forma de prevenir o
aparecimento de perturbações psicológicas.

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2 .1– Conceito de emoção

Do latim emotĭo, a emoção é uma alteração intensa e passageira do ânimo, podendo


ser agradável ou penosa, que surge na sequência de uma certa comoção somática. Por
outro lado, de acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, a
emoção desperta, em certa medida, um sentimento de agitação no indivíduo,
expectante perante aquilo em que participa ou determinada circunstância.
As emoções são reações psicofisiológicas, que representam modos eficazes de
adaptação face às mudanças ambientais, contextuais e/ou situacionais. Em termos
psicológicos, as emoções alteram a atenção e elevam o nível de determinados
comportamentos na hierarquia de respostas do indivíduo. No que diz respeito à
fisiologia, as emoções organizam as respostas de muitos sistemas biológicos, inclusive
as expressões faciais, os músculos, a voz e o sistema endócrino, com vista a estabelecer
um meio interno ótimo em prol de um comportamento mais efetivo.

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EMOÇÃO: uma reação
complexa a estímulos externos (mais frequentemente) e também a estímulos internos,
que se traduz em reações fisiológicas, comportamentais, cognitivas, afetivas,
sentimentais e em expressões faciais

Serão as emoções importantes?

Sim, pois:

– Alertam-nos para o perigo;


– Proporcionam-nos a hipótese de criar laços com os outros, desempenhando um
papel importante na vida em sociedade;
– Influenciam a tomada de decisões;
– Alteram o nosso comportamento;
– Fornecem aos outros informações sobre o nosso estado interno;

2.2– Características fisiológicas, cognitivas e comportamentais das emoções

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As emoções são estados
internos primitivos do existir do indivíduo, tanto que aparecem quase logo após
nascimento de forma brusca e repentina, como é o caso da alegria e da tristeza – O
bebé chora diante de necessidades como fome e sono.
Assim, as emoções são normalmente acompanhadas por um comportamento físico,
sorrir (alegria), chorar (tristeza). O rosto, por sua vez, é um meio preferencial de
comunicação, capaz de demonstrar as emoções. Normalmente, as expressões faciais
podem traduzir praticamente todas as reações ou emoções humanas.

As expressões faciais podem universalmente comunicar as emoções.


As emoções servem para preparar o indivíduo para a ação (são úteis para nos fazer
agir), moldar o comportamento (tendemos a repetir situações agradáveis e a não
repetir as desagradáveis), regular a interação (quando falamos com uma pessoa
percebemos através da sua expressão facial a sua emoção).

As emoções envolvem um conjunto de componentes que variam no número e na


ordem em que são apresentadas.

Subjetiva – estado afetivo associado à emoção, por norma, as emoções são sempre
subjetivas;

Fisiológica – refere-se às manifestações orgânicas das emoções, como por exemplo ao


aumento do batimento cardíaco, a boca seca, mãos suadas.
A componente fisiológica ocorre a partir do sistema nervoso simpático, preparando o
sujeito para a ação;

Comportamental – o estado emocional desencadeia um conjunto de comportamentos,


como os gestos, o tom de voz, a expressão facial (que são inatas e universais – Alegria,
tristeza, raiva, medo);

Cognitiva – relacionada com o conhecimento do facto: se não houver conhecimento


deste, não se experimenta qualquer emoção;

Avaliativa – reação à situação em função dos nossos interesses, valores e objetivos;

Expressiva – tem uma função social importante porque é uma forma de comunicação.

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Considera-se que os circuitos
neurofisiológicos centrais da emoção são constituídos pelos centros emocionais ligados
ao sistema límbico, com destaque para a amígdala, atualmente, considerada essencial
para a emoção; e finalmente pelos centros emocionais neocorticais, dos quais cabe
referir os lobos pré-frontais (Branco, 2004).

2.3– Estratégias de gestão das emoções

É importante saber que, do ponto de vista psicológico, existem emoções naturais e


fisiológicas, que aparecem em todas as pessoas e que apresentam um relevante
substrato biológico. Este é o caso da alegria, do medo ou da raiva, entre outras,
emoções que podem ser agradáveis ou desagradáveis. As emoções naturais levam o
indivíduo a mobilizar-se para a atividade e tomam parte na comunicação interpessoal.

Gerir emoções dá trabalho! Todos, alguma vez, já experimentamos esconder, esta ou


aquela palavra ou expressão facial. O que procurámos com isso é não fornecer dados
sobre o nosso estado emocional. Fazer a gestão de estados emocionais, não é fácil,
principalmente quando são estados emocionais negativos. Por exemplo, a gestão
construtiva dos estados emocionais negativos […]

Gerir emoções dá trabalho!

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Todos, alguma vez, já
experimentamos esconder, esta ou aquela palavra ou expressão facial. O que
procurámos com isso é não fornecer dados sobre o nosso estado emocional.

Fazer a gestão de estados emocionais, não é fácil, principalmente quando são estados
emocionais negativos.

Por exemplo, a gestão construtiva dos estados emocionais negativos que surgem
inevitavelmente em relações românticas, pode ser uma faceta crítica de lidar com o
mundo.

Ela pode ser crítica porque foi construída com esse sentido. Estas relações
normalmente servem como refúgios emocionais das tensões do mundo do trabalho.

E por vezes “sai o tiro pela culatra”. As relações aumentam o stress em vez de o
diminuírem, e quando isso acontece, passam a existir comportamentos problemáticos,
tais como o excesso de alimentação ou abuso de substâncias.

“Quando ativado no contexto de intensa emoção, parece que o córtex frontal, ajuda a
controlar a intensidade das emoções negativas que emergem nas relações sociais.
Quando essa região do cérebro não é eficiente ativada ou quando a intensidade do
conflito é muito grande, as pessoas precisam aprender estratégias comportamentais
para lidar com a resposta emocional.

Para algumas pessoas, esta estratégia pode ser tão simples como contar até 10 antes
de fazer algo de que se possa arrepender mais tarde. ” – Dr. John Krystal, editor da
Biological Psychiatry.

As estratégias cognitivas e comportamentais podem ser componentes importantes no


controle da intensidade de emoções negativas.

De facto, é possível criar estratégias capazes de facilitarem a gestão das emoções e


evitar o desgaste em ambos os campos da nossa interação, trabalho e relação
“romântica”.

Ainda segundo Krystal, os resultados “sugerem que a imagem pode fornecer


informações potencialmente úteis sobre quem pode estar vulnerável ao humor e
problemas de comportamento após um evento stressante.

São certamente imagens comuns no nosso recordatório, as situações de stress vividas


no trabalho e a incapacidade de as desligar ao estabelecer contacto no ambiente
familiar. O inverso também parece verdadeiro.

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A nossa capacidade de gestão das emoções, no trabalho, depende do nosso estatuto
como colaboradores, nas organizações.

Gerir emoções no trabalho é psicologicamente angustiante para os indivíduos, quando


se aumenta a sensação de estranheza em relação aos seus sentimentos verdadeiros.
Passa-se pela angústia da incompreensão que pode gerar revolta e a assunção do papel
de vítima.

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Conclusão:
O stress é um fenómeno que se encontra relacionado com todas as atividades
humanas, manifesta-se com o nascimento de cada indivíduo, está presente na
aprendizagem, nos relacionamentos, na luta pela sobrevivência, na doença e também
na atividade profissional.

Habitualmente tendemos a pensar que os técnicos de saúde se destinam a cuidar das


doenças dos outros. E muitas vezes nos esquecemos que também eles próprios podem
ser afetados por problemas de saúde, alguns dos quais mediados pelo stress. Neste
sentido, o stress é uma realidade mais ou menos constante junto dos profissionais de
saúde.
O stress pode provir, em grande medida, da atenção e dos cuidados que os técnicos de
saúde têm de prestar continuadamente aos doentes, seguidos de conflitos de equipa
ou sobrecarga de trabalho, insegurança, falta de autonomia e conflitos de autoridade.
A investigação refere que há um certo número de fatores que podem induzir níveis
elevados de stress. Vêm a ser: a exposição continuada a doentes com uma patologia
física e emocional e com um desenlace fatal; conflitos com familiares dos próprios,
colegas de trabalho, supervisores e pessoas de outros departamentos ou profissões.
Quando a exposição ao stress se torna prolongada e é sentida como particularmente
intensa pode dar origem a conflitos de papéis, ambiguidade, diminuição da autoestima
e burnout.

O stress é uma realidade inegável no quotidiano dos profissionais de saúde. Apesar do


conhecimento generalizado do impacto negativo do stress no indivíduo e organizações,
não existe por parte de estas um esforço no sentido de perceber o que causa stress e
as formas de reduzir esses efeitos reais ou potenciais. Por isso, torna-se importante
sugerir formas de intervenção na gestão emocional desta classe profissional, isto é, a
operacionalização e implementação de estratégias eficazes de prevenção e combate ao
stress.

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Qualitymark Editora, Lda

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Sorrentino, S. (2001) Fundamentos para o auxiliar de enfermagem. Porto Alegre:


Editora Artmed

Vaz Serra, A. (2007). O stress na vida de todos os dias. Coimbra: Gráfica de Coimbra,
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