Você está na página 1de 49

RESUMO DOS INFORMATIVOS - SITE DIZER O DIREITO

DIREITO TRIBUTÁRIO

Atualizado em 16/02/2018: Novos julgados

1. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA
1.1. Mesmo que a entidade remetente dos valores para o exterior seja imune, ainda
assim terá que pagar o IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) previsto no art. 11
do DL 401/1968 – (Info 618) – Atenção! Concursos Federais!

O art. 11 do Decreto-Lei 401/68 prevê que “está sujeito ao desconto do imposto de


renda na fonte o valor dos juros remetidos para o exterior devidos em razão da
compra de bens a prazo.”
Vale ressaltar que o contribuinte do imposto de renda previsto neste art. 11 é o
vendedor (beneficiário dos valores residente no exterior).
Como o fato gerador do imposto sobre a renda é a aquisição de disponibilidade
econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza (art. 43 do
CTN), o contribuinte em tal hipótese é o beneficiário residente no exterior, por ser
aquele que possui relação pessoal e direta com o fato gerador (art. 121, parágrafo
único, I, do CTN); afinal, é ele quem teve um acréscimo patrimonial.
O remetente dos juros (e que deve pagar o imposto de renda retido na fonte - IRRF)
é o sujeito passivo responsável por substituição, enquadrando-se nos conceitos
previstos nos arts. 121, parágrafo único, II, e 128 do CTN.
Segundo o STJ, houve um erro de técnica legislativa na redação deste art. 11,
parágrafo único. Isso porque não se pode considerar como contribuinte do imposto
de renda alguém que não está auferindo a renda, tendo apenas e tão somente
remetido valores para o exterior.
O comprador de mercadoria do exterior, que remete as quantias referentes aos juros,
pelo pagamento a prazo, à empresa estrangeira vendedora, certamente não pratica
o fato gerador do Imposto de Renda, porquanto não adquire qualquer
disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer
natureza. Assim, essa previsão de que o remetente é contribuinte do imposto de
renda viola o art. 45 do CTN (que possui status de lei complementar).
Nas palavras do Min. Herman Benjamin: “A utilização do conceito contribuinte
para caracterizar o remetente dos juros constitui erro de técnica legislativa, passível
de correção interpretativa, na medida em que lei ordinária não poderia modificar
conceito estabelecido no CTN.”
Desse modo, a entidade beneficente que comprou o bem e que está remetendo os
juros para o exterior é considerada como “responsável por substituição” pelo
recolhimento exigido pelo art. 11 do Decreto-Lei 401/1968.
Importante esclarecer que, se o adquirente do bem (e que está remetendo o dinheiro
para o exterior) for uma entidade imune, mesmo assim terá que fazer o recolhimento
do IRRF.
Vejamos o exemplo analisado: entidade beneficente de assistência social adquire, a
prazo, uma máquina de uma empresa do exterior; ao remeter os valores para essa
empresa, deverá reter, na fonte, o imposto de renda sobre os juros; mesmo esta
entidade sendo imune, ela deverá pagar o imposto de renda retido na fonte na
condição de responsável por substituição.
A imunidade tributária não afeta relação de responsabilidade tributária ou de
substituição e não exonera o responsável tributário ou o substituto.
Assim, em suma: a imunidade tributária de entidade beneficente de assistência
social não a exonera do dever de, na condição de responsável por substituição, reter
o imposto de renda sobre juros remetidos ao exterior na compra de bens a prazo, na
forma do art. 11 do Decreto-Lei nº 401/1968.
STJ. 2ª Turma. REsp 1480918-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Rel. Acd. Min.
Herman Benjamin, j. 19/09/2017 (Info 618).
OBS:
A imunidade tributária abrange a responsabilidade por substituição? A entidade
imune está dispensada de fazer o recolhimento do imposto como responsável
tributária? NÃO. “A imunidade tributária não afeta, tão-somente por si, a relação de
responsabilidade tributária ou de substituição e não exonera o responsável tributário
ou o substituto” (STF. 2ª Turma. RE 202.987, Rel. Min. Joaquim Barbosa, DJe de
25/9/2009).

Assim, em nosso exemplo, a imunidade não exclui a obrigação do responsável


tributário (entidade remetente) de reter na fonte o tributo devido pelo denominado
“contribuinte de fato” (a empresa que está recebendo os valores no exterior).

Se a entidade imune ficasse dispensada de reter o imposto de renda sobre os valores


remetidos ao exterior, na prática, quem seria beneficiada com a imunidade seria a
empresa estrangeira, considerando que é ela que ostenta a figura de contribuinte.

1.2. Inexistência de imunidade no caso de instituição de assistência social que


exerce atividade econômica não relacionada com suas finalidades institucionais –
(Info 551)

Determinada entidade de assistência social sem fins lucrativos que atende pessoas
com deficiência explora uma agência franqueada dos Correios. Em outras palavras,
ela é proprietária de uma agência franqueada dos Correios. A renda obtida com essa
atividade é revertida integralmente aos fins institucionais dessa entidade.
A venda das mercadorias nessa agência franqueada NÃO será imune de ICMS. Isso
porque a atividade econômica fraqueada dos Correios não está relacionada com as
finalidades institucionais da entidade de assistência social, ou seja, o serviço
prestado não possui relação com seus trabalhos na área de assistência social, ainda
que o resultado das vendas seja revertido em prol das suas atividades essenciais.
Logo, não se pode conceder a imunidade porque não está preenchido o requisito
exposto no ar. 150, § 4º da CF/88 e art. 14, § 2º do CTN.
STJ. 2ª Turma. RMS 46.170-MS, Rel. Min. Humberto Martins, j. 23/10/2014 (Info 551).

1.3. Instituição de assistência social que conseguiu, por meio de uma perícia,
provar que atende os requisitos do art. 14 do CTN terá direito à imunidade tributária
– (Info 535)

Se a instituição de assistência social conseguiu, por meio de uma perícia contábil,


provar que atende os requisitos do art. 150, VI, “c”, da CF/88 e do art. 14, do CTN,
ela terá direito à imunidade tributária, mesmo que não apresente certificado de
entidade de assistência social, documento emitido pelo Ministério do
Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Não é possível condicionar a concessão de imunidade tributária prevista para as
instituições de educação e de assistência social sem fins lucrativos à apresentação
de certificado de entidade de assistência social na hipótese em que prova pericial
tenha demonstrado o preenchimento dos requisitos para a incidência da norma
imunizante.
STJ. 1ª Turma. AgRg no AREsp 187.172-DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j.
18/2/14 (Info 535).

2. IMPOSTO DE RENDA
2.1. Súmula 598-STJ – (Info 614)

Súmula 598-STJ: É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o


reconhecimento judicial da isenção do imposto de renda, desde que o magistrado
entenda suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 08/10/2017. (Info 614)
OBS:
Isenção de imposto de renda sobre os proventos da aposentadoria para doentes
graves: O imposto de renda é regido pela Lei 7.713/88. Esta Lei prevê que as pessoas
portadoras de neoplasia maligna ou outras doenças graves e que estejam na
inatividade não pagarão imposto de renda sobre os rendimentos recebidos a título de
aposentadoria, pensão ou reforma (art. 6º, XIV). Em palavras mais simples: pessoas
portadoras de doenças elencadas pela legislação não pagarão imposto de renda sobre
os rendimentos que receberem a título de aposentadoria, pensão ou reforma. Para ter
direito à isenção do imposto de renda é necessária a cumulação de dois requisitos
pelo contribuinte:
a) receber proventos de aposentadoria, pensão ou reforma; e

b) estar acometido de uma das doenças arroladas no


dispositivo legal.

Veja a previsão legal:


Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes
rendimentos percebidos por pessoas físicas:
XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por
acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de
moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental,
esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase,
paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave,
doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante,
nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da
doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por
radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base
em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença
tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;

Imagine agora a seguinte situação hipotética: João, aposentado, estava apresentando


problemas de saúde e foi internado em um hospital particular. Fez diversos exames
nos quais ficou constatado que ele está com neoplasia maligna (câncer). Diante disso,
ele requereu isenção do imposto de renda sobre os valores que ele recebe a título de
aposentadoria. Para tanto, ele juntou todos os laudos dos exames que realizou, assim
como uma declaração do médico do hospital. A Receita Federal, contudo, indeferiu o
pedido alegando que, para ter direito à isenção, seria indispensável a apresentação de
um laudo médico oficial, conforme exige o art. 30 da Lei nº 9.250/95:
Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do
reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos
XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988,
com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de
dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada
mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial,
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Inconformado, João ingressou com ação judicial pedindo o reconhecimento de seu


direito à isenção com base nos inúmeros laudos médicos particulares que examinaram
a sua situação e que atestaram a existência da moléstia.

O juiz poderá acolher o pedido de João? O juiz pode reconhecer o direito à isenção do
Imposto de Renda de que trata o art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88 apenas com base em
documentos médicos particulares (sem um laudo médico oficial)? SIM. A
comprovação da moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda não
precisa ser comprovada mediante laudo médico OFICIAL podendo o magistrado
valer-se de outras provas produzidas. Esse entendimento reiterado do STJ deu
origem à Súmula 598.

E o art. 30 da Lei 9.250/95? O STJ entende que a norma prevista no art. 30 da Lei
9.250/95 é uma regra aplicável apenas para a Administração Pública, de forma que
ela não vincula (limita) o juiz. Isso porque o magistrado, no momento de julgar, goza
do “livre convencimento motivado” (persuasão racional), podendo apreciar, de
forma motivada, as provas produzidas, conforme autorizado pelos arts. 371 e 479 do
CPC/2015:
Art. 371. O juiz apreciará a prova constante dos autos,
independentemente do sujeito que a tiver promovido, e
indicará na decisão as razões da formação de seu
convencimento.
Art. 479. O juiz apreciará a prova pericial de acordo com o
disposto no art. 371, indicando na sentença os motivos que o
levaram a considerar ou a deixar de considerar as conclusões
do laudo, levando em conta o método utilizado pelo perito.

Nesse sentido: STJ. 1ª Turma. AgRg no AREsp 533.874/RS, Rel. Min. Napoleão Nunes
Maia Filho, julgado em 16/05/2017.

Como explica Daniel Amorim Assumpção Neves:


“O sistema de valoração das provas, adotado pelo sistema
processual brasileiro, é o da persuasão racional, também
chamado de livre convencimento motivado. Significa dizer
que não existem cargas de convencimento pré-estabelecidas
dos meios de prova, sendo incorreto afirmar abstratamente
que determinado meio de prova é mais eficaz no
convencimento do juiz do que outro. Com inspiração nesse
sistema de valoração das provas, o art. 479 do Novo CPC
prevê que o juiz não está adstrito ao laudo pericial, podendo
se convencer com outros elementos ou fatos provados no
processo.” (Comentários ao Novo Código de Processo Civil.
Salvador: JusPodivm, 2016, p. 817).

Obs: alguns autores afirmam que, com o novo CPC, não seria mais correto falar em
“livre” convencimento motivado. É o caso, por exemplo, de Fredie Didier:
“Todas as referências ao ‘livre convencimento motivado’
foram extirpadas do texto do Código. O silêncio é eloquente.
O convencimento do julgador deve ser racionalmente
motivado: isso é quanto basta para a definição do sistema de
valoração da prova pelo juiz adotado pelo CPC-2015. Não é
mais correta, então, a referência ao ‘livre convencimento
motivado’ como princípio fundamental do processo civil
brasileiro; não é dogmaticamente aceitável, do mesmo modo,
valer-se desse jargão para fundamentar as decisões judiciais.
(...)” (DIDIER, Fredie. Curso de Direito Processual Civil. Vol.
2., Salvador: Juspodivm, 2015, p. 102-103).

Apesar dessa relevantíssima posição doutrinária acima, é importante registrar que,


para a maioria da doutrina e da jurisprudência, continua sendo possível falar em
livre convencimento motivado. O próprio STJ permanece utilizado essa
nomenclatura:
(...) O art. 370 do Novo Código de Processo Civil (art. 130 do
CPC/1973) consagra o princípio do livre convencimento
motivado, segundo o qual o magistrado fica habilitado a
valorar, livremente, as provas trazidas à demanda. (...)
STJ. 1ª Turma. AgRg no REsp 1169112/SC, Rel. Min. Napoleão
Nunes Maia Filho, j. 27/6/17.

2.2. A cessão do precatório a terceiro não modifica a relação jurídica tributária


existente entre o titular originário e o Fisco, para fins de incidência do IR – (Info 612)

A cessão de crédito de precatório não tem o condão de alterar a base de cálculo e a


alíquota do Imposto de Renda, que deve considerar a origem do crédito e o próprio
sujeito passivo originariamente favorecido pelo precatório.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.405.296-AL, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j. 19/9/17
(Info 612).
STJ. 2ª Turma. RMS 42.409/RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 6/10/15.
OBS:
Cessão do precatório não altera a tributação: A cessão de crédito desse precatório
não tem o condão de alterar a tributação do Imposto de Renda, que deve considerar a
origem do crédito e o próprio sujeito passivo originariamente favorecido pelo
precatório, ou seja, o cedente. Não importa, para fins de IR, a ocorrência de cessão
do precatório e a condição pessoal do cessionário.
A natureza jurídica da renda que o originou não sofre alteração, sendo incabível se
opor ao Fisco as convenções e acordos particulares decorrentes da cessão de crédito,
de caráter nitidamente privado, a fim de interferir na definição do sujeito passivo, da
base de cálculo ou da alíquota do IR, diante da expressa vedação do art. 123 do CTN:
Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções
particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de
tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para
modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações
tributárias correspondentes.

Assim, o negócio jurídico firmado entre o titular originário do precatório e terceiros


não desnatura a relação jurídica tributária existente entre aquele e o Fisco, para fins
de incidência do Imposto de Renda.

2.3. Liquidação de entidade de previdência e imposto de renda sobre o valor


recebido pelo participante a título de rateio – (Info 610)
Súmula 590-STJ: Constitui acréscimo patrimonial a atrair a incidência do Imposto
de Renda, em caso de liquidação de entidade de previdência privada, a quantia que
couber a cada participante, por rateio do patrimônio, superior ao valor das
respectivas contribuições à entidade em liquidação, devidamente atualizadas e
corrigidas.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 13/09/2017, DJe 18/09/2017 (Info 610).
OBS: Em caso de liquidação de entidade de previdência privada, haverá rateio do
patrimônio entre os participantes, cada um recebendo uma quantia proporcional às
contribuições que fez. Se o valor recebido for igual ou menor do que as contribuições
que o participante fez, ele não terá que pagar imposto de renda. Se o valor for maior,
ele terá que pagar o imposto sobre a diferença, ou seja, sobre o valor que exceder o
total das contribuições vertidas (atualizadas monetariamente). Isso porque, neste caso,
terá havido acréscimo patrimonial, que é o fato gerador do imposto de renda.

2.4. Ganho de capital obtido com a venda de imóvel residencial é isento de IR se


ele for utilizado para pagamento de parcelas de outro imóvel residencial comprado
anteriormente – (Info 594)

A isenção do Imposto de Renda sobre o ganho de capital nas operações de alienação


de imóvel prevista no art. 39, da Lei 11.196/05 se aplica à hipótese de venda de
imóvel residencial com o objetivo de quitar, total ou parcialmente, débito
remanescente de aquisição a prazo ou à prestação de imóvel residencial já possuído
pelo alienante.
A restrição estabelecida no art. 2º, §11, I, da Instrução Normativa-SRF 599/05 é ilegal.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.469.478-SC, Rel. Min. Herman Benjamin, Rel. para acórdão Min.
Mauro Campbell Marques, j. 25/10/16 (Info 594).
OBS:
O art. 39 da Lei 11.196/05 prevê uma hipótese de isenção de imposto de renda:
Art. 39. Fica isento do imposto de renda o ganho auferido por
pessoa física residente no País na venda de imóveis
residenciais, desde que o alienante, no prazo de 180 (cento e
oitenta) dias contado da celebração do contrato, aplique o
produto da venda na aquisição de imóveis residenciais
localizados no País.

2.5. Incide o IRPF sobre o valor do abono de permanência, mas somente a partir de
2010 – (Info 589) – IMPORTANTE!!!

Em 2010, o STJ decidiu que incide Imposto de Renda sobre os rendimentos


recebidos a título de abono de permanência (1ª Seção. REsp 1192556/PE, Rel. Min.
Mauro Campbell Marques, julgado em 25/08/2010. Recurso repetitivo).
Ocorre que, antes deste julgamento, a posição do STJ era no sentido oposto.
Diante disso, como houve radical mudança da jurisprudência, o STJ decidiu que o
entendimento adotado no REsp 1.192.556-PE não alcança fatos geradores pretéritos
ao referido julgado.
Em outras palavras, incide o IRPF sobre o valor do abono de permanência, mas
somente a partir de 2010, data do julgamento do REsp. 1.192.556/PE, não valendo
este entendimento para fatos geradores anteriores a este acórdão.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.596.978-RJ, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j. 7/6/16
(Info 589).
OBS:
O servidor público deverá pagar imposto de renda sobre os valores recebidos a título
de abono de permanência? Incide IRPF sobre o abono de permanência? Ex: se o abono
de permanência é de R$ 1 mil, o servidor deverá pagar 15%, 27,5% etc sobre este valor?
SIM.
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda os rendimentos
recebidos a título de abono de permanência a que se referem
o § 19 do art. 40 da Constituição Federal, o § 5º do art. 2º e o §
1º do art. 3º da Emenda Constitucional 41/2003, e o art. 7º da
Lei 10.887/04.
Não há lei que autorize considerar o abono de permanência
como rendimento isento.
STJ. 1ª Seção. REsp 1192556/PE, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, j. 25/08/2010 (recurso repetitivo).

Mudança de entendimento e eficácia ex nunc da nova posição: Ocorre que, até o STJ
pacificar a questão, houve muita polêmica sobre o assunto e o julgado acima
representou uma mudança de entendimento. Isso porque de 2003 a 2010, o
entendimento majoritário na jurisprudência era o de que não incidia imposto de
renda sobre o abono de permanência. Desse modo, como houve uma radical
alteração da posição, o STJ decidiu que, por questões de segurança jurídica, o
entendimento manifestado no REsp 1192556/PE deveria ter efeitos ex nunc, não
alcançando situações pretéritas. O mais interessante é que esta "modulação dos
efeitos" da decisão não foi proferida no momento em que o REsp 1192556/PE foi
julgado, mas somente em 2016.

2.6. Portador de cegueira monocular e isenção de imposto de renda – (Info 575) –


IMPORTANTE!!!

Os proventos de aposentadoria ou reforma percebidos por portador de cegueira


monocular também são isentos de imposto sobre a renda.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.553.931-PR, Rel. Min. Regina Helena Costa, j. 15/12/15 (Info
575).

2.7. Isenção de IR sobre o valor da complementação de aposentadoria e do resgate


de contribuições – (Info 574)

Súmula 556-STJ: É indevida a incidência de imposto de renda sobre o valor da


complementação de aposentadoria pago por entidade de previdência privada e em
relação ao resgate de contribuições recolhidas para referidas entidades
patrocinadoras no período de 1º/1/1989 a 31/12/1995, em razão da isenção concedida
pelo art. 6º, VII, b, da Lei n. 7.713/1988, na redação anterior à que lhe foi dada pela
Lei n. 9.250/1995.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 09/12/2015. DJe 15/12/2015.

2.8. Incide imposto de renda sobre o adicional de 1/3 (um terço) de férias gozadas
– (Info 573) – IMPORTANTE!!!

Incide imposto de renda sobre o adicional de 1/3 (um terço) de férias gozadas.
Essa verba tem natureza remuneratória (e não indenizatória) e configura acréscimo
patrimonial.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.459.779-MA, Rel. para acórdão Min. Benedito Gonçalves, julgado
em 22/04/2015 (recurso repetitivo) (Info 573).

2.9. Cessão de precatório e alíquota aplicável do IR devido por ocasião de seu


pagamento – (Info 571) – IMPORTANTE!!!

Se pessoa jurídica adquire, por meio de cessão de direito, precatório cujo


beneficiário seja pessoa física, o cálculo do imposto de renda (IR) retido na fonte
(art. 46 da Lei 8.541/92) na ocasião do pagamento da carta precatória deverá ser
realizado com base na alíquota que seria aplicável à pessoa física cedente, ainda
que a alíquota aplicável a pessoa física seja maior do que a imposta a pessoa
jurídica.
STJ. 2ª Turma. RMS 42.409-RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em
6/10/2015 (Info 571).

2.10. Incidência de IR sobre lucros cessantes – (Info 568) – IMPORTANTE!!!

Segundo o art. 950 do CC, se uma pessoa for vítima de dano físico que cause a
diminuição de sua capacidade de trabalho, ela deverá receber do causador do dano
pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da
depreciação que ela sofreu.
Tais valores estão sujeitos ao pagamento de Imposto de Renda (IR).
Assim, decidiu o STJ que os valores percebidos a título de pensionamento por
redução da capacidade laborativa decorrente de dano físico causado por terceiro, em
cumprimento de decisão judicial, são tributáveis pelo imposto de renda e sujeitam
a fonte pagadora à retenção do imposto por ocasião do pagamento.
Danos morais e danos emergentes: NÃO incide IR.
Lucros cessantes: INCIDE IR.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.464.786-RS, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 25/8/2015
(Info 568).

2.11. Isenção de imposto de renda sobre proventos oriundos de previdência privada


complementar para portadores de doenças graves – (Info 556)

São isentos do imposto de renda os proventos percebidos de fundo de previdência


privada a título de complementação da aposentadoria por pessoa física acometida
de uma das doenças arroladas no art. 6º, XIV, da Lei 7.713/1988.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.507.320-RS, Rel. Min. Humberto Martins, j. 10/2/15 (Info 556).

2.12. Correção monetária do valor do IR incidente sobre verbas recebidas


acumuladamente em ação trabalhista – (Info 553)

Até a data da retenção na fonte, a correção do IR apurado e em valores originais


deve ser feita sobre a totalidade da verba acumulada e pelo mesmo fator de
atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente, sendo que, em ação
trabalhista, o critério utilizado para tanto é o Fator de Atualização e Conversão dos
Débitos Trabalhistas (FACDT). Essa sistemática não implica violação do art. 13 da
Lei 9.065/1995, do art. 61, § 3º, da Lei 9.430/1996, dos arts. 8º, I, e 39, § 4º, da Lei
9.250/1995, uma vez que se refere à equalização das bases de cálculo do imposto de
renda apuradas pelo regime de competência e pelo regime de caixa e não à mora,
seja do contribuinte, seja do Fisco. Ressalte-se que a taxa SELIC, como índice único
de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção
indevida.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.470.720-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 10/12/14
(Info 553).

3. IPVA
3.1. Termo inicial do prazo prescricional para cobrança de IPVA – (Info 588)

O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) é lançado de ofício


no início de cada exercício e constituído definitivamente com a cientificação do
contribuinte para o recolhimento da exação, a qual pode ser realizada por qualquer
meio idôneo, como o envio de carnê ou a publicação de calendário de pagamento,
com instruções para a sua efetivação.
A notificação do contribuinte para o recolhimento do IPVA perfectibiliza a
constituição definitiva do crédito tributário, iniciando-se o prazo prescricional para
a execução fiscal no dia seguinte à data estipulada para o vencimento da exação.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.320.825-RJ, Rel. Min. Gurgel de Faria, j. 10/8/16 (recurso
repetitivo) (Info 588).
OBS:
IPVA: IPVA é a sigla de Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores. Trata-
se de imposto estadual, previsto no art. 155, III, da CF/88.

Regramento legal: As normas gerais sobre o IPVA (fato gerador, base de cálculo,
sujeito passivo etc.) deverão ser previstas em uma lei complementar nacional a ser
editada pelo Congresso Nacional (art. 146, III, "a", da CF/88). Ocorre que esta lei ainda
não existe. Em razão disso, os Estados-membros podem legislar sobre o tema,
conforme autorizado pelo art. 24, § 3º da CF/88, desde que respeitadas as demais
regras constitucionais.

Fato gerador: É a propriedade de veículo automotor. "Apenas a propriedade gera


incidência de IPVA, e não a mera detenção do veículo, o próprio uso ou mesmo a
posse." (SABBAG, Eduardo. Manual de Direito Tributário. 8ª ed., São Paulo: Saraiva,
2016, p. 1317). O IPVA só incide sobre veículos automotores terrestres. Assim, é
inconstitucional lei estadual que preveja pagamento de IPVA pela propriedade de
embarcações ou de aeronaves. Nesse sentido: STF. Plenário. RE 379572, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgado em 11/04/2007.

Base de cálculo: É o valor venal do veículo.

Importante: o art. 150, § 1º da CF/88 prevê que a fixação da base de cálculo do IPVA
não está sujeita ao princípio da anterioridade nonagesimal. Isso significa que é
possível que o Estado, nos últimos dias do ano, altere a tabela de valor venal dos
veículos e essa mudança já valha a partir de 1º de janeiro do ano seguinte.

Alíquotas: As alíquotas serão fixadas por meio de lei de cada Estado-membro. A


CF/88, no entanto, determina que o Senado, mediante Resolução, defina alíquotas
mínimas do IPVA a fim de evitar a guerra fiscal (art. 155, § 6º, II, da CF/88). Logo, a
lei estadual não poderá estipular alíquotas menores que aquelas fixadas pelo Senado.
Isso com o objetivo de evitar que os Estados começassem a colocar valores muito
baixos de IPVA para "incentivar" os proprietários de carros a emplacarem seus
veículos nesses locais. A Constituição autoriza que as leis estaduais prevejam
alíquotas do IPVA diferenciadas segundo o tipo e a utilização do veículo.
 Exemplo quanto ao tipo: a lei poderá prever que veículos utilitários poderão
pagar alíquotas menores que veículos de passeio.
 Exemplo quanto à utilização: táxis poderão pagar alíquotas menores que
veículos particulares.

O STF decidiu que é inconstitucional tributar diferentemente veículos nacionais e


importados.

Sujeito passivo: É o proprietário do veículo.

Lançamento do IPVA: O IPVA é um imposto sujeito a lançamento de ofício. O


lançamento de ofício (ou direto) é aquele no qual o Fisco, sem a ajuda do contribuinte,
calcula o valor do imposto devido e o cobra do sujeito passivo. A Administração
tributária já possui de antemão os elementos informativos para realizar a constituição
do crédito tributário, não dependendo de nenhuma providência do contribuinte para
isso. Em outras palavras, o próprio Fisco, sozinho, já calcula quanto o contribuinte
deverá pagar e apenas o avisa: pague este valor de imposto até o dia XX. Além do
IPVA, outro exemplo de imposto submetido a lançamento de ofício é o IPTU.

Notificação do lançamento: Após o Fisco realizar o lançamento, ele precisa comunicar


que fez isso ao sujeito passivo para que este possa pagar o tributo ou impugná-lo, caso
não concorde com o que está sendo cobrado. "É a notificação que confere efeitos ao
lançamento realizado, pois antes daquela não se conta prazo para pagamento ou
impugnação." (ALEXANDRE, Ricardo. Direito tributário esquematizado. 10ª ed., São
Paulo: Método, 2016, p. 377).

Forma de notificação do contribuinte: O CTN não prevê a forma como o contribuinte


deverá ser notificado de que houve o lançamento de ofício e de que ele deverá pagar
o tributo. Diante dessa lacuna, a jurisprudência entende que a legislação que rege cada
tributo poderá disciplinar o meio idôneo para essa notificação. No caso do IPTU, a
maioria das leis municipais prevê que a notificação ocorre mediante o envio de uma
correspondência ao sujeito passivo. Esse procedimento é considerado legítimo:
Súmula 397-STJ: O contribuinte do IPTU é notificado do
lançamento pelo envio do carnê ao seu endereço.

Se o Estado-membro, no início do ano, divulga um calendário informando os


proprietários dos veículos que deverão efetuar o pagamento do IPVA em cada data,
este modo de notificação é válido? SIM. O envio do carnê é apenas uma modalidade,
que não exclui outras eventualmente mais convenientes para a Administração, como
é o caso da divulgação de um calendário de pagamento, com instruções para os
contribuintes fazerem o pagamento. Essa espécie de notificação pessoal presumida
(por meio da divulgação de "calendário de pagamento") somente pode ser
considerada válida em relação aos impostos reais, cuja exigibilidade por exercício é de
notório conhecimento da população. Em outros termos, nos casos de IPTU e IPVA,
por exemplo, todo mundo sabe que todo ano deverá pagar.

Qual é a principal função da notificação do contribuinte do IPVA? A notificação do


contribuinte para o recolhimento do IPVA perfectibiliza a constituição definitiva do
crédito tributário. Em outras palavras, com a notificação do contribuinte para o
recolhimento da exação (pagamento do tributo) ocorre a constituição definitiva do
crédito tributário.
Caso o contribuinte, mesmo depois de notificado, não pague o IPVA, o Fisco poderá
ajuizar execução fiscal cobrando este imposto. A partir de quando é contado o prazo
para o ajuizamento desta ação? O prazo prescricional para a execução fiscal inicia-se
no dia seguinte à data estipulada para o vencimento do imposto. Isso porque, antes
dessa data, o pagamento não é exigível do contribuinte. Assim, por exemplo, se o
proprietário recebeu um carnê com data de vencimento para o dia 03/03, o prazo
prescricional para o Estado-membro ajuizar execução fiscal iniciará no dia 04/03, caso
o contribuinte não pague na data.

Qual é o prazo que o Fisco estadual possui para cobrar judicialmente o imposto? O
prazo prescricional é de 5 anos (art. 174 do CTN).

Releitura do art. 174 do CTN pelo STJ: O art. 174 do CTN estabelece o seguinte:
Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário
prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição
definitiva.

Para o STJ, a constituição definitiva do IPVA ocorre com a notificação do contribuinte


para pagamento.
Desse modo, se fossemos utilizar a redação literal do art. 174, o prazo prescricional
teria início na data da notificação do sujeito passivo (constituição definitiva). Ex: no
dia em que ele recebeu o carnê de pagamento ou na data em que foi divulgado o
calendário de pagamentos.
Ocorre que o STJ fez uma releitura dessa parte final do dispositivo e decidiu que o
prazo prescricional deverá ser contado a partir do dia seguinte à data estipulada
como vencimento do imposto.
O STJ deicidiu assim porque antes de passar a data do vencimento do tributo, o Fisco
ainda não poderá executar o contribuinte, que ainda nem pode ser considerado
devedor.
Até o último dia estabelecido para o vencimento, é assegurado ao contribuinte realizar
o recolhimento voluntário, sem qualquer outro ônus, por meio das agências bancárias
autorizadas ou até mesmo pela internet, ficando em mora tão somente a partir do dia
seguinte.
Desse modo, tem-se que a pretensão executória da Fazenda Pública (actio nata)
somente surge no dia seguinte à data estipulada para o vencimento do tributo.
Assim, o STJ "corrige" a parte final do art. 174, que deve ser lido da seguinte forma: a
ação para a cobrança do crédito tributário decorrente de IPVA prescreve em cinco
anos, contados do dia seguinte à data estipulada para o vencimento da exação.

Em concursos, se for cobrada a redação literal do art. 174 em provas objetivas, essa
alternativa está correta. No entanto, é possível que o entendimento do STJ seja exigido,
especialmente em provas discursivas ou orais.

4. ICMS
4.1. Crédito presumido de ICMS não integra a base de cálculo do IRPJ e da CSLL –
(Info 618)

Crédito presumido de ICMS não integra a base de cálculo do IRPJ e da CSLL.


STJ. 1ª Seção. EREsp 1517492-PR, Rel. Min. Og Fernandes, Rel. Acd. Min. Regina
Helena Costa, j. 8/11/17 (Info 618).
OBS:
IRPJ: IRPJ é a sigla para Imposto de Renda de Pessoa Jurídica. A base de cálculo do
IRPJ é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos
tributáveis (art. 44 do CTN). Em outras palavras, a base de cálculo do IRPJ é o lucro
(real, presumido ou arbitrado) correspondente ao período de apuração.

CSLL: CSLL é a sigla para Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Segundo a Lei
que rege a CSLL, a base de cálculo dessa contribuição “é o valor do resultado do
exercício, antes da provisão para o imposto de renda” (art. 2º da Lei nº 7.689/88).
Desse modo, a base de cálculo da CSLL também é o lucro, mas apurado antes da
provisão para o IRPJ.

Crédito presumido de ICMS: Trata-se de um incentivo concedido pela legislação por


meio do que se concede um crédito ao contribuinte para que ele pague menos ICMS.
Assim, se a empresa contribuinte cumprir determinados requisitos previstos na
legislação, ela poderá ter direito a esse “crédito”, pagando menos ICMS. Desse modo,
pode-se concluir que a concessão de crédito presumido de ICMS possui natureza
jurídica de incentivo fiscal.

O crédito presumido de ICMS, por representar, indiretamente, um lucro para a pessoa


jurídica, deverá ser incluído na base de cálculo do IRPJ e da CSLL? NÃO. Crédito
presumido de ICMS não integra a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. STJ. 1ª Seção.
EREsp 1.517.492-PR, Rel. Min. Og Fernandes, Rel. Acd. Min. Regina Helena Costa,
julgado em 08/11/2017 (Info 618).

A Constituição Federal possui diversos dispositivos que preveem medidas de


incentivo fiscal com o objetivo de reduzir desigualdades regionais, alavancar o
desenvolvimento social e econômico do país, inclusive mediante desoneração ou
diminuição da carga tributária. A outorga de crédito presumido de ICMS insere-se
nesse contexto, devendo ser instituída por legislação local específica do ente
federativo tributante.

Não se pode considerar o crédito presumido como lucro da empresa, para fins de
tributação do IRPJ e da CSLL, sob pena de admitirmos a possibilidade de a União
retirar, por via oblíqua, o incentivo fiscal que o Estado-membro, no exercício de sua
competência tributária, outorgou. Essa interpretação faria com que houvesse o
esvaziamento ou a redução do incentivo fiscal que foi legitimamente outorgado pelo
Estado-membro. Isso porque se, por um lado, a empresa pagaria menos ICMS, por
outro, teria que pagar mais IRPJ e CSLL.

O art. 155, § 2º, XII, “g”, da CF/88, atribuiu aos Estados-membros e ao Distrito
Federal a competência para instituir o ICMS - e, por consequência, outorgar
isenções, benefícios e incentivos fiscais, atendidos os pressupostos de lei
complementar:
Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir
impostos sobre: (...)
II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre
prestações de serviços de transporte interestadual e
intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as
prestações se iniciem no exterior; (...)
§ 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: (...)
XII - cabe à lei complementar: (...)
g) regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e
do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais
serão concedidos e revogados.

A concessão de incentivo por Estado-membro, observados os requisitos legais,


configura, portanto, instrumento legítimo de política fiscal para materialização
dessa autonomia consagrada pelo modelo federativo. Nesse caminho, a tributação
pela União de valores correspondentes a incentivo fiscal estimula competição indireta
com o Estado-membro, em desapreço à cooperação e à igualdade, pedras de toque da
Federação.

Por fim, cumpre registrar, dada à semelhança com o presente caso, que o STF, ao
julgar, em regime de repercussão geral, o RE n. 574.706/PR, assentou a
inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS.
Entendeu o Plenário da Corte que o valor de ICMS não se incorpora ao patrimônio
do contribuinte, constituindo mero ingresso de caixa, cujo destino final são os cofres
públicos.
O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS)
não compõe a base de cálculo para a incidência da
contribuição para o PIS e da COFINS.
STF. Plenário. RE 574706/PR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado
em 15/3/2017 (repercussão geral) (Info 857).

4.2. O valor da TUSD compõe a base de cálculo do ICMS – (Info 601)

A Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) compõe o preço final da


operação de fornecimento de energia elétrica e está incluída na base de cálculo do
ICMS.
O ICMS incide sobre todo o processo de fornecimento de energia elétrica, tendo em
vista que as fases de geração, transmissão e distribuição da energia são
indissociáveis. Assim, o custo inerente a cada uma dessas etapas - entre elas a
referente à TUSD - compõe o preço final da operação e, consequentemente, a base
de cálculo do imposto, nos termos do art. 13, I, da LC 87/96.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.163.020-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, j. 21/3/17 (Info 601).

4.3. Mesmo que o contratante tenha se tornado inadimplente, a empresa prestadora


do serviço de comunicação não terá direito de receber de volta o ICMS pago – (Info
597)

As empresas de telefonia primeiro prestam o serviço de comunicação e, depois, ao


final do mês, cobram o preço do serviço (conta de telefone). O que acontece com o
ICMS se o consumidor final do serviço fica inadimplente e não paga a mensalidade?
Neste caso, a empresa prestadora do serviço poderá pedir de volta o valor que
recolheu a título de ICMS alegando que o preço do serviço não foi pago?
NÃO. Ainda que as prestações de serviços de comunicação sejam inadimplidas pelo
consumidor-final (contratante), não cabe a recuperação dos valores pagos pela
prestadora (contratada) a título de ICMS-comunicação incidentes sobre o serviço
prestado.
O fato gerador do ICMS-comunicação ocorre com a prestação onerosa do serviço de
comunicação. A circunstância de o contratante (consumidor-final) ter se tornado
inadimplente não interessa para o fato gerador.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.308.698-SP, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j. 6/12/16
(Info 597).
OBS:
Imagine a seguinte situação hipotética: As empresas de telefonia pagam ICMS pelo
fato de prestarem serviços de comunicação. A alíquota do ICMS incide sobre o valor
do serviço que é prestado pela empresa ao cliente. Isso está previsto na LC 87/96:
Art. 13. A base de cálculo do imposto é:
(...) III - na prestação de serviço de transporte interestadual e
intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço;

As empresas de telefonia primeiro prestam o serviço de comunicação e, depois, ao


final do mês, cobram o preço do serviço (conta de telefone).

O que acontece com o ICMS se o consumidor final do serviço fica inadimplente e não
paga a mensalidade? Neste caso, a empresa prestadora do serviço poderá pedir de
volta o valor que recolheu a título de ICMS alegando que o preço do serviço não foi
pago? NÃO.

O art. 2º, III, a LC 87/96 prevê qual é o fato gerador do ICMS-comunicação:


Art. 2º O imposto incide sobre:
(...) III - prestações onerosas de serviços de comunicação, por
qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a
transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de
comunicação de qualquer natureza;

Dessa forma, quando a empresa presta o serviço de forma onerosa (ou seja, impondo
um preço por isso), ela pratica o fato gerador do imposto. O fato de o consumidor não
ter pago o preço não muda nada o fato gerador, que já aconteceu.

Vale ressaltar que, mesmo o consumidor tendo se tornado inadimplente, isso não
significa que a prestação do serviço tenha sido “gratuita”. O contrato celebrado entre
a companhia e o cliente foi do tipo oneroso, considerando que havia previsão de
vantagens para ambos os contratantes. O fato de, durante a execução, o contratante
ter se tornado inadimplente não transforma a natureza do contrato celebrado. Ele
continua sendo oneroso.
Nas palavras do Min. Napoleão Nunes Maia Filho:
“15. No caso dos contratos onerosos, a relação jurídica
material estabelecida será marcada pela imposição de um
ônus para todas as partes do contrato; o que no caso em
análise é identificado pela obrigação da concessionária em
disponibilizar o serviço de comunicação contratado, bem
como pela obrigação do consumidor final retribuir o serviço
com o preço estabelecido. Nesse aspecto, para o direito
privado, o inadimplemento do consumidor final é
desinfluente para o reconhecimento, ou não, da onerosidade
do contrato.
16. O mesmo ocorrendo para o direito tributário. O
inadimplemento da obrigação civil assumida pelo contratante
(Consumidor-final) não interfere no reconhecimento da
ocorrência do fato gerador que enseja a exação.”
4.4. Base de cálculo de ICMS/ST no caso de venda de medicamentos de uso restrito
a hospitais e clínicas – (Info 588)

No caso de venda de medicamentos de uso restrito a hospitais e clínicas, a base de


cálculo do ICMS/ST é o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria
(art. 2º, I, do DL 406/1968), e não o valor correspondente ao preço máximo de venda
a consumidor sugerido por fabricante de medicamentos (Cláusula Segunda do
Convênio n. 76/1994).
STJ. 1ª Turma. REsp 1.229.289-BA, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador
convocado do TRF da 1ª Região), Rel. para acórdão Min. Napoleão Nunes Maia Filho,
j. 3/5/16 (Info 588).
OBS:
O ICMS é um imposto estadual previsto no art. 155, II, da CF e na LC 87/96:
Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir
impostos sobre:
II — operações relativas à circulação de mercadorias e sobre
prestações de serviços de transporte interestadual e
intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as
prestações se iniciem no exterior;

Principais características do imposto:


 plurifásico: incide sobre o valor agregado, obedecendo-se ao princípio da não-
cumulatividade;
 real: as condições da pessoa são irrelevantes;
 proporcional: não é progressivo;
 fiscal: tem como função principal a arrecadação.

Fatos geradores: Eduardo Sabbag afirma que, resumidamente, o ICMS pode ter os
seguintes fatos geradores (Manual de Direito Tributário. 4. ed., São Paulo: Saraiva,
2012, p. 1061):
 circulação de mercadorias;
 prestação de serviços de transporte intermunicipal;
 prestação de serviços de transporte interestadual;
 prestação de serviços de comunicação.

Substituição tributária progressiva: Também chamada de substituição tributária


“para frente” ou subsequente, é uma técnica de arrecadação de alguns impostos, em
especial o ICMS. Na substituição tributária progressiva, a lei prevê que o tributo
deverá ser recolhido antes mesmo que ocorra o fato gerador. Desse modo, primeiro
há um recolhimento do imposto e o fato gerador se dará em um momento posterior.
Diz-se, então, que o fato gerador é presumido porque haverá o pagamento do tributo
sem ter certeza de que ele irá acontecer.

A substituição tributária progressiva é prevista na própria CF/88:


Art. 150 (...)
§ 7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação
tributária a condição de responsável pelo pagamento de
imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer
posteriormente, assegurada a imediata e preferencial
restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador
presumido.
Exemplo dado por Ricardo Alexandre: “A” é uma refinaria de combustíveis que vende
a gasolina para os distribuidores (“B”), que revendem para os postos de gasolina
(“C”), que, por fim, vendem ao consumidor final (“D”). Para o Estado é mais fácil
cobrar de “A” todo o tributo que irá incidir sobre a cadeia produtiva. Assim, “A”
pagará o imposto por ele devido como contribuinte e também os impostos que irão
incidir sobre as vendas futuras (nesse caso, pagará como substituto
tributário/responsável tributário). (ALEXANDRE, Ricardo. Direito tributário
esquematizado. 10ª ed. São Paulo: Método, 2016, p. 317-319).

Veja como fica a cadeia de vendas e a incidência do imposto:


 “A” vende para “B” (“A” paga o tributo como contribuinte e também já paga,
como responsável tributário, o imposto relacionado com as vendas futuras).
 “B” vende para “C” (“B” não pagará mais o imposto, uma vez que este já foi
pago por “A”, como substituto tributário).
 “C” vende para os consumidores (“C” não pagará o imposto, uma vez que este
já foi pago por “A”, como substituto).

Assim, todo o tributo é pago de uma só vez por “A”, sendo calculado sobre o valor
pelo qual se presume que a mercadoria será vendida ao consumidor. (ALEXANDRE,
Ricardo, p. 319).

Regime de valor agregado: Esse cálculo do valor que se supõe que a mercadoria será
vendida é feito mediante a aplicação do regime de valor agregado estabelecido no art.
8º da LC 87/96:
Art. 8º A base de cálculo, para fins de substituição tributária,
será:
I - em relação às operações ou prestações antecedentes ou
concomitantes, o valor da operação ou prestação praticado
pelo contribuinte substituído;
II - em relação às operações ou prestações subsequentes,
obtida pelo somatório das parcelas seguintes:
a) o valor da operação ou prestação própria realizada pelo
substituto tributário ou pelo substituído intermediário;
b) o montante dos valores de seguro, de frete e de outros
encargos cobrados ou transferíveis aos adquirentes ou
tomadores de serviço;
c) a margem de valor agregado, inclusive lucro, relativa às
operações ou prestações subsequentes.

Feitas estas considerações, imagine a seguinte situação hipotética: A "Bioremédios" é


uma distribuidora de medicamentos que vende remédios para hospitais e clínicas. A
referida empresa vendeu centenas de remédios "Dorsem" para os hospitais e recolheu
ICMS-ST, calculando o valor de cada medicamento por R$ 300,00. A empresa
justificou que encontrou este valor pegando o preço que ela vende o remédio para os
hospitais e adicionando a margem de valor agregado (MVA), nos termos do art. 8º, II,
"c", da LC 87/96. Ocorre que o Fisco estadual não concordou e afirmou que a empresa,
na condição de substituto tributário, deveria ter recolhido o imposto sobre R$ 500,00
por cada remédio, já este é o Preço Máximo de venda a Consumidor (PCM) sugerido
pelo fabricante. Para o Fisco, a empresa violou a Cláusula Segunda do Convênio 76/94
e o art. 8º, § 2º da LC 87/96, que preconizam:
Cláusula Segunda - A base de cálculo do imposto para fins de
substituição tributária será o valor correspondente ao preço
constante da tabela sugerido pelo órgão competente para a
venda a consumidor, e, na falta deste preço, o valor
correspondente ao preço máximo de venda a consumidor
sugerido ao público pelo estabelecimento industrial.

Art. 8º (...)
§ 3º Existindo preço final a consumidor sugerido pelo
fabricante ou importador, poderá a lei estabelecer como base
de cálculo este preço.

A questão chegou até o STJ. A posição defendida pelo Fisco foi acolhida pelo
Tribunal? NÃO.

PCM é legítima, no entanto, quando o medicamento será vendido para clientes em


drogarias: Mostra-se legítima a estipulação da base de cálculo do ICMS, com
fundamento no Preço Máximo ao Consumidor (chamado de PMC) sugerido pelo
fabricante de medicamentos e divulgado por revista especializada de grande
circulação. No entanto, a fixação do PMC dirige-se ao comércio varejista, ou seja,
farmácias e drogarias, hipótese diversa da presente situação, na qual os medicamentos
destinavam-se exclusivamente ao uso hospitalar restrito, endereçados a clínicas, casas
de saúde, hospitais e assemelhados, acondicionados em embalagens especiais, para
atendimento dos pacientes, sem possibilidade de comercialização no comércio
varejista, dirigido aos consumidores finais, em balcão. O preço praticado para os
hospitais e clínicas é notadamente inferior àquele que é utilizado na venda em
drogarias para os clientes, já que a quantidade comprada pelos hospitais faz com que
o preço seja inferior.

Resolução da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos: Vale ressaltar que


a Resolução nº 3, de 04 de maio de 2009, da Câmara de Regulação do Mercado de
Medicamentos, prevê em seu art. 2º que o Preço Máximo ao Consumidor - PMC será
o "teto de preço a ser praticado pelo comércio varejista, ou seja, farmácia e drogarias".
Além disso, esta resolução veda a sua utilização para medicamentos de uso restrito a
hospitais e clínicas:
Art. 3º. Fica proibida a publicação de Preço Máximo ao
Consumidor - PMC, em qualquer meio de divulgação, para
medicamentos cujo registro defina ser "de uso restrito a
hospitais e clínicas".

Assim, repetindo, o preço máximo de venda ao consumidor publicado em revistas e


informativos de classes é até válido como forma de cálculo do ICMS-ST, no entanto,
apenas para o comércio varejista praticado em farmácias e drogarias, não servindo
para a venda de medicamentos de uso restrito a hospitais e clínicas.

4.5. Cálculo do ICMS por dentro aplica-se também nos casos de substituição
tributária – (Info 585)

O ICMS integra a sua própria base de cálculo, sendo isso chamado de ICMS "por
dentro" ou "cálculo por dentro".
O ICMS por dentro está previsto no art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, sendo considerado
constitucional pelo STF.
Essa mesma regra aplica-se para o ICMS substituição tributária, considerando que
se trata do mesmo tributo.
Assim, ainda que se adote a substituição tributária como forma de arrecadação de
ICMS, é legal aplicar-se a sistemática do "cálculo por dentro".
STJ. 2ª Turma. REsp 1.454.184-MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 5/5/16
(Info 585).

4.6. Inclusão de subvenção econômica na base de cálculo do ICMS – (Info 576)

A subvenção concedida com base no art. 5º da Lei nº 10.604/2002 às concessionárias


e permissionárias de energia elétrica compõe a base de cálculo do ICMS.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.286.705-SP, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em
15/12/2015 (Info 576).
OBS:
Base de cálculo do ICMS é o valor da operação de circulação de energia elétrica: O
valor do subsídio pago pela União integra o valor das operações com energia elétrica,
integra o preço da energia elétrica.

Qual é o valor da operação com energia elétrica? Qual o preço da energia elétrica? O
preço da operação é a retribuição total que a empresa aufere pela energia que está
fornecendo.

E qual a retribuição que a empresa obtém? No caso do consumidor de baixa renda, a


retribuição que a empresa recebe, o valor real da operação que ela pratica se compõe
de duas partes: o preço que o consumidor paga a ela mais a complementação do preço
dada pela União, ou seja, a subvenção da Lei nº 10.604/2002. Portanto, se a retribuição
total que a empresa recebe pela venda de energia inclui a subvenção, a base de cálculo
do ICMS deve abarcar o valor da subvenção.

Retirar a subvenção da base de cálculo seria conceder isenção de ICMS: Não obstante
a louvável intenção do Governo Federal de não onerar a tarifa de energia elétrica de
parcela carente da população, a concessão de subvenção não implica automática
isenção do montante na base de cálculo de ICMS. Utiliza-se aqui a mesma lógica
adotada pelo STJ na elaboração da Súmula n. 95: "A redução da alíquota do imposto
sobre produtos industrializados ou do imposto de importação não implica redução do
ICMS".
Não há razoabilidade em diminuir a base de cálculo do imposto estadual em razão da
concessão de subvenção econômica pela União. A exigibilidade do imposto é anterior
à concessão da subvenção econômica. Exigir a redução da base de cálculo do imposto
estadual, no caso, é implementar isenção heterônoma em hipótese não permitida pelo
art. 151, III, da CF/88:

Art. 151. É vedado à União:


III - instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do
Distrito Federal ou dos Municípios.

Desse modo, a subvenção econômica faz parte do preço final da mercadoria, não
havendo razão para não incluir na base de cálculo do ICMS a subvenção em operações
com energia elétrica.
A única forma de isentar as concessionárias de energia elétrica de pagar o ICMS
sobre o valor da subvenção é mediante convênio, na forma da LC 24/1975, a qual
"dispõe sobre os convênios para a concessão de isenções do imposto sobre operações
relativas à circulação de mercadorias, e dá outras providências".

4.7. Óbice ao aproveitamento de crédito de ICMS decorrente de operação de


exportação – (Info 574)
Não viola o princípio da não cumulatividade a vedação, prevista em legislação
estadual, de aproveitamento de crédito de ICMS decorrente de operação de
exportação quando o contribuinte possuir débito superior ao crédito.
Dito de forma mais simples, não fere o princípio da não cumulatividade a legislação
estadual que veda a apropriação e a utilização de crédito de ICMS ao contribuinte
que estiver com saldo devedor perante o Fisco.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.505.296-SP, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 15/9/2015
(Info 574).

4.8. ICMS sobre serviços de TV por assinatura via satélite – (Info 569)

As empresas de TV por assinatura são consideradas prestadoras de serviços de


comunicação e, por isso, pagam ICMS sobre a atividade desenvolvida.
Se a empresa de TV por assinatura está situada em um Estado (ex: SP), mas presta
serviço para cliente que mora em outro (ex: GO), o ICMS deverá ser pago para qual
dos dois Estados?
O ICMS deve ser recolhido em parcelas iguais para os dois Estados. Caso o
prestador de serviços de televisão por assinatura via satélite forneça pacote de
canais por valor fixo mensal para assinantes localizados em outros estados
federados, deve-se recolher o ICMS em parcelas iguais para as unidades da
Federação em que estiverem localizados o prestador e o tomador.
Fundamento: art. 11, § 6º da LC 87/96.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.497.364-GO, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 3/9/2015
(Info 569).

4.9. Garantia estendida e base de cálculo do ICMS – (Info 556)

O valor pago pelo consumidor final ao comerciante a título de “seguro de garantia


estendida” não integra a base de cálculo do ICMS incidente sobre a operação de
compra e venda da mercadoria.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.346.749-MG, Rel. Min. Benedito Gonçalves, j. 10/2/15 (Info
556).

4.10. No regime de lucro presumido, o ICMS compõe a base de cálculo do IRPJ e da


CSLL – (Info 539)

No regime de lucro presumido, o ICMS compõe a base de cálculo do IRPJ e da CSLL.


Assim, nas empresas optantes pelo lucro presumido, a inclusão do ICMS na base
de cálculo do IRPJ e CSLL não se reveste de ilegalidade, pois o cálculo de tais
exações se efetivam sobre a “receita bruta” da entidade, compreendido o ICMS na
sua composição.
STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1.423.160-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 27/3/14
(Info 556).

4.11. Fato gerador do ICMS e obrigações acessórias

Apesar de ser indevido o ICMS nas operações de transferência de mercadorias de


um estabelecimento para outro de propriedade do mesmo contribuinte, há norma
local (art. 11, inciso IV, item 2, da Lei nº 6537⁄73), conforme consignado pelo acórdão
recorrido, estipulando obrigação acessória, que deve ser cumprida mesmo não
havendo a incidência do tributo, não podendo, dessa forma, se falar em violação ao
art. 100, parágrafo único, do CTN.
No REsp 1.116.792⁄RS, Rel. Ministro Luiz Fux, DJe 14.12.2010, submetido ao
Colegiado pelo regime da Lei nº 11.672⁄08 (Lei dos Recursos Repetitivos), que
introduziu o art. 543-C do CPC, afirmou-se que, “ainda que, em tese, o deslocamento
de bens do ativo imobilizado e de material de uso e consumo entre estabelecimentos
de uma mesma instituição financeira não configure hipótese de incidência do
ICMS, compete ao Fisco Estadual averiguar a veracidade da aludida operação,
sobressaindo a razoabilidade e proporcionalidade da norma jurídica que tão-
somente exige que os bens da pessoa jurídica sejam acompanhados das respectivas
notas fiscais”, ou seja, mesmo que o deslocamento de bens entre estabelecimentos
de um mesmo contribuinte não configure hipótese de incidência do ICMS, não há
a dispensa do cumprimento das obrigações acessórias.
STJ, 2ª Turma, AgRg no Ag 1403362⁄RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado
em 4.10.2011.

(TJPI – 2015 – FCC): Banco Gaita S/A, instituição financeira regulamente


constituída segundo as leis brasileiras, com estabelecimento matriz em Porto
Alegre, Estado do Rio Grande do Sul e estabelecimento filial em Teresina, Estado
do Piauí, onde desempenha suas atividades empresariais em imóvel próprio. No
curso de suas atividades empresariais, e visando melhor atender ao mercado
consumidor piauiense, a matriz do Banco Gaita S/A remeteu para sua filial bens do
seu ativo permanente e de uso e consumo. Os veículos que transportavam esses
bens foram retidos no posto fiscal pela fiscalização tributária piauiense, ocasião em
que se exigiu do transportador a apresentação da nota fiscal de transferência desses
bens, cuja emissão pelas instituições financeiras é obrigatória, segundo o que dispõe
a legislação estadual criadora do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e
Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de
Comunicação − ICMS naquele estado do Nordeste. Como o Banco Gaita S/A deixou
de emitir esse documento exigido pela legislação estadual, lavrou-se contra ele auto
de infração para formalizar o lançamento da multa aplicada, após o que o veículo
de transporte retomou o curso de sua viagem. Neste caso, e segundo a disciplina
constitucional e infraconstitucional aplicável, o auto de infração lavrado é
procedente, pois interesses da Administração Tributária podem justificar a
obrigatoriedade da emissão da nota fiscal em casos como este. BL: AgRg no Ag
1403362/RS.

5. ISS
5.1. Incidência de ISS sobre montagem de pneus – (Info 573)

A Lei 8.032/90 prevê que as “instituições de educação” possuem isenção de II e de


IPI caso importem bens do exterior. A redação literal da lei fala em “instituições de
educação”. Apesar disso, é possível estender essa isenção também para “instituições
culturais”?
SIM. As entidades com finalidade eminentemente cultural também fazem jus às
isenções de Imposto de Importação (II) e de Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI) previstas nos arts. 2º, I, “b”, e 3º, I, da Lei 8.032/90.
Conquanto a Lei 8.032/90 preveja isenções de II e de IPI para as “instituições de
educação” (art. 2º, I, “b”), as entidades com finalidade eminentemente cultural
também estão inseridas nessa expressão legal, considerando que não se pode
dissociar cultura de educação.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.100.912-RJ, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 28/4/2015
(Info 561).

5.2. Competência para exigir ISS incidente sobre a prestação de serviço de análise
clínica – (Info 555)

Um grande laboratório de análises clínicas da capital resolveu criar um posto de


atendimento em um Município do interior do Estado. Assim, as pessoas são
atendidas nesta unidade do laboratório do interior, ali entregam ou coletam o
material (sangue, fezes, urina etc) e tais amostras são enviadas para análise na sede
do laboratório, que fica na capital do Estado. Se uma pessoa procura essa unidade
do interior e lá entrega o seu material para exame, pagando o preço do serviço, o ISS
deverá ser pago para o Município do interior ou para o Município da capital? Em
outras palavras, o ISS pertence ao Município onde é coletado o material ou ao
Município no qual será realizado o exame?
É competente para cobrar o ISS incidente sobre a prestação de serviço de análise
clínica (item 4.02 da lista anexa à LC 116/2003) o Município no qual foi feita a
contratação do serviço, a coleta do material biológico e a entrega do respectivo
laudo, ainda que a análise do material coletado tenha sido realizada em unidade
localizada em outro Município, devendo-se incidir o imposto sobre a totalidade do
preço pago pelo serviço.
A municipalidade competente para realizar a cobrança do ISS é a do local do
estabelecimento prestador dos serviços. O estabelecimento prestador do serviço é a
localidade em que há uma unidade econômica ou profissional, isto é, onde a
atividade é desenvolvida, independentemente de ser formalmente considerada
como sede ou filial da pessoa jurídica.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.439.753-PE, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Rel. para acórdão
Min. Benedito Gonçalves, julgado em 6/11/2014 (Info 555).

6. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS (ISSQN)


6.1. Base de cálculo no caso de serviço prestado por empresa de trabalho
temporário – (Info 560)

Súmula 524-STJ: No tocante à base de cálculo, o ISSQN incide apenas sobre a taxa
de agenciamento quando o serviço prestado por sociedade empresária de trabalho
temporário for de intermediação, devendo, entretanto, englobar também os valores
dos salários e encargos sociais dos trabalhadores por ela contratados nas hipóteses
de fornecimento de mão de obra.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 22/04/2015, DJe 27/4/2015.

7. IPI
7.1. Quais indústrias podem gozar da suspensão de IPI prevista no art. 29, caput e
§ 5º da Lei 10.637/2002? – (Info 612)

A manutenção e a utilização do crédito de IPI submetido à suspensão são incentivos


fiscais reservados ao estabelecimento industrial fabricante das matérias-primas,
dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem que os vende (saída)
para empresas que os utilizam na industrialização de produtos destinados à
exportação.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.382.354-PE, Rel. Min. Gurgel de Faria, j. 22/8/17 (Info 612).

7.2. Exclusão de crédito presumido de IPI da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no


regime do lucro presumido – (Info 587)

O crédito presumido de IPI previsto no art. 1º da Lei 9.363/96 que se refira a período
no qual o contribuinte tenha se submetido ao regime de tributação com base no
lucro presumido deve ser excluído das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL apuradas
pelo regime do lucro presumido.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.611.110-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 4/8/16 (Info
587).

7.3. Base de cálculo do IPI nas vendas a prazo – (Info 584)

A base de cálculo do IPI na venda a prazo é o preço "normal" da mercadoria (preço


de venda à vista) mais os eventuais acréscimos decorrentes do parcelamento.
A base de cálculo do IPI nas vendas a prazo, sem a intermediação de instituição
financeira, é o valor total da operação.
Situação diferente ocorre na chamada "venda financiada". Nesta, o comprador
obtém recursos de instituição financeira para pagar a aquisição da mercadoria e o
IPI incide apenas sobre o valor efetivamente pago ao vendedor do produto, não
englobando os juros pagos ao financiador, sobre o qual incidirá apenas o IOF.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.586.158-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 3/5/16 (Info 584).

7.4. Direito ao creditamento de IPI em caso de aquisição de matéria-prima


tributada e saída do produto desonerada – (Info 578)

O direito ao creditamento do IPI decorrente da aquisição de matéria-prima, produto


intermediário e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos isentos
ou sujeitos ao regime de alíquota zero, surgiu apenas com a vigência da Lei nº
9.779/99.
STJ. 1ª Turma. REsp 811.486-RN, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em
16/2/2016 (Info 578).

7.5. Produtos importados estão sujeitos à nova incidência de IPI na operação de


revenda – (Info 574) – IMPORTANTE!!! MUDANÇA DE ENTENDIMENTO!!!
ATUALIZE INFO 553!!!

Os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua
saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não
tenham sofrido industrialização no Brasil.
STJ. Corte Especial. EREsp 1.403.532-SC, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel.
para o acórdão Min. Mauro Campbell Marques, Corte Especial, julgado em
14/10/2015 (recurso repetitivo) (Info 574).
OBS: O fato de o nome do tributo ser "Imposto sobre Produtos Industrializados" não
significa que só ocorra o fato gerador do IPI se houver imediata operação de
industrialização. Não é isso. O CTN definiu no art. 46 quais são os fatos geradores do
imposto e nele se inclui "a saída do produto industrializado do estabelecimento
industrial ou equiparado a industrial".
Assim, a saída do produto industrializado da empresa que o importou amolda-se
perfeitamente na hipótese do art. 46, II, do CTN.

7.6. Aquisição de veículo com isenção de IPI por pessoa com necessidades
especiais que teve o seu veículo roubado – (Info 559)

Se uma pessoa que seja portadora de necessidades especiais for adquirir um


automóvel, ela não precisará pagar o IPI sobre o veículo comprado. Isso fará com
que o preço por ela pago seja menor. Essa isenção está prevista no art. 1º da Lei
8.989/95.
Vale ressaltar, no entanto, que essa isenção somente poderá ser utilizada uma vez a
cada 2 anos, conforme determina o art. 2º.
Imagine, no entanto, que uma pessoa portadora de necessidades especiais comprou
o carro com isenção de IPI e, alguns meses depois, ele é roubado. Ela poderá comprar
novo veículo com isenção mesmo não tendo ainda se passado o prazo de 2 anos?
SIM. A isenção de IPI para aquisição de automóvel por pessoa com necessidades
especiais poderá ser novamente concedida antes do término do prazo de 2 anos
contado da aquisição se o veículo vier a ser roubado durante esse período.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.390.345-RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em
24/3/2015 (Info 559).

7.7. Impossibilidade de incidir IPI na importação de veículo para uso próprio –


(Info 557) – IMPORTANTE!!!

Imagine que João, rico advogado, decide importar, por conta própria, uma Ferrari
para utilizar durante os finais de semana de lazer. Quando o veículo chegar ao Brasil
e for ser realizado o desembaraço aduaneiro, João será obrigado a pagar o IPI, nos
termos do art. 46, I, do CTN?
NÃO. Não incide IPI no desembaraço aduaneiro de veículo importado por
consumidor para uso próprio. Isso porque o fato gerador da incidência do tributo é
o exercício de atividade mercantil ou assemelhada, quadro no qual não se encaixa o
consumidor final que importa o veículo para uso próprio e não para fins comerciais.
Além disso, se incidisse o IPI haveria violação ao princípio da não cumulatividade
já que o importador (consumidor final) não teria como abater o imposto na operação
posterior, considerando que ele vai ficar com o carro.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.396.488-SC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 25/2/2015
(recurso repetitivo) (Info 557).

DECISÃO DE 2016 DO STF:


Incide o IPI em importação de veículos automotores por pessoa natural, ainda
que não desempenhe atividade empresarial, e o faça para uso próprio.
A tese firmada (incidência do IPI) se aplica também às operações de importação
realizadas anteriormente à decisão do STF. Isso significa que quem importou
veículos para uso próprio confiando nas decisões do STJ e do STF vai ter uma
surpresa desagradável e terá que pagar o imposto.
STF. Plenário. RE 723651/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 03/02/2016.
OBS: Vale ressaltar que o julgamento acima representa radical mudança de
entendimento. Isso porque tanto o STF como o STJ entendiam que NÃO incidia IPI
na importação de veículos para uso próprio.
O tema havia sido recentemente firmado pelo STJ em sede de recurso especial
repetitivo: “É firme o entendimento no sentido de que não incide IPI sobre veículo
importado para uso próprio, tendo em vista que o fato gerador do referido tributo
é a operação de natureza mercantil ou assemelhada e, ainda, por aplicação do
princípio da não cumulatividade.” (STJ. 1ª Seção. REsp 1396488/SC, Rel. Min.
Humberto Martins, julgado em 25/02/2015).
Havia também precedentes do STF neste mesmo sentido: RE 550170 AgR, Rel. Min.
Ricardo Lewandowski, julgado em 7/6/2011; RE 255090 AgR, Rel. Min. Ayres
Britto, julgado em 24.8.2010.

7.8. Produtos importados estão sujeitos à nova incidência de IPI na operação de


revenda – (Info 553) – IMPORTANTE!!! Mudança de entendimento! Atualize o Info
535-STJ

Houve importação do produto de procedência estrangeira e, no momento do


desembaraço, ocorreu a incidência do IPI. Será possível nova cobrança do tributo
quando ele sair do estabelecimento do importador para ser vendido?
 Regra: NÃO.
 Exceção: será possível nova cobrança do tributo se, entre o desembaraço
aduaneiro e a saída do estabelecimento do importador, o produto tiver sido
objeto de uma das formas de industrialização.

Em síntese: havendo incidência do IPI no desembaraço aduaneiro de produto de


procedência estrangeira (art. 46, I, do CTN), não é possível nova cobrança do tributo
na saída do produto do estabelecimento do importador (arts. 46, II, e 51, parágrafo
único, do CTN), salvo se, entre o desembaraço aduaneiro e a saída do
estabelecimento do importador, o produto tiver sido objeto de uma das formas de
industrialização (art. 46, parágrafo único, do CTN).
STJ. 1ª Seção. EREsp 1.411.749-PR, Rel. originário Min. Sérgio Kukina, Rel. para
acórdão Min. Ari Pargendler, julgado em 11/6/2014 (Info 553).

8. II e IPI
8.1. Isenções de IPI e de II para instituições culturais – (Info 561) – CONCURSOS
FEDERAIS!!!

Incide ISS (e não ICMS) sobre o serviço de montagem de pneus, ainda que a
sociedade empresária também forneça os pneus utilizados na montagem.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.307.824-SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em
27/10/2015 (Info 573).

9. IPTU
9.1. Incidência de IPTU sobre imóvel parcialmente situado em APP com nota non
aedificandi – (Info 558)

João é dono de um imóvel urbano que foi declarado área de preservação permanente
(APP). Além disso, em 2/3 do seu imóvel foi instituída nota “non edificandi”, ou
seja, ele ficou proibido de construir qualquer coisa em 2/3 desse terreno. Diante
disso, João ajuizou ação contra o Município pedindo que o IPTU fosse cobrado
proporcionalmente e incidisse somente sobre 1/3 da área. O pedido de João pode ser
aceito?
NÃO. O IPTU continuará sendo pago sobre a totalidade do imóvel. Segundo
decidiu o STJ, o fato de parte de um imóvel urbano ter sido declarada como Área de
Preservação Permanente (APP) e, além disso, sofrer restrição administrativa
consistente na proibição de construir (nota “non aedificandi”) não impede a
incidência de IPTU sobre toda a área do imóvel.
Mesmo com todas essas restrições, o fato gerador do imposto (propriedade de
imóvel urbano) permanece íntegro, de forma que deve incidir o tributo
normalmente.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.482.184-RS, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 17/3/2015
(Info 558).
(MPGO-2016): Com base no princípio da isonomia tributária, e tendo como fato
gerador a propriedade de bem imóvel, seria lícita, por exemplo, a cobrança de
tributo de proprietário de bem imóvel localizado ilegalmente em área de
preservação ambiental. BL: Info 558, STJ.

10. ITBI
10.1. Para que o Município cobre ITBI de um imóvel de Igreja, é preciso que ele
prove que esse bem está desvinculado de sua destinação institucional – (Info 534)

Em se tratando de entidade religiosa, há presunção relativa de que o imóvel da


entidade está vinculado às suas finalidades essenciais, o que impede a cobrança de
impostos sobre aquele imóvel de acordo com o art. 150, VI, “c”, da CF.
Nesse contexto, a descaracterização dessa presunção para que incida ITBI sobre
imóvel de entidade religiosa é ônus da Fazenda Pública municipal, nos termos do
art. 333, II, do CPC.
STJ. 2ª Turma. AgRg no AREsp 444.193-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. em
4/2/2014 (Info 534).

11. COFINS
11.1. Súmula 584-STJ – (Info 595)

Súmula 584-STJ: As sociedades corretoras de seguros, que não se confundem com


as sociedades de valores mobiliários ou com os agentes autônomos de seguro
privado, estão fora do rol de entidades constantes do art. 22, § 1º, da Lei n. 8.212/1991,
não se sujeitando à majoração da alíquota da Cofins prevista no art. 18 da Lei n.
10.684/2003.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 14/12/2016.

11.2. Aumento da alíquota da COFINS e sociedades corretoras de seguros – (Infos


572 e 576)

Não cabe confundir as "sociedades corretoras de seguros" com as "sociedades


corretoras de valores mobiliários" (regidas pela Resolução BACEN n. 1.655/89) ou
com os "agentes autônomos de seguros privados" (representantes das seguradoras
por contrato de agência).
As "sociedades corretoras de seguros" estão fora do rol de entidades constantes do
art. 22, § 1º, da Lei nº 8.212/91. Assim, o aumento de 3% para 4% da alíquota da
COFINS promovido pelo art. 18 da Lei nº 10.684/2003 não alcança as sociedades
corretoras de seguros.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.400.287-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em
22/4/2015 (recurso repetitivo) (Info 572).
STJ. 1ª Seção. REsp 1.391.092-SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Primeira Seção,
julgado em 22/4/2015 (recurso repetitivo) (Info 576).

11.3. Isenção da COFINS nas mensalidades pagas pelos alunos de instituições de


ensino sem fins lucrativos – (Info 574)

A MP 1.858/99 (atual MP 2.158-35/2001) determinou que são isentas da COFINS as


receitas relativas às atividades próprias das instituições de ensino sem fins
lucrativos. Ocorre que a Receita Federal editou IN/SRF n. 247/2002 afirmando que
as receitas auferidas com as mensalidades recebidas pelas instituições de ensino
sem fins lucrativos não estariam isentas de COFINS por não se enquadrarem no
conceito de "atividades próprias" das referidas instituições. O STJ considerou ilegal
essa previsão da IN e firmou a seguinte tese:
As receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino
sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme
o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da MP 1.858/99 (atual MP 2.158-35/2001),
sendo flagrante a ilicitude do art. 47, § 2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.353.111-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em
23/9/2015 (recurso repetitivo) (Info 574).

11.4. Incidência da COFINS sobre receita proveniente de locação de vagas em


estacionamento de shopping center – (Info 556)

A receita proveniente da locação de vagas em estacionamento em centros comerciais


(shopping centers), mesmo que estes estejam estruturados na forma de condomínio,
compõe a base de cálculo da COFINS, por força do art. 2º da LC n. 70/1991,
porquanto referidos centros comerciais são unidades econômicas autônomas para
fins de tributação, nos termos do art. 126, inciso III, do CTN.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.301.956/RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, j. 10/2/15 (Info 556).

12. PIS/COFINS
12.1. Incide PIS e COFINS sobre o percentual repassado pela empresa de transporte
à empresa rodoviária que vende as passagens – (Info 600)

Incide a contribuição ao PIS e COFINS sobre o valor do percentual repassado pelas


empresas de transporte de passageiros às empresas rodoviárias.
Ex: a “Viação Segura Ltda.” é uma empresa que realiza transporte intermunicipal
de passageiros. Ela vende suas passagens por meio da uma empresa rodoviária. Em
troca, a empresa rodoviária retém 10% do valor das passagens para si. Esse valor que
a empresa rodoviária retém continua sendo considerado como faturamento da
empresa de transporte e, por isso, deve ser incluído na base de cálculo do PIS e
COFINS.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.441.457-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 16/3/17
(Info 600).

12.2. Valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras
pessoas jurídicas integram a base de cálculo do PIS/PASEP e COFINS – (Info 594)
VIDE INFO 857 DO STF
O artigo 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que
integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo
das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como
receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.144.469-PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para
acórdão Min. Mauro Campbell Marques, j. 10/8/16 (recurso repetitivo) (Info 594).

12.3. Incidência do valor pago a título de ICMS na base de cálculo do PIS/PASEP E


COFINS – (Info 594)

O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu
faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e
COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de
cálculo das referidas exações.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.144.469-PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para
acórdão Min. Mauro Campbell Marques, j. 10/8/16 (recurso repetitivo) (Info 594).
Obs: o STF possui um precedente em sentido contrário: RE 240785/MG, Rel. Min.
Marco Aurélio, julgado em 8/10/2014 (Info 762).

12.4. Não incidência da contribuição ao PIS e à COFINS sobre os atos cooperativos


típicos – (Info 582)

Não incide a contribuição destinada ao PIS⁄COFINS sobre os atos cooperativos


típicos realizados pelas cooperativas.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.141.667-RS e REsp 1.164.716-MG, Rel. Min. Napoleão Nunes
Maia Filho, j. 27/4/16 (Info 582).

Obs: Incide o PIS e a COFINS sobre atos ou negócios jurídicos praticados por
cooperativa prestadora de serviço com terceiros tomadores de serviço, resguardadas
apenas as exclusões e deduções legalmente previstas (STF. Plenário. RE 599362/RJ,
Rel. Min. Dias Toffoli e RE 598085/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 5 e 6/11/2014.
Info 766).
Assim, tem-se a seguinte distinção:
 Atos cooperativos típicos: NÃO incide PIS/COFINS.
 Atos não-cooperativos: INCIDE PIS/COFINS.

12.5. Inclusão do ISSQN no conceito de receita ou faturamento para fins de


incidência de PIS/COFINS – (Info 581)

O valor suportado (pago) pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia


referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de
adequação à hipótese de incidência da Contribuição para o PIS e COFINS.
Assim, o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como
a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo
que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.330.737-SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10/6/2015
(recurso repetitivo) (Info 581).
OBS:
Os chamados PIS e COFINS são duas diferentes “contribuições de seguridade social”,
instituídas pela União, e destinadas a custear os serviços de saúde, previdência e
assistência social (art. 194 da CF/88). Atualmente, o PIS é chamado de PIS/PASEP.
PIS/PASEP: O sentido histórico dessas duas siglas é o seguinte:
 PIS: Programa de Integração Social.
 PASEP: Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público.

O PIS e o PASEP foram criados separadamente, mas desde 1976 foram unificados e
passaram a ser denominados de PIS/PASEP. Segundo a Lei 10.637/2, a contribuição
para o PIS/Pasep incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa
jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.

COFINS: Significa Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, espécie


de tributo instituída pela LC 70/91, consoante art. 195, I, “b” da CF/88. Ela incide
sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente
de sua denominação ou classificação contábil (art. 1º da Lei 10833/03).

As Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram como fato gerador da Contribuição


para o PIS e COFINS "o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas
auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou
classificação contábil".

O valor correspondente ao ISS suportado faticamente pelo consumidor (contribuinte


de fato), mas recolhido aos cofres públicos pelo prestador de serviço (contribuinte de
direito), inclui-se no conceito de receita ou faturamento para fins de incidência da
Contribuição para o PIS e COFINS, exações cujo sujeito passivo de direito
corresponde ao mesmo contribuinte de direito do ISS, qual seja, o prestador do
serviço.

12.6. Incidência de PIS e COFINS em juros sobre capital próprio – (Info 577) –
Atenção! Concursos Federais!

Não são dedutíveis da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS o valor
destinado aos acionistas a título de juros sobre o capital próprio, na vigência da Lei
nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. Não é possível classificar os juros sobre
capital próprio como sendo “lucros e dividendos” em razão de possuírem diferenças
jurídicas.
Logo, não se pode excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS os JCP (juros sobre
capital próprio) invocando o art. 1º, §3º, V, "b", da Lei nº 10.637/2002 e o mesmo
dispositivo da Lei nº 10.833/2003, considerando que eles tratam apenas de "lucros e
dividendos".
STJ. 1ª Seção. REsp 1.200.492-RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para
acórdão Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 14/10/2015 (Info 577).

13. PIS/PASEP/COFINS
13.1. Lei 10.865/2004 autorizou que decreto reduzisse ou restabelecesse as alíquotas
do PIS/PASEP e COFINS, de forma que o Decreto nº 8.426/2015 é válido – (Info 613)

O Decreto 8.426/15, que restabeleceu as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP


e da COFINS incidentes sobre receitas financeiras, conforme limites previstos no
art. 27, § 2º, da Lei nº 10.865/2004, não ofende o princípio da legalidade.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.586.950-RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. Acd.
Min. Gurgel de Faria, j. 19/9/17 (Info 613).

13.2. Juiz não pode extinguir execução fiscal de ofício invocando a


inconstitucionalidade do art. 3º, § 1°, da Lei nº 9.718/98 – (Info 591)

A declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, pelo STF, não
afasta automaticamente a presunção de certeza e de liquidez da CDA, motivo pelo
qual é vedado extinguir de ofício, por esse motivo, a Execução Fiscal.
Três razões para isso:
1) existem casos em que a base de cálculo apurada do PIS e da Cofins é composta
integralmente por receitas que se enquadram no conceito clássico de faturamento;
2) ainda que haja outras receitas estranhas à atividade operacional da empresa, é
possível expurgá-las do título mediante simples cálculos aritméticos;
3) eventual excesso deve ser alegado como matéria de defesa, não cabendo ao juízo
da Execução inverter a presunção de certeza, de liquidez e de exigibilidade do título
executivo.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.386.229-PE, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 10/8/16 (recurso
repetitivo) (Info 591).

14. TAXAS
14.1. Isenção da taxa de registro de arma de fogo não se aplica para policiais
rodoviários federais aposentados – (Info 612)

A isenção do recolhimento da taxa para emissão, renovação, transferência e


expedição de segunda via de certificado de registro de arma de fogo particular
prevista no art. 11, § 2º, da Lei nº 10.826/2003 não se estende aos policiais rodoviários
federais aposentados.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.530.017-PR, Rel. Min. Regina Helena Costa, j. 21/9/17 (Info
612).
OBS: Conforme a jurisprudência do STJ, não se pode interpretar de forma analógica
ou extensiva as normas concessivas de isenção, não se podendo ampliar as suas
hipóteses para abranger situações que não se enquadrem no texto expresso da lei, em
conformidade com o art. 111, II, do CTN. Nesse sentido: STJ. 1ª Seção. REsp 1.116.620-
BA, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 25/8/2010.

15. CONTRIBUIÇÕES
15.1. CIDE-Remessas: A Lei 11.452/2007 foi isentiva, e não meramente interpretativa
– (Info 614)

Configura fato gerador da CIDE-Remessas o envio ao exterior de remuneração pela


licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de
computador (software), ainda que desacompanhado da "transferência da
correspondente tecnologia", porquanto a isenção para tais hipóteses somente adveio
com a Lei 11.452/2007.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.642.249-SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 15/8/17
(Info 614).
OBS:
Alguns contribuintes sustentaram a tese de que essa Lei nº 11.452/2007 seria
meramente interpretativa, de forma que ela teria sido editada apenas com o objetivo
de deixar claro uma situação que já valia mesmo antes de sua edição. Assim, essa
isenção deveria produzir efeitos retroativos, devendo ser reconhecido que nunca
incidiu a CIDE nos contratos sem transferência de tecnologia. Essa tese foi acolhida
pelo STJ? NÃO. O STJ considerou que a Lei nº 11.452/2007 é realmente isentiva (e
não meramente interpretativa).

15.2. Contribuição ao INCRA e inexistência de diferenciação de alíquotas entre


matriz e filial – (Info 594)

O art. 2º, II, do DL 1.146/70 dispõe expressamente que a cooperativa que exerça
atividade de indústria de laticínios está sujeita à contribuição devida ao INCRA à
alíquota de 2,5% sobre a folha mensal dos salários de contribuição previdenciária
de seus empregados.
Assim, em regra, não há permissão para a diferenciação de alíquotas por
estabelecimento ou CNPJ do contribuinte, ou seja, a alíquota e a base de cálculo da
contribuição são uma só para toda a pessoa jurídica, de acordo com a "atividade
econômica preponderante" desenvolvida (art. 581, §§1º e 2º, da CLT).
Dito de outro modo, a diferenciação de alíquotas em razão da individualização de
estabelecimentos por CNPJ próprio entre a matriz e a filial da empresa não se aplica,
regra geral, em relação às contribuições devidas a terceiros previstas no art. 3º, da
Lei nº 11.457/2007.
O escritório (filial) da indústria, a despeito de possuir CNPJ próprio, dela não se
separa. Ao contrário, o escritório filial existe em função da matriz industrial,
consubstanciando com ela uma única pessoa jurídica e com objetivo único.
STJ. 2 Turma. REsp 1.634.693-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 22/11/16
(Info 594).

15.3. CIDE para o INCRA – (Info 556)

Súmula 516-STJ: A contribuição de intervenção no domínio econômico para o Incra


(Decreto-Lei n. 1.110/1970), devida por empregadores rurais e urbanos, não foi
extinta pelas Leis ns. 7.787/1989, 8.212/1991 e 8.213/1991, não podendo ser
compensada com a contribuição ao INSS.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 22/02/2015 (Info 556).

16. REFIS
16.1. Homologação da opção pelo REFIS e prestação de garantia ou arrolamento –
(Info 603)

Mesmo que a pessoa faça a adesão ao REFIS, os seus bens que estavam penhorados
na execução fiscal continuam penhorados.
Para ter direito de aderir ao REFIS, a pessoa deverá oferecer uma garantia à União,
salvo se o crédito já estiver garantido em medida cautelar fiscal ou execução fiscal.
Diante da conjugação dessas duas regras acima, conclui-se que:
Excetuadas as hipóteses em que o crédito está garantido em medida cautelar fiscal
ou execução fiscal, a homologação da opção pelo REFIS está sujeita à prestação de
garantia ou arrolamento.
STJ. 1ª Seção. EREsp 1.349.584-MG, Rel. Min. Og Fernandes, j. 26/4/2017 (Info 603).

16.2. Prescrição da cobrança de créditos tributários devidos por contribuinte


excluído do REFIS - (Info 570)
REFIS é um programa de parcelamento de tributos federais.
O pedido de parcelamento interrompe o prazo prescricional, por constituir
reconhecimento inequívoco do débito (art. 174, parágrafo único, IV, do CTN).
Por outro lado, a exclusão do contribuinte do programa de parcelamento gera a
possibilidade imediata de cobrança do crédito confessado.
A partir do momento que o Fisco exclui formalmente o contribuinte do programa
de parcelamento surge, a pretensão de cobrança dos valores devidos. Em outras
palavras, a exclusão do programa configura o marco inicial para a exigibilidade
plena e imediata da totalidade do crédito que foi objeto do parcelamento e ainda
não pago.
A partir desse instante começa a correr o prazo prescricional de 5 anos para a União
cobrar o débito. Mesmo que o contribuinte, após ser excluído do REFIS, continue a
realizar mensalmente o pagamento das parcelas de forma voluntária e
extemporâneo, tal fato não tem o condão de estender a interrupção do prazo
prescricional e nem configurar ato de reconhecimento do débito (confissão de
dívida).
Assim, não interrompe o prazo prescricional o fato de o contribuinte, após ser
formalmente excluído do REFIS, continuar efetuando, por mera liberalidade, o
pagamento mensal das parcelas do débito tributário. STJ. 2ª Turma. REsp 1.493.115-
SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 15/9/2015 (Info 570).

16.3. REFIS e tese da parcela ínfima – (Info 542)

É possível excluir o contribuinte do REFIS, com fulcro no art. 5º, II, da Lei n.
9.964/2000 (inadimplência) caso ele esteja pagando prestações mensais ínfimas se
comparadas ao valor total do débito. Isso porque, nesse caso, fica demonstrada a
ineficácia do parcelamento para a quitação da dívida.
Desse modo, o STJ entende que é válida a “tese da parcela ínfima” para excluir o
contribuinte do REFIS.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.447.131-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 20/5/14
(Info 542).

17. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO


17.1. Termo inicial do prazo para lançamento de ofício no caso de ausência de
pagamento do tributo sujeito à lançamento por homologação

Súmula 555-STJ: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial


quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se exclusivamente na
forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo
o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 09/12/2015. DJe 15/12/2015.
OBS: Nos tributos sujeitos à lançamento por homologação, quando o contribuinte não
antecipar o pagamento nem não fizer a declaração do débito, o Fisco terá um prazo
decadencial de 5 anos para fazer o lançamento de ofício substitutivo cobrando o valor,
sendo que este prazo se inicia em 1º dia de janeiro do ano seguinte àquele em que
ocorreu o fato gerador.

18. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA


18.1. Súmula 585-STJ – (Info 595)
Súmula 585-STJ: A responsabilidade solidária do ex-proprietário, prevista no art.
134 do Código de Trânsito Brasileiro – CTB, não abrange o IPVA incidente sobre o
veículo automotor, no que se refere ao período posterior à sua alienação.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 14/12/2016.
OBS:

Dever do comprador do veículo providenciar novo CRV: O art. 123, I e § 1º do Código


de Trânsito Brasileiro determinam que, depois que a pessoa comprar um carro, ela
deverá providenciar junto ao DETRAN, no prazo de 30 dias, a expedição de novo
Certificado de Registro de Veículo (CRV).

Dever do vendedor de comunicar ao DETRAN alienação do carro: Por outro lado, o


art. 134 do CTB determina que a pessoa que vendeu o veículo deverá encaminhar ao
DETRAN, também no prazo de 30 dias, cópia autenticada do comprovante de
transferência de propriedade, devidamente assinado e datado. Esse “comprovante de
transferência da propriedade” é chamado popularmente de DUT (documento único
de transferência) e consiste em uma espécie de “recibo de compra e venda” que consta
na parte detrás do CRV. Lá existem alguns campos que são uma autorização para a
transferência de propriedade do veículo e que deverão ser preenchidos e assinados
pelo vendedor e comprador na frente do tabelião de notas a fim de que possa ser dado
o reconhecimento de firma por autenticidade nas assinaturas.

Assim, depois de alienar o veículo, o vendedor deverá entregar ao comprador o CRV


assinado, mas, antes disso, é recomendável que tire uma cópia autenticada do
documento preenchido, datado e assinado para que possa comunicar a venda ao
DETRAN. Veja, então, que temos duas obrigações distintas:
 Comprador: tomar as providências junto ao DETRAN para a expedição de
novo CRV (art. 123);
 Vendedor: encaminhar ao DETRAN cópia autenticada do comprovante de
transferência de propriedade, devidamente assinado e datado (art. 134).

O que acontece se o comprador não cumprir a obrigação acima explicada? Ele


praticará infração grave, podendo receber multa, além de o veículo ser retido para
regularização (art. 233 do CTB).

O que acontece se o vendedor não fizer a comunicação ao DETRAN? Neste caso, o


vendedor (antigo proprietário) poderá ser responsabilizado solidariamente pelas
penalidades impostas e suas reincidências até a data da comunicação. Em outras
palavras, se houver alguma multa, o DETRAN considerará o nome do “antigo”
proprietário que ainda consta em seus arquivos como sendo o dono do veículo
multado. Veja a redação do art. 134 do CTB:
Art. 134. No caso de transferência de propriedade, o
proprietário antigo deverá encaminhar ao órgão executivo de
trânsito do Estado dentro de um prazo de trinta dias, cópia
autenticada do comprovante de transferência de propriedade,
devidamente assinado e datado, sob pena de ter que se
responsabilizar solidariamente pelas penalidades impostas e
suas reincidências até a data da comunicação.
Parágrafo único. O comprovante de transferência de
propriedade de que trata o caput poderá ser substituído por
documento eletrônico, na forma regulamentada pelo Contran.
IPVA: Trata-se de imposto estadual, previsto no art. 155, III, da CF/88. O Fisco
estadual passou a defender a tese de que, se o antigo proprietário não comunicar ao
DETRAN a alienação do veículo no prazo de 30 dias, ele passaria a ter
responsabilidade solidária pelos débitos de IPVA relativos a esse automóvel. Ex: em
setembro de 2015, João vendeu seu carro a Pedro; ocorre que João nunca enviou ao
DETRAN o comprovante de transferência da propriedade. Pedro não pagou o IPVA
relativo ao ano de 2016. O Fisco sustenta o argumento de que, como não houve a
comunicação de que trata o art. 134 do CTN, a responsabilidade pelo pagamento do
IPVA caberá solidariamente tanto ao atual como ao antigo proprietário.

A tese defendida pelo Fisco estadual foi aceita pelo STJ? A responsabilidade solidária
de que trata o art. 134 do CTB engloba o IPVA relativo ao período posterior à
alienação do veículo? NÃO. A responsabilidade solidária do ex-proprietário, prevista
no art. 134 do CTB, não abrange o IPVA incidente sobre o veículo no que se refere ao
período posterior à sua alienação.

Art. 134 refere-se a infrações de trânsito: O art. 134 é expresso ao se referir a


“penalidades”. Assim, a responsabilidade solidária prevista neste dispositivo abrange
apenas as penalidades administrativas, ou seja, as infrações de trânsito, não sendo
possível fazer uma interpretação ampliativa para criar uma responsabilidade
tributária para o antigo proprietário, não prevista no CTN, em relação a imposto ou
taxa incidente sobre veículo automotor, no que se refere ao período posterior à
alienação. O art. 134 do CTB é norma relativa a trânsito e não pode ter seu âmbito de
aplicação extrapolado para criar hipótese de responsabilidade tributária.

Propriedade não se transfere com a providência do art. 134: Vale ressaltar que a
propriedade do veículo automotor não se transfere com a comunicação de que trata o
art. 134 do CTB. Assim, a exigência de encaminhamento do comprovante de
transferência não se caracteriza como condição nem como ato constitutivo da
transferência da propriedade. Logo, mesmo sem a comunicação do art. 134, o domínio
do carro já é do novo proprietário e, portanto, ele é o contribuinte do IPVA.

18.2. Responsabilidade tributária por sucessão empresarial abrange não apenas os


tributos, como também as multas moratórias ou punitivas – (Info 574)

Súmula 554-STJ: Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da


sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as
multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da
sucessão.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 09/12/2015. DJe 15/12/2015.
OBS: Segundo o STJ, as multas moratórias ou punitivas representam dívida de valor
e, como tal, acompanham o passivo do patrimônio transmitido ao sucessor, desde que
seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Outro argumento invocado,
este de ordem metajurídico, é o de que se as multas fossem excluídas da
responsabilidade por sucessão, as empresas que possuíssem contra si multas impostas
poderiam simular uma sucessão e, com isso, poderiam reiniciar as atividades pagando
apenas os tributos e ficando livres das multas. As multas moratórias, também
chamadas de multas administrativas, são aquelas impostas ao contribuinte pelo fato
de ele ter atrasado o pagamento do tributo. As multas punitivas, também
denominadas de multas de ofício, são aquelas impostas pelo descumprimento de uma
obrigação acessória do contribuinte. O exemplo típico está no art. 44 da Lei nº
9.430/96.
19. DENÚNCIA ESPONTÂNEA
19.1. Ausência de denúncia espontânea em caso de depósito judicial integral dos
tributos devidos – (Info 576)

O depósito judicial integral do débito tributário e dos respectivos juros de mora,


mesmo antes de qualquer procedimento do Fisco tendente à sua exigência, não
configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN).
O depósito judicial integral não trouxe qualquer vantagem ou redução de custos
para a Administração Tributária. Não houve a chamada "relação de troca entre custo
de conformidade e custo administrativo" a atrair caracterização da denúncia
espontânea (art. 138 do CTN).
Obs: para que a denúncia espontânea seja eficaz e afaste a incidência da multa, é
necessário o preenchimento de três requisitos:
a) "denúncia" (confissão) da infração;
b) pagamento integral do tributo devido com os respectivos juros moratórios; e
c) espontaneidade (confissão e pagamento devem ocorrer antes do início de
qualquer procedimento fiscalizatório por parte do Fisco relacionado com aquela
determinada infração).
STJ. 1ª Seção. EREsp 1.131.090-RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em
28/10/2015 (Info 576).
OBS:
Denúncia espontânea: A denúncia espontânea é um instituto previsto no CTN por
meio do qual o devedor, antes que o Fisco instaure contra ele qualquer procedimento
administrativo ou medida de fiscalização, confessa para a Fazenda que praticou uma
infração tributária e paga os tributos em atraso e os juros de mora. Como
"recompensa", ele ficará dispensado de pagar a multa. É também chamada de
"confissão espontânea" ou "autodenúncia", estando prevista no art. 138 do CTN.

Exclui tanto as multas punitivas (de ofício) como as moratórias: A denúncia


espontânea exclui tanto as multas punitivas, como também as moratórias. As multas
punitivas, também denominadas de multas de ofício, são aquelas impostas pelo
descumprimento de uma obrigação acessória do contribuinte. O exemplo típico está
no art. 44 da Lei nº 9.430/96. As multas moratórias, também chamadas de multas
administrativas, são aquelas impostas ao contribuinte pelo fato de ele ter atrasado o
pagamento do tributo.

Razões que justificam a existência do instituto: a) Justificativa ética/axiológica:


valorizar o comportamento considerado moral e adequado de o infrator, de forma
espontânea, adiantar-se à Administração Tributária, denunciar-se e pagar o tributo
devido;
b) Justificativa econômica: trata-se de uma forma de reduzir os custos para a
Administração Tributária, que não precisará instaurar processo de fiscalização.

É como se fosse o seguinte: a multa cobrada pelo Fisco serve para punir o infrator e
também para cobrir os custos decorrentes do fato de a Administração Tributária ter
tido que instaurar um procedimento para apurar o ocorrido. Se este procedimento não
foi necessário porque o contribuinte confessou e pagou antes da sua instauração, a
multa não será devida porque não houve este custo por parte do Fisco.

Por conta disso, o STJ, apoiado nas lições de Christiano Mendes Wolney Valennte
(Denúncia espontânea: uma análise econômica da jurisprudência do STJ. Revista
Fórum de Direito Tributário: RFDT, Belo Horizonte, v. 13, n. 74, p.81-100, mar. 2015)
entende que somente deve ser admitida a denúncia espontânea quando o Fisco é
preservado dos custos administrativos de lançamento. Daí ter surgido a Súmula 360,
que será analisada mais abaixo, tendo em vista que, nesse caso, já se parte do
pressuposto de que não haverá custo administrativo porque o tributo já se encontra
em condições de cobrança, haja vista ter sido constituído pelo contribuinte via
declaração.

Requisitos: Para que a denúncia espontânea seja eficaz e afaste a incidência da multa,
é necessário o preenchimento de três requisitos cumulativos: a) "denúncia" (confissão)
da infração; b) pagamento integral do tributo devido com os respectivos juros
moratórios; c) espontaneidade (confissão e pagamento devem ocorrer antes do início
de qualquer procedimento fiscalizatório por parte do Fisco relacionado com aquela
determinada infração).

Na denúncia espontânea o pagamento deve ser feito à vista; não vale parcelar: Para
ter direito ao benefício da denúncia espontânea, o devedor deverá efetuar o
pagamento integral de uma só vez. Se o contribuinte parcelar o pagamento, isso não
configura denúncia espontânea e ele não estará isento da multa. Essa previsão
encontra-se insculpida no § 1º do art. 155 do CTN: “Art. 155-A. O parcelamento será
concedido na forma e condição estabelecidas em lei específica. § 1º Salvo disposição de lei em
contrário, o parcelamento do crédito tributário não exclui a incidência de juros e multas”.

Termo final para que haja a denúncia espontânea: Um dos requisitos para que haja
denúncia espontânea está no fato de que o devedor deverá confessar e pagar o débito
ANTES que o Fisco instaure contra ele "qualquer procedimento administrativo ou
medida de fiscalização, relacionados com a infração". Tem que confessar antes de ser
"descoberto". Se for depois, não adiantará nada. Segundo a doutrina (SABBAG, p.
668), o documento que demonstra que o Fisco instaurou procedimento administrativo
para apurar a infração é o "Termo de Início de Fiscalização", previsto no art. 196 do
CTN.

OBS: Se a confissão foi feita antes da assinatura do termo, haverá denúncia


espontânea; se depois, não. Imagine que determinado contribuinte praticou duas
infrações tributárias: "X" (quanto ao imposto de renda de 2010) e "Y" (relacionada com
IOF de 2010). Se a Receita Federal instaurar um procedimento para apurar a infração
"X", o contribuinte continuará tendo direito à denúncia espontânea quanto à infração
"Y".

Obrigações acessórias: Segundo o art. 113 do CTN, a obrigação tributária pode ser: a)
principal; b) acessória. A obrigação tributária principal representa o ato de pagar o
tributo ou a multa. Trata-se de uma obrigação de dar dinheiro. Ex: pagamento do
IPTU. A obrigação tributária acessória representa os deveres burocráticos que devem
ser observados pelo contribuinte. São também chamados de “deveres instrumentais
do contribuinte”. Trata-se de uma obrigação de fazer ou não fazer. Ex: obrigação das
empresas de manterem a escrituração de suas receitas e despesas em livros próprios.
Normalmente, a legislação prevê que o contribuinte que deixar de cumprir a obrigação
tributária acessória terá que pagar uma multa. Ex: quem deixar de apresentar
determinada declaração para o Fisco terá que pagar uma multa. O benefício concedido
pela "denúncia espontânea" (art. 138 do CTN) não vale para o caso de confissão de
descumprimento de obrigações acessórias. Assim, se o contribuinte tinha até o dia XX
para apresentar a declaração e não o fez, ele terá que pagar a multa mesmo que vá até
o Fisco e "confesse" que atrasou a declaração, apresentando a destempo.
Denúncia espontânea e tributo sujeito a lançamento por homologação: No
lançamento por homologação, a lei determina que é o próprio contribuinte quem, sem
prévio exame da autoridade administrativa, deverá calcular e declarar o quanto deve,
antecipando o pagamento do imposto. Depois que ele fizer isso, o Fisco irá conferir se
o valor pago foi correto e, caso tenha sido, fará a homologação deste pagamento. Esta
espécie de homologação encontra-se prevista no art. 150 do CTN. O que acontece se o
contribuinte fizer a declaração do débito, mas não pagar nada? No caso dos tributos
sujeitos a lançamento por homologação, "a declaração do débito feita sem o respectivo
pagamento tem o condão de constituir o crédito tributário e todos os seus consectários,
sem a necessidade de procedimento administrativo para a cobrança da multa
moratória." (STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1251419/RJ, Rel. Min. Humberto Martins,
julgado em 01/09/2011). Em outras palavras, se o contribuinte fez a declaração de
débito, mas não pagou nada, o crédito tributário já estará constituído e o Fisco
poderá cobrar o valor que foi declarado. Isso porque a declaração configura confissão
da dívida demonstrando que o sujeito passivo tem ciência de seu dever de pagamento
e das consequências decorrentes de sua inadimplência. Assim, não é mais necessário
que a Administração Tributária faça lançamento. Ela já poderá inscrever em dívida
ativa e ajuizar a execução fiscal.
Imagine que, em um imposto sujeito a lançamento por homologação, o contribuinte
tinha até o dia 02/02 para fazer a declaração e pagar o tributo. No dia 02/02, o
contribuinte fez a declaração, mas não pagou o imposto. Suponha, então, que um mês
depois ele se "arrependa" de não ter pago e resolva ir até o Fisco confessar que não
recolheu o imposto e pagar o que deve. Neste caso, este contribuinte terá direito à
isenção da multa com base na "denúncia espontânea" (art. 138 do CTN)? NÃO. Trata-
se de entendimento sumulado do STJ, de nº 360: “O benefício da denúncia espontânea não
se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas
pagos a destempo”.

OBS: O STJ entende dessa forma porque o benefício da denúncia espontânea tem
como um dos objetivos "facilitar" o trabalho de fiscalização e arrecadação do Fisco,
reduzindo os custos da Fazenda. Se o contribuinte fez a declaração de débito, mas não
pagou nada, o crédito tributário já estará constituído (já houve confissão de dívida).
Logo, a nova confissão posterior do contribuinte não irá ajudar em nada o Fisco. Por
essa razão, o contribuinte não terá direito aos benefícios da denúncia espontânea.

Feitas as devidas considerações, imagine a seguinte situação adaptada: A empresa


deixou de pagar determinado imposto federal. Um mês depois, antes que a Receita
Federal instaurasse qualquer procedimento contra a empresa, ela ajuizou ação
declaratória na qual confessou que não pagou o imposto, alegando que ele é
inconstitucional. A fim de suspender a exigibilidade do crédito tributário, a
contribuinte efetuou o depósito em juízo do montante integral do valor que o Fisco
entende devido (art. 151, II, do CTN). A ação foi julgada improcedente, tendo
transitado em julgado. Diante disso, a empresa pediu que este depósito integral fosse
considerado como "denúncia espontânea", isentando-a do pagamento da multa.

A tese invocada pela empresa foi aceita pelo STJ? É possível o reconhecimento da
denúncia espontânea caso o contribuinte faça, em juízo, o depósito integral da dívida
para fins de questioná-la judicialmente? NÃO. O depósito judicial integral do débito
tributário e dos respectivos juros de mora, mesmo antes de qualquer procedimento do
Fisco tendente à sua exigência, não configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN).
O depósito judicial integral não trouxe qualquer vantagem ou redução de custos para
a Administração Tributária. Não houve a chamada "relação de troca entre custo de
conformidade e custo administrativo" a atrair caracterização da denúncia espontânea
(art. 138 do CTN). STJ. 1ª Seção. EREsp 1.131.090-RJ, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, julgado em 28/10/2015 (Info 576).

20. REPETIÇÃO DE INDÉBITO


20.1. ECT tem direito à repetição do indébito relativo ao ISS sem necessidade de
prova de ter assumido o encargo pelo tributo e sem autorização dos tomadores dos
serviços – (Info 602)

Os Correios gozam de imunidade tributária recíproca, razão pela qual os


Municípios não podem cobrar ISS sobre a prestação dos serviços postais.
Ocorre que, durante muitos anos, alguns Municípios cobravam o imposto porque
ainda não se tinha uma certeza, na jurisprudência, acerca da imunidade dos
Correios.
A ECT pode pleitear à repetição do indébito relativo ao ISS cobrado sobre os
serviços postais. Para isso, os Correios não precisam provar que assumiram o
encargo pelo tributo nem precisam estar expressamente autorizados pelos
tomadores dos serviços.
Presume-se que os Correios não repassaram o custo do ISS nas tarifas postais
cobradas dos tomadores dos serviços. Isso porque a empresa pública sempre
entendeu e defendeu que não estava sujeita ao pagamento desse imposto.
Não havendo repasse do custo do ISS ao consumidor final, os Correios podem
pleitear a restituição sem necessidade de autorização do tomador dos serviços.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.642.250-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 16/3/17 (Info 602).
OBS:
O ISS é um tributo direto ou indireto?
Depende. O ISS é espécie tributária que pode se caracterizar
como tributo direto ou indireto, sendo necessário avaliar, no
caso concreto, se seu valor é repassado ou não ao preço
cobrado pelo serviço. Isso é chamado de dicotomização do
ISS. Nesse sentido: STJ. 1ª Seção. REsp 1.131.476/RS, Rel. Min.
Luiz Fux, julgado em 09/12/2009.

 Nos casos em que o valor foi repassado ao consumidor (a base de cálculo do


ISS é o preço do serviço), este imposto será considerado indireto, permitindo
transferir o ônus financeiro ao contribuinte de fato. Essa é a regra geral.
 Nos casos em que não houver esse repasse, o imposto será considerado direto.
Apesar de não ser comum, pode acontecer também.

Se o ISS se caracterizar como tributo indireto, então, nesta hipótese, a legitimidade


para pleitear a repetição do indébito dependerá de prova de que o sujeito passivo
tributário assumiu o encargo financeiro ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, de
que se encontra por este expressamente autorizado a recebê-la (art. 166 do CTN).
Nesse sentido: STJ. 2ª Turma. REsp 1.661.530/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado
em 18/04/2017.

Presunção de que os Correios não repassaram esse custo aos tomadores de serviço: O
STJ entendeu que, no caso de ISS pago pelos Correios aos Municípios, existe uma
presunção de que a empresa pública não repassou esse custo aos tomadores de
serviço. Por quê? Porque os Correios, mesmo antes da jurisprudência se pacificar no
sentido da sua imunidade, sempre consideraram que não tinham obrigação de pagar
ISS por força do art. 12 do Decreto-lei 509/69, que diz o seguinte:
Art. 12. A ECT gozará de isenção de direitos de importação de
materiais e equipamentos destinados aos seus serviços, dos
privilégios concedidos à Fazenda Pública, quer em relação a
imunidade tributária, direta ou indireta, impenhorabilidade
de seus bens, rendas e serviços, quer no concernente a foro,
prazos e custas processuais.

Embora contestada por diversas Fazendas Municipais e Estaduais, a validade desse


dispositivo sempre foi sustentada pelos Correios e pela Administração Federal, razão
pela qual não tem razoabilidade presumir que, na composição das tarifas postais, o
Ministério da Fazenda levasse em conta um ISS ou um ICMS que seriam repassados
aos tomadores dos serviços, pois o seu entendimento sempre foi o de que a ECT não
se sujeita ao pagamento destes impostos.
Assim, presume-se que os Correios nunca repassaram o custo do ISS ao consumidor
final.

20.2. Taxa de juros de mora aplicável na devolução de tributo estadual pago


indevidamente – (Info 560)

Súmula 523-STJ: A taxa de juros de mora incidente na repetição de indébito de


tributos estaduais deve corresponder à utilizada para cobrança do tributo pago em
atraso, sendo legítima a incidência da taxa Selic, em ambas as hipóteses, quando
prevista na legislação local, vedada sua cumulação com quaisquer outros índices.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 22/04/2015, DJe 27/4/2015.

21. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO


21.1. Revogada a medida liminar que suspendia a exigibilidade do crédito
tributário, volta a correr o prazo prescricional – (Info 605) – IMPORTANTE!!!

A revogação de liminar que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário


ocasiona a retomada do lapso prescricional para o Fisco, desde que inexistente
qualquer outra medida constante do art. 151 do CTN ou recurso especial /
extraordinário dotado de efeito suspensivo.
STJ. 1ª Seção. EAREsp 407.940-RS, Rel. Min. Og Fernandes, j. 10/5/17 (Info 605).
OBS:
Imagine a seguinte situação hipotética: A empresa “ABC” realizou o fato gerador,
mas não pagou o imposto no tempo devido. Em razão disso, o Fisco fez a autuação e
o lançamento de ofício do valor que deveria ter sido pago. Houve, assim, a
constituição do crédito tributário.

Caso a empresa não pague este crédito tributário constituído, qual é o prazo para que
a Fazenda Pública ajuíze execução fiscal contra o devedor? 5 anos, conforme o art. 174
do CTN:
Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário
prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição
definitiva.

Obs: prescrição é a perda o direito de a Fazenda Pública ajuizar a execução fiscal


contra o contribuinte cobrando o crédito tributário.

Voltando ao exemplo: Suponhamos que a empresa não concordou com a autuação do


Fisco e ingressou com ação questionando a incidência do imposto naquele caso
concreto. O juiz concedeu a medida liminar determinando que a exigibilidade do
crédito tributário ficasse suspensa até a decisão final sobre o tema. Existe expressa
previsão sobre isso no CTN:
Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário:
(...)
IV - a concessão de medida liminar em mandado de
segurança.
V - a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em
outras espécies de ação judicial;
(...)

Sendo suspensa a exigibilidade do crédito tributário neste caso, o que acontece com a
prescrição? O prazo prescricional fica também suspenso. Constituído o crédito
tributário, mas suspensa a exigibilidade da exação por decisão liminar, o curso do
prazo prescricional fica também suspenso. Ora, se a exigibilidade está suspensa, isso
significa que a Fazenda Pública não pode adotar qualquer medida de cobrança. Logo,
não seria correto que o prazo prescricional continuasse correndo.

Voltando ao nosso exemplo: O juiz concedeu a liminar determinando a suspensão da


exigibilidade do crédito tributário. Isso significa que a prescrição ficou também
suspensa. O magistrado prolatou sentença confirmando a medida liminar e julgando
procedente o pedido da autora. Contra esta sentença, o Fisco interpôs apelação. O
Tribunal de Justiça reformou a sentença e, consequentemente, revogou a decisão
liminar. Contra este acórdão, a empresa interpôs recurso especial e extraordinário.

O que acontece com o prazo prescricional neste caso? 1ª opção: continuará suspenso
até que haja o trânsito em julgado da decisão contrária ao contribuinte (até que sejam
julgados os recursos especial e extraordinário); 2ª opção: voltará a correr
imediatamente. Qual das duas alternativas foi acolhida pelo STJ? O STJ adotou a 2ª
opção, ou seja, o prazo prescricional voltará a correr imediatamente.

Em regra, se o TJ ou TRF revoga a decisão liminar que estava suspendendo a


exigibilidade do crédito tributário, o prazo prescricional volta a correr normalmente.
Isso porque nada mais impede que a Fazenda Pública ingresse com execução fiscal
cobrando o crédito, já que os recursos especial e extraordinário gozam de efeito
meramente devolutivo.

Exceções: O prazo prescricional continuará suspenso se:


1) o STJ ou STF, diante das peculiaridades do caso concreto, decidir atribuir efeito
suspensivo ao recurso especial ou extraordinário; ou
2) estiver presente, no caso concreto, alguma outra hipótese de suspensão do crédito
tributário, nos termos do art. 151 do CTN.

Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário:


I - moratória;
II - o depósito do seu montante integral;
III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis
reguladoras do processo tributário administrativo;
IV - a concessão de medida liminar em mandado de
segurança.
V - a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em
outras espécies de ação judicial;
VI - o parcelamento.
21.2. Reclamação administrativa incapaz de suspender a exigibilidade do crédito
tributário – (Info 561)

A reclamação administrativa interposta contra ato de exclusão do contribuinte do


parcelamento NÃO é capaz de suspender a exigibilidade do crédito tributário,
sendo inaplicável o disposto no art. 151, III, do CTN. Isso porque as reclamações e
recursos previstos nesse dispositivo legal são aqueles que discutem o próprio
lançamento tributário, ou seja, a exigibilidade do crédito tributário.
Sendo a reclamação proposta contra o ato que exclui o contribuinte do
parcelamento, essa reclamação está questionando a exclusão em si (e não o
lançamento tributário). Logo, não suspende a exigibilidade do crédito.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.372.368-PR, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 5/5/2015
(Info 561).

22. CERTIDÃO NEGATIVA


22.1. Impossibilidade de expedir certidão positiva com efeitos de negativa caso a
penhora tenha sido insuficiente – (Info 550)

A penhora de bem de valor inferior ao débito não autoriza a expedição de certidão


positiva com efeitos de negativa. Isso porque a expedição da referida certidão está
condicionada à existência de penhora suficiente ou à suspensão da exigibilidade do
crédito tributário, nos termos dos arts. 151 e 206 do CTN. Assim, se em uma execução
fiscal o débito era de 100 mil reais, tendo sido penhorado apenas uma parte desse
valor, não será possível a emissão da certidão positiva com efeitos de negativa.
Por outro lado, vale esclarecer que, mesmo tendo sido a penhora insuficiente, o
devedor poderá apresentar embargos à execução. Segundo o STJ, uma vez efetuada
a penhora, ainda que insuficiente, encontra-se presente a condição de
admissibilidade dos embargos à execução, haja vista a possibilidade posterior da
integral garantia do juízo, mediante reforço da penhora.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.479.276-MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 16/10/14
(Info 550).

22.2. Certidão positiva com efeito de negativa – (Info 543)

Não é possível a expedição de certidão positiva com efeito de negativa em favor de


sócio que tenha figurado como fiador em Termo de Confissão de Dívida Tributária
na hipótese em que o parcelamento dele decorrente não tenha sido adimplido.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.444.692-CE, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 13/5/14 (Info 543).

23. PARCELAMENTO TRIBUTÁRIO


23.1. Parcelamento de débitos considerados isoladamente (art. 1º, § 2º, da Lei
11.941/2009) – (Info 617) – Menos importante! Apenas Concursos Federais!

O contribuinte pode optar pelo parcelamento de débitos considerados


isoladamente, nos termos do art. 1º, § 2º, da Lei nº 11.941/2009, ainda que relativos
a uma mesma Certidão da Dívida Ativa, não sendo possível o parcelamento de uma
fração de competência ou período de apuração.
STJ. 1ª Turma. REsp 1382317-PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, j. 21/11/17 (Info 617).
24. SIMPLES NACIONAL
24.1. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O FGTS: É legítima a cobrança da
contribuição social ao FGTS das empresas optantes pelo Simples – (Info 606)

As empresas optantes do Simples Nacional também estão obrigadas a pagar a


contribuição ao FGTS prevista no art. 1º da LC 110/2001.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.635.047-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 6/6/17 (Info
606).

24.2. Inexistência de alvará de localização e funcionamento não impede empresa de


aderir ao Simples – (Info 590)

A ausência de alvará de localização e funcionamento não impede que a Empresa de


Pequeno Porte ou a Microempresa ingressem ou permaneçam no regime do Simples
Nacional.
O inciso XVI do art. 17 da LC 123/06 prevê que não poderá aderir ao regime as
empresas que não tiverem inscrição em cadastro fiscal federal, municipal ou
estadual ou, então, se possuírem irregularidade em algum desses cadastros.
Os cadastros a que se refere esse inciso são apenas os cadastros fiscais (Cadin, no
âmbito federal e similares nas esferas estadual e municipal).
Assim, a falta de alvará de localização e funcionamento não significa "ausência de
inscrição em cadastro fiscal" ou "irregularidade em cadastro fiscal", tal como
previsto no art. 17, XVI, da LC 123/06. Vale ressaltar que a empresa não possuía
débitos tributários.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.512.925-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 2/6/16 (Info
590).
OBS:
O que é o Simples Nacional? O Simples Nacional é um regime unificado de
arrecadação, cobrança e fiscalização de tributos, aplicável às microempresas e
empresas de pequeno porte, estando previsto na LC 123/06. A empresa que aderir ao
Simples desfruta da vantagem de recolher quase todos os tributos (federais, estaduais
e municipais) mediante um único pagamento, calculado sobre um percentual de sua
receita bruta. O objetivo do Simples é fazer com que as microempresas e empresas de
pequeno porte tenham um regime jurídico simplificado e favorecido, com menos
burocracia e menor carga tributária.

Fundamento constitucional: O tratamento diferenciado para microempresas e


empresas de pequeno porte é um mandamento constitucional, previsto em pelo
menos dois dispositivos da CF/88:
Art. 146. Cabe à lei complementar:
(...)
III — estabelecer normas gerais em matéria de legislação
tributária, especialmente sobre:
(...)
d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as
microempresas e para as empresas de pequeno porte,
inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do
imposto previsto no art. 155, II das contribuições previstas no
art. 195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art.
239.
Parágrafo único. A lei complementar de que trata o inciso III,
"d", também poderá instituir um regime único de arrecadação
dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, observado que:
I - será opcional para o contribuinte;
II - poderão ser estabelecidas condições de enquadramento
diferenciadas por Estado;
III - o recolhimento será unificado e centralizado e a
distribuição da parcela de recursos pertencentes aos
respectivos entes federados será imediata, vedada qualquer
retenção ou condicionamento;
IV - a arrecadação, a fiscalização e a cobrança poderão ser
compartilhadas pelos entes federados, adotado cadastro
nacional único de contribuintes.

Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do


trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a
todos existência digna, conforme os ditames da justiça social,
observados os seguintes princípios:
(...)
IX — tratamento favorecido para as empresas de pequeno
porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede
e administração no País.

Art. 179. A União, os Estados, o Distrito Federal e os


Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de
pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico
diferenciado, visando a incentivá-las pela simplificação de
suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e
creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de
lei.

Desse modo, a fim de cumprir o mandamento constitucional previsto no art. 146, III,
"d", foi editada a LC 123/06, que estabelece tratamento diferenciado e favorecido para
as microempresas e para as empresas de pequeno porte, além de instituir um regime
único de arrecadação dos impostos e contribuições para essas empresas.

Feita esta breve revisão, imagine a seguinte situação hipotética: "ABC Comércio Ltda
- EPP" pediu para ser incluída no regime do Simples Nacional, tendo o requerimento
sido negado em virtude de ela não ter alvará de localização e funcionamento. Para o
Fisco, esta situação se enquadra na vedação contida no art. 17, XVI, da LC 123/06:
Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na
forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de
pequeno porte:
(...)
XVI - com ausência de inscrição ou com irregularidade em
cadastro fiscal federal, municipal ou estadual, quando
exigível.

A empresa ingressou com ação judicial questionando o indeferimento e alegou que


está devidamente inscrita nos cadastros fiscais que lhe são obrigatórios e que não
possui débitos tributários pendentes, sendo o alvará de localização e funcionamento
o único documento que se encontra pendente na hipótese. Argumentou que a ausência
deste alvará é mera irregularidade administrativa sem caráter fiscal, não
configurando, portanto, óbice para o regime do Simples Nacional.
Os argumentos da empresa foram acolhidos pelo STJ? Ela poderá ingressar e
permanecer no Simples mesmo não tendo alvará de localização e funcionamento?
SIM.

Irregularidade em cadastro fiscal federal, municipal ou estadual: A LC 123/06 traz,


em seu art. 17, as hipóteses nas quais é vedado o ingresso no Simples Nacional. O
inciso XVI prevê que não poderá aderir ao regime as empresas que não tiverem
inscrição em cadastro fiscal federal, municipal ou estadual ou, então, se possuírem
irregularidade em algum desses cadastros. A expressão "irregularidade em cadastro
fiscal federal, municipal ou estadual" utilizada pela lei é muito elástica e, em tese,
poderia significar uma infinidade de situações. Justamente por isso, o STJ entendeu
que não é razoável interpretar esse dispositivo de forma tão ampla a ponto de impedir
que a empresa seja afastada do Simples por qualquer irregularidade cadastral. Não há
que se confundir cadastro fiscal com qualquer outro tipo de cadastro ou exigência
administrativa imposto pelos entes públicos, tais como o alvará de funcionamento e
localização do município. No caso em análise, a empresa foi proibida de ingressar e se
manter no regime em razão da ausência de alvará de localização e funcionamento.
Este argumento não é razoável, especialmente porque a empresa se encontra
devidamente inscrita e adimplente com os tributos que lhe são devidos, de forma que
sua exclusão do Simples Nacional por ausência do referido alvará vai contra o objetivo
da CF/88 e da lei que foi o de dar tratamento jurídico diferenciado para as
microempresas e empresas de pequeno porte.

Cadastros fiscais = Cadin federal (ou similar estadual ou municipal): No âmbito


federal, a expressão "cadastro fiscal federal" prevista no inciso XVI do art. 17 da LC
123/06 significa o Cadin, instituído pela Lei 10.522/02. O Cadin é um banco de dados
que contém os nomes:
 de pessoas físicas e jurídicas com obrigações pecuniárias vencidas e não pagas
para com órgãos e entidades da Administração Pública Federal, direta e
indireta;
 de pessoas físicas que estejam com a inscrição no CPF cancelada e de pessoas
jurídicas que sejam declaradas inaptas perante o CNPJ.

A sigla Cadin significa “Cadastro Informativo de créditos não quitados do setor


público federal”.

Para o STJ, a aplicação do inciso XVI do art. 17 da LC 123/06, no que tange à


irregularidade em cadastro fiscal, só se aplica às empresas inscritas no Cadin, ou nas
versões estaduais e municipais similares do referido cadastro (nos Estados e
Municípios onde houver).

Portanto, como a pendência da empresa era apenas relacionada com alvará de


localização e funcionamento, não havendo nenhum registro de crédito não quitado no
âmbito municipal ou registro da suspensão/cancelamento/inaptidão do
CPF/CGC/CNPJ não se pode falar que esta empresa tenha irregularidade em
cadastro fiscal.

A falta de alvará de localização e funcionamento não significa "ausência de inscrição


em cadastro fiscal" ou "irregularidade em cadastro fiscal", tal como previsto no art. 17,
XVI, da LC 123/06.
24.3. Indeferimento da inclusão pela existência de débitos com a Fazenda Pública –
(Info 545)

O Simples Nacional é um regime unificado de arrecadação, cobrança e fiscalização


de tributos aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte.
As empresas com débitos junto à Fazenda Pública (federal, estadual, distrital ou
municipal) não podem aderir ou permanecer no Simples (art. 17, V, da LC 123/06).
Como o Simples envolve tributos federais, estaduais e municipais, se for constada
a existência de débitos o termo de indeferimento será expedido pela autoridade
fiscal do ente federal que detectou a existência de pendências e, por isso, decidiu
pela recusa.
Assim, se a empresa foi recusada por ter débitos estaduais, mas não concordar com
o indeferimento, caso deseje impetrar um mandado de segurança deverá fazê-lo
contra a autoridade fiscal do Estado-membro.
Vale ressaltar que o STF já decidiu que é CONSTITUCIONAL o art. 17, V da LC
123/2006, que nega o ingresso da empresa no Simples caso ela possua débito com o
INSS ou com a Fazenda Pública (RE 627543/RS).
STJ. 1ª Turma. REsp 1.319.118-RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, j. 13/6/14 (Info 545).
OBS:
Todas as microempresas e empresas de pequeno porte poderão recolher seus tributos
na forma do Simples? NÃO. A inclusão do contribuinte na sistemática do Simples
Nacional exige o preenchimento de determinadas condições. O art. 17 da LC 123/06
traz uma lista de situações nas quais a microempresa ou a empresa de pequeno porte
não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional. Veja
o que diz o inciso V:

Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na


forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de
pequeno porte:
(...)
V – que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro
Social – INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual
ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa;

Desse modo, as empresas com débitos junto à Fazenda Pública (federal, estadual,
distrital ou municipal) não podem aderir ou permanecer no Simples.

Alguns advogados passaram a defender a tese de que essa vedação do inciso V do art.
17 da LC 123/2006 é inconstitucional, considerando que a CF/88 não exigiu que as
microempresas e empresas de pequeno estivessem quites com a Fazenda Pública. Além
disso, isso seria uma forma de “coação” para exigir o pagamento dos tributos. O STF
concordou com isso? NÃO. O Plenário do STF decidiu que é CONSTITUCIONAL a
exigência contida no art. 17, V da LC 123/06. O STF afirmou que é possível que sejam
estabelecidas exclusões do regime simplificado com base em critérios subjetivos.
Dessa forma, não há óbice para que o legislador crie restrições de ordem subjetiva para
a adesão ao Simples. Afirmou-se que não seria razoável favorecer aqueles em débito
com o Fisco, que participariam do mercado com vantagem competitiva em relação aos
adimplentes. Ponderou-se que admitir o ingresso no programa daquele que não
possui regularidade fiscal, e nem que sequer pretende parcelar o débito ou suspender
seu pagamento, significaria comunicar ao adimplente que o dever de pagar seus
tributos seria inconveniente, pois receberia o mesmo tratamento dado ao
inadimplente. Assim, o art. 17, V não viola o princípio da isonomia, mas ao contrário,
confirma-o, pois o adimplente e o inadimplente não estão na mesma situação jurídica.
STF. Plenário. RE 627543/RS, rel. Min. Dias Toffoli, j. 30/10/13 (Info 726).
25. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
25.1. Dever de encaminhar a representação mesmo que não haja imposição de multa
ao contribuinte – (Info 584)

A Delegacia da Receita Federal deve enviar ao MPF os autos das representações


fiscais para fins penais relativas aos crimes contra a ordem tributária previstos na
Lei 8.137/90 e aos crimes contra a previdência social (arts. 168-A e 337-A do CP) após
proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do
crédito tributário correspondente, mesmo quando houver afastamento de multa
agravada.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.569.429-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 5/5/16 (Info 584).
OBS:
Crimes envolvendo o não pagamento de tributos: Normalmente, a prática de crimes
tributários é descoberta pelo Fisco quando este está apurando se o contribuinte pagou
ou não os tributos devidos. Vale ressaltar que no caso dos crimes tributários materiais
(art. 1º, I a IV, da Lei 8.137/90), eles só se consumam depois que o Fisco realiza a
constituição definitiva do crédito tributário (Súmula Vinculante 24). Dessa forma, o
processo administrativo-fiscal realizado pela Receita é fundamental para que se
comprove a ocorrência ou não dos crimes tributários. Sem ele, o MP dificilmente teria
elementos para oferecer denúncia contra os autores dos delitos. Pensando nisso, o
legislador previu que, após ser encerrado o procedimento administrativo-fiscal no
âmbito da Receita Federal, se ficar provado que o contribuinte não pagou realmente o
tributo, o Auditor-Fiscal tem o dever de encaminhar cópia dos autos ao MPF a fim de
que este analise se houve ou não a prática de crime contra a ordem tributária. Esse
envio, que está previsto no art. 83 da Lei 9430/96, é chamado de "representação fiscal
para fins penais", sendo uma espécie de noticia criminis. Veja o texto da Lei 9.430/96:

Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos


crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1º e 2º da
Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a
Previdência Social, previstos nos arts. 168-A e 337-A do
Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código
Penal), será encaminhada ao Ministério Público depois de
proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a
exigência fiscal do crédito tributário correspondente.
§ 1º Na hipótese de concessão de parcelamento do crédito
tributário, a representação fiscal para fins penais somente será
encaminhada ao Ministério Público após a exclusão da pessoa
física ou jurídica do parcelamento.

Na grande maioria dos casos, o MPF oferece a denúncia pelos crimes contra a ordem
tributária utilizando-se das informações enviadas pela Receita Federal na
representação fiscal.

Decreto nº 2.730/98: O art. 83 da Lei 9.430/96 foi regulamentado pelo Decreto 2.730/98.
Veja o que preveem os arts. 1º e 2º do Decreto:
Art. 1º O Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional formalizará
representação fiscal, para os fins do art. 83 da Lei nº 9.430, de
27 de dezembro de 1996, em autos separados e protocolizada
na mesma data da lavratura do auto de infração, sempre que,
no curso de ação fiscal de que resulte lavratura de auto de
infração de exigência de crédito de tributos e contribuições
administrados pela Secretaria da Receita Federal do
Ministério da Fazenda ou decorrente de apreensão de bens
sujeitos à pena de perdimento, constatar fato que configure,
em tese:
I - crime contra a ordem tributária tipificado nos arts. 1º e 2º
da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990;
II - crime de contrabando ou descaminho.

Art. 2º Encerrado o processo administrativo-fiscal, os autos da


representação fiscal para fins penais serão remetidos ao
Ministério Público Federal, se:
I - mantida a imputação de multa agravada, o crédito de
tributos e contribuições, inclusive acessórios, não for extinto
pelo pagamento;
II - aplicada, administrativamente, a pena de perdimento de
bens, estiver configurado em tese, crime de contrabando ou
descaminho.

ACP contra o art. 2º, I, do Decreto 2.730/98: O MPF ajuizou ação civil pública contra o
art. 2º, I, do Decreto 2.730/98 alegando que ele é ilegal porque teria extrapolado a sua
função meramente regulamentar, já que restringiu indevidamente o art. 83 da Lei nº
9.430/96. Explico. O art. 83 da Lei 9.430/96 prevê que a representação fiscal deverá
ser encaminhada ao MPF sempre que o processo administrativo que tramitou na
Receita constatar "a exigência fiscal do crédito tributário correspondente". O art. 2º, I,
do Decreto 2.730/98, por sua vez, determina que o Auditor-Fiscal só deverá
encaminhar a representação fiscal se houver crédito tributário constituído e multa
agravada. Assim, de acordo com o Decreto, se a multa agravada for afastada durante
o processo administrativo, o Auditor estaria desobrigado de enviar a representação
fiscal.

A tese defendida na ACP foi aceita pelo STJ? O art. 2º, I, do Decreto 2.730/98 é ilegal
por contrariar o art. 83 da Lei 9.430/96? A Receita Federal deverá encaminhar a
representação fiscal mesmo que a multa agravada seja afastada? SIM. Segundo o STJ,
pela leitura dos citados dispositivos, conclui-se que o ato normativo secundário (isto
é, o Decreto 2730/98) inovou no mundo jurídico, criando mais um obstáculo para o
envio das representações fiscais ao MP, como se fosse preceito normativo originário.
Dessa forma, exorbitou da função meramente regulamentar dos Decretos expedidos
pelo Poder Executivo, conforme expresso no art. 84, IV, da CF/88.

26. PROCESSO TRIBUTÁRIO


26.1. O § 2º do art. 12 da Portaria 643/09 da PGFN é ilegal – (Info 591) - Apenas alguns
concursos federais!

Independentemente de renegociação das dívidas em que o devedor figure como


corresponsável, é possível renegociar, com base no art. 8º da Lei 11.755/08, as dívidas
em que ele figure como devedor principal.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.534.487-PR, Rel. Min. Humberto Martins, j. 29/8/16 (Info 591).

27. PREVIDÊNCIA PRIVADA


27.1. Devolução de valores recebidos a título de antecipação de tutela
posteriormente revogada – (Info 584)
Se a antecipação da tutela anteriormente concedida a assistido de plano de
previdência complementar fechada houver sido revogada em decorrência de
sentença de improcedência do seu pedido, independentemente de culpa ou má-fé,
será possível à entidade previdenciária - administradora do plano de benefícios que
tenha suportado os prejuízos da tutela antecipada - efetuar descontos mensais no
percentual de 10% sobre o montante total de cada prestação do benefício
suplementar que vier a ser recebida pelo assistido, até que ocorra a integral
compensação, com atualização monetária, da verba que fora antecipada, ainda que
não tenha havido prévio pedido ou reconhecimento judicial da restituição.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.548.749-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 13/4/16 (Info 584).

27.2. Possibilidade de majoração das contribuições para plano de previdência


privada – (Info 561)

A contribuição dos integrantes de plano de previdência complementar pode ser


majorada sem ofender direito adquirido.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.364.013-SE, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, j. 28/4/15
(Info 561).

28. ARROLAMENTO FISCAL


28.1. Alienação de bens objeto de arrolamento fiscal não depende de prévia
notificação ao Fisco – (Info 594)

A alienação de bens que foram objeto de arrolamento fiscal não depende de prévia
notificação ao órgão fazendário.
A Lei 9.532/97 não exige que a notificação ao órgão fazendário seja prévia à
alienação, mas simplesmente que exista a comunicação.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.217.129-SC, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j. 27/10/16
(Info 594).

29. PERDIMENTO
29.1. O erro na classificação aduaneira de produtos importados, sem a constatação
de má-fé do importador, não gera pena de perdimento – (Info 604)

O erro culposo na classificação aduaneira de mercadorias importadas e


devidamente declaradas ao fisco não se equipara à declaração falsa de conteúdo e,
portanto, não legitima a imposição da pena de perdimento.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.316.269-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, j. 6/4/2017 (Info 604).

29.2. Mesmo tendo sido pagos os tributos, poderá ser decretado o perdimento caso
não tenha sido cumprida a legislação alfandegária – (Info 592)

A pena de perdimento não constitui sanção cujo fato gerador tenha por base a
inadimplência de tributo. Portanto, o fato de a empresa ter pago todos os tributos
relacionados com a importação da mercadoria não a exime de observar a legislação
alfandegária.
Em outras palavras, a quitação do tributo devido não significa que a importadora
tenha direito de descumprir as normas que disciplinam o direito alfandegário.
Mesmo tendo pago todos os tributos, poderá ser decretado o perdimento das
mercadorias caso não tenha sido cumprida a legislação alfandegária.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.385.366-ES, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 22/9/16 (Info 592).

30. DIREITO ADUANEIRO


30.1. Não isenção de PIS/PASEP/COFINS sobre as receitas conexas ao frete
contratadas em separado do próprio frete – (Info 596)

As hipóteses de isenção e suspensão de incidência relativas às contribuições ao


PIS/PASEP e COFINS previstas nos artigos 14, II, IX, § 1°, da MP 2.158-35/01; 6°, I e
III, da Lei 10.833/03; 5°, I e III, da Lei 10.637/02 e 40, §§ 6º-A, 7º e 8º, da Lei 10.865/04
não abrangem as receitas conexas ao frete contratadas em separado do próprio frete
de mercadorias destinadas à exportação com a entidade Operadora de Transporte
Multimodal de Cargas (OTM) por Empresas Comerciais Exportadoras - ECE.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.577.126-PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 6/12/16
(Info 596).

30.2. Não se deve conceder o drawback suspensão se não houver


beneficiamento/agregação de valor à mercadoria a ser exportada – (Info 590)

Não se concede o regime tributário de drawback na modalidade suspensão à


importação de cantoneiras de plástico rígido, filtros de etileno e termógrafos
elétricos destinados a conferir maior segurança ao transporte exportador de frutas,
já devidamente acondicionas em caixas e caixotes e envoltas por folhas de papel
alveolado.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.404.148-PE, Rel. Min. Humberto Martins, Rel. para acórdão
Herman Benjamin, j. 17/5/16 (Info 590).
OBS:
Drawback: É uma palavra de origem inglesa, cuja tradução literal seria algo como
"arrastar de volta". Trata-se de uma operação pela qual o contribuinte se compromete
a importar a mercadoria, beneficiá-la e, depois, mandá-la de volta ao exterior (exportá-
la). Nas palavras do Min. João Otávio de Noronha, "drawback" é a operação mediante
a qual o contribuinte, para fazer jus a incentivos fiscais, importa mercadoria com o
compromisso de exportá-la após o beneficiamento. (STJ REsp 385634/BA).

Com a maestria de quem conhece muito sobre o assunto, a Min. Regina Helena Costa
explica, de forma mais técnica, em que consiste o drawback:
"O drawback constitui um regime aduaneiro especial, que pode
apresentar-se em três modalidades - isenção, suspensão e
restituição de tributos - e é classificado como incentivo à
exportação, nos termos dos arts. 1º, I, da Lei nº 8.402/92 e 383,
caput, do Decreto nº 6.759/09. O incentivo consubstancia-se
na desoneração do processo de produção o que acaba
tornando a subsequente mercadoria nacional mais
competitiva no mercado global." (STJ REsp 1313705/PR).

Exemplo: uma indústria de automóveis importa matérias-primas, fabrica carros no


Brasil e os revende para o exterior. Para o Brasil, isso é algo produtivo, considerando
que favorece a balança comercial, já que houve o ingresso de uma mercadoria que será
em seguida reenviada para o exterior com um valor maior em razão do melhoramento
do produto (agregou-se valor à mercadoria que será exportada). Com isso, em tese,
mais divisas ficam no país, gerando aqui emprego e renda. Diante desse cenário, o
país incentiva a referida operação, concedendo benefícios fiscais para o contribuinte
que se compromete a realizar o drawback.

Modalidades: Existem três modalidades de drawback:


a) isenção: consiste na concessão de isenção dos tributos que incidem na importação
das mercadorias que serão utilizadas na industrialização do produto a ser exportado.
b) suspensão: é a suspensão dos tributos incidentes na importação de mercadoria a ser
utilizada na industrialização de produto que deve ser exportado. As obrigações
tributárias ficam suspensas por determinado prazo e, caso não ocorra a comprovação
das exportações nos termos e condições previstos na legislação, os tributos suspensos
deverão ser recolhidos com os devidos acréscimos legais.
c) restituição: é a devolução, em forma de créditos, do valor dos tributos pagos na
importação de insumo importado utilizado em produto exportado.

30.3. Possibilidade de desembaraço aduaneiro de bagagem por meio de ordem de


frete – (Info 587)

No caso em que, em desembaraço aduaneiro de bagagem, o conhecimento de carga


(bill of lading) não continha o nome do proprietário ou possuidor do bem, a ordem
de frete preenchida à mão serve como prova da propriedade ou da posse da
mercadoria.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.506.830-PR, Rel. Min. Gurgel de Faria, j. 23/6/16 (Info 587).
OBS: O art. 554 do Dec. 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro) dispõe que "O
conhecimento de carga original, ou documento de efeito equivalente, constitui prova
de posse ou de propriedade da mercadoria". A ordem de frete tem o condão de servir
como "documento equivalente", nos termos do que dispõe o art. 554 do Dec. 6759/09,
ao conhecimento de carga, constituindo-se como prova da posse e/ou propriedade
das mercadorias.

30.4. Momento da exigência de certidão negativa de débito no caso de drawback –


(Info 581)

Súmula 569-STJ: Na importação, é indevida a exigência de nova certidão negativa


de débito no desembaraço aduaneiro, se já apresentada a comprovação da quitação
de tributos federais quando da concessão do benefício relativo ao regime de
drawback.
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 27/04/2016, DJe 02/05/2016.