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IMPACTOS DO PRONAF NA SUSTENTABILIDADE DE FAMÍLIAS DA

COMUNIDADE QUILOMBOLA NOVA BETEL, TOMÉ AÇÚ – PARÁ.

Impacts of PRONAF at sustainability in families gives community quilombola New


Betel, Tomé Açú - Pará.

Maria Suzane Lavareda de Oliveira, Graduada em Agronomia,


suzanelavareda@hotmail.com; Luis Mauro Santos Silva, Doutor, Universidade Federal
do Pará / INEAF/GESAM – PPGAA e FACDES, lmsilva2012@gmail.com

RESUMO ABSTRACT

O artigo buscou analisar a politica de The article sought to analyze the credit
crédito (PRONAF), observando os policy (PRONAF), observing the
impactos, tantos positivos quanto impacts, both positive and negative of
negativos dos estabelecimentos agricultural establishments. This study
agrícolas. Esse estudo buscou sought to characterize and evaluate
caracterizar e avaliar indicadores de indicators of sustainability in
sustentabilidade em agroecossistemas agroecosystems families in the Nova
famílias na comunidade quilombola quilombola community Bethel, located
Nova Betel, localizada no município de in the municipality of Tomé - Açu,
Tomé – Açu, Pará. Foi usado à Pará. It was used to the tool MESMIS,
ferramenta MESMIS, devidamente duly adapted to local reality being
adaptada a realidade local, sendo efficient in evaluating the sustainability
eficiente na avaliação da of agroecosystems studied. The
sustentabilidade dos agroecossistemas indicators were differentiated in some
estudados. Os indicadores se mostraram dimensions. We can observe a
diferenciados em algumas dimensões. difference between agroecosystems who
Podemos observar uma diferença entre accessed the line of credit and the an
os agroecossistemas que acessaram a agroecosystem that does not have credit,
linha de crédito e o agroecossistema que this has proved quite firm in relation to
não possui divida de crédito, este se the sustainability of its
mostrou bastante firme em relação à agroecosystem, achieving an almost
sustentabilidade de seu efficient standard.
agroecossistema, obtendo um padrão
quase eficiente. Keywords: Sustainability, MESMIS,
Traditional communities
Palavras chaves: Sustentabilidade,
MESMIS, Comunidades tradicionais.

Este artigo foi apresentado como requisito final para a conclusão do curso de Especialização de Gestão
em Sistemas Agroextrativistas para Territórios de Uso Comum na Amazônia – GESAM.

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1. INTRODUÇÃO
As propostas de agricultura sustentável ainda são minoritárias e incipientes, em
certos contextos sociais da produção agrícola brasileira, mesmo reconhecendo que em
algumas regiões se têm avançado consideravelmente nesta direção com a
implementação de políticas públicas de extensão, assistência técnica, pesquisa agrícola e
de aporte de recursos financeiros em programas específicos para a produção agrícola
sustentável (ASSAD & ALMEIDA, 2004).
No meio rural, o exercício de práticas sustentáveis começa na pequena
propriedade rural de cada agricultor familiar, assim, na prática, o local influência o
global, na medida em que o individuo deve enxergar-se como parte de um de um
processo mais amplo, no qual suas ações, por menores que sejam, são responsáveis
pelas alterações de qualidade de vida das gerações futuras (KUMMER, 2007).
Para Lopes (2007) O desenvolvimento sustentável é um dos maiores desafios para
a humanidade. Ao longo de séculos, o modelo de desenvolvimento no Brasil tem
evoluído do extrativismo e da agricultura de subsistência para uma exploração
agroindustrial intensa, com a aplicação de novas tecnologias.
Na região amazônica é possível observar a ação de diversas políticas que
buscaram através de incentivos a determinadas atividades econômicas “desenvolver” e
ocupar a região (BROWN; PURCELL, 2005). Homma et al. (2000) colocam que a alta
facilidade com que a sociedade amazônica é envolvida em projetos “ufanísticos” e
“utópicos”, mesmo com baixa ou nenhuma participação em suas decisões, é um dos
grandes problemas da região.
A Amazônia sempre foi alvo de cobiça pelos estrangeiros. Desde o período
colonial, diversos povos tentaram se estabelecer na região para explorar suas riquezas.
Dentre esses povos destacamos os japoneses que migraram para diversos municípios na
Amazônia dentre eles o município de Tomé – Açu (BARROS, 2010).
No estado do Pará, o interesse do governo em ocupar novos espaços levou a oferta
de terras situadas ás margens dos rios Capim, Mojú e Acará a opção dos japoneses pelas
terras em Acará se deveu ao fato de seus rios terem maior profundidade, o que favorecia
a navegação, e seu terreno ser menos ondulado nas margens (HOMMA, 2007). Com o
desenvolvimento agrícola promovido pelos Japoneses na região desde sua chegada em
1929, a população do município cresceu em linha ascendente, Os primeiros imigrantes

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foram instalados numa colônia agrícola implantada por uma empresa japonesa em
Tomé-Açu. Tomé – Açu é um município que por suas peculiaridades atrai migrantes de
todas as partes do País. (BARROS, 2010). As famílias dos imigrantes foram destinadas
aos locais de interesse das políticas públicas de ocupação da Amazônia no 2º governo
de Getúlio Vargas (1951 a 1954), principalmente para os recém-criados Territórios
Federais do Amapá, Acre, Rondônia e algumas regiões do nordeste, lugares onde não
havia infraestrutura nem para os moradores locais, muito menos para assentar os
imigrantes de pós-guerra. (MUTO, 2010)
O autor segue contribuindo, passada a fase das grandes migrações de pós-guerra,
o contingente japonês foi arrefecendo até a década de 1960, quando o governo
novamente propunha auxiliares os imigrantes para fortalecer as economias regionais e
acomodá-los em glebas adquiridas pelas organizações japonesas. Assim, os novos
imigrantes japoneses tiveram apoio maciço das entidades governamentais japonesas por
meio da JAMIC – Imigração e Colonização Ltda. e a da empresa JEMIS-Assistência
Financeira S/A que se transformou em 1974, na JICA. Lembrando que a unidade
―família do imigrante é tratada pelo IBGE e pela Japan International Cooperation
Agency (JICA), como uma unidade social e econômica objeto de análise sob vários
prismas, até mais frequente que o número de indivíduos. (MUTO,2010).
Barros (2010) acrescenta que no município de Tomé – Açu, a política agrícola é
materializada por meio de ações de diversas instituições. Empresa de Assistência
Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará – EMATER, Comissão Executiva do Plano
de Lavoura – CEPLAC, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa.
Secretária Municipal de Agricultura de Tomé – Açu – SEMAGRI, e outros. São essas
instituições que por meio de seus programas e projetos vão as comunidades e
implementam as ações de acordo com as diretrizes da política em vigor. Como no Brasil
a política agrícola ainda é uma política de governo, cada governante dá a cor de seu
mandato, os agricultores tradicionais, fragilizados em sua organização acabam
recebendo projetos que nem sempre refletem a sua realidade ou orientações da classe
dominante.
As populações tradicionais que migraram para o município, atraídos pela
oportunidade de trabalho nos empreendimentos dos japoneses ou nas indústrias
madeireiras, devido ao avanço do capital no campo e o fim do ciclo da exploração
madeireira, foram expropriadas do processo de produção e se encontram espelhadas por
diversas comunidades e bairros periféricos, gerando um quadro de exclusão social grave

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(BARROS, 2010). Essa população vive á mercê das políticas públicas e de governo, em
um município que reflete a realidade brasileira, em termo de desigualdade social,
injustiça na distribuição de renda, políticas públicas fragilizadas, ficando o social
subjugado ao mercado. Conforme Nogueira (2005), não pode haver Estado democrático
que se afirma sem cidadania ativa e sociedade participante, mas a ausência do Estado
reduz o social a mero mundo dos interesses.
Ultimamente onde a região de Tomé – Açu está localizada foi escolhida como
piloto para implantação dos projetos de produção de frutos do dendezeiro (Elaeis
guineensis Jacq.) e indústrias de extração de óleo de dendê, incluindo os agricultores
como produtores, financiados pelo PRONAF Dendê, criado exclusivamente para esse
fim (BARROS, 2010).
Almeida (2013) ressalta que não apenas no Pará, mas também em toda a
sociedade brasileira é enorme a contribuição dos negros nos mais diferentes aspectos,
seja na cultura, na religião, na culinária e até na formação do pensamento.
No Pará a vivência do negro foi marcada por uma trajetória de trabalho forçado
e repressão tanto física quanto ideológica, diante dessa situação vale ressaltar que os
negros nunca aceitaram pacificamente a escravidão, de acordo com Vicente Salles
(2005) a fuga de escravos na Província do Grão-Pará tornou-se um processo rotineiro e
até certo ponto incontrolável. Foram várias as formas de resistência ao trabalho escravo,
desde atos de resistência individual como suicídio ou assassinato de feitores e senhores,
até atos de resistências coletivas, como seus cantos à noite nas senzalas, ou a fuga para
as matas e sertões. A fuga para os sertões significava em muitos casos a formação de
comunidades negras independentes do domínio dos brancos. Essas comunidades eram
chamadas de quilombos (MONTELLATO; CABRINI; CATELLI, 2002).
É fundamental perceber que os escravos, mesmo sujeitos a uma série de
limitações impostas pelo sistema escravista, buscavam a construção de determinados
espaços que lhes permitissem conquistar momentos de autonomia, direito e liberdade, o
que era conseguido geralmente com as fugas e formação de quilombos. “No Brasil
colonial - em quase todas as áreas - foram inúmeros os quilombos formados” (GOMES,
1997). Nos quilombos, os negros também mostravam a sua capacidade de organização e
articulação com outros indivíduos e grupos (SALLES, 2004).
Partimos da hipótese inicial de que, mesmo com a introdução de elementos
técnicos produtivos promovidos pelo modelo agroindustrial, ou seja, simplificador,
artificializador e causador de dependências de insumos (via crédito oficial e política de

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ATER), os agroecossistemas familiares resistem a perda da diversidade e acabam
ampliando ainda mais o leque de diversidade das lógicas produtivas, graças a
manutenção de princípios camponeses elementares, como: autoconsumo; autonomia;
resiliência; diversidade, co-evolução, entre outros (PLOEG, 2009). Ao final de uma
leitura de realidade, espera-se encontrar desde: a) famílias que optaram por aderir
processos de simplificação produtiva e, portanto, fragilizaram seus agroecossistemas e;
b) agroecossistemas que introduziram alguns elementos do modelo agroindustrial, mas
mantiveram a diversidade produtiva (para o consumo familiar), apoiados em práticas
ancestrais quilombolas, renovando algumas estratégias de manutenção da qualidade de
vida no campo.
Tomando como referência as reflexões acima, esse estudo buscou analisar
impactos de políticas públicas, especificamente a linha de crédito federal PRONAF, e
seus impactos na biodiversidade natural e diversidade das lógicas produtivas, junto a
famílias da comunidade Quilombola Nova Betel, localizada a 37 km do Distrito de
Quatro Bocas (município de Tomé-açu, Pará). Para tanto, foi realizado um levantamento
de potenciais organizações sócio produtivas da agricultura familiar para acesso às
políticas públicas em especial o programa nacional de fortalecimento da agricultura
familiar - PRONAF – criado em 1996, que trata do credito agrícola exclusivamente para
agricultura familiar. Levando em consideração o estado de sustentabilidade dos
estabelecimentos agrícolas.
Posteriormente, mobilizaram-se alguns indicadores multidimensionais para
avaliação do estado atual de sustentabilidade através da ferramenta MESMIS (ASTIER,
2008; SILVA et. al., 2013), minimamente adaptada a realidade estudada. Isso se tornou
possível, pois a ferramenta permite um processo flexível de adaptação de seus passos
metodológicos, bem como aproxima uma avaliação acadêmica de um diálogo mais
concreto com os sujeitos locais, seus limites e potencialidades na construção de
agroecossistemas mais resilientes as crises contemporâneas enfrentadas no campo.
O estudo objetiva analisar, os impactos da Política de crédito (PRONAF) junto às
famílias da comunidade Quilombola “Nova Betel”. Buscando caracterizar e avaliar
indicadores de sustentabilidade em agroecossistemas familiares da comunidade,
analisando os impactos positivos e negativos dos estabelecimentos agrícolas das
famílias que acessaram a política de crédito.

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2. REFERENCIAL TEÓRICO.
Para melhor compreensão e clareza fez-se necessário apresentar itens que
autores buscam fundamentar a pesquisa relacionada, tais como: As lógicas familiares de
produção, comunidades quilombolas na Amazônia, sustentabilidade e as lógicas
familiares e o PRONAF e os impactos junto à agricultura familiar.

2.1. Sobre as lógicas familiares de produção.


A agricultura camponesa tradicional vem a ser uma das formas sociais de
agricultura familiar, uma vez que ela se funda sobre a relação entre propriedade,
trabalho e família. No entanto, ela tem particularidades que a especificam no interior do
conjunto maior da agricultura familiar e que dizem respeito aos objetivos da atividade
econômica, às experiências de sociabilidade e à forma de sua inserção na sociedade
global. (WANDERLEY, 1996).
O campesinato foi, e ainda é historicamente predominante nas sociedades
tradicionais. Para Eric Wolf são integrantes das “sociedades camponesas” “aqueles
segmentos da espécie humana que permaneceram a meio caminho entre a tribo
primitiva e a sociedade industrial”. (WOLF. 1976). Por sua vez, Henri Mendras
considera que "este arquétipo da sociedade camponesa tradicional se incarnou sob
formas diversas no Ocidente europeu desde os meados da Idade Média até o fim do
século XIX." (MENDRAS. 1984).
Evidentemente, é preciso considerar, antes de tudo, que o “modelo original” do
campesinato brasileiro reflete as particularidades dos processos sociais mais gerais, da
própria história da agricultura brasileira, especialmente: o seu quadro colonial, que se
perpetuou, como uma herança, após a independência nacional; a dominação econômica,
social e política da grande propriedade; a marca da escravidão, e a existência de uma
enorme fronteira de terras livres ou passíveis de serem ocupadas pela simples ocupação
e posse. (WANDERLEY.1995).
Wanderley (1995) acrescenta ainda, que o lugar do trabalho familiar é reiterado
e mesmo reforçado: os membros da família continuam envolvidos no trabalho do
estabelecimento - suas tarefas consistem agora, fundamentalmente, na operação das
máquinas (meios de produção e também patrimônio familiar) e na fiscalização dos
assalariados - e, sobretudo, estes estabelecimentos têm capacidade para absorver um
maior número de filhos.

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Um camponês não é apenas parte de uma “classe grosseira” (SHANIN, 1972);
ele ou ela é igualmente parte de um mundo grosseiro e cruel”. Daí que a luta pela
autonomia (e pela sobrevivência, pela dignidade, por uma vida melhor) em uma
sociedade que condena pessoas à submissão, dependência, privação e as ameaças com a
deterioração de seus meios de vida, torna-se central para a “condição camponesa”.
Esta luta pela autonomia, que o campesinato compartilha com muitas outras categorias
sociais, articula-se, no caso específico do campesinato, como processo contínuo de
construção, aperfeiçoamento, ampliação e defesa de uma base de recursos
autocontrolada, sendo a terra e a natureza viva (cultivos, animais, luz solar, água) suas
partes essenciais (SEVILLA GUZMAN E MOLINA, 1990; TOLEDO, 1992). Com
esses recursos (que não se restringem apenas aos recursos naturais, mas que incluem um
amplo leque de recursos sociais, como, por exemplo, conhecimento local, redes sociais,
instituições específicas), os camponeses se inserem na coprodução.
Em sociedades altamente industrializadas, que vivenciam um conjunto de
escândalos alimentares, e que se encontram diante de uma crescente crise energética, o
grau de ordenamento da agricultura enquanto coprodução pode vir a se destacar como
uma dimensão distintiva e principal. Em países do Terceiro Mundo, que enfrentam
carência de alimentos, desemprego crônico e níveis reduzidos de renda no meio rural, a
trajetória de desenvolvimento agrícola, será provavelmente a dimensão principal, sobre
a qual diferenças relevantes vêm sendo articuladas. A mesma dimensão também define
a arena sobre a qual a batalha mais decisiva se realiza. E, nos sistemas agrícolas que
vêm se confrontando com um duradouro aperto, a dependência em relação ao mercado
(em oposição a uma relativa autonomia) pode surgir como decisiva. (PLOEG, 2005).
O modo de produção camponês é, em essência, orientado para a produção e para o
aumento de valor agregado. Isso pode ser visto em si mesmo como uma obviedade,
mas, quando comparado com os contrastantes modos de produção, sua especificidade e
relevância ganham em importância.
A expansão do sistema capitalista em escala mundial subordina as formas de
produção no campo e redefine as novas relações de trabalho tendo como base gerar
renda para o capital. Nota-se que existem camponeses que resistem ao capital, tendo a
terra como fonte de subsistência, seu modo de vida. Lutam por terra de trabalho porque
querem continuar no campo. Mas, contraditoriamente, há aqueles que vendem a sua
força de trabalho e passam a serem trabalhadores rurais precarizados, nesse sistema tão
perverso e predatório que exclui a maioria da população e que consequentemente

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influência na qualidade de vida dos mesmos. (OLIVEIRA E PINTO, 2013). O modo de
vida do camponês perpassa por significados e valores modelados pela cultura que
nutrem a região. Mas, ao mesmo tempo acaba rompendo os laços de ajuda mútua nas
atividades agrícolas entre os membros da comunidade, devido ao avanço do
capitalismo.
A cultura é o que nos faz e nos torna o que somos ao crescermos em um
determinado ambiente. Trate- se da forma autêntica e local de cada povo se constituir e
resistir à força globalizante que busca homogeneizar as diferenças. A proposição
comum a muitos estudos sobre esse tema é a de que cada cultura consiste em um
universo simbólico em sim mesmo, de cada povo, organizado socialmente de maneira
coerente e limitada. Dessa maneira, haveria padrões discretos de comportamentos,
cognição e valores compartilhados entre os membros componentes de cada grupo em
contraste com os membros de outros grupos (MATHEWS, 2002).
Portanto, a identidade entrelaça o sujeito ao contexto no qual está inserido, em
que alinha sentimentos pelo reconhecimento dos sujeitos enquanto grupo, por
partilharem histórias, valores e costumes que os remetem os remetem a um passado
comum e, portanto, a uma identidade compartilhada. A subjetividade compartilhada. A
subjetividade quilombola, por sua vez, compreendida por meio de sentido e significação
atribuídas, nos remete a discursos e narrativas sobre a história de grupo, sendo
construída por representações e relações sócias (FURTADO, 2014).

2.2. Comunidades quilombolas na Amazônia.


As populações tradicionais, essenciais para o manejo sustentável dos recursos
naturais, segundo o conceito de cultura tradicional proposto por Diegues (2000) são
aquelas que possuem como características: Importância das simbologias, mitos e rituais
associados à caça, pescam e atividades extrativistas; Auto-identificação ou identificação
pelos outros de se pertencer a uma cultura distinta das outras; noção de território ou
espaço onde o grupo social se reproduz econômica e socialmente; moradia e ocupação
desse território por várias gerações, ainda que alguns membros individuais possam ter
se deslocado para os centros urbanos e voltado para a terra de seus antepassados.
Apesar dessas características comuns, as populações tradicionais são muitas, e
variam de acordo com cada região do Brasil: povos indígenas (e suas diversas etnias),
comunidades quilombolas, caboclos ribeirinhos, populações tradicionais marítimas que
se subdividem em: pescadores artesanais e caiçaras, entre outras. Todas atreladas à

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noção de memória sociocultural que se exterioriza como a expressão máxima da riqueza
cultural do grupo, criadora de identidade própria. (PAULA & TÁRREGA, 2009).
A Amazônia é um território onde abrange diversas comunidades tradicionais. A
presença negra na Amazônia tem sido estudada sob vários aspectos: do ponto de vista
cultural, ou seja, a influência da cultura negra nos modos de vida dos sujeitos sociais
amazônicos; quanto às dinâmicas sociais de construção de suas identidades coletivas; e
acerca da reivindicação de “territorialidades especificas”, concernente a comunidades
quilombolas, afro-religiosos, entre outras situações sociais em que esses sujeitos se
encontram, diante de relações conflituosas ou não. (FARIAS, 2007)
As comunidades remanescentes de quilombo são um seguimento étnico que cada
vez mais ganham reconhecimento em todo o Brasil não só por sua grande diversidade
cultural, mas também pelo número crescente de identificações e titulações. Farias
(2007) diz em seu argumento que “o negro na Amazônia” dos chamados “interpretes da
Amazônia”, que focalizaram questões ligadas à escravidão, encontram-se organizados
de forma plural quanto às suas identidades coletivas reivindicadas. Hoje, essas
realidades empiricamente observáveis podem referir-se tanto aos termos da
classificação, quanto aos termos locais. Em ambos os casos, os sujeitos sociais
procedem a politização dos termos dando um sentido de “formas organizativas” e luta.
Manifestações dos movimentos sociais falam até mesmo de uma Amazônia Negra.
O estado do Pará tem grande destaque no interior desta discussão por ser até
agora o maior titulador dos territórios remanescentes de quilombolas. Este mesmo
estado também foi o primeiro titulado de terra quilombola quando o fez na comunidade
remanescente de quilombo Boa Vista (no município de Oriximiná) foi a primeira a ser
titulado, fato acontecido no ano de 1995 e executado pelo INCRA (Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária) (TRECCANI, 2006).
Os quilombos reafirmavam uma ruptura com a lógica vigente na escravidão
quando os negros ex-escravos se apossavam de pequenos pedaços de terra. A legislação
da época excluía qualquer possibilidade de aquisição de terra que não fosse pela
compra. Mesmo diante desses impedimentos legais, os negros quilombolas tomavam
posse de pedaços de terras e estabeleciam moradia e trabalho. Dessa forma, revogavam
por meio da luta a legislação imposta pela classe dominante e colonizadora, que os
excluía da condição de possuidores de terra (ROCHA, 1998).
A importância do território, a forma comunal de se relacionar com a terra, a produção
coletiva, a religiosidade, entre outras características são elementos que participam da

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construção da identidade quilombola, ao mesmo tempo em que ressaltam o imaginário
social dos sujeitos sobre sua cultura e possibilitam significações identitárias entre os
membros do grupo. As dificuldades a que estão sujeitos diante de insuficientes políticas
públicas os remetem ao passado de exclusão e omissão dos direitos que possuem, e que
perdura até os dias atuais. Além disso, os quilombolas são tratados, em muitos casos, de
maneira depreciativa e desqualificados do direito de posse do território que habitam
devido os interesses de posseiros, grileiros ou fazendeiros sobre suas terras
(FURTADO, 2013).
Furtado (2013) continua dizendo que a questão territorial ao remeter os
quilombolas a um passado de luta os faz reviver memórias e sentimentos relatados por
seus antepassados e reafirma uma situação de instabilidade e injustiça comum desde o
passado entre esses sujeitos. Em momentos anteriores, ligados às narrativas do período
da escravidão e a constituição dos quilombos em que era comum a exclusão dos ex-
escravos do direito de posse da terra, esses indivíduos buscaram isolamento como
estratégia para reafirmar seus valores e cultura de origem africana.
Muitas comunidades de quilombolas buscavam estabelecer relações econômicas
com comunidades vizinhas e, para isso, procuravam constituir-se em regiões próximas a
locais onde pudessem realizar trocas mercantis, mesmo que clandestinas. Contavam
com a proteção de pequenos lavradores, donos de bodega e alguns negros que ainda
encontravam-se na condição de escravos. Em muitas regiões, houve uma integração
socioeconômica envolvendo as práticas camponesas dos ex-escravos e dos que ainda
permaneciam nessa condição, diante da parcela de terra e tempo destinados pelos
senhores. O cultivo de pequenas roças e o acesso a um comércio informal foi a base da
construção da economia quilombola, tipicamente camponesa e compartilhada por
comerciantes, lavradores, escravizados e libertos (SOUZA, 2008).
Atualmente essas comunidades sofrem com a falta de infraestrutura como:
escola, saneamento básico, estradas asfaltadas, transporte público etc. Pelo fato da
maioria ser constituída por agricultores, sofrem com invasões de grileiros e com
incipientes financiamentos, pois muitos não têm os títulos de suas terras. Tem-se
registro da existência de comunidades quilombolas em áreas devolutas, de preservação
permanente, da Marinha, terras de particulares, entre outras (BARRETO, 2006).

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2.3. Ligações entre sustentabilidade no campo e as lógicas familiares
A partir da década de 1950, verificou-se um grande crescimento econômico em
quase todo o mundo. A atividade industrial foi impulsionada a vários fatores, entre eles
o crescimento populacional e a consequente ampliação do número de consumidores de
produtos industrializados. Essa expansão aumentou significativamente a poluição
atmosférica e o uso dos recursos naturais da Terra (GARCIA, 2016).
Garcia (2016) continua dizendo que a ideia do desenvolvimento econômico visto
como projeto civilizatório do capitalismo marcou a própria história da modernização da
agricultura nos dois últimos séculos). O chamado Padrão Técnico Moderno (PTM) das
práticas agrícolas, como é conhecido atualmente, começou a ser gerado a partir da
segunda metade do século XIX. Contribuiu para tanto a introdução de máquinas e
equipamentos criados pela indústria, com o objetivo de aproveitar melhor a força de
trabalho e ampliar as áreas de cultivo.
As fontes de conhecimento e as inovações técnicas, inicialmente em mãos dos
agricultores, passaram a ser gradualmente dominadas pela indústria, permitindo a
expansão do cultivo de cereais e dando início à produção intensiva (SALLES, 1993;
EHLERS, 1996).
Desde a década de 1960, o pensamento mundial está voltado para temas que
envolvem a proteção ambiental. Nessa época, iniciou-se uma conscientização de que os
recursos naturais eram finitos, e o homem precisava cuidar do meio ambiente para
garantia de sua própria vida e, consequentemente, da vida das gerações futuras
(GARCIA,2016).
A sustentabilidade aparece, assim, como um critério normativo para a
reconstrução da ordem econômica, como uma condição para a sobrevivência humana e
um suporte para se chegar a um desenvolvimento duradouro, questionando as próprias
bases da produção (LEFF, 2011, p. 15). Ela deve, portanto, estar alicerçada em três
importantes dimensões: a ambiental, a social e a econômica. Sustentabilidade, portanto,
“decorre de sustentação, a qual, por sua vez, é relacionada à manutenção, à conservação,
à permanência, à continuidade, e assim por diante” (GARCIA, 2012, p. 389).
Desse modo busca-se possibilidade do encontro de novos recursos provindos da
biodiversidade conferindo valor econômico à natureza e aos conhecimentos de
populações tradicionais. Urge a necessidade de mecanismos de proteção que visem
resguardar o patrimônio sociocultural de povos tradicionais e os recursos naturais alvos
de exploração. A valorização das comunidades tradicionais indígenas e não-indígenas:

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quilombolas, caiçaras, babaçueiros e demais povos detentores de saberem tradicionais e
que dependem diretamente da natureza para viver, tem como premissa o
reconhecimento às formas de manejo que desenvolvem. (PAULA & TÁRREGA, 2009).
O reconhecimento de que a relação de dependência existente entre a
biodiversidade e o modo de vida de comunidades tradicionais e indígenas assegura
equilíbrio ambiental, perpassa também a concepção da biodiversidade como fonte de
potencial econômico, isto porque a mesma quando utilizada como recurso para a
fabricação de novos produtos comercializáveis, ultrapassa o âmbito local e passa a ter
alcance global. Utiliza-se conhecimentos e práticas seculares de comunidades
tradicionais para a obtenção de recursos biológicos a serem utilizados por indústrias
farmacêuticas, cosméticas, alimentícias, entre outras. Tárrega e Pérez (2007) afirmam
que o acesso ao recurso genético e as substâncias químicas contidos na biodiversidade
de alguns países passou a gerar enormes expectativas de lucros.
Portanto a agricultura brasileira se caracteriza pela heterogeneidade de contextos
ambientais, geográficos, econômicos e socioculturais, onde cada um apresenta limites e
possibilidades para a realização de atividades agrícolas, pecuárias, extrativistas assim
como para um conjunto diversificado de ocupações rurais não agrícolas como o turismo
cultural e ecológico (artesanato, agroindústria entre outros). Tal concepção enfoca o
rural ressaltando a questão da sua multidimensionalidade, valorizando assim não só os
aspectos agrícolas ou econômicos, mas também as suas demais dimensões inerentes ao
meio rural (GALVÃO & PEROSA, 2012).
Foi realizada aplicação da ferramenta MESMIS para algumas famílias da
comunidade que está sendo realizado o estudo, devido a complexidade dos
estabelecimentos, a ferramenta foi adaptada a realidade local, desse modo buscamos
alguns estudiosos para reforçar a importância dessa ferramenta para coleta de
informações importantes e levantamentos de dados. O foco principal da adaptação do
MESMIS tem sido o desenvolvimento de indicadores capazes de avaliar
agroecossistemas complexos (ASTIER et. al., 2008; COLAÇO-DE-ROSÁRIO e
COSTA, 2006; SARANDÓN et. al., 2006; CORRÊA, 2007; VERONA, 2008).

2.4. O acesso ao PRONAF e impactos junto à agricultura familiar.


O surgimento do PRONAF – Programa Nacional de Agricultura Familiar, em
1995, trouxe como um ponto importantíssimo no processo de intervenção estatal na
agricultura e no mundo rural brasileiro. Alguns autores discutem dizendo que a partir

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dos anos 1990, observa-se uma confluência de demandas em torno da problemática da
reforma agrária e da agricultura familiar. Tais demandam geram políticas públicas
direcionadas para estes grupos, sobretudo no âmbito do crédito rural. Em 1994, a
criação do PRONAF torna-se um marco no financiamento da agricultura familiar, que
até então se submetia as mesmas regras de crédito agrícola da grande produção rural.
(WIENKE,2017).

Como dito por Wienke (2017), no cenário político-jurídico, a lei 11.326/2006


instituiu a Política Nacional de Agricultura Familiar. De acordo com o seu artigo 3º,
considera-se agricultor familiar e empreendedor familiar rural aquele que prática
atividades no meio rural, atendendo simultaneamente aos seguintes requisitos: (a) não
deter, a qualquer título, área maior de que quatro módulos fiscais; (b) utilizar
predominantemente mão-de-obra da própria família nas atividades econômicas do seu
estabelecimento ou empreendimento; (c) ter percentual mínimo de renda familiar
originada de atividades econômicas de seu estabelecimento ou empreendimento; e (d)
dirigir seu estabelecimento ou empreendimento com sua família.

Cumpre destacar que as opiniões se dividem em torno aos avanços obtidos pelo
PRONAF em seu curto período de existência. De um lado, há os que apostam na ideia
de que o mesmo “está conseguindo produzir o ambiente institucional necessário à
ampliação da base social da política nacional de crédito e de desenvolvimento rurais”
(ABRAMOVAY e VEIGA, 1999), ao passo que outros, criticam-no com base no
caráter contraditório de uma política que aposta no desenvolvimento local e em
potencializar atividades diversificadas (via industrialização, turismo, lazer etc.), mas,
paradoxalmente, insiste na ênfase à profissionalização e apoio ao “verdadeiro
agricultor” (CARNEIRO, 2000), entendido como aquele produtor cujos rendimentos
originam-se essencialmente na agricultura. Além dos agricultores familiares, são
beneficiários potenciais do PRONAF os remanescentes de quilombos, trabalhadores
rurais e indígenas.
Desse modo, Santilli (2004) destaca que diversos estudos atestam serem os
povos indígenas e as populações tradicionais responsáveis, em grande parte, pela
diversidade biológica de nossos ecossistemas, produto da integração e do manejo da
natureza em moldes tradicionais.
Fonseca (2014) destaca que as decisões governamentais e as políticas públicas
são responsáveis por empregar transformações nos territórios das comunidades

13
tradicionais ao longo do tempo. A partir de determinadas demandas e tomadas de
decisões desde o âmbito governamental, as políticas públicas tornam-se muitas vezes
responsáveis por desmembrar, deslocar, limitar, circunscrever e deteriorar os territórios.
Em contrapartida, Gehlen (2004) diz que quando o modelo da agricultura
familiar deve ser conduzido por políticas adequadas, este se mostra econômica e
socialmente eficiente, sensível às questões ambientais. Alguns avanços obtidos – como
resultado das reivindicações das organizações dos agricultores e garantidos através de
políticas como PRONAF, expressam uma nova visão do significado e do papel da
agricultura familiar no Brasil, sobretudo para o desenvolvimento sustentável (MELLO,
2008; GEHLEN, 2004).

Em relação ao êxito das políticas públicas, Dahrendorf (1992) acrescenta que as


chances de sucesso são diferentes e beneficiam os que detêm poder de decisão sobre as
condições necessárias para aproveitar as oportunidades. Por isso, políticas públicas com
interesse social devem beneficiar de forma diversificada os que possuem necessidades
diferenciadas, no sentido de propiciar as condições para superação das desigualdades,
sendo que, aos poucos, essa "vantagem" em benefício de grupos sociais identificados
deve perder vigência, para converter-se numa política pública igualitária.

Portanto, para compreender os impactos das políticas públicas, sejam positivos


ou negativos se faz necessário uma leitura histórica do território, desde sua constituição
por seus sujeitos, paisagens, potencialidades e limites que estão em jogo. Para então
localizar o papel das lógicas familiares de produção e seus desafios.

3. BREVE CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO


3.1 Município de Tomé Açu, Estado do Pará.
O município de Tomé-Açu, está localizado na mesorregião do Nordeste
Paraense e microrregião de Tomé-Açu no Bioma Amazônia, com uma latitude
02º04‟52” e 03º16‟36” Sul e uma longitude 47º55‟38" e 48º26'46" Oeste de Greenwich,
tendo como limites os municípios: ao norte, Acará e Concórdia do Pará; a leste São
Domingos do Capim, Aurora do Pará e Ipixuna; ao Sul o município de Ipixuna e a
Oeste Tailândia e Acará. Está situado a 280 km de Belém por via rodoviária (PA-140) e
270 km com percurso pelos rios Acará e Guamá (RODRIGUES et al., 2001).

14
Figura 01. Mapa de localização do município de Tomé Açu – Pará.
Fonte: www.google.com.br, 2018.

Sua ocupação agrícola por meio da imigração japonesa ocorreu em duas fases:
uma com a predominância de monocultivos de pimenta-do-reino (Piper nigrum L.) e
cacau (Theobroma cacao L.) no período de 1940 a 1970 e a fase atual com o
crescimento de sistemas agroflorestais (YAMADA, 1999). Nesta fase destacam-se
espécies arbóreas remanescentes da mata original como a Castanha-do-Brasil, o cedro
(Cedrela fissilis Vell.) e o ipê-amarelo (Tabebuia serratifolia Vahl.). A dinâmica da
vida social, econômica e cultural do povoado de Tomé-Açu gerou em torno da atividade
agrícola e da Cooperativa, cooperativa agrícola mista de Tomé Açu (CAMTA). A
agricultura em Tomé-Açu continua sendo uma atividade importante, tendo diversificado
as atividades produzidas. Atualmente, o Município é constituído apenas do Distrito-
Sede: Quatro Bocas (REIS; PEREIRA, 2014).

Os sistemas agrícolas tradicionais vêm se desenvolvendo juntamente com os


sistemas agroflorestais, cuja expansão vem aumentando nos últimos anos e a pimenta-
do-reino faz parte de cultivos consorciados ou em sistemas agroflorestais junto com
outras culturas (PACHÊCO; MATOS, 2006; VARELA; SANTANA, 2009).

A história da escravidão no Pará foi marcada pela resistência de negros e índios


que buscaram a sua liberdade por meio da fuga, da construção dos quilombos e da
participação na Cabanagem. Visitando o passado, de forma resumida, pode-se constatar
o seguinte: quilombo não significou apenas um lugar de refúgio de escravos fugidos,
mas a organização de uma sociedade livre formada de “homens e mulheres que se
recusavam viver sob o regime da escravidão e desenvolviam ações de rebeldia e de luta

15
contra esse sistema”, como define MUNANGA & GOMES (2006). Atualmente, a
questão quilombola foi recolocada no contexto nacional com a “descoberta das
comunidades quilombolas”, graças, em grande parte, a esses movimentos.

O estudo foi realizado na comunidade Quilombola Novo Betel, onde será


realizado um levantamento sócio produtivo e organizacional para levantamentos de
políticas públicas, em especial o PRONAF.

3.2. Caminho da pesquisa


O presente artigo está diretamente associado à análise proposta dentro do Projeto
do CNPq Universal (chamada universal MCTI/CNPq Nº 01/2016.), que se propôs
avaliar o estado de sustentabilidade de agroecossistemas familiares (e suas tecnologias),
em processos de diversificação, como estratégia inovadora, em espaço amazônico. Para
dar conta da interpretação das múltiplas perspectivas envolvidas na ideia de
sustentabilidade, se optou por um quadro de indicadores multidimensionais (ecológicos,
econômicos, sociais etc.). Dentre algumas ferramentas que vem sendo utilizadas em
distintos contextos de agricultura familiar, fez-se a opção pela ferramenta MESMIS
(SILVA et. al., 2013), detalhada mais abaixo.

3.3. Percurso metodológico

A pesquisa iniciou a partir do curso de pós – graduação (lato sensu) em gestão


em sistemas agroextrativistas para território de uso comum na Amazônia (GESAM).
Com objetivo de fortalecer experiências vividas pelos alunos e professores, promovendo
novos desafios em relação a gestão dos territórios estudados, como os territórios
indígenas, quilombolas, ribeirinhos e entre outros, frisando a importância desses
agroecossistemas distintos com diferentes realidades culturais. Portanto, foram
ofertadas disciplinas que aprofundam esse embasamento, dando fundamento e preparo
maior para iniciar essa pesquisa que além das disciplinas e experiências em sala de aula
o estudo necessitou de coleta de dados documentais, tais como: levantamento
bibliográfico. O segundo passo na pesquisa foi à realização de reuniões para aplicação
das ferramentas: MESMIS, registros fotográficos e áudios.
O artigo está associado à análise proposta dentro do Projeto do CNPq Universal
(chamada universal MCTI/CNPq Nº 01/2016.), avaliando a sustentabilidade de

16
agroecossistemas familiares (e suas tecnologias) em processo de diversificação como
estratégia inovadora, em espaço amazônico.
O método MESMIS (Marco para a Avaliação de Sistemas de Manejo de
Recursos Naturais Incorporando Indicadores de Sustentabilidade) é uma ferramenta que
se justifica pela reflexão interdisciplinar possibilitada por ela. Além disso, considera a
manutenção da abordagem sistêmica como pressuposto basilar, reforçando uma leitura
de realidades complexas e, sobretudo, a valorização de princípios agroecológicos,
especialmente os aspectos relacionados ao entendimento da sustentabilidade como um
processo dinâmico e multidimensional (MASERA et. al., 1999; ASTIER, 2008;
ESTEVES DE VASCONCELLOS, 2002; MORIN, 2005).Com isso, a ferramenta será
adaptada à realidade da comunidade, podendo identificar o grau de sustentabilidade em
três (3) dimensões: Social, Econômica e ecológica.

4. ANÁLISE DA PESQUISA EM ASPECTOS MULTI DIMENSIONAIS.


A região que está localizada a comunidade Quilombola “Nova Betel, atualmente é
tomada por plantações de dendeicultura, impacto direto da Política do PRONAF, alterando
significativamente a paisagem e economia deste território. Desse modo Barros (2010)
acrescenta que a região onde Tomé-açu está localizada foi escolhida como piloto para a
implantação de projetos de produção de frutos do dendezeiro e indústrias de extração de
óleo de dendê, incluindo os agricultores familiares como produtores, financiados pelo
PRONAF Dendê, criado exclusivamente para esse fim.

Por estar passando por um processo de regaste de identidade cultural, desse modo, a
comunidade está sendo reconhecida como povos quilombolas de forma recente, muitos famílias
fizeram o financiamento para aquisição ao crédito dendê, antes do processo de reconhecimento
como povos remanescente de quilombo. Segundo informações obtidas através da Secretaria de
Políticas para Promoção de Igualdade Racial – SEPPIR, a comunidade quilombola Nova Betel
não possui registro definitivo da terra, segundo informações, de todas as comunidades
quilombolas existente na região de Tomé – Açu, apenas a comunidade Forte do Castelo possui o
registro definitivo que declaram que seu território é quilombola. Portanto a comunidade
estudada ainda está em processo de legalização territorial, em relação a sua identidade cultural.

Aplicou-se a ferramenta MESMIS, sendo escolhida por permitir uma avaliação do


estado atual de sustentabilidade das famílias escolhidas para a pesquisa, sendo necessário traçar
um perfil das mesmas (gráfico 01). Desse modo, cinco (5) dos seis (6) entrevistados moram na

17
agrovila e estão envolvidos com atividades voltadas para a agricultura e cinco (5) dos seis (6)
entrevistados fizeram algum tipo de financiamento, para aquisição de crédito rural.

100%

90%

80%

70%

60%

50%

40%

30%

20%

10%

0%
Monocultivo SAF's Cultivo anual Horta Criação animal Extrativismo
(roça)

Gráfico 01. Representação das atividades predominantes desenvolvida na comunidade


Quilombola Nova Betel.
Fonte: Pesquisa de campo 2018.

Os moradores que fizeram o financiamento para trabalhar com produção de


dendê possuem uma área em seu lote somente para produção do dendê, porém, muito
desses moradores já vem trabalhando com a produção dos sistemas agroflorestais antes
de fazerem o financiamento tanto do dendê quanto para trabalhar com outros cultivos,
mesmo que de forma secundária, O PRONAF floresta, se inicia com o monocultivo da
pimenta-do-reino, nos anos seguintes os agricultores iniciam a introdução do cacau,
cupuaçu e algumas espécies florestais, essas podem ser opcionais Desse modo se
iniciam os sistemas agroflorestais, a introdução das espécies florestais depende de cada
agricultor, podendo possuir uma grande variedade de produção.

As roças fazem parte da cultura local, sendo de fundamental importância,


principalmente para possuir variedade alimentar na mesa dessas famílias. A mandioca
(Manihot esculenta Crantz.) é o principal cultivo nos sistemas de ciclo anual dos
agricultores. Já a produção de hortaliças é praticamente inexistente na comunidade,

18
poucas famílias possuem hortas nos seus estabelecimentos, cerca de 5% dos moradores
plantam hortaliças na comunidade, quando plantam, costumam vender em seus
estabelecimentos, principalmente quando possuem pontos comerciais, sendo esse o caso
da família entrevistada, número um (1), Anísio Chermot.
Praticamente 60% dos moradores criam algum tipo de animal, variando de
avicultura, suinocultura, piscicultura e pecuária, os tipos de criação predominante são
avicultura e pecuária, a venda é feita de forma esporádica, na maioria dos casos, os
animais são criados para o consumo familiar. Desse modo, observa-se que é vantajoso
para as famílias criarem algum tipo de animal, seja para venda ou para consumo
próprio, pois o custo é baixo, sendo que a base alimentar desses animais é feita por
rações alternativas, do próprio estabelecimento familiar, se tornando lucrativo e rentável
para a família.
Todas as famílias entrevistadas praticam a coleta extrativista de forma
esporádica, assim como a venda de animais, as famílias da comunidade Nova Betel,
praticam a coleta de frutas, como uxí (Endopleura uchi (Huber) Cuatrec.), pupunha
Bactris gasipaes Kunth.), piquiá (Caryocar villosum (Aubl.) Pers.) e açaí (Euterpe
oleracea L.) para o consumo da família, nunca para a venda, assim como, a caça de
animais silvestres, já a pesca nos igarapés da região é rara.
Aplicação do MESMIS teve como intenção avaliar o grau de sustentabilidade
em três dimensões: social, econômica e ambiental. Assim, na esfera social os moradores
apresentam carência em infraestrutura comunitária, sendo inexistente o saneamento
básico, assistência médica e dificuldade em acessar a esses sistemas públicos de saúde,
devido à distância do centro urbano e a ausência de transportes públicos, com isso,
raramente essas pessoas vão ao hospital, dificultando a qualidade de vida local, quando
a viajem ao centro urbano não é feita de moto é feita nos transportes particulares que
vão uma vez por semana na comunidade, geralmente nos dias de sábado, cobrando um
valor de R$ 10,00 por passageiros, é assim que esses agricultores e agricultoras
conseguem chegar a cidade e transportar seus produtos para comercialização.

Ao longo da pesquisa de campo já foi possível observar que os sistemas


agroflorestais são marcantes no município de Tomé-açu. Teve início, devido aos
grandes plantios de pimenta - do - reino na região. Com o intensivo sistema de cultivo
da principal cultura agrícola do município dando sinais de fragilidade com o início do
ataque do fungo causador da fusariose (Fusarium solani f. sp. Piperis), em 1957,

19
causando a redução da vida útil dos pimentais e sua constante renovação e a procura de
novas áreas, o que somado com os baixos preços no mercado internacional, no período
de 1982 a 1987, houve um decréscimo na produção e na exportação. As pressões
ambientais começam a refletir na expansão das pimenteiras afetando a incorporação de
novas áreas de floresta densa e da obtenção de moirões, despertando um avanço da
fruticultura (HOMMA, 2004).

Sendo que para Homma (2004), a incorporação de fruteiras surgiu como


alternativa econômica e que com isso a diversificação de culturas com a combinação de
espécies perenes, se estabeleceu enquanto saída ao sistema convencional de produção
agrícola em Tomé-Açu. Em que não apenas os produtores imigrantes do Japão passaram
a associar espécies diferenciadas e de seus interesses na mesma unidade de manejo, mas
também os pequenos produtores de pimenta-do-reino começaram a introduzir sistemas
de cultivos perenes com cultivos anuais em SAFs, como, por exemplo, o maracujazeiro,
aproveitando as estacas das pimenteiras, antes ou após a morte das pimenteiras.

4.1 Avaliações do grau de sustentabilidade dos agroecossistemas estudados.


Foram entrevistados seis (6) famílias, onde duas (2) tiveram acesso ao Pronaf
dendê, duas (2) tiveram acesso ao Pronaf floresta, uma (1) acessou o Pronaf floresta e o
Pronaf dendê e uma família optou por não fazer o financiamento.

Quadro 1. Informações-chaves sobre famílias entrevistadas – critérios de


escolha.
REPRESENTANTE TIPOS DE FINANCIMENTOS
FAMILIAR

PRONAF FLORESTA PRONAF DENDÊ NÃO ACESSOU O PRONAF


Anísio Mathias Chermot X
Raimundo da Costa X
(Maranhão)
Josiane Gonçalves da Silva X
Mizael Ferreira Mathias X
José Augusto Mathias X X
Boanergio Mathias X
Fonte: Pesquisa de campo, 2018.

Podemos observar no gráfico 02 que os indicadores sociais das famílias ficaram


bem abaixo do indicador ideal. Dos agroecossistemas avaliados, notou-se uma
sustentabilidade global relativamente baixa, quando comparada com o IDEAL,

20
destacando casos bem distintos com famílias que introduziram o monocultivo de dendê
com situação bem abaixo das famílias que ainda mantiveram o certo grau de diversidade
em seus agroecossistemas.

Nível crítico

Pronaf Dendê

Gráfico 02. Aspectos gerais das sustentabilidades das famílias


entrevistadas da comunidade quilombola Novas Betel.
Fonte: Pesquisa de campo (2018).

A família um (1), (Anísio Chermot) acessou o Pronaf floresta, possuindo uma


grande diversificação em seu agroecossistema, podemos observar que a realidade dessa
família se aproxima do indicador ideal, assim como a dimensão técnica – econômico. Já
a realidade social de todas as famílias entrevistadas é praticamente a mesma, devido à
falta de saúde, educação e infraestrutura na comunidade. O agroecossistema dois (2)
pertencente a família do senhor Raimundo Costa, também fez acesso ao financiamento
floresta e assim como o senhor Anísio prospera nas dimensões ambiental e econômica.
Sua propriedade é bastante diversificada, como podemos observar nas imagens a seguir.

21
Figura 02. Atividades produtivas da família 01 (Anísio Chermot).
Fonte: Pesquisa de campo, 2018.
Imagens da propriedade da família um (1), (Anísio Mathias Charmot), o sistema
apresenta um quadro interessante em termos de sustentabilidade, pode –se observar que
o gráfico 2 se encontra a cima do nível critico.
Imagens da propriedade do agricultor Raimundo Costa, assim com o agricultor
Anísio, a família também fez acesso ao PRONAF floresta, estando em termo positivo
em relação ao nível que avalia o grau de sustentabilidade do estabelecimento familiar.

22
Figura 03. Atividades produtivas da família 02, (Raimundo Costa).
Fonte: Pesquisa de campo, 2018/ Imagem 2.

Em relação às famílias, três (3) e quatro (4), (Josiane Silva e Mizael Ferreira), estes
fizeram acesso ao Pronaf dendê, segundo as famílias entrevistas, por influência da empresa
Biopalma, observando o gráfico acima, podemos concluir que a família da Josiane conseguiu
está acima do nível critico, já a família numero quatro (4), família do agricultor Mizael Ferreira,
não consegue atingir o nível de sustentabilidade de seu estabelecimento, principalmente em
relação a divida, oriunda do financiamento (PRONAF).

Figura 04. Atividades produtivas da família 04, (Mizael Ferreira).


Fonte: Pesquisa de campo, 2018/ Imagem 3.

23
Sua plantação de dendê encontra-se tomado por plantas espontâneas e sua propriedade
não possuiu grande diversificação, a renda maior da família é oriunda da prefeitura, a esposa do
senhor Mizael é funcionaria pública.

O senhor José Augusto, corresponde ao 5° pilar do gráfico, conseguiu acessar os dois


financiamentos, porém o nível de seu agroecossistema é crítico a perda da implantação do
projeto Pronaf Floresta foi total, como podemos observar na imagem quatro (4). Existe uma
divida a ser paga em relação ao financiamento. A plantação de dendê ainda não começou a
produzir, hoje a família com dez (10) pessoas, sendo um (1) adulto e oito (8), incluindo
adolescentes e crianças, sobrevivem da roça e dos sistemas agroflorestais mais antigos,
incluindo a criação animal, como, patos, galinhas e gado. Segundo os relatos do senhor José
Augusto, não sabe como reverter essa situação e faltaram apoio e orientação correta em relação
aos investimentos propostos pelo programa – PRONAF.

Figura 05. Atividades produtivas da família 05, (José Augusto Mathias).


Fonte: Pesquisa de campo, 2018/ Imagem 4.

O sexto produtor optou em não fazer o acesso ao financiamento, a família do senhor


Boanergio Mathias e composta por duas pessoas, a senhora Ocinéia Mathias, a dificuldade
encontrada é a idade avançado dos dois, Dona Ocinéia encontra –se doente, não podendo ajudar
seu marido no lote, por esse motivo a mão de obra contratada é semanalmente, ainda sim, eles
conseguem uma boa administração, aproveitando os lucros do agroecossistema.

24
Figura 06. Propriedade do senhor Boanergio (Família 06), área do sistema
agroflorestal, cultivo de Banana, abacaxi, açaí, cupuaçu e outras espécies florestais.
Fonte: Pesquisa de campo, 2018. Imagem 5.

Sua propriedade é uma das mais diversificadas entre os produtores entrevistados, o


único produtor que conseguiu atingir o grau técnico econômico, ultrapassou o nível critico,
sendo considerado um agroecossistema eficiente. Talvez isso tenha se dado por buscar a
diversificação de seu estabelecimento, enquanto que o agroecossistema 1 e 2, também
encontram equilíbrio através da diversificação de sua produção, o agroecossistemas 3 também
diversifica sua produção, sendo que o município de Tomé – Açu, oferece oportunidades de
mercado para esse tipo de produção. Vale ressaltar que o agroecossistema 3 (Josiane da Silva)
ainda não começou a comercializar sua produção, devido a implantação do projeto de dendê ser
recente, vem comercializando as produções dos sistemas agroflorestais e cultivando roça e
criação animal. Os moradores da comunidade Nova Betel, fizeram o acesso ao credito
(PRONAF) por volta do ano de 2015, então todos os financiamentos feitos são recentes. Os
agroecossistemas 4 e 5 são os mais críticos, ficando a baixo do esperado na análise dos
indicadores de sustentabilidade, acredita-se que isso deve- se a falta de orientação, a perda de
produção e as dívidas acumuladas pelo financiamento.

25
Figura 07. Comparação gráfica dos agroecossistemas estudados
na comunidade Quilombola Nova Betel – Tomé-açu, Pará.
Fonte: Pesquisa de Campo, 2018.

A figura acima (figura 07) mostra o detalhamento dos agroecossistemas estudados, com
relação aos indicadores, podemos observar grandes variações entre as famílias, em relação ao
fator ambiental, as famílias conseguem se manter através da diversificação das espécies
cultivadas. O que se tem notado é a qualidade de vida, oferecido pelos órgãos públicos da
região, a maioria dos entrevistados vão aos hospitais quando já estão doentes, todos os
entrevistados se dirigem diretamente a clinicas e hospitais particulares do município, alegam
que “preferem pagar a esperar.” Em relação ao indicador econômico, os moradores são
influenciados nas produções diversificadas, por um grande produtor da região de sistemas
agroflorestais, o senhor, Michinori Konagano, que incentiva os pequenos produtores a implantar
o SAF‟s na região, com doações de mudas e orientações técnicas, desse modo, a produção é
garantida, tendo assim uma alta perfomarce econômica, existe mercado garantido e a perda é
quase inexistente.

26
O agroecossistema 01 (Pronaf Floresta),

Figura 08. Comportamento do agroecossistema 01 (PRONAF Floresta), comunidade


Quilombola Nova Betel – Tomé-açu, Pará.
Fonte: Pesquisa de Campo, 2018.

O agroecossistema 01 (Pronaf Floresta), possui uma grande diversidade de atividades


produtivas, são 52 ha de área de sistemas de produção e área de preservação permanente, onde a
família coleta frutos e prática a caça para alimentação, os sistemas de produção, incluindo
criação animal, estradas de chão que possibilitam acesso a casa de farinha, SAF‟s, plantação de
mandioca, pastejo de animal e área de mata, a propriedade do senhor Anísio Chermot que optou
em fazer financiamento para obter o crédito floresta e bastante diversificada, além de fornecer
os produtos para comercialização no Distrito de Tomé – Açu, Quatro Bocas, a família possui
um ponto comercial e vende na agrovila, como por exemplo as hortaliças, são bastante
comercializada, já que poucos plantam e a procura se torna maior aos que plantam para vender.

O agroecossistema 02 (Pronaf Floresta), pertencente ao senhor Raimundo Costa,


conhecido por todos naquela localidade como Raimundo Maranhão, esse é o único entrevistado
que não mora na agrovila, sua residência fica localizada em seu agroecossistema, como
podemos observar na figura 03, existe uma grande diversificação em sua propriedade,
principalmente quando observa-se seu quintal florestal, são inúmeros as frutíferas existentes em
sua propriedade, seu estabelecimento é bem organizado, sua área total é de 25 ha, existindo uma
grande área de mata, onde a família pratica a coleta de frutos nativos da região, assim como a
caça de alguns animais, a pesca é realizada uma vez ou outra pela família

O agroecossistema que optaram em manter a diversidade florestais de seus sistemas


conseguiram indicadores positivos, mostrando que esse tipo de atividade é economicamente
viável desde que o agricultor mantenha as lógicas corretas de cuidados com seu sistema de
produção, como manejo da área, permitindo um maior fluxo de produção, além de oferecer uma

27
variedade de alternativas de produção, esses sistemas possui uma grande flexibilidade tanto na
variedade de produção quanto na economia de manutenção desses sistemas.

Descrição do agroecossistema 06.

Figura 09. Comportamento do agroecossistema 06, comunidade Quilombola Nova Betel –


Tomé-açu, Pará.
Fonte: Pesquisa de Campo, 2018.
O agroecossistema 06 (Não acessou o Pronaf), sendo um dos agroecossistemas
mais diversificados entre os seis (6), apesar da família não ser uma família jovem e
possuírem dificuldade enquanto a isso, os sistemas de produção do estabelecimento
encontram – se bem produtivos e sempre tem um trabalhador com o senhor Boanergio,
foi possível observar a autonomia de cada elemento de produção no estabelecimento
agrícola, sendo evidente que mesmo não fazendo o financiamento a família consegue
manter seu agroecossistema, e ainda sim, produzindo uma grande diversidade.

Os sistemas agroflorestais são alternativos de uso da terra que podem integrar


culturas perenes, anuais e pecuárias, de forma simultânea ou sequencial, visando
assegurar uma produção global maior e sustentável em longo prazo. (GUIMARÃES e
PINHEIRO, 2000). Além de fornecer valor econômico ao proprietário, fornece
benefícios ao meio ambiente, o seu Boanergio foi um dos entrevistados que mais utiliza
matéria orgânica em sua propriedade, logo, economiza em insumos agrícolas, já que os
sistemas agroflorestais ocasionam diversos benefícios, como o aumento da fertilidade
do solo, disponibilizando nutrientes para as plantas, desse modo, foi possível observar
que a manutenção da biodiversidade se adapta a realidade local, gerando economia e
renda.

Mesmo sendo influenciado pelos vizinhos que fizeram o financiamento para


obtenção ao crédito, a família 06, preferiu não aderir, segundo relatos da própria

28
família, por medo de se endividarem, preferem os benéficos que chegam através de
projetos de empresas parceiras como o viveiro de mudas que a CAMTA (Cooperativa
agrícola mista de Tomé – Açú) HIDRO – energia e Japan International Cooperation
Agency (JICA) forneceram a comunidade no ano de 2013 e permanece até os dias
atuais. Além de implantarem projetos de SAF‟s entre os moradores interessados da
comunidade em seus agroecossistemas.

Sobre alguns relatos do senhor Boanegio, a vontade da família seria em fornecer


as polpas de frutas para os pontos de vendas comerciais do Distrito de Tomé – Açu, mas
ainda não é possível, devido às normas de beneficiamento vigente no momento, por esse
motivo, a família vende as polpas de frutas, como: Acerola, abacaxi, cupuaçu, maracujá
e entre outras em sua residência localizada na agrovila e o que não conseguem vender,
consome ou doam para os alunos da comunidade, geralmente. Outra dificuldade que foi
levantada pela família é a venda para atravessadores por um preço considerado baixo
pelo seu Boanergio, gerando desvalorização de seu produto. Como podemos observar
no gráfico acima as limitações ao meio seriam os obstáculos enfrentados pela família.
Seguindo seu depoimento, a escassez da água é uma grande preocupação para ele e
outros moradores que precisam lidar com essa situação, seu Boanergio alega que com a
chegada da empresa Biopalma os igarapés e a escassez de água se tornou frequente e
preocupante para a família.

Além da renda oriunda de seu estabelecimento agrícola, a pequena família 06,


possui renda de aposentadorias, tanto seu Boanergio quanto Dona Ocinéia, assim
conseguem manter e administrar seu empreendimento de forma rentável.

Descrição do agroecossistema 04.

Figura 10. Comportamento do agroecossistema 04, comunidade Quilombola Nova Betel – Tomé-açu, Pará.
Fonte: Pesquisa de Campo, 2018.

29
Como podemos observar o agroecossistema de número 04 (Pronaf Dendê) não
conseguiu ultrapassar o nível critico no gráfico, desse modo, observamos um índice
muito baixo relacionado aos outros agroecossistemas, isso se deve ao fato de que o
estabelecimento se encontra com uma baixa diversificação de produção, sendo o sistema
principal de produção o monocultivo de dendê. Porém esse, ainda, não começou a
produzir e o proprietário encontra - se com dificuldade de administração de seu
agroecossistema, como por exemplo, a limpeza da área, podemos observar na imagem
3, a plantação está sendo invadida por plantas espontâneas, dificultando o
desenvolvimento da planta e consequentemente afetará sua produção se essa situação
não mudar. Lembrando que existe uma divida a ser paga, em relação às orientações
relacionadas a esse tipo de produção, a família 04 alegou encontrar dificuldade de
orientação adequada e esse programa de crédito deveria se adequar a realidade familiar.

Observando o gráfico os indicadores de sustentabilidade se tornaram baixo em


quase todos os aspectos da análise, podemos concluir essa análise quando se observa as
imagens de número 04. A família conclui que sua maior fonte de renda é oriunda da
prefeitura, a esposa de senhor Mizael Ferreira é funcionaria pública.

Fazendo um resgate das análises estudadas na comunidade Quilombola Nova


Betel é possível observar que muitos agricultores que se mantiveram no modelo de
manutenção e buscaram manter sua autonomia com base na produção local do
município, através de diversificar sua produção, gerando renda e qualidade alimentar a
sua „própria família” conseguem manter os indicadores de sustentabilidade de forma
positiva no gráfico, exceto a família 05, que aderiu dois tipos de financiamento, esse se
encontra falido em um de seus projetos, devido ao ataque de fusariose em seu pimental,
com isso não conseguiu iniciar seu sistema agroflorestal, a renda de seu estabelecimento
vem dos sistemas de produção antigos e algumas criações animais, sendo que uma boa
parte é para alimentação da família.

Os agricultores familiares sempre receberam pouco apoio do poder público para


realizar sua atividade. Este segmento foi comparativamente negligenciado pelas
diversas esferas governamentais ao longo do processo de modernização da agricultura
brasileira, que se inicia no final da Segunda Guerra Mundial. O próprio conceito de
agricultura familiar não havia sido incorporado pelos agricultores familiares e suas

30
associações nos seus pleitos junto ao poder público. Esta falta de apoio era generalizada
para todos os aspectos dos processos produtivos agrícolas, desde o acesso à terra até a
comercialização da produção (CASTRO et al., 2014). Para atender a demanda histórica
desse segmento, o governo federal criou o Programa Nacional de Fortalecimento da
Agricultura Familiar (Pronaf) em 1995. O principal objetivo desse programa seria
oferecer crédito agrícola a taxas subsidiadas para investimento e custeio para diversos
tipos de agricultores enquadrados no segmento familiar. Apesar de o PRONAF atender
a uma demanda reprimida dos agricultores familiares por crédito, diversas outras
demandas desse segmento não foram atendidas, entre elas o acesso a serviço de
assistência técnica específica para esse público. (CASTRO, 2015). Após a extinção da
Embrater e a crise fiscal generalizada nos estados brasileiros nas décadas de 1980 e
1990, a oferta de ATER por instituições públicas se reduziu drasticamente, e os
agricultores familiares foram os mais prejudicados.

Dessa forma, cabe lembrar que a falta de políticas públicas adaptadas à realidade
dos povos e comunidades tradicionais gera problemas nos sistemas de produção, sendo
que esses povos tem seu próprio ritmo, seu modo cultural próprio, suas lógicas de
produção, considerando que essas pessoas carregam princípios e autonomia cultural.
Com bases nas análises feita, esses povos devem serem olhados com cuidado quando se
fala em enquadramento ou em oferta por linhas de crédito. Apesar de existir garantias
legais conquistadas pelos povos e comunidades tradicionais. Ainda se tem dificuldades
em ofertas de ATER adequadas a essas realidades locais.

5. CONSIDERAÇÕES DA PESQUISA.

Considerando a opção da ferramenta utilizada, foi possível observar uma


diferença entre os agroecossistemas que acessaram a linha de crédito e o
agroecossistema que optou por não acessar. A família que não acessou ao PRONAF se
manteve em uma estratégia de diversificação e autoconsumo que permitiu um
desempenho acima da linha crítica da sustentabilidade global, assim como as famílias
que fizeram acesso ao PRONAF floresta conseguiram se manter em um estado melhor,
em termos de sustentabilidade multidimensional. Já em comparação ao PRONAF
dendê, o PRONAF floresta seria o modelo que melhor se adaptaria a realidade local da
comunidade.

31
Contudo, a grande maioria das famílias mantém a diversidade produtiva como
estratégia fundamental para a garantia do consumo familiar e as relações de trocas e
venda. E, dentre as estratégias mais interessantes de diversificação, os SAF‟s
predominam, mas já passam sério risco de serem substituídos, em alguns casos, pela
implantação de monocultivos comerciais, dinâmica essa imposta pelo mercado via
Políticas oficiais de crédito (como o caso o PRONAF dendê).

Ainda se observou que muitos agricultores preferem ter elementos das duas
lógicas de produção (camponesa e comercial), como foi observado nos
agroecossistemas 01 e 06, com resultados mais interessantes do que o estado de
sustentabilidade observados nos agroecossistemas em dinâmica de perda de diversidade
e aumento da dependência ao mercado (agroecossistemas 03 e 04). O Pronaf busca
fortalecer a agricultura familiar com base em suas modalidades de crédito, com o acesso
ao crédito, os agricultores têm buscado incentivos a novas formas de ampliação de
produção, sendo que uns conseguem se manterem sustentáveis de forma diversificada e
outros se fragilizam. Desse modo, o Pronaf pode ser considerado uma ambiguidade,
sendo observado um lado que estimula e apoia os agricultores e outro lado de um
programa que fragiliza a diversificação desses agricultores, ou seja, o tipo de atividade
produtiva e econômica. Contudo, a ampliação da diversidade de lógicas que obriga a
uma nova visão de políticas públicas, mais preocupadas com esses novos fenômenos, ao
invés de impor um único modelo de inovação. Mesmo existindo vários tipos de
modalidade de crédito para agricultura familiar, observa-se que o Programa de
fortalecimento a agricultura familiar ainda precisa ser discutido enquanto o
aperfeiçoamento das realidades locais existente em nosso País.

32
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