Você está na página 1de 23

BRAGA 3.

0
UMA COMUNIDADE
SUSTENTÁVEL
correiodominho.pt
MARÇO 2015
Este suplemento faz parte da edição do jornal Correio do Minho de 2 de Março de 2015 e não pode ser vendido separadamente
BRAGA EM BUSCA BRAGA 3.0
correiodominho.pt

DA CIDADE INTELIGENTE MARÇO 2015

“As cidades morrem sempre ou, tudo nos vira para fora. Impera a diversão
digamos, acabam por ser abandonadas. e é o suor que nos alimenta, é a adrenalina
Em contrapartida, a cidade, enquanto que nos faz sorrir. São duas formas estar,
habitat humano ou modo de vida, dois estados de alma. São essas as suas
é imortal”. estratégias. E há tantos outros pontos no
Tu Qiyu globo terrestre com pressupostos e estra-
tégias perfeitamente alinhavadas.
Habitamos um planeta recheado de com- E Braga? Qual é a estratégia reinante ou
petição. De competidores. É um mundo qual o rumo a seguir? A tecnologia será
que se rende aos números, aos rankings e obrigatoriamente um rumo na próxima
às estatísticas. As cidades não fogem à re- Braga. Na Braga do futuro. Na Braga sus-
gra. E, nesse capítulo, há uma pergunta tentável. Hoje em dia é possível fazer um
colocada com muita frequência: qual é a zoom in no mapa de uma cidade. Hoje to-
melhor cidade para se viver? Segundo da- dos confiamos no GPS, nos telemóveis
dos da OCDE, Camberra, na Austrália, para nos levarem ao destino, para nos es-
conquistou essa distinção nos últimos colherem um restaurante. Há uns anos
dois anos. atrás era comum encontrar-se pessoas na
Para esta escolha figuram critérios tais rua, meio perdidas, de papel na mão, à
como espaços verdes, escolas, hospitais, procura de uma rua, de um espaço físico.
acessibilidades, entre outros. Camberra Hoje em dia, a rua tem menos importân-
foi desenhada há pouco mais de um sécu- DR cia. Os pontos para chegar ao destino co-
lo e usa como cartão de visita um visual TECNOLOGIA SERÁ OBRIGATORIAMENTE UM RUMO NA PRÓXIMA BRAGA meçam a tornar-se irrelevantes. Esse é um
limpo, arejado e devidamente arquitecta- dos trunfos da tecnologia.
do. A sua pureza é antagónica à alma de económica portuguesa obriga a um esfor- é criado pelo homem. Os privados devem Hoje em dia a cidade é vista em rede.
cidades como Londres ou Nova Iorque. ço redobrado e um nível de criatividade ser chamados à economia urbana, tal co- Tal como uma rede social. Aqui, mas uma
Falta-lhe o burburinho que e a intensida- distinto. Braga quer-se definir, neste con- mo os cidadãos devem envolver-se como vez a comunicação e a sua massificação
de própria dessas comunidades. texto pela tecnologia. Pela era digital. um novelo, naquilo que são as questões assume um papel fundamental no ritmo
E Braga? Onde é que a podemos inserir A educação é um item fundamental, da sua própria comunidade. O objectivo? introduzido nas cidades. Oferece-lhe no-
de entre estes dois mundos? uma vez que permite reagir aos desafios Ser sustentável. Como atingir esse desi- vos desafios, mas também coloca barrei-
As cidades são, no fundo, a principal tecnológicos, às necessidades e às exigên- derato? Capital humano, capacidade de ras, sejam elas até da liberdade e da indi-
obra da essência humana. São os motores cias dos mercados. E, nesta área, Braga comunicação, competitividade tecnológi- vidualidade.
da construção das civilizações. Do conhe- possui um carimbo de qualidade quase ca são as dimensões necessárias. Não há Por isso, Tu Qiyu nos seus estudos acer-
cimento e do progresso. A imprensa e a inigualável no país, como é o caso da receitas ideias para planear. Cada região ca de urbanismo atribui ao modos vivendi
tecnologia acabaram por serem veículos Universidade do Minho. deve seguir os princípios da experimenta- humano a maior fatia de capital na imor-
catalisadores da evolução. Da urbanida- É claro que em Portugal há pressupostos ção e daquilo que o factor humano lhe talização de uma cidade. No fundo, uma
de. Da atracção de escritores, de artistas, a alterar. Nomeadamente na necessidade transmite. E também aquilo que lhe pede. comunidade ou uma cidade é feliz, se os
de jovens com esperança e sangue na premente e urgente de, ao nível político A urbanização nem sempre significa seus habitantes forem felizes. O desafio
guelra. De criadores. Uma cidade sempre descentralizar competências, aumentar criação de riqueza e prosperidade. Por ve- de gerir áreas urbanas obriga a encontrar
foi um centro de poder. De vários pode- responsabilidades e que o plano da dis- zes, cria injustiças tremendas e conflitos. respostas nas pessoas. No factor humano.
res. E os números da urbanização mun- cussão ultrapasse a vertente financeira. Nesse prisma, há uma obrigatoriedade A busca da cidade inteligente parece, à
dial demonstram o imenso fluxo migrató- Isto é, os pacotes financeiros que estão que deve imperar: boa governação. E boa primeira vista, numa busca da Atlântida, a
rio para as cidades. Em regra, as cidades destinados a cada uma das cidades. É a organização implica uma estratégia. Por cidade perdida. A sua conquista significa-
que produzem mais ideias, conhecimento, dinâmica do ser humano, da comunidade exemplo, no Alentejo tudo parece virar- va o valor supremo. Não andaremos to-
e que oferecem níveis elevados de forma- que está inserida que deve ser definidora nos para dentro. O seu silêncio envolve- dos, enquanto comunidades, em busca
ção são mais prósperas. A actual situação desses pressupostos. O ritmo das cidades nos, preenche-nos. Já no Rio de Janeiro, desse valor supremo?
Publicidade
NÃO EXISTE UM CONSENSO BRAGA 3.0
correiodominho.pt

SOBRE O QUE É MARÇO 2015

3
UMA ‘SMART CITY’

DR

TECNOLOGIA DE HOJE PERMITE TUDO, POR ISSO, O LIMITE É A IMAGINAÇÃO

Para ser ‘inteligente’ uma cidade tem de ir Uma cidade inteligente tem de ser orien- mentos que a compõem forem também tativa, interactiva que se exige para o sé-
para além da disponibilização de tecnolo- tada para as pessoas. Tem de desenvolver inteligentes. Os cidadãos, hoje em dia, es- culo XXI, na qual o cidadão sente que a
gia e estar baseada em políticas governa- o sentido de comunidade e ser pensada tão perfeitamente habituados a utilizar a sua intervenção realmente conta.
tivas centradas na eficácia dos seus servi- para quem anda a pé, ou de bicicleta e tecnologia que existe para lhes facilitar a Precisamos reunir em torno do mesmo
ços. transportes públicos. Tem de pensar no vida, que os informa, ajuda a comunicar e objectivo os sectores das tecnologias de
A tecnologia de hoje permite tudo. O li- presente e nas gerações futuras, procuran- até a divertir-se. informação, o sector da energia e o sector
mite é a imaginação – mais do que o orça- do a sua sustentabilidade. Tem de gerir a O desafio para as cidades de hoje será dos transportes; juntos irão procurar solu-
mento. No entanto, só serão verdadeira- mobilidade, tem de optimizar as suas in- fazer com que os outros elementos (servi- ções para a melhoria da eficácia dos ser-
mente inteligentes as cidades que esti- fraestruturas, tem de garantir e monitori- ços, comunidades, edifícios…) acompa- viços públicos, melhoria da mobilidade,
verem dispostas a repensar os seus proce- zar a eficiência energética e tem, entre ou- nhem essa evolução e também eles se tor- diminuição da poluição e redução dos
dimentos e a sua gestão administrativa de tras, de encontrar soluções para a mi- nem inteligentes, aproveitando o que a custos energéticos.
modo a tornarem-se mais flexíveis, mais crologística. tecnologia permite. E o certo é que temos Ao nível dos serviços municipais – que
eficazes, utilizarem melhor os recursos Uma cidade é um sistema de sistemas: todas as ferramentas necessárias. deverão funcionar como um sistema in-
disponíveis e prestarem um melhor servi- um conjunto de pessoas, de edifícios, de Resta saber se temos imaginação e força terligado - são precisos sistemas tecnoló-
ço aos seus cidadãos, ao mesmo tempo comunidades, de entidades, de transpor- de vontade para deixarmos de ser a cidade gicos, legislativos e sociais que permitam
que garantem um futuro melhor para as tes e de serviços. rígida e inflexível do séc. XX para passar- monitorizar e optimizar edifícios, infraes-
gerações vindouras. Uma cidade será inteligente se os ele- mos a ser uma cidade estimulante, adap- truturas e outras actividades.
Publicidade
BRAGA 3.0
correiodominho.pt
MARÇO 2015

nal” a abstracto porque cada um trabalha-


rá sobre representações da realidade.

DR
*excluídos da interactividade
A interactividade generaliza-se: o dialo-
NOVAS TECNOLOGIAS GENERALIZAM-SE A TODOS OS POSTOS DE TRABALHO go ‘homem/máquina’ surge em todos os
postos de trabalho (monitores, autómatos
programáveis, salas de controlo) e no

TECNOLOGIAS E PESSOAS: atendimento ao público (ATM, smartpho-


nes, etc.). A utilização de sistemas inte-
ractivos comportam duas características:
É preciso compreender as mensagens afi-

UMA ESTRATÉGIA E GESTÃO xadas, geralmente sob a forma escrita e é


necessário reagir rapidamente a essas
mensagens.

DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA *excluídos da velocidade


Em numerosos postos de trabalho, as
empresas exigem novas capacidades: ca-
pacidades de flexibilidade (mudar de pos-
to de trabalho em qualquer momento), ca-
pacidade de suportar a insegurança
(postos de trabalho de fluxo contínuo ou a
segurança que representam os stocks a
desaparecer) capacidade de ir “mais rápi-
do” (porque o mercado exige).

*excluídos do diagnóstico
As tecnologias de informação e comuni- impactos muito diferentes segundo a for- Esta generalização e velocidade de difu- Os sistemas ‘altamente integrados’ re-
cação lançam desafios à sociedade. Com mação e o perfil de cada indivíduo. são provocam um efeito de rejeição por presentam riscos de avarias importantes
a inovação tecnológica as tarefas e as res- parte de uma grande parte de pessoas, pe- derivadas das interrelações entre cada
ponsabilidades dos quadros e dirigentes 1- A GENERALIZAÇÃO lo que o “deixa andar” tecnológico, dei- componente: geralmente quando são bem
das empresas são alteradas profundamen- DAS TECNOLOGIAS xando as decisões para os fornecedores e concebidos, estes sistemas têm poucas
te. As novas tecnologias generalizaram-se AOS POSTOS DE TRABALHO > especialistas nessas tecnologias, não é avarias importantes, mas pelo contrário,
a todos os postos de trabalho. mais possível pois ela é fonte de exclu- subsistem frequentes e numerosas micro-
Mas se por um lado esta generalização Na gestão da mudança o conceito mais sões, de desigualdades e de injustiças. avarias.
e velocidade de difusão apresentam importante deixa de ser o das novas tec- Por esta razão todos os responsáveis de-
grandes vantagens para as empresas e nologias, para passar a ser o da generali- 1.1 - OS EXCLUIDOS > vem reflectir sobre as questões que lhes
as pessoas, por outro lado, podem pro- zação de certas tecnologias. permita antecipar os ofícios de amanhã.
vocar “efeitos de rejeição”. Além disso, Esta generalização apresenta grandes *excluídos da abstracção Pelo que, deixar toda a responsabilidade
não há aqui um determinismo tecnoló- vantagens para as empresas e para os ho- Cada vez mais o conjunto das informa- das mudanças tecnológicas nas mãos dos
gico. mens: aumento da produtividade; aumen- ções digitalizado facilita o tratamento por fornecedores e dos especialistas destas
As mesmas tecnologias produzem resul- to da qualidade; aumento da competitivi- computador e a sua transmissão rápida à tecnologias não é suportável, pois pode
tados contraditórios conforme os modelos dade; diminuição do esforço físico; novas distância. Esta tendência torna o conteúdo ser fonte de exclusões, desigualdades e
de organização e de implementação e têm actividades; etc. do trabalho cada vez mais “comunicacio- injustiças.
Publicidade
MUDANÇA IMPLICA BRAGA 3.0
correiodominho.pt
MARÇO 2015

DESIGUALDADES 5

1. 2 - AS DESIGUALDADES > pela utilização quotidiana dos sistemas


informáticos.
Toda a mudança tecnológica modifica as As grandes responsabilidades dos ope-
desigualdades: certas desigualdades desa- radores também é tida em conta. Os gran-
parecem ou são minimizadas como por des salários são, frequentemente, justifi-
exemplo o esforço físico, mas outras há cados pela noção de responsabilidade.
que aparecem ou se desenvolvem. Com a automatização generalizada, apa-
É o caso das desigualdades em relação recem novas responsabilidades frequente-
ao tempo de trabalho, que está em fase de mente mais importantes que as responsa-
grande modificação. Assiste-se a uma so- bilidades administrativas tradicionais.
bre-ocupação de uns e a uma sub-ocupa- Por exemplo numa linha de produção au-
ção de outros que pode ir até ao desem- tomatizada de grande cadência de produ-
prego. Mesmo o conceito de tempo de ção a paralisação da linha de produção ou
trabalho está posto em causa. a produção de peças defeituosas em gran-
As fronteiras tradicionais entre o local de quantidade pode tomar uma dimensão
de trabalho, local de formação, local de catastrófica. Por esta razão será justo con-
lazer, local de consumo, romperam-se so- ceber novos sistemas de remuneração,
bre a influência das tecnologias de comu- que levem em consideração as novas res-
nicação. Os gestores devem levar em con- ponsabilidades.
sideração as diversas reacções e permitir DR Este problema se mal gerido tornar-
desestruturar as actividades dos que o de- MUDANÇAS TECNOLÓGICAS MODIFICAM AS DESIGUALDADES -se-á a principal fonte de conflitos so-
sejem e de garantir uma certa estrutura di- ciais. A individualização dos salários é
ferenciadora “trabalho/formação/lazer” ção, as responsabilidades, a individuali- a alguns quadros. cada vez mais difícil. Pagar a um colecti-
para os que o desejem. zação. O rendimento individual ou solidarieda- vo, segundo o tempo disponível, o tempo
É pouco provável que o teletrabalho ao Mas aqui entra também o tempo de de também são factores importantes. de preocupação, a rapidez no início das
domicílio se desenvolva nos próximos 20 preocupação. Cada vez mais, estar dispo- Na produção tradicional é frequente o operações após uma avaria é difícil e
anos, mas, pelo contrário o trabalho misto nível para intervir rapidamente em caso estabelecimento de prémios correspon- mesmo a informática pouco ajuda. Reco-
(parte em casa e parte na empresa) toma de incidente é mais importante que traba- dentes à produção individual de cada um. nhecer uma qualificação adquirida ‘sobre
uma importância crescente. lhar muito por via da fragilidade crescen- Na produção automatizada, o número de o terminal’ não é fácil. É portanto nesta
O desenvolvimento do trabalho misto te dos sistemas técnicos, razão pela qual é peças produzidas depende da fiabilidade via que é preciso que os intervenientes so-
cria um sentimento de autonomia, mas necessário encontrar a forma de remune- do sistema automatizado, donde, é neces- ciais negoceiem e experimentem.
também de prisão: é necessário de nego- rar - o que não é fácil - a disponibilidade sário procurar sistemas de remuneração Os sistemas automáticos só serão efica-
ciar rápidamente as modalidades de im- do trabalhador. que levem em consideração a eficácia co- zes se a solidariedade entre os serviços,
plementação, por forma a não se criarem Ainda no domínio do tempo há que lectiva do conjunto “equipa de projecto + entre os homens, se desenvolver. Evitar
injustiças insuportáveis. constatar que em muitos dos trabalhos so- equipa de organização + equipa de produ- criar conflitos pela concepção de novos
Por isso, os quadros e dirigentes devem bre sistemas informáticos, em particular ção”. sistemas de remuneração adaptados aos
reflectir sobre a negociação das modali- os sistemas interactivos, exigem uma im- Já nas grelhas tradicionais a remunera- constrangimentos do trabalho interactivo,
dades que permitam o desenvolvimento plicação total do indivíduo. Este quando ção é indexada á qualificação. No caso de deverá ser uma das prioridades se não
do trabalho misto. sai do local de trabalho, continua a pensar postos de trabalho interactivos constata- queremos que as novas tecnologias sejam
nele. Pelo que alguns utilizadores de sis- se que uma parte importante da qualifica- fonte de desigualdades e de ineficácia.
1. 3 - AS INJUSTIÇAS > temas interactivos são pagos tradicional- ção dos indivíduos é obtida, não em cur- Em jeito de conclusão, os dirigentes e
mente pelo tempo de ocupação no seu sos ou estágio profissionais sancionados quadros devem reflectir sobre a negocia-
As remunerações, ainda hoje têm por ba- posto de trabalho pelo que será importan- por diploma, mas sim no próprio local de ção de novos sistemas de remuneração
se cinco grandes factores: o tempo de tra- te ter em consideração o “tempo de preo- trabalho. É preciso encontrar os meios de adaptados à civilização da avaria.
balho, o rendimento pessoal, a qualifica- cupação” como já hoje se faz em relação reconhecer estas qualificações adquiridas
Publicidade
BRAGA 3.0
correiodominho.pt
MARÇO 2015

Com este arquivo digital ‘online’, o


acesso à informação e a extração de co-
nhecimento seria feita de uma forma mais
produtiva e com recurso a uma solução
que tecnologicamente cumpria as neces-
DR sidades emergentes do Big Data, ou seja,
REDE DE PAINÉIS ESPALHADOS PELA CIDADE VAI AO ENCONTRO DO OBJECTIVO DE INFORMAR E APOIAR OS CIDADÃOS o crescimento exponencial dos dados e da
velocidade de acesso.
O Município de Braga enfrenta constan-
temente desafios de gestão e de planea-

SMART CITIES mento estratégico que decorrem da sua


missão e visão. Os seus ‘clientes’ são ca-
da vez mais exigentes na informação e

– IDEIAS PARA nos serviços que usufruem do município,


pelo que, é plausível que no futuro exista
uma solução tecnológica completa na

‘BRAGA NO FUTURO’ área de Inteligência Empresarial para as


mais variadas áreas de gestão.
Através de uma solução neste âmbito, é
possível ter uma visão integrada da infor-
Braga, cidade que respira um contexto painéis espalhados pela cidade e pelas se de uma forma mais estreita com os mação de forma a sustentar a tomada de
tecnológico fortemente impulsionado por vias de entrada e saída da cidade com in- seus cidadãos decisão, orientar e acompanhar a evolu-
uma universidade com uma grande oferta formações de clima, qualidade do ar, trá- Também os arquivos, ou ‘Tabularium’ ção de indicadores.
na área dos cursos tecnológicos e de tec- fego, lugares de estacionamento, alertas na Roma Antiga, evoluíram com a socie- A integração do negócio, gestão de ne-
nologias de informação e por um ambien- vai ao encontro destes objectivos. Assim, dade e beneficiaram do desenvolvimento gócio e tecnologia da informação propor-
te empresarial rodeado de empresas que o recurso a esta tecnologia será uma for- tecnológico para desempenhar um papel cionam ao universo municipal uma
operam na área das tecnologias, vive a ma de alcançar os cidadãos e turistas de fundamental na Sociedade da Informa- abrangência de conhecimento que permi-
‘era da informação’ de uma forma muito uma forma directa e interactiva. ção. Nos dias de hoje, temos assistido à tirá, para além da análise de dados, a
própria. Informações úteis como o trânsito em mudança de método de preservar os ar- prospecção de dados, com o objectivo de
Aliada a uma forte apetência para a im- situações de congestionamento, aciden- quivos. Assim, temos evoluído do arqui- exploração e pesquisa de padrões consis-
plementação de soluções tecnológicas de tes, obras e parques com lugares disponí- vo físico para o arquivo digital, pelo que tentes, relacionamentos e tendências que
ponta que provocam uma explosão no vo- veis, são exemplos de informações rele- o volume de arquivos digitais e mesmo auxiliarão a tomada de decisão sobre es-
lume de informações disponível para tra- vantes para condutores que assim acabam dados digitais criados de raiz têm vindo a tratégia e vantagens competitivas.
tamento e disponibilização, deve encarar por evitar a utilização de dispositivos mó- aumentar exponencialmente. Será, pois, uma mais-valia para a com-
a propagação de informação como uma veis na própria condução para estas infor- De acordo com a necessidade de arma- petitividade da cidade e permitindo-lhe
mais-valia para benefício da população mações. zenamento digital e rápido e fácil acesso à gerir recursos e investimentos, garantindo
em geral, quer sejam residentes quer se- Mas as possibilidade vão mais longe. informação, deverá prever-se para Braga, uma sustentabilidade no seu crescimento.
jam visitantes ou turistas. De facto, num Para além das informações de tráfego e a constituição de uma solução que consis- De facto, um acesso e utilização de toda
futuro que se percebe cada vez mais pró- climatéricas, uma rede de painéis digitais tirá na criação de um centro de arquivo a informação do município e suas empre-
ximo, a utilização da mais variada infor- informativos poderá ser utilizada para digital que centralizará toda documenta- sas municipais permitiria uma melhor go-
mação para apoiar os cidadãos no seu dia- avisos e recomendações de entidades go- ção de arquivo do Município, processos vernança, tornando eficaz a tomada de
-a-dia constitui-se uma ferramenta de vernamentais como PSP, GNR, Protecção municipais bem como o acervo histórico decisão projectando, assim, Braga para
especial valia para a constituição de Bra- Civil, bem como para destaques de even- da cidade, permitindo à cidade manter to- um desenvolvimento crescente, equilibra-
ga como uma ‘smart-city’. tos e divulgação da própria cidade. Desta da a informação gerada e manuseada no do e sustentado.
Neste contexto, o recurso a uma rede de forma a cidade aproxima-se e relaciona- decorrer da sua História.
Publicidade
BRAGA 3.0
correiodominho.pt
MARÇO 2015

DR
USO DAS TECNOLOGIAS DEVE ESTAR AO ALCANCE DE TODOS

TECNOLOGIAS AO ALCANCE DE TODOS


O tema de mobilidade é um vasto assunto A aplicação das TIC para medir níveis dovias, túneis e vias rodoviárias em geral, A construção de uma vasta rede de ci-
e por isso mesmo constitui um marco que de ruído e de poluição atmosférica, são cuja sinalética rodoviária não acompa- clovias aliada à iluminação a led, consti-
arrasta um conjunto de infraestruturas a indicadores preciosos que em conjunto nhou o mesmo ritmo. Dotar a cidade de tuindo assim uma politica verde, que se
montante e a jusante desta. A montante com medidas de mobilidade e sustentabi- sensores que permitam a todos, antes de alargará desde o centro, em mancha de
consideram-se todas as tecnologias e fun- lidade, se traduzirão certamente, na saúde circular em determinada via, conhecer o óleo até à periferia.
cionalidades internas, capazes de optimi- e aumento da qualidade de vida dos bra- nível de congestionamento da mesma, os O conjunto de sinais extraídos dos di-
zar os processos, e de consultar a infor- carenses e da população em geral. O uso lugares disponíveis, ou mesmo em deter- versos sensores, só terão impacto na so-
mação em tempo útil. A jusante temos das tecnologias só tem valor se estiver ao minados locais sinalização inteligente pa- ciedade se os dados forem tratados e ana-
pois o conjunto de funcionalidades para alcance de todos e apresentarem uma ca- ra turistas. lisados devidamente. Aqui está a falar-se
tornar a cidade sustentável, amiga do am- racterística comum: fáceis de usar. Os Mas, se a mobilidade está intimamente de um centro de controlo e recolha de da-
biente, fácil de usar e capaz de ir ao en- munícipes, ou turistas e sobretudo os de- ligada aos transportes públicos, a mobili- dos comum à autarquia e que permitirá
contro das necessidades das populações. ficientes visuais, terão possibilidade de dade das bicicletas e pessoas, sendo ob- analisar, prever e tomar decisões. Com a
As tecnologias da informação e comuni- encontrar uma passadeira, ou um monu- jectivo primordial promover o uso destes, construção duma infraestrutura dedicada
cação no contexto das cidades inteligen- mento, museu facilmente, bem como a não nos podemos esquecer de aliar a tec- deste género poderá ser possível actuar
tes, vulgarmente designadas por smart ci- descrição de destes em texto ou som. nologia disponível aos transportes públi- em tempo oportuno, na semaforização, no
ties, são um tema vasto, que por si só Assim sendo a tecnologia deve ser ca- cos às bicicletas. Nos transportes através apoio à segurança através de sistemas de
ultrapassa a ideia de puras façanhas teno- paz quer de ajudar um invisual a encon- do conforto da viagem, com acesso à in- vídeo vigilância.
lógicas e envolve conceitos como a sus- trar uma passadeira, quer um simples tu- ternet e ar condicionado e piso rebaixado, Aliás, um sistema desta génese, aliado a
tentabilidade, a inclusão, a autoridade e rista a encontrar com maior facilidade as e também na informação prestada dentro outras entidades ligadas À segurança e
governacia. atrações culturais que a cidade propões. e fora do veículo com ajuda de meios vi- prevenção seriam um bom mecanismo
Abordar o tema das TIC em Braga, é Hoje em dia, o telemóvel é um instrumen- suais e sonoros, interligando uma plata- para tornar Braga numa cidade cada vez
acima de tudo dar continuidade ao projec- to que alia toda a tecnologia necessária forma comum a oferta de vários operado- mais segura.
to Braga Digital, que doravante, se desig- para cumprir tal desígnio, recorrendo ao res. No campo do urbanismo, em relação à
nará por Braga 3.0, e que acrescenta as sensor de posicionamento (GPS) e à ca- No transporte público por bicicleta, o sustentabilidade urbana, é preciso dotar
características enumeradas no paragrafo mera aliando assim a tecnologia de reali- aluguer das mesmas, criando perto dos in- edifícios públicos de inteligência artifi-
anterior. Aliás este nova designação é sus- dade aumentada, que permite ver imagens terfaces e no centro de cidades locais de cial, capazes de reduzir os custos energé-
tentado na bibliografia de Alvin Tofler, do mundo real e virtual aparcamento, compatibilizando assim o ticos e o consumo de àgua, fazendo de
que refere que a 4.a vaga das TIC ainda Nas últimas décadas Braga teve um de- transporte da bicicleta, com o pedonal e Braga uma cidade energeticamente sus-
não estão em curso. senvolvimento acentuado ao nível de ro- os transportes públicos. tentável.
Publicidade
BRAGA 3.0
FUNDOS COMUNITÁRIOS: correiodominho.pt
MARÇO 2015

O PRÓXIMO PASSO 8

Os projectos a apoios comunitários apre- no telemóvel, saberá antecipadamente o


sentados pelo Município de Braga adop- nível de ocupação dos contentores e eco-
tam os princípios de programação estraté- pontos.
gica Europa 2020 e consagram a política
de desenvolvimento económico, social, GESTÃO DE OCORRÊNCIAS >
ambiental e territorial que estimulará o NO TELEMOVEL
crescimento e a criação de emprego. Os habitantes do concelho de Braga te-
Os projectos apresentados assentam rão ao dispor uma aplicação no telemóvel
pois nos quatro domínios temáticos do que permitirá participar todas as ocorrên-
Portugal 2020: Competitividade e inter- DR cias relevantes, contribuindo para uma
nacionalização, inclusão social e empre- PROJECTOS APRESENTADOS AO PORTUGAL 2020 APOSTAM NOS DOMÍNIOS TEMÁTICOS maior celeridade na resolução dos mes-
go, capital humano, sustentabilidade e mos. Os dados serão encaminhados para
eficiência no uso de recursos. Todos estes inputs serão tratados, origi- até à paragem. cada entidade competente, muito embora
Resumidamente pode-se afirmar que os nando então a informação que depois se a base de dados de todo o conhecimento
objectivos que estes projectos pretendem transformará em inteligência, possibili- MOBILIDADE E TRANSPORTES > seja comum.
alcançar descrevem-se no reforço da in- tando assim a criação de um sexto sentido INTELIGENTES
vestigação, do desenvolvimento tecnoló- que será humano. Tornar-se-á assim pos- Prover o concelho de Braga com trans- GESTÃO DE ENERGIA >
gico; na melhoria de acesso às TIC, bem sível a utilização de sistemas de suporte à portes inteligentes e capazes de gerar mo- – ENERGIA VERDE
como a sua utilização e sua qualidade. decisão e gestão que serão comuns a to- bilidade entre as pessoas e de forma a Os habitantes do concelho terão ao dis-
Mas há mais: o reforço da competitivida- dos actores da cidade e que poderão parti- compatibilizar os transportes urbanos por energia ambiente mais limpa, e regu-
de das PME; o apoio à transição de uma lhar um único espaço como se de um cen- com os modos suaves e a população em lável de acordo com a luminosidade am-
economia de baixo teor de carbono, em tro nervoso ou cérebro se tratasse. geral. biente, a tecnologia a led, reduzindo
todos os sectores; a promoção da adapta- A aquisição de viaturas novas passará assim o consumo energia elétrica, e tor-
ção às alterações climatéricas e preven- ABRIGOS INTELIGENTES > pela aquisição de viaturas com tecnolo- nando o concelho cada vez mais sustentá-
ção e gestão dos riscos; a preservação e Braga vai dotar a rede de transportes pú- gias que ajudem na melhoria do ambien- vel.
proteção do ambiente e promoção da uti- blicos de abrigos inteligentes. Abrigos te, com tipologia EURO 6, cujos veículos
lização eficiente de recursos também são que terão a capacidade de carregar o tele- fazem o aproveitamento do ar atmosféri- SINALIZAÇÃO INTELIGENTE >
outros dos objectivos daqueles projectos, móvel dos utentes quando el falta de car- co e devolvem-no ao meio ambiente ain- Os habitantes do concelho terão também
tal como a promoção de transportes sus- ga. da mais limpo. ao dispor sinalização rodoviária adaptada
tentáveis e eliminação dos estrangula- Outra das novidades é o facto de estes Os passageiros terão a possibilidade de à realidade de Braga como cidade inteli-
mentos nas principais infraestruturas das equipamentos permitirem medir o nível ter acesso à internet dentro da viatura e de gente. As placas sinalizadoras terão o nú-
redes e a promoção da sustentabilidade e de stress da comunidade em geral e asso- ouvir som sobre as próximas paragens, mero de lugares vagos, bem como a indi-
da qualidade de emprego. ciar balanças pera auscultar o peso das contribuindo assim para a inclusão social, cação do grau de congestionamento do
pessoas contribuindo assim para uma pre- de grupos minoritários e por vezes esque- trânsito.
CENTRO DE CONTROLO > venção da suade e melhoria da qualidade cidos. Os turistas não serão esquecidos e em
De modo a capturar a informação gera- de vida. pontos nevrálgicos existirá sinalização in-
da no concelho de Braga, é primeiro ne- Estes abrigos terão acoplados um moni- GESTÃO INTELIGENTE teligente que através da interação do utili-
cessário equipará-la ao corpo humano, e à tor, no qual será possível verificar o tem- DA RECOLHA DE LIXO > zador, a direcção das placas mover-se-ão
forma como este recebe a informação po das viaturas bem como observar os es- Os habitantes do concelho de Braga te- dinamicamente. A velocidade pode ser
através dos cinco sentidos, sentidos esses paços culturais das proximidades com rão uma inovação tecnológica a nível da controlada por sinais electrónicos, contri-
que serão tecnológicos como por exem- interesse turístico. gestão de recolha do lixo, através de sen- buindo assim para uma sensibilização do
plo: Sensores ambientais (olfato, audição, Para os deficientes visuais será possível sores que medirão o nível de volume do usso correcto do transporte individual,
paladar); Realidade aumentada e sistemas desde que estejam na área de cobertura do lixo de cada contentor, permitindo uma uma vez que se pretende uma mobilidade
de controlo por vídeo (visão) e estradas abrigo, e através do telemóvel, aceder aos correta gestão da recolha do mesmo. As- global e compatibilidade com os modos
inteligentes e responsivas (tacto). tempos que as viaturas demoram a chegar sim, o munícipe através de uma aplicação suaves.
Publicidade
BRAGA 3.0
correiodominho.pt
MARÇO 2015

DR

REALIDADE AUMENTADA DEVE ESTAR ACESSÍVEL A TODOS SEM EXCEPÇÃO

BEM-VINDO AO PRESENTE
E ANIME-SE COM O FUTURO
Imagine que poderia tirar o seu smartpho- quecidos por conteúdo virtual, projectan- quando pegar no seu telemóvel e apontar senho realizado sobre a estrada que está à
ne do bolso, entrar num aplicativo e apon- do esse conteúdo nos seus óculos, no ecrã a câmara fotográfica para ele, queremos sua frente. O motorista dos transportes ur-
tar o telemóvel em qualquer direcção e re- do seu telemóvel ou até mesmo no para- desenhar sobre a estrada o percurso que banos pode também beneficiar desta ca-
ceber no ecrã toda a informação ne- brisas do seu carro. deve percorrer de modo a aproveitar ao racterística ao ver projectado no seu para-
cessária para deslocações dentro de uma As possibilidades da realidade aumenta- máximo a sua estadia na nossa cidade. brisas informação como cortes de estrada,
cidade com recurso ao transportes públi- da são infinitas, pode, numa cidade inteli- Pretendemos ainda ajudar os serviços alterações de itinerários, lotação do auto-
cos, como por exemplo a localização das gente e destinada ao seu cidadão e aos municipais a fazer ainda melhor as tarefas carro, se o espaço disponível na faixa per-
paragens, a distância a que elas se encon- que a visitam, abrir as portas a esta cidade do quotidiano, imaginem um jardineiro mite passar em segurança, um sem fim de
tram de si e o tempo que o autocarro que que afirma tendo a porta sempre aberta. que tem como objectivo podar um arbus- possibilidades.
o levará ao seu destino demorará a chegar A realidade aumentada pode estar pre- to e criar uma obra de arte. Porque não A realidade aumentada é algo que deve-
a essa paragem. Bem-vindo ao presente e sente em todas as camadas constituintes usar a realidade aumentada para o auxi- rá estar acessível a todos sem excepção,
anime-se pelo futuro. de uma cidade, por exemplo a mobilidade liar? As potencialidades são enormes! permite a utilização de diversos sentidos,
A realidade aumentada, que no seu con- pode beneficiar imenso desta realidade, e Na saúde temos um médico a operar e como por exemplo a visão e a audição,
ceito é uma variação da realidade virtual, beneficia, com o TUB mobile desenha- nas lentes dos seus óculos vai recebendo colmatando assim limitações que possa-
permite ao seu utilizador ver a realidade mos, na realidade existente, a localização toda a informação vital do seu paciente, o mos ter, tornando tudo mais inclusivo e
existente ao seu redor mas com objectos das paragens e a sua distância e não que- seu histórico ou como realizar determina- equitativo.
colocados sobre essa mesma realidade, remos ficar por aqui, queremos ver a indi- da técnica no procedimento que está a A realidade aumentada é já uma realida-
como por exemplo ao olharmos para a Sé cação da paragem que devemos usar e dar realizar. de e que, como tudo o resto, está em cons-
de Braga e vermos surgir todo o historial mais informações como o tempo previsto Na área da manutenção mecânica é pos- tante evolução.
ao seu lado em blocos de texto e, porque de viagem, os transtornos associados ao sível um mecânico receber indicações vi- O desafio está em compreender o que
não, um visitar dos tempos antigos mes- trânsito na forma de notícias, o número suais ao mesmo tempo que efetua um ar- ela oferece e sabermos como o usar para
mo à frente dos seus olhos. do autocarro que devemos apanhar e em ranjo num motor que não possua grande então definirmos o caminho que ela deve
Deste modo é fácil compreender que a qual paragem devemos sair. experiência. É ainda possível desenhar no percorrer nessa sua evolução de modo a
realidade aumentada é um complemento Pretendemos ainda mais, na cultura pre- para brisas de um táxi o percurso ideal pa- que nos sirva cada vez mais a nós e que
da realidade que nos rodeia, permitindo tendemos que o visitante receba informa- ra chegar a um determinado destino, pare- vá de encontro às necessidades de uma ci-
ver ao mesmo tempo objectos reais enri- ções de um determinado monumento cendo, aos olhos do seu condutor, um de- dade inteligente.
Publicidade
AS VIAS CICLÁVEIS BRAGA 3.0

NUMA CIDADE INTELIGENTE


correiodominho.pt
MARÇO 2015

10

Bike Sharing, não estamos a falar de Alu-


guer de Bicicletas nem do projeto BUTE
da Universidade do Minho.
Estamos a falar em colocar estações
com bicicletas em vários pontos da cida-
de, com uma distância de 350 metros en-
tre cada ponto. Nestas estações as bicicle-
tas podem ser desbloqueadas através de
um título de transporte e permite à pessoa
deslocar-se na cidade deixando-a depois
noutra estação num outro local. Estas es-
tações têm sempre 1/3 dos estacionamen-
tos preenchidos com bicicletas e os outros
2/3 de vago para possíveis deslocações.
Aqui a mobilidade é inteligente ao permi-
tir que as pessoas possam usar a bicicleta
enquanto um serviço público e um modo
de transporte, de forma despreocupada.
Ao longo dos anos foram feitos estudos
que foram demonstrando que uma pessoa
DR está predisposta a andar no máximo 300
VIAS CICLÁVEIS: O DIA-A-DIA DE COPENHAGA SERÁ UMA REALIDADE FUTURA NA CIDADE DE BRAGA metros até uma paragem de transporte pú-
blico. Colocando circunferências com
Tornar uma cidade inteligente passa não deslocam a pé, criando passeios e passa- vermelho sem necessidade. Os semáforos raios de 300 metros tendo como ponto
só por utilizar a tecnologia para optimizar gens com critérios que favoreçam as pes- inteligentes, para além de respeitarem central as paragens dos transportes públi-
várias áreas da cidade. Em Braga vamos soas de mobilidade reduzida, e note-se sempre a hierarquia que dá mais valor às cos em Braga podemos rapidamente veri-
ter uma cidade com uma economia inteli- que qualquer pessoa pode ser temporaria- pessoas, consegue ainda, através de sen- ficar que a cobertura estará aquém do que
gente, com um ambiente inteligente, com mente uma pessoa de mobilidade reduzi- sores de movimento, deixar que as pes- se esperava. Sevilha debateu-se com o
um governo local inteligente e acima de da, basta levar uma mala de viagem, um soas que vão a pé passem na passadeira mesmo problema e resolveu-o de forma
tudo com uma mobilidade inteligente! A carrinho de bebé, os sacos das compras com segurança e legalidade, sem tempos inteligente. Colocou junto das paragens
mobilidade inteligente é crucial para uma mais pesados para ver a sua mobilidade de espera elevados e/ou desnecessários. de transportes públicos estacionamentos
cidade que se quer cada vez mais inteli- reduzida naquele percurso que faz a pé. Existem as chamadas ondas verdes para para bicicletas, com a forma de um U in-
gente, inclusiva e sustentável! E é a mobi- Depois da prioridade ser dada às pes- os automóveis, que possibilitam que uma vertido, para as pessoas que queiram usar
lidade que vai ditar se a cidade é ou não soas que se deslocam a pé é fundamental pessoa que vá a conduzir um automóvel a sua bicicleta particular, e ainda colocou
inteligente. dar prioridade às pessoas que se deslocam apanhe todos os sinais verdes. O futuro é estações de bicicletas partilhadas junto
Para isso é necessário criar ‘Ruas Com- de bicicleta. Estudos dinamarqueses di- termos ondas verdes em Braga para as bi- das mesmas. Com isto Sevilha passou a
pletas’ que permitam à pessoa escolher a zem-nos que por cada quilómetro pedala- cicletas, tal como já existe em Copenhaga verificar que as pessoas estavam predis-
melhor maneira de se deslocar na cidade do a sociedade obtém um lucro líquido de onde uma pessoa que vá de bicicleta e postas a deslocar-se por 10x mais espaço,
sem terem que se preocupar com critérios +23 cêntimos. Para cada quilómetro per- mantenha uma velocidade média de 20 conseguindo assim que uma paragem au-
básicos como a segurança, a legibilidade, corrido por carro nós, sociedade, sofre- km/h consegue apanhar todos os semáfo- mentasse o seu raio de cobertura para 3
o tempo ou o conforto do modo de trans- mos uma perda líquida de -16 cêntimos. ros verdes. Esta onda verde é conseguida km.
porte escolhido para se deslocarem. E Hoje em dia temos semáforos que têm através do uso de sensores e de semáforos A bicicleta foi a solução inteligente para
nestas ‘Ruas Completas’ temos que dar um tempo constante ao longo do dia, o inteligentes. complementar o transporte público, co-
prioridade aos meios não motorizados, te- que leva a que muitas vezes a pessoa que Também quando falamos num sistema brindo assim a última milha de desloca-
mos que dar prioridade às pessoas que se vai a pé seja obrigado a estar parado no de bicicletas partilhadas, conhecido como ção da pessoa.
Publicidade
DO BALCÃO WEB BRAGA 3.0
correiodominho.pt

AOS MUPPI’S INTERACTIVOS MARÇO 2015

11

Com a abertura do Balcão Único de Aten- interage com os seus cidadãos, quer se-
dimento, o Município de Braga propor- jam munícipes, visitantes ou turistas é in-
cionou uma nova realidade de atendimen- dicador do quão evoluída e desenvolvida
to ao munícipe, disponibilizando, num só ela se encontra. No campo das infa estu-
local, o acesso centralizado a todos os rutras interactivas, Braga tem efectuado a
serviços municipais. Uma smartcity deve- sua evolução, aumentando a sua oferta de
rá elevar esta realidade de atendimento, estruturas interactivas em pontos de
possibilitando um novo nível de interac- afluência pedonal.
ção município - munícipe de uma forma No entanto, uma forte aposta na criação
remota e não presencial. Assim, a dispo- de uma rede de muppi´s (Mobiliário urba-
nibilização de serviços num ambiente vir- no para informação) digitais, com capaci-
tual, um Balcão Web, traria aos muníci- dade de reconhecimento de voz, reconhe-
pes e às restantes entidades um atendi- cimento facial, multilingue e dotados de
mento “online”, seguro e completo. inteligência artificial serviriam a cidade e
Este atendimento, conjugará o acesso quem a visita de uma forma mais interac-
via internet, juntando como tecnologia de tiva, permitindo às pessoas o acesso a in-
comunicação a câmara web através de ví- formação variada sobre Braga, não só no
deo e/ou áudio com o funcionário da au- âmbito do relacionamento com a autar-
tarquia ou empresa municipal. Tratar-se- quia mas desempenhando um papel fun-
ia de um atendimento remoto mas damental no apoio à actividade turística.
assistido, facilitando o relacionamento e Estes equipamentos, posicionados em
combatendo a info-exclusão que muito locais estratégicos de Braga, quer de lazer
publico alvo ainda sente. O atendimento DR quer de acolhimento a visitantes, dotados
web, de uma forma assistida, permitirá CRIAÇÃO DE UMA REDE DE MUPPI’S DIGITAIS É UM DAS GRANDES APOSTAS de inteligência e mecanismos digitais ca-
aumentar o nível de sucesso deste relacio- pazes de detetar, através do tom de voz e
namento electrónico. Com o crescente desenvolvimento e uso incidentes ou até mesmo no auxílio ao das expressões faciais as emoções e os in-
Com um atendimento web, o munícipe e de drones (veículos não tripulados), é acesso a zonas humanamente impossíveis teresses dos cidadãos, seriam uma precio-
as restantes entidades terão um atendi- possível antecipar que esta tecnologia ve- parece poder ser um garante de sucesso sa ajuda para o acesso a informação do
mento mais eficaz, cómodo e mais perso- nha a desempenhar um papel importante na projecção de Braga como uma cidade seu interesse, aconselhando e oferecendo
nalizado, com toda a informação que ne- no apoio aos serviços municipais, protec- inteligente. Estas soluções robotizadas toda uma miríade de informação actuali-
cessitam. ção civil e até mesmo entidades judiciais. automatizarão e aumentarão a eficácia e a zada e na sua própria língua.
É uma forma da Câmara Municipal de Braga, como cidade que se destaca pela eficiência nas tarefas de monitorização de Mas não só para fornecer informação, o
Braga colaborar com os seus munícipes, apetência para as novas tecnologias, po- tráfego em tempo real, nas análises da relacionamento com o cidadão poderá ir
tornando todos processos em que inter- tenciada pela presença da universidade, qualidade do ar ou ruído sonoro, na assis- mais longe, para patamares de aquisição
vém mais eficientes e mais rápidos, pro- onde a robótica assume um papel de cada tência a incidentes e acidentes, a eventos de dados que permitam à gestão da cidade
movendo a satisfação dos seus cidadãos. vez maior liderança e do forte tecido em- e acontecimentos. De facto, as possibili- recolher e tratar informação analítica de
Tratar-se-á de evoluir a cidade para um presarial na área do desenvolvimento de dades são imensas e quase dependem da forma a ser possível, posteriormente, efe-
patamar de excelência nos seus serviços, software, pode constituir-se como um la- imaginação, todas elas permitindo uma tuar uma análise sobre a informação pre-
promovendo desta forma a melhoraria da boratório de soluções que podem ser plas- monitorização da cidade em tempo real. tendida bem como as tendências e satisfa-
qualidade de vida para os seus cidadãos. madas para outras cidades, nacionais ou Podemos antever assim que uma frota ções dos cidadãos.
As cidades inteligentes destacam-se por internacionais. de drones, bem como uma equipa espe- A afirmação do turismo, a promoção da
procurar constantemente novas formas de Neste contexto, o investimento em solu- cializada na sua operação constituir-se-ão cultura, espectáculos e eventos com esta
lidar com os desafios que a evolução traz. ções robotizadas para apoio em tarefas de para colocar Braga num lugar de destaque tecnologia traria uma nova realidade a
Nesse aspecto, a autarquia é o motor que gestão da cidade, como por exemplo na nas cidades do futuro. uma Braga Inteligente, moderna e ambi-
pode e deve acelerar esta evolução. fiscalização e monitorização, análise de Entretanto, a forma como uma cidade ciosa.
Publicidade
BRAGA 3.0
correiodominho.pt
MARÇO 2015

12-13
ADORO
CONHECER
BRAGA

05

50

50

23

02
YB 02 05 05
23 50
23
05
02
50

50 05 02

50
05
YB 02
YB 05 23 02
02
05
50

02 05 YB
05
02
02 88 23
YB
05
02 88

YB

02
88 88 88
YB 02

YB
02
YB
02
88
02 05

02
23
88

05
05

88
88
23

02

YB

23 05
23

23
A INTERNET DAS COISAS BRAGA 3.0
correiodominho.pt
MARÇO 2015

14

combate a incêndios, seja na prevenção


como no próprio combate, comunicando
com os profissionais situações relacio-
nadas com condições climatéricas ou a
necessidade de auxílio de algum cida-
dão.
O clima está a mudar, as alterações cli-
máticas tornam imprevisível o que nos
espera no dia de amanhã. É possível dotar
a indústria de sistemas inteligentes, que
visam aproveitar os consumos de energia
como por exemplo gerar frio durante a
noite e aproveitar as qualidades do gelo
no arrefecimento durante o dia.
E porque não o ajudar quando visita
Braga? A partir do momento que entra em
Braga, toda a informação disponível pode
ser adequada de modo a permitir-lhe que
usufrua da melhor maneira a cidade, ade-
quando a oferta que obtém de acordo com
todas as pesquisas realizadas no conforto
do seu lar e até mesmo no comportamen-
DR
to que tem quando realiza outras viagens.
INFORMAÇÃO DEVE SER VIRADA PARA O CIDADÃO Está em frente ao Arco da Porta Nova e
este comunica consigo de acordo com o
Nos últimos meses temos visto muita coi- dar a estas coisas uma ‘voz’? Permitir que ternativas, a sua casa a adequar a tempe- seu gosto. Estamos na hora do almoço?
sa sobre as cidades inteligentes, alguns comuniquem com qualquer cidadão, in- ratura ambiente quando sabe que se en- Está mesmo ali à sua direita, no Campo
dos pensamentos que têm florescido são dependentemente das circunstâncias ou contra e dirigir-se para ela, e isto apenas das Hortas, um restaurante que prepara o
utópicos. Ter-se-á tornado numa ideolo- limitações? A que chamaria a esta liber- referindo equipamentos embarcados, os seu prato favorito e que tem excelentes
gia política? Quem sabe, mas o que sabe- dade? depósitos de água indicarem às empresas opiniões partilhadas por dezenas de utili-
mos é o que as cidades inteligentes provo- Imagine a cidade como um corpo huma- municipais os níveis de água e até mesmo zadores. O que faria com toda esta infor-
cam a pensadores, visionários, filósofos, no, sabemos que todo o milímetro do cor- as fugas e redirecionarem o circuito da mação? Provavelmente pouco. É necessá-
investigadores, engenheiros, arquitetos, po humano é uma estrada de informação mesma. Mas podemos ir mais além e en- rio processar, traduzir e direcionar essa
escritores, pintores e, quem sabe, a si. A em que os receptores são os seus sentidos. trar no campo da saúde, podemos permitir informação de acordo com as suas neces-
internet tem sido aquilo que mais poder Agora pense como seria esse mundo que pacientes que receberam um trans- sidades. Deve ser virada a informação pa-
tem dado aos cidadãos. De repente os ci- quando esses sensores são replicados à plante de coração estejam constantemente ra o cidadão. É preciso criar um centro
dadãos têm voz e conseguem fazer-se ou- escala de toda uma cidade. monitorizados. nervoso, capaz de realizar todas essas ta-
vir. Esta liberdade não fica por aqui. Vamos dotar a cidade de sentidos. A in- Na segurança é também possível que refas e virar a informação para si de modo
Estamos a ver muitas plataformas tecno- ternet das coisas é precisamente a capaci- equipamentos distribuídos por toda a ci- a permitir a utilização das novas smart ci-
lógicas fortes a forçarem o surgimento de dade de tudo o que esteja ao seu redor de dade reconheçam momentos de emergên- ties por smart citizens. A internet das coi-
novos paradigmas de comunicação, esta- comunicar, por exemplo os semáforos co- cia apenas pela expressão facial do cida- sas, aliada a uma cidade inteligente, é um
mos perante uma reorganização de uma municarem com o seu automóvel indican- dão e adequar uma resposta nesse sentido. meio para chegarmos a uma cidade sus-
nova ordem de futuro, seja de domínio ou do qualquer transtorno no trânsito, o auto- É possível também permitir a existência tentável, inclusiva, participativa, equitati-
de líderes devido à ascensão dos smartp- carro a indicar-lhe que chegará atrasado à de equipamentos autónomos, i.e. drones, va e, acima de tudo, um meio de obtermos
hones e das suas aplicações. E porque não paragem onde se encontra e a sugerir al- que auxiliam, de forma automática, no a nossa cidade.
Publicidade
GESTÃO AMBIENTAL BRAGA 3.0
correiodominho.pt

NO CONTEXTO MARÇO 2015

15
DAS SMART CITIES

O conceito ‘Smart Cities’ – Cidades Inte- provocam uma melhor gestão dos recur- teligentes, sendo que os primeiros passos as Cidades Inteligentes proporcionam. O
ligentes é relativamente novo, e tem ori- sos naturais e energéticos. estão neste momento a ser dados, ao inte- tema evoluiu de ‘o que é’ para o ‘como’.
gem nas mais recentes inovações tecnoló- As Cidades Inteligentes do séc XXI se- grar as novas tecnologias de informação e Ter o ar puro é essencial para a nossa saú-
gicas, e também, porque não dizê-lo, é rão aquelas que forem capazes de conci- comunicação, nos sistemas de gestão am- de e para a qualidade de vida da popula-
uma consequência do mundo globalizado liar os enormes fluxos humanos com re- biental das cidades. ção, bem como para o próprio ambiente.
em que atualmente nos encontramos inse- curso às novas tecnologias, facilitando a Uma das relações mais visíveis e diretas E fazendo um pouco de história, desde o
ridos. mobilidade, a sustentabilidade, e preser- entre o modelo físico e urbano, e a susten- início da revolução industrial, com a in-
Uma ‘Smart City’, é aquela em que é vando o ambiente. tabilidade ambiental, são as variações cli- dústria pesada, e com a acção humana – e
feito investimento em capital humano e Um projecto para uma Cidade Inteligen- máticas, e por isso este tema terá uma im- ainda sem a preocupação ambiental pre-
social, incentivando a utilização e genera- te tem de conciliar esforços para melhorar portância fundamental no futuro; com- sente, a qualidade do ar que respiramos
lização de tecnologias avançadas, as de- o ambiente, e mostrar como a cidade inte- preender como o desenvolvimento do es- deteriorou-se consideravelmente.
nominadas Tecnologias de Informação e ligente pode ajudar a reverter a perda de paço urbano pode apoiar as políticas de A qualidade do ar é ainda uma das maio-
Comunicaçã o (TIC’s) como elemento qualidade ambiental, sem perda da quali- alteração climática vai ser decisivo nos res preocupações para os cidadãos Euro-
viabilizador de um crescimento económi- dade de vida e do bem-estar da popula- próximos anos para as cidades que que- peus, e, mas não só por isso, é uma das
co sustentável, proporcionando uma me- ção, e da igualdade de direitos. rem oferecer qualidade de vida aos seus áreas em que a União Europeia, contro-
lhoria na qualidade de vida dos cidadãos Podemos e devemos contudo afirmar cidadão. lando as emissões de substâncias poluen-
residentes e flutuantes. Consequentemen- que ainda nos encontramos num estágio, Cidades, empresas e universidades, to- tes para a atmosfera, desde os primórdios
te, as TIC’s aplicadas à gestão da cidade, diria que quase primário das Cidades In- dos estão a explorar as oportunidades que dos anos 70, tem sido mais activa.

BRAGA 3.0 - GESTÃO AMBIENTAL ambientais na cidade de Braga, da qualidade do ar, da des globais em constante evolução. Para a realização
NO CONTEXTO monitorizaçã o ruido, índices de calor, informaçõ es e desses projectos, é necessário elaborar um Projecto Téc-
alertas meteorológicos, está preparado para fornecer es- nico Global que garanta a integração de todos os elemen-
DAS SMART CITIES tatísticas de tráfego, e dá ainda informações genéricas tos (técnicos, funcionais e infraestruturais) e de todos os
sobre o clima no município. stakeholders. Para o desenvolvimento de uma Smart City
No âmbito do desenvolvimento de uma Cidade Inteli- O uso das TIĆs em Smart Cities, ao nosso nível do am- é necessário implantar uma organização dentro da admi-
gente, no Projecto Braga 3.0, a AGERE é o interlocutor biente municipal, poderá ver-se como articulando quatro nistração, - à qual o Projecto Braga 3.0 pretende dar o
privilegiado para a vertente ambiental, em função do seu níveis: Sistemas de medição; Redes de telecomunicação; seu contributo.
‘core’; a preser- vação e melhoria do meio ambiente mu- Centros de Gestão e Inteligência. O No âmbito do Braga 3.0 iremos propor a consolidação
nicipal, e a promoçã o da qua- lidade de vida dos resultado desta integração, são projectos tecnológicos dos projectos existentes, e que tenham mais valias para a
cidadãos. Um dos projectos implementados no âmbito do que geram serviços aos cidadãos de melhor qualidade, população, e soluções urbanas inovadoras na área do am-
BragaDigital – SmarBraga – monitoriza já os parâmetros mais eficientes, e que se adaptam a algumas necessida- biente.
Publicidade
A SAÚDE ‘INTELIGENTE’ BRAGA 3.0
correiodominho.pt

NAS CIDADES MARÇO 2015

16

O governo da cidade encontra-se numa Desta forma, a necessidade de estabele-


encruzilhada epistemológica, intensifica- cer linhas orientadoras e metas comuns
da pelo aparecimento de cada vez mais emerge como indissociável da necessida-
excluídos, com tudo o que isso provoca de de uma comunicação constante entre
de insegurança e desequilíbrios de ci- todos os agentes envolvidos, contrariando
dadania (sociais)! Pensamos que há uma a actual fraca ou inexistente articulação
necessidade política (portanto, uma ne- (interface) entre sistemas operativos (de
cessidade da “polis” se esta pretender so- centros de saúde e hospitais ou entre hos-
breviver) de comprometer os cidadãos pitais, por exemplo), públicos ou não pú-
nas decisões sobre a mesma. Neste cená- blicos.
rio, os novos modelos de governo, que Aqui identifica-se um papel fundamen-
promovam a lógica do “com” são uma ne- tal dos governos locais de cidades inteli-
cessidade e não um luxo. gentes: se a desarticulação do governo
Segundo recomendações da UE (2010) central não se vencer, há sempre a possi-
(Europe 2020: a strategy for smart sustai- bilidade de o governo local se posicionar
nable and inclusive growth), os Estados DR como facilitador da comunicação entre as
membros, a um nível nacional, deverão SERVIÇOS DE SAÚDE ON LINE DESEMPENHAM PAPEL CLARO NA ESTRATÉGIA DA UNIÃO EUROPEIA diferentes instituições de saúde, media a
criar estratégias rápidas de base internet e comunicação entre elas, disponibilizar-
orientar orçamento do Estado para inves- dos prestados, promovem a inovação; in- center agregador, de uma política de nor- lhes infra-estruturas públicas locais e re-
timentos estruturais nestas áreas, nomea- tegração e continuidade dos cuidados; malização e estruturação de certos con- des neuronais de acesso, definindo-lhes
damente no domínio da regulação, desen- promovem a cidadania, melhoram a go- teúdos nas vertentes nacional e regional, pontos de encontro comuns.
volvimento e modernização dos serviços vernação, gestão, monitorização, respon- o subdesenvolvimento das aplicações de Por outro lado, os governos locais deve-
on line, especificamente os serviços de e- sabilidade e transparência; eficiência e telemedicina e do limitado e descoorde- rão responsabilizar-se por adoptar uma
health). sustentabilidade em saúde). nado acesso do cidadão à informação. atitude proactiva na banalização da utili-
Os serviços de saúde on line desempe- Obviamente que aqueles papéis levan- As instituições de saúde não públicas zação das TIC pela população em geral,
nham assim um papel claro na estratégia tam o mesmo número de desafios: desen- (privadas e sociais) vão assumindo um in- disponibilizando-lhes acesso a redes de
eEurope da União Europeia sendo funda- volvimento dos SI, respeito ético e aceita- vestimento crescente em sistemas e tec- modo a que todos se liguem em todos em
mentais à criação de empregos altamente bilidade, princípios de garantias e nologias de informação. Este investimen- redes colaborativas da saúde, obtendo as-
diferenciados numa economia dinâmica segurança; direitos dos cidadãos; clarifi- to parece não assumir o mesmo modelo sim um meio de comunicação privilegia-
baseada no conhecimento. A concretiza- cação do interesse público e privado, vali- operacional em cada instituição, incorren- do com as populações.
ção deste desiderato pressupõe a acção dade e normalização dos modelos e dos do-se no risco de criar ‘pequenas ilhas’ Numa smart city são essenciais, no mí-
em vários domínios políticos importantes, dados, privacidade, segurança, formação com desenvolvimentos e capacidades dís- nimo, serviços de verdadeira telemedici-
desde a investigação e a implantação de e literacia dos profissionais de saúde; im- pares incapazes de comunicar entre si e na (telediagnóstico, telemonitorização de
redes de banda larga nas telecomunica- pactos na prestação de serviços e carga la- criar sinergias e economias de escala e de doenças e doentes crónicos; datacenter
ções. boral, a questão do envolvimento dos pro- uso. partilhados para imagiologia médica) e de
O actual Plano Nacional de Saúde 2012- fissionais de saúde na concepção, Na confluência de todas estas dinâmicas combate à exclusão em saúde, aproxi-
2016 evidencia as TIC como uma infra- implementação e desenvolvimento das difusas encontramos a relação dos cida- mando os cidadãos do seu prestador de
estrutura transversal de apoio a todos os TIC. dãos e dos profissionais de saúde uns com saúde e a promoção de redes sociais em
seus objectivos. Na verdade naquele pla- Do lado governativo, evidencia-se um os outros, mas também internamente à saúde.
no, as TIC na saúde estão identificadas desajuste e desarticulação dos sistemas instituição onde se desenvolvem a presta- Na cadeia de valor da saúde, o governo
com um papel múltiplo: possibilitam a E- adoptados (nomeadamente SONHO, SI- ção de cuidados de saúde a vários níveis, local deve actuar como facilitador na
Health, melhoram a comunicação em saú- NUS, e cartão de utente) do ponto de vis- mas é na articulação entre sistemas que, transformação do conhecimento em pro-
de; promovem ganhos transversais no ta funcional e tecnológico, apresentando em geral, se perde o sentido e a centrali- dutos e tecnologias e no provimento do
sector, reduzem desigualdades; promo- fragilidades relativas aos dados destina- dade dos esforços de implementação acesso, diluindo o risco de isolamento fí-
vem a melhoria da qualidade dos cuida- dos à gestão; a inexistência de um data- efectuados. sico e financeiro.
Publicidade
AFIRMAR BRAGA BRAGA 3.0
correiodominho.pt

CULTURALMENTE MARÇO 2015

17

A história da região e o património mate- tal.pt/ e integra-lo nos conteúdos/ roteiros


rial e imaterial legado, incita um assumir turísticos é a missão do projecto Museus
de responsabilidades no sentido de valori- Virtuais.
zar o nosso vasto património cultural e Já com o projecto Braga TAGS (turis-
transmitir o mesmo às próximas gerações. mo) pretende-se identificar, tipificar um
A cultura surge como um setor estratégico conjunto de pontos de interesse na região
para afirmar esse desígnio, pois conside- (museus, igrejas, restaurantes, estátuas,
ramos o desenvolvimento cultural um etc…) e em colaboração com os diferen-
motor do desenvolvimento económico e tes agentes turísticos da região desenvol-
social para uma sociedade mais participa- ver uma solução inteligente capaz de usar
tiva. os dados de um dispositivo inteligente e
Queremos também intensificar a des- orientar o visitante para o próximo ponto.
centralização cultural e afirmar Braga co- Por exemplo, se o visitante estiver no
mo espaço de realização de grandes even- centro da cidade por volta da 19 horas, a
tos de caráter cultural, potencializando aplicação deve recomendar jantar, num
um conjunto de espaços como o Parque restaurante aderente e especificar a vanta-
de Exposições de Braga e o Theatro Cir- DR gens - integrar com apps internacionais
co. Para tal é necessário dotá-los de infra- THEATRO CIRCO É UM DOS LOCAIS A POTENCIAR Trip Advisor.
estruturas modernas, amigas do ambiente O projecto SDK Braga (Big Data) tem
e sustentáveis. siedade com dados de actividade intelec- publico que promovam a segurança dos como missão construir um repositório
Ambicionamos contruir um laboratório tual obtidos através de um jogo de cidade espaços e a qualidade de vida, por exem- (Big Data) que permita colectar dados di-
smart city (cidade inteligente) Braga 3.0 tipo trivial. plo, um sistema de municipal de vídeo vi- versos da cidade que devidamente autori-
com vista a incubar um conjunto de pro- Mas há mais. O projecto OpenShop Bra- gilância em espaços públicos é outro dos zados permitam uma melhor administra-
jectos e iniciativas que afirmem Braga ga visa a criação de uma marca – made in objectivos. ção municipal, desenvolvimento de
como uma referência nacional e interna- Braga – apostado em valorizar o patrimó- Neste domínio existe também o projecto estudos científicos e promovam uma
cional nos domínios da economia, mobili- nio, as tradições, os produtos artesanais, a do Arquivo Cultural, que tem como prin- atracção de investimento (temperatura;
dade, integração social, educação, am- gastronomia e por último as inovações cipal objectivo a disponibilização de um consumos de energia das habitações; pes-
biente, bem-estar e saúde. tecnológicas. Juntamente com as entida- repositório (documento, fotos, vídeos) soas que passeiam na cidade; acidentes;
De acordo com dados da Organização des competentes, Associação Comercial que atenda a todo o tipos de actividades alertas;
Mundial de Saúde em 2030, 25% dos eu- de Braga, Associação Industrial do Mi- culturais (música, teatro, cinema, pintura, informações e congestionamento de trân-
ropeus terão idade superior a 60 anos e te- nho, Universidade do Minho, Investe etc…) com o objectivo da promoção da sito. Todas as pessoas servem, neste pro-
rá como consequência inúmeros impactos Braga, entre outras entidades públicas cultura e dos artistas locais. jecto, de sensores, partilhando informa-
sociais e custos acrescidos com serviços e/ou privadas vai aproveitar-se a oportu- Já o projecto Experiência 4D Online ção anónima com a cidade de modo a que
de saúde. Neste sentido cabe ao municí- nidade para promover um projecto inte- Braga – (3D do espaço + 1 tempo = 4D) esta a partilhe com aqueles que necessi-
pio promover um envelhecimento activo grador e sustentável com o objectivo de obriga a elaboração de um roteiro, crono- tem dela.
com projectos que promovam a activida- aumentar a visibilidade do comércio, in- lógico que incorpore as principais atra- Num futuro próximo todos os carros te-
de física e intelectual de forma regular dústria e turismo de Braga. cões turísticas (ruinas romanas, Bom Je- rão acesso a internet e uma consola com
neste sentido investimentos com criação Os objectivos do projecto passam por sus, Sé, Theatro Circo, Estádio Muni- sistemas do tipo ‘Apple carplay’ ou ‘An-
de zonas pedonais seguras com hotspots criar um espaço online/virtual que poten- cipal) em quatro dimensões e terá como droid car’. Aqui entre o p, por isso seria
que pro- movam/estimulem um envelhe- cialize o comércio electrónico como um objectivo apresentar a história de Braga, interessante desenvolver uma APP com
cimento activo. Trata-se, portanto, de pro- canal privilegiado para vender os produ- desde Bracara Augusta até ao presente, navegação GPS, com alertas de conges-
jectos que conjuguem dados obtidos atra- tos made in Braga e conceber um projec- terminando a convidar a uma visita ines- tionamento da cidade em tempo real, pa-
vés de sensores, temperatura, distâncias to/espaço físico que funcione como um quecível. ralelamente pode incluir publicidade a
percorridas, batimento cardíaco, nível de showroom das marcas da região. A imple- Actualizar os conteúdos do portal dos eventos culturais da semana na região.
oxigénio do sangue, nível de stress e an- mentação de infraestruturas no espaço museus http://www.museus.bragadigi-
Publicidade
MOBILIDADE BRAGA 3.0
correiodominho.pt
MARÇO 2015

18

A cidade de Braga não pode ficar As medidas, serão um bem neces- As políticas têm de ser pensadas e
alheia às questões da mobilidade, sário e terão de ser implementadas elaboradas a fim de se reduzir a
por tal deve ligar-se ao futuro e às de modo a que sejam uma realida- utilização do automóvel e deste
Cidades Inteligentes – Smart de e com o intuito de revolucionar modo contribuir para o fim dos
Cities. o dia-a-dia da cidade. congestionamentos a que estamos
habituados.
A implantação de medidas que li- A tecnologia existe, por tal, deve-
mitem ou desincentivem, o uso do mos utilizá-la de modo a devolver A prioridade terá de ser dada ao
automóvel terão que vencer a re- a circulação ao peão e o direito transporte coletivo e ao transporte
sistência por parte dos habitantes deste usufruir da cidade, sabendo não motorizado e desta maneira
da cidade, sobretudo porque a me- que o transporte coletivo pode transformar o modo como os
lhoria geral do transporte coletivo, perfeitamente ser conciliado cidadãos se movimentam pela sua
vai ajudar à utilização deste em e utilizado nas mesmas áreas. cidade.
prol da utilização do automóvel Esta situação pode e deve ser
particular. trabalhada por todos nós.

PROJECTO OpenStreetMap
Um exemplo do esforço realizado pela comunidade em colha de dados a pé ou de bicicleta com recurso a um re- voluntários e também, mais recentemente, da contribui-
disponibilizar a informação para todos pode ser encon- ceptor GPS, fotografias locais e feedback obtido pelos ção dos TUB de toda a georreferenciação de todas as
trado no projecto OpenStreetMap. Este é um esforço de habitantes dessas áreas.O OpenStreetMap é dirigido por suas paragens e percursos, podendo assim serem desen-
mapeamento colaborativo por uma comunidade dedica- uma comunidade participativa, comunidade essa que é volvidas aplicações que recorram a essa informação.
da, de modo a ser criado um mapa livre e editável de to- composta por mapeadores entusiastas, profissionais das A contribuição dos TUB não se fica por aqui, estando
do o mundo. áreas de sistemas geográficos, engenheiros e voluntários. ainda a ser desenvolvidos esforços que permitirão a in-
Imaginem um GoogleMaps onde a fonte do conheci- O OpenStreetMap é constituído por dados abertos, ou se- clusão de outras informações úteis como planeamento de
mento é o leitor deste artigo. Todos os dados que podem ja, qualquer pessoa tem a liberdade de usar esses dados rotas e tempo de passagem dos autocarros nas paragens.
ser encontrados neste projecto são o resultado de submis- para qualquer fim desde que respeite a filosofia empre- O OpenStreetMap é um dos melhores exemplos de co-
sões de colaboradores espalhados por todo o mundo, on- gue no OpenStreetMaps. mo o esforço colaborativo pode criar algo que ofereça
de o seu conhecimento local é valorizado, os dados são Falando de Braga, temos um mapa detalhado do conce- mais valor e utilidade à vida diária de todos os muníci-
obtidos através da consulta de imagens de satélite, de re- lho, resultado do levantamento realizado por diversos pes.

PORTAL DA CIDADE
Com toda a informação disponibilizada por uma cidade alojamentos existentes, os eventos a decorrer nas possibilidade dos comerciantes e dinamizadores de
inteligente seria um desperdício não a orientar de forma próximas horas e nos próximos dias, enfim, todos os eventos se registarem por forma a partilhar os eventos e
para o utilizador da cidade. Por isso será necessário criar pontos de interesse da cidade. Para além disso permitirá as actividades.
um sítio online capaz de agregar toda a informação da saber qual o tempo, o congestionamento de tráfego, os Desta forma, o site ganhará conteúdo inserido pelos
cidade e garantir que seja acessível e amigável do ponto ecopontos mais próximos e os seus níveis, reportar interessados, não descurando nunca a possibilidade de o
de vista do utilizador será fundamental para o seu avarias, saber os locais onde estão as estações de gestor da plataforma o fazer. Será esta uma plataforma
sucesso. bicicletas partilhadas ou mesmo a que horas parte o alimentada pela comunidade, aproximando assim as
Neste sítio online teremos toda a informação próximo autocarro para o Gerês e redirecionar o pessoas da cidade e dando uma resposta mais eficaz às
necessária para a população residente, para visitantes e visitante para a compra do bilhete online. verdadeiras necessidades. Esta plataforma servirá de
turistas. Esta plataforma, multilingue e multifacetada, Poderemos, por exemplo, realizar todas as interacções apoio à APP da cidade de Braga e a muitas outras que
permitirá a qualquer pessoa aceder a informação como com a câmara, sem ser necessário qualquer deslocação pretendam utilizar toda esta informação útil existente na
os horários dos autocarros, os restaurantes, os física ao Balcão Único. Teremos ainda na plataforma a mesma.
Publicidade
RICARDO RIO BRAGA 3.0
correiodominho.pt
MARÇO 2015

19

Desde que foi eleito, o presidente da Câmara Munici- 3.0. Entretanto, Ricardo Rio anunciou que Braga vai
pal de Braga, Ricardo Rio, tem vindo a surpreender a acolher, de 16 a 19 de Abril, o Fórum Internacional
cidade com propostas inovadoras em diferentes do- das Comunidades Inteligentes e Sustentáveis, afir-
mínios onde se realçam as questões ligadas com a mando a ambição de Braga e concluindo que não há
mobilidade urbana. Disso são exemplo, o Bus Rapid Smart Cities sem Smart Citizens. Esta é uma nova vi-
Transit (BRT), os 76 quilómetros de ciclovias e agora são de futuro para Braga, apontando novas priorida-
as tecnologias de informação e comunicação, Braga des e acções chave que transformarão a cidade.

"QUEREMOS AFIRMAR BRAGA


INTERNACIONALMENTE"

1 Na campanha eleitoral comprometeu-


se com o desenvolvimento do projecto
Braga Cidade Digital e com a instalação
do wi-fi no centro histórico da cidade. Já
cumpriu?

Diria que sim. Foi uma das grande lacu-


nas que herdamos do projecto Braga Di-
gital, este sim dotado de muitos meios fi-
nanceiros, sendo que uma das valências
era precisamente a criação de uma rede de
wi-fi no centro da cidade. Mas como se
veio a constatar não supria sequer as ne-
cessidades dos próprios edifícios munici-
pais. E, portanto, foi um investimento ini-
cial que fizemos, dotando com uma série
de novas antenas não só os vários equipa-
mentos municipais, no caso do parque de
Campismo, da zona das piscinas, do está-
dio, mas também todas as artérias do cen-
tro histórico, porque julgamos que hoje
em dia essa é uma componente funda-
mental de uma cidade moderna, que faci-
lita o acesso à informação a todos aqueles
que nela residem e também a todos aque-
les que nela trabalhem ou visitem a cada DR
momento. RICARDO RIO DESTACOU REDE DE WIFI BO CENTRO DA CIDADE

Publicidade
RICARDO RIO BRAGA 3.0
correiodominho.pt
MARÇO 2015

20

2 Mas este é apenas o primeiro passo


para a revolução tecnológica que se
pretende para o concelho?
cidade e quais os benefício para os muní-
cipes?

O campo de aplicação é infindável, hoje


Diria que este é um primeiro passo, por- em dia está muito em voga a temática das
que estamos apenas a tratar a infra-estru- cidades inteligentes e nomeadamente a
tura. Aqui obviamente o objectivo é com ideia que tem que haver uma crescente
um conjunto de portais renovados e de qualificação tecnológica das cidades. Isto
aplicações móveis que vão ser disponibi- tem que acontecer de facto do ponto de
lizadas reforçar cada vez mais o acesso à vistas do sistema de gestão interno das
informação por parte dos cidadãos, no- instituições, no caso concreto, da autar-
meadamente dos turistas. De maneira a quia, quer seja no sistema de regulação do
que quem atravessa a nossa cidade possa trânsito, na iluminação pública, no con-
fazer guias electrónicos e os possa orien- trolo das águas e resíduos, na leitura de
tar do ponto de vista da atractividade tu- contadores, na informação sobre os trans-
rística, obtendo, por exemplo, informa- portes, na gestão da rede de transporte, na
ções complementares sobre as activida- semaforização, enfim, quase que pode-
des culturais. No fundo toda a informação mos ir para um cenário de uma cidade vir-
está à distância de um clic e na palma da tual em que todas as acções de interface
mão do cidadão. entre o cidadão e as instâncias públicas
em vários domínios acabam por ser feitas

3 Hoje sente-se que é um presidente 'on-


line'. Sempre no facebook. Também
quer dar esse exemplo?
numa base tecnológica. A verdade é que
nós consideramos que esse é um deside-
rato importante, uma componente que
não deixaremos de trabalhar e tudo fare-
Diria que o facebook é uma ferramenta mos para ir, paulatinamente, porque isto
essencial, foi o modelo de postura que eu exige um volume de investimentos consi-
tive enquanto responsável da oposição e derável, desenvolvendo esse caminho.
que quis manter enquanto presidente de Mas vamos fazê-lo também com uma se-
forma a mostrar a minha acessibilidade. gunda dimensão que para nós é funda-
Diariamente acabo por fazer uma espécie mental, não podemos ter cidades inteli-
de atendimento electrónico a dezenas de gentes sem ter cidadãos inteligentes. Se
cidadãos que às vezes me dão sugestões, não tivermos também uma propensão e
às vezes me fazem críticas em relação a uma capacitação das próprias pessoas pa-
esta ou aquela iniciativa e muitas vezes ra utilizarem essas várias soluções não
colocam sugestões muito concretas rela- vale a pena.
cionadas com os serviços municipais ou
com questões que os preocupam e que eu,
naturalmente. Depois encaminho e res-
pondo, nem sempre a 100% porque tam-
5 E como estão a trabalhar para ir a es-
se encontro?

bém não consigo. Mas faço-o a título ex- Fazemos esse trabalho do ponto de vista
tremamente pessoal. interno e externo da câmara. E dou este
exemplo, ao longo dos últimos meses fui
DR
RIO GARANTE QUE NÃO PODEMOS TER CIDADES INTELIGENTES SEM TER CIDADÃOS INTELIGENTES 4 Qual é o futuro que prevê ao nível da
aplicação das tecnologias à própria
muitas vezes confrontado com propostas
de soluções informáticas que permitem
Publicidade
RICARDO RIO BRAGA 3.0
correiodominho.pt
MARÇO 2015
fazer algo que irei seguramente adoptar
na câmara municipal a curto prazo que
21
são soluções que viabilizam o reporte
imediato de determinado tipo de ocorrên-
cias no município. Uma espécie de cida-
dão fiscal, onde identifiquem um poste
que não tem iluminação, uma árvore que
não está podada ou um buraco numa de-
terminada rua e hoje já há soluções extre-
mamente expeditas para o fazer com re-
gisto fotográfico, com uma georeferen-
ciação imediatamente associada e com a
comunicação imediata para um serviço
municipal responsável por essa área. Ora
o que tenho dito e transmitido interna- ver qualquer esforço neste sentido se não
mente, porque também está muito rela- fosse agregando todos os players na con-
cionado com a reorganização orgânica cretização destas iniciativas, desde as es-
que estamos a fazernos serviços muniuci- truturas científicas às universidades, ao
pais, é que não faz sentido dar essa facili- tecido económico, aos vários equipamen-
dade de contacto aos cidadãos e depois tos que existem, nomeadamente as em-
internamente não conseguirmos dar a res- presas tecnológicas que temos no conce-
posta atempadamente, reportando a ocor- lho, centros de investigação que estão
rência e resolvendo, num curto espaço de vocacionados para esta área das cidades
tempo, essa mesma situação. Diria que inteligentes e que no fundo são nossos
nesse sentido estamos a trabalhar do pon- parceiros na concretização deste projecto
to de vista interno, consciencializando os que é de todos.
nossos próprios colaboradores para essa Nesse sentido, a InvestBraga tem um pa-
cultura de serviço e de capacitação tecno- pel também muito importante, porque o
lógica e também do ponto de vista das vá- objectivo e caminho que estamos a preco-
rias valências ligadas aos próprios servi- nizar é de que Braga, tendo uma visão de-
ços municipais. finida, quer porventura afirmar-se como a
primeira cidade inteligente do nosso país,

6 Mas que projectos, em concreto, estão


a ser desenvolvidos?
verdadeira inteligente. Ser uma cidade
onde se desenvolvem projectos de uma
forma transversal, que respeitem este mo-
Estamos, por exemplo, ao nível económi- delo que hoje em dia tem várias experiên-
co a desenvolver um projecto piloto que cias. Não é modelo único e tem que ter
vamos candidatar à CCDR-Norte de geo- determinado tipo de pilares em comum ao
referenciação de todas as unidades em- que se verifica em cidades inteligentes ao
presariais do concelho e todos os espaços nível internacional, onde há a concretiza-
de acolhimento empresarial. É obviamen- ção muito prática de projectos em vários
te aqui a tecnologia ao serviço da capta- domínios da gestão da cidade. E esses
ção de investimento e ao serviço da cria- projectos têm que ser desenvolvidos por
ção de emprego. Do ponto de vista dos duas vias: com a parceria com empresas
transportes urbanos tem havido várias ini- de renome em cada um desses sectores.
ciativas no sentido de optimizar a gestão Aqui recordo a questão da iluminação pú-
da própria rede, quem conhecer o coman- blica, que através da InvestBraga, Uni-
do de operações dos TUB seguramente fi- versidade do Minho e DST celebramos
ca surpreendido com o nível de controle mos a fazer esse caminho. uma parceria com a empresa chinesa
que já conseguimos chegar, mas que mais seja, tentarmos envolver todos e isso tem ZTE que vai fazer um projecto piloto no
uma vez pode ser melhorado. Na Agere
coloca-se exactamente nos mesmo mol-
des. Hoje em dia é possível controlar as
7 Que papel poderá desempenhar a In-
vestBraga em todo este processo? Se-
rá a âncora de uma estratégia ou o seu
sido uma marca distintiva de todas as ac-
ções desta governação e julgamos que
neste projecto em particular é fundamen-
nosso concelho precisamente de optimi-
zação da iluminação pública no centro
histórico. Como este há outros domínios
rotas de recolha, nomeadamente dos eco- plano de acção visa apenas ser um instru- tal. Recentemente tivemos um seminário que estamos a identificar os parceiros e
pontos, com base no nível de enchimento mento para implementar a revolução tec- sobre esta temática no âmbito do Quadri- estamos a fazê-lo numa base global,
que os mesmo já registam e queremos op- nológica no concelho? látero Urbano, quando falo de rede, nem é olhando para as grandes empresas de re-
timizar as rotas em função desses parâ- sequer numa lógica de rede local, às ve- ferência em todo o mundo e ver aquelas
metros. Isto acontece de uma forma trans- Estamos a fazer em primeiro lugar a iden- zes tem um carácter e um cunho regional que nos podem ajudar com soluções tec-
versal toda a gestão municipal, mas há tificação mas também a implementação muito importante. Mas do ponto de vista nológicas e projectos concretos a desen-
seguramente muito que fazer e nós esta- destas soluções numa lógica de rede, ou local não faria sentido nenhum desenvol- volver este projecto no concelho Braga.
Publicidade
RICARDO RIO BRAGA 3.0
correiodominho.pt
MARÇO 2015

22

são da cidade para se trabalhar em projec-


tos piloto que tem áreas alvo muito defi-
nidas dentro dessas mesmas cidades. Di-
ria que Braga nesse aspecto tem quase
uma escala ideal, não sendo uma cidade
pequena acaba por ser um epicentro de to-
da uma região. Braga é a porta do Parque
Nacional da Peneda Gerês, Braga está a
30 minutos do Porto, a menos de uma ho-
ra de Vigo e é do ponto de vista histórico
o pólo aglutinador de toda a região do
Norte e da Galiza e temos obviamente
uma relação de colaboração muito atenta
e contínua com todos estes interlocutores.
Diria por isso, que a escala de Braga pro-
DR picia que as experiências aqui podem ser
RICARDO RIO: “BRAGA VAI SER UMA SMART CITY” desenvolvidas e o trabalho possa ser de-
senvolvido de uma forma bastante mais

8 Braga vai acolher, de 16 a 19 de Abril,


o Fórum Internacional das Comuni-
dades Inteligentes e Sustentáveis (FICIS).
o objectivo ambicioso que queremos con-
cretizar, mas que também seja uma afir-
mação para o exterior do trabalho concre-
mesma matéria. A juntar a isso, este fó-
rum tem também um mérito adicional,
que é o de sinalizar Braga internacional-
pragmática do que aconteceria se calhar
numa cidade de outra dimensão.

Este fórum vai exactamente ao encontro


desse objectivo?
to que aqui estamos a desenvolver e que
vai ter ao longo dos próximos anos várias
realizações para demonstrar o sucesso.
mente. Temos feito trabalho árduo de pro-
moção internacional de Braga nos mais
diversos domínios, nomeadamente, cultu-
11 Então Braga tem todas as condi-
ções para ser uma Smart City?

É difícil, quase como a história do ovo e ral, social, turístico e económico necessa- Braga vai ser uma Smart City. Não o é,
da galinha. Não podemos aqui perceber
se o FICIS surge em Braga porque nós
decidimos trilhar exactamente esse cami-
9 Que impacto este fórum poderá ter na
própria cidade? Poderá ser uma ala-
vanca para mobilizar os bracarenses pa-
riamente. E o posicionar Braga como uma
cidade em que este tipo de iniciativas es-
tão a ser desenvolvidas e este tipo de polí-
julgo que há ainda um trabalho árduo a
percorrer. Mas esse é claramente um dos
nossos objectivos. Fazer com que Braga
nho ou se também trilhamos este caminho ra este projecto? ticas estão a ser implementadas acho que seja a primeira cidade inteligente do país,
para termos aqui esta massa crítica para é extremamente importante porque tam- mas que o seja de facto em benefício dos
poder afirmar este projecto. Este fórum Concerteza que sim. O fórum tem esses bém dá, a tudo o resto que estamos a fa- cidadãos e quando se fala aqui em benefí-
vem congregar os vários agentes que ac- dois domínios, por um lado, é um grande zer, muito maior coerência, muito maior cio é preciso perceber que isto não são
tuam nesta matéria, servindo também pa- evento com carácter internacional que consistência e, por outro lado até, muito matérias alegóricas, quando estamos a fa-
ra demonstrar as boas práticas que já es- atrai a Braga seguramente várias centenas maior visibilidade. lar de uma cidade inteligente estamos a
tão a ser desenvolvidas, bem como os de pessoas que poderão participar no de- conferir-lhe um cunho, por exemplo, de
projectos pioneiros em diversos domínios
que estão a ser colocados em prática em
várias cidades de média e grande dimen-
curso deste evento a animar economica-
mente a cidade e, por outro lado, a de-
monstrar o que Braga está a fazer neste
10 Tendo Braga menos de 200 mil ha-
bitantes, não considera uma ambi-
ção exagerada?
competitividade, de sustentabilidade do
ponto de vista ambiental, de redução de
desperdício de recursos, de eficiência
são à escala internacional e que vão estar contexto. Mas por outro lado tem esse energética, do melhor tratamento do meio
também aqui os responsáveis presentes. efeito de mobilizar os próprios bracaren- Estes projectos ao nível internacional não ambiente. Tudo em prol da qualidade de
Pretendemos que seja acima de tudo uma ses para aquilo que podemos e deveremos têm necessariamente que decorrer em ci- vida das populações, uma cidade é tanto
alavanca para a afirmação do trabalho que fazer em conjunto e nesse mesmo sentido dades de grande dimensão, bem pelo con- mais inteligente, na minha óptica, quanto
Braga quer desenvolver nesta matéria. No acho que o fórum será o primeiro grande trário, porque o que temos verificado é estiver melhor apetrechada para respon-
fundo que seja um argumento para apre- momento de afirmação do trabalho que que muitas vezes em cidades de grande der aquilo que os cidadãos necessitam e
sentar junto de toda esta rede de parceiros está neste momento a ser construído nesta dimensão acaba por se quartar a dimen- para os servir cada vez melhor.
Publicidade

É a forma mais simples, rápida e segura de enviar mensagens instantâneas.


Escreva o texto e selecione os destinatários da mensagem. Para enviar, basta tocar ou mexer o telemóvel, sem
necessidade de o tirar do bolso, nem sequer olhar para o visor.
As mensagens são enviadas a cada um dos destinatários de acordo com a ordem especificada.
Os destinatários receberão as mensagens na caixa respetiva do Facebook (Apple - iPhone) ou SMS (Android).
Site aplicação: www.ShakeSend.com • Facebook: www.facebook.com/ShakeSend
BRAGA 3.0
correiodominho.pt
MARÇO 2015

23
FICHA TÉCNICA
Arcada Nova - Comunicação, Marketing e Publicidade, SA.
Pessoa colectiva n.º 504 265 342.
Capital social: 150 mil euros. N.º matrícula 6096
Conservatória do Registo Comercial de Braga
DIRECTOR DO JORNAL Paulo Monteiro (CP 1838)
CHEFE DE REDACÇÃO Rui Miguel Graça (CP 7506)
TEXTOS Patrícia Sousa (CP 5948) e Rui Miguel Graça
FOTOGRAFIA Flávio Freitas e Arquivo CM
GRAFISMO Rui Palmeira, Filipe Ferreira, Francisco Vieira e
Adão Silva (imagem da primeira página)
PUBLICIDADE Vértice (A. Pinto Coelho, Carlos Araújo,
Fátima Fernandes e Manuel Vilaça)
IMPRIME: Naveprinter, Indústria Gráfica do Norte, SA
Tiragem: 25.000 exemplares

DR

BRAGA SERÁ, NAS PALAVRAS DO PRESIDENTE DA AUTARQUIA, UMA CIDADE DINÂMICA, ATRACTIVA, INOVADORA E ONDE VAI SER VERDADEIRAMENTE BOM VIVER

12 Em termos de mobildiade urbana,


anunciou já o BRT e as ciclovias.
São projectos dependentes dos fundos co-
coerência mais uma vez virão a beneficiar
de possibilidades de financiamento.
queles que não utilizam os TUB para per-
ceber o que são os factores críticos de de-
cisão no sentido de poderem vir, no futu-
isso venha obviamente dar oportunidades
àqueles que estão a ser inseridos no mer-
cado de trabalho, àqueles que já estavam
munitários, mas acredita que serão con-
cretizados a médio prazo? 13 Enquanto não se concretizam os
grandes projectos, tem havido um
esforço para ir resolvendo os problemas
ro, a serem utilizadores do transporte
público. E a verdade é que temos conse-
guido ter resultados muito interessantes
no mercado de trabalho e não tinham
oportunidades e muitos outros que estão
numa situação, infelizmente, de desem-
Sim. Neste domínio há componentes de mais pequenos. O que tem sido feito para do ponto de vista do número de passagei- prego já há muito tempo. Essa é a priori-
planeamento e ordenamento urbanístico e consciencializar as pessoas para o uso do ros, da adesão de novos públicos e até de dade das prioridades, porque não há nin-
há componentes de infra-estruturação. No transporte público? novos extractos sociais e diria que com o guém que queira investir numa cidade
âmbito do planeamento e ordenamento trabalho que está a ser desenvolvido e que não propicia aos seus cidadãos quali-
estamos a trabalhar e tem havido uma ló- Diria que o ponto de partida para essas com a qualificação dos serviços dos pró- dade de vida. E essa qualidade de vida
gica de colaboração muito próxima entre iniciativas tem sido precisamente essa prios transportes urbanos temos todas as obviamente reflecte-se nas condições am-
todos os agentes deste sector, desde o pe- consciência de cidade, um território é a condições para a curto prazo o transporte bientais, no ordenamento da própria cida-
louro do vereador Miguel Bandeira até à soma das aspirações de cada um dos seus público ser não apenas o transporte útil de, do ponto de vista urbanístico, no trân-
Divisão de Trânsito da Câmara Municipal cidadãos. Não podendo satisfazer todas as mas também o transporte da moda. sito, na limpeza, na segurança, na dinâ-
de Braga, aos Transportes Urbanos de pessoas, temos que ter consciência que há mica cultural e na componente social, ou
Braga e outros agentes de maneira a pre-
conizar e encontrar soluções mais ade-
quadas para cada situação. Por outro lado,
determinadas questões que servem a mui-
tas em simultâneo. E é preciso é ter a von-
tade política para ouvir, para receber os
14 Que cidade quer para 2025? Quais
os focos principais?
seja, termos aqui uma verdadeira rede so-
cial capaz de acorrer o mais rápido possí-
vel a quem mais necessita.
do ponto de vista do financiamento tem contributos e as queixas que forem neces- O principal foco que assumi desde o pri-
sido encetado também um diálogo muito
intenso com as estruturas de gestão dos
nossos fundos comunitários quer ao nível
sárias e obviamente tentar solucionar e
corrigir de forma adequada. E é isso que
tem acontecido com os transportes urba-
meiro momento é a questão da competiti-
vidade, da economia e do emprego. A ci-
dade de Braga estará tão mais conforme
15 - Então acredita mesmo que Braga
poderá vir a ser numa verdadeira
Smart City?
regional, quer ao nível nacional quer até nos, os TUB ao longo do último ano tem aquilo que eu pretendo para ela quanto
ao nível internacional. As perspectivas feito um trabalho muito intenso no terre- mais seja capaz de gerar e atrair novos Sim e Braga será nesse horizonte uma ci-
que temos é de que estes projectos pela no, de auscultação dos autarcas, da pró- projectos de investimento, de ajudar as dade dinâmica, atractiva, inovadora, e on-
sua ambição, pela sua utilidade e pela sua pria população, dos utentes dos TUB, da- empresas a continuarem a crescer e que de vai ser verdadeiramente bom viver.
Publicidade