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REVISÃO DE VÉSPERA MP/MG

(Prof. Saulo Rezende Moreira)

Grupo IV:

Direito Processual Coletivo

Direito Material Coletivo

Bens Coletivos e Relações Grupais

Direitos Humanos

Infância e Juventude

Saúde

Consumidor

Meio ambiente

Habitação e Urbanismo

Patrimônio Público e Cultural

Tutela Jurisdicional Coletiva:

Espécie de tutela jurisdicional cujo objeto é a tutela de um

interesse ou direito transindividual (coletivo “lato sensu”). Ausência de um “Código” que reúna as normas processuais coletivas

Conjunto de normas processuais diferenciadas

Reflexos na Competência, conexão, continência, legitimidade etc.

MICROSSISTEMA DE TUTELA JURISDICIONAL COLETIVA:

Constituição Federal de 1988

Lei 4.717/65 (Lei de Ação Popular)

Lei 6.938/81 (Política Nacional Meio Ambiente)

Lei 7.347/85 (Lei de Ação Civil Pública)

Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e Adolescente)

Lei 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor)

Lei 8.429/92 (Lei de Improbidade Administrativa)

Lei 10.741/03 (Estatuto do Idoso)

Lei 12.016/09 (Lei do Mandado de Segurança)

ESPÉCIES DE TUTELA JURISDICIONAL COLETIVA:

Processo Coletivo Comum:

Ação Civil Pública

Ação Popular

Ação de Improbidade Administrativa

Mandado de Segurança Coletivo

Mandado de Injunção Coletivo

Processo Coletivo Especial:

ADI

ADC

ADPF

OBS: O processo coletivo COMUM tutela situações concretas, em virtude de violação ou ameaça de violação a direitos subjetivos coletivos em sentido amplo. Já o processo coletivo ESPECIAL analisa a “lei em tese” (processo objetivo).

DIREITOS COLETIVOS “LATO SENSU”

DIFUSOS

COLETIVOS

INDIVIDUAIS

HOMOGÊNEOS

Natureza Indivisível

Natureza Indivisível

Natureza Divisível

Titularidade Indeterminada e Indeterminável

Titularidade Determinável (grupo, categoria ou classe)

Titularidade Determinável (direitos individuais múltiplos)

Ligadas por Circunstância de Fato

Ligadas por uma relação jurídica base

Origem Comum

Ex: Meio Ambiente Equilibrado

Ex: Clientes de um banco, alunos de uma escola

Ex: vítimas da queda de um avião

AÇÃO CIVIL PÚBLICA (Lei 7.347/85)

LEGITIMIDADE EM ACP

LEGITIMIDADE ATIVA: Ministério Público; Defensoria; Entes Federativos; Autarquias; Empresas Públicas; Fundações; Soc. de Economia Mista; Associações constituídas há mais de 1(um) ano com finalidade institucional direcionada.

O requisito da pré-constituição poderá ser dispensado pelo juiz, quando haja manifesto interesse social evidenciado pela dimensão ou característica do dano, ou pela relevância do bem jurídico a ser protegido.

A questão da pertinência temática (Adm. Indireta e Associações)

STJ, 1.423.825/CE (Julgado em 07/11/2017) : A OAB não está sujeita à exigência da pertinência temática

LEGITIMIDADE EM ACP

LEGITIMIDADE PASSIVA: AMPLA! (Pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado) Admissão de “Ação Coletiva Passiva”! O Ministério Público, se não intervier no processo como parte, atuará obrigatoriamente como fiscal da lei. Na Ação Civil Pública, é facultado ao Poder Público e a outras associações legitimadas habilitar-se como litisconsortes de qualquer das partes. (Na Ação Popular também!) Art. 94 do CDC: Proposta a ação, será publicado edital no órgão oficial sem prejuízo de ampla divulgação pelos meios de comunicação social.

LEGITIMIDADE EM ACP

Admite-se o litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da

o

União, do Distrito Federal e dos Estados (Art. 5, §5

LACP)

STF, RE 573.232/SC: As associações necessitam de autorização específica de seus associados, individual ou assemblear, não bastando a mera autorização estatutária.

Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação legitimada, o Ministério Público ou outro legitimado assumirá a titularidade ativa. (princípio da disponibilidade motivada)

COMPETÊNCIA TERRITORIAL EM ACP

REGRA GERAL

REGRAS ESPECÍFICAS

Art. 2 o da LACP e art. 93, I do CDC:

Art. 209 do ECA: Foro do local onde ocorreu ou deva ocorrer a ação ou omissão (competência absoluta)

Foro do local onde ocorreu ou deva ocorrer o dano (competência “funcional”)

OBS:

Quando

o

dano

for

de

âmbito

Art. 80 do Estatuto do Idoso: Foro do domicílio do idoso (competência absoluta)

nacional ou regional, a competência será do foro da Capital do Estado ou do Distrito Federal (art. 93, II do CDC)

RELAÇÕES ENTRE AÇÕES COLETIVAS

É plenamente possível a existência de conexão, continência ou litispendência entre duas ACPs; entre uma ACP e uma Ação Popular; entre uma ACP e um MS Coletivo etc.

OBS: A identidade entre autores das ações coletivas comuns é indiferente para fins de continência ou litispendência! No processo coletivo, o que importa são os beneficiários atingidos pela decisão e não a parte formal.

Em virtude de sua natureza absoluta, a competência não se prorroga pela não oposição de preliminar de incompetência ou pela existência de foro de

eleição.

STJ [REsp 1.318.917/BA, 12/03/2013]: Nos casos de continência, a reunião dos processos deve ocorrer no juízo da ação com objeto mais

amplo!

RELAÇÕES ENTRE AÇÕES COLETIVAS

Súmula 489 do STJ: “Reconhecida a continência , devem ser reunidas na Justiça Federal as ações civis públicas propostas nesta e na Justiça estadual.A litispendência é causa de extinção do processo (pressuposto processual negativo; art. 485, V do CPC), devendo ser extinto

aquele onde houve a citação válida mais tardia (art. 240, NCPC)

OBS: Parte da doutrina sustenta ser mais adequado à efetividade do processo coletivo que haja a reunião dos processos.

RELAÇÕES ENTRE ACPs e AÇÕES INDIVIDUAIS

Art. 104 do CDC: As ações coletivas que tutelam de direitos difusos e coletivos em sentido estrito não induzem litispendência para as ações individuais.

Caso não tenha havido ação individual, o titular do direito beneficiado pela sentença coletiva precisa apenas liquidar e executar o título judicial que já lhe beneficia. OBS: De acordo com o STJ, a liquidação e a execução individual de

sentença proferida

em

ação

domicílio do beneficiário”.

coletiva podem ser ajuizadas "no foro do

RELAÇÕES ENTRE ACPs e AÇÕES INDIVIDUAIS

Havendo processo individual em tramitação, para beneficiar-se de futura coisa julgada coletiva o titular do direito deverá

suspensão do processo individual no prazo de

requerer a

30(trinta) dias, a contar da ciência do processo coletivo.

OBS: A jurisprudência vem admitindo a suspensão das ações individuais de ofício pelo juízo, especialmente quando se tratar de macrolide geradora de processos multitudinários” (STJ, REsp 1110549/RS).

TUTELAS PROVISÓRIAS NA ACP

Art. 12 da LACP e Art. 84, §3 ° do CDC: Possibilitam a concessão de “mandado liminar”, com ou sem justificação

prévia. Art. 2 o , Lei 8.437/92: No mandado de segurança coletivo e na ação civil pública, a liminar será concedida, quando cabível, após a audiência do representante judicial da pessoa jurídica de direito público, que deverá se pronunciar no prazo de setenta e duas horas .

EFEITOS DA SENTENÇA EM ACP

SENTENÇA

DIFUSOS

COLETIVOS

INDIVIDUAIS

HOMOGÊNEOS

PROCEDENTE

C.J. Erga Omnes

C.J. Ultra Partes

C.J. Erga Omnes

IMPROCEDENTE COM EXAME DAS PROVAS

C.J. Erga Omnes (Impede nova ação

coletiva)

C.J. Ultra Partes (Impede nova ação

coletiva).

Impede nova ação coletiva

IMPROCEDENTE POR FALTA DE PROVAS

Não fará coisa julgada erga omnes.

Não fará coisa julgada erga omnes.

Impede nova ação coletiva.

EFEITOS DA SENTENÇA EM ACP

- Nos casos de Direitos Difusos e Coletivos, nos casos de Improcedência por

falta de provas qualquer legitimado pode propor nova ação coletiva, desde que haja prova nova.

- Nos casos de Direitos Individuais Homogêneos, a sentença de improcedência (com ou sem exaurimento das provas) impede nova ação coletiva e gera coisa julgada para aqueles que participaram do processo coletivo. O lesado que não participou da ação coletiva pode ajuizar ação individual.

- Os efeitos da coisa julgada erga omnes ou ultra partes (direitos coletivos e individuais homogêneos) não beneficiarão os autores das ações individuais, se não for requerida sua suspensão no prazo de trinta dias, a contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação coletiva.

EFEITOS DA SENTENÇA EM ACP

Art. 16 da LACP: A sentença civil fará coisa julgada nos limites da

competência territorial do órgão prolator.

STJ, REsp 1.243.887/PR (Representativo de Controvérsia): os efeitos e a eficácia da sentença não estão circunscritos a lindes

geográficos, mas aos limites

decidido, levando-se em conta, para tanto, sempre a extensão do dano e a qualidade dos interesses metaindividuais postos em juízo.

objetivos

subjetivos do que foi

e

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Não é cabível ACP para pretensões que envolvam tributos, contribuições

previdenciárias, o FGTS ou outros fundos de natureza institucional cujos

beneficiários podem ser individualmente determinados.

O Autor da ACP não adiantará custas, emolumentos, honorários periciais ou quaisquer outras despesas processuais (Art. 18 da LACP e art. 87 do CDC)

STJ: Incumbe à Fazenda Pública à qual o Ministério Público se ache vinculado

arcar com o adiantamento dos honorários das perícias pleiteadas pelo Parquet

nas ações civis públicas (AgInt no REsp 1420102/RS, 1

21/03/2017).

a

TURMA, julgado em

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Ônus da Sucumbência:

- Procedência: Vencido paga custas, despesas processuais e honorários de sucumbência.

-

Improcedência:

O

Autor,

vencido,

não

pagará

custas,

despesas processuais e honorários de sucumbência, salvo comprovada má-fé. OBS: Nas ações fundadas no Estatuto do Idoso, ainda que o autor não tenha agido de má-fé, estará sujeito aos ônus da sucumbência, com exceção do Ministério Público (interpretação literal do artigo 88, parágrafo único).

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

→Art. 4 o , §1 o Lei 7.853/89 e Art. 19 da Lei 4.717/65: A sentença que concluir pela carência ou pela improcedência da ação fica sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal. * STJ, REsp 1374232/ES, julgado em 26/09/2017: Não aplicou a

remessa necessária ação coletiva sobre direitos individuais

homogêneos! Art. 4 , §2 o Lei 7.853/89: Das sentenças e decisões proferidas contra o autor da ação e suscetíveis de recurso, poderá recorrer qualquer legitimado ativo, inclusive o Ministério Público.

o

INQUÉRITO CIVIL

INQUÉRITO CIVIL

Conceito: procedimento de natureza unilateral e facultativa, instaurado para apurar fato que possa autorizar a tutela dos interesses ou direitos a cargo do Ministério Público.

Instauração por provocação (subscrita ou anônima); de ofício ou mediante designação do Procurador-Geral de Justiça ou do CSMP.

Necessita de Portaria numerada sequencialmente, delimitando o objeto; o fundamento legal; o nome do autor da representação e dos investigados; determinação das diligências iniciais; determinação de sua publicação; data e local da instauração.

Possibilidade de Aditamento de Portaria ou Abertura de Novo I.C., havendo

notícias de fatos novos

INQUÉRITO CIVIL

Indeferimento de abertura de I.C.: Quando requerimento manifestamente infundado; os fatos já foram objeto de outro I.C.; quando a situação fática já

tiver sido solucionada (Res. 23 do CNMP), no prazo de 30(trinta dias).

Devem ser intimados os interessados acerca da decisão, os quais podem interpor recurso ao CSMP, no prazo de 10(dez) dias. Nesses casos, o Promotor pode exercer o juízo de retratação, no prazo de 3(três) dias.

Arquivamento: Quando esgotadas as possibilidades de diligências ou solucionada a questão (ex: assinatura de TAC). A promoção de arquivamento será submetida a homologação perante o Conselho Superior do MP, após a notificação dos interessados. OBS: Se o CSMP deixar de homologar a promoção de arquivamento, deve provocar o PGJ para indicar outro membro para atuar no procedimento.

Procedimento

INQUÉRITO CIVIL

Preparatório:

O

membro

do

MP

pode

(ou

não)

instaurar

procedimento preparatório prévio ao Inquérito Civil.

Prazos de conclusão:

Inquérito Civil: 1 ano, prorrogáveis sucessivamente

Proc. Preparatório: 90 dias, prorrogável uma vez

Declínio de atribuições: “quando o membro que preside o I.C. concluir ser

atribuição de outro Ministério Público, este deverá submeter sua decisão ao referendo do órgão de revisão competente, no prazo de 3 (três) dias”

Conflito de Atribuições:

Entre integrantes do mesmo MP Estadual: Compete ao Procurador Geral de Justiça - PGJ

Entre integrantes de MPEs distintos ou do MPE e do MPF: Compete ao Procurador Geral da República PGR (ACO 924/MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19/05/2016).

INQUÉRITO CIVIL

Em regra aplica-se o princípio da publicidade no I.C., mas pode ser decretado

motivadamente o sigilo, por imposição legal ou por acarretar prejuízo às investigações (publicidade mitigada).

Autoexecutoriedade do I.C.: O MP não precisa de autorização/referendo de

outro órgão para realizar os atos investigatórios no procedimento.

A Lei Orgânica Nacional autoriza a condução coercitiva em Inquérito Civil, independentemente de ordem judicial, ressalvadas as prerrogativas legais.

De acordo com a LC 34/1994 (LO/MPMG), devem ser encaminhadas pelo

Procurador-Geral de Justiça as requisições ou notificações tiverem como destinatários o Governador do Estado, Vice-Governador, Secretários de Estado, Membros do Poder Legislativo Estadual, Magistrados, Conselheiros

do Tribunal de Contas; Advogado-Geral do Estado e Defensor Público Geral.

DIREITO AMBIENTAL

PRINCÍPIOS BASILARES

Princípio da Prevenção:

Apoia-se na certeza científica do impacto ambiental de determinada atividade, para eliminar ou minimizar os efeitos negativos sobre o ecossistema. Ex: Exploração de minérios.

Princípio da Precaução:

Garantia contra riscos potenciais que, de acordo com o estágio atual do conhecimento, não podem ainda ser

identificados (ausência de certeza científica). Ex: OGM's e

Radiofrequência de antenas de telefonia celular

PRINCÍPIOS BASILARES

Princípio do Poluidor-Pagador:

Exige

que

o

poluidor

suporte

as

despesas

de prevenção,

reparação

 

e

repressão

dos

danos

ambientais.

Evita

a

   

“privatização dos lucros” e “socialização das perdas”, em nítido

caráter dissuasivo e reparador.

Princípio do Usuário-Pagador:

Estabelece que o usuário de recursos naturais escassos deve

pagar por sua utilização, com o intuito de racionalizar seu uso e

evitar o desperdício. Não necessariamente há dano ao meio

ambiente; não tem caráter punitivo.

PRINCÍPIOS BASILARES

Função socioambiental da Propriedade:

Normatiza que a propriedade seja exercida para beneficiar a coletividade e o meio ambiente (aspecto positivo), não bastando apenas que não seja exercida em prejuízo de terceiros ou da qualidade ambiental (aspecto negativo).

Participação comunitária / popular:

Os cidadãos têm o direito (e o dever) de participar da tomada de decisões que possam vir a afetar o equilíbrio ambiental.

POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS (Lei 9.433/97)

RECURSOS HÍDRICOS

Art. 20 da CF/88 (Bens da União):

Lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio ou que banhem mais de um Estado; que sirvam de limites com outros países; ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e praia fluviais;

Potenciais de energia hidráulica;

Art. 26 da CF/88 (Bens dos estados):

Águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas as decorrentes de obras da união

Os municípios não são detentores de “domínio” hídrico

RECURSOS HÍDRICOS

CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. JUÍZO FEDERAL E JUÍZO

ESTADUAL. AÇÃO DE USUCAPIÃO. IMÓVEL QUE CONFRONTA COM RIO FEDERAL. INTERESSE DA UNIÃO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL.

De acordo com a Nota Técnica n. 18/2005/NGI e a Resolução n. 399 da Agência Nacional de Águas - ANA, o Rio Piracicaba, por banhar mais de um estado da Federação, é considerado federal, nos termos do artigo 20, III,

da Constituição Federal.

Conflito conhecido, declarando-se competente o Juízo Federal da 3ª Vara de Piracicaba- SJ/SP. (CC 97.359/SP, Rel. Ministro SIDNEI BENETI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 10/06/2009, DJe 24/06/2009)

RECURSOS HÍDRICOS

Competência legislativa:

Competência privativa da União legislar sobre águas.

Competência material:

Competência acompanhar

comum

(União,

e

fiscalizar

as

estados,

concessões

DF

de

exploração de recursos hídricos.

e

municípios)

registrar,

direitos

de

pesquisa

e

POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS

Fundamentos:

A água é um bem de domínio público, limitado e dotado de valor econômico; Em situações de escassez, uso prioritário para consumo humano e dessedentação de animais;

Gestão deve proporcionar o uso múltiplo das águas;

Gestão descentralizada, com participação do Poder Público, usuários e comunidades.

Definição das bacia hidrográficas como unidades territoriais para

implementação da PNRH.

POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS

Diretrizes:

Gestão sistemática dos recursos hídricos, sem dissociação dos aspectos de quantidade e qualidade;

físicas,

Adequação

bióticas, demográficas, econômicas, sociais e culturais das diversas

da

gestão

de

recursos hídricos

às

diversidades

regiões do País;

Integração da gestão de recursos hídricos com a gestão ambiental; Articulação do planejamento de recursos hídricos com o dos setores usuários e com os planejamentos regional, estadual e nacional;

Articulação da gestão de recursos hídricos com a do uso do solo;

Integração da gestão das bacias hidrográficas com a dos sistemas estuarinos e zonas costeiras.

POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS

Instrumentos:

Planos de Recursos Hídricos;

Enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos

preponderantes da água;

Outorga dos direitos de uso de recursos hídricos;

Cobrança pelo uso de recursos hídricos;

Compensação a municípios;

Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos.

POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS

OBS1: Independem de outorga pelo Poder Público (Art. 12, § 1 o da Lei 9.433/85):

o uso de recursos hídricos para a satisfação das necessidades de pequenos núcleos populacionais, distribuídos no meio rural;

as derivações, captações e lançamentos considerados insignificantes;

consideradas

acumulações

de

volumes

de

água

as

insignificantes.

OBS2: Toda outorga de direitos de uso de recursos hídricos far-se-á por prazo não excedente a trinta e cinco anos, renovável.

POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS

A outorga poderá ser suspensa parcial ou totalmente, em definitivo ou por prazo determinado:

I - não cumprimento pelo outorgado dos termos da outorga;

 

II - ausência de uso por três anos consecutivos;

 

III

- necessidade premente de água para

atender

a

situações

de

 

calamidade, inclusive as decorrentes de condições climáticas adversas;

 

IV - necessidade de se prevenir ou reverter grave degradação ambiental;

V - necessidade de se atender a usos prioritários, de interesse coletivo,

para os quais não se disponha de fontes alternativas; -

VI

necessidade

de

serem

mantidas

as

características

de

navegabilidade do corpo de água.

POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS

A cobrança pelo uso de recursos hídricos objetiva:

I - reconhecer a água como bem econômico e dar ao usuário uma indicação de seu real valor;

II - incentivar a racionalização do uso da água;

III - obter recursos financeiros para o financiamento dos programas e

intervenções contemplados nos planos de recursos hídricos.

OBS: A fixação de valores pela derivação, captação ou extração deve observar o volume retirado e seu regime de variação. Nos casos de lançamentos de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos além do volume e do regime de variação, também as características físico-químicas, biológicas e de toxidade do afluente.

RECURSOS HÍDRICOS (JULGADOS IMPORTANTES)

SÚMULA 479 DO STF: As margens dos rios navegáveis são de domínio público, insuscetíveis de expropriação e, por isso mesmo, excluídas de indenização.

STJ, REsp 518.744/RN: A propriedade do solo não se confunde com a do subsolo! O fato de serem encontrados recursos hídricos em

propriedade particular não torna o proprietário titular do domínio de

referidos recursos. A água é bem público de uso comum, motivo pelo qual é insuscetível de apropriação pelo particular. O particular tem, apenas, o direito à exploração das águas subterrâneas mediante autorização do Poder Público cobrada a

devida contraprestação (arts. 12, II e 20, da Lei n.º 9.433/97)

RESPONSABILIDADE PELO DANO AMBIENTAL

RESPONSABILIDADE PELO DANO AMBIENTAL

Legitimidade do MP para Ação Civil e Penal

Ação Popular Ambiental (Art. 5

Responsabilidade Objetiva do Poluidor - art. 14, § 1º da Lei 6.938/81 (indenizar ou reparar) Teoria do Risco Integral (não admite excludentes como caso fortuito ou força maior).

Responsabilidade solidária entre todos os poluidores.

Natureza propter rem da obrigação de reparação (transmissão de

o

, LXXII da CF/88)

domínio ou posse).

RESPONSABILIDADE PELO DANO AMBIENTAL

Possibilidade de Inversão do ônus da prova em ACP Ambiental (REsp 972.902-RS, Rel. Min. Eliana Calmon) Princípio da Precaução.

Desconsideração da Personalidade Jurídica: Teoria Menor (sempre que a personalidade for obstáculo ao ressarcimento, independentemente de fraude ou abuso de direito)

Imprescritibilidade da ação que visa a reparar o dano ambiental.

DIREITO DO CONSUMIDOR

PUBLICIDADE NAS RELAÇÕES DE CONSUMO

Publicidade enganosa: qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro

modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor.

Publicidade abusiva: Aquela que a que incita a violência, explora o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o

consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança.

Art. 36 do CDC: A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal.

Não há vedação expressa ao “merchandising”

PUBLICIDADE NAS RELAÇÕES DE CONSUMO

§ 1 o

Art.

posteriormente à sua introdução no mercado de consumo, tiver conhecimento da periculosidade que apresentem, deverá comunicar o fato imediatamente às autoridades competentes e aos consumidores, mediante

anúncios publicitário (fundamenta o “recall”).

Artigo 31 do CDC: a oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores.

10,

do

CDC:

O

fornecedor

de

produtos

e serviços que,

PUBLICIDADE NAS RELAÇÕES DE CONSUMO

Obrigação de Informação na Publicidade:

Informação-conteúdo: características do produto ou serviço;

Informação-preço: custo, formas e condições de pagamento;

Informação-utilização: como se usa o produto ou serviço;

Informação-advertência: riscos do produto ou serviço

STJ, REsp 586.316/MG: Existência de lacuna na Lei 10.674/2003 (lei do glúten), que tratou apenas da informação-conteúdo, o que leva à aplicação do art. 31 do CDC, em processo de integração jurídica, de forma a obrigar o fornecedor a estabelecer e divulgar, clara e inequivocamente, a conexão entre a presença de glúten e os doentes celíacos (informação-advertência).

PUBLICIDADE NAS RELAÇÕES DE CONSUMO

Força vinculante da Publicidade para o Fornecedor:

Art. 30 do CDC: Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado.

Ônus da Prova na comunicação publicitária:

Art. 38 do CDC: O ônus da prova da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária cabe a quem as patrocina. Doutrina: é desnecessária a “inversão” do ônus da prova, porquanto, por imposição legal, este já incumbe ao fornecedor!

Prof. Saulo Rezende Moreira

BOA PROVA!!!