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DIREITO TRIBUTÁRIO

Exceções ao princípio
da anterioridade
(vedado cobrar
Deve esperar 90 dias
tributos no mesmo Deve esperar o próximo exercício, mas
Exceções ao princípio (anterioridade
exercício financeiro não precisa aguardar os 90 dias
da noventena nonagesimal mitigada)
em que haja sido (anterioridade do exercício mitigada)
publicada a lei que os
instituiu ou
aumentou)
- II - II
- IE - IE - IPI (apesar de ser - IR >>> LEI ORDINÁRIA
- IPI - IPI regulador de mercado,
- IOF - IR precisa aguardar) - - Modificação da BC do IPTU e IPVA >>>
- Empréstimos - IOF DECRETO LEI ORDINÁRIA
compulsórios - Empréstimos
despesas compulsórios - CIDE combustível -
extraordinárias despesas DECRETO
decorrentes de extraordinárias
calamidades públicas, decorrentes de - ICMS combustível -
guerra externa ou sua calamidades públicas, CONVÊNIO
iminência guerra externa ou sua
- imposto iminência - CS
extraordinário de - imposto
guerra extraordinário de
guerra

- fixação da base de
cálculo dos impostos
previstos nos arts.
155, III (IPVA), e 156, I
(IPTU)
PRINCÍPIO DA NOVENTENA

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados,
ao Distrito Federal e aos Municípios:

III - cobrar tributos:

c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou,
observado o disposto na alínea b; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos
da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, e das seguintes contribuições sociais:

§ 6º As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias
da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no
art. 150, III, "b".

HIPÓTESES DE SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO

I - Moratória

II - Depósito de seu montante integral

III - Reclamações e Recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo

IV - Concessão de medida liminar em Mandato de Segurança

V - Concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial.

VI – Parcelamento

Para decorar: MORDER e LIMPAR:

MORatória

DEpósito do montante integral

Reclamações e Recursos administrativos

LIMinares em MS ou liminar ou tutela antecipada em outras ações

PARcelamento
MORATÓRIA

A moratória versa sobre a dilação do prazo para pagamento do tributo. Logo, uma vez concedida, tem-se a extensão
do prazo para adimplemento da obrigação tributária.

A moratória é dada em circunstâncias excepcionais, como calamidade pública e desastres naturais. É excepcional, ois
– em regra – o ente público deve respeitar o princípio da indisponibilidade dos bens públicos, ainda que não esteja
renunciando ao pagamento, o retardamento deste impacta no orçamento.

CAUSAS DE EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO

EXCLUEM O ISENÇÃO (TRIBUTO)


CRÉDITO
TRIBUTÁRIO ANISTIA (INFRAÇÃO)

Art. 175. Excluem o crédito tributário:

I - a isenção;

II - a anistia.

Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias
dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente.

É importante ressaltar que para a doutrina, como ressalta o enunciado, as duas causas de exclusão do
crédito tributário (isenção, para tributos, e anistia, para infrações) ocorrem sempre ANTES do
lançamento:

"Excluir o crédito tributário significa impedir a sua constituição. Trata-se de situações que, não
obstante a ocorrência do fato gerador e o consequente nascimento da obrigação tributária, não pode
haver lançamento, de forma que não surgirá crédito tributário, não existindo, portanto, obrigação de
pagamento" (ALEXANDRE, Ricardo; Direito Tributário, 12 ed, pág. 581)

Art. 180. A anistia abrange exclusivamente as infrações cometidas anteriormente à vigência da lei que a concede,
não se aplicando:

I - aos atos qualificados em lei como crimes ou contravenções e aos que, mesmo sem essa qualificação, sejam
praticados com dolo, fraude ou simulação pelo sujeito passivo ou por terceiro em benefício daquele;

II - salvo disposição em contrário, às infrações resultantes de conluio entre duas ou mais pessoas naturais ou
jurídicas.

DISCURSIVAS
EXEMPLO 1

A pessoa jurídica Z fez uma Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e não pagou o débito
referente ao Imposto sobre a Renda (IRPJ). Meses depois, com o intuito de obter a regularidade fiscal necessária
para celebrar contrato com pessoa jurídica de direito público, a pessoa jurídica Z realizou o pagamento do tributo.
Entendendo que seu pagamento se deu de forma espontânea, face a ausência de qualquer procedimento por parte
do fisco, não efetuou o recolhimento da multa de mora. Sobre a hipótese descrita, responda aos itens a seguir:

A) A multa de mora é devida? Fundamente.

Sim a multa de mora é devida. A questão trata do alcance da denúncia espontânea disciplinada pelo Art. 138 do
CTN. Com efeito, não é cabível a denúncia espontânea para tributos sujeitos a homologação e regularmente
declarados, ainda que pagos a destempo, consoante Súmula 360 STJ.

B) Poderia o contribuinte recolher espontaneamente os valores devidos, acrescidos de multa e encargos legais,
após o início de um procedimento de fiscalização relativo ao mesmo tributo e período de apuração? Justifique.

No caso em tela, como o procedimento foi iniciado pelo fisco, o Art. 138, parágrafo único, do CTN prevê que não se
considera espontânea a denúncia apresentada após o início de procedimento administrativo.

EXEMPLO 2

No Estado “X”, até o ano de 2016, o mês para pagamento de Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores
(IPVA) era março, e o valor poderia ser dividido em, no máximo, três parcelas. Em janeiro de 2017, foi editada a Lei
nº 123 alterando tal sistemática. A nova lei estabeleceu o pagamento para o mês de fevereiro do mesmo exercício,
sem a possibilidade de parcelamento. Diante de tal quadro, responda aos itens a seguir: A) A alteração do prazo para
pagamento poderia se dar por meio de decreto? (Valor: 0,55) B) A Lei nº 123 precisa respeitar o princípio da
anterioridade do exercício financeiro e o da anterioridade nonagesimal? (Valor: 0,70)

Comentários:

A) Sim, conforme artigo 97 do CTN, não se verifica que a alteração de prazo de pagamento de tributo deve se dar por
lei ordinária. Como a lista do artigo 97 do CTN é de numerus clausus, não estando na tipicidade tributária restrita e
fechada, pode ser veiculada por decreto a alteração de prazo de recolhimento de tributo. Não se aplica, portanto, o
artigo 150, inciso I da CF/88.

B) Não, nem uma, nem outra. Trata-se de norma de eficácia imediata, pois a Súmula Vinculante nº 50 do STF assim
define: Norma legal que altera o prazo de recolhimento de obrigação tributária não se sujeita ao princípio da
anterioridade.