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Introdução à Confissão Arminiana de 1621


Mark A. Ellis1

Alguns acharão estranho que alguém de


tradição não Arminiana realize a tradução da
primeira e mais importante confissão
Remonstrante.[1] Meu contato inicial com a
teologia Arminiana ocorreu quando, como
um pastor calvinista de uma igreja Batista
Reformada, um amigo me desafiou a ler as
obras de Jacobs Arminius (Works of Jacobs
Arminius, 1560-1609).[2] Tendo sido
ensinado que ele era tanto Sociniano quanto
Pelagiano, fiquei surpreso com o quão
calvinista as afirmações de Arminius soaram
sobre trinitarianismo, sobre as Escrituras, o
pecado original e a necessidade da graça.
Isso levou-me a um estudo mais amplo
daqueles que compartilhavam de sua teologia, com especial ênfase no seu protegido, Simon
Episcopius (1583-1643), o principal autor desta confissão.[3] Os Remonstrantes publicaram
a Confissão ou Declaração dos Pastores Remonstrantes logo após o Sínodo dos Dort.[4] Eles a
planejaram de forma a ser uma declaração breve e de fácil compreensão de sua fé, e para ser uma
retificação do que eles pensaram ser deturpações publicadas nos Atos do Sínodo dos Dort.[5]

A motivação para uma nova tradução da Confissão é o seu valor como fonte primária da doutrina
Remonstrante primitiva. No desejo de ajudar os leitores ingleses a manterem a “percepção” do
original e ajudar a encontrarem as passagens correspondentes em Latim, a tradução em grande
parte mantém o fluxo do texto, embora divida frases mais longas e desloque os verbos para os
inícios das sentenças, muitas vezes substitua particípios por substantivos e infinitivos, e às vezes use
sinônimos mesmo havendo cognatos disponíveis no inglês.[6] No entanto, o estilo permanece
complicado e algumas frases são longas. Whitaker’s Words [7] e Lewis and Short’s Latin
Dictionary [8] dirigiram as escolhas das palavras. Itálicos no Latim são do original e colchetes no
inglês indicam a adição de palavras para a compreensão. Diferentes tradições teológicas
encontrarão utilidade neste livro por diferentes razões. Aqueles de tradição Arminiana talvez
queiram comparar sua teologia com a dos primeiros Remonstrantes. Certamente é muito mais fácil
consultar a Confissão do que deslocar-se através dos estudos, discursos e disputas publicas e
privadas de Arminius. Entretanto, é preciso ter em mente que a Confissão não reflete apenas a
teologia de Arminius. Ela também representa aqueles que eram “Arminianos” antes de Arminius
(como Uytenbogaert e pastores mais velhos), juntamente com os impulsos criativos de Episcopius.

1
Tradução: Samuel Paulo Coutinho
A Confissão também oferece benefícios para os de origem Calvinista/Reformada. Ela dissipa
representações enganosas comuns, tais como a de que os Arminianos eram Socinianos, uma
acusação lançada pelos seus oponentes desde o início do conflito.[9] No capítulo três da confissão,
os Remonstrantes manifestaram claro repúdio às negações Socinianas da divindade de Cristo e da
Trindade, e forneceram uma declaração ortodoxa do trinitarianismo, da geração eterna do Filho e
processão do Espírito Santo, e do compartilhar da natureza divina por ambos.

Mais comuns são as acusações de Pelagianismo. A Confissão dá ampla evidência de que os


Remonstrantes não defenderam a teologia de Pelágio.[10] Ao passo que Pelágio ensinou que o
pecado de Adão afetou somente a ele mesmo e apenas serviu como um mau exemplo para os seus
descendentes, os Remonstrantes afirmaram que todos os homens, exceto Jesus Cristo, foram
“envolvidos e implicados” no pecado de Adão e por isso foram sujeitos a “morte e miséria” e
“destituídos de verdadeira justiça necessária para alcançar a vida eterna, e, consequentemente,
nascem agora sujeitos à morte eterna … e a múltiplas misérias” (7.4). Ao passo que Pelágio definiu
graça como a capacidade inata conferida através da criação em conjunto com uma mente iluminada
pela pregação da lei, os Remonstrantes afirmaram que a graça é uma “operação especial”, que só
logra êxito naqueles que creem (7.1), e que nos termos da Lei, a graça foi “revelada somente de
longe, obscuramente e quase como se através de uma peneira.” Enquanto Pelágio achava que
mesmo no Antigo Testamento havia aqueles que atingiram a perfeição sem pecado através da Lei, os
Remonstrantes afirmaram que, mesmo no Antigo Testamento, “nem por isso estavam desassistidos
aqueles que creram em Deus com o auxílio da graça divina e pela fé andaram irrepreensível e
sinceramente diante dele” (7.8). Em contraste com a crença de Pelágio na capacidade humana, os
Remonstrantes escreveram que “(nós) não podemos nos libertar do miserável jugo do pecado, nem
fazer nada verdadeiramente bom em todas as religiões, nem, finalmente, jamais escapar da morte
eterna, ou de qualquer verdadeiro castigo do pecado. Muito menos podemos, a qualquer momento,
obter a salvação eterna sem ela ou através de nós mesmos” (7.10). Eles reafirmaram a incapacidade
humana e a necessidade da graça em (8.1, 8.2.2) e que a salvação é Obra de Deus (9.2). É somente
pela graça que as pessoas “podem realmente crer em seu Cristo Salvador, obedecer o evangelho e
ser libertos do domínio e da culpa do pecado; verdadeiramente também através da qual eles podem
realmente crer, obedecer e ser libertos” (9.2). Os Remonstrantes claramente não foram Pelagianos.

Se não Pelagianos, foram eles semi-Pelagianos? Domingo Bañez (1528-1604) cunhou o termo no
século XVI para se referir às doutrinas do pensador Jesuíta Luis de Molina (1535-1600) no conflito
entre Dominicanos e Jesuítas sobre a graça e o livre-arbítrio, o qual ocorreu paralelamente às
discussões entre os Protestantes. O termo entrou na teologia Protestante através da inclusão na
Fórmula de Concórdia luterana (1580). É definido como “… o erro dos semi-Pelagianos, que ensinam
que o homem, em virtude de seus próprios poderes, poderia iniciar o processo de sua conversão,
mas não conseguiria concluí-lo sem a graça do Espírito Santo”. O semi-Pelagianismo começou como
uma reação de monges que concordaram com Agostinho sobre as doutrinas do pecado original, a
incapacidade do homem para executar qualquer ato digno de salvação e a necessidade de
iluminação, mas defenderam a liberdade da vontade, atribuindo-lhe o ato inicial de fé. Pecadores
caídos tomam a iniciativa e Deus responde. Eles também ensinaram que as pessoas poderiam, por si
mesmas, livremente aceitar e perseverar na graça.[11] Novamente, se a história permite definir
rótulos, nem Arminius nem os Remonstrantes foram semi-Pelagianos. Eles mostraram isso
claramente no Remonstrance original de 1610, [12] e repetiram o mesmo na Confissão (17.6). Eles
enfatizaram “que a graça de Deus é o começo, a continuidade e a consumação de todo bem, de
modo que mesmo o homem que nasceu de novo não é capaz, sem esta graça preveniente e
excitante, seguinte e cooperante, de pensar, querer, ou praticar qualquer bem, ou resistir a
quaisquer tentações para o mal”. Eles diferiram de seus adversários não sobre a necessidade da
graça, mas em sua crença de que uma pessoa pode “desprezar e rejeitar a graça de Deus e resistir à
sua operação, de modo que quando ele é divinamente chamado à fé e obediência, é capaz de tornar
a si mesmo incapaz para crer” (17.7).

No final, impressiona o motivo pelo qual aqueles que olham para Genebra teriam a necessidade de
recorrer à invenção ou extrapolação de suas diferenças com os Remonstrantes. A rejeição
Remonstrante da eleição incondicional, expiação limitada, graça irresistível e perseverança,
juntamente com as doutrinas exclusivas que afirmaram na Confissão (como as múltiplas definições
de eleição), são razões per se suficientes para declarar que eles representavam um desenvolvimento
teológico diferente.

Por outro lado, os de teologia não-Arminiana também podem encontrar ideias apreciáveis. Muitos
daqueles que adotam a perspectiva do “senhorio” valorizarão a ênfase Remonstrante no
arrependimento, que é um requisito para a salvação, que precede a fé e que os autores bíblicos
entenderam que quando a Escritura menciona “fé” somente, isso incluía a ideia de arrependimento.
Nós de tradição Batista ressoaremos os esforços dos Remonstrantes para escrever uma confissão
que foi uma expressão exata de sua fé, mas não violou a liberdade de consciência e evitou as cadeias
do credalismo. Afirmamos com eles a clareza das Escrituras, a competência da alma e o sacerdócio
do crente.

Vemos também na Confissão que o desafio Remonstrante não era meramente doutrinário. Desde o
início, os Remonstrantes consideraram seu movimento uma rejeição ao escolasticismo Reformado
como um método teológico.[13] Certamente Arminius viu a si mesmo da mesma maneira. Em 8 de
outubro de 1603, logo após a sua instalação como professor em Leiden, Arminius realizou sua
primeira disputa sobre o pecado original. Ele foi crítico à postura do apresentador por depender
muito da lógica e muito pouco da Escritura. Ele então usou essa ocasião para desafiar seus colegas a
abandonar o que ele chamou de “a incômoda multidão de afirmações escolásticas” para abraçar o
que ele chamou de “método antigo e mais masculino de estudo” das Escrituras.[14] Minimizar este
protesto, considerando-o apenas como algo “típico” da época, parece estranho à luz de sua
desaprovação aos homens que estavam em posição de apontar as próprias inconsistências dele. Essa
crítica se torna ainda mais interessante se a fonte desse “método antigo e mais masculino de
estudo” não fosse outra senão João Calvino. Encontramos uma indicação disso em uma carta que
Arminius escreveu dois anos antes de sua morte:

Mas, após a leitura da Sagrada Escritura, que eu veementemente cito mais do que qualquer outra
coisa e toda a academia pode testemunhar e meus colegas estão cientes, eu incentivo a leitura dos
comentários de Calvino, os quais eu enalteço com o maior louvor [….] Pois eu digo que ele é
incomparável na interpretação da Escritura, e seus comentários são melhores do que qualquer coisa
que os Pais nos deram.[15]

Estes exemplos evidenciam que Arminius percebeu diferenças entre o seu método teológico e de
outros escolásticos Reformados e estava tentando guiar seus alunos para longe da especulação
teológica bem como em direção ao método teológico mais bíblico de Calvino.

Episcopius adotou a perspectiva de Arminius sobre o racionalismo Reformado e sobre a especulação


teológica e foi ainda mais longe. Por exemplo, Episcopius iniciou suas disputas privadas repetindo
sua ênfase na teologia bíblica e prática, limitado pelas restrições do texto.[16] Ele incisivamente se
recusou a comentar sobre alguns assuntos, tais como detalhes sobre os anjos, os quais ele via como
“inovações escolásticas”. Ele repetiu sua rejeição ao escolasticismo Reformado em seu discurso de
despedida aos seus alunos [17] e incorporou isso à Confissão.[18] Que os teólogos Reformados
Calvinistas foram sensíveis a esses ataques pode ser visto nos escritos de Gisbert Voetius, que
tentou reagir às acusações Remonstrantes de especulação excessiva, inovação e apego demasiado a
pequenos pontos e minutiae.[19]

Nós encontramos na Confissão um corolário para a rejeição do escolasticismo Reformado, a


insistência Remonstrante de que toda a verdadeira teologia é totalmente prática e não especulativa
ou teórica.[20] Independente da incerteza moderna sobre o significado de “teologia especulativa”,
para Episcopius significava a teologia que era derivada da razão em vez das Escrituras, e servia para
satisfazer a curiosidade teológica ao invés de promover a adoração de Deus. Como Episcopius
escreveu na seção introdutória de sua Theological Institutes, “A teologia não é um conhecimento
especulativo, mas prático. Também não é, como alguns o desejam, parcialmente especulativo e
parcialmente prático. Menos ainda é, como outros desejam, em maior parte especulativo. É
puramente prático”.[21] Esta ênfase na teologia como uma ciência prática tornou-se uma das
marcas da teologia Remonstrante.

Tendo mencionado Simon Episcopius inúmeras vezes na introdução e considerando sua obscuridade
geral entre os estudiosos modernos, seria útil incluir algumas informações sobre sua vida e obra.
Episcopius foi singularmente responsável pela sobrevivência do movimento Remonstrante após o
Sínodo de Dort.[22] Podemos justamente considerá-lo como o fundador teológico do Arminianismo,
uma vez que desenvolveu e sistematizou as ideias que Arminius provisoriamente explorou antes de
sua morte e, em seguida, perpetuou essa teologia fundando o seminário Remonstrante e ensinando
a geração posterior de pastores e professores.[23]

Seu nome era Simon Bisschop, o qual foi mais tarde latinizado de acordo com as práticas acadêmicas
de sua época. Ele nasceu de pais Reformados em Leiden e logo na infância mostrou intelecto
aguçado e um talento promissor em grego e latim. Apesar das humildes condições financeiras de sua
família, benfeitores públicos e privados lhe providenciaram a melhor educação disponível na
Holanda. Ele entrou na Universidade de Leiden em 1600, onde constituiu sua estreita relação com
Arminius. O fato de Arminius ser órfão e Episcopius ter perdido seus pais para a peste durante este
tempo pode ter fomentado a amizade entre eles.

Depois de receber o grau de mestre em 27 de fevereiro 1606, [24] ele continuou na vida acadêmica
na universidade através da participação em disputas diárias e comparecimento à palestras dos três
professores de teologia: Franciscus Gomarus (1563-1641), Lucas Trelcatius (1573-1607) e Arminius.
Durante este tempo, um conflito aberto eclodiu entre Arminius e Gomarus.[25] Sabemos pouco
sobre o quanto Episcopius entrou no debate, mas quase todas as cartas que ele escreveu durante
este tempo a seu irmão, Rem Bisschop, continham referências a Arminius.[26] Sua associação com
Arminius trouxe-lhe problemas em Amsterdam [27] e mais tarde em Franeker, onde estava para
estudar hebraico com Ioannes Drusius.[28] A morte de Arminius em outubro 1609 combinou
frustração com tristeza.[29] O reconhecimento de Episcopius entre aqueles que compartilhavam da
teologia de Arminius cresceu rapidamente. Em maio de 1610, foi nomeado pastor na pequena
cidade de Bleyswick. Em 1611, ele foi escolhido como um dos seis para representar os
Remonstrantes em uma conferência convocada pelo governo para tentar para resolver o conflito
crescente. Em 1612, os diretores da Universidade de Leiden reconheceram formalmente a sua
liderança teológica entre os Remonstrantes convidando-o para suceder Gomarus como professor de
teologia, uma nomeação que despertou amarga inimizade entre Calvinistas. É provável que, tendo
em conta a influência que sua nomeação deu à propagação das opiniões Remonstrantes, este tenha
sido um fator importante que o conduziu até o Sínodo de Dort em 1618.

A confusão teológica e política levou a Holanda à beira da guerra civil nos anos que antecederam ao
sínodo e perturbaram tanto Episcopius quanto sua família.[30] A perseguição progrediu ao ponto
que em 30 de Agosto, 1618, Johannes Uytenbogaert, o líder político dos Remonstrantes, seguiu o
conselho de seus colegas e fugiu do país.[31]Em sua ausência, a liderança dos Remonstrantes passou
para Episcopius. Em 20 de setembro, Episcopius recebeu uma carta dos Estados da Holanda e West-
Friesland convidando-o para representar a Universidade no sínodo nacional. O Sínodo começou em
17 de novembro e um dos primeiros atos foi mudar o status de Episcopius de delegado para
intimado.[32] Os Remonstrantes sabiam que isso acabava com sua esperança de debate aberto e
mudava o formato para uma audiência. Episcopius pediu permissão para dirigir-se ao Sínodo e, em
seguida, começou uma hora e meia de discurso detalhando a posição Remonstrante e sua opressão
nas mãos dos Reformados Calvinistas.[33] O discurso foi poderoso e difundiu-se rapidamente por
toda a Holanda e além.[34] O protesto Remonstrante, no entanto, durou pouco. O presidente do
sínodo os expulsou por se recusarem a cooperar, [35] e o Sínodo decidiu julgá-los a partir de seus
escritos.[36] O corpo sinodal condenou suas crenças em 24 de abril de 1619; sentenças cíveis foram
pronunciadas em 6 de maio e em 5 de julho os líderes dos Remonstrantes foram carregados em
vagões e levados para o exílio.

Os Remonstrantes exilados acabaram por se instalar na Antuérpia, onde eles formaram a Irmandade
Remonstrante e selecionaram Episcopius, Uytenbogaert e Nicholas Grevinchoven para formar a
“diretoria estrangeira”.[37] Foi durante essas reuniões que os Remonstrantes discutiram a
necessidade de uma confissão. Muitos estavam hesitantes, temendo estabelecer o mesmo tipo de
credalismo que resultou em sua perseguição e banimento. O Prefácio à Confissão, o qual os
Remonstrantes consideravam uma parte integrante do documento, enfatizou seu caráter não-
obrigatório. A sociedade, no final das contas, julgou isso muito importante para provar a ortodoxia
deles aos que desejavam ajudá-los, para silenciar as deturpações de sua oposição, e acima de tudo,
para incentivar e unir os Remonstrantes agora em dificuldades e dispersos. Eles selecionaram
Episcopius e outros dois para escrevê-la, mas no final, ele fez o trabalho sozinho. Ele completou a
Confissão em 6 de fevereiro de 1620 e o diretório convocou uma reunião geral em Antuérpia com a
finalidade de discuti-la.[38] Depois de algumas revisões, a Confissão foi aprovada em 8 de fevereiro
e a assembleia encarregou Uytenbogaert e Episcopius com a tarefa de fazer uma tradução
holandesa, a qual os Remonstrantes aprovaram e aceitaram em 9 de fevereiro. A edição holandesa
foi publicada em 1621 [39] e a Latina em 1622.[40] A resposta daqueles que eram amigáveis aos
Remonstrantes foi imediata e gratificante para a Irmandade.[41]

Episcopius viveu no exílio de 1619 até 1626, primeiro em Antuérpia e em seguida, alternando entre
Rouen e Paris. Durante este período, ele encorajou os Remonstrantes que permaneceram na
Holanda e defendeu o movimento contra seus adversários. Por volta de 1626 as perseguições na
Holanda começaram a diminuir. O Príncipe Maurício estava morto e seu meio-irmão Henry, um
simpatizante do movimento Remonstrante, agora estava dirigindo o país. Episcopius chegou à
Roterdã em julho. Uytenbogaert retornou em setembro e resolveu qualquer crise potencial de
liderança declarando Episcopius o diretor da Irmandade.[42] Episcopius viveu por 16 anos depois de
seu retorno do exílio. Ele ministrou na igreja de Roterdã, revitalizou a igreja em Amsterdam (1629),
fundou o seminário Remonstrante (1632) e escreveu e viajou muito em prol da causa Remonstrante.
Durante uma dessas viagens à Roterdã, uma chuva torrencial o surpreendeu e, tendo chegado tarde
demais para entrar na cidade, ele passou a noite no frio. A febre resultante o deixou
permanentemente enfraquecido. Ele adoeceu novamente em circunstâncias semelhantes em
fevereiro 1643 e morreu pacificamente em 4 de abril. Quatro dias depois, seus amigos o sepultaram
na Igreja Ocidental, ao lado de sua esposa. Seu funeral foi grande, mas a presença mais comovente
foi a de Uytenbogaert. Van Limborch escreveu que quando ele entrou na sala onde Episcopius foi
colocado, ele aproximou-se do corpo e colocando as mãos sobre a cabeça gritou: “Ó líder! Ó líder!
Quanta sabedoria havia dentro de você!”.[43] Ele havia enterrado Arminius, e agora ele iria enterrar
Episcopius também.

Em suma, a Confissão ou Declaração dos Pastores Remonstrantes trata das maiores áreas da
doutrina cristã conforme mantidas pelos colegas e sucessores de Arminius após o Sínodo de Dort.
Eles a publicaram para informar os leigos e profissionais cristãos sobre o que eles acreditavam e para
se defender contra os ataques de seus oponentes. Sua principal preocupação foi expor suas crenças
sobre os ensinamentos centrais da Sagrada Escritura. Esta tradução não só irá permitir que o leitor
interaja diretamente com a teologia que foi o objeto do Sínodo de Dort, mas também nos leva ao
pensamento e vocabulário de Simon Episcopius, o principal desenvolvedor e defensor da teologia de
Arminius.

Eu completei essa tradução enquanto minha esposa Diane e eu estávamos em licença de serviço
missionário no Brasil. Sou grato ao Dr. David Dockery e à Union University pela agradável
hospitalidade durante este tempo, com menção especial para Bradey Todd e Suzanne Mosley do
Student Ministries.

Fonte: http://evangelicalarminians.org/mark-a-ellis-introduction-to-the-arminian-confession-of-
1621/
Tradução: Samuel Paulo Coutinho

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Notas

[1] Embora aqueles que concordaram com Arminius são frequentemente chamados de arminianos,
Arminius era apenas um ponto de encontro para muitos que representaram o movimento de
reforma pré-Calvinista, na Holanda, os quais se pareciam mais com Melanchthon, Bullinger e
Hemmingius do que com Calvino e Beza. Ao invés de chamarem-se “Arminianos” eles levaram o
nome de “Remonstrantes” em função do remonstrance (protesto legal) que apresentaram ao
governo solicitando proteção contra as perseguições. A igreja continua até hoje como a Irmandade
Remonstrante. Para uma mais completa apresentação do Arminianismo como um ramo pré-
calvinista da Reforma holandesa, ver minha dissertação, “Simon Episcopius e a doutrina do pecado
original” (Ph.D. diss, Dallas Theological Seminary, 2002).

[2] Embora muitos dos trabalhos teológicos de Arminius tenham sido publicados individualmente, os
Remonstrantes os publicaram coletivamente pela primeira vez em Opera Theologica (Leiden:
Goderfridum Basson, 1629). Eles estão disponíveis em inglês em duas versões, The Works of James
Arminius (Reprint of the London edition [London: vols. 1-2, Longman, Hurst, Rees, Orme, Brown and
Green; vol. 3, Thomas Baker, 1825-75]; Grand Rapids: Baker Book House, 1986, doravante citado
como WA), e The Writings of James Arminius (Reprint of 1853 ed. [Auburn and Buffalo: Derby, Miller
and Orton]; Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1956, doravante citado como WrA).
[3] As obras teológicas essenciais de Episcopius, incluindo discursos e tratados mais curtos, foram
publicados em Opera Theologica (ed. Stephanus Curcellaeus, Amsterdam: Ioannis Blaev, 1650, daqui
para frente OTE) and Operum Theologicorum, Pars Altera (ed. Philip van Limborch, Rotterdam:
Arnoldum Leers, 1665, daqui para frente OTPA). Seus sermões foram coletados e publicados
em Predicatien van M. S. Episcopius (ed. Philip van Limborch. Amsterdam: Isaak Pieterz., 1693).

[4] O texto latino utilizado nessa tradução vem de OTPA 1:69-94.

[5] Publicado em latim como Acta Synodi Nationalis (Dort: Isaaci Ioannidis Canini Et Sociorum, 1620),
e em holandês como Acta ofte Handelinghen des Nationalen Synodi (Dort: Isaack Jans. Canin, 1621).
Numerosas traduções estão disponíveis em inglês.

[6] Por exemplo, eu usei “thoughts” para traduzir “cogitationes” mesmo que “cogitations” exista no
inglês, e “seeking” ao invés de “procuring” quando traduzindo “procurandum”.

[7] http://users.erols.com/whitaker/wordsdoc.htm.

[8] http://perseus.uchicago.edu/cgi-bin/morphindex?lang=la.

[9] Ver o anônimo Een Kort en Waerachtich Verhael / wat voor een grouwelijck ghevoelen dat de
Arminianen / Vortianen / ofte nieuwe Arrianen / Pelagianen / Socinianen / Samosatinianen ghesocht
hebben in de Gehereformeerde kercke in te voeren / en in kort heir teghen gestelt het ghevoelen der
Ghereformeerde kerche (N.p.: “Ghedruckt buyten Romen,” n.d.), publicado durante a época do
conflito que levou ao Sínodo de Dort. Simon Episcopius foi acusado de Socinianismo por Lubbertus
Sibrandus enquanto estudante em Franeker, por Daniel Hensius enquanto ensinava na Universidade
de Leiden e pelos professores de Leiden depois de voltar para a Holanda, mas sempre mostrou-se
ortodoxo, quando dada a oportunidade de responder a seus acusadores. Em relação à inexistência
de teologia Pelagiana ou Sociniana entre os Remonstrantes, ver W. Robert Godfrey, “Calvin and
Calvinism in the Netherlands”, in John Calvin, His Influence in the Western world, ed. W. Stanford
Reid and Paul Woolley (Grand Rapids, Zondervan, 1982), 104–05.

[10] A rejeição Remonstrante ao Pelagianismo já tinha sido esclarecida no Remonstrance de 1610,


que declarou no artigo III: “Que o homem não possui por si mesmo graça salvadora, nem as obras de
sua própria vontade, de modo que, em seu estado de apostasia e pecado para si mesmo e por si
mesmo, não pode pensar nada que seja bom – nada, a saber, que seja verdadeiramente bom, tal
como a fé que salva antes de qualquer outra coisa. Mas que é necessário que, por Deus em Cristo e
através de seu Santo Espírito, seja gerado de novo e renovado em entendimento, afeições e vontade
e em todas as suas faculdades, para que seja capacitado a entender, pensar, querer e praticar o que
é verdadeiramente bom, segundo a Palavra de Deus, Jo 15.5: “Sem mim nada podeis fazer”.

[11] Columbia Encyclopedia, 6th ed., s.v. “Pelagianism.”

[12] “Artigo IV: Que esta graça de Deus é o começo, a continuação e o fim de todo o bem; de modo
que nem mesmo o homem regenerado pode pensar, querer ou praticar qualquer bem, nem resistir a
qualquer tentação para o mal sem a graça precedente (ou preveniente) que desperta, assiste e
coopera. De modo que todas as obras boas e todos os movimentos para o bem, que podem ser
concebidos em pensamento, devem ser atribuídos à graça de Deus em Cristo. Mas, quanto ao modo
de operação, a graça não é irresistível, porque está escrito de muitos que eles resistiram ao Espírito
Santo [At 7 e alibi passim].”
[13] Esta perspectiva foi defendida por James Nichols e W.R. Bagnall em suas edições das Works of
Arminius. Bagnall escreveu: “Em vista de sua formação inicial e a prática universal dos escritores
teológicos daquela época, era esperado que Arminius adotasse a fraseologia e forma dos
escolásticos. Isso foi, em certa medida, verdadeiro para ele. No entanto, será encontrado,
pensamos, na leitura de seus escritos, que ele era menos escolástico em seu estilo e mais prático e
bíblico, tanto em seus pontos de vista quanto em seu modo de apresentá-los, do que a maioria de
seus contemporâneos” (W. R. Bagnall, “Preface,” WrA [Baker: Grand Rapids, MI, 1977] 1: v).

[14] Caspar Brandt, The Life of James Arminius, trans. John Guthrie [Nashville: E. Stevenson & F.A.
Owen, Agents for the Methodist Episcopal Church South, 1857], 191-92).

[15] “Sed post Scripturæ lectionem, quam vehementer inculco, & magis quam quisquam alius, quod
tota Academia testabitur, etiam conscientia meorum collegarum, ad Calvini Commentarios legendos
adhortor, quem laudibus majoribus extollo…. Dico enim incomparabilem esse in interpretatione
Scripturarum, & majores faciendos ipsius commentarios quam quidquid Patrum Bibliotheca nobit
tradit.” Jacobus Arminius to Sebastian Egbert, 3 May, 1607, Christiaan Hartsoeker and Philippus van
Limborch, eds.,Præstantium ac eruditorum virorum epistolæ ecclesiasticæ et
theologicæ (Amsterdam: Henricum Wetstenium, 1660), 236-37.

[16] Disputationes Theologiæ Tripartæ (Amsterdam: Ioannem Blaev, 1644, henceforthDTT), 2.12, De
Creatione Mundi. Ele repetiu esta declaração em DTT, 3.8.1: “Sicut naturæ divinæ excellentia &
supereminentia Deum cultu & honore dignum facit; ita opera quæ Scriptura ei tribuit, jus,
auctoritatem, & potestatem postulandi à nobis cultum & obsequium eidem conciliant.”

[17] “ORATIUNCULA habita à M. SIMONE EPISCOPIO 13. Novemb. Anni 1618 in auditorio Theologico
cum ad Synodum Dordracenam ab Illustr. Ordd. Hollandiæ evocatus discederet,” em OTPA, pp. 170-
172.

[18] “Quanto às questões espinhosas e excessivamente sutis, que são apropriadas para
universidades e escolas, e que nem ajudam o conhecedor nem ferem o ignorante, nós
propositadamente nos abstivemos delas, deixando-as para os ociosos e excessivamente curiosos, e
que tem uma doença incurável por discussões, a quem é prazeroso mostrar a sua perspicácia, e a
partir destes detalhes eles buscam fama em coisas insignificantes” (Preface, p. 22).

[19] Gisbert Voetius, “Selectæ Disputationes Theologicæ”, em Reformed Dogmatics, ed. John W.
Beardslee III (Grand Rapids: Eerdmans, 1977), 268, 278.

[20] Ver o Preface, p. 23. Note também a inclusão de seções que dão aplicações específicas para o
conteúdo de cada capítulo.

[21] “Theologiam non esse scientia speculativam, sed practicam: Nec esse, ut quidam volunt, partim
speculativam, partim practicam, nedum, ut alii, maximam partem speculativam. Pure practica est”
(Institutiones Theologicae, em Opera Theologica [Amsterdam: Ioannis Blæv, 1650], 1:4).

[22] Importantes fontes biográficas para Episcopius são Stephanus Curcellæus “preface in
Episcopius‟ Opera Theologica (Stephanus Curcellæus, “Præfatio Ad Lectorem Christianem,”
em Opera Theologica [Amsterdam: Ioannis Blæv, 1650]), e o mais completo de Philip van
Limborch Leven van Mr. Simon Episcopius (In Predicatien van M. S. Episcopius, [Amsterdam: Isaak
Pieterz., 1693]), o qual ele aumenta e republica comoHistoria Vitæ Episcopii (Amsterdam: Georgium
Gallet, 1701). A única biografia significativa em inglês é Memoirs of Simon Episcopius de Calder
(London: Simpkin and Marshall, 1835). Embora Calder afirmou que ele se baseou fortemente em van
Limborch para detalhes históricos (Calder, Memoirs, 71), muito de sua análise é única. Estas
biografias não discutem o conteúdo das obras teológicas de Episcopius. Henrik Haentjens preencheu
muitas dessas lacunas com sua tese de doutorado de 1899, Simon Episcopius als Apologeet van het
Remonstrantisme in zijn leven en werken geschetst(Anton Hendrik Haentjens, Simon Episcopius als
Apologeet van het Remonstrantisme in zijn leven en werken geschestst [Leiden: A. H. Adriani, 1899]).
Em 1960, Gerrit J. Hoenderdaal forneceu importantes informações sobre a relação entre Arminius e
Episcopius em Gerrit J. Hoenderdaal, “Arminius en Episcopius,” Nederlands Archief voor
Kerkgeschiedenis 60 (1980): 203-35. Veja também comparações extensas na minha dissertação,,
“Simon Episcopius and the Doctrine of Original Sin” (Ph.D. diss, Dallas Theological Seminary, 2002)

[23] Um dos mais importantes de seus alunos foi Stephanus Curcellus.

[24] Van Limborch, Vitae, 4-5.

[25] Van Limborch, Vitae, 5-7.

[26] Haentjens, Simon Episcopius als Apologeet, 11.

[27] Ele foi impedido de entrar no ministério lá. Ver Calder, Memoirs, 53-54.

[28] Calder, Memoirs, 56. Apesar dos avisos de Arminius para não envolver-se em debates,
Episcopius disputou com Sibrandus Lubbertus sobre Romanos 7 (Haentjens,Simon Episcopius als
Apologeet, 14).

[29] Episcopius viajou para estar com Arminius, logo que soube da sua doença, e ficou com ele ao
seu lado até que foi assegurado de que Arminius iria se recuperar. Arminius morreu pouco depois
que Episcopius voltou a Franeker.

[30] A casa de Rem Bisschop em Amsterdam foi arrombado e saqueado sob o olhar atento de pelo
menos um pastor Calvinista Reformado, Ursinus (Geeraert Brandt, The History of the Reformation
and other Ecclesiastical Transactions in and about the Low-countries: From the Beginning of the
Eighth Century, Down to the Famous Synod of Dort, Inclusive: faithfully translated from the original
Low-Dutch [London: Printed by T. Wood for T. Childe, 1720], 2:95).

[31] Van Limborch, Vitae, 5. Johannes Uytenbogaert (por vezes Wtenbogaert, Utenbogaart ou
Uitenbogaart) foi um colega de Arminius em Genebra, um dos defensores ferrenhos de Arminius e
líder principal do movimento Remonstrante. Com respeito a sua relação com Episcopius, Haentjens
escreveu: “Havia também uma atração crescente da parte de Episcopius por Wtenbogaert, e eles
desenvolveram uma relação tão forte que mais tarde passaram seu tempo no exílio juntos. Eles
complementavam um ao outro. Wtenbogaert assumiu a liderança em detalhes práticos, mas as
questões de erudição ele transferiu para Episcopius, cujas decisões ele valorizava mais do que
‘aqueles dos maiores e menores deuses’”. (Haentjens, Simon Episcopius als Apologeet, 29-30).
Wtenbogaert escreveu o Remonstrance original de 1610 e viu a morte de Arminius e Episcopius. O
trabalho padrão a respeito de sua vida é Johannes Utenbogaerd en Zijne Tijde by H. C. Rogge
(Amsterdam, 1874).

[32] A diferença de status foi significativa. Pode-se compará-lo a ser transferido do quadro de juízes
para ser intimado como réu.
[33] A oração pode ser encontrada na versão holandesa dos Atos do Sínodo de Dort (Acta ofte
Handelingen, 68-79), mas foi deixada de fora do latim (Acta Synodi Nationalis). A sessão 23 aparece
nas páginas 64-66, completa com as acusações contra Episcopius Versões latinas aparecem em van
Limborch, Vitae, 145-167 and OTPA 2:1-4. Pode-se encontrar traduções para o inglês em
Calder, Memoirs, páginas 284-315 e Brandt, History, 3:52-61.

[34] Uytenbogaert ouviu falar sobre isso, mesmo do exílio, e escreveu para agradecer Episcopius por
isso (Johannes Uytenbogaert para Simon Episcopius, 25 de Abril de 1619, na Biblioteca
Remonstrante em Roterdam, e publicado na Rogge, van Johannes Wtenbogaert, #220. Citado por
Haentjens, Simon Episcopius als Apologeet, 50).

[35] O presidente do sínodo foi Iohannes Bogerman, cuja contribuição ímpar para a perseguição dos
Remonstrantes antes do sínodo foi traduzir o tratado de Beza defendendo a execução de hereges.
Seu relacionamento com Episcopius já estava tenso por causa do discurso de Episcopius, e a
tentativa de Bogerman provar ser ele um mentiroso. O conflito veio à tona quando o presidente
exigiu a assinatura da delegação Remonstrante em outra declaração confirmando se eles ainda
mantinham suas opiniões, e Episcopius respondeu com frustração: “Deixem então que tragam até
nós, e vamos assiná-la”. O presidente achou que ele fora arrogante, e exigiu que todos viessem
antes dele para assiná-la. Bogerman ficou envergonhado pela dignidade com que cada um veio até
sua mesa, perdeu o controle de si mesmo e os expulsou do sínodo com acusações de “artifícios de
base, fraudes e mentiras” (Brandt, History 3:151-52).

[36] Algumas das mais fortes evidências de deturpação das crenças Remonstrantes pelo Sínodo, vêm
das cartas de Walter Balcanqual. Ele serviu como um delegado britânico, era um calvinista
comprometido e defendia a expiação limitada (Nicholas Tyacke,English Arminianism, 44-45, 92, 95-
98). Estas cartas eram relatórios sobre o Sínodo para o embaixador britânico Sir Dudley Carleton. Ele
escreveu que a delegação britânica foi criticada por tentar definir as crenças dos Remonstrantes a
partir daqueles livros em que “eles falaram melhor e de forma mais sólida”, enquanto a tendência
foi a de reunir os seus sentimentos “de vários lugares em seus livros, onde eles falaram mais
absurdamente, o que nós pensamos ser uma atitude muito distante da regra da caridade.” (George
Balcanqual, Dort, a Dudley Carleton, 9 de fevereiro de 1619, em Hales, ” Letters from Dort;” citado
por James Nichols, “Um Breve Relato do Sínodo de Dort, extraído das cartas de Mr. Hales e Mr.
Balcanqual, escrito a partir de Dort, ao Revmo. Exmo. Sir D. Carleton, Lord Embaixador em Haia”,
nas Works of Arminius, London ed. [London: Longman, Hurst, Rees, Orme, Brown and Green, 1825;
reprint, Grand Rapids: Baker, 1986], 1:545). Ele observou que, quando Bogerman lia a partir de
Episcopius, “o presidente escolhia o pior de tudo … o que não apresentava conteúdo mas uma sátira
amarga contra Calvino, Beza, Pareus, Piscator, Whitaker, Perkins, Bogerman, Festus e mais vinte.
Mas, na verdade, por meio infeliz, foi finamente escrrito” (George Balcanqual, Dort, to Dudley
Carleton, 15 de fevereiro de 1619, em Hales, “Letters from Dort;” citado em Nichols, “The Synod of
Dort,” 1:546). Finalmente, ele criticou os delegados por distorcerem os sentimentos dos
Remonstrantes ao escrever: “Eles estão tão ansiosos para matar os Remonstrantes, que fariam as
palavras deles ter um sentido que nenhuma gramática poderia encontrar nelas …. Eles condenavam
a opinião em si como algo mais estranho, e ainda a retinham apenas para provocar o ódio contra os
Remonstrantes, apesar de encontrarem exatamente o contrário daquilo que eles desejavam gerar
sobre eles em seus escritos “(George Balcanqual, Dort, a Dudley Carleton, 19 de fevereiro de 1619,
em Hales, ” Letters from Dort;” citado em Nichols, ” The Synod of Dort”, 1:546). Blaising fornece
vários exemplos dessas deturpações (Craig A. Blaising, “John Wesley‟s Doctrine of Original Sin,”
[Ph.D. diss., Dallas Theological Seminary, 1979] 111-124).
[37] A reunião durou de 30 de setembro a 4 de outubro. Em relação a este encontro, ver Johannes
Tideman, De Stichting Der Remonstrantsche Bruderschap, 1619-1634(Amsterdam, Y. Rogge, 1871),
1:118. Embora Uytenbogaert estivesse presente, Episcopius foi escolhido para presidir a reunião.
Ibid, 1:49.

[38] Assim escreveu Haentjens, Simon Episcopius als Apologeet, 56. Embora alguns tenham
questionado a autoria da Confissão, seu surgimento sem qualificação em Theologica, Pars
Altera (Rotterdam: Arnoldum Leers, 1665, 2:69-94) sustenta que a primeira e a segunda geração de
Remonstrantes atribuiu a Episcopius. No entanto, as comparações com as disputas públicas e
privadas de Episcopius demonstram que embora a grande maioria da Confissão é claramente o seu
trabalho, há aqueles pontos em que Episcopius desviou-se de Arminius antes da escrita da Confissão,
mas a teologia de Arminius foi reafirmada na Confissão. Eu presumo que os outros pastores
presentes foram responsáveis por esta reafirmação do pensamento Arminius.

[39] Belijdnisse ofte Verklaringhe Van’t ghevoelen der Leeraren die in de Gheunieerde Neder-landen
Remonstranten worden ghenaemste, over de voornaemste Articulen der Christelijcke Religie (N.p,
1621).

[40] Confessio, sive, Declaratio, Sententiae Pastorum, qui in Foederato Belgio Remonstrantes
Vocantur, Super Praecipuis Articulis Religionis Christianae (Harderwijk: Theodorum Danielis, 1622).
Ele foi reimpresso em Opera Theologica, Pars Altera(Rotterdam: Arnoldum Leers, 1665), 69-94, e
mais tarde traduzido para o inglês como The Confession or Declaration of the Ministers or Pastors
which in the United Provinces are called Remonstrants, Concerning The Chief Points of Christian
Religion (London: Francis Smith, 1676).

[41] A aprovação de Hugo Grotius é especialmente interessante. Ver Hugo Grotius, Lutetiae (Paris)
para Simon Episcopius, 7 de Junho de 1621, in PEVE (#198), 632-33. As palavras de Grotius mostram
sua clara identificação com os Remonstrantes: “Confessio apud aequos homines, ut spero, nobis
proderit.” A carta de Episcopius para Grotius precede imediatamente esta na edição de 1660 (pp.
630-32).

[42] Haentjens, Simon Episcopius als Apologeet, 79.

[43] “O caput, quanta sapientia in te recondita fuit!” (citado por van Limborch, Vitae, 320).

Fonte: CACP – Ministério Apologético:

http://www.cacp.org.br/introducao-a-confissao-arminiana-de-1621/