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Ano XXV - janeiro/2014 nº268 - R$ 13,00 - www.musitec.com.

br

ÁUDIO FUTEBOL
Tudo sobre o som da grande festa de
CLUBE
lançamento da nova camisa da seleção

SONORIZAÇÃO
DE TEMPLOS
O novo sistema de áudio do
Santuário Dom Bosco, em Brasília
AO VIVO
Chili Peppers no Brasil e a
gravação do novo DVD de Djavan E M A S D E
SIST Ç ÃO
O R I Z A
SON
ISOLAMENTO ACÚSTICO 9
PARTsE consoles
do
Transmission Loss e Sound Transmission O início ixagem
de m
Class em mais uma etapa do projeto

Os raiders do Circuito Banco do Brasil • Show de luzes no evento da Nike


A
CEN

Corrigindo imperfeições e atenuando sombras com difusores áudio música e tecnologia | 1


Z&
LU
2 | áudio música e tecnologia
áudio música e tecnologia | 3
ISSN 1414-2821
EDITORIAL Áudio Música & Tecnologia
Ano XXV – Nº 268 / janeiro de 2014
Fundador: Sólon do Valle

Direção geral: Lucinda Diniz -


lucinda@musitec.com.br

Olá, 2014!
Edição jornalística: Marcio Teixeira
Consultoria de PA: Carlos Pedruzzi

COLABORARAM NESTA EDIçÃO


Alexandre Guimarães, Cristiano Moura,
Daniel Raizer, Enrico De Paoli, Léo Miranda,
Lucas Ramos, Luciano Alves, Omid Bürgin e
Antes de qualquer coisa, feliz ano novo, caro leitor! Que você tenha um 2014
Renato Muñoz.
cheio de alegrias, realizações e, claro, áudio de primeira qualidade. E espero
que o seu Natal também tenha sido aquele Natal, de amor e união. Fim de REDAçÃO
ano é bom, né? Marcio Teixeira - marcio@musitec.com.br
Rodrigo Sabatinelli - rodrigo@musitec.com.br
Nessa primeira Áudio Música & Tecnologia do ano, são muitos os desta- redacao@musitec.com.br
cartas@musitec.com.br
ques. Pra começar, como você já pôde ver em nossa foto capa, apresen-
tamos uma matéria bem completa sobre a sonorização da festa de lança-
DIREçÃO DE ARTE E DIAGRAMAçÃO
mento da nova camisa que a Nike produziu para a seleção brasileira. E, Client By - clientby.com.br
sim, será essa a veste canarinho no principal evento do nosso calendário Frederico Adão e Caio César
nesse ano: a Copa do Mundo! A festa, em si, reuniu vários dos principais
artistas populares do nosso país, e, sendo assim, envolveu muita respon- Assinaturas
sabilidade no quesito som. Na matéria você verá cada detalhe técnico Karla Silva
assinatura@musitec.com.br
deste evento que, tomara, tenha dado sorte a Neymar & cia.

Distribuição: Eric Brito


Outros dois textos sobre shows presentes nessa AM&T 268 levam a você
informações sobre a gravação do novo DVD de Djavan, baseado em seu Publicidade
último disco, Rua dos Amores, e sobre a mais recente passagem dos Red Mônica Moraes
Hot Chili Peppers pelo país. Comandada por Flea e Anthony Kiedis, a banda, monica@musitec.com.br
que surgiu fazendo um punk funk e que sempre teve um jeitão de grupo de
humor, hoje, mais madura, toca para milhares em grandes eventos por todo Impressão: Ediouro Gráfica e Editora Ltda.
o mundo. E para tocar seu som elaborado, cheio de detalhes, a banda conta
Áudio Música & Tecnologia
com uma grande estrutura. Para saber mais, claro, é só ler a matéria. é uma publicação mensal da Editora
Música & Tecnologia Ltda,
O novo sistema de áudio do Santuário Dom Bosco, em Brasilia, nas palavras CGC 86936028/0001-50
do próprio responsável por ele, o consultor em áudio e acústica Alexan- Insc. mun. 01644696
dre Guimarães, também é um dos destaques desta edição, que também Insc. est. 84907529
apresenta aos leitores a nova seção Áudio no Brasil. No novo espaço, que Periodicidade Mensal
em sua estreia aborda a vida e a obra do mito Norival Reis, você sempre
ASSINATURAS
encontrará perfis de profissionais fundamentais para o áudio nacional. É ler
Est. Jacarepaguá, 7655 Sl. 704/705
sempre para conhecer cada vez mais sobre a história do nosso som, que Jacarepaguá – Rio de Janeiro – RJ
segue sendo escrita a cada dia. CEP: 22753-900
Tel/Fax: (21) 2436-1825
Já no caderno Luz & Cena as atrações são a iluminação tanto da festa (21) 3079-2745
da nova camisa do time de Felipão quanto do Circuito Banco do Brasil, (21) 3435-0521
Banco Bradesco
festival que rodou por algumas capitais não só com os Chili Peppers, mas
Ag. 1804-0 - c/c: 23011-1
também com outros grandes artistas, do quilate de Joss Stone, Simple
Minds, Skank e Jota Quest. Na seção Direção de Fotografia Para Vídeo, Website: www.musitec.com.br
dicas de como usar difusores para corrigir imperfeições e atenuar som-
bras. Em Media Composer o tema é o User Profile e tudo de positivo que Distribuição exclusiva para todo o Brasil pela
ele permite ao usuário do editor não- linear. Fernando Chinaglia Distribuidora S.A.
Rua Teodoro da Silva, 907
Rio de Janeiro - RJ - Cep 20563-900
Bom ano! Boa leitura!

Não é permitida a reprodução total ou


Marcio Teixeira parcial das matérias publicadas nesta revista.

AM&T não se responsabiliza pelas opiniões


de seus colaboradores e nem pelo conteúdo
4 | áudio música e tecnologia dos anúncios veiculados.
áudio música e tecnologia | 5
34 Em Casa
Equipamentos para um Home Studio: Microfones
(Parte 4) – Mais tipos e modelos populares
Lucas Ramos

46 Red Hot Chili Peppers no Brasil

38
Banda californiana traz grande estrutura
para shows no país
Rodrigo Sabatinelli

Vestindo a camisa do Brasil


Em alto e bom som, evento 76 O Som do Santuário
Em detalhes, o novo sistema de áudio do
da Nike lança camisa que Santuário Dom Bosco, em Brasília
seleção brasileira usará Alexandre Guimarães
na Copa do Mundo
Rodrigo Sabatinelli 82 Pro Tools
Partitura no Pro Tools 11: Exatamente para quê?
Daniel Raizer

14 Áudio no Brasil
Norival Reis
Nova
86 Áudio e Acústica
seção Projeto de Isolamento: O Transmission Loss e
Marcio Teixeira a Sound Transmission Class
Omid Bürgin
18 Ao Vivo: Rua dos Amores
Em turnê de seu mais recente álbum,
Djavan grava DVD 92 Sonar
O Piano Roll do Sonar X2 (Parte 2)
Rodrigo Sabatinelli
Luciano Alves

24 Plug-ins
SuperTap Delay – Muito além 96 Lugar de Verdade
Monitores de Estúdio – Eles não são um enfeite
da repetição sonora Enrico De Paoli
Cristiano Moura

28 Notícias do Front
As Partes de um Sistema de Sonorização seções
(Parte 9): Consoles de mixagem – O início
Renato Muñoz editorial 2 notícias de mercado 6
novos produtos 10 índice de anunciantes 95

64
evento
Seleção Iluminada: Nike lança
nova camisa da seleção
sob show de luzes
56 por Rodrigo Sabatinelli

Circuito Banco do Brasil 70


Festival tem riders variados direção de fotografia para vídeo
para receber atrações como Corrigindo imperfeições e atenuando
Chili Peppers e Joss Stone sombras com difusores
por Léo Miranda
por Rodrigo Sabatinelli

PRODUTOS ....................................... 52
74
EM FOCO ............................................. 54 media composer
User Profile – O Media Composer do seu jeito
por Cristiano Moura
6 | áudio música e tecnologia
áudio música e tecnologia | 7
nacionais de pró-áudio e showbusiness ainda
têm muito a evoluir

notícias de mercado

Mil Sons inova em sua mais recente loja


Técnica de estúdio, espaço para workshops e especialistas de produtos são diferenciais
No mercado desde 1975, a tradicional Mil Sons é uma rede de

Divulgação
lojas fundada em Porto Alegre-RS. Atualmente com 16 unida-
des, presentes em seis estados (Rio Grande o Sul, Santa Cata-
rina, São Paulo, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba),
a empresa recentemente inovou ao abrir uma loja exclusiva
de áudio e iluminação profissional onde há uma técnica de
estúdio para a realização de testes de produtos, além contar
com espaço para workshops e especialistas de produtos dos
mercados de áudio e luz à disposição dos clientes.

Um destes especialistas é Rafael Siqueira, que antes de in-


gressar na Mil Sons já era cliente e esteve à frente de al-
guns treinamentos de cordas para os funcionários da em-
presa (Rafael é endorsee D›Addario/Planet Waves e artista
Ibanez Guitars). “A diretoria me perguntou o que eu achava
da ideia de abrir uma loja de áudio. Achei ótimo, pois o mer- Workshops como o de bateria de Renato Siqueira,
cado de áudio carecia de um lugar não só com equipamentos com participação de Rafael (à direita), são atrações
de qualidade, mas com o diferencial do material humano”, da Mil Sons Áudio & Iluminação Profissional
afirma. “Então, fui convidado para ser o primeiro especialista
em produtos da empresa, que queria contar com profissionais que soubessem falar a língua do cliente que trabalha com áudio”,
acrescenta o especialista, pontuando que embora haja vendedores na loja, toda a parte de suporte e assessoria é feita por ele.

No entanto, para aceitar o desafio, Rafael argumentou com a diretoria que a loja, inaugurada dia 14 de agosto do ano passado,
precisava ter diferenciais, como a técnica de estúdio, para teste de produtos. “Aqui, quando o cliente está em dúvida na compra
de um microfone, abrimos uma sessão de Pro Tools e gravamos todos que ele quiser, para depois fazer comparações e com-
prar o que mais lhe agrada. Queremos ser referência no atendimento. Temos visitado estúdios para fazer baterias de testes
de produtos”, destaca, reforçando que outra necessidade seria trabalhar com produtos diferenciados. “Trazer os microfones
da Violet foi o primeiro passo para ter produtos exclusivos, e espero que esta seja a primeira de muitas marcas que tenhamos
exclusividade”, concluiu. Segundo Rafael, a nova loja já conta com clientes de todo o Brasil.

ESTÚDIO BOOM SOUND DESIGN INICIA ATIVIDADES


Foi inaugurado recentemente, em Curitiba, o estúdio Boom Sound Design, que, de acordo com sua direção, é capaz de servir como
base para trabalhos que vão desde produções até mixagens para cinema em 5.1. Apesar de estar no início de suas atividades, o
Boom Sound Design – que conta com uma mesa Solid State Lo-
gic Matrix, uma das poucas encontradas no Brasil, e uma sala de
Divulgação

gravação projetada pelo físico Geraldo Cavalcante – já possui um


currículo que inclui a gravação de um jingle da nova propaganda de
Natal da Coca-Cola, interpretada pelo cantor Daniel.

À frente do estúdio e da produtora Boom Sound Design está


o músico, produtor musical e engenheiro de áudio Lucas Pe-
reira, formado pelo Musician›s Institute, de Los Angeles, e
que voltou ao Brasil com o intuito, segundo ele, de abrir um
espaço baseado na excelência técnica com a qual teve conta-
to nos EUA. "Meu objetivo foi criar um ambiente que unisse
o melhor do mundo digital ao melhor do mundo analógico. A
ideia é ter um altíssimo padrão de qualidade para gravações e
Sala de gravação do Boom Sound Design: produções", explica Pereira. Mais informações sobre o estúdio
projeto do físico Geraldo Cavalcante podem ser obtidas em www.boomsounddesign.com.

8 | áudio música e tecnologia


NOTíCiAS DE MERCADO

SHURE DIVULGA SEU CAST DE ARTISTAS NACIONAIS


Lulu Santos, Aline Barros, Michel Teló, Diogo Nogueira, Chitãozinho & Xororó e Paula Fernandes são os nomes que fazem
parte do cast da Shure no Brasil. A empresa, que divulgou a lista em dezembro passado, é uma das maiores fabricantes de
microfones do mundo e conta com um histórico de mais de 80 anos em inovação de áudio.

Mas que produtos da fabricante cada um destes artistas usa? Lulu Santos, por exemplo, leva aos shows o microfone
para vocal KSM9, de diafragma duplo, o sistema sem fio UHF-R e o transmissor wireless UR1, para a guitarra. Aline
Barros, por sua vez, conta com o mic Shure Beta 87C, o sistema sem fio UHF-R e o de monitoração in-ear PSM 900. A
lista da consagrada dupla sertaneja Chitãozinho & Xororó inclui os mics UR2/Beta 58 e SM 87A para vocais e Beta 52A,
Beta 98AMP/C, SM57-LC e SM81-LC para bateria, entre outros equipamentos, enquanto que nas apresentações de Dio-
go Nogueira estão, entre outros, o mic UR2/KSM9 BK para vocal, kit de mics para bateria DMK 57-52 e modelos Beta
181C e SM81-LC para o mesmo instrumento.

Nos shows do fenômeno Michel Teló, além dos


sistemas sem fio da marca e in-ears, entre ou-
tros itens que estão nos sets de praticamente
todos os endorsees, são usados o UR2/KSM9
BK para o vocal principal e mics como o Beta
181C, Beta 52ª e SM81-LC para a captação da
bateria. Fechando a lista de "quem usa o que",
nas performances de Paula Fernandes estão,
entre outros itens da Shure, o mic UR2/KSM9
SL, para o vocal da cantora, e os SM27-SC,
SM57-LC e Beta 98AMP/C, para a bateria.

Mais informações sobre cada artista e seus


Diogo Nogueira no palco: um dos artistas equipamentos podem ser conferidas em
nacionais a integrar o cast da Shure www.shure.com.br.

OPMAT É A NOVA DISTRIBUIDORA DA


AMERICANA qSC NO BRASIL
No fim do ano passado, a OPMAT – Materiais Serviços Im-
portação e Exportação Ltda. assumiu a distribuição nacio-
nal das caixas ativas, passivas e amplificadores da norte-
-americana QSC. A OPMAT, que é parte do Grupo OP, desde
sua fundação até hoje trabalha na área de prestação de
serviço de sonorização, iluminação, geradores e estruturas
para eventos. A empresa já funcionava na área comercial
de vendas de materiais em paralelo com a Only Entreteni-
mentos, fundada em 2001 na cidade de Tremembé-SP.

“Com a necessidade de buscar novos horizontes, tecnolo-


gias e parcerias, a OPMAT foi em busca de empresas que
pudessem atender às necessidades do mercado”, destaca a
direção da companhia, por meio de comunicado oficial. “Foi A caixa ativa K12, da QSC: no Brasil via OPMAT
assim que conhecemos uma empresa estruturada no mercado internacional e, acima de tudo, preocupada em criar não só equipa-
mentos, mas também soluções”. Ainda de acordo com o comunicado, graças à experiência técnica e de mercado de um dos sócios,
Osvaldo de Almeida, foi possível negociar uma “grande parceria”. “Não estamos apenas preocupados em trazer equipamentos,
mas também oferecer assistência técnica, reparos e peças de reposição. Esperamos, com isso, colocar a marca QSC no mercado
brasileiro à altura do que ela representa no mercado internacional.”

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áudio música e tecnologia | 11
NOVOS PRODUTOS

BEHRINGER LANçA O ULTRALINK ULM100USB


A Behringer acaba de apresentar ao mercado o novo ULM100USB, da série de sistemas de microfones sem fio USB
Ultralink, que busca permitir ao usuário muito mais mobilidade no palco ou auditório. Versátil e fácil de usar, ele é
indicado para profissionais ou iniciantes e proporciona um som de alta qualidade graças ao seu transmissor embu-
tido, que opera na faixa de licença livre de 2,4 GHz. O receptor pode ser conectado diretamente ao seu PC/ MAC
através da porta USB do computador.

Entre outras características do equipamento estão cápsula do microfone de alta qualidade para aplicações vocais
dedicadas, maior gama de sensibilidade de áudio, emparelhamento automático, botões de volume para cima e para
baixo integrados no microfone de mão, modo de interface digital de áudio analógico/USB dupla com detecção auto-
mática e dongle receptor alimentado através de interface USB, tudo em uma estrutura robusta, que garante a vida
longa do equipamento.

www.behringer.com
www.proshows.com.br

PRECISÃO É DESTAqUE EM NOVO MICROAFINADOR


Recém-chegado ao Brasil, o NS D’Addario/Planet Waves, fruto de uma parceria entre as duas marcas e projetado a partir de uma co-
laboração com Ned Steinberger, é considerado o menor afinador clip-on disponível. Graças ao seu software, o equipamento promete
eficiência e precisão maiores do que as verificadas por produtos do mesmo tipo lançados anteriormente.

O NS pode ser posicionado na parte traseira da cabeça do instrumento, o que permite ao músico
enxergá-lo o tempo todo, enquanto o equipamento fica distante dos olhares da plateia. A fabri-
cante Planet Waves também afirma que o design do mecanismo de clip-on também passou por
ajustes, e que agora seu uso se dá de forma ainda mais confortável.Quanto ao software, a com-
panhia informa que ele agora permite um reconhecimento mais rápido das notas e proporciona
uma afinação com mais precisão. Já o pequeno display apresenta o nome da nota, sendo que na cor
vermelha quando a mesma não está devidamente afinada e em verde quando está ok. O item também
oferece um metrônomo, que sempre pode ser útil.

www.planetwaves.com
www.musical-express.com.br

SYNTH CASIO XW-G1 JÁ DISPONÍVEL


Já está nas prateleiras, “reais” e virtuais, o sintetizador Casio XW-G1, que tem
como diferencial uma interface que permite controle em tempo real, o que, se-
gundo a fabricante, significa um conceito inteiramente novo quando o assunto é
criação de trilhas. O equipamento, que possui um sequenciador de 16 passos e
um looper, permite a alteração de notas e da velocidade em real time. Através
de uma função de corrente é possível que os autores de trilhas misturem até 99
padrões musicais para reproduzi-los em loop.

Vale ainda destacar que o Casio XW-G1 conta com 766 formas de onda sintetiza-
das, 701 formas de onda de bateria e 20 variações de club beats, 100 frases pré-definidas, função Arpeggio e tecla multifuncional, que
faz o usuário ser capaz de atribuir várias funções e frases ao teclado. O synth pesa pouco mais que 5 kg, possui 61 teclas e conta com
uma bateria que garante seu funcionamento por cerca de 35 horas.

www.casio.com
www.izzomusical.com.br

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CABEçOTE VALVULADO BUGERA 1960 INFINIUM
FO cabeçote valvulado 1960 Infinium 150 W RMS, da Bugera, chega apresentando uma vasta gama de opções de timbres e um
ganho que, segundo a fabricante, é capaz de “enlouquecer qualquer cabeça”. Conta com as clássicas válvulas EL34 e ECC83,
que proporcionam um tom bem característico e ganho das altas hi-gain. O som quente valvulado vem do pré-amplificador estilo
vintage, típico dos anos 1980. De acordo com a Bugera, o complemento adequado fica por conta da caixa 412H-BKE, também
estilo vintage, indicada para todos os cabeçotes valvulados da marca.

Vale ainda destacar que o 1960 Infinium 150 W RMS possui dois canais de
pré-amplificador com quatro jacks de entrada que atuam separadamente, em
paralelo ou por cascateamento, conectando aos timbres dos anos 1960, 1970
e 1980. O controle de volume master conta com separador pós-fase com
sistema bypass e o loop de efeitos tem chave de nível dedicada e também
função by-pass. O produto apresenta chave de impedância (4, 8 e 16 ohms).

www.bugera-amps.com
www.proshows.com.br

SOM LÍMPIDO DÁ O TOM NO SISTEMA 10 DA AUDIO-TECNHICA


Novidade da Audio-Technica no Brasil, o Sistema 10 é uma sistema sem fio versátil indicado para instalações, turnês, músicos, apre-
sentadores e ambientes exigentes. Voltado para quem precisa de muita frequência operando simultaneamente e para quem utiliza o
transmissor perto da base, o Sistema 10 é livre do efeito “compander”, e assim mantém a integridade do áudio.

Com montagem robusta, o sistema conta com um receptor digital em for-


mato tabletop com display de ID que emite comunicação em micro-ondas
na faixa de 2.4 GHz sem interferências de frequência. O equipamento, que
permite uso de até oito sistemas simultâneos compatíveis com todos os ca-
nais, conta com conectores de saída tipo XLR e 1/4” balanceados com controle
de nível para uso com diversos equipamentos de áudio. Diferentes configurações
estão disponíveis, com os transmissores de mão ATW1102 e body packs de cabeça
ATW 1101/H, cabeça (fino) ATW 1101/H92, o microfone de lapela ATW 1101/G
tipo headset e de instrumentos musicais ATW 1101/G.

www.audio-technica.com
www.proshows.com.br

VERSÃO 2 DO PLUG-IN PARA VOzES NECTAR


A Izotope, companhia responsável pelo Ozone (plug-ins de masterização) e pelo RX3 (software de restauração de áudio) colocou
no mercado a mais recente versão do Nectar, seu plug-in para processamento vocal. O Nectar 2 disponibiliza ao usuário 11 pro-
cessadores originais, com direito a equalizador, de-esser, controle de saturação e respiração, correção
de pitch. Entre os efeitos estão um novo reverb do plate reverb estéreo EMT 140 e efeitos de modula-
ção e distorção, além de um harmonizador (gera harmonias automaticamente no tom desejado) que
também torna possível ao usuário tocar harmonias customizadas a partir de um controlador MIDI.

O Nectar 2 também é dotado de uma biblioteca formada por mais de 150 presets,
que podem ser acessados facilmente, uma vez que estão separados por gênero
e estilo. Por meio destes presets fica mais fácil – especialmente para quem está
começando agora a mexer com produção – deixar os vocais do jeito que se deseja.
O Nectar 2 e sua Production Suite são encontrados nos formatos AAX ( 64 bits),
RTAS/AudioSuite, VST, VST 3 e Audio Unit.

www.izotope.com

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ÁUDIO NO BRASIL | Marcio Teixeira

Norival Reis

Acervo da família
Começa nesta edição a seção Áudio no
Brasil. Nela, você encontrará profis-
sionais que fizeram e fazem a história
do áudio em nosso país. Alguns mais
conhecidos, outros nem tanto, mas to-
dos de grande importância para a arte
que é a nossa razão de ser.

Aproveite!

No dia 24 de março de 1924, em


Angra dos Reis, nascia Norival Reis,
nome que virou lenda no áudio
brasileiro, e não por falta de moti-
vos. Técnico de som, cavaquinhista
de mão cheia, produtor, arranjador,
compositor... Norival transitou com
desenvoltura por diversas áreas da
arte sonora nacional, deixando sua
marca indelével na história.
Macunaíma, Herói de Nossa Gente, de 1975, e
Foi para o Rio de Janeiro aos 14 anos, crescendo entre Hoje Tem Marmelada, de 1980. Diversos boleros,
os subúrbios de Madureira e Oswaldo Cruz, Norival, marchinhas e sambas-canções também integram
ainda novo, passou a frequentar os sambas da Portela seu “menu” de composições, mas, de fato, ser
e do Império Serrano. O amor pela música já era uma um inspirado autor não era suficiente para ele. O
realidade. Tanto é que, na década de 1940, já atuava áudio era uma paixão bem antiga.
como compositor. Aos 21 anos, em 1945, compôs sua
primeira marcha, Até Vestida, e em seguida, O Barão. Quando começou a trabalhar na Colúmbia do Brasil
Em 1951, outra obra que veio à tona foi Hoje ou Ama- (selo da Bhyington & Companhia, que representava a
nhã, samba feito em parceria com Ruthinaldo Silva e Columbia americana no país), Norival tinha 17 anos. Lá,
interpretado pela dupla Joel e Gaúcho. Já em 53, Eli- tirava ciscos da cera em que eram gravados os discos e
zeth Cardoso colocou sua voz marcante em Nem Res- colocava a matriz na estufa, o que lhe rendeu o apelido
ta a Saudade, parceria de Norival com Irani Oliveira. de Cisco. “Papai começou a gravar mais ou menos na
Composições suas também foram gravadas por artis- década de 40, com som para cinema”, recorda a filha,
tas como Bezerra da Silva, Marlene, Ruy Rey, Ângela Maria Alice, irmã do também engenheiro de som Luiz
Maria, Clara Nunes e Jamelão, entre muitos outros. Carlos Torquato Reis. Entre os filmes sobre os quais há
registros de trabalhos de Norival estão Genival é de
O ÁUDIO Morte (1956), Tem Boi na Linha (1957), Só Naquela
Base (1960), Quero Essa Mulher Assim Mesmo (1963)
No fim da década de 1960, Vavá da Portela (um e As Aventuras de Chico Valente (1968).
apelido de Norival que pegou a ponto de virar
samba na voz de Paulinho da Viola) era membro Vavá, que também atuou na Continental, onde ficou
da ala dos compositores da escola de Madureira, por 26 anos, gravou com “monstros sagrados” como
sendo, inclusive, co-autor de sambas-enredo con- Francisco Alves, Sílvio Caldas, Elizeth Cardoso, Emi-
sagrados, como Ilu Ayê, Terra da Vida, de 1972, linha Borba e Angela Maria. No entanto, falava com

16 | áudio música e tecnologia


áudio música e tecnologia | 17
ÁUDIO NO BRASIL

carinho especial dos trabalhos feitos com as orques- som, depois de ecoar nas paredes do banheiro, era
tras Tabajara e do maestro Radamés Gnattali. “Eu captado pelo microfone e somado ao som da mú-
gostava muito de brincar durante as gravações, o sica. Diz-se que o resultado fez tanto sucesso que
que desagradava alguns poucos cantores. As brinca- Norival até recebeu cartas do exterior perguntando
deiras, porém, em lugar de atrapalhar, davam mais qual era a marca do equipamento utilizado. Cheio de
rapidez às gravações, por descontraírem os artistas”, humor, ele dizia que era “Celite”, nome da tradicional
disse Norival ao jornal O Globo, em maio de 1990. fabricante de louças para banheiro.

Entre os álbuns em que trabalhou como técnico estão O mesmo recurso técnico voltou a ser utilizado por
Viva a Brotolândia (1961), de Elis Regina, Fuga Com Norival Reis na fantasmagórica canção Sistema Ner-
Morgana (1962), de Morgana, Samba, Canto Livre de voso, gravada por Orlando Correia também em 1951
um Povo, de Ederaldo Gentil (1975), Cartola (1976), (segundo Vavá, a primeira faixa feita no Brasil a con-
Grupo Chapéu de Palha (1977) e Escrete Do Samba tar com sonoplastia), no foxtrote Bom dia, Mister Eco,
3 (1977), do Conjunto Explosão Do Samba. Entre os registrado em 1952 pelo grupo vocal Trio Madrigal, e
trabalhos que produziu estão Folha Morta (1977), de em músicas de Dick Farney, Emilinha Borba, Marlene,
Jamelão, e Madrugada 1:30 (1969), do Tema 3. entre diversos outros artistas. Na clássica “O Samba é
Bom Assim”, de autoria de Norival e Hélio Nascimento e
CRIATIVIDADE E ATITUDE interpretada por Jamelão, outra inovação. “Gravei uma
pista inteira de ruídos da Avenida Rio Branco e montei
No quesito “técnica”, Norival obteve grande desta- com a gravação do estúdio”, recordou o técnico em ma-
que por ter sido um pioneiro da gravação com câ- téria do jornal Última Hora de fevereiro de 1977.
mara de eco no Brasil. “Eu não sei como ele fez. Mas
sei que o povo gostou”, diz a filha, bem-humorada. “Eu gostava muito de ler revista estrangeira e ficava
A história é a seguinte: em 1951, nas sessões do
sabendo das novidades que surgiam lá fora. Eu queria
baião Delicado, de Waldir Azevedo, Norival Reis, en-
fazer as coisas [que via nas revistas], mas os donos
tão técnico da Continental, desenvolveu uma câmara
das gravadoras não estavam interessados em investir.
de eco rudimentar, que, na realidade, consistia em
Nossas condições de trabalho eram bastante precárias,
uma caixa de som e um microfone instalados em um
mas eu nem queria saber. Eu queria mesmo era con-
banheiro desativado que ficava ao lado do estúdio. O
seguir efeitos de melhor qualidade. Aí eu saía fazendo
tentativas e consegui alguma coisa”, acrescentou.

“Norival, quando chegava, não tinha pra ninguém.


Tinha uma simpatia contagiante e era extremamente
musical. Era de uma escola de técnicos que coloca-
va a música em primeiro lugar, sempre priorizando o
sentimento”, afirma Nivaldo Duarte, técnico de som
que, como disse com suas próprias palavras, foi o
aluno que melhor aproveitou as aulas de Norival Reis.
“Antigamente, não havia periféricos como hoje. Não
podíamos equalizar instrumento por instrumento. Na
hora de gravar, era muito importante, por exemplo,
saber posicionar o microfone perfeitamente. Norival
sabia e conseguia grandes feitos. Sou muito grato a
ele. Meu mestre”, concluiu, emocionado.

Norival Reis faleceu em 2001, no Rio de Janeiro,


aos 77 anos. Em 2004, no carnaval, a Tradição
Viva a Brotolândia, primeiro álbum de desfilou ao som de Contos de Areia: o ABC dos
Orixás, parceria de Vavá e Dedé da Portela e que
Elis Regina: um dos muitos produtos
havia sido o samba da escola de ambos em 1984
fonográficos que contaram com o
– ano em que a agremiação se sagrou campeã
talento de Norival Reis pela última vez. •
áudio música e tecnologia | 19
AO VIVO | Rodrigo Sabatinelli

RUA DO S
AMORES
A O VIVO

Em turnê de seu mais recente


álbum, indicado ao Grammy
Latino, Djavan grava DVD
Marcos Hermes

Durante todo o ano de 2013, o cantor e composi-


N EU MAN N , S HU R E, AKG e
tor Djavan rodou o país com seu mais novo espe-
táculo, Rua dos Amores, homônimo do CD gravado S EN N H EIS ER J U N TOS N A
e mixado pelo engenheiro Marcelo Saboia e mas- CAPTAÇÃO
terizado por Carlos Freitas.
Marcelo Saboia: Trabalhei com cerca de 60 ca-
Indicado ao Grammy Latino nas categorias Me- nais. No bumbo da bateria usei um Shure Beta 52
lhor Canção Brasileira e Melhor Engenharia de
Som Para um Álbum, o disco, como já era de
Divulgação

esperar, ganhou amadurecimento na estrada e,


nos dias 8 e 9 do mês de novembro passado, no
palco do HSBC Brasil, em São Paulo, rendeu nova
gravação, que em breve será transformada em
CD e DVD.

Na ocasião, Saboia, que desde a estreia da turnê


está à frente do PA de Djavan, contou com Gui-
lherme Medeiros para o registro do material. A
unidade móvel utilizada no trabalho, dentre outros
equipamentos necessários para sua realização, foi
cedida pela Gabisom. Em entrevista à AM&T, Sa-
boia e Guilherme contaram um pouco sobre o pro-
jeto, que, até o fechamento desta edição, estava
sendo finalizado por Saboia no estúdio particular
do próprio Djavan, no Rio de Janeiro. Os engenheiros Marcelo Saboia e Guilherme
Medeiros foram responsáveis pela operação do
20 | áudio música e tecnologia PA e pela gravação do novo DVD de Djavan
áudio música e tecnologia | 21
Divulgação

feliz com o convite, pois Djavan é conhe-


cido por ser exigente com a sonoridade de
seus trabalhos e Saboia havia concorrido ao
Grammy Latino pela engenharia deste dis-
co. Portanto, ser indicado por ele [Saboia] e,
depois do trabalho, ver Djavan feliz ao ouvir
somente a cópia de monitor da gravação que
fiz foi realmente muito bacana.

Eu sabia da responsabilidade, pois era o


único elemento “novo” no show, que estava
ensaiado e muito bem tocado pela banda,
No detalhe, alguns dos periféricos um verdadeiro dream team, composto por
usados na gravação Carlos Bala na bateria, Marcelo Mariano no baixo,
Torcuato Mariano na guitarra, Paulo Calazans e
e um Beta 91; na caixa, um AKG C414 e um Shu- Glauton Campelo nos teclados e Marcelo Martins
re SM57; no contratempo, dois Neumann KM 184; e Jessé Sadock nos metais. Para a gravação, Sa-
nos tons, quatro Sennheiser MD 421; no prato de boia me pediu atenção especial com os microfo-
condução, novamente, um 184, e, nos overs, dois nes de ambiência, que, por conta disso, foram
NM 87. Para a voz de Djavan, usei dois Sennhei- cuidadosamente posicionados.
ser EM3732/II, e nas vozes de Marcelo Mariano,
Glauton, Calazans e Bala, bem como na flauta e

Marcos Hermes
no sax soprano – que também recebeu um 421 –,
fiquei com os Shure SM58.

U SA N D O E A BUSA ND O D O
AR SEN A L D A GA BI

Guilherme: Para a gravação do material, usamos


diversos pré-amplificadores, tais como Neve, Mi-
das, ATI e Avalon, todos fornecidos pela Gabisom.
A voz de Djavan, por exemplo, foi “esplitada” em
dois canais, que receberam processamento de um
Neve 1073 e de um Avalon 737, além de um pouco
de compressão. As guitarra e os violões do músico,
bem como os demais instrumentos usados por sua
banda – outras guitarras, teclados e sopros –, tam-
bém passaram pelos 1073, enquanto peças da ba-
teria, como bumbo e caixa, por exemplo, passaram
pelos [Neve] 9098.

C O N V ITE C ERTO NA HO RA CER TA

Guilherme: Saboia gravou, em estúdio, o CD


Rua dos Amores, e, em seguida, Djavan o convi-
dou para operar o PA da turnê. Como desde então
ele passou a desempenhar essa função, na hora
de escolher um engenheiro para gravar o CD e o
DVD do show, acabou me indicando. Fiquei muito

Djavan e o Sennheiser EM3732: microfone


segue na estrada com cantor
22 | áudio música e tecnologia
áudio música e tecnologia | 23
AO VIVO

Para evitar outros tipos de


vazamentos, [Carlos] Mar-
tau, que cuida dos monito-
res de Djavan e sua ban-
da, teve que substituir as
caixas de chão dos tecla-
dos e da guitarra por fones
de ouvido. Além disso, ele
usou uma placa de acrílico
para isolar a bateria dos
demais instrumentos.

PA M AIS B AIXO
DO QU E DE
COS TU ME

Saboia: Tive que traba-


lhar com o PA mais baixo
Djavan e Guilherme Medeiros: músico e fazer muita dinâmica
ficou feliz com o resultado assim que para aproveitar ao má-
ouviu a cópia de monitor da gravação ximo a reação da plateia
nos microfones de am-
Saboia: Em alguns dos DVDs que gravei e mixei tive biente. Ouvi, por conta disso, algumas críticas,
problemas com o vazamento do PA nos microfones mas quando o DVD estiver pronto, quem criticou
de ambiência. Então, era impossível aproveitar, na vai compreender. Realmente, esse procedimento
mix, as reações dessas plateias. Hoje, todas as ve- é muito delicado, pois tenho que, como engenhei-
zes em que sou chamado para mixar um DVD, gosto ro de PA, empolgar o público com pressão sonora,
de fazer a gravação. Nunca o PA. Mas, como nesse mas acredito que encontrei um bom meio-termo.
caso estou nele [o PA], sei o que é preciso para não Quando começamos a mixar o disco no estúdio do
estragar a captação dos ambientes. Djavan, tive essa certeza. •
Tomaz Viola

Marcelo Saboia, com o console ao fundo: segundo o engenheiro, foi preciso


aproveitar ao máximo a reação da plateia nos microfones de ambiente
24 | áudio música e tecnologia
áudio música e tecnologia | 25
PLUG-INS | Cristiano Moura

SUPERTAP DELAY
MUITO ALÉM DA
REPETIÇÃO SONORA
O SuperTap Delay é um produto extremamente versátil que gulado para “Tempo”, como na figura 2, ele funciona como
permite ao usuário ir muito além de uma simples repetição de um Tap Tempo convencional, que define um andamento de
um som. Ao total, é possível regular até seis delays com equa- acordo com os clicks no mouse. Porém, se estiver regulado
lização independente, com feedback e modulação numa inter- para “Pattern”, o usuário pode fazer um “tap” de um pa-
face que permite ajustes de forma muito interessante. Neste drão rítmico e alcançar imediatamente o que deseja sem
artigo veremos um pouco mais sobre cada setor deste plug-in. regular absolutamente nada mais. Experimente e repare
que, diferentemente da primeira opção, a cada click/tap
AJUSTANDO A POSIÇÃO NO ESPAÇO um delay é ajustado imediatamente abaixo.

Como dito anteriormente, é possível ter até seis delays, re-


ENTENDENDO O GRID E
presentados pelos círculos coloridos no gráfico do lado es-
REGULANDO O ATRASO
querdo superior da figura 1. A seta da imagem representa
o sinal original/direto, e, ao clicar e arrastar qualquer um
Até este momento não regulamos o eco/delay em si. Isto
dos círculos, o usuário pode configurar o ganho ou panora-
porque primeiro precisamos regular o Grid, que interage
ma do delay em questão. Quanto mais para cima, maior o
diretamente com os ecos, que, na realidade, são valores
ganho. Esquerda e direita representam a posição do delay
relativos à unidade de medida do Grid. Ou seja, primeiro
no espaço estereofônico.
o usuário regula o grid (figura 3) para apenas depois re-
Repare que os controles “gain” e “rotate” logo abaixo do grá- gular o atraso de cada delay. E o cálculo será feito como
fico estão alterados em conjunto com o mesmo, pois repre- o da tabela na figura 4. Ou seja, quanto mais o controle
sentam a mesma informação. Uma vantagem destes contro- do delay estiver para a direita, maior será o atraso.
les é poder digitar um valor específico com um duplo click.

AJUSTANDO A UNIDADE DE
MEDIDA DE TEMPO BÁSICA

O SuperTap necessita de um “ponto de partida” para funcio-


nar, pois todas as repetições são interações de um mesmo
valor inicial. O mais comum é ajustar este valor de acordo
com o andamento da música em questão. Caso a música
tenha sido gravada com um click ou tenha sido alinhada
com o grid e andamento do DAW (Pro Tools, Cubase, Sonar,
Logic Pro etc.), basta mudar da opção “manual” para “auto”
no parâmetro “sync”, indicado na figura 2. Caso negativo,
o jeito é deixar em manual e digitar diretamente no campo
“BPM” o andamento aproximado.

Agora, a função mais interessante do SuperTap Delay, na Figura 1 – Gráfico interativo para
minha opinião, é o uso do TapPad. Se o “mode” estiver re- ajustes de ganho e pan
26 | áudio música e tecnologia
áudio música e tecnologia | 27
Plug-ins

EQUALIZANDO ECOS

No lado direito da interface temos uma sessão indepen-


dente de equalização que permite ao usuário fazer com
que cada eco tenha um timbre diferente do outro. Uma
abordagem muito utilizada deste recurso é ativar um
filtro passa-baixa para que as frequências mais altas
(agudos) dos ecos sejam suavizadas.

INTERAGINDO COM AFINAÇÃO

O SuperTap também possui uma sessão de modulação


que altera a afinação do material sonoro. Uma das ideias
com este recurso é criar uma sutil diferença entre os
Figura 2 – Ajuste de andamento com o DAW ecos, a fim de enriquecer ainda mais a composição de-
les, mas é um recurso que, se usado com valores mais
expressivos, abre mil e uma possibilidades. Para um ini-
Caso o usuário queira ajustar o atraso livremente, basta ciante, a melhor maneira de explorá-lo é usando os pre-
desmarcar a opção “Snap”, à esquerda do Grid, e, por últi- sets e observando como a modulação foi regulada.
mo, também é possível visualizar as informações em mili-
segundos com o controle à direita do Grid. Com os atrasos Na modulação, temos dois parâmetros básicos que fun-
definidos, pode-se aumentar a quantidade de repetições cionam de maneira similar com outros efeitos, como o
de cada um deles ajustando o parâmetro feedback. Chorus, Flanger e Phaser. “Rate” é a velocidade desta mo-
dulação/oscilação da afinação, e o “Depth” regula o quão
agressivo deve ser esta mudança de afinação.

Figura 4 – Tabela de cálculo do atraso

CONCLUSÃO

Não menospreze o visual mais “antigo” do SuperTap. É um


processador de delay muito poderoso que oferece uma
interface e uma maneira de regular muito interessante.
Serve para criar ecos simples, dobras artificiais em vozes
e violão, pode se transformar num Chorus muito denso, e
a relação do Grid com o BPM da sessão faz dele um exce-
lente candidato para trabalhar com música eletrônica ou
qualquer outro estilo de música em que os ecos sincroni-
zados com elementos sonoros sejam explorados.

Obrigado pela leitura, e não deixe de enviar suas suges-


tões para os próximos artigos.

Figura 3 – Grid Abraços!

Cristiano Moura é produtor musical e instrutor certificado da Avid. Atualmente leciona cursos oficiais em Pro Tools, Waves, Sibelius
e os treinamentos em mixagem na ProClass. Também é professor da UFRJ, onde ministra as disciplinas Edição de Trilha Sonora, Gra-
vação e Mixagem de Áudio e Elementos da Linguagem Musical. Email: cmoura@proclass.com.br

28 | áudio música e tecnologia


áudio música e tecnologia | 29
NOTÍCIAS DO FRONT | Renato Muñoz

As Partes de
um Sistema de
Sonorização
(Parte 9)

CONSOLES DE MIXAGEM – O INÍCIO


Depois de escrever um artigo falando sobre mixagem para a pouco!) que se utilizava “ao vivo” no final da década de
televisão (AM&T 267), volto aos meus textos sobre as partes 1950 e em quase toda a década de 1960 eram equipamen-
de um sistema de sonorização, dando então sequência de tos oriundos das rádios ou dos estúdios (que, por sua vez,
onde paramos da última vez. Neste artigo falarei sobre os também eram muito simples).
consoles de mixagem, suas funções e aplicações.
Com os consoles de mixagem também não foi diferente.
Não é a primeira e certamente não será a última vez que em Na verdade, neste início dos sistemas de sonorização não
que falo sobre consoles de mixagem (provavelmente este é o havia o que podemos chamar de consoles – o que existia
tópico sobre o qual eu mais escrevi). Existem alguns artigos eram pequenos mixers bem rudimentares, nem de longe
anteriores sobre este assunto, porém agora entrarei em alguns parecidos com o que temos hoje em dia.
detalhes nos quais ainda não havia me aprofundado tanto.
Esqueçam equalizadores, faders, inserts, uma grande
Como veremos, podemos encontrar no mercado uma de- quantidade de canais ou qualquer coisa a mais do que um
zena de marcas, modelos, tamanhos e preços de consoles pré-amplificador, um knob para o controle de volume e uma
de mixagem, assim como diversas e diferentes aplicações. saída mono. O máximo que podemos dizer de bom deste
Porém, neste artigo focarei mais nos consoles encontrados equipamento é que ele era fácil de ser carregado!
em sistemas de sonorização (PA e monitor).
É claro que neste período não existiam mesas de monitor
Falarei um pouco do que eu vejo no dia a dia na estrada, das simplesmente porque não havia sistemas de monitoração. Na
dificuldades que eu vejo que as pessoas ainda têm com este verdade, demorou um bom tempo até chegarmos neste pon-
equipamento ou as boas soluções encontradas por alguns téc- to (veremos mais adiante como foi este desenvolvimento).
nicos que conseguem tirar o máximo destas ferramentas, que Até então, tudo era bem simples, para não dizer rudimentar.
são o coração dos sistemas de sonorização ou monitoração.
UM COMEÇO DIFÍCIL E
DE ONDE SURGIRAM OS SOFRIDO (PARA TÉCNICOS,
CONSOLES DE MIXAGEM MÚSICOS E PÚBLICO)

Como a grande maioria dos equipamentos nos primeiros Sempre me pergunto o que deve passar pela cabeça de ar-
sistemas de sonorização, quase tudo (na verdade, muito tistas como Rolling Stones, Paul McCartney, Bob Dylan, Eric

30 | áudio música e tecnologia


Clapton ou alguns nacionais como Roberto e Erasmo Carlos, parações de qualidade. Os próprios discos lançados na
que começaram suas carreiras na década de 1960 e estão época não representavam nenhum padrão excepcional
até hoje fazendo shows. de qualidade sonora.

Gostaria de saber o que eles pensam dos sistemas de so- COMO OS “CONSOLES” DAQUELA
norização daquela época em relação aos que existem hoje ÉPOCA ERAM UTILIZADOS
em dia. Quais eram as dificuldades e as peculiaridades
daquela época? Será que era mais fácil quando não existia Bom, como já vimos, não existiam muitos canais (nos mi-
quase nada e também não se podia esperar muita coisa? xers), mesmo porque podemos imaginar que não era tão
fácil assim conseguir muitos microfones de qualidade para
Existem imagens de programas de
televisão ou de shows daquela época
em que olhamos para o palco e não
vemos nada além dos amplificadores
de guitarra e baixo, pouquíssimos
microfones e só! Nada de caixa de
monitor. Como será que os músicos,
principalmente os cantores, faziam
para se ouvir e serem ouvidos?

Tudo bem que estamos falando de


uma época em que ninguém, músi-
cos ou plateia, tinha algum tipo de
referência sonora para fazer com- Mixer Langevin AM1A da década de 1960

áudio música e tecnologia | 31


NOTÍCIAS DO FRONT

Neste período não havia fabricantes de equipamentos de


áudio com produtos voltados especificamente para o mer-
cado de sonorização. Algumas marcas que estão no mer-
cado até hoje só foram surgir com certa solidez no final
da década de 1970. Antes disto, tudo era feito com muita
improvisação e limitação.

Estamos falando de uma época em que quase todos os


equipamentos de áudio eram valvulados – os transistori-
zados, só emplacaram no mercado no final da década de
1970. Estamos falando de equipamentos frágeis, com pou-
ca mobilidade e com a necessidade de um conhecimento
técnico bem apurado para serem utilizados.

Desde o mais básico, como pedestais, garras ou cabeamen-


to, até o mais importante, como os consoles, tudo era mui-
to primário. Tudo vinha dos estúdios de gravação e tinha
Os Beatles se apresentando ao vivo, em
que ser adaptado para os shows (não sou especialista em
1966, na BBC de Londres, sem nenhum
iluminação, porém fica óbvio que o pessoal da luz passou
tipo de sistema de monitoração
pelo mesmo tipo de problema).
serem utilizados ao vivo, além de todos os cabos e cone-
xões que deveriam ser feitas. A LIMITAÇÃO DOS PROFISSIONAIS

Uma imagem que pode vir à nossa cabeça é uma bateria Estou aqui o tempo todo falando do problema da limitação dos
com um microfone de over, um no bumbo e um entre a equipamentos de áudio neste período, porém um outro tipo
caixa e o contratempo, um no amplificador de guitarra e de limitação podia ser muito sentida: uma grande limitação
outro no amplificador de baixo e um último mic para a voz técnica ou até mesmo a ausência de pessoas preparadas para
principal. Este era o setup comum que víamos ao vivo. trabalharem nas produções técnicas dos eventos musicais.

Basicamente, o que acontecia é que o “console”, com todas


as suas limitações, captava o que era possível e mandava
este som para o também limitado sistema de sonorização.
Como não havia sistema de monitoração, também não ha-
via nem técnico, nem console exclusivo para esta aplicação.

Durante muito tempo a mixagem para o sistema era feita


do palco mesmo. O conceito que estamos acostumados a
ver hoje em dia, com dois consoles independentes – um
para o PA e outro para o monitor –, demorou cerca de 15
anos, no final dos anos 1970, para ser amplamente utili-
zado. Aqui, no Brasil, pode ter demorado um pouco mais,
porém esta configuração se tornou padrão mundial.

A LIMITAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS

Levando-se em consideração os limites técnicos dos pri-


mórdios dos shows na década de 1960 e começo da dé-
cada de 1970, podemos entender quão precárias eram
estas produções. Sempre que vejo vídeos de bandas
“importantes” desta época (com toda a precariedade
que já conhecemos), fico me perguntando como seriam Led Zeppelin tocando ao vivo em 1969:
as produções mais simples. nenhuma microfonação na bateria

32 | áudio música e tecnologia


áudio música e tecnologia | 33
NOTÍCIAS DO FRONT

consoles! O seu surgimento


e consolidação no mercado
demoraram um tempo muito
grande, levando-se em con-
sideração toda a sua impor-
tância. Até chegarmos ao que
temos hoje em dia, houve
muito improviso e superação.

Agora temos diversas marcas


Mixer Valvulado Altec 1567A e modelos de consoles que
são capazes de fazer uma
Sempre temos em comparação os estúdios. Pois bem – neste grande quantidade de tarefas
período os estúdios possuíam excelentes técnicos, mas que ao mesmo tempo. Os consoles de mixagem usados nos
tinham seu conhecimento limitado às situações totalmente sistemas de sonorização ainda são primas bem próximas
controladas dentro de um estúdio de gravação, que naquela das utilizadas em estúdios. Hoje, algumas marcas que
época pareciam “hospitais”, onde quase todos trabalhavam tinham grande tradição somente nos estúdio arriscam os
de jalecos e seguiam regras específicas de gravação. primeiros passos ao vivo!

Os técnicos de estúdio daqueles tempos eram tratados Nos próximos dois artigos falarei mais especificamente dos
como verdadeiros cientistas, que possuíam um conheci- consoles de mixagem tanto para o PA quanto para o moni-
mento muito superior ao das outras pessoas quando se tra- tor: como se desenvolveram, quais as suas características
tava do seu trabalho. Eles tinham total controle sobre os mais importantes e, principalmente, como foi feita a transi-
(poucos) equipamentos que existiam. Devia ser muito difícil ção dos sistemas analógicos para os digitais.
convencer algum deles a se aventurar fazendo um show.

O que aconteceu foi que alguns entusiastas começa- Mixer SSL Live L500: aposta da famosa marca de
ram a montar pequenos sistemas de sonori- consoles de estúdio SSL para o mercado de sonorização
zação (se é que podemos dar este nome), e
eles mesmos, com todas as limitações imagi-
náveis, começaram a operar estes sistemas.
Alguns com algum conhecimento, outros sa-
bendo nada ou quase nada do assunto, come-
çaram uma indústria.

CONCLUINDO

Como vimos, o início tinha tudo para dar erra-


do, e deu. Entre o começo da década de 1960 e
meados da década de 1970, podemos dizer que
pouca coisa ao vivo funcionava de uma maneira
minimamente decente (estou falando aqui prin-
cipalmente em relação aos equipamentos).

Os consoles eram realmente o ponto fraco de


qualquer “sistema”, isto porque não existiam

Renato Muñoz é formado em Comunicação Social e atua como instrutor do IATEC e técnico de gravação e PA. Iniciou sua carrei-
ra em 1990 e desde 2003 trabalha com o Skank. E-mail: renatomunoz@musitec.com.br

34 | áudio música e tecnologia


áudio música e tecnologia | 35
EM CASA | Lucas Ramos

EQUIPAMENTOS PARA
UM HOME STUDIO
MICROFONES (PARTE 4): TIPOS E MODELOS POPULARES

Na edição passada começamos a falar dos diferentes ti-


pos de microfones necessários para um home studio, lis-
tando as características de cada tipo, assim como alguns
modelos populares de cada. Mas como há muitos micro-
fones, não deu para falar de todos os tipos, e por isso
nós continuamos nessa missão na edição desse mês.
Então vamos lá!

Nós já falamos dos microfones condensadores de cápsula


grande, dinâmicos e dinâmicos para instrumentos graves.
O quarto tipo de microfone a ser mencionado é o conden-
sador de cápsula pequena, que é muito popular para gra-
vações em estéreo (e por isso são vendidos muitas vezes
em pares), além de instrumentos com presença forte de
agudos (como pratos de bateria).

Para poder apresentar um maior número de modelos em


Dos microfones de cápsula pequena mais
três faixas de preço distintas (barato, médio e caro), lis-
baratos, eu gosto do Audix ADX51, assim como
tarei somente o fabricante e modelo de cada microfone,
do M3, da Røde. Mas os meus prediletos são o
sem citar as especificações. Mas esses dados podem ser
C451, da AKG, e o KM 184, da Neumann
encontrados facilmente nos sites dos fabricantes (que eu
também listarei no final). Eu também vou manter os “pés
MICROFONE DE FITA
no chão” e citarei somente microfones com preço listado
até no máximo US$ 1.000 (preço nos EUA).
Os microfones de fita eram muito utilizados nas décadas de
1930, 40 e 50, mas caíram em desuso por sua fragilidade
CONDENSADOR DE CÁPSULA PEQUENA e também pela invenção do microfone condensador, que
era mais robusto e tinha resposta de freqüência mais am-
Há muitos modelos diferentes de microfones condensa- pla. Mas os microfones de fita nunca saíram completamente
dores de cápsula pequena, pois são muito populares na do cenário, pois geram gravações “aveludadas” e com uma
gravação de instrumentos, especialmente aqueles com sonoridade muito natural e orgânica. Porém, somente os
forte presença de agudos. Há modelos conhecidos, como estúdios de grande porte e com alto investimento tinham
o AKG C1000 ou o Neumann KM 184. Mas como a maio- condições de comprar e manter tais microfones.
ria dos equipamentos de áudio, há
cada vez mais modelos de baixo
Condensador de cápsula pequena
custo, mas com boa qualidade.
$ $$ $$$

Dos modelos mais “em conta”, eu AKG Perception 170 AKG C1000 AKG C451
gosto do Audix ADX51, assim como Audio-Technica AT2021 Audio-Technica Pro 37 Mojave Audio MA-101fet
do M3, da Røde. Mas os meus pre- CAD GXL 1200BP Audix ADX51 Neumann KM 184
diletos são o C451, da AKG, e o KM Electro-Voice PL37 Røde M3 Sennheiser e914
184, da Neumann. São mais caros,
Shure PG81 Shure SM94 Shure SM 81
mas valem o preço!

36 | áudio música e tecnologia


Felizmente, isso tudo mudou, e os microfones de fita volta-
ram com tudo (e com preços baixos!). Hoje em dia, quase
todo fabricante de microfones tem pelo menos um modelo
de fita, o que significa que o preço foi reduzido considera-
velmente. É possível encontrar um bom modelo pelo preço
de um condensador de cápsula grande, e, por isso, muitos
home studios estão adquirindo um para poder ter um pouco
do som “de veludo” que os microfones de fita oferecem.

Eu gosto muito dos “clássicos”, como toda a linha Royer e


os da AEA. Mas recentemente conheci os microfones da em-
presa australiana Beesneez e fiquei bastante impressionado.

MICROFONE VALVULADO

Os microfones valvulados são muito populares, mas


muitas vezes as pessoas nem sabem porque... Só
gostam porque é valvulado e ponto. Até porque são
geralmente mais “bonitos” visualmente devido ao seu
tamanho. Mas os microfones valvulados têm caracterís-
ticas muito fortes, que podem funcionar muito bem ou
não. A distorção harmônica criada pela válvula produz
um som mais “ardido”, com forte presença dos agudos.
E dependendo da qualidade do microfone (e do seu gos-
to, é claro), essa distorção pode ser “linda” e “excitan-
te”, ou excessiva e acabar “esmagadora”.

Como eu já disse, fiquei bastante impressionado com a


linha de microfones da Beesneez, e o modelo valvulado
chamado Shelise é muito interessante. A linha de micro-
fones da empresa ADK também é sensacional. Mas eu te-
nho um apego ao MA-200, da Mojave Audio, que oferece
um custo-benefício impressionante.

Gosto muito dos “clássicos”, como


Royer R101 e o AEA R84, mas fiquei
bastante impressionado com o Judas,
da australiana Beesneez áudio música e tecnologia | 37
em casa

Para facilitar a vida das pessoas,


Microfone de fita
a Yamaha lançou um microfone
$ $$ $$$
com características similares às do
Avantone CR-14 Cascade C77 AEA R84
falante da NS-10, e o chamou de
Cascade Fat Head MXL R77 Audio-Technica AT4080
Subkick. A aparência lembra uma
Golden Age R1 MKII Peluso R14 Beesneez Judas
caixa de bateria, mas não se en-
MXL 990 sE Electronics Voodoo VR1 Blue Woodpecker gane: é uma maravilha para dar
Nady RSM-5 Shinybox 46MXL Royer R-101 aquele “peso” a mais a um bumbo.

- Placid Audio Copperphone


FORA DE SÉRIE
A maioria dos fabricantes de microfones gostam de se
Agora eu vou falar de alguns tipos de microfones que gabar pela ampla extensão da resposta de frequência
são “fora do comum” e que não devem ser sua primeira de seus microfones. Porém, a empresa Placid Audio foi
escolha para compra. Mas dependendo da situação (e diretamente na “contramão” e lançou um microfone
do seu orçamento), esses microfones oferecem uma so-
com resposta de frequência propositalmente limitada
noridade inigualável.
(200-3.000 Hz)! A ideia é recriar a sonoridade de gra-
vações muito antigas (estilo rádio AM antigo), sem o
- Yamaha Subkick
uso de processadores, o que gera um timbre mais macio
e natural. É um luxo, mas se for algo que você utilize
Há muitos anos, engenheiros de gravação “sacrificavam”
seus monitores Yamaha NS-10 para extrair um falante com frequência, pode valer a pena, pois não é tão caro.
(woofer) e utilizá-lo como um microfone. O resultado
era uma capação capaz de estender até os subgraves - PZM
(abaixo de 40 Hz) que os microfones normalmente não
conseguiam captar. Utilizava-se, então, o falante como Os microfones PZM são microfones “esquisitos” e não
microfone para captar esses subgraves e somar com o muito populares em estúdios, muito menos em home
sinal de um microfone de bumbo normal – uma combi- studios. Porém, eles têm suas vantagens, especialmente
nação capaz de gerar bumbos “gigantes”. o fato de minimizarem as diferenças de fase entre o som
direto e as reflexões da sala. Isso significa que os sons
O microfone valvulado Shelise, da Beesneez, captados chegam com um menor tempo entre eles, o
é muito interessante, assim como o ADK Area que gera uma gravação mais “encorpada” (especialmen-
51 TT também é sensacional. Mas eu tenho um
te nos graves e médio-graves).
apego ao MA-200, da Mojave Audio.

E apesar de não serem tão populares nos estúdios


de menor porte, eles têm uma utilidade enorme
em salas pequenas como microfones ambientes ou
de overhead de bateria. Isso porque eles minimi-
zam as diferenças de fase entre o som direto e as
reflexões na sala, e como as salas de gravação dos
home studios geralmente têm mais reflexões do
que o ideal, esse tipo de microfone se torna ainda
mais eficiente.

O PZM original é fabricado pela empresa Crown (in-


clusive, eles são os únicos que podem chamar seus
microfones de PZM, pois detém a marca registrada),
mas hoje em dia há diversos modelos de diversas
marcas diferentes, porém sob o nome de “Boundary
Microphone”, e não PZM.

Mês que vem tem mais... Até lá!

38 | áudio música e tecnologia


Microfone de fita
$ $$ $$$
ADK Hamburg AKG Perception 820 ADK Area 51 TT
Behringer T-1 Avantone CV-12 Beesneez Shelise
CAD Trion 8000 MXL V97i Mojave Audio MA-200
KAM R3 Røde K2 MXL Genesis II
MXL 9000 Studio Projects T3 Pearlman TM 2

O microfone PZM minimiza


as interferências de fase, o
Copperphone reproduz um
som de telefone antigo e o
Subkick capta os subgraves
abaixo do alcance dos
microfones convencionais

LISTA DE SITES DE
FABRICANTES
AEA - www.ribbonmics.com MXL - www.mxlmics.com
ADK - www.adkmicrophones.com Nady - www.nady.com
AKG - www.akg.com Neumann - www.neumann.com
Avantone - www.avantonepro.com Pearlman - www.pearlmanmicropho-
Audix - www.audix.com nes.com
Beesneez - www.beesneezmicropho- Peluso - www.pelusomicrophonelab.
nes.co.au com
Behringer - www.behringer.com Placid Audio - www.placidaudio.com
Blue - www.bluemic.com Røde - www.rodemic.com
CAD - www.cadaudio.com Royer - www.royerlabs.com
Cascade - www.cascademicrophones. SE Electronics - www.seelectronics.
com com
DPA - www.dpamicrophones.com Sennheiser - www.sennheiser.com
Electro-Voice - www.electrovoice.com Shinybox - www.shinybox.com
Golden Age - www.goldenagemusic. Shure - www.shure.com
mamutweb.com Studio Projects - www.studioprojectsu-
KAM - www.kaminstruments.com sa.com
Mojave Audio - www.mojaveaudio.com Yamaha - www.yamaha.com

Lucas Ramos é tricolor de coração, engenheiro de áudio, produtor musical e professor do IATEC.
Formado em Engenharia de Áudio pela SAE (School of Audio Engineering), dispõe de certificações
oficiais como Pro Tools Certified Operator, Apple Logic Certified Trainer e Ableton Live Certified
Trainer. E-mail: lucas@musitec.com.br

áudio música e tecnologia | 39


Capa | Rodrigo Sabatinelli

Vestindo a camisa

40 | áudio música e tecnologia


do Brasil Em alto e bom som, evento
da Nike lança camisa que
seleção brasileira usará na
Copa do Mundo
Ivete Sangalo, Thiagui-
nho, Naldo, Marcelo D2 e
Anitta foram os artistas esco-
lhidos pela Nike para a apresentação
ao público da camisa oficial que a Seleção
Brasileira irá vestir na tão aguardada Copa do
Mundo do Brasil, que começa em junho. O quinteto
fez parte do megaevento, realizado no dia 24 de novem-
bro, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.

Sonorizada pela locadora carioca Mac Audio, a festa reu-


niu milhares de pessoas na areia da praia. À frente da
sonorização esteve o engenheiro Alexandre Rabaço, que
atualmente trabalha com o cantor e compositor Lulu San-
tos e que, na ocasião, operou o PA de todas as atrações.

VERTEC NO LINE E NORTON NOS DELAYS


O sistema disponibilizado pela locadora foi o line array
Vertec, da JBL. Cada uma de suas torres principais contou
com 12 elementos 4889 DPDA complementados por quatro
4888 DPDA. Acompanhando o sistema estiveram mais 16
caixas de subgraves Norton, modelo SB 221, sendo oito por
lado, e mais dois elementos 4888 DPDA no front fill.

Por se tratar de uma praia, com longa extensão a ser


coberta pelo sistema, fez-se necessária a instalação
de torres de delay. Ao todo, foram colocadas seis uni-
dades, havendo, em cada uma delas, 12 elementos
Norton LS3 e nove caixas de subgraves SB118. Como
a house mix estava posicionada a 65 metros do palco,
a primeira torre de delay ficou a 15 metros de distân-
cia dela, a 80 metros do palco. E a cada 80 metros de
distância uma nova torre fazia a cobertura.

“O Vertec é um sistema muito eficiente, bom para se


fazer ao vivo em uma área livre, pois suas caixas, ain-

áudio música e tecnologia | 41


CAPA

Rodrigo Sabatinelli
da que em poucas unidades, con-
seguem promover uma cobertura
ampla de áreas relativamente
grandes sem que o engenhei-
ro tenha que ‘acelerá-las’. Hoje
mesmo trabalhei com bastante
folga. E por estar dividido em três
sinais diferentes para cada uma
de suas torres, sendo um para
as 4888 e dois para as 4889, me
ofereceu uma resposta bastante
homogênea”, disse Rabaço.
Os delays fizeram o complemento da
Para não dizer que o sistema chegou pronto em suas área do evento, a Praia do Flamengo
mãos, Rabaço contou que mexeu um pouco em seu
alinhamento. Segundo ele, o PA, alinhado por Fred “Tirei um pouquinho de grave e considerei todo o res-
Coelho, estava perfeito e as modificações somente tante do line. Já nas torres de delay o corte foi mais
foram feitas por conta de seu gosto. radical. Delas, reduzi ao máximo as baixas frequên-
cias, que são muito perigosas, principalmente por
‘embolar’ o som que sobra para o público que está
atrás delas. Sendo assim, com os graves controlados,
Rodrigo Sabatinelli

conseguimos manter essas caixas ‘falando’ somente


para quem estivesse à frente delas, ou seja, mais
distantes do palco que elas”, explicou, acrescentan-
do que os subs que complementavam o line principal
formavam um arco eletrônico, com correção de tem-
po entre os elementos, o que dava uma cobertura
mais homogênea na primeira área da plateia.

DIGICO NA HOUSEMIX
O engenheiro, encarregado de mixar sozinho todo o
evento, teve à sua disposição na house mix um conso-
le DiGiCo SD7. Esta mesa, de acordo com ele, foi uti-
lizada para gerenciar todas as entradas – banda, can-
tores, DJ, trilhas, MC Virtual... – e enviar uma mix L/R
para o Meyer Galileo 616, que, por sua vez, gerenciou
PA, subs, front fill e delays. Pela primeira vez diante do
modelo, já que na estrada com Lulu Santos ele utiliza
a SD8, Rabaço era só elogios. E, entre um artista e
outro, fazia seus comentários sobre o equipamento.

“Essa mesa nos dá a possibilidade de trabalhar com até


256 canais de processamento digital, divididos entre ca-
nais de entrada, auxiliares, solos e grupos, além de nos
oferecer 48 máquinas de efeito. Podemos, por exemplo,
configurá-la para 200 canais de entrada, 36 auxiliares
e outros 20 ‘buses’ diversos. É impressionante, pois [a
mesa] parece não ter fim”, disse.

Mesmo encantado com a SD7, Rabaço fez questão


No detalhe, o line array Vertec, de lembrar que a SD8, com a qual viaja, é ainda uma
disponibilizado pela Mac Audio para o evento eficiente opção, principalmente para eventos corpo-

42 | áudio música e tecnologia


áudio música e tecnologia | 43
Capa

Rodrigo Sabatinelli
Sennheiser E609 serviu para captar o amplificador
do instrumento do músico.

POUCO PROCESSAMENTO NAS VOZES


Rabaço contou que, apesar de ter toda a liberdade para
mixar o evento, economizou no processamento de vo-
zes. Para elas, foram usados o mínimo possível de peri-
féricos. “No máximo, um equalizador, um reverber e um
compressor, mas tudo bem discreto, de leve”, revelou.

Como não havia trabalhado anteriormente com es-


ses artistas, o engenheiro achou que a medida foi
essencial e, como o próprio disse, o colocou numa
Os subs SB118 complementaram o espécie de “zona de segurança”, da qual pôde traba-
sistema de sonorização principal lhar sem correr riscos. “O compressor, por exemplo,
estava ali, insertado, para ser acionado somente em
rativos, como os que eventualmente faz com Lulu. caso de grande necessidade”, explicou.
“Ela é compacta, tem 24 faders, cabe em qualquer
house mix. E é a mesa que escolhi para cair na es- Mas se vozes seguiam para o PA praticamente flats, a
trada, não é?”, comentou a respeito do equipamento, bateria seguia um “caminho distinto”. De acordo com
fornecido pela locadora Loudness, de São Paulo. Rabaço, todas as peças do instrumento, organizadas
em um subgrupo, passavam por um processador
SHURE, SENNHEISER E AKG NO PALCO Audio Enhancer, da própria DiGiCo. “Ele esquentou,
saturou, mexeu com frequências, ofereceu sub-har-
Com o input list do show nas mãos, Rabaço fez ques- mônicos... Enfim, foi bastante útil. Porém, o utilizei
tão de descrever cada um dos 56 canais utilizados. com muito ‘carinho’, afinal de contas, como contei, a
Na bateria, por exemplo, ele trabalhou com microfo- bateria foi separada em um subgrupo”, explicou.
nes Shure e Sennheiser. O bumbo, por exemplo, re-
cebeu um Beta 52, enquanto a caixa ficou com dois “Além do Audio Enhancer, usei, na caixa da bateria
SM 57, um na esteira e outro em sua parte superior. e também no baixo, o DigiTube, um simulador de
O Shure SM 81 foi destinado ao contratempo e aos válvula saturada, muito bacana, que, a exemplo
overs, enquanto os Sennheiser E604 serviram a tons
e surdo do instrumento.
O engenheiro Alexandre Rabaço, responsável pela
Os Sennheiser E609 foram usados para captar as operação do PA, e a SD7, usada por ele no trabalho
guitarras. Já os teclados e as programações foram
levadas ao PA por meio de direct boxes. Na percus- Rodrigo Sabatinelli
são, dois SM 57 captaram as congas e os timbales,
dois SM 58 cuidaram dos tambores, um AKG D 112
captou o surdo e os SM 81 ficaram com os efeitos.
Nos metais, trombone e trompete receberam, res-
pectivamente, um DPA 4099 e um SM 58.

As vozes de Ivete Sangalo, Thiaguinho, Naldo, Anit-


ta, Marcelo D2 e Emicida foram captadas por mi-
crofones sem fio Shure SM 58 UR, que, em versões
com fio, também serviram aos backing vocals. Na
apresentação de Thiaguinho, foram usados seis ca-
nais de Pro Tools contendo alguns efeitos e bases,
além de cavaco, violão, baixo e tantã, tocados por
músicos que acompanham o cantor na estrada. Na
de Naldo, que levou seu guitarrista e um DJ, um

44 | áudio música e tecnologia


do outro processador, esquenta bas-
tante o som das peças nas quais é in-
sertado”, completou.

MONITORAÇÃO EM BOAS MÃOS


Se Rabaço foi o “coringa” do PA, nos
monitores o desafio da operação ficou
a cargo de Marcio Werderits. Respon-
sável por cuidar de todos os artistas
do evento, exceto o cantor Thiaguinho,
ele utilizou, de dentro de um container,
um console Soundcraft Vi6, monitores
Meyer USM 100 P e in-ears Shure PSM
900, e fez, segundo Rabaço, seu traba-
Artistas no palco, jogadores no alto: evento, sonorizado pela
lho com tranquilidade. Mac Audio, reuniu milhares de pessoas no Rio de Janeiro
fora do palco, em um container. Isso foi mais uma difi-
“A responsabilidade foi passada e o trabalho foi feito culdade superada pelo Marcio”, elogiou Rabaço.
com muita competência. Existia a dificuldade, claro
[de operar monitores para artistas com os quais o téc- “Thiaguinho foi praticamente o único artista que
nico nunca trabalhou], mas com bom senso chegamos contou com uma estrutura pessoal maior no even-
lá. Por conta da cenografia, a mesa de monitor ficou to. Ele trouxe um técnico para cuidar dos monito-

áudio música e tecnologia | 45


Capa

intimidade profissional do
engenheiro com os músicos
que integram Os Parmegia-
nos, banda base do evento,
formada por Thiago Silva na
bateria, Sidão Santos no bai-
xo, Fernando Vidal na gui-
tarra, Rodrigo Tavares nos
teclados e programações,
Marlon Sette no trombone,
Diogo Gomes no trompete e
Thais e Darelly nos backing
vocals, todos regidos por
Pretinho da Serrinha, que
tocou cavaquinho.

“Muitos desses músicos eu


já conhecia do trabalho que
fiz com Seu Jorge. Alguns
Ivete Sangalo, bem como todos os demais cantores, deles, na época em que tra-
utilizou um microfone sem fio Shure SM 58 UR balhamos juntos, faziam parte de sua banda. En-
tão, por conhecer a maneira de cada um tocar,
res e outro profissional para dar um suporte ge- economizei um bom tempo de passagem de som,
ral. Esse cara foi ao palco, montou tudo, auxiliou por exemplo. O mesmo posso dizer do Marcio,
a passagem de monitor, depois passou na house que cuidou dos monitores também já conhecendo
mix, me sugeriu umas coisas, deu um toque sobre os músicos”, explicou.
a voz do Thiaguinho, sobre o nível do pandeiro em
relação à base etc., mas, na hora do show, fomos Sobre os ventos e a chuva, que por alguns instan-
nós quem assumimos a responsabilidade”, disse. tes “passaram” pelo evento, Rabaço foi direto. “A
chuva começou na hora do show. Emicida subiu ao
Ainda de acordo com o engenheiro, além de Mar- palco e ela caiu. Mas, logo em seguida, parou e os
cio, outro profissional foi diretamente responsável ventos voltaram. Na verdade, um ‘problema’ deu
pelo sucesso do evento: Marcelo Roldão. Segundo lugar ao outro, mas já vivi situações piores, na es-
Rabaço, “com o auxílio do software WinRadio, o trada, e ali contornei numa boa”, encerrou. •
técnico da Mac Audio
gerenciou a rede sem
fio da festa, que con-
tava com cerca de
25 sistemas, entre
fones e microfones,
trabalhando durante
todo o dia”.

TUDO EM CASA,
NUMA BOA, SEM
PROBLEMAS
A tranquilidade com
que Rabaço operava
o PA do evento era
curiosa, mas tinha
uma explicação: a
A chuva que caiu logo no início do evento, quando o rapper
Emicida subiu ao palco, não atrapalhou o trabalho de Rabaço,
acostumado com interferências do gênero
46 | áudio música e tecnologia
EVENTO | Rodrigo Sabatinelli

Red Hot Chili Peppers no Brasil

Eduardo Magalhães
Banda californiana traz grande
estrutura para shows no país
Em sua mais recente passagem pelo Brasil, reali- outros, foram sonorizadas pela Gabisom.
zada em novembro do ano passado, o grupo Red
Hot Chili Peppers trouxe de volta da turnê de seu Nosso parceiro de “viagem” foi Éder Moura, técnico
mais recente disco, I’m With You, a três palcos de sistemas da locadora. Com trânsito livre pelos
distintos. No dia 2 de novembro, iniciando os tra- “corredores” do evento, ele nos contou detalhes da
balhos por terras brasileiras, Anthony Kiedis & cia. estrutura que viaja com o Red Hot, e, claro, falou,
desembarcaram no Centro de Eventos Mega Spa- com riqueza de informações, sobre os sistemas utili-
ce, em Belo Horizonte. No dia 7, tocaram na Are- zados pela locadora nestas apresentações.
na Anhembi, em São Paulo, e, por fim, no dia 9,
chegaram à Cidade dos Atletas, no Rio de Janeiro. SONORIZAÇÃO COM
V-DOSC E VTX
As apresentações, que se deram por conta do Circui-
to Banco do Brasil, evento que também reuniu ban- Em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, o sistema
das como Yeah Yeah Yeahs, O Rappa e Titãs, entre utilizado pela banda foi o V-Dosc, da L’Acoustic,

48 | áudio música e tecnologia


composto por 15 elementos em cada torre prin-
cipal e 12 elementos em cada torre comple-
mentar, além dos subs SB218, presentes em 16
unidades por lado, e SB28, presentes em oito
unidades, ao centro.

Em São Paulo, o sistema usado foi o VTX, da


JBL, composto por 18 elementos em cada torre
principal e 14 em cada torre complementar, além
de subs VTX G28, presentes em 12 unidades por
lado e oito ao centro.

“Além dos sistemas de PA, trabalhamos, nas três


praças, com torres de delay, que auxiliaram a so-
norização. Em Belo Horizonte, contamos com duas
torres, tendo em cada uma delas nove elementos
L’Acoustic Kudo. No Rio de Janeiro, contamos com
quatro torres, também tendo em cada uma delas
nove elementos Kudo. Já em São Paulo, trabalha-
mos com duas torres, também compostas por nove
elementos, sendo estes JBL Vertec”, disse Éder.

No palco, além de um console Midas H3000 e dos


monitores EAW MicroWedge e Rat Sound, que a
banda carrega em todas as suas viagens, foram
vistos microfones como os Audix OM7 e D6, usa-
dos, respectivamente, na voz principal e no bum-
bo da bateria; Shure Beta 98, usado na caixa do
instrumento; Shure SM98, destinado aos tons da
bateria; AKG C5600, para os overs; os Beyerdyna-
Celso Luiz

À direita e à esquerda, em destaque, os line arrays


V-Dosc, da L'Acoustic

áudio música e tecnologia | 49


Evento

Celso Luiz

Celso Luiz
Caixas de subgraves, como as SB218, Nos pilares da Cidade do Rock, no Rio de
auxiliaram os PAs nos shows de Rio de Janeiro, foram instaladas torres de delay,
Janeiro e Belo Horizonte que fizeram a cobertura das áreas onde o PA
principal não chegava

mic M201, para contratempo e prato de condução; e DPR404 e os Distressor, da Empirical Labs, entre ou-
o Shure SM57, para a guitarra. “Os microfones eram tros, o setup estava na ponta da língua do enge-
todos deles. O que fornecemos atendeu somente às nheiro. “Uma banda como o Red Hot costuma viajar
outras bandas”, completou Moura. com muita coisa legal, como os Eventide H3500 Har-
monizer, os Lexicon PCM 60, os DBX RTA-1, enfim,
ARSENAL PESADO DE equipamentos necessários para um show deste por-
FRENTE PARA O PA te”, disse ele. “O H3500 e o PCM 60, por exemplo,
são insertados na voz principal”, completou Rat.
Na house mix, o engenheiro Dave Rat, que
já trabalhou com outros grandes artistas VENUE E PRO TOOLS NA
internacionais, tais como Rage Against The Machi- GRAVAÇÃO DO SHOW
ne, Beck, Foo Fighters, Pearl Jam e The Offspring,
entre outros, operou o PA por meio de outra H3000. O áudio da transmissão do show ficou a cargo da Uni-
No entanto, este não foi o único console à disposi- dade Móvel 1 do Epah Estúdios, que conta com um
ção da banda no local. Para a gravação do show, console Venue ProFile, de 96 canais, distribuídos em
sua equipe contou, ainda, com uma mesa Avid Pro- dois stages; dois sistemas Pro Tools, sendo um HDX e
file associada a um sistema Pro Tools. outro Native, para o backup, e uma grande quantida-
de de plug-ins da Waves, tais como compressores e
Mas o que mais chamou a atenção na house foi o equalizadores, usados, especialmente, na bateria de
grandioso rack de efeitos usado pelo engenheiro. Chad Smith e na voz de Anthony Kiedis.
De propriedade de sua empresa, a californiana Rat
Sound – que também cedeu os consoles de PA e De acordo com Marcelo Freitas, sócio do Epah, apesar
monitor e os monitores de chão –, de longe, ele mais da abundância de canais disponíveis na mesa, somen-
parecia um verdadeiro “estacionamento” de perifé- te metade da capacidade do equipamento foi suficien-
ricos e nos convidava a uma “visita” mais próxima. te para a realização do trabalho, já que, segundo ele, o
input list dos Chili Peppers é bastante enxuto.
Composto por equipamentos como os equalizadores
Meyer Sound CP10, para o PA, e BSS 960 e KT DN “Foram 48 canais, sendo, dentre outros, 14 de bateria,
410, sendo o último para os subs, além de gates KT quatro de guitarra, dois de baixo, quatro de percussão,
510 e KT DN514, da Klark Teknik, compressores BSS dois de vozes, um L/R com bases pré-programadas,

50 | áudio música e tecnologia


áudio música e tecnologia | 51
EVENTO
Celso Luiz

Celso Luiz
A H3000, da Midas, e a Avid Profile foram as mesas usadas pelos Red Hot Chili Peppers
disparadas de um Pro Tools, e um para comunicação da banda com

Celso Luiz
a equipe e vice-versa. Na verdade, considerando a formação da ban-
da, essa quantidade de canais é mais que suficiente”, disse.

Marcelo também contou que a gravação do show, feita na resolu-


ção 48/24, padrão para apresentações ao vivo, passou pelo crivo de
Jason “Jas”, engenheiro de broadcast que acompanha o Red Hot na
estrada. “Tudo o que dizia respeito ao som da banda para TV passa-
va por ele. Todo o contato era feito com ele”, lembrou.
Celso Luiz

No detalhe, o rack usado por Rat:


variedade e grande quantidade de
periféricos impressionou

Transmitido em dois formatos, 2.0 e 5.1,


o som da apresentação passou por dois
splitters, sendo um deles passivo. “A ban-
da tem o costume de transmitir shows
pela web. Sendo assim, tivemos que tra-
balhar em uma espécie de parceria, pois o
objetivo era, também, atendê-los”, com-
pletou. “A transmissão em 5.1 tornou-se
padrão no Multishow desde dezembro de
2012. Desde então trabalhamos dessa
maneira. Em 2014, a MTV, que até o mo-
mento transmite tudo em 2.0, vai imple-
mentar o 5.1”, encerrou. •

Dave Rat, engenheiro de PA dos Chili Peppers, é também


proprietário da Rat Sound, empresa californiana de sonorização

52 | áudio música e tecnologia


CIRCUITO BANCO
DO BRASIL
Riders variados em um
festival que recebeu atrações
internacionais de peso

SELEÇÃO ILUMINADA
Show de luzes na festa
de lançamento da nova
camisa canarinho

DIFUSORES USER PROFILE


Como corrigir imperfeições O Media Composer
e atenuar sombras do seu jeito
áudio música e tecnologia | 53
 produtos
Martin lança o MAC Quantum Wash
A Martin Professional utilizou a última LDI (Live Design International), realizada no
fim de novembro passado, em Las Vegas, como plataforma de lançamento de al-
guns produtos, e dentre os destaques estava o MAC Quantum Wash.

Segundo a companhia, o mercado vinha pedindo por luzes LED wash mais brilhantes
e compactas, então a Martin resolveu desenvolver a novidade, que apresenta feixes
firmes, uma paleta de cores de destaque no mercado e uma mistura uniforme que
permite atuação em aplicações mais exigentes.

Ao combinar um LED RGBW de 750 watts com o sistema óptico da fabricante, o


produto garante que seu zoom opere com potência máxima e desempenho superior.
O MAC Quantum Wash, que é facilmente manuseado, oferece movimentos de alta
velocidade e baixo ruído de refrigeração, tudo isso numa estrutura bem robusta. O equipamento tem 45,2 cm de com-
primento e de largura e 54,7 cm de altura. Pesa 21 kg.

www.martin.com
www.harmandobrasil.com.br

Novo refletor iLED RGBW já no mercado


Com grau de proteção IP65 (à prova d’água) e mix de cores RGBW, o novo refletor iLED IP 65 Wash 24 x 8W Quad RGBW
tem potência de sobra para iluminar grandes ambientes externos, e é o que ele faz.

A mistura dos tons criados pelos 24 LEDs Quad (4 em 1) valoriza desde


edificações até espaços urbanos. O display luminoso e quatro botões
sensitivos permitem escolher e programar todas as funções do refletor,
inclusive a operação pelo controle remoto infravermelho que acompanha
o equipamento. Ele pode ser configurado para trabalhar com protocolo
DMX em quatro, seis ou sete canais.

Entre outras de suas características estão ângulo de abertura de 25º, funções


Color Static, Color Fader, Color Jump, Color Strobo e Dimmer, programas ajus-
táveis em memória, modos master/slave e display de LCD Blue. Tem 32,5 cm
de largura e altura e 12 cm de profundidade, pesando apenas 8,4 kg.

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Máquina de fumaça Antari W-715


A Antari apresentou recentemente a máquina de fu- dos, para um rápido efeito após
maça W-715. Seu novo sistema de aquecimento pro- o toque de um botão, painel
porciona uma produção de explosões de 20 segundos, em LCD, sistema wireless W-1
com aumento da conservação de calor para reduzir o e DMX 512 onboard, para uma
tempo de reaquecimento, enquanto seu sistema de maior versatilidade e flexibilida-
tubulação de fluido recentemente projetado remove de no controle. O equipamento
o líquido restante para fornecer uma explosão mais consome 300 ml de fluido por
clara, sem excesso de fumaça. O fluido FLC à base de minuto e conta com um tanque
água da fabricante, especialmente desenhado para o com capacidade para até 2,4
trabalho, faz com que o efeito seja ainda mais preciso litros de fluido. Pesa 15,5 kg.
graças à sua fórmula que permite rápida dissipação.
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O produto oferece um modo de jato de dois segun- www.decomacbrasil.com

54 | áudio música e tecnologia


em fo c o

MOVINGS POINTE ILUMINAM RICKY


MARTIN NO GRAMMY LATINO
Ricky Martin foi um das atrações dos shows do Grammy La-

Divulgação
tino, realizado no dia 21 de novembro passado no Centro de
Eventos Mandalay Bay, Las Vegas, EUA. Produzido pela rede
Univision, o evento teve um público estimado em 9,8 milhões
de telespectadores. No que diz respeito à luz, o lighting desig-
ner Carlos Colina, que há sete anos é responsável pelo projeto
de iluminação da premiação, usou no show do cantor portorri-
quenho 18 movings Pointe, da Robe, dando destaque especial
à interpretação da canção Más y Más, que uniu no palco Ricky
Martin e Draco Rosa. Foi a primeira vez em que Colina usou o
produto da Robe, lançado em abril de 2013.

“São brilhantes, versáteis. Os prismas são maravilhosos, as


cores, ótimas, e são simplesmente fantásticos nas câmeras”,
comentou Carlos, que trabalhou junto com o designer de
cenografia Jorge Domínguez. Por Ricky Martin ser uma das Draco Rosa e Ricky Martin no Grammy Latino: lighting
maiores estrelas latinas do mundo, Colina queria que a atua- designer Carlos Colina utilizou 18 movings Pointe

ção dele tivesse grande impacto, e decidiu criá-la usando os Pointe da Robe.

“A música era uma balada muito forte e um momento muito especial do show”, disse Colina, quem tinha feito um render do visual
com os Pointe para ser aprovado pelo artista e sua equipe de produção. “O resultado sobre o palco foi exatamente como tinha sido
criado no render, e foi definitivamente um dos momentos que definiram o entretenimento da noite”, declarou. Os Pointe foram agru-
pados sobre trusses superiores de seis metros na frente da cena, com distância de cerca de 1,5 m entre eles. Os trusses entraram
em cena quando Ricky e sua banda subiram ao palco, em um momento bastante bonito. Mais informações sobre os produtos podem
ser encontradas em www.robe.cz e www.tacciluminacao.com.br.

MARTIN PROFESSIONAL NO PLANETA TERRA 2013


Após estar presente no Rock in Rio 2013, a Harman também marcou presença nos shows das principais atrações do Planeta
Terra Festival, realizado em São Paulo em novembro
passado. O destaque ficou por conta da utilização de
Divulgação

uma das novidades da Martin Professional, empresa


focada em iluminação adquirida no fim de 2012 pelo
grupo Harman: o MH 3 Beam, já disponível no país,
a exemplo do RUSH MH1 Profile, MH 2 Wash, Strobe
1 5x5, Par 1 RGBW e Pin 1 CW.

Shows de grande nomes como Blur, Beck e Lana Del


Rey contaram com a performance do MH 3 Beam,
moving head que lança um feixe de longo alcance,
intenso e estreito, para efeitos no ar. Além disso,
o produto abriga uma roda de gobo fixo e roda de
cores com uma multiplicidade de efeitos possíveis

MH3 Beam foi utilizado nos shows das principais a partir de um dimmer e estrobo, zoom, prisma de
atrações do Planeta Terra, como o Blur oito faces e regulagem de foco.

56 | áudio música e tecnologia


áudio música e tecnologia | 57
Ca pa Rodrigo Sabatinelli

Circuito Banco
do Brasil

r i a d o s p a r a r eceber
iders va
Festival tem r e J o s s Stone
Chili Pe p p e r s
atrações como

58 | áudio música e tecnologia


Como vimos há algumas páginas, o Circuito Banco do Brasil, festival
que reuniu atrações de peso como Red Hot Chili Peppers, Simple Minds,
Skank, Jota Quest e Detonautas, passou por Salvador, Belo Horizonte,
Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Curitiba e teve sonorização a cargo

Eduardo Magalhães
da Gabisom. Agora, no entanto, vamos falar de sua luz.

Iluminado pela LPL, o evento teve seus mapas de luz desenhados


pelo lighting designer Erich Bertti, também diretor de fotografia do
evento ao lado de seu irmão Caio Bertti. Em entrevista à L&C, Erich
detalhou alguns destes riders, comentando a variação de estrutura
entre eles. Alguns dos iluminadores dos artistas que passaram pelo
festival, tais como Martin Brennan, que trabalha com a cantora Joss
Stone, e Lino Pereira, do Jota Quest, entre outros, também falaram
sobre a estrutura disponibilizada.

PLANTA PRINCIPAL SEM COMPLICAÇÕES

Lighting designer do festival, tendo outros de grande expressivida-


de em seu currículo, como, por exemplo, o SWU e o Lollapalooza
Brasil, Erich contou que a experiência lhe fez criar riders simples,
mas que, obviamente, atendessem às demandas dos iluminadores
nacionais e internacionais, tendo esses últimos, geralmente, mais
exigências que os profissionais brasileiros.

“Não inventei moda! Em casos como o do Circuito Banco do Brasil,


no qual estão reunidos artistas ‘de casa’ e big players, como o Red
Hot e o Stevie Wonder, é importante descomplicar. Tem que ter
quantidade [de equipamentos] para atender, mas não adianta bolar
uma planta muito ousada”, disse, lembrando que o rider principal do
evento teve versões distintas para algumas das praças.

Na edição realizada em Salvador, por exemplo, estiveram disponí-


veis 15 Color Wash 2500, da Robe, sendo dez no teto e cinco no
chão do palco; 20 Color Spot 2500, também da Robe, sendo 12 no
teto e oito no chão; 28 Platinum Beam 5R, da Elation, com 12 no
teto e 16 no chão; 13 Atomic 3000, da Martin, sendo oito no teto e
cinco no chão; 11 Blinder 4Lite, com seis no teto e cinco no chão,
além de 12 PAR 64 1Kw MFL no teto e 40 ACL 200W no chão.

“Esses equipamentos foram instalados em seis trusses ao teto


– sendo quatro, maiores, no centro do palco, e dois, menores,
nas laterais – e em cinco módulos, posicionados ao fundo,
que formavam uma verdadeira parede de aparelhos”, contou
Erich. “Na minha opinião, as torres com os 5R, ao fundo do
palco, fizeram a diferença, pois preencheram muito bem o
ambiente, que, felizmente, não contava com um painel de
LED”, emendou Danielo Manzi, iluminador do Skank.

Em Curitiba, Erich utilizou 21 Color Wash 2500, da Robe; 21 Color


Spot 2500, também da Robe, todos no teto; 14 Platinum Beam 5R,

áudio música e tecnologia | 59


Ca pa

Atomic 3000, da Martin; 25 4Lite Blinder e oito

Divulgação
Fresnel 2Kw, todos controlados por uma gran-
dMA Full Size II, tendo outra, modelo Light,
para o standby.

Já o rider usado pelos demais artistas foi


composto por 12 Color Spot 2500, da Robe;
15 Color Wash 1200, também da Robe; seis
Platinum 5R, da Elation; nove XR1200 Wash,
da DTS; 12 Atomic 3000, da Martin; 25 4Lite
Blinder e oito Fresnel 2Kw. Dispostos em cinco
trusses ao teto – sendo três paralelos ao palco
e dois em suas laterais – e em três subgrupos
ao chão, estes equipamentos foram controla-
dos por um console grandMA Full Size II, ten-
do outro, no modelo Light, para standby.

Presente em Salvador e Belo Horizonte, por con-


Na imagem, detalhe da montagem ta das apresentações do Jota Quest, Lino Pereira
chegou ao festival sabendo da necessidade de ser bem
de um dos palcos do festival objetivo em sua programação. “Temos de ser ágeis!”, dis-
se. A disponibilidade dos consoles grandMA foi, segundo o
da Elation, no chão; 18 Atomic 3000, da Martin, também próprio, fundamental para essa “economia” de tempo de
no chão; sete 4Lite Blinder, no teto, e 12 XR2000 Beam, trabalho. “No entanto”, disse ele, “gostaria, também, de
da DTS, no chão, além de 30 PAR 64 1Kw WFL e 34 PAR 64 poder utilizar, em Belo Horizonte, o rider mais extenso,
1Kw VNSP, todos controlados por uma grandMA Series II. que serviu exclusivamente ao Red Hot. Em todo caso, fiz
o meu da melhor maneira”.
Em Belo Horizonte, o palco principal contou com dois
riders. Um deles atendeu somente ao Red Hot Chili Pe- Quem também enfrentou com tranquilidade o fato de
ppers, que exigiu exclusividade, enquanto o outro ser- os Chili Peppers terem um setup exclusivo foi Leonar-
viu às demais bandas, tais como Jota Quest e O Rappa. do Detomi, iluminador do Rappa. Usuário das Avolites
O rider que atendeu à banda californiana foi composto Titan Mobile, que carrega para todos os seus shows,
por 16 Color Spot 2500, da Robe; 33 Color Wash 1200, inclusive em festivais, ele somente trocou o patch,
também da Robe; oito Platinum 5R, da Elation; nove promoveu um ou outro ajuste e atacou. “Tudo den-
XR1200 Wash, da DTS; 45 Robin LED 600, da Robe; 32 tro do planejado”, disse. “Além das grandMA, tivemos
Eduardo Magalhães

Eduardo Magalhães

A luz do Skank, feita por Danilo Manzi (à direita), valorizou os contras promovidos pelos aparelhos 5R

60 | áudio música e tecnologia


áudio música e tecnologia | 61
Ca pa

Diego Padilha
brazão luminoso em formato de letra jota e, em
Salvador, usou módulos de Jarag.

PANORAMA LUMINOSO
DAS PRAÇAS

Responsável pela iluminação da cantora Joss Sto-


ne, que se apresentou em Salvador, o veterano
Martin Brennan mostrou a verdadeira importância
da escolha de cores usadas num espetáculo.

Durante o show da diva da nova soul music,


ele, que foi o primeiro iluminador do Iron Mai-
den e já acompanhou diversos outros artistas,
tais como Dio e Jethro Tull, utilizou basicamen-
Grandioso, o palco do festival recebeu
atrações de peso, como Red Hot Chili

Eduardo Magalhães
Peppers e Simple Minds, entre outras

as Hog4, da HighEnd, nas últimas edições do festival”,


completou Erich.

PALCO SECUNDÁRIO TEM ESTRUTURA


MANTIDA EM TODAS AS PRAÇAS

No rider do palco secundário, que não sofreu mudanças


em nenhuma das praças pelas quais passou o festival,
estiveram disponíveis, em seis trusses paralelos e angu-
lados em formato de leque, 16 Giotto Spot 400, da SGM;
12 Strobe 1800, da Star; 24 PAR 64 1Kw VNSP, seis 4Lite
Blinder e seis PAR 64 1Kw MFL. Leonardo Detomi não se importou em utilizar um
Nos dois trusses externos estiveram seis aparelhos, en-
rider enxuto e fez bonito à frente da luz do Rappa
quanto que nos quatro internos foram instalados sete,
todos controlados por um console Avolites Pearl, tendo
outra unidade semelhante para o standby. “Da testeira do
palco ao seu fundo tivemos uma linha com os 4Lite Blin-
der, seguida por uma linha de estrobos e, na sequência,
um mix de Spots e PAR VNSP”, disse Erich.

CENOGRAFIA PADRÃO,
MAS COM “RESSALVAS”

Erich disse ainda que pensou a luz como cenário do fes-


Diego Padilha

tival. A opção, conta ele, se deu também em função da


praticidade na troca das atrações. A exceção, no entanto,
ficou a cargo dos shows de Joss Stone, em Salvador, que
teve, ao fundo do palco, diversas tiras de tecidos, que
foram iluminadas lateralmente pelos moving lights do tipo Ao fundo, detalhe do brazão do Jota Quest: cenário
Wash, e do Jota Quest, que em Belo Horizonte usou um luminoso foi destaque no show do grupo mineiro

62 | áudio música e tecnologia


áudio música e tecnologia | 63
Ca pa
Eduardo Magalhães

À frente das luzes do grupo oitentista Simple


Minds, Stephen Pollard encontrou dificuldades
para imprimir seu trabalho, algo que Erich la-
mentou. “A fumaça não contribuiu. Foi engraça-
do e trágico ao mesmo tempo, pois todo mundo
conseguiu trabalhar normalmente e o cara teve
que suar a camisa para que as pessoas notassem
seus looks britânicos”, disse o projetista, sobre a
apresentação realizada em Curitiba.

Iluminador do Red Hot Chili Peppers, Scott Holthaus


contou com o suporte de dois profissionais, um pro-
gramador e um operador de vídeo, desenvolvendo
um minucioso trabalho a seis mãos.
No show de Joss Stone, Martin
Brennan usou luzes em tons de azul “Com uma luz, digamos, ‘tradicional’, toda baseada no
groove da banda, ele utilizou bem a parede de LEDs
te dois tons: “congo blue e magenta”, disse. Em alguns que havia sobre o palco. E Tommy Horton, iluminador
momentos, no entanto, se fez valer do vermelho e do de Stevie Wonder que recentemente esteve no Brasil
verde, “outras cores muito bem aplicadas em canções com o grupo de hard rock Aerosmith, fez um show
como Karma e Baby, Baby, Baby”, completou. justo”, encerrou Erich. •

Fala, Martin!
Iluminador de Joss Stone celebra amizade com designers do festival
Luz & Cena: Como se deu seu primeiro contato com para isso, já que conhecia perfeitamente seu equipa-
o festival? mento. Isso foi ótimo, pois tirou um peso de minhas
costas. Sem contar que ele, Erich, já havia trabalhado
Martin Brennan: A partir de uma troca de e-mails com anteriormente com Joss, e, por conta disso, pôde me
o lighting designer Erich Bertti, que prontamente tratou passar algumas de suas cenas.
de mostrar o tamanho, grandioso, do evento. Mas
sou cínico e velho, portanto busquei por mais infor-
mações e confesso que me surpreendi ao confirmar,
pelo site do festival, o que ele havia dito: o palco era
grande, sólido, bem organizado e limpo.

L&C: Sua vinda também foi marcada pelo reen-


contro com Caio Bertti, não é?

Martin: Perfeitamente! Eu e Caio nos conhecemos


há 20 anos, quando vim ao país para uma turnê com
o Jethro Tull e, tempos depois, quando voltei com o
Iron Maiden, nos reencontramos. Nessa nova vinda,
como já era de se esperar, tanto ele quanto seu ir-
mão, Erich, se colocaram à disposição para me aju-
dar e, sem dúvida, fizeram a diferença no festival.

L&C: Quem se encarregou de programar seu


show? Erich, à esquerda, e Martin Brennan, à direita:
parceria entre iluminador de Joss Stone e
Martin: Erich! Deixei-o totalmente à vontade
para programar as cenas, pois era a pessoa ideal família Bertti se consolidou no festival

64 | áudio música e tecnologia


áudio música e tecnologia | 65
Event o Rodrigo Sabatinelli

SELEÇÃO
ILUMINADA
Publius Vergilius

66 | áudio música e tecnologia


Nike lança nova
camisa da seleção
sob show de luzes
No dia 24 de novembro, no Aterro do Flamengo, Rio de Ja-
neiro, a Nike, em um evento para dezenas de milhares de
pessoas, apresentou aquela que será a camisa da seleção
brasileira na Copa de 2014. E para dar mais brilho à festa,
que teve projeto de luz assinado por Naldo Bueno, da KN
Projetos, subiram ao palco artistas do primeiro escalão de
nossa música, tais como Ivete Sangalo, Thiaguinho, Mar-
celo D2 e Anitta, entre outros. Parceira de Naldo em di-
versos de seus projetos, a LPL forneceu os equipamentos
para o show, operado por Serginho Almeida. Abel Gomes,
cenógrafo e sócio da P&G Cenografia, foi quem assinou a
direção de arte do palco.

“Como teríamos atrações que normalmente utilizam um rider


de iluminação grande, nós, da KN Projetos, encaramos o de-
safio de desenvolver um projeto de iluminação com algumas
possibilidades de ângulos e visuais diversos. Um projeto que
atendesse a essas atrações sem obstruir a paisagem natural
do local, composta pelo Pão de Açúcar e o Morro da Urca”,
explicou Naldo, na ocasião.

UNIFORMIDADE EM RIDER É
COMUM EM PROJETOS DA EMPRESA
Naldo defende, do ponto de vista da uniformidade, o uso de
equipamentos similares, pelo menos no que diz respeito a
marcas, em um mesmo projeto. Tal opção, diz ele, tem por
objetivo facilitar a programação das cenas e, mais que isso,
manter o mesmo nível de potência luminosa entre os tipos
de moving lights dentro do rider. Partindo deste princípio, o
lighting designer desenhou o rider de luz solicitando à LPL,
basicamente, aparelhos Robe. A exceção ficou por conta de
alguns Elation.

Para as luzes de contraplano, laterais e do chão do palco,


laterais do telão e frente pontuada, por exemplo, ele utili-
zou 62 Robe Spot 2500. Para a luz aberta e frontal, lançou
mão de 16 Robe Wash 2500. A plateia e os músicos foram
iluminados por 32 Robin 600 LED Wash, enquanto que os
efeitos da passarela que se projetava do palco foram feitos
com 16 Elation Platinum 5R. Já as laterais do palco, bem
como as torres de delay, receberam 180 PAR LED LP354.

áudio música e tecnologia | 67


E ve nt o

“Os Robin [LED 600 Wash]

Publius Vergilius
que iluminaram a plateia nos
ofereciam movimentos e uma
infinidade de cores, enquan-
to que os Spot 2500, com
lâmpadas Platinum 5R Super
Beam, marcavam bem toda a
extensão da passarela, res-
saltando ainda mais o forma-
to de taça do palco”, diz Nal-
do. “Nas laterais do grande
telão de fundo, para ampliar
um pouco nosso campo de
cena e nos defender quando
tivéssemos câmeras de filma-
gem em diagonal, foram ins-
talados mais quatro moving
lights”, completa ele.

Ao lado do palco, torres com moving lights cuidavam


Todos estes equipamentos fo-
ram comandados por Sergi- de fazer o complemento das luzes do espetáculo
nho Almeida, que, para isso,
utilizou um console grandMA. “Serginho é um cara de ter, ao seu lado, a locadora LPL, empresa com
com quem gosto muito de trabalhar, pois se trata a qual vem, ao longo dos últimos anos, realizando
de um profissional que chama a responsabilidade importantes trabalhos, dentre eles o réveillon de
para si. Fizemos, juntos, os Jogos Militares, entre Copacabana.
outros projetos da KN, e agora estamos aqui, no-
vamente, para este desafio”, diz Naldo. “Por algumas vezes, me pego conversando com pro-
fissionais da LPL sobre temas como colorimetria,
O lighting designer também destaca a importância fotografia e dificuldades impostas pelas arquitetu-
ras dos locais a serem
iluminados. Nesses mo-
mentos, me dou conta
do grande conhecimen-
to que eles têm”, diz.

ROTEIRO TEVE
POUCO
“GESSO” E MUITA
LIBERDADE
Rodrigo Sabatinelli

O evento se iniciou às
cinco da tarde com o
set de um DJ e seguiu
com apresentações de
artistas até às oito e
Naldo Bueno e Serginho Almeida conversam vinte, quando se en-
antes do início do evento: idealizador do rider cerrou. Em todo este
passava últimas instruções ao iluminador período, Serginho Al-

68 | áudio música e tecnologia


meida operou as luzes como se estivesse em
um show de música pop, bem livre para criar
cenas e climas. No entanto, por seis minutos, o
iluminador teve que seguir um script, digamos,
um pouco mais “engessado”.

“Tivemos momentos-chave, como as pausas


para a realização de duas fotos importantes,
feitas pelo fotógrafo da Nike. Uma dessas fotos
ocorreu às 19h19m00s e a outra às 19h19m30s.
Além disso, tivemos a revelação da nova camisa
da seleção, momento em que utilizamos quatro
telas de LED medindo 12 metros de altura por
4,20 metros de largura. Essas telas foram iça-
das por trás do palco e mostraram imagens de
jogadores, tudo ao pôr do sol”, conta.

Por se tratar de uma transmissão para a TV, re-


alizada pela MTV, Naldo teve que se preocupar
com a calibragem das telas de LED. De acor-
do com ele, foi preciso equilibrar bem o telão
com os moving lights de contraplano, para que
estes não ficassem mais evidentes do que as
imagens exibidas.

“Fizemos, ainda, um cuelist bem cronometrado,


no qual a luz se modificava de acordo com cada
um dos momentos importantes. Em um deles,
as luzes foram puxadas para o amarelo, em uma
alusão à cor da camisa da seleção”, encerra.

Imagens de jogadores da seleção brasileira


de futebol foram exibidas em quatro telas de
LED que mediam 12 metros de altura
Publius Vergilius

áudio música e tecnologia | 69


E vent o

Na testeira do palco, uma linha de


aparelhos fazia uma espécie de moldura
LED], que era nosso fundo
de palco e também teria a
função de ser o ‘apresen-
tador virtual’ do evento,
logo, um item importan-
te”, conta.

“Nossa testeira tinha uma


dupla função: esconder
um pouco os moving li-
ghts e seus cabos e tam-
bém possibilitar a fixação
de uma lona na parte su-
perior, para proteção dos
equipamentos instalados,
caso a chuva anunciada de
fato caísse”, completa. •

PALCO INCOMUM
“DIRECIONA” ILUMINAÇÃO
O palco, em formato de taça,
desenhado por Abel Gomes,
foi apresentado a Naldo em
reuniões de pré-produção.
Nestes encontros, o cenógra-
fo passou ao iluminador que
o ambiente seria diferente
dos tradicionais: “limpo, sem
cobertura, sem estruturas de
andaimes pesadas nas late-
rais ou asas com painéis de
LED”, deixando o Morro da
Urca e o Pão de Açúcar como
pano de fundo.

“Após algumas destas reuni-


ões, conseguimos que inse-
rissem uma testeira na parte
superior do grande painel [de

Em dois ângulos, o
projeto de luz de Naldo
Bueno adaptado ao
palco em formato de
taça criado por
Abel Gomes

70 | áudio música e tecnologia


VÍDEO
DIREÇÃO DE Léo Miranda
FOTOGRAFIA
PARA

DIFUSOR
CORRIGINDO
IMPERFEIÇÕES E
ATENUANDO SOMBRAS

N
este primeiro mês do ano, vamos dar a devida
importância à dureza da iluminação e a como ate-
nuar as sombras aumentando a beleza da imagem,
corrigindo as imperfeições apenas com o difusor. Um re- - Grid Cloth – Com propriedades difusoras de média a
curso imprescindível, mesmo que estejamos apenas com muito densa. Há ampla dispersão dos limites da luz,
o famoso “pau-de-luz”. criando um campo de luz sem sombras. Material reforça-
do ideal para fazer butterflies e outros difusores de su-
DEFINIÇÃO perfície grande. Pode ser costurado.

Difusor é um filtro termo resistente ou não que pode ser de - Tough Silk – Este difusor possui propriedades direcionais.
compostos de polietileno, policarbonato, vidro etc. Tem as Dispersa o feixe de luz de uma direção, criando uma ban-
funções de distribuir ou espalhar a luz, atenuar as sombras, da de luz. Ideal para controlar um feixe de luz muito forte
controlar o contraste e dureza da iluminação. em espaços reduzidos ou para conseguir uma iluminação
seletiva de determinadas áreas. Possui ótima transmissão.
Com graduação de densidades próprias, os difusores são
utilizados para atenuar as sombras de forma que fiquem - Materiais não resistentes ao calor – Esses materiais são mo-
mais suaves ou inexistentes. Existem dois tipos de mate- deradamente resistentes ao calor. E, por essa razão, deve-se
riais plásticos utilizados para fabricação dos difusores: os manter uma distância prudente das fontes luminosas.
termo-resistentes, e os termo-não resistentes (todos os
materiais com a nomenclatura Tough são duráveis e de SEM DIFUSOR
grande resistência ao calor, sendo fabricados em poliéster).
Alguns materiais podem ser até costurados para que pos-
sam abranger uma maior área a ser difusa.

- Tough Spun – Suaviza os limites da luz sem dispersar suas


características direcionais. Produz uma dispersão mínima.

- Tough Frost – Para uso geral, estes difusores oferecem


propriedades difusoras suaves e moderadas dos limites
da luz, mantendo suas características direcionais, com
um centro bem definido.

- Tough White Difusion – Para uso geral, estes difusores ofere-


cem propriedades difusoras de moderadas a densas. Propor-
cionam uma ampla dispersão de luz, criando um campo uni-
forme, suave e sem sombras. São de efeitos muito agradáveis. - Luz dura e marcante
- Alto nível de contraste tanto no rosto quanto em relação
- Tough Rolux – Difusores originalmente densos. Ampla ao fundo
dispersão dos limites da luz cria um campo de luz suave - Sombra dura e marcante
e sem sombra. - Dificuldade em abrir os olhos

72 | áudio música e tecnologia


áudio música e tecnologia | 73
Exemplos de tipos e suas
TOUGH WHITE DIFFUSION numerações da marca Rosco
SPUN DESCRIÇÃO
3006 Tough Spun
- Luz suavizada levemente 3007 Light Tough Spun
- Contraste levemente ate- 3022 Quarter Tough Spun
nuado tanto no rosto quan- FROST DESCRIÇÃO
to em relação ao fundo
3008 Tough Frost
- Relevo e marcas de ex-
3009 Light Tough Frost
pressão levemente con-
3010 Opal Tough Frost
troladas
3020 Light Opal Tough Frost
3040 Powder Frost
WHITE DIFFUSION DESCRIÇÃO
3026 Tough White Diffusion
3027 Tough Half White Diffusion
GRID CLOTH
3028 Tough Quarter White Diffusion
ROLUX DESCRIÇÃO

- Luz bem difusada, equi- 3000 Tough Rolux


líbrio com o fundo e altas 3001 Light Tough Rolux
luzes GRID CLOTH DESCRIÇÃO
- Contraste equilibrado 3030 Grid Cloth
- Sombras quase totalmen-
3032 Light Grid Cloth
te lisas
3034 Quarter Grid Cloth
- Relevos e marcas de ex-
3060 Silent Grid Cloth
pressão controladas
3062 Silent Light Grid Cloth
SILK DESCRIÇÃO
3011 Tough Silk
3015 Light Tough Silk
SEM DIFUSOR E COM POWDER FROST
PRODUTOS DESCRIÇÃO
3002 Soft Frost
3004 Half Density Soft Frost
3014 Hilite
3023 Wide Soft Frost
3029 Silent Frost

TROCANDO EM MIÚDOS

Note o comparativo destas imagens: na primeira, a modelo A dureza da iluminação é indiferente da sua direção e intensidade.
força para abrir os olhos e a pele chega a espelhar a ilumina- Podemos acrescentar contraste (volume e textura) para o objeto
ção (estourando, clipando); na segunda, a pele já fica contro- ou sujeito fotografado, sendo que as controlamos com grandes fon-
lada e as sombras atenuadas (repare na sombra do fundo o tes de luz bem difusadas e fill light (luzes de enchimento). Quanto
efeito que o difusor proporciona). melhor difusada a iluminação, menos imperfeições teremos, pois
as áreas de sombra (relevos) são diminuídas com a suavidade com
que a luz toca no objeto ou sujeito.
DICA
Na próxima coluna, truques da iluminação com velas.
Quanto menos contraste e dureza na ima-
gem, mais fácil se torna atenuar imperfei- Até já!
ções de pele, olheiras, sombras etc.
Fonte: Rosco Brasil
Modelo: Vera Zambon

Léo Miranda é diretor de fotografia e lighting designer. Há 19 anos atuando na área de iluminação, é especializado em gravações externas e eventos,
já dirigiu a fotografia de comerciais e programas de TV e também ministra treinamento técnico e operacional a grandes empresas. Quer apresentar
dúvidas e propor temas para a coluna? Envie uma mensagem para leomiranda@luzecena.com.br. Seu e-mail poderá ser publicado na revista.
áudio música e tecnologia | 75
Me di a Compos e r Cristiano Moura

USER PROFILE
O Media Composer
do seu jeito
O Media Composer talvez seja uma das ferramentas mais “cus-
tomizáveis” não apenas no mercado de vídeo, mas de áudio,
fotografia e design. Ele permite não apenas configurar atalhos
de teclado, mas também a cor da interface e até fontes. Neste
artigo vamos ver algumas das principais possibilidades.

GERENCIANDO O SEU Figura 2: Command Palette e seus modos de trabalho


PERFIL DE USUÁRIO
mand Palette para o teclado virtual ou direto para algum
A criação do User Profile local na interface, seja no Composer ou na Timeline.
se dá na Project Win-
dow > Aba “settings” - Active Palette: utilizamos para acionar uma função direta-
(fig. 1). Por lá, podemos mente pelo Command Palette. Basta clicar na função e ela
criar, exportar e impor- será executada.
tar perfis de usuário.
Mas e para deletar? Pre- - Menu to Button: este é usado para atribuir algum menu
cisamos fazer isto dire- do Media Composer para um botão, seja do teclado ou da
tamente pelo sistema interface.
operacional da máquina
(OS X ou Windows) e Então, se o usuário quiser atribuir um botão para a interface, di-
deletar manualmente. gamos, na Timeline, a única coisa a fazer é selecionar a função
No Mac, o perfil de usu- “Button to Button” e arrastar um botão do Command Palette
ário se encontra em Mac para o local desejado. Já para configurar um atalho no teclado
HD > Users > Shared > é necessário acionar a janela do teclado virtual. Ela se encontra
AvidMediaComposer > na Project Window > Aba “settings” > Keyboard. Da mesma
Avid Users. No Windows, maneira, basta arrastar um botão do Command Palette pra ele
C:\documents and set- que o atalho está automaticamente configurado (fig. 3).
Figura 1: Menu de gerencia- tings\all users\shared
mento do User Profile documents\avid users\. A função “Menu To Button” é igualmente útil e muito parecida

Figura 3: Arrastando botões para o teclado virtual


MAPEANDO FUNÇÕES NO
TECLADO E INTERFACE
O responsável por atribuir funções no teclado ou na in-
terface chama-se “Command Palette” e é encontrado no
Menu Tools (fig. 2). Na parte inferior, temos três modos
de operação:

- Button to Button: usamos para atribuir botões do Com-

76 | áudio música e tecnologia


para se configurar. O
único detalhe é que
não é “arrastando”
um menu para um
botão. Em vez disto,
primeiro o usuário
deve selecionar o
botão em que quer
atribuir o atalho e Figura 6: Bin Background
depois acessar o
menu desejado. ativada a opção “clip resolutions” pode ser muito bem-vin-
Dica: esta função da para o usuário saber facilmente se está trabalhando com
funciona não apenas a resolução desejada ou com alguma outra alternativa que
Figura 4: Timeline Fast Menu
com o Menu princi- foi indevidamente editada/importada.
pal do Media Com- - Dupe Detection: Excelente função que permite ao usuário
poser, mas também com o Fast Menu. Por exemplo, pode ser ver se alguma mídia foi editada duas vezes na timeline.
usada, então, para ligar/desligar as formas de onda nos tracks.
A maneira com que a timeline se atualiza durante o play-
MELHORANDO A TIMELINE back também pode ser alterada. Acesse na janela Project
Window > Settings > Timeline e ajuste a função “Move-
Na maior parte do tempo estamos trabalhando na timeline e ment During Play” para “Scroll” (fig. 5). O resultado é o
vale a pena entender um pouco mais sobre as configurações cursor sempre no centro e a timeline se deslocando.
disponíveis. Pelo Fast Menu (fig. 4) temos diversas configu-
rações interessantes. Vamos conhecer algumas delas: FONTES
- Clip Frames: Permite O tamanho dos textos na interface do Media Composer cos-
Figura 5: Timeline Settings
a visualização de um tuma ser pequeno demais para a maioria das pessoas. É
frame para cada seg- possível mudá-los de forma independente, com cada janela
mento na timeline. podendo ter sua fonte e tamanho customizados. Para tal,
- Audio Data: Permite selecione uma janela qualquer e acesse o menu Edit > Set
ligar/desligar a visua-
Font. Simples assim. Seus olhos agradecem!
lização de formas de
onda. Como dito an-
teriormente, também CORES NOS BINS
é uma ótima função
para se deixar confi- Muitos bins, muita organização, mas pouca identidade visu-
gurado em algum bo- al. Ficar refém da leitura não é muito bom e nem é rápido.
tão do seu teclado. Que tal atribuir uma cor aos bins com o material catalogado,
- Clip Text: Nem sem- outra cor para os bins de um certo tipo de câmera e outra cor
pre ver o nome do para o bin de efeitos? O processo é muito simples: selecione
clip é a função mais o bin e acesse o menu Edit > Set bin Background (fig. 6).
importante a ser
mostrada na timeline. Agora é hora de configurar o Media Composer do seu jeito.
Muita outras informa- Se você é um freelancer ou trabalha numa empresa com
ções úteis podem ser várias ilhas de edição, vale a pena exportar este user pro-
visualizadas nos seg- file para um pendrive e carregar consigo o user profile para
mentos da timeline instalar em qualquer máquina em que for trabalhar.
através deste menu.
Por exemplo, manter Abraços e até a próxima!

Cristiano Moura é produtor musical e instrutor certificado da Avid. Atualmente leciona cursos oficiais em Pro Tools e treinamentos
em mixagem na ProClass-RJ.

Até o mês que vem, com mais um caderno Luz & Cena!
áudio música e tecnologia | 77
SONORIzAçÃO | Alexandre Guimarães Ramos

O Som do Santuário
acústica Alexandre Guimarães] se deu por um con-
Em detalhes, o novo sistema de áudio vite feito pelo padre Augusto, pároco do santuário,
para participar de uma missa e avaliar a gravidade
do Santuário Dom Bosco, em Brasília da situação. O sistema à época consistia em seis
caixas de duas vias, com falante de 15 polegadas e
driver. As caixas ficavam afixadas às paredes. Eram
O Santuário Dom Bosco é um dos mais importantes locais
duas em cada parede lateral e duas na parede do
de culto do Distrito Federal. Diariamente visitado por turistas
fundo, projetando som por trás dos ouvintes. Não havia
nacionais e estrangeiros, o templo – uma das sete maravi-
correção de atrasos e a cobertura era precária.
lhas da capital do país –, foi projetado pelo arquiteto Carlos
Alberto Naves e possui 80 colunas de concreto com mais de
A maior parte da audiência ouvia o som reverberante, já
15 metros de altura. Os espaços entre as colunas são pre-
deteriorado. O som no meio do templo era muito baixo e
enchidos por 2,2 mil metros quadrados de vitrais. O volume
confuso. Não havia retorno para o altar nem para os músi-
interno é de mais de 22 mil metros cúbicos. Obviamente, um
cos. A amplificação era subdimensionada, o que facilitava
ambiente com essas características impõe grandes desafios
a ocorrência de distorções nas etapas de potência. Ainda
acústicos para reforço de voz e de instrumentos na maioria
havia outros agravantes: padres com diferentes sotaques
dos estilos musicais contemporâneos.
e impostações vocais se revezam na celebração das várias
missas realizadas semanalmente e a proximidade a vias
De fato, a comunidade reclamava muito do som e o apelo
de tráfego intenso de veículos prejudicava a compreen-
para a busca de uma solução eficaz para o problema era
são das palavras. Definitivamente, o sistema não atendia
crescente. O contato inicial comigo [o consultor em áudio e
às necessidades de inteligibilidade, pressão sonora
homogênea e extensão tonal para os fiéis dispostos
nos 1.200 lugares, distribuídos em 1.600 metros
quadrados de audiência.

MEDIÇÕES, MODELAGEM
E SIMULAÇÕES

Primeiramente, foi medido o tempo de reverberação.


Essa variável acústica é importante para avaliarmos
se o decaimento sonoro da sala é adequado ao tipo

Caixa do sistema antigo: havia seis delas,


com duas em cada parede lateral e duas
na parede do fundo. Não havia correção
de atrasos e a cobertura era precária.

78 | áudio música e tecnologia


de programa que será reproduzido. Conteúdos mais per-
cussivos, com passagens mais rápidas, exigem tempos
menores e acústica mais seca. Canto gregoriano, música
sacra e erudita geralmente se valem de sua interação com
a acústica mais viva dos espaços. Quando o tempo de re-
verberação não é adequado, é necessária uma intervenção
nas superfícies da sala.

Para as medições, foi utilizado um sistema de caixas com ca-


racterísticas omnidirecionais e resposta de 60 Hz a 12 kHz.
Por meio do software Smaart Live foi aplicado ruído rosa nas
caixas, com volume suficiente para elevar seu nível acima de
30 decibéis em relação ao ruído de fundo. As caixas foram
posicionadas em dois pontos do ambiente – um perto do altar
e outro mais ao fundo. Foi utilizado o microfone de referência
Behringer ECM8500 para a captação do ruído em seis dife-
rentes pontos, três para cada posição de caixa. Os diferentes
decaimentos foram analisados no módulo Smaart Acoustic
Tools Analysis e, ao final, um tempo médio foi plotado em
um gráfico de Excel, que revelou que, mesmo para execução
de canto polifônico acompanhado de órgão, os tempos eram
altos. Para fala, inaceitáveis.

Foi medida também a resposta ao impulso e a grande e


reflexiva parede do fundo mostrou ser uma “muralha” in-
vencível. Embora se fizesse necessário um condicionamen-
to acústico, tal procedimento seria altamente inviável do
ponto de vista estético e funcional. Quase a totalidade da
superfície das paredes é composta por vitrais, e estes são
separados por delgadas colunas de concreto. A responsa-
bilidade por fornecer adequada inteligibilidade à audiência
recaiu exclusivamente sobre a correta escolha, posiciona-
mento e alinhamento do sistema de reforço sonoro.

As plantas arquitetônicas do templo foram solicitadas e o


ambiente foi inteiramente modelado no software Sketchup
e um arquivo foi exportado para o EASE. As dimensões omi-

áudio música e tecnologia | 79


tidas foram medidas in tar e à parede atrás do
loco. Os tempos medidos altar para a cobertura
e calculados ofereceram da audiência lateral ao
resultados bastante pró- altar e para o retorno
ximos. Após a simulação do padre e da equipe de
com a igreja vazia, foram liturgia. Tal disposição
inseridos 2/3 de áreas de não agradou ao pároco
audiência, situação mais por motivos estéticos e
próxima à realidade. A também pela dificulda-
simulação com as cai- de em perfurar o piso
xas antigas foi feita, e o de concreto e granito
resultado foi assustador e passar a tubulação
em termos de inteligibi- pelo teto do subsolo (há
lidade. salas de catequese no
Para o PA principal, foram usadas piso inferior). Ele suge-
A partir de então, co-
duas CBT100LA de cada lado do riu a instalação nas paredes late-
meçou uma série de es- altar, empilhadas verticalmente, com rais, no entanto, era uma opção
tudos sobre posiciona- angulação de 10° uma e relação à outra temida por causa da possibilidade
mentos e tipos de caixas de reflexões indesejáveis.
acústicas. Foi testado
um cluster central suspenso, com caixas full range, mas esse Quem está sentado de um lado extremo da assembleia ouve
tipo de arranjo não seria viável do ponto de vista prático da com atraso considerável o som da caixa do outro lado, afinal, há
instalação. O pé direito do templo mede 15 metros e a laje 40 metros entre uma caixa e outra. A auralização dessa apro-
consiste em uma espessa camada de concreto. Na verdade, ximação foi feita no EASE e confirmou as suspeitas em relação
desde as primeiras análises, um sistema do tipo line array às reflexões. A auralização da disposição proposta inicialmente
compacto já havia sido imaginado como possível solução foi também apresentada aos padres e eles perceberam a dife-
para o problema, pois esses sistemas costumam adequar- rença. Decidiram, então, investir na qualidade do som, mesmo
-se bem a igrejas com características acústicas, estéticas e abrindo um pouco mão da estética. Após ajustes em relação à
musicais similares às do Santuário Dom Bosco. posição indicada, foram estabelecidas as posições definitivas, e
em vez de colocar as duas caixas laterais e as duas de retorno
Pelo fato de quase não projetarem som para cima e nem para em haste adicional, foram colocadas apenas duas, uma atrás
baixo, as ondas sonoras quase não excitam a reverberação. O de cada haste principal, cumprindo estas a função de retorno
som é praticamente todo direcionado à audiência. A diferen- e reforço lateral ao mesmo tempo. Devido à sua cobertura ho-
ça de pressão sonora entre o primeiro e o último ouvinte
também é bem menor do que em sistemas convencionais.

Após simular modelos de alguns fabricantes, o melhor


resultado foi alcançado com a linha CBT (Constant
Beamwidth Technology), da JBL. As caixas dessa linha
mostraram cobertura horizontal bem ampla e constante,
de 150° entre 1 kHz e 4 kHz, pressão sonora acima
da média, resposta de frequência bem desenhada e
timbre agradável. Foram pensadas, para o PA principal,
duas CBT 200LA, uma de cada lado. Essa caixa possui
propagação assimétrica, o que permite maior pressão
sonora para a área mais distante e menor pressão para
a área mais próxima. Porém, soubemos em seguida que
o modelo ainda não estava disponível para o Brasil. Após
alguns testes, a melhor solução foi dispor duas CBT100LA
empilhadas verticalmente, com angulação de 10° uma
em relação à outra, e diminuir a caixa de baixo em 6 dB.

Primeiramente, foi sugerida a colocação de duas hastes


metálicas no piso, uma de cada lado do altar, para afixar
as caixas principais para o público principal. Mais duas O sistema conta com dois subs Attack
hastes menores seriam instaladas mais próximas ao al- VRS1810A dispostos um de cada lado
do altar, próximos às colunas do PA
80 | áudio música e tecnologia
Visão ampla do interior do Santuário:
utilização de hastes metálicas para
afixar as caixas principais não
comprometeu a parte estética

rizontal, as caixas traseiras cumpriram bem o papel de retorno para o altar.


A solução permitiu um índice de inteligibilidade e cobertura bem superior ao
apresentado anteriormente.

Para a via de graves foram especificados dois subs Attack VRS1810A.


Foram dispostos um de cada lado do altar, próximos às colunas do PA. O
corte de frequência em relação às CBTs foi feito em 100 Hz (Butterworth
2ª ordem). O instrumento que mais se valeu do reforço de baixas fre-
quências foi o órgão, e seus pedais revelaram tons que não podiam ser
ouvidos no sistema antigo.

AMPLIFICAÇÃO

Foram especificados amplificadores Crown, da linha XTi. Os amplificadores


da linha possuem limiter e crossover, entre outras funções, e podem ser
configurados por computador, via conexão USB. Os amplificadores foram
especificados para oferecerem o dobro da potência das caixas, aproximada-
mente, permitindo um bom headroom, diminuindo a possibilidade de distor-
ções nas saídas, o que poderia provocar a queima dos alto-falantes.

A MESA DE SOM

Uma premissa básica apresentada foi a de que, no santuário, o sistema seria


operado não por profissionais, mas por pessoas que já faziam parte da organi-
zação das celebrações. Uma mesa de som digital, com possibilidade de grava-
ção de cenas, foi o que me veio à mente desde o começo. Muitos clientes que
não contam com uma equipe profissional para a operação de seus sistemas se
assustam quando lhes é proposta a aquisição de uma mesa digital, mas é que
operar tal dispositivo pode ser bem mais fácil do que controlar uma analógica.
O trabalho mais complexo recai sobre o projetista, e o usuário fica responsável
por tarefas mais básicas, como ligar e desligar canais e controlar volumes.

Dentre as mesas disponíveis no mercado, foi escolhida a Soundcraft Expres-


sion 2. De bom custo-benefício, ela possui 24 entradas para microfone mais

áudio música e tecnologia | 81


Soundcraft Expression 2: console foi
escolhido graças ao seu custo-benefício
e por oferecer uma operação mais
simples do que a das mesas analógicas

além de diminuir a corrente de pico do acionamento. O geren-


ciador oferece proteção contra sobretensão e subtensão, des-
vio de frequência da rede e proteção de temperatura. Permite
também a visualização e edição de vários parâmetros elétri-
cos. O sistema dispõe de ligação a aterramento eficiente e de
circuito elétrico específico, devidamente calculado e dimensio-
nado para atender às mais severas demandas de energia.

ALINHAMENTO
duas em linha estéreo e 16 saídas analógicas. Foram disponi-
bilizados seis mixbusses para monitoração das bandas. Cada O sistema foi alinhado por meio do software Smaart Live.
caixa de retorno/reforço lateral também possui mix indepen- Foram verificadas as funções de transferência de cada via
dente. Os subwoofers receberam endereçamento via matrix, e realizada a otimização das respostas em frequência por
como cópia do Main L e R. Essa configuração preserva o equi- meio dos equalizadores gráficos existentes em cada saída
líbrio de volume entre as vias, especificamente no caso pre- da mesa. Poucos ajustes foram necessários, pois as caixas
sente, em que o operador teria mais trabalho em decidir quais possuem resposta bem equilibrada, sem colorações. A ate-
instrumentos deveriam ser endereçados às caixas de grave, nuação mais radical foi da ordem de 5 dB. A distância entre
caso seu endereçamento fosse diretamente via mix bus. Cada os subwoofers e as caixas full range foi compensada com o
horário de missa, com a equipe de música correspondente, uso de delays. O ajuste dos limiters dos amplificadores foi
recebeu uma cena diferente. Há ainda a intenção de aquisição feito de modo a permitir o máximo de potência com distorção
de um iPad para operação remota da mesa, o que permitirá mínima, e o teste final foi ao som de Tocata e Fuga em Ré
maior flexibilidade de mixagem, já que o console não pôde ser Menor, de Bach. O padre Augusto parecia bem satisfeito com
instalada em local com cobertura ideal. o resultado ao “reger” com empolgação a obra-prima.

MICROFONES, INSTALAÇÃO E AQUISIÇÃO


CABOS E CONECTORES DE EQUIPAMENTOS
Está prevista a compra de microfones AKG Perception 5S para A instalação foi executada por uma companhia que já pres-
os vocais, Audio-Technica AT 2021 para o grupo coral, Sen- tava serviço de cabeamento estruturado e reforma da fiação
nheiser EW 135 G3 Handeheld sem fio para o padre e Audio- elétrica do santuário. A empresa seguiu o projeto executivo
Technica U857QLU para o ambão da leitura. Foram utilizados elaborado por mim como parte do serviço de consultoria.
multicabos Santo Angelo com vias balanceadas e conectores Já a aquisição do material se deu toda na loja Music Mas-
Neutrik. Os cabos das caixas acústicas são do tipo PP (protegi- ter, de Brasília. A loja também prestou apoio fornecendo um
dos) e em seção transversal dimensionada, para permitir baixa
sistema para testes antes da compra do definitivo, que foi
queda de tensão. A tubulação é toda metálica e protegida con-
inaugurado em 13 de outubro de 2013 e entregue definiti-
tra calor e umidade excessivos.
vamente no dia 27 do mesmo mês.

ALIMENTAÇÃO E
PROTEÇÃO
ELÉTRICA

O sistema de áudio do santuário


conta com proteção contra intempé-
ries elétricas por meio do gerencia-
dor de energia Pentacústica PM 2.2
NBR 220V. Ele possui quatro toma-
das com intervalo de acionamento
com tempo ajustável, o que ajuda a
prevenir ruídos nos falantes provo- Amplificadores de potência Crown XTi 4002 e gerenciador
cados por chaveamentos elétricos,
de energia Pentacústica PM 2.2 NBR 220V fazem parte do
“time” de equipamentos do Santuário Dom Bosco
82 | áudio música e tecnologia
Padre Augusto e Alexandre
Guimarães: fiéis expressam
satisfação por agora
conseguirem ouvir tudo
o que é falado e cantado
durante as missas

Lista de Equipamentos –
Santuário Dom Bosco

- Caixas acústicas JBL CBT 100LA (4) e 50LA (2)


- Amplificadores de potência Crown XTi 4002 (2) e
XTi 2002 (1)
- Subwoofers Attack VRS 1810A (2)
- Console Soundcraft Expression 2 (1)
- Gerenciador de energia Pentacústica PM 2.2 NBR
220V (1)
- Direct Boxes Hayonik (5)
- Cabos Santo Angelo e conectores Neutrik

CONCLUSÕES

Apesar da acústica desafiadora do templo, as caixas JBL


CBT, com seu correto posicionamento e alinhamento, ofere-
ceram inteligibilidade e cobertura sonora. A pressão também
surpreende, uma vez que se tratam de caixas compactas.

O sistema apresentou ótima rejeição à realimentação


acústica, permitindo maior flexibilidade no uso de mi-
crofones mais sensíveis e por vozes mais suaves. Por
fim, já houve vários relatos de fiéis que se dirigiram aos
padres expressando satisfação por agora poderem ouvir
tudo o que é falado e cantado. •

áudio música e tecnologia | 83


PRO TOOLS | Daniel Raizer

PARTITURA NO
PRO TOOLS 11
Exatamente para quê?
A DAW que o Mozart usava era ele mesmo. As ferramentas É certo que existem aqueles que dependem de partitura, mas,
que ele tinha à disposição em seu home studio eram seu muito provavelmente, não vão usar o Pro Tools para fazê-las.
próprio computador orgânico craniano (algo próximo de um Certamente é um pessoal acostumado com o programa de
Mac Pro Super Ultra Mega Power Googol Core iX com 512YB edição de partituras mais pirateado da história, o Encore, ro-
de RAM, sendo que 1 Googol = 10100 e 1 YB = YottaByte = dando no Windows 2000 em um PC de monitor amarelado ou
1024 bytes), suas mãos, um piano, papel e caneta (talvez com os modernos Finale e Sibelius. Este último, também da
uma pena afiada de um ganso que provavelmente virou Avid, é considerado por muitos power users de partitura como
travesseiro, ensopado com batatas ou bife de foie gras para sendo o mais amistoso e poderoso de todos, e eu concordo.
algum magnata da corte de Viena), todos juntos numa es-
pécie de MIDI químico. Talvez um Rewire sináptico. Interessantemente, no making of da produção da trilha sonora
de Avatar, que pode ser assistido no canal da Avid no YouTube,
Bobagens à parte, devia ser complicado para os outros mú- os compositores aparecem usando o Sibelius em conjunto com
sicos (de classificação normal) na mesma época produzir e o Pro Tools, mas também usam MIDI, instrumentos virtuais e o
registrar música rabiscando notas no pentagrama, molhando modelo tradicional de composição da época do Mozart: tocando
a pena no nanquim frequentemente para depois ler e trans- piano e escrevendo na pauta. Isso ilustra um fato importan-
dutar (caso exista este verbo) o que antes era informação te: que em determinados casos é necessário fazer a produção
na forma de energia eletromagnética oriunda da reflexão da musical em conjunto com recursos específicos para áudio e
escrita presente no papel na energia mecânica gerada pelas
vídeo (como nesse caso) recorrendo ao poder da tecnologia
mãos pressionando teclas do piano ou percutindo alguma
atual para alcançar resultados sonoros verossímeis através de
corda ou, quem sabe, através da contração dos pulmões,
instrumentos virtuais, pistas de áudio e sincronismo apurado
culminando na promoção do movimento dos fluxos da maté-
de música com imagens em movimento. Isso para produzir,
ria que compõe o ar para, enfim, ter-se música.
ao final, um material que possa ser impresso (ou individualiza-
do em diferentes formatos) para que músicos de carne e osso
Circunlóquios e outras bobagens à parte, é fato que a escri-
possam tocar ao vivo a trilha sonora que irá substituir os ins-
ta musical tradicional foi durante muito tempo o meio mais
trumentos virtuais usados na pré-produção. Neste aspecto, e
moderno de produção musical e a única forma de registro.
entre tantos outros, a integração Sibelius/Pro Tools sai na fren-
Mozart provavelmente fazia isso de forma bem natural e
te de qualquer outra combinação, assim como papel e caneta.
prática: abria um pentagrama com uma armadura de clave
e em alguns instantes surgia uma sequência de preciosida-
Há várias formas de usar o Sibelius em conjunto com o Pro
des musicais. Reza a lenda que ele nem rasurava o papel
Tools. É possível criar a música no Sibelius, depois exportar
– simplesmente ia saindo a música pronta de dentro de
sua cabeça através de sua mão, parte por parte (canal por
canal), mas eu não estava lá para conferir.

Partituras para a maioria de nós, músicos empíricos acostu-


mados com a tecnologia que nos deixa cada dia mais seden-
tários e barrigudos, sempre teve um ar de mistério, com alto
grau de complexidade. Quem aí desse clã que nunca passou
aperto ao contar linhas e espaços para descobrir que um mi
pulava para um sol que atire a primeira pedra! É fato que para
muitos músicos o uso de partitura já não faz parte do métier.
Depois que inventaram o Piano Roll MIDI, tudo ficou mais fá-
cil, principalmente para os não-iniciados em notação musical.
Figura 1 – Uma pista MIDI aberta na
84 | áudio música e tecnologia área MIDI Editor da Edit Window
cada instrumento na é necessário posicionar o cursor no início da sessão e abrir a
forma de pistas MIDI régua Key (Tonalidade). Clique então no ícone “+” para a janela
e, em seguida, impor- Key Change aparecer e escolha outra tonalidade. Para mudar a
tá-las no Pro Tools; é fórmula de compasso, clique sobre ela na partitura e modifique
possível produzir pistas os parâmetros na janela Meter Change que se abre.
MIDI no Pro Tools e ex-
portá-las todas com um Tudo certo. Vou agora popular a partitura com notas, mas
clique para o Sibelius, primeiro clico para definir que tipo de nota vou escrever.
para, depois, adicionar Faço isso do menu flutuante do campo MIDI Note Duration
detalhes intricados na (a nota musical em verde que fica ao lado do nome da pista
Figura 2 – A janela Notation
partitura. Também é e de sua velocidade (MIDI Note Velocity). Neste caso, esco-
Display Track Settings
possível abrir ambos os lho colcheia (1/8 note). Como quero escrever tercinas, clico
aplicativos ao mesmo também na opção Triplet desse mesmo menu. Um peque-
tempo e sincronizá-los via Rewire. Independentemente da no três aparece no canto da nota. No campo Grid, escolho
forma na qual se trabalha, o resultado sempre será uma também o encaixe em tercinas, de modo similar. Seleciono
partitura de alta qualidade e a reprodução sonora desta a ferramenta lápis na própria janela de edição de partitura
também será de alta qualidade. (não no topo do Pro Tools) e começo a escrever notas clican-
do na partitura. É possível mover o cursor para o lado para
Como o Sibelius não é o meu foco, não vou entrar em maiores encaixar as notas em outros tempos, criando pausas, mas
detalhes aqui de como usá-lo, mas para aqueles que não têm
ainda o Sibelius e querem produzir uma partitura simples para
dar para seus alunos de piano, de baixo ou de guitarra na aula
da quarta-feira depois da janta, o Pro tools é um excelente
candidato. Confira, a seguir, algumas orientações.

A primeira coisa a considerar é que, para termos uma par-


titura, precisamos ter informação MIDI no Pro Tools. Uma
pista MIDI, ao menos. Podemos escrever notas diretamente
Figura 4 – Notas
na partitura, em um dos dois modos de visualização. Vou,
então, criar uma pista de instrumento, insertar um plug-in não foi a minha intenção aqui. Para escrever os sustenidos
de piano (Mini Grand) e abrir o editor MIDI da janela Edit. e bemóis é mais fácil clicar e segurar apertado o botão do
mouse e ir arrastando a nota para baixo ou para cima até
A parte de baixo dessa janela da Figura 1 é a MIDI Editor, que achá-la, depois soltar o botão.Na verdade, a maioria vai que-
pode ser acessado no canto inferior esquerdo da Edit Window. rer armar a pista para gravação e tocar em um teclado MIDI,
É nessa que normalmente editamos MIDI desde a versão 8. En- muito mais rápido e prático. Só uma coisa pode impedir o input
tretanto, é possível alternar a visualização da informação MIDI manual de notas, a falta de paciência.
de Piano Roll para notação musical. Para isto, basta clicar no
botão Notation Display Enable, que tem o desenho de duas no- Dica: para apagar notas, segure a tecla Option; o lápis vira
tas musicais (duas semicolcheias) e que fica logo ao lado direito ao contrário para você clicar com a borracha, mas é mais fácil
dos botões Solo e Mute. Perceba também que o Pro Tools por clicar duas vezes na nota para apagá-la.
default criou uma pauta de piano e já colocou as duas claves, a
de fá e a de sol, mas podemos mudar isso Que tal colocar um título, cifras e mais
clicando duas vezes sobre uma das claves detalhes? Vou abrir, então, a janela Sco-
para abrir a janela Notation Display Track re Editor para dar o acabamento. Visito
Settings e mudar o campo Clef para outra o menu Window e escolho a opção Score
opção. Nessa mesma janela flutuante, vou Editor. Ahá! Já temos título! Clico sobre ele
manter a tonalidade em dó, pois o exercício duas vezes, a janela Score Setup abre. No
é em ré dórico. Note que se você mudar campo Title, digito algo melhor que "Title".
o campo Display Transposition você não O meu vai ser “Improviso circular de quar-
estará mudando a tonalidade da sessão, tais em tercas menores”, sem o "ç" mes-
mas sim fazendo uma transposição na tela mo, pois o Pro Tools não permite. Aproveito
apenas, e as armaduras podem não cor- e coloco meu nome no campo Composer
responder à tonalidade que você quer. Se desse lindo exemplo musical contemporâ-
você quiser realmente mudar a tonalidade, neo. É só fechar a janela agora. Clico duas

Figura 3 – A caixa de seleção


86 | áudio música e tecnologia do tipo de nota a ser escrita
Figura 5 – A
partitura já
com cara de
partitura

vezes onde aparece a insrição “Inst 1” e, na janela flutuante, mudo para Pia-
no. Aproveito para clicar o ícone Double Barline no topo da janela, para que
não haja compassos vazios na partitura. Já ficou com uma cara melhor.

Agora, cifra. Clico com o botão direito exatamente onde quero inserir uma cifra
(no primeiro tempo do primeiro compasso) e escolho a opção Insert > Chord
Symbol. A janela Chord Change abre-se. Nesta, escolho, nos campos Chord, o
acorde de ré menor com nona e clico em ok. Agora basta inserir as notas para a
mão esquerda e partir para a impressão indo ao menu File, escolhendo a opção
Print Score e pressionando o botão Print. Alternativamente posso pressionar o
botão PDF para ge-
rar um documento
que pode ser re-
metido por e-mail.
Pronto! Um ma-
terial impresso de
boa qualidade, mas
de conteúdo dúbio.

Felizmente exis-
te o Sibelius para
acomodar a escri-
Figura 6 – A partitura finalizada
ta musical em um
patamar mais elevado e de forma mais fácil, mas se você acabou de ad-
quirir este incrível aplicativo e já tem material MIDI no Pro Tools que você
quer transformar em partitura, use o recurso nativo de exportação para o
Sibelius, conforme os procedimentos a seguir.

A opção Send to Sibelius do menu File abre imediatamente o conteúdo da


janela Score Editor no Sibelius. Para fazer isso, abra a janela Score Editor
e use o comando. Automaticamente, o Pro Tools abre o Sibelius para você.
Atente que é necessário ter ao menos o Sibelius 5. Caso você queira usar
um arquivo de Sibelius em outro computador ou enviá-lo para alguém, abra
a janela Score Editor e use o comando Export to Sibelius do menu File. Este
comando exporta as informações MIDI da janela Score Editor para um arqui-
vo do tipo .sib. Salve-o onde quiser ou mande-o pela internet.

Ah, se o Mozart tivesse o Pro Tools ou o Sibelius para fazer música! Assim
a gente ia poder saber como ele tocava realmente, estudar suas nuances,
contemplar um gênio. Ainda bem que a tecnologia da época dele já estava
avançada a ponto de ter ao menos as ferramentas clássicas que usamos
até hoje: papel e caneta. Bom, pelo menos ainda servem para escrever
aqueles bilhetes amarelos que ficam presos no monitor de vídeo.

Um abraço e até a próxima!

Daniel Raizer é especialista de produtos sênior da quanta Brasil, consultor técnico da


quanta Educacional, músico e autor do livro Como fazer música com o Pro Tools, lançado
pela editora Música & Tecnologia. Mantém o blog pessoal danielraizer.blogspot.com.
áudio música e tecnologia | 87
ÁUDIO E ACÚSTICA | Omid Bürgin

PROJETO DE
ISOLAMENTO

O TRANSMISSION LOSS E A
SOUND TRANSMISSION CLASS

H
oje vamos preparar os dados necessários vamos entender o que estes valores significam. O
para começar o projeto de isolamento! Nos TL é uma maneira de avaliar o quanto cada material
últimos dois artigos, sobre a construção de consegue não transmitir (ou segurar) em bandas de
um estúdio de gravação, abordamos como fazer terças de oitavas, enquanto o STC é um valor unifica-
uma medição de maneira eficiente e econômica. do, procurando uma média destes TLs. É a partir dis-
Vimos que fazer um levantamento inicial é muito so que vamos depois abordar técnicas de isolamen-
importante para limitar os horários da medição e to para você aprender a usar os resultados da sua
assim poder fazê-la de maneira mais inteligente. medição e transformá-los em algo concreto, como
A medição de ruído é uma das coisas mais impor- paredes de isolamento, pisos flutuantes, portas de
tantes e indispensáveis para seu projeto dar certo, isolamento e por aí vai. Vamos lá!
e este conhecimento é extremamente necessário
para entender como funciona a técnica de isola- TRANSMISSION LOSS
mento que irei tratar com vocês neste artigo. A
medição de ruídos fará com que você economize Os valores que obtivemos no artigo passado, que é a
uma boa quantia em dinheiro e evitará que tenha diferença entre a medição de ruído e o NCB, ou PNC,
grandes dores de cabeça, então não deixe de fazer! se for para isolar de fora para dentro, ou o valor entre
uma banda de rock e os valores permitidos pela le-
Neste artigo veremos como transformar os valores gislação, se for para isolar de dentro para fora, agora
obtidos na medição em outros valores em TL (Trans- terão que ser transformados em materiais de cons-
mission Loss) e STC (Sound Transmission Class) e trução. Para isso, introduzimos os valores TLs e STC.

88 | áudio música e tecnologia


O Transmission Loss, ou simplesmente TL, significa “perda de trans-
missão”. E o que é esta perda de transmissão? É bem simples: o
que não foi transmitido, ou seja, o que provavelmente foi absorvido
pelo próprio material ou refletido de volta. Antes de prosseguir,
temos que, então, entender bem quais são os fatores envolvidos
quando o som de fora encontra um obstáculo.

Imagine dois espaços: o espaço de fora seria o do seu vizinho, que


você não quer incomodar, e o de dentro o seu estúdio querido, no
qual você está aplicando suas últimas economias para construir
uma ferramenta de trabalho profissional e eficiente.

O som que encontra a parede fará três movimentos bem distintos:

1. O som reflete de volta ao ambiente de origem (R)


2. O som está sendo absorvido pelo material, sendo que não re-
flete e nem transmite (A)
3. O som que não foi refletido e nem absorvido acaba sendo
transmitido para o outro lado da parede, sendo transmitido (T)

No final, é relativamente simples: o que realmente queremos sa-


ber é quanto som vai passar de fora para dentro, sendo que que-
remos saber o quanto é transmitido, correto? Queremos que não
tenha nenhuma transmissão de som do lado de fora para o estú-
dio, para que assim possamos trabalhar com sossego, sabendo
que nenhum avião ou caminhão que possivelmente irá passar no
lado de fora do estúdio atrapalhará as gravações musicais, ten-

Parede

áudio música e tecnologia | 89


Áudio e Acústica

do os sons captados pelos microfones. Está sendo ness Curves). Ela é bem baixa até 400 Hz, sobe de-
entendido que o contrário se aplica quando você pois para 1.250Hz e, nas frequências agudas, fica pla-
avalia quanto som poderá sair do estúdio. na. Em princípio, terá que cair nas frequências agudas
para ser coerente com a nossa limitação auditiva, mas
A perspectiva da avaliação de materiais é diferente. as frequências agudas são relativamente irrelevantes
Na avaliação de um material de isolamento, não im- nas nossas avaliações por serem facilmente isoláveis
porta quanto ruído vai chegar ao estúdio, mas quanto (se tratam de frequências altas). Sabemos, do artigo
ruído o material deixou de transmitir. Ou seja, segurou passado, que quanto maior a frequência, menor a sua
ou refletiu de volta. Sendo que o material se importa onda, sendo assim mais fácil para isolar.
com a soma de R+A, ou seja, o quanto foi refletido e
absorvido pelo material. Em outras palavras, o quanto Passo 2: Agora você precisa plotar a sua medição
foi deixado de transmitir, que é o som incidente (I) em um gráfico com a mesma proporção e sobrepor a
menos o que foi transmitido (T), ou seja I-T, que é o curva STC por cima dos resultado (usamos uma folha
mesmo valor que o R+A acima. Ficou claro? transparente para isso).

Em outras palavras, a nossa preocupação é quanto Passo 3: Fixe a curva o mais baixo possível, sem-
efetivamente entra no estúdio, mas para chegar nis- pre alinhando as oitavas, e suba lentamente, até
so, teremos que nos preocupar com quanto o material que a relação das medições à curva STC atinja
deixa de transmitir, que é o famoso Transmission Loss. um destes dois critérios:

SOUND TRANSMISSION CLASS A) Nenhum valor da sua medição em TLs poderá

Como você pode ver nos dois exemplos a seguir (pa-


rede de gesso e parede de concreto), teremos uma
boa ideia de como o material isola em cada 1/3 de
oitavas através do espectro sonoro. Por que, então,
introduzir um outro valor, o STC?

O STC é uma maneira de expressar todos os TLs de


todas as 1/3 oitavas em um único valor. Os projetis-
tas de engenheira civil ou arquitetura têm a mania de
querer trabalhar com valores simples para facilitar o
seu trabalho. Efetivamente, ajuda a fazer o projeto,
pensando na quantidade de materiais necessários
em um projeto de isolamento. Não tem paredes de
concreto, mas terá paredes de gesso, pisos de flu-
tuação, janelas, portas e muitos outros materiais a
serem considerados. Um valor único claramente nos
ajuda com muitos cálculos que temos que fazer. Mas
o que é este valor único? É uma média?

Para explicar adequadamente como o valor STC é


construído, precisaríamos de um espaço que não tere-
mos neste artigo, mas vou dar uma introdução geral,
que lhe ajudará a entender os problemas depois.

São três passos:

Passo 1: Primeiro, está sendo introduzida uma curva


de ponderação – a Curva STC –, parecida a PNC do
artigo passado, mas desta vez invertida – as frequên-
cias graves estão com uma tolerância maior, referente
à perda de transmissão, por não serem ouvidas tão
bem pelo nosso ouvido (veja o artigo passado, Loud-

90 | áudio música e tecnologia


áudio música e tecnologia | 91
Áudio e Acústica

TL-STC

PAREDE DE CONCRETO

STC TLs: Transmission Loss em Herz


100 125 160 200 250 300 400 500 630
58
43 43 44 45 48 50 53 55 56

800 1000 1250 1600 2000 2500 3150 4000


56 58 60 62 63 66 66 67

PAREDE DE GESSO

STC TLs: Transmission Loss em Herz


100 125 160 200 250 300 400 500 630
58
28 38 44 47 52 55 58 59 59

800 1000 1250 1600 2000 2500 3150 4000


60 60 62 61 56 53 58 62

ultrapassar 8 dB. Este valor se torna importan- como muitos projetistas acreditam erroneamente,
te, pois os materiais muitas vezes podem ter uma mas uma construção relativamente complexa, po-
ressonância em certas frequências, deixando pas- rém baseada em um roteiro bastante simples. Ob-
sar exatamente esta frequência; serve que é impossível fazer o contrário, deduzir
os valores TLs do valor único STC.
B) A soma de todos os valores em TL que estão
acima da curva STC não poderão ultrapassar o O problema é que quase todos os materiais têm um
valor de 32 dB. valor STC facilmente acessível na internet, mas ra-
ramente você acha todos os valores de TL. Sendo
Assim que um destes dois critérios for atingido, você assim, fica um pouco complicado saber se o valor
pode parar de subir com a sua curva STC, que está STC vai efetivamente servir ao seu projeto e por
na folha transparente. Uma vez fixado, você pode isso vamos elaborar um outro método no artigo que
fazer a leitura em 500 Hz e terá o seu valor STC. vem, usando conceitos em vez de cálculos para che-
garmos a um projeto de isolamento eficiente.
Não se preocupe em fazer isso, porque você acha
os valores de STC facilmente na internet. Mostrei Vamos agora ver isso na real, comparando dois
estes passos para você entender a relação entre materiais relativamente diferentes, com TLs bem
os valores TL e STC. O que você pode observar é diferentes, mas com mesmo STC. Vamos compa-
que o valor STC não é a leitura do TL em 500 Hz, rar uma parede de blocos de concreto de 20 cm,

92 | áudio música e tecnologia


enchidos de concreto e rebocado nos dois lados de são exatamente as frequências que mais precisem
uns 2 cm de reboco, com uma parede de gesso, ser isoladas! E tem mais: se você consegue isolar as
consistindo de duas placas de gesso, uma camada frequências graves, todas as frequências acima dis-
de 7,5 cm de lã de rocha (32 kg/m3) e uma outra so serão isoladas! Uma parede de concreto é muito
camada de duas placas de gesso. mais barata no Brasil e acaba isolando muito melhor
as frequências graves. Consequentemente, oferece
Os dois materiais estão com valor STC de 58, mas uma relação custo-benefício muito melhor! Não se
terão o mesmo efeito no nosso projeto de isolamen- deixe levar apenas pelo valor STC!
to? Comparando os dois valores, fica evidente que
a parede de gesso isola muito menos frequências No próximo artigo juntaremos as informações das
graves do que a parede de concreto! medições com o que aprendemos agora com os
TLs e STCs e veremos como transformar isso em
A parede de gesso segurou 28 dB em 100 Hz e 28 dB materiais corretos, facilmente encontrados em
em 125 Hz, enquanto a parede de concreto segurou uma loja de construção. Usaremos conceitos bá-
43 dB em ambas as frequências (parte em amare- sicos, que foram elaborados após anos de prática
lo na tabela). É uma diferencia enorme! Isso não em construção de estúdios de gravação no Brasil e
significa que o STC é inutilizável, mas mostra que através do ensino de acústica na nossa Academia.
teremos que usá-lo com muita cautela. O STC re- São cinco conceitos básicos que explicarei na pró-
presenta muito inadequadamente os valores de TLs, xima edição e que salvarão sua vida em qualquer
e distorce o resultado nas frequências graves, que projeto de isolamento acústico. Até lá!

Omid Bürgin é compositor, projetista acústico e produtor musical. Fundou a Academia de Áudio (www.academiadeaudio.com.br),
que oferece cursos de áudio, produção, composição e music business e dispõe de estúdios para gravação, mixagem e masterização.
E-mail: omid@omid.com.br.

áudio música e tecnologia | 93


SONAR | Luciano Alves

O PIANO ROLL
DO SONAR X2 (Parte 2)
No último número iniciei o detalhamento do Piano estejam sendo mostrados simultaneamente. O ca-
Roll do Sonar X2 apresentando seus recursos pri- deado serve para bloquear a edição de uma deter-
mordiais. A partir desta edição, vamos nos apro- minada pista do Piano Roll. Este recurso é primor-
fundar em todos os itens disponíveis no Menu que dial para que você não edite alguma informação de
apresenta as abas View, Notes, Controllers e Tra- uma pista por engano.
cks. Por enquanto, estudaremos os itens disponí-
veis na janela View. Teste cada item aqui descrito View/SHow-HiDe ContRoLLeR PAne
para que você possa utilizar todos os recursos (visualização/mostrar-esconder área dos controles)
quando precisar.
O Sonar mostra os controles de MIDI
de duas formas: por cima das respec-
tivas notas ou em uma área separada
abaixo das mesmas. Visualizar os con-
troles (velocity, pedal de sustain, ben-
dings, modulations) por cima das notas
não é a melhor opção, pois dificulta a
localização e a edição das mesmas.

Portanto, é preferível dispor os con-


troles fora da área das notas (barras
do Piano Roll). Para que os contro-
les fiquem separados das notas, cli-
que no Menu/View e marque o item
Show-Hide Controller Pane. Este
item, quando desmarcado, faz com
que o Controller Pane fique escondi-
do e, consequentemente, os contro-
Os itens da janela View do Piano Roll les são mostrados por cima das no-
tas, dificultando a visualização das mesmas.
View/SHow-HiDe tRACK PAne
(visualização/mostrar-esconder a área das pistas) View/SHow-HiDe DRUM PAne
(mostrar-esconder área da bateria)
Descrevi rapidamente a aplicação deste recurso no
último número. Agora vamos aos detalhes. O Show- O Piano Roll mostra as notas correspondentes ao se-
quenciamento da bateria em uma área isolada (par-
-Hide Track Pane do Piano Roll força a visualização
te de cima) quando este item é habilitado.
de alguns recursos encontrados também na área das
pistas do Sonar: M (mutar), S (solar), R (botão ver-
Quando sequenciamos uma bateria fora do pa-
melho para armar o sequenciamento).
drão MIDI File, as barras são mostradas como no-
tas comuns de MIDI. Contudo, se sequenciarmos
Ao habilitar este item, aparecerá uma coluna à di- uma bateria no canal de MIDI 10 (padrão MIDI
reita do Piano Roll. Além dos botões M, S e R, são File), automaticamente as peças executadas são
disponibilizados mais dois ícones. O que contém mostradas através de pequenos losangos e, do
duas pequenas colcheias é usado para esconder lado esquerdo do Piano Roll, passa a aparecer os
uma pista de uma lista de vários instrumentos que nomes das peças, em vez de um teclado.

94 | áudio música e tecnologia


áudio música e tecnologia | 95
sonar

do mouse. Para evitar este


trabalho, utiliza-se o Fit MIDI
Content, que mostra o conte-
údo de aproximadamente dez
oitavas. As barras ficam muito
pequenas para serem edita-
das, mas, por outro lado, te-
mos uma visão geral de todo
o conteúdo de MIDI que está
ocorrendo em um trecho da
música. Este tipo de visuali-
zação é providencial também
para localizarmos rapidamen-
te algumas notas da bateria
MIDI que ficam fora do campo
Drum Pane do Sonar X2 exibindo losangos
de duas oitavas.
relativos às peças da bateria sequenciada

A visualização de uma área específica para bate- Na próxima coluna continuarei detalhando o Piano

ria, através do comando Show-Hide Drum Pane, Roll do Sonar X2.


torna-se desnecessária, já que, ao sequenciarmos
uma bateria em um track, podemos visualizá- Boas gravações e sequenciamentos.
-la no Piano Roll, como fazemos com
qualquer outro instrumento. Veja, na
imagem, uma bateria sequenciada em
uma pista de MIDI e aberta posterior-
mente no Piano Roll. Observe que à es-
querda são mostradas as respectivas
peças e abaixo dos losangos aparecem
os respectivos velocities (dinâmicas).

View/Fit MIDI Content


(encaixar o conteúdo de MIDI)

Utilizado para visualizar todas as notas


de MIDI no sentido vertical sem a ne-
cessidade de usar o scroll bar. Em um
sequenciamento de piano, por exem-
plo, as barras correspondentes às notas
ocupam, comumente, várias oitavas, e
isto significa que algumas ficam fora do
campo visual do Piano Roll (quando re-
duzido a duas oitavas). Para visualizar Todo o conteúdo de diversas
mais notas no sentido vertical temos oitavas encaixado no Piano Roll
que usar o scroll bar ou a roda central através do Fit Content

Luciano Alves é tecladista, compositor e autor do livro Fazendo Música no Computador. Fundou, em 2003, a escola de música e
tecnologia CTMLA – Centro de Tecnologia Musical Luciano Alves (www.ctmla.com.br), que dispõe de seis salas de aula e um estúdio.

96 | áudio música e tecnologia


INDÍCE DE ANUNCIANTES

Produto/Empresa Pág Telefone Home-page/e-mail


AES Brasil 49 aesbrasilexpo.com.br
Arena 79 71 3346-1717 arenaaudio.com.br
Attack 25 43 2102-0100 attack.com.br
Audix (Gobos) 35 11 4368-8291 gobos.com.br
AVID 15 avid.com/br/s6
B&C Speakers 37 11 3348-1632 bcspeakers.com
Behringer (ProShows) 5 11 3527-6900 proshows.com.br
CDAudio 83 11 3887-6596 cdaudio.com.br
CTMLA 91 21 2226-1033 www.ctmla.com.br
d&B Audiotechnik 17 11 3333-3174 decomac.com.br
D.A.S (Decomac) 01 11 3333-3174 decomac.com.br
DR Áudio 29 21 3745-3843 draudio.com.br
DTS (HPL) 69 11 2088-9919 hpl.com.br
Eurosound 47 45 3526-2142 eurosound.com.br
Gigplace 87 gigplace.com.br
Gobos 67 11 4368-8291 gobos.com.br
IATEC 73 21 2493-9628 iatec.com.br
IGAP 79 51 3029-4427 igaprs.com.br
JM Lighting 47 11 2983-6357 jmlighting.com.br
João Américo 87 71 3394-1510 joao-americo.com.br
Kadosh 12/13/19/31/3ª capa 21 2111-3119 kadoshmusic.com.br
K-array (Gobos) 41 11 4368-8291 gobos.com.br
Lab Gruppen (Decomac) 33 11 3333-3174 decomac.com.br
Luz e Led 89 18 4141-4400 luzeled.com.br/cursos
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Norton (Vitória Som) 45 11 2014-7300 www.vitoriasom.com.br
Omid Academia de Áudio 81 11 3814-1571 academiadeaudio.com.br
Penn Elcom 23 11 5678-2000 penn-elcom.com.br
Philips (Eletro Terrível) 63 11 3959-6855 www.eletroterrivel.com.br
Power Click 43 21 2722 7908 powerclick.com.br
PR (Pro Shows) 53 11 3527-6900 proshows.com.br
Prisma Áudio 85 11 3711-2408 www.prismaproaudio.com.br
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quanta Live 7 11 3061-0404 quanta.com.br/live
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Shure (Pride) 4ª capa 11 2975-2711 shure.com.br
Soundcraft (Harman) 3 51 3479-4000 soundcraftaudio.com.br
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Vibrasom 27 11 4393-7900 vibrasom.ind.br
Waldman (Equipo) 21 11 2199-2999 waldman-music.com
Yamaha 9 yamaha.com.br

áudio música e tecnologia | 97


lugar da verdade | Enrico De Paoli

Monitores de Estúdio
Eles não são um enfeite
A revolução digital é um barato. De repente, todo mundo pode caso, o som deste monitor de áudio. Vamos exagerar no exemplo
tudo. E não estou sendo debochado! De repente todo mundo pra ele fazer mais sentido: se você colocar seu ouvido a 5 cm do
pode mesmo tudo. Muitas pessoas viram analistas políticos. Mui- woofer, você ouvirá graves predominando. Se encostar o ouvido
tas viram top models. Esta revolução também ajudou na forma- no tweeter, ouvirá agudos. Um espaço é necessário para os sons
ção de vários gourmets e baristas! E muitos viraram produtores dos dois falantes se somarem e então virarem um timbre só. Ok,
fonográficos e engenheiros de música. E novamente enfatizo: mas vale lembrar que uma caixa de som emite sons pelos dois fa-
não estou sendo irônico. A facilidade com os computadores e lantes e pelo corpo todo da caixa. A disposição destes falantes no
a internet, sem sombra de dúvidas, ajudou a muitos desenvol- espaço da frente da caixa faz com que aquele conjunto se torne
verem suas paixões. E, pra mim, isso é a base de tudo: sem apenas um corpo gerador de som. E para o nosso ouvido entender
paixão, não fazemos nada. Ao menos nada que valha a pena. aqui como apenas um elemento, é necessário um espaço.

Ok… tendo dito isso, tenho visto nas redes sociais uma vasta - Duas caixas de som idênticas soam completamente diferentes
coleção de fotos bacanérrimas de engenheiros de música com- quando dentro de espaços acústicos diferentes. Mas não precisa-
partilhando suas paixões. Seus estúdios. Suas conquistas em mos ir tão longe. Apesar de existir a prática de se usar monitores
adquirir equipamentos. Seus santuários. Muita coisa legal mes- de estúdio deitados, normalmente eles soam melhor em pé. E o
mo. E, no meio delas, uma quantidade assustadora de fotos que motivo é simples: normalmente estes monitores pequenos têm
mostram caixas de som colocadas onde deu pra colocar. Onde um woofer e um tweeter, e o som é dividido em duas faixas de
sobrou. Onde coube. Onde… onde não atrapalha! Bem, vamos frequências e endereçados para o faltante certo para ser repro-
direto ao ponto: monitores de áudio são possivelmente as peças duzido. Com as caixas deitadas, ouvimos os agudos ligeiramente
mais importantes do estúdio inteiro. Eles definitivamente não depois dos graves, pois os tweeter ficam mais longe de nós do
podem ficar onde sobrou, e sim serem posicionados na área vip que os woofers. Parece pouco, mas este atraso pode causar um
do estúdio, num lugar pensado pra eles. Aliás, não apenas isso. probleminha de fase justamente na região onde existe o encontro
(crossover) dos dois falantes. E esta região calha de ser bem onde
Vejo fotos de estúdios com milhares de dólares investidos em fica a voz do cantor. Ou seja, caixas em pé normalmente te darão
um computador, preamps, microfones, mas com caixas de som uma sonoridade mais bonita na região média do som.
nitidamente escolhidas com menos cuidado do que o resto do
sistema. Não estou falando de preço, pois nem sempre o que é - Ainda continuando o tópico acima, uma pequena reflexão
mais caro é melhor. E, além disso, como áudio e a música são ar- numa parede pode soar desastrosa para o engenheiro, e o moti-
tes invisíveis, é inquestionável que o que é um bom som pra uma vo também é simples: pense nos seus monitores posicionados,
pessoa pode não ser para outra. Bem, se isso se aplica a objetos porém, ao lado de um deles, há uma parede. O som sai dele,
físicos, imagina em relação a sons e timbres! Sendo assim, os bate nessa parede e é imediatamente refletido para os seus
monitores de estúdio devem ser escolhidos com cuidado, respei- ouvidos. Mas este som refletido viajou um pouquinho mais do
tando definitivamente os seus ouvidos, e não serem comprados que o som direto para chegar também aos seus ouvidos. Como
com o dinheiro que sobrou e colocados no lugar que deu. o som viaja sempre na mesma velocidade, este som refletido
chega aos seus ouvidos com um microatraso. Não o suficiente
Não vou entrar em méritos de marcas e modelos, mas podemos para você o identificar como um eco, mas o suficiente para se
falar de algo mais simples, mas que pode mudar o som do seu somar no som direto e, em várias frequências, esta soma estar
estúdio para um nível consideravelmente superior, e gastando fora de fase. Pronto. Você conseguiu destruir o som da sua cai-
pouco, ou nada: onde colocar as caixas? Vejo caixas colocadas xa de som com o famoso “comb filter”. Mas e a solução? Tirar
em prateleiras elevadíssimas, com o som delas passando muito a parede? Bem, normalmente isso não é possível num home
acima dos ouvidos do engenheiro, ou ali na mesa, logo ao lado studio. Então, sente-se na sua posição de mixagem, e com a
do computador, pertíssimo dos ouvidos. Eu vejo de tudo, mas ajuda de alguém, coloque um pequeno espelho na parede até
estes dois cenários são, digamos, os mais comuns. Vamos levar você ver de rabo de olho a sua caixa de som no espelho. Ok,
em consideração alguns fatores: naquele lugar você pode pendurar um difusor acústico, ou sim-
ples espumas que absorvam o som. Problema resolvido.
- Qualquer gerador de som, seja um instrumento ou uma caixa
de som, precisa de um espaço até que todos os timbres gerados Depois de tudo isso feito, ouça alguns discos e veja a diferença. E,
por aquele corpo físico se torne o som do instrumento. Ou, neste então, poste novas fotos nas redes sociais. Bons sons para todos!

Enrico De Paoli é um engenheiro multi-Grammy. Produz, mixa e masteriza em seu In-


crível Mundo Studio ou por aí! Créditos vão de Ray Charles a Djavan. Conheça também
seus treinamentos Mix Secrets. Site: www.EnricoDePaoli.com
áudio música e tecnologia | 99
100 | áudio música e tecnologia

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