Você está na página 1de 20

CP. AUT. PROJ.

PROJETOS INDUSTRIAIS
TREINAMENTO E CONSULTORIA TÉCNICA

Volume 7 Elaboração: Proj. Carlos Paladini


Rua Artur Moreira, 197 – Jd. Marek - Santo André – SP - CEP: 09111-380
Fone: (0xx11)4458-5426 - Cel: (0xx11)9135-2562 - E-mail: cpautproj@uol.com.br
Índice Vol. 7:

• Engrenagens......................................................pág. 1
• CRITÉRIO DE PRESSÃO
• CRITÉRIO DE FLEXÃO
• CRITÉRIO DE PRESSÃO

ƒ MANCAIS DE DESLIZAMENTO.................................pág. 3
• Radiais
• Axiais
• Mistos
• MATERIAIS EMPREGADOS NA CONFECÇÃO DAS
BUCHAS............................................................pág. 4
• MANCAIS DE PTFE.............................................pág. 5
• TIPOS DE ROLAMENTOS....................................pág. 5
• Cargas..............................................................pág. 7

ƒ DIMENSÃO DE ROLAMENTO SOLICITADO


ESTATICAMENTE..................................................pág. 7

ƒ CÁLCULO DO ROLAMENTO....................................pág. 8

ƒ DIMENSIONAMENTO DE MÁQUINAS DE
LEVANTAMENTO...................................................pág. 11
• Verificação dos Grupos Mecânicos
• Classe de funcionamento
• Estado de solicitação
• Exercícios
• Mecanismos de levantamento.............................pág. 14

ƒ CABOS DE AÇO.....................................................pág. 15
• Propriedades dos cabos de aço
• Resistência à abrasão
• Posicionamento dos fios
• TIPOS DE ROLAMENTOS....................................pág. 17
• Cabos pré-formados
• Cabos anti-giratórios
• DIMENSIONAMENTO DO CABO DE AÇO..............pág. 18
Engrenagens

Sendo que: σ max ≤ σ adm


Onde:
PU = esforço tangencial (kg)
q = fator de forma
b = largura do pinhão (cm) Mn
mn = módulo normal (cm) ms =
e = fator de carga cos β o
ϕr = fator de correção da hélice
Ms = Módulo frontal ou módulo transversal
Nestes casos para a determinação do fator de forma
(q), utilizam-se os mesmos valores das engrenagens
N
cilíndricas de dentes retos, entretento, deve-se dp = 288 3
tomar como número de dentes o valor de: n
Z dp = µ primitivo mm
Zn =
cos 3 β o 288 = constante
N = potência cv
n = rpm
Onde:
Z = número de dentes
βo = ângulo de hélice
Zn = número de dentes tomados na normal
O fator (ϕr) é dado em função de β o através da
seguinte tabela:
ϕp 1,0 1,20 1,28 1,33 1,35 1,36 1,36 1,36 1,36 1,36
βo 0º 5º 10º 15º 20º 25º 30º 35º 40º 45º

CRITÉRIO DE PRESSÃO:
dp =rpm Z . ms
Mt i ±1
bdp21 = 2 . f 2 . 1
.
p 2
.ϕ p i (cm3) 71620 . N
ϕ
1(2) adm MT =
n
Onde:
b = largura do pinhão (cm)
dp 1 = diâmetro primitivo do pinhão (cm) MT = momento torçor kgf. Cm
ƒ = fator que envolve características elásticas do par N = potência cv
N = potência em (cm) N = rpm
I = relação de multiplicação
P1 (2) = pressão admissível de contato (kg /cm2) MT
pU =
ϕp = fator de correção de hélice RP
n1 = rotação pinhão (r.p.m.)
PU = força tang kgf
O fator (ϕp) é dado em função de β o através
RP = raio primitivo
da seguinte tabela:
ϕp 1,0 1,11 1,22 1,31 1,40 1,47 1,54 1,60 1,66 1,71
βo 0º 5º 10º 15º 20º 25º 30º 35º 40º 45º

Nestes casos também a pressão admissível de MT i +1


contato (Padm) deverá ser estabelecida em b = 2 f2 . 2
. [cm]
Padm . ϕ p i
função das caraterísticas do material e de vida
2
expressa em horas. dp

V7 - 1
Aplicação:
Dimensionar a ECDH para as seguintes condições:
Flexão e desgaste:
Dados: N = 10 cv Z = 19 material SAE 1045 beneficiado
n = 900 rpm βo = 20º uso 9 horas diária
i = 2,7 ϕo = 20º utilização e incidência de carga máxima.

Critério de Flexão ou Resistência

Z 19 19
Zn = ∴ Zn = ∴ Zn = ∴ Zn = 22,89 ∴ Zn = 23 dentes
cos . β O
3 3
cos 20º 0,8297

N 10
dp = 288 3 ∴ dp = 288 3 ∴ dp = 64,26 mm
n 900

64,26
dp = Z . ms ∴ = ms ∴ ms = 3,38
19

mn mn
ms = ∴ 3,38 = ∴ mn = 3,17 ∴ Mn = 3,25 nomalizado
cos β cos 20º

mn 3,25
Recálculo de ms e dp ∴ ms = ∴ ms = ∴ ms = 3,45 ∴
cosβ cos20º
dp = Z . ms ∴ dp = 19 . 3,45 ∴ dp = 65,55 mm

71620 . N 71620 . 10
MomentoTor çor = MT = ∴ MT = ∴ MT = 795,77 kgf . cm
n 900
MT dp 795,77 6,555
PU = ∴ RP = [cm] PU = ∴ RP = ∴ RP = 3,2775 cm
RP 2 3,1775 2

PU = 242,79786 kg

PU . q 242,797 . 3,2 23
b= b= σfadm = = 15,33 kgf / mm 2
σ fadm . mn . e . ϕ R mm 15,33 . 3,25 . 0,8 . 1,35 1,5

9 horas uso
b = 14,43 mm a Flexão.

CRITÉRIO DE PRESSÃO OU DESGASTE:

A expressão a seguir serve para levantar o valor da pressão.

MT i + 1 [ kgf / cm2 ]
Padm = 2 . f2 . 2
.
b . dp , ϕ p i
795,77 2,7 + 1
Padm = 2 . 1512 2 . 2
.
1.443 . 6,555 . 1,40 2,7
Padm = 4572288 . 9,16743 . 1,3703704

Padm = 7578,9593 kgf/ cm2

V7 - 2
Determinação da vida em horas:

49 . HB
Padm = ∴ HB = 185 kgf/ mm 2
w 16
49 . 185 49 . 185
7578,95 = ∴ w 16 = w 16 = 1,1960745
w 6
1 7578,95

w = 1,1960745 6 ∴ W = 2,9278
h = 54,219
w . 10 6 2,9278 . 10 6
tendo : h = ∴h= ∴ muito curta
60 . n 60 . 900

Para 2 anos de uso que dureza deverá ter 6570 horas de uso :

60 . n . h 60 . 900 . 6570 W = 354,78


N= 6
∴ w=
10 10 6

w 16 = 6
w ∴ w 16 = 6
354,78 ∴ W 1/6 = 2,66

Padm . w 16 7578,95 . 2,66


HB = ∴ HB = HB = 411,42 kgf/ mm 2
49 49

OBS.: O material deverá ser tratado termicamente pelo processo de tempera por
chama ou por indução.
HB ≅ 411,42 kgf /mm2 que eqüivale a 44 HRC.

MANCAIS DE DESLIZAMENTO DE ROLAMENTO


Mancais:
São elementos de máquinas que têm por finalidade suportar eixos, possibilitando
movimento relativo de rotação, destes, em relação às peças que os envolvem.
Na maioria dos casos os eixos são rotativos e os suportes ( estrutura, caixa) são fixos.
As forças agindo sobre os eixos, através de elementos neles fixados, como polias,
engrenagens, volantes, rotores, etc. , se escorregam para o suporte fixo através dos
mancais.

V7 - 3
Dependendo do tipo esforços aplicados os mancais são:
RADIAIS: Forças preferencialmente radiais.

FR >>>Fa

AXIAIS: Forças preferencialmente axiais. FA >>>FR

MISTOS: Forças igualmente radiais e axiais. FR ≅ FA

Basicamente os mancais podem ser:


¾ de escorregamento (deslizamento)
¾ de rolamento

MANCAIS DE DESLIZAMENTO
São do tipo:

Os mancais de deslizamento poderão apresentar três tipos de atrito:-


a – Atrito seco - contato peça-peça, não há qualquer tipo de lubrificante; - Ex.: em
gravadores.
b – Atrito semi - fluido - contato peça-peça com uma película de lubrificante; - Ex.:
eixos em geral
c- Atrito fluido - fluido - a película de lubrificante é suficientemente espessa a ponto de
evitar 0
Uma das situações acima deve ser escolhida, de acordo com a situação do projeto.

MATERIAIS EMPREGADOS NA CONFECÇÃO DAS BUCHAS:

Bronze:

¾ Liga cobre - estanho 85 – 5 chumbo 9 zinco.


Contendo 83,0 a 86,0% de cobre, 4,0 a 6,0% de estanho, 2,0% máximo de zinco e 8,0
a 10,0% de chumbo;- empregada em buchas pequenas e mancais.
¾ Liga cobre - estanho 80 – 10 chumbo 10 – contendo 78,0 a 82,0% de chumbo, 9,0
a 11,0% de estanho, 1,0% de zinco máximo e 8,0 a 11% de chumbo;- empregada
em mancais para altas velocidades e grandes pressões e em mancais para
laminadores.

V7 - 4
¾ Liga cobre - estanho 78 –7 chumbo15 – contendo 75,0 a 80,0% de cobre, 2,0 a
8,0% de estanho, 1,0% máximo de zinco e 13,0 a 16,0% de chumbo;- empregada
para pressões médias, em mancais para automóveis.
¾ Liga cobre - estanho 70 –5 chumbo 25 – contendo 68,0 a 73,0% de cobre, 4,0 a
6,0 de estanho, 1,0% máximo de zinco e 22,0 a 25,0% de chumbo;- empregada
em mancais para altas velocidades e pressões baixas.
¾ O limite de resistência à tração dessas ligas para mancais varia de 10,0 kgf/ mm2,
para as que contém maior teor de chumbo, a 18,0 kgf/ mm2.
¾ Adiciona-se chumbo para melhorar as propriedades lubrificantes ou de antifricção
das ligas, além da usinabilidade. O zinco é igualmente eventualmente adicionado,
atuando como desoxidante em peças fundidas e para melhorar a resistência
mecânica.
¾ Também podemos fabricar mancais de : ligas de alumínio, ferro fundido, ligas de
zinco, ligas de magnésio, madeira, borracha, vidro, material porcelanizado,
carbetos duros, buchas grafitadas (até 300ºC) .
¾ Podemos também, fabricar mancais com PTFE.

MANCAIS DE PTFE (Politetrafluoretileno)

É uma resina com alta resistência química, excelente estabilidade em temperaturas


elevadas, ótima isolação elétrica, alta estabilidade à intempéries, baixo coeficiente de
atrito e ante - aderência total.
Outras características do PTFE sçai: auto-lubrificante, não absorve água, não queima,
não solta fumaça, propriedade dielétrica excelente, permite congelamento, possibilita
esterilização. Nada adere ao PTFE.
Para construção mecânica, também temos PTFE puro com: fibra de vidro; bronze;
grafite; carvão; dissulfeto de molibdênio. Estes compostos aumentarão a rigidez, a
condutibilidade térmica, a dureza e a estabilidade dimensional.

Os mancais de deslizamento são utilizados em locais onde se necessita :


¾ Ausência de ruídos;
¾ Baixa vibração;
¾ Ausência de lubrificantes (Buchas de PTFE);
¾ Baixo custo;
¾ Facilidade de montagem e desmontagem;
¾ Pode ser feito na própria industria.

MANCAIS DE ROLAMENTO

Os rolamentos consistem em dois aros ou anéis concêntricos, um dos quais vai na


sede do suporte e o outro cravado no eixo; entre os dois aros vão esferas ou roletas
que eliminam o atrito por deslizamento para convertê-lo em uma rotação. Para
conseguir os elementos rolantes guardem as devidas distâncias entre si, os
rolamentos têm também uma peça chamada armadura, porta-esferas ou porta-roletes.

TIPOS DE ROLAMENTOS:

a- rígido de uma fileira de esferas


b- auto-compensador de esferas
c- de contato angular
d,e- rígido de rolos cilíndricos
f- de agulhas
g- auto-compensador de rolos
h- de rolos cônicos
i- axial de esferas
j- axial de esferas combinado
k- axial de esferas auto-compensador
l- de rolos cônicos
m- de duas carreiras de rolos.

V7 - 5
Cada tipo de rolamento tem propriedades características que o tornam particularmente
apropriado para certas aplicações. Entretanto, não é possível estabelecer regras
rígidas para a seleção do tipo de rolamento, já que para isso tem que ser considerados
diversos fatores.
As recomendações que são dadas a seguir, servirão para indicar, em uma
determinada aplicação, os detalhes de maior importância para efetuar a seleção do
tipo de rolamento mais adequado.

Espaço disponível

Na maioria dos casos, pelo menos uma das dimensões principais do rolamento,
geralmente o diâmetro do furo, é determinada pelas características do projeto da
própria máquina.
Normalmente são selecionados rolamentos rígidos de esferas para eixos pequenos
diâmetro, enquanto que para eixos de grandes diâmetros podem ser escolhidos os
rolamentos rígidos de esferas, os de rolos cilíndricos ou os auto-compensadores de
rolos.
Quando o espaço radial é limitado, deverão ser selecionados rolamentos de pequena
seção, por exemplo gaiolas de agulhas, rolamento de agulhas com ou sem anel
interno, certas séries de rolamentos auto-compensadores de rolos.
Quando o espaço axial é limitado e são necessários rolamentos particularmente
estreitos, para cargas radiais ou combinadas, podem ser utilizadas algumas séries de
rolamentos de uma carreira de rolos cilíndricos ou rígidos de esferas e, para cargas
axiais, gaiolas axiais de agulhas e algumas séries de rolamentos axiais de esferas.

V7 - 6
Cargas

Este é o fator que geralmente determina o tamanho do rolamento a ser usado. Em


geral, considerando as mesmas dimensões principais, os rolamentos de rolos podem
suportar maiores cargas que os rolamentos de esferas. Estes últimos são utilizados
principalmente para suportar cargas pequenas e médias, enquanto que os rolamentos
de rolos são em muitas ocasiões, a única escolha possível para cargas pesadas e
eixos de grandes diâmetros.

DIREÇÃO DA CARGA

Carga radial

Os rolamentos de rolos cilíndricos com anel sem flanges ( tipo NU e N ) e os


rolamentos de agulhas ( exceto os rolamentos combinados de agulhas e esferas e os
combinados agulhas / axiais), podem suportar somente cargas radiais. Todos os
demais tipos de rolamentos radiais podem suportar cargas tanto radiais como axiais.

Carga Axial

Os rolamentos axiais de esferas podem suportar somente cargas puramente axiais


leves ou moderadas.
Os rolamentos axiais de esferas de escora simples podem suportar cargas axiais num
só sentido, e os de dupla escora, cargas axiais em ambos os sentidos.
Os rolamentos axiais de rolos cilíndricos e os axiais de agulhas podem suportar
elevadas cargas axiais num sentido. Os rolamentos axiais auto-compensadores de
rolos podem suportar, além de cargas axiais bastante elevadas, cargas radiais de uma
certa magnitude atuando simultaneamente.

Carga combinada

A carga combinada consiste de uma carga radial e uma axial que atuam
simultaneamente.
Para suportar cargas combinadas são utilizados principalmente os rolamentos de
esferas de contato angular de uma ou duas carreiras, e os rolamentos de rolos
cônicos. Também são utilizados os rolamentos rígidos de esferas e os rolamentos
auto-compensadores de rolos.
Quando a componente axial representa uma grande parcela da carga combinada,
pode ser aplicado um rolamento axial separado para suportá-la, independentemente
da carga radial.
Além dos rolamentos axiais, para suportar cargas puramente axiais podem também
ser utilizados rolamentos radiais adequados, por exemplo rolamentos rígidos de
esferas ou rolamentos de esferas de quatro pontos de contato. Para se ter a certeza
de que esses rolamentos são submetidos somente a carga axial, os anéis externos
devem ser montados com folga radial no alojamento.

DIMENSÃO DE ROLAMENTO SOLICITADO ESTATICAMENTE

Solicitação Estática é quando o rolamento está parado ou oscila


lentamente. Exemplo: Gruas (Talhadeira), posicionadores, etc. Para se calcular
o rolamento por solicitação estática devemos calcular o fator de esforços
estáticos (Fs). Para comprovar que o rolamento selecionado possui capacidade
de carga estática suficiente.

Fs recomendável sobre o ponto de vista de segurança contra deformações


plásticas nos pontos de contato.

Fs = 1,5 à 2,5 para exigências elevadas


Fs = 1,0 à 1,5 para exigências normais
Fs = 0,7 à 1,0 para exigências reduzidas
V7 - 7
Se o rolamento trabalhar em altas temperaturas devemos introduzir mais um
fator na fórmula que será o Ft.
Para Solicitação Estática: Co
Fs = ⇒ Co = Po. Fs
Po
Até 150°C Ft = 1
Po.Fs
Para 200°C Ft = 0,90 Co =
Para 250°C Ft = 0,75 Ft
Para 300°C Ft = 0,60

Co = Solicitação de carga estática [ kN ou N] ou [kgf] este dado é encontrado


no catálogo.
Po = Carga estática equivalente: é um valor que deverá ser calculado quando
houver cargas combinadas, quando não houver carga combinada, ou seja,
somente carga radial, Po = Fr. Quando Po for combinado usa-se a seguinte
expressão:
Po = Xo . Fr + yo . Fa

Dados iniciais para escolha do rolamento.


n = rpm
Ø do eixo a ser montado.
Fr e Fa = forças radiais e axiais.
Tipo de rolamento escolhido de acordo com aplicação.

1° Exemplo: Rolamento Estático, carga pura (Fr).


Para um rolamento solicitado estaticamente com força radial pura de 655 kgf
montado em um eixo de diâmetro 30mm, deseja-se saber:
• número ou designação para compra considerando carga de exigência
elevada e temperatura de trabalho ambiente, indique também qual deve ser a
tolerância no eixo e a rugosidade superficial sabendo que o rolamento possui
carga rotativa no anel de encosto externo no caso do eixo, determinar também
o raio mínimo de encosto do rolamento.

Fs = 2,0 Ft = 1,0

Como solicitação do rolamento é radial Fr = Po

Fr = 655 kgf Fs = 2
Po . Fr 655 . 2
Co = ⇒ Co = ⇒ Co = 1310 kgf ou
Ft 1
Co = 12838 N

O rolamento escolhido foi 6306 que possui Ø interno = 30mm e Ø externo


72mm x 19mm de largura com capacidade de carga estática igual a 14600 N
que atende a solicitação do equipamento que exige uma carga estática de
12838 N e um diâmetro de eixo igual a 30mm.
Caso não poder alterar o Ø eixo, pode-se utilizar 2 rolamentos. Mas vale
lembrar que a viabilidade do projeto (relação custo x benefício).

CÁLCULO DE ROLAMENTO SOLICITADO DINAMICAMENTE

Tem por base a fadiga do material, formação de pittings (pequenos buracos no


rolamento). A fórmula para a vida nominal é:

Lh . n . 60
C = P. P*
106

V7 - 8
Onde:
C = capacidade de carga dinâmica.
P = carga dinâmica equivalente [N].
Lh = vida nominal expressa em horas
n = rotação [rpm].
*P = 3 para rolamento de esfera.
*P = 10/3 para rolamentos de rolos.

Quando o rolamento for solicitado axialmente e radialmente ao mesmo tempo,


usa-se a seguinte expressão:
P = x . Fr + y . Fa

Onde:
Fr = Carga Radial
Fa = Carga Axial
x = Fator Radial
y = Fator Axial
Para carga e rotação variável segue a fórmula:

q1 n2 q2 n q
P = 3 P13 . n1 . + P23 . . + ... Pn 3 . N . N
nm 100 nm 100 nm N 10
Rotação média
q1 q2
nm = n1. + n2 . + ... [rpm]
100 100
Para cargas sujeitas a alterações, mas a rotação permanecer constante
obteremos:

q1 q2
P = 3 P13. + P23. + ...
100 100

Se uma rotação constante e a carga crescem de forma linear de um valor


mínimo para um valor máximo obtem-se:

Pmin + 2 . Pmáx
P=
3

Exercício: Rolamento solicitado dinamicamente.

Um rolamento de esferas deverá ser calculado para uma rotação de 800rpm


com uma carga radial de 600kgf e uma carga axial de 200 kgf em uma
transmissão de engrenagem para uso geral montado em um eixo de
engrenagem para uso geral montado em um eixo de diâmetro igual à 40mm.
Calcular C:

Lh . n . 60
C = P. P*
106
P = x . Fr + y . Fa

Lh = 20000 h (visto em catálogo)


n = 800 rpm
*P = 3 (Rolamento de esferas)

V7 - 9
Neste momento faremos uma pré-escolha utilizando um rolamento de diâmetro
40mm que se encontra no catálogo SKF-página 118, entre o máximo e o
mínimo valor para fazermos o pré-cálculo da capacidade dinâmica.
Observação:

1. Caso o rolamento não resista (não possua capacidade dinâmica para


atender a solicitação), o projetista poderá atuar da seguinte forma:
AUMENTAR O NÚMERO DE ROLAMENTOS NO LOCAL DA APLICAÇÃO.
2. Escolher dentro da mesma categoria de diâmetro 40mm um rolamento
com maior capacidade, caso continue não atendendo, volte a opção
anterior.
3. Pode-se optar em trocar o tipo de rolamento, desde que o mesmo esteje
dentro das características de funcionamento (bom para cargas
combinadas).
4. Se o projeto permitir, aumente o diâmetro do eixo, com isto obteremos
um rolamento com maior capacidade até atingirmos a necessidade da
aplicação.

Capacidade de carga dinâmica vista no catálogo SKF, C = 16.800


Capacidade de carga estática Co = 9300

Iremos verificar os valores de x e y para introduzirmos na fórmula que


determina a carga dinâmica equivalente igual à P:

P = x . Fr + y . Fa

De acordo com a tabela da página 115 do catálogo SKF, é necessário que se


faça algumas verificações para obtermos o valor de x e de y.
Fa 200 . 9,8
1a Verificação: = = 0,21
Co 9300
Fa/Co = 0,21, no catálogo Fa/Co mais próximo é 0,25 que nos fornece valor de
e = 0,37.

Para folga normal, o catálogo nos recomenda 2 verificações:

Fa/ Fr ≤ e e Fa/Fr > e

Verificando Fa/ Fr, obtemos o valor de 0,33, que por sua vez é menor do que e,
portanto o catálogo (SKF) nos fornece valor de x = 1 e y = 0.
P = x . Fr + y . Fy

P = 1 . 600 . 9,8 + 0 . 200 . 9,8

P = 5880 N

Calculando o valor de C, temos:

Lh . n . 60 20000 . 800 . 60
C = P. P* 6
⇒ C = 5880 . 3 =
10 106

C ≅ 58005,3 N

V7 - 10
Verifique-se que o rolamento escolhido não atende a solicitação devida de
20000 h e carga dinâmica de 58005,3N pois o rolamento resiste a C =16.800N.

Solução:

1. Aumentar o número de rolamentos ou


2. Nova verificação com o rolamento 6408 pré-escolhido no catálogo que
possui C = 63700 N.

1962N
Temos: Fa/Co = = 0,054
36.500N

A relação Fa/Co nos leva ao valor de 0,07


e = 0,27
Fa/Fr < e

Valores para x e y:

x = 0,56 y = 1,6
P = 0,56 . 600 + 1,6 . 200 P = 6428,8N

20000 . 800 . 60
C = 6428,8 . 3 ⇒
106

C = 63419,1 N

Concluímos que o rolamento escolhido 6408 possui C = 63700 N e o valor


calculado de C = 63419,1, portanto o rolamento escolhido atende a nossa
necessidade.

DIMENSIONAMENTO DE MÁQUINAS DE LEVANTAMENTO EM


ESPECIAL: PONTES ROLANTES

VERIFICAÇÃO DOS GRUPOS MECÂNICOS


A – PELA ABTN ( ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS)

Para efeito de projeto de equipamentos de P. R. , guindastes e diversos equipamentos


de transportes, a norma brasileira (PNB -283) estuda os mecanismos e estruturas
separadamente; no momento veremos quanto a mecanismos.
A PNB –283 classifica os diferentes mecanismos de um equipamento de
levantamento em sete grandes grupos, a seguir : 1MA, 1MB, 2M, 3M, 4M e 5M, de
acordo com o serviço que estes efetuam.
A obtenção desses grupos se consegue através da verificação da classe de
funcionamento e estado de solicitação.

CLASSE DE FUNCIONAMENTO

A verificação do tempo médio de funcionamento diário do mecanismo dado em horas.


O mecanismo só será considerado em funcionamento quando estiver em movimento.
A tabela a seguir, é estimada em função dos dias de trabalho normal, tirando os dias
de descanso.

V7 - 11
C. F. Tempo (horas) Duração Total (horas)
diário
V0,25 < 0,5 800

V0, 5 > 0,5 e ≤ 1 1600

V1 > 1 e ≤ 2 3200

V2 > 2 e ≤ 4 6300

V3 > 4 e ≤ 8 12500

V4 > 8 e ≤ 16 25000

V5 > 16 50000

ESTADO DE SOLICITAÇÃO

Indica em que proporção está sendo utilizado um mecanismo ou elemento deste.


Os E. S. são dados em três estágios, a seguir:

ES 1:

Refere-se quando o mecanismo é utilizado mais para cargas pequenas e raramente à


sua carga máxima.

ES 2:

Quando o mecanismo praticamente é submetido a tempos quase que iguais a


pequenas, médias e máximas solicitações a que se dispõe.

ES 3:

Quando na maioria das vezes as solicitações estão bem perto da máxima.

A seguir gráficos comparativos dos três estados:

V7 - 12
Combinando a classe de funcionamento com o estado de solicitação, selecionamos o
grupo mecânico:
C. F. V0 , 25 V0 , 5 V1 V2 V3 V4 V5
E. S.
1 1MB 1MB 1MB 1MA 2M 3M 4M
2 1MB 1MB 1MA 2M 3M 4M 5M
3 1MB 1MA 2M 3M 4M 5M 5M

Exercícios:

01. O tambor do sistema de levantamento de um guincho será utilizado em média 3


h/ dia, sendo que o projeto será para um peso limite de 20 toneladas e o cliente
informa que só 66% da carga máxima será solicitada para 20% do tempo de
utilização. Determine o grupo de trabalho do tambor.

02. Para se verificar que tipo de polias móveis se colocaria em um moitão de uma
ponte rolante foram fornecidos os seguintes dados: trabalhará em média 5 h/ dia
e estima-se que em 50% de sua vida trabalhará a plena carga. Qual seu grupo
mecânico?

V7 - 13
PELA DIN (DIN – 15020)

A norma DIN verifica o grupo de trabalho da seguinte maneira:

1º - Através do número de operações ou ciclos por hora se determina o grupo de


trabalho.
2º - Este grupo de trabalho é válido para todos os elementos do sistema.

MECANISMOS DE LEVANTAMENTO

Os mecanismos dos sistemas de levantamento se compõe, normalmente, de acordo


com o croqui abaixo:

V7 - 14
1: MOTOR ELÉTRICO
Geralmente assíncrono de indução de anéis, cuja característica deve ser a de partir a
plena carga.

2: LUVA ELÁSTICA
Esta luva serve para dar proteção ao motor, tanto pelo alinhamento como para
conseguir com êxito a rotação constante entre o motor e o redutor.

3: REDUTOR DE VELOCIDADE
É necessário devido a rotação em que se encontra o motor e a velocidade que se
deseja dar à carga no movimento de subida e descida.

4: TAMBOR
Serve para armazenar o cabo de aço. O tambor pode ser liso ou ranhurado.

5: FREIO
O freio, quando se trata de pequenas e médias intermitências, será eletromagnético e
para grandes intermitências, eletrohidráulico. Quando se trata de motor de corrente
contínua, teremos freio a disco.

6: MOITÃO
É o nome dado à série de polias responsável pela subdivisão da carga em diversas
ramais de sustentação.

7: CABO DE AÇO
Este elemento de tração serve para elevar ou descer a carga.
Começaremos agora a estudar com mais detalhes cada um desses componentes e
verificando como dimensioná-los se for o caso.

CABOS DE AÇO

Os cabos de aço são formados por diversos fios, de bitola, em geral entre 0,4 a 5 mm
aproximadamente, que se enrolam helicoidalmente. São fabricados com Aço ABTN
1060 ou 1070.
Obs: Podemos encontrar na praça, cabos com acabamento galvanizado (tratamento
com zinco à quente), usado para equipamentos que trabalham em atmosferas
corrosivas. Este tratamento fornece ao cabo uma resistência final de
aproximadamente 10% menor que o comum.

ELEMENTOS QUE COMPÕE O CABO

Os cabos de aço são compostos pelo enrolamento helicoidal de diversas pernas em


torno de um núcleo central chamado alma. Essas pernas, por sua vez, também são
compostas pelo enrolamento helicoidal de arames em sucessivas camadas, cujas
bitolas podem ou não serem idênticas.

- QUANTO AO TIPO DE ALMA PODEMOS TER:


⋅ alma de fibra ( A. F. )
⋅ alma de aço ( A. A. )

- QUANTO À ALMA DE FIBRA, ESTA PODE SER:


. natural (cânhamo, cizal, etc.)
. artificial (polipropileno – nylon -)

V7 - 15
- VANTAGENS DA ALMA DE FIBRA:
1. O cabo é mais flexível possível;
2. A alma se comporta como uma esponja, ou seja, retém o lubrificante, liberando-o a
medida do necessário.

- DESVANTAGENS DA ALMA DE FIBRA:


1. Não pode ser utilizada em ambientes de alta temperatura.
2. Menor resistência comparando com o A. A.

OS CABOS COM ALMA DE AÇO PODEM SER:


- Comuns: mais uma perna colocada no miolo.
- Alma de aço por cabo independente (AACI). Um mini cabo serve de alma para os
cabos maiores. Consegue-se maior resistência.

- VANTAGENS DO A. A.
1. Maior resistência ao amassamento ( ideal no caso de enrolamento no tambor liso
em mais de uma camada).
2. Resistência à ruptura (τ rup)

- DESVANTAGENS DO A. A.
1. Menor flexibilidade que o de A. F. exigindo diâmetro de enrolamento maior para
uma mesma durabilidade.
2. Maior peso que o A. F.

PROPRIEDADES DOS CABOS DE AÇO


Para uma determinada bitola, para um cabo de aço, este será mais flexível quanto
maior for o número de arames contidos neste.

RESISTÊNCIA À ABRASÃO
Quanto maior a bitola dos arames da camada mais externa das pernas de um cabo de
aço, maior será a sua resistência à abrasão ao passar por polias, tambores, etc.

POSICIONAMENTO DOS FIOS


O posicionamento de fios grossos na região mais externa de uma perna, resulta num
cabo mais flexível do que aquele onde os fios grossos estão na periferia.

Existem três formas básicas construtivas de cabo no mercado (CIMAF)


- Seale
- Warrington
- Filler

A - SEALE
- O número de fios na primeira camada é igual ao número de fios na Segunda
camada em cada perna.
- Características:
⋅ Elevada resistência à abrasão e pouca flexibilidade.
- Aplicações típicas:
⋅ Equipamentos de mineração em geral, cabo de arraste de caçamba em
escavadeiras.

V7 - 16
B - WARRINGTON
- Um arame central + 6 arames finos na primeira camada + 6 arames finos e 6
grossos na segunda camada por perna.
- Características:
⋅ Elevada flexibilidade devido às colocações de fios finos na periferia das pernas.
⋅ Baixa resistência à abrasão.
- Aplicações:
⋅ Sistema de elevação de talhas, ponte rolante, etc.

C - FILLER
Composto de um arame central + 6 fios finos na primeira camada + 6 fios finos na
segunda camada + 12 fios grossos na terceira camada.
- Características:
⋅ Intermediária entre dois anteriores.
- Aplicações:
⋅ Em geral, guindastes e escavadeiras.

TIPOS DE ROLAMENTOS

A - LANG
Nos cabos com enrolamento tipo LANG, o sentido do enrolamento dos fios que
compõe as pernas e das pernas que compõe o cabo coincidem. Portanto, podemos ter
cabos com enrolamento tipo LANG nos dois sentidos.

B - REGULAR
Nos cabos com enrolamento tipo REGULAR os sentidos de enrolamento são
contrários.
Obs.: No tipo LANG o cabo é mais flexível e tem maior tendência de giro que o
REGULAR.

CABOS PRÉ- FORMADOS

Foram projetados a fim de se minimizar a sua tendência de giro quando tracionados.


Não são totalmente antigiratórios. Esses cabos têm arames deformados plasticamente
e helicoidalmente, sendo acomodados para formar uma perna.
A montagem das pernas não sofre deformações plásticas.

Vantagens:

1. Maior facilidade de manuseio, ou seja, no corte do cabo, os fios não se soltam e


ainda os arames que se rompem no uso, permanecem na mesma posição, o que
não acontece com os cabos comuns.
2. Têm maior resistência à ruptura que os cabos comuns, pelo fato de serem bem
menores as tensões internas.
3. São mais flexíveis devido a menor força de atrito entre os fios que compõe as
pernas.

CABOS ANTI-GIRATÓRIOS

Contém duas camadas de pernas enroladas em sentidos opostos com efeitos opostos
de giro. Como conseqüência, são extremamente rígidos só justificando a sua
aplicação em guindastes que trabalham com um único cabo de elevação.

V7 - 17
DIMENSIONAMENTO DO CABO DE AÇO

- PELA ABNT

Fórmula:
dc min = Q . Fmax [mm]
Onde:
dcmin = diâmetro do cabo mínimo possível
Q = coeficiente em função do grupo do mecanismo
Fmax = Força máxima de tração na região mais solicitada do cabo [kgf]

Grupo mecânico Q Q
Cabo comum Cabo Anti-Giratório
1MA 0,265 0,280
1MB 0,280 0,300
2M 0,300 0,335
3M 0,335 0,375
4M 0,375 0,425
5M 0,425 0,475

Obs.: Tabela válida para coeficiente de segurança de 4 a 10,5.

Em geral os coeficientes de segurança mais usuais para máquinas de levantamento


são:

⇒ Pontes Rolantes, Pórticos, Semi- Pórticos - 6 à 8


⇒ Guindastes - 4 à 6
⇒ Elevadores industriais -8 à 10
⇒ Elevadores de passageiros - 10 à 12

Obs.: 1. Em equipamentos que executam tarefas perigosas, como por exemplo:


transporte de material em fusão ou corrosivos, escolhe-se sempre um grupo mecânico
imediatamente superior ao projeto do mecanismo para efeito do cálculo do cabo de
aço.
2. Em equipamentos que são freqüentemente desmontados para efeitos de
transporte, permite-se que o cabo de aço seja selecionado num grupo mecânico
imediatamente inferior ao do projeto do mecanismo. Exemplo: guindaste de
construção civil.

- Pela DIN (15020)

Fmax [mm]
Fórmula: (k) Ver página V10-8
dc min = k

Onde:
K = coeficiente em função do grupo mecânico (vide tabela I pg V10-10)

- Verificação do coeficiente de segurança ( C. S. )

O valor obtido nesta fórmula deve ser comparado aos valores pré-estipulados para o
mecanismo de acordo com a tabela de C. S.
Frup
C.S =
Fmáx

Frup = valor tabelado para o cabo escolhido – vide tabela de cabo de aço.
Fmáx = valor calculado.

V7 - 18

Interesses relacionados