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COMPORTAMENTO GEOMECÂNICO DE ESTRUTURAS RELIQUIARES DE UM

SOLO RESIDUAL DE GNAISSE DA AHE SIMPLÍCIO

Daniel Lopes Machado

Dissertação de Mestrado apresentada ao


Programa de Pós-graduação em Engenharia
Civil, COPPE, da Universidade Federal do Rio
de Janeiro, como parte dos requisitos
necessários à obtenção do título de Mestre em
Engenharia Civil.

Orientador: Anna Laura Lopes da Silva Nunes

Rio de Janeiro
Outubro de 2012
COMPORTAMENTO GEOMECÂNICO DE ESTRUTURAS RELIQUIARES DE UM
SOLO RESIDUAL DE GNAISSE DA AHE SIMPLÍCIO

Daniel Lopes Machado

DISSERTAÇÃO SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DO INSTITUTO ALBERTO


LUIZ COIMBRA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA DE ENGENHARIA (COPPE)
DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS
REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM
CIÊNCIAS EM ENGENHARIA CIVIL.

Examinada por:

________________________________________________
Profª. Anna Laura Lopes da Silva Nunes, Ph.D.

________________________________________________
Prof. Marcus Peigas Pacheco, Ph.D.

________________________________________________
Prof. Willy Alvarenga Lacerda, Ph.D.

RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL


OUTUBRO DE 2012
Machado, Daniel Lopes
Comportamento Geomecânico de Estruturas
Reliquiares de um Solo Residual de Gnaisse da AHE
Simplício / Daniel Lopes Machado. – Rio de Janeiro:
UFRJ/COPPE, 2012.
XIII, 130 p.: il.; 29,7 cm.
Orientador: Anna Laura Lopes da Silva Nunes
Dissertação (mestrado) – UFRJ/ COPPE/ Programa
de Engenharia Civil, 2012.
Referências Bibliográficas: p. 96-100.
1. Estruturas Reliquiares. 2. Solos Residuais. 3.
Comportamento Mecânico. I. Nunes, Anna Laura Lopes
da Silva. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro,
COPPE, Programa de Engenharia Civil. III. Título.

iii
AGRADECIMENTOS

Agradeço a minha orientadora Anna Laura, pela forma clara e objetiva que me
ajudou a conduzir este trabalho e nas diversas escolhas que fiz durante a pesquisa.
A Letícia Anele, minha querida companheira, que compartilhou deste longo
período prestando apoio na revisão da redação e principalmente com incentivo e
compreensão fundamentais para que concluísse esta pesquisa.
Aos familiares e amigos, dos quais também obtive incentivo desde o ingresso
no mestrado.
Aos técnicos Toninho, Carlinhos e Luizão do Laboratório de Geotecnia que
deram suporte para realização dos ensaios e coleta das amostras e as meninas da
secretaria, Marcia e Maria Alice, sempre dispostas a colaborar.
Um especial agradecimento ao Serginho, cuja ajuda na realização dos ensaios
foi determinante para este trabalho.
Aos amigos Itamar e Katiane que também ajudaram nas análises das lâminas.
Aos amigos que fiz durante o mestrado, que de alguma forma contribuíram com
suas experiências e companheirismo.
Aos colegas de trabalho que também incentivaram e colaboraram com
discussões relativas a pesquisa.
Por fim agradeço a Eletrobras por permitir que eu desenvolvesse este trabalho
e a Furnas que permitiu a realização desta pesquisa com informações do AHE
Simplício.

iv
Resumo da Dissertação apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos
necessários para a obtenção do grau de Mestre em Ciências (M.Sc.)

COMPORTAMENTO GEOMECÂNICO DE ESTRUTURAS RELIQUIARES DE UM


SOLO RESIDUAL DE GNAISSE DA AHE SIMPLÍCIO

Daniel Lopes Machado

Outubro/2012

Orientador: Anna Laura Lopes da Silva Nunes

Programa: Engenharia Civil

Esta pesquisa foi motivada por movimentos de massa ocorridos nos


taludes de escavação de solo residual de gnaisse do Aproveitamento Hidrelétrico
Simplício, localizado na divisa dos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Alguns
dos movimentos ocorridos foram condicionados por estruturas reliquiares da rocha
mãe. Em decorrência destes movimentos, a pesquisa objetivou caracterizar as
estruturas reliquiares através de ensaios de laboratório, tais como determinação da
granulometria, índices de consistência, resistência ao cisalhamento e análise de
lâminas petrográficas. Além do programa de laboratório foi realizado um mapeamento
de campo, identificando a disposição física, aparência e textura das estruturas
reliquiares. Os resultados obtidos permitiram identificar o comportamento mecânico
das estruturas reliquiares e compara-lo com o comportamento do material que a
envolve, verificando possíveis relações com mineralogia, microestrutura e grau de
intemperismo.

v
Abstract of Dissertation presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the
requirements for the degree of Master of Science (M.Sc.)

GEOMECHANICAL BEHAVIOUR OF RELICT STRUCTURES OF A RESIDUAL SOIL


OF GNEISS ON AHE SIMPLÍCIO

Daniel Lopes Machado

October/2012

Advisor: Anna Laura Lopes da Silva Nunes

Department: Civil Engineering

This research was motivated from the mass movements occurred on the
slopes of excavation residual soil of gneiss of Hydroelectric Simplicio, located on the
border of Minas Gerais and Rio de Janeiro states. Some of the movements were
constrained by the relict bedrock structures. Due to these movements this reserch
aimed characterize these relict structures through laboratory tests such as
determination of particle size, consistency indices, direct shear tests and analysis of
petrographic thin sections. In addition to the laboratory program, a field mapping was
conducted to identify the layout of relict structures and describing their appearance and
texture The results obtained allowed to identify the mechanical behavior of relict
structures comparing to the behavior of the material that surrounds it and verifying the
possible associations with mineralogy, microstructure and degree of weathering.

vi
SUMÁRIO

1. Introdução ............................................................................................... 1
2. Revisão Bibliográfica – Solos Residuais .................................................. 3

2.1 Solos Residuais ................................................................................... 3


2.2 Formação dos solos residuais .............................................................. 4
2.3 Caracterização e Classificação dos Solos Residuais Tropicais ............ 5
2.4 Mineralogia e Micromorfologia ............................................................. 8
2.5 Comportamento mecânico – resistência ao cisalhamento .................. 11

2.5.1 Ensaio de Cisalhamento direto e Resistência Residual ................ 14

2.6 Estruturas Reliquiares ........................................................................ 17

3. Área de Estudo ...................................................................................... 26

3.1 Localização e acessos da AHE Simplício ........................................... 26


3.2 Descrição geral do aproveitamento e localização da área de estudo . 26

3.2.1 Obras do barramento em Anta ..................................................... 27


3.2.2 Obras de interligação ................................................................... 27
3.2.3 Obras da UHE Simplicio ............................................................... 29
3.2.4 Área de estudo – Túnel A5 ........................................................... 30

3.3 Aspectos Geológicos e Geotécnicos da AHE Simplício Queda Única.30

3.3.1 Geologia Regional ........................................................................ 32


3.3.2 Geologia Local ............................................................................. 33
3.3.3 Aspectos geológicos e geotécnicos da área de estudo – Túnel A5 ..
..................................................................................................... 35
3.3.4 Histórico de Movimentos de Massa durante a construção. ........... 36

4. Metodologias e Procedimentos .............................................................. 38

4.1 Metodologia ....................................................................................... 38


4.2 Identificação e seleção dos locais de amostras indeformadas ........... 39
4.3 Procedimentos de Coleta de Amostras Indeformadas ........................ 43
4.4 Moldagem dos corpos de prova para cisalhamento direto.................. 45
4.5 Ensaio de Cisalhamento direto........................................................... 48

5. Resultados dos ensaios de laboratório .................................................. 50

5.1 Programação de ensaios ................................................................... 51

vii
5.2 Ensaios de caracterização dos solos. ................................................ 52

5.2.1 Curvas de distribuição granulométrica .......................................... 52


5.2.2 Índices de consistência – Limites de Liquidez e Plasticidade (L.L e
L.P.) ............................................................................................. 53
5.2.3 Classificação do solo .................................................................... 54
5.2.4 Densidade real dos grãos (G)....................................................... 55

5.3 Permeabilidade .................................................................................. 55


5.4 Cisalhamento direto ........................................................................... 57

5.4.1 Índices físicos ............................................................................... 57


5.4.2 Critérios e métodos para determinação das envoltórias de
resistência. ................................................................................... 58
5.4.3 Bloco 1 Matriz Natural .................................................................. 59

Comportamento tensão-deformação .................................................... 59


Envoltórias e parâmetros de resistência .............................................. 61

5.4.4 Bloco 1 Matriz Submerso ............................................................. 62

Comportamento tensão-deformação .................................................... 62


Envoltórias e parâmetros de resistência .............................................. 64

5.4.5 Bloco 1 Reliquiar Natural .............................................................. 64

Comportamento de tensão-deformação ............................................... 65


Envoltórias e parâmetros de resistência .............................................. 67

5.4.6 Bloco 1 Reliquiar Submerso ......................................................... 68

Comportamento de tensão-deformação ............................................... 68


Envoltórias e parâmetros de resistência .............................................. 70

5.4.7 Bloco 5 Reliquiar Natural .............................................................. 71

Comportamento de tensão-deformação ............................................... 71


Envoltórias e parâmetros de resistência .............................................. 74

5.4.8 Bloco 5 Reliquiar Submerso ......................................................... 75

Comportamento de tensão-deformação ............................................... 75


Envoltórias e parâmetros de resistência .............................................. 78

5.5 Análise Mineralógica .......................................................................... 79

6. Discussão dos resultados ...................................................................... 83

6.1 Caracterização ................................................................................... 83

viii
6.2 Resistência ao Cisalhamento Direto................................................... 85

6.2.1 Tensão deformação ..................................................................... 85


6.2.2 Resistência................................................................................... 89

Resistência da matriz do solo do bloco 1. ............................................ 89


Resistência das estruturas reliquiares dos blocos 1 e 5 ....................... 91

7. Conclusões e Sugestões ....................................................................... 94


Referências Bibliográficas ............................................................................... 96
Anexo 1 ......................................................................................................... 101
Anexo 2 ......................................................................................................... 114
Anexo 3 ......................................................................................................... 121

ix
Lista de figuras
Figura 2.1 Comportamento tensão deformação (SANDRONI, 1981a). ................. 12

Figura 2.2 Variação da resistência do solo em função da concentração de mica


(SANDRONI, 1981b). ........................................................................... 12

Figura 2.3 Vista esquemática do escorregamento (MASSAD e TEIXEIRA, 1985). 19

Figura 2.4 Perfil típico de solos residuais (St. JOHN et al. - 1969). ....................... 21

Figura 2.5 Envoltórias de Resistência (St. JOHN et al., 1969). ............................. 22

Figura 2.6 Seção transversal de ruptura condicionada por uma estrutura reliquiar
de inclinação inferior a do talude (St. JOHN et al., 1969). .................... 22

Figura 2.7 Seção transversal de ruptura condicionada por uma estrutura reliquiar
de inclinação superior à do talude (St. JOHN et al., 1969). .................. 23

Figura 2.8 Envoltórias de resistência (LACERDA e SILVEIRA, 1992). .................. 24

Figura 3.1 Localização do AHE Simplício e vias de acesso. ................................. 27

Figura 3.2 Arranjo geral – Obras de Interligação do AHE Simplício. ..................... 28

Figura 3.3 Arranjo da região do barramento em Anta. .......................................... 29

Figura 3.4 Casa de Força Principal – Arranjo........................................................ 30

Figura 3.5 Geometria do talude de escavação do desemboque do túnel A5. ........ 31

Figura 3.6 Seção transversal da escavação do desemboque do túnel A5............. 31

Figura 3.7 Localização da Faixa Ribeira (modificado de Campanha e Neves, 2004).


............................................................................................................. 32

Figura 3.8 Mapa Geológico (Engevix 2006). ......................................................... 34

Figura 3.9 Arranjo do trecho 5 do circuito hidráulico. ............................................ 36

Figura 3.10 Ruptura condicionada por estrutura reliquiar (FRANCO et al., 2010). .. 37

Figura 4.1 Vista frontal do talude de escavação sob o desemboque do túnel A5. . 40

Figura 4.2 Traços das estruturas reliquiares na face do talude. ............................ 40

Figura 4.3 Mapeamento das estruturas reliquiares com dimensões em metros e


orientação e mergulho em graus. ......................................................... 41

Figura 4.4 Estrutura reliquiar com material preto na superfície. ............................ 41

Figura 4.5 Estruturas reliquiares: (a) elevação 303,30 (b) elevação 299,25. ......... 42

x
Figura 4.6 Locais de coleta das amostras indeformadas....................................... 43

Figura 4.7 Escavação da trincheira para coleta de blocos. ................................... 44

Figura 4.8 Ruptura de cunha do bloco durante a escavação. ............................... 44

Figura 4.9 Bloco 2 indeformado e protegido para acondicionamento em caixa e


transporte. ............................................................................................ 45

Figura 4.10 Moldagem CP – níveis de referência. .................................................. 46

Figura 4.11 Moldagem do CP - corte das laterais. .................................................. 47

Figura 4.12 Moldagem do CP – Arrasamento do topo. ........................................... 47

Figura 4.13 Moldagem do CP – Cravação do anel. ................................................. 48

Figura 5.1 Curvas de distribuição Granulométrica................................................ 53

Figura 5.2 Carta de plasticidade das amostras. .................................................... 54

Figura 5.3 Permeâmetro adotado para pesquisa. ................................................. 56

Figura 5.4 Curvas tensão cisalhante vs. deslocamento horizontal – BL 1 matriz


natural. ................................................................................................. 60

Figura 5.5 Envoltórias e parâmetros de resistência – BL 1 matriz natural. ........... 61

Figura 5.6 Curvas tensão cisalhante vs. Deslocamento horizontal – BL 1 matriz


submerso. ............................................................................................ 63

Figura 5.7 Envoltórias e parâmetros de resistência – BL 1 matriz submerso. ....... 64

Figura 5.8 Corpo de prova com estrutura reliquiar após cisalhamento – Bloco 1
Natural 100kPa. ................................................................................... 65

Figura 5.9 Curvas tensão cisalhante vs. Deslocamento horizontal – BL 1 reliquiar


natural. ................................................................................................. 66

Figura 5.10 Envoltórias e parâmetros de resistência – BL 1 reliquiar natural. ......... 68

Figura 5.11 Curvas tensão cisalhante vs. Deslocamento horizontal – BL 1 reliquiar


submerso. ............................................................................................ 69

Figura 5.12 Corpo de prova cisalhado no plano da estrutura reliquiar – Bloco 1


submerso 150kPa. ............................................................................... 70

Figura 5.13 Envoltórias de resistência – BL 1 reliquiar submerso. .......................... 71

Figura 5.14 Corpo de prova com estrutura reliquiar após cisalhamento –Bloco 5
natural 25kPa. ...................................................................................... 72

xi
Figura 5.15 Curvas tensão cisalhante vs. Deslocamento horizontal – BL 5 reliquiar
natural. ................................................................................................. 73

Figura 5.16 Envoltórias de resistência – BL 5 Reliquiar Natural. ............................. 74

Figura 5.17 Curvas Tensão cisalhante vs. Deslocamento horizontal – BL 5 Reliquiar


Submerso. ........................................................................................... 76

Figura 5.18 Curvas Tensão cisalhante / tensão normal vs. Deslocamento horizontal
– BL 5 Reliquiar Submerso. ................................................................. 77

Figura 5.19 Envoltórias de resistência – BL 5 Reliquiar Submerso. ........................ 78

Figura 5.20 Detalhe da lâmina L1b com imagem obtida de microscópio com luz
natural (polarizada). ............................................................................. 80

Figura 5.21 Detalhe dos quartzos alinhados da Lamina L4 com nicol. .................... 81

Figura 5.22 Detalhe dos leitos de minerais opacos na Lamina L2 com compensador.
............................................................................................................. 81

Figura 5.23 Detalhe da presença de sericitas na Lamina L4 com compensador. .... 82

Figura 6.1 Curvas tensão cisalhante vs. Deslocamento horizontal – BL 1 matriz


umidade natural. .................................................................................. 86

Figura 6.2 Curvas tensão cisalhante vs. Deslocamento horizontal – BL 1 reliquiar


umidade natural. .................................................................................. 87

Figura 6.3 Curvas tensão cisalhante vs. Deslocamento horizontal – BL 5 reliquiar


umidade natural. .................................................................................. 88

Figura 6.4 Curvas tensão cisalhante vs. Deslocamento horizontal – BL 1 matriz


umidade natural. .................................................................................. 88

Figura 6.5 Envoltórias de resistência da matriz do solo do bloco 1. ...................... 91

Figura 6.6 Envoltórias de resistência – matriz e reliquiar BL 1 submerso. ............. 92

xii
Lista de Tabelas
Tabela 2.1 Fatores de influência no intemperismo e na natureza do solo. ............... 4

Tabela 2.2 Caracteristicas básicas de solos residuais de gnaisse (Sandroni 1981b).


............................................................................................................... 9

Tabela 2.3 Comportamento da mobilização da resistência residual associado a


fração de argila do solo SKEMPTON (1985). ....................................... 16

Tabela 2.4 Composição mineralógica (SILVEIRA e LACERDA, 1992). ................. 23

Tabela 3.1 Resumo das obras de interligação. ...................................................... 29

Tabela 4.1 Resumo das amostras indeformadas coletadas. .................................. 42

Tabela 5.1 Metodologias de investigação geotécnica. ........................................... 50

Tabela 5.2 Resumo das investigações de laboratório. ........................................... 51

Tabela 5.3 Composição granulométrica das amostras. ......................................... 52

Tabela 5.4 Resumo dos índices de consistência e atividade das amostras. .......... 54

Tabela 5.5 Densidade real dos grãos. ................................................................... 55

Tabela 5.6 Valores dos coeficientes de permeabilidade. ....................................... 56

Tabela 5.7 Índices físicos dos CP´s antes e após a ruptura. .................................. 58

Tabela 5.8 Critérios e Limites das envoltórias de resistência. ................................ 59

Tabela 5.9 Composição mineralógica das lâminas delgadas de solo residual. ...... 80

Tabela 6.1 Composição mineralógica das lâminas. ............................................... 84

Tabela 6.2 Resumo dos parâmetros de resistência e dos índices físicos médios. . 90

xiii
1. Introdução
Os movimentos de massa, seja de solo ou de rocha, são um tema de grande
importância para comunidade da engenharia e cujos fatores de influência permeiam
diferentes áreas como a geologia, geomorfologia, climatologia, hidrologia e a
geotecnia. Esta última faz uso das informações de todas as outras áreas no estudo da
estabilidade dos taludes naturais e de escavação.
Apesar dos movimentos de massa serem muito conhecidos poucas
informações podem ser encontradas sobre rupturas de taludes condicionadas por
estruturas reliquiares. Estas estruturas correspondem a diversas feições geológicas
presentes na rocha mãe e que persistem sob diferentes graus de alteração nas
camadas de solos residuais jovens e até mesmo maduros.
A presente pesquisa tem como principal alvo o estudo das estruturas
reliquiares presentes em um solo residual de gnaisse, encontradas nas escavações
obrigatórias de solo do circuito de adução do AHE Simplíco, localizada entre as
cidades de Além Paraíba (MG) e Sapucaia (RJ) no rio Paraíba do Sul.
Este estudo tem grande relevância para o empreendimento, pois uma ruptura
de grandes proporções, associada as estruturas reliquiares, pode interromper a
adução e, consequentemente, a geração de energia causando grandes prejuízos.
Além da relação direta com o empreendimento, o presente estudo também contribui
para aumento do conhecimento do tema de estabilidades de taludes, visto que na
bibliografia nacional e internacional são encontrados poucos relatos de movimentos
condicionados pelas estruturas reliquiares.
Para desenvolvimento do estudo foi elaborado um programa de investigação
de laboratório contemplando ensaios de caracterização e de resistência do solo. A
caracterização abrangeu ensaios para determinação da curva de distribuição
granulométrica, índices de consistência e também a análise em microscópio ótico de
lâminas petrográficas. A resistência foi estudada por meio de ensaios de cisalhamento
direto com reversão e sob as condições de umidade natural e submerso em água.
Os resultados dos ensaios de laboratório, mapeamento e caracterização visual
das estruturas reliquiares em campo permitiram conhecer o comportamento mecânico
das estruturas reliquiares, comparar os comportamentos das estruturas reliquiares
com o material de matriz, no entorno das referidas estruturas, e identificar relações
entre a resistência e as características físicas, mineralógicas e microestruturais do
solo.
Esta dissertação é composta por 7 capítulos, sendo o primeiro uma
apresentação do estudo com suas motivações e breve metodologia da pesquisa.

1
O Capítulo 2 apresenta um resumo dos conhecimentos necessários ao
desenvolvimento desta pesquisa buscados na literatura nacional e internacional. Estão
apresentados neste capítulo as principais referências adotadas para os temas de solos
residuais, caracterização e classificação dos solos, mineralogia e micromorfologia,
resistência ao cisalhamento e estruturas reliquiares.
O Capítulo 3 apresenta a área de estudo, informando a localização e
descrevendo o arranjo geral do empreendimento. Neste capítulo também são
apresentados um resumo dos aspectos geológicos e geotécnicos da AHE Simplício e
do local de estudo e um breve histórico de movimento de massas do empreendimento.
O Capítulo 4 apresenta a metodologia adotada na pesquisa e procedimentos
para os trabalhos de campo e laboratório com as estruturas reliquiares.
O Capítulo 5 apresenta os resultados dos ensaios de caracterização,
cisalhamento direto e lâminas petrográficas.
O Capítulo 6 apresenta uma análise integrada dos resultados dos ensaios de
laboratórios buscando correlaciona-los e também compara-los entre si e com as
referências bibliográficas.
O Capítulo 7 Apresenta as principais conclusões e recomendações relativas as
características e comportamento das estruturas reliquiares e aos ensaios adotados
para pesquisa.
Ao final estão apresentados três anexos sendo o primeiro uma exposição de
todos os gráficos tensão deslocamento e respectivos gráficos de deslocamento vertical
por deslocamento horizontal oriundos do cisalhamento direto, agrupados por tipo
material e condição de humidade do ensaio.
O Anexo 2 apresenta um relato fotográfico das superfícies de ruptura dos
corpos de prova rompidos de matriz e reliquiar.
O Anexo 3 é relativo a experiência com os ensaios para determinação da curva
de distribuição granulométrica e apresenta variações no procedimento de ensaio e no
defloculante que implicaram na presença de descontinuidade da curva.

2
2. Revisão Bibliográfica – Solos Residuais
Esta revisão apresenta suscintamente a evolução do conhecimento dos solos
residuais, em especial os solos de gnaisse, de forma a contextualizar o estado do
conhecimento onde esta pesquisa está inserida.

2.1 Solos Residuais


Os solos tropicais residuais, segundo Barata (1981), são os mais
representativos das regiões tropicais e são resultantes da decomposição das rochas
em seu lugar de origem. A norma NBR 6502 acrescenta que esta decomposição
decorre da ação de intemperismo físico e químico. Sandroni (1991) afirmou que os
mantos de rochas metamórficas intemperizadas cobrem grandes áreas do continente
americano. Especificamente no Brasil estes materiais recobrem 3 milhões de
quilômetros quadrados de área.
No Brasil, devido à condição climática de elevadas temperaturas e
pluviosidade, os solos residuais encontram condições propícias para o seu
desenvolvimento e por isso encontram-se espalhados por todas as regiões do país,
podendo atingir espessuras de mais de 100 metros. Estes solos são resultado do
intemperismo químico predominantemente e do intemperismo físico atuando de forma
complementar.
O processo de formação dos solos residuais e dos solos sedimentares constitui
a principal diferença entre estes dois solos. Enquanto o primeiro permanece no local
de origem da rocha matriz, o segundo é transportado e depositado. Em decorrência
desta diferença, os fatores de maior influência na formação dos solos também são
distintos. Para os solos sedimentares a formação dos sedimentos, o transporte e a
deposição são os principais fatores de influência na sua formação, com a ação
predominante do intemperismo físico. Nos solos residuais a ação do intemperismo
químico, controlado pelo clima, tipo de rocha, vegetação, drenagem e atividade
biológica, representa o principal fator de influência na formação dos solos.
Os diferentes processos de formação dos solos residuais e sedimentares
acarretam diferenças na mineralogia, granulometria e formato das partículas, estrutura
e espessura dos materiais.
As diferenças entre solos sedimentares e residuais, associadas ao fato de as
teorias da mecânica dos solos clássicas terem sido desenvolvidas à luz dos solos
sedimentares de regiões temperadas, tornam os estudos dos solos residuais tropicais
desafiadores e de grande relevância para o entendimento dos seus distintos
comportamentos.

3
2.2 Formação dos solos residuais
Os solos residuais são o produto da alteração de uma determinada rocha que
não sofreu nenhum tipo de transporte (Lambe e Whitman, 1969). O conjunto dos
processos de alteração/destruição das rochas é denominado intemperismo (Press et
al., 2006).
Segundo Oliveira et al. (1998) são cinco os principais fatores que influenciam
no grau de intemperismo e na natureza dos solos. A Tabela 2.1 resume estes fatores e
suas principais contribuições para o intemperismo e natureza dos solos.

Tabela 2.1 Fatores de influência no intemperismo e na natureza do solo.


Fatores de Intemperismo Natureza do Solo
influência

Clima Temperaturas e pluviosidade Solos mais finos com a


altas propiciam a aceleração, formação de mais argilominerais
maior aprofundamento e Formação de camadas mais
intensidade do intemperismo espessas
possibilitando a formação de
mais argilominerais
Temperaturas e pluviosidade Solos mais grosseiros de
baixas acarretam em uma baixa pequena espessura
taxa de intemperismo,
predominando o intemperismo
físico

Tipo de Rocha A condição de fraturamento da Os diferentes tipos de minerais


rocha influencia na presença de se alteram dando origem a
água em contato com a rocha, diferentes tipos de
propiciando e acelerando as argilominerais
reações de intemperismo A estrutura do solo está
químico intimamente ligada às estruturas
O tipo de rocha também afeta a da rocha
evolução do intemperismo em A composição mineralógica da
função dos minerais constituintes rocha também influencia na
que podem apresentar maior ou granulometria do solo
menor estabilidade A água pode iniciar o processo
A água auxilia no transporte de de lixiviação
soluções

4
Organismos, Os organismos colaboram com a A vegetação fornece resíduos
Vegetais e alteração de alguns minerais orgânicos e minerais aos solos
Animais Contribuem para tornar o Alguns vegetais e animais
ambiente ácido através da contribuem para o aumento da
decomposição de vegetais e porosidade do solo
animais, acelerando o processo
de intemperismo
Relevo Pode intensificar o processo de Interfere diretamente na
alteração com maior infiltração espessura do solo de acordo
de agua ou colaborar com o com a declividade do relevo
processo de erosão em encostas Quanto mais suave maiores as
íngremes espessuras de solos nas
encostas
Tempo O tempo é fundamental para o Solos mais evoluídos podem
desenvolvimento do solo. O apresentar granulometria mais
tempo de evolução de um solo é fina quando comparado com um
função dos demais fatores de solo de mesma rocha de
influência origem, submetido às mesmas
condições, porém com menor
tempo de intemperismo.

A ação do intemperismo pode ser dividia em química e física. O primeiro altera


quimicamente ou dissolve os minerais de uma rocha e o segundo fragmenta a rocha
por processo mecânico sem alteração dos minerais.
O intemperismo químico ocorre através de algumas reações químicas. Uma
reação fundamental dos processos de intemperismo é a hidrólise. Outras reações
químicas como a hidratação, a dissolução, a carbonatação e a oxidação também são
bastante comuns nos processos de alteração da rocha.

2.3 Caracterização e Classificação dos Solos Residuais Tropicais


A caracterização e classificação dos solos para engenharia, tem como objetivo
estimar o comportamento mecânico e hidráulico dos mesmos, sendo que toda
classificação é precedida da caracterização do solo.
SOUZA NETO e COUTINHO (2001) afirmam que não existe nenhuma
terminologia universalmente aceita que descreva as várias classes de solos residuais.
Algumas terminologias adotadas pela engenharia para identificar um solo residual têm
origem em classificações adotadas por geólogos, que refletem apenas a genética dos

5
solos e não oferecem qualquer estimativa de comportamento mecânico ou hidráulico
de um solo. Como exemplo citam-se as definições de solos residual jovem e maduro
dispostas na NBR 6502, que não são capazes de representar e distinguir toda gama
de solos residuais com suas diferentes propriedades mecânicas e hidráulicas.
Segundo TERZAGHI apud PINTO (2002) “um sistema de classificação sem
índices numéricos para identificar os grupos é totalmente inútil”. As classificações
SUCS e HBR são estabelecidas a partir da caracterização dos solos através dos
ensaios de granulometria e limites de Atterberg (Limites de Liquidez e de Plasticidade)
e têm limites numéricos bem definidos entre as classes de solo. No entanto, também
não são capazes de fornecer estimativas de propriedades dos solos residuais,
conforme explicitado por COZZOLINO e NOGAMI (1993).
Em decorrência desta carência por um sistema de classificação dos solos
residuais tropicais, diversos autores propuseram algumas formas de classificação dos
solos bem como de divisão dos perfis de solo e correlações de propriedades e índices
físicos.
NOGAMI e VILLIBOR (1981) propuseram uma classificação baseada na
caracterização dos solos através do ensaio de MCV (Moisture Condition Value) de
PARSONS (1976), adaptado para compactação de corpos de prova com dimensões
reduzidas (mini MCV), seguido da imersão total do corpo de prova compactado em
água, sob condições padronizadas. A classificação proposta com base nos parâmetros
obtidos dos ensaios de mini MCV e imersão total é denominada MCT e possibilita a
classificação dos solos em 7 grupos, 3 lateríticos e 4 não lateríticos.
VARGAS (1982) propôs uma adaptação na classificação da fração fina do
SUCS buscando acrescentar peculiaridades mineralógicas dos solos residuais
tropicais através da introdução do conceito de Atividade. Desta forma buscar-se-ia
identificar a natureza mineralógica da fração de argila e de silte.
SOUZA NETO e COUTINHO (1998) avaliaram os métodos de classificação
SUCS, MCT (NOGAMI e VILLIBOR 1981) e o proposto por VARGAS (1992) aplicados
a um solo residual de biotita gnaisse. Os autores concluíram que o primeiro mostrou-
se bastante limitado e os métodos de VARGAS (1992) e MCT mostraram-se mais
consistentes, sendo o último considerado bastante promissor.
No mesmo trabalho SOUZA NETO e COUTINHO (1998) também avaliaram a
influência dos procedimentos dos ensaios de caracterização para granulometria e
plasticidade dos solos. Os autores constataram que a desagregação e lavagem podem
influenciar no resultado da granulometria propiciado pela quebra de grãos fragilizados
pela alteração, aumentando em até 14% os finos do solo. Também verificaram uma
redução de 50% no percentual de argila (de 4 para 2%) quando da não utilização de

6
defloculante na sedimentação. Por fim os autores ainda identificaram um “índice de
atividade fictício”, denominado assim por apresentar uma plasticidade muito elevada
(em torno de 15%) para um percentual baixo de argila entre 4 e 12%. Este “índice de
atividade fictício” provavelmente esta associado a elevada concentração de mica no
material.
Os resultados dos ensaios de caracterização da granulometria também sofrem
influência do tipo de defloculante e do tempo de dispersão conforme apresentado por
COZZOLINO e NOGAMI (1993). Os autores também relataram a influência do tempo
de manipulação da amostra nos resultados dos ensaios de limite de liquidez.
A bibliografia também é bastante vasta quando da tentativa de divisão de um
perfil de solo em camadas. DEERE e PATTON (1971) apresentaram 13 diferentes
propostas de divisão de perfis dos solos e de diferentes autores variando de no
mínimo 3 camadas ao máximo de 8 camadas.
Uma primeira proposta de divisão do manto de solo tropical, foi concebida em
1985 na First International Conference on Geomechanics of Tropical Solis. O manto foi
dividido em duas camadas denominadas laterita (camada superficial) e saprolito
(camada subjacente). Esta proposta foi bastante criticada devido à definição da
camada superficial como laterita, o que nem sempre se verifica.
Segundo SANDRONI (1991) uma divisão dos perfis de intemperismo dos solos
residuais em camadas é definida por critérios que atendem às necessidades práticas,
às peculiaridades do meio ambiente, às especificidades da região e interpretação dos
autores. O autor afirmou que de maneira geral encontram-se em todas as descrições
de camadas os seguintes horizontes:
(i) Residual maduro – que não apresenta nenhuma estrutura ou
característica da rocha mãe;
(ii) Residual Jovem ou Saprolito – as estruturas e outras características da
rocha mão ainda estão presentes no solo;
(ii) Material de Transição – rocha alterada, material que não pode ser
considerado nem solo nem rocha.
SANDRONI (1991) também citou uma rotina comum para descrição dos solos
residuais jovens pelo reconhecimento da rocha mãe, caracteristicas de aparência,
número de golpes no SPT, distribuição granulométrica e limites de liquidez e
plasticidade.
Diversos autores tentaram estabelecer correlações entre características e
propriedades de simples obtenção com os parâmetros geotécnicos a serem adotados
em projetos (SOUZA NETO e COUTINHO, 2001; SANDRONI, 1981a).

7
SOUZA NETO e COUTINHO (2001) verificaram que as correlações de índices
físicos e propriedades índice de solos residuais de gnaisse com parâmetros de
resistência são muito fracas. Tal fato pode estar associado a grande variedade de
rochas gnáissicas. Os autores ressaltam a importância da mineralogia para
caracterização dos solos e também como potencial referência para correlações
conforme apresentado por SANDRONI (1991).

2.4 Mineralogia e Micromorfologia


A composição mineralógica e o arranjo dos solos residuais são bastante
correlatos com o comportamento mecânico e hidráulico dos solos. Em decorrência
desta afinidade o estudo da mineralogia e micromorfologia tornaram-se, em alguns
casos, complementares aos ensaios de caracterização comumente adotados
(granulometria e índices de consistência). A composição mineralógica é tão
importante, que em alguns casos, é incorporada à descrição de um solo, como por
exemplo, um solo residual jovem de biotita gnaisse.
A mineralogia de um solo está diretamente relacionada com a rocha de origem
e os seus processos de alteração. Os solos residuais de gnaisse apresentam quartzo,
feldspato e mica, compondo a fração grossa solo. Estes minerais têm origem nos
minerais primários da rocha mãe que permaneceram parcialmente no solo. A fração
fina dos solos residuais de gnaisse, originada da decomposição dos minerais
primários, é composta essencialmente pela caulinita. SANDRONI (1981b) verificou
que os minerais de feldspato e mica se decompõem mais rapidamente nesta ordem e
que o quartzo é o mais resistente.
A Tabela 2.2 apresenta o percentual dos minerais mica, feldspato e quartzo de
solos citados por SANDRONI (1981b), bem como o índice de vazios e a característica
da composição granulométrica dos solos. Nota-se ainda na Tabela 2.2 que todos os
solos são essencialmente arenosos, o que é comum em solos residuais formados de
rochas ácidas como gnaisse. Alguns solos de gnaisse mais desenvolvidos apresentam
textura silto-arenosa, com fração argila muito reduzida. Os solos originados de rochas
básicas, como o basalto, apresentam percentuais mais elevados de argilominerais.
A composição mineralógica é fundamental para o entendimento do
comportamento de alguns solos residuais. Além disto o conhecimento microestrutural
do solo e o grau de alteração dos minerais também são importantes e podem ser
dominantes no comportamento do solo.
SANDRONI (1981b), com base nos estudos de microscopia ótica e eletrônica e
análises por difração de Raio x verificou o decréscimo da resistência ao cisalhamento
com o aumento de concentração de mica na composição mineralógica de amostras de

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solos residuais jovens de gnaisse. Também apontou uma relação de redução da
resistência com o aumento do índice de vazios, que por sua vez está diretamente
relacionado com o grau de intemperismo.

Tabela 2.2 Caracteristicas básicas de solos residuais de gnaisse (Sandroni 1981b).


Solo Índice de Mineralogia dos grãos % passante Referência
Vazios retidos na #100 na #200
1 0,40 - 0,90 Baixo teor de mica 22 - 47 Sandroni (1973)
Biotita: 7%
Seraphim,
2 0,62 - 0,70 Quartzo: 42% 16 - 22
(1974)
Feldspato alterado: 26%
Biotita: < 2% Macarrini (1980)
3 0,73 - 1,15 Quartzo: 5 a 35% 20 - 26 Brito (1981)
Feldspato alterado: 30 a 60% Campos(1980)
Biotita: 7%
4 0,84 - 0,97 Quartzo: 42% 20 - 26 Seraphim (1974)
Feldspato alterado: 26%
Biotita: 7%
5 – 10
5 0,65 - 0,90 Quartzo: 42% Campos (1974)
(caulinita)
Feldspato alterado: 26%
Biotita: 7%
25
6 0,65 - 0,80 Quartzo: 42% Campos (1974)
(caulinita)
Feldspato alterado: 26%

Solos com predominância de grãos de minerais resistentes, como o quartzo,


tendem a apresentar resistências elevadas, enquanto solos compostos por minerais
mais fracos, como a mica, mostram-se menos resistentes conforme indicado por
SADRONI (1981).
Na tentativa de caracterizar os solos residuais e quando possível correlacionar
às propriedades, vários autores dedicaram-se aos estudos da microestrutura dos
solos. A microestrutura engloba a textura a composição e as forças entre as partículas
(COLLINS e MCGOWN, 1974). A textura por sua vez refere-se a forma, tamanho,
arranjo e espaçamento das partículas sólidas e também a forma, tamanho e
distribuição dos poros (COLLINS, 1985). A maioria dos trabalhos de autores brasileiros
sobre microestrutura abordam apenas a textura e a composição mineralógica.
Sandroni (1981b) apresentou uma descrição de um solo residual de gnaisse
bastante interessante conforme transcrito a seguir:

9
“Quando o feldspato é muito ubíquo resulta uma matriz caulinítica contendo
grãos de quartzo, pacotes de mica e feldspato um pouco menos alterados (composta,
por assim dizer, de uma sequência de casulos justapostos). Quando o feldspato
existente é menos frequente ocorrem, em primeira instância, casulos de caulim
envolvendo o feldspato menos alterado em contato com agregações de quartzo e
mica. A longo prazo, restam grãos de quartzo, alguns pacotes das micas e feldspatos
ligados entre si por conectores compostos por grãos finos de caulinita. Quanto aos
vazios, tendem a ser intragrupais de pequeno diâmetro no primeiro caso (feldspato
mais abundante). No segundo caso (feldspato menos abundante) o solo em geral
contém pequenos vazios intraelementares (nas agregações) e intragrupais (nos
conectores) e vazios maiores intergrupais”.
CELÍLIO JUNIOR e FUTAI (2008) e SILVEIRA e LACERDA (1992) também
procuraram caracterizar a microestrutura de seus solos e correlaciona-la ou pelo
menos entender melhor o comportamento mecânico dos solos. Alguns aspectos serão
abordados no item sobre estruturas reliquiares.
CELÍLIO JUNIOR e FUTAI (2008) apontaram algumas relações da mineralogia
e o arranjo das partículas com os índices e propriedades mecânicas do solo. Os
autores justificaram o elevado peso específico (nat=20,4kN/m3) através do
empilhamento de placas e baixa quantidade de macro e microporos. Também
apontaram uma relação do baixo índice de vazios (e=0,602) com o baixo grau de
alteração do solo. A respeito da resistência do solo, os autores indicaram a
predominância do mineral micáceo e sua forma planar como responsável pela
resistência reduzida. Outro aspecto relevante diz respeito à anisotropia do solo que foi
associada à anisotropia da rocha mãe.
O grau de alteração dos minerais constituintes do solo representa uma outra
vertente no estudo da micromorfologia dos solos de grande importância para o
entendimento do comportamento dos solos tropicais. LUMB (1962) propôs um
parâmetro (Xd) quantitativo para medir o grau de alteração dos solos em função do
peso das partículas de quartzo e feldspato constituintes do solo e da rocha de origem.
O autor obteve uma correlação entre Xd e o índice de vazios de um solo residual de
granito. No entanto esta mesma correlação não foi verificada para solos residuais de
gnaisse, conforme indicado por ROCHA FILHO et al (1985) .
É notória a influência da mineralogia e micromorfologia no comportamento e
características dos solos residuais. Todavia, a grande variedade de rochas,
principalmente as gnáissicas, impossibilita ou enfraquece correlações diretas. Apesar
disto, quando um determinado solo é analisado individualmente, pode-se estabelecer
uma relação direta entre seu comportamento e sua mineralogia e micromorfologia.

10
2.5 Comportamento mecânico – resistência ao cisalhamento
Os solos residuais apresentam comportamentos de resistência e
compressibilidade distintos dos solos sedimentares. Nos solos sedimentares a
resistência ao cisalhamento é influenciada em grande parte pelo histórico de tensões e
índice de vazios do solo. Já para os solos residuais, a influência das tensões passadas
é muito diminuta conforme demonstrado por VAUGHAN (1988).
A resistência dos solos residuais é governada por diversos fatores, entre eles
destacam-se: a micro e macroestrutura, a composição mineralógica, o grau de
alteração do intemperismo e o grau de saturação. Ressalta-se que os dois primeiros
têm ligação direta com a rocha de origem e que são transformados gradativamente
pelos processos de intemperismo. A ação do intemperismo pode eliminar qualquer
micro ou macroestrutura, além dos minerais da rocha de origem, modificando também
outras características de influência na resistência do solo tais como a distribuição
granulométrica, o índice de vazios e a forma e resistência dos grãos.
SANDRONI (1981a) sugere em seus resultados que o comportamento tensão
deformação do solo residual jovem de gnaisse é função do nível de tensões
confinantes e do índice de vazios, sendo o último relacionado com o grau de
intemperismo, pois quanto maior a profundidade da amostra ensaiada menor o índice
de vazios. O autor identificou dois tipos de comportamento tensão deformação
ilustrados na Figura 2.1. O tipo A está associado a baixas tensões e apresenta
mobilização de resistência com a deformação ao longo de uma trajetória retilínea, até
atingir um pico seguido de uma queda de resistência até a estabilização. O tipo B é
representado por uma curva semelhante a uma parábola. Segundo o autor a diferença
de comportamento da deformação em função da tensão confinante pode ser explicada
por um comportamento plástico com estados limites de tensões. Este comportamento
plástico está associado à destruição da estrutura do solo residual. Após atingir a
tensão limite ocorrem mudanças irreversíveis no solo como redução da rigidez e da
resistência ao cisalhamento (LEROUEIL e VAUGHAN, 1990).
SANDRONI (1981a) também observou que a resistência ao cisalhamento na
condição saturada sofre redução significativa do parâmetro de coesão e moderada do
ângulo de atrito, em comparação com as resistências na umidade natural. A influência
da submersão na resistência foi atribuída à redução das poro-pressões. O autor
apresentou resultados de ensaios orientados em diferentes direções em relação à
xistosidade do solo residual de gnaisse, que apontaram para uma tendência de
resistência menor para o ensaio no qual o plano cisalhado foi orientado paralelamente
a xistosidade do solo.

11
Figura 2.1 Comportamento tensão deformação (SANDRONI, 1981a).
Em outro trabalho de SANDRONI (1981b), foi apresentado um resumo de
diversas pesquisas realizadas na PUC. Dentre os pontos abordados neste trabalho
destaca-se a influência da concentração de mica e feldspato na resistência do solo,
que apresenta a variação da resistência com a concentração de mica (Figura 2.2). O
autor afirmou que o comportamento dos solos residuais de gnaisse é condicionado
pela presença de feldspato, em diferentes graus de alteração, e das micas distribuídas
de forma orientada.

Figura 2.2 Variação da resistência do solo em função da concentração de mica


(SANDRONI, 1981b).

12
BERNARDES (2003) apresentou, através de uma extensa campanha de
ensaios de laboratório, características mineralógicas, estruturais e comportamento
mecânico de solos residuais de gnaisse da cidade de Porto Alegre. Os de corpos de
prova ensaiados em equipamento de cisalhamento direto sob tensões normais de 25 a
600kPa apresentaram comportamento tensão-deformação predominantemente dúctil,
apenas com picos de resistência pouco pronunciados associados a baixas tensões
normais. Com relação à influência do intemperismo a autora constatou ser
insignificante para aos parâmetros de resistência, apesar de uma diferença de índice
de vazios média significativa.
BERNARDES (2003) ainda verificou a influência significativa da anisotropia na
resistência ao cisalhamento. Ensaios realizados com ruptura paralela a xistosidade
revelaram resistência inferior aos ensaios perpendiculares a xistosidade. A autora
justificou tal diferença a microestrutura herdada da rocha mãe e também verificou
através de microscopia ótica e eletrônica o comportamento dúctil das lamelas de
biotita, que se deformam e se orientam conforme a solicitação.
Contrariamente, MACARRINI (1980) e COSTA FILHO e CAMPOS (1991)
constataram, através de ensaios de cisalhamento direto, uma influência desprezível
da anisotropia nos solos residuais de gnaisse. MACARRINI (1980), no entanto,
classificou o solo como residual jovem de gnaisse, enquanto que COSTA FILHO e
CAMPOS (1991) classificaram como solo residual maduro de gnaisse. No caso dos
solos residuais maduros, os resultados de COSTA FILHO e CAMPOS (1991)
atenderam à expectativa de pequena ou nenhuma influência da anisotropia, pois
nestes solos a ação avançada do intemperismo normalmente elimina qualquer
anisotropia oriunda do solo saprolitico ou da rocha matriz, tornando o solo residual
maduro isotrópico
Outra diferença de comportamento envolvendo solos residuais jovens e
maduros foi explicitada por CAMPOS (1989). Através de ensaios triaxiais em amostras
de solos residual de gnaisse kinzigítico, o autor observou um comportamento tensão-
deformação dúctil nos solos maduros, enquanto que os solos jovens apresentaram
comportamento frágil com resistência de pico. CAMPOS (1989) destacou também o
comportamento dos solos residuais jovens rompidos em condição de submersão que
não apresentaram expansão até o pico de resistência ser atingido. Este fato não
afasta a relação entre a dilatância com a resistência de pico comumente aceita e
sugere, segundo o autor, algum tipo de cimentação.
SILVEIRA (1993) contribuiu com resultados de ensaios de cisalhamento e
triaxial em solos residuais de quartzo-diorito. Os solos residuais foram classificados
como solos jovens com estruturas reliquiares discerníveis a olho nu. No entanto o

13
parâmetro Xd, proposto por LUMB (1962), na ordem de 0,5, revela um elevado grau
de intemperismo, sugerindo um solo maduro. Os solos coluvionares apresentaram
comportamento dúctil com tensão cisalhante máxima atingida com deformações de
7mm e de difícil identificação. Já os solos residuais apresentam comportamento frágil
sob tensões normais de até 50kPa com pico de resistência ao cisalhamento bem
definido para deformações de 3mm.
Com relação a índices físicos e composição granulométrica, SOUZA NETO et
al (2001) não identificaram uma correlação que contemplasse todos os solos
estudados. No entanto, os autores verificaram correlação tanto de índice de vazios
como da composição granulométrica com o ângulo de atrito para solos de mesmo
local de origem. Tal fato pode ser explicado pela influência dominante da mineralogia,
microestrutura e grau de intemperismo de solos residuais em relação ao índice de
vazios e a granulometria. Ou seja, solos com estrutura, composição mineralógica e
grau de alteração semelhantes tendem apresentar correlações de índice de vazios e
granulometria com a resistência.

2.5.1 Ensaio de Cisalhamento direto e Resistência Residual


Segundo SKEMPTON (1985, 1964) a resistência residual ao cisalhamento é a
menor e constante resistência, atingida para grandes deslocamentos e sob
velocidades de cisalhamento reduzidas que garantam uma condição drenada durante
o cisalhamento.
A resistência ao cisalhamento residual tem importância e aplicação na análise
de estabilidade de taludes em rupturas pré-existentes, juntas com ou sem
preenchimento, falhas e rupturas progressivas. No entanto, os estudos relativos à
resistência residual dos solos tropicais residuais são bastante reduzidos.
Ensaios de Cisalhamento Direto
A obtenção de parâmetros residuais é realizada na grande parte dos casos
relatados da literatura pelos ensaios de ring shear e cisalhamento direto com múltiplas
reversões. No ring shear, as grandes deformações necessárias para atingir a
resistência residual são obtidas pelo cisalhamento contínuo da amostra. O
cisalhamento direto exige a execução de reversões, que consistem em retornar a
caixa bipartida à posição inicial do ensaio após cada cisalhamento. Este procedimento
é realizado quantas vezes forem necessárias, até alcançar a resistência residual.
Os parâmetros de resistência residual, obtidos através do ring shear são
menores do que os do cisalhamento direto com reversão. LACERDA et al (1992)
verificoram uma diferença de 4 graus (14º do ring shear e 18º do cisalhamento direto)
em solos residuais de quartzo.

14
SKEMPTON (1985) apresenta resultados de retroanálises de casos de rupturas
em argilas sedimentares cujos parâmetros de resistência são mais próximos aos
parâmetros obtidos de ensaios de cislhamento com reversões múltiplas do que os
obtidos por ring shear. Em relação aos parâmetros obtidos por retroanálise, os valores
de resistência dos ensaios com reversão são em média 0,5º menores, enquanto que,
os obtidos pelo ring shear são reduzidos de 1 a 2 graus. O autor sugere ainda um
procedimento de descarregamento durante a reversão do ensaio, o qual reduz ou
elimina o encurvamento em forma de “vale” das curvas tensão-deslocamento de
segundo estágio do cisalhamento direto.
A velocidade de cisalhamento é necessária para garantir a condição drenada
conforme a própria definição de resistência residual. SANDRONI (1981a) concluiu que
a velocidade de cisalhamento direto exerce influência insignificante nos parâmetros de
resistência nos solos residuais do campo experimental da PUC-RJ ensaiados no
intervalo de velocidades entre 0,41mm/min e 0,0032mm/min. SILVEIRA (1993)
também verificou através de ensaios de cisalhamento direto em solos residuais areno-
siltosos que a velocidade variando de 1mm/min a 0,002mm/min pouco ou nada
influencia a resistência dos solos. SKEMPTON (1985) também apresentara influência
pouco significativa da velocidade de ensaio na resistência ao cisalhamento de argilas
sedimentares, quando ensaiadas sob velocidades até cem vezes maiores e menores
que velocidades usuais em laboratório.
SANDRONI (1981a) concluiu que as curvas tensão-deformação dos ensaios de
cisalhamento direto de solos residuais jovens de gnaisse apresentam-se coerentes
com as curvas dos ensaios triaxiais, apesar de não serem adequadas para o estudo
de tensão-deformação.
Ao comparar os resultados de resistência obtidos por cisalhamento direto e
ensaio triaxial, SANDRONI (1981a) observou maiores variações na coesão e ângulo
de atrito, respectivamente para altas e baixas tensões. Nestes ensaios os valores de
resistência obtidos por cisalhamento direto eram sempre maiores do que os obtidos
por ensaio triaxial. Tal diferença foi justificada pelas condições diferenciadas de
deformação inerentes aos dois ensaios e também a passagem de comportamento
tensão-deformação de uma curva com pico de resistência seguido de queda abrupta e
estabilização para uma curva de formato parabólico.
De maneira geral os ensaios de cisalhamento direto podem fornecer valores de
resistência residual e comportamentos mecânicos dos solos com acurácia satisfatória.
Resistência ao Cisalhamento Residual
Os estudos de resistência ao cisalhamento residual são mais frequentemente
relatados na literatura de solos transportados das regiões temperadas. É interessante

15
notar que os estudos de solos tropicais, na grande maioria, buscam verificar
propriedades e correlações específicas de solos sedimentares das regiões
temperadas.
A principal correlação para resistência residual foi obtida com o percentual da
fração argilosa do solo. Quanto maior a fração de argila, menor a resistência residual
do solo (SKEMPTON, 1964 e 1985).
Segundo SKEMPTON (1985), a redução da resistência de pós-pico se deve
inicialmente à resistência ao cisalhamento de estado crítico, decorrente do aumento da
umidade na superfície de cisalhamento, e ao alinhamento das partículas lamelares na
direção do cisalhamento após grandes deslocamentos. No entanto, foram observados
três comportamentos distintos relativos ao alinhamento das partículas associados ao
percentual de argila presente no solo, conforme Tabela 2.3.

Tabela 2.3 Comportamento da mobilização da resistência residual associado a


fração de argila do solo SKEMPTON (1985).
Percentual de argila Descrição do comportamento
Menor que 25% Não ocorre redução de resistência residual devido ao
alinhamento das partículas
O comportamento é semelhante ao de solos granulares e
apresenta resistências residuais elevadas
Maior que 50% Solos com percentual de argila em torno de 50% têm
resistência residual controlada pelo alinhamento das
partículas
Solo com percentuais maiores que 50% de argila pouco
ou nada alteram o comportamento da resistência residual
Apresentam resistência residual muito baixa, podendo
variar com a mineralogia constituinte do solo
Entre 25 e 50% Representa a transição entre os dois comportamentos
anteriores. O comportamento da resistência residual é
afetado pela fração de argila
Quanto maior a fração argila, maior é o alinhamento das
partículas e menor é a resistência

LUPINI et al (1981) identificaram três comportamentos da resistência residual


semelhantes aos descritos na Tabela 2.3, denominados turbulento, deslizante e
transicional. Estes comportamentos são controlados pela proporção de partículas
lamelares do solo e o coeficiente de atrito entre estas partículas. Segundo os autores,
uma boa correlação para identificação do comportamento e estimativa da resistência

16
residual é dada pelo índice de vazios granular, que é o valor obtido pela razão entre o
volume de partículas lamelares mais volume de vazios pelo volume de partículas
granulares.
BOYCE (1985) confirmou a boa correlação entre o índice de vazios granular e
a resistência residual. Também destacou a importância da fração argila para
resistência residual e a fraca relação entre a fração de argila e a resistência residual
de solos tropicais.
A influência da mica na resistência residual dos solos foi estuda por FONSECA
et al (2009) através de ensaios de ring shear realizados em amostras indeformadas e
amostras moldadas em laboratório com diferentes percentuais de mica, argila e areia.
Os resultados mostraram que o aumento da proporção de mica, tanto em misturas
com areia como com argila, propiciam uma redução na resistência residual. Também
foi possível notar que a resistência residual de misturas de mica com argila é sempre
menor do que a de misturas de mica com areia nas mesmas proporções. Estes
resultados, mais uma vez, mostraram a correlação fraca entre a fração argila e o
ângulo de atrito residual do solo.
BRESSANI et al (2001) também verificaram que alguns solos saprolíticos e
micáceos não apresentavam a mesma correlação proposta por SKEMPTON entre
fração de argila e ângulo de atrito residual. No entanto, esta correlação foi verificada
para outros solos residuais. Os autores concluem que a fração de argila, a mineralogia
e a origem geológica foram os principais fatores de controle da resistência residual.
Outro fator de influência na determinação da resistência residual em ensaios de
laboratório é o deslocamento necessário para atingir uma resistência constante.
SKEMPTON (1985) informa que estes deslocamentos podem alcançar até 500mm
mas também podem ser obtidos com precisão de 1º para deslocamentos entre 20 e
50% do valor no qual a resistência residual é alcançada. (LUPINI et al, 1981).
SKEMPTON (1985) citou alguns exemplos de resistência residual de juntas e
descontinuidades que foram obtidas com deslocamentos variando de 4 a 40 mm.
É sabido também, que a resistência residual sofre influência das tensões
efetivas, da poropressão e do grau de intemperismo. Portanto, ainda são necessários
muitos estudos em laboratório e campo para a consolidação do conhecimento relativo
à resistência residual.

2.6 Estruturas Reliquiares


Nota-se na literatura uma divergência quanto ao entendimento de uma
estrutura reliquiar. PASTORE (1995) em sua descrição de solo saprolítico faz distinção
entre estruturas reliquiares e descontinuidades do maciço como falhas, fraturas e

17
juntas. SILVEIRA e LACERDA (1992), no entanto, identificaram descontinuidades
estruturais da rocha matriz preservadas no solo residual de quartzo-diorito, as quais
denominaram de estruturas reliquiares. SILVEIRA (1993) aponta a presença de
minerais félsicos identificados entre os minerais máficos de um solo residual jovem
como sendo uma estrutura reliquiar herdada da rocha matriz. Este autor descreve as
descontinuidades dos solos residuais herdadas da rocha matriz também como
estruturas reliquiares.
Os solos residuais em decorrência da formação in situ e da vasta diversidade
das rochas de origem, preservam características da rocha matriz como foliação,
acamamento, estruturas como dobramentos, falhas, fraturas, etc. Desta forma,
reunindo as descrições de diversos autores, entende-se que as características da
rocha mãe quando preservadas no solo são denominadas pelos engenheiros como
“estruturas reliquiares”.
A instabilização de taludes devido à presença de estruturas reliquiares nos
solos residuais tem sido relatada ao longo dos anos por diversos autores em
diferentes países. Alguns autores limitam-se a entender e descrever o mecanismo de
ruptura e citar a presença destas estruturas. Outros procuram identificar e caracterizar
estas estruturas e, em poucos casos, buscam identificar a origem e formação das
mesmas. A seguir estão relatados alguns trabalhos que propõem contribuir para um
maior entendimento destas estruturas reliquiares, as quais são de grande relevância
para a estabilidade de taludes, porém, não recebem a atenção e o tratamento devidos.
MASSAD e TEIXEIRA (1985) relataram o aparecimento de trincas e a ruptura
de um talude de 44 metros de altura e inclinação de 1:1,5 junto às escavações para o
vertedouro de uma barragem localizada próximo a Curitiba. O solo é residual originado
da alteração de uma rocha de anfibolito-biotita-gnaisse e o perfil do solo compreende
uma camada superficial com 6m aproximadamente, sobreposta a um saprolito com até
25m de espessura, apoiado em uma rocha alterada. Os autores destacaram a
xistosidade como a estrutura mais marcante herdada da rocha mãe, além de diaclases
com orientação perpendicular a xistosidade e diques de diabasio e quartzo. O solo
saprolítico é bastante heterogêneo com coloração variada, rochas parcialmente
decompostas e dobramento e inclinações das camadas com cores também bastante
variadas.
Quanto aos movimentos de massa MASSAD e TEIXEIRA (1985) relataram os
primeiros sinais de movimentação em outubro de 1974 com a ocorrência de trincas
paralelas à xistosidade e uma pequena ruptura rasa. As trincas revelaram uma ruptura
semelhante à de um tombamento de blocos conforme ilustra a Figura 2.3. Durante as
chuvas de julho de 1975 ocorreu uma nova ruptura com profundidade entre 6 e 8

18
metros. Ambas as rupturas foram associadas principalmente às “juntas reliquiares”,
conforme denominado pelos autores. Estas juntas são superfícies de menor
resistência em relação a “matriz do solo” que circunda as mesmas. As juntas são
preenchidas com material areno-siltoso de coloração cinzenta, verde e as vezes preta.
Os autores não definiram a origem das juntas, considerando duas possibilidades:
1ª – movimentos tectônicos preexistentes reativados pelas escavações do
talude;
2ª – o alivio das tensões decorrente das escavações induziram deformações
nas descontinuidades do solo herdadas da rocha mãe.

Figura 2.3 Vista esquemática do escorregamento (MASSAD e TEIXEIRA, 1985).


QUEIROZ (1965) e OLIVEIRA (1967) citados por MASSAD e TEIXEIRA (1985)
descreveram pequenos movimentos e entre estes, uma ruptura condicionada por
juntas reliquiares no talude de escavação de 60m cortado para implantação do
vertedouro da barragem de Jacareí. O solo residual deste talude é originado de rocha
gnáissica e apresenta resistência muito elevada. As juntas reliquiares eram
preenchidas com material de alteração dos diques de diabásio e bandas escuras de
solo siltoso micáceo. Outra característica relevante relatada por Oliveira durante as
escavações foram os sinais de movimento tectônico no sítio do empreendimento.
Destaca-se ainda a previsibilidade de tais estruturas reliquiares. Queiros (1965) indica
que inferências destas estruturas ficam limitadas aos afloramentos rochosos, que por
sua vez, perdem valor em regiões submetidas a movimentos tectônicos.
Outro relato citado por MASSAD e TEIXEIRA (1985) foi o de DEERE (1957) a
respeito de rupturas de taludes de escavação ao longo de juntas reliquiares presentes
no solo residual de granito. As superfícies das juntas reliquiares eram revestidas com
uma fina camada de dióxido de manganês, acarretando uma baixa resistência da

19
junta. O autor apontou ainda a impossibilidade de identificar previamente estas juntas,
concordando com o relato de QUEIROZ (1965) a respeito da previsibilidade de juntas
reliquiares.
St. JOHN et al. (1969) tentaram detalhar e esclarecer a origem de uma
estrutura reliquiar denominada de black seams. Os autores realizaram uma importante
descrição destas estruturas, abrangendo aspectos como disposição espacial e
geometria, composição mineralógica, origem e formação, comportamento mecânico e
também geometria de rupturas com exemplos de casos reais.
As estruturas denominadas black seams são juntas preenchidas com finas
camadas de minerais de cor preta, cuja distribuição espacial ocorre de forma aleatória
em solos saprolíticos. Estas juntas podem atingir até 30 metros de extensão e
normalmente são planas ou levemente encurvadas, porém com pequenas ondulações
e distorções. Segundo os autores, estas estruturas ocorrem algumas vezes
paralelamente a xistosidade da rocha de origem. No entanto, a ocorrência mais
comum é cortando a xistosidade em variadas direções.
Em decorrência de sua formação, as black seams apresentam-se em alguns
casos fortemente cimentadas e em outros com superfície slickensided. Desta forma,
os autores propuseram dividir a formação e origem em estruturas com e sem
slickensides. No entendimento de St. JOHN et al. (1969), black seams sem a presença
de slickensides são formadas pelo acúmulo e deposição de minerais nas juntas e/ou
fraturas reliquiares da rocha matriz. Estes minerais têm origem em minerais
secundários de alteração da própria rocha pela ação da água do lençol freático e na
precipitação de substancias húmicas, ferro e manganês, transportados por lixiviação
em soluções complexas formadas no horizonte A. Estes minerais acumulados
aleatoriamente formam um fino revestimento que adere firmemente na superfície de
minerais e se consolida tornando difícil a sua remoção. Quanto às estruturas com
slickensides, os autores propõem duas fases. A primeira de formação do revestimento
de coloração preto, composto por minerais secundários de alteração da rocha e
substancias húmicas, ferro e manganês e a segunda fase que dá origem à superfície
slickensided. O surgimento da superfície slickensided está associado a deformações
do solo residual nas juntas de fraqueza, como as black seams, mobilizadas pela
expansão do perfil de rocha alterada subjacente em decorrência do processo de
intemperismo atuante neste perfil (Figura 2.4).
Os estudos de laboratório de St. JOHN et al. (1969) incluíram a determinação
da mineralogia, resistência ao cisalhamento e permeabilidade. Os resultados da
mineralogia apontaram para uma predominância de substâncias húmicas e porções
variadas de ferro e manganês. Para determinação da resistência foram realizados

20
ensaios triaxiais com as juntas (black seams) orientadas a 45º com a horizontal. Os
resultados dos ensaios foram muito dispersos e são apresentados na Figura 2.5.

Figura 2.4 Perfil típico de solos residuais (St. JOHN et al. - 1969).
Outra importante contribuição de St. JOHN et al. (1969) diz respeito às
geometrias de rupturas ocorridas sob influência das estruturas reliquiares, black
seams, em casos reais de outros autores. Cita-se, como exemplo, as inúmeras
rupturas ocorridas em taludes escavados em uma estrada em Porto Rico. Estas
rupturas ocorreram basicamente em duas geometrias diferentes. Na primeira a
inclinação da estrutura reliquiar em relação à horizontal é inferior à do talude de
escavação (Figura 2.6) e na segunda a inclinação da estrutura reliquiar é superior
(Figura 2.7).
Ambas as formas de ruptura ocorreram sob intensa chuva. No primeiro caso
representado na Figura 2.6, o aparecimento de trincas de tração deu origem a ruptura
em cunha, deslizando sobre a superfície reliquiar. Com o escorregamento da cunha,
novas trincas de tração surgiram no material indeformado remanescente, sobreposto à
estrutura reliquiar.
A segunda forma de ruptura (Figura 2.7) ocorre mediante pouca ou nenhuma
resistência mobilizada no plano da estrutura reliquiar, acarretando a abertura de uma
grande trinca ao longo da estrutura e o escorregamento da massa de solo adjacente e
posterior à estrutura reliquiar. Neste tipo de ruptura o talude remanescente tende a

21
permanecer estável, pois a resistência da matriz do solo em geral é muito maior do
que a resistência da estrutura reliquiar.

Figura 2.5 Envoltórias de Resistência (St. JOHN et al., 1969).

Figura 2.6 Seção transversal de ruptura condicionada por uma estrutura reliquiar
de inclinação inferior a do talude (St. JOHN et al., 1969).
St. JOHN et al. (1969) corroboram a perspectiva de outros autores quanto à
previsibilidade das estruturas reliquiares (black seams) indicando uma grande
dificuldade de se determinar a posição e inclinação da estrutura reliquiar presente no
talude. Em decorrência desta imprevisibilidade, os autores propõem projetos
conservadores ou, simplesmente, assumir o risco de eventual ruptura através de
estruturas reliquiares não identificadas previamente.

22
Figura 2.7 Seção transversal de ruptura condicionada por uma estrutura reliquiar
de inclinação superior à do talude (St. JOHN et al., 1969).
Lacerda e Silveira em dois diferentes artigos datados de 1992 analisaram a
resistência e a composição mineralógica de estruturas reliquiares de um solo residual
de quartzo-diorito, conhecido como granito preto da Tijuca. No trabalho dedicado à
mineralogia e micromorfologia os autores identificaram uma composição mineralógica
muito distinta entre as estruturas reliquiares, também chamadas por eles de black
seams, e a matriz de solo residual circundante. A Tabela 2.4 resume a composição
mineralógica dos solos analisados por difratometria de Raio-X. No trabalho dedicado
ao comportamento mecânico e caracterização dos matérias, a resistência ao
cisalhamento das estruturas reliquiares foi obtida através do ensaio de ring shear,
assim como a resistência residual do solo residual indeformado. A Figura 2.8
apresenta as envoltórias de resistência e mostra a grande diferença entre as
resistências da estrutura reliquiar e do solo residual maduro.

Tabela 2.4 Composição mineralógica (SILVEIRA e LACERDA, 1992).


Tipo de Solo Mineralogia
Residual Caulinita, traços de ilita e vermiculita
Coluvionar Caulinita e vermiculita
Fração
Argila

Reliquiar Caulinita, traços de ilita e interestratificado ilita-


esmectita
Residual Caulinita, vermiculita e quartzo
Fração

Coluvionar Vermiculita, gibsita e quartzo


Silte

Reliquiar Caulinita, gibsita e quartzo

23
Um trabalho recente e muito prático foi realizado por FRANCO et al. (2008),
relatando a ruptura planar decorrente da presença de estrutura reliquiar e propondo
solução de estabilização após estudos paramétricos e de sensibilidade. A ruptura
descrita pelos autores pertence ao talude em solo sobre emboque de um túnel auxiliar
do empreendimento AHE Simplício, no qual esta pesquisa está inserida.

Figura 2.8 Envoltórias de resistência (LACERDA e SILVEIRA, 1992).


Segundo os autores, a ruptura ocorreu ao longo do plano de fraqueza da
estrutura reliquiar sob um período de chuvas intensas. Após a ruptura foram realizadas
retroanálises para estimar os parâmetros de resistência e estudos de sensibilidade,
afim de identificar as piores situações que o talude pode estar submetido considerando
a presença da estrutura reliquiar. Nestes estudos foram realizadas retro-análises
considerando uma ruptura em cunha que levaram aos parâmetros de resistência de 
= 18º e c = 3kPa. Nas demais análises avaliaram a variação do fator de segurança da
cunha com a variação do mergulho da estrutura reliquiar, da inclinação do talude, do
preenchimento da trinca com água e da variação do mergulho da estrutura reliquiar
com preenchimento de 50% da trinca com água. Os autores reportaram que,
independente da inclinação da estrutura reliquiar o talude seria instável para condição

24
de 50% de preenchimento da trinca com agua. Em decorrência disto propuseram a
adoção de drenos horizontais profundos com objetivo de drenar a agua do maciço.
Considerando os relatos dos autores citados acima entre outros (KOO, 1982;
IRFAN e WOODS, 1988; WOLLE, 1985; COSTA NUNES e FERNANDES, 1985 e
NIEBLE et al, 1985) nota-se a relevância das estruturas reliquiares presentes nos
solos residuais em relação à estabilidade de taludes. No entanto, nota-se também que
os trabalhos relacionados a estas estruturas são limitados à descrição da geometria e
dos prováveis mecanismos da ruptura. Poucas foram as referências encontradas que
apresentaram o objetivo de caracterização e entendimento da formação e origem
destas estruturas bem como seu comportamento mecânico de maneira a melhorar a
previsibilidade destas estruturas. Projetos geotécnicos com a presença dessas
estruturas de resistência geralmente muito baixa e difícil previsão são desafiadores.

25
3. Área de Estudo
Este capítulo apresenta uma breve descrição do Aproveitamento Hidrelétrico
de Simplício indicando sua localização, arranjo geral do empreendimento e aspectos
geológicos e morfológicos da região. Também são descritos e detalhados os aspectos
específicos da área de interesse desta pesquisa.

3.1 Localização e acessos da AHE Simplício


A área de estudo está situada no sítio do Aproveitamento Hidrelétrico de
Simplício, que por sua vez está localizado no Rio Paraíba do Sul. Este Aproveitamento
afeta diretamente os municípios de Três Rios – RJ, Sapucaia – RJ, Chiador – MG e
Além Paraíba – MG. No entanto, as obras civis referentes à implantação das
estruturas do aproveitamento hidrelétrico limitam-se ao trecho entre Anta (distrito de
Sapucaia, RJ) e Simplício (localidade do município de Além Paraíba, MG). O Rio
Paraíba do Sul neste trecho é o limite político entre os estados de Minas Gerais
(margem hidráulica esquerda) e do Rio de Janeiro (margem hidráulica direita). A maior
parte das obras civis para implantação do aproveitamento hidrelétrico está
concentrada na margem esquerda do Rio Paraíba do Sul, nos municípios de Chiador e
Além Paraíba.
O acesso ao sítio do Aproveitamento Hidrelétrico de Simplício é realizado pelo
Rio de Janeiro ou por Minas Gerais através das rodovias BR-116 e BR-040, até o
entroncamento com a BR-393, por onde se chega aos municípios de Três Rios,
Sapucaia e Além Paraíba (Figura 3.1).

3.2 Descrição geral do aproveitamento e localização da área de estudo


O AHE Simplício é composto por um barramento no Rio Paraíba do Sul
próximo à Anta, um circuito de adução de aproximadamente 30 km e uma casa de
força principal ao final do circuito de adução, denominada UHE Simplício.
A partir do barramento, parte da vazão do Rio Paraíba do Sul é desviada
paralelamente ao curso natural do rio através de um circuito de adução composto por
túneis, reservatórios, canais e alguns diques, todos localizados na margem esquerda
do rio, nos municípios de Chiador e Além Paraíba, MG. Ao final do circuito de adução,
com extensão aproximada de 30 quilômetros, está locada a casa de força principal
(UHE Simplício) aproveitando uma queda natural local de 115 metros, restituindo a
vazão desviada ao Rio Paraíba do Sul (Figura 3.2).

26
Figura 3.1 Localização do AHE Simplício e vias de acesso.

3.2.1 Obras do barramento em Anta


A Figura 3.3 mostra o arranjo da região do barramento em Anta, composto por
uma casa de força complementar, um vertedouro e uma barragem de CCR que juntos
têm um comprimento total de 397 metros aproximadamente. A casa de força, o
vertedouro e seus respectivos canal de fuga e bacia de dissipação estão locados no
leito original do rio. O vertedouro é composto de 3 vãos de 15m de largura equipado
com comportas do tipo segmento. A barragem está coroada na cota 254,2m a 2,7m
metros acima do nível normal de operação igual a 251,5m. É uma barragem do tipo
gravidade em concreto compactado a rolo (CCR) com soleira vertente de 250m de
extensão e altura aproximada de 28m. Os vertedouros (vertedouro e barragem) têm
capacidade de escoar 8500 m3/s. A casa de força complementar, denominada no
projeto por PCH Anta, aloja duas unidades geradoras com potencia de 14,4MW. A
implantação desta casa de força justifica-se por aproveitar a vazão sanitária
obrigatória de 71 m3/s.

3.2.2 Obras de interligação


As obras de interligação tem início a montante do barramento em Anta com um
canal escavado em solo seguido por intercalações de túneis, reservatório e outros
canais, além de diques que evitam a fuga das águas deste circuito hidráulico. A Figura
3.2 resume a sequência de túneis, canais, reservatórios e diques intercalados ao longo
de aproximadamente 30 km e a 0 resume as extensões aproximadas de cada obra
que compõem a interligação.

27
Área de
Estudo

Figura 3.2 Arranjo geral – Obras de Interligação do AHE Simplício.

28
TOMADA D`ÁGUA

BARRAGEM EM CCR
VERTEDOURO

BACIA DE
DISSIPAÇÃO
CASA DE
FORÇA

CANAL DE
RESTITUIÇÃO

CANAL DE FUGA

Figura 3.3 Arranjo da região do barramento em Anta.


Tabela 3.1 Resumo das obras de interligação.
OBRAS DE INTERLIGAÇÃO
Descrição Comprimento Descrição Comprimento
Canal 1 1905 m Canal 4 - Parte 2 105 m
Túnel 1 1458 m Túnel A5 502 m
Canal 2 1011 m Túnel C5 1590 m
Cana 3 565 m Canal 6 73 m
Túnel 2 1755 m Túnel 3 6030 m
Canal 4 - Parte 1 85 m Canal 7 202 m
Tunel A 782 m Túnel 8 580 m

3.2.3 Obras da UHE Simplicio


A região da casa de força principal é composta pelo canal de adução, tomada
d´água, túnel forçado, casa de força e o canal de fuga (Figura 3.4). O canal de adução
conduz as vazões até a tomada d´água por uma extensão de 350m. A partir da
tomada d´água, as vazões seguem por três túneis forçados, cada um com 6 m de
diâmetro divididos em um trecho vertical inicial de aproximadamente 32 m e outro
trecho inclinado com aproximadamente 292 m até a casa de força. A casa de força
principal é do tipo abrigada e aloja 3 unidades geradoras de 104 MW cada. Após
turbinamento das vazões, a água é restituída ao Rio Paraíba do Sul através do canal
de fuga, que tem aproximadamente 750m.

29
Tomada D´água

Túneis Forçados

Canal de Adução

Casa de Força

Canal de Fuga

Figura 3.4 Casa de Força Principal – Arranjo.

3.2.4 Área de estudo – Túnel A5


A área de interesse específico deste estudo está localizada no circuito
hidráulico de interligação, exatamente no desemboque do Túnel A5 conforme indicado
anteriormente na Figura 3.2.
Originalmente o projeto previa a execução de um canal escavado em solo e
rocha em um vale com indícios de instabilização. Em decorrência do grande volume
de escavação e tratamento intensivo, necessários para implantação e estabilização
deste canal, optou-se pela execução de um túnel na esquerda hidráulica do canal
original.
A implantação do túnel A5 deu origem a um talude de escavação em solo de
aproximadamente 70 metros de altura na região do desemboque. A escavação tem
geometria convexa conforme indicado na Figura 3.5 e taludes com inclinação de
1V:1,5H (33,7º) e alturas de 10 metros, intercalados com bermas de 5 metros de
largura conforme seção de escavação da Figura 3.6 .
As amostras indeformadas foram coletadas da face do talude entre as bermas
de elevação 298,5 e 308,5m. Os critérios para coleta de amostras são descritos em
detalhe no Capitulo 4.

3.3 Aspectos Geológicos e Geotécnicos da AHE Simplício Queda Única.


Os aspectos geológico geotécnicos descritos neste item são baseados no
Relatório Geral do Projeto Básico do AHE Simplicio Queda Única (ENGEVIX, 2006) e
na monografia de graduação de Marinho (2007). Outros autores foram consultados
apenas para complementação das informações e melhor entendimento dos aspectos
geológicos.

30
EL. 328,50m
EL. 318,50m

EL. 308,50m

Região B EL. 298,50m

EL. 288,50m

Região C
EL. 278,50m Região A
EL. 268,50m

EL. 258,50m

Figura 3.5 Geometria do talude de escavação do desemboque do túnel A5.

Figura 3.6 Seção transversal da escavação do desemboque do túnel A5.

31
3.3.1 Geologia Regional
A região tem como característica estrutural marcante o lineamento Além
Paraíba ou Zona de Cisalhamento do Rio Paraíba do Sul, que está inserido na parte
central da Faixa Ribeira segundo Dehler e Machado (2002).
A Faixa Ribeira é um dos orogenos do Neoproterozóico que circunda o Cráton
de São Francisco (Silva, 2001) e que se estende ao longo da porção atlântica dos
estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro (Heilbron et al., 2004 apud Marinho,
2007), conforme indicado na Figura 3.7. A formação desta faixa está associada a
sucessivas colisões de terrenos contra a margem sul do Cráton São Francisco.

Figura 3.7 Localização da Faixa Ribeira (modificado de Campanha e Neves, 2004).


Regionalmente destacam-se três unidades litoestratigráficas sendo uma
dominante conforme indica a Figura 3.8. A unidade dominante chamada de Complexo
Paraíba do Sul é composta essencialmente por gnaisses, migmatitos, cataclásticos e
recristalizados. A predominância e a grande variedade de rochas metamórficas na
região estão associadas a eventos de granitização e intensos processos tectônicos
ocorridos entre o Ciclo Transamazônico e o Ciclo Brasiliano.
Sobre o aspecto estrutural, destaca-se novamente o Alinhamento Paraíba do
Sul como uma faixa de cisalhamento dúctil de interferência regional. De acordo com
relatório geral do projeto básico (Engevix, 2006), esta faixa de cisalhamento é
constituída por rochas cataclásticas e localmente miloníticas com orientação N60º-

32
70ºE e espessuras que alcançam 2,5km. O relatório também informa que esta feição
estrutural é responsável pela instalação do Rio Paraíba do Sul.
Além das estruturas associadas ao Alinhamento Além Paraiba também são
encontradas falhas de comportamento normal ao alinhamento e fraturas com
orientações N10º-30E, N30ºW e N45ºW. As diaclases também são reconhecidas
pelos sistemas N65ºE subvertical (paralelo à foliação e ao alinhamento Além Paraíba),
N30ºW subvertical (perpendicular à foliação) e um sistema sub-horizontal.
Quanto à geomorfologia regional, ressalta-se um relevo bastante movimentado
com forte controle estrutural e morros arredondados. Na região de interesse do projeto
destacam-se três compartimentos geomorfológicos importantes: Serra dos Órgãos,
Depressão Escalonada dos Rios Pomba e Muriaé e Alinhamento de Cristas do
Paraíba do Sul, sendo o último de influência direta no empreendimento.

3.3.2 Geologia Local


As áreas de influência direta do empreendimento abrangem as unidades
litoestratigráficas dos Complexos Juiz de Fora e Paraíba do Sul. Nestas áreas os
complexos são formados predominantemente por gnaisses, blastomilonitos e
migmatitos. Valeriano (2006, citado por Marinho, 2007) informou em relatório técnico
de reconhecimento que as litologias podem ser agrupadas em três faixas paralelas na
direção SW-NE, constituídas por granulitos, paragnaisses e ortognaisses.
Através dos afloramentos foram constatados os mesmos sistemas de diaclases
descritos na geologia regional. O sistema N60º-65ºE é dominante na área estudada,
paralelo à foliação e com mergulho subvertical. O espaçamento deste sistema é da
ordem de 1,5m e não persiste com a profundidade. Já o sistema perpendicular à
foliação com direção N30º-45º é persistente. O sistema sub-horizontal é o segundo
mais frequente depois do sistema paralelo à foliação.
Na avaliação do maciço rochoso foram identificadas descontinuidades
paralelas à foliação e sub-horizontais, semelhantes aos diaclases. No entanto, as
descontinuidades perpendiculares à foliação foram dividias em três famílias: N5ºW-
N10ºE subvertical, N5ºW-N80ºW subvertical e N5ºW-N10ºE, 45ºSW, (Engevix, 2006).
A densidade do fraturamento tende a ser menor com a profundidade e
normalmente não ultrapassa 10 metros.

33
Figura 3.8 Mapa Geológico (Engevix 2006).

34
Quanto ao recobrimento de solo, observa-se com frequência a presença de
colúvio sobreposto a uma camada de solo residual maduro e/ou jovem, exceto em
áreas de várzea onde são encontrados aluviões. A ocorrência de rocha alterada sob a
camada de solo residual nem sempre é observada. Os solos são predominantemente
de granulação fina com tendência de crescimento da fração mais grossa com a
profundidade.
Os mantos de solo apresentam espessuras que variam de 5 a 30m sobre os
morros arredondados com desníveis de até 200 metros.

3.3.3 Aspectos geológicos e geotécnicos da área de estudo – Túnel A5


A área de estudo desta pesquisa corresponde a um talude de escavação em
solo sobre o desemboque do túnel A5, conforme indicado anteriormente na seção da
Figura 3.6.
Este túnel é parte do trecho do circuito hidráulico de interligação, que previa
como primeira alternativa o Canal 5 Parte 1 ao invés do Túnel A5 conforme indicado
na Figura 3.9. Em decorrência disto, a descrição geológica e geotécnica deste trecho 5
está associada ao arranjo sem o Túnel A5, cuja avaliação ficou limitada à inspeção
visual realizada na época de coleta das amostras.
O eixo do Canal 5 Partes 1, 2 e 3 foi implantado sobre os paragnaisses do
Complexo Paraíba do Sul, nos quais são comuns grandes espessuras de solo. Na
Parte 1 as espessuras de solo e transição solo-rocha podem atingir até 40m. O
horizonte de rocha alterada é constante em toda área com 15 metros de espessura.
Na margem direita deste canal encontra-se uma massa instável com volume
aproximado de 10.000m3.
Os demais trechos, Parte 2 e 3 do Canal 5, preveem escavações de menor
porte tendo em vista a forma dos vales e as espessuras de solo que não passam 5
metros na margem direita, mas podem atingir 20 metros na margem esquerda, devido
à ocorrência de “línguas” de material transportado. O fundo do vale nas porções inicial
e final do canal apresenta acúmulo de solo colúvio-aluvionar argiloso, saturado e com
espessura média de 6 metros.
A face do talude de escavação (Figura 3.5) revela duas estratigrafias de solo:
colúvio com espessura aproximada de 3 metros localizado na superfície e solo
residual jovem subjacente ao colúvio. O solo residual jovem é bastante heterogêneo
com presença de estruturas reliquiares da rocha tais como planos de
descontinuidades e foliação. A presença de estruturas reliquiares é tão mais marcante
quanto maior a profundidade. O solo residual jovem apresenta granulometria variada
com porções mais arenosas, tal como a região A da Figura 3.5, e outras áreas com

35
predominância de material fino, correspondente ao local da coleta dos blocos. Esta
variação de granulometria não apresentou relação com a profundidade.

Túnel A5

Figura 3.9 Arranjo do trecho 5 do circuito hidráulico.

3.3.4 Histórico de Movimentos de Massa durante a construção.


Os taludes de escavação em solo do circuito hidráulico da AHE Simplicio
sofreram processos de movimento de massa ao longo do período de construção.

36
Um destes movimentos foi descrito e analisado por Franco et al. (2010). Foi
observado um movimento em forma de cunha no talude de escavação em solo sobre o
túnel auxiliar de acesso ao túnel principal 3 (Figura 3.10). A estabilidade da cunha
estava condicionada por um plano de fraqueza reliquiar da rocha matriz. A saturação
do maciço também foi atribuída como agente instabilizador da cunha em decorrência
do aumento da intensidade das chuvas no período.
Ainda neste artigo foi informado que ao longo da construção foram identificadas
novas estruturas associadas a uma outra foliação do maciço. Estas estruturas
reliquiares apresentam um mergulho de 30º, ao contrário das demais estruturas sub-
horizontais.

Figura 3.10 Ruptura condicionada por estrutura reliquiar (FRANCO et al., 2010).
Os movimentos condicionados por estruturas reliquiares despertam o interesse
em se conhecer e compreender os mecanismos de instabilização dos taludes da área,
resultando portanto no principal objetivo desta pesquisa.

37
4. Metodologias e Procedimentos
Neste capítulo são apresentados a metodologia e os procedimentos relativos à
coleta de amostras, moldagem de corpo de prova com estrutura reliquiar para ensaios
de cisalhamento direto. Além dos procedimentos, também são descritas as principais
dificuldades encontradas para preparação das amostras com estruturas reliquiares e
as recomendações básicas para um procedimento mais adequado de amostragem
destas estruturas. Porém, antes de iniciar a descrição da metodologia e procedimentos
adotados nesta pesquisa é necessário definir os termos “estruturas reliquiares” e
“matriz do solo” ou simplesmente “matriz” que serão amplamente usados neste
trabalho. Desta forma tem-se:
- Estrutura Reliquiar – plano de descontinuidade plana ou pouco curva presente
no solo residual do talude do desemboque do túnel A5, persistente ou não e
preenchidas completamente ou parcialmente com material preto.
- Matriz do solo ou matriz – todo material restante de solo residual que envolve
as estruturas reliquiares.
Quando algum dos termos definidos acima não tratar do da região de
desemboque do túnel A5, estes serão devidamente identificados.

4.1 Metodologia
A metodologia adotada para desenvolvimento deste estudo foi definida
considerando vários aspectos, dentre eles a disponibilidade de amostras, dificuldades
de amostragem, outras referências de estudos semelhantes já realizados e
principalmente o histórico de rupturas associado às estruturas reliquiares dos taludes
do AHE Simplício.
Diversos pesquisadores buscam compreender o comportamento mecânico dos
solos tropicais, especialmente dos solos residuais. Muitos tentaram realizar
correlações de índices físicos e propriedades-índice com parâmetros de resistência.
Outros buscaram compreender o comportamento mecânico através da composição
mineralógica, estrutura e textura dos solos e correlações com propriedades da rocha
mãe.
Seguindo uma linha semelhante à de outras pesquisas sobre comportamento
de solos residuais, optou-se neste estudo, por realizar ensaios de caracterização e
resistência em amostras com estruturas reliquiares de diferentes cotas do talude do
Túel 5A do AHE Simpicío e em amostras compostas apenas pela matriz do solo sem
estruturas. A principal finalidade destes ensaios consiste em verificar as diferenças de
comportamento de resistência existentes em um mesmo solo com e sem estruturas

38
reliquiares e também avaliar a influência do intemperismo na resistência das estruturas
reliquiares.
Para cada ensaio de cisalhamento direto foram realizados dois estágios de
ruptura com reversão manual entre os estágios. Esta técnica foi aplicada com objetivo
de verificar a evolução da resistência residual para grandes deformações.
Foram realizados ensaios para obtenção da curva granulométrica, limites de
liquides e plasticidade, densidade real dos grãos e umidade natural com o objetivo de
caracterizar o material. Ainda com objetivo de caracterizar e também compreender o
comportamento mecânico do solo, foram confeccionadas lâminas delgadas de solo
para análise em microscópio. Foram obtidas lâminas da matriz do solo e de estruturas
reliquiares em condições indeformadas e também das superfícies de ruptura dos
corpos de provas ensaiados.
Em relação ao comportamento de resistência, foram realizados ensaios de
cisalhamento direto na condição de umidade natural e submerso em água por 12
horas antes da ruptura.

4.2 Identificação e seleção dos locais de amostras indeformadas


Inicialmente cabe esclarecer que a seleção dos locais de amostragem objetivou
a representatividade da amostra em relação ao maciço e à condição de estabilidade
do talude, porém, limitada às condições de acesso e infra-estrutura.
O processo de identificação e seleção dos locais de amostragem teve início
com o reconhecimento visual de todo talude de escavação do desemboque do Túnel
5ª (Figura 4.1). A partir do reconhecimento foi possível limitar uma região de coleta
das amostras em função das condições de acesso e erosão dos taludes. As condições
de acesso e erosão dos taludes eram muito ruins, o que limitou a área de amostragem
entre as cotas 298,50m e 308,50m da região B (Figura 4.1).
Após a limitação da área de coleta de amostra, seguiu-se para identificação e
mapeamento das estruturas reliquiares. A identificação das estruturas reliquiares foi
bastante simples, pois estas já estavam reveladas nas faces dos taludes através de
traços discretos de erosões, conforme indicado nas Figura 4.2. Ressalta-se que esta
identificação foi bastante facilitada pela da exposição de todo o manto intemperizado
de solo na face do talude escavado, o que geralmente não ocorre em etapas de
projeto anteriores à etapa de construção. A identificação das estruturas reliquiares
através de investigações convencionais de etapa de projeto básico fica muito limitada
e dificultada, pois o plano da estrutura reliquiar pode não atingir 1 milímetro de
espessura e passar desapercebido em centenas de metros de testemunhos de
sondagem.

39
EL. 328,50m
EL. 318,50m

EL. 308,50m

Região B EL. 298,50m

EL. 288,50m

Região C
EL. 278,50m Região A
EL. 268,50m

EL. 258,50m

Figura 4.1 Vista frontal do talude de escavação sob o desemboque do túnel A5.

308,50m

298,50m

Figura 4.2 Traços das estruturas reliquiares na face do talude.

40
Após a identificação, buscou-se revelar os planos das estruturas com o auxílio
de uma enxada de mão e na sequência obter a orientação e mergulho do plano da
estrutura com o auxílio de uma bússola. A partir deste último procedimento foi
elaborado um croqui com mapeamento das estruturas reliquiares no talude (Figura
4.3). A Figura 4.4 mostra um plano de uma estrutura reliquiar cuja superfície lisa
apresenta um material preto.

Figura 4.3 Mapeamento das estruturas reliquiares com dimensões em metro e


orientação e mergulho em graus.

Figura 4.4 Estrutura reliquiar com material preto na superfície.

41
Durante o mapeamento foram avaliados os eventuais deslocamentos relativos
entre estruturas reliquiares e a persistência de cada uma delas. Observa-se que os
traços de erosão que identificam as estruturas reliquiares, tendem a ficar menos
marcantes à medida que se aproximam da crista do talude (Figura 4.2). Ao tentar
revelar as estruturas reliquiares em cota mais elevadas, próximas ou acima da cota
308,50m, constatou-se uma maior dificuldade, sugerindo maior resistência da estrutura
reliquiar nessas elevações onde o traço de erosão é menos definido.
As superfícies das estruturas reliquiares reveladas nas cotas mais elevadas
apresentaram menor quantidade de material preto e maior presença de minerais
vermelhos de granulometria fina, além de uma rugosidade maior devido a acumulação
de minerais vermelhos. A Figura 4.5 ilustra a diferença entre as superfícies das
estruturas reliquiares de cotas diferentes.

(a) (b)

Figura 4.5 Estruturas reliquiares: (a) elevação 303,30 (b) elevação 299,25.
Com base no mapeamento realizado foram definidos cinco locais para coleta
de amostras indeformadas (Figura 4.6) condicionados aos seguintes fatores: (i) evitar
deslocamentos relativos entre as partes da estrutura; (ii) escolher as estruturas de
maior persistência e (iii) selecionar cotas diferentes quando possível. A Tabela 4.1
resume os blocos coletados em cada uma das trincheiras, as cotas e o tipo de material
coletado.

Tabela 4.1 Resumo das amostras indeformadas coletadas.


Amostra Indeformada
Trincheira Dimensões (cm) Cota de
Bloco Material
Comp. Larg. Altura topo (m)
1 40 27 32 299,25 Reliquiar
1
3 38 27 20 299,31 Matriz
2 2 36 24 20 299,70 Reliquiar
3 4 36 24 20 300,00 Reliquiar
4 5 40 28 32 303,30 Reliquiar

42
Trincheira 4 EL. 308,50m

Trincheira 2

Trincheira 1

Trincheira 3 EL. 298,50m

Figura 4.6 Locais de coleta das amostras indeformadas.

4.3 Procedimentos de Coleta de Amostras Indeformadas


A coleta das amostras indeformadas foi realizada conforme as recomendações
da norma NBR 9604. Alguns procedimentos foram adicionados e outros aprimorados,
a fim de atender as necessidades de coleta de blocos contendo a estrutura reliquiar,
objeto desta pesquisa.
Antes do início das escavações para coleta de bloco foi elaborado um croqui
para visualizar a interseção do bloco com a estrutura reliquiar na profundidade de, no
mínimo, 1m na vertical em relação à face do talude. Este procedimento foi bastante útil
para evitar escavações adicionais ou mesmo desperdiçar o bloco por não conter a
estrutura reliquiar preservada e orientada.
As escavações foram iniciadas, com auxílio de cavadeiras, picaretas, pás e
enxadas, em duas valetas laterais distantes entre si de aproximadamente de 0,60 m,
(Figura 4.7). Durante as escavações foram observadas eventuais mudanças de
mergulhou direção das estrutura reliquiar nas paredes laterais das valetas.
Com a conclusão das valetas laterais, iniciavam-se as escavações de
rebaixamento do material sotoposto ao bloco, seguido da escavação da parte anterior
do bloco. Ressalta-se que as escavações devem ser tão mais cuidadosas quanto
maior a proximidade com o bloco. Os últimos 15cm centímetros adjacentes às laterais
e ao topo do bloco foram talhados com facões ou facas.
Ressalta-se que as escavações devem evoluir com o acompanhamento da
posição das estruturas reliquiares nas faces escavadas, de forma a conduzir as
escavações seguintes para uma perfeita interseção entre o bloco e a estrutura
reliquiar. Entende-se como perfeita interseção entre o bloco e o plano da estrutura
reliquiar a posição mais adequada da estrutura para a moldagem de corpos de prova e

43
que propicie maior número de corpos de prova moldados num mesmo bloco. Além
disto, cuidados especiais devem ser tomados para garantir maior segurança para o
transporte do bloco.

Figura 4.7 Escavação da trincheira para coleta de blocos.


A Figura 4.8 apresenta uma cunha limitada por dois planos de estruturas
reliquiares que se soltou do bloco durante as escavações. Estas estruturas são muito
frágeis e susceptíveis a perturbações pela vibração e esforços gerados durante a
escavação. Em decorrência disto os cuidados durante as escavações foram mais
rigorosos incluindo a aplicação de golpes menos vigorosos com as ferramentas de
escavação.

Figura 4.8 Ruptura de cunha do bloco durante a escavação.


Após talhados, os blocos foram envolvidos com papel laminado, plástico PVC,
camada de parafina, talagarça e novamente uma camada de parafina. Junto com a
última camada de parafina foi colada a identificação do bloco (Figura 4.9). Após o
acondicionamento do bloco, a sua base era cortada e o bloco tombado já dentro da
caixa com serragem. Na sequência completavam-se as laterais da caixa com mais

44
serragem e o bloco era arrasado até profundidade para fechamento da caixa com o
acondicionamento descrito no inicio deste parágrafo e serragem.

Figura 4.9 Bloco 2 indeformado e protegido para acondicionamento em caixa e


transporte.
Para o transporte, as caixas foram acomodadas dentro dos carros sobre
papelão e bem fixas de maneira não sofrer muita perturbação durante a viagem.

4.4 Moldagem dos corpos de prova para cisalhamento direto


A moldagem dos corpos de prova (CPs) assim como a coleta das amostras
indeformadas no campo são etapas muito importantes para obtenção de resultados de
ensaios consistentes. No caso de ensaios de cisalhamento direto, a moldagem de CPs
com estrutura reliquiar tem dificuldades adicionais para a garantia de bons resultados
de resistência.
Na moldagem de CPs com estrutura reliquiar é essencial coincidir o plano da
estrutura reliquiar com o plano de cisalhamento pré-estabelecido pela caixa bipartida
do ensaio de cisalhamento direto. Isto garante que a resistência ao cisalhamento e a
ruptura correspondam ao plano da estrutura reliquiar. Com este objetivo foram
adotados procedimentos adicionais e complementares aos recomendados por Head
(1980) para moldagem do corpo de prova.
Para os ensaios de cisalhamento direto foram moldados 26 corpos de prova
prismáticos com 6cm de lado e 2,5cm de altura, sendo 4 corpos compostos apenas
pela matriz de solo e os demais contendo estruturas reliquiares.
Na moldagem dos CPs foram usados: lâmina de vidro quadrada com arestas
retilíneas, régua de referência e facas amoladas de diferentes tamanhos para auxiliar
no corte.
Inicialmente foram criadas referências que possibilitassem moldar os CPs com
os planos das estruturas reliquiares coincidentes com o plano da caixa bipartida do

45
aparelho de ensaio de cisalhamento direto. A principal ferramenta de referência
adotada foi uma régua onde foram feitas marcações de níveis que limitavam o
arrasamento do topo do CP e a cravação do anel. Os níveis são definidos pela altura
entre o plano da caixa bipartida e a base de apoio do CP dentro da caixa. Conhecendo
esta altura, tem-se a altura do CP que fica acima do plano de cisalhamento da caixa
bipartida por subtração da altura total do CP (2,5cm) (Figura 4.10).

Topo do CP
Plano de Cisalhamento
Base do CP

Figura 4.10 Moldagem CP – níveis de referência.


O valor da altura do corpo de prova acima do plano de cisalhamento da caixa
bipartida é o primeiro nível adotado e marcado na régua. O segundo nível é dado pela
soma do primeiro nível de referência com um valor selecionado qualquer, o qual foi
adotado 8mm.
Definidos os níveis pode-se iniciar a moldagem dos blocos, talhando
verticalmente duas laterais do CP com aproximadamente 1cm de largura até alcançar
o plano da estrutura reliquiar (Figura 4.11). As demais laterais podem ser talhadas,
mas não devem alcançar o plano da estrutura reliquiar, visto que elas irão impedir o
movimento da estrutura durante a moldagem.
Na sequência inicia-se o arrasamento do topo do CP com auxílio da lâmina de
vidro até que sua altura em relação ao plano da reliquiar atinja a altura da segunda
referência da régua (Figura 4.12). O arrasamento deve ser verificado nas duas laterais
talhadas do CP, de modo que o topo fique perfeitamente paralelo ao plano da reliquiar
e no nível da segunda referência.
Após arrasar o CP até o nível da segunda referência da régua, inicia-se a
cravação do anel conforme recomendações de Head (1980). Para evitar
deslocamentos da estrutura reliquiar, o anel deve ser cravado com muita cautela até

46
passar do plano da estrutura. Por fim, o anel deve ser cravado até que o CP
ultrapasse a parte superior do anel em 8mm ou a diferença entre o primeiro e o
segundo nível (Figura 4.13). A cravação dos últimos 8mm dever ser realizada
lentamente com o auxílio de um segundo anel apoiado sobre o primeiro.

Lateral talhada sem


alcançar o plano da
Laterais talhadas até o
estrutura reliquiar
plano da estrutura
reliquiar

Figura 4.11 Moldagem do CP - corte das laterais.

Segundo Nível

Primeiro Nível 8 mm

Plano da reliquiar

Figura 4.12 Moldagem do CP – Arrasamento do topo.

47
8 mm
Segundo Nível
Primeiro Nível

Figura 4.13 Moldagem do CP – Cravação do anel.


Concluída a cravação do anel, resta apenas cortar cuidadosamente a base e
arrasar o topo e a base do CP até a altura do anel de 2,5cm. Deve-se também indicar,
com uma seta desenhada com pilot no topo do CP, a orientação do plano de ruptura
desejada.

4.5 Ensaio de Cisalhamento direto


Neste item são descritas a metodologia e as peculiaridades adicionais ao
ensaio de cisalhamento direto, decorrentes da ruptura de corpos de prova com
estruturas reliquiares.
Os ensaios de cisalhamento direto foram realizados em 26 corpos de prova
cujos resultados são apresentados no Capítulo 5. Cada corpo de prova foi cisalhado
em dois estágios com reversão manual descarregada entre estes estágios.
Os ensaios de cisalhamento incluindo os dois estágios, a reversão, o
adensamento e a preparação duravam meio dia, iniciando pela manhã e finalizando no
começo da noite. Os ensaios foram realizados com velocidade de 0,028 mm/min. Esta
velocidade está dentro de limites informados por Skempton (1985) e Sandroni (1981a),
os quais relataram pouco ou nenhuma influência deste fator na resistência mobilizada.
Apesar da moldagem cuidadosa, a coincidência perfeita entre o plano da caixa
bipartida e o plano da estrutura reliquiar é difícil e de ocorrência pouco provável. Em
decorrência disto, optou-se por erguer a parte superior da caixa bipartida com auxílio
dos parafusos de borboleta antes do início do cisalhamento.

48
Com este procedimento as metades da caixa bipartida foram separadas em até
2mm, permitindo uma margem de ajuste entre os planos da estrutura reliquiar e o
plano da caixa bipartida.
Ressalta-se que a parte superior da caixa tende a descer durante a reversão
manual e, portanto, deve ser novamente erguida antes do segundo estágio.

49
5. Resultados dos ensaios de laboratório
As finalidades de um estudo de movimentos de massa segundo Guidicini et al.
(1984) podem ser corretivas, preventivas ou de aumento do nível de conhecimento.
No caso deste estudo as investigações de laboratório têm como finalidade melhor
compreender o comportamento mecânico das estruturas reliquiares e suas
características mineralógicas e físicas.
No entanto, esta fase de investigação é apenas uma etapa do estudo de
comportamento de talude. Coutinho et al (2009) apresentam diferentes metodologias
de estudo do comportamento de taludes, algumas muito compactas como a proposta
por Dowding (1979) com apenas três etapas e outras mais detalhadas como as onze
etapas propostas por Clayton et al. (1996), sintetizadas na Tabela 5.1.

Tabela 5.1 Metodologias de investigação geotécnica.


Metodologias de investigação geotécnicas
Dowding (1979) Clayton et al. (1996)
Revisão das informações Estudo preliminar de escritório ou pesquisa
disponíveis e reconhecimento de de fatos ocorridos
superfície Interpretação de fotografia aérea
Mapeamento detalhado da Mapeamento detalhado de superfície da área
subsuperfície, sondagens Exploração preliminar de subsuperfície
preliminares, ensaios laboratoriais Classificação do solo pela descrição e por
iniciais e análise preliminar ensaios simples
Realização de sondagens para Exploração detalhada da subsuperfície e
recuperar amostras, levantamentos ensaios de campo
geofísicos, ensaios em escavações
Mapeamento físico (ensaios de laboratório)
(galeriais horizontais, poço de
inspeção, sondagens) e ensaios
especiais
Avaliação dos
dados
Projeto geotécnico
Experiência de observação de campo
Conexão entre o engenheiro geotécnico e a
equipe de campo durante a construção

50
Em todas as metodologias investigadas por Coutinho et al. (2009), os autores
concordam que, independente da metodologia, a interatividade deve fazer parte do
processo de investigação.
Portanto, a programação de investigação de laboratório descrita neste capitulo
reflete o histórico de estudos, as investigações e os movimentos ocorridos na região
do empreendimento onde se encontra a área selecionada para pesquisa.

5.1 Programação de ensaios


Face às evidências de menor resistência das estruturas reliquiares em relação
à matriz de solo residual e ao histórico de movimentos de massa ocorridos na área do
empreendimento, buscou-se nesta programação determinar a resistência mecânica da
estrutura reliquiar e da matriz do solo, identificar correlações entre as características
mineralógicas, físicas e mecânicas dos materiais e comparar os resultados de
resistência das diferentes amostras. Para tanto, optou-se pela campanha de
investigação resumida na Tabela 5.2.

Tabela 5.2 Resumo das investigações de laboratório.


Ensaios de Laboratório
Permeabilidade
Granulometria

Índices físicos

Cisalhamento

mineralógica
consistência

direto com
Índices de

reversão

de carga
variável

Análise
Amostras

Bloco 1
X X X X X X
Matriz
Bloco 1
X X X X X X
Reliquiar
Bloco 5
X X X X
Matriz
Bloco 5
X X X X X
Reliquiar

O programa de investigação foi limitado pela disponibilidade de material e a


priorização de ensaios de resistência. Um exemplo está na Tabela 5.2, que indica a
realização de ensaio de permeabilidade apenas em amostras do bloco 1, pois uma
porção do material do bloco cinco foi perdida durante a moldagem dos corpos de
prova para ensaios de cisalhamento direto.

51
5.2 Ensaios de caracterização dos solos.
Considerando as definições da ABNT, todas as amostras de solo ensaiadas
podem ser classificadas como solo residual jovem ou saprolito, tendo em vista que, os
locais e cotas de origem das amostras apresentam visualmente características da
rocha matriz tais como concentrações de materiais brancos e amarelados e orientação
preferencial dos minerais, conforme ocorre nas rochas gnáissicas. Além disso, não é
evidente qualquer indício de movimentação ou transporte de material.
Além da classificação baseada na gênese do solo, foram realizados ensaios
para obtenção da curva de distribuição granulométrica e limites de liquidez e
plasticidade, permitindo a caracterização dos materiais no SUCS.

5.2.1 Curvas de distribuição granulométrica


As curvas de distribuição granulométricas foram obtidas a partir dos ensaios
de peneiramento e sedimentação de amostras dos blocos 1 e 5, compostas apenas do
material de matriz ou material da estrutura reliquiar misturado com matriz. Os
procedimentos de ensaios de peneiramento e sedimentação atenderam às
recomendações da ABNT 7181.
As curvas de distribuição granulométricas indicadas na Figura 5.1 representam
um solo de composição predominante silto-arenosa com reduzido percentual de argila
conforme Tabela 5.3.
As curvas indicam uma dispersão um pouco maior no trecho de sedimentação
além de apresentar, uma descontinuidade entre o método de peneiramento e
sedimentação para as curvas do bloco 1 e bloco 5. Esta descontinuidade indica que o
percentual de finos com diâmetro menor do que 0,075mm, obtido pelo método de
sedimentação, é maior do que o mesmo percentual obtido pelo método do
peneiramento.

Tabela 5.3 Composição granulométrica das amostras.


Composição Granulométrica ( % ) ( Escala ABNT )
Amostra Areia
Argila Silte Pedregulho
Fina Média Grossa
BL 1 Matriz Tent 2 9 58 21 11 0 0
BL 1 Reliquiar 9 57 18 13 2 1
BL 5 Matriz 9 59 23 8 0 0
BL 5 Reliquiar 9 49 32 10 1 0
O ressalto foi eliminado ou suavizado repetindo-se a lavagem do material
oriundo da sedimentação de maneira mais vigorosa com o uso das mãos e água em
abundância. É importante comentar que este procedimento contraria a recomendação
de Silveira (1991) para uma lavagem com água potável à baixa pressão com a peneira

52
levemente inclinada aplicando movimentos circulares, sem uso das mãos ou qualquer
instrumento durante o procedimento de lavagem na peneira #200 (diâmetro
equivalente de 0,075mm).
Silveira (1991) atribuiu a queda abrupta na transição entre os métodos de
peneiramento e sedimentação, à quebra de grãos durante a lavagem do material.

100 0
90 10
Porcentagem que Passa

80 20

Porcentagem Retida
70 30
60 40
50 BL 1 Matriz 50
40 BL 1 Reliquiar 60
30 70
20 BL 5 Matriz 80
10 BL 5 Reliquiar 90
0 100
0,00 0,01 0,10 1,00 10,00 100,00
Diâmetro dos Grãos (mm)

Figura 5.1 Curvas de distribuição Granulométrica.

5.2.2 Índices de consistência – Limites de Liquidez e Plasticidade (L.L e L.P.)


Os ensaios para determinação dos limites de liquidez e plasticidade atenderam
às recomendações das normas ABNT 6459 (determinação do limite de liquidez) e
ABNT 7180 (determinação do limite de plasticidade). As amostras utilizadas para
determinação dos limites foram as mesmas adotadas para granulometria, passadas na
peneira #40, conforme indicado na norma.
A Tabela 5.4 resume os resultados dos ensaios de limites de liquidez e
plasticidade e também apresenta os índices de plasticidade e atividade de cada
amostra, mostrando a semelhança dos materiais. Os limites de liquidez e índices de
plasticidade plotados na carta de plasticidade (Figura 5.2) corroboram o mesmo
comportamento das amostras.
Ressalta-se que apesar de uma composição silto-arenosa com apenas 9% de
argila, conforme indicado na Tabela 5.3, a classificação SUCS baseada na carta de
plasticidade (Figura 5.2) aponta para uma argila muito compressiva (PINTO, 2002).
Esta classificação reflete a elevada atividade das amostras com média de 3,14 (Tabela
5.4). Entretanto, as amostras apresentaram elevada plasticidade para apenas 9 % de
argila, o que pode estar associado à presença de mica em grande proporção na

53
amostra, conforme verificado por Cozzolino e Nogami (1993) e Souza Neto e Coutinho
(1998). A presença de mica em grade concentração segundo Vargas (1992), citado
por Souza Neto e Coutinho (1998), pode conferir um “índice de atividade fictício”, ou
seja, um índice de atividade não relacionado à mineralogia da fração de argila do
material.

Tabela 5.4 Resumo dos índices de consistência e atividade das amostras.


Amostras LL LP IP Atividade
BL1 Matriz 54 25 29 3,08
BL1 Reliquiar 54 27 27 2,90
BL5 Matriz 55 26 29 3,20
BL5 Reliquiar 51 21 30 3,37
Média 54 25 29 3,14
Desvio Padrão 1,7 2,6 1,3 0,20

60
Linha B
Índice de Plasticidade

40

20
BL1 Matriz
BL1 Reliquiar
BL5 Matriz
BL5 Reliquiar
0
0 20 40 60 80 100
Limite de Liquidez

Figura 5.2 Carta de plasticidade das amostras.

5.2.3 Classificação do solo


A classificação dos solos para engenharia tem como objetivos agrupar os
materiais de comportamentos semelhantes em função de índices e características de
fácil obtenção (distribuição granulométrica e índices de consistência) e estimar
comportamentos mecânicos do solo.
No entanto, tem-se constatado que, para solos residuais tropicais, estas
classificações são muito limitadas e por vezes inadequadas. Esta limitação ou
inadequação pode estar associada à preservação de características da estrutura da
rocha matriz dos solos residuais tropicais. As estruturas reliquiares podem condicionar
o comportamento do material, apesar de raramente serem consideradas ou
mensuradas nos ensaios comumente usados para classificação dos solos.

54
Neste trabalho optou-se pelas definições da ABNT para classificação do solo
de estudo, visto que os índices de consistência e a distribuição granulométrica não
foram capazes de representar as diferenças de comportamento mecânico do material,
conforme será apresentado no Capitulo 6.
Desta forma, o solo de estudo pode ser classificado como solo residual jovem
ou saprolito.

5.2.4 Densidade real dos grãos (G)


A densidade real dos grãos (G) foi determinada para as mesmas amostras dos
ensaios de granulometria e índices de consistência, seguindo as recomendações da
norma NBR-6508. Os resultados das densidades apresentaram uma pequena
variação, concordando com os resultados dos ensaios de granulometria e índices de
consistência que também indicaram variação inexpressiva, quanto à diferenciação dos
materiais.
Os resultados estão apresentados na Tabela 5.5. Os valores obtidos
convergem para o esperado para o tipo de solo e não apresentaram variação entre
amostras compostas por material de matriz e com estrutura reliquiar. A exceção
corresponde ao bloco 1 reliquiar, que apresentou uma pequena diferença de 2,5%
superior a média das outras três densidades. A diferença, além de reduzida, foi
encontrada em apenas uma amostra e pode ser não representativa.

Tabela 5.5 Densidade real dos grãos.


Amostra G

Bloco 1 - Matriz 2,64


Bloco 1 - Reliquiar 2,73
Bloco 5 - Matriz 2,65
Bloco 5 - Reliquiar 2,66
Os valores de densidade real dos grãos para este tipo de material
correspondem ao faixa de 2,6 a 2,8, proposta por Sandroni (1985), confirmando os
valores obtidos.

5.3 Permeabilidade
O ensaio de permeabilidade foi realizado com objetivo de identificar a
influência da estrutura reliquiar na condutividade hidráulica do solo. Para tanto foram
realizados dois ensaios de permeabilidade de carga variável em amostras do bloco 1,
sendo o primeiro em um corpo de prova contendo apenas material de matriz e o
segundo contendo a estrutura reliquiar transversal às linhas de fluxo do ensaio,
localizado a meia altura do corpo de prova.

55
Para a realização do ensaio foi utilizado o painel de permeabilidade de carga
variável do Laboratório de Geotecnia da Coppe, (Figura 5.3).

Figura 5.3 Permeâmetro adotado para pesquisa.


Os resultados dos ensaios mostraram uma diferença inexpressiva (Tabela 5.6),
indicando que a estrutura reliquiar parece não afetar a permeabilidade do maciço,
considerando as linhas de fluxo perpendiculares ao plano da estrutura. Ressalta-se, no
entanto, que por indisponibilidade de material, o programa de permeabilidade ficou
limitado a 2 ensaios e, portanto, tem representatividade questionável por conta desta
amostragem reduzida.

Tabela 5.6 Valores dos coeficientes de permeabilidade.


Amostras Permeabilidade (cm/s)
Bloco 1 Matriz 1,67 x 10-6
Bloco 1 Reliquiar 4,36 x 10-6

Para moldagem do corpo de prova foi utilizado um cilindro metálico de 5,2 cm


de altura e 4,9 cm de diâmetro. Após a moldagem o corpo de prova é posicionado na
célula de permeabilidade com o uso de uma borracha de vedação e um filtro na base e
no topo do CP. O ensaio de permeabilidade foi iniciado após saturação por 24h do CP.

56
5.4 Cisalhamento direto
Os resultados dos ensaios de cisalhamento direto são apresentados em função
de cada bloco (1 ou 5), tipo de estrutura ensaiada (matriz ou reliquiar) e condição de
saturação (natural ou submerso), perfazendo seis itens deste capitulo.
Foram rompidos 26 corpos de prova submetidos a tensões normais de 25, 50,
100 e 150 kPa. As curvas de tensão cisalhante por deslocamento horizontal e
envoltórias de resistência são apresentadas neste capitulo. As curvas de
deslocamento vertical vs. deslocamento horizontal são apresentadas no Anexo 1.
Ressalta-se que a resistência residual descrita neste capítulo e discutida nos
Capítulos 6 e 7 difere um pouco da resistência residual abordada por Skempton (1964)
pois não foram aplicadas tantas reversões quantas fossem necessárias até que a
resistência mobilizada tornasse constante. Optou-se por realizar apenas uma reversão
conforme já descrito no Capítulo 5 e obter uma evolução das resistências mobilizadas
durante o primeiro estágio e após, com o segundo estágio.
Em relação às envoltórias de resistência, foram geradas: (i) duas envoltórias do
primeiro estágio, visando quantificar a resistência inicial (pico) e a resistência residual
associada a grandes deslocamentos; (ii) uma envoltória do segundo estágio, que
quantifica a resistência residual para deslocamentos maiores do que os de primeiro
estágio. Esta envoltória procura identificar a variação em relação à resistência residual
de primeiro estágio em função do rearranjo das partículas com a repetição do
cisalhamento. Cabe ressaltar que durante a reversão no cisalhamento direto a perda
de material ocorreu apenas para os corpos de prova compostos de matriz. A perda de
material nos CPs com estruturas reliquiares não foi observada.
Neste capítulo também estão resumidos os índices físicos associados aos
ensaios de cisalhamento direto obtidos antes e depois da ruptura e os critérios e
métodos para definição da envoltória de resistência.

5.4.1 Índices físicos


Os índices físicos ou índice de estado dos corpos de prova foram obtidos por
meio de ensaios de laboratório e formulações que relacionam os índices de estado
oriundos dos ensaios. A umidade natural, o peso específico natural e a densidade real
dos grãos, já mencionada no item 5.2.4, foram determinados em laboratório. Para
determinação da umidade natural e o peso especifico foram seguidos os
procedimentos da NBR 6457 e recomendações de Head (1980).
Os demais índices físicos, resumidos na Tabela 5.7, foram obtidos através das
equações (5.1), (5.2), e (5.3) a seguir:

57
(5.1) (5.2) (5.3)

Onde:

- peso específico natural - índice de vazios


- peso específico aparente seco - densidade real dos grãos
- peso específico da água - grau de saturação
- umidade natural

Tabela 5.7 Índices físicos dos CP´s antes e após a ruptura.

w0 wf n e0 ef d 0 d f S0 Sf
Amostras 3 3 3
(%) (%) (kN/m ) (kN/m ) (kN/m ) (%) (%)
BL 1 Matriz Sub. 30,5 39,1 17,7 0,909 0,857 13,4 14,0 88,8 120,6
BL 1 Matriz Nat. 31,6 29,6 17,5 0,946 0,899 13,3 13,7 88,4 87,4
BL 1 Reliq. Sub. 27,1 36,0 17,6 0,930 0,879 13,9 14,2 79,3 115,3
BL 1 Reliq. Nat. 29,5 26,5 17,8 0,943 0,917 13,8 14,0 86,8 78,8
BL 5 Reliq. Sub. 28,1 38,7 16,7 1,014 0,970 13,0 13,3 73,3 108,3
BL 5 Reliq. Nat. 27,5 24,4 16,3 1,042 1,002 12,8 13,1 70,1 64,8
Obs.: Sub - Submerso; Nat - umidade natural.
Alguns valores inesperados de índices físicos dos CPs podem ser decorrentes
de uma provável variação de umidade do bloco durante o período moldagem dos
corpos de prova.

5.4.2 Critérios e métodos para determinação das envoltórias de resistência.


As envoltórias de resistência foram obtidas a partir da ferramenta de regressão
linear do software Microsoft Excel, ajustadas de acordo com a necessidade.
Quanto ao critério de ruptura, cabe ressaltar que este foi definido após a
análise de todas as curvas de tensão cisalhante vs. deslocamento horizontal.
Concluiu-se que o critério de Mohr-Coulomb é representativo das condições de ruptura
do material estudado e apresenta bom ajuste de reta para a faixa de tensões
ensaiadas.
Para determinação das envoltórias foram definidos critérios e parâmetros de
referência que padronizam o par, tensão cisalhante e deslocamento horizontal no
momento da ruptura de cada ensaio, conforme detalhado na Tabela 5.8.
Algumas curvas de tensão cisalhante vs. deslocamento horizontal
apresentaram inflexões muito abruptas, tais como as curvas de primeiro estágio dos
ensaios das estruturas reliquiares do bloco 1 (Figura 5.9 e Figura 5.11). Estas curvas
apresentam um trecho inicial quase vertical e retilíneo, com deformações máximas na
ordem de 0,1 cm, seguidas de um trecho também retilíneo quase horizontal, com
tensões cisalhantes crescendo lentamente com os deslocamentos horizontais. Em
decorrência deste comportamento, optou-se por adotar o ponto de inflexão destas

58
curvas como o par tensão-deslocamento representativo da ruptura no ensaio, ao invés
dos critérios e parâmetros estabelecidos para as demais curvas.
No que se refere às tensões normais e cisalhantes mobilizadas cabe informar
que ambas foram corrigidas em função da área efetiva de contato do plano de ruptura
no instante de cada par de tensões normal e cisalhante.

Tabela 5.8 Critérios e Limites das envoltórias de resistência.


Envoltórias de resistência Critérios / parâmetros
o que ocorrer primeiro entre:
Inicial ou de pico tensão máxima cisalhante mobilizada
e deslocamento horizontal de 0,2 cm
Residual de 1º estágio deslocamento horizontal de 0,6 cm
Residual de 2º estágio deslocamento horizontal de 0,5 cm

5.4.3 Bloco 1 Matriz Natural


Foram ensaiados quatro corpos de prova na umidade natural, compostos
apenas por material de matriz sob tensões normais de 25, 50, 100 e 150 kPa. Todos
os corpos foram moldados paralelos ao plano sub-horizontal e rompidos segundo
orientação da face frontal do talude anotada na ocasião da coleta das amostras.

Comportamento tensão-deformação
Os resultados dos ensaios são apresentados na Figura 5.4. As curvas de
tensão cisalhante por deslocamento horizontal do primeiro estágio apresentam um
pico com posterior redução contínua de tensão, com comportamento semelhante ao
de argilas pré-adensadas e areias compactas.
As tensões máximas do primeiro estágio foram mobilizadas em um trecho
quase retilíneo da curva, atingindo, no máximo, 0,17cm de deslocamento. Os picos de
tensões cisalhantes são menos pronunciados para maiores tensões normais,
mostrando uma tendência de mudança da forma da curva para tensões elevadas.
No segundo estágio as curvas apresentam uma mobilização inicial de tensão
cisalhante crescente para pequenos deslocamentos de, no máximo, 0,1cm. Após a
mobilização inicial de tensão cisalhante, as curvas apresentam uma tendência de
estabilização das tensões mobilizadas para grandes deslocamentos, exceto para o CP
submetido à tensão normal de 100kPa que continua mobilizando resistência, porém
em taxa menor do que a inicial. O comportamento da curva de 100kPa de tensão
normal do segundo estágio pode estar associado à movimentação da parte superior
da caixa bipartida que é levantada antes do início do cisalhamento, conforme descrito
no Capítulo 3.

59
140

120

100 150 kPa


tensão cisalhante ( kPa )

150 kPa

80
100 kPa
100 kPa
60

40
50 kPa
50 kPa
20
25 kPa
25 kPa
0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8
deslocamento horizontal ( cm )

25kPa 1º estágio 50kPa 1º estágio 100kPa 1º estágio 150kPa 1º estágio


25kPa 2º estágio 50kPa 2º estágio 100kPa 2º estágio 150kPa 2º estágio

Figura 5.4 Curvas tensão cisalhante vs. deslocamento horizontal – BL 1 matriz natural.

60
As tensões mobilizadas no segundo estágio foram inferiores à menor tensão
mobilizada no final do primeiro estágio, exceto nos ensaios sob tensão normal de
25kPa, com tensões cisalhantes nulas para deslocamentos próximos a 0,9 cm. Tal fato
pode significar um rearranjo dos grãos na superfície de ruptura durante a reversão, o
que conferiu uma resistência maior no segundo estágio ou simplesmente algum
problema desconhecido durante a execução do primeiro estágio. A segunda opção é
mais provável, pois tensões cisalhantes nulas, conforme ocorrem no trecho final da
curva de primeiro estágio, requerem a ausência de contato entra as partes cisalhantes
ou o comportamento de um fluido newtoniano.

Envoltórias e parâmetros de resistência


A Figura 5.5 apresenta as envoltórias de resistência e os parâmetros da reta
ajustada correspondentes ao ângulo de atrito (), intercepto coesivo (c) e o fator de
correlação (r2).

200
Parâmetros
200 Envoltórias de Resistência
200 Resis. Pico  (º) c (kPa) r2
200 180 Resis. Pico
Resistência
Resis. Pico inicial ou de Pico 39 26 0,99
180 Resis. Res. 1 estágio
180 Resistência
Resis. Residual de 1º estágio
Res. 1 estágio 33 0 0,95
180 160 Resis. Res. 1 estágio
Resis. Res. 2 estágio de 2º estágio
Resistência Residual 30 0 0,98
160 Resis. Res. 2 estágio
160 Resis. Res. 2 estágio
160 140
140
tensão cisalhante ( kPa )

140
140 120
)) )
( kPa
( kPa

120
( kPa

120
120 100
cisalhante
cisalhante
cisalhante

100
100
100 80
tensão

80
tensão

80
tensão

80 60
60
60
60 40
40
40
40 20
20
20
20 0
0 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200
0 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200
0
0 20 40 60 80tensão normal
100 120( kPa )140 160 180 200
0 20 40 60 80 100 120
tensão normal ( kPa ) 140 160 180 200
tensão normal ( kPa )
Figura 5.5 Envoltórias e parâmetros ( kPa ) – BL 1 matriz natural.
de resistência
tensão normal

61
Ressalta-se a anulação do intercepto coesivo para as envoltórias de resistência
residual e a redução significativa dos ângulos de atrito residual, principalmente de
segundo estágio, em relação ao mesmo parâmetro () para resistência de pico ou
inicial.
Nota-se, ainda, um bom ajuste das retas demostrado pelos valores dos fatores
de correlação próximos da unidade. A envoltória de resistência residual de 1º estágio
apresenta um ajuste inferior ao das outras duas envoltórias devido à redução contínua
das tensões cisalhantes da curva de tensão normal de 25 kPa, que atingiu valor nulo
para deslocamentos próximos a 0,8 cm.

5.4.4 Bloco 1 Matriz Submerso


Os ensaios da matriz do bloco 1 sob a condição de submersão em água
também foram realizados para as tensões normais de 25, 50, 100, e 150 kPa. A
moldagem dos CPs e orientação durante a ruptura ocorreu de forma semelhante à dos
CPs da matriz do bloco 1, ensaiados sob a condição de umidade natural.

Comportamento tensão-deformação
As curvas de tensão cisalhante mobilizada por deslocamento horizontal da
Figura 5.6 apresentam forma semelhante à das curvas obtidas sob a condição de
umidade natural do mesmo material, excetuando-se apenas pelo comportamento pós-
pico do primeiro estágio e nível de tensões cisalhantes mobilizadas.
Ao contrário do comportamento sob a condição de umidade natural da matriz
do bloco 1, que mostrou redução de resistência mobilizada após o pico, as curvas na
condição submersa indicam uma tendência de estabilização das tensões cisalhantes
mobilizadas para grandes deslocamentos.
Observa-se na Figura 5.6 que as resistências ao cisalhamento mobilizadas são
de mesma ordem de grandeza para as curvas de 100 e 150 kPa. Isto pode estar
associado à heterogeneidade inerente ao solo residual ou à irregularidade da
superfície de ruptura visto que ocorreu deslocamento vertical positivo bastante
acentuado no primeiro e segundo estágios conforme gráficos em Anexo 1.
Observa-se também na Figura 5.6 que no ensaio de 50 kPa de tensão normal
a curva de segundo estágio mostra tensões mobilizadas maiores do que as do
primeiro estágio. Isto pode estar relacionado ao rearranjo das partículas durante a
reversão ou algum problema desconhecido durante a execução do ensaio, de forma
semelhante ao ocorrido no CP ensaiado a 25 kPa na condição de umidade natural.

62
120

100
150 kPa

100 kPa
tensão cisalhante ( cm )

80

60

150 kPa

40
100 kPa
50 kPa 50 kPa
20
25 kPa 25 kPa

0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8
deslocamento horizontal ( cm )

25kPa 1º estágio 50kPa 1º estágio 100kPa 1º estágio 150kPa 1º estágio


25kPa 2º estágio 50kPa 2º estágio 100kPa 2º estágio 150kPa 2º estágio

Figura 5.6 Curvas tensão cisalhante vs. Deslocamento horizontal – BL 1 matriz submerso.

63
Envoltórias e parâmetros de resistência
As envoltórias de resistência da Figura 5.7 apresentaram um ótimo ajuste. No
entanto, este ajuste só foi possível devido à exclusão dos pares de tensão cisalhante e
deslocamento horizontal das curvas de 100 kPa de tensão normal com tensões
cisalhantes mobilizadas muito elevadas durante a rupturas.

180
Parâmetros
Envoltórias de Resistência
200 160  (º) c (kPa) r2
200
Resis. Pico
Resis. Pico
Resistência inicial ou de Pico 31 12 0,97
180 140
180 Resis. Res.
Resis. Res. 11 estágio
Resistência estágio
Residual de 1º estágio 18 0 0,99
Resis.
Resis. Res. 22 estágio
Res.
Resistência estágio de 2º estágio
Residual 15 0 0,99
160 120
160
tensão cisalhante ( kPa )

140 100
140
kPa ))
cisalhante (( kPa

120 80
tensão cisalhante

100
100 60

80
tensão

80 40

60
60
20

40
40
0

20
20
-20
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200
00 tensão normal ( kPa )
00 20
20 40
40 60
60 80
80 100
100 120
120 140
140 160
160 180
180 200
200
Figura 5.7 tensão normal
tensão normal
Envoltórias e parâmetros (( kPa
kPa ))
de resistência – BL 1 matriz submerso.
Nota-se ainda na Figura 5.7 que os interceptos coesivos se anulam nas
envoltórias de resistência residual e há a redução bastante significativa do ângulo de
atrito das envoltórias de resistência residual em relação a envoltória de resistência de
pico.

5.4.5 Bloco 1 Reliquiar Natural


A modelagem dos CPs com estruturas reliquiares está detalhada no Capítulo 3
e tem grande importância para os resultados dos ensaios. Os CPs também foram

64
orientados de acordo com a direção da face do talude, estabelecida no campo na
época da coleta dos blocos.

Comportamento de tensão-deformação
As curvas dos quatro ensaios com estrutura reliquiar na umidade natural
apresentaram uma particularidade quanto a forma, pois são constituídas de dois
trechos praticamente retilíneos conforme apresentado na Figura 5.9. O primeiro trecho
retilíneo é quase vertical atingindo deslocamentos máximos inferiores a 0,1 cm e
alcançando tensões cisalhantes de 45 kPa para tensão normal de 150kPa do primeiro
estágio. O segundo trecho é menos retilíneo em alguns casos, mas apresenta-se
geralmente horizontal, indicando estabilização das tensões cisalhantes mobilizadas
para grandes deslocamentos ou com inclinação muito pequena indicando um pequeno
acréscimo de resistência mobilizada.
As tensões cisalhantes mobilizadas foram inferiores à metade das tensões
mobilizadas nos ensaios da matriz do bloco 1 sob a condição de umidade natural,
confirmando as baixas resistências deste tipo de estrutura conforme já indicado por
outros autores.
As curvas de primeiro estágio com tensões normais de 100 e 150kPa
apresentaram tensões cisalhantes mobilizadas da mesma ordem de grandeza. As
elevadas tensões cisalhantes mobilizadas no primeiro estágio do ensaio com tensão
normal de 100kPa podem estar associadas a posição do plano da estrutura reliquiar
em relação ao plano de ruptura estabelecido pela caixa bipartida do cisalhamento
direto. A Figura 5.8 indica evidência de que a ruptura foi iniciada fora da estrutura
reliquiar.

Rearranjo das partículas da


estrutura reliquiar.

Figura 5.8 Corpo de prova com estrutura reliquiar após cisalhamento – Bloco 1
Natural 100kPa.

65
60

100 kPa
50
150 kPa
150 kPa
tensão cisalhante ( kPa )

40

30
100 kPa

50 kPa
20

10
25 kPa 50 kPa
25 kPa

0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8
deslocamento horizontal ( cm )

25kPa 1º estágio 50kPa 1º estágio 100kPa 1º estágio 150kPa 1º estágio


25kPa 2º estágio 50kPa 2º estágio 100kPa 2º estágio 150kPa 2º estágio

Figura 5.9 Curvas tensão cisalhante vs. Deslocamento horizontal – BL 1 reliquiar natural.

66
A aresta do corpo de prova indicada está menos viva do que as demais arestas
e o trecho inicial do plano da estrutura reliquiar apresenta um rearranjo das partículas
da estrutura reliquiar evidenciando que a caixa bipartida atingiu um nível pouco abaixo
do plano reliquiar destruindo-o parcialmente e conferindo uma resistência maior que se
aproxima da resistência da matriz do solo na tensão normal correspondente. O Anexo
2 deste trabalho apresenta um resumo fotográfico e descritivo dos corpos de prova
após os ensaios de cisalhamento.
Também ficou clara a redução da resistência mobilizada no segundo estágio
em relação ao primeiro. No caso das curvas de tensão normal de 50, 100 e 150kPa
esta diferença é muito grande, em torno de 10 kPa, exceto para curva de 100kPa que
foi ainda maior por conta da ruptura iniciada no primeiro estágio ocorrer abaixo do
plano da estrutura reliquiar, como já citado anteriormente.

Envoltórias e parâmetros de resistência


As envoltórias de resistência associadas às estruturas reliquiares ensaiadas na
condição de umidade natural apresentaram bom ajuste da reta conforme indicado
pelos valores dos fatores de correlação na Figura 5.10. Ressalta-se que devido às
elevadas tensões cisalhantes mobilizadas para o ensaio de tensão normal de 100kPa,
os pontos de ruptura inicial e residual do primeiro estágio não foram considerados no
ajuste da curva.
Nota-se na Figura 5.10 que ocorre uma redução gradativa da resistência, ao
contrário da resistência da matriz que apresenta uma elevada redução entre a
resistência inicial ou de pico e a resistência residual do primeiro estágio.

67
200
Parâmetros
Envoltórias de Resistência
200 180  (º) c (kPa) r2
200
Resis. Pico
Resis. Pico
Resistência inicial ou de Pico 16 2 0,98
180 160 Resis. Res. 1 estágio
Resistência Residual de 1º estágio 15 0 0,99
Resis.
Resis. Res. 22 estágio
Res.
Resistência estágio de 2º estágio
Residual 12 0 0,95
160 140
160
tensão cisalhante ( kPa )

140 120
140
kPa ))
cisalhante (( kPa

120 100
120
tensão cisalhante

100
100 80

80
tensão

80 60

60
60
40

40
20

20
20
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200
00 tensão normal ( kPa )
00 20
20 40
40 60
60 80
80 100
100 120
120 140
140 160
160 180
180 200
200

Figura 5.10 tensão normal


Envoltórias e tensão normal
parâmetros de((resistência
kPa ))
kPa – BL 1 reliquiar natural.

5.4.6 Bloco 1 Reliquiar Submerso


Os corpos de prova do bloco 1 com reliquiar ensaiados na condição de
submersão seguiram os mesmos procedimentos de orientação adotados para os
ensaios na condição de umidade natural e também foram ensaiados sob as tensões
normais de 25, 50, 100 e 150kPa.

Comportamento de tensão-deformação
A Figura 5.11 mostra um comportamento semelhante ao das curvas de tensão
por deslocamento dos ensaios da reliquiar do bloco 1 na condição de umidade natural,
porém com resistências mobilizadas inferiores para as mesmas tensões normais e
estágios de ruptura, o que revela influência da submersão na resistências das
estruturas reliquiares.

68
60

50
150 kPa
tensão cisalhante ( kPa )

40

30
150 kPa

20
100 kPa
100 kPa

10
50 kPa 25 kPa
25 kPa 50 kPa

0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8
deslocamento horizontal ( cm )

25kPa 1º estágio 50kPa 1º estágio 100kPa 1º estágio 150kPa 1º estágio


25kPa 2º estágio 50kPa 2º estágio 100kPa 2º estágio 150kPa 2º estágio

Figura 5.11 Curvas tensão cisalhante vs. Deslocamento horizontal – BL 1 reliquiar submerso.

69
A curva de primeiro estágio associada à tensão normal de 150kPa indica
tensões cisalhantes mobilizadas da mesma ordem das tensões mobilizadas na
condição de umidade natural da reliquiar do bloco 1 sob a mesma tensão normal. A
resistência mais elevada para curva de 150kPa pode estar associada mais uma vez
com o desencontro do plano da estrutura reliquiar em relação ao plano de ruptura
predefinido pela caixa bipartida do ensaio de cisalhamento direto. A Figura 5.12
mostra arestas destruídas do corpo de prova após o ensaio em decorrência da ruptura
iniciar pela matriz, conferindo uma resistência mobilizada maior do que a esperada
para a estrutura reliquiar na condição submersa. Consultar Anexo 2 para ver mais
fotos e descrição dos corpos de prova após a ruptura.
A Figura A1. 10 no Anexo 1 (deslocamento vertical por deslocamento
horizontal) mostra também uma expansão mais acentuada da curva de 150kPa em
relação às demais curvas decorrente do desencontro entre o plano da estrutura
reliquiar e o plano de ruptura da caixa bipartida.

Aresta destruída no inicio


da ruptura

Figura 5.12 Corpo de prova cisalhado no plano da estrutura reliquiar – Bloco 1


submerso 150kPa.

Envoltórias e parâmetros de resistência


As envoltórias e os parâmetros de resistência na condição submersa são
apresentados na Figura 5.13 e indicam sensível redução quando comparados às
envoltórias na condição de umidade natural.
As retas apresentaram bom ajuste após exclusão dos pontos de ruptura de
150kPa de tensão normal das envoltórias de primeiro estágio, devido as elevadas
tensões associadas a esta curva conforme já comentado no item anterior. Também é
possível notar uma redução gradativa nas envoltórias e parâmetros de resistência dew
forma semelhante ao ocorrido para a condição de umidade natural.

70
180
Parâmetros
Envoltórias de Resistência
200 160  (º) c (kPa) r2
200
Resis. Pico
Resis. Pico
Resistência inicial ou de Pico 10 0 1,00
180 140 Resis. Res. 1 estágio
Resistência Residual de 1º estágio 9 0 0,98
Resis.
Resis. Res. 22 estágio
Res.
Resistência estágio de 2º estágio
Residual 8 0 0,94
160 120
160
tensão cisalhante ( kPa )

140 100
140
kPa ))
cisalhante (( kPa

120 80
120
tensão cisalhante

100
100 60

80
tensão

80 40

60
60
20

40
0

20
20
-20
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200
00 tensão normal ( kPa )
00 20
20 40
40 60
60 80
80 100
100 120
120 140
140 160
160 180
180 200
200

Figura 5.13 tensão


tensão
Envoltórias normal (( kPa
normal
de resistênciakPa )) 1 reliquiar submerso.
– BL

5.4.7 Bloco 5 Reliquiar Natural


Os ensaios do bloco 5 foram realizados apenas nas estruturas reliquiares e
com as mesmas tensões normais. Quanto à moldagem dos corpos de prova, ressalta-
se a maior dificuldade associada ao fato do plano da estrutura reliquiar estar oblíquo
ao plano horizontal no campo e na bancada do laboratório.

Comportamento de tensão-deformação
As tensões cisalhantes mobilizadas nos ensaios do bloco 5 na condição de
umidade natural atingiram valores próximos e, as vezes, maiores do que as tensões
mobilizadas nos ensaios da matriz na mesma condição de umidade natural (Figura
5.15). A tensão mobilizada inicial é menor em relação à matriz, pois não apresenta
pico de resistência. No entanto a tensão mobilizada no trecho residual é maior do que
na matriz.

71
As curvas deste ensaio são semelhantes às curvas de argilas normalmente
adensadas, tanto no primeiro estágio quanto no segundo estágio. No trecho inicial as
curvas apresentam uma taxa de crescimento da tensão cisalhante muito alta com o
deslocamento. Após deslocamentos de aproximadamente 0,1 cm, esta taxa tende a se
reduzir gradativamente, aproximando-se de zero. O comportamento da curva de
25kPa de tensão normal é uma exceção, visto que apresentou pico de tensão
cisalhante mobilizada, provavelmente devido à ruptura inicial pela matriz, formando
uma cunha conforme indicado na Figura 5.14.

Cunha formada pela ruptura


inicial na matriz alcançando a
estrutura reliquiar posteriormente.

Figura 5.14 Corpo de prova com estrutura reliquiar após cisalhamento –Bloco 5
natural 25kPa.
Ainda é notável no CP rompido da Figura 5.14 a presença de um plano
preferencial. Apesar de a ruptura ter início no material de matriz, é nítido que a ela
busca o plano mais frágil no cisalhamento, que neste caso é o plano da estrutura
reliquiar. No entanto, também é notável a diferença entre os planos rompidos das
estrutura reliquiares do bloco 1 e do bloco 5. O plano de ruptura do bloco 5 não é tão
liso e polido quanto o plano do bloco 1. Também é perceptível a diferença de
coloração nos materiais da superfície de ruptura, que no bloco 1 são de cor
predominantemente preta com tons amarelados e vermelho e no bloco 5 são apenas
de cor vermelha com pequenas concentrações de material preto.
As características mineralógicas dos planos de ruptura serão abordadas ainda
neste capitulo e um maior detalhamento das diferenças de forma e cor dos planos de
ruptura encontram-se em um relato fotográfico no Anexo 2 deste trabalho.

72
140

120
150 kPa

100
tensão cisalhante ( kPa )

150 kPa
100 kPa
80
100 kPa

60

50 kPa 50 kPa
40

25 kPa 25 kPa
20

0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8
deslocamento horizontal ( cm )

25kPa 1º estágio 50kPa 1º estágio 100kPa 1º estágio 150kPa 1º estágio


25kPa 2º estágio 50kPa 2º estágio 100kPa 2º estágio 150kPa 2º estágio

Figura 5.15 Curvas tensão cisalhante vs. Deslocamento horizontal – BL 5 reliquiar natural.

73
No entanto cabe ressaltar que as superfícies de ruptura dos CPs dosblocos 1 e
5 são muito distintas. A superfície do bloco 5 não é tão lisa e regular quanto a
superfície do bloco1. A composição mineralógica também bastante diferente com a
presença de partículas vermelhas na superfície do bloco 5, enquanto que no bloco 1,
ocorre o predomínio de material preto.

Envoltórias e parâmetros de resistência


As envoltórias de resistência apresentaram um excelente ajuste conforme
demonstrado pelos valores dos fatores de correlação na Figura 5.16. Apesar da boa
aderência dos pontos do par tensão normal e tensão cisalhante a reta de resistência, o
ponto associado à tensão normal de 25kPa foi excluído da envoltório de resistência
inicial, pois sua inclusão provocava uma redução significativa do ângulo de atrito em
relação ao mesmo parâmetro para resistência residual de primeiro estágio.

200
Parâmetros
Envoltórias de Resistência
200 180  (º) c (kPa) r2
200
Resis. Pico
Resis. Pico
Resistência inicial ou de Pico 36 7 1,00
180 160 Resis. Res.
Resis. Res. 11 estágio
estágio
Resistência Residual de 1º estágio 35 6 1,00
Resis.
Resis. Res. 22 estágio
Res.
Resistência estágio de 2º estágio
Residual 27 8 1,00
160 140
160
tensão cisalhante ( kPa )

140 120
140
kPa ))
cisalhante (( kPa

120 100
120
tensão cisalhante

100
100 80

80
tensão

80 60

60
60
40

40
20

20
20
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200
00 tensão normal ( kPa )
00 20
20 40
40 60
60 80
80 100
100 120
120 140
140 160
160 180
180 200
200
Figura 5.16 tensão
tensão
Envoltórias normal
de normal (( kPa
kPa
resistência – ))BL 5 Reliquiar Natural.

74
Nota-se uma maior dispersão destas envoltórias em relação às envoltórias do
bloco 1 reliquiar, indicando maior diferença entre os parâmetros de resistência inicial e
residual do segundo estágio, apesar de não haver picos de resistência. Ressalta-se
ainda a existência de um intercepto coesivo nas envoltórias de resistência residual que
não ocorreu em todas as envoltórias descritas anteriormente.

5.4.8 Bloco 5 Reliquiar Submerso


Para determinação da resistência ao cisalhamento da estrutura reliquiar do
bloco 5 sob a condição de submersão foram realizados 6 ensaios. Os quatro primeiros
ensaios foram realizados sob tensões normais de 25, 50, 100 e 150 kPa. Após a
análise dos resultados, verificou-se a necessidade de repetir os ensaios sob as
tensões normais de 25 e 150 kPa. Os corpos de prova também foram orientados
conforme direção da face frontal do talude, identificada na época da coleta dos blocos.

Comportamento de tensão-deformação
Esta última sequência de ensaios apresentou resultados muito dispersos que
podem ser visualizados nas Figura 5.17 e Figura 5.18. As curvas tensão cisalhante
normalizada pelas respectivas tensões normais vs. deslocamento horizontal mostram
grande dispersão. Nos resultados apresentados anteriormente apenas uma curva
apresentava dispersão em relação às outras.
Neste caso as curvas de 25kPa apresentaram tensões normalizadas maiores
do que as curvas de 150kPa. Já as curvas de 100 e 50kPa apresentaram as menores
tensões normalizadas no primeiro estágio. Nota-se ainda na Figura 5.17 que as
tensões mobilizadas no primeiro estágio da curva de 25 kPa foram maiores do que as
de 50 kPa.
As resistências mobilizadas no segundo estágio das curvas de 50 e 100kPa
foram maiores do que as resistência das mesmas curvas no primeiro estágio. As
curvas apresentaram formas variadas e dispersão elevada nas curvas normalizadas
de primeiro estágio. Visando um melhor entendimento deste comportamento foram
repetidos os ensaios de 25 e 150kPa. No entanto, os novos resultados confirmaram os
dos primeiros ensaios.
Estes resultados muito dispersos podem estar associados à heterogeneidade
do material da estrutura reliquiar ou mesmo à moldagem do corpo de prova com
deslocamento do plano da reliquiar em relação ao plano da caixa bipartida.
Ao separar os corpos as duas metades cisalhadas não foi possível verificar
facilmente os planos das reliquiares e em alguns casos os CP´s se quebravam durante
a separação.

75
140

120

100
tensão cisalhante ( kPa )

150 kPa
150 kPa rep
150 kPa
80
150 kPa rep

60
100 kPa

40 100 kPa

25 kPa rep 50 kPa


20 25 kPa
50 kPa 25 kPa
25 kPa rep
0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8
deslocamento horizontal ( cm )

25kPa 1º estágio 25kPa 1º estágio rep 50kPa 1º estágio 100kPa 1º estágio


150kPa 1º estágio 150kPa 1º estágio rep 25kPa 2º estágio 25kPa 2º estágio rep
50kPa 2º estágio 100kPa 2º estágio 150kPa 2º estágio 150kPa 2º estágio rep

Figura 5.17 Curvas Tensão cisalhante vs. Deslocamento horizontal – BL 5 Reliquiar Submerso.

76
2,0

tensão cisalhante / tensão normal

1,5

1,0

0,5

0,0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8
deslocamento horizontal ( cm )

25kPa 1º estágio 25kPa 1º estágio rep 50kPa 1º estágio 100kPa 1º estágio


150kPa 1º estágio 150kPa 1º estágio rep 25kPa 2º estágio 25kPa 2º estágio rep
50kPa 2º estágio 100kPa 2º estágio 150kPa 2º estágio 150kPa 2º estágio rep

Figura 5.18 Curvas Tensão cisalhante / tensão normal vs. Deslocamento horizontal – BL 5 Reliquiar Submerso.

77
Envoltórias e parâmetros de resistência
Em decorrência dos resultados dos ensaios com elevada dispersão das curvas
normalizadas os ajustes das envoltórias retilíneas não foram muito aderentes para as
envoltórias do primeiro estágio (Figura 5.19).

180
Parâmetros
Envoltórias de Resistência
 (º) c (kPa) r2
200 160
200
Resis. Pico
Resis. Pico
Resistência inicial ou de Pico 28 0 0,81
180 140
180 Resis. Res.
Resis. Res. 11 estágio
Resistência estágio
Residual de 1º estágio 27 0 0,86
Resis.
Resis. Res. 22 estágio
Res.
Resistência estágio de 2º estágio
Residual 26 0 0,99
160 120
160
tensão cisalhante ( kPa )

140 100
140
tensão cisalhante ( kPa )

120 80
120

100 60
100

80 40
80

60
60
20

40
40
0

20
20
-20
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200
00 tensão normal ( kPa )
00 20
20 40
40 60
60 80
80 100
100 120
120 140
140 160
160 180
180 200
200

Figura 5.19 tensão


tensão
Envoltórias normal (( kPa
normal
de resistênciakPa )) 5 Reliquiar Submerso.
– BL
Os parâmetros de resistência residual apresentaram valores maiores do que os
da matriz na condição de submersão. É importante ressaltar que o plano da estrutura
reliquiar ainda é o plano condicionante da ruptura, mesmo com maiores resistências
residuais em relação a matriz, pois sua resistência inicial é sempre menor do que a
resistência de pico da matriz na condição de submersão ou umidade natural. No
relatório fotográfico do Anexo 2 é possível visualizar planos em meio as
irregularidades presentes na superfície de ruptura. Esses planos estão associados às
estruturas reliquiares.

78
5.5 Análise Mineralógica
A análise mineralógica deste estudo buscou observar em lâminas delgadas de
solo, de espessura aproximada de 3m, a composição de minerais, o arranjo estrutural
e o grau de alteração dos minerais, visando compreender as diferenças de
comportamento mecânico entre a matriz de solo e a estrutura reliquiar.
As análises foram realizadas com um microscópio petrográfico de luz
transmitida. As lâminas foram observadas e fotografadas com luz natural (polarizada),
nicois cruzados e compensadores.
Ao todo foram analisadas 11 lâminas delgadas de solo compostas de material
de matriz ou contendo estruturas reliquiares. As lâminas foram moldadas a partir de
amostras dos blocos 1 e 5 e das superfícies de ruptura dos corpos de prova ensaiados
em cisalhamento direto.
O resultado das análises apontou para uma predominância de material de
alteração composto por: sericita, minerais opacos e minerais de cor marrom e
avermelhado. O quartzo representa em média aproximadamente 25% da composição
mineralógica das lâminas, além de ser o único mineral ainda com formas cristalinas.
Feldspatos e biotitas foram identificados como minerais acessórios. A Tabela 5.9
apresenta os resultados das laminas analisadas e suas respectivas origens e
composições mineralógicas.
A variação da composição mineralógica entre as laminas é pouco significativa.
Nota-se que as lâminas do bloco 1 apresentam uma maior concentração média de
minerais opacos em relação aos mesmos minerais do bloco 5. Esperava-se uma maior
diferença dos minerais opacos quando comparadas as laminas de reliquiar,
principalmente do bloco 1, com as lâminas de matriz, pois estes minerais opacos estão
relacionados com o material preto que cobre os planos de algumas estruturas
reliquiares. A Figura 5.20 revela a correspondência entre os minerais opacos e o
material preto das estruturas reliquiares. A região inferior à linha vermelha na Figura
5.20 (b) apresenta predominância de minerais opacos indistinguíveis pelo microscópio
petrográfico, alguns cristais de quartzo e sericita. Esta região inferior à linha vermelha
corresponde ao material preto da superfície da estrutura reliquiar. Apesar dos minerais
opacos serem indistinguíveis é provável serem hidróxidos.
A região superior à linha vermelha da Figura 5.20 (b) representa a alteração de
um porfiroblasto com minerais de quartzo bastante fragmentados, imersos em uma
matriz de material vermelho a marrom.
Os cristais de quartzo apresentam granulometria de muito fina a média e são
normalmente muito fraturados principalmente os grãos maiores, indicando uma
tendência clara de fragmentação.

79
Tabela 5.9 Composição mineralógica das lâminas delgadas de solo residual.
Laminas Composição Mineralógica
Origem Cristais Material de alteração

Avermelhados
Marrons e
Quartzo

Opacos
Sericita
Nº Corpo de
Material Bloco
Prova

L1-a Reliquiar BL 1 CP-150-Nat 20% 10% 20% 50%


L1-b Reliquiar BL 1 CP-150-Nat - - - -
L2 Reliquiar BL 1 - 20% 15% 25% 40%
L3 Matriz BL 1 CP-150-Nat 30% - 15% 55%
L4 Matriz BL 1 - 20% 15% 15% 50%
L5 Reliquiar BL 5 CP-150-Nat 30% 10% 15% 45%
L6 Reliquiar BL 5 - 35% 5% 10% 50%
L7 Matriz BL 5 - 20% 30% 10% 40%
L8 Reliquiar BL 1 CP-150-Sub 30% 5% 10% 55%
L11 Reliquiar BL 5 CP-150-Sub 10% 20% 10% 45%
L12 Reliquiar BL 5 CP-100-Sub 30% 10% 15% 45%

(a) (b)

Figura 5.20 Detalhe da lâmina L1b com imagem obtida de microscópio com luz
natural (polarizada).

Em algumas lâminas, como na Figura 5.21, os quartzos encontram-se


alinhados e imbricados com preenchimento de minerais opacos. Este alinhamento de
minerais é característico de rochas gnáissicas.
Os minerais opacos ocorrem de maneira dispersa e também concentrados em
linhas muito finas, conforme a Figura 5.22. Nesta figura nota-se ainda alguns grãos de

80
quartzo, sericita e os demais minerais provenientes de alteração. A sericita esta bem
representada na Figura 5.23.

Figura 5.21 Detalhe dos quartzos alinhados da Lamina L4 com nicol.

Figura 5.22 Detalhe dos leitos de minerais opacos na Lamina L2 com compensador.

81
Figura 5.23 Detalhe da presença de sericitas na Lamina L4 com compensador.
A composição mineralógica e as estruturas identificadas são características de
rochas gnáissicas. No entanto, não foi possível notar diferenças mineralógicas
texturais ou estruturais que justifiquem as diferenças de resistência entre o material de
matriz do solo e as estruturas reliquiares. A similaridade entre as lâminas é devida à
moldagem das mesmas, que não permitiu preservar o material preto que preenche as
superfícies das estruturas reliquiares. Estas camadas de materiais característicos das
estruturas reliquiares são tão finas que se perdem durante a preparação das lâminas.

82
6. Discussão dos resultados
Neste capítulo pretende-se analisar de forma integrada os resultados das
investigações de laboratório e mapeamento de campo, bem como comparar os
resultados obtidos com os encontrados na bibliografia nacional e estrangeira. Dentro
desse objetivo serão apresentados aspectos relativos à caracterização envolvendo
mineralogia, índices de consistência e granulometria e aspectos relativos à resistência
ao cisalhamento.

6.1 Caracterização
A respeito da caracterização serão abordados aspectos relativos a mineralogia,
índices de consistência e granulometria, começando pelo elevado limite de liquidez
(LL) quando verificado um pequeno percentual de argila, em torno de 9%.
No Capítulo 5 foi informado que o limite de liquidez e o índice de atividade
elevados podem estar associados à presença significativa de mica na composição
mineralógica. No entanto, a análise das lâminas mostrou uma pequena participação
das micas (13% na média), o que não justifica o elevado limite de liquidez e o “índice
de atividade fictício”, este último proposto por VARGAS (1992), citado por SOUZA
NETO e COUTINHO (1998). Portanto, restam apenas as possibilidades de presença
de minerais argílicos que induzam a atividade do material ou também a existência de
maior quantidade de argila, mas que não foi verificada nos ensaios de granulometria.
Essas possibilidades devem ser verificadas através da difração por raio-x e alteração
do defloculante no ensaios de sedimentação.
Quanto à classificação dos solos, os resultados das lâminas apontaram uma
predominância de materiais de alteração, conforme Tabela 6.1, possivelmente
argilominerais marrons e avermelhados, minerais opacos e sericita, que é um mineral
secundário originado da alteração da muscovita. Já a fração cristalina, também
observada nas lâminas, é representada por rara presença de feldspato e um
percentual médio de 25% de quartzo, que na maioria das vezes também apresenta
algum grau de alteração nas bordas e faturamento dos grãos.
A ausência de feldspato é um indício de elevado grau de alteração do material.
Tal fato é confirmado pela predominância de material de alteração revelado pelas
lâminas sugerindo que o solo seja classificado como residual maduro, ao invés da
classificação de solo residual jovem adotada neste trabalho. SILVEIRA e LACERDA
(19982) identificaram a mesma divergência ao classificar o solo residual de quartzo-
diorito como completamente alterado apesar das heranças estruturais da rocha mãe
presentes no solo.

83
Corroborando com classificação de solo residual maduro destaca-se a
composição mineralógica com elevado percentual de finos, em torno de 67%. No
entanto, a classificação de solo residual jovem é coerente com existência de estruturas
reliquiares no solo e também com o comportamento frágil de tensão deformação para
tensão normais de até 150kPa. A literatura mostra que solos maduros tendem a
apresentar comportamento dúctil, sem pico de resistência decorrente do elevado grau
de intemperismo que destrói a estrutura do solo saprolítico. Em síntese, destaca-se a
grande dificuldade de classificação dos solos residuais, considerando que correlações
com índices de consistência, granulometria, mineralogia e ou características visuais
nem sempre convergem para um mesmo entendimento de classificação do solo
estudado nesta pesquisa.

Tabela 6.1 Composição mineralógica das lâminas.


Laminas Composição Mineralógica
Cristais Material de alteração

Avermelhados
Marrons e
Quartzo

Opacos
Sericita
Origem

Média Bloco 1 24% 9% 17% 50%


Média Bloco 5 25% 15% 12% 45%
Média 25% 12% 15% 48%
Mínimo 10% 0% 10% 40%
Máximo 35% 30% 25% 55%

Apesar da análise dos resultados das lâminas delgadas não identificar grande
heterogeneidade, visualmente é possível notar grande variação na coloração e textura
dentro de uma estrutura reliquiar, conforme descrito do Anexo 2. Notam-se materiais
de cores preta, vermelha, marrom, branca e amarela frequentemente bastante lisos e
polidos e em algumas regiões com granulometria mais grosseira, assemelhando-se à
matriz do solo.
Outro ponto importante observado diz respeito à determinação da distribuição
granulométrica, já discutida no Capítulo 5. Cabem ainda alguns esclarecimentos e
discussões considerando o histórico de ensaios realizados. As curvas apresentadas
no Capitulo 5 são apenas as curvas de melhor ajuste encontradas dentro dos 12
conjuntos de ensaios de peneiramento e sedimentação para obtenção das curvas de
distribuição granulométricas. Nestes 12 conjuntos de ensaios foram variadas as
amostras, as soluções de defloculantes e o procedimento de lavagem dos materiais
oriundos da sedimentação. As principais conclusões destes ensaios foram a respeito

84
da influência do defloculante e do procedimento de lavagem do material oriundo da
sedimentação.
O uso de defloculantes com PH fora da especificação da norma acarreta na
redução ou anulação de finos argilosos e parte dos siltosos. O uso de maior volume de
água bem como o uso das mãos durante a lavagem do material oriundo da
sedimentação também pode ter influência no trecho de transição da curva de
distribuição granulométrica do peneiramento para sedimentação. No entanto, cabe
ressaltar o peso da influência dos métodos de peneiramento e sedimentação que não
foram avaliados nestes ensaios. É muito provável que parte do ressalto na transição
entre os métodos de sedimentação e peneiramento estejam associados às
simplificações ou aproximações aplicadas a cada método.

6.2 Resistência ao Cisalhamento Direto

6.2.1 Tensão deformação


O comportamento tensão deformação dos ensaios de cisalhamento direto
mostra a grande influência dos materiais de matriz e reliquiar, e influência pouco ou
nada significativa dos níveis de tensões normais e da condição de umidade do ensaio.
Os corpos de prova constituídos apenas da matriz do solo rompidos nas
condições de umidade natural e submersos em água apresentaram comportamento
frágil, com picos de resistência alcançados com deslocamentos horizontais da ordem
de 0,2 cm conforme apresentado no Capítulo 5 e exemplificado na Figura 6.1.
Na bibliografia consultada, solos residuais semelhantes a este apresentam
mudança no comportamento tensão-deformação para elevadas tensões normais.
SANDRONI (1981a) verificou mudança de comportamento para tensões da ordem de
200kPa com desvios reduzidos em função do índice de vazios. Lacerda e Silveira
(1982) observaram a mudança de comportamento de frágil para dúctil para tensões
normais da ordem de 150kPa. Portanto, é provável que para tensões normais maiores
que 150kPa ocorra mudança de comportamento tensão-deformação dos solos
residuais estudados. Um indício desta provável mudança pode ser notado na Figura
6.1, onde os picos de resistência tendem a ser menos pronunciados com o aumento
da tensão normal.
Os corpos de prova rompidos ao longo das estruturas reliquiares, tanto do
bloco 1 quanto do bloco 5, não apresentaram pico de resistência, mas entre si
apresentaram algumas diferenças descritas a seguir.
Os corpos de prova do bloco 1, rompidos ao longo da estrutura reliquiar,
apresentaram comportamento tensão-deformação bem definido para todas as tensões

85
normais, conforme apresentado no Capítulo 5 e exemplificado na Figura 6.2. Estes,
exibem uma curva tensão-deslocamento bilinear, com trecho inicial praticamente
vertical até alcançar a estabilização da tensão cisalhante mobilizada com
deslocamentos muito pequenos, no máximo 0,1cm para a maior tensão normal. O
segundo trecho também é praticamente linear e horizontalizado. Este comportamento
tensão deformação também foi verificado nos ensaios de segundo estágio, porém,
com deslocamentos muito menores para estabilização da tensão cisalhante.

140

120
tensão cisalhante ( kPa )

100 150 kPa

80 25kPa 1º estágio
100 kPa
50kPa 1º estágio
60
100kPa 1º estágio
40
150kPa 1º estágio
50 kPa
20

25 kPa
0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura 6.1 Curvas tensão cisalhante vs. Deslocamento horizontal – BL 1 matriz


umidade natural.
Nas curvas tensão-deslocamento do bloco 5 com estrutura reliquiar, o
comportamento bilinear se assemelha ao do bloco 1 com reliquiar. No entanto, a
transição entre o trecho vertical e linha horizontalizada ocorre de forma mais suave,
principalmente para maiores tensões normais. Ainda com relação as curvas de tensão-
deslocamento do bloco 5 rompidos ao longo da estrutura reliquiar, foi observado uma
diferença de comportamento tensão deformação entre o primeiro estágio de ruptura e
o segundo. No segundo estágio o comportamento bilinear não é tão claro como no
primeiro estágio, e em alguns casos, sequer foi observado (Figura 6.3).
As diferenças de comportamento tensão-deformação entre as estruturas
reliquiares do bloco 1 e do bloco 5 podem estar associadas à diferença de composição
das estruturas reliquiares. Visualmente é nítida a diferença dos planos das reliquiares
do bloco 1 e 5 conforme apresentado na Figura 4.5 do Capítulo 4. No entanto, não foi

86
possível identificar esta diferença na composição mineralógica entre as estruturas
reliquiares do bloco 1 e 5, através das análises das lâminas delgadas. Como
possibilidades a serem investigadas, destacam-se a evolução do intemperismo
diferenciado nas cotas de cada um dos blocos ou simplesmente aos processos
distintos de formação das estruturas reliquiares.

60

100 kPa
50
tensão cisalhante ( kPa )

40 150
kPa
25kPa 1º Estágio
30
50kPa 1º estágio

100kPa 1º estágio
20
50 kPa 150kPa 1º estágio

10
25 kPa
0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura 6.2 Curvas tensão cisalhante vs. Deslocamento horizontal – BL 1 reliquiar


umidade natural.
Quanto ao comportamento tensão-deformação de segundo estágio, a grande
diferença em relação ao primeiro estágio foi observada no caso dos corpos de provas
constituídos de matriz. As curvas da Figura 6.4 revelam um comportamento de
material dúctil, sem pico de resistência, até mesmo porque a microestrutura do solo
residual foi destruída no primeiro estágio. Como consequência desta ruptura,
observam-se curvas com formato mais próximo das curvas de tensão-deslocamento
das estruturas reliquiares.
O comportamento das curvas tensão-deslocamento e das tensões cisalhantes
mobilizadas no segundo estágio dos corpos de prova rompidos ao longo das
estruturas reliquiares são semelhantes aos de primeiro estágio. Isto indica uma
microestrutura com pouca influência no comportamento mecânico do solo entre os
dois estágios. No entanto, em alguns casos foi observada uma redução das tensões
cisalhantes mobilizadas que devem estar associadas aos alinhamento dos minerais da
estrutura reliquiar.

87
140

120
tensão cisalhante ( kPa )

100
150 kPa
80 25kPa 2º estágio
100 kPa
50kPa 2º estágio
60
100kPa 2º estágio
40 150kPa 2º estágio
50 kPa
25 kPa
20

0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura 6.3 Curvas tensão cisalhante vs. Deslocamento horizontal – BL 5 reliquiar


umidade natural.

140

120
tensão cisalhante ( kPa )

100
150 kPa

80 25kPa 2º estágio
100 kPa
50kPa 2º estágio
60
100kPa 2º estágio
40
150kPa 2º estágio
50 kPa
20
25 kPa
0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura 6.4 Curvas tensão cisalhante vs. Deslocamento horizontal – BL 1 matriz


umidade natural.
Quanto ao efeito da submersão no comportamento tensão-deformação das
estruturas reliquiares foi observada uma redução nos deslocamentos horizontais

88
alcançados quando da ocorrência do ponto de inflexão entre as retas verticais e
horizontais que formam as curvas tensão-deslocamento das estruturas reliquiares. No
primeiro estágio de ensaio das reliquiares do bloco 1, as inflexões ocorreram para
deslocamentos horizontais máximos de 0,05 cm, tornando o trecho inicial retilíneo
mais verticalizado.
A respeito do comportamento tensão-deformação pode-se dizer que todos os
corpos de prova ensaiados apresentam pequena dispersão entre as curvas
normalizadas com algumas exceções pontuais. É o caso dos corpos de prova do bloco
5, rompidos ao longo da estrutura reliquiar em condição de submersão, que
apresentaram grande dispersão e diferença no comportamento tensão-deformação
com pico discreto de resistência para tensão normal de 25kPa. A Figura 5.18 ilustra
estes resultados que podem estar associados à heterogeneidade da estrutura reliquiar
ou a problemas durante o ensaio tais como desalinhamento do plano da estrutura
reliquiar em relação ao plano da caixa bipartida.

6.2.2 Resistência
No Capítulo 5 foram apresentados os resultados das envoltórias de resistência
bem como as simplificações adotadas para obtenção destas envoltórias. Neste
capítulo são apresentados as comparações entre estes resultados e interpretação de
possíveis correlações.
A Tabela 6.2 resume os parâmetros de resistência de primeira e segunda fase
do ensaio de cisalhamento direto e os índices físicos médios antes e após a ruptura
dos corpos de prova.

Resistência da matriz do solo do bloco 1.


Com vistas aos parâmetros de resistência da matriz do solo do bloco 1,
resumidos na Tabela 6.2, nota-se a influencia da submersão na redução dos
parâmetros de resistência assim como a redução da resistência por alinhamento de
partículas até a resistência residual. A coexistência destas duas condições é bastante
prejudicial para a resistência do solo, provocando uma redução do ângulo de atrito de
62% em relação a resistência de pico na umidade natural e anulando a coesão.
Foi observado que a submersão tem influência bastante significativa na
redução de ambos os parâmetros de resistência. No entanto, o intercepto coesivo que
sofreu redução de 26kPa para 12kPa, não foi anulado. Isto pode estar associado à
existência de alguma cimentação entre os grãos, que não foi possível observar nas
lâminas delgadas, ou simplesmente ser decorrente do ajuste da envoltória de
resistência para baixas tensões.

89
Tabela 6.2 Resumo dos parâmetros de resistência e dos índices físicos médios.

Índices Físicos Médios


w0 wf n d 0 d f
Tipo de Parametros de Resistência
Amostras Estágio Umidade (%) (%) (kN/m 3) Gs e0 ef (kN/m ) (kN/m 3) S0 (%) Sf (%)
3
resistência
 (º) c (kPa) r2 Média Média média Média Média média média média média
BL 1 Matriz 1º estágio Sub. Pico 31 12 0,97
BL - 1 Matriz 1º estágio Sub. Residual 18 0 0,99 31 39 17,72 2,640 0,91 0,86 13,40 13,97 89 121
BL - 1 Matriz 2º estágio Sub. Residual 15 0 0,99
BL 1 Matriz 1º estágio Nat. Pico 39 26 0,99
BL 1 Matriz 1º estágio Nat. Residual 33 0 0,95 32 30 17,53 2,640 0,95 0,90 13,32 13,66 88 87
BL 1 Matriz 2º estágio Nat. Residual 30 0 0,98
BL 1 Reliq. 1º estágio Sub. Pico 10 0 1,00
BL 1 Reliq. 1º estágio Sub. Residual 9 0 0,98 27 36 17,61 2,727 0,93 0,88 13,86 14,24 79 115
BL 1 Reliq. 2º estágio Sub. Residual 8 0 0,94
BL 1 Reliq. 1º estágio Nat. Pico 16 2 0,98
BL 1 Reliq. 1º estágio Nat. Residual 15 0 0,99 30 26 17,83 2,727 0,94 0,92 13,77 13,96 87 79
BL 1 Reliq. 2º estágio Nat. Residual 12 0 0,95
BL 5 Reliq. 1º estágio Sub. Pico 28 0 0,81
BL 5 Reliq. 1º estágio Sub. Residual 27 0 0,86 28 39 16,71 2,662 1,01 0,97 12,97 13,26 73 108
BL 5 Reliq. 2º estágio Sub. Residual 26 0 0,99
BL 5 Reliq. 1º estágio Nat. Pico 36 7 1,00
BL 5 Reliq. 1º estágio Nat. Residual 35 6 1,00 28 24 16,28 2,662 1,04 1,00 12,77 13,05 70 65
BL 5 Reliq. 2º estágio Nat. Residual 27 8 1,00

90
Quanto à resistência residual do segundo estágio do cisalhamento direto em
relação à resistência residual do primeiro estágio, foi observada pequena influência na
redução da resistência ao cisalhamento tanto para condição submersa quanto para
umidade natural. Isto contrasta com a redução expressiva da resistência de pico para
resistência residual de primeiro estágio. Este fato está diretamente associado à
condição de ruptura frágil com grande e abrupta redução da resistência mobilizada
após o pico de resistência. A Figura 6.5 ilustra estes comentários.

200

180

160
Nat
140
tensão cisalhante ( kPa )

120
Sub
39º
Nat
100
Nat

80 31º

60
33º Sub
30º Sub
40 18º
15º

20

0
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200
tensão normal ( kPa )

Figura 6.5 Envoltórias de resistência da matriz do solo do bloco 1.

Resistência das estruturas reliquiares dos blocos 1 e 5


Com relação à resistência ao cisalhamento da estrutura reliquiar do bloco 1, é
marcante o quanto esta é diminuta em relação à resistência de pico da matriz do solo
chegando a apresentar um ângulo de atrito obtido na condição submersa 77% menor
do que o mesmo ângulo de atrito na condição submersão da matriz do bloco 1. Na
condição de umidade natural a diferença alcança 59% (Figura 6.6).

91
200

180

160

140
tensão cisalhante ( kPa )

120
Matriz

100

80

60 Matriz
Matriz
40
Reliquiares

20

0
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200
tensão normal ( kPa )

Figura 6.6 Envoltórias de resistência – matriz e reliquiar BL 1 submerso.


Outro destaque das estruturas reliquiares do bloco 1 e 5 diz respeito à
influência da saturação que nitidamente tem maior importância na redução da
resistência ao cisalhamento quando comparada a resistência residual, mobilizada para
grandes deslocamentos. A influência reduzida pode estar associada à microestrutura
e/ou mineralogia do material de preenchimento da estrutura reliquiar, ou mesmo às
descontinuidades existentes na rocha de origem que permanecem nos solos
saprolíticos, mas tendem a desaparecer nos solos mais desenvolvidos.
A pequena redução das resistências inicial e residual de primeiro e segundo
estágio indicam que a microestrutura da reliquiar está constituída de tal maneira que
mesmo com a ruptura e o alinhamento de minerais para grandes deslocamentos não
modifica seu arranjo a ponto de alterar significativamente a resistência mobilizada. As
lâminas delgadas não possibilitaram observar microestrutura das reliquiares e
confirmar o comportamento descrito acima.

92
Foi observada também a expressiva redução da resistência residual de
segundo estágio em relação ao primeiro, na condição de umidade natural da estrutura
reliquiar do bloco 5, o que difere dos demais resultados de resistência residual das
estruturas reliquiares. Supõe-se que esta resistência residual reduzida também está
associada à composição da estrutura reliquiar do bloco 5, bastante distinta do bloco 1
conforme exemplificado na Figura 4.5 do Capítulo 4. No entanto, não foi possível
verificar a diferença visual entre as estruturas reliquiares através das lâminas
delgadas.
A diferença entre as estruturas é verificada visualmente (Figura 4.5) e sugere
um grau de alteração mais intenso da estrutura reliquiar do bloco 5 em relação ao
bloco 1. Tal fato é corroborado pela experiência de campo quando em cotas mais
elevadas ocorrem estruturas reliquiares menos nítidas, confundindo-se com a matriz
do solo e mais resistentes ao golpe da enxada de mão, conforme já relatado no
Capítulo 4. Desta maneira é possível estabelecer uma hipótese de que o grau de
alteração das estruturas reliquiares é diretamente proporcional a sua resistência.

93
7. Conclusões e Sugestões
O programa de ensaios de cisalhamento não foi muito extenso, no entanto, os
resultados de comportamento foram bastante singulares com diferenças marcantes
entre as estruturas reliquiares e o material de matriz, tornando possível estabelecer
algumas conclusões. Portanto, é recomendável que futuras pesquisas estendam a
campanha de investigação a fim de tornar mais representativo o conhecimento das
estruturas reliquiares. Dentre as conclusões destacam-se a seguir as mais marcantes
quanto à distinção de comportamento e características.
A resistência ao cisalhamento das estruturas reliquiares do bloco 1
apresentaram resistência muito menor do que a resistência do solo de matriz, variando
com a condição de umidade e elevados deslocamentos podendo anular a coesão e
diminuir em mais de 50% o ângulo de atrito.
O uso das lâminas delgadas para análise e investigação da influência da
microestrutura nas resistências ao cisalhamento não foi eficaz, visto que tal técnica
não possibilitou a preservação da estrutura reliquiar e a identificação dos seus
minerais constituinte. É provável que o uso da microscopia eletrônica e difratometria
por raios x permitam uma investigação mais eficiente.
Correlações com índices físicos obviamente não se mostraram úteis, pois a fina
camada da estrutura reliquiar não trouxe qualquer variação destes índices em relação
a matriz do solo.
O comportamento tensão deformação das estruturas reliquiares do bloco 1 é
bastante distinto dos comportamentos reportados na literatura. A curva apresenta-se
bilinear com inflexão muito brusca, que pode estar associada à microestrutura e/ou
mineralogia do material constituinte da estrutura reliquiar.
A variação entre a resistência de pico e a resistência residual mostrou-se mais
severa para o material de matriz do que para estruturas reliquiares. A verificação da
influência dos grandes deslocamentos na resistência das estruturas reliquiares carece
de novos ensaios, visto que o número de ensaios e ciclos de reversão foram reduzidos
e a diferença entre as resistências iniciais e residuais de primeiro estágio observadas
foram muito pequenas. No entanto, todas apresentaram redução de resistência inicial
para primeiro estágio e segundo estágio, conforme esperado.
A pequena diferença entre a resistência inicial e residual das estruturas
reliquiares e a reduzida resistência destas estruturas em relação à matriz de solo do
seu entorno sugere que a microestrutura do material constituinte das reliquiares é
muito frágil e reduz a resistência.

94
Em ambos os materiais de matriz e reliquiar, observou-se a influência da
submersão na resistência do solo, sendo mais acentuada para a matriz do solo que
envolve a estrutura reliquiar.
Recomenda-se para pesquisas futuras:
(i) Investigação de solos com estruturas reliquiares de regiões distintas de
com diferentes graus de alteração;
(ii) Análise da influência da alteração ao longo do talude para resistência
da estrutura reliquiar;
(iii) Investigação da composição mineralógica e microestrutura das
estruturas reliquiares e da matriz do solo circundante através da
difratometria por Raios X e microscopia eletrônica.
(iv) Comparação entre comportamentos de resistência residual para
grandes deformações e velocidades variadas, em ensaios de ring shear
e cisalhamento direto com reversões múltiplas;
(v) Estudo do efeito da sucção na resistência das estruturas reliquiares e
sua comparação com a matriz.
(vi) Estudo de ruptura de talude condicionada por estrutura reliquiar fazendo
uso de retroanálise.

95
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100
Anexo 1
Gráficos – Curvas tensão-deslocamento e curvas
deslocamento vertical v.s. deslocamento
horizontal

101
120

100
tensão cisalhante ( kPa )

80
25kPa 1º estágio
60
100 kPa 50kPa 1º estágio

150 kPa 100kPa 1º estágio


40
150kPa 1º estágio

20
50 kPa
25 kPa
0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 1 Curvas tensão cisalhante vs. deslocamento horizontal 1º Estágio – BL 1


Matriz Submerso.

0,14

0,12
deslocamento vertical ( cm )

0,10
150 kPa
0,08
25kPa 1º estágio
0,06
50kPa 1º estágio
0,04
100 kPa 100kPa 1º estágio
0,02
100kPa 1º estágio
0,00
25 kPa
-0,02
50 kPa
-0,04
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 2 Curvas deslocamento Vertical vs. deslocamento horizontal 1º Estágio –


BL 1 Matriz Submerso.

102
120

100
tensão cisalhante ( kPa )

80
25kPa 2º estágio
60
50kPa 2º estágio
150 kPa
100kPa 2º estágio
40
100 kPa 150kPa 2º estágio
50 kPa
20
25 kPa
0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 3 Curvas tensão cisalhante vs. deslocamento horizontal 2º Estágio – BL 1


Matriz Submerso.

0,14

0,12
deslocamento vertical ( cm )

0,10

0,08
25kPa 2º estágio
0,06
50kPa 2º estágio
0,04
100 kPa 100kPa 2º estágio
0,02
150 kPa
150kPa 2º estágio
0,00
25 kPa
-0,02 50 kPa

-0,04
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 4 Curvas deslocamento Vertical vs. deslocamento horizontal 2º Estágio –


BL 1 Matriz Submerso.

103
140

120
tensão cisalhante ( kPa )

100 150 kPa

80 25kPa 1º estágio
100 kPa
50kPa 1º estágio
60
100kPa 1º estágio
40
150kPa 1º estágio
50 kPa
20

25 kPa
0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 5 Curvas tensão cisalhante vs. deslocamento horizontal 1º Estágio – BL 1


Matriz Umidade natural.

0,04

0,02
deslocamento vertical ( cm )

0,00
150 kPa
25kPa 1º estágio
-0,02
50kPa 1º estágio
100 kPa 100kPa 1º estágio
-0,04
150kPa 1º estágio
50 kPa
-0,06
25 kPa
-0,08
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 6 Curvas deslocamento Vertical vs. deslocamento horizontal 1º Estágio –


BL 1 Matriz Umidade Natural.

104
140

120
tensão cisalhante ( kPa )

100
150 kPa

80 25kPa 2º estágio
100 kPa
50kPa 2º estágio
60
100kPa 2º estágio
40
150kPa 2º estágio
50 kPa
20
25 kPa
0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 7 Curvas tensão cisalhante vs. deslocamento horizontal 2º Estágio – BL 1


Matriz Umidade natural.

0,04

0,02
deslocamento vertical ( cm )

150 kPa
0,00 100 kPa
25kPa 2º estágio
50 kPa
-0,02
50kPa 2º estágio

100kPa 2º estágio
-0,04
150kPa 2º estágio
25 kPa
-0,06

-0,08
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 8 Curvas deslocamento Vertical vs. deslocamento horizontal 2º Estágio –


BL 1 Matriz Umidade Natural.

105
60

50
tensão cisalhante ( kPa )

40
25kPa 1º estágio
30
50kPa 1º estágio

100kPa 1º estágio
20
150kPa 1º estágio

10

0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 9 Curvas tensão cisalhante vs. deslocamento horizontal 1º Estágio – BL 1


Reliquiar Submerso.

0,06

150 kPa
0,05
deslocamento vertical ( cm )

0,04

0,03 25kPa 1º estágio

50kPa 1º estágio
0,02
100 kPa 100kPa 1º estágio
0,01 25 kPa
150kPa 1º estágio
50 kPa
0,00

-0,01
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 10 Curvas deslocamento Vertical vs. deslocamento horizontal 1º Estágio –


BL 1 Reliquiar Submerso.

106
60

50
tensão cisalhante ( kPa )

40
25kPa 2º estágio
30
50kPa 2º estágio
150 kPa
100 kPa 100kPa 2º estágio
20
150kPa 2º estágio

10
25 kPa
50 kPa
0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 11 Curvas tensão cisalhante vs. deslocamento horizontal 2º Estágio – BL 1


Reliquiar Submerso.

0,06

0,05
deslocamento vertical ( cm )

0,04

150 kPa
0,03 25kPa 2º estágio

50kPa 2º estágio
0,02
100kPa 2º estágio
0,01 100 kPa
25 kPa 150kPa 2º estágio
50 kPa
0,00

-0,01
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 12 Curvas deslocamento Vertical vs. deslocamento horizontal 2º Estágio –


BL 1 Reliquiar Submerso.

107
60

50
tensão cisalhante ( kPa )

40
25kPa 1º Estágio
30
50kPa 1º estágio

100kPa 1º estágio
20
150kPa 1º estágio

10

0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 13 Curvas tensão cisalhante vs. deslocamento horizontal 1º Estágio – BL 1


Reliquiar Umidade natural.

0,04
Deslocamento Vertical ( cm )

0,02
50 kPa
100 kPa
25kPa 1º estágio
150 kPa
0,00
50kPa 1º estágio

100kPa 1º estágio

25 kPa 150kPa 1º estágio


-0,02

-0,04
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 14 Curvas deslocamento Vertical vs. deslocamento horizontal 1º Estágio –


BL 1 Reliquiar Umidade Natural.

108
60

50
tensão cisalhante ( kPa )

150 kPa
40
25kPa 2º estágio
30
50kPa 2º estágio
100 kPa
100kPa 2º estágio
20
150kPa 2º estágio

10
50 kPa
25 kPa
0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 15 Curvas tensão cisalhante vs. deslocamento horizontal 2º Estágio – BL 1


Reliquiar Umidade natural.

0,04
Deslocamento Vertical ( cm )

0,02
50 kPa
100 kPa

150 kPa 25kPa 2º estágio


0,00
50kPa 2º estágio

100kPa 2º estágio

-0,02 25 kPa 150kPa 2º estágio

-0,04
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 16 Curvas deslocamento Vertical vs. deslocamento horizontal 2º Estágio –


BL 1 Reliquiar Umidade Natural.

109
120

100
150 kPa 25kPa 1º estágio
tensão cisalhante ( kPa )

150 kPa rep


80 25kPa 1º estágio rep

60 50kPa 1º estágio

100 kPa 100kPa 1º estágio


40

25 kPa rep 150kPa 1º estágio


20
50 kPa 25 kPa 150kPa 1º estágio
rep
0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 17 Curvas tensão cisalhante vs. deslocamento horizontal 1º Estágio – BL 5


Reliquiar Submerso.

0,06
150 kPa rep
0,04
deslocamento vertical ( cm )

25kPa 1º estágio
150 kPa
0,02 25kPa 1º estágio rep
100 kPa
50 kPa
0,00 50kPa 1º estágio

100kPa 1º estágio
-0,02

150kPa 1º estágio
25 kPa
-0,04
150kPa 1º estágio
25 kPa rep rep
-0,06
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 18 Curvas deslocamento Vertical vs. deslocamento horizontal 1º Estágio –


BL 5 Reliquiar Submerso.

110
120

100
25kPa 2º estágio
tensão cisalhante ( kPa )

80 150 kPa
25kPa 2º estágio
150 kPa rep rep

60 50kPa 2º estágio
100 kPa
100kPa 2º estágio
40
150kPa 2º estágio
50 kPa
20
25 kPa
150kPa 2º estágio
25 kPa rep rep
0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 19 Curvas tensão cisalhante vs. deslocamento horizontal 2º Estágio – BL 5


Reliquiar Submerso.

0,06

150 kPa rep


0,04
25kPa 2º estágio
deslocamento vertical ( cm )

150 kPa
0,02 25kPa 2º estágio
100 kPa
rep

0,00 50 kPa 50kPa 2º estágio


25 kPa rep
25 kPa 100kPa 2º estágio
-0,02
150kPa 2º estágio
-0,04
150kPa 2º estágio
rep
-0,06
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 20 Curvas deslocamento Vertical vs. deslocamento horizontal 2º Estágio –


BL 5 Reliquiar Submerso.

111
140

120
150 kPa
tensão cisalhante ( kPa )

100

100 kPa
80 25kPa 1º estágio

50kPa 1º estágio
60
100kPa 1º estágio
50 kPa
40 150kPa 1º estágio
25 kPa
20

0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 21 Curvas tensão cisalhante vs. deslocamento horizontal 1º Estágio – BL 5


Reliquiar Umidade natural.

0,04

150 kPa
0,02
deslocamento vertical ( cm )

100 kPa
0,00
25kPa 1º estágio
50 kPa
-0,02 50kPa 1º estágio

100kPa 1º estágio
-0,04
150kPa 1º estágio
25 kPa
-0,06

-0,08
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 22 Curvas deslocamento Vertical vs. deslocamento horizontal 1º Estágio –


BL 5 Reliquiar Umidade Natural.

112
140

120
tensão cisalhante ( kPa )

100
150 kPa
80 25kPa 2º estágio
100 kPa
50kPa 2º estágio
60
100kPa 2º estágio
40 150kPa 2º estágio
50 kPa
25 kPa
20

0
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 23 Curvas tensão cisalhante vs. deslocamento horizontal 2º Estágio – BL 5


Reliquiar Umidade natural.

0,04
150 kPa

0,02 100 kPa


deslocamento vertical ( cm )

0,00
25kPa 2º estágio
50 kPa
-0,02 50kPa 2º estágio
25 kPa
100kPa 2º estágio
-0,04
150kPa 2º estágio

-0,06

-0,08
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
deslocamento horizontal ( cm )

Figura A1. 24 Curvas deslocamento Vertical vs. deslocamento horizontal 2º Estágio –


BL 5 Reliquiar Umidade Natural.

113
Anexo 2
Relatório Fotográfico dos corpos de prova
rompidos

114
Tabela A2. 1 Fotos e descrição dos CPs após ruptura - Bloco 1 – Solo de Matriz – Umidade Natural.

 Perspectiva Aberto Perfil aberto Descrição

o - Superfície de ruptura plana mas completamente


irregular e com granulometria grosseira.
- Material de cor avermelhada a marrom.
- presença de mica na superfície
25 kPa

- presença de material preto em pequenos pontos


concentrados e aleatoriamente

- Superfície de ruptura plana mas completamente


irregular e com granulometria grosseira.
- Material de cor avermelhada a marrom.
- presença de material preto em pequenos pontos
50 kPa

concentrados e aleatoriamente

- Superfície de ruptura plana mas completamente


irregular e com granulometria grosseira.
- Material de cor avermelhada a marrom e algumas
100 kPa

concentrações bracas a amarelas.


- presença de material preto em uma quina do CP

- Superfície de ruptura plana mas completamente


irregular e com granulometria grosseira.
- Material de cor avermelhada a marrom e algumas
150 kPa

concentrações bracas a amarelas.


- presença de material preto em pequenos pontos
concentrados e aleatoriamente

115
Tabela A2. 2 Fotos e descrição dos CPs após ruptura - Bloco 1 – Solo de Matriz – Submerso.

 Perspectiva Aberto Perfil aberto Descrição

o - Superfície de ruptura plana mas completamente


irregular e com granulometria grosseira.
- Material de cor avermelhada a marrom.
- presença de mica na superfície
25 kPa

- presença de material preto em pequenos pontos


concentrados e aleatoriamente
- superfícies aderidas dificultando separação

-Superfície de ruptura plana mas completamente


irregular e com granulometria grosseira.
- Material de cor avermelhada a marrom.
- presença de material preto em pequenos pontos
50 kPa

concentrados e aleatoriamente
- superfícies aderidas dificultando separação

-Superfície de ruptura plana mas completamente


irregular e com granulometria grosseira.
- Material de cor avermelhada a marrom.
100 kPa

- presença de material preto em pequenos pontos


concentrados e aleatoriamente
- superfícies aderidas dificultando separação

-Superfície de ruptura plana mas completamente


irregular e com granulometria grosseira.
- Material de cor avermelhada a marrom com
150 kPa

foliação aparente e concentrações de material


branco a amarelados.
- presença de material preto em pequenos pontos
- superfícies aderidas dificultando separação

116
Tabela A2. 3 Fotos e descrição dos CPs após ruptura - Bloco 1 – Reliquiar – Umidade Natural.

 Perspectiva Aberto Perfil aberto Descrição

o
- superfícies de ruptura planas regulares e lisas
apesar da predominancia de material vermelho.
- arestas vivas
25 kPa

- materiais de cor vermelho e amarelo


predominantes com pequena concentração de
material preto

- superfícies de ruptura planas regulares e lisas


- arestas vivas
50 kPa

- Materiais de preenchimento da superfície de cor


preta, amarelo e vermelho.

- superfícies de ruptura planas regulares e lisas


- arestas vivas com exceção de uma indicando
ruptura inicial pela matriz.
100 kPa

- Material preto predominante com presença de


material vermelho e amarelado.
- o material vermelho é mais grosseiro semelhante
a matriz de solo.

- superfícies de ruptura planas, regulares e lisas


com arestas vivas.
- Material preto predominante nas duas superfícies
150 kPa

com pouca presença de material vermelho


- Localmente com presença de material de matriz
mais grosseiro, indicando descontinuidade no
material preto.

117
Tabela A2. 4 Fotos e descrição dos CPs após ruptura - Bloco 1 – Reliquiar – Submerso.

 Perspectiva Aberto Perfil aberto Descrição

o - superfícies de ruptura planas regulares e menos


lisas do que nas reliquiares do bloco 1 na umidade
natural.
- arestas vivas
25 kPa

- materiais de cor vermelho e amarelo


- localmente com presença de material de matriz
mais grosseiro,

- superfícies de ruptura planas regulares e menos


lisas do que nas reliquiares do bloco 1 na umidade
natural.
- arestas vivas
50 kPa

- materiais de cor vermelho e amarelo


- localmente com presença de material de matriz
mais grosseiro,

- superfícies de ruptura planas regulares e menos


lisas do que nas reliquiares do bloco 1 na umidade
natural.
100 kPa

- arestas não tão vivas


- materiais de cor preta predominante com
presença de material amarelado e em menor
quantidade vermelho.

- superfícies de ruptura planas regulares e menos


lisas do que nas reliquiares do bloco 1 na umidade
natural.
150 kPa

- uma aresta destruida indicando ruptura pela


matriz
- materiais avermelhado predominante e amarelo
- localmente com presença de material de matriz

118
Tabela A2. 5 Fotos e descrição dos CPs após ruptura - Bloco 5 – Reliquiar – Umidade Natural.

 Perspectiva Aberto Perfil aberto Descrição

o
- Superfície de ruptura plana porém menos regular
e lisa.
- material vermelho predominante porém menos
25 kPa

cedoso e mais grosseiro


- formação de uma cunha na estremidade
indicando provável ruptura inicial pela matriz

- Superfície de ruptura plana porém menos regular


e lisa.
- material vermelho predominante porém menos
50 kPa

cedoso e mais grosseiro


- cp quebrado ao tentar separa as duas metades
com razoavél dificuldade

- Superfície de ruptura plana porém menos regular


e lisa.
- material vermelho predominante porém menos
100 kPa

cedoso e mais grosseiro. Presença de material


preto em pequena quantidade
- cp quebrado ao tentar separa as duas metades
com razoavél dificuldade

- Superfície plana porém menos regular e lisa.


- material vermelho predominante porém menos
cedoso e mais grosseiro.
150 kPa

- cp quebrado ao tentar separa as duas metades


com razoavél dificuldade
- formação de uma cunha na estremidade
indicando provável ruptura inicial pela matriz

119
Tabela A2. 6 Fotos e descrição dos CPs após ruptura - Bloco 5 – Reliquiar – Submerso.

 Perspectiva Aberto Perfil aberto Descrição

o
- superfície plana porem muito irregular preenchida
com material mais grosseiro.
- material vermelho predominante
25 kPa

- cp quebrado ao tentar separar as duas metades


com com grande dificuldade

- superfície plana porem muito irregular preenchida


com material mais grosseiro.
- material vermelho predominante com pequenas
concentrações de material preto
50 kPa

- cp quebrado ao tentar separar as duas metades


com com grande dificuldade

- superfície plana irregular preenchida com material


mais grosseiro.
- material vermelho predominante
100 kPa

- cp quebrado ao tentar separar as duas metades


com com grande dificuldade

- superfície plana irregular preenchida com material


mais grosseiro.
- material vermelho predominante
150 kPa

- cp quebrado ao tentar separar as duas metades


com com grande dificuldade
- grumos de material preto cravados no plano da
reliquiar.

120
Anexo 3

Relatório dos Ensaios Executados para


Determinação da Curva de Distribuição
Granulométrica

121
Introdução
A seguir está apresentado um breve relato sobre as experiências de laboratório
vividas pelo aluno Daniel L. Machado durante a elaboração dos ensaios para tese de
mestrado intitulada Caracterização e Comportamento Mecânico de Estruturas
Reliquiares de um Solo Residual de Gnaisse da AHE Simplício.
A programação de ensaios para o solo em estudo contemplou além de ensaios
para determinação de parâmetros de resistência e permeabilidade uma bateria de
ensaios para caracterização do solo. Dos ensaios de caracterização adotados nesta
pesquisa, o presente relato descreve a experiência ocorrida com os ensaios para
determinação da curva de distribuição granulométrica.

Ensaios para determinação da curva granulométrica


Para determinação da curva de distribuição granulométrica foram adotados
ensaios de peneiramento e sedimentação. A determinação da curva de distribuição
granulométrica faz parte da rotina da maioria dos laboratórios de mecânica dos solos
que por sua vez também adotam os ensaios de peneiramento e sedimentação que
estão descritos a seguir. O ensaio de peneiramento aplica-se apenas a fração do solo
com diâmetro equivalente maior do que 0,075mm e menor do que 50mm e o ensaio de
sedimentação é adotado para determinação do percentual de finos do solo com
diâmetro equivalente inferior a 0,075mm.

Peneiramento
O peneiramento consiste na passagem de uma amostra de solo por uma
sequencia de peneiras padronizadas conforme a norma ABNT 5734, com posterior
pesagem acumulada do material passante nas peneiras iniciando a pesagem pela
peneira de maior diâmetro até a de menor diâmetro.
O peneiramento é dividido segundo a ABNT 7181 em peneiramento grosso,
passando pela sequencia de 6 peneiras variando de 50 a 4,8mm de diâmetro
equivalente e peneiramento fino, passando pela sequencia de 6 peneiras variando de
1,2 a 0,075mm de diâmetro equivalente.
Maiores detalhes sobre os procedimentos de ensaio, equipamentos utilizados e
preparação de amostra deve-se consultar a norma ABNT 7181.

Sedimentação
A sedimentação consiste na precipitação das partículas de uma massa de solo
conhecida em um fluido também conhecido. O método da sedimentação é baseado na

122
Lei de Stokes, que estabelece uma relação de proporção entre a velocidade de queda
de partículas esféricas em um fluido com o quadrado do diâmetro destas partículas.
Para determinação da distribuição granulométrica das partículas constituintes da
amostra em sedimentação foi adotado o método do densímetro, que é o comumente
usado. Este método mede a variação da densidade da suspensão em diferentes
tempos a contar do inicio do ensaio quando a suspensão é homogênea. Com base
nas diferentes densidades medidas e nos tempos de medição é possível obter os
volumes de partículas em diversas faixas de diâmetro aplicando formulações incluindo
a Lei de Stokes.
Para conhecer a lei de Stokes, as formulações e procedimentos de cálculos
adotados na sedimentação foram consultadas as referências a seguir: K.H. Head-
Manual of Soil Laboratory Testing, Arpad Kezdi – Soil Testing, T Willian Lambe – Soil
Testing for Engeneers e Donald W. Taylor – Soil Mechanics.
Os procedimentos de ensaios seguiram rigorosamente a norma ABNT 7181. O
defloculante utilizado foi uma solução de hexametafosfato de sódio (hexameta) que é
o defloculante comumente usado neste tipo de ensaio.

Ensaios Realizados
A programação de ensaios inicial contemplava duas curvas para cada bloco
sendo a primeira com material de matriz e a segunda material da estrutura reliquiar
com matriz. Com esta programação pretendeu-se mostrar a influência da estrutura
reliquiar na distribuição granulométrica de um solo residual de gnaisse. Ao final dos
ensaios foram adotadas apenas quatro curvas sendo duas do bloco 1 e duas do bloco
5. Apesar de ensaiados apenas dois blocos, foram realizados 12 ensaios de
peneiramento e sedimentação que deram origem às curvas granulométricas
apresentadas no Capítulo 5 desta dissertação.
Os 12 ensaios estão apresentados a seguir em 4 etapas, em função da solução
do defloculante adotado para sedimentação, na tentativa de esclarecer alguns
resultados inesperados das curvas de distribuição granulométrica.
Foram adotados 4 soluções diferentes de defloculante variando fornecedor, lote
e pH do hexametafosfato de sódio. Foram adotados dois fornecedores sendo o
hexameta do Fornecedor 1 utilizado em 9 das 12 curvas geradas e as outras 3 curvas
foi utilizado o hexameta do Fornecedor 2. A partir do hexameta do Fornecedor 1 foram
preparadas 3 soluções distintas de defloculante para os ensaios de sedimentação. A
primeira das três soluções foi preparada com produto (hexameta) de um lote diferente
das outras duas. As outras duas soluções apresentaram pH distintos entre si, com um

123
fora da faixa recomendada em norma (entre 8 e 9). A seguir está apresentado um
resumo das soluções adotadas em função do fornecedor lote e PH.
Solução 1 – Fornecedor 1, Lote 1 e PH dentro da recomendação da norma.
Solução 2 – Fornecedor 1, Lote 2 e PH fora da recomendação da norma.
Solução 3 – Fornecedor 1, Lote 2 e PH dentro da recomendação da norma
Solução 4 – Fornecedor 2 e PH dentro da recomendação da norma
Para cada uma das 4 soluções foram geradas 3 curvas de distribuição
granulométrica correspondendo a uma etapa da descrição dos ensaios apresentados
em ordem cronológica a seguir.

Descrição dos ensaios


Como já informado anteriormente foram ensaiados 4 amostras diferentes de
solo, no entanto, devido a escassez de material de algumas amostras e da Solução 1
não foi possível ensaiar todas as quatro amostras com cada uma das quatro soluções
utilizadas nos ensaios de sedimentação.
A Tabela A3. 1 a seguir resume as soluções com as quais cada uma das
quatro amostras foram ensaiadas e também indica em que etapa foi ensaiada.

Tabela A3. 1 Resumos dos ensaios realizados para diferentes soluções e materiais.
Amostras Soluções de defloculante
Solução 1 Solução 2 Solução 3 Solução 4

Bloco 1 Matriz 1ª etapa (2x) 2ª etapa 3ª etapa 4ª etapa

Bloco 1
1ª etapa
Reliquiar

Bloco 5 Matriz 2ª etapa 3ª etapa 4ª etapa

Bloco 5
2ª etapa 3ª etapa 4ª etapa
Reliquiar

1ª Etapa
Na primeira etapa foram ensaiados amostras do bloco 1 tanto de matriz quanto
de reliquiar. Foram realizados peneiramento grosso dessas amostras e sedimentação
com a solução 1 de defloculante seguido de lavagem e peneiramento fino. A Figura
A3.1 mostra que todas as curvas de apresentam uma descontinuidade na região da
peneira 200# que é a fronteira entre os métodos de peneiramento e sedimentação.

124
Visando verificar este resultado foi realizado um novo ensaio completo (peneiramento
e sedimentação) para a amostra do bloco 1 matriz. A curva deste último ensaio
também esta indicada na Figura A3.1 e repetiu o ressalto na mesma região.

AREIA PEDREGULHO
ABNT ARGILA SILTE
FINA MÉDIA GROSSA FINO MÉDIO GROSSO
Peneiras: 200 100 60 40 30 20 10 8 4 3/8 3/4 1 1 1/2
100 0
90 10
Porcentagem que Passa

80 20

Porcentagem Retida
70 30
60 40
50 50
40 BL 1 Matriz Sol. 1 Tentativa 1 60

30 70
BL 1 Matriz Sol. 1 Tentativa 2 80
20 Gráfico 1 – Curvas granulométricas Etapa 1
90
10 BL 1 Reliquiar Sol. 1
100
0
0,00 0,01 0,10 1,00 10,00 100,00
Diâmetro dos Grãos (mm)

Figura A3.1 Curvas de Distribuição Granulométrica – Solução 1.


A última coluna da Tabela A3. 2 apresenta a diferença entre o percentual da
primeira leitura da sedimentação e o percentual passado na peneira numero 200. Os
resultados positivos da referida diferença indicam que o percentual de finos informado
pela sedimentação é maior do que o informado pelo peneiramento, gerando um
ressalto no gráfico. Quanto maior a diferença positiva apontada na última coluna da
tabela acima maior é o ressalto no gráfico e consequentemente maior é a incoerência
entre os resultados pela sedimentação e o peneiramento.
Segundo a Tabela A3. 2 apenas a amostra do “bloco 1 matriz tentativa 1” não
apresentou ressalto. No entanto é nítido o patamar formado no meio da curva da
referida amostra na região de transição do método de peneiramento para
sedimentação.

Tabela A3. 2 Composição Granulométrica – Solução 1.


Composição Granulométrica ( % ) ( Escala ABNT ) Diferença entre
Amostra Defloculante Areia % passado na 1ªleit. Sed
Argila Silte Pedregulho
Fina Média Grossa e % Passado. Na #200
BL 1 Matriz Tent 1 Solução 1 10 51 22 14 2 1 -0,15
BL 1 Matriz Tent 2 Solução 1 9 58 21 11 0 0 4,58
BL 1 Reliquiar Solução 1 9 57 18 13 2 1 0,90

125
2ª Etapa
Na segunda bateria de ensaios foram realizados peneiramento grosso
sedimentação e peneiramento fino das amostras do bloco cinco e repetiu-se os
ensaios para amostra do bloco 1 matriz afim de verificar mais uma vez o ressalto
indicado na primeira etapa.
AREIA PEDREGULHO
ABNT ARGILA SILTE
FINA MÉDIA GROSSA FINO MÉDIO GROSSO
Peneiras: 200 100 60 40 30 20 10 8 4 3/8 3/4 1 1 1/2
100 0
90 10
Porcentagem que Passa

80 20

Porcentagem Retida
70 30
60 40
50 50
40 BL 1 Matriz Sol. 2 60

30 70
BL 5 Matriz Sol. 2 80
20
90
10 BL 5 Reliquiar Sol. 2
100
0
0,00 0,01 0,10 1,00 10,00 100,00
Diâmetro dos Grãos (mm)

Figura A3. 2 Curvas de Distribuição Granulométrica – Solução 2.


Tanto a Figura A3. 2 quanto a Tabela A3. 3 repetiram a descontinuidade
destacado na primeira etapa porém, esta apareceu em todas as curvas e com maior
diferença. Além da descontinuidade as curvas apresentaram outra característica
inesperada e incoerente com a plasticidade de 24% apresentada pelas amostras. As
três últimas leituras zeraram acarretando em uma queda brusca na curva de
distribuição granulométrica a partir do diâmetro de 0,01mm e anulando a presença de
argila bem como aumento do percentual de silte, conforme indica a tabela abaixo

Tabela A3. 3 Composição Granulométrica – Solução 2.


Composição Granulométrica ( % ) ( Escala ABNT ) Diferença entre
Amostra Defloculante Areia % passado na 1ªleit. Sed
Argila Silte Pedregulho
Fina Média Grossa e % Passado. Na #200
BL 1 Matriz Solução 2 0 65 25 10 1 0 5,85
BL 5 Matriz Solução 2 0 70 22 8 0 0 10,36
BL 5 Reliquiar Solução 2 0 62 29 9 0 0 7,36

Face o resultado apresentado pelas curvas nesta segunda etapa optou-se por
verificar o pH da solução de hexametafosfato usada no ensaio. A análise do pH
apontou um desvio em relação ao recomendado pela norma que estabelece uma
margem entre 8,0 e 9,0. Devido desvio do pH da solução em relação, uma nova

126
bateria de ensaios foi programada e realizada utilizando solução de hexametafosfato
de sódio com pH corrigido, dentro faixa recomendada pela norma.
3ª Etapa
Nesta nova bateria de ensaios foram usadas exatamente as mesmas três
amostras da etapa anterior apenas com a correção do pH do hexametafosfato de
sódio para 8,5.
A Figura A3. 3 e a Tabela A3. 4 mostram claramente que as três últimas
leituras da sedimentação continuam zerando, mas a descontinuidade na região de
transição entre métodos não se repetiu em nenhuma das três curvas. A
descontinuidade não se repetiu provavelmente devido a lavagem mas intensa do
material após a sedimentação na peneira #200 com grande volume de água e uso das
mãos para facilitar a passagem dos finos pela peneira, contrariando a recomendação
de Silveira (1991).

AREIA PEDREGULHO
ABNT ARGILA SILTE
FINA MÉDIA GROSSA FINO MÉDIO GROSSO
Peneiras: 200 100 60 40 30 20 10 8 4 3/8 3/4 1 1 1/2
100 0
90 10
Porcentagem que Passa

80 20

Porcentagem Retida
70 30
60 40
50 50
40 BL 1 Matriz Sol. 3 60

30 70
BL 5 Matriz Sol. 3 80
20
90
10 BL 5 Reliquiar Sol. 3
100
0
0,00 0,01 0,10 1,00 10,00 100,00
Diâmetro dos Grãos (mm)
Figura A3. 3 Curvas de Distribuição Granulométrica – Solução 3.

Tabela A3. 4 Composição Granulométrica – Solução 3.


Composição Granulométrica ( % ) ( Escala ABNT ) Diferença entre
Amostra Defloculante Areia % passado na 1ªleit. Sed
Argila Silte Pedregulho
Fina Média Grossa e % Passado. Na #200
BL 1 Matriz Solução 3 0 63 27 9 1 0 -2,35
BL 5 Matriz Solução 3 1 56 29 13 1 0 -1,40
BL 5 Reliquiar Solução 3 1 59 30 9 1 0 -1,11

Após os resultados obtidos das segunda e terceira etapas, verificou-se que o


hexametafosfato de sódio utilizado era de um lote diferente do primeiro, gerando uma

127
suposição de contaminação da solução que conduziu aos resultados obtidos nas
sedimentações da segunda e terceira etapas com anulação do percentual de argila e
declínio abrupto da curva a partir do diâmetro 0,01mm.
Face aos resultados obtidos até a terceira etapa optou-se por trocar o
hexametafosfato de sódio e realizar novamente os ensaios com as amostras da
terceira etapa.
4ª Etapa
Com a nova solução de hexametafosfato de sódio, inclusive de fornecedor
diferente, foram realizados novamente os ensaios com as amostras do bloco 1 matriz
e bloco 5 matriz e reliquiar.
AREIA PEDREGULHO
ABNT ARGILA SILTE
FINA MÉDIA GROSSA FINO MÉDIO GROSSO
Peneiras: 200 100 60 40 30 20 10 8 4 3/8 3/4 1 1 1/2
100 0
90 10
Porcentagem que Passa

80 20

Porcentagem Retida
70 30
60 40
50 50
40 BL 1 Matriz Sol. 4 60

30 70
BL 5 Matriz Sol. 4 80
20
90
10 BL 5 Reliquiar Sol. 4
100
0
0,00 0,01 0,10 1,00 10,00 100,00
Diâmetro dos Grãos (mm)

Figura A3. 4 Curvas de Distribuição Granulométrica – Solução 4.


Os resultados voltaram a apresentar um percentual de argila próximo a 10%
conforme ocorrido na 1ª etapa. No entanto, as curvas das amostras de matriz tanto do
bloco 1 quanto do bloco 5 apresentam ressalto discreto na região de transição entre os
métodos de sedimentação e peneiramento conforme mostram a Tabela A3. 5 e a
Figura A3. 4.

Tabela A3. 5 Composição Granulométrica – Solução 4.


Composição Granulométrica ( % ) ( Escala ABNT ) Diferença entre
Amostra Defloculante Areia % passado na 1ªleit. Sed
Argila Silte Pedregulho
Fina Média Grossa e % Passado. Na #200
BL 1 Matriz Solução 4 10 59 22 8 0 0 2,87
BL 5 Matriz Solução 4 9 59 23 8 0 0 1,65
BL 5 Reliquiar Solução 4 9 49 32 10 1 0 -4,35

128
As curvas de distribuição granulométrica da Figura A3. 5, Figura A3. 6 e Figura
A3. 7 a seguir, agrupam curvas de mesma amostra exceto do bloco 1 reliquiar que
teve material disponível apenas para um ensaio. Estes gráficos revelam discreta
superioridade de dispersão do método de sedimentação em relação ao peneiramento.
AREIA PEDREGULHO
ABNT ARGILA SILTE
FINA MÉDIA GROSSA FINO MÉDIO GROSSO

100 0
90 10
Porcentagem que Passa

80 20

Porcentagem Retida
70 30
BL 1 Matriz Sol. 1 Tentativa 2 40
60
50 50
BL 1 Matriz Sol. 2
40 60

30 70
BL 1 Matriz Sol. 3
20 80
90
10 BL 1 Matriz Sol. 4
100
0
0,00 0,01 0,10 1,00 10,00 100,00
Diâmetro dos Grãos (mm)

Figura A3. 5 Curvas de Distribuição Granulométrica – BL1 Matriz.


AREIA PEDREGULHO
ABNT ARGILA SILTE
FINA MÉDIA GROSSA FINO MÉDIO GROSSO

100 0
90 10
Porcentagem que Passa

80 20
Porcentagem Retida

70 30
60 BL 5 Matriz Sol. 2 40
50 50
40 60
BL 5 Matriz Sol. 3
30 70

20 80
BL 5 Matriz Sol. 4 90
10
100
0
0,001 0,01 0,1 1 10 100
Diâmetro dos Grãos (mm)

Figura A3. 6 Curvas de Distribuição Granulométrica – BL5 Matriz.

129
Quando agrupadas em curvas de distribuição granulométricas originadas de
materiais idênticos ficou evidente uma dispersão ligeiramente maior dos resultados do
trecho de sedimentação em relação ao trecho de peneiramento. No entanto essa
dispersão pode ser devida as diferentes soluções de hexametafosfato de sódio usadas
e não simplesmente ao método de sedimentação com uso do densímetro.
AREIA PEDREGULHO
ABNT ARGILA SILTE
FINA MÉDIA GROSSA FINO MÉDIO GROSSO

100 0
90 10
Porcentagem que Passa

80 20

Porcentagem Retida
70 30
60 BL 5 Reliquiar Sol. 2 40
50 50
40 60
BL 5 Reliquiar Sol. 3
30 70

20 80
BL 5 Reliquiar Sol. 4 90
10
100
0
0,001 0,01 0,1 1 10 100
Diâmetro dos Grãos (mm)

Figura A3. 7 Curvas de Distribuição Granulométrica – BL5 Reliquiar.


Conclusões e recomendações
Ficou claro que o uso de solução de hexametafosfato inadequada ou
contaminada no ensaio de sedimentação pode esconder frações muito finas de argila
e até mesmo silte, da mesma forma como acontece em ensaios de sedimentação sem
o uso de defloculante. Portanto recomenda-se verificar periodicamente a eficácia do
defloculante adotado utilizando um fornecedor diferente ou a mesma solução de lotes
distintos.
O ressalto na região de transição entre os métodos de sedimentação e
peneiramento fino não apresentou claramente qual parâmetro está condicionando sua
existência, segundo os ensaios realizados. Mesmo com uma lavagem mais intensa
com uso de água abundante e auxílio da mão na quarta etapa, as curvas voltaram a
apresentar o ressalto. Uma avaliação mais criteriosa deve ser realizada considerando
o uso de um defloculante diferente e a composição mineralógica das amostras. Até
mesmo porque a lavagem como foi realizada nas últimas duas etapas pode provocar a
quebra de grãos de mica conforme indicado por Silveira (1991), e desta forma
conduzira uma curva com distribuição granulométrica mais afastada da curva real.

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