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Clemári Marques Ribeiro

Literatura Infantojuvenil
Sumário
CAPÍTULO 2 – Como despertar o interesse pela leitura de literatura infantojuvenil?................05

2.1 Literatura e imaginação: O despertar da criatividade....................................................05

2.1.1 Teorias sobre a importância dos textos literários na formação acadêmica ..............07

2.1.2 A importância da literatura na formação socioemocional do estudante ..................08

2.2 Literatura e a vida real – as lições e aprendizagem pela literatura ..................................10

2.2.1 Situações práticas apresentadas a partir de obras literárias ..................................11

2.2.2 Uso da vida real para despertar o interesse pela literatura....................................13

2.3 Literatura e formação do cidadão...............................................................................14

2.3.1 Reconhecer que as questões éticas estão presentes nos textos literários..................15

2.3.2 Questões de Literatura- análise de exemplos práticos...........................................16

2.4 Literatura como forma de desenvolver a comunicação e expressão –


despertando o leitor e o escritor que há no estudante ..................................................17

2.4.1 Interpretar textos literários de forma compartilhada .............................................18

2.4.2 A Literatura como forma de desenvolvimento da competência leitora


e escritora do estudante.....................................................................................19

Síntese...........................................................................................................................21

Referências Bibliográficas.................................................................................................22

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Capítulo 2
Como despertar o interesse
pela leitura de literatura
infantojuvenil?
Você já parou para pensar que a Literatura Infantojuvenil é uma forma de arte? Pois saiba que
é um dos gêneros da arte literária, só que com um olhar mais voltado para as caraterísticas e
interesses do público infantil e jovem.

Mas será que interesse e literatura são expressões que podem andar juntas, quando se trata de
crianças e de adolescentes? Talvez o principal empecilho para o interesse das crianças e dos
jovens pela leitura esteja no fato dos escritores não serem da mesma faixa etária dos estudantes.
Afinal, temos autores adultos, com ideias, valores, interesses e repertórios de adultos, querendo
atingir o universo das crianças e dos jovens. Mas, por mais que os autores consigam mergulhar
em neste universo, eles já não são mais crianças e nem jovens. Quem sabe se os autores de
literatura juvenil fossem jovens... será que o interesse seria maior? Mas será isso possível? Saiba
que Mary Shelley escreveu Frankenstein com 19 anos!

No decorrer deste estudo, veremos que despertar a imaginação e o lado afetivo, no caso das
crianças, é importante para atrair esta faixa etária à leitura. Já para atrair os jovens há outras
características essenciais: textos que subsidiem a busca por autonomia, liberdade e, muitas vezes,
que proporcionem a fuga da realidade.

Não interessa a idade do autor, o fundamental é que consiga dialogar com seu leitor e captar
seu interesse. O professor, como mediador também adulto, deve cativar para a leitura. Enfim,
mostrando a leitura como um espelho. Afinal, quem não gosta de se ver no espelho?

2.1 Literatura e imaginação:


O despertar da criatividade
É bem verdade que, como uma forma de arte, a literatura pode ser vista como uma espécie de
espelho da nossa alma. A leitura é um recurso para o autoconhecimento. Mas os clássicos da
literatura também são uma ótima forma de termos contato com toda a história da humanidade e
com muitos lugares do mundo que talvez nunca venhamos a conhecer pessoalmente. Sem contar
nas mais diversas histórias e personagens, baseados em pessoas reais ou fictícias, que nos levam
a contextos que jamais teríamos condições de conhecer de outras formas.

Não há forma mais poética de demonstrar a importância da leitura do que este trecho de Sartre:

As densas lembranças e o doce contrassenso das crianças camponesas, em vão os procuraria


em mim. Nunca fucei a terra nem procurei ninhos, não colecionei plantas nem joguei pedras
nos passarinhos. No entanto, os livros foram meus passarinhos e meus ninhos, meus animais de
estimação, meu estábulo e meu campo... (SARTRE, 1984, p. 30).

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Literatura Infantojuvenil

A literatura tem um formato próprio: é uma reprodução do real que cuidadosamente transforma
palavras em arte. Mais: combina imaginário, arte e palavra com um olhar e uma forma de enten-
der a realidade intermediada pelo prazer, pela beleza e pela descoberta de recursos linguísticos
inovadores, que surpreendam.

Figura 1 – A Literatura é o espelho da nossa alma.


Fonte: Anton Malina, Shutterstock, 2016.

E qual o papel da escola nesse universo literário? A escola deve demonstrar ao estudante a
capacidade do texto literário de extrair formas extraordinárias e ricas de situações comuns. Esta
é uma das atribuições da língua. Além disso, é necessário mostrar os usos sociais e o bom uso
dos textos literários. O objetivo principal da escola é proporcionar que o aluno se torne melhor
leitor e escritor.

Figura 2 – A leitura pode ser incentivada com o uso de eletrônicos, que são o centro das atenções da garotada.
Fonte: racorn, Shutterstock, 2016.

O professor deve ter claro que o texto literário busca a criação de um universo paralelo apoiado
na imaginação. Enquanto na literatura os autores usam novos padrões de escrita e novos olhares
para o mundo e para o homem, os textos científicos descrevem a realidade de forma lógica e exata.

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Figura 3 – Professores que são bons leitores conseguem estimular o interesse pela literatura.
Fonte: Katrina.Happy, Shutterstock, 2016.

A literatura exige habilidade linguística e conhecimento de mundo. Por isso, no caso dos leitores
jovens, os professores devem ajudar a desenvolver essa habilidade, estimulando a busca e a
produção de conhecimento. Muitas vezes, os pequenos desistem da leitura por não conhecer o
repertório de palavras usadas ou o tema da história contada.

2.1.1 Teorias sobre a importância dos textos literários na formação


acadêmica
Já conseguimos explicar a diferença da literatura, que é uma arte, de uma ciência exata. Mas
você saberia dizer qual é a contribuição da literatura infantil no desenvolvimento social, emocio-
nal e cognitivo da criança e do jovem? É o que vamos responder a seguir.

A escola busca a formação de indivíduos críticos, responsáveis e atuantes na sociedade, pois as


trocas sociais acontecem o tempo todo, especialmente por meio da linguagem oral e imagética,
mas também pela intermediação da leitura e da escrita.

Diante disso, é objetivo primeiro da educação acadêmica proporcionar que as crianças e os


jovens conheçam e desenvolvam as competências da leitura e da escrita. Apresentar a literatura
infantil aos estudantes como forma de influenciar de maneira positiva neste processo.

VOCÊ O CONHECE?
Jean Paul Sartre foi um filósofo e escritor francês, considerado criador do Existencia-
lismo. Trabalhou como professor e mais tarde dedicou-se totalmente à escrita. Em seu
livro “As palavras”, Sartre faz uma autobiografia de sua infância, até aproximadamente
os seus 12 anos, dividida em duas partes: Ler e Escrever. Ele conta a sua história do
ponto de vista da aquisição da leitura, por meio da imensa biblioteca do seu avô e do
domínio da escrita que o transformou em um escritor renomado.

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Literatura Infantojuvenil

Bakhtin (1992) considera a literatura infantil um instrumento motivador e desafiador, pois ela
pode transformar as pessoas em sujeitos ativos, que sabem compreender o contexto em que
estão inseridas e que passam a ter condições de modificá-lo, tornando-se os responsáveis pela
sua própria história.

Despertar o prazer da leitura nas crianças é permitir o acesso delas a este mundo de possibilida-
des – e este estímulo é importante desde a primeira infância.

Você pode estar se perguntando quais são as habilidades e características esperadas de um


professor que vai trabalhar literatura infanto-juvenil com os estudantes. Então, seguem algumas
delas:

• conhecimento de um acervo de leituras indicadas para esta faixa etária bastante


abrangente;

• conhecimento das obras mais relevantes, pelo menos do acervo literário em geral;

• domínio de critérios de julgamento estético para selecionar as obras, fundamentado em


estudos e na prática leitora do professor;

• conhecimento profundo das características socioculturais e psicológicas de seus alunos,


ou pelo menos um perfil da turmas com suas características comuns;

• domínio das técnicas e métodos para auxiliar os alunos nas leituras.

Dessa forma, o professor terá condições de utilizar a leitura literária de forma mais ampla, envol-
vendo várias áreas do conhecimento, em projetos interdisciplinares que podem ser encontrados
em toda e qualquer narrativa literária, trazendo as atividades com a literatura para a realidade
das crianças e jovens.

2.1.2 A importância da literatura na formação socioemocional do estudante


Hoje sabemos que a literatura infantil, especialmente, pode proporcionar um desenvolvimento
emocional, social e cognitivo indiscutíveis. Para isso, o professor deve usar a leitura para seu
desenvolvimento sistemático.

Apesar de termos consciência disso e da grande importância da literatura na vida de crianças e


jovens – seja no desenvolvimento acadêmico, seja no aspecto socioemocional ou na capacidade
de expressar melhor suas ideias – o que se constata na prática, em geral, é que essa faixa etária
não gosta de ler e fazem-no por obrigação escolar.

Mas afinal, por que isso acontece?

Talvez a literatura não esteja sendo explorada como deve nas escolas. Mais do que isso, esse é
um problema que tem início um pouco antes da prática escolar. A formação acadêmica dos pro-
fissionais de educação, infelizmente, não dá ênfase à leitura. Esta é uma situação contraditória,
pois seria como contratar um motorista que não sabe dirigir, não é mesmo? Principalmente no
ensino fundamental, os professores nem sempre são leitores (muito, menos leitores competentes).

Existem dois fatores que contribuem para que a criança desperte o gosto pela leitura: curiosidade
e exemplo. Mas é impossível despertar a curiosidade dos potenciais leitores se não houver um
exemplo.

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VOCÊ QUER VER?
No filme “Sociedade dos Poetas Mortos” (1990), do diretor Peter Weir, o novo profes-
sor de literatura de um tradicional colégio americano choca a comunidade acadêmica
quando usa técnicas não muito convencionais no ensino da disciplina. Para despertar nos
estudantes o gosto pela leitura de poesias, ele estimula a criação um grupo de leitura
denominado Sociedade dos Poetas Mortos, onde os garotos falam de si mesmos e de
suas angústias diante das dificuldades da vida. Vale a pena ver, é um clássico do cinema!

Segundo Abramovich (1997), quando as crianças ouvem histórias, passam a visualizar de forma
mais clara sentimentos que têm em relação ao mundo. As histórias trabalham problemas exis-
tenciais típicos da infância, como medos, sentimentos de inveja e de carinho, curiosidade, dor,
perda, além de ensinarem infinitos assuntos. E com os jovens não é diferente. Eles também têm
seus receios, ansiedades, sonhos e expectativas, que podem ser trabalhados a partir da literatura.

Para que este trabalho de autoconhecimento seja possível, é preciso proporcionar práticas em
que os estudantes não somente leiam as obras da literatura, mas que também ouçam histórias,
comentem o que leram, indaguem, duvidem, enfim, que reflitam solitariamente e discutam cole-
tivamente sobre, realizando assim a interação verbal, inerente ao processo comunicativo do ser
humano. Assim, os estudantes adquirem conhecimento na interlocução e constroem suas ideias,
seu repertório.

Somente partindo desta visão, da interação social e do diálogo, é que se compreende a impor-
tância da literatura infanto-juvenil como um fenômeno de linguagem resultante de uma experi-
ência existencial, social e cultural. E se compreende que a leitura não pode ser apenas a mera
decodificação de palavras, pois esta não está ligada a uma experiência, fantasia ou necessidade
do indivíduo.

VOCÊ SABIA?
Para Lev Vygotsky (1989), a criança nasce inserida num meio social, que é a família,
e é nela que estabelece as primeiras relações com a linguagem na interação com os
outros. Nas interações cotidianas, a mediação com o adulto acontece de forma natural
e espontânea no próprio processo de utilização da linguagem e no próprio contexto.
Para ele, o homem se produz na e pela linguagem, pois a interação com outros sujeitos
promove o conhecimento de novas formas de pensar e por meio da apropriação do
saber da comunidade em que está inserido, o sujeito constrói sua identidade.

O professor deve ter claro que a principal função da literatura infantil ou juvenil é a educação
da sensibilidade da criança em relação às palavras/linguagem. Com isso, as crianças e os jo-
vens exercitam a criatividade e criam bases que permitem que se tornem adultos que sabem dar
importância aos textos lidos.

Uma metodologia adequada para trabalhar o texto literário deve formar um leitor capaz de lidar
simultaneamente com o prazer de ler e com a leitura significativa.

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2.2 Literatura e a vida real – as lições e


aprendizagem pela literatura
Como vimos, dentro da grande variedade de gêneros textuais existentes, o texto literário merece
uma atenção especial, devido à grande contribuição que pode trazer para a formação do homem.

Antonio Candido (1972), diz, no seu ensaio clássico “A literatura e a formação do homem”, que
a principal função da literatura diz respeito ao seu caráter humanizador. Para o autor, a litera-
tura é uma das modalidades mais ricas da arte, pois a imaginação e fantasia presentes nela se
relacionam sempre com contexto real de quem lê. Este vínculo entre imaginação e realidade,
segundo o crítico, serve para ilustrar a função integradora e transformadora da criação literária.

Figura 4 – Por trás do encantamento da literatura, há o caráter humanizador.


Fonte: Bannykh Alexey Vladimirovich, Shutterstock, 2016.

Daí a importância de ensinarmos literatura, ou seja, apresentarmos a leitura literária às crianças


e aos jovens sem deixar de mostrar que esse mundo do imaginário e da fantasia, na verdade, é
o mundo real, do cotidiano de cada um, reescrito de forma simbólica.

É preciso usar e abusar da literatura infanto-juvenil enquanto instrumento do conhecimento. Além


de ampliar o universo dos alunos, esta arte proporciona o autoconhecimento, como já falamos,
e a formação de indivíduos mais reflexivos e conscientes do seu entorno.

Para Candido, literatura é mais do que uma forma de conhecimento profundo do mundo, uma
manifestação artística e de arte e uma forma de expressão. Para ele, a literatura também é um
instrumento de formação da personalidade das pessoas. Ou seja, mais um motivo para estimular
a leitura em sala de aula – e manter o hábito de ler para o resto da vida.

[...] significa um tipo de elaboração das sugestões da personalidade e do mundo que possui
autonomia de significado; mas que esta autonomia não a desliga das suas fontes de inspiração
no real nem anula a sua capacidade de atuar sobre ele. (CANDIDO, 1972, p.806).

É através da literatura que “o indivíduo abandona temporariamente sua própria disposição e pre-
ocupa-se com algo que até então não experimentara” (ZILBERMAN, 1999, p.84). Ainda de acor-
do com Zilberman (1999), o hábito de ler proporciona ao leitor que ele traga para o primeiro
plano algo diferente dele, “momento em que a vivencia a alteridade como se fosse ele mesmo”.

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CASO
Roberto Mendes, professor de Literatura do 9º ano de uma escola em Sarandi, no Rio Grande
do Sul, encontrou uma forma inusitada de encantar os seus alunos com a literatura. Após dividir
a turma em grupos, propôs a seguinte atividade: Cada grupo escolheria um conto de fadas e
transformaria em notícia de jornal. Assim, trabalhou paralelamente o gênero história de encanta-
mento e o gênero jornalístico. Deixou que os grupos escolhessem as histórias favoritas e depois
de fazer um quadro comparativo dos dois gêneros deixou que os alunos produzissem a transcri-
ção do texto. Infelizmente ele constatou que apenas um estudante estava escrevendo, enquanto
os outros conversavam. O que fazer nesses casos, tão comuns em nossa prática? Ele resolveu
fazendo fichas que definiam 5 funções diferentes, cada uma para um elemento do grupo e pediu
que no final eles escrevessem um relatório descrevendo como cada um realizou a sua função.
Aos poucos, o problema foi sendo superado.

Nas escolas, é comum que professores usem textos da literatura infanto-juvenil, para ensino e
aperfeiçoamento linguístico, sem levar em conta que as obras literárias oferecem inúmeras outras
funções mais importantes.

O texto literário pode e deve ser utilizado em sala de aula e a sua leitura individual deve ser es-
timulada entre os estudantes. Mas isso não quer dizer que possa ser tratado como um texto utili-
tário – muito pelo contrário! São os leitores que atribuem diferentes funções ou finalidades a ele.

Não deve haver uma leitura pronta e única desse tipo de texto, pois a leitura se concretiza a partir
do diálogo leitor-texto-autor.

Uma das necessidades fundamentais do homem é dar sentido ao mundo e a si mesmo, e a lite-
ratura pode ser, se bem trabalhada, um caminho para esse diálogo.

2.2.1 Situações práticas apresentadas a partir de obras literárias


Alguns passos podem orientar as atividades com literatura, de forma mais abrangente, em sala
de aula. Seguem algumas dicas:

• Em um primeiro momento, peça que os estudantes façam uma leitura individual e solitária.
Isso proporcionará que ele entre em contato com o autor.

• Em um segundo momento, coletivamente, peça para os estudantes compartilharem algo


sobre o que leram e trocarem ideias e impressões. Nesta fase, ficará claro para eles que a
literatura é social e supõe contato e interação entre o autor e seus diversos leitores.

• Estimule os estudantes a associarem o que leram com coisas que aprenderam com outros
professores, em outras disciplinas. Eles verão que isso é possível, já que os temas são
humanos e relacionados com a vida cotidiana. Mesmo que apresentados por personagens
imaginários, retratam a forma de ver a realidade, que vai muito além do olhar apenas
literário: permeia a história, a ciência e a arte. É importante comparar diferentes modos
de ver, diferentes valores sociais.

• Também recomendo um momento de criação para que os alunos compilem tudo o que foi
lido, discutido, pesquisado, refletivo e transformem em alguma representação artística do
que foi apreendido: peças de teatro, esculturas, vídeos, ou ainda, em produtos virtuais.

• Para concluir, realize uma apresentação para a finalização do projeto e peça que os
próprios estudantes façam uma autoavaliação.

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Dessa forma, é possível romper com a função puramente pedagógica da literatura infanto-
-juvenil, e desenvolver também bons hábitos como aprender a moral da história, atingir seu valor
artístico, despertar a sensibilidade do aluno.

Seguem, abaixo, mais algumas sugestões de atividades de leitura envolvendo clássico da litera-
tura infantojuvenil em sala de aula:

• Proponha a leitura de um determinado clássico da literatura infanto-juvenil e peça para


que os estudantes descrevam, por exemplo, todas as personagens femininas da história.
Peça para que apontem as semelhanças e diferenças entre elas. Depois, peça para
buscar, nas mulheres que eles conhecem, aquelas que poderiam estar no lugar de cada
personagem. Sugira que busquem fotos ou imagens de pessoas conhecidas que possam
ilustrar a pesquisa. Você também pode propor o mesmo com personagens masculinos,
com crianças, com animais etc.

• Peça para que os estudantes descrevam todos os ambientes onde se desenrolam as ações
do livro e que procurem identificar, nos ambientes que frequentam, quais seriam os mais
semelhantes aos ambientes do livro. Sugira que pesquisem fotos, desenhos ou pinturas de
lugares que possam ilustrar esses ambientes.

• Mais um exercício interessante é identifcar, no livro, todas as comidas citadas e procurar


saber a receita de cada uma delas. Se for possível, o ideal é executar as receitas e
compartilhar os pratos em um evento coletivo.

• Sugiro ler o livro “A Maior Flor do Mundo” e, em seguida, realizar uma excursão para
um jardim, praça, ou para o Jardim Botânico da sua cidade, fotografar todas as flores,
pesquisar o nome delas e identificar qual é a maior flor conhecida neste local. Este
trabalho pode ser realizado de forma conjunta com os professores de Ciências e de Arte.

• No caso de a leitura escolhida ser “Robinson Crusoé”, o personagem principal é um


náufrago que escreve um diário. Por que não propor a criação de um diário também aos
estudantes?

• Outro ótimo livro que fala sobre naufrágio é “O senhor das moscas”. Neste caso, são
vários jovens e crianças, sem nenhum adulto, que ficam perdidos em uma ilha deserta.
Pode-se ler este e “Robinson Crusoé”, e fazer uma comparação.

• Caso a leitura escolhida seja “A Volta ao Mundo em 80 dias”, sugiro a seguinte atividade:
peça para que os estudantes criem cartões postais destinados ao professor, como se
tivessem realmente estado nos lugares descritos no livro. A ideia é que eles pesquisem
fotos e ainda mais informações sobre estes locais.

• No clássico “Metamorfose”, o personagem principal se transforma em um ser monstruoso


que parece uma enorme barata. Se a obra escolhida for esta, sugiro propor aos estudantes
uma pesquisa em Ciências, sobre os insetos, especialmente a barata, suas características
e o elo de ligação entre baratas e humanos.

• No caso dos contos de fadas, sugiro uma atividade interessante: que tal propor que os
estudantes criem perfis no Facebook para cada um dos personagens lidos? E mais: crie
um grupo de bate-papo na rede social, para estimular que os estudantes conversem entre
si por uma semana, como se fossem estes príncipes e princesas.

• E se Harry Potter, personagem da série de livros e filmes com o mesmo nome, depois
de tudo que passou nas aventuras narradas nestas obras, fosse transferido para uma
escola comum? E se esta escola fosse a sua? Então, sugira que os estudantes exercitem a
criatividade criando situações hipotéticas. Será um desafio e tanto! Peça para imaginarem

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como seria a vida do garoto na classe, com todos os poderes dele . Quem seriam seus
melhores amigos? Quem seria Valdemort? Quem seriam os professores? Como os
estudantes se relacionaria com ele?

• Outra possibilidade é transformar o livro lido em um e-book. , pesquisando como


desenvolver e realizar a atividade com a ajuda do monitor do Laboratório de Informática.

VOCÊ QUER LER?


Os livros e filmes da série Harry Potter, da autora britânica Joanne “Jo” Ketlin Rowling,
conhecida como J. K. Rowling, narram, em linguagem acessível e envolvente, as aven-
turas de um órfão de 11 anos que descobre ser descendente de bruxos famosos. Ele
é levado para estudar em uma escola para bruxos, onde vive aventuras mágicas, faz
grandes amigos e enfrenta vários perigos. Verdadeira “febre” entre crianças e jovens,
estimulou a leitura de vários volumes de livros com mais de 300 páginas cada um.

Em síntese, em quase todos os livros de literatura infantojuvenil, existem aspectos que podem ser
trazidos para a realidade e cotidiano da sua turma, tornando a leitura mais significativa.

Se tudo for feito coletivamente, com grupos incumbidos de funções determinadas, que tenham
tarefas a cumprir para ganhar pontos, como se fosse uma gincana, as atividades de leitura pas-
sarão a ser as mais desejadas.

2.2.2 Uso da vida real para despertar o interesse pela literatura


Imagens e vídeos disponíveis na Internet são uma ótima forma de levar os estudantes ao universo
da literatura. O mundo virtual, atualmente, faz parte da rotina das crianças desde muito cedo e
os professores podem se apropriar disso no processo do aprendizado.

Na internet é possível encontrar diferentes gêneros textuais transformados em imagem: piadas,


casos reais apresentados com apelo emocional sério, músicas ilustradas (que ajudam na compre-
ensão do significado da letra escrita), palestras, entrevistas, reportagens, , histórias da literatura
transformadas em vídeos ou clipes. Sem falar nos blogs, chats, e mails, redes sociais, sites de
relacionamento...

Figura 5 – Utilizar as ferramentas do mundo virtual,


pode ser uma boa maneira de despertar o interesse pela literatura.
Fonte: Syda Productions, Shutterstock, 2016.
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Literatura Infantojuvenil

Todo esse material faz parte do mundo de nossas crianças e jovens e desperta o seu interesse,
por isso, podem e devem ser levados para incentivar a prática leitora em sala de aula. A ideia é
aperfeiçoar essa competência, não é mesmo? E se o professor analisar as formas de fazer isso
por meio de atividades ligadas às leituras dos textos da literatura infantojuvenil que serão sele-
cionados para cada turma, certamente o resultado será bastante positivo.

Sabemos que é possível assistir a quase todas as histórias dos clássicos da literatura infantil em
formato de vídeos. Aparentemente, os filmes são bem mais atraentes que a leitura. Mas como,
então, incentivar o hábito da leitura entre as crianças?

É possível fazer uma leitura comparada ao filme, o que proporciona uma dupla interpretação.
Afinal, os elementos usados nos filmes são os mesmos usados nos textos? Isso pode despertar o
espírito crítico entre os estudantes. Com este hábito, de comparar os filmes às obras escritas, eles
terão condições de perceber que, no vídeo, conta muito o foco que o diretor do filme pode dar
às histórias, de acordo com sua época, seu contexto social e o tipo de público que ele pretende
atingir.

VOCÊ O CONHECE?
Isabel Solé é professora e pesquisadora da Universidade de Barcelona, na Espanha,
especialista em leitura. Para ela, o modo de construção da leitura é lento e progressivo
e depende da intervenção docente sistemática, respeitosa e adequada. “Aprender a ler
significa aprender a encontrar sentido e interesse na leitura. Significa aprender a se
considerar competente para a realização das tarefas de leitura, e a sentir a experiência
emocional gratificante da aprendizagem” (SOLÉ, 1998, P. 172), diz ela.

E é possível, por meio de pesquisas orientadas pelos professores, buscar diferentes maneiras
sobre como um mesmo tema é tratado, após a leitura, em diferentes contextos históricos, sociais
e geográficos pelo mundo afora. Afinal, a curiosidade é uma característica desta faixa etária. Só
é preciso saber usá-la em favor do conhecimento.

Quanto à literatura juvenil, já temos muitos livros de interesse geral da garotada, que foram
transformados em filmes e que podem ser trabalhados da mesma forma, de comparação entre a
linguagem escrita e a literária.

Além dos filmes, também é possível apresentar personagens de determinados livros em diferentes
contextos virtuais, trazendo-os para o mundo real atual. Pense nas formas de fazer esta conexão,
partindo de sua própria realidade, enquanto você utiliza as ferramentas virtuais. Pense no como
e no porque de você utilizar a leitura por meio do computador e do celular. Como você poderia
dar um exemplo positivo deste uso? A ideia é compartilhar isso com seus alunos, para que se
tornem leitores competentes.

2.3 Literatura e formação do cidadão


Muito se fala sobre o papel da literatura na formação do cidadão. Desde a Antiguidade, ela
aparece com frequência, ligada à Filosofia. Contemplando o interesse nato, típico da maioria
dos seres humanos, para contar e ouvir histórias, a literatura trouxe para o mundo das letras a
mágica possibilidade de criar fantasias e dar asas à imaginação.

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Pois bem, se a literatura recria o mundo real com um toque de fantasia, ela traz, em si, a possi-
bilidade de contemplar as questões da humanidade de forma mais sutil ou não, mas que, através
de uma realidade simbólica, nos permite olhar no espelho e encarar a nós mesmos e ao mundo.

Portanto, a literatura é um instrumento de muito valor na formação dos seres humanos enquanto
indivíduos e também na formação do cidadão, sujeito da coletividade, ser social, com direitos e
deveres, mergulhado em valores éticos que garantem a convivência em grupos.

Muitos autores de histórias em quadrinhos, por exemplo, utilizam suas revistas para transmitir
valores, estimular a luta contra o preconceito e a discriminação e até para disseminar campanhas
como a vacinação contra gripe.

Dessa forma, podemos partir de leituras para induzir à reflexão e à análise crítica desses temas, vi-
venciando e expurgando preconceitos, intolerância, egoísmo e muitos outros sentimentos negativos.

Enfim, temos claro que a leitura de literatura infantojuvenil não deve ser utilizada unicamente
com fins pedagógicos, para ensinar valores e incutir ideias e costumes, mas pode ajudar muito
se, através de sua simbologia, permitir a reflexão sobre si mesmo e seu papel social.

2.3.1 Reconhecer que as questões éticas estão presentes nos textos


literários
Utilizar a leitura enquanto estratégia de desenvolvimento da cidadania e transformação da socie-
dade é objetivo de todo professor que acredita na leitura como uma ferramenta que desenvolve
nos alunos uma postura mais participativa, criativa e consciente.

É um caminho que permite descobrir novos horizontes, expressar novas ideias e sentimentos para
que desenvolvam um espírito coletivo, consciente e participativo; e para estimular que os estu-
dantes sejam capazes de transformar positivamente o mundo à sua volta e exercer com dignidade
os direitos e deveres de cidadãos, sujeitos de sua própria história.

A leitura de textos literários pode ser uma forma ainda mais segura de se atingir esses objetivos,
pois trabalha com temas presentes na história da humanidade e que são permanências indepen-
dentes do tempo e do lugar.

Um texto de literatura infanto-juvenil, por ser direcionado para determinada faixa etária, dialoga
de forma mais efetiva com os estudantes, pois os leva ao enfrentamento de questões que, de uma
forma ou de outra, são pessoais e universais. A troca de ideias e a reflexão pessoal sobre esses
temas permite que as crianças e os jovens sejam orientados a se perceberem e perceberem as
questões éticas que garantem a vida em sociedade. Com isso, os estudantes desenvolvem uma
consciência em relação a atitudes e posturas pessoais, ao mesmo tempo que desperta a respon-
sabilidade social, pela coletividade.

Obras de diferentes contextos, épocas e países, como Tom Sawer, Jeca Tatu e Herry Potter, podem
levar os leitores à reflexão da situação de pobreza e de orfandade de crianças e jovens. Assim
como diversos personagens da literatura infanto-juvenil brasileira contemporânea promovem
uma reflexão sobre a persistência da desigualdade social através do tempo e do espaço. Afinal,
de que forma seria possível superar essa desigualdade? É um desafio que estará nas mãos das
crianças e dos jovens de agora, no futuro.

Esse aprofundamento na análise literária é que leva os alunos leitores de literatura a conceber
as questões éticas de forma mais concreta e pode levá-los a mudanças atitudinais que poderão
mudar o futuro.

É desse tipo de cidadão leitor que o mundo necessita e é esse tipo de pessoa que nós, professo-
res, temos que ter em mente, quando planejamos nossas atividades literárias.

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Literatura Infantojuvenil

Conforme mencionado anteriormente, o professor precisa de um repertório amplo para selecio-


nar as obras mais adequadas à época, ao lugar, à comunidade onde a escola está inserida, ao
tipo de turma que temos a cada ano.

Deve-se combinar a leitura com os novos gêneros discursivos virtuais e proporcionar uma re-
flexão sobre respeito, privacidade, diversidade, responsabilidade, regras, limites, entre tantas
outras questões sociais que estamos enfrentando, especialmente com nossas crianças e jovens
aficionados pelo mundo virtual.

Ao colocar os vilões das histórias literárias infanto-juvenis no lugar de ciber vilões, que por exem-
plo, vigiam as postagens na internet e rastreiam crianças e jovens para praticar crimes virtuais,
poderemos despertar a consciência de nossos alunos em relação a esses perigos.

VOCÊ SABIA?
Por falar em vilões da vida real, você sabe o que são cibercrimes? Os chamados crimes
cibernéticos envolvem atividades ou práticas ilícitas na rede, como invasões de siste-
ma, disseminação de vírus, roubo de dados pessoais, falsidade ideológica, acesso a
informações confidenciais e tantos outros. O cibercrime compreende também os crimes
convencionais realizados por meio de dispositivos eletrônicos.

Através do mundo fantástico do imaginário e da fantasia, é possível levar os estudantes a pensar


sobre esta temática, pois normalmente, ao conversar com os jovens e as crianças sobre este
assunto, eles costumam rejeitar quem critica o maravilhoso mundo da fantasia que a internet
proporciona.

2.3.2 Questões de Literatura- análise de exemplos práticos


Que tal, então, selecionar vilões importantes desde a bruxa e os monstros dos contos de fadas
até os vilões modernos, que de certa forma continuam travestidos de monstros e bruxos, e colo-
cá-los atrás das telas de todos os computadores, iPhones, celulares?

É só deixar que os próprios alunos descobrirão os males que podem ser causados, para as pes-
soas e para a própria humanidade. E então, é só planejar um projeto em busca de cuidados e
soluções para enfrentar o mundo virtual.

Transforme um livro do gênero diário, em uma conversa de celular, onde o aluno deverá registrar
diariamente no seu grupo de whatsapp o que a personagem fez no livro lido, como se fosse ele.

Escolha personagens centrais de histórias lidas, para que os alunos criem um perfil em site de
relacionamento, onde apareçam todas as características daquela personagem, transformadas
em informações que obtemos através da página pessoal dela.

VOCÊ QUER VER?


Excelente sugestão para você propor após uma leitura de um bom livro de literatura, o
filme “Corrente do Bem” (2000), da diretora Mimi Leder, conta a história de um profes-
sor que cria uma atividade diferente para sua classe. Ele desafia os seus alunos a rea-
lizar um projeto de melhoria de vida para a comunidade onde vivem, desencadeando
uma série de ações que formem uma corrente do bem.

16 Laureate- International Universities


Em síntese, leve sempre em conta a realidade, perceba os interesses e as atividades que seus
alunos realizam cotidianamente de forma espontânea, sem obrigação nenhuma e com o maior
prazer, para que você possa usar as mesmas ferramentas adaptadas para leituras de Literatura
infanto-juvenil, a fim de conseguir também o mesmo interesse por elas.

2.4 Literatura como forma de desenvolver


a comunicação e expressão – despertando o
leitor e o escritor que há no estudante
Como dissemos ao longo este capítulo, a literatura infantojuvenil pode ser uma excelente forma
de desenvolver a comunicação e a expressão das crianças e dos jovens, despertando além de
leitor, também o escritor inerente a todo ser humano enquanto tal.

A grande questão em relação a esse assunto é que, de acordo com os dados do IBOPE, 2015,
no Brasil, um em cada 10 brasileiros com 15 anos ou mais não sabe ler e escrever efetivamente.
E tem mais; dois terços da população entre 15 e 64 anos é incapaz de entender textos longos,
localizar informações específicas, sintetizar a ideia principal ou comparar dois escritos. E, de
acordo com a pesquisa, a causa deste déficit é que, na escola, os alunos aprendem a ler - mas
não compreendem o que leem. 

Figura 6 – A leitura perpassa todas as áreas do conhecimento, na construção do leitor competente.


Fonte: Creativa Images, Shutterstock, 2016.

Esse cenário não pode continuar assim, na atualidade, quando os textos estão por toda a parte e
entender o que se lê é uma necessidade para poder participar plenamente da vida social.

Diante disso, todos os professores, independentemente do seu campo de atuação, têm a obriga-
ção de ajudar os alunos a ler e compreender diferentes tipos de texto, ensinando a fazer anota-
ções, resumos, comentários, facilitando a tarefa da interpretação, enfim, de encaminhá-los para
a escrita, enriquecida pelos conhecimentos adquiridos na exploração de livros, revistas, jornais,
filmes, obras de arte e manifestações culturais e esportivas.

Afinal, ensinar a ler é tarefa de todas as disciplinas, não apenas de Língua Portuguesa.

17
Literatura Infantojuvenil

“A alfabetização plena requer que os estudantes saibam compreender e produzir textos específi-
cos das disciplinas” (SOLÉ, 1998), explica a pesquisadora espanhola Isabel Solé, que é uma das
maiores autoridades do mundo quando o assunto é leitura.

E se couber aos professores de Língua Portuguesa mobilizar os seus pares e os colegas das outras
áreas para que esta tarefa seja uma questão primordial, vamos à luta! É fundamental superar
essa defasagem da educação.

2.4.1 Interpretar textos literários de forma compartilhada


Agora veremos como, por meio dos textos literários, entra-se em contato com a língua da co-
munidade, com as suas palavras, as suas expressões e com a cultura propriamente dita. E como
pode-se despertar o leitor que existe dentro dos nossos alunos.

Algumas competências são de extrema importância para o desenvolvimento das habilidades


necessárias para a construção de sentidos, fundamental para a compreensão leitora. São elas:

• competência comunicativa: capacidade de compreender e empregar a língua


adequadamente nas diversas situações de comunicação;

• competência gramatical ou linguística: capacidade de interpretar e gerar sequências


linguísticas gramaticais consideradas próprias e típicas da língua;

• competência textual: capacidade de produzir e compreender textos considerados bem


construídos, ou seja, capacidade de mobilizar os recursos cognitivos necessários para
enfrentar diferentes situações discursivas.

Essas três competências básicas são construídas e desenvolvidas desde que o falante da língua
materna passa para a posição de leitor dessa língua, logo nos primeiros anos da sua vida esco-
lar. Isso nunca mais para de se aprimorar.

Figura 7 – A troca, em momentos de leitura, amplia e esclarece as ideias.


Fonte: bikeriderlondon, Shutterstock, 2016.

18 Laureate- International Universities


Nas leituras de obras infantojuvenis, o professor parte da seleção de indicações de leituras, de
acordo com a faixa etária. Com o tempo é possível exigir a leitura de obras mais complexas, sem-
pre puxando um pouco mais, para que os alunos incorporem paulatinamente novas estruturas,
novos vocábulos, novos recursos simbólicos e polissêmicos. Aos poucos, o estudante se torna um
leitor competente e um produtor de textos com domínio das palavras.

Assim, quanto mais elaborado o texto e a trama literária, mais o leitor aprende com o autor de
forma sistemática, diferentemente das situações dialógicas espontâneas e informais. A literatura
permite uma elaboração mais complexa das estruturas textuais e das ideias e reflexões, permitin-
do o aprofundamento dos conhecimentos linguísticos.

A noção de competências remete também às práticas cotidianas que, trabalhadas paralelamente,


podem ajudar no desenvolvimento da competência para a leitura de textos literários enquanto
linguagem e estrutura mais rígidas. Ao mesmo tempo ,os textos literários podem ampliar e me-
lhorar o uso da linguagem nas situações cotidianas. Sem falar nas mudanças de atitudes e de
postura diante de situações sociais, que a literatura fortalece.

Competência para tomar decisões e resolver problemas, tão valorizada no mundo atual, desen-
volvem-se nesse diálogo entre Literatura e situações discursivas de rotina, uma incrementando a
outra, na formação do usuário da língua competente.

Os jovens que fazem estudos aprofundados acumulam saberes e constroem competências, mas
ainda temos muito que evoluir para que todos os nossos jovens cheguem a isso.

Em síntese, o que tratamos nesse tópico foi o desenvolvimento das competências necessárias
para o desenvolvimento de atividades que tornem tanto professores, quanto alunos, leitores e
escritores com domínio total da palavra e não meros decodificadores.

2.4.2 A Literatura como forma de desenvolvimento da competência leitora


e escritora do estudante.
Levar os alunos a entender tudo o que leem exige, como já dissemos, que se explore diferentes
gêneros discursivos, metodologias de ensino e procedimentos de estudo.

Insistimos que para desenvolver a competência leitora e escritora do aluno, o professor deve ter
o foco dirigido para o desenvolvimento de suas próprias competências.

Escrever, pesquisar, coletar imagens, falar em público, sintetizar conceitos, socializar resultados,
compartilhar descobertas, são atividades que proporcionam, ao professor, um aperfeiçoamento
de sua prática, renovando sempre sua função essencial na perspectiva do comprometimento
social que a caracteriza e justifica.

Reafirmada esta ideia vamos relacioná-la à leitura literária como forma de desenvolver estas
competências, tanto no professor quanto nos alunos.

A tarefa frequentemente imposta aos alunos pela maioria das escolas, de ler livros de literatura
uma vez por mês, uma vez por bimestre, por trimestre ou por semestre - não importa - deve ser uma
tarefa que cada professor, especialmente o do línguas, deve impor a si mesmo, obrigatoriamente.

E você, quantos livros lê por ano? Por semestre? Por mês? Qual foi o último livro que você leu?
Que livro você está lendo no momento?

Se as justificativas para a falta de leitura são a falta de tempo e de dinheiro, como sempre, é
importante assumir de vez a máxima que diz que tempo e dinheiro são questões de preferência.

Comece lendo um site com resumos das notícias nacionais e internacionais todas as manhãs. É
apenas um resumo! Questão de minutos...
19
Literatura Infantojuvenil

VOCÊ QUER LER?


“A História de Dois Amores”, de Carlos Drummond de Andrade, conta as aventuras
de Osbó, um elefante alegre e chefe de manada. Ele estava se preparando para suas
férias, quando um pulgo se instalou atrás de sua orelha e por lá ficou. É assim que
começa esta história da amizade entre um pulgo e um elefante. Juntos, eles viajam,
enfrentam guerras, riem e choram. Até que um dia eles começaram a se desentender.
Mas para tudo existe uma solução. Especialmente para uma amizade verdadeira. Uma
história para crianças, mas que encanta os adultos.

Se você tem resistência a leituras, como os alunos, comece assistindo a vídeos no Youtube, com
autores como Ariano Suassuna, Lygia Fagundes Telles, Adoniram Barbosa, Antonio Abujamrra,
Gilberto Dimenstein, entre outros que aparecerão quando você se acostumar a pesquisar sobre
grandes autores. No início você assiste aos vídeos e, depois, com certeza, irá se interessar por
algumas obras citadas. É importante que você busque leituras de seu interesse para manter o
ritmo mais intenso.

Existem também na internet uma variedade muito grande de obras de literatura que foram adap-
tadas para filmes. É importante não as usar para substituir a leitura, mas como estímulo para, a
partir do filme, buscas nos livros os textos originais que inspiraram as releituras em linguagem
cinematográfica. Assista preferencialmente aos trailers, pois eles servem como sugestão para se
buscar a leitura do livro.

Faça os registros profissionais não de forma mecânica, apenas para preencher formulários.
Acostume-se a registrar todos os aspectos de sua prática, como forma de garantir os fatos não
apenas na memória e usá-los sempre como argumentos a seu favor. Avalie seu aluno por meio
de bilhetes, cartas, e-mails, formas escritas e registradas para confirmar suas orientações, seus
estímulos, suas sugestões de como superar dificuldades. Isso valorizará muito seu trabalho diante
da escola e dos pais, na medida que você demonstra que tem tudo organizado e registrado para
quem quiser checar sua prática. Isso também servirá como o melhor modelo para seus alunos.
Conforme eles receberem seus bilhetes, começarão a escrever bilhetes também para você. Con-
forme lerem seus relatórios avaliativos com boas palavras, vão fazer também autoavaliações
mais consistentes.

Compartilhe com a turma um texto, um livro, uma propaganda, a letra de uma música, que você
leu e gostou. Isso fará com que eles tragam para a classe comentários iguais.

Enfim, todas as formas de desenvolver alunos leitores, amantes da literatura e, mais importante,
competentes nessa leitura, começam com o desenvolvimento de professores com essa competên-
cia, visível em todas as suas práticas, em todos os seus procedimentos, em toda sua relação com
os alunos parceiros e cúmplices através das palavras.

20 Laureate- International Universities


Síntese Síntese
Caro estudante, ao chegarmos ao final deste capítulo, vimos a importância da leitura de litera-
tura infantojuvenil, tanto no âmbito familiar e social quanto no escolar. Neste contexto, o papel
do professor, antes de tudo, deve ser o de modelo, para que os estudantes busquem se espelhar
nele, como leitor sistemático e entusiasmado. Podemos concluir, portanto, que não adianta en-
sinar o que não se pratica.

Vamos listar os principais aprendizados deste módulo? Acompanhe comigo:

• A melhor forma de despertar o interesse pela leitura de literatura infanto-juvenil é dando


o exemplo às crianças e aos adolescentes.

• Na medida em que crianças e jovens se veem representados nas histórias que leem, criam
mais gosto pela leitura.

• Por meio da literatura, crianças, adolescentes e jovens podem ser conscientizados de


valores éticos e morais.

• Realizar leituras compartilhadas, em grupo, em sala de aula, incentiva o hábito de práticas


autônomas entre os estudantes.

• Escolher corretamente as indicações de leitura é imprescindível no ensino da literatura


infanto-juvenil.

• Também é necessário possibilitar o desenvolvimento das competências necessárias para a


compreensão leitora dos estudantes - quanto melhor eles entendem o que leem, mais se
interessam pelas leituras.

• O hábito da leitura aprimora o vocabulário, o repertório e o domínio de estruturas


linguísticas mais elaboradas, assim como as reflexões mais profundas sobre temas cada
vez mais complexos.

• Caso o professor não tenha o hábito de ler, é importante que comece. Neste capítulo,
demos dicas de como cultivar este hábito.

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