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Resumo com técnica de Cópia e apagamento do Livro Panorama do antigo Testamento de

Andrew E. Hill & J. H. Walton feito por Diogo Henrique de Sá.

O ANTIGO TESTAMENTO.

 Os principais manuscritos hebraicos do Antigo Testamento datam de aproximadamente


900 d.C., e um pouco mais tarde.

 Os escribas não mediam esforços, faziam o máximo para evitar erros. Devemos
observar que esse cuidado não é uma prova de que os escribas judeus tinham suas
Escrituras em mais alta estima do que os cristãos. Ao contrario, parece que os cristãos
viam sua Biblia tanto como verdadeiramente a Palavra de Deus que ela tinha que ser
disseminada amplamente e publicada na língua do povo.

 A Vulgata Latina traduzida por Jerônimo mais ou menos nessa data evidencia um texto
quase exatamente como o das nossas cópias hebraicas posteriores. Há também provas
anteriores no mesmo sentido. Em cerca de 200 d.C. havia três traduções gregas feitas
do hebraico: as traduções de Áquila, Símaico e Teodósio. Temos apenas fragmentos
dessas traduções, mas elas indicam que o texto hebraico daquele tempo já estava
padronizado.

 Agora temos porções de todos os livros do Antigo Testamento (com exceção de Ester)
representados em manuscritos pré-cristãos encontrados nas cavernas da Palestina
perto do Mar Morto.

 Imediatamente foram feitas inúmeras explorações à caverna num esforço para


descobrir, se possível, outros tesouros semelhantes. Investigação arqueológica não
autorizada é proibida, naturalmente, no Oriente Próximo, mas os beduínos árabes, que
conhecem bem os morros desolados a oeste do Mar Morto, tinham a vantagem de
serem muitos, e descobriram rolos adicionais, alguns dos quais foram comprados para
o estudo.

 Um trecho recuperado dos fragmentos de 1 Samuel foi confirmado, que atesta as


leituras da Septuaginta em oposição a algumas leituras massoréticas que eram
suspeitas com base em evidencia interna.

 A peça principal dessa literatura, e a primeira a ser publicada, foi o grande Rolo de
Isaias.

 Evidentemente, a diferença entre o texto padrão de 900 d.C., e o texto usado em 100
a.C. não é tão grande quanto a que há entre o texto Neutro e o texto Ocidental no
estudo do Novo Testamento. O texto hebraico conforme usado na Versão King James
do Antigo Testamento é muito semelhante ao que era há dois mil anos atrás.

 A Septuaginta, a grande versão grega, foi traduzida um pouquinho mais cedo, mas
muito pouco. A tradição diz que a Lei, isto é, o Pentateuco, foi traduzido para o grego
durante o reinado de Ptolomeu Filadelfo, rei do Egito por volta de 250 a.C.
 Especialmente com as descobertas dos Rolos do Mar Morto diante de nós, é cada vez
mais reconhecido que a Septuaginta data de cerca de 200 a.C.

 Nossa mais antiga cópia da Septuaginta, infelizmente, datam dos séculos 2º, 3º e 4º d.C
e sempre se questionou se são cópias são confiáveis.

 As características importantes das duas traduções do texto são idênticas. Mas


pronomes, artigos, conjunções e similares podem cair ou ser acrescentados, palavras
podem ser mal entendidas, especialmente por tradutores gregos, ou letras podem
sofrer distorção ou serem esquecidas.

 De fato, se o Hebraico fosse destruído e só a Septuaginta ficasse, a Igreja Cristã não


sofreria excessivamente. Na verdade, durante os três primeiros séculos a Igreja cristã
usou a Septuaginta quase que exclusivamente e com excelentes resultados. As
diferenças entre os dois textos são de interesse e definitivamente importantes para
estudantes meticulosos da Palavra, mas são diferenças que não alteram os principais
fatos e doutrinas do Antigo Testamento.

 Antigo Testamento têm numerosos casos de leituras alternativas marcadas Cn


(“correção”), onde não há nenhuma evidencia externa disponível para uma mudança, e
o Cn poderia ser mais lido como “conjectura”. A razão é que elas foram baseadas num
retrato errado do escriba antigo. Um “escriba sonolento” era tido como sendo a fonte
de corrupções percebidas no texto. Se alguma expressão parecia para o crítico não
caber em certo ponto, pensava-se que primeiro o antigo escriba a tinha posto numa
nota marginal, e depois um escriba posterior a inseriu no texto. Se uma escolha de
palavras parecia duvidosa, imaginava=se que um escriba tivesse entendi mal alguma
coisa e escrevera sua própria versão simplificada. Portanto uma máxima textual foi
inventada. “A leitura mais curta deve ser a preferida”, para se livrarem das glosas feitas
pelos escribas. Outro ditame canônico foi: “A leitura mais difícil deve ser a preferida”,
para remover as simplificações feitas pelos escribas.

 O manuscrito completo de Isaias não tem um só caso de notação marginal que


pudesse mais tarde ser inserido no texto.

 E o manuscrito de Isaias não mostra nenhum exemplo de um escriba ter mexido no


texto para simplificar uma leitura difícil.

 O serviço de um escriba era escrever por ditado, como Baruque fez para Jeremias (Jr
36.32), e copiar fielmente de seu exemplar como era feito em Qumrã. Eles eram
humanos. Cometiam erros como os copistas cristãos posteriores. A prática cuidadosa
da critica textual pode, com o uso criterioso de materiais disponíveis, identificar e
corrigir a maioria desses erros.

 Podemos discernir obscuramente três tipos de texto em existência naquele tempo um


antepassado do nosso texto massorético, outro com uma ramificação para o Egito
onde foi pai da Septuaginta, e um terceiro que permaneceu na Palestina
provavelmente desde antes do exilio.
 Enfatiza sua antiguidade e também a fidelidade dos escribas que a copiaram ao longo
dos séculos.

 Uma outra indicação de cópia cuidadosa através dos anos é fornecida por material
arqueológico de pontos espalhados.

 Robert Dick Wilson, que mostrou que cada um dos quarenta nomes conhecidos do
texto bíblico e registros arqueológicos foi preservado para nós com grande exatidão.
Das 184 letras desses nomes, dificilmente há uma que tenha sido tratada de modo
incorreto.

 Que alguns problemas permanecem não é de surpreender, em vista da nossa falta de


descobertas literárias no antigo Israel. Evidentemente, os israelistas escreviam em
papiros ou peles, ambos os quais se deterioravam rapidamente na Palestina, a não ser
nos desertos.

 Podemos dizer que apoio para os personagens históricos e os costumes mencionados


no Antigo Testamento são esmagadores.

 Ocasionalmente, o reconhecimento desses erros dos copistas ajuda muito a solucionar


uma dificuldade na Escritura. Assim, a crítica textual é uma ajuda para a doutrina da
inspiração verbal e não um empecilho.

 Acreditamos que a autoridade de Cristo fornece bases adequadas para a doutrina da


inspiração verbal dos documentos originais.

 Podemos verdadeiramente dizer que, pela providencia especial de Deus, ela foi
preservada sem erros sérios, de modo que para todas as finalidades e proposito, nós
dispomos de palavra que os profetas e os apóstolos escreveram- e isso é nada menos
do que a Palavra inspirada do Deus vivo.

Historia da Aceitação do Cânon do Antigo Testamento.

 A maioria dos cristãos se contenta em usar a Biblia tal como é, isto é, assim como tem
sido usada durante séculos. O juízo da igreja cristã tem sido unanime com respeito ao
cânon do Novo Testamento e igualmente com respeito do canôn do Antigo
Testamento, exceto no caso dos sete livros apócrifos.

 Mas a Biblia como um todo tem sido recebida instintivamente e diferenciada de todos
os outros livros por cristãos sinceros de todos os grupos ao longo dos séculos.

 O velho Modernismo reduziu a Biblia a proporções humanas.

 O canôn dos livros sagrados, conforme essa visão, era reduzido a um estudo
interessante dos judeus e seus discernimentos e excentricidades religiosas.
 Mas a teologia existencial se gaba de ser uma teologia da Palavra. Ela enfatiza a
revelação e tenta explicar o lugar ímpar da Bíblia no pensamento cristão.

 Outra razão para a renovada ênfase na questão da canonicidade é a chamada crítica


cacônica de Brevard SW. Childs.

 Ele diz que devemos considerar principalmente os documentos finais, os produtos


finais do processo de canonização.

 Ora, visto ser óbvio que a Biblia é composta de muitos livros antigos (de vários tipos e
idades e tamanhos), é claro que a visão que sustenta que a Bíblia é singular deve
enfrentar a questão do motivo pelo qual essa coletânea em particular foi reunida. A
resposta protestante usual tem sido que a inspiração determina a canonicidade.

 Comumente é presumido, entre estudiosos descrentes que a formação do cânon foi


um desenvolvimento. É sustentado que os livros não foram escritos como autoridade,
nem recebidos pelos contemporâneos dos autores como verdadeiro e divinos, mas que
seu recebimento e veneração exigiram tempo. Os livros do Antigo Testamento foram
escritos num período de mil anos e os do Novo Testamento em mais de meio século,
portanto é obvio que o cânon foi um desenvolvimento.

 Que temos poucos remanescentes escritos de Israel fácil de explicar pelo fato de que
as pessoas escreviam em peles e papiros egípcios.

 Só em lugares incomuns, como as cavernas secas de Qumrã, o couro e papiro duram.

 Wellhausen e sua escola redataram os documentos de acordo com o seu esquema da


evolução da religião de Israel. Essa reconstrução não é mais popular. Outras
interpretações surgiram. Martin Noth encontra os documentos padrão (J, E, e P)
somente nos quatro primeiros livros, Deuteronômio foi escrito pelo deuteronomista
que também escreveu ou editou o restante da historia até o fim de 2 Reis.

 Que outros podem enxerga-lo de modo diferente fica claro pelas grandes diferenças
entre estudiosos críticos. Por exemplo, G. Fohrer, que aborda seu material com igual
subjetividade, encontra as chamadas fontes do Pentateuco continuando em Josué e
fala de um hexateuco como tendo surgido na Babilônia durante o cativeiro, onde o
livro de Josué teve que ser separado do restante para que os persas não fizessem
objeção às grandes vindicações, territoriais que Josué fazia.

 Estudiosos ortodoxos da Bíblia, por outro lado, estão em perfeito acordo sobre os
dados da historia do Antigo Testamento e a escrita dos livros porque eles dependem da
evidencia dada nos próximos livros.

 Essa metodologia pode ser chamada de lógica circular, mas não o é totalmente.

 Admitivamente, falta evidencia histórica total para a autoria e aceitação dos livros
veterotestamentarios dos primeiros tempos.
 O Antigo Testamento na nossa língua depende em grande parte de manuscritos
hebraicos medievais de cerca de 900 d.C. e posteriores.

 Nossa primeira fonte, indo para trás, é uma passagem do Talmude Babilônico da seção
chamada Baba Bathra que afirmam datar de cerca de 200 d.C. Ela inclui dois itens
importantes. Primeiro, lista os livros hebraicos sagrados que são aceitos como
canônicos nas nossas Bíblias hebraicas e inglesas protestantes- e nenhum outro.
Segundo, classifica-os em três divisões como nas nossas Bíblias hebraicas.

 A segunda categoria das evidencias para o cânon é o testemunho de autores cristãos


primitivos dos quais daremos o nome apenas dos significativos.

 Jeronimo, que escreveu por volta de 400 d.C., cita fontes judaicas para uma lista de 22
livros, como as 22 letras do alfabeto hebraico.

 Origenes, de cerca de 250 d.C também cita fontes judaicas para uma lista de 22 livros,
embora a cópia da lista dele que temos agora só nomeie 21.

 Melito, Bispo de Sardes em cerca de 170 d.C, deixou-nos numa carta citada por
Eusébio, uma lista na qual diz que, em resposta a um pedido sobre “a Lei e os
Profetas”, ele foi à Palestina a fim de “aprender a verdade exata quanto aos livros
antigos, qual é seu numero e qual a sua ordem”.

 Outras testemunhas cristãs primitivas não são tão detalhadas. Fazem citações dos
livros do Antigo Testamento frequentemente e dão os totais de modo variado como
sendo 22 ou 24 livros, mas não dão indicação de listas ou ordem.

 Outro testemunho da igreja primitiva é colhido dos manuscritos da Septuaginta.

 Mas a Septuaginta em nossa era foi usada amplamente nos meios cristãos nos quais a
forma de livro era usada já na época do papiro Ryland de João que é de cerca de 125
d.C.

 Nenhuma classificação tríplice é discernível; uma classificação em duas partes pode ser
deduzida, mas não mencionada.

 Na terceira classe importante de testemunhos aos livros do Antigo Testamento há


historiador judaico, Flávio Josefo.

 Em seu argumento Against Apion Josefo diz: “Pois nós não temos uma inumerável
multidão de livros entre nós que discordem e se contradigam entre si(como os gregos
têm), mas somente vinte e dois livros, que contêm todo registro de todos os tempos
passados, em que são com justiça cridos ser divinos.

 Os tempos de Josefo e os seguintes foram tempos de turbulência. Josefo deixou o meio


judeu em 70 d.C. exatamente antes que essas mudanças ocorressem. No passado, os
estudiosos argumentavam que o canôn foi fechado no Concílio de Jamnia em 90 d.C.
Agora, depois do estudo feito por Jack P. Lewis, a grande maioria concorda que as
discussões em Jamnia registradas no Talmude não constituíam um concílio e não
tinham autoridade.

 A segunda razão para valorizar o testemunho de Josefo é sua própria declaração, na


sua autobiografia, de que seu amigo (pois Josefo a esse tempo já era pró-romano) Tito,
quando conquistou Jerusalem em 70 d.C. levou os móveis dourados e uma cópia dos
rolos sagrados para si mesmo (relevos do candelabro e da mesa de pães da proposição
ainda podem ser vistos no Arco de Tito em Roma) mas deu outras cópias dos rolos a
Josefo. Assim, Josefo estaria provavelmente em excelente posição para conhecer os
pontos de vista oficiais do Templo a respeito dos livros.

 Além do mais, a divisão tríplice de Josefo é importante. Ele de fato mantém uma
divisão em três partes como o Talmude babilônico posterior, mas sua divisão é muito
diferente: cinco livros de lei, treze de profetas e quatro de “hinos a Deus e preceitos
para conduta da vida humana”.

 A quarta testemunha principal que consideramos para o cânon do Antigo Testamento é


o próprio Novo Testamento.

 Todos concordariam que é material do século 1º.

 Quanto à evidencia do Novo Testamento, é obvio que o Novo cita o Antigo Testamento
como sagrado, possuidor de autoridade, verdadeiro, a própria palavra de Deus.

 Também é verdade que o Novo Testamento cita quase todos os livros do Antigo
Testamento, muitas vezes por nome.

 Significativas para nossos objetivo são referencias neotestamentárias às divisões do


cânon do Antigo Testamento. Nossas evidencias até aqui mostrou-nos que o Talmude
fala de uma divisão tríplice e que Josefo (provavelmente Filo também) se refere a uma
divisão tríplice, mas muito diferente. Melito de Sardes, Orígenes e as cópias da
Septuaginta falam apenas do Pentateuco como uma só unidade com os outros livros
em ordens diferentes. Contra esse pano de fundo o Novo Testamento substancia tanto
uma classificação em duas partes, como uma em três partes.

 Há argumento que muita vezes é levantado contra essa conclusão. Beckwith


argumenta que Mateus 23. 35 mostra que “nos dias de Jesus era fato aceito que o
ultimo livro do cânon era Crônicas”.

 Há um problema com o ponto de vista de que Crônicas era o ultimo livro do Antigo
Testamento no tempo de Jesus. Zacarias de 2 Cronicas 24. 20 é chamado, tanto em
Crônicas como em Josefo, “o filho de Joiada”.

 Archer, no seu livro sobre dificuldades bíblicas, argumenta de modo muito convincente
que não há erro, que Cristo se referia ao Profeta Menor, Zacarias o filho de Berequias
que viveu nos tempos turbulentos e pode bem ter morrido a morte de mártir, embora
sua morte não tenha referencia em outra parte. Isso é bastante possível e tira a força
de todo o argumento de Crônicas estar no final do cânon do tempo de Jesus.
 Mais um ponto: Esta claro que Crônicas não foi originalmente o último livro da coleção
do Antigo Testamento. 2 Crônicas termina no meio de uma sentença. Os últimos dois
versículos foram sem duvida acrescentados como ganchos pelo autor de Esdras, que
começa seu livro com as mesmas palavras.

 Desde 1947 nosso conhecimento direto do Antigo Testamento dos tempos pré-cristãos
foi grandemente aumentado como resultado da descoberta dos Rolos do Mar Morto.

 Não há, portanto nenhuma duvida a respeito da data geral dos documentos, e a
abundancia de material permitiu aos que se especializam em paleografia organizarem
uma sequencia de estilos de escrita à mão de modo a datar com considerável certeza
os manuscritos copiados naqueles anos.

 Deuteronômio, Salmos e Isaias, são mais frequentemente citados no Novo Testamento.


É evidente que eles eram os favoritos dos judeus, assim como na igreja no Novo
testamento e entre nós hoje.

 Precisamos admitir que o fato de que forem copiados não prova que fossem
considerados como fazendo parte de um cânon sagrado. Mas outras partes de
literatura judaica antiga.

 Os livros dessa natureza encontrados em Qumrã incluem Enoque, Jubileus e


Eclesiastico. Também há alguns escritos característicos da comunidade em que foram
achados. Um entre outros é o Manual de Disciplina, uma espécie de regulamento
monástico para a comunidade.

 Esses achados extrabiblicos dão-nos um entendimento da visão que essa antiga


comunidade tinha da Bíblia. A própria abundancia do material bíblico é em si
significativa.

 O Manual de Disciplina do Mar Morto aparentemente data do fim do século 2º a.C.


Tem, pois, grande valor histórico. Faz referencia ao que “Deus ordenou por meio de
Moisés e por meio de todos os seus servos os profetas”.

 A questão é se eles eram tratados como canônicos. Até onde vai nossa evidencia, não
eram. Bruce, mais acertadamente, diz: “É provável, de fato, que até o inicio da era
cristã os essênios (incluindo a comunidade Qumrã) estavam em acordo substancial
com os fariseus e saduceus (estes últimos não se limitando, ele mostra, ao Pentateuco)
quanto aos limites da Escritura Sagrada. Beckwith depois de muita discussão da
evidencia, chega a esta mesma conclusão- que o cânon de Qumrã tinha o padrão de 22
livros, e que esse era o onto de vista deles no começo do seu movimento, em cerca de
150 a.C.

 Para medir a importância dessas descobertas, devemos nos lembrar da visão comum a
respeito do surgimento do cânon do Antigo Testamento conforme é sustentado pelos
estudiosos críticos.
 Resumindo, a formação do Pentateuco foi seguida, segundo os estudiosos críticos, pela
compilação, durante os cem ou duzentos anos seguintes, de um segundo cânon de
menor estima, consistindo os Profetas.

 O cânon dos Profetas, conforme a visão crítica, se desenvolveu entre 400 e 200 a.C.

 Toda essa estrutura imponente do desenvolvimento do cânon do Antigo Testamento,


embora tenha aceitação bastante ampla, não concorda com a evidencia e depende de
suposições que são muito questionáveis. A evidencia de Qumrã nos dois séculos pré-
cristãos mostra que não havia nenhuma diferença na reverencia dada a livros das
várias divisões do cânon.

 Entre as descobertas de Qumrã estavam partes de uma composição a que já se fez


referencia, o Documento Zadoquita.

 Ele não só menciona a lei e os profetas paralelo, como também menciona livros da lei e
os livros dos profetas numa interpretação um tanto imaginosa do versículo de Isaias
7.17 e Amós 5.26-27.

 Não há nenhuma sugestão em Qumrã de haver uma divisão tríplice dos livros sagrados.
Repetidamente apareceu a expressão, tão comum no Novo Testamento, “Moises e os
profetas” ou fraseologia semelhante.

 Um problema com essa conclusão é a evidencia do livro apócrifo de Eclesiástico


(também chamado Siraque ou Bem Siraque) que foi escrito em cerca de 180 a.C.
contemporâneo dos primeiros documentos de Qumrã.

 Três vezes se refere ao Antigo Testamento como: a) “a Lei e... os profetas, e... os outros
que seguiram seus passos”, b) “ a lei e os profetas e os outros livros dos nossos pais”; c)
“a própria lei, e os profetas e o restante dos livros”.

 No entanto, é difícil pensar que a terceira divisão e Daniel e Crônicas na terceira.

 Realmente, Eclesiástico não especifica quais ou quantos livros estão na terceira divisão.

 Eclesiástico não aprova que a divisão tríplice do Talmude. Hoje ela atende a um uso
litúrgico na sinagoga.

 A pergunta é, qual é a idade desse arranjo litúrgico? E a resposta é que não temos
como saber ao certo. A passagem que Jesus leu na sinagoga ( Lc 4.18,19 de Is 61. 1-2)
não é lida nas leituras do Haftorá (leituras selecionadas da divisão dos Profetas) nas
sinagogas de hoje.

 Quando Herodes perguntou aos mestres da Lei onde o Messias deveria nascer, seu
próprio Targum dizia especificamente que o Messias viria de Belém. Mas a leitura
Haftorá passa por essa passagem em silencio.
 Se as atuais leituras hebraicas do Haftorá surgiram na era cristã, então as divisões de
nossa Bíblia Hebraicas são também provavelmente posteriores ao inicio da igreja
Cristã. Ou possivelmente de depois da queda de Jerusalem.

 Existem dados anteriores a Qumrã que dizem respeito ao cânon, embora não sobre
suas alegadas divisões. O próprio Antigo Testamento tem algo a dizer.

 O primeiro é uma referencia a Deuteronômio 24.16 citado claramente e atribuído às


“Leis” no “Livro de Moisés” tanto em 2 Reis 14.6 como em 2 Crônica 25.4. A citação em
Reis é significativa por vir dos tempos de Amazias (cerca de 800 a.C.)

 Mas mesmo então, o “deuteronomista” afirmou

4- O Testemunho do Novo Testamento sobre si Próprio.


 O catálogo de Josefo lista os cinco livros da Lei, depois treze livros dos Profetas, depois
quatro livros contendo hinos a Deus e conselhos aos homens para a conduta da vida.
Isso dá o total de 22, a que se chega, evidentemente, associando-se Rute com Juízes e
Lamentações com Jeremias.

 Filo é de interesse especial porque é nosso único representante dos pontos de vida do
judaísmo egípcio do século 1º.

 Eichorn mostram que Filo utiliza como possuindo autoridade todos os livros do cânon
judaico e se refere a eles desse modo, com exceção de Ester, Ezequiel, Daniel,
Eclesiastes e Cântico dos Cânticos. Repetindo esses poucos livros não são negados, mas
simplesmente negligenciados por falta de ocasião de usá-los.

 Os dados acima pareceriam ser conclusivos visto que dispomos de excelentes


testemunhos de Cristo e do Novo Testamento bem como do Judaísmo palestino e
egípscio. Porém, surgem dois problemas: um com respeito a um cânon mais restrito e
um a um cânon mais amplo.

 A questão mais importante diz respeito ao cânon de Alexandria. Dado que, contém os
livros apócrifos.

 Que nossas cópias atuais da Septuaginta têm um cânon que varia não aprova nada
porque naqueles séculos fundamentais houve três fatores importantes que certamente
afetaram essas qyestões.

 Em primeiro lugar, a destruição de Jerusalem em 70 d.C.

 Em segundo lugar, a Septuaginta logo passou para mãos cristãs.

 O terceiro fator, e possivelmente o maior, pode ter sido um dos acidentes da História
que se mostram tão imprevisíveis nos seus efeitos.
 Pouco depois de Cristo, o códex, ou volume encadernado, foi inventado para preencher
espaços vazios em códex, material devocional útil, que com o tempo se misturou com
os livros sagrados.

 No mínimo, foi isso o que aconteceu, pois sabemos dos quatro primeiros séculos que
os livros apócrifos não foram recebidos no cânon da igreja cristã.

 Melito, bispo de Sárdis, por volta de 170 d.C. foi à Judéia para certificar-se do numero
verdadeiro dos livros do Antigo Testamento. É de interesse especial, porque é a
primeira lista disponível de fontes cristãs.

 A lista seguinte é dada por Orígenes, o estudioso do Egito. Ele tinha acesso a
informações e livros que há muito já tinham desaparecido.

 A lista de Orígenes, inclui todos os 39 livros canônicos (agrupados de modo a


perfazerem o total de 22, com Rute e Lamentações anexados a Juízes e Jeremias), mas
ele omite os Profetas Menores. O que talvez tenha sido um lapso do copista.

 Isso pareceria ser prova suficiente para convencer os mais céticos de que a igreja
antiga ateve-se rigorosamente ao cânon hebraico e nada mais.

 Judeus da Palestina mantinham-se fiel ao cânon hebraico, mas os judeus de Alexandria


sustentavam um cânon mais amplo que incluía os apócrifos.

 A igreja primitiva cristã não teve esse cânon mais amplo. Também, não há evidencia de
que os judeus primitivos de Alexandria tinham. Na verdade, o caso de Filo, um Judeu
de Alexandria do século 1º, é bem marcante- ele nunca cita os apócrifos nos seus
escritos mais extensos.

 Resumimos aqui todos os testemunhos importantes da igreja dos primeiros tempos até
cerca de 400 d.C. A uma só voz eles insistem que o cânon Judaico exato é o único que
deve ser recebido com crédito total.

 De interesse especial é o fato de que Jerônimo, que foi o tradutor da Vulgata latina,
que é usada até hoje na Igreja Católica Romana, expressamente excluiu do cânon os
livros apócrifos.

 O concílio de Trento, que é a fonte de onde vem o ensino católico romano para os
tempos modernos, assumiu uma visão diferente. Ele decretou que uma lista de livros-
que incluem os apócrifos- deveria ser crida sob ameaça de anatemá. Os protestantes,
naturalmente, fazem objeção a um decreto assim.

 Parece bastante claro que o Concílio de Trento adotou esse item por razões de
conveniência e não de evidência.

 Os católicos romanos podem manter os apócrifos na Bíblia simplesmente porque em


geral não leem e não a estudam fielmente.
 Esse argumento da evidência interna foi discutido em detalhe por W. H. Green, e mais
adiante consideraremos o testemunho interno do Espírito Santo.

 Nossa conclusão, com base nas evidencias históricas, de que os apócrifos devem ser
rejeitados, também apoia plenamente nossa visão quanto ao motivo pelo qual os livros
canônicos devem ser aceitos.

 O que Deus falou e fez com que fosse escrito era para ser recebido. O que ele não falou
diretamente ou fez com que fosse escrito não para ser recebido como possuindo
autoridade.

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