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EPISTOLA DE JUDAS

Epistola de Judas
Há certa semelhança entre a Segunda epístola de Pedro e a de Judas; ambas tratam da
apostasia na igreja. Pedro descreve a apostasia como futura e Judas, como presente.
Pedro expõe os falsos mestres como perigosos; Judas descreve-os em extrema
depravação e na maior desordem.

Autoria
O autor desta epístola descreve-se como "Judas", servo de Jesus Cristo, e irmão de
Tiago.
Sabemos que no Novo Testamento há vários homens com este nome.

Como identificar o autor desta carta?


1. Judas Iscariotes, o traidor. Mateus 26:14
2. Judas (Tadeu) filho de Tiago. Lucas 6:16. Alguns estudiosos tem atribuído a este
Judas a autoria da epístola, pois segundo a ARA aparece "irmão de Tiago"
Leiamos o verso 17.
3. Judas irmão de Jesus. Mateus 13:55. Este tem recebido o apoio da grande
maioria dos eruditos da Bíblia. Não pode haver dúvida quanto a sua autoria.
Devemos observar a expressão de Judas quando diz " irmão de Tiago". Fica
caracterizado de modo suficientemente claro, que havia um só Tiago eminente e
bem conhecido, o irmão do Senhor.

Autor
Conforme vimos acima Judas era irmão do Senhor, fora disto, nada sabemos a seu
respeito.
Podemos aprender muita coisa de Judas ao escutar o que tem a dizer de si mesmo.
- Era homem humilde (se identificava como servo de Cristo) Devemos observar Romanos
1:1, I Pedro 1:1
Era reconhecido como irmão do Senhor. I cor. 9:5

Data
O primeiro livro do Novo Testamento da bíblia foi escrito, provavelmente, por volta do ano
65 depois de Cristo. Entretanto alguns acreditam o que texto teria sido escrito um pouco
depois, entre 66 e 67, em função das semelhanças com a carta escrita por Pedro. Só que
uma terceira corrente de pesquisadores argumenta que a explicação para os dois textos
estaria em uma fonte única utilizada por Judas e por Pedro na qual leram informações
sobre o risco dos falsos mestres. De todo modo, esse primeiro livro do Novo Testamento,
a Epístola de Judas, é um texto escrito por Judas irmão de Tiago. Esse Judas era
também meio-irmão do próprio Jesus Cristo. Ou seja, nada tem a ver com o famoso
Judas apóstolo, conhecido por trair Jesus.
A Epístola de Judas é um texto escrito por um discípulo tendo como supostos
destinatários ou judeus convertidos ao cristianismo espalhados pela Ásia Menor. O texto,
contudo, não oferece afirmativas ou informações que permitam afirmar claramente o
destino da escritura. É uma suposição que parece ser a mais plausível porque o texto
permite a compreensão de que os destinatários são conhecedores do Antigo Testamento
e das tradições judaicas. Mas, mesmo que os destinatários não sejam claramente
conhecidos, o motivo do texto é evidente: alertar contra mestres imorais e contra as
heresias que colocam a fé dos cristãos em risco. Há um enfoque também contra a
apostasia, pois na época havia uma onda de abandono da fé.

Constituída de um único capítulo e de apenas 25 versículos, há uma curta introdução


sobre o perigo dos homens perversos. Uma curiosidade é a citação do livro apócrifo de
Enoque, que gera muitas dúvidas nos pesquisadores sobre como teria sido o contato de
Judas com esse conhecimento. Há também uma chamativa passagem que envolve o
diabo e o Arcanjo Miguel sobre a tomada do corpo de Moisés. Em resumo, é um texto
pequeno que alguns acreditam ser baseado em relatos de Jesus Cristo para seus
discípulos, dentre os quais estava Judas.

Conteúdo
1. Prefácio (vs. 1-2)
2. Propósito da epístola: Presença de falsos mestres na igreja (vs. 3-4)
3. Descrição do caráter e do juízo que pesa sobre os falsos mestres (vs. 5-16)
4. Advertências e exortação (vs. 17-23)
5. Doxologia (vs.24-25)

Análise
A epistola em seis partes:
1. Guardados por Deus para o Senhor Jesus. Verso 1,2
 Foi escrito aos que são: Chamados, Amados, Conservados em cristo e
Conservados por Cristo.
2. Guardar a fé. Verso 3,4
 O Espírito constrange a mudar o tema.
 Salvação comum( esta ao alcance de todos ).
3. Guardados para o juízo. Verso 5-7
 Como solene aviso.
 Deve-se guardar os mandamentos.
4. Não guardar a fé. Verso 8,19
 Abandonando a Fé, segue-se uma terrível deterioração do caráter.
 Sensualidade, Pensamentos corruptos, Incontinentes, Espírito Zombeteiro.
5. Guardados no Amor de Deus. Verso 20-23
 O Amor é tudo.
 Como devemos proceder.
 Edificando, Orando, Conservando, Olhando, Compaixão, Salvando Etc..
6. Guardados de tropeçar. Verso 24,25
 Tropeçar precede cair.
 Ele nos livra dos tropeços.

Introdução

Devemos reconhecer a natureza da Epístola de Judas como sendo “apologética”, pois


apresenta francamente a defesa do Cristianismo contra os assédios do gnosticismo
(movimento religioso, de caráter sincrético e esotérico, desenvolvido nos primeiros
séculos de nossa era à margem do cristianismo institucionalizado, combinando
misticismo e especulação filosófico).
O gnosticismo perturbou durante 150 anos a Igreja Primitiva. E, em todas as épocas
históricas do Cristianismo houve ataques contra a Verdade de Cristo.

Essa mensagem de Judas tem sido reconhecida pelos verdadeiros crentes como uma
verdade necessária para todos os tempos, pois aponta os pontos de ataque e as bases
da defesa apologética.
Os perigos permanecem dentro e fora da Comunidade Cristã. Os princípios ímpios,
renovam-se a cada geração, mudando sua roupagem, sua tática, mas tem alcançado
muitos e até mesmo alguns crentes manifestam essa tendência para o gnosticismo.
Muitos dos chamados teólogos e mestres dos primeiros séculos leram, estudaram e
fizeram uso dessa Epístola mostrando sua necessidade para aqueles tempos difíceis de
apostasia. Alguns podem ser citados:
· Policarpo - 115 d.C.
· Tertuliano - 197 d.C.
· Clemente de Alexandria - 200 d.C.
· Orígenes - 250 d.C.
· Eusébio - 340 d.C.
· Atanásio - 367 d.C. - todos os 27 livros do Novo Testamento foram reconhecidos
por ele com toda convicção como inspirados, sem nenhuma dúvida.
· Jerônimo - 392 d.C.

Objetivos
MOTIVOS - Combater a heresia gnóstica que surgiu desde os primórdios do
Cristianismo. Judas indica a grande crise dos falsos ensinos que cercava a Igreja e levou
o autor sagrado a lançar um tratado planejado para defender “a nossa comum
salvação”. Trata-se de um violento ataque contra o gnosticismo.

PROPÓSITOS
Pelo verso 3 deduz-se que, Judas pretendia escrever um tratado sobre salvação, quando,
foi constrangido pelo Espírito a mudar o tema.
Judas então passou a escrever uma defesa veemente do padrão moral da fé cristã.
 Primeiro - Posicionar contra a heresia dos gnósticos, esperando, assim, poder
quebrar o encantamento e fascínio exercido sobre eles das suas doutrinas.
 Seundo - Trazer de volta ao Evangelho.
 Terceiro - Dar instruções a respeito da natureza da verdadeira fé.
 Quarto - Encorajar aos crentes a lutar pela fé.
 Quinto - Consolar os sofriam com esses ataques.
 Sexto - Apresentar os exemplos do passado onde o juízo de Deus se manifestou
contra todos os que assim agiram.

Destinatários
Judas escreveu para atingir aos crentes do seu tempo e, também, a todos os irmãos
amados em todos os lugares e de todos os tempos. O alcance da mensagem é universal,
para todos os crentes em Cristo Jesus.

Doutrinas Gnósticas Específicas:


Nesse tratado doutrinário, transparecem as diversas doutrinas do gnosticismo, assim
como:
a). Imoralidade - Os mestres gnósticos praticam e ensinavam a imoralidade e
licenciosidade. Esse princípio constituía parte oficial da ética gnóstica. Embora houvesse
outro tipo de gnosticismo que seguiam o outro extremo - ética ascética.
Na visão gnóstica, a matéria era o princípio do mal no homem. Pensavam que o sistema
do mundo visa a destruir a matéria, para libertar o espírito para seu vôo até a realidade
espiritual e final.
Segundo ensinavam, deveriam “cooperar”, por meio do abuso do corpo - imoralidade
extremada ou do ascetismo extremo (Cl 2.15).
Esse tipo de imoralidade extremada é amplamente combatido nas Epístolas Pastorais,
Joaninas e Judas.
Para os gnósticos, o espírito não se corrompe com aquilo que é feito com o corpo. Eles
não só aceitavam a imoralidade, como a encorajavam, contradizendo o ponto de vista
judaico-cristão.

b). Negavam a Expiação através do Sangue de Jesus Cristo - Negavam a Deus,


negavam ao Senhor Jesus Cristo. Cristo era o “aeon” ou espírito-cristo ou ainda, uma
mera emanação angelical, mas de modo algum o grande LOGOS viera a possuir o corpo
de Jesus. Pois, se o espírito se encarnasse seria corrompido pela matéria - o princípio do
mal.
Estabelecendo essa base, diziam: Se Cristo não se encarnou, pois não podia, ele
também não sofreu e não morreu. Na ocasião de sua morte, foi somente a morte de um
homem, sem qualquer valor expiatório (2 Pe 2.1).

c). Negavam a Deus - Pai - Apresentam um conceito deísta de Deus. Falam de sua
transcendência de tal modo que nada pode fazer pela Sua criação. A criação ficou
entregue ao domínio das leis naturais. Deus não interfere, não pune e não recompensa
os homens.

d). A posição teísta - afirma que Deus é o Criador Supremo de todas as coisas e declara
sua interferência na história humana - recompensando e punindo os homens.

e). A Imoralidade - e perversão - A natureza moral dos falsos mestres é descrita de


modo horrendo e desenfreado.

CONCLUSÃO

Os ensinamentos dessas Cartas são tão atuais quanto do tempo em que foram
escritas. Podemos ver que realmente elas foram divinamente inspiradas.