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AUDITOR FISCAL DO MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO / 2006

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Resumão: Direito Administrativo – por Alexandre José Granzotto

Direito Administrativo

Assunto:

RESUMÃO DE DIREITO
ADMINISTRATIVO
AUDITOR FISCAL DO MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO / 2006

Autor:

ALEXANDRE JOSÉ GRANZOTTO

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RESUMÃO
DIREITO ADMINISTRATIVO
ÍNDICE
1. Conceito e fontes do Direito Administrativo.
2. Regime jurídico administrativo.
3. A Administração Pública: Conceito. Poderes e deveres do administrador público.
Uso e abuso do poder. Organização administrativa brasileira: princípios, espécies,
formas e características. Centralização e descentralização da atividade
administrativa do Estado. Concentração e Desconcentração. Administração
Pública Direta e Indireta, Autarquias, Fundações Públicas, Empresas Públicas,
Sociedades de economia mista. Entidades paraestatais. Organizações Sociais.
Contratos de Gestão.
4. Poderes Administrativos: poder vinculado, poder discricionário, poder hierárquico,
poder disciplinar, poder regulamentar e poder de polícia.
5. Atos Administrativos: fatos da Administração Pública, atos da Administração
Pública e fatos administrativos. Conceito, formação, elementos, atributos e
classificação. Mérito do ato administrativo. Discricionariedade. Ato administrativo
inexistente. Atos administrativos nulos e anuláveis. Teoria dos motivos
determinantes. Revogação, anulação e convalidação do ato administrativo.
6. Serviços Públicos: conceitos: classificação; regulamentação; controle; permissão;
concessão e autorização.
7. Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União: provimento e vacância de
cargos públicos, remoção, redistribuição, direitos e vantagens, licenças e
afastamentos e seguridade social do servidor (Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de
1990, atualizada).
8. Responsabilidade civil do Estado. Ação de Indenização. Ação Regressiva.
9. Controle da Administração Pública: Conceito. Tipos e Formas de Controle. Controle
Interno e Externo. Controle Prévio, Concomitante e Posterior. Controle
Parlamentar. Controle pelos Tribunais de Contas. Controle Jurisdicional. Meios de
Controle Jurisdicional.
10. Processo Administrativo Federal (Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999).
11. Polícia Federal: Competências.
12. Ministério Público do Trabalho – atribuições e competências.

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DIREITO ADMINISTRATIVO

1. CONCEITO E FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO

CONCEITO: Conjunto Harmônico de princípios Jurídicos que regem os órgãos, os


agentes e as atividades públicas, tendendo a realizar concreta, direta, e
indiretamente os fins desejados pelo Estado.

Direito Público Î O Direito Administrativo é Ramo do Direito Público que prescreve as


normas de atividade da administração pública e que se ocupa da
função governamental, ou seja, a Administração Pública, embora
oportuno registrar a observação do jurista Hely Lopes Meirelles de
que “o Direito Administrativo brasileiro abrange não só os atos do
Poder Executivo, mas também aqueles do Legislativo e do Judiciário,
praticados como atividade paralela e instrumental das que lhe são
específicas e predominantes, isto é, a de legislação e a de jurisdição”.

Direito Privado Î O Direito Administrativo resultou, sem dúvida, do crescente


intervencionismo do Estado na esfera individual, bastando lembrar
que, no Brasil, somente trinta anos após a criação dos cursos
jurídicos, que ocorreu em 1827, a matéria começou a ser lecionada e,
durante todo o período monárquico, a Administração Pública foi regida
por normas de Direito Privado.

Direito Constitucional Î O Direito Administrativo relaciona-se com o Direito


Constitucional em estreita afinidade, de vez que ambos têm o
mesmo objeto, qual seja, o Estado. Diferem, todavia, como
assinala Hely Lopes Meirelles, em que o Direito Constitucional
se interessa pela estrutura estatal e pela instituição política do
governo, ao passo que o Direito Administrativo cuida tão-
somente da organização interna dos órgãos da Administração,
de pessoal e funcionamento respectivos, de modo a satisfazer
as finalidades que lhe são constitucionalmente atribuídas.

Enquanto o Direito Constitucional faz a anatomia do Estado,


cuidando de suas formas, de sua estrutura e de sua substância
no aspecto estático, o Direito Administrativo estuda-o na sua
movimentação, na sua dinâmica.

Direito Tributário e Financeiro Î O Direito Administrativo liga-se, também, ao


Direito Financeiro e ao Tributário, de vez que a
arrecadação de tributos, a realização da receita e
a efetivação de despesas públicas são atividades
rigorosamente administrativas.

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Também o Direito Municipal se inspira no Direito Administrativo, pois que, sendo o mais
recente fruto do Direito Público Interno, ao lado do Direito Ambiental, não prescinde, na
solução dos problemas comunais, da invocação dos princípios genéricos do Direito
Administrativo.

FONTES:

Escritas: A Lei e a doutrina.


Não escritas: Jurisprudência, os Costumes, e os Princípios gerais de direito.

Lei Î em sentido amplo, é a fonte primária do Direito Administrativo, abrangendo


esta expressão desde a Constituição até os regulamentos executivos. E
compreende-se que assim seja, porque tais atos, impondo o seu poder
normativo aos indivíduos e ao próprio Estado, estabelecem relações de
administração de interesse direto e imediato do Direito Administrativo;

Doutrina Î formando o sistema teórico de princípios aplicáveis ao Direito Positivo, é


elemento construtivo da Ciência jurídica à qual pertence a disciplina em
causa. Influi ela não só na elaboração da lei como nas decisões
contenciosas e não contenciosas, ordenando, assim, o próprio Direito
Administrativo;

Jurisprudência Î traduzindo a reiteração dos julgamentos num mesmo sentido,


influencia poderosamente a construção do Direito, e especialmente a
do Direito Administrativo, que se ressente de sistematização
doutrinária e de codificação legal. A jurisprudência tem um caráter
mais prático, mais objetivo, mas nem por isso se aparta de princípios
teóricos que, por sua persistência nos julgados, acabam por penetrar
e integrar a própria Ciência Jurídica;

A importância prática da jurisprudência pode ser assim resumida: Demandas e litígios


são solucionados caso por caso. medida que os casos concretos se repetem, é natural que
sentenças e acórdãos passem a consolidar uma orientação uniforme, de tal forma que se
pode depreender, antecipadamente, e com segurança quase total, como decidirão os
tribunais a respeito de casos que, a eles submetidos, encontram precedentes nas decisões
anteriores. Esta uniformidade de decisões a respeito de um caso determinado se chama
jurisprudência, e o seu conhecimento pelo advogado é indispensável, valendo o mesmo
para o juiz singular, pois este, ao tomar conhecimento de um caso submetido à sua
apreciação, indagará se existe, a respeito, uma decisão uniforme, ou seja, jurisprudência.
Havendo, não precisará se dar ao trabalho de descobrir a motivação necessária à
fundamentação da sentença, podendo, simplesmente, repetir o que se acha assentado
pelos tribunais. Ora, os tribunais são, hierarquicamente, superiores aos juízes de primeira
instância, embora não possam vinculá-los obrigatoriamente, em face do princípio da
autonomia funcional; entretanto, determinam a praxe e a tradição que os juízes singulares
devem acatar a jurisprudência firmada nos colegiados.

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Costumes Î O art. 4º da LICC menciona o costume como elemento integrativo da


lei lacunosa, situando-o logo após a analogia. Primeiro, a analogia;
não sendo satisfatórios os efeitos desta, o juiz invoca os costumes e,
a seguir, os princípios gerais de direito. O termo costume deriva do
latim consuetudine, de consuetumine, hábito, uso.

É a prática social reiterada e considerada obrigatória. O costume


demonstra o princípio ou a regra não escrita que se introduziu pelo
uso, com o consentimento tácito de todas as pessoas que admitiram a
sua força como norma a seguir na prática de determinados atos.

No Direito Administrativo brasileiro, exerce ainda influência, em razão


da deficiência da legislação. A prática administrativa vem suprindo o
texto escrito, e, sedimentada na consciência dos administradores e
administrados, a praxe burocrática passa a suprir a lei, ou atua como
elemento informativo da doutrina.

Princípios gerais de direito Î são os princípios que decorrem do próprio fundamento


da legislação positiva, que, embora não se mostrando
expressos, constituem os pressupostos lógicos
necessários das normas legislativas.

Os princípios gerais de direito têm grande importância no preenchimento das lacunas


da lei, em face de seu caráter normativo à falta de lei ou costume aplicável ao caso
concreto.

Os princípios gerais de direito positivo se revestem de nítido conteúdo ideológico, pois


que refletem a orientação de cada concepção política no tempo e no espaço. Num Estado
de orientação marxista, considera-se o direito, antes de mais nada, como o instrumento
de dominação de uma classe social sobre outra, isto para os Estados capitalistas,
evidentemente; mas, num Estado marxista, o direito representa o meio de se eliminar a
exploração de uma classe por outra, instituindo-se a ditadura do proletariado.

Tais princípios não são, propriamente, os mesmos de um Estado capitalista. O aplicador


do direito deve recorrer, portanto, aos princípios e critérios norteadores do direito positivo,
entendendo-os, politicamente, como expressão de um regime.

Alguns autores classificam desta forma os princípios gerais de direito:

1) seriam o direito comum dos séculos passados;


2) seriam o próprio direito romano;
3) seriam o direito natural;
4) seriam extraídos da própria ordem jurídica;
5) seriam a própria eqüidade.

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Exemplos de princípios gerais de direito:

- todos são iguais perante a lei;

- cogitationis poenam nemo patitur (ninguém deve ser punido por seus
pensamentos);

- narra mihi factum dabo tibi jus (diz-me o fato e te darei o direito).
Princípio pelo qual ninguém é obrigado a citar os dispositivos legais nos
quais ampara sua pretensão, pois se presume que o juiz os conheça;

- ad impossibilia nemo tenetur (ninguém está obrigado ao impossível);

- impossibilium, nulla obligatio est (idem).

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2. REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO

2.1. Conceito de Estado

Aspecto sociológico: é corporação territorial dotada de um poder de mando


originário;

Aspecto político: é comunidade de homens, fixada sobre um território,


com poder superior de ação, de mando e de coerção;

Aspecto constitucional: é pessoa jurídica territorial soberana. Como ente


personalizado, o Estado pode tanto atuar no campo do
Direito Público, como no Direito Privado, mantendo
sempre sua única personalidade de Direito Público, pois
a teoria da dupla personalidade do Estado acha-se
definitivamente superada.

2.2. Elementos do Estado

Î O Estado é constituído de três elementos originários e indissociáveis:

Povo - é o componente humano do Estado;

Território - a sua base física;

Governo Soberano - elemento condutor do Estado, que detém e exerce o poder


absoluto de autodeterminação e auto-organização emanado do povo.

2.3. Poderes do Estado

Î são independentes e harmônicos entre si e com suas funções reciprocamente


indelegáveis (CF, art. 2º). Esses poderes são imanentes e estruturais do Estado, a
cada um deles correspondendo uma função que lhe é atribuída com precipuidade.

Legislativo: a função essencial é a elaboração da lei (função normativa);

Executivo: a função essencial é a conversão da lei em ato individual e concreto


(função administrativa);

Judiciário: a função essencial do Judiciário é a aplicação coativa da lei aos


litigantes (função judicial).

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Î Assim o que há, portanto, não é a separação de Poderes com divisão absoluta
de funções, mas, sim, distribuição de três funções estatais precípuas entre
órgãos independentes, mas harmônicos e coordenados no seu funcionamento,
mesmo porque o podes estatal é uno e indivisível.

2.4. Organização da Administração

Î é a estruturação legal das entidades e órgãos que iram desempenhar as funções,


através de agentes públicos (pessoas físicas). É feita através de lei, e
excepcionalmente por decreto e normas inferiores, quando não exige a criação de
cargos nem aumenta a despesa pública.

Î O Direito Administrativo impõe as regras jurídicas da administração e


funcionamento do complexo estatal; as técnicas de administração indicam os
instrumentos e a conduta mais adequada ao pleno desempenho das atribuições da
Administração.

2.5. Governo e Administração

Governo Î em sentido formal, é o conjunto de Poderes e órgãos constitucionais; em


sentido material, é o complexo de funções estatais básicas; em sentido
operacional, é a condução política dos negócios públicos.

Administração Pública Î em sentido formal, é o conjunto de órgãos instituídos


para consecução dos objetivos do Governo; em sentido
material, é o conjunto das funções necessárias aos
serviços públicos em geral; em acepção operacional, é
o desempenho perene e sistemático, legal e técnico, dos
serviços próprios do Estado ou por ele assumidos em
benefício da coletividade.

Î A Administração não pratica atos de Governo; pratica, tão-somente, atos de


execução, com maior ou menor autonomia funcional, segundo a competência do
órgão e de seus agentes.

2.6. Entidades Políticas e Administrativas

Entidade Î é pessoa jurídica, pública ou privada; na organização política e


administrativa brasileira as entidades classificam-se em:

Entidades Estatais: são pessoas jurídicas de Direito Público que integram a


estrutura constitucional do Estado e têm poderes políticos a
administrativos, tais como a União, os Estados-membros, os
Municípios e o Distrito Federal;

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Entidades Autárquicas: são pessoas jurídicas de Direito Público, de natureza


meramente administrativa, criadas por lei específica, para a
realização de atividades, obras ou serviços descentralizados da
estatal que as criou; funcionam e operam na forma
estabelecida na lei instituidora e nos termos de seu
regulamento;

Entidades Fundacionais: são pessoas jurídicas de Direito Público,


assemelhadas às autarquias ( STF); são criadas por lei
específica com as atribuições que lhes forem conferidas
no ato de sua instituição;

Entidades Paraestatais: são pessoas jurídicas de Direito Privado cuja criação é


autorizada por lei específica para a realização de obras,
serviços ou atividades de interesse coletivo (SESI, SESC,
SENAI, etc.);
Æ são autônomas, administrativa e financeiramente, tem
patrimônio próprio e operam em regime da iniciativa particular,
na forma de seus estatutos, ficando vinculadas (não
subordinadas) a determinado órgão da entidade estatal a que
pertencem, que não interfere diretamente na sua
administração.

2.7. Órgãos Públicos

Î São centros de competência instituídos para o desempenho de funções estatais,


através de seus agentes, cuja atuação é imputada à pessoa jurídica a que
pertencem. Cada órgão tem necessariamente funções, cargos e agentes, mas é
distinto desses elementos, que podem ser modificados, substituídos ou retirados
sem supressão da unidade orgânica.

2.8. Agentes Públicos

Î São todas as pessoas físicas incumbidas, definitiva ou transitoriamente, do


exercício de alguma função estatal; normalmente desempenham funções do órgão,
distribuídas entre cargos de que são titulares, mas excepcionalmente podem
exercer funções sem cargo.

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3. A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

3.1. CONCEITOS

PAÍS Î se refere aos aspectos físicos, ao habitat, ao torrão nacional; manifesta a


unidade geográfica, histórica, econômica e cultural das terras ocupadas
pelos brasileiros.

ESTADO Î é uma ordenação que tem por fim específico e essencial a regulamentação
global das relações sociais entre os membros de uma dada população
sobre um dado território; constitui-se de um poder soberano de um povo
situado num território com certas finalidades; a constituição organiza esses
elementos.

TERRITÓRIO Î é o limite espacial dentro do qual o Estado exerce de modo efetivo o


poder de império sobre pessoas e bens.

FORMAS DE ESTADO

Î considera os modos pelos quais se estrutura a sociedade estatal, permitindo


identificar as comunidades políticas em cujo âmbito de validade o exercício do
poder ocorre, de modo centralizado ou descentralizado. Pode ser:

a) Estado UNITÁRIO: quando existir um único centro dotado de capacidade


legislativa, administrativa e política, do qual emanam
todos os comandos normativos e no qual se
concentram todas as competências constitucionais,
ocorre a FORMA UNITÁRIA de ESTADO.

b) Estado FEDERAL: quando as capacidades políticas, legislativas e


administrativas são atribuídas constitucionalmente a
entes regionais, que passam a gozar de autonomias
próprias, surge a FORMA FEDERATIVA. Neste caso,
as autonomias regionais não são fruto de delegação
voluntária de um centro único de poder, mas se originam
na própria Constituição, o que impede a retirada de
competências por ato voluntário de poder central.

• ESTADO FEDERADO não significa necessariamente Estado descentralizado.

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FEDERALISMO: refere-se a uma forma de Estado (federação ou Estado


Federal) caracterizada pela união de coletividades públicas
dotadas de autonomia político-constitucional, autonomia
federativa; a federação consiste na união de coletividades
regionais autônomas (estados federados, estados-membros
ou estado).

UNIÃO Î é a entidade federal formada pela reunião das partes componentes,


constituindo pessoa jurídica de Direito Público interno, autônoma em
relação aos Estados e a que cabe exercer as prerrogativas da
soberania do Estado brasileiro.

• A autonomia federativa assenta-se em dois elementos:

a) na existência de órgãos governamentais próprios;


b) na posse de competências exclusivas.

• O ESTADO FEDERAL apresenta-se como um Estado que, embora parecendo


único nas relações internacionais, é constituído por Estados-membros dotados de
autonomia, notadamente quanto ao exercício de capacidade normativa sobre
matérias reservadas à sua competência.

FORMAS DE GOVERNO

Î define o modo de organização política e de regência do corpo estatal, ou seja,


o modo pelo qual se exerce o poder. Pode ser:

a) REPUBLICA: quando o poder for exercido pelo povo, através de mandatários


eleitos temporariamente, surge a forma republicada,

b) MONARQUIA: quando o poder é exercido por quem o detém naturalmente,


sem representar o povo através de mandato, surge a forma
monárquica de governo.

REGIMES DE GOVERNO

Î refere-se ao modo pelo qual se relacionam os Poderes Executivo e


Legislativo. Pode ser:

a) PARLAMENTARISMO: a função de Chefe de Estado é exercida pelo


Presidente ou pelo Monarca e a de Chefe de
Governo pelo Primeiro Ministro, que chefia o
Gabinete. Parte da atividade do Executivo é
deslocada para o Legislativo.

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b) PRESIDENCIALISMO: o Presidente CONCENTRA as funções de


Chefe de Estado e de Chefe de Governo.

SISTEMA BRASILEIRO:

• forma de estado: ESTADO FEDERAL,

• forma de governo: REPUBLICANO,

• regime de governo: PRESIDENCIALISTA,

• regime político: DEMOCRÁTICO.

GOVERNO Î é o elemento condutor do Estado, aquele que detém e exerce o poder


absoluto de auto-determinação e auto-organização do Povo. No caso do
Brasil, este Governo é baseado no regime Presidencialista, onde o
mandatário maior da nação é o Presidente da República.

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Î É a atividade desenvolvida pelo Estado ou


seus delegados, sob o regime de Direito
Público, destinada a atender de modo direto e
imediato, necessidades concretas da coletividade.
É todo o aparelhamento do Estado para a
prestação dos serviços públicos, para a gestão
dos bens públicos e dos interesses da
comunidade

• “A Administração Pública direta e indireta ou fundacional, de qualquer


dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência ...”

Características da Administração Pública:

• praticar atos tão somente de execução – estes atos são denominados atos
administrativos; quem pratica estes atos são os órgãos e seus agentes, que
são sempre públicos;

• exercer atividade politicamente neutra - sua atividade é vinculada à Lei e


não à Política;

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• ter conduta hierarquizada – dever de obediência - escalona os poderes


administrativos do mais alto escalão até a mais humilde das funções;

• praticar atos com responsabilidade técnica e legal – busca a perfeição


técnica de seus atos, que devem ser tecnicamente perfeitos e segundo os
preceitos legais;

• caráter instrumental – a Administração Pública é um instrumento para o


Estado conseguir seus objetivos. A Administração serve ao Estado.

• competência limitada – o poder de decisão e de comando de cada área da


Administração Pública é delimitada pela área de atuação de cada órgão.

3.2. PODERES E DEVERES DO ADMINISTRADOR PÚBLICO

DEVERES

Î São os expressos em lei, os impostos pela moral administrativa e os exigidos pelo


interesse da coletividade. O poder administrativo é atribuído à autoridade para
remover interesses particulares que se opões ao interesse público.

PODER-DEVER DE AGIR Î O poder tem para o agente público o significado de


dever para com a comunidade e para com os indivíduos,
no sentido de quem o detém está sempre na obrigação
de exercitá-lo; esse poder é insuscetível de renúncia
pelo seu titular. Se para o particular o poder de agir é
uma faculdade, para o administrador público é uma
obrigação de atuar, desde que se apresente o ensejo de
exercitá-lo em benefício da comunidade.

DEVER DE EFICIÊNCIA Î é o que se impõe a todo agente público de realizar com


suas atribuições com presteza, perfeição e rendimento
funcional.

DEVER DE PROIBIDADE Î está constitucionalmente integrado na conduta do


administrador público como elemento necessário à
legitimidade de seus atos; assim, o ato administrativo
praticado com lesão aos bens e interesses públicos
também fica sujeito a invalidação pela própria
Administração ou pelo Poder Judiciário, por vício de
improbidade, que é uma ilegitimidade como as demais
que nulificam a conduta do administrador público.

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DEVER DE PRESTAR CONTAS Î é decorrência natural da administração como


encargo de gestão de bens e interesses alheios;
no caso do administrador público, a gestão se
refere aos bens e interesses da coletividade e
assume o caráter de múnus público, isto é, de
um encargo para com a comunidade. Daí o dever
indeclinável de todo administrador público de
prestar contas de sua gestão administrativa.

3.3. USO E ABUSO DE PODER

Î O poder da autoridade pública tem limites e forma legal de utilização, não podendo
ser desvirtuado para o arbítrio e o favoritismo, numa afronta aos princípios
constitucionais que regem a Administração Pública. “O poder deve ser usado
sem abuso, segundo as normas legais, de acordo com a moralidade e as
exigências do interesse público”.

Î O uso do poder é lícito; o abuso, sempre ilícito. Daí porque todo ato abusivo é nulo,
por excesso ou desvio do poder. São formas de abuso de poder: o excesso de
poder, o desvio de finalidade e a omissão.

a) Excesso de poder Î Ocorre quando a autoridade, embora competente para praticar


o ato, vai além do permitido e exorbita de suas faculdades
administrativas. Fica configurado o crime de abuso de
autoridade, previsto na Lei 4.898/65.

b) Desvio de finalidade Î Verifica-se quando a autoridade, embora atuando nos


limites de sua competência, pratica o ato por motivos ou
fins diversos dos objetivados pela lei ou exigidos pelo
interesse público. Ex: quando uma autoridade decreta
uma desapropriação alegando utilidade pública mas
visando, na realidade, a satisfazer interesse pessoal ou
favorecer algum particular.

c) Omissão da Administração Î A inércia da Administração, retardando ato ou fato


que deve praticar, caracteriza, também, abuso de
poder, que enseja correção judicial e indenização
ao prejudicado.

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Responsabilidade por atos de abuso de poder – São mecanismos judiciais e


extrajudiciais para combater o abuso de poder:

Î o mandado de segurança, utilizado para corrigir atos ilegais ou praticados com


abuso de poder por autoridade pública, na forma do art. 1º da Lei 1.533/51;

Î o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa direitos ou contra ilegalidade


ou abuso de poder (CF, art. 5º, XXXIV, a); e

Î a punição nos termos da Lei 4.898/65, que regula o direito de representação e o


processo de responsabilidade administrativa, civil e penal, nos casos de abuso de
autoridade

3.4. ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA BRASILEIRA

3.4.1. PRINCÍPIOS, ESPÉCIES, FORMAS E CARACTERÍSTICAS

Î Em sentido lato, administrar é gerir interesses, segundo a lei, a moral e a finalidade


dos bens entregues à guarda e conservação alheias.

- Se os bens e interesses geridos são individuais, realiza-se administração particular;


- Se são da coletividade, realiza-se administração pública.

Î ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, portanto, é a gestão de bens e interesses


qualificados da comunidade no âmbito federal, estadual ou municipal, segundo os
preceitos do Direito e da moral, visando ao bem comum.

Î Subjetivamente a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA é o conjunto de órgãos a serviços


do Estado e

Î Objetivamente a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA é a expressão do Estado agindo in


concreto para satisfação de seus fins de conservação, de bem-estar individual dos
cidadãos e de progresso social.

Î A natureza da ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA é a de um múnus público para quem


a exerce, isto é, a de um encargo de defesa, conservação e aprimoramento dos
bens, serviços e interesses da coletividade. Como tal, impõe-se ao administrador
público a obrigação de cumprir fielmente os preceitos do Direito e da moral
administrativa que regem a sua atuação. Ao ser investido em função ou cargo
público, todo agente do poder assume para com a coletividade o compromisso de
bem servi-la, porque outro não é o desejo do povo, como legitimo destinatário dos
bens, serviços e interesses administrados pelo Estado.

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Î Os fins da ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA resumem-se num único objetivo: o bem


comum da coletividade administrada. Toda atividade do administrador público deve
ser orientada para esse objetivo. Se dele o administrador se afasta ou desvia, trai o
mandato de que está investido, porque a comunidade não institui a administração
sendo como meio de atingir o bem-estar social. Ilícito e imoral será todo ato
administrativo que não for praticado no interesse da coletividade.

Î Antigamente havia uma preocupação doutrinária no sentido de se orientar os


administradores públicos para terem um comportamento especial frente à
Administração Pública.

Î Esse comportamento especial, regido por princípios básicos administrativos, no


Brasil foi aparecendo nas leis infraconstitucionais. Posteriormente, em 1988, os
constituintes escreveram no art. 37 da CF um capítulo sobre a Administração
Pública, cujos PRINCÍPIOS são elencados a seguir:

L I M P E
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ( L )Î segundo ele, todos os atos da Administração
têm que estar em conformidade com os
princípios legais.

Î Este princípio observa não só as leis, mas também os regulamentos que contém as
normas administrativas contidas em grande parte do texto Constitucional. Quando
a Administração Pública se afasta destes comandos, pratica atos ilegais,
produzindo, por conseqüência, atos nulos e respondendo por sanções por ela
impostas (Poder Disciplinar). Os servidores, ao praticarem estes atos, podem até
ser demitidos.

• Um administrador de empresa particular pratica tudo aquilo que a lei não


proíbe. Já o administrador público, por ser obrigado ao estrito cumprimento
da lei e dos regulamentos, só pode praticar o que a lei permite. É a lei que
distribui competências aos administradores.

PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE ( I )Î no art. 37 da CF o legislador fala também


da impessoalidade. No campo do Direito
Administrativo esta palavra foi uma
novidade. O legislador não colocou a
palavra finalidade.

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Surgiram duas correntes para definir “impessoalidade”:

Impessoalidade relativa aos administrados: segundo esta corrente, a


Administração só pode praticar atos impessoais se tais atos vão propiciar o bem comum
(a coletividade). A explicação para a impessoalidade pode ser buscada no próprio texto
Constitucional através de uma interpretação sistemática da mesma. Por exemplo, de
acordo com o art. 100 da CF, “à exceção dos créditos de natureza alimentícia, os
pagamentos devidos pela Fazenda .....far-se-ão na ordem cronológica de apresentação
dos precatórios ..” . Não se pode pagar fora desta ordem, pois, do contrário, a
Administração Pública estaria praticando ato de impessoalidade;

Impessoalidade relativa à Administração : segundo esta corrente, os atos


impessoais se originam da Administração, não importando quem os tenha praticado.
Esse princípio deve ser entendido para excluir a promoção pessoal de autoridade
ou serviços públicos sobre suas relações administrativas no exercício de fato, pois,
de acordo com os que defendem esta corrente, os atos são dos órgãos e não dos
agentes públicos;

PRINCÍPIO DA MORALIDADE ( M ) Î este princípio está diretamente relacionado


com os próprios atos dos cidadãos comuns
em seu convívio com a comunidade, ligando-se à
moral e à ética administrativa, estando esta
última sempre presente na vida do administrador
público, sendo mais rigorosa que a ética comum.

Î Por exemplo, comete ATO IMORAL o Prefeito Municipal que empregar a sua
verba de representação em negócios alheios à sua condição de
Administrador Público, pois, É SABIDO QUE O ADMINISTRADOR PÚBLICO
TEM QUE SER HONESTO, TEM QUE TER PROBIDADE E, QUE TODO ATO
ADMINISTRATIVO, ALÉM DE SER LEGAL, TEM QUE SER MORAL, sob pena
de sua nulidade.

Î Nos casos de IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA, os governantes podem ter


suspensos os seus direitos políticos, além da perda do cargo para a
Administração, seguindo-se o ressarcimento dos bens e a nulidade do ato
ilicitamente praticado. Há um sistema de fiscalização ou mecanismo de controle
de todos os atos administrativos praticados. Por exemplo, o Congresso Nacional
exerce esse controle através de uma fiscalização contábil externa ou interna sobre
toda a Administração Pública.

PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE ( P )Î é a divulgação oficial do ato da Administração


para a ciência do público em geral, com efeito
de iniciar a sua atuação externa, ou seja, de gerar
efeitos jurídicos. Esses efeitos jurídicos podem
ser de direitos e de obrigações.

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Resumão: Direito Administrativo – por Alexandre José Granzotto

Î Por exemplo, o Prefeito Municipal, com o objetivo de preencher determinada


vaga existente na sua Administração, NOMEIA ALGUÉM para o cargo de
Procurador Municipal. No entanto, para que esse ato de nomeação tenha
validade, ELE DEVE SER PUBLICADO. E após a sua publicação, o nomeado
terá 30 dias para tomar posse. Esse princípio da publicidade é uma generalidade.
Todos os atos da Administração têm que ser públicos.

A PUBLICIDADE DOS ATOS ADMINISTRATIVOS sofre as seguintes exceções:

nos casos de segurança nacional: seja ela de origem militar, econômica, cultural etc..
Nestas situações, os atos não são tornados
públicos. Por exemplo, os órgãos de espionagem
não fazem publicidade de seus atos;

nos casos de investigação policial: onde o Inquérito Policial é extremamente sigiloso


(só a ação penal que é pública);

nos casos dos atos internos da Adm.Pública: nestes, por não haver interesse da
coletividade, não há razão para
serem públicos.

Î Por outro lado, embora os processos administrativos devam ser públicos, a


publicidade se restringe somente aos seus atos intermediários, ou seja, a
determinadas fases processuais.

Î Por outro lado, a Publicidade, ao mesmo tempo que inicia os atos, também
possibilita àqueles que deles tomam conhecimento, de utilizarem os
REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS contra eles. Assim, com base em diversos
incisos do art. 5° da CF, o interessado poderá se utilizar:

• do Direito de Petição;
• do Mandado de Segurança (remédio heróico contra atos ilegais
envoltos de abuso de poder);
• da Ação Popular;
• Habeas Data;
• Habeas Corpus.

Î A publicidade dos atos administrativos é feita tanto na esfera federal (através do


Diário Oficial Federal) como na estadual (através do Diário Oficial Estadual) ou
municipal (através do Diário Oficial do Município). Nos Municípios, se não houver o
Diário Oficial Municipal, a publicidade poderá ser feita através dos jornais de
grande circulação ou afixada em locais conhecidos e determinados pela
Administração.

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Î Por último, a Publicidade deve ter objetivo educativo, informativo e de


interesse social, NÃO PODENDO SER UTILIZADOS SÍMBOLOS, IMAGENS
ETC. que caracterizem a promoção pessoal do Agente Administrativo.

PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA ( E )Î Exige resultados positivos para o serviço público e


satisfatório atendimento das necessidades dos
administrados (público). Trata-se de princípio
meramente retórico. É possível, no entanto,
invocá-lo para limitar a discricionariedade do
Administrador, levando-o a escolher a melhor
opção.

• Eficiência é a obtenção do melhor resultado com o uso racional dos


meios. Atualmente, na Administração Pública, a tendência é prevalência
do controle de resultados sobre o controle de meios.

Outros princípios da Administração Pública Æ

PRINCÍPIO DA FINALIDADE
É relacionado com a impessoalidade relativa à Administração, este princípio orienta que
as normas administrativas tem que ter SEMPRE como OBJETIVO o INTERESSE
PÚBLICO.

Î Assim, se o agente público pratica atos em conformidade com a lei, encontra-


se, indiretamente, com a finalidade, que está embutida na própria norma. Por
exemplo, em relação à finalidade, uma reunião, um comício ou uma passeata de
interesse coletivo, autorizadas pela Administração Pública, poderão ser dissolvidas,
se se tornarem violentas, a ponto de causarem problemas à coletividade (desvio
da finalidade).
Î
• Nesse caso, quem dissolve a passeata, pratica um ato de interesse público da
mesma forma que aquele que a autoriza. O desvio da finalidade pública também
pode ser encontrado nos casos de desapropriação de imóveis pelo Poder Público, com
finalidade pública, através de indenizações ilícitas;

SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO


Os interesses públicos têm supremacia sobre os interesses individuais; é a essência do regime
jurídico administrativo.

PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE
Os atos da Administração presumem-se legítimos, até prova em contrário (presunção
relativa ou juris tantum – ou seja, pode ser destruída por prova contrária.)

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FINALIDADE
Toda atuação do administrador se destina a atender o interesse público e garantir a
observância das finalidades institucionais por parte das entidades da Administração
Indireta. A finalidade pública objetivada pela lei é a única que deve ser perseguida pelo
administrador.
A Lei, ao atribuir competência ao Administrador, tem uma finalidade pública específica. O
administrador, praticando o ato fora dos fins, expressa ou implicitamente contidos na
norma, pratica DESVIO DE FINALIDADE.

AUTOTUTELA
A Administração tem o dever de zelar pela legalidade e eficiência dos seus próprios atos.
É por isso que se reconhece à Administração o poder e dever de anular ou declarar a
nulidade dos seus próprios atos praticados com infração à Lei.
• A Administração não precisa ser provocada ou recorrer ao Judiciário para
reconhecer a nulidade dos seus próprios atos;
• A Administração pode revogar os atos administrativos que não mais atendam às
finalidades públicas – sejam inoportunos, sejam inconvenientes – embora legais.
• Em suma, a autotutela se justifica para garantir à Administração: a defesa da
legalidade e eficiência dos seus atos; nada mais é que um autocontrole;

CONTINUIDADE DOS SERVIÇOS PÚBLICOS


O serviço público destina-se a atender necessidades sociais. É com fundamento nesse
princípio que nos contratos administrativos não se permite que seja invocada, pelo
particular, a exceção do contrato não cumprido.
• Nos contratos civis bilaterais pode-se invocar a exceção do contrato não cumprido
para se eximir da obrigação.
• Hoje, a legislação já permite que o particular invoque a exceção de contrato não
cumprido – Lei 8666/93 – Contratos e Licitações, apenas no caso de atraso superior a
90 dias dos pagamentos devidos pela Administração.
• A exceção do contrato não cumprido é deixar de cumprir a obrigação em virtude da
outra parte não ter cumprido a obrigação correlata.

RAZOABILIDADE
Os poderes concedidos à Administração devem ser exercidos na medida necessária ao
atendimento do interesse coletivo, sem exageros.

Î O Direito Administrativo consagra a supremacia do interesse público sobre o


particular, mas essa supremacia só é legítima na medida em que os interesses
públicos são atendidos.

Î Exige proporcionalidade entre os meios de que se utilize a Administração e os fins que ela
tem que alcançar. Agir com lógica, razão, ponderação. Atos discricionários.

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Princípios Gerais Características


Î na atividade particular tudo o que não está proibido é
permitido; na Administração Pública tudo o que não está
Legalidade permitido é proibido. O administrador está rigidamente preso à
lei e sua atuação deve ser confrontada com a lei.

Î o administrador deve orientar-se por critérios objetivos, não


Impessoalidade fazer distinções com base em critérios pessoais. Toda atividade da
Adm. Pública deve ser praticada tendo em vista a finalidade pública.

Î o dever do administrador não é apenas cumprir a lei


Moralidade formalmente, mas cumprir substancialmente, procurando sempre
o melhor resultado para a administração.

Î Requisito da eficácia e moralidade, pois é através da


Publicidade divulgação oficial dos atos da Administração Pública que ficam
assegurados o seu cumprimento, observância e controle.

Î é a obtenção do melhor resultado com o uso racional dos


Eficiência meios. Atualmente, na Adm. Pública, a tendência é prevalência
do controle de resultados sobre o controle de meios.

Î O interesse público têm SUPREMACIA sobre o interesse


Supremacia do
individual; Mas essa supremacia só é legítima na medida em
Interesse Público que os interesses públicos são atendidos.

Î Os atos da Administração presumem-se legítimos, até prova


Presunção de
em contrário (presunção relativa ou juris tantum – ou seja, pode
Legitimidade ser destruída por prova contrária.)

Î Toda atuação do administrador se destina a atender o


Finalidade interesse público e garantir a observância das finalidades
institucionais por parte das entidades da Administração Indireta.

Î a autotutela se justifica para garantir à Administração: a defesa


Auto-Tutela da legalidade e eficiência dos seus atos; nada mais é que um
autocontrole SOBRE SEUS ATOS.

Î O serviço público destina-se a atender necessidades sociais. É


Continuidade do com fundamento nesse princípio que nos contratos administrativos
Serviço Público não se permite que seja invocada, pelo particular, a exceção do
contrato não cumprido. Os serviços não podem parar !

Î Os poderes concedidos à Administração devem ser exercidos


Razoabilidade na medida necessária ao atendimento do interesse coletivo,
SEM EXAGEROS.

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3.4.2. ÓRGÃOS

Î São centros de competência instituídos para o desempenho de funções estatais através de


seus agentes, cuja atuação é imputada à pessoa jurídica a que pertencem.

• Função = é o encargo atribuído ao órgão. É a atividade exercida pelo órgão.

• Agentes = são as pessoas que exercem as funções, e os quais estão


vinculados a um órgão;

• Cargos = são os lugares criados por lei. São reservados aos agentes.

espécies, formas e características

Características dos Órgãos

• não tem personalidade jurídica;


• expressa a vontade da entidade a que pertence (União, Estado, Município);
• é meio instrumento de ação destas pessoas jurídicas;
• é dotado de competência, que é distribuída por seus cargos;

Classificação dos Órgãos:

1. QUANTO À POSIÇÃO ESTATAL Î

Órgãos Independentes: se originam da previsão constitucional. São os


representativos dos 3 Poderes (Executivo, Legislativo
e Judiciário).

Æ Não tem qualquer subordinação hierárquica;


Æ Suas funções são políticas, judiciais e legislativas;
Æ Seus agentes são denominados Agentes Políticos;
Exs.: Congresso Nacional, Câmara de Deputados, Senado

Órgãos Autônomos: são os localizados na cúpula da Administração,


imediatamente abaixo dos órgãos independentes e
diretamente subordinados a seus chefes;

Æ tem ampla autonomia administrativa, financeira e técnica;


Æ são órgãos diretivos, de planejamento, coordenação e controle;
Æ seus agentes são denominados Agentes Políticos nomeados em
comissão; não são funcionários públicos;
Exs.: Ministérios, Secretaria de Planejamento, etc.

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Órgãos Superiores: são os que detêm poder de direção, controle, decisão


e comando, subordinando-se a um órgão mais alto.

Æ não gozam de autonomia administrativa nem financeira;


Æ liberdade restringida ao planejamento e soluções técnicas, dentro de sua
esfera de competência;
Æ responsabilidade pela execução e não pela decisão política;
Exs.: Gabinetes, Coordenadorias, Secretarias Gerais, etc.

Órgãos Subalternos: são os órgãos subordinados hierarquicamente a


outro órgão superior; realizam tarefas de rotina
administrativa;

Æ reduzido poder de decisão;


Æ é predominantemente órgão de execução;
Exs.: Repartições, Portarias, Seções de Expediente.

2. QUANTO À ESTRUTURA Î

Órgãos Simples: UM SÓ centro de competência. Exs.: Portaria, Posto Fiscal,


Agência da SRF.

Órgãos Compostos: VÁRIOS centros de competência (outros órgãos


menores na estrutura). A atividade é desconcentrada,
do órgão central para os demais órgãos subalternos.
Exs.: Delegacia da Receita Federal, Inspetoria Fiscal.

3. QUANTO À ATUAÇÃO FUNCIONAL Î

Singular: são os que decidem através de um único agente. Exs.: os


Ministérios, as Coordenadorias, as Seccionais.

Colegiado: decidem por manifestação conjunta da maioria de seus


membros. Exs.: Tribunais, Legislativo, Conselho de Contribuintes.

3.4.3. AGENTES

Î São todas as pessoas físicas incumbidas de exercer alguma função estatal,


definitiva ou transitoriamente. Os AGENTES desempenham as funções dos
órgãos a que estão vinculados.

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• os cargos e as funções são independentes dos agentes;

• Cargo é o lugar, criado por lei, ao qual corresponde uma função e é provido por
um agente. O cargo, sendo lugar, é lotado no órgão.

• Lotação é o número de cargos de um órgão.

• Os agentes públicos podem ser: políticos, administrativos, honoríficos e


delegados.

Agentes Políticos: exercem atribuições constitucionais. Ocupam os


cargos dos órgãos independentes (que representam os
poderes do Estado) e dos órgãos autônomos (que são
os auxiliares imediatos dos órgãos independentes).
Exs.: Presidente da República, Senadores,
Governadores, Deputados, Prefeitos, Juízes, Ministros,
etc.

• exercem funções e mandatos temporários;

• não são funcionários nem servidores públicos Æ exceto para


fins penais, caso cometam crimes contra a Administração Pública;

Agentes Administrativos: são os agentes públicos que se vinculam à


Administração Pública Direta ou às Autarquias
por relações profissionais.

• sujeitam-se à hierarquia funcional;

• são funcionários públicos com regime jurídico único


(estatutários);

• respondem por simples culpa ou dolo pelos atos ilícitos civis, penais
ou administrativos que praticarem;

• funcionários de para-estatais: não são agentes administrativos,


todavia seus dirigentes são considerados funcionários públicos;

• funcionários das Fundações Públicas: são agentes


administrativos;

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Agentes Honoríficos: são os agentes convocados ou nomeados para


prestarem serviços de natureza transitória, sem vínculo
empregatício, e em geral, sem remuneração.
Constituem os munus publicos (serviços relevantes).
Exs.: jurados, comissários de menores, mesários
eleitorais

• enquanto exercerem a função Æ submetem-se à hierarquia e são


considerados funcionários públicos para fins penais.

Agentes Delegados: são os particulares que exercem funções delegadas


da Administração Pública, e que são os serviços
concedidos, permitidos e autorizados. Exs.: os
serventuários de Cartório, os leiloeiros oficiais, os
tradutores,, etc.

• respondem criminalmente como funcionários públicos pelos


crimes que cometerem no exercício de sua função;
• a Administração Pública responde pelos danos causados a 3ºs.
por este agente, voltando-se, depois, contra o agente público
delegado;

3.5. CENTRALIZAÇÃO E DESCENTRALIZAÇÃO DA ATIVIDADE ADMINISTRATIVA


DO ESTADO

Formas de Prestação do Serviço Público Æ

CENTRALIZAÇÃO: é a prestação de serviços diretamente pela pessoa política


prevista constitucionalmente, sem delegação a outras
pessoas. Diz-se que a atividade do Estado é centralizada
quando ele atua diretamente, por meio de seus órgãos.

Obs.: Órgãos são simples repartições interiores da pessoa do Estado, e, por isso, dele
não se distinguem. São meros feixes de atribuições - não têm responsabilidade
jurídica própria – toda a sua atuação é imputada às pessoas a que pertencem.
São divisões da Pessoa Jurídica.

• Se os serviços estão sendo prestados pelas Pessoas Políticas


constitucionalmente competentes, estará havendo centralização.

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DESCENTRALIZAÇÃO: é a transferência de execução do serviço ou da titularidade


do serviço para outra pessoa, quer seja de direito público
ou de direito privado.
• São entidades descentralizadas de direito público: Autarquias e Fundações
Públicas.

• São entidades descentralizadas de direito privado: Empresas Públicas,


Sociedades de Economia Mista.

• Pode, inclusive, a execução do serviço ser transferida para entidades que não
estejam integradas à Administração Pública, como: Concessionárias de
Serviços Públicos e Permissionárias.

• A descentralização, mesmo que seja para entidades particulares, não retira


o caráter público do serviço, apenas transfere a execução.

• Outorga - quando o Estado cria uma entidade e a ela transfere, por lei,
determinado serviço público ou de utilidade pública; só pode ser retirado
ou modificado por lei;

• Delegação - quando o Estado transfere ao particular, por contrato


(concessão) ou ato administrativo (permissão ou autorização), a
execução do serviço; pode ser revogada, modificada ou anulada por
mero ato administrativo.

OUTORGA DELEGAÇÃO

• O Estado cria a entidade • o particular cria a entidade


• O serviço é transferido por lei • o serviço é transferido por lei,
contrato (concessão) ou por
ato unilateral (permissão)
• Transfere-se a titularidade • transfere-se a execução
• Presunção de definitividade • transitoriedade

3.6. CONCENTRAÇÃO E DESCONCENTRAÇÃO

SERVIÇO DESCONCENTRADO Æ é todo aquele que a Administração executa


centralizadamente, mas o distribui entre vários
órgãos da mesma entidade, para facilitar sua
realização e obtenção pelos usuários.
• é uma técnica administrativa de simplificação e aceleração do serviço
dentro da mesma entidade,
• diversamente da descentralização, que é uma técnica de especialização,
consistente na retirada do serviço dentro de uma entidade e transferência
a outra para que o execute com mais perfeição e autonomia.

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O emérito Professor Temístocles Brandão Cavalcanti, em seu “Tratado de Direito


Administrativo”, escreve:

A complexidade das funções do Estado, quer quanto à soma de atividades que


exerce, quer quanto à sua variedade, trouxe como conseqüência imediata a sobre
carga de seus serviços, pela incapacidade de adaptar a sua máquina administrativa à
multiplicidade de serviços a seu cargo

Î Movido por tais motivações o Estado acaba por transferir seguidamente, a outras
pessoas jurídicas a execução de muitos serviços públicos objetivando basicamente a
celeridade e eficiência destes. Estas pessoas jurídicas que irão titularizar interesses
coletivos das mais variadas ordens, podem regular-se por princípios de Direito privado ou
público, podendo ou não ter prerrogativas especiais. Tudo isto a depender da
necessidade pública do serviço que irão desempenhar.

Meios de Prestação do Serviço Público Æ

Vejamos as modalidades de sua execução:

Execução Direta: é a realizada por pessoa jurídica de Direito Público (União, Estado,
Município, Distrito Federal), isto é, através de órgão integrantes de
sua própria estrutura, marcado pela linha de subordinação dos
inferiores com os mais graduados ou, descentralizadamente, através
de suas autarquias (pessoas jurídicas de Direito Público, arrolados
pelo Decreto Lei 200/67 na Administração Indireta); é a forma de
execução adotada para as atividades essenciais (serviços Públicos
em sentido estrito) do Estado. No caso de execução por autarquias,
temos aquilo que denominamos tecnicamente de execução direta
descentralizada.

Execução Indireta: é a realizada por pessoas jurídicas de Direito Privado,


chamadas paraestatais: empresas públicas, sociedade de
economia mista, fundações criadas pela Administração,
organizadas pelo Estado ou por ele reconhecida para
prestações de atividades não essenciais (serviços de utilidade
pública).

Serviços delegados: através da concessão, permissão, serviços autorizados,


prestação reconhecida (associações profissionais, associações
de moradores do bairro, etc.), convênios administrativos e
consórcios administrativos.

• Direta: Centralizada: U, E, M. DF

Descentralizadamente: autarquias
Empresas Públicas
Sociedade de Economia Mista

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Entidade Paraestatal Fundações


Serviços Sociais Autônomos
• Indireta:
Concessionárias
Permissionárias
Autorização
Outras Formas

Esquematizado estas formas de prestação de serviços públicos, temos:

• A prestação do serviço público pode ser centralizado, descentralizado ou


desconcentrado, como deduzimos das lições anteriores.

• A prestação de serviços centralizada é a realizada pelo próprio Poder Público,


através de suas repartições, em seu nome e sob sua responsabilidade.

• O Serviço descentralizado é o transferido para autarquias e paraestatais. A


transferência pode ocorrer por delegação ou outorga. A primeira é feita por ato
administrativo, portanto revogável a qualquer instante. A outra, outorga, é
realizada por lei, o que lhe confere características de definitividade.

• O Serviço desconcentrado é o serviço centralizado, mas distribuído entre vários


órgãos da mesma entidade para facilitar a realização e obtenção por parte dos
usuários.

3.7. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA

Entidade Estatal Î

PJ de Direito Público, que integra a estrutura constitucional do Estado, e tem poder


político e administrativo.

• tem autonomia política, financeira e administrativa;


• fazem parte da Administração Direta;
• APENAS a UNIÃO tem soberania;

Exs.: União, Estados, Distrito Federal e Municípios.

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3.7.1. Autarquias Æ

PJ de Direito Público; é um serviço autônomo criado para auxiliar a Administração


Pública a executar atividades típicas da Administração

• CRIADA por Lei Específica;


• orçamento, patrimônio e receita próprios (desvinculados da matriz);
• gestão administrativa e financeira DESCENTRALIZADA;
• não tem subordinação hierárquica com a entidade que as criou;
• fazem parte da Administração Indireta;
• submetem-se à supervisão do Ministério competente - controle finalístico;
• executa serviços próprios do Estado;
• administra a si mesma;
• funcionários Æ são estatutários (em regra), mas podem ser admitidos pela
CLT (excepcionalmente); proibidos de acumular cargos remunerados na
Adm. Pública; obedecem às normas do concurso público;
• os contratos são realizados através de LICITAÇÃO;
• privilégios Æ imunidade de impostos, prescrição qüinqüenal de suas dívidas,
impenhorabilidade de seus bens, prazo em dobro para recorrer e em quadruplo
para contestar;
Exs.: Banco Central, DER, IAPAS, SEMAE, Imprensa Oficial do Estado, etc.

3.7.2. Fundações Públicas Æ

PJ de Direito Público; é a personalização jurídica de um patrimônio, instituídas e


mantidas pelo Poder Público para executar atividades, obras ou serviços sociais, ou seja,
atividades atípicas da Administração Pública.

• criada por Lei Autorizativa;


• orçamento, patrimônio e receita próprios (desvinculados da matriz);
• gestão administrativa e financeira descentralizada;
• não tem subordinação hierárquica com a entidade que as criou;
• fazem parte da Administração Indireta;
• submetem-se à supervisão do Ministério ou Secretaria competente - controle
finalístico;
• executa serviços sem fins lucrativos;
• administra a si mesma;
• funcionários Î são estatutários (em regra), mas podem ser admitidos pela
CLT (excepcionalmente); proibidos de acumular cargos remunerados na
Adm. Pública, obedecem às normas do concurso público;
• os contratos são realizados através de LICITAÇÃO;
• privilégios Æ imunidade de impostos, prescrição qüinqüenal de suas dívidas,
impenhorabilidade de seus bens, prazo em dobro para recorrer e em quadruplo
para contestar;
Exs.: FEBEM, UNB, USP

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3.7.3. Empresa Pública Æ

PJ de Direito Privado, destinadas à prestação de serviços industriais ou atividades


econômicas em que o Estado tenha interesse próprio ou considere convenientes à
coletividade. Exs.: Correios, CEF

• autonomia administrativa e financeira - o patrimônio próprio pode ser


utilizado, onerado ou alienado na forma regulamentar ou estatutária;
• capital exclusivo do poder público;
• criadas por Lei Autorizativa;
• vale-se dos meios da iniciativa privada para atingir seus fins de interesse
público;
• ficam vinculadas e não subordinadas aos respectivos Ministérios; são
supervisionadas e controladas finalisticamente pelos Ministérios;
• Contratos – realizados através de LICITAÇÃO
• Funcionários Î são sempre CELETISTAS (nunca estatutários) e são
considerados funcionários públicos; é proibida a acumulação de cargos
PÚBLICOS remunerados (exceção: 2 cargos de professor, 2 cargos na área da
saúde ou 1 cargo de professor outro de técnico);
• Não tem privilégios administrativos ou processuais;
• Pagam tributos;

3.7.4. Entidades Para-Estatais Æ

PJ de Direito privado, cuja criação é feita através de Lei Autorizativa, para a


realização de obras, serviços ou atividades econômicas de interesse coletivo.
Fazem parte da Administração Indireta. São empresas para-estatais: Empresas
Públicas, Sociedades de Economia Mista e Serviços Sociais Autônomos.

3.7.5. Sociedade de Economia Mista Æ

PJ de Direito Privado, autorizada para a exploração de atividade econômica, sob a


forma de S/A (sempre), cujas ações com direito a voto pertençam, EM SUA
MAIORIA (50% + 1) ao poder público. Exs.: Banco do Brasil.

• autonomia administrativa e financeira - o patrimônio próprio pode ser


utilizado, onerado ou alienado na forma regulamentar ou estatutária;
• capital (50% + 1) pertencente ao poder público;
• criadas por Lei Autorizativa;
• destinadas a atividades de utilidade pública, mas de natureza técnica,
industrial ou econômica em que o Estado tenha interesse próprio na sua
execução, mas resulta inconveniente ou inoportuno ele próprio realizar;

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• ficam vinculadas e não subordinadas aos respectivos Ministérios; são


supervisionadas e controladas finalisticamente pelos Ministérios;
• Contratos – realizados através de LICITAÇÃO
• Funcionários - são sempre CELETISTAS (nunca estatutários) e são
considerados funcionários públicos; é proibida a acumulação de cargos
remunerados. Não tem privilégios administrativos ou processuais;
• Pagam tributos;

3.7.6. Serviços Sociais Autônomos Æ

PJ de Direito Privado, criadas para prestar serviços de interesse social ou de utilidade


pública, geridos conforme seus estatutos, aprovados por Decreto e podendo arrecadar
contribuições parafiscais. Exs.: SESC, SENAI, SENAC, SESI, etc.

• não estão sujeitas à supervisão ministerial, mas se sujeitam a uma vinculação


ao ministério competente;

• utilizam-se de verbas públicas; devem prestar contas conforme a lei


competente;

3.7.7. Organizações Sociais (ONG´s) Æ

PJ de Direito Privado, sem fins lucrativos, instituídas por iniciativa de particulares, para
desempenhar serviços sociais não exclusivos do Estado, com incentivo e fiscalização do
Poder Público, mediante vínculo jurídico instituído por meio de contrato de gestão.

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Tabela simplificada

PJ Direito Administração
ENTIDADE Função & Características Funcionários Exemplos
Criação p/ Gestão
- Integra a estrutura constitucional do
Estado, com Poder Político e PJ D Público Adm. Direta União,
ENTIDADE Administrativo;
Estatutários Estados, DF
ESTATAL - tem autonomia política, financeira e e
administrativa; Constituição Centralizada
Municípios
- apenas a UNIÃO tem SOBERANIA;
- atividades típicas da Administração; Banco
- imunidade de impostos; Central,
- sem subordinação hierárquica; PJ D Público Adm. Indireta Estatutários DER, INSS,
- orçamento, patrimônio e receitas
AUTARQUIA próprios;
Imprensa
- submetem-se à supervisão do Lei Específica Descentralizada (podem ser CLT) Oficial do
Ministério competente – controle Estado,
finalístico; SEMAE, etc
- atividades atípicas da Administração
- executa serviços sem fins lucrativos;
- sem subordinação hierárquica;
PJ D Público Adm. Indireta Estatutários
FUNDAÇÕES - imunidade de impostos; FEBEM,
- orçamento, patrimônio e receitas
PÚBLICAS próprios; USP, UNB
Autorização Descentralizada (podem ser CLT)
- submetem-se à supervisão do
Ministério competente – controle
finalístico;
- prestação de serviços industriais ou
atividades econômicas de interesse
do Estado, ou consideradas como Sempre CLT
convenientes à coletividade; PJ D Privado Adm. Indireta
EMPRESA
- vinculadas e não subordinadas aos
Correios
PÚBLICA respectivos Ministérios; Nunca CEF
Autorização Descentralizada
- sem privilégios administrativos ou estatutários
processuais;
- pagam tributos
- exploração de atividade econômica
na forma de S/A (sempre);
- destinadas a atividades de utilidade Sempre CLT
SOCIEDADE pública, mas de natureza técnica, PJ D Privado Adm. Indireta
Banco do
ECONOMIA industrial ou econômica;
- Capital Estatal (50%+ 1 das ações) Nunca Brasil
MISTA Autorização Descentralizada
- vinculadas e não subordinadas aos estatutários
respectivos Ministérios;
- pagam tributos
- criadas para prestar serviços de
interesse social ou de utilidade
pública; Sempre CLT SESC,
SERVIÇOS - vinculadas e não subordinadas aos PJ D Privado Adm. Indireta SENAI,
SOCIAIS respectivos Ministérios; Descentralizada SESI,
AUTÔNOMOS - geridos conforme seus estatutos;
Nunca SENAC,
Autorização
- podem arrecadar contribuições estatutários SEST
parafiscais (através do INSS);
- utilizam-se de verbas públicas;

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3.8. CONTRATOS DE GESTÃO

Objetivos Î alcançar melhores resultados na Administração Pública, para conferir


maior autonomia aos entes administrativos ou estabelecer parcerias
com entidades privadas sem fins lucrativos.

Emenda Constitucional nº 19/98 Î o contrato de gestão passou para a alçada


constitucional com previsão no art. 37, § 8º:

“a autonomia gerencial, orçamentária e financeira da administração direta e indireta poderá


ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder
público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou
entidade, cabendo à lei dispor sobre:
I – o prazo de duração do contrato;
II – os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e
responsabilidade dos dirigentes;
III – a remuneração do pessoal”.

Existem três situações distintas em que se aplicam os CONTRATOS DE GESTÃO:


a) contrato entre o Poder Público e entidades da Administração Indireta;
b) “contrato” entre órgãos;
c) contrato entre o Poder Público e “organizações sociais”.

Contrato de Gestão entre o Poder Público e Entidades da Administração Indireta.


Î As entidades da Administração Indireta poderão celebrar contrato de gestão com
o Estado. Neste contrato de gestão, devem ser estabelecidas metas a serem
cumpridas pelo ente administrativo e, em contrapartida, este receberá maior
autonomia no desempenho de suas funções.

Î Apenas após a elaboração da lei mencionada no art. 37, § 8º da Constituição,


poderiam ser celebrados validamente contratos de gestão entre o Estado e
entidades da Administração Indireta.

“Contrato” entre Órgãos


Î Órgãos são centros de competências que não possuem personalidade jurídica e,
logo, não têm vontade própria para exercer direitos e contrair obrigações. A
capacidade de ser titular de direitos e obrigações pertence apenas às pessoas,
físicas ou jurídicas.

Î Portanto, é uma impossibilidade jurídica existirem “contratos” firmados entre


órgãos.

Î É “juridicamente inexeqüível um contrato entre órgãos, pois estes são apenas


repartições internas de competências do próprio Estado... Só pode contratar quem
seja sujeito de direitos e obrigações, vale dizer: pessoa. Portanto, nem o Estado
pode contratar com seus órgãos, nem eles entre si, que isto seria um contrato
consigo mesmo.

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Contrato entre o Poder Público e as “Organizações Sociais”


Î É um ajuste entre o Estado e a entidade qualificada como organização social, com
o intuito de formar uma parceria entre as partes para fomento e execução de
atividades de ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, cultura,
saúde e preservação do meio ambiente, conforme se apreende da Lei nº 9.637/98
(art. 1º e art. 5º).

Î São fixadas metas a serem alcançadas pela organização social que receberá, em
contrapartida, uma série de benefícios do Estado como verbas orçamentárias e
servidores públicos trabalhando em suas atividades, mas sendo pagos pelos cofres
públicos.

Î Observe-se que o contrato de gestão, “quando celebrado com entidades da


Administração Indireta, tem por objetivo ampliar a sua autonomia; porém, quando
celebrado com organizações sociais, restringe a sua autonomia, pois, embora
entidades privadas, terão que sujeitar-se a exigências contidas no contrato de
gestão”

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4. PODERES ADMINISTRATIVOS

Vinculado: Quando a lei confere à Administração Pública poder para a prática de


determinado ato, estipulando todos os requisitos e elementos necessários à
sua validade.

Discricionário: Quando o Direito concede à Administração, de modo explícito ou


implícito, poder para prática de determinado ato com liberdade de
escolha de sua conveniência e oportunidade. Existe uma gradação.

Hierárquico: É o meio de que dispõe a Administração Pública para distribuir e


escalonar as funções dos órgãos públicos; estabelecer a relação de
subordinação entre seus agentes; e ordenar e rever a atuação de seus
agentes.

Disciplinar: É conferido à Administração para apurar infrações e aplicar penalidades


funcionais a seus agentes e demais pessoas sujeitas à disciplina
administrativa, como é o caso das que por ela são contratados

Normativo: Embora a atividade normativa caiba predominantemente ao Legislativo, nele


não se exaure, cabendo ao Executivo expedir regulamentos e outros atos
normativos de caráter geral e de efeitos externos. É inerente ao Poder
Executivo.

Poder de Polícia: É a atividade da Administração Pública que, limitando ou disciplinando


direitos, interesses ou liberdades individuais, regula a prática do ato
ou abstenção de fato, em razão do interesse público. É aplicado aos
particulares.

Segmentos Î

Policia Administrativa = incide sobre bens, direitos e atividades;


= é regida pelo Direito
Administrativo

Policia Judiciária = incide sobre as pessoas


= destina-se à responsabilização penal

LIMITAÇÕES DO PODER DE POLICIA

• Necessidade Æ o Poder de policia só deve ser adotado para evitar ameaças reais
ou prováveis de pertubações ao interesse público;

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• Proporcionalidade Æ é a exigência de uma relação entre a limitação ao direito


individual e o prejuízo a ser evitado;

• Eficácia Æ a medida deve ser adequada para impedir o dano ao interesse


público.

ATRIBUTOS DO PODER DE POLICIA

• Discricionariedade Æ Consiste na livre escolha, pela Administração Pública, dos


meios adequados para exercer o poder de policia, bem como, na opção quanto ao
conteúdo, das normas que cuidam de tal poder.

• Auto-Executoriedade Æ Possibilidade efetiva que a Administração tem de


proceder ao exercício imediato de seus atos, sem necessidade de recorrer,
previamente, ao Poder Judiciário.

• Coercibilidade Æ É a imposição imperativa do ato de policia a seu destinatário,


admitindo-se até o emprego da força pública para seu normal cumprimento,
quando houver resistência por parte do administrado.

• Atividade Negativa Æ Tendo em vista o fato de não pretender uma atuação dos
particulares e sim sua abstenção, são lhes impostas obrigações de não fazer.

Poderes
Características Básicas
Administrativos
Î poder para a prática de determinado ato, estipulando todos os
Vinculado requisitos e elementos necessários à sua validade.

Î poder para a prática de determinado ato, com liberdade de


Discricionário escolha de sua conveniência e oportunidade. Existe uma gradação.

Î cabe ao Executivo expedir regulamentos e outros atos de


Normativo caráter geral e de efeitos externos. É inerente ao Poder Executivo

Î distribuir e escalonar as funções dos órgãos públicos;


Hierárquico estabelecer a relação de subordinação entre seus agentes;

Î apurar infrações e aplicar penalidades funcionais a seus


Disciplinar agentes e demais pessoas sujeitas à disciplina administrativa

Î limita ou disciplina direitos, interesses ou liberdades individuais;


Poder de Polícia regula a prática do ato ou abstenção de fato, em razão do interesse
público. É aplicado aos particulares.

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5. ATOS ADMINISTRATIVOS

5.1. CONCEITO

ATO ADMINISTRATIVO: é o ato jurídico praticado pela Administração Pública; é


todo o ato lícito, que tenha por fim imediato adquirir,
resguardar, transferir, modificar ou extinguir
direitos;

• só pode ser praticado por agente público competente;

Fato Jurídico: é um acontecimento material involuntário, que vai produzir


conseqüências jurídicas.

Ato Jurídico: é uma manifestação de vontade destinada a produzir efeitos


jurídicos.

FATO ADMINISTRATIVO: é o acontecimento material da Administração, que


produz conseqüências jurídicas. No entanto, não traduz
uma manifestação de vontade voltada para produção
dessas conseqüências. Ex.: A construção de uma obra
pública; o ato de ministrar uma aula em escola pública; o
ato de realizar uma cirurgia em hospital público,

Î O Fato Administrativo não se destina a produzir efeitos no mundo jurídico,


embora muitas vezes esses efeitos ocorram, como exemplo, uma obra pública mal
executada vai causar danos aos administrados, ensejando indenização. Uma
cirurgia mal realizada em um hospital público, que também resultará na
responsabilidade do Estado.

Validade e Eficácia

Perfeição - situação do ato cujo ciclo de formação está concluído;

Validade - ato produzido em absoluta conformidade com as exigências do sistema


normativo;

Eficácia- disponível para produzir efeitos próprios, típicos (não dependem de termo,
condição).

Efeitos -
- Efeitos típicos - os que decorrem do conteúdo do ato.

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- Efeitos atípicos:

- preliminares - da produção do ato até o desencadeamento de seu efeitos


típicos. Ex.: emissão do ato de controle.
- reflexos - que atingem terceiros. Ex.: rescisão de locação de imóvel
desapropriado. Atinge o locatário e não o ex-proprietário.

5.2. FORMAÇÃO

Î é a sucessão ordenada de operações que propiciam a formação de um ato final


objetivado pela Administração; constitui-se de atos intermediários, preparatórios e
autônomos, mas sempre interligados, que se conjugam para dar conteúdo e forma ao ato
principal. Ex. Concorrência Pública.

5.3. ELEMENTOS

REQUISITOS Æ Competência, Finalidade, Forma, Motivo e Objeto


(COFIFOMOB)

COMPETÊNCIA: é o poder, resultante da lei, que dá ao agente administrativo a


capacidade de praticar o ato administrativo; é VINCULADO;

Î É o primeiro requisito de validade do ato administrativo. Inicialmente, é necessário


verificar se a Pessoa Jurídica tem atribuição para a prática daquele ato. É
preciso saber, em segundo lugar, se o órgão daquela Pessoa Jurídica que
praticou o ato, estava investido de atribuições para tanto. Finalmente, é preciso
verificar se o agente público que praticou o ato, fê-lo no exercício das
atribuições do cargo. O problema da competência, portanto, resolve-se nesses
três aspectos.

• A competência ADMITE DELEGAÇÃO E AVOCAÇÃO. Esses institutos


resultam da hierarquia.

FINALIDADE: é o bem jurídico objetivado pelo ato administrativo; é VINCULADO;

Î O ato deve alcançar a finalidade expressa ou implicitamente prevista na


norma que atribui competência ao agente para a sua prática. O Administrador
não pode fugir da finalidade que a lei imprimiu ao ato, sob pena de NULIDADE
do ato pelo DESVIO DE FINALIDADE específica. Havendo qualquer desvio, o ato
é nulo por DESVIO DE FINALIDADE, mesmo que haja relevância social.

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FORMA: é a maneira regrada (escrita em lei) de como o ato deve ser praticado; É o
revestimento externo do ato; é VINCULADO.

Î Em princípio, exige-se a forma escrita para a prática do ato. Excepcionalmente,


admitem-se as ordens através de sinais ou de voz, como são feitas no trânsito.
Em alguns casos, a forma é particularizada e exige-se um determinado tipo de
forma escrita.

MOTIVO: é a situação de direito que autoriza ou exige a prática do ato


administrativo;

motivação obrigatória - ato vinculado Î pode estar previsto em lei (a autoridade só


pode praticar o ato caso ocorra a situação
prevista),

motivação facultativa - ato discricionário Î ou não estar previsto em lei (a autoridade


tem a liberdade de escolher o motivo em
vista do qual editará o ato);

Î A efetiva existência do motivo é sempre um requisito para a validade do ato.


Se o Administrador invoca determinados motivos, a validade do ato fica
subordinada à efetiva existência desses motivos invocados para a sua prática. É a
teoria dos Motivos Determinantes.

OBJETO: é o conteúdo do ato; é a própria alteração na ordem jurídica; é aquilo que o


ato dispõe. Pode ser VINCULADO ou DISCRICIONÁRIO.

ato vinculado Î o objeto já está predeterminado na lei (Ex.: aposentadoria do


servidor).

ato discricionário Î há uma margem de liberdade do Administrador para preencher


o conteúdo do ato (Ex.: desapropriação – cabe ao
Administrador escolher o bem, de acordo com os interesses da
Administração).

MOTIVO e OBJETO, nos chamados atos discricionários, caracterizam o que se


denomina de MÉRITO ADMINISTRATIVO.

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RESUMOS DOS ELEMENTOS DOS ATOS ADMINISTRATIVOS Î

Requisitos Tipo do Ato Características


Î é O PODER, resultante da lei, que dá ao agente
COMPETÊNCIA Vinculado administrativo a capacidade de praticar o ato
administrativo. Admite DELEGAÇÃO e AVOCAÇÃO.
Î é o bem jurídico OBJETIVADO pelo ato
FINALIDADE Vinculado
administrativo; é ao que o ato se compromete;

Î é a maneira regrada (escrita em lei) de como o ato


FORMA Vinculado
deve ser praticado; É o revestimento externo do ato.

Vinculado ou Î é a situação de direito que autoriza ou exige a


MOTIVO Discricionário prática do ato administrativo; é o por que do ato !

Vinculado ou Î é o conteúdo do ato; é a própria alteração na


OBJETO Discricionário ordem jurídica; é aquilo de que o ato dispõe, trata.

5.4. ATRIBUTOS ( P I A )

PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE: todo ato administrativo presume-se legítimo, isto


é, verdadeiro e conforme o direito; é presunção
relativa (juris tantum). Ex.: Execução de Dívida
Ativa – cabe ao particular o ônus de provar que
não deve ou que o valor está errado.

IMPERATIVIDADE: é a qualidade pela qual os atos dispõem de força executória e


se impõem aos particulares, independentemente de sua
concordância; Ex.: Secretário de Saúde quando dita normas de
higiene – decorre do exercício do Poder de Polícia – pode
impor obrigação para o administrado. É o denominado poder
extroverso da Administração.

AUTO-EXECUTORIEDADE: é o atributo do ato administrativo pelo qual o Poder


Público pode obrigar o administrado a cumprí-lo,
independentemente de ordem judicial;

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5.5. CLASSIFICAÇÃO

5.5.1. Classificação dos Atos Administrativos

Î De modo geral, os atos administrativos podem ser classificados, quanto aos seus
destinatários, em gerais e individuais; quanto ao seu alcance, em internos e
externos; quanto ao seu objeto, em atos de império, de gestão e de expediente; e
quanto ao seu regramento, em atos vinculados e atos discricionários, segundo
divisão do Prof. Hely Lopes Meirelles.

TABELA RESUMIDA DOS ATOS ADMINISTRATIVOS

Quanto
aos ATOS Exemplos
Edital;
Î destinam-se a uma parcela grande de
sujeitos indeterminados e todos aqueles
Destinatários

Gerais que se vêem abrangidos pelos seus Regulamentos;


preceitos;
Instruções.
Demissão;
Î destina-se a uma pessoa em particular Exoneração;
Individuais ou a um grupo de pessoas determinadas . Outorga de
Licença
Circulares;
Î os destinatários são os órgãos e agentes
Internos Portarias;
Alcance

da Administração; não se dirigem a terceiros


Instruções;
Î alcançam os administrados de modo Admissão;
Externos geral (só entram em vigor depois de
publicados). Licença.

Î aquele que a administração pratica no Desapropriação;


Império gozo de suas prerrogativas; em posição Interdição;
de supremacia perante o administrado; Requisição.
Alienação e
Objeto

Î são os praticados pela Administração


em situação de igualdade com os Aquisição de
Gestão particulares, SEM USAR SUA bens;
SUPREMACIA;
Certidões

Î aqueles praticados por agentes


Expediente subalternos; atos de rotina interna;
Protocolo

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Î quando não há, para o agente, liberdade Licença;


Regramento

Vinculado de escolha, devendo se sujeitar às


Pedido de
determinações da Lei;
Aposentadoria
Î quando há liberdade de escolha (na LEI)
Discricionário para o agente, no que diz respeito ao mérito Autorização
( CONVENIÊNCIA e OPORTUNIDADE ).

Î produzido por um único órgão; podem


Simples Despacho
Formação do ATO

ser simples singulares ou simples colegiais.

Î produzido por um órgão, mas


Dispensa de
Composto dependente da ratificação de outro órgão
licitação
para se tornar exeqüível.

Î resultam da soma de vontade de 2 ou


mais órgãos. Não deve ser confundido com Escolha em lista
Complexo procedimento administrativo (Concorrência tríplice
Pública).

5.5.2. Espécies de Atos Administrativos

Atos Normativos: aqueles que contêm um comando geral do Executivo, visando a


correta aplicação da lei; estabelecem regras gerais e abstratas,
pois visam a explicitar a norma legal. Exs.: Decretos,
Regulamentos, Regimentos, Resoluções, Deliberações, etc.

Atos Ordinatórios: visam disciplinar o funcionamento da Administração e a


conduta funcional de seus agentes. Emanam do poder
hierárquico da Administração. Exs.: Instruções, Circulares, Avisos,
Portarias, Ordens de Serviço, Ofícios, Despachos.

Atos Negociais: aqueles que contêm uma declaração de vontade do Poder


Público coincidente com a vontade do particular; visa a
concretizar negócios públicos ou atribuir certos direitos ou
vantagens ao particular. Ex.: Licença; Autorização; Permissão;
Aprovação; Apreciação; Visto; Homologação; Dispensa;
Renúncia;

Atos Enunciativos: aqueles que se limitam a certificar ou atestar um fato, ou emitir


opinião sobre determinado assunto; NÃO SE VINCULA A SEU
ENUNCIADO. Ex.: Certidões; Atestados; Pareceres.

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Atos Punitivos: atos com que a Administração visa a punir e reprimir as infrações
administrativas ou a conduta irregular dos administrados ou de
servidores. É a APLICAÇÃO do Poder de Policia e Poder
Disciplinar. Ex.: Multa; Interdição de atividades; Destruição de
coisas; Afastamento de cargo ou função.

MÉRITO ADMINISTRATIVO Æ corresponde à esfera de discricionariedade reservada


ao Administrador e, em princípio, não pode o Poder
Judiciário pretender substituir a discricionariedade
do administrador pela discricionariedade do Juiz.
Pode, no entanto, examinar os motivos invocados pelo
Administrador para verificar se eles efetivamente existem
e se porventura está caracterizado um desvio de
finalidade.

Ato Legal e Perfeito Æ é o ato administrativo completo em seus requisitos e eficaz em


produzir seus efeitos; portanto, é o ato eficaz e exeqüível;

5.6. MÉRITO DO ATO ADMINISTRATIVO

Î O mérito do ato administrativo vai existir apenas aonde houver


discricionariedade. O mérito se refere a motivo e objeto. Quando se conceitua
mérito, todo mundo fala em oportunidade e conveniência. Oportunidade do motivo,
e conveniência do objeto.

Î Mérito é o uso correto da discricionariedade. Mérito seria então a integração


administrativa sendo feita corretamente. Se respeitado o limite do legal, e o limite
do legitimo, o ato tem mérito. Mérito é o uso correto da discricionariedade.
Extrapolou esses limites, não tem mérito, e deixa de ser discricionário, para ser
arbitrário.

5.7. DISCRICIONARIEDADE

ATO VINCULADO Î é o ATO ADMINISTRATIVO apoiado em lei que não confere ao


administrador margem nenhuma de liberdade.

ATO DISCRICIONÁRIO Î é o ATO ADMINISTRATIVO calcado em norma legal


que confere ao administrador certa esfera de liberdade,
que será preenchida mediante juízo de oportunidade e
conveniência. Cumpre mencionar que não há, em
verdade, atos totalmente discricionários, mas, sim,
poderes discricionários.

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Î Todo ato administrativo deverá conformar-se à finalidade legal, ou seja, os


poderes discricionários devem atuar no sentido de fazer valer o fim legal que deu
ensejo a sua existência.

TIPOS DE DISCRICIONARIEDADE:

Î Três são as espécies de discricionariedade:

• discricionariedade na hipótese da norma (motivo);


• discricionariedade no mandamento da norma (conteúdo); e
• discricionariedade na finalidade da norma.

Exemplos:

Discricionariedade no motivo: norma legal que prescreva o atendimento médico


gratuito às pessoas pobres; norma que estabeleça o
notável saber como requisito para o preenchimento de
cargo etc.

Discricionariedade no objeto da lei: ocorre quando a norma, ao invés de exigir,


faculta um dado comportamento ao agente. É o
caso mais comum de discricionariedade e aquele
que confere maior dose de autonomia ao
administrador. Ex.: norma que prescreve a
cominação da pena de suspensão ou de multa ao
servidor que praticar determinado ilícito.

Discricionariedade na finalidade: ocorre quando a própria finalidade da norma é


expressa por meio de termos fluídos. Ex.: norma
legal que disponha sobre a expulsão do cinema
de pessoa que se portar indecorosamente, a fim
de proteger a moralidade pública. Moralidade
pública é conceito que varia no tempo e no
espaço.

5.8. ATO ADMINISTRATIVO INEXISTENTE

Î é aquele ato que não possui um dos quatro requisitos de existência (competência,
vontade, objeto e forma). São os atos que contêm um comando criminoso (Ex.:
alguém que mandasse torturar um preso).

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5.9. ATOS ADMINISTRATIVOS NULOS E ANULÁVEIS

Atos Nulos: são aqueles que atingem gravemente a lei ( Ex.: prática de um ato por
uma pessoa jurídica incompetente).

Ato Anulável: representa uma violação mais branda à norma (Ex.: um ato que era
de competência do Ministro e foi praticado por Secretário Geral.
Houve violação, mas não tão grave porque foi praticado dentro do
mesmo órgão).

5.10. TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES

Î A Teoria dos Motivos Determinantes funda-se na consideração de que os atos


administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos
expostos, para todos os efeitos jurídicos; tais motivos é que determinam e
justificam a realização do ato.

Conclusão: nos atos vinculados, a motivação é obrigatória; nos discricionários,


quando facultativa, se for feita, atua como elemento vinculante da Administração
aos motivos declarados, como determinantes do ato; se tais motivos são falsos ou
inexistentes, nulo é o ato praticado.

5.11. REVOGAÇÃO, ANULAÇÃO E CONVALIDAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO

REVOGAÇÃO: é a extinção de um ato administrativo legal e perfeito, por razões de


conveniência e oportunidade, pela Administração, no exercício do
poder discricionário. O ato revogado conserva os efeitos produzidos
durante o tempo em que operou. A partir da data da revogação é que
cessa a produção de efeitos do ato até então perfeito e legal. Só pode
ser praticado pela Administração Pública por razões de oportunidade e
conveniência. A revogação não pode atingir os direitos adquiridos.

EX-NUNC = (nunca mais) - sem efeito retroativo

ANULAÇÃO: é a supressão do ato administrativo, com efeito retroativo, por razões


de ilegalidade e ilegitimidade. Pode ser examinado pelo Poder
Judiciário (razões de legalidade e legitimidade) e pela Administração
Pública (aspectos legais e no mérito).
EX-TUNC = com efeito retroativo, invalida as conseqüências passadas,
presentes e futuras.

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CASSAÇÃO: embora legítimo na sua origem e formação, torna-se ilegal na sua


execução; quando o destinatário descumpre condições pré-
estabelecidas. Ex.:: alguém obteve uma permissão para explorar o
serviço público, porém descumpriu uma das condições para a prestação
desse serviço. Vem o Poder Público e, como penalidade, procede a
cassação da permissão.

CONVALIDAÇÃO: É a prática de um ato posterior que vai conter todos os


requisitos de validade, INCLUSIVE aquele que não foi
observado no ato anterior e determina a sua retroatividade
à data de vigência do ato tido como anulável. Os efeitos
passam a contar da data do ato anterior – é editado um novo
ato.

CONVERSÃO: Aproveita-se, COM UM OUTRO CONTEÚDO, o ato que inicialmente


foi considerado nulo. Ex.: Nomeação de alguém para cargo público
sem aprovação em concurso, mas poderá haver a nomeação para cargo
comissionado. A conversão dá ao ato a conotação que deveria ter
tido no momento da sua criação. Produz efeito EX-TUNC

CADUCIDADE: É a cessação dos efeitos do ato em razão de uma lei superveniente,


com a qual esse ato é incompatível. A característica é a
incompatibilidade do ato com a norma subseqüente.

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6. SERVIÇOS PÚBLICOS

6.1. CONCEITOS

Î Serviço Público é todo aquele prestado pela Administração ou por seus


delegados, sob normas e controles estatais, para satisfazer necessidades
essenciais ou secundárias da coletividade ou simples conveniências do Estado.

• A atribuição primordial da Administração Pública é oferecer utilidades aos


administrados, não se justificando sua presença senão para prestar serviços à
coletividade.

• Esses serviços podem ser essenciais ou apenas úteis à comunidade, daí a


necessária distinção entre serviços públicos e serviços de utilidade pública;
mas, em sentido amplo e genérico, quando aludimos a serviço público,
abrangemos ambas as categorias.

Particularidades do Serviço Público Æ

• são vinculados ao princípio da legalidade;


• a Adm. Pública pode unilateralmente criar obrigações aos exploradores do
serviço;
• continuidade do serviço;

Características Æ

Elemento Subjetivo - o serviço público é sempre incumbência do Estado. É


permitido ao Estado delegar determinados serviços públicos,
sempre através de lei e sob regime de concessão ou
permissão e por licitação. É o próprio Estado que escolhe os
serviços que, em determinado momento, são considerados
serviços públicos. Ex.: Correios; telecomunicações;
radiodifusão; energia elétrica; navegação aérea e infra-
estrutura portuária; transporte ferroviário e marítimo entre
portos brasileiros e fronteiras nacionais; transporte rodoviário
interestadual e internacional de passageiros; portos fluviais e
lacustres; serviços oficiais de estatística, geografia e geologia –
IBGE; serviços e instalações nucleares;

• Serviço que compete aos Estados Æ distribuição de gás canalizado;

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Elemento Formal – o regime jurídico, a princípio, é de Direito Público. Quando,


porém, particulares prestam serviço em colaboração com o
Poder Público o regime jurídico é híbrido, podendo prevalecer o
Direito Público ou o Direito Privado, dependendo do que
dispuser a lei. Em ambos os casos, a responsabilidade é
objetiva. (os danos causados pelos seus agentes serão
indenizados pelo Estado)

Elemento Material – o serviço público deve corresponder a uma atividade de


interesse público.

Princípios do Serviço Público Æ Faltando qualquer desses requisitos em um


serviço público ou de utilidade pública, é dever da
Administração intervir para restabelecer seu
regular funcionamento ou retomar sua prestação.

• Princípio da Permanência ou continuidade - impõe continuidade no serviço;


os serviços não devem sofrer interrupções;

• Princípio da generalidade - impõe serviço igual para todos; devem ser


prestados sem discriminação dos beneficiários;

• Princípio da eficiência - exige atualização do serviço, com presteza e


eficiência;

• Princípio da modicidade - exige tarifas razoáveis; os serviços devem ser


remunerados a preços razoáveis;

• Princípio da cortesia - traduz-se em bom tratamento para com o público.

6.2. CLASSIFICAÇÃO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS

Serviços Públicos Æ são os que a Administração presta diretamente à comunidade,


por reconhecer sua essencialidade e necessidade para a
sobrevivência do grupo social e do próprio Estado. Por isso
mesmo, tais serviços são considerados privativos do Poder
Público, no sentido de que só a Administração deve prestá-los,
sem delegação a terceiros.
Ex.: defesa nacional, de polícia, de preservação da saúde
pública.

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Serviços de Utilidade Pública Æ Serviços de utilidade pública são os que a


Administração, reconhecendo sua conveniência
(não essencialidade, nem necessidade) para os
membros da coletividade, presta-os diretamente
ou aquiesce em que sejam prestados por terceiros
(concessionários, permissionários ou
autorizatários), nas condições regulamentadas e
sob seu controle, mas por conta e risco dos
prestadores, mediante remuneração dos usuários.
Ex.: os serviços de transporte coletivo, energia
elétrica, gás, telefone.

Serviços próprios do Estado Æ são aqueles que se relacionam intimamente com


as atribuições do Poder Público (Ex.: segurança,
polícia, higiene e saúde públicas etc.) e para a
execução dos quais a Administração usa da sua
supremacia sobre os administrados. Não podem
ser delegados a particulares. Tais serviços, por
sua essencialidade, geralmente são gratuitos ou
de baixa remuneração.

Serviços impróprios do Estado Æ são os que não afetam substancialmente as


necessidades da comunidade, mas satisfazem
interesses comuns de seus membros, e, por isso,
a Administração os presta remuneradamente, por
seus órgãos ou entidades descentralizadas (Ex.:
autarquias, empresas públicas, sociedades de
economia mista, fundações governamentais), ou
delega sua prestação.

Serviços Gerais ou “uti universi” Æ são aqueles que a Administração presta sem ter
usuários determinados, para atender à
coletividade no seu todo. Ex.: polícia, iluminação
pública, calçamento. Daí por que, normalmente,
os serviços uti universi devem ser mantidos por
imposto (tributo geral), e não por taxa ou tarifa,
que é remuneração mensurável e proporcional ao
uso individual do serviço.

Serviços Individuais ou “uti singuli” Æ são os que têm usuários determinados e


utilização particular e mensurável para
cada destinatário. Ex.: o telefone, a água e
a energia elétrica domiciliares. São sempre
serviços de utilização individual, facultativa
e mensurável, pelo quê devem ser
remunerados por taxa (tributo) ou tarifa
(preço público), e não por imposto.

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Serviços Industriais Æ são os que produzem renda mediante uma remuneração da


utilidade usada ou consumida. Ex.: ITA, CTA.

Serviços Administrativos Æ são os que a administração executa para atender as


suas necessidades internas. Ex.: Imprensa Oficial.

6.3. REGULAMENTAÇÃO E CONTROLE

Î Poder de Polícia é a atividade estatal que, por meio de lei, condiciona e limita o
exercício da liberdade e da propriedade dos administrados, a fim de compatibilizá-
los com o bem-estar social.

Î O poder de polícia é expresso mediante atos preventivos, fiscalizadores e


repressivos. Ex.: outorga de licenças e autorizações (atividade preventiva e
regulamentadora); inspeções e vigilância (atividade fiscalizadora); atividades
materiais dotadas de auto-executoriedade, como dissolução de passeatas,
apreensão de mercadorias (atividade repressiva).

Î O SERVIÇO PÚBLICO busca ofertar ao administrado uma utilidade, ampliando o


seu desfrute de comodidades, enquanto o poder de polícia restringe, limita,
condiciona as possibilidades de sua atuação livre.

Serviço Público e Exploração de Atividade Econômica

Î Exploração de atividade econômica pelo Estado é o desenvolvimento de atividades


comerciais e industriais, na forma do art. 173 da CF, em regime de direito privado.

Î Sua caracterização nasce fundamentalmente de critério residual: é toda atividade


de produção de utilidades que não seja caracterizada como prestação de serviço
público. Esta última nasce da vontade do legislador, limitado a uma restrição de
cunho ontológico ligada ao substrato material da noção de serviço público.

Competências e TitularidadesÆ

• interesses próprios de cada esfera administrativa


• a natureza e extensão dos serviços
• a capacidade para executá-los vantajosamente para a Administração e para os
administrados.

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Podem ser:

• Privativos Æ

DA UNIÃO -
• defesa nacional;
• a polícia marítima, aérea e de fronteiras;
• a emissão de moeda;
• o serviço postal;
• os serviços de telecomunicações em geral;
• de energia elétrica;
• de navegação aérea, aeroespacial e de infra-estrutura portuária;
• os de transporte interestadual e internacional;
• de instalação e produção de energia nuclear; e
• a defesa contra calamidades públicas.

DOS ESTADOS –
• distribuição de gás canalizado;

DOS MUNICÍPIOS –
• o transporte coletivo;
• a obrigação de manter programas de educação pré-escolar e de ensino
fundamental;
• os serviços de atendimento à saúde da população;
• o ordenamento territorial e o controle do uso, parcelamento e ocupação do solo
urbano;
• a proteção ao patrimônio histórico-cultural local.

• Comuns
Æ serviços de saúde pública (SUS); promoção de programas de construção de
moradia; proteção do meio ambiente;

• Usuários Æ
Æ o direito fundamental do usuário é o recebimento do serviço;
Æ os serviços uti singuli podem ser exigidos judicialmente pelo interessado que
esteja na área de sua prestação e atenda as exigências regulamentares para sua
obtenção;

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6.4. PERMISSÃO, CONCESSÃO E AUTORIZAÇÃO

Æ É incumbência do Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime


de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de
serviços públicos.

Æ Existe a necessidade de lei autorizativa

• A lei disporá sobre:


I- o regime das empresas concessionárias e permissionárias de
serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua
prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e
rescisão da concessão ou permissão;
II - os direitos dos usuários;
III - política tarifária;
IV - a obrigação de manter serviço adequado.

CONCESSÃO Æ é a delegação contratual da execução do serviço, na forma autorizada


e regulamentada pelo Executivo. O contrato de Concessão é ajuste
de Direito Administrativo, bilateral, oneroso, comutativo e realizado
intuito personae

PERMISSÃO Æ é tradicionalmente considerada pela doutrina como ato unilateral,


discricionário, precário, intuito personae, podendo ser gratuito ou
oneroso. O termo contrato, no que diz respeito à Permissão de
serviço público, tem o sentido de instrumento de delegação,
abrangendo, também, os atos administrativos.

• Doutrina Æ Ato Administrativo


• Lei Æ Contrato Administrativo (contrato de Adesão);

Direitos dos Usuários Æ participação do usuário na administração:

I- as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em


geral, asseguradas a manutenção de serviços de atendimento ao
usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos
serviços;
II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações
sobre atos de governo;
III - a disciplina da representação contra o exercício negligente ou
abusivo de cargo, emprego ou função na administração pública.

Política Tarifária Æ os serviços públicos são remunerados mediante tarifa.

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LICITAÇÃO Æ

• Concessão Æ Exige Licitação modalidade Concorrência


• Permissão Æ Exige Licitação

CONTRATO DE CONCESSÃO Æ

Contratar terceiros Æ Atividades acessórias ou complementares


Sub-concessão Æ Mediante autorização
Transferência de concessão e
Só com anuência
Controle societário Æ

Encargos do Poder Concedente Æ regulamentar o serviço; fiscalizar; poder de


realizar a rescisão através de ato unilateral;

Encargos da Concessionária Æ prestar serviço adequado; cumprir as cláusulas


contratuais;

Intervenção nos Serviços Públicos Æ para assegurar a regular execução dos


serviços, o Poder Concedente pode,
através de Decreto, instaurar
procedimentos administrativos para intervir
nos serviços prestados pelas
concessionárias.

EXTINÇÃO DA CONCESSÃO Æ

Advento do Termo Contratual Æ ao término do contrato, o serviço é extinto;

Encampação ou Resgate Æ é a retomada do serviço pelo Poder


Concedente durante o prazo da concessão, por
motivos de interesse público, mediante Lei
Autorizativa específica e após prévio
pagamento da indenização.

Caducidade Æ corresponde à rescisão unilateral pela não execução ou


descumprimento de cláusulas contratuais, ou quando por
qualquer motivo o concessionário paralisar os serviços.

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Rescisão Æ por iniciativa da concessionária, no caso de descumprimento


das normas contratuais pelo Poder Concedente, mediante
ação judicial.

Anulação Æ por ilegalidade na licitação ou no contrato administrativo;

Falência ou Extinção da Concessionária;

Falecimento ou incapacidade do titular, no caso de empresa individual;

AUTORIZAÇÃO Æ a Administração autoriza o exercício de atividade que, por


sua utilidade pública, está sujeita ao poder de policia do
Estado. É realizada por ato administrativo, discricionário e
precário (ato negocial). É a transferência ao particular, de
serviço público de fácil execução, sendo de regra sem
remuneração ou remunerado através de tarifas. Ex.:
Despachantes; a manutenção de canteiros e jardins em troca
de placas de publicidade.

Convênios e Consórcios Administrativos Æ

Convênios Administrativos Æ são acordos firmados por entidades públicas de qualquer


espécie, ou entre estas e organizações particulares, para realização de objetivos de interesse
comum dos partícipes.

Consórcios Administrativos Æ são acordos firmados entre entidades estatais,


autárquicas, fundacionais ou paraestatais, sempre da mesma espécie, para
realização de objetivos de interesse comum dos partícipes.

Órgãos Reguladores Æ São autarquias em regime especial

• ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica;


• ANATEL – Agência Nacional de Telecomunicações;
• ANP – Agência Nacional do Petróleo

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7. REGIME JURÍDICO DOS SERVIDORES PÚBLICOS CIVIS


DA UNIÃO

ACESSIBILIDADE Î

Î os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis:

• aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei,


• aos estrangeiros, na forma da lei;

CONDIÇÕES DE INGRESSO Î

• a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação


prévia em CONCURSO PÚBLICO de provas ou de provas e títulos,
na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em
comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;

• o prazo de validade do concurso público será de até dois anos,


prorrogável uma vez, por igual período;

funções de confiança Î exercidas exclusivamente por servidores


ocupantes de cargo efetivo;

cargos em comissão Î a serem preenchidos por servidores de


carreira nos casos, condições e
percentuais mínimos previstos em lei,

• atribuições: de direção, chefia e assessoramento;

PORTADORES DE DEFICIÊNCIAS Î

• a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas


portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão;

• não afasta a EXIGÊNCIA de concurso público.

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7.1. PROVIMENTO E VACÂNCIA DE CARGOS PÚBLICOS

Î O Provimento é o preenchimento do cargo público

Originária: pressupõe a inexistência de uma relação jurídica anterior mantida entre


o Servidor e a Administração. A única forma de Provimento Originário
é a nomeação, que pode ser realizada em caráter Efetivo ou para Cargos
de Provimento em Comissão.

NOMEAÇÃO: Cargo Efetivo: pressupõe a aprovação em concurso público


de provas ou de provas e Títulos – sabemos que a aprovação em
concurso NÃO ENSEJA O DIREITO ADQUIRIDO À NOMEAÇÃO.

Derivada: As formas derivadas de provimento dos cargos públicos, decorrem de um


vínculo anterior entre Servidor e Administração.

• Promoção
• Readaptação
• Reversão
• Aproveitamento
• Reintegração
• Recondução

• O servidor poderá progredir na mesma carreira, nos diversos


escalões de uma mesma carreira. Diante do entendimento do STF,
entendeu-se que Ascensão Funcional e a Transferência SÃO
INCONSTITUCIONAIS.

PROMOÇÃO: é a elevação de um Servidor de uma classe para outra dentro de


uma mesma carreira. Com isso, houve a vacância de um cargo
inferior e conseqüentemente o provimento do cargo superior.
• Carreira: é o agrupamento de classes de cargos de uma mesma
atividade

READAPTAÇÃO: é a passagem do Servidor para outro cargo compatível com a


deficiência física que ele venha a apresentar.

REVERSÃO: é o retorno ao Serviço Ativo do Servidor aposentado por invalidez


quando insubsistentes os motivos da aposentadoria – pode acontecer
para o mesmo cargo se ele ainda estiver vago ou para um outro
semelhante.
• Se não houver cargo vago, o Servidor que reverter ficará como
EXCEDENTE.

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APROVEITAMENTO: é o retorno ao Serviço Ativo do Servidor que se encontrava em


disponibilidade e foi aproveitado – deve realizar-se em cargo
semelhante àquele anteriormente ocupado.
• A Administração deve realizar o aproveitamento de forma
prioritária, antes mesmo de realizar concurso para aquele cargo.

REINTEGRAÇÃO: é o retorno ao Serviço Ativo do Servidor que fora demitido, quando


a demissão for anulada administrativamente ou judicialmente,
voltando para o mesmo cargo que ocupava anteriormente.
• Dá-se com o ressarcimento de todas as vantagens que o servidor
deixou de receber durante o período em que esteve afastado.

RECONDUÇÃO: é o retorno ao cargo anteriormente ocupado, do servidor que não


logrou êxito no estágio probatório de outro cargo para o qual foi
nomeado decorrente de outro concurso.

Inconstitucionais Î

Transferência: Era a passagem de um Servidor de um quadro para outro dentro de


um mesmo poder, também era uma forma de vacância e de provimento.
• Ela implicava em uma mudança de um quadro para outro, ferindo uma norma
constitucional. Foi considerada inconstitucional.

Ascensão: foi a modalidade considerada inconstitucional – significava a passagem de


uma carreira para outra

FORMA DE VACÂNCIA DOS CARGOS PÚBLICOS

EXONERAÇÃO A PEDIDO: Não assume caráter disciplinar; se o servidor estiver


respondendo a processo administrativo, não poderá ser
exonerado a pedido.

EXONERAÇÃO DE OFÍCIO:

1. Em relação aos ocupantes de cargos em comissão: Administração não precisa


motivar o ato, pois o mesmo é discricionário – Servidor demissível “ad nutum”.

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• Se houver indicação dos motivos, a Administração ficará vinculada a esses


motivos – é a aplicação da TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES – terá
que comprová-los.

2. Não aprovação no estágio probatório: Característica de ato vinculado, pois


necessita obedecer ao procedimento estabelecido na lei e apontar os motivos
em que se fundamenta.

3. Quando o servidor que já tomou posse no cargo público, não entra em exercício no
prazo estabelecido na lei.

DEMISSÃO: Não existe a pedido (exoneração), diferentemente do celetista.

• É sempre punição disciplinar. Pressupõe processo


administrativo disciplinar no qual se assegura a amplitude de
defesa.

• Relativamente aos cargos em comissão e às funções


comissionadas o equivalente à demissão é a destituição de
função ou de cargo, quando houver cometimento de falta pelo
servidor, devendo ser observado o devido processo legal (defesa).

POSSE EM OUTRO CARGO


PÚBLICO INACUMULÁVEL: Se o funcionário prestar concurso e for nomeado para
outro cargo que NÃO POSSA ACUMULAR – tomando
posse, a vacância do outro cargo é declarada.

• Normalmente, o funcionário pede exoneração. Se voltar ao cargo


anterior, por não ter sido aprovado no estágio probatório,
haverá RECONDUÇÃO, voltando o atual ocupante ao cargo
anterior.

Outras formas de vacância de cargos Públicos:


• Aposentadoria
• Falecimento.

7.2. REMOÇÃO

Î é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do mesmo quadro,


com ou sem mudança de sede:

I - de ofício - interesse da Administração Pública;


II - a pedido - a critério da Administração Pública;

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III - a pedido, para outra localidade - independe da Administração pública:


a) para acompanhar cônjuge ou companheiro servidor público, removido por
interesse da Administração Pública;
b) motivo de saúde do servidor, cônjuge, companheiro ou dependente Æ
depende de junta médica;
c) processo seletivo.

7.3. REDISTRIBUIÇÃO

Î é o deslocamento de cargo de provimento efetivo, ocupado ou vago no âmbito do


quadro geral de pessoal, para outro órgão ou entidade do mesmo Poder:
a) interesse da Administração Pública;
b) isonomia:
- remuneração;
- atribuição.

Obs: Na remoção (art. 36 da lei 8112/90) e na redistribuição (art. 37 da


lei 8112/90), o servidor não muda de cargo. Na redistribuição, o
cargo e o servidor mudam de quadro (no mesmo Poder).

7.4. SUBSTITUIÇÃO

Î Os servidores investidos em cargo ou função de direção ou chefia e os ocupantes


de cargo de Natureza Especial terão substitutos indicados no regimento interno ou,
no caso de omissão, previamente designados pelo dirigente máximo do órgão ou
entidade

Î O substituto assumirá automática e cumulativamente, sem prejuízo do cargo


que ocupa, o exercício do cargo ou função de direção ou chefia e os de
Natureza Especial, nos afastamentos, impedimentos legais ou
regulamentares do titular e na vacância do cargo, hipóteses em que deverá
optar pela remuneração de um deles durante o respectivo período.

Î O substituto fará jus à retribuição pelo exercício do cargo ou função de


direção ou chefia ou de cargo de Natureza Especial, nos casos dos
afastamentos ou impedimentos legais do titular, superiores a trinta dias
consecutivos, paga na proporção dos dias de efetiva substituição, que
excederem o referido período.

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7.5. DIREITOS E VANTAGENS

DIREITOS DOS SERVIDORES OCUPANTES DE CARGOS PÚBLICOS Î

Î É GARANTIDO ao servidor público civil o direito à livre associação sindical;


Î o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei
específica;
Î aos servidores militares são proibidas a sindicalização e a greve;
Î salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa ;
Î repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;
Î licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de
cento e vinte dias;
Î licença-paternidade, nos termos fixados em lei;
Î proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos,
nos termos da lei;
Î redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene
e segurança;
Î proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de
admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;

Direitos Sociais suprimidos pela EC nº 19/98 Î


Î irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo
coletivo;
Î adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou
perigosas, na forma da lei;

VANTAGENS DOS SERVIDORES OCUPANTES DE CARGOS PÚBLICOS Î

Î décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da


aposentadoria;
Î remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
Î salário mínimo, fixado em lei, com reajustes periódicos que lhe preservem o
poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;
Î duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e
quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada,
mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho;
Î remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinqüenta por
cento à do normal;
Î gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que
o salário normal;

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SISTEMA REMUNERATÓRIO

Vencimento = vencimento-base = retribuição pelo exercício do cargo público;

Remuneração = Vencimento + vantagens pecuniárias (adicionais);

Subsídio = espécie de remuneração que proíbe o acréscimo de qualquer


gratificação, adicionais, abonos, prêmios, verbas de representação ou
outra espécie remuneratória.

• O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros


de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais, Ministros do
TCU, membros do Ministério Público, integrantes da Advocacia
Pública e da Defensoria Pública e os servidores policiais: serão
remunerados exclusivamente por SUBSÍDIO fixado em parcela
única.

• a REMUNERAÇÃO dos servidores públicos e os SUBSÍDIOS somente


poderão ser fixados ou alterados por LEI ESPECÍFICA, observada a
iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual,
sempre na mesma data e sem distinção de índices;

• TETO REMUNERATÓRIO: a remuneração e o subsídio dos


ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração
direta, autárquica e fundacional, NÃO PODERÃO EXCEDER O
SUBSÍDIO MENSAL, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal
Federal;

• os VENCIMENTOS dos cargos do Poder Legislativo e do Poder


Judiciário NÃO PODERÃO SER SUPERIORES aos pagos pelo Poder
Executivo;

• É VEDADA:

• a VINCULAÇÃO (subordinação de um cargo a outro) ou


EQUIPARAÇÃO (tratamento jurídico paralelo de cargos com funções
desiguais) de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de
remuneração de pessoal do serviço público;
• EFEITO CASCATA - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor
público não serão computados nem acumulados para fins de concessão
de acréscimos ulteriores;

• Irredutibilidade de vencimentos e subsídios Î


• Observando-se: vedação do efeito cascata; o teto
remuneratório e o princípio da igualdade tributária e
incidência do IR.

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• A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão


Conselho de Política de Administração e Remuneração de Pessoal,
integrado por servidores designados pelos respectivos Poderes.
• A fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes do
sistema remuneratório observará:
I- a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos
cargos componentes de cada carreira;
II - os requisitos para a investidura;
III - as peculiaridades dos cargos

Î Além do vencimento, PODERÃO ser pagas ao servidor as seguintes vantagens:

I - indenizações;
II - gratificações;
III - adicionais.

I. DAS INDENIZAÇÕES Î Constituem indenizações ao servidor:

I - ajuda de custo;
II - diárias;
III - transporte.

Ajuda de Custo: A ajuda de custo destina-se a compensar as despesas de instalação


do servidor que, no interesse do serviço, passar a ter exercício em
nova sede, com mudança de domicílio em caráter permanente,
vedado o duplo pagamento de indenização, a qualquer tempo, no
caso de o cônjuge ou companheiro que detenha também a condição
de servidor, vier a ter exercício na mesma sede.

• A ajuda de custo é calculada sobre a remuneração do servidor,


conforme se dispuser em regulamento, não podendo exceder a
importância correspondente a 3 (três) meses.
• Não será concedida ajuda de custo ao servidor que se afastar do
cargo, ou reassumi-lo, em virtude de mandato eletivo.
• Será concedida ajuda de custo àquele que, não sendo servidor da
União, for nomeado para cargo em comissão, com mudança de
domicílio.

Diárias: O servidor que, a serviço, afastar-se da sede em caráter eventual ou


transitório para outro ponto do território nacional ou para o exterior, fará jus a
passagens e diárias destinadas a indenizar as parcelas de despesas
extraordinária com pousada, alimentação e locomoção urbana, conforme
dispuser em regulamento.

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• Nos casos em que o deslocamento da sede constituir exigência permanente


do cargo, o servidor não fará jus a diárias.
• Também não fará jus a diárias o servidor que se deslocar dentro da mesma
região metropolitana, aglomeração urbana ou microrregião, constituídas por
municípios limítrofes e regularmente instituídas, ou em áreas de controle
integrado mantidas com países limítrofes, cuja jurisdição e competência dos
órgãos, entidades e servidores brasileiros considera-se estendida, salvo se
houver pernoite fora da sede, hipóteses em que as diárias pagas serão
sempre as fixadas para os afastamentos dentro do território nacional.

Indenização de Transporte: Conceder-se-á indenização de transporte ao servidor


que realizar despesas com a utilização de meio próprio
de locomoção para a execução de serviços externos, por
força das atribuições próprias do cargo, conforme se
dispuser em regulamento.

II. DAS GRATIFICAÇÕES Î Além do vencimento e das vantagens previstas na Lei


8112/90, serão deferidos aos servidores as seguintes
retribuições e gratificações;

I - retribuição pelo exercício de função de direção, chefia e assessoramento


II - gratificação natalina;

Retribuição pelo Exercício de Função de Direção, Chefia e Assessoramento: Ao


servidor ocupante de cargo efetivo investido em função de direção, chefia ou
assessoramento, cargo de provimento em comissão ou de Natureza Especial é devida
retribuição pelo seu exercício;

Gratificação Natalina: Também denominado de 13º salário, a gratificação natalina


corresponde a 1/12 (um doze avos) da remuneração a que o
servidor fizer jus no mês de dezembro, por mês de exercício no
respectivo ano.
• A gratificação natalina não será considerada para cálculo de
qualquer vantagem pecuniária.

III. DOS ADICIONAIS Î De acordo com a Lei 8112/90, os servidores ainda terão
garantidos os seguintes adicionais:

I - adicional pelo exercício de atividades insalubres, perigosas ou penosas;


II - adicional pela prestação de serviço extraordinário;
III - adicional noturno;
IV - adicional de férias;
V - outros, relativos ao local ou à natureza do trabalho.

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Adicionais de Insalubridade, Periculosidade ou Atividades Penosas: Os servidores


que trabalhem com habitualidade em locais insalubres ou em contato permanente com
substâncias tóxicas, radioativas ou com risco de vida, fazem jus a um adicional sobre o
vencimento do cargo efetivo.

• O servidor que fizer jus aos adicionais de insalubridade e de periculosidade


deverá optar por um deles.
• O direito ao adicional de insalubridade ou periculosidade cessa com a
eliminação das condições ou dos riscos que deram causa a sua concessão.
• A servidora gestante ou lactante será afastada, enquanto durar a gestação e a
lactação, das operações e locais previstos neste artigo, exercendo suas
atividades em local salubre e em serviço não penoso e não perigoso.
• O adicional de atividade penosa será devido aos servidores em exercício em
zonas de fronteira ou em localidades cujas condições de vida o justifiquem.

Adicional por Serviço Extraordinário: O serviço extraordinário será remunerado


com acréscimo de 50% (cinqüenta por
cento) em relação à hora normal de
trabalho.

Adicional Noturno: O serviço noturno, prestado em horário compreendido entre 22


(vinte e duas) horas de um dia e 5 (cinco) horas do dia
seguinte, terá o valor-hora acrescido de 25% (vinte e cinco por
cento), computando-se cada hora como cinqüenta e dois
minutos e trinta segundos.

Adicional de Férias: Independentemente de solicitação, será pago ao servidor, por


ocasião das férias, um adicional correspondente a 1/3 (um
terço) da remuneração do período das férias.

• No caso de o servidor exercer função de direção, chefia ou


assessoramento, ou ocupar cargo em comissão, a
respectiva vantagem será considerada no cálculo do
adicional de férias.

• As INDENIZAÇÕES NÃO SE INCORPORAM ao vencimento ou provento para


qualquer efeito.

• As GRATIFICAÇÕES E OS ADICIONAIS INCORPORAM-SE ao vencimento ou


provento, nos casos e condições indicados em lei.

• As vantagens pecuniárias não serão computadas, nem acumuladas, para


efeito de concessão de quaisquer outros acréscimos pecuniários ulteriores, sob
o mesmo título ou idêntico fundamento.

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FÉRIAS

Î O servidor fará jus a trinta dias de férias, que podem ser acumuladas, até o máximo
de dois períodos, no caso de necessidade do serviço, ressalvadas as hipóteses em
que haja legislação específica.

• É vedado levar à conta de férias qualquer falta ao serviço.


• As férias poderão ser parceladas em até três etapas, desde que assim
requeridas pelo servidor, e no interesse da administração pública.
• As férias somente poderão ser interrompidas por motivo de calamidade pública,
comoção interna, convocação para júri, serviço militar ou eleitoral, ou por
necessidade do serviço declarada pela autoridade máxima do órgão ou
entidade.

7.6. LICENÇAS E AFASTAMENTOS

LICENÇAS

Î Ao servidor será concedida licença:

I- por motivo de doença em pessoa da família;


II - por motivo de afastamento do cônjuge ou companheiro;
III - para o serviço militar;
IV - para atividade política;
V- para capacitação;
VI - para tratar de interesses particulares;
VII - para desempenho de mandato classista.

• É vedado o exercício de atividade remunerada durante o período da licença


prevista no inciso I deste artigo.
• A licença concedida dentro de 60 (sessenta) dias do término de outra da
mesma espécie será considerada como prorrogação.

AFASTAMENTOS

Do Afastamento para Servir a Outro Órgão ou Entidade:


Î O servidor poderá ser cedido para ter exercício em outro órgão ou entidade dos
Poderes da União, dos Estados, ou do Distrito Federal e dos Municípios, nas
seguintes hipóteses:

I - para exercício de cargo em comissão ou função de confiança;


II - em casos previstos em leis específicas.

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Do Afastamento para Exercício de Mandato Eletivo:


Î Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no exercício
de mandato eletivo, aplicam-se as seguintes disposições:

I- tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, FICARÁ


afastado de seu cargo, emprego ou função;

II - investido no mandato de Prefeito, SERÁ AFASTADO do cargo, emprego


ou função, sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração;

III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários,


perceberá as vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem
prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, não havendo
compatibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior;

IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato


eletivo, seu tempo de serviço será contado para todos os efeitos legais,
EXCETO para promoção por merecimento;

V- para efeito de benefício previdenciário, no caso de afastamento, os valores


serão determinados como se no exercício estivesse.

Do Afastamento para Estudo ou Missão no Exterior


Î O servidor não poderá ausentar-se do País para estudo ou missão oficial, sem
autorização do Presidente da República, Presidente dos Órgãos do Poder
Legislativo e Presidente do Supremo Tribunal Federal.

• A ausência não excederá a 4 (quatro) anos, e finda a missão ou estudo,


somente decorrido igual período, será permitida nova ausência.
• O disposto neste artigo não se aplica aos servidores da carreira diplomática.
• O afastamento de servidor para servir em organismo internacional de que o
Brasil participe ou com o qual coopere dar-se-á com perda total da
remuneração.

CONCESSÕES

Î Sem qualquer prejuízo, poderá o servidor ausentar-se do serviço:

I- por 1 (um) dia, para doação de sangue;


II - por 2 (dois) dias, para se alistar como eleitor;
III - por 8 (oito) dias consecutivos em razão de :
a) casamento;
b) falecimento do cônjuge, companheiro, pais, madrasta ou padrasto,
filhos, enteados, menor sob guarda ou tutela e irmãos.

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• Será concedido horário especial ao servidor estudante, quando comprovada a


incompatibilidade entre o horário escolar e o da repartição, sem prejuízo do
exercício do cargo.
• Também será concedido horário especial ao servidor portador de deficiência,
quando comprovada a necessidade por junta médica oficial,
independentemente de compensação de horário.

DO TEMPO DE SERVIÇO

Î É contado para todos os efeitos o tempo de serviço público federal, inclusive o


prestado às Forças Armadas.

Î Além das ausências ao serviço previstas anteriormente, são considerados como de


efetivo exercício os afastamentos em virtude de:

I- férias;
II - exercício de cargo em comissão ou equivalente, em órgão ou entidade dos
Poderes da União, dos Estados, Municípios e Distrito Federal;
III - exercício de cargo ou função de governo ou administração, em qualquer
parte do território nacional, por nomeação do Presidente da República;
IV - participação em programa de treinamento regularmente instituído, conforme
dispuser o regulamento;
V- desempenho de mandato eletivo federal, estadual, municipal ou do Distrito
Federal, exceto para promoção por merecimento;
VI - júri e outros serviços obrigatórios por lei;
VII - missão ou estudo no exterior, quando autorizado o afastamento, conforme
dispuser o regulamento;
VIII - licença:
a) à gestante, à adotante e à paternidade;
b) para tratamento da própria saúde, até o limite de vinte e quatro
meses, cumulativo ao longo do tempo de serviço público prestado à
União, em cargo de provimento efetivo;
c) para o desempenho de mandato classista, exceto para efeito de
promoção por merecimento;
d) por motivo de acidente em serviço ou doença profissional;
e) para capacitação, conforme dispuser o regulamento
f) por convocação para o serviço militar;
IX - deslocamento para a nova sede de que trata o art. 18;
X- participação em competição desportiva nacional ou convocação para
integrar representação desportiva nacional, no País ou no exterior, conforme
disposto em lei específica;
XI - afastamento para servir em organismo internacional de que o Brasil participe
ou com o qual coopere.

• Será contado em dobro o tempo de serviço prestado às Forças Armadas em


operações de guerra.

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• É vedada a contagem cumulativa de tempo de serviço prestado


concomitantemente em mais de um cargo ou função de órgão ou entidades dos
Poderes da União, Estado, Distrito Federal e Município, autarquia, fundação
pública, sociedade de economia mista e empresa pública.

DO DIREITO DE PETIÇÃO
Î É assegurado ao servidor o direito de requerer aos Poderes Públicos, em defesa
de direito ou interesse legítimo.

REGIME DISCIPLINAR

Dos Deveres Î São deveres do servidor:

I- exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo;


II - ser leal às instituições a que servir;
III - observar as normas legais e regulamentares;
IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais;
V- atender com presteza:
a) ao público em geral, prestando as informações requeridas,
ressalvadas as protegidas por sigilo;
b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou
esclarecimento de situações de interesse pessoal;
c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública.
VI - levar ao conhecimento da autoridade superior as irregularidades de que tiver
ciência em razão do cargo;
VII - zelar pela economia do material e a conservação do patrimônio público;
VIII - guardar sigilo sobre assunto da repartição;
IX - manter conduta compatível com a moralidade administrativa;
X- ser assíduo e pontual ao serviço;
XI - tratar com urbanidade as pessoas;
XII - representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder.

Das Proibições Î Ao servidor é proibido:

I- ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do


chefe imediato;
II - retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento
ou objeto da repartição;
III - recusar fé a documentos públicos;
IV - opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou
execução de serviço;
V- promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição;

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VI - cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o


desempenho de atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu
subordinado;
VII - coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação
profissional ou sindical, ou a partido político;
VIII - manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge,
companheiro ou parente até o segundo grau civil;
IX - valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento
da dignidade da função pública;
X- participar de gerência ou administração de empresa privada, sociedade civil,
salvo a participação nos conselhos de administração e fiscal de empresas ou
entidades em que a União detenha, direta ou indiretamente, participação do
capital social, sendo-lhe vedado exercer o comércio, exceto na qualidade de
acionista, cotista ou comanditário;
XI - atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo
quando se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes
até o segundo grau, e de cônjuge ou companheiro;
XII - receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em
razão de suas atribuições;
XIII - aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro;
XIV - praticar usura sob qualquer de suas formas;
XV - proceder de forma desidiosa;
XVI - utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou
atividades particulares;
XVII - cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto
em situações de emergência e transitórias;
XVIII - exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do
cargo ou função e com o horário de trabalho;
XIX - recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado.

Da Acumulação Î Ressalvados os casos previstos na Constituição, é vedada a


acumulação remunerada de cargos públicos.

• A proibição de acumular estende-se a cargos, empregos e funções em


autarquias, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de economia
mista da União, do Distrito Federal, dos Estados, dos Territórios e dos
Municípios.

• Considera-se acumulação proibida a percepção de vencimento de cargo ou


emprego público efetivo com proventos da inatividade, salvo quando os cargos
de que decorram essas remunerações forem acumuláveis na atividade.

• O servidor não poderá exercer mais de um cargo em comissão, exceto no caso


previsto no parágrafo único do art. 9o, nem ser remunerado pela participação
em órgão de deliberação coletiva.

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Parágrafo único. O servidor ocupante de cargo em comissão ou de


natureza especial poderá ser nomeado para ter exercício, interinamente, em
outro cargo de confiança, sem prejuízo das atribuições do que atualmente
ocupa, hipótese em que deverá optar pela remuneração de um deles
durante o período da interinidade.

• O servidor vinculado ao regime desta Lei, que acumular licitamente dois


cargos efetivos, quando investido em cargo de provimento em comissão, ficará
afastado de ambos os cargos efetivos, salvo na hipótese em que houver
compatibilidade de horário e local com o exercício de um deles, declarada pelas
autoridades máximas dos órgãos ou entidades envolvidos.

PROIBIÇÃO DE ACUMULAÇÃO DE CARGOS Î


Î é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando
houver compatibilidade de horários, OU quando forem observados os requisitos do
teto remuneratório.

Î Poderão acumular cargos (Exceção):


a) a de dois cargos de professor;
b) a de um cargo de professor com outro, técnico ou científico;
c) a de dois cargos privativos de médico;

7.7. SEGURIDADE SOCIAL DO SERVIDOR


(Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, atualizada).

APOSENTADORIA Î

Î é o direito à inatividade remunerada.

Î A EC nº 20/98 implantou a REFORMA PREVIDENCIÁRIA.

Titular de Cargo Efetivo Î SERVIDOR PÚBLICO Í Demais Servidores


+ Regime previdenciário + Regime geral da
dos servidores públicos observa o que couber Previdência Social;
+ Caráter contributivo;

Modalidades de Aposentadoria Î

Por Invalidez Integral: acidente de serviço; moléstia profissional; doença


grave, contagiosa ou incurável;

Por Invalidez Proporcional: demais casos;

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Compulsória: aos 70 anos; o valor da aposentadoria será


proporcional ao tempo de serviço;

Voluntária: requisitos mínimos: 10 anos de efetivo exercício no


serviço público e 5 anos no cargo em que se dará a
aposentadoria;

Proventos
Proporcionais ao
Proventos integrais
tempo de
contribuição
Tempo de
IDADE IDADE
contribuição
HOMEM 60 35 65
MULHER 55 30 60
• Professores de educação Infantil, ensino fundamental e ensino médio, para
efeito de pedido de aposentadoria, devem reduzir em 5 anos os limites da
tabela acima.

• é vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados, ressalvados os casos


de atividades sob condições que prejudiquem a saúde ou integridade física

Proventos da Aposentadoria:

1. totalidade da remuneração;
2. não poderão exceder a remuneração dos servidores ativos;
3. vedada a percepção de mais de uma aposentadoria estatutária, salvo as
decorrentes de cargos acumuláveis na atividade;
4. vedada a percepção de aposentadoria c/ remuneração de cargo, ressalvados
os cargos acumuláveis, em comissão e eletivos, salvo anterior emenda, por
concurso público;
5. revisão na mesma data e na mesma proporção (sempre que modificar a
remuneração dos servidores em atividade);
6. extensão de quaisquer vantagens ou benefícios posteriormente concedidos,
inclusive quando decorrentes de transformação ou reclassificação do cargo;
7. não poderão exceder o limite do teto remuneratório;

AUXÍLIO NATALIDADE Î

Î É devido à servidora por motivo de nascimento de filho, em quantia equivalente ao


menor vencimento do serviço público, inclusive no caso de natimorto.

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• Na hipótese de parto múltiplo, o valor será acrescido de 50% (cinqüenta por cento),
por nascituro.

• O auxílio será pago ao cônjuge ou companheiro servidor público, quando a


parturiente não for servidora.

SALÁRIO-FAMÍLIA Î

Î é devido ao servidor ativo ou ao inativo, por dependente econômico.

Consideram-se dependentes econômicos para efeito de percepção do salário-família:

I- o cônjuge ou companheiro e os filhos, inclusive os enteados até 21 (vinte e


um) anos de idade ou, se estudante, até 24 (vinte e quatro) anos ou, se
inválido, de qualquer idade;
II - o menor de 21 (vinte e um) anos que, mediante autorização judicial, viver na
companhia e às expensas do servidor, ou do inativo;
III - a mãe e o pai sem economia própria.

ƒ Não se configura a dependência econômica quando o beneficiário do


salário-família perceber rendimento do trabalho ou de qualquer outra
fonte, inclusive pensão ou provento da aposentadoria, em valor igual
ou superior ao salário-mínimo.

• Quando o pai e mãe forem servidores públicos e viverem em comum, o salário-


família será pago a um deles; quando separados, será pago a um e outro, de
acordo com a distribuição dos dependentes.
• Ao pai e à mãe equiparam-se o padrasto, a madrasta e, na falta destes, os
representantes legais dos incapazes.

Î O salário-família não está sujeito a qualquer tributo, nem servirá de base para
qualquer contribuição, inclusive para a Previdência Social.

ƒ O afastamento do cargo efetivo, sem remuneração, não acarreta a


suspensão do pagamento do salário-família

LICENÇA PARA TRATAMENTO DE SAÚDE Î

Î Será concedida ao servidor licença para tratamento de saúde, a pedido ou de


ofício, com base em perícia médica, sem prejuízo da remuneração a que fizer jus.

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Resumão: Direito Administrativo – por Alexandre José Granzotto

PENSÕES Î

Î é o pagamento efetuado à família do servidor em virtude de seu falecimento.

• é igual ao valor dos proventos ou ao valor dos proventos a que teria direito o
servidor em atividade;
• revisão na mesma data e na mesma proporção (sempre que modificar a
remuneração dos servidores em atividade);
• extensão de quaisquer vantagens ou benefícios posteriormente concedidos,
inclusive quando decorrentes de transformação ou reclassificação do cargo;

ESTABILIDADE Î

Î é a garantia constitucional de permanência no serviço púbico, outorgada a


funcionário que, tendo sido nomeado em caráter efetivo, ultrapassou o estágio
probatório de 3 (TRÊS) ANOS.

• É necessário distinguir efetividade e estabilidade Æ

Efetividade: é uma característica do provimento do cargo, os cargos públicos


podem ser providos em caráter efetivo ou em comissão.

Efetivo: são aqueles cargos em que se exige aprovação em concurso


público e pressupõem uma situação de permanência.

Comissão: são os livremente nomeados, mas em caráter provisório. São


de livre nomeação e exoneração.

• A efetividade refere-se ao cargo. É uma característica do provimento do


cargo.

Estabilidade: é a permanência do Servidor Público, nomeado para cargo


de provimento efetivo em virtude de concurso público, que
satisfez o estágio probatório. É por isso que se diz que
estabilidade se dá no Serviço Público e não no cargo – é o
direito de permanência no Serviço Público, mas não é o direito
de permanência no mesmo cargo para o qual o Servidor foi
nomeado.

• durante o estágio probatório o funcionário pode ser exonerado (simples


dispensa) ou demitido (se comete falta grave). Sempre se exige um
procedimento administrativo, pois, há necessidade do controle da
legalidade, há necessidade de se justificar o ato.

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• O estável não pode ser exonerado, a não ser a pedido. Para ser
demitido se exige processo administrativo onde se assegure ampla
defesa, ou por sentença transitado em julgado.

• O servidor público estável só PERDERÁ O CARGO:


I- em virtude de sentença judicial transitada em julgado;
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada
ampla defesa;
III - mediante procedimento de avaliação periódica de
desempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla
defesa.

Ex.: Imaginemos um Servidor Público, em cargo efetivo e estável. Um belo


dia É DEMITIDO do serviço público. Pode ocorrer:

a) a demissão foi INVALIDADA por decisão judicial Î

- ele será REINTEGRADO, e o eventual ocupante da vaga, se estável, será


RECONDUZIDO ao cargo de origem, sem direito à indenização;
APROVEITADO em outro cargo (de natureza e vencimento compatíveis) ou
POSTO EM DISPONIBILIDADE com remuneração proporcional ao tempo de
serviço.

b) o cargo que ele ocupava foi EXTINTO:


- EXTINTO o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará
EM DISPONIBILIDADE, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até
seu adequado APROVEITAMENTO em outro cargo.

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8. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO

CONCEITO: A RESPONSABILIDADE CIVIL, também dita EXTRACONTRATUAL, tem


como pressuposto o dano e se exaure com a indenização. Significa dizer
que sem dano não existe responsabilidade civil.

RESPONSABILIDADE CIVIL:

Responsabilidade Subjetiva: Î COM CULPA


Responsabilidade Objetiva: Î SEM CULPA

Î as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de


serviços públicos RESPONDERÃO PELOS DANOS QUE SEUS AGENTES,
nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra
o responsável nos casos de dolo ou culpa.

Teorias Explicativas

Teoria da Culpa Administrativa: leva em conta a falta de serviço, que compreende


a inexistência do serviço, o mau
funcionamento do serviço ou o seu
retardamento, PARA QUE HAJA
responsabilização do Estado, exigindo da vítima
a efetiva comprovação da falta do serviço.

Teoria do Risco Administrativo: é a adotada no direito brasileiro; por ela, exige-se


que a VÍTIMA COMPROVE, tão somente:
• a existência de um fato administrativo;
• a existência de dano;
• o nexo causal entre o fato administrativo e o
dano;
Obs.:
1) Para responsabilização do Estado, não há argüição de culpa.
2) Para eximir ou minorar sua responsabilidade, o ESTADO DEVERÁ PROVAR,
respectivamente, que a culpa é exclusiva do lesado ou a culpa é concorrente.

Teoria do Risco Integral: a teoria do risco integral é aquela que não admite as
causas excludentes da responsabilidade do Estado,
ou seja, INDEPENDE DA EXISTÊNCIA DE CULPA ou
mesmo de dolo do lesado.

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Direito de Regresso: existindo dolo ou culpa do agente, a Administração


Pública pode “cobrar” do agente as suas
responsabilidades; a responsabilidade é passada ao
agente que cometeu o ato infracional.

Atos Legislativos: Quando ocorrem efeitos concretos prejudiciais aos


administrados, advindo dos atos legislativos, admite-se a
responsabilização do Poder Público.

Atos Judiciais:

1. o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar
preso além do tempo fixado na sentença;

2. Responderá por perdas e danos o juiz, quando:


I. no exercício de suas funções, proceder com dolo ou fraude;
II. recusar, omitir ou retardar, sem justo motivo, providência que
deva ordenar de ofício, ou a requerimento da parte.

Î Responsabilidade civil da Administração é, pois, a que impõe à Fazenda Pública a


obrigação de compor dano causado a terceiros por agentes públicos, no
desempenho de suas atribuições ou a pretexto de exercê-las.

• Teoria da culpa administrativa,


• do risco administrativo (faz surgir o obrigação de indenizar o dano do só ato
lesivo e injusto causado à vítima pela Administração) e
• do risco integral (obriga a indenização de todo e qualquer dano, ainda que
resultante da culpa ou dolo da vítima).

I - responsabilidade civil da Administração no Direito brasileiro:

• artigo 15 do CC: “as pessoas jurídicas de Direito Público são civilmente


responsáveis por atos de seus representantes que nessa qualidade causem
dano a terceiros, procedendo de modo contrário ao direito ou faltando a dever
prescrito por lei. salvo o direito regressivo contra os causadores do dano”; não
admite responsabilidade sem culpa.

• Artigo 37,§ 6º da CF: “as pessoas jurídicas de Direito Público e as de Direito


Privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus
agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de
regresso contra o responsável nos casos de dolo e culpa”; independe de
dolo ou culpa.

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• Responsabilidades por atos legislativos e judiciais: a Fazenda Pública só


responde mediante a comprovação de culpa manifesta na sua expedição, de
maneira ilegítima e lesiva.

II - A reparação do dano:

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO: basta o lesado acionar a Fazenda pública e demonstrar


o nexo causal entre o fato lesivo e o dano, bem como
seu montante; comprovado isso, surge a obrigação de
indenizar; a indenização deve abranger o que a vítima
efetivamente perdeu e o que deixou de ganhar (dano
emergente e lucros cessantes).

AÇÃO REGRESSIVA: corre contra o causador direto do dano; como é destinada à


reparação patrimonial, transmite-se aos herdeiros e sucessores
do servidor culpado.

RESPONSABILIDADE CIVIL, CRIMINAL E ADMINISTRATIVA

Î O servidor responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de


suas atribuições.

Responsabilidade Civil: A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou


comissivo, doloso ou culposo, que resulte em prejuízo
ao erário ou a terceiros.
• A indenização de prejuízo dolosamente causado ao erário somente será
liquidada na forma prevista no art. 46, na falta de outros bens que assegurem a
execução do débito pela via judicial.
• Tratando-se de dano causado a terceiros, responderá o servidor perante a
Fazenda Pública, em ação regressiva.
• A obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores e contra eles será
executada, até o limite do valor da herança recebida.

Responsabilidade Criminal: A responsabilidade penal / criminal abrange os crimes


e contravenções imputadas ao servidor, nessa
qualidade.

Responsabilidade Administrativa: A responsabilidade civil-administrativa


resulta de ato omissivo ou comissivo
praticado no desempenho do cargo ou
função.

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Resumão: Direito Administrativo – por Alexandre José Granzotto

• As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo


independentes entre si.

• A responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de


absolvição criminal que negue a existência do fato ou sua autoria.

Improbidade Administrativa: Os atos de improbidade administrativa importarão a


suspensão dos direitos políticos, a perda da função
pública, a indisponibilidade dos bens e o
ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas
em lei, SEM PREJUÍZO DA AÇÃO PENAL CABÍVEL.

Ilícitos que causem prejuízo ao erário Î A lei estabelecerá os prazos de


prescrição para ilícitos praticados por
qualquer agente, servidor ou não;
ações de ressarcimento: NÃO HÁ PRESCRIÇÃO.

RESPONSABILIDADE OBJETIVA Î As PJ Direito Público e Privado,


prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, NESSA
QUALIDADE, causarem a terceiros ...

RESPONSABILIDADE SUBJETIVA Î assegurado o direito de regresso contra o


responsável nos casos de dolo ou culpa.

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9. CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

9.1. CONCEITOS E NOÇÕES

Î Entre a Administração e os Administrados travam-se relações das mais variadas


naturezas, onde a Administração Pública, na maior parte delas, está em posição
vantajosa. Contudo o Poder Público deve atuar (art. 37, da CF/88), em todas as
suas manifestações, com legitimidade, isto é, segundo as normas pertinentes a
cada ato por ele próprio editadas e de acordo com a finalidade e o interesse
coletivo na sua realização. Até mesmo nos atos discricionários a conduta de quem
os pratica há de ser legítima, conforme as opções permitidas em lei e as exigências
do bem comum. Ultrapassando a sua competência ou infringindo as normas legais,
o agente público vicia o ato de ilegitimidade, expondo-o à anulação

• No âmbito da Administração Direta ou centralizada, o controle decorre da


subordinação hierárquica e o controle hierárquico é pleno e ilimitado;

• no campo da Administração Indireta ou descentralizada, resulta da


vinculação administrativa nos termos da lei instituidora das entidades que a
compõem, sendo apenas um controle finalístico e é sempre restrito e
limitado aos termos da lei que o estabelece.

9.2. TIPOS E FORMAS DE CONTROLE

Tais controles podem ser:

INTERNO Îquando realizado pela entidade ou órgão responsável pela atividade


controlada, no âmbito da própria Administração,

EXTERNO Î o realizado por órgão estranho a Administração responsável pelo ato


controlado, como por exemplo, a apreciação das contas do Executivo
e do Judiciário, pelo Legislativo,

PREVENTIVO Î o que antecede a conclusão e operatividade do ato, como requisito


para sua eficácia: a liquidação da despesa, para oportuno pagamento.
Ou, autorização do Senado Federal para o Estado-membro ou um
Município contrair empréstimo externo, etc.,

CONCOMITANTE Î que é o que acompanha a realização do ato para verificar a


regularidade de sua formação, como por exemplo, a realização
de uma auditoria durante a execução do orçamento;
fiscalização de um contrato em andamento, etc.

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CORRETIVO Î feito a posteriori e efetiva-se após a conclusão do ato controlado com


fim de corrigi-lo nos eventuais defeitos ou dar-lhe eficácia, como a
homologação do julgamento de uma concorrência; o visto das
autoridades superiores em geral;

LEGITIMIDADE Î que objetiva verificar unicamente a conformação do ato ou do


procedimento administrativo com as normas legais e demais
preceitos que o regem. Pode ser realizado tanto pela Administração
Pública como pelo Poder Judiciário.

MÉRITO Î que é todo aquele que visa à comprovação da eficiência, do resultado, da


conveniência ou oportunidade do ato controlado, mediante critérios técnicos
e científicos de aferição do resultado e comprovação da eficiência. Sua
realização, em razão disso, está a cargo da Administração Pública.

• Não cabe esse controle ao Judiciário. A revogação de uma permissão de uso


de bem público, por não mais convir ao permitente, é controle de mérito, como é
de mérito a desativação de uma caldeira considerado obsoleta.

CONTROLE ADMINISTRATIVO

Î É todo controle que o Executivo e os órgãos de administração dos demais Poderes


exercem sobre suas próprias atividades, visando mantê-las dentro da lei, segundo
as necessidades do serviços e as exigências técnicas e econômicas de sua
realização, pelo que é um controle de legalidade e de mérito.

Î O controle administrativo deriva do poder-dever de AUTOTUTELA que a


Administração tem sobre seus próprios atos e agentes e que é exercido pelos
órgãos superiores sobre os inferiores (controle hierárquico próprio das chefias e
Corregedorias), com auxílio de órgãos incumbidos do julgamento de recursos
(controle hierárquico impróprio) ou ainda de órgãos especializados em
determinadas verificações (controle técnico de auditorias, etc.), integrantes da
mesma Administração, caracterizado como controle interno.

Î É através do controle administrativo que a Administração pode anular, revogar


ou alterar os seus próprios atos e punir os seus agentes com as respectivas
penalidades estatutárias, quando considerados atos ilegais ou ineficientes.

Fiscalização Hierárquica: é exercida pelos órgãos superiores sobre os inferiores


da mesma Administração, visando ordenar, coordenar,
orientar e corrigir suas atividades e agentes. É dever-
poder de chefia e o chefe que não a exerce comete
inexação funcional.

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Recursos Administrativos: caracterizam-se como todos os meios hábeis de


propiciar o reexame de decisão interna pela própria
Administração. Os referidos meios hábeis de propiciar
o reexame da atividade administrativa são a
representação, a reclamação e o pedido de
reconsideração.

Representação administrativa Æ é a denúncia formal e assinada de irregularidades


internas ou de abuso de poder na, prática de atos
administrativos, feita por quem quer que seja à
autoridade competente para conhecer e coibir tal
ilegalidade apontada. O direito de representar é
garantido constitucionalmente (art. 5.", XXXIV, a)
e é incondicionado, imprescritível e independente
do pagamento de taxas e pode ser exercido por
qualquer pessoa, a qualquer tempo e em
quaisquer circunstâncias. Quem, no entanto, fizer
denúncia com falsidade de imputação poderá
sofrer ação de responsabilidade civil e criminal.

Reclamação administrativa Æ é a oposição expressa a atos da Administração que


afetam direitos e interesses legitimes do administrado. O
direito de reclamar é amplo e se estende a toda pessoa
física ou jurídica que se sentir lesada ou ameaçada de
lesão pessoal ou patrimonial por atos ou fatos
administrativos. Pedido de Reconsideração é a
solicitação da parte dirigida à mesma autoridade que
expediu o ato para que o invalide ou o modifique nos
termos da pretensão do requerente. Deferido ou
indeferido, total ou parcialmente, não admite novo
pedido nem possibilita nova modificação.

• Cumpre observar, por fim, o que se deve entender por coisa julgada
administrativa que, na verdade, não tem o alcance da coisa julgada judicial,
tratando-se apenas de urna preclusão de efeitos internos visto que o ato
administrativo não deixa de ser um simples ato de decisão, sem força
conclusiva, como o ato jurisdicional do Poder Judiciário.

• Por outro lado, a Administração Pública, para registro de seus atos, controle da
conduta de seus agentes e solução de controvérsias dos administrados, utiliza-
se de diversos procedimentos que recebem a denominação comum do
processo administrativo. Mas, inicialmente há que se distinguir os dois
conceitos:

Processo Î é o conjunto de atos coordenados para a obtenção de decisão sobre


uma controvérsia no âmbito judicial ou administrativo.

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Procedimento Î é o modo de realização do processo, ou seja, é o rito processual.

Assim, o processo pode realizar-se por diferentes procedimentos, embora haja inúmeros
procedimentos administrativos que não constituem um processo, propriamente dito, como
as licitações e os concursos.. O caracteriza um processo mesmo é o ordenamento de
atos para a solução de um contraditório; e o que tipifica o procedimento de um processo é
o modo específico do ordenamento desses atos.

PROCESSO ADMINISTRATIVO Î é então o gênero que se reparte em várias


espécies, dentre as quais destacam-se o
processo disciplinar e o processo fiscal ou
tributário, chamado de contencioso tributário.
Além do mais, o processo administrativo está
sujeito a certos princípios, entre os quais:

legalidade objetiva: no qual só pode ser instaurado com base na lei e para
preservação dela, a

oficialidade: que é o princípio pelo qual sempre se atribui o processo à


Administração, oficialmente, ainda que tenha sido provocado por
particular;

informalismo: pelo qual o processo administrativo dispensa ritos sacramentais e


formas rígidas,

verdade material ou liberdade da prova Î o qual autoriza a Administração a valer-se


de qualquer prova de que autoridade
julgadora ou processante tenha
conhecimento, desde que a faça transladar
para o processo

PROCESSO ADM. DISCIPLINAR Î também chamado impropriamente de inquérito


administrativo, é o meio de apuração e punição de
faltas graves dos servidores públicos e demais
pessoas sujeitas ao regime funcional de determinadas
repartições públicas. O processo disciplinar é sempre
necessário para imposição da pena de demissão ao
funcionário estável (CF/88, art. 41 § 1°) e, segundo a
jurisprudência, também para o funcionário efetivo,
mesmo em estágio probatório. E é instaurado por
portaria da autoridade competente e poderá ser
revisto a qualquer tempo por parte do interessado,
sempre que surgirem fatos novos ou que outras
circunstâncias justificarem a inocência do acusado, ou
que a pena a ele aplicada for considerada
inadequada.

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PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO Î é todo aquele que se destina à


determinação, exigência ou dispensa
do crédito tributário e também de
consulta sobre a aplicação da
legislação tributária, previsto na
respectiva legislação fiscal (na
federal, pelo Decreto n° 70.235, de
06/03/72).

9.3. CONTROLE PARLAMENTAR

Î É o controle exercido pelos órgãos parlamentares ou legislativos, tanto federais,


como estaduais e municipais, ou seja, pelo Congresso Nacional, Assembléias
Legislativas, Câmara Legislativa (DF) e Câmara dos Vereadores (dos Municípios).

Î No regime federativo brasileiro, os Poderes do Estado não se confundem nem


se subordinam, mas se harmonizam, cada qual realizando sua atribuição
precípua.

• Cabe ao Executivo a realização das atividades administrativas, mas em


algumas delas depende da cooperação do Legislativo, dada a relevância do ato
e suas extensas repercussões políticas internas ou externas, que só o
Parlamento está em condições de bem valorar e decidir sobre sua legitimidade
e conveniência.

• O instrumento mais conhecido posto a cargo do Poder Legislativo para atos de


controle é a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Î O controle do Legislativo sobre o Executivo é de efeito indireto, não cabendo ao


Congresso anular os atos administrativos ilegais e nem tem hierarquia sobre as
autoridades executivas;.

Outras formas de controle político deferidas ao Congresso Nacional sobre a


Administração:

• a de aprovação de tratados e convenções internacionais (art. 49, I);


• autorização ao Presidente da República para declarar a guerra e fazer a paz
(art. 49, II);
• aprovação ou suspensão de intervenção federal ou de estado de sítio (art. 49,
IV),
• julgamento das contas do Presidente da República (art. 49, IX);
• a fiscalização financeira e orçamentária da União (art. 70 e 71), nessa parte
auxiliado pelo Tribunal de Contas da União (TCU - órgão técnico de apoio ao
Poder Legislativo, que integra a sua estrutura),

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• além de outras funções, como as privativas do Senado Federal (art. 52 da


CF/88), como a de escolher Magistrados, Membros do TCU, Governador de
Território, Presidente e Diretores do Banco Central, Procurador-Geral da
República e titulares de outros cargos.

9.4. CONTROLE JURISDICIONAL

Conceito: É controle de legalidade exercido privativamente pelos órgãos do Poder


Judiciário, em caráter definitivo, visando compor os conflitos de interesse
que lhe são submetido, tendo como objeto processual as controvérsias
versando sobre os atos administrativos do Executivo, do Legislativo e do
próprio Judiciário, quando realiza atividade administrativa.

Características: O controle jurisdicional é externo, provocado, direto e repressivo


(realizado a posteriori).

Externo: por se realizar por órgão que não integra a


estrutura organizacional da Administração
Pública.

Provocado: porquanto não atua de ofício, atuando apenas


ante a provocação daqueles que se sintam por
eles lesados

Direto: porque incide, precípua e imediatamente, sobre


os atos e atividades administrativas.

Objetivo e Extensão Î a competência do Poder Judiciário para a revisão de atos


administrativos ou atividades administrativas restringe-se
unicamente ao controle da legalidade e da legitimidade do ato
impugnado, confirmando um e outra, se legais, ou os
desfazendo, se contrários ao Direito.

Atos Sujeitos a Controle Especial pelo Judiciário Î


Os atos que sujeitos ao controle especial do Poder Judiciário são: os atos políticos, os
atos legislativos e os atos interna corporis, nos quais a Justiça os aprecia com maiores
restrições quanto aos motivos ou à via processual adequada.

Instrumentos do Controle Jurisdicional Î São os Remédios Constitucionais.

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REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS Conceito Considerações


Î sempre que alguém sofrer
(HC Repressivo) ou se achar
ameaçado de sofrer (HC Î pode sem impetrado pela
Preventivo) violência ou coação própria pessoa, por menor ou
HABEAS CORPUS em sua LIBERDADE DE por estrangeiro.
LOCOMOÇÃO, por ilegalidade
ou abuso de poder.

Î para assegurar o
conhecimento de informações
relativas à pessoa do
impetrante, constante de
registro ou banco de dados de Î a propositura da ação é
entidades governamentais ou de gratuita;
HABEAS DATA caráter público; Î é uma ação
Î serve também para personalíssima
retificação de dados, quando
NÃO se prefira fazê-lo por
processo sigiloso, judicial ou
administrativo.

Î para proteger direito


líquido e certo não amparado Î Líquido e Certo: o direito
por HC ou HD, quando o não desperta dúvidas, está
responsável pela ilegalidade ou isento de obscuridades.
MANDADO DE SEGURANÇA abuso de poder for autoridade Î qualquer pessoa física ou
pública ou agente de pessoa jurídica pode impetrar, mas
jurídica no exercício de somente através de
atribuições do Poder Público. advogado.

Î Legitimidade para
impetrar MS Coletivo:
Organização Sindical,
Î instrumento que visa entidade de classe ou
proteger direito líquido e certo associa legalmente
de uma coletividade, quando o constituída a pelo menos 1
MANDADO DE SEGURANÇA responsável pela ilegalidade ou ano, assim como partidos
COLETIVO abuso de poder for autoridade políticos com representação
pública ou agente de pessoa no Congresso Nacional.
jurídica no exercício de
Î OBJETIVO: defesa do
atribuições do Poder Público.
interesse dos seus membros
ou associados.

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Î sempre que a falta de norma


regulamentadora que torne
inviável o exercício dos direitos Î qualquer pessoa (física
MANDADO DE INJUNÇÃO e liberdades constitucionais e ou jurídica) pode impetrar,
das prerrogativas inerentes à sempre através de advogado.
nacionalidade, à soberania e à
cidadania.
Î visa a anulação ou à
declaração de nulidade de atos Î a propositura cabe a
lesivos ao: Patrimônio Público, qualquer cidadão
AÇÃO POPULAR
à moralidade Administrativa, ao (brasileiro) no exercício de
Meio Ambiente, ao Patrimônio seus direitos políticos.
Histórico e Cultural.
Î Objetivo: Defender direito Î qualquer pessoa pode
DIREITO DE PETIÇÃO ou noticiar ilegalidade ou abuso propor, brasileira ou
de autoridade pública. estrangeira

CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO

Î Controle, em administração pública, é a faculdade de vigilância, orientação e


correção que um Poder, órgão ou autoridade exerce sobre a conduta
funcional de outro; assim, é fixada a competência dos seus órgãos e agentes, e é
estabelecido os tipos de forma de controle de toda atuação administrativa, para sua
defesa própria e dos direitos dos administrados.

TIPOS DE CONTROLE

Î variam segundo o Poder, órgão ou autoridade que o exercita ou o fundamento, o


modo e o momento de sua efetivação:

- Hierárquico: resulta do escalonamento vertical, os inferiores estão subordinados


aos superiores.

- Finalístico: estabelecido para as entidades autônomas, indicando a autoridade


controladora, as faculdades a serem exercitadas e as finalidades
objetivadas.

- Interno: é realizado pela entidade ou órgão responsável pela atividade


controlada (âmbito interno). - Externo: realizado por órgão estranho à
Administração.

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- Prévio ou preventivo: antecede a conclusão ou operatividade do ato, requisito de sua


eficácia. Ex: a liquidação da despesa, para oportuno
pagamento.

- Concomitante ou sucessivo: acompanha a realização do ato para verificar a


regularidade de sua formação. Ex: realização de
auditoria durante a execução do orçamento.

- Subseqüente ou corretivo: se efetiva após a conclusão do ato controlado, visando


as devidas correções. Ex: a homologação do julgamento
de uma concorrência.

- De legalidade ou legitimidade: verifica unicamente a conformação do ato ou do


procedimento com as normas legais que o regem.

- De mérito: visa a comprovação da eficiência, conveniência ou oportunidade do ato.

CONTROLE ADMINISTRATIVO

Controle administrativo é todo aquele que o Executivo e os órgãos de administração dos


demais Poderes exercem sobre sua próprias atividade, visando mantê-las dentro da lei,
segundo as necessidades do serviço e as exigências técnicas e econômicas de sua
realização, pelo que é um controle de legalidade e de mérito.

Meios de Controle

Fiscalização hierárquica: é exercida pelos órgão superiores sobre os inferiores da


mesma Administração, visando a ordenar, coordenar, orientar e corrigir suas atividades e
agentes.

Supervisão ministerial: é um meio atenuado de controle, aplicável nas entidades


vinculadas a um Ministério; não é subordinação, resulta do sistema legal imposto às
autarquias e entidades paraestatais, sujeitas ao controle finalístico de quem as institui.

Recursos Administrativos: são todos os meios hábeis a propiciar o reexame de decisão


interna pela própria Administração, esse meios compreendem:

Representação: é a denúncia formal e assinada de irregularidades internas ou de abuso


de poder na prática de atos da Administração, feita por quem quer que seja à autoridade
competente para conhecer e coibir a ilegalidade apontada.

Reclamação: é a oposição expressa a atos da Administração que afetem direitos ou


interesses legítimos do administrado; extingue-se em 1 ano, a contar da data do ato ou
fato lesivo; o prazo é fatal e peremptório para o administrado; suspende a prescrição
enquanto depende de decisão.

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Pedido de reconsideração: é a solicitação da parte dirigida à mesma autoridade que


expediu o ato, para que o invalide ou modifique nos termos da pretensão do requerente;
extingue-se em 1 ano da data de decisão, não suspende a prescrição.

Recursos hierárquicos: são aqueles pedidos que as partes dirigem à instância superior,
propiciando o reexame do ato inferior sob todos seus aspectos; podem ter efeito
devolutivo ou suspensivo; possui prazos fatais e peremptórios.

Revisão do processo: é o meio previsto para o reexame na punição imposta ao servidor,


a pedido ou de ofício, quando se aduzir fato novo ou circunstância suscetível de justificar
sua inocência ou inadequação da penalidade aplicada.

Coisa julgada administrativa: limita-se ao caso apreciado e extingue-se com o


enceramento deste, pelo exaurimento de seus efeitos, respeitadas as situações jurídicas
subjetivas que se construíram, salvo novo processo administrativo, com nova instrução e
ampla defesa.

Prescrição administrativa: pressupõe a existência de uma ação judicial apta à defesa de


um direito, porque ela significa a perda da respectiva ação , por inércia de seu titular; ela
opera a preclusão de oportunidade de atuação do Poder público sobre matéria sujeita à
sua apreciação.

Processo Administrativo: é conjunto de atos coordenados para a obtenção de decisão


sobre uma controvérsia no âmbito judicial ou administrativo. Procedimento é o modo de
realização do processo, ou seja, o rito processual.

Princípios:
a) Legalidade objetiva: exige que o processo administrativo seja instaurado com
base e para a preservação da lei; baseia-se numa norma legal específica;
b) Oficialidade: atribui a movimentação do processo à Administração, ainda que
provocado por particular, uma vez iniciado; o Poder Público o impulsiona até a
decisão final;
c) Informalismo: dispensa ritos sacramentais e formas rígidas, principalmente para
os atos a cargo do particular; bastam as formalidades necessárias à obtenção da
certeza jurídica;
d) Verdade material: autoriza a Administração a valer-se de qualquer prova de que a
autoridade processante ou julgadora tenha conhecimento, desde que a faça
trasladar para o processo;
e) Garantia de defesa: entende-se não só a observância do rito adequado como a
cientificação do processo ao interessado, a oportunidade para contestar a
acusação, produzir prova de seu direito, acompanhar os atos de instrução e
utilizar-se dos recursos cabíveis.

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FASES DO PROCESSO ADMINISTRATIVO:

a) INSTAURAÇÃO: é a apresentação escrita dos fatos e indicação do direito que


ensejam o processo; proveniente da Administração ( portaria auto de infração,
representação ou despacho inicial); do administrado ( requerimento ou petição);

b) INSTRUÇÃO: é a fase de elucidação dos fatos, com a produção de provas da


acusação ( punitivo), ou de complementação das iniciais (controle ou outorga);

c) DEFESA: é a garantia, compreende a ciência da acusação, a vistas dos autos na


repartição, a oportunidade para oferecimento de contestação e provas, a inquirição
e reperguntas de testemunhas e a observância do devido processo legal;

d) RELATÓRIO: é a síntese do apurado no processo, feita por quem o presidiu


individualmente ou pela comissão processante, com apreciação das provas, dos
fatos apurados, do direito debatido e proposta conclusiva para decisão da
autoridade julgadora competente; não tem efeito vinculante;

e) JULGAMENTO: é a decisão proferida pela autoridade ou órgão competente sobre


o objeto do processo.
• As fases acima enunciadas, de um modo geral, devem ser atendidas em todos
os processos administrativos próprios, ou seja, naqueles que visam à solução
de litígio entre a Administração e o administrado, sendo aplicáveis a todas as
suas modalidades.

MODALIDADES:

Processo de Expediente: é denominação imprópria que se dá a toda atuação que


tramita pelas repartições públicas por provocação do interessado ou por determinação
interna da Administração, para receber a solução conveniente; não tem procedimento
próprio, nem rito sacramental; não geram, nem alteram, nem suprimem direitos.

Processo de Outorga: é todo aquele que se pleiteia algum direito ou situação individual
perante a Administração; normalmente tem rito especial, mas não contraditório, salvo
quando há oposição de terceiros ou impugnação da própria Administração.

Processo de Controle: é todo aquele em que a Administração realiza verificações e


declara situação, direito ou conduta do administrado ou de servidor, com caráter
vinculante para as partes; tem rito próprio; quando deparadas irregularidades puníveis,
exigem oportunidade de defesa, antes de seu encerramento, sob pena de invalidade.

Processo Punitivo: é todo aquele promovido pela Administração para a imposição de


penalidade por infração da lei, regulamento ou contrato; é contraditório, com oportunidade
de defesa e estrita observância do devido processo legal.

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Processo Administrativo Disciplinar: também chamado de Inquérito administrativo, é o


meio de apuração e punição das faltas graves dos servidores e demais pessoas sujeitas
ao regime funcional de determinados estabelecimentos da Administração; é sempre
necessário para a imposição de pena de demissão; deve ser instaurado por portaria da
autoridade competente; na instrução é livre a colheita de provas; concluída, deve ser
relatado o que se apurou e opinar pela absolvição ou punição do acusado; no julgamento,
a autoridade deverá sempre fundamentar sua decisão, com motivação própria ou adoção
dos fundamentos do relatório, tanto para a condenação quanto para a absolvição.

Meios Sumários: podem ser utilizados para a elucidação preliminar de determinados


fatos ou aplicação de penalidades disciplinares menores ou comprovadas na sua
flagrância.
Sindicância: é o meio de elucidação de irregularidades no serviço para subseqüente
instauração de processo e punição ao infrator; não tem procedimento formal, nem
exigência de comissão sindicante.
Verdade sabida: é o conhecimento pessoal da infração pela própria autoridade
competente para punir o infrator, tal ocorre quando o subordinado desautora o superior no
ato do recebimento de uma ordem.
Termo de declarações: é forma sumária de comprovação de faltas menores dos
servidores, através da tomada de seu depoimento sobre irregularidade que lhe é atribuída
e, se confessada, servirá de base para a punição cabível.

Processo Administrativo Tributário: é todo aquele que se destina à determinação,


exigência ou dispensa do crédito fiscal, bem como à fixação do alcance de normas de
tributação em casos concretos, pelos órgãos competentes tributantes, ou à imposição de
penalidades ao contribuinte.

CONTROLE LEGISLATIVO

Controle legislativo ou parlamentar é o exercido pelos órgãos legislativos ou por


comissões parlamentares sobre determinados atos do Executivo na dupla linha de
legalidade e da conveniência pública, pelo quê caracteriza-se como um controle
eminentemente político, indiferente aos direitos individuais dos administrados, mas
objetivando os superiores interesses do Estado e da comunidade.

Fiscalização dos atos da Administração: a CF/88 ampliou as atribuições do Legislativo


para a fiscalização e controle dos atos da Administração em geral (art. 49, X); essa
função, não é uma faculdade inferior ou adjacente à de editar as leis; pelo contrário, é
fundamental e necessária à própria elaboração das leis, a fim que o Legislativo conheça
como funciona os outros órgãos, sobretudo do Executivo, sobre o qual exerce amplo
controle.

Fiscalização financeira e orçamentária: é conferida ao Congresso Nacional, mas se


refere à prestação de contas de todo aquele que administra bens, valores ou dinheiro
públicos; o controle interno é feito pelo Executivo e o controle externo pelo Congresso
Nacional auxiliado pelo Tribunal de Contas da União.

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Controle interno: objetiva a criação de condições indispensáveis à eficácia do controle


externo e visa assegurar a regularidade de realização da receita e da despesa,
possibilitando o acompanhamento da execução do orçamento, dos programas de trabalho
e a avaliação dos respectivos resultados.

Controle externo: visa comprovar a probidade da Administração e a regularidade da


guarda e do emprego dos bens, valores e dinheiro públicos, assim como a fiel execução
do orçamento.

Atribuições dos Tribunais de Contas: suas atividades expressam-se fundamentalmente


em funções técnicas opinativas, verificadoras, assessoradoras e jurisdicionais
administrativas, desempenhadas simetricamente tanto pelo TCU, quanto pelas outras
entidades estatais que o tiverem. (art. 71, CF)

CONTROLE DO JUDICIÁRIO

Controle Judiciário ou judicial é o exercido privativamente pelos órgãos do Poder


Judiciário sobre os atos administrativos do Executivo, do Legislativo e do próprio
Judiciário quando realiza atividade administrativa; é um meio de preservação de direitos
individuais, porque visa a impor a observância da lei em cada caso concreto, quando
reclamada por seus beneficiários.

Atos sujeitos a controle comum: são os administrativos em geral; a competência do


Judiciário para a revisão de atos, restringe-se ao controle da legalidade e da legitimidade
do ato impugnado; por legalidade entende-se a conformidade do ato com a norma que o
rege; por legitimidade entende-se a conformidade do ato com a moral administrativa e o
interesse coletivo, indissociáveis de toda atividade pública; é permitido perquirir todos os
aspectos de legalidade e legitimidade para descobrir e pronunciar a nulidade do ato
administrativo onde ela se encontre, e seja qual for o artifício que a encubra; não é
permitido pronunciar-se sobre o mérito administrativo.

Atos sujeitos a controle especial

- atos políticos: são os que, praticados por agentes do Governo, no uso de sua
competência constitucional, se fundam na ampla liberdade de apreciação da conveniência
ou oportunidade de sua realização, sem se aterem a critérios jurídicos preestabelecidos;
seu discricionarismo é a conseqüência das restrições para o controle judicial.

- atos legislativos: a lei, propriamente dita, não ficam sujeitos a anulação judicial pelos
meios processuais comuns, e sim pela via especial da Ação direta de
Inconstitucionalidade, tanto para a lei em tese como para os demais atos normativos.

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- “Interna corporis”: não é tudo que provém do seio da Câmara ou de suas


deliberações internas; são só aquelas questões ou assuntos que entendem direta e
imediatamente com a economia interna da corporação legislativa, com seus privilégios e
com formação ideológica da lei, que, por sua própria natureza, são reservados à exclusiva
apreciação e deliberação do Plenário da Câmara; também são vedados à revisão judicial.

Meios de Controle Judiciário: são as vias processuais de procedimento ordinário,


sumário ou especial de que dispõe o titular do direito lesado ou ameaçado de lesão para
obter a anulação do ato ilegal em ação contra a Administração Pública.

- mandado de segurança individual: destina-se a coibir atos ilegais da autoridade que


lesam direito subjetivo, líquido e certo do impetrante; o prazo para impetração é de 120
dias do conhecimento oficial do ato a ser impugnado (CF, art. 5º, LXIX).

- mandado de segurança coletivo: seus pressupostos são os mesmos do individual,


inclusive quanto ao direito líquido e certo, só que a tutela não é individual, mas coletiva
(CF, art. 5º, LXX).

- ação popular: é um instrumento de defesa dos interesses da coletividade, utilizável por


qualquer de seus membros, no gozo de seus direitos cívicos e políticos; o beneficiário
direto e imediato é o povo. (CF, art. 5º, LXXIII)

- ação civil pública: ampara os direitos difusos e coletivos, não se presta para direitos
individuais, nem se destina à reparação de prejuízos; (Lei 7347/85; CF art. 129, III)

- mandado de injunção: ampara quem se considerar prejudicado pela falta de norma


regulamentadora que torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e
das prerrogativas inerentes a direitos e liberdades constitucionais e à nacionalidade, à
soberania e à cidadania. (CF, art. 5º. LXXI)

- “hábeas data”: assegura o conhecimento de registros concernentes ao postulante e


constantes de repartições públicas ou particulares acessíveis ao público, ou para
retificação de seus dados pessoais. (CF, art. 5º, LXXII)

- ação direta de inconstitucionalidade: é usado para atacar a lei em tese ou qualquer


outro ato normativo antes mesmo de produzir efeitos concretos. (CF, art. 102, I)

- medida cautelar: feito pelo argüente de inconstitucionalidade, será julgado pelo STF;
exige os pressupostos das cautelares comuns; a liminar suspende a execução da lei, mas
não o que se aperfeiçoou durante sua vigência; produz efeitos ex nunc.

- ação de inconstitucionalidade por omissão: objetiva e expedição de ato normativo


necessário para o cumprimento de preceito constitucional que, sem ele, não poderia ser
aplicado.

- ação declaratória de constitucionalidade: de lei ou ato normativo, será apreciada pelo


STF, a decisão definitiva de mérito tem efeito erga omnes.

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CONTROLE JURISDICIONAL

A Administração Pública, quando ingressa em juízo por qualquer de suas entidades


estatais, por suas autarquias, por suas fundações públicas ou por seus órgãos que
tenham capacidade processual, recebe à designação de Fazenda Pública, porque seu
erário é que suporta os encargos da demanda.

Representação em juízo: é feita por seus procuradores judiciais ou advogados


constituídos para determinados feitos, e os Municípios, também por seu Prefeito.

Atuação Processual: como autora ou ré, assistente ou opoente, litiga em situação


idêntica à do particular, salvo quanto aos prazos para contestar (quádruplo), e interpor
recurso (dobro).

Execução do Julgado: por quantia certa, seus bens não se sujeitam a penhora nem a
arresto, mas pode haver seqüestro da importância devida se não for atendida a requisição
do Judiciário competente na ordem dos precatórios expedidos. (CF, art. 100; CPC, arts.
730 e 731)

Execução Fiscal: regida pela Lei 6830/80, agilizou o processo, mas com vantagens para
a Fazenda Pública, desigualando as partes.
Obs: deve ser visto mais profundamente.

Despesas Judiciais: são pagas ao final pelo vencido; também os honorários ao


advogado vencedor, mesmo que a sucumbência seja da Fazenda.

Prescrição: é a perda da ação pelo transcurso do prazo para seu ajuizamento ou pelo
abandono da causa durante o processo; das ações pessoais contra a Fazenda Pública e
suas autarquias é de 5 anos, somente interrompidas uma vez; das ações reais tem sido
considerada pelos Tribunais a comum de 10 e 15 anos; contra o particular é comum a lei
civil ou comercial, conforme o caso.

Seqüestro e Perdimento de Bens: em favor da Fazenda Pública são admitidos pela CF,
para aqueles que causarem dano ao erário ou se enriquecerem de forma ilicitamente no
exercício de cargo, função ou emprego na Administração direta ou indireta. (Lei 8429/92)

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10. PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL


(Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999).

Î Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal.

CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 1º Esta Lei estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da
Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos
administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração.
§ 1º Os preceitos desta Lei também se aplicam aos órgãos dos Poderes Legislativo e
Judiciário da União, quando no desempenho de função administrativa.
§ 2º Para os fins desta Lei, consideram-se:
I - órgão - a unidade de atuação integrante da estrutura da Administração direta e da
estrutura da administração indireta;
II - entidade - a unidade de atuação dotada de personalidade jurídica;
III - autoridade - o servidor ou agente público dotado de poder de decisão.

Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade,


finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa,
contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.
Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os
critérios de:
I - atuação conforme a lei e o Direito;
II - atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes
ou competências, salvo autorização em lei;
III - objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de
agentes ou autoridades;
IV - atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé;
V - divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo
previstas na Constituição;
VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e
sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do
interesse público;
VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão;
VIII - observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos
administrados;
IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza,
segurança e respeito aos direitos dos administrados;
X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à
produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar
sanções e nas situações de litígio;
XI - proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei;

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XII - impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos


interessados;
XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento
do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação.

CAPÍTULO II
DOS DIREITOS DOS ADMINISTRADOS

Art. 3º O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de


outros que lhe sejam assegurados:
I - ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão facilitar o
exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações;
II - ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de
interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer
as decisões proferidas;
III - formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão
objeto de consideração pelo órgão competente;
IV - fazer-se assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a
representação, por força de lei.

CAPÍTULO III
DOS DEVERES DO ADMINISTRADO

Art. 4º São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros


previstos em ato normativo:
I - expor os fatos conforme a verdade;
lI - proceder com lealdade, urbanidade e boa-fé;
III - não agir de modo temerário;
IV - prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento
dos fatos.

CAPÍTULO IV
DO INÍCIO DO PROCESSO

Art. 5º O processo administrativo pode iniciar-se de ofício ou a pedido de interessado.

Art. 6º O requerimento inicial do interessado, salvo casos em que for admitida solicitação
oral, deve ser formulado por escrito e conter os seguintes dados:
I - órgão ou autoridade administrativa a que se dirige;
II - identificação do interessado ou de quem o represente;
III - domicílio do requerente ou local para recebimento de comunicações;
IV - formulação do pedido, com exposição dos fatos e de seus fundamentos;
V - data e assinatura do requerente ou de seu representante.
Parágrafo único. É vedada à Administração a recusa imotivada de recebimento de
documentos, devendo o servidor orientar o interessado quanto ao suprimento de
eventuais falhas.

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Art. 7º Os órgãos e entidades administrativas deverão elaborar modelos ou formulários


padronizados para assuntos que importem pretensões equivalentes.

Art. 8º Quando os pedidos de uma pluralidade de interessados tiverem conteúdo e


fundamentos idênticos, poderão ser formulados em um único requerimento, salvo preceito
legal em contrário.

CAPÍTULO V
DOS INTERESSADOS

Art. 9º São legitimados como interessados no processo administrativo:


I - pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como titulares de direitos ou interesses
individuais ou no exercício do direito de representação;
II - aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam
ser afetados pela decisão a ser adotada;
III - as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses
coletivos;
IV - as pessoas ou as associações legalmente constituídas quanto a direitos ou
interesses difusos.

Art. 10. São capazes, para fins de processo administrativo, os maiores de dezoito anos,
ressalvada previsão especial em ato normativo próprio.

CAPÍTULO VI
DA COMPETÊNCIA

Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi
atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos.

Art. 12. Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não houver impedimento legal,
delegar parte da sua competência a outros órgãos ou titulares, ainda que estes não lhe
sejam hierarquicamente subordinados, quando for conveniente, em razão de
circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial.
Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo aplica-se à delegação de
competência dos órgãos colegiados aos respectivos presidentes.

Art. 13. Não podem ser objeto de delegação:


I - a edição de atos de caráter normativo;
II - a decisão de recursos administrativos;
III - as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade.

Art. 14. O ato de delegação e sua revogação deverão ser publicados no meio oficial.
§ 1º O ato de delegação especificará as matérias e poderes transferidos, os limites da
atuação do delegado, a duração e os objetivos da delegação e o recurso cabível,
podendo conter ressalva de exercício da atribuição delegada.
§ 2º O ato de delegação é revogável a qualquer tempo pela autoridade delegante.

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§ 3º As decisões adotadas por delegação devem mencionar explicitamente esta


qualidade e considerar-se-ão editadas pelo delegado.

Art. 15. Será permitida, em caráter excepcional e por motivos relevantes devidamente
justificados, a avocação temporária de competência atribuída a órgão hierarquicamente
inferior.

Art. 16. Os órgãos e entidades administrativas divulgarão publicamente os locais das


respectivas sedes e, quando conveniente, a unidade fundacional competente em matéria
de interesse especial.

Art. 17. Inexistindo competência legal específica, o processo administrativo deverá ser
iniciado perante a autoridade de menor grau hierárquico para decidir.

CAPÍTULO VII
DOS IMPEDIMENTOS E DA SUSPEIÇÃO

Art. 18. É impedido de atuar em processo administrativo o servidor ou autoridade que:


I - tenha interesse direto ou indireto na matéria;
II - tenha participado ou venha a participar como perito, testemunha ou representante,
ou se tais situações ocorrem quanto ao cônjuge, companheiro ou parente e afins até o
terceiro grau;
III - esteja litigando judicial ou administrativamente com o interessado ou respectivo
cônjuge ou companheiro.

Art. 19. A autoridade ou servidor que incorrer em impedimento deve comunicar o fato à
autoridade competente, abstendo-se de atuar.
Parágrafo único. A omissão do dever de comunicar o impedimento constitui falta grave,
para efeitos disciplinares.

Art. 20. Pode ser argüida a suspeição de autoridade ou servidor que tenha amizade
íntima ou inimizade notória com algum dos interessados ou com os respectivos cônjuges,
companheiros, parentes e afins até o terceiro grau.

Art. 21. O indeferimento de alegação de suspeição poderá ser objeto de recurso, sem
efeito suspensivo.

CAPÍTULO VIII
DA FORMA, TEMPO E LUGAR DOS ATOS DO PROCESSO

Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão
quando a lei expressamente a exigir.
§ 1º Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data
e o local de sua realização e a assinatura da autoridade responsável.
§ 2º Salvo imposição legal, o reconhecimento de firma somente será exigido quando
houver dúvida de autenticidade.

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§ 3º A autenticação de documentos exigidos em cópia poderá ser feita pelo órgão


administrativo.
§ 4º O processo deverá ter suas páginas numeradas seqüencialmente e rubricadas.

Art. 23. Os atos do processo devem realizar-se em dias úteis, no horário normal de
funcionamento da repartição na qual tramitar o processo.
Parágrafo único. Serão concluídos depois do horário normal os atos já iniciados, cujo
adiamento prejudique o curso regular do procedimento ou cause dano ao interessado ou
à Administração.

Art. 24. Inexistindo disposição específica, os atos do órgão ou autoridade responsável


pelo processo e dos administrados que dele participem devem ser praticados no prazo de
cinco dias, salvo motivo de força maior.
Parágrafo único. O prazo previsto neste artigo pode ser dilatado até o dobro, mediante
comprovada justificação.

Art. 25. Os atos do processo devem realizar-se preferencialmente na sede do órgão,


cientificando-se o interessado se outro for o local de realização.

CAPÍTULO IX
DA COMUNICAÇÃO DOS ATOS

Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará
a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências.
§ 1º A intimação deverá conter:
I - identifição do intimado e nome do órgão ou entidade administrativa;
II - finalidade da intimação;
III - data, hora e local em que deve comparecer;
IV - se o intimado deve comparecer pessoalmente, ou fazer-se representar;
V - informação da continuidade do processo independentemente do seu
comparecimento;
VI - indicação dos fatos e fundamentos legais pertinentes.
§ 2º A intimação observará a antecedência mínima de três dias úteis quanto à data de
comparecimento.
§ 3º A intimação pode ser efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso
de recebimento, por telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do
interessado.
§ 4º No caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio
indefinido, a intimação deve ser efetuada por meio de publicação oficial.
§ 5º As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais,
mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade.

Art. 27. O desentendimento da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos


fatos, nem a renúncia a direito pelo administrado.
Parágrafo único. No prosseguimento do processo, será garantido direito de ampla
defesa ao interessado.

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Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o
interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos
e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.

CAPÍTULO X
DA INSTRUÇÃO

Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados


necessários à tomada de decisão realizam-se de ofício ou mediante impulsão do órgão
responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações
probatórias.
§ 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários
à decisão do processo.
§ 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizar-se do
modo menos oneroso para estes.

Art. 30. São inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios ilícitos.

Art. 31. Quando a matéria do processo envolver assunto de interesse geral, o órgão
competente poderá, mediante despacho motivado, abrir período de consulta pública para
manifestação de terceiros, antes da decisão do pedido, se não houver prejuízo para a
parte interessada.
§ 1º A abertura da consulta pública será objeto de divulgação pelos meios oficiais, a fim
de que pessoas físicas ou jurídicas possam examinar os autos, fixando-se prazo para
oferecimento de alegações escritas.
§ 2º O comparecimento à consulta pública não confere, por si, a condição de
interessado do processo, mas confere o direito de obter da Administração resposta
fundamentada, que poderá ser comum a todas as alegações substancialmente iguais.

Art. 32. Antes da tomada de decisão, a juízo da autoridade, diante da relevância da


questão, poderá ser realizada audiência pública para debates sobre a matéria do
processo.

Art. 33. Os órgãos e entidades administrativas, em matéria relevante, poderão


estabelecer outros meios de participação de administrados, diretamente ou por meio de
organizações e associações legalmente reconhecidas.

Art. 34. Os resultados da consulta e audiência pública e de outros meios de participação


de administrados deverão ser apresentados com a indicação do procedimento adotado.

Art. 35. Quando necessária à instrução do processo, a audiência de outros órgãos ou


entidades administrativas poderá ser realizada em reunião conjunta, com a participação
de titulares ou representantes dos órgãos competentes, lavrando-se a respectiva ata, a
ser juntada aos autos.

Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever
atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.

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Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em
documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro
órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção
dos documentos ou das respectivas cópias.

Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar
documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações
referentes à matéria objeto do processo.
§ 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da
decisão.
§ 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas
propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou
protelatórias.

Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas


pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionando-
se data, prazo, forma e condições de atendimento.
Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se
entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a
decisão.

Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem


necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela
Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo.

Art. 41. Os interessados serão intimados de prova ou diligência ordenada, com


antecedência mínima de três dias úteis, mencionando-se data, hora e local de realização.

Art. 42. Quando deva ser obrigatoriamente ouvido um órgão consultivo, o parecer deverá
ser emitido no prazo máximo de quinze dias, salvo norma especial ou comprovada
necessidade de maior prazo.
§ 1º Se um parecer obrigatório e vinculante deixar de ser emitido no prazo fixado, o
processo não terá seguimento até a respectiva apresentação, responsabilizando-se quem
der causa ao atraso.
§ 2º Se um parecer obrigatório e não vinculante deixar de ser emitido no prazo fixado, o
processo poderá ter prosseguimento e ser decidido com sua dispensa, sem prejuízo da
responsabilidade de quem se omitiu no atendimento.

Art. 43. Quando por disposição de ato normativo devam ser previamente obtidos laudos
técnicos de órgãos administrativos e estes não cumprirem o encargo no prazo assinalado,
o órgão responsável pela instrução deverá solicitar laudo técnico de outro órgão dotado
de qualificação e capacidade técnica equivalentes.

Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestar-se no prazo


máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado.

Art. 45. Em caso de risco iminente, a Administração Pública poderá motivadamente


adotar providências acauteladoras sem a prévia manifestação do interessado.

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Art. 46. Os interessados têm direito à vista do processo e a obter certidões ou cópias
reprográficas dos dados e documentos que o integram, ressalvados os dados e
documentos de terceiros protegidos por sigilo ou pelo direito à privacidade, à honra e à
imagem.

Art. 47. O órgão de instrução que não for competente para emitir a decisão final elaborará
relatório indicando o pedido inicial, o conteúdo das fases do procedimento e formulará
proposta de decisão, objetivamente justificada, encaminhando o processo à autoridade
competente.

CAPÍTULO XI
DO DEVER DE DECIDIR

Art. 48. A Administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos
administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência.

Art. 49. Concluída a instrução de processo administrativo, a Administração tem o prazo


de até trinta dias para decidir, salvo prorrogação por igual período expressamente
motivada.

CAPÍTULO XII
DA MOTIVAÇÃO
Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos
fundamentos jurídicos, quando:
I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;
II - imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;
III - decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública;
IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório;
V - decidam recursos administrativos;
VI - decorram de reexame de ofício;
VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de
pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais;
VIII - importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.
§ 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em
declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações,
decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.
§ 2º Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio
mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito
ou garantia dos interessados.
§ 3º A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais
constará da respectiva ata ou de termo escrito.

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CAPÍTULO XIII
DA DESISTÊNCIA E OUTROS CASOS DE EXTINÇÃO DO PROCESSO

Art. 51. O interessado poderá, mediante manifestação escrita, desistir total ou


parcialmente do pedido formulado ou, ainda, renunciar a direitos disponíveis.
§ 1º Havendo vários interessados, a desistência ou renúncia atinge somente quem a
tenha formulado.
§ 2º A desistência ou renúncia do interessado, conforme o caso, não prejudica o
prosseguimento do processo, se a Administração considerar que o interesse público
assim o exige.

Art. 52. O órgão competente poderá declarar extinto o processo quando exaurida sua
finalidade ou o objeto da decisão se tornar impossível, inútil ou prejudicado por fato
superveniente.

CAPÍTULO XIV
DA ANULAÇÃO, REVOGAÇÃO E CONVALIDAÇÃO

Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de
legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os
direitos adquiridos.

Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram


efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que
foram praticados, salvo comprovada má-fé.
§ 1º No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contar-se-á da
percepção do primeiro pagamento.
§ 2º Considera-se exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade
administrativa que importe impugnação à validade do ato.

Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem
prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser
convalidados pela própria Administração.

CAPÍTULO XV
DO RECURSO ADMINISTRATIVO E DA REVISÃO

Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de
mérito.
§ 1º O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a
reconsiderar no prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior.
§ 2º Salvo exigência legal, a interposição de recurso administrativo independe de
caução.

Art. 57. O recurso administrativo tramitará no máximo por três instâncias administrativas,
salvo disposição legal diversa.

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Art. 58. Têm legitimidade para interpor recurso administrativo:


I - os titulares de direitos e interesses que forem parte no processo;
II - aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão
recorrida;
III - as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses
coletivos;
IV - os cidadãos ou associações, quanto a direitos ou interesses difusos.

Art. 59. Salvo disposição legal específica, é de dez dias o prazo para interposição de
recurso administrativo, contado a partir da ciência ou divulgação oficial da decisão
recorrida.
§ 1º Quando a lei não fixar prazo diferente, o recurso administrativo deverá ser decidido
no prazo máximo de trinta dias, a partir do recebimento dos autos pelo órgão competente.
§ 2º O prazo mencionado no parágrafo anterior poderá ser prorrogado por igual
período, ante justificativa explícita.

Art. 60. O recurso interpõe-se por meio de requerimento no qual o recorrente deverá
expor os fundamentos do pedido de reexame, podendo juntar os documentos que julgar
convenientes.

Art. 61. Salvo disposição legal em contrário, o recurso não tem efeito suspensivo.
Parágrafo único. Havendo justo receio de prejuízo de difícil ou incerta reparação
decorrente da execução, a autoridade recorrida ou a imediatamente superior poderá, de
ofício ou a pedido, dar efeito suspensivo ao recurso.

Art. 62. Interposto o recurso, o órgão competente para dele conhecer deverá intimar os
demais interessados para que, no prazo de cinco dias úteis, apresentem alegações.

Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto:


I - fora do prazo;
II - perante órgão incompetente;
III - por quem não seja legitimado;
IV - após exaurida a esfera administrativa.
§ 1º Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente,
sendo-lhe devolvido o prazo para recurso.
§ 2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o
ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa.

Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou
revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência.
Parágrafo único. Se da aplicação do disposto neste artigo puder decorrer gravame à
situação do recorrente, este deverá ser cientificado para que formule suas alegações
antes da decisão.

Art. 65. Os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a
qualquer tempo, a pedido ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias
relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada.
Parágrafo único. Da revisão do processo não poderá resultar agravamento da sanção.

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CAPÍTULO XVI
DOS PRAZOS

Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindo-se
da contagem o dia do começo e incluindo-se o do vencimento.
§ 1º Considera-se prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte se o vencimento
cair em dia em que não houver expediente ou este for encerrado antes da hora normal.
§ 2º Os prazos expressos em dias contam-se de modo contínuo.
§ 3º Os prazos fixados em meses ou anos contam-se de data a data. Se no mês do
vencimento não houver o dia equivalente àquele do início do prazo, tem-se como termo o
último dia do mês.

Art. 67. Salvo motivo de força maior devidamente comprovado, os prazos processuais
não se suspendem.

CAPÍTULO XVII
DAS SANÇÕES

Art. 68. As sanções, a serem aplicadas por autoridade competente, terão natureza
pecuniária ou consistirão em obrigação de fazer ou de não fazer, assegurado sempre o
direito de defesa.

CAPÍTULO XVIII
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a reger-se por lei própria,
aplicando-se-lhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei.

Art. 70. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 29 de janeiro de 1999; 178º da Independência e 111º da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Paulo Paiva

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11. POLÍCIA FEDERAL: COMPETÊNCIAS.


DECRETO Nº 73.332, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1973.

Î Define a estrutura do Departamento de Polícia Federal e dá outras


providências.

Art. 1º Ao Departamento de Polícia Federal (DPF), com sede no Distrito Federal,


diretamente subordinado ao Ministério da Justiça e dirigido por um Diretor-Geral,
nomeado em comissão e da livre escolha do Presidente da República, COMPETE, em
todo o território nacional:
I- executar os serviços de POLÍCIA MARÍTIMA, AÉREA E DE
FRONTEIRAS;
II - exercer a censura de diversões públicas;
III - executar medidas assecuratórias da incolumidade física do Presidente da
República, de diplomatas estrangeiros no território nacional e, quando
necessário, dos demais representantes dos Poderes da República;
IV - prevenir e reprimir:
a) crimes contra a segurança nacional e a ordem política e social;
b) crimes contra a organização do trabalho ou decorrentes de greves;
c) crimes de tráfico e entorpecentes e de drogas afins;
d) crimes nas condições previstas no artigo 5º do Código Penal, quando
ocorrer interesse da União;
e) crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a
competência militar;
f) crimes contra a vida, o patrimônio e a comunidade silvícola;
g) crimes contra servidores federais no exercício de suas funções;
h) infrações às normas de ingresso ou permanência de estrangeiros no
País;
i) outras infrações penais em detrimento de bens, serviços e interesses
da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas,
assim como aquelas cuja prática tenha repercussão interestadual e
exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;
V- coordenar, interligar e centralizar os serviços de identificação
datiloscópica criminal;
VI - selecionar, formar, treinar, especializar e aperfeiçoar o seu pessoal,
mediante orientação técnica do Órgão Central do Sistema de Pessoal Civil
da Administração Federal;
VII - proceder a aquisição de material de seu exclusivo interesse;
VIII - prestar assistência técnica e científica, de natureza policial, aos
Estados, Distrito Federal e Territórios, quando solicitada;
IX - proceder a investigação de qualquer outra natureza, quando
determinada pelo Ministro da Justiça;
X- integrar os Sistemas Nacional de Informações e de Planejamento
Federal.

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12. MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO – ATRIBUIÇÕES E


COMPETÊNCIAS.

DECRETO Nº 5.063, DE 3 DE MAIO DE 2004

Î Aprova a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em


Comissão e das Funções Gratificadas do Ministério do Trabalho e Emprego, e dá
outras providências.

ESTRUTURA REGIMENTAL
CAPÍTULO I
DA NATUREZA E COMPETÊNCIA

Art. 1º O Ministério do Trabalho e Emprego, órgão da administração federal direta, tem


como ÁREA DE COMPETÊNCIA os seguintes assuntos:

I- política e diretrizes para a geração de emprego e renda e de apoio ao


trabalhador;
II - política e diretrizes para a modernização das relações do trabalho;
III - fiscalização do trabalho, inclusive do trabalho portuário, bem como
aplicação das sanções previstas em normas legais ou coletivas;
IV - política salarial;
V- formação e desenvolvimento profissional;
VI - segurança e saúde no trabalho;
VII - política de imigração; e
VIII - cooperativismo e associativismo urbanos.

======================== F I M =========================

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