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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

DINAMIZAÇÃO E CONDUÇÃO DE
UFCD
3497 ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO EM
CONTEXTO TURÍSTICO

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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

Índice

1. Dinamização de actividades de animação....................................................................2

2. Aplicação de técnicas de animação turística................................................................8

3. Organização das actividades e participantes..............................................................14

4. Gestão do tempo e espaço previsto para a animação.................................................19

5. Informação e demonstração dos objectivos e regras das actividades...........................23

6. Dinamização e condução do grupo..........................................................................25

7. Avaliação e arbitragem............................................................................................27

8. Regras de segurança...............................................................................................41

Anexo: Código de conduta das empresas de animação turística.......................................51

Bibliografia...................................................................................................................53

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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

1.Dinamização de actividades de animação

Qualquer actividade que inclua vários intervenientes, como a equipa animadora e/ ou


educativa, os participantes, os materiais, os locais, os objectivos, etc, necessita de uma
preparação adequada de todos os elementos referidos.

Constituem competências comuns a todos os condutores de actividades de animação turística


relacionadas com o turismo de aventura, independentemente da actividade praticada,
relacionadas com:
a) o atendimento e condução do cliente;
b) a prestação de um serviço de qualidade;
c) a segurança;
d) os cuidados com o meio ambiente e as comunidades envolvidas.

Resultados esperados
O condutor de turismo de aventura deve ser capaz de:
a) cumprir a legislação – incluindo, mas não limitado a:
- atender a legislação específica da(s) região(ões) em que actua, especialmente
as relacionadas ao meio ambiente e turismo de aventura;
- assumir as responsabilidades pertinentes;
- respeitar os direitos de operação na(s) região(ões) em que actua.
b) planear a actividade de turismo de aventura, incluindo, mas não limitado a:
- planeamento de rotas e medidas de emergência ou plano de emergência;
- escolha e preparação de itinerários, considerando o local de operação e infra-
estrutura disponível;
- planeamento de alternativas para os casos de condução de grupos sob mau
tempo ou outros aspectos inesperados;
c) decidir sobre alterações na programação da actividade de turismo de
aventura – incluindo, mas não limitado a:

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- fazer análise das situações e cancelar a atividade em função de perigos e


riscos;
- decidir sobre rotas alternativas;
- adoptar medidas de contingência;
- usar fenómenos naturais úteis na previsão do tempo.
d) aplicar técnicas elementares de orientação e navegação – incluindo, mas não
limitado a utilizar técnicas de navegação, orientação e cartografia (Entende-se por
técnicas elementares: leitura dos pontos cardeais, interpretação básica de cartas
topográficas, mapas – legenda e simbologia, escala, curva de nível e utilização de
bússola e orientação por sinais naturais (por exemplo, rios, montanhas etc.).
e) garantir o uso adequado de equipamentos – incluindo, mas não limitado a:
- manter os equipamentos em perfeito estado e organizados;
- controlar manutenção/revisões;
- observar sinais de desgaste ou defeito;
- providenciar reparos e substituições, quando necessário;
f) liderar grupos – incluindo, mas não limitado a:
- apresentar programas de actividades;
- organizar, controlar e facilitar a integração dos participantes de grupos;
- adaptar programas para que fiquem adequados às necessidades de diferentes
grupos;
- estabelecer limites claros de comportamento e independência dos
participantes;
- mediar conflitos;
- lidar com situações adversas ou não rotineiras.
g) instruir o cliente quanto às técnicas mínimas e práticas necessárias para a
realização da atividade – incluindo, mas não limitado a:
- utilizar técnicas de instrução relacionadas às atividades a serem praticadas;
- criar um ambiente de estímulo para a aprendizagem;
- usar linguagem e tratamento adequado;
- comunicar as informações de forma correta e completa;
- instruir quanto a procedimentos de emergência aplicáveis;
- instruir quanto a procedimentos de mínimo impacto sócio-ambiental aplicáveis;

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- instruir quanto ao uso adequado dos equipamentos;


h) assegurar o bem-estar e a segurança do cliente – incluindo, mas não limitado a
ser capaz de:
- gerir perigos e riscos, zelando pela segurança física e emocional dos clientes;
- avaliar fatores que contribuam para acidentes;
- combinar regras de convívio e criar relações positivas entre os membros do
grupo;
- incentivar e valorizar o respeito à segurança física e emocional dos clientes;
- observar sinais de desgaste físico e emocional;
- recomendar alimentação e vestuário adequados à atividade e assegurar seu
uso, quando indispensável à segurança;
- assegurar o fornecimento de informações sobre medidas de emergência
consideradas;
i) gerir situações de emergência – incluindo, mas não limitado a:
- avaliar situações de emergência;
- controlar os grupos;
- providenciar recursos ou suporte;
- garantir o bem-estar dos turistas em situações adversas;
- cuidar de sua sobrevivência;
j) aplicar primeiros-socorros – incluindo, mas não limitado a:
- dominar as técnicas de primeiros-socorros;
- aplicar os primeiros-socorros adequadamente a cada situação, de acordo com o
permitido por lei;
k) prevenir impactos ambientais e sociais decorrentes das atividades de
turismo de aventura – incluindo, mas não limitado a:
- aplicar práticas de mínimo impacto;
- sensibilizar e orientar o grupo sobre a importância da conservação do meio
ambiente e o respeito às comunidades locais;
- intervir nas ações do grupo quando identificar ações danosas ao ambiente ou
às comunidades locais;
- promover práticas de conservação, durante a atividade de turismo de aventura;
l) assegurar a satisfação do cliente – incluindo, mas não limitado a:

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- informar sobre as características genéricas da actividade, antes do seu início;


- manter o cliente motivado e interessado na programação;
- manter o cliente informado sobre aspectos específicos durante o
desenvolvimento da actividade;
- estar atento às necessidades individuais e prover respectivo suporte;
- receber reclamações e sugestões e dar o tratamento adequado;
- solucionar problemas e estabelecer consenso entre interesses divergentes;
m) cuidar da apresentação pessoal e postura profissional – incluindo, mas não
limitado a:
- cuidar da higiene, aparência, postura corporal e disposição física;
- manter limite de relacionamento afetivo durante a atividade;
- lidar com situações constrangedoras;
- usar linguagem e tratamento apropriados;
- manter postura ética e profissional.

Competências
As competências necessárias para o alcance dos resultados esperados devem ser avaliadas
através dos conhecimentos, habilidades e atitudes

Conhecimentos
a) interpretação de sinais naturais climáticos.
b) técnicas de navegação e orientação (por exemplo, interpretação básica de cartas
topográficas, mapas - legenda e simbologia, escala, curva de nível e utilização de
bússola, orientação por sinais naturais);
c) técnicas de condução de grupos, integração e estratégia de solução de conflitos;
d) estratégias de comunicação e técnicas de instrução para grupos;
e) requisitos básicos de segurança no turismo de aventura;
f) factores que contribuem para a ocorrência de acidentes;
g) perigos e riscos ambientais mais comuns;
h) situações e procedimentos de emergência genéricos adequados;
i) procedimentos de primeiros-socorros;
j) legislação e conservação ambiental;

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k) técnicas de mínimo impacto ambiental;


l) regras básicas de educação e convívio social e cuidados com a higiene pessoal;
m) aspectos legais e condições de trabalho tais como responsabilidade civil e criminal,
Código de Proteção e Defesa do Consumidor e Legislação de Segurança do Trabalho
aplicáveis ao Turismo de Aventura.

Habilidades
a) ser expressivo na comunicação oral (como, por exemplo, para manter o interesse dos
clientes na atividade).
b) falar de maneira clara e articulada (como, por exemplo, falar para o bom
entendimento da instrução de técnicas para a actividade);
c) ter coordenação física e sensorial (como, por exemplo, para reagir a situações de
risco);
d) calcular usando fórmulas simples (executar as quatro operações aritméticas, cálculo
percentual e cálculo com ângulos);
e) ter raciocínio lógico-verbal de nível moderado (como, por exemplo, fazer verbalmente
a descrição de um procedimento com uma série de etapas encadeadas).
f) capacidade de tomar decisões complexas (como por exemplo, para solução de
conflitos).
g) capacidade de planeamento (como por exemplo, estabelecer uma sequência lógica de
etapas para atingir um fim específico).

Atitudes ou atributos
a) ser persuasivo, isto é, negociador, fazer as pessoas mudarem as opiniões;
b) ser controlador, isto é, assumir o controle, se responsabilizar, dirigir, organizar,
supervisionar pessoas;
c) passar confiança para as pessoas, isto é, estabelecer relações facilmente, saber como
actuar e o que dizer, fazendo as pessoas se sentirem confortáveis;
d) saber ouvir para tomar decisões, isto é, encorajar as pessoas a exprimir suas
opiniões, consultar, escutar e levar em conta as suas opiniões;
e) ser empático e tolerante, isto é, ajudar os que necessitam, saber lidar com diferenças
e ser comprometido;

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f) analisar o comportamento das pessoas, isto é, analisar a forma de pensar, a


linguagem corporal e as condutas das pessoas, apreciar entender as pessoas;
g) ser planeador (curto prazo), isto é, programar com antecipação, apreciar estabelecer
objectivos, projectar tendências, desenvolver projectos;
h) ser optimista, isto é, ter uma postura positiva perante os acontecimentos;
i) ser versátil, isto é, ajustar-se prontamente a diferentes situações;
j) ser perceptivo, isto é, ser instintivamente atento e capaz de entender situações.

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2. Aplicação de técnicas de animação turística

O leque de possibilidades de que dispõe o animador turístico é tão extenso que é praticamente
inabarcável, motivo pelo qual se pretende aqui dividir e caracterizar as actividades que são
oferecidas dentro dos projectos de animação turística.

Podemos identificar três tipos de actividades na animação turística:

 Actividades lúdicas

 Actividades desportivas

 Actividades culturais.

Esta divisão é a mais utilizada entre os profissionais da animação e deste modo, poderemos
afirmar que é a mais tradicional. Ainda que à primeira vista a diferença entre as actividades
pareça ser bastante evidente, na prática acaba por não o ser.

- Se as actividades forem constituídas na sua maioria por jogos, não há


dificuldade quanto à sua catalogação como actividade lúdica.
- No caso das actividades desportivas é fundamental dar ênfase à componente
lúdica das mesmas, uma vez que se corre o risco de estas se tornarem
actividades de rigorosa competição. As actividades desportivas, em animação
turística, têm como objectivo fomentar as relações e a vida social entre os
participantes, e a competição pode levar a comportamentos mais agressivos.
- É evidente que uma actividade cultural pode conter uma componente lúdica e
que é possível jogar com os “conhecimentos”.

Deste modo, podemos concluir que seja qual for a actividade que se pretenda programar, esta
terá sempre uma componente lúdica independentemente da categoria a que pertença, ou seja,
qualquer actividade que seja catalogada como de animação turística, em primeiro lugar terá
que ser divertida para o turista. Relativamente à classificação das actividades em uma ou outra

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categoria, esta dependerá da percentagem que cada uma das componentes (lúdica, desportiva
ou cultural) tenha.

Actividades lúdicas

No âmbito da animação turística, podemos considerar que as actividades lúdicas são aquelas
que remetem directamente para a diversão ou jogo e que não apresentem outro objectivo
externo. Apesar das actividades lúdicas manifestarem objectivos internos controlados pelo
animador (por exemplo “quebrar o gelo”, fomentar a integração ou cooperação grupal), o
turista geralmente só consegue percepcionar o objectivo externo – a diversão.

Analisemos de seguida alguns exemplos de jogos lúdicos para a animação turística:

Jogos de “Quebra-Gelo”

Jogos de integração; jogos com música; jogos


Jogos realizados à noite
concursos; jogos dinamizadores.

Jogos de carácter desportivo; jogos de piscina;


Jogos exteriores
jogos tradicionais.

Jogos de pista e rallies; quermesses; jogos de


Macro jogos
mesa ampliados.

Jogos matemáticos e de dedução lógica; jogos de


Jogos culturais
mesa; quizz.

 Os jogos de “quebra-gelo” são usados num primeiro momento quando os participantes


ainda não se conhecem, e procuram facilitar a comunicação e a vida social entre os
mesmos. Estes jogos não admitem participantes passivos, todas as pessoas têm que
participar.
 Os jogos realizados à noite encontram-se divididos em quatro grupos, sendo que os três
primeiros têm um carácter competitivo, o que não acontece com os jogos
dinamizadores.

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 Os jogos exteriores são normalmente realizados em equipas e alguns jogos podem ser
praticados sem a utilização de qualquer material.
 Os macro jogos são jogos que se prolongam no tempo, não afectando negativamente o
ritmo nem o interesse dos participantes. São jogos que necessitam de locais muito
amplos para poderem ser realizados.
 Os jogos culturais baseiam-se em conhecimentos adquiridos, na agilidade mental e
inteligência dos participantes, e podem ser simples provas ou acções realizadas no
âmbito de um jogo maior.

Podemos ainda considerar como actividades lúdicas as festas e eventos nocturnos que se
realizam nos estabelecimentos turísticos.

 Festas de boas-vindas. Geralmente utilizam danças e jogos de participação com o


objectivo de integrar os recém-chegados.
 Festas de eleições. Entre as mais significativas temos o “ Mister”, a “Miss” e o “par
ideal”.
 Concursos. Nesta tipologia podemos incluir os concursos de dança, de disfarces ou
outra estrutura formada pelos jogos concurso que não estejam sujeitos a uma
temática.
 Festas de carnaval e disfarces. A diferença entre este grupo e os concursos está
no facto de que estas festas e eventos não são competitivos e têm como objectivo
criar ou dinamizar o ambiente no estabelecimento.
 Espectáculos de entretenimento, criados e executados pela equipa de animação
e que contam com a participação de outros membros do staff do estabelecimento.
 Espectáculos de participação. São eventos onde participam os turistas
juntamente com os animadores, adoptando os últimos uma série de funções mais
diversificadas, que podem ir desde a coordenação e direcção do espectáculo até à
colaboração em cena.
 Contratações externas. São espectáculos e acções realizados por pessoas
externas ao estabelecimento, que são contratadas em ocasiões pontuais ou para
dias fixos. Podem ser músicos, palhaços, mágicos.

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Actividades desportivas

As actividades desportivas no mundo da animação turística podem ser realizadas:

- Nas instalações do estabelecimento turístico que juntamente com o espaço e


material disponíveis, vão determinar o tipo de actividades desportivas a desenvolver.
Estas actividades podem ser programadas e apresentadas de diversas formas:
torneios e ligas (competições), aulas (aprendizagem) ou demonstrações. O turista
deve seleccionar a possibilidade que mais se adequar ao seu nível de conhecimentos
(por exemplo, se nunca jogou ténis, não vai participar num torneio, mas sim
frequentar aulas).
- Em espaços urbanos públicos que sejam de acesso livre e gratuito às pessoas e
que possam ser alugados. Numa cidade costeira, a praia seria um exemplo claro de
um espaço deste âmbito e que poderia ser utilizado pelos animadores turísticos.
- Nas instalações municipais da localidade, nomeadamente campos de futebol ou
basquetebol, piscinas, etc.
- Contratando empresas de serviços, como é o caso de empresas de desportos de
aventura. Neste caso, as actividades podem ser realizadas fora do estabelecimento
turístico, no meio natural onde se reúnam condições para a concretização de uma
actividade em concreto (exemplo: rafting). Podem ainda ser realizadas no recinto da
empresa de serviços contratada, onde exista uma infra-estrutura mais ou menos
complexa que permita a realização de determinados desportos, como por exemplo
slide. Outra opção possível seria a realização de actividades nas instalações do
estabelecimento turístico, onde a empresa de serviços instalou uma infra-estrutura
desmontável que permita realizar uma ou várias actividades (exemplo: escalada).

Nos três exemplos apresentados, a função do animador turístico será o de organizar ou


coordenar os grupos de pessoas que pretendam participar nas actividades e nunca poderemos
esquecer que nestas situações, os verdadeiros profissionais são os colaboradores especializados
das empresas de serviços contratadas.

Actividades culturais

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De modo a facilitar a descrição das actividades culturais, iremos dividir as mesmas de acordo
com o papel do turista. Assim temos, actividades culturais de realização e actividades culturais
de contemplação.

As actividades culturais de realização incluem as actividades em que se requer a participação


activa do turista, seja a confeccionar algum objecto, a dar uma opinião, a aprender. Veremos
de seguida alguns exemplos.

o Ateliers de trabalhos manuais, onde se realizam trabalhos de artesanato


típico da região ou artesanato criativo, incluindo técnicas como por exemplo a
cerâmica, a pintura, a cestaria, os metais, os bordados, o papel maché.
o Cursos de aprendizagem que estão directamente relacionados com os ateliers
de trabalhos manuais, mas que podem estenderem-se a outros âmbitos como
por exemplo cursos de idiomas ou de dança.
o Jogos e macro jogos. Este grupo engloba a parte mais lúdica das actividades
de realização, onde podemos incluir jogos tipo monopólio, xadrez, trivial e quizz.
Macro jogos, cujo objectivo esteja relacionado com a cultura ou aprendizagem
podem ser incluídos neste grupo.
o Degustações gastronómicas onde, depois de seguir o processo de elaboração
do produto, a actividade requer uma pequena degustação por parte dos
participantes. Caso não haja provas, teríamos que considerar esta actividade
como sendo de contemplação, em que o papel do turista seria meramente
passivo.
o Visitas. O papel activo do turista está presente na deslocação que terá que fazer
para visitar determinado local (património arquitectónico, natural ou cultural).
Excluem-se deste grupo as excursões organizadas por agências de viagens e
portanto que não fazem parte do programa de animação do estabelecimento
turístico.
o Participação activa em danças e representações teatrais. Neste caso
incluem-se também todo o tipo de ensaios realizados para obter o resultado
final.

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o Debates e conversas que devem permitir a participação activa dos


destinatários. Caso não haja essa interactividade não podemos considerar esta
acção como actividade cultural de realização, mas sim de contemplação.
o Biblioteca e leitura. Acabam por ser as actividades mais sedentárias deste
grupo, contudo podem tornar-se bastante dinâmicas se forem realizadas como
preparação para realizar debates.

O segundo grupo de actividades culturais é constituído pelas actividades de contemplação que


não requerem uma intervenção activa por parte do destinatário. O turista terá uma atitude mais
passiva. Assim, temos as seguintes possibilidades:

o Espectáculos. Aqui o turista é um espectador. Limita-se a seguir o


espectáculo da sua cadeira, aplaudindo ou fazendo algum tipo de movimento
em que não tenha que abandonar o seu lugar. Estes espectáculos costumam
ser actuações baseadas na dança, na interpretação ou em outra
manifestação cénica cultural.
o Exposições, cujo conteúdo pode ser muito variado e oscilar entre expor
objectos artísticos elaborados por profissionais ou novos talentos ou até
apresentar trabalhos realizados pelos próprios residentes do estabelecimento
turístico. Caso se pretendesse eleger o melhor trabalho exposto através da
votação dos turistas, esta actividade passaria a ser considerada como uma
actividade de realização, uma vez que o público deixaria de ter um papel
passivo e contemplativo para ter uma função activa: o acto de votar.
o Audições, que podem ser musicais, de leitura de poesia ou outros textos. As
audições podem ser pré-gravadas.
o Mostras. Neste grupo incluem-se desde exibições até possíveis “mercados”
de produtos e artesanato tradicional.
o Conferências.

3.Organização das actividades e participantes

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Programação de actividades com grupos


A adequada programação de actividades com grupos é essencial para garantir que se atinjam
os objectivos que devem ser previamente delineados em função do contexto concreto em que
estamos a actuar.

Importa ter presente que a prossecução de objectivos implica não somente uma adequada
programação, isto é, uma correcta selecção e ordenação de actividades, mas também, a
definição antecipada e a posterior implementação de uma metodologia. Ou seja não interessa
apenas pensar no que se vai fazer com um grupo, mas também como se vai trabalhar, como se
vão implementar as actividades com esse grupo.

Alguns factores a ter em conta na programação de actividades

Entre outros, há um conjunto de aspectos que devem estar presentes quando programamos as
actividades a desenvolver com um grupo.

Uma programação de actividades tem de ser flexível. Em animação de grupos é


indispensável encarar a programação com flexibilidade, tanto mais que raramente existe a
obrigatoriedade de cumprir programas antecipadamente estabelecidos. É importante prever, ao
programar, que uma actividade pode durar o tempo inicialmente previsto, mas também pode
durar muito menos ou muito mais tempo. Ou seja, pode não existir tempo para realizar tudo o
que se programou, ou pode ser necessário realizar actividades não previamente programadas
para que uma sessão de trabalho não termine cedo demais. Importa, também, ter presente que
uma actividade que, ao programarmos, parecia adequada para um determinado grupo,
contexto e momento pode, pelos mais variados e imprevistos factores, revelar-se inadequada e,
por isso mesmo, ter de ser substituída, à última hora.

Uma programação de actividades deve ser uma proposta a negociar com o grupo
com quem se vai trabalhar. Uma das características mais distintivas do trabalho que se
realiza, no âmbito da animação com grupos, é que, as pessoas, habitualmente, devem poder
escolher livremente e participar activamente nas actividades.

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Os tempos e modos desta negociação do programa de actividades, com os participantes,


variará de acordo com as características do grupo. Se o grupo tiver maturidade e capacidade de
assumir compromissos a longo prazo é possível negociar todo um programa logo no início do
nosso trabalho com ele. Mas se o grupo tiver pouca maturidade, como por exemplo quando é
constituído por crianças pequenas, a negociação terá de ser constante, actividade a actividade,
dia a dia. Ainda assim, algumas coisas terão de ser negociadas com antecedência, como por
exemplo uma actividade que exija equipamentos ou materiais que tenham de ser garantidos
previamente.

As actividades servem para atingir objectivos ou para satisfazer o grupo. Mas em


qualquer dos casos temos de ser coerentes com o objectivo da nossa actuação. Não
organizaremos actividades competitivas se um dos nossos propósitos for o de melhorar as
atitudes de cooperação entre os membros de um grupo.

A realização das actividades tem de ter em conta o ritmo de desenvolvimento do


grupo. Um grupo que não se conhece, ou que acaba de chegar a um sítio novo, não tem a
mesma capacidade de realizar actividades que requerem cooperação do que a de um grupo que
já está instalado num local ou que já funciona há algum tempo.

A programação proposta deve incluir elementos atractivos, inovadores e


espectaculares. Uma certa dose de originalidade e de espectacularidade na animação de
actividades é importante. Mas sem cair no permanente protagonismo e, ou, espectáculo da
parte dos animadores, que convertem o grupo em mero consumidor, de actuações, concursos e
outras actividades do género.

As actividades devem respeitar o ritmo de vida dos membros do grupo. O que obriga a
não programar, por exemplo, actividades que requeiram esforço físico depois de comer, ou um
longo período de actividades pouco movimentadas.

A programação de actividades deve ter sempre presente a segurança daqueles com


que trabalhamos.

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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

Por outro lado, os animadores, além de proporem uma programação inovadora, atractiva e
espectacular, devem conseguir que o grupo encontre e defina o tipo de actividades que
realmente lhe interessa, e que os membros do grupo façam também as suas propostas.

É importante, também, acostumar o grupo a decidir entre as propostas não apenas pelo lado
atractivo, mas também pela viabilidade.

Os animadores devem ajudar o grupo na preparação e realização de actividades. As


actividades são quase sempre preparadas pelos animadores, mas devemos tentar, com firmeza
e persistência, que o grupo assuma, também, a responsabilidade de preparar e realizar
actividades com o propósito de fomentar a sua autonomia e a coesão.

Os animadores devem ser elementos potenciadores do desenvolvimento da


criatividade e imaginação dos membros do grupo.
Isto significa que os animadores devem ser criativos. Mas, não significa que devam criar, muito
menos durante as actividades, para que o grupo os imite. Devem ser originais e imaginativos,
mas sobretudo para saberem escolher elementos de trabalho, transmitir sensações, oferecer
elementos motivadores e que ajudem a desenvolver a imaginação e a criar.
A este nível trabalhar com grupos, projectos com um centro de interesse (a
poluição, a idade média, a Primavera), pode ajudar a centrar a imaginação e a
criatividade.

Também devemos considerar actividades aquelas que são realizadas nos momentos
em que não há actividades programadas. Há que tirar da cabeça a ideia de que as
actividades são unicamente o que está escrito no papel, o programado. Os jogos que surgem
espontaneamente nos tempos livres, ou os momentos de leitura e de conversa, devem,
também, ser considerados actividades.

Uma proposta metodológica para a programação de actividades


Depois de todos os considerandos que antes fizemos, interessa, agora, tentar sistematizar
algumas pistas sobre o modo com devemos então programar as actividades. O esquema

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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

reproduzido nesta página ilustra uma possível forma de elaborarmos programas de actividades
no âmbito da animação de grupos.

A primeira etapa da nossa proposta consiste em inventariar todas as actividades possíveis


de realizar. Na prática sugere-se que, atendendoaos objectivos gerais e específicos que
pretendemos atingir, à realidade e ao contexto em que estamos a trabalhar e ao grupo
concreto que vamos envolver, se elabore uma lista exaustiva de actividades realizáveis.

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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

Numa segunda etapa, e a partir dessa lista inicial de actividades, devemos escolher
as que efectivamente nos interessam realizar. Nesta escolha temos de ter em conta o
perfil do grupo a quem nos dirigimos, o perfil dos animadores, os meios disponíveis, as
entidades envolvidas e as comunidades implicadas.

A escolha feita anteriormente, deverá de seguida ser refinada e organizada no tempo, tomando
a forma do nosso programa de actividades. Para isso, as actividades antes escolhidas,
deverão ser analisadas tendo, agora, em atenção o tempo disponível, os ritmos individuais e
grupais, as limitações logísticas e, sem nunca se perder de vista, a necessária flexibilidade.

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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

4.Gestão do tempo e espaço previsto para a animação

Espaços para animação – São as áreas ou lugares onde se desenvolvem as actividades de


animação.

Característica dos espaços para animação:

 Condições de salubridade

 Condições de conforto ambiental (temperatura, chuva, sol.)

 Qualificação dos espaços

 Quantificação dos espaços

 Segurança

 Flexibilidade – múltiplos usos e funções

Espaços para animação

 Espaços gerados – São aqueles concebidos especialmente para a animação.

 Espaços reutilizados – São aqueles inciialmenre projectados para outras finalidades,


que podem ser reutilizados e adaptados para novos usos de animação.

 Espaços aproveitados- São aqueles inicialmente projectados para outras funções, que
são convertidos adequadamente para animação

Espaços e tipologia da animação

 Espaços para produto-animação

 Espaços para animação do produto

Espaços para produto-animação

 Centros de férias e recreação

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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

 Clubes de turismo

 Colónias de férias

 Campings

 Alguns centros de turismo de massas

Considerações sobre os espaços para produto-animação:

 Localização – Convenientemente isolado e afastado dos centros urbanos;

 Implantação. Local beneficiado pelo meio físico natural

 Disposição. Horizontal e aberta, proporcionando deslocamento e contacto com a


natureza

 Qualificação. Os espaços devem ser oferecidos pouco a pouco, sendo quase


descobertos, porém não devem ser de difícil localização.

Espaços para animação do produto

 Hotéis urbanos

 Hotéis convencionais em estâncias naturais

 Hotéis de lazer

 Outros meios de alojamento

Meios de obtenção de espaços para animação

 Aproveitamento de espaços ociosos ou que foram projectados para outros usos e


funções

 Criação de centros de animação – estrutura comum que serve a vários estabelecimentos


de alojamento

 Formação de sistemas integrados de animação

 Intercâmbio

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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

Destinação dos espaços de animação

 Espaços para animação cultural - Locais para música, representações, apresentações,


cinemas, reuniões, debates e informações, práticas artesanais e trabalhos manuais,
biblioteca, exposições, etc.

 Espaços para animação social - Locais para festas, jogos de salão, concursos e
brincadeiras, pistas de dança, etc.

 Espaços para animação desportiva - Locais para desportos náuticos, quadros


polivalentes, ginásios, campos de futebol, etc.

O tempo das actividades de animação

De um modo geral, os programas de animação são organizados segundo três períodos do dia

 Animação diurna – Durante o dia, os turistas podem dedicar-se quer às actividades


desportivas, quer às lúdicas e às socioculturais

 Animação nocturna – Normalmente, as actividades nocturnas são as mais


frequentadas e como tal, exigem um maior esforço da parte dos animadores. As
actividades são essencialmente nocturnas e socio-culturais. Variam entre espectáculos
profissionais, actuações por parte de animadores ou dos próprios turistas, jogos lúdicos,
festas temáticas, etc:

 Espectáculos ligados à cultura local – grupos etnográficos e folclóricos

 Espectáculos musicais – diversos estilos

 Dramatizações

 Bailes

 Concursos

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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

EXEMPLO: TIMING DA ANIMAÇÃO NAS UNIDADES HOTELEIRAS

MANHÃ :

- Actividades desportivas, actividades infantis

- Jogos de praia, figuras de areia, caça ao tesouro

- Ginástica, golf, ténis, jogos aquáticos

- Mini concursos, culinária e doçaria com piqueniques

- Marchas, passeios pedestres, jeep-safaris

TARDE:

- Jogos de mesa, xadrez, bridge

- Educação e formação de saberes

- Tiro ao alvo, dardos, petanca, ténis, golfe

- Vídeo, Cinema, visitas culturais

- Exposições, artesanato, visitas guiadas

- Jogos ao ar livre, caça ao tesouro, pedy paper, pintura, barro

NOITE

- Jantares temáticos com animação localizada

- Dança com concursos de dança e noite de talentos

- Lotos, bingos, Karaoke

- Musica e Live Shows, passagem de modelos

- Bares e Discoteca

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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

5.Informação e demonstração dos objectivos e regras das actividades

De acordo com a legislação em vigor, antes da venda dos seus serviços, as empresas de
animação turística e os operadores marítimo-turísticos devem informar os clientes
sobre:
- as características específicas das actividades a desenvolver;
- dificuldades e eventuais riscos inerentes;
- material necessário quando não seja disponibilizado pela empresa;
- idade mínima e máxima admitida;
- serviços disponibilizados e respectivos preços.

Antes do início da actividade, deve ser prestada aos clientes informação completa e
clara sobre:
- as regras de utilização de equipamentos;
- legislação ambiental relevante;
- comportamentos a adoptar em situação de perigo ou emergência;
- formação e experiência profissional dos seus colaboradores.

As empresas que desenvolvam actividades reconhecidas como turismo de natureza devem


disponibilizar ao público informação sobre:
- a experiência e formação dos seus colaboradores em matéria de ambiente, património
natural e conservação da natureza.

A capacidade de adaptação e flexibilidade de actividades de animação depende não só de um


bom programa mas também da humildade e do engenho da equipa responsável para captar as
informações fornecidas pelas próprias actividades e participantes.

Na fase de execução, o animador tem que ter consciência das suas potencialidades, para que o
entusiamo e a excitação em torno dos jogos não passem os limites da segurança e do equilíbrio
existente entre todos os factores. Assim, é exigida uma constante atenção no desenrolar das
actividades e na percepção dos sintomas criados.

23
Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

Para um bom desenvolvimento da actividade é necessário:

 Facilitar a explicação das regras;


 Permitir a compreensão de todos os participantes através de demosntações, se for
necessário;
 Favorecer o bom desenvolvimento e estimular a iniciativa por parte dos participantes;
 Evitar protestos;
 Se o jogo incluir pontos ou golos, deve facilitar-se a compreensão das regras sobre a
marcação ou obtenção dos mesmos.

A comunicação entre o animador e o grupo tem de ser directa, objectiva e interactiva. É


necessário focar os aspectos mais importantes e intervir de forma clara. A explicação ao grupo
dos objectivos pretendidos pode passar pela explicação oral ou por uma demonstração do
movimento ou da acção.

A boa comunicação pode evitar a confusão na percepção por parte dos participantes e permitir
que a actividade se realize sem grandes interrupções.

24
Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

6.Dinamização e condução do grupo

A mesma actividade realizada com sucesso para determinado grupo pode não ser dinamizada
com o mesmo grau de satisfação para outro grupo. Não se pode passar a imagem de que uma
actividade dirigida a um grupo possa sempre ser utilizada por outro distinto.

Na maior parte das vezes, os grupos podem ser semelhantes em termos de idades, de
proveniência, de hábitos culturais e no entanto, os programas decorrerem de forma diferente.
Existem casos, felizmente pouco frequentes, em que a equipa animadora só na hora de iniciar a
actividade tem acesso a certas informações que podem contribuir para o sucesso da animação,
até porque os animadores e monitores sabem as faixas etárias que vão abranger, os locais de
residência, o género e outras características.

Assim, a equipa responsável pela animação deve preocupar-se com a obtenção de vários dados
dos participantes:
 O género;
 A idade ou o grupo da faixa etária;
 O local onde habitam;
 O escalão social;
 Os hábitos culturais e desportivos;
 Etc.

Recomendações para a actuação de guias orientadores de percursos de animação:

 Saudar o grupo, a presentar-se e dar as boas-vindas, de forma informal;


 Transmitir informação geral sobre a actividade a realizar: duração, grau de
dificuldade, recomendações de comportamento, de forma clara, segura e firme
 Estabelecer comunicação e interagir com o grupo
 Criar interesse sobre o tema,
 Participar activamente nas dinâmicas e actividades que se realizam durante a visita;
 Preparar cuidadosamente a visita
 O mais importante é a experiência. Quanto mais se interpreta, mais se aprende;
 Nunca deixar de aprender sobre o recurso que queremos interpretar;

25
Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

 Conhecer o melhor possível a nossa audiência;


 Determinar com maior exactidão a mensagem que queremos transmitir e o que
queremos alcancar com essa mensagem;
 Jamais mentir ou enganar o visitante;
 Preocupar-se com a comodidade e segurança do visitante;
 Aproveitar as oportunidades que se apresentam no decorrer do evento;
 Promover a participação dos visitantes, que expressem as suas opiniões e ideias;
 Usar várias técnicas de interpretação ao mesmo tempo de forma a conseguir
melhores resultados;
 Usar exemplos que estejam relacionados com a audiência;
 Não usar nomes científicos e demasiado específicos, a menos que seja estritamente
necessário;
 Fornecer a informação logística (duranção do evento, necessidades, etc.) no
princípio.

Guiar é sinónimo de comunicar

 Tratar de aclarar as ideias antes de comunicar


 Examinar o verdadeiro propósito de cada acto de comunicação
 Considerar o meio físico e humano em torno do qual se estabelece a comunicação
 Consultar os outros, quando for conveniente, ao planificar o que se vai comunicar
 Pensar muito bem no que vai dizer e concentar-se no conteúdo básico da mensagem
 Quando surgir oportunidade, aproveitar para comunicar algo que seja de ajuda ou valor
para o receptor
 Assegurar-se que as suas acções reflectem as suas comunicações
 Procurar não só ser compreendido mas também compreender: seja um bom ouvinte.

26
Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

7. Avaliação e arbitragem

Caso prático1
Regulamento do torneio de paintball realizado pela empresa de animação turística
Vivexperiência. Lda

1-Organização
A organização deste torneio está a cargo da VivExperiência – Promoção e Animação Turística,
Lda.

2-Formato do Campeonato
• Equipas de 5 jogadores (máximo 7)
• Jogos de 10 minutos
• Bolas adquiridas unicamente à organização (a utilização de quaisquer outras leva à
desclassificação imediata da equipa).
• Jogo de eliminação. (à melhor de 5 partidas – 3 vitórias),
• Apenas poderão ser utilizados em cada equipa os elementos que estejam inscritos na ficha de
Inscrição, não havendo substituições no decorrer da partida.

3-Calendário do torneio (pode ser alterado consoante nº de equipas inscritas)

4-Equipamentos
a) Marcadores – Serão utilizados os marcadores da VivExperiência sendo que também é
permitido o uso de armas próprias desde que a organização seja informada com pelo
menos 2 dias de antecedência, e possa vistoriar as mesmas.
b) Máscaras – Todos os jogadores deverão usar máscaras de protecção disponibilizadas
pela VivExperiência.
c) Indumentária – O jogador deverá usar vestimentas de mangas longas e calça
comprida, de forma a proteger todo o corpo durante o jogo. Não será permitido o uso
de indumentária que amorteça o impacto da bala, prejudicando o seu rompimento.

27
Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

d) Bolas de Tinta – Só serão permitidas as bolas fornecidas pela VivExperiência


e) Preços: 100 bolas – 5€ I 500 bolas – 20€
f) Co2 – Todos os jogadores inscritos terão direito a carregar as suas botijas de Co2
gratuitamente.

5-Inscrições para o torneio


As inscrições para o Torneio terão um valor de 100€ por equipa. Este valor inclui CO2,
equipamentos, 1500 bolas iniciais e seguros.

6-Classificações
Todas as equipas de cada grupo se defrontarão sendo classificadas da seguinte forma:
Eliminação de cada jogador: 10 pontos
Vitória por eliminação de todos os jogadores: 100 pontos
Em caso de empate será realizado um jogo de 5 minutos, sendo neste caso a pontuação de 20
pontos para o vencedor e 0 pontos para o perdedor. Poderá ser utilizado o sistema do
“matamata”.

7- Prémios
1º Classificado – Taça Master e Fim-de-semana em Pousada da Juventude* para os
vencedores do torneio.
2º Classificado – Taça Field + Pack Viva Viana Card
3º Classificado – Taça Play + Pack Restaurant Card
*Os vencedores do Fim-de-Semana em Pousada da Juventude terão que reservar com
antecedência na Pousada da Juventude de Viana do Castelo. Poderão escolher da rede de
Pousadas disponíveis a que mais lhe agradar, sendo que a dormida será em quartos
múltiplos. Se pretenderem outro tipo de alojamento, será pago à parte.

8-Arbitragem
A arbitragem será feita por elementos da organização.
Os árbitros devem:
a) Zelar pela justa aplicação das regras
b) Aplicar penalidades no âmbito das regras e regulamentos

28
Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

c) Atender às reclamações de jogadores ou equipas


d) Avaliar e aplicar sanções disciplinares a jogadores ou equipas que cometam infracções às
regras ou regulamentos cuja gravidade ultrapassa o âmbito das penalidades previstas nas
mesmas.

9-Disciplina
a) Os capitães das equipas serão os representantes de todos os jogadores perante os
árbitros e a organização do torneio.
b) Todos os jogadores devem estar cientes dos regulamentos e o capitão será o
responsável a esclarecer quaisquer dúvidas de seus companheiros. Será marcada uma
reunião com os capitães de todas as equipas antes do campeonato para
esclarecimentos gerais. Caso o capitão de equipa não possa participar da reunião é
obrigatório o comparecimento de outro jogador da equipa.
c) O jogador ou o acompanhante que, por qualquer motivo, tentar ou efectivar uma
agressão contra árbitro, organizadores, espectadores, funcionários do local ou qualquer
pessoa nos locais do torneio, durante todo o período de realização do evento, desde a
abertura das inscrições, terá sua equipa desclassificada.
d) É terminantemente e proibido o porte de arma de fogo em todos os recintos do
evento. A falta do cumprimento deste ponto desclassifica automaticamente e de
maneira inapelável o jogador faltoso.
e) É terminantemente proibido transitar com armas de Paintball fora das áreas de
segurança.

10-Jogo
a) Cada jogo tem a duração de10 minutos
b) Cada equipa deverá apresentar-se no local do jogo com antecedência mínima de 10
minutos antes de cada jogo.
c) O jogo será iniciado e encerrado com o soar de um apito longo
d) Será considerado “morte” as balas que se romperem em qualquer parte do corpo e
arma. Ou que embatam no corpo do jogador,
e) A primeira atitude do jogador que foi atingido deve ser a de verificar o seu corpo e
equipamento e determinar se realmente houve o rompimento do projéctil de tinta.

29
Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

Neste caso deverá colocar a arma em segurança e levantá-la acima da cabeça (esse
gesto caracteriza jogador eliminado) a fim de sinalizar sua eliminação, caminhando
rapidamente para a saída do campo em silêncio.
f) Se o jogador for atingido na parte frontal do corpo e continuar a atirar ou for
apanhado a tentar limpar a tinta, será penalizado com expulsão.
g) Se o jogador, quando atingido, tiver dúvida se foi eliminado poderá solicitar um
paintcheck em si mesmo ao árbitro mais próximo, não podendo atirar novamente até
ser declarado limpo pelo árbitro.
h) Se dois jogadores atingirem um ao outro simultaneamente, todos serão eliminados (a
decisão do árbitro é definitiva).
i) Ao receber um respingo de pelo menos metade do projéctil em tiro directo, o jogador
será considerado eliminado a critério do árbitro (a decisão do árbitro é definitiva).
j) Se um jogador desejar saber se ele ou seu adversário foi atingido, este deverá
chamar um árbitro, gritando paintcheck indicando com clareza a localização do tiro.
k) Se o árbitro tiver que paralisar o lance para fazer o paintcheck e isso for expor o
jogador a ser checado, este gritará jogador neutro, devendo cessar-fogo e
movimentação em relação ao jogador neutro. Caso as condições sejam alteradas
durante o paintcheck, o árbitro a seu critério, recolocará os jogadores.
l) Durante o paintcheck entre oponentes, uma vez declarado neutro o jogador deve
manter sua posição. O que solicitou o paintcheck pode permanecer no local e prosseguir
no jogo, excepto em relação ao jogador neutro, até que o árbitro declare o lance
reiniciado.
m) O cronómetro não para por ocasião do paintcheck.
n) O abuso do paintcheck poderá ser passível de punição (expulsão).
o) O jogo acaba quando o árbitro cronometrista ao final de 10 minutos declarar o
encerramento por meio de um apito longo ou quando já não houver qualquer jogador
em campo.
p) Ganha o jogo a equipa que mantiver mais tempo os seus jogadores em campo.

11-Disposições finais
A comissão da prova será formada por três membros, o organizador e dois árbitros. Cabe à
comissão decidir sobre qualquer tipo de problemas surgidos durante a competição.

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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

Fica estabelecido que o comparecimento para o campeonato implicará o aceite total e irrestrito
dos termos deste regulamento.

12-Casos Omissos
Todos os casos omissos serão resolvidos pela Organização.

CONTACTOS
VivExperiência – Promoção e Animação Turística, Lda.
Lg. 9 de Abril, Centro Académico do IPVC, 4900-339 Viana do Castelo
Tel. 258 098 415 E-mail: vivexperiencia@gmail.com I www.vivexperiencia.pt

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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

Caso prático2
Regulamento dos Jogos Tradicionais organizado pelos alunos do curso de TIAT
desenvolvido pela empresa Winnerges

Preâmbulo

Cada jogo apresenta uma imprescindível função de desenvolvimento, de interacção socializante


que contribui para o desenvolvimento de cada um de nós, para o melhoramento do nosso
quadro civilizacional e aos quais nos podemos dedicar com total satisfação, buscando lazer,
evasão e convivialidade.
Cada equipa deve participar de forma voluntária e dar livre curso à sua capacidade criadora,
depois de se ter libertado das suas obrigações profissionais, familiares e sociais.
Com o objectivo de proporcionar um dia de convívio em constante contacto com a natureza e
estimulando o exercício mental e físico, a Winnerges Consultoria Empresarial, S.A, atenta ao
bem-estar dos formandos e às vicissitudes inerentes ao percurso formativo de cada um, não
pode ficar alheia à importância dos momentos de lazer e de interacção entre os diferentes
intervenientes da formação.
Neste contexto e com o intuito de sensibilizar os formandos e colaboradores desta mesma
instituição foi elaborado o presente regulamento dos Jogos Tradicionais.

Artigo 1º
Objecto do Concurso
O Concurso de Jogos Tradicionais, adiante designado por concurso, destina-se a proporcionar
um conjunto de ocupações, nomeadamente, na área do lazer, podendo o participante dedicar-
se com total satisfação e divertimento, de forma voluntária e em convívio com os restantes
participantes.

CAPÍTULO II
Artigo 1º
Modalidades e Categorias
1- O concurso integra as seguintes modalidades de jogos tradicionais:
a) Jogo dos sacos;
b) Tracção a Corda em linha;
c) Laranja;
d) Balões;
e)Futebol;
f) Pião;
g) Malha;

32
Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

h) Andas;
i) Latas;
j) Corrida de chancas;
L) Roda-Roda;

Artigo 3º
Concorrentes
1- O concurso é aberto a todos os formandos e colaboradores da Winnerges, consultadoria
Empresarial, S.A.
2- Cada concorrente disponibilizará o material necessário para a(s) modalidade(s) em que se
inscreveu.
3- Todos os concorrentes recebem o regulamento com a ficha de inscrição.

CAPÍTULO III

Artigo 1º
Inscrições para o jogo de futebol
1- A Winnerges, Consultadoria Empresarial, S.A. anuncia a abertura do concurso e a data limite
para apresentação das inscrições para o jogo de futebol.
2- As inscrições deverão ser efectuadas nos Centros de Formação de cada curso convidado.
3-Podem inscrever-se os formandos, formadores, colaboradores e convidados da Winnerges,
Consultadoria Empresarial, S.A.
4- As inscrições estão limitadas a quatro elementos por turma para o jogo de futebol.
5- Para qualquer esclarecimento os concorrentes podem solicitar informações pelo telefone 253
100 094, pelo e-mail tiat.guimaraes@gmail.com ou pessoalmente no Centro de Formação sito
na Av. D. João IV, 187-2º Andar, sala 15/16, em Guimarães.

Artigo 2º
Critérios de Participação
1 – Cada participante é livre de participar em todas as modalidades disponíveis.
.
Artigo 3º
Local dos Jogos
1- O local de realização dos jogos é a Estância Turística da Penha.

CAPÍTULO IV
Regras dos Jogos

Artigo 1º
Jogo dos sacos
Colocam-se 4 participantes na linha de partida lado a lado. Ao apito do árbitro, inicia-se a
prova. Os participantes vestem os sacos, segurando-os com as mãos ao nível da cintura.

33
Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

Percorrem o trajecto (…m) a saltar. É vencedor o participante vencedor que chegar em primeiro
lugar à meta.

Artigo 2º
Tracção com corda em linha
Num terreno plano e livre de obstáculos são organizadas duas equipas, preferencialmente com
força equivalente, em lados opostos da corda. O primeiro elemento de cada equipa deve situar-
se junto à linha que se encontra definida no chão e do lenço enrolado na corda. Ao apito do
árbitro, ambas as equipas devem puxar a corda para o seu lado. Ganha a primeira equipa a
conseguir que o primeiro elemento da equipa adversária pise a marca do chão.
É desclassificada a equipa cujos membros caírem ou largarem a corda.
Não é permitido enrolar a corda no corpo ou fazer buracos no solo para ajudar a segurar os
pés.

Artigo 3º
Jogo da laranja
O jogo da Laranja ou bola de ténis é uma prova de resistência em que equipas de dois
concorrentes, ao apito do árbitro, correm da linha de partida até à meta, com a laranja ou bola
de ténis pressionada pelas testas dos participantes. Se a laranja ou bola de ténis caírem
durante o percurso, a equipa deverá recomeçar da linha de partida. É vencedora a equipa que
terminar o percurso em primeiro lugar sem deixar cair a laranja ou bola de ténis.

Artigo 4º
Jogo dos Balões
Um ou mais jogadores de olhos vendados devem rebentar balões, que se encontram
suspensos, com um pau. Os balões poderão conter água, farinha ou arroz.
A prova será cronometrada num tempo limite de 2 minutos. Ganha o jogador que rebentar mais
balões.

Artigo 5º
Jogo de Futebol
Equipa:
Cada equipa deve ser composta por 11 jogadores: 1 guarda-redes e 10 jogadores de campo.

Duração do jogo:
Um encontro de futebol tem a duração de 60minutos, constituído por duas partes de 30
minutos/cada, intervaladas por 15 minutos. Os períodos são definidos ao apito do árbitro.
É vencedora a equipa que marcar mais golos. Se no final do jogo as equipas se encontrarem
empatadas, dá-se lugar à marcação de grandes penalidades. Numa primeira fase, cada equipa

34
Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

tem direito à marcação de cinco grandes penalidades alternadamente e sai vencedora do jogo a
equipa que marcar mais golos.
Se após a realização desta fase as equipas encontraram-se, ainda, empatadas, será feito o
desempate a partir da marcação eliminatória de grandes penalidades, sendo que ganha a
equipa que marcar primeiro, sem sofrer golo.

Substituições:
Durante o jogo, não há limite para as substituições, pelo que um jogador substituído pode
voltar a entrar em campo.

Canto:
O canto é a marcação de um pontapé a partir do ângulo da linha de canto. A bola pode ser
pontapeada para a grande área ou pode ser passada para um colega de equipa que esteja em
qualquer parte do campo. A marcação do canto acontece quando a bola sai do campo pelas
linhas de fundo do lado da equipa que está a defender por acção de um jogador da mesma
formação.

Lançamento:
Quando a bola sai fora das linhas laterais do campo por interposição de um atleta de uma das
equipas, a formação contrária tem o direito de reintroduzir a bola no jogo a seu favor. O
lançamento é feito com as mãos, sendo que o futebolista deverá ter o corpo inclinado para a
frente e com os pés da parte de fora da linha lateral do campo.
Faltas:
Uma falta dá-se quando um jogador comete uma das acções listadas, entre as quais incluem
pontapés sobre o adversário, rasteiras, puxões, empurrões etc.
Fair Play:
Significa entrar no jogo com o objectivo de ganhar, mas sendo correcto para com os jogadores
adversários. Se cometida uma falta, o jogador deverá ter a atitude de dar a mão e pedir
desculpa ou pontapear a bola para fora das linhas de jogo, se o jogador ficar caído no chão. É
no cumprimento das regras que é mostrado civismo e espírito desportivo.

Artigo 6º
Jogo do pião
O jogo consiste na utilização de um pião de madeira e de um cordel. Depois de envolvido o pião
com o cordel, a partir do bico, o pião é lançado ao chão com o objectivo de o colocar a girar ou
bailar o maior tempo possível dentro de um círculo.

Artigo 7º
Jogo da Malha

35
Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

Num terreno liso e plano são colocados, na mesma direcção, dois pinos com cerca de 15/18
metros de distância entre eles. Cada equipa deve encontrar-se, à mesma distância, atrás de um
pino. Um elemento de cada equipa joga alternadamente. O objectivo é derrubar ou colocar a
malha o mais próximo do pino da equipa adversária, lançando-a com uma mão. os pontos são
obtidos pela proximidade ou derrube do pino, sendo que a malha mais próxima vale um ponto
e o derrube do pino vale dois pontos. Obtendo 15 pontos, a equipa que se encontra a perder
pode deslocar o pino para outro local. É vencedora a primeira equipa a obter 30 pontos.

Artigo 8º
Jogo das Andas
O jogo das andas é uma prova de resistência dos concorrentes. É percorrida a distância definida
entre a linha de partida até à meta com andas. Sempre que um participante cair das antas
deverá retomar o jogo do local onde caiu. O vencedor é o primeiro participante a chegar à
meta.

Artigo 9º
Jogo das Latas
Sobre uma mesa colocam-se latas vazias, formando uma pirâmide. Faz-se uma linha de
arremesso a cerca de 1,5 metros de distância. Cada participante recebe três bolas, dispondo de
três oportunidade para derrubar o maior número de latas.

Artigo 10º
Corrida das Chancas
Os participantes com os pés inseridos nas pegas de cabedal vão tentar coordenar os
movimentos de forma a correr o mais rápido possível o percurso definido pela organização
desde a linha de partida até à meta.
É vencedor o jogador que chegar à meta em primeiro lugar.

Artigo 11º
Roda – Roda
Colocando a testa num pau que se encontra em posição vertical relativamente ao chão, os
participantes devem rodar cinco vezes sobre o pau. De seguida, devem percorrer a distância
assinalada até à meta. O vencedor será o primeiro a passar linha de partida.

CAPÍTULO V
Artigo 1º
Arbitragem

36
Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

Os árbitros das modalidades são os formandos do curso de Técnico de Informação e Animação


Turística.

Artigo 2º
Competência do Júri
1- Compete ao júri resolver as dúvidas e/ou lacunas que possam surgir na aplicação deste
regulamento.
2- As decisões do júri não são passíveis de recurso.

37
Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

Caso prático3
Questionário de avaliação da satisfação da actividade de animação – peddy-paper

QUESTIONÁRIO DE SATISFAÇÃO DO PEDDY-PAPER

Agradecendo desde já a sua preferência pela participação na nossa actividade, gostariamos de solicitar a
sua colaboração no preenchimento deste questionário de avaliação de desempenho. Objectivamos desta
forma melhorar a nossa prestação no futuro. Obrigado pela sua colaboração.

Como tomou conhecimento da


actividade?

Cartaz
Flyers
Internet
Convite
Outros Quais

Acesso ao local de partida


Insuficiente Suficiente Bom Muito Bom Excelente
Estacionamento

Relativamente ao Peddy Paper


Insuficiente Suficiente Bom Muito Bom Excelente
Acolhimento
Inscrição
Material de apoio
Tema do evento
Horários definidos
Apoio e acompanhamento prestado pela
organização
Actividades

38
Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

O Peddy Paper foi de encontro às


expectativas Sim Não
Comentários:

Satisfação global do evento Insuficiente Suficiente Bom Muito Bom Excelente

Observações:

39
Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

8.Regras de segurança

A avaliação e gestão do risco é inerente à actividade desenvolvida para os programas de


natureza e ar livre. Qualquer actividade humana segura a 100% é inexistente.

Em consequência, quer a construção de um Plano de Segurança e Emergência para as


instalações onde decorrem actividades deste cariz, bem como a definição dos Planos de
Contingência a adoptar para cada uma das actividades, em função do seu grau de risco,
pressupõe a avaliação do risco e são factores cruciais para a sua gestão de forma consciente, e
para o alcance do seu objectivo final, também é inerente esta avaliação para a vivência plena
das actividades por parte dos participantes.

No plano teórico, elementos simples servem de enquadramento a uma triologia clássica na


Avaliação e Gestão do Risco, tendo em conta os factores decisivos de tempo e circunstâncias
envolventes:

1. Recolha de informação tão ampla e completa quanto possível.


2. Análise da informação, construção de cenários, listagem de opções e interacções.

3. Tomada de decisão e rapidez na acção.

De uma forma mais complexa, a metodologia para a avaliação e gestão do risco percorre por 5
fases, de modo a construir um sistema de elevados padrões de exigência:

1. Reconhecer os tipos e níveis de risco inerentes a cada actividade.


2. Analisar os factores de causa-efeito.

3. Determinar as acções e medidas a tomar; elaborar mapas e procedimentos.

4. Rever assiduamente em face de acontecimentos e novas ameaças

5. Estabelecer medidas correctivas.

40
Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

Em função dos objectivos dos diferentes programas de actividades, diferentes graus de risco
podem ser aceitáveis e devem ser parametrizados em função das suas características. A
definição do nível de risco aceitável faz a diferença entre o bem estar e a incomodidade, entre o
prazer e o sofrimento e no limite, entre a vida e a morte.

Forçar os níveis de risco aceitáveis para cada actividade, provocará a insegurança, potenciará
conflitos, aumentará a possibilidade de descontrolo e, por fim, o insucesso daquela actividade.

Perceber o nível de risco aceitável em cada actividade e programa, bem como a determinação
dos factores essenciais para determinados objectivos da actividade, permite adequar a gestão
de risco em qualquer etapa, de modo a gerir o ciclo de avaliação do risco: identificar os riscos,
decidir como gerir o risco inerente ao programa, assim esteja de acordo com os objectivos
traçados.

Avaliar o que pode correr mal em qualquer actividade requer o cuidado necessário e
experiência considerável para identificar o tipo de situações e acasos que possam acontecer nas
actividades de Aventura. Conhecer as experiências anteriores e as referências de solução, bem
como ler os manuais ou trocar experiências com pessoas mais experimentadas pode ajudar a
desenvolver esta experiência.

A análise das situações mais sistemáticas que podem influenciar o desenrolar das actividades
em sentido desviante do objectivo traçado, pode ser vista sob a perspectiva de 3 eixos, fontes
do risco:

Actividade – as coisas que tipicamente podem corer mal

Participantes – a sua perícia única e o nível de conhecimento

Envolvente – o tempo, as condições de superficies, o equipamento, etc.

Caso as consequências dos riscos identificados acima sejam inaceitáveis em função dos
objectivos do programa, logo são requeridas outras estratégias de Gestão do risco. Estas
podem estar assentes em 3 princípios básicos:

 Reduzir o risco pela tomada de precauções adicionais.

41
Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

 Avaliar o risco inteiramente.

 Proceder porque o risco parece aceitável.

Em resumo: este sistema simples de Avaliação e Gestão do Risco torna-se quase uma
menomónica para o staff e deve ser lembrado quando dele precisam.

Porém, a experiência e o treino é que tornarão os monitores mais habilitados para prever e
antecipar as medidas mais adequadas perante as situações imprevistas surgidas em actividades
com maior complexidade e perante os acasos de interactividade na natureza.

Teoria do Acidente

Genericamente, a maioria dos acidentes ocorre quando dois tipos de perigos, humanos
(subjectivos) e ambientais (objectivos), se combinam ou interagem ao mesmo tempo criando
um potencial de acidente. O potencial de acidente é a possibilidade ou o risco de que um
acidente venha a acontecer. Um alto risco de acidente potencial não significa que um acidente
ocorra, somente que a sua probabilidade aumenta. A probabilidade é altamente influenciada
pela relativa força e número de perigos presentes e igualmente pelas contra-medidas pro-
activas, activas e reactivas que se tomam. Como não é possível conhecer com exactidão estas
probabilidades, o conhecimento destes factores e o julgamento baseado neste conhecimento
pode ajudar a avaliar com mais rigor, ainda que subjectivamente, o risco potencial.

Classificação de Perigos

Podemos tipificar o perigo em duas categorias: elemento (factor ou causa) e conjectura. Os


elementos de perigo são as fontes de ferimento ou de perca, por exemplo um relâmpago
(descarga eléctrica). As conjecturas são condições que acentuam ou influenciam a hipótese de
ocorrência de um ferimento ou de perca, por exemplo uma trovoada. A presença de perigo,
quer seja uma causa ou uma conjectura, aumenta o risco. Por exemplo o perigo de uma pessoa
ser electrocutada é criada por dois perigos: a presença de uma trovoada (conjectura) que
aumenta a probabilidade de um raio (causa) atingir uma pessoa.

Conhecendo as diferenças entre causas e conjecturas e sendo capaz de as identificar no


terreno, podem-se diminuir as hipóteses de riscos desnecessários. Por exemplo, a travessia de

42
Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

um glaciar para se atingir um cume. Nos glaciares existem zonas de crevasses e de seracs que
são óbvios elementos de perigo. A acção lógica será a de evitar a zona do glaciar aonde estes
se encontram. No entanto por vezes a nossa rota atravessa zonas como estas, pelo que é de
todo impossível evitar estes perigos. Neste caso, devemos lidar com esta situação de uma
maneira segura, considerando a conjectura associada aos elementos de perigo.

A temperatura, que varia consoante a hora do dia, o sol e outras condições climatéricas é uma
conjectura que aumenta a probabilidade de movimentos de blocos de gelo à medidas que estes
vão aquecendo. Os alpinistas experientes evitam o risco de sofrerem um acidente devido ao
movimento do gelo escolhendo a hora correcta para se defrontarem com estes elementos -
quando a conjectura de perigos é mínima. A prática comum sugere que se comece a ascensão
a meio da noite, com os frontais na cabeça, que se atinja o cume pela madrugada e que se
esteja de volta ao campo base a meio do dia - antes da subida da temperatura. No calor da
tarde os alpinistas podem aproveitar para relaxar, comer uma boa refeição, enquanto observam
a uma distância segura o glaciar a derreter e a mover-se, sabendo que reduziram a
probabilidade dos perigos encarando apropriadamente a conjectura e os seus diversos
elementos. Resumindo os elementos de perigo sempre estarão presentes nas actividades de
aventura. Sabendo como e quando estes condicionam a conjectura pode ajudar-nos a reduzir
cumulativamente os perigos em ambos os lados da equação do acidente.

Análise de Perigos

Vimos como se procede em relação aos factores e às conjecturas de perigo no caso de


derretimento de gelo, mas como generalizamos a análise dos perigos deste caso específico para
outras situações. Utilizando o seguinte procedimento de 10 passos para a Análise de Perigos,
que permite reduzir a chance de que estes nos aconteçam, ou no caso de acontecerem, que
nos permita minimizar as suas consequências para níveis aceitáveis e ou recuperáveis.

 Planear antecipadamente;

 Identificar os perigos;

 Chamar atenção para os perigos;

 Remover os perigos;

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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

 Evitar os perigos;

 Defrontar os perigos;

 Avaliar o risco de ocorrer um acidente (humano/subjectivo ou ambiental/objectivo);

 Estimar a probabilidade de perda (número e força);

 Justificar a perda/risco de vida (aceitável e ou recuperável);

 Proceder com extrema precaução.

 Planear antecipadamente

Admitir que um acidente nos pode realmente acontecer! A questão não é se, mas antes
quando. A solução é estar sempre pronto para dar respostas aos diversos problemas que nos
podem acontecer, e adoptar uma postura humilde enquanto monitores. Planear
antecipadamente é essencial. Saber como agir perante cada acidente potencial antes de ele
acontecer.

Identificar os perigos

Procurar identificar os perigos de uma forma permanente ou continua. Permanecer vigilante em


relação aos possíveis perigos em toda e qualquer situação. Perguntar-se permanentemente “E
se” - Adoptar sempre a acção correcta para lidar com os perigos.

Destacar a atenção para os perigos

Uma vez identificados os perigos, chamar a atenção dos colegas e clientes sobre estes. Nos
perigos de factor humano podemos reduzir as probabilidades de um acidente potencial
chamando a atenção sobre este e conduzindo os participantes a uma mudança de
comportamento.

Remoção do perigo

Se apropriado, remover elementos que contribuam para situações de perigo.

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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

Se chamar a atenção sobre o perigo não é o suficiente para resolver o problema, considere-se a
hipótese de removê-lo, desde que esta acção não aumente o risco ou origine outras situações
perigosas.

Evitar situações perigosas

Se não é possível remover o perigo, então a melhor solução é tentar evitá-lo. Esta atitude pode
passar por alterar, reorientar, modificar, adoptar um novo plano, cancelar ou abortar uma
actividade. Note-se que o encontro com situações perigosas é ocasionalmente necessário e às
vezes desejável. Para além da óbvia procura de perigos pelos aventureiros, como meio de se
porem à prova, o encontro com este tipo de situações potencialmente perigosas pode ter os
seus aspectos positivos. No entanto não esquecer que estas experiências podem ser positivas
desde que não se combinem dois ou mais factores de risco na mesma “equação”.

Identificar e classificar situações de perigo

Se não é possível remover ou evitar os perigos, o mais certo será ter que os enfrentar. Logo
torna-se necessário classificá-los ou como elementos (origem de dano ou perca) ou como
conjectura (condições que influenciam a probabilidade de dano ou perca). Esta classificação
permite-nos enfrentar os perigos quando factores da conjectura são mínimos, desta forma
reduzindo o risco de acidente.

Avaliar o risco e reclassificar o perigo

Se não se pode evitar o perigo, então devemos avaliar o risco de um acidente potencial. De
seguida reclassificaremos o risco ou como ambiental - baseado no espaço circundante, ou como
humano - baseado no grupo. Esta reclassificação permite-nos reconhecer se o potencial de
sobreposição das duas forças e se o risco de um acidente existem.

Estimar os potenciais danos ou perdas

Se a combinação de perigos ambientais e humanos parecer eminente, estimar a probabilidade


de danos ou perdas. Relembrar que quanto mais numerosos e fortes forem os perigos, maiores
são as probabilidades de um acidente ocorrer. Logo devemos identificar e avaliar o numero e a
força dos perigos nas categorias ambiental e humana. Números absolutos não significam
necessariamente que os acidentes sejam igualmente proporcionais - somente que quanto mais

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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

perigos presentes, mais as combinações entre estes perigos existem e maiores as possibilidades
de um acidente ocorrer.

Minimizar os danos ou perdas

Se o risco de um acidente parecer provável mas no entanto não uma certeza absoluta, escolher
uma linha de actuação de que cujo resultado de um acidente seja aceitável e recuperável. Se
na montanha formos apanhados por uma trovoada que ponha em perigo a vida dos
escaladores, se ao abandonar o material de escalada metálico diminuímos as hipóteses de
sermos atingidos por um relâmpago, abandonemos então este material o qual recuperaremos
noutra altura, aceitando o facto de a perda possa ser meramente financeira e não mais cara do
que isso.

Fazer ajustamentos apropriados

Se o resultado de uma perda for por exemplo um acidente com ferimentos, executar
ajustamentos pré-planeados e apropriados (p. ex.: socorro e evacuação). Para se alcançar isto
tem que se pré-planear. Decida quais as suas contra-medidas para acidentes com ferimentos,
antes da ocorrência dos mesmos. Uma vez estas postas em prática, proceda com extrema
precaução, continuando a procurar novos perigos que possam surgir e combine-os com os já
existentes.

Factores de Inibição da Analise

Existem seis factores que podem inibir a análise da condição de perigo. Estes factores de
inibição são situações novas ou inesperadas, atribuições inapropriadas, falta de concentração,
pressa em regressar, fenómeno de mudança para atitudes de risco, julgamentos pobres ou
erróneos.

1 - Situações novas e ou inesperadas

Significa que provavelmente não se conseguirá responder de forma adequada a situações com
as quais não tivemos contacto ou experiência. Um bom exemplo é o de utilizar um percurso ou
liderar grupos pela primeira vez ou ainda realizar actividades em novas instalações ou terrenos.
A importância dos reconhecimentos antes da realização das actividades é a de que estes
contribuem para o decréscimo das hipóteses de surpresas durante o decorrer das mesmas.

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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

2 - Atribuições inapropriadas

Atribuições inapropriadas referem-se à tendência de certos monitores de tomar o crédito por


acções bem sucedidas, atribuindo este sucesso às suas competências pessoais; e a atribuir a
culpa dos insucessos a outros ou outras coisas, por exemplo as más condições climatéricas ou
ao mau equipamento. Este comportamento acontece frequentemente devido a orgulho
exagerado, da necessidade de agradar a terceiros, de querer ficar bem visto ou do desejo de
viver segundo determinadas expectativas. Mas atenção, porque este comportamento leva-nos a
negligenciar o primeiro passo dos procedimentos de análise de riscos: aceitar que os acidentes
também nos podem acontecer.

3 - Falta de concentração

A desconcentração surge em monitores que baixam a sua guarda devido a fadiga, distracção ou
falta de cuidado. Baixando a guarda cessa a procura constante de perigos e não se está
suficientemente alerta para se agir com precaução. Este tipo de comportamento é
frequentemente observado em grupos a regressar de uma ascensão, ou quando o escalador
atingiu o topo da via e está a descer é comum o assegurador descuidar a sua atenção. Ou seja,
após as situações de stress ou de dificuldade envolvidas nas actividades toma-se a percepção
errada de que o perigo acabou e a nossa desatenção origina frequentemente acidentes.
Ocorrem mais acidentes a rapelar de vias de dificuldade do que propriamente acidentes com
causa na própria dificuldade das mesmas.

4 - Pressa em regressar

Sentir o cheiro do celeiro e ter pressa em chegar é um comportamento comum entre cavalos e
monitores. Quando se tenta recuperar tempo de um horário que está irremediavelmente
atrasado ou quando o fim está já à vista, tem-se a tendência para deixar de chamar a atenção
para perigos que em situações normais se faria um esforço maior para evidenciar, remover ou
evitar. Perante o desejo veemente de regressar a casa para um duche quente ou a uma boa
refeição, há que resistir à tentação de tornar este objectivo mais importante que a segurança.

5 - Fenómeno de mudança para comportamentos de risco

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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

Este fenómeno ocorre quando num grupo existem pessoas (normalmente inexperientes), que
adoptam comportamentos mais arriscados do que os que teriam se se encontrassem sozinhas
nas mesmas condições. Membros novos adoptam este comportamento quando estão relutantes
em expressar os seus medos, especialmente quando a coragem é socialmente desejável. Ou
naqueles que transferem a sua responsabilidade pessoal perante os riscos para outros,
pensando que assim aumentam o seu nível de segurança ou o do grupo, e geralmente sem
informar o monitor desta sua decisão. Quando isto acontece, podemos descobrir que o grupo
está a tomar decisões que de facto não quer seguir, porque ninguém gosta de parecer covarde
perante os outros e muitos são relutantes em admitir que se encontram em situações que estão
para além dos seus limites pessoais. Como monitores temos que estar conscientes desta
possibilidade, especialmente quando existem focos de tensão dentro do grupo.

6 - Julgamentos pobres ou erróneos

Julgamentos pouco fundamentados ou errados inibem muitos factores da monitorização de


actividades, e a segurança não é excepção. Este tipo de julgamentos errados são frequentes
em situações nas quais não nos apercebemos do que se está realmente a passar. Tal falta de
percepção leva-nos a estimar mal situações de perca ou dano, ou a avaliar mal o real valor
desta perca posteriormente numa situação de quotidiano. Uma vez que “o bom julgamento” é
vital neste tipo de actividade, convém manter uma análise e avaliação constante aos nossos
julgamentos. Ao fazermos a nossa auto-avaliação à que tomar em conta a opinião sincera e
honesta de outros colegas. Ainda que este método possa ser algo ameaçador em termos
profissionais ou pessoais, pode contribuir muito para a tomada de decisões correctas. Aproveita
pois para discutir em pequenos grupos com outros monitores situações de risco passadas,
casos épicos e erros embaraçantes, sem medo de ser criticado ou admoestado por pessoas
hierarquicamente superiores.

Contra-medidas de Segurança

Apesar de uma minuciosa análise de perigos e de se tomar atenção aos factores que podem
inibir o nosso julgamento, os acidentes podem acontecer e acontecem-nos! No caso de um
acidente nos acontecer, uma sequência de contra-medidas pode provar-se muito útil de forma a
minimizar as consequências deste mesmo acidente. Podemos dividir as contra-medidas de

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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

segurança para acidentes em três categorias, conforme a linha temporal da sua aplicação:
primárias ou pro-activas, activas ou secundárias e reactivas ou terciárias.

Contra-medidas pro-activas ou primárias

Este tipo de medida sugere que se pratiquem todos os tipos de medidas a tomar em caso de
acidente ou ao menos que se prepare uma resposta adequada às eventualidades. Exemplos de
medidas preventivas são as inspecções ao equipamento, briefings de segurança, treino dos
monitores, revisão de perigos humanos e ambientais potenciais ou inspecção atenta do estado
de saúde dos clientes ou participantes.

Contra-medidas activas ou secundárias

São todas as medidas tomadas durante o programa ou actividade, geralmente resultantes de


um acidente. Exemplos de medidas de resposta ou activas são o primeiro socorro, busca e
salvamento, evacuação ou registo no local dos dados dos ferimentos dos acidentados.

Contra-medidas reactivas ou terciárias

São todas as medidas tomadas após o acidente. Tais como informar familiares ou pessoas
intimas da vítima e a organização promotora do ocorrido, preenchimento de documentação
relativa ao acidente para posterior análise e para companhias de seguros ou marcação de
visitas ao acidentado no hospital ou em sua casa.

Competências pessoais de segurança do monitor

Por último, os monitores devem procurar aumentar ou ganhar conhecimentos em áreas que
têm um papel importante nas questões relativas à segurança e que se revejam no tipo de
actividades que enquadram. Exemplos destes tipos de competências são a interpretação
meteorológica, regulação da temperatura corporal, orientação e navegação, sobrevivência,
curso de nadador salvador, curso de primeiros socorros, busca e salvamento, evacuação ou
regaste.

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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

ANEXO

CÓDIGO DE CONDUTA DAS EMPRESAS DE TURISMO DE NATUREZA

(Portaria nº 651/ 2009, de 12 de Junho)

I — Responsabilidade empresarial
As empresas organizadoras de actividades de turismo de natureza:
1) São responsáveis pelo comportamento dos seus clientes no decurso das actividades
de turismo de natureza que desenvolvam, cabendo -lhes garantir, através da informação
fornecida no início da actividade e do acompanhamento do grupo, que as boas práticas
ambientais são cumpridas;
2) Sempre que os seus programas tenham lugar dentro de áreas protegidas, devem
cumprir as condicionantes expressas nas respectivas cartas de desporto de natureza,
planos de ordenamento e outros regulamentos, nomeadamente no que respeita às
actividades permitidas, cargas, locais e épocas do ano aconselhadas para a sua
realização;
3) Devem respeitar a propriedade privada, pedindo autorização aos proprietários para o
atravessamento e ou utilização das suas propriedades e certificando -se de que todas as
suas recomendações são cumpridas, nomeadamente no que respeita à abertura e fecho
de cancelas;
4) Na concepção das suas actividades devem certificar- -se de que a sua realização no
terreno respeita integralmente os habitantes locais, os seus modos de vida, tradições,
bens e recursos;
5) Devem assegurar que os técnicos responsáveis pelo acompanhamento de grupos em
espaços naturais têm a adequada formação e perfil para o desempenho desta função,
quer ao nível da informação sobre os recursos naturais e os princípios da sua
conservação, quer ao nível da gestão e animação de grupos;
6) São co -responsáveis pela salvaguarda e protecção dos recursos naturais devendo,
quando operam nas áreas protegidas e outros espaços naturais, informar o ICNB, I. P.,
ou outras autoridades com responsabilidades na protecção do ambiente, sobre todas as
situações anómalas detectadas nestes espaços;

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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

7) São agentes directos da sustentabilidade das áreas protegidas e outros espaços com
valores naturais devendo, sempre que possível, utilizar e promover os serviços, cultura e
produtos locais;
8) Devem actuar com cortesia para com outros visitantes e grupos que se encontrem
nos mesmos locais, permitindo que todos possam desfrutar do património natural.

II — Boas práticas ambientais


Em todas as actividades de turismo de natureza:
1) Devem ser evitados ruídos e perturbação da vida selvagem, especialmente em locais
de abrigo e reprodução;
2) A observação da fauna deve fazer -se à distância e, de preferência, com binóculos ou
outro equipamento óptico apropriado;
3) Não devem ser deixados alimentos no campo, nem fornecidos alimentos aos animais
selvagens;
4) Não devem recolher -se animais, plantas, cogumelos ou amostras geológicas;
5) Quando forem encontrados animais selvagens feridos estes devem, sempre que
possível, ser recolhidos e entregues ao ICNB, I. P., ou ao Serviço de Protecção da
Natureza e Ambiente da Guarda Nacional Republicana (SEPNA), ou a situação reportada
aos referidos organismos, para encaminhamento para centros de recuperação ou outros
locais de acolhimento adequados;
6) Os acidentes ou transgressões ambientais detectados devem ser prontamente
comunicados ao serviço SOS Ambiente e Território, ao ICNB, I. P., ou ao SEPNA;
7) O lixo e resíduos produzidos devem ser recolhidos e depositados nos locais
apropriados;
8) Só deverá fazer -se lume nos locais autorizados para o efeito;
9) Seja qual for a natureza da actividade, todas as deslocações que lhe são inerentes
devem utilizar caminhos e veredas existentes;
10) A sinalização deve ser respeitada.

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Dinamização e condução de actividades de animação em contexto turístico

Bibliografia

 DECO, Guia dos desportos de Natureza, 2008


 Lança, Rui, Animação desportiva e tempos livres: perspectivas de organização, Ed.
Caminho, 2003
 Manual para o investidor em turismo de natureza, Vicentina: Associação para o
desenvolvimento do Sudoeste, 2005
 Picazo, Carlos, Asistencia y Guía a grupos turísticos, Madrid, Editorial Sintesis, 1996
 Torres, Zilah, Animação Turística, 3ª edição, São Paulo, Ed. Roca, 2004

Legislação

 Código de Conduta das empresas de turismo de natureza - Portaria n.º 651/2009 de 12


de Junho

Webgrafia

 Manual de gestão da segurança em turismo de aventura -


http://www.tdarafting.com.br/ManualSistGestaoSegurancaTA.pdf
 Portal anigrupos
http://anigrupos.org/
 Regulamento do torneio de Paintball
http://www.vivexperiencia.pt/site/images/stories/REGULAMENTO_TORNEIO_DE_PAINTB
ALL_VIANA_DO_CASTELO.pdf
 Turismo de aventura – Condutores – Competências de Pessoal
http://dnc.turismo.gov.ar/wp-content/uploads/2006/12/Destinations%202006%20-
%20Conductores%20-%20Documento%20en%20Portugues.pdf

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