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VIVER EM PORTUGUÊS

UNIDADE 6654 – LER A IMPRENSA ESCRITA

Doc.06.02.v1
FICHA TÉCNICA

Objetivos e Condições de Utilização

O/A formando/a deverá complementar os conhecimentos alcançados durante a formação com


a leitura do presente Manual.
Contém todos os temas abordados durante o módulo, devendo ser uma base ao estudo a
desenvolver pelo/a formando/a, bem como um reforço aos saberes adquiridos no decorrer da
formação.
O estudo do presente Manual não revoga que o/a formando/a não aprofunde os seus
conhecimentos, através da consulta da bibliografia recomendada e/ou de outros que entenda
ser proveitosos.

Conteúdos:
Jornal escrito e jornal televisionado;

Tipos de jornais:
Generalistas – nacionais e regionais
Especializados – desportivos, de artes, científicos, entre outros

Géneros jornalísticos e respetiva estrutura;

Análise da estrutura de primeiras páginas de jornais;

Análise do conteúdo das diferentes secções e tipos de texto de um jornal

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Índice

Introdução…………………………………………………………………………………….3

Resultados da aprendizagem………………………………………………………..…..4

1. Jornal escrito e jornal televisionado………………………….………….………………………………………………5


2. Tipos de jornais………………………………….…………………………………………………………………………………9
3. Géneros jornalísticos e respetiva estrutura…………………………………………………..…………………...13
4. Análise da estrutura de primeiras páginas de jornais………..………………………….…………………....30
5. Análise do conteúdo das diferentes secções e tipos de texto de um jornal……..………………….47

Propostas de atividade………………………………………………………………….53

Bibliografia………………………………………………………………………………….56

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Introdução

Sendo a Comunicação Social o substituto atual dos gestos rituais das sociedades que nos
precederam e, por conseguinte, o novo e atual processo de construção de mitos, tão necessários
para nos darem a sensação de alguma certeza e estabilidade neste mundo instável, a exploração
de alguns dos seus aspetos, por exemplo os jornais, deve ser introduzida o mais cedo possível
no percurso da formação dos indivíduos.

A sua manipulação permite uma sensibilização para a leitura do mundo, ou melhor dos
eventos/acontecimentos que vão escrevendo a história do quotidiano e permite também
desenvolver o espírito crítico, pela comparação da importância dos acontecimentos, do ponto
de vista adotado, com os interesses mais ou menos explícitos das organizações jornalísticas.

A leitura de jornais e de revistas e, por alargamento, de livros, desenvolve poderosamente a


competência comunicativa, nomeadamente, em aspetos referentes aos tipos de escritos.

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Resultados da aprendizagem

• Identificar e caracterizar tipos de textos jornalísticos.


• Distinguir jornais da imprensa escrita.
• Desenvolver o espírito crítico e a capacidade comunicativa.

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1. Jornal impresso e jornal televisionado

Enquadramento
O jornalismo é uma forma de comunicação em sociedade. A principal função do jornalismo, nos
estados democráticos de direito, é a de manter um sistema de vigilância e de controlo dos
poderes. Esta vigilância exerce-se através da difusão pública de informação.

Informar significa, nesta asserção lata, publicitar os actos dos agentes de poder (o Governo, o
Parlamento, os partidos políticos, os agentes económicos, etc.). Informar, nessa mesma
asserção, significa ainda analisar esses actos, expor o contexto em que se praticam, explicar as
suas consequências possíveis, revelar as suas condicionantes.

Significa, igualmente, trazer para o espaço público os assuntos socialmente relevantes que
poderiam passar despercebidos, os assuntos que são escondidos, os que estão submersos, os
que são obscuros.

O jornalismo deve ser comunicação útil. Informar, jornalísticamente falando, também significa
noticiar sobre todos os acontecimentos, questões úteis e problemáticas socialmente relevantes,
estejam ou não relacionados com a ação dos agentes de poder.

Os acidentes, os casos de polícia, o desporto, a moda, o património natural e histórico, as


notícias do estrangeiro, o comportamento da bolsa, a informação de serviços, os testes
comparativos para ajudar o consumidor a fazer as melhores escolhas são alguns dos muitos
exemplos de temáticas abordadas pela imprensa jornalística.

Um jornal pode também contribuir para a formação dos seus leitores. Um jornal pode, por
exemplo, exercer pedagogia social, informando sobre como contribuir com pequenos gestos
para a reciclagem dos lixos ou para a salvaguarda do ambiente.

Um jornal pode ter uma função de prazer, distração e entretenimento, oferecendo aos seus
leitores prosas cativantes, histórias bem contadas, notícias interessantes (e não apenas notícias
importantes), fait-divers, tiras de banda desenhada, passatempos, conselhos de beleza e de
moda, etc.

O jornalismo é, portanto, uma modalidade de comunicação social rica e diversificada. Não há


um jornalismo. Há “vários” jornalismos, porque também há vários órgãos jornalísticos, vários

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jornalistas, várias pessoas que podem ser equiparadas a jornalistas, vários contextos em que se
faz jornalismo.

O jornalismo que se faz na imprensa regional e local, por exemplo, é diferente do jornalismo que
se faz nos grandes jornais e revistas. O jornalismo especializado é diferente do generalista. O
jornalismo escolar é diferente do jornalismo empresarial. O jornalismo iraquiano é diferente do
português.

Os salários (quando existem), os recursos, as fontes usadas, as rotinas de trabalho e os


condicionalismos da profissão são algumas das diferenças que tornam os jornalismos diferentes
entre si, nos conteúdos, na forma de contar as histórias e de debater as problemáticas.

O jornalismo está continuamente a reinventar-se, frequentemente tirando proveito das novas


tecnologias que vão aparecendo. A Internet, por exemplo, é uma óptima ferramenta para busca
de informação e para contacto com fontes que de outra maneira poderiam ser inacessíveis. A
informática permitiu a explosão da infografia e o aparecimento do jornalismo de precisão. As
necessidades do público permitiram a explosão do jornalismo de serviços.

Quais os bons restaurantes da moda? Quais os melhores investimentos a fazer? Onde passar as
melhores férias na praia? Qual o banco que proporciona melhores taxas de juro? As respostas
podem encontrar-se num jornal ou numa revista de informação geral, que pode ser adquirida
no quiosque da esquina.

Jornal impresso e jornal televisionado


Uma primeira distinção importante reside nos tipos de jornal impresso e televisionado,
traduzindo as mudanças que o grande ecrã veio trazer no modo de construção e apropriação da
notícia, consequentemente, da apreensão da informação pelo público.

Podemos dizer que o jornal impresso pressupõe que o leitor faça uma reflexão mais demorada
sobre os indicativos económicos para estabelecer as suas implicações na vida quotidiana, e que
o leitor está interessado em saber estes dados e terá a formação necessária para realizar essa
reflexão.

Já a TV, espera um telespetador que não faça essa reflexão mais prolongada, já estabelece as
relações, na medida em que o alcance de um telejornal abrange pessoas das mais diversas
formações, o que o faz construir uma imagem menos específica do seu interlocutor.

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Outra característica é a ordem que o jornal impresso é lido ou que o telejornal é assistido. Os
jornais impressos apresentam as principais notícias da sua edição na capa, conforme a
classificação do seu editor. Na capa há uma hierarquização importante dos assuntos tratados,
sendo que o quadrante superior é o mais valorizado, por ser aquele que fica exposto nas bancas
de jornal, chamando a atenção dos consumidores.

Assim, há uma hierarquia estabelecida entre os assuntos apresentados em cada página do jornal
e há também uma flexibilidade pela qual o leitor pode estabelecer a ordem em que deseja ler
as notícias – e esta ordem de leitura também é determinante do discurso –, começando pelos
assuntos políticos, ou pelo desporto, cultura, saltando uma ou outra notícia. Nesta medida, o
leitor pode estabelecer a ordem que desejar, apesar do jornal propor a sua ordem de leitura
através da sequência das notícias e dos cadernos.

Já na televisão, a flexibilização é bem menor. Um telejornal, muitas vezes, é iniciado com o que
se chama de "escalada", ou seja, uma rápida apresentação dos principais assuntos que serão
tratados naquela edição, também conforme a classificação de um editor.

Mas, diferentemente do jornal impresso, a ordem de leitura das notícias de um telejornal não
pode ser alterada. Se o telespetador perde uma notícia não terá como assisti-la posteriormente,
a não ser que grave a edição.

Por fim, uma característica importante da televisão faz com que o telejornal seja muito diferente
do jornal impresso: a utilização da imagem como base essencial da sua produção e os efeitos da
linguagem não-verbal em movimento na produção de um discurso.

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Na realidade, o não-verbal produz um efeito de transparência. A imagem tem a particularidade
de poder produzir o que os críticos literários chamam efeito de real, ela pode fazer ver e fazer
crer no que faz ver. Esse poder de evocação tem efeitos de mobilização. Ela pode fazer existir
ideias ou representações, mas também grupos.

Para a maioria das pessoas, mostrar é diferente de contar. Com isto podemos observar, por
exemplo, em vários ditados populares, tais como "é preciso ver para crer", "só acredito vendo"
e "pago para ver”.

O jornal impresso reproduz estes efeitos de sentido de imparcialidade através da linguagem


verbal, da isenção da primeira pessoa nas reportagens (com exceção das colunas e artigos
assinados), entre outras características. Mas a linguagem não-verbal reforça estes efeitos no
telejornal.

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2. Tipos de jornais

O Jornalismo Generalista, tal como o nome indica, procura noticiar todos os assuntos sem
procurar atribuir ao leitor um assunto de interesse. Noticia tudo.

O Jornalismo Especializado é a abordagem aprofundada e específica dos temas que podem ser
objeto de matérias por parte da imprensa. Procura cumprir a função de agregar indivíduos de
acordo com suas afinidades ao invés de tentar nivelar a sociedade em torno de um padrão médio
de interesses que jamais atenderia à especificidade de cada grupo.

O jornalismo está a mudar. Há cerca de 15 anos atrás, o modelo de jornalismo imperante na


imprensa diária portuguesa era tendencialmente descritivo e generalista, ou seja, as notícias
possuíam uma estrutura essencialmente descritiva e os jornalistas não eram especializados.

Um jornalista ia para um diário e inevitavelmente iniciava a sua carreira a fazer os casos de


polícia, a volta telefónica, etc. Podia transitar de uma para outra editoria sem contemplações.
Nos semanários, o modelo em voga era misto: meio generalista, meio especializado.

Hoje, o modelo vigente na imprensa diária de referência é o do jornalismo especializado, tal


como nos semanários de referência. Os jornalistas especializam-se em política, economia,
desporto, cultura, ciência, educação, etc. Os jornalistas especializados, mais do que descrever
os assuntos, fazem análises e interpretações.

Por isso, podemos dizer, de alguma maneira, que a imprensa portuguesa de referência, semanal
e diária, implementou um modelo especializado e analítico de jornalismo. Um jornalista
especializado domina melhor os assuntos, cultiva fontes privilegiadas, organiza uma agenda e
um arquivo pessoal que lhe são de grande utilidade.

Por isso, um jornalista especializado tem qualificações para interpretar e analisar os


acontecimentos que noticia, ao contrário daquilo que acontece com um jornalista generalista,
que se fica pela superfície dos factos, que muitas vezes apenas mostra a aparência das coisas,
esquecendo a sua essência.

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Exemplo de jornais generalistas:

“ O Público” “Sol”

Exemplos de jornais especializados:

“Diário Económico” (economia) “A Bola” (desporto)

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Podemos verificar algumas diferenças e semelhanças ao analisarmos um jornal generalista e um
jornal especializado. Como tal, escolhemos o Jornal de Notícias (generalista) e “O Jogo”
(especializado).

O “Jornal de Notícias” sendo um jornal generalista é destinado a um público muito mais amplo,
de variadas faixas etárias e de vários níveis escolares, tem vários temas e páginas dedicadas ao
mais amplo público. Ao contrário de “O Jogo” que, sendo um jornal especializado em desporto
dá destaque às várias modalidades, mas centra-se sobretudo no futebol nacional, que ocupa
mais de metade das páginas do jornal.

O jornal generalista encontra-se dividido em 11 secções – Primeiro Plano, Nacional, Polícia e


Tribunais, Porto, Viva Mais, País, Economia e Trabalho, Mundo, Sociedade, Cultura e, por fim,
Desporto – pois é necessário agrupar a informação para não se tornar confuso, visto que noticia
todos os temas.

Já “O Jogo” não se encontra dividido em secções fixas, mas varia as suas secções consoante as
ligas ou taças disputadas durante a semana e está organizado por Clubes Desportivos,
reservando algumas páginas do fim do jornal para as restantes modalidades, para além do
futebol.

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O público-alvo do Jornal de Noticias é diferente do público-alvo do jornal “O Jogo”, sendo que
no primeiro, apesar de guardar um espaço para o Desporto, não trata a informação tão
pormenorizada como no segundo, que não trata informação de outras áreas a não ser desporto.

Quanto à linguagem, o Jornal de Notícias utiliza uma linguagem corrente para todo o tipo de
público – quem lê fica esclarecido. Os títulos são de fácil interpretação, não tendo necessidade
de ler a notícia para se perceber o assunto de que se trata. Utiliza uma linguagem objetiva e
cuidada.

Já “O Jogo” utiliza uma escrita mais criativa, usa mais adjetivos e através dos títulos, para quem
não está dentro do assunto, não se chega facilmente ao conteúdo da notícia.

Quanto ao aspeto visual, ao olharmos para ambos os jornais não se verifica muitas diferenças.
Tanto um como outro usam manchetes, imagens e publicidade. As infografias e fotografias a cor
são mais utilizadas no “O Jogo”, no entanto o “Jornal de Notícias também faz uso destes
elementos.

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3. Géneros jornalísticos e respetiva estrutura

Correntemente tipificam-se os principais géneros jornalísticos em notícia, entrevista,


reportagem, crónica, editorial e artigo (de opinião, de análise, etc.).

Notícia
Enquanto género jornalístico, a notícia é, essencialmente, um pequeno enunciado reportativo,
um discurso sobre um acontecimento conhecimento), vários acontecimentos ou
desenvolvimentos de acontecimentos.

Representa também informação nova, atual e de interesse geral. É o género básico do


jornalismo.

Não se podem estabelecer fronteiras rígidas para a notícia, tal como não se podem estabelecer
fronteiras rígidas para os restantes géneros jornalísticos. A notícia admite, por exemplo,
elementos da entrevista, como as citações. O tamanho da peça também não funciona como um
elemento distintivo válido.

Numa notícia, o texto deve ser animado por uma intenção de verdade e de rigor, o que muitas
vezes se confunde, erroneamente, com factualidade. Não quero dizer com isto que uma notícia
não possa ser predominante ou exclusivamente factual.

A notícia, como informação jornalística “pura e dura”, tem de fazer ressaltar o essencial
imediatamente.

Assim, a arte está em conseguir responder às seis questões fundamentais:

QUEM? É o sujeito da informação:


Uma pessoa que fez isto ou disse aquilo;
Um acontecimento (uma reunião científica, os Jogos Olímpicos);
Um facto (um assalto, uma manifestação)

QUÊ? É a ação, o verbo da frase:


Os transportes estão em greve
A reunião realizou-se
O governo decidiu
A equipa ganhou

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ONDE? O lugar, o sítio, a sala, a escola onde:
Se deu o caso;
Foi proferida a conferência
Aconteceu o desastre.

E já que falamos no “corpo da notícia”, deixem-nos dar umas dicas quanto à sua construção.

Há, no meio jornalístico, uma técnica preponderante de construção de notícias, chamada


“pirâmide invertida”. Esta imagem serve para refletir a distribuição dos factos ao longo da
notícia, que começa impreterivelmente pelo mais importante e encerra no menos importante.

Por outro lado, começa a ganhar espaço a técnica da “ampulheta”, cuja regra dita que o relato
começa e acaba nos factos mais importantes, deixando no meio da notícia factos secundários.

Mas seja como for, é importante que a notícia se construa sobre parágrafos independentes e
tão breves quanto for possível, para que se não perca nada de essencial, numa linguagem que
ser quer simples e clara, concreta, concisa (a chamada regra dos três C’s).

Exemplo de notícia:

Área ardida aumentou 13% este ano

Fogos florestais consumiram mais de 121.000 hectares.

A área ardida aumentou este ano 13% em relação a 2012, tendo os incêndios florestais
consumido, até 15 de setembro, um total de 121.168 hectares, segundo o Instituto da
Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Em contrapartida, as ocorrências de fogo diminuíram este ano 11,4%, tendo-se registado, até
15 de setembro, 16.924 ignições, menos 2.184 do que no mesmo período de 2012, adianta o
último relatório provisório de incêndios florestais do ICNF.

O documento refere também que, entre 1 de janeiro e 15 de setembro, as 16.924 ocorrências


de fogo resultaram em 106.657 hectares de área ardida, mais 14.657 do que em 2012. Segundo
os dados do ICNF, em 2003, 2005 e 2010 a área ardida até 15 de setembro foi superior aos
valores registados este ano.

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"Comparando os valores do ano corrente com o histórico dos últimos 10 anos, destaca-se que
se registaram menos 9% de ocorrências relativamente à média verificada no decénio e que
ardeu menos 7% do que o valor médio de área ardida no mesmo período", lê-se no relatório do
ICNF, destacando que, até à data, registaram-se 866 reacendimentos, cerca de 72% da média
dos últimos dez anos.

O maior incêndio do ano, registado até à data, começou a 9 de julho no concelho de Alfândega
da Fé (Bragança) e estima-se que terá consumido uma área de 14.912 hectares, dos quais cerca
de 11.980 são espaços florestais, indica o mesmo documento.
In Correio da Manhã, http://www.cmjornal.xl.pt/, 18-09-2013

Entrevista
Só se considera a entrevista como um género jornalístico autónomo quando é apresentada
isoladamente ou como parte importante de uma peça jornalística. Esta asserção justifica-se pela
presença constante de elementos de entrevista em notícias e reportagens.

A pergunta é a principal técnica jornalística de recolha de dados junto de fontes humanas.

A entrevista, enquanto género jornalístico, corresponde à transposição das perguntas e


respostas feitas durante a entrevista, enquanto técnica de obtenção de informações, para um
determinado modelo de enunciação. Este modelo discursivo consiste na exposição das
respostas dadas por um entrevistado às perguntas de um entrevistador.

A maioria das entrevistas serve, essencialmente, para revelar a personalidade de um ator social
ou para dar a conhecer o seu ponto de vista sobre uma realidade.

O mais importante é que o entrevistador não adultere o pensamento do entrevistado. Se se


aperceber de alguma ideia que não ficou percebida, ao transcrever a entrevista para o
computador ou para o papel, deve procurar esclarecê-la, consultando novamente o
entrevistado.

Para isso, convém guardar sempre os contactos do entrevistado. Se porém, não for possível fazê-
lo, o melhor é não publicar essa ideia. É sempre preferível não publicar do que publicar errado.

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Porque é sempre impossível e desnecessário escrever tudo o que o entrevistado disse, há que
fazer uma seleção e uma reconstrução das respostas. Este trabalho obedece, todavia, a algumas
regras, para se evitar que posteriormente o entrevistado diga: "eu não disse isso".
Podem eliminar-se as respostas repetidas, aquelas em que o entrevistado diz o que já
disse por outras palavras. Neste caso, mantém-se a resposta que nos parecer mais
clarificadora e anula-se a outra.
Devem condensar-se as respostas, retirando-lhes as redundâncias. O mesmo deve ser
feito em relação às perguntas. Quando houver frases muito longas que na escrita se
tornam confusas, há que partir as frases.
As respostas não devem começar pela repetição dos termos da pergunta. Por exemplo,
se a pergunta for: "Quais as consequências de ação do vírus x...?", a resposta não deve
ficar registada começando por "As consequências da ação do vírus x são....". Do mesmo
modo deve evitar-se que as perguntas comecem por "Na sua opinião....". O leitor
depreende sempre que está a ler a opinião do entrevistado.
Por vezes, há marcas de oralidade que na escrita são de mau tom. Devem ser cortadas
ou substituídas. O mesmo deve ser feito em relação a expressões de calão e de gíria.
Sempre que o entrevistado não responder a uma pergunta ou a deixar incompleta pode
usar-se as reticências.
As entrevistas podem ser transcritas sobre a forma de diálogo (pergunta-resposta) ou
em estilo narrativo. Neste caso devem ser contadas como se se tratassem de histórias.
Normalmente as entrevistas em forma de diálogo ficam reservadas para assuntos mais
melindrosos ou científicos em que se torna difícil ao repórter traduzir o que foi dito pelo
entrevistado em forma de história. Note-se, porém, que as entrevistas em estilo
narrativo permitem mais facilmente traçar o retrato do entrevistado, descrever as suas
reações, bem como o ambiente.
Como as entrevistas em forma de diálogo não permitem captar estes elementos, devem
ter uma abertura. As aberturas devem apresentar o entrevistado, dizer o seu nome, a
sua idade, a sua profissão e focar o ponto principal da entrevista, bem como o que a
motivou.

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Exemplo de entrevista:

Entrevista a José Mourinho

Selecções do Reader’s Digest (SRD) – Anabela Mota Ribeiro

Formou-se no ISEF aos 24 anos e completou um curso para treinadores na Escócia. Não é muito
comum no mundo do futebol esta preocupação com a instrução.

José Mourinho - Sempre existiu em mim a ambição de me licenciar, independentemente da


minha vocação. Talvez influenciado pela minha família: «Não sabes qual vai ser o teu futuro no
futebol, pelo menos constrói algo sólido».

SRD - Havia essa preocupação?

JM - Havia. O meu pai esteve a vida toda ligado ao futebol com todas as dificuldades inerentes
ao mesmo. Se eu tivesse sido mal sucedido nesta minha aposta, como treinador, na pior das
hipóteses era professor de educação física. Paralelamente a esta preocupação, sabia o que
aquilo me podia dar. Tenho uma máxima, que não é minha, mas que ouvi em qualquer lado e
que guardei para mim: «Um treinador de futebol que só sabe de futebol, é um péssimo treinador
de futebol».

SRD - De que outras coisas tem de saber?

JM - De tudo. Há áreas científicas que nos podem ajudar no nosso trabalho, nomeadamente
psicologia, pedagogia, fisiologia. Posso falar com o meu departamento médico sobre lesões,
músculos, biomecânica, teoria do treino. São temas que domino. Dominar as competências
psicológicas, é fundamental. Pode fazer a diferença.

SRD - Imputam-lhe essa competência e apontam-na como uma das razões do seu sucesso: a
autoridade que tem sobre os jogadores, e, mais do que isso, o reconhecimento da
individualidade de cada um deles.

JM - Vou mais por aí. A execução da autoridade vai-se esbatendo com o tempo e com a empatia
que vou criando. Quando chego a um clube sinto necessidade de mostrar quem sou e o que
posso fazer; tenho necessidade de me afirmar e estabelecer algumas regras. A minha liderança,
toda a gente a sente mas ninguém a vê. Ter enveredado pela via académica, possibilitou-me ser
melhor treinador. O Jorge Costa dizia numa entrevista: «A partir do momento em que fui
treinado pelo Mourinho, conheci o filet mignon. Se o Porto mudasse de treinador e me

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oferecessem carapau ou sardinha, deixava de jogar à bola». É isto: os treinadores de hoje têm
de ir à procura do conhecimento.

SRD - Aos 15 anos teve a noção de que queria ser treinador. E essa noção era acompanhada de
uma outra: a de que dificilmente seria um jogador de exceção.

JM - Sim.

SRD - Ora o que queria para si era justamente a exceção. Porquê?

JM - Como qualquer miúdo, cresci a adorar jogar. Não posso dizer que não era um miúdo com
talento. No meu grupo de amigos, era dos mais talentosos. Mas a via académica exigia-me
responsabilidades, tive que fazer as minhas escolhas. Senti que não valia a pena arriscar porque
as possibilidades de sucesso não eram grandes.

SRD - Isso é que é a coisa extraordinária: ter tido essa lucidez aos 15 anos.

JM - Sabia das minhas limitações e das minhas qualidades. O meu skill não era melhor que o skill
dos outros. As minhas qualidades físicas não eram de excepção; não era rápido, e a velocidade
é fundamental para o futebol de alto nível. Aquilo que me fazia melhor do que os outros era a
minha capacidade de ler, analisar equipas. A visão que tinha da situação. Eu conseguia ver coisas
que os outros não conseguiam, inclusive adultos.

SRD - E o dinheiro? é o seu móbil?

JM - Não. Quero qualidade de vida. Quero que os meus filhos andem num bom colégio, quero
poder vestir bem, quero ter boas férias. Não quero mais do que aquilo que um cidadão comum
quer. Não tenho ambições desmedidas. Não quero ter uma casa com 800 m2, não quero ter
uma quinta, não quero ter um Ferrari. Não quero nada disso.

SRD - Então? se não é o dinheiro que o faz correr, é o quê?

JM - O sucesso! O prazer pessoal. A alegria. Ando à procura de felicidade, de plenitude. Quero


ganhar títulos, quero ser reconhecido, quero, como já está a acontecer, que noutros países
saibam que há um tal José Mourinho que é um treinador de futuro. Ando à procura disso.

SRD - Espero que nos encontremos daqui a dez anos! Vou gostar de saber o que mudou na sua
vida.

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JM - Terá mudado pouca coisa. Familiarmente vai ser igual, com o privilégio, Deus me ajude
nesse sentido, de ter visto os meus filhos crescerem dez anos espectaculares. E
profissionalmente espero ser bem-sucedido, acredito que vou ser bem sucedido. Espero ganhar
títulos. Espero ter a mesma alegria naquilo que faço.

SRD - No fundo, aquilo que tem agora, mas numa quantidade superior?

JM - É só isso. Mais velho fisicamente, mas mentalmente mais rico. Sinto-me cada vez mais forte,
mais rico. Só vou perder pró físico, nada mais.

In “selecções do Reader’s Digest, http://www.seleccoes.pt/, 18-09-2013

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Reportagem

Se a notícia é o género básico do jornalismo, a reportagem é o seu género nobre, o género


jornalístico por excelência.

O principal objetivo de uma reportagem é informar com profundidade e exaustividade,


contando uma história. No meio jornalístico ouve-se frequentemente a expressão “uma
reportagem é uma notícia vista à lupa”. Mas, neste género, procura-se ainda que o leitor “viva”
o acontecimento.

Para o conseguir, a reportagem pode abrigar elementos da entrevista, da notícia, da crónica,


dos artigos de opinião e de análise, etc. Desta perspetiva, pode considerar-se a reportagem um
género jornalístico híbrido, que vai buscar elementos à observação direta, ao contacto com as
fontes e à respetiva citação, à análise de dados quantitativos, a inquéritos, em suma, a tudo o
que possa contribuir para elucidar o leitor.

Podemos definir como principais características da reportagem as seguintes:


• Predominância da narração;
• Humanização do relato;
• Texto impressivo;
• Factualidade da narrativa.

Quanto à estrutura ou corpo da reportagem, convém frisar que esta deve ter uma boa abertura.
Ou seja, deve começar de um modo que prenda a atenção do leitor. Portanto, compete ao
jornalista selecionar para o início algo que chame de imediato a atenção e que desperte a
curiosidade para que o leitor queria ler e perceber o resto da história. É por esta razão que na
gíria jornalística o início das reportagens é designado por “ataque”.

Vejamos agora os vários tipos de reportagem:

“Na reportagem de ‘acontecimento’, o jornalista oferece normalmente uma visão estática dos
factos, como uma coisa consumada. Pode dizer-se que escreve de fora do que aconteceu, é um
observador que contempla o objeto do seu relato, é particularmente útil na descrição, ou seja,
nos casos em que estes se apresentam de modo simultâneo e perfeito, não acompanhando a
sua evolução no tempo.

Já a reportagem de ‘ação’ permite ao jornalista oferecer um tipo de relato dinâmico dos factos,
seguindo o seu ritmo próprio de evolução, como se em condições porventura reais de vivência

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do processo de desenvolvimento da linha temporal, modelo recomendado para o exercício da
narração, o que explica a sua preponderância na massa de noticiário escrito ou audiovisual.

A reportagem de ‘citação’, ou entrevista, é geralmente entendida como uma forma de entrevista


jornalística. Ou seja, uma reportagem em que se alterna a escrita de palavras do seu autor com
citações textuais de personagens interrogadas, cabendo as descrições e as narrações ao
jornalista autor do texto.

Independentemente desta caracterização, acontece que, muitas vezes, em histórias mais


envolventes e complicadas, é difícil termos apenas um estilo de reportagem. Isto é, a
reportagem de citação mistura-se com a de ação e com a de acontecimento. Nessa altura, a
melhor estrutura é a que mantém as chamadas “leis da alternância”. Estas permitem construir
um texto vivo e com ritmo.

Estas leis resumem-se ao seguinte:


Alternância de planos (primeiros planos/planos gerais)
Ações/reflexões
Descrições/ citações
Imagens/história
Discurso direto/discurso indireto
Frases curtas/frases mais longas

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Exemplo (excerto) de reportagem:

O mar e as serras

Andreia Marques Pereira

São territórios de agricultores e de aristocratas, de religiosos e poetas. Balançando entre o


oceano e montes, quintas nobres e barcos de pescadores, praias e campos de cultivo, retiros
religiosos e centros profanos, fomos de Setúbal a Sintra para acabarmos surpreendidos pela
natureza — que é, afinal, quem mais ordena nestas paragens.

Entre a vila e a costa, uma região que já foi eminentemente agrícola, saloia. Sucedem-se aldeias,
pinheiros, moinhos de vento, campos abandonados entre muros de pedras arruinados.

Mas já quase ninguém trabalha na agricultura, dizem-nos por todo o lado. Susana Vicente, no
Café Matias, em São João das Lampas, explica como o pai, que foi cabouqueiro e agora está
reformado, passou a dedicar-se à terra. "Aprendeu com os pais, viviam disso."

Como ele, muitos com quem nos cruzamos em busca da ponte romana da Catribana - o último,
José Tafulo, que vive em Assafora, a algumas centenas de metros dela. Não trabalha nos campos
porque a saúde não permite, mas passou muitos anos a trabalhar nas pedreiras em volta, antes
de arranjar trabalho na câmara. Reformado, está sempre disponível para conversas. "Quando
vim para cá, há 45 anos, a ponte estava melhor.

A terra começou a crescer e os resguardos vieram abaixo." Quando, finalmente, encontramos a


ponte, é uma ruína que vemos. "Monumento de interesse público, em risco de colapso; projecto
de conservação e valorização", lemos numa placa.

Fechamos o círculo em Sintra. Na vila velha abrimos caminho entre hordas de turistas que
ocupam as ruelas principais, se sentam à sombra do Palácio da Vila (em obras), fazem fila em
restaurantes e lojas, de artesanato, de doces (a Periquita I e II não pára), de vinhos. "Nestes dias,
de muita gente, não corre bem. Só vêm passear", nota Adriano, no umbral da sua Porta 12,
galeria e loja. Está no átrio a pintar a Tina Turner - "Não está a correr muito bem", diz, entre
sorrisos.

São os desenhos dos músicos que têm mais saída - "o que também é a minha praia, sou músico"
-, mas é a iconografia portuguesa que nos atrai a atenção, como Camões a indagar "Has anyone
seen my nymph".

Doc.06.02.v1

22
Nas ruas passam coches a caminho da serra, as bicicletas continuam disponíveis para alugar.
Pelas estradas que abrem caminho sobre o manto luxuriante de verde, são muitos os
caminhantes à conquista da serra da Lua - mas são os carros que lhe dominam as entranhas,
despejando visitantes para o Palácio da Pena e Castelo dos Mouros.

Há quem faça desportos radicais e dê a volta ao parque, mas as multidões caminham compactas
pelos dois monumentos emblemáticos. Encontramos um pouco de paz em Monserrate; porém,
há que confessá-lo, só conseguimos chegar quando o palácio estava quase a fechar (os jardins
fecham mais tarde).

Conseguimos visitá-lo calmamente, percorrendo salas preservadas e outras desgastadas,


fotografando os corredores em arcos até à exaustão mas foi no parque que nos demorámos,
espreitando as falsas ruínas da capela, desiludindo-nos com a pouca água na cascata.

Mas, deitados no fundo do relvado, entre árvores gigantescas e olhando o lago de nenúfares,
percebemos que Sintra já nos havia surpreendido. "Na estrada de Sintra, ou na estrada do
sonho, ou na estrada da vida...", escreveu Pessoa - nós nem precisamos do Chevrolet para o
perceber.

In “Público”, http://fugas.publico.pt, 04-09-2013

Doc.06.02.v1

23
Editorial

O editorial é um género jornalístico argumentativo. Em princípio, é no editorial que se dá conta


do posicionamento coletivo da atualidade. Por isso, um editorial é sempre da responsabilidade
da direção do órgão jornalístico ou de alguém da sua inteira confiança.

Geralmente, o editorial é motivado por assuntos tratados no jornal e é elaborado em


conformidade com a linha de orientação do órgão jornalístico, consubstanciada no respetivo
estatuto editorial.

Nem todos os assuntos devem ser abordados num espaço tão nobre como o editorial. Apenas
devem ser dignificados como temática de um editorial os acontecimentos mais relevantes e
problemáticos da atualidade, nomeadamente aqueles que podem repercutir-se nos processos
de decisão que afetam a vida coletiva de um povo.

Uma vez que traduz o posicionamento coletivo de um jornal, no respeito pelo seu estatuto
editorial, o editorial deve ser elaborado com especial cuidado. O editorialista deve ser sensível
à cultura organizacional e aos valores que inspiram a redação.

Deve também ser sensível ao público e às correntes de opinião que se formaram ou podem vir
a formar-se no meio social. Portanto, um editorial não deve ser dogmático, arrogante e muito
menos insultuoso.

Sendo um género jornalístico enobrecido, o posicionamento do editorial no corpo do jornal deve


dignificá-lo. Por isso, geralmente é posicionado logo na primeira página ou nas páginas
editoriais, assim designadas porque são o espaço dedicado por excelência às principais colunas,
crónicas e artigos de análise e opinião sobre os temas fortes da atualidade.

Exemplo de editorial:

Do editor

Rui Tavares Guedes

Quem viaja pelo Mundo já foi surpreendido, nos mais inesperados locais, por referências a
Portugal e à sua língua. Seja numa antiga fortaleza, numa igreja ou numa simples praça,
deparamos, por vezes, com escritos que lembram vagamente a forma como redigimos as
palavras com que nos identificamos e que nos distinguem entre os outros idiomas.

Doc.06.02.v1

24
Dentro das nossas fronteiras, embora a surpresa seja naturalmente menor, também temos
vários exemplos semelhantes, de inscrições em praças, igrejas, monumentos e
estabelecimentos comerciais, em várias versões de português.

Por elas, podemos muitas vezes verificar a época em que foram redigidas descobrir, por
exemplo, que aquela “pharmacia” é mesmo antiga ou que a estátua do “Marquez” já tem uns
anos consideráveis…

Escrever em português – ou portuguez… - não tem sido sempre igual ao longo dos anos, como
sabemos. E a parir desta edição, a Visão Vida & Viagens, à semelhança das restantes publicações
do grupo Imprensa, passa a ser escrita de forma diferente, adotando (já não é “adoptando”…)
as regras do novo Acordo Ortográfico. São várias as expressões e as palavras que verá escritas
de forma diferente daquela a que se habituou.

Como decerto já reparou, caem as consoantes mudas em várias palavras e desaparecem as


maiúsculas nas estações do ano, nos nomes dos meses e dos pontos cardeias. As palavras
hifenizadas sofrem uma série de transformações, que seria fastidioso estar aqui a enumerar.

Da mesma forma, as palavras que aditem duplas grafias são também muito numerosas. É natural
que muitas destas mudanças criem alguma confusão entre os leitores – especialmente porque
não têm o acesso, instantâneo, durante o processo de leitura, ao corretor ortográfico que nos
instalaram nos computadores, e que constitui o “segredo” principal para conseguirmos escrever
desta maneira.

Será, portanto, perfeitamente natural que muitos estranhem a nova grafia.

Mas acreditamos que o tempo se encarregará de diluir as diferenças, e que a habituação às


novas regras se fará de forma mais rápida do que aquela que pensamos à partida. No fundo,
esta é mais uma viagem que iniciamos. Em português, exatamente a mesma língua de que
encontramos marcas em todo o Mundo. Mesmo quando era “portugez”.

In “Visão, Vida & Viagens”, http://visao.sapo.pt/visao-viagens, Julho de 2010

Doc.06.02.v1

25
Crónica

O termo crónica provém da palavra grega cronos, que significa tempo. Em conformidade, o
cronista é alguém que escreve periodicamente para um jornal.

Assim sendo, o termo crónica serve primeiramente para designar as peças assinadas por um
cronista regular de um jornal ou de uma revista. O cronista tem um espaço consagrado num
periódico.

Num determinado dia, numa determinada página, o leitor encontra sempre a crónica do mesmo
cronista, seja ela uma crónica política, uma crónica social, uma crónica local, uma crónica
desportiva, uma crónica policial, uma crónica do enviado especial (por exemplo, do
correspondente de guerra), uma crónica de viagem, uma crónica de um correspondente no
estrangeiro, ou qualquer outro tipo de crónica.

É óbvio que, neste sentido, uma crónica pode ser, na sua essência, apenas um artigo de opinião,
um artigo de análise ou até uma reportagem. Espera-se, em princípio, que o cronista seja
criativo, mas, no sentido atrás exposto, a crónica não demarca fronteiras nítidas com outros
géneros jornalísticos.

Exemplo de crónica:

A última crónica

Rui Moreira

Nos últimos tempos, volta-se a falar de reindustrialização, e surgiram estudos e inúmeras


opiniões sobre um assunto que é caro a toda a Europa. É um objetivo difícil de alcançar, no atual
quadro europeu, e com as regras em vigor no comércio internacional. Principalmente em países
como o nosso, onde a aposta foi diferente desde a adesão.

Por cá, ouvem-se especialistas, que nos explicam o que fazer, e como o fazer. Escutamos os
políticos, que agora defendem a ressurreição de um modelo que ajudaram a condenar. O
consenso é, por vezes, patético, quando é feito de lugares comuns e de meras intenções. E, por
isso, a reindustrialização corre o risco de ser um segundo "cluster do mar", defendido pelos seus
antigos coveiros, e por românticos bem-intencionados que não conhecem a realidade.

Doc.06.02.v1

26
Portugal precisa de ser autossuficiente, tem de exportar mais e de substituir as importações,
equilibrando o défice externo e criando emprego. Algo que só é possível com políticas
transversais, que também tenham impacto no setor primário e nos serviços.

Para que isso seja possível, o país tem de favorecer o investimento privado, de promover a
produtividade, de aumentar a competitividade. Não nos iludamos, contudo. Com uma moeda
forte, num continente vulnerável ao dumping internacional, com a economia nacional em
recessão, com custos de contexto elevados por influência dos setores não transacionáveis que
escapam às regras da sã concorrência, suportando o sobrepeso do Estado, pagando uma taxa
de juro muito mais alta do que os nossos vizinhos, não dispondo de matérias-primas, não
podemos contar com milagres.

Antes de mais, é preciso conquistar a confiança dos investidores, sejam eles nacionais ou
estrangeiros. Isso passa, por exemplo, por colocar um ponto final nas imponderabilidades legal
e fiscal. Qualquer investidor sabe que corre todos os riscos inerentes ao seu negócio, mas não
aceita estar à mercê de outros fatores imponderáveis. Não escolherá investir num país onde a
justiça é morosa e, pior do que isso, improvável, ou onde há uma ameaça permanente de
alterações fiscais que não podem ser precavidas.

O Estado que temos representa, em função da riqueza que geramos, um pesado fardo que
resulta em custos de contexto elevados. E, não podendo ser mais barato, terá de ser mais
eficiente, muito mais eficiente, nomeadamente na aplicação da Justiça, na desburocratização e
na regulação.

Quanto ao investimento público e às políticas de fomento ao investimento privado, exige-se que


o Estado seja parcimonioso, alocando os recursos escassos de acordo com critérios que
concorram para o objetivo anunciado, dando preferência aos investimentos que têm efeitos
multiplicadores na economia, invertendo a sua política centralizadora que prejudica as regiões
que mais exportam e cujo tecido empresarial é mais resiliente.

A criação de um ambiente favorável ao investimento não depende, ainda assim, exclusivamente


do Estado Central. As cidades e as áreas metropolitanas dispõem, também elas, de instrumentos
que podem ajudar a construir esse ambiente, fomentando a articulação interinstitucional,
ligando a estratégia de atração de investimento à inovação, ao empreendedorismo e à
regeneração urbana e social.

Tal como o Estado Central, também as autarquias necessitam de ser consequentes na alocação
de recursos. Esse tema justificaria, só por si, uma outra crónica.

Doc.06.02.v1

27
Sucede que esta é a minha última crónica neste jornal. Agradeço ao Jornal de Notícias por me
ter concedido este espaço; a si, caro leitor, por me ter lido.

In “Jornal de notícias”, http://www.jn.pt, 31-03-2013

Artigos

Denominam-se artigos as peça de cariz jornalístico que não se enquadram nos restantes géneros
nem se podem situar na zona nebulosa das fronteiras que estes últimos estabelecem entre si.

Normalmente, os artigos possuem uma natureza interpretativa, explicativa e/ou persuasiva.


São, portanto, peças assumidamente subjetivas e pessoais. O articulista pretende, no entanto,
compartilhar a sua visão do mundo, expressa no artigo, com o leitor. Por esta razão, o texto não
pode ser elaborado de qualquer maneira, nem o tema do artigo pode ser escolhido ao acaso.

A credibilidade pessoal do articulista e a pertinência do tema, em grande medida, determinam


o sucesso do artigo. Assim sendo, a primeira regra para um artigo é a seguinte: deve abordar um
tema de interesse não apenas para o articulista mas também para o público.

Em segundo lugar, uma opinião ou uma análise de nada valem se não forem comunicadas. Daí
que a segunda regra para um artigo seja a seguinte: deve ser comunicante, expressivo, cativante.

A capacidade de expressão do articulista é, também ela, um fator determinante para o sucesso


de um artigo.

Fala-se de artigos de opinião quando, no artigo, se procura, essencialmente, opinar, por vezes
com intenção persuasiva, para convencer ou levar à ação, para converter e ganhar partidários.

Fala-se de artigos de análise quando, no artigo, se procura, predominantemente, explicar,


debater e interpretar um acontecimento, uma problemática, uma ideia ou qualquer outro
assunto da atualidade.

Doc.06.02.v1

28
Exemplo de artigo:

Vamos almoçar?

António Costa

A redução do IVA da restauração de 23% para 13% vai transformar-se numa bandeira de
discussão política, e não será apenas entre o Governo e o PS, também na própria coligação,
existem divergências sobre os efeitos que uma medida dessas poderá ter na recuperação da
economia portuguesa.

Felizmente, a partir de hoje, é possível discutir com números e não com ideias feitas e anotadas
num guardanapo de papel à mesa do restaurante.

O agravamento do IVA na restauração em dez pontos percentuais tinha dois objetivos, um dos
quais inconfessável. Em primeiro lugar, servia, claro, para garantir mais receita fiscal, uma
receita mínima garantida para contribuir para a redução do défice público. E o segundo - sempre
omitido - resultava da necessidade de forçar uma mudança do perfil empresarial do País, da
transferência de recursos dos bens não transacionáveis, os restaurantes, por excelência, para os
transacionáveis, de exportação ou de substituição de importações.

Ora, o aumento do IVA cumpriu os dois objetivos? Sim e sim. Mas, também, à custa de falências
e de desemprego que acabaram por ter uma dimensão superior à esperada. Ainda assim, a
receita fiscal aumentou efetivamente em cerca de 350 milhões de euros, quer por via do
agravamento da taxa de IVA, quer por causa de públicos e notórios desenvolvimentos de
controlo da fuga ao fisco num sector que, valha a verdade, vivia à margem do sistema.

Chegados aqui, a redução do IVA da restauração para 13% acrescenta alguma coisa? Cria novo
emprego ou, no limite, o preço médio das refeições vai baixar? Nim e não.

A descida do IVA, a confirmar-se, e se a ‘troika' a aprovar, é claro um sinal de confiança, é,


finalmente, uma redução de impostos depois do confisco de 2013, e isso não é despiciente.

Se o dinheiro tem de ficar em algum lado, é preferível que fique do lado do sector privado, que
o vai usar de acordo com objetivos e uma racionalidade económica, do que nas mãos do Estado
(leia-se um qualquer governo) para alimentar o Estado e desincentivar, até, o corte de despesa.

Doc.06.02.v1

29
Agora, é evidente que esta redução do IVA não terá impactos económicos significativos. Vai
servir, sobretudo, para aliviar a pressão de tesouraria da restauração que foi capaz de resistir à
crise económica e financeira que afetou os portugueses e ao aumento do IVA propriamente dito.

Servirá, eventualmente, para os mais fortes ganharem balanço para alguns projetos novos, mas
serão sempre limitados. Mas ninguém acredita que esta restauração vai, em 2014, voltar a
contratar de forma acelerada, nem sequer que faça refletir a descida do IVA no preço final das
ementas.

A decisão do Governo, e de Pedro Passos Coelho, vai ser assim sobretudo política. Entre ceder a
uma bandeira de António José Seguro e dar espaço de respiração ao CDS e a Pires de Lima, que
defendem um desagravamento fiscal, o primeiro-ministro vai acabar por ceder, mas vai exigir,
no mínimo, outra medida de corte de despesa que tenha o mesmo impacto orçamental, na
ordem dos 180 milhões de euros. Com tantos problemas à vista nas medidas que já são
conhecidas, conseguirá encontrar alternativas?

In “Diário Económico” - http://economico.sapo.pt em 13/ 09/ 2013

4. Análise da estrutura de primeiras páginas de jornais

A primeira página

A notícia mais importante numa publicação é aquela que, quer pela sua atualidade, quer pela
proximidade do público em geral, merece destaque de 1ª página.

Manchete
Manchete é o título principal da 1ª página de um jornal, ou o assunto que ocupa essa posição
de destaque. Poderá haver mais do que uma manchete numa primeira página.

Pode intervir no sucesso dessa edição, ou seja, a manchete poderá refletir no número de jornais
vendidos. O público deverá identificar-se com essa notícia e procurar saber mais sobre esse
acontecimento.

Uma manchete emblemática, além de primar pela sua exclusividade num jornal, é aquela que
marca a edição daquele jornal, pela sua relevância e atração exercida sobre o leitor e até outros
órgãos de comunicação que poderão fazer referência a essa manchete.

Doc.06.02.v1

30
Uma manchete revela o trabalho árduo de um repórter. O texto principal, ou a notícia mais
importante da edição de um jornal é estudada e investigada cuidadosamente.

Exemplo de primeira página:


Manchete

Doc.06.02.v1

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Estrutura da notícia

Lead
O lead é o primeiro parágrafo da notícia e nele o leitor deverá encontrar resposta a seis questões
fundamentais: O Quê, Quem, Quando, Onde, Porquê e Como; sendo que as duas últimas
questões – Porquê e Como – podem as mais das vezes omitir-se do lead, guardando-se para o
parágrafo subsequente.

A razão é que, antes de mais, os leads têm duas funções a cumprir: informar imediatamente o
leitor das características mais importantes do facto que se noticia; e serem atraentes apelando
à leitura do resto do texto. Leads muito pesados dificultam a compreensão e desencorajam a
leitura.

Quando, que é o caso mais comum, o lead de uma notícia é composto por apenas uma frase, é
de extrema importância a escolha do verbo utilizado, que deverá ser direto, forte, de ação, e
preferencialmente no presente do indicativo, pois é este que dá o “tom” (leads) da notícia. Agora
atenção, o conteúdo semântico do verbo tem de respeitar rigorosamente o acontecimento.

Um lead bem construído dispensa o leitor apressado de se deter no resto da peça, porque a
informação básica mais importante já foi dada; mas se retiver o carácter apelativo é,
simultaneamente, o melhor anúncio publicitário que tal peça pode ter – e o leitor quererá lê-la
até ao fim.

O Cônsul honorário de Portugal em Marrocos (Quem) foi detido (O quê) ontem (Quando) no
porto de Ceuta (Onde) com mais de 86 quilos de haxixe (Porquê).

É um perfeito lead informativo, que diz tudo quanto um leitor apressado necessita de saber
sobre o assunto antes de decidir se prossegue a leitura.

O parágrafo que segue o lead deverá depois conter precisões dos factos aí narrados, o que se
faz, neste caso, precisando a identidade do protagonista e as circunstâncias que rodearam a sua
detenção:

Doc.06.02.v1

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Ahmed B. de 54 anos, foi detido na terça-feira à tarde quando tentava embarcar ao volante de
um veículo automóvel do corpo diplomático português, que transportava, num fundo falso, a
droga apreendida pelas autoridades espanholas.

A ordem pela qual as questões se seguem no lead depende apenas do assunto em causa e do
que, num dado facto, é mais importante, de forma que um lead pode iniciar-se por qualquer
uma das perguntas:
O Quê – “Um aparatoso acidente rodoviário, do qual não resultaram vítimas, manteve
fechada por mais de 12 horas a Linha da Beira Baixa, impedindo a circulação do Sud
Express”
Quem – “Francisco Verde substitui Arlindo Cunha na pasta da Agricultura já a partir da
próxima segunda-feira...”
Quando – “A partir de Janeiro os taxistas vão ter de prestar mais atenção à forma como
se comportam na presença de passageiros...”
Onde – “O Porto é hoje palco de mais 20 concertos rock no âmbito...”
Como – “Armado de um saco de plástico e três carrinhos de linhas, Luís Pinto escalou
ontem a Torre dos Clérigos, no Porto, um feito que lhe valeu...”
Porquê – “Para pôr fim à greve dos médicos e enfermeiros o Governo decidiu...”

Exemplos incorretos

Amanhã, pelas 14 horas, no Autódromo do Estoril, tem início o Grande Prémio de Portugal de
Fórmula 1.

O chefe da PSP do Porto anunciou hoje que três crianças que brincavam num passeio da Avenida
da Boavista foram atropeladas por um carro que circulava na via em excesso de velocidade e
que galgou o passeio, tendo morrido em consequência dos ferimentos sofridos.

Doc.06.02.v1

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Exemplos corretos

O Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1 tem início amanhã, pelas 14 horas, no Autódromo
do Estoril.

Três crianças morreram, no Porto, atropeladas por um carro que, em excesso de velocidade,
galgou o passeio em que brincavam.

Exemplo:
Lead

Doc.06.02.v1

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Pirâmide invertida
A pirâmide invertida é a técnica mais comum de construção das notícias e segue-se
naturalmente da elaboração de um bom lead direto.

Significa, muito simplesmente, que numa notícia, a seguir ao lead, todas as restantes
informações são dadas por ordem decrescente de importância, de forma que, à medida que se
vai descendo no corpo da notícia, os factos relatados se vão tornando cada vez menos essenciais.

Pirâmide invertida porque a base desta, aquilo que é noticiosamente mais importante, se
encontra no topo – em ordem muito distinta à que seguem por exemplo a novela, o drama ou
o conto.

Os parágrafos - construção por blocos


A construção por blocos é uma técnica que se associa frequentemente à pirâmide invertida,
embora cada uma possa subsistir de forma independente.

Construir um texto “por blocos” significa que cada parágrafo funciona na notícia como uma
entidade logicamente autónoma. Isto é, os parágrafos são construídos como blocos estanques,
sem ligação necessária, nem linguística nem semântica-informativa, com o parágrafo
imediatamente anterior.

Doc.06.02.v1

35
Não é que os parágrafos não tenham, todos, ligação com o acontecimento que narram, que
funciona como fio condutor; simplesmente, eles são autónomos em relação uns aos outros.

A vantagem deste tipo de construção é dupla:


Por um lado, se o leitor desiste da leitura da notícia a meio, perde certamente
informação, mas não é deixado com nenhuma ideia ou conceito pendente do parágrafo
seguinte;
Por outro, e esta muito mais importante, o editor e o paginador sabem que se for
necessário diminuir apressadamente a extensão da peça podem começar a cortar
parágrafos a partir do fim, sem que se perca informação essencial e sem ser necessário
emendar ou corrigir os parágrafos que se mantêm.

Exemplo:

Doc.06.02.v1

36
Títulos
Os títulos anunciam o texto jornalístico que encabeçam, e são aquilo que em primeiro lugar o
leitor apreende quando se debruça sobre as páginas de um jornal. O leitor típico vai viajando de
título em título até encontrar algo que lhe prenda definitivamente a atenção, ou corresponda
aos seus interesses quotidianos: aí detém-se, prosseguindo a leitura da notícia.

Um título, se não necessita sempre de ser direto e imediatamente informativo, deve, mesmo na
reportagem, reter algo dessa característica. O título tem de ser concreto e estar relacionado
com o assunto de que fala o texto, informando diretamente, levantando pistas sobre o que vai
ser revelado, ou, simplesmente, brilhando pela sua oportunidade ou originalidade.

Consideramos bom o título que prende a atenção de todos os leitores, quaisquer que sejam os
seus particulares interesses, gostos e hábitos de cada um, ou seja: o que salta à vista e, ao
mesmo tempo, se revela ‘suficientemente explícito para que toda a gente o compreenda com
facilidade, e misterioso q.b. para suscitar o desejo de obter mais informações’ sobre a matéria
que apregoa.

Temos pois que os títulos, os quais, juntamente com as fotografias, são a primeira coisa, e por
vezes a única, a que o leitor atenta no jornal. O título serve assim para informar, cativar, prender
o leitor, despertando a sua atenção e curiosidade. Um mau título, como um mau lead, pode
matar a melhor peça jornalística.

As dificuldades de elaboração de um bom título emergem da necessidade de reunir numa única


frase alguma informação, a “essência” do texto a que se reporta, e fazê-lo numa fórmula
poderosa, cheia de ritmo, brilho e nervo, e que deve ainda permanecer fiel ao texto que titula.
“O título deve possuir um ritmo próprio e um equilíbrio interno que o tornem, simultaneamente,
apelativo e esclarecedor”.

Os títulos, antetítulos e subtítulos desempenham ainda uma função estética nas páginas dos
jornais, ajudando a quebrar a monotonia das extensas colunas de texto, demarcando a
arrumação dos próprios textos, e servindo ao equilíbrio gráfico da página.

O título deverá ser, em geral, eminentemente informativo, condensando a informação incluída


no lead.

Os títulos devem ser construções afirmativas, preferencialmente com o verbo colocado no


presente do indicativo. Por princípio desaconselha-se a utilização de títulos negativos — o leitor
quer saber o que aconteceu, e não o inverso — e interrogativos, que sugerem que o jornal
veicula rumores ou boatos.

Doc.06.02.v1

37
António não foi condenado
pelo Tribunal da Boa Hora

Uma construção negativa, não é a mesma coisa que:

António Cunha absolvido


pelo Tribunal da Boa Hora

A exceção que pode admitir-se ao emprego da forma negativa num título e quando se reporta
a situações em que a partícula não “causa comoção ou alívio”:

Tufão não atinge os Açores

Mas este último título poderia igualmente ser construído de forma positiva:

Tufão passa ao largo dos Açores

Por regra, jamais se utiliza o ponto de interrogação num título: o jornal informa, responde às
perguntas dos leitores, tira a limpo rumores, e portanto não os veicula. A única possibilidade —
sempre excecional — de produzir um título interrogativo é quando o ponto de interrogação, em
vez de se reportar ao conteúdo informativo da notícia, assinalando dúvida ou desconhecimento,
tem propósitos estéticos.

Porto dois mil e quê?

Doc.06.02.v1

38
Mas jamais

Soares é candidato?

Da mesma forma que não se produzem leads genéricos, também não se fazem títulos demasiado
gerais. Em vez de:

Conselho de Ministros toma importantes medidas

Deve escrever-se:

Por decisão do Conselho de Ministros


Gasolina aumenta a partir de Janeiro

Os títulos, da mesma forma que os períodos e as frases, nunca podem iniciar por algarismos.
Quando for necessário empregá-los dessa forma, o número deverá ser escrito por extenso.
Assim:

Seis milhões de contos para os têxteis

E nunca

6 milhões de contos para os têxteis

Doc.06.02.v1

39
É proibido o uso de parêntesis, de ponto e vírgula e de ponto final nos títulos, bem como de
reticências, as quais, mais uma vez, deixam em suspenso o que se quer dizer, como quem lança
um boato, levanta uma dúvida ou tem uma piada para contar.

Nos títulos, os sinais de pontuação devem ser reduzidos ao estritamente indispensável e,


sempre que possível, eliminados. Em todo o caso, são admissíveis, com conta, peso e medida, a
vírgula, o travessão e os dois pontos.

Há também regras para a partição dos títulos, que seguem o seguinte princípio: não devem ficar
partículas ou elementos lógicos “pendurados” numa linha de título.

As linhas dos títulos não devem terminar em artigos definidos ou indefinidos, preposições ou
locuções prepositivas — os elementos de ligação que sustentam a frase “caem” sempre para o
início da linha seguinte, de forma que a anterior represente sempre uma unidade lógica, e não
um dispositivo que apresenta ideias aos soluços.

Agora vamos trabalhar para


completar a reforma fiscal

É um título errado porque “para” deveria ter sido remetido para a linha seguinte.

Pela mesma razão, um título pode ser partido num verbo, mas só em determinados casos. É
sempre errado proceder à partição dos títulos em verbos de ligação, também chamados
copulativos. O verbo de ligação por excelência é o verbo se, mas existem muitos outros, como
tornar-se, estar, ficar, permanecer, parecer, aparecer, etc...

Proibido igualmente é partir os títulos a meio de nomes próprios:

Sofinca compra Jardim


Público da Covilhã

Doc.06.02.v1

40
Deve também, por razões estéticas, respeitar-se uma certa proporção entre as linhas que
compõem o título, procurando que a sua extensão seja equilibrada de forma que o conjunto não
seja graficamente chocante. É errado escrever:

Inês Monteiro sagrou-se campeã da Europa


em corta-mato

Podendo dizer-se exatamente o mesmo da seguinte forma:

Inês Monteiro sagrou-se


campeã europeia de corta-mato

Os títulos têm de evitar repetições de palavras, rimas, cacofonias ou sons chocantes, cujo efeito
em título é muito desagradável; e ainda chavões, lugares comuns e expressões com duplo
sentido.

Os títulos, como aliás os textos, não devem generalizar raças, etnias, nacionalidades ou
profissões, exceto quando tal se reporta a atitudes coletivas de tais grupos:

Espanhóis referendam regiões administrativas

Médicos anunciam greve de zelo

Mas já não deve utilizar-se

Juiz mata mulher e amante

Doc.06.02.v1

41
Ou

Cigano ateou incêndio

Por mais brilhante que seja um título, ele deve estar de acordo e em harmonia com o estilo da
peça jornalística que encabeça; e ainda, adequar-se perfeitamente à secção do jornal onde vai
ser inserido.

Exemplo de título:

Doc.06.02.v1

42
O subtítulo

Este é usado como complemento de informação ao título. Pode precisar a informação que ficou
menos clara no título ou pode, simplesmente, acrescentar algum elemento informativo que o
título não pode contar porque não é suposto que os títulos sejam demasiado longos.

Os subtítulos, tal como os títulos, devem ser curtos, não contendo muitas palavras. Devem ser
sugestivos, captando o essencial do trecho do texto que introduzem, sem anular o "suspense"
da leitura nem repetir palavras ou ideias sintetizadas noutros subtítulos, no título e nas legendas
da peça.

Deve sempre evitar-se a repetição de palavras nos títulos e subtítulos.

Exemplo de título e subtítulo:

Doc.06.02.v1

43
Exemplo:
Título
Subtítulo
Lead

Doc.06.02.v1

44
Ilustrações e legendas
As fotografias e as legendas, desde que estas se encontrem associadas ao bloco do título, devem
ser lidas de forma complementar com o título, como se fossem peças de um mesmo "puzzle".

Numa situação limite, em que o leitor apenas tivesse tempo para ler esse conjunto de sinais,
eles deveriam ser suficientes para lhe fornecer uma informação mínima. Ou seja, esse conjunto
terá que conter os elementos informativos essenciais do texto, numa interação conjugada.

As legendas contêm sempre um elemento identificador de pessoas ou situações. Nas fotos


maiores, essa identificação é completada com uma frase curta, de preferência retirada do texto.
Nos grandes planos de rostos a legenda limita-se à identificação. Nos pequenos selos inseridos
nos destaques de primeira página ou nas breves, não há legenda.

Deve-se fazer referência à fonte, no caso de não serem originais.

Exemplo: Legenda e identificação do autor

Doc.06.02.v1

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O fim do artigo
Tal como acontece com o “lead”, também o final do texto é fundamental num artigo jornalístico.
Na realidade, logo a seguir ao “lead”, o fim é a parte mais importante de um texto jornalístico.
O “lead” tem de ser bom para cativar o leitor, o fim tem de ser suficientemente interessante
para não o desapontar.

Seja qual for o tipo de fim escolhido, é importante que ele esteja de acordo com o resto do texto
e que satisfaça o leitor, dando-lhe a sensação de missão cumprida.

Assinaturas
A assinatura de um texto deve refletir de forma rigorosa a sua autoria. Se há mais de uma
participação para um dado texto, a ordem de assinatura deve reflectir a contribuição de cada
um dos autores. Nos textos escritos em parceria, a ordem das assinaturas deve ser alfabética,
pelo apelido, sempre ao mesmo nível de relevância.

Exemplo: Fim do artigo e assinatura

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5. Análise do conteúdo das diferentes secções e tipos de texto de um
jornal

O texto jornalístico baseia-se, essencialmente, na descrição, nas citações, na análise e na


opinião. O enunciado jornalístico, por consequência, pode ser descritivo (englobando as
citações), analítico ou opinativo.

Geralmente, os jornalistas recorrem à descrição, às citações e à análise, deixando a opinião para


colunistas, especialistas e opinantes.

Uma peça jornalística pode construir-se com base num, em dois, em três ou mesmo nos quatro
tipos de enunciação. De qualquer modo, pelo menos um dos tipos de texto está sempre
presente: o descritivo. Uma peça jornalística pode ser exclusivamente descritiva. Isso é comum,
por exemplo, nas notícias breves.

Com frequência, os jornalistas, movidos pela sua ideologia da objectividade, procuram separar
a informação factual dos comentários (analíticos ou opinativos).

Texto descritivo
O texto descritivo jornalístico descreve alguma coisa. No jornalismo, geralmente usa-se o texto
descritivo para descrever um facto, um acontecimento ou uma ideia, bem como as suas
evoluções.

A descrição jornalística serve, essencialmente, para trazer informação ao domínio público. O


jornalista limita-se a descrever os factos que a sua fonte lhe revelou ou a relatar factos que
presenciou ou que lhe foram narrados por uma fonte.

Exemplo de texto descritivo:

Carro sem condutor anda 100 metros até mergulhar em chafariz

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Um automóvel sem condutor nem passageiros percorreu hoje cerca de 100 metros no centro
de Oliveira de Azeméis até parar no chafariz da praça Luís de Camões, parcialmente submerso
na água.

O carro encontrava-se estacionado em dupla fila na avenida Doutor Albino dos Reis e, como o
condutor não acionou devidamente o travão de mão antes de se ausentar, começou a descer a
artéria, que tem uma acentuada inclinação.

O automóvel acabou por galgar o jardim da rotunda da praça Luís de Camões até ficar
imobilizado no interior do chafariz, submerso até à altura das rodas.

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Azeméis explicou à Lusa que a situação
ocorreu porque "o proprietário do carro esqueceu-se de travar o carro enquanto foi ao quiosque
da esquina comprar umas raspadinhas".

O homem em causa "ainda viu o carro a começar a descer", mas já não teve forma de se
aproximar para o parar.

Considerando que a avenida Doutor Albino dos Reis é de sentido único e tem zonas de
estacionamento de ambos os lados, o comandante Paulo Vitória realça que "foi uma sorte o
veículo ter descido a rua toda sem bater em carro nenhum" e sem atropelar qualquer pessoa
numa passadeira "que costuma ser muito movimentada".

In Jornal de Notícias - http://www.jn.pt/, 16-09-2013

Texto analítico
No jornalismo, a enunciação analítica fica a meio caminho entre a descrição e a opinião. Aliás,
nem sempre é fácil destrinçar a análise da opinião, porque, com frequência, ao analisar o
jornalista também opina.

Analisar corresponde a uma dissecação da realidade, ao exame de um acontecimento ou de uma


ideia, parte por parte. A análise serve-se dos factos conhecidos e descritos para interpretar
acontecimentos e ideias, para fazer correlações entre os acontecimentos, para traçar as suas
implicações, para explicar ocorrências, com junturas e situações.

Doc.06.02.v1

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Se descrever serve para trazer informação ao domínio público, analisar serve para gerar
conhecimento. Fazer análise representa, portanto, fazer um jornalismo mais profundo e
ambicioso do que o jornalismo descritivo, baseado nas declarações das fontes ou na descrição
de factos.

Mas o jornalismo analítico requer jornalistas especializados, com um sólido domínio das
matérias que aborda e um amplo leque de fontes contactáveis.

Política (nacional e internacional, englobando as relações internacionais e a geoestratégia),


desporto e economia são, provavelmente, as temáticas que mais se têm prestado ao jornalismo
analítico.

Exemplo de texto analítico:

Crescimento ao fundo do túnel?

Nuno Coelho

A União Económica e Monetária parece estar a caminhar para o fim da recessão, embora o
caminho a percorrer ainda seja longo.

Os níveis de produção estabilizaram, a confiança dos empresários e consumidores está em


máximos de vários meses e a procura externa continua a dar um impulso significativo à atividade
económica.

No entanto, os níveis de dívida pública permanecem insustentáveis e o desemprego continua


elevado, principalmente entre os mais jovens. Destaca-se, no entanto, que a taxa de
desemprego é a variável que segue o ciclo com maior atraso - enquanto as empresas não
retomarem os seus níveis de produção normais e a procura não recuperar significativamente,
não existirão incentivos à contratação de novos empregados.

Apesar de os dados referentes à evolução da atividade económica nos países da zona euro
durante o segundo trimestre do ano só começarem a ser divulgados no final de Julho, começam
a surgir os primeiros sinais de que a economia poderá estar a aproximar-se da estabilização.

De acordo com os índices PMI (calculados com base em inquéritos regulares a empresas do
sector privado), a economia da zona euro entrou no terceiro trimestre do ano com crescimento
dos sectores da indústria transformadora e dos serviços. O indicador compósito para a região

Doc.06.02.v1

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(uma média ponderada dos indicadores para cada um dos sectores) aumentou para 50.4 em
Julho, acima dos 48.7 registados em Junho, e atingindo um máximo de 18 meses.

Estas notícias são complementadas pela divulgação de uma melhoria expressiva do indicador de
confiança do consumidor na zona euro, calculado pela Comissão Europeia. O indicador, baseado
em respostas a inquéritos, aumentou para -17.4 em Julho, face a -18.8 no mês anterior e
ultrapassando a expectativa média do mercado que apontava para -18.3.

No entanto, vários fatores ainda sobressaem pela negativa, destacando-se de imediato o


elevado desemprego. De facto, a taxa de desemprego da região continua a atingir máximos
históricos, tendo-se fixado em 12.2% em Maio, que compara com 11.3% em Maio de 2012.

A taxa de desemprego entre os jovens atinge os 23.9%, o que poderá comprometer largamente
a qualificação dos trabalhadores da região e consequentemente o crescimento económico
potencial da economia. Por sua vez, o rácio de dívida pública em relação ao PIB na zona euro
atingiu os 92.2% no final do primeiro trimestre.

Os desenvolvimentos no sector monetário e financeiro também estão a dificultar a recuperação


da actividade económica.

Nem mesmo a política ultra-acomodatícia do BCE tem conseguido restaurar o mercado de


empréstimos, uma vez que o mecanismo de transmissão de alterações de política para a
economia real continua debilitado: o mercado monetário interbancário contínua inacessível a
alguns países, principalmente aos países com maiores desequilíbrios das finanças públicas
(devido ao elo risco soberano - risco bancário) e os balanços dos bancos continuam a sofrer um
necessário processo de reestruturação e desalavancagem.

Reconhecendo-se os desafios que ainda persistem para as autoridades políticas da região, não
se deve ignorar a recuperação, ainda que ténue, dos indicadores económicos já referidos.

In “Diário Económico”, http://economico.sapo.pt, 26-07-2013

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Texto opinativo

Se, na sua essência, a descrição visa tornar pública a informação e se a análise visa gerar
conhecimento, a opinião visa influenciar o público e contribuir para o debate de ideias,
acontecimentos e problemáticas, enriquecendo o fórum público (por vezes transformado em
arena pública). Para se dar uma opinião pertinente é preciso sabedoria.

Se a descrição gera informação pura e se a análise produz conhecimento, a opinião é uma


manifestação de saber.

O texto opinativo é um enunciado jornalístico menos comum do que o texto descritivo e o texto
analítico. Os jornalistas, geralmente, tentam separar a informação (descrição e análise) da
opinião. A opinião fica reservada a especialistas, colunistas e opinantes.

Nem sempre é fácil distinguir opinião de análise. Por vezes, para se chegar à opinião é necessário
fazer uma análise. Mas talvez seja possível dizer que a opinião se destrinça da análise porque,
ao contrário desta, não necessita de se basear em factos concretos e no exame atento da
realidade.

A perspetiva do opinante pode ser muito subjetiva, resultando unicamente da interação entre a
mente e a linguagem. Mas o facto de a opinião não necessitar de se basear em factos concretos
ou no exame atento da realidade não significa o mesmo que deixar de se fazer essa ancoragem
à realidade.

Exemplo de texto opinativo:

O escândalo dos manuais escolares

Inês Pedrosa

Mudam os governos e as políticas, mas à negociata dos manuais escolares ninguém parece
querer pôr cobro, antes pelo contrário: de ano para ano, os manuais mudam e multiplicam-se.

Em muitas disciplinas, os manuais são dois ou três (um por período escolar), e cada um deles
vem com o respectivo caderno de exercícios, além dos cds ou pens para tornar mais interactiva
a brincadeira caríssima em que o estudo se tornou. Os encarregados de educação pagam e não
piam – e pagam bem, porque os manuais são muito mais caros do que os melhores livros de
História, Ciência, Economia ou Filosofia, já para não falar de Literatura.

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Por que são tão caros os livros escolares? Pego no exemplo dos de Português: os autores
incluídos não recebem direitos de autor – nem sequer os autores vivos são consultados sobre
as ‘supressões’ e ‘adaptações’ a que os seus textos são sujeitos.

Espanta-me que se publiquem textos literários cortados, sem que pelo menos se respeite a
sinalização gráfica desses cortes, através de parêntesis com reticências. As ‘adaptações’
desvirtuam o sentido e o ritmo do texto, representam uma desconsideração pela obra e pelo
autor e não deviam, pura e simplesmente, ser admitidas. As desculpas ‘pedagógicas’ (ah, as
costas largas da ‘pedagogia’) não são aceitáveis, porque é mais importante ensinar os alunos a
respeitarem o trabalho alheio do que alterá-lo para o tornar supostamente ‘acessível’.

De resto, o paternalismo implícito nas elucubrações sobre a capacidade de compreensão de


crianças e jovens tem contribuído muito para os desinteressar pela Literatura.

Por outro lado, os artistas gráficos que paginam e ilustram estes livros são miseravelmente
pagos, com um preço-hora muito inferior ao de uma empregada da limpeza. As editoras têm
aproveitado o desespero e o desemprego para proletarizar o design gráfico – como, aliás, todo
o trabalho editorial. Queixam-se da crise – mas arredam os profissionais que fariam a diferença,
porque não são capazes de ver mais do que preços.

A revista Visão publicou na passada semana uma reportagem sobre os manuais escolares e
tentou saber qual o valor deste negócio para as editoras – mas não conseguiu resposta da
Comissão do Livro Escolar da APEL. Os números do mundo do livro continuam secretos, o que é
particularmente grave quando se trata da Educação, para a qual contribuímos, e de livros que
somos efetivamente obrigados a comprar.

Por que razão há tantos manuais, e quais são os critérios de escolha? Em vários países da Europa,
os manuais são gratuitos e reutilizáveis. Não se percebe a necessidade de criar novos manuais
de ano para ano – ou só se percebe como subsídio aos grandes grupos editoriais que os
publicam, em prejuízo da igualdade de oportunidades que deve ser garantida a todos os
estudantes. Queremos as contas dos custos de produção e dos lucros deste consumo a que
somos forçados, de um modo muito pouco democrático.

In “Sol”, http://sol.sapo.pt, 17-09-2013

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Citações
As citações podem ser diretas ou parafraseadas. Consideram-se citações diretas aquelas em que
se reproduz o discurso de uma fonte entre aspas. Consideram-se paráfrases as citações em que
o jornalista usa palavras suas para descrever aquilo que a fonte disse. Em ambos os casos deve
remeter-se claramente a informação para a fonte citada.

Nas citações diretas pode modificar-se ligeiramente a forma original do discurso, desde que não
se modifique o sentido do mesmo. Faz-se isto para adequar a citação à forma da notícia e para
corrigir problemas gramaticais, nomeadamente problemas sintáticos decorrentes da
enunciação oral.

Exemplo de citação direta:

O ministro das Finanças disse hoje que “a recuperação da procura global e a quebra significativa
das taxas de juro contribuíram para criar um ambiente mais favorável ao investimento em
equipamento industrial”.

Exemplo de paráfrase

O ministro das Finanças disse hoje que a diminuição das taxas de juro e o aumento da procura
contribuíram para aumentar o investimento em equipamento industrial.

As citações diretas ou parafraseadas podem ser usadas em todos os géneros jornalísticos.

Propostas de atividade

Trabalhar a Imprensa Escrita implica para além da análise / desmontagem de uma das mais
importantes linguagens da atualidade, a construção dos mais variados tipos de imprensa escrita
– jornais generalistas, especializados (referentes aos vários desportos, a artes, a divulgação
religiosa …), conforme o nível experiencial e o interesse dos formandos.

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Neste caso concreto a tarefa que se propõe é a produção e realização de um jornal, do tipo
escolhido pelos formandos e pelo formador, da forma que este considerar mais eficaz
(questionário, chuva de ideias, inquérito...)

Todo o trabalho de identificação e análise dos géneros jornalísticos, poderá ser feito com o apoio
de questionários, eventualmente integrados em guiões que sugerirão, para além do trabalho de
análise de texto, outro tipo de atividades de produção - escrita, gráfica, fotográfica…).

Mais uma vez o trabalho de equipa é o considerado possível, uma vez que, para além do trabalho
com os guiões (linguístico, textual, gráfico, fotográfico…) o grupo dos formandos deverá
constituir-se em subgrupos com tarefas específicas – Direção (agenda), Redação (rubricas;
géneros textuais-entrevista; reportagem; crónica; notícia; breve…), Produção, Divulgação e
Distribuição, por exemplo, sem o que não será possível a realização de uma tarefa deste tipo.

No caso de os formandos e do formador acharem desadequada a realização de um jornal,


poderá o módulo fazer-se apenas na perspetiva da receção, isto é da análise e interpretação da
mensagem jornalística escrita, sendo que os textos produzidos pelos formandos podem ser
compilados num dossier.

Exemplos:

1. Análise de uma notícia num jornal escrito e da mesma notícia veiculada pela televisão, para
concluir da importância do meio na estrutura do texto - notícia lida por um jornalista de
continuidade, apontamento de reportagem ao vivo com os intervenientes ou só com imagens-
e as diferentes partes de uma notícia escrita. Análise temática, textual e gramatical.

2.A partir da apresentação de jornais semanários, diários, nacionais, regionais,…os formandos


deverão construir uma grelha de análise que permita identificar rapidamente os jornais em
referência. Esta grelha pode facilmente ser construída a partir da leitura do cabeçalho de cada
jornal, a que se acrescentarão outros dados importantes para o grupo.

3. A análise da 1ª página de um jornal é também um lugar privilegiado de pesquisa, pelo que o


preenchimento de uma ficha de análise, tanto do ponto de vista do conteúdo como do ponto
de vista estrutural (nível das diferentes partes que a constituem) pode ser um trabalho
fundamental para concluir do tipo de orientação do jornal e do tipo de público que visa.

4. Um jornal inclui uma grande diversidade de textos, daí a análise de alguns dos géneros
jornalísticos mais comuns. A partir da leitura de vários textos de um mesmo jornal, diário, por

Doc.06.02.v1

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exemplo, apresentar aos formandos um esboço de grelha que inclua alguns dos elementos
estruturais e linguísticos que os distinguem; deixar aos formandos a possibilidade de completar
a grelha.

O trabalho de produção de texto em 1. 2.e 3. deverá aproveitar, numa 1ª fase, os textos


analisados, isto é, repetir o modelo com outro conteúdo e, seguidamente, partir para textos
escolhidos pelos formandos.

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Bibliografia

Anabela Gradim, Manual de Jornalismo, Universidade da Beira Interior, 2000

Kovach, Bill, Os elementos do Jornalismo, Porto Editora, 2005

Sousa, José Pedro, Elementos de Jornalismo Impresso, Porto, 2001, s/ed

Sites Consultados

Biblioteca online de Ciências da comunicação


http://www.bocc.ubi.pt/

Diário Económico
http://economico.sapo.pt

Projecto DN Escolas – Educação para os Media


http://nescolas.dn.pt/

Jornal A Bola
http://www.abola.pt/

Jornal Correio da Manhã


http://www.cmjornal.xl.pt/

Jornal de Notícias
http://www.jn.pt

Jornal O Jogo
http://www.ojogo.pt/

Jornal Público
http://www.publico.pt/jornal

Jornal Público – Livro de Estilo


http://static.publico.pt/nos/livro_estilo/

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Jornal Público – Suplemento “Fugas”
http://fugas.publico.pt

Jornal Sol
http://sol.sapo.pt

Revista Visão, Vida e Viagens


http://visao.sapo.pt/visao-viagens

Selecções do Reader’s Digest


http://www.seleccoes.pt/

Doc.06.02.v1

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