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História Moderna de Portugal

1ºSemestre
Faculdade de Letras da Universidade do Porto

História Moderna de Portugal

A ditadura pombalina e as suas consequências (1755-1825)1


Como algumas personalidades2 europeias tiveram impacto e
prosperidade de tal ordem que se justifica a referência à Inglaterra
cromwelliana, à França napoleónica e à Rússia estalinista. Do mesmo
modo, a ditadura de Marquês de Pombal3 deixou marcas profundas na
História de Portugal até aos dias de hoje. É impensável retratarmos a
história portuguesa da segunda metade do século XVIII sem
mencionar o “misto de médico e de monstro, que afectou tão
profundamente, para o bem e para o mal, o seu país”4.
O autor faz uma breve biografia em traços gerais: oriundo de
uma família da pequena nobreza rural. Casou a primeira vez com
uma senhora mais velha da aristocracia, mas que não lhe deu a
posição na sociedade que este ambicionava. Em 1738 foi nomeado
embaixador na corte de St. James, onde se apercebeu da
desigualdade de tratamento entre os ingleses em Portugal (posição
privilegiada) e os portugueses em Inglaterra (mal tratados). Em 1745,
Pombal foi enviado em missão especial para Viena, Áustria. Aqui faz o
seu segundo casamento, que lhe permite o acesso à sociedade
vienense. Quando D.José sobe ao trono, Pombal é nomeado
Secretário de Estado da Guerra e dos Negócios Estrangeiros.
O terramoto de 1 de Novembro de 1755, em Lisboa, “acelerou a
subida de Pombal para a posição de autêntico ditador de Portugal
durante os vinte e dois anos seguintes”5.
Pombal quis reduzir a importação de produtos manufacturados
e de matérias-primas estrangeiras, sobretudo com a diminuição da
produção de ouro oriundo do Brasil, depois de 1760. Criou e
revitalizou indústrias, fundou companhias comerciais6 com a
protecção real e com direitos de precedência sobre as feitorias
inglesas. Apesar de não terem sido bem aceites por pequenos
comerciantes portugueses, Pombal não permitiu qualquer
manifestação de descontentamento. Todos os que se revoltavam

1
In BOXER, Charles Ralph – O Império marítimo português: 1415-1825. Lisboa:
Edições 70, 2001, pp 179-201.
2
Personalidades como Oliver Cromwell, na Inglaterra; Luís XIV e Napoleão I, em
França; Pedro o Grande e José Estaline, na Rússia.
3
Título conferido em 1770 a Sebastião José de Carvalho e Melo.
4
in BOXER, Charles Ralph – O Império marítimo português: 1415-1825. Lisboa:
Edições 70, 2001, p 179.
5
Idem, ibidem, p. 182.
6
Companhia Comercial do Maranhão-Pará e Companhia Comercial de Pernambuco-
Paraíba.
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contra as suas medidas eram severamente castigados (exilados,
encarcerados e em alguns casos executados).
A política anti-britânica limitou-se ao nacionalismo económico e
também conseguir uma reciprocidade diplomática, de modo a que o
Governo Inglês tratasse os portugueses como aliados. O ódio
pombalino aos Jesuítas devia-se ao facto de este os considerar
culpados do atraso e subdesenvolvimento do país e das colónias. A
sua obsessão era de tal ordem que “via a mão oculta da Companhia
de Jesuítas em quaisquer dificuldades ou oposição que encontrasse,
em qualquer local ou cultura, em Portugal ou no ultramar.”7
Organizou uma violenta propaganda antijesuíta sobre a forma de
livros e panfletos. “Uma das razoes principais da obsessão antijesuíta
de Pombal foi sem dúvida a sua concepção levada ao extremo do
absolutismo real e a sua determinação de subordinar a Igreja
praticamente em todas as esferas ao controlo apertado da coroa.8”
A ditadura pombalina foi de tal ordem que as prisões estavam
cheias de pessoas que nem sequer tinham sido julgadas. Não havia
nenhuma oposição visível ou organizada.
Alguns críticos defendem que D. José foi um fantoche nas mãos
do Marquês de Pombal, mas este sancionava as suas acções de tal
ordem que deixou uma declaração assinada para que a sua
sucessora, D. Maria I, libertasse todos os presos políticos e pagasse
as dívidas da Casa Real. Pombal demitiu-se e foi exilado na sua casa
de campo, para onde se tinha refugiado depois da queda do poder.
Pombal morre em Maio de 1782.
Existe alguma controvérsia a respeito da ditadura pombalina.
Alguns críticos consideram que “muitas das suas reformas eram
concebidas demasiado apressadamente, arbitrárias, auto
contraditórias e obrigados a um cumprimento sem qualquer
consideração pelas realidades9”.
Apesar de muitas reformas terem falhado após a sua vida,
muitas mantiveram-se, tais como: a abolição da escravatura em
1761-1773; reformou o currículo da Universidade de Coimbra, que se
encontrava bastante antiquado; tentou encorajar o crescimento de
uma classe média mais instruída através da criação de uma escola de
comércio, em Lisboa, e fundou escolas subsidiadas pelo Governo em
Portugal, Brasil e Goa; acabou com a distinção entre cristãos-novos e
cristãos-velhos; promulgou severas leis contra o anti-semitismo.

7
in BOXER, Charles Ralph – O Império marítimo português: 1415-1825. Lisboa:
Edições 70, 2001, p 186.
8
Idem, ibidem, p. 188.
9
Idem, ibidem, p.190.
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Quanto às Companhias Monopolistas criadas para desenvolver o
comércio e estimular a economia do Maranhão-Pará e do Norte
Brasileiro tiveram resultados satisfatórios. Apesar dos benefícios
materiais10, estas companhias foram extintas em 1778-1780. Em
relação às minas de ouro e diamantes do Brasil e organização das
finanças da coroa no órgão centralizado do Real Erário, a legislação
pombalina não obteve os resultados esperados, devido ao
esgotamento dos depósitos minerais mais lucrativos e o envolvimento
de Portugal na guerra de 1762-64.
A queda de Pombal foi um alívio para a maioria dos
portugueses, excepto aqueles que tinham lucrado com as
companhias monopolistas com protecção real. Durante o reinado de
D. Maria I, o reflorescimento comercial que começara em alguns
sectores da economia brasileira durante a ditadura pombalina
continuou com saldo positivo. O governo de D. Maria manteve a
política pombalina ao nível da política colonial tradicional “de tentar
estimular a produtividade agrícola e a exportação de açúcar, arroz,
algodão e cacau do Brasil, proibindo o desenvolvimento de quaisquer
manufacturas brasileiras (…) que pudessem competir com os
produtos manufacturados e exportados em Portugal11”.
Em 1807, a invasão francesa, em Portugal, obrigou a Família
Real a fugir para o Brasil e a corte portuguesa a instalar-se no Rio de
Janeiro até 1821. Com a pressão dos ingleses, o príncipe regente
promulgou um decreto que declarava todos os portos brasileiros
abertos ao comércio com todas as nações amigas, o que seria dizer,
apenas com a Grã-Bretanha até ao final das guerras napoleónicas.
Em 1815, o Brasil torna-se reino e D. João torna-se rei de Portugal e
do Brasil. A independência do Brasil deu-se numa fase pouco feliz
para os portugueses, pois ainda não estavam recompostos das
invasões francesas; a abertura dos portos brasileiros em 1808 foi um
golpe para o comércio português; algumas indústrias começaram a
entrar em colapso frente à competição industrial inglesa. Portugal foi
incapaz de fazer frente aos países que estavam a lucrar com a
revolução industrial devido a: inexistência de minas de carvão,
canais, vias de comunicação, meios de transporte adequados; e
também, devido às convulsões politicas entre absolutistas e liberais,
que resultaram muitas vezes em guerras civis.
Neste artigo o autor faz um óptimo resumo sobre a vida do
Marques de Pombal e da sua forma de governar que deu origem a

10
A exportação do cacau duplicou em quantidade e no preço de venda; o arroz e as
peles tornam-se em importantes produtos de exportação.
11
in BOXER, Charles Ralph – O Império marítimo português: 1415-1825. Lisboa:
Edições 70, 2001, p 195.
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uma das ditaduras que este pais teve, a chamada ditadura
pombalina.

Trabalho realizado por:


Hugo Miguel Silva Sampaio
3º Ano – Arqueologia