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EDIÇAD DA LIVRARIA DO GlOBO i
PORTO ALEGRE
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Dois ATLAS indispensáveis para o


estudo de geografia

[ATI. AS ■b ;11’o; \rj

CjISBG TEHRESTfií

Os ATLAS organizados pelo prof. A. G. Lima, nome


feito nos meios pedagógicos, preenchem iodas as finali­
dades do ensino moderno de Geografia.
O método de qne o antor se serrin, a distribuição
da matéria, a originalidade dos gráficos qne ilustram ás
preleções, tudo isso confere à aludida obra nma grande
dlstlnçio e lhe conquista lugar único entre as suas
congêneres,—, . I
A feiçãoN m teriai é das mais modernas.
2v* parte — JttfcUSIL
1 toL cart. com 45 m ap as. .............. 84$040
p a r t o — GLOBO TEBBESTBE
1 I.
to cart. com 50
mapas. ........................ SOfOOO

Edfçâo da L im ria do Globo


PORTO ALEGRE

538 — Of. Graf. da Liv. Sò Globo — P. Aleerre


R A D A G A S IO T A B O R D A
LEN TE CA TED R A TICO DO QINASIO ESTADUAL DO RIO GRANDE DO SUL.
BX*LENTE DO QIN ASIO M UN ICIPAL DE LORENA (E S T . DE SÃO P A U LO ), DO QINASIO
M UNICIPAL DE N ITER Ó I (E S T . DO RIO DE JA N E IR O ), DO LICEU «'CORAÇÃO OE JE S U S ” ,
DE SÃO PAULO, DO QIN ASIO M U N ICIPA L DE BAGé (R IO QRANDE DO S U L ).

(P O R PERGUNTAS E RESPOSTAS)

PRIMEIRA SÉRIE
R IG O R O SA M EN TE DE A CO R DO COM O PROGRAMA PUBLICADO
PELO M IN IS TÉ R IO DA ED UCAÇAO E SAÚDE PUBLICA,
A 31 DE JU LH O DE 1931.

OBRA AD O TAD A EM QUASI T O D O S O S G IN Á SIO S DO BRASIL.

3.A E D IÇ A O
ILU STR A D A COM N U M ER O SA S GRAVURAS

N.° 638

19 3 4
EDIÇAO DA L I V R A R I A D O G L O B O
B a r c e l l o s , B e r t a s o & Ci a . ♦ P ô r t o A le g re
— *- F ilia is : S a n ta M a ria e P e lo ta s
DO MESMO AUTOR:
CRESTOMATIA

Excertos escolhidos, em prosa e verso, dos melhores au­


tores brasileiros e portugueses, seguidos de um apendice com
exercícios de cartas e redações, regras da Ortografia Oficial
e extenso yocabulario.

PEQUENO COMPÊNDIO DE CIÊNCIAS FÍSICAS E NATURAIS


(Por perguntas e respostas)

Programa do txam« admissão aos ginásios. (8.® tâlçfto).


IN TR O D U Ç Ã O

DE COMO DEVERA* SER MINISTRADO O ENSINO


DAS CIÊNCIAS FÍSICAS E NATURAIS NA
PRIM EIRA SERIE DO CURSO FUNDAMENTAL

(Extrato das instruções expedidas pelo Ministério da Edu­


cação e Saude Publica e publicadas no Diário Oficial de SI
de julho de 1981).

O ensino das Ciências Fisicas e Naturais tem em


vista dar uma noção geral dos fenom enos da natu-
resa e das suas aplicações mais comuns á vida quo­
tidiana, nas cidades e nos campos, de aeordo com o
desenvolvimento da civilização da nossa epoca. Além
de transmitir os conhecim etnos já adquiridos pela
tradição e a ciência, ainda procurará desenvolver,
nos alunos, o habito da experimentação e da obser­
vação atenta dos fenom enos naturais, estimulando-
lhes os dotes da imaginação, a a?gucia do raciocínio
e a habilidade nas realizações praticas, afim de des­
pertar as suas tendenei&s vocacionais para os es­
tudos posteriores.
O ensino das Ciências Fisicas e Naturais deve
ser orientado pelos métodos rigorosamente cientí­
ficos da Fisica, da Química e da Historia Natural
sem, contudo, obedecer na exposição dos assuntos o
aspeto f estrito a qualquer dessas ciências, porquanto
é mais aconselhavel que eles sejam desenvolvidos e
concatenados pelas suas correlações intimas e pelas
associações lógicas que despertam. Terá, assim, o
carater educativo, com o o exige a finalidade do curso
secundário fundamental, compreendendo mais os
aspetos de conjunto do que os de minúcia, que se­
rão reservados aos estudos técnicos e profissionais.
A TM O S FE R A
CAPITULO 1.•

AK E VACUO — PRESSÃO DO AR — PESO —


BAROMETROS — APLICAÇÕES DO AR COMPRI­
MIDO E RAREFEITO

1. — Que é atmosfera?
Atmosfera é essa camada de ar que envolve
o nosso globo. Tem cerca de 60 quilometros de es­
pessura: apresentando, quando vista através de
toda a sua massa, uma côr azulada diáfana.
2. — Que é vácuo?
Chama-se vácuo todo lugar privado completa­
mente de ar. Para estabelecer o vácuo num espaço
determinado, ou melhor, para rarefazer o ar que
nêle se contem (é impossivel obter-se o vácuo ab­
soluto) usa-se a máquina pneumática.
3. — Descrevei a máquina pneumática.
Poi inventado esse maravilhoso instrumento
em 1650 por Otto de Guericke, burgomestre de
Magdeburgo. Consta de dois cilindros de cristal,
(Fig. 1) em cada um dos quais se move um pistão,
munido de uma has^te, cujos dentes se engrenam em
uma roda dentada. Esta é movida alternadamente
da esquerda para a
direita, por meio de
um am anivela. Num
suporte de cobre, es­
tão fixos pela base
os dois corpos de
bomba, os quais co­
municam com um
canal de aspiração,
que vem abrir-se no
meio de um disco,
coberto de vidro es-
Fig. 1 — Maquina sneumatica. . , t
pesso, chamado pla­
tina* Sobre a platina, coloca-se o recipiente no qual
se quer rarefazer o ar. Eis a que se reduz todo o
jôg o da m áquina: Quando cada um dos pistões sóbe,
a sua válvula fica fechada, e abre-se a válvula do
canal de aspiração: parte do ar sai, então, do reci­
piente. Logo em seguida, desce o pistão, fecha-se
a válvula do canal de aspiração: o ar, portanto, que
acabára de espalhar-se no corpo de bomba, não pode
mais voltar para o recipiente e co»g#im e-se cada
vez mais, até que sua força elastica torna-se supe­
rior á pressão atmosférica e, levantando a válvula
do pistão, sai para fóra, por meio de aberturas pra­
ticadas na parte superior do corpo de bomba.
4. — O ar está sujeito á ação da gravidade?
Sim: o ar, bem com o os demais corpos da na-
turesa, está sujeito á ação da gravidade. Em razão
da tendencia de suas moléculas a se afastarem cada
vez mais, umas das outras, o ar se dispersaria nos
espaços infinitos, se a isso se não opusesse a força
de atração da terra.
5. — Como podeis dem onstrá-lo?
Prova-o o peso do ar. Pesando-se sucessivamen­
te um balão de vidro (Pig. 2) no qual se fez o vácuo,
por meio da máquina pneumática,
e depois cheio de ar, vê-se que um
litro dêsse gas, sob a pressão or-
dinaria e á temperatura de 0 grau
eentigrado, pesa lgr.,292.
6. —. Em quantos sentidos se
exerce a pressão barométrica?
Exerce-se em todos os senti­
dos, com igual intensidade, sobre
qualquer superfície plana, hori­
zontal, vertical ou inclinada.
7. — Como se póde demons­ Fig. 2 — Aparelho
para se verificar o
trar esse principio? peso do ar
H a duas experiencias muito
conhecidas: a do arrebeiita-bexiga e a dos hemis-
ferios de Magdeburgo.
8. — Em que consiste a primeira experiencia?
Coloca-se sobre a platina da máquina pneuma-
tica um cilindro de vidro, fechado hermeticamente
na parte de cima por uma membrana qualquer
(Pig. 3). Assim que no cilindro se com eça a pro~
— 10 —

duzir o vácuo, a membrana deprime-se e por fim


arrebenta com grande estrondo, devido á entrada
súbita do ar. Reciprocamente,
se se fizer o vácuo no reci­
piente de uma máquina pneu-
matica, dentro da qual se co­
locou uma bexiga cheia de ar,
esta estoura, arrebentando-se.
(Veja Pig. 84, pag. 157).
. v 9. — Que são os hemisfe-
rios de Magdeburgo?
São dois hemisferios ocos de co ­
bre (Pig. 4) que se podem ajustar exa­
tamente pelas respetivas circunferên­
cias. Um dos hemisferios é munido de
um tubo de metal com torneira, pig. 3 — Experiencia
para se aparafusar na máquina do arrebenta-bexiga.
pneumatica; o outro, de um anel fixo. Quando esses
dois hemisferios se unem nas
condições normais, facilmente
se pódem separar; mas, depois
de estabelecido o vácuo, é pre­
ciso sempre enorme esforço,
em qualquer sentido em que se
opere a tração. Esta experien­
cia foi feita pela vez primeira
em 1650, em Ratisbona, por
Fig. 4 — Hemisferios 1
de Magdeburgo. o tto de Guericke, em presença
do imperador Fernando III e
sua oôrte, os quais se maravilharam de vêr que, feito
o vácuo nos dois hemisferios, nem mesmo bs pode
separar a força de alguns cavalos, puxando em sen­
tido oposto.
10. — Que outras experiencias podem mostrar
a pressão atmosférica?
Sem a máquina, pneumatica, podeis verificar
a pressão iatmpsferica da seguinte
m aneira: Passando rapidamente
uma moeda sobre a vidraça de uma
janela, de m odo qué seja expelido
todo o ar de entre o vidro e a face
da moeda para ele voltada, ela ade­
rirá fortemente ao vidro, por causa
da pressão exercida pela atmosfera
sobre a outra face.
Se encherdes perfeitamente da-
gua um copo, colocando depois so-
bre este uma folha de papel (Fig. 5) JJencía"
e devagar fordes virando o mesmo rificar a pr«-
copo, a pressão atmosférica de bai- sâo »tm°3Íerica-
xo para cim a impedirá que caia a agua nêle con­
tida, mesmo que retireis a mão de sobre o papel.
1 1 . — Citai algumas aplicações do conheci­
mento da pressão atmosférica.
Para muitos fins aproveitou o homem o conhe­
cimento da pressão atmosférica, com o se vê na in­
venção do argau, do barometro, do sifão e da bomba.
12. — Que é o argau?
O argau, ou argão, é um instrumento, em geral
de vidro, que se introdu» pelo orificio de um tonel,
e se retira, tapando com o dedo polegar a extremi­
dade aberta do instrumento, para se extrair pequena
quantidade do vinho ou outro
liquido que se queira exam i-
nar- B n<luanto se não des-
«||g tapa o .o r ifício do argau, a
I ^ pressão atm osférica impede
I que o liquido cáia (Pig. 6)*
13. — Que são barome-
} tros?
Barometros são inatru-
*** 09 Bipetes**'18 mentos destinados a medir
a pressão atmosférica.
14. -— Quantas especies ha de barometros?
H a-os de várais especies: O barometro ordiná­
rio de tina, o de Fortin, o de Torricelli, o de Gay-
Lussac, o barometro de mostrador e o metálico de
Bourdon (Figs. 7 e 8).
15. — Como se constróe o barometro ordinário
de tina?
Tom a-se um tubo de vidro de cerca de 85 cen­
tímetros de com primento, fechado numa de suas
extremidades. Enche-se primeiro até o terço de seu
comprimento, com mercúrio que se faz ferver com
precaução, depois ajuntam-se os outros dois terços,
que se fazem ferver tambem com as mesmas pre­
cauções. Inverte-se sobre um recipiente ou pequena
tina que contenha este metal: o mercúrio abandona
a extremidade superior do tubo e pára, depois de
algumas oscilações, numa altura de cârca de 76 cen-
timetros. Esta experiencia, feita pela primeira vez
pelo fisico italiano Torricelli, mostrou que a pres­
são atmosférica sobre uma superfície dada é igual
ao peso de uma coluna de mercúrio que tenha por
base, a superfície comprimida, e, por altura, a do
mercúrio no tubo.
16. — Descrevei o barometro de Fortin.

Fig. 7 — Barometro
de tina, Pig. 8 — Outros barometros.

O barometro de Fortin diferencia-se do ordiná­


rio de Torricelli pela disposição da tina, cujo fundo
é movei, podendo-se fazer subir ou descer á vonta­
de, por meio de um parafuso, de modo a estabelecer
sempre o mesmo nivel nas observações. Esse nivel
é indicado por um ponteiro de marfim, a cuja extre­
midade corresponde o O da divisão. Nas observa-
— 14

ções, dispõe-se o aparelho verticalm ente, levanta-


se ou abaixa-se o fundo, até qua o m ercúrio fique
no m esm o nivel que o pon teiro de m arfim , e, na
graduação do tubo, sé lerá a altura barom étrica.
X 1 7 .— D escrevei o barom etro de Gay Lussac.
O barom etro de sifão de Gay Lussac é um apa­
relho m uito m ais sim ples, m ais facil de transportar
e tão exato com o os precedentes. C om põe-se de dois
ram os desiguais, unidos p or um tubo capilar. Uma
dupla graduação ascendente e descendente, cu jo
zero está n o m eio do aparelho, perm ite m edir as
distancias que ha entre o zero e os niveis do m er­
cúrio nos dois ram os. A som a dessas distancias,
indicará a altura barom étrica. V
18. — Quais os usos m ais im portantes do ba­
rom etro?
E ’ êle m uito usado para m edir a altitude das
m ontanhas e dos balões, e para as previsões m eteo-
rologica s. O barom etro sóbe, em geral, n o tem po
sêco, e desce n o tem po de chuva e trovoadas. A*
proporção que subim os num a m ontanha, ou que
n os elevam os num balão, vai descendo gradual­
m ente a colu n a de m ercúrio, n o tubo barom étrico.
Esta observação fo i feita, pela vez prim eira, em
1648, pelo grande sabio francês Pascal.
19. — Porque é que n os indica o barom etro
as m udanças do tem po?
Em geral é a pressão atm osférica o que m ais
influe nos fenom enos m eteorologicos. Quando num
lugar determ inado, ó m uito alta a pressão atm os-
feriea, nenhum a alteração se dará a í; mas, se é
m uito baixa, o ar acudirá a esse ponto, vindo de
regiões on de a pressão é elevada: fará vento e,
provavelm ente, com o vento virá a chuva.

Talvez tenhamos observado que as previsões do barometro


nem sempre se realizam. E* preciso que nos lembremos que
o estado do tempo depende duma serie de causas muito com­
plicadas das quais a pressão atmosférica é apenas uma, se
bem que a mais importante de todas. As estações meteoro*
lógicas, onde se centralizam por meio do telégrafo as indica­
ções barométricas recolhidas no mundo inteiro, são as unicas
que pódem determinar, com alguma certeza, a direção das
correntes atmosféricas e prevêr o tempo.

20. — Quais os barom etros m ais em uso para


as observações m eteorologicas?
E m geral se usa o barom etro de m ostrador © o
m etálico de B o u r d o n .^
\ j 21. — Descrevei o barom etro de m ostrador.
/ \ Este instrum ento é um barom etro de sifão, em
cu jo braço curto, ha um flutuador que pousa sobre
m ercúrio. A este flutuador está ligado um fio, que
se enrola num a roldana m uito movei* e sustenta,
na extrem idade, um contrapeso. A o eixo da roldana
está adaptado o ponteiro de um m ostrador. Quando
ò barom etro sobe, desce o m ercúrio n o ram o m enor
e, com êle o flutuador, o que faz com que se m ova
a roldana, e o pon teiro gire da esquerda para a di­
reita. Quando baixa o barom etro, dá-se o contrario.
No m ostrador estão escritas as palavras variável,
chuva, bom tem po, etc. diante das quais pára o pon-
teiro, quando o barometro atinge as alturas cor­
respondentes.
22. — Descrevei o barometro metálico de
Bourdon
Compõe-se de um tubo de latão de paredes del­
gadas, contornada em círculo, fixo nas paredes de
uma caixa. As extremidades do tubo articulam-se
com um sector movei, cujo arco dentado engrena-se
numa rodinha dentada, onde está fixo um ponteiro,
que se m ove sobre um mostrador graduado. Aumen­
tando a pressão atmosférica, o tubo, no qual se fez
o vácuo, achata-se, os seus dois extremos se apro­
ximam, e o ponteiro anda da esquerda para a direita.
Diminuindo a pressão, retoma o tubo a sua forma
primitiva, em virtude da sua
elasticidade, e o ponteiro di­
rige-se em sentido oposto.
Este barometro, com o se
vê, difere inteiramente dos
de m ercúrio: é pouco volu­
moso e faeil de transportar,
mas muito sujeito a desar-
ranjar-se, com o continuado
uso.
Fig. 9 — sifão. 28. — Q ue é s ifã o ?
Sifão é um instrumento
destinado a fazer passar os liquidos de um para
outro vaso, por cima das bordas dos mesmos.
Consta de um tubo recurvado de ramos desiguais
(Fig, 9), dos quais o menor mergulha no liquido
que deve ser passado. O orifício do ramo maior
deve estar sempre nuiri plano inferior ao do liquido
que se quer passar. \
24. — Que são bombas?
• Bombas são máquinas que servem para elevar

Fig. 10 — Bomba aspirante.

os liquidos. Ha tres especies: bomba aspirante,


bomba premente e aspirante-premente.
25. — Descrevei a bomba aspirante.
Compõe-se de um cilindro ou corpo de bomba A,
(Fig. 10) no qual se move um êmbolo C e de um tubo
de aspiração B que mergulha na agua. O êmbolo
está preso a uma haste, que se articula com uma
alavanca que o faz subir ou dgscer. A o levantar-se
o êmbolo, reduz-se a pressão no interior da bomba,
e o liquido é aspirado, ou por outra, empurrado pelo
tubo ácima, pela pressão atmosférica. O êmbolo tor­
nando a descer, a válvula do tubo C de aspiração fe­
cha-se pelo seu proprio peso, e a tálvula do êmbolo,
abre-se pelo esforço do ar comprimido pelo pistão.

Fig. U — Bomba premente

Aos sucessivos movimentos do êmbolo, reproduzem-


sq os íiiósmos fenomenos, até que a agua penetre
no corpo, de bom ba e passe para cima do êmbolo.
Biz-se eütão que a bointoa lubrifiçadas q êm-
bolo, em cada uma de suas ascensões, eleva o liqui­
do, que se vai escoando para fóra, pelo tubo lateral F.
Os antigos explicavam a ascensão da agua nas bombas,
dizendo que a naturesa tem horror ao vácuo. Galileu e seu
discípulo Torricelli porem, demonstraram, mais tarde, não ser
este fenomeno mais do que um efeito da pressão atmosférica.

^ 2 6 . — Descrevei a bomba premente.


Este tipo de bomba é desprovido de tubo de
aspiração (Fig. 11). Na parte
inferior do corpo de bomba,
que mergulha um tanto na
agua, está um tubo de ascen­
são. O êmbolo não tem ori­
fícios e está ligado a uma
haste, que se articula com
uma alavanca. Quan3o o
êm bolo sobe, abre-se a vál­
vula, e a agua passa para
o corpo de bomba: dscendo
o êmbolo, a válvula cai e
o liquido, comprimido pelo
êmbolo, abre a válvula do
tubo de ascensão, e eleva-
se tão alto, quanto o per­
mitir à pressão exercida.)
12
Fig‘ rante-premente -X
tn ,
27. — Descrevei a bom-
ba-premente.
* Consiste (Fig. 12) numa bomba premente mu­
nida de um tubo de aspiração. Enquanto a agua
não entra no corpo de bomba, funciona com o bom -
ba aspiraftté; ao dBpois, a parte superior funciona
como bomba premente.)^
28* — Que são
bombas de incêndio?
S ã o aparelhos
constituídos de duas
bombas prementes
(Pig. 13) que fun­
cionam alternada­
mente, conseguindo
assim fornecer um
jacto contínuo e re-
Fig. 13 — Bomba de incêndio. ,
guiar.
29. — Que são trompas?
Trompas são aparelhos que produzem o vácuo,
pelo escoamento de um liquido. As
principais são: A trompa de agua,
e a de mercúrio. (Fig. 14).
30. — Citai alguma aplicação
prática do ar rarefeito.
A ventosa, pequeno instrumento
muito em uso na medicina, é fun­
dada na rarefação do ar. Compõe-se
de um pequeno vaso de vidro que se
aplica sobre a pele, no qual se ra-
refaz o ar, queimando-se dentro um
pouco de álcool. A pele incha-se Fis* 14 — Trom-
, pa de mercúrio.
no vaso e avermelha-se, devido á
acumulação do sangue, cuja pressão não é mais
contrabalançada pelo pêso da atmosfera.
— 21 —

81. — Enumerai algumas aplicações do ar com ­


primido.
' O ar comprimido é utilizado mui frequente­
mente. Entre as suas principais aplicações citare­
m os: 1 ) O telegrafo pneum ático: os telegramas são
introduzidos num pistão cilíndrico que se faz cir­
cular num tubo, no qual se injetou ar comprimido;
2) Em muitas cidades é distribuído com o força m o­
triz, para acionar pequenos motores a dom icilio; 3)
Os freios de Westinghouse, muito usados nos carros
da estrada de ferro: o ar comprimido proveniente
de uma bomba de compressão, posta em movimento
pela locomotiva, é lançado em dado momento, por
uma manobra do maquinista sobre os pistões que
governam os freios dos carros; 4) Os relogios pneu­
máticos, para a distribuição simultanea da hora em
toda uma cidade; 5) As máquinas perfurantes para
as galerias subterraneas, onde o emprego das má­
quinas a vapor tornaria o ar quasi irrespirável; 8)
Os sinos de mergulhadores, nos quais se envia ar
comprimido para trabalhos efetuados embaixo da-
gua; 7) A espingarda de vento, os foles e máquinas
de assoprar; os pneumáticos de automoveis, *tc.
32. — Que são manômetros?
Manômetros são instrumentOB que servem para
medir a tensão de um gas fortemente comprimido,
ou a força elastica dos vapores. Os principais são:
O manômetro de ar livre e o manômetro matalico
de Bhurdon (Figs. 15 e 16).
Vimos que o ar, e como êle todos os gases, pódem ser com­
primidos, em virtude das pressões que sobre eles se exercem.
Ha uma lei que regula a sua compressibilidade. Deve-se ao
ilustre sabio inglês Robert Boyle, que viveu no seculo XVII, •
ao fisico francês Mariotte. A lei de Boyle-Mariotte diz-nos que,
para a mesma temperatura, o volume ocupado por um gas é
inversamente proporcional á pressão que ele suporta* isto 6,
quanto maior fôr a pressão, tanto menor será o
volume. Quer isto dizer que uma porção qualquer
de gas exerce tanto maior pressão, quanto menor
fôr o espaço que ocupa. E ’ esta a causa das ex­
plosões: a subita acumulação de gas num espaço
demasiado pequeno.

83. — Descrevei o m anôm etro de ar


livre.
O m anôm etro de ar
livre consiste num largo
vaso de ferro, contendo
m ercúrio, e fechado na
parte superior p or um
tam po parafusado. P or
Fig. 15 - esse tam po penetra um
Manô­ lon go tubo, aberto nas Fig. 16 — M**
metro de duas extrem idades. O gas,
nômetro
ar livre.
ou o vapor, introduz-se de Bourdon.
por um o rificio lateral e exerce pressão sobre o
m ercúrio do vaso. Este sóbe n o vaso até um a al­
tura, que póde ser lida num a régua vertical, para­
lela ao tubo, cu jo zero parte do nivel do vaso.
Quando se devem medir pressões superiores a 4 ou 5 at­
mosferas, o comprimento do tubo desses manômetros constitue
um embaraço & experiencia: preferem-se por isso os metálicos
ou d* Bourdon.

84. — D escrevei o m a n ôm etro m etá lico.


O m an ôm etro m etá lico de B ou rd on , m u ito usado
n as lo co m o tiv a s das estradas de fe rro , com p õe-se
de um tubo de latão, de paredes fle x iv e is, co n to r­
nado em espiral. A extrem idade fix a do tubo é posta
em com u n ica çã o co m o reserv a torio de pressão, por
m eio de um a to r n e ir a ; a ou tra extrem idade, fe ch a ­
da, segu ra um p o n te iro que se d e slo ca sob re um
m ostrador. A u m en ta n d o a p ressão n o in te rio r do
tu bo, a esp ira l ten d e a d esen rola r-se, e a ex trem i­
dade fech a d a , e co m ela o p o n te iro , m uda de p o s i­
çã o. E ’ g radu ad o pela co m p a ra çã o co m um m a n ô ­
m etro de a r livre.

CAPITULO 2.“
CORPOS SIMPLES E COMPOSTOS — MISTURA
E COMBINAÇÃO — COMPOSIÇÃO DO AR AT-
MOSFERICO — OXIGÊNIO — AZÓTO

)( 35.— Como se dividem os corpos?


v A química divide os corpos em simples e com­
postos.
36. — Que são corpos simples?
Corpos simples são aqueles dos quais se não
póde extrair, senão uma especie de matéria. Ex.:
a prata, o cobre, etc.
87. — Como se dividem os cbrpos simples?
Os corpos simples, que são èm numero de 70,
dividem-se em metais e metaloides.
88. — Quantos são os metaloides?
Os metaloides são 15; os mais importantes
são: o oxigênio, o hidrogênio, o azóto, o cloro, o
carbono, o enxofre e o fosforo.
89. — Quantos são os metais?
Os metais são 55; os principais são: o ouro, a
prata, o ferro, o chumbo, o zinco, o mercúrio, o co­
bre, a platina, o sodio, o potássio e o estanho.
40. — Que são corpos com postos?
Corpos compostos são os formados pela união
de dois ou mais corpos simples. E x.: a agua, o
sal, etc.
s? 41. — Dizei os símbolos dos principais corpos
síróples.

A lu m ín io ..................... .................. Â1
Antim onio (S tibiu m )................... Sb
Arsenio . ....................................... As
Azóto .(N itrogenium ).......... (N) Az
B á r i o ............................................... Ba
Bismuto ................................. Bi
B oro ................................... B
B rom o,. . . . . . ............................. Br
C a lcio . ! ....................... Ca
Carbono . ........ ................ ......... C
Chumbo (P lu m bu m )................... Pb
C l ó r o ............................................... Cl
Cobre (C uprum )........................... Cu
— 25 —

E nxofre (S u lph u r)....................... S


Estanho (Stannum ) ............... Sn
Ferro . ..................... Fe
F ó s f o r o .......................... # 4*......... P
F l u o r .................................. I ......... F
H id ro g ê n io ..................■....' .......... H
I o d o ................................................. I
M agnésio........................................ Mg
M a n ga n ez...................................... Mn
Mercúrio (H ydrargyrium ) Hg
N ick e l.............................................. Ni
Ouro (A urum ).................. Au
O x ig ê n io ............................. O
P la tin a ............................................ Pt
Potássio (K alium )........................ K
Prata (A rgentum )........................ Ag
R á d io ................................................ R a
Sódio (N atrium )........................... Na
Z in c o ................................... Zn
42. — Que é mistura?
Mistura é a juxtaposição de dois corpos que,
depois de unidos, conservam suas propriedades es­
pecificas. Ex.: o ar, a agua do mar, etc.
43. — Que é com binação?
Combinação é a reunião de duas ou mais
substancias que, ao se associarem, perdem as suas
propriedades especificas e dão origem a um corpo
novo, dotado de novas propriedades. E x.: a agua
(com binação de oxigênio e hidrogênio).
#f'áÊLÀ

— 20 —

44. — O ar não é um corpo simples?


Por muito tempo foi o gr considerado um ele­
mento. Lavoisier, celebre quimico francês, foi quem
em 1775 lhe fixou a naturesa e com posição, por
experiencias que ficaram celebres.
45. — Qual é a com posição do ar ?
0 ar é uma mistura gasosa? formada essencial­
mente de oxigênio e azóto, aos quais se juntam va­
por dagua, gas carbonico e pequena quantidade de
outros compostos gasosos: amonia, acido sulfidrico,
ozonio, etc. Recentemente, descobriu-se a presença
de novos gases no ar, dos quais o mais importante
é o argônio.
46. — Qual a dosagem dos elementos principais
do ar?
A razão entre os volumes de azòto e oxigênio
do ar, é sensivelmente constante, e igual a 4/1.
47. — Com que experiencias se póde verificá-lo?
Entre as muitas experiencias, é bem simples a
seguinte: Aquece-se um fragm ento de fosforo, numa
campanula curva, que repousa sobre agua e contem
um volume conhecido de ar. O fosforo arde, apo­
derando-se do oxigênio. Terminada a combustão,
deixa-se resfriar, e verifica-se que o volume de ar
primitivo se acha reduzido a cêrca de 1/5.
48. — Qual é a dosagem do gas carbonico e do
vapor dagua no ar?
Cerca de 0,003 âo volume do ar são gas carbô­
nico. Essa quantidade varia pouquíssimo: 4 pro­
duzida, principalmente, pelas combustões e pela

/
respiração dos animais e vegetais. O vapor dagua
existe no ar em proporção muito variavel.
A ête se deve o aumento de p e so ^ a s substan­
cias ávidas de agua (acido sulfurico, cloreto de
oalcio) expostas ao ar; é êle que se condensa sob
a form a de nevoeiro, nas paredes exteriores de um
vaso que contenha agua muito fria.
49. — O ar é uma com binação?
A com posição do ar é sensivelmente constante.
Quer seja o ar recolhido nas regiões elevadas ou
em quaisquer outros pontos do globo, contem sem­
pre a mesma proporção de oxigênio. Apezar disso,
êle não é uma combinação, mas, uma mistura.
J 50. — Falai no oxigênio.
O oxigênio é um gas incolor, inodoro e sem sa­
bor. Um litro de oxigênio pesa lg,43. E ’ um dos
elementos mais espalhados na naturesa. Misturado
com azóto, forma, com o vimos, o ar atmosférico e,
no estado de combinação, entra na constituição de
grande numero de compostos minerais e orgânicos.
5 1 . — Qual é a sua ação sobre o organism o?
O oxigênio é o agente essencial da respiração.
O ar introduzido nos pulmões cede o seu exigenio
ao sangue, que atravessou todas as partes do corpo
e, recebe, em troca, vapor dagua e gas carbonico.
Puro, o oxigênio póde ser respirado algum tempo,
sem perigo: mas, quando a sua pressão ó superior
á normal, êle se torna um veneno.
52.^— Falai no azóto.
U b h é i

— 28 —

O azóto é m uito com um na naturesa. E ’ um


dos elem entos do ar, do qual form a cerca de 4/5
dô volum e. Entra na constituição de grande nu­
m ero de com postos m inerais e orgânicos. O azóto
é um gas in color, in odoro e insípido.
53. — Qual a sua ação sobre o organ ism o?
O azóto não entretêm a resp ira çã o: um anim al
m ergulhado nesse gas perece á m ingua de oxigên io.
O azóto não é deleterio: o seu principal papel é
.temperar a ação dem asiado viva que o oxigên io
puro exerceria.

CAPITULO 3.°

HUM IDADE DO A R — H IG R O M E TR IA

54. — Qual é o ob jeto da h igrom etria?


A higrom etria tem por ob jeto dar a con h ecer
a m assa de vap or dagua contida, num m om ento
dado, em um volum e de a r conhecido.
Uma evaporação incessante na superfície das massas de
agua (mares, rios, etc.), espalhadas pelo globo, fornece & at­
mosfera grande quantidade de vapor de agua, que se acha no
estado de nuvens, nas altas regiões do ar e, no estado de va­
pores invisiveis, em torno de nós. Esse vapor condensa-se na
superificie externa de uma garrafa fria, e, no inverno, na face
inferior dos vidros de um quarto. A massa de vapor dagua da
atmosfera é variavel: exerce importante influencia na forma­
ção dos nevoeiros, das nuvens, do orvalho, ete. Diz-se que o
ar está humido quando o menor abaixamento de temperatura
provoca a condensação do vapor: nesse caso, os panos molha­
dos conservam muito tempo a sua humidade: no caso contra­
rio, diz-se sêco e provoca a evaporação.
55. — Que são higrometros?
H igrom etros são instrum entos que servem para
m edir os diversos graus de hum idade atm osférica.
D ividem -se em higrometros de absorção e higro-
metros de condensação. Os m ais usados são: o hi­
grometro de cabêlo ou de Saussure e o higrometro
de Daniell.
56. — Com o se con stróe o h igrom etro de Saus­
sure?
''fv Com põe-se o h igrom etro de Saussure (P ig. 17)
de um ca ixilh o de cobre A , sobre o qual está esticado
verticalm ente um cabêlo desen-
gordurado B, cu ja extrem idade
superior está apertada por um
parafuso de pressão P. Sua extre­
m idade in ferior se enrola numa
roldana K, á qual está fix o. O eixo
da roldana tem um pon teiro, que
se m ove sobre um m ostrador ver­
tical. Para graduar o higrom e­
tro, coloca -se, prim eiro, debaixo
duma cam pana de ar perfeitá-
Fig. 17 — Higro- m ente secado por processos espe-
metro de Saussure. .. ^ ^ tu ^
ciais. O cabelo se encolhe e o
ponteiro desce, pou co a pouco, até que fica estacio-
nario, n o fim de alguns dias. No pon to onde êle
parou m arca-se O, e indicará secura extrem a. F eito
isto, satura-se de hum idade o ar da cam pana, m o-
lhando-se suas paredes com agua distilada e nêla
coloca -se outra vez o higrom etro. O cabêlo a íon -

2 — c f y*.
ga-se logo e o ponteiro sóbe rapidamente no m os­
trador. No ponto em que êle parar, marca-se 100
e indicará a humidade extrema. O arco compreen­
dido entre os dois pontos é dividido em 100 partes
iguais, que são os graus do higrometro.
57*— Em que se baseia o higrom etro de Daniell?
Baseia-se o higrometro de Daniell neste fato,
conhecidissimo de todos, e a que nos referimos
mais de uma vez, a saber, que um vaso cheio de
agua fresca, uma garrafa por exemplo, sendo trans­
portada para lugar quente,
cobre-se imediatamente de
uma camada de orvalho.
58. — Descrevei-o.
Compõe-se esse instru­
mento (Fig. 18) de um tnbo
de vidro terminado por duas
bolas  e B . A bola de vidro
A contém éter, no qual mer­
gulha um pequeno termome-
Fig. 18 i— Higrometro tro. A bola B está envolta
de DanieU. em gaze e contém só vapo­
res de éter. No suporte do instrumento ha outro
termometro T, "que indica a temperatura do am­
biente. Deitaüdo-se, gôta a gôta, éter sobre a gaze
da bola B, esta resfria-se logo, o que faz com que
se evapore uma parte do éter contido na bola A,
o qual vem condensar-se na bola B. A bola A co­
meça então a resfriar-se, e chega um momento, em
que se vê a sua superfície embaraçar-se e cobrir-se
de uma tenuè camada liquida. Observa-se a tem­
peratura do termometro interior T : esta tempera­
tura é que se chama ponto de orvalho. Numa ta­
bela das forças elasticas do vapor dagua nas diver­
sas temperaturas, procura-se a tensão maxima que
corresponde ao ponto de orvalho e a que corres­
ponde á temperatura do ar ambiente, no momento:
o quociente da divisão da primeira pela segunda
indicará o estado higrom etrico do ar.
evaporação produz abaixamento de
temperatüra?
Sim. Podeis verificá-lo derramando sobre a
mão umas gotas de algum liquido volátil, por ex.:
o éter; elas se evaporam rapidamente e experimen-
ta-se um frio bastante apreciavel: enquanto que
o oleo não produz impressão de frio. Se passardes
por uma corrente de ar, ao sairdes do banho, sen-
tireis frio: é efeito da evaporação da fina camada
de agua, que cobre então o vosso corpo.
60. — Citai utilidades da evaporação na vida
domestica.
O sal com que temperamos nossos alimentos é
obtido pela evaporação da agua do mar. No verão,
preferimos conservar a agua potável em bilhas ou
m oringues: parcelas de agua atravessam os póros
da argila e, evaporando-se, absorvem calor, tiran­
do-o do liquido interior, que se refresca. Sem a
evaporação, nunca secariam as nossas ruas depois
das prolongadas chuvas; as roupas que a lavadeira
expõe ao ar, ou ao sol, qu ao pé da lareira. Quando
perdeis o m ata-borrão, secais a vossa escrita, as-
soprando sobre o papel ou agitan do-o ligeiram ente.

CAPITULO 4.o

METEOROLOGIA — ORVALHO — NUVENS —


CHUVAS — NEVES — GEADAS — CORRENTES
AEREAS — VENTOS E CICLONES

61. — Que se entende por m eteorologia ?


Cham a-se m eteorologia o estudo dos fen om e­
n os atm osféricos ou m eteoros.
62. — Com o se dividem os m eteoros?
D ividem -se em m eteoros aquosos ou aereos,
com o a chuva, a neve, os ventos e, em m eteoros
lum inosos ou eletricos, com o o raio, o a rco-iris, etc.
63. — Que é o rv a lh o?
Chám am -se orvalho as gotas de agua que pela
m anhã cobrem os corp os expostos ao ar, nas p ro­
xim idades do sólo. E ’ produzido pela condensação
do vap or de^agua atm osférico, em contato dos cor­
pos foscos principalm ente, com o as relvas e plantas
verdes.

Não ha orvalho quando sopra o vento, porque o ar se re­


nova muito depressa, para adquirir a temperatura dos corpos
que êle toca. Uma leve agitação do ar, contudo, favorece o
aumento do orvalho, porque diferentes camadas de ar se des­
pojam sucessivamente de sua humidade.
6á. — Palai das nuvens.
Nuvens são aglomerações de gotas extrema­
mente pequenas, efeito da condensação do vapor de
agua invisivel do ar. Essas gotas caem lentam ente,
devido á sua pequenez e á resistencia do ar: a parte
in ferior das nuvens, torn a a passar ao estado de va ­
pores invisiveis, em cam adas m ais quentes da at­
m osfera, ao passo que a parte superior póde aum en-
tar-se, por novas condensações. P or isso, mudam
as nuvens continuam ente de fórm a. Sua altura m é­
dia parece compreendida entre 500 e 2.000 metros.
65. — Falai das diversas especies de nuvens.
l . a, Os cirrus, pequenas nuvens brancas, em fó r ­
m a de flócos, sem pre numa altitude considerável,
que varia de 5.000 a 10.000 m etros; 2.a, os cum ulos,
grandes nuvens brancas, de con torn os arredonda­
dos, qué aparecem principalm ente n o verã o; 3.a, os
estratos, faixas horizontais que ameude listram os
h orizon tes; 4.a, os nim bos, nuvens negras, m uito
baixas, sem fórm as precisas, prestes a fundir-se em
chuvas, con ten do o raio ou a saraiva.
66. — Quais as causas da form ação das nuvens?
S ã o :l.&) Â baixa temperatura das altas regiões
da atmosfera. Quando uma corrente de ar quente e
hum ido é transportada para cam adas m ais frias da
atm osfera, a sua tem peratura póde baixar, o que
faz com que se condense o vapor, form an do-se uma
nuvem. 2.a) As correntes dé ar quente e humido que
se elevam na atm osfera durante o dia. 3.a) O en-
centro d© duas correntes de ar, uma quente e hú­
m ida e outra fria.
67. — Que é ce jra çã o ?
Cerração ou n evoeiro cham am -se as nuvens
que se form am na vizin h an ça do sólo, pelo res­
friam ento do ar e conseqüente condensação do seu
vap or de agua.
Nos flancos de uma montanha, quando atravessamos o
seio de uma nuvem, experimentamos a mesma sensação como
se estivessemos no meio de um nevoeiro ou cerração nas ruas
da nossa cidade. As cerrações são dissipadas pelos raios do
sol, que aquecem o ar, aumentando-lhe o poder dissolvente.
68. — C om o se produz a chuva?
V im os que os vapores que se elevam na super­
fície dos mares, rios, etc., nas altas regiões m ais
frias da atm osfera transform am -se em gotas ex­
trem am ente pequenas, que cham am os nuvens. A ’s
vezes, essas gotas, ao atravessarem cam adas in fe­
riores saturadas de humidade, m enos frias do que
elas, condensam vap or na sua superfície, então se
avolum am e caem ao sólo em fórm a de chuva.
O movimento da atmosfera transportando á distancia, ca­
madas de ar carregadas de vapor dagua, tambem determina
a chuva. Se esse transporte não se désse, um ar imovel se
saturaria de humidade acima dos mares, rios, etc., e nesses
lugares choveria a cada resfriamento, ao passo, que, em terra,
nunca choveria.
69. — Que é pluviometro?
Cham a-se pluviom etro ou udom etro o aparelho
que serve para m edir a quantidade de chuva que
cai num lugar.
— 86

Um grande numero de circunstancias locais póde fazer


variar a quantidade de agua que cai nos diversas lugares: não
obstante, póde-se dizer que é nos lugares quentes que chove
mais, por ser ai mais abundante a evaporação. A quantidade de
chuva cresce, dos pólos para o equador. Os lugares no mundo
onde a chuva é mais abundante são Tcherra-Poundji no As­
sam < llm,626) e o cume do monte Waialeal no arquipélago das
Hawai (12m,50). A média para todo o globo é de 0m,90.
70. — Que é a neve?
A neve é agua solidificada em pequenos cristais
(Pig. 19) entrelaçados, diversam ente ram ificados e

Fig. 19 — Cristais de neve.

flutuando na atm osfera. Esses cristais provêm da


con gelação das gotinhas que form am as nuvens
quando sua tem peratura desce m uito abaixo de zero.
Nas vizinhanças dos pólos, a terra está constantemente
coberta de neve; existem outrossim altas montanhas cujos
cumes se cobrem de neves perpétuas, mesmo no equador.
71. — Que é saraiva.
Saraiva ou granizos são grãos com pactos de
gelo m ais ou m enos volum osos, que caem dà at­
m osfera geralm ente n o in icio das tem pestades. Em
nossos clim as, a saraiva cai principalm ente du­
rante o verão e nas horas m ais quentes do dia;
m uito raram ente á noite.
O tamanho dos granizos é variarei: chega a atingir fre­
quentemente o de uma avelã e, ás vezes, o de um ovo de
pomba, pesando de 200 a 300 gramas. Nenhuma teoria explica
de um modo satisfatprio, como a saraiva se forma e sobre­
tudo como póde atingir tal peso, antes de cair.* >

í 72• — F alai da geada.


't* A geada é devida á condensação do vap or de
agua durante a n oite sobre os corp os colocad os á
superfície do sólo.
73. Quais são as causas que favorecem a
form a çã o das geadas? j
Todas as causas que favorecem o resfriam ento
dos corp os aum entam o deposito de geada. São elas:
o pod er em issivo dos corp os, o estado do céu e a a g i­
tação do ar. Os corp os que têm grande poder em is­
sivo, resfriando-se m ais, condensam m ais vapor.
O deposito de geada é geralm ente nulo sobre os
metais, cu jo poder em issivo é fra co, especialm ente
se são polidos, enquanto que a terra, a areia, o v i­
dro, as plantas, que têm grande poder em issivo, se
cobrem abundantem ente de geada.
Quando o céu está sem nuvens, o sólo resfria-
se rapidam ente pela radiação noturna, e ha abun­
dante deposito de geada; mas, se está nublado, di-
m inue o resfriam ento e não haverá geada. Enfim ,
o deposito de geada será tanto m ais abundante,
quanto jn aior fô r a hum idade do ar.
74. — A geada e a saraiva prejudicam as
plantas?
Sim. A s geadas e a chuva de pedra òu saraiva
87

prejudicam m uitíssim o as plantações. Certas espe­


cies de lavoura, com o as dos clim as tropicais, pó-
dem até chegar a arruinar-se com pletam ente com
tais flagelos. Em São Paulo, Paraná e Sul de M i­
nas as geadas chegam a devastar inteiras lavouras
de café, constituindo por isso, com m uita razão,
o terror dos fazendeiros daquelas zonas.
75. — Que é o sereno?
O sereno é uma precipitação de vapor de agua,
em chuva m uito fina, que cai durante o s grandes
calores, á h ora do crepúsculo, nos lugares húmidos.
76. — A chuva é necessaria á nossa vida?
Sim. A chuva é uma bênção do céu. Os seus
bons efeitos consistem em penetrar na terra e ser
absorvida pelas raizes das plantas, que dela neces­
sitam para viver.
Se não houvesse chuva, a vida só seria possível
aos peixes do m ar. Nas regiões onde não ha chuva,
não ha tam bem v id a e noutras onde a chuva es-
casseia, ou só cai em certas estações do ano, as p o ­
pulações esperam -na desejosas, elevando preces a
Deus para que não deixe de enviá-la n o tem po p ro-
prio. D evem os ver na chuva, um agente que lim pa
e pu rifica o ar, alim enta a vida vegetal da qual de­
pende a nossa e n os forn ece a agua que é a m ais
saudavel de todas as bebidas.
\ J 77. — Que é ò vento?
A y Cham a-se vento o ar atm osférico deslocando-
se m ais ou m enos rapidam ente em determ inada
direção.
78. — Qual é a causa dos ventos?
E* a rutura de equilíbrio em algumas partes da
massa atmosférica, causada quer pelas variações
de temperatura, quer pela form ação da chuva. Por
exemplo : se a temperatura do ar em contato com
o sólo aumenta em certo lugar, este ar tornado
mais leve, sóbe logo para as regiões superiores da
atmosfera, enquanto o ar mais frio das partee que
as cercam, aflúe para substituí-lo. Da mesma ma­
neira, se uma parte de vapor de agua espalhado
no ar se condensa repentinamente e se resolve em
chuva, form a-se vácuo na região da atmosfera onde
a condensação se faz, e o ar das partes vizinhas
precipita-se para enchê-lo.
79. — Como se determina a direção e veloci­
dade dos ventos?
A direção se determina eom o auxilio do cata-
vento. Sua velocidade póde ser medida com o ane-
mometro, aparelho que tem por órgão essencial um
pequeno moinho, cujas asas giram tanto mais rapi­
damente, quanto m aior fô r a velocidade do vento.
O numero de voltas do m oinho é registrado, por
transmissão eletrica, num cilindro registador.
80.—- Qual a velocidade dos ventos?
Sua velocidade média em nossos climas é de 4
a 6 metros por segundo. Com velocidade de 2 me­
tros, o vento diz-se m oderado; com 10 metros, é
fresco; de 12 a 16 metros forte; de 25 a 30 metros*
é ventania; acima de 30 metros, tufão ou furacão.\
81* -#yCom o se dividem os ventos?
Dividem-se em regalares e irregulares.
82. %— Quais são os ventos regulares? *
São: 1.°) Os ventos periodicos que sopram re­
gularmente numa direção, nas mesmas estações ou
nas mesmas horas do dia; tais são as monções, o
simúm e as brisas. Monções são ventos que sopram
seis meses numa direção e seis meses noütra. Ob­
servam-se principalmente no mar e golfo Arábico,
no golfo dé Bengala e no mar da China. No verão
dirigem-se do mar para o continente; no inverno,
do continente parà o mar. O Simúm é um vento
quente que sopra nos desertos da Asia e da Africa
e que é caracterizado pela sua alta temperatura
e pelas areias que eleva na atmosfera e traz em
turbilhão. Este vento é conhecido pelo nome de
sirocco na Italia e Argélia, onde êle sopra do gran­
de deserto do Saára. Para se prekservar dos efeitos
duma transpiração cutanea demasiado rapida, oca­
sionada por este vento, os nativos da A frica untam
o corpo de graxa. Brisas são ventos regulares que
sopram do mar para a terra, de dia, e da terra para
o mar, á noite. A vizinhança das montanhas dá
tambem origem a brisas periódicas. 2.°) Os ventos
alízeos, que se dividem em alízeo superior e infe­
rior. Resultam da ação combinada do calor solar
e do movimento de rotação da terra.
83. — Que são ventos irregulares?
Ventos irregulares são aquêles cuja* direção
varia muitas vezes, , e cujo regresso se não póde
prever por lei alguma atualmente conhecida/ Em
nosso clima os ventos são muito irregulares: são
ainda mais irregulares nas regiões polares onde,
muitas vezes, parecem soprar de todos os lados ao
mesmo te m p o A w ^
84. — Que são m oinhos de vento?
T v Moinhos de vento são engenhos, cujo maqui-
nismo tem o vento por xaotor. Encontram-se proxi-
mos das cidades óu vilas, em sitios elevados. São
em form a de torre, com telhado movei, de modo a
dirigir as asas destinadas a aproveitar o vento nas
velas com que são guarnecidas. Tambem os ha de
madeira, de forma de paralelipípedos, alcandorados
a ceíta altura sobre um parafuso, que os orienta;
não têm em geral mais de tres pares de mós. São
muito uteis nas regiões èm que o vento sopra com
regularidade. Na Holanda, por exemplo, veem-se
os m oinhos de vetno aplicados aos mais variados
mistéres. Entre nós, são tambem bastante usados,
principalmente nos Estados do Nordeste.
85. — Que são ciclones?
Ciclones são turbilhões atmosféricos, que se
produzem nas regiões tropicais. Estes horríveis
fenomenos, felizmente pouco freqüentes, observam-
se sobretudo nos mares da China e das índias e nas
Antilhas; suas causas não são a^nda conhecidas
com exatidão.
86. — Que são trombas?
Trombas são turbilhões, animados de m ovi­
mentos giratorios tão rápidos, que desarraigam as
41

arvqres, derrubam as casas, quebram e destróem


tu d o W e encontram. Esses meteoros são geralmen­
te acompanhados de saraiva e aguaceiro, relam-
pagos e raios, cujo ruido medonho assemelha-se ao
rodar dç enorme carro, sobre caminho pedregoso.

As trombas se manifestam tanto nos continentes como


nos mares. |Neste ultimo caso, apresentam um aspeto notável.
As ondas se agitam e se elevam em fôrma de cone, ao mesmo
tempo que, abaixando*se as nuvens sob a fórrna tambem de
cone, mas invertido, reunem-se os dois pelos vertices e for­
mam uma coluna de agua contínua, do mar ás nuvens.

CAPITULO 5.°
RESPIRAÇÃO DOS ANIMAIS E PLANTAS _ AR
VICIADO — GAS CARBONICO E SEUS CARACTE-
RES PRINCIPAIS — GERMES DO A R — DOEN­
ÇAS INFECTUOSA8 DE TRANSMISSÃO DIRETA
E INDIRETA — A TUBERCULOSE — VACINÁ-
ÇÂO ANTI-VARIOLICA
87. — Que é respiração?
Respiração é a função organica que tem por
fim operar a transformação do sangue yenoso em
sangue arterial.
O sangue é o agente principal da nutrição. E ’
êle que fornece incessantemente aos órgãos os ma­
teriais de sua form ação e reparação. Contem efe­
tivamente os elementos de quasi todas as partes,
quer sólidas, quer liquidas, da economia. Seu pa­
pel, porem, não se limita a nutrir os órgãos; serre
A

— 42 —

ainda, por seu contato com as partes vivas, pfera


produzir uma excitação, sem a qual a vida não po­
deria aí se manter, o que prova o estado de smcope
ou, pelo menos, de enfraquecimento geral (anemia,
clorose) em que cai logo o animal ao qual se tira
certa quantidade de sangue.
O sangue altera-se e modifica-se, circulando
através dos órgãos, que nutre e excita: cede aos
tecidos, nos quais penetra, partículas, de que estes
se apropriam e encorporam á própria substancia,
e tom a materiais que estes mesmos tecidos lhe
abandonam, para transmit*-los para fóra do orga­
nismo. Resulta daí que o sangue que torna aos
órgãos, difere essencialmente do que já por êles
passou. O primeiro tem o nome de sangue arte­
rial; o segundo, de sangue yenoso. Um é eminen­
temente proprio para a conservação da vida; o ou­
tro, perdeu essa faculdade.
88. — A respiração é comum a todos os seres
vivos?
Sim. Todos os seres vivos, animais ou vege­
tais, sem exceção, necessitam para existir da in ­
fluencia do ar atmosférico. Os peixes, que vivem
no seio das aguas não constituem exceção a essa
lei geral: respiram por meio do ar que existe em
dissolução na agua, em que estão mergulhados.
89.— De que se com põe o aparelho respiratorio?
O homem, assim com o todos os outros mamí­
feros, tem o aparelho respiratorio construído de
duas partes princiapis: o tórax e os pulmões.
V 90. — Descrevei o tórax.
\p tórax é uma cavidade em fórm a de co n e /e m
que estão alojados os pulmões e o coração. Repre-
senta\uma gaiola ossea (Fig. 20), limitada atrás
pela coluna vertebral, adiante pelo esterno e, dos
lados, pplos doze pares de costelas. Musculos, cha­
mados Intercostais, Cííl?w
preenchem os espa­
ços compreendidos
entre esses últimos
ossos; e o diafrag­
ma fecha inferior­
mente o tórax, se­
parando-o do abdô­
men. Na parte su­
perior do tórax, ha uma abertura por onde penetra
o esôfago, a traquéia-artéria, assim com o, diversos
nervos e vasos importantes.
Insere ainda o tórax grande numero de mus­
culos (escalenos, peitorais, grandes e pequenos den­
ta d o s/e tc.) cujas contrações desempenham im por­
tante papel no mecanismo da respiração.
-v.91. — Descrevei os pulmões.
Os pulmões ou bofes, com o vulgarmente se
chamam (Pig. 21), são dois órgãos celulo-vascula-
res, situados na cavidade toráxica, entre o esterno
e a coluna vertebral. Por meio de um tubo chamado
traquéia-artéria, recebem o ar exterior que entra
pela boca e fossas nasais. Os pulmões são externa­
mente cobertos por uma membrana serosa, chamada
pieiira, cujo fim é favorecer os movimentos dos jSul-
mões, nos fenom enos de inspiração e expiração.
\ t 92. — Descrevei a traquéia-artéria.
>\ A traquéia-artéria (Pig. 21) é um tubo fdrmado
de àneis cartilaginoso^, muito elásticos, toldados
entre si por uma membrana fibrosa. Este tubo,
parte do laringe, de que é continuação, desce ao
longo do pescoço, por diante do esôfago, e penetra
no tórax. Em sua parte inferior divide-se a tra­
quéia-artéria em dois ramos, chamados brônquios
direito e esquerdo, cada um dos quais se dirige para
o pulmão correspondente. Estes,
ao penetrarem nos pulmões, divi-
dem-se em inumeráveis ram ifica­
ções, as quais vão terminar nos
lóbulos pulmonares, intümescen-
cias formadas de minusculas ca­
vidades, chamadas vesículas pul­
monares, nas quais efetua o san­
gue a troca de gases que carac­
teriza a respiração. Na superfi- Fig 21 — Aparelho
cie das vesículas nascem os ca- respiratório,
pilares que, reunindo-se, vão for­
mar as veias pulmonares que levam á auricula es­
querda o sangue revivificado pelo ar atmosférico.
93. — Falai dos fenom enos m ecânicos da res­
piração.
Compreendem eles dois movimentos opostos,
um de inspiração e outro de expiração.
94. — Explicai o fenom eno da inspiração.
AYnspiração é o resultado da dilatação do peito.
Sob a influencia de uma sensação interna, que pro­
voca a necessidade de respirar, a cavidade do tórax
amplia-seVde todos os lados.
Rarefaz-set então o ar que
está contido nas vesículas
pulmonares; e cessa de estar
em equilibrio de pressão com
o ar exterior, o qual, por
isso, se precipita no peito
através da boca, das fossas
nasais, da traquéia-artéria e
dos bronquios. Estes m ovi­
mentos são produzidos prin­
cipalmente pelo diafragma
e por outros musculos, cha­
mados, por isto, inspirado­ branquial. (Anelideos)
res, os intercostais exter­
nos, os escalenos, o esterno mastoide, os peitorais,
e o grande dentado.V / 95. — Como se dá a ex­
piração?
Apenas cessam as con ­
trações musculares e a con­
seqüente dilatação do tó­
rax, o esterno e as coste­
las abaixam-se, afrouxa-se
o diafragma e os pulmões
retornam á sua primitiva
Fig. 23 — Respiração fórma. Essa compressão faz
branquíai dos moluscos. Co m que saia o ar que en-
chia as vesículas pulmonares. Os musculosr expi-
radores principais são: os intercostais internos,
o grande dorsal e os abdominais. /

O numero de movimen­
tos respiratorios varia no
homem conform e os indiví­
duos e a idade. Nos adultos
contam-se á razão de 900 a
1100 por hora; nas crianças
sâo mais freqüentes. Nos
pulmões de um adulto en­
tra, em cada inspiração, Fig 24 — Respiração
cerca de meio litro de ar, branquial nos peixes,
de modo que são precisos,
pelo menos, 12000 litros de ar, para manter a respiração de
um homem durante 24 horas.

96. — H a ou tros m od os de
respira çã o na série a n im a l?
S im : en con tram -se na série
anim al, quatro m od os de respira­
ç ã o : 1.°) A respira çã o pulm onar,
que acabam os de descrever, a
qual pertence aos m am íferos, ás
aves e a os rép teis; 2.°) A resp i­
ra çã o branquial, p róp ria dos pei­
xes, anelídeos, cru stáceos e m o ­
lu scos; 3.°) A respiração traquea­
na, própria dos insetos e de a l­
guns ara cn íd eos; 4.°) A respira­
Fig. 25—Respiração
çã o cutânea, que se observa em
traqueana de um
inseto. certos zoófitoSf
\ ;V -r- 47 —

— Falai da respiração branquial.


A w â n q m ia é uma cavidade desenvolvida exte­
riorm ente ao c o r p o ; è o aparelho da respiração
aquatiea.\Observa-se, com o dissem os, nos anelideos,
(Fig. 22),\nos m oluscos, (Fig. 23), nos crustáceos,
nos peixes\(Fig. 24) e batráquios n ovos. Em certos
peixes que V ivem em rios expostos periodicam ente
ao dessecam ento, a bexiga natatoria póde fun cionar
com o pulm ão, quando a brânquia é inaproveitavel.
98. — Falai da respiração traqueana.
Só existe nos insetos (Fig. 25) e nas aranhas
(aracn íd eos). O apare­
lh o consiste em tubos
ram ificados q u e se
abrem no exterior por
estigm as, e m ergulham
pela sua éxtrem idade
n os tecidos.
99. — Falai na res­
piração cutânea.
A respiração cutâ­
Fig. 26 — Respiração
nea é com um a todos cutanea dos polipos.
os anim âis e coexiste
com as outras. Sozinha, existe nos protozoarios,
celenterados e em m uitos equinoderm es e verm es.
(F ig. 26).
100. — A s plantas tam bem respiram ?
Sim : o vegetal respira pelas suas partes ver­
des, do m esm o m odo que um anim al, pelos pulm ões.
T oda planta absorve ox igên io tirado do ar e exala
gas carbonico. A respiração se opera de n oite/e de
dia. Durante a noite, predom ina o gas carbôn ico;
durante o dia, porém , a quantidade de oxigên io
§ 1H
que a planta desprende, devido á assim ilação clo -
rofilian a, ultrapassa a do gas carbon ico provenien­
te da respiração. '
101. — Com o se dem onstra que o vegetal exala
gas ca rb on ico?
D ebaixo de uma cam pânula de vidro, em cu jo
in terior se colocou um pequeno vaso ch eio de agua
de cal, coloca -se um ram o verde com folhas. No fim
|dô| algum as horas, a agua de cal fica turva, o que /
pi|)va que da planta se desprende acido ca rb on ico^ \
102. — Que se entende por fen om en os quim icos
áí^respiração ?
Entendem -se p or fenom enos quim icos da respi­
ração as alterações que sofrem o sangue e o ar que
pela inspiração entram em contato, nos pulm ões.
Essas alterações são de duas ordens: umas sofridas
pelo ar inspirador, outras, pelo sangue.
^ 103. — Quais as m od ifica ções que sofre o ar
na respiração.
O m ais notável fen om en o da respiração ani­
m al consiste na absorção de uma certa quantidade
de ox igên io e na exalação de um a quantidade quasi
igual de gas carbonico.
104. —|Com o se póde verificar o desprendim en­
to do acido ca rb on ico na expiração dos anim ais?
Se prenderm os um passarinho sob uma re­
dom a, depois de pouco tem po, êle se agita, cai e
— 49 —

m orre: analisando-se então o ar da redom a, veri-


fica-èe que grande parte do ox igên io fo i substituidò
pelo acido carbonico. Se assoprardes-por m eio de
um canudo num cop o com agua de cal, esta se tur­
va, tom ando uma aparência leitosa pela form ação
do carbonato de calcio. (F ig. 27).
O ar expirado contem ainda vapor de agua, o qual provem
do plasma sanguíneo. E’ a condensação desse vapor dagua que
produz o nevoeiro que vemos sair de nossas bocas, nos dias
muito frios, e que embaça o espelho sobre o qual respiramos.
105. — Que m odifica ções sofre o sangue na res­
piração ?
O sangue venoso, chegando ás vesículas pulm o­
nares, apodera-se de uma parte do ox igên io do ar
a tm osférico e elim ina parte do
gas carbon ico que tinha em so­
lução, transform ando-se, assim,
em sangue arterial. Essa trans­
form ação cham a-se hem atose.
106.— Citai um a experien-
cia em abon o desse fato.
A gitando-se sangue venoso
em um vaso ch eio de oxigên io,
vê-se im ediatam ente este san­
gue passar do verm elho escuro,
Fig. 27 — Expe-
riencia para provar quasi preto, ao verm elho ruti­
o desprendimento lante de sangue arterial.
de gas carbonico.
Se, reciprocam ente, agitar­
m os sangue arterial em um fra sco de gas carbo-
n ico, êle tom a uma co r verm elho-escura, sem e­
lhante com pletam ente á do venoso.
/ \ 1 0 7 # —- Que entendeis por com bustão respira­
tó ria ?
E iítende-se a com bustão lenta que se /efetua
na intim idade de todas* as células dos nqésos te­
cidos orgânicos, quando elas absorvem o oxigên io
que lhes é necessário, soltando, em troca, o gas
carbon ico, que passa para os capilares e se dis­
solve n o serum.
108. — E xplicai com o isto se dá.
D epois que o sangue se transform ou de venoso
em arterial, rico de oxigên io, volta pelas veias pul­
m onares á auricula esquerda. Desta passa ao ven-
triculo esquerdo, cujas con trações o repelem para
a aorta e daí para todo o sistem a arterial até os
capilares. Aqui, o ox ig ê n io do ar que o sangue
traz fixado pela sua hem oglobina, atravessa à pa­
rede finissim a dos capilares e penetra na tram a
dos tecidos até as células.
E* então que, apoderando-se cada celula do o x i­
gên io que lhe é necessário, dá-se a com bustão res­
piratória, da qual resulta o desprendim ento do gas
carbon ico, que se dissolverá n o serum sanguineo,
e o sangue, outra vez venoso, retornará ao coração
e daí aos pulm ões para se revivificar. E ’ a com bus­
tão respiratória a causa da tem peratura fisiologica.

A temperatura axilar do homem adulto varia de 36°,4 a


37°, conforme os índividuos. As influencias patológicas deter­
minam contudo oscilações, ora ascendentes (temperaturas fe­
bris, superiores a 38°), ora descendentes (temperaturas al*
gidas, inferiores a 36°). A febre é motivada por um aumento
das combustões profundas, provocadas por uma exaltação das
trocas respiratórias.

109. — C om o se dividem os anim ais relativa­


m ente á tem peratura?
Dividem-se em duas classes: 1.°) Animais de
sangue quente ou homeotermicos, que têm uma
tem peratura própria, quasi con stan te: tais são os
m am iferos e as aves; 2.°) Animais de sangue frio
ou heterotermicos, cu ja tem peratura varia com a
do m eio am biente. Os h eteroterm icos com preen­
dem os répteis, os batráquios, os peixes e todos os
anim ais sem vertebras. E m todos os heteroterm i­
cos a tem peratura do corp o desce com a do seu
m eio am biente. T od avia eles produzem calor. Os
peixes têm uma tem peratura m ais elevada quasi
um grau centígrado do que a da agua em que vivem .
O ca lor anim al dos répteis é um pouco m a ior: ex­
cede o da atm osfera de um a tres graus, podendo
elevar-se em certas circunstancias. Tam bem nos
insetos se póde averiguar a existencia da faculdade
calorífica. Nos m oluscos, verm es, equinoderm es e
celenterados a faculdade ca lo rífica está em rela­
çã o com a pouca intensidade da com bustão respi­
ratória, de que é séde seu organism o.
1 1 0 . — O que vem a ser ar viciad o?
Com o acabam os de vêr, tod os os seres vivos,
anim ais e plantas, pelo fen om en o da respiração
absorvem ox igên io e expiram constantem ente gas
carbonico. Quando estam os em aposentos fech a­
dos, ou se reunem varias pessoas num recin to de
atm osfera acanhada, dim inue constantem ente a
quantidade de oxigên io, enquanto o volum e de gas
ca rb on ico vai se tornando cada vez m aior.
A higiene m ais elem entar acon selh a-n os pois a
evitar esses ares viciados, prejudicialissim os á n os­
sa saude, e a preferirm os sem pre as salas am plas e
ventiladas, especialm ente para n ossos dorm itorios.

Lembrados sempre do que ^estudamos a respeito da respi­


ração das plantas, devemos conservar dois preceitos impor­
tantes de higiene: 1.°) Nunca permitirmos que se conservem
durante a noite em nossos quartos de dormir plantas de qual­
quer especie. 2.°) Preferirmos os passeios pelos campos, nas
vizinhanças dos bosques, pela manhã ou á tarde, a nos encer­
rarmos horas a fio nas atmosferas viciadas dos teatros e
cinemas.
111. — Falí?ti n o gas carbonico.
O gas carbon ico ou anidrido carbon ico, é um
dos corpos m ais espalhados na naturesa. E ’ expe­
lido em grande quantidade pelos vu lcões e, sendo
m ais pesado que o ar, fórm a na superficie do sólo
cam adas de espessura variavel, com o se póde ob ­
servar em grutas das regiões vulcanicas. Em P oz-
zuoli, perto de Nápoles, por exem plo, existe um a
gruta nessas con dições, cham ada Gruta do Cão. Um
cão que ali se coloque, m orre asfixiado dentro de
tres m inutos e, do m esm o m odo outros anim ais, ao
passo que as pessoas que visitam a gruta, nada so ­
frem porque respiram o ar das cam adas superiores.
No vale das M ortes, na ilha de Java, encontram -se
esqueletos de hom ens e anim ais vitim ados pelo gas
carbon ico que brota constantem ente do sólo. Outras
fontes de gas ca rb on ico sã o: a respiração dos a n i­
m ais e vegetais, a com bustão da lenha, do carvão
e quaisquer substancias que contenham carbono,
as m atérias em putrefação, a ferm en tação alcoolica,
etc. No ar, a proporção de anidrido ca rb on ico é
sensivelm ente constante e igual a 0,0003.
112. — Com o se prepara o gas ca rb on ico?
Para preparar-se o gas ca rb on ico nos laborato •
torios, usa-se o aparelho
que podeis ver na figura
28, no qual se introduzem
fragm en tos de m árm ore o
agua. Em seguida, derra­
m a-se pelo tubo afunila­
do, acido clorídrico. Em g|
m eio de viva efervescen-
cia, desprende-se o gas Fig. 28 — Preparação do
carbon ico, que é re c o lh i­ gas carbonico.
do num vaso com agua.
> < 113. — Quais são as principais propriedades
físicas do gas ca rb on ico?
O anidrido carbon ico é norm alm ente um gas
in color, sufocante, de ch eiro m uito fra co e de sabor
picante e acidulado. E ’ m ais pesado que o ar, o que
se póde verificar com a seguinte experiencia: T o -
m a-se uma bexiga cheia de ar, a qual se coloca s o ­
bre um dos pratos de uma balança e faz-se a tara;
enche-se depois com gas carbon ico a bexiga e n ota-
se que ela fica m ais pesada. O gas carbon ico póde
ser liqüefeito e apresentará então o aspeto de um
liquido incolor.7\.
114. — Quais as suas principais propriedades
quimicas?
O gas carbonico não é Inflamayel e apaga os
corpos em combustão. Introduzindo-se, com efeito,
numa proveta de gas carbonico
a châma de uma vela, não só o
gas não se inflama, mas apaga
instantaneamente a vela. (Fig.
29). O mesmo resultado obtem-
se por essoutra experiencia:
Dentro de uma proveta, coloca-
se uma vela de pé, acesa. Der­
ramando sobre ela gas carbo- Fig. 29 — 0 anidrido
.., , , carbonico não
m co contido noutra proveta, a comburente. m
vela se apaga. O gas carbonico
turva a agua de cal, produzindo nela um precipita­
do branco: o carbonato de calcio. Absorvido pela
potassa, transforma-se em carbonato de potássio.
115. — Falai no óxido de carbono.
O óxido de carbono é tambem um gas com posto
de oxigênio e carbono, com o o anidrido carbonico.
Sua constituição, porém, é diversa: o gas carbonico
é formado de duas partes de oxigênio para uma de
carbono, enquanto que o óxido com põe-se de uma
só parte de oxigênio, para uma de carbono. Em, vir­
tude da sua tendencia de transformar-se em anidrido
carbonico, reduz muitos óxidos na temperatura ru­
bra, pondo em liberdade o metal e apoderando-se do
oxigênio. Daí o importante papel que representa
na metalurgia. A o contrario do anidrido, o óxido
de carbono é combustível, arde com uma bela châ-
ma azul, muito’ quente, produzindo gas carbonico.
116. •— Qual a ação desses dois com postos do
carbono sobre o nosso organism o?
O óxido de carbono é muito toxico. Quando
inspirado em pequena quantidade, provoca mal-
estar, dores de cabeça e vertigens; em doses m aio­
res determina rapidamente a morte. As asfixias pro­
duzidas pelos gases que se desprendem durante a
queima do carvão, são em grande parte devidas a
este óxido. O gas carbonico ou anidrido carbonico,
quando existe no ar alem de certo limite torna-o
asfixiante. E* tambem toxico, embora muito me­
nos que o óxido de carbono. Quando se dão asfi­
xias, determinadas pelo óxido ou pelo gas carbo­
nico, o grande recurso é a introdução de oxigênio,
ou pelo menos, dé ar puro, nos pulmões, mediante
ativa ventilação ou insuflação.
Muito cuidado devemos ter, pois, com a fumaça
proveniente da combustão do carvão ou da lenha,
em aposentos fechados: é preciso fazer com que
esses gases sejam encaminhados para fóra por
meio de chaminés ou outras quaisquer aberturas.
117. — Que são bebidas efervescentes?
Certas aguas e outros licôres que contem em
dissolução grande quantidade de gas carbonico, apre­
sentam-se efervescentes. Tais são a agua de Seltz,
as aguas minerais naturais, a cidra, a cerveja, etc.
118. — Como se preparam as bebidas efer­
vescentes?
A agua de Seltz não é senão a agua comum que
contém em dissolução abundaücia de gas carbonico.
Para prepará-la usam-se aparelhos de compressão,
hoje tão variados em sua construcão. Para o uso
doméstico pódem-se em­
pregar gasogenios por­
táteis. O primeiro in­
ventado fo i o gasogenio
de Briet. Compõe-se este
aparelho (Fig. 30) de
dois vasos de vidro mui-
t ô resistentes e em pa-F ig. 30 Gasogenio de Briet.
lhados, capazes de suportar uma pressão de varias
atmosferas, reunidos um ao outro por uirça arma­
ção metalica aparafusada. No vaso inferior, que é o
inenor, produz-se o anidrido carbonico que passa
ao vaso superior, cheio de agua, no qual se dissolve. \
Os dois vasos comunicam por meio de um tubo, dis­
posto de tal modo, que uma quantidade de agua
desce da parte superior á inferior do aparelho, en­
quanto o gas executá o movimento contrario. O gas
carbonico, nesses aparelhos, é produzido em grande
quantidade pela reação na agua entre o bicarbonato
de sodio e o acido tartarico. Ha h oje garrafas
especiais para o preparo da agua de Seltz, chamadas
vulgarmente sifão, que substituem vantajosamente
o gasogenio de Briet por serem mais praticas e
aperfeiçoadas. Nestas usam-se balas de anidrido
carbonico liqüefeito. Abrindo-se as balas, o liqui­
do se transforma em gas e se dissolve na agua, a
qual se torna efervescente.
Algumas aguas minerais naturais de mesa con­
tém naturalmente grande quantidade de gas carbo­
nico, com o, por exemplo, as aguas de Caxambú, São
Lourenço e outras. No vinho, cerveja e algumas
outras bebidas, tambem efervescentes, obtem-se o
gas carbonico por fermentação, ou decomposição
de certos com postos orgânicos. A levedura de cer­
veja é constituida por grande aglom eração dos ger­
mes causadores dessa fermentação. *
' J > 4 1 9 . — Que são m icrobios?
% Por m icrobios entendem-se organism os m icros­
cópicos, monecelulares, que são os agentes das fér-
mentações, putrefações e de grande numero de
doenças chamadas vírúléátas ou contagiosas.
Os m icróbios encontram-se em toda parte: no
sólo, na agua, no ar, enfim no proprio corpo dos
anim ais/j
É 120. — Ha muitos m icróbios no ar?
A terra, encerrando grande quantidade de ma­
téria organica, oferece aos m icróbios uma morada
de predileção: assim é no sólo que a flora m icro-
bianá é mais rica.
A ’ superficie encontram-se 2.564.800 germes
por cm.3. Os principais são: o bacilo do tétano, o
da febre tifoide, o da tuberculose, o colibacilo, etc.
Tambem na agua são em numero considerável. En-
contram-sè na agua os m icróbios acima enumera­
58 —

dos e m uitos outros do sólo que as chuvas arras­


tam, bem com o, em algum as ocasiões, m icróbios
causadores de varias epidem ias: com o, p or exem ­
plo, o espirilho do cólera. No ar, porém , os m icró­
bios são m uito m enos num erosos do que no sólo
e na agua: não in d o, talvez, alem de 60.000 por
m etro cubico. O seu num ero varia con form e os
lugares. Na atm osfera livre ha sem pre m uitissim o
m enos m icróbios, do que nos lugares de densa p o­
pulação, húm idos, baixos, m al ventilados.
Conforme as estatísticas das análises da Saude Publica de
França, em Paris notaram-se esses dados extremos: 0 ar de
Montsouris continha 250 micróbios por m.3, enquanto o do
Hospital Santo Antonio encerrava 55.000. Simplesmente 28
micróbios por m.3 observaram na cupula do Panteon.
A Saude Publica do Rio de Janeiro encontrou na análise
do ar da Avenida 400 micróbios por m.8 e 80.000 numa sala
de cinema.

1í t . — Que são m icróbios patogên icos?


Com o vim os, ha m icróbios que são agentes de
ferm entações e putrefações: outros ha, porém , que
são os propagadores das m oléstias. Cham am -se
estes, m icróbios patogên icos. T em os m icrób ios pa­
tog ên icos duas notas caracteristicas im portantes:
sua m ultiplicação rapidíssim a e a secreção de to x i­
nas, substancias com que in feccion am ò organism o.
A lguns desses agentes in fecciosos determ inam sem ­
pre doenças sem elhantes a si proprios, (o g on ocôco,
os bacilos do tétano, da tuberculose, da difteria, da
febre tifoide, e tc.), e outros ha que provocam m ani­
festações m uito diversas, dependentes apenas do
terreno em que evolucionam e da loca lização que
afetam , com o o pn eu m ocôco e o colib acilo. Na
m aior parte das in fecções, o agente patogên ico fica
localizado n o ponto em que penetrou n o organism o
e os acidentes que sobrevêm são devidos aos vene­
nos que segrega (to x in a s).
0 germe da sifilis é o treponema pallidum descoberto
por Schaudim em 1905. >

122y — Com o se origin am as doenças in fec-


tuo&as?
As çtoenças infectuosas pódem nascer por hete-
ro-infecçã^o ou a u to-in fecção. No prim eiro caso, o
germ e da doença provêm im ediatam ente do exte­
rio r; no segundo, existe em nós, n o estado norm al,
mas aproveitou um a dim inuição da resistencia vital,
para revestir propriedades patogênicas. A hetero-
in fecção póde, a seu turno, revestir duas form as:
a in ocu lação, quando os m icróbios patogên icos pe­
netram por m eio de feridas vivas e contusas e o
con tagio, quando penetram pelas vias naturais.
O con ta gio póde ser direto, isto è, pelo con tato de
um individuo doente com outro são, o qual contrai
então a doença, ou Indireto, isto é, m ediante o b je ­
tos diversos, vestidos, ar, sólo, agua que servem de
veículo aos germ es patogênicos. O con ta g io por
contato direto é evidente. O meámo póde-se dizer
da transm issão m ediata, que se faz p or pessoas que
trataram os doentes, p o r ciru rgiões e seus ajudan­
tes, por instrumentos mal desinfectadòs, por vesti­
dos manchados, etc.
O contagio dá-se ainda muitas vezes pela per-
sistencia dos germes nas casas, nos quartos, repos-
teiros, soalhos, etc.; dá-se tambem pelos diversos
veículos: carruagens, vagões, cartas, encomendas.
Todavia as medidas energicas de desinfecção que
passaram a tomar-se, restringiram enormemente o
modo de propagação das doenças infectuosas.
Ejn outros tempos, atribuiam-se aos miasmas
do ar as causas de todas as doenças. Hoje, contudo,
o contagio pelo ar é tido com o muito incerto. E*
assim que a transmissão da gripe, que se atribuia
ao ar a principio, está hoje provado que se faz, pelo
contagio direto das pessoas e objetos. Tambem a
peste, cujos bacilos existem nas poeiras atmosféri­
cas, nunca se transmite á distancia, sem contato
imediato ou mediato. Pelo contrario, a transmissão
das infecções pela agua ou pelo sólo é um fato ab­
solutamente demonstrado. O tétano e o carbunculo
transmitem-se pelos germes existentes no sólo; a
colera, a disenteria e a febre tifoide pelos que as
aguas contêm. V'„
128. — Dé que m odo atacam os m icróbios o
corpo humano?
Os germes das moléstias atacam o organismo
humano invadindo-o. Se o organismo é fraco, multi­
plicam-se extraordinariamente, fabricando em graü-
de escala substancias venenosas chamadas toxinas.
Trava-se uma luta entre esses germes e o organismo.
— 61 —

Este procura reagir: sinal comum dessa reação é


geralmente a febre, que atinge a temperatura por
vezes, elevadas. Os*glofrulos brancos do sangue, cha-
i&adoS leucócitos são os elementos principais de que
dispõe o organismo para a reação. Os leucócitos en­
globam os micróbios, digerem-nos, secretando aò
mesmo tempo as substancias chamadas antitoxinas,
neutralizadoras da ação m aléfica das toxinas m i-
crobianas. A este fenom eno chama-se fagocitose.
124. — Que se entende por vacinação?
Vacinação é o metodo terapeutico que tem por
fim crear a imunidade para com uma determinada
infecção. Este método foi empiricamente descoberto
e utilizado por Jenner em 1775. Jenner, com efeito,
tendo notado que as pessoas que enfermavam da
doença pustulosa da vaca (cow pox) não tinham a
varíola, imaginou inocular a matéria virulenta que
extraía dessas pessoas em outros individuos. As ex­
periencias decisivas datam de 1796. Contudo a ação
deste método terapeutico só pôde ser interpretado
graças ás descobertas do grande Pasteur. Os resul­
tados do método foram imensos, pois se contava
outrora um obito por dez casos de varíola, enquanto
que atualmente se não conta mais de 1 obito por
10.000. Jenner contentava-se para vacinar em trans­
portar de um individuo para outro o virus vacinai,
virus previamente adquirido de um bovino atacado
de cowpox. Esse processo foi empregado por muito
tempo, mas prefere-se-lhe hoje o método direto, que
consiste em tirar a uma vitela atacada de cow pox

3 — C F N.
a linfa vacinai, que se conserva em tubos de fid ro ,
esterilisados e fechados á lampada, e que só são
abertos na ocasião de servirem. A imunidade criada
pela vacinação é de uns dez anos, em média.
Assim, alem da primeira vacinação, que se pra­
tica ao nascer (aos dois ou quatro meses, se não é
tempo de epidemia) deve-se recorrer á vacinação
pelos dez anos, vinte, trinta e mais tarde. .A
125. — Falai da tuberculose. * \
A tuberculose é uma das mais graves doenças
infecto-contagiosas, cuja causa primaria é o bacilo
que Koch descobriu em 1882. O bacilo tuberculoso
é notável pelo seu alto poder patogênico. Ataca
igualmente o homem, os mamiferos, as aves e
até os animais de temperatura variavel, ofidios
e peixes.
E ' dotado de uma grande vitalidade e resiste
facilmente ás causas de destruição, o que èxplica a
sua grande extensão. Entre os animais, os bovideos
são os mais atacados. A tuberculose póde ser trans­
mitida dos animais ao homem, sobretudo pelo leite
das vacas tuberculosas. A maior parte das vezes,
porém, o contagio dá-se do homem para o homem
e póde produzir verdadeiros fócos epidemicos. São
os escarros secos que servem geralmente para a
transmissão dos bacilos. Não basta, contudo, o ba­
cilo de K och para que o homem se tuberculize. O
bacilo precisa de condições de receptividade. Va­
rias circunstancias favorecem a sua germ inação:
taras hereditarias, má higiene de habitação, traba­
lho fatigante, o alcoolismo, em suma, todas as cau­
sas que enfraquecem ou depauperam.
126. — Quais os meios de defesa que tem ado­
tado a sociedade?
A tuberculose, e sobretudo, sua forma, mais co­
mum, a tisica pulmonar, tem sido considerada, desde
os tempos de Hipocrates, com o a mais temivel, a
mais espalhada, a mais mortal de todas as doenças
contagiosas. A tuberculose é endemica em todos os
estatísticas que sustentam que a setima parte, ou-
países civilizados e é a doença que mata mais. Ha
tras, a sexta parte dos obitos entre os povos civi­
lizados, são devidos á tuberculose. No R io de Janei­
ro morre um tuberculoso de 2 em 2 horas. Entre
os selvagens em contacto com a civilização moder­
na a percentagem é muito maior. Na França m or­
rem anualmente 150.000 tisicos. Coube á Alema­
nha iniciar a luta social contra a tuberculose, con­
vocando em Berlim, em 1899, um congresso inter­
nacional de luta contra esse morbo terrivel. Daí
partiu uma intensa e bem orientada propaganda
que, por todos os meios de publicidade, ligas, con­
gressos, jornais, conferencias, livros, etc., fez alas­
trar por todo o mundo civilizado o movimento de
luta contra a tuberculose. Seguiram-se congressos
em muitas outras capitais européias e americanas
e a creação de sanatorios e hospitais de isolamento,
colhendo-se desde logo os melhores resultados desse
inteligente e salutar movimento. .
127. Çqwo poderemos evitar a tuberculose?
E* melhor prevenir o mal que remediá-lo. Evi­
tar o contagio, fortalecer o organismo, eis os dois
meios preventivos contra a tuberculose. A vida ao
ar livre, os passeios freqüentes pelos campos, o
cuidado contra a fadiga excessiva, contribuem po­
derosamente para revigorar o organismo e evitar
a peste branca. Com o corpo enfraquecido e depau­
perado, póde-se chegar ao estado pretuberculoso,
em que um resfriado apenas dê aso ao bacilo de
K och para penetrar e se proliferar jio organismo,
produzindo a terrivel moléstia.

CAPITULO 6.°

NAVEGAÇÃO A’ VELA - NAVEGAÇÃO AÉREA -


BALÕES - AEROPLANOS

128. — Falai da navegação á vela.


A navegação á vela é uma aplicação da força
desenvolvida pelos ventos. Uma tela resistente,
presa ás vergas de um mastro opõe-se ás correntes
aéreas e faz vogar a embarcação (Fig. 31).
Historico. Os primeiros navios de que ha me­
m ória (egipcios e fenicios) eram de remos e con­
servavam da jangada que lhes deu origem, o fundo
chato, o que oferecia vantagens, nessa epoca, por­
que, sendo a navegação quasi exclusivamente cos­
teira, podiam geralmente encalhar na praia e pas­
sar a noite com segurança. Na época de Sesostris é
que parece ter havido grande impulso nas constru­
— <8 ~

ções navais, e fala-se de um navio mandado cons­


truir por esse faraó, navio que foi notável pela sua
grandeza e magnificência. Os gregos e os romanos
tinham galeras e navios de transporte, de remos, e
foram estas embarcações que serviram de modelo
àquelas que durante largos anos depois navegaram

Fig. 31 — Navio de vela.

no Mediterrâneo. O desenvolvimento da navegação


no Oceano, e a descoberta da bússola, fizeram apa­
recer o navio propriamente de vela, cujos primeiros
tipos foram : a nave (seculo X IV ) e a caravela (sé­
culo X V ), seguindo-se a urca, o galeão, e mais tar­
de, a nau, a fragata, o brigue, a escuna, etc., velei­
ros já de nossos dias. A caravela era um tipo òrigi-
nariamente português. As caravelas portuguesas do
seculo X V e princípios do seculo X V I eram navios
íatinos, que não excediam de 200 toneladas. A ca­
ravela em que Cristovão Colombo fez sua primeira
viagem, alojava 70 homens e viveres para uma via­
gem que se supunha longa. Em 1535, o galeão por­
tuguês “ B otafogo” era o maior navio que se tinha
construido na Europa. A moderna nau, que chegou
até a segunda metade do seculo X IX , era um grande
navio de tres gáveas, as quais montavam ás vezes
120 bocas de fogo. Era a força principal das esqua­
dras da sua epoca. Foi no tempo de Luiz X IV e de
Colbert que se deu o ultimo passo e a navegação
á vela atingiu o seu apogeu.
O seculo X I X devia, pela descoberta do vapor
e sua aplicação ás máquinas marítimas, pela in­
venção da helice e os admiraveis progressos da
construção de ferro e aço, dar á navegação um de­
senvolvimento maravilhoso.
O primeiro navio a vapor foi construido por
Fulton em 1803, um navio de rodas, o “ Clerm ont” .
Começou, então, a época dos navios mixtos (navios
de vela, munidos de uma máquina de vapor auxi­
liar), cujo tipo mais perfeito foi o “ N apoleão",
construido pelo francês Dupuy de Lome, em 1850.
Assim, pouco a pouco, a navegação á vela foi
sendo substituída no mundo inteiro pela navegação
a vapor. A tonelagem dos navios tem crescido ex­
traordinariamente, bem com o a força das máqut»
piigljj

— 67 —

nas: cònstròem-se, hoje, transatlanticos de 35.000


toneladas, couraçados de esquadra de 16.000 e má­
quinas de 20.000 cavalos de força. Entretanto, os
navios de vela e os mixtos
ainda são hoje utilizados para
com unicações e transporte de
íill
mercadorias entre regiões pou­
co distantes.
129. — Que são aeróstatos? K
Aeróstatos ou balões são
aparelhos que se elevam nos
ares, graças á leveza especifica
do gas de que são cheios (Figs.
32 e 33). Compõe-se de duas
partes essenciais : o balão,
constituído por um envolucro
leve e impermeável aos gases,
Pig. 32— Um aeróstato
no qual se introduz ar quente
ou um gas menos denso que o ar; e a barquinha
ou ceata, onde vai o aeronauta e onde se acondi-
cionam os objétos necessários
á ascensão.

ma

II
Fig. 23 —
Dirigivel. m
Wm

I
*8 —

ISO. — Em que principio assenta a teoria dos


aeróstatos?
Baseia-se a teoria dos aeróstatos no principio
de Arquimedes:
“ Todo eorpo mergulhado num fluido sofre um
impulso de baixo para eima igual ao peso do fluido
deslocado.”
Esse corpo manter-se-á, portanto, em equilí­
brio, cairá ou subirá, conform e fór o seu peso, igual
superior ou inferior ao peso do fluido deslocado.
A força ascensional continúa sensivelmente cons­
tante, enquanto o balão não está completamente
entumescido pela dilatação do gas interior. Com
efeito, quando o aeróstato se eleva na atmosfera,
seu volume aumenta, mas a densidade do ar am­
biente diminue na mesma relação e o impulso con­
tinúa invariavel. Quando, porém, está o aerós­
tato completamente entumescido, se continúa a se
elevar, o gas escapa-se e a força ascensional de-
cresce até se anular numa altitude m aior ou menor.
131. — Que gas se usa hoje nas ascensões ae-
rostaticas?
Os primeiros aeróstatos eram cheios de ar
quente. Mais tarde foi este substituído pelo gas de
iluminação e o hidrogênio, o que veiu aumentar o
poder ascensional dos aeróstatos.
Afim de evitar os graves perigos de incêndio
ocasionados pela inflamabilidade do hidrogênio e
do gas de iluminação, costuma-se hoje substiti-los
69 —

pelo helio, cuja densidade é somente duas vezes


maior que a do hidrogênio. Este gas é extrema­
mente raro, mas póde-se extraí-lo em quantidade
suficiente dos gases naturais da America.
132. — A quem se deve a invenção dos aerós­
tatos?4*
A invenção dos aeróstatos deve-se ao nosso
glorioso patricio Padre Bartolomeu Lourenço de
Gusmão, que subiu pela primeira vez a 8 de Agosto
de 1709, em Lisboa, em presença de D. João V e
sua côrte, tom ando-o as gentes da época pelo pro-
prio diabo.
Histórico. Depois de Gusmão, em 1766, tendo
descoberto Cavendish o hidrogênio, o dr. Black ten­
tou em vão, fazer subir aos ares uma bexiga cheia
desse gas. Ein 1783, os dois irmãos Montgolfier,
fabricantes de papel em Anonay, fizeram subir um
balão de form a esferica, de tela e papel, por eles fa ­
bricado. A eles é que os franceses injustamente atri­
buem a invenção dos aeróstatos. Em seguida, o fisi-
co Charles imitou essa experiencia, substituindo ar
quente pelo hidrogênio e, em Paris, seu aeróstato
subiu do campo de Marte, saudado pela artilharia e
no meio de uma multidão extatica que se apinhava
nos “ boulevards” e praças e sobre os telhados das
casas. Em Versalhes, diante da côrte, repetiu de­
pois Montgolfier sua experiencia: seu aeróstato su­
biu a 500 metros, levando numa gaiola, um car­
neiro, um galo e um pato. Blanchard e Jeferie
realizaram com exito em 1785 o primeiro vôo de
Dover a Calais. Vieram depois as ascensões cien­
tificas de Biot, Gay-Lussac em 1804, o qual subiu
á altura de 7.000 metros e dos ingleses Glaisher e
Coxwell que tentaram atingir a 8.800 metros, não
o conseguindo» pois ao passar os 7.000 metros, foi
um dos aviadores atacado de paralisia.
Estas extraordinarias conquistas sobre b ar,
deviam naturalmente conduzir á questão da direção
dos aeróstatos. Em 1852, começaram as tentativas
nesse sentido, e fizeram-se inúmeras experiencias,
todas sem resultado, para aplicar ora o vapor, ora
os motores dínamo-eletricoá á navegação aérea.
Tambem a um patrício nosso, Santos Dumont, coube
a gloria de resolver êste segundo problema. Seu
primeiro dirigivel fez a ascensão em 1898, mas não
foi feliz: apesar de evolucionar com facilidade, em
todos os sentidos, seu aeróstato, que tinha a form a
de um charuto, por falta de rigidez- suficiente, do­
brou-se em dois e se precipitou de uma altura de
400 metros, saindo, felizmente, são e salvo o avia­
dor. O segundo dirigivel que construiu, tambem
não obteve resultado. Em 1900, construiu Santos
Dumont o terceiro aeróstato em form a de elipse,
de 29 metros por 3 de eixo menor e 420 m.3 de ca­
pacidade. A quilha era uma armação de bambú e
arame, na qual estava assente um m otor de 7 ca­
valos, uma helice e outros maquinismos. Com este
balão Santos Dumont fez inúmeros giros e em 1901
obteve o premio de 100.000 francos, que o A ero-
Club de França prometera ao aviador que désse a
volta á torre Eíffeí, no tempo maximo de 30 mi­
nutos. Muitos foram os balões construídos depois
disto pelo intrépido aeronauta patricio, cada qual
com novos melhoramentos, conseguindo o 14.°, cuja
originalidade era a helice colocada na frente, co­
lher esplendidos resultados.
Em 1901, Augusto Severo, tambem brasileiro,
mandou construir em Paris um dirigivel “ F a x * :
mas, em sua primeira ascensão, o gas ao escapar-se
pela válvula inferior, chegou até as paredes do
motor, ocasionando horroroso incêndio, em que
pereceu o malogrado aeronauta. Já nesse tempo co ­
meçava na Alemanha o Conde Fernando Zeppelin

Fig. 34 — O gigantesco “ Graf Zeppelin”.

a série de provas que lhe deveriam celebrizar o


nome. Em 1900 construiu êle o seu primeiro apa­
relho. Era um imenso cilindro de fios de aluminio
entrelaçados, com 127 metros de comprimento, no
interior do qual se encontravam encerrados 17 ba­
lões de hidrogiwiio. Por meio destes balões, manti­
nha-se no ar o aparelho, e podia avançar ou recuar,
graças a duas grandes helices, accionadas por dois
motores de benzina. Dois lemes, um á frente e
oütro atrás davam-lhe a direção. Muitos outros
balões e zepelins foram construídos nos anos pos­
teriores, sempre com novos melhoramentos, até os
aperfeiçoadissimos aparelhos atuais, que vieram
encurtar as distancias dos continentes, com pro­
veito imenso para o intercâmbio mundial.
São dos nossos dias as proezas do “ Graf Zep-

pelin ” (Fig. 34), verdadeira cidade aérea, que no


vôo Sevilha-Rio, atravessou o Atlântico em 58 ho­
ras e sem o minimo acidente, conseguiu percorrer
em dois dias apenas as misteriosas regiões do polo
setentrional.
\ /
188. — Que são aeroplanos? /
78

Aeroplanos ou aviões são apai^elhos que imitam


o vôo dos passaros, por meio de superfícies planas
ou quasi planas, levemente inclinadas sobre o ho­
rizonte e animadas no seu conjunto de um m ovi­
mento de propulsão horizontal (Fig. 35).
184* — Descrevei-os:
Um aeroplano compreende: 1.°) As asas, ligei­
ramente côneavas, constituídas, ás vezes, de um leve
quadro de madeira, guarnecido por um pano resis­
tente perfeitamente esticado, outras vezes, de alu­
mínio coberto ds acetato de celulose. Em certos
tipos de avião inteiramente metálicos, tambem o
revestimento das asas é de alumínio. Em geral, os

aviões têm dois planos: chamam-se, então, bipla-


nos. Constróem-se tambem monoplanos e tripla-
hos. 2.°) Um ou dois motores accionando, uma ou
duas helices, as quais giram com grande numero
de rotações. 3.°) Lemes e rodas com pneumáticos
para o pouso em terra.
Os hidroaviões terminam inferiormente por
flutuadores, para pousarem sobre a agua. (Fig. 36).
135. — Como se efetuam os vôos?
Postos em movimento os motores, a tração pro­
duzida pelas helices, determina um movimento de
velocidade sempre crescente; quando a resistencia
do ar é superior ao peso do aparelho, gera um im-s
pulso obliquo de baixo para cima, e o aparelho se
eleva acima do sólo. *Durante o vôo horizontal de
velocidade constante, as forças sustentadoras equi­
libram o peso do aeroplano, enquanto as forças de
tração das helices equilibrarem a resistencia do ar.
Para fazer ôubir mais o aeroplano, ou descer, ma­
nobra o aviador o leme de profundidade. A volta á
terra faz-se parando os m otores: o aparelho desce
então obliquamente e atinge tangencialmente o sólo.
As velocidades dos aviões variam de 150 a 350
Krns. por hora.
136. — Falai na historia dos aeroplanos.
Em 1893, o sabio alemão Oto Lilienthal conse­
guiu, graças á sua força muscular prodigiosa, numa
série de experiencias, tomando impulso sobre uma
colina, abandonar o sólo e pairar num percurso de
250 m etros; mas, acabou por ser vitima de seu ar­
rojo. O seu' aparelho consistia em duas velas incli­
nadas, levemente côncavas, cuja inclinação êle podia
fazer variar, e uma vela vertical servindo de leme.
Foi o principio do aeroplano. Outras experiencias
tambem sem resultado, se fizeram nos anos seguin­
tes, até os primeiros anos do nosso seculo. Em 1904,
os irmãos Wright, fabricantes de bicicletas em Ohio
(Estados Unidos) realizaram um vôo feliz de 4.500
metros. Daí para o futuro, os resultados foram se
multiplicando cada vez mais positivos. Depois de
inúmeros vôos, com aparelhos cada vez mais aper­
feiçoados, os irmãos W right apresentaram ao Signal
Corps do exercito dos Estados Unidos, o seu último
modelo, que foi oficialm ente aceito para serviço
do exercito. Contemporaneamente, começavam na
França os primeiros vôos em aeroplano do grande
Santos Dumont, justamente cognom inado o pai da
aviação. No seu “ Dem oiselle” , aeroplano automó­
vel de menor peso (110 Kgs.) que até aí se tinha
construido, deu a volta á Torre E iffel de Paris.
Em 1909, Bleriot, utilizando-se de um novo tipo
de avião, o m onoplano, atravessou o Canal da Man­
cha, num raid aéreo de Baraques a Dover, com uma
velocidade média de 75 Kms. por hora. Desde então,
multiplicaram-se os vôos, tentando-se novos records
de velocidade, altura e distancia. Pegoud construiu,
em 1913, um aparelho que lhe permitia voar de ca­
beça para baixo, executando a prova do looping. A
12 de Abril do ano seguinte, o aviador Hamel subiu
a 760 m. executando o looping 21 vezes seguidas.
Seria tarefa impossivel, enumerar a série de ma­
ravilhas, nos dias de hoje, dessa grande invenção do
nòsso seculo. Os nomes de Sacadura Cabral, Gago
Coutinho, Ram on Franco, Ribeiro de Barros, Balbo,
Lindberg, Jimenez e Iglesias e muitos outros de
nossos dias, de per si bastam para nos lembrar bri­
lhantes vitórias, nessa luta titanica do homem pela
conquista do dominio dos ares.
CALOR E LUZ

CAPITULO 7.*

CALOR OBSCURO E RADIANTE — CALOR


SOLAR — TRANSMISSÃO DO CALOR — RADIO-
METRO — ESTUFA — GARRAFA TERMOS

137. — Que é calor?


Calor é a causa que produz em nós a sensação
de quente e de frio. É o tato que nos dá a noção
da temperatura; indica-nos que um corpo é mais ou
menos quente que outro, isto é que sua temperatura
é mais ou menos elevada. Essas indicações são
muito relativas. Dizemos quente um corpo, quando
sua temperatura é superior á nossa, frio no caso
contrario. Indicações mais exatas só poderemos
obter, com o veremos adiante, recorrendo a fenom e­
nos em que as grandezas mensuráveis variam com
a temperatura.
138. — Os raios calorificois se distinguem dos
raios luminosos?
Quando um corpo ©sté numa temperatura au-
á dos corpos que o rodeiam, seus diferentes
emitem raios caloríficos, que divergem em
t&das as direções. Esses raios têm as mesmas pro­
priedades fisicas dos raios luminosos: reflexão, re-
fràção, interferencia, polarisação. Alem disso,
aumentando sua temperatura alem de 525°, mais ou
mejnos, os raios calorífico» tornam-se tambem lumi­
nosos. A luz e o calor têm, pois, a mesma origem :
o raio que transporta ambos é um só. Do sol, fonte
de energia térmica, propagasse o calor, assim com o
a luz, através do ar ou do espaço vazio, por meio
do éter que se põe em vibração, até nós. A essa di­
fusão de calor e luz dá-se o nome de radiação.
189. — Que é calor radiante?
Calor radiante diz-se o calor produzido pelos
raios que o isol ou qualquer corpo quente despede
em todo o espaço que o rodeia. Os corpos que se
deixam atravessar pelos raios caloríficos são cha­
mados transparentes ou dlatermicos. E x.: o vidro.
Os que se não deixam atravessar chamam-se ater-
micos ou opacos. Ex.: o papelão.
140. — Qual a velocidade de propagação do
calor?
A velocidade de propagação do calor no vácuo
é a mesma que a velocidade de propagação da luz:
é igual a 300.000 Kms. por segundo. Nos meioa mais
densos que o ar, o calor, com o a luz, propaga-se
mais lentamente.
141. — Como póde ser o calor radiante?
Divide-se em calor luminoso, p. e x .: o calor so­
twibff 78 m* * m -

lar; e ca lor obscuro, p. ex.: o ca lor despedido po


um ferro de engom ar aquecido. A radiação de caloj
obscuro dá-se continuam ente em torno de ncL,
quando se aproxim am corpos de diferentes tem pe­
raturas, vindo a produzir-se sem pre o que se cna-
ma equilíbrio térm ico.

0 calor radiante existé%ob uma infinidade de formas que


são as radiações e que se distinguem por sua frequencia, ieto
é y pelo seu eomprimento de onda num determinado meio, por

Fig. 37 — O termo-multiplicador de Melloni.

ex.: o vacuo. Os corpos que não têm calor suficiente para


sereia luminosos emitem calor radiante obscuro, constituído
por um conjunto de radiações infra-vermelhas. Outros corpos
ha que, por efeito duma temperatura mais elevada, ou por di­
versas outras causas, emitem c&lor radiante luminoso, porque
entre os raios calorificos que irradiam ha alguns que atuam
sobre a vista. Os corpos são pretos quando absorvem todas as
radiações do espetro visivel, por ex.: o negro do fumo. De*
vido ao seu poder absorvente são os corpos negros os que têm
\maior poder emissivo. Pelo contrario, os metais polidos que,
por causa de seu grande poder refletor, reuniram a maior parte
dàs radiações sem as absorver, têm muito fraco poder emis­
sivo. E’ o que se póde observar, pondo-se a mão diante de
u ii vaso enegrecido pelo preto do fumo e diante de outro,
da metal polido, que contenham ambos agua fervente: a sen­
sação do calor será muito mais intensa diante do primeiro.
Por isso, quando se trata de aquecer agua num vaso, é pre­
ferível que ele esteja enegrecido, porque absorverá melhor o
calor, enquanto que para a conservar quente, fóra do fogo,
será melhor depositar a agua num vaso de metal polido.

/ f l 4 2 . — Com o se póde m edir a radiação ca lo-


rificlTN
D irigindo-se um fe ix e de luz soibre um prisma
de sal gem a, que não absorve os raios calorificôs,
obtem -se, á saída do prism a, um a im agem form ada
das sete cores principais, que são os elem entos da
luz branca; estes raios, desigualm ente desviados
pelo prisma, separam -se ao atravessá-lo. H ersçhel,
deslocando um term om etro sobre as diferentes par­
tes do espetro, observou que o ca lor não está uni­
form em ente repartido p o r êle e que vai crescendo
d o violeta até o verm elho, continuando alem do ver­
m elho, num a parte cham ada infra-verm elho. Notou
que o m axim o de ca lorifero era na parte obscura.
Estas1 experiencias foram repetidas p o r M eloni;
substituiu o term om etro de H ersçhel p o r um a pilha
term o-eletrica, perm itindo avaliar as tem peraturas
de cada raio, pelo desvio dado a um galvanom etro
m uito sensivel. A este aparelho cham ou term o-
multiplicador (Pig. 37). A pilha e as principait
peças do aparelho que servem para a® medições d ^
radiação, estão alinhadas sobre o banco de Mellon!t
é este composto de uma regua fixa de metal, gra­
duada. «Sobre a regua está colocada a fonte 4°
calor a estudar, assim com o as lentes e anteparas
necessários ájs experiencias! A pilha exposta por
uma de suas faces á ação da fonte calorífica, é li­
gada pelo© polos ao galvanom etro^><^^^ r4/v ^
148. — Qual é a nossa principal fonte de calor?
v E* o sol. A maior parte da energia que se ma­
nifesta em nosso globo, provêm da energia calorí­
fica que o sol irradia. Se se reunisse a energia ca­
lorífica que o sol nos prodigaliza durante o ano,
seria ela tão considerável, que poderia derreter uma
camada de gêlo de 47 metros de espessura, que en­
volvesse todo o globo terrestre. E’ o calor solar que
produz a evaporação das agua» dos mares, dando
origem ás chuvas que alimentam as correntes de
agu&, rios, córregos, etc.; portanto, o trabalho das
quédais de agua, .utilizado nos m oinhos e usinas hi­
dráulicas, é, em ultima análise, devido ao sol. Uma
parte da energia solar transforma-se na energia
cinetica dos ventos e correntes marítimas, cuja ori­
gem são aô diferenças de temperatura Creadas pelo
sol: a energia dos ventos, por sua vez, se transforma
em parte na energia das ondas e vagalhões do mar,.
Pela função clorofiliana, purificam os vegetais
o ar, desprendendo oxigênio e absorvem o gas car­
bonico q.ue decompõe: esta função, contudo, é de-
— 81

vida ao sol que tambem fornece á clorofila a ener­


gia necessaria á decomposição do anidrido carbo­
nico do ar e á form ação dos hidratos de carbono
que constituem os vegetais. Como os vegetais ser­
vem direta ou indiretamente para alimentação dos
animais e, portanto, para o trabalho de seus mus-
culos, segue-se que é tambem ao sol que Se deve
atribuir a origem desse trabalho. Finalmente, o pro-
prio calor das combustões da madeira e do carvão
de pedra representa a energia solar armazenada no
sub-sólo durante tempos mais ou menos longos.
144. — Qual é a origem da energia solar?
Muitas hipóteses tem procurado expliear com o
póde fornecer o sol tamanha quantidade de calor,
que irradia ha tantos séculos pelo espaço. A hipó­
tese mais simples é que o sol é .um imenso corpo
quente que se vai resfriando. Reações quimicas sè
efetuam no sol que é assim analogo a um grande
fogo. H a outra hipótese mais importante: a dimi­
nuição do diâmetro solar, da qual resulta uma gran­
de transformação de energia potencial em calor.
Esta hipótese teria para confirm á-la a teoria cos-
m ogonica de Laplace e Hersçhel, sfegundò a qual o
volume da nebulosa ia diminuindo, á medida que
perdia o calor. Outra hipótese é a dè Arrhenius.
Nas partes centrais do sol a temperatura é in­
comparavelmente mais elevada que em sua peri­
feria. Ora, os com postos produzidos pelos diversos
elementos que aí existem (ferro, hidrogênio, sodio,
calcio, magnésio, etc.), devido a alta temperatura
— 82

são endotermicos, isto é, deverão absorver energia,


para se formarem. Conduzidos pelas erupções so­
lares á superficie menos quente, êles se transfor­
marão desenvolvendo calor. v
ijjfCt 1^5. — Citai outras fontes Nde energia calorí­
fica.
A energia calorífica póde ser produzida pela
transformação da energia elétrica, da energia me-
canica e da energia química e pelas mudanças de
estado de corpos.
148. — Como se póde obter calor eletricamente?
Em grande numero de casos transforma-se em
calor a energia eletrica. A passagem de uma cor­
rente num corpo eletricamente bóm condutor pro­
duz incandescencia, calor e luz. Este meio de pro­
dução de calor é empregado industrialmente nos
fornos eletrícos e com eça a entrar no uso doméstico,
com o s fogões, ferros de engom ar eletrícos, etc.
Póde-se obter ainda calor, utilizando as proprieda­
des termo-eletricas de certas pilhas; pelas corren­
tes de Poucault, que se produzem deslocando-se
num campo magnético um corpo bom condutor, etc.
147. — Como se póde obter calor mecani
mente?
0 atrito, o choque, a compressão dos gases são
outras tantas fontes de calor. A quantidade de caloi
obtida pelo atrito é equivalente ao trabalho gasto
para produzir o mesmo atrito: para obter-se uma
grande caloria é preciso um trabalho de 425 quilo-
grâmetros. Os selvagens do Brasil obtinham fogo
esfregando um no outro, violenta e rapidamente,
duas achas de madeira sêca.
148. — Que são combustões?
Quando um corpo muda de constituição quimica,
produz-se calor, desenvolvimento ou absorção, se­
gundo os casos. Ha dnas especies, pois, de reações
químicas: As exotermicas, que se produzem com
desenvolvimento de calor, e as endotermicas, quan­
do, pelo contrario, se dá absorção de calor. Todos
os produtos que contém uma grande quantidade de
carbono, tais como, o carvão de pedra, a linliite, a
turfa, etc.; os que contem carbono e hidrogênio,
como os petroleos, as essencias minerais, etc. e en­
fim, os corpos de constituição mais complexa, com o
a madeira e as folhas, são eminentemente susceptí­
veis de se combinarem com o oxigênio do ar, para
formarem produtos gasosos: anidrido carbonico,
oxido de carbono. Este genero especial de com bi­
nação, que se chama combustão, faz-se com desen­
volvimento de calor, ás vezes, muito grande. Quei­
mando-se uma grama de hidrogênio poderemos ele­
var de 100 graus a temperatura de 350 gramas- de
agua. A parte da quimica que trata da medição
dessas quantidades chama-se termoquimica. X
149. — As mudanças de estado dos corpos tra­
zem sempre desenvolvimento de calor?
As liquefações e solidificações fazem-se sempre
com desenvolvimento de calor; nas vaporizações,
fusões e dissoluções, pelo contrario, dá-se absorção.
O calor de fusão do gelo, regulariza a alimentação
— 84

dos rios que nascem nas montanhas cobertas de ne­


ves eternas; preservando as galerias de uma fusão
muito rapida, esse calor contribue para evitar inun­
dações desastrosas que se dariam, infalivelmente,
no fim da primavera.
y 150. — De quantos m odos se transmite o calor?
S> A propagação do calor faz-se de tres modos:
Por condutibilidade, por conveção ou por irradiação.
151. _ Que é condutibilidade?
Condutibilidade calorifera é a propriedade que
têm todos os corpos, em grau maior ou menor, de
transmitir o calor através de sua massa. O calor
tran®mite-se por condutibilidade, quando passa de
um ponto a outro do corpo, aquecendo sucessiva­
mente todas as partes intermediarias. A trasmis-
são do calor por condutibilidade é muito mais lenta,
do que por irradiação.
152. — Como se dividem os corpos relativa­
mente á condutibilidade calorífica ?
Dividem-se em bons condutores e maus condu­
tores. Os metais em geral, a prata, o cobre, o ouro,
o ferro, etc., são bons condutores do calor: a ma­
deira, a cortiça, o vidro, o tijolo, os corpos orgâni­
cos são maus condutores. São tambem maus condu­
tores os gases e os liquidos, menos o mercúrio. Se
agarrardes uma acha de lenha por uma das extre­
midades, enquanto a outra está ardendo, não vos
queimareis; mas, ninguém se aventuraria a fazer o
mesmo com uma barra de ferro avermelhada ao
fo g o numa extremidade. Para proteger nossas mãos
contra a condutibilidade térmica, adaptam-se cabos
de madeira ás chaleiras, bules e outros utensilios
metálicos de cozinha. Os metais e os mármores dão-
nos a sensação de frio, devido á sua grande condu­
tibilidade: quando apalpamos esses corpos eles nos
arrebatam o calor da mão, que se espalha rapida­
mente pela sua massa sem os aquecer. O contrario
dá-se com a madeira, a lã e todos os maus conduto­
res. Por isso é tambem que preferimos em nossos
lares os soalhos de madeira, aos pavimentos de la­
drilhos, cimento, etc. ET ainda por causa da grande
condutibilidade dos metais, que as telas metalicas
apertadas, colocadas por cima de uma chama, cor-
tam-na e não a deixam passar. Ao atravessar as
malhas metalicas esfriam-^e os gases em combus­
tão e, cessando esta, eles perdem sua propriedade
luminosa. Póde-se tambem inflamar os gases acima
da tela, sem que a combustão se propague para bai­
xo. Esta propriedade das telas metalicas é utilizada
na construção das lampadas dos mineiros.
158. — Como se póde determinar o poder de
condutibilidade dos solidos?
0 processo de Ingenhonx fornèce o meio para
determinar os graus de condutibilidade térmica dos
solidos. Consiste numa caixa de cobre (Fig. 38),
com orificios, por onde se pódem introduzir as has­
tes das diversas substancias, cujo poder condutor se
deseja comparar. Cobrem-se de cêra as hastes e
enche-se a caixa com agua fervente. Vê-se então
a cêra derreter-se sobre as hastes, em distancias
_ 86 —

diversas da caixa: par ande se poderá inferir o po­


der de condutibilidade de cada uma das substancias
que as compõem. Verifi­
cou-se assim que é a prata
a substancia melhor con~
dutora, seguindo-se-lhe o
cobre’ o ouro, o latão, o
zinco, o ferro, a platina, o
bismuto, o vidro, a porce­
lana, o carvão e a madeira.
Fig. 38 — Aparelho 154. — Que se enten-'
• de Ingenhoux.
de por conveção?
Aquecendo-se um liquido contido num vaso pela
sua parte inferior, as mas­
sas aquecidas do liquido tor­
nando-se menos densas, ele­
vam-se (Fig. 39), enquanto
que as partes frias descem
para o fundo do vaso. Daí
duas correntes no vaso, uma
ascendente e outra descen­
dente, as quais se pódem pôr
em evidencia, deitando - se
serragem na agua. Estas cor­
rentes propagam o calor por
todo o liquido. A este modo
de propagação denominaram
os fisicos ingleses conveção.
155. — Que são estufas?
Chamam-se estufas espaços limitados (cama-
ras, caixas, forn os), em que se eleva a temperatura
por meios artificiais para diferentes fins. As estufas
têm inúmeras e variadissimas aplicações. A higiene
emprega-as para a desinfecção de roupas de doen­
tes de moléstia contagiosa. Para esterilização dos
utensilios e das substancias empregadas em bacte­
riologia e cirurgia usam-se estufas secas, de folha
de ferro ou de cobre, quadradas ou retangulares.
São aquecidas por meio do gas ou do alcool. Um
termometro indica a temperatura, que deve ser su­
perior a 120° e não ultrapassar 150° para não dani­
ficar os instrumentos. Nos laboratorios, empregam-
se estufas para culturas microbianas. Numerosas
especies de bactérias ha, que exigem temperaturas
elevadas, 40° aproximadamente, para que vegetem
de maneira abundante. Submete-se a cultura a tem­
peratura propicia e fixa nas estufas, que se regulam
automaticamente quando levadas ao grau de tem­
peratura requerido.
Os agricultores usam estufas para abrigar cer­
tos vegetais contra o frio, proporcionando-lhes uma
temperatura artificial. Finalmente, tambem a in­
dustria recorre muitas vezes ao uso das estufas. Vul­
garmente damos o nome de estufas aos fogões de
sala e aos caloríficos que usamos nos rigores do
inverno para aquecer os compartimento* de nossas
habitações.
156. — Falai nos fogões de sala.
Os fogões de sala são destinados a aquecer o
ar ambiente dos quartos e salas pelo calor que irra­
— 8Ç —

diam em todas as direções. Compõem-se essencial­


mente de uma lareira (Pig. 40) colocada ao nivel
do pavimento. Nela se coloca o combustivel desti­
nado ao aquecimento. Uma especie de funil inver­
tido encima a lareira e recolhe os produtos de com ­
bustão, que se escapam para'o exterior.
Ha duas especies de fogões: 1.°) Os abertos, os
quais não aquecem senão pelo calor que irradiam.
Não oferecem perigo algum, devido á ventilação
constante, mas não são econo-
micos. 2.°) Os fogões fechados,
os quais aquecem o ar em con­
tacto com suas paredes. São,
portanto, muito economicos.
Contudo, se a ventilação fôr
insuficiente, tornam-se perigo-
sissimos esses fogões, devido
ao oxido de carbono da combus­
tão, que poderá se derramar
pelo quarto.
157. — Que outros aparelhos se usam para aque­
cer os aposentos?
Os caloriferos. Caloriferos são aparelhos com ­
postos de um fogão que aquece ar, vapor ou agua
e de um sistema de tubos que os distribue nos luga­
res que se querem aquecer. Ha, portanto, tres tipos
principais de caloriferos: Caloriferos de ar quente,
de agua quente e de vapor.
158. — Falai dos caloriferos de ar quente.
O calorlfero de ar quente consta de um fogão
— 89 —

colocado no subsólo. O fogão aquece um tubo que


aspira o ar exterior pela sua extremidade inferior e
o espalha em seu percurso, mediante orificios ou
bocas de calor.
159* — Falai dos caloriferos de agua quente.
O calorifero de agua quente compõe-se de um
fogão, com uma caldeira para aquecer a agua. Dessa
caldeira sai um tubo que vai ter num reservatorio
de agua, a qual depressa tambem se aquece. Esta-
belece-se uma corrente ascen­
dente e descendente na massa
liquida: a agua quente sóbe por
um tubo, e a que abandonou
suas calorias, desce á caldeira
por outro tubo. O calor obtido
por este sistema é mais suave
e regular, do que o que se
obtem pelos caloriferos de ar
quente.
Fig. 41 — Calorifero ^ ,
a vapor. 1®®* — Descrevei os calori-
feros a vapor.
Compreendem esses caloriferos (Fig. 41): 1.°)
Uma caldeira instalada no subsólo, com agua em
ebulição, cujo vapor sóbe por meio de tubos, aos di­
ferentes compartimentos do edificio; 2.°) Radiado­
res, caixas metalicas aonde vão os tubos condutores
do vapor e que se colocam nos quartos a aquecer.
Chegando aos radiadores, o vapor se resfria e con­
densa e, ao liquefazer-se, desprende grande quanti­
dade de calor, que aquece todo o compartimento.
0 tubo V leva o vapor aos radiadores, e o C traz de
volta á caldeira a agua proveniente da condensa­
ção que se efetuára nos radiadores. O parafuso do
alto do tubo V serve para regular a entrada do va­
por nos radiadores.
161. — Que são radiometros?
Radiometros são instrumentos que servem para
medir a intensidade dos raios luminosos. E ’ muito
conhecido o radiometro de Crookes.
162. — Em que consiste o radiometro de
Crookes?
O radiometro de Crookes é constituido por um
torniquete de quatro braças de aluminio, cujas faces
são alternadamente enegrecidas e polidas, e que gira
á maneira de um anemometro, quando se expõe á
luz. O movimento do m oinho é devido á diferença
de temperatura entre as duas faces de cada asa.
163. — Que são garrafas termos?
As garrafas termos, muito conhecidas entre nós,
são vasos de vidro, revestidos de uma capa isolante,
e que servem para guardar liquidos durante muitas
horas, com uma mesma temperatura.

CAPITULO 8.°

SENSAÇÃO DOS CORPOS: O TATO — DILATA­


ÇÃO DOS CORPOS: TERMOMETROS
164. — -Que são orgãos dos sentidos?
Denominam-se orgãos dos sentidos, certos apa­
relhos, por meiP dos quais percebemos e aprecia­
— 91

mos ás divetsaa propriedades dos corpos que nos


cercam.
165. — Qual é o sentido que nos permite apre­
ciar a temperatura dos corpos?
E* o sentido do tato que nos permite apreciar
a temperatura dos corpos, bem com o a sua aspereza,
forma, consistência, grandeza, etc. Considerado de
um modo geral, o sentido do tato tem com o séde
principal a pele.
166. — Falai da pele.
A pele é uma membrana tegumentar, mais ou
menos espessa, que envolve o
corpo do homem e de quasi to­
Epiderme
dos os animais. Compreende
Pigmento
tres camadas: a derma, o corpo
mucoso e a epiderma (Fig. 42).
A derma, parte espessa e in­ Denne

terior da pele, é constituída de Glândula


êudoripara
filamentos extremamente finos
que se entrelaçam em todos os Fig. 42 Secçâo
de pele.
sentidos. Recebe em certas re­
giões fibras musculares que servem para movê-là.
Em sua superfície externa, apresenta asperezas
avermelhadas, de form a conica, que se denominam
papilas da derma. A derma de certos animais, pre­
parada por processos especiais nos cortumes, consti-
tue o couro, que tem usos inúmeros na industria. 0
corpo mucoso ou tecido papilar é uma reunião de
filetes nervosos, vasos sanguíneos e linfaticos, es­
palhados pela superfície das papilas da derma. Em
92 —

sua trama está contido o pigmento, que dá á pele


a coloração distintiva da raça. A epiderma é uma
camada impermeável, semitransparente, insensivel,
que serve de proteção á derma e ao tecido papilar.
Sua espessura é variavel e apresenta na superficie,
orificios inúmeros, chamados póros, os quais cor­
respondem aos vertices das papilas. E* pelos póros
que escapa o suor, secretado pelas glandulas cha­
madas sudoríparas.
167. — Explicai o mecanismo do tato.
Os verdadeiros orgãos do tato são as papilas.
As papilas, com o acabamos de vêr, são pequenas sa­
liências que constituem a camada superficial da
derma e se apresentam em grande numero nos pon­
tos da pele, em que o tato é mais delicado, com o nas
pontas dos dedos, palmas das mãos, plantas dos pés,
ponta da lingua, labios, etc. Essas papilas encer­
ram duas especies de corpusculos tateis, os corpus-
culos de Melssner é os de Krause, onde terminam
e se vão perder ás ultimas ram ificações dos nervos
sensitivos, destinados a receber as impressões do
tato, para transmiti-las aos centros de percepção do
cerebro.
168. — Que é dilatação?
Dilatação é o aumento de volume ou de com ­
primento que sofrem quasi todos os corpos sob a
ação do calor.
169. — Quantas especies de dilatação sofrem
oe corpos solidos?
Nos corpos solidos distinguem^se dua* especie*
— as —

de dilatação: a dilatação linear e a dilatação CBbSeU.


Estas duas especies de dilatação se efetuam sempre
simultaneamente.
170. — Com que aparelho se demonstra a dila­
tação linear dos solidos?
Para demonstrar a dilatação linear dos solidos
usa-se o aparelho chamado pirom eíro de mostrador.
(Pig. 43). Compõe-se este aparelho de uma haste
metalica, que tem uma das extremidades fixa por
um parafuso de pressão e a outra, ligada a um pon-

Fig. 43 — Pirometro de mostrador.

teiro movei sobre um mostrador graduado. Quei­


mando-se alcool no deposito de sob a haste metali­
ca, esta aquece-se e, estendendo-se, faz com que o
ponteiro suba e indique um certo numero de graus,
numero tanto mais elevado, quanto mais forte fôr
o calor e mais dilatavel o metal.
171. — Com que aparelho se demonstra a dila­
tação cubica?
A dilatação cubica demonstra-se pelo anel de
ftravezande. Consiste este aparelho (Fig* 44) num

4 — C F N.
anel metálico pelò qual póde facilmente passar uma
esfera do mesmo metal, que está suspensa por uma
corrente presa a um suporte vertical. Aquecendo-se
sómente a esfera, não
se conseguirá mais fa­
zê-la passar pelo inte­
rior do anel, o que pro-
va que se dilatou em
volume.
172. — Citai algu­
mas aplicações da di­
latação dos solidos.
Os efeitos mecâni­
cos da dilatação cons­
tituem um poderoso
Pig. 44 - Anel de Gravezande. auxilio para 0 assenta-
mento dos aros nas rodas dos veículos. Aquece-se
o aro até o seu maximo de dilatação e introduz-se
nele a roda de ma­
deira de modo que se
ajuste exatamente no
aro dilatado (Fig.
45). Pelo resfria^
mento o ferro se
contrai e mantem
fortemente unidas as Fig. 45 — Assentamento
junturas da madeira. dos ar06‘
O mesmo processo se usa para a junção das peças
de ferro, por meio de arrebites. Tem-se em conta
ainda a dilatação na construção das pontes de ferro,
— 9t

dos telhados de zinco, na colocação das grades nas


janelas, e em todos os trabalhos de serralharia. E*
devido aos esforços exercidos pelas dilatações ou
contrações, que se quebram os copos ou garrafas,
quando os aquecemos ou os resfriamos bruscamente.!
O vidro, com o vimos, é mau condutor do calor: um
rapido aumento ou queda de temperatura, numa
parte do objeto de vidro, obriga-a a dilatar-se ou
contrair-se, enquanto que as outras partes do objeto
conservam o mesmo volume, seguindo-se daí a
rutura.
173. — Falai da dilatação dos liquidos.
- Nos liquidos, só se considera a dilatação cubica,
a qual póde apreciar-se sob dois pontos de vista, a
que correspondem as denominações de dilatação
aparente e dilatação absoluta. A dilatação aparente
de um liquido é o aumento sensivel de seu volume,
observado diretamente no vaso em que o liquido está
contido, abstraindo da dilatação do vaso. A dilata­
ção que se observa no mercúrio dos termometros é
uma dilatação aparente. A dilatação absoluta de um
liquido é o seu aumento total de volume. Compre­
ende a dilatação aparente, aumentada da dilatação
do vaso: é, portanto, m aior que a dilatação apa­
rente. O coeficiente de dilatação absoluta é, proxi-
mamente, igual á soma dos coeficientes de dilatação
aparente e de dilatação do vaso em que está contido
o liquido.
174. — Como se demonstra a dilatação aparento
dos liquido»?
— 96

Demonstra-se a dilatação aparente dos liquidos


por meio de um aparelho muito simples. Consta de
um reservatorio de vidro, de volume bastante gran­
de (Fig. 46), ao qual se acha soldado um tubo com ­
prido e de pequeno diâmetro. Enche-se a bola e o
tubo do liquido na temperatura ordinaria até a uma
certa altura e mergulha-se o vaso em agua quente. O
liquido a principio descerá, porque o
balão dilatando-se, devido ao calor da
agua ambiente, aumentará de capaci­
dade; mas logo de­
pois, propaga-se o
calor ao liquido e
este outra vez subirá
no tubo até uma al­
tura tanto m a i o r ,
quanto mais íorte
fôr o calor.
175. — Que sabeis
acerca da dilatação
Fig. 46 — Di- , « ,
lataçâo dos d a a &Ua? ,47 ~ f pe'
liquidos Embora a dilata- riencia de Hope.
ção dos líquidos não
seja proporôional á elevação de temperatura, con­
tudo, quasi sempre, ao aumento de temperatura cor­
responde aumento de volume.
A dilatação da agua apresenta, porém, a pro­
priedade notável e interessante de alcançar o seu
máximo de densidade, á temperatura de 4° centígra­
dos. Provam-no varias experiencias, das quais dss-
creveremos a de Hope (Pig. 47). Numa proveta de
vidro instalam-se dois termometros dispostos hori­
zontalmente. No meio da proveta, fixa-se uma tina,
destinada a receber gelo e sal marinho. Enchendo
a proveta de agua, o resfriamento produzido pela
mistura frigorífica faz baixar gradualmente a
temperatura da agua na proveta, e o termome­
tro inferior vai indicando uma tempe­
ratura mais baixa, que o termometro
superior: mas, logo que o primeiro atinge
a temperatura de 4.°, fica estacionario, ao
passo que o termometro superior conti­
nua a descer, indo até a 0o ou a graus
abaixo de zero. Isto prova que o maximo
de densidade da agua dá-se, com o disse­
mos, a 4o graus centígrados. A* proporção
que a agua se resfria até 4 graus, vai
aumentando de densidade, por isso desce
ao fundo da proveta; mas, continuando a
resfriar-se, sua densidade em vez de Fig. 48 —
,. , Aparelho
aumentar, dimmue, por isso é que as ca- pa*a veri_
madas mais frias, na proveta de Hope só- ficar a di-
, , . latação
bem sempre para a parte superior. dos gase8<
176. — Falai na dilatação dos gases.
Os gases são ainda mais dilataveis que os liqui­
dos. Podemos verificá-lo mediante uma experiencia
muito simples. Toma-se um balão de vidro (que está
cheio de ar) munido de um tubo (Fig. 48), no qual
se coloca um pequeno Index m de mercúrio ou de
agua corada. O simples calor da mão aplieada ao
balão, bastará para dilatar a massa gasosa, im pé-
lin do o index na direção da extrem idade livre do
tubo. Tam bem poderem os facilm ente verificar a di­
latação dos gases da seguinte m aneira: Indroduz-se
ar numa bexiga flácida, sem a encher com pleta­
mente. A proxim an do-a do fo g o verem os que ela se
enche e perde as ru go-
sidades, devido á dila­
tação do seu conteúdo
gasoso. A o dilatarem -
se pelo calor, os gases
tornam -se mais leves,
E is porque numa sala
aquecida o ar não tem
p or toda parte a mesma
tem peratura: o ar frio
perm anece na parte in­
fe rio r da sala, enquan­
to que o ar quente ocu­
pa as alturas. E ’ á di­
latação do ar pelo ca­
Fig. 49 — Diversas
lor que se deve atri­ correntes de ar.
buir St dupla corrente
de ar que existe na porta de com unicação entre
uma sala quente e outra fria (F ig. 49). O ar
quente da prim eira, m ais leve que o da segun­
da, sá i pela parte superior da porta, á propor­
çã o que o ar frio entra por baixo, para substi­
tui-lo.
177. Que são termometros?
Termometros são instrumentos destinados a
avaliar a tem peratura dos corpos.
A temperatura não é propriamente uma grandeza mensu­
rável: não é possivel compará-la a uma temperatura que sirva
de unidade, porque não podemos conceber temperaturas duas,
tres ou quatro vezes maiores que outra. Existem, contudo, em
Fisica, certas convenções que permitem representá-las por
números. Constatou-se, como acabamos de vêr ainda ha pouco
que, se um corpo ê aquecido, sob uma pressão cqnstante, êle
se dilata. Variações de volume poderão, portanto, íornecer-nos
indicações a respeito das variações de sua temperatura. Vimos
alem disso que, se se põem em contato dois corpos de diferen­
tes temperaturas, o mais frio se aquece, á proporção que se
esfria o outro até se equilibrarem as temperaturas. Nestes
dois fatos é que se baseia a teoria dos termometros.

178. — Quais as substancias em pregadas na


construção dos term om etros?
Os gases, pela regularidade de sua dilatação,
pela dificuldade da liquefação, pela grande dilata-
bilidade e invariabilidade de seu ca lor especifico,
sob volum e constante, constituem a substancia ter-
m om etrica p or excelencia. Sensibilidade, precisão,
com parabilidade, largos lim ites de aplicação, (de
— 200° a 1800° para o h idrogên io) são as qualida­
des que distinguem os term om etros de gas. O term o­
m etro de gas, não obstante, p or varios m otivos (v o ­
lume inadaptavel a pequenos recintos, etc.) não é
pratico. P or isso, fico u reservado para observações
de grande precisão e escolheu-se para substancia
term om etrlca nos casos ordinários o m ercúrio. Para
avaliar tem peraturas m uito baixas, emprega-se o
— 100

aicool ou a toluena, ou ainda alguns éteres do petro-


leo, que perm item m edir tem peraturas de 180 graus
abaixo de zero, ao passo que o m ercúrio a 40 graus
abaixo de zero se congela. Os term om etros con s-
truidos co m corpos solidos cham am -se pirom etros
e servem para m edir tem peraturas m uito elevadas.
179. — Falai dos term om etros de m ercúrio.
C om põem -se esses term om etros de um tubo de
vidro, capilar, de paredes espessas, regularm ente c i­
lín drico, fech ado nas duas extrem idades, das quais
á in ferior está soldado um reservatorio, tam bem de
vidro. Um a vez introduzido o m ercúrio
n o tubo, escolhem -se duas tem peraturas
fixas para construir a escala. T odas as
escalas arbitram ao ponto fix o in ferior
a denom inação zero, diferindo apenas ou
na denom inação do p on to fix o superior,
ou na escolha da tem peratura fixa. Das
tres escalas em uso a m ais vulgar e a que
tende a generalizar-se cada vez mais, é
a cen tigrada; a de Réaum ur é usada na
Suissa e F rança e a de Fahrenheit na In ­
Fig. 50 —
Escalas glaterra e Estados U nidos (F ig. 50) . Na
temomer escala centigrada o ponto fix o superior
fcricas.
corresponde á tem peratura do vapor de
agua em ebulição, sob a pressão atm osférica de 76
centím etros, e tem o v a lor de 100°; o in ferior cor­
responde á tem peratura do g elo fundente e tem o
valor dè'0°. (F ig. 51). A escala de Réaum ur difere
desta em atribuir á m esm a tem peratura superior, o
101 —

valor de 80°; a escala de Fahrenheit atribue á tem ­


peratura do vapor da agua em ebulição o valor de
212° e determ ina a tem peratura in ­
ferior pela m istura de gelo e sal
am on iaco: o zero das escalas cen ti­
grada e de Réaum ur corresponde, p or­
tanto, a 32° da Fahrenheit. Para m e­
dir a tem peratura do corp o hum ano,
usam os m édicos um pequeno term o­
m etro centigrado, cu ja escala vai de 33
a 43 graus. Os term om etros m édicos
têm um pequeno estreitam ento n o tubo
que, perm itindo a dilatação, im pede o
retrocesso do m ercúrio, o que faz com
Pig. 51 — De­
que o m ercúrio não desça n o tubo ao terminação
se retirar o term om etro do doentel do 0 grau
centigrado.
Para baixar a coluna m ercurial será
necessário agitar fortem ente o term om etro.
180. — Que term om etros se usam para medir
a tem peratura da atm osfera?
Em m eteorologia são m uito usados os term o-
m etros de m axim a e
m inim a, que regis­
tam a m aior am pli­
tude de tem peratura
observada n o p erio-
Pig. 52 — Termometros de $0 ^4 horas. (F ig.
maxima e minima. O term om etro
5 2 ).
de m axim a é de m ercúrio e contém n o tubo em co n ­
tato com a coluna liquida, um indice de aço A . Su­
bindo a temperatura ambiente, dllata-se o mercúrio
e leva adiante de si o indicador. Quando mais tarde
o mercúrio se retira, não leva consigo o indice, pois
a êle não adére. O indice, ficando no mesmo lugar,
marca a mais alta temperatura experimentada pelo
termometro.
O termometro de minima é de a lcool: contém
igualmente um pequeno indicador de esmalte b, ao
qual êle adére. Quando baixa a temperatura, o al­
cool, retirando-se, leva consigo o indicador; mas,
se se eleva a temperatura, o liquido escoa-se entre
este e as paredes do tubo, deixando assim o indicador
no ponto correspondente á mais baixa temperatura.

CAPITULO 9.°

TEM PERATURA B A ATMOSFERA — ESTAÇÕES


DO ANO — CLIMAS — EXPANSÃO DOS GASES —
MOTORES DE EXPLOSÃO — EXPLOSIVOS

181. — Falai na temperatura atmosférica.


A temperatura atmosférica varia de um para
outro lugar. Êm principio, diminue quando a lati­
tude aumenta, devido á crescente obliquidade dos
raios solares, quando nos afastamos do equador;
tambem será tanto mais baixa a temperatura quan­
to m aior fôr a altitude, devido á rarefação do ar
que aumenta a radiação. Por isso ba montanhas
elevadas cobertas de neves eternas, mesmo na zona
equatorial.
103 ~

A temperatura depende ainda dos ventos rei­


nantes e da m aior ou menor proximidade do mar..,
Se reunirmos por meio de um traço contínuo os lu­
gares de igual temperatura média á face da terra,
obteremos uma serie de linhas isotermicas, que dão
a repartição média da temperatura terrestre. Os
pontos habitados em que a temperatura estivai é
mais elevada, encontram-se em geral na orla mari-
tima das regiões deserticas subtropicais (Bagdad,
média de 35° centígrados). Os paises de grande frio
estão situados no centro dos continentes: em Chur-
chill, perto do mar de Hudson, a temperatura inver-
nal é de 33° abaixo de zero, em Iakutsk, na Sibéria,
é de 43° abaixo de zero. Em Verkhoiansk, talvez
o polo do frio, já tem sido registadas temperaturas
de quasi 70 graus abaixo de zero.
Durante o dia, a temperatura cresce desde o
nascer dó sol até perto das duas horas da tarde, e
decresce depois até á noite. A amplitude das varia­
ções da temperatura diaria, fraca nas regiões de
clima marítimo, é, ás vezes, considerável nos paises
de clima desertico e continental. No Saára, por
exemplo, as temperaturas diurnas excedem ás ve­
zes 60°, ao passo que ha noites em que se registam
3 e 4 graus abaixo de zero.
182. — Quantas são as estações do ano?
Durante um ano de 365 dias e 6 horas executa
a Terra seu movimento de translação em torno do
Sol. E* desse movimento que resultam as estações.
As quatro posições principais da terra relativamente
— 104 —

á incidência dos raios solares, dividem sua orbita


em quatro partes, relativamente iguais e correspon­
dentes ao percurso de cerca dé 3 meses. Cada um
desseç periodos do ano é caracterizado pela m aior
ou menor grandeza dos dias, pela maior ou menor
altura do Sol, e, portanto, pela diversidade corres­
pondente da quantidade de calor fornecido pelo Sol
ás diversas regiões do globo. Tais periodos, a que
se dá o nome de estações do ano, têm as denomina­
ções de: inverno, primavera, verão, outono. No he-
misferio austral em que vivemos, as estações são
invertidas relativamente as do boreal; assim, por
exemplo, quando no R io Grande do Sul fôr verão,
em Portugal será inverno. Na primavera e no ve­
rão, os paralelos aparentemente descritos pelo Sol
ficam ao sul do equador, e os dias são para os ha­
bitantes do hemisferio austral maiores do que as
noites; no outono e no inverno, pelo contrario, os
paralelos aparentemente descritos pelo Sol ficam
ao norte do equador e os dias são menores do que
as noites. Resulta daqui serem nos diversos luga­
res, as temperaturas na primavera e no verão mais
elevadas do que no outono e no inverno. Nas re­
giões pouco distantes do equador, para as quais a
variação na grandeza dos dias durante o ano é
muito pequena, só se consideram duas estações ca­
racterísticas: a das chuvas e a das sêcas.
183. — Que é clim a?
Sob o nome geral de clima compreende-se o
conjtmto cias condições atmosféricas que çaracteri-
— 105

zftm uma região: a temperatura média anual, as


temperaturas estivai e hibernai, a humidade do ar
e do sólo, os ventos, a pressão atmosférica, a sereni­
dade do ceu, a quantidade e frequencia das chuvas.
184. — Como se dividem os climas?
Conforme a temperatura média anual, divi­
dem-se os climas em sete principais: 1.°) clima tor-
rido, de 28° a 25°; 2.°) clim a quente, de 25° a 20°;
3.°) clima doce, de 20° a 15°; 4.°) clima temperado,
de 15 a 10°; 5.°) clima frio, de 10° a 5o; 6.°) clima
muito frio, de 5 a 0o; 7.°) clima glacial, abaixo de 0o.
Estes climas pódem ser: constantes, quando as di­
ferenças de temperatura entre o inverno e o verão
não passam de 6 a 8 graus; climas variaveis, se a
diferença se eleva de 16 a 20 graus e climas exces­
sivos, se a diferença fôr superior a 30 graus. Os
climas de Pequim e Nova-York são exemplos de cli­
mas excessivos. Os climas dividem-se ainda em ma­
rítimos e continentais. Nos climas marítimos, a di­
ferença de temperatura entre o inverno e o verão
é sempre muito menor que nos climas continentais.
185. — Qual o clima do Brasil?
O Brasil, cujo territorio vai até bem acima do
equador e bem abaixo do tropico do Capricornio,
oferece uma variedade de zonas em que se verificam
os climas mais diversos. Atravessado embora pelo
equador geograficamente, o Brasil fica todo êle al­
guns graus abaixo do equador térm ico: por outro
lado, o extremo sul brasileiro fica muito distante
das gélidas regiões antarticas, o que quer dizer que
_ 106 —

o Brasil não está sujeito ao maximò de calor, nem


ao maximo de frio. Deve-se ainda atender a que o
Brasil é na sua m aior parte formado por um grande
planalto: que ele dispõe de uma das mais extensas
costas e uma das mais desenvolvidas rêdes hidrogra-
ficas, bem com o das mais ricas florestas do mundo;
e que esses fatores, altitude, brisas marinhas, pre­
sença de aguas e florestas e conseqüente frequencia
das chuvas, contribuem poderosamente para neu­
tralizar os efeitos da ardencia solar naquelas re­
giões que ficam sob a zona equatorial ou tropical.
Da com binação desses elementos resulta que
o Brasil possue quasi todos os climas do mundo,
faltando-lhe justamente os maus climas extremos.
São, pois, muito raras as calamidades do frio ; e,
por outro lado, os casos de insolação são absoluta­
mente excecionais no R io de Janeiro e inteira­
mente desconhecidos na região equatorial.
186. — Que se entende por expansão dos gases?
Qualquer massa de gas encerrada num recipi­
ente acaba enchendo-o completamente. Demonstra-
se isto mui facilmente enchendo-se de ar ou de ou­
tro gas o cilindro de vidro que vêdes na figura 53,
o qual termina por um pistão. Se se levanta o pis­
tão, o gas se expande em todo o volume que se lhe
oferece. Os gases são, pois, fluidos e expansiveis.
Devido a essa expansibilidade, todo gas encerrado
num recipiente, embora de grande volume, exerce
sobre as paredes do vaso uma certa pressão, e tanto
maior quanto mais comprimido estiver o gas.
— 107 —

187, — Como se póde verificar a expansão dos


gases?
Póde-se verificar com o mesmo cilindro da fi­
gura 53. Premindo-se o pistão e abandonando-se a
si mesmo, êle torna á posi­
ção primitiva: é da expansi-
bilidade dos gases que pro­
vém essa força elastica.
188. — A força elastica
dos gases tem alguma apli­
cação de ordem pratica?
Sim. E ’ esta força ex­
pansiva dos gases ou vapo­
res quando a explosão se
produz num espaço limita­
Fig. 53 — Fusil do, que as industrias, a arte
pneumático.
militar e a das minas apro­
veitam para produzir fortes trabalhos mecânicos.
189. — Que são m otores?
Todo corpo em movimento póde transmitir a
outros a quantidade de movimento que possue e
tornar-se assim um motor. Na industria dá-se par­
ticularmente o nome de motores ás maquinas de
poder médio, nas quais se faz uso de certos fluidos:
gas de iluminação, ar quente, vapores de petroleo
e de alcool. Os tipos de motores geralmente em­
pregados pódem-se classificar em : motores de gas,
motores de petroleo, motores de ar quente e m oto­
res de alcool.
— 108 —

Usam-se hoje nos automoveis òs motores de


combustão interna. Nesses motores o movimento é
transmitido ao embolo pela explosão da gasolina no
cilindro. Ligado aos motores ha um carburador que
fornece a mistura detonante, isto é, vapor de gaso­
lina misturado com ar suficiente para se produzir a
combustão. O carburador deve fornecer uma mis­
tura de ar e vapor de gasolina, determinada con for­
me a velocidade do veículo. Para impedir a destrui­
ção do m otor pelo grande aquecimento das paredes
do cilindro, ocasionado pelas repetidas explosões,
ha um sistema de resfriamento por circulação de
agua. Esta agua passa depois através de um radia­
dor para resfriar, de maneira a poder ser emprega­
da repetidas vezes. Os motores de combustão in­
terna pódem ter um, dois, quatro ou seis cilindros
e a potência por eles. desenvolvida é empregada em
comunicar o movimento ás rodas motoras por meio
de um mecanismo denominado de transmissão.
Esses motores são usados tambem nas m oto­
cicletas, lanchas, aeroplanos e em inúmeros outros
veículos semelhantes.
190. — Que são explosivos?
Explosivos são os corpos que pódem, dada uma
causa inicial (calor, choque, atrito, etc.), reagir ra-
pida e violentamente, transformando-se em produ­
tos mais simples e estáveis, quasi sempre gasososi,
e desenvolvendo ao mesmo tempo grande quanti­
dade de calor. Pódem ser compostos definidos, com o
a nitroglicerina e as nitroceluloses, ou misturas de
— 109 —

substancias diversas, com o a polvora negra, asso­


ciação de enxofre, salitre e carvão. A considerável
potência mecanica produzida por essas reações, re ­
sulta do fato da transformação num tempo mais ou
menos curto, de uma substancia, na maior parte
dos casos, solida ou liquida, que ocupa um espaço
relativamente pequeno, numa quantidade enorme
de gases, cujo volume é ainda aumentado em con-
sequencia da elevadíssima temperatura que acom ­
panha a explosão.
191. — A quantos grupos se reduzem as subs­
tancias explosivas?
Durante muito tempo foi a polvora negra o
unico explosivo conhecido. Mas com os progresso**
da quimica cresceu imensamente a lista dos corpos
capazes de serem utilizados com o tal. Entre os g a ­
ses explosivos podemos mencionar: o acido hipo-
cloroso, o ozone e ò aeetileno e misturas, com o o
gas da pilha (2 vol. de hidr. e 1 de oxigênio) e o
grisú (mistura de metâno e ar). O grisú, bem com o
as misturas de ar com o gas de iluminação ou com
os vapores de éter, sulfureto de carbono e outros
gases, tem dado origem a explosões de consequen-
cias bem funestas. Estas misturas, contudo, não
são aplicadas, porque ocupam um volume conside­
rável: seria necessário guardá-las em reservatorios
mui resistentes e, alem disso, sua utilização seria
difícil. Outro grupo de explosivos é constituído de
substancias não carbonadas. O tipo destes explo ­
sivos, o cloreto de azoto, foi descoberto por Dulong
em 1811. E’ uma substancia extremamente peri­
gosa, em cuja analise o seu descobridor perdeu um
olho e teve dois dedos esmagados. Por causa do
perigo de seu emprego, este e outros corpos simi­
lares, com o o iodeto de azoto, o sulfureto de azoto,
etc., não são utilizados. Um terceiro grupo de subs­
tancias explosivas é form ado por diversos corpos
orgânicos, solidos e liquidos, com o, por exemplo, a
nitroglicerina. A maior parte desses com postos que
desempenham hoje um papel importante na guerra
o nas minas, derivam da reação do acido azotiao
tobre os princípios orgânicos.

Outro grupo importante de explosivos é o dos


fulminatos, que se formam quando se aquecem os
nitratos de mercúrio ou de prata com alcool e acido
azotico.

O fulminato de mercúrio é o tipo dos explosi­


vos detonantes; é a substancia hoje mais empre­
gada com o escorva, nas capsulas ou fulminantes
das espingardas de caça e de guerra. O último
grupo dos explosivos é constituído pela mistura de
corpos oxidaveis e oxidantes, separadamente não
explosivos, mas que pódem originar reações explo­
sivas. E* o tipo desse grupo a polvora negra ou
ordinaria, que é formada de uma mistura de enxo­
fre, salitre e carvão. Nela é o salitre o agente que
fornece o oxigênio, que vai queimar o carvão, pro­
duzindo gas carbonico e oxido de carbono que, com
o azoto, constituem assim a mistura gasoro, qut
111 —
atua pela sua força expansiva e projectiva. Foi
descoberta a polvora no seculo XIV.
192. — Os explosivos só são uteis na guerra?
A descoberta dos explosivos tem concorrido
para realizar transformações muito importantes na
vida social moderna. O intenso desenvolvimento
que tomaram desde o seculo passado os trabalhos
das minas e das construções, com o estradas de roda­
gem, estradas de ferro, portos de mar, tuneis, obras
hidraulicas, é devido em grande parte á energia dos
materiais explosivos* Esses trabalhos seriam quasi
impraticaveis, devido ao seu custo e dificuldade, si
fossem unicamente executados pelo braço do homem.

CAPITULO 10
FONTES DE LUZ — PROPAGAÇÃO E VELOCI­
DADE DA LUZ — FENOMENOS ONDULATORIOS
— CORPOS OPACOS E TRANSPARENTES —
SOMBRAS — REFLEXÃO — ESPELHOS
193. — Quais são as principais fontes de luz?
A principal e a mais poderosa das nossas fontes
de luz é o Sol. Na ausência da luz solar necessita­
mos de luzes artificiais para aclarar nossos quar­
tos. São os gases hidrocarbonados que tem consti-
tuido em todos os tempos a principal fonte de luz
artificial nas sociedades humanas.
Algumas vezes essas fontes de luz afétam na­
turalmente o estado gasoso: tal é o caso da ilumi­
nação a gas propriamente dita; outras vezes, for­
necem pela sua decomposição e no proprio ato da
— 112 —

combustão, substancias gasosas que se tornam ò


verdadeiro suporte da luz produzida; tal é o caso
das resinas, da madeira, da palha, das velas de sebo,
estearicas, de cêra, etc., dos oleos vegetais, dos pe-
troleos, etc. Para dar uma bôa iluminação são pre­
cisas as condições seguintes: 1.°) Todo gas lumino­
so deve ter em suspensão algum corpo solido: no
caso de que tratamos, esse corpo solido é ô carbono;
2.°) O gas deve ser levado a uma temperatura mui
alta, capaz de tornar luminoso o carbono que con­
tem; 3.°) A chama deve emitir raios luminosos, que
não fatiguem a vista; não deve haver nela predo-
m inio dos raios das duas extremidades do espetro,
isto é, dos raios vermelhos ou dos raios quimicos.
A luz emitida deve ser a mais branca possivel.
Atualmente tende a generalizar-se o uso das lam-
padas eletricas. Nessas lampadas, a iluminação ó
produzida pela incandescencia de um fio metálico
á passagem da corrente eletrica. A primeira lam-
pada de incandescencia foi inventada por Edison,
em 1878. A iluminação eletrica é a preferida por
ser a mais deslumbrante, depois da do sol, a mais
higiênica e de uso mais comodo.
194. — Como se mede a intensidade das fontes
luminosas?
Mede-se a intensidade das fontes luminosas com
os instrumentos chamados fotom etros. Os fotom e-
tros mais empregados são: 1.°) O Fotom etro de
Bouguer (Pig. 54). E* o mais antigo. Compõe-se de
uma caixa de madeira, separada em dois comparti­
9

— 118 —

mentos e munida na face perpendicular á separação,


de duas divisões de vidro fosco. As luzes a estudar
dispõem-se em cada um dos compartimentos e reti­
ram-se mais ou menos do vidro fôsco, de maneira

Fig. 54 —Fotometro de Bouguer.

a produzirem a mesma ilum inação: as suas intensi-


dades são então inversamente proporcionais aos qua­
drados das distancias ao vidro fôsco. 2.°) 0 F oto­
metro de Foucault. Difere do precedente em que o
septo opaco póde ser colocado de tal maneira que
as duas super­
fícies ilumina­
das se toquem,
e sejam assim
mais facilm en­
te comparaveis.
3.°) O Fotom e-
j ü j Fig. 55 — Fotometro de Rumford.
tro de Rumford.
(Fig. 55). Compõe-se de uma simples haste vertical
iluminada pelas duas luzes e cujas sombras se pro­
jetam num anteparo. Deslocam-se as luzes até obte­
rem-se sombras iguais. A relação das intensidades
— 114 —

será igual á relação inversa dos quadrados das dis­


tancias das luzes ás sombras. 4.®) O Fotometro d©
Bnnsen (Fig. 56),
ò de Wheatstone,
o de Lummer e
Brodhun.
195. — Como
se propaga a luz?
Num meio ho- pjg gg — Fotometro de Bunsen.
mogeneo a luz se
propaga em linha réta. Varios fatos demonstram
esta lei. A luz solar que penetra por uma fenda
num quarto escuro, descreve no ar um traço lumi­
noso retilineo; este traço é invisível, porque a luz ilu­
mina as poeiras em suspensão na atmosfera (Fig.
57). Podeis verificar essa lei com uma experiencia
muito simples: Colocai
atrás de uma vela dois an­
teparos opacos, cujos ori­
fícios A e B fiquem em
linha réta com a chama
da vela (Fig. 58). Pelo
orificio B podereis ver en­
tão a chama da vela; mas,
Fig. 57 j— Um feixe de se afastardes da linha ré­
luz penetrando num ta, ou a chama, ou um dos
quarto escuro.
anteparos, não mais se
poderá vêr a luz. A linha réta que a luz segue, cha-
ma-se raio luminoso. O conjunto de varios raios que
partem de um ponto denomina-se feixe luminoso.
196. — Qual é a velocidade da luz?
A propagação da luz não é instantânea, mas se
efetua com uma velocidade grandíssima, variavel
segundo os meios. No ar sua velocidade é de 300.000
quilometros por segundo, 225.000 quilometros na
agua. Esta velocidade prodigiosa foi Roemer, astro-
nom o sueco quem pela primeira vez a calculou em
1678, segundo as observações dos eclipses do pri­
meiro satelite de Júpiter. Com outras experiencias
chegaram ao mesmo resultado os sabios franceses
Foucault, Fizeau e recen­
temente Cornu.
A luz do sol gasta c
pouco mais de 8 minutos
para chegar até nós. Num
segundo ela daria 7 voltas
e meia ao redor da terra.
197. — Q u e é uma ca- 58 — A luz ee pro-
0 paga em linha reta.
mara escura?
Dá-se o nome de camara escura a um recinto
fechado, no qual não penetra raio algum de luz.
Por uma abertura de form a qualquer, mas a menor
possivel, praticada numa parede da camara, recebe-
se sobre a parede oposta a luz proveniente de um
objeto iluminado, uma vela, por exemplo. De todos
os pontos da châma, partem feixes que convergem
para o orifício do quarto, a daí divergem, formando
sobre a parede uma imagem invertida do objéto
iluminado. Nisto se baseia a construção das cama-
ras das máquinas fotograficas. As manchas cir-
— 116

culares que os interstícios da folhagem das arvores


produzem na terra, são imagens do sol que se ex­
plicam pela teoria da camara escura.
198. — Falai dos fenom enos ondulatorios.
A hipótese das ondulações foi emitida por Des­
cartes, mas foi Huygens quem primeiro tentou fazer
dela uma teoria: no com eço do seculo X IX , esta
teoria fo i tão felizmente sistematizada por Fresnel
que ainda hoje é admitida tão rigorosamente, com o
a construiu o ilustre fisico. A constante igualdade
entre as velocidades de propagação no vácuo das
diversas radiações provenientes de todas as origens
conhecidas, a relação estabelecida experimental­
mente entre as velocidades de propagação de uma
mesma radiação em meios diferentes, os curiosos
fenom enos de difração, interferencia, polarisação,
etc. receberam da teoria das ondulações uma expli­
cação comum e satisfatória.' Mais tarde, a mesma
teoria das ondulações foi aplicada por Maxwell para
a explicação das ações eletro-magneticas: as ex­
periencias de Hertz vieram confirm ar esta teoria.
A analogia dos movimentos imprimidos ao éter
pelas oscilações eletricas e os fenom enos luminosos
e caloríficos, parece estar hoje com pleta e admite-
se universalmente que todas essas vibrações lumi­
nosas, caloríficas, eletro-magneticas, se produzem
e propagam num mesmo meio hipotético, o éter:
propagam-se nêle todas com a mesma velocidade
e apenas diferenciam-se pela duração do período
ou do comprimento da onda.
117 —

199. — Qjue são corpos translúcidos?


Corpos translúcidos são os que se deixam atra­
vessar pela luz, não nos permitindo entretanto, re­
conhecer a fórm a .nítida dos objetos. E x.: o papel
azeitado, a porcelana muito fina, etc.
200. — Que são corpos transparentes'?
Corpos transparentes são os que deixam passar
a luz, permitindo vêr distintamente outro corpo atra­
vés de si. E x .: o vidro polido, a agua, os gases, etc.
201. — Que são corpos opacos?
Opacos são o® corpos que se não deixam atra­
vessar pelos raios luminosos. E x.: a. madeira, a
pedra.
202. — Que se entende ipor sombra de um corpo?
Sombra de um corpo diz-se a obscuridade da
porção de espaço, onde o corpo impede que a luz
chegue.
203. — Que é penumbra?
Quando as dimensões da fonte luminosa não
são despreziveis, a
passagem da luz para
a obscuridade não se
faz repentinamente,
e entre a sombra e
a parte iluminada
ficará uma região
intermediaria, escla­
recida apenas por
uma parte da fonte: essa região semi-escura deno*
mina-se penumbra. Para verificarmos a produção
— 11S

da «omíbra e da penumbra, podem os fazer a expe*


rien cia seguinte (F ig. 5 9 ): T om em os uma lam pada
S e coloquem os entre ela e a parede da sala um an­
teparo circu lar E. V erem os desenhar-se na parede
um a s o m b r a O
cercada de sua pe­
num bra P.
O fenomeno dos
eclipses solares en­
contra sua explicação
na teoria dás soní­
feras. Nos eclipses so­
lares, a lua estando
entre a terra e o sol,
os habitantes da parte
Fig. 60 — Reflexão da luz num
da terra compreendi­
espelho plano
da no cone de sombra
da lua não poderão avistar o sol, parcial ou completa­
mente. Nos eclipses lunares ê a terra que está entre o
sol e a lua e esta não sendo iluminada pelos raios sola-
res fica invisivel.

204. — Que é reflexão?

Cham a-se reflexão o desvio que sofre o raio lu*


m in oso ao in cidir numa superficie plana perfeita­
m ente polida. (Fig. 60). A direção retilinea seguida
pela luz que incide na superficie plana, cham a-se
raio incidente A B ; a perpendicular á superficie no
pon to de incidência cham a-sè norm al D B ; angulo
de incidência é o angulo do raio incidente com a
norm al, D B A . R a io refletido é a direção que segue
o raio depois de incidir na su perficie plana, BC;
— 11» —

angulo d e reflexão é o angulo d o raio refletido e


da norm al, DDC.
205. — Que leis regem a reflexão da luz?
A reflexão da luz está sujeita ás duas leis se­
guin tes: l . a) O angulo de reflexão é igual ao an ­
gulo de in cid ên cia ; 2.a) O raio incidente e o raio
reflex o estão num plano perpendicular á superficie
refletora.
206. — C om o se pódem dem onstrar essas duas
leis?
T om a-se um sem i-circulo graduado (F ig. 61)
que tem no seu diâm etro A B um pequeno espelho
horizontal MN, e n o seu
lim bo dois tubos C e D cu­
jas paredes internas são
enegrecidas. Os dois tubos
m ovem -se sobre o lim bo
com o s eixos dirigidos se­
gundo o s raios do semi- Fig. 61 — Aparelho para
verificar as leis da re­
circu lo. F az-se passar um flexão luminosa.
raio lum inoso pelo tubo
C, e aplicando-se a vista á abertura do tubo D, fa z-
se m over este até avistarnse o raio refletido sobre o
espelho. V ê-se então que o arco C F é igual ao arco
FD , o que prova a prim eira lei. A sim ples inspec-
çã o do aparelho m ostra que os raioi3 incidente e
refle x o estão n o m esm o plano perpendicular ao
espelho M N.
207. — Que são espelhos?
Cham a-se espelho um a su perficie perfeitam ente
polida, capaz de refletir os raios luminosos. Os es­
pelhos pódem ser planos ou esfericos.

208. — Quantas especies de imagens pódem


produzir os espelhos?

Duas especies: virtuais e reais. Virtuais são as


imagens que se produzem, quando os raios, após sua
reflexão sobre o espelho, tornam-se divergentes.
Resultam da ilusão de nossos olhos, que julgam vôr
os objétos no lugar onde se encontrariam os raios
prolongados atrás do espelho. As imagens reais fo r­
mam-se adiante do espelho e no ponto em que se
cruzam os raios refletidos, quando são convergentes.
As imagens virtuais são direitas; as reais são in­
vertidas.

209. — Qjue são eispelhos planos?

Chamam-se espelhos planos as superfícies pla­


nas refletoras. As imagens produzidas por um es­
pelho plano são virtuais e com as mesmas dimen­
sões dos objétos; são simétricas em relação ao
objéto.

210. — Que são espelhos esferjco^?

Chama-se espelho esferico qualquer calota es-


'ferica (Vide Geometria) polida interior ou exterior­
mente. Pódem ser concavos ou convexos: o espelho
é concavo, quando a reflexão se faz no interior da
calota; convexo, no caso contrario, i
— m —

CAPITULO 11

REFRAÇÃO — LENTES — PRISMAS — CÔRES


DO ESPETRO E DA CHAMA DOS METAIS —
FAROIS: OCULOS DE ALCANCE — ARCO-IRIS
— O ÓRGÃO DA VISÃO; M IOPIA; VISTA CAN­
SADA — FOTOGRAFIA — CINEMA

211* — Como se dá a refração?


Quando um raio luminoso S O (Fig. 62) passa
obliquamente de um m eio para outro, muda de di­
reção. Continua segíundo O H, aproximando-se ou
afastando-se da perpendicular A O B , conform e fô r

Fig. 63 — Ilusão
Fig. 62 — Refraçr.c otica devida á
luminosa. reíração.

o segundo corpo mais ou menos denso que o pri­


meiro. O plano do raio incidente S O e da normal
A O á superficie de separação dos dois meios m n
chama-se plano de incidência. O raio refrato O H
e a normal determinam o plano de reíração. S O A
é o angulo de incidência; H O B , o angulo de re­
tração.
Assim, um pau mergulhado nagua (F ig/ 63) pa~
reee partido e encurtado: sua parte im ersa afigu ­
ra-se levantada para a superficie deste liquido mais
refringente que o ar.
Podeis verificar ainda esse fen om en o p or uma
experiencia m uito sim ples. C olocada um a m oeda no
fundo de um vaso, afastai-vos pouco a pouco, de
m odo a não pode-la avistar, devido á altura da
borda do vaso. D eitai depois agua no vaso, e a
m oeda outra vez Be tornará visivel.
212. A - Que leis regem a refração da luz?
A refração da luz dá-se de conform idade com as
duas leis seguintes descobertas por Snellius, e de­
m onstradas m ais tarde por D escartes: 1.°) O raio
refra íq e o incidente estão n o m esm o plan o. 2.a) O
seno do angulo de in cidên cia e seno do angulo de
refra çã o, estão m on a razão constante para dois
m esm os m eios.
213. — Que são lentes?
D á-se o nom e de lentes esfericas a m eios trans­
parentes lim itados por duas faces esfericas, ou por
um a face esfe- . n '
a B o
rica e o u t r a
plana.
214. — Quan­
tas especies ha
de lentes esfe­
ricas? Fig. 64 — Lentes.
H a seis espe­
cie s: 3 lentes de bordos finos ou convergentes e
tres de bordos espesso? ou divergentes (F ig. 64),
123

A s convergentes sã o: a lente bfcon vexa A ; al


plano-convexa B, e a eon vexo-côn ca va C. As diver­
gentes são: a bícôn cova D, a p la n o-côn cova B, e a
con vexo-côn cova F. As tres prim eiras cham am -se
convergentes porque
os raios lum inosos,
ao atravessá-las, vão
convergir num m es­
mo ponto, que se de­
nom ina fo c o da le n ­
te. A s outras têm o
nome de divergen-
tes, porque os raios Fig. 65 _ Lente convergente.
lum inosos ao atra­
vessá-las divergem , afastando-se cada vez mais. As
lentes convergentes dão-n os dos objétos im agens
invertidas; as divergentes, im agens direitas.
Expondo-se algumas das lentes de bordos finos aos raios
solares, (Fig. 65) estes convergem e
se concentram de tal modo, que po­
derão inflamar uma folha de papel
colocada á distancia da lente cor­
respondente ao seu fóco.

215. — Que são prism as?

Fig. 66 Prisma. D á-se o nom e de prism a


a qualquer m eio transparente
com preendido entre duas faces planas não parale­
las. (F ig. 66). A intersecção dessas duas faces pla­
nas cham a-se aresta e o angulo que elas form am ,
angulo refringente. Base do prism a é a parte
oposta á aresta. Na pratica só se usam prismas
triangulares*
216. — Que efeitos produzem os prismas sobre
a luz?
Os prismas produzem sobre a luz que os atra­
vessa os dois fenomenos seguintes: 1.°) O desvio
dos raios luminosos. Por isso, os objétos vistos atra­
vés de um prisma parecem desviados para o seu ver-
tice. 2v°) A dispersão da luz.
217. — Que se entende por dispersão da luz?
Recebendo numa camara escura, por meio de
uma abertura circular, um feixe de raios luminosos
sobre um prisma,
vemos na parede
opoista uma ima­
gem do sol alon­
gada, na direção
perpendicular ás
arestas do prisma,
é corada com to­
das as CÓrèS do Fig 67 — Dispersão da luz.
arco-iris. E sta
imagem tem o nome de espetro solar: o fenom eúo
qúe ò produz chama-se dispersão, (Fig. 67).
218. — Em que princípios assenta a dispersão
da luz?
A dispersão da luz assenta em tres princípios:
1.°) A 1W branca é composta de rama infinidade de
raios diversamente coloridos, mas entre os quais se
contam sete côre3 principais: o vermelho, o nlaran-
— 1*5 —

jado, o amarelo, o verde, o azul, o anil e o violeta.


Estas sete côres não ocupam todas a mesma exten­
são do espetro solar; é a faixa violeta a q.ue ocupa
maior espaço e a alaranjada a que ocupa o menor.
2.°) As côres elementares do espetro são simples e
inalterayeis. Para demonstração desse principio,
basta receber o espetro num alvo que tenha uma
abertura por onde passem só os raiois de uma cor e
recebê-los depois um a um sobre novo prisma. Cada
raio se refracta, mas não se decompõe. 3.°) Os raios
diversamente coloridos do espetro solar não são
igualmente refrangiveis. A form a alongada do es­
petro é de per si uma prova deste principio. Os raios
violetas, que experimentam o maior desvio, são os
mais refrangiveis e esta refrangibilidade diminue
até os vermelhos, que são os que têm m enor desvio.
A esta refrangibilidade desigual é que é devida a de­
com posição da luz branca, porque, se todos os raios
que a com põem fossem igualmente refrangiveis,
não poderiam separar-se para aparecerem com as
suas respetivas côres.
219. — Como se póde provar que as diversas
côres reunidas produzem a luz branca?
São numerosissimos os modos por que se póde
recompor a luz, demonstrando assim o principio
que Newton estabeleceu, de que as diversas côres re­
unidas dão a luz branca. Citaremos apenas os se­
guintes: 1) Recebendo-se o espetro ao sair do pris*
ma sobre outro prisma de igual angulo refringente,
mas voltado em sentido contrario, o segundo prisma

5— CFN.
torna outra vez paralelos os raios separados pelo
primeiro, de m odo que o feixe emergente é de luz
branca, com o o era antes de incidir no primeiro
prisma. 2) Recebendo-se o espetro sobre uma lente
biconvexa e colocando-se no seu fóco um anteparo
qualquer, obtem-se nele uma imagem branca do
sol. 3) Dirigindo-se os raios do espetro para um es­
pelho côncavo e colocando-se no seu fóco um pe­
daço de vidro despoli-
do, forma-se neste um
ponto de luz branca.
Póde-se ainda, de­
monstrar esse princi­
pio pelo disco de New-
ton. (Fig. 68). Compõe-
se esse aparelho de um
disco circular de cartão,
de 30 a 40 centímetros
de diâmetro, movei em
torno de um eixo ho­
rizontal. No centro e na periferia, ha duas zonas
pretas, no Intervalo das quais estão colocadas tiras
de papel das côres do espetro, dispostas na sua or­
dem respetiva e ocupando espaços semelhante­
mente relacionados. Imprimindo-se a esse disco um
movimento de rotação rapido, todas as côres virão
impressionar simultaneamente a retina, e o disco
no Intervalo das zonas parecerá branco.
220. — Quais são as propriedades das diversas
partes do espetro solar?
0 espetro solar apresenta tres propriedades dis­
tintas: a luminosa, a calorífica e a quimica. A in­
tensidade luminosa, maxima no amarelo e no ala-
ranjado é, pelo contrario, quasi nula no vermelho
e violeta. A intensidade calorífica é quasi nula no
violeta e vai crescendo gradualmente até ao verme­
lho e alem ainda desse ponto num comprimento
igual ao do proprio espetro. Varia com a substancia
de que é formado o prisma. A intensidade da ação
quimica é acentuada principalmente no violeta e
estende-se alem deste limite, para o lado desta cor
no espetro. E* esta propriedade que determina a
ação da luz sobre certos corpos, decompondo muitos
deles, com o p. ex.: o cloreto de prata que enegrece
exposto á luz, em virtude de ser abandonada uma
parte do metal; outras vezes, produzindo combina­
ções, com o acontece com o hidrogênio e o cloro que,
misturando-se á luz, determina uma violenta deto­
nação acompanhada da combustão dos dois gases.
A luz preside ainda a um grande n-umero de feno­
menos vitais, com o a respiração das plantas, a for­
mação de sua matéria corante, etc.
221. — Que sabeis ainda sobre o espetro solar?
Quando se examina com Um oculo o espetro so­
lar, observa-se uma serie de riscas negras dirigidas
perpendicularmente ao seu comprimento. Estas ris­
cas, desigualmente distantes umas das outras, são
na realidade pontos em que a luz falta completa­
mente. Foram pela primeira vez observadas por W o-
laston em 1802, mas constituíram o objéto de estu­
12S —

dos posteriores de Fraam hõfer que tom a ra m bem


con h ecida a sua disposição. A s principais são oito,
que assim se distribuem : tres n o verm elho, A B C ;
um a D entre o alaranjado e o am arelo; um a E no
am arelo; um a n o verde, F ; um a G entre o azul e
a n ila d o; e finalm ente outra H n o extrem o violeta.
Observando-se os espetros com ocu los bem con s­
truídos, ch egou -se a observar m ais de 3.000 riscas.
222. — A s luzes artificiais tambem dão lugar
a espetros?
As luzes artificiais, produzidas pela com bustão
de substancias diversas, dão tambem quando refra-
tadas, lugar a espetros que diferem dp solar. D istin-
guem -se usualm ente pela presença de traços lum i­
nosos característicos. Nisto repousa um m eio de
análise quim ica, que tem tom ado im portaneia con ­
siderável nos últim os tem pos, a análise espetral.
Introduzindo numa cháina m uito quente e pouco lu­
m inosa, tal com o a do hidrogênio, um fio de platina
que previam ente haja sido m ergulhado num a solu­
çã o salina, veem -se aparecer no espetro riscas bri­
lhantes características do m etal que entra n a com ­
posição do sal. (F ig. 69) . Assim , por ex., a presença
do so d io é revelada p or um a risca am arela m uito
brilhante que ocupa o lugar da risca D de Fraunhõ-
fe r ; o potássio p o r duas riscas, uma n o extrem o ver­
m elho, correspondente á letra A e a outra no violeta.
Graças á análise espetral foram descobertos e iso­
lados cin co m etais n ovos, a saber: o cesio e o rabi-
dio, caracterizados, o prim eiro p o r um a risca azul
139
840
ISO
2f0
tIO
900
110
fM
f?9
ISO
ISO
1*0
IM
«M
1(0
109

Fig. 69 — 1. Espetro solar — 2. Espetro do sodio —3. — Espetro


do estrondo — 4. Espetro do hidrogênio — 5. Espetro do
sangue (Absorção).
— 129

e o outro, por uma vermelha; o tâlio, o Índio e o


gálio.
223. — Oitai algumas explicações de ordem pra­
tica da refração luminosa.
São inúmeras as aplicações da refração lumi­
nosa. Citaremos os farois e os oculos de alcance.
Acabamos de vêr que os raios luminosos, incidindo
sobre uma lente de bordo fino, convergem para um
ponto determinado, que é um dos seus fócos; reci­
procamente, se colocarm os uma luz nesse fóco, seus
raios atravessando a lente se transformarão em
raios paralelos. Neste principio baseia-se a constru­
ção dos farois. (Fig. 70).
Nalguns farois empregam-se lentes compostas
de uma lente central, geralmente plano-convexa,
rodeada por
uma serie de
aneis lenti-
culares, cal­
Fig. 70 — Teoria do farol.
culados de
form a que tenham todos o mesmo fóco que a lente
central. Uma fonte luminosa, colocada nesse fóco,
enviará para o espaço um feixe de raios paralelos,
que assim será projetado a grande distancia. Os
oculos de alcance são aplicações de lentes di­
vergentes e convergentes. Compreendem uma ob­
jetiva, que é um sistema de lentes convergentes,
e uma ocular, formada de lentes divergentes. A
objetiva fornecerá imagens muito aumentadas dos
objétos, mas invertidas, as quais se endireitarão,
depois de atravessarem o sistema de lentes diver­
gentes da ocular.
224. — Que é arco-iris?
Denomina-se arco-iris (vulgarmente arco da
velha) o meteoro luminoso produzido pela refração
e reflexão da luz solar em gotas de agua: e-m suspen­
são na atmosfera. Apresenta-se sob a form a de ar­
cos iluminados pelas côres do prisma e descritos em
torno de um centro, que se encontra no prolonga­
mento de uma linha que passa pelo sol e pelo olho
do observador. A sua aparição dá-se quando uma
nuvem se dissolve. em chuva, na região do céu
oposta àquela em que se acha o sol. O observador
deve estar de costas ao sol, e a luz deve incidir
sobre a nuvem. A teoria ainda hoje classica dos
arco-iris foi dada por Descartes e completada pelas
descobertas de Newton.
225. — Que é o sentido da vista?
A vista é o sentido que nos torna sensíveis á
ação da luz e, por meio dela, nos faz conhecer a côr,
a forma, posição e movimento dos objétos que nos
cercam. Este sentido se exerce por meio do apa­
relho da visão.
226. — Como está constituído o aparelho da
visão?
O aparelho da visão (Pig. 71) com põe-se: 1.°)
do globo ocular e do nervo ó tico; 2.°) dos órgãos
acessorios que protegem e dão movimento ao globo
ocular.
227. — Descrevei o globo ocular.
Compõe-se o globo ocular de envolucros mem-
branosos e de meios transparentes, através dos quais
passam os raios da luz. Os envolucros membrano-
sos são: 1.°) a esclerotica, membrana branca, es­
pessa e resistente que forma o que se chama vulgar­
mente "branco do o lh o ” e prolonga-se até o nervo

Fig. 71 — 0 órgão da, visão.

ótico que tambem en volv e/. Sua parte anterior e


adelgaçada e tem o nome de cornea transparente.
2.°) A coroide, situada atrás da esclerotica. E ’ muito
rica em vasos sanguineos. Sua face interna é co­
berta de uma substancia preta que absorve todos os
raios luminosos inúteis á visão. 3.°) A retina, situa­
da na face interna da coroide, e destinada a receber
a impressão da luz. B’ uma membrana mole, essen­
— 132 —

cialmente nervosa, formada pela expansão do nervo


ótico. Os meios transparentes são: 1.°) O humor
aquoso, colocado entre a face posterior da córnea
e a anterior do cristalino. E' um liquido incolor
constituido por agua tendo em dissolução albumina
e alguns sais. Entre este humor e o cristalino, acha-
se um diafragma circular denominado iris, em cujo
centro ha uma abertura chamada pupila, a qual
varia de tamanho conform e a quantidade de luz que
o olho recebe: contrai-se, quando a luz é viva, e di­
latasse quando é pouco intensa. W da pigmentação
da iris que depende a cor dos olhos. O espaço entre
a córnea e a iris denomina-se camara anterior do
olho, a qual comunica pela abertura pupilar com a
camara posterior, que é o espaço compreendido entre
a iris e o cristalino. 2.°) O cristalino, que é umà
lente biconvexa, colocada verticalmente atrás da
iris. E ’ formada de camadas concentradas, cuja den­
sidade vai crescendo da circunferencia para o cen­
tro. 3.°) O humor vitreo, liquido gelatinoso e diá­
fano que ocupa todo o espaço que separa o cristalino
da retina. Está envolvido pela hialoide, membrana
perfeitamente transparente e de extrema tenuidade.
228. — Falai do nervo ótico.
O nervo ótico sai das partes centrais do cere-
bro por tres raizes e penetra no globo ocular pelo
buraco ótico, situado no fundo da órbita. Chegado
ao globo ocular, depois de um trajéto bastante com­
plicado, atravessa a esclerotica e a coroide e, depois
de retrair-se um pouco, expande-se para form ar a
— 133 «=»

retina. O ponto de união entre o nervo ótico e a re­


tina é marcado por uma mancha branca saliente,
chamada papila ótica.
229* — Quais são os órgãos acessorios do apa­
relho da visão?
São: 1.°) As órbitas, cavidades em que se aloja
o globo ocular; 2.°) As pálpebras, forradas exterior­
mente pela pele, e interiormente pela membrana
conjuntiva. 3.°) As glandulas lacrimais, que, coloca­
das na parte externa e superior do olho, secretam
as lagrimas, as quais lubrificam a superficie do olho
e são, após, absorvidas e passam ao nariz pelos
pontos lacrimais e canal nasal. 4.°) Os musculos
motores do globo ocular que são em numero de seis,
e, finalmente, os cilios e os supercilios, que o defen­
dem contra a luz demasiado viva e corpusculos de
poeira em suspensão na atmosfera.
230. — Explicai a form ação da imagem re-
tiniana.
O olho póde ser comparado ao instrumento
ótico denominado camara escura. A pupila é a aber­
tura por onde entra a luz; a córnea e o cristalino, a
lente que produz a imagem; e a retina, o plano que
a recebe. Os objétos exteriores formam sobre esse
plano sua imagem invertida, a qual o nervo ótico
transmite ao cerebro. Para que a visão seja nítida,
é necessário que a retina se ache precisamente á
distancia focal da imagem. O olho possue a facul­
dade de nos fazer vêr distintamente corpos coloca,-
dos a distancias mui diversas entre si. W o que se
— 134 —

dbatna acomodação. O poder de acomodação do olho


depende de mudanças de curvatura da face anterior
do cristalino, a qual se encurva tanto mais, quanto
mais proxim os estiverem os objétos, e se aplaina
quando eles estão afastados.
231. — Citai algumas anomalias da visão.
Um olho é normal ou emétropo, quando a dis­
tancia minima da visão distinta é de 25 a 30 cen­
tímetros: ha vistas, porém, que não distinguem bem
senão em distancia muito maior ou menor. No pri­
meiro caso, ha a doença da hipcrmetropia ou a pres-
bitia, conforme os casos. A hipermetropia é um de­
feito congênito da visão, por causa do exagerado
achatamento do cristalino, de modo que òs objétos
afastados vem form ar a imagem atrás da retina. A
presbitia, ou vista cansada, resulta dum enfraque­
cimento do poder de acomodação, o qual não per­
mite ao cristalino tomar a convexidade necessaria
para que as imagens dos objétos proximos se ve­
nham desenhar exatamente na retina. Remedeia-se
esta enfermidade com oculos de vidros convexos.
Quando o alcance visual é menor de 20 cms., ha a
enfermidade da miopia. Depende geralmente dum
excesso de curvatura da córnea ou do cristalino. A
imagem dos objétos situados á distancia da visão
normal, em vez de se produzir na retina forma-se
adiante desta membrana, no vorpo vitreo. Os m ío­
pes devem usar oculos de vidros côncavos, que ten­
dem a dispersar a luz e a diminuir assim a conver-
gençia demasiado gr&nde dos raiç§ luminosos,
135 —

282. — Que é fotografia?


Fotografia é a arte de fixar sobre chapa, por
meio de agentes quimicos, a imagem dos objétos ex­
teriores, reproduzindo-a após sobre papel. E’ obtida
com o auxilio dos aparelhos denominados máquinas
fotograficas. A fotografia compreende duas opera­
ções, a saber: l .a) a produção de uma prova nega­
tiva ou d ich é sobre uma lamina de vidro, coberta
com gelatina e bromureto de prata: 2.a) a produção
por meio desse clichê, de uma ou mais provas posi­
tivas, sobre papel albu-
minado, impregnado de
clorureto de prata.
233. — Descrevei o
aparelho fotográfico.
O aparelho fo to ­
gráfico (Fig. 72) com-
põe-se essencialmente
de uma camara escura,
Fig. 72 — Máquina fotografica. munida de um sistema
de lentes convergentes,
denominado objetiva, e um obturador que permite
descobrir a objetiva durante o tempo preciso para a
pôse. A camara escura é constituida por um fole que
reune o corpo da frente que tem a objetiva, ao
traseiro, onde se encontra o vidro despolido.
Graças á gramalheira, movida por um botão, o
corpo de trás póde ser afastado ou aproximado
da objetiva, para pôr em fóco a imagem. As
camaras destinadas a aparelhos portáteis têm ge­
ralmente a forma de uma caixa, o que torna
mais simples o seu uso.
284. — Quais são as aplicações da arte foto-
grafica?
Alem dos grandes serviços que presta ao artista,
a fotografia é um auxilio precioso nas mãos do sabio,
sendo a vantagem dos métodos fotográficos muito
apreciaveis em meteorologia, astronomia e em fisica.
Tambem prestam serviços ao naturalista e ao me­
dico; a micrografia permite fixar a imagem dos me­
nores bacilos.
Enfim, as aplicações da fotografia ás artes in­
dustriais desenvolvem-se cada dia. Citemos somente
(fjjj

os vitrais e os esmaltes fotográficos, as aplicações


na ornamentação da porcelana, dos metais, esto­
fos, etc.
235. — Em que consiste o cinem atografo?
Cinematografo chama-se o aparelho que faz
projetar sobre um anteparo vistas animadas. Para
filmar uma cena, o cinematografo inscreve primeiro
sobre uma pelicula a serie das atitudes, na razão de
quinze por segundo; esta pelicula, que só apresenta
imagens negativas, é utilizada no aparelho proprio,
para á obtenção de uma nova pelicula, que reprodu­
zirá desta vez imagens positivas. Substituindo a
camara escura* que na primeira operação era ad­
junta ao cinematografo, por uma lanterna de pro­
jeções, e fazendo desenrolar de novo o film com a
mesma velocidade, projeta-se sobre um ecran a
imagem animada que reconstitue a cena primitiva.
O movimento obtido pelo cinematografo tem sua
explicação na persistencia das imagens na nossa
retina. A impressão luminosa recebida pela retina
subsiste durante uma certa fração de segundo, de­
pois da desaparição do objéto que a originára. O
mecariismo do cinematografo, ao exibir um film,
reduz-se ao seguinte: Um disco obturador desmas­
cara o ' aparelho e a imagem projeta-se no ecran:
durante o movimento, o aparelho torna a fechar-se.
Este periodo de obscuridade, sendo apenas de 1/75
de segundo, não se percebe: o observador tem a sen­
sação perfeita de um movimento continuo.
236. — De quando data a invenção do cinema-
tógrafo?
Sua invenção data dos fins do seculo passado.
Em 1895 Edison construiu uma lanterna susceptivel
de reproduzir um movimento de uma certa duração,
tal com o uma luta ou um assalto de esgrima. Mas
foi sómente no ano seguinte que o cinem atografo
de Lumière veiu fornecer a completa solução do
problema. Nesse mesmo ano, 1896, realizou-se a
primeira sessão cinematografica num pequeno hall
ou salão de Londres. Os sucessivos e rapidíssimos
aperfeiçoamentos dos aparelhos cinem atograficos
nesses últimos vinte anos, fizeram do cinema átual
a preferida entre as diversões mundanas. H oje con­
ta-se por milhões o capital empregado no forneci­
mento de film s para os cine-teatros, que dia a dia
se vão multiplicando á face do mundo. Nos Estados
Unidos calcula-se em mais de 100.000 Kms. a esten-
são das fitas apresentadas ao publico em cada dia
do ano.
A AGUA
CAPITULO 12

PRESSÃO E PESO DA AGUA — CORPOS


FLUTUANTES E IMERSOS — DENSIDADE —
MUDANÇAS DE ESTADO — CONGELAÇÃO —
YAPORIZAÇAO — CARACTERES DOS SOLIDOS,
LIQUIDOS E GASES — INDUSTRIA E APLICA-
ÇAO DO FRIO — MAQUINAS A VAPOR

287.— Como se caracterizam os corpos liqui­


dos ?
Os corpos liquidos são caracterizados pela sua
fórm a essencialmente variavcl, devido á extrema
facilidade com que suas moléculas escorregam e
rolam, umas sobre as outras. Os liquidos são sen­
sivelmente incompressiveis: mister se faz sujeitá-
los a pressões consideráveis, para que sofram uma
diminuição minima em seu volume.
238.— Quando se dá o equilíbrio dos liquidos?
Para que um liquido fique em equilíbrio é
necessário:
1) qne sua superficie livre seja em cada ponto
perpendicular á direção da gravidade; 2.°) que
eada uma das moléculas do liquido sofra igual com-
— 139 —

pressão em todos os sentidos. Quando varios li­


quidos de densidades diferentes
estão \contidos num mesmo vaso,
é necessário, para que o equilí­
brio seja estável, que eles se su­
perponham na ordem inversa de
3uas densidades. Póde-se verificar
este principio, deitando-se num
frasco, agua, mercúrio e oleo. Se
agitarmos o frasco, os liquidos
se misturarão momentaneamente; ^ EajálMiQ
porém logo que ficam em repou- de liquidos de dífe-
, , . rentes densidades.
so, separam-se em camadas hori­
zontais, de baixo para cima, na ordem de suas den­
sidades: mercúrio, agua e oleo. (Fig. 73).
289. — Co­
mo se dá o equi-
librio nos vasos
comunicantes ?
l.°) Quan­
do um mesmo
l i q u i d o está
contido em dois
ou mais vasos
de form as quais­
quer e com uni­
cando entre si,
o conjunto não form a senão um vaso unico, (fig. 74)
por isso, para que haja equilíbrio, seus niveis nos
diferentes rasos derem estar no mesmo plano h ori­
zontal. Dessa teoria, que é devida a Galileu, de-
duz-se a explicação dos repuxos de agua é dos
poços artesianos. Sobre ela assenta a construção
dos canais subterrâneos, destinados a fa ze r/ch eg a r
as aguas das fon tes aos reservatorios colocád os na
m esm a altura, para distribui-las depois nas cidades.
Para abastecim ento de agua duma cidade, acum u-
la-se o precioso liquido num grande reservatorio
central, cu jo nivel é m ais elevado que o dos tetos
das casas. G rossos can os partindo desse reserva­
torio, ram ificam -se levando a agua aos diferente»
andares dos sobrados.
2.°) Quando dois liquidos de densidades dife­
rentes, estão sobrepostos num sistem a de vasos
com unicantes, a sua superficie de separação é h ori­
zontal. A s alturas dos niveis dos liquidos acim a
da superficie de separação, estão em razão inversa
das densidades destes liquidos.
240. — E m que consiste o principio de P ascal?
O p rin cip io de Pascal, dim ana da própria defi­
n ição dos liquidos: eis o seu enunciado: Os liqu i­
dos transm item em todos os sentidos e eom igual
intensidade as pressões que suportam . Portanto,
todas as superfícies iguais das paredes do vaso que
contem o liquido, receberão pressões iguais p or eles
transm itidas.
241. — Quantas especies de pressões exercem
os liquidos sobre as paredes dos vasos?
Tres especies de pressões: !.•) Pressões ver-
— 141

ticftis de baixo para cim a; 2.°) pressões verticais


de cima para baixo; 3.°) pressões laterais.
242. — Citai al­
gum a aplicação do
principio de Pascal.
A principal apli­
cação do principio
de P a s c a l está na
p r e n s a hidraulica
que ütilizam inúm e­
ras industrias para
obter fortes pres­
sões. A prensa h i-
draulica é (figs. 75 e
« , , , . Fig.75—Teoria da prensa hidraulica
76) form ada de dois
corp os de bom ba verticais, um com secção pequena
A e outro B cuja sec­
çã o é m uito m aior.
D entro m ovem -se pis­
tões. Um esforço qual­
quer a p l i c a d o a A
transm ite a B um es­
fo rço 100 vezes m aior,
se por exem plo B tiver
Fig. 76 — Prensa hidraulica um a superficie igual a
100 vezes A. A prensa
hidraulica portanto perm ite exercer um esforço
considerável com fra co dispendio de força.
243. — E m que principio se baseia o equilibrio
dos corpos m ergulhados nos liquidos?
O equilíbrio dos corpos mergulhados nos liqui-
dos baseia-se no seguinte principio, descoberto por
Arquimedes: Todo corpo mergulhado num liquido,
recebe deste um impulso
vertical de baixo para
cima, igual ao peso do li­
quido que desloca.
244.— Como se póde
demonstrar experimental­
mente esse principio?
A um dos pratos da
balança hidrostatica, sus­
pende-se um cilindro ôco
de latão e a este, um mas-
Fig. 77—Balança hidrostatica
siço cujo volume é igual
ao volume interior do cilindro ôco. Estabelece-se
depois o equilibrio por meio de pesos colocados no
outro prato da balança. Se se mergulhar então o
cilindro massiço nagua ou noutro liquido, destróe-
se imediatamente o equilibrio, e o braço inclina-se
para o lado da tara. Para restabelecê-lo, basta en­
cher de agua o cilindro ôco. Portanto, o impulso
que recebe o cilindro massiço durante a imersão, é
igual ao peso de um volume de liquido igual ao
seu. (Fig. 77).
245. — Quais são as consequencias deste prin­
cipio?
1.°) Quando um corpo imerso é mais denso que
o liquido, vai ao fitado, com uma força igual á di­
ferença entre o seu peso e o do liquido que desloca.
143 —

2.°) Se o corpo Imerso é menos denso, sobe


á superficie com uma força ascensional igual á
diferença entre o peso do liquido deslocado e o
proprio peso.
3.°) Se o corpo tiyer densidade igual á do
liquido, ficará suspenso em equilibrio no lugar em
que foi imerso.
Podeis verificar esses tres casos pelo pequeno
aparelho de fisica, chamado ludião. (Pig. 78) Com-
põe-se o ludião de um recinto de
vidro que se enche quasi total­
mente de agua e tapado por uma
membrana elastica. Na agua flu­
tua uma pequena esfera oca que
tem um orificio na parte inferior
e á qual está presa uma figuri­
nha de louça. Quando se aperta
na membrana, a agua entra na
esfera comprimindo o ar que lá
Fig. 78 Ludião se encontra, e a esfera desce; ces­
sando a pressão, tom a a subir.
Os peixes, exceto os que vivem muito fundo na
agua, são dotados de um orgão, denominado bexiga
natatoria, cujos efeitos são analogos aos do ludião.
Está este órgão alojado sob a espinha dorsal do
peixe e contem ar que ele póde com primir ou dila­
tar, para descer ou elevar-se no seio das aguas.
Uma das mais interessantes aplicações do principio de
Arquimedes são os submarinos* dos quais trataremos em outro
lugar deste compêndio.
246. — Que se entende por densidade de um
corpo?
Chama-se densidade relativa de um corpo a
relação entre a sua massa ou peso relativo e a
massa do mesmo volume de agua distilada, á tem­
peratura de 4 graus centígrados. Representando
por D a densidade do corpo, M sua massa e M’ a
massa de igual volume de agua distilada, teremos a
M
formula D =*= — .
M’
247 — Como se póde medir a massa dos corpos?
A massa ou peso relativo dos corpos obtem-se
pela comparação a pesos convencionados, em apa­
relhos denominados balanças.
248. — Quantas especies ha de balanças?
Distinguem-se varias especies de balanças, a
saber: a balança ordinaria, a balança de Roberval,
a báscula ou balança de Quintehz e a balança ro­
mana.
249. — Descrevei a balança ordinária.
A balança ordinaria é uma alavanca do primei­
ro genero, de braços iguais, em cujas extremidades
estão suspensos dois pratos, ou conchas, destinados
a receber, um, o corpo a pesar, e o outro, os pesos
graduados que devem equilibrar o corpo. Chama-
se de precisão, quando construida de modo a ser
sensível a cinco décimos de. miligramo. E* muito
usada nas farmacias e laboratorios. (Fig. 79).
250. — Descrevei a balança de Roberval.
Fig. 79 — Balança ordinaria (de precis&o)

A balança de Roberval com o a ordinaria, é


tambem uma alavanca do 1.° genero. Os pratos
estão, porém, em cima do travessão, o que torna
muito mais com odo o seu uso. (Pig. 80).
É por isso muito
empregada no com ercio.
251. — Descrevei a
balança de Qnlntenz.
A balança de Quin-
Fie. 80 - Balança de Roberval te ™ ou B á scu la , serve
— 146 —

para grandes cargas. Compõe-se de uma especie


de estrado grande de madeira, sobre o qual colo­
ca-se o corpo que se vai pesar; e de outro menor,
suspenso na extremidade do braço de alavanca, cujo
oficio é receber a tara que deve fazer equilibrio ao
corpo que se quer pesar.
252. — Descrevei a balança romana.
 balança ro­
mana, com o a pre­
cedente, c o n s i s t e
numa alavanca de
b r a ç o s desiguais.
Não exige porém o
emprego de pesos
marcados. Na ex­
tremidade do braço
mais curto, está um
Fig. 81 — Balança romana gancho
D destinado a
receber os corpos a
pesar; o outro braço, graduado, suporta um peso
movei, chamado cursor. Uma simples leitura so­
bre o braço graduado dá o peso do corpo. (Pig. 81).
As balanças usadas nas estações de estradas de
ferro, participam da báscula e da balança romana.
253. — Como se determina a densidade dos
corpos solidos?
Entre os métodos usados para determinar a
densidade dos corpos solidos, podemos citar o da
balança hidrostatica.
Suspende-sé um fragm ento do corpo solido sob
o prato da balança: estabelece-se em seguida ò
equilibrio com uma tara no outro ponto. Imer­
gindo-se após, o solido na agua, destróe-se o equi­
librio e a balança inclina-se para o lado da tara,
em consequencia do impulso recebido de baixo para
cima pelo corpo mergulhado.
O peso em gramas que fô r necessário colocar
no prato da balança em que está suspenso o corpo,
para restabelecer o equilibrio, indicará a massa M.
do volume de agua deslocada igual ao do corpo.
Dividindo-se o peso do corpo por M, obteremos a
densidade procurada.
254. — Como se determina a densidade dos li­
quidos?
Pelo mesmo metodo da balança hidrostatica,
podemos tambem determinar a densidade dos li­
quidos.
Num dos pratos da balança suspende-se por
um fio muito fino de metal, uma bolsa de vidro,
ou outro corpo solido. Estabelece-se o equilibrio
p or meio de uma tarar, e, ato continuo, imerge-se a
bola no liquido cuja densidade se deseja verificar.
O impulso exercido pelo liquido destróe o equili­
brio, o qual restabelecemos por meio de pesos de
M gramas. Mergulha-se, em seguida, o mesmo so­
lido, em agua distilada e verifica-se o numero M’
de gramas que pesa o volume de agua deslocada.
M
A densidade do liquido será dada pela relação *—.
M’
255. — Que são areometros?
Areometros são flutuadores, que servem para
determinar as densidades dos corpos solidos ou Ii|
quidos, ou indicar o grau de concentração de uma
dissolução ou mistura.
256. — Quantas especies ha de areometros?
Ha duas especies:
l.°) Os areometros de
peso constante; 2.°) Os
areometros de peso va­
riável (Fig. 82).
257. — Quais são
os principais areome­
tros de peso constante?
Os areometros de
Fig. 82 Areometros peso constante mais
comumente empregados são: o de Baumé e o de
Cray-Lussac.
O areometro de Baumé é o tipo de todos que
se empregam no com ercio sob o nome de pesa-sais,
pesa-acidos, pesa-xaropes, etc. É um tubo de vi-,
dro mais grosso no meio, terminado em baixo por
uma bola ôca contendo mercúrio e, no alto, por uma
haste cilíndrica onde se vê uma graduação que di­
fere, segundo o destino do instrumento, para liqui­
dos mais densos, ou menos densos que a agua.
0 areometro de Gay-Lussac é destinado a ava­
liar a quantidade de alcool que um liquido espiri­
tuoso contem.
258. — Quais os areometros de peso vjtriav^l?
São: o areometro de Farenühelt e o de Ni-
oholson.
O areometro de Farenheit serve para determi­
nar a densidade dos liquidos. Não é empregado no
com ercio devido a não serem bem exatos os seus
resultados.
O areometro de Nicholson. é empregado para
determinar a densidade dos solidos. É um cilindro
ôco encimado por um prato destinado a receber
pesos e terminado em baixo por uma cesta conica.
Esse instrumento pouco sensivel por causa da ade-
rencia da agua em sua superficie é principalmente
empregado em mineralogia.
259. — Debaixo de quantos estados se apre­
senta a agua na naturesa?
A agua se apresenta normalmente debaixo de
tres estados: liquido (agua propriamente dita),
solido (o gelo) e gasoso (vapor dagua).
260* — Em que consiste a fusão?
Fusão é a passagem do corpo do estado solido
ao liquido. Estudando o calor, vim os que toda vez
que se aquece um corpo, êle se dilata. Ultrapas­
sando a dilatação certo limite, a atração molecular
torna-se impotente para manter o corpo no estado
solido e dá-se o fenom eno que se chama fusão.
Certos corpos, com o a cera, o vidro, á medida
que sua temperatura se eleva, amolecem, tornam-se
viscosos e só então passam ao estado de liquido.
Diz-se então que a fusão é progressiva. O gelo,
porém, e outros corpos com o o estanho, o chumbo,
— 150 —

passam bruscamente do estado solido para o liquido.


É a fusão brusca.
261. — Enunciai as leis da fusão.
1.°) Sob determinada pressão, a fusão de um
mesmo corpo faz-se sempre a uma mesma tempe­
ratura, denominada ponto de fusão. Eis o ponto
de fusão de alguns corpos:
Mercúrio .............. 39° abaixo de zero
Gelo ....................... 0o
Cera ....................... 63°
Enxofre ............... 115°
Estanho ............... 230°
Chumbo ............... 330°
Zinco ____ . . . . . . . 410°
Ferro ..................... 1500°
Platina ................. 1775*
Iridio ................. 195Q?
2.°) A temperatura permanece constante, du­
rante todo o período da fusão.
262. — Que se entende por solidificação?
Solidificação é o fenom eno da passagem de
um liquido ao estado solido. Os liquidos solidifi­
cam-se, quando resfriados suficientemente.
268. — Quais são as leis da solidificação?
S ão: 1.°) A temperatura de solidificação de um
corpo é precisamente igual á de sua fusão. O mer­
cúrio solidifica-se a 40 graus abaixo de zero. 2.°)
Durante todo o tempo da solidificação, o corpo con­
serva a mesma temperatura, até que se tenha soli­
dificado completamente.
— 151 —

264. — Falai da congelação da agua.


Quasi todos os corpos, ao passarem do estado
liquido para o solido, ou vice-versa, diminuem de
volume e aumentam de densidade. A agua cons-
titue uma exceção. Congelando-se, seu volume
aumenta consideravelmente e, consequentemente,
¥ *

diminue sua densidade.


Sua força expansiva é tal durante a solidifi­
cação, que faz pedaços os vasos que a contém. Em
consequencia do aumento de volume, o gelo flu­
tua á superficie das aguas, impedindo assim que
os rios e lagos se congelem no fundo, e permitin­
do aos peixes ali viverem, mesmo durante os rigo­
res dos grandes frios.
265. — Que é regêlo?
Chama-se regêlo a propriedade que possue o
gêlo de se soldar a si proprio, quando submetido
a forte pressão. Em virtude desta propriedade, o
gêlo, apezar de duro e quebradiço, póde amoldar-
se aos vasos que o contém, uma vez que sobre êle
se exerçam pressões mais ou menos fortes.
266. — Que são glaciares?
Chamam-se glaciares, impropriamente geleiras,
grandes massas de gêlo que se formam, com o um
rio, nas regiões montanhosas, um pouco abaixo dos
limites das neves perpetuas. Os glaciares são ener-
gicos agentes de erosão; trituram as rochas por
onde passam, cavando na montanha o leito dos
rios. De sua fusão parcial provêm as torrentes
persistentes, cujo curso tem origem o mais das ve­
zes, em escavações abertas na parte fron tal dos
glaciares. Os A lpes contam grande num ero de
glaciares. Os m ais belos sã o os de Oberland e do
Monte B ranco. O m aior é o glaciar de A letsch de
24- kms. de com prim ento, cujas aguas de ablação
alim entam o R ódano. Os glaciares polares c o ­
brem inteiras regiões com uma su perficie unica.
Estes gêlos projetam , ás vezes, extensas ra m ifi­
cações até ao mar, onde form am altos penhascos
que as ondas transform am em icebergs.
Os icebergs ou gêlos flutuantes (alguns dos quais che­
gam a ter 4 milhas de circumferencia por 30 metros de
altura) apresentam perigos consideráveis para a navegação;
conservando-se em equilibrio sobre uma base cuja espes­
sura é incessantemente reduzida pela agua, estão sempre na
iminência de quéda e desgraçado o navio que neles tocar,
porque agitados pela base, cairão contra o navio cujo nau-
fragio será inevitável. Por ter ido de encontro a um ice­
berg foi que naufragou na noite de 14 de Abril de 1912 o
gigantesco Titanic, que fazia sua primeira viagem de Sout-
hampton a Nova York, levando 2223 pessoas, entre passageiros
e tripulantes.
0 iceberg fôra visto pelo vigia, que deu o sinal de cos­
tume e telefonou ao oficial de quarto; mas apesar do leme
ter sido manobrado com toda a força, era tarde de mais por­
que o navio ia com uma velocidade de 20 nós, mais ou menos
36 kms. por hora. Nestas condições o choque foi enorme:
as laminas dentadas do gêlo imergido rasgaram o casco do
navio e seis compartimentos foram logo penetrados pela agua.
Essa tremenda catástrofe causou a morte de 1517 pessoas.
267. — Que é dissolução?
Dissolução é a passagem de um corpo, do estado
solido ao liquido, pela ação de um corpo já liquido.
153 —

A dissolução é uma fusão que se faz a qualquer


temperatura.
Nem todos os corpos, contudo, são solúveis:
cada corp o é solúvel só em ’ determ inados liquidos.
O assucar, p or exem plo, é solúvel na agua e in so­
lúvel no alcool. O iodo é m uito solúvel n o a lco o l:
o liquido resultante é a tintura de io d o ; o enxofre,
no sulfeto de carbono, etc.
268. — Que é vaporização?
V aporização é a passagem do estado liquido
para ò gasoso.
O vapor de um liquido form a-se por evapora­
çã o na superficie livre ou por ebulição na massa
do liquido.
Os liquidos que se reduzem a vapor na tem pe­
ratura ordinaria denom inam -se liquidos voláteis.
H a corpos solidos, com o o g êlo num a tem pe­
ratura m uito baixa, o iodo, o arsenio, a canfora
que na tem peratura ordinaria dão vapores direta­
m ente, sem passar pelo estado liquido. Diz-se, en­
tão, que esses corp os se sublimam, para indicar que
seus vapores se condensam em parcelas cristalinas,
na parte superior dos vasos que os contêm .
269. — Quais são as circunstancias que fa v o ­
recem a evaporação dos liquidos?
V arias circunstancias favorecem a evaporação:
A elevação da tem peratura, a dim inuição da
pressão atm osférica (n o vacuo a evaporação seria
in stan tan ea), a agitação do a r e finalm ente a m aior
extensão da superficie liquida.
— 154 —

270. — Que se entende por ebulição?


Cham a-se ebulição, a passagem violen ta de um
liquido ao estado de vapor. Este fenom eno está
sujeito ás duas leis seguintes: 1.°) A ebulição de
um liquido puro dá-se num a tem peratura constante
para cada liquido, tem peratura que se denom ina
p on to de ebulição. Durante a ebulição a tem pe­
ratura do liquido perm anece constante, apezar da
ação contínua do fogo.

Bis os pontos de ebulição de varios corpos na pressão 76:

Ater su lfu r ico ............................................... ......... 35°,5


Alcool ab solu to....................................................... 78®,5
Agua distilada......................................................... 100°
Acido sulfurico . .............................................. 325°
M ercú rio................................................................... 350°
E n x o fr e .......................................................................... 440°

2.°) A força elastica do vap or desprendido é


precisam ente igual á pressão da atm osfera natural
ou artificial que o envolve.

O volume do vapor é muito superior ao do liquido que


o formou. Sob a pressão 76, um litro de agua liquida produz
a 100° 1646 litros de vapor.

271. — Que se entende p or liqu efação?


D enom ina-se liqu efação a passagem dos vapo­
res ou gases para o estado liquido. P óde-se lique­
fazer um vapor, por m eio de dõis processos dife­
rentes: pelo resfriam ento ou pela com pressão.
272. — Que é distilação?
D istilação é a operação pela qual se convertem
os liquidos em vapor, p or m eio do calor, para de­
pois as fazer voltar, pelo resfriam ento, ao estado
liquido.
 distilação tem p o r fim pu rificar os liqu id os:
serve para desem baraçar a agua de seus sais em
dissolução, para reti­
fica r o a lcool, isto é,
elim inar-lhe a agua
que n o r m a l m e n t e
con/tém, etc.
O aparelho em ­
pregado na indus­
tria para a distila­
ção, cham a-se alam -
bique.
273. — Descrevei
o alam bique.
O alam bique (F ig. 83) é com posto de um a es-
pecie de m arm ita, cham ada cucúrbita, em que se
coloca m as substancias destinadas á distilação, e
de um capitel que cobre a cucúrbita, recebe os
vapores e os dirige p or um tubo in clin ado para o
refrigerante. A í os vapores se resfriam e passam
para um tubo em espiral, cham ado serpentina, o
qual está im erso em agua fria. No in terior da
serpentina, retornam os vapores ao estado liquido.
274. — Qual é a principal propriedade fisica
dos corpos solidos?
A principal propriedade dos corp os solidos é a
— 166 —

coesão. Um solido, p or exem plo, um m etal, um


pedaço de m adeira, é resistente á rutura. Sua fô r ­
m a se não póde m odificar, sem esforço m a ior ou
m enor. A ’ prim eira vista, o volum e desses corpos
parece in variavel; mas, na realidade, varia, em ­
bora em quantidade m inim a, devido a pressões,
tracções a que seja submetido, ou devido a m udan­
ças de temperatura.
275. — Qual é a principal propriedade dos li­
quidos?
A principal propriedade fisica dos liquidos é a
fluidez. Fluidez é a propriedade pela qual os líqu i­
dos mudam de fórm a, sem necessidade do m enor
esforço. Um liquido qualquer, a agua por exem plo,
tom a sem pre a fórm a do vaso que o contém . Seu
volum e é invariavel n orm alm ente: sofrerá varia­
ções m uito fracas quando subm etido a m udanças
de tem peratura ou de pressão.
D em onstra-se experim entalm ente a pouca com ­
pressão dos liquidos, p o r m eio d os aparelhos cha­
m ados piezom etros, dos quais o m ais usado é o
piezom etro de Oerstedt. Os m esm os aparelhos pro­
vam tam bem a elasticidade dos liquidos. A lém
disso, não ha quem não tenha visto gotas de agua
saltarem quando caem sobre um plano resistente.
276. — Qual é a principal propriedade dos co r­
pos g rossos?
Os gases são caracterizados por sua expansibi-
lidade. E m virtude dessa propriedade, que é de­
vida a um a repulsão constante de suas m oléculas,
— 157 —

os gases tendem sempre a ocupar o maior espaço


possivel. A expansibilidade dos gases dem onstra-
se experim entalm ente, colocan do-se sob o recipiente
de uma m aquina pneum atica uma bexiga contendo
pequena quantidade de ar. A bexiga enche-se cada
vez m ais, á m edida que se estabelece o vacuo no
recipiente, devido á fo rça ex­
pansiva do ar que contém . (Fig.
84). Os gases são em inentem ente
com pressiveis. Esta proprieda­
de, tão fraca nos solidos e liqui­
dos, é m uitíssim o acentuado nos
Fig. 84 — Expansão gases. F óde-se dem onstrar a
dos gases côm pressibilidade d o s gases,
com os aparelhos denom inados
fusis de ar. O fusil de ar é assim cham ado, porque
a com pressão do ar desenvolve nas experiencias,
ca lor tam anho, que é capaz de inflam ar um a isca
que se coloq u e n o seu fundo, ou sob o pistão.

Deve-se notar aqui a distinção que ha entre gases e


vapores. Gases propriamente ditos, são sómente aqueles que,
nas condições normais de temperatura e pressão, se apre­
sentam no estado gasoso e, mui dificilmente, pódem ser liqüe­
feitos. Por exemplo: O hidrogênio, oxigênio, azoto, etc. Va­
pores são corpos, tambem em estado gasoso, mas que com
a maior facilidade tornam a passar ao estado liquido, ou
por um leve abaixamento de temperatura, ou por um au­
mento de p r e s to . Por exemplo: O vapor dagua.

277. — Com o se póde obter refrigeração arti­


ficia l?

6 — C F N.
168 —

Quando a refrigeração não é obtida por con­


tato com um corpo frio (condensação dos vapores
na serpentina dos alambiques, por exem plo) é
baseada no principio seguinte: Um corpo que
passa do estado solido ao liquido, ou ao estado de
vapor, absorve sempre calor. Portanto, se nenhu­
ma origem estranha fornecer o calor absorvido, a
porção do corpo que se funde ou se vaporiza toma
esse calor ao resto, que por consequencia se res-
fria.
Os melhores agentes de refrigeração são os
liquidos que se vaporizam mais facilmente á tem­
peratura ordinaria: tais são os gases liqüefeitos,
com o o amoniaeo, o acido sulfuroso, o cloreto de
metilo e o acido carbonico liquido. O amoniaeo
é muito usado na fabricação do gêlo.
Para obter-se o gêlo, faz-se penetrar o am o­
níaco em tubos onde, deixando de estar comprimido,
se converte imediatamente em vapor. Esses tu­
bos, atravessando grandes reservatorios cheios de
agua salgada, faz baixar sua temperatura porque
o amoniaeo em sua mudança de liquido para ga­
soso, lhe absorve grande quantidade de calor.
A agua salgada contudo, não gela tão facil­
mente, devido a presença do cloreto de sodio, mas
tal não se dá com a agua doce: se portanto mer­
gulharmos naquela solução salina latas cheias de
agua doce, a temperatura desta ultima baixará
bruscamente, e, ao fim de algumas horas, teremos
obtido solidos blocos de gêlo. Os aparelhos de
— 15®

refrigeração utilizam-se ainda para resfriar ò ar,


nas chamadas camaras frigorificas, quer pela pas­
sagem desse ar através das superficies molhadas
pelo liquido incongelavel, quèr fazendo circular
esse liquido em tubos, no seio da atmosfera a res­
friar. O grande interesse na produção do ar frio,
está na conservação das matérias fermentesciveis:
permite regular á vontade a marcha das fermen­
tações, no fabrico das cervejas e na fermentação
dos vinhos nos países quentes. O emprego dos
frigoríficos tem outras inúmeras aplicações na
vida pratica, durante os grandes calores, para a
conservação da carne, ovos, leite, verduras, frutas,
etc. e transporte dessas substancias alimentares a
longas distancias. A medicina emprega o gêlo
vantajosamente para cômbate de inúmeras molés­
tias. Usa-se com o topico sobre a cabeça, nos casos
de meningite e no período delirante das febres; no
ventre, nos casos de peritonite agúda e nas feridas
contusas, cuja inflam ação se quer sustar.
Outro agente de refrigeração é o ar liquido.
A evaporação produz uma refrigeração capaz de
fazer o hidrogênio passar ao estado liquido e até
ao solido. Suas aplicações na industria do frio são,
contudo, ainda mui reduzidas: com a mais mediocre
maquina de gêlo se póde obter um rendimento
quarenta vezes melhor, do que com o uso do ar
liquido.
278. — Que áconselha a higiene a respeito dos
gelados?
— 160 —

As bebidas em que entra o gêlo causam uma


sensação muito agradavel, daí o seu uso imoderado
durante os calores do verão. A s bebidas geladas
não mitigam a sêde tão rapidamente com o as de
temperatura normal e, o que é pior, a sua absor­
ção provoca ameude perturbações mais ou menos
graves dos orgãos digestivos.
Evitar-se-á tomar bebidas geladas, sobretudo
após exercícios violentos, quando se está suado
ou fatigado; os sorvetes devem ser tomados ime­
diatamente depois da refeições; em caso contrario,
somente tres horas depois. Enfim, para evitar o
contagio m icrobiano pelo gêlo proveniente de agua
contaminada, é preceito elementarissimo de higie­
ne evitar-se fundir o gêlo nas bebidas.
279. — Que são máquinas a vapor?
Máquinas a vapor são instrumentos que têm
por fim converter ó calor em trabalho mecânico
por intermedio dos vapores. Baseiam-se no au­
mento muito rapido das tensões máximas do va­
por, a partir de 100°.
280. — A quem se deve a invenção dessas má­
quinas?
Em 1615, Salomão de Caux teve a idéia de
empregar o vapor com o força motriz. Mais tarde,
Denis Fapin inventou a primeira máquina de
pistão: mas o inglês James W att aperfeiçoou de
tal modo esse aparelho, que se lhe póde atribuir
quasi todo o mérito da invenção das máquinas a
vapor.
— 1«1

281. — De quantas partes se com põe a má­


quina a vapor?
Compõe-se essencialmente de tres partes: 1.°
a caldeira; 2.° o aparelho motor, compreendendo
o cilindro, a caixa de vapor e a gaveta; 3.° o apa­
relho destinado á transmitir o movimento.
282. — Como está construida a caldeira?
A caldeira é a parte da máquina na qual se
produz ó vapor. E ’ construida com espessas folhas
de ferro solidamente ajustadas. H a duas especies
de caldeiras: as caldeiras de ebulidores e as tubu­
lares. As caldeiras de ebulidores, grandes e pe­
sadas, usam-se comumente nas máquinas fixas,
quando se póde dispôr de grande espaço para a
sua instalação. As caldeiras tubulares são usadas
nas máquinas moveis, locomotivas, etc. que as pre­
ferem, devido ás suas dimensões restritas. Nessas
caldeiras, a châma, a fumaça e os gases da for­
nalha circulam em tubos de cobre, que atravessam
a agua da caldeira propriamente dita. Varios apa­
relhos anexos ao corpo principal da caldeira, im­
pedem as causas de explosões por excesso de ten­
são do vapor e por abaixamento do nivel da agua
na caldeira. São êles: um flutuador de alarme,
um manometro e uma ou duas valvulas de segu­
rança.
288. — Em que consiste o aparelho m otor?
Compõe-se de um cilindro ôco, no qual se
move um pistão, com movimento contínuo de vai-
vem. Para produzir esse movimento, ò vapor, de­
pois de atuar sobre o pistão, comunica com o ar
exterior ou com um condensador.
Em um compartimento unido ao cilindro, cha­
mado caixa de vapor, move-se a gaveta, que tem
por íim comunicar as duas faces do pistão, alter­
nativamente com o va­
por da caldeira e com
o ar exterior.
284. — Quais são
os orgãos transforma­
dores do movimento?
Para transmitir o
movimento que recebeu
do vapor, o pistão vai
se articular num ba-
lanceiro L, este numa
Pig. 85 — Maquina a vapor fcieia j e a biela move
a manivela K, que transmite um movimento de ro­
tação á grande roda ou volante V. (Fig. 85).
285. — Quantas especies ha de máquinas a
vapor?
Ha as de simples efeito e as de duplo efeito.
As de duplo efeito ou máquinas de Watt, são quasi
as unicas empregadas hoje. Classificam-se ainda
em: máquinas de baixa, média e alta pressão. *
286. — Como se mede a potência das máqui­
nas?
A unidade de força que serve para medir a
— 163

potência das máquinas é o ca valo «vapor: é 6 es­


forço capaz de levantar a um metro de altura, em
um segundo, com um movimento contínuo, 75 qui-
logramas.
Atualmente admite-se outra unidade de força,
que é o watt. O watt é 750 vezes menor do que
o cavalo-vapor. O quilowatt vale mil watts.

CAPITULO 13

COMPOSIÇÃO BA AGUA — HIDROGÊNIO —


ÁCIDOS, BASES, SAIS — AÇÃO DA AGUA SOBRE
O CARBURETO DE CALCIO — COMBUSTÃO BO
HIDROGÊNIO E DO ACETILENO; MAÇARICOS;
SOLDAS AUTOGENICAS

287. — Qual é a composição da agua?


A composição da agua em volume póde-se de­
terminar, por análise, ou por síntese: por análise,
decompondo-se pela pilha, no aparelho denominado
voltámetro; por síntese, inflamando uma mistura
de oxigênio e hidrogênio num tubo de vidro cha­
mado eudiómetro. ‘Com èssas experiencias verifi­
ca-se que 2 volumes de hidrogênio, combinando-se
com 1 volume de oxigênio, produzem 2 volumes de
vapor.
288. — Como se faz a análise da agua?
Para análise da agua usa-se o aparelho cha­
m ado yoltámetro. O voltám etro (P ig. 86) é um
vaso de vidro, cu jo fundo é atravessado por dois
fiqs de platina, isolados um do outro e que se p ó­
dem liga r respetivam ente aos dois p olos de uma
pilha eletrica. D epois de encher o vaso de aguà
ligeiram ente âci-
dulada, coloca m -
se sobre os dois
fio s de platina,
pequenas prove­
tas cheias tam ­
bem do m esm o
liquido. Fazendo-
se passar uma
Fig. 86 — Voltámetro corrente eletrica,
esta, ao atraves­
sar a agua, decom põem -na nos seus elem entos,
que se acum ulam ju n to a cada polo. Póde-se v eri­
fica r que o gas que se desprende n o p o lo positivo
reacende um fo sfo ro quasi apagado: é o oxigênio.
O gas que se desprende n o p olo negativo é
com bustível, e inflam a-se com um a châm a palida:
é o hidrogênio.
O volum e ocupado p elo hidrogên io é, durante
toda a decom posição, o dobro do que ocupa o o x i­
gên io n o m esm o instante.
289 . — Em que consiste a sfntese da agua?
Síntese é a operação que consiste em recons­
tituir um composto, partindo dos seus elementos.
— 165

Ttomarse um tubo de vidro resistente, atravessado


na parte superior por dois fio s de platina, com as
extrem idades mui próxim as, uma da outra. E nche-
se o tubo de m ercúrio e nêle se introduz um volum e
de hidrogên io e, exatam ente, o dobro de oxigênio.
Fazendo rebentar uma fa isca eletrica entre os fios
de platina, produz-se uma deton ação: o m ercúrio
sobe até o cim o da proveta e algum as gôtas de
agua cobrem a sua superficie. A síntese da agua
prova, portanto, que ela se com põe unicam ente de
ox igên io e hidrogênio.
290. — Qual a relação das m assas desses dois
gases na agua?
Para form ar a agua, o oxigên io e o h idrogên io
se com binam na proporção de 2 gram as de h i­
drogênio se com binarão com 16 gram as de ox ig ê­
n io e obterem os 18 gram as de agua.

A agua encontrada á flor do sólo nunca é pura: contem


em dissolução os gases do ar e, em proporção variavel, cor­
pos solidos existentes nos terrenos com os quais ela se acha
em contato. Os gases mais importantes dissolvidos na agua
são o oxigênio, o nitrogênio e o gas carbonico. Entre os
solidos* que a agua dissolve ou traz em suspensão, citaremos
os cloretos de sodio, potássio e magnésio; o carbonato e o
sulfato de calcio e diversas matérias organicas.

291. — Que é o h idrogên io?


O h idrogên io é um gas in color, in odoro e in ­
sípido. Raram ente se encontra livre na naturesa:
em com binação, pelo contrario, êle se acha m uito
espalhado: entra na com posição da agua, na con s­
— 166 —

tituição dos seres yíyòs e em inúmeros com postos


minerais. O hidrogênio é o mais leve de todos os
gases: 1 litro desse gas pesa apenas 0gr.,0898, qua­
torze vezes e meia menos que um litro de ar. Por
esse m otivo, os balões cheios de hidrogênio ele-
vam-se rapidamente no ar. O hidrogênio é um gas
com bustível; ao contato de uma vela acesa, arde
com uma chama palida, muito quente, com binan­
do-se com o oxigênio: o produto dessa combinação
é vapor de agua. _Os corpos combustíveis não ar­
dem no hidrogênio: se se
introduz numa proveta
de hidrogênio uma vela
acesa, esta inflama ò gas
e se extingue. A quimica
emprega frequentemente
o hidrogênio com o agen­
te r e d u t o r : decompõe
Fig. 87 — Preparação grande numero de oxidos
do hidrogênio , ,
metálicos, apoderando-se
do seu oxigênio pgxa form ar agua e pondo em liber­
dade o metal.
292. — Como se prepara o hidrogênio?
Nos laboratorios costuma-se preparar o hidro­
gênio, fazendo agir o acido sulfurico diluido sobre
um metal, o ferro ou o zinco. Usa-se para essa
operação um frasco de duas tubuladuras (Fig. 87) :
a central, munida de um tubo reto que termina em
funil na sua parte superior, e a lateral, que tem um
tubo fino, duas vezes recurvo, que vai mergulhar
— 167 —

numa vasilha cheia de agua. Colocado no frasco


ferro ou zinco, e agua, adatam-se os tubos, e der-
rama-se pelo funil acido sulfurico. Dá-se uma
viva efervescencia, desprendem-se algumas bolhas
de ar e, em seguida, o hidrogênio que é recolhido
no frasco cheio de agua que se vê emborcado sobre
a extremidade da tubuladura recurva. No primeiro
frasco, fica em deposito sulfato ferroso ou sulfato
de zinco, conform e o metal que se tiver empregado.
298. — Em quantos grupos se pódem repartir
os com postos quimicos?
Os com postos quimicos pódem-se repartir em
varios grupos, dos quais os mais importantes são:
os acidos, as bases e os sais.
204. — Que são acidos?
Chamam-se acidos os compostos hidrogenados,
nos quais o hidrogênio está unido a um metaloide
e é capaz de ser substituído total ou parcialmente
por um metal, para form ar um sal.
Os acidos mais usuais são: o acido clorídrico
(HC1), o acido sulfurico (S 0 4H 2)*e o acido azotico
(A z0 3H ).
295. — Quais são os principais característicos
dos acidos?
Diluídos em agua, esses com postos tem um sa­
bor analogo ao do vinagre: avermelham uma ma­
téria corante conhecida pelo nome de tintura de
tornassol.
296. — Como se dividem os acidos?
Os acidos dividem-se em oxacidos e hidraci-
— 168 —

dos. Oxacidos, quando contem oxigênio: exemplo':!


o acido sulfurico (H 2SO*); hidracidos, quando não
o contem. Exem plo: o acido clorídrico (HC1).
297. — Que são anidridos?
Anidridos ou acidos anidros são com postos de
oxigênio e metaloide. Quando combinados com a
agua, formam acidos. Exem plos: O anidrido sul­
furico (SO3) combinado com a agua (H 20 ) produz
acido sulfurico (H 2S 04).
298. — Que são bases
Bases são com postos oxigenados, nos quais ó
oxigênio está unido a um metal, capaz de substituir
o hidrogênio de um acido. Exem plo: a cal extinta,
a soda (NaOH), a potassa (KOH ).
299. — Quais são os característicos mais im­
portantes das bases?
As dissoluções das bases azulam a tintura de
tornassol avermelhada por um acido. Seu sabor é
muito acre, ou cáustico.
São geralmehte corpos solidos á temperatura
ordinaria e, quasi todos, solúveis na agua.
300. — Como se dividem as bases?
As bases dividem-se em oxidos e hidratos. Os
oxidos compõem-se apenas de oxigênio e metal.
Exem plo: ZnO (oxido de zin co). Os hidratos são
com postos de oxigênio, hidrogênio e metal. E x.:
a potassa (KOH) e a soda caustica (NaOH). Na
pratica, os hidratos se originam da com binação da
agua com os oxidos metálicos.
— 169

SOI. — Que são sais?


Sais são com postos derivados dos acidos pela
substituição total ou parcial do seu hidrogênio por
um metal. Exem plo: um pouco de acido sulfurico
(H 2S 04) derramado sobre zinco (Zn) dá um sal,
sulfato de zinco (ZnSO4).
Os sais que se encontram mais frequente­
mente na naturesa são: o cloreto de sodio (sal de
cozinha) e, em geral, quasi todos os cloretos, os
carbonatos (m árm ores), os silicatos, os sulfatos
(gesso), etc.
302. — Como se dividem os sais?
Segundo os acidos de que derivam, os sais pó­
dem ser ânfidos ou haloides. Os ânfidos derivam
dos oxacidos, ex.: o sulfato de potássio (K 2S 0 4) ;
oa haloides derivam dos hidracidos, ex.: o cloreto
de sodio (NaCl).
803. — Que se entende por com postos orgâ­
nicos?
Compostos orgânicos são os que contêm car­
bono. De com postos orgânicos é que se fórma a
matéria dos seres viVos, animais e vegetais.
A carne, os legumes, o assucar, a madeira, os
cereais, são substancias organicas.
304. — Como se classificam?
Os com postos orgânicos classlficam-se em bi­
nários, ternarios e quaternarios.
305. — Quais são os compostos binários?
Os com postos orgânicos binários são os for­
mados unicamente de carbono e hidrogênio, deno­
170 —

minados, por isso, hidrocarburetos. Exem plos: o


acetileno, o gas dos pântanos, o petroleo, etc.
806. — Que são com postos ternarios?
Compostos orgânicos ternarios são os que con­
têm carbono, hidrogênio e oxigênio. Exem plos:
o amido, os assucares, o alcool, a glicerina, o vi­
nagre (acido acetico), etc.
807. — Quais são os com postos quaternarios?
Compostos quaternarios são os constituidos de
carbono, hidrogênio, oxigênio e azoto. São dessa
classe: as anilinas, os alcalóides (a nicotina ex­
traída do fum o; a morfina, do opio; o quinino; a
cafeina, do café, do chá e do guaraná; etc.), a uréa,
as aminas.
308. -— Que é o carbureto de calcio?
O carbureto de calcio é um dos com postos or­
gânicos binários: resulta da com binação do car­
bono com o calcio. E ’ preparado geralmente em
fornos eletricos, misturando-se sob temperatura
elevadíssima oxido de calcio e carvão. Derraman-
do-se agua sobre o carbureto de calcio, dá-se uma
reação violenta, da qual resulta o acetileno.
309. —■ O hidrogênio e o acetileno são com ­
bustíveis?
Vimos que o hidrogênio, ao contato de uma
vela, arde com uma chama muito palida, quentis-
sima, produzindo vapor de agua. Como o hidro­
gênio, o acetileno é tambem combustível: arde em
contato do ar, quando se lhe aproxima um corpo
em ignição. A châma, quando é produzida em
— 171 —

boas condições, saindo o gas sob uma pressão cons­


tante e por orificios muito estreitos, é de um brilho
extraordinario, muito branca e suave. O acetileno
é por isso frequentemente usado com o gas ilumi-
nante.
Conhece-se hoje uma infinidade de lampadas
e geradores de acetileno. Ha alguns que prestam
reais vantagens, nos locais onde não ha fabrica de
gas. São aparelhos geradores, que produzem o gas
de acordo com as necessidades do consumo, distri­
buindo-o depois por uma canalização apropriada,
para o predio onde tenha de ser usado. Entre nós,
são muito conhecidos os lampeões de acetileno.
Compõem-se essas lampadas, essencialmente, de um
reservatorio contendo carbureto de calcio. A agua
cai sobre o carbureto, gota a gota, e o acetileno
produzido desprende-se de um bico constituído de
dois tubos de escapamento, onde se dá a combus­
tão e chama. Esses lampeões devem ser manipu­
lados com muitas precauções, pois que o acetileno,
bem com o o hidrogênio, produz, com o ar, uma
mistura detonante que póde ocasionar explosões
de consequencias bem desagradaveis. Deve-se, ou-
trossim, cuidar as fugas do gas que, derramado em
espaço limitado, poderá produzir asfixia e envene­
namento.
310. — A combustão desses gases tem outras
utilidades de ordem pratica?
A combustão do hidrogênio e a do acetileno,
devido ás temperaturas extremamente elevadas que
— 172 —

produz, é muito empregada na soldadura ou fusão


dos metais. O aparelho para esse fim usado é o
maçarico.
811. — Em que consiste o m açarico?
Os maçaricos usados nas oficinas com o meio
de aquecimento para a soldadura dos metais, va­
riam segundo os combustíveis utilizados: o mais
espalhado é o maçarico de gas de iluminação. Con­
siste simplesmente em dois tubos cilindricos, dis­
postos concentricamente; pelo espaço anular, faz-
se chegar o gas de ilum inação; pelo tubo central,
insufla-se ar que ativa a combustão. Se se subs-
titue o gas de iluminação pelo hidrogênio, e o ar
pelo oxigênio, pódem-se obter temperaturas extre­
mamente elevadas: o maçarico é então chamado
maçarico oxidrico. Serão ainda mais elevadas, se
o gas empregado fór o acetileno. São os maçari­
cos chamados oxiacetilenicos, que chegam a obter
chamas de 2400°.
312. — Que é solda autogenica?
Chama-se solda uma liga de metal muito fusi-
vel, em geral o chumbo dos encanamentos, empre­
gada para unir duas peças de metal. A solda diz-se
autogenica, quando é do mesmo metal que as peças
que se desejam ligar. Para operar-se a soldadura
autogenica, usam-se os maçaricos oxidricos e os
oxiacetilenicos. A soldadura autogenica é a unica
possivel, em se tratando de unir peças de certos
metais, com o o aluminio e o ferro, cujos pontos
de fusão são muito elevados.
— 173

CAPITULO 14

OS M ARES: CORRENTES MARÍTIMAS — LAGOS


E RIOS — CICLO DA AGUA; INFLUENCIA NA
TEMPERATURA AMBIENTE — QUEDAS DE
AGUA; MOTORES HIDRÁULICOS

318. — Que é oceanografia?


Oceanografia é a ciência que tem por fim o
estudo dos mares e seus fenom enos fisicos e bio-
logicos. A oceanografia fisica, demonstrando que
as profundidades dos mares são muito diferentes,
ocupasse da medida de pressão dos grandes fundos,
ensina com o se faz a distribuição das temperaturas
e qual o limitê de penetração dos raios luminosos
solares, examina as variações da densidade, e da
com posição quimica da agua do mar. Indica como
a agua é agitada pelas correntes, pelas marés e
pelas ondas. Explica a fórm a do relevo subma­
rino e as condições de sedimentação dos depositos
que se acumulam nas profundidades.
A oceanografia biologica, propõe-se estabele­
cer as leis segundo as quais os seres vivos, animais
ou plantas, fazem variar as formas, os orgãos e
os modos de existencia, para se adaptarem ás con­
dições diversas do meio marinho. Os resultados
obtidos por esta ciência têm sido numerosos e in­
teressantíssimos. Ficou demonstrado que as gran­
des profundezas tambem são habitadas, não por
174

vegetais, m as por anim ais invertebrados e seden­


tários, vertebrados e nômadas.
A riqueza da fauna e da flo ra m arinha é so­
bretudo notável nas regiões vizinhas dos con ti­
nentes. Inúm eras form as vivas vegetais e animais,
dão ao litoral dos m ares um aspéto m uito ani­
m ado: algas azues, verdes, castanhas, verm elhas;
fitozoarios ou anim ais-plantas (estrelas do mar,
esponjas, ouriços, etc.) verm es, crustáceos, m olus­
cos e ascidias povoam as aguas próxim as das
costas. Os peixes porém freqüentam de preferen­
cia o alto mar.

Durante muito tempo apenas se estudou a superficie


dos mares, sem se procurar saber o que as suas profundi­
dades escondiam, e foi só dos fenomenos úteis á navegação
que se preocuparam os sabios e os marinheiros da antigui­
dade e mesmo os dosjaeculos XVI, XVII e XVIII até meiados
do seculo pássado. Foi o melhoramento dos processos de
sondagem/ a colocação dos cabos submarinos, que vieram
mostrar que vasto campo de investigações de tóda ordem
podiam oferecer as profundezas dos mares. Assim, a partir
de 1860, aproximadamente, alguns especialistas começaram
a dedicar-se ao estudo dos diferentes ramos da oceanografia.
Pouco tempo depois, começou a organização de numerosas
expedições, münidas de utensílios mais ou menos aperfei­
çoados, para explorarem as profundidades oceanicas. Em
1868, sob a direção do sabio inglês Thomson, partiram os
primeiros navios com o fim exclusivo do estudo oceanogra-
fico dos mares europeus. Outras muitas expedições cienti­
ficas, alemãs, inglesas e norte-americanas organizaram-se
nos anos seguintes, constituindo algumas verdadeiras via­
gens de circumnavegação e contribuindo para precisar cada
#

— 175 —

vez mais o conhecimento dos mares do globo e os progressos


crescentes da oceanografia.

814. — Com o estão distribuídos os m ares?


Estando a superficie total do globo avaliada
em 510 m ilhões de km 2, 365 m ilhões são ocupados
pelos oceanos e suas dependencias. No hem isferio
norte a divisão entre a terra e o m ar apresenta
certo equilibrio: mas, n o hem isferio sul este equi­
librio é notavelm ente desfeito: m en os de 45 m i­
lhões de km 2 de terra con tra 211 m ilh ões de agua.
A m édia das grandes profundidades m arinhas os­
cila entre 3000 e 4500 m etros.
315. — Qual é a com posição e densidade da
agua do m ar?
A lém de vestigios de um grande num ero de
m inerais d iv ersos,'a agua do m ar é principalm ente
m odificada n o seu conteúdo e densidade, pela pre­
sença dos cloretos de sodio (sal de cozin h a ), de
m agnésio, de potássio, dos sulfatos de m agnésio e
de ca lcio e varios outros sais.
As aguas m arinhas têm em dissolução o x i­
gênio e azoto. Quanto á densidade, depende de
dois elem entos: a temperatura, m odificadora do
volum e e a salinidade, que está em relação com
a tem peratura e m uitas vezes com a regularidade
dos ventos, que ativam a evaporação.; E ’ p rin cip a l­
m ente na região tropical, dom inio dos ventos ali-
zeos, que a salinidade e p or isso m esm o a densi­
dade das aguas superficiais, se m ostram mais fo r ­
178 —

tes. fl A densidade e salinidade diminuem á medida


que se sobe em latitude, exceto em regiões per­
corridas pelas correntes quentes. %, Das diferenças
de densidade e salinidade segue-se, em virtude do
principio dos vasos comunicants, que a altura da
coluna de agua marinha deve ser diferente num
e noutro m ar: por isso tos mares não têm todos o
mesmo nivel. De todos os fenomenos que as dife­
renças de salinidade dão lugar, o mais interessante
é o que apresenta o Mar Morto. Suas aguas são
carregadas de sais diversos, coácentrados a tal
ponto, que se tornam impróprias para a vida. Sua
densidade é tal, que é quasi imposivel a um ho­
mem nelas afogar-se. / r
816. — Que são correntes maritimas?
Entre os movimentos contínuos de que o mar
é teatro, uns são devidos a causas fortuitas, pres­
são e conflito dos ventos, etc.; são as vagas, que
pódem atingir até 16 e 18 metros de altura, mas cujo
efeito se não faz sentir além da profundidade de
20 metros. Outros, são regulares e estão sob a de^
pendencia das leis gerais de atração: são as marés.
O elemento essencial da circulação maritima, po­
rém, é fornecido pelas correntes. Destas, umas são
profundas, transportando dos polos para o equa­
dor, grandes massas de agua fria: outras ha su­
perficiais,* que atravessam por vezes oceanos intei­
ros, sem que se possa ainda fixar de uma maneira
absoluta a sua gênese e teoria, mas em cuja ação
e permanencia parece ser preciso fazer entrar a
— 177 —

regularidade de um sistema de ventos. As cor­


rentes exercem grande influencia sobre a clima:
transportam para as regiões polares aguas quentes
e de lá as trazem frias; abrandam, portanto, os
frios dessas zonas, livrando-as todos os anos de
alguns milhares de quilometros quadrados de gêlo.
O Gulf Stream origina-se no golfo do Mexico.
Atravessa toda a extensão do Atlântico boreal;
transpondo a barra do arquipélago de Baáma,
passa ao sul da Terra Nova; a partir de 30° de
longitude oeste, subdivide-se em dois grandes bra­
ços, um dos quais se inflete para o sul da Es­
panha, sob o nome de corrente das Canarias, en­
quanto o outro vai espraiar-se no litoral europeu
do Oeste e lança sobre as costas da Irlanda,
Escossia e Noruega as aguas ainda quentes dos
tropicos, suavizando sensivelmente o clima das
regiões maritimas do Oeste europeu.
317. — Que se entende por ciclo das aguas?
Estudamos atrás que, devido ao calor dos raios
solares, parte das aguas das superficies dos mares,
lagos e rios transformam-se em vapor. Esses va­
pores vão constituir as nuvens, as quais mais tarde
se condensam e tornam á terra sob a fórma de
chuva. As aguas pluviosas, umas vezes se infil­
tram e vão form ar os grandes lençóes subterrâneos,
donde brotarão em olhos de agua ou fontes: ou­
tras vezes, escorrem das montanhas, formando as
enxurradas, depois as torrentes, e finalmente os
riachos que vão alimentar os rios e, por eles.
as lagôas e os mares. E ’ o grande ciclo das
aguas.
818. — Que é potam ologia?
Potam ologia é uma ciência ainda nova que
tem por fim o estudo dos rios. Não se limita esta
ciência ao exame dos caracteres da form a dos rios
e da sujeição em que se acham, em presença das
mais variadas energias da naturesa. Como seres
ativos, com o fortes agentes transformadores, os
rios tem de ser apreciados no seu constante es­
forço na remodelação da superficie fisica do globo,
na sua intervenção em localizar a vida vegetal e
animal, e na influencia predominante que gozam
na vida do homem. O Amazonas, o Mississipe, o
Nilo, o Zaire, o Yang-tse-kiang e tantos outros,
pertencem ao numero das mais vigorosas forças
modeladoras da superficie terrestre. Culturas, fio-
restação, industrias, navegação, com ercio, coloni­
zação, todas as fórmas da atividade humana, estão
mais ou menos subordinadas ás rêdes fluviais do
globo. Na sua missão de planificar os continentes,
de abater as altitudes, desbastam, edificam, criam
terras, elevam ou abaixam o nivel dos mares, I m
zem variar as condições da vida vegetal, localizam
e distribuem a população humana, de m odo que |e
póde afirmar que a fisionom ia terrestre, pela aft-
vidade dos rios, está sempre em contínuas alterà-
ções. Os lagos são alimentados pelos rios que a
eles afluem. Estes renovam as suas aguas, con-
cervam-lhe o nivel, substituindo a massa liquida
em constante evaporação e evitando assim que eles
morram. Os lagos por sua vez, corrigem os rios,
cuja impetuosidade fica atenuada, após sua passa­
gem por uma bacia lacustre. O Rodano, por ex.,
entra no lago de Genebra com aguas turvas e lei­
tosas, e sai limpido e relativamente sereno.
319. — Que são cachoeiras?
Chamam-se cachoeiras, as quedas das aguas
de um rio ou de um lago que se precipitam de
grande altura.
As mais altas quedas são as cahoeiras de m on­
tanhas: assim, as aguas do Yosenite na America
do Norte, caem da altura de 931 metros, em tres
saltos.
As quedas mais famosas, antes pelo grande
volume de agua do que pela altura, , são as de
Paulo A fonso (81 metros) do rio São Francisco, as
do Niágara, as de Yitoria do Zambeze (A frica).
No Brasil, com o os rios são na m aior parte de pla­
nalto e de baixada, apresentam na respetiva linha
de declividade, uma série de saltos e cachoeiras,
iguais ás maiores quedas de agua de outros con­
tinentes. A cachoeira de Paulo Afonso, que já
mencionamos, o salto das Sete Quedas o de Iguas-
sü, o de Urubú-Pungá, o de Itapura, de Avanhan-
dava, contam-se entre as quedas mais consideráveis
do mundo. Na vasta extensão do territorio bra­
sileiro são elas tão numerosas, que talvez nenhum
outro país ofereça em igual escala uma soma tão
considerável desses formidáveis geradores de força
— 180

eletrica, representados por volumosas massas de


agua precipitando-se de grandes alturas.
320. —- Como póde ser aproveitada a hulha
branca?
Hulha branca, é a denominação dada pelo en­
genheiro francês Bergés ás quedas de agua utili­
zadas pela industria como força motriz. Sob o
ponto de vista da potência hidraulica, a França é
Um dos primeiros países, dispondo tanto nos Alpes
como nos Pirineus, de uma força avaliada em mais
de dez milhões de cavalos-vapor. A utilização in­
tegral das quedas de agua como motores, precisa
de sua captação no alto em enormes tubos que
levam a agua até as turbinas. A mais alta queda^
utilizada na Europa é a do lago Tanay (Suissa)l
onde a diferença de nivel entre a captação da agua
e a saída das turbinas é de 950 metros. A apli-;
cação mais simples da energia hidraulica é a sua
transformação imediata em energia eletrica, que
se póde aproveitar na tração, no aquecimento, na
iluminação, na eletrolise, etc.
A utilização das quedas do Niagara, como fonte
de energia, criou em toda a região dos lagos ame­
ricanos um centro industrial de uma riqueza^jabu-
losa. A potência hidraulica de Paulo A fo n iV fo i
avaliada em um milhão de cavalos-vapor; Vt dò
Iguassú em quatro milhões; e em dezoito milhões
as Sete Quedas, no rio Paraná. Que surtos dei pro­
gresso para nossa Patria, no dia em que fôr apro­
veitada tamanha riqueza de hulha branca!
— 181 —

CAPITULO 15

AGUAS POTÁVEIS — PURIFICAÇÃO DA AGUA;


FILTROS — DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS PELA
AGUA; FEBRE TIFOIDE E DESINTERÈA. —
REPRODUÇÃO DOS MOSQUITOS; A MALARIA,
A FEBRE AMARELA

821. — Como se caracterizam as aguas potá­


veis?
Uma agua potável (própria para bebida) deve
ser limpa, sem cheiro nem côr, de sabor leve e
agradavel, arejada, imputrescivel, cozer bem os
legumes e dissolver o sabão. Estas duas ultimas
propriedades estão em relação com a porção de
matérias salinas de base terrosa oú alcalino ter­
rosa que contem a agua: as aguas duras, cortam,
com efeito, o sabão; e os sais combinam-se com
um principio azotado existente nos legumes, dando
um composto insolúvel que os endurece pela fer­
vura. Aguas impotaveis são as que, por excesso
de sais minerais em dissolução ou pela presença
de matéria organica em quantidade considerável,
não são saudaveis, nem gratas ao paladar. Dizem-
se salobras, duras ou cruas, quando a impotabili-
dade é devida ao excesso de sais; denominam-se
salgadas, se o sal que domina é o cloreto de sodio;
calcáreas, se é o carbonato de calcio; selenitosas,
se o sulfato de calcio. As aguas carregadas de
matéria organica corrompem-se, têm mau gosto c
— 182 —

cheiro desagradavel. As aguas estagnadas são


geralmente infectas, sobretudo quando recebem
infiltrações de substancias organicas azotadas, em
fermentação pútrida, na vizinhança das habitações.
P or isso é que são mui nocivas á saude as aguas
dos poços das cidades. Para o abastecimento das
cidades são preferíveis as aguas puras dos riachos
que escorrem nas montanhas, á sombra das flo ­
restas.
822. — Que é filtração?
Filtração é a operação que tem por fim cla­
rificar a agua, despojando-a das matérias sólidas
em suspensão, e das substancias notivas que póde
conter.
Assim com o a própria naturesa se encarrega
da filtração natural das aguas das fontes e plu­
viais, que se purificam atravessando as camadas
arenosas que formam o sub-sólo do terreno, pre­
sume-se imitar o processo por meio de filtração
artificial, estabelecendo valas profundas, chama­
das galerias filtrantes e vastas bacias de filtração,
hermeticamente fechadas pela parte superior, com
um fundo falso cheio de matérias filtrantes que as
aguas atravessam, antes de entrarem nos tlfeps
coletores de distribuição. Quanto aos filtrosBca-
seiros, ha-os de diversos sistemas, feitios e autJres.
Os mais empregados são os filtros Pasteur 1 os
Chamberland, nos quais filtra-se a agua, fazen|o-a
passar através de uma vela porosa de porcelana.
328. — Que são aguas minerais?
— 188 —

Uma agua ê mineral ou medicinal, quando con ­


tem proporção considerável de sais em dissolução,
ou pela sua temperatura póde ser aproveitada
para o tratamento de certas enfermidades. Em
relação á sua composição, dividem-se em certo nu­
mero de grupos, cujos principais são: aguas aci-
duladas, ferreas, sulfurosas, bromadas e iodadas.
As aguas aciduladas são frias, têm sabor picante
e grande quantidade de gas carbonico, que perdem
em parte com efervescencia, quando surgem e
quando se agitam: tais são as aguas de Seltz. As
aguas ferreas, ou ferruginosas são as que têm em
dissolução algum sal de ferro. As aguas sulfuro­
sas contêm hidrogênio sulfurado, um sulfureto so­
lúvel, tem cheiro de ovos podres e enegrecem a
prata. Pertencem a esta categoria as afamadas
aguas de Louchon e Canterets. A s aguas broma­
das, iodadas, bromo-iodadas, etc. contêm em disso­
lução sais neutros, brometos, iodetos, etc.
824. — A agua distilada é potável?
Não. A agua distilada, apesar de quimica-
mente pura, é imprópria para a alim entação; de­
sagrada ao paladar, não mitiga a sêde e pesa ao
estomago.
325. — Quais são as principais doenças trans­
missíveis pela agua?
Os germes patogênicos que as aguas contami­
nadas contém, são veículos de algumas enfermi­
dades muito perigosas, com o a cólera, a desinteria
e principalmente a febre tifoide.
326. — Falai da febre tifoide.
A febre tifoide, doença contagiosa e gravíssi­
ma, é devida á infecção do organismo pelo m icro-
bio descoberto por Eberth em 1882. Estes bacilos
encontram-se aos milhões nas fézes e urinas dos
tíficos. A febre tifoide acomete principalmente as
pessoas novas fatigadas: é endemica nas grandes
cidades, onde tem com o principais transmissores
as aguas contaminadas e as hortaliças cruas (al­
faces, morangos, tomates, etc.) as quais muitas
vezes são irrigadas por essas aguas poluidas.
A febre tifoide é quasi sempre precedida de
perturbações intestinais, mal estar, prostração, etc.
O m elhor guia na descrição desta doença é o ter­
m om etro: segundo suas indicações, dividiram os
médicos a evolução tífica em tres períodos: as­
censão, estado e declinação. Como medida profi-
latica, têm sido recentemente empregadas inocula-
ções de soro. O metodo é conhecido pelo nome
de Haffkine. O fluido injetado é uma emulsão de
bacilos tifoides, depois de terem sido mortos pelo
calor. A ’ vacina se deve a quasi extinção da febre
tifoide durante a conflagração européa. Nos pri­
meiros anos da guerra, a mortalidade pelo tifo era
de 12 % , enquanto que depois do emprego da va­
cinação, póde-se dizer, não se registraram senão
pouquissimos obitos dessa moléstia.
327. — Falai na desinteria.
A desinteria observa-se principalmente nos
países quentes, na estação das chuvas, e nos climas
186 ~~

temperados, nò estio e outono: distingue-se por


ulcerações mais ou menos profundas no grosso in­
testino. Nas desinterias graves, a mucosa sepa­
ra-se, o tecido celular infiltra-se de pús, gangre­
na-se e elimina-se por fragmentos. Segundo as
pesquizas de Losch e Kartalis, um rizópodo, a
amoeba coli é a causa da desinteria e tambem do
abcesso do figado, que lhe é consecutivo. A desinte­
ria aguda epidemica que aparece nas aglomerações
numerosas, mal alimentadas, esfalfadas, sofrendo
da humidade, exige as medidas profilaticas mais
energicas e um regime alimentar muito severo.
O seu veículo principal é a agua, que por esse
motivo deve ser fervida ou filtrada, pelo menos nos
tempos de epidemia.
328. — Porque se deve evitar a reprodução dos
mosquitos?
Os mosquitos são os transmissores de doenças
gravíssimas, com o a febre amarela e a malaria.
Esses dipteros tão perniciosos á saude, reprodu-
zem-se e multiplicam-se, graças ás aguas em re­
pouso. Alguns, com o o mosquito rajado, trans­
missor da febre amarela, preferem deitar seus ovos
nas aguas límpidas, outros, com o os anofelinos,
veículos da malaria, deixam -nos em qualquer qua­
lidade de agua. Dos ovos saem as larvas, que mais
tarde se transformarão em outros mosquitos.
As aguas estagnadas, onde o mosquito se re­
produz com facilidade, constituem por isso um pe­
rigo iminente para a saude publica. A drenagem
— 186 —

dos sólos pantanosos, a capinagem freqüente, a cul­


tura dos eucaliptos para a deshidratação da terra,
a petrolização metódica das superficies liquidas, a
protecção das habitações por meio de redes apro­
priadas, os leitos protegidos pelos cortinados ou
mosquiteiros, têm sido os meios geralmente empre­
gados para evitar o desenvolvimento do inseto e
a sua ação contra o homem. Dessa profilaxia cien­
tifica se tem colhido os melhores resultados.
B29. — Falai da malaria.
A malaria, tambem chamada febre palustre,
sezão, maleita, é a mais generalizada das doenças
dos países quentes. O seu parasita patogênico é
um protozoario que vive no sangue, donde a de­
nominação que tem de hem atozoario: a periodici­
dade e o tipo dos acessos palustres estão relacio­
nados com as fases do ciclo evolutivo do agente
morbigeno dentro do organismo atacado, e o trans­
missor da doença é um mosquito culicideo da sub-
familia anofelina: os esporozoitos do hematozoario
acumulam-se nas glandulas salivares do mosquito,
tornando-o apto a infectar o homem com a picada
do seu ferrão. O seu tratamento faz-se hoje á luz
de uma segura documentação parasitologlca. O
emprego dos sais de quinino, de preferencia sob a
fórm a de injeções hipodérmicas, é prescrito con ­
form e a manifestação mórbida e consoante a fase
em que se apresenta. E* um mal que ataca em
todas as idades. Em todos os países tropicais e
temperados onde a malaria se encontra, um esforço
_ 187 —

tenaz contra os anofelinos vai-se impondo ás mu­


nicipalidades e aos governos. E ’ com certeza uma
doença que num futuro mais ou menos proximo
tenderá a desaparecer.
330. — Falai na febre amarela.
A febre amarela cujo agente patogênico é ain­
da desconhecido, é transmitida por um mosquito
doméstico denominado Stegomyia calopus. Icteri-
cia, hemorragia e vom ito negro, são suas primeiras
manifestações. E ’ uma doença do litoral atlantico
e qüe provocou durante o seculo X I X uma m orta­
lidade considerável, na zona marítima do Brasil,
nas Antilhas e em todo o litoral do Golfo do Mé­
xico. O Brasil importou-a em 1849 por um navio
vindo de Nova Orleans, e, desde então, com dife­
rentes graus de intensidade, a sua ação nociva
fez-se sentir quasi todos os anos, com enorme
prejuizo para o seu desenvolvimento. H oje, pode-
se dizer que está extinta a febre amarela em nosso
país. Este resultado deve-se principalmente ao
grande Osvaldo Cruz.
Comparando o estado atual de salubridade da
Capital da Republica com o de tempos ainda não
mui distantes, vê-se quanto devemos aos Instituto
Bacteriologico e aos parasitologistas, entomologis-
tas e clinicos que tornaram modelar essa institui
ção, sob a direção do grande medico patrício.
CAPITULO 16

TRANSATLANTICOS E SUBMARINOS

331. — Falai nos transatlanticos.


Nos primordios do seculo X IX , com a apli­
cação do vapor (Fig. 88) á navegação, uma compa­
nhia inglesa, Great Western Railway, lançava ao
mar o primeiro transatlantico “ Great W estern” .
Este navio de 65 metros
e 1.350 toneladas, com
estupefacção geral fez a
viagem de Bristol a Nova
York em 15 dias apenas.
Desde então multiplica­
ram-se as construções na­
vais: com progressos cada Fig. 88 — Transatlantico
vez mais magníficos. A
propulsão dos navios era, a principio, feita por meio
de grandes rodas: pouco a pouco, foram estas subs-
tituidas pelas helices. A marinha alemã notabili­
zou-se pela grandeza e velocidade de seus transa­
tlanticos. A sua mais importante companhia, que
era ao mesmo tempo, antes da guerra européa, a
mais importante companhia de navegação de todo o
mundo, a Hamburg-Amerika-Linie, lançou em 1900
o "Deutschland” de 16.000 toneladas, que bateu du­
rante varios anos o record de velocidade (23 nós e
m eio) entre os transatlanticos, até o dia em que apa­
receram o “ Mauritania” e o “ Lusitania” (32.000 to­
neladas) da companhia Clmard de Liverpool. Esses
navios necessitavam 880 tripulantes e podiam rece­
ber 2.300 passageiros. Desde então, renunciou a
Hamburg-Amerika-Linle á luta pela velocidade,
mas com eçou a construir as maiores unidades que
o Oceano jam ais vira: o “ Im perator” de 52.000 to­
neladas (1912), o “ Vaterland” de 55.000 toneladas
(1913), e o “ Bism ark” de 58.000 tonelaclas (1914).
A rival alemã da Hamburg-Amerika era o Nord-
deutscher llo y d de Brèmen, que construiu em 1914
o “ Columbus” de 35.000 toneladas. Simultaneamen­
te, a W hite Star, abandonando a luta pela velocida­
de, meteu ombros tambem á construção de grandes
transatlanticos, com o o “ Celtic” de 32.000 tonela­
das, o “ A driatic” de 37.000, o “ Olim pic” e o “ T i-
ta n ic” de 45.000 toneladas. As dimensões dos m o­
dernos transatlanticos permitiram dar a seus ha­
bitantes, comodidade e luxo jamais vistos, transfor­
mando esses palacios flutuantes, nos mais confortá­
veis e m agnificos hoteis. Ascensores ligam entre si
os diferentes pavimentos: ha aposentos e camaro­
tes de luxo, a que se juntam salas, quartos de banho,
etc.; ha ainda estufas, jardins de inverno, salões
de baile e cinema, fumoir, biblioteca, imprensa (em
alguns publica-se uma folha diariamente, com noti­
cias transmitidas pela telegrafia sem fios) e até
piscinas de natação e recinto de patinagem.
332. — Que são submarinos?
Submarinos são barcos que pódem navegar
completamente imersos na agua. Os diversos tipos
— 130 —

de submarinos que até agora se tem realizado, são


quasi exclusivamente destinados a fins militares.
Constituem eles uma valiosa arma na guerra
naval, atuando por meio do lançamento de torpe­
dos, e utilizando com vantagem a faculdade de se
poderem ocultar por uma rapida imersão.
Foi em, 1886 que se realizaram em França os
estudos mais concludentes para os atuais tipos de
submarinos. Só dez anos mais tarde, foi que os
ingleses e norte-americanos se ocuparam tambem
da navegação submarina e, ainda posteriormente, a
Alemanha e as demais nações.
Hoje, constituem os submarinos um tipo defi­
nido de vaso de guerra, possuindo qualidades apre-
ciaveis, tanto no que respeita á navegação, com o
ao combate, o que ficou demonstrado na Grande
Guerra, na qual desempenharam eles importante
papel.
338. — Explicai o processo de imersão e outras
manobras dos submarinos.
Estando á superficie das aguas, os submarinos
têm uma estabilidade de fórm a com o os outros na­
vios, e póde, com o eles, navegar fazendo uso de
um determinado motor. Para imergir, o submarino
enche os seus compartimentos do lastro de agua e
adquire em regra uma posição de equilibrio. Dis­
pondo então convenientemente o leme de profundi­
dade, e fazendo trabalhar o m otor para navegação
submarina, que é distinto do destinado á navegação
á superficie, o barco mergulha á profundidade de­
sejada é continúa a navegar nessa profundidade.
Para voltar á superficie, basta parar o m otor e, pelo
exgoto do lastro de agua, adquirirá novamente o
primitivo estado de flutuação, Se, contudo, devido
a algum acidente grave no m otor ou bombas de
exgoto, fôr de mister voltar rapidamente á superfi­
cie, ha ainda o recurso de largar a quilha, que para
tal fim tem apropriadas disposições, constituindo
o chamado lastro destacavel. Os submarinos pó­
dem ser classificados em dois grupos principais: os
snbmarinos propriamente ditos e os snbmersíveis*
Nos primeiros, submarinos de casco simples, os com ­
partimentos para lastro de agua e os reservatorios
de combustível são dispostos no interior do casco;
ao passo que nos submersiveis, que são dotados de
dois cascos, tais reservatorios, denominados water-
ballast, estão colocados no intervalo entre os cas­
cos. Em geral, para a navegação submarina, em­
pregam-se os motores eletrícos, alimentados por
acumuladores, enquanto que parà a navegação á
superficie, tem-se adotado m otores eletrícos, m oto­
res de combustão interna, e até máquinas de vapor.
O tipo de m otor mais em uso, porém, é o cha­
mado de propulsão oleo-eletrica, isto é, empregando
motores a petroleo para a navegação á superficie,
e motores eletricos com acumuladores para a na­
vegação submarina. Para observação da superficie
das aguas, quando o submarino imerge, existe o
aparelho denominado periscopio. O periscopio dis­
põe de um jogo de lentes que permite ao observador
no interior do barco vêr o que se passa á superficie
das aguas, e que é abrangido no campo objetivo
do aparelho. O periscopio póde funcionar quando
necessário, como oculos de alcance, aumentando
as dimensões dos objetos descobertos.
IV

OXIDAÇAO E REDUÇÃO
t ' \

CAPITULO 17

OXIDAÇÃO DOS METAIS USUAIS? ISQUEIROS


— COMBUSTÃO E CHAMA? A LAMPADA DOS
MINEIROS — LAMPEÃO DE KEROZENE:
LAMPADA DE SOLDAR

384. — Que é combustão?


Dá-se o nome de combustão a toda combina­
ção diréta de um corpo com o oxigênio.
33S. — Que é combustão viva?
Quando a combustão é acompanhada de luz e
de desprendimento considerável de calor, chama-se
combustão viva. Assim a madeira, os corpos gra-
xos, o gas de iluminação, ardem no ar, porque seus
elementos se combinam com o oxigênio que o ar
contem e produzem combustões vivas. Essas com­
bustões são muito mais vivas no oxigênio puro.
Os fenômenos de combustão viva dão-se para cada
corpo em determinada temperatura; ò fósforo sé
inflama aos 60 gráus; o enxofre aos 250°; o car­
vão precisa ser levado á incandescencia, etc. Ex-
tende-se h oje o nome de combustão viva a toda
reação quimica acompanhada de calor e luz. Assim,
o cobre e o ferro ardem no vapor de enxofre; o
fosforo se inflama espontaneamente no cloro, etc.
336. — Que se entende por combustão lenta?
Corpos ha que expostos ao ar na temperatura
ordinaria oxidam-se lentamente, sem que haja des­
prendimento aparente de calor ou produção de luz:
a tais oxidações dá-se o nome de combustões lentas.
Exem plos: a transformação do ferro em ferrugem;
o verdete do cobre, etc.
337* — Como se póde verificar a combustão do
ferro?
Para se verificar a combustão viva do ferro,
introduz-se rapidamente num vaso contendo oxi­
gênio, uma corda de piano enrolada em helice, em
cuja extremidade se coloca um pedaço de isca (es-
topa, por exem plo).
Acendendo-se a isca, esta queima rapidamente
e seu calor provoca a combustão do ferro. Este
arde violentamente, lançando para todos os lados
brilhantes faiscas e transform ando-se em uma subs­
tancia vermelha pulverulenta, que é o oxido de
ferro. Esse oxido fundindo destaca-se em globulos
e determinará a rutura do vaso, se no fundo deste
a&p se tiver tido o cuidado de deixar uma pequena
— 195

camada de agua. A combustão lenta do ferro é


um fáto corriqueiro que todos teremos apreciado:
quem é que não sabe que um pedaço de ferro hu­
mido exposto ao ar se enferruja? B' a oxidação
lenta desse metal.
338. — Que outros metais são suscetíveis de
oxidação?
Exceto o ouro e a platina, todos os metais se
combinam diretamente com o oxigênio, quando
aquecidos em temperaturas mais ou menos eleva­
das. Como o ferro, a oxidação ou combustão do
magnésio é particularmente brilhante. Aquecen-
do-se a extremidade de uma fita de magnésio, ela
entra em combustão, produzindo uma luz branca,
muito brilhante. O produto dessa combustão é uma
poeira branca, o oxido de magnésio. O potássio
é o unico metal, que se oxida ao ar seco na tem­
peratura ordinaria; por isso, é mister conservá-lo
em essencia de petroleo, para o presservar do con­
tato do ar.
Muitos metais, quando expostos á ação do ar,
cobrem-se de uma fina camada de óxido, que pro­
tege o resto do metal contra uma oxidação mais
avançada, tais são: o aluminio, o zinco, o chumbo
e o estanho. P or esse motivo, os artefatos de
ferro costumam ser cobertos de uma camada pro­
tetora de qualquer desses metais. São muito usa­
dos, por exemplo, o ferro estanhado ou folh a de
Flandres, o ferro niquelado e o ferro galvanizado
(zincado).
196 —

839. — Que são isqueiros?


Isqueiros são pequenos instrumentos mui co-
mumente usados para se obter fogo. Funda-se
facilidade com que o ferro se oxida. 0 atrito do
ferro contra um pedaço de silex faz com que par­
tículas minimas do metal se desprendam e, de tal
modo aquecidas, que se inflamam em contato com
o oxigênio do ar. Caindo as faiscas sobre o pavio
molhado em benzina, esse tambem se inflama. Bm
alguns isqueiros, as faiscas são produzidas por um
fragmento de ferrocério (liga de ferro e cerio) que
é atritado contra uma pequena roda de aço que se
impele com o dedo.
840. — Que é châma?
Chama, denomina-se nm vapor ou gas em com ­
bustão. A gasolina, o alcool, o petroleo, o carvão
de pedra, a madeira e todos os demais corpos que,
pelo aquecimento, desenvolvem gases, ao entrarem
em combustão produzem chama. Corpos ha, po­
rém, com o acabamos de vêr na experiencia da oxi­
dação do ferro (n.° 337) em cuja combustão se não
produzem gases: estes pois, tornar-se-ão apenas
incandescentes, sem que resulte produção de chama.
341. — Como pódem ser as chamas?
Distinguem-se duas especies de chamas: as
simples e as com postas.. A s primeiras são as pro­
duzidas pelos gases simples: por exemplo, a chama
do hidrogênio. As chamas simples são pouco lumi­
nosas. Varias circunstancias contudo, contribuem
— 197 —

para aumentar e, ás vezes extraordinariamente, seu


poder iluminante. Entre essas, podemos citar a
presença nas châmas de algum corpo solido que se
tornou incandescente. Quando sobre a cal se di­
rige a châma do hidrogênio, torna-se a cal incan­
descente e emite uma luz muito viva. E* a chamada
luz de Drummond.
Chamas compostas são as que se produzem pela
combustão de uma mistura de diversos gases com ­
bustíveis. São formadas de tres cones ou fusos
superpostos, que têm por base comum o orificio de
saída: um, central, obscuro; o segundo que o en­
volve, com pequeno poder calorífico lum inoso; e
outro, exterior, extremamente quente.
342. — Em que consiste a lampada dos mi­
neiros?
Se se cortar uma chama por meio de uma téla
metalica, a châma
não atravessa a
téla (Pig. 89). Es­
tudando a condu­
tibilidade calorífi­
ca, vim os que esse
fenom eno se dá,
porque a téla, em
virtude de seu po­
der condutor re- Fíg* 89 châmas cortadas por meio
, , de telas metalicas.
parte por toda a
sua massa e cede depois ao meio ambiente, ò calor
que recebe da châma. Os gases que constituem
a châma, portanto, atravessando a téla metalica,
se esfriam e não pódem continuar a arder. Uma
aplicação importante dessa propriedade foi feita
por Davy na construção da lampada dos mineiros,
aperfeiçoada mais tarde por Combes.
O formenio ou grisú das minas de carvão de
pedra, desprende-se espontaneamente, acumula-se
nas partes superiores das galerias e, misturado ao
ar, produz ao inflamar-se formidáveis explosões.
A mecha da lampada de Davy está cercada de um
cilindro de vidro, coberto por um envoltorio de téla
metalica. Se a atmosfera contém grisú, este gas
poderá se inflamar no interior da lampada, mas,
graças á téla metalica, a combustão não se propa­
gará no interior.
848. — Que especie de châmas produzem òs
lampeões de querozene?
As châmas dos lampeões de querozene são com­
postas. Seus elementos combustíveis são o hidro­
gênio e o carbono. O çoder iluminante dessas
châmas é devido ás particulas de carbono tornadas
incandescentes, em suspensão no gas.
344. — Que são lampadas de soldar?
Chamam-se assim as lampadas utilizadas pelos
operários para fundir a solda e ligar duas peças de
metal. A châma quentissima que essas lampadas
projetam, é produzida pela combustão em contato
com o ar, dos vapores da gasolina ou do alcool, sob
grande pressão.
1991 —

CAPITULO 18

ENXOFRE; SUAS PROPRIEDADES — COMBUS­


TÃO DO ENXOFRE; FOSFORO; POLYORA —
CARACTERES E EMPREGO DO GAS SULFUROSO
— COMBUSTÃO DA FORMICIDA E SUA APLI­
CAÇÃO — COMBUSTÃO DOS METAIS NO CLORO

345.— Como se encontra o enxofre na naturesa?


O enxofre é abundantíssimo na naturesa, onde
se apresenta quer no estado nativo, quer no de
combinação com os metais, formando cloratos e
cloretos. No estado livre, é um produto vulcânico,
ou resultado de emanações subterraneas. Encon-
tra-se cristalizado e puro, mas, mais frequentemente
misturado com matérias terrosas, nas vizinhanças
dos vulcões ativos ou extintos. As jazidas mais
abundantes dessas terras sulfureas são as da Sici-
lia. Combinado, existe nas emanações vulcanicas,
sob a fórma de acido sulfidrico (H2S ) ; no estado
de sulfeto de ferro (FeS2) (pirite de ferro), de sul­
feto ou pirite de cobre (chalcopirite), de pirite
magnética (FeS4), de blenda ou sulfeto de zinco
(ZnS), de galena ou sulfeto de chumbo (PbS), de
cinabrio ou sulfeto de mercúrio (HgS), etc. Existe
tambem no sulfato de calcio hidratado, ou gesso,
que fórma grandes massas nos terrenos terciários;
no sulfato de magnésio, que existe em dissolução
nas aguas do mar, e em diversas fontes salgadas;
no sulfato de bario, etc.
200 —

346. — Como faz a industria a extração do en­


xofre?
A industria aproveita com o fontes de enxofre:
1.° as terras sulfureas; 2.° as pirites de ferro.
Na Sicilia, usa-se o processo denominado dos cal-
caroni. Constróem-se grandes montes de terra sul-
furea (calcaroni), os quais se cobrem de terra, dei-
xando-se livres as aberturas das chaminés verti­
cais, praticadas na massa, por meio de seus maiores
blocos. Introduz-se lenha acesa por essas aber­
turas: uma parte do enxofre arde, e o calor de sua
combustão determina a fusão da parte restante,
que escorre para fóra por uma abertura praticada
no lugar mais baixo. O enxofre assim obtido tem
3 a 10% de matérias estranhas: é chamado en­
xofre bruto: por isso, deve ser submetido depois a
uma refinação. Esta refinação faz-se, procedendo
á distilação num aparelho apropriado, tendo uma
larga camara servindo de recipiente. Se a disti­
lação fôr lenta e as paredes da camara não se ele­
varem á temperatura de 110°, o enxofre deposita-se
no estado solido, formando a flor do enxofre;
se a distilação fôr rapida, o enxofre deposita-se
fundido na base da camara, e, por meio de uma
torneira de descarga, é lançado em moldes cilindro-
coniços, mergulhados em agua fria: obtem-se as­
sim o enxofre em cilindros ou em canudos. 2.°)
Das pirites de ferro extrai-se o enxofre, calcinan­
do-as ao rubro em retortas de grês de fórm a conica,
tendo tubos abdutores que levam o enxofre a um
recipiente contendo agua.
\ 347. — Quais são a& principais propriedades do
enxofre?
O enxofre é um corpo solido, á temperatura
ordinaria, sem cheiro, nem sabor e de cor amarela.
E* máu condutor do calor e da eletricidade. Ele­
vando a temperatura do enxofre acima do seu ponto
de fusão, começa a corar-se de vermelho a 150°.
De 170° a 200°, toma a côr negra e tom a-se uma
massa espessa e muito viscosa. Entre 330° e 340°,
readquire em parte, sua fluidez. Enfim a 447° ferve
e seus vapores dão por condensação, enxofre ama­
relo. O enxofre é insolúvel na agua: dissolve-se
na benzina, no petroleo e no sulfeto de carbono.
848. — Quais são os estados alotropicos do en­
xofre?
O enxofre póde apresentar-se em diversos es­
tados, cada um dos quais dotado de qualidades dife­
rentes. E ' o que se chama estados alotropicos do
enxofre. Estes estados se reduzem a dois tipos
principais: o enxofre solúvel e o insolúvel no sulfeto
de carbono. A ’ primeira classe pertencem: 1.°) O
enxofre ordinário ou octaedrico, que se obtem
dissolvendo o enxofre no sulfeto de carbono e
deixando-o evaporar; 2.°) O enxofre prismático,
menos denso e mais escuro que o precedente: ob­
tem-se por fusão do enxofre e subsequente arrefe­
cim ento; 3.°) O enxofre amorfo solúvel, mais
branco que o enxofre ordinário, denominado tam-
202 —

bem leite de enxofre. Na naturesa, encontra-se 6


enxofre cristalizado na fórma mais estável, que/é
a octaedrica. O enxofre insolúvel constitue o rosi-
duo que se obtem, quando se tenta dissolver a ilor
de enxofre no sulfeto de carbono. Compreende
tambem: 1.°) O enxofre obtido por precipitação
do cloreto de enxofre pela agua; 2.°) O enxofre
am orfo temperado, que se obtem temperando o
enxofre acima de 150°; 3.°) O enxofre romboedrico,
que se obtem decompondo pelo acido cloridrico di-
luido o hiposulfito de sodio.
849. — Quais são as principais aplicações do
enxofre?
São numerosas e importantes as aplicações do
enxofre. E* usado com o agente terapeutico nas
moléstias de pele, sob a fórma de pomada de en­
xofre, glicerado de enxofre, etc.; nessas preparações,
usa-se a flor de enxofre lavada com agua, muitas
vezes.
O enxofre é tambem empregado contra o oidio
das vinhas, para preparação do sulfeto de carbono,
de matérias corantes, da borracha artificial, para
o fabrico da polvora, dos pavios fosforicos enxo­
frados, para moldes de medalhas, para ligar o ferro
á pedra, etc.
850. — Falai da combustão do enxofre.
Combustão vimos atrás (n.° 334), é a combi­
nação de nm corpo com o oxigênio. O enxofre é
combustível: inflama-se no ar aos 250° e arde com
uma châma azul, produzindo o anidrido sulfuroso.
— 203 —

0 anidrido sulfuroso é um gas incolor, de cheiro


sufocante e sabor desagradavei. E* um antiséptico
poderoso, com o qual se desinfeta a roupa de cama,
se paneiam os hospitais que tenham sido ocupados
por\doentes de moléstias contagiosas: basta, para
isso,\ queimar enxofre, na proporção de 25 gramas
por metro cubico de ar, tendo-se préviamente fe­
chado todas as aberturas do aposento.
A higiene emprega o gas sulfuroso tambem na
guerra de exterminio aos ratos e mosquitos. A
industria o utiliza com o descorante, para alvejar a
lã, a <seda, a palha, etc. O anidrido sulfuroso li­
quido* que se encojitra no comercio, em reservato­
rios de aço ou em garrafas de vidro grosso, serve
para a produção de grandes frios e principalmente
para o fabrico do gêlo.
851. — Como se fabricam os fosforos?
Os fosforos que empregamos para obter o fogo,
são assim denominados, porque na sua composição
entra em m aior ou menor quantidade o corpo sim­
ples (ou metaloide) do mesmo nome. Ha duas
especies desses fosforos ou acendalhas: os fosforos
suecos e os ordinários. Nos fosforos suecos, a ex­
tremidade da madeira é envolvida numa massa
composta de cola forte, sulfeto de antimonio e
clorato de potássio, e na caixa ha uma superficie
chamada lixa, onde se deve friccionar a acendalha.
Consiste a lixa numa massa composta de cola forte,
sulfeto de antimonio, sulfeto de ferro ou arejia e
fosforo vermelho,
Para os fosforos ordinários, mergulha-se a ei
tremidade de um pequeno prisma de madeira ei
enxofre, cera e parafina fundida, para o tornar mais
combustível (fosforos de madeira) ou se empréga
uma mecha impregnada de cera ou parafina ífos-
foros de cera, allumette-bongies). Depois meírgu-
lha-se a extremidade do pau ou da mecha Suma
massa feita de cola forte, fosforo, bioxido de chum­
bo e azotato de chumbo e algumas vezes areia fina
ou vidro moido, á qual se dá co r com minio ou
azul da Prússia. Pelo atrito, o fosforo se inflama
e pega fogo no pavio. Os fosforos suecos são, sob
todos os pontos de vista, preferíveis aos fosforos
ordinários, por não ser o seu fabrico nocivo á saude
dos operários, por se inflamarem mais dificilmente,
e enfim, por não serem venenosos.
352. — Citai outra aplicação industrial do en­
xofre.
A polvora é uma importante aplicação indus­
trial do enxofre. Distinguem-se, segundo a sua
composição, tres especies de polvoras: as polvoras
negras, as de nitrato de sodio e as polvoras coloi-
dais. l.°) A polvora negra, cuja origem é muito
antiga, é uma mistura de elementos combustíveis,
enxofre e carvão, com o salitre, corpo muito oxi-
dante, que desenvolve calor, decompondo-se. A
dosagem desses elementos é variavel. Nas polvo­
ras de guerra, misturam-se 75 partes de salitre
para 12 partes e meia de enxofre e outras tantas
de carvão. Póde inflamar-se a polvora, ou pelo
contato de um corpo em ignição, ou por um aque­
cimento subito de 250° ou 300°, ou por meio de uma
faisca eletrica e enfim, por um choque suficiente­
mente violento. A combustão do carvão e enxofre
que então se segue, produz subitamente enorme
massa gasosa, á cuja formidável força expansiva,
se deve o poder destruidor da polvora. 2.°) As
polvoras de nitrato de sodio, são constituídas de
enxofre, carvão e nitrato de sodio ou amonio, sub­
stancias que encerram mais oxigênio e desenvolvem
mais gases e calor. Essas polvoras são, porém,
muito higrometricas e perdem rapidamente a força.
3.°) O algodão nitrado é a base das polvoras co*
loidais. As polvoras coloidais apresentam a grande
vantagem de não produzirem fumaça e não sujarem
as armas, e permitem obter grandes velocidades Ini­
ciais com fracas pressões internas na arma.
3153. — Que propriedade tem o sulfeto de car­
bono?
O sulfeto de carbono, que se obtem fazendo
atuar diretamente vapores de enxofre sobre brasas,
é um liquido incolor, fétido, muito volátil e infla­
ma vel. A mistura de seus vapores com o a,r, detona
violentamente ao contato de uma châma. Dessa
combustão resulta gas sulfuroso (com binação do
enxofre com o oxigênio do ar) e gas carbonico
(carbono e oxigên io). Os vapores do sulfeto de
carbono são muito venenosos: inspirados em pe­
quena quantidade, causam vertigens, vom itos e vio­
lentas dores de cabeça. Por causa de suas proprie­
206 —

dades tóxicas, o sulfeto de carbono tem hoje larga,


aplicação entre nós com o formicida, para destruif
ção dos ratos, gorgulhos do trigo, etc. E ’ vulgar­
mente conhecido pelo nome de form icida Capane-
ma, do nome do ilustre professor que tornou conhe­
cido este uso.
354. — QUe é o cloro?
O cloro é um gas amarelo esverdeado, de cheiro
forte e irritante e de sabor cáustico. Não se en-<
contra livre na naturesa, mas mui abundantemente
no estado de combinação com os metais. O cloreto
de sodio, constituido de cloro e sodio (Na Cl) fó r­
ma no seio da terra depositos consideráveis, acha-se
em dissolução na agua do mar e entra nos humores
e tecidos do corpo humano. As aguas do mar con­
têm ainda cloreto de potássio (KC1) e cloreto de
magnésio (Mg Cl2).
355. — Qual a sua ação sobre os metais?
O cloro comblna-se com todos os metais, com­
binação que se faz com grande violências por isso,
diz-se que os metais entram em combustão numa
atmosfera de cloro. O potássio, o mercúrio e o
ouro são atacados pelo cloro na temperatura ordi­
naria. Se se agitar em agua de cloro uma folha
de ouro, esse desaparece rapidamente. O potássio
introduzido no cloro, inflama-se espontaneamente,
e o produto dessa combustão é o cloreto de potássio.
Se se introduzir mercúrio num frasco de cloro, íor-
ma-se aderente ao vidro um bloco espelhento, cons­
tituido de cloreto de mercúrio. Introduzindo-se
207 —

num vaso de cloro um fio de ferro ou de cobre


enrolado em helice, aquecido em uma das extre­
midades, o metal entra em combustão, fenôm eno
analogo ao que vim os no n.° 337 deste compêndio,
quando falámos da combustão dos metais no oxi­
gênio.

CAPITULO 19

REDUÇÃO DOS ÓXXDOS PELO CARVÃO — IN­


DUSTRIA DO FERRO — ALUMINOTERMIA —
PAPEL DA CLOROFILA NOS VEGETAIS

856. —- Que é redução?


Redução chama-se o fenôm eno quimico, pelo
qual um composto é modificado pela ação de outro
corpo, denominado redator. A redução póde con­
sistir, quer numa perda total ou parcial de oxigênio
ou de cloro, quer numa fixação de hidrogênio, quer
mesmo nas duas simultaneamente. O carbono e o
seu composto, oxido de carbono, são os corpos re-
dutores por excelencia. O carbono é um redutor
energico, por causa de sua afinidade pelo oxigênio.
Sob a influencia de temperaturas mais ou me­
nos elevadas, decompõe grande numero de com­
postos oxigenados, com o a agua, o acido sulfurico,
os oxidos metálicos, etc. Na redução dos oxidos
metálicos, o metal é posto em liberdade e despren­
de-se gas carbonico ou oxido de carbono, conform e
a temperatura em que fôr reduzido o oxido.
208

A redução dos oxidos metálicos pelo carbono


e pelo oxido de carbono, tem uma importancia ca­
pital na extração dos metais dos seus minérios, na
industria metalúrgica.
357. — Quais são os minérios de ferro mais
importantes?
O ferro é o metal mais espalhado na naturesa.
Póde-se dizer que não existe terreno completamente
desprovido desse metal. No estado nativo, contudo,
não se encontra senão nas pedras meteóricas, em
que se acha unido a outros metais, com o o niquel
e o cromo.
Devido á sua grande afinidade pelo oxigênio,
êle se encontra o mais das vezes em combinações
varias, formando diferentes compostos quimicos,
dos quais os mais importantes com o minérios são
o carbonato e os oxidos.
1.°) O carbonato ferroso cristalizado ou ferro
espático, encontra-se nos terrenos antigos, associado
ordinariamente ao carbonato de manganez.
2.°) O sesquioxido de ferro, que póde ser ani­
dro ou hidratado. As variedades mais importantes
do primeiro são o ferro oligisto e a hematite, de
côr rubra escura e brilho metálico. As do segundo
são a limonite e o ferro oolitico.
3.°) O oxido de ferro magnético, tambem cha­
mado iman natural, abundante na Suecia e Noruega.
O oxido magnético é o minério mais rico e o
que dá ferro mais puro.
358. — O Brasil possue muito ferro?
O Brasil é sem duvida o país mais rico dò globo
nesse importante minério. Nas pesquizas que fi­
zeram os primeiros exploradores, á procura de ouro,
encontraram sempre ferro em abundancia e, se não
foram as condições desfavoraveis á industria em
que até o presente tem vivido a America do Sul,
nossa patria poderia ser a primeira entre as nações
produtoras desse utilissimo metal. O Estado de
Minas é o mais rico em ferro, com o em geral, em
todos os metais. Jazidas riquíssimas desse miné­
rio se encontram nas montanhas vizinhas de Belo
Horizonte, Vila Nova de Lima, Itabira do Campo
e de Mato Dentro e em Santa Barbara. A Serra
Espinhaço, em toda a sua extensão esconde ri­
queza extraordinaria de hematite, itabirite, lim o-
nite, ferro oligisto e outros minérios.
O monte Pilar constitue um verdadeiro cone
de ferro. A exportação do ferro de Minas é su­
perior a um milhão e meio de quilogramas. Tam­
bem nos outros Estados do Brasil ha muito ferro.
Ha muita hematite na Baía, Goiás e Mato Grosso;
oxido magnético ha em abundancia em São Paulo
(Ipanem a), R io Grande do Sul, Santa Catarina e
Paraná. A quantidade de minério de ferro exis­
tente, só no Estado de Minas Gerais, é calculada
em mais de doze bilhões de toneladas. Representa
isto uma reserva seis vezes maior do que a exis­
tente nas minas de toda a Alemanha.
359. — Falai na metalurgia do ferro.
A metalurgia do ferro baseia-se na redução dos
— 210 —

oxidos de ferro pelo oxido de carbono* Dos oxidos


de ferro extrai-se o metal por dois m étodos: .o
catalão e o dos altos fornos. No metodo catalão,
sómente parte do oxido de ferro é reduzido pelo
carvão, e dá ferro mais ou menos puro. Este pro­
cesso só se aplica a minérios ricos, porque se perde
uma quantidade de ferro tanto maior, quanto mais
ganga contiver o minério. No segundo metodo, in-
troduzem-se em altos fornos cargas alternativas
de carvão, minério e carbonato de calcio: a ganga
form a com a cal o silicato que se chama escoria,
o qual se funde e escoa para fóra, ao passo que o
ferro proveniente da redução do minério se com ­
bina com o carvão e dá o ferro fundido. Os ferros
fundidos contêm de 2,5 % a 6 % de carbono: dis-
tinguem-se em ferros fundidos brancos e pardos.
Os primeiros, devido á sua fluidez, são muito pro-
prios para a modelagem: os pardos, muito quebra­
diços, são reservados ao fabrico do aço. O aço é o
intermediário entre o ferro doce e o ferro fundido.
Contém de 0,25 % até 1,5 % de carbono. Obtém-
se, ou mediante carbonetação do ferro doce, ou por
descarbonetação do ferro fundido; ás vezes tam­
bem, pelos dois processos. Os aços têm uma pro­
priedade característica: tornam-se quebradiços e
adquirem grande dureza, quando temperados, isto
é, avermelhados ao fogo e depois resfriados repen­
tinamente por imersão num banho frio.
A produção anual dos aços é de dois milhões
— 211 —

de toneladas: mais de um milhão é fornecido pela


Inglaterra.
860. — Que entendeis por aluminotermia?
Vimos que o carbono e seu composto, o oxido
de carbono, são os corpos redutores por excelencia.
Ha contudo outros corpos com o o aluminio, o sili-
cio, o manganez, etc. que são tambem energicos
redutores. Grande numero de oxidos metálicos
pódem ser reduzidos pelo aluminio: tal reação,
contudo, até o ano de 1900, não era empregada por
ser considerada de uso perigoso. Goldschmidt
conseguiu tornar esta ação pratica misturando o
oxido a reduzir com aluminio em pó, e provocando
por meio de um cartucho facilmente inflamavel a
elevação da temperatura. Mal se acende, a mis­
tura reage: o metal reduzido separa-se em fusão
e sobrenada uma escoria. Este invento foi apli­
cado á industria para preparar metais (crom o).
A mistura de aluminio e termite (sesquioxido de
ferro) reage, produzindo temperatura muito alta.
O ferro reduzido entra em fusão: assim é empre­
gado para soldar economicamente os trilhos, tubos,
engrenagens, etc.
861. — Falai na função clorofiliana.
Clorofila é o pigmento que dá a cor verde á
maior parte das plantas. E* um pigmento composto
de tres substancias, uma de naturesa albuminoide,
corada de verde, clorofila pura ou propriamente
dita; outra em cuja com posição não entra azoto,
de côr amarela, a xantofila; e um pigmento ver­
melho, formado por um carboneto de hidrogênio,
a eritrofila. Da quantidade relativa desses tres
pigmentos depende o tom da cor verde das plantas.
A clorofila póde ser recolhida em pequenos
cristais verdes, tratando a principio pelo alcool e
depois pela benzina, as folhas verdes cortadas em
pedaços. A clorofila é de todos os corpos exis­
tentes nas plantas, o mais importante. Pela função
clorofiliana as radiações luminosas transformam*
se em agentes quimicos que, atuando sobre o ani­
drido carbonico que a planta recebe da atmosfera,
o decompõe, formando-se em seguida com a inter­
venção da agua, hidratos de carbono, de onde de­
rivam a glucose, os assucares, o amido e a celulose,
enquanto que o oxigênio é exalado para o exterior.
A função clorofiliana só se produz durante o
dia: é proporcional á intensidade da luz. Podeis
verificar esta função colocando sob uma campa-
nula cheia de agua ligeiramente carregada de acido
carbonico, um ramo de folhas verdes. No escuro
nada se produz, mas se expuserdes á luz solar a
campanula, vereis bolhas gasosas aparecerem so­
bre as folhas e subirem, reunindo-se no alto da
campanula. Recolhendo-se esse gas e mergulhan­
do nele um fosforo incandescente, este se reacende;
prova isto que o gas desprendido é oxigênio. Pela
função clorofiliana, tornam-se os vegetais os gran­
des renovadores do oxigênio da atmosfera. Por
esse m otivo é que é tão saudavel o ar que se res­
pira durante o dia nos campos, no seio das flores­
tas. Â noite contudo, não se realiza a função clo ­
rofiliana. Os vegetais só respiram, isto é, absor­
vem oxigênio e desprendem gas carbonico. Por
isto é que devemos retirar dos nossos quartos á
noite os vegetais, os quais pela respiração contri­
buiriam para tornar mais viciado o ar do ambiente
em que dormimos.
A VEDA

CAPITULO 20

VIDA AEROBIA E ANAEROBIA — ESTERILIZA­


ÇÃO — FERMENTAÇÕES: COALHADA; FABRI­
CO DO PÃO; VIN AGRE; ALCOOL — SUBSTAN-
CL4.S MINERAIS E ORGANICAS — SERES OR­
GANIZADOS — CARACTERES DA V ID A : E X C I­
TABILIDADE, NUTRIÇÃO E REPRODUÇÃO

362. — Como estão classificados os seres vi­


vos?
Dividem os biologistas os seres vivos em duas
grandes classes: os seres dotados de vida aerobia
e os de vida anaerobia. Seres aerobios são os que
respiram o oxigênio livre da atmosfera ou o oxi­
gênio dissolvido nas aguas: tais são os vegetais 6
a grande m aioria dos animais, inclusive o homem.
Anaerobios dizem-se os seres que para sua respi­
ração retiram o oxigênio de com postos quimicos
onde esse elemento exista. A esta classe perten­
cem muitas bactérias e fermentos.
363. — Falai dos fermentos.
Os fermentos são na maioria dos casos, vege­
tais inferiores, classificados uns entre os cogum elos
(levedura de cerveja), outros entre as algas (bac­
térias).
Existem no ar, no estado de espóros, de ger­
mes e multiplicam-se rapidamente, achando-se num
meio favoravel ao seu desenvolvim ento; nesse
meio, ao mesmo tempo que se nutrem, provocam
a form ação dos produtos que caracterizam a fer­
mentação correspondente. ,
Os fermentos pódem ser aerobios ou anaero-
bios.
Os fermentos aerobios são os que somente pó­
dem viver em contato com o ar: ex .: o fermento
aeetico.
Fermentos anaerobios dizem-se aqueles que
não pódem viver no ar: por ex.: o ferm ento bu-
tirico.
Além desses, ha uma terceira classe de fermen­
tos, os quais, embora conservem no ar a faculdade
de se multiplicar, perdem contudo a de produzir
ferm entações: por ex.: a levedura da cerveja. O
estudo e classificação dos fermentos deve-se ao
grande sabio francês Pasteur.
364. — Que se en ten de'por esterilização?
Esterilização é a destruição dos germens das
fermentações, decomposições e doenças contagio­
sas. O calor é o mais seguro dos agentes de este­
rilização. Os fermentos e os germes patogênicos
pódem resistir ás mais baixas temperaturas: a
— 216 —

agua, àò transform ar-se em gêlo, não perde bs


m icrobios que tem em suspenfeão. Nenhum ser
vivo contudo póde resistir a uma temperatura sufi­
cientemente elevada. A ebulição a 100° um tanto
prolongada é um dos principais méios de esterili­
zação.
Aconselha-nos por isso a higiene a submeter
a prolongada fervura as aguas suspeitas, antes de
as utilizarmos para nossa bebida. Os instrumentos
de cirurgia, as agulhas de injeção, todos os objetos;
ènfim, que usamos para entrar em contato intimo
com nosso corpo, devem ser cuidadosamente este­
rilizados, para se não tornarem veículos de infec­
ções perigossimas.
365. — Em que consiste a pasteurização?
Designa-se atualmente pelo nome de pasteu­
rização, um modo de aquecimento a uma tempera­
tura inferior a 100°, capaz de sustar por algum
tempo a germinação dos microbios, sem chegar a
esterilização absoluta. Esta operação tem a van­
tagem de não alterar as propriedades dos liquidos.
Pasteur aplicou-a á cura das doenças dos vi­
nhos e hoje é muito empregada tambem em relação
ao leite.
866. — Que é fermentação?
Chama-se fermentação a transformação de
certos com postos orgânicos em produtos constan­
tes, sob a influencia de determinados fermentos.
As fermentações mais importantes são:
1.°) A fermentação alcoólica, que consiste na
transformação do assucar de glucose èm alcool;
2.°) A fermentação acetica, ou transformação do
alcool ordinário em acido acetico; 3.°) As fermen­
tações latica e butirica, transformação da glucose
em acido latico ou acido butirico; 4.°) A fermen­
tação pútrida.
867. — Falai na fermentação alcoolica.
A fermentação alcoolica é a transform ação da
glucose (substancia doce, existente nos frutos ma­
duros, constituída de carbono, oxigênio e hidrogê­
n io) em alcool e gas carbonico, sob a influencia
das leveduras, principalmente da Saccharomyoes
©erevisiae, levedura de cerveja. A principio ex-
traía-se o alcool sómente das frutas ou das bebidas
fermentadas (vinhos, cidras, cervejas) e seus re­
síduos (borras). Atualmente retira-se da beter­
raba, da cana de assucar, das batatas doces, dos
cereais, dos melaços e outras substancias. Para
extrair o alcool das frutas fermentadas e das
bebidas basta uma simples distilação. Posta a glu­
cose em contato com a levedulra, esta a decompõe,
transform ando-a em alcool etilico, ou alcool or­
dinário, desprendendo-se ao nlesmo tempo, gas
carbonico. Nos outros casos necessitam-se tres
operações distintas: 1.°) Preparação de um mosto
(ou suco) assucarado, ferm entescivel; 2.° Fermen­
tação desse m osto; 3.° Distilação do liquido al-
coolico proveniente dessa distilação.
368. — Falai da fermentação acetica.
Consiste a fermentação acetica na transforma­
ção do alcool etilico (ou ordinário) em acido ace-
tico ou vinagre. É seu agente a bactéria Myco-
derma aceti, a qual fixa no alcool o oxigênio do
ar. O fermento acetico tem vida aerobia: isto é,
não póde viver senão em contato com o ar.
Produz-se o vinagre mediante dois processos:
o orleanês e o “ Pasteur” . No processo orleanês
introduz-se vinho em toneis que tem com unicação
com o ar, e junta-se-lhe um pouco de micoderma
(mãe do vinagre). Este processo é lento, mas
produz vinagre muito aromatico. A acetificação é
mais rapida pelo processo Pasteur. Opera-se esta
em tinas contendo agua, um pouco de alcool, vi­
nagre e alguns fosfatos, á cuja superficie se der­
rama um pouco de micoderma.
869.— Que é coalhada?
A coalhada resulta da ação do fermento latico
ou mycoderma lacticns, sobre o asaucar existente
no leite. Para evitar a fermentação do leite que
queremos conservar durante algum tempo, sub­
metem o-lo á esterilização mediante repetidas fer­
vuras, ou ao processo da pasteurização.
870. — Falai no fabrico do pão.
A fabricação do pão com porta um certo nu­
mero de operações sucessivas: a hidratação da
farinha e a sua transform ação em pasta; a fer­
mentação dessa pasta pela junção da levedura, ou
ferm ento; e, finalmente, a cozedura da pasta fer­
mentada em fornos especiais. Mistura-se a farinha
com uma porção conveniente de agua, que dissolve
as partes solúveis (dextrina, glucose e sais) 0 faz
encher, hidratando-as, as partes solúveis (amido
e gluten ); é assim que se fórma, amassando-a
convenientemente, á força de braços ou mecanica­
mente, uma massa homogenea. Depois de se lhe
deitar sal e fermento, deixa-se a massa a levedar
e a crescer. Terminada a fermentação, cortam-se
os pães e levam-se a cozer. Com a eliminação
do excesso de agua, pelo calor do forno, dilata-se
o gas carbonico aumentando a porosidade e a le­
veza do pão. As partes próximas da superficie so­
frem m odificações mais profundas. O amido se
converte em dextrina mais ou menos trigueira pela
torrefação e form a com o gluten sêco e ligeira­
mente torrificado a codea do pão. O melhor pão
provêm da farinha de trigo. Esta farinha contem
de 10 a 20 % de gluten e de 60 a 70 % de amido.
O pão será de primeira, segunda ou terceira qua­
lidade consoante a qualidade da farinha. Faz-se
tambem pão com farinha de centeio, de cevada, de
milho, etc. /
871. — Falai da fermentação pútrida.
A fermentação pútrida é a decomposição das
matérias organicas quando expostas ao ar por
muito tempo. Deixando-se ao ar qualquer sub­
stancia organizada (leite, carne, etc.) esta não se
putrefaz imediatamente, porque o vibrião que pro­
duz a fermentação é anaerobio, isto í só se desen­
volve ao abrigo do oxigênio. Mas algumas bacté­
rias cujos germes se acham em suspensão no ar,
— 220 —

absorvem pouco a pouco o oxigênio da matéria


organizada e preparam assim um meio favoravel
ao desenvolvimento do vibrião. Estabelece-se en­
tão o com eço da putrefação. Aos estudos de Pas­
teur deve-se a descoberta do fermento da putre­
fação. Demonstrou ainda esse ilustre sabio que a
substancia organizada não poderá sofrer a fermen­
tação pútrida, se estiver ao abrigo do ar, porque
tal substancia se poderá conservar indéfinidamente.
872. — Em quantos grupos divide a quimica as
substancias?
Como estudamos em capitulo atrás, sob o ponto
de vista quimico, dividem-se as substancias em dois
grandes grupos: substancias minerais e substancias
organicas. Os compostos orgânicos se diferenciam
dos minerais pela presença do carbono em sua
composição.
A quimica divide-se pois, em duas partes: Quí­
mica Mineral ou Inorganica, a que estuda as sub­
stancias minerais; Quimica Organica a que estuda
os corpos em cuja estrutura entra o carbono.
878. — Quais são os principais com postos or­
gânicos?
Os com postos orgânicos pódem ser naturais ou
artificiais. Os naturais são os que existem nos
seres vivos e deles podemos extrair pela análise
imediata, por ex.: a uréia, o amido, a quinina, o
assucar.
Os com postos orgânicos artificiais são os que
se obtem nos laboratorios, fazendo-se reagir ele­
— 221 —

mentos ou compostos minerais (o cloro, os acidos,


etc.) sobre as matérias organicas. Exem plo: o
cloroíorm io.
Segundo suas funções quimicas, os compostos
orgânicos dividem-se em 8 grupos: 1.°) Os car-
bonetos, formados de carbono e hidrogênio, ex.: a
benzina, a naftalina, o form enio; 2.°) Os alcooes,
com postos de carbono, hidrogênio e oxigênio, ex.:
o alcool ordinário; 3.°) Os éteres, que resultam
da ação dos acidos sobre os alcooes, ex.: a estea-
rina; 4.°) Os aldeidos, que provêm de uma oxi­
dação incompleta dos álcooes; 5.°) Os acidos pro­
venientes de uma oxidação mais completa que a
precedente; 6.°) Os fenóis, compostos intermediá­
rios entre os alcooes e os acidos, ex.: o acido fenico;
7.°) As aminas, ex.: a anilina, a nicotina, a qui-
nina, etc.; 8.°) As amidas, ex.: a uréia.
~ 374. — Como se caracterizam os seres organi­
zados?
São diversos os caracteres que distinguem os
seres organizados dos inorgânicos. Os corpos inor­
gânicos resultam da combinação das moléculas que
a afinidade reune. Estão sob a dependencia das
leis fisicas e quimicas. Pódem durar indefinida­
mente, enquanto uma causa estranha não vier des­
truir a coesão de suas moléculas. Os seres orga­
nizados, ao contrario, se originam de seres que
lhes são perfeitamente semelhantes. Entre eles é
transmitido o principio da vida, de geração em ge­
ração. Têm duração limitada. Sua evolução com ­
preende: o crescimento, o periodo de estagio, o
descrescimento e a morte. Para que essa evolução
se possa dar, êle tem que se nutrir.
A nutrição compreende: a assimilação que con­
siste na transformação dos alimentos em substan­
cia viva, e a desassimilação ou expulsão do que se
tornou inutil ou prejudicial á sua subsistência.
Garacteristica fundamental dos seres vivos é a sua
organização celular. Ao contrario dos corpos in­
orgânicos, os animais e as plantas são eonstituidos
de células de formas variadas, mas de idêntica
composição.
Toda celula compreende: 1.°) uma substancia
viva, chamada protoplasma; 2.°) um nucleo, em
geral arredondado e brilhante; 3.°) uma membrana
envolvente.
375. — Que se entende por excitabilidade?
A propriedade essencial dos seres vivo*s, é a
sua excitabilidade, isto é, a faculdade que possuem
de sentir e reagir, quando sob as influencias dos
agentes fisicos ou quimicos. . Um dos mais impor­
tantes fenom enos que resultam da excitabilidade, é
o movimento ou deslocação para lugar determinado,
fi o movimento um dos caracteres que distinguem
os animais dos vegetais. Exemplo de excitabili­
dade podemos apreciar tambem no reino vegetal.
Provocado pela excitabilidade de algumas de suas
células é que o gira-sol se inclina na direção do
astro-rei; as Dioneas (apanha-moscas) fecham-se
sobre o inseto, matam-no e dele se alimentam; as
sensitivas fecham-se quando as apalpamos, e incli­
nam os castanheiros as suas folhas, ao cair da tarde.
376. — Em que consiste a nutrição?
Nutrição chama-se a função natural pela qual
são os alimentos assimilados pelos seres organi­
zados.
377. — Falai da nutrição dos vegetais.
Ha duas grandes formas de nutrição vegetal:
uma, a das plantas verdes, que pódem utilizar para
as suas sinteses as matérias puramente minerais;
outra a das células incolores que só pódem utili­
zar as combinações organicas preexistentes.
A respeito da nutrição das plantas verdes fa­
lamos ao estudar a função clorofiliana.
Nos vegetais incolores reduz-se a nutrição
quasi exclusivamente á assimilação, porque a fun­
ção clorofiliana não existe, salvo nas simbioses,
em cujo numero figuram as algas (liqu en s); por
vezes, até, as matérias organicas azotadas são reti­
radas do meio ambiente.
878. — Quais são a r principais funções da nu­
trição animal? *
As funções de nutrição, cujo fim é a conserva­
ção do animal, compreendem: a digestão, a absor­
ção, a circulação, a respiração e as secreções.
879. — Em que consistem estas funções?
l.°) A digestão é uma operação cujo fim é fa­
zer passar os alimentos por uma elaboração particu­
lar, em virtude da qual o animal deles extrai todas
— 224 —

as partes que pódem servir á sua nutrição. Essa


função executa-se por meio do aparelho digestivo.
O aparelho digestivo, com o já estudamos ( “ Compên­
dio de Ciências” — Curso de admissão) com põe-se

Fig. 90 — Os principais órgãos do corpo humano:


P — pulmões. C — coração. Tr. — traqueia-arteria.
E — estomago. F — figado. Ig. — intestino delgado.
Gi — grosso intestino. D — diafragma.
do canal digestivo, cujas partes principais são: a
boca, a faringe, o esofago, o estomago, o intestino
delgado e o grosso intestino e de órgãos anexos (as
glandulas salivares, o figado e o pancreas) que se-
çretam os liquidos necessários á digestão. (Pig. 90).
— 225 —

2.6) A absorção é a função pela qual os ali­


mentos passam através da parede intestinal, sob a
influencia não só das ações fisicas, mas tambem da
atividade vital dos elementos da mucosa (vasos qui-
liferos) e talvez tambem dos leucócitos e fagócitos.
3.° A circulação que transporta as matérias
transformadas e parcialmente elaboradas e as re­
servas mobilizadas, ao nivel dos diferentes tecidos.
O órgão destinado a pôr o sangue em movimento é
o coração. Os vasos que levam o sangue a todas
as partes do organismo, são as artérias, que em
suas ultimas ramificações, têm o nome de vasos
capilares. Os vasos capilares reunem-se e, en­
grossando-se cada vez mais, formam as veias. São
estas os canais destinados a reconduzir ao coração
o sangue que se vai tornando im proprio para a
nutrição. (Pig. 91).
/ 4.°) A respiração que intervem não na pró­
pria assimilação, mas sobre as condições que a
permitem, fornecendo o oxigênio e, por conser
guinte, a energia de que precisam as sinteses or­
ganicas para se produzirem.
Desta função falamos* ém outra parte deste
compêndio.
5.°) A secreção dos liquidos necessários ao
trabalho digestivo, a qual é efetuada por diversos
órgãos anexos ao canal digestivo: as glandulas
salivares (parotidas, sub-maxilares e sub-linguais)
o figado e o pancreas,
380. — Falai da reprodução.
Crescite et multiplicamini! crescei e multipli-
cai-vos —t disse Deus ao crear os seres organiza­
dos. Obedientes á ordem do Creador, no afã inge-
nito de povoar a terra, animais e plantas desde
séculos imemoriais se vêm reproduzindo e multi­
plicando numa progressão sem fim : e o homem,
e o animal, até o ultimo dos protozoarios, até a
ultima plantazinha tira cada um a sua origem de
seres preexistentes e, quando suficientemente desen-

A rtéria Vasos
pulm onar eapillare»
Veia pulm on. C rotta
direita da aorta
Veia cava sup . V eia pulm on
Vasos £|* ee querda
c a p ilta r e s ~
A u ricu la esquerda
d ireita—
ü ?
•flÇN. Artéria pxdm
Ventrículo
direito
Ventricido
esquerdo

V eia cava in f A orto

Vaso»
eapillare»

Fig. 91 — A circulação no homem

volvidos, transmitem existencia a seres de sua mes­


ma especie. Até o seculo passado, filosofos e cien­
tistas houve que, no intuito de contraditar a ver-
ISÊÊÊÊÊÊIÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊHÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ

— 227 —

dade biblica, crearam e defenderam a hipótese da


geração espontanea.
Após as experiencias luminosas do imortal
Pasteur, que demonstraram á evidencia a origem
e reprodução dos seres minimos, com o os germes,
microbios, etc. caiu fragorosanuente essa doutrina
absurda, e com m aior fulgor ainda brilharam os
ensinamentos seculares da Igrejo Católica. A re­
produção dos seres organizados dá-se de dois m o­
dos. Umas vezes é a própria celula que se divide
ao meio e dá origem a duas outras. Ê a repro­
dução assexuada. Outras vezes, duas células ou
gametas separam-se do ser vivo e reunindo-se dão
origem a uma celula, chamada ovo, a qual desen-
volvendo-se convenientemente, origina um novo
ser. É a reprodução sexuada. , Os órgãos de repro­
dução das plantas são o s estames e os carpelos.
São estes os órgãos essenciais da flor. Quasi sem­
pre, os estames e òs carpelos estão reunidos em
um suporte comum, comdl na rosa, no jasmim, etc.
a flor diz-se então hemafródita Algumas vezes
entretanto estes órgãos estão separados: e a flor
se chama masculina ou feminina, conform e conti­
ver estames só, ou sómente carpelos. Exem plo:
o salgueiro, o milho, etc.
Ha outras plantas, com o os cogumelos, os mus­
gos, etc. que não possuem flores distintas. São
chamadas, por isso, criptogamas, em oposição ás
que as possuem distintas, e que se denominam fa-
nerogamas. A reprodução mediante estames e car-
228 —

pelos não é, porém , o u nico m odo de propagação


dos vegetais. Um sim ples galh o separado do caule
de certos vegetais e fixado na terra, póde viver
isoladam ente e form ar um individuo com pleto.
Ha ainda a reprodução por m eio de estolhos,
bulbos, gom os, etc.

f
APENDICE

Dados biográficos de cientistas de cu jos nom es se fez


m enção neste compêndio*

1) Arqulmedes, célebre geometra da antiguidade, nascido


em Siracusa (287-212 a. C.) Inventor das roldanas, do
parafuso sem fim, rodas dentadas, etc. Com seu en­
genho privilegiado conseguiu prolongar por tres anos a
resistencia de Siracusa, sitiado por Marcelo, general
romano. Absorto na solução de um problema, não dôra
pela vitória romana, sendo morto por um soldado.
2) Arrenius, Cláudio. Erudito sueco, nascido em Linkoeping,
morto em Stokoliho (1627-1695). Professor de metafisica
na Universidade de Upsala e autor de varias obras.
3) Baumé, Antonio. Quimlco francês (1728-1804). Inventou
o metodo de tingir os panos, dourar as peças de relo-
joaria, a maneira de extinguir incêndios, etc. Aperfei­
çoou o areometro que tem o seu nome.
4) Bíot, João Batista. Sabio francês, nascido e morto em
Paris (1774-1862). Entrou para o observatorio de Paris,
para a repartição das longitudes, associando-se aos tra­
balhos de Arago sobre os poderes refringentes dos gases,
bem como aos de Gay-Lussac, com o qual fez a pri­
meira viagem cientifica.
5) Black, José. Químico inglês, nascido em Bordeus, em
1728 e morto em Edimburgo, em 1799. Professor da uni­
versidade de Edimburgo, enriqueceu a ciência, com suas
descobertas sobre a naturesa dos alcalís carbonatos e dos
alcalis cáusticos.
— 230

6) Blanchard, Emilio. Naturalista francês (1820-1909).


7) Blériot, Luiz. Engenheiro francês que em 25 de Julho
de 1909 fez a primeira travessia da Mancha em aero­
plano, de Calais a Dover.
8 ) Boyle, Roberto. Fisico e quimico irlandês (1626-1691).
9) Buusen, Roberto Guilherme. Quimico e fisico alemão,
nascido em Goettinga em 1811 e morto em 1899. Cons­
truiu um fotometro e auxiliou Kirchoff na sua impor­
tante descoberta da analise espetral.
10 ) Cavendisli, Henrique. Fisico e quimico inglês (1731-
1810). São célebres suas experiencias: sobre o ar at­
mosférico, de que deu a primeira analise exata, na qual
demonstrou á presença do gas acido carbonico; desco­
berta da composição da agua e do acido nitrico; a do
gas hidrogênio e suas propriedades, etc.
11) Charles, Jacques Alexandre. Fisico e habil experimen-
tador francês, nascido em Beaugency em 1746 e morto
em Paris em 1822. Foi quem substituiu o ar quente pelo
hidrogênio, para se encherem os balões. Fez varias
ascensões que despertaram grande entusiasmo.
12 ) Crookes, Guilherme. Quimico e fisico inglês, nascido em
Londres em 1822.
13) Craz, Osvaldo Gonçalves. Higienista brasileiro, nascido
em 1872 em S. Luiz do Paraítinga, São Paulo. Em 1903
foi nemeado diretor da Saude Publica do Rio de Janeiro.
Como então grassava a febre amarela na Capital, ao
governo que pedia que empregasse tòdos os esforços
pára debelá-la, respondeu: Obrigo-me a fazê-la desapa­
recer dentro de tres anos. A seu conselho, o governo
decretou a vacina obrigatoria, o que deu lugar a tumul­
tos. Como, porém, a epidemia se alastrava, com muita
força em 1908, atingindo 9.000 pessôas, submeteram-se
todas á lei da vacina. Em 1907, representou o Brasil
no congresso internacional de higiene em Berlim e con­
quistou a medalha de ouro, oferecida pela imperatriz
da Alemanha.
14) Daniell, João Frederico. Fisico e quimico inglês (1790-
1845).
15) Davy, Humphry. Quimico inglês (1778-1829).
16) Descartes, René. Filosofo francês, nascido em La Maye
Touraine) em 1596 e morto em Stokolmo, em 1650. Autor
do Discurso do Método, Meditações Metafísicas, Tratado
do Homem, etc.
17) Drnmmond, Tomaz. Engenheiro inglês, nascido em Edim­
burgo em 1797 e morto em Dublin em 1840.* Sendo em
231

1826 tenente de marinha, numa viagem que fez á Irlanda,


com o fim de fazer sinais entre duas estações afastadas,
teve a idéia de produzir uma luz brilhante, projetando
um jacto de oxigênio e hidrogênio combinado, sobre
uma bola de cal. Foram as suas experiencias que leva­
ram á descoberta da luz oxidrica.
18) Dulong, Pedro Luiz. Fisico e quimico francês nascido
em Ruão, em 1785, e morto em Paris, em 1838. Inventor
do catetometro e do termometro de peso.
19) Dupuy de Lôme, Estanislau. Engenheiro da marinha
francesa (1816-1885).
20) Eberth, Carlos José. Bateriologo alemão, nascido em
Wurzburg. Professor de anatomia patologica em Zurich
em 1865, e em Halle, em 1881.
21) Edison, Tomaz Alva. Eletricista e inventor norte-ameri­
cano, nascido em 1847 em Ohio, e morto em 1931. Em
1862, quando empregado da estação telegrafica de Port
Huron (Michigan), inventou o telegrafo duplex. Em 1876,
fundou sua oficina de Menlo Park em Orange. Foi aí
que realizou os seus mais consideráveis inventos. Em
1877, inventou o microtelefonio que permitiu tornar pra­
tico o telefonia de Bell; alguns meses depois, descobriu
o fonografo; em 1878, realizou maravilhosos aperfeiçoa­
mentos na lampada de incandescencia, a que ligou o seu
nome. No mesmo ano, imaginou o megafonio e, ulte-
riormente, realizou numerosas invenções, que são já mais
de seiscentas, a maior parte de incontestável impor-
tancia.
22) Fahrenheit, Gabriel Daniel. Fisico alemão, nascido em
Dantzig em 1686 e morto na Holanda em 1736.
23) Fizean, Hipolito Luiz. Fisico francês, nascido em Pa­
ris em 1819 e morto em Nauteuil em 1896.
24) Foucault, João Bernardo. Fisico e mecânico francês,
nascido em Paris em 1819 e morto em 1868. Entre as
suas numerosas invenções, citaremos: o regulador para
o arco voltaico; a determinação experimental da velo­
cidade da luz, e, ao mesmo tempo, a comparação das
velocidades de um raio de luz no vacuo, no ar e em
todos os meios transparentes.- A otica deve a Foucoult
numerosos aperfeiçoamentos introduzidos nos telosco-
pios, etc. A revelação do movimento de rotação do
plano de oscilação de um pêndulo, servindo para de­
monstrar o movimento terrestre, atraiu em 1851 uma
multidão de visitantes ao gigantesco aparelho que Fou-

i
— 232 —

cault tinha feito suspender do cimo da cupula do


Panteon.
25) Fraunhoffer9 Josê. Otico alemão, nascido em Straubing
(Baviera) em 1787 e morto em 1826. Os processos que
introduziu na otica mereceram-lhe o epitáfio que se lê
em seu tumulo: Approximavit sidera.
26) Fresnel, João Agostinho. Fisico francês nascido em
1788 e morto em 1827. Devem-se-lhe muitas descober­
tas, entre as quais a dos farois lenticulares.
27) Fulton, Roberto. Engenheiro norte-americano, nascido
em 1765 e morto em Nova York, em 1815. Foi o pri­
meiro que aplicou com exito, o vapor á navegação.
28) Galilel, Galileu. Matematico, fisico, astronomo, filho de
um compositor florentino; nascido em Pisa em 1564,
morto em 1642. Aos 19 anos, observando na catedral
uma lampada que balanceava na abóbada, e reparando
que as oscilações eram isocronas, teve a idéia de apli­
car o pêndulo á medição do tempo. Foi o inventor
do termometro, da balança hidrostatica, e o primeiro
que estabeleceu as leis do movimento dos corpos sub­
metidos á ação da gravidade. Em 1609, construiu o seu
telescopio. Descobriu os satelites de Júpiter, o anel
de Saturno, as manchas e a rotação do sol sobre o seu
eixo, observações que o levaram a adotar o sistema de
Cópernico.
29) Gay-Lussac, José Luiz. Fisico e quimico francês (1778-
1850). Descobriu a lei da dilatação dos gases, conhe­
cida em fisica por lei de Gay-Lussac. Em 1809, des­
cobriu o boro; em 1815, o cianogenio e o acido prussico;
em 1816, construiu o barometro de sifão e o alcoo-
metro que tem o seu nome.
30) Glalsher, Jaime. Fisico inglês (1809-1903). Desde 1863
até 1865 executou uma série de ascensões, elevando-se
a 8.839 metros, alcançando, portanto, o record de altura.
31) Gravesande, Guilherme Jacó. Matematico e filosofo ho­
landês (1688-1742). A fisica e a otica devem-lhe grande
numero de aparelhos engenhosos, como o anel que tem
o seu nome.
32) Gnericke, Otto de. Fisico alemão (1602-1686). Foi du­
rante 37 anos burgomestre de Magdeburgo, sua cidade
natal. Construiu uma maquina pneumatica e realizou
experiencias sobre o vacuo. Astronomo, foi o primeiro
que anunciou que se podia prevêr o aparecimento dos
cometas.
33) Gusmão, Pe. Bartolomeu Lourenço. Nasceu em Santos,
WÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ

23* —

èm 1695. Dedicou-se ao estudo da fisica e da matemá­


tica; o que porém o imortalizou foi a invenção de sua
maquina aerostatica. Em 1709, no pateo da casa da
índia, perante el-rei, a corte e muito povo, fez o Padre
Voador a experiencia da sua maquina, cuja fórma e
processo de ascenção ainda hoje não estão esclarecidos,
a qual subiu e suavemente desceu, arrancando entu­
siásticos aplausos da multidão.
34) Hersçhel, Guilherme. Celebre astronomo, nascido no
Hanover em 1738 e morto em 1822. Descobriu o pla­
neta Urano, e seus satelites, e os satelites de Saturno.
35) Hertz, Henrique. Engenheiro e eletricista alemão (1857-
1894). As suas memoráveis experiencias sobre as on­
dulações eletricas confirmaram a doutrina de Maxwell,
que estabelecia a identidade de transmissão entre o calor
radiante, a luz e a eletricidade. Deve-se-lhe tambem
a descoberta da ação dos raios ultra-violetas nas des­
cargas eletricas.
36) Hipocrates* Sabio grego, cognominado o pai da medi­
cina. Nasceu na ilha de Cos, em 460 a. C. e morreu
em Larissa, na Tessalia.
37) Hope, Tomaz Carlos. Quimico inglês, nascido em Edim­
burgo em 1766 e morto em 1844. Sua experiencia sobre
o maximo de densidade da agua é um dos muitos tra­
balhos que o celebrizaram.
38) Huygens, Cristiano. Fisico, geometra e astronomo ho­
landês (1629-1695). É autor de importantes trabalhos so­
bre a refração.
39) Ingenhonsz, João. Quimico e fisico holandês nascido
em Bfeda, em 1730, e morto em 1799. Deve-lhe a ciên­
cia: o emprego de pratos de vidro nas maquinas ele­
tricas, experiencia sobre a nutrição dos vegetais, e um
aparelho para o estudo da condutibilidade calorífica dos
metais.
40) Jenner, Eduardo. Celebre medico inglês (1749-1823).
Autor já de trabalhos notáveis, começou em 1796 as
investigações que o conduziram, senão á descoberta, pelo
menos á primeira demonstração positiva do virus vaci-
nico. Provou a possibilidade da inoculação do virus
animal no homem, e deste nos outros indivíduos da sua
especie.
41) Koch, Roberto. Medico alemão (1843-1910). Em 1882,
publicou notáveis estudos sobre a tuberculose e a des­
coberta do bacilo a que se deu o seu nome. Foi um
dos fundadores da ciência bateriologica.
234

42) Laplace, Pedro Simão. Geometra francês (1749-1827).


É celebre pela invenção do sistema cosmogonico, a que
se deu o seu nome e pelos seus importantes estudos
sobre mecanica celeste.
43) Lavoisier, Antônio Lourenço. Quimico francês (1743-
1794). Foi um dos creadores da quimica moderna. De-
vem-se-lhe a nomenclatura quimica, a descoberta do
oxigênio e da composição do ar. Deixou tambem tra­
balhos importantes sobre o calor e as propriedades dos
gases. Foi condenado á guilhotina e executado no dia
8 de maio de 1794.
44) Lilienth&l, Otto. Engenheiro e inventor alemão. Aper­
feiçoou. as caldeiras de tubos, as sereias, e os motores
a vapor. Ocupou-se tambem dos problemas da aviação.
Construiu varios aparelhos que imitavam o voo das aves,
e fez grande numero de tentativas muito notáveis de
aviação. Morreu em consequencia de uma quéda.
45) Mariotte, Edne. Fisico francês (1620-1684). Foi de certo
modo, o fundador, em França, da fisica experimental, e
a quem se deveu a idéia do aparelho empregado ainda
hoje para verificar as leis do choque dos corpos elás­
ticos.
46) Maxwell, Jaime Clerk. Fisico escocês (1831-1879). Pelos
seus trabalhos sobre a eletricidade, Maxwell é conside­
rado como um dos grandes fisicos do século X IX .
47) Mellon], Macedonio. Fisico italiano (1798-1854) Deve-
se-lhe o conhecimento das principais leis do calor ra­
diante, que ele experimentou por meio do seu termo-
multiplicador.
48) Montgrolfier, José Miguel. Inventor francês (1740-1810).
Com seu irmão Estevão, celebrizou-se pelas experiencias
que fez em prol da navegação aérea. Os franceses atri-
buem-lhe, indevidamente, a invenção dos aerostatos.
49) Newton, Isaac. Matematico inglês (1642-1727). Imorta-
lizou-se pela descoberta das leis da gravitação universal
e da decomposição da luz.
50) Nicholson, Guilherme. Quimico e fisico inglês (1753-
1815). Deve-se-lhe o plano dos belos trabalhos hidráu­
licos de Middlesex e a invenção do areometro que tem
o seu nome. Vulgarizou na sua patria a quimica fran­
cesa.
51) Oersted, João Cristiano. Fisico e quimico dinamarquês
(1777-1851). Entre as muitas descobertas, a mais celebre
foi a do eletro-magnetismo, que ele deu á conhecer á
Eurona em 1820.
235

52) Papln, Denis. Celebre fisico francês (1647-1714). Foi


o primeiro que reconheceu a força elastica do vapor de
agua. Construiu tambem a marmita que tem o seu nome.
Em 1707, construiu o primeiro barco a vapor, que expe­
rimentou no Fulda. Mas os barqueiros de Munden des­
pedaçaram a embarcação.
53) Pascal» Blaise. Geometra, fisico, filosofo e escritor fran­
cês (1623-1662). Deixou, entre outras obras, as “ Provin­
ciais” e fragmentos de uma apologia da religião católica,
publicados sob o titulo de “ Pensamentos” .
54) Réaumur, René Antoine Ferchault de. Fisico e natura­
lista francês (1683-1757). Seu nome foi popularizado
pelo termometro que construiu. Descobriu o vidro branco
opaco, conhecido pelo nome de "porcelana de Réamnur” '
Seus trabalhos de maior originalidade são os que se
referem á historia natural: muito lhe deve o estudo dos
invertebrados e, principalmente, dos insetos.
55) Roberval, Gil Personne de. Geometra francês, autor da
balança que lhe conserva o nome (1602-1675).
56) Roemer, Olaus. Astronomo dinamarquês (1644-1710).
57) Rumford, Benjamin Thomson, conde de. Quimico e fisico
norte-americano (1753-1814). A teoria do calor deve-lhe
o calorimetro e o termoscopio de ar; tambem sobre a
luz fez estudos importantes. O seu fotometro é ainda
hoje empregado.
58) Santos Dumont» Alberto dos. Illustre aeronauta brasi­
leiro, nascido em Santa Luzia do Rio das Velhas, Minas
\ Gerais, a 20 de julho de 1873. Seu primeiro balão “ Bra­
sil” subiu em Paris, em 1898, no jardim da Aclimação.
Em 1901> com seu aparelho “ Santos Dumont n.° 6” , ob­
teve o premio “ Deutsch” de 100.000 francos, que ele fez
distribuir pelos pobres e operários. O governo brasi­
leiro galárdoou-o com o premio de 100:000$000. Con­
struiu diversos aeroplanos. Com o numero 14-bis ganhou
em 1906, o premio de 3.000 francos, do governo francês.
59) Saussure, Horacio Benedito. Fisico e geologo suisso
(1740-1799). Inventou um grande numero de instrumen­
tos de fisica: o higrometro de cabelo, o cianometro e o
diafanometro, um eletrometro, um anemometro, um
eudiometro, etc. Foi ele que estabeleceu os primeiros
princípios da meteorologia racional.
60) Severo, Augusto. Aeronauta brasileiro que se dedicou
com notável empenho ao estudo da direção dos balões.
Morreu em 1902, quando realizava uma experiencia com
seu balão “ Pax” . A cerca de 400 metros de altura,
236 —

deu-se a explosão dos 2.500 metros cúbicos de hidro­


gênio de que estava cheio o balão, precipitando-se no
espaço o arrojado aeronauta e seu companheiro, um
francês de apelido Sachet. Severo era deputado ao par­
lamento brasileiro.
61) Thomson, Carlos Wyville. Naturalista inglês (1830-1882).
Deixou varios trabalhos importantes sobre zoologia ma-
ritimà, especialmente sobre os equinodermes, modernos
e fosseis. Inventou muitos dos métodos de que fez uso,
e aparelhos usados nas explorações dos fundos dos mares.
62) Torricelli, Evangelista. Fisico e geometra italiano (1608-
1647). Discipulo de Galileu. Deve-se-lhe a invenção do
barometro e o descobrimento dos efeitos da pressão at­
mosférica, como tambem, o principio relativo ao escoa­
mento dos liquidos por um orificio.
63) Watt, James. Mecânico e engenheiro inglês (1736-1819).
Em 1776, concebeu o plano da máquina de efeito duplo,
destinada a dar a um eixo um movimento continuo de
rotação. Empregou tambem sua atividade numa quan­
tidade considerável de outros estudos.
64) Westinghouse, Jorge. Inventor norte-americano (1846-
1914). Foi o inventor dos primeiros dinamos que ha­
viam de transformar a força motriz das quédas do Niá-
gara. A industria eletrica e a mecanica muito lhe devem.
O que mais contribuiu para o tornar conhecido, foi a
aplicação do freio de ar comprimido, de que ele não foi
o inventor, mas o aperfeiçoador.
65) Wheaststone, Carlos. Fisico inglês (1802-1875). Cons­
truiu um dos primeiros aparelhos de telegrafia eletrica.
Celebrizaram-no seus estudos sobre a acústica e a otica.
66) Zeppelin, Fernando, conde de. General e aeronauta ale­
mão. Nascido em Constança em 1838. Desde 1892, con­
sagrou-se á construção de grandes dirigiveis, para a
condução de viajantes e cargas pesadas.

FIM

M. A . C. 0. P* N.
Introdução ...................... .........................................................

I
A T M O S F E R A

CAPITULO 1.°
Ar e vacuo — Pressão do ar — Peso — Barometros —
Aplicações do ar comprimido e rarefeito .......

CAPITULO 2.°
Corpos simples e compostos — Mistura e combinação ***-
Composição do ar atmosférico — Oxigênio — Azoto

CAPITULO 3.°
Humidade do ar — Higrometria ....................... ..............

CAPITÜLO 4.°
Meteorologia — Orvalho — Nuvens — Chuvas — Neves
— Geada — Correntes aéreas — Ventos e Ciclones

CAPITULO 5.°
Respiração dos animais e plantas — Ar viciado — Gas
carbonico e seus caracteres principais — Germes
do ar — Doenças infectuosas de transmissão direta
e indireta: A Tuberculose — Vacinação anti-variolica

CAPITULO 6.°
Navegação a vela — Navegação aérea — Balões —
Aeroplanos .....-................................... ..............
CAPITULO 7.°
Calor obscuro e radiante — Calor solar — Transmissão
do calor — Radiometro — Estufa — Garrafa Termos

CAPITULO 8.°
Sensação dos corpos — O tato — Dilatação dos corpos
— Term om etros ....................................... ....

CAPITULO 9.°
Temperatura da atmosfera — Estações do ano — Climas
— Expansão dos gases — Motores de explosão —
Explosivos ............. ........................ ..........

CAPITULO 10.°
«
Fontes de luz — Propagação e velocidade da luz — Fe­
nomenos ondulatorios — Corpos opacos e transpa­
rentes — Sombras — Reflexos — Espelhos.. ......

CAPITULO 11.°
Refração — Lentes — Prismas Cores do espetro e das
châmas dos metais — Farois: Oculos de alcance —
Arco-iris — O órgão da visão: Miopia; Vista cansa­
da — Fotografia — Cinema _________________

III
A AGIT;A
CAPITULO 12.°
Pressão e peso da agua — Corpos flutuantes e imersos
— Densidade — Mudanças de estado — Congelação
— Vaporização — Caracteres dos solidos, liquidos e
gases — Indústria e aplicação do frio — Máquinas
a vapor ..... .......................................................................
— 239 —

CAPITULO 13.*

Composição da agua — Hidrogênio — Acidos, bases, sais


— Ação da agua sobre o carbureto de calcio — Com­
bustão do hidrogênio e do acetileno; maçaricos;
soidas autogenicas .................................... ...................... 163

CAPITULO 14.®

Os mares: correntes maritimas — Lagos e rios — Ciclo


da agua^ Influencia na temperatura ambiente —
Quédas de agua; Motores hidráulicos........................ * 173
/
CAPITULO 15.°

Aguas potáveis — Purificação da agua; Filtros — Doen­


ças transmissíveis pela agua; Febres tifoide e desin­
teria — Reprodução dos mosquitos; A malaria, A
febre amarela............. lfcl

CAPITULO 16.®

Transatlanticos e submarinos.............. 188

IV

OXIDAÇÃO £ REDUÇÃO

CAPITULO 17.° ‘

Oxidação dos metais usuais; Isqueiros — Combustão e


châma; A lampada dos mineiros — Lampeão de
querozene: Lampada de soldar ............... 193

CAPITULO 18.°

Enxofre: suas propriedades — Combustão do enxofre;


Fosforos: Polvora — Caracteres e emprego do gas
sulfuroso — Combustão da formicida e sua aplicação
^ Combustão dos metais no cloro................................ 199
240 —

CAPITULO 19.°

Redução dos oxidos pelo carvão — Industria do ferro —


Aluminotermia — Papel da clorofila nos vegetais.... 207

A V I D A

CAPITULO 20.°

Vida aerobia e Anaerobia — Esterilização — Fermenta­


ções — Coalhada: Fabrico do pão; Vinagre; Alcool
— Substancias minerais e organicas — Seres orga­
nizados — Caracteres da vida; Excitabilidade, Nutri­
ção e reprodução....................... 214
Apendice *...................................-................ 229

EDIÇAO
N.° 538

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