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Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação

XXV Encontro Anual da Compós, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 7 a 10 de junho de 2016

Epistemologia e método da pesquisa-ação. Uma aproximação aos


movimentos sociais e à comunicação1
Epistemology and action-research method. An approach to social movements and to
communication

Cicilia M.Krohling Peruzzo2

Resumo
Estudo sobre os princípios epistemológicos, os métodos e técnicas da pesquisa-ação. O
objetivo é sistematizar seus principais aspectos metodológicos e situar este tipo de pesquisa
no âmbito da epistemologia da ciência. A abordagem deste texto é teórica, baseada em
pesquisa bibliográfica, e faz uma tentativa de aproximação à comunicação e aos movimentos
sociais. A pesquisa-ação admite um nível elevado de envolvimento e intervenção do
pesquisador na situação ou grupo investigado e pressupõe a participação ativa de
representantes do grupo no processo de pesquisa. A intenção é fazer com que a própria
pesquisa possa contribuir para o equacionamento de problemáticas relacionadas à ampliação
da cidadania e à transformação social.

Palavras chave: Pesquisa-ação, epistemologia da ciência; pesquisa em comunicação.

Abstract
The study of the epistemological principles, methods and techniques of action-research. The
objective is to systematize its main methodological aspects and to situate this type of research
is within the scope epistemology of science. This text’s approach is theoretical, based on
bibliographical research, and is an attempt to move toward communication and social
movements. Action- research allows for a high level of involvement and intervention by the
researcher in a situation or group, and infers an active participation of representatives of the
group in the process. The intention is to allow for the contribution of the research itself in
addressing the issues related to broadening citizenship and social transformation.

Key words: action-research, epistemology of science; communication research .

Introdução

A pesquisa participante tem sofrido grande desenvolvimento metodológico com a


criação de distintas facetas e modalidades de inserção do pesquisador no ambiente

1
Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho Comunicação e Cidadania do XXV Encontro Anual da Compós,
na Universidade Federal de Goiás, Goiânia, de 7 a 10 de junho de 2016.
2
Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo.
Doutora em Comunicação pela ECA-USP, com pós-doutorado na Universidade Nacional Autônoma do México.
E-mail: kperuzzo@uol.com.br

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investigado. As suas vertentes observação participante e etnográfica até acompanham às


mudanças provocadas pelas inovações tecnológicas e admitem a participação observacionista
de grupos ou comunidades em ambientes do ciberespaço, ao que se denomina de netnografia
(KOZINETES, 2014), a fim de compreender fenômenos culturais e comunicacionais que ali
se desenvolvem. A pesquisa-ação também segue se aprimorando ao se desvencilhar de certos
dogmas e tecer métodos para qualificar a inserção do investigador/a para além da militância
política.
A pesquisa-ação é aplicada em vários campos do conhecimento com finalidades e
métodos distintos. Neste texto, se enfatiza a pesquisa-ação com o objetivo de sistematizar
seus principais aspectos metodológicos e situar este tipo de pesquisa no âmbito da
epistemologia da ciência. A pesquisa-ação, por vezes é também denominada de pesquisa-
ação participativa, ou simplesmente de pesquisa participante, pesquisa ativa, estudo-
pesquisa, investigação-ação ou pesquisa militante, segundo a visão de cada autor e das
tradições teóricas que as fundamentam. Denominar esse tipo de pesquisa de pesquisa-ação
participativa, se por um lado, soa redundante visto que ela é por natureza participativa, por
outro, é um modo de diferenciar a ação possível na pesquisa participante. Ou seja, nem toda
ação desencadeada em pesquisa participante é aquela requerida pela pesquisa-ação. Esta é
regida por princípios participativos peculiares. A mera ação do investigador e/ou aquela que
ele eventualmente provoca na “situação investigada” não necessariamente se enquadram nos
parâmetros participativos da pesquisa-ação, o que será amplamente discutido neste texto.
Michel Thiollent (2003, p. 15), já esclareceu esse aspecto ao dizer: “toda pesquisa-ação é do tipo
participativo: a participação das pessoas implicadas nos problemas investigados é absolutamente
necessária. No entanto, tudo o que é chamado de pesquisa participante não é pesquisa-ação”.
A abordagem deste texto é teórica, baseada em pesquisa bibliográfica, e sem a
pretensão de revisar toda a literatura sobre o tema pesquisa-ação, que não é novo na história
da pesquisa participativa, mas que na América Latina ganha ampla repercussão a partir dos
anos 1960, uma vez ligada a movimentos societários pela transformação social, dada a
conjuntura de forte efervescência social, comunitária e universitária em prol da
democratização das sociedades num contexto de questionamento e declínio de ditaduras
militares na região.
Nesse sentido, apesar da aplicabilidade da pesquisa-ação em diferentes campos do
conhecimento - da Educação à Psicologia, da Informática à Agronomia ou à Administração -,

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a ênfase aqui é dada à Comunicação, mais precisamente no contexto social e relacionada a


movimentos sociais populares, comunidades, organizações não governamentais (ONGs) e a
instituições públicas. Porém, são princípios gerais que se aplicam a outras áreas do fazer
científico.
A pesquisa-ação sinaliza uma metamorfose no campo da epistemologia da ciência que
transita entre práticas inovadoras de pesquisa empírica, porém distantes do empirismo, e os
questionamentos epistemológicos do próprio fazer científico.
No campo da Comunicação, a pesquisa-ação tem sido mais desenvolvida para
conhecer a realidade comunicacional e as dinâmicas de “comunidades”, grupos populares e
ONGs, além de estudos de recepção midiática. No entanto, é mais comum o emprego das
metodologias da observação participante e da participação observante, bem como da
netnografia na pesquisa participativa em Comunicação. Nesse sentido, a observação direta do
pesquisador vem sendo bastante empregada não apenas observando as situações reais
investigadas, mas atuando (não necessariamente segundo os rigores na pesquisa-ação)
simultaneamente nelas. São estudos para entender os mecanismos de recepção de conteúdos
dos meios de comunicação (telenovelas, notícias etc.) no intuito de perceber como as pessoas
recebem, reagem e interpretam as mensagens; para identificar ações culturais de grupos; para
entender comportamentos do consumidor; e mais recentemente o estudo de comportamentos
sociais nas mídias e redes sociais digitais – inclusive reações à telenovelas e repercussões nos
espaços online -, o que pode ser chamado de netnografia (KOZINETS, 2014); uma
aproximação à etnografia tradicional, porém atenta a aspectos culturais e comunicativos de
internautas ou comunidades virtuais na internet.
Contudo, a Comunicação tem também um campo fértil para ser pensada a partir das
situações (in)comunicativas implicadas no processo de pesquisa participante (THIOLLENT, 1981).
Há muito a se entender sobre as relações comunicativas que o pesquisador estabelece por meio da
observação e da atuação, além dos paradoxos que se manifestam nas linguagens e que podem gerar
distorções no processos de pesquisa e nas interpretações.

Nos caminhos da Epistemologia científica

O questionamento sobre as regras, métodos e técnicas universais como requisito para


a atribuição de um valor absoluto à ciência faz parte do histórico da Teoria do Conhecimento.

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Paul Feyerabend3 foi um dos seus expoentes, no século passado, ao criticar o racionalismo e
rejeitar regras de pesquisa científica como universais. Orlando Fals Borda (2013, p.302),
adverte: o valor da ciência varia “segundo os interesses objetivos das classes sociais envoltas
nas formação e acumulação do conhecimento, isto é, em sua produção”. E esclarece que a

a ciência é um produto cultural do intelecto humano, produto que responde


a necessidades coletivas concretas [...] e também a objetivos determinados
por classes sociais que aparecem como dominantes em certos períodos
históricos. Se constrói a ciência mediante a aplicação de regra, métodos e
técnicas que obedecem a um tipo de racionalidade convencionalmente
aceita por uma comunidade minoritária constituída por pessoas chamadas
de científicos, que por serem humanas, ficam precisamente sujeitas a
motivações, interesses, crenças e superstições, emoções e interpretações de
seu desenvolvimento social específico. Por isso mesmo, não pode haver
nenhum valor absoluto atribuído ao conhecimento científico (FALS
BORDA, 2013, p. 302).

Portanto, não existe neutralidade da produção da ciência. Existem cânones


predominantes para se chegar a conhecimentos científicos reconhecidos como rigorosos, mas
que jamais foram totalmente aceitos como únicos e universais, apesar da preeminência desse
tipo de visão. A ciência é histórica, se move, avança e se transforma em conformidade com o
próprio processo histórico das civilizações. Portanto, se a ciência não é unívoca, também não
o é a epistemologia da ciência.
Carlos R. Brandão (1999, p. 225), fala da “possibilidade de transformação de uma
prática científica, que durante tanto tempo ocultou o seu ser política, em uma prática que
justamente por afirmar-se política na origem e no destino, reclama ser científica”. No caso da
pesquisa-ação, se ela se situar nas linhas progressistas, ele (1999, p.12), evidencia essa
tomada de posição: “é necessário que o cientista e sua ciência sejam, primeiro, um momento
de compromisso e participação com o trabalho histórico e os projetos de luta do outro, a
quem, mais do que conhecer para explicar, a pesquisa pretende compreender para servir”.
A pesquisa participativa está implicada na discussão sobre os pressupostos
epistemológicos da ciência pois ela respeita e dialoga com os modelos e regras tradicionais,
mas não se submete a eles. Daí a ideia de uma epistemologia do sul - que não decorre e nem
se restringe à pesquisa participante ou à investigação-ação -, mas que tem nela uma das

3
Ver a obra de sua autoria “ Contra o método” editado pela Francisco Alves Editora e publicado em 1977.

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portas de entrada para a construção de conhecimentos - e o reconhecimento de outros saberes


- dentro das lógicas e das necessidades dos povos do continente latino-americano.
Mas, antes que epistemologia seja vista simplesmente como sinônimo de “teoria” - e
não como metateoria ou metaciência; o estudo crítico do modo como a teoria é gerada e/ou
sobre a interpretação dos princípios, hipóteses e métodos que direcionaram a geração do
conhecimento científico -, se apontam alguns conceitos que a colocam no devido lugar.
A epistemologia é uma “reflexão de segundo grau sobre a ciência, uma metaciência
que, embora sujeita à contaminação filosófica, se integra cada vez mais aos critérios da
objetividade científica” (BLANCHÉ apud SANTOS, 1989, p.19). Epistemologia diz respeito
à filosofia do conhecimento e à teoria do conhecimento, cujas fronteiras não são facilmente
reconhecíveis. Em Piaget (2011, p.20)4, a epistemologia é concebida como uma disciplina
que “se propõe a interpretar a ciência como resultado da atividade mental do homem ou, o
que significa o mesmo, a explicar como o pensamento real do homem pode produzir a ciência
enquanto sistema coerente de conhecimentos objetivos”.
A noção de epistemologia ajuda entender a existência de controvérsias sobre o caráter
científico ou a validade dos resultados obtidos por intermédio de metodologias, tanto as
tradicionais quanto as que fogem aos padrões rígidos e formais ditos de cientificidade, mas
que desenvolvem outros critérios capazes de captar elementos, processos e características nas
dinâmicas sociais preservando o rigor investigativo.
A pesquisa participante, nas vertentes mais avançadas de envolvimento do
pesquisador e do pesquisado na geração de conhecimento, é uma manifestação clara de busca
de novas premissas na produção do conhecimento científico que relativiza o pressuposto de
que o único conhecimento válido é o científico e que este só é possível ser obtido se for
construído segundo os cânones do empirismo, da objetividade e da pretensa neutralidade,
princípios estes construídos e reproduzidos a partir da cultura científica ocidental de cunho
positivista.
Para a perspectiva empirista, segundo Jorge A. González (2015, p.334), “a realidade é
real e se captura através de experiências sensoriais”, a cargo do pesquisador e por meio das
competências metódicas. Se privilegia o objeto (fenômeno investigado) sobre o sujeito
(pesquisador). A este competiria aplicar o “Método Científico, que é o hipotético dedutivo e

4
Ele credita a coautoria desta frase a E. W. Beth.

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que opera através da experimentação e da generalização empírica [...]” (GONZÁLEZ, 2015,


p.334), para obter resultados científicos.
Porém, o questionamento a esse tipo de parâmetro não quer dizer
descredibilizar as ciências nem [adotar] um fundamentalismo essencialista
‘anticiência’. [...]. [O que se pretende] é o uso contra-hegemônico da
ciência hegemônica. Ou seja, a possibilidade de que a ciência entre não
como monocultura mas como parte de uma ecologia mais ampla de saberes,
em que o saber científico possa dialogar com o saber laico [... ] (SANTOS,
2007, p.32-33).

Nas palavras de Orlando Fals Borda (1981, p. 59), o propósito não é formar
um novo paradigma científico para substituir qualquer um já existente, através da
pesquisa participante. No entanto, podemos nos aproximar de um tipo de brecha
metodológica se os pesquisadores engajados seguirem os efeitos dinâmicos do
rompimento da díade sujeito-objeto que esta metodologia exige como uma de suas
características básicas. São muito evidentes as potencialidades de se obter um
novo conhecimento sólido a partir do estabelecimento, na pesquisa, de uma
relação mais proveitosa sujeito-objeto, isto é, uma completa integração e
participação dos que sofrem a experiência da pesquisa.

A pesquisa participante e a investigação-ação também contribuem para a mudança da


relação sujeito-objeto para sujeito-sujeito, o que não implica a aceitação da interferência
deliberada do subjetivismo e de conceitos pré-concebidos. Ou seja, se reconhecem os atores
investigados como sujeitos (coletivos ou individuais) e a potencialidade de construção de
conhecimento científico na relação com os mesmos na condição de participantes ativos, como co-
protagonistas - e não meros informantes ou colaboradores – na elaboração de planos,
interpretações e no empoderamento dos resultados.
A pesquisa participante e, especialmente, a pesquisa-ação, em algumas de suas
vertentes teórico-metodológicas5, se inserem no debate e nas propostas de descolonização da
ciência, da emergência de uma epistemologia do sul (SANTOS, 2007, 2010). Para Santos
(2007, p.20), “não é simplesmente de um conhecimento novo que necessitamos; o que
necessitamos é de um novo modo de produção de conhecimento. Não necessitamos
alternativas, necessitamos é um pensamento alternativo às alternativas”.
Contudo, apesar de a expressão “epistemologia do sul” ser recente, não se trata de
uma visão recém surgida. Um novo modo de ver e de conceber a ciência, e de gerar

5
Existem também aquelas vertentes conservadoras e estruturo-funcionalistas de pesquisa participante.

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conhecimento científico estão em construção na América Latina – e não só nela - desde pelo
menos as últimas quatro décadas do século passado, como indicam algumas passagens desde
texto.
As metodologias participativas estão nesse patamar e ganharam grande repercussão
nesse tempo e continuam a se apresentar como producentes e necessárias para se
compreender as realidades, reconhecer as resistências e as alternativas em curso no caminho
da transformação social6 constituídas, principalmente, por segmentos populacionais
empobrecidos e diante de situações reais de violação dos direitos humanos e de cidadania.

Das origens ao método da pesquisa-ação

Apontamentos iniciais
Do mesmo modo que a expressão pesquisa participante, a pesquisa-ação tem servido
para caracterizar diversas práticas de pesquisa, dependendo do momento histórico e da
tradição teórica então predominante ou mais em voga naquele momento.
A pesquisa-ação - ou pesquisa-ação participativa - não é uma essência; não possui
um valor absoluto nem um único modo de aplicação. Pode servir a interesses diversos e se
efetivar por intermédio de metodologias um tanto distintas, como já foi dito, dependendo do
lugar social, das finalidades e da posição epistemológica que a movem. É diferente, por
exemplo, o uso da pesquisa-ação numa localidade visando a mobilização social tendo em
vista estudos na área sócio ambiental e aquele que ocorre em organizações empresariais
visando resolver problemas de gestão.
Neste texto, se privilegia a pesquisa-ação no campo social, cuja intencionalidade
política se inscreve na perspectiva das problemáticas locais e/ou de problemáticas públicas
equacionadas por instituições públicas e organizações da sociedade civil sem fins de lucro,
sejam os movimentos sociais populares, unidades educacionais, “comunidades”, grupos ou
segmentos populacionais (jovens, por exemplo) que demandam solução de problemas sociais
e mudanças no curso de suas práticas ou na formulação e implementação de políticas
públicas.

6
Enrique Dussel (2006) é um dos precursores de teses sobre política, ética e transformação social na América
Latina.

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Do ponto de vista conceitual, os termos usados variam segundo alguma tradição


teórica. Investigação-ação (ou pesquisa-ação) é uma expressão com origens anglo-saxônica
(action-research7) e francesa (recherche-action), desde a época de Kurt Lewin, Carl Rogers,
Albert Meister, Charles Delorme, entre outros (LOPEZ DE CABELLOS,1998, p.15-16). Já
na América Latina, segundo a mesma autora (1998, p.15), se usa mais a expressão pesquisa
participante (investigación participativa); na Colômbia (com Orlando Fals Borda), no Chile
(com Francisco Vio Rossi), no México (Anton de Schutter e muitos outros) e na Venezuela
(com Marcos Brito etc.), pelo menos na fase inicial de sua incorporação. Acrescenta-se no
Brasil (com Paulo Freire, Carlos Rodrigues Brandão, João Bosco Pinto etc.) onde a expressão
pesquisa participante predomina. Porém, isso ocorre de forma mais evidente num primeiro
momento, pois aos poucos se incorporou a denominação pesquisa-ação (com Michel
Thiollent e o próprio Fals Borda, entre outros). Hoje em dia as expressões pesquisa-ação,
pesquisa participante, investigación-acción ou investigación-acción participativa são de uso
corrente na América Latina.
A tendência predominante, na produção teórica brasileira da década de 1980 sobre o
assunto é denominar de pesquisa participante aquela investigação baseada na interação ativa
entre pesquisador e situação pesquisada e na facilitação da participação do grupo pesquisado,
como um dos protagonistas, na realização da pesquisa. Mas, mesmo nesta linha de pesquisa
há várias vertentes. Fals Borda (2013) relata que só no 8º. Simpósio Mundial sobre
Investigação-Ação realizado em Cartagena, em 1977, se contaram 32 vertentes de pesquisa-
ação nos trabalhos apresentados.
Atribui-se a Paulo Freire a criação do estilo participativo de pesquisa enquanto ação
educativa (ZUÑIGA apud CAJARDO, 1999), uma vez relacionada às suas propostas
pedagógicas e no envolvimento direto dos sujeitos na prática de pesquisa. Tal atribuição tem
como justificativa um “conjunto de experiências8 que, sustentadas pela concepção
conscientizadora de educação, desenvolveram-se em fins da década de sessenta, no âmbito
das transformações agrárias operadas em alguns países da região” (CAJARDO, 1999, p.17).
Nos anos 1960 e 70 (até aproximadamente 1977), a pesquisa participativa na América Latina
desenvolveu “uma tendência ativista e um tanto antiprofissional daí a importância dada a

7
Ou Participatory-Action Research
8
Ele, inclusive, participou na fundação e foi o primeiro presidente do Instituto Internacional para o Desarrollo
(INDODEP) (LOPES, 1998), instituto que atuou em todos os continentes.

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técnicas inovadoras de investigação de campo, tais como a ‘intervenção social’ e a


‘investigação militante’ [...]” (FALS BORDA, 2013, p.254). Mas, posições ativistas e um
tanto dogmáticas foram sendo revistas e reelaboradas de modo a contemplar proposições de
pesquisa mais equilibradas entre militância e desenvolvimento do conhecimento. Eventos
como o 8º. Simpósio de investigação-ação realizado em Cartagena em 1977 e similares, se
constituíram em importantes instâncias de troca de experiências, debates e reformulações.

Coordenadas metodológicas, conceitos e características


Diante das diversas acepções e práticas de pesquisa-ação, destaca-se uma definição de
Thiollent que ajuda a direcionar este tipo de pesquisa para o cerne da questão participativa
como elemento essencial de sua metodologia:
A pesquisa-ação é um tipo de pesquisa empírica que é concebida e realizada com
estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e
no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do
problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo (THIOLLENT,
2003, p.14)

No entanto, além da participação há que se agregar mais dois elementos para se ter
uma visão mais global desse tipo de pesquisa (ação/intervenção e transformação): “se trata de
uma investigação-ação que é participativa e uma investigação participativa que se funde com
a ação [entenda-se: intervenção] (para transformar a realidade)” (RALUNAN 9 apud FALS
BORDA, 2013, p.253) 10.
Nas palavras de Fals Borda (2013, p.242), as técnicas usadas eram aquelas próximas
ao que na
Antropologia e na Sociologia se conhecem como ‘observação por
participação’ e ‘observação por experimentação’ (participação-intervenção) que
implicam certamente no envolvimento pessoal do investigador nas situações reais
e na interferência deste nos processos sociais locais. Mas logo se viu que estas
técnicas ficaram curtas diante das exigências de vincular o pensamento a ação
fundamental necessária.

Desenvolveu-se então o conceito de “inserção” que fez avançar o nível de


envolvimento do pesquisador dentro de um compromisso pela transformação social na linha

9
RALUNAN, M. A. Breaking the monopoly of knowledge: recent views of participatory-action research. 1985.
10
Portanto é diferente das posições de Kurt Lewin (participação dos indivíduos na linha psicologista norte
americana) e de Alain Touraine (Observação participante)

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da crítica social embasada no materialismo histórico, com marco metodológico mais claro. A
inserção, então se concebe
como uma técnica de observação e análise de processos e fatores que inclui, dentro
de seu desenho, a ação dirigida a alcançar determinadas metas sociais, políticas e
econômicas. [...] A inserção incorpora os grupos de base como ‘sujeitos’ ativos –
que não ‘objetos’ exploráveis – da investigação, que aportam informação e
interpretação em pé de igualdade com os investigadores” (FALS BORDA, 2013,
p.243).

Nesse processo, a metodologia da pesquisa-ação incorpora um quarto elemento: a


geração do conhecimento como algo construído com a participação ativa da comunidade,
grupo ou movimento social investigado. O autor citado acima (2013, p. 296), fala na “busca do
conhecimento em forma coletiva, na recuperação crítica da história dos povos” e na “soma de
saberes entre o conhecimento acadêmico formal e a sabedoria informal e/ou experiência
popular”.
O propósito da pesquisa-ação de contribuir para esclarecer e dar subsídios para a
solução de problemas se alinha a geração de conhecimento (a troca de saberes dos especialistas
e do próprio grupo ou população investigado no reconhecimento do contexto e das estruturas
sócio econômicas, políticas e culturais) capaz de ajudar na mobilização, no equacionamento
das problemáticas e no empoderamento do processo de mudança.
Desse modo, tanto do ponto de vista da participação (do pesquisador e do grupo
pesquisado) quanto das finalidades da pesquisa, em suas origens na América Latina, a
pesquisa-ação é exigente e não se confunde com outras formas de participação e de inserção do
investigador em pesquisa de campo. Para que não haja ambiguidade reafirma-se: “uma
pesquisa pode ser qualificada de pesquisa-ação quando houver realmente uma ação por parte
das pessoas ou grupos implicados no problema de observação. Além disso, é preciso que a
ação seja uma ação não trivial, o que quer dizer uma ação problematiza merecendo
investigação para ser elaborada e conduzida” (THIOLLENT, 2003, p.15).
Quanto à participação ativa do “grupo” investigado na realização da investigação é uma
das características centrais da pesquisa-ação e um diferencial de outras modalidades de
pesquisa participativa. Esse princípio tende a incomodar os pesquisadores, principalmente
iniciantes, diante da necessária mudança de postura. Afinal na pesquisa tradicional, a que em
geral são iniciados, como já disse Guy Le Boterf (1999, p.51-52), a população é considerada
passiva, como simples reservatório de informações, incapaz de analisar a sua própria situação e

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de procurar soluções para seus problemas. Nessas condições o pesquisador é tido como o
“especialista” (sociólogo, economista, comunicadores etc.), e capaz de formular os problemas
e de encontrar formas de encaminhar soluções. Concomitantemente os resultados da pesquisa
ficam reservados aos pesquisadores e a população nem é levada a conhecer os resultados e
menos ainda discutí-los. Enquanto isso, a pesquisa participante (na linha da pesquisa-ação) vai,
ao contrário, procurar auxiliar a população envolvida a identificar por si mesma os seus
problemas, a realizar a análise crítica destes e a buscar as soluções adequadas. Desse modo, a
seleção dos problemas a serem estudados emerge da população envolvida, que os discute com
os especialistas apropriados, não emergindo apenas da simples decisão dos pesquisadores.
Embora essa seja uma forma de envolvimento desejável, a definição do problema pela
“comunidade” não é uma regra geral, pois as situações variam. Como esclarece Maria Ozanira
da S.e Silva (1986, p.153), “pode o pesquisador, juntamente com os grupos, elaborar e
desenvolver, conjuntamente, uma proposta de investigação ou, ainda, a proposta pode se
originar do investigador e contar com a participação dos grupos interessados”.
No transcurso das práticas acadêmicas, dos institutos e demais promotores da
pesquisa-ação sua apropriação não é uníssona, embora tenham a participação e a ação
(intervenção) como princípios unificadores. Como já foi dito, alguns fatores proporcionam
tanto aperfeiçoamentos metodológicos quanto limitações ou simplificações, a exemplo das
condições locais e de cada situação investigada que influenciam no desenvolvimento da
pesquisa, além de eventuais inabilidades do pesquisador. Porém, somente as pesquisas que
desenvolvem níveis mais avançados de participação fazem jus a denominação pesquisa-ação.
Pelo ângulo da participação, por exemplo, algumas linhas de investigação foram
observadas por Michel Thiollent (1981, p.77): a) pesquisas que recomendam uma simples
participação ou colaboração dos indivíduos interessados; b) outras que enfatizam as exigências
da ação, inclusive com dimensão social e política; c) aquelas de natureza mais sociológica do
que psicológica e que recomendam a inserção ou intervenção no seio do movimento social
investigado; d) pesquisa-ação desenvolvida no contexto educacional na perspectiva
conscientizadora implicada na participação ativa e que trabalha a partir de temas geradores; e)
pesquisa-ação no contexto de militância política de esquerda; f) há propostas mais radicais nas
quais de trata mais da ação do que da participação são aplicáveis no contexto dos efeitos dos
meios de comunicação nas pessoas, de ação cultura e de militância política. Acrescenta-se; g)
pesquisa-ação nas linhas da comunicação popular e comunitária no contexto da mobilização e

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organização comunitária tendo em vista a ampliação do exercício da cidadania e a


transformação da realidade de segmentos sociais e “comunidades”.
Voltando às características, destacam-se ainda a participação/inserção do pesquisador,
o tipo de ação, a participação do investigado e o retorno dos resultados, que são mais
aprofundadas a seguir.

Participação/inserção. A pesquisa-ação requer a inserção do pesquisador na situação


investigada para participar das atividades, segundo a realidade ali existente. É uma forma de
acompanhar a dinâmica cotidiana e conviver de modo a conhecer e poder agir no seu interior.
Essa interação implica em concordância previa do grupo ou comunidade. Mas, além da
inserção se intervém de modo deliberado na situação investigada. A intervenção ocorre por
meio da ação ao se assumir algum papel e/ou quando se coordenar as ações da pesquisa. A
inserção implica numa fase de aproximação que é aconselhável ocorrer por meio de um estudo
exploratório na região, grupo ou movimento social como forma de reconhecimento da
situação.
A inserção se concebe
como uma técnica de observação e análise de processos e fatores que inclui, dentro
de seu desenho, a militância dirigida a alcançar determinadas metas sociais, políticas
e econômicas [ou comunicacionais]. Se aplica por observadores atuantes com a
intenção de levar acabo, com maior eficácia e entendimento, mudanças necessárias
(FALS BORDA, 2013, p.243).

A ação. A que se refere quando se fala em ação? No processo de pesquisa-ação tanto a


ação do pesquisador quanto a do grupo pesquisado se distinguem da ação convencional em
pesquisa etnográfica e/ou observação participante nas linhas antropológicas e psicológicas. Na
pesquisa-ação participativa o pesquisador participa para observar, mas além de observar atua.
No dizer que Cooke11 (apud TRIPP, 2005, p. 452) “não se trata de pesquisa-a-ser-seguida-por-
ação, ou pesquisa-em-ação, mas pesquisa-como-ação”.
Participação do investigador. Nessa lógica, os grupos, movimentos sociais etc. por
meio de seus membros e/ou representantes da situação investigada podem participar
ativamente da pesquisa porque a inserção do pesquisador, ao mesmo tempo em que favorece o

11
COOKE, W. A foundation correspondence on action research: Ronald Lippit and John Collier. The
University of Manchester, Manchester. Disponível em:
<http://www.sed.manchester.ac.uk/idpm/publications/wp/mid/mid_wp06.htm>. Acesso em: 16 dez.2015.

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próprio protagonismo, incorpora e necessita do envolvimento dos investigados. Estes são


incorporados, segundo Fals Borda (2013, p.243), “como ‘sujeitos’ ativos – e não ‘objetos’
exploráveis – da investigação, que trazem informação e interpretação em pé de igualdade com
os investigadores de fora”.
Desse modo, nas pesquisas que desenvolvem níveis avançados de envolvimento, a
possível participação dos investigados não se caracteriza com mera ação colaborativa –
provocar sua ajuda na realização de atividades (fazê-los aplicar questionários, juntar
documentos etc.) -, mas na criação de condições para que atuem na elaboração dos planos e
estratégias, na realização da pesquisa e na interpretação de dados e observáveis. Trata-se de
uma participação provocada não apenas para satisfazer interesses de conhecimento do
pesquisador, mas para contribuir com a situação investigada, tanto em relação aos subsídios
que a pesquisa pode gerar quanto ao aprendizado que o próprio processo de pesquisa
proporciona na elaboração do conhecimento coletivo. Este tipo de pesquisa incorpora um
sentido educativo e por isso mexe com os padrões da pesquisa científica tradicional, a
transformação da prática de pesquisa que, neste caso deixa de reconhecer a ciência somente a
partir de posições empiristas12 (se privilegia o objeto, o real como possuidor do conhecimento)
ou apriorísticas (se privilegia o sujeito, o pesquisador como potencializador do conhecimento)
no processo de pesquisa e reconhece o conhecimento gerado na relação sujeito-objeto, “objeto”
que é observado como sujeito.
Paulo Freire (1981, p.35), situa a pesquisa participante na perspectiva libertadora,
“como ato de conhecimento, [que] tem sujeitos cognocentes, de um lado, os pesquisadores
profissionais; de outro, os grupos populares e, como objeto a ser desvelado, a realidade
concreta”.
Retorno dos resultados. O que foi dito acima aponta para uma das características
mencionadas, a devolução dos resultados aos pesquisados. Esta, ao contrário de outros tipos de
pesquisa que em geral só se apropriam de dados, informações e saberes, mas não retornam os
resultados encontrados aos pesquisados, na pesquisa-ação, assim como na participação
observante, o retorno do conhecimento ocorre tanto durante o processo de pesquisa como no
fim da mesma. Durante a pesquisa também são democratizados os resultados porque os
próprios passos delineados vão possibilitando a participação na discussão de “achados” pois se
realizam fóruns e seminários para apresentação e discussão de resultados parciais e

12
Ver González (2015) e Piaget (2011).

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organização interna da pesquisa. A devolução dos resultados no fim da pesquisa, porque é


natural que o relatório final seja entregue também ao grupo pesquisado e não somente aos
promotores da investigação ou às finalidades acadêmicas de titulação de seus autores e
posterior disponibilização em estantes e portais universitários, como comumente se pratica em
outros tipos de metodologias empregadas.

Métodos e técnicas na prática pesquisa-como-ação

Noções de método
Método, do grego meta-odós quer dizer: meta = ir além, odós= caminho, via. Da
palavra método deriva metodologia. Desse modo, metodologia significa caminho para ir
além. Na pesquisa científica, a metodologia indica os caminhos – dos pressupostos teóricos e
paradigmas científicos às estratégias tecno procedimentais. Então, a palavra metodologia não
se reduz a procedimentos e técnicas de pesquisa, mas inclui o quadro de matrizes teórico-
epistemológicas que antecedem as práticas de pesquisas e as diretrizes metódicas executadas
a partir das quais as práticas se desenvolvem, ou seja quando se aplicam os instrumentos de
coleta de informações e as observações se assentam.
Como diz Lopes (1997, p.87), é um reducionismo identificar metodologia como
técnicas e/ou usá-las como “título honorífico” (abordagem superficial) e/ou como um ritual
formal de procedimentos na intenção de assegurar o status de científico.
Para efeito didático, pode-se dizer que o método científico tem duas dimensões, a
epistemológica e a metódica.
a) A dimensão epistemológica indica a posição do autor na filosofia da ciência e
orienta a linhagem teórico-metodológica – a matriz epistemológica - da pesquisa
(positivismo, estruturalismo, fenomenologia, compreensivismo, materialismo histórico
dialético, construtivismo...) eleita pelo pesquisador/pesquisadora e se situa no contexto da
teoria do conhecimento.
É essa dimensão da metodologia que inspira a posição epistêmica que existe por traz
de toda pesquisa. Em outras palavras, por traz de cada marco teórico ou conceitual há
pressupostos explícitos ou subjacentes. Essa posição corresponde a visões que compartilham
uma busca pelo equilíbrio social, a compreensão de certos fenômenos em seus simbolismos e
estruturas, ou o entendimento dos processos sociais em sua historicidade e múltiplas

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determinações, por exemplo. Tal posição epistêmica se expressa no delineamento da


investigação, nem sempre assumida pelos pesquisadores, o que não quer dizer que seja
inexistente ou inerte.
b) A dimensão metódica ou dos princípios e conceitos que embasam posturas e
práticas de pesquisa, diz respeito às posturas norteadoras das práticas de pesquisa, ou seja,
aos fundamentos conceituais que orientam um tipo de pesquisa como, por exemplo, da
pesquisa-ação13 e da história oral. Ou seja, essa dimensão da metodologia norteia os
caminhos e posturas de todo o percurso metodológico, portanto antecede a escolha e a
aplicação de técnicas de coleta de informações e identificação dos observáveis. No conjunto,
estas duas dimensões do método, inclusive, sinalizam quais são as técnicas mais pertinentes -
enquanto instrumentos operacionais para coleta de dados e informações - ao desenvolvimento
da investigação. As técnicas são instrumentos usados para a coleta de informações, para o
registro das observações etc., portanto, repetindo, não são sinônimo de método. Método e
técnicas andam juntos e até se entrecruzam, mas em esferas distintas no processo de geração
de conhecimento científico.

Fases ou ciclo da pesquisa-ação


Os autores Boterf (1999), Barbier (2002), Nistal (2007), Bonilla et al (1999), Tripp
(2005) e Lopes de Ceballos (1998) divergem entre si na caracterização das fases ou ciclo da
pesquisa-ação. É natual que seja assim, pois os autores reportam a visões e a experiências de
pesquisa diversificadas. Sempre haverá diferenças nas fases de uma pesquisa-ação realizada
junto a uma "comunidade", uma instituição, um movimento social, um segmento
populacional ou um espaço territorial concreto, como um bairro ou uma região por exemplo.
Em linhas gerais, sugere-se que após a delimitação do problema de pesquisa,
definição dos objetivos e a elaboração do projeto de pesquisa como um todo, incluindo a
montagem do seu desenho dos procedimentos metodológicos, observem-se as fases a seguir
esboçadas.
1ª fase: Estudo exploratório para reconhecimento da situação a ser investigada. É uma
forma de conhecer as configurações locais ou do grupo (características culturais e étnicas;
estrutura de classes; nível de organização; dos meios de comunicação locais; das forças

13
Veja os itens “ Coordenadas metodológicas, conceitos e características” e “Métodos e técnicas na prática da
pesquisa-como-ação” neste texto.

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políticas, religiosas e associativas atuantes na região etc.), por intermédio de visitas in loco;
recolhimento e estudo prévio de documentos; estabelecimento de contato e de conversas com
lideranças; consultas à organizações que atuam na região; levantamento de dados estatísticos
etc., sempre em função das especificidades de cada projeto. Trata-se de uma fase importante
pois é uma forma de se adentrar no ambiente investigado com informações pertinentes e
maior conhecimento do contexto em que a pesquisa se realiza14.
2ª fase: Inicia-se a pesquisa propriamente dita e se instaura o processo de
investigação15 definindo e entrando em acordo com o “grupo” pesquisado sobre a definição
da sistemática de inserção do investigador (ou equipe de pesquisa) e das atividades a serem
desenvolvidas; a formação de comissões de trabalho; o delineamento prévio de sistemas de
cooperação (fóruns de debates, seminários etc. para discussão pública de assuntos em questão
e de resultados parciais da própria pesquisa); a projeção de indicativos visando a criação de
sistemas de organização (se for caso); a elaboração de cronograma etc. Todos esses aspectos
são sempre reavaliados e aperfeiçoados ao longo da pesquisa segundo as necessidades e em
decorrência de possíveis imprevistos. Cabe salientar que essa fase, ao mesmo tempo em que
garante as funcionalidades do processo, contribui para despertar nos investigados o interesse
pela pesquisa e assim favorecer o seu envolvimento na mesma.
3ª fase: Redefinição e aperfeiçoamento do desenho metodológico. Momento em que
os procedimentos metodológicos são revistos e adequados às condições encontradas na
situação real. Lembrando que os procedimentos e as técnicas, ao mesmo tempo em que
pressupõem rigor na sua aplicação devem ser flexibilizados, aperfeiçoados ou modificados
como parte das descobertas feitas no curso da pesquisa. Contudo, há que se ter cuidado para
não se descaracterizar a opção participativa elegida e a própria pesquisa enquanto pesquisa-
ação. Do contrário, há que se alterar também a indicação metodológica inicialmente proposta.
Algumas vezes se pretende realizar pesquisa-ação, mas de fato -devido a determinadas
circunstancias - acaba ocorrendo uma observação participante ou participação observante,
portanto esse tipo de diferença deve ser percebido e esclarecido.
4ª fase: A quarta fase consiste na realização plena do trabalho de campo 16 com a
continuidade das atividades e aplicação de técnicas, como por exemplo realização de

14
Ver Bonilla et al (1999) e Boterf (1999).
15
Ver Nistal (2007).
16
As fases anteriores também fazem parte da pesquisa de campo, mas são mais preparatórias e necessárias para
se distribuir o protagonismo das pessoas e se delinear as estratégias da pesquisa.

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reuniões; a mobilização de equipes locais ou de representantes da “comunidade”; realização


de fóruns de discussão, oficinas (se for caso) e de entrevistas 17 (se for o caso); a identificação
de documentos etc. Na medida em que as informações vão sendo coletadas, há que se
sistematizá-las, formar sistemas empíricos de informação e proceder a análises. Também se
realiza a avaliação constante de todo o processo de pesquisa. Podem ser aplicadas formas de
avaliação simples ou mais estruturadas com base, por exemplo, no diagnóstico DAFO
(Debilidades, Ameaças, Fortalezas e Oportunidades)18. A avaliação é sempre necessária para
a retroalimentação de modo a possibilitar a correção de rumos, corrigir erros e aperfeiçoar a
aplicação de técnicas e outros procedimentos.
5ª fase: Apresentação de resultados parciais19 aos representantes locais envolvidos na
pesquisa ou ao conjunto do “grupo” ou “comunidade” de modo a possibilitar sua participação
na interpretação, analise crítica dos resultados e na geração de conhecimento coletivo.
6ª fase: Esta fase é mais conclusiva. De posse do conhecimento sobre todo o processo
de pesquisa e dos resultados obtidos, realiza-se o relatório final20: o registro sistemático do
processo de pesquisa, a apresentação e a interpretação e análise dos “achados” da pesquisa. É
o momento em que ainda se pode construir e/ou aplicar um plano de ação (as vezes esse
plano é feito e aplicado durante a quarta fase)21 com as propostas de encaminhamento
visando a solução do problema prático que motivou a realização da pesquisa. O relatório final
será entregue aos atores (sujeitos) envolvidos na pesquisa, além de ser discutido com eles, e
a aqueles que demandaram sua realização, se for caso.

Técnicas
As técnicas características no desenvolvimento da pesquisa-ação são a observação
direta e os instrumentos de registros como o diário de campo ou caderno de notas.
Eventualmente se usa o registro de depoimentos e acontecimentos em sons e imagens (fotos,
áudios e vídeos), mas este deve ser discreto e parcial 22, e apenas como forma registro fiel

17
Ver Nistal (2007)
18
Ver Nistal (2007)
19
Ressalva-se que em situações em que existe um alto nível de envolvimento dos investigados, os resultados
parciais vão sendo construídos conjuntamente e simultaneamente compartilhados.
20
Do relatório podem derivar uma tese, livro e/ou artigos científicos.
21
Ver detalhes em Boterf (1999) e em Nistal (2007).
22
O uso de filmagens constantes e de todos os eventos integralmente podem gerar distorções quanto a visão
criada entorno da própria pesquisa (redução de sua finalidade e criação de expectativas quanto a aparição

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para sistematização e análises posteriores, além de ser uma forma de documentação para
eventual produção de vídeo documentário como complemento de uma tese acadêmica, além
do seu uso pela própria “comunidade” que foi sujeito da pesquisa.
Como a pesquisa-ação pressupõe também a intervenção do pesquisador, que orienta e
coordena sua realização, é pertinente (BOTERF 1999) que este conheça bem o método da
pesquisa participante, a dinâmica de trabalho em grupos populares, a realidade de vida e
realidade funcional predominante na situação investigada.
O diário de campo é um instrumento básico para registro de tudo que ocorre na
situação investigada, registro feito com precisão quanto a datas, atores, locais e conteúdos
dos acontecimentos. Nele se registram os fatos, as ocorrências e também as percepções
pessoais do pesquisador proporcionadas pela observação direta.
Barbier (2002) recomenda que o diário de campo se converta em “diário rascunho”,
“diário elaborado” e “diário comentado”. No calor dos acontecimentos se faz o diário campo
de itinerância cotidiana (diário rascunho), no qual se anota tudo o que parece importante
sobre os fatos reais, percepções, comentários e breves reflexões, sem preocupação com estilo.
Num segundo momento, já com mais calma – mas sem grande distância de tempo – se
retoma o diário de campo, mas agora para organizar as percepções e incluir reflexões
filosóficas e analíticas (diário elaborado). Acrescenta-se que é salutar nessa fase organizar as
informações registradas a partir de categorias que podem ser construídas segundo os focos e
interesses analíticos da pesquisa. Já o “diário comentado” é o resultado da submissão do
“diário elaborado” a leitores que reagem com comentários e percepções críticas, o que é
atentamente escutado e anotado pelo investigador para considerações posteriores.
Paralelamente outras técnicas podem ser agregadas, conforme as necessidades e
complexidades de cada pesquisa. São elas: o estudo de documentos (atas, relatórios, projetos,
contratos, leis, registros fotográficos e audiovisuais); a entrevista (semiestruturada ou em
profundidade, como por exemplo d história oral, o relato de práticas ou a entrevista
temática23; o grupo de discussão (GD) ou grupo focal; a aplicação de questionários; estudo de

pública), além de poder provocar inibições e medos de expressão de determinadas facetas envolvidas nos temas
e problemática investigada.
23
A entrevista temática refere-se a uma técnica que permite o aprofundamento de um tema a partir do
conhecimento de alguém dada a sua vivência ou saber acumulado sobre o mesmo. Neste caso, não se trata de se
recuperar a história de vida de pessoa, mas de sua contribuição para se reconstituir ou se entender melhor algum
fato, situação ou problema. Sempre existem pessoas que testemunharam algum acontecimento, vivenciaram
processos históricos e/ou compreendem bem determinados problemas e que podem ser valorizadas.

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conteúdo de materiais difundidos pela grande imprensa e pelos meios comunitários de


comunicação; realização de cartografias (mapas) dos lugares, vias de acesso, de modos de
comunicação autóctones etc.
O pesquisador, ou a pesquisadora, tem um papel central nesse tipo de pesquisa, pois
os resultados dependem de sua capacidade de atuação, condução da pesquisa, registro,
percepção e de análise. Suas atitudes de observador (LOPES DE CEBALLOS, 1998, p.117-
124) e de observador por participação serão mais bem sucedidas se ele desenvolver boa
perceptividade (para perceber as coisas e estar interessado nelas, prestar atenção,
documentar-se); respeito (simpatia respeitosa, compreensão, tolerância, paciência, discrição,
lealdade; e imparcialidade (tentar ser o menos parcial possível, estar atento a erros e
distorções, não dar importância demasiada a um feito ou opinião sem verificar o impacto real.
O respeito aos princípios éticos e o profissionalismo legitimam o processo de pesquisa
participante e os resultados que dela decorrem. Sempre pode haver limites e distorções em
qualquer pesquisa, e como tal também na pesquisa-ação. A imposição da participação ou de
pontos e vista do pesquisador pode gerar distorções comprometedoras, por exemplo. O
importante é ter um plano metodológico claro e, ao mesmo tempo rigoroso e flexível.
Rigoroso o suficiente para se ter um norte e saber com clareza qual é a pergunta central de
pesquisa, quais são os objetivos e os procedimentos metodológicos necessários para a
realização da mesma. Flexível para permitir aperfeiçoamentos e ajustes, incluir outras
premissas e técnicas, ajustar procedimentos e corrigir vieses que por ventura ocorram.
Para concluir, a pesquisa-ação se insere num nível de complexidade elevado enquanto
processo de investigação destinado a geração de conhecimento científico. Situa-se no
universo de abordagem de terceira ordem, segundo Jesus Galindo (1998, p.14), que “não é
superficial, não é fenomenológico [...]”. Está voltada a identificar a relação entre as
estruturas, os elementos e as caraterísticas que lhes dão forma e movimento (GONZÁLEZ,
2015). Exige um nível de compreensão profundo para dar conta da complexidade que
configura o social em sua totalidade
A pesquisa-ação realizada em sua máxima acepção participativa desenvolve um tipo
de abordagem que permite identificar as estruturas centrais da situação investigada, entende-
la e explicá-la em seu contexto, além de servir diretamente à situação investigada no
encaminhamento de soluções de problemas práticos relacionados ao modo de vida de

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segmentos populacionais no seu processo de ampliação do exercício da cidadania, e na


feitura de uma ciência de espírito cívico.

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