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Versão On-line ISBN 978-85-8015-076-6

Cadernos PDE

OS DESAFIOS DA ESCOLA PÚBLICA PARANAENSE


NA PERSPECTIVA DO PROFESSOR PDE
Artigos
PROPOSTA EXPERIMENTAL PARA ABORDAGEM DE REAÇÕES
QUÍMICAS E TRANSFERÊNCIA DE ENERGIA NO ENSINO DE
QUÍMICA
Adriana Granemann de Souza1
Juliane Priscila Diniz Sachs2

Resumo: A proposta desse artigo foi proporcionar uma aprendizagem dos conteúdos reações
química e as transferências de energia que as acompanham, possibilitando a compreensão dos
conceitos, bem como a motivação dos alunos ao estudo de química. A experimentação, com a
participação dos alunos, possibilitou o estabelecimento da interpelação da teoria à prática,
estimulando neles o interesse pela investigação. Dessa maneira, o presente trabalho procurou
amenizar as dificuldades encontradas em sala de aula, despertando o interesse pela leitura e
pesquisa científica ao estabelecer seu conhecimento por meio da interação entre pesquisar, refletir e
fazer. Para tanto, foi desenvolvido um arranjo experimental que permitiu demonstrar as transferências
de energia por trabalho e por calor, que ocorrem entre sistemas. O arranjo é de baixo custo, podendo
ser realizado no ensino médio. O experimento permitiu medir as variações de temperatura e volume
ocorridas de forma a possibilitar os cálculos da energia transferida por calor e por trabalho.

Palavras-chave: Atividades práticas. Ensino-aprendizagem. Termodinâmica.

_____________________________________________________________________________________________________________

1
Formada em Ciências com habilitação em Química pela Universidade Estadual do norte do
Paraná, especialização em: As Ciências e a Questão Ambiental pela Faculdades Integradas de
Ourinhos, especialização em Gestão Escolar/Supervisão e Orientação, pela Faculdades Integradas
do Vale do Ivaí. Professora do Colégio Estadual Francisco Alves de Almeida. Orientada do PDE.
2
Bacharel em Química pela Universidade Estadual de Londrina, Mestre em Ciências de Alimentos
pela Universidade Estadual de Londrina e Licenciada em Química pela Universidade Tecnológica
Federal do Paraná. Atualmente é Professora Efetiva da Universidade Estadual do Norte do Paraná -
Campus Luiz Meneghel - UENP-CLM. Orientadora do PDE.
1. INTRODUÇÃO

No ensino de Química, têm sido motivo de muitas discussões e debates as


formas de apresentar e trabalhar conteúdos que possibilitem a compreensão dos
mesmos e permitam relacioná-los com as questões sociais e ambientais. Na maioria
das vezes, tal ensino é invariavelmente mecânico, com uso de metodologia
tradicional e “retrógrada”, que não desperta a curiosidade e o interesse dos alunos
pela ciência. As aulas meramente expositivas tornam a situação de ensino cansativa
e desencorajadora à participação ativa dos alunos, que se tornam apenas meros
espectadores no processo de ensino e aprendizagem.

[...] Como é largamente conhecido na esfera da educação de ciências, as


velhas estratégias de ensino como o quadro e giz/pincel, são insuficientes
em assegurar que os discentes, realmente aprendam os conceitos
científicos. Sabemos que os processos de ensino-aprendizagem, é
complexo, mutável no tempo, envolve múltiplos saberes e está longe de ser
trivial[...] (PONTES, 2008, p 9)

O ensino tradicional é conduzido de maneira que o aluno conheça muitas e


variadas fórmulas, decorrentes de reações e propriedades, mas sem conseguir fazer
relação direta e muitas vezes apropriada com o que ocorre na natureza. Como
enfatiza Schnetzler e Aragão (1995), o currículo é conteudista, a metodologia dá
ênfase à memorização de fórmulas, classificação, conceitos, regras e cálculos
repetitivos que parecem apenas servir para o vestibular.

O ensino de química ainda hoje, continua sendo uma prática de ensino


encaminhada quase exclusivamente para a retenção, por parte do aluno, de
enormes quantidades de informações passivas, com o propósito de que
essas sejam memorizadas, evocadas e devolvidas nos mesmos termos em
que foram apresentadas na hora dos exames, através de provas, testes,
exercícios mecânicos repetitivos (SCHNETZLER e ARAGÃO, 1995, p 27).

A este respeito, Bernardelli (2004) afirma que o ensino da química seria bem
mais simples e agradável se essa metodologia tradicional fosse abandonada (que
considera ultrapassada) e se investissem mais em procedimentos didáticos
alternativos.
Para que o processo educativo se torne mais eficiente são necessárias
transformações como sugere Antunes (2002):

A atual geração requer novas ferramentas metodológicas para não perder o


foco do aprendizado. Já que as ferramentas tradicionais de ensino não
possuem uma eficácia motivadora e dinâmica quando se refere ao ensino-
aprendizagem de Ciências. (ANTUNES, 2002).

Desta forma, é reforçada a importância de se buscar e aplicar no processo


educacional recursos didáticos alternativos e diferenciados que estimulem o
interesse dos alunos pelas aulas de química, melhorando a compreensão de seus
conteúdos e a eficiência da aprendizagem pretendida.
Podem-se sugerir, entre outros recursos alternativos que venham atender tais
finalidades, as aulas laboratoriais com experimentos práticos que abordam
conteúdos teóricos.
De acordo com Pontes et. al. (2008) o ensino experimental, ministrado em
laboratório deve ser usado como um instrumento que propicie a construção e
aprendizagem de conceitos e modelos científicos e não como um instrumento a mais
de motivação para o aluno. Para que isso ocorra, é indispensável que haja
interação, dando oportunidade do aluno relacionar o que foi dito em sala de aula
com o assunto trabalhado nas atividades experimentais e, desta forma, permite que
o aluno deixe de ser apenas um agente passivo no seu processo de aprendizagem.
Conforme Gil-Pérez et al. (1999), as atividades experimentais, apesar de
acontecerem pouco nas salas de aula, são assinaladas como a solução que deveria
ser praticada para que haja relevante melhoria no ensino de ciências. Também,
Alves (2012) afirma que são as atividades experimentais que possibilitam ao
estudante um melhor entendimento de como ocorre a construção e o
desenvolvimento da química, (a reação se faz presente “ao vivo e a cores”, afinal foi
assim que ela surgiu por meio da Alquimia).
Segundo Valadares (2001), propostas de experimentos usando materiais
alternativos de baixo custo, centradas no aluno e na comunidade estabelecem uma
das perspectivas na construção de um elo entre o conhecimento ensinado na sala
de aula e o cotidiano dos alunos. Além disso, a adoção de modelos e experimentos
simples estimula os alunos a assumirem uma atitude mais crítica e empreendedora.
Estudos realizados na área de ensino indicam também a necessidade de se
trabalhar os conteúdos de química vinculados ao contexto social em que o aluno
está inserido.

[...] devemos criar condições favoráveis e agradáveis para o ensino e


aprendizagem da disciplina, aproveitando, no primeiro momento, a vivência
dos alunos, os fatos do dia-a-dia, a tradição cultural e a mídia, buscando
com isso reconstruir os conhecimentos químicos para que o aluno possa
refazer a leitura de seu mundo.
(BERNARDELLI, 2000, p. 02).

Partindo de aspectos que fazem parte do seu dia a dia, os alunos


compreendem processos químicos que estejam relacionados ao tema, ao mesmo
tempo em que são induzidos a refletir sobre grandes questões temáticas ligadas a
contextos sociais, buscando por meio da discussão de atitudes e valores a
construção de uma sociedade mais justa e igualitária (MALDANER e ZANON, 2007,
p.78).
Não obstante, o que se sugere nas Diretrizes Curriculares para a Educação
Básica do Paraná, é a formação de sujeitos que construam sentido para o mundo.
Além disso, devem conseguir compreender criticamente o contexto histórico e social
do qual são frutos e que pelo ingresso ao conhecimento, sejam capazes de uma
inclusão cidadã e transformadora na sociedade. (PARANÁ, 2008, p 33)
Ribeiro (2009) explica que também é importante que o professor de Química
prepare e aplique uma aula experimental de valor educativo real, proporcionando
momento de discussão entre a teoria e a prática, ultrapassando o fenômeno e os
saberes cotidianos dos alunos.

Os experimentos também não podem ser utilizados apenas como uma


forma de motivar os alunos, pois nem todos os alunos sentem-se motivados
com aulas práticas. A sala de aula é um campo heterogêneo e, como tal,
precisa ser tratado de forma a atingir a todos os sujeitos pertencentes a este
campo. Entendo que a diversificação de métodos de ensino é indispensável
para que haja um melhor aproveitamento no processo de aprendizagem.
(RIBEIRO, 2009, p. 01)

Para que os experimentos sejam utilizados como elementos importantes no


processo de aprendizagem, o professor deve possuir conhecimento dos objetivos,
dos conteúdos e da terminologia da química. Também analisar a sua dimensão
histórica e cultural para que possa promover um ensino de Química mais coerente,
crítico e contextualizado.

[...] buscar ver como se enraíza e é enraizada a construção do


conhecimento é cada vez mais uma necessidade para que possamos
melhorar nossa prática docente. Esta passa a ser uma exigência importante
para que melhor possamos entender os conhecimentos que transmitimos.
(CHASSOT, 2003, p. 272)
Entre essas e outras razões não é mais possível conceber “o exercício do
magistério como algo essencialmente simples, para o qual basta saber alguns
conteúdos e ‘passá-los’ aos alunos para que estes os ‘devolvam’ da mesma forma
nas provas” (MALDANER, 2000, p. 75).
As importantes inovações no ensino de Química, assim como inclusão da
experimentação, demandam um conhecimento maior dos professores voltado para a
inovação, ponderando na prática pedagógica a relação teoria-prática como forma de
produção e socialização do conhecimento.
Busca-se acrescentar na discussão que o laboratório tem um papel
insubstituível, “o principal critério de avaliação é a formação de conceitos científicos”.
Trata-se de um processo onde se procura construir e reconstruir os significados dos
conceitos científicos (MALDANER, 2003, p. 144).
Dessa forma, levando em consideração que o ensino de Química no Ensino
Médio é muitas vezes acusado de ser mera transmissão de conceitos, definições e
leis isoladas, preocupando-se unicamente com a memorização e não com as
relações e aplicações na vida prática do aluno, este trabalho teve como objetivo o
desenvolvimento de uma proposta de ensino dos temas reações químicas e
transferência de energia visando contribuir para soluções de tais problemas. A
proposta pautou-se em experimentação com demonstração de trabalhos em grupo e
discussão coletiva, buscando minimizar as dificuldades encontradas em sala, além
de despertar o interesse pela leitura e pesquisa científica, por meio da participação
na condução de experimentos, que estimulem a investigação e aquisição de
conhecimento, pela interação estabelecida no trinômio: pesquisar, refletir e fazer.

2. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

Um dos conteúdos relevantes a ser abordado nas aulas de química é o


ensino de reações químicas e também o do conceito de energia. Em função da sua
importância para o ensino de química na educação básica, e das possibilidades de
articulações atreladas a ele, o tema reações químicas foi escolhido como objeto dos
experimentos, de modo a facilitar a compreensão do conceito de reações químicas e
energia envolvida de forma mais abrangente e menos fragmentada. O assunto
abordado possibilita a integração e contextualização entre os saberes teóricos e
práticos ao mesmo tempo, visto que muitos fenômenos que ocorrem no nosso dia a
dia estão atrelados à compreensão das transformações químicas.
Considerando que, a energia pode se manifestar sob as mais diferentes
formas, sobretudo, a transferência de energia por trabalho, que acompanha as
reações químicas, é importante para a compreensão de vários aspectos do
cotidiano, no entanto, esse processo é muitas vezes negligenciado, o que pode levar
o aluno a ter uma ideia limitada, ou mesmo errônea, de que a variação de energia
ocorre apenas por calor.
Ao se ensinar Termodinâmica seja ela Física ou Química, com a finalidade de
abordar conceitos como energia, energia interna, entropia, entalpia, temperatura e
calor, sistema e vizinhança, o professor das disciplinas de física ou química depara-
se com um grande desafio: o de mostrar a importância desse assunto no cotidiano
dos alunos. Sabe-se que a termodinâmica não se limita apenas à aplicação de
fórmulas, resoluções mecânicas de exercícios ou conversões de uma unidade de
energia para outra, que não adicionam muito aos saberes dos alunos, mas deve-se
almejar um ensino desses conceitos útil para a análise dos diversos fenômenos
químicos e físicos da natureza.
Cabe ao professor mostrar a existência e utilidade dos conceitos para a
compreensão dos fenômenos envolvidos e observados e contextualizá-los no
cotidiano dos alunos.
A proposta de intervenção pedagógica foi aplicada no Colégio Estadual
Francisco Alves de Almeida - Ensino médio, município de Conselheiro Mairinck - PR,
tendo como público alvo os alunos do segundo ano e o conteúdo abordado foi:
termodinâmica química e reações químicas, cujo principal objetivo foi despertar no
aluno o interesse investigativo, procurando diminuir as lacunas existentes entre
teoria e a prática na busca do conhecimento científico e no desenvolvendo da
capacidade de compreensão dos conteúdos de química a partir da experimentação.
Inicialmente foi aplicado um questionário para verificar o conhecimento prévio
que o aluno possuía a respeito do assunto.
Como atividade prática desenvolveu-se um aparato experimental para
quantificar as variações de temperatura e volume ocorridas em uma reação química,
possibilitando calcular energia transferida por calor e por trabalho.
O mesmo conteúdo foi trabalhado em duas salas simultaneamente, porém em
umas delas o conteúdo esteve acompanhado de atividades práticas e na outra não.
Ao término do projeto foi aplicado outro questionário para verificação dos
conteúdos que foram assimilados durante a realização do projeto.
O trabalho desenvolvido tinha como proposta não comparar os diferentes
perfis de alunos e sim a evolução do seu conhecimento durante o processo ensino-
aprendizagem, por meio da comparação feita antes e após a apresentação de um
conteúdo.
Os encontros aconteceram durante as aulas regulares na disciplina de
Química, durante aproximadamente um bimestre, incluindo a exposição das
atividades práticas, sua realização e avaliação. As anotações consistiram de
registros com referência o ambiente onde a pesquisa estava sendo realizada, a
caracterização dos sujeitos, a descrição das atividades aplicadas, o comportamento
dos alunos, sua participação e envolvimento.
Em cada atividade os alunos recebiam roteiros que descreviam a mesmas
durante o desenvolvimento eram dadas instruções de modo a facilitar o
entendimento, a construção do conhecimento e a relação que se faziam entre a
teoria e a prática acompanhada da experimentação. Na sala onde ocorreram os
cinco experimentos, os alunos trabalharam em duplas, sempre com a supervisão da
professora. Eles procuraram seguir o roteiro das atividades com registros feitos por
meio de fotografias, filmagens, relatórios e exposição de trabalhos, detalhando todos
os aspectos relevantes, sempre teciam comentários a respeito dos resultados
obtidos.
Com o intuito de uma proposta de aprendizagem acerca da relação entre as
reações químicas e as transferências de energia que as acompanham, foram
selecionados cinco experimentos que procurassem responder a seguinte questão:
como saber se realmente aconteceu uma reação química?
Uma transformação química, geralmente, é acompanhada por mudanças que
podem ser facilmente evidenciadas por alguns itens, que podem ser bons indícios
para demonstrar que uma reação química ocorreu, tais como a mudança de
coloração, a formação de gases, a formação de precipitados, a transferência de
energia por calor pelo calor, normalmente acompanhada pela mudança de
temperatura, a decomposição ou aumento da massa do composto sólido, dentre
outros.
Mesmo não havendo laboratórios adequados nas escolas, cria-se a
necessidade, muitas vezes de improviso, para execução das atividades
experimentais, que são sempre importantes no processo de construção de
conhecimento e apreensão dos conceitos científicos. De acordo com as propostas
apresentadas pelas próprias Diretrizes Curriculares de Química, podemos constatar
que:
As atividades experimentais, utilizando ou não o ambiente de laboratório
escolar convencional, podem ser o ponto de partida para a apreensão de
conceitos e sua relação com as ideias a serem discutidas em aula. Os
estudantes, assim, estabelecem relações entre a teoria e a prática e, ao
mesmo tempo, expressam ao professor suas dúvidas (PARANÁ, 2008,
p.67).

A fim de possibilitar a visualização de alguns indicativos das reações químicas


ocorridas avaliadas pelas variações de temperatura e volume ocorridas, oriundas da
transferida por calor e por trabalho foram escolhidas e trabalhadas algumas
experiências como mostra os roteiros descritos abaixo:

Experimento 1- Desaparecimento da cor violeta.

Objetivo: observar a mudança de coloração ocorrida durante a reação de oxi-


redução.

Reagentes e materiais utilizados:


● 3 copos de béquer de 250 mL;
● 40 mL de água;
● 20 mL de vinagre incolor;
● 20 mL de água oxigenada volume 10;
● 1 comprimido de permanganato de potássio.

Procedimento: dissolveu-se o comprimido de permanganato de potássio na


água até a completa dissolução, adicionando-se, posteriormente, 20 mL de vinagre.
A mistura foi homogeneizada para posterior adição da água oxigenada. Repetiu-se o
procedimento sem colocar a água oxigenada. Anotou-se o que ocorreu em cada
etapa experimental.
Foi possível perceber, por meio desse experimento, que os mesmos átomos
compõem espécies químicas com cores diferentes dependendo da forma como se
organizam. Na primeira parte da experiência, adicionou-se à água, um comprimido
de permanganato de potássio, que deixou com coloração violeta. A solução foi
misturada com vinagre e depois com água oxigenada. O resultado foi uma mistura
completamente transparente, pois o permanganato, violeta, reagiu com o vinagre e
com a água oxigenada e formou o íon manganês, conforme reação 1, que é
transparente. Já na segunda parte da experiência, misturou-se primeiramente a
solução de água e permanganato com a água oxigenada, formando dióxido de
manganês, que é marrom. Depois, acrescentou-se o vinagre, e a mistura formada
tornou-se novamente transparente, pois se voltou a formar o íon manganês (reação
2).
Reação 1: 2 MnO4-(aq) + 6 H+ (aq) + 5 H2O2(aq) ---> 2 Mn2+(aq) + 8 H2O(l) +5 O2(g)

Reação 2: 2MnO4- (aq)+ 3H2O2 (aq)---> 2MnO2 (aq) + 3O2 (aq)+ 2OH- (aq) + 2H2O (l)

Experimento 2 – Acendendo o fogo.

Objetivo: observar a energia liberada por calor (reação exotérmica).

Reagentes e materiais utilizados:


● Comprimidos de permanganato de potássio;
● Glicerina;
● Folha de papel sulfite.

Procedimento: foram triturados alguns comprimidos de permanganato de


potássio, colocados sobre uma folha de papel sulfite, onde se adicionou a glicerina e
aguardaram-se alguns instantes. Após alguns segundos o permanganato de
potássio oxidou a glicerina, provocando uma forte reação com a liberação de energia
por calor. A forte reação exotérmica ocorrida foi capaz de incendiar o papel.

Experimento 3 – Super Cola.

Objetivo: observar a energia absorvida por calor (reação endotérmica).

Reagentes e materiais utilizados:


●10 g de hidróxido de bário;
●10 g de tiocianato de amônio;
● Espátula de inox;
● Erlenmeyer de 250 mL;
● Garrafa de esguicho;
● Papel de filtro.

Procedimento: sobre a bancada de trabalho foi colocado um tabuleiro de


madeira, coberto com papel de filtro molhado, em seguida, com o auxílio de uma
espátula adicionou-se o hidróxido de bário num Erlenmeyer de 250 mL. O
Erlenmeyer foi colocado sobre o papel de filtro, onde adicionando-se o tiocianato de
amônio agitou-se rapidamente. Logo após, o Erlenmeyer foi colocado sobre o papel
de filtro. Ao fim de alguns segundos (30 a 60 segundos), ao levantar o Erlenmeyer,
observou-se que este estava muito frio e aderido ao tabuleiro de madeira.
A reação química entre estes dois reagentes é uma reação endotérmica.
Assim, a mistura esfriou-se rapidamente e fez com que a água retida no papel de
filtro congelasse. Dessa forma, gelo formado funcionou como cola entre o
Erlenmeyer e o tabuleiro de madeira.
Outro indicativo de que uma reação aconteceu é a transferência de energia
por calor, que se observou pelo aumento e pela diminuição da temperatura dos
sistemas nos experimentos 2 e 3.
Uma reação exotérmica é aquela no qual o sistema (a reação) libera energia
por calor, pois durante a reação transfere-se parte da energia dos reagentes para o
ambiente por meio do calor. Uma reação endotérmica é aquela reação química que
ganha energia por calor, pois durante a reação ocorre a transferência de energia do
ambiente para o sistema (reação em estudo) por calor. Os termos endotérmicos e
exotérmicos somente são utilizados para processos que ocorrem com transferência
de energia por calor.

Experimento 4 - Transferência de energia.

Objetivo: calcular a variação de energia transferida por calor e por trabalho.


O desenvolvimento desse arranjo experimental permitiu quantificar a variação
da temperatura e de volumes ocorridos numa reação química, possibilitando os
cálculos da energia transferida por calor e por trabalho.
Reagentes e materiais utilizados:
● 2 frascos de vidro com tampa;
● Papel toalha;
● Mangueira de nível;
● Silicone;
● Proveta de 250 mL;
● Água;
●Bicarbonato de sódio;
●Vinagre comum;
●Termômetro doméstico;

A ilustração da figura 1 abaixo representa a forma de montagem do aparato


experimental.

Encaixe para
reagente
sólido

Figura 1. Arranjo experimental composto por dois frascos (1 e 2) conectados por um tubo
(A) e uma proveta de 250 ml (3). O frasco 1 conteve o sistema reacional (os reagentes).O
frasco 2 possuía em seu interior água (acidificada) que estava conectado ao ambiente
externo por um tubo de saída (B). A extremidade do tubo A, na parte interna da tampa do
frasco 1, serviu como encaixe para o pacote contendo reagente sólido.

Procedimento: no primeiro frasco (frasco1), adicionou-se 50 mL de vinagre;


no segundo frasco (frasco 2) adicionou-se 100 mL de vinagre e acrescentou-se água
até encher a garrafa;
Separadamente, em 4 pedaços de papel toalha de dimensões de 5 cm x 5
cm, foram pesados 0,84 g de bicarbonato de sódio, que foram embrulhados no
papel toalha formando “trouxinhas”. Encaixou-se uma trouxinha na tampa do frasco
1, evitando que a mesma entrasse em contato com o líquido para não iniciar a
reação. Ao bater suavemente no frasco 1 a trouxinha caiu sobre o vinagre iniciando
a reação 3. Agitou-se até que se completasse a reação.

Reação 3: NaHCO3 + CH3COOH → CH3COONa + H2CO3

Quando o bicarbonato de sódio (NaHCO3) reagiu com o ácido acético do


vinagre (CH3COOH) no frasco 1, formou o acetato de sódio (CH3COONa) e o ácido
carbônico(H2CO3). O ácido carbônico (H2CO3), por sua vez, é instável e se
decompôs por meio da reação: H2CO3 → CO2 + H2O. Esse gás provocou um
aumento de volume no frasco 2 que consequentemente deslocou o líquido para a
proveta. Anotou-se o volume do líquido transferido para a proveta.
O mesmo procedimento foi repetido com as outras trouxinhas, sempre
lavando os frascos entre uma e outra reação.
(Notas de aulas do curso de química da turma 2013/2014 – PDE – UENP-CLM)

Experimento 5 - Determinação da variação de entalpia e da entalpia molar de


dissolução da ureia em água.

Objetivo: determinar a variação de entalpia e de entalpia molar de dissolução


da ureia e demonstrar que a variação da entalpia é uma propriedade extensiva e a
variação da entalpia molar é uma propriedade intensiva.

Reagentes e materiais utilizados:


● Garrafa térmica (calorímetro);
● Proveta de 250 mL;
● Termômetro (precisão 1oC);
● Ureia, CO (NH2)2;
● Balança semi-analítica (precisão 0,01 g);
● Béquer de 250 mL;
● Água deionizada.
Procedimento: transferiu-se aproximadamente 100g de água à temperatura
ambiente para a garrafa térmica. Anotando a temperatura (T 1) e a massa da água
(M1).
Pesou-se 6,0 g de ureia, transferindo toda massa, juntamente com 100 mL de
água para o calorímetro. Em seguida, utilizando o próprio termômetro, agitou-se a
mistura até a completa dissolução da ureia, acompanhando e anotando a variação
de temperatura até o equilíbrio térmico (T2).
Repetiu-se os procedimentos utilizando 12 e 18 g de ureia.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

O presente trabalho, desenvolvido de acordo com as Diretrizes Curriculares


do Ensino de Química, que estabelece como conteúdos estruturantes, a matéria e
sua natureza, biogeoquímica e química sintética. O assunto abordado foi reações
químicas e a transferência de energia por trabalho.
Procurou-se proporcionar uma aprendizagem significativa acerca da relação
entre as reações químicas e as transferências de energia que as acompanham,
buscando sempre discutir os conceitos para desenvolver a aptidão e compreensão
dos conteúdos de Química relacionando a teoria à prática a partir da
experimentação.
Propôs-se um conjunto de atividades experimentais visando a observação de
algumas mudanças perceptíveis que revelaram a ocorrência de reações químicas.
No seu desenvolvimento procurou-se verificar se houve uma melhoria na
aprendizagem dos conceitos relacionados à Termodinâmica, necessários para a
melhor compreensão acerca das reações químicas.
O sistema desenvolvido foi trabalhado primeiramente com os alunos do 2º
ano A do colégio Estadual Francisco Alves de Almeida, onde as atividades
experimentais estavam concomitantemente sendo empregadas com os conteúdos
aplicados. A sala foi dividida em grupos de quatro alunos e cada grupo era
responsável em desenvolver as suas experiências, os experimentos iniciais (1 ao 3),
foram para chamar atenção dos alunos quanto aos indicativos que deveriam ser
observados na demonstração da ocorrência de reações que podem ser facilmente
observadas pela a mudança de cor, a formação de gases, a formação de precipitado
e a transferência de energia por calor por meio da mudança de temperatura. Já na
atividade 4, eles tiveram que confeccionar o aparato experimental da figura 1. Este
permitiu que pudessem medir a variação de volumes ocorridos na reação química,
possibilitando estimar a energia transferida por trabalho. No experimento 5 foi
possível determinar a variação de entalpia e da entalpia molar de dissolução da
ureia em água.
Pôde-se observar por meio dos resultados obtidos que as atividades práticas
são extremamente importantes no processo ensino-aprendizagem, e além da
motivação para participação mais ativa, conseguiram assimilar melhor os conceitos
conforme se verificou no desempenho das atividades e na resolução das questões
relacionadas ao assunto trabalhado. No entanto, para o 2ºB, grupo que não se
trabalhou com atividades práticas, os conteúdos acabaram se tornando mais
exaustivos devido às dificuldades em sua assimilação, e pelo fato de serem os
conceitos trabalhados abstratos, expostos de forma apenas expositiva.
Os resultados obtidos (Tabela 1) mostram que todos os experimentos
realizados foram de suma importância no processo-aprendizagem e contribuíram de
forma na aquisição de conceitos científicos, visto que muitos alunos detinham
apenas um conhecimento baseado no senso comum. Observou-se por meio dos
questionários aplicados no início da implementação, que tanto os alunos do 2º A
quanto os alunos do 2º B não possuíam muito conhecimento científico prévio a
respeito dos assuntos que iriam ser trabalhados.

Tabela 1 – Resultado do questionário prévio aplicado nas salas do 2º A e 2º B a respeito


dos conceitos científicos

2º A 2º B
18 alunos 15 alunos
Questões Percentual Percentual
de acertos de acertos
Reações químicas 66% 53%
Energia 22% 6%
Calor 33% 20%
Trabalho 27% 13%
Relação entre energia, calor e trabalho. 27% 26%

Os dados mostram o percentual de alunos que responderam corretamente as


questões. A análise geral da avaliação mostrou que 52% dos alunos, nas duas
salas, traziam um conhecimento precedente acerca de reações do cotidiano, mas
que alguns termos como entalpia, diferença entre calor e trabalho não faziam muito
sentido para eles. Pela maneira como os questionamentos foram abordados, o qual
foi mostrado a sua importância para compreender muitos fenômenos que estão
relacionados com as suas atividades diárias, os alunos mostraram-se receptivos a
nova aprendizagem.
Os resultados obtidos ao término da proposta, apresentados na Tabela 2,
mostram que no 2º A houve um melhor rendimento quanto à apreensão e
apropriação dos conceitos científicos.

Tabela 2 - Resultado do questionário após aplicação das atividades no 2º A e com ausência


de aplicação das atividades no 2º B (a respeito dos conceitos científicos)

2º A 2º B
18 alunos 15 alunos
Questões Percentual Percentual
de acertos de acertos
Reações químicas 93% 76%
Energia 77% 53%
Calor 85% 66%
Trabalho 83% 46%
Relação entre energia, calor e trabalho. 88% 60%

Constatou-se por meio dos resultados obtidos do questionário aplicado ao


término da implementação, como mostra a tabela 2, que a sala em que foram
trabalhados os conteúdos acompanhados das atividades práticas teve um melhor
rendimento na assimilação dos conceitos. Além de uma significativa melhora no
relacionamento entre os alunos, as atividades práticas serviram de motivação
aumentando a adesão dos alunos para participação das aulas, verificado por meio
da observação direta do professor.
De maneira geral, após a realização das atividades, discutidas suas
particularidades e dificuldades, pode-se notar que houve aprendizagem e que a
prática de experimentos no laboratório possibilita um trabalho diferenciado, com a
possibilidade de abordagem de diferentes temas e situações, melhorando a
motivação dos alunos, que se envolvem mais com as práticas sem o medo de errar.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do exposto, de acordo com a proposta desse artigo, o sistema


desenvolvido para demonstrar as transferências de energia por trabalho e por calor
proporcionou aos alunos uma participação ativa na execução de todas as atividades
propostas, pois as atividades foram distribuídas aos grupos para que todos
pudessem participar, mantendo atenção nos detalhes para que as experiências de
seus grupos tivessem êxito.
Observou-se por meio dos questionários aplicados no início da
implementação que tanto os alunos do 2º A como os alunos do 2º B possuíam pouco
conhecimento científico a respeito dos assuntos que iriam ser trabalhados.
Constatou-se, por meio dos resultados obtidos com o questionário aplicado ao
término da implementação, que na sala em que foram trabalhados os conteúdos
acompanhados das atividades práticas obteve-se melhor rendimento tanto na
assimilação dos conceitos como no relacionamento entre os alunos e que as
atividades práticas serviram de motivação, aumentando a adesão dos alunos para
participação das aulas.
Dessa forma, diante dos resultados analisados, é confirmada a importância de
se trabalhar as atividades práticas no ensino de química, buscando a
contextualização e a participação efetiva do aluno no seu processo de aquisição do
conhecimento científico.

5. REFERÊNCIAS

ALVES, L. O Papel das Atividades Experimentais no Ensino de Química. Brasil


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instantanea.php (acesso em 30/10/2013).

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quimica/37428-7-reacoes-quimicas-que-voce-nao-pode-deixar-de-ver.htm (acesso
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