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CURSO PREPARATÓRIO PARA O EXAME DE ORDEM 2010.

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PROVA PRÁTICO–PROFISSIONAL
ÁREA TRABALHISTA
PROFESSOR GUSTAVO CISNEIROS
E-mail: direitotrabalho@terra.com.br

OBJETIVO DO CURSO E DICAS IMPORTANTES

O objetivo do curso é preparar o aluno para enfrentar a segunda fase do Exame da OAB,
abrangendo a elaboração de peças jurídicas, além de propiciar uma revisão dos principais
tópicos de direito do trabalho e de direito processual do trabalho, incluindo a resolução de
questões extraídas de provas anteriores.

Estudaremos as seguintes peças:

01. Reclamação trabalhista.


02. Ação de consignação em pagamento.
03. Contestação.
04. Exceção de incompetência em razão do lugar.
05. Reconvenção.
06. Recurso ordinário.
07. Recurso de Revista.
08. Recurso de embargos de declaração.
09. Recurso de agravo de instrumento.
10. Recurso de agravo de petição.
11. Mandado de segurança e Habeas Corpus.
12. Ação de embargos de terceiro.
13. Ação de embargos do devedor.
14. Ação cautelar de arresto.
15. Ações possessórias.

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O estudante deve compreender que não adianta apenas “montar o esqueleto” da peça.

Além da construção do artefato, a fundamentação jurídica completa a missão do candidato.

É a fórmula: Elaboração = Arcabouço + Conteúdo.

A peça nada diz se não tiver alma (argumentação jurídica).

A força do advogado está na sua argumentação!

É preciso que o advogado (no Exame de Ordem o bacharel é avaliado como advogado)
tenha a capacidade de levar ao conhecimento do magistrado os fatos “da maneira que
melhor aproveitem ao seu cliente”.

Mentindo? Claro que não! Apenas enfatizando a conjuntura favorável ao cliente.

Um bom advogado não pode fornecer “munição” ao adversário!

Um advogado, por exemplo, jamais limita, em uma reclamação trabalhista, a pretensão ao


“prazo imprescrito”. Só faltava essa! Advogado do reclamante “argüindo prescrição”. Não
pode!

Digamos que o reclamante trabalhou durante dez anos na empresa e está pleiteando horas
extras. O advogado deve pedir as horas extras de todo o contrato de trabalho. Cabe ao
advogado do reclamado, na contestação, requerer a limitação da condenação aos últimos
cinco anos a contar da data da propositura da ação.

Outro exemplo é o da “compensação”, que a CLT diz que deve ser suscitada na defesa, sob
pena de preclusão – artigo 767.

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Digamos que o reclamante foi demitido sem justa causa quando já era detentor de um tipo
de estabilidade provisória, recebendo, conseqüentemente, verbas rescisórias. O advogado do
trabalhador deve narrar os fatos, dizendo, inclusive, que o seu cliente recebeu verbas
rescisórias. Mas jamais vai pedir a “compensação” ou a “dedução” do valor.

Uma determinada causa pode estar revestida de um bom direito, mas, por ingenuidade, o
advogado termina enfraquecendo-o, mediante tímida e impotente argüição.

O bom advogado é aquele que, diante de um bom direito, extrai um “direito inabalável”, e,
diante de um direito frágil, convence o Juiz, por meio de robusta argumentação, de que
aquele direito também se encontra sombreado de pujante verossimilhança.

Vencer ou perder é outra história! O que o advogado não pode fazer é admitir a derrota
antes da largada!

Como disse anteriormente, a avaliação do candidato gira em torno de sua atuação como
advogado. Não há espaço para inocência.

O candidato deve cuidar para que a sua prova não venha a ser anulada!

O examinando deve ler atentamente o edital e as instruções contidas no caderno de prova.

Há casos em que o aluno perde o Exame por exclusiva falta de atenção (Ex.: alunos que
identificam a prova, mediante uma marca ou a própria assinatura; alunos que elaboram a
peça apenas no rascunho; os que respondem uma questão no espaço reservado a outra –
questão nº. 3 no espaço reservado à questão nº. 4 – etc.).

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ATENÇÃO!

Alguns trechos do Edital merecem destaque:

3.6.14.2 Durante a realização da prova prático-profissional, será permitido, exclusivamente,


consultar legislação sem qualquer anotação ou comentário, conforme especificações do
Anexo II deste Edital.

ANEXO II
MATERIAIS E PROCEDIMENTOS PERMITIDOS PARA CONSULTA
PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL

1) MATERIAL/PROCEDIMENTOS PERMITIDOS

• Legislação não comentada, não anotada e não comparada.


• Códigos.
• Leis de Introdução dos Códigos.
• Instruções Normativas.
• Índice remissivo.
• Exposição de Motivos.
• Súmulas.
• Enunciados.
• Orientações Jurisprudenciais.
• Regimento Interno.
• Resoluções dos Tribunais.
• Simples utilização de marca texto, traço ou simples remissão a artigos ou a lei.
• Separação de códigos por cores, marcador de página, post-it com remissão apenas a
artigo ou a lei, clipes ou similares.

2) MATERIAL/PROCEDIMENTOS PROIBIDOS

• Códigos comentados, anotados ou comparados.


• Jurisprudências.
• Anotações pessoais, manuscritas, impressas ou transcrições.
• Cópias reprográficas (xerox).
• Impresso da Internet.
• Informativos de Tribunais.
• Livros de Doutrina, revistas, apostilas e anotações.
• Dicionários ou qualquer outro material de consulta.

* Legislação comentada, anotada ou comparada.

* Súmulas, Enunciados e Orientações Jurisprudenciais comentadas, anotadas ou comparadas.

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Os examinandos deverão comparecer no dia de realização da prova prático-profissional já
com os textos de consulta com as partes não permitidas devidamente isoladas por grampo ou
fita adesiva, de modo a impedir sua utilização, sob pena de não poder consultá-los.

O examinando que descumprir as regras quanto à utilização de material proibido terá suas
provas anuladas e será automaticamente eliminado do Exame.

Códigos, Súmulas, Orientações Jurisprudenciais e Enunciados, com publicações anteriores ao


edital e que ainda não foram incluídas pelas editoras, poderão ser atualizadas na Internet e
poderão ser utilizadas pelos examinandos no dia de realização da prova prático-profissional,
desde que encadernados.

3.6.15 Será eliminado do Exame o examinando que, durante a realização das provas, for
surpreendido portando aparelhos eletrônicos, tais como bipe, telefone celular, walkman,
agenda eletrônica, notebook, palmtop, receptor, gravador, telefone celular, máquina
fotográfica, controle de alarme de carro etc., bem como relógio de qualquer espécie, óculos
escuros ou quaisquer acessórios de chapelaria, tais como chapéu, boné, gorro etc., e ainda
lápis, lapiseira, borracha e/ou corretivo de qualquer espécie.

3.6.21 Terá suas provas anuladas e será automaticamente eliminado do Exame o examinando
que, durante a sua realização: a) for surpreendido dando e/ou recebendo auxílio para a
execução das provas; b) utilizar-se de livros, dicionários, notas e/ou impressos que não forem
expressamente permitidos e/ou que se comunicar com outro examinando; c) for surpreendido
portando aparelhos eletrônicos, tais como bipe, telefone celular, walkman, agenda eletrônica,
notebook, palmtop, receptor, gravador, máquina de calcular, máquina fotográfica, controle
de alarme de carro etc., bem como relógio de qualquer espécie, óculos escuros ou quaisquer
acessórios de chapelaria, tais como chapéu, boné, gorro etc., e ainda lápis, lapiseira,
borracha e/ou corretivo de qualquer espécie; d) faltar com o devido respeito para com
qualquer membro da equipe de aplicação das provas, com as autoridades presentes e/ou
com os demais examinandos; e) fizer anotação de informações relativas às suas respostas no
comprovante de inscrição e/ou em qualquer outro meio; f) não entregar o material das
provas e/ou continuar escrevendo após o término do tempo destinado para a sua realização;
g) afastar-se da sala, a qualquer tempo, sem o acompanhamento de fiscal; h) ausentar-se da
sala, a qualquer tempo, portando a folha de respostas (prova objetiva), ou o caderno de
textos definitivos (prova prático-profissional) e/ou o caderno de rascunho; i) descumprir as
instruções contidas nos cadernos de prova, na folha de respostas (prova objetiva) e/ou o
caderno de textos definitivos (prova prático-profissional); j) perturbar, de qualquer modo, a
ordem dos trabalhos, incorrendo em comportamento indevido; k) utilizar ou tentar utilizar
meios fraudulentos ou ilegais para obter aprovação própria ou de terceiros, em qualquer
etapa do Exame; I) impedir a coleta de sua assinatura; m) for surpreendido portando caneta
fabricada em material não transparente; n) for surpreendido portando anotações em papéis,
que não os permitidos; o) for surpreendido portando qualquer tipo de arma; p) recusar-se a ser
submetido a qualquer procedimento que vise garantir a lisura e a segurança do processo de
aplicação do Exame, notadamente os previstos nos subitens 3.6.4, 3.6.11, 3.6.12, 3.6.17, 3.6.19 e
3.6.20 deste edital; e q) não transcrever o texto apresentado durante a aplicação das provas,

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para posterior exame grafológico, e/ou recusar-se a permitir a coleta de sua impressão digital,
para posterior exame datiloscópico.

DÚVIDAS CORRIQUEIRAS

Posso sublinhar meu livro?

PODE! Não há qualquer vedação no edital.

Posso usar salientador de texto?

PODE! Não há qualquer vedação no edital.

Posso usar as famosas “orelhinhas”?

PODE! O Edital permite o uso de post-it com remissão apenas a artigo ou a lei, clipes ou
similares.

Obs.: Legislação com entrada em vigor após a data de publicação do edital, bem como
alterações em dispositivos legais e normativos a ele posteriores não serão objeto de avaliação
nas provas do Exame de Ordem. Logo, o limite para vocês é 20/08/2010 – data da publicação
do edital.

Códigos, Súmulas, Orientações Jurisprudenciais e Enunciados, com publicações anteriores ao


edital e que ainda não foram incluídas pelas editoras, poderão ser atualizadas na Internet e
poderão ser utilizadas pelos examinandos no dia de realização da prova prático-profissional,
desde que encadernados.

O valor do salário mínimo, para o Exame 2010.2, é de R$ 510,00.

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RECLAMAÇÃO TRABALHISTA

A ação, no processo trabalhista, é conhecida como “reclamação trabalhista”, resquício de


uma época em que a Justiça do Trabalho não integrava o Poder Judiciário. Logo, é comum o
autor ser chamado de “reclamante”, e, o réu, de “reclamado”.

Em ações ditas especiais podemos encontrar outros títulos, como, por exemplo, na ação de
consignação em pagamento, onde autor é denominado “consignante”, sendo chamado de
“consignado”, o réu.

Na reconvenção, integrante da chamada “resposta do réu”, o autor é conhecido por


“reconvinte”, enquanto que a parte adversa é denominada “reconvindo” (reconvinte é o réu
na reclamação; reconvindo é o reclamante, que passa a ser réu na reconvenção).

O aluno deve observar que a reclamação trabalhista é quase que uma exclusividade do
trabalhador!

Isso mesmo!

No Exame de Ordem o candidato vai usar a reclamação trabalhista quando estiver


advogando para um trabalhador, ou seja, se a questão indicar uma empresa (empregador)
como cliente, o bacharel, em regra, não vai propor “reclamação trabalhista”.

Se pudéssemos extrair uma proporção das ações que circulam na Justiça do Trabalho,
chegaríamos à conclusão de que 98% das ações (reclamações) são propostas por
trabalhador. Na prática, portanto, apenas 2% das ações são manejadas por empregador,
sendo que boa parte se refere à ação de consignação em pagamento e ao inquérito judicial
para apuração de falta grave.

Quer dizer, professor, que, uma vez advogando para empresa (empregador), jamais
utilizaremos a reclamação trabalhista?

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Não é bem assim!

Há uma situação interessante que não pode ser desprezada pelo candidato. Trata-se da
ação de indenização por danos morais e/ou materiais proposta pelo empregador contra ex-
empregado. Observem o exemplo extraído de um caso concreto:

Empregado de uma empresa limpa-fossas flagrado despejando dejetos em reserva ambiental.


A empresa, uma vez multada pela fiscalização, poderá propor reclamação trabalhista em
desfavor do empregado, pleiteando indenização, além de demiti-lo por justa causa.

A competência é da Justiça do Trabalho – artigo 114, VI, CF e Súmula 392 TST.

O empregador, no caso, deverá propor “Reclamação Trabalhista Cumulada com Pedido de


Indenização por Dano Moral e Material” na Justiça do Trabalho – vide artigo 839, “a”, CLT.

Pois bem.

A petição inicial é a peça inaugural do processo, também chamada de “peça exordial”,


“peça vestibular”, “peça de ingresso”, “peça atrial” etc.

De acordo com o § 1º do art. 840 da CLT, a petição inicial, nos dissídios individuais, deverá
conter:

A) ENDEREÇAMENTO DA PEÇA – DESIGNAÇÃO DA AUTORIDADE

Não recomendo a utilização de abreviações na designação da autoridade competente.

1) Peça dirigida à autoridade de primeira instância:

Excelentíssimo Senhor Juiz do Trabalho da ... Vara do Trabalho de ...

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Observação

Se na localidade existir mais de uma Vara do Trabalho, a reclamação será submetida à


distribuição, razão pela qual o advogado não informa, a priori, o “número” da Vara. Caso
estivesse reclamando em uma localidade onde existisse apenas uma Vara do Trabalho, o
espaço em branco não seria necessário.

Atenção!

Nas regiões não abrangidas por jurisdição de vara do trabalho, o juiz de direito poderá
processar e julgar reclamação trabalhista, de acordo com o artigo 112 da Constituição
Federal c/c artigo 668 da CLT.

Assim sendo, a petição seria dirigida ao juiz de direito:

Excelentíssimo Senhor Juiz de Direito da ... Vara ... da Comarca de ...

2) Nos Tribunais Regionais do Trabalho a petição inicial deve ser dirigida ao


Desembargador Presidente:

Excelentíssimo Senhor Desembargador Presidente do Tribunal Regional do Trabalho da ...


Região

O magistrado de segunda instância é chamado de “desembargador federal do trabalho”.

O artigo 674 da CLT dispõe sobre os tribunais regionais do trabalho. O nosso é o da 6ª Região.

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3) No TST a petição inicial deve ser endereçada ao Ministro Presidente:

Excelentíssimo Senhor Ministro Presidente do Tribunal Superior do Trabalho

Atenção - No Exame de Ordem o aluno deverá observar todas as informações contidas no


caderno de prova, restringindo o desenvolvimento de suas respostas às mesmas, não
inventando fatos ou criando dados. Se a questão, por exemplo, citar o nome da cidade ou o
número da Vara, esses dados devem ser usados no endereçamento da peça. Caso contrário,
o aluno deixará em branco.

B) QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DAS PARTES

Qualificação = nome, nacionalidade, estado civil, profissão, ID, CPF e CTPS.

Endereço = Rua, Avenida etc., nº., complemento (ex.: apartamento), Bairro, Cidade, Estado e
CEP.

“Nome do reclamante, nacionalidade, estado civil, profissão, Identidade nº. ..., inscrito no CIC
sob o número ..., CTPS nº. ..., endereço, vem, mui respeitosamente, propor RECLAMAÇÃO
TRABALHISTA contra Nome do reclamado (qualificação e endereço)”.

Merecem atenção especial os casos de terceirização, grupo econômico, sucessão de


empregadores e aqueles envolvendo o empregado de uma empreiteira ou subempreiteira.

1 – Na terceirização, a ação deve ser proposta contra a empresa interposta (responsável


principal) e o tomador de mão-de-obra (responsável subsidiário) – Súmula 331 TST. O mesmo se
aplica ao trabalho temporário regido pela Lei 6.019/74 (a Lei prevê a responsabilidade
solidária, uma vez constatada a falência da empresa de trabalho temporário).

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2 – No grupo econômico, a ação deve ser proposta contra todas as empresas componentes
do grupo (responsabilidade solidária) – Artigo 2º, § 2º, da CLT.

3 – Ocorrendo sucessão de empregadores, a ação deve ser proposta, em regra, apenas


contra o sucessor, salvo em caso de “sucessão fraudulenta”, quando, então, a reclamação
será intentada em desfavor de sucessor e sucedido – Artigos 10 e 448 da CLT.

4 – No caso de empregado de empreiteira, a ação deve ser proposta apenas contra a


empreiteira, salvo se o dono da obra também for uma empresa de construção civil ou estiver
atuando como incorporador (OJ 191 da SDI-1 do TST). Existe um entendimento, defendido,
inclusive, por Maurício Godinho Delgado, no sentido de que a análise da possibilidade de
responsabilização do dono da obra deve passar pelos fins da própria obra, ou seja, se a obra
tiver fins econômicos, o dono da obra responderá subsidiariamente (há doutrinadores e juízes
que o consideram solidariamente responsável); caso a obra não tenha fins econômicos, mas
meramente de uso (para o lazer, por exemplo), não subsistirá qualquer responsabilidade para
o dono da obra. No caso de empregado de subempreiteira, a ação deve ser proposta contra
a subempreiteira e o empreiteiro principal, à luz do artigo 455 da CLT, ficando a inclusão do
dono da obra condicionada à presença de um dos requisitos já referidos.

C) CAUSA DE PEDIR

A causa de pedir, ou causa petendi, nada mais é do que a exposição dos fatos e do direito,
na qual deve haver a indicação das razões do pedido.

A CLT fala em “breve exposição dos fatos”.

Mas o bacharel submetido ao Exame de Ordem não pode restringir a causa de pedir apenas
ao mero relato fático, porquanto a sua avaliação passará, inequivocamente, pelo grau de
conhecimento jurídico demonstrado, abarcando, ainda, o uso de uma argumentação
objetiva e a precisa utilização de linguagem técnica.

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O candidato deve citar os artigos e as súmulas que alicerçam a pretensão, embora, na vida
prática, a referência não seja obrigatória, afinal o juiz conhece o direito – iura novit curia.

Deve, ainda, priorizar a uso de linguagem técnica, podendo, inclusive, utilizar termos em latim,
como, por exemplo, “data vênia”, “in casu” etc.

No Exame de Ordem, a citação de artigos e súmulas contribui para a soma de preciosos


pontos.

Além da própria “citação” (não é transcrição, apenas “citação”), o bacharel deve perceber
que, ao localizar uma determinada base jurídica (artigo, súmula, orientação jurisprudencial
etc.), o conteúdo da base deve ser “explorado”.

“Explorar” o conteúdo de uma base jurídica significa “extrair daquele comando a


fundamentação de sua peça”.

A formatação da causa de pedir vai depender do estilo de cada profissional.

Exemplo 1

DOS FATOS
O reclamante laborava das 08h00min às 18h00min, de segunda a sábado, com intervalo
intrajornada de uma hora, jamais recebendo as horas extras devidas. Além disso, em seu local
de trabalho o ruído das máquinas estava acima dos limites de tolerância, sendo insalubre o
ambiente de labor.

DO DIREITO
Conforme narrado, o reclamante, à luz do artigo 7º, XIII e XVI, da Constituição Federal, faz jus
ao pagamento de horas extras, devidamente acrescidas do adicional de 50%, além dos
reflexos naturais sobre as demais verbas. Tem direito também ao adicional de insalubridade,
conforme artigo 189 da CLT, cujo percentual será fixado mediante perícia técnica – artigo 195,
§2º, CLT, com todos os reflexos.

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Exemplo 2

DOS FATOS E DO DIREITO


O reclamante laborava das 08h00min às 18h00min, de segunda a sábado, com intervalo
intrajornada de uma hora, jamais recebendo as horas extras devidas. Logo, faz jus ao
pagamento de horas extraordinárias, à luz do artigo 7º, XIII e XVI, da Constituição Federal,
devidamente acrescidas do adicional de 50%, além dos reflexos sobre os demais títulos.
Esclarece o autor que no seu ambiente de trabalho os ruídos estavam acima dos limites de
tolerância, atraindo o direito ao adicional de insalubridade, à luz do artigo 189 da CLT, cujo
percentual será fixado mediante perícia técnica – artigo 195, §2º, CLT, com reflexos legais.

Observem que no exemplo 2 o fato (trabalho extenuante de dez horas por dia, de segunda a
sábado – horas extras) foi exposto em conjunto com a fundamentação jurídica (direito ao
pagamento de horas extras, acrescidas do adicional, além das repercussões legais). O mesmo
ocorreu com a insalubridade.

Resta a cada um desenvolver o próprio estilo de exposição da causa de pedir.

Costumo dizer que quando um trabalhador procura um advogado em seu escritório, e, já


sentado, tomando um cafezinho, se prepara para relatar o caso, o causídico conclui: “aí vem
a minha causa de pedir” 

Exatamente!

A causa de pedir é a exposição do que ocorreu no plano do “ser”.

Mas não é uma exposição vulgar, capaz de ser feita por qualquer pessoa. Cabe ao
advogado, profissional considerado como imprescindível pela Constituição Federal, elaborar
uma causa de pedir lógica, coerente, compreensível, embasando, juridicamente, os fatos.

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Deve, antes de tudo, verificar se aquele fato tem relevância para o plano do “dever ser”, ou
seja, se sofrerá a incidência de alguma norma jurídica (daí a importância na citação de
artigos, súmulas e orientações jurisprudenciais).

No Exame de Ordem, o bacharel já tem a certeza de que o fato exposto na questão tem
relevância jurídica, pois, do contrário, o prova seria inexeqüível. Basta, tão-somente, descobrir
a lesão, enquadrando juridicamente o fato.

LESÃO
Descobrir qual a lesão sofrida pelo cliente.
Eis a missão do advogado do reclamante em uma reclamação trabalhista!

O reclamante “pretende” algo quando propõe uma ação. Eis a pretensão!

O artigo 189 do Código Civil, quando fala na prescrição, diz que “a pretensão nasce com a
lesão ao direito”. Sendo assim, “lesionado o direito, nasce a pretensão”. Eis uma dica preciosa
para o Exame de Ordem. Caso a peça da prova seja uma reclamação trabalhista, o
examinando tem que descobrir qual a lesão sofrida pelo cliente.

Por fim, a simplicidade deve marcar a vida do advogado moderno, em consonância com o
mundo globalizado, de informações rápidas e linguagem direta. Os alunos que conseguem
nota máxima na segunda fase do Exame de Ordem sempre me dizem que simplificaram a
argumentação, ou seja, foram direto ao assunto.

A objetividade evita a imperdoável fuga do tema!

Falando em tema, eis algumas sugestões:

a) Alteração do contrato de trabalho – artigos 468 a 470 da CLT.


Você pode estar advogando para o trabalhador ou para a empresa. No primeiro caso, a
questão vai indicar a ocorrência de uma alteração ilícita do contrato de trabalho. Ilícita é a
alteração que causa prejuízo ao empregado. Se a alteração for ilícita, o pedido principal será

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o de “nulidade da alteração”. Sendo nula, o destino será o “retorno ao status quo ante”, ou
seja, o pagamento das “diferenças salariais” de todo o período posterior à alteração. No caso
de estar advogando para a empresa, a alteração, naturalmente, não será ilícita, afinal, foi
procedida pelo seu cliente. Você terá que encontrar um argumento jurídico que justifique a
mudança.

b) Estabilidade (Garantia de Emprego) – Gestante; Dirigente Sindical; Acidente do Trabalho;


Empregado eleito para cargo de direção em CIPA; Comissão de Conciliação Prévia etc..
Você também poderá estar advogando para o trabalhador ou para a empresa. No primeiro
caso, o fato provavelmente abrangerá a “extinção do contrato de trabalho”. Sendo estável o
seu cliente, o pedido principal será o de “reintegração ao emprego”, cabendo, claro, o pleito
de antecipação de tutela. Caso esteja advogando para a empresa, a extinção do contrato
provavelmente decorreu de falta grave cometida pelo empregado, o que justificaria a
demissão. Pode acontecer, por outro lado, de não existir qualquer estabilidade.

c) Equiparação salarial (artigo 461 da CLT e Súmula 6 do TST).


A mesma situação, ou seja, você poderá estar de um lado ou de outro. Importante o estudo
dos requisitos da equiparação. Faltando um, não há que se falar em equiparação salarial.

d) Horário in itinere (artigo 58, §§ 2º e 3º, da CLT e Súmula 90 do TST).


Você já está se acostumando com a situação, não é verdade? Caso contrário, vá se
habituando, pois advogar é isso mesmo. Ora você está de um lado, ora do outro! No horário in
itinere isso também acontece. Importante lembrar que o horário in itinere é uma exceção, ou
seja, uma situação especial. Essa informação é muito importante para o advogado da
empresa.

e) Salário-condição.
Adicional noturno, adicional de insalubridade, adicional de periculosidade, adicional de
transferência e horas extras. Vale lembrar: salário-condição integra o salário mais jamais se
incorpora! Desaparecendo a condição, desaparece o salário.

f) Salário in natura (artigo 458 da CLT e Súmula 367 do TST).

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Outro tema clássico. Será que a utilidade fornecida pela empresa tem natureza salarial. Se
estiver advogando para o empregador, a utilidade provavelmente estará prevista no § 2º do
artigo 458 da CLT.

g) Descontos salariais (artigo 462 da CLT e Súmula 342 do TST/OJ 160 SDI-1).
Tema que também merece cuidados especiais.

D) PEDIDO

O pedido é o objeto da ação.

Ele condensa, sintetiza, enfim, finaliza a narrativa da causa de pedir.

A petição inicial encerra um verdadeiro silogismo. Não adianta narrar e argumentar e, ao


final, esquecer de PEDIR! Estaríamos diante de um silogismo sem conclusão!

A finalidade da petição é exatamente o pedido de “reparação à lesão”.

Fulano realizou horas extras e não recebeu qualquer pagamento (lesão). Deverá pedir, ao
final da narrativa e da argumentação, o pagamento das horas extras (pedido).

Petição inicial sem causa de pedir é inepta!


Petição inicial sem pedido é inepta!

No pedido o candidato não vai “repetir” a narrativa e a argumentação da causa petendi,


apenas indicar o título ou a obrigação pretendida.

Narrou, por exemplo, que o reclamante foi agredido pelo patrão, sendo atingido em sua
moral etc. No pedido vai apenas requerer “indenização por dano moral a ser arbitrada por
VExa.”. Só isso!

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Digamos que a reclamação foi proposta contra duas empresas, fornecedora de mão-de-obra
e tomadora de serviços, expondo, a causa de pedir, que se trata de uma terceirização.

De nada adianta a exposição da relação terceirizada em causa de pedir se, no pedido, não
constar o requerimento de “condenação do tomador como responsável subsidiário”.

É assim que funciona!

O pedido deve ser certo e determinado, conforme preceitua o art. 286 do CPC.

Em se tratando de procedimento sumaríssimo, o pedido, além de certo e determinado, deve


ser líquido, ou seja, espelhar o valor, o quantum a que se refere. Se o pedido, por exemplo, for
de “aviso prévio”, tem que ser formulado assim: “aviso prévio no valor de R$ 465,00” (valor
meramente exemplificativo).

No Processo Trabalhista é comum a presença de pedidos cumulados.

Os pedidos cumulados, em regra, não se excluem. O reclamante pede aviso prévio, horas
extras, férias, 13º salário e FGTS. Todos os pedidos serão apreciados pelo juiz.

O pedido, contudo, pode ser alternativo.

Pedido alternativo – quando, pela natureza da obrigação, o devedor puder cumprir a


prestação de mais de um modo. Ex.: o reclamante pede a liberação das guias do seguro-
desemprego ou o pagamento de uma indenização compensatória, com base na Súmula 389
do TST. Caso o reclamado não libere as guias, o juiz o condenará a pagar uma indenização.

O reclamante pode também formular mais de um pedido em ordem sucessiva, a fim de que o
juiz conheça do posterior, em não podendo acolher o anterior – artigo 289 do CPC.

Pedido sucessivo – o devedor não tem a faculdade de cumprir a prestação de mais de um


modo, como no caso do pedido alternativo, pois, no pedido sucessivo, a possibilidade do

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pedido subsidiário substituir o principal se encontra nas mãos do juiz, o qual poderá conhecer
do posterior (pedido sucessivo), em não podendo acolher o anterior (pedido principal). Ex.:
pedido de reintegração do empregado estável ou indenização do período de estabilidade,
caso a reintegração não seja acolhida – Súmula 396 do TST. Segundo esta súmula o pedido
subsidiário não é necessário, pois o art. 496 da CLT já permite que o juiz determine de ofício a
indenização em substituição à reintegração. Porém, no Exame de Ordem o candidato deve
formular o pedido sucessivo.

E) VALOR DA CAUSA

Apesar de a CLT não exigir (artigo 840, § 1º), no Exame de Ordem é imprescindível a indicação
do valor da causa, salvo se a questão expressamente dispensar a sua fixação.

O aluno, em regra, precisará arbitrar um valor.

O valor da causa, é bom lembrar, tem efeitos meramente fiscais, ou seja, não vincula o
magistrado, salvo no rito sumaríssimo.

No rito sumaríssimo os pedidos devem ser líquidos. Logo, o valor da causa não pode ser objeto
de mero arbitramento, pois resultará da exata soma dos pedidos.

F) LOCAL, DATA E ASSINATURA DO RECLAMANTE OU DE SEU REPRESENTANTE

O candidato não pode inventar fatos, sob pena de ter a prova anulada.

A OAB entende que fatos inventados são capazes de “identificar a prova”.

Sendo assim, quando chegar o momento de colocar a data e o nome no final da peça, o
candidato observará as instruções contidas no caderno de prova.

Nos últimos Exames a instrução indicava a utilização apenas de “ADVOGADO”.

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ALGUMAS DICAS

No início da causa de pedir, em se tratando de reclamação trabalhista, o bacharel deve


simplesmente “copiar” o texto da questão. Isso mesmo! Já que não pode “inventar fatos”, a
narrativa fática fica restrita ao que a questão expuser. Mas a narrativa deve ser crítica.
Observem o exemplo: “Maria se recusou a despir-se diante da supervisora, e, por este motivo,
foi demitida por justa causa”. O candidato deve aproveitar a narrativa para “cutucar” o
reclamado. Não inventa fatos, mas, ao narrar o fato, diz: “A reclamante, Excelência, se
recusou, com razão, a despir-se diante da supervisora, preservando, com isso, a sua
intimidade, não se curvando ao ilícito comando patronal”. Ok?

Se o candidato está advogando para o trabalhador, nada mais natural do que explorar, in
concreto, os princípios do direito do trabalho, afinal o direito do trabalho existe para “proteger
o hipossuficiente”. Sendo assim, é muito importante dar uma lida nos princípios do direito do
trabalho (princípio da proteção; princípio da inalterabilidade contratual lesiva ao obreiro;
princípio da intangibilidade salarial; princípio da primazia da realidade sobre a forma; princípio
da continuidade da relação de emprego etc.).

Não esquecer da base jurídica, ou seja, dos ARTIGOS/SÚMULAS/OJ’S que alicerçam a sua
argumentação. O candidato deve citar a base jurídica (não precisa transcrever), inclusive os
incisos e alíneas. Também deve, naturalmente, “explorar o seu conteúdo”.

MODELO DE RECLAMAÇÃO TRABALHISTA

Ana foi admitida na empresa Delta, no dia 1º de julho de 2006, para exercer as funções de
assistente administrativo, recebendo um salário mensal de R$ 1.200,00. Apesar de todo zelo
profissional que Ana emprega ao desenvolver suas funções, a proprietária da empresa Delta,
senhora Maria, em diversas situações, acusa-a de ser incapaz, chamando-a de burra e
incompetente. Tais acusações são feitas em alta voz e na presença de outros empregados e
de clientes da empresa. Inicialmente, Ana, com receio de perder o emprego, desconsiderou

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as ofensas, mas elas se intensificaram. Ana já não suporta a situação, mas não quer
simplesmente pedir demissão e ceder às pressões feitas por Maria. Ana gozou férias nos meses
de novembro de 2007 e novembro de 2008.
Considerando a situação hipotética, elabore uma reclamação trabalhista.

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DO TRABALHO DA ... VARA DO TRABALHO DE ...

Ana, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., Id..., CPF..., CTPS..., endereço..., vem, mui
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, por seu advogado ao final firmado, com
procuração anexa, propor a presente RECLAMAÇÃO TRABALHISTA no rito ordinário, em
desfavor de Delta, CNPJ..., endereço..., com fundamento nos artigos 840 e segs. da CLT, pelas
razões de fato e de direito que passa a expor:

Da Causa de Pedir

A reclamante foi admitida na empresa reclamada no dia 1º de julho de 2006, para exercer as
funções de assistente administrativo, recebendo salário mensal de R$ 1.200,00.

Dedicada, sempre trabalhou com zelo profissional, porém, inexplicavelmente, a proprietária da


empresa reclamada, Senhora Maria, em diversas situações, afrontou a moral da autora,
taxando-a de incapaz, usando expressões agressivas, desmoralizantes, tais como “burra” e
“incompetente”.

As ofensas, douto julgador, eram proferidas na presença de colegas da reclamante, assim


como de clientes, o que só fazia agravar a situação vexatória.

A reclamante, como parte hipossuficiente da relação de emprego, necessitando,


naturalmente, do trabalho, sempre suportou as ofensas, calada, prisioneira do medo da
demissão. Sofreu no silêncio, sentindo a dor do desprezo e da humilhação.

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Ocorre que as agressões se intensificaram, tornando, por fim, insuportável a continuidade da
relação empregatícia. Não mais tolerando a desonra, à reclamante só restou a via judicial,
utilizando-se da presente demanda para obter a declaração da indireta rescisão do seu
contrato de trabalho – inteligência da norma do artigo 483, e, da CLT.

Reconhecida a rescisão indireta, decorrerá, naturalmente, a condenação da reclamada no


pagamento das pertinentes verbas rescisórias, incluindo o aviso prévio indenizado –
inteligência do artigo 487, § 4º, da CLT.

A reclamante faz jus, ainda, a uma indenização por dano moral, em face das ofensas
proferidas pela proprietária da empresa reclamada.

A proteção à honra consiste no direito de não ser ofendido ou lesado na sua dignidade ou
consideração social. Caso ocorra tal lesão, surge o direito à indenização pelo dano material
ou moral decorrente de sua violação, à luz dos artigos 186 e 927 do Código Civil.

A Constituição Federal, ilustre magistrado, consagra o direito à reparação – art. 5º, X, cuja
pretensão é de competência da Justiça do Trabalho, como preceitua o artigo 114, VI da Lei
Maior e a Súmula 392 do TST.

Do Pedido

Pelo exposto, vem requerer a declaração da rescisão indireta do contrato de trabalho, por
falta grave cometida pelo empregador, com a condenação do reclamado nas verbas abaixo
discriminadas, acrescidas de juros e correção monetária:

a) Aviso prévio indenizado;


b) Saldo de salário;
c) Férias proporcionais + 1/3;
d) 13º salário proporcional;
e) Liberação do FGTS + 40% ou indenização substitutiva;
f) Liberação das guias do seguro-desemprego ou indenização – Súmula 389 do TST;

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g) Multa do artigo 467 da CLT;
h) Indenização pelo dano moral, em valor a ser arbitrado por Vossa Excelência;
i) Honorários advocatícios à razão de 20%.

Requer, por fim, a notificação do reclamado, para que o mesmo venha, sob as penas da lei,
responder a presente reclamação trabalhista, e, ao final, sejam julgados procedentes os
pedidos, protestando provar o alegado por todos os meios em direito admitidos.

Dá-se à causa o valor de R$ 30.000,00.

Pede deferimento.
Município..., data...
Advogado..., OAB...

AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO (ARTIGOS 890 A 900 DO CPC)

Observem que a ação de consignação em pagamento é regulada pelo CPC,


especificamente nos artigos 890 a 900, sendo compatível com o processo do trabalho – artigo
769 da CLT.

O CPC apresenta dois tipos de ação de consignação, uma de natureza extrajudicial e outra
de natureza judicial. Apenas esta última é que nos interessa.

No processo do trabalho, a ação de consignação em pagamento é uma exclusividade do


empregador!

Situações que podem ser exploradas no Exame:

a) Empregado que se recusa a receber verbas rescisórias (seja por discordar dos valores,
seja por discordar da própria demissão etc.);
b) Empregado que não comparece ao ato de pagamento das verbas rescisórias (o não
comparecimento não deixa de ser um tipo de recusa);

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c) Empregado menor de 18 anos que, apesar de comparecer para receber verbas
rescisórias, não se encontra acompanhado do representante legal (artigo 477 da CLT);
d) Empregado que se encontra em local incerto e não sabido (no caso de abandono de
emprego – Súmula 32 do TST);
e) Empregado que morre e a empresa fica com dúvidas acerca da legitimidade dos
sucessores.

Observem que se trata de uma ação meramente declaratória, ou seja, não tem natureza de
ação condenatória ou constitutiva. Não se pede, por exemplo, a desconstituição da relação
de emprego (rescisão do contrato de trabalho), ato patronal que independe de ação
judicial.

Vai ser proposta pelo empregador, buscando consignar a quantia devida. Trata-se de um
meio para o devedor (empregador) se desonerar de uma determinada dívida.

O consignante deve requerer o depósito da quantia, a ser efetivado no prazo de cinco dias, a
contar do deferimento. Deve, ainda, requerer a citação do consignado para levantar o valor
ou oferecer resposta.

O trabalhador, uma vez citado, poderá ofertar resposta (contestação, exceção e


reconvenção). É bastante comum o uso da contestação e da reconvenção em sede de
ação de consignação. A reconvenção tem a mesma estrutura de uma reclamação
trabalhista, só mudando o nome!

MODELO DE AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DO TRABALHO DA ... VARA DO TRABALHO DE ...

CONSIGNANTE, CNPJ..., endereço..., por seu advogado que esta subscreve, conforme
procuração anexa, vem, mui respeitosamente, à presença de Vossa Excelência propor AÇÃO
DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO em face de CONSIGNADO, nacionalidade..., estado

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civil..., profissão, Id..., CPF..., endereço..., com fundamento nos arts. 890 a 900 do CPC, de
acordo com as razões a seguir aduzidas:

DOS FATOS E DO DIREITO

O consignado foi contratado em 06.05.2000 para exercer a função de zelador, percebendo a


quantia de R$ 500,00 por mês. Ocorre que em 18.01.2010 foi flagrado com material do
consignante em sua bolsa, tendo sido, por este motivo, demitido por justa causa, enquadrado
em ato de improbidade – artigo 482, “a”, CLT.
Notificado para receber as verbas rescisórias, o consignado, injustificadamente, não
compareceu ao sindicato, impondo, destarte, a propositura da presente demanda, para que
sejam quitadas as referidas verbas, devidamente relacionadas no TRCT em anexo, no valor
total de R$ 324,35 e, ainda, afastada qualquer hipótese de incidência da multa prevista no §
8º do art. 477 da CLT.

PEDIDO

Diante do exposto, vem requerer que Vossa Excelência se digne determinar a realização de
depósito do quantum de R$ 324,35, no prazo legal de cinco dias, referente aos títulos
rescisórios, devidamente discriminados no termo de rescisão anexo, e, ainda, a citação do
consignado para levantar os valores e, se desejar, ofertar resposta, sob pena de constatação
da revelia, decretando, ao final, a procedência do pedido de extinção da obrigação
atinente à quitação das verbas.

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos.

Valor da causa fixado em R$ 324,35.

Pede deferimento.
Município..., data...
Advogado..., OAB...

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INQUÉRITO JUDICIAL PARA APURAÇÃO DE FALTA GRAVE (artigos 853 a 855 da CLT)
A peça não se encontra prevista no Edital.

Esta ação era aplicável ao antigo estável decenal.

O TST, porém, ainda entende que o Inquérito é imprescindível no caso do dirigente ou


representante sindical – vide Súmula 379 do TST.

Abraçando-se o entendimento do TST, não há como afastar a incidência do Inquérito Judicial


para outros dois casos de estabilidade provisória, quais sejam: os empregados eleitos diretores
de sociedades cooperativas e os representantes dos trabalhadores no Conselho Nacional de
Previdência Social – CNPS.

Resumindo, temos que o inquérito judicial para apuração de falta grave é condição sine qua
non para desconstituir, por justa causa, contrato de trabalho de:

a) dirigente ou representante sindical – Súmula 379 do TST;


b) empregados eleitos diretores de sociedades cooperativas, nos termos do artigo 55 da Lei
5.764/71;
c) representantes dos trabalhadores no CNPS, titulares ou suplentes, nos termos no § 7º do
artigo 3º da Lei 8.213/91.

Interessante, neste ponto do nosso estudo, destacar o entendimento jurisprudencial


consubstanciado na OJ 253 da SDI-1 do TST, no sentido de que a estabilidade dos
empregados eleitos diretores de sociedades cooperativas não atinge os suplentes.

O inquérito judicial para apuração de falta grave tem natureza de ação constitutiva negativa,
pois visa exatamente “desconstituir o contrato de trabalho”.

Não há mais aquela diferenciação quanto ao recolhimento antecipado das custas, sendo
estas, a exemplo dos demais ritos, também recolhidas ao final, pelo vencido.

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O empregador é quem possui legitimidade ativa ad causam para propor o Inquérito Judicial,
buscando desconstituir, por justa causa, o contrato de trabalho do empregado estável (um
daqueles três tipos de estabilidade).

O empregador, portanto, terá que provar o cometimento de falta grave pelo empregado,
capaz de alicerçar a demissão por justa causa.

A reclamação deve ser proposta obrigatoriamente por escrito. Trata-se de uma exceção à
regra de que a reclamação trabalhista pode ser proposta de forma escrita ou verbal – artigo
840 da CLT.

O artigo 494 da CLT dispõe que o empregado pode ser suspenso de suas funções, mas isso
não é obrigatório. Caso essa suspensão preventiva do empregado seja aplicada pelo
empregador, este deverá propor o Inquérito dentro de 30 dias, a contar da data da
suspensão (prazo decadencial – Súmula 403 do STF e Súmula 62 do TST).

Se o empregado não for suspenso, alguns doutrinadores entendem que o empregador teria o
prazo de 2 anos para intentar o inquérito. A tese perde força quando confrontada com a
imediatidade que deve marcar o ato de punição por falta grave.

MODELO DE INQUÉRITO JUDICIAL PARA APURAÇÃO DE FALTA GRAVE

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DO TRABALHO DA ... VARA DO TRABALHO DE ...

AUTOR, CNPJ..., endereço..., por seu advogado que esta subscreve, conforme procuração
anexa, vem, mui respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, requerer a instauração de
INQUÉRITO JUDICIAL PARA APURAÇÃO DE FALTA GRAVE em face de RÉU, nacionalidade...,
estado civil..., profissão..., Id..., CPF..., CTPS..., endereço..., com fundamento nos arts. 853 e segs.
da CLT, de acordo com as razões a seguir aduzidas:

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DOS FATOS E DO DIREITO

O réu foi contratado pelo autor em 02/03/2003 para exercer a função de escriturário,
candidatando-se, em 04/06/2008, ao cargo de dirigente do Sindicato dos Bancários do Estado
de Pernambuco, vencendo a eleição, tomando posse no dia 05/08/2008, para o cumprimento
de mandato de um ano. Sendo assim, passou, desde o registro de sua candidatura, a ser
detentor de garantia de emprego, nos moldes do artigo 8º, VIII, da CF. Ocorre que no dia
27/12/2009 o réu se envolveu em uma briga com um cliente, nas dependências da agência,
ficando constatado que o réu agrediu fisicamente aquele, sem qualquer justificativa,
incorrendo, portanto, em falta grave, à luz do artigo 482, j, da CLT. O autor, averiguando a
ocorrência, suspendeu preventivamente o réu, conforme o permissivo legal do artigo 494 da
CLT, no dia 10/01/2010, vindo a propor o presente Inquérito dentro do prazo legalmente
previsto, conforme demonstram os documentos que acompanham a petição – inteligência
do artigo 853 da CLT.

DO PEDIDO

Pelo exposto, requer que se digne Vossa Excelência a reconhecer a falta grave obreira,
desconstituindo o contrato de trabalho, por justa causa, nos moldes da alínea j do art. 482 da
CLT.

Requer a citação do réu, para que o mesmo venha, sob as penas da lei, contestar a ação, e,
ao final, seja julgado procedente o pedido de ruptura do contrato de trabalho por justa causa
obreira, protestando provar o alegado por todos os meios em direito admitidos.

Dá à causa, para efeitos meramente fiscais, o valor de R$ 1.000,00.

Pede deferimento.
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HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS NA JUSTIÇA DO TRABALHO

Segundo a jurisprudência trabalhista, em litígios envolvendo relação de emprego ou relação


de trabalho avulso só há uma hipótese de condenação em honorários advocatícios
sucumbenciais. Trata-se daquela prevista na Súmula 219 TST (ratificada pela Súmula 329 TST) –
vide, ainda, a OJ 305 SDI-1.

Sendo assim, em se tratando de relação de emprego ou relação de trabalho avulso, só


haverá condenação em honorários advocatícios sucumbenciais se presentes três requisitos:

a) Sucumbência do empregador (ou do órgão gestor de mão-de-obra, em caso de


trabalho avulso).
b) Empregado (ou trabalhador avulso) assistido por advogado do sindicato (assistência
judiciária gratuita prevista na Lei 5.584/70).
c) Empregado (ou trabalhador avulso) ter obtido os benefícios da justiça gratuita, na
forma do artigo 790, § 3º, CLT (litigante que não possui renda mensal superior ao dobro
do salário mínimo ou que declarar não possuir condições de arcar com as despesas
processuais sem prejuízo do próprio sustendo ou de sua família).

Observação importante: com a mudança da competência da Justiça do Trabalho,


implementada pela Emenda Constitucional 45, o TST tratou de disciplinar a questão dos
honorários advocatícios sucumbenciais quando o litígio envolver as demais relações de
trabalho. Nascia a Instrução Normativa nº. 27, a qual segue transcrita.

Instrução Normativa 27/2005 do TST

Art. 1º As ações ajuizadas na Justiça do Trabalho tramitarão pelo rito ordinário ou sumaríssimo,
conforme previsto na Consolidação das Leis do Trabalho, excepcionando-se, apenas, as que,
por disciplina legal expressa, estejam sujeitas a rito especial, tais como o Mandado de
Segurança, Habeas Corpus, Habeas Data, Ação Rescisória, Ação Cautelar e Ação de
Consignação em Pagamento.

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Art. 2º A sistemática recursal a ser observada é a prevista na Consolidação das Leis do
Trabalho, inclusive no tocante à nomenclatura, à alçada, aos prazos e às competências.
Parágrafo único. O depósito recursal a que se refere o art. 899 da CLT é sempre exigível como
requisito extrínseco do recurso, quando houver condenação em pecúnia.
Art.3º Aplicam-se quanto às custas as disposições da Consolidação das Leis do Trabalho.
§ 1º As custas serão pagas pelo vencido, após o trânsito em julgado da decisão.
§ 2º Na hipótese de interposição de recurso, as custas deverão ser pagas e comprovado seu
recolhimento no prazo recursal (artigos 789, 789-A, 790 e 790-A da CLT).
§ 3º Salvo nas lides decorrentes da relação de emprego, é aplicável o princípio da
sucumbência recíproca, relativamente às custas.
Art. 4º Aos emolumentos aplicam-se as regras previstas na Consolidação das Leis do Trabalho,
conforme previsão dos artigos 789-B e 790 da CLT.
Parágrafo único. Os entes públicos mencionados no art. 790-A da CLT são isentos do
pagamento de emolumentos. (acrescentado pela Resolução n° 133/2005)
Art. 5º Exceto nas lides decorrentes da relação de emprego, os honorários advocatícios são
devidos pela mera sucumbência.
Art. 6º Os honorários periciais serão suportados pela parte sucumbente na pretensão objeto da
perícia, salvo se beneficiária da justiça gratuita.
Parágrafo único. Faculta-se ao juiz, em relação à perícia, exigir depósito prévio dos
honorários, ressalvadas as lides decorrentes da relação de emprego.
Art. 7º Esta Resolução entrará em vigor na data da sua publicação.

PROCESSO E PROCEDIMENTO

O estudo da petição inicial nos leva com naturalidade ao confronto do processo e do


procedimento.

Processo nada mais é do que o instrumento para a composição dos litígios. Em sentido estrito,
é o conjunto de atos processuais que se coordenam e se desenvolvem desde o ajuizamento
da ação até o trânsito em julgado da sentença (fase de conhecimento).

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Em razão de vários fatores (valor da causa, por exemplo), a forma com que o processo se
desenvolve assume feições diferentes. Este “desenho”, este “contorno”, esta “forma” com que
o processo se desenvolve, de acordo com determinados fatores, chamamos de
procedimento. Logo, o procedimento é a exteriorização do processo (ou da relação
processual). Também é chamado de “rito” do processo, ou seja, o seu cerimonial, ou seu
“ritual”.

O processo do trabalho comporta vários procedimentos. Os mais importantes são o rito


ordinário e o rito sumaríssimo.

Além dos procedimentos comuns, existem os especiais, adotados para “ações especiais”
(inquérito judicial para apuração de falta grave, dissídios coletivos, ações de cumprimento,
ação de consignação em pagamento, embargos de terceiro etc.).

Neste ponto do nosso estudo é salutar uma pequena revisão de alguns ritos especiais, além,
claro, do procedimento sumaríssimo, muito valorizado em Exames de Ordem.

RITO SUMARÍSSIMO (artigos 852-A a 852-I da CLT)

O procedimento sumaríssimo é aplicável apenas para os dissídios individuais cujo valor não
exceda a 40 vezes o salário mínimo vigente na data do ajuizamento da ação.

Atualmente o salário mínimo é de R$ 510,00, logo, o rito sumaríssimo se aplica às causas até R$
20.400,00.

Vale salientar que este procedimento não pode ser usado nas demandas que envolvam a
Administração Pública direta, autárquica e fundacional (o que se costuma chamar de
“Fazenda Pública” – União, Estados, Municípios, Distrito Federal, suas autarquias e fundações).

No sumaríssimo o pedido, além de certo e determinado, deve ser líquido, ou seja, deve conter
a indicação do valor correspondente. A falta de liquidez importa no arquivamento da
reclamação.

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É vedada a notificação do reclamado (citação) por edital. Sendo assim, caso o reclamante
indique incorretamente o endereço do reclamado, a reclamação será arquivada.

Os incidentes e as exceções deverão ser decididos de plano. No rito ordinário, conforme os


artigos 799 a 802 da CLT, o juiz, diante da exceção de incompetência em razão do lugar, por
exemplo, suspende a audiência, abrindo prazo de 24 horas para o excepto falar sobre
aquela, decidindo o incidente na sessão seguinte. No sumaríssimo, contudo, não há
concessão de qualquer prazo ao excepto, pois os incidentes e as exceções devem ser
decididos na própria audiência.

A prova testemunhal fica restrita a duas testemunhas para cada parte.

Diferente, portanto, do rito ordinário, onde cada parte pode ofertar até três testemunhas.

No inquérito judicial para apuração de falta grave cada parte pode apresentar até seis
testemunhas.

Na sentença, o relatório fica dispensado.

RESPOSTA DO RECLAMADO (DEFESA)


Artigos 847 e 799 a 802 Da CLT e Artigos 297 a 328 do CPC

Contestar significa negar, resistir.

A contestação é o meio processual clássico usado pelo réu para RESISTIR à pretensão do
autor. Mas não é o único! A contestação é apenas um dos meios de resposta do réu.

A CLT não fala em reposta do réu, tampouco em “contestação”. Para a CLT o reclamado
“apresentará a sua defesa”.

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DEFESA tem o mesmo significado de RESPOSTA.

No Processo Civil a resposta do réu pode ser feita por meio de contestação, exceção e
reconvenção.

No Processo do Trabalho a defesa do reclamado também pode ser apresentada por meio de
contestação, exceção e reconvenção.

No processo do trabalho a defesa será oferecida em audiência – princípio da concentração


dos atos processuais em audiência (no prazo de 20 minutos, após a primeira tentativa de
conciliação).

CONTESTAÇÃO

O reclamado poderá oferecer, no prazo de vinte minutos, em audiência, logo após a primeira
tentativa de conciliação, CONTESTAÇÂO, EXCEÇÃO e RECONVENÇÃO.

Na prática, a contestação é apresentada por escrito.

Importante destacar que compete ao reclamado, antes de adentrar no mérito, suscitar as


questões elencadas no artigo 301 do CPC. Estamos falando da “defesa indireta”, dirigida
contra o processo, e não contra o mérito.

As matérias enumeradas no artigo 301 do CPC são conhecidas como questões preliminares,
exatamente pelo fato de serem levantadas, em contestação, antes do mérito.

As questões preliminares correspondem ao que alguns doutrinadores chamam de “objeções”.

As objeções podem ser meramente dilatórias (não conduzem à extinção do processo) ou


peremptórias (capazes de levar o processo à extinção sem resolução de mérito - artigo 267 do
CPC).

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São elas:

a) Inexistência ou nulidade da citação (objeção dilatória);


b) Incompetência absoluta (objeção dilatória – os autos serão remetidos ao Juízo
competente);
c) Inépcia da petição inicial (objeção peremptória, caso o autor não emende a exordial
no prazo estipulado pelo juiz);
d) Perempção (*) (objeção peremptória);
e) Litispendência (objeção peremptória);
f) Coisa julgada (objeção peremptória);
g) Conexão (objeção dilatória);
h) Incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização (objeção
dilatória, podendo ser peremptória, caso o vício não seja sanado no prazo fixado pelo
juiz);
i) Convenção de arbitragem (**) (objeção peremptória);
j) Carência de ação (objeção peremptória);
k) Falta de caução ou de outra prestação, que a lei exige como preliminar (objeção
peremptória).

(*) No processo do trabalho não se aplica a perempção prevista no Código de Processo Civil.
Há um caso, contudo, em que o reclamante perde o direito de reclamar na Justiça do
Trabalho por seis meses – Quando deixar arquivar a reclamação por duas vezes consecutivas –
artigo 732 da CLT. Pois bem. Há outro caso de perda do direito de reclamar na justiça do
trabalho por seis meses, previsto no parágrafo único do artigo 786 c/c artigo 731 da CLT –
quando apresentada reclamação verbal no setor de distribuição, o reclamante não
comparece à vara do trabalho, dentro de cinco dias, para redução a termo. Alguns
doutrinadores costumam chamar esses casos de “perempção temporária” ou “perempção
trabalhista”.

(**) Diante da nova competência da Justiça do Trabalho, é possível encontrar a preliminar de


convenção de arbitragem, a qual, contudo, não pode ser conhecida de ofício pelo juiz,
sendo imprescindível que o reclamado suscite. Observem que ela é a única preliminar que

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não pode ser decretada ex officio - § 4º do artigo 301 do CPC. Mesmo assim, cabe ao
reclamado, em contestação, argüir todas as questões preliminares que entender relevantes,
sob pena de arcar com as despesas decorrentes de sua omissão - § 3º do artigo 267 do CPC.

Observações importantes:

1) O acolhimento de questão preliminar peremptória gera a extinção do processo sem


resolução de mérito, nos termos do artigo 267 do CPC. Sendo assim, o reclamante, em
regra, poderá propor novamente a reclamação trabalhista. Em regra! Há, porém, uma
exceção. Artigo 268 do CPC: “Salvo o disposto do artigo 267, V, a extinção do processo
não obsta a que o autor intente de novo a ação”. Destarte, se a extinção decorreu do
acolhimento de perempção (inaplicável ao processo do trabalho), litispendência ou de
coisa julgada (artigo 267, V, do CPC), o reclamante, mesmo diante da extinção, sem
resolução de mérito, não poderá intentar novamente a reclamação.

2) O rol do artigo 301 do CPC, para o processo do trabalho, não esgota as “preliminares
de mérito”. Destacamos algumas questões preliminares exclusivas do processo
trabalhista:

a) Pedido ilíquido formulado em rito sumaríssimo ou pedido maior do que quarenta vezes o
salário-mínimo da época da propositura da demanda, também para o rito sumaríssimo
(artigo 267, IV, CPC);
b) Não submissão da demanda à comissão de conciliação prévia, caso haja
comprovação da existência de comissão no âmbito do sindicato ou da empresa
(artigo 267, VI, CPC), em que pese a jurisprudência praticamente ter eliminado a
obrigatória da referida submissão prévia.

3) O aluno não deve sair suscitando a preliminar de “não submissão da demanda à


comissão de conciliação prévia” sem que a questão indique que havia comissão no
âmbito do sindicato ou da empresa, pois a criação de comissão de conciliação prévia
é facultativa. É sempre bom lembrar a proibição quanto a criar ou inventar fatos. O STF,

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é bom lembrar, decidiu, recentemente, que a submissão da reclamação às comissões
não é obrigatória, logo, a observação ganha ainda mais relevância.

Pois bem.

O reclamado, ainda na contestação, depois de levantar as questões preliminares, passará a


enfrentar o mérito.

Algumas matérias de mérito devem ser argüidas antes das outras.

Essas matérias são chamadas “prejudiciais”, também conhecidas como “defesa indireta de
mérito”.

Expliquemos. Se o juiz acolher a prescrição bienal, por exemplo, ele irá, naturalmente, extinguir
o processo com resolução de mérito, à luz do artigo 269, IV, do CPC. Ora, ele não é maluco
de julgar, por exemplo, o pedido de horas extras, para, só depois enfrentar a prescrição. A
prescrição, como matéria prejudicial, deve ser analisada antes das demais.

As prejudiciais são matérias de mérito que podem inutilizar as demais questões meritórias.

É uma questão de lógica.

O juiz tem que primeiro enfrentar a prescrição bienal. Acolhendo-a, extinguirá o processo,
resolvendo o próprio mérito. Rejeitando a prescrição, ele partirá para julgar, por exemplo, a
pretensão de horas extras.

São questões prejudiciais:

a) Prescrição e decadência;
b) Negativa de vínculo empregatício ou qualquer outra matéria envolvendo controvérsia
acerca da natureza da relação jurídica mantida entre as partes.

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O reclamado, no mérito, deve suscitar, em primeiro lugar, as questões prejudiciais, para,
depois, contestar o restante do mérito.

Vale ressaltar que as questões prejudiciais já se incluem na contestação de mérito. Não são
“questões preliminares”.

As “questões preliminares” levam o processo à extinção sem resolução de mérito. As


prejudiciais conduzem o processo à extinção com resolução de mérito.

Dando seqüência à resistência meritória, o advogado deve se insurgir contra todos os fatos
narrados, um por um, atacando os pedidos, não deixando nenhum passar em branco.

Para o Exame de Ordem o caput do artigo 302 diz muito:

“Cabe também ao réu manifestar-se precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial.
Presumem-se verdadeiros os fatos não impugnados:”

O aluno não pode, diante de uma contestação, deixar de manifestar-se precisamente sobre
TODOS OS FATOS NARRADOS na petição inicial, rebatendo-os. Esse é o papel do advogado
de defesa!

Cuidado para não confessar!

Há candidatos que terminam por admitir o fato como verdadeiro!

É o advogado “amigo da onça”! Confessando, o reclamado termina por reconhecer a


procedência do pedido, gerando a extinção do processo com resolução de mérito – artigo
269, II c/c 348 do CPC.

Compensação e retenção: São matérias que devem ser argüidas na defesa, ou seja, na
contestação, sob pena de preclusão – artigo 767 da CLT c/c Súmula 48 do TST. A

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compensação, na Justiça do Trabalho, está restrita a dívidas de natureza trabalhista – Súmula
18 do TST.

Devem ser levantadas no final da contestação, ad cautelam (por precaução).

Digamos que o reclamante esteja pleiteando horas extras, à razão de 4h por dia. Seu cliente
nega a quantidade, mas admite que o trabalhador realizava horas extras, porém, todas foram
quitadas, “conforme os recibos anexados aos autos”. Eis a defesa! E se o juiz reconhecer a
procedência do pedido, condenando o seu cliente a pagar 4 horas extras por dia? Como
ficariam as horas extras pagas ao longo do contrato, constantes dos recibos? A compensação
serve para isso! Para evitar o “bis in idem”, o “enriquecimento sem causa”. Deveria constar da
contestação o seguinte requerimento: “Em caso de condenação, o que custa a acreditar,
requer a compensação dos valores já pagos, à luz da documentação que habita os autos,
espancando, com isso, qualquer possibilidade de enriquecimento sem causa, nos termos do
artigo 767 da CLT”.

Um bom exemplo de retenção é o que diz respeito ao imposto de renda e às contribuições


previdenciárias.

Digamos que você está elaborando uma contestação. Enfrentou a pretensão, negando os
fatos. No final, por extrema cautela, você diz: “Em caso de condenação, o que não acredita,
mas por extrema cautela, o reclamado vem requerer a retenção do imposto de renda e das
contribuições previdenciárias devidos pelo reclamante, à luz da OJ 363 da SDI-1 do TST e da
Súmula 368 do TST.

QUESTÃO DE EXAME DA OAB – CONTESTAÇÃO - PROPOSTA DE SOLUÇÃO

Antônio pactuou um contrato de empreitada com Armando, engenheiro civil, com o objetivo
de promover uma reforma em sua casa residencial. Neste contrato, foram definidos o valor da
empreitada, em R$ 60.000,00, o prazo de 90 dias para a conclusão da obra, as condições de
pagamento, tendo sido estipulada uma entrada de R$ 20.000,00 e o restante em três vezes,

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bem como as condições da reforma. Armando providenciou a contratação de um mestre de
obras, dois pedreiros e quatro serventes, para que a obra pudesse ser executada.
Antônio sempre discutiu os assuntos referentes à obra diretamente com Armando, e todos os
acertos e pagamentos referentes à obra eram efetuados a este. Sendo assim, Antônio não
tinha contato com qualquer empregado contratado por Armando, e, também, não tinha
conhecimento das condições do contrato de trabalho que os citados empregados
acordaram com o engenheiro. Após a conclusão da obra, Armando demitiu todos os
empregados contratados, e o mestre de obras, Francisco, ingressou com reclamação
trabalhista contra Armando e Antônio, formulando pedido de condenação subsidiária de
Antônio nas verbas pleiteadas (horas extras e reflexos e adicional de insalubridade).
Considerando os fatos narrados nesta situação hipotética, elabore, na condição de
advogado contratado por Antônio, a peça adequada, abordando os fundamentos de fato e
de direito pertinentes.

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DO TRABALHO DA ... VARA DO TRABALHO DE ...

Processo n° ...

ANTÔNIO, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., Id..., CPF..., endereço..., nos autos da
Reclamação Trabalhista nº ..., que lhe foi ajuizada por FRANCISCO, nacionalidade..., estado
civil..., mestre de obras, Id..., CPF..., endereço... (poderia colocar “já qualificado nos autos”),
vem, por seu advogado, com procuração em anexo, apresentar CONTESTAÇÃO, com fulcro
nos artigos 847 e segs. da CLT, em face das matérias de fato e de direito a seguir aduzidas,
para, ao final, requerer a TOTAL IMPROCEDÊNCIA dos pedidos.

Absurda se mostra a pretensão aduzida pelo reclamante, o qual busca a condenação do


reclamado como responsável subsidiário, quando, da própria petição inicial, se vislumbra, sem
qualquer sombreamento de dúvidas, a ilegitimidade do demandado.

Ora, o reclamado jamais manteve qualquer tipo de relação jurídica com o reclamante,
pactuando, com o empreiteiro Armando (reclamado principal), contrato de empreitada para
reforma de sua casa residencial.

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O reclamado, como dono da obra, não pode, em um contrato de empreitada, ser
responsabilizado por verbas trabalhistas inadimplidas pelo empreiteiro ou subempreiteiro.

Inexiste, Excelência, previsão legal capaz de respaldar a pretensão, pois, como reza o artigo
455 da CLT, a responsabilidade subsidiária se restringe ao empreiteiro.

O reclamado sempre discutiu os assuntos referentes à obra diretamente com o empreiteiro


Armando. Todos os acertos e pagamentos referentes à obra eram efetuados ao empreiteiro
Armando. O reclamado jamais manteve contato com qualquer trabalhador contratado pelo
empreiteiro Armando. Logo, se há um responsável subsidiário, este é, tão-somente, o
empreiteiro Armando – argúcia do artigo 455 da CLT.

Importante lembrar, douto magistrado, que a obra em questão abrangia apenas a “reforma
de uma residência”, ou seja, não guardava fins econômicos ou lucrativos.

Impende destacar, ainda, que a jurisprudência da mais alta corte trabalhista já sedimentou
entendimento de que o dono da obra não tem qualquer responsabilidade, solidária ou
subsidiária, quanto às verbas trabalhistas oriundas das relações entre o
empreiteiro/subempreiteiro e seus operários, salvo quando o dono da obra for uma empresa
de construção civil ou estiver atuando como incorporador, o que, no caso, não ocorreu! É o
que se extrai da OJ 191 da SDI-1 do TST.

Destarte, ante a flagrante ilegitimidade, requer o reclamado que se digne Vossa Excelência
proceder a sua exclusão da lide.

Caso superada a argumentação supra, o que não acredita, vem o reclamado, por cautela,
prestigiando o princípio da eventualidade, contestar os demais pedidos.

Como já foi dito, o reclamado jamais manteve contato com qualquer trabalhador contratado
pelo empreiteiro Armando, não tendo, por conseguinte, como especificar o horário de labor

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do reclamante, cabendo a este, contudo, à luz do artigo 818 da CLT, o ônus de provar o fato
alardeado.

No que pertine ao adicional de insalubridade, como se tratava de uma simples reforma em


uma casa residencial, acredita o reclamado que a pretensão deva ser rechaçada, à luz da
Súmula 460 do STF. Caso alguma condenação venha a ser infligida ao reclamado, o que se
arquiteta apenas por amor ao debate, que se digne Vossa Excelência fixar o percentual
mínimo do adicional requerido, tendo como base de cálculo o salário mínimo.

Requer, ainda, por extrema cautela, que quando da liquidação da sentença, caso o
reclamado seja condenado, o que custa a acreditar, seja determinada a retenção, do
crédito do reclamante, dos valores do Imposto de Renda e das Contribuições Previdenciárias,
à luz da legislação vigente, tomando por base a previsão contida na OJ 363 da SDI-1 e na
Súmula 368 do TST.

Pede o reclamado a sua exclusão da lide, por total e completa ilegitimidade. Pede, ainda,
por cautela, caso rejeitada a preliminar, que os pedidos sejam julgados improcedentes, sendo
o reclamante condenado nas custas e demais despesas processuais cabíveis.

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos.

Pede deferimento.
Município..., data...
Advogado..., OAB...

EXCEÇÃO

As exceções visam a afastar do processo o juiz relativamente incompetente, impedido ou


suspeito. Daí dizer-se que as exceções integram um tipo de defesa dirigida contra o processo,
não contra o mérito.

Há duas exceções no processo do trabalho:

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a) exceção de incompetência em razão do lugar;

b) exceção de suspeição.

As exceções vêm reguladas nos artigos 799 a 802 da CLT.

Quem propõe a exceção é o Excipiente.

Excepto ou Exceto é aquele contra quem é proposta a exceção.

O artigo 651 da CLT regula a competência em razão do lugar, consagrando a regra geral no
caput (local em que o trabalhador presta serviços, independentemente do local da
contratação), apresentando, a seguir, três ressalvas, cada uma em um parágrafo (§ 1º -
viajante ou agente comercial; § 2º - trabalhador brasileiro que labora no exterior; e § 3º -
empregador que desenvolva atividades fora do local da contratação).

No que pertine à suspeição, o art. 801 da CLT diz que o juiz é obrigado a dar-se por suspeito, e
pode ser recusado, por alguns dos seguintes motivos, em relação à pessoa dos litigantes:

a) inimizade pessoal;
b) amizade íntima;
c) parentesco por consangüinidade ou afinidade até o terceiro grau civil;
d) interesse particular na causa.

A CLT, como se vê, silenciou quanto à exceção de impedimento, prevista no CPC. A CLT é de
1943, e naquela época estava em vigor o CPC de 1939, o qual não fazia distinção entre
suspeição e impedimento. O CPC de 1973 passou a consagrar o tratamento em separado das
matérias (artigos 134 e 135).

A exceção de impedimento pode ser utilizada no processo trabalhista?

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A maioria dos doutrinadores não vê qualquer problema no manejo também da exceção de
impedimento, defendendo a aplicação subsidiária do artigo 304 do CPC. Porém, vale aqui
uma observação! A CLT não foi completamente omissa quanto ao assunto, pois, no artigo 801,
quando descreve os motivos de suspeição, fala em “parentesco por consangüinidade ou
afinidade até o terceiro grau civil”, tipo caso de impedimento (inciso V do artigo 134 do CPC).
Sendo assim, a CLT consagra a possibilidade de argüição de motivos de impedimento na
exceção prevista no seu corpo, intitulada “exceção de suspeição”.

Em face do exposto, a orientação para os exames de ordem é sempre o manejo da exceção


de suspeição, quando se estiver diante de um dos motivos arrolados no artigo 801 da CLT,
mesmo diante de um típico caso de impedimento, como o do parentesco. O candidato,
apesar de intitular a peça como exceção de suspeição, indicará, no caso de parentesco, que
se trata de verdadeiro impedimento, sendo vedado ao juiz exercer as suas funções no
processo, citando o artigo 134 do CPC.

A utilização de exceção de impedimento, porém, no processo do trabalho, desde que diante


de um dos casos do artigo 134 do CPC, não se revela como motivador para qualquer
nulidade ou prejuízo no exame de ordem.

Importante lembrar, ainda, que o impedimento é mais grave do que a suspeição. Observem a
redação do artigo 134 do CPC: “É defeso ao juiz exercer as suas funções no processo”.
Impedimento é a circunstância de caráter objetivo que faz a lei presumir (presunção juris et de
jure) a parcialidade do juiz. É um vício tão grave que pode afetar a própria coisa julgada
(cabe ação rescisória contra sentença proferida por juiz impedido – artigo 485, II, CPC).

A suspeição é a circunstância de caráter subjetivo que gera desconfiança ou suspeita de que


o juiz seja parcial. A circunstância faz nascer mera presunção juris tantum de parcialidade.

Entende-se que não há preclusão para a argüição do impedimento, por ser considerada
matéria de ordem pública. Sendo assim, a parte, em tese, poderia suscitar o impedimento em
qualquer grau de jurisdição, a qualquer tempo, por qualquer meio (a exceção de
impedimento seria apenas um deles).

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Nos casos de suspeição o oferecimento da exceção, no tempo certo, é imprescindível para
que não se opere a preclusão – vide parágrafo único do artigo 801 da CLT (o qual deve ser
interpretado com cautela, já que no caso de parentesco, por exemplo, não se estaria diante
de um caso de suspeição, mas de impedimento).

No processo do trabalho o próprio juiz apontado como suspeito apreciará a exceção,


proferindo decisão interlocutória, irrecorrível de imediato (§ 1º do artigo 893 da CLT).

Modelo de Exceção de Suspeição

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DO TRABALHO DA ... VARA DO TRABALHO DE ...

Processo n° ...

EXCIPIENTE, qualificado nos autos da reclamação trabalhista nº ..., em que contende com
(Nome da outra parte), também já qualificado, vem, por seu advogado ao final firmado, com
instrumento de mandato anexo, mui respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, opor
EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO, relativa ao Excelentíssimo Senhor Juiz do Trabalho Titular (ou
Substituto) (Nome do magistrado excepto), com fulcro nos artigos 799 e 801 da CLT c/c artigos
134 e 135 do CPC, de acordo com as razões a seguir expostas.

Inicialmente, vale ressaltar que o excipiente não tem qualquer restrição à honorabilidade do
referido Magistrado, ora excepto, apenas quanto à amizade íntima que o mesmo mantém
com o reclamante. Com efeito, ambos mantêm íntima amizade, tendo trabalhado juntos na
mesma empresa, ainda freqüentando a casa um do outro, sendo, o reclamante, padrinho do
filho do excepto. Não bastasse isso, o reclamante e o excepto são vizinhos, morando no
mesmo prédio. Pode-se dizer que são compadres, laço afetivo que marca de forte suspeição
a pessoa do excepto, à luz da norma do art. 801 da CLT.

Pelo exposto, aguarda o excipiente que a exceção seja acolhida, declarando-se a suspeição
do Excelentíssimo Senhor Juiz do Trabalho ...

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Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos.

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Advogado..., OAB...

Modelo de Exceção de Incompetência em Razão do Lugar

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DO TRABALHO DA ... VARA DO TRABALHO DE ...

Processo n° ...

EXCIPIENTE, (qualificação e endereço ou “já qualificado”), nos autos da reclamação


trabalhista nº ..., em que contende com EXCEPTO, também já qualificado, vem, por seu
advogado ao final firmado, com instrumento de mandato anexo, mui respeitosamente, à
presença de Vossa Excelência, opor EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCA EM RAZÃO DO LUGAR,
com fulcro nos artigos 799 e 800 c/c 651 da CLT, de acordo com as razões a seguir expostas.

O reclamante, ora excepto, foi contratado em Garanhuns, trabalhando em Recife e, por


último, em Olinda. Segundo a regra do art. 651 da CLT, a reclamação trabalhista deve ser
proposta no local da prestação de serviços do empregado.

No caso dos autos, o último local de trabalho do excepto foi a cidade de Olinda. Assim, esta
cidade, por uma de suas Varas, seria competente para apreciar o feito.

Pelo exposto, requer seja acolhida a exceção de incompetência em razão do lugar, sendo
remetidos os

autos ao juízo competente.

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos.

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Pede deferimento.
Município..., data...
Advogado..., OAB...

RECONVENÇÃO

A reconvenção é um verdadeiro contra-ataque do reclamado.

Está prevista no artigo 315 do CPC, cabendo, também, no processo do trabalho.

Trata-se de um meio de resposta do réu, porém, como é fácil perceber, tem natureza de
ação.

A reconvenção também é chamada de “ação reconvencional”.

Para quem já aprendeu a fazer uma petição inicial em reclamação trabalhista fica muito fácil
elaborar uma reconvenção.

Casos mais comuns na Justiça do Trabalho:

a) Empregador propõe ação de consignação em pagamento em desfavor do empregado e


este, uma vez citado, comparece à audiência, apresentando contestação e reconvenção.
Contesta os fatos e fundamentos da consignação (diz, por exemplo, que jamais abandonou o
emprego; ou que não se recusou a receber a quantia etc.) e, na reconvenção, expõe aquilo
que seria objeto de uma reclamação trabalhista contra o empregador (pode pedir a
declaração da dispensa sem justa causa, o pagamento das verbas rescisórias, as horas extras,
uma indenização por dano moral etc.).

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b) Empregado propõe reclamação trabalhista em desfavor do empregador, pleiteando, por
exemplo, horas extras. O empregador, uma vez citado, comparece à audiência e oferta
contestação, rebatendo a pretensão de horas extras, apresentando, ainda, reconvenção,
cobrando uma indenização pelos danos causados provocados pelo empregado (o
empregado destruiu um veículo da empresa etc.). Observem que, neste caso, há certa
similaridade entre a “compensação” e a “reconvenção”. Mas os institutos não se confundem.
A compensação é requerida no corpo da própria contestação (artigo 767 CLT e Súmula 48
TST), ficando restrita a verbas de natureza trabalhista (Súmula 18 TST). A reconvenção deve ser
elaborada em peça autônoma, podendo abranger qualquer parcela, trabalhista ou não-
trabalhista.

MODELO DE RECONVENÇÃO

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DO TRABALHO DA... VARA DO TRABALHO DE...

NOME DO RECONVINTE, já qualificado nos autos da Reclamação Trabalhista que lhe foi
ajuizada por NOME DO RECONVINDO, vem, mui respeitosamente, à presença de Vossa
Excelência, por seu advogado ao final firmado, com procuração anexa, apresentar
RECONVENÇÃO, com fundamento nos artigos 315 e segs. do CPC, pelas razões de fato e de
direito que passa a expor:

Da Causa de Pedir

O reconvindo foi demitido por justa causa, enquadrado no artigo 482 da CLT, porquanto, em
ato de indisciplina e ofensivo à imagem da empresa reconvinte, despejou o conteúdo do
caminhão limpa-fossas em área de preservação ambiental, provocando a autuação da
reconvinte, a qual foi multada pela fiscalização e teve a sua imagem arranhada.

Aquele que causa dano a outrem, agindo culposa ou dolosamente, tem o dever de reparar o
prejuízo, nos termos dos artigos 186 e 927 do CC.

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A reconvinte, além do prejuízo material, decorrente da multa ambiental, teve o seu nome
jogado na lama, sofrendo incalculável dano – artigo 5º, X, CF.

A Constituição Federal, ilustre magistrado, consagra o direito à reparação – art. 5º, X, cuja
pretensão é de competência da Justiça do Trabalho, como preceitua o artigo 114, VI da Lei
Maior e a Súmula 392 do TST.

Do Pedido

Pelo exposto, vem requerer a condenação do reconvindo nos títulos abaixo discriminados,
acrescidos de juros e correção monetária:

a) Indenização por dano material, no valor de R$...


b) Indenização por dano moral, em valor a ser arbitrado por Vossa Excelência.

Requer, por fim, a citação do reconvindo, para que o mesmo venha, sob as penas da lei,
responder a presente ação reconvencional, e, ao final, sejam julgados procedentes os
pedidos, protestando provar o alegado por todos os meios em direito admitidos.

Dá-se à causa o valor de R$...

Pede deferimento.
Município..., data...
Advogado..., OAB...

RECURSOS NO PROCESSO DO TRABALHO

Os recursos são os remédios mais usados para impugnar decisões judiciais, mas não são os
únicos, pois existem as chamadas ações autônomas de impugnação contra atos decisórios
(mandado de segurança, ação rescisória, embargos do devedor, embargos de terceiro etc.).

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Para o exame de ordem é importante o estudo dos seguintes recursos:

RECURSO ORDINÁRIO – ART. 895.


RECURSO DE REVISTA – ART. 896.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – ART. 897-A.
AGRAVO DE INSTRUMENTO – ART. 897.

Ao contrário do que ocorre no processo comum, no processo do trabalho os recursos não


possuem, em regra, efeito suspensivo. O TST admite o uso de ação cautelar na busca para se
obter efeito suspensivo.

Observem a regra do art. 899 da CLT: “Os recursos serão interpostos por simples petição e
terão efeito meramente devolutivo, salvo as exceções previstas neste Título, permitida a
execução provisória até a penhora”.

ATENÇÃO: Recurso sem fundamentação (razões recursais) é o mesmo que recurso genérico,
petição inicial sem causa de pedir ou contestação por negação geral. Estão em jogo os
princípios do contraditório e da ampla defesa.

PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE

Subjetivos – legitimidade; capacidade e interesse.

Objetivos – recorribilidade do ato; adequação; tempestividade; regularidade de


representação; preparo (custas e depósito recursal) etc.

Custas e depósito recursal devem ser recolhidos e comprovados dentro do prazo recursal – art.
789, § 4º da CLT c/c Súmula 245 do TST.

Depósito recursal (art. 899, §§ 1º s 6º da CLT) – Só é exigível do empregador, desde que tenha
sido condenado em pecúnia (Súmula 161 do TST).

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Trabalhador não efetua depósito recursal, mesmo que tenha sido condenado em pecúnia.

A massa falida é isenta de custas e de depósito recursal – Súmula 86 do TST.

A Fazenda Pública também é isenta, assim como o MPT.

O benefício da justiça gratuita, previsto no artigo 790, § 3º, da CLT, também pode ser
estendido a empregador que comprovar não possuir condições financeiras de arcar com as
despesas processuais. Na jurisprudência é comum encontrar casos de empregador doméstico
beneficiário da justiça gratuita.

Vale lembrar que o TST vem entendendo que os benefícios da justiça gratuita ficam restritos
apenas a custas, emolumentos e honorários periciais, não alcançando o depósito recursal.

Não precisam de preparo – Embargos Declaratórios, Agravo de Petição, Agravo de


Instrumento, Agravo Regimental e Pedido de Revisão do Valor da Causa.

O recurso adesivo, previsto no artigo 500 do CPC, é admissível no processo do trabalho para o
recurso ordinário, agravo de petição, recurso de revista e embargos no TST, conforme a
Súmula 283 do TST.

Os atos processuais podem ser praticados via fax, conforme Lei 9.800/99.

SÚMULA Nº 387 DO TST – RECURSO. FAC-SÍMILE. LEI Nº 9.800/1999. (conversão das Orientações
Jurisprudenciais nºs 194 e 337 da SBDI-1) - Res. 129/2005 - DJ 20.04.2005.
I - A Lei nº 9.800/1999 é aplicável somente a recursos interpostos após o início de sua vigência.
(ex-OJ nº 194 - Inserida em 08.11.2000)
II - A contagem do qüinqüídio para apresentação dos originais de recurso interposto por
intermédio de fac-símile começa a fluir do dia subseqüente ao término do prazo recursal, nos
termos do art. 2º da Lei 9.800/1999, e não do dia seguinte à interposição do recurso, se esta se
deu antes do termo final do prazo. (ex-OJ nº 337 - primeira parte - DJ 04.05.2004).

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III - Não se tratando a juntada dos originais de ato que dependa de notificação, pois a parte,
ao interpor o recurso, já tem ciência de seu ônus processual, não se aplica a regra do art. 184
do CPC quanto ao “dies a quo”, podendo coincidir com sábado, domingo ou feriado. (ex-OJ
nº 337 - “in fine” - DJ 04.05.2004).

Todos os recursos no processo do trabalho obedecem ao prazo de oito dias, salvo:

a) embargos declaratórios (5 dias);


b) pedido de revisão do valor da causa (48 horas)
c) recurso extraordinário (15 dias);
d) agravo de instrumento contra decisão que denegou seguimento a recurso extraordinário
(10 dias).

A Fazenda Pública e o Ministério Público do Trabalho têm prazo em dobro para recorrer.

Litisconsortes com procuradores diferentes não têm prazo em dobro – entendimento do TST,
contido na OJ 310 SDI-1 (O TST entende incompatível a aplicação do artigo 191 do CPC no
processo do trabalho).

RECURSO ORDINÁRIO

Cabe recurso ordinário, no prazo de oito dias, contra decisões definitivas ou terminativas dos
juízes do trabalho ou dos juízes de direito investidos na jurisdição trabalhista, dirigido ao TRT.

Também cabe recurso ordinário, no prazo de oito dias, contra decisões definitivas ou
terminativas dos Tribunais Regionais do Trabalho, atuando em sua competência originária,
tanto em dissídios individuais como em dissídios coletivos, dirigido ao TST.

O recurso é dirigido ao juízo a quo, o qual realizará o juízo de admissibilidade do recurso. Uma
vez conhecido, o recorrido será intimado para, no mesmo prazo de oito dias, apresentar
contra-razões – artigo 900 da CLT. Neste mesmo prazo, em caso de sucumbência recíproca,
poderá recorrer adesivamente.

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PROPOSTA DE SOLUÇÃO

Carlos Bala, operador de bomba de gasolina do Posto Corinthians Ltda., descobriu, depois de
freqüentar algumas aulas no ATF Cursos Jurídicos, que teria direito ao adicional de
periculosidade. Propôs reclamação trabalhista, pleiteando adicional de periculosidade de
30% sobre o salário contratual e diferença do adicional noturno, indicando que cumpria
jornada das 22h às 8h, de segunda a sábado, com uma hora de intervalo intrajornada,
recebendo apenas o adicional noturno restrito à jornada das 22h às 5h. Atribuiu à causa o
valor de R$ 20.000,00. À audiência compareceram as partes, acompanhadas de seus
respectivos advogados, quando, na oportunidade, o reclamado, depois de rejeitada a
proposta de conciliação, apresentou contestação, carta de preposição e procuração. O
magistrado, diante da ausência de prova documental, dispensou os depoimentos pessoais e a
oitiva da única testemunha ofertada (Mano Menezes, colega de Carlos Bala no Posto
reclamado), sob protestos dos advogados, os quais, em razões finais, renovaram o
inconformismo, alegando cerceamento de defesa. Na sentença, o juiz considerou infundada
a pretensão autoral, julgando improcedentes os pedidos, assim fundamentando:
a) “Improcedente o pedido de adicional de periculosidade, pois o trabalho de bombeiro de
posto de gasolina é intermitente, ou seja, o empregado não trabalha em contato permanente
com inflamáveis e explosivos, sendo notório o fato de que vários minutos se passam entre um e
outro abastecimento”; b) “Improcedente o pedido de diferença do adicional noturno, por
ausência de previsão legal ou consuetudinária, considerando que o artigo 73 da CLT define
como horário noturno aquele compreendido entre 22 horas de um dia e 5 horas do dia
seguinte, cujo lapso já vem sendo corretamente remunerado pelo empregador, como bem
especifica a própria petição inicial”.
Na condição de advogado de Carlos Bala, redija um recurso ordinário defendendo os
interesses de seu cliente e refutando os argumentos contidos na sentença.

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DO TRABALHO DA ... VARA DO TRABALHO DE ...

Processo nº. ...

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CARLOS BALA, já qualificado nos autos, por seu advogado que esta subscreve, na
reclamação trabalhista relativa ao processo em epígrafe, proposta contra POSTO
CORINTHIANS LTDA, também nos autos qualificado, vem, mui respeitosamente, à presença de
Vossa Excelência, interpor o cabível RECURSO ORDINÁRIO, com fundamento no art. 895 da
CLT, face à decisão proferida na mencionada reclamatória, o que faz pelos motivos expostos
no anexo memorial, em demonstrando, desde logo, o atendimento aos necessários
pressupostos de admissibilidade.

DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE

1) O recorrente está representado pelo advogado signatário, conforme procuração anexa.


2) Custas processuais, no valor de R$ 400,00, devidamente recolhidas – DARF em anexo.
3) Inexiste, in casu, depósito recursal – Súmula 161 do TST.
4) Mostra-se tempestivo o recurso, interposto no octídio legal.

Satisfeitos os devidos pressupostos processuais de admissibilidade recursal.

Requer o conhecimento do presente recurso e a intimação do recorrido para apresentar


contra-razões, nos termos do artigo 900 da CLT.

Requer, por fim, a remessa dos autos ao TRT.

Nestes termos,
Pede deferimento.
Município..., data...
Advogado..., OAB...

(em outra lauda)

RAZÕES DO RECURSO

RECORRENTE: CARLOS BALA

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RECORRIDO: POSTO CORINTHIANS LTDA.
PROCESSO Nº. ...
ORIGEM: ... VARA DO TRABALHO DE ...

EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA ... REGIÃO

EMÉRITOS JULGADORES

A pretensão envolvendo o adicional de periculosidade não poderia ser analisada sem a


realização da perícia técnica, na forma do artigo 195, § 2º, da CLT. Com as devidas vênias,
errou o juiz ao deixar de determinar a produção de prova pericial.

Ademais, a nulidade também paira sobre o decisum em razão da dispensa da única


testemunha ofertada, a qual poderia demonstrar que o recorrente laborava em contato
permanente com inflamáveis e explosivos.

Temerária a atitude do juízo a quo, violando os princípios da ampla defesa e do devido


processo legal, maculando o ato de total nulidade.

Requer a decretação da nulidade da sentença.

Caso não seja decretada a nulidade da sentença, o que não acredita, vem o recorrente, por
cautela, requerer a reforma do julgado, para que os pedidos alcancem procedência.

Frágil se mostra o argumento do juízo a quo, ao rejeitar o pedido de adicional de


periculosidade, já que o recorrente sempre laborou em contato com inflamáveis e explosivos,
fazendo jus ao respectivo adicional, nos termos do artigo 193 da CLT.

Ora, a jurisprudência consagra o direito ao adicional de periculosidade a operadores de


bomba de gasolina, atividade executada pelo recorrente – inteligência das Súmulas 39 do TST
e 212 do STF.

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Irrelevante, data máxima vênia, o argumento lançado pelo juízo a quo de “contato
intermitente”, base do sorumbático julgado, pois, à luz da Súmula 364, I, do TST, “Faz jus ao
adicional de periculosidade o empregado exposto permanentemente ou que, de forma
intermitente, sujeita-se a condições de risco”.

Corrobora o arremate o disposto na Súmula 361 do TST.

O equívoco é latente, indicando que o juízo a quo, data vênia, confundiu intermitência com
eventualidade.

Mesmo com o espaço descrito na guerreada sentença, entre um e outro abastecimento, vê-
se que o contato está longe de se caracterizar como eventual ou fortuito, sendo,
insofismavelmente, habitual e permanente. Eis mais um ponto a fragilizar o julgado, à luz da já
citada Súmula 364 do TST.

Quanto à diferença do adicional noturno, nada mais absurdo do que alicerçar o


indeferimento do pedido no inócuo argumento de “ausência de previsão legal ou
consuetudinária”.

Ora, o C. TST, interpretando o artigo 73, § 5º, da CLT, consagrou a “teoria da irradiação do
horário noturno sobre o diurno”, buscando compensar situação ainda mais desgastante, qual
seja, a continuidade de jornada integral noturna sobre diurna.

O entendimento jurisprudencial se encontra consubstanciado na Súmula 60 do TST, indicando


que, uma vez cumprida integralmente a jornada no período noturno e ocorrendo a sua
prorrogação, também é devido o adicional noturno sobre as horas prorrogadas.

Pensar o contrário significa conduzir a interpretação em direção ao abismo do absurdo!

A Súmula 60 do TST, portanto, respalda o direito do recorrente, o qual labora das 22h às 8h,
percebendo adicional noturno tão-somente sobre a jornada noturna (22h às 5h).

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Requer a reforma do julgado, para que o reclamado, ora recorrido, seja condenado nos
títulos insculpidos na atrial.

Do pedido recursal

Isto posto, o recorrente roga, de logo, a esta Egrégia Corte, que conheça do presente recurso,
dando-lhe provimento e anulando a sentença.

Caso não seja esse o entendimento, requer, por cautela, superada a nulidade do decisum, a
reforma da decisão recorrida, para a condenação do recorrido no pagamento de adicional
de periculosidade de 30% sobre o salário contratual e diferença do adicional noturno, na
forma dos pedidos elencados na petição inicial.

Postula, por fim, o recorrente, a inversão do o ônus da sucumbência, além de honorários


advocatícios, na forma do artigo 133 da CF.

Nestes termos,
Pede deferimento.
Município..., data...
Advogado..., OAB...

RECURSO DE REVISTA

O recurso de revista, a exemplo do recurso de embargos de divergência e do recurso


extraordinário ao STF, tem natureza extraordinária, ou seja, não admite discussão de fatos e
provas, apenas de matéria jurídica, taxativamente prevista no artigo 896 da CLT – vide Súmula
126 TST.

Importante destacar que o recurso de revista só é admitido em dissídios individuais, para


atacar decisões proferidas por TRT, quando este tiver julgado recurso ordinário ou,
excepcionalmente, agravo de petição (artigo 896, § 2º, CLT).

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No caso de o TRT julgar recurso ordinário, caberá recurso de revista se a decisão estiver
DIVERGINDO de decisão prolatada por OUTRO TRT, pela SDI ou de SÚMULA DO TST (alíneas a e
b do artigo 896 da CLT). Também caberá recurso de revista, no caso, se a decisão VIOLAR LEI
FEDERAL ou a CONSTITUIÇÃO FEDERAL.

ATENÇÃO: Se o processo estiver enquadrado no rito sumaríssimo, o recurso de revista, em caso


de decisão prolatada por TRT em sede de recurso ordinário, só será cabível em caso de
AFRONTA À SÚMULA DO TST ou VIOLAÇÃO À CONSTITUIÇÃO FEDERAL – vide artigo 896, § 6ª,
CLT e OJ 352 SDI-1.

No caso de o TRT julgar agravo de petição (significa dizer que o processo está na fase de
execução), só será cabível recurso de revista se a decisão do tribunal regional VIOLAR A
CONSTITUIÇÃO FEDERAL (artigo 896, § 2º, CLT e Súmula 266 TST).

Incabível recurso de revista contra acórdão de TRT prolatado em agravo de instrumento –


Súmula 218 TST.

A matéria, objeto do recurso de revista, deve ser prequestionada no TRT, salvo se a


divergência ou violação tiver origem na própria decisão do TRT.

Sobre prequestionamento vide Súmula 356 STF; Súmula 297 TST; OJ 118 SDI-1; OJ 62 SDI-1; OJ
119 SDI-1; OJ 256 SDI-1.

No caso de violação à lei federal ou à constituição, o recorrente tem que indicar


expressamente o dispositivo (artigo, inciso, alínea) violado – Súmula 221 TST.

O TST regulamentou o processamento do recurso de revista mediante a IN 23/2003.

MODELO DE RECURSO DE REVISTA

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL

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DO TRABALHO DA .... REGIÃO

Processo nº...

(NOME DO RECORRENTE), já qualificado nos autos, por seu advogado que esta subscreve, na
reclamação trabalhista relativa ao processo em epígrafe, proposta por (NOME DO
RECORRIDO), também nos autos qualificado, vem, mui respeitosamente, à presença de Vossa
Excelência interpor, com fulcro no artigo 896 (informar a alínea correspondente) da CLT,
RECURSO DE REVISTA, o que faz pelos motivos expostos no anexo memorial, em demonstrando,
desde logo, o atendimento aos necessários pressupostos de admissibilidade.

DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE

1) O recorrente está representado pelo advogado signatário, conforme procuração anexa.


2) Depósito recursal realizado, à luz da guia em anexo.
3) Mostra-se tempestivo o recurso, interposto no octídio legal.
4) A matéria objeto do presente recurso foi devidamente prequestionada, à luz das Súmulas
do TST.
5) O presente recurso é transcendente com relação aos aspectos de natureza social,
econômica, jurídica ou política do país, nos termos do art. 896-A da CLT.

Satisfeitos, pois, os pressupostos processuais de admissibilidade recursal.

Requer, destarte, o conhecimento do presente recurso e a intimação do recorrido para


apresentar contra-razões, nos termos do artigo 900 da CLT.

Requer, por fim, a remessa dos autos ao TST.

Pede deferimento.
Município..., data...
Advogado..., OAB...

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(em outra lauda)

RAZÕES DE RECURSO DE REVISTA

NOME DO RECORRENTE
NOME DO RECORRIDO
PROCESSO Nº ...
ORIGEM: TRT DA ... REGIÃO

EGRÉGIO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO


COLENDA TURMA

Ao formular sua petição inicial, o reclamante, ora recorrido, aduziu discriminação salarial,
pleiteando, por sua vez, equiparação com determinado paradigma.

Incontroverso, contudo, o fato de o reclamante, ora recorrido, e o paradigma indicado


laborarem em municípios distintos, não integrantes da mesma região metropolitana.

Mesmo assim, doutos julgadores, o juízo de primeiro grau terminou julgando procedente o
pedido de equiparação salarial, contrariando, com isso, o que dispõe a Súmula 6, X, do TST.

Interposto recurso ordinário, o Tribunal “a quo”, surpreendentemente, manteve o julgado,


divergindo frontalmente da referida Súmula.

A Súmula 6, X, do TST, interpretando o artigo 461, caput, da CLT, define “mesma localidade”,
requisito inafastável à equiparação salarial, como o “mesmo município” ou a “mesma região
metropolitana”, o que, data máxima vênia, não ocorreu, in casu.

Demonstrada a divergência de interpretação entre o TRT e Súmula de Jurisprudência Uniforme


desta Corte, nos termos do artigo 896, “a”, da CLT.

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Pelo exposto, requer o conhecimento e conseqüente provimento do presente recurso,
revertendo as decisões anteriores.

Postula, por fim, o recorrente, a inversão do o ônus da sucumbência.

Pede deferimento.
Município..., data...
Advogado..., OAB...

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

Recurso previsto no artigo 897-A da CLT. Serve para:

a) atacar decisão marcada pela omissão ou contradição (o CPC acrescenta ainda


“obscuridade”), inclusive no que pertine ao prequestionamento, pressuposto específico
dos recursos de natureza extraordinária (Súmula 297 do TST);
b) atacar decisão denegatória de recurso, quando baseada em manifesto equívoco na
análise dos pressupostos extrínsecos de admissibilidade.

Quem julga é o próprio juízo prolator da decisão atacada (recurso impróprio).

MODELO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (OU EMBARGOS DECLARATÓRIOS)

Caso prático:

TITO propôs reclamação trabalhista em face de ABC, pleiteando, além das verbas rescisórias e
horas extras, indenização por dano moral, alegando que o seu chefe imediato, no ato da
demissão, o chamou de “analfabeto”, “idiota” e “insignificante”. A empresa, embora
devidamente citada para comparecer à audiência em que deveria apresentar sua defesa,
ausentou-se. Na sentença, o juiz julgou improcedentes os pedidos formulados por Mário, pelos

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fundamentos a seguir expostos: a) o reclamado comprovou a correta e tempestiva quitação
das verbas rescisórias; b) o reclamado juntou cartões de ponto, os quais, apesar de
“britânicos”, demonstraram a inexistência de labor extraordinário.
Assim, considerando os fatos narrados acima e na qualidade de advogado de Tito, apresente
a peça processual adequada para defender os interesses do seu cliente, demonstrando na
peça o atendimento aos pressupostos de admissibilidade.

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DO TRABALHO DA ... VARA DO TRABALHO DE ...

PROCESSO Nº. ...

TITO, qualificado nos autos, por seu advogado que esta subscreve, nos autos da Reclamação
trabalhista proposta em face de ABC, também nos autos qualificada, vem, mui
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, interpor EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, com
fundamento no artigo 897-A da CLT, de acordo com as razões a seguir aduzidas.

Dos pressupostos de admissibilidade

O recorrente está representado pelo advogado signatário, conforme procuração, às fls. __,
dos autos (ou anexa).

Finalmente, é de dizer-se que também se mostra satisfeito o pressuposto processual tocante à


tempestividade, pois respeitado o qüinqüídio legal.

Satisfeitos, então, os devidos pressupostos processuais de admissibilidade, merece ser


conhecido o recurso.

Considerando os efeitos modificativos dos presentes embargos, requer a intimação da parte


adversa para ofertar contra-razões, nos termos da OJ 142 da SDI-1 do TST.

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Das razões

A sentença impugnada deixou de examinar o pedido de indenização por dano moral,


privando o recorrente do seu direito à específica tutela jurisdicional.

Destarte, a sentença se encontra maculada pela omissão.

Deve ser espancado o vício, mediante o acolhimento dos presentes Embargos de


Declaração, para que o pedido seja apreciado.

Do pedido

Posto isto, requer sejam conhecidos e providos os presentes Embargos Declaratórios, para que
seja apreciado o pedido de indenização por dano moral.

Pede deferimento.
Município..., data...
Advogado..., OAB...

AGRAVO DE INSTRUMENTO

Recurso previsto no artigo 897 da CLT. Serve para atacar decisão denegatória de recurso, ou
seja, o recorrente utiliza o agravo de instrumento para tentar “destrancar” recurso não
conhecido.

A estrutura do agravo de instrumento é de suma importância. Para tanto, o bacharel deve


observar o § 5º do artigo 897 da CLT.

No processo do trabalho o agravo de instrumento é um recurso do tipo “próprio”, ou seja, é


interposto no juízo a quo, o qual exercerá o primeiro juízo de admissibilidade – vide Instrução
Normativa n. 16/99 do TST.

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O artigo 899 da CLT, que trata do depósito recursal, recebeu um novo parágrafo (§ 7º),
mediante a edição da Lei 12.275/2010, passando a exigir depósito recursal também em sede
de agravo de instrumento.

Só será exigível depósito recursal em sede de agravo de instrumento quando “o recurso que
estiver trancado também possuir depósito recursal”. Eis o novo parágrafo: Artigo 899, § 7o, CLT -
No ato de interposição do agravo de instrumento, o depósito recursal corresponderá a 50%
(cinquenta por cento) do valor do depósito do recurso ao qual se pretende destrancar.
(Incluído pela Lei nº 12.275, de 2010).

MODELO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DO TRABALHO DA ... VARA DO TRABALHO DE ...

Processo nº. ...

AGRAVANTE, nos autos qualificado, por seu advogado que esta subscreve, nos autos da
reclamação trabalhista relativa ao processo em epígrafe, em que contende com
AGRAVADO, já qualificado nos autos, vem, mui respeitosamente, à presença de Vossa
Excelência, interpor o cabível AGRAVO DE INSTRUMENTO, com fundamento no art. 897 da CLT,
de acordo com as razões ora expostas, no anexo memorial, demonstrando, desde logo, o
atendimento aos necessários pressupostos de admissibilidade.

DOS PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS

O recorrente está representado pelo advogado signatário, conforme procuração anexa.

Também se mostra satisfeito o pressuposto processual tocante à tempestividade, vez que


interposto o presente remédio dentro do octídio legal.

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Depósito recursal efetuado, mediante guia própria, no valor de 50% do depósito recursal do
recurso denegado, nos termos do artigo 899, § 7º, CLT. (Atenção! Pressuposto condicionado à
existência de depósito recursal no recurso principal).

Finalmente, o agravante vem informar que promoveu a devida formação do instrumento,


conforme a norma do artigo 897, § 5º, I, da CLT, encontrando-se em anexo as cópias da
decisão agravada, da certidão da respectiva intimação, das procurações outorgadas aos
advogados do agravante e do agravado, da petição inicial, da contestação, da decisão
originária, da comprovação do depósito recursal e do recolhimento das custas, quanto à
decisão agravada (observar se a decisão agravada exigia preparo).

Satisfeitos os pressupostos processuais de admissibilidade recursal.

Requer, então, que Vossa Excelência se digne conhecê-lo, se retratando da decisão, à luz da
IN 16 do TST.

Não se retratando, requer de Vossa Excelência o regular processamento do presente agravo,


para que o agravado seja intimado a apresentar contra-razões ao recurso denegado e ao
presente recurso, e que os uma vez conclusos, sejam remetidos ao TRT.

Pede deferimento.
Município..., data...
Advogado..., OAB...

(em outra lauda)

RAZÕES DO RECURSO

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COLENDA TURMA

NO MÉRITO

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O MM. Juiz a quo negou seguimento ao recurso ordinário com o fundamento de que o
pagamento das custas deveria ter sido comprovado no mesmo prazo da interposição do
recurso, o qual foi interposto no quinto dia a contar da intimação da decisão.

Ora, o artigo 789 da CLT prevê que as custas devem ser recolhidas e comprovadas no prazo
do recurso. In casu, o agravante teria até o oitavo dia para recolher e comprovar as custas, o
que de fato fez. Assim, foram cumpridos todos os requisitos para a interposição do recurso
ordinário, não podendo ser denegado o seu seguimento.

DO PEDIDO RECURSAL

Destarte, o presente agravo de instrumento deve ser conhecido e provido, para determinar o
seguimento do recurso ordinário, visando o exame da matéria ali contida, como medida de
inteira justiça.

Pede deferimento.
Município..., data...
Advogado..., OAB...

AGRAVO DE PETIÇÃO

O agravo de petição está previsto no artigo 897, a, §§ 1º, 3º e 8º, da CLT.

Trata-se de um recurso de natureza ordinária, ou seja, recurso que admite a devolução de


toda a matéria que foi discutida no juízo a quo, seja de fato, seja de direito.

Assim sendo, o agravo de petição tem a mesma natureza do recurso ordinário.

A diferença é que o recurso ordinário é usado na fase de conhecimento, enquanto que o


agravo de petição é usado na fase de execução.

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Cabe agravo de petição das decisões terminativas ou definitivas prolatadas na fase de
execução, como, por exemplo, as sentenças proferidas nas ações de embargos à execução,
de embargos de terceiro, de embargos à arrematação e de embargos à adjudicação.

Exemplo interessante: ação de embargos à execução arquivada por intempestividade (vide


prazo previsto no artigo 884 da CLT); a decisão retrata típica sentença terminativa, desafiando
agravo de petição (muitos ficam tentados a usar o agravo de instrumento; trata-se de um erro
grave, pois os embargos à execução têm natureza de ação, ou seja, não têm natureza
recursal; o agravo de instrumento só deve ser usado contra “decisões interlocutórias
denegatórias de seguimento a recursos”).

Observem o § 1º do artigo 897 da CLT – trata-se de verdadeiro pressuposto de admissibilidade


do agravo de petição, qual seja, a delimitação das matérias e dos valores discutidos no
recurso.

MODELO DE AGRAVO DE PETIÇÃO

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DO TRABALHO DA... VARA DO TRABALHO DE...

Processo nº. ...

NOME DO AGRAVANTE, já qualificado nos autos, por seu advogado, na ação de embargos à
execução, relativa ao processo em epígrafe, proposta contra NOME DO AGRAVADO,
também nos autos qualificado, vem, mui respeitosamente, à presença de Vossa Excelência,
interpor o cabível AGRAVO DE PETIÇÃO, com fundamento no art. 897, “a”, da CLT, face à
decisão proferida nos mencionados embargos, o que faz pelos motivos expostos no anexo
memorial, em demonstrando, desde logo, o atendimento aos necessários pressupostos de
admissibilidade.

DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE

1) O recorrente está representado pelo advogado signatário, conforme procuração anexa.

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2) Mostra-se tempestivo o recurso, interposto no octídio legal.
3) As matérias e os valores se encontram devidamente delimitados, nos termos do artigo 897, §
1º, da CLT.

Satisfeitos os devidos pressupostos processuais de admissibilidade recursal.

Requer o conhecimento do presente recurso e a intimação do recorrido para apresentar


contra-razões, nos termos do artigo 900 da CLT.

Requer, por fim, a remessa dos autos ao TRT.

Nestes termos,
Pede deferimento.
Município..., data...
Advogado..., OAB...

(em outra lauda)

RAZÕES DO RECURSO

AGRAVANTE:
AGRAVADO:
PROCESSO Nº. ...
ORIGEM:... VARA DO TRABALHO DE...

EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA... REGIÃO

EMÉRITOS JULGADORES

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Os cálculos foram homologados pelo juízo a quo, sendo, o agravante, citado, garantindo, no
prazo legal, a execução. Ingressou, tempestivamente, com ação de embargos à execução,
apontando, doutos julgadores, graves equívocos nos cálculos elaborados pela contadoria da
Vara do Trabalho, conforme se depreende da planilha em anexo.

Com efeito, as horas extras foram calculadas sem a exclusão dos dias comprovadamente não
trabalhados, em descompasso, inclusive, com o próprio título executivo judicial. Ademais, o
adicional aplicado foi o de 100%, quando, data vênia, deveria ser o de 50%, uma vez que não
existe base legal para a adoção daquele porcentual.

Mesmo diante dos equívocos, o juízo a quo preferiu julgar improcedentes os embargos à
execução.

Ora, inaceitável o ato, porquanto a diferença entre o valor homologado pelo juízo a quo e a
real dívida é de R$ 35.567,90, à luz da já citada planilha de cálculos (em anexo).

Temerária a atitude do juízo a quo, consagrando o enriquecimento sem causa, em claro


excesso de execução.

Requer, pois, a reforma sentença proferida em sede de embargos à execução, para que este
E. TRT exclua do quantum debeatur o excesso apontado.

Do pedido recursal

Isto posto, o recorrente roga, de logo, a esta Egrégia Corte, que conheça do presente recurso,
dando-lhe provimento e reformando a sentença, para que o excesso de execução seja
espancado, limitando a dívida ao valor de R$...

Pede deferimento.
Município..., data...
Advogado..., OAB...

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MANDADO DE SEGURANÇA
E
HABEAS CORPUS

Com a modificação da redação do art. 114 da Constituição Federal, em decorrência da


Emenda 45/2004, os procedimentos especiais passam a merecer uma atenção especial do
aluno.

A competência da Justiça Obreira abrange mandados de segurança, habeas corpus e


habeas data, quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição – inciso IV
do art. 114 da CF, inclusive as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos
empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho – inciso VII do art. 114 da
CF.

No Edital do Exame de Ordem encontramos o mandado de segurança e o habeas corpus.

MANDADO DE SEGURANÇA

A Constituição de 1988 consagra em seu texto o mandado de segurança, inclusive o coletivo.

O mandamus é concedido para “proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas
corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for
autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder
Público” – art. 5º, LXIX, da CF.

A Lei 12.016/2009 regula o mandado de segurança.

Não cabe mandado de segurança quando se tratar (artigo 5º da Lei 12.016/2009):

a) de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo,


independentemente de caução;

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b) de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo;
c) de decisão judicial transitada em julgado.

Não se trata de recurso, mas de ação!

O objeto é mandamental, em que o juiz determina à autoridade coatora o cumprimento


imediato da ordem, caso conceda a segurança perseguida.

Merece atenção especial o disposto no inciso VII do art. 114 da CF.

A petição inicial do mandado de segurança deverá atender aos requisitos do art. 282 do CPC,
contendo:

- o juiz ou tribunal a que é dirigida;


- a qualificação do impetrante;
- a autoridade coatora e a pessoa jurídica que esta integra, à qual se acha vinculada ou da
qual exerce atribuições;
- referência ao atendimento do prazo (120 dias) - tempestividade;
- os fatos e os fundamentos jurídicos do pedido;
- o pedido e suas especificações (incluindo o de concessão de liminar, na forma do artigo 7º
da Lei 12.016/2009);
- o requerimento de notificação da autoridade coatora, a qual terá 10 dias para apresentar
suas informações – artigo 7º, I, da Lei 12.016/2009;
- o requerimento de notificação do Ministério Público para opinar no prazo de 10 dias (artigo
12 da Lei 12.016/2009);
- os documentos que acompanham a petição;
- o valor da causa.

Considera-se autoridade coatora aquela que tenha praticado o ato impugnado ou da qual
emane a ordem para a sua prática. No caso de fiscalização do trabalho, se o auditor fiscal
praticar um ato arbitrário, ferindo direito líquido e certo do empregador, o mandado de

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segurança deverá apontar o Superintendente Regional do Trabalho como autoridade
coatora, já que o fiscal age por delegação, ou seja, a ordem emana daquela autoridade.

A parte poderá, na petição inicial, pedir a concessão de medida liminar, baseada no fumus
boni iuris e no periculum in mora.

O prazo para ajuizamento do mandamus é de 120 dias, contados da ciência do ato ilegal
praticado pela autoridade coatora, com natureza de “prazo decadencial”.

Não cabe condenação em honorários advocatícios na ação de mandado de segurança,


conforme artigo 25 da Lei 12.016/2009 e Súmula 512 do STF.

No processo do trabalho as decisões interlocutórias são irrecorríveis de imediato - § 1º do artigo


893 da CLT. O TST prevê três exceções na Súmula 214. Pois bem! Neste aspecto, ou seja, diante
de uma decisão interlocutória, surge, muitas vezes, como alternativa, o mandado de
segurança.

O próprio TST consagra hipóteses de mandamus exatamente pela incidência do princípio da


irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias. É o que acontece, por exemplo, na
antecipação de tutela. Se ela for concedida na sentença, não caberá mandado de
segurança, já que a sentença desafia recurso ordinário, o qual, em regra, será recebido
apenas no efeito devolutivo (artigo 899 da CLT), podendo, então, o recorrente, propor ação
cautelar como meio oportuno para obter efeito suspensivo (vide Súmula 414, I, do TST).

No caso de a tutela antecipada ser concedida liminarmente (antes da sentença), cabe,


segundo o TST, mandado de segurança, em face da inexistência de recurso próprio (Súmula
414, II, do TST).

Destacamos, ainda, a Súmula 417 do TST, a qual já foi objeto de prova prático-profissional de
exame de ordem. No inciso III da referida Súmula, o TST diz que em se tratando de execução
provisória, a determinação de penhora em dinheiro, quando nomeados outros bens à

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penhora, fere direito líquido e certo do executado, pois este tem direito a que a execução se
processe da forma que lhe seja menos gravosa, nos termos do artigo 620 do CPC.

Estudem as seguintes bases jurisprudenciais: Súmula 33 TST; OJ 99 SDI-2; OJ 92 SDI-2; Súmulas


414 a 418 TST; Súmula 405 TST; OJ 140 SDI-2; OJ 137 SDI-2; OJ 98 SDI-2 e OJ 63 SDI-2.

O mandado de segurança coletivo, na esfera trabalhista, pode ser impetrado por


organização sindical legalmente constituída – artigo 5º, LXX c/c XXI, b, in fine, da CF. Segundo
a jurisprudência do STF, tratando-se de mandado de segurança coletivo impetrado por
sindicato, é indevida a exigência de um ano de constituição e funcionamento, porquanto
esta restrição destina-se apenas às associações, nos termos do artigo 5º, XXI, b, in fine, da Lei
Maior. O objeto deve guardar pertinência temática, ou seja, poderá o sindicato agir em
defesa dos interesses de seus membros ou associados.

Não se deve confundir mandado de segurança coletivo com ação civil pública. Aquele se
destina apenas à proteção de direito líquido e certo contra ato ilegal ou abusivo de
autoridade, enquanto a ação civil pública protege, em face de qualquer pessoa ou
entidade, todas as modalidades de interesses ou direitos metaindividuais – difusos, coletivos ou
individuais homogêneos.

Modelo de Mandado de Segurança

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO


DA ... REGIÃO

IMPETRANTE, CNPJ..., endereço..., por seu advogado que esta subscreve, com procuração
anexa, vem, mui respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, impetrar MANDADO DE
SEGURANÇA contra o JUIZ DO TRABALHO DA VARA DO TRABALHO DE ..., com fundamento no
inciso LXIX do art. 5º c/c inciso IV do art. 114, todos da Constituição Federal, e, ainda com
fulcro na Lei 12.016/2009, de acordo com as razões abaixo elencadas.

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O impetrante foi surpreendido, durante audiência presidida pela autoridade coatora, por uma
decisão de antecipação de honorários periciais, no valor de R$ 3.000,00, contrariando a lei,
tomando ciência, o impetrante, da referida ordem, no dia ..., demonstrando, desde já, a
tempestividade do presente mandamus, protocolado, pois, dentro do prazo de 120 dias
previsto na Lei 12.016/2009.

O impetrante, diante do fato, por inexistir recurso específico para atacar a decisão, espera
seja concedida a segurança, para cassar a ordem arbitrária da autoridade coatora, a qual
feriu direito líquido e certo do impetrante, porquanto os honorários periciais devem ser pagos
pela parte sucumbente no objeto da perícia, ou seja, apenas no final, à luz do artigo 790-B
CLT.

A jurisprudência uniforme do TST respalda o presente writ, como se observa da OJ 98 da SDI-2.

Requer a concessão de liminar, antes da ouvida da autoridade coatora, considerando a


imposição de multa diária em caso de descumprimento da arbitrária decisão, à luz do artigo
7º da Lei 12.016/2009, uma vez presentes a fumaça do bom direito e o perigo da demora.

As provas dos fatos alegados encontram-se anexadas, requerendo, após a concessão da


liminar inaudita altera pars, a notificação da autoridade coatora para prestar informações em
dez dias, e, findado o prazo, a notificação do Ministério Público do Trabalho, para que o
mesmo opine sobre o caso – argúcia dos artigos 7ª, I e 12 da Lei 12.016/2009.

Acompanham a presente petição os documentos a seguir discriminados:

a) ata de audiência onde consta a ordem judicial de depósito prévio dos honorários periciais
no valor de R$ 3.000,00.

Espera, por fim, que a segurança seja concedida, para afastar a ordem ilegal e arbitrária
emanada da autoridade coatora.

Dá-se à causa o valor de R$ 3.000,00.

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Pede deferimento.
Município..., data...
Advogado..., OAB...

HABEAS CORPUS

O inciso LXVIII do art. 5º da Constituição Federal estabelece que “conceder-se-á habeas


corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em
sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder”.

O Habeas Corpus se encontra regulado pelos artigos 647 a 667 do Código de Processo Penal.

O remédio visa assegurar o direito de ir e vir do indivíduo.

Por força da nova redação do art. 114 (inciso IV), dada pela EC 45/2004, a Justiça do Trabalho
passou a ter competência para conhecer da ação.

Lembrem que a Justiça do Trabalho não tem competência criminal. Sendo assim, a única
prisão cabível no processo trabalhista seria a do depositário infiel.

Habeas Corpus não é recurso!

Modelo de Habeas Corpus

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA


... REGIÃO.

NOME DO ADVOGADO, Advogado, inscrito na OAB ... sob o n. ..., inscrito no CIC sob o n. ...,
com escritório profissional na Rua ..., Bairro ..., nesta cidade de ..., vem, mui respeitosamente, à
presença de Vossa Excelência, para impetrar HABEAS CORPUS em favor do paciente ...,

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(qualificação e endereço), com fundamento no artigo 5º, LXVIII c/c artigo 114, IV, da
Constituição Federal, pelos motivos de fato e de direito a seguir aduzidos.

O paciente encontra-se preso no presídio tal por ordem do MM. Juiz do Trabalho da ... Vara do
Trabalho de ..., sob a alegação de que é depositário infiel, conforme processo nº. ... Ocorre
que o bem que lhe foi confiado para depósito foi de fato vendido, porém o paciente pagou a
dívida ao reclamante ..., no dito processo, como comprova o recibo anexo. Sua prisão,
portanto, está maculada por inafastável arbitrariedade.

Se não bastassem os argumentos, vale ressaltar, ainda, a posição atual do STF de considerar
abusiva a prisão por dívidas, inclusive dos depositários, ante a incidência do Pacto da Costa
Rica, do qual o Brasil é signatário.

Requer o deferimento do Habeas Corpus, ordenando-se a imediata soltura do paciente,


inclusive com a concessão de medida liminar.

Protesta provar o alegado por dos os meios em direito admitidos.

Pede deferimento.
Município..., data...
Advogado..., OAB...

EMBARGOS DO DEVEDOR (OU EMBARGOS À EXECUÇÃO)

Os embargos do devedor, também chamados de embargos à execução (a CLT, no § 3º do


artigo 884, usa também a denominação “embargos à penhora”), têm natureza de ação
incidental ao processo de execução.

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A ação de embargos do devedor, portanto, não tem natureza de defesa ou de recurso, não
havendo que se pensar em prazo em quádruplo ou em dobro para a Fazenda Pública.

O prazo para a propositura é de 5 dias, a contar da garantia da execução (intimação da


penhora pelo oficial de justiça ou da data em que foi efetuado o depósito para a garantia da
execução). Logo, a garantia da execução é condição sine qua non para a admissibilidade
dos embargos, salvo para a Fazenda Pública, que é intimada para apresentar embargos.

Nos embargos do devedor não se pode discutir matéria anterior ao trânsito em julgado da
decisão, nem tampouco inovar a própria decisão.

Tem legitimidade para propor a ação – o devedor.

Quem propõe chama-se EMBARGANTE. Contra quem é proposta, EMBARGADO.

A matéria a ser discutida nos embargos à execução fica restrita aos itens do § 1º do art. 884
da CLT.

Há quem admita a aplicação subsidiária do CPC, especificamente as matérias elencadas no


artigo 741 do CPC.

A prescrição a que se refere o § 1º do art. 884 da CLT é a chamada “intercorrente”.

Prescrição intercorrente – É aquela que ocorre no curso da ação. Há muito se discute sobre a
admissibilidade dessa espécie de prescrição no processo do trabalho. Como a execução no
processo laboral é de ofício, não seria possível se pensar em prescrição intercorrente. O STF,
contudo, mediante a Súmula 327, decretou: “O Direito Trabalhista admite a prescrição
intercorrente”. Ocorre, contudo, que o TST trilhou caminho inverso, estatuindo, conforme a
Súmula 114, a inaplicabilidade na Justiça do Trabalho da prescrição intercorrente. O assunto
merece reflexão. Na fase de execução propriamente dita, não há dúvidas quanto à
inaplicabilidade da prescrição intercorrente, considerando que o magistrado tem o dever de
dar impulso, ex officio, à execução forçada. A conclusão encontra alicerce no artigo 40 da Lei

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6.830/80. Merece, por outro lado, ser citada a preciosa lição do mestre Manoel Antonio
Teixeira Filho, para o qual “em determinadas situações o juiz do trabalho fica tolhido de
realizar ex officio certo ato do procedimento, pois este somente pode ser praticado pela
parte, razão por que a incúria desta reclama a sua sujeição aos efeitos da prescrição
(intercorrente), sob pena de os autos permanecerem em um infindável trânsito entre a
secretaria e o gabinete do juiz, numa sucessão irritante e infrutífera de certificações e
despachos”.

O exemplo trazido à baila pelo ilustre doutrinador refere-se à fase de liquidação (fase
preparatória da execução). Na liquidação por artigos, negligenciando o credor no
atendimento ao despacho judicial que lhe ordenou a apresentação desses artigos, não há
que se pensar que caberia ao próprio juiz deduzir os artigos, substituindo um ato que caberia
tão-somente à parte. A solução, in casu, seria aguardar o decurso do prazo de dois anos (há
quem entenda ser de cinco anos o prazo – em decisão recente, o TST manteve uma decisão
do TRT da 5ª Região que aplicou a prescrição intercorrente de dois anos, exatamente em um
caso de liquidação por artigos). O devedor, a partir da fluência do lapso, poderia, em sede de
embargos do devedor, suscitar a prescrição intercorrente.

Tratando-se de execução por carta precatória, os embargos deverão ser oferecidos no juízo
deprecado e não no deprecante – artigo 20 da Lei 6.830/80. A competência para processar e
julgar os embargos do devedor, porém, é do juízo deprecante, salvo se os embargos versarem
sobre vícios ou irregularidades de atos do próprio juízo deprecado, o qual conhecerá apenas
dessas matérias – parágrafo único do artigo 20 da Lei 6.830/80.

Modelo de Embargos do Devedor

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DO TRABALHO DA ... VARA DO TRABALHO DE ...

Processo n° ____

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EMBARGANTE, qualificado nos autos do processo supra citado, por seu advogado que esta
subscreve, conforme procuração em anexo, vem, mui respeitosamente, à presença de Vossa
Excelência, propor AÇÃO DE EMBARGOS DO DEVEDOR, em face de EMBARGADO, também já
qualificado, com fundamento no art. 884 da CLT, de acordo com as seguintes razões.

Da tempestividade

O embargante foi intimado da penhora pelo oficial de justiça em ..., protocolando a petição
dos presentes embargos em ..., ou seja, dentro dos cinco dias que compõem o prazo legal
previsto no art. 884 da CLT. Logo, tempestiva a ação.

Da garantia da execução

Garantida a execução, conforme o auto de penhora de fls.

Da causa de pedir

O embargante entende excessiva a execução, na medida em que se encontra inserida nos


cálculos verba estranha ao título executivo judicial. Com efeito, o embargante foi condenado
a pagar horas extras e repercussões sobre o aviso prévio e o 13º salário proporcional, tão-
somente. Ocorre que a planilha de cálculos aponta as repercussões das horas extraordinárias
sobre férias + 1/3 e repouso semanal remunerado, reflexos não contemplados pela res
judicata. Logo, devem ser refeitos os cálculos.

Dos pedidos

Destarte, requer o refazimento dos cálculos, para excluir os reflexos das horas extras sobre as
férias + 1/3 e os repousos hebdomadários.

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos.

Pede Deferimento.

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Local e data.
Advogado – OAB (seguir as orientações do Exame de Ordem).

EMBARGOS DE TERCEIRO

São previstos nos artigos 1.046 a 1.054 do CPC.

Não se confundem com os embargos do devedor, pois estes têm por objetivo o desfazimento
do título executivo, enquanto naqueles não se discute essa matéria, mas a apreensão de bens
de pessoas que não pertencem à lide. Quem propõe embargos de terceiro é um terceiro,
senhor ou possuidor. Quem propõe embargos do devedor é o devedor.

Os embargos de terceiro têm natureza de ação (não são recurso ou defesa).

Podem ser propostos por terceiro senhor e possuidor ou apenas possuidor.

Terceiro é uma pessoa diferente daquelas que integram a lide.

“Quem, não sendo parte no processo, sofrer turbação ou esbulho na posse de seus bens por
ato de apreensão judicial, em casos como o de penhora, depósito, arresto, seqüestro,
alienação judicial, arrecadação, arrolamento, inventário, partilha, poderá requerer lhe sejam
manutenidos ou restituídos por meio de embargos”.

Esbulho é a perda da posse, enquanto que a turbação é a ameaça de perda da posse.

Podem ser opostos a qualquer tempo na fase de conhecimento, enquanto não transitada em
julgado a sentença. Na fase de execução, porém, poderão ser opostos até cinco dias depois
da arrematação, adjudicação ou remição, mas sempre antes da assinatura da respectiva
carta.

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A distribuição se fará por dependência – artigo 1.049 do CPC.

Súmula 419 do TST


Competência. Execução por carta. Embargos de Terceiro. Juízo deprecante. Na execução por
carta precatória, os embargos de terceiro serão oferecidos no juízo deprecante ou no juízo
deprecado, mas a competência para julgá-los é do juízo deprecante, salvo se versarem,
unicamente, sobre vícios ou irregularidades da penhora, avaliação ou alienação dos bens,
praticados pelo juízo deprecado, em que a competência será deste último.

Modelo de Embargos de Terceiro

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DO TRABALHO DA ... VARA DO TRABALHO DE ...

EMBARGANTE, por seu advogado que esta subscreve, com procuração em anexo, vem, mui
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, apresentar EMBARGOS DE TERCEIRO em
relação ao processo nº ..., pertinente à reclamação trabalhista movida por ... em face de ...,
ambos já qualificados nos autos do referido processo, com fulcro nos art. 1.046 e segs. do CPC,
de acordo com as razões a seguir expostas.

O embargante é proprietário do imóvel tal, conforme faz prova a escritura em anexo. Como
se vê, a transferência do bem se deu antes mesmo da propositura da reclamação trabalhista
em questão, ou seja, não integrava mais o patrimônio da reclamada. Assim, a constrição que
recaiu sobre o mesmo, como demonstra o Auto de Penhora em anexo, se torna injusta, na
medida em que invade bem de terceiro, estranho ao litígio, ferindo o pleno direito de
propriedade.

Isto posto, vem requerer o imediato levantamento da penhora, livrando o citado bem da
injusta constrição, esperando que Vossa Excelência julgue procedente a postulação.

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Requer, ainda, a notificação dos embargados, para que, em dez dias, ofereçam resposta, sob
pena de revelia.

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos.

Dá à causa o valor de R$ (valor da avaliação).

Pede Deferimento.
Local e data.
Advogado – OAB (seguir as orientações do Exame de Ordem).

MEDIDAS CAUTELARES ESPECÍFICAS

1 – Arresto.
2 – Sequestro.
3 – Produção antecipada de provas.
4 – Atentado.

Lembrem que são pressupostos específicos da ação cautelar o fumus boni iuris e o periculum
in mora.

A medida cautelar pode ser intentada antes ou no curso do processo principal.

Não esqueçam do “poder geral de cautela do juiz” – art. 798 do CPC.

As medidas cautelares serão requeridas ao juiz da causa e, quando preparatórias, ao juiz


competente para conhecer da ação principal – artigo 800 do CPC.

Interposto recurso, a medida cautelar será requerida diretamente ao tribunal, salvo no caso do
atentado – parágrafo único do artigo 800 do CPC.

A petição inicial deverá conter:

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- a autoridade judiciária a que for dirigida;
- o nome, estado civil, profissão e residência do requerente e requerido;
- a lide e seus fundamentos;
- a exposição sumária dos direito ameaçado e o receio de lesão;
- as provas que serão produzidas.

ARRESTO

Importante a diferenciação de arresto e seqüestro.

Arresto – incide sobre bens alheios à obrigação, ou seja, quaisquer bens, com o objetivo de
assegurar o cumprimento de futura condenação.

Seqüestro – recai sobre os bens que constituem objeto da obrigação.

“Se o empregador está tentando alienar seus bens para não pagar futuras dívidas trabalhistas,
deve o empregado ajuizar o arresto visando a garantia da execução”.

O art. 813 do CPC diz quando cabível a medida cautelar de arresto.

Modelo de Arresto

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ PRESIDENTE DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA ___


REGIÃO.

Processo nº. ____________.

___________, qualificação e endereço, por seu advogado que esta subscreve, com
procuração nos autos, vem, mui respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, ajuizar
ARRESTO em face de ____________, já qualificado nos autos, com base nos artigos 800, 813 e
814 do CPC, de acordo com os motivos a seguir expostos.

Exame de Ordem – OAB 2ª Fase 2010.2 – Área Trabalhista 81/124


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Da competência funcional

O requerente já teve julgado seu processo contra o requerido, encontrando-se em grau de


Recurso Ordinário. Sendo assim, à luz da norma do Parágrafo único do art. 800 do CPC, é
competente este Regional para conhecer da presente medida cautelar.

Da causa de pedir

O requerido colocou à venda o imóvel em que se acha estabelecida a empresa, sem reservar
outros bens capazes de garantir a futura execução. Caso não seja deferida a presente
medida, o requerido provavelmente nada receberá, esvaziando-se o processo. Indubitável a
presença dos pressupostos específicos: a fumaça do bom direito e o perigo da demora.

Do pedido

Destarte, com fulcro na norma do artigo 813, III, do CPC, requer a concessão do arresto do
referido bem.

Protesta provar o alegado por todos os meios permitidos em direito.

Dá à causa o valor de R$ __________.

Pede Deferimento.
Local e data.
Advogado – OAB (seguir as orientações do Exame de Ordem).

SEQÜESTRO

O seqüestro, ao contrário do arresto, não incide sobre “bens para garantir a dívida”, mas sobre
o bem objeto do litígio. Tem por fim evitar que o bem desapareça ou pereça.

Exame de Ordem – OAB 2ª Fase 2010.2 – Área Trabalhista 82/124


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A doutrina cita alguns exemplos: a) as ferramentas do empregado que ficaram em poder do
empregador; b) o veículo que ficava à disposição do empregado.

O art. 822 do CPC diz quando cabível a medida de seqüestro.

Modelo de Sequestro

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DO TRABALHO DA ____ VARA DO TRABALHO DE _____________.

_____________, (qualificação e endereço), por seu advogado que esta subscreve, com
procuração anexa, vem, mui respeitosamente, à presença de Vossa Excelência interpor
medida cautelar de SEQÜESTRO em face de _____________, (qualificação e endereço), com
fulcro no artigo 822, I, do CPC, de acordo com as razões a seguir expostas.

O requerido foi empregado do requerente no período tal, exercendo a função de vendedor,


utilizando veículo fornecido pela empresa, estritamente para o uso em serviço. Findado o
pacto, o requerido não devolveu o veículo, cujo documento se encontra anexo. A retenção
injusta do bem vem causando sérios transtornos ao requerente, além de colocar em risco o
próprio bem, o qual se deprecia a cada dia, pois há notícias de que o requerido vem
utilizando-o no novo trabalho. Presentes os pressupostos específicos da fumaça do bom direito
e do perigo da demora. Caso não seja deferida a presente medida, o processo principal
correrá o risco de ser esvaziado.

Sendo assim, com base no art. 822, I, do CPC, requer a concessão do seqüestro do veículo
que se encontra em poder do requerido, independentemente de audiência prévia.

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos.

Dá à causa o valor de R$ __________.

Pede Deferimento.
Local e data.

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Advogado – OAB (seguir as orientações do Exame de Ordem).

PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS

A produção antecipada da prova pode consistir em interrogatório da parte, inquirição de


testemunhas e exame pericial. O requerente deve justificar sumariamente a necessidade da
antecipação, mencionando com precisão os fatos sobre os quais recairá a prova. O art. 847
do CPC diz quando cabível a antecipação do interrogatório ou da inquirição testemunhal.

Modelo de Produção Antecipada de Provas

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DO TRABALHO DA ____VARA DO TRABALHO DE ______________.

_____________, nacionalidade, estado civil, profissão e residência, por seu advogado que esta
subscreve, conforme procuração em anexo, vem, mui respeitosamente, à presença de Vossa
Excelência, propor medida cautelar de PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS em face de
____________, (qualificação e endereço), com fulcro nos artigos 846 e 847, II, do CPC, de
acordo com as razões a seguir aduzidas.

O requerente pretende ajuizar reclamação trabalhista em desfavor do requerido, pedindo


horas extras e adicional de transferência, considerando que laborava das 08h00min às
19h00min, de segunda a sábado, com uma hora de intervalo intrajornada, sem jamais ter
recebido qualquer contraprestação pelo serviço extraordinário. Além disso, foi transferido
provisoriamente para a cidade de Fortaleza/CE, laborando naquela localidade por sete
meses, sem que lhe fosse pago o respectivo adicional.

Ocorre que sua principal testemunha, _______________________, residente à Rua ______________,


se encontra gravemente enferma, acometida de neoplasia maligna, já desenganada, como
se observa do atestado médico que segue anexo, porém, ainda em condições de prestar
depoimento. Caso não seja ouvida de imediato, talvez não possa prestar seu testemunho no
futuro.

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Presentes os pressupostos específicos da fumaça do bom direito e do perigo da demora.

Assim, requer se digne Vossa Excelência determinar a imediata colheita da prova


testemunhal, designando a intimação e a oitiva da testemunha no Hospital _____________,
quarto ____.

Pede Deferimento.
Local e data.
Advogado – OAB (seguir as orientações do Exame de Ordem).

ATENTADO

Dá-se o atentado quando a parte no curso do processo:

a) viola penhora, arresto, seqüestro ou imissão de posse;


b) prossegue em obra embargada;
c) pratica qualquer outra violação ilegal no estado de fato.

Para a ocorrência do atentado é preciso que haja um processo pendente em juízo.

O atentado será processado e julgado pelo juiz que conheceu originalmente da causa
principal, ainda que esta se encontre no tribunal – Parágrafo único do art. 880 do CPC.

Modelo de Atentado

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DO TRABALHO DA ____VARA DO TRABALHO DE ____________.

Processo nº. _____________.

_____________, já qualificado nos autos, por seu advogado que esta subscreve, com
procuração nos fólios, vem, mui respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor

Exame de Ordem – OAB 2ª Fase 2010.2 – Área Trabalhista 85/124


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medida cautelar de ATENTADO em face de ____________, também nos autos qualificado, com
fulcro no artigo 879, I, do CPC, de acordo com as razões a seguir aduzidas.

O requerido ficou como depositário dos bens arrestados, como se verifica às fls. ___, dos autos.
Ocorre que a empresa está retirando o maquinário arrestado do estabelecimento, levando-o
para destino ignorado.

Assim, com base no artigo 879, I, do CPC, requer a Vossa Excelência que o requerido se
abstenha de praticar tais atos ilegais, mantendo os bens no estabelecimento.

Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos.

Pede Deferimento.
Local e data.
Advogado – OAB (seguir as orientações do Exame de Ordem).

AÇÕES POSSESSÓRIAS

As ações possessórias estão previstas nos artigos 920 a 933 do CPC.

São elas:

a) Ação de reintegração de posse.


b) Ação de manutenção de posse.
c) Interdito proibitório.

A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ações possessórias, desde que o
litígio seja oriundo de uma relação de trabalho.

A Súmula Vinculante nº 23 diz que a Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar
ação possessória ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve pelos
trabalhadores da iniciativa privada.

Exame de Ordem – OAB 2ª Fase 2010.2 – Área Trabalhista 86/124


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É o caso de iminente ameaça de ocupação do estabelecimento patronal pelos grevistas.

Outro caso bastante interessante é aquele pertinente a um imóvel cedido pelo empregador
ao empregado, com previsão para a desocupação após a extinção do contrato de trabalho.
Digamos que, uma vez extinto o contrato, o empregado não queira desocupar o imóvel da
empresa. Qual seria a ação a ser proposta contra o ex-empregado?

Resposta: ação de reintegração de posse.

O segredo está na diferenciação entre TURBAÇÃO e ESBULHO, pois, como reza o artigo 926 do
CPC, no caso de turbação, o possuidor tem direito a ser mantido na posse (deve usar a ação
de manutenção de posse), enquanto que no caso de esbulho, o possuidor tem direito a ser
reintegrado na posse (deve propor a ação de reintegração de posse).

Tanto a turbação como o esbulho são “perturbações à posse”, ou seja, o possuidor esbulhado
ou turbado está sofrendo uma “inquietação” em sua posse.

ESBULHO – Trata-se de uma violação que leva à perda da posse, como, por exemplo, aquele
caso em que o ex-empregado não desocupa o imóvel cedido pelo empregador. O esbulho
também pode se caracterizar por uma injusta invasão. Observem que o esbulhado tinha, em
determinado momento, a posse do bem, mas, diante de alguma circunstância, terminou
perdendo-a. Daí o nome da ação: reintegração (retorno ao status quo ante).

TURBAÇÃO – Diferentemente do esbulho, a turbação é uma “perturbação” da posse sem a


perda desta, desafiando a ação de manutenção de posse.

(*) Há uma ação chamada Imissão de Posse. Ela só deve ser usada quando o autor pleitear a
posse de um bem do qual jamais foi possuidor. Exemplo: uma pessoa arremata um
determinado bem imóvel em hasta pública (praça ou leilão), mas o executado se nega a
desocupar o imóvel arrematado. A ação a ser proposta pelo arrematante é a Ação de
Imissão de Posse.

Exame de Ordem – OAB 2ª Fase 2010.2 – Área Trabalhista 87/124


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E o interdito proibitório?

O interdito está previsto no artigo 932 do CPC, tendo natureza de ação preventiva,
exatamente para evitar a perda da posse, diante da verossimilhança (fumaça do bom direito)
de iminente agressão à posse. Já foi, por um tempo, confundida com a ação cautelar, diante
da grande semelhança, mas hoje é pacífico o entendimento de que se trata de ação
antecipatória da própria tutela. O interdito proibitório leva ao requerimento de expedição de
um mandado proibitório, exatamente para proibir que o ato (invasão/ocupação) seja
praticado pelo réu. O exemplo clássico é aquele explorado na Súmula Vinculante nº 23.

O empregado pode propor uma ação possessória?

Sim.

Exemplo: empregado que recebeu um carro como parte do salário, ou seja, como salário in
natura. O carro passa a ser seu (salário). Caso o empregador esteja turbando ou esbulhando a
sua posse, poderá propor a ação possessória na Justiça do Trabalho, inclusive o interdito
proibitório.

MODELO DE AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DO TRABALHO DA... VARA DO TRABALHO DE...

NOME DO AUTOR, qualificação e endereço, por seu advogado, com procuração em anexo,
vem, mui respeitosamente, à presença de VOSSA EXCELÊNCIA propor a presente AÇÃO DE
REINTEGRAÇÃO DE POSSE em desfavor de NOME DO RÉU, qualificação e endereço, com
fulcro nos artigos 920 a 931 do CPC e 114 da CF, pelos motivos fáticos e de direito que passa a
expor:

O autor cedeu um imóvel para que o réu ali residisse durante a vigência do contrato de
trabalho, como demonstram os documentos em anexo. Ocorre que o réu foi dispensado, sem

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justa causa, no dia..., não desocupando, até o momento, o imóvel, deixando, com isso, de
cumprir o acordado. Absurda, pois, a sua resistência, esbulhando, assim, a legítima posse do
autor.

Vale ressaltar que o autor não poupou esforços no sentido de persuadir o réu a desocupar o
imóvel, de forma amigável.

É de bom alvitre ressaltar que o autor está necessitando, com urgência, do referido imóvel,
uma vez que precisa acomodar outros empregados.

Sendo o esbulho à posse de menos de ano e dia (VERIFICAR SE HÁ ELEMENTOS NA QUESTÃO),


requer que lhe seja expedido o competente mandado de reintegração mediante liminar
inaudita altera pars, nos termos dos artigos 924 e 928 do CPC.

Assim sendo, requer:

a) A reintegração na posse de seu imóvel, com a concessão de mandado reintegratório


liminar, sem audiência da parte contrária, a não ser que, em sua alta sabedoria, o
nobre juiz entenda necessária justificação prévia.
b) A citação do réu para ofertar resposta, sob as penas da lei.
c) A aplicação da sanção prevista no artigo 921 do CPC.
d) A procedência dos pedidos, com a condenação do réu nas custas processuais e em
honorários advocatícios à razão de 20%.

Protesta provar o alegado por todos os meios admitidos em direito.

Dá-se à causa o valor de R$...

Pede deferimento.
Local..., data...
Advogado... OAB...

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MODELO DE INTERDITO PROIBITÓRIO

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DO TRABALHO DA... VARA DO TRABALHO DE...

NOME DO AUTOR, qualificação e endereço, por seu advogado, com procuração em anexo,
vem, mui respeitosamente, à presença de VOSSA EXCELÊNCIA propor a presente AÇÃO DE
INTERDITO PROIBITÓRIO em desfavor de NOME DO RÉU, qualificação e endereço, com fulcro
nos artigos 932 e 933 do CPC e 114 da CF, pelos motivos fáticos e de direito que passa a expor:

O autor, diante da greve que se anuncia, já deflagrada pela categoria profissional, teme a
invasão do seu estabelecimento, considerando o acirramento dos ânimos, decorrente da
“campanha de guerra” alardeada pelo sindicato, ora réu.

Basta, para tanto, observar os documentos ora colacionadas, incluindo reportagens


veiculadas na imprensa, quando, em entrevista, o presidente do sindicato réu disse que “os
trabalhadores iriam invadir a empresa, ali acampando até que as exigências fossem
atendidas”.

Assim sendo, nos termos do artigo 932 do CPC, assiste ao autor o direito de obter mandado
que o livre do perigo iminente.

Destarte, vem requerer:

a) A expedição do mandado proibitório contra a ameaça, cominando ao réu a pena de


R$... para o caso de transgredir o preceito, à luz dos artigos 928 e 933 do CPC.
b) A citação do réu para responder aos termos da presente ação, sob as penas da lei.
c) Seja julgado procedente o pedido, condenando o réu nas custas e em honorários
advocatícios de 20%.

Protesta provar o alegado por todos os meios admitidos em direito.

Dá-se à causa o valor de R$...

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Pede deferimento.
Local..., data...
Advogado... OAB...

PEÇAS DE EXAMES ANTERIORES

No final de cada aula, o professor indicará quais peças devem ser elaboradas pelos alunos,
sempre com data de entrega correspondente à aula imediatamente subsequente, onde algumas
serão corrigidas em sala, mediante a entrega do “espelho de correção”.

Observem as instruções contidas na última prova do CESPE:

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PEÇA 01
Fábio trabalhava desde agosto de 2001 para a pessoa jurídica Zeta, exercendo a função de
auxiliar administrativo, no cargo de supervisor de contas nível A. Em maio de 2006, atendendo
a interesses da empresa, Fábio foi remanejado para o cargo de encarregado de recebimento
de mercadorias, com a mesma remuneração. Na nova função, Fábio passou a supervisionar a
carga e descarga de caminhões dos fornecedores da empresa Zeta. Na época, Fábio gostou
da mudança, a qual lhe deu a oportunidade de aprender novas rotinas. É importante ressaltar
que o cargo de supervisor de contas possui plano de carreira, para o qual o empregado sobe
um nível a cada cinco anos de tempo de serviço na função, com acréscimo de 50% do valor

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total da remuneração do cargo anterior, enquanto o cargo de encarregado de recebimento
de mercadorias não possui plano de carreira. Em janeiro de 2009, Fábio foi demitido sem justa
causa, recebendo todos os seus direitos trabalhistas com base na remuneração de
encarregado de recebimento de mercadorias, tendo sido o termo de rescisão devidamente
homologado no respectivo sindicato da categoria.
Considerando a situação hipotética apresentada, elabore, na condição de advogado de
Fábio, a peça processual cabível, pleiteando o que julgar de direito.

PEÇA 02
Marina José da Silva, brasileira, casada, residente na Avenida Acre n. 30, Centro, nesta
Capital, foi admitida como empregada das Casas Ramos Ltda., estabelecida nesta Cidade,
na Rua Libero Badaró, n. 1530, Centro, em 12 de março de 1998, no cargo de secretária, com
carga horária semanal de 44 horas. Inobstante estar no segundo mês de gestação, teve seu
contrato de trabalho rescindido no dia 10 de dezembro de 2009. Seu último salário foi de R$
700,00 por mês. Depois de dezoito dias da dispensa, recebeu as verbas rescisórias. Fazia
habitualmente 20 horas extras por mês, sem, contudo, receber a contraprestação pecuniária
correspondente.
Em face do relato hipotético acima, redija, na condição de advogado legalmente constituído
de Marina, a peça processual correspondente.

PEÇA 03
Alberto foi contratado por uma empresa de prestação de serviços de informática, na função
de técnico, para trabalhar em favor de um grande banco privado. Depois de dois anos, ao
verificar que seu salário não recebera o mesmo reajuste concedido a um colega admitido na
mesma data, procurou um advogado para dar início a ação na justiça do trabalho com o
objetivo de cobrar as diferenças salariais resultantes da aplicação do índice de reajuste
concedido ao colega, além de seus reflexos. Antes mesmo de ingressar em juízo, a intenção
de Alberto chegou ao conhecimento do empregador, que o convocou para uma reunião,
realizada na presença de outros empregados. Ao ser inquirido acerca de sua intenção de
processar a empresa, Alberto confirmou seu propósito e alegou que se sentia preterido e
injustiçado, já que sempre cumprira suas funções com o mesmo ânimo que o colega
beneficiado. Após o encerramento da reunião, Alberto, firme em sua decisão de ingressar

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com reclamação trabalhista, o que fez logo na semana seguinte, passou a ser alvo de
desprezo por parte de seus superiores, que começaram a ignorá-lo e reduzir substancialmente
suas atribuições, a ponto de o deixarem sem qualquer atividade durante mais de dois meses.
Nesse período, comparecia diariamente ao trabalho, ali permanecendo sem executar
nenhuma tarefa, o que passou a chamar a atenção de todos. Essa situação permaneceu
inalterada por mais de um mês, quando Alberto não mais suportou e procurou seu advogado
para que fossem adotadas as medidas legais cabíveis.
Em face do relato hipotético acima, redija, na condição de advogado de Alberto, a peça
correspondente.

PEÇA 04
Sob a alegação de que os empregados estariam subtraindo produtos farmacêuticos de uma
de suas fábricas, a diretoria da empresa Delta Indústria Farmacêutica Ltda. determinou a
realização de revista íntima diária em todos os empregados, inclusive das mulheres. Maria,
empregada na empresa há cinco anos, recusou-se a despir-se diante da supervisora do setor,
que era, naquele momento, responsável pela revista íntima das mulheres. Visando a não
favorecer movimento generalizado dos trabalhadores contra deliberação patronal, a empresa
resolveu, como medida educativa, demitir Maria por justa causa, argüindo ato de indisciplina e
de insubordinação. Segundo argumentou a empresa, o procedimento de revista íntima
encontraria suporte no poder diretivo e fiscalizador da empresa, além de constituir medida
eficaz contra o desvio de medicamentos para consumo sem o devido controle sanitário.
Considerando a situação hipotética apresentada, na qualidade de advogado constituído por
Maria, redija a medida judicial mais apropriada para defender os interesses de sua cliente.
Fundamente a peça processual com toda argumentação que entenda cabível.

PEÇA 05
Brasão trabalhou na empresa Santa Cruz no período de 10 de janeiro de 1991 a 30 de abril de
2009, quando foi demitido sem justa causa, sendo o seu último salário no valor de R$ 1.000,00,
inexistindo adicionais ou gratificações. Trabalhava em turnos distintos, cumprindo, em uma
semana, jornada das 6h às 14h, e, na semana imediatamente subsequente, jornada das 14h
às 22h, revezando, assim, semanalmente, o turno, sempre com intervalo de 30 minutos para
refeição e descanso. Sua jornada nunca ultrapassou 8h, tampouco a carga semanal superou

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44h. Trabalhava na função de caldeireiro, em contato com substâncias inflamáveis, sem
nunca ter recebido qualquer equipamento de proteção individual (EPI). Quando dispensado,
percebeu as verbas rescisórias, e sua quitação foi homologada no sindicato.
Na qualidade de advogado de Brasão, apresente a medida cabível.

PEÇA 06
Aldair procurou assistência de profissional da advocacia, relatando que fora contratado, em
1.º/10/2008, para trabalhar como frentista no Posto Régis e Irmãos, em Camboriú – SC, e
imotivadamente demitido, em 26/2/2010, sem prévio aviso. Afirmou estar desempregado
desde então. Relatou que recebia remuneração mensal no valor de R$ 650,00, equivalente ao
piso da categoria, acrescido do adicional de periculosidade, legalmente previsto. Afirmou ter
usufruído férias pelo primeiro período aquisitivo e acusou recebimento de décimos terceiros
salários relativos a 2008 e 2009. Salientou o empregado que laborava de segunda a sexta-
feira, das 22 h 00 min às 7 h 00 min, com uma hora de intervalo intrajornada. Informou, ainda, o
trabalhador que, no dia de seu desligamento, o representante legal da empresa chamara-o,
aos berros, de "moleque", sem qualquer motivo, na presença de diversos colegas de trabalho
e clientes. Relatou Aldair que tal conduta patronal o constrangera sobremaneira, alegando
que, até então, nunca havia passado por tamanha vergonha e humilhação. Pontuou
também que as verbas rescisórias não foram pagas, apesar de a CTPS ter sido devidamente
anotada no ato de sua admissão e demissão. Informou que o posto fora fechado em
1.º/3/2010, estando seus proprietários em local incerto e não sabido.
Em face dessa situação hipotética, na condição de advogado constituído por Aldair, redija a
peça processual cabível à defesa dos interesses de seu cliente, apresentando toda a matéria
de fato e de direito pertinente ao caso.

PEÇA 07
Marcelo Santos, brasileiro, solteiro, portador da CTPS 2.222 e do CPF 001.001.001-01, residente e
domiciliado na rua X, casa 1, Cidade Nova, funcionário da empresa Chuva de Prata Ltda.
desde 20 de abril de 2000, exercia função de vigia noturno, cumprindo jornada de trabalho
das 19h às 7h do dia seguinte, e, em razão do trabalho noturno, recebia o respectivo
adicional. A partir de 20/12/2006, a empresa, unilateralmente, determinou que Marcelo
trabalhasse no período diurno, deixando de pagar ao funcionário o respectivo adicional. Em

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setembro de 2007, Marcelo foi eleito membro do conselho fiscal do sindicato de sua categoria
profissional. Em 5 de janeiro de 2008, a empresa Chuva de Prata Ltda. demitiu Marcelo sem
justa causa e efetuou o pagamento das verbas rescisórias devidas. Marcelo ingressou com
uma Reclamação Trabalhista contra a empresa, pleiteando, além de sua imediata
reintegração, sob o argumento de que gozada da estabilidade provisória prevista no Art. 543,
p. 3º, CLT e 8º, VIII, da CF, o pagamento do adicional noturno que recebera ininterruptamente
por 5 anos, bem como a nulidade da alteração de sua jornada.
Na condição de advogado da empresa Chuva de Prata Ltda. redija a peça processual
adequada à situação hipotética apresentada, expondo os fundamentos legais pertinentes e
o entendimento da jurisprudência do TST a respeito do fato.

PEÇA 08
Carmem trabalhou na empresa Toda Chique no período de 17 de janeiro de 1990 a 25 de abril
de 2009, quando foi demitida sem justa causa. Trabalhava na função de vendedora,
prestando contas quinzenalmente à empresa, mediante o envio, por fax, do respectivo
relatório de vendas, possuindo um cadastro de clientes que abrangia as cidades de Recife,
Caruaru, Petrolina, Salgueiro, Palmares, entre outras. Percebia remuneração por comissão
sobre vendas, no percentual de 2%, sem parte fixa, atingindo, mensalmente, a média de R$
5.000,00. Quando dispensada, recebeu todas as verbas rescisórias, sendo o termo de rescisão
homologado no sindicato. Nas anotações gerais de sua CTPS sempre constou o seguinte
registro: “trabalhador externo”. Carmem propôs reclamação trabalhista pleiteando horas
extras, alegando que cumpria jornada exaustiva, bem superior àquela prevista na
Constituição Federal, fixando uma média de 4 horas extraordinárias por dia.
Citada, a empresa Toda Chique lhe contratou como advogado. Apresente a peça processual
cabível.

PEÇA 09
Geraldo Silva, gerente geral do Banco Dólar S/A desde o ano de 1999, trabalhou, inicialmente,
gerenciando a Agência Consolação, localizada na cidade de São Paulo/SP, quando, sete
anos depois, foi transferido para a Agência Caruaru, situada na cidade de Caruaru/PE, então
recém inaugurada, sendo o primeiro gerente geral na referida agência, recebendo salário
mensal de R$ 8.000,00, composto de uma parte fixa de R$ 5.000,00 e uma gratificação

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gerencial de R$ 3.000,00. Quando de sua transferência, Geraldo Silva vendeu o seu
apartamento em São Paulo, comprando uma bela casa em Caruaru, passando a residir nesta
cidade com toda a sua família. Em outubro de 2009, Geraldo Silva aderiu ao PDV (Plano de
Demissão Voluntária) lançado pelo Banco, recebendo uma considerável indenização, com a
qual terminou comprando um hotel fazenda em Gravatá/PE. No termo de adesão ao PDV
foram quitadas as seguintes verbas: férias + 1/3, saldo de salário, 13º salário proporcional,
indenização por despedida arbitrária, FGTS e indenização especial. Em janeiro de 2010,
Geraldo Silva ingressou com reclamação trabalhista na cidade de Caruaru/PE, pleiteando
adicional de transferência de 25%, retroativo à data de sua transferência de São Paulo/SP,
além de horas extras, pelo fato de laborar, segundo ele, em notória sobrejornada,
devidamente acrescidas do adicional de 50%, com repercussão nas demais verbas
trabalhistas, inclusive nos sábados e domingos, dias considerados como de repouso semanal
remunerado.
Na condição de advogado contratado pelo Banco Dólar S/A, elabore a peça processual
cabível, levando em conta que a audiência está marcada para o mês de março de 2010.

PEÇA 10
Lauro, representante legal da empresa Rápido Distribuidora de Alimentos Ltda., procurou
auxílio de profissional de advocacia, ao qual relatou ter sido citado para manifestar-se a
respeito de reclamação trabalhista ajuizada por ex-empregado que desenvolvia a função de
vendedor externo da empresa. Disse que o vínculo empregatício em questão ocorrera entre
17/3/2000 e 15/12/2009. A contrafé apresentada por seu interlocutor demonstra, além da data
de propositura da demanda (12/3/2010), a elaboração de pedido de pagamento de horas
extraordinárias por todo o liame empregatício, dada a alegação de prestação de serviços
das 8 h às 20 h, de segunda-feira a sexta-feira. Também estão relatados descontos efetuados
no salário do empregado, relativos a multas de trânsito a ele atribuídas quando em uso de
veículo da empresa na realização de seu mister. Em face disso, o empregado requereu a
devolução dos valores deduzidos do salário, alegando que tais penalidades são ínsitas ao risco
da atividade econômica a cargo do empregador. Lauro apresentou contrato de trabalho
firmado entre as partes, no qual constam a data de contratação, a função que deveria ser
exercida, o valor salarial pactuado e a forma de responsabilização do empregado quanto
aos danos que viessem a ser praticados, por culpa ou dolo deste, no uso do veículo da

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empresa. Apôs a fotocópia da CTPS e a folha de registro do empregado reclamante, na qual
constam as informações do contrato, excetuando-se a informação concernente ao uso de
veículo da empresa. Apresentou, ainda, multas de trânsito que demonstram ter sido o
empregado flagrado, por três vezes, conduzindo veículo a 100 km/h em vias em que a
velocidade máxima permitida era de 60 km/h. Considerando essa situação hipotética, redija,
na condição de advogado(a) contratado(a) pelo empregador, a peça processual
adequada aos interesses de seu cliente.

PEÇA 11
Em 02 de janeiro de 2002, José foi contratado em Belo Horizonte – MG pela empresa Apolo
Indústria e Comércio Ltda., para prestar serviços em Porto Alegre – RS. Por sua vez, a empresa
dispensou José imotivadamente em 04 de abril de 2004, quando este trabalhava em Cuiabá –
MT. Em 18 de fevereiro de 2005, José ingressou com ação trabalhista perante a 1ª Vara do
Trabalho de Vitória – ES postulando seus consectários legais, posto que lá passou a residir.
Como advogado da empresa Apolo Indústria e Comércio Ltda., sabendo que esta não possui
filial, nem tampouco qualquer atividade comercial no Estado do Espírito Santo, proponha a
medida legal cabível.

PEÇA 12
João da Silva, representante comercial, registrado no CORCESP, prestou serviços durante 05
(cinco) anos para determinada empresa, sendo que por exigência da representada, firmou,
no início da pactuação, um “contrato de agência”, com fundamento nos arts. 710 e segs. Do
Código Civil. Trabalhou com exclusividade para referida empresa, era supervisionado,
elaborava relatórios diários e cumpria ordens que implicavam subordinação jurídica.
Rescindido o contrato por ato da empresa, sem qualquer justificativa, nada foi pago ao
representante. Este ajuizou reclamação perante a Justiça do Trabalho, sendo que a peça
vestibular formulava pedidos sucessivos: a)- em primeiro lugar, o reconhecimento de que a
relação jurídica era, de fato, ante o princípio da primazia da realidade, um contrato de
trabalho nos moldes do que dispõe a CLT e, pois, a anotação do tempo de serviço na CTPS, o
pagamento de todos os conseqüentes daí derivados, inclusive as chamadas verbas rescisórias;
b)- sucessivamente, ad argumentandum, se porventura não se reconhecesse o vínculo
empregatício, pleiteava que a empresa fosse condenada nos direitos decorrentes da Lei

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4.886/65, em especial, indenização e aviso prévio. O Juízo indeferiu liminarmente a inicial,
fundamentando-se em incompetência em razão da matéria e, ademais, entendendo inepta
a inicial por formular pedidos sucessivos. Como advogado do Recte., apresente a medida
processual cabível, sustentando, fundamentadamente, a viabilidade do pedido como
formulado.

PEÇA 13
Luiz ajuizou ação reclamatória contra a empresa A, distribuída à 1ª vara do trabalho de
Formosa - GO, pertencente à 18ª região. No processo, o reclamante declarou que manteve
vínculo de emprego com a referida empresa de 03.03.08 a 15.03.09, tendo exercido a função
de vendedor de livros. Em seu pedido, o reclamante alegou não ter recebido as verbas
rescisórias de forma correta, pois teria sido infundada a sua demissão por justa causa por
motivo de desídia. Mesmo tendo restado provadas, pelos cartões de ponto e pelos recibos de
pagamento, as constantes faltas de Luiz ao Trabalho – mais de 10 faltas em cada um dos dois
últimos meses de trabalho, sempre de forma consecutiva e sem qualquer justificativa. O juiz
condenou a Reclamada a pagar todas as verbas rescisórias sob o argumento de que não
houve prova cabal para aplicação da justa causa.
Redija a peça processual cabível a defesa de seu cliente, empresa A, considerando incabível
a hipótese de Embargos de Declaração.

PEÇA 14
"A" promoveu reclamação trabalhista contra a empresa "B", pleiteando estabilidade de 12
meses, em face de ter sofrido acidente de trabalho (torceu o pé quando chegava para
trabalhar) e ficado afastado por 14 dias, e, consequentemente, a nulidade da dispensa sem
justa causa e a imediata reintegração ao emprego. A empresa "B" apresentou defesa, tendo
sido encerrada a instrução processual. A ação foi julgada procedente. Na qualidade de
advogado de “B”, aja no interesse do cliente.

PEÇA 15
A empresa Futuro Sistemas e Dados Ltda., prestadora de serviços de informática, celebrou
contrato de empreitada com a empreiteira Obrasmil, para realizar obras de construção do
novo prédio de sua sede. A referida empreiteira subempreitou o serviço à empresa Ágil

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Engenharia Ltda. A obra teve início em 2/2/2000 e findou em 30/10/2003. Jucelino Dias e outros
10 (dez) empregados tiveram seus contratos rescindidos nessa mesma data, com base no
artigo 482, f, da CLT (embriaguez em serviço). Em 1/3/2005, esses empregados, contratados
pela subempreiteira Ágil, moveram reclamação trabalhista contra as três empresas,
subempreiteira, empreiteira e empresa dona da obra. A sentença condenou a
subempreiteira, contratante direta dos empregados, a pagar aviso prévio e horas extras,
durante todo o período de duração da obra, e condenou a empreiteira Obrasmil e a empresa
Futuro, subsidiariamente. Fundamentou a condenação das 2ª e 3ª reclamadas no artigo 455
da CLT e concluiu, ainda, que a 3ª reclamada não se pode furtar de sua responsabilidade
subsidiária quanto às obrigações inadimplidas pela real empregadora, por ter-se beneficiado
dos serviços prestados pelos reclamantes, em decorrência do contrato de empreitada.
Na condição de advogado da empresa Futuro Sistemas e Dados Ltda., redija o recurso
cabível, dirigindo-o ao órgão competente, mencionando prazo de interposição e preliminares
que entender cabíveis, fundamentando e prequestionando a matéria infraconstitucional e
constitucional.

PEÇA 16
Francisco de Assis propôs reclamação trabalhista em desfavor da Empresa Vou Passar S/A,
pleiteando a devolução de valores descontados indevidamente do seu salário. As partes
compareceram à audiência, devidamente acompanhadas dos seus respectivos advogados,
ofertando, o reclamado, depois de rejeitada a proposta de conciliação, contestação, carta
de preposição e procuração, além de prova documental em uma lauda (autorização prévia
de desconto salarial assinada pelo reclamante, para fins de adesão a plano de saúde). O
documento foi imediatamente repassado ao advogado do reclamante, o qual silenciou sobre
o seu conteúdo, não se opondo à juntada. Interrogado, o reclamante disse que de fato
usufrui, desde a contratação, de um excelente plano de saúde, subsidiado pelo empregador,
pagando apenas R$ 50,00 mensais pelo benefício, mediante desconto em folha. Na sentença,
o juiz julgou procedente o pedido, assim fundamentando: Procedente o pedido de devolução
dos valores indevidamente descontados, pois a autorização do empregado, mesmo por
escrito, se encontra maculada por vício de vontade, ante a intangibilidade salarial e a
indisponibilidade dos direitos trabalhistas, vício este que pode ser facilmente presumido,
considerando a hipossuficiência obreira.

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Na condição de advogado da Empresa Vou Passar S/A, redija a peça processual adequada
à situação hipotética apresentada.

PEÇA 17
Joaquim foi admitido, em dezembro de 2004, mediante concurso público, pela Empresa
Brasileira de Correios de Telégrafos (ECT), no cargo de operador de triagem e transbordo. Foi
demitido, imotivadamente, em março de 2008. Em abril do mesmo ano, ajuizou ação
trabalhista na 2.a Vara do Trabalho de São Paulo, pedindo UnB/CESPE – OAB/SP – 136.º Exame
de Ordem 2008 Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho sua reintegração na
empresa pública, em razão da peculiar condição da ECT, que é equiparada à fazenda
pública. O juiz do trabalho negou o pedido constante na reclamação trabalhista ajuizada por
Joaquim, argumentando que o vínculo jurídico com a ECT seria de natureza contratual, sujeito
às normas determinadas na CLT, razão pela qual seria desnecessário exigir que a ECT se
submetesse, para fins de demissão de seus funcionários, a processo administrativo em que
constasse a motivação do ato.
Considerando a situação hipotética apresentada, na condição de advogado(a)
contratado(a) por Joaquim, redija a peça judicial cabível em defesa do direito de seu cliente
ser reintegrado no cargo.

PEÇA 18
João, após aposentar-se espontaneamente pelo INSS, continuou a trabalhar na empresa
Autoelétrica XZ. Passado um ano, foi demitido, oportunidade em que ingressou com uma
ação na 2.a Vara do Trabalho de São Paulo, solicitando o pagamento de diferença referente
à multa de 40% sobre o FGTS de todo o contrato de trabalho, incluindo-se o período anterior à
aposentadoria. A empresa, na defesa que apresentou em juízo, afirmou que o empregado
não teria direito a essa diferença visto que, com a aposentadoria, teria ocorrido a extinção do
primeiro contrato de trabalho. Os pedidos formulados na reclamação trabalhista foram
julgados improcedentes.
Considerando a situação hipotética apresentada, na qualidade de advogado(a)
contratado(a) por João, redija a peça processual cabível para a defesa dos interesses de seu
cliente, expondo os fundamentos legais pertinentes e o entendimento da jurisprudência a
respeito do fato.

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PEÇA 19
O secretário de relações do trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, com atuação em
Brasília – DF, recusando-se à efetivação do registro sindical do Sindicato dos Trabalhadores da
Educação Básica do Estado de São Paulo sob o argumento de que restaria desatendido o
princípio da unicidade sindical, determinou o arquivamento do respectivo processo
administrativo. O sindicato recorreu da decisão, demonstrando, por meio de documento, não
haver outro sindicato a representar a referida categoria profissional no âmbito do mesmo
município.
Em face dessa situação hipotética, na condição de advogado(a) contratado(a) pelo
Sindicato dos Trabalhadores da Educação Básica do Estado de São Paulo e considerando que
a entidade teve seus estatutos registrados no cartório competente, redija a peça judicial
cabível contra o arquivamento do processo de registro sindical, na qual sejam abordados,
necessariamente, os seguintes aspectos:
< princípio da unicidade sindical;
< atuação do Ministério do Trabalho no registro das organizações sindicais.

PEÇA 20
Maria ingressou com reclamação trabalhista contra a empresa Brasil S.A., argumentando ter
exercido função de confiança, com o conseqüente pagamento da gratificação salarial
correspondente, durante seis anos consecutivos, tendo o empregador, sem justa causa e por
ato unilateral, promovido sua reversão ao posto antes ocupado, quando, então, foi reduzida
sua remuneração. Maria pediu antecipação de tutela para que a reclamada procedesse à
imediata incorporação da gratificação, bem como o pagamento das diferenças salariais
correspondentes, desde a data da supressão da vantagem. Ao final, postulou a confirmação
da medida liminar. Juntou prova documental para comprovar suas alegações. O juiz da 1.ª
Vara do Trabalho de São Paulo, argumentando estarem satisfeitos os pressupostos
autorizadores da medida, deferiu o pedido de antecipação dos efeitos da tutela.
Em face dessa situação hipotética, redija a medida cabível, argumentando a respeito da
possibilidade de redução salarial na hipótese de reversão do empregado ao cargo efetivo,
antes ocupado, quando este deixar de exercer função de confiança.

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PEÇA 21
Fulano de Tal propôs perante a Vara do Trabalho de Catende/PE uma reclamação trabalhista
em face de sua ex-empregadora, Transportes Rápidos Ltda., postulando o pagamento das
verbas rescisórias, por ter sido dispensado sem justa causa, além de horas extras, por ter
cumprido jornada superior ao limite legal. Notificada, a reclamada compareceu à audiência
na qual, depois de recusada a proposta de conciliação, foi apresentada defesa,
impugnando-se a totalidade dos pedidos formulados pelo reclamante, seguindo-se a oitiva
dos litigantes e suas testemunhas, sendo proferida, ao final, a sentença, na qual o Juízo,
acolhendo em parte os pedidos, condenou a reclamada ao pagamento de aviso prévio, 13º
salário, férias + 1/3 e multa fundiária, em valores apuráveis em liquidação de sentença. Contra
a decisão proferida, a reclamada, tempestivamente, interpôs recurso ordinário, impugnando
integralmente a condenação imposta. O recurso foi recebido pelo Juízo a quo no efeito
meramente devolutivo, sendo notificado o reclamante para apresentar as suas contra-razões,
as quais foram regularmente ofertadas. No mesmo prazo da apresentação das contra-razões,
o reclamante requereu a extração de carta de sentença, objetivando a execução provisória
dos direitos reconhecidos em sentença de primeiro grau. Extraída a carta de sentença, os
autos principais foram encaminhados ao TRT da 6ª Região para apreciação do recurso
ordinário interposto pela reclamada, enquanto que na carta de sentença foi elaborada a
conta geral que, com a concordância das partes, foi homologada pelo Juízo, no montante
de R$ 25.300,00 (vinte e cinco mil e trezentos reais). Na seqüência determinou o Juízo de
primeiro grau a citação da executada para, no prazo de 48 horas, depositar o valor
exeqüendo ou nomear bens suficientes à garantia da execução. A executada,
tempestivamente, protocolou petição de nomeação de bens à penhora, consistente em um
imóvel de sua propriedade, localizado no foro da execução e sobre o qual não recaía
nenhum ônus, avaliado em R$ 30.000,00 (trinta mil reais), conforme cuidou de comprovar com
a juntada de matrícula expedida pela circunscrição imobiliária competente e de laudo de
avaliação subscrito por um corretor de imóveis. O exeqüente, comparecendo
espontaneamente no processo, apresentou impugnação à nomeação do referido bem, por
não ter sido observada a ordem preferencial prevista em lei. Acolhendo a manifestação do
exeqüente, o Juízo da Vara do Trabalho de Catende/PE, por despacho, determinou a
penhora em dinheiro de valores em contas-correntes da executada, valendo-se do convênio
existente com o Banco Central do Brasil, o que foi prontamente feito, via bloqueio do valor

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integral da execução na conta-corrente nº. 1234-5 da titularidade da executada, junto à
agência Bigorna do Banco Intermunicipal S/A, conforme ofício juntado aos autos. A empresa
Transportes Rápidos Ltda., cientificada da penhora “on line”, em 13/12/2009, comparece, por
seu representante legal, no seu escritório de advocacia, em 20/1/2010, quando procede à
contratação de seus serviços profissionais, outorgando-lhe procuração e quitando os
honorários.
Diante do exposto, formule a peça processual cabível em favor do seu cliente.

PEÇA 22
Por entender cabível e necessário, tendo em vista o teor da sentença de primeiro grau, a
empresa apresentou Embargos de Declaração. O Juízo, ao decidir sobre os embargos, julgou
a medida protelatória, rejeitou ditos embargos e impôs ao embargante a multa de 1% (um por
cento) sobre o valor da causa. Interpondo Recurso Ordinário, foi o apelo liminarmente
indeferido pelo magistrado, por intempestivo, sob o fundamento de que embargos
declaratórios que o Juízo entenda protelatórios não têm o condão de interromper o prazo
para a interposição de qualquer recurso e, ademais, entendeu deserto o mesmo recurso por
falta de depósito do valor da mencionada multa.
Como advogado da empresa, elabore a medida cabível, apresentando os fundamentos que
busquem a reversão do despacho que indeferiu o processamento do Recurso Ordinário.

PEÇA 23
Inconformado com a sentença que acolheu apenas parcialmente os pedidos relacionados
na inicial, o reclamante, ex-empregado do reclamado, interpôs Recurso Ordinário no prazo
legal. Alegando não ter havido a comprovação do pagamento das custas processuais
arbitradas em R$ 50,00 (cinqüenta reais), o Juiz do Trabalho denegou seguimento ao recurso.
Na qualidade de advogado do reclamante, apresente o instrumento processual cabível,
desconsiderando, para tanto, o uso dos embargos de declaração.

PEÇA 24
Ciro moveu reclamação trabalhista contra a empresa Tudo Limpo S/A, pleiteando
equiparação salarial com o paradigma Roberto. A empresa contestou o feito, alegando a
existência de diferença de tempo de serviço superior a dois anos. Alegou ter sido o paradigma

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admitido em 25 de julho de 1990, como ajudante de mecânico, tendo sido promovido a
mecânico em 10 de agosto de 1996, e o Reclamante em 19 de outubro de 1993, como
ajudante de mecânico, tendo sido promovido a mecânico em 15 de setembro de 1997. O juiz
do trabalho julgou procedente a Reclamação. Interposto recurso ordinário, sob o mesmo
fundamento da defesa, o Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da Sexta Região deu-lhe
provimento, julgando improcedente a reclamatória.
Na qualidade de advogado Ciro, maneje o remédio processual específico para garantir os
direitos do seu cliente.

PEÇA 25
Mário foi admitido, na empresa Comunicação e Eletricidade Ltda., para trabalhar na área de
sistema elétrico de potência. Após o fim do contrato de trabalho, ele ajuizou reclamação
junto à 15.ª Vara do Trabalho de São Paulo, pleiteando o reconhecimento do direito ao
pagamento integral do adicional de periculosidade, cujo percentual corresponderia a 30%
calculados sobre o valor da remuneração. A reclamada contestou, argumentando que nada
era devido ao reclamante, visto que, ao tempo do contrato de trabalho, já lhe pagara o
referido adicional. Alegou, ainda, que o empregado somente teria direito à quantia
correspondente ao tempo de exposição ao risco, a qual deveria ser calculada no percentual
de 12% sobre o valor do salário, conforme previsto e autorizado em acordo coletivo. O juiz
julgou procedentes os pedidos constantes na ação e reconheceu devido o adicional de
periculosidade, conforme demonstração do laudo pericial e em razão da atividade
desenvolvida pelo reclamante, que não havia recebido integralmente tal parcela no curso da
relação laboral. Quanto ao percentual, entendeu-o como aquele descrito na petição inicial,
o qual deveria incidir integralmente sobre o valor da remuneração, independentemente do
tempo em que o empregado ficara exposto à situação de risco. Houve recurso ordinário ao
TRT, o qual foi improvido, tendo sido mantida a decisão de 1.o grau em seus exatos termos.
Em face dessa situação hipotética, na qualidade de advogado(a) contratado(a) pela
empresa Comunicação e Eletricidade Ltda., redija a peça processual cabível, expondo os
argumentos legais pertinentes para a defesa de sua cliente.

PEÇA 26

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Raimundo e Pedro, propagandistas-vendedores da empresa Medicamentos Baixo Custo,
foram demitidos, sem justa causa, em janeiro de 2007. Em abril do mesmo ano, ajuizaram ação
na 5.a Vara do Trabalho de São Paulo, argumentando que foram dispensados
imotivadamente, embora possuíssem estabilidade provisória por integrar, respectivamente, a
8.a e a 9.a suplência da diretoria do Sindicato dos Empregados Propagandistas,
Propagandistas-Vendedores e Vendedores de Produtos Farmacêuticos do Estado de São
Paulo. A empresa contestou a ação, alegando que a quantidade dos membros eleitos para a
diretoria do sindicato teria ultrapassado o número legal. O juiz de 1.º grau reconheceu que,
embora o estatuto do sindicato estabeleça um número maior de membros efetivos e suplentes
para a diretoria, ambos os vendedores estariam protegidos pela estabilidade, razão pela qual
determinou a reintegração dos trabalhadores. Houve recurso por parte da empresa, tendo o
TRT da 2.a Região mantido a decisão nos seus exatos termos.
Em face dessa situação hipotética, na condição de advogado contratado pela empresa
Medicamentos Baixo Custo, redija a peça judicial cabível em defesa de sua cliente,
apresentando os argumentos de fato e de direito pertinentes à matéria.

PEÇA 27
Após ser condenado no pagamento de valores a certo empregado, o empregador,
enquanto pendente de julgamento no Tribunal Regional do Trabalho o recurso que
apresentou contra a sentença, coloca à venda o imóvel em que se acha estabelecida a
empresa, sem reservar outros bens para satisfação da condenação.
Apresentar, como advogado do empregado, a medida processual adequada.

QUESTÕES

No final de cada aula, o professor indicará as questões a serem respondidas pelos alunos,
sempre com data de entrega correspondente à aula imediatamente subsequente, onde
serão corrigidas em sala, mediante a entrega do “espelho de correção”.

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1 – Com base no Direito do Trabalho, responda, de forma fundamentada, se há
responsabilidade do dono da obra em relação às obrigações trabalhistas do empreiteiro no
contexto do contrato de empreitada.

2 – José foi contratado pela empresa Bola Sete Ltda. Na função de auxiliar de serviços gerais,
em 04 de maio de 2007. No dia 04 de outubro de 2007, José pediu demissão da empresa
alegando ter recebido de outra empresa uma proposta de trabalho mais vantajosa.
Considerando que José não completou 1 ano de trabalho na empresa, ele deve receber na
rescisão do contrato de trabalho algum valor a título de férias? Justifique sua resposta.

3 – Em 10 de agosto de 2003, Ana foi contratada para trabalhar para Beta, no cargo de
analista de sistema, por prazo indeterminado. Em 12 de dezembro de 2005, Ana foi demitida
sem justa causa por Beta, recebendo todas as suas verbas rescisórias e tendo seu contrato de
trabalho devidamente homologado pelo sindicato representativo. No dia 3 de janeiro de
2006, foi emitido atestado médico informando que Ana estava aproximadamente com seis
semanas de gravidez.
Considerando a situação hipotética apresentada, desenvolva um texto dissertativo acerca de
estabilidade provisória da gestante, com base na legislação aplicável e no entendimento do
Tribunal Superior do Trabalho, respondendo, necessariamente, aos seguintes questionamentos:
Se o contrato fosse de experiência, Ana também teria direito à estabilidade?
O fato de o empregador desconhecer o estado gravídico de Ana afasta o direito da gestante
ao recebimento da indenização em virtude da estabilidade provisória?
Durante que período é devido o direito à reintegração ao emprego?

4 – Pedro estava cumprindo o período referente ao aviso prévio quando registrou sua
candidatura a cargo de dirigente sindical.
Nessa situação especifica, deveria ser aplicada a Pedro a regra da estabilidade prevista no
art. 543, parágrafo 3º da CLT? Fundamente, juridicamente, a sua resposta.

5 – Os empregados de uma empresa, reclamando que o transporte público para o local da


prestação de serviços é deficiente, pleiteiam a incorporação, com suas repercussões
financeiras, do tempo despendido no trajeto até a empresa. De fato a empresa está

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localizada em sítio de difícil acesso e o transporte oferecido pelo poder público é deficitário.
Na qualidade de advogado do departamento jurídico dessa empresa, responda, de forma
fundamentada, se a empresa deveria aceitar o pleito dos empregados.

6 – Antonio, Policial militar, nos horários de folga presta serviços de segurança para a empresa
Irmãos Gêmeos Ltda. Acreditando ter sido despedido injustamente, promoveu reclamação
trabalhista pleiteando valores que supostamente lhe seriam de direito. A empresa argüiu que o
contrato de trabalho seria nulo, visto que o Estatuto da Corporação Militar, a qual Antônio
estava submetido, proíbe o exercício de qualquer outra atividade. Na qualidade de
advogado contratado por Antônio, apresente a fundamentação adequada para afastar a
argumentação de nulidade do contrato de trabalho do Policial militar na referida empresa de
segurança.

7 – João é servente da construção civil e dirigente sindical dos trabalhadores da referida


categoria. Seu empregador, unilateralmente, determina sua transferência para município fora
da base territorial do sindicato profissional. A atividade de João não é especializada e no
município para onde será transferido não há deficiência de mão-de-obra para executar tal
função. Há no contrato, cláusula prevendo a possibilidade de transferência do empregado
para localidade diversa daquela em que ele for celebrado. Diante desses fatos, pergunta-se:
a) É lícita a transferência determinada pelo empregador? b) Caso João pretenda, de modo
imediato e urgente, questionar judicialmente a ordem de transferência, qual a medida
processual cabível?

8 – O banco Cidade contratou Nélson, diretamente, para trabalhar como vigilante. Após o
término da relação de emprego, Nélson ajuizou reclamação trabalhista postulando seu
enquadramento como bancário e, consecutivamente, o recebimento de horas extras
conforme o art. 224 da CLT, bem como o pagamento de parcelas previstas em normas
coletivas dos bancários.
Com relação à situação hipotética, indaga-se:
O obreiro deve ser enquadrado como bancário? São-lhe devidas as pleiteadas horas extras e
as parcelas referentes às normas coletivas dos bancários? Fundamente sua resposta.

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9 – Antônio Camargo, empregado da empresa XYZ Indústria e Comércio S.A., exercia, nos
últimos três anos, cargo administrativo de diretor comercial nessa empresa, sem qualquer
subordinação jurídica, já que eleito por decisão de assembléia. Ao ser despedido sem justa
causa, após 10 anos de trabalho para essa empresa, entendeu que o cálculo de sua
indenização compensatória era inferior ao devido, porquanto a empresa empregadora não
depositara os 40% devidos sobre o FGTS, relativamente ao período em que exerceu o cargo
de direção na XYZ Indústria e Comércio S.A. De fato, comprovou-se que não houve nenhum
recolhimento de valores à conta do FGTS de Antônio Camargo no período em que este
exerceu o cargo de diretor.
Com base nesses dados, fundamente a atitude da empresa.

10 - Em dezembro de 2003, Luís foi contratado como motorista pela Administração


Aeroportuária para conduzir ônibus com passageiros e tripulação, do terminal do aeroporto
até os aviões. Foi demitido em dezembro de 2007. Argumenta que estava exposto a agentes
nocivos a sua saúde, na medida em que, aguardando embarque dos passageiros, próximo ao
abastecimento dos aviões, sofria riscos bastante consideráveis a saúde. Considerando a
situação hipotética, na qualidade de advogado contratado por Luis para ingressar com a
reclamação trabalhista, responda de forma fundamentada se ele possui algum adicional,
indicando sua espécie e percentual correspondente.

11 - José e Antônio foram contratados no mesmo mês e ano para exercerem a função de
advogado da empresa Ômega. No exercício da função, José e Antônio executavam
trabalhos idênticos: faziam audiências, elaboravam petições, pareceres e sustentações orais.
Além de desenvolverem trabalhos idênticos, atuavam no setor jurídico da empresa, no
entanto foram contratos com salários diferenciados: José ganhava quantia correspondente a
dois terços do salário de Antônio, sob o argumento único de que Antônio possuía maior
experiência. A empresa Ômega não possuía quadro de carreira dos seus empregados.
Com relação a esse problema, redija um texto dissertativo, apresentando, de forma justificada
os argumentos que sustentem a necessidade de tratamento igualitário entre José e Antônio.

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12 - Considerando o recebimento de honorários advocatícios na Justiça do Trabalho, elabore
um texto dissertativo abordando as hipóteses de incidência e condenação na verba
honorária.

13 - José moveu reclamação trabalhista contra a empresa Aurora Ltda., pleiteando o


pagamento de horas extras que alega ter cumprido durante o pacto laboral, mas que não
foram solvidas pela empresa. A citada empresa contestou, alegando que José jamais
efetuara qualquer tipo de trabalho em jornada extraordinária. Para comprovar sua tese
defensiva, o advogado da empresa juntou à contestação os cartões de ponto de José, que
demonstravam horário de entrada e de saída de acordo com horário de trabalho
previamente estabelecido.
Nessa situação hipotética, a apresentação dos cartões de ponto de José, que demonstram
horário de entrada e de saída de acordo com o horário de trabalho previamente
estabelecido, é suficiente para comprovar a ausência de jornada extraordinária que José
alega ter cumprido? Justifique sua resposta.

14 - Uma empresa teve um automóvel penhorado por um oficial de justiça, em cumprimento


ao mandado de execução expedido por Vara do Trabalho, em 12/3/2007. O gerente da
empresa assinou o verso do termo de penhora como fiel depositário no próprio dia 12/3/2007,
sendo que o mandado é juntado aos autos com o termo de penhora em 30/3/2007 (uma
sexta-feira). O advogado da empresa opôs embargos à execução no dia 6/4/2007 (uma
sexta-feira). No entanto, os embargos não foram conhecidos, tendo o Juízo declarado sua
intempestividade.
Considerando as informações prestadas na situação hipotética acima, responda se está
correta a declaração do juiz quanto à intempestividade dos embargos à execução. Justifique
sua resposta.

15 - Antônio, advogado da empresa Alfa e Ômega Ltda., interpôs recurso ordinário contra
decisão de um juiz da vara do trabalho, que estabelecera condenação à empresa. Embora
tenha interposto o referido recurso no terceiro dia do prazo de 8 dias que a CLT estabelece
para a interposição de recurso ordinário, o advogado da empresa efetuou o pagamento do
depósito recursal apenas no oitavo dia.

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Diante da situação hipotética acima, questiona-se: o recurso está apto a ser conhecido?
Justifique a sua resposta.

16 - Considerando-se que um dos requisitos fundamentais para o processamento de um


recurso de caráter extraordinário é o prequestionamento, responda, de forma fundamentada,
o que é prequestionamento.

17 - No que diz respeito ao instituto da revelia e confissão, responda, de modo justificado, ao


seguinte questionamento: serão aplicáveis os efeitos da revelia em ação rescisória quando
ficar configurada a ausência de defesa?

18 - Antônio moveu reclamação trabalhista contra a empresa Mar Azul Ltda. Na audiência de
conciliação, as partes não fizeram acordo. Contudo, antes da realização da audiência de
instrução e julgamento, as partes pactuaram um acordo por escrito e peticionaram ao juiz do
trabalho, requerendo a homologação do acordo e a extinção do processo.
Considerando a situação hipotética acima, esclareça se o juiz do trabalho está obrigado a
homologar o acordo.

19 - Em um processo que corre em uma das varas do trabalho, o advogado da Empresa Delta
Ltda. interpôs recurso de agravo de petição tempestivo. No citado recurso, o advogado
fundamentou que os valores apurados nos cálculos apresentados pelo contador judicial
seriam elevados, mas não delimitou os valores que a empresa entendia efetivamente devidos
ao reclamante, nem especificou o erro que o contador teria cometido ao elaborar o cálculo.
Diante da situação hipotética, responda se o agravo de petição está apto a ser recebido.
Fundamente sua resposta.

20 - Flávio moveu reclamação trabalhista contra a empresa Céu Azul Ltda., alegando que
desenvolvia suas atividades em local insalubre e que jamais havia recebido da empresa o
adicional de insalubridade. A empresa contestou o pedido, afirmando que Flávio não
trabalhava em local insalubre. O juiz designou perícia técnica para avaliação do local onde
Flávio trabalhava e facultou às partes a indicação de auxiliar técnico para perícia. Para

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acompanhar o trabalho do perito oficial, Flávio indicou um profissional de sua confiança, que
lhe cobrou R$ 800,00 de honorários.
Flávio foi vencedor em sua tese, já que a perícia oficial atestou que o local onde ele
trabalhava era realmente insalubre. Sendo vencedor no objeto da perícia, Flávio formulou
pedido de ressarcimento dos honorários pagos ao assistente por ele indicado, pleiteando a
condenação da empresa Céu Azul Ltda. em tal quantia.
Nessa situação hipotética, é devida a condenação da empresa Céu Azul Ltda. a ressarcir
Flávio dos honorários pagos ao assistente da perícia por ele indicado? Justifique a sua
resposta.

21 - Em ação trabalhista, o pedido da inicial visa incorporar benefícios conquistados, após o


término do prazo constante do acordo ou convenção coletiva.
Como advogado(a) da empresa, deduza e fundamente sua atuação.

22 - Advogado da massa falida da empresa Ômega interpôs recurso ordinário de sentença de


1º grau que havia estabelecido a condenação da massa falida em verbas trabalhistas de ex-
empregado. O referido advogado, entretanto, não efetuou o preparo nem pagou as custas
processuais.
O recurso será considerado deserto? Justifique.

23 - Tendo o executado assinado o termo de fiel depositário de seus bens penhorados, quais
as medidas a serem adotadas pelo mesmo, objetivando opor-se à referida penhora? Qual o
prazo? Cabe recurso de revista nessa fase processual? Justifique sua resposta.

24 – Empregado dispensado com justa causa ajuíza reclamação trabalhista postulando,


dentre outros direitos, o pagamento de férias vencidas. Em sentença os pedidos formulados na
exordial são rejeitados em sua integralidade, sob o fundamento de que a falta grave
praticada (agressão física ao superior hierárquico) afasta a possibilidade de qualquer crédito
ao empregado, mesmo no que tange ao pedido de férias vencidas. Considerando que
transcorreu o prazo legal para a interposição de recurso ordinário, sem que houvesse qualquer
manifestação do reclamante, pergunta-se: a) Qual a medida processual adequada e o

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respectivo prazo para a defesa dos direitos do ex-empregado reclamante? b) Qual o
fundamento legal para dar suporte à medida processual escolhida pelo reclamante?

25 – O empregador, ao comparecer pessoalmente, sem advogado, em audiência na Justiça


do Trabalho em que é cobrado, através de Reclamação Trabalhista, o pagamento de
adicional de insalubridade em grau máximo, sobre o salário efetivamente pago ao
reclamante, aduz simplesmente nada dever ao empregado. Encerrada a instrução
processual, sem a produção de outras provas, sob a alegação de falta de contestação
específica dos fatos, é proferida sentença de acolhimento do pedido, com a condenação do
empregador no pagamento do adicional de insalubridade, em grau máximo, calculado,
porém sobre o salário mínimo. O empregador, intimado da sentença e embora com ela não
concorde, não a impugna. O empregado, por sua vez, oferece recurso ordinário, postulando
a incidência do adicional de insalubridade sobre o salário que efetivamente recebia.
Diante do exposto, e na condição de advogado contratado pelo empregador, no momento
em que recebia a intimação para oferecer suas contra-razões ao recurso interposto pelo
reclamante, pergunta-se: a) Qual a medida processual cabível, e o seu respectivo prazo, para
afastar a condenação imposta ao reclamado? b) Qual fundamento deve ser usado para que
o réu obtenha êxito na demanda?

26 – A empresa ORVALHO MATINAL litigava contra um empregado na justiça do trabalho em


processo que corria sob o rito sumaríssimo. O juiz de 1º grau julgou procedente a ação, tendo
sido a sentença confirmada pelo Tribunal Regional do Trabalho. O advogado da empresa
resolveu interpor recurso de revista. Ao fundamentar seu recurso, o advogado alegou que a
decisão do TRT contrariava o disposto em uma OJ da SBDI-1 do TST, sendo este argumento, o
único de mérito presente no recurso de revista.
Na situação hipotética apresentada, o recurso de revista interposto pelo Advogado da
empresa ORVALHO MATINAL está apto a ser conhecido? Justifique sua resposta.

27 – José ingressou com Reclamação Trabalhista contra a empresa LUA NOVA LTDA.,
formulando pedido de horas extras. Afirmou que cumpria uma jornada de trabalho de 8 às 20
horas, com 2 horas de intervalo, de segunda a sexta-feira. A empresa contestou o pedido,
alegando em sua defesa, que José não laborava em jornada extraordinária, e juntou os

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cartões de ponto de José. Todos os Cartões juntados pela empresa registravam jornada de
trabalho de 8 às 18 horas, com 2 horas de intervalo, de segunda a sexta-feira. A empresa não
produziu nenhum outro tipo de prova a não ser os cartões de ponto de José. O juiz julgou
procedente a demanda e condenou a empresa a pagar a José as horas extras, considerando
a jornada de trabalho informada na inicial, ou seja de 8 às 20 horas, com 2 horas de intervalo,
de segunda a sexta-feira.
Na situação apresentada está correto o posicionamento do Juiz? Fundamente, juridicamente,
a sua resposta.

28 – Em uma audiência trabalhista, o procurador da empresa reclamada apresentou a


procuração que lhe outorgava poderes para representar a empresa em juízo, sem ter
apresentado o contrato social nem o estatuto da empresa, e o advogado da reclamante não
apresentou nenhuma impugnação no que diz respeito à representação processual da
empresa.
Diante da situação hipotética apresentada, questiona-se: é válido o instrumento de
procuração apresentado pelo advogado sem apresentação do contrato social ou estatuto
da empresa? Fundamente, juridicamente, a sua resposta.

29 – Mauro, advogado da empresa MAR GRANDE LTDA., interpôs agravo de instrumento


contra decisão do desembargador presidente do tribunal regional, que negou seguimento ao
recurso de revista. Para formar o traslado, Mauro providenciou cópia das peças consideradas
obrigatórias e, no que diz respeito à comprovação de sua representação judicial, juntou cópia
da ata de audiência inaugural, na qual consta o registro de que compareceu como
advogado da empresa. Entretanto Mauro não possuía instrumento de procuração escrito
outorgado pela empresa.
Considerando que a comprovação da representação judicial é peça obrigatória para o
traslado de agravos de instrumento, será apto a ser conhecido o agravo de instrumento na
situação hipotética apresentada? Justifique sua resposta.

30 – Manoel propôs reclamação trabalhista contra Gama sob o rito sumaríssimo. Ao formular o
pedido, contudo, o advogado de Manoel não indicou o valor das verbas, limitando-se a
afirmar nos pedidos o termo “a apurar”.

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Como deve proceder o juiz nesta situação?

31 – Qual o recurso cabível contra decisão do juiz do trabalho na qual seja homologado
acordo pactuado entre as partes? Justifique sua resposta.

32 – Antonio moveu ação trabalhista contra a empresa Lua Cheia, pleiteando, em sede de
antecipação de Tutela, a sua reintegração no emprego. Ao apreciar tal pedido, o juiz
determinou, sem a oitiva da parte contrária, a imediata reintegração de Antonio. Na mesma
decisão o juiz determinou a notificação das partes para o comparecimento em audiência
inaugural. A empresa foi notificada para o cumprimento da ordem da reintegração referida.
Considerando a situação hipotética apresentada, na condição de advogado da empresa,
especifique de forma fundamentada, o instrumento processual hábil, para buscar reverter a
decisão do juiz.

33 – Em ação trabalhista já em grau de recurso, a advogada Mariana, tomou conhecimento


da decisão proferida em recurso ordinário mediante publicação da ata de julgamento. Ato
contínuo, antes mesmo de ter sido publicado o referido acórdão, a advogada interpôs o
recurso de revista para impugnar a decisão. Responda se o recurso é tempestivo levando-se
em consideração a jurisprudência do TST.

34 – Josué ajuizou reclamatória trabalhista contra a empresa Alfa LTDA, alegando que foi
demitido sem justa causa e requerendo o pagamento das parcelas rescisórias referentes ao
período em que manteve o vínculo empregatício – de 01.08.08 a 02.02.09.
Em contestação, a reclamada resistiu à tese inicial, suscitando que Josué não foi demitido e,
sim, abandonou o trabalho.
Realizada a audiência de instrução, nenhuma das partes apresentou as provas de suas
alegações.
O juiz exarou sentença julgando improcedente a reclamatória e reconhecendo a hipótese de
abandono de emprego, motivado pelo fato de o reclamante não ter se desonerado do ônus
de provar o término do contrato de trabalho.
Em face da situação hipotética apresentada, responda, de forma fundamentada, se o juiz
julgou corretamente o litígio.

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35 – Vitor ajuizou reclamatória trabalhista requisitando sua reintegração ao quadro de
empregados da empresa BETA LTDA.
O ex-empregado foi demitido sem justa causa, mesmo possuindo estabilidade provisória em
virtude de acidente de trabalho.
Em sentença, o julgador entendeu que o grau de incompatibilidade resultante do dissídio era
elevado e que, por isso, o empregado não deveria ser reintegrado à empresa.
Não obstante, condenou a reclamada ao pagamento dos salários e demais rubricas relativos
ao período de estabilidade.
A reclamada, insatisfeita com a decisão primária, interpôs Recurso Ordinário, alegando que a
sentença seria NULA, em virtude de ter havido julgamento extra petita.
Em face dessa situação hipotética, responda, de forma fundamentada, se assiste razão à
recorrente para alegar que a sentença seria nula em razão de ter havido julgamento extra
petita.

36 – João promoveu execução provisória, no valor de R$ 50.000,00, contra a empresa Mosaico


LTDA., que, no momento oportuno, indicou 2 veículos de sua propriedade suficientes para
garantia da execução.
Entretanto, o juiz de 1ª grau, a fim de dar maior garantia para o exeqüente, proferiu decisão
estabelecendo a substituição desses bens por dinheiro, atitude que afetou o fluxo de caixa e
todo o planejamento financeiro da empresa.
Em face dessa situação hipotética, na qualidade de advogado consultado pela empresa
mosaico LTDA e considerando incabível o Agravo de Petição, indique, com a devida
fundamentação, a solução jurídica adequada para enfrentar a situação.

37 – A 1ª Vara do Trabalho do Distrito Federal proferiu decisão condenando certo empregador


ao pagamento de horas extras, adicional noturno, férias e 13º salário, tendo dado à
condenação o valor de R$ 3.000,00.
Inconformado, o empregador pretende interpor recurso contra a referida decisão.
Em face dessa situação hipotética, identifique, com a devida fundamentação jurídica, o
recurso cabível, o prazo a ele inerente, bem como o prazo de comprovação do depósito
recursal.

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38 – José, residente em Taguatinga – DF, empregado da empresa Chimarrão, localizada em
Luziânia – GO, local onde presta serviço, foi dispensado sem justa causa, não tendo recebido
o pagamento do aviso prévio, férias proporcionais nem 13ª salário proporcional, razão porque
ingressou com reclamação trabalhista na vara do trabalho de Taguatinga – DF.
Em face dessa situação hipotética, considerando que a empresa não se conformou com o
local em que foi ajuizada a reclamação, indique, com a devida fundamentação, a medida
cabível para a empresa discutir essa questão bem como o procedimento a ser adotado pelo
juiz.

39 – Uma entidade filantrópica figurou como reclamada em uma reclamação trabalhista


movida por um ex-empregado, e obteve o benefício da assistência judiciária gratuita
concedida por um juiz. Após a instrução processual, o juiz proferiu sentença, julgando
procedente o pedido formulado pelo reclamante na inicial, tendo o valor da condenação
alcançado o montante de R$ 9.500,00.
Nessa situação hipotética, caso a entidade filantrópica tenha interesse de interpor recurso
ordinário contra a sentença proferida pelo juiz, ele deve proceder o recolhimento do depósito
judicial? Justifique a resposta.

40 – Maria, funcionária da empresa Fogo Dourado LTDA, recebeu aviso prévio indenizado, em
12/06/2009 na forma estipulada pela CLT. Em 14/06/2009, ela recebeu exames laboratoriais
que confirmavam sua gravidez e, no dia seguinte, apresentou os exames no setor de pessoal
da empresa, solicitando que lhe fosse garantida a estabilidade. A empresa negou o pedido
por entender que a gravidez nos trinta dias seguintes ao aviso-prévio indenizado não gera
direito à estabilidade, uma vez que a rescisão se opera automaticamente na data da
dispensa, sendo a previsão legal do período de trinta dias, mera ficção jurídica.
Considerando a situação hipotética apresentada, responda, de forma fundamentada, se
Maria faz jus à estabilidade provisória, indicando se é possível a interposição de alguma
medida judicial ao caso.

41 – A microempresa Alfa foi demandada por Antônio, demitido por justa causa dois meses
antes. Na audiência de julgamento, não obstante terem sido preenchidos, na carta de

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preposição, as formalidades legais e ter o advogado da empresa Alfa argüido que o preposto
era conhecedor dos fatos, o juiz não aceitou a presença do preposto enviado por Alfa, sob o
argumento que ele não possuía vínculo trabalhista com a empregadora e aplicou a pena de
confissão.
Considerando a situação hipotética acima apresentada, informe à luz a legislação aplicável
na espécie e da jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, se o juiz agiu corretamente.
Apresente os argumentos necessários à melhor interpretação do caso concreto.

42 – Considere que, em uma reclamação trabalhista, o juiz tenha concedido, na sentença, a


antecipação de tutela e que o advogado da empresa reclamada tenha interposto recurso
ordinário contra essa decisão.
Nessa situação caso se objetive a concessão do efeito suspensivo ao recurso ordinário
interposto, qual providência deve ser tomada?
Fundamente sua resposta com base no entendimento do Tribunal Superior do Trabalho.

43 – Em processo trabalhista, para comprovar que as verbas pleiteadas na inicial já estavam


devidamente quitadas, a empresa reclamada apresentou, em face da contestação, cópia
simples de vários documentos, cuja autenticidade foi atestada por certidão emitida pelo
advogado da empresa. O advogado do reclamante, em réplica, argumentou que o
advogado não possui poderes para apresentar, no processo, certidões de autenticidade de
cópias.
Nessa situação hipotética, as cópias simples juntadas na contestação, podem ser analisadas
pelo juiz como prova no processo? Justifique sua resposta.

44 – É possível a juntada de documentos em sede de recurso? Fundamente a sua resposta.

45 – Cabe, de imediato, algum recurso das decisões interlocutórias na Justiça do Trabalho?


Fundamente a sua resposta.

46 – Por meio de recente reclamatória trabalhista, o empregado pretende o pagamento de


adicional de insalubridade, invocando direito adquirido. Como advogado, ofereça o
argumento básico para a defesa.

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47 – Independentemente da eventual condenação no pagamento das custas processuais,
qual a penalidade imposta ao empregado causante de dois arquivamentos sucessivos de
reclamações trabalhistas?

48 – Zé Dirceu é empregado da empresa PT Ltda. Foi eleito para cargo de direção do


sindicato da categoria profissional em 02 de maio de 2009. No dia 15 de março de 2010,
durante greve deflagrada na empregadora, agrediu fisicamente seu superior hierárquico e,
ainda, depredou parte das dependências físicas da empresa. Na qualidade de advogado da
empresa, diga qual a medida a ser adotada, fundamentando a sua resposta.

49 – Analfa, empregada da empresa Tô Cansado de Esperar Ltda., sempre exerceu a função


de operadora de telemarketing, laborando 8h por dia e 44h por semana, usufruindo 1h de
intervalo para repouso e alimentação. Se dizendo telefonista, já que operava, diariamente,
aparelho telefônico, atendendo clientes, lojistas e fornecedores, propôs reclamação
trabalhista pleiteando o pagamento das sétima e oitava horas como extras, à luz do artigo 227
da CLT. Responda, de forma fundamentada, se a pretensão de Analfa deve ser acolhida.

50 – Decretada a prisão de depositário infiel por Juiz de Vara do Trabalho, como e a quem
pleitear o relaxamento da constrição? Explique e justifique.

51– Empregado demitido por justa causa no ano de 2009, por ter, dolosamente, provocado
danos ao empregador, no total de R$ 5.000,00, ajuizou reclamação trabalhista, no rito
sumaríssimo, pleiteando horas extras, com pedido líquido de R$ 10.000,00. O empregador
poderá ressarcir-se dos danos sofridos? De que forma? Fundamente a sua resposta.

52 – João, empregado da microempresa ABC desde janeiro de 2009, pleiteia horas extras
decorrentes do tempo de percurso, sendo certo que o trajeto entre a casa de João e o
estabelecimento patronal não é servido por transporte público, razão pela qual o empregador
fornece um ônibus que pega João às 08h, o qual chega ao trabalho por volta das 09h,
quando “bate o ponto” e começa a trabalhar, saindo para almoçar às 13h e retornando às
14h, registrando, no final do expediente, o ponto às 17h, quando apanha novamente o ônibus

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fornecido pelo empregador, para chegar em casa às 18h. Existe acordo coletivo de trabalho,
com duração de dois anos, firmado pela empresa e pelo sindicato da categoria profissional
em julho de 2008, pré-fixando, para todos os empregados, como tempo médio de percurso, o
de 1h por dia. João tem razão em pleitear as horas extras?

53 – Após a rescisão do seu contrato de trabalho, Alex, empregado da empresa Dominó,


procurou assistência da comissão de conciliação prévia, que tinha atribuição para examinar a
sua situação. Em acordo firmado entre ele e o representante da empresa, ambas as partes
saíram satisfeitas, com eficácia geral e sem qualquer ressalva. Posteriormente, Alex ajuizou
reclamação trabalhista, pedindo que a empresa fosse condenada em verbas não tratadas na
referida conciliação, sob a alegação de que o termo de ajuste em discussão dera quitação
somente ao que fora objeto da demanda submetida à comissão, de forma que não seria
necessário ressalvar pedidos que não fossem ali debatidos. Tendo em vista a situação
apresentada, exponha a tese jurídica mais apropriada para a empresa Dominó,
fundamentando sua argumentação na CLT.

54 – Maria se aposentou espontaneamente e continuou trabalhando para a Empresa Ômega


por mais três anos, sem solução de continuidade, quando, então, foi dispensada sem justa
causa. A empresa calculou os 40% sobre o FGTS dos últimos três anos, fato que levou Maria à
Justiça do Trabalho. O juiz julgou procedente o pedido, condenando a empresa a pagar a
diferença da multa. Inconformada, a empresa interpôs recurso ordinário, o qual foi conhecido
e improvido. Ainda inconformada, interpôs recurso de revista, alegando divergência entre a
decisão do TRT e um julgado da SDI-1 do ano de 2005, no qual a Seção de Dissídios Individuais
expressamente diz que a aposentadoria voluntária rescinde o contrato de trabalho.
Considerando que o recurso de revista é tempestivo, encontrando-se prequestionada a
matéria, sendo interposto por advogado com procuração nos autos e se encontra
devidamente preparado, pergunta-se: o recurso deve ser conhecido?

55 – Romerito manteve relação de emprego com a Empresa Sol e Chuva no período de


agosto de 1999 a junho de 2004, sendo certo que a sua carteira de trabalho não foi anotada
pelo empregador. Precisando do registro, para fins de instruir ação a ser proposta contra o
INSS, Romerito procurou um advogado, o qual protocolou, em agosto de 2010, na Justiça do

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Trabalho, reclamação trabalhista, pleiteando o registro na CTPS do obreiro. Na contestação, a
reclamada silenciou sobre os fatos narrados na petição inicial, suscitando, em sua defesa, a
tese única de prescrição, nos termos do artigo 7º, XXIX, CF. O juiz do trabalho acolheu o
requerimento da reclamada, declarando prescrita a pretensão e extinguindo o processo com
resolução do mérito. Responda, de forma fundamentada, se o juiz acertou em sua decisão.

56 – Prolatada sentença de primeiro grau, condenando o empregador a pagar horas extras, o


decisum não foi objeto de recurso. Na execução, o empregador foi surpreendido com a
cobrança da contribuição previdenciária decorrente das referidas horas extras, não se
conformando, porquanto a sentença nada disse a respeito do tema. Diante da omissão do
julgado, poderia o juiz do trabalho cobrar contribuições previdenciárias do executado?

57 – Benedito ajuizou reclamação trabalhista contra a empresa Rufus Ltda., que presta serviço
à empresa Zulu S.A., arrolando, no pólo passivo, ambas as empresas. À audiência
compareceram Benedito, os prepostos das empresas e um advogado para cada parte.
Proferida a sentença, a empresa Zulu S.A. interpôs recurso ordinário no prazo de dezesseis dias,
utilizando-se da prerrogativa de que havia litisconsórcio passivo com procuradores diversos.
Não obstante sua arguição, o recurso interposto foi considerado intempestivo pelo juízo a quo.
Considerando a situação hipotética acima apresentada, responda, de forma justificada, se o
primeiro juízo de admissibilidade do recurso agiu corretamente.

58 – Dália trabalhou para a empresa Luma Ltda., de 19/10/2005 a 15/9/2007, quando teve seu
contrato rescindido sem justa causa. Ajuizou reclamação trabalhista em 20/8/2009, pleiteando
a integração, nas verbas rescisórias, das horas extras devidamente prestadas durante todo o
período do vínculo empregatício. Por motivo de viagem ao exterior, Dália não pôde
comparecer à audiência de conciliação, ocorrida dois meses após o ajuizamento da ação.
Ciente do arquivamento do processo, ajuizou nova reclamação, acrescendo à sua inicial o
pedido de pagamento do décimo terceiro proporcional relativo a 2007, ainda não pago na
referida rescisão. A empresa, em sua defesa, arguiu, preliminarmente, a ocorrência da
prescrição, requerendo a extinção do processo com julgamento do mérito. Considerando
essa situação hipotética, esclareça, de forma fundamentada, se é procedente o pedido de
prescrição no presente caso.

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59 – Lupércio, contratado pelo Banco XY S.A., cumpria, no exercício da função de engenheiro,
regime de trabalho semanal de quarenta horas, trabalhando oito horas diárias, de segunda a
sexta-feira. Após ser demitido, o referido empregado ajuizou reclamação trabalhista,
pleiteando o reconhecimento da jornada de trabalho especial aplicada aos bancários (seis
horas diárias ou trinta horas semanais), em conformidade com o disposto no art. 224 da CLT.
Nessa situação hipotética, Lupércio faz jus à jornada de trabalho especial dos bancários?
Fundamente sua resposta.

60 – Em determinada reclamação trabalhista, o juiz proferiu a sentença em 5/3/2010 (sexta-


feira), tendo, na oportunidade, dado conhecimento sobre o seu teor a ambas as partes. Em
12/3/2010 (sexta-feira), o advogado da reclamada, uma indústria química, interpôs o recurso
de embargos de declaração via fac-símile. Em 19/3/2010 (sexta-feira), o recurso original foi
devidamente protocolizado no órgão competente. Considerando a situação hipotética
apresentada e sabendo que o pedido dos embargos de declaração possui efeito
modificativo, responda, de forma fundamentada, se os embargos de declaração devem ser
considerados tempestivos.

61 – Em fiscalização de rotina, a empresa Panda Gravações Ltda. foi autuada por auditores
do Ministério do Trabalho e Emprego, que constataram irregularidades concernentes à
situação dos empregados e às condições de trabalho na empresa. Os proprietários de Panda
Gravações Ltda., acreditando estarem os autos de infração viciados por ilegalidade,
procuraram auxílio de profissional do direito. Em face dessa situação hipotética e com base na
legislação de regência, indique a medida judicial adequada para combater os autos de
infração recebidos e aponte o foro competente para apreciar a demanda.

62 – O representante legal da empresa Antares Topografia apresentou ao advogado da


empresa cópia de petição inicial em nome de ex-empregado, por meio da qual o
trabalhador requer o afastamento de justa causa a ele aplicada em virtude de acidente de
trânsito. Relatou o reclamado ao advogado que o trabalhador colidira veículo da empresa
com uma árvore. Apresentou, ainda, cópia de laudo oficial comprovando que o reclamante
estava completamente alcoolizado na ocasião do sinistro, bem como cópia da nota fiscal

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relativa aos custos do conserto do veículo. Em face dessa situação hipotética, responda, de
forma fundamentada, às seguintes indagações.
A) Pode a empresa buscar o ressarcimento dos danos por meio de resposta na referida
reclamação trabalhista ou deve ajuizar ação própria para tanto?
B) Pode o advogado da empresa, sob sua responsabilidade pessoal, declarar à justiça do
trabalho a autenticidade da cópia da documentação recebida de seu cliente?
C) Pode a justiça do trabalho intimar a parte, por meio de seu advogado, para a
apresentação das cópias autenticadas ou dos próprios originais dos documentos?

63 – Cláudio ajuizou reclamação trabalhista contra a empresa Delta, requerendo créditos de


natureza indenizatória e salarial. À ocasião da audiência inaugural, foi homologado acordo,
tendo sido fixadas verbas exclusivamente de natureza indenizatória, sem nenhuma incidência
previdenciária sobre o crédito acordado. Em face dessa situação hipotética, responda, de
forma fundamentada, às seguintes indagações.
A) Caso o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) entendesse devidas contribuições
previdenciárias sobre o acordo, que remédio jurídico seria cabível?
B) De que prazo o INSS dispõe para tanto?

64 – Jair é juiz de direito investido de jurisdição trabalhista no município de Santana. Seu tio
Marcos e seu primo Lino propuseram reclamações trabalhistas distintas contra o frigorífico
Transcarnes, antigo empregador dos dois, que se localiza no referido município. Em face dessa
situação hipotética, responda, de forma fundamentada, às seguintes indagações.
A) Jair é obrigado a declarar-se suspeito para o julgamento de ambas as lides?
B) No caso de oposição de exceção de suspeição pelo advogado da empresa, cabe recurso
da decisão se esta não tiver cunho terminativo?
C) Caso seja julgada procedente a exceção de suspeição, de que forma deverá ocorrer a
substituição de Jair?

65 – Suponha que o advogado de um sindicato de empregados da construção civil, após


cinco tentativas frustradas de negociação junto ao sindicato patronal, entenda necessário
provocar a atuação da justiça do trabalho para a fixação de percentual de reajuste salarial.
Suponha, ainda, que o sindicato patronal concorde com tal providência. Em face dessa

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situação hipotética, responda, de forma fundamentada, às seguintes indagações. A) Que
ação deverá ser proposta? B) Que órgão da justiça do trabalho terá competência para o
julgamento da matéria? C) Quem será o responsável legal para atuar em nova tentativa
conciliatória perante a justiça do trabalho? D) Tal responsável ficará adstrito às propostas das
partes litigantes?

BOA PROVA 

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