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Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ

Componente curricular: Bioquímica


Profa. Dra. Antonilêni F. D. Medeiros Melo
Definição

As enzimas são um grupo de substâncias


orgânicas, de natureza geralmente proteica, que
têm função catalítica e aumentam sensivelmente a
velocidade de reações químicas, adaptando-as às
condições do organismo.

Nem todas as enzimas são proteínas. Existem


enzimas constituídas de RNA, as ribozimas, com
atividade intra ou extracelular.

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Aspectos relevantes

 Reações necessárias às células vivas não


aconteceriam em velocidades suficientemente
altas, no pH e na temperatura do corpo sem as
enzimas

 São catalisadores: aumentam o ritmo de uma


reação química, mas não alteram o processo

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Aspectos relevantes

 As enzimas diminuem a energia de ativação


necessária para converter o substrato no produto.
As enzimas não são consumidas na reação e não
alteram seu equilíbrio químico

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 São os catalisadores mais eficientes conhecidos,
podem aumentar a veloc. de uma reação até 1014
vezes, enquanto catalisadores não–enzimáticos
aumentam de 102 a 104 vezes

 Reações catalisadas ocorrem em condições mais


brandas (pH neutro, 1 atm, 37ºC)

 As enzimas possuem uma especificidade maior


que os catalisadores químicos em relação à
identidade do substrato(s) e do(s) produto(s).
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Propriedades

 Agem como catalisadores nas reações químicas


em sistemas biológicos

 Ao final das reações que catalisam, as enzimas


apresentam sua forma original

 São sintetizadas pelas próprias células

 Têm concentração de atividade moduláveis


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 Apresentam especificidade enzimática – a
especificidade reside no sítio de ligação ao
substrato

 São compartimentalizadas nas organelas


citoplasmáticas

 Apresentam alto peso molecular

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Estrutura enzimática

 São proteínas globulares de diferentes


tamanhos

Enzimas maiores são formadas por duas ou mais


cadeias de peptídeos

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 A natureza proteica da enzima restringe valores
de pH ótimo e calor de inativação

 Algumas enzimas requerem um componente


químico adicional não protéico (grupo prostético):

Cofator: íons inorgânicos


Coenzima: molécula orgânica

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Mecanismo de atividade enzimática

 Sob condições biológicas relevantes, as reações


não catalisadas tendem a ser lentas

 As reações catalisadas enzimaticamente ocorrem


no interior dos limites de uma cavidade na enzima
chamada ativo

 A molécula que se liga ao sítio ativo e sofre a


ação da enzima é chamada substrato
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E + S ES EP E + P
 Ocorre formação do complexo enzima-substrato

A função de um catalisador é aumentar a


velocidade de uma reação

 Os catalisadores não afetam o equilíbrio da


reação
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Existe uma barreira energética entre S e P que
representa a energia necessária para o
alinhamento dos grupos químicos reagentes,
formação de cargas transientes instáveis,
rearranjos de ligações e outras transformações
necessárias para que a reação ocorra em uma das
direções

S P

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S P

 O estado de transição não deve ser confundido


com um intermediário como ES ou EP
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 A vel. da reação reflete a Ea, isto é, uma Ea 
corresponde a uma reação lenta

 A vel. das reações pode ser  de duas formas:

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 Os catalisadores  a vel. das reações  a Ea

 Qualquer enzima que catalisa a reação S P


também catalisa a reação P S

 Quando a reação S P é catalisada por uma


enzima, os complexos ES e EP são os
intermediários

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A energia derivada da interação enzima-
substrato é chamada energia de ligação

 A energia de ligação é a maior fonte de energia


livre usada pelas enzimas para  a Ea das reações

 As interações de ligações fracas entre a enzima


e o substrato fornecem a maior parte da força que
dirige a catálise enzimática

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Especificidade do substrato

 1894 – Emil Fischer, modelo chave -fechadura

Enzimas e os substratos apresentam formas


geométricas complementares, permitindo o encaixe
preciso
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 1946 – Linus Pauling, uma enzima
deve ser complementar ao estado
de transição

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Ajuste induzido

 1958 - Daniel Koshland sugeriu uma modificação ao


modelo de chave-fechadura

 As enzimas exibem estruturas flexíveis, o sítio ativo


altera a sua forma de maneira continuada através de
interações com o substrato, ajustando-se a ele
gradativamente

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Ajuste induzido

Modelo de ajuste induzido proposto por Daniel Koshland (foto)

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Fatores que influenciam a atividade enzimática

 Concentração do substrato – a velocidade inicial


de uma reação catalisada por enzimas depende da
concentração do substrato (S)

 A vel. de uma reação enzimática  com a


concentração de substrato até o limite de
saturação da enzima

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Choques efetivos entre a enzima e o substrato em diferentes
sistemas. (A) baixa concentração do substrato; (B) concentração
intermediária do substrato; (C) alta concentração do substrato

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Fatores que influenciam a atividade enzimática

Temperatura –  da T
provoca um  da energia
cinética das moléculas  sua
mobilidade e, portanto, a
frequência de colisão entre
elas

 Até o limite de T em que


começa a haver desnaturação
proteica
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Fatores que influenciam a atividade enzimática

 pH – a maioria das enzimas apresenta pH para o qual


sua atividade é máxima

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Cinética enzimática

Equação de Michaelis-Menten

 Esta equação descreve como a velocidade da


reação varia com a concentração do substrato; 27
A concentração de
substrato que produz
metade da velocidade
máxima é a constante de
Michaelis, Km, que é
característica para cada
enzima agindo sobre
determinado substrato

 A vel. da reação é diretamente proporcional a


concentração da enzima
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Leonor Michaelis Maud Leonora Menten

Enzima Substrato

Km = metade das enzimas Vm = todas as enzimas estão ligadas ao


trabalhando substrato 29
 [S] é muito , a vel.
da reação é proporcional
à conc. do substrato

[S] é muito , a vel. da


reação é independente
da conc. do substrato

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Atividade enzimática afetada pelo pH

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Inibidores enzimáticos

A atividade enzimática pode ser diminuída por


grande número de substâncias, genericamente
chamadas de inibidores

Inibidor – qualquer substância capaz de inibir a


velocidade de uma reação catalisada por enzimas

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 Os inibidores enzimáticos habitualmente
encontrados nas células cumprem um papel
regulador importante

 A possibilidade de inibir reações enzimáticas é


um campo aberto para aplicações farmacológicas

 Os inibidores podem ser classificados de acordo


com a reação com a enzima em inibição
reversível e irreversível
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Inibição reverssível

Não envolve ligações covalentes e se revertem


pela retirada do inibidor

 Competitiva

 Incompetitiva

 Mista

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Inibição Competitiva

 Um inibidor competitivo compete com o


substrato pelo sítio ativo da enzima

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 Os inibidores competitivos são compostos cujas
estruturas moleculares são semelhantes a do
substrato, sem contudo propiciar catálise

O efeito é revertido aumentando-se a


concentração de substrato

 Este tipo de inibição depende das concentrações


de substrato e de inibidor

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Inibição Incompetitiva

 Um inibidor incompetitivo se liga em um sítio


diferente do sítio ativo do substrato, porém liga-se
apenas ao complexo ES

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Inibição Mista
 Um inibidor misto se liga em regiões diferentes do
sítio ativo, mas podem se ligar tanto a E como a ES

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Inibição irreversível

O inibidor irreversível se combina de forma


covalente a enzima, ou destrói, ou forma
associações estáveis bloqueando o local de ligação

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Enzimas de importância clínica

Algumas enzimas são encontradas em tecidos


específicos ou em número limitado desses tecidos
 Lactato desidrogenase (LDH)
 Creatina quinase (CK)

- Podem existir em formas diferentes, chamadas


isoenzimas

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Enzimas de importância clínica

 Lactato desidrogenase (LDH)


- Formada por 2 tipos diferentes de subunidades:

M3 H M2H2 MH3 M4 H4
Formas heterogêneas Formas homogêneas

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Enzimas de importância clínica

H Encontrada no músculo cardíaco


M Encontrada no músculo esquelético

- As subunidades diferem levemente na


composição de aminoácidos
- Podem ser separadas por eletroforese ou
cromatografia baseada nas cargas
- A LDH existe nas diversas isoformas dependo
da origem das subunidades
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Enzimas de importância clínica
- Um aumento em qualquer forma de LDH no
sangue caracteriza dano ao tecido!

- Costumava-se diagnosticar IAM por  LDH no


músculo cardíaco 43
Enzimas de importância clínica

 A Creatina quinase (CK) também tem


diferentes formas

- Aparecimento do tipo cerebral = derrame


- Aparecimento do tipo cardíaco = infarto
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Enzimas de importância clínica

 CK aparece mais rapidamente que a LDH


após o IAM

 O monitoramento presença das duas enzimas


amplia o diagnóstico
- É difícil diagnosticar um infarto brando!
- Um nível elevado da isoenzima cardíaca no
sangue é um indicação definitiva de dano
cardíaco
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Enzimas de importância clínica

 A amilase e o diagnóstico da pancreatite

 As aminotransferases na avaliação da função


hepática

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Enzimas de importância clínica

 Fármacos desenvolvidos que são inibidores de


enzimas.
- Inibidores da AChE: mantêm a função
cognitiva num nível constante, além de melhorar
as condições gerais
- Na presença dos inibidores, há um aumento na
concentração e no tempo de ação da acetilcolina
na sinapse.

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Enzimas de importância clínica

 AIDS
- São inibidores de proteases do vírus HIV que
previnem que células T infectadas produzam
novas cópias do vírus
- Prolonga-se a vida do paciente
- Os inibidores usados na clínica são: Ritonavir,
Saquinavir, Nelfinavir e Indinavir.

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Profa. Dra. Antonilêni F. D. Medeiros Melo

End. eletrônico: antonileni.medeiros@unipe.br